quarta-feira, setembro 30, 2009

CELSO MING

Felicidade Interna Bruta


O Estado de S. Paulo - 30/09/2009
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, está defendendo a adoção de um novo padrão para medir o desempenho da economia. Em vez de comparar tudo com o Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde à renda nacional, quer que prevaleça o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB).

A ideia é incorporar aos padrões produtivos valores de vida, como tempo de lazer, qualidade ambiental, desfrute de valores culturais, transporte confortável e aposentadoria saudável.

Conceituar e medir tudo isso não é fácil porque pressupõe a adoção de valores nem sempre aceitos universalmente, como liberdade, harmonia com a natureza, respeito às ideias e à religião dos outros e coisas assim.

O primeiro a sugerir o conceito de FIB, em 1972, foi Jigme Singye Wangchuck (veja foto), então rei do Butão, território incrustado na longínqua cordilheira do Himalaia, com 600 mil habitantes, o equivalente à cidade paulista de São José dos Campos.

Para o rei Jigme, hoje com 53 anos, o país não deve apenas perseguir prosperidade. Essa prosperidade, dizia, tem de ser partilhada, tem de considerar a preservação das tradições do povo, que deverá contar com um governo justo, moderno e responsivo.

É uma atitude que tem a ver com as tradições budistas que encontraram repercussão nos ocidentais cansados de correr atrás de riquezas vazias. Em 2006, o rei Jigme abdicou em nome de seu filho, hoje com 29 anos.

Embora o Butão continue apresentando uma das rendas per capita mais baixas do Planeta, de US$ 1,9 mil, a expectativa de vida entre 1984 e 2005 cresceu de 47 para 66 anos, o que não deixa de ser um indicador de melhora da qualidade de vida.

De 1972 para cá, antropólogos, sociólogos, religiosos, filósofos, políticos e economistas têm debatido a aplicação do princípio, formas de medi-lo e que peso dar a cada item. Aparentemente, os resultados não são grande coisa. Sem ter conhecido a proposta do rei Jigme, o economista britânico E. F. Schumacher sugeriu algo nessa linha no livro Small is Beautiful, contra o agigantamento das corporações ocidentais.

Na edição de ontem, o Wall Street Journal sugeriu que a proposta de Sarkozy tem a ver com o fato de que a França ficou para trás no processo de crescimento econômico e que agora tenta compensar o baixo desempenho com valores supostamente mais importantes - como o coelho deve ter dito à tartaruga na competição entre a bicharada: "Cheguei depois, mas cheguei descansado e, portanto, mais feliz."

Os franceses parecem apostar na ideia de que trabalhar menos é indício de felicidade e talvez por isso venham tentando implantar a jornada de 35 horas semanais. O Wall Street lembra que o economista Edward Prescott já se perguntou "por que os americanos trabalham mais do que os europeus", e a resposta foi que os europeus estão pendurados nas vantagens garantidas pelo Estado do bem-estar social. É o sistema que dá a sensação de que não vale a pena trabalhar mais, pois o governo leva quase tudo em impostos. Mas a crítica tem um ranço ideológico. Baseia-se na ideia de que o sistema neoliberal é melhor do que a social-democracia.

O fato é que não faz sentido defender a economia e a política de crescimento econômico se o aumento de riqueza não puder ser partilhado e desfrutado pela população.



CONFIRA
Aumentando - O crédito continua crescendo. Em agosto do ano passado correspondia a 37,6% do PIB. No mesmo mês deste ano já atingia 45,2% do PIB. (O PIB do Brasil em agosto era de R$ 2,93 trilhões).


Um dos principais problemas da atual crise global foi o estancamento do crédito. Mas, aqui no Brasil, isso não aconteceu. Desde dezembro de 2007, o crédito vem aumentando todos os meses.


De agosto a agosto, a Selic caiu de 13,00% para 8,75% ao ano, o que dá uma queda de 32,7%. No entanto, a redução dos juros na ponta do crédito é insignificante.

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DIRETO DA FONTE

BB avança sobre seguros

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/09/09


Tem gente bastante preocupada com a investida do Estado sobre empresas privadas. Além do tiroteio sobre a Vale, está em curso forte investida do BB em cima do setor de seguros.
O banco avisou, esta semana, que vai revelar o novo desenho dessa sua área até o fim de outubro, quando terminam as conversas com parceiros do setor.
São seis as empresas que compõem o grupo segurador do BB. Mas o banco federal só tem controle sobre uma, a Aliança.
Querem mais.

Marcação cerrada

Integrantes da Fifa deram sinais de irritação com o São Paulo durante reunião esta semana, no Rio. Acham que o clube transformou uma discussão técnica em evento totalmente emocional.
O que a Fifa quer é que o estádio do Morumbi se torne viável para receber o público da Copa 2014.
Há quem desconfie que o Estado de São Paulo pode acabar não abrindo o evento.

SALVADOR OU RIO?
Está no Brasil Terry Angstadt, presidente da Formula Indy. Ou seja: está nos finalmentes a decisão sobre onde será a prova no Brasil.


Back to the past

Mais um problema para a coleção de Kassab.
O "centrão", grupo que dá as cartas na Câmara Municipal, pediu "análise rigorosa" de todos decretos do prefeito entre 2005 e 2009. Antonio Carlos Rodrigues, líder do grupo e presidente da casa, está em campanha para trazer de volta o poder que as subprefeituras perderam.


DE ESTIMAÇÃO

Ronaldo, o "Fenômeno", virou brinquedo.
O Corinthians lançou linha de miniaturas do craque alvinegro: um mini-Ronaldo bem mais magro que o original. O preço? R$ 79.90.

Sem jeitinho

Lula teve uma boa razão para voltar de Nova York e passar dois dias no Brasil, antes de ir para Copenhague brigar pela Olimpíada.
Se a temporada lá fora fosse maior, precisaria de autorização do Congresso.


BATIDÃO

Juca Ferreira, da Cultura, anda curtindo um novo tipo de som, o... funk.
Pretende criar o Festival Nacional do Funk.



Mea culpa

"A melhor solução para evitar a violência é os EUA insistirem firmemente para que ele (Zelaya) se entregue às autoridades hondurenhas, seja preso e julgado."
A proposta foi feita ontem, em editorial, pelo Wall Street Journal. A derrubada de Zelaya, diz o WSJ, foi legítima e ele só "sobreviveu" com o apoio dos EUA.


Peru anônimo

A Brasil Foods aceitou nova forma de vender peru. Fornece o produto sem nome da Sadia ou Perdigão, para a cadeia ASDA - a quarta maior da Inglaterra. Entra o nome dos ingleses.


GUARDA-SOL

Carlos Giannazi, do PSOL, mandou projeto à Assembleia que obriga o Estado a distribuir gratuitamente protetor solar para os... albinos.


FOTOSSÍNTESE

A cruzada do príncipe Charles contra o desmatamento dá bons resultados. Abre-se hoje, em Londres, a mostra Threat ("Ameaça"), do fotógrafo Daniel Bertrá. Que vai depois a Paris e Berlim.


COFFEE BREAK

Indagada sobre seu próximo projeto, Glória Perez foi rápida: "Deus me livre, não quero pensar nisso." Pudera: ela escreve sem assistentes.
Glória embarca para Cannes, onde Globo e Telemundo comemoram a co-produção da nova versão de O Clone.



NA FRENTE


A Fundação Luso Brasileira faz jantar amanhã para apresentar seu novo presidente: Miguel Horta e Costa, ex-presidente mundial da Portugal Telecom e atual vice-presidente do Banco Espírito Santo. No Hotel Tivoli.
Começa hoje, no Itaú Cultural, a exposição Ocupação Leminski. Com direito a leitura de poemas por Alice Ruiz Leminski, Mário Bortolotto e Ademir Assunção.

Ivaldo Bertazzo e Yacoff Sarcovas estão entre os convidados do IIº Congresso de Cultura Iberoamericana. A partir de hoje, no Sesc Vila Mariana.
Cristiana Arcangeli e Nelson Kaufman pilotam jantar de lançamento da coleção de jóias Black, para Vivara. Hoje, na casa da empresária.

Foi criado segunda-feira , em Washington, o Prêmio Sergio Arouca de Excelência em Saúde. Uma ideia de José Temporão, da Saúde.
Paula Dip autografa hoje o livro Para Sempre Teu, Caio F. No Sesc Consolação.

Slogan inspirado em Che Guevara e adaptado especialmente para os cada vez mais tensos de Tegucigalpa: "Hay que Hondurecer, pero sin perder la ternura..."

JOSÉ NÊUMANNE PINTO

Banzé brasuca em Tegucigalpa

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/09/09


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um gênio da política e disso não dá para duvidar. Reconhecer essa verdade, contudo, não esclarecerá se ele foi sincero (e, portanto, de um desconhecimento sesquipedal dos fatos) ou se apenas destilou um gosto peculiar pela ironia quando, na Cúpula América do Sul-África, execrou "retrocessos" institucionais em nosso continente - caso da deposição de Manoel Zelaya. Pois o fez ao lado do tirano líbio Muamar Kadafi, no poder há 40 anos, e do ditador de Zimbábue há 29 anos, Robert Mugabe. Falar em ironia no episódio chega a ser um cruel acinte à memória das vítimas de tantas ditaduras que prosperaram na América Central à sombra das bananeiras em flor. E, justiça seja feita, se se trata de mera ignorância, ela teria de ser imputada também a vários colegas de Lula, entre os quais o americano Barack Obama. Sem falar nos coleguinhas jornalistas que, rejeitando os fatos, classificam de "golpista" o governo de facto de Honduras.
Mel, como é apelidado o latifundiário eleito pela direita que aderiu ao bolivarianismo de Hugo Chávez, foi deposto, é verdade, e não submetido a um processo regular de impeachment, como o foi o primeiro presidente brasileiro eleito pelo voto popular depois da ditadura militar de 1964, Fernando Collor. Isso ocorreu, porém, à luz do ignorado artigo 239 da Constituição de Honduras, que reza peremptoriamente: "O cidadão que desempenhou a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou vice-presidente da República. Quem quebrar este dispositivo ou propuser sua reforma, assim como aqueles que o apoiem direta ou indiretamente, terá de imediato cessado o desempenho de seu respectivo cargo e ficará inabilitado por dez (10) anos para o exercício de qualquer função pública."
Collor nem sonhou tentar o que Zelaya tentou: mudar a Constituição e convocar um plebiscito para permitir sua permanência no cargo, ao arrepio do Congresso e da Justiça. O ex-presidente hondurenho pediu apoio aos militares e, não o tendo obtido, demitiu o comandante das Forças Armadas. A Justiça mandou depô-lo, empossou o presidente do Congresso e não permitiu que ele se vestisse, embarcando-o de pijama para o exterior. O mundo inteiro se revoltou com a desfaçatez dos "golpistas" de Honduras por crassa ignorância das regras constitucionais vigentes num país minúsculo e miserável. Teceu-se, aí, com rapidez, a cortina de fumaça do governo "golpista" e do "martírio" do presidente eleito pelo povo e deposto por militares num novo e típico pronunciamiento latino-americano.
No afã de não repetir Bush, Barack Obama, assessorado por madame Clinton, absolutamente jejuna em quaisquer assuntos ao sul do Rio Grande, condenou a deposição, mas depois foi tratar de problemas mais relevantes. Com o "não temos nada com isso" dos xerifes do mundo, tudo se encaminhava para uma solução simples e cômoda do episódio: as eleições presidenciais poderiam ser realizadas e a paz democrática voltaria a reinar naquele antigo pedaço do império da United Fruit Company.
Aí entrou em ação o coronel golpista Hugo Chávez, que despachou de volta para o centro dos acontecimentos o presidente deposto. Este cruzou a fronteira, mas voltou por cima dos pés para, em seguida, empreender uma entrada espetacular em Tegucigalpa, mercê do engenho estratégico do amigo venezuelano e do peculiar conceito sobre democracia da companheirada brasileira. Dirigente sindical no fim da ditadura militar, quando o general Geisel cunhou sua "democracia relativa", Lulinha Paz e Amor inventou a "democracia de conveniência", adaptação petista da sentença de Artur Bernardes: "Para os amigos, tudo; para os inimigos, o rigor da lei." Ahmadinejad roubou a eleição no Irã? Isso não interessa ao Brasil, que não pode intervir na soberania iraniana. Ahmadinejad nega o holocausto? O fato de sermos amigos não nos força a pensarmos da mesma forma.
Mas o mesmo não vale para Honduras, que não tem projeto bélico nuclear nem bate boca com o vilão ianque. E foi assim que, quando o mundo inteiro esperava um banho de votos para lavar a mauvaise conscience pelo completo desconhecimento internacional das regras constitucionais hondurenhas, o governo brasileiro, para apoiar Chávez, foi à caça do apoio de tiranos africanos para repor Mel Zelaya no poder. Para tanto mandou às favas todas as regras do civilizado convívio internacional. Como nunca antes na história deste planeta, abrigou na "embaixada" brasileira não um fugitivo de um regime ditatorial, mas alguém que decidiu impor a própria vontade de continuar mandando em casa, sem dar bola para as instituições e a opinião pública locais. Esses episódios sempre terminam com um salvo-conduto ao abrigado na embaixada e seu asilo pelo país que o hospedou. Mas este não pode ser o caso: Zelaya não quer fugir de Honduras, mas ficar lá, sob a proteção de Lula, porque Chávez mandou.
O absurdo não para por aí. Lula tem exigido respeito absoluto ao território brasileiro da "embaixada" depois de ter chamado o embaixador de volta e mantido em Tegucigalpa apenas um encarregado de negócios. O governo de facto ainda não ocupou o prédio só para evitar pretextos intervencionistas, pois, como não reconhece a autoridade "golpista", o Brasil não tem mais embaixada em Tegucigalpa.
O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda tem razão ao se dizer - em entrevista a Lúcia Guimarães no caderno Aliás deste jornal, no domingo - espantado com a intromissão brasileira em Honduras. Estamos é fazendo um banzé brasuca estúpido em terreiro alheio, que, aliás, não tem interesse nem importância nenhuma para nós. Ao mundo, que tenta se esconder do vexame de ignorar as regras da democracia de um país pobre, o Brasil parece bater no peito e proclamar com arrogância: "Sou ignorante, sim, mas quem aí não é?"
José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

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ELIO GASPARI

O Brasil de Lula é inimigo do golpismo

O GLOBO - 30/09/09


Lula disse bem: “O Brasil não acata ultimato de governo golpista. E nem o reconheço como um governo interino (…). O Brasil não tem o que conversar com esses senhores que usurparam o poder.” Os golpistas hondurenhos depuseram um presidente remetendo-o, de pijama, para outro país, preservam-se à custa de choques de toque de recolher e invadiram emissoras. Eles encarnam a praga golpista que infelicitou a América Latina por quase um século. Foram mais de 300 as quarteladas, uma dúzia das quais no Brasil, que resultaram em 29 anos de ditaduras. Na essência, destinaram-se a colocar no poder interesses políticos e econômicos que não tinham votos nem disposição para respeitar o jogo democrático.

Decide-se em Honduras se a praga ressurge ou se foi para o lixo da História.

Nesse sentido, o governo de Nosso Guia tem sido um fator de estabilidade para governos eleitos democraticamente.

Se o Brasil deixasse, os secessionistas de Santa Cruz de La Sierra já teriam defenestrado Evo Morales. Lula inibiu a ação do lobby golpista venezuelano em Washington. Se o Planalto soprasse ventos de contrariedade, o mandato do presidente paraguaio Fernando Lugo estaria a perigo.

Para quem acredita que a intervenção diplomática é uma heresia, no Paraguai persiste a gratidão a Fernando Henrique Cardoso por ter conjurado um golpe contra Juan Carlos Wasmosy em 1996. Em todos os casos, a ação do Brasil buscou a preservação de governos eleitos pela vontade popular.

No século do golpismo dava-se o contrário. Em 1964, o governo brasileiro impediu o retorno de Juan Perón a Buenos Aires, obrigando-o a voltar à Europa quando seu avião pousou para uma escala no Galeão.

A ditadura militar ajudou generais uruguaios, bolivianos e chilenos a sufocar as liberdades públicas em seus países. (Fazendo-se justiça, em 1982 o general João Figueiredo meteu-se nos assuntos do Suriname, evitando uma invasão americana. Ele convenceu o presidente Ronald Reagan a botar o revólver no coldre. Nas suas memórias, Reagan registrou a sabedoria da diplomacia brasileira.) O “abrigo” dado ao presidente Manuel Zelaya pelo governo brasileiro ofende as normas do direito de asilo.

Pior: a transformação da embaixada do Brasil em palanque é um ato de desrespeito explícito. Já o cerco militar de uma representação diplomática é um ato de hostilidade. Fechar a fronteira para impedir a entrada no país de uma delegação da OEA é coisa de aloprados. A essência do problema continua a mesma: o presidente de Honduras, deportado no meio da noite, deve retornar ao cargo, como pedem a ONU e a OEA.

Lula não deve ter azia com os ataques que sofre por conta de sua ação. Juscelino Kubitschek comeu o pão que Asmodeu amassou porque deu asilo ao general português Humberto Delgado. Amaciou sua relação com a ditadura salazarista e, com isso, o Brasil tornou-se um baluarte do fascismo português. Ernesto Geisel foi acusado de ter um viés socialista porque restabeleceu as relações do Brasil com a China e reconheceu o governo do MPLA em Angola.

As cartas que estão na mesa são duas: o Brasil pode ser um elemento ativo para a dissuasão de golpismo, ou não. Nosso Guia escolheu a carta certa.

FERNANDO RODRIGUES

Debate fora de foco

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09

BRASÍLIA - Hoje o Senado sabatinará o oitavo indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal, José Antonio Toffoli. A oposição concentrará seus questionamentos no conhecimento jurídico, nas ligações políticas e em acusações legais contra o possível futuro ministro.
Nada contra as cobranças, mas há uma certa falta de foco quando o Senado se ocupa de sabatinar indicados para cargos públicos. É raro um candidato ao STF sair dali tendo explicitado suas ideias, por exemplo, sobre aborto, drogas, casamento entre homossexuais, liberdade de expressão e presença do Estado na economia.
Se houver interesse em saber como pensam sobre esses temas os atuais dez ministros do STF, a pior fonte possível são as transcrições de seus depoimentos ao Senado.
Traço do atraso cultural e da falta de valores republicanos no Congresso, é constrangedora a forma epidérmica como são questionados os nomeados para cargos públicos.
Na semana passada, José Múcio Monteiro deveria ter sido escrutinado para então assumir vaga no TCU (Tribunal de Contas da União). A sessão resultou numa bajulação do começo ao fim.
Hoje os senadores de oposição devem ser mais duros. Poderiam usar a oportunidade para também indagar a Toffoli sobre temas de real interesse do país no caso de ele ser confirmado como ministro. A frouxidão excessiva a respeito de procedimentos institucionais é a raiz de um Estado ainda primitivo.
Um assunto concreto está em pauta agora. O Supremo há mais de um mês determinou ao presidente da Câmara, Michel Temer, a liberação de notas fiscais apresentadas por deputados para justificar gastos. A decisão não foi cumprida. O STF foi desdenhado. Não reagiu.
Como reagiria Toffoli num episódio assim? Talvez seja demais exigir dos senadores tal pergunta. Ali, para todos, o melhor é fingir que esse tipo de atraso não existe.

OS TRAPALHÕES

ARI CUNHA

Brasil tentará Olimpíadas

CORREIO BRAZILIENSE - 30/09/09


Aproxima-se a data para a indicação da cidade sede das Olimpíadas de 2016. O Rio está otimista. Ocorre que há corrente em contrário. Nem tudo são flores na disputa que inclui o mundo inteiro. A solução será dada na Dinamarca. Rio, Chicago, Madri e Tóquio estão disputando cabeça a cabeça. Há influências universais, como toda decisão que sempre atinge pouco de política. No Brasil, as coisas são tratadas na última hora, e tudo ficará pronto a tempo. O país comandou o Pan-americano. Houve êxito. Porém, as contas subiram barbaridade. Brasil suportou o desgaste. Obras eram superfaturadas vergonhosamente. Mesmo assim, a festa foi sucesso. A contabilidade, a grande decepção. Com as coisas em ordem, o país espera êxito nas Olimpíadas.


A frase que não foi pronunciada

“O prazo de validade da gripe suína é o mesmo da campanha eleitoral.”
Cecília, que gastou R$100 em álcool em gel, pensando enquanto lê algumas anotações.



Insumos
Cristiano Walter Simon, presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, afirma que os produtores devem intensificar as compras de fertilizantes. Enquanto isso, as indústrias brasileiras começam a se unir contra os insumos importados. Só de agrotóxico, em oito meses deste ano, a venda chegou a R$ 1,2 bilhão. A briga promete ser boa. Multinacionais recebem freio.

Transparência
CCJ do Senado define hoje mudanças na gestão política e administrativa da Casa. A iniciativa é do senador Pedro Simon, com aval e relatoria do senador Tasso Jereissati. Uma das ideias é uma sessão administrativa no plenário do Senado na última semana de cada mês, em que execução de obras, previsão de despesas e remuneração seriam assuntos integrados na Ordem do Dia.

Perda
Estudiosos tentam conter o avanço da soja no cerrado. Reconhecido como o berço das águas, o cerrado corre perigo. No auditório do Interlegis, autoridades no assunto se reuniram para defender o bioma. Prestaram homenagem a Maria Felfili Fagg, pesquisadora e estudiosa do meio ambiente. Ela faleceu em 13 de julho.

Novidade
Policiais e bombeiros receberão gratificação por risco de vida. O valor é de R$ 1 mil e foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. O relator da matéria foi o capitão Assunção. A proposta tramita em regime de urgência. É muito pouco para quem vai trabalhar e não sabe se volta. Mas o primeiro passo foi dado.

Livros
A greve dos Correios está prejudicando a entrega de 117 milhões de livros escolares. Houve uma mobilização entre os programas do Livro Didático para a alfabetização de jovens e adultos e para o ensino médio e fundamental, além da parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Com muito esforço, a situação será normalizada em semanas.

Figura
Alberto Silva deixa com quem conviveu com ele toda a energia que espalhava por onde passava. Neusa França lamenta a morte do aluno. Gostava de tocar peças populares e eruditas sempre em dó maior.

Multas
Difícil recorrer e ganhar na Justiça contra multas de trânsito. O ministro
Humberto Martins deu parecer. Pardais eletrônicos não aplicam multa, apenas comprovam a infração ocorrida.

Imagem
Xavier Darcos, ministro francês do Trabalho, não poupou elogios ao governo brasileiro pelo enfrentamento da crise mundial. O ministro Lupi explicou as políticas de geração de emprego e renda. A declaração de Lupi de que a crise evidenciou o fracasso das políticas do mercado autorregulado e que o Brasil repensa o papel do Estado e sua relação com o mercado lhe rendeu a presença obrigatória na reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

Internacional
Cooperação internacional contra o crime organizado e acordo de extradição. Troca de experiências em atividades policiais, em penitenciária e registros de nascimento. Brasil e Cuba se aproximam. Tuma Júnior reforça que a aproximação é necessária para que as fronteiras brasileiras não sirvam mais de trincheiras para a impunidade.

Intercorruptos
Até maio de 2009, 667 políticos foram cassados. É a força da lei contra a compra de votos. Com o aumento do número de vereadores, a estatística pode mudar. Mas o eleitorado está aprendendo a também corromper. Passa a vender o voto para vários candidatos. Há os que se aproveitam do transporte oferecido por um para votar no outro.


História de Brasília

Depois da gasolina, subiu, em Brasília, o pão, que, de três cruzeiros por unidade, está agora custando quatro cruzeiros. (Publicado em 10/2/1961)

RUY CASTRO

A morte ideal


FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09


Quem já passou de certa idade e saltou algumas fogueiras começa a pensar na maneira ideal de morrer. E o resultado é invariável: de uma vez, rapidinho, sem muitas preliminares. Mas, exceto os suicidas, quem pode escolher como morrer?

Na semana passada, perdemos o Dr. Henrique Gandelman. Tinha 80 anos e era advogado. Na juventude estudou violino, viola, composição e regência, e apaixonou-se pela obra de Villa-Lobos. Formou-se em direito e abriu um pioneiro escritório de administração de direitos autorais. Vários escritores, inclusive eu, estavam aos seus cuidados.

Dr. Henrique, era como o chamávamos. O tratamento não parecia compatível com o homem alegre e popular que discutia futebol, Beethoven e literatura no Clipper, decano dos botequins do Leblon. Mas ele era um doutor, uma autoridade nas questões sobre quem é dono do quê na obra de arte, e autor de diversos livros a respeito.

Foi Dr. Henrique quem dirimiu a caótica situação da obra de Villa-Lobos no exterior. Levou anos correndo EUA, Itália e França, mas conseguiu com que os direitos sobre Villa, perdidos, dispersos ou em mãos de terceiros, convergissem para quem de direito: o espólio do maestro. Foi um trabalho de amor, poucos amavam tanto Villa-Lobos.

Na última quinta, Dr. Henrique ia dar uma palestra sobre o artista no Museu Villa-Lobos. E seria também homenageado por seu trabalho de organização jurídica dos contratos da obra do compositor. No camarim, o sistema de som tocava a Floresta Amazônica. De mãos dadas com sua mulher, Salomea, Dr. Henrique comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isto. O Villa é mesmo o maior.”

Soltou um suspiro grave. A cor lhe fugiu – era o aneurisma, fulminante e fatal. Morreu ali mesmo, no ato. Como se tivesse escolhido morrer ao som de Villa-Lobos.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

MERVAL PEREIRA

Em busca de uma saída

O GLOBO - 30/09/09


A iminência de uma tragédia parece estar levando o bom senso aos principais atores dessa comédia bananeira que se desenrola em Honduras, na qual não há lado certo. Está claro que o governo brasileiro vem buscando desesperadamente uma saída, depois de ter entrado de gaiato na armação chavista de transformar o presidente deposto, Manuel Zelaya, em um herói da democracia hondurenha.

Quando o assessor especial para assuntos de América Latina, Marco Aurélio Garcia, pede que os Estados Unidos tenham uma posição menos ambígua na questão, demonstra que nossa posição de protagonismo começa a ser colocada em dúvida.

Diplomaticamente é classificada como “irresponsável”, adjetivo que serve diretamente para Chávez, que se vangloriou de ter organizado a reentrada de Zelaya em Tegucigalpa, mas que cai como uma carapuça no governo brasileiro.

O subchefe da missão americana na OEA, Lewis Amselem, é considerado um linhadura, que já serviu em vários países da região, e pode estar tendo uma visão pessoal da questão. Se for assim, deveria ter sido desautorizado por sua chefe, a secretária de Estado, Hillary Clinton.

Mas a comissária para as Relações Exteriores da União Europeia (UE), Benita Ferrero-Waldner, também considerou que o retorno ao país do presidente deposto, Manuel Zelaya, “complicou” a solução para a crise local.

No seu depoimento de ontem no Senado, o chanceler Celso Amorim disse que o governo brasileiro não se considera usado por Chávez, embora reafirme que de nada sabia até meia hora antes de Zelaya se materializar na embaixada brasileira.

Uma atitude no mínimo estranha, que implica adesão à manobra guerrilheira chavista de reintroduzir em território hondurenho um presidente que estava no exílio.

Tanto a manobra quanto a adesão brasileira, permitindo que Zelaya se pronuncie abertamente convocando o povo à revolta, significam uma clara intromissão na política interna de outro país.

Sempre que os Estados Unidos invadiram países das Américas, e mesmo no caso do Iraque, o fazem alegando defender a democracia, o que não torna suas ações dignas de respeito pelos verdadeiros democratas.

O fato de a “comunidade internacional”, como salienta sempre que pode o chanceler Celso Amorim, ter condenado o “golpe” que tirou do poder o presidente democraticamente eleito não significa que tenha havido um golpe, mas apenas que a percepção internacional sobre as regras do jogo democrático varia de acordo com a importância geopolítica de cada país.

A Constituição de Honduras tem a mesma validade, e deve ser tão respeitada, quanto a de outro país qualquer de PIB maior ou de tradições democráticas mais sólidas. Não querer distinguir as diversas etapas do processo que levou Zelaya ao exílio ajuda a não encontrar saída para a crise regional que o Brasil tenta a todo custo transformar em internacional, colocando o Conselho de Segurança da ONU para atuar num campo em que o interlocutor deveria ser a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Se é verdade que o Brasil se transformou em defensor da democracia na América Latina, como exagerou o chanceler Amorim ontem no Senado, é também verdade que esse neobolivarista Zelaya estava colocando em perigo a democracia na mesma região, e ninguém se incomodava com isso.

Quando o protoditador Hugo Chávez manda fechar jornais, rádios e televisões na Venezuela, não aparece nenhuma autoridade brasileira para protestar, e a “comunidade internacional” não se mobiliza para evitar que a democracia seja ameaçada.

Quando o presidente Lula pede que a ditadura cubana seja recebida pela OEA e pela ONU sem condicionar seu retorno à convivência da tal “comunidade internacional” a compromissos democráticos, perde substância seu apelo a favor da democracia representada por Zelaya.

O governo interino de Honduras já se convenceu de que cometeu um erro político fundamental ao exilar o presidente deposto sem que fosse julgado dentro das normas legais, colocando-se também o governo substituto fora da legalidade.

Mas não ajuda para uma saída da crise abrigar em nossa embaixada o presidente deposto com direito a promover manifestações políticas e incitamentos a revoltas populares, assim como não ajuda a OEA recusar apoio à realização de eleições em novembro, que é a única maneira de salvar a democracia hondurenha.

Para se chegar a uma solução do impasse, é preciso reduzir o grau de radicalização dos dois lados, e esse é um trabalho da tal “comunidade internacional”.

A decretação do estado de sítio pelo governo provisório, e consequente invasão de órgãos de comunicação, foi mais um passo em falso que não favorece a que o governo de fato seja bem visto pela “comunidade internacional”, mas organismos como a OEA, que deveria ser o intermediário para uma solução, não podem adotar uma posição radicalizada, colocando condições para uma saída.

O grau de paranoia é tão acentuado que a delegação de representantes da OEA e alguns embaixadores estrangeiros foram barrados porque o governo interino temia que junto com eles chegariam ministros de Zelaya querendo instalar um governo provisório.

O governo já recuou das duas medidas insensatas, e o diálogo está para ser retomado.

Apesar da retórica oficial de que qualquer solução tem que levar em conta a volta de Manuel Zelaya ao poder, o governo brasileiro já parece disposto a aceitar qualquer saída que seja negociada, e essa parece ser a posição que a tal “comunidade internacional” está tendendo a aceitar, para que se chegue a um clima que permita a realização das eleições em novembro.

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Pererecas em extinção!

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09



E sabe a diferença entre rã e perereca? Rã é comestível, perereca é comível! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Minc quer preservar as pererecas! Todo mundo quer. O ministro do Meio Ambiente, Minc Leão Dourado, interrompe obra do PAC para salvar as pererecas.
Normal, no Brasil qualquer um interrompe qualquer coisa por uma perereca. É um tipo de perereca em extinção. Só espero que não seja o tipo de perereca da minha vizinha! Eu sugiro um slogan: "Preserve a natureza! Adote uma perereca!".
E sabe a diferença entre rã e perereca? Rã é comestível, perereca é comível! Rarará! E a única perereca em extinção é a da Hebe!
E Honduras? E o Zelaya? Zelaya ou Ratinho ou Professor Girafales. A gosto do freguês! O chargista Liberati disse que mudaram o nome da capital de Honduras. De Tegucigalpa pra TEGUCIGOLPE! Rarará!
E os gases tóxicos não foram lançados de fora pra dentro mas de dentro pra fora. O pum do Zelaya!
E já são duas as ameaças dos golpistas para a embaixada brasileira: 1) Ou vocês entregam o Zelaya ou a gente manda a Vanusa cantar o Hino Nacional; 2) Ou vocês entregam o Zelaya ou a gente manda o Suplicy cantando aquela música do Cat Stevens, "Father and Son". Aí o Zelaya se entrega! Rarará!
DOUTORA HAVANIR QUER SE ENROSCAR! A doutora Havanir tá procurando marido no "Manhã Maior", da RedeTV! Com aquela cara de piloto de trem-fantasma? Já imaginou na hora da transa, na hora do clímax, ela tem um ataque neurótico-político e começa a gritar MEU NOME É HAVANIR! Meu Nome é Havanir! Com aqueles olhos esbugalhados? Aí tudo o que o Viagra conseguiu vai por água abaixo. Rarará! Marido da doutora Havanir tem de ter um pré-requisito básico: ser deficiente auditivo. Rarará! É mole?
É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que eu tenho uma foto com a placa: "Água de Coco, 100% Saúde! Hidrata e REJUVELHESCE!". Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Zelaya": companheiros zelando pelos de sua laia. O lulês é mais fácil que o ingreis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!

QUADRILHA

DORA KRAMER

Tiro e queda


O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/09/09


A natureza humana – assim como a do escorpião – quando muito tarda, mas falhar, não falha jamais. Prova é a emenda constitucional assinada por 1,3 milhão de brasileiros, pedindo que pessoas com contas em aberto na Justiça não possam se candidatar a mandatos eletivos.

A proposta nem bem cruzou a porta de entrada do Congresso e já se deparou com o arsenal de matar inconveniências. Suas excelências, que já haviam deixado o clamado veto de fora das recentes modificações feitas a toque de caixa na lei eleitoral a fim de restringir o espaço de atuação da Justiça Eleitoral, não gostaram.

Antes que a matéria comece a tramitar, já propõem mudanças que, se aprovadas, alteram inteiramente o espírito da proposta popular. A emenda prevê a negativa de registro para candidatos que tenham sido condenados em primeira instância por racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.

Sem prejuízo, claro, daqueles já condenados por uso da máquina pública e compra de votos, hoje devidamente enquadrados na Lei 9.849/99, que deu base legal à Justiça para a cassação de três governadores eleitos em 2006.

Goste-se ou não da forma de substituição dos cassados – eleição indireta pela Assembleia Legislativa em um caso e, nos outros dois, posse aos segundos colocados nas urnas –, imponham-se reparos à demora das decisões judiciais, imponha-se a necessidade de encontrar uma maneira mais rápida e democrática para troca de comando no Poder Executivo, fato é que a aplicação da lei deu um freio de arrumação no abuso do poder, notadamente econômico.

Hoje, um candidato a presidente da República, um governador ou um prefeito em campanha precisam pensar várias vezes antes de partir para a ignorância no que tange ao uso de recursos, sejam eles públicos ou privados.

Pois a emenda popular contra os chamados fichas-sujas tem o mesmo caráter profilático. A despeito da regra geral que assegura a presunção da inocência até a última instância de julgamento para os cidadãos em geral, é muito justo que a regra seja mais rigorosa para quem pretenda representá-los.

Afinal de contas, quando uma denúncia chega a um tribunal ela já passou pela polícia, pelo Ministério Público e por um primeiro crivo da Justiça. Pode haver injustiças? Pode, só que não estamos tratando de situações definitivas, irreversíveis.

Se depois de todos os recursos ficar provado que o acusado era inocente, muito bem. Recebe seu atestado de idoneidade – aquele mesmo exigido de qualquer um para se credenciar a cargos públicos – e se inscreve na chapa deste ou daquele partido, que, por sua vez, a registrará no tribunal eleitoral da região pretendida para a disputa de votos.

É tudo muito simples, mas suas excelências já estão achando complicadíssimo. Consideram o projeto “muito duro”. Realmente, perto da frouxidão das regras que eles mesmos criam quando estão em jogo seus interesses, a proposta é um obstáculo.

Principalmente à desfaçatez de se achar muito natural que dois terços, ou três quintos, uma parcela dessa ordem de absurdo, dos parlamentares estejam respondendo à Justiça.

Na maioria eles alegam que os processos são produtos de perseguição ou armadilhas políticas. É de se perguntar: e os outros que nada devem, não têm adversários?

Novo rumo

O chanceler Celso Amorim dramatiza, diz que o Brasil abrigou Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa para proteger a vida do presidente deposto. Não fosse isso, hoje ele “estaria morto”.

Um tom muitos decibéis abaixo da ufanista e animada declaração inicial de que a busca pela representação brasileira era um sinal do “prestígio” internacional do país.

Lição do abismo

Mais inadequada e explícita impossível a escolha do tema do discurso do presidente Lula na cerimônia de posse do novo ministro das Relações Ins titu cionais, Alexandre Padilha: a defesa da partilha partidária de cargos na administração pública como forma de construir maioria no Congresso.

É assim que funciona, mas a citação rebaixa o Parlamento, representa aval presidencial ao fisiologismo e demonstra zero disposição de tornar mais institucionais as relações.

Túnel do tempo

Melhor que o pragmático era o Lula doutrinário, ainda candidato, em 2002, pregando o voto facultativo: “A política ficará melhor e mais depurada quanto maior for o interesse e a convicção com as quais o eleitor comparecer para votar”. Até o português era melhor.

Para o Luiz Inácio de sete anos atrás, o compromisso partidário e o trabalho de conquistar a atenção da sociedade, despertando nela a vontade de participar, eram as missões primordiais do político com vocação para o exercício da representação popular.

ANCELMO GÓIS

Paulo Coelho na tela

O GLOBO - 30/09/09


A vida de Paulo Coelho vai virar filme, com roteiro de Carolina Kotscho, que, com Patrícia Andrade, escreveu o texto de 2 filhos de Francisco.
O acordo foi selado com a Dama Filmes ontem, véspera de o escritor ir a Copenhague ajudar o Rio a trazer os Jogos de 2016.
TORCIDA PELO RIO
Dilma Rousseff, em campanha, vai com o vice Pezão acompanhar do palco armado em Copacabana a votação do COI, em Copenhague, sexta, para escolher a sede dos Jogos de 2016.
VIDA DURA
Depois que Manuel Zelaya resolveu se hospedar na nossa embaixada em Tegucigalpa, brasileiros residentes em Honduras têm sido hostilizados por adversários do presidente deposto.
Nada grave até agora, mas mostra o tamanho da encrenca em que o País se meteu por lá.
VÍCIO DO JOGO
O grupo Jogadores Anônimos, irmandade de gente que tenta se libertar do vício da jogatina, atua para, caso seja aprovada a regulamentação dos bingos, incluir nas cartelas mensagens como aquelas dos maços de cigarros.
Coisas do tipo “jogar compulsivamente é doença”.
GALEÃO REPROVADO
O Galeão, com sua enorme folha de serviços não prestados, conseguiu mais uma proeza.
Foi citado no New York Times, na seção “Viajante Frequente”, por Melissa Bradley, como “o pior aeroporto em que já esteve”. E olha que Melissa já passou por Jordânia, Índia, Nepal, Laos, Mongólia, Egito...
HINO DO JOBIM
O Ministério da Defesa publicou ontem no DO o regulamento de um concurso para a escolha do hino da pasta.
O vencedor levará R$ 10 mil. A letra deve valorizar a integração das Forças Armadas e sua importância para a democracia.
DONA FIFA
Nos bastidores da reunião do Comitê Executivo da Fifa, no Rio, só se fala na sucessão do presidente Joseph Blatter.
Integrantes da Concacaf, que reúne 32 votos das Américas do Norte e Central e do Caribe, querem lançar o nome de Ricardo Teixeira. O governador Sérgio Cabral tocou no assunto com Blatter, que desconversou.
NA VERDADE...
O plano do presidente da CBF é realizar a Copa de 2014 no Brasil e se candidatar à Fifa na eleição de 2015.
LULA NÃO DORME...
Por falar em Fifa, Lula cancelou na última hora, ontem, a vinda ao Rio para jantar com a cúpula do futebol mundial, porque estava à beira de uma estafa.
As viagens estão cansando o presidente, que, raramente, consegue dormir no AeroLula.
SENTIMENTO PAROU
O cineasta José Henrique Fonseca, que roda o documentário O sentimento não pode parar, sobre o Vasco, foi assaltado com sua equipe de produção, segunda, na saída do Estádio de São Januário. Os bandidos, armados e de moto,
levaram o carro e todo o equipamento de filmagem.
Fonseca lamenta, acima de tudo, a perda de cinco dias de material filmado.

GOSTOSA

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CLÓVIS ROSSI

O hino e os amigos

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09



SÃO PAULO - Duas frases ditas anteontem definem à perfeição por que o debate público no Brasil é em geral indigente e por que o serviço público é em geral tão pobre.
Frase 1, do novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao aludir à sua fidelidade canina a Luiz Inácio Lula da Silva: "Parecia jogo de futebol em que as torcidas [os lulistas] ficam se digladiando, mas, quando toca o hino, todo mundo canta uma música só".
É o que acontece, com raras exceções, no debate público: os lulo-petistas e a oposição não se comportam, com raras exceções, como animais pensantes, mas como rebanho. Os hoje governistas, antes oposicionistas, põem a mão no peito e cantam o hino lulo-petista, sem discutir se a execução é boa, ruim ou péssima, se a letra é a mais adequada ou não. Aplaudem sempre, incondicionalmente.
Já a oposição vaia sempre, como se estivesse tocando o hino da Argentina. Inteligência que é bom vira vaga-lume nesse comportamento de manada: pisca aqui e ali, mas logo se apaga.
Frase 2, do presidente Lula, ao rebater críticas à nomeação de apaniguados de partidos, "como se algum partido que ganhou a eleição empregasse todos os inimigos e deixasse os amigos de fora".
O segredo da boa governança, versão Lula, é não deixar os amigos de fora. Se os amigos são competentes ou não, se são corruptos ou não, se usam os cargos para proveito político ou pessoal, é indiferente.
Importante é não deixar os amigos ao sereno. Como todos os partidos procedem da mesma maneira, o serviço público deixa de ser público para se transformar em uma ação entre amigos. Como consequência inexorável, a prioridade é atender os amigos, não o público.
Se houve, em algum momento, a noção de coisa pública desapareceu do Brasil. Há apenas o hino e os amigos que cantam.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O Brasil tem Pelé e tem o Lula: 2x1 para nós”
PELÉ, O MODESTO, SOBRE O PAPEL DE BARACK OBAMA NA DEFINIÇÃO DA SEDE DAS OLIMPÍADAS

BANCOS DO GOVERNO JÁ TOMARAM R$ 6 BI EM 2009
Seis bancos públicos estão entre os dez órgãos governamentais que mais verbas federais receberam em 2009: Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Nossa Caixa, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste tomaram quase R$ 6 bilhões do contribuinte. Assim foi mole para o BB recuperar a liderança no ranking dos maiores. Completam a lista dos “dez mais” Ministério da Fazenda, Serpro, Dataprev e Eletronorte.
PREFERÊNCIA PAC
Desde 2003, BB e Caixa receberam R$ 28,2 bi em aplicações diretas do governo Lula. Em 2008, o BNDES recebeu sozinho R$ 14,2 bi.
ATENÇÃO, TORCEDORES
Sexta (2), as três concorrentes do Projeto FX2, de caças de combate, entregam preços à Defesa, quando o Brasil está de olho na Dinamarca.
OLD NEWS
Nossos leitores sabem, desde o dia 12, que o presidente Barack Obama e a mulher, Michelle, vão à Dinamarca, dia 2, torcer por Chicago.
BOI DE PIRANHA
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, tem dito que a candidatura de Ciro Gomes a presidente faz parte do plano de Lula para eleger Dilma.
LICITAÇÃO DÁ NOTA IGUAL A PREÇOS DIFERENTES
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) pagará R$ 1,39 milhão por quatro edições de sua revista de 32 páginas, 50 mil exemplares cada. A proposta da paulista Bolina, primária, de má qualidade, ganhou a maior nota, já revelando algo estranho. O menor preço, R$ 546.640, da WHD, teve nota igual (28) ao mais alto (R$ 1,49 milhão). A Bolina, a da proposta chinfrim, pediu R$ 1,39 milhão para fazer o serviço. Levou.
DINHEIRO NO RALO
A gráfica Coronário, de Brasília, orçou em R$ 384 mil as quatro edições da revista do Cofen. A TV1, de São Paulo, pediu R$ 333,2 mil.
COMPUTADOR SAFADINHO
O Conselho Federal de Enfermagem inovou em explicações do gênero: por sua assessoria, botou a culpa no computador, que “deu as notas”.
ASPIRINA E CAMA
A ministra Dilma garantiu que “está completamente curada”. Os eleitores é que não estão se sentindo muito bem.
PERGUNTAR NÃO AFUNDA
O governo quer obrigar a Vale a construir navios no Brasil, pagando até 50% mais caro, mas a estatal Transpetro pode encomendar aço na Coreia alegando que aqui o produto seria mais caro?
COMPETÊNCIA
Cearense de Crateús, o ministro Francisco Catunda tem sido eficiente anfitrião, na embaixada em Tegucigalpa, e excelente diplomata. Seus primorosos telegramas ao Itamaraty são muito elogiados. Ele está designado para a República Dominicana, onde vai servir após a crise.
QUESTÃO DE IMAGEM
O governo interino de Honduras contratou por US$ 290 mil a empresa Chlopak, Leonard, Schechter & Associates, de Washington DC, para melhorar sua imagem nos EUA. A firma também trabalha no Brasil e perdeu para os japoneses o lobby do padrão europeu de TV digital.
VIGARICE NO LIXO
Mesmo que a Câmara aprove a PEC do trem da alegria dos cartórios, que efetiva 5 mil sem concurso público, o Supremo Tribunal Federal, provocado pela OAB, já sinalizou que vai enterrar a vigarice.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Jurista admirado, o presidente da Câmara, Michel Temer, chocou a magistratura ao deixar prosperar as duas PECs pilantras que ofendem a Constituição: a dos vereadores e a do trem da alegria nos cartórios.
MÃE PROVEDORA
Um ex-auxiliar de escritório da Petrobras tentou pensão maior como anistiado político, alegando que hoje seria administrador por concurso na empresa. O STF barrou, lembrando que talvez fosse reprovado.
PERTO DO DESFECHO
Diretor-geral da Polícia Civil do DF, considerada uma das melhores do País, Cleber Monteiro acredita na prisão em breve de quem matou o ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua mulher e a empregada com 79 facadas. “Estamos bem perto”, garantiu a esta coluna.
ÁGUA NA BOCA
Virão do Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile as tripas bovinas das tradicionais cervelas (salsichas) suíças. A União Europeia proibiu de vez importar do Brasil, sob suspeita de mal da vaca louca. Loucura.
EL PÉ-FRIO
Se o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, acredita em pé-frio, é bom começar a pensar em distância de Lula.

PODER SEM PUDOR
VENDENDO SAÚDE
Empossado governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz nomeou o engenheiro José Nilson de Sá para o Departamento de Estradas e Rodagens, mas, com problemas pulmonares, o amigo não obteve o atestado médico exigido pela diretora de pessoal do Palácio, e não pôde assumir. Mas, só até Mariz tomar conhecimento do fato:
– Dra. Nani – disse o governador à diretora – quando eu nomeio um amigo é porque ele tem saúde para dar e vender. Nem precisa de atestado médico.
José Nilson, subitamente restabelecido, assumiu o cargo.

DESMANDOS

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: TCU pede bloqueio de obras do PAC por irregularidades


- Folha: Brasil recusou avião para Zelaya voltar, diz Amorim


- Estadão: TCU manda parar 41 obras federais e irrita Planalto


- JB: Aposta na Olimpíada verde


- Correio: Todos são caciques na folha do Senado


- Valor: Investimento de R$ 74 bi agita o setor ferroviário


- Estado de Minas: 7.800 vagas abertas em BH


- Jornal do Commercio: Ladrões atacam dentro do metrô