sexta-feira, junho 05, 2009

BRASÍLIA - DF

Os últimos serão os primeiros


Correio Braziliense - 05/06/2009

Dia desses, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, perguntou ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), quando ele iria assinar o Minha Casa, Minha Vida, o programa de construção de casas do governo federal. Aécio foi direto: “Me convença que o programa é bom que eu assino na hora”. Simão prontamente marcou uma apresentação minuciosa. E Aécio se convenceu de que a proposta é factível, mas já tem em mente a ampliação, dentro do projeto pós-Lula.

***
O governador mineiro também soube que a meta de 1 milhão de casas que o atual governo propôs não vai se cumprir até dezembro do ano que vem. E a ideia de Aécio é justamente dizer que não só continuará o programa como tratará de aprimorá-lo para zerar o déficit habitacional do país. E, para não passar a ideia de que deseja atropelar o governador de São Paulo, José Serra, vai discutir o assunto com ele. Em tempo: os dois vão chegar juntos ao evento de agronegócio em Foz do Iguaçu hoje. A ordem no PSDB é mostrar unidade.


De seguro...

A Câmara contratou uma consultoria externa para emitir um parecer jurídico sobre como devem ser usadas as cotas de passagens aéreas que não foram gastas até 31 de dezembro de 2008. A consultoria jurídica da Casa opinou que, de acordo com a norma antiga, os valores poderão ser apropriados pelos deputados. Mas o presidente Michel Temer (PMDB-SP), por segurança, quer o respaldo de uma opinião alheia ao Legislativo antes de tomar a decisão final.

Abre-te, Sésamo

No Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentou ontem um projeto de resolução que obriga a Casa a divulgar semestralmente, na internet e no Diário do Senado, o nome de todos os empregados da Casa e seus rendimentos brutos. Será uma dura batalha. Trata-se do mais bem guardado segredo em toda a Esplanada dos Ministérios.

Reforço

A Casa Civil enviará ao Congresso, na próxima semana, o projeto de lei que prevê o pagamento de R$ 1,9 bilhão aos estados exportadores a título de compensação por perdas na receita com o ICMS. O governo promete liberar o dinheiro até 20 dias depois que os parlamentares aprovarem a proposta.

Data marcada

O presidente do PRTB, Levy Fidelix, convidou o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e o ex-senador Luiz Estevão para ingressar no partido. Roriz apenas ouviu e ficou de voltar a conversar, dependendo do clima no PMDB. “As portas estão abertas para os dois. Vamos nos reunir novamente em julho”, contou Fidelix à coluna.

No cafezinho


Torcedor/ O ministro do Turismo, Luiz Barretto (foto), leva técnicos da Casa Civil a São Paulo hoje para conhecerem o projeto de reforma do estádio do Morumbi para a Copa de 2014. São paulino de carteirinha, Barretto reforça a pajelança para que a arena — considerada a mais problemática entre as 12 eleitas pela Fifa — seja escolhida para sediar a abertura do torneio. No páreo estão ainda Brasília e Belo Horizonte.

Vacinado/ Depois de colocar em seu blog uma enquete sobre quem foi o melhor presidente, na qual Lula venceu Fernando Henrique Cardoso, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) perguntou aos internautas se eram contra ou a favor do terceiro mandato. Anteontem, o tucano mandou encerrar a pesquisa quando o percentual de favoráveis começou a crescer vertiginosamente. O placar final foi fechado em 53% contra e 47% a favor.

Vai encarar?/ O deputado Eunício Oliveira fez o programa do PMDB no Ceará todo na linha de apoio ao presidente Lula, ao governador Cid Gomes (PSB) e à prefeita Luizianne Lins (PT). Os amigos do deputado agora comentam: “Quero ver a turma do Tarso Genro vir mexer com o PMDB agora”.

Ver para crer/ Quem esteve com José Serra esta semana garante: ele está no melhor dos mundos. No ano que vem, tem a possibilidade de ser candidato a gerenciar o primeiro ou o segundo orçamento do país, respectivamente, o da União ou o do estado de São Paulo. É uma posição tão confortável que ele está leve, solto, sorridente e brincalhão.

NELSON MOTTA

Olha o novo socialismo aí


O Globo - 05/06/2009

Pena que os velhos anarquistas mais libertários não viveram para ver um instrumento tão livre, poderoso e igualitário como a internet, que justamente por isso é tão temida pelas tiranias de esquerda ou de direita. Cada vez mais acessível a mais gente, ela nivela e aproxima, dá voz e imagem a todos e a qualquer um, é um espaço de liberdade e independência que cresce em proporção aos avanços tecnológicos que tornam as máquinas mais rápidas e potentes, mais leves e baratas.

É nesse território livre que surgem as primeiras evidências do que Chris Anderson chama de - whaall! - "Novo Socialismo" em texto-bomba na revista "Wired". A Wikipedia é um exemplo da socialização da informação, gratuita e mantida por contribuições voluntárias. Sem nenhuma interferência do Estado. Assim como as novas formas de compartilhamento, de troca de arquivos, os sites de buscas, o You Tube, significam uma inédita socialização da informação, do lazer, da arte e da opinião.

A diferença é que não são conquistas feitas pelos métodos totalitários e repressivos de Estados fortes, mas pela liberdade e o empreendedorismo só possíveis em sociedades abertas. Nenhum Estado comunista investiria nessas tecnologias de informação e comunicação, só para fins militares ou de propaganda. Se alguém ler para Hugo Chávez o texto da "Wired", o Beiçola vai levar um susto ao descobrir que o que ele chama de socialismo do século XXI é do XIX: o do terceiro milênio está na internet. Bytes o muerte, compañero!

Enquanto isso, em Brasília, anuncia-se mais um "fórum" para tentar encontrar instrumentos da democracia para instituir controles e limitações à imprensa, com o objetivo de "democratizar a informação", como se nossos jornais, rádios e televisões já não disputassem ferozmente a preferência do público e dos anunciantes, todos competindo pelas melhores produções, para todos os gostos.

Mas, com as lan houses se espalhando pelas cidades, computadores cada vez mais baratos e redes sem fio por toda parte, como é que eles vão fazer o "controle social" de 65 milhões de brasileiros on-line? Estão atrasados, mais uma vez.

O IDIOTA


PANORAMA POLÍTICO

Múcio no TCU

Ilimar Franco
O Globo - 05/06/2009

O presidente Lula vai indicar o nome do ministro José Múcio (Relações Institucionais) para o Tribunal de Contas da União. Ele vai substituir Marcos Vilaça, que se aposenta este mês. O governo concluiu que precisa da secretária-executiva Erenice Guerra na Casa Civil e que seu nome teria dificuldades de passar no Senado. Entre a indicação e a aprovação de Múcio no Congresso, Lula terá tempo para escolher um novo coordenador político.

Para aecistas, pesquisa não é critério

O governador José Serra (SP) continua liderando as pesquisas, e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) superou o governador Aécio Neves (MG) na corrida para a Presidência. Mas o tucano mineiro insiste nas prévias e está em campo para que sua candidatura seja conhecida. Um de seus aliados, o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB- MG) diz que a prévia é melhor que a pesquisa: "Se valesse o critério da pesquisa, o Gilberto Kassab (DEM) não seria prefeito de São Paulo e a turma do Serra teria apoiado a candidatura do Geraldo Alckmin (PSDB)". Os aliados de Aécio dizem que seu nome representa a renovação e é o que mais agrega.

Em 1974, ninguém queria enfrentar o Carvalho Pinto. O Quércia foi lá e ganhou a eleição para o Senado" - José Anibal, líder do PSDB (SP), dizendo que o favoritismo não transforma uma candidatura em imbatível

DESGASTE. Ironia do destino. O instituto das Comissões Parlamentares de Inquérito está tão desgastado que até o painel sobre o tema, no chamado Túnel do Tempo do Senado, está em manutenção porque está quase caindo. Enquanto isso, a instalação da CPI da Petrobras está emperrada, a das ONGs não consegue decolar e a última concluída, a dos Cartões Corporativos, foi um verdadeiro fiasco.

Novo endereço

A Confederação Nacional da Indústria, criada em 1938, desativou suas instalações no Rio de Janeiro. A CNI vai abrir um novo escritório em São Paulo. A sede da entidade já tinha sido transferida para Brasília com a mudança da capital.

CPI do Canecão

Na tribuna, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) citou como exemplo de mau uso dos recursos da Petrobras os patrocínios à "boate" Canecão. O tucano denuncia que a mais tradicional casa de espetáculos do Rio recebeu R$22,5 milhões.

Segurança no Santos Dumont

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) vai notificar em cartório a presidente da Anac, Solange Vieira, e o presidente da Infraero, Cleonilson Nicácio, para que eles informem que providências estão sendo tomadas para garantir a segurança da pista do aeroporto Santos Dumont. Segundo o Sindicato dos Aeronautas, a pista principal está com sua camada porosa de asfalto vencida desde dezembro de 2007.

Brizola Neto: "Com a direita, não"

O líder do PDT na Câmara, Brizola Neto (RJ), não gostou da declaração simpática ao governador Aécio Neves feita pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho). Diz que elas devem ser vistas como uma gentileza. Afirma que em seu partido não há alinhamento automático, mas que uma aliança com o PSDB em 2010 está descartada. Ele explica: "Não vamos fazer aliança com a direita. A privatização e as reformas trabalhista e da Previdência tornaram o PSDB muito pesado".

DESAPROPRIAÇÕES. O governo vai deixar por último a divulgação do trajeto do trem-bala que vai ligar o Rio a São Paulo para evitar a especulação imobiliária.

RÉU no processo do mensalão, o ex-deputado Professor Luizinho (PT) não é atendido por uma banca famosa de advocacia, como seus companheiros, mas por um defensor público.

EM SEU BLOG, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, diz que, a exemplo do ministro Carlos Lupi (PDT), "nós (PTB) também aguardamos a movimentação de Aécio Neves".

MÍRIAM LEITÃO

A insensatez


O Globo - 05/06/2009

O confronto entre ruralistas e ambientalistas é completamente insensato. Mesmo se a questão for analisada apenas do ponto de vista da economia, são os ambientalistas quem têm razão. Os ruralistas comemoram vitórias que se voltarão contra eles no futuro. Os frigoríficos terão que provar aos supermercados do Brasil que não compram gado de áreas de desmatamento.

O mundo está caminhando num sentido, e o Brasil vai em direção oposta. Em acelerada marcha para o passado.

O debate, as propostas no Congresso, a aprovação da MP 458, os erros do governo, a cumplicidade da oposição, tudo isso mostra que a falta de compreensão é generalizada no país.

A fritura pública do ministro Carlos Minc, da qual participou com gosto até o senador oposicionista Tasso Jereissati (PSDB-CE), é um detalhe. O trágico é a ação pluripartidária para queimar a Amazônia.

Até a China começa a mudar. Nos Estados Unidos, o governo George Bush foi para o lixo da história. O presidente Barack Obama começa a dirigir o país em outro rumo. Está tramitando no Congresso americano um conjunto de parâmetros federais para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O que antes era apenas um sonho da Califórnia, agora será de todo o país.

Neste momento em que a ficha começa a cair no mundo, no Brasil ainda se pensa que é possível pôr abaixo a maior floresta tropical do planeta, como se ela fosse um estorvo.

A MP 458, agora dependendo apenas de sanção presidencial, é pior do que parece. É péssima. Ela legaliza, sim, quem grilou e dá até prazo. Quem ocupou 1.500 hectares antes de primeiro de dezembro de 2004 poderá comprá-la sem licitação e sem vistoria. Tem preferência sobre a terra e poderá pagar da forma mais camarada possível: em 30 anos e com três de carência. E, se ao final da carência quiser vender a terra, a MP permite. Em três anos, o imóvel pode ser passado adiante. Para os pequenos, de até quatrocentos hectares, o prazo é maior: de dez anos. E se o grileiro tomou a terra e deixou lá trabalhadores porque vive em outro lugar? Também tem direito a ficar com ela, porque mesmo que a terra esteja ocupada por "preposto" ela pode ser adquirida. E se for empresa? Também tem direito.

Os defensores da MP na Câmara e no Senado dizem que era para regularizar a situação de quem foi levado para lá pelo governo militar e, depois, abandonado.

Conversa fiada. Se fosse, o prazo não seria primeiro de dezembro de 2004.

Disseram que era para beneficiar os pequenos posseiros. Conversa fiada. Se fosse, não se permitiria a venda ocupada por um preposto, nem a venda para pessoa jurídica.

A lei abre brechas indecorosas para que o patrimônio de todos os brasileiros seja privatizado da pior forma. E a coalizão que se formou a favor dos grileiros é ampla. Inclui o PSDB. O DEM nem se fala porque comandou a votação no Senado, através da relatoria da líder dos ruralistas, Kátia Abreu.

Mais uma vez, Pedro Simon (PMDB-RS), quase solitário, estava na direção certa.

A ex-ministra Marina Silva diz que o dia da aprovação da MP 458 foi o terceiro pior dia da vida dela.

- O primeiro foi quando perdi meu pai, o segundo, quando Chico Mendes morreu - desabafou.

Ela sente como se tivesse perdido todos os avanços dos últimos anos.

Minha discordância com a senadora é que eu não acredito nos avanços. Acho que o governo Lula sempre foi ambíguo em relação ao meio ambiente, e o governo Fernando Henrique foi omisso. Se tivessem tido postura, o Brasil não teria perdido o que perdeu.

Só nos dois primeiros anos do governo Lula, 2003 e 2004, o desmatamento alcançou 51 mil Km. Muitos que estavam nesse ataque recente à Floresta serão agora "regularizados".

O Greenpeace divulgou esta semana um relatório devastador. Mostrando que 80% do desmatamento da Amazônia se deve à pecuária. A ONG deu nome aos bois: Bertin, Marfrig, JBS Friboi são os maiores. O BNDES é sócio deles e os financia. Eles fornecem carne para inúmeras empresas, entre elas, as grandes redes de supermercados: Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar.

Reuni ontem no programa Espaço Aberto, da Globonews, o coordenador do estudo, André Muggiatti e o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda. O BNDES não quis ir.

A boa notícia foi a atitude dos supermercados. Segundo Sussumu Honda, eles estão preocupados e vão usar seu poder de pressão contra os frigoríficos, para que eles mostrem, através de rastreamento, a origem do gado cuja carne é posta em suas prateleiras.

Os exportadores de carne ameaçam processar o Greenpeace. Deveriam fazer o oposto e recusar todo o fornecedor ligado ao desmatamento. O mundo não comprará a carne brasileira a esse preço. Os exportadores enfrentarão barreiras. Isso é certo.

O Brasil é tão insensato que até da anêmica Mata Atlântica tirou 100 mil hectares em três anos.

Nossa marcha rumo ao passado nos tirará mercado externo. Mas isso é o de menos. O trágico é perdermos o futuro. Símbolo irônico das nossas escolhas é aprovar a MP 458 na semana do Meio Ambiente.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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MERVAL PEREIRA

Muy amigos


O Globo - 05/06/2009

Embora interesse ao governo adiar a instalação da CPI da Petrobras o mais possível, o que está acontecendo é um reflexo da disputa, muito séria e mais ampla, entre PMDB e PT, que vai definir os palanques regionais para a eleição de 2010. O PMDB, além de querer sempre mais poder, mais cargos, maior participação no governo, teme muito o apetite do PT e sabe que, se não fosse Lula garantindo a intermediação dessa disputa, o PT já o teria engolido há muito tempo.

Imagine então o que os demais partidos aliados, mais fracos politicamente, não temem. O temor generalizado é de que a ministra Dilma Rousseff não tenha força para controlar o PT se eventualmente chegar à Presidência.

E tudo indica que não terá: apesar da fama de enérgica, ela não é uma candidata nascida dentro do PT, mas sim imposta pelo presidente Lula ao establishment do partido - aliás muito bem imposta, uma boa sacada política de Lula, que está dando certo, como mostram as últimas pesquisas - nem tem história no partido.

O PT não tem nada a ver com essa subida de Dilma nas pesquisas. A única coisa que fez, inteligentemente, foi desistir de resistir à escolha de Lula e entender que era melhor acompanhar a sua aposta do que ficar brigando internamente.

Desse ponto de vista, o PT teve mais inteligência emocional que o PSDB, que mais uma vez tem uma disputa interna para a escolha de seu candidato.

O PT engoliu em seco a candidatura da Dilma e hoje já a tem como sua candidata, com uma boa perspectiva de poder.

Só que Dilma, se superar a questão da saúde e vencer as eleições presidenciais, corre o risco de vir a ser uma presidente manipulada pela cúpula petista, pois não tem força política dentro do partido nem esquema de suporte fora dele para resistir às pressões dos diversos grupos políticos que atuam dentro do PT e dos movimentos sociais que gravitam em torno dele.

Assim como o senador José Sarney teve um governo completamente tumultuado pela ação do PMDB, partido ao qual teve que se filiar por circunstâncias da legislação eleitoral.

Vindo do PDS, formou com dissidentes de seu partido a Frente Liberal, que foi fundamental para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

Mas, pela legislação, o vice teria que ser do mesmo partido que o candidato a presidente, e Sarney transferiu-se para o PMDB, sem história prévia que pudesse respaldá-lo no partido.

Quem comandava o PMDB era Ulysses Guimarães, depois presidente da Constituinte, que não deu trégua ao presidente acidental, talvez arrependido de ter aberto mão do cargo.

Quando Tancredo Neves não pôde ser empossado por problemas de saúde, muita gente achou que Ulysses, como presidente da Câmara, deveria assumir a Presidência interinamente.

O próprio Sarney abriu mão para Ulysses, mas quem decidiu mesmo, a favor de Sarney, que era seu amigo, foi o então ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves.

Perguntado por que havia aceitado tão rapidamente a decisão, Ulysses explicou na ocasião, segundo o senador Pedro Simon: "Me chega o Sarney com o seu jurista, o ministro do Exército. Se eu não aceitasse, a crise estava armada".

Seja por que motivo fosse, o fato é que, presidente do PMDB e da Constituinte, Ulysses Guimarães foi a grande eminência parda do governo Sarney, tendo chegado a vetar a nomeação do então governador do Ceará, Tasso Jereissatti, como ministro da Fazenda, já escolhido por Sarney.

Para não ter seu mandato cortado em dois anos, Sarney teve que usar toda a sua experiência política e conhecimento das negociações no Congresso. Acabou ficando com um mandato de 5 anos.

O mesmo risco correrá a ministra Dilma Rousseff caso venha a ser eleita presidente da República, agravado pelo fato de que ela não tem a experiência política que o senador José Sarney já tinha na ocasião.

Além de convencer os eleitores de que sua candidatura representa a continuidade do governo Lula, Dilma terá que convencer os partidos da base aliada de que eles terão lugar no seu governo.

Por isso, todos esses pequenos partidos que giram na órbita do governo - PP, PR, PDT, PSB - e até mesmo o PMDB procuram o governador de Minas, Aécio Neves, para deixar uma porta aberta caso ele seja escolhido o candidato do PSDB à Presidência da República.

Eles vêem em Aécio o tipo de político que é capaz de fazer esses acordos que o presidente Lula vem costurando. O governador de São Paulo, José Serra, embora tenha fama de ser menos flexível que Aécio, também já demonstrou ser capaz de fechar acordos importantes, como o com o PMDB paulista.

Um político experimentado como Orestes Quércia não abriria mão de uma aliança potencialmente vencedora com o PT nacional, com o presidente Lula no auge da popularidade, se não cheirasse no ar dificuldades em relação aos compromissos políticos que o PT teria que cumprir, como apoiá-lo na campanha para o Senado em 2010.

Assim como a aliança do PT em Minas com o PSDB de Aécio foi bombardeada pela direção nacional do PT, e poderia levar a uma grande aliança em 2010, juntando ainda o PSB de Ciro Gomes.

O que facilita as negociações do PSDB é que ele é um partido de líderes, mas não é nacionalmente bem estruturado, não tem deputados federais em diversos estados, e por isso está mais aberto aos acordos regionais.

Assim como a denúncia do mensalão nasceu de uma disputa dentro dos Correios entre o PT e o PTB, também na Petrobras há essa disputa, e essa é uma das grandes preocupações de ambos os lados. O PMDB tem receio de ser alvo de "fogo amigo" petista. E a recíproca é verdadeira.

MELCHIADES FILHO

Corpo estranho

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/06/09

BRASÍLIA - À medida que o nome da "mãe do PAC" ganha corpo nas pesquisas, Lula e o PT deixam de se preocupar apenas com a campanha e os cenários eleitorais para discutir também o loteamento de espaços num governo Dilma Rousseff.
Isso é colocar o carro à frente dos bois, dirá o leitor, já que a ministra ainda não tem nem a metade das intenções de voto do principal adversário. Para os interessados, porém, são medidas de precaução, naturais diante da artificialidade com que a candidatura foi concebida.
Em boa medida, Dilma entrou e cresceu no governo federal por acaso. Assumiu a pasta de Minas e Energia só porque, na última hora, ruiu um acordo com o PMDB. Foi para a Casa Civil só porque José Dirceu não resistiu ao mensalão.
Ela não teve de passar pelo crivo dos políticos ou da sociedade civil.
Jamais disputou eleição. Nunca se interessou pelas atividades internas do PT (possivelmente estaria até hoje no PDT, se os brizolistas não tivessem rompido com o governo gaúcho do petista Olívio Dutra, no qual era secretária). O tempo todo foi Lula quem a bancou.
Por isso, dentro da enorme e heterogênea aliança que a defende para a Presidência, poucos sabem de fato quem ela é, o que pensa e, sobretudo, como reagiria no poder.
Daí a preocupação de garantir um "fio-terra" lulista para o caso de vitória. Nos últimos dias, aumentaram os sinais de que Dilma será cercada de pessoas do círculo de confiança de Lula e do PT. O chefe de gabinete Gilberto Carvalho, por muito tempo cotado para presidir o partido, e o ex-ministro Antonio Palocci, que ensaiou se candidatar ao governo de São Paulo, permaneceriam no Planalto em 2010 a fim de assegurar posições em 2011.
O PT, também, opera uma inédita pacificação das correntes internas.
Unidas, elas teriam mais condições de negociar cargos, verbas e projetos com a eventual presidente.
O senão é que Dilma, animada, também já quer escolher os seus.

TOMANDO BANHO


PAINEL DA FOLHA

A vaga de Múcio

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/06/09

Com a ida de José Múcio para o TCU praticamente selada, está reaberta a disputa pelo comando da articulação política. O núcleo petista mais próximo a Lula considera esse um bom ‘ministério de entrada’ para Antonio Palocci no caso de seu retorno ao governo _dali ele iria para a Casa Civil, quando da desincompatibilização de Dilma Rousseff. O PMDB, em princípio, não se opõe à substituição de Múcio por Palocci.
Já siglas como PP e PR têm uma outra ideia: gostariam de transformar em ministro o subchefe de Assuntos Parlamentares, Marcos Lima, responsável pela liberação das emendas. Seria assim uma solução ‘sem intermediários’’ para a massa da base aliada.

Ao vivo - O próprio Gilberto Carvalho deve se encarregar de dizer hoje ao PT, na reunião da corrente Construindo um Novo Brasil, em São Paulo, que fica no governo. Ele participa de uma mesa sobre ‘projeto para 2010’ à tarde, ao lado de José Dirceu e Marco Aurélio Garcia.

Múltipla escolha - Sem Gilberto Carvalho na parada, a disputa pela presidência do PT pode ter até quatro nomes. Além de José Eduardo Dutra, provável opção do ex-Campo Majoritário, concorreriam José Eduardo Cardozo (Mensagem ao Partido), Iriny Lopes (Articulação de Esquerda) e Maria do Rosário ou Geraldo Magela (Movimento PT).

Bedel eletrônico - O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), aderiu às mensagens de texto via celular para convocar os 78 deputados de sua bancada ao plenário na hora das votações nominais.

Carimbo - A cúpula do DEM se preocupa com a superexposição de Kátia Abreu (TO) na troca de chumbo com Carlos Minc (Meio Ambiente). Culpa o ministro, mas teme que a imagem de ‘Miss Desmatamento’ grude na senadora.

Sem vergonha - Aliados de Renan Calheiros sinalizam que o líder do PMDB tentará postergar ao máximo o início da CPI da Petrobras e, se possível, impedir seu funcionamento. ‘É melhor ficar vermelho 15 dias do que amarelo seis meses’, tem sido o mantra nas reuniões da tropa.

Paisagem - Integrantes da CPI das ONGs apontam demora do Banco do Brasil em enviar informações sobre entidades ligadas ao MST. As quebras de sigilo foram aprovadas no início de abril. Bancos privados já responderam ao pedido dos senadores.

Hábitos de mídia - O instituto Meta, recém-contratado pela Presidência da República para realizar ‘pesquisas de orientação’, deve sair a campo em breve para perguntar ‘como a população se informa’. O tema foi sugerido pelo ministro Franklin Martins (Comunicação Social).

Triunvirato - Propeg, Artplan e Agnelo foram as agências vencedoras da licitação de R$ 120 milhões para gerir a verba de publicidade do Ministério das Cidades.

Estágio - Não obstante as juras de amor do ex-tucano Eduardo Paes (PMDB) a Lula e Dilma, o prefeito do Rio enviou sua secretária da Fazenda, Eduarda La Rocque, para uma imersão com a equipe econômica do governo Serra. Quer dicas para melhorar a qualidade das despesas e incrementar a arrecadação.

Tiroteio

A redução da vantagem do Serra sobre a Dilma parece estar dando coceira no Aécio. Daí a recente contundência dele.

Da senadora IDELI SALVATTI (PT-SC), líder do governo no Congresso, sobre o governador de Minas Gerais, segundo quem ‘nunca antes neste país se viu uma distribuição tão farta de cargos públicos’.

Contraponto

Olha isso!

Deputados assistiam à apresentação dos resultados de uma pesquisa sobre reforma política encomendada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Para descontrair, o diretor do Diap, Antonio Queiroz, revelou, preservando o nome do autor, a resposta de um deputado quando lhe pediram opinião sobre voto distrital:
-Eu sou terminantemente contra! Imagine só o dinheirão que se gastaria trazendo os eleitores do meu Estado para votar aqui no Distrito Federal!
Polido, Queiroz atribuiu a resposta a ‘mera distração’ do entrevistado, mas a galera não perdoou:
-CQC no colega!- sugeriu um dos presentes.

JOÃO MELLÃO NETO

Trabalhe pesado!


O Estado de S. Paulo - 05/06/2009
No início dos anos 1700, quando a revolução comercial já era um fator determinante do progresso e do desenvolvimento das nações, um pensador espanhol teria escrito um ensaio defendendo a tese de que o seu país não deveria entrar naquela competição, porque seria um esforço desnecessário. A Espanha, na época, possuía reservas em metais preciosos suficientes para comprar tudo o que seu povo necessitava. Esse mesmo argumento poderia ser válido, um século depois, nos anos 1800, para não embarcar na aventura industrial.

O resultado é que o império espanhol ruiu, as suas decantadas reservas se dissiparam e a outrora pujante nação ibérica amargou mais de dois séculos de decadência. Está voltando ao proscênio agora, quando nem o seu governo nem o seu povo se pautam mais por aquela enganosa opulência do passado.

De certa forma, é esse mesmo problema que inviabiliza o progresso e o desenvolvimento de muitos países que vivem, atualmente, da riqueza fácil gerada pela extração de petróleo. Para que, afinal, arregaçar as mangas? O ouro negro supre todas as carências...

Não é à toa que entre os países mais pobres da África figuram - em aparente paradoxo - os que possuem as maiores reservas mundiais de diamantes e pedras preciosas. A posse de recursos naturais abundantes e de fácil extração já causou a desgraça de muitas nações, através dos tempos.

O que dizer, então, quando a falsa abundância não provém de riquezas reais, mas de programas assistenciais promovidos pelos governos locais?

Os analistas isentos e imparciais seriam unânimes em afirmar que, nesse caso, o caminho da perdição seria ainda mais curto.

E se tais políticas paternalistas estivessem sendo promovidas num país pobre e desprovido de maiores recursos? Aí, então, seria suicídio - afirmariam os estudiosos -, uma nação deliberadamente atirando em seus próprios pés.

Pois é esse exatamente o caso do Brasil e do seu programa Bolsa-Família.

Segundo se vangloria o próprio governo, o programa já contempla 11 milhões de famílias, alcançando, assim, entre um quarto e um terço de toda a população brasileira. Trata-se de um exemplo ímpar: em toda a História universal, somos o único povo que logrou escapar da miséria com mesadas.

Argumentos para defender o Bolsa-Família não faltam. O difícil é acreditar que o programa seja viável para sempre.

Pode-se argumentar, a favor dele, que, em termos imediatos é uma forma eficaz de combater os malefícios causados pela miséria. Sem dúvida. Mas trata-se de um paliativo - um remédio que cuida dos efeitos, e não das causas da moléstia. Assim sendo, o seu efeito não é duradouro e tampouco definitivo.

Há pelo menos três aspectos cruciais que estão eivando a iniciativa:

Não se está exigindo, na prática, nenhuma contrapartida dos beneficiários;

não se está fixando um prazo máximo para a concessão do benefício;

o valor do benefício pago está-se revelando muito elevado.

Benefício concedido sem reciprocidade é esmola. E esmola não cria cidadãos ativos. Cria, isso sim, mendigos.

Benefício concedido para sempre não é uma ajuda, mas sim um privilégio. E privilégios não geram indivíduos independentes. Geram, quando muito, um massa disforme de parasitas.

Benefício com valor elevado não complementa o trabalho, mas o substitui. Não gera trabalhadores, mas desocupados. Em vez de pessoas ativas, uma multidão apática de ociosos. Um exército de pensionistas totalmente dependentes da boa vontade dos governantes.

Se o objetivo final de Lula e do PT é criar um gigantesco curral eleitoral, eles estão sendo muito bem-sucedidos. Os "bolsistas" do famigerado programa estarão sempre dispostos a sufragar os candidatos que o governo recomendar.

Mas se o que se pretende é emancipar as pessoas, então o Bolsa-Família está se revelando uma grande excrescência.

Como está escrito na porta do Inferno de Dante: "Abandonai todas as esperanças, vós que entrais"... Aqueles que se inscrevem no "Bolsa-Família" hão de saber que dele jamais sairão. As suas virtudes ativas, a sua independência, a sua cidadania, tudo isso, enfim, é impiedosamente moído tão logo se ingressa no programa. A ética do trabalho e do esforço como a única forma legítima de prosperar na vida deixa de existir já na soleira da porta.

Como reza o ditado, montar num tigre é fácil, o difícil é desmontar dele depois.

O Bolsa-Família é um programa que, uma vez implantado, não há mais como descartá-lo. Os milhões de beneficiários já estão acostumados com o aporte mensal do dinheiro fácil. Como dizer a eles que dali em diante deveriam suar o rosto para obtê-lo?

Tanto para o governo como para a oposição, propor o fim do Bolsa-Família seria eleitoralmente desastroso. E o programa, assim, se impõe como algo definitivo.

Aqueles que trabalham hão de votar na oposição, já aqueles que não trabalham votarão sempre no governo. Como estes últimos se estão tornando maioria, o continuísmo parece ser um prognóstico evidente.

Como é economicamente impossível pôr a totalidade dos brasileiros sob o guarda-chuva do Bolsa-Família - alguém tem de pagar a conta -, teremos no País, doravante, duas classes de cidadãos: a dos que sustentam e a dos que são sustentados pelo Bolsa-Família.

Quanto a você, que está lendo este artigo, a recomendação do governo é a seguinte: "Trate de trabalhar duro! Além da sua família, há mais 11 milhões de famílias que dependem de você!"

GOSTOSA


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ANCELMO GÓIS

Pré-sal ou CPI?

O GLOBO - 05/06/09

O governo tem adiado ao máximo a instalação da CPI da Petrobras por uma razão: mandou acelerar os estudos sobre o marco regulatório da produção de petróleo na região do pré-sal.
A ideia é o projeto chegar ao Congresso com a instalação da CPI para dividir as atenções.
SEGURANÇA NO AR
No momento em que todo mundo (a turma da coluna até) está com medo de voar, a Anac, após auditoria recente da Organização da Aviação Civil Internacional no nosso espaço aéreo, passou com louvor por outra.
Esta, menor, da Federal Aviation Administration, focada em segurança. O País manteve grau 1, top da agência americana.
PARDON, BRÉSIL
O comandante do voo 442 da Air France (Paris-Rio), que desceu ontem no Galeão, anunciou assim aos passageiros, em francês, depois da decolagem:
– A previsão do tempo em rota é bom, com alguma turbulência naquela região que todos sabem onde é...
PONTO FINAL
Ontem, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, disparou uma bateria de telefonemas para dizer que não será candidato à presidência do PT.
TRISTE PARTIDA
Fagner, na sessão de 100 anos de Patativa do Assaré no Senado, cobrou da ABL o reconhecimento do poeta cearense.
Fã do cantor e de Patativa, o imortal Marcos Vilaça diz que ele próprio prestou várias homenagens na Academia ao autor de Triste partida.
RONALDO NA CHINA
Ontem, no Pacaembu, Ronaldo Fenômeno gravou um comercial para a Vale. Mas a campanha não será exibida no Brasil.
Vai passar na China. Acredite: 60% das exportações da Vale são para lá. É o único mercado de ferro que cresce após a crise.
CONTADOR DE MORTES
O jornalão francês Le Monde fez reportagem sobre um painel em Recife que registra os homicídios em Pernambuco. Na verdade, o contador deixou de funcionar por falta de recursos. Mas, ontem, por volta de 13 horas, o site dos organizadores do protesto contra a violência marcava 1.851 assassinatos desde janeiro.
BBB NO TWITTER
Boninho, o diretor da TV Globo, virou fã do twitter.
No site mesmo, avisou: o próximo Big Brother, em janeiro de 2010, incluirá a comunidade virtual de mensagens curtas.
PAC DO SERTÃO
O ministro Juca Ferreira vai dar R$ 12,5 milhões para projetos culturais no semi-árido do Nordeste.
DEMOLIÇÃO PARADA
Veja como é difícil combater a ilegalidade no Rio. A 15ª Vara de Fazenda Pública determinou, por liminar, a suspensão da demolição do prédio 3703 em construção na Estrada de Jacarepaguá, em Rio das Pedras. A Secretaria da Ordem Pública já havia começado a demolição do edifício, que é erguido ilegalmente.
BAFAFÁ NA DP
Uma defensora pública da União no Rio foi à 16ª DP, na Barra, dia 27, registrar queixa de um roubo na casa de sua mãe.
Ela alega que recebeu ordem de prisão do delegado Robson Gomes Pereira por ter reclamado da demora de mais de 4 horas pelo boletim de ocorrência.

CLÓVIS ROSSI

A tortura do mistério

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/06/09

SÃO PAULO - Se não são mesmo do Airbus da Air France os destroços até agora recolhidos, conforme as informações que a Aeronáutica divulgou no início da noite, o mundo estará diante do maior mistério da era contemporânea.
Repito, agora com mais força, o que escrevi dias atrás: é inacreditável que, após quatro dias, não haja rastro de um enorme aparelho que percorria uma rota que é a mais usada no mundo em voos intercontinentais, se excetuados voos de e para alguns países asiáticos.
Tudo o que a Aeronáutica pode dizer, agora, é que os destroços avistados são do avião, mas, como os efetivamente recolhidos não eram, contrariando a primeira versão, cabe tomar cuidado.
É verdade que o jornal espanhol "El País" descrevia ontem o fundo do mar naquela região como "Alpes subaquáticos", por suas características montanhosas. Mas era uma alusão às previsíveis dificuldades para localizar a caixa preta do avião, não o avião inteiro.
Perdão por outra repetição: na era da tecnologia, da tecnologia da informação, das comunicações, parece inacreditável que desapareçam completamente um imenso avião e todos os seus passageiros mais bagagens sem que um sinal qualquer deles venha à tona.
Para parentes e amigos das vítimas, trata-se de uma tortura inexcedível. Os passageiros não estão vivos nem mortos, mas desaparecidos, por mais que a hipótese de que haja sobreviventes se torne mais e mais remota.
Trata-se, como é óbvio, de território fértil para que prosperem as versões mais fantasiosas ou os "chutes" sobre as causas do desastre. Um tipo de avião que era tido, até domingo, como superseguro agora já está sob suspeita. Acaba sendo uma tortura também para quem tem voos programados pela rota do acidente e com equipamento igual. Mistério é tudo que não combina com voar.

O IDIOTA

CLÁUDIO HUMBERTO

“A mim ele não engana”
SENADORA KÁTIA ABREU (DEM-TO), SOBRE O MINISTRO CARLOS MINC (MEIO AMBIENTE)

MINISTROS CANDIDATOS SAEM DEZEMBRO
O presidente Lula deve antecipar para dezembro a substituição dos ministros que serão candidatos a cargos eletivos no próximo ano. A única exceção será a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata a presidente da República, que permanecerá no cargo atual até o limite do prazo de desincompatibilização, ou seja, 3 de maio de 2010. A intenção de Lula é que os novos ministros executem todo o orçamento de 2010.
ELE É QUEM MANDA
Os ministros do último ano do governo Lula serão indicados, como já antecipou esta coluna, pela ministra-candidata Dilma Rousseff.
MINC DE QUATRO
Carlos Minc (Meio Ambiente) está disposto a qualquer coisa para ficar no ministério. Topa até tirar o colete. Desde que não lhe tirem o palco.
PÉ NO FREIO
Na reunião que começa terça (9), o Comitê de Política Monetária deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,25 pontos percentuais.
MENOS MAL
Com o pé sob suspeita de baixa temperatura, Lula não deve visitar nossa seleção nos vestiários, antes do jogo Brasil x Paraguai, quarta (10).
SENADORA ACUSADA DE COPIAR PROJETO DE SARNEY
Saia justa no Senado: a petista Serys Shllessarenko (MT) apresentou um projeto que regulamenta de uma vez por todas as regras de licitação nas empresas públicas e estatais, como a Petrobras, que sempre dão um jeito de ignorar a lei 8.666, aquela que disciplina as concorrências públicas. O vexame é que o projeto da senadora é considerado uma cópia de um projeto do senador José Sarney (PMDB), datado de 2007.
BEM NA FOTO
O ministro Geddel Vieira Lima (Integração) foi o único, da área do PAC, a merecer elogios da mãe do dito cujo, no 7º Balanço do programa.
ESPELHO MEU
A provável indicação do ex-senador José Eduardo Dutra para presidir o PT foi antecipada nesta coluna dia 19, ou seja, há duas semanas.
NOSSA GRANA
A Advocacia-Geral da União estendeu o contrato com a empresa de serviços gerais Liderança por R$ 150 mil.
JANELA DOS INFIÉIS
Lula torce pela “janela da infidelidade”, para que políticos pulem a cerca, mas preservem o mandato. O DEM será o partido a perder o maior número de filiados, nas contas dos seus dirigentes e do presidente Lula.
CASA AMARELA
O senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, sonha com Jarbas Vasconcelos (PMDB) disputando o governo estadual. É a chance que tem de retornar ao Senado. Mas o problema é que Jarbas ameaça amarelar, diante do favoritismo do atual governador Eduardo Campos.
MINISTRO GIM
Em alta no Planalto e com prestígio junto à ministra Dilma Rousseff, o senador Gim Argello (PTB-DF) é citado como um dos prováveis substitutos do ministro José Múcio na Coordenação Política do governo.
VALE LEMBRAR
Em 2004, após 60 anos, o governo francês encontrou o avião de Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico O Pequeno Príncipe. O avião dele sumiu no mar a caminho da Córsega, em julho de 1944. A companhia aérea era a Aeropostale, atualmente chamada de Air France.
ALMOÇO CHIQUE
No almoço que Marta Suplicy prepara para Dilma Rousseff em sua casa, amanhã, dona de casa ou operária só na cozinha. Estão convidadas, entre outras, Adriane Galisteu, Ana Maria Braga e Viviane Senna.
EM GRANDE ESTILO
Toda a cúpula do PR vai à solene filiação do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, dia 22, incluindo o ministro Alfredo Nascimento (Transportes), aquele que fez Carlos Minc (Meio Ambiente) amarelar.
DESCASO E MORTE
A embaixada do Chile está de luto: morreu em Brasília a mulher do Adido Naval, capitão-de-mar-e-guerra Hernan Miller, durante uma cirurgia. Ela teve duas paradas cardíacas, mas a clínica não tinha desfribilador.
FUNDO GARANTIDOR
Chega na próxima semana ao Congresso projeto criando o Fundo Garantidor para Micro e Pequenas Empresas. Seu objetivo é assegurar crédito para investimentos no setor produtivo e gerar novos empregos.
REGISTRO
O presidente Lula não foi à missa em homenagem às vítimas do vôo 447 da Air France, no Rio de Janeiro. Estava ocupado chegando de viagem.

PODER SEM PUDOR
O RAINHA PALESTINO
Yasser Arafat visitou o Brasil em 1995 e foi recebido no Senado pelo seu vice-presidente, Teotonio Vilela Filho (PSDB-AL). O líder palestino sapecou-lhe um beijo na bochecha e ficou de mãos dadas com ele. Vilela parecia preocupado: em Alagoas, homens não andam de mãos dadas. Livrou-se do incômodo ao se levantar para discursar, mas se atrapalhou, falando sobre a questão fundiária no Brasil. Depois Vilela se saiu com esta:
– É que estávamos diante do líder mundial dos sem-terra!

DORA KRAMER

Puro-sangue

O ESTADO DE SÃO PAULO - 05/06/09

Não houve acaso nem coincidências. Foi tudo bem pesado e medido: a ocasião, o recado, o mensageiro e até a ausência de Fernando Henrique Cardoso e José Serra no encontro nacional de mulheres do PSDB, quarta-feira em Brasília, tiveram um significado específico.

A ideia era deixar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, comandar o espetáculo exibido no primeiro palco disponível depois da divulgação de duas pesquisas de opinião confirmando o crescimento dos índices da ministra Dilma Rousseff na simulação de intenções de voto para presidente da República em 2010.

Aécio foi porta-voz de duas mensagens. Na explícita, atacou duramente o governo federal, defendeu a gestão do ex-presidente Fernando Henrique (coisa rara no PSDB), pregou a necessidade de ampliação do quadro de alianças partidárias e anunciou que o tucanato começará a “tratar da campanha” ainda em 2009, a partir do segundo semestre.

Na implícita, avisou aos navegantes que acabou a hora do recreio Esgota-se o tempo regulamentar do jogo da divisão interna e, portanto, é chegado o momento de começar a falar sério, pois a espinhosa empreitada não deixará vivos os amadores.

E por que Aécio no papel de mestre da cerimônia se as pesquisas mostram Serra na dianteira?

Naquele dia, o governador mineiro deu parte da resposta por duas vezes. Primeiro, no próprio encontro, quando informou que o colega paulista pedira que fizesse dele suas palavras. Como adversário na disputa interna pela candidatura a presidente, ninguém melhor que Aécio para falar em nome de Serra, a fim de construir a imagem da unidade.

Logo depois, em entrevista à TV Brasil, Aécio discorreu sobre a escolha da candidatura tucana, ressaltando que hoje as chances de Serra são muito maiores. Não capitulou, mas também não falou como oponente em campanha, cujo discurso natural seria o de salientar a possibilidade de virar o jogo nas prévias.

Além disso, a presença de Aécio à frente de um ato de cunho francamente eleitoral, valoriza o capital dele, ajuda o entendimento com os partidários do mineiro e permite ao partido dar os primeiros sinais de vida sem que José Serra altere seus planos de só entrar na campanha em 2010.

O governador de São Paulo teme uma reação negativa do eleitorado paulista, que já o viu quebrar a promessa de ficar na prefeitura da capital até o fim o mandato. Na avaliação dele – certamente baseada em pesquisas – a população não gostaria de vê-lo abandonar a administração do estado para se dedicar à candidatura presidencial menos de três anos depois de eleito.

O gesto de comprometimento do governador de Minas também serve para enfraquecer especulações sobre a hipótese de Aécio sair candidato por outro partido. Na segunda-feira mesmo, o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, aventou a possibilidade de apoiar o mineiro. Obviamente, excluído o PSDB.

Esse tipo de investida é resquício da esperança dos governistas de que Aécio disputasse a eleição contra Serra e sinal do receio de uma possível chapa unindo os governadores de São Paulo e Minas Gerais.

Nova edição

O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh negou a existência do mensalão em seu depoimento como testemunha de defesa dos acusados, com uma nova versão da história. Segundo ele, a prova seria sua derrota na disputa pela presidência da Câmara, pois, se houvesse a aludida mesada aos deputados da base aliada, “o resultado talvez fosse outro”.

Nem Greenhalgh perdeu por falta de pagamento nem a acusação é esta. A denúncia é que o PT financiou campanhas eleitorais de partidos amigos com repasses ilegais de verbas. Em parte públicas, em parte obtidas mediante empréstimos bancários fraudulentos.

Em fevereiro de 2005, Luiz Eduardo perdeu a eleição porque a direção do PT impôs sua candidatura para agradar a ala esquerda do partido e uma ala da bancada reagiu lançando a candidatura de Virgílio Guimarães. Dividido e referido em suas questões internas, o PT abriu espaço para a eleição de Severino Cavalcanti.

Do avesso

“Uma coisa é certa: perco o pescoço, mas não perco o juízo”, avisou a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, um ano e meio antes de se demitir do cargo por se recusar a adaptar a gestão da política ambiental ao ritmo exigido pelo calendário das obras em que Lula gostaria de deixar sua assinatura.

Já o sucessor, Carlos Minc, recebe críticas da oposição e da situação, é ironizado publicamente pelo presidente Lula por fazer “algazarra” na ausência dele e, ainda assim, anuncia que fica “até o fim do governo”.

Ficando ou não, uma coisa é certa: entre o pescoço e o juízo, o ministro preserva o que lhe resta.

QUASE PARANDO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Cresce mistério sobre tragédia: destroços não são do avião

- Folha: Obama quer nova relação com mundo muçulmano

- Estadão: Obama propõe aliança com mundo islâmico

- JB: A máquina contra o homem

- Correio: Poupança volta a ser melhor negócio

- Valor: Limite para a queda dos juros opõe Fazenda e BC

- Estado de Minas: Hotéis de BH já investem de olho na Copa (pág. 1)

- Jornal do Commercio: Barragens cheias em todo o Estado