quarta-feira, agosto 12, 2009

BRASÍLIA - DF

A dama da floresta


Correio Braziliense - 12/08/2009




A senadora Marina Silva (foto), do PT-AC, se reuniu ontem com a bancada petista no Senado e confirmou sua saída da legenda para disputar a Presidência da República pelo Partido Verde. Não deixou o assunto entrar em pauta e comunicou que conversaria individualmente com cada colega. Não houve apelo para que ela ficasse na legenda. A decisão tomada foi elaborar uma carta de despedida, lamentando a decisão, a cargo do líder Aloizio Mercadante (PT-SP). “Ela está decidida”, lamentou o petista.

» » »
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a candidatura de Marina com desdém. A cúpula do PT avalia que todos os que deixaram a legenda em confronto com Lula acabaram no ostracismo, ou quase. Bete Mendes e Airton Soares, por exemplo, que votaram a favor da eleição de Tancredo Neves. Recentemente, a turma que fundou o PSol começou a dissidência, com 25 deputados e, hoje, tem apenas três, todos em risco eleitoral.

Capilaridade


No Palácio do Planalto, onde dão um duro danado para alavancar o nome de Dilma Rousseff como candidata à sucessão de Lula, acredita-se que a candidatura de Marina morrerá na praia: tem pouco tempo de televisão, está isolada politicamente e não terá apoio de massa na Amazônia. Quem mora no mato está a favor das obras do PAC; quem está mais preocupado com o meio ambiente vive no concreto, avalia um cardeal do PT.

Trombada


Marina nunca engoliu a própria saída do Ministério do Meio Ambiente, depois de uma trombada com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, por causa do projeto de desenvolvimento do governo Lula para a Amazônia. Também não digeriu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), plataforma de lançamento de Dilma, descolado de um projeto de desenvolvimento sustentável, com suas estradas e usinas hidrelétricas, sem as devidas preocupações com a preservação da Amazônia e do meio ambiente.

Será?



Em tom de brincadeira, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (foto),
do PTB-SP, ponderou ontem que a decisão da Direção-Geral de suspender as visitas guiadas à Casa para evitar o contágio pela gripe suína poderia ser estendida ao restante das atividades parlamentares pelo período de um mês.
Seria uma solução para apaziguar os ânimos acirrados na crise em torno do presidente
José Sarney (PMDB-AP).

Lenta


A Anatel está levando mais tempo para analisar as ações de estabilidade desenvolvidas pela Telefônica para o Speedy do que a companhia levou para entregá-las. A agência suspendeu as vendas do Speedy no final de junho e pediu um plano de estabilidade para o serviço. Enquanto a Telefônica levou 20 dias para executar as ações, a Anatel já completa 26 dias de análise sem chegar a uma conclusão. As ações compreenderam desde ampliação de capacidade da rede até melhorias nas centrais de atendimento ao cliente.

Rédeas



Candidato à reeleição ao governo do Ceará, Cid Gomes (foto), do PSB, coordenará com mão de ferro a formação de alianças para sua campanha. O socialista selou acordo interno para se eleger presidente do diretório estadual do PSB, no próximo dia 23. No mesmo caminho, segue a prefeita de Fortaleza, Luiziane Lins (PT), cuja cotação está em alta para presidir o PT cearense nas eleições de setembro.

Parentada


O governo deu um prazo para que os servidores que ocupam cargos comissionados comuniquem se empregam parentes ou não. O prazo termina no dia 21 de setembro. Aproximadamente 18 mil servidores deverão responder ao questionário. Até ontem, 4.619 dos 18 mil servidores nessa condição haviam respondido ao questionário, dos quais 3.852 afirmaram que não têm parentes como comissionados, terceirizados ou estagiários. Ou seja, há 767 suspeitos de nepotismo.

Culatra/ Árido e eminentemente técnico, o secretário interino da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, jogou luz sobre fragilidades na fiscalização e disputas internas do órgão que dirige. O tiro na CPI da Petrobras se deu quando Cartaxo admitiu que nem as superintendências se entendem sobre a legalidade da manobra tributária da estatal.

Transfusão/ O fim da aliança entre PT e PMDB não afetará o relacionamento do governador da Bahia, Jaques Wagner, com ministros do partido. Quem garante é o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. No dia seguinte ao fim da aliança do petista com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), Temporão e Wagner assinaram acordo para a construção de 29 unidades de pronto atendimento. A Bahia receberá R$ 10 milhões para os serviços de atendimento à saúde.

Reforço/ O presidente do Senado, José Sarney, resolveu convocar um antigo assessor para ajudá-lo a controlar a TV Senado: o jornalista Fernando César Mesquita, que estava ao largo da crise e agora assume a Secretaria de Comunicação do Senado. Ex-governador do antigo território de Fernando de Noronha, Mesquita foi o criador do Ibama.

Crédito/ No discurso que fará amanhã no ato em defesa da ética no Senado, no auditório do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lembrará que partiu do Correio Braziliense a revelação das irregularidades administrativas que culminaram na crise institucional que hoje desgasta a imagem da Casa.

NOVA AMEAÇA À PRODUÇÃO

EDITORIAL

O Estado de S. Paulo - 12/08/2009
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entrar em guerra com a agricultura brasileira - a agricultura de verdade, produtora dos alimentos consumidos pelas famílias e responsável pelo superávit comercial mantido pelo País apesar da crise. Curvando-se mais uma vez ao MST, o presidente se dispõe a combater um dos projetos mais sensatos da bancada ruralista, já aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados. O projeto estipula novos critérios de avaliação da produtividade rural, para reduzir o risco de arbítrio nas desapropriações para reforma agrária. Se aprovado o projeto, o governo terá de submeter ao Congresso quaisquer mudanças nos índices de produtividade, os produtores terão prazo para se ajustar aos limites legais, em caso de desvio, e, além disso, o grau de utilização da terra deixará de valer como referência para desapropriação. É um projeto de blindagem perfeitamente justificável no caso brasileiro.

O presidente mandou resolver o assunto já, informou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Gustavo Cassel, citado pelo jornal Valor. "Esses senhores feudais não podem dispor da terra como quiserem, sem levar em conta a questão da produção de alimentos", disse o ministro. Também segundo ele, a Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), deveria estimular a produtividade, em vez de se postar do "lado errado". Todos esses comentários compõem um quadro absolutamente distorcido da agropecuária brasileira. Para começar, não há no Brasil um problema de oferta de alimentos. A produção é mais que suficiente para abastecer o mercado interno e para atender muitos clientes no exterior. Se ainda há algum problema de subnutrição no Brasil, é por falta de empregos produtivos e de renda, e não por escassez de comida. Até o presidente Lula já reconheceu esse fato publicamente, abandonando as tolices ainda repetidas por assessores.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, 70% dos alimentos produzidos no Brasil provêm de propriedades familiares. Isso é provavelmente verdadeiro - mas essas propriedades familiares são aquelas exploradas de forma competente e moderna, fora dos padrões defendidos pelo MST e seus porta-vozes no governo. Muitos produtores pequenos e competentes trabalham para indústrias processadoras de alimentos. Seu êxito está associado a uma das atividades mais combatidas pelos piores conselheiros do presidente Lula - o agronegócio.

Quanto à produtividade agropecuária, não é a especialidade dos servidores federais do MST. Os produtores mais eficientes são justamente aqueles - grandes, médios e pequenos - envolvidos de forma direta ou indireta na produção competitiva para os mercados internos e externos. De janeiro a junho, a receita geral das exportações brasileiras, US$ 69,95 bilhões, foi 22,2% inferior à de um ano antes. No mesmo período, o agronegócio faturou no mercado externo US$ 31,44 bilhões, valor 6,9% menor que o do primeiro semestre de 2008. O superávit comercial do setor, US$ 26,36 bilhões, garantiu o resultado geral positivo (US$ 13,98 bilhões), mais que compensando o déficit de outros segmentos. Esse resultado foi essencial para o Brasil atravessar sem maiores danos a crise internacional. Mas o presidente Lula prefere apoiar a política do MST, representada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, e manter em constante insegurança um dos setores mais dinâmicos e estratégicos para a segurança externa e a estabilidade de preços.

O dinamismo do agronegócio revela-se mais uma vez na evolução recente das vendas de máquinas agrícolas. Em junho, a indústria vendeu no mercado interno 5,6% mais do que em maio. De junho para julho, o aumento foi de 13%. No acumulado do ano, o resultado ainda é inferior ao de 2008, mas a reação das vendas é um sinal promissor. Quem compra equipamentos num cenário econômico ainda pouco favorável não é certamente um bando de senhores feudais improdutivos. Mas os conselheiros de Lula com certeza se entusiasmam bem menos com esses números do que com os bonés e camisas vermelhas dos bandos arregimentados pelo MST. Esses bandos, mais uma vez, ocuparam ontem, em Brasília, o Ministério da Fazenda. Para isso são muito eficientes. Produção é outra coisa.

O PORCO


CLÓVIS ROSSI

Marina e a sua batalha (definitiva)?


Folha de S. Paulo - 12/08/2009

O texto da senadora Marina Silva nesta Folha, na segunda-feira, tem todo o jeito de pré-manifesto de pré-candidatura presidencial.
"No congresso da CUT, a professora Tânia Bacelar disse que "o debate sobre sustentabilidade ambiental vive uma batalha definitiva no Brasil, que estará no olho do furacão dessa discussão em todo o mundo". Creio que o país está pronto para assumir essa responsabilidade. Pelo menos a sociedade afirma insistentemente, das mais diversas maneiras, que é essa a sua vontade", escreve a senadora.
Estou velho demais para continuar acreditando em frases como "batalha definitiva" ou "o país está pronto...".
Não tenho nunca a menor ideia de que coisas "o país está pronto" para assumir (ou descartar).
Mas, se de fato Marina for candidata e tiver chance de ser mais que uma candidatura testemunhal, seria um tremendo progresso.
Significaria que "o debate sobre sustentabilidade ambiental" está, de fato, pronto para ser travado -e em nível bem acima do rés-do-chão em que usualmente se escondem os candidatos na hora das campanhas, quando não se limitam a desconstruir os adversários.
Se Marina quiser de fato incendiar a campanha, terá no entanto que ir além do que Alfredo Sirkis, o vice-presidente nacional do PV (Partido Verde), chamou, também nesta
Folha (domingo), de "discurso clássico, defensivista, do ambientalismo (deter a destruição da Amazônia e de sua biodiversidade, a contribuição das suas queimadas em emissões de CO2 etc.)".
A grande batalha, do meu ponto de vista, seria em torno de um planeta mais sustentável, capaz de preservar não apenas a natureza mas também o ser humano, que claramente está sendo exigido além de seus limites pela competição desenfreada associada ao capitalismo contemporâneo.

ELIO GASPARI

Dilma, Lina e os sapos de Bandeira

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/08/09



A ministra e a ex-secretária da Receita podem se esforçar para mostrar quem está mentindo



A MINISTRA Dilma Rousseff colheu o que plantou. Tinha mestrado pela Unicamp, mas não tinha. Disse a um grupo de empresários paulistas que o governo coletava despesas de Fernando Henrique Cardoso ao tempo em que estivera no Planalto e, semanas depois, convenceu-se que tudo não passava de um "banco de dados". Isso num governo em que não houve nada parecido com o mensalão, no qual José Sarney não é "uma pessoa comum".
Agora a ministra está numa enrascada. É a palavra dela contra a da ex-secretária da Receita Lina Vieira, bacharel em direito pelo Mackenzie de São Paulo, com 33 anos de serviço público. Durante os 11 meses em que ela ficou no cargo, deixou uma frase inesquecível. Referindo-se aos festins de parcelamento e perdão de dívidas de sonegadores, disse que "o bom contribuinte se sente um otário". Passado um mês de sua demissão, o governo ainda não ofereceu uma explicação que faça nexo e mereça respeito.
Numa entrevista aos repórteres Andreza Matais e Leonardo Souza, Lina Vieira disse que, no final do ano passado, a ministra Dilma perguntou-lhe "se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney".
A então secretária entendeu que a ministra estava interessada em "encerrar" a investigação.
(Trata-se de uma blitz nas contas do Sarneystão, que já resultou 17 ações fiscais, atingindo 24 pessoas e empresas, entre elas Fernando Sarney, que já foi indiciado em inquérito da Polícia Federal. Não há notícia de que a Receita tenha lavrado alguma autuação como consequência dessa devassa.).
Dilma Rousseff desmente: "Encontrei com a secretária da Receita várias vezes e com outras pessoas junto em grandes reuniões. Essa reunião privada a que ela se refere, eu não tive."
Uma das duas está mentindo. Caso para os sapos de Manuel Bandeira:
"Meu pai foi rei! Foi!"
"Não foi! Foi!"
A denúncia da ex-secretária ampara-se numa insinuação. Admitindo-se que houve o encontro e, nele, o pedido, "agilizar" não significa "encerrar". Tanto é assim que, em setembro de 2007, durante a administração do doutor Jorge Rachid, um juiz federal exigiu que a Receita apressasse seu trabalho. Como até hoje não se sabe por que Lina Vieira foi mandada embora, a insinuação merece o benefício da suspeita.
A ministra e a ex-secretária podem mostrar à choldra que farão um esforço para desmascarar a mentira. Por enquanto, falta base material ao testemunho de Lina Vieira. Ela não lembra a data do encontro com Dilma Rousseff e acredita que poderá consultar suas agendas ao desencaixotar a mudança que mandou para o Rio Grande do Norte. Tomara que consiga, porque o registro de encontros como esse faz parte da boa prática da administração pública. Fica combinado que não se pode exigir de Dilma Rousseff a prova de que não se encontrou com Lina Vieira.
Pela narrativa da ex-secretária, a conversa aconteceu no Palácio do Planalto. Mesmo na hipótese absurda de não haver registro em qualquer das duas agendas, haverá pelo menos algum vídeo da chegada de Lina Vieira à Casa Civil. Ela conta que entrou pela garagem. Novamente, deve haver registro. O encontro, pedido pela secretária-executiva (põe executiva nisso) Erenice Guerra, deveria ser "sigiloso". Sigiloso é uma coisa, clandestino, bem outra.

GOSTOSA


CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

MÍRIAM LEITÃO

Balanço das horas

O GLOBO - 12/08/09

Tem havido nos últimos tempos mais notícias boas que ruins, aqui e no exterior. Tanto nos balanços das empresas negociadas no mercado de capitais quanto nos indicadores dos países. Alguns dados ainda assustam, como a queda do PIB russo de 10% no segundo trimestre, ou a redução das exportações chinesas em 23% em julho. Mesmo assim, o balanço dos balanços das empresas é positivo.

As empresas se afastaram do precipício. Os resultados dos balanços do 2otrimestre, tanto aqui quanto lá fora, estão surpreendendo. No Brasil, quem ganhou incentivo do governo teve mais chance, mas a crise aqui foi muito menos rigorosa. Quem depende do comércio externo continua sofrendo porque o país está com queda superior a 30% nas exportações.

Desde o início da recessão, quase sete milhões de vagas foram fechadas nos EUA. É contraditório, mas os especialistas dizem que foi esse ajuste no mercado de trabalho que permitiu uma recuperação mais rápida da economia. As empresas estão reduzindo custos e isso já se reflete nos balanços. Houve redução da mão de obra, mas com ganho de eficiência por hora de trabalho. A produtividade disparou 6,8% no 2otri, numa taxa anualizada, enquanto o custo unitário do trabalho caiu 5,8%.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, as empresas americanas se ajustaram rapidamente ao novo cenário por causa da flexibilidade da economia do país: — Os resultados foram surpreendentes, com praticamente todos os setores divulgando números melhores que o esperado. As demissões são um efeito colateral da crise, mas foi isso que salvou as empresas. Elas aprenderam a ficar mais eficientes e reduziram custos.

Álvaro Bandeira, economistachefe da Ágora Corretora, acredita que parte dessa surpresa boa nos balanços acontece porque as previsões foram feitas no auge da crise, então muito projeção foi carregada para pior. Aqui no Brasil, que ainda aguarda o balanço de empresas grandes, como a Petrobras, tem havido também surpresas positivas.
De acordo com levantamento feito pela Gap Asset, comparando o resultado das empresas com o que a corretora projetava, caiu o percentual de balanços que decepcionaram. No 4otri de 2008, esse número foi de 36%. No 1º tri, de 34%. Até agora, no 2º tri, 28% dos resultados vieram piores.

— O número de surpresas negativas está diminuindo — afirmou Ivan Guetta, gestor de renda variável da GAP.

Para a analista Mônica Araújo, da Ativa Corretora, os resultados das empresas brasileiras têm uma razão a mais para serem positivos: — O Brasil não estava no centro da crise, então acabou sendo bem avaliado pelos investidores. Além disso, o Banco Central reduziu juros, houve aumento de liquidez e políticas anticíclias.

Tudo isso contribuiu para que os resultados viessem melhores — explicou.

Bom é relativo. Em várias empresas o que está sendo comemorado é a saída do bode da sala: a expectativa era tão ruim, as quedas das ações foram tão fortes no ano passado, que qualquer resultado parece positivo.

Já as empresas de varejo, ligadas ao mercado interno, tiveram melhora de resultados mesmo. A renda das famílias foi pouco afetada pela crise e além disso o mercado de trabalho não piorou tanto. A B2W teve uma receita líquida de R$ 873 milhões no 2otrimestre, com crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período de 2008. A controladora das Lojas Americanas teve um aumento de receita maior, de 35,7%. Ambas foram ajudadas pela redução de IPI nos produtos da linha branca. Na bolsa brasileira, as empresas de varejo acumulam alta de 75,6% este ano.

Efeito semelhante aconteceu com empresas ligadas à construção civil, que foram beneficiadas pelos incentivos do governo para o segmento de baixa renda. A Gafisa, que comprou a construtora Tenda, teve aumento na receita de 53% em relação a 2008.
As empresas produtoras de commodities tiveram desempenho pior: os setores de siderurgia e mineração sofreram pela baixa demanda externa e a revalorização do câmbio. A CSN sofreu queda de 30% na receita líquida em relação a 2008. A Gerdau teve queda maior, de 42,3%. A Aracruz, de papel e celulose, teve redução de 12%. A Vale sofreu um tombo de 41% na receita líquida do 2º trimestre.

Mônica acredita que os números do segundo semestre serão melhores porque a base de comparação do ano passado ficará mais fraca, já que a crise se agravou em meados de setembro, com a quebra do banco americano Lehman Brothers.

A demanda por crédito no Brasil voltou a crescer e o crédito direto à pessoa física, que mais sofreu no pior da crise, deve terminar o ano com alta de 11% (veja nota no blog www.miriamleitao.com). Esse resultado é menor do que nos anos anteriores, em que o crédito cresceu a taxas superiores a 20% ao ano. Há indícios de que o fenômeno da antecipação de consumo produzido pela queda do IPI deixou de fazer efeito. Lá fora, ainda há vários sinais preocupantes.

O PIB da Rússia que crescia a 7% deve terminar o ano com menos 8%. A China está se segurando pelo mercado interno. A crise não acabou, mas onze meses depois da queda do Lehman a situação está inegavelmente melhor

Com Alvaro Gribel

PAINEL DA FOLHA

A bolha de Sarney

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/08/09

Duas medidas aparentemente sem ligação uma com a outra fazem parte da segunda etapa da estratégia de sobrevivência de José Sarney (PMDB-AP). Foram proibidas as visitas ao Senado e trocou-se o comando da área de comunicação. O estopim para as duas providências foi a manifestação de cunho "fora Sarney" que invadiu o plenário na semana passada.
Para suspender as visitas, alegou-se a necessidade de proteger o Senado da gripe suína. Já a mudança na comunicação, agora chefiada pelo sarneysista de todas as horas Fernando César Mesquita, nasceu da irritação do presidente com o fato de o protesto, embora ignorado pela TV e pela rádio, ter aparecido com foto, ainda que por poucos minutos, na Agência Senado.




Tô fora 1. Sarney ligou para Michel Temer no domingo pedindo que a Câmara também suspendesse as visitas. Temer disse polidamente que não via razão para tanto.

Tô fora 2. Os servidores concursados da área de comunicação discutiam ontem a divulgação de um abaixo-assinado de protesto à nomeação de Fernando César Mesquita.

Sob nova direção. Manchete ontem no site do Senado: "Fui atropelado pela luta política", diz Sarney. Em reunião com políticos do Amapá.
Script. O acordo costurado pelas facções rivais prevê a abertura de uma única investigação contra Sarney e de outra contra Arthur Virgílio (PSDB-AM). Mais adiante, quando menos gente estiver olhando, as duas seriam arquivadas por falta de provas.

Imune. Cristina Kirchner quer porque quer que seu encontro com Lula, depois da reunião de chanceleres marcada para o dia 24, aconteça em Bariloche, cujo movimento turístico, predominantemente de brasileiros, despencou com a gripe suína.

Pé no freio. A visita de Alvaro Uribe a Brasília, na semana passada, determinou o tom mais cauteloso de Lula na Unasul quanto à questão das bases norte-americanas na Colômbia. Uribe disse ao colega que, se fosse para levar tudo à mesa, seria necessário discutir como armas compradas pela Venezuela foram parar nas mãos das Farc.

Alto risco. No próprio governo, há quem avalie que Dilma Rousseff deveria ter sido menos peremptória na escolha de palavras ao negar ter se encontrado com a então chefe da Receita Lina Vieira, que a acusa de ter pedido para "agilizar" investigação contra empresas da família Sarney.
No ar. O Blog do Planalto vai estrear no dia do anúncio do marco regulatório do pré-sal, inicialmente marcado para a próxima quarta-feira, 19.

Idas... Em mais um capítulo da agitada novela eleitoral de São Paulo, o prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), foi sondado para ser candidato ao governo pelo PMDB de Orestes Quércia, que em tese disputaria vaga no Senado com o apoio do consórcio DEM-PSDB. Dr. Hélio, que não se entende com o pedetista Paulinho da Força, está inclinado a aceitar o convite.

...e vindas. Num capítulo anterior, Dr. Hélio havia sido cortejado para ser o não-petista apoiado pelo PT na corrida estadual. O papel foi depois oferecido a Ciro Gomes (PSB), que agora reafirma a intenção de permanecer no tabuleiro presidencial.

Engarrafou. Confusão à vista entre a prefeitura paulistana e as centrais sindicais: apesar da recente proibição, elas prometem usar ônibus fretados para levar manifestantes na sexta à avenida Paulista, onde haverá ato pela redução da jornada de trabalho.

Embaixada. O BNDES aprovará nesta semana um financiamento de R$ 6 milhões para restauração de um casarão no porto de Santos onde funcionará o Museu Pelé. O rei visitará o banco na sexta.
com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"É dolorido ver um ex-collorido fustigar a oposição no Senado enquanto o nosso líder fica escondido embaixo da cama."

Do deputado ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre a ausência de Aloizio Mercadante (PT-SP) na já célebre sessão em que Renan Calheiros abriu fogo contra o tucano Arthur Virgílio e outros desafetos.

Contraponto

O porta-voz

Há pouco mais de uma semana, líderes do PSDB e do DEM se reuniram com José Serra, no Palácio dos Bandeirantes, para discutir os palanques estaduais de 2010. O governador começou por pedir aos participantes sigilo sobre o teor da conversa, para evitar especulações.
No entanto, menos de dez minutos depois, Serra recebeu ao pé do ouvido o recado de um assessor e avisou, despertando gargalhada geral:
-Bom, acho que vocês podem falar com a imprensa na saída. O palácio já está cheio de jornalistas, porque o Zé Agripino anunciou a reunião no Twitter...

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


FERNANDO CALAZANS

Coisa de louco

O GLOBO - 12/08/09

Lá se foi o Ney Franco. Vida de técnico de futebol é mesmo um disparate só. Ou eles são endeusados além da conta, considerados os verdadeiros responsáveis por vitórias e por títulos de campeonato ou são condenados por atuações de times ruins, lotados de jogadores ruins. Não há meio-termo. Como já resumiu um antigo treinador, ou ele é bestial ou é uma besta. O futebol é assim. Quero dizer: a paixão do futebol é assim, feita de extremos.
O atacante do Botafogo pode perder pênalti. Pode chutar o vento dentro da área, com a bola rasteirinha na sua frente, pedindo para ser enviada para dentro do gol. Pode repetir a furada minutos depois. O juiz pode dar um gol para o adversário feito por um jogador em impedimento. Isso e muito mais aconteceu na derrota de 1 a 0 do Botafogo para o Atlético-PR. E, depois disso e de muito mais, quem é demitido é o técnico. No caso, é o Ney Franco.
Em outros casos, pode ser o Luxemburgo, o Leão, Cuca, Parreira, Carpegiani, René Simões, Vágner Mancini, Waldemar Lemos, Geninho e até o celebrado professor Muricy Ramalho. Entre outros, é claro.
Na breve lista aí de cima, há técnicos de todos os calibres, em várias graduações de 1 a 10. De bons treinadores até autênticos brucutus. Na verdade, eles são iguais apenas numa hora — a hora da demissão.
Ou melhor, em duas: a hora da demissão e a hora da contratação. Porque, afinal de contas, com a mesma falta de critério com que são demitidos, eles são contratados também. E quem não serve para um clube, aqui, serve no dia seguinte para o clube acolá.
<< >>
Já li manchete de jornal assim: “Vanderlei Luxemburgo x Muricy Ramalho, o duelo de hoje.”
Que coisa, hein... Luxemburgo e Muricy maiores até do que o Palmeiras e o São Paulo. Coisa de louco!
Espera aí: eram mesmo Palmeiras e São Paulo? Deixem-me ver... Era sim. Foi no ano passado. Porque agora nem o professor Muricy está no São Paulo, nem o professor Luxemburgo está no Palmeiras.
Luxemburgo está... vejamos... no Santos. E Muricy está... onde mesmo?... no Palmeiras, que era de Luxemburgo.
<< >>
O Campeonato Brasileiro se caracteriza, entre outros fatos, por dias frenéticos de dança (como na “Tigresa”, do Caetano) e de contradança dos técnicos.
E apenas cinco treinadores estão em clubes da Primeira Divisão há mais de um ano, a saber, Mano Menezes (Corinthians), Tite (Inter), Hélio dos Anjos (Goiás), Silas (Avaí) e Adílson Batista (Cruzeiro).
<< >>
Apesar de toda a marra que sempre ostentou, Maradona preserva um lado humano interessante, ao contrário da maioria dos professores doutores no mundo inteiro, que têm
mais pose do que presidente dos Estados Unidos, sem brincadeira.
Maradona foi um deus do futebol, mas, curiosamente até, não se acha deus por ser técnico.

PAULO ROBERTO FALCÃO

Ainda a pegada

ZERO HORA -12/08/09

Paulo Autuori começa a receber questionamentos por sua visão contrária à marcação com faltas. Ficou complicado falar sobre isso, pois as pessoas interpretam o que se diz de acordo com suas próprias convicções. Por isso tentarei ser didático: como se faz para jogar quando o adversário está com a bola? Obviamente, é preciso tirar a bola dele. Só que para fazer isso não é preciso bater em ninguém, nem tampouco escalar um monte de volantes.

O mais simples é compactar o time, de modo a diminuir os espaços do adversário, que acabará errando ou se deixando desarmar. Para isso, não pode haver mais do que 30 metros entre os zagueiros e o centroavante.

O time que já vi fazer isso com mais eficiência foi o Botafogo de 1995, campeão brasileiro com Paulo Autuori. Num jogo contra o Flamengo, em Fortaleza, o Botafogo fez um primeiro tempo perfeito em termos de marcação por pressão. Não deixou o Flamengo sair de seu campo. E não precisou fazer mais faltas do que o normal. Paulo Autuori, podem ter certeza, sabe como fazer isso. Mas precisa ter os jogadores adequados.

Vitória

A torcida ficou com uma sensação boa, mas a comissão técnica do Inter não pode se iludir: o Sport está frágil, vem da troca do terceiro treinador, estava sem dois zagueiros titulares e ocupa a lanterna do Brasileirão. Ainda assim, cabe reconhecer que o Inter ganhou com autoridade e se empenhou para alcançar os 3 a 0.

Reforço

Ivo Wortmann fez elogios para Renato Cajá, que o Grêmio acaba de contratar para ter uma alternativa no setor de armação.

Meia canhoto e habilidoso, ele também é cobrador de faltas. É um reforço importante para o segundo turno.

Treino

A Seleção enfrenta esta tarde uma equipe quase amadora, mas tem que levar a sério o confronto com a Estônia porque pode ser o último treino para os jogos difíceis das Eliminatórias, contra Argentina e Chile.

CIRCO

TOSTÃO

O que está bom e o que não está

JORNAL DO BRASIL - 12/08/09

A seleção brasileira tem muito mais virtudes, in dividuais e coletivas, que deficiências. Há excelentes jogadores em quase todas as posições. Falta um craque no meio de campo, que não existe há muito tempo, um ótimo lateral esquerdo e reservas com quase o mesmo ní vel de Kaká, Robinho e Luís Fa biano.

Se a Copa fosse hoje, Marcos teria que ser o primeiro reserva de Júlio César. Fábio e Victor são também melhores que Doni e Gomes, que têm sido chamados. E ainda há Rogério Ceni, que brevemente voltará ao gol do São Paulo.

André Santos não teve ótimas atuações na Copa das Confe de rações, mas foi o melhor lateral esquerdo testado por Dunga. Felipe Melo, uma convocação surpreendente na época, melhorou a qualidade no meio.

Júlio Baptista, Nilmar, Diego Tardelli e Pato, que não foi chamado para o amistoso de hoje, são destaques de seus times, mas não são hoje boas opções. Seleção é di ferente. Prefiro Adriano e Grafite, pelo que joga na Alemanha e pelo que jogou no São Paulo e no Goiás. É um excelente atacante, com muita força física e muita técnica.

Como Gilberto Silva e Felipe Melo atuam muito pelo meio, e Elano ou Ramires, pela direita, falta um armador pela esquerda, que avance e que proteja o lateral. Por isso, o Brasil leva muito mais gols de jogadas por esse setor.

Quando dá tempo, Robinho volta para marcar pela esquerda. Mas, ele é muito mais importante um pouco mais à frente para aproveitar os contra-ataques. Essa jogada e as bolas paradas são pontos fortes da seleção.

A equipe marca também muito atrás. Por isso, sofreu grande pressão em alguns jogos das Eli mi natórias, quando Júlio César fez defesas espetaculares. Na Copa das Confederações, em alguns mo mentos, o time adiantou a marcação e foi melhor.

Ainda bem que Dunga não vai atrás da moda dos técnicos brasileiros de escalar três zagueiros e de fazer marcação individual.

No Flamengo, Aírton, Willians e Toró, desde o início do campeonato, não param de correr atrás do adversário. Nada mais confuso. Quando recuperam a bola, já estão cansados e erram o passe. Se não fosse Ronaldo Angelim, um za gueiro inteligente, a defesa ficaria muito pior. Mesmo assim, é a que sofreu mais gols entre os 11 primeiros.

A seleção marca por setor e joga com dois zagueiros, dois laterais que se revezam no apoio, três no meio e três na frente. Simples e eficiente.

Na semana passada, Dunga criticou o mundo do futebol por dar mais valor à tática do que à técnica dos jogadores. Dunga continua evoluindo.

Clássico brasileiro

No Mineirão, o Atlético, contra qualquer adversário, tem marcado por pressão, desde o início, para tentar fazer um gol na frente. Os resultados têm sido ótimos. Quando não faz o gol, complica. A equipe cansa. Assim, aconteceram alguns maus resultados. Celso Roth e Muricy sabem disso.

Tardelli vai fazer falta. O Pal mei ras não possui também um ótim o atacante. Ortigoza é fraco, e Obina, muito irregular. Obina é en deusado e ridicularizado, chamado de grande artilheiro e de perna de pau. Obina é um mistério.

ANCELMO GÓIS

GREEN CARD DE CIELO

O GLOBO - 12/08/09

No encontro com Lula, César Cielo, nosso medalhista de ouro nos 50 m e nos 100 m livres, puxou o presidente para um canto e fez um pedido. Solicitou uma intervenção junto ao governo dos EUA para receber um green card, visto permanente de imigração. Cielo tem treinado no Alabama.
CASO MÉDICO
Fato raro na história do STF. Três ministros da Casa estão de licença médica: Carlos Alberto Direito, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso, que vai fazer uma cirurgia no joelho. O quórum caiu de 11 para oito ministros.
PÉ NA CAATINGA
Aécio Neves, confiante de que haverá prévias no PSDB, planeja fazer uma viagem de 15 dias pelo Nordeste, em outubro.
CENA CARIOCA
Sábado, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Vila Isabel, um cliente pediu o livro Didi, o Gênio da Folha Seca, de Peris Ribeiro, e o vendedor, coitado, sem saber quem foi o grande jogador do Botafogo e da seleção, perguntou, acredite:
– Folha seca... folha... Ah, o senhor quer comprar um livro sobre jardinagem?
ESPAÇO VAZIO
Maldade de um sábio da política sobre o fato de Guido Mantega ter demitido, há um mês, a ex-secretária da Receita Lina Vieira antes de escolher o sucessor:
– Na política, ninguém é paulista impunemente.
Na verdade, Mantega é italiano de Gênova.
MOÇA BONITA, NÃO
Uma boazuda diz que não conseguiu vaga de salva-vidas no Flamengo porque, no clube, vetaram contratar moça bonita.
É que dois sócios teriam se envolvido com meninas que trabalhavam na piscina e... Tiveram problema em casa. É. Pode ser.
AMOR NA FLIP
Veja que fofo. O badalado escritor português Antonio Lobo Antunes, 66 anos, conheceu na Flip, em Paraty, a brasileira Raquel dos Santos, 30, e os dois se apaixonaram perdidamente.
A moça parte amanhã para Lisboa, onde Antunes a espera para firmarem compromisso.
VIVA MAITÊ!
A 2ª Câmara Cível do Rio julgou improcedente a queixa de Regina Silva, ex-sogra de Suzana Vieira, contra Maitê Proença.
Maitê e Suzana, representadas pelo advogado Ary Bergher, processarão Regina por calúnia.
INVERNO DO MEDO
Veja o impacto da gripe suína no turismo, segundo pesquisa com 30 agências de viagens do Rio e de São Paulo, coordenada pelos professores Bayard Boiteux e Maurício Werner, da UniverCidade: a venda de pacotes internacionais caiu 35%. Mas a de pacotes nacionais aumentou 25%.
MONTARROYOS INÉDITO
A EMI põe nas lojas no fim do mês o último registro fonográfico do trompetista Márcio Montarroyos, morto em 2007.
O CD, batizado de O Rio e o mar, foi gravado nos últimos anos de vida do supermúsico. O saxofonista Léo Gandelman finalizou as sessões e adicionou gravações com outros músicos amigos.
SÓ AS DAMAS
Durante a cúpula do G-20, em Pittsburg, Michelle Obama receberá as colegas primeiras-damas para almoço no Museu de Andy Warhol.
Dona Marisa deve ir

GOSTOSA


CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

RUY CASTRO

Ao ritmo do coração

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/08/09

RIO DE JANEIRO - Em 1986, um sociólogo italiano, Carlo Petrini, liderou um protesto contra a instalação de um McDonald's na Piazza di Spagna, em Roma. Os manifestantes brandiam pratos de penne para demonstrar sua aversão à fast food: os cheeseburgers que as pessoas devoram às pressas, de pé, num balcão, babando ketchup e sem consideração pelo próprio estômago.
O McDonald's venceu, mas, daquele ato, nasceu um movimento pela slow food -para conscientizar as pessoas a que valorizassem suas refeições, comendo produtos mais frescos, se possível regionais, e recuperassem a noção de convívio em torno de um prato de comida. Aos poucos, o movimento espalhou-se pela Europa, infiltrou-se no próprio QG do inimigo, os EUA, e até chegou, timidamente, ao Brasil.
Mas o importante é que o princípio da slow food não precisa limitar-se à comida. A cantora Joyce inspirou-se em Petrini e adaptou esse princípio à música, em seu novo e belo disco, "Slow Music", cheio de clássicos antigos e modernos, que não tocará no rádio. "[Este é] um álbum feito de silêncios e pausas", diz ela no encarte. "A pausa é um momento importante da música. Sem silêncio, não existe som. Sem o claro-escuro, não se veem todas as nuances da cor."
Muitos fatores contribuíram para o ritmo avassalador tomado pela música popular nas últimas décadas -um ritmo que não condiz com o batimento cardíaco e que, para ser tolerado, exige o uso de substâncias que acelerem tal batimento. Um deles é a nossa omissão. Deixamo-nos vergar pela tecnologia sonora, pela mídia e por essa exótica categoria "artística": os DJs.
Fast food é junk food, como se sabe, e há uma relação óbvia entre junk food e junk music: se as pessoas comessem a música que a mídia lhes serve para ouvir, já estariam mortas há muito tempo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O episódio foi superado e vamos conseguir recuperar o diálogo”
AGRIPINO MAIA (DEM-RN), MAIS UM QUE ADERIU AO “TOM CONCILIADOR” NO SENADO

PSDB RECUA PARA TENTAR SALVAR VIRGÍLIO
O PSDB decidiu recuar, diminuindo o tom dos ataques a José Sarney, numa tentativa de evitar a abertura de processo contra o líder tucano, Arthur Virgílio, por quebra de decoro parlamentar. Ontem até o colérico senador tucano Tasso Jereissati (CE) fez um discurso considerado pelo governo “excessivamente apaziguador”, desculpando-se pela troca de insultos com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).
PRAZO FINAL
Hoje termina o prazo regimental para que o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque, decida sobre o processo contra Virgílio.
FAZ SENTIDO
A preocupação do PSDB faz sentido: o governo tem maioria no Conselho de Ética e pode punir ou deixar de punir quem quiser.
CLAQUE
Entidades ambientalistas prometem bater tambor Brasil afora se a senadora Marina Silva oficializar a candidatura à Presidência pelo PV.
O BARQUINHO VAI...
Agora o drama do governo é ver uma candidata na Marina e a Dilma morrer na praia.
AGÊNCIAS REGULADORES DIVERGEM DE PROJETO
Ao contrário do que afirma o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, não há acordo para votação da Lei das Agências Reguladoras. Há vários pontos discordantes e o principal é o que proíbe a reeleição dos dirigentes. Os diretores da ANP (petróleo), Haroldo Lima, da Aneel (energia), Nélson Hubner, e da Anatel (comunicações), Ronaldo Sardenberg, acham que a proibição faria as agências perder sua memória.
PAPAI HUGO
Oficialmente, o Itamaraty diz não saber quem paga o passeio de Zelaya, mas é seu chefe, o venezuelano Hugo Chávez, quem banca tudo.
JÁ ERA
A nota do Itamaraty sobre o hondurenho Manuel Zelaya, que visita Lula hoje, trata-o como se ainda fosse presidente. Foi deposto há 45 dias.
FÉ NA SORTE
O ministro José Jorge tem um empregaço no Tribunal de Contas da União, mas ontem fez sua fé na loteria, ao sair do restaurante Piantella.
PERGUNTINHA BOBA
Por que tem de passar pelo deputado José Guimarães (PT-CE), cujo assessor foi preso com milhares de dólares na cueca, qualquer solução de dificuldade no Banco do Nordeste, onde ele nem sequer trabalha?
AS PALAVRAS VOAM
O senador Almeida Lima (PMDB-SE), conhecido como Rolando Lero, agora tem concorrente no Plenário: o tucano Arthur Virgílio, que rola um lero todo dia para explicar as despesas ilegais com assessores.
RECOMENDAÇÃO
O diretor de Assistência Médica do Senado, Paulo Ramalho, deve recomendar a permanência no cargo do namorado da neta de José Sarney. Dizem que o garoto, seu subordinado, é assíduo e competente.
JÁDER DE VOLTA
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), terá que rebolar na campanha pela reeleição. O senador Jáder Barbalho ensaia colocar na rua a banda do PMDB para voltar ao governo do Estado.
ALÇA DA MIRA
O presidente da Hemobras (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia), João Paulo Baccara, balança no galho. Já até pediu auxílio aos padrinhos do PT para se segurar no cargo.
DILMA LIVRE
O governo patrocina um amplo acordo para impedir que a imagem da ministra Dilma Rousseff seja associada à crise no Senado ou à CPI da Petrobras. As conversas envolvem as cúpulas do DEM e do PSDB.
DIPLOMACIA DA CARNE
Lula inova em matéria de cerimonial. Para receber o presidente do México, Felipe Calderón, promove um churrasco domingo à noite na Granja do Torto. Sem medo de gripe suína.
É A SUA, EXCELÊNCIA!
Um juiz da Vara Empresarial e outro do Trabalho, no Rio, quase saíram no tapa, após cabeludos palavrões no início do mês, numa rua do centro da cidade. Circular sigilosa de desembargador pediu “calma”.
PERGUNTAR NÃO PREOCUPA
E se depois de tanta lama no Senado a candidata de Lula não se eleger?

PODER SEM PUDOR
O DRAMA DE ALCENI
Mais de uma década depois de descer ao inferno de acusações que em poucos anos se revelariam falsas, o ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra, contou o que sofreu pela primeira vez no livro A Era do Escândalo, de Mário Rosa. No auge da crise, ele viu sua filhinha de 5 anos desfilar, inocente, diante da escola lotada, numa festa do Dia dos Pais, segurando a obra cruel de uma professora: um cartaz com os recortes das acusações. Alceni não esquece:
– Receber um abraço do Dia dos Pais de minha filha com um cartaz me chamando de corrupto foi a pior coisa que sofri.

CANGACEIROS

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Anac propõe acelerar privatização do Galeão

- Folha: Brasil é o país que mais se desfaz de títulos dos EUA

- Estadão: Oposição aceita acordo que preserva Sarney

- JB: Alerj aprova lei contra o fumo em locais públicos

- Correio: Preço de lote da União vai subir, prevê Terracap

- Valor: BC liquida posições e sai do mercado futuro de câmbio

- Estado de Minas: Medidas tentam proteger grávidas da gripe suína

- Jornal do Commercio: Brasil vai produzir vacina em outubro