quinta-feira, setembro 03, 2009

FRANCISCO DAUDT

Espírito de porco


Folha de S. Paulo - 03/09/2009


Nunca imaginei que ser chamado de "espírito de porco" fosse algo de que, como você, leitor não lulista, eu iria me orgulhar

"Espírito de porco. Bras. 1. Pessoa que interfere em qualquer negócio ou assunto, criando embaraços ou agravando os já existentes"
(Do dicionário "Aurélio")

PREZADO SR . ministro da Saúde, É como médico e como psicanalista que venho alertá-lo de uma epidemia que pode ser tão grave para seu governo quanto a gripe suína -só que não atinge o corpo, atinge a alma (psique, em grego, ou seja, é da minha alçada)- e que está se alastrando: a do espírito de porco.
Minha observação epidemiológica começou quando Nosso Guia disse que aqueles que criticam o bolsa-esmola são imbecis. Entrei em contato com uma quantidade enorme de pessoas que pensam como eu, que acham o bolsa-esmola um curral eleitoral, que a popularidade do presidente se sustenta no assistencialismo, e este, na manutenção da pobreza, um dinheiro sem contrapartida eficiente, que não contribui para a independência financeira das pessoas por meio da educação.
Percebi que não éramos propriamente imbecis. Estávamos, sim, contaminados pelo vírus da doença. Nós éramos os espíritos de porco. Pelo "Aurélio", nós queríamos interferir, criando embaraços em assunto já existente.
Qual assunto? É uma outra doença psicológica, de alto contágio, só que extremamente favorável ao governo.
Trata-se do legado que Lula deixará: cinismo; palavras de ontem que não valem hoje; apatia; impotência do cidadão comum; tributos escorchantes que sustentam sua máquina aparelhada de governo, seu assistencialismo, sua vaidade e sua inapetência para governar; esbulho de valores éticos; impunidade aos aloprados, mensalistas e companheiros dos "movimentos sociais"; acusações sobre quem divulga seus erros (a mídia); ensaios de controle autoritário sobre ela; desqualificação do Legislativo; subjugação de seu próprio (suposto) partido; divisão do país entre pobres e a "zelite"; entre negros e brancos; apropriação das benfeitorias de outros governos; varrer seus erros sob o vasto tapete da herança maldita; aparelhamento do Estado; clímax do patrimonialismo (apropriação do que é público pelo indivíduo que detém poderes, também chamado furto); desencadeamento da mais deslavada campanha presidencial fora de prazo legal feita com nosso dinheiro (vai ter direito a "O filho da D. Lindu" antes das eleições?); alegação de um desconhecimento de malfeitorias, tão hipócrita quanto impossível; mais impunidade, "porque todos fazem o mesmo", com uma única finalidade: manter-se no poder a qualquer custo. (Ministro, isso não se parece com a doença venezuelana?)
Devo dizer que aqui estou contaminado pelo vírus, em pleno exercício do espírito de porco, querendo atrapalhar o legado de Nosso Guia. Porque ele é moralmente nocivo ao país.
Pedro Aleixo, vice de Costa e Silva, foi o único a recusar-se a assinar o AI-5. "O sr. teme que o presidente faça mal uso desse instrumento?" Respondeu: "Não. Eu temo o guarda da esquina. Quando a moral se deteriora a partir do presidente, ela contamina até o guarda. E este eu temo".
Procurei detectar o público-alvo dessa epidemia: são cidadãos trabalhadores; honestos; pagadores de impostos (e que impostos!); respeitadores da lei; construtores da prosperidade do país; cultivadores de coisas tais como honra, probidade e decência; empreendedores; democratas; defensores dos direitos das minorias, da propriedade privada e dos contratos honrados; respeitadores de plantações de eucalipto (apesar de não comestível, ele é ecológico e bom gerador de empregos); pais que querem seus filhos bem educados, sem catequeses ideológicas financiadas com nosso dinheiro.
Enfim, sr. ministro, somos nós, que o seu governo considera secretamente a escumalha da terra, mas que tolera enquanto sustentamos vocês. Descobri que temos companhias ilustres. A mais notória delas hoje é a ex-secretária da Receita, Lina Vieira, exemplar espírito de porco que arrancou a máscara cirúrgica que disfarçava as feições autoritárias da ministra (retornaram, apesar da plástica), sem esquecer seus 12 demissionários.
Também Marina Silva e o senador Arns, grandes espíritos de porco. E até no PT o vírus deu o ar de sua graça, no cartão vermelho do senador Eduardo Suplicy, e por pouco não pega o pobre Mercadante.
Pois até o reverso pinado da TAM (que tanta alegria deu ao assessor "top, top, top") revelou-se um espírito de porco, derrubando o ministro da Defesa, a diretoria da Anac, reformando aeroportos etc.
Pois é, sr. ministro, apesar de velho, nunca imaginei que ser chamado de "espírito de porco" fosse algo de que, como você, leitor não lulista, eu iria me orgulhar.

CENSURA

BRASÍLIA - DF

Um passo à frente, dois atrás


Correio Braziliense - 03/09/2009


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide hoje se mantém ou não o pedido de urgência para votação dos projetos do pré-sal, que enfrentam o primeiro revés na Câmara dos Deputados, onde o PT foi isolado. Os demais partidos da base governista querem que o governo recue da decisão. Lula deve comunicar a decisão ainda hoje aos líderes do governo, Henrique Fontana (PT-RS), e do PT, Cândido Vaccarezza (SP). Ambos haviam feito restrições à tramitação em regime de urgência, proposta do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, mas não foram ouvidos. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), atalhou a discussão e propôs a Lula que mantivesse a urgência na reunião ministerial.

Puro voluntarismo. Aliás, essa é a palavra-chave para avaliar a forma como a proposta do novo marco regulatório foi lançada. No afã de encurralar a oposição com um discurso nacionalista e estatizante, o governo atropelou os aliados do PMDB mais interessados na questão, os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, e abriu um perigoso flanco nas articulações eleitorais para 2010. O primeiro passo atrás foi em relação à participação especial dos estados, que não constava do projeto original e acabou mantida. Era uma exigência constitucional, como demonstrou o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O segundo pode ser a retirada do pedido de urgência, para reagrupar as forças governistas, que estão desorientadas e divididas.

Copa // O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Sandro Torres Avelar, convidou Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a participar do congresso da categoria para falar sobre a segurança na Copa do Mundo de 2014.

Bolada


Entre janeiro e julho, a exploração de petróleo rendeu R$ 1,2 bilhão de royalties aos estados, dos quais R$ 856,9 milhões foram para os cofres fluminenses. Do R$ 1,3 bilhão distribuído referente à participação especial,
R$ 1,2 bilhão foi pago pelas petrolíferas ao Rio de Janeiro.

Soviético


A mudança do regime de exploração do petróleo do sistema de concessão para o regime misto, com a adoção do sistema de partilha de produção no pré-sal, cria um arranjo institucional que só tem equivalentes na Rússia e no Cazaquistão. O sistema de partilha é adotado pela Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Venezuela, Emirados Árabes, Líbia, Nigéria, Catar, China, Angola, México, Azerbaijão, Índia, Omã e Egito. Ou seja, fortalece o Estado, mas não é sinônimo de mais democracia, nem de melhor distribuição de renda.

Mérito



O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (foto), desafiou a oposição a discutir o mérito do novo marco regulatório do pré-sal. O senador paulista argumenta que o propósito do governo não é a apropriação da receita, mas preservar o controle estratégico das reservas. O atual regime de concessão garante às empresas que descobrem o petróleo a inclusão das reservas nos seus ativos. Segundo o petista, as Sete Irmãs — as maiores empresas petrolíferas do mundo — estão supercapitalizadas e controlam a distribuição, mas não têm reservas. “Possuem apenas 7% delas em todo o mundo”, argumenta.

Réplica



Mercadante foi contestado por um senador governista: o líder do PP, Francisco Dornelles (foto), representante do Rio de Janeiro, para quem o governo deveria preservar o atual regime de concessão das áreas de exploração. Segundo ele, seria suficiente definir novas regras para as receitas oriundas do pré-sal. Dornelles avalia que a invasão dos Estados Unidos ao Iraque se deu porque Saddam Hussein estatizou as companhias petrolíferas.


Desgaste/ A base governista, com o PMDB à frente, mandou recado para o Palácio do Planalto: só aprovará a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) se for selado um acordo que garanta os votos favoráveis no Senado. Os deputados não querem a reedição do episódio da CPMF, quando ratificaram a prorrogação do tributo para, em seguida, os senadores sepultarem a proposta, ficando bem na foto diante do contribuinte.

Fisco/ O presidente do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), Paulo Antenor de Oliveira, detonou a Lei Orgânica do Fisco (LOF). “O discurso que a crise na Receita Federal demonstrou a necessidade de uma blindagem e que somente uma lei orgânica do Fisco poderia protegê-la é oportunista. O projeto em tramitação no Congresso sequer foi debatido com os analistas-tributários, sendo produto dos mesmos administradores-sindicalistas que estão deixando os cargos de chefia.”

Barraco// A oposição patrocinou ontem uma rebelião contra o presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), Almeida Lima (PMDB-SE), que decretara seu relógio de pulso como referência oficial de horário do colegiado. Contrariado, o senador Efraim Morais (DEM-PB) levantou a voz e derrubou a sessão. Dizendo-se ameaçado, Lima mandou chamar a segurança da Casa. “Quero ver a segurança me tirar daqui!”, bradou o paraibano.

Baiano/ O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), recebe, hoje, em Salvador, o título de cidadão honorário da Bahia, concedido pela Assembleia Legislativa do estado. Depois, almoça com o governador da Bahia, Jaques Wagner, no Centro Administrativo do Governo da Bahia. À noite, janta com aliados do PSDB, DEM e PPS na casa do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM).

ROLF KUNTZ

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Camisas vermelhas, camisas negras

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09



Quem é o povo no discurso do presidente Lula? Essa questão é o ponto-chave para se decifrar sua fala no comício do pré-sal. "Estou seguro de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma neste debate, porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e os especialistas. Nem tampouco um tema que deve ficar restrito ao Parlamento", disse o presidente. Noutra passagem, evocou a campanha de criação da Petrobrás, há mais de meio século. Segundo ele, "é a mão invisível do povo, bem mais sábia e permanente, e não a mão do mercado, que tece o destino do País". A quem se dirigia o presidente, a quem lançava sua convocação?

Mostrar a mistificação do discurso não basta para revelar o seu significado político. A evocação da campanha dos anos 50 é parte de uma evidente falsificação. O petróleo, o gás e toda a riqueza do subsolo já pertencem ao Estado e, portanto, ao povo brasileiro. Todos sabem disso, menos a massa manobrável. Não tem sentido atribuir à Petrobrás, hoje, a função estratégica imaginada há mais de 50 anos por seus idealizadores.

Que ele tenha falsificado os fatos ao atribuir aos adversários a intenção de privatizar ou desmantelar a empresa é também evidente. Não foi esse o propósito da Lei do Petróleo de 1997, nem havia sido essa a intenção do governo Geisel, ao instituir em 1975 os contratos de risco para prospecção e exploração de hidrocarbonetos. Lula torceu os fatos também ao mencionar a imagem do dinossauro, da companhia jurássica. A palavra "petrossauro" foi criação de Roberto Campos, não dos oposicionistas de hoje. O PP, atual versão do partido de Campos, integra a base aliada.

Lula não pode ter discursado para convencer quem conhece esses fatos, isto é, quem tem uma noção razoável da história do Brasil e especialmente de sua evolução econômica no pós-guerra. Quem tem esse conhecimento e apoia seu projeto político deve ser movido não por sua retórica, mas por afinidade ideológica ou pela expectativa de alguma recompensa. Alguns podem sinceramente acreditar num "fortalecimento" do Estado como caminho da redenção. Para outros, muito mais importante será a criação de boquinhas com mais uma estatal e com o enorme poder de intervenção embutido nos projetos de lei do pré-sal. Se esse e outros projetos semelhantes prosperarem, o aparelhamento e o empreguismo dos últimos anos terão sido apenas um aperitivo. Mas esses dados ainda não esclarecem toda a questão.

O "povo" convocado pelo presidente Lula, no comício de segunda-feira, só pode ser, portanto, a massa mobilizável por um projeto populista e de vocação autoritária. Ao negar a política do pré-sal como "um assunto apenas para os iniciados e os especialistas" e como um "tema restrito ao Parlamento", Lula chama o "povo" não para um debate efetivo, mas para o exercício da pressão. Quem evitou o debate público do projeto do pré-sal, até o começo desta semana, foi o governo, não os especialistas nem os parlamentares. Agora a discussão está aberta e ninguém é proibido de participar. Mas a participação "de corpo e alma", pregada por Lula, será um civilizado exercício de esclarecimento?

A resposta é obviamente negativa. Os grupos mais passíveis de mobilização pelo governo são bem conhecidos. São, em primeiro lugar, os parceiros sustentados com dinheiro do Tesouro, como os companheiros do MST, os estudantes profissionais e os líderes do neopeleguismo sindical. Na proposta de lei orçamentária de 2010 estão previstas despesas discricionárias de R$ 2,58 bilhões para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (um dos financiadores do MST) e de R$ 1,43 bilhão para o Ministério da Agricultura. Quanto aos estudantes profissionais, já nem têm vergonha de se declarar financiados pelo governo. Ao contrário: defendem publicamente a entrega de recursos públicos a entidades estudantis domesticadas e convertidas em massa de manobra do "progressismo". Em relação aos sindicatos, a posição de Lula é tranquilíssima. Qual a diferença, hoje, entre a CUT e a Força Sindical?

O presidente Lula não terá dificuldade para levar o "povo" a entrar "de corpo e alma" no "debate" sobre a construção de mais esse formidável instrumento de poder econômico e político, o esquema do pré-sal. Parte do "povo" provavelmente irá à rua usando camisetas e bonés vermelhos. Poderia usar camisas pretas. Para a democracia, não faz diferença a cor do uniforme usado pelos grupos a serviço de projetos autoritários. Só os otimistas viram no comício do pré-sal um mero episódio das eleições de 2010. O projeto é mais amplo e isso se torna cada vez mais claro.

GOSTOSA


TODA MÍDIA

Petrobras e a Federação

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09



Meio-dia, manchete do UOL, "Petrobras é segunda mais lucrativa das Américas". Pelos sites, a alternativa "Petrobras tem maior lucro produtivo da América Latina", de acordo com a Economática.



Meio da tarde e, manchete do UOL, "Achado poço em área da Petrobras no Golfo do México". Foi o destaque da Reuters Brasil da manhã até a noite, "BP anuncia descoberta gigante com Petrobras no Golfo do México", nos Estados Unidos.
Surgiu em reportagem do "New York Times", no alto da home, "giant". Na submanchete do "Financial Times", "giant". E no "Wall Street Journal", mais cuidadoso, creditando o "giant" à BP.
Depois postou, do Rio, que a Petrobras "confirmou" e avalia que a descoberta "consolida sua posição no Golfo, beneficiando-se da experiência e do domínio tecnológico das operações no Brasil".



Mas veio a noite e, manchete no UOL, "Lula deve decidir amanhã sobre urgência do pré-sal". O PMDB da Câmara pede tempo, em meio à pressão para os royalties não se limitarem a Rio-SP.

CHINA & BRASIL
A Xinhua ouviu o presidente da Petrobras e destacou que "companhias estrangeiras ainda podem investir nas reservas pré-sal do Brasil". As estatais chinesas de petróleo priorizam a região e fizeram proposta pela argentina YPF, semanas atrás.
Por outro lado, em texto sobre a Bolsa de Xangai, o "WSJ" ressaltou a dependência do mercado brasileiro dos humores chineses.

PONTE DE COMIDA
O "China Daily" publicou crítica à importação de frango dos EUA, o maior produtor "seguido por Brasil e China". O próprio texto relacionou a crítica às ameaças de aumento na tarifa americana sobre os pneus chineses.
O "CD" ainda deu texto de Marcos Fava Neves, da USP, "A ponte de alimento China-Brasil", sobre seus "problemas de suprimento" e a opção de comprar do Brasil.

DOHA SEM FIM
"NYT" e "WSJ" destacaram reportagens sobre o novo encontro da Rodada Doha, hoje, para tentar "dar um sinal ao G20", que se reúne em Pittsburgh este mês. O primeiro é esperançoso com o "novo elenco" e a saída do representante anterior da Índia, dado por "brusco, impaciente". O segundo questiona o novo representante dos EUA, "reticente com a agenda de livre comércio".

MAIS CAMPANHA
O UOL noticiou que o Comitê Olímpico Internacional "destaca Rio por garantias de segurança", na disputa por 2016. No "El País", "Tóquio e Rio são favoritas" no COI, que "criticou Madri". O "WSJ" deu que Lula se engajou e cobrou o mesmo de Obama, por Chicago.

"OFENSIVO"
msnbc.msn.com

A agência foi parar no célebre quadro "Piores Pessoas do Mundo" de Keith Olbermann, da MSBC, que deu o nome de todos os "criativos"

Saiu anteontem no Ad Age, em blog do "NYT" e chegou ao Blue Bus, à noite. O WWF "condena veementemente o anúncio ofensivo e de mau gosto" criado pela DM9DDB, recusado pela ONG ambiental, mas vazado on-line. Com imagem de aviões cercando Manhattan, diz que o tsunami "matou cem vezes mais que o 11/9". Ontem, via Blue Bus, a nota dizendo que "este anúncio nunca deveria ter sido feito e não retrata a filosofia desta agência".

CELEB
huffingtonpost.com

Alto da home no "NYT" e no "WSJ" e manchete no Huffington Post, a jornalista Diane Sawyer foi escolhida pela rede ABC para ancorar o telejornal "World News" a partir de janeiro

GOOGLE VAI COBRAR
Noite adentro, na manchete on-line do "WSJ", "YouTube, do Google, negocia com estúdios de Hollywood para alugar filmes" on-line. Se chegar a acordo, "marca sua primeira ação para cobrar por conteúdo". Entre outras produtoras, participam das conversas as gigantes Lions Gate, Sony e Warner Bros. Serviço semelhante já é oferecido pela Apple, via iTunes, por US$ 3,99 o lançamento, preço a ser seguido pelo YouTube.


ELIANE CANTANHÊDE


Empilhando

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09


BRASÍLIA - Com o pré-sal, o governo Lula continua empilhando e abandonando, uma a uma, suas principais bandeiras políticas. Agora, só vai se falar no pré-sal, no seu fundo social, na sua importância geopolítica para o Brasil e na sua imensa potencialidade para os palanques da ministra Dilma. Combinando com o "Minha Casa, Minha Vida", para equilibrar o abstrato e o concreto.
Antes do pré-sal, a grande bandeira era o PAC, que reúne bilhões de reais para obras por todo o canto e serve de pretexto para Lula carregar seus 80% de popularidade e sua candidata debaixo do braço para inaugurar pedra fundamental, depois a primeira pedra, depois o primeiro tijolo. Só que, segundo os entendidos em marketing, o tal PAC não tem muita graça e, para os entendidos em obras, está cheio de buracos e de atrasos.
Antes do pré-sal e do PAC, o governo bem tentou o biocombustível, que é simpático, moderno e bem aceito no país e no mundo. Foi até o centro da conversa de Lula com George W. Bush em São Paulo, mas submergiu enquanto o pré-sal emergia das profundezas do mar.
Antes do pré-sal, do PAC e do biocombustível, tentou-se muito embalar o Primeiro Emprego, mas ele, coitado, nunca vingou. A ideia parecia até bonita, mas entre ser bonita e factível vai uma diferença enorme.
E antes do pré-sal, do PAC, do biocombustível e do Primeiro Emprego, houve o Fome Zero. Aliás, você aí lembra do Fome Zero, lançado, na primeira entrevista de Lula depois da vitória, como o grande projeto do seu mandato? Sumiu.
Do outro lado, chega a ser patética a tentativa de reação de Serra, dizendo-se "amigo dos pobres" ao anunciar uma redução de juros "de mãe para filho". Pobres de nós.
E ainda falta mais de um ano para a eleição...
PS - Jobim responde: "Isso de que eu vou sair [da Defesa] é intriga, pura fofoca". A conferir.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


JOSÉ SIMÃO

Ueba! Vanusa é "o vírus do Ipiranga"!

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09


E adoro jogo do Open de Tênis, parece trilha de filme pornô: uhn, aaaaahn, uhhhhhn!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Festival da Piada Pronta. Igreja pega fogo no Rio Grande do Sul. Como é o nome da igreja? CHAMA MISSIONÁRIA! E consórcio parcela casamento em 48 vezes. Como se chama o consórcio? RODABENS. Tá certo, a primeira coisa que roda no casamento são os bens. Rarará!
E eu quero ver o casamento durar mais que as parcelas. Deviam parcelar divórcio. E essa outra: vereador de Londrina fica ferido ao cair do telhado. Como se chama o vereador? Roberto FÚ!
E o novo site do Bush: Bush Presidential Library. Onde eles afirmam que o Bush foi o líder mais honesto, inteligente e pacífico da terra. Rarará! E adoro o nome das tenistas do Open de Tênis: Bundareko e Pirokova. E jogo de tênis parece trilha de filme pornô: uhn, aaaaahn, uhhhhhn! E oferta em supermercado: sabonete Senador. Leve 3 e pague 2. Em vez de limpar, suja! Pior, eu fui lavar as mãos com o sabonete Senador e o meu relógio SUMIU!
E o Collor entrou para a Academia Alagoana de Letras. Não seria de tretas? Collor entra para Academia Alagoana de Tretas! E imortal é todo brasileiro: não tem onde cair morto!
E o novo apelido da Vanusa: vírus do Ipiranga!
E o presidente da Colômbia, que pegou gripe suína? Agora ele vai atacar o Chávez espirrando. Vai lá pra fronteira da Chavezuela e fica atchim, atchim, atchiiiiim! BUM!
A...atchim...bum! E o Lula não pega gripe suína porque ele lava as mãos com álcool no bafo. Ele dá uma baforada nas mãos e pronto. Lula mata a gripe no bafo! Rarará!
E o problema de a Colômbia e a Venezuela entrarem em guerra é que as bandeiras são idênticas. As mesmas cores. Aí quando levantam a bandeira ninguém sabe se ataca ou canta o hino nacional. A não ser que o Uribe use a bandeira americana.
Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Ou como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Palmas, no Tocantins, tem um inferninho chamado Carinho das Índias. Deve ser da Locória Perez.
Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Rinite": companheiro que tem alergia no rim. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MERVAL PEREIRA

Urgência descabida

O GLOBO - 03/09/09


A questão da “urgência urgentíssima” para a análise, pelo Congresso, dos projetos sobre a exploração do petróleo na camada pré-sal poderia ter sido resolvida na noite mesmo de domingo, naquela reunião no Palácio da Alvorada em que o presidente Lula aceitou manter a divisão atual dos royalties para os estados produtores. O presidente aceitou também a sugestão do governador de São Paulo, José Serra, para que não limitasse no tempo a discussão dos parlamentares, contra a vontade do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que se mostrou contrariado com a decisão. “Não vão aprovar nunca”, comentou alto, ao ouvir Lula abrindo mão do expediente

Atribui-se a Franklin Martins a retomada do tema no dia seguinte, desta vez com o apoio enfático do senador Renan Calheiros, do PMDB, que comandou a reivindicação de que o presidente voltasse atrás do que combinara com os governadores e enviasse os projetos com a chancela de “urgência urgentíssima”.

Vê-se agora que nem mesmo a maioria da base do governo está convencida de que essa é a melhor solução, e o presidente Lula encontra-se diante de uma inédita rebelião de seus próprios aliados, que estão considerando um descaso com o Congresso dar tão curto espaço de tempo (90 dias) para a análise de tema tão complexo, que custou ao governo mais de um ano de debates internos para chegar a uma proposta.

O comentário do líder petista Henrique Fontana, de que quanto mais rapidamente o Congresso decidir, mais rapidamente o país usufruirá dos benefícios do petróleo do pré-sal, revela ignorância do assunto e mistificação, pois é de conhecimento de todos que os resultados da exploração na camada pré-sal só serão reais dentro de dez a 15 anos. O que o PT quer é um tema para a campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência da República.

O ministro da Comunicação Social, aliás, teve papel preponderante na reunião do Palácio da Alvorada, chegando a ser ríspido com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em pelo menos duas oportunidades.

Logo no início da reunião, reclamou em termos duros do governador por este ter dito que o governo estava fazendo “bravata nacionalista” com o tema do pré-sal.

Depois, quando tentava defender a mudança do marco regulatório de concessão para o sistema de partilha, o ministro arrancou um sorriso do governador Sérgio Cabral quando citou a Líbia como exemplo. “Está rindo de quê?”, perguntou Franklin Martins, irritado.

Ora, há estudos suficientes para demonstrar que os países que adotam esse tipo de partilha são, em sua grande maioria, ditaduras como a Líbia, onde o nível de corrupção é bastante elevado.

O governador Sérgio Cabral, aliás, teve que ser acalmado em diversas ocasiões, inclusive pelo próprio presidente Lula, que lhe enviou bilhetinhos recomendando tranquilidade.

Houve um momento em que ele discutiu de dedo em riste com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que afirmara que havia conversado com ele sobre a questão dos royalties do pré-sal.

“Não é verdade”, reagiu Cabral, sendo contestado por Lobão, que lhe disse: “Isso não é maneira de um governador se dirigir a um ministro de Estado. Nós conversamos sobre o assunto em uma reunião da Petrobras no Rio”. Cabral retrucou: “E eu lhe disse que não aceitava a mudança da repartição dos royalties dos estados produtores”.

Os três governadores tinham como objetivo central garantir que a divisão dos royalties se mantivesse inalterada, o que conseguiram, pelo menos inicialmente.

Na verdade, o que prevaleceu na reunião foram os argumentos apresentados pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Julio Bueno, que já exercera papel idêntico no governo de Paulo Hartung (ES). Ele demostrou que o Rio de Janeiro produz 85% do petróleo brasileiro e fica com 45% do total das participações governamentais, que envolvem os royalties e as participações especiais.

Pelos dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), essa participação do Rio é de 80%, mas trata-se de um truque contábil. A participação do governo federal de 39% fica de fora nessa conta.

Se o sistema de divisão fosse alterado, os estados produtores teriam um grave prejuízo. O Rio de Janeiro perderia R$ 16,5 bilhões por ano; São Paulo, R$ 12,4 bilhões; e o Espírito Santo, R$ 4,1 bilhões.

O secretário Julio Bueno levou também um estudo que demonstra que o Rio de Janeiro perde anualmente R$ 8,6 bilhões porque o Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado no local de consumo, prejudicando os estados produtores de petróleo.

O governador José Serra carrega a fama de ser o mentor da lei, na Constituinte de 1988. Mas a verdade é que não foi possível cobrar o ICMS na origem, como era a proposta da comissão presidida por ele e da qual fazia parte o hoje senador pelo Rio Francisco Dornelles, porque a maioria dos estados, importadores de petróleo e derivados e de energia elétrica, perderia, por ter de pagar o ICMS que não pagava antes.

Já há setores do governo espalhando que o presidente Lula se incomodou com a reação de Sérgio Cabral, outros dizendo que o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, à reivindicação dos estados produtores seria uma indicação de sua proximidade com o governador José Serra, esquecendo-se de que Jobim é do PMDB, partido dos governadores do Rio e do Espírito Santo.

O artigo 49, redigido por Jobim com a assessoria do secretário da Fazenda do Rio, Joaquim Levy, garante essa divisão inalterada, mas nada impede que no Congresso esse artigo seja retirado do projeto, ação que já está sendo estimulada por setores do governo.

Os governadores do Rio, de São Paulo e do Espírito Santo irritaram áreas do governo com sua reação, e já há várias retaliações em marcha, que eles terão que superar com acordos políticos

GOSTOSA


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CLÓVIS ROSSI

Incêndios

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09


LONDRES - Vista de longe, choca mais ainda aquela imagem da capa da Folha do ônibus queimando em Heliópolis.
Explico: estando em São Paulo, os incidentes vão se formando ao longo do dia, no noticiário das rádios, TVs e internet. Quando o jornal chega, eu já estou preparado para receber o impacto de uma imagem tão perturbadora e da notícia, ainda mais perturbadora, da morte de uma menina atingida por "bala perdida" (expressão, aliás, que deveria ser banida; ninguém "perde" uma bala).
Aqui de longe, o noticiário que vejo é outro. Talvez por isso a imagem de Heliópolis me tenha lembrado os incêndios de automóveis nas "banlieues", os subúrbios parisienses que frequentaram os jornais do mundo todo há alguns anos e continuam agora, com menos exposição, porque rotineiros.
O que incomoda na comparação é a origem diferente do distúrbio, embora, em Paris como em São Paulo, o maior desafio seja "a integração plena, a eliminação da fronteira que separa a favela do bairro", como disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relatora da ONU para direito à moradia.
Na França, a fronteira é entre nacionais e imigrantes (ou filhos/netos de imigrantes). No Brasil, é entre brasileiros e brasileiros. É social, portanto.
Não que seja justificável a segregação francesa. Mas ela é mais facilmente explicável: na França, o poder público foi atropelado pelo crescimento anormal da população por conta da imigração em massa e não está conseguindo oferecer os serviços que lhe competem. No Brasil, o poder público sempre foi incapaz de prestar tais serviços, com alto, médio ou baixo crescimento populacional.
Que a criminalidade se infiltre nesse vazio é inevitável, cá como aí. Que ocorram explosões também fica inevitável.

PAINEL DA FOLHA

Ano da França

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/09/09

A Marinha escancarou o lobby para garantir a aprovação, em tempo recorde, da autorização para o governo contrair empréstimos de R$ 16 bilhões para a construção de submarinos e helicópteros com tecnologia francesa que equiparão as Forças Armadas.
Na semana passada, os senadores da CAE foram chamados à Marinha. Ouviram um pedido de pressa para que a operação estivesse aprovada antes da chegada do presidente Nicolas Sarkozy. Também lá se discutiu a escolha do relator, Cesar Borges (PR-BA).
Trata-se do maior montante já aprovado de uma vez pela CAE. Não houve reparo ao relatório do senador baiano. No plenário, onde passou ontem, ninguém quis discutir. ‘Nunca vi tamanha pressa’, admite o presidente da CAE, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Na ponta - À pressão explícita da Marinha, somou-se o lobby de bastidores da Odebrecht, escolhida pelo governo francês para construir os estaleiros. Em 2002, a empresa doou R$ 200 mil para Borges e R$ 50 mil para Garibaldi.

A partilha 1 - O PMDB escolheu projeto que estabelece regime de partilha da exploração do pré-sal, considerado a joia da coroa do conjunto de matérias que o governo editou, para ser relatado pelo líder Henrique Alves (RN). Era a primeira escolha do PT.

A partilha 2 - O Ministério da Fazenda fez chegar ao líder petista, Candido Vaccarezza, que prefere Antonio Palocci (SP) na relatoria do projeto que prevê a capitalização da Petrobras. Arlindo Chinaglia (SP) ficaria com o que prevê criação do fundo com recursos do pré-sal.

Venha a nós - Após a reunião da bancada do PMDB com Edison Lobão (Minas e Energia), Marcelo Itagiba disse que a ala do Rio apoia pleitos de Sergio Cabral se ele ouvir os deputados: ‘A bancada não conhece o governador, e ele não conhece a bancada’.

Na banheira - Os líderes na Câmara dirão hoje a Lula que foram convencidos da inconveniência da urgência na votação dos projetos do pré-sal, mas Renan Calheiros (PMDB-AL) vai insistir. Os senadores querem que a bola chegue logo à Casa, para voltarem à mesa de negociações.

Excluído - Zito, administrador de Duque de Caxias e presidente do PSDB do Rio de Janeiro, foi o único dos prefeitos que Lula não cumprimentou em evento no Maracanãzinho para entregar diplomas do programa de qualificação profissional destinado a beneficiados do Bolsa Família.

Fila - Assim como o delegado Protógenes Queiroz, que acabou de entrar no partido, outros dois nomes do PC do B-SP pensam em disputar vaga no Senado: o deputado federal Aldo Rebelo e o vereador Netinho. Um dirigente minimiza o problema: ‘As pesquisas estão aí para isso mesmo’.

Sem ambiente - Silvio Costa, metralhadora giratória da base aliada na Câmara, deve trocar o PMN pelo PTB. Em Pernambuco, Estado do deputado, a sigla nanica deve se aliar à oposição em 2010.

À distância 1 - Embora more em Mato Grosso do Sul, Therezinha Mandetta Trad, mulher do deputado Nelson Trad (PMDB) e mãe do prefeito de Campo Grande, Nelsinho (PMDB), é funcionária comissionada do Senado, lotada na Diretoria Geral.

À distância 2 - Therezinha foi nomeada ‘assistente parlamentar’ em abril de 2003, quando José Sarney (PMDB-AP) presidia a Casa. Seu nome está grafado como ‘Drad’ no sistema de RH.

Pancadão - Entre as propostas de emendas exóticas surgidas no debate da reforma eleitoral na CCJ do Senado está a de Valdir Raupp (PMDB-RO) para liberar ‘música eletrônica’ antes de comícios. ‘Do contrário, fica muito morto!’, justificou. Não convenceu os colegas.

Tiroteio

Quando precisou, Protógenes frequentou a casa do Paulinho e implorou para aparecer na festa do Dia do Trabalho da Força. Agora, cospe no prato em que comeu.
De JOÃO CARLOS JURUNA , secretário-geral da Força Sindical, sobre o fato de o delegado ter justificado sua opção pelo PC do B, em detrimento do PDT, dizendo que naquele partido não haveria envolvidos em o corrupção.

Contraponto

Quase famoso

Os rigores da nova legislação antifumo têm produzido cenas inusitadas nas agora superpopulosas calçadas paulistanas. No sábado passado, sentado diante de uma tabacaria nos Jardins, um senhor já um tanto embriagado observava atentamente a mesa ao lado, onde o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif, fumava seu Havana.
Intrigado, o homem olhou, olhou. Até que não resistiu e se aproximou, falando alto:
- Eu te conheço! Eu já te vi!
Afif sorriu. O homem voltou para seu lugar. Mas dali a pouco levantou de novo e bateu em suas costas, convicto:
- Lembrei! Lembrei! Você é o... Você é o Mário Covas!

GOSTOSA

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DEMÉTRIO MAGNOLI

Esse crime chamado justiça

O ESTADO D SÃO PAULO - 03/09/09


A jornalista Helena Chagas, diretora de O Globo em Brasília (hoje na TV Brasil), soube por seu jardineiro de um depósito de vulto na conta do caseiro Francenildo Costa e passou a informação ao senador Tião Viana (PT-AC), que a transmitiu ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Então, Palocci convocou ao Planalto Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). Naquele dia, Mattoso tirou um extrato da conta de Francenildo. À noite, 23 horas, reuniu-se com Palocci na casa do ministro, num encontro a três, no qual estava Marcelo Netto, assessor de imprensa do Ministério. No dia seguinte, o mesmo extrato que circulou na reunião foi publicado no site da revista Época.

O enredo acima não é uma tese, mas uma narrativa factual, comprovada materialmente pelas investigações da
Polícia Federal, que está nos autos da denúncia apresentada ao STF. A defesa alegou não existirem indícios robustos sobre a autoria da transmissão do extrato à revista e argumentou que o crime de quebra de sigilo bancário só ficou caracterizado no momento da publicação do extrato. O STF derrubou o argumento central da defesa, identificando indício de crime na transferência do extrato de Mattoso para Palocci. Mas só admitiu a denúncia contra Mattoso, que responderá a processo em instância inferior. Uma frágil maioria, de cinco contra quatro juízes, alinhou o Judiciário com o paradigma do Executivo, expresso por Lula: no Brasil, o Estado distingue os "homens incomuns" dos "homens comuns".

A maioria que livrou de processo o "homem incomum" se orientou pelo relatório de Gilmar Mendes, o presidente do STF. Mendes é um defensor incansável de que a Justiça não se pode submeter ao "clamor das ruas" e do princípio do Estado de Direito de que ninguém deve ser punido sem a existência de provas capazes de arrostar a presunção de inocência. Não há nos autos prova acima de dúvida razoável de que Palocci tenha ordenado a quebra de sigilo. O STF, contudo, não julgava a culpa ou inocência do ministro. Julgava apenas o acolhimento da denúncia, ou seja, a deflagração de um processo. Para isso bastam indícios convincentes de participação em ato criminoso. Os cinco juízes que negaram tal estatuto ao relato comprovado nos autos condenam a Nação a conviver com a impunidade legal dos poderosos. Eles cometem um crime contra a justiça.

Nunca, desde o encerramento da ditadura militar, o Estado brasileiro violou tão profundamente a ordem democrática quanto na hora em que Mattoso selecionou, entre os milhões de correntistas da CEF, o nome de Francenildo, uma testemunha da CPI que investigava o poderoso ministro. No mesmo dia em que o presidente da CEF acessava o extrato "suspeito", mas não o transmitia ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), guardando-o para Palocci, Tião Viana prometia aos jornalistas "uma grande surpresa". O poder que faz isso não conhece limites. Seu horizonte utópico é o Estado policial: a administração pública convertida em aparelho de intimidação permanente dos cidadãos, por meio da invasão da privacidade e da chantagem pessoal.

"A corda acabou estourando do lado mais fraco, como sempre", diagnosticou o juiz Marco Aurélio Mello, referindo-se ao voto da maioria de seus colegas. Os cinco juízes decidiram que o crime inominável só pode ser reconhecido com a condição de que a responsabilidade por ele recaia apenas no agente direto da operação ilegal. O paralelo é inevitável: esses juízes abririam processo contra um rato dos porões da tortura, mas absolveriam de antemão os altos oficiais que comandavam a máquina de interrogar e torturar da ditadura militar.

O relatório de Gilmar Mendes pendeu sobre o abismo por algum tempo, até ser resgatado da derrota por um inacreditável Cezar Peluso. O juiz destroçou a tese da defesa, mas, antes da conclusão lógica, imaginou a hipótese de que Mattoso não seguia uma instrução do ministro ao quebrar o sigilo de Francenildo. A sua hipótese altamente improvável talvez pudesse sustentar uma absolvição de Palocci ao final de um processo. Mas bastou-lhe para rejeitar a abertura do próprio processo que a escrutinaria. Peluso sucederá a Mendes à frente do STF, no ano que vem. A minha hipótese é de que ele decidiu contra seus próprios argumentos, sacrificando a justiça para estabelecer uma jurisprudência informal de submissão dos juízes ao voto do presidente do tribunal nos casos de valor político estratégico. A ordem tradicional que organiza o mundo não pode ser violada - eis a mensagem inscrita no voto de Peluso.

A maioria configurada na defesa dessa ordem tradicional relegou Francenildo ao papel de espectador silencioso da solenidade de consagração de uma impunidade tão absoluta que impede a própria instauração de processo. Essa maioria assistiu, talvez levemente constrangida, ao espetáculo ignóbil proporcionado pelo advogado de Palocci, José Roberto Batochio, que assomou à varanda de sua Casa-Grande ideológica para apontar o caseiro como um "singelo quase indigente". Quando proferiram seus votos, os cinco juízes enxergaram um semelhante não em Francenildo, mas em Palocci. Eles votaram na sua casta, deixando as impressões digitais do persistente patrimonialismo brasileiro nos registros da Corte constitucional.

Francenildo sou eu, somos nós todos, potenciais testemunhas de desvios de conduta das altas autoridades políticas. A decisão proferida por um STF diminuído equivale a uma mensagem destinada aos cidadãos comuns. Eles estão dizendo que o silêncio vale ouro: o privilégio a uma privacidade que não figura como um direito forte aos olhos da Corte devotada a interpretar a Lei das Leis. Estão condenando a Nação a calar quando se trata dos homens de poder. Como nem todos calarão por todo o tempo, estão condenando o País a ter novos Francenildos. É o preço que cobram pela absolvição do cidadão mais que comum.

ANCELMO GÓIS

Turismo étnico

O GLOBO - 03/09/09

Frei David, o franciscano general da campanha pelo sistema de cotas para negros, assume um novo desafio.
A Educafro vai fazer uma experiência piloto de turismo étnico. Dia 9 de outubro, uma caravana de ônibus sairá de São Paulo com destino a Quissamã, no Litoral Norte do Rio.

MISSA AFRO
O roteiro prevê uma missa, shows e culinária afros. O turismo étnico é uma realidade. Há agências de viagens, por exemplo, nos EUA, especializadas em roteiros que incluem pacotes para Salvador.
EU TAMBÉM QUERO
Amanhã haverá em Londres reunião dos ministros da Fazenda dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Guido Mantega, que preside o encontro pelo sistema de rodízio entre os países, recebeu carta do secretário do Tesouro dos EUA, Timothey Geithner, pedindo dois dedos de prosa com o grupo, após o encontro formal.
DIVERSIDADE
A Vale vai apoiar a Parada Gay do Rio, dia 1 de novembro.
A NOVA MARINA
Mais um sinal de que a pasta do Meio Ambiente voltará a ser comandada por uma mulher. Terça, em encontro com empresários, Lula disse que a carioca Isabela Teixeira tem muitos serviços a prestar a seu governo.
Ela é secretária-executiva do ministro Carlos Minc, que deixa o cargo em março para se candidatar a deputado estadual pelo Rio.
ORAI, IRMÃOS
Dia 7 de setembro, em seu programa na Rádio Globo, o padre Marcelo Rossi vai rezar pela “ética na política”. Tem senador da República que, para se salvar, precisa pagar penitência do tamanho do pré-sal. Amém.
MARIDO TRAÍDO
Do deputado Chico Alencar, sobre a decisão do delegado Protógenes, depois de namorar o PSOL, de filiar-se ao PCdoB:
– Bate neste deputado do PSOL um sentimento parecido com o do rubro-negro aqui, quando Ronaldo, depois de acolhido pelo Flamengo, por meses, decidiu ir jogar no Corinthians.
E mais...
Chico continua, num pote até aqui de mágoa:
– Espero que Protógenes não sofra uma “lipoaspiração de convicções” e se alinhe no apoio do PCdoB a Renan e Sarney.
A VOLTA DE DELGADO
O petista Paulo Delgado, gente boa e um dos fundadores do partido, voltou nesta semana à Câmara, em Brasília.
Mineiro e professor na UFJF, Delgado, que não tinha sido reeleito, retornou ao Congresso na vaga de Fernando Diniz (PMDB), que morreu mês passado.
O PUM DE LULA
Depois da inauguração dos apartamentos no Complexo do Alemão, Lula pediu a Pezão que todos os apartamentos do PAC tenham varanda.
É que, para o presidente, varanda tem clima romântico. Além disso, segundo Lula, também é onde o marido pode soltar pum sem fazer feio perto da mulher. Ah, bom!
O PETRÓLEO É NOSSO
Dia 8 agora, na Associação Comercial, haverá um ato público em defesa dos royalties do petróleo para o Rio. Cabral vai. A bancada do Rio e outras lideranças fluminenses serão convocadas.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Eu e a guerra

O GLOBO - 03/09/09

Ajudei a vencer a Segunda Guerra Mundial, cujo começo há 70 anos está sendo lembrado esta semana. Sozinho, liquidei com alguns milhares de inimigos da democracia. Minha metralhadora e minha calibre 45 eram de brinquedo e minhas granadas eram imaginárias, mas isto não livrou batalhões inteiros de alemães e japoneses do extermínio. Minha ação não foi sem custo. Estávamos nos Estados Unidos e, com sete anos, influenciados pelos filmes de guerra e pela propaganda mobilizadora, me excedi um pouco. Tanto que tiveram que me levar a um médico. Eu estava matando alemães e japoneses demais. Sei que jamais cometi atrocidades, embora não me lembre de fazer prisioneiros. O combate era sempre franco e equilibrado, eu contra algumas centenas de cada vez. Mas me excedi. O médico me recomendou que deixasse alguns inimigos para as tropas aliadas liquidarem, ou que pelo menos diminuísse minha participação ativa no grande conflito. De qualquer maneira, fui um exemplo precoce de neurótico de guerra. Me acalmei, mas não me desmobilizei. Nunca deixei de dormir com a 45 embaixo do travesseiro, para o caso do inimigo me atacar no quarto.
Na verdade, minha experiência de guerra tinha começado no Brasil, antes da viagem para os Estados Unidos. Minha lembrança mais remota do que significava a guerra, ou um clima de guerra, é a expressão “black-out”. Um termo novo e ameaçador entrava em nossas vidas: “black-out”. Era como uma sombra envolvendo o mundo que chegava onde jamais se imaginaria, nosso bairro. Havia “black-out” em Porto Alegre. Tocavam uma sirene e todos eram obrigados a apagar as luzes das suas casas ou vedarem as janelas, para prevenir ataques aéreos. Nunca ficou bem explicado por que Porto Alegre seria bombardeada, ou de onde viriam os aviões. O que não faltava em volta de Porto Alegre eram colônias alemãs, mas, que se soubesse, elas não tinham uma força aérea. Mas todas as noites Porto Alegre se escurecia para ludibriar os bombardeiros. Curiosamente, na Califórnia, onde depois de Pearl Harbour um ataque aéreo japonês era uma possibilidade real, não tomavam as mesmas precauções. Não havia “black-out”.
Dos sete aos nove anos, morando nos Estados Unidos, fiz a minha parte na derrota do Eixo. Hiroshima e Nagasaki, não fui eu. Voltamos para o Brasil no primeiro cargueiro a sair de Nova York para a América do Sul depois do fim da guerra. Não me lembro se trouxe a metralhadora e a 45 comigo, como relíquias. Mas acho que antes de cruzar a linha do Equador eu já era um pacifista.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Você não pode limitar os poderes na internet”
LÍDER TUCANO, ARTHUR VIRGÍLIO (AM), SOBRE A “CENSURA” À IMPRENSA NO TEXTO DA REFORMA ELEITORAL

PRÉ-SAL: PMDB ‘RÓI A CORDA’ E TEMER NEGOCIA RECUO
O presidente Lula autorizou retirar a “urgência” na tramitação dos projetos do pré-sal, o que obrigaria o Congresso a analisá-los no prazo máximo de três meses, mas recomendou que isso não pareça o que é: um recuo. O presidente da Câmara, Michel Temer, foi escolhido para atuar como “mediador” entre governistas e oposicionistas e assumir a paternidade do recuo. O partido dele, PMDB, defendia a urgência: agora rói a corda.
VOTO VENCIDO
O líder do PT, deputado Cândido Vacarezza (SP), foi voto vencido na discussão, vencida pelo PMDB, impondo urgência aos projetos.
FILHO DA D. LINDU
Trinta convidados viram em Brasília a primeira versão do filme O Filho do Brasil, sobre a história de Lula. Meio chato, mas o chororô foi geral.
TORTURA DOMÉSTICA
Mesmo quem conhece Lula há anos ficará surpreso: o filme O Filho do Brasil revela como ele sofreu nas mãos de um pai cruel e canalha.
CIÚMES DE VOCÊ
Lula disse ao governador Sérgio Cabral que não gostou de sua aproximação do tucano José Serra (SP), nessa história do pré-sal.
SERGIPE LOUVA EX-GOVERNADOR COM PALAVRÃO
Virou palavrão a morte do ex-governador de Sergipe Sebastião Celso de Carvalho, 85, dias atrás. O Diário Oficial publicou o luto decretado pelo governador Marcelo Deda (PT) com sobrenome impublicável do falecido em quatro trechos (veja no site www.claudiohumberto.com.br). Celso Carvalho, como era conhecido, não tinha sorte: em abril, anunciaram a morte dele no rádio, julgando-o carta fora do... baralho.
PÚBLICO PROIBIDO
Na contramão da tal “transparência”, o Ministério Público do Acre agora exige senha para os internautas. Nem notícias estão liberadas.
ESTÁ DIFÍCIL
O ex-tesoureiro do mensalão Delúbio Soares segue em sua campanha para voltar ao PT. Mas, o veto do presidente Lula é ainda irremovível.
VIRAMUNDO
O presidente-blogueiro Lula não terá twitter, porque seus possíveis seguidores não têm Air Force1 para acompanhá-lo.
ELA NÃO VEM
Como esta coluna antecipou, o presidente Lula fará mesmo aquela expressão de “cadê ela?”, na chegada do presidente Frances Nicolas Sarzoky, domingo à noite: a bela primeira-dama Carla Bruni não
vem.
SETEMBRO NEGRO
Se os primeiros meses do ano já foram adversos para os prefeitos que dependem dos repasses do FPM, setembro promete ser tenebroso. Com o corte de receita, o remédio tem sido demitir servidores.
CAMARADAS
O ex-deputado Sigmaringa Seixas viu há dias no Planalto, à distância, como o presidente Lula tratava afetuosamente o senador Fernando Collor. “Ele tem me ajudado muito”, explicou Lula a Sig, em seguida.
AMIGO É PARA ESSAS COISAS
Vice-líder do governo no Senado, com mais quatro anos de mandato, Gim Argelo (PTB) é candidato ao governo do DF. Até para garantir palanque para sua amiga e vizinha, a candidata Dilma Rousseff.
GENOINO, O RETORNO
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) não gosta de Lula, nem de petistas, mas apelou para que o colega José Genoino (PT-SP) largue a expressão de amargura que traz no rosto, retomando a paixão pelo embate político: “Volte, Genoino, o debate na Casa não tem graça sem você”.
BRASIL NA CHINA
O cuiabano Jota Alves, criador do Dia do Brasil em Nova York, na Rua 46, fará agora o Dia do Brasil na China. A festa será nos dias 12 e 13, em Xangai. “A gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente”, diz.
PEGOU MAL
Mais grave do que a dívida de US$ 2,5 milhões que o Brasil pendurou na Organização Meteorológica Mundial, o braço da ONU, é o fato do chanceler Celso Amorim afirmar que desconhecia o assunto. Prova da pouca atenção que o governo Lula dá às questões ambientais.
SÓ DÁ MEIRELLES
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está com tudo e não está prosa. No final de agosto, as reservas brasileiras no exterior bateram os US$ 218 bilhões. Antes da crise, eram US$ 205 bilhões.
POÇO DE NOVIDADES
Surgiu mais um entre os vários apelidos do pré-sal: bo-çal.

PODER SEM PUDOR
UM PRESIDENTE NO ESPELHO
Empossado em janeiro de 1961, o presidente Jânio Quadros soube em fevereiro, no Palácio do Planalto, que um deputado atacava-o com duras críticas na Câmara Federal. E ele:
– Deixem o rapaz falar. Às vezes, até eu tenho vontade de atacar este meu governo...

O IDIOTA

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Lula veta compra de ações da Petrobras com o FGTS


- Folha: Carros terão que poluir menos a partir de 2014


- Estadão: Governo criará fundo para ampliar controle do pré-sal


- JB: Máfias tomam o Pão de Açúcar


- Correio: Sem dinheiro para reajuste de aposentados


- Valor: Bens para o pré-sal terão de ser fabricados no país


- Estado de Minas: Mentiras e confissões de um assassino


- Jornal do Commercio: Cai o número de homicídios