quarta-feira, janeiro 14, 2009

NAS ENTRELINHAS

Ideias não fazem plástica


Correio Braziliense - 14/01/2009
 


Seria Dilma, seja a austera senhora de antes ou da vaidosa dama de agora, a idealizadora de um plano que fracassou? Será ela a capitã do navio petista rumo a um projeto fadado ao naufrágio?


Temos aí o caso da ministra Dilma Rousseff. Cortou e pintou os cabelos, renovou a pele do rosto, esticou as rugas, tirou os óculos. Diz-se que é o semblante da candidatura presidencial. Os especialistas em propaganda política, chamados a depor, divergiram quanto ao resultado. Mas o debate necessário é bem outro. Que terá o Brasil para exigir de uma mulher postulante ao mais alto cargo público disponível a mudança fundamental, transcendente e irresistível do primeiro olhar? 

Respondo: nada tem o Brasil de errado. Como toda nação civilizada, o país dá sinais de estar pronto para se deixar governar por uma mulher. Pelo menos a candidatura da ministra é cozida sem dissabores, sabotagens ou pilhérias. Está no jogo e sua presença é reconhecida como legítima. Tenha ela a imagem da austera senhora de antes ou da vaidosa dama de agora. 

O que há de errado, nobre senhor, bela senhora, são as muitas contradições que o PT e a própria Dilma carregam. Essas sim, são rugas cavadas pelo tempo como todas as outras, mas para as quais não existe plástica possível. 

O partido já não esconde o espanto por ter se apequenado em relação a Luiz Inácio Lula da Silva. Uso o termo no sentido estrito, de que um tornou-se politicamente maior, mais relevante do que o outro. O presidente governa — de forma bem-sucedida, registre-se — com atos que retoricamente condenava quando militante partidário. Deve ser duro para ele. Mas pior ainda para o PT, ainda hoje defensor de ideias estapafúrdias, sobretudo quanto à política econômica. 

Nessa seara, Dilma é uma espécie de prisioneira. É dela a tese de um grande plano de obras para impulsionar o crescimento econômico tanto no curto quanto no longo prazos, pedra-de-toque do segundo mandato petista. O pilar sobre o qual se ergue a ideia ruiu em outubro do ano passado — era, posto, a abundância de capitais pelo mundo, capaz de financiá-la com sobras até o estouro da represa financeira internacional. 

A alicerçar-lhe, tanto a personagem quanto seu argumento, persiste a crença num Estado forte, interventor, potente. E lá se vão outros senões. A ação estatal prescinde de dinheiro. Quão maiores elas forem, mais lhe é custoso. Ora, o Estado se financia da população, cobrando-lhe impostos. Se ele deve ter a configuração imaginada pela candidata, tenha ela expressão jovial ou bigode japonês, maior precisa ser a carga de tributos apeada no lombo da nação. Que nem uma lágrima verteria se marchasse sobre o bálsamo do crescimento econômico. Só que também isso sumiu com a crise. 

Além disso, é bom lembrar, foi da mão dela que partiu a primeira pedra atirada no então ministro da Fazenda, Antônio Palocci. E o alvo não era a moral do adversário, suas mentiras, farras nem o sigilo do caseiro. Mas a política de infalível rigidez fiscal que ministrava — a mesma que curiosamente produzia as bases do crescimento responsável pelas gordas taxas de aprovação do presidente da República. 

A dama-de-ferro, mal comparando, talhou com o bisturi a de suas velhas ideias a bela face que se exibia orgulhosa na grande economia. 

E na política… 
Seria Dilma, portanto, a idealizadora de um plano que fracassou? Será ela a capitã do navio petista rumo a um projeto fadado ao naufrágio, já que todo o cenário em que ele foi construído mudou radicalmente? 

Não se pode dizer com certeza que sim. Afinal, se as perspectivas viraram tão rapidamente para um lado, é possível que o façam com a mesma velocidade no sentido contrário, o que traria tudo ao curso normal, digamos assim. 

Mas uma coisa é certa: a mera existência da dúvida inflama a política, tanto dentro, quanto fora do PT. 

Dilma é filiada ao partido, mas não se pode dizer que seja uma liderança partidária. Era, na verdade, do PDT. A transição é bem mais recente do que gostariam muitos dos petistas mais antigos. Daí nutrem-se os opositores de sua candidatura presidencial no âmbito interno. 

Por outro lado, se a economia não estiver se locomovendo a plenos pulmões, como fez até setembro passado, a probabilidade de sucesso do candidato oficial será sensivelmente menor em 2010. Os partidos aliados sabem disso. E todo brasileiro, vivo ou morto, também sabe que é a expectativa de poder o agente aglutinador de 90% das alianças política no país. Portanto, a ministra estará sozinha se o PAC não puser o Brasil onde ela prometeu que estaria. 

E no PAC, a exemplo das ideias da ministra, ainda não dá para fazer cirurgia plástica.

FERNANDO RODRIGUES

O mérito do recuo


Folha de S. Paulo - 14/01/2009
 

Quando um político recua e desmancha um erro, há motivos para festejar. Ontem foi um desses dias raros, pois Brasília conseguiu produzir algo positivo. 
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados anulou uma bobagem praticada na semana anterior. Cancelou a gratificação de até R$ 1.800 para os funcionários com cargos de chefia. Também ficou, por ora, abandonada a possibilidade exótica de tentar criar um plano de saúde para 12 mil famílias de servidores sem gastar nada. 
Se houver má vontade, enxerga-se timidez excessiva na nota emitida pelos deputados sob o comando do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia. Em vez de simplesmente dizer "erramos", o texto lista várias desculpas esfarrapadas. Nessas horas, quanto mais se fala, pior é. No caso do plano de saúde "gratuito", por exemplo, os deputados dizem estar agora interessados em voltar ao tema quando houver uma "proposta fundada em números". Por analogia, conclui-se que na semana passada as excelências tomaram a decisão sem ter uma proposta em mãos. 
Mas, mesmo envergonhado, o recuo dos deputados é positivo. Apesar da verborragia, ficou para as calendas o tal plano de saúde com ou sem a "proposta fundada em números". Esse é o resultado mais relevante: anulou-se um erro. 
O caso também é exemplar para mostrar o pior e o melhor do Congresso. Os deputados são capazes de adotar medidas estapafúrdias numa semana. Na outra, depois de pressionados, voltam atrás. A Câmara é o poder mais devassado do país. Não há na República órgão mais investigado. O Senado fica muito atrás, por sua tradição hermética. O Executivo e o Judiciário estão a léguas de distância quando o assunto é transparência. 
Admitir um erro é doloroso. A Câmara, sempre criticada neste espaço, desta vez acertou ao recuar. 

KÁTIA ABREU

Lembrai-vos de 1943!


O Estado de S. Paulo - 14/01/2009
 
Há seis meses - quando todos supunham estar no céu, salvos e gloriosos, com a bolsa em alta, e todos os indicadores que empolgam o orgulho nacional, como a indústria automobilística, batendo seus próprios recordes, etc., etc. e tal - não havia crise. Mas um setor pouco estimado lastreava de realidade esses bons tempos: a agropecuária.

Como era impossível desconhecê-la - posto que gerava 36% das exportações, o ponto mais relevante e visível do bom desempenho da economia -, apelou-se para o neologismo "agronegócio" como álibi para não revisar os preconceitos, caricaturas, grosserias e, principalmente, infâmias gerados por campanhas ideológicas que estigmatizam os produtores rurais ou ruralistas, setor agrícola ou mesmo agronegócio, como queiram. O importante é identificar o setor da economia que gera 24% do produto interno bruto (PIB) e oferece, por meio de seu l milhão de estabelecimentos, grandes, médios e pequenos, 37% das vagas de trabalho no Brasil.

Foi ainda nesse tempo bonança que começamos a refletir sobre um programa de institucionalização do setor a partir do binômio Afirmação & Ruptura, em que agora nos empenhamos como um programa de profunda revisão das relações do setor rural com a sociedade brasileira. O objetivo é ao mesmo tempo definir o que somos (de onde viemos e para onde vamos, realisticamente) e repelir, refutar, desmentir, desmoralizar, desfazer a enorme e insuportável carga de conceitos e ideias que não correspondem à nossa verdade.

E um dos primeiros temas - o primeiro, de fato - foi a questão dos trabalhadores da agropecuária.

Partindo do princípio de que o trabalhador rural é protegido pela lei de forma irrenunciável - ou seja, é a sociedade que lhe assegura direitos, independentemente da sua própria vontade -, ele não é escravo, empregado de segunda categoria ou diferenciado, mas reconhecido pela Constituição como qualquer outro trabalhador brasileiro.

Apresentou-se, então, a questão das denúncias sobre trabalho escravo. Mergulhamos seriamente no tema para compreender os episódios descritos.

A evolução desigual da atividade agrícola no Brasil resultou em lamentável e inquestionável defasagem entre os produtores, seja regionalmente, marginalizando e isolando as regiões remotas, seja em função das culturas cujo processo produtivo evoluiu extraordinariamente em algumas áreas e em outras estacionou. Não se inserindo, por exemplo, na dinâmica produtiva do agronegócio. Sem que se possa justificar ou tolerar, verificaram-se concretamente casos de negligência e desrespeito às regras trabalhistas, pronta e legalmente registradas, denunciadas. Não importa que tenham sido casos isolados, resultado de ignorância e descuido, embora não seja possível, por esses motivos, apelar para qualquer contemporização que estimule o desrespeito à lei. Esta é a nossa afirmação: os produtores rurais defendem intransigentemente a realidade e o respeito à lei. O princípio da legalidade democrática, primeiro e principal compromisso do empresário rural brasileiro.

Passemos, então, à ruptura. Temos de nos livrar não apenas da carapuça do trabalho escravo - que nos jogam na expectativa de que assumamos a ilegalidade e nos comprometamos, pela solidariedade. Mas não podemos deixar de resgatar os que incidiram no erro por atraso ou despreparo. Sindicatos rurais do País inteiro - sob a liderança da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) - estão organizando equipes multidisciplinares que irão de propriedade em propriedade treinando e atualizando os produtores para que não apenas se adaptem exemplarmente à legislação - no que não fazem nenhum favor, pois são obrigados a cumpri-la -, mas atinjam a excelência nas relações com seus empregados. Para nos tornarmos um eficaz observatório das desproteções sociais que afligem os trabalhadores rurais, vítimas dos vazios institucionais que os privam dos serviços de educação, saúde, cultura, lazer disponíveis, não importa como, mas pelo menos existentes, nas cidades.

Na verdade, trata-se de boa oportunidade para discutir um episódio importante da história da agropecuária brasileira. Aconteceu em 1943, quando a demagogia e o populismo excluíram os trabalhadores rurais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A exclusão criminosa foi oferecida como consolação aos produtores rurais pelo tabelamento irreal dos produtos agrícolas. Por mais dramático e difícil que fosse a adaptação, o princípio da equiparação universal dos direitos do trabalhador não poderia ter sido desdenhado. Muito menos a atividade econômica da agricultura poderia prosperar, engessada, para garantir a estabilidade dos preços dos alimentos. Correram juntos o processo institucional de desvalorização perversa do trabalhador do campo e a marginalização econômica do produtor rural.

Passaram-se 45 anos até que a Constituição de 88 eliminasse irreversivelmente a diferença. O troca-troca imoral ostensivamente consagrado pela CLT desafiava a condição humana - por que o tratamento diferenciado entre trabalhadores urbanos e rurais? - e a teoria econômica, como se fosse possível uma atividade produtiva (francamente inserida no mercado) levitar sem poder reajustar preços conforme seus custos. Ou seja, negaram-se aos produtores rurais os suportes concedidos à indústria. Até hoje prevalecem sequelas dessa diferença de tratamento. 

Querem um bom exemplo?

Com a queda dos preços das commodities - que envolve os principais itens da produção agropecuária do País e deve chegar a até 23%, em dólar -, é estarrecedor que a sorte dos empregos no campo não esteja recebendo a mesma atenção que é dada, por exemplo, aos trabalhadores da indústria automobilística e outras.

ÉLIO GASPARI

Obama não é Roosevelt, nem Lincoln


O Globo - 14/01/2009
 

Daqui a uma semana o companheiro Barack Obama estará na Presidência dos Estados Unidos. Sua chegada será uma festa. No mínimo ela significa a partida de George Bush. Noves fora isso, pela primeira vez na vida, ele precisará mostrar a que veio. Terá que abrir a quitanda todas as manhãs com mercadoria para vender e troco para dar à freguesia. 

A posse do companheiro será a primeira grande celebração do século. Ele prestará o juramento constitucional com a mão sobre a Bíblia de Abraham Lincoln e fará um discurso memorável, mas a quitanda continuará lá: Casa Branca, Pennsylvania Avenue, 1.600. 

Por maiores que sejam as expectativas (digamos torcida), Obama surfou os últimos meses sem colocar uma só ideia no pano verde. 

Compreensivelmente, especula-se o início de seu governo olhando-se para o retrovisor. A crise econômica chama o exemplo de Franklin Roosevelt e algumas atitudes de Obama, como a nomeação da rival Hillary Clinton para a Secretaria de Estado, alimentam paralelos com Abraham Lincoln. A primeira semelhança embute o desejo de que a liderança de Obama tire os Estados Unidos da crise. Infelizmente, ela se baseia num entendimento rudimentar das virtudes de Roosevelt. A associação com Lincoln, estimulada por seus marqueteiros, é um benevolente disparate. 

Roosevelt assumiu a Presidência em 1932 com a economia americana em estado de dissolução. A recessão estava no terceiro ano, a taxa de desemprego encostara nos 20% (10 milhões de trabalhadores), cinco mil bancos haviam quebrado e os demais tinham fechado as portas ou limitado os saques. Quando ele morreu, em 1945, a Depressão era coisa do passado e os Estados Unidos detinham metade da riqueza do mundo. 

Quem reativou a economia americana não foi o new deal (grafado em letras minúsculas antes de se tornar um plano de governo), mas a Segunda Guerra Mundial, que levou o país ao pleno emprego. O legado do New Deal não foi a reorganização da economia, mas algo muito maior: a reorganização da sociedade, com a criação de um capitalismo capaz de trazer a patuléia para dentro do sistema. 

As propostas de incentivo econômico oferecidas por Barack Obama podem levar a uma recuperação, mas para que o paralelo com Roosevelt feche o círculo fica faltando a guerra. Em benefício do companheiro, ele se assemelhou a Roosevelt quando rebarbou a reunião do G-20 de Bush dizendo que "os Estados Unidos têm um presidente de cada vez". 

O paralelo com Lincoln é uma extravagância. Obama, como ele, fez política no Illinois e chegou à Casa Branca com a simples experiência de senador. E só. A crise de Obama é econômica. A de Lincoln era política. Ele assumiu com sete estados rebelados, achando que acomodava a encrenca. Foi o maior presidente da História americana porque decidiu preservar a União. Tentou conter a secessão do Sul com generais de parada e só achou o caminho de casa quando chamou dois matadores: Ulysses Grant, a quem Mary Lincoln, sua mulher, chamava de "açougueiro", e William Sherman, que explicava: "A guerra é o inferno." 

A partir de quarta-feira, Obama terá de abrir a quitanda e, antes de ser Roosevelt, terá de batalhar para não ser Herbert Hoover. Em 1928, quando ele assumiu, era o homem mais respeitado dos Estados Unidos. 

Na crise, denunciou a "orgia de louca especulação", mas foi destruído por ela.

ILIMAR FRANCO

CPI do Votorantim

Panorama Político -
O Globo - 14/01/2009
 

A oposição vai começar a colher assinaturas para a criação de uma CPI para investigar a compra de ações do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil. O negócio é de R$4,9 bilhões, e o controle do Votorantim se manteve nas mãos do grupo Ermírio de Moraes. Para a oposição, o governo usa dinheiro público para socorrer um banco privado, cujos controladores tiveram prejuízos de R$2,2 bilhões em operações com derivativos.

"Uma história mal contada" 

A oposição quer ouvir os presidentes do BB, Antonio Lima Neto, do Votorantim, José Ermírio de Moraes Neto, do BC, Henrique Meirelles, e da CVM, Maria Helena Santana. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), articulam a investigação. Petistas também querem transparência. O ex-ministro José Dirceu, em blog de sexta-feira, diz: "A compra não parece aceitável nem republicana porque trata-se de uma história mal contada. Por que nenhum banco privado se interessou pelo Votorantim? Os contribuintes têm o direito de saber o que aconteceu no Votorantim e em operações de derivativos". 

Nossa posição é não contaminar a Câmara com o Senado, mas é impossível desconectar completamente" - Ideli Salvatti, senadora (PT-SC)

PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE. O Iphan enviará para a Unesco, em março, um pedido de concessão do título de Patrimônio Mundial da Humanidade para uma série de bens no país. Na lista constará o Palácio Gustavo Capanema, no Rio, um dos primeiros exemplares da arquitetura moderna no Brasil. Quando um item é reconhecido, a Unesco passa a apoiar ações de proteção com recursos do Fundo do Patrimônio Mundial.

Cuba 

No Fórum Social Mundial será instalada a tenda "Cuba 50 anos". Além de debates, promoverá almoços com comidas típicas para angariar recursos para a ilha, além de uma "noite latina". E haverá marcha contra o bloqueio dos EUA.

A defesa do cabide 

A oposição bate no governo Lula por causa do loteamento político de cargos. Mas, no caso dos adidos agrícolas no exterior, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) critica o fato de a função ser privativa de técnicos do Ministério da Agricultura.

Chinaglia: caiu a ficha 

Desgastado, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tentou buscar ontem uma saída técnica para justificar seu recuo na transferência do plano de saúde dos servidores para o sindicato da categoria, o Sindilegis. No sábado, ele disse a um deputado que teria sido mal assessorado. Ontem, ele foi alertado de que a Mesa Diretora seria desmoralizada, pois a assembleia dos funcionários rejeitaria a proposta. 

Carta de Ciro Nogueira 

Candidato a presidente da Câmara, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) enviará uma carta aos colegas esta semana. Dirá que a Casa está perdendo espaço para os outros poderes; que seu presidente não pode servir a um partido político, em uma referência ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), seu adversário; e que sempre esteve próximo dos deputados, enquanto alguns teriam se aproximado apenas por causa da eleição, em outra alusão ao peemedebista.

EM REUNIÃO ontem com reitores, o ministro Fernando Haddad (Educação) confirmou que ameaçou pedir demissão por causa do corte em seu orçamento. "Pedi mesmo", disse ele. 

O PRESIDENTE do PMDB, Michel Temer (SP), recebeu ontem o apoio de 30 deputados do Rio à sua candidatura à presidência da Câmara. 

O SENADOR José Sarney (PMDB-AP) ainda não conversou com o presidente Lula porque estava abatido por uma forte gripe. A conversa será hoje.

DORA KRAMER


A volta de quem não foi

O Estado de São Paulo 14/01/08

Os exemplos são muitos, mas os casos de Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho são as mais expressivas demonstrações de que políticos envolvidos em denúncias e escândalos podem até ser reconduzidos pelo voto às antigas tribunas, mas nunca mais são os mesmos.
De um modo geral, não recuperam o prestígio e o poder perdidos. Senadores, poderosos, caciques de seus partidos, PFL e PMDB, ACM e Jader tinham comando sobre a chuva e o sol na política, até se virem obrigados a renunciar aos respectivos mandatos. Antonio Carlos em maio de 2001, acusado de violar o sigilo do painel eletrônico na votação de cassação do então senador Luiz Estevão; Jader em setembro do mesmo ano, alvo de denúncias de desvio de verbas no Banpar
No ano seguinte, ambos foram reeleitos ao Congresso: ACM ao Senado e Jader à Câmara. Nenhum dos dois jamais foi sombra do que já tinham sido. O senador baiano morreu em 2007 reverenciado pelo passado, mas sem influência no presente e o deputado paraense dá as cartas nos bastidores graças a uma aliança com o PT nos planos regional e nacional, mas não é uma companhia benquista.
Como eles, muitos outros. Vários retornaram depois de muito tempo à vida pública, alguns nunca saíram dela e há até os que estrearam recentemente nos papéis de protagonistas de escândalos depois de anos de serviços prestados ao discurso na probidade na oposição.
É o caso dos mensaleiros do PT e também de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, apontado como o mandante da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, tido como possível candidato do PT ao governo de São Paulo ou ministro de novo se o Supremo Tribunal Federal rejeitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República.
A decisão é esperada para o próximo mês, assim que o Supremo voltar do recesso. Se a Corte julgar improcedente, Palocci fica, em tese, livre desse peso e, segundo se diz no governo, pode voltar ao ministério e retornar à lista de candidatos do PT a cargos majoritários.
Teoricamente é possível mesmo. Mas só na teoria. Na prática, a situação não é tão tranquila. Para ministro, um pouco menos complicado. Basta uma decisão do presidente, a disposição de deixar passar a fase inicial de questionamentos e a consciência de que o fantasma das denúncias sobre irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto ainda está à espreita.
Para o PT fazer de Palocci candidato, o quadro é mais difícil. Enfrentar eleição majoritária com investigações em aberto e todas as evidências produzidas no episódio Francenildo é um risco; equivale a fazer metade do serviço para o adversário.
Muito se fala a respeito da leniência das leis e da tolerância do eleitor no tocante a uma (ou muitas) nova oportunidade. Mas não se confere o devido peso a um dado da realidade: políticos, quando moralmente condenados ou atingidos, têm cortadas suas cordas vocais. Na melhor das hipóteses continuam podendo agir, mas não dispõem mais da mesma capacidade de falar e ser ouvidos.
Comparemos o deputado José Genoino de hoje ao Genoino de antes do escândalo do mensalão que o alcançou na presidência do PT e, nessa condição, avalista dos empréstimos fictícios ao partido intermediados por Marcos Valério.
O político vivaz, falante, participativo deu lugar a um homem amargo, retraído, silencioso, ressentido. Envergonhado. Um dos raros, diga-se.Por inteligência e atributo de caráter, Genoino tem noção do que se passa; o constrangimento impede o atrevimento.
Não é o caso de José Dirceu. Mesmo confrontado com acusações graves, deixou a Casa Civil disposto a “governar da Câmara”. Pretendia, como parlamentar, liderar a bancada governista e até presidir a instituição. Tal pretensão não teve a duração de um discurso, que não conseguiu sequer terminar, questionado em sua legitimidade. Pouco depois seria cassado e hoje aguarda o julgamento do Supremo agindo como se nada tivesse ocorrido. Ele fala – tem direito –, mas não influencia.
O senador Eduardo Azeredo. Foi governador de Minas Gerais, presidente do PSDB, é investigado pelo STF pelo uso de esquema Marcos Valério, dispõe ainda do mandato, mas aniquilou-se a atuação política. Quanto mais quieto, mais contribui.
O ex-presidente do Senado, acusado por quebra de decoro e absolvido por seus pares, Renan Calheiros, quer desmentir as escrituras e, como líder do PMDB, tentar recuperar o antigo poder. Como quem repõe pasta de dentes no tubo esvaziado e assaz danificado.

Morder e assoprar

Presença de espírito – ou senso de oportunidade, para fins profissionais – não falta ao presidente Lula.
O arremesso de sapato ao jornalista na visita à Couromoda prestou-se à diluição do mal-estar provocado pelas declarações segundo as quais imprensa faz mal à saúde (dele).
Lula troca a figura do intolerante pela imagem do governante brincalhão e, por isso, inimputável.

ALI KAMEL

Gaza

O Globo

Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro.

Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.

Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: "Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?" Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.

E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de "Entidade Sionista".

Assim, quando se refere à "Palestina", o Hamas engloba tudo, inclusive Israel.

Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de "Mudança e Reforma"): "A Palestina é uma terra árabe e muçulmana"; "O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada"; "Entre outras coisas, nosso programa defende a 'Resistência' e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação.

A 'Mudança e Reforma' vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício." Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na "Palestina", o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles, e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade.

Havia alternativa? Sim, apesar da ambiguidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição, pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: "Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a 'solução histórica', que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como uma opção estratégica." E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quanto nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do Parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria, Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses? Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006.

Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas tem de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado.

Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.

Utopia? PS: Peço desculpas por ter dito, em meu último artigo, que os "professores não ensinam" quando quis dizer que as escolas não ensinam.

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Acordo em SP reduz jornada e salário para evitar demissão

Folha: Emprego industrial tem maior queda em cinco anos

Estadão: Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA

JB: Rio ganha R$ 4,7 bi para linhas do metrô

Correio: Adeus, bolsa-chefia

Valor: Custo do trabalho sobe e sinaliza mais demissões

Gazeta Mercantil: Queda nas vendas de veículos acirra disputa em seguros

Estado de Minas: Desemprego faz fila em BH

Jornal do Commercio: Celpe vai parcelar resíduo em 12 vezes

terça-feira, janeiro 13, 2009

PARA...HIHIHIHI


O BALÃO E O COCO

O pirralho estava brincando pelo apartamento com um destes balõezinhos de festa de aniversário. Chutava prá cá, chutava prá lá, até que o balão acabou entrando no banheiro e foi cair justamente dentro da privada. Ele chegou, espiou a bola molhada, ficou com nojo e deixou a danada ali mesmo.

Pouco tempo depois seu pai entrou para se “desocupar” e nem notou a bola. Ficou ali, sentado, lendo jornal, enquanto fazia o serviço. Ao terminar, olhou horrorizado para o vaso sanitário. Suas fezes haviam coberto todo o balão e a impressão que se tinha era de um imenso, um absurdo, um gigantesco bolo fecal! Sem acreditar naquilo, ligou dali mesmo, pelo celular, para o seu amigo que era médico:

- Geraldo, eu enchi a privada de bosta. Nunca vi tanta assim na minha vida! Tá quase passando do limite do vaso! Acho que eu devo estar com um algum problema sério!
- Que isso, Anselmo, cê tá exagerando!
- Que exagerando, o quê, meu! Eu tô olhando pra esse “merdel” todo agora! Tem uns 15 quilos de cocô na privada, Geraldo! Eu devo estar doente!
- Bom, eu já estava mesmo indo pra casa; aproveito e passo aí que é caminho!

O médico chega e vai direto ao encontro do amigo, que estava na porta do banheiro esperando.

- Olá, Anselmo, cadê o negócio que vo... NOSSA MÃE DO CÉU! O que é isso? O que você comeu, criatura?
- Não falei?! Agora tá acreditando, né?!
- Nossa! Isso é inacreditável!
- E então, será que eu tenho algum problema sério?!
- Olha, o melhor é eu pegar uma amostra desse cocozão e mandar para análise!

O médico saca uma pequena espátula e um frasco esterilizado de sua maleta e quando espeta o “bolo” para coletar uma amostra do material... BUMMM !!!!

A bexiga estoura e voa merda pra tudo que é lado!

Seguem-se intermináveis segundos de absoluto silêncio. Os dois, embosteados, se olham e, estupefato, o médico diz:

- Puta que pariu! Eu achava que já tinha visto de tudo nesta vida, mas peido com casca, nunca!

ARI CUNHA

A realidade do virtual


Correio Braziliense - 13/01/2009
 

Há de se reconhecer o trabalho das operações realizadas pela Polícia Federal em 2008. Entre elas, a Operação Satiagraha. O problema é que o banqueiro Daniel Dantas está adiante de nossas autoridades também em termos criptográficos. Foi um golpe de criptonita nos super-homens. Não conseguiram decifrar os códigos. Acabou-se a oportunidade de levar a operação até o fim. Já os computadores que sumiram da Petrobras misteriosamente, não devem ter dado trabalho aos ladrões para acessar todo tipo de informação. Há mais de 15 anos a população tem acesso à internet e até hoje não temos leis sólidas sobre o assunto — pedofilia, crimes contra o direito autoral, invasão de privacidade, disseminação de vírus. Não há regras que valham. Primeiro, o crime; depois, a busca por solução. Engatinha na Câmara há 10 anos um projeto do ex-deputado Luiz Piauhylino. Já foi enviado ao Senado e devolvido à Câmara. Agora, ou os deputados aceitam ou rejeitam as propostas acrescidas pelos senadores. O que está gerando debates é a forma como foram definidos os crimes na internet. Com dupla interpretação, as propostas podem interferir na liberdade dos usuários que não têm conduta criminosa. Confunde o crime organizado com tarefas corriqueiras. Como copiar músicas, por exemplo. Outro problema, rebatido pelo senador Eduardo Azeredo, é que, do jeito em que está, o texto parece acabar com a rede sem fio, ou conexões abertas. Na opinião do professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas Thiago Bottino, a redação dos artigos é ampla demais, o que restringe até a forma de penalizar ou tipificar o crime. Carlos Eduardo Sobral, da PF, que reprime crimes cibernéticos, declarou que a melhor proposta seria a de manter a liberdade tanto para navegar quanto para punir. Além disso, a lei precisa garantir maior velocidade de acesso da polícia aos dados para investigação. Se está dando margem a discussões, o saldo é positivo. Pelo menos, o Congresso deu o primeiro passo para punir crimes na internet. Há argumentos para resolver a questão, o que é um mérito.


A frase que não foi pronunciada

“No carnaval, o rei momo; no futebol, o femomo.”
Pedro Luis, flamenguista doente, pensando enquanto brinca com as palavras.


Até 2012 
Iniciado o processo de renovação do quadro dos membros do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Pouco conhecido da população, esse colegiado é o responsável por integrar políticas públicas, além de intermediar a vontade da sociedade no processo decisório sobre as águas. 

Susto 
No final de 2008, o plenário do Senado fez uma homenagem merecida ao Hospital Sarah Kubitschek. O susto foi durante o discurso do senador Pedro Simon. Ele disse que “o Hospital Sarah não era de primeiro mundo coisa nenhuma”. Depois explicou que o Brasil tem capacidade de ultrapassar o Primeiro Mundo quando gerencia com competência. 

Novidade 
Academias podem ser enquadradas como unidade produtiva da área de saúde. O deputado federal Otávio Leite acredita que com a profissão do professor de educação física regulamentada, a iniciativa seria pertinente tanto à segurança física dos frequentadores quanto jurídica do estabelecimento. 

Civismo 
Um projeto de lei (PL 2301/00) para fazer funcionar a lei (Lei 5.700/71). O deputado Lincoln Portela propõe que as escolas sejam obrigadas a executar o Hino Nacional. A diferença é a penalidade para as instituições que descumprirem a determinação. Uma pena a falta de patriotismo chegar a esse ponto. 

Oportunidade 
Campanha de utilidade pública do Conselho Nacional de Justiça é veiculada com o tema Começar de novo. Trata-se de tentativa de sensibilizar empresários e órgãos públicos para a necessidade de empregar ex-presidiários. 

Absurdo 
Não foi à toa que as obras na EPPN permaneceram sem a identificação das empresas. O estrago nos córregos do percurso é alarmante. A construção das pontes causou erosão na área. Vale a visita de ambientalistas para uma análise técnica. Cabe ao GDF cobrar das construtoras um serviço bem-feito. Já a população não tem como fazê-lo sem acesso aos nomes dos responsáveis. 

Em conta 
Vale a pena visitar o Albergue da Juventude de Brasília, dirigido por Herbert Pacheco. Qualquer pessoa pode fazer a carteirinha nacional e internacional de alberguista. Sem limite de idade. Com café da manhã e roupa de cama, a média cobrada por pessoa é de R$ 30. Há albergues por todo o país e várias partes do mundo.

História de Brasília

A Secretaria de Higiene deve interditar o Cruzeiro à vista de turistas. É que o lixo de muitos acampamentos está sendo despejado nas proximidades do local da primeira missa e o número de urubus é uma vergonha e uma humilhação. (Publicado em 20/1/1961)

ELIANE CANTANHÊDE

Bolivianas


Folha de S. Paulo - 13/01/2009
 

O Brasil foi, voltou e a qualquer hora vai de novo. Ou melhor: vai ter que ir, por causa da argumentação técnica e do bom senso. De que se fala aqui? Da compra de gás à Bolívia. 
O governo anunciou na sexta de manhã o desligamento de praticamente todas as usinas termelétricas e corte de boa parte da importação do gás boliviano. Com bons motivos: afinal, a chuva torrencial encheu os reservatórios das hidrelétricas, mais baratas e menos poluentes. Tudo resolvido? Não. 
Horas depois, a guinada: três usinas seriam religadas e o Brasil compraria até 4 milhões de metros cúbicos a mais por dia do vizinho muy amigo. O que houve? A chuva acabou? Os tanques furaram? 
Não exatamente. O que houve é que o assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães foram agregados às reuniões com três ministros bolivianos, em Brasília. E os dois entronizaram a "questão geopolítica estratégica". A Bolívia é o país mais pobre da região... 
Como me disse Garcia, a solução foi "tecnicamente viável e politicamente conveniente para os dois lados". O Brasil fica adequadamente abastecido, e a Bolívia, vendendo bem para o maior país da América do Sul, não vai à bancarrota. 
Lula pode ir sem susto para a Bolívia na próxima quinta, pronto para ser muito bem recebido e ainda dar uma "canja" para a campanha de reeleição de Evo Morales, enquanto circula em Brasília um texto de uma página e meia do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) justificando a reabertura das termelétricas e mais gás boliviano. 
Há dois probleminhas aí. Primeiro: os motivos ali apresentados são puramente conjunturais e podem evaporar em semanas, ou meses. E, aí, corta-se o gás boliviano de novo, no recuo do recuo? Segundo: e se Rafael Correa (Equador) se animar com a equação do "politicamente conveniente"? Vai voltar à carga? Se vale para um, vale para todos. 
Aliás, como só tem acontecido.

DORA KRAMER

Falando às escuras


O Estado de S. Paulo - 13/01/2009


O ex-deputado Roberto Freire, presidente do PPS, assumiu o discurso, mas o receio de que a abertura oficial do debate sobre o fim da reeleição abra espaço para propostas de prorrogação de mandatos, plebiscitos ou atalhos por onde transitaria a possibilidade de o presidente Luiz Inácio da Silva disputar um terceiro mandato é mais amplo. 

Assola o PSDB, mais exatamente a seção paulista do partido, cujo líder maior, o governador José Serra, é também o mais empenhado defensor do fim da reeleição. Serra articula apoios à proposta há tempos e durante todo o ano de 2008 avisou a vários interlocutores - sendo o mais poderoso deles o presidente Lula - que o tema ganharia substância logo após as eleições municipais.

Dito, feito. Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a proposta e a nova presidência deve instituir comissão especial para dar prosseguimento à tramitação. O atual presidente, Arlindo Chinaglia, favorável, já anunciara disposição de instalar.

Se o sucessor for Michel Temer o assunto também terá tratamento preferencial, pois o presidente do PMDB é a favor, segundo ele, tanto para facilitar o processo de escolha de candidatos dentro do PSDB quanto para encurtar o tempo que separaria Lula do fim deste governo e uma eventual candidatura futura.

O problema dos tucanos é que as coisas podem assumir rumos não desejados e provocar efeitos colaterais desastrosos. Ninguém, em sã consciência, apostaria hoje na hipótese de o Congresso abrir caminho ao terceiro mandato.

Mas a simples inclusão do assunto na agenda nacional já seria um fator de perturbação e sinal de anormalidade institucional. O presidente do PPS - um assumido aliado de Serra e do PSDB em 2010 - denuncia “articulação” em prol do terceiro mandato apontando o dedo aos governistas.

Realmente, foram eles (ou alguns poucos entre eles ) que manifestaram vontade de retomar a discussão a partir do debate sobre o fim da reeleição. Mas, convenhamos, quem criou a oportunidade foi o PSDB ao patrocinar vivamente nos bastidores a instituição de mandato único de cinco anos.

Se porventura a questão da continuidade vier a ganhar destaque, as inevitáveis críticas decorrentes não poderão deixar de alcançar a oposição.

A preocupação do ex-deputado Roberto Freire é legítima, tem fundamento e abrigo até entre aliados do presidente Lula. Mas conta apenas parte da história quando joga a responsabilidade sobre eventuais distorções do debate nas costas dos suspeitos de sempre. 

Recapitulando

Há mais ou menos cinco meses o delegado Paulo Lacerda foi afastado temporariamente da chefia da Agência Brasileira de Inteligência para permitir “maior agilidade” e “isenção” na investigação da autoria de escutas telefônicas ilegais, notadamente no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

O ato se baseava na alegação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que a Abin teria comprado equipamentos para grampos, extrapolando suas atribuições.

As investigações, inicialmente limitadas em 30 dias, ainda não terminaram oficialmente, mas, extraoficialmente, o ministro da Justiça, Tarso Genro, diz que Paulo Lacerda será inocentado.

A denúncia de Jobim também caiu por terra.

Nem por isso Lacerda foi ou será reconduzido ao cargo, indicado que está para o posto de adido policial na embaixada brasileira em Portugal.

Tarso Genro afirmou, em entrevista ao Estado no domingo, que não há relação entre os dois fatos nem a ida para o exterior pode ser vista como um prêmio de consolação ou arranjo para aplacar os conflitos internos da Polícia Federal. Segundo o ministro, a presença de Lacerda em Lisboa é ditada pela necessidade do País.

Até por ser o delegado merecedor de tanta confiança é de se perguntar se não seria o caso de, senão lhe devolver o posto no Planalto, ao menos dar uma explicação oficial - de preferência convincente - sobre o caso dos grampos, a Abin, Paulo Lacerda e quejandos. 

Perfeita imperfeição

A capacidade do Legislativo de criar fatos negativos desafia até a lógica do calendário. No recesso seria de se imaginar que o Congresso desse uma folga.

Em menos de um mês, contudo, faltando ainda duas semanas para a volta ao trabalho, o Senado gera com afinco uma crise política - por iniciativa do PMDB - e a Câmara já serviu de plataforma de lançamento de declarações de guerra ao Judiciário - muito ativo para o gosto do Legislativo - e produziu dois vexames: a aprovação de gratificações adicionais para 3.500 funcionários e o aval da direção a um contrato de plano de saúde sem licitação, negociado pelo sindicato dos funcionários da Casa.

Este último ato com direito ao excesso do lobista da empresa à reunião da Mesa Diretora.

Nesse ritmo de trabalho, o Legislativo em breve atinge o grau máximo em matéria de degenerescência.

COLUNA PAINEL

Boas Festas


Folha de S. Paulo - 13/01/2009
 

Candidato a comandar por mais dois anos o Congresso Nacional, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) usou a verba reservada para a "divulgação da atividade parlamentar" na produção e veiculação de uma mensagem televisiva de 30 segundos na qual deseja "Feliz Natal" aos seus conterrâneos.
A peça foi ao ar entre 22 de dezembro e 1º de janeiro na InterTV, antiga Cabugi (retransmissora da Globo no Rio Grande do Norte), cujo controle societário registrado na Anatel contém nomes da família Alves. Sua produção ficou a cargo da Raf Comunicações, que já doou dinheiro para campanhas de Garibaldi e de seu filho Walter Alves (PMDB), deputado estadual.
Garibaldi usou dos cofres públicos, em dezembro, R$ 33 mil a título de "divulgação do mandato".

Déjà vu
Em 2007, o primo de Garibaldi, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fazia ação semelhante na Câmara. Ele usava a verba de "divulgação do mandato" para produzir reportagens a seu respeito no jornal que controla, a "Tribuna do Norte". 

Outro lado
A assessoria de Garibaldi argumenta que não houve "desvio de finalidade" no uso da verba porque, além da saudação de fim de ano, a mensagem de 30 segundos representou também uma prestação de contas aos eleitores do Estado. Diz também que, apesar de já ter pertencido à família Alves, a TV potiguar hoje é majoritariamente controlada por um empresário do Rio de Janeiro. 

Chapéu
Sob ameaça cada vez mais forte de perder o apoio do PDT, a combalida candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP) à presidência da Câmara ganhou um reforço do aliado PSB. Desde ontem, os socialistas estão recolhendo contribuição de R$ 1.000 entre os deputados para a campanha de Aldo. Já contrataram uma empresa de assessoria de imprensa. 

Plataforma
O governador José Serra (PSDB) reunirá prefeitos e secretários de Saúde -área em que foi ministro- dos 645 municípios do Estado em fevereiro. Oficialmente, a pauta do encontro é criar uma agenda de ações conjuntas para "prevenção". 

Má impressão
Lula vetou integralmente uma das principais bandeiras do setor gráfico, o projeto de lei aprovado pelo Congresso que discriminava por quem os serviços seriam tributados, se por Estados ou por municípios. O argumento do governo é que o projeto traria perda de arrecadação aos municípios. 

Clientela
O Banco Votorantim, que teve metade de seu capital comprado pelo Banco do Brasil, é um grande doador de campanha para petistas influentes. Em 2006, deu R$ 1 milhão para a campanha de Lula, R$ 1 milhão para a do senador Aloizio Mercadante ao governo paulista e mais R$ 200 mil para a do presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). 

Arrasta-pé
O forrozeiro Lázaro do Piauí, criador do jingle "Deixa o homem trabalhar", hit da campanha de Lula em 2006, será a estrela da festa de aniversário do PT, em fevereiro, e promete novas canções mencionando programas federais. Dilma Rousseff (Casa Civil) é presença certa no evento. 

Sacoleiro
Munido de uma grande bolsa, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) aproveitou a concentração de políticos ontem na Couromoda para distribuir exemplares do seu indefectível "Renda Básica de Cidadania". 

Bola de neve
A confusão sobre o plano de saúde da Câmara continua. A Agência Nacional de Saúde alertou o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de que o plano dos servidores concursados está sob suspeita por não ter havido licitação. O petista reuniu-se ontem à noite com o presidente da ANS, Fausto Santos, para achar uma saída.

Tiroteio

"O Lula mostra novamente que se comporta mais como animador de auditório do que como presidente. Daqui a pouco vai estar jogando dinheiro que nem o Silvo Santos."

Do senador ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a brincadeira em que Lula "ameaçou" atirar um sapato nos jornalistas.

Contraponto

Viagem ao fundo do mar

O presidente Lula retomou ontem os compromissos oficiais depois de 12 dias de férias. Bem-humorado, brincou com os jornalistas durante um evento de produtos de couro, em São Paulo, dizendo que o governador José Serra (PSDB) tinha ido "pegar sol em Washington". Momentos depois de simular o arremesso de um sapato nos cinegrafistas e fotógrafos, Lula falou do mergulho na praia de Atalaia, em Fernando de Noronha (PE):
-Vocês viram o mergulho que dei no mar?-, perguntou ele aos jornalistas.
Depois de alguns segundos, emendou:
-Fui tão fundo que quase bati lá no pré-sal!

ILIMAR FRANCO

Centrais divididas

Panorama Político 
O Globo - 13/01/2009
 

As centrais sindicais dos trabalhadores vão entrar divididas hoje na reunião com os empresários, na Fiesp, para debater medidas contra a crise. O setor patronal está fechado com a proposta de flexibilizar a legislação trabalhista. Já o presidente da CUT, Artur Henrique, está batendo na Força Sindical: "Acordo sem luta é inaceitável". Ele critica acordo fechado por sindicatos da Força que combina redução da jornada e de salário. 

Centrais criticam Mantega 

As centrais dos trabalhadores estão unidas apenas no que se refere à postura do governo Lula. Todas elas cobram do governo que exija a manutenção dos empregos para socorrer as empresas. "Eles tinham se comprometido, mas o (Guido) Mantega continua fechando benefícios sem contrapartida para os trabalhadores. O governo não avançou nada", critica o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força. Por causa disso, a expectativa é de que em janeiro os números do emprego sejam ainda piores que os de dezembro, cuja estimativa do Ministério do Trabalho é de 600 mil postos fechados. 

Se Garibaldi Alves for mesmo candidato à presidência do Senado, por razões potiguares votarei nele" - José Agripino, líder do DEM no Senado

CAMPANHA ANTECIPADA. Como a propaganda é a alma do negócio, o governador José Roberto Arruda (DF) está faturando em cima da reforma do estádio do Bezerrão. A obra foi feita de olho na Copa de 2014 e, pelo visto, na reeleição de Arruda ou na sua ida para o Senado. No amistoso entre o Gama e o Atlético Goianense, sábado, via-se uma imensa faixa onde lia-se: "Obrigado Arruda pelo novo Bezerrão".

Battisti 

O jurista Dalmo Dallari enviou parecer ao ministro Tarso Genro (Justiça) contra a extradição do italiano Cesare Battisti. Tarso vai decidir nesta semana. Dallari diz que os supostos crimes seriam políticos, e o julgamento, irregular.

Na sala de espera 

Está na Casa Civil a indicação para a recondução de Alayde Sant"Anna para a Ouvidoria da Anac. É a única sobrevivente da antiga direção da agência, que foi toda para o espaço depois que um acidente com a TAM evoluiu para o caos aéreo. 

Esperneio 

O ministro Fernando Haddad (Educação) ameaçou pedir demissão, em reunião com o 
ministro Paulo Bernardo (Planejamento), no fim do ano passado, devido ao corte de R$1 bi em seuorçamento. Ficou acertado então que o governo baixaria uma portaria para que o MEC fique com os recursos da venda de imóveis da Rede Ferroviária Federal, neste ano, para compensar a tesourada. A portaria ainda não saiu... 

Aldo, Vieira e o sermão dos peixes 

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) resolveu fazer uma campanha cercada de sigilo para a presidência da Casa. Diz que "a Câmara é um oceano infestado de tubarões" e que precisa proteger os seus. Em carta enviada aos deputados, cita o Sermão de Santo Antonio aos peixes, do padre Antonio Vieira: "A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros (...) Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos". 

O SENADOR José Sarney (PMDB-AP) já tem na ponta da língua sua fala quando se reunir com o presidente Lula. Vai perguntar se o presidente não quer que ele seja o presidente do Senado. 

OS CALL CENTERS das telefônicas, das TVs por assinatura e das empresas de ônibus são campeãs de reclamação. O ministro Tarso Genro (Justiça) decidiu visitar uma dessas empresas. 

NA COUROMODA, ontem, o governador José Serra e a ministra Dilma Rousseff conversaram enquanto o presidente Lula era paparicado na sala vip.

GAMBIARRA


TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Prefeituras perdem verba de moradia por falta de projetos

Folha: GM começa demissão nas grandes montadoras

Estadão: Lula prevê trimestre difícil e promete 'inventar' obras

JB: Vem aí novo pacote anticrise

Correio: Lembra da bolsa-chefia? Eles querem mais...

Valor: Linhas externas voltam com prazo curto e custo alto

Gazeta Mercantil: Exposição a derivativos cai, mas risco persiste

Estado de Minas: E vem aí mais uma sapatada

Jornal do Commercio: Boa Viagem vai mudar em fevereiro

segunda-feira, janeiro 12, 2009

PIADA DO DIA


Hamas afirma que a vitória sobre Israel está "mais perto do que nunca"



da Folha Online

A televisão do Hamas divulgou nesta segunda-feira uma gravação do líder do grupo islâmico, Ismail Haniyeh, na qual ele afirma que o Hamas irá vencer e está determinado a continuar sua luta contra Israel, apesar da ofensiva militar de Israel a Gaza, segundo o diário israelense "Haaretz". Ainda nesta segunda-feira, Israel proibiu ospartidos árabes de participar das próximas eleições parlamentares, em fevereiro.

KAKAKA,KAKAKA....KAKAKA..

FERNANDO RODRIGUES

Propaganda para 2010


Folha de S. Paulo - 12/01/2009
 

O espaço na mídia e a capacidade de se autopromover são duas formas de aferir a disputa presidencial de 2010.
Tome-se o caso dos tucanos José Serra e Aécio Neves. De janeiro a novembro de 2008, o governo de São Paulo (Serra) gastou R$ 110,3 milhões em propaganda. No mesmo período, o governo mineiro (Aécio) torrou R$ 34,7 milhões.
Esses números são calculados com base na presença das marcas "governo de São Paulo" e "governo de Minas Gerais" na mídia, estimando-se o valor gasto. Ou seja, é possível que os custos não tenham sido exatamente os do parágrafo anterior, mas as exposições das administrações de Serra e de Aécio são compatíveis com essas cifras.
A vantagem de Serra dispara ao se acrescentar os valores de certas autarquias e empresas públicas.
Além dos R$ 110,3 milhões investidos pelo governo Serra, a Sabesp (empresa de saneamento paulista) gastou outros R$ 28,3 milhões no ano passado com publicidade, até novembro -quase igualando-se ao governo de Minas Gerais inteiro.
A estatal serrista parece ter planos expansionistas de fazer inveja a Solano López. Os comerciais da Sabesp foram vistos em 2008 também em Salvador, Manaus e Teresina, entre outras capitais. Como se sabe, há (sic) imenso interesse público no Norte e no Nordeste a respeito do número de ligações de esgoto realizadas em São Paulo.
Mas, quando se considera o campo governista federal, Serra e Aécio somados não são páreo para o mais de R$ 1 bilhão gasto em propaganda pelo governo Lula em 2008. Sem contar a publicidade gratuita das inaugurações. Só neste ano, o petista programou entregar 157 obras do PAC. À tiracolo nas cerimônias, trará sempre sua pré-candidata a presidente, Dilma Rousseff.
Falta muito para 2010. Mas a gastança de dinheiro (o meu, o seu, o nosso) já está de vento em popa.

COLUNA PAINEL

Contas do lar


Folha de S. Paulo - 12/01/2009
 

Sob holofotes desde o início da liberação em 30 minutos dos pedidos de aposentadoria por idade, o Ministério da Previdência avisa que seu foco em 2009 será forçar a classe média a registrar 4,1 milhões de empregadas domésticas hoje na informalidade. Atualmente, só 2,2 milhões teriam carteira assinada.
Mesmo com a ameaça de desemprego rondando a economia, o ministro José Pimentel afirma que o governo não reduzirá a contribuição previdenciária do empregador, de 12% sobre o salário pago. "Tudo o que se paga se deduz do Imposto de Renda. Para o empregador, é questão de reconhecimento de direitos." Ele fala em "forte ação" nos sindicatos, além de "campanha de sensibilização da classe média brasileira".

Invisíveis
No encontro que terá com os prefeitos em fevereiro, o presidente Lula pedirá uma blitz para combater o sub-registro civil em áreas carentes. Sem registro, não é possível ter acesso aos programas sociais. 

Camarote
Lula visitará quatro estandes hoje na Couromoda, feira internacional de artigos de couro em São Paulo. Depois assistirá a um desfile fechado na companhia de Dilma Rousseff (Casa Civil) e dos governadores José Serra (SP), Yeda Crusius (RS), Luiz Henrique (SC) e Jaques Wagner (BA).

Ao ponto
A Aeronáutica divulgou edital de licitação para compra de 200 conjuntos para churrasco (completos, com facas, tábuas e avental), 300 kits manicure, 100 relógios de pulso, além de lanternas, canetas, agendas e camisetas. No total, são 88 itens que somam R$ 1,49 milhão. 

Mimos
Segundo a FAB, o edital é de "tomada de preços", ou seja, preparatório para compras ao longo do ano. Os itens serão usados para troca de presentes com delegações estrangeiras. O kit churrasco foi escolhido por ser "marca cultural" do Brasil, argumenta a Aeronáutica.

Turbo
Além dos outdoors com a foto de Geddel Vieira (Integração Nacional) espalhados pela Bahia, carros circulam no Estado com adesivo "Geddel é o cara". Não se sabe ainda se para governador ou vice-presidente em 2010.

A limpo
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai pedir informações hoje ao TCU (Tribunal de Contas da União) sobre os "aspectos legais e a qualidade" do plano de saúde concedido por lá aos funcionários. Dependendo do que ouvir, pode voltar atrás na polêmica decisão de estender, na Câmara, o benefício aos servidores que não são efetivos.

Garantia
É que segundo o petista, a decisão só foi tomada porque o sindicato dos funcionários do Legislativo assegurou que o novo plano da Câmara seguiria os moldes do aplicado hoje no TCU -e sem aumento de custos. 

Fora de área
Gilmar Mendes deixou para a volta do recesso do Supremo o julgamento do mérito da ação proposta pela Procuradoria Geral da República contra uma das principais bandeiras do governo Aécio Neves (PSDB-MG), o programa "Minas Comunica". 

Competência
No ano passado, Aécio divulgou que 100% dos municípios mineiros tinham sinal de telefonia celular, graças à parceria com OI, Claro e Telemig (hoje Vivo). Para a PGR, a legislação sobre telecomunicações compete à União, não aos Estados. O programa custou R$ 163,5 milhões ao governo de Minas. 

Sem caneta
Na volta do recesso, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve incluir no pacote de projetos sobre a reeleição a exigência de licença de prefeitos, governadores e presidente que disputam segundo mandato. Um dos autores do projeto, Tadeu Filipelli (PMDB-DF), é cotado para ser o próximo presidente da CCJ.

Tiroteio

"Acho bom aqueles que criticam o Meirelles colocarem um pouco a barba de molho. O aumento de juros poderá ser uma das opções nos primeiros meses do Barack Obama."

Do deputado MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), se referindo ao batalhão de críticos da política monetária comandada por Henrique Meirelles.

Contraponto

Questão de gênero

A Câmara debateu em junho projeto de lei sobre propaganda de cigarros e bebidas. Na ocasião, a deputada Rita Camata (PMDB-ES) criticou muito a exploração do corpo da mulher nas propagandas e chegou a perguntar por que não usavam também "homens bonitos". Quando Geraldo Pudim (PMDB-RJ) resolveu discorrer sobre o "beber moderadamente" como sendo "duas latinhas para o homem e uma para a mulher", foi interrompido por Camata:
-Por que a discriminação?
O deputado tratou logo de se explicar:
-É a Organização Mundial de Saúde que diz... Desculpe-me, deputada querida. Não sou eu que estou dizendo.

ANCELMO GOIS

Brasil vai à guerra


O Globo - 12/01/2009
 

Amanhã um grupo de intelectuais brasileiros se reúne num ato pela paz entre árabes e israelenses, às 14h, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 

Estarão presentes Eduardo Suplicy, Fernando Gabeira, José Gregori, Marilena Chauí, Paulo Sérgio Pinheiro, entre outros.

Terrorismo de Estado 

Aproveitando a visita de Celso Amorim, chanceler nº 1, brasileiros que moram em Israel farão hoje manifestação em frente à nossa embaixada em Tel Aviv. 

O ato será em repúdio às declarações de Marco Aurélio Garcia, chanceler nº 2, que chamou de "terrorismo de Estado" a ação de Israel em Gaza.


No mais 

Como eu ia dizendo. O Brasil, este esquisito, parece ser o único país que não reduz o preço da gasolina, mantém juros altos e onde políticos discutem mais a sucessão no comando da Câmara e do Senado do que o Orçamento da União, por exemplo.


Lugar dos Sucatinhas
 

Pilotos da Presidência da República têm feito treinamento com colegas da Azul. 

É que Lula comprou dois aviões da Embraer, Emb-190, iguais aos da noviça da aviação, para substituir os Sucatinhas.


Hora do planeta
 

O prefeito Eduardo Paes vai desligar a luz no dia 28 de março de 2009, por uma hora, no Cristo Redentor, no Pão de Açúcar e em alguns pontos da orla carioca. 

É que o Rio, que legal, vai aderir ao movimento "Earth Hour", um ato simbólico, às 20h30m, em todo o mundo, contra o aquecimento global.

O IDIOTA


SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Prefeito baixa decretos para conter expansão das favelas

Folha: Israel intensifica cerco e se diz perto do objetivo

Estadão: Fundos privados de pensão perdem R$ 20 bi com a crise

JB: Lazer com ordem, na praia e na noite

Correio: Farra dos terceirizados dobra para R$ 1,8 bi

Valor: Com 49% do Votorantim, BB terá que elevar capital

Gazeta Mercantil: Crise força mineradoras a devolver áreas à União

Jornal do Commercio: Trânsito caótico em Tamandaré