sexta-feira, setembro 26, 2014

Dilma e as cabeças cortadas - REINALDO AZEVEDO

CONTRA DILMA MIOLO MOLE, VOTO AÉCIO 45




FOLHA DE SP - 26/09


Presidente propõe diálogo com terroristas que, para convencer, degolam, crucificam e estupram


Uma qualidade não se deve negar a Dilma Rousseff: é transparente. Não por virtude, mas por falta de talento; não por convicção, mas por falta de imaginação; não por apreço à verdade, mas por falta de discernimento. A entrevista que ela concedeu na terça (23) --em que censurou os ataques dos EUA e aliados às bases do Estado Islâmico-- e o discurso feito na abertura da Assembleia Geral da ONU, na quarta, em que reafirmou esse ponto de vista, restarão como ilustrações da miséria sincera a que chegou a política externa brasileira sob o petismo.

E olhem, se me permitem a digressão, que este que escreve nunca foi vítima do "oba-obamismo". Ao contrário. O agora presidente dos EUA, quando ainda candidato, já me parecia um faroleiro enfatuado, um "poser", um produto mal-acabado do marketing. Se alguém tiver a paciência de escarafunchar o meu blog, encontrará lá algumas antevisões do desastre que este senhor provocaria no Oriente Médio e áreas próximas. Sempre considerei que Obama ainda faria George W. Bush parecer um homem sensato. Infelizmente, as minhas piores expectativas se cumpriram.

O leitor que fizer a pesquisa irá constatar que nunca acreditei numa "Primavera Árabe"; que sustentei que o Egito, sem Mubarak, se tornaria ou uma tirania islâmica ou retornaria à ditadura militar; que, à queda de Gaddafi, na Líbia, sobreviria o caos terrorista no Sahel; que flertar com a deposição do carniceiro (claro que é!) Bashar al-Assad, na Síria, abriria as portas do inferno.

Por razões várias, eu havia dedicado parte do meu tempo imberbe --numa adesão extemporânea a Camus na briga com Sartre-- à leitura sobre os desastres que se sucederam ao fim do colonialismo francês na Argélia. A democracia e a razão não caem da árvore da vida, como a lei da gravidade. Esta, para existir, independe da nossa adesão a seus fundamentos --maçãs continuarão a ser atraídas pelo chão. As outras duas são construções valorativas. Existe um lugar para o indivíduo no Islã? Então me mostrem! Fim da digressão.

Ainda que Dilma, então, fosse movida por um ceticismo prudente sobre a eficácia dos ataques às bases terroristas do Estado Islâmico, outra deveria ser a sua fala. Criticar a ação militar em nome do "diálogo" ultrapassa a linha que caracteriza a delinquência intelectual, política e moral. A presidente conferiu o status de interlocutores aceitáveis a terroristas que adotam como método de convencimento a degola, a crucificação e o estupro.

Com quem Dilma gostaria de dialogar? Ela se sentaria à mesa com o "califa" Abu Bakr al-Baghdadi, um autoproclamado descendente do profeta Maomé, criminoso contumaz que só está em liberdade em razão de um imperdoável cochilo das forças americanas no Iraque, que o fizeram prisioneiro em 2004 e depois o libertaram? Deve-se conferir a esse facínora o status de chefe de Estado, de quem se espera e ao qual se fazem concessões, como numa negociação convencional qualquer?

Enquanto Dilma discursava na ONU, um grupo ligado ao Estado Islâmico divulgava um vídeo com uma nova decapitação --desta vez, na Argélia, aquela mesma da minha juventude cética. Dilma é uma mulher convicta. Não é do tipo que permite que os fatos conspurquem seus princípios.

Papel de centroavante não é o de fazer gols - FERNANDO GABEIRA

PARA NÃO DÁ UM CHUTE NOS OVOS DE DILMA, VOTO AÉCIO 45



O ESTADO DE S.PAULO - 26/09

Dilma Rousseff não para de nos surpreender. Agora disse que o papel da imprensa não é o de investigar, mas, sim, divulgar as informações que produzem os órgãos do governo.

Minha surpresa é maior ainda. Dilma apresentou a Lei de Acesso à Informação, depois de longo trabalho da Associação Brasileira do Jornalismo Investigativo. A lei foi impulsionada pelo trabalho do jornalista Fernando Rodrigues, que sugeriu a criação de uma frente parlamentar, monitorou todas as reuniões da comissão da Câmara que analisou o projeto, organizou seminários e trouxe gente de vários países para falar sobre o tema. Por que tanto empenho dos repórteres na aprovação de uma lei de acesso? O próprio nome de sua entidade é uma pista que Dilma não poderia desprezar: jornalismo investigativo.

Dizer que a imprensa não deve investigar é o mesmo que dizer que um centroavante não deve fazer gols. É uma frase absurda até para quem não conhece bem o futebol. E absurda para quem conhece o papel histórico da imprensa. A geração de Dilma acompanhou o escândalo do Watergate, que encerrou a carreira de Richard Nixon. Ela sabe disso e usou o tema para dizer que sua frase foi interpretada erroneamente. Com um pedacinho de papel na mão, ela tentou consertar o desastre.

Poderia passar o dia citando casos de importantes investigações da imprensa. Prefiro mencionar os casos de governos que pensam que esse não é o papel dos jornalistas. Vladimir Putin, por exemplo, também acha que o papel da imprensa não é investigar. A jornalista Anna Politkovskaia resolveu investigar o trabalho das tropas russas na Chechênia e foi assassinada. Sua morte chamou a atenção do mundo para a repressão contra a imprensa na Rússia.

A China expulsa correspondentes estrangeiros com frequência, ora por tentarem entrar em áreas proibidas no Tibete, ora por mencionarem a fabulosa riqueza pessoal dos burocratas que dirigem o país. E o jornal cubano Granma jamais vai investigar de forma independente um desmando do governo porque o castigo é desemprego, prisão e até pena de morte.

O jornalistas brasileiro Vladimir Herzog foi morto sob tortura durante o regime militar não tanto porque investigou, mas talvez porque só desconfiasse ativamente das notas oficiais da ditadura. No governo do PT não se persegue ou mata jornalista, dirão seus defensores. Mas não deixa de ser inquietante suspeitar que isso não se faça agora só porque a correlação de forças não permite. Um dirigente petista chamado Alberto Cantalice fez uma lista de nove jornalistas que considera inimigos, preocupando as entidades do setor aqui e fora do Brasil.

A frase de Dilma pode ser considerada um ato falho. Os intelectuais que se mantêm fiéis ao esquema, apesar das evidências de sua podridão, sempre vão encontrar uma forma de atenuar essa barbaridade. E os marqueteiros, um pequeno texto para convencer de que ouvimos mal o que Dilma disse. Os ato falhos, tanto em campanha como fora dela, são extremamente didáticos. No caso, a frase de Dilma revela com toda a clareza o pensamento autoritário da presidente: cabe ao governo produzir as informações e à imprensa divulgá-las ou até criticá-las, o que os jornalistas não podem é buscar os dados por conta própria.

Numa célebre intervenção sobre a espionagem americana, Dilma contou ter dito a Barack Obama: "Quando a pasta de dente sai do dentifrício, não pode mais voltar". Certas frases, quando escapam, têm o mesmo destino do creme dental: não podem voltar para o tubo, que é o artefato que Dilma queria mencionar ao dizer dentifrício. Espero que Obama a tenha entendido, com a mediação dos intérpretes. Creio que a entendo muito bem quando diz que o papel da imprensa não é investigar.

O governo petista pôs o Congresso de joelhos e alterou substancialmente a correlação de forças no Supremo Tribunal. Ele considera que a ocupação de todos os espaços vai garantir-lhe não só governar como quiser, mas o tempo que quiser. Porém a imprensa e as redes sociais ainda escapam ao seu controle. E creio que escaparão sempre, pois o País está dividido. O que mantém tudo funcionando é a existência de gente curiosa, que lê, troca informações e gosta de ser informada por órgãos independentes do governo. Mesmo se Dilma for reeleita, com sua truculência mental, uma considerável parte do Brasil que rejeita os métodos e o discurso do PT continua por aí, cada vez mais forte e mais crítica.

Apesar da alternância democrática, certos governos podem durar muitos anos. Mas creio ser impossível se perpetuarem quando têm a oposição das pessoas que prezam a liberdade.

Liberdade de quê?, perguntariam. Consumir mais, melhorar a renda não ampliam a liberdade? Ao se impor na Franca, o socialismo de Jean Jaurès e, mais tarde, de Léon Blum dizia que a justiça política tinha de se acompanhar da justiça econômica. Blum era um fervoroso e racional defensor da República. O PT inventou que seus opositores não gostam de pobre em aviões ou em shopping centers, que a oposição ao seu governo é fruto de intolerância classista.

Exceto um ou outro idiota, ninguém é contra a presença de pobres em aeroportos ou shoppings. O PT deturpou a ideia de República. Em nome de melhorias econômicas, armou o maior esquema de corrupção da História e agora flerta abertamente com a supressão da liberdade de imprensa. Ele usa uma aspiração republicana para sufocar as outras e seu líder máximo, amarfanhado, se veste de laranja para defender de inimigos imaginários a Petrobrás, que o próprio governo assaltou. Suas farsas estão mais grotescas e os atos falhos, mais inquietantes.

Sou do tempo do mimeógrafo. Ainda que consigam devastar a imprensa e proibir a internet, publicações clandestinas seguirão contando a história. Não faremos comissões futuras para investigar a verdade. Vamos conquistá-la aqui e agora, porque, como diz Dilma, a pasta saiu do dentifrício, ou o dentifrício saiu da pasta. Só não vê quem não quer ou é pago para confundir.

Estranho, mas não tenho nenhum medo de governos autoritários. Apenas uma sensação de tristeza e preguiça por ter de voltar a esses temas na segunda década do século 21.

Zero noção de Estado - DORA KRAMER

CONTRA DILMA ISLÂMICA, VOTO AÉCIO 45




O ESTADÃO 26/09



Realmente o governo brasileiro não dá a mínima para o Brasil. Interessa-lhe única e exclusivamente a plataforma de poder, a máquina para fazer política, assegurar empregos e outros que tais cujos detalhes o fim da fase do segredo de Justiça poderá esclarecer.

Tivessem algum apreço pelo País, a presidente Dilma Rousseff e os que a cercam teriam pensado duas vezes (ou quantas fossem necessárias) antes de levar um discurso de cunho partidário à abertura da Assembleia-Geral da ONU, evitando também no campo internacional a proposição de "diálogo" com gente que não conversa, degola.

À presidente da República não parece ter ocorrido nem por um minuto que estaria ali na representação de um País e seu posicionamento no mundo. Foi à Organização das Nações Unidas com o mesmo espírito com que se dirige a um encontro do PT, à biblioteca do Palácio da Alvorada, ao canteiro de obras do Rio São Francisco ou onde grave sua participação no horário eleitoral da televisão ou recite a cantilena sobre a história do partido que salvou o Brasil.

Ainda que fosse tudo verdade, que tudo caminhasse àquelas maravilhas por ela contadas, que o dito combate à corrupção não se expressasse em repetidas operações "abafa", que o País tivesse sido inventado há 12 anos, não caberia à presidente aproveitar-se da tribuna da ONU para produzir cenas às câmeras de João Santana.

Não é bom nem imaginar qual terá sido a avaliação dos chefes de Estados ali presentes diante de uma presidente exclusivamente concentrada em enaltecer a si de maneira provinciana e, sobretudo, sectária na medida em que não falou como porta-voz do Estado brasileiro, uma instituição permanente, preferindo se colocar como porta-bandeira de uma corrente partidária em episódio transitório que se encerra dentro de um mês.

A presidente já havia deixado de lado a compostura quando chancelou o uso da mentira na campanha e aceitou vocalizar indelicadezas contra uma adversária. Na ONU, não desencarnou da candidata. No dia a dia, deixou em segundo plano suas funções. Ocupada com seus afazeres eleitorais, há tempo não recebe embaixadores que esperam para apresentar suas credenciais a fim de exercer a representação dos respectivos países. Já são 28, noticia O Globo.

Poderia até ser um exemplo menor, mera falta de cortesia, se o constrangedor discurso nas Nações Unidas não tivesse deixado patente que o governo brasileiro só tem olhos e põe realmente as mãos à obra quando o assunto é eleitoral.

Falo, não faço. A displicência com que o ex-presidente Lula trata o convite da Polícia Federal para que deponha como testemunha em um dos inquéritos ainda restantes do mensalão não combina com a maneira incisiva com que a presidente Dilma vem abordando a questão do combate à corrupção.

O assunto entrou na campanha depois do acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Desde então, a presidente tem acentuado que os governos do PT foram dos mais combativos e mais ativos na criação de controles. Segundo ela, só há tantos escândalos porque a corrupção passou a ser combatida.

Ocorre que desde fevereiro a PF tenta sem sucesso ouvir Lula sobre uma denúncia feita por Marcos Valério de Souza a respeito de um repasse de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. O advogado Márcio Thomaz Bastos posterga o depoimento e Lula trata o tema com ironia. "Só se você me convidar", respondeu à jornalista que o indagou a respeito nesta semana.

Como não está intimado, não é obrigado a comparecer. Paulo Okamoto, um de seus assessores, diz que depois das eleições "talvez" o ex-presidente compareça. De onde se conclui que a disposição para colaborar com o combate à corrupção não é ampla, geral e muito menos irrestrita. Tem seus limites.


Pronta a persistir nos mesmos erros - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

AÉCIO PRESIDENTE 45




O GLOBO - 26/09

Não se vê, no discurso da presidente Dilma, o mais tênue sinal de disposição para corrigir o rumo da política econômica


Aos trancos e barrancos, o governo chega ao primeiro turno da eleição presidencial com a economia fazendo água por todos os lados. Apesar do represamento do câmbio e dos preços de energia létrica e combustíveis, a inflação em 12 meses rompeu o teto de tolerância da meta. Em queda há 17 semanas, a mediana das expectativas de crescimento do PIB em 2014 já não passa de mísero 0,3%. Com o saldo da balança comercial praticamente zerado, o déficit em conta corrente deste ano deverá ser de mais de US$ 80 bilhões, ou 3,5% do PIB. E, na esteira de um longo processo de perda de credibilidade do registro das contas fiscais, o resultado primário do setor público em 2014, extirpado de receitas e despesas não recorrentes, deve ser inferior a 0,5% do PIB. Mesmo quem nunca nutriu ilusões sobre o que esperar desse governo jamais imaginou que o desastre pudesse atingir tais proporções.

O que é especialmente desanimador é que não se vê, no discurso da presidente Dilma, o mais tênue sinal de disposição para corrigir o rumo da política econômica, à luz dos equívocos cometidos nos últimos anos. A impressão que se tem é que a intenção da candidata à reeleição é dobrar a aposta e persistir nos mesmos erros, na vã esperança de que o desempenho da economia no segundo mandato acabe por lhe dar razão.

O que o Planalto contemplava era poder conduzir a campanha da reeleição no mundo encantado de João Santana, ao largo de qualquer discussão mais séria sobre o desempenho da política econômica. Mas a rápida deterioração do quadro econômico, as críticas dos demais candidatos e o assédio da mídia vêm tornando essa estratégia cada vez mais difícil. E deixando claro que a presidente não tem qualquer proposta articulada de reorientação da política econômica, para fazer face às dificuldades que vêm sendo enfrentadas.

É o que ficou evidente na entrevista concedida por Dilma Rousseff no programa “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, que foi ao ar na manhã de segunda-feira. Instada pelos entrevistadores a esclarecer como pretende reverter o quadro de estagnação e inflação alta, caso seja reeleita, a candidata gastou nada menos que oito minutos em uma resposta repleta de evasivas, subterfúgios e rodeios, da qual pouco ou nada se salva.

Na resposta, a presidente se aferra ao diagnóstico turrão — e conveniente — de que não há nada de errado com sua política econômica e que tudo decorre da crise econômica mundial. Como “a situação do mundo está extremamente problemática”, o país “está na defensiva em relação à crise internacional”, empenhado em “proteger emprego, salário e investimento”. Não houve a mais leve menção ao fato de que, não obstante esse suposto empenho, o investimento está em queda há quatro trimestres.

Pressionada pelos entrevistadores a ser mais específica, Dilma revela, afinal, que sua ideia é “apostar numa retomada”. E apressa-se em esclarecer que “na retomada, você muda a sua política econômica de defensiva para ofensiva” e que “eu posso, na retomada, gastar menos para sustentar emprego, salário e investimento”. Mas logo recua: “Só que investimento eu tenho de manter.” Se não, “eu comprometo emprego e salário”.

“Então o que nós achamos?”, indaga Dilma. “Nós achamos que a gente tem de ver como é que evolui a crise”, pois, “se ela evoluir para uma situação um pouco melhor”, o país “pode entrar em uma outra fase, que precisa menos estímulos”, “pode ficar mais entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”.

Parece difícil de acreditar, mas não foi mais do que isso que a candidata a presidente que, com folga, lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno, tinha a dizer sobre como pretende lidar com os sérios desafios de política econômica que o país tem pela frente.

Se o leitor não teve oportunidade de ver a entrevista, pode recorrer ao site do programa, onde estão disponíveis tanto o vídeo como a transcrição. É imperdível.

A herança - CELSO MING

CONTRA O BAIXO CRESCIMENTO ECONÔMICO, VOTO AÉCIO 45




O ESTADÃO - 26/09



Este governo deixará uma herança maldita para o próximo, que pode ser ele mesmo. Disso discorda apenas o atual governo.

É um legado de encrencas econômicas, grandes e pequenas, algumas de solução complicada que tendem a se complicar ainda mais.

Para enfrentá-lo são necessárias duas posturas preliminares. A primeira é reconhecer a existência das distorções. A seguinte é assumir responsabilidades. São exigências que se sobrepõem: quando não há esse reconhecimento também não se reconhece a responsabilidade sobre elas.

O sintoma de que a economia passa por problemas de saúde é do conhecimento geral. Se fosse uma ficha médica, lá estaria anotado o crescimento mísero do PIB que não passará da média de 1,63% nos últimos quatro anos (inclusive este), acompanhado por uma inflação excessiva, investimento em queda livre, desarranjo crescente nas contas públicas, rombo nas contas externas e uma indústria enfraquecida.

Diante desse quadro, a atitude básica do governo Dilma é a de que não há o que fazer, porque o centro da crise está fora do alcance das políticas públicas, na medida em que foi gerado pelos problemas globais. No entanto, esse balanço não é o resultado da crise externa, como tanto se ouve do ministro da Fazenda. É consequência das escolhas de política econômica que não levaram em conta a conjuntura de crise, uma vez que havia o entendimento de que a economia brasileira vinha relativamente imunizada contra os efeitos da retração global: “Chega aqui como uma marolinha”– havia se gabado o presidente Lula.

Os estímulos ao consumo foram excessivos, os investimentos pararam e a competitividade do setor produtivo caiu. Além disso, o governo deixou que as despesas públicas disparassem, que a inflação passasse do ponto e depois fosse combatida com instrumentos inadequados como o represamento de tarifas e do câmbio. O resultado é a desarrumação dos fundamentos da economia, agravada pela crise de confiança.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pareceu apontar para uma virada ao avisar que uma derrubada dos juros, essencial para a redução dos custos das empresas, passará por um aperto da política fiscal (administração das contas públicas). Mas ele não estará mais à frente do Ministério no próximo governo. E, até agora, da presidente Dilma só se ouviram críticas aos que pedem mais austeridade.

De todo modo, o novo governo não enfrentará só a herança de uma economia desarrumada, num momento de crise global ainda não superada. Terá pela frente uma conjuntura com duas novas adversidades impostas pela economia internacional e outras três impostas pela dinâmica interna.

Da economia global virá uma temporada de baixa prolongada dos preços das commodities, que pesam cerca de 50% nas exportações; e relativa escassez de moeda estrangeira, na medida em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) passará a retirar dólares da economia.

Além do raquitismo dos investimentos, a economia interna terá de lidar com mais duas limitações: incertezas no suprimento de energia elétrica e escassez relativa de mão de obra, especialmente a qualificada. São fatores escassos mesmo com esse PIB mirrado. E tanto mais escassos ficarão quanto maior vier a ser o avanço do PIB.

CONFIRA:

Evolução nos últimos 12 meses, do índice de desocupação medido pelo IBGE em seis regiões metropolitanas do Brasil. Em agosto, o índice ficou em 5,0%.

Depois da greve
Após quatro meses sem divulgar os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) por causa da greve dos servidores, saíram nesta quinta-feira, além do resultado de agosto, também os de maio, junho e julho. Nesta ordem, os índices de desocupação foram de 4,9%, 4,8% e 4,9%. A situação continua sendo de pleno-emprego, como está no texto ao lado.

Governo não vê erros e aposta na recuperação - CLAUDIA SAFATLE

CONTRA O OBSCURANTISMO VERMELHO, VOTO AÉCIO 45



VALOR ECONÔMICO - 26/09



O governo não vê nada de errado com a política econômica que adotou nos últimos três anos. Ao rejeitar a existência de equívocos que teriam levado o país ao baixo crescimento e alta inflação ele não está recorrendo a um discurso eleitoreiro que, encerrada a disputa, será revisto caso a presidente Dilma Rousseff conquiste o segundo mandato. A negação é fruto da genuína convicção da presidente e do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ambos estão seguros de que o que derrubou a atividade econômica no país foi a crise internacional que começou em 2008/2009, aprofundou-se em 2011 na zona do euro e esgotou todas as fontes de dinamismo das economias maduras. A recuperação nos países ricos, portanto, trará de volta a expansão da atividade doméstica. A confiança dos empresários, segundo o ministro, também foi minada pela desaceleração econômica e não pelas ações do governo.

Ontem, de Feira de Santana, na Bahia, Dilma assegurou que "não é necessário um ajuste fiscal profundo" tal como seus adversários apregoam.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda explicou, em entrevista ao Valor, que "2015 será um ano de ajuste fiscal nos moldes de 2011", quando o governo teve que fazer um contingenciamento de R$ 50 bilhões do gasto público para cumprir a meta de superávit primário de 3,1% do PIB. Dessa vez, segundo ele, o esforço fiscal será de menor magnitude, pois a meta fiscal é de 2% e 2,5% do PIB. "Mas vamos segurar a despesa."

Há uma enorme distância entre 2015 e 2011 quando a economia vinha de um crescimento de 7,5% em 2010. O corte na despesa em 2015, ano em que o crescimento continuará baixo, tende a ser mais doloroso do que em 2011. Fica, porém, a dúvida sobre o que Dilma considera "profundo".

Ela e Mantega atribuem grande parte da fragilidade da economia brasileira ao baixo crescimento nos Estados Unidos e na zona do euro. Ele cita estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que considera a economia mundial responsável por 60% do crescimento no Brasil. Os 40% restantes o ministro explica pela expansão do mercado interno, mas a falta de crédito para o consumo compromete essa performance.

Assim que os bancos privados liberarem mais o crédito para consumo, a economia americana firmar uma trajetória de recuperação e a Europa reagir aos estímulos fiscais esperados, que o ministro espera que sejam fortes, o Brasil voltará a crescer. "Lá [na Europa] eles têm que adotar uma política keynesiana", advoga.

O marco da mudança na macroeconomia, que já vinha sobre bases mais frouxas desde 2009, foi o segundo semestre de 2011. A taxa Selic, que subia desde o início daquele ano, foi revertida em agosto e passou a cair. Para tanto, o governo reforçou a meta fiscal com o excesso de receita de R$ 10,9 bilhões, A taxa de câmbio passou de R$ 1,67 para R$ 1,88 com a imposição de IOF sobre capital externo. No fim de 2012, os juros já eram de 7,25% ao ano, o superávit havia caído e o câmbio se desvalorizado.

Chega-se a setembro de 2014 em situação diversa: os juros de 11% ao ano, a meta fiscal derreteu para 1,9% do PIB e não será cumprida, o dólar subiu para a casa de R$ 2,40. Economistas da oposição calculam que superávit recorrente das contas públicas (que independe de receitas extraordinárias) é, hoje, próximo a zero. Sair de zero para 2% do PIB é um desafio de bom tamanho.

No último ano do governo Dilma, a expectativa é que a política econômica produza um crescimento de 0,5% e a inflação fique na casa dos 6,2%. Se isso se confirmar, o crescimento médio nos quatro anos de mandato terá sido de cerca de 1,6% a 1,7% e a inflação média ao redor de 6%. Uma performance que desaponta.

Enquanto os economistas críticos do governo identificam problemas graves na condução da economia, que levaram o país à recessão no primeiro trimestre deste ano, Mantega avalia que a retração da atividade foi pontual, fruto de uma conjunção de eventos transitórios, e que no segundo semestre os dados virão melhores.

"Não há recessão nem estagnação", sentencia Mantega. "A economia está sólida", garante. Seus argumentos: o mercado interno está intacto, a massa salarial cresce menos, mas cresce, o investimento estrangeiro direto chegou a US$ 67 bilhões, a bolsa de valores andou subindo e há oferta de emprego.

Os riscos apontados para a frente - com estagnação, recessão e desemprego - se não houver uma mudança no mix da política econômica, retomada das reformas e correção dos preços defasados, dentre outras ações defendidas por vários economistas, não são referendados pelo governo.

Mantega admite a necessidade de uma recuperação gradual do superávit primário para permitir redução dos juros, mas não concorda com a redução do papel dos bancos públicos nem com mudanças na concepção da política industrial. "Sem o conteúdo nacional", uma das críticas entre tantas outras à política industrial, "não teríamos a indústria naval", diz ele.

Em meio ao debate com os contornos da campanha eleitoral, o fato é que nada do que foi feito nos últimos anos, nem mesmo os quase R$ 500 bilhões colocados nos bancos públicos para financiar a economia, foi capaz de sustentar a expansão do investimento. Encerrou-se um ciclo de forte expansão da demanda que não foi substituído pelo crescimento da oferta. A produtividade da economia não cresce desde 2011 e a taxa de investimento retrocedeu.

Nos três primeiros anos da gestão Dilma houve uma acentuada queda da produtividade do capital, de menos 1,6% ao ano; e a produtividade do trabalho cresceu menos, de 2,1% para 1,4% ao ano, descrevem os economistas Fernando de Hollanda Barbosa e Samuel Pessôa no texto "Desaceleração Recente da Economia". O trabalho é parte da agenda "Sob a Luz do Sol", uma coletânea de diagnósticos e propostas para o país elaborada por profissionais reunidos no Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

Os autores arriscam um palpite: "Uma possível conjectura é que o enorme intervencionismo do setor público que se iniciou de forma mais pesada em 2009 tenha reduzido muito a produtividade incremental do capital em função, provavelmente, de má alocação do recurso".

Um surto de tremedeira - EDITORIAL O ESTADÃO

CONTRA A QUADRILHA PETISTA, EU VOTO AÉCIO 45



O ESTADO DE S.PAULO -26/09



Os políticos andam especialmente nervosos nestes dias - e não é porque está se entrando na reta final da campanha para as eleições de 5 de outubro. A inquietação vem do que e quando o megadoleiro Alberto Youssef contar da história escabrosa do envolvimento de ilustres representantes da elite do poder em falcatruas para ninguém pôr defeito. Preso há seis meses graças à Operação Lava Jato, da Polícia Federal - que apanhou também o ainda mais notório diretor de abastecimento da Petrobrás entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa -, Youssef é suspeito de ter branqueado algo como R$ 10 bilhões. A dinheirama percorria os conhecidos caminhos dos contratos superfaturados, tráfico de influência, pagamento de propinas e remessas para o exterior. O próprio Costa despachou para a Suíça uma bolada de US$ 23 milhões.

Imitando o petrocrata, que teria identificado uma trintena de figurões do governo e do Congresso Nacional que se esbaldaram no interminável carnaval de corrupção, o seu amigo e parceiro Youssef também achou que era o caso de fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no Paraná, onde está detido. Réu em nada menos de nove ações, foi convencido pela família a entregar a clientela não na esperança de ser libertado, o que motivou Costa, mas de não encanecer na cadeia. É o máximo que pode pretender, porque descumpriu a promessa de mudar de vida quando fez um acerto do gênero há 10 anos, no escândalo do Banestado - e isso não ficará de graça. Na quarta-feira, ao se divulgar que ele prestou o primeiro do que decerto será um extenso rol de depoimentos, um surto de tremedeira percorreu gabinetes políticos e escritórios executivos.

Como se o jogo tivesse sido combinado, nesse mesmo dia o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou as conclusões de uma auditoria em quatro contratos assinados pela Petrobrás com consórcios liderados por gigantes do ramo da construção pesada, como as empreiteiras Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht, relativos a obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A instalação, que começou a ser construída em 2007 para operar a partir de 2011, é um poço sem fundo de lama. O projeto foi um presente que o então presidente Lula pretendeu dar para o caudilho venezuelano Hugo Chávez, que só entrou no negócio com a sua assinatura, ficando tudo mais por conta do Brasil, aos diligentes cuidados de Paulo Roberto Costa. Ainda sem data para ficar pronta, a obra é um portento de dinheiro desviado. Era para custar US$ 2,5 bilhões. Já engoliu US$ 20 bi - e a contagem continua.

Agora, a mais recente perícia do TCU aumentou em R$ 367 milhões a lambança de gastos superfaturados. Os citados consórcios se beneficiaram, segundo o órgão, de "desequilíbrio econômico e financeiro em desfavor da Petrobrás", do que haveria "fortes indícios", assim como no caso de "pagamentos indevidos" às construtoras. "Os pesos adotados na fórmula de reajustes dos contratos", relatou o ministro José Jorge, "não retratariam a variação dos custos de produção decorrente da inflação no período." Os reajustes mais gravosos ocorreram no quesito mão de obra, com variações da ordem de 70% a 80%. Daquele total, a estatal já desembolsou R$ 242 milhões. Os R$ 125 milhões restantes seriam pagos até maio do próximo ano. Mas o TCU aprovou uma medida cautelar obrigando a contratante a adotar uma nova tabela de preços para pôr os valores nos seus devidos termos.

Por dever de ofício e com algum otimismo, o relator disse esperar "uma melhoria dos procedimentos internos da Petrobrás relativamente à delimitação das condições de reajustes pactuadas em suas contratações de obras". O retrospecto dessa dezena de anos em que a maior empresa brasileira foi sendo gradativamente transformada numa extensão do aparato petista de poder desautoriza, porém, prognósticos de purificação cabal dos procedimentos na petroleira. Isso, mesmo tomando pelo valor de face a propalada preocupação com a lisura da atual diretoria executiva, comandada pela presidente Graça Foster. Fica a expectativa de que os efeitos das delações da dupla Costa & Youssef justifiquem o nervosismo de todos quantos empanzinaram o seu patrimônio à custa do País.

Os tropeços na ONU - EDITORIAL ZERO HORA

DILMA É FAVORÁVEL A DECAPITAÇÃO DE JORNALISTAS PELO IE, EU SOU CONTRA,  POR ISSO VOTO AÉCIO 45




ZERO HORA - 26/09


O Brasil real e o país idealizado estiveram presentes, lado a lado, na sessão de abertura da ONU, em Nova York, nos vários aspectos abordados no discurso da presidente da República. Disse a senhora Dilma Rousseff que os brasileiros percebem os avanços sociais representados pelo que definiu como “uma sociedade inclusiva”. Ao mesmo tempo, exaltou no pronunciamento uma política econômica que teria controlado gastos públicos, estabilizado a inflação, proporcionando crescimento e produzido _ também nas palavras da presidente _ “uma economia moderna”. Para as lideranças presentes à solenidade, o Brasil apresentado seria uma nação que, apesar da crise mundial, projetou-se à condição de sétima economia mundial. Trata-se de um retrato que deveria ser relativizado.
É da tradição que o discurso inaugural da sessão da ONU, concedido a um brasileiro, seja uma oportunidade única de exaltação das virtudes do país. Mas, desta vez, o quadro exibido não teve muita conexão com a realidade. Acerta a presidente ao destacar que o Brasil pode contabilizar conquistas importantes, decorrentes de políticas sociais implementadas não só pelos últimos dois governos, mas há evidente exagero em ressaltar as qualidades de uma política econômica que vem fracassando na tentativa de reverter resultados pouco animadores.
O Brasil que retira famílias da miséria é o mesmo país incapaz de superar dificuldades estruturais, nem sempre resultantes do cenário internacional. Nações sem nosso potencial econômico já começaram a reagir aos estragos da quebradeira de seis anos atrás, enquanto continuamos estagnados. Ao contrário do que afirmou a presidente na ONU, ainda somos relapsos no enfrentamento das deficiências da infraestrutura e no atendimento de expectativas básicas de quem produz.
O sentimento de parcela expressiva do Brasil privado, que não apareceu no discurso de tom eleitoral na ONU, é de perda de confiança nas políticas oficiais e de insegurança em relação a projetos de médio e longo prazos. A economia travada pelos erros governamentais e pela desconfiança do setor produtivo poderia ter aparecido, em nome da fidelidade aos números e à realidade, sem muitos retoques em Nova York. Também é lamentável que, no discurso e em coletiva, a presidente tenha reafirmado a condução errática da política externa brasileira, ao condenar as ações militares contra os bárbaros do Estado Islâmico e, para surpresa da comunidade internacional, defender que os extremistas sejam tratados com diplomacia. Pelo conjunto, a presença do Brasil no evento pode ser resumida como uma sucessão de constrangimentos e equívocos.

Um erro nada banal - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

CONTRA A PETIZAÇÃO DO ESTADO, EU VOTO AÉCIO 45



GAZETA DO POVO - PR - 26/09


Correção na Pnad é apenas um sintoma de uma doença que se alastra pela máquina do Estado



Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teve de fazer uma humilhante “errata” sobre os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Os dados divulgados originalmente apontavam aumento na desigualdade no país em 2013, mas os números revisados indicavam uma queda mínima. Questionada sobre o assunto, a presidente Dilma Rousseff saiu-se com mais uma de suas recentes pérolas que fazem pensar na avaliação do ex-centroavante e agora deputado federal Romário – “Pelé calado é um grande poeta”, disse, uma vez, sobre o Rei do Futebol. No domingo passado, Dilma, que já tinha tentado consertar uma declaração infeliz sobre o papel da imprensa, objeto de nosso editorial de terça-feira, disse que o erro do IBGE era “banal”.

É de se questionar: é realmente “banal” tal engano em uma que é das mais importantes pesquisas desenvolvidas pelo instituto? Ora, a Pnad não é algo feito da noite para o dia, no improviso. Ainda que por “banal” a presidente quisesse dizer que não se tratava de erro intencional, mas um acidente (logo após usar a expressão, Dilma disse: “Não tem uma conspiração de alguém que queria... Pelo menos é o que parece”), seria “banal” um erro de leitura do termômetro que levasse o médico a aplicar doses maiores ou menores num paciente necessitado de um antitérmico? Supõe-se que o IBGE, ao aferir e dimensionar os êxitos ou as carências socioeconômicas, deva suprir as autoridades de dados confiáveis e capazes de direcionar as políticas públicas mais adequadas. Portanto, leituras erradas da situação ou mesmo a insegurança que passou a viger no âmbito do instituto não podem ser classificadas de “banais” – a menos que o organismo já nem mais seja levado em conta para a tomada de decisões cruciais para a vida da população.

O IBGE, no entanto, não é a única instituição cuja tradicional excelência do trabalho e da independência política com que o exercia está em xeque nesses últimos anos – só em 2014 houve greves e acusações de interferência política no órgão. Infelizmente, o IBGE é apenas mais um no rol de tantas outras instituições sobre as quais repousavam os mais altos índices de confiança e cuja decadência acelerada coincide com os tempos de aparelhamento político iniciados há 12 anos – verdadeiro câncer a provocar metástases de consequências fatais.

Da Petrobras, maior estatal brasileira e uma das maiores petrolíferas do mundo, já se falou muito ao longo deste ano, e nunca parece ser suficiente, tanta a corrupção instalada em seus desvãos e a perda de eficiência nas suas atividades-fins. Mas também é possível incluir na lista o Itamaraty: nosso serviço diplomático, que um dia já foi referência mundial de equilíbrio e sensatez, hoje vive subordinado a conveniências ideológicas (isso quando não se torna mero coadjuvante do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, a ponto de muitos se perguntarem se ele não estaria acima do ministro das Relações Exteriores); não surpreende que o país tenha recebido a alcunha de “anão diplomático” semanas atrás. Também antigamente sempre colocados no topo dos indicadores de confiança, os Correios hoje sofrem do mal do descrédito – já não se sabe se a correspondência chegará no prazo, nem quanto tempo durará a próxima greve dos carteiros.

De eficiente mesmo, atualmente, na máquina pública, se encontra quase que tão-somente a Receita Federal, o órgão arrecadador que garante alimento cada vez mais abundante para que tudo o mais funcionasse a contento. Não é o que acontece. E isso, para quem paga impostos e espera receber do Estado os melhores serviços, não é nada banal.

Polêmica magra - EDITORIAL FOLHA DE SP

AÉCIO 45 É O MEU VOTO!


FOLHA DE SP



Congresso e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) envolveram-se numa polêmica imatura em torno da liberação de medicamentos usados para emagrecer.

Em 2011, a agência baniu do mercado as anfetaminas e restringiu a venda da sibutramina, duas classes de inibidores de apetite. No início deste mês, contudo, o Legislativo suspendeu a proibição.

Se a disputa tivesse se restringido a esses dois movimentos, nada haveria de anormal. Ocorre que a Casa parlamentar, ao justificar sua decisão, flertou com o ridículo: alegou que a agência extrapolou sua competência legal.

As responsabilidades da Anvisa, no entanto, estão definidas em norma aprovada pelo próprio Congresso Nacional. Segundo a lei 9.782, de 1999, duas das principais funções da agência são justamente cancelar o registro de medicamentos que entenda como prejudiciais à saúde (art. 7º, XV) e promover o sistema de vigilância farmacológica (art. 7º, XVIII).

Como reação ao recém-editado decreto legislativo, diretores da Anvisa anunciaram novas exigências burocráticas relativas aos inibidores de apetite.

A atitude é pouco republicana. Ainda que discordem dos parlamentares, não podem, como membros da administração pública, deixar de seguir orientação de estrutura hierarquicamente superior --e, nesse caso, constituída pelos representantes da população.

No que diz respeito ao mérito do banimento dos anorexígenos, ambas as partes têm razão.

A Anvisa acerta ao afirmar que, no agregado, anorexígenos em geral, sobretudo as anfetaminas, apresentam resultados muito modestos, quando não nulos, no controle da obesidade e trazem o risco de graves efeitos colaterais, incluindo a dependência.

Esse cálculo, todavia, desconsidera o indivíduo. Apesar de, em termos de saúde pública, os malefícios claramente superarem os benefícios, isso não significa que grupos específicos de pacientes não possam tirar proveito dessas drogas. Em termos gerais, é o que basta para desautorizar o veto.

O fato de existirem abusos não deve tolher o uso legítimo, mesmo que este esteja restrito a pequenos segmentos populacionais. E isso dá razão aos parlamentares e médicos que defendem a manutenção dos fármacos no arsenal terapêutico.

Sempre haverá alguma distância entre os interesses da saúde pública e os direitos individuais de pacientes, mas ela pode ser reduzida, nesse caso, com medidas regulatórias que tornem difícil a prescrição leviana de anorexígenos.

Custos da diplomacia eleitoreira - EDITORIAL O GLOBO

CONTRA DILMA ABILOLADA, EU VOTO AÉCIO 45



O GLOBO - 26/09


Entre os danos causados pelo uso partidário da assembleia da ONU está o fim do sonho do assento no Conselho de Segurança e mais uma rusga com os Estados Unidos



Entre as marcas fortes destes 12 anos de administração petista, inclui-se a partidarização da política externa. Assim, tão logo Lula assumiu, a nova diplomacia brasileira começou a trabalhar contra as negociações com os americanos em torno da Alca, Aliança de Livre Comércio das Américas, sob aplausos do nacional-populismo já reinstalado no continente — Venezuela e Argentina, seus representantes mais proeminentes. De fato soterrou-se aquele projeto de integração Norte-Sul, e a diplomacia companheira fez o país mergulhar em outra direção, na política Sul-Sul, equivocada, como sabido.

A patética participação da candidata-presidente Dilma Rousseff na 69º Assembleia Geral da ONU mostrou outra faceta preocupante da “petização” da diplomacia brasileira: seu uso eleitoreiro, apenas para afeito da campanha da reeleição de Dilma. Neste caso, dizer que o Barão do Rio Branco enrubesce na tumba não é um bordão surrado.

Antes de representar o Brasil no discurso de abertura da assembleia, Dilma participou da Cúpula do Clima, com um providencial vestido vermelho, em óbvia obediência aos marqueteiros da campanha. Da tribuna da ONU, Dilma continuou no script eleitoreiro, ao fazer um discurso de prestação de contas de seu governo e dos oito demais anos de PT no Planalto, sem qualquer interesse para os representantes dos países.

Teve o mesmo objetivo a desastrada crítica, feita de forma mais clara em entrevistas, à ação militar da coalizão liderada pelos americanos contra o Estado Islâmico, grupo sectário tão radical e violento que foi desligado da al-Qaeda. Inspirada no antiamericanismo, agora com fins eleitoreiros, Dilma fez a inaceitável defesa dos jihadistas assassinos do EI, com base no conhecido discurso já usado sobre a guerra no Iraque — correto em si —, de que é necessário “dialogar”, em vez de sacar armas.

Fez uma inacreditável confusão. O EI não é um Estado, mas um bando armado, fanático, já conhecido por degolar jornalistas e, agora, um turista, filmar as atrocidades e colocá-las na internet como peça de propaganda. Esqueceu-se a diplomacia companheira que da coalização participam países árabes, o que aumenta a legitimidade da operação.

Da desastrosa passagem por Nova York sobram danos para o Brasil. Além do descrédito semeado por Dilma, há um novo distanciamento em relação aos Estados Unidos, cuja economia se recupera e pode compensar as perdas nas exportações nacionais causadas pela debacle Argentina. Outro dano é o virtual fim do projeto de obtenção do assento no Conselho de Segurança, elevando o status político brasileiro ao peso que o país já tem na economia mundial. Não se pode mesmo dar poder de veto no CS a quem protege sectários.

É uma imagem emblemática a cena do assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia, liderança petista, aboletado na bancada brasileira na assembleia geral. Simbolizava a tutela da política externa pelo partido.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Quem fez ilícito responde por aquilo que fez”
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) ao afirmar que o governo não teme delações



PROJETOS DE DELCÍDIO E MENTOR AGORA SOB SUSPEITA

Dois projetos propondo facilidades e até anistia para “repatriar” dinheiro não declarado (em geral, sujo) de brasileiros no exterior, agora estão sob suspeita, após a Operação Lava Jato. São do senador Delcídio Amaral (PT-MS), citado na delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do deputado José Mentor (PT-SP), citado no escândalo do Banestado, protagonizado pelo doleiro Alberto Youssef.

CONTAS NO EXTERIOR

Em seus depoimentos, Paulo Roberto Costa detalhou pagamentos de propina a autoridades, inclusive parlamentares, em contas no exterior.

‘CIDADANIA FISCAL’

A ementa do projeto de Mentor (2005), copiada por Delcídio em 2009, é um primor de caradurismo: chama isso de “cidadania fiscal”.

COINCIDÊNCIA?

Procuradores agora querem saber se é coincidência que esses projetos tenham sido propostos no auge da atuação da quadrilha na Petrobras.

ESTRANHA GENEROSIDADE

Os projetos sob suspeita anistiam o dono do dinheiro “repatriado” e fixam apenas 5% de imposto. Trabalhador paga até 27,5% de imposto.

NÃO FOI ‘INTIMIDAÇÃO’: PF INVESTIGAVA DENÚNCIA

A Polícia Federal não tentava “intimidar” o senador Lobão Filho (PMDB), candidato do clã Sarney ao governo do Maranhão, quando realizou buscas no seu avião, em São Luís. A PF apenas cumpria seu papel legal de averiguar grave denúncia. Há informações de que se tratava de suspeita de transporte de grande quantia de dinheiro. O Maranhão está no centro das atenções da PF desde que prendeu em São Luís o megadoleiro Alberto Youssef, na Operação Lava Jato.

MISSÃO ABORTADA

Há denúncia de que, antes de ser preso, Youssef recebeu em São Luís a missão de “repatriar” US$ 5 milhões para uma campanha majoritária.

PROXIMIDADE

Youssef foi preso quando se hospedava em hotel próximo à casa de veraneio do governo do Maranhão na praia de São Marcos.

CAUTELA, SENHORES

Michel Temer e Renan Calheiros podem se arrepender de acusar a PF, apressadamente, de “tentativa de intimidação” contra Lobão Filho.

TEIA

A oposição identificou três telefonemas da EBX, de Eike Batista, para Humberto Sampaio Mesquita, que é genro do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, operador de esquema paralelo de corrupção.

O REVOLUCIONÁRIO

Sérgio Moro, jovem juiz de 41 anos, competente e incorruptível, tem nas mãos a chance de promover uma revolução no Brasil pela via da Justiça, a partir dos processos abertos com a Operação Lava Jato.

BRIGA INTERNA

O PSB-PE está em campanha para eleger presidente nacional do partido o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, na convenção que Roberto Amaral, presidente interino, com a sensibilidade de hipopótamos em loja de cristais, marcou para segunda (29), às vésperas das eleições.

OOOPS

Há dias, ao visitar hospitais de Minas, mulher do tucano Pimenta da Veiga, Ana Paola, achava que falava para instituições de caridade. Mas eram hospitais responsáveis pela maior parte do atendimento do SUS.

LONGE DE SKAF

Na tentativa de engajar o PMDB na campanha à reeleição de Dilma, o vice Michel Temer participa, segunda (29), de ato em Ribeirão Preto, terra de Baleia Rossi, presidente estadual do PMDB de São Paulo.

TUCANO CORUJA

O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), todo orgulhoso, não se cansa de mostrar fotos dos filhos gêmeos com sua mulher, Letícia. Fez isso ontem durante escala do avião no Rio Grande do Sul.

PÉ-FRIO EM AÇÃO

O deputado Felipe Maia (DEM) ironiza a presença de Lula ao lado de adversários do pai, Robinson Faria (PSD), ao governo potiguar: “Nas últimas eleições no Rio Grande do Norte, todos que receberam apoio de Lula foram derrotados no 1º turno”.

PREÇO ELEVADO

O deputado Danilo Forte (CE) está em campanha para eleger Eduardo Cunha (RJ) à presidência da Câmara. Ninguém merece. Preço muito alto para viabilizar a candidatura de Forte à liderança do PMDB.

PERGUNTA NO PALANQUE

A presidente Dilma desistiu de ir ao comício do PT em Brasília por que, depois de defender o indefensável na ONU, decidiu não repetir a dose?



PODER SEM PUDOR

O MATA-MOSQUITOS

O médico sanitarista Mário Pinotti, ministro da Saúde de JK, não apenas era parecido com Villa-Lôbos como cultivava uma cabeleira no estilo dos grandes regentes do passado, à moda Carlos Gomes.

Durante os aperitivos que precederam o banquete na Escola Doméstica, quando de sua visita ao Rio Grande do Norte, o deputado estadual (e grande gozador) Nei Marinho perguntou-lhe à queima-roupa:

- O senhor é maestro?

- Não, sou mata-mosquito... - devolveu Pinotti, sem perder a esportiva.

quinta-feira, setembro 25, 2014

O mundo encantado de Dilma - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S.PAULO - 25/09


Um turista francês de 55 anos, chamado Hervé Goudel, foi decapitado na Argélia por um grupo extremista que disse estar sob as ordens do Estado Islâmico (EI), a organização terrorista que controla atualmente parte da Síria e do Iraque e lá estabeleceu o que chama de "califado". Um vídeo que mostra a decapitação de Goudel foi divulgado ontem, para servir como peça de propaganda do EI - cujos militantes já decapitaram em frente às câmeras dois jornalistas americanos e um agente humanitário britânico e estarreceram o mundo ao fazer circular as imagens de sua desumanidade.

Pois é com essa gente que a presidente Dilma Rousseff disse que é preciso "dialogar".

A petista deu essa inacreditável declaração a propósito da ofensiva militar deflagrada pelos Estados Unidos contra o EI na Síria. Numa entrevista coletiva em Nova York, na véspera de seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, Dilma afirmou lamentar "enormemente" os ataques americanos contra os terroristas. "O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU", disse a presidente - partindo do princípio, absolutamente equivocado, de que o EI tem alguma legitimidade para que se lhe ofereça alguma forma de "acordo".

É urgente que algum dos assessores diplomáticos de Dilma a informe sobre o que é o EI, pois sua fala revela profunda ignorância a respeito do assunto, descredenciando-a como estadista capaz de portar a mensagem do Brasil sobre temas tão importantes quanto este.

O EI surgiu no Iraque em 2006 por iniciativa da Al-Qaeda, para defender a minoria sunita contra os xiitas que chegaram ao poder depois da invasão americana. Sua brutalidade inaudita fez com que até mesmo a Al-Qaeda renegasse o grupo, que acabou expulso do Iraque pelos sunitas. A partir de 2011, o EI passou a lutar na Síria contra o regime de Bashar al-Assad. Mas os jihadistas sírios que estão na órbita da Al-Qaeda também rejeitaram o grupo, dando início a um conflito que já matou mais de 6 mil pessoas.

Com grande velocidade, o EI ganhou territórios na Síria e, no início deste ano, ocupou parte do Iraque, ameaçando a própria integridade do país. No caminho dessas conquistas, o EI deixou um rastro de terror. Além de decapitar ocidentais para fins de propaganda, seus métodos incluem crucificações, estupros, flagelações e apedrejamento de mulheres.

"A brutalidade dos terroristas na Síria e no Iraque nos força a olhar para o coração das trevas", discursou o presidente americano, Barack Obama, na Assembleia-Geral da ONU, ao justificar a ação dos Estados Unidos contra o EI - tomada sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Em busca de apoio internacional mais amplo - na coalizão liderada por Washington se destacam cinco países árabes que se dispuseram a ajudar diretamente na operação -, Obama fez um apelo para que "o mundo se some a esse empenho", pois "a única linguagem que os assassinos entendem é a força".

Pode-se questionar se a estratégia de Obama vai ou não funcionar, ou então se a ação atual é uma forma de tentar remendar os erros do governo americano no Iraque e na Síria (ver o editorial A aventura de Obama, abaixo). Pode-se mesmo indagar se a operação militar, em si, carece de legitimidade. Mas o fato incontornável é que falar em "diálogo" com o EI, como sugeriu Dilma, é insultar a inteligência alheia - e, como tem sido habitual na gestão petista, fazer a diplomacia brasileira apequenar-se.

Em sua linguagem peculiar, Dilma caprichou nas platitudes ao declarar que "todos os grandes conflitos que se armaram (sic) tiveram uma consequência: perda de vidas humanas dos dois lados". E foi adiante, professoral: "Agressões sem sustentação, aparentemente, podem dar ganhos imediatos. Depois, causam enormes prejuízos e turbulências. É o caso, por exemplo, do Iraque. Tá lá, provadinho, no caso do Iraque". Por fim, Dilma disse que o Brasil "é contra todas as agressões" e, por essa razão, faz jus a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU - para, num passe de mágica, "impedir essa paralisia do Conselho diante do aumento dos conflitos em todas as regiões do mundo".

quarta-feira, setembro 24, 2014

GOSTOSAS

 CONTRA AS MULHERES FEIAS DO PT (SÓ TEM CATREVAGEM), EU VOTO AÉCIO 45




"Pessidilma" - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

A FAVOR MERITOCRACIA EU VOTO AÉCIO 45




FOLHA DE SP - 24/09

A culpa é sempre dos outros: a seca, a chuva, a safra, os EUA, a China, o câmbio ou o "Pessimildo"


Por que não conseguimos trazer a inflação de volta à meta? Simplesmente porque o governo federal não quer, fato aparente em suas repetidas mostras de satisfação com uma taxa que não ultrapasse o limite superior permitido, 6,5%.

Há pouco, por exemplo, a presidente afirmou que "a inflação tenderá para o centro da meta a partir de novembro ou dezembro", mesmo reconhecendo que fechará o ano apenas pouco abaixo do nível crítico. Essa fala isoladamente não significa muito, mas afirmações como essa abundam, não apenas no discurso presidencial, mas também no que se refere a praticamente todas as autoridades econômicas.

O próprio Banco Central, supostamente o responsável pela manutenção da inflação próxima à meta, comemorou acintosamente até quando a inflação ficou exatamente em 6,5% (em 2011).

Como de hábito, a culpa é sempre dos outros: a seca, a chuva, a safra, os Estados Unidos, a China, o câmbio ou o "Pessimildo"; jamais resultado do manejo inadequado de política econômica, manifesto na visível piora das contas públicas, assim como de uma política monetária temerária, que reduziu a taxa de juros mesmo em face de inflação alta e crescente.

E, como sempre, a promessa é de queda da inflação no ano que vem, ou no próximo. A convergência lenta, às vezes "não linear", e nunca verdadeira, é geralmente justificada como uma tentativa de preservar o nível de atividade.

Na prática, porém, independentemente de termos registrado inflação média superior a 6% ao ano nos últimos quatro anos, o país chega ao fim deste período com crescimento medíocre, inferior a 2% ao ano e muito próximo de zero em 2014.

E nem adianta argumentar que as coisas teriam sido ainda piores caso houvesse um esforço para conter a inflação.

Como se sabe, a relação negativa entre crescimento e inflação só existe em prazos curtos; ao longo de quatro anos teria sido possível trazer a inflação de volta à meta a tempo de retomar o crescimento e compensar qualquer perda de produto, ainda mais porque, até 2011, o BC ainda dispunha da credibilidade herdada de gestões anteriores.

A verdade é que o descaso com o problema tem agravado a questão do crescimento. Nem tanto porque uma taxa de inflação na casa de 6% produza, por si só, um estrago muito maior do que uma taxa de 4,5%, mas, sim, por causa das tentativas desastradas de lidar com a alta de preços por meio de intervenções diretas na economia.

O congelamento do preço da gasolina, por exemplo, teve forte impacto negativo na capacidade de investimento da Petrobras. Adicionalmente, "amassou" o setor de açúcar e álcool, dando uma lição inesquecível àqueles que acreditaram nas palavras do governo acerca do futuro de biocombustíveis.

Já a intervenção no setor elétrico deve ter liquidado qualquer fiapo de confiança acerca do respeito às regras do jogo.

Não é por outro motivo que o investimento, como já destacado neste espaço, apresenta quatro trimestres consecutivos de queda, recuando a níveis observados pela última vez em 2007.

Da mesma forma, para evitar que a inflação se cristalize acima do limite permitido, o BC tem feito pesadas intervenções no mercado de câmbio, afetando negativamente nossas exportações.

Em outras palavras, a falta de disposição para combater a inflação e a aceitação tácita que bastaria mantê-la levemente abaixo do limite superior para poder decretar vitória nos colocaram numa situação delicada. Para evitar chegar a patamares superiores ao permitido no fim deste ano, o governo recorreu a controles de preços e câmbio, com consequências adversas para nosso crescimento.

A culpa, portanto, não é do "Pessimildo", mas da "Pessidilma", a gestora iluminada que, por sua conta e risco, abandonou o bem-sucedido regime macroeconômico que nos assegurava a estabilidade, obtendo em troca inflação alta e crescimento risível, uma combinação verdadeiramente inigualável. Vai para o trono ou não vai?

Autoritarismo - ROBERTO DAMATTA

CONTRA OS FILHOS DA PUTA BOLIVARIANOS, EU VOTO AÉCIO 45




O GLOBO - 24/09


No Brasil, o crime hediondo e depravado é feito por quem não conhecemos; já o crime cometido por quem faz parte do nosso círculo de relações é erro de cálculo



Talvez a palavra “autoritarismo” seja a mais adequada para caracterizar a nossa índole política. Veja bem: eu falo em caracterizar, e não em definir. Somos também anárquicos, malandros e lenientes — portanto, antiautoritários em certas situações, e tais comportamentos dependem de ideologias, partidos e pessoas. Sobretudo dos amigos, e daí vem, paradoxalmente, o problema da impunidade que impede castigar delitos flagrantes precisamente porque não julgamos os crimes, mas quem os praticou. Se o autor é um desconhecido, somos implacáveis e fascistas, mas, se é um amigo, ele tem a nossa condescendência e a nossa compaixão.

Afinal, falamos autoritariamente, mas sem perceber: “Este eu conheço! É pessoa de bem, tinha suas razões!”. O crime, como disse um dia o presidente Lula, foi cometido por meros (e inocentes) “aloprados”; e o mensalão foi uma trivialidade num sistema político recheado de corruptos. O problema é que a trama dos favores que une os poderosos é muito densa para não ser descoberta por algum maldito jornalista investigativo ou revelada por alguma rede ou câmara de televisão.

No Brasil, o crime hediondo e depravado é feito por quem não conhecemos; já o crime cometido por quem faz parte do nosso círculo de relações é um erro de cálculo ou um descuido. Donde o inocente e mendaz: “Eu não sabia...” Nosso autoritarismo ainda não entendeu que, numa democracia, somos simultaneamente construtores e habitantes de um mesmo teto!

O dado novo é a desmistificação do governante como uma pessoa predestinada e superior que pode tudo. Sobretudo roubar. E a questão hoje em dia não é mais de ter sido pobre ou das competências de como resolver os problemas, mas do modo pelo qual esses problemas serão resolvidos. No Brasil atual, nem Stalin ou Hitler teriam sucesso, porque o modo de governar está intrinsecamente ligado à roubalheira amistosa, vista como normal, aceitável e inevitável. O governar como um serviço e uma entrega baseada no resgate de valores, mais do que de rotineiras receitas técnicas, é o que está faltando neste nosso Brasil prestes a eleger um novo presidente.

É preciso liquidar com o autoritarismo do “todos fazem” e nós também fizemos, mas, infelizmente, a imprensa reacionária propagou de modo exagerado e ilegítimo o nosso delitozinho, inventando um “mensalão” petista que jamais existiu. O do PSDB é real, o nosso é fantasia reacionária. Por isso, tivemos que lutar para realizar uma revisão de todo o quadro legal e praticamente reformulamos as sentenças e a tese do julgamento.

Contra isso, só um temporal de ética que comece discutindo o personalismo. Esse personalismo que atribui mais responsabilidade às pessoas do que às questões que demandam a cooperação de todos para serem resolvidas.

Quem é a autoridade? Saber quem manda (ou é o “dono da bola”) é, sem sombra de dúvida, a questão que mais nos aflige. Competir com uma pessoa — usando argumentos pífios — é mais importante do que contribuir para resolver um problema crucial. Quando o mandão é obvio, não há problema. Mas, quando não existe consenso sobre quem é o mais importante, ficamos aflitos, e o conflito deflagra os bate-bocas mal-educados, visando à “desconstrução”, que são a primeira consequência do nosso desconforto com a igualdade.

No fundo, sempre achamos que as pessoas são mais importantes que os problemas e é exatamente isso que tipifica o personalismo que leva ao autoritarismo. Nele, o centro é sempre a pessoa, e elas são tão poderosas que frequentemente fazem com que os problemas (bem como as normas e leis) sejam esquecidos ou ultrapassados.

O dinamismo democrático conduz a uma troca de cadeiras. Se não fosse um exagero, eu diria que essa transparência e esse embaralhamento entre o público e o íntimo têm tido um efeito revolucionário de desmistificar precisa e paradoxalmente os revolucionários de plantão. É o que o nosso pífio programa eleitoral tem o dom de revelar. Nele, os batedores de carteira usuais surgem com clareza, mas é fascinante descobrir o fascismo aberto dos candidatos revolucionários para quem todo o mal do mundo é produzido pelos banqueiros. A satanização é um reducionismo absurdo.

Como contrapeso, porém, temos a campanha dilmista falando de um futuro governo aberto às forças do empreendedorismo, do lucro e do mercado que o PT sempre rejeitou, ao lado de uma visão francamente autoritária e contraditória relativamente ao papel da mídia. Ao jornal cabe informar! — diz a presidenta. E nós, na nossa luta para desmistificar o mundo público nacional, livrando-o dos seus sofismas personalistas, familísticos e autoritários, ficamos abestalhados com a revelação da índole (do geist, como diria um sociólogo alemão) deste governo que tem desmantelado o Banco Central, a Petrobras, os Correios e agora um impecável IBGE nesta ultima década, e que ainda quer mais tempo para prosseguir.

O eleitor e a preguiça - FERNANDO RODRIGUES

CONTRA VAGABUNDO DO MST QUERENDO TERRA SEM TRABALHAR, EU VOTO AÉCIO 45




FOLHA DE SP - 24/09



BRASÍLIA - Há um número não desprezível de eleitores desiludidos e incomodados com a forma de fazer política. Muitos votarão apenas contra alguém, mas não a favor desse ou daquele candidato. Há nesse grupo também os 100% céticos, cidadãos decididos a votar nulo.

Outro dia escrevi sobre o fato de o voto nulo não ser neutro. Quem anula reduz o número de votos válidos. Permite que o candidato a governador ou a presidente à frente nas pesquisas vença eventualmente no primeiro turno com menos apoios.

Após detalhar o efeito do voto nulo, recebi uma profusão de reclamações. Em síntese, os recados são assim: "Você está dizendo que não posso nem votar nulo? Eu não quero me comprometer com ninguém e desejo protestar contra todos os políticos".

Tal atitude embute um conceito defeituoso de cidadania. Pressupõe que exercer a democracia consista apenas em sair de casa uma vez a cada dois anos para votar.

Ocorre que o voto é como se fosse um gol, usando o futebol como alegoria. Só marca gols quem treina, aplica-se, desenvolve um estilo e joga de maneira coletiva. Na sociedade, isso requer atuar de forma constante, fiscalizando os eleitos e fazendo cobranças a respeito das promessas apresentadas durante a campanha.

A memória eleitoral do brasileiro não indica tal tipo de comportamento. Em 2010, duas semanas depois de terem escolhido a nova Câmara, 30% dos eleitores já diziam não se lembrar em quem haviam votado para deputado federal.

Essa cidadania preguiçosa é a raiz dos problemas dos quais a maioria reclama. Os mesmos que votam nulo se chateiam ao ficar sabendo de mais um caso de corrupção na política. Alguns também se irritam quando são indagados sobre como devem se comportam depois das eleições. "Vai dizer agora que tenho de ficar mandando um e-mail para os deputados todas as semanas?" Não é muita coisa, mas já ajudaria um pouco.

O vale-tudo na busca ilusória do superávit primário - EDITORIAL O GLOBO

CONTRA A MAQUIAGEM DAS CONTAS PÚBLICAS, EU VOTO AÉCIO 45


O GLOBO - 24/09

O saque no Fundo Soberano não é um problema em si, mas faz parte de um conjunto de ações, incluindo a contabilidade criativa, para maquiar as contas públicas



A nova manobra do governo para tentar formalmente atingir a meta do superávit primário, o saque de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano, não é apenas uma operação para tentar, novamente, compensar as dificuldades fiscais crescentes da gestão Dilma nas proximidades do primeiro turno eleitoral. A utilização desse fundo, criado em 2008 para ser usado em investimentos e aplicações financeiras, é mais uma peça numa obra cujo conjunto nada tem de positivo.

De Nova York, onde foi participar da Cúpula do Clima, nas Nações Unidas, a candidata-presidente Dilma Rousseff usou adjetivos fortes para qualificar as críticas à operação — “estranhérrimo”, “estarrecedor”. Na visão de Dilma, em si correta, o fundo tem função contracíclica: poupa nos bons momentos da economia e deve ser utilizado nos maus, como agora. Em Brasília, o seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi no mesmo diapasão e tachou de “legítimo” o governo recorrer .

A questão é bem outra. Retirar dinheiro dessa caderneta de poupança da União é apenas mais uma ação — de resto, inócua — para ostentar um equilíbrio fiscal inexistente na realidade. Junto com operações típicas de contabilidade criativa, o uso do Fundo Soberano é mais uma ação ilusória do Planalto para encobrir algo que todo analista minimamente informado sabe: as contas públicas estão bastante desequilibradas. Isso porque a persistente política do governo de manter os gastos primários subindo a uma velocidade superior à da coleta de impostos foi apanhada no contrapé pelo desaquecimento (previsível) da economia, com a consequente perda de arrecadação. Sem falar no efeito das desonerações tributárias.

Apesar de tudo, o Ministério da Fazenda mantém a história da carochinha de um superávit primário, este ano, de 1,9% do PIB. Já as previsões no mundo privado, onde não há injunções político-eleitorais, variam de 1% a zero. Ou seja, a dívida pública continuará em alta.

Para embonecar estatísticas e se chegar formalmente à economia prometida de R$ 99 bilhões, o 1,9% do PIB, os números são submetidos a intensa funilaria nas oficinas de Brasília. Ainda mais considerando-se a perda de R$ 10,5 bilhões na projeção de receitas tributárias no quarto bimestre, em comparação com mesmo período de 2013. Várias técnicas criativas têm sido acionadas. Uma delas é a “pedalada” de despesas — postergação de gastos para fechar contas menos desequilibradas. O Banco do Brasil e a Caixa, por exemplo, têm pagado em dia benefícios e liberado créditos subsidiados sem receber a devida contrapartida do Tesouro. Já reclamam.

Há, ainda, o uso intenso de receitas que não são perenes, servem apenas para melhorar as contas num determinado momento: dividendos de estatais (às vezes, dinheiro do Tesouro que vai como se fosse para capitalizar a empresa e volta como receita), Refis (renegociação de dívidas tributárias) etc. A credibilidade da apresentação das contas públicas nunca esteve tão baixa.

O autorretrato de Dilma - EDITORIAL O ESTADÃO

CONTRA O PETROLÃO, EU VOTO AÉCIO 45



O ESTADO DE S.PAULO - 24/09



Por ter chorado numa entrevista ao dizer que fora "injustiçada" pelo ex-presidente Lula, a candidata Marina Silva foi alvo de impiedosos comentários de sua rival Dilma Rousseff. "Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia", argumentou a petista. "Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República." E, como se ainda pudesse haver dúvida sobre a sua opinião, soltou a bordoada final: "A gente tem que aguentar a barra". Passados apenas oito dias dessa suposta lição de moral destinada a marcar a adversária perante o eleitorado como incapaz de segurar o rojão do governo do País, Dilma acabou provando do próprio veneno.

Habituada, da cadeira presidencial, a falar o que quiser, quando quiser e para quem quiser - e a cortar rudemente a palavra do infeliz do assessor que tenha cometido a temeridade de contrariá-la -, a autoritária candidata à reeleição foi incapaz de aguentar a barra de uma entrevista de meia hora a três jornalistas da Rede Globo, no "Bom dia, Brasil". A sabatina foi gravada domingo no Palácio da Alvorada e levada ao ar, na íntegra, na edição da manhã seguinte do noticioso. Os entrevistadores capricharam na contundência das perguntas e na frequência com que aparteavam as respostas. Se foram, ou não, além do chamamento jornalístico do dever, cabe aos telespectadores julgar.

Já a conduta da presidente sob estresse, em um foro público, por não ditar as regras do jogo nem, portanto, dar as cartas como de costume entre as quatro paredes de seu gabinete, é matéria de interesse legítimo da sociedade. Fornece elementos novos, a menos de duas semanas das eleições, sobre o que poderiam representar para o Brasil mais quatro anos da "gerentona" quando desprovida do conforto dos efeitos especiais que lustram a sua figura no horário de propaganda e, eventualmente, do temor servil que infundiu aos seus no desastroso primeiro mandato. Isso porque os reverentes de hoje sabem que não haverá Dilma 3.0 em 2018 nem ela será alguém na ordem das coisas a partir de então.

A presidente, que tão fielmente se autorretratou no Bom Dia, Brasil é, em essência, assim: não podendo destratar os interlocutores, maltrata os fatos; contestadas as suas versões com dados objetivos e ao alcance de todos quantos por eles se interessem, se faz de vítima como a Marina Silva a quem, por isso, desdenhou. Cobrada por não responder a uma pergunta, retruca estar "fazendo a premissa para chegar na conclusão (sic)", ensejando a réplica de ficar na premissa "muito tempo". É da natureza dessas situações com hora marcada que o entrevistado procure alongar-se nas respostas para reduzir a chance de ser atingido por novas perguntas embaraçosas. Some-se a isso o apreço da presidente pelo som da própria voz - e já estaria armado o cenário de confronto entre quem quer saber e quem quer esconder.

Mas o que ateou fogo ao embate foram menos as falsidades assacadas por Dilma do que a compulsiva insistência da candidata, já à beira de um ataque de nervos, em apresentá-las como cristalinas verdades. Quando repete que não tinha a mais remota ideia da corrupção em escala industrial na diretoria de abastecimento da Petrobrás ocupada por Paulo Roberto Costa de 2004 (quando ela chefiava o Conselho de Administração da estatal) a 2012 (quando ocupava havia mais de um ano o Planalto), não há, por ora, como desmascarar a incrível alegação. Mas quando ela afirma e reafirma - no mais desmoralizante de seus vexames - que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) não mede desemprego, mas taxa de ocupação, e não poderia, portanto, ter apurado que 13,7% dos brasileiros de 18 a 24 anos estão sem trabalho, é o fim da linha.

Depois da entrevista, o programa fez questão de convalidar os números da jornalista que a contestava. De duas, uma, afinal: ou Dilma, a economista e detalhista, desconhece o que o IBGE pesquisa numa área de gritante interesse para o governo - o que simplesmente não é crível - ou quis jogar areia na verdade, atolando de vez no fiasco. De todo modo, é de dizer dela o que ela disse de Marina: assim "não dá para ser presidente da República".

Argentina aprofunda a experiência chavista - EDITORIAL O GLOBO

CONTRA VAGABUNDOS PETISTAS QUE VISAM CENSURAR A IMPRENSA, EU VOTO AÉCIO 45





O GLOBO - 24/09

A derrota na Justiça para fundos abutres faz Cristina Kirchner radicalizar contra setor privado e ganhar poderes até para tabelar lucros, sonho dos estatistas


Para azar dos argentinos e do Brasil — pelo efeito da crise do vizinho nas exportações —, o governo de Cristina Kirchner volta a se chavinizar, à medida que a própria crise se aprofunda e o tempo avança em direção às eleições presidenciais do ano que vem.

A política interna argentina tem meandros difíceis de entender por não iniciados no país, e chega a requerer conceitos psicanalíticos na avaliação das crises —não fora Buenos Aires uma das capitais mundiais da psicanálise.

Há alguns meses, a Casa Rosada parecia ter entendido os malefícios de se manter como pária no mercado financeiro mundial, desde que, no final de 2001, no estouro da grave crise do rompimento da política do câmbio fixo, o país entrou em default. Não havia alternativa. Mas o mau relacionamento com os credores piorou com a posse de Néstor Kirchner, em 2003. Arrogante, sem qualquer flexibilidade, o primeiro governo da dinastia Kirchner impôs um grande deságio na renegociação com os credores — em português claro, perda.

Até que os chamados fundos abutres adquiriram no mercado títulos argentinos a preços muito baixos, a fim de depois lutar no foro judicial previsto em contrato, Nova York, para resgatá-los pelo valor integral. Manobra típica desses fundos no mundo inteiro.

Toda essa relação tensa com credores e uma política econômica intervencionista e antiprivatista isolaram a Argentina. A Casa Rosada, porém, passou a se entender com o Fundo Monetário sobre a correta mensuração da inflação — manipulada descaradamente pelo governo — e até se aproximou do Clube de Paris, em que se reúnem os Estados credores, para colocar contas em dia.

A vitória judicial dos fundos em Nova York fez, porém, reverter todos esses avanços, e a Argentina, como em choque por se sentir rejeitada, voltou a heterodoxias econômicas, a se distanciar mais uma vez do mundo. O país voltou ao divã.

A reação do ministro da Economia, Axel Kocillof, um jovem professor universitário marxista, foi sintomática. Por meio dele, o governo de Cristina repetiu o velho estilo de partir para o confronto, quando a sensatez aconselhava o oposto. E assim a Argentina se encontra mais uma vez em default, à margem do sistema financeiro internacional e dos planos de investimentos globais.

Na política interna, a sombra do chavismo, já presente há algum tempo no governo de Cristina K., voltou a aparecer com a aprovação pelo Congresso, sob controle kirchnerista, de nova lei cujo objetivo é intervir no coração das empresas privadas. Afinal, o governo poderá fixar margens de lucro, punir com multas comportamentos que considere maléficos ao abastecimento, e assim por diante. É cópia carbono de políticas adotadas na Venezuela. A crise na economia se agravará e as tensões políticas aumentarão. O governo Dilma, enredado em problemas econômicos, incluindo o comércio exterior, liado ideológico, padecerá ainda mais. Em silêncio, é claro.

Descompasso na Zona do Euro - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CONTRA O APARELHAMENTO DO ESTADO, EU VOTO AÉCIO 45


CORREIO BRAZILIENSE - 24/09
Uma boa notícia para o mundo veio do Velho Continente. A Comissão Europeia, a porção executiva da União Europeia (EU), anunciou na segunda-feira que países da Zona do Euro - considerados os mais vulneráveis na crise econômica eclodida nos Estados Unidos em outubro de 2008 - são agora os que mais fazem reformas na região. A informação vem acompanhada, entretanto, de um senão: efeitos concretos dos ajustes que estão sendo realizados ainda não são palpáveis e podem levar anos para render frutos atrativos.
O comunicado da CE, que tem como foco Espanha, Itália, Portugal e Grécia, aduz que o ambiente regulatório geral desses países está melhorando. Mais até, observa que são esperados bons ganhos, embora, apesar do progresso, ainda seja "significativa a distância em relação a outros países do bloco que contam com uma estrutura regulatória mais flexível".

Segundo o relatório da comissão da UE, nos últimos meses, o quarteto citado fez muitos ajustes para reformar seus setores de serviços profissionais, havendo "amplo espaço para novas reduções em relação a membros da UE como o Reino Unido e a Finlândia". A França, que sofre forte pressão para realizar reformas diante do crescimento muito fraco e da inflação baixa na Zona do Euro, não foi mencionada.

Segundo a agência de notícias Market News International, o governo da Grécia pediu à UE que adie a visita - marcada para o fim do mês - das autoridades do trio formado pelo Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia, que responde pelos credores internacionais de Atenas. A inspeção ficaria para depois da conclusão da revisão e testes de estresse dos credores europeus sobre a qualidade de ativos, fixada para o fim de outubro. Não é à toa que o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, se reuniu ontem com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para discutir o programa de ajuste da Grécia, quando reiterou que não quer um terceiro acordo de empréstimo ou novas medidas fiscais.

Enquanto isso, o índice preliminar de confiança do consumidor da Zona do Euro recuou, pelo quarto mês consecutivo este mês, a -11,4, após -10,0 em agosto, segundo a Eurostat (agência de estatísticas da UE). Isso demonstra o grau de pessimismo reinante no bloco, cujos governantes têm outra grande dor de cabeça pela frente. Se não bastasse, com a entrada do outono, países da Europa Central, como a Áustria, estão alarmados com as seguidas quedas no fornecimento de gás pela Rússia, às voltas com as tensões com a Ucrânia.

Daqui a três meses, no inverno, pode faltar o precioso insumo para calefação - no fim de semana, o governo de Viena registrou queda de 25% nas reservas. Como se observa, o Velho Continente está longe de respirar aliviado da crise econômica mundial, iniciada há seis anos. Merkel parece estar cansada de ouvir queixumes e apelos vindos de todos os lados. Mas, praticamente sozinha, pouco pode resolver.

Soberano fracasso - EDITORIAL O ESTADÃO

CONTRA OS QUE MANDARAM MATAR CELSO DANIEL, EU VOTO AÉCIO 45



O ESTADO DE S.PAULO - 24/09


Atropelado pelo próprio fracasso, o governo foi obrigado a cortar pela metade - de 1,8% para 0,9% - sua previsão de crescimento econômico para este ano. Economias com baixo nível de atividade, quase parando, têm normalmente inflação baixa ou em queda, mas o caso do Brasil é diferente. A inflação projetada para 2014 foi mantida em 6,2%, um resultado "compatível", segundo a avaliação oficial, "com a meta estipulada para fins de política monetária". Isso é falso. A meta é de 4,5%, mas a presidente Dilma Rousseff e sua trupe incluem na meta qualquer número até 6,5%, limite de tolerância adotado para acomodar problemas excepcionais. O único problema excepcional tem sido o próprio governo, mais uma vez incapaz, neste ano, de fechar suas contas sem recorrer a receitas extraordinárias, a atrasos de desembolsos - manobras conhecidas internacionalmente como ações de contabilidade criativa. A criatividade incluirá, neste ano, um saque de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para anabolizar a arrecadação federal.

As novas projeções, truques e estimativas fiscais aparecem na revisão de receitas e despesas federais do quarto bimestre. O quadro piorou sensivelmente desde o relatório anterior, quando os economistas do Ministério do Planejamento ainda se permitiam projetar um crescimento econômico de 1,8%. Segundo as novas contas, a receita líquida do ano - depois das transferências a Estados e municípios - será R$ 10,54 bilhões menor que a estimada na revisão do terceiro bimestre. Como consequência da estagnação econômica e da manutenção de benefícios fiscais a setores selecionados, a arrecadação dos principais impostos e contribuições ficará abaixo dos valores estimados até o relatório anterior. Até o Imposto de Importação cairá, porque as compras de bens estrangeiros também foi afetada pela paralisia progressiva da atividade interna.

Para compensar, o governo incluiu no relatório o corte de algumas despesas - em muitos casos, atrasos de pagamentos, ou pedaladas, no jargão do mercado financeiro. Não há outra forma, além do atraso, de reduzir gastos com precatórios. Além disso, economistas que acompanham as finanças públicas criticam as novas estimativas do déficit da Previdência e das despesas com subsídios - incompatíveis com os números conhecidos até agora.

Para tornar as contas mais apresentáveis, o pessoal do Planejamento aumentou as projeções de receitas especiais, além de incluir nos cálculos a transferência de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano. A previsão de dividendos foi elevada de R$ 23,9 bilhões para R$ 25,4 bilhões. Em 2013, os dividendos pagos pelas estatais ficaram em R$ 17,1 bilhões. Houve um aumento de R$ 9,54 bilhões na previsão de recursos extraordinários, incluídos mais R$ 3 bilhões de receita de tributos parcelados (novo Refis).

O saque de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano foi classificado imediatamente como mais um truque para o fechamento das contas. A presidente Dilma Rousseff reagiu. Escutar essas críticas, segundo ela, é "estarrecedor", porque o Fundo, argumentou, "tem uma característica contracíclica". Em outras palavras, acumula recursos nos períodos bons para atenuar os problemas nas fases difíceis.

De fato, essa é uma das finalidades legais do Fundo, instituído em 2008. Mas a posição da presidente é insustentável. É um abuso atribuir o mau estado da economia brasileira a problemas cíclicos. Se a nova previsão do governo estiver certa, o Produto Interno Bruto (PIB) do Basil terá crescido em média 1,77% ao ano no atual mandato. Os latino-americanos administrados com mais competência cresceram em média, nesse período, mais de 4% ao ano. Mesmo em 2014, com alguma desaceleração, continuam com desempenho bem melhor que o do Brasil. Não se trata de ciclo, mas de incompetência na política econômica.

Além disso, o próprio Fundo é uma aberração. Não foi constituído com sobras, como os de outros países, pois o Tesouro Nacional é deficitário há muito tempo. O Fundo Soberano foi formado com recursos de endividamento público e isso já o distingue negativamente.

A guerra de Obama - EDITORIAL FOLHA DE SP

CONTRA OS LADRÕES DO PT, EU VOTO AÉCIO 45



FOLHA DE SP - 24/09



Os Estados Unidos iniciaram na noite de segunda-feira (22) os anunciados ataques aéreos contra a milícia radical Estado Islâmico.

A iniciativa, levada a cabo em território sírio, conta com o apoio de aliados da região, como Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein e Qatar, mas não com o consentimento do Conselho de Segurança da ONU e a anuência de Damasco.

A Casa Branca justifica sua decisão com base numa interpretação tortuosa do princípio de autodefesa. Embora a facção não represente ameaça aos EUA neste momento, ela aterroriza o Iraque, país que solicitou ajuda para se proteger.

O presidente Barack Obama afirma ainda que outro grupo extremista, o Khorasan, com atuação na Síria e ligado à Al Qaeda, estaria prestes a promover atentados contra alvos norte-americanos.

Eleito com a promessa de pôr fim às guerras do Iraque e do Afeganistão, Obama deu o primeiro passo para o que poderá se transformar em mais um longo conflito no Oriente Médio. Os ataques, segundo porta-vozes do Pentágono, devem se estender por anos.

O presidente afirmou que se atém aos limites de sua nova política externa, que prevê bombardeios e lançamento de mísseis, mas prescinde do envio de tropas. No caso, estas seriam "terceirizadas", com o treinamento de rebeldes sírios.

Ainda assim, em depoimento ao Senado dos EUA, o general Martin Dempsey disse que, a depender das circunstâncias, o Pentágono recomendará a participação de forças terrestres no combate.

Como o ex-secretário de Estado Henry Kissinger escreveu a respeito da recente crise na Ucrânia, a principal questão política não é saber como uma guerra se inicia, mas como ela termina.

O raciocínio se aplica à invasão do Iraque, que começou em 2003 por iniciativa unilateral do então presidente George W. Bush --embrulhada na promessa fantasiosa de que se instauraria no país uma democracia à moda ocidental.

A batalha contra Saddam Hussein, como se sabe, transformou-se num atoleiro para os EUA e seus aliados. O surgimento do Estado Islâmico e de milícias similares é fruto daquele equívoco.

Diante de um inimigo imprevisível e difícil de ser enfrentado, é grande o grau de incerteza quanto aos desdobramentos dos ataques. O que se acenava no discurso de Barack Obama como o fim de uma era intervencionista já coincide, na prática, com o início de outra.

Conta de chegada - EDITORIAL ZERO HORA

CONTRA A DITADURA SINDICAL, EU VOTO AÉCIO 45


ZERO HORA - 24/09


A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, estimada no início do ano em 2,5% e já considerada baixa para as necessidades do país, acabou sendo revista para 1,8% e, agora, caiu pela metade, reduzindo-se a um modesto percentual de 0,9%. O resultado, frustrante, não é obra do Pessimildo, personagem da candidata à reeleição Dilma Rousseff, mas consequência direta da incapacidade da política econômica do governo de associar inflação baixa com níveis razoáveis de expansão do setor produtivo. E, o que é mais preocupante, a projeção é vista como superestimada pelo mercado financeiro, que projeta uma expansão de apenas 0,3% de crescimento até dezembro. O mau resultado, na reta final da campanha eleitoral, forçou o Ministério da Fazenda a recorrer a uma série de manobras pirotécnicas para fechar as contas, o que significa sempre um custo elevado para todos os brasileiros mais à frente.
Como a economia cresce menos do que as necessidades do país, as consequências não se restringem aos temores sobre o que vai ocorrer com os níveis de consumo, com a produção industrial, com o emprego e com a renda. Os equívocos da política econômica levaram a uma redução considerável das receitas públicas. Como tem que cumprir metas, o governo federal voltou a se valer de recursos do Fundo Soberano do Brasil, criado para ajudar em situações de emergência. E, entre outras manobras, ainda precisou recorrer ao lucro de empresas estatais, o que na prática tende a prejudicar investimentos em áreas importantes, que dependem do poder público, como é o caso do setor energético.
Um país das dimensões do Brasil não tem o direito de errar até mesmo numa conta de chegada, ao superestimar receitas com base em uma expansão da atividade produtiva que não se confirmou na prática. Também não tem mais como insistir na argumentação de que o problema se deve a uma crise global, pois muitas economias de países industrializados ou emergentes vêm se expandindo em percentuais bem mais expressivos do que o brasileiro.
O país só chegou a esse impasse entre a estagnação e a recessão, às voltas com malabarismos fiscais, porque optou por medidas cosméticas, quando deveria ter apostado em reformas estruturais. Agora, resta a quem estiver no comando a partir de 2015 se esforçar ao menos para reduzir o impacto de ajustes inadiáveis para os contribuintes.