sexta-feira, outubro 24, 2014

Tudo junto e desregrado - DORA KRAMER

 


O ESTADÃO - 24/10


Na última segunda-feira a repórter Tânia Monteiro fez as contas: há exatos 31 dias a presidente Dilma Rousseff não pisava no Palácio do Planalto. Hoje faz 35 e há muito mais tempo que isso não se tem notícia de um ato dela que não seja como candidata à reeleição.

O mais grave é que não parece fazer falta. Ou pior: só vamos saber disso depois da eleição, quando o País voltar a funcionar - se é que voltará - ao ritmo normal. Quando, por exemplo, o governo liberar os números sobre economia, desempenho do ensino público, desmatamento e pobreza no País, cuja divulgação foi adiada para não afetar a votação da presidente, considerando indicações de que os resultados seriam negativos.

Já os dados positivos sobre o baixo índice de desemprego não sofreram adiamento; foram divulgados ontem. Problema algum não fosse o fato apontado pela Folha de S. Paulo de que as outras estatísticas tinham datas previstas para serem conhecidas entre os meses de agosto e outubro. Ficaram para novembro.

Às diversas peculiaridades da presente campanha eleitoral é de se acrescentar a eliminação por completo da separação entre as agendas da presidente e da candidata. Até a eleição passada, ainda havia alguma preocupação em se manter as aparências. Agora não. Dilma Rousseff ultimamente só foi vista em dependências oficiais ou no exercício da função presidencial quando lhe interessou o uso da prerrogativa. Por exemplo, para dar entrevistas no Palácio da Alvorada, cenário a ela favorável, ou para usar a tribuna da ONU como palanque.

Sem falar em toda a estrutura que deve cercar um chefe de nação. Agora, quando o postulante se afasta completamente de suas funções e passa apenas a se dedicar à campanha em tempo integral, a coisa muda de figura. Está tudo desregulado e em contraposição aos preceitos da impessoalidade, da transparência e da probidade exigidos de todo funcionário público, a começar por aquele que preside a República.

Seria esse tipo de coisa defeito do instituto da reeleição? Não necessariamente. Mas é um dado que poderia ser ponto de partida para se pensar em instituir a obrigatoriedade do afastamento temporário aos postulantes de um novo mandato, como ocorre em caso de desincompatibilização seis meses antes para disputa de cargos diferentes.

Pesquisas. Sobre a dianteira de Dilma no Ibope e Datafolha não há mistério: ponto para o marqueteiro João Santana. A vantagem obtida é obviamente fruto da campanha negativa. Até porque não aconteceu nada na última semana além de ataques.

Mútuos. A questão é que Aécio Neves sendo muito menos conhecido é mais permeável a eles, pois aquela faixa do eleitorado que havia aderido sem muita convicção tende a ser mais sensível às maledicências e a mudar o voto com mais facilidade. Em eleição acirrada, tal montante nem precisa ser muito numeroso.

Correção. Assessoria de imprensa dos Correios envia o seguinte e-mail: "Com relação ao texto 'De oito a 80', esclarecemos que nenhuma agência dos Correios foi transformada em comitê eleitoral por qualquer candidato ou partido. A rede de agências dedica-se unicamente à prestação de serviços aos clientes, fato que pode ser verificado por todo cidadão brasileiro, já que as unidades são de acesso público. Caso a colunista tenha provas da afirmação realizada, solicitamos comunicar aos Correios para que seja realizada apuração sobre os fatos".

Realmente, a referência feita não estava correta. O uso não foi de agências. Mas de funcionários. Pelo menos em Minas Gerais onde, conforme disse o deputado Durval Angelo em reunião na presença do presidente da empresa, o PT conseguiu bom desempenho no Estado porque "tem dedo forte dos petistas nos Correios".

Histeria - MIRANDA SÁ

 


BLOG DO MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )


“A eficiência da propaganda política depende dos métodos aplicados, não das doutrinas ensinadas”
Aldous Huxley


Há muita preocupação nos círculos mais esclarecidos pela pressão da propaganda lulo-petismo induzindo os brasileiros a se curvarem ao nocivo “socialismo bolivariano”. A insistente doutrinação do PT-governo desenha sonhos maravilhosos, trazendo oculto o pesadelo em que já vivem os venezuelanos.

Nesse cenário alucinado, o que mais impressiona é o grupo psicopata galgado ao poder, através das lutas internas nos sindicatos apelegados, condicionado a dar golpes baixos, cometer crimes e maquinar traições. Entre eles, a histeria é dominante.

O mais inquietante é a marca da corrupção econômica, educacional, empresarial e política, nesta campanha eleitoral. O lulo-petismo faz a doutrinação de uma “sociedade igualitária e justa” tentando impregnar histericamente os jovens com a fraude.

A Histeria, como se sabe, vem do grego ὑστέρα, “útero”, e o termo médico “hysterikos” foi criado por Hipócrates – o “Pai da Medicina”. As civilizações antigas já conheciam tais manifestações enfermiças conferiu-as somente às mulheres, chegando a diagnosticar que se tratava de um deslocamento ou lesão do útero, provocando reações psíquicas semelhantes à loucura.

Mais tarde, Freud entrou nessa canoa furada e achou que a histeria era causada por problemas sexuais, uma psiconeurose originária de conflitos emocionais inconscientes, com sintomas de dissociação mental.

Freud foi ultrapassado, e hoje se sabe que não é unicamente a mulher detentora desta doença. Cientistas atuais admitem a histeria como feminina ou masculina; e o renomado psicanalista e psiquiatra argentino J.D. Nasio afirma que “o sujeito histérico não é homem ou mulher, mas a dor da insatisfação”. Assim, é prescrita e tratada como a psicose da depressão.

Perdoem-me por essa incursão enxerida pela Medicina, quando vejo no Brasil um quadro psicótico de criminalidade: Psicopatas ocupantes do poder praticam atos condenáveis, estelionato, corrupção, tráfico de drogas, formação de quadrilhas e desfalques nas instituições governamentais.

Nos seus Estudos Psiquiátricos, o médico baiano Isaias Paim, registra que “entre os políticos de influência existe um número considerável de histéricos, psicopatas tão poderosos que se tornam inalcançáveis pelas leis punitivas…”

Como a psicopatia histérica não pode ser apenas atribuída à mulher, se estende também aos homens da alta hierarquia lulo-petista… E como o neuropsiquiatra Charcot-Marie-Tooth qualificando o alcoolismo como uma das causas da histeria masculina, não é só Dilma uma psicótica, também os maiorais do partido e o seu superego Lula, enquadram-se ambos nesta qualificação.

Na campanha eleitoral que se desenrola, vê-se em Lula e Dilma a dor da insatisfação histérica, responsável por seus desvios de conduta, mentindo, difamando e injuriando, empregando os métodos dos pelegos e da ideologia ultrapassada, atirada ao lixo nos países civilizados.

Fazendo esta análise, não temos outra escolha na encruzilhada que deparamos, senão o caminho da libertação dos males que se abateram sobre o País. Não há dois rumos a seguir: ou curvar-se diante da psicopatia lulo-petista ou incorporar-se à frente da união nacional votando em Aécio Neves, um político sem dor nem insatisfação, jovial e alegre, com quem o Brasil certamente se livrará do petismo doentio e voltará a sorrir!

Para mudar o software - CELSO LAFER

 


O GLOBO - 24/10

Ficou claro que a maioria não deseja a continuidade dos bugs e malfeitos do modo de governar do PT


No século XVIII, o relógio tornou-se paradigma de organização do Estado, tomando o lugar de metáforas mais singelas do poder político, como a do pastor ou a do timoneiro. Representava a ideia de uma máquina apta a organizar a vida da comunidade política com as virtudes da regularidade, cabendo ao governante apenas zelar pelo seu contínuo funcionamento.

Este paradigma tornou-se obsoleto com a complexidade crescente das sociedades contemporâneas, que exigem mudanças e adaptação para enfrentar sempre novos desafios. Por isso, o paradigma do relógio é substituído pelo do computador, uma metáfora dos nervos da governança, como sugere Karl Deutsch. Lida com a “entrada” do fluxo de demandas, administrando-as com seus programas e gerando, deste modo, os resultados da ação governamental — a “saída” —, permitindo avaliar, ao mesmo tempo, por aproximações sucessivas, a maior ou menor necessidade dos updates da reprogramação.

É esta a questão das eleições presidenciais do segundo turno. Elas são a oportunidade para o eleitorado avaliar se chegou a hora de atualizar o software do governo.

No primeiro turno, cerca de cem milhões dos 142 milhões de eleitores registrados se negaram a manter o software atual: este foi o total de votos em candidatos da oposição, nulos, em branco e abstenções.

Ficou claro que a maioria não deseja a continuidade dos bugs e malfeitos do modo de governar do PT, que, após 12 anos, dá claras indicações de “fadiga dos materiais”. Daí a importância de alternância democrática, com a eleição de Aécio Neves, para uma renovação apta a lidar com os desafios do Brasil.

A campanha eleitoral e a história revelam a qualidade dos candidatos e dos partidos. Ambas mostram que a candidatura Aécio está voltada para somar, e a de Dilma, para dividir. Dilma explicita o DNA do PT, que toma a rejeição como ódio, assume a má-fé da fantasia das suas virtudes e desqualifica os seus opositores com a mentirosa “asfixia dos rótulos” para evocar um verso de Paulo Bomfim.

Aécio toma o sentimento oposicionista como estímulo para fazer mais e melhor em termos de estabilidade e desenvolvimento econômicos, políticas de inclusão social, sustentabilidade ambiental, infraestrutura, qualidade de gestão, direitos humanos, inteireza ética.

A história mostra que Dilma, que só concorreu a um cargo público na vida, é capaz de dividir. No poder, alienou sucessivamente partidos da sua base aliada, líderes do seu próprio partido e a maioria dos empresários.

A trajetória de Aécio comprova sua capacidade de somar. Em 2001, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados com mais votos do que os dos seus três adversários. Em 2002, elegeu-se governador de Minas no primeiro turno com 57% dos votos e se reelegeu em 2006 com 73%.

O Brasil em 2014 precisa somar, não dividir. Por isso é tão importante votar em Aécio Neves no domingo.

Quatro anos num domingo - FERNANDO GABEIRA

 


O ESTADO DE S.PAULO - 24/10

A campanha chega ao fim com o grande debate de hoje. Alguns temas ficaram de fora. Do Rio Piracicaba à nascente do São Francisco, na Serra da Canastra, encontrei vestígios da grande seca, talvez a maior dos últimos 50 anos no Sudeste. Ignoro o que os candidatos pretendem fazer a respeito. Não falam em recuperação de rios, fortalecimento dos comitês de bacia, nada que lembre uma política de recursos hídricos. Apenas se culpam.

Não sei se todos têm a sensação de que há uma distância entre o País dos debates e o da vida real. Creio que a distância às vezes é ampliada pelo próprio debate, que deveria encurtá-la.

Jean Piaget escreveu muito sobre inteligência infantil. Ele descrevia um tipo de linguagem que prevalece numa faixa de idade: a linguagem egocêntrica. Nela não importa necessariamente fazer sentido, muito menos comunicar-se com o outro.

Apesar dos debates sem mediação, foi impossível estabelecer um fio da meada. Dilma comportou-se como se fosse uma candidata da oposição em Minas Gerais. Após o debate no SBT sua memória falhou em alguns momentos. Depois de tropeçar na palavra inequívoca, ela capitulou em mobilidade urbana, pediu um pouco de água, sentou-se para descansar. O que se passa no cérebro de Dilma, como se articulam nela uma camada do córtex com uma região do hipocampo, criando ou embotando a memória, é uma análise que farei depois de pesquisar o tema.

Dilma está se transformando numa equilibrista que entra em cena mesmo sem ter completado o período de formação. No caso da Petrobrás, a opção do governo era negar as denúncias: são apenas vazamentos clandestinos. No campo do feminismo, Dilma projetou imagem dura ao ironizar o choro de Marina Silva, bombardeada pelas mentiras do PT: o cargo de presidente não é para coitadinhas, afirmou.

Quando soube que um ex-dirigente do PSDB, Sérgio Guerra, também foi acusado de receber propinas no escândalo da Petrobrás, Dilma passou a acreditar nas denúncias. E afirmou: houve desvios. O fluxo de denúncias não acabara. Depois de Sérgio Guerra, aparecia em cena o nome de Gleisi Hoffman, ex-chefe da Casa Civil no governo Dilma. Nesse caso, a presidente voltou a duvidar e pedir precauções. Ficou evidente que as denúncias valem quando envolvem o adversário, mas são levianas e perigosas quando envolvem o governo.

Depois do piripaco de Dilma, Lula e outros insinuaram que Aécio agride mulheres e isso pode ter influenciado a performance dela. Marina tinha de apanhar sem choro, pois a "Presidência não é para coitadinhos".

O escândalo da Petrobrás, embora possa ter envolvido gente da oposição, é de principal responsabilidade do governo. A empresa está sendo investigada nos EUA. Lá, por exemplo, a lei é clara e responsabiliza também os dirigentes da empresa, mesmo que não tenham tocado no dinheiro.

O choro da Marina massacrada é fraqueza; a crise de Dilma, uma consequência do machismo. Eles reinventam o mundo à sua maneira. Passada a eleição, em vez de ficar remexendo a essência macunaímica do PT, talvez fosse necessária uma avaliação mais profunda de como uma experiência histórica termina na porta da delegacia.

Análises sobre a trajetória da esquerda no século passado ocuparam grandes historiadores. Tony Judt dedicou parte de seu trabalho aos intelectuais franceses e seus equívocos. No caso europeu, as hesitações diante do stalinismo conduzem um dos fios da meada. Aqui, no Brasil, não creio que o stalinismo tenha o mesmo peso. O fio da meada é a relação com a ditadura cubana, a admiração por um regime falido e o silêncio inquietante sobre seus crimes.

A trajetória da esquerda brasileira no governo mudou. Goulart foi derrubado pelos militares que alegavam combater a subversão e a corrupção. A corrupção era algo mais simbólico no seu discurso. Envoltos na guerra fria, os militares queriam, principalmente, derrotar o comunismo. Essa passagem de uma resistência à ditadura militar, o trânsito das páginas políticas para as policiais, essa mudança de ala nas penitenciárias é uma guinada na história da esquerda.

Tanto se falou em Goebbels, o homem da comunicação de Hitler, que a tática de repetir a mentira passou a ser até elogiada por alguns. O encontro da tática do PT com Goebbels não é acidental. Assim como o encontro das Farc com o tráfico de drogas também não o foi.

Quando desaparecem os objetivos estratégicos, quando o único alento é ganhar o poder, desaparece também a fronteira entre política e crime. Não te prendem mais em quartéis, mas na delegacia da esquina; já não se ergue o punho cerrado pelo futuro da humanidade, mas para garantir o banho de sol; não se comemoram grandes viradas históricas, mas o ingresso no regime de prisão albergue.

A transformação de uma força política num compacto muro de cinismo, o trânsito de ideias, aparentemente, generosas para a delinquência intelectual - tudo isso configura uma fascinante matéria de estudo.

Não sei se teria a isenção para cumprir a tarefa: ela mexe comigo, com a história pessoal, com as ilusões que me moveram no século passado. Mas alguém escreverá a história do nosso passado imperfeito, como Tony Judt fez com a intelectualidade francesa do pós-guerra.

No continente já estamos no socialismo do século 21. Em Caracas não se racionam mais os produtos básicos com cadernetas, mas com as impressões digitais. De Cuba para a Venezuela houve um salto tecnológico no interior do mesmo atraso.

Mas a sedução do modelo ainda não foi abalada na esquerda brasileira. O verdadeiro século 21, de certa forma, não chegou. Quem sabe, domingo?

Um exame profundo dessa longa trajetória histórica pode começar, se o PT perder. Se vencer, será preciso concentrar a energia na vigilância cotidiana e preservar alguma esperança no Brasil.

Vitoriosos depois do assalto à Petrobrás, os petistas logo estariam sonhando com o assalto aos céus.


Tendências e denúncias - MERVAL PEREIRA

 


O GLOBO - 24/10
As duas pesquisas divulgadas ontem, que colocam pela primeira vez acima da margem de erro a distância entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB, Aécio Neves, têm resultados parecidos, mas chegam a eles com medidas completamente distintas, o que pode fazer toda a diferença.

Para o Ibope, Dilma teve um crescimento de 6 pontos percentuais, enquanto Aécio caiu 4 pontos, e a diferença entre os dois é de 8 pontos. Já paia o Datafolha, a presidente subiu 1 ponto e Aécio caiu 1, o que aumentou a distância entre os dois de 4 paia 6 pontos. As duas pesquisas apontam uma tendência de crescimento da candidata à reeleição Dilma Rousseff, mas a velocidade dessa aceleração é distinta, com o Ibope sinalizando uma melhoria em todas as regiões do país e em todas as classes sociais.

Já o Datafolha registra diferenças pelas regiões, com apenas um destaque: Aécio perdeu 6 pontos no Sul do país. No Sudeste, por exemplo, onde Dilma havia subido 5 pontos na última pesquisa, principal razão de ter ultrapassado numericamente Aécio, dessa vez foi Aécio quem subiu 1 ponto enquanto Dilma perdeu 1.

No Nordeste, onde Dilma é hegemônica, o resultado ficou igual, com a presidente caindo 1 ponto e o candidato da oposição subindo 1. No Centro-Oeste, Aécio Neves caiu 3 pontos e no Norte a presidente Dilma subiu 4 pontos, reforçando sua liderança.

Segundo o Ibope, as intenções de voto em Dilma crescem em todos os segmentos analisados, mas alguns merecem especial atenção do instituto de pesquisas: as menções à atual presidente crescem 9 pontos entre os jovens, onde tinha baixo desempenho atingindo 46%; ao passo que Aécio vai de 49% para 45%. Entre eleitores que cursaram até a 4a série, Dilma cresce 12 pontos, enquanto Aécio diminui 9 pontos neste grupo.

No Nordeste, o Ibope encontra praticamente o mesmo número do Datafolha (64% e 68%), mas registra um aumento de 12 pontos paia Dilma e uma queda de 10 pontos de Aécio. No Sul, há uma diferença grande entre as duas pesquisas: no Ibope, Dilma tem 46%, e para o Datafolha, 33%. Já Aécio tem para o Ibope agora 45%, caindo de 53%, enquanto Dilma passa de 32% e chega a 46%, empatando com o adversário.

O Ibope diz que as menções a Dilma também crescem "expressivamente" entre eleitores com renda familiar até 1 salário, indo de 54% para 69% - neste grupo, Aécio cai de 34% para 22%. Apesar de todas as divergências entre os dois institutos, a tendência parece estar no crescimento da presidente Dilma, a caminho da reeleição.

Restarão ainda dois dias até a eleição, e um debate fundamental hoje à noite na Rede Globo, que colocará os indecisos para fazer perguntas aos candidatos. Pode ser a última chance de Aécio convencê-los de que é a melhor escolha.

O debate será fortemente impactado pela edição especial da revista "Veja" que circula a partir de hoje em caráter excepcional, revelando o depoimento do doleiro Alberto Youssef no processo de delação premiada incriminando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula nos desvios da Petrobras.

Segundo a revista, o doleiro garantiu diretamente que os dois sabiam o que estava acontecendo na estatal brasileira e para que servia pelo menos parte do dinheiro desviado. Como na delação premiada é preciso provar as denúncias para que os benefícios dela se concretizem, o decorrer do processo mostrará se existem condições de incluir a atual e o ex-presidente em um processo criminal.

Nesse caso, o impeachment da presidente será inevitável, caso ela seja reeleita no domingo. Corremos o risco de estarmos condenados a uma crise institucional das grandes com membros do Congresso, governadores e até a presidente eleita envolvidos em um processo criminal mais grave do que o mensalão.

A situação eleitoral parece estar se definindo a favor da presidente Dilma, a não ser que as revelações do doleiro Yousseff atinjam o eleitorado no que pode ser definida como a última bala de prata da oposição. Há a possibilidade também de o eleitorado considerar essa uma mera manobra política e simplesmente não levar em conta o depoimento. Só o futuro dirá se essa é a melhor maneira de encarar os graves desvios que estão sendo denunciados por um ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Yousseff.

Brasil esta à margem de sistema produtivo mundial - EDITORIAL O GLOBO

 


O GLOBO - 24/10

Mal situada em ranking sobre integração a cadeias globais de produção, economia brasileira se isola e abre mão de conseguir elevar produtividade e de crescer


Na ditadura militar, com ênfase no governo Ernesto Geisel, o país se tornou ainda mais protecionista, a fim de realizar o sonho de contar com uma indústria de base própria, para substituir as importações de insumos petroquímicos, de máquinas e equipamentos.

Uma formidável massa de dinheiro público foi destinada a este projeto estratégico, lastreado em uma ampla reserva de mercado. O desfecho foi um estrondoso fracasso.

Constituiu-se, na história republicana do país, uma das maiores transferências de renda do contribuinte para um pequeno número de empresários, os “campeões nacionais” daquela época. Quase quarenta anos depois, num governo do PT, na outra ponta do espectro ideológico, o país comete o mesmo erro: ergue mais barreiras protecionistas, restabelece a ideia de reserva de mercado, também com a vã ideia de aumentar o “conteúdo” local da produção de sua indústria. Colherá o mesmo fracasso.

Como o mundo é outro, bem mais globalizado, o equívoco se torna mais visível. É o que está registrado no relatório anual da Organização Mundial do Comércio (OMC), dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo, divulgado segunda-feira.

Nele, a brasileira é uma das últimas colocadas numa relação das economias mais integradas a cadeias globais de produção. Enquanto apenas 40% das importações brasileiras são de componentes de bens a serem exportados, este índice chega a 75% em Taiwan, a primeira colocada neste ranking em que o Brasil se encontra na 27ª posição. Até a China, de economia ainda muito centralizada, um capitalismo selvagem de estado sob uma ditadura comunista, está mais bem situada que o Brasil, no 20º lugar.

O próprio Azevêdo lamenta, porque, como diz, participar dessas cadeias globais aumenta a produtividade e, por decorrência, o crescimento econômico. Tudo aquilo que escasseia no país nos tempos que correm.

Na raiz deste equívoco está o erro crasso da política externa de aprofundar a dependência do Mercosul, bloco comercial hoje alimentado muito mais por ideologia do que por interesses nacionais legítimos.

Sem se abrir a acordos bilaterais de comércio, o Brasil subordina as exportações de produtos manufaturados ao destino de economias como a argentina — atemorizante, como se sabe. E não consegue índices de produtividade para entrar em outros mercados, nada que a taxa de câmbio consiga resolver.

Entende-se por que o Global Trade Alert, entidade que acompanha medidas de política comercial pelo mundo, coloque o Brasil como o quarto país com maior número de medidas protecionistas decretadas desde 2008, abaixo apenas da Rússia, Índia e, nenhuma surpresa, a aliada Argentina. Péssima companhia e futuro preocupante.

Os números amordaçados - EDITORIAL O ESTADÃO

 


O ESTADO DE S.PAULO -24/10

A sonegação começou pelos dados mais recentes sobre a desigualdade de renda no País, apurados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. Em sintonia com os interesses eleitorais da presidente Dilma Rousseff, a cúpula do órgão adiou para depois do segundo turno a divulgação dos números que contrariam a propaganda da candidata sobre a queda continuada da diferença de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres. Em protesto contra a censura, que fere frontalmente o direito de acesso dos brasileiros a informações de natureza pública, um dos diretores da entidade, Herton Ellery Araújo, pediu exoneração do seu cargo. Foi seguido pelo vice-coordenador da sua área, Marcelo Medeiros.

Segundo o titular do instituto, Sergei Soares, o trancamento não teria sido ordenado pelo governo. "Foi uma decisão nossa." É muito possível: no Estado enfeudado pelo PT, servidor esperto é o que se antecipa ao que sabe ser a vontade do amo. O amo é conhecido por sua paranoia, embora nas atuais circunstâncias o temor é bem capaz de ter fundamento. O risco real e presente de Dilma ser derrotada no tira-teima de depois de amanhã pelo tucano Aécio Neves decerto pôs o seu apparat em alerta máximo para impedir que, levada à disputa, qualquer novidade adversa ao seu projeto de poder possa tirar votos, por poucos que sejam, de sua porta-estandarte. Eis por que, à mordaça no Ipea, outras foram aplicadas em setores tão diversos como o Ministério da Educação e da Receita Federal, de que se falará adiante.

O caso do instituto merece ser visto bem de perto por dois motivos que se entrelaçam: a importância dos seus levantamentos sobre o perfil social da população e, nesse estudo específico, pela inovação que permitiu aos seus pesquisadores chegar a verdades inconvenientes para a retórica petista. O primeiro ponto é óbvio: o padrão de distribuição da riqueza nacional neste país que padece para descalçar as botas de chumbo da histórica e vergonhosa desigualdade que nos caracteriza está no centro das atenções desde a redemocratização, a ponto de ter sido uma das preocupações dominantes dos constituintes de 1988. Já a citada inovação, que consistiu em incorporar informações do Fisco aos dados convencionais, fez o Ipea concluir que a desigualdade não só é mais alta do que estimava, como ainda se estabilizou entre 2006 e 2012, segundo o pesquisador Marcelo Medeiros, citado pelo jornal Valor.

O Ipea sustenta que a legislação eleitoral proíbe que se tornem públicos, entre outros, dados capazes de influir nas decisões de voto. Trata-se de uma patranha. O fato é que, dentro da perversa lógica petista de que as informações em posse do Estado devem servir a seus ocupantes - ou para ser divulgadas com espalhafato, quando positivas, ou para ser trancafiadas, quando potencialmente perturbadoras para as perspectivas eleitorais da chefe deles todos -, faz sentido, por exemplo, o arrocho do resultado da arrecadação federal em setembro. Por manter a tendência minguante dos números anteriores, é mais uma prova da crônica situação enfermiça da economia, provocada não pela retração das atividades em escala internacional, como alega a presidente, mas pela incompetência e os zigue-zagues de seu governo.

Para um governo que também quer fazer crer que faz tudo e mais alguma coisa pela educação fundamental no País, melhor deixar guardados os últimos resultados do Ideb - a aferição em âmbito nacional, a cada dois anos, com mais de 7 milhões de estudantes, dos conhecimentos de português e matemática do alunado do ensino básico. O exame mais recente data de agosto de 2013. Responsável pela prova, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação, nega a intenção de escamotear a verdade: a publicação estaria demorando porque os dados do exame precisam ser apresentados de forma tal a facilitar a sua compreensão pelas escolas. Se essa alegação pretende ser sofisticada, a da Receita para a não divulgação da arrecadação de setembro é de um cinismo atroz: os servidores responsáveis por dar publicidade aos números estão absorvidos esta semana com atividades de planejamento.

Petrobras tem tem que ser passada a limpo - EDITORIAL CORREIO BRAZIIENSE

 


CORREIO BRAZILIENSE - 24/10
Manchetes com denúncias contra a Petrobras tornaram-se indesejada rotina. Banalizadas, deixam de surpreender. A empresa saiu das páginas de economia e entrou nas policiais. Megaesquema de corrupção foi-se revelando em etapas até desaguar na Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março deste ano.
Ao aceitar acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa abriu a caixa de Pandora. De lá saíram cenas picantes, que vão além dos maus negócios, como a perda de refinarias na Bolívia e a compra de Pasadena nos Estados Unidos. O ex-diretor da estatal contou pormenores do megaesquema de desvio de dinheiro para pagar propina a políticos do PT, do PMDB e do PP.

Pouco se sabe do muito que o ex-diretor da estatal trouxe à tona. Mas os valores referidos são tais que não admitem ser ignorados. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), guardiã do mercado de capitais brasileiro, fez o que lhe competia fazer. Abriu inquérito administrativo para investigar a petroleira que já foi orgulho verde-amarelo e uma das empresas mais respeitadas do mundo. Apura se a corrupção acarretou perda para os acionistas.

A CVM agiu depois que a Securities and Exchange Commission (SEC) iniciou apuração sobre a conduta da Petrobras. Como tem papéis negociados na Bolsa de Nova York, a estatal brasileira está submetida ao órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos. É sério. Caso as irregularidades sejam comprovadas, vislumbra-se cenário sombrio.

A empresa poderá responder seja por desvios no mercado acionário, seja criminalmente. Poderá, também, ser punida com o pagamento de multas. Segundo as leis estadunidenses, corrupção, mesmo ocorrida fora do território americano, é passível de punição. No caso, porque prejudica acionistas que confiaram na lisura das ações negociadas.

Espera-se que as investigações cheguem às últimas consequências e que os responsáveis sejam punidos. As comissões internas constituídas para averiguar irregularidades devem fazer o que lhes compete com isenção, sem espírito de corpo. Também a Polícia Federal precisa concluir o trabalho com a seriedade que lhe caracteriza a atuação. O Congresso e os demais órgãos de fiscalização têm, também, de fazer a sua parte.

Passado o tsunami que lançou um mar de lama sobre a empresa que faz parte da história dos 200 milhões de brasileiros de norte a sul do país, a Petrobras deve reconquistar a credibilidade de que sempre gozou - com gestores capazes, lisura nas transações e avanços tecnológicos. Em suma: a petroleira tem de entrar no século 21 e fazer a leitura correta do tempo.

Contrabando legislativo - EDITORIAL FOLHA DE SP

 


FOHA DE SP - 24/10


Deputados e senadores, em especial os mais vividos, sabem o quanto pode ser custosa, em termos políticos, a defesa de um projeto de lei que afronte o interesse público. Sempre que podem, portanto, valem-se de expedientes sorrateiros para tentar encobrir seus propósitos inconfessáveis.

Poucos instrumentos legislativos prestam-se mais a esse tipo de embuste do que as medidas provisórias --cujo abuso pelo Executivo, aliás, já representa uma distorção.

Editada em sua versão original pela Presidência da República, essa peça normativa responde, cada vez mais apenas na teoria, a demandas urgentes e relevantes, tendo por isso tramitação prioritária.

Nessa prioridade inúmeros congressistas enxergam uma oportunidade. Aproveitando-se da inércia de uma medida provisória qualquer, nela embutem as mais diversas propostas, desde aquelas que não alcançariam consenso em uma das Casas até as que jamais mereceriam o apoio da população.

O exemplo mais recente da anomalia está na medida provisória 651, assinada pela Presidência em 9 de julho. Quando chegou ao Congresso, tinha 51 artigos e tratava do Refis, programa que reduz juros e parcela dívidas tributárias. Ao ser aprovada pela Câmara na semana passada, contava 114 artigos e versava sobre tudo e mais um pouco.

Nesse contrabando entrou um dispositivo malicioso. Por sugestão do senador Gim Argello (PTB-DF), o deputado Newton Lima (PT-SP) incluiu no texto regra que anistia parte das dívidas de condenados por desvio de recursos públicos.

Se a lei passar assim como está, gestores e empresas que tenham cometido irregularidades poderão ganhar o benefício de pagar o que devem com exclusão de juros e multas, em parcelas que podem se prolongar por até 15 anos.

Não é pouco o que está em jogo. Somente em 2013, a Advocacia-Geral da União, responsável por cobrar dívidas após condenação judicial ou administrativa, iniciou 2.109 processos com vistas a receber pouco mais de R$ 1 bilhão.

De acordo com o próprio Newton Lima, a emenda não prosperará. Ainda que a medida provisória ganhe o aval do Senado, o que parece provável, o trecho indecoroso será vetado pela presidente Dilma Rousseff (PT), afirma. Pode ser. Mas convém vigiar de perto.


Reformas decepcionam e cubanos se lançam ao mar - EDITORIAL O GLOBO

 


O GLOBO - 24/10

Oceano volta a ficar coalhado de ‘balseros’, e ‘The New York Times’ pede que EUA encerrem embargo econômico de mais de 50 anos, restabelecendo relações com a ilha



Cuba tem frequentado o noticiário nas últimas semanas em grande parte pelo papel destacado do seu governo no combate à epidemia de ebola, tendo enviado até agora 256 profissionais de saúde à África. Em editorial, o “New York Times” não poupou elogios à iniciativa de Havana, e o governo americano saudou a “oportunidade de colaborar” com Cuba nessa frente. Em artigo intitulado “A hora do dever”, o próprio Fidel Castro escreveu: “Vamos cooperar com gosto com o pessoal americano.”

Em outro editorial, o “New York Times” chamou a atenção para Cuba ao exortar firmemente o governo americano a “restabelecer relações diplomáticas e acabar com um embargo (econômico) insensato” de mais de 50 anos. Segundo o jornal, o presidente Obama “deve aproveitar a oportunidade para dar fim a uma longa era de inimizade”. Significativamente, Fidel, em sua coluna no jornal oficial “Granma”, republicou quase todos os parágrafos do texto, mesmo os que faziam críticas ao governo cubano, como no caso dos prisioneiros políticos.

Para os cubanos, porém, o que sobra é a dura realidade de sempre. A Venezuela, a mecenas que substituiu a URSS na ajuda à ilha, está em crise profunda e a mesada escasseia. As reformas de liberalização econômica restrita, introduzidas desde 2008 por Raúl Castro, parecem não dar o resultado esperado. A situação em Cuba piorou e os 144km que a separam da Flórida ressurgiram como chamariz em busca de melhores dias.

O oceano voltou a ficar coalhado de rudimentares e frágeis embarcações em que osbalseros arriscam suas vidas, e muitos as perdem, para alcançar os EUA. Pelas regras em vigor, se conseguirem chegar a uma praia americana, são acolhidos. Se forem abordados pela Guarda Costeira americana antes disso, são enviados de volta. Nos 12 meses até 30 de setembro, segundo o próprio “Times”, cerca de 25 mil cubanos chegaram aos EUA. O número total dos que tentaram dobrou nos últimos dois anos. O fluxo traz à memória dois episódios que são uma referência: a crise dos balseros, de 1994, quando Fidel permitiu a saída em massa em resposta aos esforços americanos para coibir a imigração ilegal. Cerca de 47 mil cubanos deixaram a ilha. Entre 15 de abril e 31 de outubro de 1980, ocorreu o êxodo pelo porto de Mariel, precipitado por uma desaceleração da economia cubana. Mais de 125 mil cubanos emigraram, osmarielitos.

O novo êxodo mostra que a abertura econômica não está sendo suficiente para tirar Cuba do buraco. Havana precisa dar passos concretos para flexibilizar o regime e começar a construir instituições democráticas.

Com isto, os EUA suspenderão o embargo, e uma era de prosperidade pode se abrir para o povo cubano. Investimentos, inalcançáveis hoje pelo o país, acorrerão em busca de um mercado de gente ansiosa para satisfazer a sede de modernidade e integração à economia global.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

CARTÕES CORPORATIVOS EM 2014: R$ 46,2 MILHÕES

Até setembro deste ano, a conta dos cartões corporativos do governo Dilma ultrapassou R$ 46,2 milhões. Entre julho e setembro, quando a campanha pela reeleição começou, a conta subiu mais de R$ 12 milhões. Só a Presidência da República gastou mais de R$ 15,5 milhões. Outros R$ 14 milhões são escondidos sob a alegação de “sigilo”. O Ministério da Justiça, via Polícia Federal, já usou quase R$ 11 milhões.

TOTAL QUE ASSUSTA

Desde janeiro de 2003, quando foi criado no primeiro ano do governo Lula, até setembro de 2014, foram gastos R$ 581 milhões com cartões.

EM ANO ELEITORAL

Durante as eleições, o governo torrou R$ 4 milhões/mês com cartões, sem contar outubro. E só divulgou dados com dois meses de atraso.

CUIDADO COM O GRAMPO

Só a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) gastou R$ 7,73 milhões com cartões corporativos. Mais que 38 dos 39 ministérios.

PRIMO POBRE

Em meio à gastança, o gabinete do vice, Michel Temer, pagou despesas “sigilosas” de R$ 87 mil com cartões corporativos, de julho a setembro.

ESQUECERAM ROSE

Até mesmo adversários de Dilma deixaram de lembrar na campanha alguns dos escândalos mais cabeludos do atual governo, envolvendo a própria Presidência da República. É o caso da ex-chefe de gabinete presidencial Rosemary Noronha, a “Rose”, amiga íntima de Lula, que sumiu do noticiário. Ela é ré por formação de quadrilha, enriquecimento ilícito, tudo sob “segredo de Justiça”.

OLHA O GRAMPO!

Alertados por policiais federais, os principais membros do staff de Aécio Neves trocam de celular quase diariamente, tentando driblar o grampo.

DESAPONTAMENTO

A estratégia de destruir reputações, na disputa com Marina e Aécio, corrói na imprensa europeia a imagem de Lula, seu principal ideólogo.

LÁ, O JOGO VIROU

Se a revista independente The Economist recomenda voto em Aécio, o também inglês Financial Times denuncia a “tática da difamação” do PT.

CHANCELER MARINA

Levantamento interno revelou que o Itamaraty deve votar em peso em Aécio Neves. Cansados do bullying de Dilma, os diplomatas torcem por um futuro chanceler politicamente forte, para recuperar o prestígio e autoestima da Casa. Marina Silva é o nome preferido dos diplomatas.

MEDO DA REBORDOSA

Apesar da atuação desassombrada no mensalão e das promessas de protagonismo político, o ministro aposentado Joaquim Barbosa reluta tornar público seu apoio a Aécio Neves. Parece ter medo da rebordosa.

SAIU CARO PARA NÓS

Enfrentando grave pindaíba, a Polícia Federal foi buscar em seu possante jato o traficante que prendeu em Boa Vista (RR). Já que o destino final do bandido é Bogotá, o contribuinte agradeceria se a PF telefonasse à polícia de lá para vir buscar sua encomenda indesejada.

CLIMA ELEITORAL

Após recomendar voto em Aécio, a The Economist viu seu site invadido por petistas e tucanos batendo boca – em inglês – sobre a mais independente publicação de economia do mundo.

TRATAMENTO VIP

A trapalhada das autoridades de saúde pública e vigilância sanitária de Brasília, que confundiram diarreia com ebola, deu ideia a segurados tão maltratados no SUS. Se disser que tem ebola, recebe tratamento vip.

TRANSPORTE PIRATA

A campanha de Rodrigo Rollemberg (PSB) ao governo do DF acionou a PM de Goiás e a Polícia Rodoviária Federal contra o mega esquema de transporte irregular de eleitores, domingo. O esquema estaria sendo organizado pela turma de Joaquim Roriz, expert no assunto.

MAIS UMA PARCELA

A empresa pública Terracap, publicou no Diário Oficial do DF, aditivos no valor de R$ 55 milhões. Segundo o governo, o dinheiro será utilizado para o pagamento de uma parcela da obra do estádio Mané Garrincha.

IRRELEVÂNCIA REAL

Sem muito o que fazer na vida, o príncipe Charles declarou guerra aos esquilos cinzas para salvar a espécie vermelha. Até assinou um “acordo dos esquilos” com empregados de bosques da Escócia.

PERGUNTA NO CAIXA

Onde estava a Receita Federal que não via “dinheiro a jato” da corrupção pingando milhões todo dia na conta do doleiro Youssef?


PODER SEM PUDOR

SR. NOME DE RUA

Em 1918, o presidente Venceslau Brás passou o cargo ao sucessor, Rodrigues Alves, e voltou a morar em Itajubá (MG), até falecer meio século depois. Muitos anos após chegar à cidade natal, seu carro se envolveu em um acidente. Ele se certificou que as duas pessoas do outro veículo estavam bem e assumiu a responsabilidade:

- Eu pago o conserto. Procurem Venceslau Brás...

- ...que número? - respondeu uma das vítimas.

quinta-feira, outubro 23, 2014

MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA

EU VOTO #AÉCIO45



MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA


Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários de Economia, ligados a diversas instituições no Brasil e no exterior. O nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral.

1) Não há, no momento, uma crise internacional generalizada.
Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica.
Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%.¹
No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%.¹
Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão.²
Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns.
É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.¹

2) Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada. E os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.

3) O atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional. Entretanto, como a realidade dos fatos mostra que não há crise internacional generalizada, a explicação só pode ser outra.

4) Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo.

5) O atual governo ressuscitou os fantasmas da inflação e da instabilidade macroeconômica.

Uma política monetária inadequada gerou a suspeita de intervenções de cunho político no Banco Central, que foi fatal para sua credibilidade.
A utilização recorrente de truques contábeis destruiu a confiança na política fiscal.
Esta combinação de políticas monetária e fiscal opacas e inadequadas gerou um cenário macroeconômico extremamente adverso, com inflação alta e crescimento baixo.

6) O governo Dilma amedrontou os investimentos.

Houve mudanças constantes e inesperadas de regras, como alterações arbitrárias de alíquotas de impostos.
Diante desta instabilidade das regras do jogo, a desconfiança aumentou e o horizonte dos empresários encurtou.
O acesso privilegiado aos órgãos governamentais passou a ser uma atividade mais lucrativa que o planejamento e investimento de longo prazo.

7) A mudança das regras do jogo não afetou apenas a iniciativa privada.
O excesso de intervencionismo nas empresas estatais, como o represamento artificial dos preços de energia e gasolina, minou a capacidade de investimento dessas empresas.
Por conta de empreendimentos questionáveis do ponto de vista econômico, a capacidade de investimento da Petrobrás foi comprometida.

8) O atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável.
A distribuição arbitrária de crédito subsidiado produz distorções na alocação de recursos do país e contribui para o baixo crescimentoeconômico.
Os subsídios envolvidos geram altos custos fiscais que o atual governo tenta esconder com malabarismos e truques contábeis. Estes expedientes destruíram a confiança nas estatísticas fiscais do país.
Os recursos gastos na forma de subsídios injustificados poderiam ser utilizados para ampliar programas sociais e investimentos públicos em educação, saúde e infra-estrutura.
O Brasil precisa continuar avançando na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, com melhor distribuição de renda.
Além de deletéria para o desenvolvimento do país, a política de distribuição arbitrária de crédito subsidiado para grandes grupos econômicos é concentradora de renda.

No ambiente econômico do Brasil de hoje, os frutos de um novo empreendimento podem ser facilmente corroídos por mudanças inesperadas nas regras do jogo, pela alta inflação e pelo baixo crescimento econômico. Portanto, não é surpreendente que o investimento tenha colapsado. Sem investimento, o Brasil jamais retomará o seu caminho para o desenvolvimento. E sem desenvolvimento, os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas sofrerão retrocessos.

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

14 de outubro de 2014

Fontes:

1 Dados retirados do World Economic Outlook, FMI, Outubro de 2014.

2 Dados retirados do sítio da OCDE (http://stats.oecd.org/). Recessão definida como variação negativa do PIB real dessazonalizado nos últimos 2 trimestres com dados disponíveis.

Assinam (em ordem alfabética) os professores abaixo:

Nome Titulação, Instituição Afiliação atual

(1) Ademar Romeiro PhD, EHESS Unicamp
(2) Adriana Bruscato Bortoluzzo Doutor, IME/USP Insper
(3) Afonso Henriques Borges Ferreira PhD, New School Ibmec MG
(4) Alan André Borges da Costa Mestre, UFMG UFOP
(5) Alan Moreira PhD, Chicago Yale University
(6) Alberto Salvo PhD, LSE National University of Singapore
(7) Alesandra de Araújo Benevides Mestre, CAEN/UFC UFC
(8) Ana Beatriz Galvão PhD, Warwick University of Warwick
(9) Anderson Mutter Teixeira Doutor, UnB FACE/UFG
(10) André Carraro Doutor, PPGE/UFRGS PPGOM/UFPel
(11) André da Cunha Bastos Mestre, USP UFG
(12) André Portela Souza PhD, Cornell EESP/FGV
(13) Antonio F. Galvao PhD, Illinois University of Iowa
(14) Antônio Márcio Buainain Doutor, Unicamp Unicamp
(15) Ari Francisco de Araujo Junior Mestre, UFMG Ibmec MG
(16) Arilda Teixeira Doutor, UFRJ Fucape
(17) Arilton Teixeira PhD, Minnesota Fucape
(18) Armando Gomes PhD, Harvard Washington University in St Louis
(19) Aureo de Paula PhD, Princeton University College London e EESP/FGV
(20) Bernardo de Vasconcellos Guimarães PhD, Yale EESP/FGV
(21) Bernardo Soares Blum PhD, UCLA University of Toronto
(22) Braz Ministério de Camargo PhD, UPenn EESP/FGV
(23) Bruno Cara Giovannetti PhD, Columbia FEA/USP
(24) Bruno Cesar Aurichio Ledo Doutor, EPGE/FGV FEA/USP-RP
(25) Bruno Ferman PhD, MIT EESP/FGV
(26) Bruno Funchal Doutor, EPGE/FGV Fucape
(27) Camila F. S. Campos PhD, Yale Insper
(28) Carolina Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(29) Carlos Eduardo Goncalves Doutor, USP FEA/USP
(30) Carlos Eugênio Ellery Lustosa da Costa PhD, Chicago EPGE/FGV
(31) Carlos Viana de Carvalho PhD, Princeton PUC-Rio
(32) Cecilia Machado PhD, Columbia EPGE/FGV
(33) Cézar Augusto Ramos Santos PhD, UPenn EPGE/FGV
(34) Cristian Huse PhD, LSE Stockholm School of Economics
(35) Christiano Arrigoni Coelho Doutor, PUC-Rio Ibmec RJ
(36) Christiano Modesto Penna Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(37) Cristina Terra PhD, Princeton Université de Cergy-Pontoise
(38) Claudio Djissey Shikida Doutor, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(39) Claudio Ferraz PhD, Berkeley PUC-Rio
(40) Claudio Ribeiro de Lucinda Doutor, EAESP/FGV FEA/USP-RP
(41) Cleyzer Adrian da Cunha Doutor, UFV FACE/UFG
(42) Daniel Barboza Guimarães Doutor, CAEN/UFC UFC
(43) Daniel Bernardo Soares Ferreira PhD, Chicago London School of Economics
(44) Daniel de Abreu Pereira Uhr Doutor, UnB UFPel
(45) Daniel Gottlieb PhD, MIT University of Pennsylvania
(46) Daniel Monte PhD, Yale EESP/FGV
(47) Daniel Oliveira Cajueiro Doutor, ITA UnB
(48) Daniel Ribeiro Carvalho PhD, Harvard University of Southern California
(49) David Turchick Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(50) Eduardo Augusto de Souza-Rodrigues PhD, Yale University of Toronto
(51) Eduardo Correia de Souza Doutor, UFRJ Insper
(52) Eduardo Faingold PhD, UPenn Yale University
(53) Eduardo Fonseca Mendes PhD, Northwestern University of New South Wales
(54) Eduardo Zilberman PhD, NYU PUC-Rio
(55) Elano Ferreira Arruda Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(56) Emanuel Ornelas PhD, Wisconsin-Madison London School of Economics e EESP/FGV
(57) Emerson Marinho Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(58) Emilson Caputo Delfino Silva PhD, Illinois University of Alberta
(59) Fábio Massaúd Caetano Doutor, PPGE/UFRGS UFPel
(60) Fabio Miessi PhD, LSE FEA/USP
(61) Fabio Orfali Mestre, USP Insper
(62) Felipe Garcia Ribeiro Doutor, EESP/FGV UFPel
(63) Fernando Botelho PhD, Princeton FEA/USP
(64) Fernando Vendramel Ferreira PhD, Berkeley University of Pennsylvania
(65) Flávia Lúcia Chein Feres Doutor, Cedeplar/UFMG PPGEA/UFJF
(66) Francisco Junqueira Moreira da Costa PhD, LSE EPGE/FGV
(67) Gabriel de Abreu Madeira PhD, Chicago FEA/USP
(68) George Henrique de Moura Cunha Doutor, UnB UCB
(69) Geraldo Biasoto Jr Doutor, IE/Unicamp IE/Unicamp
(70) Gil Riella PhD, NYU UnB
(71) Gisele Ferreira Tiryaki PhD, George Mason UFBA
(72) Gregorio Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(73) Guilherme Hamdan Gontijo Mestre, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(74) Guilherme Irffi Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(75) Gustavo Manso PhD, Stanford University of California, Berkeley
(76) Gustavo Mauricio Gonzaga PhD, Berkeley PUC-Rio
(77) Gustavo Ramos Sampaio PhD, Illinois UFPE
(78) Heitor Almeida PhD, Chicago University of Illinois at Urbana-Champaign
(79) Helder Ferreira de Mendonça Doutor, UFRJ UFF
(80) Jair Andrade Araujo Doutor, CAEN/UFC MAER/UFC
(81) João Manoel Pinho de Mello PhD, Stanford Insper
(82) João Victor Issler PhD, San Diego EPGE/FGV
(83) José A. Rodrigues-Neto PhD, Wisconsin Australian National University
(84) José Coelho Matos Filho Doutor, UnB UFC
(85) José Guilherme de Lara Resende PhD, Chicago UnB
(86) José Maria Ferreira Jardim da Silveira Doutor, Unicamp Unicamp
(87) Juliana Inhasz Doutor, FEA/USP Insper
(88) Juliana Terreiro Salomao PhD, Stanford University of Minessota
(89) Juliano Junqueira Assunção Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(90) Klenio de Souza Barbosa PhD, Toulouse EESP/FGV
(91) Leandro Rocco PhD, Illinois UFC
(92) Leonardo Rezende PhD, Stanford PUC-Rio
(93) Lucas Maestri PhD, Yale EPGE/FGV
(94) Luciana Yeung Luk Tai Doutor, EESP/FGV Insper
(95) Luciano I. de Castro Doutor, IMPA University of Iowa
(96) Luis Henrique Bertolino Braido PhD, Chicago EPGE/FGV
(97) Marcel Scharth PhD, VU University Amsterdam University of New South Wales
(98) Marcelo Arbex PhD, Illinois University of Windsor
(99) Marcelo Cunha Medeiros Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(100) Marcelo de Albuquerque e Mello PhD, Illinois Ibmec RJ
(101) Marcelo de Castro Callado PhD, University of Cologne UFC
(102) Marcelo de Oliveira Passos Doutor, UFPR UFPel
(103) Marcelo Eduardo Alves da Silva PhD, UNC Chapel Hill UFPE
(104) Marcelo Fernandes PhD, Université Libre de Bruxelles EESP/FGV e Queen Mary University of London
(105) Marcelo Rodrigues dos Santos Doutor, EPGE/FGV Insper
(106) Marcelo Savino Portugal PhD, Warwick UFRGS
(107) Marcio Gomes Pinto Garcia PhD, Stanford PUC-Rio
(108) Márcio Veras Corrêa Doutor, Universidade Técnica de Lisboa CAEN/UFC
(109) Marco Bonomo PhD, Princeton Insper
(110) Marcos Costa Holanda PhD, Illinois CAEN/UFC
(111) Marina Mendes Tavares PhD, Minnesota ITAM, Mexico
(112) Mauricio Benegas Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(113) Maurício Soares Bugarin PhD, Illinois UnB
(114) Mauro Rodrigues Doutor, UCLA FEA/USP
(115) Marco Aurélio Bittencourt Doutor, UnB UCB
(116) Naercio Aquino Menezes Filho PhD, University of London Insper e FEA/USP
(117) Natalia Piqueira PhD, Princeton University of Houston
(118) Nathalie Gimenes Sanches PhD, Queen Mary University of London FEA/USP
(119) Nelson Camanho da Costa Neto PhD, LSE Catolica Lisbon School of Business & Economics
(120) Nelson Seixas dos Santos Doutor, USP PPGE/UFRGS
(121) Osvaldo Candido da Silva Filho Doutor, UFRGS UCB
(122) Paulo Natenzon PhD, Princeton Washington University in St Louis
(123) Paulo Rogério Faustino Matos Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(124) Pedro A. C. Saffi PhD, London Business School University of Cambridge
(125) Pedro Cavalcanti Ferreira PhD, UPenn EPGE/FGV
(126) Pedro H. Albuquerque PhD, Wisconsin-Madison KEDGE Business School
(127) Pedro Hemsley PhD, Toulouse UERJ
(128) Peri Agostinho da Silva Junior PhD, Illinois Kansas State University
(129) Pery Francisco Assis Shikida Doutor, ESALQ/USP Unioeste
(130) Pricila Maziero PhD, Minnesota University of Pennsylvania
(131) Priscila Casari Doutor, ESALQ/USP UFG
(132) Rafael B. Barbosa Doutor, CAEN/UFC Sobral/UFC
(133) Rafael de Vasconcelos Xavier Ferreira Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(134) Rafael Dix Carneiro PhD, Princeton Duke University
(135) Rafael Lopes de Melo PhD, Yale University of Chicago
(136) Regis Augusto Ely Doutor, UnB UFPel
(137) Renata Narita PhD, UCL FEA/USP
(138) Renato Dias de Brito Gomes PhD, Northwestern Université de Toulouse
(139) Renato Fragelli Cardoso Doutor, EPGE/FGV EPGE/FGV
(140) Ricardo A. de Castro Pereira Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(141) Ricardo D. O. Brito Doutor, EPGE/FGV Insper
(142) Ricardo de Abreu Madeira PhD, BU FEA/USP
(143) Rinaldo Barcia Fonseca Doutor, Unicamp Unicamp
(144) Roberto Ellery Jr Doutor, UnB UnB
(145) Rodrigo de Losso da Silveira Bueno PhD, Chicago FEA/USP
(146) Rodrigo Lanna Franco da Silveira Doutor, USP IE/Unicamp
(147) Rodrigo Moita PhD, Illinois Insper
(148) Rodrigo Nobre Fernandez Doutor, UFRGS UFPel
(149) Rodrigo R. Soares PhD, Chicago EESP/FGV
(150) Rogério Mazali PhD, Tulane University UCB
(151) Rogério Moreira de Siqueira Mestre, CAEN/UFC UFC
(152) Romero Cavalcanti Barreto da Rocha Doutor, PUC-Rio UFRJ
(153) Ronald Otto Hillbrecht PhD, Illinois PPGE/UFRGS
(154) Rozane Bezerra de Siqueira PhD, UCL UFPE
(155) Ruy Monteiro Ribeiro PhD, Chicago PUC-Rio
(156) Sabino da Silva Porto Júnior Doutor, PPGE/UFRGS UFRGS
(157) Thiago de Oliveira Souza PhD, University of London Southern Denmark University
(158) Tiago V. de V. Cavalcanti PhD, Illinois University of Cambridge
(159) Tiago Couto Berriel PhD, Princeton PUC-Rio
(160) Vander Mendes Lucas PhD, Université Catholique de Louvain UnB
(161) Vinicius Carrasco PhD, Stanford PUC-Rio
(162) Vitor Borges Monteiro Doutor, CAEN/UFC FEAAC/UFC
(163) Vitor Hugo Miro Couto Silva Mestre, CAEN/UFC UFC
(164) Walter Novaes Filho PhD, MIT PUC-Rio


O prazo para aderir a este manifesto se encerrou às 16h do dia 14 de outubro de 2014. Agradecemos as manifestações de apoio e encorajamos a divulgação deste manifesto.

Contato: manifestoprofecon@gmail.com.

O manifesto do economista - MÁRIO MESQUITA

EU VOTO #AÉCIO45


VALOR ECONÔMICO - 23/10


As eleições de 2014 ficarão para a história, independente do resultado final. A disputa acirrada, ainda que com aspectos pouco elegantes, suscitou um saudável aumento da participação política. Uma das características desse movimento foi a divulgação de manifestos de entidades públicas e grupos de profissionais, inclusive economistas.

Economistas governistas defendem a continuidade por julgarem que as políticas atuais são as únicas que podem assegurar que o país continue experimentando desenvolvimento com inclusão social. Mesmo esses economistas, contudo, reconhecem que dificuldades conjunturais existem e devem ser enfrentadas com firmeza. Seu manifesto não chega a defender os méritos da gestão atual, enfatizando, como na campanha eleitoral, resultados da anterior e listando os riscos de uma opção pela mudança.

Mais importante, porque envolve um conjunto bem mais amplo de profissionais independentes, das mais diversas escolas e formações, que não seguem uma única orientação partidária, e com formação bem mais atual, foi o manifesto dos 164 professores de economia, também divulgado recentemente.

Quanto à diversidade, os signatários incluem professores vinculados a universidades de diversas partes do mundo, como Berkeley, Cambridge, Chicago, Estocolmo, London School of Economics, Toulouse, e Yale, bem como vários centros nacionais, cobrindo todo o espectro da profissão, da PUC-Rio até a Unicamp, passando pela USP, além das federais do Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul. Esse grupo reune, sem dúvida, o que há de melhor na profissão em nosso país e não pode ser acusado, como frequentemente ocorre nos embates políticos, de representar interesses setoriais, sejam da indústria ou do mercado financeiro.

E o que dizem os economistas? Em primeiro lugar, o texto ressalta o desempenho ruim da economia brasileira nos últimos anos, com crescimento menor e inflação maior, bem maior do que a maioria dos países da região, com as exceções de praxe, Argentina e Venezuela - como todas as economias estão inseridas no contexto global, e a nossa é uma das mais fechadas, faz pouco sentido, em sua visão, atribuir o desempenho pior do Brasil à situação internacional.

Questionam, a meu ver corretamente, se será possível manter o desemprego baixo em uma economia que não cresce. E atribuem a responsabilidade pelo desempenho ruim à política econômica do atual governo.

Entre os problemas apontados pelos professores de economia estão o aumento da inflação e da instabilidade macroeconômica, que teria decorrido de erros de política monetária e fiscal, com a consequente erosão da credibilidade. O manifesto destaca também o desempenho ruim do investimento, sob o efeito de mudanças constantes de regras, instabilidade macroeconômica e regulatória e um ambiente que premia a busca por favores governamentais, em vez da inovação.

Atribui-se também a decisões de política a responsabilidade pela deterioração da capacidade de investimento da Petrobras. As críticas dos economistas se estendem à concessão de créditos subsidiados, sem justificativa clara e de forma pouco transparente - uma política que, ao privilegiar grandes conglomerados, favorece a concentração de renda. A esse respeito, vale ressaltar o déficit relativo de transparência das instâncias decisórias do BNDES, perante, por exemplo, as do Banco Central.

Ao enfatizar os efeitos negativos da instabilidade e incerteza macroeconômica sobre o investimento, o manifesto sugere que, do lado macroeconômico, a prioridade do novo governo deveria ser restaurar a credibilidade do regime de política econômica, reafirmando o compromisso com a meta de inflação de 4,5%, recuperando a transparência da política fiscal, e com isso ampliando o horizonte de planejamento de empresas e famílias.

Com isso, a propensão a investir aumentaria, o que é condição necessária para elevar o crescimento potencial da economia, sem o que a consolidação do progresso social vivido no país nas últimas décadas ficaria comprometida.

A alternativa implícita seria mais do mesmo. Mais juros subsidiados e crédito direcionado, muita opacidade fiscal e uso importante de medidas administrativas para controlar a inflação, sem muita preocupação com os efeitos colaterais, fiscais e alocativos que isso possa ter. Essa combinação não funcionou nos últimos anos e dificilmente seria bem sucedida no próximo quadriênio, o que não quer dizer que o experimento seria abandonado por completo.

Em resumo, o manifesto dos professores de economia deveria ser leitura interessante para aqueles que percebem que há algo seriamente errado em certas versões oficiais sobre o desempenho recente da economia brasileira. O texto encontra-se no endereço https://sites.google.com/site/manifestoeconomistas/.

O Brasil não quer mais Dilma - CLÁUDIO SLAVIERO

EU VOTO #AÉCIO45


GAZETA DO POVO - PR - 23/10


Em abril do ano passado, escrevi um artigo, publicado por este jornal, no qual eu desejava que a herança maléfica construída por Dilma, com a supervisão de Lula, dos petistas e dos aliados de plantão, caísse no colo da própria Dilma. Para mim, não é uma herança que se possa transferir a ninguém, nem a aliados e muito menos a adversários, que sofreriam muito para recuperar os danos causados. Ninguém merece. Mas hoje percebo com clareza que principalmente o Brasil não merece os autores desse descalabro e sua continuidade no poder.

Neste primeiro turno das eleições, ficou muito mais claro ainda: os brasileiros querem, e já, mudança dos ocupantes do Planalto e uma política competente, que dê novos rumos e esperança de fortalecimento do país, desde a economia até seus aspectos morais.

Do ponto de vista econômico, o Brasil está quebrado, com o Fundo Monetário Internacional projetando para 0,3% o crescimento do PIB brasileiro para este ano, muito distante do que estimavam Dilma e Mantega, que divulgaram um crescimento de 3,5%. Se este resultado pífio realmente vier, o Brasil só terá crescido 1,6% em quatro anos, o pior crescimento durante uma gestão presidencial desde 1995. E não adianta a presidente espernear, culpando fatores externos por essa debilidade econômica, já que o crescimento médio global deste ano será de 3,5%. Só a Argentina e a Venezuela crescerão menos que o Brasil entre os países da América Latina, não por coincidência administrados por uma populista e uma reencarnação de Chávez. Pior: com a desaceleração da economia no período Dilma e especialmente neste ano, o Brasil não cumprirá a meta de superávit primário e não conseguirá ao menos pagar os juros da dívida. O superávit primário em 2014 será de 1,3% do PIB, abaixo do estabelecido pelo governo, de 1,9%.

E mais: Dilma comete estelionato eleitoral ao mentir dizendo que o Brasil quebrou três vezes no período de FHC. O país recorreu, sim, ao FMI na década de 80, mas saiu da situação de moratória a partir do Plano Real, quando estabilizou a economia e acabou com a inflação. O último empréstimo foi justamente para financiar o futuro governo Lula, que ficou com 80% dos recursos do FMI. São muitos erros e desmandos somados em 12 anos de PT. Estamos cansados de tanta mentira e enganação. Chega!

No Brasil, crescem alguns índices: a inflação, o desemprego, a dívida externa, a dívida interna, o custo da máquina pública, os juros, a desindustrialização, a desconfiança de empresários e de consumidores, a inadimplência em todas as faixas da população, a corrupção, o assalto aos cofres públicos, os desmandos no STF e em seus braços auxiliares como a OAB nacional, a criminalidade, a impunidade, a falta de atendimento no sistema de saúde, o número de obras superfaturadas, o número de obras inacabadas, a insatisfação e a desesperança.

Por outro lado, há mostras concretas de que a população brasileira acordou e repudia este quadro caótico. As primeiras pesquisas do segundo turno já demonstraram isso, com Aécio à frente de Dilma apesar de todas as provocações, manifestações falsas, propagandas enganosas, perfis fantasmas em redes sociais, uso e abuso da máquina pública e muitos outros instrumentos nos quais os petistas são especialistas.

Espero, sinceramente, que o PT cumpra seu período de desastres no governo, interrompendo seu projeto de poder. À Dilma “Kirchner” e ao Lula “Castro” restará o consolo de seus amigos Renan Calheiros, Henrique Alves, Collor, Sarney, Zé Dirceu, Maluf, Genoino, João Paulo Cunha, Padilha, Guido Mantega, Marcos Valério, Delúbio Soares, Ruy Falcão, Paulo Roberto Costa, André Vargas, Franklin Martins e Cândido Vacarezza, et caterva.

Brasil em 20 anos - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

EU VOTO #AÉCIO45


O GLOBO - 23/10

Trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: nós em geral chegamos atrasados


O Brasil chegou até aqui da seguinte maneira:

1. Estabilização macroeconômica, a partir da introdução do Real (1994) e de uma série de reformas que se prolongaram por uns dez anos, nos dois governos FH e no primeiro mandato de Lula.

2. Entre as reformas, a mais importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo regras para o gasto público e tornando obrigatória a geração de superávits primários para a redução do endividamento do governo. Essenciais as normas proibindo a União de financiar estados e proibindo bancos estaduais de emprestar para estatais.

3. Essencial também a reestruturação das dívidas dos estados, com base em uma legislação que simplesmente obriga os governos estaduais a gerar superávits mensais, em vez de déficits e dívidas, como era até então. Acrescente-se aqui o fechamento (e privatização) de bancos estaduais, até então máquinas de buracos sem fundo.

4. A reestruturação de todo o sistema financeiro, privado e público. Não esquecer: Banco do Brasil e Caixa estavam literalmente quebrados; foram capitalizados (R$ 9,5 bilhões só para o BB), saneados e colocados sob gestão profissional, ainda no governo FH.

5. As privatizações dos setores de telecomunicações, siderurgia, mineração e energia, todos com grande expansão posterior. As concessões de rodovias. A quebra do monopólio da Petrobras e sua transferência para a União, que passou a leiloar a concessão de campos de petróleo. Vieram novos investimentos privados nacionais e estrangeiros, que levaram às descobertas, inclusive do pré-sal. A Petrobras foi saneada e profissionalizada.

6. Reformas da Previdência.

7. Flexibilização de leis trabalhistas, como a introdução do banco de horas e do sistema de suspensão temporária do contrato de trabalho, largamente em uso hoje, e que impedem o aumento do desemprego.

8. O câmbio flutuante e o regime de metas de inflação (1999).

9. Alguma abertura no comércio externo.

10. As bases dessa verdadeira revolução estavam prontas quando Lula assumiu em 2003. Mas seu primeiro mandato foi essencial para consagrar um tipo de consenso macroeconômico, que pode ser assim resumido: não pode ter inflação; o governo tem que gastar menos que arrecada; a dívida pública tem que cair.

11. Reajustes reais do salário mínimo e programas sociais, já em funcionamento, mas ampliados de modo substancial com Lula

12. As reformas microeconômicas no primeiro mandato Lula, facilitando a vida de empresas e, muito especialmente, modernizando e dando segurança ao crédito, que simplesmente explodiu (imobiliário, consignado e automóveis). Isso foi o consumo das famílias.

13. A China caiu do céu. No início deste século, o Brasil mal exportava US$ 1 bilhão/ano para a China. Já em 2008 ultrapassava os 40 bilhões. A China puxou os emergentes e o Brasil foi na onda. Tornou-se superavitário no comércio externo. Sobraram dólares no Brasil, que o Banco Central comprou e formou as reservas.

14. A mineração e, sobretudo, o agronegócio, privados, que aproveitaram a oportunidade e tornaram-se grandes exportadores.

Essa trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: o Brasil em geral chegou atrasado. Quando se acabou a inflação por aqui, ela já não era problema no mundo.

Outra diferença foi no ritmo de crescimento. Houve incrível expansão mundial, coincidindo com o início do governo Lula e durando até 2008. Todo mundo tirou pessoas das pobreza, as novas classes médias se formaram por toda parte. Mas no período 2003/07, por exemplo, o Brasil cresceu 4% ao ano em média, contra 4,8% do mundo e 7,6% dos emergentes. Foi assim em todos os períodos seguintes.

Depois da crise de 2008/9, o governo Lula começou a desmontagem do modelo, acelerada na gestão de Dilma Rousseff. As leis básicas não foram alteradas, mas as práticas, sim. O regime de metas de inflação está aí, mas a meta não é cumprida faz tempo.

A Lei de Responsabilidade fiscal está aí, mas o governo manobra as contas de modo a ampliar gastos — e dívidas. O governo empurra os bancos públicos para operações duvidosas e que logo, logo, apresentarão problemas. Práticas pré-Real.

Resultado: inflação alta, rodando na casa dos 6,5% ao ano (e, mesmo assim, “martelada”), enquanto o mundo todo tem inflação muito baixa; crescimento zero, enquanto os emergentes crescem 4,5%; juros na casa dos 11% ao ano, muito acima do padrão mundial e dos emergentes.

O desemprego é baixo em consequência daquelas mudanças que foram se consolidando. E não é uma proeza brasileira. Neste momento, o Brasil não gera empregos, a população trabalhando é estável faz algum tempo, segundo dados do IBGE. E, se continuar sem crescimento econômico, vai gerar desemprego.

E a taxa de desemprego nos outros países? Na casa dos 6%, pouco mais (Índia, 8,8%; Colômbia, 8,9%), pouco menos (México, 4,9%; Indonésia, 5,7%).

Resumão: o Brasil tem inflação maior, juros maiores, crescimento menor e desemprego igual, mas com tendência de alta.

A receita é óbvia.

A vida vai melhorar. Quando? - CELSO MING

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADÃO - 23/10

O brasileiro parece não dar importância à macroeconomia


Foi o presidente Médici que identificou em 1970 o desencontro entre a qualidade da economia do País e a qualidade de vida do brasileiro: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”, resumiu ele, frase que vai sendo repetida, como agora, nesta Coluna.

A Pesquisa Datafolha realizada terça-feira entre 4,3 mil eleitores de todas a regiões do País, com a metodologia do gênero, identifica situação inversa. O povão parece mais satisfeito com a vida e mais otimista com a economia, embora os indicadores técnicos apontem para o contrário – e muita reclamação continue acontecendo.

O crescimento econômico do Brasil é uma sucessão de mediocridades e promete ainda muitos meses de paradeira. A inflação, que vai perfurando o teto da meta e o bolso do consumidor, não dá sinais de trégua. Ao contrário, a simples correção dos preços atrasados, como o dos combustíveis, da energia elétrica e dos transportes urbanos, acena com ainda mais inflação, e não com menos. O investimento vai sumindo, a indústria está sendo sucateada e perde competitividade todos os dias. São realidades objetivas, medidas, avaliadas, interpretadas.

E, no entanto, o brasileiro parece não dar importância à macroeconomia. A campanha da presidente Dilma, que começou discutindo temas áridos até para especialistas, como autonomia do Banco Central e o tripé da política econômica, enveredou agora para o viés da tua-vida-melhorada. Tanta gente simples – dizem essas mensagens – acaba de pôr os pés em casa própria ou, se ainda não, acha que logo terá condições para isso. Tanta gente simples comprou geladeira e trocou a velha TV por um modelo de última geração. Tanta gente, algumas vezes por ano, passou a esticar um fim de semana na praia e passou a viajar de avião pra Belém do Pará. E quem hoje não pilota um celular, aparelhinho que facilita a vida, permite o uso de aplicativos espertos e já não deixa ninguém mais ilhado no mundo?

Completam a paisagem otimista os números do mercado de trabalho que apontam para uma situação de pleno-emprego. Cada vez mais gente sacudida prefere não buscar emprego, porque alguém de casa ganha Bolsa Família. É só completar o orçamento com uma viração, um servicinho no jeito – coisa que há alguns anos não acontecia.

A conclusão dessa pesquisa acena para alguma coisa errada porque esse quadro não é tudo nem a maior parte. Outros fatos ficaram repentinamente esquecidos. Há todo o sufoco conhecido, a baixa qualidade do ensino; o mau atendimento à saúde pública; a falta de segurança; as horas diárias perdidas na condução ruim e cara; e, mais que tudo, na cada vez maior falta de oportunidades para subir na vida.

Enfim, não dá para desconsiderar toda a energia das manifestações de junho/julho do ano passado e a carga de reclamações contra a qualidade de vida nas grandes cidades. Na própria área próxima do governo e do PT há os movimentos sociais, o dos Sem-Terra, o dos Sem-Teto e o dos sem outras coisas, que todos os dias passam o recado de que, ao contrário do que diz o governo, a vida é dura de levar, mesmo sem colocar nessa conta a falta d’água e a incerteza que vem com ela. A vida vai melhorar – canta Martinho da Vila. Mas ainda falta muito.

CONFIRA:



Aí está a evolução do faturamento do setor de serviços. Indica enfraquecimento, uma vez que, dependendo da maneira como é medida, não compensa nem a inflação do período.

Queda
O rebaixamento da qualidade dos títulos da Petrobrás pela agência Moody’s é consequência da forte deterioração do caixa da empresa. É o que coloca em risco o pagamento da dívida de R$ 241 bilhões. Vários fatores concorreram para isso. Mas o maior predador das finanças da Petrobrás é o represamento dos preços dos combustíveis.

Fora PT! - MARCO ANTONIO VILLA

EU VOTO #AÉCIO45


FOLHA DE SP - 23/10

A socialização dos meios de produção se transformou no maior saque do Estado brasileiro em proveito do partido e de seus asseclas


Estamos vivendo o processo eleitoral mais importante da história da República. Nesta eleição está em jogo um mandato de 12 anos. Caso o PT vença, estarão dadas as condições para a materialização do projeto criminoso de poder --expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão.

Em contrapartida, poderemos pela primeira vez ter uma ruptura democrática --pelo voto-- com a vitória da oposição. Isso não é pouco, especialmente em um país com a tradição autoritária que tem.

O PT não gosta da democracia. Nunca gostou. E os 12 anos no poder reforçaram seu autoritarismo. Hoje, o partido não sobrevive longe das benesses do Estado. Tem de sustentar milhares de militantes profissionais.

O socialismo marxista foi substituído pelo oportunismo, pela despolitização, pelo rebaixamento da política às práticas tradicionais do coronelismo. A socialização dos meios de produção se transformou no maior saque do Estado brasileiro em proveito do partido e de seus asseclas de maior ou menor graus.

Lula representa o que há de mais atrasado na política brasileira. Tem uma personalidade que oscila entre Mussum e Stálin. Ataca as elites --sem defini-las-- e apoia José Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros. Fala em poder popular e transfere bilhões de reais dos bancos públicos para empresários aventureiros. Fez de tudo para que esta eleição fosse a mais suja da história.

E conseguiu. Por meio do seu departamento de propaganda --especializado em destruir reputações--, triturou Marina Silva com a mais vil campanha de calúnias e mentiras de uma eleição presidencial.

Dilma nada representa. É mera criatura sem vida própria. O que está em jogo é derrotar seu criador, Lula. Ele transformou o Estado em sua imagem e semelhança. Desmoralizou o Itamaraty ao apoiar terroristas e ditadores. Os bancos e as estatais foram transformadas em seções do partido. Nenhuma política pública foi adotada sem que fosse tirado proveito partidário. A estrutura estatal foi ampliada para tê-la sob controle, estando no poder ou não.

A derrota petista é a derrota de Lula. Será muito positiva para o PT, pois o partido poderá renovar sua direção e suas práticas longe daquele que sempre sufocou as discussões políticas, personalizou as divergências e expulsou lideranças emergentes. Mas, principalmente, quem vai ganhar será o Brasil porque o lulismo é um inimigo das liberdades e sonha com a ditadura.

Daí a importância de votar em Aécio Neves. Hoje sua candidatura é muito maior do que aquela que deu início ao processo eleitoral.

Aécio representa aqueles que querem dar um basta às mazelas do PT. Representa o desejo de que a máquina governamental esteja a serviço do interesse público. Representa a disposição do país para voltar a crescer --de forma sustentável-- e, então, enfrentar os graves problemas sociais. Representa a ética e a moralidade públicas que foram pisoteadas pelo petismo durante longos 12 anos.

Cabe aos democratas construir as condições para a vitória de Aécio. Não é tarefa fácil. Afinal, os marginais do poder --outra expressão utilizada no julgamento do mensalão-- tudo farão para se manter no governo. Mas o país clama: fora PT!

Menor do que entrou - MERVAL PEREIRA

EU VOTO #AÉCIO45


O GLOBO - 23/10

Lula tem tido atuação ambígua nesta eleição. O ex-presidente Lula tem tido uma atuação ambígua nesta eleição. De vez em quando desaparece, dando margem a boatos de que estaria doente ou teria brigado com a presidente Dilma. De repente, eis que Lula surge cheio de gás num palanque no interior do Pará ou no Rio, fazendo discursos, mais que exaltados, delirantes, em defesa do PT e da reeleição de Dilma. Do jeito que ataca seus adversários, atirando para tudo quanto é lado, não parece estar muito certo da vitória.

Oato falho de pedir "só mais esta vitória" para o PT, como fez ontem, indica que o apelo é quase desespero pela possibilidade de derrota, que nunca foi tão grande. Além da baixaria de induzir a plateia a chamar o adversário de bêbado e drogado, ou de investir contra jornalistas que considera adversários, Lula apela para mistificações diversas. Chegou a perguntar onde estava Aécio Neves quando Dilma lutava contra a ditadura com armas na mão. Ora, Aécio tinha 7 anos de idade quando Dilma tinha 20.

Fazendo-se de ofendido, Lula disse que Aécio não sabia como tratar uma mulher, por ter enfrentado Dilma com palavras duras. E citou "leviana" como sendo uma ofensa à presidente. Aproveita-se Lula do fato de que em algumas regiões do país, sobretudo no Nordeste, "leviana" tem a conotação de prostituta. E ajuda a disseminar a ideia de que o adversário agride mulheres, inclusive fisicamente, como a rede suja da internet espalha incessante e anonimamente.

Mas os vídeos mostram que o próprio Lula chamou Alckmin de leviano várias vezes nos debates de 2006. E atacou adversários hoje aliados, como Sarney e Collor, chamando-os diretamente de "ladrão" e palavras do gênero, o que diz nunca ter feito. Mesmo que vença, como as pesquisas do Datafolha indicam hoje, o PT sai da eleição menor do que entrou. E Lula também. Sobretudo por se valerem dos métodos mais baixos para vencer.

O partido continua com a maior bancada da Câmara, mas perdeu nada menos que 18 deputados federais. Elegeu apenas três governadores no primeiro turno - sendo que a joia da coroa é sem dúvida Minas, arrebatada do grupo político de Aécio -, e, nos três estados em que ainda disputa o segundo turno, pode vencer no CE e no MS, mas deve ser derrotado no RS, estado emblemático para o partido e para Dilma.

No Senado, continuará sendo a 2ª maior bancada, mas com menos um senador. Para culminar a má atuação, o PT perdeu nas eleições deste ano o privilégio de ser o partido com maior número de votos na legenda para a Câmara, que ostentava desde 90. Para mal de seus pecados, ainda ficou atrás do PSDB nesse tipo de voto, o que mostra a vitalidade do partido de oposição.

Os tucanos receberam 1,92 milhão de votos, correspondentes a quase 24% dos votos válidos; o PT recebeu 1,75 milhão de votos de legenda, ou 21,6% do total de votos válidos. Em 90, quando iniciou a hegemonia agora derrubada, o PT teve 1,79 milhão de votos, 24,1% dos válidos; e o PSDB, apenas 340 mil votos, ou 4,6%.

Por fim, com o eleitorado literalmente dividido, o vencedor receberá um país traumatizado pela violência da campanha desde o 1º turno, quando o PT usou de técnicas de propaganda negativa para desmoralizar Marina Silva, e a própria Dilma, sem nenhum pudor, insinuou que ela era sustentada por banqueiros, em referência à sua principal assessora, Neca Setubal. É muito mais exagerado do que dizer que Lula é sustentado por empreiteiras, o que ninguém disse.

O PT vem, desde 2010, recebendo menos votos para presidente do que nas eleições anteriores, e a oposição cresce. Após perder duas vezes seguidas no primeiro turno para o ex-presidente Fernando Henrique, Lula só conseguiu vencer no 2º turno, quando tinha uma votação em torno de 60%. Dilma foi eleita em 2010 com 56% e hoje aparece nas pesquisas do Datafolha com 52%, empatada tecnicamente e com o risco de perder a eleição.

A oposição já agrega a metade dos votos válidos e, dependendo da famosa margem de erro, pode vencê-la. Além do mais, o país ganhou uma oposição aguerrida, que, se não vencer, terá atuação muito mais eficaz no eventual 2º mandato de Dilma, com todos os problemas que são esperados nos próximos anos, crises econômicas combinadas com institucionais decorrentes da delação premiada sobre a corrupção na Petrobras.

Vencedora, a oposição terá pela frente um PT jogado novamente na oposição, com uma multidão de burocratas partidários desempregados, cheios de rancor para dar.

De oito a 80 - DORA KRAMER

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADÃO - 23/10


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Antonio Dias Toffoli, propõe uma revisão do uso do horário eleitoral para as próximas campanhas. Traz o tema à discussão no bojo da repentina - e por que não dizer tardia, radical e atabalhoada - mudança de orientação do colegiado em relação ao grau de interferência da Justiça na cobrança do cumprimento da lei por parte das forças políticas em disputa.

Toffoli considerou de muito baixo nível o que PT e PSDB apresentaram em seus programas na campanha do segundo turno. De onde concluiu que se há tempo para ofensas é porque há tempo em excesso; questionou se as campanhas não deveriam ser mais curtas e defendeu o direito do tribunal "pôr um freio de arrumação" no ambiente proibindo toda e qualquer crítica considerada inadequada, a fim de preservar os ouvidos sensíveis do eleitorado.

Tudo isso ao juízo do mesmo colegiado cuja maioria até então defendera uma atitude "minimalista" (no dizer do ministro Luiz Fux) da Justiça, no intuito de não interditar o debate político. Ou seja, o TSE, representado por seu presidente, saiu de uma posição de deliberado alheamento para uma atitude de interferência discricionária, avocando para si a decisão sobre o tempo e o conteúdo do que pode ou não ser dito.

No primeiro turno, ao contrário do que argumenta o ministro Dias Toffoli, houve sim ataques que buscavam exclusivamente desqualificar um dos oponentes e não qualificar o atacante. O que não houve foi resposta no mesmo tom por parte do atacado. No caso, atacada, a então candidata do PSB, Marina Silva. A diferença agora é que o adversário foi ao contra-ataque e a campanha virou uma guerra. Aliás, dentro do esperado. A Justiça Eleitoral, assim como o País todo não ignorava o que estava por vir.

A discussão sobre mudanças futuras proposta pelo presidente do TSE é legítima embora talvez seja algo extemporânea. Indispensável a retomada do tema após as eleições com a inclusão de diversos outros itens, entre os quais até mesmo a revisão da legislação eleitoral e as regras da reeleição.

Quando a maioria dos ministros tomou a decisão de "flexibilizar" as normas, foi deixada de lado a especificidade do momento. Já devidamente exposta na antecipação da campanha eleitoral iniciada por iniciativa do ex-presidente Lula em fevereiro de 2013. É de se reconhecer que a norma está caduca, mas não se pode ignorar que há uma lei vigente.

Enquanto não for revogada, há de ser respeitada. E o TSE resolveu fechar os olhos a ela quando não atendeu às reiteradas ações contra o uso da máquina pública, argumentando que só poderia agir quando as candidaturas estivessem oficializadas.

Até então, o Palácio do Planalto fez o que quis. Usou suas dependências para reuniões partidárias, abusou de órgãos públicos à vontade e depois disso também transformou agências dos Correios em comitês eleitorais. Agora a TV Globo inova ao incluir perguntas de eleitores indecisos, retirando o debate do controle exclusivo dos candidatos e abrindo algum espaço para algo que fuja do robótico ensaio dos marqueteiros.

Melhor do Brasil. Há um tipo de resistência que não tem consistência. Sustenta-se na insolvência e, ainda que momentaneamente vitoriosa, um dia acaba. Falta-lhe o essencial: a substância de longa distância.


Otimismo ao quadrado - ELIANE CANTANHÊDE

EU VOTO #AÉCIO45


FOLHA DE SP - 23/10


BRASÍLIA - É improvável que os otimistas com a economia no governo Dilma tenham saltado 12 pontos (de 32% para 44%) em um mês. Primeiro, porque não há nada de novo para reforçar essa percepção. Segundo, porque, ao contrário, continuam jorrando dados negativos.

O crescimento deve ser inferior a 1%, o que não deixa o Brasil exatamente bem na foto nem na América Latina nem entre os emergentes. E, na própria terça (21), chegaram duas novas más notícias: a inflação acima não só da meta, mas do próprio teto da meta, além do rebaixamento da nota de crédito da Petrobras.

Na avaliação do analista de pesquisas Antonio Lavareda, esse pulo nos índices não reflete um súbito rasgo de otimismo com Dilma e com os dois derradeiros meses desse governo. É muito tarde para dizer que "daqui pra frente, tudo será diferente". Reflete, sim, uma expectativa favorável tanto dos eleitores de Dilma quanto dos de Aécio. Os dois grupos acham que o seu candidato vai vencer e, portanto, a economia vai melhorar "nos próximos meses".

Pelo Datafolha, 50% dos eleitores de Dilma e 43% dos de Aécio acreditam na melhora da economia --provavelmente, a partir da posse do novo governo, em janeiro. Haveria, assim, uma "soma de otimismos", segundo Lavareda. Ou, numa outra forma, "todos estão [por ora] felizes".

O mais curioso é que a percepção da melhora na economia em 2015 não encontra respaldo na mais elementar análise da realidade. Dê Dilma ou dê Aécio, será um ano muito difícil, de ajustes, para retomar o crescimento, a meta de inflação, o controle fiscal, o equilíbrio das contas externas. E só a partir de 2016... A coisa não está boa. Ou Dilma não teria demitido o ministro da Fazenda no meio da campanha...

O otimismo dos eleitores, pois, nem é exatamente com a economia, mas sim com a possibilidade de vitória do seu (sua) candidato(a) domingo. Aí... as pesquisas dão indícios importantes, mas não adivinham.