sábado, outubro 03, 2009

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

REVISTA VEJA
Roberto Pompeu de Toledo

A arte de morrer

"O sistema de som começou a tocar a Floresta Amazônica.
Gandelman comentou: "Fico sempre arrepiado de ouvir isso.
O Villa é mesmo o maior". E mais não disse. Caiu morto"

Um artigo publicado na semana passada na Folha de S.Paulo, Ruy Castro narrou as extraordinárias circunstâncias da morte do advogado Henrique Gandelman, um especialista em direitos autorais que, entre outros feitos, dedicou anos à tarefa de trazer os direitos sobre a obra de Villa-Lobos, desencaminhados mundo afora, para o espólio do artista. "Foi um trabalho de amor, poucos amavam tanto Villa-Lobos", escreve Ruy Castro. Gandelman, que estudou música na juventude, era, além de defensor dos direitos, um profundo conhecedor da obra do grande compositor brasileiro. No dia 24 de setembro, ele ia dar uma palestra no Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e receber uma homenagem. Enquanto, no camarim, esperava a hora de se apresentar, o sistema de som começou a tocar a Floresta Amazônica. Gandelman, de mãos dadas com a mulher, comentou: "Fico sempre arrepiado de ouvir isso. O Villa é mesmo o maior". E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Soltou um suspiro e caiu morto. Aneurisma. Tinha 80 anos.

É o caso de dizer, para cunhar uma expressão nova, que "a vida imita a arte". Ao morrer sob o impacto de seu artista predileto, Gandelman repetiu a morte de um personagem de Marcel Proust, o escritor Bergotte. Numa famosa passagem de Em Busca do Tempo Perdido, Bergotte vai a uma exposição de arte holandesa em Paris que, entre outros quadros, exibe Vista de Delft, de Johannes Vermeer. Assim como Gandelman com relação à Floresta Amazônica, Bergotte é um apaixonado pela Vista de Delft. Já a contemplou várias vezes, e em cada uma descobre coisas novas. Nesta, ele repara pela primeira vez nos pequenos personagens vestidos de azul, à esquerda da tela, e na cor rósea da areia em que pisam. Principalmente, fixa a atenção num pequeno pedaço de muro amarelo. O muro amarelo, aparentemente insignificante, no conjunto de um quadro que mostra um aglomerado de construções à beira do rio, o captura de modo irresistível. Seu olhar se fixa nele "como o de uma criança em uma borboleta amarela que deseja apanhar". Sente então uma tontura, acomoda-se num banco e morre.

Ruy Castro chamou a morte de Gandelman de "a morte ideal". Como Bergotte, o advogado morreu sob o impacto de uma emoção estética, e não uma emoção estética qualquer, mas da obra predileta, ou uma das obras prediletas, do artista predileto. Os santos morrem, ou morriam, com antevisões do paraíso. Santa Teresa de Ávila morreu dizendo: "Chegou enfim a hora, Senhor, de nos vermos face a face". São Francisco disse: "Seja bem-vinda, irmã morte". São João da Cruz, na noite de sua morte, diz aos companheiros: "Eu cantarei as matinas no céu". Pede que lhe leiam o Cântico dos Cânticos. Antes do amanhecer, apruma-se no leito e diz: "Glória a Deus! Senhor, minha alma está em suas mãos". A morte ideal, na era dos santos, era acompanhada pelo transe místico. O Bergotte de Proust representa um rompimento com esse modelo, em favor do transe estético. Gandelman o repica. Numa era laica, de valores racionalistas, como a nossa, a arte substitui o misticismo no provimento de uma elevação espiritual compatível com esse momento grave entre todos que é o momento da morte.

O som de Villa-Lobos substitui a cítara dos anjos que os místicos já começavam a ouvir na iminência da morte e as cores de Vermeer substituem a visão do manto resplandecente da Virgem Maria. Mas não é só nisso que a morte ideal do homem de hoje se diferencia da do antigo. Morte ideal, hoje, é a morte repentina, sem dor, sem remédios e sem UTI. De preferência, tão repentina que poupe até da consciência de que se está morrendo. Os santos morriam tão conscientes da morte que até podiam saudar sua chegada. Antes deles, Sócrates morreu despedindo-se dos amigos e filosofando sobre a morte. Para os gregos, era a morte ideal. Em nosso tempo, um valor altamente apreciado é a morte que nos poupe da angústia, ou do susto, ou do pânico, de saber que se está morrendo. É uma espécie de ludíbrio que aplicamos na morte. O.k., você chegou. Mas nem nos demos conta disso. A visita foi humilhada por um anfitrião que nem olhou para sua cara.

Talvez seja síndrome de uma época de ritmo acelerado, cheia de urgências, como a nossa. Morte? Quem quer perder tempo com ela? Resta a dúvida sobre o significado profundo desse desejo de uma morte sem anúncio, que não mostre seu rosto. É uma esperteza que nos diminui? Ou a sabedoria de constatar que quanto menos angústia e sofrimento, melhor? Cada um que dê sua resposta.

BANANA COMENDO BANANA


RUTH DE AQUINO

REVISTA ÉPOCA
Sim, nós podemos
RUTH DE AQUINO
Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

O Rio amanheceu cantando. Toda a cidade amanheceu em flor. E os namorados vêm pra rua em bando porque a primavera é a estação do amor. Rio, das noites estreladas e praias azuis. Rio, das manhãs prateadas, das morenas queimadas, ao brilho do sol. Rio, és cidade-desejo, tens a ardência de um beijo em cada arrebol! A composição é de Braguinha (João de Barro) e foi gravada por Carmen Miranda, em 1934. Faz 75 anos. Na sexta-feira, o Rio amanheceu assim.

Só é preciso traduzir “arrebol”: alvorada ou crepúsculo avermelhado. De resto, a letra de Braguinha é atual. Continua sendo verdade. Uma verdade parcial, vista de cima, mas absoluta: não há no mundo natureza mais fotogênica num centro urbano do que a carioca. O Rio sempre foi um destino de sonho. Porque é bonita demais, que me perdoem as feias. É uma cidade exibida que convida ao namoro e ao voyeurismo.

Brasileiros de todos os sotaques se emocionaram ao ver na televisão as imagens do Rio de Janeiro em Copenhague, Dinamarca. Foi um exercício de sedução para sediar as Olimpíadas de 2016.

Esse amor pela cidade em que nascemos e crescemos é diretamente proporcional a nossa indignação com os sucessivos governos que vinham destruindo criminosamente o Rio e sua vocação para a alegria, o turismo e o prazer. Vocação que resiste a todos os ex-prefeitos omissos, a todas as ex-picuinhas com presidentes. Senão, como explicar que uma pesquisa com 10 mil pessoas em 20 países, feita pela revista Forbes, tenha acabado de eleger o Rio como “a cidade mais feliz do mundo”?

Na fria Copenhague, um dos pontos mais altos da apresentação foi o discurso do presidente Lula. Não vou repisar a paixão, porque isso Lula tem de sobra. E todos os passionais às vezes pisam na bola. Lula foi profissional. Treinado como um atleta para subir ao pódio e ganhar o ouro. Sua emoção estava na dose certa da sinceridade e propriedade dos argumentos, sem cacoetes de improviso. Não apelou para gracinhas dúbias. Não mencionou o Corinthians. Não recorreu a olhares, gestos e bocas. Não tropeçou, não cometeu gafes, e falou de multiculturalismo.

Brasileiros de todos os sotaques se emocionaram com
a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016

“Com muito orgulho, represento aqui as esperanças e os sonhos de mais de 190 milhões de brasileiros. Somos um povo apaixonado pelo esporte. Olhando para os cinco aros olímpicos, vejo neles o meu país. Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado”, disse.

Foi o Lula no auge do charme e carisma, com um toque de sobriedade que lhe caiu muito bem, uma sobriedade escassa na América do Sul. Lula não foi frio e formal como o presidente americano Barack Obama – que ficou cinco horas na Dinamarca e se mandou sem ouvir a votação. Nem apelou para sua infância, como fez Michelle, a primeira-dama, numa fala mais triste e particular do que a ocasião pedia. Lula não personalizou. Falou em nome do Brasil, da América do Sul e desafiou o Comitê Olímpico Internacional a ousar. A apostar no diferente. A acreditar na transformação de uma cidade pelo esporte. Lula foi “o cara”: “Chegou nossa hora. Entre as dez economias do mundo, somos o único país que nunca recebeu os Jogos. Essa decisão abrirá uma nova fronteira”.

Sei que os céticos enxergam os interesses políticos por trás. E que os pessimistas chegaram a torcer contra a candidatura do Rio. Foram poucos. A adesão do povo brasileiro foi impressionante: 85% queriam muito.

Claro que vamos cobrar o cumprimento de promessas. O não desvio de dinheiro público. Estamos cansados de testemunhar falcatruas. Chega de projetos megalomaníacos que enchem os bolsos de políticos e são inúteis para a população.

Não queremos pouco. Queremos uma transformação radical como a de Barcelona. O Rio pode enfim dar uma virada se houver planejamento e responsabilidade. No transporte, na segurança, na urbanização de algumas favelas e na remoção de outras, no meio ambiente, na infraestrutura, na saúde, no respeito à infância, na educação e cidadania. Esperamos que um dia o choque de ordem se torne redundante. Sim, nós podemos.

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA
Diogo Mainardi

O nosso futuro

"Lula disse: ‘Nenhum país tem tanta certeza do seu futuro
quanto o nosso’. Eike Batista encarna essa certeza melhor
do que ninguém, com suas empresas bilionárias que faturam
tanto quanto uma padaria"

Se Chicago tinha Saul Bellow e Ernest Heming-way, o Rio de Janeiro tem Paulo Coelho. Se Chicago tinha Al Capone e John Dil-linger, o Rio de Janeiro tem Fernandinho Guarabu, do Terceiro Comando Puro, imortalizado na última New Yorker. Se Chicago tinha Orson Welles e Walt Disney, o Rio de Janeiro tem Eike Batista.

Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, foi o maior financiador particular da candidatura olímpica carioca. Ele até emprestou um jatinho para trans-portar Eduardo Paes e Sérgio Cabral a Copenhague, onde eles acompanharam a escolha da sede da Olimpíada de 2016. No mesmo dia em que Eduardo Paes e Sérgio Cabral embarcaram em seu jatinho, Eike Batista anunciou a compra de um empreendimento na Marina da Glória, que pertence à cidade do Rio de Janeiro, tornando-se simultaneamente concessionário da prefeitura e – como dizer? – concedente do prefeito e do governador. É a política brasileira transformada no programa de Amaury Jr.

Eike Batista pretende dominar a indústria turística carioca. Como tudo o que se refere a ele, a promessa é mais altissonante do que a realidade. Dois anos atrás, ele passou a oferecer passeios náuticos pela Baía de Guanabara, a bordo de sua Pink Fleet – ou Frota Cor-de-Rosa. Contrariamente ao que indica o nome, trata-se de uma frota de um barco só. No caso, uma balsa recauchutada de meados do século passado. A Frota Cor-de-Rosa pode ser considerada uma espécie de Bateau Mouche de Penélope Charmosa. Além da Frota Cor-de-Rosa, Eike Batista possui também um restaurante de comida chinesa especializado em costelinhas com ketchup e uma clínica dermatológica "com status de grife" que fornece o tratamento Triniti-Syneron E-Max. O conglomerado EBX reúne a maior parte de suas empresas. Em 2009, elas ocuparam os últimos lugares nos cálculos de lucros da Bolsa de Valores.

Chicago representa o passado. Madri representa o passado. Tóquio representa o passado. Só o Rio de Janeiro pode representar o futuro. Esse foi o mote da campanha olímpica carioca. Em Copenhague, tentando angariar eleitores para a candidatura brasileira, ao lado de Eduardo Paes e Sérgio Cabral, os dois emissários de Eike Batista, Lula disse: "Nenhum país tem tanta certeza do seu futuro quanto o nosso". Eike Batista encarna essa certeza melhor do que ninguém, com sua frota de um barco só, com seus licenciamentos ambientais indagados pelo Ministério Público e com suas empresas bilionárias que faturam tanto quanto uma padaria. O futuro do Rio de Janeiro e do Brasil será assim: de um lado Eike Batista e do outro Fernandinho Guarabu.

GOSTOSA


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PAINEL DA FOLHA

Distribuindo Lula

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09

As centrais sindicais, que já haviam recebido do produtor Luiz Carlos Barreto a proposta de subsidiar ingressos de "Lula, o Filho do Brasil", terão nova reunião com a equipe do filme, desta vez para tratar da distribuição de DVDs. O caminho serão as sedes municipais dos sindicatos, que, mais adiante, promoverão sessões da cinebiografia do presidente.
Já está acertado que os cartazes de divulgação do longa trarão os selos da CUT e da Força a título de "apoio cultural". As centrais se comprometeram a usar seus sites na internet para anunciar o filme, que terá pré-exibição ainda neste mês no auditório da Força e chegará ao cinemas em janeiro de 2010.




DDI. José Serra telefonou para Lula e Sérgio Cabral tão logo divulgada a escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016. O pré-candidato tucano elogiou o discurso do presidente e disse, fazendo graça: "No que depender de mim, os investimentos estarão garantidos". Tentou ainda falar com o prefeito Eduardo Paes, mas não o encontrou.

Hi, cara. A primeira pessoa a ligar para cumprimentar Lula foi Barack Obama, ainda a bordo do Air Force One. O presidente estava no meio da entrevista. Ligou em seguida. "Pelo menos as Américas ganharam", disse Obama.

Bônus. Depois veio o telefonema de Nicolas Sarkozy. Com direito a umas palavras de parabéns de Carla Bruni.

Boca de urna. Pelos cálculos do staff presidencial, Lula conversou separadamente na véspera com mais de 20 eleitores do COI.

Encolheu. Comentário de um petista diante do resultado: "Tóquio foi o Geraldo Alckmin da Olimpíada. Teve mais votos na primeira rodada do que na segunda". Como o tucano em 2006.

Memória. Em junho, o TCU ratificou decisão que apontara superfaturamento de R$ 2,7 mi em obra do Pan-2007 no Rio. Foram considerados responsáveis: Ricardo Leyser, funcionário do Ministério do Esporte que gerenciava o evento, a comissão de licitação e o Consórcio Interamericano, da JZ Engenharia.

Não foi. Apesar de ter comparecido à reunião que selou o ingresso do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no PSB, o empresário Benjamin Steinbruch, da CSN, não se filiou.

Direito autoral 1. No esforço para virar a página do episódio Gabriel Chalita, alckmistas fizeram circular a versão de que teria sido o ex-governador o responsável pelo ingresso no PSDB de William Dib, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-PSB.

Direito autoral 2. No próprio evento de filiação, porém, José Serra fez questão de destacar que a vinda de Dib resultou "do trabalho do Aloysio" (Nunes Ferreira). O chefe da Casa Civil e Alckmin disputam a candidatura tucana ao governo paulista.

Ficha 1. Sensação da temporada de trocas partidárias, o nanico PSC é presidido por Vítor Jorge Abdala Nósseis, autor em 2006 de um pedido de impeachment de Lula. Seu pacote de denúncias contra o presidente incluía desde ataques do PCC em São Paulo até o número de medidas provisórias editadas pelo Planalto.

Ficha 2. O tesoureiro da sigla, que saltou de 9 para 17 deputados na Câmara, é Luiz Rogério Ognibeni Vargas, ex-secretário de Administração do Estado do Rio. Em 2005, o TJ-RJ emitiu uma ordem de prisão contra ele pelo não pagamento de servidores.

Bancadas. Ivan Valente (PSOL-SP) e Janete Pietá (PT-SP) se rebelaram em Honduras. A dupla, que integra a comitiva de deputados brasileiros em Tegucigalpa, não topou comparecer a uma reunião com o presidente golpista, Roberto Micheletti.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

O presidente Lula bateu todos os recordes olímpicos ao trazer os Jogos para o Rio. A medalha de ouro será eleger a Dilma.

Do deputado RICARDO BERZOINI, presidente do PT, sobre a atuação do presidente no processo de escolha da sede de 2016.

Contraponto

Minha formação A Comissão de Educação do Senado votava, na terça-feira passada, um projeto que proíbe o aluno de cursar simultaneamente duas carreiras na mesma universidade pública, com parecer favorável do relator Augusto Botelho (PT-RR). Wellington Salgado (PMDB-MG) protestou:
-Fiz Engenharia e Educação Física ao mesmo tempo!
-Qual deles o senhor concluiu?- quis saber o relator.
-Pedagogia-respondeu o senador cabeludo.
A plateia riu, mas Salgado, proprietário de uma rede de ensino, não se deu por vencido:
-Ora, vocês têm que entender que eu estava me preparando para virar reitor!

MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA
Maílson da Nóbrega

Um fascínio de alto risco

"A substituição de importações teve seu tempo. É no mínimo
impróprio revivê-la agora, quando os serviços respondem por
65% do nosso PIB e a globalização é uma realidade"

A abertura da economia brasileira, conduzida entre 1988 e 1994, foi uma resposta ao esgotamento, às distorções e aos problemas herdados da estratégia de substituição de importações. Por isso, surpreende que o modelo tenha ressuscitado com o marco regulatório do pré-sal, cujo projeto de lei fala em "conteúdo local mínimo e outros critérios relacionados ao desenvolvimento da indústria nacional".

A ideia é produzir aqui o máximo possível dos equipamentos, à moda dos planos da era Geisel, criados após a crise do petróleo de 1973-74. As empresas que recebessem incentivos fiscais não podiam importar equipamentos com similar nacional. Resultado: aumento de custos e de prazos de entrega.

Ainda que de forma ineficiente, o Brasil se industrializou via substituição de importações. O impulso inicial foi a dificuldade de importar na I Guerra e na Grande Depressão dos anos 30. Na década de 50, substituir importações virou objetivo nacional. No governo Geisel, tornou-se obsessão. No período Figueiredo, atingiu o auge com a insensata reserva de mercado para a informática.

A industrialização por substituição de importações foi bem-sucedida na Europa e nos Estados Unidos, no século XIX. A estratégia era alcançar rapidamente, sob orientação do estado, a posição dos ingleses, cuja Revolução Industrial havia sido gestada em pelo menos seis séculos de evolução institucional.

Casos de insucesso foram os de países incapazes de identificar e eliminar defeitos do modelo. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, a estratégia era prolongada de maneira insustentável, sob influência de grupos e deficiências do governo.

No Brasil, os problemas maiores parecem ter sido a busca da autossuficiência a qualquer custo e o descaso pela educação. Além disso, os vencedores eram escolhidos pela burocracia, que podia ser capturada pelos beneficiários da política. Estudos recentes provam que a substituição de importações foi claramente concentradora de renda.

A Coreia do Sul é uma história diferente. Como o Brasil, adotou o modelo nos anos 50, mas soube mudá-lo. Expôs suas empresas à competição internacional, o que criou incentivos à inovação. Seu êxito não decorreu de políticas industriais, como muitos pensam, mas essencialmente da revolução na educação e do legado do domínio japonês (1910-1945), traduzido na formação de recursos humanos, na pesquisa e nas técnicas organizacionais.

Aqui, o apoio à substituição de importações se enraizou por três razões: (1) a cultura favorável à intervenção estatal; (2) a influência intelectual da Cepal, cujos estudos diziam que a América Latina perdia com o comércio exterior (a tese se provou errada); e (3) o suposto êxito econômico da União Soviética, que viria a entronizar o planejamento estatal nos países em desenvolvimento.

A teoria então mais aceita – a dos economistas Roy Harrod (1900-1978) e Evsey Domar (1914-1997) – atribuía papel central ao investimento. O desenvolvimento dependeria da quantidade de mão de obra e de capital. Mais investimento conduziria à acumulação de capital e daí ao crescimento. Hoje, sabe-se que a fonte primária do desenvolvimento é o conhecimento, secundado por instituições.

A experiência recente mostrou que o Brasil não precisa do dirigismo daquele modelo para produzir vencedores. Economia aberta, sistema financeiro sólido e gestão macroeconômica responsável constituem poderosos mecanismos para alinhar incentivos em prol da inovação e da assunção de riscos pelos empreendedores.

Na vigência do modelo, as empresas se acomodavam ao bem-bom do protecionismo. As ineficientes podiam sobreviver. Agora, com a abertura, a privatização, a estabilidade e a maior concorrência, a situação mudou. Surgiram fortes multinacionais brasileiras. Uma delas se tornou a maior empresa global de processamento de carnes.

O modelo teve seu tempo. É no mínimo impróprio revivê-lo agora, quando os serviços respondem por 65% do nosso PIB e a globalização é uma realidade inescapável.

Um governo que se vangloria de reduzir desigualdades de renda resolveu desenterrar sua antítese. A substituição de importações se esgotou, mas continua a fascinar.

MAIS ROUBO

CLÓVIS ROSSI

De armas e curiosidades

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09

ESTOCOLMO - É curioso, muito curioso, como difere a percepção de uma mesma disputa conforme o país de que estamos falando.
Pelo relato da coluna de Nelson de Sá de ontem, o site norte-americano Politico previa problemas para Barack Obama não se Chicago perdesse a indicação, como perdeu, mas se ganhasse.
Dizia: "Um resultado positivo em Copenhague pode armar seus opositores com munição para mais de seis anos" devido à explosão de custos, controvérsias e atrasos que marcaram os Jogos no passado.
Já no Brasil, e particularmente no Rio de Janeiro, há até feriado, como se explosão de custos, controvérsias e atrasos fossem características exclusivas dos Estados Unidos e nunca ocorressem no Brasil.
Por falar em explosão de custos, o "Financial Times" de ontem informa que os gastos do Rio com as obras para a Olimpíada de 2016 serão dez vezes superiores aos orçados para a derrotada Chicago.
Para tocar no outro ponto que Janio de Freitas analisou ontem impecavelmente, o SFO, escritório britânico de investigação de grandes fraudes, está de olho na BAE Systems, fabricante de equipamentos militares, por suspeita de ter pago propinas a meia dúzia de países.
Entre eles, a Arábia Saudita, que gastou 43 bilhões (quase R$ 130 bilhões) em compras de aviões militares Tornado, além de outros equipamentos.
Não, o Brasil não está na lista dos países que foram às compras na BAE, mas o Chile de Pinochet esteve. O general teria recebido uma propina de 1 milhão.
De novo, como no caso da Olimpíada, tem-se que acreditar que o Brasil é um caso à parte nesse obscuro universo dos negócios com armas, em que tudo se faz limpamente e de forma transparente.
Será que a Dassault, a que venderá os Rafale ao Brasil, é feita de material diferente da BAE?

LYA LUFT

REVISTA VEJA
Lya Luft

Contraponto: deixar desabrochar

"Tive um filho, tenho um aluno, e agora? Agora é plantar os pés
no chão, deixar a alma um pouco solta e, como diziam os avisos
nos trilhos de trem de minha cidadezinha natal: parar, olhar, escutar"

Na coluna passada escrevi sobre educação e autoridade, dois temas complicados nos nossos dias de bagunça generalizada. Hoje falo sobre seu contraponto, o que me ensinou um velho mestre sábio sobre educação: "Família e escola fazem muito, se não estorvam. Deixem as crianças e os jovens desabrochar". Na primeira vez em que escutei a frase fiquei um pouco chocada. Se já naquele tempo, eu ainda universitária, questionávamos a frouxa autoridade em casa e na escola, que deixava a meninada perdidona e sem limites, como entender aquela afirmação de quem entendia mais do que a maioria de nós sobre ensino, educação e o resto?

O tempo e a experiência foram mostrando um pouco do mistério: é preciso juntar tudo isso, bater no liquidificador da experiência, tentativa e erro, alegria e desespero de quem lida com esses assuntos na prática e na teoria, e ver no que dá. Pois para lidar com gente não há garantia nem receitas, por mais que sejam vendidas ou espalhadas gratuitamente por aí em abundância: como conseguir parceiro, como segurar seu homem, como enlouquecer sua amante, como ficar rico sem esforço, como ter sucesso, como ser feliz em dez lições a preços módicos.

A questão é como dosar autoridade e liberdade, para que crianças e jovens cresçam. Ou melhor: para que a gente também continue crescendo, pois sou dos que acreditam que viver não é deteriorar-se, mas se expandir. E quando o corpo parece encolher, murchar, envelhecer – é bom usar as palavras certas, pois às vezes os eufemismos soam ofensivos – a alma tem de continuar crescendo. Alma, psique, mente, não importa o conceito científico, moral, espiritual, que lhe queiram dar.

Mas volto ao desabrochar de crianças e adolescentes: se alguém tem perto de si um desses belos, estimulantes, atordoantes exemplares humanos, comece a observar: encante-se, assuste-se, trate de se descabelar e maravilhar. E vai lentamente entender a frase do velho mestre, quando dizia que família e escola não devem estorvar. É preciso olhar, tentar entender um pouco, e respeitar. Amparando quando for preciso, botando limites para que as capacidades, talentos e dificuldades do outro não transbordem tornando-se prejudiciais; estimulando sem interferir gravemente, e admirando-se de como, igual a uma planta ou pássaro, um peixe no mais remoto fundo de oceano, a criança observa, pensa, e precisa se desenvolver. O susto de quem tem a responsabilidade de cuidar (porque, repito interminavelmente, quem ama cuida) não é pequeno.

Tive um filho, tenho um aluno, e agora? Agora é plantar os pés no chão, deixar a alma um pouco solta e, como diziam os avisos nos trilhos de trem de minha cidadezinha natal: parar, olhar, escutar. Mais que isso, pensar.

Falar assim é fácil, escrever mais ainda, dirão. É verdade. Mas se formos menos desligados e mais atentos, mais firmes mas menos rígidos, mais amorosos e mais exigentes neste universo contraditório que todos somos, e mais respeitosos, veremos milagres. E atenção: dizendo "respeitosos" não digo "encolhidos, humildes, suportando todas as más-criações e maluquices", mas sendo ativamente tranquilos. Claro que para isso precisamos ser, se pais, razoavelmente estruturados emocionalmente, pois se formos destrambelhados demais poderemos perturbar as crianças. Professores, temos de ser bem pagos, com excelentes escolas – ou vamos mendigar a esmola de condições mínimas para trabalhar.

Embora os personagens de minhas ficções sejam neuróticos e sofridos, minhas crônicas nem sempre sejam otimistas, acredito que a gente sempre pode repensar a vida e todas as coisas que nela causam tamanho susto e tanto prazer, para sentir que afinal vale a pena. Educar e ensinar não deveria ser razão de tanto conflito, com tão melancólicos resultados como os que muitas vezes se veem por aí. Deveria ser motivo de interesse, adrenalina boa, entusiasmo – ainda que passando por muitos fracassos e frustrações – porque, afinal, somos todos apenas humanos tentando entender o mundo de Deus e as humanas trapalhadas.

SUCO

DORA KRAMER

Medida cautelar

O ESTADO DE SÃO PAULO -03/10/09


O lance da troca de domicílio eleitoral de Ciro Gomes não é definitivo, mas é claro: o presidente Luiz Inácio da Silva se move na posse da banca e esconde o jogo até o último momento. Vale dizer, até o esgotamento dos prazos legais e a data marcada pelo adversário para dar a partida.

O deputado não precisaria mudar o registro do título de eleitor do Ceará para São Paulo nem para parte alguma se seu plano, como diz ser a sua preferência, fosse a candidatura presidencial. Ou se fosse a preferência dele que comandasse o espetáculo.

Ciro, aliás, sempre disse que uma coisa era sua escolha pessoal, outra a conveniência do partido. Faltou acrescentar que o que vale mesmo é a ordem unida de Lula. Pois bem, se mudou o domicílio é porque joga com o Planalto, o que também já deixou patente, para o que der e vier: candidatura ao governo, a vice de Dilma Rousseff, a presidente no lugar dela, ou ocupando um palanque presidencial alternativo com o apoio de Lula para fazer a cena em que um morde e o outro assopra o adversário.

Quem morderia seria Ciro e Dilma assopraria com a delicadeza já afamada. Considerando que no campo oposto há também um mordedor (José Serra) e um assoprador (Aécio Neves), o espetáculo, nessa conformação, promete valer o ingresso.

Seja qual for a opção de Lula adiante, a jogada da mudança de domicílio eleitoral de Ciro Gomes deixa as coisas até lá em suspenso. E aí elas começam mais a combinar com o raciocínio do presidente segundo o qual candidato lançado com antecedência é candidato a morrer na praia. Vítima de toda sorte de queimaduras.

Qualquer coisa pode acontecer e tentar antecipá-las é um exercício de impossibilidade pura. Pelo simples fato de que as decisões dependem das circunstâncias, reféns do imponderável. Isso nos âmbitos nacional e regional. Note-se uma frase dita pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, no dia do anúncio: “Não estamos discutindo a candidatura ao governo estadual e sim a pré-candidatura de Ciro a presidente. O fato de ele ir para São Paulo vai levar o debate para lá.”

“Lá” não é, no entendimento de Campos nem de Ciro, o centro ideal para as decisões, pois ambos são partidários da tese de que a política está excessivamente concentrada nos paulistas.

“Lá” é maior colégio eleitoral do país, o eixo do PT, a base do principal candidato da oposição, o estado mais complicado para Lula, que precisa urgentemente tomar uma providência para enquadrar a turma que comanda a máquina partidária sob a liderança de Marta Suplicy.

Fio terra

Uma vitória da articulação e da competência nos preparativos, a escolha do Rio é excelente notícia para o país todo. Não só pelo gosto de chegar lá, de sediar a primeira Olimpíada na América do Sul, da projeção internacional que trará, dos resultados internos que produzirá.

Melhor que tudo é o sentido de responsabilidade, do compromisso com a realização pela via do esforço, do investimento e do planejamento – de probidade também, esperemos – a que o Brasil terá de fazer frente.

Mal-entendido

Alguns leitores escrevem para reclamar das “críticas” ao novo ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Toffoli, no artigo de ontem, que, se lido com a atenção devida – ou escrito com mais clareza –, permite a percepção de que as críticas são dirigidas ao Senado e não ao advogado. A começar pelo título: Toffoli 10, Senado 0.

Em miúdos: com ele, ou qualquer outro, o Senado não cumpre a tarefa de escrutinar o saber, a reputação e a independência do indicado. Trata indicações – não apenas ao STF, mas às agências reguladoras também – como questões políticas ou assunto de ordem pessoal.

Como se a sabatina rigorosa denotasse falta de educação, ou pudesse representar uma ameaça de retaliação por parte do possível futuro integrante da corte.

No caso de Toffoli, como foi dito, a apresentação esteve irrepreensível. Não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Mas valeu palavra dele que não foi posta a teste. Os “ataques” de alguns senadores foram só para marcar posição.

Na próxima vez em que um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos for indicado, recomenda-se o acompanhamento da sabatina. Mas é preciso paciência, porque às vezes leva meses. Não é como aqui, na base da fidalguia e da fatura liquidada em poucas horas

Se essa é a forma mais correta de se aprovar o nome de um dos 11 guardiães da Constituição, cujas decisões representam a última palavra, perdão leitores. O Brasil merece, e pode, mais.

A propósito

Se por algum motivo a Justiça houvesse imposto ao jornal O Estado de S.Paulo a censura para assuntos de educação, o jornal não poderia noticiar (e evitar) a fraude nas provas do Enem.

ANCELMO GÓIS

O PREÇO DA VITÓRIA 1

O GLOBO - 03/10/09


José Gustavo de Souza Costa, presidente do Metrô-Rio, que foi a Copenhague acompanhar a vitória do Rio, jantava na véspera da escolha num restaurante quando percebeu, na mesa ao lado, um casal de brasileiros.
Papo vai, papo vem, soube que os dois vivem lá, e perguntou: “O Rio vence amanhã?” E eles: “Vence nada. O metrô do Rio é uma m... Não vão querer uma cidade com aquele metrô.”
MORAL DA HISTÓRIA...
Tem gente muito pessimista com o Brasil, chega de complexo de vira-lata. O Rio mereceu.
Mas o metrô, em que pese o esforço da atual administração, precisa crescer mesmo.
OU...
Como eu ia dizendo, a festa foi bonita, mas, agora, é melhorar, de uma vez por todas, a infraestrutura e cuidar de tantas questões que afligem a cidade.
O PREÇO DA VITÓRIA 2
Ontem, quando o telão de Copacabana anunciou a vitória do Rio em Copenhague, o pessoal na área vip em frente ao Copacabana Palace, liderado pelo secretário Júlio Lopes, ergueu Dilma Rousseff pelas... nádegas.
Foi meio constrangedor. Mas Dilma relevou e festejou junto.
O PREÇO DA VITÓRIA 3
Otávio Cinquanta, um dos delegados italianos no COI, esbarrou com Pelé antes de votar, ontem, e disse: “Só voto no Rio se você se desculpar pelo que fez com a gente em 70, no México.”
Pelé, que acabou com a Itália na final daquela Copa (4 a 1), fez que ia se ajoelhar, gaiato, pediu desculpas e levou o voto.
VEM QUE É TUA
Lula, como se sabe, pretendia esperar no hotel o anúncio da cidade vencedora, ontem, em Copenhague.
Quando o próprio presidente do COI mandou chamá-lo de volta, caiu a ficha de que a parada estava ganha.
SKAF NO PSB
O Brasil não é mesmo para principiantes.
Afinal de contas, é o país em que o presidente da federação das indústrias se filia ao Partido Socialista. Com certeza, alguém está enganando alguém.
ALIÁS...
O PSB defende a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais contra a opinião da Fiesp.
OUTRA COISA...
O deputado Ciro Gomes, também do PSB, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo, como se sabe.
Mas continua na Câmara como representante do povo do Ceará.
RUBINHO NA WILLIAMS
A Rádio Corredor do Autódromo dizia ontem que Rubinho Barichello já assinou com a Williams para 2010.
EXPLODE, CORAÇÃO
De Carlos Alberto Parreira, que foi a Copenhague torcer pelo Rio:
– Eu me senti como numa final de Copa. Foi muita emoção.
HORA DE TRABALHAR
Eduardo Paes desembarca no Rio amanhã, às 5h da matina.
Mas já convocou uma reunião do secretariado para segunda, no Palácio da Cidade. Vai pedir um plano de ação para começar a preparar o Rio para as Olimpíadas de 2016.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Cidade feliz


FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09


Há tempos, escrevi num livro que, assim como os londrinos são bons em táxi, guarda-chuva, pigarro, cachorro e consciência de classe, e os parisienses, em baguete, boina, livro usado, cigarro sem filtro e bidê, o carioca sempre se orgulhou de seu know-how em botequim, sandália de dedo, frescobol, caldinho de feijão e botar apelido nos outros. Pois logo poderá somar outro item a seu currículo: organizar grandes competições esportivas.

O Rio receberá os Jogos Mundiais Militares em 2011, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 (abrigará, entre outros, o jogo final, além de ser sede da seleção, da Fifa e do centro de imprensa) e, agora, a Olimpíada e a Para-Olimpíada em 2016. Ou seja, há espaço na agenda para 2012 e 2015. E, até que se acenda a chama olímpica, ainda teremos sete Carnavais e outros tantos verões e Réveillons.

Estamos numa maré boa. Nos últimos meses, o Rio ganhou o título de 'cidade mais feliz do mundo' (segundo pesquisa de um instituto americano com 10 mil pessoas em 20 países), foi considerado (pelos entendidos) o 'melhor destino gay do mundo' e se tornou a primeira cidade da América do Sul a merecer uma edição do Guia Verde Michelin, com 20 lugares agraciados com a cotação máxima de três estrelas e 40 com duas.

Junte a isso a boa colocação do Rio como polo nacional do audiovisual e de pesquisa acadêmica nas áreas de saúde, biologia, biotecnologia, petróleo, astronomia e humanas em geral – e, acrescento eu, da baixa gastronomia, conceito criado aqui e irradiado para as demais potências – para entender como, depois de tanto apanhar, nossa autoestima tem melhorado muito.

Mas, como diria o carioca Noel Rosa, o Rio não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz Olimpíada tão bem.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Parabéns à alma e paixão do povo brasileiro”
PRESIDENTE LULA, EMOCIONADO, APÓS A VITÓRIA DO RIO PARA SEDIAR AS OLIMPÍADAS DE 2016

SIMON ANUNCIA SUA RETIRADA DA VIDA PÚBLICA
O senador Pedro Simon, 79, inicia neste domingo um irrevogável processo de retirada da vida pública. No encerramento da convenção municipal de Porto Alegre, vai anunciar a renúncia imediata e voluntária da presidência do PMDB gaúcho, abrindo espaço para a renovação. E vai dizer que voltará aos pagos em 2014, ao final do quarto mandato e após 32 anos em Brasília, encerrando sua missão no Senado Federal.
CAMINHO DAS PEDRAS
Pedro Simon deve aproveitar a emoção do momento para apontar caminhos para o PMDB nas eleições de 2010.
BARBAS DE MOLHO
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o ex-governador Germano Rigotto, que sonham suceder Yeda Crusius, estão de orelha em pé.
O HOMEM CERTO
O dono de uma pizzaria tentou intermediar a venda das provas do Enem. Talvez com a certeza de que tudo acabará em pizza.
NOSSA GRANA
O Ministério da Saúde prevê que até 2011 sejam destinados R$ 9 milhões aos Sistema Integrado de Saúde das Fronteiras.
RUSSOS AINDA ACHAM QUE DISPUTAM CAÇAS
Só pode ter sido excesso de vodka: a Rosoboronexport, estatal de armamentos da Rússia, anunciou ontem seu “otimismo” com o contrato bilionário dos caças de combate, disputado pela francesa Dassault, a americana Boeing e a sueca Saab. O porta-voz até admitiu, há “grandes chances”. O porta-voz está por fora do assunto: o Brasil rejeitou os Sukhoi Su-35 na primeira seleção, há exatamente um ano.
GRIPEN BRASIL
Para vender seus caças, a sueca Gripen propôs auxiliar o Brasil no desenvolvimento do avião militar de carga KC-390, da Embraer.
LUCRO NO FUTURO
Além de transferir tecnologia, os suecos prometem substituir toda a frota SK60 da Força Aérea sueca por aviões Super Tucanos.
BMW NACIONAL
A BMW confirmou: vai produzir motos em Manaus, como esta coluna antecipou em 6 de agosto. É a primeira fábrica fora da Alemanha.
DOCE VINGANÇA
A vitória do Rio de Janeiro contra Madri, na disputa para sediar as Olimpíadas 2016, tem sabor especial para milhares de brasileiros barrados, humilhados, ofendidos e deportados na capital espanhola.
ESTRATÉGIA FALHA
Em Copenhague, espanhóis tentaram desqualificar o Rio, mas grandes empresas da Espanha (Cobra, Elecnor, Abengoa etc) escolheram a cidade para instalar suas sedes no Brasil. E não querem ir embora.
SIM, NÓS PODEMOS
Os chefões do tráfico das favelas de São Carlos, Zona Norte do Rio, e Rocinha, Zona Sul, comemoraram, dias antes, a vitória nas Olimpíadas com foguetório de réveillon, pagode e muitas caixas de cerveja.
TORNEIRA ABERTA
O Supremo Tribunal Federal gastou R$ 211 milhões desde janeiro com os 1.135 servidores, incluindo pensionistas. A despesa cresceu 64% em seis anos. E vai aumentar mais, com o novo salário dos ministros.
LUXO PIAUIENSE
O Conselho Nacional do Ministério Público brecou o luxo do Ministério Público do Piauí, Estado rico, como se sabe: uma consultoria de “estratégia” foi contratada, sem licitação e justificativa, por R$ 465 mil.
ESCALADA RACISTA
Mais uma contribuição à escalada racista no Brasil: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou projeto instituindo o Hino à Negritude. Só falta imporem sua execução obrigatória nas escolas.
GOL CONTRA
A morosidade na concessão de licenças ambientais tem provocado atrasos nas obras preparativas para a Copa do Mundo de 2014. Principalmente na construção e expansão de aeroportos.
CULPA DO PRÉ-SAL
A União da Indústria de Cana-de-açúcar revisou a previsão para a colheita 2009/2010: a exportação de produtos derivados do etanol caiu mais de 27% desde abril, mas a produção deve superar a de 2008/9.
PENSANDO BEM...
...Zelaya ainda vira zelador da embaixada do Brasil em Honduras.

PODER SEM PUDOR
O PT, COMO BUSH
A revista Veja revelava, em 2003 o esquema montado pelo PT para vencer a eleição de qualquer maneira, bisbilhotando as vidas dos adversários para destruí-los. O então líder do DEM, José Carlos Aleluia (BA), dizia que o PT tinha um plano de guerra, mas não um plano de governo, e comparou os petistas aos americanos no Iraque:
– Invadiram o País e não sabe o que fazer com ele.

ALÇA DE MIRA