terça-feira, março 03, 2009

PAINEL

Fundo perdido


Folha de S. Paulo - 03/03/2009
 

Enquanto o PMDB ameaça o Planalto propondo uma CPI dos fundos de pensão, os tucanos estudam pedir intervenção no Real Grandeza, pivô de disputa na base aliada de Lula. "Se o ministro peemedebista diz que há "bandidagem" na diretoria do fundo de pensão de Furnas, e o outro lado acusa o ministro de querer botar a mão nos recursos, não dá para o governo deixar por isso mesmo", diz o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. A tecla a ser martelada é a de que um lado, o outro ou ambos podem estar com a razão.
Há debate sobre como e a quem apresentar o pedido. A intervenção seria feita pela Secretaria de Previdência Complementar, encarregada dos fundos.

Sutil
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defende usar a base de dados da CPI dos Correios como ponto de partida da nova comissão que propõe para investigar os fundos de pensão. "Vamos ampliar a partir do que a CPI levantou", diz. Controlados pelo PT e por sindicalistas, os fundos foram apontados à época como possíveis fontes de dinheiro do mensalão. 

Eu juro
Cunha, que nega cem vezes ter sido o padrinho da tentativa de mudança na diretoria do Real Grandeza, diz que a nova CPI não será contra o governo, e sim "para tirar a limpo todas as suspeitas". O PMDB começa hoje a recolher as assinaturas. 

Raízes
Ligado à CUT, Roberto Panisset, diretor de seguridade do Real Grandeza, tem também no currículo militância no PDT do Rio. 

Tudo a ver 1
A Secretaria Especial de Mulheres da Presidência realizará um seminário nos próximos dias 10 e 11 com o título "Mais Mulheres do Poder". A principal palestrante convidada para o evento, a ser realizado no Palácio do Planalto, é a ministra, "mãe do PAC" e pré-candidata Dilma Rousseff. 

Tudo a ver 2
A programação do seminário escalou Dilma para falar sobre "Mulher, Poder e Democracia: uma articulação necessária". A ministra da Casa Civil ainda não confirmou sua presença. 

Outro lado
Organizadora do questionado encontro de prefeitos em Brasília, a Dialog Comunicação diz não ter sido notificada oficialmente das investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União sobre suspeita de serviços cobrados e não-executados em evento do governo federal sobre trânsito.

Tormenta
Ministério do Planejamento, de Paulo Bernardo, encomendou 200 exemplares de "Billy Budd", romance do século 19 sobre um marinheiro acusado de assassinato que tenta provar sua inocência. O autor é Herman Melville ("Moby Dick"). A leitura faz parte do curso "Liderança: reflexão e ação". 

Plano B
Sob sério risco de perder a Comissão de Infraestrutura para Fernando Collor (PTB-AL), o PT trabalha num plano B para Ideli Salvatti (SC): o comando da Comissão de Fiscalização do Senado, bem menos poderosa. 

Geográfico
Dois petistas disputam a nova diretoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário para regularização fundiária na Amazônia. O ministro Guilherme Cassel tenta emplacar o gaúcho Carlos Guedes de Guedes. A bancada amazônica quer o ex-senador Sibá Machado (AC). 

Turnê
A bancada do PT na Câmara pretende realizar seminários regionais, no Norte e no Nordeste, para discutir o projeto do partido para 2010. Mais um pretexto para levar Dilma Rousseff a tiracolo. 

Visita à Folha
Yeda Crusius (PSDB), governadora do Rio Grande do Sul, visitou ontem a Folha. Estava acompanhada de Fernando Guedes, secretário-executivo do governo em Brasília, e de Ana Jung, assessora.

Tiroteio

"Não pretendo assinar a CPI dos fundos de pensão, proposta pelo PMDB, porque CPI é um instrumento da oposição." 
Do líder do PT na Câmara, 
CANDIDO VACCAREZZA (SP), sobre a ideia lançada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Contraponto

Sessão da tarde

Cristovam Buarque (PDT-DF) comandava, no final do ano passado, uma sessão da Comissão de Educação do Senado para debater mudanças no sistema de meia-entrada. Os participantes assistiam a um vídeo com depoimentos de personalidades sobre o tema. Durante a fala do cantor Herbert Viana, o áudio desapareceu.
-Vamos colocar outro DVD. Dá para colocar?-, pediu Cristovam a assessores seguidas vezes.
-Olha, tem de ver se o DVD não é pirata...-, brincou Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Diante da dificuldade, Cristovam jogou a toalha:
-Nem meia-entrada vale para assistir esta sessão!

O IDIOTA E SUA TRUPE


ELIANE CANTANHÊDE

Assim caminha a humanidade


Folha de S. Paulo - 03/03/2009
 

Ih! Depois da Paula Oliveira, o Guinga. Cochicha daqui, cochicha dali, nem o Itamaraty nem a Embaixada da Espanha confirmam que o músico brasileiro levou um soco de policiais e perdeu dois dentes no aeroporto de Barajas. Como não registrou queixa oficial, não há inquérito nem confirmação, só dúvidas. Até segunda ordem, fica o dito pelo não dito.
Enquanto isso, sucedem-se os episódios de violência contra estrangeiros no verão brasileiro. Um sueco morre depois de baleado na praia de Pipa (RN). Jovens norte-americanos e europeus são assaltados às dúzias em dois albergues (albergues!) no Rio. Toda hora um ladrão ataca um, uma bala mata outro, com fotos de turistas antecipando a volta, tristes e abatidos.
Pensando friamente: se você fosse estrangeiro, viria passar férias, ou o Carnaval, nas nossas grandes cidades? Em São Paulo? Recife? Salvador? Ou no Rio, onde o músico Marcelo Yuka acaba de ser agredido num assalto quase no mesmo lugar onde foi baleado por ladrões em 2000 e ficou paraplégico?
Eu morreria de medo, tanto quanto moças e moços brasileiros ficam com um pé atrás quando pensam em ir à Europa desembarcando em Madri ou Londres, por exemplo.
Na capital da Espanha, os casos de constrangimento melhoraram, mas é impossível se esquecer das pessoas que pagaram caro pelas passagens e acabaram sem comida e sem banho até serem devolvidas sem ressarcimento. Em Londres, o caso Jean Charles, sabidamente assassinado por policiais -que estão impunes-, dá um frio na espinha.
O mundo está cada vez mais perigoso. Os pobres não podem mais ir para o países ricos porque o bicho pega. E os ricos não podem fazer turismo nos países pobres e emergentes porque o bicho mata. Assim caminham a humanidade, a globalização e a crise. E sem chances de melhorar. Ao contrário, com a recessão e o desemprego em ricos e pobres, tudo só pode piorar.

ILIMAR FRANCO

Luz amarela

Panorama Político 
O Globo - 03/03/2009
 

A eventual absolvição de Antonio Palocci no STF não o credenciará automaticamente para disputar o governo de São Paulo. Integrantes da direção nacional do PT estão cautelosos. Afirmam que é preciso fazer pesquisas para avaliar o desgaste de sua imagem. Quanto ao ministro Fernando Haddad (Educação), outro nome cotado, dizem que, sem experiência eleitoral, já basta Dilma Rousseff. 

O xadrez do PT em São Paulo 

Já as opções da ex-ministra Marta Suplicy seriam tentar o Senado - o que causaria um curto-circuito com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que pretende disputar a reeleição - ou ser a puxadora de votos do PT para a Câmara dos Deputados. O partido está preocupado com o risco de isolamento em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O PSB, aliado histórico, tem conversado com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que poderia se filiar ao partido e disputar o governo do estado. Os socialistas também não descartam apoiar Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). E o PMDB já está perdido, em aliança fechada com os tucanos.

 

"Temos um buracão lá em São Paulo" - Márcio França, deputado federal (PSB-SP), sobre a ausência de candidatos naturais nos principais partidos 

 

RACHA. Apesar da movimentação mais ostensiva do ministro Geddel Vieira Lima para uma candidatura ao governo do estado, o governador Jaques Wagner tentou ontem minimizar o fato. "Eu escolho parceiros para projetos políticos. Não vou fazer pressão nem coação para mantê-los como parceiros", disse ele ao deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA). O comitê estadual do PCdoB decidiu sábado pleitear uma vaga de senador na chapa de Wagner e indicou o presidente da ANP, Haroldo Lima. 

Eleitoreiro? 

O PSDB fará encontro de prefeitos em Brasília com Aécio Neves e José Serra. Mas diz não temer a acusação de campanha antecipada. "Não tem dinheiro público e vai ser um encontro político", diz o secretário-geral, Rodrigo de Castro. 

Desta vez, sem a tutela do governo 

Os prefeitos voltam a Brasília no dia 11. Questionarão o endividamento dos municípios junto ao INSS. Para a Confederação Nacional dos Municípios, a MP que flexibilizou o pagamento dessas dívidas é um "paliativo". "Se, depois de aprovada a medida provisória, tiver prefeito que, ainda assim, não pode pagar, vamos ter que ver os municípios mais pobres e fazer uma anistia", disse o presidente Lula, quando a MP foi editada, em entrevista à Associação dos Diários do Interior do Brasil. 

Acordo na CNI 

Há um acordo na Confederação Nacional da Indústria (CNI) para que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, suceda ao deputado Armando Monteiro (PTB-PE) na presidência da entidade. Empresário da área de telecomunicações, Andrade é um dos vices da CNI. Monteiro, que cumpre o segundo mandato de presidente da confederação, quer disputar o Senado. A eleição na CNI será em julho de 2010. 

SEM LULA, a ministra Dilma Rousseff irá à Bahia na sexta vistoriar obras do PAC. Fica por lá e, no sábado, participa de solenidade no Tribunal de Justiça. 

O SENADOR Francisco Dornelles (PP-RJ) contesta os que afirmam que a redução de IPI para material de construção vai gerar perda de arrecadação. "Sem isso, não haverá construção de moradias e IPI nenhum será arrecadado", diz ele. 

PRIMEIRO, a mudança do presidente Lula para o CCBB seria no Ano Novo; depois, no carnaval. Agora ficou para este mês, quando ele estará em Nova York. 

Vingança 

O PMDB tirou o senador Jarbas Vasconcelos (PE) da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante do Senado. O líder Renan Calheiros (AL) negou que seja retaliação: "Designamos a partir dos pedidos de cada um".

NAS ENTRELINHAS

Relações perigosas


Correio Braziliense - 03/03/2009
 


A princípio, é natural que os movimentos apoiem o governo que ajudaram a construir. Mas, quando entra dinheiro na equação, as coisas se complicam

Há algum tempo, acompanhei uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um encontro da União da Juventude Socialista, movimento ligado ao PCdoB. Fiquei meio chocado ao ver o ministro da Educação ser aplaudido em pé pelos militantes, cena impensável nos meus tempos de estudante. Também soaram esquisitas as palavras de ordem em favor de programas do governo, como o ProUni. Lembrei-me disso ao ler a matéria do repórter Leandro Colon, do Correio, registrando o aumento no repasse de verbas federais para a União Nacional dos Estudantes (UNE). Foram R$ 10 milhões nos últimos cinco anos e o ritmo dos repasses vem aumentando a cada ano. A UNE é dirigida pelo PCdoB e conta com forte presença do PT. 

Honestamente, tenho resistências à ideia de que os movimentos sociais estariam sendo comprados pelo governo por intermédio de distribuição de verbas. Acho que é meio simplista e ignora relações históricas e bandeiras importantes. A UNE não defende o ProUni só porque recebeu verbas do governo Lula. Defende porque esse tipo de programa faz parte de sua pauta de reivindicações. O movimento estudantil, assim como outras organizações sociais, ajudou a eleger Lula em 2002 e 2006. Isso vale para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Sem-Terra (MST) e dezenas de outras entidades. A princípio, é natural que os movimentos apoiem o governo que ajudaram a construir. Mas, quando entra dinheiro na equação, as coisas se complicam. 

É inegável que os movimentos sociais estão mais mansos no governo Lula. Dá para imaginar o que a CUT estaria fazendo contra a onda de demissões geradas pela crise econômica internacional se no poder estivesse o PSDB. O MST, apesar de invasões periódicas de sedes regionais do Incra e de episódios de violência, como a morte de quatro homens numa fazenda em Pernambuco há poucos dias, é uma dor de cabeça bem mais leve para Lula do que foi para os presidentes anteriores. As duas entidades tiveram o aporte de verbas federais turbinado desde a posse de Lula. 

Até que ponto essa postura é resultado de identificação política com o governo ou da relação com o caixa federal? É uma resposta que se torna cada vez mais difícil. Ao subvencionar os movimentos sociais que o apoiam, o governo tem uma dupla vantagem. De um lado, aumenta sua força política e a interlocução com a sociedade. De outro, faz com que essas forças se tornem dependentes dele. A relação é ótima para Lula, mas perigosa para os movimentos sociais. 

Corrupção 
O Palácio do Planalto acompanha com preocupação os movimentos do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos. Ele promete para hoje novo discurso com acusações de corrupção contra seu partido, o PMDB e o governo Lula. A ansiedade não é propriamente com o conteúdo das acusações, mas com sua repercussão. O governo considera os ataques do senador genéricos demais, mas percebeu que o caso tem condições de ganhar corpo na mídia. Especialmente com a intenção anunciada por ele de, junto com outros políticos, criar uma “Frente anticorrupção”. Tudo que o governo não quer é se ver envolvido numa guerra com Jarbas Vasconcelos, especialmente se ele estiver do lado popular. É uma daquelas brigas em que não dá para ganhar. 

Não por acaso, ontem o Planalto fazia a propaganda do discurso que o deputado Silvio Costa (PMN-PE) ameaça fazer hoje com ataques contra Jarbas. Tudo que o governo é mudar o ângulo da encrenca. Em vez de brigar para cima, mirando Lula, o senador teria de ser ver com um adversário regional, abrigado na Câmara dos Deputados. 

Em 2005, Lula se viu obrigado a enfrentar a pauta da corrupção por meses. Foi o pior período do seu governo. Se a oposição conseguir recolocar o assunto na ordem do dia, terá conseguido uma vitória política importante. Jarbas se presta bem ao papel. Se dá bem com a mídia e consolidou uma imagem de independência. O desafio do governo é desconstruí-lo, mas sem entrar abertamente na arena. Uma tarefa complicada.

JÂNIO DE FREITAS

Dificuldades à frente
Folha de São Paulo - 03/03/09

A Frente Contra a Corrupção, a que deputados pretendem dar início, depende vitalmente do apoio da classe média


A FRENTE Contra a Corrupção, a que 30 deputados pretendem dar início logo mais, surge em ocasião muito oportuna, mas é uma dessas boas iniciativas que tendem a esfumar-se pouco além dos primeiros degraus. Sua sobrevida depende de um fator cada vez mais rarefeito.
Em seguida à promissora mobilização de cidadania nos sucessivos episódios das Diretas-Já, da morte de Tancredo, do Plano Cruzado e do afastamento de PC Farias-Collor, a reversão se impôs e a despolitização faz dos brasileiros, hoje, um oceano de indiferença e omissão. E, no entanto, uma iniciativa como a Frente Contra a Corrupção depende vitalmente do apoio que receba de fora da Câmara (e do Senado, se nele interessar alguém).
Esse apoio só pode ser da classe média, mais ciente do tema, e até porque o movimento sindical foi extinto pelo governo Lula, depois de oito anos de estado de coma no governo Fernando Henrique. A classe média, por sua vez, só pode despertar um pouco, em alguns dos seus segmentos, se muito sacudida pela imprensa. O que depende de fatores variados segundo a área na imprensa/TV, e também da capacidade dos integrantes da Frente de espicaçar o interesse jornalístico.
Material não falta. Que o diga o senador Jarbas Vasconcelos. Diga mesmo, espera-se, no discurso prometido também para logo mais, com a resposta às críticas à sua aplaudida acusação de que ao PMDB, seu partido, o que interessa são oportunidades de corrupção. PMDB que já oferece, na pessoa de Edison Lobão, um ponto de partida interessante para a Frente.
Se, como ministro (sic) de Minas e Energia, Lobão denunciou a ocorrência de "bandidagem, safadeza" na diretoria do fundo de pensão Real Grandeza, dos funcionários e pensionistas de Furnas Centrais Elétricas, tem o dever (não se diga que dever moral) de expor os fundamentos da acusação. E explicar por que, a despeito da acusação, agora comunica que os "bandidos e safados" não mais serão incomodados até o fim do seu mandato, em outubro.
Se não tem como sustentar a acusação, justifica o interesse da Frente e de um processo criminal por usar governo e falsidade como armas no golpe que pretendeu derrubar dois diretores do fundo, para entregar o movimento desse caixa de R$ 6,5 bilhões a testas-de-ferro do PMDB de Lobão e outros.
Material não falta. Para a Frente e para o senador Jarbas Vasconcelos. Será ótimo se não lhes faltarem também outras coisas necessárias.

DORA KRAMER

Dito e feito

O Estado de São Paulo - 03/03/09

Se o encontro de prefeitos com o presidente Luiz Inácio da Silva e a ministra Dilma Rousseff nos dias 10 e 11 de fevereiro, em Brasília, foi ou não um ato de caráter eleitoral passível de punição legal cabe ao Tribunal Superior Eleitoral decidir.

Agora, que a campanha para a troca de presidente da República em 2010 já começou há muito tempo isso é uma evidência que a Advocacia-Geral da União não poderá negar sem desmentir a chefia.

Não foi uma nem foram duas as vezes em que Lula deixou patente o curso da disputa. Orgulha-se disso. Há dois anos não perde a oportunidade de avisar “a eles” – os adversários da oposição, subentende-se – que vai ganhar a eleição de 2010.

O ano passado dedicou inteiro à propaganda da ministra da Casa Civil. Em fevereiro de 2008, lançou a “mãe do PAC” para facilitar a captação do espírito da coisa e, de lá para cá, tem se empenhado pessoalmente na explicitação da candidatura e da potencial supremacia do governo sobre as forças de oposição.

O presidente prega abertamente a continuidade, seu partido fala explicitamente na candidatura, solenidades oficiais servem de palco a manifestações de apoio a Dilma Rousseff, ministros tratam do assunto sem nenhuma cerimônia, a eleição é o centro. O governo não tem a menor preocupação em desmentir o significado desses gestos.

Ao contrário: sempre que possível, acentua o clima de certame eleitoral no ambiente. É a maneira de competir com o favoritismo dos dois pré-candidatos oposicionistas (José Serra e Aécio Neves) nas pesquisas e tentar tirar a diferença.

Método eficaz do ponto de vista dos índices: em um ano, Dilma conseguiu acrescentar 10 pontos porcentuais à sua performance, vista, falada e tratada no âmbito dos preparativos eleitorais como, de resto, qualquer coisa que a ministra da Casa Civil diga ou faça. Incluídos plástica, renovação de corte de cabelo e maquiagem.

Até então, não havia reclamações formais. Todos os movimentos eram considerados legítimos, nenhum reparo se impunha ao governo tirar vantagem da sua natural exposição privilegiada criando, assim, uma situação eleitoral de fato contra um impedimento de direito válido só para os adversários.

Um quadro inequívoco de desigualdade contra o qual ninguém se indispôs a não ser em manifestações isoladas de integrantes do Judiciário. É natural que os alvos da ação se defendam como possam. Mas seu poder de convencimento é reduzido diante das evidências produzidas, alimentadas e robustecidas pelo governo e mais ninguém.

O modelo de governança eleitoral foi escolhido por Lula. Ele o favorece, mas abre espaço para a contestação judicial. Risco, aliás, previsto, pois o advogado-geral da União, José Toffoli, sabe onde pisa. Tanto que, em sua defesa, já adiantou um pedido de penalidade reduzida. Sabedor, muito provavelmente, de que o esquema político governamental faz um teste com a Justiça e com a oposição.

Desta, espera timidez. Deixa isso claro quando espalha a versão de que a ação judicial só contribui para divulgar ainda mais a candidatura Dilma, seja ela fato ou factoide. Da Justiça, conta com a tradição de tolerância para com governantes de escalão superior. Mantida, o “se colar” terá colado.

Flagrante

“Nós cumprimos a lei. Para que alguma coisa se caracterize como legalidade ou ilegalidade, ou há uma prova real ou há uma manifestação do Judiciário”, disse a ministra Dilma Rousseff em defesa dos repasses de recursos feitos ao MST e denunciados como ilegais pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

O governo não cumpre a lei e a ministra sofisma.

A “prova” exigida por ela está na indiferença à legislação que veda verbas e acesso ao programa de reforma agrária para invasores de terras. Acima disso, há ainda a Constituição que assegura a inviolabilidade da propriedade privada.

Cascata de efeito

A proposta de incorporação de parte da verba extra de R$ 15 mil aos salários dos senadores e deputados é apresentada ao público em invólucro moralizante. É chamada de “extinção” da verba, mas não extingue coisa alguma. Se aprovada, os parlamentares passam a ganhar os R$ 24,5 mil equivalentes à tão desejada equiparação aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Isso por ato da Mesa, sem a necessária, e politicamente complicada, aprovação de lei. Uma vez parcialmente incorporada aos salários, a verba em tese destinada às despesas das estruturas regionais dos parlamentares cairá para cerca de R$ 7 mil. O que ensejará – senão de imediato, certamente em breve tempo – a reivindicação de reajuste no valor dos recursos “extras” para os gastos nos estados.

Ademais, a incorporação aos salários contorna a obrigatoriedade de divulgação das notas fiscais das despesas feitas com aquele dinheiro.

BRAZIL ZIL ZIL


TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Lula ataca MST por mortes; Tarso diz que foi só 'arrojo'

 

Estadão: Perdas bancárias provocam onda de baixa nos mercados

 

Correio: Crise bilionária arrasa mercados

 

Valor: Crise ameaça futuro do setor do etanol nos EUA

 

Gazeta Mercantil: Resultados da AIG e do HSBC fazem os mercados desabar

 

Estado de Minas: Prefeituras em crise cortam até cafezinho

segunda-feira, março 02, 2009

PARA...HIHIHIHI

POR QUE NÃO GRITOU ANTES?

De madrugada, um grito alto vem do quarto escuro.
O marido que estava na sala assistindo filme na TV entra correndo, acende a luz e vê um cara pelado pulando pra fora pela janela.
A mulher grita:
- Aquele cara me comeu duas vezes!
O marido pergunta:
- Duas? Por que você não gritou logo na primeira vez?
A mulher responde:
- Tava tudo escuro ... Eu pensei que fosse você... até que ele começou a dar a segunda... Ai eu achei estranho...

PAINEL

Terra de ninguém


Folha de S. Paulo - 02/03/2009
 

Lançado com alarde em fevereiro do ano passado, o Territórios da Cidadania é hoje motivo de preocupação no Palácio do Planalto. Suas dificuldades são menos mensuráveis que as do Pró-Jovem, por exemplo, porque se trata de um agregado de programas sociais que envolve metade da Esplanada. Diante de questionamentos, um ministério empurra para o outro a responsabilidade pelo atoleiro.
Um dos problemas, na avaliação do governo, são os comitês gestores nos municípios, onde coabitam petistas e representantes de outros partidos aliados. Os comitês empacam por força de disputas semelhantes às assistidas em outros órgãos da gestão federal.


É show
Não obstante a escassez de resultados, o governo quer anunciar neste mês a extensão dos atuais 60 para 120 Territórios da Cidadania. Dilma Rousseff -surpresa!- estará à frente do evento.

Memória
À época do lançamento do Territórios, o então presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, disse que a iniciativa poderia ser questionada pelo caráter eleitoreiro. Lula reagiu: "Se ele quiser ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser". 

Laços 1
Organizadora do polêmico encontro de prefeitos em Brasília, a Dialog Comunicação firmou seu principal contrato com o Ministério das Cidades em 28 de agosto de 2007, no valor de R$ 8 milhões. À época, com três anos de mercado, a empresa deixou uma "carta-fiança" para tocar eventos de R$ 6,3 milhões. 
Laços 2
A Dialog também é alvo de denúncia ao Ministério Público e Tribunal de Contas da União de que teria cobrado R$ 74,2 mil por serviços não executados no Encontro dos Educadores do Sistema Nacional de Trânsito, realizado em abril do ano passado. 

Desacelerado 1
Responsável pelas ações de saneamento do PAC em pequenos municípios, a Funasa baixou portaria criando estruturas nos 26 Estados, que incluem 80 novos carros e mais 70 funcionários, para identificar nas prefeituras motivos que estão atrasando as obras. 

Desacelerado 2
O órgão diz que a falta de estrutura técnica de muitas cidades para fazer os projetos tem causado problemas. Até agora, apenas 10% dos R$ 4 bilhões em investimentos do PAC da Funasa foram gastos, ritmo considerado insuficiente.

Campo...
Na ponta da polêmica sobre a nova onda de invasões agrárias e os repasses de verbas para entidades ligadas ao MST, o Incra tem hoje praticamente todas as suas 30 superintendências regionais chefiadas por petistas. A maioria delas está nas mãos de ex-deputados, ex-dirigentes da CUT e sindicalistas. 

...minado
Há três casos que fogem à regra: em Goiás, quem pilota o escritório é Rogério Arantes, sobrinho do deputado Jovair Arantes (PTB); no Maranhão, Benedito Pires Terceiro é da cota do senador Epitácio Cafeteita (PTB); e Flodoaldo Alves de Alencar, em Mato Grosso do Sul, é indicação do senador Valter Pereira (PMDB). 

Rotina
Em carta à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Stemilton Guedes, dono de fazenda em Pernambuco onde houve conflito com o MST, diz que a área foi invadida nove vezes nos últimos quatro anos, apesar de ser considerada produtiva pelo Incra. "Por que a Justiça daria reintegração de posse nove vezes a alguém que não fosse legítimo proprietário?". 

Imagem...
Criticado pelo modelo de transferência de verbas a cooperativas ligadas ao MST, o Ministério do Desenvolvimento Agrário abriu licitação para contratar uma agência de publicidade, com previsão de gasto de R$ 6 milhões até o final deste ano. 

... é tudo
O ministério argumenta que a licitação é necessária porque o contrato anterior expirou, e que a publicidade é de utilidade pública, incluindo dois temas: regras para obtenção de recursos do Pronaf e a regularização fundiária na Amazônia.

Tiroteio 

O ministro Gilmar Mendes criminaliza os movimentos sociais, mas não se pronuncia a respeito dos assassinatos no campo, a mando dos latifundiários.

Do deputado IVAN VALENTE (PSOL-SP) sobre o presidente do Supremo, que criticou o "paternalismo da sociedade" em relação às ilegalidades cometidas pelo MST.

Contraponto 

Show de calouros

Ao encontrar Dilma Rousseff sexta-feira num evento em Florianópolis, a senadora Ideli Salvatti (PT) mostrou à ministra uma foto que tirou no Carnaval catarinense. A imagem era de um homem vestido de mulher, estilo executiva, com uma foto de Lula na lapela.
-É a "Dilma Dochefe"-, disse Ideli.
Dilma olhou a foto e, rindo, comentou:
-Gostei! Até a gola do terno parece com a minha.
-Tá vendo? Você não aceitou meu convite para passar o Carnaval aqui, eu acabei arrumando outra Dilma...

LEANDRO COLON

Dinheiro fácil para a UNE

R$ 10 milhões para amansar a UNE

Correio Braziliense - 02/03/2009
 
Os anos rebeldes da maior entidade estudantil são coisas do passado. Verbas do governo federal não faltam, só na produção de um livro sobre a militância secundarista foram repassados R$ 436 mil

Monique Renne/Especial para o CB/D.A Press - 7/7/07
A UNE foi criada em 1937. Se destacou no enfrentamento do regime militar e na campanha pelo impeachment de Collor
Monique Renne/Especial para o CB/D.A Press - 8/7/07
Nenhum recurso será capaz de comprar a autonomia e a independência da entidade 
Lúcia Stumpf, presidente da UNE
 
A União Nacional dos Estudantes (UNE) ganhou na loteria no governo Lula. O repasse do Poder Executivo à entidade aumentou em 20 vezes nos últimos cinco anos. A soma dos recursos públicos transferidos chega aos R$ 10 milhões no período. Em contrapartida, as sexagenárias manifestações independentes e de críticas ao governo federal desapareceram. No lugar, sobra bajulação. Fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dirigentes da entidade são exibidas com pompa no site da UNE. 

O crescimento da verba recebida do governo foi meteórico. Os recursos saltaram de R$ 199 mil em 2004 para R$ 4,5 milhões no ano passado. Mas não parou por aí. O montante tende só a crescer em 2009: R$ 2,5 milhões já foram depositados na conta da UNE neste ano, segundo levantamento obtido pelo Correio no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Nada mal para quem recebeu cerca de R$ 1 milhão em oito anos do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). 

Transferidos para a UNE em 12 de janeiro passado, R$ 786 mil foram destinados à realização de shows e debates em São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nenhuma apresentação foi feita até agora, admite a presidente da UNE, Lúcia Stumpf (PCdoB). Em 5 de junho de 2008, o governo liberou o pagamento de R$ 435 mil para o projeto Sempre Jovem e Sexagenária. Segundo Lúcia, o recurso de quase meio milhão de reais será usado para fazer um livro sobre a história da militância estudantil secundarista. A UNE tem até junho para concluir esse projeto. A reportagem pediu à presidente da entidade algum elemento referente ao que já foi feito até hoje. Não houve retorno até o fechamento desta edição. Ela apenas garantiu que o projeto vem sendo executado. “Tem pesquisadores e historiadores fazendo a busca de material e redigindo. Será um livro histórico”, afirma. 

Braço político 
A presidência da UNE está nas mãos do PCdoB há mais de 15 anos. O partido tem como representante no governo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que presidiu a entidade estudantil entre 1995 e 1997. Em janeiro passado, o ministério comandado por ele liberou R$ 250 mil para patrocinar a bienal de cultura da UNE, realizada naquele mês em Salvador. 

Cerca de R$ 6,2 milhões do dinheiro público repassado pelo governo Lula saíram dos cofres do Ministério da Cultura. Pelo menos seis convênios com a entidade foram alvos de tomadas de conta especial, um processo administrativo interno aberto sempre que aparece indício de irregularidade que possa dar prejuízo ao órgão público. Um deles refere-se à participação da UNE em paradas de orgulho gay em 2006. Cerca de R$ 37,5 mil foram repassados à entidade e até agora a prestação de contas não foi aprovada. 

O outro processo é mais antigo ainda. Trata da verba de R$ 173 mil para gravação de CDs e compra de equipamentos da Bienal de Cultura e Arte de 2003. Em novembro do ano passado, o ministério abriu uma tomada de conta especial. A tramitação do convênio revela que a pasta chegou a contestar a gravação de 2 mil CDs, e não 4 mil, como previa o projeto inicial apresentado pela UNE. O ministério abriu outro procedimento parecido em 1º de dezembro do ano passado para averiguar pendências na condução do convênio Cinema Une em Movimento. A entidade recebeu R$ 436 mil há dois anos para realizar em 2007 um circuito de filmes nacionais em universidades. A prestação de contas foi entregue somente no último em 12 de dezembro. 

A entidade estudantil também se aventurou pelo orçamento da saúde. No segundo semestre do ano passado, a UNE recebeu R$ 2,8 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer uma caravana pelo país. O objetivo foi abrir um debate e realizar ações ligadas à saúde. “Percorremos os 27 estados discutindo cultura, saúde e educação, visitando 41 universidades públicas e privadas no Brasil”, justifica a presidente da entidade. 


MUITO DINHEIRO

R$ 10 milhões é o valor repassado pelo governo à UNE em cinco anos 

R$ 7 milhões foram depositados nos últimos 14 meses 

R$ 436 mil serão usados para um livro sobre a militância secundarista 

R$ 786 mil foram destinados para shows e debates até o fim do ano 

convênios foram alvos de investigação interna do Ministério da Cultura 

Memória
Lutas históricas no currículo

A UNE foi criada em 1937. Em seu site, destaca ter contestado a ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas, e participado da campanha O petróleo é nosso, no fim dos anos de 1940. A entidade estudantil passou a influenciar com mais intensidade a partir do golpe militar de 1964. A UNE chegou a ser declarada ilegal e passou a atuar na clandestinidade. Naquele ano, seu presidente era o hoje governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em 1968, o governo militar desmontou o famoso congresso da UNE em Ibiúna, São Paulo, que reuniu mil estudantes. Toda a liderança do movimento foi presa. Entre os detidos, estava o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP), então presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE). 

Outra liderança que virou político de destaque foi Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O deputado comunista presidiu a UNE entre 1980 e 1981. A entidade voltou a se destacar em 1992 nas passeatas pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. O então presidente, Lindberg Farias (PT), hoje é prefeito de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Além dos recursos federais, a UNE, uma entidade teoricamente sem fins lucrativos, se sustenta com a venda de carteirinhas que dão desconto aos estudantes em eventos culturais e artísticos. O órgão estudantil declara que arrecada R$ 3 milhões por ano com a venda do benefício. 

“Autonomia mantida”

A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, garante que os milhões recebidos do governo Lula não ferem o histórico caráter contestador da entidade. “Nenhum recurso será capaz de comprar a autonomia e a independência da UNE”, diz. “A relação que a UNE tem com o governo é a mesma que teve com outros governos em seus 70 anos. É uma relação de absoluta autonomia”, ressalta. 

Filiada ao PCdoB, Lúcia Stumpf foi eleita em 2007, aos 25 anos, para presidir a entidade. Estudante de jornalismo, ela sucedeu Gustavo Petta, do mesmo partido e que recentemente assumiu a Secretaria de Esportes de Campinas (SP). Para a militante estudantil, as possíveis irregularidades apuradas pelo Ministério da Cultura não são graves. “É comum ter problema pela grande burocracia existente. Por conta disso, há dificuldade de apresentação dos documentos”, explica. 

Procurado pelo Correio, o Ministério da Cultura informou que a UNE não tem sido privilegiada pela pasta. “Os critérios adotados são os mesmos para qualquer projeto de apresentação ao Fundo Nacional de Cultura (FNC)”, disse a assessoria. 

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), a relação financeira entre a instituição estudantil e o governo federal prejudica a independência da militância. “A entidade tem que ser, por natureza, independente. Mas o governo acabou silenciando a UNE”, diz. “E mais, não há preparo para administrar esse recurso. Não é papel do movimento estudantil criar estrutura.”

O INÍCIO


MÓNICA BÉRGAMO

Salto a distância


Folha de S. Paulo - 02/03/2009
 

O delegado Ricardo Saad, que substituiu Protógenes Queiroz no comando do inquérito da Operação Satiagraha, foi convidado pela cúpula da PF (Polícia Federal) para dirigir a divisão de combate a crimes financeiros em Brasília. Para isso, ele teria que abandonar a investigação dos negócios do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Saad ainda não decidiu. Mas, se aceitar, vai colocar uma condição: a de assumir o novo cargo depois que a Satiagraha for finalizada.

MEMÓRIAS 
Uma das primeiras viagens do governador Aécio Neves, de Minas, "pelo Brasil" terá como destino a cidade de Recife. No dia 16 de março, ele desembarca lá para o lançamento de "Um Quase Livro de Memória", do ex-ministro da Justiça Fernando Lyra, sobre o período da Nova República.

PONTEIROS 
O processo em que o ex-ministro Antônio Palocci, da Fazenda, o ex-presidente da CEF Jorge Mattoso e o jornalista Marcelo Netto são acusados de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo saiu do STF (Supremo Tribunal Federal) e voltou à Procuradoria-Geral da República. Sinal, de acordo com a defesa de um dos réus, de que a procuradoria vai estudá-lo para fazer a sustentação oral em que acusará Palocci pela quebra -e de que o caso deve entrar em pauta logo.

ELEFANTE BRANCO
Uma das baladas mais caras de São Paulo, a boate Pink Elephant, no Itaim, funciona sem alvará. A casa recebeu multa de R$ 1.142,34 pela falta da licença e responde a uma ação fiscal.

Durante o processo, o empreendimento está sujeito a mais duas fiscalizações e, se for autuado nessas ocasiões, será impedido de funcionar. Os sócios tentam regularizar a casa.

BAGAGEM
Batido o martelo: a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) vai, sim, realizar apresentações no exterior. Em outubro, os músicos viajam para os EUA para turnê por 17 cidades -entre elas, Los Angeles, Chicago, Washington e NY. A regência será de Kazem Abdullah, jovem maestro de apenas 29 anos que é assistente de James Levine no Metropolitan Opera de Nova York.

BARBA BRANCA 
Por 46 anos, os brasileiros se acostumaram a ouvir, no Natal, o jingle "Varig, Varig, Varig", que dizia que Papai Noel voava a jato pelo céu. Pois seu criador, o músico e compositor Caetano Zamma, vai virar livro. Sua trajetória profissional de 50 anos será contada por Wladir Dupont num livro editado pela Escola Superior de Propaganda & Marketing, com design de Ana Whitaker.

FÊNIX 
Clea Dalva Faria, mulher do banqueiro Aloysio Faria, vai batizar com seu nome o novo ambulatório de urologia do Hospital das Clínicas. Avesso a homenagens, o casal doou R$ 2,7 milhões ao hospital para a reconstrução da unidade, destruída no incêndio do HC. O único pedido do banqueiro (que estudou medicina, mas nunca exerceu a profissão) ao médico Miguel Srougi foi que o lugar priorizasse o atendimento de pessoas idosas.

ANCELMO GOIS

A tomada de Furnas


O Globo - 02/03/2009
 

Por causa dessa polêmica em torno da mudança na diretoria do fundo Real Grandeza, Lula, em conversas reservadas, voltou a lembrar o episódio da indicação de Luiz Paulo Conde para presidir Furnas, em 2007. 

Num desabafo, o presidente atribuiu a barganha política da bancada do PMDB do Rio à grande dificuldade para renovar a CPMF. Na ocasião, o relator do projeto da contribuição, Eduardo Cunha, sentou-se em cima da proposta do governo até que fosse garantido o butim ao partido. 

Por que será? 

Há quem acredite, como Eremildo, o personagem idiota criado por Elio Gaspari, que a luta pela tomada de Furnas se deve ao fato de que o PMDB, como todo e qualquer partido, deseja o poder para implantar suas ideias e seus programas no setor energético. 

Ou então... 

Como diria o senador Jarbas Vasconcelos, o PMDB... deixa pra lá. 

O BNH de Lula 

Amanhã, às 18h30m no Palácio do Planalto, tem reunião com Dilma Rousseff, José Serra, Aécio Neves, Roberto Requião, Sérgio Cabral, Guido Mantega e outros. 

Na pauta, o projeto de Lula de construir l milhão de casas. 

Objetiva em Portugal 

O grupo espanhol Santillana, sócio da Editora Objetiva, resolveu usar a marca brasileira para atuar no mercado editorial português. 

As Objetivas do Rio e de Lisboa serão independentes, mas vão trocar projetos. 

E O CHOQUE de ordem, veja só, chegou à... Prefeitura! O Fiat Uno da Subprefeitura da Zona Norte (placa APS 3314) estava, fala sério, estacionado, sábado agora, em local proibido na Rua Henrique Dumont, em Ipanema, quando chegou o reboque da Subprefeitura da Zona Sul e passou o rodo. Mais tarde, o subprefeito da Zona Sul, Bruno Ramos, ligou para seu colega da Zona Norte, Antonio Carlos Gonçalves, para relatar o que aconteceu, e recebeu apoio pela atitude. Está certo 

Em defesa da vida 

Os ministros José Temporão e Carlos Minc estão preparando a quatro mãos uma medida para proibir a comercialização de oito tipos de agrotóxicos no país. 
Na lista está o Endosulfan, responsável em novembro por um desastre ambiental no Rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul. 

Olhos de Grazi 

A coluna, condoída de dor, disse que Grazi Massafera estava com conjuntivite no carnaval. 

A musa, super-responsável, correu a esclarecer que jamais iria ao camarote da Brahma, onde foi convidada para trabalhar, se estivesse com a doença. 

Na verdade... 

A oftalmologista Patrícia Contarini, que domingo atendeu Grazi com dores nos olhos e vermelhidão intensa, disse que ela teve ceratite . "A lesão é leve e a origem foi, provavelmente, a contínua e gradativa exposição a luzes." 

Que Deus ilumine a musa. 

Paulo Mendonça, diretor do Canal Brasil, participa da mesa-redonda "Celular, Uma Janela Para o Cinema" hoje, no Oi Futuro. 

O Teatro da Rainha de 2 Cabeças, de Curitiba, completa 25 anos e distribui livros com textos da companhia, no Unibanco Arteplex, hoje, às 19h. 

A Rio TV Câmara exibe 24 horas de programação sobre a Cidade do Rio, hoje, em parceria com a TV Alerj. 

A Caixa faz campanha de doação de sangue para o Hemorio, amanhã. 

Andrea Gouvêa Vieira participa de reunião sobre orçamento participativo, dia 5, em Mato Grosso. 

Deve ser terrível... 

Uma família carioca que foi passar o carnaval na Disney teve uma surpresa no Universal Studios, em Orlando. Pagou US$70 por ingresso e deixou o carro no estacionamento do parque, que custa US$12 (uns R$30). 

Quando voltou, o automóvel alugado estava arrombado, sem o GPS e dois jogos eletrônicos. 

Acabou em Bossa Nova 

No entardecer de ontem, em Ipanema, a temporada carnavalesca terminou com o bloco Galinha do Meio-Dia tocando... Bossa Nova. 

Vik no samba 

A mostra de Vik Muniz, no MAM, foi prorrogada por mais uma semana, até 8 de março. 

Depois de passar o carnaval no interior de Minas, o superartista viu o Desfile das Campeãs do camarote da Nova Schin. Ontem, foi para Nova York, mas volta para o encerramento da exposição.

Mestre do piano 

Nelson Freire e Martha Argerich fazem o concerto de abertura do Concurso Chopin de Piano, em Varsóvia, considerado o mais importante do mundo. 

Será no dia 2 de outubro de 2010. 

Gente maldosa 

Piadinha maldosa que circula no Congresso: A Copa de 2014 terá jogo em Brasília porque, se o Brasil perder, José Roberto Arruda mexe no placar. 

O governador, gente boa que deu a volta por cima, foi acusado, lembra?, de violar em 2001 o placar eletrônico do Senado.

FERNANDO RODRIGUES

Lula e a cultura do segredo

Folha de São Paulo - 02/03/09

BRASÍLIA - Um dos vários acertos de contas ainda a serem feitos pelo Brasil pós-ditadura é o acesso ao seu passado. Já se vai quase um quarto de século desde a volta de um civil ao Planalto, mas o país continua sem uma regra clara para facilitar a obtenção de informações públicas.
México, Chile, Peru e Colômbia, para citar alguns vizinhos, já estão mais adiantados quando se trata de garantir esse direito. FHC e Lula se renderam aos lobistas internos -diplomatas e militares. Pouco ou nada fizeram para atacar a cultura do sigilo. Na véspera de sua reeleição, em 2006, o petista prometeu para o ano seguinte um projeto de lei. Até hoje, nada.
O projeto de Lula acabou ficando pronto em 2008. Seria enviado ao Congresso até dezembro. Agora, o prazo é neste mês de março. O texto ainda requer vários ajustes. Não há consenso dentro do governo sobre qual instância independente supervisionará o processo de acesso a dados públicos. Pelo projeto original, se um determinado órgão se recusar a fornecer um documento, o cidadão ficaria chupando o dedo -ou recorreria à Justiça comum. A possibilidade de reclamar judicialmente já existe.
Uma nova lei seria tautologia pura. Também não está claro no projeto de Lula como cada instância governamental se organizará para receber as demandas da sociedade. Por fim, falta definir quem se responsabilizará por divulgar um balanço anual dos documentos liberados e dos classificados como secretos ou ultrassecretos -bem como cobrar a liberação nas datas devidas.
O positivo nessa história é o fato de haver um setor na administração Lula interessado em avançar no combate ao segredismo e dar mais transparência com acesso facilitado a informações públicas. Em outros governos essa turma sempre acabou derrotada. Com o petista, restam dois anos para saber quem vencerá a disputa.

RUY CASTRO

Para fins imorais

Folha de São Paulo - 02/03/09

RIO DE JANEIRO - De seu camarote no Sambódromo, o presidente Lula atirou, imperialmente e às mancheias, pacotes de camisinha para o público nas frisas abaixo dele. Se sua insólita atitude tinha um fim educativo -conscientizar o povão para a necessidade de uso do preservativo-, frustrou-se.
As frisas são feudo dos turistas, e supõe-se que a categoria já esteja bem informada sobre as características do produto, além de poder comprá-lo às grosas, se quiser. Para atingir a parcela a que se destinava seu gesto, Lula deveria ter pendurado um tabuleiro de camisinhas ao pescoço e ido distribuí-las um pouco mais adiante, nas arquibas da praça da Apoteose, onde os ingressos são populares, quase de graça, porque ali é o fim do desfile e já não há o que ver.
Depois dessa, tentei visualizar o presidente Obama, preocupado com a crise que fecha bancos e fábricas nos EUA, comparecendo à final da World Series (nome pomposo que eles dão ao campeonato local de beisebol) e, do palanque, atirando cheeseburgers para a massa, simbolizando sua campanha para o povo comprar produtos americanos. E quer saber? Obama é bem capaz de ter essa ideia.
Tentei visualizar também o presidente francês Nicolas Sarkozy -igualmente preocupado com as quebras de empresas e demissões na União Europeia- subindo ao Arco do Triunfo e atirando Lexotan para o povo, a fim de tranquilizá-lo e baixar seus níveis de ansiedade. Parece ridículo, mas, como metáfora, não é impossível.
Foi o que Lula deve ter pensado: atirar camisinhas para a massa pode ser ridículo, mas tem seus méritos como metáfora. Nos seus futuros discursos, ele poderá dizer que os pobres também têm direito ao sexo para fins deliciosamente imorais e que ele, Lula, está ali para garantir que eles sifo sossegados.

VAMOS SONEGAR




SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Crise força empresas a financiar fornecedores

 

Folha: Crise desacelera alta de alimento e reduz inflação

 

Estadão: Colapso da exportação de emergentes preocupa BCs

 

JB: Somem 200 mil por ano no Brasil

 

Correio: Juiz defende pena maior para jovens

 

Valor: BC está preocupado com a lenta queda da inflação