terça-feira, novembro 10, 2009

ARNALDO JABOR

Olha o sub-peronismo ai, gente!

O GLOBO - 10/11/09

Tenho saudade de 94. O Plano Real tinha dado certo, o Brasil ganhou a Copa do Mundo e foi eleito um presidente com palavras novas, da elite cultural progressista que sempre esteve fora do poder. FHC venceu, apesar da inveja de seus colegas de Academia e trouxe uma nova "agenda progressista", que até então se resumira a um confuso sarapatel de "rupturas" revolucionarias, vagos sonhos operários, numa algaravia de conceitos leninistas, getulistas, terceiro-mundistas que nos levaram sempre a derrotas desde 1935 até 1968.

Além do Lula de 1980, com sua política sindical de resultados, uma primitiva social-democracia que fez de Lula um importante renovador político (depois cooptado pelos bolchevistas desempregados), a chegada de FHC foi o único fato novo. Apesar das criticas mecanicistas que sofreu ("neoliberal", submisso a Washington, aliado a ACM, etc."..) nada apagou sua novidade: vitória sobre a inflação, a substituição da utopia pela "politica do possível", troca da idéia de "solução" por "processo", busca de uma republica democrática.

Pela primeira vez na vida, vi uma mudança séria no país, que hoje é destratada vergonhosamente pelos petistas. (Dilma disse ontem: "na campanha vamos comparar 2002 com 2009!" fingindo ignorar que tudo de bom que Lula herdou já estava feito e que o surto de inflação do final do mandato de FHC veio pelo medo da vitória do Lula).

FHC chegara numa época propícia, depois do trauma da Era Collor, que nos dera fome de limpeza ética e de organização republicana.

Os aliados de FHC (PFL, PMDB etc) ainda estavam amedrontados depois da chuva de lixo do período Collor e essa provisória timidez dos fisiológicos permitiu que FHC usasse as alas mais "modernas" do Atraso" (oh...supremo oxímoro!..) para introduzir práticas renovadoras. Mas nada disso a velha academia percebeu - só a eleição de Lula foi saudada pelos velhos intelectuais como "verdadeira", como uma injeção de "povo" no mundo "de elite".

No entanto, os anos FHC foram um saneamento básico, uma psicanálise do imaginário político , uma mudança fundamental de agenda, sem a qual estaríamos batendo panelas na rua. Ele deixou uma "herança bendita", agora em plena dês-construção pelos lulo-pelegos.

No primeiro governo de Lula, o PT e seus teóricos queriam enfiar marxismo na "insuficiente democracia". Deu no mensalão e outras práticas "revolucionarias". Até que fomos salvos pelo Roberto Jefferson, o herói da "corrupção autocrítica", que tirou os bolchevistas de circulação.

A importância da administração e das reformas internas, a importância de sutis articulações interpartidárias está sendo substituída pela truculência dos pelegos chegados ao poder, para consolidar empregos pois sabem que, se Dilma não vencer, poderão perder boquinhas preciosas.

A verdade é que os petistas nunca acreditaram na "democracia burguesa", como disse um intelectual da USP - "democracia é papo para enrolar o povo". Não entenderam com suas doenças infantis que a democracia não é um meio, mas um fim em si mesmo; ou melhor, até entendem, mas não a querem. Eu já achei, no meu romantismo idiota, que eles pensavam utopicamente, com fins imaginários, mas nobres. Não. Nada disso; tudo que querem é emprego, poder pelo poder e grana. Tudo que estão construindo, com a invejável fé militante que têm ( viram, tucanos otários? ) é um novo patrimonialismo de Estado, com a desculpa de que "em vez de burgueses mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos". E tudo isso em nome do "povo", no raciocínio deslumbrado de Lula, lutando por si mesmo: "Eu sou do povo; logo, luto pelo povo".

Hoje, vemos que esta euforia da petista no poder mesmo com 80 por cento de Ibope, com a economia mundial enfiando dólares aqui, é um regresso ao passado. Alguma coisa essencial (que quase ninguém enxerga) está fazendo água no país, ou melhor, os furos já estão sendo feitos no navio que vai afundar mais tarde. O horror brasileiro está retomando sua forma inicial, como o rabo de um lagarto se recompondo. Já dá para ouvir a "ouverture" da ópera bufa, a volta da tradicional maldição do "Mesmo", a empada maldita de fisiologismo, de estamentos sindicalistas tomando fundos de pensão para transformá-los em instrumentos de corporativismo sindical. Tudo farão pelo "controle", pelo Estado sindicalista, pois o que mais odeiam e temem é a sociedade criando um pais dentro da democracia.

Neste momento que vivemos, com intelectuais fascinados pelo carisma midiatico do governo (que acusa a oposição de sê-lo) FHC escreveu um artigo essencial: "Para onde vamos?"

Pronto. Começaram os xingamentos, pois ele exibiu a verdade sinistra do que os petistas estão zelosamente construindo para o futuro.

Cito: "o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. (...) Devastados os partidos, se Dilma ganhar, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão" E mais: "Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido do governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados eis o bloco subperonista que virá."

Acho que o artigo de FHC é o diagnostico de nosso momento. Xingam-no de "inveja", "rancor" etc...mas, é na mosca. Dá medo pensar no que pode vir, a partir dos milhões que vão gastar em 2010 para manter o poder só a campanha oficial está orçada em 250 milhões.

No entanto, tenho esperança de que FHC esteja errado.

Por duas razões: Primeiro, a economia mundial continuará injetando mutações no país, obrigando-o a se modernizar, para alem desta política vagabunda tecida nas alianças corruptas.

A outra esperança é a famosa incompetência dos lulo-sindicalistas, que não conseguirão consolidar este plano ambicioso de um sub-peronismo. São uns trapalhões oportunistas. O atraso nos livrará de mais-atraso. Ou seja: só a esculhambação nacional nos salvará do subperonismo. Se Deus quiser.

PAINEL DA FOLHA

Estica e puxa

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/11/09

Setores da base aliada defendem uma solução em três etapas para a espinhosa questão das aposentadorias: 1) votação de regra definitiva para o reajuste do salário mínimo; 2) edição de MP com um aumento para os aposentados superior ao até agora oferecido pelo governo; 3) envio ao Congresso de projeto com uma alternativa ao chamado fator previdenciário.

O governo vê a proposta com reservas. Acha que a base ‘não terá peito’, a um ano da eleição, de se opor ao projeto que vincula o reajuste das aposentadorias ao do mínimo, explosivo para as contas públicas. Mas será pressionado a discutir a solução de compromisso durante a marcha das centrais a Brasília nesta semana. Os sindicalistas devem ser recebidos por Lula.

Para a torcida 1 - O Planalto faz o pior juízo possível da atuação de seu líder na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), no caso da vinculação das aposentadorias ao reajuste do salário mínimo. Acha que o deputado está cuidando única e exclusivamente da própria reeleição, sem dar a mínima para as contas do governo.


Para a torcida 2 - Em razão da encrenca das aposentadorias, voltou a ganhar força o antigo rumor de que Fontana pode perder o cargo.


É a eleição! - Dilmista de carteirinha, o senador Gim Argello (DF) sairá em defesa do projeto pró-aposentados no programa do PTB que irá ao ar nesta quinta-feira.


Abafa o caso - No encontro ontem de partidos do campo lulista, integrantes do PSB sorriram amarelo quando lhes foi cobrado que façam oposição ao governo de São Paulo. Na Assembleia Legislativa, a sigla é Serra e não abre.

Bandeira - Recém-filiado ao PSB, o ex-tucano Gabriel Chalita usará o lugar de destaque que lhe será dado nas inserções do partido, a partir desta semana, para defender a escola de tempo integral.


Para registro - Sobre as críticas de petistas ao projeto do PSDB de arregimentar ‘multiplicadores’ para atuarem no Nordeste, o partido afirma que se trata de ‘recrutar e preparar voluntários’, sem contratação de pessoal.


Currículo 1 - Interpelado pelo MEC sobre o caso da aluna Geisy Arruda, o dono e reitor da Uniban, Heitor Pinto e Silva Filho, é figura conhecida no ministério. Já presidiu a Associação Nacional das Universidades Particulares, da qual hoje é o tesoureiro.


Currículo 2 - O empresário também já tentou ingressar na política. Em 2002, foi vice na chapa de Paulo Maluf (PP) ao governo paulista. À época, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 34 milhões.


Barulho - A Comissão de Educação da Câmara, presidida por Maria do Rosário (PT-RS), enviará ofício ao Ministério Público de SP cobrando investigação sobre a polêmica do vestido. Também tentará ouvir Silva Filho. Na Assembleia paulista, a iniciativa partiu do tucano Milton Flávio.

Circuito - Apesar do status de visita de Estado dado à passagem do iraniano Mahmud Ahmadinejad por Brasília, dia 23, não há sinal de que ele será recebido no Congresso, como é praxe nesses eventos. Há ainda expectativa de protestos de entidades judaicas.


Plataforma - Em entrevista ao blog da Petrobras, o presidente José Sergio Gabrielli afirma que a Imprensa “perdeu o interesse” pela investigação sobre a empresa porque “foi uma CPI técnica” e “sem espetáculo midiático”. Diz ainda que o blog “veio para ficar” e precisa ser redirecionado “para temas mais gerais”.

Aperitivo - Diante da polêmica sobre os royalties do pré-sal, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dará início à votação no plenário com os projetos do fundo social e da Petro-Sal.

Tiroteio

A pergunta-pegadinha do Enade confirma o fiasco do Enem: o governo Lula é ruim de avaliação, mas o máximo em autoelogio.

Do tucano EDUARDO GRAEFF, secretário-geral da Presidência no governo FHC, sobre questão de prova aplicada pelo MEC na qual a imprensa é criticada por ter questionado Lula a propósito da declaração em que este comparou a crise no Brasil a uma “marolinha”.

Túnel do tempo


Em encontro recente, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), brincava com o suposto desejo do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), de ser vice na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Rindo, Temer rebateu:

- Você diz isso porque quer ser presidente da Câmara!

E logo tratou de contemporizar:

- Se isso acontecer, eu o apoio. Desde os meus tempos de menino, no interior de São Paulo, eu ouvia os seus discursos na ‘Voz do Brasil’ e já o admirava!

Os presentes caíram na risada, uma vez que Temer é oito anos mais velho do que o colega.



GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

De calças curtas

O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/11/09

Os políticos costumam celebrar os feitos de Juscelino Kubitschek, sendo o mais célebre – mas não necessariamente o mais celebrado, é verdade – a construção de uma cidade no meio do nada e a transferência da capital da República do Rio de Janeiro para Brasília.

O senso comum costuma atribuir os males da política a essa mudança e, a ela, o distanciamento entre representantes e representados. Há os que também responsabilizam a transferência da capital pelo início dos dissabores que assolam o Rio, mas essa é uma outra história.

O que nos interessa aqui é o fato: Brasília é a capital do Brasil há quase 50 anos. E é na capital que funciona a sede do Congresso Nacional, local de trabalho de deputados federais e senadores.

Quando a sede da República era no Rio, todos moravam na cidade e não havia discussão, nem visitas semanais obrigatórias às bases ou jornada de trabalho reduzida às terças e quartas-feiras.

Para o atendimento das demandas locais existem os deputados estaduais e os vereadores. Parece claro. Mas não é tão cristalino assim para suas excelências que não apenas passam a maior parte do tempo longe do local de trabalho onde deveriam dar expediente, como querem tirar vantagem da ausência e ainda nos convencer de que estão no gozo de seu direito pleno.

No sábado, o jornal O Globo publicou uma dessas reportagens que não revelam nenhuma novidade, mas retratam uma lamentável realidade com a qual se convive pela força da inércia.

O jornal fez algo muito simples e de grande utilidade: na quinta-feira passada pôs um repórter-fotográfico a registrar os deputados que marcavam presença em plenário e outro a conferir o movimento de saída no aeroporto.

Claro que flagrou várias excelências – algumas de bom histórico – no exercício da mais deslavada das gazetas. Os mesmos deputados que vinte minutos, meia hora, uma, duas ou três horas antes marcavam o ponto no plenário, preparavam-se para o embarque em direção aos seus estados, deixando as presenças devidamente registradas como se lá estivessem.

Uma fraude, certo? Nenhuma diferença em relação ao servidor que assina o ponto sem trabalhar, só para constar e tornar regular o pagamento registrado no contracheque, correto?

Não para a corregedoria nem para a procuradoria da Câmara, muito menos para os parlamentares flagrados. Com anuência do corregedor e do procurador, eles justificam que a prática é habitual e não se configura como gazeta porque o regimento interno os libera quando as votações são simbólicas, como em geral ocorre às quintas-feiras.

E quem disse que o trabalho do parlamentar se resume ao plenário? E quem disse que é certo marcar uma presença inexistente? O regimento? O mesmo que não proibia o desvio da cota de passagens aéreas? Pois é, nem tudo na vida é manual. Há aspectos que só compreende quem tem um mínimo de escrúpulos.

Honra ao demérito

Entre punir a turba de 700 agressores ou castigar a aluna agredida, a Universidade Bandeirante fez a escolha que lhe pareceu financeiramente mais vantajosa. Numa visão pragmática, optou pela maioria: antes a baixa de uma mensalidade que o risco de um déficit de receita mais pesado.

As garantias individuais, a liberdade de ir e vir, a civilidade, o princípio da igualdade, da tolerância, do respeito ao próximo, tudo foi mandado devidamente às favas em nome da supremacia da vontade da maioria e sob uma justificativa esfarrapada: as atitudes “provocativas” da moça que vai de saia curta à escola.

Algo a ver com política? Tudo, principalmente nessa quadra em que o mais importante é o resultado e os fins justificam o uso de quaisquer meios. Ainda que as armas preventivas de defesa da moral e dos bons costumes representem um elogio à selvageria coletiva e agridam o artigo 5.º da Constituição Federal. Lá está escrito que todo cidadão é livre para fazer tudo o que estiver dentro da lei e que ninguém será submetido a tratamento degradante.

Qual o crime da estudante Geisy Arruda? Divertir-se sacudindo a libido alheia. Qual a atrocidade dos bárbaros indomados? Impingir a outrem tortura moral e ameaça de linchamento físico.

Qual a infração da universidade? Impor sua opção pela lei do mais forte em detrimento à lei mais forte do país, extinguindo por conta própria os ditames da Constituição.

Na Uniban não vigora o Estado de Direito. Lá viceja a liberdade de injuriar, agredir, humilhar, desrespeitar e barbarizar. Se não há garantias para Geisy, não há para mais ninguém que desobedeça aos critérios de conduta impostos pela malta à qual a Uniban conferiu salvaguarda para defender o “ambiente escolar” com a truculência que achar conveniente à ocasião.

É nisso, no risco coletivo contratado a partir da expulsão da moça da minissaia, que os pais deveriam pensar quando seus filhos saírem de casa para ir às aulas na Uniban.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não há mais disposição”
SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), SOBRE O PAPEL DA OPOSIÇÃO NA CPI DA PETROBRAS,QUE IDEALIZOU

REFORMA DO SENADO ENROLA, MAS NÃO CORTA
A redução de gastos com pessoal prometida pela reforma administrativa do Senado na verdade pouco reduz: não serão afetados os bolsos dos servidores que exercem função inerente ao cargo, à lotação ou à produtividade. É que os artigos 414 a 416 da reforma obrigam o Senado a pagar a diferença no salário, de maneira “provisória”, incorporando-a ao saldo. Muitos dos funcionários comissionados não vão perder a boquinha.
SÓ MUDA O NOME
Assessores Jurídicos, Analistas, Técnicos, a Polícia Legislativa e a diretoria do Senado não vão perceber cortes em seus salários.
EXEMPLO
Um subchefe de gabinete no Senado que recebe gratificação FC-7 perderá a grana mensal, mas não um analista na mesma situação.
OLÁ ENFERMEIRA
Depois da reforma administrativa continua valendo o ato nº 7/2009 que criou o FC-6 para enfermeiros. Devem receber entre R$ 5 e R$ 7 mil.
NOSSA GRANA
Servidores do Senado que recebem FC-7 ganham entre R$ 10 mil e R$ 13 mil, FC-8 entre R$ 13 mil e R$ 15 mil e FC-9 entre R$ 15 e R$ 18 mil.
LIÇÃO DE ANATOMIA DO DONO DA UNIBAN
É da tradicional família Pinto, do ABC, a Uniban, que expulsou a aluna de minivestido, perseguida por uma turba de colegas. O dono, Heitor Pinto e Silva, criticou a reforma proposta pelo Ministério da Educação, em 2005: “Temos que criar brasileiros com liderança na escola e na educação”. Ex-candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para o governo paulista, em 2002, Heitor tinha quatro inquéritos policiais, duas condenações e 59 processos de ex-funcionários – as únicas que ainda não teriam prescrito.
EU E EU MESMO
Lula levantou uma polêmica com ele mesmo, dizendo que é “burrice achar que se adquire inteligência na universidade”. Ninguém disse.
‘ESTRATÉGIAS ESTRATÉGICAS’
A melhor solução para a segurança do Rio nas Olimpíadas: os turistas entram e os moradores saem.
PENSANDO BEM...
...deve ter sido um aloprado petista o estrategista do marketing da Uniban, que culminou na expulsão da aluna vítima de xiitas.
É ‘REGIMENTAL’
Às quintas, e só às quintas, os parlamentares podem registrar presença no Congresso a partir das 7h da matina. Assinam o ponto, fingindo que estão trabalhando, e ficam liberados para correr ao aeroporto.
DOIDO POR HOLOFOTE
Por pouco o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) não dá outro show após a cueca vermelha. Prometeu ao “CQC””, da Band, beijar em público na durona ministra Dilma. Foi dissuadido por um deputado do PT.
ENFIM, UM CRÍTICO
Lula criticou a escala de folgas da Policia Militar do DF, obtida ao longo dos anos pelo lobby de políticos ligados à corporação. O presidente acha absurdas as 72 horas de folga para quem trabalha doze horas.
NATIMORTA
A oposição finalmente abandona nesta terça a CPI da Petrobras, que morre sem investigar os 60 mil contratos sem licitação da estatal, nem maracutaias como o superfaturamento na refinaria de Abreu e Lima.
ATENTO E ALERTA
É muita coincidência a Polícia Federal, comandada pelo companheiro-candidato Tarso Genro, revelar acusações ao irmão do presidente do Tribunal de Contas da União dias depois de Lula investir contra o TCU.
SEM PROMISCUIDADE
Para o presidente da Confederação dos Trabalhadores em Bancos e Seguros, Lourenço Prado, centrais sindicais não devem se atrelar ao governo: “Governo é governo, sindicato é sindicato e patrão é patrão”.
ESTÁ TUDO DOMINADO
Especialista da Fundação Método, em Bogotá, o colombiano Luis Jorge Garay alertou ontem, na agência Efe, que no Brasil, tal como na Colômbia no passado, o narcotráfico já se infiltra nas estruturas do Estado, corrompendo autoridades através da chamada “narcopolítica”.
NADA DISSO
A Cia. Energética de Pernambuco nega que seja irregular o contrato de consultoria com o ex-presidente da Aneel José Mario Abdo e sua empresa AEA. E insiste que o reajuste de 33% da Celpe também é legal.
MANO A MANO
Ainda bem que Lula não vai perguntar ao porralouca Ahmadinejad, no dia 23, como funciona a lei islâmica de cortar as mãos dos ladrões.

PODER SEM PUDOR
MESTRE ENROLADOR
Antes de ser deputado federal e ministro da Previdência, Ricardo Berzoini chefiou o setor de despacho de malotes do Banco do Brasil na regional Santo Amaro (SP). Quando a situação apertava, precisando enrolar sem irritar o cliente, os funcionários apelavam: “Manda para o Berzoini que ele dá um jeito.” A fama de pôr gente em fila, dar nó em fumaça e esquecer malote na gaveta cresceu tanto, que virou bordão.

segunda-feira, novembro 09, 2009

O MURO

VAZ DE LIMA

A guerra do PT contra os fatos

Folha de S. Paulo - 09/11/2009


Os petistas emitem sinais inequívocos de que se preparam para tratar as eleições como uma guerra para manter seus privilégios

UMA MENTIRA repetida mil vezes será sempre uma mentira. Dentro da democracia, é claro.
Isso porque, no ambiente de liberdade, logo surgem informações e fatos capazes de desmascarar e desmontar as fraudes e falsidades que alguém se aventure a divulgar.
Aquela velha e assustadora ideia de transformar a mentira em verdade pela força da repetição só se sustenta nas ditaduras, felizmente hoje relegadas a setores minoritários do planeta.
Porém, seus seguidores continuam por aí. E a herança daquele pensamento totalitário parece persistir em parcelas relevantes de nossa elite. É o que o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, chamou de vale-tudo e que não se restringe, embora estreitamente vinculado, às eleições.
O exemplo mais gritante é o PAC, sigla criada para emprestar à ministra Dilma Rousseff uma biografia ainda por ser edificada, como mãe de todas as obras. Desse jeito, entretanto, ficará conhecida como "Propaganda Altamente Contaminada" pelo vírus da falsificação. Mal regressou do convescote às obras inacabadas (ou melhor, semi-iniciadas) do velho chico, eis que vimos a ministra retratada em Araraquara para... pré-inaugurar uma reforma inacabada.
Outro lance de vale-tudo ficcional são as peças de propaganda do PT, veiculadas recentemente pela televisão nos programas partidários em São Paulo. Trata-se, evidentemente, de mais um lance da estratégia lulista de antecipar a campanha eleitoral de 2010 e inflar artificialmente a candidatura que impôs ao seu partido.
Uma tentativa frustrada, tanto pela folgada vantagem que o governador José Serra reafirma a cada pesquisa quanto por seu inabalável compromisso de se manter dedicado exclusivamente a governar, com muita competência e sucesso, deixando a questão das urnas para o ano que vem.
Com truques primários de prestidigitação, os "mágicos" da propaganda petista acham possível enganar os paulistas com a lorota de que importantes obras em São Paulo só existem graças aos recursos financeiros de Brasília.
O que mais choca é a falta de cerimônia com a verdade e certo desprezo com relação ao grau de informação e ao nível de inteligência do povo.
Além de o presidente do Supremo chamar de vale-tudo os abusos cometidos nos comícios feitos no vale do São Francisco, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral deu a entender que esses abusos só não são condenados pela Justiça porque as reclamações movidas pelos partidos são inadequadamente fundamentadas.
Diante disso, o PT, por intermédio de seu líder na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, acusa a oposição de não fazer o mesmo. Segundo ele, os tucanos deveriam pedir desculpas à sociedade por não terem tido obras (obras inacabadas, compreende-se) para pré-inaugurar.
Como se não bastasse, a figura máxima do PT, o presidente Lula, reage à indignação geral contra o que ele mesmo chamou de comícios dizendo tratar-se de um debate pequeno.
No caso do Estado de São Paulo, a ministra Dilma está mais para madrasta, isso sim. Aqui, o PAC não tem mãe. Tem pai, e o nome dele é José Serra, todo mundo sabe.
Fica bastante claro, portanto, o que vem pela frente na política nacional.
Os petistas e seus "companheiros", que se apoderaram do aparelho de Estado com uma sem-cerimônia inédita na história brasileira, emitem sinais inequívocos de que se preparam para tratar as próximas eleições não como um debate de propostas, mas como uma guerra para manter seus privilégios.
É a esses privilégios que o presidente Lula se refere quando defende, em recente entrevista, como medidas de "segurança institucional" as manobras da base do governo no Senado para manter Sarney no cargo, a despeito de todas as irregularidades a ele atribuídas e confirmadas pela sindicância feita pala própria Mesa da Casa. É para defender esses privilégios que o PT trata o debate programático como propaganda de guerra.
E, de acordo com a célebre frase do senador americano Hiram Johnson, quase um século atrás, na guerra, a primeira vítima é a verdade. Nas eleições também. A receita para proteger a verdade nós conhecemos.
Com informações corretas, com o relato preciso dos fatos e com a livre circulação de ideias, que são as armas da democracia contra o autoritarismo, toda mentira acaba em seu merecido lugar: a lata do lixo.

JOSÉ CARLOS VAZ DE LIMA , deputado estadual pelo PSDB, é líder do governo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Os linchadores da Uniban


Folha de S. Paulo - 09/11/2009

A notícia da expulsão de Geisy Arruda pela Uniban é estarrecedora. O informe divulgado ontem pela direção da universidade, por meio do qual a aluna ficou sabendo da decisão, é um panfleto obscurantista que requer análise. Ele transforma a incitação ao estupro de uma jovem acossada na universidade por algumas centenas de marmanjos em "reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
Eis o que conclui a "sindicância" da Uniban: "Foi constatado que a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Geisy, diz a nota, ensejou "de forma explícita os apelos dos alunos" e foi expulsa por "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". O título do informe agrega ao conteúdo um toque de humor negro: "A educação se faz com atitude e não com complacência".
De que educação falam esses farsantes? Devemos chamar essa fábrica de açougueiros de instituição de ensino? Que princípio ético ou dignidade acadêmica podem sobreviver a uma escola que pune a vítima humilhada para respaldar a brutalidade e a covardia de uma turba excitada com a própria fúria?
Como se sentirão agora as garotas que estudam na Uniban? Estarão os rapazes liberados pela direção a agir sempre assim em defesa do "ambiente escolar"?
As cenas são conhecidas: "Pu-ta!, pu-ta!", "vamos estuprar!", "solta ela, professor!". Um aluno chutou a maçaneta da porta da sala em que a moça estava encurralada; outros tentaram colocar o celular entre suas pernas para fotografá-la.
A Uniban invoca um zelo pedagógico que não tem para satisfazer a vontade fascista da maioria e preservar os negócios. Com sua decisão, ela deu chancela institucional aos atos de barbárie praticados em suas dependências. Mais do que isso: ao linchar Geisy, a universidade consuma o serviço que os alunos haviam deixado pela metade.

GOSTOSA

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Berlim, 9/11/89

O Estado de S. Paulo - 09/11/2009


A queda do Muro representou:


1) A eliminação da ameaça de guerra nuclear, que seria literalmente o fim do mundo, da qual Estados Unidos e a falecida União Soviética se aproximaram algumas vezes. Mikhail Gorbachev acredita que evitou uma terceira guerra mundial ao resistir aos apelos dos dirigentes comunistas que ainda consideravam possível conter as rebeliões com um banho de sangue. Uma repressão desse calibre nos países do Leste Europeu, ali ao lado das democracias ocidentais, nas quais milhões de pessoas tentariam obter refúgio, certamente criaria todas as condições para um conflito global. Compreender que a ditadura chegara ao fim, não permitir a repressão, fechar as tropas russas nos quartéis - isso foi certamente um dos maiores méritos de Gorby.

2) A eliminação da alternativa capitalismo/socialismo, que teve efeitos não apenas nos países ex-comunistas, mas em todos os cantos do mundo onde forças políticas locais, as esquerdas, ainda tentavam vender o sonho socialista. Todos, gostando ou não, convergiram para o capitalismo e, frequentemente, em sua versão mais liberal. O debate político-econômico mudou o foco para as formas de capitalismo. No auge da crise financeira de 2008 alguns disseram que a quebra do Lehman Brothers representava para o capitalismo o que a queda do Muro representara para o socialismo. E o que se discute hoje por toda parte? Como conter os excessos dos banqueiros e corrigir as falhas de mercado. Ninguém, exceto meia dúzia de ingênuos ou bobos, propôs a volta de algum tipo de socialismo. Todos sabem agora que o socialismo não entrega crescimento e bem-estar. Não, Hugo Chávez não conta.

3) A aceleração e consolidação do processo de globalização, que nunca estaria completo com o mundo dividido pelo Muro. Isso abriu enormes possibilidades comerciais e financeiras, na medida em que incorporou ao mercado mundial milhões de consumidores e trabalhadores. As tropas do capitalismo desembarcaram nos ex-socialistas levando capital, tecnologia, modos de gestão e mercadorias. O comércio mundial, que já vinha em expansão, deu um salto com os novos mercados. O Brasil beneficiou-se muito especialmente desse fenômeno. As exportações brasileiras, que estavam havia tempos empacadas entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões anuais, saltaram para cerca de US$ 200 bilhões no curtíssimo prazo de seis anos. Esclarecendo: claro que todo esse ganho não veio das compras dos ex-socialistas. Companhias brasileiras foram para lá também, mas se beneficiaram especialmente do clima global de abertura comercial que se consolidou nos anos 1990.

4) Um extraordinário crescimento da economia mundial. Os últimos 20 anos não foram apenas de expansão global, mas um dos períodos mais brilhantes da história econômica do planeta. Não, não foi apenas uma bolha financeira. O produto mundial chegou a crescer espantosos 5% em vários momentos. O comércio mundial de mercadorias e serviços, favorecido por um movimento geral de redução das tarifas alfandegárias, cresceu acima dos 10% ao ano, por vários anos. Aumentaram exponencialmente a produção e o consumo de tudo aquilo que melhora a vida das pessoas, de coisas velhas como automóveis e fogões até as novidades do celular e da internet. A globalização e o ambiente de abertura econômica favoreceram o desenvolvimento da tecnologia de informação, que, ao juntar computadores e telecomunicações, espalhou ganhos de produtividade em todas as atividades econômicas e em praticamente todos os países. Nos desenvolvidos surgiram as companhias e os produtos da nova era (Google, Amazon, iPhone, etc.). Os países mais pobres da África saltaram da condição de "sem-telefone" - porque redes físicas eram caras e difíceis de construir - para a comunicação plena, com os celulares, os quais facilitaram a vida e, por exemplo, as transações comerciais e financeiras. Ganhos de produtividade são os que mais impulsionam a renda. Resumindo: no período, nada menos que 500 milhões de pessoas deixaram a pobreza.

5) Firmou o consenso de que quanto mais comércio mundial, melhor. Na crise de 1929-1930, os países fecharam as suas fronteiras, aderiram ao protecionismo comercial acreditando que com isso salvariam empregos locais. O resultado foi o prolongamento da crise e... do desemprego por toda parte. Na crise de hoje, os governantes - no G-20, por exemplo - se apressaram a recomendar que todos mantivessem o comércio aberto. Sim, é verdade que vários aplicaram medidas protecionistas localizadas, inclusive os Estados Unidos, mas o ambiente geral é o de preservar o comércio.

Esperanças vãs - Mas há decepções relevantes.

Duas a destacar.


Primeira, parecia que, eliminada a guerra fria, o mundo caminharia para a universalização dos regimes democráticos e para uma era de paz. Havia outros conflitos, que, porém, não apareciam porque toda a atenção se concentrava na ameaça maior. E muitos países caminharam para tipos variados de autoritarismo.

A segunda decepção é econômica. Olhando o conjunto, o mundo todo cresceu. Mas alguns países tiveram desempenho melhor, outros se perderam pelo caminho. E, dentro dos países, o sistema também deixou muita gente para trás, isso gerando ressentimentos e ainda mais conflitos.

Falaremos disso na semana que vem.

DENIS LERRER ROSENFIELD

Diplo-MÁ-cia


O Estado de S. Paulo - 09/11/2009
A diplo-MÁ-cia brasileira tem tantas luzes quanto a lanterna que Hugo Chávez recomenda aos venezuelanos para suas orientações noturnas. Evite ligar a luz, porque as empresas estatizadas não podem responder às suas demandas! Banho, então, só de três minutos, pois mais o socialismo bolivariano não permite! Siga as instruções do "companheiro" Chávez, que já dita como as pessoas devem se conduzir em sua própria casa! Cuidado! Podem se tornar inimigas do povo se essas diretrizes não forem seguidas.

É essa Venezuela chavista, socialista, que procura repetir, com outras denominações, a experiência comunista do século 20, que a nossa diplo-MÁ-cia está propondo como novo membro do Mercosul, no mais completo desrespeito à cláusula democrática, que deve reger as relações entre os seus países-membros. De democracia a Venezuela só tem a fachada. É como a lanterna e o banho de três minutos no lugar da energia elétrica. Espera-se que os senadores tenham, agora, no plenário, mais descortino do que tiveram na Comissão de Relações Exteriores. O Brasil está a um passo de se tornar mero instrumento da política chavista.

Há um equívoco que tem sido utilizado pelas autoridades governamentais e, em particular, pelos seus responsáveis, no próprio Palácio do Planalto e no Itamaraty, relativo ao significado da democracia. Para eles, a democracia reduz-se a um ritual de eleições, como se não existissem outras condições. A sua alternativa é simples: se há eleições, há democracia; se não há eleições, não há democracia. Tomemos um exemplo. Hitler chegou ao poder por meio de eleições. Aliás, ele as utilizou para suprimir qualquer outra condição da democracia. Para os nossos diplo-MÁ-tas, porém, não haveria dúvidas: Hitler seria um democrata!

A América Latina está presenciando um fenômeno político de novo tipo. O socialismo ou, para sermos mais precisos, o comunismo está voltando com uma nova roupagem. Ele deveria ser mais precisamente denominado de "democracia totalitária". Por quê? Pelo fato de estar utilizando instrumentos democráticos para subverter a própria democracia. E o faz por intermédio de institutos como referendos e assembleias constituintes, embasados em participações populares. Assim, seguindo esse raciocínio, uma assembleia constituinte poderia eliminar qualquer artigo constitucional, até mesmo aqueles que consideramos pétreos. Nesse sentido, uma assembleia constituinte, dado o seu caráter ilimitado, poderia abolir a igualdade racial ou a igualdade de gêneros.

O resultado desse processo consiste na destruição da democracia representativa, ou seja, do exercício da democracia feito pela afirmação das liberdades em geral, da liberdade econômica à liberdade política, passando pelas liberdades civis. A participação política deve fazer-se por instâncias e institutos de mediação, que são as leis, a liberdade de expressão e de imprensa, a liberdade de organização sindical e partidária, a igualdade de condições numa competição eleitoral e a existência da divisão de Poderes, que agem independentemente. Ora, o que faz a democracia totalitária? Silencia as oposições, suprime a independência do Poder Judiciário, submete o Poder Legislativo, fecha emissoras de rádio e de televisão independentes, criminaliza os adversários, considerados inimigos que devem ser abatidos.

A diplo-MÁ-cia brasileira, cada vez mais, assume uma feição bolivariana, comunista. Eis por que repete com tanta insistência que a Venezuela é "democrática", por entender por democracia a sua feição propriamente totalitária. Pactua, portanto, com a subversão da democracia por meios democráticos, apoiando Chávez internamente e do ponto de vista externo. Vez por outra, apresenta um laivo de independência, como quando critica a verborragia chavista. Ora, a verborragia chavista é também um elemento do exercício totalitário do poder. Pense-se nos discursos torrenciais de Fidel Castro durante horas ou nos discursos de Hitler. São todos frutos da mesma árvore denominada totalitarismo.

Um dos argumentos utilizados pelos partidários de Chávez foi de natureza comercial. As exportações brasileiras para a Venezuela alcançaram nestes últimos anos o montante de US$ 5,15 bilhões, como se fosse o Mercosul que tivesse propiciado esse incremento. Primeiro, esse incremento se deu sem nenhuma zona de união comercial nem aduaneira, sendo fruto da relação normal desses dois países. Segundo, note-se que a Venezuela tem nos EUA seu maior parceiro comercial, sendo proprietária nesse país de uma extensa rede de postos de gasolina. Chávez vocifera contra o imperialismo ianque e continua fazendo benéficos negócios com ele. Não precisa entrar no Nafta para isso.

Lobbies de empresários atuaram para favorecer o ingresso da Venezuela totalitária no Mercosul, pois assim seus interesses mais imediatos estariam satisfeitos. A questão, contudo, reside nos interesses de médio e de longo prazos, pois uma vez Chávez no Mercosul ele terá poder de veto para negociações do bloco em relação a outros países e blocos. Considerando que suas posições são anticapitalistas, ele procurará sempre fazer valer essas posições, ao arrepio dos interesses empresariais em relação a outros mercados. Procurará, de todos os modos, torpedear as relações comerciais do Mercosul, e do Brasil em particular, com os EUA e a União Europeia.

Um dos argumentos de senadores foi o de que ele deveria passar a respeitar a democracia. Alguns mais afoitos chegaram a dizer que seria obrigado a assinar um acordo nesse sentido, de tal maneira que este passaria a valer em seu próprio país. O argumento é de uma pusilanimidade atroz, pois Chávez nem respeita referendos provocados por ele mesmo. Há, contudo, uma questão conceitual de maior alcance. Regimes totalitários vivem do desrespeito sistemático das palavras, vivem da mentira, que se torna um instrumento político entre outros.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

PAINEL DA FOLHA

Mapa da mina


Folha de S. Paulo - 09/11/2009

O Ministério de Minas e Energia concentrará mais de 90% dos R$ 94,4 bilhões que as estatais federais terão para investir no ano eleitoral de 2010 -alta de 18,4% em relação a este ano. O detalhamento dos gastos foi feito na quinta. Guarda-chuva de todo o setor energético e da Petrobras, o ministério é chefiado pelo peemedebista Edison Lobão.

De acordo com o projeto de Orçamento-2010, em tramitação no Congresso, 64% desse dinheiro irá para obras do PAC. Mas o governo também busca recursos externos. Depois de percorrer Europa e países como o Canadá, o "roadshow" que caça investidores para o PAC passa, neste momento, por Tóquio e Seul.



W.O. Para conter o imenso assédio a Dilma Rousseff, os organizadores do encontro de prefeitos do PT com a ministra, anteontem, repetiam ao microfone que ela voltaria na parte da tarde ao local para atender ao grande número pedidos de fotos dos presentes. Só que ela não apareceu.

Tratamento. O novo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) se referiu à chefe da Casa Civil no evento petista como "a senhora Dilma". Na sequência, foi a vez de ela, sempre em tom de brincadeira, revidar: "Senhora é a vovozinha..."

A favorita. Na sexta, quando o PC do B recebeu a visita da ministra em seu congresso, a cúpula da sigla combinou não exagerar na saudação à convidada ilustre para evitar melindrar Ciro Gomes (PSB), que também foi chamado. Nem a militância obedeceu -recebeu Dilma sob coro-, nem Ciro deu as caras.

Holofote. Punido pela Polícia Federal sob acusação de engajamento eleitoral, o delegado Protógenes Queiroz, candidato a deputado pelo PC do B, deu entrevistas no evento reclamando da PF. A poucos metros, estava o ex-chefe Tarso Genro (Justiça) e Lula.

Bota-dentro. As bancadas do PSDB promoverão um jantar, quarta, na casa do deputado Eduardo Gomes (TO), cujo motivo oficial será dar as boas-vindas a Marcelo Itagiba (RJ), Rita Camata (ES) e Flávio Arns (PR), além de um desagravo ao senador cassado Expedito Júnior (RO).

Foto. Nos bastidores, entretanto, corre que a intenção real é saber qual dos governadores que disputam a candidatura ao Planalto, José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), vai aparecer. Ou nenhum.

Procurados 1. Responsáveis pela pressão sobre Michel Temer (PMDB-SP) para que colocasse na pauta de votações o projeto que atrela o reajuste das aposentadorias ao do salário mínimo, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas elegeu como "inimigos públicos da categoria" os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), Henrique Fontana (PT-RS) e João Carlos Bacelar (PR-BA).

Procurados 2. A entidade colocou as fotos dos deputados em seu site, com acusações de que o trio passou uma "rasteira nos aposentados".

Novos tempos. Passou praticamente despercebido o abraço, no meio do plenário da Câmara, dos ex-desafetos Jair Bolsonaro (PP-RJ) e José Genoino (PT-SP), após a aprovação de um projeto que beneficiava taifeiros da Aeronáutica. Chamado de "capacho da ditadura" por petistas, Bolsonaro explica: "Chegamos a um ponto de maturidade. Agora, é daqui pra frente".

Saldão. O Senado anunciou leilão, dia 21, de uma "grande quantidade" de mesas, armários, computadores, fogões, geladeiras, sofás, camas, colchões, além 14 automóveis.

RT. Garibaldi Alves (PMDB-RN) postou em seu Twitter: "Meu gabinete ainda dispõe de publicações como Constituição e códigos. Quem se interessar envie e-mail com nome e endereço".


com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

Tiroteio

"Para um partido de elite, não há forma mais analfabeta de fazer política do que comprar cabos eleitorais no atacado."


Do deputado LUIZ SÉRGIO (PT-RJ), sobre o programa do PSDB de contratação de 4.500 "multiplicadores" para atuação no Nordeste.

Contraponto

Time da casa Numa conversa às vésperas da escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, Márcio Fortes (Cidades) tentava convencer o colega Edson Santos (Igualdade Racial) e o deputado Chico Alencar (PSOL) a assumirem um projeto para mudar as regras de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Fortes elencou dezenas de vantagens.
-Times com grandes torcidas são produtores de dinamismo econômico!-, bradou.
Até que surgiu a pergunta sobre o time do coração do ministro, que, envergonhado, revelou ser torcedor fanático do Fluminense, na zona de degola do campeonato.
-Mas juro que isso não influencia minha opinião...

PAULO GUEDES

A queda dos muros cognitivos

O GLOBO - 09/11/09

Sempre houve alternativas visões de mundo.
São os nossos mapas cognitivos, antigos como as mentes. As crenças primitivas, as corrente filosóficas, as religiões, as ideologias e as teorias científicas formulam e transmitem essas diversas visões de mundo. Diferentes grupos humanos adotam crenças distintas para moldar suas práticas sociais e coordenar os esforços de cooperação econômica entre seus indivíduos. Um mecanismo evolucionário de seleção institucional preserva o que funciona e descarta o que ameaça a sobrevivência desses grupos humanos.

A queda do Muro de Berlim, há duas décadas, marca o esgotamento e o descarte de uma extraordinariamente influente visão de mundo. Não foi apenas o reconhecimento do colossal equívoco intelectual que forma as pretensões científicas do socialismo.

Foi também uma rejeição do socialismo real pelos próprios praticantes mais comprometidos com essa visão de mundo. Diversos grupos humanos rejeitaram simultaneamente o regime socialista exatamente por suas práticas desumanas.

A extinção das liberdades políticas, a supressão das iniciativas econômicas, as violações dos direitos humanos, a perseguição às religiões, o constrangimento à criatividade científica e a repressão à livre expressão artística empurraram centenas de milhões de indivíduos contra os muros das prisões cognitivas que ameaçavam seu bem-estar material e espiritual, e até mesmo sua existência física.

À exceção de variantes exóticas como a bolivariana - o "socialismo o muerte" de Hugo Chávez -, o que se pode observar em todo o mundo é o ocaso de ideologias radicais. Da mesma forma que o liberalismo clássico dos séculos XVIII e XIX foi politicamente enterrado por sua insensibilidade ao sofrimento humano e às desigualdades sociais, sua antítese socialista fracassou miseravelmente em escala planetária.

Sua vocação totalitária provocou alternativas igualmente ferozes à direita, como o nacional-socialismo e o fascismo, ameaçando também a própria existência das democracias liberais em duas guerras mundiais e no longo inverno da Guerra Fria.

Após toda a experimentação institucional do século XX, a marca do novo século é exatamente a síntese da Grande Sociedade Aberta, novo paradigma da civilização ocidental. De um lado, temos a herança das democracias liberais, com a democracia representativa, o estado de direito e as economias de mercado. E, de outro lado, uma herança milenar das grandes religiões e, ironicamente, do socialismo que tanto as combateu: a solidariedade, as redes de proteção social por meio da ação descentralizada do Estado.

As ideologias radicais estão superadas por essa síntese. Tanto o liberal-democrata quanto o socialdemocrata estão no centro do espectro político. Para superar a desesperança com o socialismo e a perplexidade ante o capitalismo global em crise, teremos de ir muito além da esquerda e da direita. Paulo Guedes é economista.

O MURO DO ATRASO

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Corregedor da Câmara dá respaldo a gazeteiros


- Folha: Reforma não evita rombo na previdência pública


- Estadão: Gasto básico de pobres já supera o de ricos


- JB: Fla, Flu, Botafogo


- Correio: Governo segura verbas da oposição e sobra para o DF


- Valor: Estado paga o dobro do salário do setor privado


- Jornal do Commercio: Bagunça sem fim