FOLHA DE SP - 06/10
Karl Marx falhou: como cientista e até como profeta. Esse fracasso já foi referido em coluna (Será que Deus existe?). Mas faltou acrescentar um pormenor: Marx nem sequer previu que a sua "luta de classes" seria substituída por uma perpétua "imitação de classe".
O proletariado não desejava destruir o sistema capitalista. Pelo contrário: desejava antes participar nele, imitando a burguesia –nos seus hábitos e gostos– e desfrutando dos mesmos confortos materiais que só o capitalismo permite.
Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para os confrontos em Hong Kong, com os manifestantes a exigir respeito pelas eleições de 2017 na ilha. Pequim ficou em estado de alerta.
Entendo: em 1989, o PC chinês contemplou a desagregação do comunismo na Europa com horror. Consta até que o líder de então, Deng Xiaoping, terá ficado assustado com os fuzilamentos sumários do encantador casal Ceausescu, na Roménia.
O colapso da União Soviética, pouco depois, deixou o aviso: não bastava reprimir uma população miserável, como aconteceu na Praça de Tiananmen. Era preciso responder aos anseios da população, o que significava abrir as portas a um "capitalismo de Estado" controlado.
Fatalmente, o PC chinês ignorou a maior fraqueza da teoria marxista: o capitalismo, e mesmo o "capitalismo de Estado", não se limita a matar a fome e a permitir carros ou roupas de grife.
Cedo ou tarde, a emergência de uma classe média significa também que as massas desejam mais: coisas intangíveis como liberdade, participação política e até o direito de governar.
Em Hong Kong, essas reivindicações podem ser explicadas (e reforçadas) pela tradição de liberdade que já existia antes da devolução britânica em 1997.
Mas, como informa a revista "The Economist", essas reivindicações são já sentidas em todo o país –de tal forma que uma das prioridades do regime nesses dias foi ocultar da população continental a "Revolução dos Guarda-Chuvas" de Hong Kong.
Durante décadas, vários especialistas sobre a China formularam a questão clássica: será possível ter uma sociedade capitalista sem o tipo de liberdades de uma sociedade democrática?
As imagens de Hong Kong são a primeira e promissora resposta. E são também uma confirmação histórica: para o comunismo funcionar, é importante que uma sociedade seja mantida rigorosamente na miséria.
segunda-feira, outubro 06, 2014
Política, corrupção e pizza - LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP - 06/10
Ninguém dá bola para corrupção em política. Nenhum estrato social. Nem rico nem pobre
Dito de forma direta, o que quero dizer hoje é: ninguém está nem aí para corrupção em política. Nenhum estrato social. Nem rico, nem pobre, nem culto, nem artista, nem inteligentinho. Pega bem dizer que se está, mas é pura afetação de salão. Coisa de burguês. A prova é que com ou sem Petrobras, no final, será servida uma grande pizza.
Escândalos se acumulam (e não me refiro apenas aos bolivarianos atualmente no poder), mas ninguém está nem aí. Justificativas sustentam toda e qualquer defesa de políticos ou partidos corruptos ou suspeitos de corrupção. A democracia tem uma dimensão circense e as eleições são seu clímax.
Sim, são afirmações céticas. O senso comum pensa que ser cético é duvidar da existência de Deus. Isso é ceticismo de criança. Qualquer um duvida da existência de Deus. Quem se leva muito a sério por isso é que é meio bobo.
E a razão pra ninguém estar nem aí para corrupção é que nossa relação com a política não é racional, como dizem que é. Somos mais facilmente racionais quando compramos pão francês do que quando pensamos em política. "Consciência política" é tão fetiche quanto "carma".
Não existe essa tal de consciência política, mas sim simpatias, empatias, interesses, taras, fanatismo que travestimos de "consciência política".
A única racionalidade possível na política é a de Maquiavel, que continua sendo o filósofo da política mais sério até hoje: a razão da política é a conquista e manutenção do poder a qualquer custo.
Desde o século 18 e a falsa afirmação de que a política redimirá o mundo (pecado do suíço Rousseau), abriu-se um novo "mercado" das mentiras políticas: aquele que diz que a política pode ser "ética".
A democracia tem uma vocação para a retórica, já dizia Platão. Mas, reconheçamos, não há regime melhor. Nela, o circo das "escolhas éticas" se acumulam ao sabor do marketing e das justificativas do que preferimos.
Não votamos racionalmente. Votamos porque (na melhor das hipóteses) algum candidato ou partido concorda, mais ou menos, com a "pequena" teoria de mundo que temos.
Alguns de nós tem mais tempo e condição de trabalhar suas "pequenas" teorias. Outros vão a seco e votam em quem eles acham que vai aumentar o poder de compra deles (dane-se a corrupção) ou quem mais se encaixa na visão de "um mundo melhor" (maior fetiche da política dos últimos 250 anos) deles (dane-se a corrupção).
Se acreditamos que a economia seja uma ciência do comportamento humano que deve levar em conta coisas como "quem tem o que todo mundo quer ganha mais" tendemos a crer que devemos levar em conta as "leis de mercado". Quem crê que devemos "buscar formas mais humanas de produção e igualdade" não crê nas "leis de mercado", mas sim que elas foram inventadas pelos que gostam de explorar os mais fracos.
Mas, como a democracia é um regime baseado numa economia do ressentimento, quem crê em "leis de mercado" é malvado e quem afirma que elas podem ser negadas se quisermos fazer o mundo melhor é visto como gente legal.
Se acho um candidato "fodão", arrumo razões pra votar nele. Se acho que o Brasil precisa de um modo de vida "x", arrumo alguém que pareça concordar comigo. Se acho o candidato alguém comprometido com a "justiça social", ele pode até roubar. Se busco santos, direi: o Brasil precisa de um choque de sinceridade na política.
A crença de que exista racionalidade na política é tão necessária para a maioria das pessoas hoje quanto Deus é necessário para uma porrada de gente. Os não-religiosos creem que olham o mundo de modo mais racional porque não acreditam num ser invisível entre tantos outros. Mas, acreditar que exista uma coisa chamada "consciência política" é também um ato de fé.
Suecos votam para garantir seu tempo livre. Americanos para defender seu quintal. Argentinos por masoquismo. Franceses para garantir a aposentadoria. Ingleses já não sabem se são pós-cristãos ou neomuçulmanos.
E brasileiros votam porque querem mais Estado nas suas vidas. Mais Bolsa Família e mais bolsa empresário. Em mil anos rirão de nossa fé na democracia.
Ninguém dá bola para corrupção em política. Nenhum estrato social. Nem rico nem pobre
Dito de forma direta, o que quero dizer hoje é: ninguém está nem aí para corrupção em política. Nenhum estrato social. Nem rico, nem pobre, nem culto, nem artista, nem inteligentinho. Pega bem dizer que se está, mas é pura afetação de salão. Coisa de burguês. A prova é que com ou sem Petrobras, no final, será servida uma grande pizza.
Escândalos se acumulam (e não me refiro apenas aos bolivarianos atualmente no poder), mas ninguém está nem aí. Justificativas sustentam toda e qualquer defesa de políticos ou partidos corruptos ou suspeitos de corrupção. A democracia tem uma dimensão circense e as eleições são seu clímax.
Sim, são afirmações céticas. O senso comum pensa que ser cético é duvidar da existência de Deus. Isso é ceticismo de criança. Qualquer um duvida da existência de Deus. Quem se leva muito a sério por isso é que é meio bobo.
E a razão pra ninguém estar nem aí para corrupção é que nossa relação com a política não é racional, como dizem que é. Somos mais facilmente racionais quando compramos pão francês do que quando pensamos em política. "Consciência política" é tão fetiche quanto "carma".
Não existe essa tal de consciência política, mas sim simpatias, empatias, interesses, taras, fanatismo que travestimos de "consciência política".
A única racionalidade possível na política é a de Maquiavel, que continua sendo o filósofo da política mais sério até hoje: a razão da política é a conquista e manutenção do poder a qualquer custo.
Desde o século 18 e a falsa afirmação de que a política redimirá o mundo (pecado do suíço Rousseau), abriu-se um novo "mercado" das mentiras políticas: aquele que diz que a política pode ser "ética".
A democracia tem uma vocação para a retórica, já dizia Platão. Mas, reconheçamos, não há regime melhor. Nela, o circo das "escolhas éticas" se acumulam ao sabor do marketing e das justificativas do que preferimos.
Não votamos racionalmente. Votamos porque (na melhor das hipóteses) algum candidato ou partido concorda, mais ou menos, com a "pequena" teoria de mundo que temos.
Alguns de nós tem mais tempo e condição de trabalhar suas "pequenas" teorias. Outros vão a seco e votam em quem eles acham que vai aumentar o poder de compra deles (dane-se a corrupção) ou quem mais se encaixa na visão de "um mundo melhor" (maior fetiche da política dos últimos 250 anos) deles (dane-se a corrupção).
Se acreditamos que a economia seja uma ciência do comportamento humano que deve levar em conta coisas como "quem tem o que todo mundo quer ganha mais" tendemos a crer que devemos levar em conta as "leis de mercado". Quem crê que devemos "buscar formas mais humanas de produção e igualdade" não crê nas "leis de mercado", mas sim que elas foram inventadas pelos que gostam de explorar os mais fracos.
Mas, como a democracia é um regime baseado numa economia do ressentimento, quem crê em "leis de mercado" é malvado e quem afirma que elas podem ser negadas se quisermos fazer o mundo melhor é visto como gente legal.
Se acho um candidato "fodão", arrumo razões pra votar nele. Se acho que o Brasil precisa de um modo de vida "x", arrumo alguém que pareça concordar comigo. Se acho o candidato alguém comprometido com a "justiça social", ele pode até roubar. Se busco santos, direi: o Brasil precisa de um choque de sinceridade na política.
A crença de que exista racionalidade na política é tão necessária para a maioria das pessoas hoje quanto Deus é necessário para uma porrada de gente. Os não-religiosos creem que olham o mundo de modo mais racional porque não acreditam num ser invisível entre tantos outros. Mas, acreditar que exista uma coisa chamada "consciência política" é também um ato de fé.
Suecos votam para garantir seu tempo livre. Americanos para defender seu quintal. Argentinos por masoquismo. Franceses para garantir a aposentadoria. Ingleses já não sabem se são pós-cristãos ou neomuçulmanos.
E brasileiros votam porque querem mais Estado nas suas vidas. Mais Bolsa Família e mais bolsa empresário. Em mil anos rirão de nossa fé na democracia.
Da teimosia como método - LUÍS EDUARDO ASSIS
O ESTADÃO - 06/10
A presidente Dilma Rousseff não gosta do mercado financeiro - no que é correspondida com juras de eterno desamor. Faz sentido. São duas maneiras distintas de enxergar o mundo, o que envolve preconceitos, exageros e simplificações.
Nossa presidente é economista e, possivelmente, a primeira pessoa a morar no Palácio da Alvorada que sabe o que é a taxa Selic. Ela tem convicções profundas sobre como funciona e como deveria funcionar a economia brasileira. Tem todas as respostas. Se necessário, tem as perguntas também. Ao contrário do seu antecessor, que delegou a gestão da política econômica assim como um paciente confia em seu neurocirurgião, Dilma Rousseff faz ela mesma sua operação se valendo de espelhos colocados no teto do centro cirúrgico. O mercado também tem suas crenças e mitos, a começar pelo fato de que subestima as dificuldades de se governar nos meandros das regras democráticas.
Talvez a discussão sobre o déficit público seja onde estas diferentes visões sejam mais claramente antagônicas. A economista Dilma e seus discípulos teimam em cortejar a ideia vagamente keynesiana de que os gastos públicos são intrinsecamente úteis e devem seguir um padrão anticíclico: têm de aumentar nas fases de recessão, para mitigar a queda no nível de atividade, e devem desacelerar nas fases de crescimento, quando parte maior da arrecadação pode ser alocada para o serviço da dívida.
Por esse raciocínio, a expansão dos gastos em períodos em que as vacas emagrecem teria o condão de sustentar o nível de atividade, promovendo o aumento da arrecadação. No limite, é o equivalente à invenção do moto-contínuo, um mecanismo que fornece ao exterior mais energia do que consome, em flagrante contradição com a primeira lei da termodinâmica.
O governo semeia gastos hoje e colhe impostos amanhã, evitando as agruras do desemprego. Só existe um problema neste devaneio: não é assim que funciona. Estamos em recessão? Vamos aumentar os gastos para estimular o nível de atividade. Estamos crescendo? Vamos aumentar os gastos para resgatar a dívida social.
Com essa má vontade conceitual, a performance da política fiscal na gestão Dilma é lamentável. No acumulado entre janeiro e agosto de 2014, o saldo do superávit primário foi de míseros R$ 10,2 bilhões, pouco mais do que 10% da meta para o ano. Mais uma promessa a ser descumprida - e nem assim a economia anda.
São três os principais argumentos contra a tese governista. Em primeiro lugar, ao considerar os gastos públicos como um todo, põe-se em segundo plano a necessidade profilática de cortar gastos injustificados. Trata-se de medida higiênica. Da mesma forma que se devem cortar as unhas regularmente, também é preciso cortar gastos públicos de tempos em tempos. Sob a proteção da incúria, viceja o desperdício.
Em segundo lugar, é imperioso rediscutir a estrutura de gastos, ainda que isso signifique tocar em temas delicados. Para citar um exemplo usual: o contribuinte brasileiro paga mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de quatro vezes a despesa do Bolsa Família, para financiar um sistema de pensão por morte benevolente e vulnerável a fraudes. A média desse tipo de gasto nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não chega a 1% do PIB. Por que o Brasil, classe média baixa do mundo, deveria ter um sistema mais generoso que os países ricos?
Por fim, e talvez principalmente, o descaso com a política fiscal onera demasiadamente a política monetária, deixando ao Banco Central a inglória missão de combater a inflação por meio de juros altos, o que é profundamente prejudicial à distribuição de renda. No ano passado, R$ 249 bilhões foram gastos com o pagamento de juros. Como esses bilhões são distribuídos? Por sorteio? Jogados de um helicóptero? Pior: esses recursos são distribuídos na exata proporção da riqueza financeira previamente existente. Quem tem muito ganha muito, quem nada tem não ganha nada - e quem deve, a começar pelo próprio governo, paga tudo. Nada mais regressivo.
Os mais ricos. Estudo pioneiro realizado recentemente pelos economistas Marcelo Medeiros, Pedro Souza e Fabio Castro (O Topo da Distribuição de Renda no Brasil - 2006-2012) mostra, a partir de análise das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que há extrema concentração de renda entre os mais ricos. A diferença entre essa fonte de dados e as pesquisas do IBGE que embasam as declarações ufanistas do governo, que proclama ter desconcentrado a renda, é o fato de que a subdeclaração é muito menor nos dados da Receita Federal, seja porque o pesquisado não se sente seguro em declarar sua renda ao IBGE, seja porque nem os ricos sabem exatamente quanto ganham todos os meses com o recebimento de juros, informação disponível nas declarações.
Em 2012, enquanto a parcela de 1% de mais ricos obteve uma renda média anual de R$ 553 mil, o 0,1% de mais ricos (os bacanas entre os bacanas) se aboletou com nada menos que uma renda média de R$ 2,37 milhões, quase R$ 200 mil por mês. Esse pequeno grupo de brasileiros garfou neste ano quase 11% da renda total do País, porcentual que cresceu nos últimos anos. Nos levantamentos domiciliares do IBGE, a fração do 0,1% de mais ricos fica com menos de 4% da renda.
Controlar o gasto público não é modismo neoliberal do mercado financeiro. Uma política fiscal complacente só agrava os desequilíbrios da economia. Persistir na tese de que há funcionalidade no aumento contínuo e desnecessário dos gastos públicos é apenas teimosia que não vai nos tirar do atoleiro. O próximo governo não poderá persistir com uma política fiscal contraditória e perdulária, sob pena de encaminhar o Brasil para uma crise institucional, da qual ele mesmo será sua maior vítima.
A presidente Dilma Rousseff não gosta do mercado financeiro - no que é correspondida com juras de eterno desamor. Faz sentido. São duas maneiras distintas de enxergar o mundo, o que envolve preconceitos, exageros e simplificações.
Nossa presidente é economista e, possivelmente, a primeira pessoa a morar no Palácio da Alvorada que sabe o que é a taxa Selic. Ela tem convicções profundas sobre como funciona e como deveria funcionar a economia brasileira. Tem todas as respostas. Se necessário, tem as perguntas também. Ao contrário do seu antecessor, que delegou a gestão da política econômica assim como um paciente confia em seu neurocirurgião, Dilma Rousseff faz ela mesma sua operação se valendo de espelhos colocados no teto do centro cirúrgico. O mercado também tem suas crenças e mitos, a começar pelo fato de que subestima as dificuldades de se governar nos meandros das regras democráticas.
Talvez a discussão sobre o déficit público seja onde estas diferentes visões sejam mais claramente antagônicas. A economista Dilma e seus discípulos teimam em cortejar a ideia vagamente keynesiana de que os gastos públicos são intrinsecamente úteis e devem seguir um padrão anticíclico: têm de aumentar nas fases de recessão, para mitigar a queda no nível de atividade, e devem desacelerar nas fases de crescimento, quando parte maior da arrecadação pode ser alocada para o serviço da dívida.
Por esse raciocínio, a expansão dos gastos em períodos em que as vacas emagrecem teria o condão de sustentar o nível de atividade, promovendo o aumento da arrecadação. No limite, é o equivalente à invenção do moto-contínuo, um mecanismo que fornece ao exterior mais energia do que consome, em flagrante contradição com a primeira lei da termodinâmica.
O governo semeia gastos hoje e colhe impostos amanhã, evitando as agruras do desemprego. Só existe um problema neste devaneio: não é assim que funciona. Estamos em recessão? Vamos aumentar os gastos para estimular o nível de atividade. Estamos crescendo? Vamos aumentar os gastos para resgatar a dívida social.
Com essa má vontade conceitual, a performance da política fiscal na gestão Dilma é lamentável. No acumulado entre janeiro e agosto de 2014, o saldo do superávit primário foi de míseros R$ 10,2 bilhões, pouco mais do que 10% da meta para o ano. Mais uma promessa a ser descumprida - e nem assim a economia anda.
São três os principais argumentos contra a tese governista. Em primeiro lugar, ao considerar os gastos públicos como um todo, põe-se em segundo plano a necessidade profilática de cortar gastos injustificados. Trata-se de medida higiênica. Da mesma forma que se devem cortar as unhas regularmente, também é preciso cortar gastos públicos de tempos em tempos. Sob a proteção da incúria, viceja o desperdício.
Em segundo lugar, é imperioso rediscutir a estrutura de gastos, ainda que isso signifique tocar em temas delicados. Para citar um exemplo usual: o contribuinte brasileiro paga mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de quatro vezes a despesa do Bolsa Família, para financiar um sistema de pensão por morte benevolente e vulnerável a fraudes. A média desse tipo de gasto nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não chega a 1% do PIB. Por que o Brasil, classe média baixa do mundo, deveria ter um sistema mais generoso que os países ricos?
Por fim, e talvez principalmente, o descaso com a política fiscal onera demasiadamente a política monetária, deixando ao Banco Central a inglória missão de combater a inflação por meio de juros altos, o que é profundamente prejudicial à distribuição de renda. No ano passado, R$ 249 bilhões foram gastos com o pagamento de juros. Como esses bilhões são distribuídos? Por sorteio? Jogados de um helicóptero? Pior: esses recursos são distribuídos na exata proporção da riqueza financeira previamente existente. Quem tem muito ganha muito, quem nada tem não ganha nada - e quem deve, a começar pelo próprio governo, paga tudo. Nada mais regressivo.
Os mais ricos. Estudo pioneiro realizado recentemente pelos economistas Marcelo Medeiros, Pedro Souza e Fabio Castro (O Topo da Distribuição de Renda no Brasil - 2006-2012) mostra, a partir de análise das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que há extrema concentração de renda entre os mais ricos. A diferença entre essa fonte de dados e as pesquisas do IBGE que embasam as declarações ufanistas do governo, que proclama ter desconcentrado a renda, é o fato de que a subdeclaração é muito menor nos dados da Receita Federal, seja porque o pesquisado não se sente seguro em declarar sua renda ao IBGE, seja porque nem os ricos sabem exatamente quanto ganham todos os meses com o recebimento de juros, informação disponível nas declarações.
Em 2012, enquanto a parcela de 1% de mais ricos obteve uma renda média anual de R$ 553 mil, o 0,1% de mais ricos (os bacanas entre os bacanas) se aboletou com nada menos que uma renda média de R$ 2,37 milhões, quase R$ 200 mil por mês. Esse pequeno grupo de brasileiros garfou neste ano quase 11% da renda total do País, porcentual que cresceu nos últimos anos. Nos levantamentos domiciliares do IBGE, a fração do 0,1% de mais ricos fica com menos de 4% da renda.
Controlar o gasto público não é modismo neoliberal do mercado financeiro. Uma política fiscal complacente só agrava os desequilíbrios da economia. Persistir na tese de que há funcionalidade no aumento contínuo e desnecessário dos gastos públicos é apenas teimosia que não vai nos tirar do atoleiro. O próximo governo não poderá persistir com uma política fiscal contraditória e perdulária, sob pena de encaminhar o Brasil para uma crise institucional, da qual ele mesmo será sua maior vítima.
A nova onda - PAULO GUEDES
O GLOBO - 06/10
A 'onda da razão' em favor de Aécio sucedeu à 'onda de indignação' em que surfara Marina. Mas uma oposição respeitável precisa de ambas
Aécio Neves usou a imagem de uma "onda da razão" para explicar a disparada das intenções de voto em sua candidatura. A subida dessa "onda da razão" na reta final do primeiro turno das eleições sucedeu à descida da "onda de indignação" em que antes surfara Marina Silva. O problema para Aécio é que uma oposição respeitável precisaria tanto da razão quanto da indignação para não morrer antes de chegar à praia.
Aécio é o candidato mais preparado, mas ainda não se mostrou desconfortável o bastante com as degeneradas práticas da "velha política", esta mãe de todos os escândalos. Marina tornara-se por isso um veículo da indignação dos eleitores e também o arauto de uma "nova política". Mas sempre transmitiu uma ideia de fragilidade para efetivar as anunciadas mudanças. Não teria sustentação parlamentar para enfrentar a feroz resistência às mudanças de um establishment ainda menos virtuoso que o dos papas renascentistas.
O anúncio do apoio de Marina a Aécio poderia configurar um novo eixo de governabilidade como alternativa ao "presidencialismo de cooptação". É essencial para o surgimento de uma "nova política" que essa aliança ocorra em torno das reformas de modernização. Tanto na dimensão política quanto na econômica. O excesso de gastos públicos aumentou os impostos e os juros, derrubando o crescimento econômico. E a concentração de recursos na esfera federal frustrou o espírito democrático de descentralização da Constituição de 1988, enfraquecendo a Federação e alimentando o fisiologismo. A estagnação econômica e a corrupção sistêmica são filhos desses colossais equívocos.
A economia brasileira continua no piloto automático, em voo cego rumo ao retrocesso. A perda de qualidade da política macroeconômica foi um processo lento, gradual e previsível. Além dos escândalos de corrupção e das denúncias de aparelhamento, a alta da inflação e o baixo crescimento são pedras no sapato da candidata Dilma Rousseff para a disputa no segundo turno. Repito que estamos em uma transição incompleta. É no apoio à inoperância, na blindagem contra escândalos e na manutenção de vícios do Antigo Regime que se destacam alianças políticas oportunistas e retrógradas. Mas já é hora de sairmos desse pântano em que se transformou a política brasileira.
Aécio Neves usou a imagem de uma "onda da razão" para explicar a disparada das intenções de voto em sua candidatura. A subida dessa "onda da razão" na reta final do primeiro turno das eleições sucedeu à descida da "onda de indignação" em que antes surfara Marina Silva. O problema para Aécio é que uma oposição respeitável precisaria tanto da razão quanto da indignação para não morrer antes de chegar à praia.
Aécio é o candidato mais preparado, mas ainda não se mostrou desconfortável o bastante com as degeneradas práticas da "velha política", esta mãe de todos os escândalos. Marina tornara-se por isso um veículo da indignação dos eleitores e também o arauto de uma "nova política". Mas sempre transmitiu uma ideia de fragilidade para efetivar as anunciadas mudanças. Não teria sustentação parlamentar para enfrentar a feroz resistência às mudanças de um establishment ainda menos virtuoso que o dos papas renascentistas.
O anúncio do apoio de Marina a Aécio poderia configurar um novo eixo de governabilidade como alternativa ao "presidencialismo de cooptação". É essencial para o surgimento de uma "nova política" que essa aliança ocorra em torno das reformas de modernização. Tanto na dimensão política quanto na econômica. O excesso de gastos públicos aumentou os impostos e os juros, derrubando o crescimento econômico. E a concentração de recursos na esfera federal frustrou o espírito democrático de descentralização da Constituição de 1988, enfraquecendo a Federação e alimentando o fisiologismo. A estagnação econômica e a corrupção sistêmica são filhos desses colossais equívocos.
A economia brasileira continua no piloto automático, em voo cego rumo ao retrocesso. A perda de qualidade da política macroeconômica foi um processo lento, gradual e previsível. Além dos escândalos de corrupção e das denúncias de aparelhamento, a alta da inflação e o baixo crescimento são pedras no sapato da candidata Dilma Rousseff para a disputa no segundo turno. Repito que estamos em uma transição incompleta. É no apoio à inoperância, na blindagem contra escândalos e na manutenção de vícios do Antigo Regime que se destacam alianças políticas oportunistas e retrógradas. Mas já é hora de sairmos desse pântano em que se transformou a política brasileira.
TCU, esse pessimista - ELENA LANDAU
FOLHA DE SP - 06/10
Finalizei esta coluna na expectativa de que haverá segundo turno. Nele o jogo eleitoral será mais equilibrado. Iguala-se o tempo de TV, e o confronto de ideias será direto.
É a chance para melhorar o nível da campanha. Temas mais importantes do que acusações devem ser discutidos, como o intervencionismo do governo na economia, agravado pela captura de instituições que deveriam servir a sociedade e não a um partido.
O setor elétrico é vítima desses erros e vive grave crise, deixando uma herança maldita: alto endividamento de empresas, perda de valor de estatais, altos reajustes de tarifas, obras atrasadas, reservatórios baixos e risco de racionamento.
A atual administração insiste em negar o óbvio. Para ela não há crise. Mas o Tribunal de Contas da União acaba de se pronunciar sobre os efeitos da MP 579 no setor elétrico.
Auditoria confirmou o que já se suspeitava. A medida teve o custo de R$ 61 bilhões só às distribuidoras. O valor inclui financiamento do Tesouro e empréstimos bancários, utilizados para adiar os reajustes garantidos nos contratos.
O consumidor pagará muito mais caro. Além do custo de energia, sua conta de luz virá acrescida de juros --R$ 9 bilhões. Um dos mais graves erros do populismo tarifário.
Até o pronunciamento do TCU, não havia indicação de que os autores da desastrosa medida seriam responsabilizados. Por unanimidade, o acórdão aprova a convocação do ministro Lobão e outros para justificar erros. Entre eles, o inexplicável cancelamento do leilão de energia previsto para novembro de 2012.
O ministério esboçou resposta dizendo havia possibilidade de sobra de energia à época. Não faz sentido. Continua sem justificar porque deixou que as distribuidoras iniciassem 2013 sem energia suficiente para cumprir suas obrigações. Foram obrigadas a se abastecer no mercado de curto prazo, a preços muito superiores aos previstos em contratos. Essa é a origem do imbróglio, não a seca.
O relatório é leitura obrigatória. Talvez o primeiro passo para corrigir rumos, forçando o governo a enfrentar as consequências do voluntarismo, exigindo explicações e averiguando responsabilidades.
Com a cooptação das instituições do setor, não havia uma análise isenta da gravidade da situação. Com essa MP, em setembro de 2012, são evidentes os estragos causados pelo intervencionismo e mudança de regras. As críticas unânimes caíram no vazio.
O governo finalmente promete publicar uma nota técnica de esclarecimento. Ótimo. Os parcos argumentos que usa em sua defesa serão submetidos ao crivo de associações, consultores, empresas e, quem sabe, pelos eleitores se o debate eleitoral permitir.
Vai ver que nem toda unanimidade é burra.
Finalizei esta coluna na expectativa de que haverá segundo turno. Nele o jogo eleitoral será mais equilibrado. Iguala-se o tempo de TV, e o confronto de ideias será direto.
É a chance para melhorar o nível da campanha. Temas mais importantes do que acusações devem ser discutidos, como o intervencionismo do governo na economia, agravado pela captura de instituições que deveriam servir a sociedade e não a um partido.
O setor elétrico é vítima desses erros e vive grave crise, deixando uma herança maldita: alto endividamento de empresas, perda de valor de estatais, altos reajustes de tarifas, obras atrasadas, reservatórios baixos e risco de racionamento.
A atual administração insiste em negar o óbvio. Para ela não há crise. Mas o Tribunal de Contas da União acaba de se pronunciar sobre os efeitos da MP 579 no setor elétrico.
Auditoria confirmou o que já se suspeitava. A medida teve o custo de R$ 61 bilhões só às distribuidoras. O valor inclui financiamento do Tesouro e empréstimos bancários, utilizados para adiar os reajustes garantidos nos contratos.
O consumidor pagará muito mais caro. Além do custo de energia, sua conta de luz virá acrescida de juros --R$ 9 bilhões. Um dos mais graves erros do populismo tarifário.
Até o pronunciamento do TCU, não havia indicação de que os autores da desastrosa medida seriam responsabilizados. Por unanimidade, o acórdão aprova a convocação do ministro Lobão e outros para justificar erros. Entre eles, o inexplicável cancelamento do leilão de energia previsto para novembro de 2012.
O ministério esboçou resposta dizendo havia possibilidade de sobra de energia à época. Não faz sentido. Continua sem justificar porque deixou que as distribuidoras iniciassem 2013 sem energia suficiente para cumprir suas obrigações. Foram obrigadas a se abastecer no mercado de curto prazo, a preços muito superiores aos previstos em contratos. Essa é a origem do imbróglio, não a seca.
O relatório é leitura obrigatória. Talvez o primeiro passo para corrigir rumos, forçando o governo a enfrentar as consequências do voluntarismo, exigindo explicações e averiguando responsabilidades.
Com a cooptação das instituições do setor, não havia uma análise isenta da gravidade da situação. Com essa MP, em setembro de 2012, são evidentes os estragos causados pelo intervencionismo e mudança de regras. As críticas unânimes caíram no vazio.
O governo finalmente promete publicar uma nota técnica de esclarecimento. Ótimo. Os parcos argumentos que usa em sua defesa serão submetidos ao crivo de associações, consultores, empresas e, quem sabe, pelos eleitores se o debate eleitoral permitir.
Vai ver que nem toda unanimidade é burra.
Democracia em marcha - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 06/10
A pessoa, vale lembrar, não mora em programa eleitoral. Mora em casa.
Pela sétima vez depois da redemocratização, os brasileiros foram às urnas para eleger o presidente da República e postulantes a mandatos estaduais e federais. É fato memorável. Há 30 anos, mais de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas das principais cidades para exigir o direito de escolher o mandatário diretamente, sem intermediários.
Em junho do ano passado, multidão de jovens de norte a sul do país manifestou-se publicamente não mais para reivindicar o legítimo exercício da cidadania, mas avanços sociais garantidos pela democracia. Ontem, o quarto colégio eleitoral do mundo deu demonstração de maturidade.
Depois de campanha marcada pela imprevisibilidade, solavancos e apelo a jogos baixos, milhões de cidadãos, cumpriram o dever cívico de votar. Graças à organização do Tribunal Eleitoral e a civilidade do eleitor, o evento transcorreu sem maiores transtornos. Ocorrências que contrariaram a legislação, como boca de urna e distribuição de propaganda, tiveram a resposta adequada sem comprometer o resultado.
Vale, pois, lembrar frase de Livingstone Bituraldo. "Quem ganha", escreveu ele, "não é quem vence as eleições, mas quem vota com inteligência". O formato da campanha, porém, não permitiu o conhecimento das propostas de quem pleiteia mandato. Entregues a marqueteiros, as peças publicitárias não apresentaram nem discutiram programas.
O cidadão acaba assinando cheque em branco. Daí por que muitos não se sentem representados pelos vitoriosos nas urnas. Em consequência, não fiscalizam o eleito. É sabido, porém, que ninguém se senta em cadeira no Legislativo e no Executivo levado apenas pela vontade de lá chegar. Presidente, governador, senador, deputado, prefeito e vereador são conduzidos pela mão do voto.
Problemas cruciais têm de ser debatidos. Que proposta concreta tem o candidato para chegar à educação que dê acesso ao conhecimento; oferecer saúde que salva em vez de matar; dar segurança que assegure o direito de ir e vir sem risco de ser molestado, ferido ou morto; manter o poder de compra do salário; garantir mobilidade com transporte público rápido, pontual e abrangente; combater efetivamente a corrupção; simplificar a burocracia e aplicar melhor os recursos públicos?
O segundo turno abre a possibilidade de correção de rumos. Campanhas indiretamente pagas pelos impostos arrecadados da sociedade precisam informar. Têm de ser propositivas. Espera-se que peças de ficção sejam substituídas pela realidade - que pode e deve ser mudada. A pessoa, vale lembrar, não mora em programa eleitoral. Mora em casa.
Em junho do ano passado, multidão de jovens de norte a sul do país manifestou-se publicamente não mais para reivindicar o legítimo exercício da cidadania, mas avanços sociais garantidos pela democracia. Ontem, o quarto colégio eleitoral do mundo deu demonstração de maturidade.
Depois de campanha marcada pela imprevisibilidade, solavancos e apelo a jogos baixos, milhões de cidadãos, cumpriram o dever cívico de votar. Graças à organização do Tribunal Eleitoral e a civilidade do eleitor, o evento transcorreu sem maiores transtornos. Ocorrências que contrariaram a legislação, como boca de urna e distribuição de propaganda, tiveram a resposta adequada sem comprometer o resultado.
Vale, pois, lembrar frase de Livingstone Bituraldo. "Quem ganha", escreveu ele, "não é quem vence as eleições, mas quem vota com inteligência". O formato da campanha, porém, não permitiu o conhecimento das propostas de quem pleiteia mandato. Entregues a marqueteiros, as peças publicitárias não apresentaram nem discutiram programas.
O cidadão acaba assinando cheque em branco. Daí por que muitos não se sentem representados pelos vitoriosos nas urnas. Em consequência, não fiscalizam o eleito. É sabido, porém, que ninguém se senta em cadeira no Legislativo e no Executivo levado apenas pela vontade de lá chegar. Presidente, governador, senador, deputado, prefeito e vereador são conduzidos pela mão do voto.
Problemas cruciais têm de ser debatidos. Que proposta concreta tem o candidato para chegar à educação que dê acesso ao conhecimento; oferecer saúde que salva em vez de matar; dar segurança que assegure o direito de ir e vir sem risco de ser molestado, ferido ou morto; manter o poder de compra do salário; garantir mobilidade com transporte público rápido, pontual e abrangente; combater efetivamente a corrupção; simplificar a burocracia e aplicar melhor os recursos públicos?
O segundo turno abre a possibilidade de correção de rumos. Campanhas indiretamente pagas pelos impostos arrecadados da sociedade precisam informar. Têm de ser propositivas. Espera-se que peças de ficção sejam substituídas pela realidade - que pode e deve ser mudada. A pessoa, vale lembrar, não mora em programa eleitoral. Mora em casa.
O mau uso das estatais - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S.PAULO - 06/10
O Brasil tem suportado um custo muito alto pelo uso político das estatais - quando são loteadas para acomodar companheiros e aliados e quando são desviadas de seus fins para servir, às vezes de forma desastrosa, às conveniências da política econômica. É muito raro, no entanto, grandes empresários, especialmente quando próximos do governo, apontarem o dedo para condenar esse abuso. Por isso tem particular importância o pronunciamento público do industrial Jorge Gerdau Johannpeter a respeito do assunto. Ele centrou sua crítica no conflito de interesses entre o governo, representante do controlador, o Estado, e os acionistas minoritários. Proposta do empresário: obrigar a estatal a deixar claro, quando busca recursos de investidores, se vai seguir regras de mercado ou subordinar-se aos interesses governamentais.
O problema apontado pelo empresário Gerdau, membro da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, órgão de assessoria do Planalto, é importante, de fato, mas é só um aspecto de uma distorção muito maior. A interferência do governo afetou perigosamente, em todos os casos, um universo bem mais amplo que o mercado de capitais.
O desarranjo imposto ao mercado é o mais evidente. Interesses de minoritários foram atropelados, por exemplo, quando a presidente Dilma Rousseff resolveu antecipar a renovação de concessões do setor elétrico.
Houve protestos contra a redução de tarifas e também contra a mudança no esquema de amortização dos investimentos anteriores. A compensação foi considerada insuficiente e o assunto foi discutido publicamente pelos minoritários da Eletrobrás. Mas prevaleceu o peso do governo.
Acionistas foram também prejudicados pelo controle, imposto à Petrobrás, dos preços dos combustíveis. As duas grandes estatais perderam boa parte do valor de mercado, em pouco tempo, mas as decisões das autoridades foram mantidas. A correção das tarifas de eletricidade começou neste ano. Há poucos dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu iniciar em breve o ajuste dos combustíveis. Mas nenhuma dessas providências anulará os estragos já causados.
Os danos mais amplos afetam toda a economia nacional. A política de preços imposta à Petrobrás distorceu, por exemplo, a relação entre os valores da gasolina e do etanol. Isso prejudicou os planos de produção e de expansão do setor sucroalcooleiro. O Brasil poderia ser um grande exportador de etanol, mas até a oferta interna de álcool foi prejudicada pela política oficial imediatista, imprudente e mistificadora.
A interferência na formação das tarifas de eletricidade e dos preços de combustíveis fracassou como política anti-inflacionária. A inflação permanece há anos muito acima de 4,5%, meta oficial, e assim permanecerá enquanto persistirem suas causas, incluída a gastança federal.
Mas o uso político das estatais envolve muito mais que a inepta mistificação dos preços. Envolve prejuízos para o fluxo de caixa das empresas e, portanto, para sua capacidade de investir. Isso limita a produtividade geral da economia e seu potencial de crescimento. As perdas vão muito além do mercado de capitais e afetam a vida e as perspectivas de todos os brasileiros.
O uso político das empresas controladas pelo Estado tem assumido formas variadas, todas perigosas. Para começar, o loteamento de cargos compromete a qualidade administrativa e multiplica as possibilidades de corrupção. A pilhagem da Petrobrás, dia a dia mais exposta à visão do público, ilustra com assustadora clareza esse ponto. Mas a interferência pode produzir danos de outras maneiras.
Forçar empresas do Estado a comprar equipamentos e componentes nacionais, mesmo quando mais caros, é impor a essas companhias custos adicionais e um desvio de finalidade. A distorção se torna especialmente grave quando esse desvio inclui a sujeição da empresa a objetivos ideológicos - por exemplo, o apoio a um governo bolivariano. A descrição dos desastres poderia avançar e incluir o uso de bancos estatais para fins políticos ou de mero companheirismo. Se quisesse, o empresário Gerdau poderia ter ido muito mais longe.
O Brasil tem suportado um custo muito alto pelo uso político das estatais - quando são loteadas para acomodar companheiros e aliados e quando são desviadas de seus fins para servir, às vezes de forma desastrosa, às conveniências da política econômica. É muito raro, no entanto, grandes empresários, especialmente quando próximos do governo, apontarem o dedo para condenar esse abuso. Por isso tem particular importância o pronunciamento público do industrial Jorge Gerdau Johannpeter a respeito do assunto. Ele centrou sua crítica no conflito de interesses entre o governo, representante do controlador, o Estado, e os acionistas minoritários. Proposta do empresário: obrigar a estatal a deixar claro, quando busca recursos de investidores, se vai seguir regras de mercado ou subordinar-se aos interesses governamentais.
O problema apontado pelo empresário Gerdau, membro da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, órgão de assessoria do Planalto, é importante, de fato, mas é só um aspecto de uma distorção muito maior. A interferência do governo afetou perigosamente, em todos os casos, um universo bem mais amplo que o mercado de capitais.
O desarranjo imposto ao mercado é o mais evidente. Interesses de minoritários foram atropelados, por exemplo, quando a presidente Dilma Rousseff resolveu antecipar a renovação de concessões do setor elétrico.
Houve protestos contra a redução de tarifas e também contra a mudança no esquema de amortização dos investimentos anteriores. A compensação foi considerada insuficiente e o assunto foi discutido publicamente pelos minoritários da Eletrobrás. Mas prevaleceu o peso do governo.
Acionistas foram também prejudicados pelo controle, imposto à Petrobrás, dos preços dos combustíveis. As duas grandes estatais perderam boa parte do valor de mercado, em pouco tempo, mas as decisões das autoridades foram mantidas. A correção das tarifas de eletricidade começou neste ano. Há poucos dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu iniciar em breve o ajuste dos combustíveis. Mas nenhuma dessas providências anulará os estragos já causados.
Os danos mais amplos afetam toda a economia nacional. A política de preços imposta à Petrobrás distorceu, por exemplo, a relação entre os valores da gasolina e do etanol. Isso prejudicou os planos de produção e de expansão do setor sucroalcooleiro. O Brasil poderia ser um grande exportador de etanol, mas até a oferta interna de álcool foi prejudicada pela política oficial imediatista, imprudente e mistificadora.
A interferência na formação das tarifas de eletricidade e dos preços de combustíveis fracassou como política anti-inflacionária. A inflação permanece há anos muito acima de 4,5%, meta oficial, e assim permanecerá enquanto persistirem suas causas, incluída a gastança federal.
Mas o uso político das estatais envolve muito mais que a inepta mistificação dos preços. Envolve prejuízos para o fluxo de caixa das empresas e, portanto, para sua capacidade de investir. Isso limita a produtividade geral da economia e seu potencial de crescimento. As perdas vão muito além do mercado de capitais e afetam a vida e as perspectivas de todos os brasileiros.
O uso político das empresas controladas pelo Estado tem assumido formas variadas, todas perigosas. Para começar, o loteamento de cargos compromete a qualidade administrativa e multiplica as possibilidades de corrupção. A pilhagem da Petrobrás, dia a dia mais exposta à visão do público, ilustra com assustadora clareza esse ponto. Mas a interferência pode produzir danos de outras maneiras.
Forçar empresas do Estado a comprar equipamentos e componentes nacionais, mesmo quando mais caros, é impor a essas companhias custos adicionais e um desvio de finalidade. A distorção se torna especialmente grave quando esse desvio inclui a sujeição da empresa a objetivos ideológicos - por exemplo, o apoio a um governo bolivariano. A descrição dos desastres poderia avançar e incluir o uso de bancos estatais para fins políticos ou de mero companheirismo. Se quisesse, o empresário Gerdau poderia ter ido muito mais longe.
Uma relação muito cara - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S.PAULO - 06/10
Sustentados pelo Tesouro Nacional, os financiamentos subsidiados concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a pretexto de estimular os investimentos e a produção, não produziram os resultados esperados, como mostra a pífia evolução do PIB neste ano, mas estão custando cada vez mais para o País.
Incentivados após o início da crise mundial, em 2008, os programas do BNDES vinham custando de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões por ano ao Tesouro, na forma de subsídio implícito. Esse valor deveria crescer substancialmente neste ano para R$ 15,7 bilhões, conforme projeções feitas em dezembro pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda como informação complementar ao Orçamento da União para 2014. No entanto, o que já era custoso ficará ainda mais caro: os subsídios do Tesouro ao BNDES neste ano devem alcançar R$ 23,3 bilhões. Em 2015, serão mais R$ 24,3 bilhões, totalizando R$ 70,6 bilhões em quatro anos, como mostrou reportagem do Estado (17/9). Somados os subsídios do Programa de Sustentação de Investimentos, o valor alcança R$ 79,7 bilhões no período considerado.
O governo do PT criou uma relação de interesses recíprocos entre o Tesouro e o BNDES, cujos resultados não são nítidos para o contribuinte, a quem cabe pagar a conta. Em geral, para assegurar ao banco mais recursos para emprestar, o Tesouro lhe entrega títulos da dívida pública, operação que não implica aumento de gastos fiscais e, assim, não prejudica os planos do governo de apresentar um superávit primário mais reluzente - embora cada vez menos consistente. Com maior disponibilidade de recursos, o banco empresta mais e, assim, tem a possibilidade de auferir mais lucros, que repassa para seu controlador, o próprio Tesouro. A receita de dividendos, muitas vezes até antecipada, ajuda a melhorar o superávit primário.
Apesar da pouca transparência do ponto de vista fiscal, não há nada de ilegal na operação - tão útil para as duas partes que, desde 2009, o Tesouro já emprestou para o banco mais de R$ 400 bilhões - nem haveria perdas reais para o governo se seu resultado fosse, como se prometeu, o crescimento mais rápido da economia. A expansão da produção asseguraria um crescimento da receita tributária suficiente para compensar o custo dos subsídios implícitos na operação.
Nos últimos anos, a política do BNDES baseou-se na escolha, pelo banco, de empresas consideradas estratégicas ou que viessem a se transformar em grandes participantes do mercado mundial - as "empresas campeãs nacionais". Os maus resultados das escolhas feitas pelo BNDES levaram-no a abandonar essa política.
Os custos para o contribuinte decorrem do caráter naturalmente desvantajoso dessas operações para o Tesouro. Para conceder empréstimos ao BNDES, o Tesouro emite títulos de dívida. São títulos corrigidos por índices de inflação, pela taxa de câmbio ou outro indexador, mais a taxa básica de juros. Para tentar conter as pressões inflacionárias, o Banco Central teve de elevar a taxa básica Selic, que estava em 7,24% ao ano no início de 2013 e desde abril vem sendo mantida em 11% ao ano.
Já nos empréstimos que concede, o BNDES cobra a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), mantida há tempos em 6% ao ano, mais um adicional baixo, inferior a 0,5% ao ano. É também por essa taxa que o BNDES corrige sua dívida com o Tesouro - de que resulta o subsídio da operação.
Como o reforço do caixa do BNDES não tem impacto direto sobre o superávit primário, essa operação, por esse lado, não afeta a política fiscal do governo. Mas, ao permitir a expansão das operações do BNDES e, assim, propiciar o crescimento do lucro da instituição, que o transfere para o governo, ela tem impacto positivo nas receitas do Tesouro.
Essa mágica contábil não era divulgada rotineiramente pelo governo. Foi por exigência do Tribunal de Contas da União, depois de longa discussão com o Ministério da Fazenda, que o governo passou a fazê-lo, desde o ano passado.
Sustentados pelo Tesouro Nacional, os financiamentos subsidiados concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a pretexto de estimular os investimentos e a produção, não produziram os resultados esperados, como mostra a pífia evolução do PIB neste ano, mas estão custando cada vez mais para o País.
Incentivados após o início da crise mundial, em 2008, os programas do BNDES vinham custando de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões por ano ao Tesouro, na forma de subsídio implícito. Esse valor deveria crescer substancialmente neste ano para R$ 15,7 bilhões, conforme projeções feitas em dezembro pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda como informação complementar ao Orçamento da União para 2014. No entanto, o que já era custoso ficará ainda mais caro: os subsídios do Tesouro ao BNDES neste ano devem alcançar R$ 23,3 bilhões. Em 2015, serão mais R$ 24,3 bilhões, totalizando R$ 70,6 bilhões em quatro anos, como mostrou reportagem do Estado (17/9). Somados os subsídios do Programa de Sustentação de Investimentos, o valor alcança R$ 79,7 bilhões no período considerado.
O governo do PT criou uma relação de interesses recíprocos entre o Tesouro e o BNDES, cujos resultados não são nítidos para o contribuinte, a quem cabe pagar a conta. Em geral, para assegurar ao banco mais recursos para emprestar, o Tesouro lhe entrega títulos da dívida pública, operação que não implica aumento de gastos fiscais e, assim, não prejudica os planos do governo de apresentar um superávit primário mais reluzente - embora cada vez menos consistente. Com maior disponibilidade de recursos, o banco empresta mais e, assim, tem a possibilidade de auferir mais lucros, que repassa para seu controlador, o próprio Tesouro. A receita de dividendos, muitas vezes até antecipada, ajuda a melhorar o superávit primário.
Apesar da pouca transparência do ponto de vista fiscal, não há nada de ilegal na operação - tão útil para as duas partes que, desde 2009, o Tesouro já emprestou para o banco mais de R$ 400 bilhões - nem haveria perdas reais para o governo se seu resultado fosse, como se prometeu, o crescimento mais rápido da economia. A expansão da produção asseguraria um crescimento da receita tributária suficiente para compensar o custo dos subsídios implícitos na operação.
Nos últimos anos, a política do BNDES baseou-se na escolha, pelo banco, de empresas consideradas estratégicas ou que viessem a se transformar em grandes participantes do mercado mundial - as "empresas campeãs nacionais". Os maus resultados das escolhas feitas pelo BNDES levaram-no a abandonar essa política.
Os custos para o contribuinte decorrem do caráter naturalmente desvantajoso dessas operações para o Tesouro. Para conceder empréstimos ao BNDES, o Tesouro emite títulos de dívida. São títulos corrigidos por índices de inflação, pela taxa de câmbio ou outro indexador, mais a taxa básica de juros. Para tentar conter as pressões inflacionárias, o Banco Central teve de elevar a taxa básica Selic, que estava em 7,24% ao ano no início de 2013 e desde abril vem sendo mantida em 11% ao ano.
Já nos empréstimos que concede, o BNDES cobra a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), mantida há tempos em 6% ao ano, mais um adicional baixo, inferior a 0,5% ao ano. É também por essa taxa que o BNDES corrige sua dívida com o Tesouro - de que resulta o subsídio da operação.
Como o reforço do caixa do BNDES não tem impacto direto sobre o superávit primário, essa operação, por esse lado, não afeta a política fiscal do governo. Mas, ao permitir a expansão das operações do BNDES e, assim, propiciar o crescimento do lucro da instituição, que o transfere para o governo, ela tem impacto positivo nas receitas do Tesouro.
Essa mágica contábil não era divulgada rotineiramente pelo governo. Foi por exigência do Tribunal de Contas da União, depois de longa discussão com o Ministério da Fazenda, que o governo passou a fazê-lo, desde o ano passado.
A escolha de Marina - RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 06/10
"Desvio de dinheiro é natural e intrínseco ao serviço público"
Cid Gomes, governador do Ceará
Marina Silva, candidata do PSB a presidente da República, jogara a toalha há dez dias. Foi quando comentou com um dos seus conselheiros: "Levadas em conta as circunstâncias que marcaram minha entrada na campanha, já fui longe demais." Voltou ao assunto depois do debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Globo na última quinta-feira. Admitiu desanimada: "Eu estar onde estou já é um milagre."
É CLARO QUE não estava satisfeita com seu desempenho. Conformada? É quase certo que sim. Queria ganhar naturalmente. Mas repetia que a ganhar perdendo preferia perder ganhando. Um jogo de palavras. Não só um jogo. Cadê dinheiro para pagar as despesas sempre crescentes da campanha? Dinheiro até poderia existir. Estrutura montada para administrar a campanha com eficiência, jamais existiu.
CADÊ MATERIAL de propaganda? Até daria tempo para produzi-lo. Para fazê-lo chegar às mãos de eleitores em todo o país... Impossível. Foram queimados mais de 50 milhões de "santinhos" com Marina de candidata a vice-presidente. Ela evitava dizer que se sentia mal acolhida pela facção do PSB liderada por Roberto Amaral, o presidente em exercício do partido desde a morte de Eduardo Campos.
LEVARÁ MAIS algum tempo para que Marina reconheça os muitos erros que cometeu - se é que o fará. O primeiro e mais barulhento dos erros foi autorizar a divulgação do seu programa de governo sem ter lido com rigor a versão final. Acabou sendo obrigada a retificá-lo. E pagou por isso um preço elevado. Desgastou-se. Acusaram-na - e com razão - de dizer uma coisa hoje e de se desmentir amanhã.
O SEGUNDO ERRO grave foi não abdicar da posição de se manter distante de políticos que julgava indignos de sua companhia. Um deles: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que acabaria reeleito no primeiro turno. Marina liderou as pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Depois foi desbancada por Dilma. Por fim, autorizou a impressão de suas fotos junto com as de Alckmin. Era tarde. E, no entanto...
NO ENTANTO, teria sido tão fácil para ela, uma vez Eduardo morto, recuar de certos dogmas que apregoara sem ônus como candidata a vice... A maioria dos eleitores compreenderia se ela dissesse: "Em respeito à memória de Eduardo, assumo como meus todos os compromissos assumidos por ele." E ainda poderia se permitir, de fato, a respeitar alguns e a esquecer de outros porventura difíceis de engolir.
TUDO INDICA que Marina não repetirá o comportamento que adotou na eleição presidencial de 2010, quando foi a terceira candidata mais votada e negou seu apoio a qualquer um dos finalistas do segundo turno - Dilma e José Serra. Para ser coerente com o que disse sobre Dilma, apoiará Aécio se ele adotar parte do seu programa de governo. Aécio pagará qualquer preço pelo apoio de Marina. E com razão.
NA ÚLTIMA SEMANA de campanha, Aécio disparou na frente de Marina e quase atropelou Dilma na reta de chegada. Pôde fazer isso, sobretudo, graças aos votos de mineiros e de paulistas. Nenhum instituto de pesquisa foi capaz de antecipar o tamanho da ojeriza nacional ao PT. O partido, praticamente, acabou varrido do Sul do país onde perdeu as eleições para governador e senador.
A VALER O que ensina a história das eleições majoritárias de 1994 para cá, o candidato a se eleger no segundo turno será o mais votado no primeiro. Portanto, alô, alô, Dilma! Mande passar a faixa presidencial. Mas, pensando melhor, não mande.
Cid Gomes, governador do Ceará
Marina Silva, candidata do PSB a presidente da República, jogara a toalha há dez dias. Foi quando comentou com um dos seus conselheiros: "Levadas em conta as circunstâncias que marcaram minha entrada na campanha, já fui longe demais." Voltou ao assunto depois do debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Globo na última quinta-feira. Admitiu desanimada: "Eu estar onde estou já é um milagre."
É CLARO QUE não estava satisfeita com seu desempenho. Conformada? É quase certo que sim. Queria ganhar naturalmente. Mas repetia que a ganhar perdendo preferia perder ganhando. Um jogo de palavras. Não só um jogo. Cadê dinheiro para pagar as despesas sempre crescentes da campanha? Dinheiro até poderia existir. Estrutura montada para administrar a campanha com eficiência, jamais existiu.
CADÊ MATERIAL de propaganda? Até daria tempo para produzi-lo. Para fazê-lo chegar às mãos de eleitores em todo o país... Impossível. Foram queimados mais de 50 milhões de "santinhos" com Marina de candidata a vice-presidente. Ela evitava dizer que se sentia mal acolhida pela facção do PSB liderada por Roberto Amaral, o presidente em exercício do partido desde a morte de Eduardo Campos.
LEVARÁ MAIS algum tempo para que Marina reconheça os muitos erros que cometeu - se é que o fará. O primeiro e mais barulhento dos erros foi autorizar a divulgação do seu programa de governo sem ter lido com rigor a versão final. Acabou sendo obrigada a retificá-lo. E pagou por isso um preço elevado. Desgastou-se. Acusaram-na - e com razão - de dizer uma coisa hoje e de se desmentir amanhã.
O SEGUNDO ERRO grave foi não abdicar da posição de se manter distante de políticos que julgava indignos de sua companhia. Um deles: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que acabaria reeleito no primeiro turno. Marina liderou as pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Depois foi desbancada por Dilma. Por fim, autorizou a impressão de suas fotos junto com as de Alckmin. Era tarde. E, no entanto...
NO ENTANTO, teria sido tão fácil para ela, uma vez Eduardo morto, recuar de certos dogmas que apregoara sem ônus como candidata a vice... A maioria dos eleitores compreenderia se ela dissesse: "Em respeito à memória de Eduardo, assumo como meus todos os compromissos assumidos por ele." E ainda poderia se permitir, de fato, a respeitar alguns e a esquecer de outros porventura difíceis de engolir.
TUDO INDICA que Marina não repetirá o comportamento que adotou na eleição presidencial de 2010, quando foi a terceira candidata mais votada e negou seu apoio a qualquer um dos finalistas do segundo turno - Dilma e José Serra. Para ser coerente com o que disse sobre Dilma, apoiará Aécio se ele adotar parte do seu programa de governo. Aécio pagará qualquer preço pelo apoio de Marina. E com razão.
NA ÚLTIMA SEMANA de campanha, Aécio disparou na frente de Marina e quase atropelou Dilma na reta de chegada. Pôde fazer isso, sobretudo, graças aos votos de mineiros e de paulistas. Nenhum instituto de pesquisa foi capaz de antecipar o tamanho da ojeriza nacional ao PT. O partido, praticamente, acabou varrido do Sul do país onde perdeu as eleições para governador e senador.
A VALER O que ensina a história das eleições majoritárias de 1994 para cá, o candidato a se eleger no segundo turno será o mais votado no primeiro. Portanto, alô, alô, Dilma! Mande passar a faixa presidencial. Mas, pensando melhor, não mande.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
CPI ENROLA E NÃO CONVOCA HOMEM-BOMBA YOUSSEF
A Operação Lava Jato, há seis meses, revelou Alberto Youssef como o megadoleiro que subornou o vice-presidente da Câmara, André Vargas (ex-PT), e grande parte do poder político, e ainda fez a Polícia Federal meter na cadeia Paulo Roberto Costa, ex-diretor corrupto da Petrobras. Apesar disso, um acordo tácito na CPI e CPMI da Petrobras não força a convocação de Youssef para depor. É que todos temem a sua língua.
ASSOMBRAÇÃO
Alberto Youssef é o verdadeiro “homem-bomba”, temido por 9 em cada 10 políticos. Alguns deles frequentadores da CPI e da CPMI.
ATACADO E VAREJO
Enquanto Paulo Roberto Costa, que Lula chama de “Paulinho”, atuava nos altos escalões, Alberto Youssef cuidava do “varejo” da corrupção.
EXPERTISE
Youssef é suspeito subornar políticos que “abriam portas” para seus negócios nada republicanos, na Esplanada dos Ministérios.
GURU DA ‘ZELITE’
Paulo Roberto Costa era um “resolvedor-geral” de problemas ou demandas financeiras dos políticos realmente poderosos, em Brasília.
COM AÉCIO, 2º TURNO SERÁ DE TIRAR O FÔLEGO
Política é para profissionais, e essa regra pode explicar o desempenho final arrebatador de Aécio Neves (PSDB), a quase cinco pontos percentuais da presidenta Dilma (PT). Explica também a perplexidade do PT. Aécio fez Marina (PSB) derreter como alternativa de oposição, e chega ao segundo turno oferecendo a empolgação como pedra de toque da sua campanha. Será um 2º turno de tirar o fôlego.
AÉCIO NO RECIFE
Num primeiro gesto político relevante, Aécio pretende visitar Renata Campos, viúva do falecido Eduardo Campos (PSB).
PESQUISAS DERROTADAS
Os institutos de pesquisas deveriam explicar por que erraram tanto em vários estados e nas previsões da votação de Aécio Neves.
DE LONGE
Na última pesquisa de intenção de votos, Aécio Neves aparecia com, no máximo, 27%; quase dez pontos a menos do que obteve.
ALIANÇA PSDB-PSB
O candidato tucano Aécio Neves planeja visitar a família e a viúva do falecido governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Ele sabe que o apoio do PSB e de Marina Silva será fundamental no 2º turno.
SEGUNDO TURNO
O líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA), pretende reunir a bancada federal na terça (17), em Brasília, para discutir o quadro do partido após o resultado das eleições e as estratégias no 2º turno presidencial.
PARA BOM ENTENDEDOR…
O vice-presidente Michel Temer acompanhou o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) em sua votação no Colégio Santa Cruz, mas não colocou os pés na votação de Paulo Skaf, candidato ao governo de SP.
ESPELHO MEU
A revista Época confirma em sua edição desta semana uma informação publicada nesta coluna em 16 de junho: além de contas na Suíça, Paulo Roberto Costa tem contas no paraíso fiscal de Hong Kong.
MAIS DO MESMO
Em lugar de Alberto Youssef, a CPMI da Petrobras convocou para esta quarta (8) depoimento da ex-contadora do doleiro, Meire Poza, que confirmou à Justiça que empreiteiras pagaram o advogado do doleiro.
O BENEFICIADO
O desempenho eleitoral de Aécio Neves (PSDB) com 34% foi a surpresa da eleição presidencial: antes da morte de Eduardo Campos (PSB), o senador nunca havia passado de 23% em pesquisas.
DISTINTOS ELEITORES
Autoridades devidamente identificadas por distintivos foram vistas furando as longas filas em seções eleitorais de Brasília, sob escolta policial. É a “carteirada de urna”.
PROVOCAÇÃO
Foi vista como uma provocação, para cutucar Aécio Neves, a afirmação de Walter Feldman de que o PSDB morreria, caso Marina fosse eleita. O tucanato acredita que Marina necessitaria do PSDB para governar.
NINGUÉM MERECE
Quando se viu na iminência da derrota, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ameaçou o eleitorado: confirmada a derrota, ele seguiria a carreira de cantor.
A Operação Lava Jato, há seis meses, revelou Alberto Youssef como o megadoleiro que subornou o vice-presidente da Câmara, André Vargas (ex-PT), e grande parte do poder político, e ainda fez a Polícia Federal meter na cadeia Paulo Roberto Costa, ex-diretor corrupto da Petrobras. Apesar disso, um acordo tácito na CPI e CPMI da Petrobras não força a convocação de Youssef para depor. É que todos temem a sua língua.
ASSOMBRAÇÃO
Alberto Youssef é o verdadeiro “homem-bomba”, temido por 9 em cada 10 políticos. Alguns deles frequentadores da CPI e da CPMI.
ATACADO E VAREJO
Enquanto Paulo Roberto Costa, que Lula chama de “Paulinho”, atuava nos altos escalões, Alberto Youssef cuidava do “varejo” da corrupção.
EXPERTISE
Youssef é suspeito subornar políticos que “abriam portas” para seus negócios nada republicanos, na Esplanada dos Ministérios.
GURU DA ‘ZELITE’
Paulo Roberto Costa era um “resolvedor-geral” de problemas ou demandas financeiras dos políticos realmente poderosos, em Brasília.
COM AÉCIO, 2º TURNO SERÁ DE TIRAR O FÔLEGO
Política é para profissionais, e essa regra pode explicar o desempenho final arrebatador de Aécio Neves (PSDB), a quase cinco pontos percentuais da presidenta Dilma (PT). Explica também a perplexidade do PT. Aécio fez Marina (PSB) derreter como alternativa de oposição, e chega ao segundo turno oferecendo a empolgação como pedra de toque da sua campanha. Será um 2º turno de tirar o fôlego.
AÉCIO NO RECIFE
Num primeiro gesto político relevante, Aécio pretende visitar Renata Campos, viúva do falecido Eduardo Campos (PSB).
PESQUISAS DERROTADAS
Os institutos de pesquisas deveriam explicar por que erraram tanto em vários estados e nas previsões da votação de Aécio Neves.
DE LONGE
Na última pesquisa de intenção de votos, Aécio Neves aparecia com, no máximo, 27%; quase dez pontos a menos do que obteve.
ALIANÇA PSDB-PSB
O candidato tucano Aécio Neves planeja visitar a família e a viúva do falecido governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Ele sabe que o apoio do PSB e de Marina Silva será fundamental no 2º turno.
SEGUNDO TURNO
O líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA), pretende reunir a bancada federal na terça (17), em Brasília, para discutir o quadro do partido após o resultado das eleições e as estratégias no 2º turno presidencial.
PARA BOM ENTENDEDOR…
O vice-presidente Michel Temer acompanhou o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) em sua votação no Colégio Santa Cruz, mas não colocou os pés na votação de Paulo Skaf, candidato ao governo de SP.
ESPELHO MEU
A revista Época confirma em sua edição desta semana uma informação publicada nesta coluna em 16 de junho: além de contas na Suíça, Paulo Roberto Costa tem contas no paraíso fiscal de Hong Kong.
MAIS DO MESMO
Em lugar de Alberto Youssef, a CPMI da Petrobras convocou para esta quarta (8) depoimento da ex-contadora do doleiro, Meire Poza, que confirmou à Justiça que empreiteiras pagaram o advogado do doleiro.
O BENEFICIADO
O desempenho eleitoral de Aécio Neves (PSDB) com 34% foi a surpresa da eleição presidencial: antes da morte de Eduardo Campos (PSB), o senador nunca havia passado de 23% em pesquisas.
DISTINTOS ELEITORES
Autoridades devidamente identificadas por distintivos foram vistas furando as longas filas em seções eleitorais de Brasília, sob escolta policial. É a “carteirada de urna”.
PROVOCAÇÃO
Foi vista como uma provocação, para cutucar Aécio Neves, a afirmação de Walter Feldman de que o PSDB morreria, caso Marina fosse eleita. O tucanato acredita que Marina necessitaria do PSDB para governar.
NINGUÉM MERECE
Quando se viu na iminência da derrota, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ameaçou o eleitorado: confirmada a derrota, ele seguiria a carreira de cantor.
domingo, outubro 05, 2014
A força do voto aloprado - GUILHERME FIUZA
VOTO AÉCIO 45!
REVISTA ÉPOCA
REVISTA ÉPOCA
Tem gente indignada com a denúncia de espionagem do Ministério da Justiça na Polícia Federal para prejudicar Marina Silva. Essa gente não aprende que esse tipo de coisa é normal. Talvez seja preciso o MEC patrocinar uma megaedição da biografia de Hugo Chávez e distribuí-la gratuitamente em todo o território nacional, para os brasileiros finalmente entenderem que o Estado existe para servir aos companheiros. Se bem que, pela performance da companheira Dilma no primeiro turno, pode-se concluir que boa parte do eleitorado já aceitou que não há separação de bens entre o PT e a máquina pública brasileira.
Segundo a denúncia, o secretário nacional de Justiça visitou na calada da noite, extraoficialmente, em plena campanha eleitoral, o diretor da Polícia Federal. Queria saber sobre um inquérito contra a gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente, que corre em segredo de Justiça. Foi uma missão, segundo a acusação, encomendada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Como se sabe, o ministro Cardozo é um funcionário criterioso. Só aparece para ações cruciais, como criticar publicamente as penas dadas aos mensaleiros. É isso que o país espera de um ministro da Justiça.
Também foi Cardozo o pombo-correio de uma denúncia truncada e adulterada contra os adversários do PT em São Paulo -que o ministro fez pousar sutilmente na mesa do Ministério Público. Nada mais natural, portanto, que ele use seu cargo para prospectar armas eleitorais contra Marina Silva. Se o PT traficou o sigilo fiscal de uma filha do adversário de Dilma na campanha de 2010 e ficou tudo bem, não haveria por que abandonar a tática agora. Dizem que o ministro Cardozo é candidato a uma vaga no supremo tribunal Federal. Considerando o perfil dos despachantes que o PT tem inoculado no STF, Cardozo faz absolutamente tudo certo para chegar lá.
Nas urnas, o Brasil vem dizer novamente ao bando: vão fundo! Ninguém terá esquecido a ação de Dilma Rousseff como ministra-chefe da Casa Civil, denunciada pela então secretária da Receita Federal, por tentar aliviar na marra o companheiro Sarney. Também é inesquecível a ação de Erenice Guerra, então braço direito de Dilma na Casa Civil, fuçando os arquivos governamentais para tentar montar um dossiê contra a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. São incontáveis as ações da "inteligência" do PT, do famoso dossiê falso dos aloprados na eleição de 2006 à combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, passando pela adulteração de perfis de jornalistas na Wikipédia, de dentro do Palácio do Planalto. Tudo testado e aprovado pelo eleitor: vão fundo!
O primeiro turno da eleição presidencial foi basicamente uma disputa entre os concorrentes para provar quem é mais gay, quem é mais coitado e quem é mais alérgico aos bancos. Nesse imenso jardim de infância, a putrefação ao vivo da Petrobras, sob as rédeas de aloprados companheiros, não fez nem cócegas nas pesquisas eleitorais. O eleitor aprova, portanto, além da espionagem, a pilhagem.
A menos de uma semana da eleição, a bomba: o governo registrou, em agosto, o maior déficit nas contas públicas em 14 anos. Finalmente jogou às favas o compromisso com o superávit primário - um dos pilares da estabilidade econômica. Um rombo assumido e escancarado, que nem a contabilidade criativa e maquiagens associadas poderão esconder. Chegou, enfim, a conta da DisneyLula - essa indústria de favores, boquinhas e bocarras, que transformou o orçamento público numa megassena partidária.
A inflação rompeu o teto, a recessão chegou, e o valoroso povo brasileiro, que disse basta e anunciou que quer mudanças, vota majoritariamente no... PT.
Fora as hipóteses de sadomasoquismo e imersões satânicas, restam três explicações possíveis para tão impressionante fenômeno: 1) o povo quer que a capital do Brasil passe a ser Buenos Aires; 2) o eleitorado teme que Dilma saia da Presidência e nunca mais arranje um emprego; 3) notando o gigantesco esquema do "petrolão", montado nos 12 anos do governo petista, o eleitor concluiu que a rede de propinas é a melhor forma de distribuição das riquezas.
Façam suas apostas, depois cobrem da elite vermelha (esperem sentados).
Segundo a denúncia, o secretário nacional de Justiça visitou na calada da noite, extraoficialmente, em plena campanha eleitoral, o diretor da Polícia Federal. Queria saber sobre um inquérito contra a gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente, que corre em segredo de Justiça. Foi uma missão, segundo a acusação, encomendada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Como se sabe, o ministro Cardozo é um funcionário criterioso. Só aparece para ações cruciais, como criticar publicamente as penas dadas aos mensaleiros. É isso que o país espera de um ministro da Justiça.
Também foi Cardozo o pombo-correio de uma denúncia truncada e adulterada contra os adversários do PT em São Paulo -que o ministro fez pousar sutilmente na mesa do Ministério Público. Nada mais natural, portanto, que ele use seu cargo para prospectar armas eleitorais contra Marina Silva. Se o PT traficou o sigilo fiscal de uma filha do adversário de Dilma na campanha de 2010 e ficou tudo bem, não haveria por que abandonar a tática agora. Dizem que o ministro Cardozo é candidato a uma vaga no supremo tribunal Federal. Considerando o perfil dos despachantes que o PT tem inoculado no STF, Cardozo faz absolutamente tudo certo para chegar lá.
Nas urnas, o Brasil vem dizer novamente ao bando: vão fundo! Ninguém terá esquecido a ação de Dilma Rousseff como ministra-chefe da Casa Civil, denunciada pela então secretária da Receita Federal, por tentar aliviar na marra o companheiro Sarney. Também é inesquecível a ação de Erenice Guerra, então braço direito de Dilma na Casa Civil, fuçando os arquivos governamentais para tentar montar um dossiê contra a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. São incontáveis as ações da "inteligência" do PT, do famoso dossiê falso dos aloprados na eleição de 2006 à combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, passando pela adulteração de perfis de jornalistas na Wikipédia, de dentro do Palácio do Planalto. Tudo testado e aprovado pelo eleitor: vão fundo!
O primeiro turno da eleição presidencial foi basicamente uma disputa entre os concorrentes para provar quem é mais gay, quem é mais coitado e quem é mais alérgico aos bancos. Nesse imenso jardim de infância, a putrefação ao vivo da Petrobras, sob as rédeas de aloprados companheiros, não fez nem cócegas nas pesquisas eleitorais. O eleitor aprova, portanto, além da espionagem, a pilhagem.
A menos de uma semana da eleição, a bomba: o governo registrou, em agosto, o maior déficit nas contas públicas em 14 anos. Finalmente jogou às favas o compromisso com o superávit primário - um dos pilares da estabilidade econômica. Um rombo assumido e escancarado, que nem a contabilidade criativa e maquiagens associadas poderão esconder. Chegou, enfim, a conta da DisneyLula - essa indústria de favores, boquinhas e bocarras, que transformou o orçamento público numa megassena partidária.
A inflação rompeu o teto, a recessão chegou, e o valoroso povo brasileiro, que disse basta e anunciou que quer mudanças, vota majoritariamente no... PT.
Fora as hipóteses de sadomasoquismo e imersões satânicas, restam três explicações possíveis para tão impressionante fenômeno: 1) o povo quer que a capital do Brasil passe a ser Buenos Aires; 2) o eleitorado teme que Dilma saia da Presidência e nunca mais arranje um emprego; 3) notando o gigantesco esquema do "petrolão", montado nos 12 anos do governo petista, o eleitor concluiu que a rede de propinas é a melhor forma de distribuição das riquezas.
Façam suas apostas, depois cobrem da elite vermelha (esperem sentados).
Atropelada na reta final - MERVAL PEREIRA
VOTO AÉCIO 45!
O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, chega no dia da eleição em crescimento não apenas no primeiro turno, quando supera a adversária Marina Silva do PSB de acordo com as últimas pesquisas, mas principalmente na simulação do segundo turno, o que faz com que o voto útil oposicionista passe a ser para ele, e não para Marina.
Com isso, é provável que aumente a diferença a seu favor na última hora, sem haver o perigo de que votos de Marina migrem para a presidente Dilma, fazendo-a vencer no primeiro turno. Essa hipótese é afastada pelos dois institutos de pesquisas, que registraram sua estagnação nas últimas rodadas entre 44% e 46% dos votos válidos, votação que, se confirmada pelas urnas, é menor do que a registrada na eleição de 2010.
As pesquisas indicam que o receio de que eleitores de Marina poderiam ir para Dilma é infundado, o que também retira de Marina o poder de influenciar diretamente na eleição. Os eleitores que saíram do voto nulo e em branco para apoiá-la parecem definitivamente participantes do jogo eleitoral. E do lado da oposição.
Ela teria, no entanto, obrigatoriamente que fazer um gesto político em direção ao companheiro de oposição que estará no segundo turno, e se mais uma vez decidir ficar em cima do muro estará confirmando que é uma liderança política não gregária, que se recusa ao jogo democrático.
Em 2010, ela ainda tinha a expectativa de, distanciando-se dos partidos que polarizam a cena política, ficar marcada como a terceira via democrática para uma próxima eleição. Só que essa eleição chegou e ela será derrotada, se as pesquisas estiverem corretas.
Nesse caso, sair da disputa sem apoiar o projeto oposicionista que a superou nas urnas, numa eleição tão apertada quanto essa, é ajudar que o grupo político que está no poder continue predominando. Da mesma forma, o candidato tucano terá a obrigação de apoiá-la caso as pesquisas estejam erradas e Marina chegue ao segundo turno.
A tendência de crescimento de Aécio e declínio de Marina é registrada na simulação do segundo turno: no Datafolha, a diferença de Dilma para Marina era de sete pontos entre os dias 1 e 2, e passou para 10 pontos nessa última pesquisa. Quando a presidente enfrenta Aécio Neves, a distância vai se estreitando: caiu de 11 pontos para 6 pontos em uma semana.
No Ibope, a diferença está em oito pontos a favor de Dilma contra os dois adversários, mas também nesse caso vai aumentando em relação a Marina – que já esteve até mesmo à frente da presidente Dilma, como a única que poderia derrotá-la – e sendo reduzida em relação ao tucano.
Uma simulação do que seria uma disputa entre Marina e Aécio num segundo turno, impossível de acontecer, mostra, no entanto, como o eleitorado de oposição está se passando para o lado do tucano: Aécio, que já perdera para Marina por 24 pontos, agora sairia vencedor dentro da margem de erro, por 39% a 36%.
A subida de Aécio Neves está sendo impulsionada pela tentativa de reverter a eleição em Minas Gerais, tarefa praticamente impossível. Mas a redução da diferença entre Fernando Pimentel do PT para Pimenta da Veiga do PSDB se deve à intensificação da campanha mineira. Perdendo em Minas, Aécio perde também uma boa arma eleitoral para o segundo turno, pois terá que se referir à sua experiência administrativa exitosa com a retaguarda aberta pela derrota em seu território.
Em contraposição, a campanha da presidente Dilma ganhará um bom mote eleitoral com a vitória de um petista em Minas Gerais, terra onde nasceu. Poderá reforçar esses laços com o eleitor minero num segundo turno, dificultando a caminhada de Aécio Neves, que terá que obter uma boa votação no sudeste para superar a defasagem de votos no nordeste.
O diabo e os espantalhos - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
VOTO AÉCIO 45!
GAZETA DO POVO - PR - 05/10
GAZETA DO POVO - PR - 05/10
Com tantas questões urgentes merecendo análise sensata e serena nesta campanha, preferiu-se construir problemas imaginários e recorrer à mentira pura e simples na tentativa de amedrontar os eleitores
Em março do ano passado, a presidente Dilma Rousseff deixou a pista definitiva sobre como seria a campanha eleitoral deste ano: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”, disse em João Pessoa (PB). Hoje, quando se realiza o primeiro turno do pleito, podemos dizer que pelo menos essa promessa foi cumprida, em maior ou menor nível, não só por Dilma, mas também por Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). Com tantas questões urgentes merecendo análise sensata e serena, preferiu-se construir problemas imaginários e recorrer à mentira pura e simples na tentativa de amedrontar os eleitores.
O terrorismo eleitoral, infelizmente, foi a tônica da campanha. Na economia, enquanto os problemas reais, como a inflação em alta, a produção industrial cambaleante e o rombo nas contas públicas (só para ficar em alguns poucos itens) não ganharam a discussão séria que mereciam, anúncios de propaganda política petista satanizavam a defesa da independência do Banco Central feita por Marina Silva, afirmando que tal medida causaria falta de comida na mesa do brasileiro, em uma improvável relação de causa e efeito. A campanha de Dilma também passou a insinuar que a candidata do PSB mexeria em itens como 13.º salário e Fundo de Garantia caso eleita, tudo porque Marina havia defendido a necessidade de atualizar a engessada legislação trabalhista brasileira, ressaltando que nenhum direito do trabalhador seria afetado. E a própria Dilma afirmou claramente, em 20 de setembro, que o Bolsa Família “vai acabar se eles [Aécio ou Marina] forem eleitos” – isso apesar de os dois principais adversários da presidente já terem deixado clara a manutenção do programa de transferência de renda caso vençam a eleição.
Já Marina batalhou para colar em seus adversários a pecha de representantes da “velha política”, apresentando-se messianicamente como a “nova política” (aparentemente não muito diferente do que os outros fazem) e, diante dos ataques sofridos, apelando ao vitimismo, como se isso, e não suas propostas, bastasse para conquistar o apoio dos brasileiros. E Aécio, que só terminou de divulgar seu plano de governo na sexta-feira passada, preferiu, ao longo da campanha, desconstruir não as propostas, mas a pessoa de Marina, batendo forte na tecla do “despreparo” da ex-senadora e ex-ministra, com quem disputa votos mais diretamente.
Boa parte dessas práticas recebe o apelido de “espantalho”. É a construção de uma caricatura simplista (ou puramente mentirosa) da posição adversária, caricatura essa que é muito mais fácil de atacar que o adversário real. Se dá trabalho discutir sobre o que poderia ser melhorado na CLT, ou no Bolsa Família, é muito mais fácil acusar o oponente de querer acabar com o 13.º salário ou a transferência de renda, e bater nele pelo que ele nunca disse ou propôs. É uma estratégia mentirosa que, infelizmente, se mostra eficaz, baseada no medo da população – basta recordar o episódio da corrida em massa a lotéricas e agências da Caixa em maio do ano passado, por supostos boatos de que o Bolsa Família acabaria (na época, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, culpou a oposição, mas a Polícia Federal não encontrou nenhum indício de ação orquestrada).
Tudo indica que, na eleição presidencial, caminharemos para um segundo turno, embora ainda haja indefinição sobre quem seguirá na disputa pela faixa. Nossa esperança é a de que, caso se confirme a sequência da disputa, os candidatos se pautem pelo debate honesto e de alto nível, abandonando o terrorismo eleitoral que caracterizou este primeiro turno. O diabo já plantou espantalhos suficientes pelo Brasil; é hora de começar a derrubá-los.
Em quem voto e por quê - FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
VOTO AÉCIO 45!
Poucas vezes o refrão de estarmos numa encruzilhada terá sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública, boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o País está.
Numa das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos, a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que Aécio Neves acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio PSDB!) e Marina Silva seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos, com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do stalinista para definir os "inimigos"), elas fizeram estragos no campo opositor.
A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando arrogantemente que tudo o que fez foi certo; se algo deu errado, foi, como diria Leonel Brizola, por conta das "perdas internacionais". Mais ainda, disse com convicção espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que fazer-lhes a guerra, coisa que só os "bárbaros" ocidentais pensam ser necessária.
E o que é isso: socialismo? Populismo? Não, capitalismo de Estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião pública ("não é função da imprensa investigar", outra pérola dita recentemente por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários "campeões nacionais" até partidos sedentos de um lugar no coração do governo. Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos. Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.
E sempre com certo ar de grandeza, herdado do antecessor: nunca antes como agora. Para provar os acertos, vale tudo: fazer citações sem respeito ao contexto, escamotear as contas públicas ou até mesmo, para se justificar, dizer: "Nunca ninguém puniu tanto os corruptos como este governo!". Como se as instituições de Estado (Polícia Federal, Ministério Público, tribunais, etc.) fossem mera extensão dos governantes.
Criou-se um clima de ilusão e embuste usando uma retórica baseada no exagero e na propaganda. Será isso democracia? Estamos, pouco a pouco, apesar de mantidas as formas democráticas, afastando-nos de seu real significado. Como em alguns outros países da América Latina. Com jeitinho brasileiro, mas com iguais consequências perversas. O modo de governar (democraticamente ou não) é tão importante para mostrar as diferenças entre os partidos quanto as divergências de orientação nas políticas econômicas ou sociais.
Por mais que a propaganda petista mistifique, as políticas sociais têm o rumo definido desde a Constituição de 1988. Executadas com maior ou menor perícia por parte de quem governa, com maior ou menor disponibilidade de recursos, o caminho dessas políticas está traçado: mais e melhor educação, mais e melhor saúde, mais e melhor amparo a quem necessita (bolsas, aposentadorias, etc.). Já a política econômica perdeu o rumo e destrói pouco a pouco as bases institucionais que permitiram consolidar a estabilidade e favorecer o crescimento da economia.
No conjunto de sua obra, o governo atual rompeu o equilíbrio alcançado entre Estado, mercado e sociedade e dá passos na direção de um modelo à Ernesto Geisel. Tal modelo é incompatível com a democracia e com a economia moderna. Não poderão sobreviver os três ao mesmo tempo.
É esse o fantasma que nos ronda. Reeleita a candidata, a assombração vira ameaça real. Ameaça à economia e ao regime político, pelo menos quanto ao modo de entender o que seja democracia. Não é preciso que nos ensinem que democracia requer inclusão social e alargamento da participação política. Essa foi a luta do meu governo, desde o primeiro dia, em condições muito mais adversas. É este governo que necessita aprender que a inclusão e a participação verdadeiramente democráticas requerem defesa vigilante das liberdades fundamentais (especialmente de imprensa), autonomia da sociedade civil, separação entre partido, governo e Estado. Como o governo mostra dificuldade em aprender, só há um caminho: votar na oposição.
Mas em qual oposição? Com o devido respeito às demais forças oposicionistas, que deverão estar juntas conosco no segundo turno, há um candidato e um partido que já demonstraram na prática que obedecem aos valores da democracia, da inclusão social e da modernização do País. Já mostraram também que sabem governar. O PSDB e seus aliados lançaram as bases sociais e econômicas do Brasil contemporâneo. Aécio é a expressão deste Brasil. Governando Minas Gerais, fez seu Estado avançar (o Estado tem hoje o melhor Ideb do País no ensino fundamental) e marcou a sua administração por inovações na forma de estabelecer e cobrar resultados. Não foi o único governador a se destacar no período recente, mas esteve sempre entre os melhores.
Meu voto, portanto, será dado a Aécio. Não só por ele, mas pelo que ele representa, como uma saída para a encruzilhada em que nos encontramos.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
VOTO AÉCIO 45!
Ministro Antônio Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
DELATOR SERÁ PRESO SE MENTIR AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Todas as ações suspensas na Justiça contra Paulo Roberto Costa, sua mulher, duas filhas e genros podem ser retomadas caso o ex-diretor da Petrobras quebre de alguma forma o acordo ou minta em qualquer um de seus depoimentos na “delação premiada”. Ele e sua família também estarão sujeitos a penas de um a quatro anos por mentir sobre detalhes da organização criminosa investigada na Operação Lava Jato.
GRANDES ENROLADOS
A cláusula 20 do acordo de delação do ex-diretor prevê “alterações” ao texto para denúncias que envolvem autoridades com foro privilegiado.
AUTORIDADES GRAÚDAS
Têm foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal deputados federais, senadores, ministros e o presidente da República.
FALOU, RODOU
Caso seja procurado por algum investigado na Operação Lava Jato, Costa é obrigado, segundo o acordo, a acionar a PF ou procuradores.
VAZOU, DANÇOU
O item “i” da Cláusula 23 do acordo de delação premiada prevê sua anulação caso seu sigilo seja quebrado pelo delator, advogado ou MP.
GOVERNO ESTUDA COMO ‘APARELHAR’ O ITAMARATY
Medida cogitada na Casa Civil da Presidência causa grande comoção entre diplomatas: autoriza a nomeação de pessoas de fora da carreira, sem qualificação, para cargos em comissão do Ministério das Relações Exteriores. Argentina e Venezuela fizeram isso, e hoje esses países não têm mais serviço exterior levado a sério mundo afora. O Itamaraty é um dos raros órgãos ainda não inteiramente aparelhados pelo PT.
LULA, 69
Lula completa 69 anos no dia 27, um dia depois o segundo turno, já sabendo se sua candidata Dilma foi reeleita ou não.
FATOR DECISIVO
O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) admite que o tempo de TV favoreceu Dilma: “Marina mal teve tempo para se defender...”.
SONHO
O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RR), espera que seu partido eleja neste domingo 22 governadores, repetindo a proeza de 1986.
VOTO CONSERVADOR
Neste domingo, dirigentes do PSDB apostam em maior crescimento de Aécio Neves no Sudeste, onde tradicionalmente o tucanato só deslancha na hora agá, fenômeno atribuído ao voto conservador.
PARA O PPS, TANTO FAZ
O PPS apoiará o opositor que disputar o 2º turno contra Dilma. Roberto Freire, presidente do PPS, releva as críticas de Aécio à sua candidata: “não se comparam à sujeira e à desonestidade de Dilma com Marina”.
VENCE E NÃO LEVA
Candidato ao Senado no Maranhão, Gastão Vieira (PMDB) pode ter sua candidatura impugnada: o suplente, Remi Ribeiro, não se desincompatibilizou de cargo na Casa Civil estadual, segundo o blog Atual7, o que o deixa sujeito a anulação do registro da candidatura.
DEIXA VER
O presidente do PTB, Benito Gama (BA), garante que até agora não entrou na pauta do partido qualquer discussão sobre apoiar Marina Silva, caso ela vá para disputa contra a presidente Dilma no 2º turno.
BATE E VOLTA
Dilma viaja cedo neste domingo à Porto Alegre (RS) onde vai votar, mas retorna a Brasília às 9h30, onde aguardará os resultados das eleições às 17h.
MAIS ACEITAÇÃO
Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) acredita que é mais fácil reunir aliados pró-Aécio do que aliados pró-Marina no segundo turno, incluindo os rebeldes do PMDB e PP.
BAIXA INSISTENTE
Mapeamento do PDT às vésperas da eleição indica que terá bancada de duas dezenas de deputados federais, inferior ao que o partido já teve na Câmara antes da criação do PSD, de Gilberto Kassab (SP).
COMO VOTA BOLSONARO
Conhecido por declarações homofóbicas e pró-ditadura, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) considera votar em Levy Fidelix (PRTB) após a “brilhante exposição que tirou Luciana Genro do sério”.
SEGREDO NECESSÁRIO
O voto deve ser mesmo secreto porque, segundo Aparício Torelli, o Barão de Itararé, “só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”.
PODER SEM PUDOR
O ROSTO DO FUTURO
José Sarney foi a sua cidade natal, Pinheiro (MA), para comemorar o seu 50º aniversário. Na praça principal, uma bandeira cobria a obra de arte que o homenagearia. Rufaram os tambores, o locutor anunciou e finalmente a bandeira foi retirada, descobrindo o busto do senador-poeta. O aniversariante ficou desapontado: os olhos arregalados denunciavam o susto diante da expressão envelhecida que o artista atribuiu ao seu rosto de bronze. Refeito, ele sorriu e brincou, vingando-se do escultor:
- Não tem problema. O busto já está pronto para a comemoração do meu centenário...
sábado, outubro 04, 2014
Sair do pântano - MIGUEL REALE JÚNIOR
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
Amanhã se começa a decidir o futuro do Brasil. São 12 anos de governo do PT, que a todo custo pretende permanecer no poder. Lula em discurso recente, segurando os ombros de Dilma, disse pausadamente: "Eles não sabem o que somos capazes de fazer para ter você por mais quatro anos".
Boa parte da sociedade, cerca de 50%, que votará na oposição ao PT, em Marina ou Aécio, no primeiro turno, com certeza teme o que Lula e companheiros possam fazer, mas creio que jamais imaginariam a adoção, na propaganda eleitoral, das táticas desleais próprias do totalitarismo, não sendo admissível que a presidente, com a responsabilidade do cargo, viesse a desinformar a sua população no processo de desconstrução da adversária.
Hitler considerava, como destaca Domenach em conhecido trabalho (La Propagande Politique, Paris, 1950), ter a grande maioria, a massa, disposição a que suas opiniões e seus atos sejam determinados antes pela impressão causada em seus sentidos do que pela reflexão. A tática da propaganda em regime autoritário consiste em alternar terror e exaltação.
O terror infunde-se, como explica em outro trabalho clássico Driencourt (La Propagande, Nouvelle Force Politique, Paris, 1950), pela ligação de situação que a sensibilidade geral aceita integralmente, sem discussão, com uma ideia que se pretende incutir, relacionando-a falsamente com a situação já acolhida. Para a grande maioria, a percepção do papel dos bancos e dos banqueiros é a de explorar os mais fracos e se beneficiar com sua pobreza, refestelando-se com a desgraça alheia para encher as burras (vejam-se juros do cartão de crédito e do cheque especial). A propaganda de Dilma valeu-se dessa posição emocional, aceita sem discussão pela sociedade, e aliou falsamente a proposta de independência do Banco Central a uma liberdade de ação dos bancos comerciais cujo resultado seria o sumiço da comida da mesa dos pobres e a falência da educação, com o desaparecimento dos livros de estudo, ante o sorriso triunfante dos banqueiros.
É evidente a desfaçatez, a desonestidade intelectual, como se o Banco Central, uma autarquia responsável pela definição da política monetária, fosse um banco comercial e sua independência não significasse, como em todos os países desenvolvidos, a garantia de condução da economia e de promoção de estabilidade da moeda, longe dos interesses políticos efêmeros. Pouco importa que Dilma já tenha defendido a autonomia do Banco Central, o que interessa para manter o poder é deslanchar uma artilharia psicológica visando a amedrontar a população, alertando para o desastre da vitória da adversária à qual se atribui, mesmo contra todas as evidências, a instalação do reino dos banqueiros, a desgraça dos pobres com o fim do Bolsa Família. A parcela pensante do eleitorado vê a desgraça em ficar nas mãos de pessoas que mentem descaradamente para assegurar o poder a qualquer custo, como ameaçou Lula.
Hitler, em seu livro Minha Luta, pregava abertamente que a propaganda deve estabelecer o seu nível intelectual segundo a capacidade de compreensão do mais limitado dos seus destinatários. Assim, valeu-se a propaganda dilmista do desconhecimento de boa parte do eleitorado do que seja o Banco Central para unir à proposta de sua autonomia a consequência de plena liberdade dos bancos comerciais, quando a verdade é exatamente o contrário. Sem jamais nenhum candidato ter dito que interromperia o benefício do Bolsa Família, apregoava-se, na propaganda de Dilma, o seu fim iminente com a vitória de Marina ou de Aécio.
Se, de um lado, se cria um clima de terror, de outro se apresenta o Brasil como a Ilha da Fantasia, onde tudo corre às mil maravilhas, com grandes conquistas, num ufanismo graças ao qual se propaga que somos todos felizes e continuaremos felizes se mantivermos Dilma e seu grupo no poder. O cúmulo da exaltação foi a utilização, sem nenhum constrangimento da presidente, da tribuna da ONU na abertura da Assembleia-Geral para falar ao público interno sobre as conquistas do governo Lula e do seu, visando a aparecer nos noticiários televisivos dando a impressão de se constituir numa consagração universal.
Nesta hora de definição, é importante que a decisão seja no sentido de escolher quem possa derrotar Dilma e tenha condições de liderança pessoal para levar à frente a restauração do País nos planos moral e econômico. Marina, por sua trajetória de lutas, pode vir a cumprir esse papel fundamental. E deverá fazê-lo com o apoio do PSDB, tal como sucedeu no governo Itamar Franco, quando esse partido deu respaldo político e massa crítica com a participação de ilustres peessedebistas em órgãos da administração, assegurando governabilidade e condições técnicas para mudar o País, tal como efetivamente mudou com o Plano Real.
O receio de Marina ter sido do PT e ser um PT2 não pode servir de argumento contra a ex-senadora por parte do PSDB, pois todos os seus próceres saíram do PMDB e com ele não mais se identificam, não sendo o PMDB2, muito ao contrário. A origem não indica a linha política atual, a ser apreendida no caminho ora palmilhado, que o programa de Marina revela em muitos temas.
Neste quadro volátil da eleição de amanhã, se Aécio for, por acaso, ao segundo turno contra Dilma, seu passado como governador de Minas o credencia a bem governar o Brasil, mas Marina e o PSB devem se unir ao PSDB, superando os ataques injustos, para compor maioria de sustentação com o PPS de Roberto Freire e o PV, para enfrentar um raivoso PT na oposição. A união é necessária contra a falta total de ética na política, revelada pelas denúncias do conluio da cúpula petista com os "malfeitos" na Petrobrás.
Enfim, ou saímos do pântano onde viceja o aparelhamento do Estado e a corrupção ou submergimos para um afogamento que desonra.
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
Amanhã se começa a decidir o futuro do Brasil. São 12 anos de governo do PT, que a todo custo pretende permanecer no poder. Lula em discurso recente, segurando os ombros de Dilma, disse pausadamente: "Eles não sabem o que somos capazes de fazer para ter você por mais quatro anos".
Boa parte da sociedade, cerca de 50%, que votará na oposição ao PT, em Marina ou Aécio, no primeiro turno, com certeza teme o que Lula e companheiros possam fazer, mas creio que jamais imaginariam a adoção, na propaganda eleitoral, das táticas desleais próprias do totalitarismo, não sendo admissível que a presidente, com a responsabilidade do cargo, viesse a desinformar a sua população no processo de desconstrução da adversária.
Hitler considerava, como destaca Domenach em conhecido trabalho (La Propagande Politique, Paris, 1950), ter a grande maioria, a massa, disposição a que suas opiniões e seus atos sejam determinados antes pela impressão causada em seus sentidos do que pela reflexão. A tática da propaganda em regime autoritário consiste em alternar terror e exaltação.
O terror infunde-se, como explica em outro trabalho clássico Driencourt (La Propagande, Nouvelle Force Politique, Paris, 1950), pela ligação de situação que a sensibilidade geral aceita integralmente, sem discussão, com uma ideia que se pretende incutir, relacionando-a falsamente com a situação já acolhida. Para a grande maioria, a percepção do papel dos bancos e dos banqueiros é a de explorar os mais fracos e se beneficiar com sua pobreza, refestelando-se com a desgraça alheia para encher as burras (vejam-se juros do cartão de crédito e do cheque especial). A propaganda de Dilma valeu-se dessa posição emocional, aceita sem discussão pela sociedade, e aliou falsamente a proposta de independência do Banco Central a uma liberdade de ação dos bancos comerciais cujo resultado seria o sumiço da comida da mesa dos pobres e a falência da educação, com o desaparecimento dos livros de estudo, ante o sorriso triunfante dos banqueiros.
É evidente a desfaçatez, a desonestidade intelectual, como se o Banco Central, uma autarquia responsável pela definição da política monetária, fosse um banco comercial e sua independência não significasse, como em todos os países desenvolvidos, a garantia de condução da economia e de promoção de estabilidade da moeda, longe dos interesses políticos efêmeros. Pouco importa que Dilma já tenha defendido a autonomia do Banco Central, o que interessa para manter o poder é deslanchar uma artilharia psicológica visando a amedrontar a população, alertando para o desastre da vitória da adversária à qual se atribui, mesmo contra todas as evidências, a instalação do reino dos banqueiros, a desgraça dos pobres com o fim do Bolsa Família. A parcela pensante do eleitorado vê a desgraça em ficar nas mãos de pessoas que mentem descaradamente para assegurar o poder a qualquer custo, como ameaçou Lula.
Hitler, em seu livro Minha Luta, pregava abertamente que a propaganda deve estabelecer o seu nível intelectual segundo a capacidade de compreensão do mais limitado dos seus destinatários. Assim, valeu-se a propaganda dilmista do desconhecimento de boa parte do eleitorado do que seja o Banco Central para unir à proposta de sua autonomia a consequência de plena liberdade dos bancos comerciais, quando a verdade é exatamente o contrário. Sem jamais nenhum candidato ter dito que interromperia o benefício do Bolsa Família, apregoava-se, na propaganda de Dilma, o seu fim iminente com a vitória de Marina ou de Aécio.
Se, de um lado, se cria um clima de terror, de outro se apresenta o Brasil como a Ilha da Fantasia, onde tudo corre às mil maravilhas, com grandes conquistas, num ufanismo graças ao qual se propaga que somos todos felizes e continuaremos felizes se mantivermos Dilma e seu grupo no poder. O cúmulo da exaltação foi a utilização, sem nenhum constrangimento da presidente, da tribuna da ONU na abertura da Assembleia-Geral para falar ao público interno sobre as conquistas do governo Lula e do seu, visando a aparecer nos noticiários televisivos dando a impressão de se constituir numa consagração universal.
Nesta hora de definição, é importante que a decisão seja no sentido de escolher quem possa derrotar Dilma e tenha condições de liderança pessoal para levar à frente a restauração do País nos planos moral e econômico. Marina, por sua trajetória de lutas, pode vir a cumprir esse papel fundamental. E deverá fazê-lo com o apoio do PSDB, tal como sucedeu no governo Itamar Franco, quando esse partido deu respaldo político e massa crítica com a participação de ilustres peessedebistas em órgãos da administração, assegurando governabilidade e condições técnicas para mudar o País, tal como efetivamente mudou com o Plano Real.
O receio de Marina ter sido do PT e ser um PT2 não pode servir de argumento contra a ex-senadora por parte do PSDB, pois todos os seus próceres saíram do PMDB e com ele não mais se identificam, não sendo o PMDB2, muito ao contrário. A origem não indica a linha política atual, a ser apreendida no caminho ora palmilhado, que o programa de Marina revela em muitos temas.
Neste quadro volátil da eleição de amanhã, se Aécio for, por acaso, ao segundo turno contra Dilma, seu passado como governador de Minas o credencia a bem governar o Brasil, mas Marina e o PSB devem se unir ao PSDB, superando os ataques injustos, para compor maioria de sustentação com o PPS de Roberto Freire e o PV, para enfrentar um raivoso PT na oposição. A união é necessária contra a falta total de ética na política, revelada pelas denúncias do conluio da cúpula petista com os "malfeitos" na Petrobrás.
Enfim, ou saímos do pântano onde viceja o aparelhamento do Estado e a corrupção ou submergimos para um afogamento que desonra.
É preciso mudar. Pelo voto - RUTH DE AQUINO
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
REVISTA ÉPOCA
Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
Não basta ajoelhar, tem de rezar. Não basta se alfabetizar, tem de ler até o fim. Não basta ler, tem de analisar. Não basta analisar, tem de lembrar. Não basta papaguear slogans, tem de criticar. Não basta crer em marketing, tem de construir um pensamento crítico. Não basta votar, tem de cobrar.
Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.
Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa nacional eleitoral, com as múmias e os ladrões, vivinhos e populares.
Penso no eleitor maria-vai-com-as-outras, que prefere não se informar direito, por preguiça, desinteresse ou apego a uma sociedade virtual de rapidinhas mentais, em que se curte ou se demole um texto sem passar do primeiro parágrafo. Dedinho para cima, dedinho para baixo. Adeus às sutilezas, elas só fazem perder tempo. Em vez de ler, posso postar o prato de comida de ontem, as travessuras do cachorro, a descrição detalhada de uma cirurgia, compartilhar textos e vídeos falsos, posso ofender quem discorda ou apedrejar o próximo. Poderia dizer que entendo. Mas não compreendo.
Quando vejo que falsidades sem vergonha rendem votos, penso no voto de cabresto. Não falo do povão nem de classes desfavorecidas. Mas da ignorância – do verbo “ignorar”. Quem ignora é facilmente manipulável pelo marketing sem escrúpulo, não importa a classe social ou o tempo de estudo. É assustador o nível de desinformação dos eleitores brasileiros, especialmente dos mais jovens.
O país que vai às urnas para eleger presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual é o mesmo que explodiu nas ruas há um ano. Foram protestos, pacíficos e incendiários, contra a roubalheira institucionalizada nos últimos anos, a farra dos desvios de verba pública, a tragédia do transporte, saúde, segurança e educação, a insatisfação com indicadores sociais e econômicos, a volta da inflação, a alta do custo de vida, as alianças espúrias com corruptos.
Será que é o mesmo Brasil? Escândalos como o da Petrobras derrubam presidentes em países com consciência política. No Japão, alguns governantes e executivos se suicidam quando são flagrados num roubo dessa magnitude. Aqui no Brasil, não faz nem cócegas. Dilma Rousseff, no debate de quinta-feira, disse que “todo mundo comete corrupção”. Eu não cometo corrupção. Você comete? Ouvimos esse discurso há três mandatos do PT, o mesmo partido que desfraldou a bandeira da ética na política.
Não adianta desmascarar os elogios de Dilma a Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, bandido e atual delator. Todo mundo sabe agora que ele renunciou em 2012 coberto de agradecimentos de Dilma, em ata, “pelos relevantes serviços prestados à companhia no desempenho de suas funções”. Bota relevância nisso.
Por enquanto, Paulo Roberto Costa virou um pária em casa, com tornozeleira eletrônica. Vamos lavar a jato toda a sujeira, afinal ele devolverá quase US$ 26 milhões em contas bancárias no exterior. E lancha, terreno, Range Rover.
Dilma convence o eleitor de que foi ela quem pressionou o Ministério Público e a Polícia Federal a investigar? Daqui a alguns anos, Paulo Roberto se candidata a deputado. O marketing é fácil: o que rouba mas delata, o que rouba mas se arrepende, o que poupa os amigos mais poderosos. Ou então escreve um livro best-seller Como roubei durante oito anos a Petrobras e o Brasil do PT sem que ninguém soubesse.
Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Qualquer um, se vive um dia normal de classe C, se anda de ônibus superlotado, se vai à emergência de um hospital, se tenta abrir um negócio sem despachante, se vai ao supermercado semanalmente, se esconde celular com medo de ser morto, se procura uma creche que não cobre preços extorsivos, se matricula o filho na escola e compra o material, se vai à farmácia, se precisa cuidar dos pais doentes, se convive com os atuais níveis de poluição e péssimo manuseio do lixo, se assiste ao aparelhamento do Poder, sabe hoje que é preciso mudar. Pelo voto.
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Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
Não basta ajoelhar, tem de rezar. Não basta se alfabetizar, tem de ler até o fim. Não basta ler, tem de analisar. Não basta analisar, tem de lembrar. Não basta papaguear slogans, tem de criticar. Não basta crer em marketing, tem de construir um pensamento crítico. Não basta votar, tem de cobrar.
Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.
Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa nacional eleitoral, com as múmias e os ladrões, vivinhos e populares.
Penso no eleitor maria-vai-com-as-outras, que prefere não se informar direito, por preguiça, desinteresse ou apego a uma sociedade virtual de rapidinhas mentais, em que se curte ou se demole um texto sem passar do primeiro parágrafo. Dedinho para cima, dedinho para baixo. Adeus às sutilezas, elas só fazem perder tempo. Em vez de ler, posso postar o prato de comida de ontem, as travessuras do cachorro, a descrição detalhada de uma cirurgia, compartilhar textos e vídeos falsos, posso ofender quem discorda ou apedrejar o próximo. Poderia dizer que entendo. Mas não compreendo.
Quando vejo que falsidades sem vergonha rendem votos, penso no voto de cabresto. Não falo do povão nem de classes desfavorecidas. Mas da ignorância – do verbo “ignorar”. Quem ignora é facilmente manipulável pelo marketing sem escrúpulo, não importa a classe social ou o tempo de estudo. É assustador o nível de desinformação dos eleitores brasileiros, especialmente dos mais jovens.
O país que vai às urnas para eleger presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual é o mesmo que explodiu nas ruas há um ano. Foram protestos, pacíficos e incendiários, contra a roubalheira institucionalizada nos últimos anos, a farra dos desvios de verba pública, a tragédia do transporte, saúde, segurança e educação, a insatisfação com indicadores sociais e econômicos, a volta da inflação, a alta do custo de vida, as alianças espúrias com corruptos.
Será que é o mesmo Brasil? Escândalos como o da Petrobras derrubam presidentes em países com consciência política. No Japão, alguns governantes e executivos se suicidam quando são flagrados num roubo dessa magnitude. Aqui no Brasil, não faz nem cócegas. Dilma Rousseff, no debate de quinta-feira, disse que “todo mundo comete corrupção”. Eu não cometo corrupção. Você comete? Ouvimos esse discurso há três mandatos do PT, o mesmo partido que desfraldou a bandeira da ética na política.
Não adianta desmascarar os elogios de Dilma a Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, bandido e atual delator. Todo mundo sabe agora que ele renunciou em 2012 coberto de agradecimentos de Dilma, em ata, “pelos relevantes serviços prestados à companhia no desempenho de suas funções”. Bota relevância nisso.
Por enquanto, Paulo Roberto Costa virou um pária em casa, com tornozeleira eletrônica. Vamos lavar a jato toda a sujeira, afinal ele devolverá quase US$ 26 milhões em contas bancárias no exterior. E lancha, terreno, Range Rover.
Dilma convence o eleitor de que foi ela quem pressionou o Ministério Público e a Polícia Federal a investigar? Daqui a alguns anos, Paulo Roberto se candidata a deputado. O marketing é fácil: o que rouba mas delata, o que rouba mas se arrepende, o que poupa os amigos mais poderosos. Ou então escreve um livro best-seller Como roubei durante oito anos a Petrobras e o Brasil do PT sem que ninguém soubesse.
Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Qualquer um, se vive um dia normal de classe C, se anda de ônibus superlotado, se vai à emergência de um hospital, se tenta abrir um negócio sem despachante, se vai ao supermercado semanalmente, se esconde celular com medo de ser morto, se procura uma creche que não cobre preços extorsivos, se matricula o filho na escola e compra o material, se vai à farmácia, se precisa cuidar dos pais doentes, se convive com os atuais níveis de poluição e péssimo manuseio do lixo, se assiste ao aparelhamento do Poder, sabe hoje que é preciso mudar. Pelo voto.
Um país com medo de ser feliz - PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
CORREIO BRAZILIENSE - 04/10
CORREIO BRAZILIENSE - 04/10
Volta e meia sou tentado a concordar com De Gaulle ou com quem quer que tenha dito que o Brasil não é um país sério. Nos Estados Unidos, uma escuta telefônica clandestina instalada num comitê de um rival político levou à renúncia o então presidente Richard Nixon. Agora, pense aí: e se flagrassem em vídeo, nos EUA ou na Europa, um deputado do partido governista confessando que uma empresa pública foi usada para fazer campanha de um presidente à reeleição? Imagine o tamanho do escândalo e as consequências.
No Brasil, caro leitor, a questão é tratada com escárnio pelos donos do poder. Veja o caso de Minas Gerais. Um deputado estadual do PT foi filmado se vangloriando do uso dos Correios na campanha de Dilma e de Pimentel. Mesmo diante das imagens incontestáveis da fraude, sabe como a presidente da República reagiu ao ser perguntada sobre o flagrante? "Vocês são jornalistas. Vocês acreditam nisso?". Ou seja: ela está sugerindo que, em vez de se ater ao que o vídeo revela, os jornalistas não acreditem no que veem, mas somente no que ela diz.
Pior é constatar que, diante da prova e da versão oficial, há jornalistas que se desmoralizam ao optar pelo engodo chapa-branca. Na hora de escrever os textos, entre as imagens do que de fato ocorreu e o bla-bla-blá palaciano, eles se comportam bovinamente "neutros", dando ao "desmentido" até mais peso do que à verdade. Ou seja: se, nos EUA ou na Europa, uma bobagem como essa poderia derrubar um governo, aqui o escândalo ajuda é a fortalecer e levar à reeleição.
Escandaliza-me o fato de que a corrupção hoje no país seja tratada como uma virtude. O caso da quadrilha que roubava a Petrobras para distribuir com aliados do governo Dilma e Lula é clássico. Quanto mais se descobrem fatos cabeludos da maracutaia, mais crescem as chances de a presidente se reeleger no 1º turno. As pessoas parecem ignorar que os R$ 10 bilhões desviados dos cofres públicos na Operação Lava-Jato, conforme estimativa da PF, poderiam estar sendo investidos em educação e saúde com "padrão Fifa", como cobraram os manifestantes em junho de 2013. Mas o que vemos é cada vez mais dinheiro no poço da corrupção. É como se o brasileiro, de tão desencantado, tivesse medo de voltar a sonhar em ser feliz. Preferisse ser enganado do que sonhar com a possibilidade de um país mais digno e mais justo para todos.
No Brasil, caro leitor, a questão é tratada com escárnio pelos donos do poder. Veja o caso de Minas Gerais. Um deputado estadual do PT foi filmado se vangloriando do uso dos Correios na campanha de Dilma e de Pimentel. Mesmo diante das imagens incontestáveis da fraude, sabe como a presidente da República reagiu ao ser perguntada sobre o flagrante? "Vocês são jornalistas. Vocês acreditam nisso?". Ou seja: ela está sugerindo que, em vez de se ater ao que o vídeo revela, os jornalistas não acreditem no que veem, mas somente no que ela diz.
Pior é constatar que, diante da prova e da versão oficial, há jornalistas que se desmoralizam ao optar pelo engodo chapa-branca. Na hora de escrever os textos, entre as imagens do que de fato ocorreu e o bla-bla-blá palaciano, eles se comportam bovinamente "neutros", dando ao "desmentido" até mais peso do que à verdade. Ou seja: se, nos EUA ou na Europa, uma bobagem como essa poderia derrubar um governo, aqui o escândalo ajuda é a fortalecer e levar à reeleição.
Escandaliza-me o fato de que a corrupção hoje no país seja tratada como uma virtude. O caso da quadrilha que roubava a Petrobras para distribuir com aliados do governo Dilma e Lula é clássico. Quanto mais se descobrem fatos cabeludos da maracutaia, mais crescem as chances de a presidente se reeleger no 1º turno. As pessoas parecem ignorar que os R$ 10 bilhões desviados dos cofres públicos na Operação Lava-Jato, conforme estimativa da PF, poderiam estar sendo investidos em educação e saúde com "padrão Fifa", como cobraram os manifestantes em junho de 2013. Mas o que vemos é cada vez mais dinheiro no poço da corrupção. É como se o brasileiro, de tão desencantado, tivesse medo de voltar a sonhar em ser feliz. Preferisse ser enganado do que sonhar com a possibilidade de um país mais digno e mais justo para todos.
Sem medo do PT - MERVAL PEREIRA
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
O GLOBO - 04/10
O GLOBO - 04/10
O debate da Rede Globo de quinta-feira foi o mais acirrado das últimas eleições, e mesmo empolgante em certos momentos. O formato do programa, colocando a cada momento dois concorrentes cara a cara, ajudou muito na sua dinâmica e deu a ele cores novas.
E foi nesse embate olho no olho que um fenômeno ficou explícito: o PT já não mete medo a seus adversários. Seja pela fragilidade da presidente Dilma, tanto nos resultados de seu governo quanto na formulação do seu raciocínio, seja pelos resultados que o partido está obtendo em todo o país, os adversários perderam o medo de se confrontarem com os petistas.
Até mesmo a liderança do ex-presidente Lula está sendo contestada nesta eleição, pois os postes que tentou lançar negaram luz desta vez, seja Alexandre Padilha em São Paulo ou Lindbergh Farias no Rio. Efeito do insucesso dos postes anteriores, a própria Dilma na Presidência e o prefeito paulistano, Fernando Haddad. A trinca de fracassos se fecha com a performance medíocre da ex-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann, poste de Dilma. Mesmo o provável êxito de Fernando Pimentel em Minas não abafará esses fracassos petistas.
A candidata Marina Silva pôs o dedo na ferida num comentário já com seu tempo esgotado, mas que foi registrado pelos microfones: "A maneira como você fala toda atrapalhada é a maior denunciação..." Era a última chance de Marina, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB, firmarem suas posições para uma ampla audiência, em disputa do segundo lugar, e para a presidente Dilma tentar ampliar sua vantagem e fechar a eleição no primeiro turno.
Horas antes, pesquisas do Datafolha e do Ibope mostravam Dilma batendo no seu teto, a poucos pontos da vitória imediata, e os dois rivais em empate técnico, com movimento ascendente do tucano que a pesquisa do Ibope, finda um dia antes da do Datafolha, não captou por inteiro. Provavelmente hoje esse movimento ascensional seja refletido nas últimas pesquisas antes da eleição, já que Aécio saiu-se muito bem no debate.
Ao contrário do que fizeram seus antecessores José Serra e Geraldo Alckmin, nesta campanha Aécio vem defendendo o legado do PSDB sem titubear e, ontem no debate, enfrentado as velhas denúncias do PT contra as privatizações, anunciou a presença do ex-presidente Fernando Henrique na platéia, disse-se honrado com seu apoio e fez ironias com a possibilidade de empresas como as telefônicas ou a Embraer, em vez de privatizadas, ainda pertencerem ao Estado sob o comando do PT:
"Imagine o setor de telefonia, que já funciona tão mal, nas mãos do Estado. A senhora nomeando os dirigentes dessas empresas. Imagine uma Embraer, a grande empresa que compete, hoje, com êxito em outras partes do mundo, nas mãos do PT. Nós fizemos as privatizações de setores importantes. No meu governo, a Petrobras vai ser devolvida aos brasileiros."
Até Luciana Genro, do PSOL, que nestes debates tem feito o papel de metralhadora giratória, também tirou casquinha de Dilma: "Acontece, Dilma, que é o tesoureiro do PT que está envolvido nesse escândalo."
Com a cópia da ata da reunião do Conselho de Administração da Petrobras sobre a saída do diretor Paulo Roberto Costa, preso por corrupção e em processo de delação premiada junto à Justiça, Aécio ressaltou que fora ele quem pedira demissão, e não fora demitido, como afirmava a presidente: "A ata do Conselho da Petrobras diz que o diretor renunciou ao cargo e, pasme, recebe elogios pelos "relevantes serviços" prestados à companhia no desempenho das suas funções. Esse senhor está sendo obrigado a devolver R$ 70 milhões roubados da Petrobras. E o governo do PT o cumprimenta pelos serviços prestados à companhia."
Também Marina foi ao ataque, afirmando que Dilma não cumprira suas promessas de campanha: "A corrupção foi varrida pra baixo do tapete. [...] Você diz que foi o próprio diretor da Petrobras que disse que ia sair porque tinha recebido um recado. Foi negociação premiada. Existe a delação premiada. Houve uma demissão premiada, negociada no seu governo?"
Dilma não encontrou no calhamaço que carrega de um lado para o outro - o formato do debate da Globo deixou mais clara essa dependência - uma explicação razoável para a contradição. Não será surpresa se, em um próximo debate no segundo turno, Aécio ou Marina pedir que Dilma deixe de lado o caderno com as orientações de seu marqueteiro João Santana para responder às perguntas de improviso, no seu peculiar dllmês.
E foi nesse embate olho no olho que um fenômeno ficou explícito: o PT já não mete medo a seus adversários. Seja pela fragilidade da presidente Dilma, tanto nos resultados de seu governo quanto na formulação do seu raciocínio, seja pelos resultados que o partido está obtendo em todo o país, os adversários perderam o medo de se confrontarem com os petistas.
Até mesmo a liderança do ex-presidente Lula está sendo contestada nesta eleição, pois os postes que tentou lançar negaram luz desta vez, seja Alexandre Padilha em São Paulo ou Lindbergh Farias no Rio. Efeito do insucesso dos postes anteriores, a própria Dilma na Presidência e o prefeito paulistano, Fernando Haddad. A trinca de fracassos se fecha com a performance medíocre da ex-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann, poste de Dilma. Mesmo o provável êxito de Fernando Pimentel em Minas não abafará esses fracassos petistas.
A candidata Marina Silva pôs o dedo na ferida num comentário já com seu tempo esgotado, mas que foi registrado pelos microfones: "A maneira como você fala toda atrapalhada é a maior denunciação..." Era a última chance de Marina, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB, firmarem suas posições para uma ampla audiência, em disputa do segundo lugar, e para a presidente Dilma tentar ampliar sua vantagem e fechar a eleição no primeiro turno.
Horas antes, pesquisas do Datafolha e do Ibope mostravam Dilma batendo no seu teto, a poucos pontos da vitória imediata, e os dois rivais em empate técnico, com movimento ascendente do tucano que a pesquisa do Ibope, finda um dia antes da do Datafolha, não captou por inteiro. Provavelmente hoje esse movimento ascensional seja refletido nas últimas pesquisas antes da eleição, já que Aécio saiu-se muito bem no debate.
Ao contrário do que fizeram seus antecessores José Serra e Geraldo Alckmin, nesta campanha Aécio vem defendendo o legado do PSDB sem titubear e, ontem no debate, enfrentado as velhas denúncias do PT contra as privatizações, anunciou a presença do ex-presidente Fernando Henrique na platéia, disse-se honrado com seu apoio e fez ironias com a possibilidade de empresas como as telefônicas ou a Embraer, em vez de privatizadas, ainda pertencerem ao Estado sob o comando do PT:
"Imagine o setor de telefonia, que já funciona tão mal, nas mãos do Estado. A senhora nomeando os dirigentes dessas empresas. Imagine uma Embraer, a grande empresa que compete, hoje, com êxito em outras partes do mundo, nas mãos do PT. Nós fizemos as privatizações de setores importantes. No meu governo, a Petrobras vai ser devolvida aos brasileiros."
Até Luciana Genro, do PSOL, que nestes debates tem feito o papel de metralhadora giratória, também tirou casquinha de Dilma: "Acontece, Dilma, que é o tesoureiro do PT que está envolvido nesse escândalo."
Com a cópia da ata da reunião do Conselho de Administração da Petrobras sobre a saída do diretor Paulo Roberto Costa, preso por corrupção e em processo de delação premiada junto à Justiça, Aécio ressaltou que fora ele quem pedira demissão, e não fora demitido, como afirmava a presidente: "A ata do Conselho da Petrobras diz que o diretor renunciou ao cargo e, pasme, recebe elogios pelos "relevantes serviços" prestados à companhia no desempenho das suas funções. Esse senhor está sendo obrigado a devolver R$ 70 milhões roubados da Petrobras. E o governo do PT o cumprimenta pelos serviços prestados à companhia."
Também Marina foi ao ataque, afirmando que Dilma não cumprira suas promessas de campanha: "A corrupção foi varrida pra baixo do tapete. [...] Você diz que foi o próprio diretor da Petrobras que disse que ia sair porque tinha recebido um recado. Foi negociação premiada. Existe a delação premiada. Houve uma demissão premiada, negociada no seu governo?"
Dilma não encontrou no calhamaço que carrega de um lado para o outro - o formato do debate da Globo deixou mais clara essa dependência - uma explicação razoável para a contradição. Não será surpresa se, em um próximo debate no segundo turno, Aécio ou Marina pedir que Dilma deixe de lado o caderno com as orientações de seu marqueteiro João Santana para responder às perguntas de improviso, no seu peculiar dllmês.
Urnas já consagraram o agro - KÁTIA ABREU
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
FOLHA DE SP - 04/10
FOLHA DE SP - 04/10
Nas eleições anteriores candidatos evitavam o agronegócio, mas cenário mudou no pleito deste ano
Seja qual for o desfecho das eleições de amanhã, um grande vencedor emergirá das urnas: o agronegócio. Em todos os pleitos anteriores, os candidatos evitavam os empresários do meio rural. Eram "retrógrados", remanescentes de um Brasil "atrasado, escravagista e cruel", cujo apoio era preciso ocultar.
Nesta eleição, bem ao contrário, o que se viu foram os candidatos cortejando o agronegócio, reconhecendo-o como sustentáculo da economia, responsável por um terço dos empregos formais do país e pelos superavit da balança comercial.
O que mudou? Se antes o setor já exibia a pujança atual, por que só agora está sendo reconhecido? Simples: ação política. Antes, o produtor não via necessidade de agir na cena pública e mostrar o que fazia. Não por indiferença à opinião pública, mas por falta de cultura política. Supunha que seu dever se esgotava na produção.
Nesses termos, tornou-se presa de setores ideológicos, cujo projeto revolucionário almeja estatizar a produção rural. E há nisso toda uma engenharia social: antes de se iniciar o processo de invasões sistemáticas a propriedades produtivas, o setor foi submetido a um processo gramsciano impiedoso de desconstrução de sua imagem.
Difundiam-se notícias negativas, mesmo falsas (sobretudo as falsas), expunha-se o produtor como infrator das leis, explorador de seus empregados. Em, pouco tempo, criou-se o ambiente para legitimar, a título de represália, um vasto repertório de arbitrariedades. Proclamou-se a ideia de uma profunda crise social no campo, em que as populações indígenas foram expulsas de suas terras e o cidadão urbano, alheio à realidade rural --sobretudo o meio universitário-- encheu-se de justa indignação e passou a subscrever manifestos e a aplaudir ações contra quem produzia.
Assim, a crise, que não existia, passou a existir. A violência impôs-se no ambiente rural, indispondo patrões e empregados. Perdeu com isso o país.
Diante de tal cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que representa o setor --de cuja presidência estou licenciada em face das eleições--, decidiu expô-lo. Mostrar o que de fato ocorre e os danos daí advindos não só ao mais moderno setor da economia, mas também ao próprio país.
Isso é política --a política legítima, necessária, indispensável. Quantos documentários, reportagens, manifestos foram divulgados, mostrando o produtor como predador ambiental, contaminador de alimentos, escravagista e coisas do gênero? Ouvimos por anos, em silêncio ou reagindo pontualmente, a essas agressões.
Ao assumir a presidência da CNA, em 2008, dei prioridade à ação política. Nada ficaria sem resposta. Mais que isso: seríamos proativos, não apenas defensivos. Passamos a desfazer a mitologia negativa que nos impuseram e a mostrar, com dados rigorosos, a excelência de nosso trabalho, os avanços tecnológicos que permitem aumentar a produção sem aumentar a área plantada.
Não fosse assim, não teríamos o Código Florestal, vital à segurança jurídica, sem a qual não há investimentos; a área de plantação do país (que é menos de um terço do território) teria sido reduzida e as invasões continuariam sendo aplaudidas.
Hoje, o brasileiro urbano reconhece esse esforço; tem clara noção de que, graças à competente produção rural, paga comida mais barata e de qualidade. Nos últimos anos, o governo federal e o Congresso Nacional vêm dando grande apoio ao setor agrícola e pecuário. Promoveu as concessões privadas para os portos, viabilizou o Código Florestal e deu início às obras de infraestrutura. Há muito por fazer, não há dúvida. Mas criou-se o ambiente necessário para que se faça.
Seja quem for o vencedor, repito, não poderá negligenciar a produção agropecuária. Nem mesmo a candidata que forjou sua carreira hostilizando o agronegócio deixa hoje de reconhecer sua primazia. E essa vitória é, acima de tudo, do país. Vamos às urnas!
Os milagres econômicos da incompetência - ROLF KUNTZ
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
É preciso acreditar em milagres. Só uma incompetência milagrosa poderia produzir estragos tão prodigiosos na indústria brasileira, no comércio exterior e nos fundamentos econômicos do País em tão pouco tempo.
A soma de exportações e importações ficou em US$ 347,96 bilhões entre janeiro e setembro, valor 2% menor que o de um ano antes, pela média dos dias úteis. Diminuíram tanto as vendas quanto as compras internacionais e mais uma vez o Brasil mostrou ao mundo uma perversa originalidade. Recessão, em outros países, tem normalmente um efeito corretivo. No país da presidente Dilma Rousseff, a inflação anual continua acima de 6%. A balança de mercadorias acumula um déficit de US$ 690 milhões em nove meses. O governo central, segundo os números do Tesouro, só conseguiu de janeiro a agosto um superávit primário de R$ 4,67 bilhões, 87,8% menor que o de igual período de 2013. Para atingir a meta, R$ 80,8 bilhões, a administração central terá de obter em quatro meses um saldo superior a R$ 76 bilhões, 16 vezes o alcançado no dobro desse tempo.
Em outros países, governados de acordo com padrões mais normais, políticas de austeridade, às vezes com efeito recessivo, são usadas para corrigir desajustes. O caso brasileiro é muito diferente. Não houve nenhum esforço de ajuste. A recessão foi apenas mais um produto de uma incompetência de raras proporções, assim como o fiasco econômico dos três anos anteriores.
A condição precária do comércio exterior é um espelho dos erros cometidos pela administração petista a partir de 2003. A política industrial nunca foi mais que um arremedo, com tinturas nacionalistas e desenvolvimentistas, de estratégias típicas de outras eras. Nunca se cuidou de fato da eficiência econômica e do poder de competição. A política foi sempre, nos últimos 12 anos, muito mais voltada para o protecionismo do que para a inovação e a produtividade. A isso se acrescentaram estímulos ao consumo bem maiores que os incentivos ao investimento.
No primeiro trimestre deste ano, o coeficiente de exportação da indústria - proporção entre o valor exportado e o produzido - ficou em 19,8%. Nos primeiros três meses de 2007 ainda estava em 22%. Ao mesmo tempo, a participação dos importados no consumo de bens industriais passou de 17% para 22,5%, embora o Brasil tenha permanecido uma das economias mais fechadas do mundo. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Na virada do século os manufaturados ainda representavam mais de 50% do valor exportado. A proporção caiu pouco a pouco e de janeiro a setembro deste ano ficou em 34,8%. No mesmo período de 2013 estava em 36,9%, com peso um pouco maior, mas também muito baixo para uma economia com a base industrial do Brasil,
O governo tem uma desculpa também para isso, como para uma porção de outros problemas. A explicação, agora, é a crise da Argentina, principal mercado de exportação para os produtores brasileiros de manufaturados. Essa versão foi amplamente reproduzida, quando a imprensa divulgou, na quinta-feira, os números do comércio exterior de setembro. Mas ninguém deveria levar muito a sério essa conversa. A crise argentina até serve para esclarecer uma pequena parte da história - só uma pequena parte.
A indústria brasileira vem perdendo capacidade de exportação há muitos anos. As vendas cresceram durante alguns anos, nesse período, mas os produtores tiveram dificuldades crescentes até para preservar sua participação nos mercados. A valorização do real atrapalhou as vendas. Mas uma parte do desajuste cambial é atribuível à inflação, quase sempre maior que a dos concorrentes.
Empresários sempre reclamaram do câmbio valorizado, mas nunca, ou quase nunca, pediram medidas mais sérias para a estabilização dos preços e, portanto, dos custos internos. Acumulada em três anos, uma diferença anual de três pontos porcentuais de inflação pode virar um desastre cambial. A maior parte das pessoas parece desprezar esse detalhe.
Além disso, há o velho e nunca resolvido problema do custo Brasil, formado por uma enorme coleção de ineficiências de origem estritamente nacional. Não dá para culpar o mundo malvado, nem a perversidade das grandes potências, pelo péssimo sistema tributário, pela escassez de mão de obra eficiente, pelas más condições de transporte ou pela incapacidade gerencial do governo - para citar só um pedaço da lista.
Mas pode-se culpar o governo tanto pela incompetência administrativa quanto por erros graves de estratégia. Durante anos, a administração petista aproveitou a onda internacional de crescimento - e especialmente a expansão chinesa - para aproveitar sem trabalho as vantagens do crescimento econômico e do aumento das exportações. Internamente, a transferência de renda alimentou a expansão do mercado consumidor, mas os formuladores da política se esqueceram de cuidar também do aumento da capacidade de oferta.
Sem atenção a outras oportunidades, o governo aceitou também a transformação do Brasil em fornecedor de matérias-primas para a China e de manufaturados para economias em desenvolvimento, especialmente da vizinhança sul-americana. Foi uma escolha ideológica, apresentada como estratégia inovadora pelos formuladores da diplomacia petista.
Isso explica a vulnerabilidade do País à crise argentina. Ao renegar a política de inserção nos mercados desenvolvidos, o governo deixou à indústria brasileira, até por falta de uma estratégia modernizadora, poucas opções além de jogar na segunda divisão. Mas potências mais competitivas, como a China, podem invadir esse mercado e atropelar os competidores menos eficientes. A indústria brasileira tem perdido espaço também na vizinhança. De milagre em milagre, o Brasil recua à condição de colônia dependente de uma metrópole importadora de matérias-primas.
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
É preciso acreditar em milagres. Só uma incompetência milagrosa poderia produzir estragos tão prodigiosos na indústria brasileira, no comércio exterior e nos fundamentos econômicos do País em tão pouco tempo.
A soma de exportações e importações ficou em US$ 347,96 bilhões entre janeiro e setembro, valor 2% menor que o de um ano antes, pela média dos dias úteis. Diminuíram tanto as vendas quanto as compras internacionais e mais uma vez o Brasil mostrou ao mundo uma perversa originalidade. Recessão, em outros países, tem normalmente um efeito corretivo. No país da presidente Dilma Rousseff, a inflação anual continua acima de 6%. A balança de mercadorias acumula um déficit de US$ 690 milhões em nove meses. O governo central, segundo os números do Tesouro, só conseguiu de janeiro a agosto um superávit primário de R$ 4,67 bilhões, 87,8% menor que o de igual período de 2013. Para atingir a meta, R$ 80,8 bilhões, a administração central terá de obter em quatro meses um saldo superior a R$ 76 bilhões, 16 vezes o alcançado no dobro desse tempo.
Em outros países, governados de acordo com padrões mais normais, políticas de austeridade, às vezes com efeito recessivo, são usadas para corrigir desajustes. O caso brasileiro é muito diferente. Não houve nenhum esforço de ajuste. A recessão foi apenas mais um produto de uma incompetência de raras proporções, assim como o fiasco econômico dos três anos anteriores.
A condição precária do comércio exterior é um espelho dos erros cometidos pela administração petista a partir de 2003. A política industrial nunca foi mais que um arremedo, com tinturas nacionalistas e desenvolvimentistas, de estratégias típicas de outras eras. Nunca se cuidou de fato da eficiência econômica e do poder de competição. A política foi sempre, nos últimos 12 anos, muito mais voltada para o protecionismo do que para a inovação e a produtividade. A isso se acrescentaram estímulos ao consumo bem maiores que os incentivos ao investimento.
No primeiro trimestre deste ano, o coeficiente de exportação da indústria - proporção entre o valor exportado e o produzido - ficou em 19,8%. Nos primeiros três meses de 2007 ainda estava em 22%. Ao mesmo tempo, a participação dos importados no consumo de bens industriais passou de 17% para 22,5%, embora o Brasil tenha permanecido uma das economias mais fechadas do mundo. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Na virada do século os manufaturados ainda representavam mais de 50% do valor exportado. A proporção caiu pouco a pouco e de janeiro a setembro deste ano ficou em 34,8%. No mesmo período de 2013 estava em 36,9%, com peso um pouco maior, mas também muito baixo para uma economia com a base industrial do Brasil,
O governo tem uma desculpa também para isso, como para uma porção de outros problemas. A explicação, agora, é a crise da Argentina, principal mercado de exportação para os produtores brasileiros de manufaturados. Essa versão foi amplamente reproduzida, quando a imprensa divulgou, na quinta-feira, os números do comércio exterior de setembro. Mas ninguém deveria levar muito a sério essa conversa. A crise argentina até serve para esclarecer uma pequena parte da história - só uma pequena parte.
A indústria brasileira vem perdendo capacidade de exportação há muitos anos. As vendas cresceram durante alguns anos, nesse período, mas os produtores tiveram dificuldades crescentes até para preservar sua participação nos mercados. A valorização do real atrapalhou as vendas. Mas uma parte do desajuste cambial é atribuível à inflação, quase sempre maior que a dos concorrentes.
Empresários sempre reclamaram do câmbio valorizado, mas nunca, ou quase nunca, pediram medidas mais sérias para a estabilização dos preços e, portanto, dos custos internos. Acumulada em três anos, uma diferença anual de três pontos porcentuais de inflação pode virar um desastre cambial. A maior parte das pessoas parece desprezar esse detalhe.
Além disso, há o velho e nunca resolvido problema do custo Brasil, formado por uma enorme coleção de ineficiências de origem estritamente nacional. Não dá para culpar o mundo malvado, nem a perversidade das grandes potências, pelo péssimo sistema tributário, pela escassez de mão de obra eficiente, pelas más condições de transporte ou pela incapacidade gerencial do governo - para citar só um pedaço da lista.
Mas pode-se culpar o governo tanto pela incompetência administrativa quanto por erros graves de estratégia. Durante anos, a administração petista aproveitou a onda internacional de crescimento - e especialmente a expansão chinesa - para aproveitar sem trabalho as vantagens do crescimento econômico e do aumento das exportações. Internamente, a transferência de renda alimentou a expansão do mercado consumidor, mas os formuladores da política se esqueceram de cuidar também do aumento da capacidade de oferta.
Sem atenção a outras oportunidades, o governo aceitou também a transformação do Brasil em fornecedor de matérias-primas para a China e de manufaturados para economias em desenvolvimento, especialmente da vizinhança sul-americana. Foi uma escolha ideológica, apresentada como estratégia inovadora pelos formuladores da diplomacia petista.
Isso explica a vulnerabilidade do País à crise argentina. Ao renegar a política de inserção nos mercados desenvolvidos, o governo deixou à indústria brasileira, até por falta de uma estratégia modernizadora, poucas opções além de jogar na segunda divisão. Mas potências mais competitivas, como a China, podem invadir esse mercado e atropelar os competidores menos eficientes. A indústria brasileira tem perdido espaço também na vizinhança. De milagre em milagre, o Brasil recua à condição de colônia dependente de uma metrópole importadora de matérias-primas.
Depois do show eleitoral - ALBERTO DINES
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
GAZETA DO POVO - PR - 04/10
A polarização extravasou as postulações, chegou à gramática e ao protocolo: apoiadores da candidata Dilma Rousseff consideram traição não referir-se a ela como “presidenta” enquanto seus adversários agarram-se à designação que consta na Constituição. A desavença vai além: para alguns, a “desconstrução” do oponente ameaçador é estratégia política válida; para outros, é uma forma velada de fraudar.
Nos últimos dias, diante da exaltação crescente, avulta nova controvérsia: este pleito é, ou não, o mais violento desde a redemocratização? De novo, os mesmos alinhamentos: enquanto os apoiadores da candidatura oficial exibem um clima de normalidade e respeito às regras e bons costumes, eleitores oposicionistas denunciam um escancarado vale-tudo.
A pendência remonta a abril de 2013, quando Eduardo Campos ensaiava os primeiros passos como candidato independente da base aliada e a presidente Dilma, em uma visita oficial à Paraíba, ofereceu uma de suas preciosidades retóricas: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição, mas quando se está no exercício do mandato, temos de nos respeitar, pois fomos eleitos pelo voto direto”.
O que significava exatamente “fazer o diabo”? Um friforó (free for all), no melhor estilo western? Porventura não estava no pleno exercício do seu mandato ao metralhar, ou desconstruir, a candidata que a ameaçava? O que significa hoje “fazer o diabo”?
Águas passadas: ano e meio depois, na véspera do renhido primeiro turno (que alguns esperam ser o único), vale a pena refletir sobre o nível de ensandecimento do confronto sucessório. Parte dessa exaltação decorre da explosiva mistura de religião com política que agora alcança uma veemência próxima do fanatismo. Outra parte vem da forte sensação de instabilidade fomentada pela renitente inflação, com o seu poder de ressuscitar fantasmas ainda não aposentados.
Impossível ignorar o terceiro componente da atual fervura, representado pelas revelações sobre os escândalos na Petrobras. Os sucessivos e crescentes espantos com o nível da corrupção nacional não se comparam ao impacto causado pelas denúncias e delações na empresa-símbolo nacional.
O corruptômetro atingiu seu limite máximo e, associado à simultânea descoberta do esquema de propinas no alto comando das tropas de elite da PM do Rio (outra entidade-símbolo), traz a roubalheira para perto da insegurança pessoal e alimenta uma indignação já não apenas cívica ou moral.
A candidata-presidente terá de agir com uma energia ainda não exibida nesses quase quatro anos de mandato. E isso já no day after, a próxima segunda-feira. Como no Brasil o candidato à reeleição não é obrigado a licenciar-se (o que seria uma boa solução – para isso existe o cargo de vice-presidente), alguma coisa impactante e consensual precisará ser feita além das “providências cabíveis”.
O espírito de junho de 2013 não foi desativado. Ao contrário, está em ponto de ebulição. O debate entre os candidatos na última quinta-feira, aparentemente civilizado, foi um show de enganações montado pelo conjunto de gênios do marketing político. Prodígio de virtualidade. Não revela o que há de real na fatigada sociedade cordial.
GAZETA DO POVO - PR - 04/10
A polarização extravasou as postulações, chegou à gramática e ao protocolo: apoiadores da candidata Dilma Rousseff consideram traição não referir-se a ela como “presidenta” enquanto seus adversários agarram-se à designação que consta na Constituição. A desavença vai além: para alguns, a “desconstrução” do oponente ameaçador é estratégia política válida; para outros, é uma forma velada de fraudar.
Nos últimos dias, diante da exaltação crescente, avulta nova controvérsia: este pleito é, ou não, o mais violento desde a redemocratização? De novo, os mesmos alinhamentos: enquanto os apoiadores da candidatura oficial exibem um clima de normalidade e respeito às regras e bons costumes, eleitores oposicionistas denunciam um escancarado vale-tudo.
A pendência remonta a abril de 2013, quando Eduardo Campos ensaiava os primeiros passos como candidato independente da base aliada e a presidente Dilma, em uma visita oficial à Paraíba, ofereceu uma de suas preciosidades retóricas: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição, mas quando se está no exercício do mandato, temos de nos respeitar, pois fomos eleitos pelo voto direto”.
O que significava exatamente “fazer o diabo”? Um friforó (free for all), no melhor estilo western? Porventura não estava no pleno exercício do seu mandato ao metralhar, ou desconstruir, a candidata que a ameaçava? O que significa hoje “fazer o diabo”?
Águas passadas: ano e meio depois, na véspera do renhido primeiro turno (que alguns esperam ser o único), vale a pena refletir sobre o nível de ensandecimento do confronto sucessório. Parte dessa exaltação decorre da explosiva mistura de religião com política que agora alcança uma veemência próxima do fanatismo. Outra parte vem da forte sensação de instabilidade fomentada pela renitente inflação, com o seu poder de ressuscitar fantasmas ainda não aposentados.
Impossível ignorar o terceiro componente da atual fervura, representado pelas revelações sobre os escândalos na Petrobras. Os sucessivos e crescentes espantos com o nível da corrupção nacional não se comparam ao impacto causado pelas denúncias e delações na empresa-símbolo nacional.
O corruptômetro atingiu seu limite máximo e, associado à simultânea descoberta do esquema de propinas no alto comando das tropas de elite da PM do Rio (outra entidade-símbolo), traz a roubalheira para perto da insegurança pessoal e alimenta uma indignação já não apenas cívica ou moral.
A candidata-presidente terá de agir com uma energia ainda não exibida nesses quase quatro anos de mandato. E isso já no day after, a próxima segunda-feira. Como no Brasil o candidato à reeleição não é obrigado a licenciar-se (o que seria uma boa solução – para isso existe o cargo de vice-presidente), alguma coisa impactante e consensual precisará ser feita além das “providências cabíveis”.
O espírito de junho de 2013 não foi desativado. Ao contrário, está em ponto de ebulição. O debate entre os candidatos na última quinta-feira, aparentemente civilizado, foi um show de enganações montado pelo conjunto de gênios do marketing político. Prodígio de virtualidade. Não revela o que há de real na fatigada sociedade cordial.
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