quarta-feira, dezembro 24, 2008

EU NOEL

ABRINDO O PRESENTE 

NAS ENTRELINHAS

Imposturas de Lula e Dilma


Correio Braziliense - 24/12/2008
 

Na crise, a cúpula do governo se rende à infinita paixão que nutre por si mesma e transfere à população responsabilidades e culpas que lhe pertencem


O presidente da República tem, mui patrioticamente, repetido o bordão da gastança. Onde quer que vá, discursa com a narina inflamada do indignado, acusa meia dúzia de “torcer pela crise” e exorta a platéia a gastar dinheiro. “Se tem dívidas, pague. Mas se não tem, vá e faça suas compras”, é o brado do homem, nas paradas de caixeiro-viajante país afora. 

Ruim de palanque, mas boa de escritório, invariavelmente a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece depois do chefe para preencher as lacunas da retórica. Diz ela que as pessoas pararam de gastar porque temem perder o emprego — devido à tal crise, é claro. Ora, raciocina a ex-guerrilheira, se ninguém compra, as lojas não vendem. Se as lojas não vendem, não fazem encomendas à indústria. Que por seu lado, não produz. No fim das contas, o operário vai mesmo ser mandado embora, assim como o comerciário e daí pra frente todos os demais. 

Há nas grandes linhas do comportamento da alta cúpula governamental uma ligeira impostura. E me explico. Ele transfere à chusma uma responsabilidade do comandante. Sim, pois, pelo que dizem nossos historiadores econômicos, o Brasil nunca, jamais, desde a industrialização, teve problemas quanto à propensão ao consumo por parte da população — variável decisiva de uma das equações que explicam o crescimento de um país. 

Por outro lado, desde a fundação da República até hoje, passamos por crises fiscais cíclicas (quem duvida pode se certificar lendo A ordem do progresso – Cem anos de política econômica republicana, organizado por Marcelo de Paiva Abreu, Editora Campus, 445 páginas). Em geral, elas são provocadas pela ganância dos políticos, gastadores irresponsáveis do dinheiro público, sugado a tragadas cada vez mais profundas pelo Estado perdulário e corrupto. 

Nos países em desenvolvimento, a despoupança do setor público gera um desequilíbrio tal que afeta os preços, a produção ou ambos. Ao chegar ao poder, em 2003, o presidente Lula encontrou o coquetel completo de inflação e baixo crescimento paridos do déficit público. 

Para resolvê-lo, não só adotou, mas aprofundou uma política que passou a vida inteira xingando (na verdade, o faz até hoje), de controlar o caixa com mão de ferro. Resolveu o velho problema formando poupança pública. Provavelmente, você, leitor atento, já ouviu falar do resultado dessa política: é o superávit primário, aquele mesmo que os esquerdistas só o mencionam após um adjetivo pejorativo. 

Por tê-lo feito, Lula soltou as amarras que detinham a nau. A despoupança pública virou poupança. Os investimentos privados aconteceram, a taxa de juros caiu, houve ganho de renda em todos os setores. Os brasileiros, sempre gastadores, voltaram às compras. 

Como o mundo também se expandia — ou seja, havia vento a favor —, fiat lux, o neoliberalismo tocado pelo PT, mais puro que o dos tucanos, produziu um crescimento acima de 6% na economia brasileira. Melhor, sem correlação negativa nos preços. A inflação esteve domada todo esse tempo. Um lindo céu azul, até hoje devidamente refletido nos altíssimos índices de aprovação do presidente. 

Mas... 
E esse é o mal da hipocrisia, ainda mais nos políticos, pior naqueles que vencem eleições. O homem condenara a vida inteira as políticas das quais lançava mão depois de eleito. Reeleito, começou a duvidar delas. Diante da claudicância, seu governo rendeu-se à infinita paixão que nutre por si mesmo. O rigor fiscal dos primeiros anos anuviou-se. A permissividade quanto às despesas públicas misturou-se a interesses tacanhos e partidários. O Orçamento do próximo ano já mostra explosivo e exorbitante gasto com pessoal. 

Incapaz de cortar investimentos, o Congresso fez a escolha de sofia. Ao discutir as despesas de 2009, aplicou corte sumário sobre bolsas de estudo para pesquisa e sobre os gastos correntes dos hospitais universitários. Duas temeridades, sobre as quais o próprio governo chiou. Mas tirar de onde? 

O vento parou de soprar a favor e uma tormenta irresistível se avizinha. Já em meio à chuva grossa e ondas pesadas, confundidas ingenuamente com cândidas marolas, o comandante sai de sua cabine e grita: remem, a todo vapor a frente, remem. Tenha santa paciência, senhor. Já não há lastro no barco para essa aventura. Reconstrua-o ou lance a âncora. Mas, por favor, não jogue culpa e responsabilidade sobre aqueles que não as têm.

COLUNA PAINEL

Ou vai ou racha


Folha de S. Paulo - 24/12/2008
 

Se novembro já foi ruim, com a eliminação de 40 mil empregos, dezembro será muito pior. Na avaliação do Ministério da Fazenda, devem se aproximar de meio milhão os postos perdidos no mês, que já é tradicionalmente difícil para o mercado de trabalho. A notícia, assim espera a equipe do ministro Guido Mantega, deve dar o empurrão necessário para a redução da taxa de juros já na próxima reunião do Banco Central, no final de janeiro. "Não precisamos mais pedir para os juros caírem. Agora, são os números que pedem", diz um assessor da Fazenda.
O argumento do ministério: se os juros não caírem logo, não haverá tempo para sentir o impacto ainda em 2009. Seria o adeus ao crescimento de 4%.

Barrigada
A Fazenda trabalha com queda de 1% do PIB no último trimestre do ano, na comparação com os três meses anteriores. No primeiro trimestre de 2009, o PIB deve andar de lado, com variação entre zero e 0,5%. Crescimento mesmo, só a partir de abril -se o BC deixar. 

Turbinado
Candidato a presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB) fará em janeiro viagens por 20 Estados, para falar com deputados em suas bases. Vai de jatinho à maioria dos lugares, cortesia do deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), que cedeu sua aeronave particular. 

Lembra?
O uso de jatinho foi uma marca da fracassada campanha de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) ao cargo em 2005. Nas duas eleições seguintes para a presidência da Câmara, os candidatos preferiram vôos de carreira. 

Nem vem
O PMDB da Câmara não aceita nem discutir ceder a poderosa Comissão de Constituição e Justiça para o PT, que sonha emplacar ali José Genoino (SP). O peemedebista favorito para presidir a CCJ é Tadeu Filipelli (DF), com Colbert Martins (BA) correndo por fora. 

De ombros
Apesar das pressões para que desista da reeleição, Garibaldi Alves (PMDB-RN) promete reforçar sua campanha em janeiro. "Após as festividades, vou intensificar os contatos com as bancadas", afirma.

Com o xerife 1
O Ministério Público Federal arquivou procedimento administrativo instaurado em 2006 por uma das câmaras em Brasília para investigar indícios de gestão fraudulenta e abuso de poder do Opportunity e da Brasil Telecom, em razão de reajustes nas tarifas telefônicas que não teriam observado as resoluções da Anatel. 

Com o xerife 2
O caso não morreu, no entanto. Para tomar sua decisão, o MPF alegou que o caso já está sendo apurado pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Poder Judiciário. As investigações nos dois órgãos continuam. 

Vôo alto
Para garantir créditos de ações trabalhistas em ação contra o Banco Central do Paraguai, o advogado paulista Luiz Fernando Bomfim pediu o seqüestro de um Boeing de propriedade do governo do país vizinho. Perdeu na primeira instância e recorreu. O tribunal regional federal decidiu, então, que o destino do "Aerolula paraguaio" será determinado pelo STJ. 

Autobiográfico
O último evento oficial de Lula em 2008 será a inauguração do Parque Dona Lindu, em Recife (PE), na terça-feira. Obra do prefeito petista João Paulo, que deixa o cargo, leva o nome da mãe do presidente e inclui um memorial em homenagem aos retirantes. 

Pró-memória
Novo amigo do peito de Lula, Nicolas Sarkozy era unha e carne com o antigo PFL, atual DEM, antes de virar presidente da França. Até há alguns anos, militava junto com os então pefelistas na Internacional Democrata-Cristã, entidade que reúne partidos de centro-direita do mundo. 

Tiroteio


"O ministro Lupi se baseia num sistema de apuração do desemprego que é muito precário. Mesmo assim, tenho a impressão de que sua manifestação está exageradamente otimista." 

Do ex-ministro do Trabalho 
ALMIR PAZZIANOTTO , sobre a afirmação do titular da pasta, Carlos Lupi, de que foi "pífia" a queda de empregos em novembro.

Contraponto 

Mexericos da Candinha

Em recente entrevista ao programa humorístico "CQC", o líder da bancada do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), qualificou o colega Gustavo Fruet (PSDB-PR) como um dos maiores fofoqueiros do Congresso.
Dias depois de o programa ir ao ar, o tucano enviou ao petista o livro "A Rainha da Fofoca", da americana Meg Cabot.
A dedicatória continha um trecho enigmático, envolvendo o ministro das Relações Institucionais e o presidente do PSDB, pernambucanos como Rands:
-Te contei a última do Zé Múcio e do Sérgio Guerra?
Era um blefe, mas bem que Rands ficou curioso.

FERNANDO RODRIGUES

11 vezes crise


Folha de S. Paulo - 24/12/2008
 

Descontadas as preposições, "crise" foi a palavra mais usada por Lula no seu pronunciamento à nação anteontem na TV. O presidente usou o termo 11 vezes.
O objetivo era combater o pessimismo. Estimular os consumidores a irem às compras. Mas se era para inocular ânimo nos telespectadores, talvez o presidente devesse ter evitado pronunciar tantas vezes a palavra maldita "crise".
Lula parece não se preocupar com esse tipo de detalhe. Sua rotina é simples: 1) diz qual deve ser a idéia geral de seu discurso; 2) alguém escreve e 3) ele interpreta lendo diretamente no teleprompter -o equipamento que projeta em um espelho falso, em frente à câmera, o texto da fala presidencial. O petista, aliás, domina a engenhoca de leitura como nenhum de seus antecessores no Planalto. Lula tornou-se um craque nessa arte.
Em várias cerimônias públicas ou até em comícios ao ar livre, sempre que pode, leva o teleprompter a tiracolo. Eis aí um traço de modernidade quase nunca percebido ou reconhecido no presidente: ele lê muito bem seus textos na TV.
Ironia à parte, o clima geral em Brasília neste final de ano é de pânico moderado. Não existe o menor consenso no governo sobre como será exatamente o impacto da desaceleração econômica. Daí a razão de o presidente se esfalfar diariamente para tentar manter um certo otimismo no país.
O pior cenário para Lula parece ser também o mais provável. A carnificina ocorre no primeiro semestre de 2009. Demissões, queda nas vendas e nos níveis salariais. O restante do ano se arrasta. O Natal vem sem brilho. Por fim, 2010 começa com os eleitores querendo mudanças, favorecendo a oposição.
Para impedir a consumação dessa profecia quase auto-realizável, Lula terá ainda muitos discursos a fazer. E será cada vez mais difícil para ele evitar a palavra "crise".

MÓNICA BÉRGAMO

FUNIL


Folha de S. Paulo - 24/12/2008
 

E já começam a circular nomes e candidaturas para substituir Ellen Gracie no STF (Supremo Tribunal Federal) caso ela vá mesmo para a OMC (Organização Mundial do Comércio). Além de José Dias Toffoli, advogado-geral da União, estão no páreo Luiz Fux, ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e Cesar Asfor Rocha, do mesmo tribunal.

PERDÃO
O presidente Lula deu indulto de Natal a todos os presos condenados a menos de oito anos e que já tenham cumprido um terço da pena, até o dia 25; aos que foram condenados a mais de oito anos mas já tenham completado 60 anos de idade e cumprido, também, um terço da pena; aos que tenham cumprido, em regime fechado ou semi-aberto, 15 anos da pena, ou 20 anos, se reincidente; e a condenadas que tenham cumprido um terço da pena, mas que sejam mães de filho com deficiência mental ou física ou menores de 16 anos. Também serão contemplados pela medida paraplégicos, tetraplégicos e cegos.

CONVITE À FILOSOFIA
A primeira-dama da França, Carla Bruni, conversou sobre filosofia com o ex-secretário da Educação Gabriel Chalita (PSDB-SP) no almoço oferecido pela socialite Bethy Lagardère anteontem, no Rio. Falaram sobre Sartre, Simone de Beauvoir e Hannah Arendt.

O IDIOTA


ÉLIO GASPARI

Lula 2.0 tem a voz do velho sindicalista


O Globo - 24/12/2008
 

Na noite de segunda-feira Nosso Guia fez ao mesmo tempo uma prestação de contas do governo Lula 1.0 e o discurso de posse de Lula 2.0. Um mostrou resultados, o outro ofereceu esperança. 

Poucos presidentes puderam dizer como ele: "De 2003 para cá, o salário mínimo cresceu em termos reais 51% e o emprego também cresceu fortemente. Em 2007, batemos um recorde: 1 milhão 812 mil novos empregos com carteira assinada. Em 2008, novo recorde: até outubro, 2 milhões 148 mil empregos. Resultado: a taxa de desemprego caiu de 12,3% em 2003 para 7,6% em outubro de 2008. (...) Mudamos de cara e de astral." 

Pode-se avaliar a distância que separa o Lula 1.0 do 2.0 quando se vê que, no mesmo dia em que sua fala foi ao ar, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, informou que em novembro passado perderam-se 41 mil empregos formais. Pior: enquanto Lula falava à tarde num crescimento de 4% para 2009, o Banco Central informava que a previsão de seus sábios baixa a bola para 3,2%. 

Deixando-se de lado leviandades verbais como a "marolinha", Lula artilhou-se na estratégia certa de combate à crise: deve-se estimular o consumo e o governo deve ser o indutor do resgate. Se a banca internacional e seus fâmulos nativos não estivessem mudos e quebrados, esmolando na porta do companheiro Obama, essas posições de Nosso Guia seriam vistas como excentricidades populistas. Infelizmente, Lula 2.0 tem amarrada à perna esquerda a bola de ferro de um organismo extraconstitucional chamado Copom. Um dia alguém fará a conta e descobrirá que essa invenção do tucanato causou mais males ao Brasil que as tropas de Solano Lopez. Não contentes com a marca da maior taxa de juros do mundo, conseguiram também a excentricidade de terem sido os únicos a subir a Selic enquanto o resto do mundo reduzia suas taxas ao longo do ano. 

Colocando-se acima do poder republicano do presidente (por abdicação do titular), os Copomitas refletem a anarquia financeira da mesma forma que, durante a ditadura, os superpoderes do Alto-Comando do Exército refletiam a anarquia militar. Com uma diferença: a anarquia financeira derreteu a economia mundial. Nosso Guia diz muito bem quando fala em jogatina "desavergonhada". O doutor Henrique Meirelles e os seus colegas de Copom chamam essa mesma coisa de "mercados". 

O discurso de fim de ano de Lula 2.0 teve um grande momento: 

"É imprescindível que os trabalhadores defendam a produção e o emprego." 

A frase é ambígua, mas na hora em que o presidente da Vale, doutor Roger Agnelli, comemorou os 40 anos do AI-5 sugerindo "medidas de exceção" para as relações trabalhistas, nada melhor do que o discreto reaparecimento de um velho líder sindical. Se os trabalhadores não prestarem atenção, o mesmo empresariado que vai ao BNDES pegar o dinheiro do FAT a juros camaradas, haverá de tungar seus direitos trabalhistas. Acabarão retardando o recolhimento de impostos e antecipando a renegociação das horas extras. Agnelli gostaria que o governo passasse a faca na proteção que as leis dão ao trabalho, assim como a Fiesp gostou quando a ditadura passou a faca nas garantias individuais da patuléia. Depois, quando a História aparece com a conta, bota-se toda a culpa nos militares ou na reforma trabalhista do governo Lula.

ANCELMO GÓIS

Pouso forçado


O Globo - 24/12/2008
 

A Anac, a pedido de Sérgio Cabral, suspendeu a audiência pública do dia 30 para decidir se autoriza ou não vôos para novos destinos no Santos Dumont. 

A data, em pleno período de festas, foi considerada imprópria. Cabral, como se sabe, já havia conseguido trazer a audiência de Brasília para o Rio. 

Aviso prévio 

É a agonia sem fim. A Infraero deu um ultimato de 15 dias para a Flex, que nasceu de uma costela da velha Varig, sair das instalações que ocupa no Aeroporto Santos Dumont. 

Coisa de pele 

No encontro de Lula e Sarkozy, houve um momento fofo em que o francês virou-se para o brasileiro e disse, profundo: 

- Lula, você não sabe o quanto eu gosto de você... 

Aécio e Cabral 

Ontem, no fim da preliminar em que atuou ao lado do peemedebista Sérgio Cabral no Maracanã, no Jogo das Estrelas de Zico, o tucano Aécio Neves respondeu assim a um gaiato que perguntou se os dois governadores também vão estar no mesmo "time" na eleição de 2010: 

- É possível, é possível... 

No mais 

Ao dizer que "a Amazônia é de todos", Jean Levitte, assessor de Sarkozi, mostrou, quem sabe?, ser daqueles utópicos que defendem um mundo sem fronteiras. Paris, por exemplo, seria de todos. Qualquer africano moraria lá sem pedir licença. 

Mas o francês, como se diz em Frei Paulo, deveria mesmo é catar coquinhos.

QUARTA NOS JORNAIS

Folha de S.Paulo - BC prevê freada no crédito em 2009

O Estado de S.Paulo - Queda da receita provoca déficit nas contas do governo

Jornal do Brasil - Muros cercarão favelas

O Globo - Crise eleva juros para consumidores no Natal

Gazeta Mercantil - Crédito opõe bancos de médio porte e BC

Valor Econômico - Tolerância de fornecedor alivia o aperto de crédito

Correio Braziliense - Mesmo com juros altos, brasiliense vai às compras

Estado de Minas - Bancos usam crise para subir os juros

terça-feira, dezembro 23, 2008

VOU DE BUCHADA DE BODE


COLUNA PAINEL

Querido Papai Noel


Folha de S. Paulo - 23/12/2008
 

Em reunião na sexta-feira, o comitê gestor do PAC decidiu incluir no programa um punhado de obras com padrinhos políticos influentes. No sábado, a deputada Marinha Raupp (PMDB), mulher do líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp, recebeu telefonema da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. A obra premiada era o asfaltamento da BR-429, que corta Rondônia, e de acessos rodoviários a Porto Velho. "Fazia tempo que eu pedia. Estar no PAC é importante para não haver cortes", diz a deputada.
Já Eunício Oliveira (PMDB) festeja a inclusão no programa de duas barragens e de uma adutora no Ceará, no valor total de R$ 250 milhões. "Terminei bem o ano", afirma o deputado e ex-ministro.

Veja bem
A Casa Civil não divulgou a lista das novas obras. O governo diz que o PAC é constantemente avaliado com a ajuda de governadores, prefeitos e congressistas. As ações incluídas seriam "estruturantes" e enquadradas nos pré-requisitos legais. 

Em obras 1
O edital da reforma do Palácio do Planalto divulgado ontem mostra que a Presidência da República não pretende economizar. Somente o sistema de ar condicionado vai custar R$ 15 milhões, valor próximo ao total gasto na reforma do Alvorada, que saiu por R$ 18 milhões. 

Em obras 2
Segundo o edital, os elevadores sairão por R$ 1,5 milhão. A reforma do espelho d"água custará R$ 551 mil, e novos móveis estão orçados em R$ 425 mil. No total, o novo Palácio do Planalto deverá custar R$ 88 milhões. 

TubarãoAo descartar a idéia de passar uns dias de folga em Fernando de Noronha, Lula contou que tem medo de descer ao fundo do mar. "Não faz sentido ir pra lá e não mergulhar!", disse o presidente. 

Balão
Recém-chegado de viagem ao exterior, João Santana não pára de receber telefonemas de gente interessada em comparecer à festa de Ano Novo que o marqueteiro de Lula promoveria em Trancoso. Não há festa, diz Santana, em contagem regressiva para o nascimento da neta. Para ele, tratou-se de "pegadinha" de algum (muy) amigo.

SOS.
Aécio Neves (PSDB) anuncia hoje a prorrogação, por 60 dias, dos prazos de pagamento das contas de luz nos municípios atingidos pela chuva em Minas. O pacote do governador inclui uma linha de crédito de R$ 50 milhões para empresas dessas áreas. 

Plano B
Caso a reforma do estádio do Morumbi não venha a satisfazer as muitas exigências da Fifa, o tricolor Gilberto Kassab (DEM) já tem alternativa, na zona norte de São Paulo, de local para a construção da arena que será usada na Copa de 2014. 

Sucata 1
O Judiciário de São Paulo está "gravemente enfermo", e o quadro é "caótico", afirma o desembargador Ivan Sartori, do TJ-SP, que colocou na internet dados sobre o "acelerado processo de sucateamento" no Estado. 

Sucata 2
Os 2.296 magistrados paulistas não têm estrutura para dar vazão aos processos, sustenta Sartori em seu blog. A dívida com servidores e juízes chega a cerca de R$ 2,5 bilhões, e não há "prognóstico de resgate". 

E eu?
Gilmar Mendes foi na semana passada. Protógenes Queiroz, ontem. Mas Fausto De Sanctis, outro personagem de destaque da Operação Satiagraha, não foi convidado para o "Roda Viva", da TV Cultura. O juiz federal analisa proposta de outra emissora. 

Sumiu
Dorme há 20 dias no Senado uma nota técnica da consultoria legislativa que considera inconstitucional a devolução por Garibaldi Alves (PMDB-RN), da MP das filantrópicas. A Mesa Diretora não pretende adotar o documento para não constranger o presidente, candidato à reeleição. 

Tiroteio

"Num momento de crise mundial, a adesão da Venezuela amplia o protagonismo e fortalece as economias dos membros do Mercosul. A oposição dos tucanos revela ignorância política."


Do deputado 
DR. ROSINHA (PT-PR), sobre o a aprovação pela Câmara, à revelia da bancada do PSDB, da entrada da Venezuela no Mercosul.

Contraponto

Desejo de Natal

Na semana passada, quando o Conselho Monetário Nacional se reuniu pela última vez em 2008, Guido Mantega achou por bem, uma vez encerrada a pauta, dirigir algumas palavras de agradecimento aos assessores presentes.
-Sem o belo trabalho de vocês não teríamos alcançado esses resultados-, disse o ministro da Fazenda não apenas a seus subordinados mas também aos funcionários do 
Planejamento e do Banco Central que estavam na sala.
A turma toda já se despedia, trocando votos de feliz Natal e próspero Ano Novo, quando o
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, resolveu dar sua mensagem:
-E não esqueçam de consumir, por favor!

DORA KRAMER

Palavra de presidente


O Estado de S. Paulo - 23/12/2008
 

No café da manhã em que se reuniu com os repórteres credenciados no Palácio do Planalto, quinta-feira da semana passada, o presidente Luiz Inácio da Silva reafirmou a tendência de patrocinar o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para sua sucessão, mas não traçou um perfil exatamente generoso da pretensa candidatura.

A julgar pela versão de Lula, Dilma ainda tem léguas a percorrer antes de se tornar uma candidata competitiva. Em 2010.

Candidaturas bem-sucedidas - descontadas as exceções que confirmam a regra, diga-se logo para contraditar a inevitável lembrança de Fernando Collor - precisam ter um forte componente de naturalidade. 

Nomes impostos, mesmos os conhecidos, em geral tendem ao fracasso. A Dilma descrita por Lula naquele encontro é uma candidata artificial. Tomemos como verdadeiras as palavras do presidente. 

Segundo ele, os dois nunca conversaram sobre a hipótese da candidatura, o que significa que as cartas não estão postas na mesa pouco mais de um ano antes do início da campanha de um personagem ainda desconhecido por 48% dos brasileiros, não obstante a exposição quase diária da “mãe do PAC” durante 2008 todo. 

Lula informou que, por enquanto, Dilma Rousseff está “em teste” junto à população, ao mundo política e sob a observação pessoal dele. “Estou vendo como ela se comporta.”

Testes são adequados a produtos, mercadorias, algo que se pretende lançar no mercado. Pessoas que precisam ser escolhidas por outras pessoas necessitam transmitir confiança, empatia ou representar algo capaz de mobilizar a razão ou a emoção do eleitorado. 

Por exemplo: Fernando Henrique Cardoso em 1994/1998 mexeu com o racional; Luiz Inácio da Silva em 2002/2006 buliu com o emocional do brasileiro. 

A Dilma Rousseff retratada naquele café da manhã por Lula assemelha-se a uma peça recém-fabricada na fase de testes, embora, como ele diz, “tecnicamente” perfeita. É de se perguntar quais seriam os atributos “técnicos” de um candidato a presidente da República e se Lula dispõe dessas características.

Está bem, o atual presidente é um caso à parte, admitamos. Mesmo assim, Lula ainda mostra lacunas na sua predileta. Acha que ela precisa ter mais disposição para “tratar com jornalistas, dar mais entrevistas”, pois só o “gabarito” profissional na ministra não basta para ganhar uma eleição.

“Assunto”, acrescenta ele, para tratar nessas entrevistas não falta a Dilma Rousseff. É possível que a ministra da Casa Civil esconda suas qualidades de boa conversadora e de pessoa de bom trato.

Por ora, consegue levar platéias inteiras ao sono solto em suas apresentações “técnicas” de balanços do PAC ou provocar absoluto terror de uma reprimenda súbita naqueles que tiveram oportunidade de acompanhá-la nas explicações sobre o dossiê FHC, de uma rispidez à prova de qualquer teste. 

Não são os adversários que esquadrinham o perfil da ministra em busca de defeitos. É o próprio presidente quem aponta o árduo e longo trabalho a ser feito com Dilma Rousseff antes que ele possa ter na ministra uma candidata para chamar de sua. Pelo menos uma à altura da tarefa de conquistar a maioria dos 130 milhões de corações votantes. 

Retrato fiel

O deputado Ciro Gomes deu uma entrevista para a edição de domingo do Globo, afirmando sua independência em relação ao PT na eleição de 2010, “se necessário for”. 

Uma irrelevância, considerando a distância dos acontecimentos. Como ele mesmo diz, “tudo o que se vê hoje é uma remotíssima pista daquilo que provavelmente ocorrerá”.

Relevante de fato foi a análise feita pelo deputado a respeito do funcionamento do Poder Legislativo, da escala de prioridades vigente principalmente na Câmara e nos critérios de escolha para a ocupação de postos-chave.

Diz Ciro Gomes: “Na Câmara há uma seleção às avessas. Quanto mais mérito alguém tem, mais irrelevante é. Um exemplo: a Comissão de Constituição e Justiça tem entre seus quadros o ex-governador Roberto Magalhães, Ibsen Pinheiro, Flávio Dino. Todos brilhantes. E a CCJ, por esse acordo PT-PMDB e por essa hegemonia moral estranha, escolheu o jovem Leonardo Picciani e, em seguida, Eduardo Cunha. Isso está errado. É grave que os melhores, os mais sérios, os mais qualificados sejam preteridos, num coletivo onde se ajuíza o futuro da nação, por aqueles que não têm os mesmos dotes.” 

E por que essa situação? Quis saber o jornal.

“Porque não se tem hegemonia moral e intelectual. O que preside a hegemonia hoje é a fisiologia, é a repartição de privilégios. É uma panelinha que escolhe entre si.”

Ciro Gomes provavelmente contratou mais inimizades internas. Em compensação, ajudou o público externo a compreender um dos motivos pelos quais o Congresso continua a surpreender em sua inesgotável capacidade de dar de ombros aos cidadãos que deveriam representar.

ELIANE CANTANHÊDE

Bom emprego!


Folha de S. Paulo - 23/12/2008
 

O meu melhor voto neste Natal é justamente esse: bom emprego! A coisa está feia, sem sinais de que vá melhorar. Ruas de comércio e shoppings estão cheios em grandes e pequenas cidades, como sempre, mas as sacolas parecem bem vazias, como raramente nesta época do ano.
Isso indica que o medo e a desconfiança, que começaram pelos mercados e avançaram pela produção, começam a atingir o consumo.
Como disse ao "El País" Miguel Angel Fernández Ordoñez, do Banco da Espanha, a desconfiança é total, o que gera um círculo vicioso: "Os consumidores não consomem, os empresários não contratam, os investidores não investem, e os bancos não emprestam. Há uma paralisação quase total, nada escapa".
As previsões parecem cada vez mais sombrias. Em 2008, os EUA perderam mais de 10 milhões de postos de trabalho, 533 mil só em novembro, e a taxa de desemprego bateu em 6,7%, a pior desde 1974, quando o país vivia uma recessão. E é só o começo.
No Brasil, 2008 foi um bom ano para a economia e, portanto, para os empregos. Mas o que era bom começou a ficar ruim, mais de 40 mil empregos acabam de evaporar, as previsões de crescimento para 2009 não param de cair e o próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi, admitiu, na direção oposta do que diz o presidente da República, seu chefe, que as perspectivas de emprego não são nada animadoras.
Lula mandou todo mundo gastar, mas Lupi previu, em entrevista à 
Folha, um primeiro trimestre "brabo", o que soou assim: fechem bolsos e carteiras agora, porque vocês podem precisar muito amanhã.
O tempo dirá quem tem razão, se o FMI, o Banco da Espanha, o ministro do Trabalho ou Lula. Pelo sim, pelo não, você não deve abusar.
Ótimo Natal, mas sem exagero. E não se esqueça de pedir ao Papai Noel o melhor presente para você e para sua família: manter a poupança. E os empregos.

IDIOTAS UNIDOS


LUIZ GARCIA

De vereadores a orelhas


O Globo - 23/12/2008
 

Senado e Câmara estão brigando sobre o número de vereadores de que o Brasil precisa. Ou numa visão talvez mais realista, sobre a quantidade de vereadores que os municípios podem agüentar, sem que vá pelos ares o orçamento local ou a paciência do eleitorado. 

Tudo começou com um projeto de lei apresentado este ano pelo deputado Pompeu de Matos (alguém na arquibancada sabe quem é?), propondo distribuir novos sete mil, trezentos e quarenta e três vereadores por dois mil e poucos municípios. 

Sem muita discussão, a Câmara aprovou o aumento - mas incluiu no texto um acréscimo na contramão da proposta: corte de 50% nos gastos dos legislativos municipais. 

Ficou meio difícil entender: os municípios precisam de mais vereadores, mas de menos recursos para eles trabalharem? Se fosse exatamente o oposto, não faria mais sentido? Ou seria insensata manifestação de confiança? 

Para o respeitável público - ou, melhor, para o público que se respeita - não parece existir injustiça na premissa implícita: quanto maior o número de vereadores, maior o desperdício de dinheiro público. 

No capítulo seguinte da novela, os senadores aprovaram mais vereadores e rejeitaram menos recursos. E foram além da proposta original, decidindo que o aumento do número de representantes seria imediato, aproveitando suplentes não eleitos nas eleições deste ano. 

Com isso, o Senado mostrou que gosta mesmo é de uma boa briga: além do choque com a Câmara, bateu de frente com o Tribunal Superior Eleitoral, que só admite aumento no número de vereadores nas eleições de 2012. 

Quem está de fora e não é sobrinho nem cunhado de vereador, possivelmente tende a ficar do lado dos deputados e da Justiça Eleitoral. O panorama do país mostra uma preponderância de municípios pequenos, com maior tendência ao desmembramento do que à fusão. E o bom senso leigo sugere que a pulverização de autoridade e recursos costuma ser menos eficiente do que mudanças em sentido oposto. 

Sexta-feira passada, o presidente Lula foi taxativo: "Não são mais sete mil vereadores que vão resolver os problemas das cidades." Palavras de aparente bom senso. Seria uma beleza se ele se lembrar de repeti-las, com a autoridade do cargo e da popularidade pessoal, aos senadores e deputados que, presume-se, seguem sua orientação no Congresso. 

Para que ninguém pense que produziu apenas uma frase de palanque, dessas que são jogadas ao vento apenas para impressionar crédulas orelhas.

INFORME JB

STF, o Papai Noel dos vereadores


Jornal do Brasil - 23/12/2008
 

O ministro do STF Carlos Alberto Direito concedeu ontem liminar a favor da Câmara Municipal de Belo Horizonte autorizando o pagamento do 13º salário dos vereadores. BH, acrescente-se, não é a única cidade do país a dar o privilégio. Mas o Tribunal de Justiça do estado vê aí uma inconstitucionalidade. Nos seus argumentos, em nome do Supremo, Direito diz que o TJ não é instância para resolver o caso. A benesse sai a poucas semanas de a corte maior julgar o caso da Câmara Federal, que não endossou a decisão do Senado sobre a criação de mais 7 mil vereadores – para tomar posse em janeiro. Se isso é um sinal de que o STF vai legislar, mais uma vez, em nome do Congresso, e abrir a porteira para os futuros edis, é cedo para saber. O fato é que cada um dos 41 vereadores de BH vai receber esta semana mais R$ 9.288,05.

Cofre cheio

Os gastos previstos da Câmara Municipal de BH para 2009 são de R$ 115 milhões, ou 2,26% do Orçamento da prefeitura.

É mole?

No Rio, ainda é mais vantajoso ser vereador. Os 50 edis recebem 15 salários de R$ 9.200 por ano: o 13º, sim, mais dois salários de auxílio-paletó – um no início do ano e outro, no fim.

2 x 2

Ou seja, em dezembro e janeiro, ganham quatro salários.

Os sem-voto

A aprovação no Senado da PEC dos Vereadores, como é chamada a porteira para os novos 7 mil que não tiveram votos suficientes, é considerada um acinte pela Mesa Diretora da Câmara.

Posse extra

O prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, juntou os 50 vereadores da capital num almoço ontem. Pelo visto, terá governabilidade total.

Pré-acordo

O vereador Jorge Felippe (PMDB) é pule de 10 para ser o presidente da Câmara. O líder do governo, já adiantado aqui, será Adilson Pires (PT).

O lenhador

Lula, sem querer ou sem saber, jogou mais lenha na fogueira da briga entre os defensores dos aeroportos Santos Dumont e Galeão. O Aerolula, que de praxe e há anos desce no Galeão, ontem aterrissou no Centro do Rio.

Lá e cá

O presidente Lula chegou um dia depois de Solange Vieira, presidente da Anac, defender mais vôos para o Centro. Gente da Infraero diz que o Santos Dumont chegou ao teto de operações e, agora, quer priorizar o Galeão.

Au revoir, com grana

Os investidores que captavam recursos de milionários brasileiros para o fundo de Bernard Madoff – que outrora fizeram a festa da turma mas desta vez afundaram num saldo de tormentas – mesmo assim vão passar o Natal na França, com filhos, sobrinhos, netos.

O outro

O TSE vai inserir nas urnas das eleições a partir de 2010 as fotos dos candidatos à Presidência e à Vice, e ao Senado, além de seus suplentes. Já era hora, para um Senado que hoje tem um terço de suplentes que sequer tiveram um voto.

Balanção do Toffoli

Na mania de balanço de tribunais, a Advocacia Geral da União resolveu fazer um. E saiu-se bem. Diz o ministro José Antonio Toffoli que a AGU economizou para o país R$ 640 milhões barrando ações contra a União.

Currículo atualizado

A Justiça Federal condenou o ex-governador do Espírito Santo José Ignácio Ferreira a cinco anos de prisão em regime semi-aberto e ao pagamento de multa de 180 salários mínimos. Tudo por causa de um empréstimo mal explicado de R$ 2,6 milhões, do Banestes, em 1998, antes de assumir o governo.

Luta do Rio

A bancada do Rio não luta só para segurar a Escola Superior de Guerra. Há outros órgãos ameaçados de deixar a cidade. O deputado Otávio Leite (PSDB) lembra que o Decex, do Ministério do Comércio Exterior, partiu há um ano para Brasília, deixando centenas de funcionários órfãos.

Luta do Rio 2

A mais recente ação da turma do poder de Brasília foi a tentativa de capturar a sede da Funarte. Mas tudo ficou como estava.

ILIMAR FRANCO

Agenda e factóide

Panorama Político
O Globo - 23/12/2008
 

A aprovação, na CCJ da Câmara, da constitucionalidade da emenda que acaba com a reeleição foi um factóide natalino. Com o fim do recesso, em fevereiro, o governo Lula enviará proposta de reforma política com cinco projetos de lei, um projeto de lei complementar e uma emenda constitucional. Nenhum dos projetos prevê o fim da reeleição. Eles estão na Casa Civil. Prioridade para financiamento público e para o voto em lista. 

José Anibal está levando 

Com o adiamento para fevereiro da escolha do líder do PSDB na Câmara, o deputado Paulo Renato Souza (SP) tem 40 dias para tentar reverter a tendência da maioria da bancada. Uma lista com 37 assinaturas, dos 58 da bancada, é a favor de acabar com o sistema de rodízio na liderança e reconduzir o atual líder, José Anibal (SP). Essa batalha tem reflexos na luta interna nacional do partido. Anibal quer concorrer ao governo do estado em 2010, mas sua pretensão não está nos planos do governador José Serra. Anibal e Paulo Renato eram da linha de frente da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura de São Paulo. 

Não tenho ganância pelo poder, fiquei seis anos sem mandato" - Patrus Ananias, sobre a disputa no PT mineiro para concorrer ao governo, em 2010 

ACOMPANHANDO A CRISE. Os efeitos da crise ficaram palpáveis ontem, quando o Ministério do Trabalho informou que foram fechados 40 mil empregos formais em novembro. Ainda assim, o ministro Carlos Lupi prevê que neste ano terão sido criados cerca de 1,9 milhão de empregos com carteira assinada. A pesquisa Seade-Dieese revelou que a taxa de desemprego caiu a 13% em novembro nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. 

Quatro mãos 

A fala de fim de ano do presidente Lula foi redigida pelo ministro Franklin Martins (Comunicação de Governo) e João Santana. Foram consultados sobre o texto Guido Mantega (Fazenda) e Celso Amorim (Relações Exteriores).

CPI do barulho 

A CPI do Aborto nem começou e a confusão está formada. O deputado Chico D"Angelo (PT-RJ) vai entrar com representação na Comissão de Ética do partido contra Luiz Bassuma (PT-BA). Acusa o colega de "oportunismo religioso". 

O confronto na esquerda 

Aliado histórico do PT, o PCdoB não diverge apenas nas eleições para a presidência da Câmara, onde foi lançado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para se contrapor ao candidato apoiado pelo PT, Michel Temer (PMDB-SP). No movimento sindical a guerra é ainda maior. Numa votação apertada, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo decidiu abandonar a CUT, a central petista, e se filiar à CTB, central criada pelos comunistas. 

"A verdade, onde estiver" 

O juiz espanhol Baltasar Garzón publica artigo atual na revista da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, alusiva aos 60 anos da Declaração Universal. Num dos trechos, ele afirma: "Justiça a la carte não é justiça. Aqueles que desejam passar por cima de alguns casos, o que pedem é uma justiça a la carte". O jurista, do caso Pinochet, está empenhado agora em saber o paradeiro dos órfãos, de mães republicanas e que foram dados para adoção, da guerra civil espanhola. 

PREVISÃO do presidente da Funcef, Guilherme Lacerda: "O crescimento do PIB no terceiro semestre será de 0,5%. O PIB vai fechar o ano em 5,7%". 

REAÇÃO do líder do PMDB, Henrique Alves (RN), às críticas de Ciro Gomes: "O destempero do Ciro Gomes já é conhecido de todo o país. Aos seus absurdos, prefiro ficar com o julgamento do povo , que acabou de fazer do PMDB o maior partido do Brasil". 

O PRESIDENTE mandou recado para a cúpula petista: não vai reformar o Ministério para colocar no governo quem será candidato daqui a um ano.

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Emprego formal cai pela primeira vez na era Lula

- Folha: Emprego em novembro tem pior taxa em 10 anos

- Estadão: Emprego com carteira cai pela primeira vez em 6 anos

- JB: Viagens de fim de ano em risco

- Correio: Plano regulariza 389 igrejas no DF

- Valor: Tolerância de fornecedor alivia o aperto de crédito

- Gazeta Mercantil: Crédito opõe bancos de médio porte e BC

- Estado de Minas: Ônibus aumenta acima da inflação (pág. 1)

- Jornal do Commercio: Polícia captura a gangue do arrastão

segunda-feira, dezembro 22, 2008

VIVA A FRANÇA!


CARLA BRUNI CHEGA AO BRASIL

Vem também um tal de Sarkozi

MÓNICA BÉRGAMO

Voz alta


Folha de S. Paulo - 22/12/2008
 

A defesa da pichadora Caroline Pivetta quer convocar o ministro Juca Ferreira, da Cultura, para testemunhar no processo que ela responderá por dano ao patrimônio público. Ferreira foi uma das vozes mais sonoras em defesa da libertação da jovem.

CORDA 
Os advogados de Caroline vão indicar também o curador da Bienal, Ivo Mesquita. É dele a idéia do espaço vazio da mostra que, alega a defesa, era um convite para que pessoas como a pichadora fizessem suas intervenções. Mesquita criticou a "tática terrorista de arrastão" dos pichadores.

SEGUNDO ANDAR
O ex-presidente do Bamerindus, José Eduardo de Andrade Vieira, foi condenado, em segunda instância, a pagar R$ 400 mil ao advogado Marcos Malan, irmão do ex-ministro Pedro Malan, da Fazenda. Vieira afirmou, em entrevista concedida há dez anos, que Marcos Malan ofereceu a ele serviços de lobby para que o banco não fosse liqüidado no governo Fernando Henrique Cardoso.

PAPAI NOEL 
O presidente Lula finalmente ganhou a camisa do Corinthians autografada por Ronaldo, que o clube havia mandado para ele. O presente foi entregue pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, na festa de Natal do chefe, na quinta-feira da semana passada.

FAMÍLIA SILVA 

Gloria em busca de Lindu

Irmãos e sobrinhos do presidente Lula abriram as portas de um centro comunitário em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para receber parte da equipe do filme "Lula, o Filho do Brasil". Além da produção, também foram ao encontro a atriz Gloria Pires, que viverá dona Lindu, mãe do presidente, e Milhem Cortaz, que será Aristides, pai de Lula. Conversaram com os familiares em busca de trejeitos e memórias da família de retirantes Silva.

Os irmãos Frei Chico, Vavá, Jaime, Sebastiana, Marinete e Maria levaram ao encontro álbuns de fotografia no churrascão com arroz e salada de maionese. "A família não queria que fôssemos embora", diz o diretor do longa, Fábio Barreto. "No começo estavam mais quietos, mas avisaram que era porque estavam tímidos com nossa presença. Dizem que são de gritar, pular. No fim, rolou tietagem, sim, com a Gloria. É um pessoal simples e animado," completa o diretor.

Lula perdeu a confraternização da família, mas recebeu Gloria Pires -a quem chamou de "mainha"- em Brasília. Ela quis saber dele como era o temperamento de dona Lindu. Lula disse que era "muito bem-humorada" e que "adorava contar piadas".

COLUNA PAINEL

Força bruta


Folha de S. Paulo - 22/12/2008
 

Resolução com a assinatura de 86 deputados e 26 senadores pede mais poderes para a já poderosa Comissão Mista de Orçamento do Congresso, palco no passado de um grande escândalo que, no entender de muita gente, cedo ou tarde irá se repetir.
Sob a liderança do deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), o documento defende aumentar de 40 para 48 o número de integrantes, facilitar o remanejamento de verbas e multiplicar as emendas de bancada. Um ponto em especial preocupa o governo: o item 6 proíbe o Executivo de preservar de cortes áreas inteiras do Orçamento, como a social. "Cabe exclusivamente à comissão decidir isso", diz Padilha.

Hardcore
A versão inicial do documento era ainda mais radical: previa o fim do rodízio anual de todos os membros da comissão, medida adotada em 2006 para reduzir os vícios do processo. 

Os infiltrados

Os signatários pretendem votar a resolução logo na volta do recesso. O governo é contra, mas o abaixo-assinado está repleto de integrantes da base aliada. 

Secou
O relatório do Orçamento de 2009 deu um puxão de orelha no governo por ter descumprido o critério legal de distribuição dos recursos para irrigação. O Nordeste, que teria direito a 50% do total, ficou com 80,6%. O Centro-Oeste, que deveria ficar com 20%, recebeu 2,2%. 

Corpo fora 1
Diante da repercussão negativa da aprovação da emenda que cria mais de 7.000 novas vagas de vereadores e aumenta o gasto com as Câmaras Municipais, Garibaldi Alves (PMDB-RN) declara: "Eu não tenho esse interesse todo em ver implementada a medida, até porque vi o desgaste que ela trouxe..." 

Corpo fora 2
Garibaldi, que não votou porque presidia a sessão, diz que, ao enfrentar a Câmara por ter rejeitado a emenda, pretende apenas "reafirmar a prerrogativa do Senado" no debate sobre a promulgação. "Naquela madrugada, nós não visualizamos direito todos os aspectos dessa emenda", afirma. 

A calhar
Líderes governistas avaliam que, com o provável naufrágio das reformas tributária e política em 2009, crescerá o apelo por uma Constituinte sobre os temas em 2011. Para isso, uma proposta do deputado Flavio Dino (PC do B-MA) está pronta para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça.

Gold
A Secretaria de Comunicação da Presidência terá um diretor só para cuidar da conta de R$ 15 milhões da assessoria de imprensa do Brasil no exterior. Será o diplomata Rodrigo Baena, que já foi porta-voz-adjunto de Lula e está voltando de Buenos Aires. Pela CDN, empresa contratada, o titular será Alexandre Pinheiro, atual chefe da comunicação do presidente do BC, Henrique Meirelles. 

Charme
Tem o dedo do marqueteiro de Lula, João Santana, a preferência pelo vermelho detectada no guarda-roupa da ministra e presidenciável Dilma Rousseff. 

Sincronicidade
De um deputado que acompanhou o "depoimento" de Tarso Genro à CPI dos Grampos, tomado no Ministério da Justiça: "Por que será que a PF marcou para o mesmo dia a divulgou do seu balanço de 2008?". 

Ouvidor
No encontro, Tarso admitiu acatar recomendação da CPI para reexaminar a permissão da Polícia Rodoviária Federal de fazer escutas. Sobre as turbulências da Operação Satiagraha, disse: "Há um conflito de gerações dentro da Polícia Federal". 

Feliz 2009
Em conversas internas, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse esperar para o ano que vem mais operações, mas regionalizadas. Grandes ações como a Satiagraha devem escassear.

Tiroteio

"Ciro Gomes tenta se passar por Donatela, mas, na verdade, ele está mais para Flora."

Do deputado EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), sobre as críticas feitas a seu partido por Ciro -cuja mulher, Patrícia Pillar, faz a vilã em "A Favorita".

Contraponto

Assim não vale

Em recente discurso, o líder do PTB na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes (GO), afirmou que seu partido, "fundado por Getúlio Vargas nos anos 40", era o mais antigo do Brasil. Professor de história, seu colega Chico Alencar (PSOL-RJ) protestou:
-Não! O mais antigo é o Partido Comunista, de 1922, cuja herança é reivindicada tanto pelo PCB quanto pelo PC do B. O PTB nasceu 23 anos depois!
Jovair coçou a cabeça, pensou por um instante e, diante do plenário silencioso, emendou:
-Bem, eles ficaram anos na clandestinidade, com registro cassado. Aí, para mim, não conta...

PARA....HIHIHIHI


LOIRA


Uma loira chegou com seu carro novinho numa loja de acessórios e disse pro
vendedor:
Quero instalar um pára-raios no meu carro.
E o vendedor explicou:
Olha, eu nunca ouvi falar nesse equipamento pra veículo. Por que é que você
quer instalar um pára-raios no seu carro?
E a loura:
- Heloooooooooouuuuuuuu! Nunca ouviu falar de seqüestro relâmpago não,
ô desinformado?

O IDIOTA


CARLOS ALBERTO SARDENBERG

E Lula não liderou


O Estado de S. Paulo - 22/12/2008
 

 Saiu na mesma página no noticiário de sexta-feira: o presidente Lula dizendo que nenhum empresário tem motivo para demitir neste momento e informações sobre demissões em diversos setores.

O presidente disse, ainda, que eventuais negociações para a flexibilização de contratos de trabalho devem ficar por conta de empresas e trabalhadores - governo de fora. Logo em seguida, desprezando a contradição, como costuma fazer, disse que governo e empresários devem buscar soluções para a crise.

Tempos atrás, no início de sua primeira administração, o presidente dizia coisa ainda mais diferente. Sustentava que sua história como líder sindical não-pelego lhe dava todas as condições para tratar das reformas trabalhista, sindical e previdenciária. Do mesmo modo dizia, aliás, que o MST simplesmente desapareceria em seu governo, porque ele concluiria a reforma agrária.

Muita gente foi nessa onda, incluindo analistas econômicos e políticos, representantes dos empresários e jornalistas. Como se entedia que a reforma deveria flexibilizar a legislação, retirando direitos trabalhistas da Constituição e permitindo que empresas e sindicatos negociassem um maior número de itens do contrato de trabalho, concluía-se que apenas Lula seria capaz de levar os sindicatos a recuar da posição de defesa intransigente da CLT. E como isso foi encaminhado? Com a formação de comissões, reunindo representantes dos trabalhadores, dos empresários e... do governo.

Não deu em nada, por uma combinação de dois fatores. Primeiro, a economia foi-se ajustando, voltou a crescer e a urgência desapareceu. Mas o segundo motivo foi mais importante: os sindicalistas pensaram exatamente o contrário, que a presença de Lula no Planalto e de diversos líderes sindicais no Ministério e nas estatais abriria espaço para impedir qualquer flexibilização na legislação. E, mais do que isso, era o momento de incluir mais direitos na lei, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários - tema posto na pauta pouco antes da eclosão da crise, com apoio explícito de ministros e ao menos a concordância indireta de Lula.

Tudo considerado, naquelas comissões tripartites se formou uma aliança tácita entre representantes do governo e das centrais sindicais, que não quiseram sequer discutir a reforma da legislação trabalhista. Para essa aliança, era preciso acertar a reforma sindical de modo a preparar sindicatos para a fase de negociação.

Também esse era um tema do Lula sindicalista. Lembram-se? O pessoal combativo do ABC era contra o Imposto Sindical e toda uma estrutura que favorecia o peleguismo. Se ao menos essa reforma saísse, já seria um avanço. Mas também não deu em nada. No poder, os sindicalistas pensaram diferente e conseguiram até ampliar a distribuição do dinheiro do Imposto Sindical para as diversas centrais.

Resumo geral: não saiu reforma nenhuma. Lula, em vez de liderar pelas mudanças, usar sua autoridade moral de líder sindical e sua autoridade efetiva como presidente, simplesmente recuou e aceitou as pressões dos companheiros.

E assim chegamos à crise da desaceleração da economia brasileira, com espaço reduzido para negociação entre empresas e trabalhadores com carteira. E nenhuma proteção para a maioria dos trabalhadores sem carteira.

No caso dos trabalhadores formais, há ainda outra diferença: entre aqueles que contam com bons sindicatos, como os metalúrgicos do ABC, e os outros, a maioria, com sindicatos pelegos. No primeiro caso, há até boas negociações. No segundo, não tem conversa: ou é o pleno emprego garantido ou a demissão. Mesmo no primeiro caso, há limitações legais às negociações, de modo que não adianta o presidente Lula dizer que é um problema de empresas e sindicatos. O governo não está de fora, porque, se for para fazer algo sério, será preciso alterar legislações. Além disso, em diversas medidas anticrise está implícito um aumento do gasto público. E isso nos remete a outra coisa que não foi feita.

Os diversos programas de estímulo à economia exigem uma combinação de redução de impostos e aumento de investimentos públicos. Dito de outro modo, exigem a redução de gastos não-investimento, exatamente o contrário do que fez o governo nos anos de bonança. E também perdeu a reforma tributária. Agora...

Agora vai - Se o juro é o preço do dinheiro e se o Fed, o banco central dos EUA, colocou a taxa básica de juros em zero, isso quer dizer que o dinheiro vai sair de graça para os bancos. Esses bancos estavam sem confiança para emprestar a empresas, pessoas e a outros bancos. Recuavam diante do risco de calote. 

Agora o pessoal se pergunta: “Tendo dinheiro de graça, será que não vão emprestar?” 

Por via das dúvidas, o Fed não apenas colocou a taxa perto de zero. Disse que vai ficar ali por um bom tempo e anunciou vários programas de compra de títulos de bancos, agências hipotecárias, companhias de cartão de crédito, empresas que fazem empréstimos estudantis, além das compras de papéis das grandes empresas (notas promissórias). Disse ainda que, no início de 2009, vai estender facilidades de crédito a famílias e a pequenas empresas. Só falta comprar carro usado.

Quando toda essa história começou, o Fed só podia emprestar para bancos comerciais. Agora dá crédito para todo mundo. São medidas ortodoxas, heterodoxas, novas, velhas, deste e do outro mundo. Ou seja, é um enorme esforço para restabelecer o funcionamento do sistema de crédito.

Acrescente aí o programa de gastos de Obama em infra-estrutura e novas tecnologias, que, dizem, pode chegar a US$ 800 bilhões, 6% do PIB! Uma bomba atômica contra a recessão.

Demora algum tempo para pôr os programas em operação, mas não é possível que não funcione.

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Polícia ataca finanças do tráfico na Cidade de Deus

- Folha: Obama amplia pacote para salvar emprego

- Estadão: Crise vai brecar crescimento da classe média

- JB: Rio recebe hoje Lula e Sarkozy

- Correio: Caixa reduz juros de 21 tipos de empréstimos

- Valor: Lula e Sarkozy dão início hoje a ação estratégica

- Gazeta Mercantil: Commodities lideram queda de preço dos produtos exportados