quarta-feira, janeiro 14, 2009
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Acordo em SP reduz jornada e salário para evitar demissão
- Folha: Emprego industrial tem maior queda em cinco anos
- Estadão: Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA
- JB: Rio ganha R$ 4,7 bi para linhas do metrô
- Correio: Adeus, bolsa-chefia
- Valor: Custo do trabalho sobe e sinaliza mais demissões
- Gazeta Mercantil: Queda nas vendas de veículos acirra disputa em seguros
- Estado de Minas: Desemprego faz fila em BH
- Jornal do Commercio: Celpe vai parcelar resíduo em 12 vezes
terça-feira, janeiro 13, 2009
PARA...HIHIHIHI
Pouco tempo depois seu pai entrou para se “desocupar” e nem notou a bola. Ficou ali, sentado, lendo jornal, enquanto fazia o serviço. Ao terminar, olhou horrorizado para o vaso sanitário. Suas fezes haviam coberto todo o balão e a impressão que se tinha era de um imenso, um absurdo, um gigantesco bolo fecal! Sem acreditar naquilo, ligou dali mesmo, pelo celular, para o seu amigo que era médico:
- Geraldo, eu enchi a privada de bosta. Nunca vi tanta assim na minha vida! Tá quase passando do limite do vaso! Acho que eu devo estar com um algum problema sério!
- Que isso, Anselmo, cê tá exagerando!
- Que exagerando, o quê, meu! Eu tô olhando pra esse “merdel” todo agora! Tem uns 15 quilos de cocô na privada, Geraldo! Eu devo estar doente!
- Bom, eu já estava mesmo indo pra casa; aproveito e passo aí que é caminho!
O médico chega e vai direto ao encontro do amigo, que estava na porta do banheiro esperando.
- Olá, Anselmo, cadê o negócio que vo... NOSSA MÃE DO CÉU! O que é isso? O que você comeu, criatura?
- Não falei?! Agora tá acreditando, né?!
- Nossa! Isso é inacreditável!
- E então, será que eu tenho algum problema sério?!
- Olha, o melhor é eu pegar uma amostra desse cocozão e mandar para análise!
O médico saca uma pequena espátula e um frasco esterilizado de sua maleta e quando espeta o “bolo” para coletar uma amostra do material... BUMMM !!!!
A bexiga estoura e voa merda pra tudo que é lado!
Seguem-se intermináveis segundos de absoluto silêncio. Os dois, embosteados, se olham e, estupefato, o médico diz:
- Puta que pariu! Eu achava que já tinha visto de tudo nesta vida, mas peido com casca, nunca!
ARI CUNHA
A realidade do virtual
| Correio Braziliense - 13/01/2009 | |||
Há de se reconhecer o trabalho das operações realizadas pela Polícia Federal em 2008. Entre elas, a Operação Satiagraha. O problema é que o banqueiro Daniel Dantas está adiante de nossas autoridades também em termos criptográficos. Foi um golpe de criptonita nos super-homens. Não conseguiram decifrar os códigos. Acabou-se a oportunidade de levar a operação até o fim. Já os computadores que sumiram da Petrobras misteriosamente, não devem ter dado trabalho aos ladrões para acessar todo tipo de informação. Há mais de 15 anos a população tem acesso à internet e até hoje não temos leis sólidas sobre o assunto — pedofilia, crimes contra o direito autoral, invasão de privacidade, disseminação de vírus. Não há regras que valham. Primeiro, o crime; depois, a busca por solução. Engatinha na Câmara há 10 anos um projeto do ex-deputado Luiz Piauhylino. Já foi enviado ao Senado e devolvido à Câmara. Agora, ou os deputados aceitam ou rejeitam as propostas acrescidas pelos senadores. O que está gerando debates é a forma como foram definidos os crimes na internet. Com dupla interpretação, as propostas podem interferir na liberdade dos usuários que não têm conduta criminosa. Confunde o crime organizado com tarefas corriqueiras. Como copiar músicas, por exemplo. Outro problema, rebatido pelo senador Eduardo Azeredo, é que, do jeito em que está, o texto parece acabar com a rede sem fio, ou conexões abertas. Na opinião do professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas Thiago Bottino, a redação dos artigos é ampla demais, o que restringe até a forma de penalizar ou tipificar o crime. Carlos Eduardo Sobral, da PF, que reprime crimes cibernéticos, declarou que a melhor proposta seria a de manter a liberdade tanto para navegar quanto para punir. Além disso, a lei precisa garantir maior velocidade de acesso da polícia aos dados para investigação. Se está dando margem a discussões, o saldo é positivo. Pelo menos, o Congresso deu o primeiro passo para punir crimes na internet. Há argumentos para resolver a questão, o que é um mérito.
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ELIANE CANTANHÊDE
Bolivianas
| Folha de S. Paulo - 13/01/2009 |
O Brasil foi, voltou e a qualquer hora vai de novo. Ou melhor: vai ter que ir, por causa da argumentação técnica e do bom senso. De que se fala aqui? Da compra de gás à Bolívia. |
DORA KRAMER
Falando às escuras
| O Estado de S. Paulo - 13/01/2009 |
O ex-deputado Roberto Freire, presidente do PPS, assumiu o discurso, mas o receio de que a abertura oficial do debate sobre o fim da reeleição abra espaço para propostas de prorrogação de mandatos, plebiscitos ou atalhos por onde transitaria a possibilidade de o presidente Luiz Inácio da Silva disputar um terceiro mandato é mais amplo. |
COLUNA PAINEL
Boas Festas
| Folha de S. Paulo - 13/01/2009 |
Candidato a comandar por mais dois anos o Congresso Nacional, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) usou a verba reservada para a "divulgação da atividade parlamentar" na produção e veiculação de uma mensagem televisiva de 30 segundos na qual deseja "Feliz Natal" aos seus conterrâneos. Tiroteio Do senador ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a brincadeira em que Lula "ameaçou" atirar um sapato nos jornalistas. O presidente Lula retomou ontem os compromissos oficiais depois de 12 dias de férias. Bem-humorado, brincou com os jornalistas durante um evento de produtos de couro, em São Paulo, dizendo que o governador José Serra (PSDB) tinha ido "pegar sol em Washington". Momentos depois de simular o arremesso de um sapato nos cinegrafistas e fotógrafos, Lula falou do mergulho na praia de Atalaia, em Fernando de Noronha (PE): |
ILIMAR FRANCO
Centrais divididas
| Panorama Político |
| O Globo - 13/01/2009 |
As centrais sindicais dos trabalhadores vão entrar divididas hoje na reunião com os empresários, na Fiesp, para debater medidas contra a crise. O setor patronal está fechado com a proposta de flexibilizar a legislação trabalhista. Já o presidente da CUT, Artur Henrique, está batendo na Força Sindical: "Acordo sem luta é inaceitável". Ele critica acordo fechado por sindicatos da Força que combina redução da jornada e de salário. CAMPANHA ANTECIPADA. Como a propaganda é a alma do negócio, o governador José Roberto Arruda (DF) está faturando em cima da reforma do estádio do Bezerrão. A obra foi feita de olho na Copa de 2014 e, pelo visto, na reeleição de Arruda ou na sua ida para o Senado. No amistoso entre o Gama e o Atlético Goianense, sábado, via-se uma imensa faixa onde lia-se: "Obrigado Arruda pelo novo Bezerrão". Na sala de espera |
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Prefeituras perdem verba de moradia por falta de projetos
- Folha: GM começa demissão nas grandes montadoras
- Estadão: Lula prevê trimestre difícil e promete 'inventar' obras
- JB: Vem aí novo pacote anticrise
- Correio: Lembra da bolsa-chefia? Eles querem mais...
- Valor: Linhas externas voltam com prazo curto e custo alto
- Gazeta Mercantil: Exposição a derivativos cai, mas risco persiste
- Estado de Minas: E vem aí mais uma sapatada
- Jornal do Commercio: Boa Viagem vai mudar em fevereiro
segunda-feira, janeiro 12, 2009
PIADA DO DIA
Hamas afirma que a vitória sobre Israel está "mais perto do que nunca"
da Folha Online
A televisão do Hamas divulgou nesta segunda-feira uma gravação do líder do grupo islâmico, Ismail Haniyeh, na qual ele afirma que o Hamas irá vencer e está determinado a continuar sua luta contra Israel, apesar da ofensiva militar de Israel a Gaza, segundo o diário israelense "Haaretz". Ainda nesta segunda-feira, Israel proibiu ospartidos árabes de participar das próximas eleições parlamentares, em fevereiro.
KAKAKA,KAKAKA....KAKAKA..
FERNANDO RODRIGUES
Propaganda para 2010
| Folha de S. Paulo - 12/01/2009 |
O espaço na mídia e a capacidade de se autopromover são duas formas de aferir a disputa presidencial de 2010. |
COLUNA PAINEL
Contas do lar
| Folha de S. Paulo - 12/01/2009 |
Sob holofotes desde o início da liberação em 30 minutos dos pedidos de aposentadoria por idade, o Ministério da Previdência avisa que seu foco em 2009 será forçar a classe média a registrar 4,1 milhões de empregadas domésticas hoje na informalidade. Atualmente, só 2,2 milhões teriam carteira assinada. Do deputado MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), se referindo ao batalhão de críticos da política monetária comandada por Henrique Meirelles. A Câmara debateu em junho projeto de lei sobre propaganda de cigarros e bebidas. Na ocasião, a deputada Rita Camata (PMDB-ES) criticou muito a exploração do corpo da mulher nas propagandas e chegou a perguntar por que não usavam também "homens bonitos". Quando Geraldo Pudim (PMDB-RJ) resolveu discorrer sobre o "beber moderadamente" como sendo "duas latinhas para o homem e uma para a mulher", foi interrompido por Camata: |
ANCELMO GOIS
Brasil vai à guerra
| O Globo - 12/01/2009 |
Amanhã um grupo de intelectuais brasileiros se reúne num ato pela paz entre árabes e israelenses, às 14h, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Terrorismo de Estado
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SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Prefeito baixa decretos para conter expansão das favelas
- Folha: Israel intensifica cerco e se diz perto do objetivo
- Estadão: Fundos privados de pensão perdem R$ 20 bi com a crise
- JB: Lazer com ordem, na praia e na noite
- Correio: Farra dos terceirizados dobra para R$ 1,8 bi
- Valor: Com 49% do Votorantim, BB terá que elevar capital
- Gazeta Mercantil: Crise força mineradoras a devolver áreas à União
- Jornal do Commercio: Trânsito caótico em Tamandaré
domingo, janeiro 11, 2009
PARA...HIHIHIHI
EXAME PRE NUPCIAL
JOÃO UBALDO RIBEIRO
Sedição na ilha
O Globo 11/01/09
Fato auspicioso para minhas retinas tão fatigadas, se não fosse pelo também fato de que, em passos igualmente céleres, mais um ano se acrescenta à minha já não tão breve existência. Também não precisava tanta pressa, podia fazer uma pausazinha aqui e ali e não chegar com tanto açodamento. Numa entrevista de televisão, talvez uma de suas últimas, Vittorio Gassman lamentou que a vida não fosse duas: uma para ensaiar, outra para viver de verdade. Tinha razão, é claro. A maior parte das asneiras que fizemos e dos micos que pagamos podia ter sido evitada por um bom ensaio, acho que qualquer um concorda. E, em certos casos mais graves, como o meu, creio que caberiam até mais uns ensaios, acho que não decorei o papel direito.
Acrescento a essa acabrunhante observação os comentários de autoria de minha aguerrida comadre Margarida Angélica, que, em inflamada palestra numa rádio da cidade que ela adorna com seu talento e sua bravura, lançou o “Não Precisa Despencar” (NEPEDÊ), com ampla repercussão em todas as camadas da sociedade. Sustenta a comadre que, tudo bem, sejamos mortais, é o destino de nós todos, revertere ad locum tuum, etc. e tal, tudo bem.
— Mas precisava despencar? — interrompese ela, depois de uma pausa dramática. — Eu vos pergunto, precisava despencar? Como diria Sua Excelência, está certo, vamos todos sífu mais dia menos dia, mas não precisava ir despencando! E, em verdade vos digo, não há parte do corpo que não despenque, por mais que vos mintam em contrário, despenca queixo, despenca barriga, despenca peito, despenca bunda, despenca tudo, é uma devastação! Como já disse, a repercussão positiva foi imediata, com a fundação do NEPEDÊ, que já espalha suas raízes mais ligeiro do que praga de abóbora no sertão.
Devem estar corretos os que defendem a sincronia de certas ideias, dir-seia uma conjuminação concertada dos astros e demais corpos celestes. Pois, ao escutar a comadre Margarida, não pude deixar de lembrar instantaneamente a campanha que Zecamunista vem desenvolvendo lá na ilha, como consequência de sua liderança na já descrita aqui Fundação para a Defesa da Mulher-Dama Desamparada. O movimento não tem nome ainda, limita-se a gritos de guerra, a maioria dos quais, infelizmente, não posso repetir neste conceituado órgão de imprensa.
As ideias de Zecamunista, em relação a esse palpitante (ou tremido mesmo) assunto, abrangiam de início um universo bem mais restrito que o do NEPEDÊ. Começaram a ser expostas no já célebre Solilóquio do Cai Tudo, recitado arroubadamente no Bar de Espanha em meio a vasta e atenta plateia masculina e culminado com uma exortação para que todos se unissem em torno do Bolsa Viagra, uma patente expressão da superioridade da condição feminina, que tinha de ser sanada de pronto.
— Até nisso elas levam a melhor — começou ele a perorar, mas logo se interrompeu e abaixou a voz um instantinho.
— Pode passar alguma senhora aí e então falarei por metáforas. Mas todo mundo vai sacar logo. É o seguinte, até nisso as mulheres levam vantagem.
Quando a mulher fica velha, a Patrimonial não abandona ela. Pode ter seus achaques da idade, mas está ali, a postos e leal, junto à dona até o fim. Já quanto ao homem, o Principal escolhe um dia para se aposentar e aí não tem esse bom que consiga que ele se levante para qualquer serviço, exceto os que não requeiram esforço algum. “Mas por favor”, diz o dono do infeliz, “uma vezinha só, você não era nenhum craque e menti muito a seu respeito, mas já passamos bons momentos juntos, vamos lá, cara, uma vezinha só, por caridade!” E não acontece nada, pois que todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, serão vilmente atraiçoados.
Depois de oração tão evocativa quanto inspiradora, já se preparava o anteprojeto para a criação do Bolsa Viagra, quando o próprio Zecamunista, sempre um defensor das minorias e paladino contra as desigualdades sociais, levantou vários pontos de relevância.
Também não era justo que as mulheres ficassem sem nada nessa história. Bem verdade que não precisavam de Viagra, mas e outros problemas que privam do prazer nossas camaradas, até mesmo um público consumidor atrasado e sem sofisticação, que acha que mulheres de mais de sessenta estão com a validade vencida? Era indispensável que isso fosse reparado, de forma equânime, justa, moderna e dialética.
As últimas notícias (em breve terei outras) já me davam conta de que o projeto avança a olhos vistos. Impôsse logo a conclusão de que não se deviam fracionar partes que integravam o mesmo todo e, portanto, necessitavam funcionar em harmonia. Chegou a encontrar certo favoritismo a criação do Bolsa Amor, mas Jacob Branco fez um discurso daqueles de arrepiar, taxando a designação de “fresca e elitista”.
Em nome do povo, que não é fresco nem elitista, ele clamava por nossa sensibilidade: Bolsa Amor, não! Pode ser que o resultado das urnas ainda venha a contradizer esta informação, mas tudo indica que, no plebiscito ora em realização, vai dando Bolsa Créu disparado. Debate mesmo vai ser quanto ao conteúdo dele. Camisinha, claro, sempre mencionada em primeiro lugar. Já em relação a outros objetos, utensílios e práticas, a indefinição ainda vai render muito. Pode parecer simples, mas esse negócio de sexo é sempre complicadíssimo. Quando Zecamunista começou a ouvir opiniões sobre os itens do BC, teve diversas surpresas.
A mais notável foi a de uma conterrânea que listou a Voz do Brasil.
— Na hora do vamo-qui-vamo, eu gosto muito de ouvir safadagem — explicou ela, ruborizando, mas fir
DORA KRAMER
Autossuficiente da Silva
Estado de São Paulo 11/01/09
Corria o mês de abril de 2004 quando o presidente abriu mais uma edição da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, a tese:
“A leitura, para a criança, é o mesmo que uma esteira para uma pessoa da nossa idade. Muita gente até coloca uma esteira no quarto, muitas vezes até coloca na beira da cama, pensando: amanhã vou levantar e vou começar a andar na esteira. Mas todo dia se levanta com uma preguiça desgramada e vai ficando para o dia seguinte. Isso é como o livro para uma criança que não adquiriu no tempo certo o gosto pela leitura.”
Na edição em bancas da revista Piauí, Lula discorre sobre sua particular ojeriza por notícias. Revela ao jornalista Mário Sérgio Conti algo mais que uma “preguiça desgramada” de ler.
Demonstra aversão ao contato com qualquer tipo de crítica. Elas lhe fazem mal ao estômago, acentuam seu “problema de azia”. Daí o caráter profilático da distância ainda maior que mantém entre sua pessoa e escritos em geral nos fins de semana.
Não apenas adota a receita, como a recomenda “a qualquer presidente”. Afastem-se da imprensa e aproveitem o ensejo para ficar longe dos políticos também, aconselha.
A menos que se precise de um ou de outros para divulgar suas palavras e corroborar seus atos. Na versão integral da reportagem/entrevista da Piauí, Lula se diz surpreso com o fato de seu ex-ministro José Dirceu ter aceitado a companhia de uma profissional de imprensa - da mesma revista - durante uma semana.
Na visão dele, Dirceu se “desnudou” diante da jornalista de forma absolutamente imprudente. O que o presidente da República não tenha notado talvez é que se exibiu igualmente desnudo para Conti. Que transmitiu aos leitores algo até então escondido sob o manto da autossuficiência.
O presidente Luiz Inácio da Silva não tem opinião própria. Não forma juízo a partir do cotejo entre informações, diferentes interpretações dos fatos, óticas diversificadas, lógicas variadas.
O presidente Luiz Inácio da Silva disse à imprensa que só sabe o que lhe dizem. “Um homem que conversa com o tanto de pessoas que eu converso por dia deve ter uns 30 jornais na cabeça todo santo dia”, diz ele.
Diria bem melhor, de forma gramaticalmente mais compreensível no português pátrio (não culto, elaborado, elitizado, apenas o idioma pátrio, usado na linguagem acessível do noticiário), se não fizesse como as crianças que por alguma circunstância não adquiriram o gosto pela leitura desde cedo e depois, na idade adulta, tomaram horror a esteiras.
Lendo, escreve-se, fala-se e se pensa melhor. Mais não seja por reflexo, treino.
Mas o presidente, referido na oralidade, prefere que lhe digam resumidamente o que vai pelo Brasil e o mundo. Escolhe terceirizar sua capacidade de percepção e análise, deixar na mão dos outros aquilo que certamente, com sua celebrada sagacidade e intuição, faria com muito mais eficácia. Tirando disso prazer e proveito inenarráveis.
Só experimentado por quem de vez em quando fecha a boca, apura os ouvidos, aguça a visão e, de posse da inteireza de suas aptidões, traça paralelos entre o que pensa o “outro” - entidade essencial no exercício da convivência e no combate aos excessos da autossuficiência, do isolamento - e chega às próprias conclusões.
Não é o caminho mais curto, mas é a maneira mais segura de ao menos se manter alguma coerência na vida, bem como algum compromisso com a palavra dita.
Natureza
Fora de foco
Noves fora, da manifestação do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, qualificando como “terrorismo de Estado” os ataques de Israel em Gaza, sobra apenas o ridículo da cena.
Se a posição brasileira não influi na organização da ordem geral daquele drama milenar, a declaração de um auxiliar presidencial, em faixa paralela à política do Itamaraty, tampouco contribui para o Brasil se postar da maneira adequada a um país que é líder regional e abriga em boa convivência imensas comunidades de ascendência árabes e judaica.
Constatação óbvia e por isso mais eloquente a inconveniência.
DOMINGO NOS JORNAIS
- Globo: Favelas crescem 3 milhões de metros quadrados no Rio
- Folha: Valor de imóvel financiado pode subir
- Estadão: Total de indústrias dispostas a demitir é o maior desde 99
- JB: Governo do Rio investiga fraude em Manguinhos
- Correio: Nova mordomia no Senado
- Valor: Lula quer governadores na campanha anticrise
- Gazeta Mercantil: Auditorias de grande porte serão auditadas
sábado, janeiro 10, 2009
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
Roberto Pompeu de Toledo
Dois desejos
"A derrota da emenda que revoga a re-eleição
e a vitória do "choque de ordem" no Rio de Janeiro
têm algo em comum: significam, uma e outra,
um avanço civilizacional"
Sejamos modestos, fiquemos em dois, só dois escassos desejos de início do ano, para não estufar com exageradas expectativas o que este 2009 possa trazer de bom à pátria. Primeiro: que seja derrotada no Congresso a emenda constitucional que prevê o fim da re-eleição. Segundo: que dê certo o "choque de ordem" desencadeado no Rio de Janeiro pelo prefeito Eduardo Paes. Ora, direis: e ainda achas pouco? São só dois, mas que desejos! Mais que isso, só pedindo o fim das secas no Nordeste e das enchentes em Santa Catarina. Eu vos direi no entanto que desejos são desejos, machucar não machucam, e que, se no passado não foi proibido sonhar com a queda do Muro de Berlim ou com a eleição de um negro para presidente dos EUA, então, por que não?
A ideia de acabar com a re-eleição do presidente, dos governadores e dos prefeitos é a mais recente prova de que De Gaulle realmente deveria ter dito a frase que dizem que ele disse, mas que na verdade não disse – segundo a qual o Brasil não é um país sério. A emenda foi aprovada no mês passado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A duração dos mandatos passaria a cinco anos, e não apenas para presidente, governadores e prefeitos, mas também para deputados, vereadores e senadores. A promessa é de uma considerável bagunça institucional. Eis um país – esta a mensagem ao mundo – que não é capaz de construir as estáveis e previsíveis regras sem as quais a democracia, por sua vez, se priva do estável e previsível eixo sem o qual se condena a rodar em falso.
Faz só dez anos que a re-eleição vigora no Brasil. O argumento, no entanto, é que "não deu certo". A levá-lo a sério, muito menos certo deu o mandato de cinco anos sem re-eleição vigente sob a Constituição de 1946. No período, um presidente se suicidou (Getúlio), um renunciou (Jânio), três foram depostos (Jango, Café Filho e Carlos Luz) e apenas dois terminaram o mandato (Dutra e JK). Mas é de fachada o "não deu certo". O que vale são os interesses, por uma vez convergentes, dos dois disputadores de eleições presidenciais no país, o PSDB e o PT – o primeiro porque tem dois candidatos, e sem re-eleição fica mais fácil organizar a fila entre eles, e o segundo para encurtar a espera do atual presidente caso lhe convenha tentar uma volta, uma vez cumprido o interregno imposto pela proibição de três mandatos consecutivos. Como não disse o general, não é sério.
A operação "choque de ordem", a quem a ela ainda não foi apresentado, consiste numa grandiosa ofensiva de fiscais e guardas municipais contra tudo o que é irregular na cidade do Rio de Janeiro – camelôs, construções ilegais, infrações das regras de trânsito, transporte clandestino, outdoors fora de lugar, mendigos a bloquear espaços públicos. Eduardo Paes inventou um "secretário da ordem urbana", e, sob seu comando, lá foi a tropa para as ruas. "Não é admissível que existam áreas da cidade em que o poder público não seja soberano", disse o prefeito. Palmas para ele. Nos três primeiros dias de operação, toneladas de mercadorias piratas foram apreendidas, mais de 1 000 veículos foram multados ou rebocados, táxis e vans irregulares foram lacrados, mendigos foram recolhidos a abrigos.
Se der certo, o Rio de Janeiro, o mais eloquente exemplo de desordem urbana entre as cidades brasileiras, sairá transformado. A cidade, que é um paraíso para o comércio pirata e os táxis bandalhos, em que se constrói a casa onde bem se entende e em que se estaciona o carro na calçada, ganhará em beleza e urbanidade e, de quebra, terá aplainado o terreno para um combate mais eficaz ao crime e à violência. Ocorre que uma operação dessas não se faz em apenas algumas semanas, ao embalo da chegada de um novo prefeito. É obra para todo um mandato, com o mesmo gás, e se há algo em que nós, brasileiros, somos ruins é na persistência. Veja-se o exemplo recente da fiscalização contra os motoristas alcoolizados. Começou com fúria para, aos poucos, ceder à inércia característica da nacionalidade.
Os dois desejos são difíceis de concretizar por motivos inversos. A emenda contra a Constituição tem a impulsioná-la o excesso de ação que move os quadros dirigentes quando se trata de defender interesses próprios. O choque de ordem urbana tem contra si a escassez de ação quando o que está em jogo é o interesse público. É pena. Tanto uma medida como a outra embutem um avanço civilizacional para a Bruzundanga.
LIA LUFT
REVISTA VEJA
Lya Luft
As mortes poderiam
ser evitadas
"Estamos tão pressionados pela vida, a política,
as circunstâncias, as dificuldades, os medos e
sustos, que por qualquer coisa explodimos.
Penso que somos uma geração doente da alma"
| Ilustração Atômica Studio |
Abrimos o ano novo com a habitual lista de tragédias que poderiam ser evitadas. Talvez a gente não perceba o valor da própria vida. Talvez a gente só consiga viver porque não tem consciência disso. Parece que só diante da morte nos damos conta de que, apesar dos altos e baixos, viver é maravilhoso, viver bem é possível. Na corrida do cotidiano, não paramos para pensar: "O que estou fazendo da minha vida? Como estou tratando as pessoas que amo? De que jeito estou cuidando delas, de mim, deste mundo em que vivemos?". Isso me ocorre especialmente lendo as primeiras notícias dos primeiros horrores: mortes nas estradas e cidades, fome e miséria para milhões de pessoas inocentes pelo mundo e, de novo, a guerra. Ou sempre as guerras, pois o homem gosta de brincar de bandido e mocinho, trocando as armas de brinquedo por tremendas armas de verdade. Nelas incluo carro, ônibus, barcos e outros.
Pelas estradas e ruas – para começar com o doméstico e cotidiano – não é preciso esperar muito para presenciar as maiores aberrações, desde pedestres praticamente se jogando diante de carros e caminhões até motoristas que parecem alucinados. Não sei se é possível, mas valeria a pena, quem sabe, tentar contar o número de mortes burras e evitáveis no trânsito, que ocorrem por imprudência, loucura, arrogância, despreparo, futilidade. Mortes fúteis, que mesmo sendo fúteis são tragédias. E não falo só dos assassinatos praticados pelos motoristas alcoolizados, falo também dos infantiloides e idiotas, que mesmo assim têm nas mãos as poderosas armas que são o carro, o ônibus, o caminhão.
Dirijo frequentemente em estradas, e diariamente em ruas. Boa parte dos motoristas não poderia ter carteira, não deveria dirigir. Não antes de conhecer as regras e aprender a respeitá-las, não antes de amadurecer, ter consciência e ser uma pessoa confiável. Com um veículo seguro. O que se vê nas ruas e estradas é um espetáculo incompreensível de imprudência e loucura. Ultrapassagens incríveis, muitas vezes feitas por um pai de família com o carro cheio de crianças. Impaciência doentia, uma raiva generalizada dando a impressão de que se quer matar, atropelar, fazer sofrer o primeiro que aparecer pela frente. O verniz de civilidade que nos cobre é cada vez mais tênue.
Talvez seja mais um sinal dos tempos: estamos tão pressionados pela vida, a política, as circunstâncias, as dificuldades, os medos e sustos, que por qualquer coisa explodimos. Penso que somos uma geração doente da alma. Ultrapreocupados, supermedicados, incapazes de relaxar e curtir a vida, de parar para pensar ("Parar pra pensar? Nem pensar! Se paro para pensar, eu desmorono!", a gente ouve com frequência). Estamos hipnotizados por questões de saúde, sentamos à mesa só pensando em triglicérides e calorias, deitamos pensando no Viagra, acordamos apressados porque é preciso correr, caminhar, ir à academia – tudo coisas ótimas, desde que não sejam obsessão. Porém, na conduta diária, em nossas particulares vidinhas, supertensionados, nos portamos como adolescentes insensatos.
E agora, mais uma vez, a guerra. Sempre há guerrinhas neste vasto mundo estranho. Não quero nem sei discutir razões e justificativas nem desta nem de outra guerra qualquer. Mas é nas guerras – como nos campos de refugiados na África e também por aqui, onde se morre de fome, sujeira e falta de condições mínimas – que nos damos conta do pouco valor da vida para uma humanidade que se bota fora a todo momento. No cotidiano em casa, na rua, na estrada, no campo de batalha, no corpo dos inocentes atônitos em casas arrasadas ou veículos destroçados, hospitais sem estrutura ou apenas com condições sub-humanas, a gente se porta como se a sobrevivência fosse garantida, e tivéssemos dos deuses o aval para cometer todas as imprudências assassinas e mortais futilidades que se possam inventar. Bom Ano Novo, para os que conseguirmos sobreviver.
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Crise joga inflação para baixo e preço do gás cairá
- Estadão: Israel e Hamas rejeitam cessar-fogo da ONU
- JB: Massacre de crianças
- Correio: IPVA mais barato
- Valor: Lula quer governadores na campanha anticrise
- Gazeta Mercantil: Auditorias de grande porte serão auditadas
- Estado de Minas: Inflação cai e deve derrubar a taxa de juros
- Jornal do Commercio: Inflação de 2008 foi a maior em quatro anos
sexta-feira, janeiro 09, 2009
VINICIUS MOTA
Dor de barriga
| Folha de S. Paulo - 09/01/2009 |
Azia, má digestão, enjoos, cólicas... Atire a primeira pedra aquele que nunca penou com esse gênero atroz de males da finitude. Que o digam mais de 300 passageiros que se sentiram mal num navio, atracado na quarta para averiguações em Salvador e já liberado. |
ELIANE CANTANHÊDE
Política versus diplomacia
| Folha de S. Paulo - 09/01/2009 |
O Brasil é um dos maiores países em território, está entre os mais populosos, é um emergente econômico e um exemplo de paz, onde judeus e árabes convivem amigavelmente, como lembrava ontem o vice José Alencar. Mas, para se aventurar como "player" (palavrinha de diplomatas) na guerra do Oriente Médio, é preciso mais: neutralidade. |






