quarta-feira, janeiro 14, 2009

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS


- Globo: Acordo em SP reduz jornada e salário para evitar demissão

- Folha: Emprego industrial tem maior queda em cinco anos

- Estadão: Hillary anuncia mudança na política externa dos EUA

- JB: Rio ganha R$ 4,7 bi para linhas do metrô

- Correio: Adeus, bolsa-chefia

- Valor: Custo do trabalho sobe e sinaliza mais demissões

- Gazeta Mercantil: Queda nas vendas de veículos acirra disputa em seguros

- Estado de Minas: Desemprego faz fila em BH

- Jornal do Commercio: Celpe vai parcelar resíduo em 12 vezes

terça-feira, janeiro 13, 2009

PARA...HIHIHIHI


O BALÃO E O COCO

O pirralho estava brincando pelo apartamento com um destes balõezinhos de festa de aniversário. Chutava prá cá, chutava prá lá, até que o balão acabou entrando no banheiro e foi cair justamente dentro da privada. Ele chegou, espiou a bola molhada, ficou com nojo e deixou a danada ali mesmo.

Pouco tempo depois seu pai entrou para se “desocupar” e nem notou a bola. Ficou ali, sentado, lendo jornal, enquanto fazia o serviço. Ao terminar, olhou horrorizado para o vaso sanitário. Suas fezes haviam coberto todo o balão e a impressão que se tinha era de um imenso, um absurdo, um gigantesco bolo fecal! Sem acreditar naquilo, ligou dali mesmo, pelo celular, para o seu amigo que era médico:

- Geraldo, eu enchi a privada de bosta. Nunca vi tanta assim na minha vida! Tá quase passando do limite do vaso! Acho que eu devo estar com um algum problema sério!
- Que isso, Anselmo, cê tá exagerando!
- Que exagerando, o quê, meu! Eu tô olhando pra esse “merdel” todo agora! Tem uns 15 quilos de cocô na privada, Geraldo! Eu devo estar doente!
- Bom, eu já estava mesmo indo pra casa; aproveito e passo aí que é caminho!

O médico chega e vai direto ao encontro do amigo, que estava na porta do banheiro esperando.

- Olá, Anselmo, cadê o negócio que vo... NOSSA MÃE DO CÉU! O que é isso? O que você comeu, criatura?
- Não falei?! Agora tá acreditando, né?!
- Nossa! Isso é inacreditável!
- E então, será que eu tenho algum problema sério?!
- Olha, o melhor é eu pegar uma amostra desse cocozão e mandar para análise!

O médico saca uma pequena espátula e um frasco esterilizado de sua maleta e quando espeta o “bolo” para coletar uma amostra do material... BUMMM !!!!

A bexiga estoura e voa merda pra tudo que é lado!

Seguem-se intermináveis segundos de absoluto silêncio. Os dois, embosteados, se olham e, estupefato, o médico diz:

- Puta que pariu! Eu achava que já tinha visto de tudo nesta vida, mas peido com casca, nunca!

ARI CUNHA

A realidade do virtual


Correio Braziliense - 13/01/2009
 

Há de se reconhecer o trabalho das operações realizadas pela Polícia Federal em 2008. Entre elas, a Operação Satiagraha. O problema é que o banqueiro Daniel Dantas está adiante de nossas autoridades também em termos criptográficos. Foi um golpe de criptonita nos super-homens. Não conseguiram decifrar os códigos. Acabou-se a oportunidade de levar a operação até o fim. Já os computadores que sumiram da Petrobras misteriosamente, não devem ter dado trabalho aos ladrões para acessar todo tipo de informação. Há mais de 15 anos a população tem acesso à internet e até hoje não temos leis sólidas sobre o assunto — pedofilia, crimes contra o direito autoral, invasão de privacidade, disseminação de vírus. Não há regras que valham. Primeiro, o crime; depois, a busca por solução. Engatinha na Câmara há 10 anos um projeto do ex-deputado Luiz Piauhylino. Já foi enviado ao Senado e devolvido à Câmara. Agora, ou os deputados aceitam ou rejeitam as propostas acrescidas pelos senadores. O que está gerando debates é a forma como foram definidos os crimes na internet. Com dupla interpretação, as propostas podem interferir na liberdade dos usuários que não têm conduta criminosa. Confunde o crime organizado com tarefas corriqueiras. Como copiar músicas, por exemplo. Outro problema, rebatido pelo senador Eduardo Azeredo, é que, do jeito em que está, o texto parece acabar com a rede sem fio, ou conexões abertas. Na opinião do professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas Thiago Bottino, a redação dos artigos é ampla demais, o que restringe até a forma de penalizar ou tipificar o crime. Carlos Eduardo Sobral, da PF, que reprime crimes cibernéticos, declarou que a melhor proposta seria a de manter a liberdade tanto para navegar quanto para punir. Além disso, a lei precisa garantir maior velocidade de acesso da polícia aos dados para investigação. Se está dando margem a discussões, o saldo é positivo. Pelo menos, o Congresso deu o primeiro passo para punir crimes na internet. Há argumentos para resolver a questão, o que é um mérito.


A frase que não foi pronunciada

“No carnaval, o rei momo; no futebol, o femomo.”
Pedro Luis, flamenguista doente, pensando enquanto brinca com as palavras.


Até 2012 
Iniciado o processo de renovação do quadro dos membros do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Pouco conhecido da população, esse colegiado é o responsável por integrar políticas públicas, além de intermediar a vontade da sociedade no processo decisório sobre as águas. 

Susto 
No final de 2008, o plenário do Senado fez uma homenagem merecida ao Hospital Sarah Kubitschek. O susto foi durante o discurso do senador Pedro Simon. Ele disse que “o Hospital Sarah não era de primeiro mundo coisa nenhuma”. Depois explicou que o Brasil tem capacidade de ultrapassar o Primeiro Mundo quando gerencia com competência. 

Novidade 
Academias podem ser enquadradas como unidade produtiva da área de saúde. O deputado federal Otávio Leite acredita que com a profissão do professor de educação física regulamentada, a iniciativa seria pertinente tanto à segurança física dos frequentadores quanto jurídica do estabelecimento. 

Civismo 
Um projeto de lei (PL 2301/00) para fazer funcionar a lei (Lei 5.700/71). O deputado Lincoln Portela propõe que as escolas sejam obrigadas a executar o Hino Nacional. A diferença é a penalidade para as instituições que descumprirem a determinação. Uma pena a falta de patriotismo chegar a esse ponto. 

Oportunidade 
Campanha de utilidade pública do Conselho Nacional de Justiça é veiculada com o tema Começar de novo. Trata-se de tentativa de sensibilizar empresários e órgãos públicos para a necessidade de empregar ex-presidiários. 

Absurdo 
Não foi à toa que as obras na EPPN permaneceram sem a identificação das empresas. O estrago nos córregos do percurso é alarmante. A construção das pontes causou erosão na área. Vale a visita de ambientalistas para uma análise técnica. Cabe ao GDF cobrar das construtoras um serviço bem-feito. Já a população não tem como fazê-lo sem acesso aos nomes dos responsáveis. 

Em conta 
Vale a pena visitar o Albergue da Juventude de Brasília, dirigido por Herbert Pacheco. Qualquer pessoa pode fazer a carteirinha nacional e internacional de alberguista. Sem limite de idade. Com café da manhã e roupa de cama, a média cobrada por pessoa é de R$ 30. Há albergues por todo o país e várias partes do mundo.

História de Brasília

A Secretaria de Higiene deve interditar o Cruzeiro à vista de turistas. É que o lixo de muitos acampamentos está sendo despejado nas proximidades do local da primeira missa e o número de urubus é uma vergonha e uma humilhação. (Publicado em 20/1/1961)

ELIANE CANTANHÊDE

Bolivianas


Folha de S. Paulo - 13/01/2009
 

O Brasil foi, voltou e a qualquer hora vai de novo. Ou melhor: vai ter que ir, por causa da argumentação técnica e do bom senso. De que se fala aqui? Da compra de gás à Bolívia. 
O governo anunciou na sexta de manhã o desligamento de praticamente todas as usinas termelétricas e corte de boa parte da importação do gás boliviano. Com bons motivos: afinal, a chuva torrencial encheu os reservatórios das hidrelétricas, mais baratas e menos poluentes. Tudo resolvido? Não. 
Horas depois, a guinada: três usinas seriam religadas e o Brasil compraria até 4 milhões de metros cúbicos a mais por dia do vizinho muy amigo. O que houve? A chuva acabou? Os tanques furaram? 
Não exatamente. O que houve é que o assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães foram agregados às reuniões com três ministros bolivianos, em Brasília. E os dois entronizaram a "questão geopolítica estratégica". A Bolívia é o país mais pobre da região... 
Como me disse Garcia, a solução foi "tecnicamente viável e politicamente conveniente para os dois lados". O Brasil fica adequadamente abastecido, e a Bolívia, vendendo bem para o maior país da América do Sul, não vai à bancarrota. 
Lula pode ir sem susto para a Bolívia na próxima quinta, pronto para ser muito bem recebido e ainda dar uma "canja" para a campanha de reeleição de Evo Morales, enquanto circula em Brasília um texto de uma página e meia do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) justificando a reabertura das termelétricas e mais gás boliviano. 
Há dois probleminhas aí. Primeiro: os motivos ali apresentados são puramente conjunturais e podem evaporar em semanas, ou meses. E, aí, corta-se o gás boliviano de novo, no recuo do recuo? Segundo: e se Rafael Correa (Equador) se animar com a equação do "politicamente conveniente"? Vai voltar à carga? Se vale para um, vale para todos. 
Aliás, como só tem acontecido.

DORA KRAMER

Falando às escuras


O Estado de S. Paulo - 13/01/2009


O ex-deputado Roberto Freire, presidente do PPS, assumiu o discurso, mas o receio de que a abertura oficial do debate sobre o fim da reeleição abra espaço para propostas de prorrogação de mandatos, plebiscitos ou atalhos por onde transitaria a possibilidade de o presidente Luiz Inácio da Silva disputar um terceiro mandato é mais amplo. 

Assola o PSDB, mais exatamente a seção paulista do partido, cujo líder maior, o governador José Serra, é também o mais empenhado defensor do fim da reeleição. Serra articula apoios à proposta há tempos e durante todo o ano de 2008 avisou a vários interlocutores - sendo o mais poderoso deles o presidente Lula - que o tema ganharia substância logo após as eleições municipais.

Dito, feito. Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a proposta e a nova presidência deve instituir comissão especial para dar prosseguimento à tramitação. O atual presidente, Arlindo Chinaglia, favorável, já anunciara disposição de instalar.

Se o sucessor for Michel Temer o assunto também terá tratamento preferencial, pois o presidente do PMDB é a favor, segundo ele, tanto para facilitar o processo de escolha de candidatos dentro do PSDB quanto para encurtar o tempo que separaria Lula do fim deste governo e uma eventual candidatura futura.

O problema dos tucanos é que as coisas podem assumir rumos não desejados e provocar efeitos colaterais desastrosos. Ninguém, em sã consciência, apostaria hoje na hipótese de o Congresso abrir caminho ao terceiro mandato.

Mas a simples inclusão do assunto na agenda nacional já seria um fator de perturbação e sinal de anormalidade institucional. O presidente do PPS - um assumido aliado de Serra e do PSDB em 2010 - denuncia “articulação” em prol do terceiro mandato apontando o dedo aos governistas.

Realmente, foram eles (ou alguns poucos entre eles ) que manifestaram vontade de retomar a discussão a partir do debate sobre o fim da reeleição. Mas, convenhamos, quem criou a oportunidade foi o PSDB ao patrocinar vivamente nos bastidores a instituição de mandato único de cinco anos.

Se porventura a questão da continuidade vier a ganhar destaque, as inevitáveis críticas decorrentes não poderão deixar de alcançar a oposição.

A preocupação do ex-deputado Roberto Freire é legítima, tem fundamento e abrigo até entre aliados do presidente Lula. Mas conta apenas parte da história quando joga a responsabilidade sobre eventuais distorções do debate nas costas dos suspeitos de sempre. 

Recapitulando

Há mais ou menos cinco meses o delegado Paulo Lacerda foi afastado temporariamente da chefia da Agência Brasileira de Inteligência para permitir “maior agilidade” e “isenção” na investigação da autoria de escutas telefônicas ilegais, notadamente no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

O ato se baseava na alegação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que a Abin teria comprado equipamentos para grampos, extrapolando suas atribuições.

As investigações, inicialmente limitadas em 30 dias, ainda não terminaram oficialmente, mas, extraoficialmente, o ministro da Justiça, Tarso Genro, diz que Paulo Lacerda será inocentado.

A denúncia de Jobim também caiu por terra.

Nem por isso Lacerda foi ou será reconduzido ao cargo, indicado que está para o posto de adido policial na embaixada brasileira em Portugal.

Tarso Genro afirmou, em entrevista ao Estado no domingo, que não há relação entre os dois fatos nem a ida para o exterior pode ser vista como um prêmio de consolação ou arranjo para aplacar os conflitos internos da Polícia Federal. Segundo o ministro, a presença de Lacerda em Lisboa é ditada pela necessidade do País.

Até por ser o delegado merecedor de tanta confiança é de se perguntar se não seria o caso de, senão lhe devolver o posto no Planalto, ao menos dar uma explicação oficial - de preferência convincente - sobre o caso dos grampos, a Abin, Paulo Lacerda e quejandos. 

Perfeita imperfeição

A capacidade do Legislativo de criar fatos negativos desafia até a lógica do calendário. No recesso seria de se imaginar que o Congresso desse uma folga.

Em menos de um mês, contudo, faltando ainda duas semanas para a volta ao trabalho, o Senado gera com afinco uma crise política - por iniciativa do PMDB - e a Câmara já serviu de plataforma de lançamento de declarações de guerra ao Judiciário - muito ativo para o gosto do Legislativo - e produziu dois vexames: a aprovação de gratificações adicionais para 3.500 funcionários e o aval da direção a um contrato de plano de saúde sem licitação, negociado pelo sindicato dos funcionários da Casa.

Este último ato com direito ao excesso do lobista da empresa à reunião da Mesa Diretora.

Nesse ritmo de trabalho, o Legislativo em breve atinge o grau máximo em matéria de degenerescência.

COLUNA PAINEL

Boas Festas


Folha de S. Paulo - 13/01/2009
 

Candidato a comandar por mais dois anos o Congresso Nacional, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) usou a verba reservada para a "divulgação da atividade parlamentar" na produção e veiculação de uma mensagem televisiva de 30 segundos na qual deseja "Feliz Natal" aos seus conterrâneos.
A peça foi ao ar entre 22 de dezembro e 1º de janeiro na InterTV, antiga Cabugi (retransmissora da Globo no Rio Grande do Norte), cujo controle societário registrado na Anatel contém nomes da família Alves. Sua produção ficou a cargo da Raf Comunicações, que já doou dinheiro para campanhas de Garibaldi e de seu filho Walter Alves (PMDB), deputado estadual.
Garibaldi usou dos cofres públicos, em dezembro, R$ 33 mil a título de "divulgação do mandato".

Déjà vu
Em 2007, o primo de Garibaldi, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fazia ação semelhante na Câmara. Ele usava a verba de "divulgação do mandato" para produzir reportagens a seu respeito no jornal que controla, a "Tribuna do Norte". 

Outro lado
A assessoria de Garibaldi argumenta que não houve "desvio de finalidade" no uso da verba porque, além da saudação de fim de ano, a mensagem de 30 segundos representou também uma prestação de contas aos eleitores do Estado. Diz também que, apesar de já ter pertencido à família Alves, a TV potiguar hoje é majoritariamente controlada por um empresário do Rio de Janeiro. 

Chapéu
Sob ameaça cada vez mais forte de perder o apoio do PDT, a combalida candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP) à presidência da Câmara ganhou um reforço do aliado PSB. Desde ontem, os socialistas estão recolhendo contribuição de R$ 1.000 entre os deputados para a campanha de Aldo. Já contrataram uma empresa de assessoria de imprensa. 

Plataforma
O governador José Serra (PSDB) reunirá prefeitos e secretários de Saúde -área em que foi ministro- dos 645 municípios do Estado em fevereiro. Oficialmente, a pauta do encontro é criar uma agenda de ações conjuntas para "prevenção". 

Má impressão
Lula vetou integralmente uma das principais bandeiras do setor gráfico, o projeto de lei aprovado pelo Congresso que discriminava por quem os serviços seriam tributados, se por Estados ou por municípios. O argumento do governo é que o projeto traria perda de arrecadação aos municípios. 

Clientela
O Banco Votorantim, que teve metade de seu capital comprado pelo Banco do Brasil, é um grande doador de campanha para petistas influentes. Em 2006, deu R$ 1 milhão para a campanha de Lula, R$ 1 milhão para a do senador Aloizio Mercadante ao governo paulista e mais R$ 200 mil para a do presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). 

Arrasta-pé
O forrozeiro Lázaro do Piauí, criador do jingle "Deixa o homem trabalhar", hit da campanha de Lula em 2006, será a estrela da festa de aniversário do PT, em fevereiro, e promete novas canções mencionando programas federais. Dilma Rousseff (Casa Civil) é presença certa no evento. 

Sacoleiro
Munido de uma grande bolsa, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) aproveitou a concentração de políticos ontem na Couromoda para distribuir exemplares do seu indefectível "Renda Básica de Cidadania". 

Bola de neve
A confusão sobre o plano de saúde da Câmara continua. A Agência Nacional de Saúde alertou o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de que o plano dos servidores concursados está sob suspeita por não ter havido licitação. O petista reuniu-se ontem à noite com o presidente da ANS, Fausto Santos, para achar uma saída.

Tiroteio

"O Lula mostra novamente que se comporta mais como animador de auditório do que como presidente. Daqui a pouco vai estar jogando dinheiro que nem o Silvo Santos."

Do senador ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a brincadeira em que Lula "ameaçou" atirar um sapato nos jornalistas.

Contraponto

Viagem ao fundo do mar

O presidente Lula retomou ontem os compromissos oficiais depois de 12 dias de férias. Bem-humorado, brincou com os jornalistas durante um evento de produtos de couro, em São Paulo, dizendo que o governador José Serra (PSDB) tinha ido "pegar sol em Washington". Momentos depois de simular o arremesso de um sapato nos cinegrafistas e fotógrafos, Lula falou do mergulho na praia de Atalaia, em Fernando de Noronha (PE):
-Vocês viram o mergulho que dei no mar?-, perguntou ele aos jornalistas.
Depois de alguns segundos, emendou:
-Fui tão fundo que quase bati lá no pré-sal!

ILIMAR FRANCO

Centrais divididas

Panorama Político 
O Globo - 13/01/2009
 

As centrais sindicais dos trabalhadores vão entrar divididas hoje na reunião com os empresários, na Fiesp, para debater medidas contra a crise. O setor patronal está fechado com a proposta de flexibilizar a legislação trabalhista. Já o presidente da CUT, Artur Henrique, está batendo na Força Sindical: "Acordo sem luta é inaceitável". Ele critica acordo fechado por sindicatos da Força que combina redução da jornada e de salário. 

Centrais criticam Mantega 

As centrais dos trabalhadores estão unidas apenas no que se refere à postura do governo Lula. Todas elas cobram do governo que exija a manutenção dos empregos para socorrer as empresas. "Eles tinham se comprometido, mas o (Guido) Mantega continua fechando benefícios sem contrapartida para os trabalhadores. O governo não avançou nada", critica o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força. Por causa disso, a expectativa é de que em janeiro os números do emprego sejam ainda piores que os de dezembro, cuja estimativa do Ministério do Trabalho é de 600 mil postos fechados. 

Se Garibaldi Alves for mesmo candidato à presidência do Senado, por razões potiguares votarei nele" - José Agripino, líder do DEM no Senado

CAMPANHA ANTECIPADA. Como a propaganda é a alma do negócio, o governador José Roberto Arruda (DF) está faturando em cima da reforma do estádio do Bezerrão. A obra foi feita de olho na Copa de 2014 e, pelo visto, na reeleição de Arruda ou na sua ida para o Senado. No amistoso entre o Gama e o Atlético Goianense, sábado, via-se uma imensa faixa onde lia-se: "Obrigado Arruda pelo novo Bezerrão".

Battisti 

O jurista Dalmo Dallari enviou parecer ao ministro Tarso Genro (Justiça) contra a extradição do italiano Cesare Battisti. Tarso vai decidir nesta semana. Dallari diz que os supostos crimes seriam políticos, e o julgamento, irregular.

Na sala de espera 

Está na Casa Civil a indicação para a recondução de Alayde Sant"Anna para a Ouvidoria da Anac. É a única sobrevivente da antiga direção da agência, que foi toda para o espaço depois que um acidente com a TAM evoluiu para o caos aéreo. 

Esperneio 

O ministro Fernando Haddad (Educação) ameaçou pedir demissão, em reunião com o 
ministro Paulo Bernardo (Planejamento), no fim do ano passado, devido ao corte de R$1 bi em seuorçamento. Ficou acertado então que o governo baixaria uma portaria para que o MEC fique com os recursos da venda de imóveis da Rede Ferroviária Federal, neste ano, para compensar a tesourada. A portaria ainda não saiu... 

Aldo, Vieira e o sermão dos peixes 

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) resolveu fazer uma campanha cercada de sigilo para a presidência da Casa. Diz que "a Câmara é um oceano infestado de tubarões" e que precisa proteger os seus. Em carta enviada aos deputados, cita o Sermão de Santo Antonio aos peixes, do padre Antonio Vieira: "A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros (...) Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos". 

O SENADOR José Sarney (PMDB-AP) já tem na ponta da língua sua fala quando se reunir com o presidente Lula. Vai perguntar se o presidente não quer que ele seja o presidente do Senado. 

OS CALL CENTERS das telefônicas, das TVs por assinatura e das empresas de ônibus são campeãs de reclamação. O ministro Tarso Genro (Justiça) decidiu visitar uma dessas empresas. 

NA COUROMODA, ontem, o governador José Serra e a ministra Dilma Rousseff conversaram enquanto o presidente Lula era paparicado na sala vip.

GAMBIARRA


TERÇA NOS JORNAIS


- Globo: Prefeituras perdem verba de moradia por falta de projetos

- Folha: GM começa demissão nas grandes montadoras

- Estadão: Lula prevê trimestre difícil e promete 'inventar' obras

- JB: Vem aí novo pacote anticrise

- Correio: Lembra da bolsa-chefia? Eles querem mais...

- Valor: Linhas externas voltam com prazo curto e custo alto

- Gazeta Mercantil: Exposição a derivativos cai, mas risco persiste

- Estado de Minas: E vem aí mais uma sapatada

- Jornal do Commercio: Boa Viagem vai mudar em fevereiro

segunda-feira, janeiro 12, 2009

PIADA DO DIA


Hamas afirma que a vitória sobre Israel está "mais perto do que nunca"



da Folha Online

A televisão do Hamas divulgou nesta segunda-feira uma gravação do líder do grupo islâmico, Ismail Haniyeh, na qual ele afirma que o Hamas irá vencer e está determinado a continuar sua luta contra Israel, apesar da ofensiva militar de Israel a Gaza, segundo o diário israelense "Haaretz". Ainda nesta segunda-feira, Israel proibiu ospartidos árabes de participar das próximas eleições parlamentares, em fevereiro.

KAKAKA,KAKAKA....KAKAKA..

FERNANDO RODRIGUES

Propaganda para 2010


Folha de S. Paulo - 12/01/2009
 

O espaço na mídia e a capacidade de se autopromover são duas formas de aferir a disputa presidencial de 2010.
Tome-se o caso dos tucanos José Serra e Aécio Neves. De janeiro a novembro de 2008, o governo de São Paulo (Serra) gastou R$ 110,3 milhões em propaganda. No mesmo período, o governo mineiro (Aécio) torrou R$ 34,7 milhões.
Esses números são calculados com base na presença das marcas "governo de São Paulo" e "governo de Minas Gerais" na mídia, estimando-se o valor gasto. Ou seja, é possível que os custos não tenham sido exatamente os do parágrafo anterior, mas as exposições das administrações de Serra e de Aécio são compatíveis com essas cifras.
A vantagem de Serra dispara ao se acrescentar os valores de certas autarquias e empresas públicas.
Além dos R$ 110,3 milhões investidos pelo governo Serra, a Sabesp (empresa de saneamento paulista) gastou outros R$ 28,3 milhões no ano passado com publicidade, até novembro -quase igualando-se ao governo de Minas Gerais inteiro.
A estatal serrista parece ter planos expansionistas de fazer inveja a Solano López. Os comerciais da Sabesp foram vistos em 2008 também em Salvador, Manaus e Teresina, entre outras capitais. Como se sabe, há (sic) imenso interesse público no Norte e no Nordeste a respeito do número de ligações de esgoto realizadas em São Paulo.
Mas, quando se considera o campo governista federal, Serra e Aécio somados não são páreo para o mais de R$ 1 bilhão gasto em propaganda pelo governo Lula em 2008. Sem contar a publicidade gratuita das inaugurações. Só neste ano, o petista programou entregar 157 obras do PAC. À tiracolo nas cerimônias, trará sempre sua pré-candidata a presidente, Dilma Rousseff.
Falta muito para 2010. Mas a gastança de dinheiro (o meu, o seu, o nosso) já está de vento em popa.

COLUNA PAINEL

Contas do lar


Folha de S. Paulo - 12/01/2009
 

Sob holofotes desde o início da liberação em 30 minutos dos pedidos de aposentadoria por idade, o Ministério da Previdência avisa que seu foco em 2009 será forçar a classe média a registrar 4,1 milhões de empregadas domésticas hoje na informalidade. Atualmente, só 2,2 milhões teriam carteira assinada.
Mesmo com a ameaça de desemprego rondando a economia, o ministro José Pimentel afirma que o governo não reduzirá a contribuição previdenciária do empregador, de 12% sobre o salário pago. "Tudo o que se paga se deduz do Imposto de Renda. Para o empregador, é questão de reconhecimento de direitos." Ele fala em "forte ação" nos sindicatos, além de "campanha de sensibilização da classe média brasileira".

Invisíveis
No encontro que terá com os prefeitos em fevereiro, o presidente Lula pedirá uma blitz para combater o sub-registro civil em áreas carentes. Sem registro, não é possível ter acesso aos programas sociais. 

Camarote
Lula visitará quatro estandes hoje na Couromoda, feira internacional de artigos de couro em São Paulo. Depois assistirá a um desfile fechado na companhia de Dilma Rousseff (Casa Civil) e dos governadores José Serra (SP), Yeda Crusius (RS), Luiz Henrique (SC) e Jaques Wagner (BA).

Ao ponto
A Aeronáutica divulgou edital de licitação para compra de 200 conjuntos para churrasco (completos, com facas, tábuas e avental), 300 kits manicure, 100 relógios de pulso, além de lanternas, canetas, agendas e camisetas. No total, são 88 itens que somam R$ 1,49 milhão. 

Mimos
Segundo a FAB, o edital é de "tomada de preços", ou seja, preparatório para compras ao longo do ano. Os itens serão usados para troca de presentes com delegações estrangeiras. O kit churrasco foi escolhido por ser "marca cultural" do Brasil, argumenta a Aeronáutica.

Turbo
Além dos outdoors com a foto de Geddel Vieira (Integração Nacional) espalhados pela Bahia, carros circulam no Estado com adesivo "Geddel é o cara". Não se sabe ainda se para governador ou vice-presidente em 2010.

A limpo
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai pedir informações hoje ao TCU (Tribunal de Contas da União) sobre os "aspectos legais e a qualidade" do plano de saúde concedido por lá aos funcionários. Dependendo do que ouvir, pode voltar atrás na polêmica decisão de estender, na Câmara, o benefício aos servidores que não são efetivos.

Garantia
É que segundo o petista, a decisão só foi tomada porque o sindicato dos funcionários do Legislativo assegurou que o novo plano da Câmara seguiria os moldes do aplicado hoje no TCU -e sem aumento de custos. 

Fora de área
Gilmar Mendes deixou para a volta do recesso do Supremo o julgamento do mérito da ação proposta pela Procuradoria Geral da República contra uma das principais bandeiras do governo Aécio Neves (PSDB-MG), o programa "Minas Comunica". 

Competência
No ano passado, Aécio divulgou que 100% dos municípios mineiros tinham sinal de telefonia celular, graças à parceria com OI, Claro e Telemig (hoje Vivo). Para a PGR, a legislação sobre telecomunicações compete à União, não aos Estados. O programa custou R$ 163,5 milhões ao governo de Minas. 

Sem caneta
Na volta do recesso, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve incluir no pacote de projetos sobre a reeleição a exigência de licença de prefeitos, governadores e presidente que disputam segundo mandato. Um dos autores do projeto, Tadeu Filipelli (PMDB-DF), é cotado para ser o próximo presidente da CCJ.

Tiroteio

"Acho bom aqueles que criticam o Meirelles colocarem um pouco a barba de molho. O aumento de juros poderá ser uma das opções nos primeiros meses do Barack Obama."

Do deputado MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), se referindo ao batalhão de críticos da política monetária comandada por Henrique Meirelles.

Contraponto

Questão de gênero

A Câmara debateu em junho projeto de lei sobre propaganda de cigarros e bebidas. Na ocasião, a deputada Rita Camata (PMDB-ES) criticou muito a exploração do corpo da mulher nas propagandas e chegou a perguntar por que não usavam também "homens bonitos". Quando Geraldo Pudim (PMDB-RJ) resolveu discorrer sobre o "beber moderadamente" como sendo "duas latinhas para o homem e uma para a mulher", foi interrompido por Camata:
-Por que a discriminação?
O deputado tratou logo de se explicar:
-É a Organização Mundial de Saúde que diz... Desculpe-me, deputada querida. Não sou eu que estou dizendo.

ANCELMO GOIS

Brasil vai à guerra


O Globo - 12/01/2009
 

Amanhã um grupo de intelectuais brasileiros se reúne num ato pela paz entre árabes e israelenses, às 14h, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 

Estarão presentes Eduardo Suplicy, Fernando Gabeira, José Gregori, Marilena Chauí, Paulo Sérgio Pinheiro, entre outros.

Terrorismo de Estado 

Aproveitando a visita de Celso Amorim, chanceler nº 1, brasileiros que moram em Israel farão hoje manifestação em frente à nossa embaixada em Tel Aviv. 

O ato será em repúdio às declarações de Marco Aurélio Garcia, chanceler nº 2, que chamou de "terrorismo de Estado" a ação de Israel em Gaza.


No mais 

Como eu ia dizendo. O Brasil, este esquisito, parece ser o único país que não reduz o preço da gasolina, mantém juros altos e onde políticos discutem mais a sucessão no comando da Câmara e do Senado do que o Orçamento da União, por exemplo.


Lugar dos Sucatinhas
 

Pilotos da Presidência da República têm feito treinamento com colegas da Azul. 

É que Lula comprou dois aviões da Embraer, Emb-190, iguais aos da noviça da aviação, para substituir os Sucatinhas.


Hora do planeta
 

O prefeito Eduardo Paes vai desligar a luz no dia 28 de março de 2009, por uma hora, no Cristo Redentor, no Pão de Açúcar e em alguns pontos da orla carioca. 

É que o Rio, que legal, vai aderir ao movimento "Earth Hour", um ato simbólico, às 20h30m, em todo o mundo, contra o aquecimento global.

O IDIOTA


SEGUNDA NOS JORNAIS


- Globo: Prefeito baixa decretos para conter expansão das favelas

- Folha: Israel intensifica cerco e se diz perto do objetivo

- Estadão: Fundos privados de pensão perdem R$ 20 bi com a crise

- JB: Lazer com ordem, na praia e na noite

- Correio: Farra dos terceirizados dobra para R$ 1,8 bi

- Valor: Com 49% do Votorantim, BB terá que elevar capital

- Gazeta Mercantil: Crise força mineradoras a devolver áreas à União

- Jornal do Commercio: Trânsito caótico em Tamandaré

domingo, janeiro 11, 2009

PARA...HIHIHIHI

EXAME PRE NUPCIAL

Numa cidade do interior, um casal de noivos vai fazer um exame pré-nupcial, pra ver se tudo vai sair direitinho. Ou melhor, se tudo vai entrar direitinho.
Dias depois, a moça vai buscar os resultados.
A enfermeira lhe entrega um papel onde apenas se lê: "APM".
A moça não entende e a enfermeira explica:
- Pode ficar tranqüila. APM quer dizer: "Apta Para o Matrimonio".
A noiva fica felicíssima. E pega o resultado do exame do noivo. Nele está escrito: "AAPM".
Aí é que ela fica exultante: se com um A só é considerada apta, imagine ele com dois As. Deve ser um fenômeno!
Casam. Dez dias depois, volta a moça ao laboratório, querendo saber porque o marido é um fracasso total na cama, já que é "AAPM" .
É aí que a enfermeira explica o que a sigla significa: "Apto Apenas Para Mijar". 

DO BLOG


Essa VARANDA  é do tempo que deficiente físico era aleijado

CARNUDA

Homem gosta de comer carne, desse tipo, sem gordura.

Clique na imagem para ampliar

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Sedição na ilha 

O Globo 11/01/09

Aproxima-se a passos céleres o dia em que iniciarei minha temporada anual em Itaparica.

Fato auspicioso para minhas retinas tão fatigadas, se não fosse pelo também fato de que, em passos igualmente céleres, mais um ano se acrescenta à minha já não tão breve existência. Também não precisava tanta pressa, podia fazer uma pausazinha aqui e ali e não chegar com tanto açodamento. Numa entrevista de televisão, talvez uma de suas últimas, Vittorio Gassman lamentou que a vida não fosse duas: uma para ensaiar, outra para viver de verdade. Tinha razão, é claro. A maior parte das asneiras que fizemos e dos micos que pagamos podia ter sido evitada por um bom ensaio, acho que qualquer um concorda. E, em certos casos mais graves, como o meu, creio que caberiam até mais uns ensaios, acho que não decorei o papel direito.

Acrescento a essa acabrunhante observação os comentários de autoria de minha aguerrida comadre Margarida Angélica, que, em inflamada palestra numa rádio da cidade que ela adorna com seu talento e sua bravura, lançou o “Não Precisa Despencar” (NEPEDÊ), com ampla repercussão em todas as camadas da sociedade. Sustenta a comadre que, tudo bem, sejamos mortais, é o destino de nós todos, revertere ad locum tuum, etc. e tal, tudo bem.

— Mas precisava despencar? — interrompese ela, depois de uma pausa dramática. — Eu vos pergunto, precisava despencar? Como diria Sua Excelência, está certo, vamos todos sífu mais dia menos dia, mas não precisava ir despencando! E, em verdade vos digo, não há parte do corpo que não despenque, por mais que vos mintam em contrário, despenca queixo, despenca barriga, despenca peito, despenca bunda, despenca tudo, é uma devastação! Como já disse, a repercussão positiva foi imediata, com a fundação do NEPEDÊ, que já espalha suas raízes mais ligeiro do que praga de abóbora no sertão.

Devem estar corretos os que defendem a sincronia de certas ideias, dir-seia uma conjuminação concertada dos astros e demais corpos celestes. Pois, ao escutar a comadre Margarida, não pude deixar de lembrar instantaneamente a campanha que Zecamunista vem desenvolvendo lá na ilha, como consequência de sua liderança na já descrita aqui Fundação para a Defesa da Mulher-Dama Desamparada. O movimento não tem nome ainda, limita-se a gritos de guerra, a maioria dos quais, infelizmente, não posso repetir neste conceituado órgão de imprensa.

As ideias de Zecamunista, em relação a esse palpitante (ou tremido mesmo) assunto, abrangiam de início um universo bem mais restrito que o do NEPEDÊ. Começaram a ser expostas no já célebre Solilóquio do Cai Tudo, recitado arroubadamente no Bar de Espanha em meio a vasta e atenta plateia masculina e culminado com uma exortação para que todos se unissem em torno do Bolsa Viagra, uma patente expressão da superioridade da condição feminina, que tinha de ser sanada de pronto.

— Até nisso elas levam a melhor — começou ele a perorar, mas logo se interrompeu e abaixou a voz um instantinho.

— Pode passar alguma senhora aí e então falarei por metáforas. Mas todo mundo vai sacar logo. É o seguinte, até nisso as mulheres levam vantagem.

Quando a mulher fica velha, a Patrimonial não abandona ela. Pode ter seus achaques da idade, mas está ali, a postos e leal, junto à dona até o fim. Já quanto ao homem, o Principal escolhe um dia para se aposentar e aí não tem esse bom que consiga que ele se levante para qualquer serviço, exceto os que não requeiram esforço algum. “Mas por favor”, diz o dono do infeliz, “uma vezinha só, você não era nenhum craque e menti muito a seu respeito, mas já passamos bons momentos juntos, vamos lá, cara, uma vezinha só, por caridade!” E não acontece nada, pois que todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, serão vilmente atraiçoados.

Depois de oração tão evocativa quanto inspiradora, já se preparava o anteprojeto para a criação do Bolsa Viagra, quando o próprio Zecamunista, sempre um defensor das minorias e paladino contra as desigualdades sociais, levantou vários pontos de relevância.

Também não era justo que as mulheres ficassem sem nada nessa história. Bem verdade que não precisavam de Viagra, mas e outros problemas que privam do prazer nossas camaradas, até mesmo um público consumidor atrasado e sem sofisticação, que acha que mulheres de mais de sessenta estão com a validade vencida? Era indispensável que isso fosse reparado, de forma equânime, justa, moderna e dialética.

As últimas notícias (em breve terei outras) já me davam conta de que o projeto avança a olhos vistos. Impôsse logo a conclusão de que não se deviam fracionar partes que integravam o mesmo todo e, portanto, necessitavam funcionar em harmonia. Chegou a encontrar certo favoritismo a criação do Bolsa Amor, mas Jacob Branco fez um discurso daqueles de arrepiar, taxando a designação de “fresca e elitista”.

Em nome do povo, que não é fresco nem elitista, ele clamava por nossa sensibilidade: Bolsa Amor, não! Pode ser que o resultado das urnas ainda venha a contradizer esta informação, mas tudo indica que, no plebiscito ora em realização, vai dando Bolsa Créu disparado. Debate mesmo vai ser quanto ao conteúdo dele. Camisinha, claro, sempre mencionada em primeiro lugar. Já em relação a outros objetos, utensílios e práticas, a indefinição ainda vai render muito. Pode parecer simples, mas esse negócio de sexo é sempre complicadíssimo. Quando Zecamunista começou a ouvir opiniões sobre os itens do BC, teve diversas surpresas.

A mais notável foi a de uma conterrânea que listou a Voz do Brasil.

— Na hora do vamo-qui-vamo, eu gosto muito de ouvir safadagem — explicou ela, ruborizando, mas fir

DORA KRAMER

Autossuficiente da Silva 

Estado de São Paulo 11/01/09

O desapreço do presidente Luiz Inácio da Silva pela leitura já estava devidamente registrado na galeria dos chefes da nação brasileira desde a comparação do ato de ler ao esforço de uma caminhada em esteira mecânica, ressaltado o caráter desconfortável da atividade física e, por consequência, do exercício mental.

Corria o mês de abril de 2004 quando o presidente abriu mais uma edição da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, a tese:

“A leitura, para a criança, é o mesmo que uma esteira para uma pessoa da nossa idade. Muita gente até coloca uma esteira no quarto, muitas vezes até coloca na beira da cama, pensando: amanhã vou levantar e vou começar a andar na esteira. Mas todo dia se levanta com uma preguiça desgramada e vai ficando para o dia seguinte. Isso é como o livro para uma criança que não adquiriu no tempo certo o gosto pela leitura.”

Na edição em bancas da revista Piauí, Lula discorre sobre sua particular ojeriza por notícias. Revela ao jornalista Mário Sérgio Conti algo mais que uma “preguiça desgramada” de ler.

Demonstra aversão ao contato com qualquer tipo de crítica. Elas lhe fazem mal ao estômago, acentuam seu “problema de azia”. Daí o caráter profilático da distância ainda maior que mantém entre sua pessoa e escritos em geral nos fins de semana.

Não apenas adota a receita, como a recomenda “a qualquer presidente”. Afastem-se da imprensa e aproveitem o ensejo para ficar longe dos políticos também, aconselha.

A menos que se precise de um ou de outros para divulgar suas palavras e corroborar seus atos. Na versão integral da reportagem/entrevista da Piauí, Lula se diz surpreso com o fato de seu ex-ministro José Dirceu ter aceitado a companhia de uma profissional de imprensa - da mesma revista - durante uma semana.

Na visão dele, Dirceu se “desnudou” diante da jornalista de forma absolutamente imprudente. O que o presidente da República não tenha notado talvez é que se exibiu igualmente desnudo para Conti. Que transmitiu aos leitores algo até então escondido sob o manto da autossuficiência.

O presidente Luiz Inácio da Silva não tem opinião própria. Não forma juízo a partir do cotejo entre informações, diferentes interpretações dos fatos, óticas diversificadas, lógicas variadas.

O presidente Luiz Inácio da Silva disse à imprensa que só sabe o que lhe dizem. “Um homem que conversa com o tanto de pessoas que eu converso por dia deve ter uns 30 jornais na cabeça todo santo dia”, diz ele.

Diria bem melhor, de forma gramaticalmente mais compreensível no português pátrio (não culto, elaborado, elitizado, apenas o idioma pátrio, usado na linguagem acessível do noticiário), se não fizesse como as crianças que por alguma circunstância não adquiriram o gosto pela leitura desde cedo e depois, na idade adulta, tomaram horror a esteiras.

Lendo, escreve-se, fala-se e se pensa melhor. Mais não seja por reflexo, treino.

Mas o presidente, referido na oralidade, prefere que lhe digam resumidamente o que vai pelo Brasil e o mundo. Escolhe terceirizar sua capacidade de percepção e análise, deixar na mão dos outros aquilo que certamente, com sua celebrada sagacidade e intuição, faria com muito mais eficácia. Tirando disso prazer e proveito inenarráveis.

Só experimentado por quem de vez em quando fecha a boca, apura os ouvidos, aguça a visão e, de posse da inteireza de suas aptidões, traça paralelos entre o que pensa o “outro” - entidade essencial no exercício da convivência e no combate aos excessos da autossuficiência, do isolamento - e chega às próprias conclusões.

Não é o caminho mais curto, mas é a maneira mais segura de ao menos se manter alguma coerência na vida, bem como algum compromisso com a palavra dita.

Natureza


Resumo da ópera governo-PMDB nas preliminares das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, sob a ótica de um político governista que já foi ministro: “O Palácio do Planalto fica imobilizado, no aguardo de que 2010 o PMDB faça diferente de 2008 e se alie preferencialmente ao PT. Alimenta o crocodilo na esperança de ser devorado por último.”

Fora de foco

Noves fora, da manifestação do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, qualificando como “terrorismo de Estado” os ataques de Israel em Gaza, sobra apenas o ridículo da cena.

Se a posição brasileira não influi na organização da ordem geral daquele drama milenar, a declaração de um auxiliar presidencial, em faixa paralela à política do Itamaraty, tampouco contribui para o Brasil se postar da maneira adequada a um país que é líder regional e abriga em boa convivência imensas comunidades de ascendência árabes e judaica.

Constatação óbvia e por isso mais eloquente a inconveniência.

O IDIOTA


DOMINGO NOS JORNAIS


- Globo: Favelas crescem 3 milhões de metros quadrados no Rio

- Folha: Valor de imóvel financiado pode subir

- Estadão: Total de indústrias dispostas a demitir é o maior desde 99

- JB: Governo do Rio investiga fraude em Manguinhos

- Correio: Nova mordomia no Senado

- Valor: Lula quer governadores na campanha anticrise

- Gazeta Mercantil: Auditorias de grande porte serão auditadas

sábado, janeiro 10, 2009

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

REVISTA VEJA

Roberto Pompeu de Toledo
Dois desejos

"A derrota da emenda que revoga a re-eleição 
e a vitória do "choque de ordem" no Rio de Janeiro 
têm algo em comum: significam, uma e outra, 
um avanço civilizacional"

Sejamos modestos, fiquemos em dois, só dois escassos desejos de início do ano, para não estufar com exageradas expectativas o que este 2009 possa trazer de bom à pátria. Primeiro: que seja derrotada no Congresso a emenda constitucional que prevê o fim da re-eleição. Segundo: que dê certo o "choque de ordem" desencadeado no Rio de Janeiro pelo prefeito Eduardo Paes. Ora, direis: e ainda achas pouco? São só dois, mas que desejos! Mais que isso, só pedindo o fim das secas no Nordeste e das enchentes em Santa Catarina. Eu vos direi no entanto que desejos são desejos, machucar não machucam, e que, se no passado não foi proibido sonhar com a queda do Muro de Berlim ou com a eleição de um negro para presidente dos EUA, então, por que não?

A ideia de acabar com a re-eleição do presidente, dos governadores e dos prefeitos é a mais recente prova de que De Gaulle realmente deveria ter dito a frase que dizem que ele disse, mas que na verdade não disse – segundo a qual o Brasil não é um país sério. A emenda foi aprovada no mês passado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A duração dos mandatos passaria a cinco anos, e não apenas para presidente, governadores e prefeitos, mas também para deputados, vereadores e senadores. A promessa é de uma considerável bagunça institucional. Eis um país – esta a mensagem ao mundo – que não é capaz de construir as estáveis e previsíveis regras sem as quais a democracia, por sua vez, se priva do estável e previsível eixo sem o qual se condena a rodar em falso.

Faz só dez anos que a re-eleição vigora no Brasil. O argumento, no entanto, é que "não deu certo". A levá-lo a sério, muito menos certo deu o mandato de cinco anos sem re-eleição vigente sob a Constituição de 1946. No período, um presidente se suicidou (Getúlio), um renunciou (Jânio), três foram depostos (Jango, Café Filho e Carlos Luz) e apenas dois terminaram o mandato (Dutra e JK). Mas é de fachada o "não deu certo". O que vale são os interesses, por uma vez convergentes, dos dois disputadores de eleições presidenciais no país, o PSDB e o PT – o primeiro porque tem dois candidatos, e sem re-eleição fica mais fácil organizar a fila entre eles, e o segundo para encurtar a espera do atual presidente caso lhe convenha tentar uma volta, uma vez cumprido o interregno imposto pela proibição de três mandatos consecutivos. Como não disse o general, não é sério.

A operação "choque de ordem", a quem a ela ainda não foi apresentado, consiste numa grandiosa ofensiva de fiscais e guardas municipais contra tudo o que é irregular na cidade do Rio de Janeiro – camelôs, construções ilegais, infrações das regras de trânsito, transporte clandestino, outdoors fora de lugar, mendigos a bloquear espaços públicos. Eduardo Paes inventou um "secretário da ordem urbana", e, sob seu comando, lá foi a tropa para as ruas. "Não é admissível que existam áreas da cidade em que o poder público não seja soberano", disse o prefeito. Palmas para ele. Nos três primeiros dias de operação, toneladas de mercadorias piratas foram apreendidas, mais de 1 000 veículos foram multados ou rebocados, táxis e vans irregulares foram lacrados, mendigos foram recolhidos a abrigos.

Se der certo, o Rio de Janeiro, o mais eloquente exemplo de desordem urbana entre as cidades brasileiras, sairá transformado. A cidade, que é um paraíso para o comércio pirata e os táxis bandalhos, em que se constrói a casa onde bem se entende e em que se estaciona o carro na calçada, ganhará em beleza e urbanidade e, de quebra, terá aplainado o terreno para um combate mais eficaz ao crime e à violência. Ocorre que uma operação dessas não se faz em apenas algumas semanas, ao embalo da chegada de um novo prefeito. É obra para todo um mandato, com o mesmo gás, e se há algo em que nós, brasileiros, somos ruins é na persistência. Veja-se o exemplo recente da fiscalização contra os motoristas alcoolizados. Começou com fúria para, aos poucos, ceder à inércia característica da nacionalidade.

Os dois desejos são difíceis de concretizar por motivos inversos. A emenda contra a Constituição tem a impulsioná-la o excesso de ação que move os quadros dirigentes quando se trata de defender interesses próprios. O choque de ordem urbana tem contra si a escassez de ação quando o que está em jogo é o interesse público. É pena. Tanto uma medida como a outra embutem um avanço civilizacional para a Bruzundanga.

LIA LUFT

REVISTA VEJA

Lya Luft
As mortes poderiam
ser evitadas

"Estamos tão pressionados pela vida, a política, 
as circunstâncias, as dificuldades, os medos e 
sustos, que por qualquer coisa explodimos. 
Penso que somos uma geração doente da alma"

Ilustração Atômica Studio


Abrimos o ano novo com a habitual lista de tragédias que poderiam ser evitadas. Talvez a gente não perceba o valor da própria vida. Talvez a gente só consiga viver porque não tem consciência disso. Parece que só diante da morte nos damos conta de que, apesar dos altos e baixos, viver é maravilhoso, viver bem é possível. Na corrida do cotidiano, não paramos para pensar: "O que estou fazendo da minha vida? Como estou tratando as pessoas que amo? De que jeito estou cuidando delas, de mim, deste mundo em que vivemos?". Isso me ocorre especialmente lendo as primeiras notícias dos primeiros horrores: mortes nas estradas e cidades, fome e miséria para milhões de pessoas inocentes pelo mundo e, de novo, a guerra. Ou sempre as guerras, pois o homem gosta de brincar de bandido e mocinho, trocando as armas de brinquedo por tremendas armas de verdade. Nelas incluo carro, ônibus, barcos e outros.

Pelas estradas e ruas – para começar com o doméstico e cotidiano – não é preciso esperar muito para presenciar as maiores aberrações, desde pedestres praticamente se jogando diante de carros e caminhões até motoristas que parecem alucinados. Não sei se é possível, mas valeria a pena, quem sabe, tentar contar o número de mortes burras e evitáveis no trânsito, que ocorrem por imprudência, loucura, arrogância, despreparo, futilidade. Mortes fúteis, que mesmo sendo fúteis são tragédias. E não falo só dos assassinatos praticados pelos motoristas alcoolizados, falo também dos infantiloides e idiotas, que mesmo assim têm nas mãos as poderosas armas que são o carro, o ônibus, o caminhão.

Dirijo frequentemente em estradas, e diariamente em ruas. Boa parte dos motoristas não poderia ter carteira, não deveria dirigir. Não antes de conhecer as regras e aprender a respeitá-las, não antes de amadurecer, ter consciência e ser uma pessoa confiável. Com um veículo seguro. O que se vê nas ruas e estradas é um espetáculo incompreensível de imprudência e loucura. Ultrapassagens incríveis, muitas vezes feitas por um pai de família com o carro cheio de crianças. Impaciência doentia, uma raiva generalizada dando a impressão de que se quer matar, atropelar, fazer sofrer o primeiro que aparecer pela frente. O verniz de civilidade que nos cobre é cada vez mais tênue.

Talvez seja mais um sinal dos tempos: estamos tão pressionados pela vida, a política, as circunstâncias, as dificuldades, os medos e sustos, que por qualquer coisa explodimos. Penso que somos uma geração doente da alma. Ultrapreocupados, supermedicados, incapazes de relaxar e curtir a vida, de parar para pensar ("Parar pra pensar? Nem pensar! Se paro para pensar, eu desmorono!", a gente ouve com frequência). Estamos hipnotizados por questões de saúde, sentamos à mesa só pensando em triglicérides e calorias, deitamos pensando no Viagra, acordamos apressados porque é preciso correr, caminhar, ir à academia – tudo coisas ótimas, desde que não sejam obsessão. Porém, na conduta diária, em nossas particulares vidinhas, supertensionados, nos portamos como adolescentes insensatos.

E agora, mais uma vez, a guerra. Sempre há guerrinhas neste vasto mundo estranho. Não quero nem sei discutir razões e justificativas nem desta nem de outra guerra qualquer. Mas é nas guerras – como nos campos de refugiados na África e também por aqui, onde se morre de fome, sujeira e falta de condições mínimas – que nos damos conta do pouco valor da vida para uma humanidade que se bota fora a todo momento. No cotidiano em casa, na rua, na estrada, no campo de batalha, no corpo dos inocentes atônitos em casas arrasadas ou veículos destroçados, hospitais sem estrutura ou apenas com condições sub-humanas, a gente se porta como se a sobrevivência fosse garantida, e tivéssemos dos deuses o aval para cometer todas as imprudências assassinas e mortais futilidades que se possam inventar. Bom Ano Novo, para os que conseguirmos sobreviver.

O SEU FUTURO


SÁBADO NOS JORNAIS


- Globo: Crise joga inflação para baixo e preço do gás cairá

- Estadão: Israel e Hamas rejeitam cessar-fogo da ONU

- JB: Massacre de crianças

- Correio: IPVA mais barato

- Valor: Lula quer governadores na campanha anticrise

- Gazeta Mercantil: Auditorias de grande porte serão auditadas

- Estado de Minas: Inflação cai e deve derrubar a taxa de juros

- Jornal do Commercio: Inflação de 2008 foi a maior em quatro anos

sexta-feira, janeiro 09, 2009

VAI, MAROLA


VINICIUS MOTA

Dor de barriga


Folha de S. Paulo - 09/01/2009
 

Azia, má digestão, enjoos, cólicas... Atire a primeira pedra aquele que nunca penou com esse gênero atroz de males da finitude. Que o digam mais de 300 passageiros que se sentiram mal num navio, atracado na quarta para averiguações em Salvador e já liberado.
Um rotavírus altamente contagioso, uma salmonella, uma intoxicação alimentar. A Anvisa ainda investiga as causas do incidente coletivo. Deveria considerar, também, a hipótese de uma exposição generalizada dessas pessoas ao noticiário.
Não há de ser só o estômago do presidente Lula que se indispõe com a leitura de jornais e revistas e com o acompanhamento de notícias e opiniões pela TV, pelo rádio e pela internet. À revista "Piauí", Lula debochou da mídia. Não acompanha o noticiário por opção; porque tem "problema de azia", fez troça.
Não é de hoje que Lula demonstra, em gestos, biografia e palavras, desprezo solene pela leitura e outros hábitos de instrução e informação. A resposta a quem aponta essa falha, grave num presidente da República, é sempre a mesma: é acusado de elitista e preconceituoso.
"A imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim", disse na entrevista. A indolência, de repente, toma a forma de prevenção contra ataques de um inimigo "histórico", a mídia.
Eis um clássico do escapismo esquerdista. Não me exponho ao diálogo na esfera pública, não cotejo minhas opiniões e minhas atitudes com a crítica porque os meios de comunicação não têm legitimidade; estão entregues à burguesia, ao império, aos bancos, aos tucanos.
E toda essa teoria sobre mídia e parcialismo, lançada por um presidente que deplora a instrução e vive cercado de intelectuais aduladores, terminou com uma atitude. Lula criou a TV Brasil para contar a versão popular da história.
O problema é que quase ninguém assiste à TV de Lula. Talvez a programação esteja enjoativa.

ELIANE CANTANHÊDE

Política versus diplomacia


Folha de S. Paulo - 09/01/2009
 

O Brasil é um dos maiores países em território, está entre os mais populosos, é um emergente econômico e um exemplo de paz, onde judeus e árabes convivem amigavelmente, como lembrava ontem o vice José Alencar. Mas, para se aventurar como "player" (palavrinha de diplomatas) na guerra do Oriente Médio, é preciso mais: neutralidade.
É justamente por condenar a parcialidade dos EUA e seu comprometimento com Israel, tentar "furar o bloqueio" e "arejar" os canais de negociação entre Israel e palestinos que o Itamaraty desviou todas as fichas para França e Egito. Logo... não pode optar por um lado.
Celso Amorim já criticou a "reação desproporcional" de Israel e "deplorou" os ataques por terra, o que está de bom tamanho para a importância muito relativa do Brasil na questão. Amanhã, ele embarca para encontros com presidentes e chanceleres na Síria, na Cisjordânia, na Jordânia e em Israel.
Deve esticar até o Egito. É para lá que confluem emissários israelenses, da Autoridade Nacional Palestina e do próprio Hamas. É para lá que Amorim acabará indo também.
Mas, enquanto o chanceler se esfalfa para alçar o Brasil à condição de interlocutor neutro das potências e dos contendores, o assessor Marco Aurélio Garcia acusa Israel de "terrorismo de Estado" e o partido do presidente diz que "a retaliação contra civis é uma prática típica do Exército nazista". A comparação é muito forte. Vira uma guerrinha de diplomacia versus política e corresponde a puxar o tapete do chanceler antes que ele ponha o pé no avião para o Oriente Médio.
Sem falar nas consequências internas. Se o assessor e o partido do presidente dão cacetadas nos israelenses, os judeus no Brasil se tomam em brios e reagem, e os árabes partem para a tréplica, como ontem, em Curitiba. Onde vai parar a decantada paz entre judeus e árabes nesse solo varonil de encantos mil da nossa pátria tão gentil?

CASAMENTO