quarta-feira, maio 20, 2009

PAINEL

Plataforma eleitoral

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/05/09

Uma das siglas que os governistas gostariam de manter longe dos olhos da CPI da Petrobras é a Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), entidade guarda-chuva de empreiteiras que mantêm contratos com a estatal. Na cúpula da Abemi estão diretores de empresas que declararam gordas doações eleitorais, em especial ao PT mas também ao PMDB.
São empreiteiras com ampla atuação no setor elétrico, feudo peemedebista. Até 2008, o presidente da Abemi era Ricardo Ribeiro Pessôa, ex-diretor e hoje conselheiro vitalício da UTC Engenharia. A empresa destinou a candidatos petistas 90% de tudo o que doou em 2006 e 2008. O atual presidente da Abemi, Carlos Maurício de Paula Barros, é do grupo MPE, doador preferencial de campanhas do PMDB.



Reserva. A Abemi gerencia um convênio de R$ 220 milhões, firmado sem licitação, para capacitar mão-de-obra. Além de repasses diretos da Petrobras, o programa recebe uma fatia dos royalties pagos à União por meio do fundo setorial do petróleo. A coordenação é do peemedebista Edison Lobão (Minas e Energia).

Histórico 1. Na lista de empreiteiras que têm contratos sem licitação aparece a Engevix: R$ 1,38 bilhão para tratamento de gás natural de Cacimbas (ES). O presidente, Cristiano Kok, pilotou a Abemi até 2004. Em 2008, a Engevix financiou campanhas de petistas como Luiz Marinho (São Bernardo) e Sebastião Almeida (Guarulhos).

Histórico 2. A UTC chegou a ser investigada pela Comissão de Valores Mobiliários por fraude em operações na BM&F em 2002. À época, a operadora foi a corretora Bônus-Banval, que ganhou fama no caso do mensalão. A UTC atua no campo de Jubarte. Em 2006, foi a maior doadora da campanha do senador Delcídio Amaral (PT) ao governo de Mato Grosso do Sul.

Na rua. Incitada pelo PT, a Federação Nacional dos Petroleiros faz protesto contra a CPI amanhã no Rio. A ideia é martelar que "o PSDB quer desmoralizar a empresa para depois privatizá-la".

Pitbulls. O Planalto espera contar com os petistas Aloizio Mercadante (SP) e Ideli Salvatti (SC) para reduzir sua dependência do PMDB na CPI.

Marcado. O pedido de abertura de processo criminal contra o ex-ministro Antonio Palocci, por suspeita de violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, será julgado pelo plenário do STF em 4 de junho. A data foi definida ontem pelo ministro Gilmar Mendes, relator do caso.

Tempo real. Lula foi informado antes das 10h de ontem em Pequim (23h de segunda no Brasil) sobre a internação de Dilma Rousseff. Na hora pediu uma avaliação ao médico da Presidência, integrante da comitiva. Este o tranquilizou dizendo que eram apenas os efeitos colaterais esperados da quimioterapia.

Calendário. Está prevista para a primeira quinzena de agosto a última sessão de quimioterapia de Dilma.

Tenho dito. Do governador José Serra, sobre o agito da semana na seara tucana: "Aécio e eu nunca conversamos sobre a composição da chapa de 2010. Muito menos fizemos acordo a respeito".

Atraso. A falta de teto pela manhã em Cumbica e a prioridade dada aos voos comerciais quando o aeroporto foi reaberto afetaram a distribuição da Folha e do "Estado de S. Paulo" em Brasília ontem. Os exemplares chegaram à capital por volta das 15h30, e só foram liberados para distribuição após as 17h30.

Visita à Folha. Paulo Renato Souza (PSDB), secretário da Educação do Estado de SP, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Guilherme Bueno de Camargo, secretário-adjunto, e de Roger Ferreira, coordenador da assessoria de imprensa. 


com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"Saúdo o PTB por ter indicado o ex-presidente Fernando Collor. Se ele enfrentou uma CPI contra si próprio sem tentar interferir, nada fará nada para impedir as investigações." 

De ARTHUR VIRGÍLIO , líder do PSDB, sobre a escolha do senador de Alagoas como membro titular da CPI da Petrobras.

Contraponto

Mesa redonda Durante a visita a Pequim, Lula foi entrevistado pelo "Top Talk", líder de audiência da rede estatal CCTV-1. Fã do futebol brasileiro, o apresentador Shui Junyi dedicou ao tema 10 dos 50 minutos do programa.
-É mais fácil ser presidente ou técnico?- perguntou.
-Técnico é mais difícil, porque só apanha. Presidente as pessoas respeitam um pouco mais- respondeu Lula.
Aproveitando o gancho esportivo, Lula elogiou os Jogos de Pequim e disse esperar que o Brasil organize uma Olimpíada tão "brilhante" quanto a do ano passado.
-Não sei quanto ao nosso presidente, mas o meu apoio o Brasil já tem!- encerrou o âncora todo simpático.

COISAS DA POLÍTICA

Em busca das grandes causas

Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 20/05/09

Há, na prática política, duas razões que se completam: o poder como realização de um projeto coletivo e o poder como afirmação pessoal. Sem o mínimo de ambição própria, ninguém busca a carreira política. Se a ambição pessoal é domada pelo interesse público, revelam-se os homens de Estado – o que é mais raro a cada dia. No mundo inteiro o interesse público está sendo esquecido. Disso é exemplo o que ocorre na Inglaterra. Não sabemos se os parlamentares britânicos – entre eles dois cerimoniosos membros da Câmara dos Lordes – imitaram seus colegas de outros países ou descobriram por si mesmos como obter benefícios ilícitos suplementares. Mais importante do que esses desvios éticos, é a constatação de que o mundo parece ter perdido as grandes ideias – e a história patina, sem insinuar seu rumo. A política, assim, deixa de ser paixão por uma causa para se tornar apenas esperteza. Isso pode ser o sinal de que, diante do descalabro, os cidadãos venham a reagir, de forma radical como no passado, mas pode também indicar duradoura época de conformismo com a opressão.

Descendo a encosta das preocupações, e olhando o Brasil desde o nevoeiro artificial da Esplanada dos Ministérios, com os Três Poderes ao fundo, o quadro sucessório começa a mover-se. Move-se da mesma forma que em todas as sucessões, mas com as características da conjuntura. Uma delas, disso goste ou não a oposição, é o prestígio do chefe de governo, o que não assinala prestígio do governo, como um todo, nem do partido que ele criou e que dispõe de maior presença no centro do poder. O que faz a força de Lula, mais do que os resultados da administração, é sua história pessoal. Os homens que nascem pobres costumam destacar-se como atletas, atores, escritores, empreendedores. Lula é dos poucos que se destacaram no exercício do poder. O metalúrgico, que convive com os grandes do mundo sem perder seu jeito – e cuja carreira faz lembrar, com todas as diferenças, a de Josip Broz Tito – é titular de biografia poderosa e respeitável. Negá-la é inútil. Isso não o transforma em santo, nem o exime de muitos erros, como o de copatrocinar reforma política mais do que conservadora, porque poderá manter no Parlamento as oligarquias reacionárias de hoje.

Além disso, alguns partidos se debatem com a crise de identidade. Talvez mais inquietas sejam parcelas do próprio PT, que tem perdido muito de seu lastro na mesma medida em que o governo, pelas razões próprias do processo, se tornou ecumênico. Ele pode ter obtido posições de mando direto, no governo de alguns estados, mas isso se explica pelas alianças políticas regionais. No processo eleitoral, e na composição ministerial, o partido trocou muitas de suas doutrinas pelo pragmatismo.

Não só o PT passa pelo corredor da perplexidade. O PSDB está dividido entre o desvario da oposição parlamentar e a moderação de seus dois líderes com poder real, os governadores de São Paulo e de Minas. Aécio e Serra se contrapõem, na justa e natural aspiração à Presidência, mas coincidem em não exercer a oposição histérica de alguns senadores da bancada. Quem tem a possibilidade de chegar ao Planalto não comete a insensatez de desestabilizar o regime. Não há evidência maior dessa conduta impensada do que a CPI da Petrobras. Como diria Ulysses Guimarães, as CPIs não são latinhas da Pomada Maravilha, destinadas a curar a epiderme. O Senado dispõe de outros instrumentos para corrigir os eventuais erros da grande empresa, sem colocá-la em risco, no momento delicado em que o novo nível de exploração, o do profundo subsolo, reclama cuidados especiais. A oposição, e seus aliados na base do governo, perderam um de seus objetivos: não conseguiram, com o anúncio da CPI, impedir o acordo petrolífero com a China.

A Câmara Alta deveria, neste momento, limpar seu recinto, maculado pelos escândalos que revelam o descuido de alguns de seus líderes no controle dos administradores da própria Casa, antes de investigar atos alheios. Mas há o interesse de turvar as águas para esconder os jequis e facilitar a pesca. Nesse objetivo, trabalha uma das alas mais à direita do PMDB. Salvam-se, no ex-glorioso partido, as exceções conhecidas.

Todos os partidos padecem, uns mais e outros menos, da mesma anemia. É provável que nos próximos meses os cidadãos, no exercício da indignação e a esperança que alimentam as grandes causas, possam impor solução democrática à sucessão, com a necessária continuidade do desenvolvimento, ajustada às circunstâncias – e sem continuísmos.

GOSTOSA


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INFORME JB

Paes anunciará a Cidade do Futebol

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 20/05/09

O Rio vai ganhar o Museu da Fifa, que será construído pela prefeitura na Barra da Tijuca. No mesmo local, será erguido um complexo esportivo, a Cidade do Futebol. Caberá ao prefeito Eduardo Paes (foto) o anúncio, conforme adiantou ele ao Informe, a partir do dia 4 de junho. "É quando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, volta ao Brasil depois da divulgação do nome das sedes da Copa 2014", adianta um animado Paes. O alcaide vai bancar sozinho o museu, que terá projeto da CBF. A confederação, por sua vez, une-se à prefeitura para construir o complexo que abrigará concentração e campos de futebol. Paes ofereceu um grande terreno a Teixeira, mas este recusou. Diz que vai comprar a área.

Em casa Vale ouro

Eduardo Paes vai fechar acordo com Ricardo Teixeira para fazer do Rio a residência oficial da Seleção de 2014.

O terreno da Barra, segundo fontes do mercado, está avaliado em R$ 90 milhões. Teixeira quer ali também um hotel e um megaprédio como sede da CBF.

Candidato

Paes respira o projeto Rio 2016. A Cidade do Futebol, ao ser anunciada, pode ajudar a capital na disputa no Comitê Olímpico Internacional. E o prefeito não tira do paletó o broche da logo da campanha.

Escolinha

Paes e o governador Sérgio Cabral adotaram um uniforme. Blazer preto e camisa social cor azul, de gola aberta.

Corra, Aloizio, corra

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), corre contra o tempo no dever de enfraquecer a CPI da Petrobras, já que não conseguiu evitá-la. Na sexta, dia crucial, Mercadante estava em Presidente Prudente (SP) para um seminário de gestão pública.

Linha direta

Mas Mercadante tentava, ao celular, convencer colegas a desistirem da CPI. Enquanto o ministro José Múcio e o senador Gim Argello suavam a camisa em Brasília.

Luz acesa

Os governadores Aécio Neves (MG) e José Roberto Arruda (DF) têm reunião importante hoje em Brasília. Nada de cantinho. Em ambiente bem iluminado.

Cadê?

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, só teve a companhia de três secretários municipais no lançamento da Prefeitura Itinerante na longínqua Zona Oeste: o de Saúde, o de Transportes e o de Obras. Jandira Feghali (Cultura) não foi, mas mandou justificativa: a morte do pai.

Os trapalhões

Pelo menos quatro dos 11 ministros do STF discutem, à boca pequena, como restringir a transmissão ao vivo da TV Justiça, depois do histórico bate-boca entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Das duas, uma: ou querem evitar mais exposição do plenário, ou preveem mais briga pela frente.

Só replay

O quarteto alega que pode ser feita uma edição mais cuidadosa das sessões, para posterior exibição na TV Justiça. Mas para o constitucionalista e professor de direito da Uerj Gustavo Binenbojm "os ganhos em termos de transparência e legitimação das decisões têm compensado, plenamente, eventuais desgastes".

DORA KRAMER

Gente desobediente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/05/09

Pode ser só impressão, mas o presidente Luiz Inácio da Silva parece um tanto silencioso demais em relação à retomada da ofensiva em prol do terceiro mandato. Já faz duas semanas – 14 dias exatos – que o senador Fernando Collor deu uma entrevista ao jornal Valor Econômico abrindo nova temporada de manifestações em favor da realização de um plebiscito ou de uma emenda constitucional a ser submetida ao referendo popular, e Lula até agora, nada. Quieto, não deu uma palavra a respeito.

Sua assessoria, sempre célere na distribuição de versões sobre a “irritação” do presidente com isso e aquilo, tampouco se movimentou. Os tradicionais arautos da tese, o deputado petista Devanir Ribeiro à frente da caravana, igualmente se abstiveram de pronunciar suspiro.

Outros personagens assumiram a tarefa. A Collor seguiu-se o deputado cassado Roberto Jefferson, ambos do PTB. Ao PMDB coube dar objetividade ao debate, por intermédio do deputado Jackson Barreto – ex-prefeito de Aracaju, como o atual governador de Sergipe, Marcelo Déda, do PT –, que anuncia para o fim do mês a apresentação de uma emenda constitucional propondo a possibilidade de mais de uma reeleição para presidentes, governadores e prefeitos.

Barreto recolheu, também em silêncio absoluto, as 171 assinaturas de deputados, necessárias à formalização da proposta. Por ela, se o Congresso aprovar a emenda, em setembro a novidade seria submetida a referendo da população. Um ano antes da eleição, a tempo de valer para o que interessa: a presidencial de 2010.

O presidente da República já afirmou reiteradas vezes (em público, diga-se) que não tem o menor cabimento alterar a Constituição para lhe dar a chance de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. “Seria brincar com a democracia”, disse numa dessas ocasiões.

Chegou, consta, a admoestar o deputado Devanir Ribeiro, seu amigo dos velhos tempos de ABC, quando ele começou a defender aberta e claramente a alteração das regras. Logo após a reeleição disse que seu plano era assar “uns coelhinhos” depois de deixar a Presidência.

Mas, a despeito de toda essa firmeza, sua base aliada não lhe segue as orientações. Ou não as leva a sério. Lula, como se sabe, é daqueles chefes que, nas internas, comanda na base no grito. Mete medo, não deixa espaço para contestações, não admite que o desautorizem.

Consegue tudo, até impor um projeto de candidatura presidencial de baixo para cima, goelas adentro. Só não consegue que os companheiros o obedeçam e parem de criar constrangimentos institucionais, dando a entender que ele poderia compactuar com essa história de terceiro (e por que não um quarto ou quinto?) mandato.

Mal comparando, algo semelhante ocorre com presidentes da Câmara e do Senado. Poderosos, podem fazer a chuva cair e o sol aparecer dentro do Congresso, mas não podem assegurar a lisura da conduta de suas excelências.

No caso do Parlamento, a explicação tornou-se clara ultimamente: o comando não impõe o controle porque compactua com o descontrole. Em relação ao silêncio do presidente há outras possibilidades: ele pode estar farto de repetir a negativa, pode considerar perda de tempo falar sobre um assunto com prazo de validade vencido, pode preferir ignorar por achar a hipótese inexequível, mas pode também dar margem a que se interprete seu mutismo como sinal de consentimento.

Donde, a conveniência de tal silêncio não se prolongar para que não recenda a licenciosidade.

Mineiramente

O governador de Minas, Aécio Neves, acaba ficando rouco de tanto desmentir o indesmentível: que as cúpulas do PSDB e do DEM há mais de um ano trabalham com a ideia da chapa presidencial puro-sangue com ele como vice de José Serra.

Mas, desta vez o governador limitou-se a negar a oficialização do projeto, não a existência dele.

Embora verossímil a negativa de que martelo tenha sido batido, o episódio faz lembrar velha piada mineira pelo próprio Aécio citada para negar sua saída do PSDB.

Dois políticos mineiros se encontram e um pergunta para onde o outro está indo. “Vou para Barbacena.” O primeiro pensa: “Ele diz que vai para Barbacena para eu pensar que ele vai para Lavras, mas ele vai é para Barbacena mesmo.”

Sobre uma possível mudança de partido, Aécio interpretou assim a analogia: “Se estou dizendo que vou para Barbacena, não é para despistar, vou mesmo.” Ou seja, ficar no PSDB. No caso da composição da chapa puro-sangue, a questão ficará em aberto até o fim de 2009, quando então se saberá se Aécio Neves vai mesmo para Barbacena ou se desta vez despista e Lavras é, de fato, o seu destino.

Um adendo, apenas. O governador alega que mais produtivo seria o PSDB se aliar a um outro partido. Mas, uma vez que o DEM apoia o plano “puro-sangue” e o PMDB prefere o conforto da dubiedade, não sobram parceiros politicamente significativos.

O IDIOTA E OS OVOS DE OURO


ANCELMO GÓIS

PÉ NO FREIO

O GLOBO - 20/05/09

A norueguesa Norse Energy e a americana El Paso estão desacelerando seus investimentos no Brasil.
As duas demitiram uns 30 técnicos altamente especializados.
DE VOLTA PARA CASA
O carioca Otávio Lazcano, após 12 anos trabalhando com Benjamin Steinbruch, deixou a diretoria financeira da CSN.
Volta ao Rio para trabalhar com Eike Batista.
AS VOLTAS QUE... 
Luciano Coutinho, presidente do BNDES, contou ontem no Fórum Reis Velloso, no Rio, que, nessa crise global, pelo menos num aspecto, as coisas mudaram a favor do Brasil.
É que montadoras no corredor da morte lá fora tentam investir em novas fábricas aqui com grana do BNDES, mas o banco, para emprestar, não quer mais, como antes, o aval da matriz. Pelo contrário. Só empresta se a matriz ficar fora.
CENA BRASILEIRA
Veja a influência das novelas (no caso, Caminho das Índias, da nossa Glória Perez, da TV Globo) na vida real.
Segunda, no saguão do Edifício Cidade do Leblon, no bairro chique carioca, um menino de uns 4 anos, ao ver o elevador chegar, disse para a mulher que o acompanhava: “Hare baba, vem Mamaji, já é nossa vez”.
FATOR FURLAN 
A turma que negociou a fusão Perdigão-Sadia é só elogios ao ex-ministro Luiz Furlan. 
Seu período no governo talvez tenha ajudado na arte da costura política, necessária para juntar umas 70 pessoas das famílias Fontana e Furlan.
“PARTIDO POLTRÃO”
Do senador Mão Santa (PMDB-PI), da tribuna:
– Meu partido está repleto de nomes que podem ser candidatos a presidente. Quem no PMDB afirmar que a agremiação não tem candidato é energúmeno, vendilhão e poltrão.
É. Pode ser.
MAS... 
Em aparte, o senador potiguar Garibaldi Alves, do PMDB do L (do Lula), pôs água no chope de Mão Santa:
– O PMDB não tem uma liderança nacional que empolgue.
Alves tem razão.
ATÉ TU, JUSTUS?
Outro dia, em O aprendiz, da TV Record, programa em que candidatos passam por uma seleção com Roberto Justus, o apresentador “demitiu” um deles por escrever errado.
Mas ontem, em bate-papo no site Uol, Justus (ou alguém por ele) tascou “dorsal” com... “ç”.
O AMOR É LINDO 
No evento que reuniu ativistas gays no Palácio Guanabara, Cabral contou que tem uma parceria antiga com Carlos Minc: “Mas não é aquela parceria que vocês estão pensando...”, disse.
Minc, gaiato, retrucou: “Por enquanto, né, governador?” 
GATO NO CHOPE 
A Light sapecou conta de R$ 115 mil no Devassa de Ipanema.
Carioca é Zero O Rio deve ser o lugar onde mais se bebe Coca Zero no mundo. Pesquisa do AC Nielsen mostra que, em abril, a participação da marca no setor de refrigerantes no Grande Rio foi de 7,5%.
É quase o dobro do percentual da Coca Zero no mercado brasileiro, seu maior no mundo.

ELIO GASPARI

Sem Dilma, a carta de Lula 3.0 virá da rua

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/05/09


O silêncio dos dois candidatos tucanos à Presidência é hoje estímulo para o PT


A DOENÇA da ministra Dilma Rousseff acordou o fantasma de uma emenda constitucional que abra o caminho para Nosso Guia disputar nas urnas um terceiro mandato. Como sempre acontece, essas tempestades nascem na periferia. O projeto, que prevê um referendo popular, virá do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) e há uma semana a proposta foi trazida pelo sindicalista Paulo Vidal, que nos anos 70 antecedeu Lula na presidência dos metalúrgicos de São Bernardo. Nas suas palavras, com seu estilo:
"Imaginar pura e simplesmente que politicamente seria importante cumprir as normas constitucionais e tirar o Lula da Presidência, eu acho que todos nós temos que repensar isso. (...) A companheira Dilma que me desculpe."
(Num lance pérfido, Lula já contou que, durante a ditadura, "muitos companheiros presos disseram que Paulo Vidal era quem tinha dedado.
Eu, sinceramente, não acredito." Se não acreditasse, não deveria ter dito, sobretudo quando se sabe que na oficina de ourivesaria stalinista do mito de Nosso Guia, Vidal é colocado no papel de policial.)
Se a candidatura da doutora Dilma Rousseff sair do trilhos, são fortes os sinais de que a carta petista será a emenda constitucional que permita a disputa do terceiro mandato. A manobra exige que até setembro três quintos do Congresso votem a favor da medida, para levá-la a um referendo. Pode-se antever dificuldades no Senado, que já negou essa maioria ao governo no caso da prorrogação da CPMF, mas uma coisa é certa: se a nação petista for para esse caminho, ela não se fará ouvir com maiorias parlamentares, virá com o ronco das ruas.
A expressão "terceiro mandato" trai a abulia política em que se prostrou a oposição. O que Lula pode vir a pedir é o direito de disputar uma terceira eleição. A ideia de "mandato" pressupõe que, podendo disputar, ganhe na certa.
O comportamento dos dois candidatos tucanos à Presidência da República diante da opção queremista (ecoando o "Queremos Getúlio" de 1945) é hoje estímulo para o PT. José Serra e Aécio Neves guardam obsequioso silêncio em relação ao assunto. Serra e o PSDB meteram-se numa camisa de força institucional. Um governador de São Paulo e um partido que simpatizam com uma reforma política capaz de criar o voto de lista por maioria simples ficam numa posição girafa se quiserem condenar um projeto de reeleição que vai buscar os três quintos exigidos para reformas constitucionais para que se realize um referendo.
No caso do governador de Minas Gerais, chega a ser difícil entender por que ele condenaria a manobra queremista, capaz de levá-lo ao melhor do mundos. Primeiro porque a mudança permitiria sua própria reeleição (refrigério de que Serra já dispõe, caso não queira ir para outra disputa com Lula). Em 2014, Aécio Neves estará livre de seu principal adversário, que se chama José Serra, não Lula.
É possível que Serra, Aécio e grão-tucanato deem pouca importância aos sinais de fumaça que saem da panela do Planalto. Em 1995, muita gente boa da oposição se recusava a acreditar que Fernando Henrique Cardoso mudaria a Constituição para se reeleger em 1998. Deu no que deu, colocando no colo dos tucanos a paternidade do instituto da reeleição.

GOSTOSA


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CLÁUDIO HUMBERTO

“O PSDB gostaria mesmo é de privatizar a Petrobras”
MINISTRO PAULO BERNARDO (PLANEJAMENTO) , QUE ACUSA O PARTIDO DE QUERER DESMORALIZAR A ESTATAL

GRANULOKINE PROVOCOU AS DORES DE DILMA
Chama-se Neupogen (Granulokine, no Brasil) o remédio que provocou as dores na ministra Dilma Rousseff e a levaram ao hospital. Ela sentiu dores muito fortes que se estendiam da panturrilha ao quadril pelo nervo ciático, principal dos membros inferiores. O remédio é necessário porque aumenta glóbulos brancos na corrente sanguínea, melhorando a defesa contra infecções. É um dos possíveis efeitos colaterais da quimioterapia.
ASSIM NÃO DÁ
Além de não diminuir o ritmo de trabalho, Dilma Rousseff não se alimenta direito. Segunda (18), quando passou mal, nem sequer havia almoçado.
FIOS BRILHOSOS
Dilma não quis esperar a queda de cabelos e raspou a cabeça. Aprovou a peruca, que imita o antigo penteado, mas achou os fios “brilhosos”.
PRIMEIRO A SAÚDE
José Dirceu está entre os amigos que defendem a diminuição do ritmo de trabalho Dilma. A prioridade é cuidar da saúde dela, diz o ex-ministro.
INVESTIMENTO PERDIDO
Alguns empresários toparam ir à China com Lula esperando encontrar o ministro Guido Mantega (Fazenda). A ausência dele frustrou o lobby.
CEMIG NEGOCIA 49% DA CEB POR R$ 500 MILHÕES
Os governos de Minas Gerais e do Distrito Federal negociam 49% da Cia Energética de Brasília. Os governadores Aécio Neves (PSDB) e José Roberto Arruda (DEM) cuidam pessoalmente da transação: a Cemig (Cia Energética de Minas) pagaria R$ 500 milhões pela participação acionária na CEB, dos quais R$ 200 milhões seriam usados para saldar dívidas e o restante investido na rede de energia no DF, uma das piores do País.
PRESSÃO DA MAROLA
O desemprego gerado pela crise econômica elevou a inadimplência. O comércio já registra crescimento de 10,08% no calote no quadrimestre.
LULA NO FORRÓ
Lula confirmou que vai à abertura do São João de Caruaru (PE), dia 30. Pretende levar Dilma Rousseff, se o estado de saúde dela o permitir.
AGIOTAS NO PODER
Em países que enfrentaram o tsunami a taxa de juros é próxima de zero. No Brasil, os juros do cheque especial atingem 170% ao ano.
FAB S/A 
A FAB está cobrando R$ 800 mil do Ministério do Desenvolvimento para levar o ministro Miguel Jorge, empresários e diplomatas à Nigéria, Guiné Equatorial, Gana e Senegal de 7 a 12 de junho. A TAM quer 30% a mais.
CNMP É FRAQUINHO
Além do cerco a privilégios, a força-tarefa nos tribunais de Justiça, para melhorar os serviços nos Estados, mostra que o Conselho Nacional de Justiça justifica plenamente sua existência, ao contrário do Conselho Nacional do Ministério Público. O CNMP ainda não disse a que veio. 
SÃO UNS AMORES
Americano é muito bonzinho. Ao desembarcar nos EUA, um turista de Brasília encostou sua mão, sem querer, na mesa do sujeito da Imigração e o brutamontes gritou: “Tire suas mãos contaminadas da minha mesa!”
IMPOSTO “CUMPANHÊRO”
A Anatel arranca de concessionários e permissionários de radiodifusão e telecomunicações um novo tributo, a “Contribuição para Incremento da Radiodifusão Pública”, para a TV do Lula. Até radioamador vai pagar.
MENSALÃO NO CINEMA
Produtor de Tropa de Elite, Marcos Prado planeja um filme sobre o mensalão, a partir das revelações do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Tem gente em Brasília que pagaria (caro) para não aparecer.
O REI DO GADO
Após fazer apologia da maconha, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) produz outro factoide, agora em Rondônia, capturando bois em áreas de preservação. Na última presepada do gênero, no Pará, fez o contribuinte gastar R$ 1 milhão para manter o gado confinado por dois meses. 
BALANÇA TORTA
Pelo sexto mês consecutivo, a arrecadação federal teve queda de 8,5% em abril. No outro lado da balança, as despesas da União aumentaram 15,3% no quadrimestre de janeiro a abril. 
NEM PENSAR
Diante da fusão da Sadia com a Perdigão, no que vem ocorrendo na vida parlamentar, vale lembrar o conselho do estadista alemão Von Bismarck: “Não queira saber como são feitas a salsicha e a política.”
EMPREGOS EM PERIGO
A fusão da Sadia com a Perdigão deve provocar enxugamento nas duas empresas. Ou seja: para crescer, vão cortar na própria carne. 

PODER SEM PUDOR
MEDO DE VIRAR GENI 
Em 1995, após um encontro político em Ribeirão Preto (SP), o deputado João Mellão ofereceu carona ao colega Corauci Sobrinho. Fez mais: ofereceu-lhe a chance de dirigir o seu magnífico Jaguar. Ele recusou:
– Nem morto. Se me virem dirigindo esse carro, vou ser apedrejado!
Sentou no banco do carona enquanto Mellão, orgulhoso, discorria sobre o carrão, até notar que ele estava agachado, quase sentado no assoalho.
– Estou amarrando o sapato... – desculpou-se Corauci.
Mellão soltou uma gargalhada: o sapato do colega não tinha cadarços.

MÍRIAM LEITÃO

Carne forte

O GLOBO - 20/05/09

Em toda fusão que forma uma empresa com grande poder de mercado aparecem dois argumentos: o de que o Brasil precisa de grandes empresas nacionais e o de que as sinergias impedirão as demissões. Depois todas demitem, e a Ambev virou belga. Nildemar Secches, da Perdigão, e Luiz Furlan, da Sadia, garantem que no caso da Brasil Foods será diferente.

Furlan pede que não se compare esse caso com o da Brahma-Antarctica, que criou a Ambev. “Não vale a comparação. Nós temos 50 mil acionistas brasileiros, pessoas físicas e jurídicas, bem implantados no Brasil. Quantas latinhas elas vendiam no exterior antes de se juntar? Nenhuma. Quanto nós vendemos? Cerca de US$ 5 bilhões em 110 países, 45% do faturamento.”

Tanto Nildemar quanto Furlan, com os quais eu falei ontem, usam o argumento da necessidade de formação de grandes grupos nacionais. “País sem marca não tem futuro. Todos os países emergentes nos últimos anos investiram na formação de grandes empresas nacionais. Veja só o que a Espanha fez com a Telefónica e o Santander”, diz Furlan.

O fato é que, por mais que o país queira e precise de grandes empresas, o argumento nacionalista não pode justificar negócios, nem flexibilizar regras. Nildemar garante que não é isso que o novo grupo quer.

“Vamos respeitar todas as regras do Cade e manter as operações segregadas até o julgamento do caso. Temos argumentos técnicos para defender a operação da crítica de concentração de mercado. Em alguns setores, como frango in natura, pode chegar a 30%. Mas não haverá grande concentração.”

Segundo eles, o mercado brasileiro tem pelo menos 30% de informalidade e, por isso, eles não estão nos dados oficiais de participação de mercado. Dizem que querem é crescer internamente nos segmentos de processados e derivados de carne, aumentando a base de consumidores. “Nos EUA, esse segmento tem 40% do mercado de carnes; aqui, tem 15%”, conta Nildemar.

Furlan lembra que o Brasil tem espaço para crescer através da inclusão de novos consumidores, e diz que a empresa sempre apostou nisso. “Nossa fábrica em Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, tem capacidade de produzir 450 mil quilos por dia de alimentos. Precisamos de pelo menos um milhão de consumidores para tudo isso”, diz Furlan.

Eduardo Roche, chefe de análise da Modal Asset, acha que a Perdigão pagou um preço justo pela Sadia, cerca de R$ 6,04 por ação. Mas ele acha que até o fim de julho, prazo para o lançamento de ações, esse valor pode ser um pouco prejudicado. Ele conta que ainda está sendo avaliado pelo mercado o valor da sinergia das empresas, com estimativas entre R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões.

Haverá concentração forte em alguns segmentos, como aves, embutidos e congelados. Mas é difícil saber como será a postura do Cade. O Brasil não tem uma jurisprudência lógica no assunto. O mesmo órgão que impôs à Colgate a punição de tirar a marca Kolynos do mercado por quatro anos foi o que aceitou a fusão da Antarctica e da Brahma, que gerou mais concentração do que na pasta de dente. Depois, o Cade interferiu na compra da Garoto pela Nestlé.

Segundo uma advogada especializada em Direito Concorrencial, o processo de análise dos impactos que a fusão terá sobre os consumidores deve levar cerca de um ano, até a decisão do Cade. Essa demora é prejudicial aos consumidores porque a união acaba virando fato consumado. E, além disso, o sistema brasileiro de defesa da concorrência é lento e tem instâncias demais.

O que a Sadia e a Perdigão terão que fazer agora é definir em quais segmentos possuem produtos em comum e quais são as participações de mercado de cada empresa. Depois disso, a Secretaria de Acompanhamento Econômico e a Secretaria de Direito Econômico emitirão pareceres sobre os dados apresentados pelas empresas. Só então o Cade decidirá.

Os dois executivos garantem que não se pensa em demissões e, sim, em contratações. Mas isso é dito inicialmente por todos os grupos que se fundem, ou em todos os casos de compra de uma empresa por outra. Para sustentar suas afirmações, Nildemar e Furlan dizem que eles querem é crescer, aumentando a presença nos mercados internacional e nacional, e apostando tanto em novos hábitos de consumo, quanto em novos consumidores.

“Isso se faz investindo, e não fechando fábricas. O fechamento tem um impacto violento. Vamos mandar gente para fora pra burro, para abrir mercados. Já estamos em 110 países, e os dois grupos juntos têm fábricas na Holanda, Inglaterra, Rússia, Romênia”, diz Nildemar.

Outro clássico movimento nestes momentos é embrulhar-se na bandeira nacional e pedir um dinheiro subsidiado ao BNDES, para consolidar a operação em nome do Brasil grande. A nova empresa garante que vai fazer uma oferta inicial de ações e que o BNDES pode até subscrever, mas não há um pedido especial ao banco. O tempo dirá se essa será uma operação diferente das outras.

PETROLAMA


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Mantega defende juro alto do BB e culpa BC

 

Folha: Megafusão deve contar com capital do BNDES

 

Estadão: Fundos de pensão e BNDES querem 44% da Brasil Foods

 

JB: Apesar da crise, pobreza diminui

 

Correio: Onde a saúde pede socorro

 

Valor: Transportadoras querem mudar licitação de linhas

 

Gazeta Mercantil: Sadia e Perdigão acertam fusão e plano para captar R$ 4 bilhões

 

Jornal do Commercio: Perdigão e Sadia se unem e criam gigante

terça-feira, maio 19, 2009

AUGUSTO NUNES

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SEÇÃO » Direto ao Ponto

Suzane será libertada antes que a sala do pai assassinado

19 de maio de 2009

Na noite de 31 de outubro de 2002, Manfred e Marisia Von Richthofen foram liquidados a pauladas no quarto onde dormiam. Em 2 de novembro,  a polícia informou que o crime fora planejado pela filha do casal, Suzane, 19 anos, estudante de Direito. A execução do engenheiro de 49 anos e da psiquiatra de 50 ficou por conta dos irmãos Cravinhos: Daniel, 21, namorado de Suzane, e Cristian, 20, ambos sem emprego fixo. A mandante cuidou de abrir a porta da casa para os carrascos, esperou na sala que completassem o serviço, deixou Cristian no endereço da família e foi com Daniel para um motel. Fez o possível para parecer comovida no enterro. Não conseguiu.

Horas antes do esclarecimento do episódio, dias antes da prisão de Suzane, policiais civis apareceram no prédio n° 126 da Rua Iaiá, no bairro do Itaim. Ali fica a sede da Dersa, estatal que administra a malha rodoviária controlada pelo governo paulista. Queriam examinar a sala ocupada por Manfred, diretor de engenharia da empresa. Entraram sem contar à chefia da Dersa o que procuravam.  Saíram sem contar se encontraram algo. Lacraram a porta com um cadeado e sumiram com a chave.

Em 2006, quando Suzane foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão, os objetos pessoais, maletas, pastas, computador, documentos, canetas  ─ todos os instrumentos de trabalho usado por Manfred, e o que mais houvesse ─  continuavam presos na sala. Só no fim de 2008, atendendo a apelos da administração do prédio, a polícia reapareceu para resolver o impasse: como os andares ocupados pela Dersa seriam reformados, o que fazer com o espaço interditado? O material deve ser transferido para outra cela sem grades, decidiram os sherloques. Sempre sem explicações, fizeram a mudança, fecharam com cadeado a porta da nova sala, sumiram com a chave e não voltaram mais.

Neste 13 de maio, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que Suzane tem direito a mais 334 “dias remidos”. Em lingua de gente, significa que a pena foi reduzida em quase um ano. Fora o resto. Somados todos os benefícios a que têm direito os bandidos do Brasil, até colecionadores de crimes hediondos, descobriu-se que falta muito pouco para a libertação de uma sociopata de carteirinha. Suzane está prestes a cumprir um sexto da pena. Alcançada a marca miraculosa, terá direito ao regime semiaberto. É o outro nome da impunidade.

A criminosa será libertada pela Justiça antes que os pertences da vítima sejam liberados pela polícia. A direção da Dersa talvez devesse providenciar um pedido de habeas corpus para a sala. Ociosa desde 2002, pode acabar enquadrada por vadiagem.