sexta-feira, junho 12, 2009

GOSTOSA


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PANORAMA POLÍTICO

Bombardeio

Ilimar Franco
O Globo - 12/06/2009

Tucanos paulistas afirmam que a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo não resistiria à divulgação do que ele já andou falando sobre o estado. Seus apoiadores tentam contemporizar dizendo que, na verdade, suas críticas eram à elite paulistana e lembram que, apesar de radicado no Ceará, ele nasceu em Pindamonhangaba.

PT estimula Ciro Gomes

Sem uma candidatura forte no estado, lideranças petistas são simpáticas à ideia e pretendem procurar Ciro nos próximos dias para avaliar sua real disposição. Para o PT, o ideal em São Paulo seria ter vários candidatos da base de sustentação do governo Lula no primeiro turno. O PSB, no entanto, quer o apoio dos petistas desde o início. Como a prioridade do PT é montar palanques fortes para a campanha de Dilma Rousseff, o partido está disposto a conversar. A possível candidatura de Ciro ao governo paulista surgiu da resistência do presidente do PSB, Eduardo Campos, em lançá-lo para a Presidência da República.
Pode ser que ele não seja candidato único, mas precisará ser o presidente da unidade " - Marcelo Déda, governador de Sergipe, sobre a candidatura de José Eduardo Dutra para a presidência do PT

CABELEIRA. O ex-governador Anthony Garotinho apareceu em Brasília anteontem com novo visual. "Estou me preparando para comemorar 30 anos de casado ano que vem, quero voltar aos meus 20 e poucos anos", disse ele, justificando os cabelos compridos. Ele entregou sua carta de desfiliação do PMDB. Garotinho se filiará ao PR em cerimônia marcada para o próximo dia 22. Sua intenção é disputar o governo do Rio.

Descriminalização

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) irá à Câmara terça-feira defender sua participação na Marcha da Maconha. "Defendo uma mudança da legislação idêntica à preconizada por Sérgio Cabral, FHC e Obama", disse ele.

Futebol

Até para explicar a globalização Lula recorre ao futebol. "Basta que você veja uma partida de futebol em qualquer lugar do mundo, a publicidade é a mesma, das mesmas empresas, seja no Brasil, na Índia, na China, nos Estados Unidos".


Mensalão

Não foram ouvidas nem metade das mais de 600 testemunhas de defesa do processo do mensalão e os autos já ultrapassam 20 mil páginas. O relator, ministro Joaquim Barbosa, só vai começar a ler os depoimentos quando todos terminarem, em meados do ano que vem. Calcula que precisará de um ano para organizar essas informações e fazer um voto. Seu gabinete está com um juiz só para ajudar o ministro a despachar todas as petições dos 39 réus. Em média, são dez por dia.

Wagner é azarão para a PGR

Apesar do favoritismo do atual número dois do Ministério Público Federal, o subprocurador-geral Roberto Gurgel, para o cargo de procurador-geral da República, a disputa está acirrada. O advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, está em campanha pela indicação do subprocurador-geral Wagner Gonçalves, o segundo nome da lista. Já a subprocuradora-geral Ela Wiecko conta com o apoio do ministro Tarso Genro (Justiça). O presidente Lula ainda não bateu o martelo.

O GOVERNO de Minas assina terça-feira contrato para o início das obras da primeira penitenciária feita em Parceria Público-Privada (PPP). O consórcio que administrará o presídio terá que pagar multa de até R$100 mil por fuga.

O INSTITUTO Chico Mendes determinou aos fiscais da Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha que fiquem atentos a destroços do Airbus da Air France e avisem o comando da operação de resgate.

O SENADOR Heráclito Fortes (DEM-PI) fará cirurgia de redução de estômago. Precisa perder 30 kg.

MERVAL PEREIRA

A defesa de Battisti


O Globo - 12/06/2009


Como os leitores da coluna devem saber, já me posicionei contra a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de não extraditar o ex-terrorista italiano Cesare Battisti, que estava foragido há 26 anos, foi um dos chefes da organização de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) e condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, pois não imagino que a Justiça da Itália não seja independente do governo, e não creio que uma democracia tão sólida pudesse perseguir um preso político sem que outros poderes protestassem, e até mesmo a imprensa livre.


Além do mais, tudo indica que há um consenso na Itália sobre as medidas adotadas durante o período de combate ao terrorismo, dentro de um sistema democrático que o terrorismo queria destruir, medidas aprovadas pelo Congresso.

Não creio que nem o governo do direitista Silvio Berlusconi, nem qualquer governo de esquerda, como o da época da condenação do Battisti, tenham ingerência sobre a Justiça italiana, e não vejo como um ministro do Brasil possa revogar uma decisão soberana de uma justiça de um país democrático.

Seria totalmente diferente se essas medidas tivessem sido tomadas em um período ditatorial. Como já escrevi aqui, não corresponde à "soberania brasileira" avaliar decisões do Poder Judiciário de um país democrático.

A medida apenas explicita a distorção dos critérios do governo Lula, que considera que a Venezuela tem democracia demais e a Itália, democracia de menos.

Dizendo tudo isso, considero, no entanto, que a minha coluna deve ser um local de discussão dos grandes temas atuais, e o advogado Luiz Roberto Barroso me enviou as seguintes considerações sobre o caso, que considero importante divulgar:

"Há algumas semanas, depois de estudar o processo, aceitei atuar na defesa do refugiado Cesare Battisti, no processo de extradição a que responde no STF. Convenci-me de se tratar de uma causa juridicamente interessante e moralmente justa. Após entrar no caso, no entanto, descobri que ele se encontra enredado em uma teia de preconceitos e de interesses políticos que ficariam melhor em um folhetim do que em um processo judicial. Os preconceitos são os seguintes:

"1. Contra o próprio Battisti, antigo militante de extrema-esquerda. Embora os episódios dos quais participou tenham ocorrido há mais de 30 anos, ele é visto como um espécime anacrônico, um tipo fora de época. E o chamam de "terrorista", quando foi um ativista político radical, como tantos outros, ao redor do mundo e na mesma época.

"2. Contra o ministro da Justiça, que tem adversários ideológicos e eleitorais à direita e à esquerda, que gostariam de vê-lo desmoralizado por uma decisão do STF que anulasse a concessão do refúgio.

"3. Contra o advogado de Battisti que competentemente atuou no caso até meu ingresso (Luiz Eduardo Greenhalgh), igualmente devido a razões políticas e por associarem-no (injustamente, ao que saiba) à Operação Satiagraha.

"A maior dificuldade que enfrento nessa matéria é que a Itália, havendo perdido os dois processos de extradição anteriores - relativos a ativistas de esquerda que atuaram no mesmo período - procurou nesse terceiro caso, injusta e insistentemente, caracterizar Battisti como um criminoso "comum".

"Como você sabe, o Brasil não concede a extradição no caso de crime político, por força de norma constitucional. No entanto, a própria sentença italiana afirma que os crimes foram políticos, em tentativa de subversão do regime.

"Gosto da frase de que "as pessoas têm direito à própria opinião, mas não aos próprios fatos" e a circunstância de você propiciar o debate já fará grande diferença. Faço três observações:

"1. As palavras "terrorismo" e "terrorista", aplicadas à atuação da esquerda revolucionária italiana, são impróprias. Esses termos, sobretudo depois do 11 de setembro, ficaram associados a atentados de larga escala, com vítimas inocentes.

"Battisti participou de uma organização que pretendia derrotar o regime e implantar o comunismo. E houve vítimas. Mas não foi acusado nem condenado por atentados terroristas. O fato de que estava historicamente equivocado e de que foi derrotado não dá direito ao vencedor de chamá-lo assim.

"2. O ministro da Justiça não revogou a decisão italiana. Ele apenas afirmou que ela pode ter sido proferida em um contexto que, em razão do contágio político, impediu a ampla defesa, sobretudo por ter se baseado em delação premiada feita contra um réu revel. Por isso, não ajudaria a cumpri-la, reconhecendo ao acusado a condição de refugiado.

"3. Você tem razão de que se formou um consenso poderoso na Itália contra os ativistas de esquerda e em favor da condenação de todos eles. Governo, Parlamento, Judiciário e imprensa do mesmo lado, unidos pelos mesmos sentimentos. É precisamente contra esse tipo de consenso que existe a Constituição e os direitos fundamentais: para que as maiorias não passem a achar que podem tudo.

"O julgamento de adversários políticos derrotados é problemático em qualquer parte do mundo. Mas observo que os fatos se passaram há mais de 30 anos. Battisti constituiu família, tem duas filhas, publica seus livros pela renomada editora francesa Gallimard e não apresenta perigo para ninguém.

"Sou convencido de que ele é inocente e há muitos elementos objetivos que parecem confirmar isso. Mas, mesmo abstraindo desse fato, por qual razão o Brasil abandonaria sua tradição humanitária e acolhedora de perseguidos políticos de diferentes partes do mundo (desde integrantes das Brigadas Vermelhas até o paraguaio Stroessner) para mandar para a prisão perpétua, sem luz solar, um homem que não oferece perigo a ninguém?."

ATOS SECRETOS


INFORME JB

Empreiteiras vão ao mar em Maricá

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 12/06/09

Na contramão da crise e alheias ao vaivém da CPI da Petrobras, grandes empreiteiras nadam de braçadas rumo a Maricá, litoral do Rio, cidade que será sede do Comperj – investimento bilionário da estatal – e com posição estratégica para o campo de Tupi. A Mendes Junior procurou a prefeitura. Quer investir ali R$ 200 milhões na construção de um estaleiro para embarcações off-shore e sondas. Odebrecht e Galvão Engenharia também mergulharam atrás da administração, além de outros grupos que desejam desenvolver projetos navais na cidade depois que o prefeito Washington Quaquá anunciou a ideia de criar o polo naval. Para isso já se reuniu com Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento do Rio, a fim de traçar as estratégias de incentivos fiscais.

Censurador Direção segura

Em 2004, então candidato a vereador, Nadinho de Rio das Pedras – ligado a milícias e assassinado no Rio – tentou censurar um informativo para alunos na comunidade, feito pela Faetec.

Depois de emplacar a Lei Seca, o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) agora vai promover audiência para analisar o PL 5.979/01, que obriga motoristas a seguirem novos procedimentos de segurança.

Toga-quente

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho entregará a Michel Temer manifesto contra PEC que aumenta o limite da idade para a aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos.

Toga-quente 2

A PEC, já em pauta, teria imediata eficácia para ministros do STF. A Anamatra teme a "estagnação do Poder Judiciário".

Crise?

Uma pesquisa do Ibope mostrou que um terço dos latino-americanos possui cartões de crédito, e, entre 2000 e 2008, o número de pessoas do continente que declararam estar felizes com seu padrão de vida cresceu em 20%.

Mulheres felizes

Ainda segundo a sondagem, "as mulheres latinas ganham autonomia e independência financeira. A inserção do público feminino no mercado latino de trabalho cresceu 15%" desde 2002.

Pelo social

A GDK criou o Instituto Otaviano Almeida Oliveira, braço social da empresa. Vai priorizar a promoção gratuita da educação e defesa de ecossistemas.

Pelo verde

Greenpeace em festa. O Pão de Açúcar suspendeu as compras de carne bovina de 11 frigoríficos do Pará, "por não ter garantias de que a carne não vem de áreas desmatadas na Amazônia" .

Dá-lhe, paróquia

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, foi eleita uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, em concurso da New 7 Wonders Portugal.

Bola rolando

O 4º Salão do Turismo, de 1º a 5 de julho, em São Paulo, terá a sala especial Copa do Mundo, onde haverá debates com especialistas internacionais sobre turismo social e turismo verde.

COISAS DA POLÍTICA

As selvas peruanas e o caos anunciado Pandemia

Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 12/06/09

Se outras razões não houvesse, para o governo reexaminar o projeto sobre as terras amazônicas – aprovado pelo Congresso e aguardando a sanção presidencial – os recentes fatos no Peru exigem esse cuidado. Os mortos em Bagua são os primeiros de uma guerra civil provável, se o governo de Alan Garcia não se dispuser a diálogo sério e responsável com os líderes da Amazônia peruana. Os povoadores daquela região, que tem fronteiras extensas com o Brasil, criaram poderosa associação interétnica. Seu presidente, Alberto Pizango, conseguiu asilo na Embaixada da Nicarágua em Lima. É acusado de ser responsável pelo conflito que causou a morte de 24 policiais no fim da semana passada, em povoação da selva. Para o governo de Manágua, o ativista cometeu crime político e poderá refugiar-se em seu país. Ontem, a procuradoria peruana anunciava o propósito de ouvi-lo, antes que ele deixe o país.

Índios e outros moradores da região amazônica do Peru se insurgiram contra duas leis que tratam do "desenvolvimento sustentado" da região. Elas foram aprovadas sob exigências dos Estados Unidos, como parte do Tratado de Livre Comércio. Os norte-americanos querem liberdade para explorar as riquezas da selva com suas empresas. Ainda bem que, apesar de todo o esforço do governo passado, não caímos – como caiu o México e cai o Peru – na ilusão da Alca.

Em consequência dos protestos em todo o país, as duas leis foram "suspensas" pelo Parlamento, como solução provisória, em apressada aliança do governo com os partidos de extrema-direita, entre eles o chefiado pela filha do ex-ditador Fujimori. Os partidos nacionalistas e de esquerda exigem a revogação definitiva das medidas. Embora o movimento reclame a preservação da floresta, reúne também os que admitem a livre exploração dos recursos naturais, desde que em benefício do desenvolvimento e do bem-estar do povo. O governo de Lima receia que aos rebeldes amazônicos se unam os indígenas da cordilheira. Os norte-americanos temem que surja, no Peru, outro Evo Morales, mais cedo ou mais tarde, e Pizango lhes parece semelhante ao presidente da Bolívia. Há os que preveem uma confederação andina, que vá da Venezuela ao Chile. Se a essa eventual confederação andina se somassem seus povos amazônicos, haveria importante mudança geopolítica na América Latina.

Quando encerrávamos estas notas, a polícia de Lima tentava, com violência, dissolver manifestação que se dirigia ao Congresso e ao Palácio do Governo, exigindo a revogação das leis sobre a floresta. Esperava-se, também para ontem, que os índios da região fechassem à navegação, o Rio Tamayo, em área muito próxima do Brasil e da Colômbia. A política brasileira de proteção aos índios, não obstante todas as suas falhas, é ainda a melhor da América do Sul. Entregar a exploração da Amazônia às famílias de pequenos e médios posseiros é uma coisa. Abri-la ao agronegócio, às madeireiras, e às transnacionais (como no Peru), é outra.

Outra ameaça que nos vem do futuro – e no caso, futuro imediato – é a da gripe suína. A OMS declarou, ontem, que a gripe já é uma pandemia. A movimentação da peste, no calendário e na geografia – repete o que ocorreu na primeira calamidade provocada pelo mesmo vírus, em 1918. Naquela ocasião ela surgiu em março, também nos Estados Unidos, contaminou a Europa a partir de agosto, para recrudescer em outubro, no frio outono nórdico, de forma muito mais letal. Em entrevista recente a Le Monde, o professor Patrick Lagadec, diretor do Departamento de Pesquisas da Escola Politécnica de Paris, e especialista em administração de crises e de riscos, recomendou que o mundo se prepare para "o imprevisível". O estudioso acusa os governos de não levarem a sério a ameaça, que exige mais reflexões políticas do que recomendações de ordem técnica. É de tal magnitude o perigo que se torna necessário impedir as grandes aglomerações, restringir o transporte de pessoas e proibir os grandes eventos esportivos. O professor identifica uma crise no sistema mundial, que o vulnera e agrava situações como as de uma pandemia, reclamando lideranças fortes.

Lagadec propõe a criação de uma "força de reflexão rápida", com representantes de todos os países interessados, mas não tão numerosa que venha a se transformar em uma assembleia. Ele avisa que, se em outubro, as duas crises – a econômica e a da gripe – se reunirem, virá o caos.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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PAINEL DA FOLHA

Operação Uruguai

RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO

Os senadores que passaram pela Mesa Diretora nas últimas legislaturas estão em pânico diante da ameaça de serem responsabilizados pelos recém-descobertos atos secretos da Casa. Juridicamente, de nada adiantará alegar desconhecimento.
O jeito será achar uma saída política, apontando um bode expiatório para pagar pelos desmandos. Tudo indica que ele será o atual diretor-geral, Alexandre Gazineo, que assinou muitas das decisões jamais publicadas -e que, portanto, não poderá dizer que não sabia de nada. Como já estava com a cabeça a prêmio, dificilmente Gazineo manterá o cargo herdado de Agaciel Maia, o grande arquiteto da estrutura paralela que vigorou por mais de uma década no Senado.




Neutralidade. A comissão de sindicância criada para apurar a existência e a quantidade de atos secretos é chefiada por Doris Marize Romariz Peixoto, atual diretora-adjunta da Casa, que era chefe de gabinete de Roseana Sarney (PMDB-MA) até ela assumir o governo do Maranhão.

Pá de cal. A avaliação de senadores próximos a ambos é que a confirmação da existência de atos não-publicados no Senado terminou de azedar a relação entre o presidente, José Sarney (PMDB-AP), e o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI).

Todo-poderoso. De um senador que já ocupou cargo na cúpula da Casa, sobre a desenvoltura com que o ex-diretor-geral Agaciel Maia assinava nomeações e exonerações: "Ele instaurou uma Mesa Diretora do B no Senado".

Nem aí. Não bastasse a afluência de nomes de peso do Senado ao casamento da filha de Agaciel Maia bem no dia em que vieram à luz os atos secretos da Casa, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), ainda usou carro oficial para ir à igreja. Quando viu jornalistas, seu motorista foi trocar de veículo.

Cena 34. Dentro do teatro da CPI da Petrobras, a insistência da oposição em manter, por alguns dias, a relatoria da comissão das ONGs também faz parte do roteiro. Os próprios tucanos dizem que o período dará ao líder Arthur Virgílio (AM) uma visibilidade positiva, sempre útil na temporada pré-eleitoral.

Lá e cá. Virgílio reunirá a bancada tucana na terça-feira. A expectativa é que ele anuncie que abre mão de relatar a CPI das ONGs em troca do início imediato dos trabalhos na da Petrobras.

Conta outra. Ministros que encontraram Lula e José Serra ao final do longo encontro a sós da dupla, anteontem, ficaram com a impressão de que Rodoanel e outros assuntos administrativos não ocuparam mais que 10% da pauta.

Precursora. O chanceler israelense, Avigdor Liberman, virá ao Brasil em julho para preparar a esperada visita de Lula a Israel no fim do ano.

Importado. Não bastasse a forte chapa que está montando com nomes paulistas, o DEM lançará o ex-deputado Saulo Queiroz (MS) candidato à Câmara por São Paulo, com apoio da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera.

Brinde. Andrea Matarazzo e Walter Feldmann, que estavam estremecidos desde a campanha municipal, selaram a paz ontem em almoço no restaurante La Casserole.

Faquir. Vários quilos mais magro após cirurgia redutora do estômago, Demóstenes Torres (DEM-GO) tem levado os senadores da CCJ à loucura: não interrompe as sessões para o almoço, esticando os trabalhos até o meio da tarde.

Vai pegar. A divulgação dos custos de anúncios de candidatos em jornais e a restrição à quantidade de propaganda nesses veículos, hoje ilimitada, são os pontos mais polêmicos da reforma eleitoral em discussão na Câmara.

com VERA MAGALHÃES e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"São declarações de desprezo à opinião pública que levam a opinião pública a desprezar o Congresso."

Do senador CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF), sobre o colega Epitácio Cafeteira (PTB-MA) que, ao justificar emprego dado ao neto de José Sarney disse que contrata quem quer e que "não sabia que tinha de pedir autorização da imprensa".

Contraponto

CPIs 2.0 Manuela D'Ávila criou um link em seu perfil na rede social Facebook para uma petição online em favor da instalação de CPI na Assembleia gaúcha sobre as suspeitas que atingem o governo da tucana Yeda Crusius. E conclamou:
-Vamos apurar as denúncias de corrupção!
Um dos amigos virtuais da jovem deputada do PC do B imediatamente replicou:
-Tem uma pra CPI da Petrobras também?
Manuela, cujo partido controla a Agência Nacional do Petróleo, respondeu com outra pergunta:
-Tem um fato determinado nessa?
E logo engatou um papo mais ao estilo da Web 2.0:
- Tudo bem contigo?

MELCHIADES FILHO

Minc e o cérebro

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/09

BRASÍLIA - Carlos Minc levou bronca de Lula, foi enquadrado por Dilma e ouviu até palavrão de colegas de governo. Mas o Planalto deve um enorme favor ao ministro por ter provocado tanta "algazarra".
Minc foi escolhido para substituir Marina Silva só porque topou o papel de carimbador expresso de obras de infraestrutura. Tem seguido o roteiro, aliás. As usinas de Jirau e Santo Antônio, por exemplo, receberam sinal verde apesar dos senões de técnicos do Ibama.
Daí a surpresa que causaram as "denúncias" do ministro do Meio Ambiente de derrotas em sua área, notadamente a medida provisória que regulariza a posse de terras na Amazônia. Foi Lula, afinal, quem produziu a "MP da Grilagem". E foi a base governista na Câmara que aprovou a redação final. Durante semanas, somente uma voz no PT se elevou contra a manobra: não a de Minc, mas a de Marina Silva.
Chegou-se a temer que os desabafos repentinos do ministro pudessem estragar o balanço do PAC. Exagero. Como embaraçar uma cerimônia que anuncia como "concluída" uma rodovia entregue à iniciativa privada, ainda que nenhum quilômetro tenha sido asfaltado? Dilma Rousseff nem piscou, claro, ladeada de reverentes companheiros da Esplanada, numa espécie de Santa Ceia do primeiro escalão.
Diminuído, Minc recuou. Disse que antes de tudo era um "homem do governo" e que havia opinado em nome de "amigos e eleitores".
Podia até ser. Mas o esperneio do ministro acabou jogando a crise no colo do Senado, só porque a "MP da Grilagem" lá tramitava naquele momento. Logo os senadores, que nem relaram no conteúdo do texto.
Se agora atender ao "apelo" do ministro e fizer algum ajuste no decreto, Lula sairá revigorado da confusão que armou. Se sancioná-lo sem vetos, a culpa será do agronegócio, do DEM, do Congresso... Marina defendia o ambiente com mais vigor, mas Minc lava mais verde.

ESSO


CLÓVIS ROSSI

O meu voto (inútil) para 2010

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/09

SÃO PAULO - Antonio Estella, professor de direito da Universidade Carlos 3º, de Madri, faz, para "El País", uma bela análise sobre "o paradoxo de que a direita ganhe as eleições europeias após naufragar o neoliberalismo", que é ou era o seu navio-insígnia.
O paradoxo talvez se explique pelo fato de que a esquerda aplica as políticas da direita em praticamente todos os países europeus. Vale para o Brasil também, em especial o seguinte trecho do artigo: "Se você quer continuar mantendo-se no poder, faça o que seu concorrente fazia de maneira bem-sucedida e, se possível, de forma melhor".
De alguma maneira, foi o que Lula fez: manteve o controle da inflação, iniciativa do antecessor e fonte primeira de prestígio dos governantes, e ampliou enormemente os programas sociais do tucanato.
Todas as pesquisas mostram que esse tipo de comportamento funciona, do ponto de vista do prestígio do governante.
O problema começa quando se tem a ambição de promover transformações estruturais, que era não tão antigamente assim o navio-insígnia da esquerda. Na Europa, escreve Estella, "é mais difícil encontrar partidos social-democratas que de fato tenham uma agenda de mudança própria, estejam intimamente convencidos dela e dispostos a desenvolvê-la, levando em conta as limitações existentes".
Suspeito que valha para o Brasil, por mais que, do meu ponto de vista, esteja esgotada ou perto do esgotamento a agenda da estabilidade que foi o forte dos quatro períodos presidenciais mais recentes.
O período 2011/14 pediria acoplar a essa agenda, que é permanente, um desenvolvimento econômico, social e ambiental muito mais forte e muito mais transformador.
É uma pena que ambição não seja o forte do político brasileiro -nem, de resto, do eleitorado, extremamente conservador.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se for para ser igual, fico eu”
PRESIDENTE LULA, SOBRE A CANDIDATURA A PRESIDENTE DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF

ITAMARATY AGORA TENTA ISOLAR MANGABEIRA
O ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) agora enfrenta um adversário discreto e poderoso, dentro do próprio governo: o exótico Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. Segundo fontes diplomáticas, Guimarães até teria ordenado o monitoramento de Unger quando ele viaja ao exterior, para saber exatamente o que faz e com quem conversa.
CIÚMES
Samuel Guimarães e o Itamaraty estão irritados com as incursões de Unger em assuntos que consideram privativos de diplomatas.
CAIA FORA
O novo embaixador do Brasil na Ucrânia, Antonio Fernando de Mello, foi desestimulado a discutir com Unger o acordo bilateral
espacial.
CORPORATIVISMO
O brasileiro Márcio Barbosa, que não é diplomata, ousou candidatar-se à direção-geral da Unesco. Foi esmagado pelo ministro Celso Amorim.
VALEBRÁS
Os presidentes da Vale, Roger Agnelli, e da Petrobras, Sergio Gabrielli, negociam uma nova parceria em pesquisa nas áreas de gás e petróleo.
NO DF, A PRIORIDADE DO PT É DILMA
O PT nacional avisa: seu candidato ao governo do Distrito Federal, ex-ministro Agnelo Queiroz, tentará se viabilizar, mas está pronto a apoiar o primeiro adversário que se pronunciar favoravelmente à candidatura da ministra Dilma Rousseff a presidente. A surpresa é que os petistas aceitariam de bom grado tanto o apoio do governador José Roberto Arruda (DEM) quanto o do ex Joaquim Roriz (PMDB). Tanto faz.
DECOLANDO NA FRENTE
A Infraero já trabalha em projetos para modernizar os aeroportos das cidades escolhidas sedes da Copa do Mundo de 2014.
PRIVATIZAR, NÃO
Mal nasceu, a frente parlamentar contra a privatização da Infraero já soma quase uma centena de deputados e senadores.
JÁ CHEGA
Sai cara a missão militar do Brasil no Haiti, já há cinco anos: R$ 700 milhões até agora. Posar de polícia do mundo é coisa para país rico.
FORA DE CONTROLE
O Tribunal de Contas da União investiga o Bolsa Família, por falha no controle dos 11 milhões de beneficiados, e o “Universidade para Todos” (Prouni), com 38 mil convênios sem fiscalização.
CAUDILHO PLEBISCITADO
Do jurista Paulo Bonavides, um dos constitucionalistas mais admirados do País: “Com o terceiro mandato, não se elegerá um presidente da República, mas um ditador constitucional, um caudilho plebiscitado”.
RETORNO ESPERTO
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça distribuiu mais de 300 milionárias pensões por “perseguição política” do regime militar. Ainda há outros 190 processos da turma que, segundo Millôr Fernandes, não fez militância política contra a ditadura; fez um belo investimento.
A VOLTA DO MILAGRE
Ministro dos governos militares e conselheiro informal do presidente Lula, o ex-deputado Delfim Netto, otimista, acha que a eleição de 2010 chegará com o PIB batendo os 4%. E com o emprego aumentando.
ELE É UMA NOVELA
O sempre indeciso Itamar Franco inicia nova rodada de negociações com o PPS no primeiro dia de julho. Quer disputar algum cargo em 2010, qualquer um. Pode até ser candidato ao governo de Minas.
POUPANÇA IMEXÍVEL
Com medo de mexer na Poupança, o governo estuda a permissão para passar dos 8% atuais para 30% o limite para investimentos dos fundos de pensão em imóveis e em ações. É para compensar as perdas dos fundos, hoje com patrimônio de R$ 458 bilhões, com a queda dos juros.
REPÚBLICA DE BANANAS
Lula faz política externa com demagogia. Mandou abrir embaixada em São Cristovão e Névis, país do Caribe formado por duas ilhas, vinte vezes menor que o Distrito Federal, que exporta coco e banana. Sua população não lotaria nem o estádio Mané Garrincha, no DF.
AOS AMIGOS, TUDO
Tim Gomes, primo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes, está entre os agraciados pela prefeita Luizianne Lins (PT) com boquinhas na prefeitura de Fortaleza.
PENSANDO BEM...
o aloprado ministro Carlos Minc foi à Marcha da Maconha porque perde o juízo quando vê uma fumaça. Ou seria o contrário?

PODER SEM PUDOR
O HOMEM DO “CAIXA”
Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, José Segadas Vianna certa vez advertiu o presidente sobre um assessor que procurava empreiteiros para fazer “caixinha”. Segundo familiares do ex-ministro, Getúlio perguntou:
– Segadas, você faria o que ele faz?
– Certamente que não!
– É por isso mesmo que o mantenho – encerrou o presidente.

O NADA


PAIXÃO

DORA KRAMER

O ilícito é a lei

O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/06/09

Por muito menos, qualquer outra instituição ou pessoa envolvida em ilícito de natureza pública já teria sido objeto abertura de comissão parlamentar de inquérito para investigar fatos plenamente determinados.

Mas, como a instituição em foco é o Parlamento e as pessoas envolvidas são congressistas, a saída por enquanto tem sido a anistia do passado e juras de apreço à probidade no futuro.

A última descoberta da série de ilícitos em exibição desde fevereiro, contudo, reduz muito a margem das manobras que vêm sendo usadas pelo Poder Legislativo no intuito de remendar uma história que não suporta mais remendos.

Quanto mais se tenta suavizar a situação com restaurações pontuais, mais danificada fica a credibilidade do Congresso, dos parlamentares, dos políticos, da política. Na quarta-feira, o jornal O Estado de S.Paulo desvendou um mistério, mostrando como foi possível nos últimos anos o Senado se transformar numa confraria de benesses sustentada por uma rede de ilícitos comandada a partir da diretoria-geral da Casa.

Os repórteres Rosa Costa e Leandro Colon revelaram a existência de mais 300 atos secretos por meio dos quais foram distribuídos empregos em troca de favores, criados cargos em comissão para acomodar apaniguados, assinados aumentos de salários, permitidas operações bancárias fora dos limites da lei, estendida a assistência médica vitalícia destinada aos senadores para funcionários, autorizados pagamentos de horas extras não trabalhadas e toda sorte de decisões a serem mantidas longe se qualquer controle.

Uma instituição onde existe esse tipo de prática sem justificativa legal e que contraria frontalmente um dos princípios constitucionais da administração pública – o da publicidade – não pode ser vista como o “poder mais transparente da República”, muito menos ser considerada a “casa do povo”.

A descoberta deveu-se ao trabalho da comissão de sindicância interna criada há 45 dias para investigar irregularidades. Seria um ponto a favor do Senado, caso não tivesse havido a tentativa de ocultar a existência dos atos secretos que, uma vez detectados, passaram a ser publicados com data retroativa e sob a rubrica de “boletins suplementares”.

Com isso, fica patente que as transgressões no Senado ocorreram por premeditação criminosa – única qualificação possível para aplicação de dinheiro público em vantagens pessoais –, cujo plano incluiu a ocultação dos esqueletos na gaveta do então diretor-geral, Agaciel Maia.

Não há desleixo administrativo. Ao contrário, pelo que se vê é tudo feito com muito esmero. E doses oceânicas de cinismo. Os atuais e ex-integrantes da Mesa Diretora do Senado pretendem que se acredite na inocência deles. De nada sabiam. Agaciel Maia contratou a ex-presidente da Câmara Municipal de Murici, município politicamente dominado pela família Calheiros, por iniciativa própria.

Assim como achou por bem e espontânea vontade requisitar o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Amapá – domicílio eleitoral de Sarney – para prestar serviço no conselho editorial Chega ser constrangedor ouvir e ver homens adultos tentando disfarçar o indisfarçável de maneira tão pueril.

Mas admitamos que Agaciel tenha formado um feudo transgressor pelas costas – não obstante embaixo dos narizes – de gente com décadas de experiência no ramo da esperteza. Nessa hipótese, seria aquilo que no auge do escândalo do mensalão o presidente Luiz Inácio da Silva chamou de “traidor”.

Um homem assim tão venal, inclusive recentemente exonerado de suas funções por esconder patrimônio da Receita Federal, mereceria a desconfiança dos inocentes por ele iludidos. No lugar disso, recebeu tratamento de compadre no casamento da filha dia desses, em Brasília. Estavam lá José Sarney, como padrinho, Renan Calheiros, Garibaldi Alves e Edison Lobão, todos com passagem pela presidência do Senado, onde o pai da noiva reinou absoluto durante quase 15 anos, cometendo infrações à revelia da chefia, uma gente completamente desatenta.

Tudo muito adequado. Mais não fosse pela escolha do tema musical extraído da trilha sonora de O Poderoso Chefão.

Hora incerta

A decisão da Petrobras de divulgar informações obtidas por meios de comunicação privados “ao primeiro minuto do dia previsto para a publicação da matéria” ou é fruto da relutância em reconhecer por completo um erro ou é produto de autoritarismo incurável.

Não é da alçada da empresa petrolífera as decisões tomadas numa redação de jornal, revista, emissora de rádio ou televisão. A prerrogativa é exclusiva dos editores que não são obrigados a prestar contas ao Estado sobre quando, como e onde divulgarão seu material jornalístico.

Queira o bom-senso, portanto, que a Petrobras não se proponha a fazer como a ditadura na época da censura prévia e montar um serviço de controle do noticiário a ser publicado.

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Gripe suína chega a 74 países e vira pandemia


- Folha: Gripe suína já é pandemia, diz OMS


- Estado: OMS faz acordo e anuncia pandemia moderada de gripe


- JB: Gripe suína é primeira pandemia do milênio


- Correio: Casa legalizada para 10,5 mil pessoas


- Valor: Nova ‘Lei do Bem’ espalha perdões e generosidades


- Estado de Minas: Crise fica com cara de marolinha (pág. 1)


- Jornal do Commercio: Gripe vira pandemia