terça-feira, novembro 10, 2009

JOSÉ SERRA

Enfrentar as mudanças climáticas

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/11/09


A nova lei paulista compromete o governo e orienta a sociedade sobre as formas de abrandar o lançamento de gases-estufa


PROMULGUEI ontem uma lei que estabelece a Política Estadual de Mudanças Climáticas. Já passava da hora. Nações, governos e sociedade precisam acelerar suas agendas visando enfrentar esse enorme desafio jamais enfrentado pela humanidade: o aquecimento global. São Paulo assume vários compromissos até 2020, incluindo a meta de redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa (GEEs), tomando como base o ano de 2005. Haverá redução de 24 milhões de toneladas de CO2. Nada será fácil. A próxima década exigirá uma difícil transição rumo à nova economia verde. As próximas gerações merecem qualidade de vida. O derretimento acelerado das geleiras encurta as margens de dúvida.
O fenômeno das mudanças de clima, causado pela ação antrópica, afeta todo o planeta. Embora os países desenvolvidos tenham sido os que mais contribuíram para essa situação, pouco adianta ficar discutindo sobre a culpa passada pelo desastre ambiental que se evidencia no presente.
Ninguém dele escapará.
A decisão de assumir metas quantitativas de redução dos GEEs demonstra firmeza da política ambiental paulista. Precisamos construir um novo padrão de produção e consumo, com bases sustentáveis.
Não há antagonismo necessário entre proteger o meio ambiente e promover o crescimento econômico.
Enormes oportunidades de investimentos se abrem em setores emergentes, no aperfeiçoamento tecnológico, nas energias renováveis, no transporte não rodoviário, na reciclagem, na agricultura sustentável.
Em cada ramo da economia paulista há uma agenda promissora e competitiva. Milhares de postos de trabalho deverão ser gerados na fabricação de equipamentos, na melhoria de processos produtivos, nas obras de infraestrutura, nos modais de transporte, nos serviços alternativos.
Tais modificações, porém, por afetar o modo de produção, exigem ativismo do Estado, estimulando e empurrando a agenda de transformações. A Nossa Caixa Desenvolvimento está sendo preparada para tal finalidade, ajudando a financiar as melhorias tecnológicas. A Fapesp já aloca recursos vultosos na pesquisa científica. O IPT se voltará às novas tecnologias que reduzem a quantidade de energia não renovável por unidade de produto. Políticas fiscais e tributárias serão utilizadas para reduzir custos dos setores ambientalmente corretos.
No transporte urbano, o governo estadual implementa um inusitado programa de metrô e trem metropolitano. O rodoanel, ao reduzir congestionamentos e permitir que a ligação entre as estradas se dê ao largo das áreas mais urbanizadas, representa um caso exemplar de obra gigantesca, com preservação do meio ambiente.
Um Estado ativo não teme a agenda ambiental.
Na maior parte do país, as emissões se originam no desmatamento. Em São Paulo, sua fonte principal é a energia fóssil, consumida no transporte de carga e na indústria. Só o transporte é responsável por 29% das emissões de CO2 do Estado.
O uso de biomassa para a produção energética e a expansão do uso de energia eólica, solar e hidroelétrica oferecem vastas oportunidades a explorar. São impressionantes os ganhos possíveis: por exemplo, cerca de 90% do transporte de mercadorias se faz em caminhões, com quase 50% das viagens sem carga. É consumo "inútil" de energia, desgaste da infraestrutura, perda de tempo.
As políticas ambientais iniciadas na década de 1970 estavam focadas nos danos à saúde causados pela poluição das chaminés e na garantia de recursos naturais ofertados para a exploração econômica. Mais tarde, a biodiversidade também passou a ser o foco da atenção de toda a sociedade.
Contribuiu para tanto a mobilização de entidades ambientalistas e o maior conhecimento científico adquirido pela academia. A Cetesb cumpriu papel fundamental nesse trabalho de controle ambiental.
Agora, ainda nem vencida essa fase inicial, surge a necessidade de enfrentar o drama maior das mudanças climáticas. A nova lei paulista compromete o governo e orienta a sociedade sobre as formas de abrandar o lançamento de gases-estufa. Traça linhas claras e objetivas de enfrentamento do problema e estabelece um calendário para seu cumprimento.
Todos parecem concordar, em tese, com o desenvolvimento sustentável. Mas, na prática, poucos sabem executá-lo. São Paulo vai enfrentar essa transformação. A redução das queimadas de cana-de-açúcar e a recuperação das matas ciliares na agricultura (396 mil hectares cadastrados na SMA) comprovam que é possível compatibilizar a produção com a preservação ambiental. Cerca de 700 mil hectares de cana deixaram de ser queimados desde a vigência do protocolo agroambiental assinado com o setor sucroalcooleiro. Isso significou uma redução de 8,2 milhões de toneladas de CO2 lançada na atmosfera.
É preciso ter coragem e determinação na política ambiental: ou se encara de frente a problemática ambiental ou o futuro da civilização estará comprometido. Quanto mais o Brasil ousar, maior será o poder de pressão da comunidade internacional sobre os países que resistem à mudança.

JOSÉ SERRA, 67, economista, é o governador de São Paulo. Foi senador pelo PSDB-SP (1995-2002) e ministro do Planejamento e da Saúde (governo Fernando Henrique Cardoso) e prefeito de São Paulo (2005-2006).

GOSTOSA


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DORA KRAMER

''Brasil terá papel vital em Copenhague''

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/11/09


Terminaram em impasse as negociações de Barcelona - as últimas oficiais antes do encontro sobre clima de Copenhague: todos continuam dizendo que o problema é grave mas não se chega a um acordo para resolvê-lo. Nenhum sinal, também, de quem financiará o esforço para a redução das emissões de carbono.
"O Brasil terá uma importância vital nas reuniões", avisa o sueco Johan Eliash, assessor especial de Gordon Brown para o meio ambiente, ecoando a opinião do próprio primeiro-ministro britânico que defende tornar o G-20 uma alternativa às Nações Unidas para o debate das questões climáticas.
Em passagem por São Paulo, semana passada, o empresário - que tem terras na Amazônia e é casado com Ana Paula Junqueira, agora no PV - destacou, em conversa com a coluna, o papel central da delegação brasileira: "Para que a redução das emissões dê certo, não dá para a Amazônia ficar de fora".
É razoável a proposta brasileira de reduzir 80% das emissões até 2010? "É muito boa, se o Brasil conseguir implementá-la."
Acha que o Brasil vem tratando com seriedade a Amazônia? "O Brasil tem boas intenções. Tenho certeza de que está fazendo o melhor, por ter consciência de sua importância no planeta."
O que pretende fazer Gordon Brown em Copenhague? "Ele vai ser, sem dúvida, um dos líderes do debate. Tem como fazer o meio de campo com competência, ser um catalisador."
E Obama? "Obama em si não é o problema. E sim o Congresso americano que terá que aprovar o que o presidente dos EUA acertar, o que não será fácil."
E o papel da China? "Sem a China não vamos a lugar nenhum. E o mesmo podemos dizer sobre a Índia."


Luta contra o tempo
E crescem o trabalho e as preocupações para Nelson Jobim. O ministro recebeu ontem a primeira versão do relatório do BNDES e da McKinsey com o diagnóstico sobre a situação do setor de aviação no Brasil.
No dia 23, aprofunda o debate com os consultores e o banco sobre o maior entrave nessa área: os aeroportos de São Paulo.

Contra o tempo 2
O fato é que a situação se agrava a cada dia, pois o aquecimento da economia, aumentando a demanda de voos, em nada combina com a lentidão do governo Lula na busca de soluções para o problema aeroportuário.
Exemplo? Para contornar decisão do TCU que vetou pagamento em obra da Queiroz Galvão, Constran e Serveng, Nelson Jobim anunciou, em agosto, que o Exército faria a complementação urgente em Cumbica.
Até agora, nada.

Saci X Zé Carioca
Zé Carioca e Saci Pererê travam duelo sério pelo posto de mascote oficial da Copa do Mundo do Rio.
O papagaio é a aposta da prefeitura do Rio e o perneta fumador é defendido pela Sociedade dos Observadores de Saci. Mouzar Benedito, fundador da Sosaci, alega que Zé Carioca é uma invenção da Disney.

Zé Carioca X Saci 2
Os "observadores" também estão em campanha pelo Curupira para mascote da Copa. Mas nesse caso ele corre por fora, até porque tem os pés virados para trás...

Brilhante branco
Uma trufa branca de 750 gramas foi vendida domingo em leilão no castelo de Grinzane Cavour, no norte da Itália. Por 100 mil euros.

Re-parceria
Gael García Bernal e Walter Salles almoçaram juntos, domingo, no Maní.
Novos projetos a vista?

Bronze do Baú
A lotação no Guarujá vai aumentar ainda mais neste verão. Patricia Abravanel sugeriu, Silvio Santos aprovou e o Jequitimar será transformado em um grande estúdio.
Até o Domingo Legal será gravado no hotel da família.

Espelho meu
Luiz Carlos Barreto não desistiu e quer levar Lula para pré-estreia pública do longa sobre sua vida em Recife. Para tanto, o Aerolula, a caminho de Roma, faria escala, sexta.
Caso não dê certo a sugestão, Lula verá o filme durante o voo para a Itália.

Eu voltei
Campinas adotou método polêmico para resolver o problemas de seus moradores de rua: decidiu reenviá-los de volta para a terra natal, com tudo pago. Proposta já aceita por 106 deles.

Sinos e trenó
Não basta ser a maior árvore flutuante do mundo: a Árvore de Natal da Lagoa, no Rio, acende suas luzes, dia 5, em grande estilo.
Com José Mayer de mestre-de-cerimônias, Simone cantando, coral da Fundação Bradesco e Sinfônica de Barra Mansa.

Na Frente

Marcos Vilaça - que volta à presidência a Academia Brasileira de Letras em dezembro - vai destinar ao Retiro dos Artistas a renda da venda de sua fotobiografia, lançada ontem.

Para comemorar os 90 anos da Bauhaus, a Casa Vogue convidou 10 designers para criarem peças inspiradas no movimento alemão. Que estarão expostas a partir de hoje, na Ovo.

Luiz Caversan lança seu livro Como Fazer Jornal Todos os Dias. Hoje, na Saraiva do Shopping Higienópolis.

Arthur Nestrovski lança seu livro Outras Notas Musicais. Amanhã, na Livraria da Vila dos Jardins.

O almoço de domingo no Rodeio reunia desde Constantino Júnior a Paulo Skaf, passando por Marcia Goldsmith e Cristiana Arcangeli. Rondando mesas, Marcos Faria.

Caetano Veloso, no fim de semana, homenageou Neguinho do Samba, do Olodum, em seus três shows: "Me procuraram para falar de Lévi-Strauss, mas Neguinho foi mais importante para mim do que ele."

São Paulo, capital dos dinossauros do show biz internacional. Só em 2009 foram somados mais de quatro séculos de história. Com os shows de Charles Aznavour, 85; B. B. King, 84; Tony Bennett, 83 e Chuck Berry, 82. Na turma dos caçulas, Jerry Lee Lewis, 74, e Buddy Guy, 73.

MÍRIAM LEITÃO

Mundo plural

O GLOBO - 10/11/09


Milan Kundera escreveu no ensaio “O homem do Leste” que nos anos 60 ele teve que deixar sua pátria e ir morar em Paris. Lá, atônito, descobriu que era considerado “um leste europeu exilado”. A República Checa, diz ele, sempre esteve geograficamente na Europa Central e suas origens nunca foram russas. Nem sua cultura ou história.

Seu alfabeto nunca foi o ciríli

O Muro erguido em 1961 fez mais do que fraturar a joia europeia, Berlim. Fez pior que dividir o mundo em dois, criar uma lógica bipolar, separar famílias e um país. O Muro criou uma simplificação grosseira que transformou numa massa uniforme todos os que ficaram do lado de lá, todos os países submetidos ao poder soviético. Ainda hoje, vinte anos depois da queda do Muro, e da Revolução de Veludo, que separou pacificamente a República Checa da Eslováquia, o mundo ainda se refere a todos eles como países do Leste Europeu.

Ficou como um cacoete que simplifica o complexo e eterniza o fantasma do mundo soviético.

Hoje, dez deles já estão na União Europeia, mas ainda há quem repita a mesma divisão arbitrária do mundo, feita após a Segunda Guerra Mundial. Kundera diz no texto que se ofendia duplamente no exílio: seu país estava ocupado por uma potência estrangeira, e ele se sentia cultural e geograficamente expropriado.

O mundo bipolar, além de tudo, emburrecia. Hoje, há quem se lembre que nem todos os sonhos se cumpriram, que Alemanha Oriental e Ocidental ainda são desiguais, que a época de ouro que se sonhou possível, após a queda do Muro de Berlim, não foi exatamente como se imaginava.

Toda insatisfação é verdadeira.

Não há mundo perfeito, há apenas mundos melhores que outros. E o atual é melhor, a despeito de todos os problemas.

Houve momentos terríveis após a queda do Muro.

O pior deles, sem dúvida, se passou na antiga Iugoslávia, que era considerada pelo mundo capitalista como uma versão suavizada do comunismo, um país multiétnico e multicultural que tinha conseguido organizar as suas diferenças num mesmo espaço. Os dez anos de guerras étnicas deixaram 140 mil mortos para mostrar ao mundo que não se faz uma unidade à força e que o ódio se manteve intacto dentro de um regime de opressão.

A revista inglesa “Economist”, no texto sobre o assunto, lembra que agora um europeu pode dirigir do Mar Báltico ao Mediterrâneo sem ter que exibir seu passaporte em fronteiras que antes eram marcadas por minas terrestres. Lembra também que até a Albânia hoje faz parte da Otan. O que leva a pensar como é ultrapassado o tratado do Atlântico Norte, que se opunha ao Pacto de Varsóvia.

O ano 1989 também se desdobra em múltiplos acontecimentos pelo mundo.

No Brasil, foi a primeira eleição direta depois de 25 anos da ditadura imposta dentro da lógica da Guerra Fria. Na China, foi o ano em que o sonho de liberdade foi massacrado na Praça da Paz Celestial. O governo acelerou a abertura econômica produzindo duas décadas de crescimento forte, como se isso compensasse.

Mas a muralha política permanece oprimindo. Tanto que no aniversário de 20 anos do levante estudantil, o Partido Comunista ainda teve que usar a força para evitar comemorações indesejadas.

Na Rússia, o poderio de Vladimir Putin, que se eterniza governando diretamente ou através de interpostas pessoas, lembra em tudo o velho mundo soviético com seus ditadores longevos. Está ainda muito longe de poder ser chamada de democracia. O assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, em 2006, não deixou qualquer dúvida sobre a natureza do regime, apesar das eleições regulares no país.

Na economia, a Rússia encolheu e hoje é quem tem mais dificuldade entre os BRICs de atravessar a crise econômica, por erros internos.

Ao contrário da China, Índia e Brasil, a Rússia tinha sub-prime: as empresas estavam superendividadas. Isso sem falar na excessiva dependência do petróleo.

O mundo pós-Muro de Berlim está longe de ser perfeito. Mas há pontos de esperança. A unificação alemã não tem sido fácil. O déficit público aumentou muito, os gastos do governo, com o lado que era a antiga Alemanha Oriental, foram tão altos, que deixaram os moradores do lado ocidental com a sensação de que eles pagaram uma conta pesada demais.

O desemprego no lado oriental é o dobro da taxa do lado ocidental, alimentando as diferenças. Berlim não voltou a ter os investimentos e o peso econômico que já teve no passado.

A Alemanha terminará este ano com o PIB negativo, por causa da crise internacional. Há várias dificuldades, mas a Alemanha é a maior economia da Europa, um país renovado, onde fábricas poluidoras foram fechadas, a infraestrutura foi refeita. É um país que se reencontra a cada dia. E, o melhor: não há mais o Muro, aquele aleijão, aquela fratura no meio de uma história comum, como uma cicatriz da guerra que rasgou o perdedor em dois e o submeteu, por décadas, a lógicas estrangeiras.

Milan Kundera diz, no seu ensaio, que seu país teve referências ocidentais como o renascimento, as artes gótica e barroca; e processos históricos comuns com a Alemanha. Um dos símbolos nacionais é o teólogo Jan Hus, que o alemão Lutero reconhecia como seu precursor na reforma protestante.

Segundo o escritor, se a verdade histórica e cultural da antiga Boêmia não for reposta nunca, Hus, que foi reitor da Universidade de Praga, terá que passar a eternidade junto com Ivan, o Terrível, com o qual nada tem em comum. O mundo bipolar, além de tudo, apagava a beleza da pluralidade cultural.

UNIBAN


REUNIÃO DOS ALUNOS DA UNIBAN

ARI CUNHA

Festa em Brasília

CORREIO BRAZILIENSE - 10/11/09


Dez de novembro será de festejos. O presidente de Israel, Shimon Peres, estará no Distrito Federal e receberá o título de cidadão honorário. Shimon Peres está completando 86 anos. O título é o primeiro da Câmara Legislativa a um homem exclusivamente dedicado à paz no Oriente Médio, no trabalho que desenvolve entre judeus e palestinos. Instituição que preside em Israel dá ocupação a crianças e jovens e estimula o bem viver, recebendo ensinos do Prêmio Nobel da Paz. Muitos frutos são colhidos no ambiente que Shimon Peres desfruta e transmite aos jovens.


A frase que não foi pronunciada

“Brasil, elogie-o ou cale-se.”
» O velho “ame-o ou deixe-o” em tempos de democracia.



Gratidão
A família do ex-comandante coronel Lebre Pereira do Colégio Militar de Brasília e de outras instituições, às quais se dedicou com patriotismo e esforço, agradece à equipe do Hospital Geral do Exército pela dedicação e presteza. Tratamento e atendimento dados são dívida de gratidão dos familiares.

Fator eleitoral
Deputado federal Virgílio Guimarães avisa que a Câmara está estudando a melhor forma de não prejudicar os aposentados. Ele quer soluções sólidas. “Esse assunto é suprapartidário. Não vamos permitir gracinha eleitoral.”

De branco
Em Brasília, um fenômeno curioso vem acontecendo. As noivas que buscam as igrejas mais badaladas para casar entram em uma fila, às vezes por mais de um ano. Assim que a agenda abre, cadeiras de praia aparecem às 4h da manhã na porta da paróquia para reservar o grande dia.

Guerra
Maria Mercedes Bendati, da Secretaria Municipal contra a Dengue, no Rio Grande do Sul, prepara a estratégia de guerra contra o mosquito Aedes aegypti. Mais de 12 mil casas serão visitadas em 81 bairros da capital por 70 funcionários.

Novidade
Quem não paga água, telefone, gás e luz em dia é penalizado com o corte do fornecimento. Para o deputado Vinícius Carvalho, já é o suficiente. Ele quer impedir que o nome do consumidor inadimplente com serviços públicos seja incluído em cadastro de restrição ao crédito.

Infraestrutura
Pior do que os buracos no asfalto que renascem com a chuva são as crateras cobertas pela lama. O Pró-DF está um caos nas ruas de acesso. Não há escoamento pluvial. Os prejuízos são grandes.

Restrição
Amazônia, Pantanal, Bacia do Alto Paraguai e áreas de produção de alimento devem ter restringido o plantio de cana-de-açúcar. Amanhã, quarta-feira, o assunto vai ser discutido na Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados. O convite é do deputado Silas Câmara e de Antonio Feijão.

Bombástica
Também amanhã, a Câmara resolverá um assunto de grande abrangência. Portais de notícias não obedecem a regras de propriedade. A ideia dos deputados federais Eduardo Gomes e Gustavo Fruet é que o artigo 222 da Constituição discipline com as mesmas restrições ao capital estrangeiro que trata das empresas jornalísticas e de rádio.

Prevenção
Líquidos inflamáveis são separados das moradias por alambrados. Em quadras comerciais e habitacionais, o absurdo está a céu aberto. Defesa Civil, Bombeiros e órgãos competentes não impedem as instalações próximas, que coloca vidas em risco.


História de Brasília

No caso da Cidade Livre, a prefeitura deve agir com prudência e pulso forte. Sábado, por coincidência, quando se preparavam para receber a visita do prefeito Paulo de Tarso, as pessoas presentes ficaram surpresas quando o serviço de alto-falantes da Casa Irará começou seu programa musical com uma marchinha que lembrava bem aquela do “Cordão dos Maiorais”. (Publicado em 17/2/1961)

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Uniban tem moral de jegue!

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/11/09



Agora as alunas da Uniban têm três opções de modelo: burca, xador e saco de lixo!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Fora, Uniban! Pela descriminalização das gostosas! A Loira da Uniban! Esse foi o grande babado da semana: "Uniban expulsa estudante de minissaia". Aquela loira da minissaia que quase foi apedrejada, estripada e espancada pelos universitários. Os UNIVERSOTÁRIOS!
E Uniban vira Taleban! E os alunos da Uniban que foram no programa da Lucianta Gimenez? Um aluno disse: "Estão DEFAMANDO a universidade". E outro: "Querem DEGRENIR a universidade". Agora as alunas têm três opções de modelo: burca, xador e saco de lixo! Minissaia de novela da Globo nem pensar!
Aliás, sabe como chamam aquelas minissaias da novela da Globo? Abajur de perereca! Rarará! O caso saiu até no "New York Times" e "Guardian"! E corre no Twitter a melhor manifestação a favor da aluna: PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DAS GOSTOSAS. Rarará!
A Uniban alega que a menina gostava de provocar os meninos. Como disse uma amiga minha: "E quem não gosta?". Rarará! E como disse o Xico Sá: "Muda a placa Cuidado/Escola para Cuidado/Uniban"!
E diz que a Uniban está em penúltimo lugar no ranking de universidades. Mentira! Estão DEFAMANDO e DEGRENINDO a universidade.
Rarará! E o modelito não é atentado ao pudor coisa nenhuma. É atentado ao bom gosto! Essa universidade tem moral de jegue!
E a Madonna vem pro Brasil arrecadar dinheiro para causas sociais.
Como é o nome da vinda da Madonna? Marcha para Jesus Luz! E olha esse classificado: "Rapaz solteiro procura solteira de 25 a 40 anos para compromisso e que seja peluda". O Brasil é socialmente injusto, mas sexualmente tem pra todo mundo.
E essa: "Casal gaúcho oferece-se".
O problema de pegar casal gaúcho é que você tem que comer os dois. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão!
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que dois portugueses chegaram ao Brasil e abriram um motel chamado Motel Nossa Senhora de Fátima. Faliu em três meses! Mais direto impossível.
Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula, o Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Guerras Púnicas": guerra entre companheiros pra ver quem solta mais pum. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã.

JAPA GOSTOSA

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MERVAL PEREIRA

A sociedade se mobiliza

O GLOBO - 10/11/09


O caso do linchamento moral e quase físico a que foi submetida uma estudante de turismo da Universidade Bandeirantes, de São Bernardo do Campo, é um exemplo feliz do que os novos instrumentos de tecnologia da comunicação podem fazer em benefício da sociedade. Graças às filmadoras dos celulares, a agressão à estudante, motivada por estar usando um vestido considerado curto demais por vários de seus colegas, foi divulgada pela internet e logo chamou a atenção de toda a sociedade.

A repercussão negativa daquela atitude bárbara de uma turba de estudantes universitários, gritando “estupra” e xingando a colega, tomou conta dos sites de relacionamento e dos blogs, colocando de um lado aquela reação de vândalos representando o lado atrasado e preconceituoso de nossa sociedade, em contraponto ao país moderno que deveria estar sendo criado e incentivado também dentro das universidades.

A sociedade civil global que está se formando com as novas tecnologias, segundo a definição do sociólogo Manuel Castells, da Universidade Southern Califórnia, nos Estados Unidos, tem uma nova maneira de encarar o mundo, tentando preencher o que Castells define de “vazio de representação”.

É esse sentimento que faz surgir “mobilizações espontâneas usando sistemas autônomos de comunicação”. Internet e comunicação sem fio, como os telefones celulares, fazendo a ligação global, horizontal, de comunicação, proveem um espaço público como instrumento de organização e meio de debate, diálogo e decisões coletivas, ressalta Castells.

O uso político desses instrumentos de comunicação instantânea já era fenômeno moderno conhecido, cujo fato mais exemplar continua sendo a campanha, através de mensagens de telefone celular, que acabou ajudando a derrotar o primeiro-ministro Aznar na Espanha depois do atentado terrorista em 2004, um exemplo clássico da potencialidade de mobilização dos novos meios de comunicação.

Esse caso da Uniban é um avanço em certo sentido, porque a comunicação entre os setores da sociedade que se envolveram no debate se deu em defesa de valores que não são os meramente partidários, mas que representam um amadurecimento político no sentido mais amplo do termo.

A primeira reação da Uniban foi tentar arrostar a opinião pública, na falta de condição moral de enfrentar os arruaceiros, seja por pensarem como eles, seja por temerem ficar sem o dinheiro das mensalidades.

Uma nota oficial da instituição que deveria ensinar cidadania a seus alunos transferiu a culpa para uma suposta “atitude provocativa” da aluna, que queria chamar a atenção para si, e o que aconteceu em seguida foi caracterizado como uma “reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.

A aluna Geisy foi expulsa por “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Essa hipocrisia oficial, no entanto, não teve respaldo da maioria da sociedade, e várias instâncias institucionais começaram a se manifestar, a começar pelo Ministério da Educação que fez muito bem em pedir explicações a uma universidade que decididamente não tem como funcionar como um estabelecimento de ensino quando incentiva comportamentos retrógrados e humilha uma estudante, dando péssimo exemplo de cidadania a quem deveria preparar para a vida em comunidade.

O recuo da Universidade Bandeirantes (Uniban), de São Bernardo do Campo, da decisão de expulsar a estudante de turismo Geisy Arruda é o resultado da reação da parte saudável e moderna de nossa sociedade, que já não admite com tanta naturalidade quanto a direção da Universidade imaginou que agressões desse tipo sejam realizadas.

A aluna Geisy Arruda deu entrevistas dizendo que a sua primeira reação foi a de se sentir culpada por tudo o que aconteceu, se sentir “um lixo”. É a reação natural de toda pessoa que se transforma, por pressões sociais hipócritas, de vítima em culpada.

Esses modernos meios de comunicação, como a internet ou o twitter, por serem quase incontroláveis por sua própria natureza, são o tormento tanto de governos quanto de sociedades autoritárias.

Por uma coincidência feliz, a blogueira cubana Yoani Sanchez, do blog Desde Cuba, que relatou ter sido vítima recentemente de um ataque de membros do serviço secreto de Cuba, que a agrediram e ameaçaram por suas críticas, fez uma comparação com sua situação e a de vítimas de violência, seja política, seja social.

“Depois da agressão, há certos míopes que culpam a própria vítima pelo ocorrido.

Se é uma mulher que foi violada, alguém explica que sua saia era muito curta, ou que se movia provocativamente”, comenta Yoani Sanchez, referindose ao fato de que as várias pessoas que presenciaram a agressão de que foi vítima não se apresentaram para servir de testemunha, com receio da repressão da ditadura cubana.

Para se desculparem do medo, criam a ideia de que “a vítima é a causadora e o agressor é um mero executor de uma lição merecida, um simples corregedor de nossos desvios”.

Essa foi a tentativa primeira da Uniban, a de demonizar a vítima e transformar seus algozes em meros defensores do “ambiente escolar” sadio.

Seu recuo não pode ser meramente tático.

Cometi uma injustiça com o ministro Joaquim Barbosa na coluna de domingo. O ministro é apenas o relator das denúncias, em ambos os casos, do então procuradorgeral da República, Antônio Fernando de Souza. Ou seja, não foi o ministro quem deu tratamento diferenciado ao presidente Lula, no mensalão, e ao senador Eduardo Azeredo, no chamado mensalão mineiro, mas sim o procurador-geral, a quem deveria ter sido dirigido o pedido de esclarecimento que fiz na coluna.

ELIANE CANTANHÊDE

O crime de ser mulher

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/11/09



BRASÍLIA - Noutro dia, uma mulher de mais de 60 anos foi amordaçada, torturada e violentada por um criminoso que entrou na sua casa, em Brasília, fazendo-se passar por bombeiro eletricista.
É dramático, mas comum. Pior foi a entrevista da delegada (delegadaaa!) a uma rádio, em que ela nem sequer fez referência ao crime e ao criminoso, centrando suas suspeitas (ou seriam certezas?) sobre a própria vítima: se nunca tinha visto o homem, como entabulou conversa com ele? Se morava sozinha, como deixou o estranho entrar? E sentenciou: "Há muita coisa estranha nessa história".
Nada disse sobre o estupro, a violência, a covardia, as escoriações, as muitas horas que a mulher havia ficado ferida, amarrada e amordaçada. No inconsciente da delegada, a vítima era a ré. Afinal, uma mulher madura, sozinha, sabe-se lá!
É o que ocorre na Uniban, quando vândalos recalcados promovem uma rebelião, perseguem, ameaçam e humilham uma colega indefesa, porque... Por que mesmo? Ah, sim! Era insinuante. E ela é que acaba expulsa pelo conselho universitário, até o reitor agir. A vítima virou ré. Afinal, uma mulher jovem, bonita, de saia curta...
São dois casos bastante simbólicos. No de Brasília, não foi um policial bruto e machista que inverteu as condições de vítima e réu: foi uma delegada mulher. No da Uniban, quem embolou os personagens foi o conselho de uma entidade acadêmica, que foi criada e é regiamente paga para cuidar da educação (e da segurança) dos filhos alheios.
Se a delegada e a cúpula da escola são os primeiros e mais insensíveis algozes, para onde correr? A quem recorrer? O "mal" e o "bem" se embaralham cruelmente, e a vítima passa a ser cada vez mais vítima -na condição de ré.
PS - Por falar nisso, no Estado de Maluf e na capital de Pitta, quem é condenada e paga a conta é Luiza Erundina. É de rir ou de chorar?

O JUMENTO

ANCELMO GÓIS

O REI NA BARRIGA

O GLOBO - 10/11/09


De Lula para Sérgio Cabral, que pediu ao presidente para receber o time do Vasco, agora de volta à primeira divisão: “Como? Você quer que eu, que acabei de ser recebido pela rainha Elizabeth II, na Inglaterra, receba um timinho da segunda divisão?”.
Era brincadeira, claro. O corintiano Lula tem dito que, no Rio, é Vasco desde criancinha.
POVO INGRATO...
Aliás, o cruzmaltino Edson Lobão, que, como ministro das Minas e Energia, ajudou a viabilizar o patrocínio da Eletrobrás ao clube, não foi convidado para assistir sábado, ao lado de outras personalidades, ao jogo contra o Juventude, que marcou a volta do Vasco à primeira divisão.
ALTO RISCO
O pessoal do Greenpeace recebeu a informação do vazamento de cerca de 30 mil litros de licor de urânio na região de Caetité, no Sertão da Bahia.
Na cidade, a estatal Indústrias Nucleares Brasileiras opera uma mina de urânio.
FUNDO DE ALIMENTOS
Clifford Sobel, ex-embaixador dos EUA, vai comandar em São Paulo um fundo de investimentos formado por capitais árabes e americanos.
O fundo se destinará a financiar projetos ligados à produção de alimentos.
NO MAIS
Pergunta que não quer calar. Se os formadores de opinião não existem mais, por que será que Lula e Dilma Rousseff perdem seu tempo, atacando-os todos os dias?
LÍNGUA ‘PLESA’
Teve gente que assistiu à pré-estreia de “Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, e sentiu falta da língua presa do presidente na interpretação do ator novato Rui Ricardo Diaz – que faz muito bem, por sinal, o papel de Lula.
CENA BAIANA
Ontem, no Rio, antes do debate “Prosa nas Livrarias”, na Travessa do Leblon, Geraldinho Carneiro chamou João Ubaldo Ribeiro para sair mais tarde.
João olhou e, em seu baianês, respondeu: “Vou não. Tô cansado”. Berenice, sua mulher, perguntou: “Cansado de quê?”. Nosso Ubaldo pensou e esclareceu: “De descansar”. Ah, bom!
SUCESSO NOS CINEMAS
O filme “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei”, do casseta Cláudio Manoel, de Calvito Leal e Micael Langer, será lançado este mês em DVD, com cenas inéditas e imagens raras do cantor. Sairá pela Biscoito Fino.
LÁ E CÁ
Para aprovar a reforma da saúde, os trabalhos da Câmara se estenderam pela noite de sábado... nos EUA. Já num certo País... deixa pra lá.
O OLHAR DE FORA
Ouvido ontem de dois ex-presidentes latinos, em Buenos Aires, no Congresso da Sociedade Interamericana de Imprensa:
– O Brasil precisa ser mais incisivo a favor da liberdade de imprensa (César Gaviria, Colômbia).
– O Brasil é muito condescendente com Hugo Chávez (Carlos Mesa, Bolívia).
ANEL VIÁRIO
Hoje, Pezão, vice de Cabral, assina com Lula e Dilma a liberação de R$ 35 milhões para as favelas do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo e de R$ 15 milhões para o Morro Dona Marta. Está prevista a construção de um anel viário ligando a Rua Saint Roman e o Cantagalo.

GOSTOSA

ARNALDO JABOR

Olha o sub-peronismo ai, gente!

O GLOBO - 10/11/09

Tenho saudade de 94. O Plano Real tinha dado certo, o Brasil ganhou a Copa do Mundo e foi eleito um presidente com palavras novas, da elite cultural progressista que sempre esteve fora do poder. FHC venceu, apesar da inveja de seus colegas de Academia e trouxe uma nova "agenda progressista", que até então se resumira a um confuso sarapatel de "rupturas" revolucionarias, vagos sonhos operários, numa algaravia de conceitos leninistas, getulistas, terceiro-mundistas que nos levaram sempre a derrotas desde 1935 até 1968.

Além do Lula de 1980, com sua política sindical de resultados, uma primitiva social-democracia que fez de Lula um importante renovador político (depois cooptado pelos bolchevistas desempregados), a chegada de FHC foi o único fato novo. Apesar das criticas mecanicistas que sofreu ("neoliberal", submisso a Washington, aliado a ACM, etc."..) nada apagou sua novidade: vitória sobre a inflação, a substituição da utopia pela "politica do possível", troca da idéia de "solução" por "processo", busca de uma republica democrática.

Pela primeira vez na vida, vi uma mudança séria no país, que hoje é destratada vergonhosamente pelos petistas. (Dilma disse ontem: "na campanha vamos comparar 2002 com 2009!" fingindo ignorar que tudo de bom que Lula herdou já estava feito e que o surto de inflação do final do mandato de FHC veio pelo medo da vitória do Lula).

FHC chegara numa época propícia, depois do trauma da Era Collor, que nos dera fome de limpeza ética e de organização republicana.

Os aliados de FHC (PFL, PMDB etc) ainda estavam amedrontados depois da chuva de lixo do período Collor e essa provisória timidez dos fisiológicos permitiu que FHC usasse as alas mais "modernas" do Atraso" (oh...supremo oxímoro!..) para introduzir práticas renovadoras. Mas nada disso a velha academia percebeu - só a eleição de Lula foi saudada pelos velhos intelectuais como "verdadeira", como uma injeção de "povo" no mundo "de elite".

No entanto, os anos FHC foram um saneamento básico, uma psicanálise do imaginário político , uma mudança fundamental de agenda, sem a qual estaríamos batendo panelas na rua. Ele deixou uma "herança bendita", agora em plena dês-construção pelos lulo-pelegos.

No primeiro governo de Lula, o PT e seus teóricos queriam enfiar marxismo na "insuficiente democracia". Deu no mensalão e outras práticas "revolucionarias". Até que fomos salvos pelo Roberto Jefferson, o herói da "corrupção autocrítica", que tirou os bolchevistas de circulação.

A importância da administração e das reformas internas, a importância de sutis articulações interpartidárias está sendo substituída pela truculência dos pelegos chegados ao poder, para consolidar empregos pois sabem que, se Dilma não vencer, poderão perder boquinhas preciosas.

A verdade é que os petistas nunca acreditaram na "democracia burguesa", como disse um intelectual da USP - "democracia é papo para enrolar o povo". Não entenderam com suas doenças infantis que a democracia não é um meio, mas um fim em si mesmo; ou melhor, até entendem, mas não a querem. Eu já achei, no meu romantismo idiota, que eles pensavam utopicamente, com fins imaginários, mas nobres. Não. Nada disso; tudo que querem é emprego, poder pelo poder e grana. Tudo que estão construindo, com a invejável fé militante que têm ( viram, tucanos otários? ) é um novo patrimonialismo de Estado, com a desculpa de que "em vez de burgueses mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos". E tudo isso em nome do "povo", no raciocínio deslumbrado de Lula, lutando por si mesmo: "Eu sou do povo; logo, luto pelo povo".

Hoje, vemos que esta euforia da petista no poder mesmo com 80 por cento de Ibope, com a economia mundial enfiando dólares aqui, é um regresso ao passado. Alguma coisa essencial (que quase ninguém enxerga) está fazendo água no país, ou melhor, os furos já estão sendo feitos no navio que vai afundar mais tarde. O horror brasileiro está retomando sua forma inicial, como o rabo de um lagarto se recompondo. Já dá para ouvir a "ouverture" da ópera bufa, a volta da tradicional maldição do "Mesmo", a empada maldita de fisiologismo, de estamentos sindicalistas tomando fundos de pensão para transformá-los em instrumentos de corporativismo sindical. Tudo farão pelo "controle", pelo Estado sindicalista, pois o que mais odeiam e temem é a sociedade criando um pais dentro da democracia.

Neste momento que vivemos, com intelectuais fascinados pelo carisma midiatico do governo (que acusa a oposição de sê-lo) FHC escreveu um artigo essencial: "Para onde vamos?"

Pronto. Começaram os xingamentos, pois ele exibiu a verdade sinistra do que os petistas estão zelosamente construindo para o futuro.

Cito: "o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. (...) Devastados os partidos, se Dilma ganhar, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão" E mais: "Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido do governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados eis o bloco subperonista que virá."

Acho que o artigo de FHC é o diagnostico de nosso momento. Xingam-no de "inveja", "rancor" etc...mas, é na mosca. Dá medo pensar no que pode vir, a partir dos milhões que vão gastar em 2010 para manter o poder só a campanha oficial está orçada em 250 milhões.

No entanto, tenho esperança de que FHC esteja errado.

Por duas razões: Primeiro, a economia mundial continuará injetando mutações no país, obrigando-o a se modernizar, para alem desta política vagabunda tecida nas alianças corruptas.

A outra esperança é a famosa incompetência dos lulo-sindicalistas, que não conseguirão consolidar este plano ambicioso de um sub-peronismo. São uns trapalhões oportunistas. O atraso nos livrará de mais-atraso. Ou seja: só a esculhambação nacional nos salvará do subperonismo. Se Deus quiser.

PAINEL DA FOLHA

Estica e puxa

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/11/09

Setores da base aliada defendem uma solução em três etapas para a espinhosa questão das aposentadorias: 1) votação de regra definitiva para o reajuste do salário mínimo; 2) edição de MP com um aumento para os aposentados superior ao até agora oferecido pelo governo; 3) envio ao Congresso de projeto com uma alternativa ao chamado fator previdenciário.

O governo vê a proposta com reservas. Acha que a base ‘não terá peito’, a um ano da eleição, de se opor ao projeto que vincula o reajuste das aposentadorias ao do mínimo, explosivo para as contas públicas. Mas será pressionado a discutir a solução de compromisso durante a marcha das centrais a Brasília nesta semana. Os sindicalistas devem ser recebidos por Lula.

Para a torcida 1 - O Planalto faz o pior juízo possível da atuação de seu líder na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), no caso da vinculação das aposentadorias ao reajuste do salário mínimo. Acha que o deputado está cuidando única e exclusivamente da própria reeleição, sem dar a mínima para as contas do governo.


Para a torcida 2 - Em razão da encrenca das aposentadorias, voltou a ganhar força o antigo rumor de que Fontana pode perder o cargo.


É a eleição! - Dilmista de carteirinha, o senador Gim Argello (DF) sairá em defesa do projeto pró-aposentados no programa do PTB que irá ao ar nesta quinta-feira.


Abafa o caso - No encontro ontem de partidos do campo lulista, integrantes do PSB sorriram amarelo quando lhes foi cobrado que façam oposição ao governo de São Paulo. Na Assembleia Legislativa, a sigla é Serra e não abre.

Bandeira - Recém-filiado ao PSB, o ex-tucano Gabriel Chalita usará o lugar de destaque que lhe será dado nas inserções do partido, a partir desta semana, para defender a escola de tempo integral.


Para registro - Sobre as críticas de petistas ao projeto do PSDB de arregimentar ‘multiplicadores’ para atuarem no Nordeste, o partido afirma que se trata de ‘recrutar e preparar voluntários’, sem contratação de pessoal.


Currículo 1 - Interpelado pelo MEC sobre o caso da aluna Geisy Arruda, o dono e reitor da Uniban, Heitor Pinto e Silva Filho, é figura conhecida no ministério. Já presidiu a Associação Nacional das Universidades Particulares, da qual hoje é o tesoureiro.


Currículo 2 - O empresário também já tentou ingressar na política. Em 2002, foi vice na chapa de Paulo Maluf (PP) ao governo paulista. À época, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 34 milhões.


Barulho - A Comissão de Educação da Câmara, presidida por Maria do Rosário (PT-RS), enviará ofício ao Ministério Público de SP cobrando investigação sobre a polêmica do vestido. Também tentará ouvir Silva Filho. Na Assembleia paulista, a iniciativa partiu do tucano Milton Flávio.

Circuito - Apesar do status de visita de Estado dado à passagem do iraniano Mahmud Ahmadinejad por Brasília, dia 23, não há sinal de que ele será recebido no Congresso, como é praxe nesses eventos. Há ainda expectativa de protestos de entidades judaicas.


Plataforma - Em entrevista ao blog da Petrobras, o presidente José Sergio Gabrielli afirma que a Imprensa “perdeu o interesse” pela investigação sobre a empresa porque “foi uma CPI técnica” e “sem espetáculo midiático”. Diz ainda que o blog “veio para ficar” e precisa ser redirecionado “para temas mais gerais”.

Aperitivo - Diante da polêmica sobre os royalties do pré-sal, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dará início à votação no plenário com os projetos do fundo social e da Petro-Sal.

Tiroteio

A pergunta-pegadinha do Enade confirma o fiasco do Enem: o governo Lula é ruim de avaliação, mas o máximo em autoelogio.

Do tucano EDUARDO GRAEFF, secretário-geral da Presidência no governo FHC, sobre questão de prova aplicada pelo MEC na qual a imprensa é criticada por ter questionado Lula a propósito da declaração em que este comparou a crise no Brasil a uma “marolinha”.

Túnel do tempo


Em encontro recente, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), brincava com o suposto desejo do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), de ser vice na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Rindo, Temer rebateu:

- Você diz isso porque quer ser presidente da Câmara!

E logo tratou de contemporizar:

- Se isso acontecer, eu o apoio. Desde os meus tempos de menino, no interior de São Paulo, eu ouvia os seus discursos na ‘Voz do Brasil’ e já o admirava!

Os presentes caíram na risada, uma vez que Temer é oito anos mais velho do que o colega.



GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

De calças curtas

O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/11/09

Os políticos costumam celebrar os feitos de Juscelino Kubitschek, sendo o mais célebre – mas não necessariamente o mais celebrado, é verdade – a construção de uma cidade no meio do nada e a transferência da capital da República do Rio de Janeiro para Brasília.

O senso comum costuma atribuir os males da política a essa mudança e, a ela, o distanciamento entre representantes e representados. Há os que também responsabilizam a transferência da capital pelo início dos dissabores que assolam o Rio, mas essa é uma outra história.

O que nos interessa aqui é o fato: Brasília é a capital do Brasil há quase 50 anos. E é na capital que funciona a sede do Congresso Nacional, local de trabalho de deputados federais e senadores.

Quando a sede da República era no Rio, todos moravam na cidade e não havia discussão, nem visitas semanais obrigatórias às bases ou jornada de trabalho reduzida às terças e quartas-feiras.

Para o atendimento das demandas locais existem os deputados estaduais e os vereadores. Parece claro. Mas não é tão cristalino assim para suas excelências que não apenas passam a maior parte do tempo longe do local de trabalho onde deveriam dar expediente, como querem tirar vantagem da ausência e ainda nos convencer de que estão no gozo de seu direito pleno.

No sábado, o jornal O Globo publicou uma dessas reportagens que não revelam nenhuma novidade, mas retratam uma lamentável realidade com a qual se convive pela força da inércia.

O jornal fez algo muito simples e de grande utilidade: na quinta-feira passada pôs um repórter-fotográfico a registrar os deputados que marcavam presença em plenário e outro a conferir o movimento de saída no aeroporto.

Claro que flagrou várias excelências – algumas de bom histórico – no exercício da mais deslavada das gazetas. Os mesmos deputados que vinte minutos, meia hora, uma, duas ou três horas antes marcavam o ponto no plenário, preparavam-se para o embarque em direção aos seus estados, deixando as presenças devidamente registradas como se lá estivessem.

Uma fraude, certo? Nenhuma diferença em relação ao servidor que assina o ponto sem trabalhar, só para constar e tornar regular o pagamento registrado no contracheque, correto?

Não para a corregedoria nem para a procuradoria da Câmara, muito menos para os parlamentares flagrados. Com anuência do corregedor e do procurador, eles justificam que a prática é habitual e não se configura como gazeta porque o regimento interno os libera quando as votações são simbólicas, como em geral ocorre às quintas-feiras.

E quem disse que o trabalho do parlamentar se resume ao plenário? E quem disse que é certo marcar uma presença inexistente? O regimento? O mesmo que não proibia o desvio da cota de passagens aéreas? Pois é, nem tudo na vida é manual. Há aspectos que só compreende quem tem um mínimo de escrúpulos.

Honra ao demérito

Entre punir a turba de 700 agressores ou castigar a aluna agredida, a Universidade Bandeirante fez a escolha que lhe pareceu financeiramente mais vantajosa. Numa visão pragmática, optou pela maioria: antes a baixa de uma mensalidade que o risco de um déficit de receita mais pesado.

As garantias individuais, a liberdade de ir e vir, a civilidade, o princípio da igualdade, da tolerância, do respeito ao próximo, tudo foi mandado devidamente às favas em nome da supremacia da vontade da maioria e sob uma justificativa esfarrapada: as atitudes “provocativas” da moça que vai de saia curta à escola.

Algo a ver com política? Tudo, principalmente nessa quadra em que o mais importante é o resultado e os fins justificam o uso de quaisquer meios. Ainda que as armas preventivas de defesa da moral e dos bons costumes representem um elogio à selvageria coletiva e agridam o artigo 5.º da Constituição Federal. Lá está escrito que todo cidadão é livre para fazer tudo o que estiver dentro da lei e que ninguém será submetido a tratamento degradante.

Qual o crime da estudante Geisy Arruda? Divertir-se sacudindo a libido alheia. Qual a atrocidade dos bárbaros indomados? Impingir a outrem tortura moral e ameaça de linchamento físico.

Qual a infração da universidade? Impor sua opção pela lei do mais forte em detrimento à lei mais forte do país, extinguindo por conta própria os ditames da Constituição.

Na Uniban não vigora o Estado de Direito. Lá viceja a liberdade de injuriar, agredir, humilhar, desrespeitar e barbarizar. Se não há garantias para Geisy, não há para mais ninguém que desobedeça aos critérios de conduta impostos pela malta à qual a Uniban conferiu salvaguarda para defender o “ambiente escolar” com a truculência que achar conveniente à ocasião.

É nisso, no risco coletivo contratado a partir da expulsão da moça da minissaia, que os pais deveriam pensar quando seus filhos saírem de casa para ir às aulas na Uniban.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não há mais disposição”
SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), SOBRE O PAPEL DA OPOSIÇÃO NA CPI DA PETROBRAS,QUE IDEALIZOU

REFORMA DO SENADO ENROLA, MAS NÃO CORTA
A redução de gastos com pessoal prometida pela reforma administrativa do Senado na verdade pouco reduz: não serão afetados os bolsos dos servidores que exercem função inerente ao cargo, à lotação ou à produtividade. É que os artigos 414 a 416 da reforma obrigam o Senado a pagar a diferença no salário, de maneira “provisória”, incorporando-a ao saldo. Muitos dos funcionários comissionados não vão perder a boquinha.
SÓ MUDA O NOME
Assessores Jurídicos, Analistas, Técnicos, a Polícia Legislativa e a diretoria do Senado não vão perceber cortes em seus salários.
EXEMPLO
Um subchefe de gabinete no Senado que recebe gratificação FC-7 perderá a grana mensal, mas não um analista na mesma situação.
OLÁ ENFERMEIRA
Depois da reforma administrativa continua valendo o ato nº 7/2009 que criou o FC-6 para enfermeiros. Devem receber entre R$ 5 e R$ 7 mil.
NOSSA GRANA
Servidores do Senado que recebem FC-7 ganham entre R$ 10 mil e R$ 13 mil, FC-8 entre R$ 13 mil e R$ 15 mil e FC-9 entre R$ 15 e R$ 18 mil.
LIÇÃO DE ANATOMIA DO DONO DA UNIBAN
É da tradicional família Pinto, do ABC, a Uniban, que expulsou a aluna de minivestido, perseguida por uma turba de colegas. O dono, Heitor Pinto e Silva, criticou a reforma proposta pelo Ministério da Educação, em 2005: “Temos que criar brasileiros com liderança na escola e na educação”. Ex-candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para o governo paulista, em 2002, Heitor tinha quatro inquéritos policiais, duas condenações e 59 processos de ex-funcionários – as únicas que ainda não teriam prescrito.
EU E EU MESMO
Lula levantou uma polêmica com ele mesmo, dizendo que é “burrice achar que se adquire inteligência na universidade”. Ninguém disse.
‘ESTRATÉGIAS ESTRATÉGICAS’
A melhor solução para a segurança do Rio nas Olimpíadas: os turistas entram e os moradores saem.
PENSANDO BEM...
...deve ter sido um aloprado petista o estrategista do marketing da Uniban, que culminou na expulsão da aluna vítima de xiitas.
É ‘REGIMENTAL’
Às quintas, e só às quintas, os parlamentares podem registrar presença no Congresso a partir das 7h da matina. Assinam o ponto, fingindo que estão trabalhando, e ficam liberados para correr ao aeroporto.
DOIDO POR HOLOFOTE
Por pouco o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) não dá outro show após a cueca vermelha. Prometeu ao “CQC””, da Band, beijar em público na durona ministra Dilma. Foi dissuadido por um deputado do PT.
ENFIM, UM CRÍTICO
Lula criticou a escala de folgas da Policia Militar do DF, obtida ao longo dos anos pelo lobby de políticos ligados à corporação. O presidente acha absurdas as 72 horas de folga para quem trabalha doze horas.
NATIMORTA
A oposição finalmente abandona nesta terça a CPI da Petrobras, que morre sem investigar os 60 mil contratos sem licitação da estatal, nem maracutaias como o superfaturamento na refinaria de Abreu e Lima.
ATENTO E ALERTA
É muita coincidência a Polícia Federal, comandada pelo companheiro-candidato Tarso Genro, revelar acusações ao irmão do presidente do Tribunal de Contas da União dias depois de Lula investir contra o TCU.
SEM PROMISCUIDADE
Para o presidente da Confederação dos Trabalhadores em Bancos e Seguros, Lourenço Prado, centrais sindicais não devem se atrelar ao governo: “Governo é governo, sindicato é sindicato e patrão é patrão”.
ESTÁ TUDO DOMINADO
Especialista da Fundação Método, em Bogotá, o colombiano Luis Jorge Garay alertou ontem, na agência Efe, que no Brasil, tal como na Colômbia no passado, o narcotráfico já se infiltra nas estruturas do Estado, corrompendo autoridades através da chamada “narcopolítica”.
NADA DISSO
A Cia. Energética de Pernambuco nega que seja irregular o contrato de consultoria com o ex-presidente da Aneel José Mario Abdo e sua empresa AEA. E insiste que o reajuste de 33% da Celpe também é legal.
MANO A MANO
Ainda bem que Lula não vai perguntar ao porralouca Ahmadinejad, no dia 23, como funciona a lei islâmica de cortar as mãos dos ladrões.

PODER SEM PUDOR
MESTRE ENROLADOR
Antes de ser deputado federal e ministro da Previdência, Ricardo Berzoini chefiou o setor de despacho de malotes do Banco do Brasil na regional Santo Amaro (SP). Quando a situação apertava, precisando enrolar sem irritar o cliente, os funcionários apelavam: “Manda para o Berzoini que ele dá um jeito.” A fama de pôr gente em fila, dar nó em fumaça e esquecer malote na gaveta cresceu tanto, que virou bordão.