GAZETA DO POVO - PR - 19/12
Por causa do folclore político, são muitas as versões de como a Polícia Federal teria chegado à maior roubalheira da história do Brasil, cujos números fazem da Mega da Virada uma esmola para os trouxas que investiram o FGTS em ações da Petrobras. Numa delas, conta-se que o doleiro Alberto Youssef teria combinado com o falecido deputado José Janene uma estratégia para distribuir entre apadrinhados do governo os recursos não contabilizados da Petrobras: “Vamos fazer o câmbio baseado em santinhos: mil reais, mil santinhos! Quando o companheiro precisar, digamos, de R$ 10 mil para pagar os cabos eleitorais, basta telefonar pedindo 10 mil santinhos, com a segurança de não levantar nenhuma suspeita”.
A estratégia deu certo. Ligava o assessor do candidato de São Paulo: “Estou precisando de 30 mil santinhos!” “Pois não! Por favor, só precisamos do seu endereço. A encomenda será remetida hoje mesmo!”
Com todos os beneficiados já cadastrados, a artimanha funcionou. A Polícia Federal, mesmo na escuta telefônica da central de distribuição de propinas da Petrobras, não tinha como saber que o câmbio estava calçado na farta distribuição de santinhos.
A casa caiu – ou caiu a organização criminosa – quando um deputado de Minas Gerais teria ligado para o falecido José Janene, o distribuidor-mor da República: “De quanto o nobre deputado está precisando para sustentar a campanha?” “Tô necessitado de 200 mil santinhos!” “Não é muito coisa, deputado?” “Uai, a minha base eleitoral é assim mesmo, grande demais da conta!” “Sinto muito, mas a gráfica não tem condições de entregar tudo isso agora. Pra amanhã, só podemos entregar até 50 mil santinhos.” “Então manda tudo o que tiver na mão, sô!” “Vamos remeter 50 mil santinhos num pacote. Por favor, o seu endereço aí em Minas?”
Fez-se um breve silêncio, antes da resposta: “Não precisa endereço, uai! Pode depositar tudo na minha conta do banco!”
E o mineirinho começou a cantar os números da conta corrente, em vão: Janene desligou o telefone no ato.
No leva e traz dos santinhos da Petrobras, conta-se que o ministro da base aliada se encontrou com o deputado derrotado no velório de José Janene. Com os dois lado a lado do caixão, o ex-deputado cobrou do ministro: “Lembra que o senhor me prometeu 300 mil santinhos?” Surpreso, o ministro arrastou o deputado para o cafezinho: “Companheiro, a remessa de santinhos foi despachada!” “Não recebemos!” “Desculpe, deputado: 300 mil santinhos é muita coisa. Não fica perdido na transportadora!” “Ministro, por qual empresa os santinhos foram enviados?”
Depois de um olhar para os lados, conferindo se não estava sendo filmado ou fotografado, o ministro apontou o dedo indicador para o defunto. Os dois se benzeram e a conversa acabou aí.
Terminou em termos – deve continuar perante o juiz.
sexta-feira, dezembro 19, 2014
Os militantes e a síndrome de vitimização - RHODRIGO DEDA
GAZETA DO POVO - PR 19/12
Se há movimentos organizados que poderiam contribuir significativamente para combater a corrupção esses grupos são os que compõem as militâncias dos partidos. Corrupção não tem cor partidária. Não é monopólio de legendas de esquerda ou de direita. O que hoje impressiona é a defesa intransigente e emotiva que se faz dos acusados em escândalos de desvio de recursos públicos.
Isso não é nada saudável para uma democracia. Dificulta o entendimento sobre a necessidade de transparência, fiscalização e punição de corruptos. As defesas emocionais de acusados em escândalos podem sugerir alienação, conivência ou, pior, participação em atos ilegais.
O juiz federal Sérgio Moro vem conduzindo de forma magistral os processos decorrentes da Lava Jato. O trabalho da força tarefa do Ministério Público Federal tem sido exemplar. Essa postura irretocável dificulta que militantes dos partidos envolvidos acusem o juiz e procuradores de serem tendenciosos no julgamento. Espera-se, agora, o mesmo zelo diligente da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal – os órgãos competentes para denunciar e julgar os deputados que estão de algum modo envolvidos no escândalo de desvio de recursos da Petrobras.
A Operação Lava Jato promete abalar grandes partidos em 2015, entre eles o PT, o PMDB e o PP. A sociedade deveria poder contar com os militantes desses partidos para: (a) remover de cargos de lideranças os políticos acusados, até que ocorra o julgamento deles; (b) impedir o surgimento da retórica da vitimização, se forem condenados.
Os cidadãos brasileiros já viram o discurso da vitimização no julgamento do mensalão. Funcionou apenas para parte da militância do PT. Persistir na retórica da perseguição política foi muito ruim para o partido. Isso porque, ao isolar dirigentes partidários envolvidos em escândalos de corrupção, as legendas se fortalecem. Remover os maus elementos é especialmente importante para que das militâncias possam ascender novas lideranças. Permite o surgimento de um novo ciclo de lideranças, mais oxigenadas e conectadas com a sociedade.
Serão os militantes que irão fortalecer os partidos. Eles podem, e devem, ser os indutores das boas práticas na política, da defesa intransigente da democracia e do respeito à coisa pública. A conivência da militância de hoje – seja de direita ou esquerda – é fator que contribui para o sistema permanecer viciado. É o que ajuda a produzir partidos sem programas claros e com fracas lideranças.
Se há movimentos organizados que poderiam contribuir significativamente para combater a corrupção esses grupos são os que compõem as militâncias dos partidos. Corrupção não tem cor partidária. Não é monopólio de legendas de esquerda ou de direita. O que hoje impressiona é a defesa intransigente e emotiva que se faz dos acusados em escândalos de desvio de recursos públicos.
Isso não é nada saudável para uma democracia. Dificulta o entendimento sobre a necessidade de transparência, fiscalização e punição de corruptos. As defesas emocionais de acusados em escândalos podem sugerir alienação, conivência ou, pior, participação em atos ilegais.
O juiz federal Sérgio Moro vem conduzindo de forma magistral os processos decorrentes da Lava Jato. O trabalho da força tarefa do Ministério Público Federal tem sido exemplar. Essa postura irretocável dificulta que militantes dos partidos envolvidos acusem o juiz e procuradores de serem tendenciosos no julgamento. Espera-se, agora, o mesmo zelo diligente da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal – os órgãos competentes para denunciar e julgar os deputados que estão de algum modo envolvidos no escândalo de desvio de recursos da Petrobras.
A Operação Lava Jato promete abalar grandes partidos em 2015, entre eles o PT, o PMDB e o PP. A sociedade deveria poder contar com os militantes desses partidos para: (a) remover de cargos de lideranças os políticos acusados, até que ocorra o julgamento deles; (b) impedir o surgimento da retórica da vitimização, se forem condenados.
Os cidadãos brasileiros já viram o discurso da vitimização no julgamento do mensalão. Funcionou apenas para parte da militância do PT. Persistir na retórica da perseguição política foi muito ruim para o partido. Isso porque, ao isolar dirigentes partidários envolvidos em escândalos de corrupção, as legendas se fortalecem. Remover os maus elementos é especialmente importante para que das militâncias possam ascender novas lideranças. Permite o surgimento de um novo ciclo de lideranças, mais oxigenadas e conectadas com a sociedade.
Serão os militantes que irão fortalecer os partidos. Eles podem, e devem, ser os indutores das boas práticas na política, da defesa intransigente da democracia e do respeito à coisa pública. A conivência da militância de hoje – seja de direita ou esquerda – é fator que contribui para o sistema permanecer viciado. É o que ajuda a produzir partidos sem programas claros e com fracas lideranças.
Afundando por inércia - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 19/12
Desde que Dilma prometeu “muito dinheiro” a quem investisse na Petrobras, o preço das ações caiu pela metade. A paralisia da presidente ajuda a explicar esse derretimento
“Quem investiu na Petrobras vai ganhar muito dinheiro”, prometeu a presidente e então candidata à reeleição Dilma Rousseff em debate na televisão em 19 de outubro. Quem ouviu e acreditou ainda está esperando. As ações da Petrobras têm sido as estrelas da Bovespa nesta semana. Na segunda-feira, caíram 9,20%. As negociações habituais dos papéis da empresa tiveram de ser interrompidas e passaram a ser feitas em forma de leilão, o que só ocorre quando a oscilação nas cotações ultrapassa os 10%, em medida destinada a proteger o mercado contra eventual atuação predatória de especuladores.
Não foi, porém, de responsabilidade de especuladores inescrupulosos a desvalorização dos papéis da Petrobras – na terça-feira, antes de se recuperarem, as ações preferenciais chegaram a ser negociadas a R$ 8,56, o mais baixo patamar desde 2005. Com isso, aquela de quem todos dizíamos ser a maior empresa nacional arrisca perder a posição, o que parecia inimaginável. A responsabilidade pela queda provém de um paradoxo linguístico – provém da irresponsabilidade. Irresponsabilidade com que a estatal vem sendo administrada nos últimos anos, incapaz agora até de apresentar seus balancetes.
Surpreendente seria se as ações estivessem em alta – não falamos de alta num ou noutro dia, mas de alta consistente. Hoje, os papéis da empresa valem a metade do que valiam quando Dilma fez sua promessa na televisão: em 20 de outubro, as ações preferenciais abriram a R$ 18,92; ontem, fecharam a R$ 9,46. Não há como sustentar o valor da Petrobras (ou de qualquer outra empresa de capital aberto que deve respeito aos seus acionistas) se contra ela pesam tantos fatos públicos desabonadores. Já nem há necessidade de fazer referência à sua política de preços, que mantinha remuneração negativa para os derivados entregues aos consumidores. Conceda-se à Petrobras, neste caso, o benefício da compaixão. A empresa teria sido obrigada a isso em razão da política econômica do próprio governo, seu principal acionista, interessado em manter artificialmente a inflação em níveis mais baixos. Entretanto, não é possível manter a mesma visão compassiva diante dos desmandos éticos que contaminaram praticamente todos os negócios e operações da estatal.
Eles foram escancarados pela Operação Lava Jato, que a cada dia nos surpreende com fatos gravíssimos resultantes do conluio sistêmico entre corruptos ativos e passivos, representados pelos que realizavam negócios lucrativos mediante polpuda distribuição de propinas para diretores da Petrobras, políticos e partidos. Até o momento, calcula-se em cerca de R$ 1 bilhão o dinheiro que tomou o caminho de contas no exterior, que financiou campanhas ou que enriqueceu ilicitamente pessoas e grupos organizados.
Tudo em detrimento da boa governança que deveria estar voltada para o cumprimento da atividade-fim da empresa, isto é, de fazê-la ofertar ao país produtos estratégicos para seu desenvolvimento e, consequentemente, garantir rentabilidade que lhe permitisse ampliar investimentos e ganhos minimamente razoáveis e seguros aos seus acionistas. A Operação Lava Jato ainda não mostrou tudo, mas já o suficiente para nos provar, definitivamente, que o modus operandi da Petrobras seguia caminho desonestamente inverso.
Parafraseando Venina Fonseca, a executiva da Petrobras que desde 2009 vinha alertando seus superiores sobre a grossa corrupção que grassava na empresa, o orgulho se transformou em vergonha – a tal ponto que, embora muito séria, soa até como galhofa contra o Brasil a ação movida por investidores norte-americanos que recorreram à Justiça para reclamar as perdas sofridas com a desvalorização de suas aplicações em papéis da nossa petrolífera.
Enquanto isso, presa às suas indecisões ou à teimosia autoritária que lhe é peculiar, a presidente Dilma Rousseff não age para enfrentar a situação vexatória. Mantém-se na defensiva, como que atribuindo aos “golpistas” o desmanche da Petrobras, em vez de, entre outras providências, determinar a imediata substituição da atual diretoria da estatal – sabidamente incapaz ou espertamente desinteressada em fazer a inadiável faxina interna. A atitude que Dilma poderia tomar certamente contribuiria, para dizer o mínimo, para evitar o precipício em que estão caindo as ações da Petrobras.
Desde que Dilma prometeu “muito dinheiro” a quem investisse na Petrobras, o preço das ações caiu pela metade. A paralisia da presidente ajuda a explicar esse derretimento
“Quem investiu na Petrobras vai ganhar muito dinheiro”, prometeu a presidente e então candidata à reeleição Dilma Rousseff em debate na televisão em 19 de outubro. Quem ouviu e acreditou ainda está esperando. As ações da Petrobras têm sido as estrelas da Bovespa nesta semana. Na segunda-feira, caíram 9,20%. As negociações habituais dos papéis da empresa tiveram de ser interrompidas e passaram a ser feitas em forma de leilão, o que só ocorre quando a oscilação nas cotações ultrapassa os 10%, em medida destinada a proteger o mercado contra eventual atuação predatória de especuladores.
Não foi, porém, de responsabilidade de especuladores inescrupulosos a desvalorização dos papéis da Petrobras – na terça-feira, antes de se recuperarem, as ações preferenciais chegaram a ser negociadas a R$ 8,56, o mais baixo patamar desde 2005. Com isso, aquela de quem todos dizíamos ser a maior empresa nacional arrisca perder a posição, o que parecia inimaginável. A responsabilidade pela queda provém de um paradoxo linguístico – provém da irresponsabilidade. Irresponsabilidade com que a estatal vem sendo administrada nos últimos anos, incapaz agora até de apresentar seus balancetes.
Surpreendente seria se as ações estivessem em alta – não falamos de alta num ou noutro dia, mas de alta consistente. Hoje, os papéis da empresa valem a metade do que valiam quando Dilma fez sua promessa na televisão: em 20 de outubro, as ações preferenciais abriram a R$ 18,92; ontem, fecharam a R$ 9,46. Não há como sustentar o valor da Petrobras (ou de qualquer outra empresa de capital aberto que deve respeito aos seus acionistas) se contra ela pesam tantos fatos públicos desabonadores. Já nem há necessidade de fazer referência à sua política de preços, que mantinha remuneração negativa para os derivados entregues aos consumidores. Conceda-se à Petrobras, neste caso, o benefício da compaixão. A empresa teria sido obrigada a isso em razão da política econômica do próprio governo, seu principal acionista, interessado em manter artificialmente a inflação em níveis mais baixos. Entretanto, não é possível manter a mesma visão compassiva diante dos desmandos éticos que contaminaram praticamente todos os negócios e operações da estatal.
Eles foram escancarados pela Operação Lava Jato, que a cada dia nos surpreende com fatos gravíssimos resultantes do conluio sistêmico entre corruptos ativos e passivos, representados pelos que realizavam negócios lucrativos mediante polpuda distribuição de propinas para diretores da Petrobras, políticos e partidos. Até o momento, calcula-se em cerca de R$ 1 bilhão o dinheiro que tomou o caminho de contas no exterior, que financiou campanhas ou que enriqueceu ilicitamente pessoas e grupos organizados.
Tudo em detrimento da boa governança que deveria estar voltada para o cumprimento da atividade-fim da empresa, isto é, de fazê-la ofertar ao país produtos estratégicos para seu desenvolvimento e, consequentemente, garantir rentabilidade que lhe permitisse ampliar investimentos e ganhos minimamente razoáveis e seguros aos seus acionistas. A Operação Lava Jato ainda não mostrou tudo, mas já o suficiente para nos provar, definitivamente, que o modus operandi da Petrobras seguia caminho desonestamente inverso.
Parafraseando Venina Fonseca, a executiva da Petrobras que desde 2009 vinha alertando seus superiores sobre a grossa corrupção que grassava na empresa, o orgulho se transformou em vergonha – a tal ponto que, embora muito séria, soa até como galhofa contra o Brasil a ação movida por investidores norte-americanos que recorreram à Justiça para reclamar as perdas sofridas com a desvalorização de suas aplicações em papéis da nossa petrolífera.
Enquanto isso, presa às suas indecisões ou à teimosia autoritária que lhe é peculiar, a presidente Dilma Rousseff não age para enfrentar a situação vexatória. Mantém-se na defensiva, como que atribuindo aos “golpistas” o desmanche da Petrobras, em vez de, entre outras providências, determinar a imediata substituição da atual diretoria da estatal – sabidamente incapaz ou espertamente desinteressada em fazer a inadiável faxina interna. A atitude que Dilma poderia tomar certamente contribuiria, para dizer o mínimo, para evitar o precipício em que estão caindo as ações da Petrobras.
O que esperamos para 2015 - RENATO ALVES
CORREIO BRAZILIENSE - 19/12
Diante da maior crise financeira do GDF, não nos resta esperar muito do primeiro ano da nova administração a não ser austeridade. E, diante do que testemunhou e sofreu nos últimos 20 anos, em meio a escândalos que deram razão aos preconceitos nacionais, a população brasiliense pede pouco para os próximos quatro anos àqueles que assumem o Palácio do Buriti a partir de 1º de janeiro.
Não queremos obras faraônicas ou monumentos. Apenas conservem e, se possível, tornem menos onerosos aqueles que herdaram. Como a arena de futebol, que era para ter um selo verde e parou em um inacabado entorno e uma administração cada dia mais custosa.
Não queremos um novo modelo de transporte público, que exige mais alguns milhões em viagens de comitivas à Europa e em projetos de viabilidade. Façam apenas funcionar o já existente. Tornem realidade a ficção da integração, anunciada por meio dos painéis fixados nos ônibus há uma década.
Não construam mais corredores exclusivos. Só nos livrem da vergonha de ter inúteis abrigos para passageiros no canteiro central da EPTG por não termos veículos com portas na lateral esquerda. Façam valer a autoridade de vossas senhorias e tomem as rédeas do sistema de transporte coletivo para que o Estado controle a operação do BRT e dos demais modelos.
Não construam mais unidades de saúde. Mantenham as prontas ocupadas por profissionais da saúde, com os importados e milionários equipamentos adquiridos e hoje encaixotados. Também mantenham em dia os estoques de medicamentos, comprando os itens antes que eles acabem.
Não precisamos de mais concursos para policiais militares. Muito menos mais quartéis, mais carros. É necessário apenas um comando de pulso, que tire dos gabinetes milhares de agentes formados e pagos para fazer o policiamento ostensivo. E alguém com uma ideia para dar uma digna destinação aos famigerados postos comunitários ainda poupados pelo abandono e pelos ataques criminosos.
Não queremos mais festas milionárias nas administrações regionais. Mas que as dezenas de parques públicos existentes apenas no papel virem realidade, com pequenas intervenções, pequenos investimentos, como pistas de caminhada e brinquedos para a criançada.
Enfim, apenas façam funcionar como foi planejada a cidade pensada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer e construída por Juscelino Kubitschek.
Diante da maior crise financeira do GDF, não nos resta esperar muito do primeiro ano da nova administração a não ser austeridade. E, diante do que testemunhou e sofreu nos últimos 20 anos, em meio a escândalos que deram razão aos preconceitos nacionais, a população brasiliense pede pouco para os próximos quatro anos àqueles que assumem o Palácio do Buriti a partir de 1º de janeiro.
Não queremos obras faraônicas ou monumentos. Apenas conservem e, se possível, tornem menos onerosos aqueles que herdaram. Como a arena de futebol, que era para ter um selo verde e parou em um inacabado entorno e uma administração cada dia mais custosa.
Não queremos um novo modelo de transporte público, que exige mais alguns milhões em viagens de comitivas à Europa e em projetos de viabilidade. Façam apenas funcionar o já existente. Tornem realidade a ficção da integração, anunciada por meio dos painéis fixados nos ônibus há uma década.
Não construam mais corredores exclusivos. Só nos livrem da vergonha de ter inúteis abrigos para passageiros no canteiro central da EPTG por não termos veículos com portas na lateral esquerda. Façam valer a autoridade de vossas senhorias e tomem as rédeas do sistema de transporte coletivo para que o Estado controle a operação do BRT e dos demais modelos.
Não construam mais unidades de saúde. Mantenham as prontas ocupadas por profissionais da saúde, com os importados e milionários equipamentos adquiridos e hoje encaixotados. Também mantenham em dia os estoques de medicamentos, comprando os itens antes que eles acabem.
Não precisamos de mais concursos para policiais militares. Muito menos mais quartéis, mais carros. É necessário apenas um comando de pulso, que tire dos gabinetes milhares de agentes formados e pagos para fazer o policiamento ostensivo. E alguém com uma ideia para dar uma digna destinação aos famigerados postos comunitários ainda poupados pelo abandono e pelos ataques criminosos.
Não queremos mais festas milionárias nas administrações regionais. Mas que as dezenas de parques públicos existentes apenas no papel virem realidade, com pequenas intervenções, pequenos investimentos, como pistas de caminhada e brinquedos para a criançada.
Enfim, apenas façam funcionar como foi planejada a cidade pensada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer e construída por Juscelino Kubitschek.
Impropriedades - BERNARDO MELLO FRANCO
FOLHA DE SP - 19/12
BRASÍLIA - Lula voltou ontem ao Ministério da Justiça. O órgão comanda a Polícia Federal, que apura o saque aos cofres da Petrobras. Como a maior parte dos desvios ocorreu durante seu governo, seria natural que o ex-presidente colaborasse com as investigações. Não foi o caso: ele estava lá para ser homenageado e ganhar uma medalhinha do ministro José Eduardo Cardozo.
Nas solenidades oficiais, o último discurso costuma ser feito pela principal autoridade presente. O presidente do supremo tribunal Federal, chefe do Poder Judiciário, estava à mesa. O ministro da Justiça, anfitrião da cerimônia, também. Mas o cerimonial da casa reservou a palavra final a Lula, que não exerce função pública há três anos e 11 meses.
Quando o condecorado foi chamado ao microfone, uma mulher na plateia gritou "2018". Como a presidente Dilma Rousseff seria diplomada horas depois para o segundo mandato, o antecessor deveria reafirmar sua autoridade e repreender a manifestação. Lula ficou em silêncio, o que encorajou a militante a continuar até chamá-lo de "rei do Brasil".
As impropriedades ajudam a entender o espírito do tempo em Brasília, mas perdem importância diante do discurso do ex-presidente. Com dezenas de aliados na mira da Operação Lava Jato, ele preferiu recorrer ao truque de sempre: atacar a imprensa e vitimizar os investigados.
Condenou o "vazamento seletivo" de investigações, reclamou de "linchamento midiático" e acusou jornalistas de fazerem "tábula rasa de sagrados princípios do Estado de Direito" ao noticiar casos de corrupção. Sobre os acusados de dilapidar a Petrobras, inclusive os que já confessaram seus crimes, nenhuma palavra.
"É preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que eletivo. Foi um erro que cometi ter voltado", disse ontem o senador José Sarney. Nunca foi tão fácil concordar com ele.
BRASÍLIA - Lula voltou ontem ao Ministério da Justiça. O órgão comanda a Polícia Federal, que apura o saque aos cofres da Petrobras. Como a maior parte dos desvios ocorreu durante seu governo, seria natural que o ex-presidente colaborasse com as investigações. Não foi o caso: ele estava lá para ser homenageado e ganhar uma medalhinha do ministro José Eduardo Cardozo.
Nas solenidades oficiais, o último discurso costuma ser feito pela principal autoridade presente. O presidente do supremo tribunal Federal, chefe do Poder Judiciário, estava à mesa. O ministro da Justiça, anfitrião da cerimônia, também. Mas o cerimonial da casa reservou a palavra final a Lula, que não exerce função pública há três anos e 11 meses.
Quando o condecorado foi chamado ao microfone, uma mulher na plateia gritou "2018". Como a presidente Dilma Rousseff seria diplomada horas depois para o segundo mandato, o antecessor deveria reafirmar sua autoridade e repreender a manifestação. Lula ficou em silêncio, o que encorajou a militante a continuar até chamá-lo de "rei do Brasil".
As impropriedades ajudam a entender o espírito do tempo em Brasília, mas perdem importância diante do discurso do ex-presidente. Com dezenas de aliados na mira da Operação Lava Jato, ele preferiu recorrer ao truque de sempre: atacar a imprensa e vitimizar os investigados.
Condenou o "vazamento seletivo" de investigações, reclamou de "linchamento midiático" e acusou jornalistas de fazerem "tábula rasa de sagrados princípios do Estado de Direito" ao noticiar casos de corrupção. Sobre os acusados de dilapidar a Petrobras, inclusive os que já confessaram seus crimes, nenhuma palavra.
"É preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que eletivo. Foi um erro que cometi ter voltado", disse ontem o senador José Sarney. Nunca foi tão fácil concordar com ele.
A vez dos políticos - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 19/12
O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no supremo tribunal Federal(STF), vai homologar hoje, último dia antes do recesso da Justiça, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de fraudes na Petrobras. E pode surpreender determinando a imediata abertura do inquérito contra os parlamentares envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras.
Isso significa que ele considerou consistente o depoimento do doleiro, que já lhe foi enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o relato das fraudes e a lista de políticos, empreiteiros e funcionários públicos, na maioria da Petrobras, envolvidos no esquema. A lista dos políticos tem 30 deputados e 6 senadores, todos com foro privilegiado no momento. Os que não se reelegeram ou não concorreram nas últimas eleições serão enviados para a Ia instância da Justiça Federal em Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava-Jato.
O Supremo confirmou recentemente que o foro adequado para os envolvidos no processo sobre o esquema de corrupção da Petrobras que não têm prerrogativa de função é a Justiça Federal no Paraná, sob a coordenação do juiz Moro, um especialista em processos sobre lavagem de dinheiro, que advogados de muitos dos executivos das empreiteiras envolvidos no escândalo queriam evitar, transferindo o processo para o Rio ou São Paulo, alegando que a sede das empresas deveria ser o foro escolhido.
O juiz Sérgio Moro já atuou no processo do mensalão como assessor da ministra do STF Rosa Weber, e ganhou experiência nesse tipo de caso. Ao contrário do que aconteceu no julgamento do mensalão, nesse processo os casos serão separados, com os acusados que não têm foro privilegiado sendo tratados pela Justiça de Ia instância no Paraná.
A partir da decisão de Zavascki, de pedir a abertura do inquérito, os nomes dos parlamentares envolvidos poderão ser divulgados. O fato de Zavascki homologar a delação premiada poucos dias depois de tê-la recebido do procurador-geral da República, e talvez até mesmo já abrir o inquérito, indica que todos os passos do processo estão sendo dados com a maior cautela e, ao mesmo tempo, os que dele cuidam estão empenhados em dar velocidade às apurações. Zavascki poderia ter deixado para fevereiro, na volta do recesso, para homologar a delação de Youssef, mas aceitando-a no último dia de trabalho da Justiça antes do recesso está dando uma sinalização de que pretende que o caso seja tocado com a rapidez possível em nosso sistema judicial.
Além disso, homologar a delação premiada significa que a Justiça considerou comprovadas as denúncias apresentadas, e o delator poderá com isso ser liberado do regime fechado e passar ao de prisão domiciliar, como já acontece com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A Justiça tem também condições de cruzar as informações dos diversos envolvidos que aderiram à delação premiada paia constatar a veracidade das acusações.
A função de relator que o ministro Zavascki exerce no processo é, na definição de um de seus colegas, como se ele fosse delegado e juiz ao mesmo tempo. Ele pode, a partir da abertura do inquérito, determinar quebra de sigilos bancários e telefônicos, a interceptação de mensagens telefônicas.
Aceitando a denúncia do procurador-geral, o ministro Zavascki vai oficiar a Polícia Federal para que inicie a investigação. Provavelmente, essa decisão e seus fundamentos serão públicos. No curso das investigações, a PF vai instaurar inquérito contra aqueles em relação aos quais há indícios de que crimes foram cometidos.
Se fizer isso hoje, o inquérito poderá começar no recesso da justiças.
• Instaurado o inquérito, o delegado da PF terá 60 dias para realizar as diligências (ouvir testemunhas, requerer interceptação telefônica, etc) e entregar seu relatório - esse prazo poderá ser prorrogado, a pedido do delegado ou do procurador-geral da República, pelo relator;
• Os requerimentos de prisão, busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico, bancário, fiscal e telemático, interceptação telefônica e de outras medidas invasivas serão processados e apreciados em autos apartados e sob sigilo (é o que prevê o art. 230-C, parágrafo 2°, Regimento Interno do STF);
• Provavelmente, o restante do inquérito será público;
• Apresentado o relatório pelo delegado, o relator encaminhará os autos para o procurador-geral da República, que poderá: (i) pedir diligências complementares, pedir o arquivamento, oferecer denúncia contra os que no seu entender cometeram crimes - ele tem um prazo de 60 dias. Em relação àqueles que estiverem presos, esse prazo é de 5 dias;
• O relator poderá rejeitar monocraticamente a denúncia em relação a cada um dos denunciados, quando a mesma for manifestamente equivocada (o regimento lista as hipóteses técnicas em que isso pode acontecer no art. 231, parágrafo quarto);
• Caso não rejeite a denúncia, o relator intimará cada denunciado para oferecer defesa no prazo de 15 dias;
• Apresentada ou não a defesa, o relator pedirá dia para a Turma julgadora do STF deliberar sobre a aceitação ou rejeição da denúncia;
• Na sessão, será permitida a sustentação oral, por 15 minutos para cada denunciado.
O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no supremo tribunal Federal(STF), vai homologar hoje, último dia antes do recesso da Justiça, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de fraudes na Petrobras. E pode surpreender determinando a imediata abertura do inquérito contra os parlamentares envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras.
Isso significa que ele considerou consistente o depoimento do doleiro, que já lhe foi enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o relato das fraudes e a lista de políticos, empreiteiros e funcionários públicos, na maioria da Petrobras, envolvidos no esquema. A lista dos políticos tem 30 deputados e 6 senadores, todos com foro privilegiado no momento. Os que não se reelegeram ou não concorreram nas últimas eleições serão enviados para a Ia instância da Justiça Federal em Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava-Jato.
O Supremo confirmou recentemente que o foro adequado para os envolvidos no processo sobre o esquema de corrupção da Petrobras que não têm prerrogativa de função é a Justiça Federal no Paraná, sob a coordenação do juiz Moro, um especialista em processos sobre lavagem de dinheiro, que advogados de muitos dos executivos das empreiteiras envolvidos no escândalo queriam evitar, transferindo o processo para o Rio ou São Paulo, alegando que a sede das empresas deveria ser o foro escolhido.
O juiz Sérgio Moro já atuou no processo do mensalão como assessor da ministra do STF Rosa Weber, e ganhou experiência nesse tipo de caso. Ao contrário do que aconteceu no julgamento do mensalão, nesse processo os casos serão separados, com os acusados que não têm foro privilegiado sendo tratados pela Justiça de Ia instância no Paraná.
A partir da decisão de Zavascki, de pedir a abertura do inquérito, os nomes dos parlamentares envolvidos poderão ser divulgados. O fato de Zavascki homologar a delação premiada poucos dias depois de tê-la recebido do procurador-geral da República, e talvez até mesmo já abrir o inquérito, indica que todos os passos do processo estão sendo dados com a maior cautela e, ao mesmo tempo, os que dele cuidam estão empenhados em dar velocidade às apurações. Zavascki poderia ter deixado para fevereiro, na volta do recesso, para homologar a delação de Youssef, mas aceitando-a no último dia de trabalho da Justiça antes do recesso está dando uma sinalização de que pretende que o caso seja tocado com a rapidez possível em nosso sistema judicial.
Além disso, homologar a delação premiada significa que a Justiça considerou comprovadas as denúncias apresentadas, e o delator poderá com isso ser liberado do regime fechado e passar ao de prisão domiciliar, como já acontece com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A Justiça tem também condições de cruzar as informações dos diversos envolvidos que aderiram à delação premiada paia constatar a veracidade das acusações.
A função de relator que o ministro Zavascki exerce no processo é, na definição de um de seus colegas, como se ele fosse delegado e juiz ao mesmo tempo. Ele pode, a partir da abertura do inquérito, determinar quebra de sigilos bancários e telefônicos, a interceptação de mensagens telefônicas.
Aceitando a denúncia do procurador-geral, o ministro Zavascki vai oficiar a Polícia Federal para que inicie a investigação. Provavelmente, essa decisão e seus fundamentos serão públicos. No curso das investigações, a PF vai instaurar inquérito contra aqueles em relação aos quais há indícios de que crimes foram cometidos.
Se fizer isso hoje, o inquérito poderá começar no recesso da justiças.
• Instaurado o inquérito, o delegado da PF terá 60 dias para realizar as diligências (ouvir testemunhas, requerer interceptação telefônica, etc) e entregar seu relatório - esse prazo poderá ser prorrogado, a pedido do delegado ou do procurador-geral da República, pelo relator;
• Os requerimentos de prisão, busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico, bancário, fiscal e telemático, interceptação telefônica e de outras medidas invasivas serão processados e apreciados em autos apartados e sob sigilo (é o que prevê o art. 230-C, parágrafo 2°, Regimento Interno do STF);
• Provavelmente, o restante do inquérito será público;
• Apresentado o relatório pelo delegado, o relator encaminhará os autos para o procurador-geral da República, que poderá: (i) pedir diligências complementares, pedir o arquivamento, oferecer denúncia contra os que no seu entender cometeram crimes - ele tem um prazo de 60 dias. Em relação àqueles que estiverem presos, esse prazo é de 5 dias;
• O relator poderá rejeitar monocraticamente a denúncia em relação a cada um dos denunciados, quando a mesma for manifestamente equivocada (o regimento lista as hipóteses técnicas em que isso pode acontecer no art. 231, parágrafo quarto);
• Caso não rejeite a denúncia, o relator intimará cada denunciado para oferecer defesa no prazo de 15 dias;
• Apresentada ou não a defesa, o relator pedirá dia para a Turma julgadora do STF deliberar sobre a aceitação ou rejeição da denúncia;
• Na sessão, será permitida a sustentação oral, por 15 minutos para cada denunciado.
Desfecho melancólico - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK
O GLOBO - 19/12
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso
Seis meses atrás, a presidente Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Continuava a se autocongratular por seu longo envolvimento com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos.” (“Folha de S.Paulo”, 2/7/2014)
Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial. A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.
Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.
Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.
No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.
Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”. Sob a proteção de requisitos absurdos de conteúdo local, quem nunca construíra nem mesmo um bote foi transformado em grande produtor de equipamentos de alta tecnologia.
Esse oba-oba, regado a dinheiro barato do BNDES, repassado pelo Tesouro, criou caldo de cultura propício para a proliferação das irregularidades que, agora, vêm ganhando destaque na mídia.
Não bastasse a sobrecarga de investimento e a obrigação de arcar com preços escorchantes de bens de capital, a Petrobras ainda foi fragilizada por longo represamento populista de preços de combustíveis.
Na esteira da descoberta de um amplo esquema de desvio de recursos nos seus programas de investimento, a situação da empresa agravou-se rapidamente. Processada por minoritários e investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelas comissões de valores mobiliários do Brasil e dos Estados Unidos, a Petrobras já nem mesmo consegue publicar balanços auditados. Marcha para a perda do grau de investimento, enquanto suas ações despencam em queda livre.
É o desfecho melancólico de 12 anos de estreito envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras. Foi, de fato, um longo ciclo, durante o qual a presidente esteve “presente em todos os momentos”. Tendo atrelado sua trajetória política à empresa, Dilma afinal se dá conta de que está fadada a ser assombrada, no seu segundo mandato, pelos desdobramentos de fatos ocorridos no longo período em que foi a principal responsável pelos destinos da Petrobras.
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso
Seis meses atrás, a presidente Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Continuava a se autocongratular por seu longo envolvimento com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos.” (“Folha de S.Paulo”, 2/7/2014)
Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial. A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.
Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.
Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.
No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.
Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”. Sob a proteção de requisitos absurdos de conteúdo local, quem nunca construíra nem mesmo um bote foi transformado em grande produtor de equipamentos de alta tecnologia.
Esse oba-oba, regado a dinheiro barato do BNDES, repassado pelo Tesouro, criou caldo de cultura propício para a proliferação das irregularidades que, agora, vêm ganhando destaque na mídia.
Não bastasse a sobrecarga de investimento e a obrigação de arcar com preços escorchantes de bens de capital, a Petrobras ainda foi fragilizada por longo represamento populista de preços de combustíveis.
Na esteira da descoberta de um amplo esquema de desvio de recursos nos seus programas de investimento, a situação da empresa agravou-se rapidamente. Processada por minoritários e investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelas comissões de valores mobiliários do Brasil e dos Estados Unidos, a Petrobras já nem mesmo consegue publicar balanços auditados. Marcha para a perda do grau de investimento, enquanto suas ações despencam em queda livre.
É o desfecho melancólico de 12 anos de estreito envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras. Foi, de fato, um longo ciclo, durante o qual a presidente esteve “presente em todos os momentos”. Tendo atrelado sua trajetória política à empresa, Dilma afinal se dá conta de que está fadada a ser assombrada, no seu segundo mandato, pelos desdobramentos de fatos ocorridos no longo período em que foi a principal responsável pelos destinos da Petrobras.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“É um problema da presidente Dilma, não meu”
Lula, o Macunaíma, tirando o corpo fora do Petrolão e da demissão da Graça Foster
NOVA MP ‘ENXERTADA’ BENEFICIA A CAOA HYUNDAI
O fabricante de automóveis Caoa Hyundai é novamente um dos mais beneficiados por medida provisória (nº 656) enxertada, na Câmara e no Senado, e aprovada na calada da madrugada desta quarta-feira (17). São 169 artigos tratando de 55 temas diferentes, inclusive a renúncia fiscal que dispensará a Caoa Hyundai e a Mitsubishi de pagar R$ 10 bilhões em impostos até 2019, segundo estimam técnicos do governo.
TAMBÉM QUERO
A MP 656 estendeu a Caoa Hyundai e a Mitsubishi benefícios fiscais concedidos à Ford, para se instalar na Bahia, e à Fiat, em Pernambuco.
VELHOS CLIENTES
A Caoa Hyunday e a Mitsubishi são velhos clientes no ramo: só este ano, duas MPs (627 e 651) estabeleceram isenções para ambas.
ENCOMENDA ENTREGUE
Na ânsia de atender as duas montadoras “freguesas”, a Câmara e o Senado enxertaram dois artigos (13º e 156º) sobre o mesmo assunto.
TRAFICÂNCIAS
MP virou sonho de consumo de lobistas e traficantes de influência, e custa caro: afinal, se Dilma não vetar, entra em vigor imediatamente.
PROJETO DO GOVERNO DILMA APEQUENA O ITAMARATY
A Casa Civil do Planalto já aprontou o projeto extinguindo no Itamaraty os tradicionais Departamento de Promoção Comercial e a Agência Brasileira de Cooperação, que deram sustentação à política externa brasileira nos últimos 40 anos. O monstrengo estaria a cargo do sub Beto Vasconcelos. A investida contra o Itamaraty começou com o fortalecimento da Apex, uma agência de promoção da exportação.
‘COLA’ DESCARADA
Desde o início do governo Lula, Apex bancou viagens de funcionários monoglotas que recorriam a diplomatas para fazerem o trabalho deles.
APROPRIAÇÃO
Um ex-embaixador na Arábia Saudita revelou à coluna que a turma da Apex se apropriava de estudos de mercado elaborados por diplomatas.
HERANÇA MALDITA
A redução de atribuições do Itamaraty decorre da antipatia de Dilma por diplomatas, após sua convivência com o ex-chanceler Antônio Patriota.
EXPLICADO
Há anos agarrado à CGU, Jorge Hage teria decidido largar o osso após tomar uma bronca monumental da chefe, segundo fonte do Palácio do Planalto. Ela não gostou de uma declaração de Hage anunciando providências contra o Petrolão. Com 9 meses de atraso, ressalte-se.
NÃO FALTARÁ TRABALHO
Dilma quer o futuro secretário-geral da Presidência, Miguel Rosseto, no grupo criado pelo chefão Lula, para “gerenciar crises”. Ele propôs isso ainda sem saber como explicar a roubalheira do Petrolão.
MINISTRO BEM AVALIADO
Pesquisa realizada pela FSB na Câmara dos Deputados indicou que Aldo Rebelo (Esporte) é o ministro mais bem avaliado pelos parlamentares. Foram ouvidos 228 deputados de vinte partidos.
BALCÃO DE NEGÓCIOS
Nem começou a nova legislatura, e os deputados federais já se movimentam para furar a fila, a fim de conseguir imóveis funcionais reformados. Em troca, oferecem nomeação em cargos nos gabinetes.
SÓ ASSIM
Na tentativa de animar os colegas a sair da preguiça e ir ao plenário votar, o deputado Onofre Santo Agustini (PSD-SC) alertou aos gritos, no cafezinho da Câmara: “Quem não votar não receberá 15º salário”.
ABRINDO VAGAS
O governador Geraldo Alckmin (SP) pretende convidar quatro deputados para compor o secretariado. Os suplentes Mendes Thame (PSDB) e Roberto Freire (PPS) podem assumir vaga na Câmara.
SE DEPENDER DO DF
O caos no governo do DF, após atraso nos pagamentos e rombo nas contas, foi mais um dos motivos para a mobilização de claques de outros estados para a reposse de Dilma. O PT espera muitas vaias.
RITMO DE FESTA
Já diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral, o governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), fez uma festiva comemoração no restaurante Gero, em Brasília.
PENSANDO BEM...
...com o fim do embargo dos Estados Unidos, o próximo presidente de Cuba poderá ser o Ronald McDonald ou Mickey Mouse.
PODER SEM PUDOR
DOIS EM UM
Além de Petrônio Portela, articulador da abertura política, o Piauí tinha o senador biônico Lucídio Portela. Ao contrário do irmão, Lucídio tinha fama de autoritário e pouco letrado. Reza a lenda que certa vez ele elogiava a ditadura quando citou o escritor Fiodor Dostoievsky. Um senador de oposição aparteou:
- Interessante sua citação de Dostoievsky. A propósito, o nobre colega já leu "Crime e Castigo"?
- Li os dois! - fulminou o velho Lucídio, multiplicando por dois o clássico romance da literatura russa.
Lula, o Macunaíma, tirando o corpo fora do Petrolão e da demissão da Graça Foster
NOVA MP ‘ENXERTADA’ BENEFICIA A CAOA HYUNDAI
O fabricante de automóveis Caoa Hyundai é novamente um dos mais beneficiados por medida provisória (nº 656) enxertada, na Câmara e no Senado, e aprovada na calada da madrugada desta quarta-feira (17). São 169 artigos tratando de 55 temas diferentes, inclusive a renúncia fiscal que dispensará a Caoa Hyundai e a Mitsubishi de pagar R$ 10 bilhões em impostos até 2019, segundo estimam técnicos do governo.
TAMBÉM QUERO
A MP 656 estendeu a Caoa Hyundai e a Mitsubishi benefícios fiscais concedidos à Ford, para se instalar na Bahia, e à Fiat, em Pernambuco.
VELHOS CLIENTES
A Caoa Hyunday e a Mitsubishi são velhos clientes no ramo: só este ano, duas MPs (627 e 651) estabeleceram isenções para ambas.
ENCOMENDA ENTREGUE
Na ânsia de atender as duas montadoras “freguesas”, a Câmara e o Senado enxertaram dois artigos (13º e 156º) sobre o mesmo assunto.
TRAFICÂNCIAS
MP virou sonho de consumo de lobistas e traficantes de influência, e custa caro: afinal, se Dilma não vetar, entra em vigor imediatamente.
PROJETO DO GOVERNO DILMA APEQUENA O ITAMARATY
A Casa Civil do Planalto já aprontou o projeto extinguindo no Itamaraty os tradicionais Departamento de Promoção Comercial e a Agência Brasileira de Cooperação, que deram sustentação à política externa brasileira nos últimos 40 anos. O monstrengo estaria a cargo do sub Beto Vasconcelos. A investida contra o Itamaraty começou com o fortalecimento da Apex, uma agência de promoção da exportação.
‘COLA’ DESCARADA
Desde o início do governo Lula, Apex bancou viagens de funcionários monoglotas que recorriam a diplomatas para fazerem o trabalho deles.
APROPRIAÇÃO
Um ex-embaixador na Arábia Saudita revelou à coluna que a turma da Apex se apropriava de estudos de mercado elaborados por diplomatas.
HERANÇA MALDITA
A redução de atribuições do Itamaraty decorre da antipatia de Dilma por diplomatas, após sua convivência com o ex-chanceler Antônio Patriota.
EXPLICADO
Há anos agarrado à CGU, Jorge Hage teria decidido largar o osso após tomar uma bronca monumental da chefe, segundo fonte do Palácio do Planalto. Ela não gostou de uma declaração de Hage anunciando providências contra o Petrolão. Com 9 meses de atraso, ressalte-se.
NÃO FALTARÁ TRABALHO
Dilma quer o futuro secretário-geral da Presidência, Miguel Rosseto, no grupo criado pelo chefão Lula, para “gerenciar crises”. Ele propôs isso ainda sem saber como explicar a roubalheira do Petrolão.
MINISTRO BEM AVALIADO
Pesquisa realizada pela FSB na Câmara dos Deputados indicou que Aldo Rebelo (Esporte) é o ministro mais bem avaliado pelos parlamentares. Foram ouvidos 228 deputados de vinte partidos.
BALCÃO DE NEGÓCIOS
Nem começou a nova legislatura, e os deputados federais já se movimentam para furar a fila, a fim de conseguir imóveis funcionais reformados. Em troca, oferecem nomeação em cargos nos gabinetes.
SÓ ASSIM
Na tentativa de animar os colegas a sair da preguiça e ir ao plenário votar, o deputado Onofre Santo Agustini (PSD-SC) alertou aos gritos, no cafezinho da Câmara: “Quem não votar não receberá 15º salário”.
ABRINDO VAGAS
O governador Geraldo Alckmin (SP) pretende convidar quatro deputados para compor o secretariado. Os suplentes Mendes Thame (PSDB) e Roberto Freire (PPS) podem assumir vaga na Câmara.
SE DEPENDER DO DF
O caos no governo do DF, após atraso nos pagamentos e rombo nas contas, foi mais um dos motivos para a mobilização de claques de outros estados para a reposse de Dilma. O PT espera muitas vaias.
RITMO DE FESTA
Já diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral, o governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), fez uma festiva comemoração no restaurante Gero, em Brasília.
PENSANDO BEM...
...com o fim do embargo dos Estados Unidos, o próximo presidente de Cuba poderá ser o Ronald McDonald ou Mickey Mouse.
PODER SEM PUDOR
DOIS EM UM
Além de Petrônio Portela, articulador da abertura política, o Piauí tinha o senador biônico Lucídio Portela. Ao contrário do irmão, Lucídio tinha fama de autoritário e pouco letrado. Reza a lenda que certa vez ele elogiava a ditadura quando citou o escritor Fiodor Dostoievsky. Um senador de oposição aparteou:
- Interessante sua citação de Dostoievsky. A propósito, o nobre colega já leu "Crime e Castigo"?
- Li os dois! - fulminou o velho Lucídio, multiplicando por dois o clássico romance da literatura russa.
quinta-feira, dezembro 18, 2014
É diferente, não melhor - CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 18/12
É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada, juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas
A Rússia de novo? Sim, a pergunta faz sentido por aqui. Na conturbada sequência de crises dos emergentes nos anos 90, a Rússia quebrou em 98 e o seguinte na lista foi o Brasil, em 99.
Mas não se repete agora a parte anterior daquela sequência. Tailândia e Coreia do Sul, que quebraram em 1997, parecem longe da crise. Pelo menos desse tipo de crise.
Ainda ontem, o Banco Central da Tailândia manteve sua taxa básica de juros em 2% ao ano, nível em que se encontra há seis meses. E indicou que pode cortar a taxa em breve, já que a economia anda muito devagar, crescendo 1,5% em ritmo anualizado.
A Coreia também sofre com a moleza da economia mundial, mas resiste bem. Cresce a 3,5% ao ano, com inflação de 1,5% e juros pouco abaixo de 3%. E tem um baita superávit, de 5,5% do PIB nas contas externas. Tailândia também é superavitária nesse quesito importante.
Esses países representam bem a diferença entre os dois momentos. Ao fim dos anos 90, as reservas internacionais dos principais emergentes, sem a China, mal chegavam aos US$ 500 bilhões, com déficits nas contas externas e regime de câmbio fixo, quando o BC se compromete com uma determinada taxa na compra e venda de dólares. É caminho fácil para a fuga de capitais e desvalorização selvagem das moedas locais.
Depois das crises — quando todos ficaram sem dólares para pagar os compromissos da dívida e caíram no colo do FMI —, houve uma sequência de reformas macroeconômicas ortodoxas e a mudança para o câmbio flutuante. Com a ajuda da China, com seu crescimento espantoso e a voracidade com que comprava as comodities dos emergentes, estes acumularam montanhas de dólares. Já na grande crise de 2008/9, desta vez dos ricos, esses emergentes detinham reservas de mais de US$ 3 trilhões. E continuaram acumulando, Rússia inclusive.
Tudo considerado, não que não existam problemas, hoje. São diferentes e variam conforme o país.
A Rússia, por exemplo, enfrenta uma questão política, as sanções econômicas impostas pelos EUA e a União Europeia, por causa da intervenção de Putin na Ucrânia. Há restrições tanto para negócios das empresas russas no exterior quanto para as companhias ocidentais na Rússia. Só isso derruba o investimento e, pois, o crescimento. Em cima disso, veio a queda vertiginosa do preço do petróleo, a principal força econômica e política da Rússia. É a maior fonte de renda da economia e instrumento de pressão sobre a Europa, parcialmente dependente do combustível russo.
Isso não tem nada a ver com as situações de Tailândia, Coreia do Sul e Brasil. Só que, dos três, o caso brasileiro é o mais complicado, embora mantendo reservas elevadas.
Por conta da nova matriz introduzida especialmente no governo Dilma, o Brasil é apanhado nesta turbulência com todos os fundamentos desalinhados. É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada, juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas externas e internas, dívida pública em alta.
É especialmente ruim porque pouco tempo atrás, ainda no segundo governo Lula, o quadro era o inverso. Com fundamentos em ordem, o país superou a crise de 2008/9. E depois, caiu na nova matriz.
Hoje, véspera do segundo governo Dilma, a crise da Rússia pode não ser um antecedente, mas mostra bem como foi equivocada a política econômica dos últimos anos. E explica por que a presidente resolveu ou foi obrigada a encaminhar uma guinada na busca dos fundamentos perdidos.
E com essa baita crise na Petrobras e no coração do governo e seus partidos. Por falar nisso, olha outra semelhança com o caso russo: o preço do petróleo em queda coloca em risco os planos de expansão econômica baseados no pré-sal.
OFICIALMENTE
Repararam como os investigados usam a mesma desculpa para nada declarar? As empresas, as pessoas, os advogados dizem, quando perguntados sobre novos fatos, como uma denúncia formalizada: não fomos oficialmente comunicados.
É notável esse apreço ao oficial, partindo de gente tão ativa nas contas não oficiais.
EMPREITEIRAS
Não são to big to fail. E isto se aplica mais aos acionistas controladores do que aos negócios. Por exemplo: uma obra viciada por grossa corrupção pode ser transferida a uma outra companhia, nacional ou estrangeira, que assumiria a parte saudável. A parte podre ficaria na conta, inclusive pessoal, dos responsáveis.
Foi feito assim na crise dos bancos privados nos anos 90. Os acionistas perderam seus bancos, mas os negócios continuaram.
Papel do governo neste caso: coordenar o “Proer das empreiteiras”. E da Petrobras.
É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada, juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas
A Rússia de novo? Sim, a pergunta faz sentido por aqui. Na conturbada sequência de crises dos emergentes nos anos 90, a Rússia quebrou em 98 e o seguinte na lista foi o Brasil, em 99.
Mas não se repete agora a parte anterior daquela sequência. Tailândia e Coreia do Sul, que quebraram em 1997, parecem longe da crise. Pelo menos desse tipo de crise.
Ainda ontem, o Banco Central da Tailândia manteve sua taxa básica de juros em 2% ao ano, nível em que se encontra há seis meses. E indicou que pode cortar a taxa em breve, já que a economia anda muito devagar, crescendo 1,5% em ritmo anualizado.
A Coreia também sofre com a moleza da economia mundial, mas resiste bem. Cresce a 3,5% ao ano, com inflação de 1,5% e juros pouco abaixo de 3%. E tem um baita superávit, de 5,5% do PIB nas contas externas. Tailândia também é superavitária nesse quesito importante.
Esses países representam bem a diferença entre os dois momentos. Ao fim dos anos 90, as reservas internacionais dos principais emergentes, sem a China, mal chegavam aos US$ 500 bilhões, com déficits nas contas externas e regime de câmbio fixo, quando o BC se compromete com uma determinada taxa na compra e venda de dólares. É caminho fácil para a fuga de capitais e desvalorização selvagem das moedas locais.
Depois das crises — quando todos ficaram sem dólares para pagar os compromissos da dívida e caíram no colo do FMI —, houve uma sequência de reformas macroeconômicas ortodoxas e a mudança para o câmbio flutuante. Com a ajuda da China, com seu crescimento espantoso e a voracidade com que comprava as comodities dos emergentes, estes acumularam montanhas de dólares. Já na grande crise de 2008/9, desta vez dos ricos, esses emergentes detinham reservas de mais de US$ 3 trilhões. E continuaram acumulando, Rússia inclusive.
Tudo considerado, não que não existam problemas, hoje. São diferentes e variam conforme o país.
A Rússia, por exemplo, enfrenta uma questão política, as sanções econômicas impostas pelos EUA e a União Europeia, por causa da intervenção de Putin na Ucrânia. Há restrições tanto para negócios das empresas russas no exterior quanto para as companhias ocidentais na Rússia. Só isso derruba o investimento e, pois, o crescimento. Em cima disso, veio a queda vertiginosa do preço do petróleo, a principal força econômica e política da Rússia. É a maior fonte de renda da economia e instrumento de pressão sobre a Europa, parcialmente dependente do combustível russo.
Isso não tem nada a ver com as situações de Tailândia, Coreia do Sul e Brasil. Só que, dos três, o caso brasileiro é o mais complicado, embora mantendo reservas elevadas.
Por conta da nova matriz introduzida especialmente no governo Dilma, o Brasil é apanhado nesta turbulência com todos os fundamentos desalinhados. É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada, juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas externas e internas, dívida pública em alta.
É especialmente ruim porque pouco tempo atrás, ainda no segundo governo Lula, o quadro era o inverso. Com fundamentos em ordem, o país superou a crise de 2008/9. E depois, caiu na nova matriz.
Hoje, véspera do segundo governo Dilma, a crise da Rússia pode não ser um antecedente, mas mostra bem como foi equivocada a política econômica dos últimos anos. E explica por que a presidente resolveu ou foi obrigada a encaminhar uma guinada na busca dos fundamentos perdidos.
E com essa baita crise na Petrobras e no coração do governo e seus partidos. Por falar nisso, olha outra semelhança com o caso russo: o preço do petróleo em queda coloca em risco os planos de expansão econômica baseados no pré-sal.
OFICIALMENTE
Repararam como os investigados usam a mesma desculpa para nada declarar? As empresas, as pessoas, os advogados dizem, quando perguntados sobre novos fatos, como uma denúncia formalizada: não fomos oficialmente comunicados.
É notável esse apreço ao oficial, partindo de gente tão ativa nas contas não oficiais.
EMPREITEIRAS
Não são to big to fail. E isto se aplica mais aos acionistas controladores do que aos negócios. Por exemplo: uma obra viciada por grossa corrupção pode ser transferida a uma outra companhia, nacional ou estrangeira, que assumiria a parte saudável. A parte podre ficaria na conta, inclusive pessoal, dos responsáveis.
Foi feito assim na crise dos bancos privados nos anos 90. Os acionistas perderam seus bancos, mas os negócios continuaram.
Papel do governo neste caso: coordenar o “Proer das empreiteiras”. E da Petrobras.
Petrolāo repete mensalão - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 18/12
A estratégia de reagir a uma crise com a proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte para a reforma política ou de um plebiscito, e até mesmo a frase "não deixar pedra sobre pedra" na apuração de um escândalo, muito usada pela presidente Dilma na campanha deste ano, fazem parte de um roteiro previamente organizado a partir do escândalo do mensalão por Bernardo Kucinski, escritor premiado e jornalista tarimbado, que teve papel central no primeiro governo Lula criando uma correspondência diária com o presidente por meio da análise do noticiário dos jornais que enviava logo pela manhã, por volta das 8h.
Lula, que confessou que não lia jornais para não ficar com azia, lia aquelas cartas, que ele chamava de "ácidas", e também criticava. Certa vez, na campanha de 1989, Lula disse que Kucinski era tão ácido que, se passasse uma toalha no seu suor e depois espremesse, dava para tirar vinagre.
Mas a confiança no autor, apesar de alguns mal-entendidos, transformou as cartas em instrumento importante de ação presidencial, mesmo que, com a eleição de Lula em 2003, elas tenham passado a se chamar Cartas Críticas, com cuidados para, na definição do autor, "alertar o presidente, sim, aborrecer o presidente, não". Mas sem abdicar de sua função crítica.
Pois quando estourou a crise do mensalão, em 2005, foi de Kucinski que partiram as sugestões de levar ao debate público questões como a reforma política. Escreveu ele em 9 de junho de 2005: "Há uma convicção crescente entre juristas e analistas políticos de que a raiz do problema da corrupção política está no sistema político. Nesse sentido, outra iniciativa ousada do governo seria a de propor uma reforma política já. Talvez isso ajude a levar o problema para um plano superior e genérico".
Em outra ocasião, diante do fato de que a crise do mensalão crescia, ele sugere a Lula: "Só resta ao presidente aprofundar a linha de conduta de 'não deixar pedra sobre pedra' no combate à corrupção e, se preciso, 'cortar na própria carne' ".
De outra feita, ele diz que "em caso extremo, o governo poderia encampar a proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte (...), a razão seria a perda de legitimidade do atual Congresso por causa do mensalão".
Essas cartas estão agora selecionadas em um livro, "Cartas a Lula", em que, divididas por temas, aparecem abordando os principais episódios do primeiro governo, desde o Fome Zero e o Bolsa Família até a transposição do Rio São Francisco, que Kucinski considera um projeto mal aproveitado pelo governo, que não organizou sua narrativa para que tivesse condições de mostrar sua importância para a região.
As cartas fizeram análises de macroeconomia e do cenário internacional, que eram muito utilizadas por Lula em suas viagens. E analisavam detidamente as reações dos principais jornais e revistas em relação a decisões do governo, buscando explicações para comentários de alguns jornalistas ou editoriais. Não há em nenhum momento, nas cartas selecionadas no livro, juízos de valor sobre este ou aquele comentário deste ou daquele jornalista, como se Kucinski estivesse preocupado também em não alimentar o antagonismo entre a chamada mídia e o governo.
Em muitos casos, como no da expulsão do correspondente do "New York Times" no Brasil, Larry Rohter, que fez uma grande reportagem acusando Lula de ser um alcoólatra, Kucinski procura as razões da reportagem muito menos no seu autor do que na política do próprio jornal, que considera representante do establishment americano. É disso que se trata, escreveu Kucinski; Lula tornou-se alvo do Império, e isso deveria deixá-lo orgulhoso. Kucinski se utiliza até mesmo do filósofo americano Noam Chomsky para basear sua opinião de que a reportagem do "New York Times" representava o reconhecimento do governo dos Estados Unidos de que Lula era um líder que precisava ser combatido.
Pelas reações do próprio Lula na ocasião e da presidente Dilma durante a crise de 2013, quando as manifestações populares surpreenderam o governo, e até mesmo na recente campanha presidencial, os conselhos de Kucinski continuam sendo seguidos no Palácio do Planalto, eventualmente adaptados às novas circunstâncias pelo marqueteiro João Santana, também ele originalmente jornalista.
A estratégia de reagir a uma crise com a proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte para a reforma política ou de um plebiscito, e até mesmo a frase "não deixar pedra sobre pedra" na apuração de um escândalo, muito usada pela presidente Dilma na campanha deste ano, fazem parte de um roteiro previamente organizado a partir do escândalo do mensalão por Bernardo Kucinski, escritor premiado e jornalista tarimbado, que teve papel central no primeiro governo Lula criando uma correspondência diária com o presidente por meio da análise do noticiário dos jornais que enviava logo pela manhã, por volta das 8h.
Lula, que confessou que não lia jornais para não ficar com azia, lia aquelas cartas, que ele chamava de "ácidas", e também criticava. Certa vez, na campanha de 1989, Lula disse que Kucinski era tão ácido que, se passasse uma toalha no seu suor e depois espremesse, dava para tirar vinagre.
Mas a confiança no autor, apesar de alguns mal-entendidos, transformou as cartas em instrumento importante de ação presidencial, mesmo que, com a eleição de Lula em 2003, elas tenham passado a se chamar Cartas Críticas, com cuidados para, na definição do autor, "alertar o presidente, sim, aborrecer o presidente, não". Mas sem abdicar de sua função crítica.
Pois quando estourou a crise do mensalão, em 2005, foi de Kucinski que partiram as sugestões de levar ao debate público questões como a reforma política. Escreveu ele em 9 de junho de 2005: "Há uma convicção crescente entre juristas e analistas políticos de que a raiz do problema da corrupção política está no sistema político. Nesse sentido, outra iniciativa ousada do governo seria a de propor uma reforma política já. Talvez isso ajude a levar o problema para um plano superior e genérico".
Em outra ocasião, diante do fato de que a crise do mensalão crescia, ele sugere a Lula: "Só resta ao presidente aprofundar a linha de conduta de 'não deixar pedra sobre pedra' no combate à corrupção e, se preciso, 'cortar na própria carne' ".
De outra feita, ele diz que "em caso extremo, o governo poderia encampar a proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte (...), a razão seria a perda de legitimidade do atual Congresso por causa do mensalão".
Essas cartas estão agora selecionadas em um livro, "Cartas a Lula", em que, divididas por temas, aparecem abordando os principais episódios do primeiro governo, desde o Fome Zero e o Bolsa Família até a transposição do Rio São Francisco, que Kucinski considera um projeto mal aproveitado pelo governo, que não organizou sua narrativa para que tivesse condições de mostrar sua importância para a região.
As cartas fizeram análises de macroeconomia e do cenário internacional, que eram muito utilizadas por Lula em suas viagens. E analisavam detidamente as reações dos principais jornais e revistas em relação a decisões do governo, buscando explicações para comentários de alguns jornalistas ou editoriais. Não há em nenhum momento, nas cartas selecionadas no livro, juízos de valor sobre este ou aquele comentário deste ou daquele jornalista, como se Kucinski estivesse preocupado também em não alimentar o antagonismo entre a chamada mídia e o governo.
Em muitos casos, como no da expulsão do correspondente do "New York Times" no Brasil, Larry Rohter, que fez uma grande reportagem acusando Lula de ser um alcoólatra, Kucinski procura as razões da reportagem muito menos no seu autor do que na política do próprio jornal, que considera representante do establishment americano. É disso que se trata, escreveu Kucinski; Lula tornou-se alvo do Império, e isso deveria deixá-lo orgulhoso. Kucinski se utiliza até mesmo do filósofo americano Noam Chomsky para basear sua opinião de que a reportagem do "New York Times" representava o reconhecimento do governo dos Estados Unidos de que Lula era um líder que precisava ser combatido.
Pelas reações do próprio Lula na ocasião e da presidente Dilma durante a crise de 2013, quando as manifestações populares surpreenderam o governo, e até mesmo na recente campanha presidencial, os conselhos de Kucinski continuam sendo seguidos no Palácio do Planalto, eventualmente adaptados às novas circunstâncias pelo marqueteiro João Santana, também ele originalmente jornalista.
Venina veritas - SÍLVIO RIBAS
CORREIO BRAZILIENSE - 18/12
A gestão temerária da Petrobras, clara desde a assinatura de contratos em branco à compra bilionária de empresas com base em relatórios fajutos, colocou na berlinda não só a diretoria e o patrimônio da maior empresa do Brasil. Foi-se embora com ela a credibilidade dos investidores em papéis brasileiros e a reputação dos órgãos de controle. E a lambança ainda maculou a bandeira histórica da esquerda de defesa da coisa pública.
Nunca antes na história deste país, um governo proclamou tanto o discurso contrário à privatização da Petrobras, em favor de maior presença estatal no setor energético. Contudo, foi a partir da era petista que argumentos dos privatistas ganharam o reforço de evidências de um patrimonialismo sem freio. A empresa teve o comando esquartejado entre políticos, seu caixa serviu a campanhas eleitorais e seu plano de negócios se abateu por orçamentos abusivos. Por fim, corruptos se enriqueceram na boa-fé de contribuintes e poupadores.
Entre os primeiros a se revoltar com a perda de prumo e de rumo da companhia outrora orgulho nacional estava uma de suas funcionárias, a gerente Venina Velosa da Fonseca. Ela enviou e-mails à presidente Graça Foster e a outros superiores para apontar desvios em diversas áreas da empresa, muito antes da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Ao que tudo indica, os executivos souberam dos esquemas de corrupção, mas preferiram fazer com que os incomodados se retirassem. Nesse meio tempo, empreiteiras, larápios internos e partidos espremiam a galinha dos ovos de "ouro negro".
Tal qual a expressão latina "In vino veritas", também há uma embriagante verdade em Venina: a de que o dever cívico de informar malfeitos andava meio contido na máquina federal. As coisas mudaram. No começo dos anos 1990, quando pisei pela primeira vez numa plataforma na Bacia de Santos (RJ), o que mais me impressionou foi uma palestra com forte tom doutrinário dos técnicos locais, aos visitantes. Eles expuseram nos slides de planilhas e de trechos de documentos traduzidos a "importância estratégica da exploração em águas profundas" pela Petrobras, cujas inovações teriam despertado a cobiça internacional.
O mesmo ardor de petroleiros naquela época, quando lutavam para proteger a estatal dos venenosos grupos petroleiros do Ocidente, não se repetiu agora, quando os inimigos se revelaram ser pratas da casa, aliados a vendilhões ali da esquina.
A gestão temerária da Petrobras, clara desde a assinatura de contratos em branco à compra bilionária de empresas com base em relatórios fajutos, colocou na berlinda não só a diretoria e o patrimônio da maior empresa do Brasil. Foi-se embora com ela a credibilidade dos investidores em papéis brasileiros e a reputação dos órgãos de controle. E a lambança ainda maculou a bandeira histórica da esquerda de defesa da coisa pública.
Nunca antes na história deste país, um governo proclamou tanto o discurso contrário à privatização da Petrobras, em favor de maior presença estatal no setor energético. Contudo, foi a partir da era petista que argumentos dos privatistas ganharam o reforço de evidências de um patrimonialismo sem freio. A empresa teve o comando esquartejado entre políticos, seu caixa serviu a campanhas eleitorais e seu plano de negócios se abateu por orçamentos abusivos. Por fim, corruptos se enriqueceram na boa-fé de contribuintes e poupadores.
Entre os primeiros a se revoltar com a perda de prumo e de rumo da companhia outrora orgulho nacional estava uma de suas funcionárias, a gerente Venina Velosa da Fonseca. Ela enviou e-mails à presidente Graça Foster e a outros superiores para apontar desvios em diversas áreas da empresa, muito antes da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Ao que tudo indica, os executivos souberam dos esquemas de corrupção, mas preferiram fazer com que os incomodados se retirassem. Nesse meio tempo, empreiteiras, larápios internos e partidos espremiam a galinha dos ovos de "ouro negro".
Tal qual a expressão latina "In vino veritas", também há uma embriagante verdade em Venina: a de que o dever cívico de informar malfeitos andava meio contido na máquina federal. As coisas mudaram. No começo dos anos 1990, quando pisei pela primeira vez numa plataforma na Bacia de Santos (RJ), o que mais me impressionou foi uma palestra com forte tom doutrinário dos técnicos locais, aos visitantes. Eles expuseram nos slides de planilhas e de trechos de documentos traduzidos a "importância estratégica da exploração em águas profundas" pela Petrobras, cujas inovações teriam despertado a cobiça internacional.
O mesmo ardor de petroleiros naquela época, quando lutavam para proteger a estatal dos venenosos grupos petroleiros do Ocidente, não se repetiu agora, quando os inimigos se revelaram ser pratas da casa, aliados a vendilhões ali da esquina.
O Brasil tem quatro anos para virar a Argentina - GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA

Uma grande empreiteira pagou R$ 886 mil a uma empresa de José Dirceu e obteve, em seguida, um contrato com a Petrobras no valor de R$ 4,7 bilhões, para realização de serviços na Refinaria Abreu e Lima. Para quem não lembra, essa é a famosa obra que multiplicou seu valor original pelo menos três vezes e passou dos R$ 40 bilhões. A reportagem de ÉPOCA que mostra a triangulação camuflada sob uma "consultoria" de Dirceu ajuda a entender por que essa refinaria ficou 200% mais cara que ela mesma. Há um outro sócio fundamental dessa transação: o eleitor de Dilma Rousseff.
Essa triangulação, descoberta pela Polícia Federal na blitz conhecida como "Dia do Juízo Final", se deu entre 2010 e 2011. Exatamente quando Dilma ascendia à Presidência. E Dirceu já era réu no processo do mensalão. As cartas já estavam na mesa, e os anos seguintes apenas as revelaram: Dirceu condenado, e o petrolão descoberto. Quando foi às urnas em outubro passado, o eleitor brasileiro já sabia de tudo: que cardeais petistas haviam plantado uma diretoria na Petrobras para roubar a empresa em benefício da sustentação de seu projeto de poder. Exatamente a mesma tecnologia do mensalão, também tramado de dentro do Palácio do Planalto. Quem votou pela reeleição de Dilma, mesmo que alegue esquerdismo, progressismo, coitadismo ou cinismo, é sócio político do esquema.
A pergunta é: o que será do Brasil nos próximos quatro anos? Algumas vozes respeitáveis têm oferecido um ombro amigo ao governo popular - não para que ele chore suas lágrimas de crocodilo, mas para que não caia de podre. É a tese de que o impeachment é pior para o país do que carregar por quatro anos um governo na UTI. Tudo bem. Só falta combinar com os russos. O segundo mandato de Dilma Rousseff nascerá desmoralizado no país e no exterior. Nesse cenário, como investir no Brasil? Como respeitar as instituições? Como concordar e se submeter às regras do jogo, se o juiz se vendeu na cara de todo mundo?
O mais ortodoxo dos contribuintes, aquele que jamais cogitou sonegar impostos, está revoltado com cada centavo que paga ao Fisco. Caiu a máscara social do PT - e agora todos já sabem que a trilionária arrecadação da União está a serviço de uma indústria de privatização da política. Daí os níveis de investimentos irrisórios, a estagnação da infraestrutura, o desperdício de uma década de bons ventos econômicos sem avançar um milímetro nos sistemas de saúde e educação - enquanto o sistema de corrupção cresceu admiravelmente (o mensalão é troco diante do petrolão), e o bom pagador de impostos não tem mais dúvidas: estão me fazendo de otário.
Traduzindo: o contrato republicano foi rasgado. Se o brasileiro não fosse essa doçura, o primeiro governista que falasse na volta da CPMF seria crucificado em praça pública. Por meio de um dublê de bobo da corte e ministro da Fazenda, o governo assegurou que estava tudo bem com as contas públicas - até avisar, passada a eleição, que daria o golpe na Lei de Responsabilidade Fiscal. A tropa companheira marchou sobre o Congresso e incinerou, ao vivo, o principal compromisso com a saúde financeira nacional. E isso aí: torramos o dinheiro do contribuinte e mudaremos a meta na marra, para legalizar o rombo.
O projeto parasitário do PT está empobrecendo democraticamente ricos e pobres. E sempre indesejável a metáfora do câncer, mas não há descrição mais precisa dessa autópsia: um projeto de poder que plantou células degenerativas a cada movimento no organismo estatal. Como será o embate do respeitável Joaquim Levy com toda a teia de artifícios montada para gerar a famosa contabilidade criativa? Haja quimioterapia.
Seria até esperançoso imaginar que, agora, haverá 100% de esforço e sacrifício em prol do tratamento rigoroso. Só que não... O ponto a que chegou o plano petista não tem volta. A única chance de Dilma, Lula & Cia. é ajeitar as aparências e dobrar a aposta. Do contrário, a mitologia acaba e, aí sim, todos eles pagarão muito caro pelo que fizeram ao Brasil.
Ou o país leva às últimas consequências a investigação do petrolão - se for séria, ela levará a uma inevitável faxina no Palácio - ou pode ir fazendo as malas para a Argentina.

Uma grande empreiteira pagou R$ 886 mil a uma empresa de José Dirceu e obteve, em seguida, um contrato com a Petrobras no valor de R$ 4,7 bilhões, para realização de serviços na Refinaria Abreu e Lima. Para quem não lembra, essa é a famosa obra que multiplicou seu valor original pelo menos três vezes e passou dos R$ 40 bilhões. A reportagem de ÉPOCA que mostra a triangulação camuflada sob uma "consultoria" de Dirceu ajuda a entender por que essa refinaria ficou 200% mais cara que ela mesma. Há um outro sócio fundamental dessa transação: o eleitor de Dilma Rousseff.
Essa triangulação, descoberta pela Polícia Federal na blitz conhecida como "Dia do Juízo Final", se deu entre 2010 e 2011. Exatamente quando Dilma ascendia à Presidência. E Dirceu já era réu no processo do mensalão. As cartas já estavam na mesa, e os anos seguintes apenas as revelaram: Dirceu condenado, e o petrolão descoberto. Quando foi às urnas em outubro passado, o eleitor brasileiro já sabia de tudo: que cardeais petistas haviam plantado uma diretoria na Petrobras para roubar a empresa em benefício da sustentação de seu projeto de poder. Exatamente a mesma tecnologia do mensalão, também tramado de dentro do Palácio do Planalto. Quem votou pela reeleição de Dilma, mesmo que alegue esquerdismo, progressismo, coitadismo ou cinismo, é sócio político do esquema.
A pergunta é: o que será do Brasil nos próximos quatro anos? Algumas vozes respeitáveis têm oferecido um ombro amigo ao governo popular - não para que ele chore suas lágrimas de crocodilo, mas para que não caia de podre. É a tese de que o impeachment é pior para o país do que carregar por quatro anos um governo na UTI. Tudo bem. Só falta combinar com os russos. O segundo mandato de Dilma Rousseff nascerá desmoralizado no país e no exterior. Nesse cenário, como investir no Brasil? Como respeitar as instituições? Como concordar e se submeter às regras do jogo, se o juiz se vendeu na cara de todo mundo?
O mais ortodoxo dos contribuintes, aquele que jamais cogitou sonegar impostos, está revoltado com cada centavo que paga ao Fisco. Caiu a máscara social do PT - e agora todos já sabem que a trilionária arrecadação da União está a serviço de uma indústria de privatização da política. Daí os níveis de investimentos irrisórios, a estagnação da infraestrutura, o desperdício de uma década de bons ventos econômicos sem avançar um milímetro nos sistemas de saúde e educação - enquanto o sistema de corrupção cresceu admiravelmente (o mensalão é troco diante do petrolão), e o bom pagador de impostos não tem mais dúvidas: estão me fazendo de otário.
Traduzindo: o contrato republicano foi rasgado. Se o brasileiro não fosse essa doçura, o primeiro governista que falasse na volta da CPMF seria crucificado em praça pública. Por meio de um dublê de bobo da corte e ministro da Fazenda, o governo assegurou que estava tudo bem com as contas públicas - até avisar, passada a eleição, que daria o golpe na Lei de Responsabilidade Fiscal. A tropa companheira marchou sobre o Congresso e incinerou, ao vivo, o principal compromisso com a saúde financeira nacional. E isso aí: torramos o dinheiro do contribuinte e mudaremos a meta na marra, para legalizar o rombo.
O projeto parasitário do PT está empobrecendo democraticamente ricos e pobres. E sempre indesejável a metáfora do câncer, mas não há descrição mais precisa dessa autópsia: um projeto de poder que plantou células degenerativas a cada movimento no organismo estatal. Como será o embate do respeitável Joaquim Levy com toda a teia de artifícios montada para gerar a famosa contabilidade criativa? Haja quimioterapia.
Seria até esperançoso imaginar que, agora, haverá 100% de esforço e sacrifício em prol do tratamento rigoroso. Só que não... O ponto a que chegou o plano petista não tem volta. A única chance de Dilma, Lula & Cia. é ajeitar as aparências e dobrar a aposta. Do contrário, a mitologia acaba e, aí sim, todos eles pagarão muito caro pelo que fizeram ao Brasil.
Ou o país leva às últimas consequências a investigação do petrolão - se for séria, ela levará a uma inevitável faxina no Palácio - ou pode ir fazendo as malas para a Argentina.
Dilma chora pela Petrobras? - RUTH DE AQUINO
REVISTA ÉPOCA

Entendo que a presidente Dilma Rousseff chore pelo trauma da tortura e da prisão durante a ditadura militar. Queria ver a presidente chorando também, com sinceridade, pelas revelações da "outra" Comissão Nacional da Verdade. Uma verdade investigada e denunciada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Quantas mentiras foram ditas pela senhora, presidente, neste ano eleitoral?
Algum dia veremos lágrimas de Dilma pela má gestão petista da Petrobras? Ninguém pede perdão no Brasil, nem os presidentes militares nem os civis. Será que, no escurinho de seus aposentos no Palácio da Alvorada, Dilma já percebeu que Graça Foster está com os dias contados, porque seu comando na Petrobras se tornou indefensável, por conivência ou desleixo?
Será que Dilma chora às escondidas ao reconhecer, para si mesma, que a Petrobras deixou de ser o orgulho nacional para se tornar a vergonha nacional, processada até no exterior? Será que Dilma chora pelas perdas de todos os pequenos investidores enganados pela empresa?
"Roubaram o orgulho dos brasileiros", afirma o procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, sobre o escândalo. Janot defende a demissão de toda a cúpula da Petrobras pelo "cenário desastroso na gestão da companhia". Dilma escuta Lula dizer que tem de "botar o dedo na cara" da oposição.
Se Dilma chora pelas 434 vítimas do golpe militar - e nos emociona -, será que chora de tristeza, vergonha e, quem sabe, arrependimento por não ter detido a roubalheira na maior estatal do país, por não ter impedido a compra da Refinaria de Pasadena, por ter deixado rolar os desvios bilionários que sucateiam nossos serviços públicos e punem a população?
A lama já chegou ao Congresso. Logo teremos a lista de políticos no "corredor da cassação". O deputado fanfarrão André Vargas, recém-cassado, diz ser "apenas um cisco" na Lava Jato. Sabemos que é verdade. Vargas foi um dos anéis defenestrados para o partido manter os dedos. Haverá outros. Em abril, Lula já dizia: "No final quem paga o pato (da amizade de com o doleiro preso Alberto Youssef) é o PT." Será que um dia anistiaremos os bandidos?
É um exercício didático lembrar o que Dilma falou, em abril, em Ipojuca, Pernambuco, numa cerimônia alusiva à viagem do navio Dragão do Mar. Ela criticou a "campanha negativa" de denúncias contra a Petrobras e discursou para os operários. "Mais que uma empresa", disse Dilma há oito meses, "a Petrobras é um símbolo da afirmação do nosso país, e um dos maiores patrimônios de cada um dos 200 milhões de brasileiros. Por isso, a Petrobras jamais se confundirá com qualquer malfeito, corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas, das mais às menos graduadas." Ela chora, hoje? Qu só a gente chora?
"Sabemos que (a Petrobras) é a maior empresa e a mais bem-sucedida deste país. Acreditamos na Petrobras, acreditamos na Petrobras mil vezes" afirmou Dilma ao encerrar o discurso em Pernambuco. Mil e uma vezes, Dilma mentiu ou foi traída. Numa ação coletiva em Nova York, advogados dizem que acionistas da Petrobras foram enganados em "esquema multibilionário de corrupção, suborno e lavagem de dinheiro desde 2006".
Sete em cada dez brasileiros acham que Dilma tem alguma responsabilidade na corrupção da Petrobras. A pesquisa é do Datafolha, nos dias 2 e 3 de dezembro. A maioria não acredita que Dilma seja inocente.
O ministro Jorge Hage, de 76 anos, pediu na semana passada a demissão da Controladoria-Geral da União (CGU). Saiu dizendo que as estatais no Brasil não são fiscalizadas. Estão "fora do alcance" da CGU, principal órgão federal de combate à corrupção. Será que Dilma chora quando escuta isso ou se enfurece?
Não é só a Polícia Federal. Não é só o Ministério Público. Não é só a CGU. A penúria da economia real mostra direitinho quem pagará o pato pela incompetência. Não será o PT. Seremos nós. As metas foram mandadas para o inferno, e as contas e os impostos são aumentados com força total.
Será que Dilma chora pelos "crimes contra a humanidade" nos hospitais públicos de Brasília, ali pertinho dela? O programa Bom Dia Brasil da última sexta-feira expôs o descaso assassino com doentes, Ambulâncias paradas por falta de combustível, hospitais sem equipamentos ou médicos, exames cancelados até o ano que vem, internet e telefone cortados. Funcionários com salários atrasados.
"Falta de respeito e consideração com a classe trabalhadora. A gente limpa onde eles pisam, e não pagam a gente", disse o auxiliar de serviços gerais de um hospital público, José Mário Romano. Famílias processam os hospitais de Brasília pela falta de socorro que provoca mortes. Será que Dilma chora por esses crimes contra a cidadania? Se chora, ninguém vê.

Entendo que a presidente Dilma Rousseff chore pelo trauma da tortura e da prisão durante a ditadura militar. Queria ver a presidente chorando também, com sinceridade, pelas revelações da "outra" Comissão Nacional da Verdade. Uma verdade investigada e denunciada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Quantas mentiras foram ditas pela senhora, presidente, neste ano eleitoral?
Algum dia veremos lágrimas de Dilma pela má gestão petista da Petrobras? Ninguém pede perdão no Brasil, nem os presidentes militares nem os civis. Será que, no escurinho de seus aposentos no Palácio da Alvorada, Dilma já percebeu que Graça Foster está com os dias contados, porque seu comando na Petrobras se tornou indefensável, por conivência ou desleixo?
Será que Dilma chora às escondidas ao reconhecer, para si mesma, que a Petrobras deixou de ser o orgulho nacional para se tornar a vergonha nacional, processada até no exterior? Será que Dilma chora pelas perdas de todos os pequenos investidores enganados pela empresa?
"Roubaram o orgulho dos brasileiros", afirma o procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, sobre o escândalo. Janot defende a demissão de toda a cúpula da Petrobras pelo "cenário desastroso na gestão da companhia". Dilma escuta Lula dizer que tem de "botar o dedo na cara" da oposição.
Se Dilma chora pelas 434 vítimas do golpe militar - e nos emociona -, será que chora de tristeza, vergonha e, quem sabe, arrependimento por não ter detido a roubalheira na maior estatal do país, por não ter impedido a compra da Refinaria de Pasadena, por ter deixado rolar os desvios bilionários que sucateiam nossos serviços públicos e punem a população?
A lama já chegou ao Congresso. Logo teremos a lista de políticos no "corredor da cassação". O deputado fanfarrão André Vargas, recém-cassado, diz ser "apenas um cisco" na Lava Jato. Sabemos que é verdade. Vargas foi um dos anéis defenestrados para o partido manter os dedos. Haverá outros. Em abril, Lula já dizia: "No final quem paga o pato (da amizade de com o doleiro preso Alberto Youssef) é o PT." Será que um dia anistiaremos os bandidos?
É um exercício didático lembrar o que Dilma falou, em abril, em Ipojuca, Pernambuco, numa cerimônia alusiva à viagem do navio Dragão do Mar. Ela criticou a "campanha negativa" de denúncias contra a Petrobras e discursou para os operários. "Mais que uma empresa", disse Dilma há oito meses, "a Petrobras é um símbolo da afirmação do nosso país, e um dos maiores patrimônios de cada um dos 200 milhões de brasileiros. Por isso, a Petrobras jamais se confundirá com qualquer malfeito, corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas, das mais às menos graduadas." Ela chora, hoje? Qu só a gente chora?
"Sabemos que (a Petrobras) é a maior empresa e a mais bem-sucedida deste país. Acreditamos na Petrobras, acreditamos na Petrobras mil vezes" afirmou Dilma ao encerrar o discurso em Pernambuco. Mil e uma vezes, Dilma mentiu ou foi traída. Numa ação coletiva em Nova York, advogados dizem que acionistas da Petrobras foram enganados em "esquema multibilionário de corrupção, suborno e lavagem de dinheiro desde 2006".
Sete em cada dez brasileiros acham que Dilma tem alguma responsabilidade na corrupção da Petrobras. A pesquisa é do Datafolha, nos dias 2 e 3 de dezembro. A maioria não acredita que Dilma seja inocente.
O ministro Jorge Hage, de 76 anos, pediu na semana passada a demissão da Controladoria-Geral da União (CGU). Saiu dizendo que as estatais no Brasil não são fiscalizadas. Estão "fora do alcance" da CGU, principal órgão federal de combate à corrupção. Será que Dilma chora quando escuta isso ou se enfurece?
Não é só a Polícia Federal. Não é só o Ministério Público. Não é só a CGU. A penúria da economia real mostra direitinho quem pagará o pato pela incompetência. Não será o PT. Seremos nós. As metas foram mandadas para o inferno, e as contas e os impostos são aumentados com força total.
Será que Dilma chora pelos "crimes contra a humanidade" nos hospitais públicos de Brasília, ali pertinho dela? O programa Bom Dia Brasil da última sexta-feira expôs o descaso assassino com doentes, Ambulâncias paradas por falta de combustível, hospitais sem equipamentos ou médicos, exames cancelados até o ano que vem, internet e telefone cortados. Funcionários com salários atrasados.
"Falta de respeito e consideração com a classe trabalhadora. A gente limpa onde eles pisam, e não pagam a gente", disse o auxiliar de serviços gerais de um hospital público, José Mário Romano. Famílias processam os hospitais de Brasília pela falta de socorro que provoca mortes. Será que Dilma chora por esses crimes contra a cidadania? Se chora, ninguém vê.
Em viés de baixa - J. R. GUZZO
REVISTA VEJA
A presidente Dilma Rousseff está fechando o ano de 2014 numa situação curiosa: no momento em que se prepara para começar sua segunda e última temporada no Palácio do Planalto, está em viés de baixa, como se diz — um caso raro de governo que ficou mais fraco, depois de ganhar uma reeleição, do que estava antes da vitória. Esse início de segundo tempo, normalmente, marca o ponto mais alto a que um governo pode chegar. No caso de Dilma, não está sendo assim: a presidente entrou em declínio antes de chegar ao auge, e parece destinada a passar direto da decepção que foi seu primeiro mandato à desesperança que existe em relação ao segundo. Ao longo dos seus primeiros quatro anos, o governo Dilma nunca chegou realmente a engrenar. Nesse período, o crescimento da economia, uma necessidade absolutamente crítica para o Brasil, ficou em média na casa dos 2% ao ano, o segundo pior resultado desde a proclamação da República, em 1889. Passou do saldo para o déficit nas exportações. A indústria, que alterna períodos de marcha lenta com períodos de marcha a ré, é menor hoje do que era quando Dilma assumiu a Presidência. Não há praticamente nada que esteja melhor agora do que estava no começo de 2011. Em suma: o desempenho do governo começou a ratear antes de ganhar velocidade, e disso não saiu mais. Hoje o Brasil roda a uma velocidade entre 0% e 1% de crescimento — seu resultado de 2014 e provavelmente de 2015.
A presidente não tem nada de bom a anunciar para o ano que começa — ao contrário, tem muita notícia ruim para dar, ou para esconder, e terá de tomar aquelas medidas amargas que, como dizia há pouco, seu adversário iria adotar se ganhasse. Mais que tudo, Dilma não sabe, simplesmente, o que fazer a partir de 1° de janeiro para sair do atoleiro onde seu governo foi se meter — se soubesse, por que raios não fez até agora o que deveria ter sido feito? A única iniciativa que tomou depois da eleição foi armar uma fraude política para falsificar a realidade numérica do orçamento de 2014; obteve do Congresso, em troca do compromisso por escrito de dar dinheiro público aos parlamentares, uma licença para desrespeitar a lei. Em matéria de mudança para o segundo mandato, teve apenas uma ideia, jamais mencionada durante a campanha: voltar a cobrar a CPMF, o imposto do cheque criado no governo Itamar Franco e extinto definitivamente pelo Senado sete anos atrás. Fora isso, nada mais lhe ocorreu de útil. Qual a surpresa, nessa miséria de propostas, soluções ou alternativas? É um fato comprovado que a presidente da República não tem competência para fazer mais ou melhor do que tem feito; não há razão para imaginar que teria descoberto a luz, assim de repente, depois de ganhar a eleição. Quem acha que essa afirmação é um exagero fica convidado a responder a uma pergunta bem simples: em que momento, em todos os seus quatro anos de governo, Dilma mostrou algum talento visível, ou teve uma boa ideia que mereça ser citada? Que problema sério resolveu por sua capacidade própria? Como economista formada, escreveu algum artigo que tenha causado admiração ou respeito? Que tese, estudo, pesquisa ou pensamento original tem para apresentar?
O declínio de Dilma às vésperas de assumir seu segundo mandato não se manifesta apenas na falta de aptidão para governar. Tão ruim quanto isso é o desmanche moral de seu governo quatro anos antes da data de vencimento. Quase 70% dos brasileiros, na primeira pesquisa após as eleições, acham que a presidente está envolvida, em maior ou menor grau, nos episódios de corrupção na Petrobras. Hoje os brasileiros sabem que Dilma é capaz de comprar abertamente os votos de deputados para escapar ao cumprimento daquilo que mandam as leis — e se beneficia quando as galerias do Congresso são esvaziadas para que ela e seus agentes escapem de vaias. Também sabem que nomeou para o Ministério da Fazenda um profissional do sistema financeiro — depois de ter permitido que a propaganda de sua campanha destruísse a adversária Marina Silva, acusando-a, sem nenhuma comprovação, de favorecer os bancos caso fosse eleita. Dilma, Lula e o PT já demonstraram de todas as formas possíveis que valores morais não têm lugar na política. Sua pergunta não é: "Isso está certo?". O que interessa é outra coisa: "Dá para fazer?". É muito ruim, inclusive por razões estritamente práticas — não há caso conhecido de governos bem-sucedidos que tenham desprezado a honra, a ética e a decência. O Brasil não vai ser o primeiro.
A presidente Dilma Rousseff está fechando o ano de 2014 numa situação curiosa: no momento em que se prepara para começar sua segunda e última temporada no Palácio do Planalto, está em viés de baixa, como se diz — um caso raro de governo que ficou mais fraco, depois de ganhar uma reeleição, do que estava antes da vitória. Esse início de segundo tempo, normalmente, marca o ponto mais alto a que um governo pode chegar. No caso de Dilma, não está sendo assim: a presidente entrou em declínio antes de chegar ao auge, e parece destinada a passar direto da decepção que foi seu primeiro mandato à desesperança que existe em relação ao segundo. Ao longo dos seus primeiros quatro anos, o governo Dilma nunca chegou realmente a engrenar. Nesse período, o crescimento da economia, uma necessidade absolutamente crítica para o Brasil, ficou em média na casa dos 2% ao ano, o segundo pior resultado desde a proclamação da República, em 1889. Passou do saldo para o déficit nas exportações. A indústria, que alterna períodos de marcha lenta com períodos de marcha a ré, é menor hoje do que era quando Dilma assumiu a Presidência. Não há praticamente nada que esteja melhor agora do que estava no começo de 2011. Em suma: o desempenho do governo começou a ratear antes de ganhar velocidade, e disso não saiu mais. Hoje o Brasil roda a uma velocidade entre 0% e 1% de crescimento — seu resultado de 2014 e provavelmente de 2015.
A presidente não tem nada de bom a anunciar para o ano que começa — ao contrário, tem muita notícia ruim para dar, ou para esconder, e terá de tomar aquelas medidas amargas que, como dizia há pouco, seu adversário iria adotar se ganhasse. Mais que tudo, Dilma não sabe, simplesmente, o que fazer a partir de 1° de janeiro para sair do atoleiro onde seu governo foi se meter — se soubesse, por que raios não fez até agora o que deveria ter sido feito? A única iniciativa que tomou depois da eleição foi armar uma fraude política para falsificar a realidade numérica do orçamento de 2014; obteve do Congresso, em troca do compromisso por escrito de dar dinheiro público aos parlamentares, uma licença para desrespeitar a lei. Em matéria de mudança para o segundo mandato, teve apenas uma ideia, jamais mencionada durante a campanha: voltar a cobrar a CPMF, o imposto do cheque criado no governo Itamar Franco e extinto definitivamente pelo Senado sete anos atrás. Fora isso, nada mais lhe ocorreu de útil. Qual a surpresa, nessa miséria de propostas, soluções ou alternativas? É um fato comprovado que a presidente da República não tem competência para fazer mais ou melhor do que tem feito; não há razão para imaginar que teria descoberto a luz, assim de repente, depois de ganhar a eleição. Quem acha que essa afirmação é um exagero fica convidado a responder a uma pergunta bem simples: em que momento, em todos os seus quatro anos de governo, Dilma mostrou algum talento visível, ou teve uma boa ideia que mereça ser citada? Que problema sério resolveu por sua capacidade própria? Como economista formada, escreveu algum artigo que tenha causado admiração ou respeito? Que tese, estudo, pesquisa ou pensamento original tem para apresentar?
O declínio de Dilma às vésperas de assumir seu segundo mandato não se manifesta apenas na falta de aptidão para governar. Tão ruim quanto isso é o desmanche moral de seu governo quatro anos antes da data de vencimento. Quase 70% dos brasileiros, na primeira pesquisa após as eleições, acham que a presidente está envolvida, em maior ou menor grau, nos episódios de corrupção na Petrobras. Hoje os brasileiros sabem que Dilma é capaz de comprar abertamente os votos de deputados para escapar ao cumprimento daquilo que mandam as leis — e se beneficia quando as galerias do Congresso são esvaziadas para que ela e seus agentes escapem de vaias. Também sabem que nomeou para o Ministério da Fazenda um profissional do sistema financeiro — depois de ter permitido que a propaganda de sua campanha destruísse a adversária Marina Silva, acusando-a, sem nenhuma comprovação, de favorecer os bancos caso fosse eleita. Dilma, Lula e o PT já demonstraram de todas as formas possíveis que valores morais não têm lugar na política. Sua pergunta não é: "Isso está certo?". O que interessa é outra coisa: "Dá para fazer?". É muito ruim, inclusive por razões estritamente práticas — não há caso conhecido de governos bem-sucedidos que tenham desprezado a honra, a ética e a decência. O Brasil não vai ser o primeiro.
Nós, os que estamos perplexos - LYA LUFT
REVISTA VEJA
Há desses momentos na nossa vida pessoal, dessas fases na vida pública, em que parece que nada entendemos. Talvez seja porque estamos em dias difíceis, ou simplesmente nada funciona mesmo, e não entender é apenas natural. Passará, quando as engrenagens da vida ou do país forem consertadas, lubrificadas, postas em funcionamento sob uma direção competente e séria de condutores que se dão as mãos numa intenção comum: que as coisas melhorem, profundamente, cada dia mais.
Fora isso, é estar como agora estamos, tantos de nós. Natal, novo ano, época de reajustes pessoais e familiares, de encontros, de confraternização sem hipocrisia, ou de resolução: sim, a gente vai tentar melhorar; sim, a gente vai se separar porque como está não dá mais; sim, vou escutar mais meu filho; sim, vou ser mais gentil e amoroso com meus pais; vou sair da armadilha da droga, vou me tratar; vou levar a vida a sério; ou vou sair de casa, vou cair na vida, vou experimentar de tudo e ver no que dá. Às vezes é: sim, vou cuidar mais de mim mesmo e largar o que me prejudica; vou ser forte, e firme; vou ser um homem de verdade; ou, sim, vou deixar de ser boba, largar a culpa sem sentido e me valorizar.
Com relação ao país, é parecido: vou tentar consertar a bobagem que eu fiz; vou ser mais alerta e cobrar muito mais; vou delatar as mentiras, as armadilhas; vou reconhecer os males, as chantagens, os métodos de compra e venda; vou encarar a realidade de que o país, ou a política, virou um mercado persa; vou prestar atenção. Quanto você vale? Quanto vale seu partido? Quanto vale seu cargo? Quanto vale seu posto num escalão mais alto? Quanto vale sua deslealdade? E a gente calcula, ou nem calcula e mergulha na lama um pouco mais. Como afunda um pouco mais na desgraceira da vida pessoal, e vamos em frente.
Estamos todos boquiabertos com muita coisa que acontece: delações, provas, prisões, investigações e declarações de culpa ou de inocência. Ah, a inocência com seus redondos olhos infantis e dedo em riste, enquanto a mente arquiteta mais e mais mentiras, é preciso sobreviver até para desfrutar as fortunas mal ganhas. As coisas realmente vão mudar? Há quem não tenha preço e não se venda? Há quem resista a muita perseguição ou ameaça? E, se tantos altos postos no país estão ocupados por razões políticas ou pecuniárias, com garantias de mais e mais recompensas, haverá gente suficiente para limpar o recinto e começar a transformar o país? Vai levar tempo para mudar, dizem os mais sérios. Quanto tempo? O tempo de ainda vermos tudo mudado no tempo da nossa vida? Depende dos anos que nos estão reservados, e isso só os deuses sabem. A nós, comuns mortais, resta torcer, esperar, agir decentemente na vida pessoal, no trabalho, na turma, na família, conosco mesmos. Olhar a cara limpa no espelho a cada manhã e sentir-se bem: não tenho preço.
E tomar em paz o café da manhã, pegar o ônibus de sardinhas em lata, subir no trem atrasado ou que vai quebrar logo adiante, não ter água, e não ter luz, os preços subindo, o trabalho rareando, mas mesmo assim ter esperança: com gente séria e competente, as coisas devagarinho vão melhorar, sobretudo a confiança, essa senhora esquiva que tem andado tão fugidia, e que mesmo agora, ou especialmente agora, espia aqui, espia ali, faz uns acenos amigáveis, mas não se oferece aberta e inteira para sermos mais felizes e mais tranquilos. Ainda não. Mas em breve, se os deuses permitirem, se os homens conseguirem, se a lei e a decência prevalecerem, se as feridas forem reveladas e tratadas e começarem a curar, se mais homens de bem ocuparem os postos mais importantes, se pudermos de novo olhar para a frente sem nos envergonharmos, aí possivelmente teremos um país convalescendo da longa e lenta enfermidade dos desinformados, dos iludidos, dos aviltados.
Senhora confiança, dádiva de que tanto necessitamos, venha neste Natal e permaneça por todo o ano que chega ainda tenso, estranho, para nós, que estamos perplexos.
Há desses momentos na nossa vida pessoal, dessas fases na vida pública, em que parece que nada entendemos. Talvez seja porque estamos em dias difíceis, ou simplesmente nada funciona mesmo, e não entender é apenas natural. Passará, quando as engrenagens da vida ou do país forem consertadas, lubrificadas, postas em funcionamento sob uma direção competente e séria de condutores que se dão as mãos numa intenção comum: que as coisas melhorem, profundamente, cada dia mais.
Fora isso, é estar como agora estamos, tantos de nós. Natal, novo ano, época de reajustes pessoais e familiares, de encontros, de confraternização sem hipocrisia, ou de resolução: sim, a gente vai tentar melhorar; sim, a gente vai se separar porque como está não dá mais; sim, vou escutar mais meu filho; sim, vou ser mais gentil e amoroso com meus pais; vou sair da armadilha da droga, vou me tratar; vou levar a vida a sério; ou vou sair de casa, vou cair na vida, vou experimentar de tudo e ver no que dá. Às vezes é: sim, vou cuidar mais de mim mesmo e largar o que me prejudica; vou ser forte, e firme; vou ser um homem de verdade; ou, sim, vou deixar de ser boba, largar a culpa sem sentido e me valorizar.
Com relação ao país, é parecido: vou tentar consertar a bobagem que eu fiz; vou ser mais alerta e cobrar muito mais; vou delatar as mentiras, as armadilhas; vou reconhecer os males, as chantagens, os métodos de compra e venda; vou encarar a realidade de que o país, ou a política, virou um mercado persa; vou prestar atenção. Quanto você vale? Quanto vale seu partido? Quanto vale seu cargo? Quanto vale seu posto num escalão mais alto? Quanto vale sua deslealdade? E a gente calcula, ou nem calcula e mergulha na lama um pouco mais. Como afunda um pouco mais na desgraceira da vida pessoal, e vamos em frente.
Estamos todos boquiabertos com muita coisa que acontece: delações, provas, prisões, investigações e declarações de culpa ou de inocência. Ah, a inocência com seus redondos olhos infantis e dedo em riste, enquanto a mente arquiteta mais e mais mentiras, é preciso sobreviver até para desfrutar as fortunas mal ganhas. As coisas realmente vão mudar? Há quem não tenha preço e não se venda? Há quem resista a muita perseguição ou ameaça? E, se tantos altos postos no país estão ocupados por razões políticas ou pecuniárias, com garantias de mais e mais recompensas, haverá gente suficiente para limpar o recinto e começar a transformar o país? Vai levar tempo para mudar, dizem os mais sérios. Quanto tempo? O tempo de ainda vermos tudo mudado no tempo da nossa vida? Depende dos anos que nos estão reservados, e isso só os deuses sabem. A nós, comuns mortais, resta torcer, esperar, agir decentemente na vida pessoal, no trabalho, na turma, na família, conosco mesmos. Olhar a cara limpa no espelho a cada manhã e sentir-se bem: não tenho preço.
E tomar em paz o café da manhã, pegar o ônibus de sardinhas em lata, subir no trem atrasado ou que vai quebrar logo adiante, não ter água, e não ter luz, os preços subindo, o trabalho rareando, mas mesmo assim ter esperança: com gente séria e competente, as coisas devagarinho vão melhorar, sobretudo a confiança, essa senhora esquiva que tem andado tão fugidia, e que mesmo agora, ou especialmente agora, espia aqui, espia ali, faz uns acenos amigáveis, mas não se oferece aberta e inteira para sermos mais felizes e mais tranquilos. Ainda não. Mas em breve, se os deuses permitirem, se os homens conseguirem, se a lei e a decência prevalecerem, se as feridas forem reveladas e tratadas e começarem a curar, se mais homens de bem ocuparem os postos mais importantes, se pudermos de novo olhar para a frente sem nos envergonharmos, aí possivelmente teremos um país convalescendo da longa e lenta enfermidade dos desinformados, dos iludidos, dos aviltados.
Senhora confiança, dádiva de que tanto necessitamos, venha neste Natal e permaneça por todo o ano que chega ainda tenso, estranho, para nós, que estamos perplexos.
quarta-feira, dezembro 17, 2014
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Isto aqui também não é nenhum convento”
Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) em defesa prévia no conselho de ética da Câmara
FARRA PETISTA SÓ EM ANGOLA VAI A R$ 8,8 BILHÕES
Nos últimos anos, os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras em Angola, na África, passaram de R$ 5 milhões (US$ 1,88 milhão) em 2001 para R$ 8,76 bilhões (US$ 3,3 bilhões) entre 2007 e 2014. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social concedeu o dinheiro através da modalidade “pós-embarque” de exportações financiadas. Isso significa que a grana sai daqui e é paga no exterior.
NEGÓCIO PETISTA
O auge dos financiamentos do BNDES em Angola foi em 2009 (US$ 766 milhões), no governo Lula, mas 66% da grana foi paga por Dilma.
FINANCIAMENTO AMIGO
No “pós-embarque”, a empresa recebe o dinheiro no Brasil, mas realiza serviços no exterior sem obrigação de usar mão-de-obra nacional.
ODEBRECHT, SEMPRE
Uma das empreiteiras mais citadas na Lava Jato, a Odebrecht é dona de grandes obras em Angola, como, de hidrelétrica a aeroporto.
BOLÃO
Circula um bolão com apostas para saber quem chega primeiro ao valor de R$ 5,00: o dólar, a gasolina ou as ações da Petrobras.
MPX E PETRA OBTIVERAM R$400 MILHÕES DO BNDES
Generoso com empreiteiras enroladas no Petrolão, o BNDES jamais deixou faltar dinheiro nos negócios de Eike Batista. A MPX, empresa de energia de Eike, se associou à Petra Energia na termoelétrica Parnaíba Geração de Energia, e obteve financiamento de R$ 400 milhões do BNDES. O vice-presidente da Petra era o jovem Pedro Mercadante Oliva, filho do influente ministro Aloizio Mercadante, hoje na Casa Civil.
PARADEIRO
Na época do financiamento milionário do BNDES (dezembro de 2011), Aloizio Mercadante era ministro da Ciência e Tecnologia de Dilma.
CAMINHO DAS PEDRAS
Já sem o vice Pedro, a Petra obteve R$148,1 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia.
DESLIGAMENTO
Pedro deixou de ser um dos vice-presidentes da Petra em setembro de 2012, nove meses após sair o contrato de R$ 400 milhões do BNDES.
LOBBY DE SUCESSO
O secretário de Relações do Trabalho, Manoel Messias Melo, é acusado de desobedecer decisão judicial para negar carta sindical ao Sintraveic/PE, dos motoristas de “cegonheiras” em Pernambuco. Ele é sensível ao de lobby dos sindicatos de São Bernardo e Minas.
DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) bancou passagens aéreas para funcionários lotar a posse de Kátia Abreu (PMDB-TO) na entidade. A cerimônia contou com presença da presidenta Dilma.
É SÓ UM FACTOIDE
Jair Bolsonaro (PP-RJ) não tem motivos de preocupação no processo contra ele na Câmara – que levou 8 meses para cassar André Vargas (ex-PT-PR): a Legislatura acaba em 45 dias e tem o recesso no meio.
BOLSA RECORDE
No ano da reeleição de Dilma, o governo bateu o recorde em gastos com a Bolsa Família. Foram distribuídos, até novembro, R$ 24,8 bilhões, montante idêntico a todo o ano de 2013 e maior que qualquer outro ano do programa. É o dobro do penúltimo ano de governo Lula.
SÃO R$ 0,50
Analistas do governo se animaram com o pico de crescimento de 8% das ações da Petrobras na Bolsa, durante o dia de ontem. O único problema é que 8% de uma ação da Petrobras vale hoje 50 centavos.
FATIAMENTO
Partidos que diminuíram de tamanho na Câmara arquitetaram plano para não perder preciosos cargos: retomar a malandragem de dividir cargos de salários altos em vários de menor valor.
SEM FÔLEGO
O PT cogita apoiar, por debaixo dos panos, Júlio Delgado (PSB) para o comando da Câmara. O partido teme que, num confronto com Eduardo Cunha (PMDB), Arlindo Chinaglia não chegue ao 2o turno.
O QUE DÁ VOTO
Líder do PMDB, Eduardo Cunha admite em conversas privadas que quer manter distância do PT na disputa pelo comando da Câmara. O mote da campanha é independência e rebeldia em relação ao governo.
AÇÃO HUMANITÁRIA
A dura realidade no Twitter: semana que vem as ações de Petrobras estarão valendo 1 quilo de alimento não perecível. Sal, de preferência.
PODER SEM PUDOR
NÃO É MAMÃE
Carlos Lacerda fazia mais um discurso devastador, na Câmara dos Deputados, contra o "mar de lama" do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia - em vão - um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, Ivete perdeu a paciência:
- F.D.P! - gritou ao microfone, com todas as letras.
Com sua estonteante rapidez de raciocínio, Lacerda respondeu na bucha:
- Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe!
Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) em defesa prévia no conselho de ética da Câmara
FARRA PETISTA SÓ EM ANGOLA VAI A R$ 8,8 BILHÕES
Nos últimos anos, os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras em Angola, na África, passaram de R$ 5 milhões (US$ 1,88 milhão) em 2001 para R$ 8,76 bilhões (US$ 3,3 bilhões) entre 2007 e 2014. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social concedeu o dinheiro através da modalidade “pós-embarque” de exportações financiadas. Isso significa que a grana sai daqui e é paga no exterior.
NEGÓCIO PETISTA
O auge dos financiamentos do BNDES em Angola foi em 2009 (US$ 766 milhões), no governo Lula, mas 66% da grana foi paga por Dilma.
FINANCIAMENTO AMIGO
No “pós-embarque”, a empresa recebe o dinheiro no Brasil, mas realiza serviços no exterior sem obrigação de usar mão-de-obra nacional.
ODEBRECHT, SEMPRE
Uma das empreiteiras mais citadas na Lava Jato, a Odebrecht é dona de grandes obras em Angola, como, de hidrelétrica a aeroporto.
BOLÃO
Circula um bolão com apostas para saber quem chega primeiro ao valor de R$ 5,00: o dólar, a gasolina ou as ações da Petrobras.
MPX E PETRA OBTIVERAM R$400 MILHÕES DO BNDES
Generoso com empreiteiras enroladas no Petrolão, o BNDES jamais deixou faltar dinheiro nos negócios de Eike Batista. A MPX, empresa de energia de Eike, se associou à Petra Energia na termoelétrica Parnaíba Geração de Energia, e obteve financiamento de R$ 400 milhões do BNDES. O vice-presidente da Petra era o jovem Pedro Mercadante Oliva, filho do influente ministro Aloizio Mercadante, hoje na Casa Civil.
PARADEIRO
Na época do financiamento milionário do BNDES (dezembro de 2011), Aloizio Mercadante era ministro da Ciência e Tecnologia de Dilma.
CAMINHO DAS PEDRAS
Já sem o vice Pedro, a Petra obteve R$148,1 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia.
DESLIGAMENTO
Pedro deixou de ser um dos vice-presidentes da Petra em setembro de 2012, nove meses após sair o contrato de R$ 400 milhões do BNDES.
LOBBY DE SUCESSO
O secretário de Relações do Trabalho, Manoel Messias Melo, é acusado de desobedecer decisão judicial para negar carta sindical ao Sintraveic/PE, dos motoristas de “cegonheiras” em Pernambuco. Ele é sensível ao de lobby dos sindicatos de São Bernardo e Minas.
DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) bancou passagens aéreas para funcionários lotar a posse de Kátia Abreu (PMDB-TO) na entidade. A cerimônia contou com presença da presidenta Dilma.
É SÓ UM FACTOIDE
Jair Bolsonaro (PP-RJ) não tem motivos de preocupação no processo contra ele na Câmara – que levou 8 meses para cassar André Vargas (ex-PT-PR): a Legislatura acaba em 45 dias e tem o recesso no meio.
BOLSA RECORDE
No ano da reeleição de Dilma, o governo bateu o recorde em gastos com a Bolsa Família. Foram distribuídos, até novembro, R$ 24,8 bilhões, montante idêntico a todo o ano de 2013 e maior que qualquer outro ano do programa. É o dobro do penúltimo ano de governo Lula.
SÃO R$ 0,50
Analistas do governo se animaram com o pico de crescimento de 8% das ações da Petrobras na Bolsa, durante o dia de ontem. O único problema é que 8% de uma ação da Petrobras vale hoje 50 centavos.
FATIAMENTO
Partidos que diminuíram de tamanho na Câmara arquitetaram plano para não perder preciosos cargos: retomar a malandragem de dividir cargos de salários altos em vários de menor valor.
SEM FÔLEGO
O PT cogita apoiar, por debaixo dos panos, Júlio Delgado (PSB) para o comando da Câmara. O partido teme que, num confronto com Eduardo Cunha (PMDB), Arlindo Chinaglia não chegue ao 2o turno.
O QUE DÁ VOTO
Líder do PMDB, Eduardo Cunha admite em conversas privadas que quer manter distância do PT na disputa pelo comando da Câmara. O mote da campanha é independência e rebeldia em relação ao governo.
AÇÃO HUMANITÁRIA
A dura realidade no Twitter: semana que vem as ações de Petrobras estarão valendo 1 quilo de alimento não perecível. Sal, de preferência.
PODER SEM PUDOR
NÃO É MAMÃE
Carlos Lacerda fazia mais um discurso devastador, na Câmara dos Deputados, contra o "mar de lama" do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia - em vão - um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, Ivete perdeu a paciência:
- F.D.P! - gritou ao microfone, com todas as letras.
Com sua estonteante rapidez de raciocínio, Lacerda respondeu na bucha:
- Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe!
terça-feira, dezembro 16, 2014
Pela continuidade da Polícia Militar - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 16/12
Indignadas com a sucessão de escândalos de corrupção na Petrobras, descobertos pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, as pessoas de bem correm o risco de não perceberem a gravidade de uma armação que atenta contra uma das maiores carências do cidadão brasileiro: a segurança pública.
Trata-se de um movimento patrocinado por parlamentares ligados ao atual comando do país e por ativistas de ideologias antidemocráticas que não medem consequências para implantar seus projetos de poder. Querem acabar com as polícias militares.
Especialistas em desconstruir reputações, essas pessoas desenvolveram um discurso sedutor, de aparência politicamente correta, para desmoralizar as PMs, supervalorizando deslizes localizados que, infelizmente, ocorrem em qualquer atividade humana.
E quando não ocorrem, é fácil produzi-los. Basta provocar o confronto, reagindo às ações destinadas a expulsar marginais de áreas habitadas por cidadãos honestos, cumprir decisão judicial de desocupação de propriedades públicas ou privadas e controlar manifestações que se tornam violentas.
A estratégia é passar para a população a ideia de que o policial militar é o bandido - não o traficante, o estuprador, o latrocida ou os políticos curruptos.
Mas ao cidadão atento não escapa a evidência de que se trata de uma tentativa sórdida de remover uma barreira incômoda aos que pretendem aumentar a concentração de poder em Brasília, atropelar as leis, desmoralizar a Justiça e, assim, quebrar a ordem institucional.
Tradição no Brasil desde os tempos coloniais, as forças policiais militares tiveram a sua missão, assim como a das polícias civis, confirmada pela Constituição "Cidadã" de 1988. As PMs são treinadas e armadas para fazer o policiamento ostensivo e executar ações que exigem o braço forte do Estado em defesa do cidadão.
As polícias civis cumprem indispensável papel de investigação e levantamento de provas e evidências que vão fundamentar as denúncias do Ministério Público à Justiça. Devem, portanto, dispor de aparato técnico e científico que aumente a eficiência de suas ações de inteligência.
Essa origem constitucional tem blindado as PMs dos ataques, às vezes sorrateiros, dos interessados em extingui-las, ou desarmá-las (o que daria no mesmo). Mas eles não desistem. Sempre que surge uma oportunidade, retomam o discurso e os projetos no Congresso. As manifestações de rua de 2013, por exemplo, foram amplamente usadas por esse lobby contra as PMs, como se os black blocs fossem os mocinhos e os policiais os bandidos.
Se forem desarmadas, é de se imaginar os militares da Rotam do Distrito Federal, em operações contra o tráfico (que já movimenta anualmente R$ 700 milhões, ou 0,5% do PIB local) nos arredores mais violentos de Brasília, oferecendo rosas em troca de armas e drogas ilegais. Ou o pessoal da PM mineira dialogando com os marginais que infernizam as famílias de quase todos os 853 municípios do estado, para que façam a gentileza de deixar o rendoso negócio do crack.
Com nossas fronteiras abertas ao contrabando de armas sofisticadas, descontinuar ou desarmar as PMs será deixar o cidadão vulnerável aos bandidos e as cidades entregues aos vândalos.
Indignadas com a sucessão de escândalos de corrupção na Petrobras, descobertos pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, as pessoas de bem correm o risco de não perceberem a gravidade de uma armação que atenta contra uma das maiores carências do cidadão brasileiro: a segurança pública.
Trata-se de um movimento patrocinado por parlamentares ligados ao atual comando do país e por ativistas de ideologias antidemocráticas que não medem consequências para implantar seus projetos de poder. Querem acabar com as polícias militares.
Especialistas em desconstruir reputações, essas pessoas desenvolveram um discurso sedutor, de aparência politicamente correta, para desmoralizar as PMs, supervalorizando deslizes localizados que, infelizmente, ocorrem em qualquer atividade humana.
E quando não ocorrem, é fácil produzi-los. Basta provocar o confronto, reagindo às ações destinadas a expulsar marginais de áreas habitadas por cidadãos honestos, cumprir decisão judicial de desocupação de propriedades públicas ou privadas e controlar manifestações que se tornam violentas.
A estratégia é passar para a população a ideia de que o policial militar é o bandido - não o traficante, o estuprador, o latrocida ou os políticos curruptos.
Mas ao cidadão atento não escapa a evidência de que se trata de uma tentativa sórdida de remover uma barreira incômoda aos que pretendem aumentar a concentração de poder em Brasília, atropelar as leis, desmoralizar a Justiça e, assim, quebrar a ordem institucional.
Tradição no Brasil desde os tempos coloniais, as forças policiais militares tiveram a sua missão, assim como a das polícias civis, confirmada pela Constituição "Cidadã" de 1988. As PMs são treinadas e armadas para fazer o policiamento ostensivo e executar ações que exigem o braço forte do Estado em defesa do cidadão.
As polícias civis cumprem indispensável papel de investigação e levantamento de provas e evidências que vão fundamentar as denúncias do Ministério Público à Justiça. Devem, portanto, dispor de aparato técnico e científico que aumente a eficiência de suas ações de inteligência.
Essa origem constitucional tem blindado as PMs dos ataques, às vezes sorrateiros, dos interessados em extingui-las, ou desarmá-las (o que daria no mesmo). Mas eles não desistem. Sempre que surge uma oportunidade, retomam o discurso e os projetos no Congresso. As manifestações de rua de 2013, por exemplo, foram amplamente usadas por esse lobby contra as PMs, como se os black blocs fossem os mocinhos e os policiais os bandidos.
Se forem desarmadas, é de se imaginar os militares da Rotam do Distrito Federal, em operações contra o tráfico (que já movimenta anualmente R$ 700 milhões, ou 0,5% do PIB local) nos arredores mais violentos de Brasília, oferecendo rosas em troca de armas e drogas ilegais. Ou o pessoal da PM mineira dialogando com os marginais que infernizam as famílias de quase todos os 853 municípios do estado, para que façam a gentileza de deixar o rendoso negócio do crack.
Com nossas fronteiras abertas ao contrabando de armas sofisticadas, descontinuar ou desarmar as PMs será deixar o cidadão vulnerável aos bandidos e as cidades entregues aos vândalos.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Dilma perdeu a credibilidade, chefia o governo da enganação”
Senador José Agripino (DEM-RN), ao comparar o discurso e a prática da presidenta
ABALADO, PRESIDENTE PRESO DA OAS AMEAÇA FALAR
Dirigentes da empreiteira OAS, que escaparam de ser presos na Operação Lava Jato, estão muito preocupados com seu presidente, José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido por “Leo Pinheiro”. Desde que foi preso, chora muito, está deprimido e insiste com advogados em confessar o que sabe, em acordo de delação premiada. Os acionistas da OAS acham que se Leo Pinheiro abrir a boca, a casa cai de vez.
DEU NOS NERVOS
O presidente da OAS, Leo Pinheiro, ficou ainda mais abalado após a recente negativa de habeas corpus pelo ministro Teori Zavascki (STF).
CORRUPTORES
Leo Pinheiro e outros quatro da OAS foram indiciados por lavagem de dinheiro, fraude em licitações, falsidade ideológica e corrupção ativa.
OPERAÇÃO TRIANGULAR
A delegada federal Erika Marena quer investigar se a OAS pagava “consultoria” como forma de disfarçar o pagamento de propina.
‘CONSULTOR’ LULISTA
Entre 2012 e 2014, a OAS pagou R$ 720 mil de “consultoria” a Sergio Rosa, ex-presidente da Previ (Banco do Brasil) ligado à cúpula lulista.
EX-GERENTE ERA ÍNTIMA DE EX-DIRETOR DA PETROBRAS
A ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que adicionou detalhes repugnantes à roubalheira na Petrobras, é agora testemunha-chave da Lava Jato por suas relações íntimas com o ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ela saberia de 9 em cada 10 negócios sujos articulados pelo ex-diretor. Ao virar um “problema” (contou ter sido ameaçada de morte), Venina foi despachada para o escritório da estatal em Cingapura.
VOZ DO SERPENTÁRIO
Diplomatas brasileiros em Cingapura se surpreenderam com Venina acusando Paulo Roberto Costa. Dizem ter visto como eram ligados.
O HOMEM DA FOTO
Ao confrontar o ex-diretor com maracutaias, Venina diz ter ouvido dele, apontando para uma foto de Lula: “Você quer derrubar todo mundo?”
BANCADA
Deputados estaduais esquerdistas protestaram no Rio, e com razão, contra Jair Bolsonaro (PP-RJ). Já contra a roubalheira na Petrobras…
CAMINHO DAS PEDRAS
Como a também baiana Odebrecht, a empreiteira OAS ganhou o que quis nos governos Lula e Dilma. De obras grandiosas a concessões de serviço público. O aeroporto de Guarulhos, por exemplo, é da OAS.
TRAQUEOTOMIA NA PISTA
A Petrobras está sangrando na bolsa, e suas ações desabaram para abaixo de R$ 10. Demitir Graça Foster e toda a diretoria da estatal seria a saída para reanimar o mercado, mas Dilma resiste.
‘A GENTE SOMOS INÚTIL’
A inútil Comissão de Ética Pública da Presidência da República, para não irritar Dilma, aplicou somente pena de “censura” a Paulo Roberto Costa, corrupto confesso e já condenado à prisão pela Justiça Federal.
SÓ DILMA NÃO VÊ
A bolsa de valores suspendeu negociação de ações da Petrobras, ontem, para conter a forte queda. Também os investidores brasileiros, como os americanos, perderam confiança na atual diretoria da estatal.
VIROU SINÔNIMO
Quem digita a palavra “Brazil”, na área de buscas do site do jornal The New York Times, vê que todas as sugestões de busca no rodapé trazem a expressão “corruption” no meio.
PORTA PARA FRAUDE
O PSDB promete fazer barulho, nesta terça (16), na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, sobre as vulnerabilidades do código-fonte de programas usados nas eleições de 2014.
SONO TRANQUILO
Chamado de “honrado senador” pelo juiz federal Sergio Moro, que comanda a Operação Lava Jato, o gaúcho Pedro Simon (PMDB-RS) é um dos poucos políticos do Congresso que dormem o sono dos
justos.
SUPERFATURARAM CHE
Prefeitura de Maricá (RJ) informou que a obra do Hospital Dr. Ernesto Che Guevara está parada há dois anos para se adequar a novas normas da Anvisa. O valor pulou de R$16 milhões para R$ 60 milhões.
PENSANDO BEM...
...de tanto afundar, as ações da Petrobras chegarão em breve às camadas pré-sal.
PODER SEM PUDOR
TÁXI GETULISTA
O presidente Getúlio Vargas queria fincar o PTB em solo paulista e mandou sua sobrinha Ivete Vargas se candidatar a deputada federal por São Paulo. Eleita com o peso do sobrenome ilustre, ela pegou um avião e seguiu para a capital do Estado. Ao desembarcar, um jornalista logo a provocou:
- Como explica votação tão expressiva conhecendo São Paulo tão pouco?
- Deve haver algum engano de sua parte - respondeu ela, na bucha - Eu fui candidata a deputada federal e não a chofer de táxi.
Senador José Agripino (DEM-RN), ao comparar o discurso e a prática da presidenta
ABALADO, PRESIDENTE PRESO DA OAS AMEAÇA FALAR
Dirigentes da empreiteira OAS, que escaparam de ser presos na Operação Lava Jato, estão muito preocupados com seu presidente, José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido por “Leo Pinheiro”. Desde que foi preso, chora muito, está deprimido e insiste com advogados em confessar o que sabe, em acordo de delação premiada. Os acionistas da OAS acham que se Leo Pinheiro abrir a boca, a casa cai de vez.
DEU NOS NERVOS
O presidente da OAS, Leo Pinheiro, ficou ainda mais abalado após a recente negativa de habeas corpus pelo ministro Teori Zavascki (STF).
CORRUPTORES
Leo Pinheiro e outros quatro da OAS foram indiciados por lavagem de dinheiro, fraude em licitações, falsidade ideológica e corrupção ativa.
OPERAÇÃO TRIANGULAR
A delegada federal Erika Marena quer investigar se a OAS pagava “consultoria” como forma de disfarçar o pagamento de propina.
‘CONSULTOR’ LULISTA
Entre 2012 e 2014, a OAS pagou R$ 720 mil de “consultoria” a Sergio Rosa, ex-presidente da Previ (Banco do Brasil) ligado à cúpula lulista.
EX-GERENTE ERA ÍNTIMA DE EX-DIRETOR DA PETROBRAS
A ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, que adicionou detalhes repugnantes à roubalheira na Petrobras, é agora testemunha-chave da Lava Jato por suas relações íntimas com o ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ela saberia de 9 em cada 10 negócios sujos articulados pelo ex-diretor. Ao virar um “problema” (contou ter sido ameaçada de morte), Venina foi despachada para o escritório da estatal em Cingapura.
VOZ DO SERPENTÁRIO
Diplomatas brasileiros em Cingapura se surpreenderam com Venina acusando Paulo Roberto Costa. Dizem ter visto como eram ligados.
O HOMEM DA FOTO
Ao confrontar o ex-diretor com maracutaias, Venina diz ter ouvido dele, apontando para uma foto de Lula: “Você quer derrubar todo mundo?”
BANCADA
Deputados estaduais esquerdistas protestaram no Rio, e com razão, contra Jair Bolsonaro (PP-RJ). Já contra a roubalheira na Petrobras…
CAMINHO DAS PEDRAS
Como a também baiana Odebrecht, a empreiteira OAS ganhou o que quis nos governos Lula e Dilma. De obras grandiosas a concessões de serviço público. O aeroporto de Guarulhos, por exemplo, é da OAS.
TRAQUEOTOMIA NA PISTA
A Petrobras está sangrando na bolsa, e suas ações desabaram para abaixo de R$ 10. Demitir Graça Foster e toda a diretoria da estatal seria a saída para reanimar o mercado, mas Dilma resiste.
‘A GENTE SOMOS INÚTIL’
A inútil Comissão de Ética Pública da Presidência da República, para não irritar Dilma, aplicou somente pena de “censura” a Paulo Roberto Costa, corrupto confesso e já condenado à prisão pela Justiça Federal.
SÓ DILMA NÃO VÊ
A bolsa de valores suspendeu negociação de ações da Petrobras, ontem, para conter a forte queda. Também os investidores brasileiros, como os americanos, perderam confiança na atual diretoria da estatal.
VIROU SINÔNIMO
Quem digita a palavra “Brazil”, na área de buscas do site do jornal The New York Times, vê que todas as sugestões de busca no rodapé trazem a expressão “corruption” no meio.
PORTA PARA FRAUDE
O PSDB promete fazer barulho, nesta terça (16), na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, sobre as vulnerabilidades do código-fonte de programas usados nas eleições de 2014.
SONO TRANQUILO
Chamado de “honrado senador” pelo juiz federal Sergio Moro, que comanda a Operação Lava Jato, o gaúcho Pedro Simon (PMDB-RS) é um dos poucos políticos do Congresso que dormem o sono dos
justos.
SUPERFATURARAM CHE
Prefeitura de Maricá (RJ) informou que a obra do Hospital Dr. Ernesto Che Guevara está parada há dois anos para se adequar a novas normas da Anvisa. O valor pulou de R$16 milhões para R$ 60 milhões.
PENSANDO BEM...
...de tanto afundar, as ações da Petrobras chegarão em breve às camadas pré-sal.
PODER SEM PUDOR
TÁXI GETULISTA
O presidente Getúlio Vargas queria fincar o PTB em solo paulista e mandou sua sobrinha Ivete Vargas se candidatar a deputada federal por São Paulo. Eleita com o peso do sobrenome ilustre, ela pegou um avião e seguiu para a capital do Estado. Ao desembarcar, um jornalista logo a provocou:
- Como explica votação tão expressiva conhecendo São Paulo tão pouco?
- Deve haver algum engano de sua parte - respondeu ela, na bucha - Eu fui candidata a deputada federal e não a chofer de táxi.
segunda-feira, dezembro 15, 2014
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
LULA DEVE SER CHAMADO PARA DEPOR NA LAVA JATO
A força-tarefa que desmantelou a roubalheira na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, considera inescapável o depoimento do ex-presidente Lula sobre fatos investigados, reforçados em depoimentos sob delação premiada. Discute-se a maneira mais adequada de ouvir o depoimento de Lula, que, em princípio, ainda não é um investigado. O esquema corrupto começou em 2005, durante seu primeiro governo.
Intimar ou não, eis a questão.
A força-tarefa que desmantelou a roubalheira na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, considera inescapável o depoimento do ex-presidente Lula sobre fatos investigados, reforçados em depoimentos sob delação premiada. Discute-se a maneira mais adequada de ouvir o depoimento de Lula, que, em princípio, ainda não é um investigado. O esquema corrupto começou em 2005, durante seu primeiro governo.
Intimar ou não, eis a questão.
Lula pode ser intimado a depor na Polícia Federal em São Paulo, onde mora, ou convidado a prestar esclarecimentos em local de sua escolha.
Sabiam de tudo.
Sabiam de tudo.
Em depoimento sob delação premiada, em outubro, o megadoleiro Alberto Youssef garantiu que Lula e Dilma Rousseff “sabiam de tudo”.
Mamando em onça. A quadrilha do Petrolão se instalou na Petrobras no primeiro governo Lula enquanto o Brasil estava escandalizado com o “mensalão”.
Que Lula?
Mamando em onça. A quadrilha do Petrolão se instalou na Petrobras no primeiro governo Lula enquanto o Brasil estava escandalizado com o “mensalão”.
Que Lula?
Oficialmente, a assessoria de imprensa da PF afirma desconhecer gestões no sentido de agendar o depoimento de Lula.
Cartão do governo é usado até para pagar motel
Continua sem freio a farra dos cartões corporativos no governo federal. Os gastos de Dilma e de ministros agora são secretos, mas escalões inferiores seguem o mau exemplo dos chefes. José Ademar Araújo, funcionário do IBGE, usou o cartão para pagar despesa de R$ 83,51 no Motel Oasis, em Macaíba (RN), em abril deste ano. Há outros casos de gastos em motel realizados com a mesma forma de pagamento.
Outro caso.
Cartão do governo é usado até para pagar motel
Continua sem freio a farra dos cartões corporativos no governo federal. Os gastos de Dilma e de ministros agora são secretos, mas escalões inferiores seguem o mau exemplo dos chefes. José Ademar Araújo, funcionário do IBGE, usou o cartão para pagar despesa de R$ 83,51 no Motel Oasis, em Macaíba (RN), em abril deste ano. Há outros casos de gastos em motel realizados com a mesma forma de pagamento.
Outro caso.
Nestor Santorum, da Presidência da República, pagou com cartão R$ 114 no Motel Holliday, em Ananindeua (PA), em novembro de 2011.
Pai da matéria.
Pai da matéria.
No governo Lula, pagaram-se resorts de luxo, cabeleireira, bebidas etc, e até tapioca (do ex-ministro do Esporte Orlando Silva) com cartão.
“Segurança nacional”.
“Segurança nacional”.
Lula alegou “segurança nacional” para tornar secretos os gastos com o cartão. Até auditores do TCU têm acesso dificultado às despesas.
Olha quem mandava.
Olha quem mandava.
O ex-presidente Lula agia como se mandasse no dinheiro do Petrolão. O doleiro Alberto Youssef contou à Justiça que certa vez ele mandou o então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, orientar a empreiteira Camargo Correa a fazer pagamentos à agência de propaganda Muranno.
Café contra leite.
Café contra leite.
Diante da velha queda de braço entre as bancadas mineira e paulista –leia-se Aécio Neves x Geraldo Alckmin – o PSDB decidiu empurrar para o final de fevereiro a escolha do novo líder na Câmara.
Cara lisa.
Cara lisa.
Após o megadoleiro Alberto Youssef afirmar na Justiça Federal que “só se salvam dois no PP”, Paulo Maluf (SP) aplicou nova camada de Óleo de Peroba no rosto e foi logo dizendo: “E eu sou um deles!”.
Vai dar trabalho.
PMDB, PR, PTB, PSC e SD devem formalizar o blocão, que antes era apenas informal, composto de 160 deputados, para apoiar a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara.
Descarte.
Vai dar trabalho.
PMDB, PR, PTB, PSC e SD devem formalizar o blocão, que antes era apenas informal, composto de 160 deputados, para apoiar a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara.
Descarte.
Cada vez menos levado em conta por Dilma, que o detesta, o aspone para assuntos internacionais aleatórios, Marco Aurélio Top-Top Garcia, deverá ter papel apenas honorário no círculo bolivariano do governo.
Resistências.
Resistências.
Cotada para ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (TO) enfrenta resistência do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e do presidente da Embrapa, Maurício Lopes, com quem andou brigando.
Nau à deriva.
Nau à deriva.
Trinta operadores portuários têm concessões expiradas, esperando o primeiro leilão de privatização da Lei dos Portos, sancionada pela presidenta Dilma. Mas, para ela, nada é mais prioritário que o Petrolão.
De mala e cuia.
De mala e cuia.
Queixando-se de rasteira do governador André Puccinelli, a quem atribui sua derrota à reeleição, o deputado Fábio Trad cogita se filiar a partido aliado do governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB).
Pensando bem...
...quem diria que a melhor arma da ex-guerrilheira Dilma para salvar seu governo seria o que ela chama de “neoliberal” Joaquim Levy.
Pensando bem...
...quem diria que a melhor arma da ex-guerrilheira Dilma para salvar seu governo seria o que ela chama de “neoliberal” Joaquim Levy.
Por uma cabeça! - RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 15/12
O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder. Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco abaixo pelo PT. Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.
NA PETROBRAS, É FATO, o roubo existe desde meados do governo José Sarney. Passou pelos governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federal. Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.
VOCÊ É INGÊNUO o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorasse o que se passava com a Petrobras? Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela. Foi chefe da Casa Civil da Presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho Administrativo da Petrobras.
NADA SE FEZ ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários. A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação. Comprada de um grupo belga, Pasadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas, foi o "negócio do século".
UMA VEZ ELEITA para suceder a Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney - o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster. Lobão foi ministro de faz de conta - quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça... Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.
EM DEPOIMENTO à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa. "Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados", disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje. Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.
POUCO ANTES de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma. A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio. Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma a presidente em 2010. E assim foi.
NO FINAL DE 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões. Em outro email, de 2011, Venina confessou a Graça que o "imenso orgulho" que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à "vergonha". Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.
DEMITIR OU não demitir Graça? Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras. Graça serve de escudo a Dilma contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto. Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada pelo escândalo do mensalão. Dilma acabará entregando a de Graça. Resta ver se será o suficiente.
O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder. Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco abaixo pelo PT. Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.
NA PETROBRAS, É FATO, o roubo existe desde meados do governo José Sarney. Passou pelos governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federal. Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.
VOCÊ É INGÊNUO o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorasse o que se passava com a Petrobras? Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela. Foi chefe da Casa Civil da Presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho Administrativo da Petrobras.
NADA SE FEZ ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários. A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação. Comprada de um grupo belga, Pasadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas, foi o "negócio do século".
UMA VEZ ELEITA para suceder a Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney - o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster. Lobão foi ministro de faz de conta - quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça... Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.
EM DEPOIMENTO à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa. "Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados", disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje. Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.
POUCO ANTES de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma. A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio. Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma a presidente em 2010. E assim foi.
NO FINAL DE 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões. Em outro email, de 2011, Venina confessou a Graça que o "imenso orgulho" que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à "vergonha". Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.
DEMITIR OU não demitir Graça? Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras. Graça serve de escudo a Dilma contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto. Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada pelo escândalo do mensalão. Dilma acabará entregando a de Graça. Resta ver se será o suficiente.
domingo, dezembro 14, 2014
Petrobrás - cadê os sindicatos? - SUELY CALDAS
O ESTADO DE S.PAULO - 14/12
A multiplicação, defesa e proteção de empresas estatais está presente no programa e no discurso de representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos sindicatos a ele ligados por meio da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Mas nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff ocorreu o inverso: a prática negou o discurso e o programa foi rasgado. O excessivo e desarvorado uso político das duas maiores empresas estatais brasileiras - Petrobrás e Eletrobrás - as levou, 12 anos depois, a um desfecho dramático de colapso financeiro a que nenhum governo megaliberal ousaria conduzi-las.
E pior: tudo se passou em absoluto silêncio, sem nenhuma pressão política, alerta, contestação, protesto, campanha nas ruas, seja lá o que for de parte dos sindicatos de petroleiros e eletricitários, sempre tão atuantes, ciosos e barulhentos quando gritam contra a privatização. Cabe a pergunta: se destruídas elas não servem aos brasileiros, a quem devem servir? A resposta o leitor encontra nas investigações reveladas pela Operação Lava Jato na Petrobrás, em que Polícia Federal e Ministério Público encontraram indícios e prometem estender à Eletrobrás.
Atacada por gestões de diretores corruptos, políticos gananciosos, empreiteiras que superfaturam obras e doleiros que lavam dinheiro, a Petrobrás migrou da editoria de economia para as páginas policiais dos jornais: é acusada de trapaças e de corrupção por acionistas minoritários nos EUA e, no Brasil, é manchete diária na imprensa, inclusive nos telejornais que chegam a quase 100 milhões de brasileiros. Primeiro efeito: perdeu pontos na sua classificação de risco e não tem mais crédito barato no exterior. E mais: no Brasil o crédito também minguou, pois a empresa de auditoria externa negou aval ao seu balanço e a saída pelo mercado de capitais ficou inviável com a queda expressiva de suas ações. Além de acrescentar despesas ao seu caixa com pagamento de advogados caros nos EUA, como ela vai sustentar seu assombroso plano de investimentos que lhe impôs a presidente Dilma ao jogar no seu colo 30% de todos os poços do pré-sal?
Mas não é isso o que preocupa Dilma e a direção da Petrobrás no momento. O problema financeiro da estatal é mais urgente: ou entra dinheiro agora ou ela para investimentos importantes. Fornecedores já têm se queixado de atraso de pagamentos; estaleiros na Bahia e no Rio Grande do Sul demitem trabalhadores em razão de contratos por ela cancelados; e centrais sindicais pressionam o governo para ela bancar indenizações trabalhistas aos demitidos dessas empresas. Logo ela, que passou anos acumulando prejuízos pelo congelamento forçado dos preços de combustíveis, como vai dar conta do fluxo de caixa cotidiano, que já é pesado, mais essas despesas extras que não seriam de sua responsabilidade?
Como o crédito secou, o jeito foi chamar o mágico e montar mais uma operação de alquimia: a Eletrobrás reconhece dívida de R$ 9 bilhões, que antes questionava, a Petrobrás emite títulos lastreados nessa dívida e garantidos pelo Tesouro e vende esses papéis no mercado sabe-se lá com que deságio. Resultado: com as finanças também combalidas, a Eletrobrás sai ilesa e não subtrai um tostão na operação; para a Petrobrás entra o dinheiro abatido pelo deságio; e, para o contribuinte de impostos, resta pagar a conta ao Tesouro.
A esse roteiro de desmoralização da maior e mais prestigiada empresa do País, orgulho dos brasileiros, o PT e os sindicatos assistiram não como contestadores, mas como protagonistas. O PT, beneficiado com 3% das comissões dos contratos entre a Petrobrás e empreiteiras, e os sindicatos, com suas lideranças ocupando cargos de chefia na Petrobrás.
Como Dilma Rousseff espera que os brasileiros acreditem em suas promessas de apurar crimes e punir corruptos "doa a quem doer", se seu partido inocenta políticos e empreiteiras no relatório final da CPI? Como petroleiros vão acreditar e respeitar seus sindicatos se eles nem sequer protestaram, ao contrário, calaram em cumplicidade diante de gestões irresponsáveis que há 12 anos desmoralizam a Petrobrás?
A multiplicação, defesa e proteção de empresas estatais está presente no programa e no discurso de representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos sindicatos a ele ligados por meio da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Mas nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff ocorreu o inverso: a prática negou o discurso e o programa foi rasgado. O excessivo e desarvorado uso político das duas maiores empresas estatais brasileiras - Petrobrás e Eletrobrás - as levou, 12 anos depois, a um desfecho dramático de colapso financeiro a que nenhum governo megaliberal ousaria conduzi-las.
E pior: tudo se passou em absoluto silêncio, sem nenhuma pressão política, alerta, contestação, protesto, campanha nas ruas, seja lá o que for de parte dos sindicatos de petroleiros e eletricitários, sempre tão atuantes, ciosos e barulhentos quando gritam contra a privatização. Cabe a pergunta: se destruídas elas não servem aos brasileiros, a quem devem servir? A resposta o leitor encontra nas investigações reveladas pela Operação Lava Jato na Petrobrás, em que Polícia Federal e Ministério Público encontraram indícios e prometem estender à Eletrobrás.
Atacada por gestões de diretores corruptos, políticos gananciosos, empreiteiras que superfaturam obras e doleiros que lavam dinheiro, a Petrobrás migrou da editoria de economia para as páginas policiais dos jornais: é acusada de trapaças e de corrupção por acionistas minoritários nos EUA e, no Brasil, é manchete diária na imprensa, inclusive nos telejornais que chegam a quase 100 milhões de brasileiros. Primeiro efeito: perdeu pontos na sua classificação de risco e não tem mais crédito barato no exterior. E mais: no Brasil o crédito também minguou, pois a empresa de auditoria externa negou aval ao seu balanço e a saída pelo mercado de capitais ficou inviável com a queda expressiva de suas ações. Além de acrescentar despesas ao seu caixa com pagamento de advogados caros nos EUA, como ela vai sustentar seu assombroso plano de investimentos que lhe impôs a presidente Dilma ao jogar no seu colo 30% de todos os poços do pré-sal?
Mas não é isso o que preocupa Dilma e a direção da Petrobrás no momento. O problema financeiro da estatal é mais urgente: ou entra dinheiro agora ou ela para investimentos importantes. Fornecedores já têm se queixado de atraso de pagamentos; estaleiros na Bahia e no Rio Grande do Sul demitem trabalhadores em razão de contratos por ela cancelados; e centrais sindicais pressionam o governo para ela bancar indenizações trabalhistas aos demitidos dessas empresas. Logo ela, que passou anos acumulando prejuízos pelo congelamento forçado dos preços de combustíveis, como vai dar conta do fluxo de caixa cotidiano, que já é pesado, mais essas despesas extras que não seriam de sua responsabilidade?
Como o crédito secou, o jeito foi chamar o mágico e montar mais uma operação de alquimia: a Eletrobrás reconhece dívida de R$ 9 bilhões, que antes questionava, a Petrobrás emite títulos lastreados nessa dívida e garantidos pelo Tesouro e vende esses papéis no mercado sabe-se lá com que deságio. Resultado: com as finanças também combalidas, a Eletrobrás sai ilesa e não subtrai um tostão na operação; para a Petrobrás entra o dinheiro abatido pelo deságio; e, para o contribuinte de impostos, resta pagar a conta ao Tesouro.
A esse roteiro de desmoralização da maior e mais prestigiada empresa do País, orgulho dos brasileiros, o PT e os sindicatos assistiram não como contestadores, mas como protagonistas. O PT, beneficiado com 3% das comissões dos contratos entre a Petrobrás e empreiteiras, e os sindicatos, com suas lideranças ocupando cargos de chefia na Petrobrás.
Como Dilma Rousseff espera que os brasileiros acreditem em suas promessas de apurar crimes e punir corruptos "doa a quem doer", se seu partido inocenta políticos e empreiteiras no relatório final da CPI? Como petroleiros vão acreditar e respeitar seus sindicatos se eles nem sequer protestaram, ao contrário, calaram em cumplicidade diante de gestões irresponsáveis que há 12 anos desmoralizam a Petrobrás?
Trambiques e ilusões - FERNANDO GABEIRA
O GLOBO - 14/12
Passei em Brasília a trabalho. Não tive tempo de observar a atmosfera. Pedi ajuda a um amigo que vive na corte, desde o governo Figueiredo. Qual é o clima? O amigo pediu desculpas pela brevidade da resposta. Para definir o clima, a única expressão que tinha era esta: bunda na parede. De fato, muitos estão saindo de cena, governadores renunciando antes do tempo, viagens ao exterior programadas para deixar passar a onda.
Mas a onda do Petrolão é gigantesca. Dois fatos da semana contribuem para aumentá-la. Um deles: a aparição da planilha do doleiro Alberto Youssef. Nela, figuram 170 projetos, uma grande parte deles fora da Petrobras. Concessões de aeroportos e as obras do porto cubano de Mariel eram mencionadas na planilha. Ao lado do nome do projeto em Cuba, uma quantia: R$ 3,6 milhões. Se houver fôlego para investigar tantas frentes, ficará demonstrada a tese de Paulo Roberto Costa de que a corrupção não se limita à Petrobras mas se propagou por quase tudo no Brasil.
Uma outra frente importante: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou um movimento de R$23,7 bilhões nas contas de Youssef e das empresas que usaram seus serviços. É uma cifra astronômica que, embora não possa ser considerada a soma do estrago que causaram, é digna de entrar no rol dos maiores movimentos atípicos da História. As transações de Youssef começaram a ser monitoradas porque eram muito altas e ele tinha passado um período na cadeia. Vários relatórios sobre as transações das empresas da Lava-Jato foram produzidos. Continuam a ser produzidos e beiram uma dezena de textos. Não ficou claro para mim como esses relatórios não foram o estopim das prisões. Aquilo era algo mais do que um movimento atípico: era suspeito. Meu amigo de Brasília conhece como eu a grande força do “deixa disso”, dos caros advogados, da teia de amizades que amarra as pessoas nesse universo. E sabe como elas espalham suas teses: sempre foi assim, todos fazem, é a nossa história. Mas as possibilidades de uma grande renovação nos costumes políticos brasileiros estão dadas pela própria dimensão do escândalo. Leio sempre tentativas de avaliar os custos desse processo de punição. O Brasil pode parar se as empresas envolvidas forem consideradas inidôneas?
Na Itália, a operação Mãos Limpas acabou abrindo o caminho para a ascensão do Berlusconi. Será que isso pode acontecer aqui? O país não pode ser refém de um grupo de empresas. Nem, necessariamente, vai produzir um Berlusconi. Para dizer a verdade, Berlusconi já se foi. Não creio que, retrospectivamente, a Itália se arrependa da operação Mãos Limpas. No momento, há um grande silêncio no bloco do poder. O próprio Lula fez apenas um comentário. Achava estranhos os vazamentos. Mas o que se passou no seu governo, não comentou até hoje.
O que dizem os jornais é que seu tríplex em Guarujá ficou pronto. O prédio foi completado pela OAS. A cooperativa liderada por João Vaccari Neto é que vendeu os apartamentos. Lula e mais alguns receberam: três mil compradores, no entanto, foram lesados. Lula perdeu a timidez em se mostrar rico, desfrutando do luxo da elite que estigmatiza. Cheguei a essa conclusão ainda na campanha política, com sua passagem pelo Copacabana Palace. Sua comitiva reservou nove quartos. O dele era a cobertura. Ele deixou o hotel às pressas porque sua presença no Copa foi noticiada. Antes de sair ainda teve um pequeno desencontro com a própria elite que o vaiou ao passar pela pérgula. E não o vaiou por sua política social, mas sim porque exigia um pouco mais de coerência. Nesse sentido, Lula desmente a tese do meu amigo de que estão todos com a bunda na parede. O PT tem experiência em crises. Essa é uma crise de muitas cabeças: até as contas de campanha de 2014 estão sendo questionadas por técnicos do TSE.
A confiança nascida de confusões passadas subestima as dimensões novas do problema. No Petrolão, há delatores premiados com documentos para exibir. Como o escândalo envolveu também relações externas, Suíça, Holanda e Estados Unidos abriram investigações. Na Suíça vai ser possível seguir a trajetória do dinheiro. Na Holanda, estão todos os dados do suborno da SBM na venda de plataformas. O osso americano será duro de roer porque os acionistas abriram um processo contra a Petrobras, em Nova York, com potencial devastador.
Ao mesmo tempo em que nos fixamos no Petrolão lá fora, o preço do óleo caiu quase 40%. Isso tende a enfraquecer a produção americana não convencional com o xisto. E, secundariamente, projetos como o brasileiro da exploração do pré-sal. Com o Petrolão, a empresa perdeu credibilidade. A queda dos preços tende a reduzir sua competitividade no pré-sal. O governo vendeu o pré-sal como o grande passaporte para o futuro. O passaporte pode estar vencido. Como vencido está esse tempo de mentiras, trambiques e ilusões.
Passei em Brasília a trabalho. Não tive tempo de observar a atmosfera. Pedi ajuda a um amigo que vive na corte, desde o governo Figueiredo. Qual é o clima? O amigo pediu desculpas pela brevidade da resposta. Para definir o clima, a única expressão que tinha era esta: bunda na parede. De fato, muitos estão saindo de cena, governadores renunciando antes do tempo, viagens ao exterior programadas para deixar passar a onda.
Mas a onda do Petrolão é gigantesca. Dois fatos da semana contribuem para aumentá-la. Um deles: a aparição da planilha do doleiro Alberto Youssef. Nela, figuram 170 projetos, uma grande parte deles fora da Petrobras. Concessões de aeroportos e as obras do porto cubano de Mariel eram mencionadas na planilha. Ao lado do nome do projeto em Cuba, uma quantia: R$ 3,6 milhões. Se houver fôlego para investigar tantas frentes, ficará demonstrada a tese de Paulo Roberto Costa de que a corrupção não se limita à Petrobras mas se propagou por quase tudo no Brasil.
Uma outra frente importante: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou um movimento de R$23,7 bilhões nas contas de Youssef e das empresas que usaram seus serviços. É uma cifra astronômica que, embora não possa ser considerada a soma do estrago que causaram, é digna de entrar no rol dos maiores movimentos atípicos da História. As transações de Youssef começaram a ser monitoradas porque eram muito altas e ele tinha passado um período na cadeia. Vários relatórios sobre as transações das empresas da Lava-Jato foram produzidos. Continuam a ser produzidos e beiram uma dezena de textos. Não ficou claro para mim como esses relatórios não foram o estopim das prisões. Aquilo era algo mais do que um movimento atípico: era suspeito. Meu amigo de Brasília conhece como eu a grande força do “deixa disso”, dos caros advogados, da teia de amizades que amarra as pessoas nesse universo. E sabe como elas espalham suas teses: sempre foi assim, todos fazem, é a nossa história. Mas as possibilidades de uma grande renovação nos costumes políticos brasileiros estão dadas pela própria dimensão do escândalo. Leio sempre tentativas de avaliar os custos desse processo de punição. O Brasil pode parar se as empresas envolvidas forem consideradas inidôneas?
Na Itália, a operação Mãos Limpas acabou abrindo o caminho para a ascensão do Berlusconi. Será que isso pode acontecer aqui? O país não pode ser refém de um grupo de empresas. Nem, necessariamente, vai produzir um Berlusconi. Para dizer a verdade, Berlusconi já se foi. Não creio que, retrospectivamente, a Itália se arrependa da operação Mãos Limpas. No momento, há um grande silêncio no bloco do poder. O próprio Lula fez apenas um comentário. Achava estranhos os vazamentos. Mas o que se passou no seu governo, não comentou até hoje.
O que dizem os jornais é que seu tríplex em Guarujá ficou pronto. O prédio foi completado pela OAS. A cooperativa liderada por João Vaccari Neto é que vendeu os apartamentos. Lula e mais alguns receberam: três mil compradores, no entanto, foram lesados. Lula perdeu a timidez em se mostrar rico, desfrutando do luxo da elite que estigmatiza. Cheguei a essa conclusão ainda na campanha política, com sua passagem pelo Copacabana Palace. Sua comitiva reservou nove quartos. O dele era a cobertura. Ele deixou o hotel às pressas porque sua presença no Copa foi noticiada. Antes de sair ainda teve um pequeno desencontro com a própria elite que o vaiou ao passar pela pérgula. E não o vaiou por sua política social, mas sim porque exigia um pouco mais de coerência. Nesse sentido, Lula desmente a tese do meu amigo de que estão todos com a bunda na parede. O PT tem experiência em crises. Essa é uma crise de muitas cabeças: até as contas de campanha de 2014 estão sendo questionadas por técnicos do TSE.
A confiança nascida de confusões passadas subestima as dimensões novas do problema. No Petrolão, há delatores premiados com documentos para exibir. Como o escândalo envolveu também relações externas, Suíça, Holanda e Estados Unidos abriram investigações. Na Suíça vai ser possível seguir a trajetória do dinheiro. Na Holanda, estão todos os dados do suborno da SBM na venda de plataformas. O osso americano será duro de roer porque os acionistas abriram um processo contra a Petrobras, em Nova York, com potencial devastador.
Ao mesmo tempo em que nos fixamos no Petrolão lá fora, o preço do óleo caiu quase 40%. Isso tende a enfraquecer a produção americana não convencional com o xisto. E, secundariamente, projetos como o brasileiro da exploração do pré-sal. Com o Petrolão, a empresa perdeu credibilidade. A queda dos preços tende a reduzir sua competitividade no pré-sal. O governo vendeu o pré-sal como o grande passaporte para o futuro. O passaporte pode estar vencido. Como vencido está esse tempo de mentiras, trambiques e ilusões.
A justiça americana - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 14/12
Apesar de já termos antecedentes de condenação de banqueiros e políticos de alto coturno no processo do mensalão, ainda não temos um histórico que garanta a punição dos poderosos em processos em que dinheiro e poder estão interligados, como agora no petrolão. A tal ponto ainda duvidamos da imparcialidade de nossa Justiça que muita gente está levando mais fé nas investigações da CVM americana (SEC) ou do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, achando que vai ser a partir de suas conclusões que o sistema punitivo brasileiro funcionará, seja na Justiça Federal, no STF ou no Congresso.
A desconfiança é tamanha que, ao ver a liberação do ex-diretor de Petrobras Renato Duque por uma decisão do ministro Teori Zavascki, perpassa a opinião pública a suspeita de que há ali uma indicação da tendência do futuro julgamento, quando, tudo indica, houve apenas o entendimento do ministro de que o fato de pesar sobre Duque a acusação de ter uma fortuna em depósitos no exterior não quer dizer que possa fugir.
Pode ter sido um engano de Zavascki, pois logo depois de sua decisão apareceram diversas novas acusações contra Duque, mas nada autoriza a entender a decisão como uma inclinação pela leniência. Tanto que vários outros presos entraram com pedidos semelhantes e Zavascki negou todos.
Indicado pelo então todo poderoso ministro José Dirceu, Duque era o homem do PT na direção da Petrobras e, segundo a delação de outro ex-diretor Paulo Roberto Costa, ficava com 3% do dinheiro desviado, depois de ter dado a parcela do PT que, por lógica, era maior. O dinheiro que Duque amealhou pode ser medido pelo que seu subordinado Pedro Barusco se dispôs a devolver, nada menos que 100 milhões de dólares.
Há nas delações premiadas detalhes interessantes, que mostram como nossas tenebrosas transações já alcançaram a sofisticação dos métodos mafiosos. Está sendo investigada a história de que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que deu prejuízo de milhões de dólares à Petrobras, foi acertada em uma conversa de José Dirceu com Albert Frère, um megaempresário belga, o homem mais rico daquele país, dono da refinaria Pasadena, por meio da Astra Transcor Energy. Com investimentos importantes no Brasil na área de energia e grande doador de campanhas eleitorais do PT. Mas não foi uma conversa qualquer. Ela teria ocorrido durante um jogo do Miami Heat, entre sacos de pipoca, longe de olhos indiscretos, câmeras e gravadores.
Uma coincidência interessante ronda essa crise na Petrobras. Em 1996 o jornalista Paulo Francis acusou diretores da Petrobras, presidida na época por Joel Renó, de terem contas na Suiça, fruto da corrupção na estatal. Foi processado nos Estados Unidos, devido à acusação ter sido feita no programa Manhattan Connection, gravado em estúdios de Nova York.
Uma causa de U$ 100 milhões que é considerada origem do enfarte que o matou um ano depois. Há dúvidas sobre a possibilidade de que Francis viesse mesmo a ser processado nos Estados Unidos, pois o programa não era transmitido localmente na ocasião, mas o fato é que, pelo rigor da justiça americana, os diretores da Petrobras quiseram dar um susto no jornalista, que não tinha como provar sua acusação.
Pois hoje, é o rigor da justiça americana que tira o sono dos envolvidos no petrolão, pois como a Petrobras participa da Bolsa de Valores de Nova York com suas ADRs, American Depositary Receipt, certificado de depósito emitido por bancos norte-americanos, o esquema de corrupção na estatal brasileira está sendo investigado por lá e suas conseqüências podem ser gravíssimas, desde multa bilionária, rebaixamento na avaliação da governança e até, no limite, a proibição de participar do mercado de ações nos Estados Unidos.
Os responsáveis pelas decisões que provocaram prejuízos aos acionistas, ou pelas omissões no processo de investigação, podem ser culpados diretamente, o que pode envolver os presidentes da empresa José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, e a presidente do Conselho de Administração, no caso a atual presidente Dilma Roussef.
A desconfiança pode ser efeito do nosso famoso complexo de vira-lata. Mas seria ótimo que a justiça brasileira se mostrasse desta vez mais eficiente e rigorosa que a americana
Apesar de já termos antecedentes de condenação de banqueiros e políticos de alto coturno no processo do mensalão, ainda não temos um histórico que garanta a punição dos poderosos em processos em que dinheiro e poder estão interligados, como agora no petrolão. A tal ponto ainda duvidamos da imparcialidade de nossa Justiça que muita gente está levando mais fé nas investigações da CVM americana (SEC) ou do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, achando que vai ser a partir de suas conclusões que o sistema punitivo brasileiro funcionará, seja na Justiça Federal, no STF ou no Congresso.
A desconfiança é tamanha que, ao ver a liberação do ex-diretor de Petrobras Renato Duque por uma decisão do ministro Teori Zavascki, perpassa a opinião pública a suspeita de que há ali uma indicação da tendência do futuro julgamento, quando, tudo indica, houve apenas o entendimento do ministro de que o fato de pesar sobre Duque a acusação de ter uma fortuna em depósitos no exterior não quer dizer que possa fugir.
Pode ter sido um engano de Zavascki, pois logo depois de sua decisão apareceram diversas novas acusações contra Duque, mas nada autoriza a entender a decisão como uma inclinação pela leniência. Tanto que vários outros presos entraram com pedidos semelhantes e Zavascki negou todos.
Indicado pelo então todo poderoso ministro José Dirceu, Duque era o homem do PT na direção da Petrobras e, segundo a delação de outro ex-diretor Paulo Roberto Costa, ficava com 3% do dinheiro desviado, depois de ter dado a parcela do PT que, por lógica, era maior. O dinheiro que Duque amealhou pode ser medido pelo que seu subordinado Pedro Barusco se dispôs a devolver, nada menos que 100 milhões de dólares.
Há nas delações premiadas detalhes interessantes, que mostram como nossas tenebrosas transações já alcançaram a sofisticação dos métodos mafiosos. Está sendo investigada a história de que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que deu prejuízo de milhões de dólares à Petrobras, foi acertada em uma conversa de José Dirceu com Albert Frère, um megaempresário belga, o homem mais rico daquele país, dono da refinaria Pasadena, por meio da Astra Transcor Energy. Com investimentos importantes no Brasil na área de energia e grande doador de campanhas eleitorais do PT. Mas não foi uma conversa qualquer. Ela teria ocorrido durante um jogo do Miami Heat, entre sacos de pipoca, longe de olhos indiscretos, câmeras e gravadores.
Uma coincidência interessante ronda essa crise na Petrobras. Em 1996 o jornalista Paulo Francis acusou diretores da Petrobras, presidida na época por Joel Renó, de terem contas na Suiça, fruto da corrupção na estatal. Foi processado nos Estados Unidos, devido à acusação ter sido feita no programa Manhattan Connection, gravado em estúdios de Nova York.
Uma causa de U$ 100 milhões que é considerada origem do enfarte que o matou um ano depois. Há dúvidas sobre a possibilidade de que Francis viesse mesmo a ser processado nos Estados Unidos, pois o programa não era transmitido localmente na ocasião, mas o fato é que, pelo rigor da justiça americana, os diretores da Petrobras quiseram dar um susto no jornalista, que não tinha como provar sua acusação.
Pois hoje, é o rigor da justiça americana que tira o sono dos envolvidos no petrolão, pois como a Petrobras participa da Bolsa de Valores de Nova York com suas ADRs, American Depositary Receipt, certificado de depósito emitido por bancos norte-americanos, o esquema de corrupção na estatal brasileira está sendo investigado por lá e suas conseqüências podem ser gravíssimas, desde multa bilionária, rebaixamento na avaliação da governança e até, no limite, a proibição de participar do mercado de ações nos Estados Unidos.
Os responsáveis pelas decisões que provocaram prejuízos aos acionistas, ou pelas omissões no processo de investigação, podem ser culpados diretamente, o que pode envolver os presidentes da empresa José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, e a presidente do Conselho de Administração, no caso a atual presidente Dilma Roussef.
A desconfiança pode ser efeito do nosso famoso complexo de vira-lata. Mas seria ótimo que a justiça brasileira se mostrasse desta vez mais eficiente e rigorosa que a americana
Um balanço de fiascos, de devastação e de lorotas - ROLF KUNTZ
O ESTADO DE S.PAULO - 14/12
Saqueada, humilhada, processada no exterior sob acusação de mentir aos investidores, desvalorizada nas bolsas e com problemas para anunciar um balanço sem o aval de uma auditoria, a maior empresa brasileira, a Petrobrás, é hoje o símbolo mais expressivo de uma economia devastada por uma combinação de incompetência, ilimitada fome de poder e desprezo pelas metas e normas prosaicas da administração pública. Os danos podem variar de um para outro setor, mas a devastação foi um processo único, determinado por um mesmo estilo de política. Nas últimas semanas, enquanto avançavam as investigações da Operação Lava Jato, o governo tentava mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para se livrar da obrigação de apresentar o resultado fiscal prometido para 2014. Incapaz de cumprir a lei, tratou de alterá-la, para acomodar os efeitos da gastança, dos benefícios tributários mal planejados e da estagnação econômica produzida pelos seus erros.
Os danos impostos ao País vão muito além dos bilhões pilhados da Petrobrás. Depois de quatro anos no atoleiro, com crescimento médio anual inferior a 2%, a economia brasileira vai mal na geração de empregos, na produção industrial, no investimento, nos preços, no comércio externo e nas contas públicas. A presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, costumam alardear a criação de postos de trabalho. O emprego no Brasil, segundo dizem, foi preservado por políticas anticíclicas e a desocupação é muito menor que nas economias avançadas. Deve haver quem acredite, mas essa é mais uma história muito mal contada.
O desemprego é maior no Brasil do que em muitos países mais afetados pela crise global. Os desocupados em todo o País eram 6,8% da força de trabalho, no terceiro trimestre, segundo levantamento mais amplo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada em cerca de 3.500 municípios. Os números mais citados pelo governo, bem mais baixos, são pesquisados só nas seis maiores áreas metropolitanas.
Pelo número da Pnad, o desemprego no Brasil, no terceiro trimestre, foi maior que em 16 dos 34 países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - mas essa comparação só vale se ficar limitada àqueles com dados disponíveis para o período. No caso de quatro associados só havia, até a publicação da tabela, informações até o segundo trimestre. Dois desses países tinham taxas de desemprego bem menores que a do Brasil - Suíça, 4,4%, e Reino Unido, 6,3%. A situação dificilmente deve ter mudado de forma significativa nos meses seguintes. Se isso for levado em conta, a lista cresce para 18.
Tinham desemprego menor que o do Brasil, no trimestre passado, cinco das maiores potências integrantes da OCDE - Estados Unidos (6,1%), Japão (3,6%), Alemanha (5%), Coreia do Sul (3,5%) e México (5%). O Reino Unido provavelmente poderia entrar na relação. Além disso, a média das taxas das sete maiores economias capitalistas era 6,4%. Todos esses países têm inflação mais baixa que a brasileira e quase todos devem fechar o ano com crescimento econômico maior que o do Brasil.
A história do desemprego baixo é, portanto, apenas mais uma lorota de um governo pouco habituado a reconhecer os fatos - pelo menos publicamente. Mas a história fica pior quando se leva em conta a qualidade dos postos de trabalho. A maior parte dos bons empregos é gerada pela indústria, mas o setor tem demitido.
De janeiro a outubro o número de ocupados foi 3% menor que o do mesmo período de 2013. Em 12 meses diminuiu 2,8%. Em 2011, primeiro ano do atual governo, o pessoal assalariado na indústria aumentou 1%, mas diminuiu 1,4% em 2012 e 1,1% em 2013 e continuou encolhendo neste ano. A maior parte dos novos postos de trabalho tem sido aberta em serviços, quase sempre em segmentos de baixa produtividade. Isso combina com o fraco desempenho da economia e, de modo especial, com o enfraquecimento da indústria, especialmente de transformação.
De janeiro a outubro deste ano a produção industrial foi 3% menor que nos meses correspondentes de 2013. A da indústria de máquinas e equipamentos, 8,8% inferior à de um ano antes. Também isso se encaixa no quadro de estagnação econômica, mas o dado, nesse caso, é particularmente agourento. Com baixo dispêndio em bens de capital, a economia tem escasso potencial de expansão nos anos seguintes.
A insistência na conversa a respeito de política anticíclica mostra apenas um erro de diagnóstico. Certos estímulos podem ter sido necessários entre o final de 2008 e a maior parte de 2009, mas, passada a recessão, seria preciso cuidar das bases para a expansão de longo prazo. Não houve nada parecido com isso. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi até agora principalmente um plano imobiliário. Segundo o último balanço, as ações do PAC-2 concluídas até dezembro deverão corresponder a dispêndios de R$ 796,4 bilhões. Financiamentos e obras habitacionais deverão somar R$ 449,7 bilhões, 56,46% do total. O setor de transportes, com apenas R$ 66,9 bilhões, corresponderá a 8,4% do valor das ações terminadas.
Enquanto o governo insiste em vender fantasias ao público, a equipe escalada para assumir a política econômica a partir de janeiro procura meios de arranjar as contas públicas. Haverá cortes de gastos e aumento de tributos e já se especula sobre um ajuste na faixa de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões. A arrumação terá de ser muito dura, até porque o rombo fiscal é um dos maiores do mundo. Nos 12 meses até outubro, o déficit nominal de todos os níveis de governo chegou a 5,01% do PIB e ficou bem acima da média estimada neste ano para a OCDE (3,9%) e para a maior parte dos seus associados. Passados quatro anos, a presidente só tem para dividir com seu pessoal um saco de fiascos, estragos e lorotas.
Saqueada, humilhada, processada no exterior sob acusação de mentir aos investidores, desvalorizada nas bolsas e com problemas para anunciar um balanço sem o aval de uma auditoria, a maior empresa brasileira, a Petrobrás, é hoje o símbolo mais expressivo de uma economia devastada por uma combinação de incompetência, ilimitada fome de poder e desprezo pelas metas e normas prosaicas da administração pública. Os danos podem variar de um para outro setor, mas a devastação foi um processo único, determinado por um mesmo estilo de política. Nas últimas semanas, enquanto avançavam as investigações da Operação Lava Jato, o governo tentava mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para se livrar da obrigação de apresentar o resultado fiscal prometido para 2014. Incapaz de cumprir a lei, tratou de alterá-la, para acomodar os efeitos da gastança, dos benefícios tributários mal planejados e da estagnação econômica produzida pelos seus erros.
Os danos impostos ao País vão muito além dos bilhões pilhados da Petrobrás. Depois de quatro anos no atoleiro, com crescimento médio anual inferior a 2%, a economia brasileira vai mal na geração de empregos, na produção industrial, no investimento, nos preços, no comércio externo e nas contas públicas. A presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, costumam alardear a criação de postos de trabalho. O emprego no Brasil, segundo dizem, foi preservado por políticas anticíclicas e a desocupação é muito menor que nas economias avançadas. Deve haver quem acredite, mas essa é mais uma história muito mal contada.
O desemprego é maior no Brasil do que em muitos países mais afetados pela crise global. Os desocupados em todo o País eram 6,8% da força de trabalho, no terceiro trimestre, segundo levantamento mais amplo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada em cerca de 3.500 municípios. Os números mais citados pelo governo, bem mais baixos, são pesquisados só nas seis maiores áreas metropolitanas.
Pelo número da Pnad, o desemprego no Brasil, no terceiro trimestre, foi maior que em 16 dos 34 países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - mas essa comparação só vale se ficar limitada àqueles com dados disponíveis para o período. No caso de quatro associados só havia, até a publicação da tabela, informações até o segundo trimestre. Dois desses países tinham taxas de desemprego bem menores que a do Brasil - Suíça, 4,4%, e Reino Unido, 6,3%. A situação dificilmente deve ter mudado de forma significativa nos meses seguintes. Se isso for levado em conta, a lista cresce para 18.
Tinham desemprego menor que o do Brasil, no trimestre passado, cinco das maiores potências integrantes da OCDE - Estados Unidos (6,1%), Japão (3,6%), Alemanha (5%), Coreia do Sul (3,5%) e México (5%). O Reino Unido provavelmente poderia entrar na relação. Além disso, a média das taxas das sete maiores economias capitalistas era 6,4%. Todos esses países têm inflação mais baixa que a brasileira e quase todos devem fechar o ano com crescimento econômico maior que o do Brasil.
A história do desemprego baixo é, portanto, apenas mais uma lorota de um governo pouco habituado a reconhecer os fatos - pelo menos publicamente. Mas a história fica pior quando se leva em conta a qualidade dos postos de trabalho. A maior parte dos bons empregos é gerada pela indústria, mas o setor tem demitido.
De janeiro a outubro o número de ocupados foi 3% menor que o do mesmo período de 2013. Em 12 meses diminuiu 2,8%. Em 2011, primeiro ano do atual governo, o pessoal assalariado na indústria aumentou 1%, mas diminuiu 1,4% em 2012 e 1,1% em 2013 e continuou encolhendo neste ano. A maior parte dos novos postos de trabalho tem sido aberta em serviços, quase sempre em segmentos de baixa produtividade. Isso combina com o fraco desempenho da economia e, de modo especial, com o enfraquecimento da indústria, especialmente de transformação.
De janeiro a outubro deste ano a produção industrial foi 3% menor que nos meses correspondentes de 2013. A da indústria de máquinas e equipamentos, 8,8% inferior à de um ano antes. Também isso se encaixa no quadro de estagnação econômica, mas o dado, nesse caso, é particularmente agourento. Com baixo dispêndio em bens de capital, a economia tem escasso potencial de expansão nos anos seguintes.
A insistência na conversa a respeito de política anticíclica mostra apenas um erro de diagnóstico. Certos estímulos podem ter sido necessários entre o final de 2008 e a maior parte de 2009, mas, passada a recessão, seria preciso cuidar das bases para a expansão de longo prazo. Não houve nada parecido com isso. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi até agora principalmente um plano imobiliário. Segundo o último balanço, as ações do PAC-2 concluídas até dezembro deverão corresponder a dispêndios de R$ 796,4 bilhões. Financiamentos e obras habitacionais deverão somar R$ 449,7 bilhões, 56,46% do total. O setor de transportes, com apenas R$ 66,9 bilhões, corresponderá a 8,4% do valor das ações terminadas.
Enquanto o governo insiste em vender fantasias ao público, a equipe escalada para assumir a política econômica a partir de janeiro procura meios de arranjar as contas públicas. Haverá cortes de gastos e aumento de tributos e já se especula sobre um ajuste na faixa de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões. A arrumação terá de ser muito dura, até porque o rombo fiscal é um dos maiores do mundo. Nos 12 meses até outubro, o déficit nominal de todos os níveis de governo chegou a 5,01% do PIB e ficou bem acima da média estimada neste ano para a OCDE (3,9%) e para a maior parte dos seus associados. Passados quatro anos, a presidente só tem para dividir com seu pessoal um saco de fiascos, estragos e lorotas.
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