quinta-feira, janeiro 16, 2014

Declínio do ‘declinismo’ - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 16/01

A profecia do declínio dos EUA é uma narrativa política cíclica que descreve trajetórias balísticas. No ciclo mais recente, o lançamento do projétil do declinismo coincidiu com o colapso financeiro de 2008, um evento que lhe conferiu alta velocidade inicial e extraordinário alcance. Contudo, o projétil atingiu o apogeu anos atrás e já ingressou na etapa descendente de sua trajetória. Nessa etapa, os países que acreditaram no mito declinista, como o Brasil, precisam se ajustar a um cenário externo inesperado.

Os arautos do antiamericanismo são, quase sempre, adeptos fervorosos do declinismo. Eles imaginam-se pensadores originais, mas estão enganados: as fontes do declinismo encontram-se na própria tradição política americana, que gera versões liberais e conservadoras dessa profecia. Nos EUA, desde o sobressalto causado pelo lançamento do Sputnik soviético, em 1957, emergiram cinco narrativas declinistas sucessivas em número igual de décadas. Do “Vietnã” ao “Afeganistão e Iraque”, da “estagnação econômica” à “crise financeira global”, a música da ruína reproduz melodias conhecidas, ainda que sedutoras. A diferença entre o declinismo “made in USA” e o declinismo propagado fora dos EUA não está na composição, mas no tom dos instrumentos: melancolia, num caso; júbilo, no outro.

O declinismo é uma fábula e, como tal, “não trata de verdades, mas de consequências”, assinalou Josef Joffe. A narrativa da ruína americana é, portanto, impermeável ao teste da validação empírica, o que explica sua inesgotável capacidade de renascer ciclicamente, com a mesma força persuasiva de sempre. Os declinistas tocam uma música destinada a configurar crenças e mudar atitudes políticas. Nas suas versões autóctones, a finalidade é perturbar os espíritos para vender uma ideia de redenção — e, assim, derrotar a profecia insuportável. Pense, por exemplo, no vaticínio de Samuel Huntington sobre os efeitos corrosivos da imigração hispânica na coesão da sociedade americana, um artefato “sociológico” destinado a fornecer argumentos eleitorais para a ala direita, nativista, do Partido Republicano.

Fora dos EUA, a narrativa declinista é um componente crucial nos discursos antiamericanos de correntes políticas avessas ao liberalismo, ao modernismo, ao cosmopolitismo e ao judaísmo. Meio século atrás, o egípcio Sayyd Qutb formulou a doutrina da jihad contemporânea sob o impacto duradouro de uma viagem aos EUA na qual concluiu que o Ocidente perdera a vitalidade moral, condenando-se a um declínio irreversível. A França de Vichy era declinista, tanto quanto é, hoje, a Frente Nacional, de Marine Le Pen. Entre as elites francesas, conservadoras ou social-democratas, o prognóstico da decadência americana é algo próximo a um consenso nacional, com raízes psicológicas fincadas na percepção compartilhada do declínio francês. Há uma década, a direção do Partido Comunista Chinês promoveu um seminário fechado sobre a história da ascensão e do declínio das grandes potências, extraindo a reconfortante conclusão de que a “Pax Americana” cederá lugar a uma “Pax Chinesa”.

A profecia declinista perpassava os discursos de Nikita Kruschev, mas só contaminou de fato o pensamento da esquerda marxista depois da queda do Muro de Berlim. O filósofo-militante alemão Robert Kurz fabricou uma versão pretensamente sofisticada da venerável narrativa no livro “O colapso da modernização”, de 1991, que interpreta a implosão do “império soviético” como sinal periférico anunciador de uma crise terminal do sistema capitalista. A tese rocambolesca converteu-se, instantaneamente, numa espécie de amuleto das correntes de esquerda engajadas no movimento antiglobalização. Nesses círculos, o nome de Kurz brilhou intensamente durante a pequena recessão do início do século e, novamente, na hora da crise global deflagrada pela queda da Casa dos Lehman Brothers.

A esquerda latino-americana, vincada pelos nacionalismos e atraída por caudilhos, sempre foi esperançosamente declinista. A “revolução bolivariana” de Hugo Chávez reativou a profecia da decadência americana, que encontra fortes ecos no PT. A crença na falência histórica do (mal denominado) “capitalismo liberal” provocou uma notável inflexão na política externa brasileira, deixando como herança o isolamento comercial do Brasil na concha de um Mercosul sem horizontes. No auge do ciclo declinista mais recente, Lula convenceu-se da eficácia do capitalismo de estado e, para regozijo comum dos seus “desenvolvimentistas” e do alto empresariado associado ao Palácio, soltou as rédeas do crédito público subsidiado. Desse autoengano nasceu o “pibinho da Dilma”, um reflexo da retração da produtividade de nossa economia.

Obviamente, todas as curvas balísticas ingressam, em algum momento, na etapa descendente. O ano de 2014 abre-se com o prognóstico de um crescimento global (calculado à base da paridade do poder de compra) próximo a 4%, quase um ponto percentual mais que o do ano passado. Depois de muitos “anos chineses”, o motor da expansão será, uma vez mais, a economia americana, que experimenta os efeitos combinados da recuperação dos preços dos imóveis e da explosão da produção interna de energia. Novamente, o declinismo entra em declínio, recolhendo-se à hibernação até que algum evento geopolítico ou econômico impactante propicie a sua reanimação.

Nessa etapa, carentes de argumentos verossímeis, os profetas do declinismo tendem a enrijecer sua linguagem, refugiando-se nas mais desvairadas hipóteses conspiratórias. A fórmula manjada do “ataque especulativo” (contra o BNDES, na versão de Luciano Coutinho, ou contra a política fiscal do governo, na de Arno Augustin), inscreve-se nesse padrão facilmente reconhecível. A “guerra psicológica adversa”, invocada por Dilma Rousseff, pertence ao mesmo arsenal de bombas sujas. Eles não aprenderam nada. Azar do Brasil.

Ponto de fervura - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 16/01

O PMDB tinha uma reunião de cúpula marcada para ontem à noite, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, Michel Temer. O tema: a posição do partido na campanha eleitoral.

Seja qual tenha sido o resultado, boa coisa para a presidente Dilma Rousseff não foi. Estava fora de cogitação o rompimento radical, com migração do partido para outra candidatura presidencial, mas na pauta constava a possibilidade de aprovar a aliança formal deixando, na prática, cada Estado atuar de acordo com sua conveniência.

Havia quem defendesse também um gesto simbólico de dizer que não faz questão de ministério algum, entregar os já ocupados e continuar apoiando o governo "de graça". Os defensores desse ato dizem que seria uma reação à fama de fisiológico que o PMDB leva sem, segundo eles, desfrutar de fato das benesses governamentais.

A ruptura seria esdrúxula. Depois de oito anos de aliança formal, quatro deles ocupando cinco ministérios e mais a vice, ficaria difícil aderir à oposição. Ademais, Michel Temer quer continuar na vice-presidência. Aécio Neves e Eduardo Campos têm planos próprios para o lugar, e Dilma está na frente.

Mas a temperatura interna entre os pemedebistas chega ao ponto de fervura. Não gostam da relação com Dilma, não aceitam a "gula" do PT, desde o início do governo se sentem mal representados em ministérios desprovidos de instrumentos (leia-se dinheiro, visibilidade e obras) para "fazer política".

Para arrematar, consideram um acinte a recusa de devolver o ministério da Integração Nacional ao partido para ser entregue ao PROS a fim de premiar o governador do Ceará, Cid Gomes, que deixou a legenda de Eduardo Campos.

"Seria justo que nos devolvessem a pasta da Integração, de fundamental importância no Nordeste. Enquanto o PMDB perde espaço, o PT dispõe de mecanismos políticos para nos massacrar nos Estados", diz o líder na Câmara, Eduardo Cunha.

Não obstante venha aumentando o grupo no PMDB que defende a ruptura pura e simples, Cunha não vê essa hipótese como realista. Além da dificuldade de virar a casaca, há outra questão que impede a tomada de posições mais radicais: a situação difícil de José Sarney e Renan Calheiros.

Bons de pressão, ambos estão combalidos. Sarney por causa da crise no sistema prisional do Maranhão e a condução desastrosa da filha, governadora Roseana. Calheiros por ter usado avião da FAB para ir a Recife fazer implante de cabelos.

Então, o que fazer? A julgar pelo estado de espírito mais ou menos geral a saída é endurecer, perdendo também a ternura. Ser menos condescendente com o PT, tendo também em vista que, se Dilma for reeleita, não precisará mais tanto do PMDB e tende a piorar o tratamento dado ao partido no segundo mandato.

Objetivamente o que significa endurecer? O Rio de Janeiro é um exemplo. Com 10% dos votos na convenção nacional, a seção fluminense não abre mão da candidatura do atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão. O partido pode decidir largar Dilma de mão no Estado e cuidar exclusivamente da eleição local se o PT não desistir de concorrer.

Fazendo a seguinte conta: ela, que ganhou em 2010 com 1 milhão e 700 mil votos de frente, hoje tem 30% nas pesquisas. Significa que 70% estão contra. "Para nós é melhor disputar esse eleitorado do que dividir a faixa dos 30% com quatro candidatos", afirma Eduardo Cunha, referindo-se a Pezão, Lindbergh Farias, Marcelo Crivella e Anthony Garotinho, todos da base governista.

A hipótese de o PMDB ficar "solto" não é boa para Dilma, cuja situação eleitoral não é a mesma de 2010. Deve perder em Pernambuco para Eduardo Campos, em Minas para Aécio Neves e em São Paulo precisará ultrapassar o obstáculo da rejeição ao prefeito Fernando Haddad.

Mais um - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 16/01

BRASÍLIA - Batido o martelo: Gilberto Kassab vai disputar o governo de São Paulo pelo PSD. Ele tenta convencer Henrique Meirelles (ex-BC) a se candidatar ao Senado e, ao mesmo tempo, acerta com Dilma um novo cargo para o PSD, possivelmente a Secretaria de Portos.

Enquanto o PMDB faz beicinho e ameaça romper, o PSD de Kassab sai cada vez mais da área de influência do PSDB paulista e cai nas graças de Dilma. Não é um movimento desprezível, porque o PSD já oscila entre a terceira e a quarta bancada da Câmara e joga tudo para aumentar a presença no Congresso.

Com a candidatura Kassab, as chances de reeleição do governador Geraldo Alckmin no primeiro turno vão ficando cada vez mais distantes. Além de Kassab, ele vai enfrentar, pelo menos, Alexandre Padilha (PT), Paulo Skaf (PMDB), um candidato próprio do PSB e outro do PSOL.

Quanto mais candidaturas, maior a possibilidade de segundo turno. E, nesse caso, Alckmin deverá bater de frente com o petista Padilha, que será alavancado por Dilma e certamente vai arrastar o PSD e o PMDB.

Se rompeu com Alckmin e nunca morreu de amores pelo presidenciável Aécio Neves, Kassab é tratado como amigo de Dilma desde criancinha e tem batido bons papos com Eduardo Campos (PSB), segunda opção do PSD agora e, quem sabe, a primeira em 2018. Ou seja: o ex-prefeito investe no presente e no futuro.

Um dos motivos da candidatura ao governo é que ele não dá ponto sem nó na política, mas saiu por baixo da prefeitura. Quer palanque e TV para defender-se das críticas e acusações e polir melhor o seu legado. Do PT não vai apanhar mais. E Alckmin vai ter muito mais com quem --e com que-- se preocupar na campanha.

Em resumo: ao se lançar em São Paulo, Kassab presta serviço a Dilma, atrapalha Alckmin, puxa bancada para o PSD e faz propaganda de si próprio e de sua gestão. Se Dilma for reeleita, seu futuro está garantido. Se não, ele não tem nada a perder.

Mandela e Lula, a conciliação e o confronto - A. P. QUARTIM DE MORAES

O Estado de S.Paulo - 16/01

Ecoam no mundo as homenagens que enaltecem a memória daquele que é considerado uma das maiores personalidades da política do século 20, Nelson Mandela, o homem que conseguiu acabar pacificamente com a segregação racial legal e reconciliar seu país consigo mesmo. O êxito de Mandela na luta contra o apartheid e para lançar as bases da democracia na África do Sul deveu-se à sua capacidade de convencer, principalmente a imensa maioria negra, ao lado da qual lutava, de que o sangrento conflito racial que mantinha o país preso ao passado só poderia terminar no dia em que negros e brancos se reconhecessem mutuamente, para além de suas profundas diferenças, como cidadãos iguais perante a lei. E que, como tal, se respeitassem.

Se é fácil imaginar a carga de preconceito que os brancos precisaram superar para aceitar a conciliação com os negros, mais fácil ainda é entender até que ponto o absolutamente compreensível rancor de uma imensa maioria negra historicamente perseguida e oprimida se apresentava como um obstáculo aparentemente intransponível ao projeto de conciliação defendido por Mandela. Mas uma inabalável convicção e uma inquebrantável perseverança mantiveram o grande líder firme e determinado mesmo nos momentos, certamente muitos, em que se viu confrontado pelo ceticismo e pelo inconformismo, quando não pela desconfiança de seus companheiros. Mandela, genuíno homem público, sabia que existe uma enorme diferença entre convencer e agradar e que muitas vezes é preciso pagar o preço das verdades duras, dos argumentos ásperos, para colher mais adiante o bem comum. Mandela, definitivamente, não era um populista.

Já no Brasil...

Em contradição com tudo o que Nelson Mandela pregou e realizou, aquele que se considera o nosso maior e mais importante líder político, Luís Inácio Lula da Silva, incorpora o mais refinado figurino populista do cenário latino-americano. Refinado, explico, apenas por conta de que Lula consegue ser o grande ilusionista que é num país onde, por questões históricas peculiares, as instituições democráticas são mais sólidas do que as daqueles em que a falácia do "bolivarismo" sustenta a liderança de populistas simplesmente patéticos.

Mandela dedicou a vida à conciliação dos sul-africanos. Lula prega o confronto entre os brasileiros. Nosso eterno líder sindical se convenceu, desde sempre, de que na política só existem "nós ou eles" e esse mantra segue sendo a síntese de seu, digamos assim, pensamento político, muito especialmente em períodos eleitorais.

Durante os primeiros 20 anos de existência do PT Lula foi o ferrabrás que era contra "tudo isso que está aí". Para se eleger em 2002 converteu-se provisoriamente em "Lulinha paz e amor", o que incluía desdizer quase tudo o que sempre dissera nos palanques. Mas, eleito e estimulado por índices estratosféricos de apoio popular, gradativamente voltou a ser o velho Lula rancorosamente hostil com os "inimigos" e pragmaticamente impositivo tanto na ação governamental quanto na partidária.

Lula exige que sua palavra seja lei. E a lei de Lula manda, primeiro, privilegiar ações de governo populistas, como um bolsismo necessário, mas incompetente e de viés claramente demagógico, e, depois, lançar a culpa de tudo o que não funciona ou dá errado sobre os ombros de um inimigo difuso, jamais denominado, que tanto podem ser as "elites" quanto todo e qualquer vivente que ouse a ele se opor. Por inspiração do Grande Chefe e com o toque de glamour fornecido pelo marketing, o discurso e a ação do governo baseiam-se hoje num tripé: a promessa, a versão e o porrete. Promessa de inesgotáveis bondades de grande apelo popular, versão edulcorada - ou puramente mendaz - dos desacertos provocados por sua própria incompetência de gestão e porrete no lombo da tigrada inimiga.

Haverá quem afirme que qualquer governo faz o mesmo, no mundo inteiro. É uma generalização talvez um tanto depreciativa, mas, enfim, governos são os homens que os integram e todos sabemos que o homem está longe de ser a obra mais perfeita do Criador. Tudo, porém, tem um limite, como diria o conselheiro Acácio. E em política o limite de tolerância para os malfeitos dos políticos - imperdoável corrupção à parte - é o da traição aos princípios que sempre defenderam. Nelson Mandela foi um exemplo de coerência. Lula traiu suas origens ao fazer, por apego ao poder, o Brasil ressuscitar com toda a força o secular patrimonialismo estatal que transformou o estamento burocrático em verdadeiro dono do poder, conforme Raymundo Faoro diagnosticara muito antes do advento do lulopetismo.

O próprio Lula revelou-se, ele mesmo, lá do pináculo de sua onipotência, um patrimonialista tão irredimível quanto os tradicionais coronéis da política aos quais se aliou, ao demonstrar que não distingue o público do privado: ao apagar das luzes de seu governo, teve o caradurismo de mandar distribuir passaportes diplomáticos para seus petizes e dias depois, já ex-presidente, refestelou-se com a família em aprazível propriedade da Marinha no Guarujá, para um merecido descanso à custa do erário. Exemplos aparentemente sem maior importância, mas suficientes para desnudar o rei.

Neste ano eleitoral, o tripé petista está armado de modo a garantir para a turma de Lula e seus aliados de mão grande mais quatro anos de patrimonialismo explícito, defendido na base da porretada, até mesmo contra o Judiciário. Dilma Rousseff aparentemente já conseguiu conciliar essa estratégia com seu próprio passado, simplesmente olhando para o outro lado, enquanto Lula decide o que deve ser dito nos palanques e quais devem ser os alvos da artilharia pesada. O recente e feroz ataque ao ex-aliado Eduardo Campos é uma pequena amostra do que vem por aí.

Tudo a demonstrar que entre Lula e Nelson Mandela c'è di mezzo il mare...

Projeto pessoal - ROGÉRIO GENTILE

FOLHA DE SP - 16/01

SÃO PAULO - Prestes a confirmar oficialmente sua candidatura a presidente, Eduardo Campos (PSB) está mais preocupado em tornar-se um rostinho conhecido para a eleição de 2018 do que em derrotar Dilma Rousseff agora. Se a prioridade fosse tirar o PT do Planalto neste ano, o governador pernambucano abriria mão da disputa em favor de Marina Silva, sua aliada, afinal.

Mulher, ambientalista, de origem humilde e evangélica, a ex-ministra do Meio Ambiente, por diversas razões, é muito mais competitiva do que Campos, ainda que Dilma seja a candidata mais forte em qualquer cenário e ainda que eleições não tenham a previsibilidade de uma operação matemática. Com o pernambucano na disputa, a presidente não é favorita, é favoritíssima.

O principal entrave para Campos é justamente o fato de que ele é um ilustre desconhecido para grande parte do eleitorado e de que precisaria dispor de muito tempo de exposição no horário eleitoral para tentar viabilizar-se numa corrida curta como a presidencial.

O presidenciável do PSB terá menos tempo na televisão do que Aécio Neves e muito menos do que Dilma. Marina também teria pouca visibilidade no horário eleitoral, mas, diferentemente do colega, se resolvesse hoje caminhar pela praça da Sé, não correria o mínimo risco de passar despercebida.

Além disso, as pesquisas mostram que Campos não herda a totalidade dos votos da ex-ministra, a despeito de todo o barulho causado pela aliança que firmaram em 5 de outubro. O Datafolha de dezembro mostrou que Dilma tem 42% das intenções de voto contra 26% de Marina e 15% de Aécio. Quando o candidato é Campos, o resultado é 47% para Dilma, 19% para Aécio e 11% para o pernambucano.

Tudo pode acontecer em política, é claro, e o ano é longo, mas Campos é hoje candidato muito mais a ser líder da oposição em 2015 do que a presidente da República.

Roteiros da sucessão - ANTÔNIO CARLOS DE MEDEIROS

O GLOBO - 16/01

Os detentores de maior capital simbólico não estão no palco, mas nos bastidores: Lula, Marina e Fernando Henrique



Os roteiros da sucessão presidencial estão sendo elaborados desde já. Diante das mudanças recentes de circunstâncias, a economia não deverá ocupar sozinha o foco dos roteiros. As campanhas e as narrativas vão ter que operar também no plano simbólico da política: poder simbólico de fazer ver e fazer crer. Estão e estarão em jogo visões de mundo. Produzindo novos discursos políticos. Ao fim e ao cabo, o teor do novo discurso que vai emergir dependerá de lutas simbólicas pelo poder simbólico.

Na economia, a disputa pelas melhores propostas para conservar e ampliar a sensação de bem-estar dos brasileiros e para reconquistar a confiança do empresariado e dos investidores estrangeiros, contendo a piora de percepção do Brasil. No discurso político, a luta simbólica por novas visões de mundo e a disputa pelo poder simbólico de fazer ver e fazer crer para transformar a visão de mundo e a ação sobre o mundo.

Trata-se de ter e conquistar capital simbólico: prestígio acumulado pela representação legítima das aspirações predominantes da sociedade. Os detentores de maior capital simbólico não estão no palco, mas nos bastidores: Lula, Marina e Fernando Henrique. Poderão eles “transferir” capital simbólico para os seus respectivos candidatos?

Para além das propostas racionais no campo da economia, a disputa pelas visões de mundo deverá trazer emoções e subjetividades. Falar para as mentes, mas também para as almas e para o imaginário social dos brasileiros. Reconstituir as narrativas e as mensagens. E demonstrar capacidade de convencimento, ter atitudes críveis, comunicar coragem de mudar, mostrar capacidade de concertação e apontar caminhos para a melhoria da governança do Brasil.

O país chega ao fim de um ciclo de estabilidade e inclusão. Agora é tempo histórico de construir nova Agenda. Qual vai ser? O ano de 2015 já está contratado: ajuste fiscal, qualidade dos serviços públicos, direção do desenvolvimento. Tudo isto resulta em geração de conflitos distributivos, em atingir fortes interesses estabelecidos. Exige muita coragem e, principalmente, muita legitimidade, vale dizer, muito capital simbólico e muito capital social.

Cuidar do pão com manteiga e, ao mesmo tempo, dos sonhos e projetos de vida e de país. No processo político-eleitoral, este ano; e depois, em 2015, na inauguração de novo governo. Novo governo que vai precisar produzir condições de concertação, condições de harmonização de grandes mudanças, muitas delas a serem pactuadas no Congresso, no Executivo, no Pacto Federativo e nos espaços de representação corporativa dos trabalhadores e dos empresários brasileiros.

Novo governo, também, que vai ter o desafio de repactuar e reorganizar as condições objetivas de governança, para possibilitar a melhoria da capacidade de entrega do governo e superar os sérios entraves e “gargalos” do processo decisório e do arcabouço institucional — inclusive a proliferação de órgãos de controle e fiscalização que não conversam entre si e que produzem um cipoal de mecanismos concorrentes e paralelos de controle. Para controlar o Leviatã, produziu-se no Brasil um novo Leviatã.

Os roteiros da sucessão presidencial precisam fazer o Brasil recuperar a confiança em si mesmo. Esta é a luta simbólica que está para ser feita, agora e depois.

Guerra campal - SÍLVIO RIBAS

CORREIO BRAZILIENSE - 16/01
 Rebeliões de presos, arrastões de praia e rolezinhos de shoppings. Preciso dar mais exemplos de quanto andar na rua está perigoso? Como se não bastassem as preocupações diárias com os sequestros relâmpagos à luz do dia nas entrequadras e estacionamentos, com as emboscadas nas entradas de garagem e com os cada vez mais comuns ataques do tipo "chegou atirando", agora temos de encarar as inesperadas avalanches de gente em locais públicos.

A Constituição garante livres manifestações, mas desde que não extrapolem os nobres desejos coletivos de reivindicar direitos e pedir mudanças no que está errado. Os históricos protestos de junho de 2013 mostraram que o povo pode e deve ir às ruas para mostrar insatisfação. Mas as margens das ruas e as margens da legalidade devem ser respeitadas para que não se percam as conquistas democráticas.

 Multidões pacíficas convocadas pela internet, como os flash mobs, são característica de nossos tempos, que não devem servir a intenções criminosas. O caos da segurança não interessa a ninguém. O Estado existe para garantir ao cidadão o pleno direito de locomoção, exceto quando a própria integridade física das pessoas esteja em risco. Não podemos considerar normais bloqueios de grandes avenidas por meia dúzia de manifestantes e muito menos ônibus incendiados por bandidos soltos.

 Se o sistema prisional está falido, que as autoridades se sentem e tratem o assunto com a seriedade que merece, colocando o marqueteiro e o calendário eleitoral do lado de fora da sala. Se o aparato policial não sabe como lidar com hordas enfurecidas, que os superiores definam protocolos claros e rígidos para todas as situações. Ninguém aguenta mais grupos de trabalho, gabinetes de crise e discursos que insultam a inteligência da população ao tentar amenizar o descalabro. 

Estamos numa guerra campal, no qual os lados contrários estão difusos? Boa parte da inércia em encontrar soluções está na visão ideológica que tende a ver as ações energéticas em nome da ordem social como gestos "de direita" e as convulsões em praça pública como "sintomas da decadência do sistema capitalista" e revelação da luta de classes.

O criminoso e o cidadão de bem não podem ser classificados conforme a raça, a condição social ou a linha de pensamento. A República nos faz todos iguais perante a lei, sejamos honestos ou não, pacíficos ou belicosos. Pelo menos era assim que deveria ser.

No Maranhão não tem disso, não - ROBERTO MACEDO

O Estado de S.Paulo - 16/01

O Maranhão destacou-se no noticiário recente quando veio à tona a chocante situação do presídio de Pedrinhas, na capital. Essa prisão é recordista nacional de presos assassinados por outros detentos, no que houve até torturas e decapitações enaltecidas por seus autores. Não se pode dizer que houve uma crise. Ela estava lá e apenas aflorou dramaticamente ao evidenciar a situação calamitosa do sistema penitenciário do Estado e a responsabilidade do seu governo pelo que ali se passa.

Superlotação, desconforto, más condições sanitárias, domínio de detentos por facções criminosas e outros problemas também atingem presídios em outros Estados. No Maranhão, contudo, um dos mais pobres do País, governado há tempos por uma oligarquia familiar desatenta a questões como essa, o presídio de Pedrinhas acabou tendo projeção nacional como símbolo do desleixo governamental.

A governadora Roseana Sarney, com um semblante que não escondia a situação constrangedora a que foi levada, veio com explicações para os acontecimentos, ainda que sem se deter na própria falta de ações que, se tomadas corretiva e preventivamente no passado, poderiam ter impedido a eclosão do que de nefasto ocorreu em Pedrinhas.

Nesse escapismo, uma das razões que apontou para o aumento da criminalidade foi que o Maranhão se vem tornando "mais rico". Essa afirmação soou estranha para muitos e recebeu várias críticas. Entre elas, a do jornalista Alberto Dines. Primeiro, ele criticou José Sarney, pai da governadora, por ter afirmado que a violência nas prisões do Estado estava contida pela filha. Mas, logo depois, "(...) a violência ganhou as ruas de São Luís, num claro desafio ao imortal ficcionista (...)", referindo-se ao incêndio de um ônibus que levou à morte de uma criança por queimaduras, as quais alcançaram também familiares que a acompanhavam. Em seguida, Dines disse que Roseana, no dia 9, "(...) ao lado de um ministro da Justiça envergonhado com aquela despudorada exibição de cinismo, teve o desplante (...)" de fazer a referida afirmação.

Sem me ater primeiramente à apontada relação entre o Estado estar "mais rico" e o aumento da violência local, logo estranhei a referência à maior riqueza maranhense. O que ela poderia ter dito é que o Maranhão está ficando menos pobre, o que é outra coisa. De fato, o PIB estadual vem crescendo mais do que a média nacional. Segundo levantamentos do IBGE, o PIB do Maranhão aumentou sua participação no do País, de 0,9% em 1995 para 1,3% em 2011.

Uma das razões é o florescimento do agronegócio no sul do Estado, o mesmo ocorrendo com a mesma região de seu vizinho, também muito pobre, o Piauí. Em ambos o sul apresenta condições similares às que em Mato Grosso permitiram o forte aumento da produção de grãos. Aliás, hoje já se fala da região denominada Mapitoba, que reúne essa área daqueles dois Estados, juntamente com o norte de Tocantins e o oeste da Bahia.

Passando à relação entre menor pobreza e aumento da criminalidade, esta também soa estranha, mas pode ocorrer. Fui despertado para essa possibilidade por mensagem de Tulio Kahn, um sociólogo que se vem destacando por seus estudos sobre segurança pública. O texto da mensagem tratava, entre outros aspectos, de dados que indicam um aumento da criminalidade patrimonial em 12 países da América Latina entre 2003 e 2011, período em que aumentaram as taxas de crescimento do PIB e da renda na região, paralelamente à melhoria de vários de seus indicadores sociais. Segundo Kahn, o crescimento da economia amplia o volume de bens em circulação e isso abre espaço para crimes estimulados pelas maiores oportunidades de cometê-los. Em outras palavras, quem passa a ter mais renda e bens disponíveis se torna alvo de maior interesse de ladrões.

Estendendo a conversa, Kahn trouxe-me à lembrança um economista que estudou aspectos econômicos da criminalidade, o americano Gary Becker, Nobel da área em 1992. Este argumentou que os seres humanos são racionais e movidos por interesses econômicos. Assim, ladrões também agem desse modo por entenderem que como resultado sua condição econômica será melhor ou não tão ruim. Mas, ainda que sem fazer cálculos precisos, eles também ponderam os benefícios do crime relativamente a seus custos, como o risco envolvido na própria ação ou a punição depois dela. E a avaliação se dá com relação a alternativas de melhorar sua condição econômica, se existirem.

Nesse contexto, na formulação de políticas públicas para combater a criminalidade pondera-se que esta nunca poderá ser reduzida a zero, dados os imensos custos que isso envolveria. Mas pode-se fazer muito em contrário, aumentando os custos percebidos pelos criminosos, como os envolvidos na captura e punição.

Voltando ao Maranhão, quanto aos custos seria abjeto acenar com a perspectiva de cadeias como a de Pedrinhas. E li que no Estado há mais criminosos foragidos que detidos, revelando que mesmo se ela e outras aprimorarem suas condições, e mais forem criadas, o desestímulo da perspectiva prisional não funcionará se muitos mais criminosos não forem capturados. Ou seja, não há como a governadora, ou quem lhe suceder, retirar o problema de seu colo.

Outra saída importante, também de agenda governamental e nada sólida no Maranhão, é oferecer alternativas à criminalidade, em particular na forma de uma educação efetivamente adequada, inclusive profissionalizante, e mais oportunidades no mercado de trabalho.

Mas, parodiando canção gravada em 1950 por Luiz Gonzaga e voltada para o Ceará, o que se pode dizer repetidamente, mais do que sobre muitos outros Estados, é que no Maranhão não tem disso, não. E de novo recorrendo a Gonzagão: quem não gostar que me "adesculpe", porque essa é a minha percepção.

Os homens de preto - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 16/01

Shopping não é um lugar para bandos de homens armados, pois eles põem em risco inúmeras vidas


Meia dúzia de jovens, todos em atitudes descontraídas, mãos à vista e vazias, exceto as de dois deles que seguram copos de lanchonete. A legenda da foto, na Folha de ontem, diz que "Seguranças abordam jovens no shopping Internacional de Guarulhos". São quatro homens, três com os sinistros ternos e gravatas pretas que hoje valem como uniforme de trogloditas, todos com o cabelo baixinho de tira americano e executivo brasileiro. Entre os dois grupos, mesas e cadeiras. Mas não é tudo.

Apesar da pouca nitidez, não é necessária muita atenção para notar que um dos homens tem na mão direita uma pistola, dedo sobre o gatilho, e um outro aparentemente faz o mesmo. Por quê? Porque esses homens não deviam estar armados, mas estão. Porque, está evidente, não têm preparo para portar arma sem representar insegurança para os circunstantes, mas são os encarregados da segurança. Porque shopping não é lugar para bandos de homens, preparados ou não, estarem armados, se ali a perseguição armada a um assaltante põe em risco, mais do que o ladrão, inúmeras vidas alheias. Não é lugar para eles, mas ali estão eles.

Com suas armas, e ansiosos para sacá-las por nada, e capazes de usá-las só porque as têm. Os exemplos já são muitos. As condições são muito favoráveis a aumentá-los. Sem problema, antes ou depois.

EM DÍVIDA

A atenção atraída pelo presídio maranhense de Pedrinhas encobre o fato de que foi o Presídio Central, em Porto Alegre, o objeto da exigência de medidas corretivas feita ao Brasil pela OEA com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Já as primeiras investigações indicam, porém, que o caso gaúcho é mesmo gravíssimo. Assassinatos de presos registrados como efeito de doenças que as vítimas nunca tiveram, ao menos 23 homicídios entre 2011 e 2013, uso abundante de drogas, maus tratos generalizados.

O governador gaúcho Tarso Genro guarda, a respeito, silêncio proporcional à omissão que, na 1ª Vara de Execuções Criminais, já foi citada como "conivência do Estado" com o domínio do crime no sistema penitenciário. O silêncio pode convir à sua instável situação eleitoral, mas não é só ao eleitorado local que Tarso Genro deve responder. Até por se tratar, também, de um ex-ministro da Justiça, no governo Lula.

UM CRIVO

São mínimas, se existirem, as probabilidades de que os procuradores da República recuperem o poder de abrir inquérito, por sua própria decisão, contra o que presumam serem crimes eleitorais. O pedido de reconsideração da medida, feito pelo procurador-geral Rodrigo Janot, contraria a eloquência dos votos que impuseram o pedido de autorização de inquérito ao juiz eleitoral: houve só um voto contrário à proposta do ministro Dias Toffoli, o do ministro Marco Aurélio, no Tribunal Superior Eleitoral.

O recurso já previsto por Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, tem melhor perspectiva aritmética, mas insuficiente para prometer êxito. Os ministros que já passaram pelo TSE tendem a considerar que a alta quantidade de processos derrubados advém de frequente mau uso, por falta de um crivo judicial, da livre iniciativa de procuradores.

Não necessariamente por influência política, mas sem que ela seja raridade. Lá pelo Norte e o Centro-Oeste, sobretudo.

Três erros com uma cajadada - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 16/01

O governo pagou pelo menos R$ 22,6 bilhões no ano passado, pagará mais neste ano e ainda teve de enfrentar um fiasco humilhante por três erros cometidos com uma só decisão. Ao tentar renovar à sua maneira as concessões do setor elétrico, a presidente Dilma Rousseff pretendeu também reduzir as contas de energia e conter o aumento dos indicadores de inflação. Truques semelhantes foram encenados para controlar as tarifas de transporte urbano e para atrasar o aumento - há muito necessário - dos preços de combustíveis. Apesar dessas manobras, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação, subiu 5,91% e superou a alta do ano anterior, de 5,84%.

O primeiro erro foi a tentativa de administrar o índice, em vez de cuidar seriamente das pressões inflacionárias. O evidente fracasso afetou a credibilidade do governo, já reduzida por uma porção de trapalhadas, e alimentou expectativas de inflação ainda mais alta neste ano. A missão do Banco Central (BC), único órgão federal empenhado de fato no combate à alta de preços, ficou mais difícil, especialmente porque uma política fiscal mais séria é altamente improvável em ano de eleições.

O segundo erro consistiu em jogar mais um encargo sobre o governo federal, num ano previsivelmente ruim para as contas públicas. Os R$ 22,6 bilhões incluem as indenizações pagas a concessionárias pela renovação antecipada dos contratos (R$ 12,7 bilhões até novembro) e os subsídios para contenção do preço da energia (R$ 9,9 bilhões). Oficialmente, o Tesouro só custeou cerca de R$ 8 bilhões dos subsídios, porque o resto saiu de fundos próprios do setor energético. Mas o Tesouro terá provavelmente de intervir para realimentar esses fundos, já quase esgotados.

O Executivo chegou a montar no fim do ano um esquema para essa finalidade, com participação da Caixa Econômica. Mas o uso da Caixa apenas disfarçaria o caráter fiscal da operação, evidente para a imprensa e para os analistas privados. O Ministério da Fazenda abandonou o plano pelo menos provisoriamente. Poderá tentar de novo a manobra neste ano.

Não há, no entanto, como evitar um enorme problema para as finanças federais. Indenizações e subsídios serão pagos ou pelo Tesouro, afetando diretamente as contas fiscais, ou por fundos do setor elétrico, desviando recursos necessários às políticas de desenvolvimento. A transferência de recursos por meio de bancos oficiais serve apenas para maquiar de forma precária o custo fiscal da operação. Nenhum truque desse tipo funciona mais como disfarce. Em pouco tempo a manobra se torna visível e sem grande mistério para quem acompanha profissionalmente a gestão das contas públicas. Neste ano, o governo terá de continuar pagando as indenizações pela renovação antecipada e a subvenção da energia consumida a preços favorecidos.

O terceiro erro foi cometido quando o governo se arriscou a comprometer um pouco a credibilidade da política fiscal. Tarifas contidas de forma voluntarista podem atrair a simpatia de uma parte do público e render vantagens eleitorais. Mas afetam a confiança dos profissionais mais informados sobre questões financeiras e sobre gestão pública. Isso pode resultar, por exemplo, no corte da nota de crédito do Brasil.

Mesmo sem esse corte, o financiamento do governo pode ficar mais caro. A mera rolagem da dívida pública tende a tornar-se mais custosa. Esse efeito já tem sido notado nas operações do Tesouro. O risco, neste ano, é ampliado pela redução dos incentivos monetários nos Estados Unidos. Essa mudança já afeta os mercados financeiros e torna menos generosa a oferta de financiamentos. Tomadores de recursos com a credibilidade reduzida serão, presumivelmente, os mais prejudicados. Ao dar prioridade aos objetivos eleitorais, a presidente Dilma Rousseff parece haver negligenciado, perigosamente, a preocupação com a credibilidade.

Uma piora nas condições de financiamento, em 2014, afetará a ação do governo tanto neste ano quanto no próximo, início do mandato de quem vencer a eleição presidencial. O vencedor, tudo indica, terá um primeiro ano muito complicado.

Francisco conquista espaços no Vaticano - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 16/01

Bergoglio demonstra ter aprendido muito da arte da política ao conviver com os militares argentinos na ditadura e com os peronistas



O ainda curto pontificado de Francisco já tem uma divisão clara. Eleito em março e empossado em abril, Jorge Mario Bergoglio nunca deixou de sinalizar sobre o perfil que deseja para a Igreja: mais aberta ao povo, presente nas ruas, humilde, compreensiva. Assim que afirmou não desejar viver nos suntuosos aposentos papais, Francisco mandou uma mensagem. E não parou mais.

Logo depois, fez a primeira viagem ao exterior, ao Rio, onde, nas pregações na Jornal Mundial da Juventude, manteve o tom, reafirmado na entrevista à TV Globo e nas seguintes. Compreensão diante da homossexualidade e acolhimento a casais divorciados, por exemplo, ganharam espaço no noticiário.

Francisco viveu momentos de catarse no contato com as multidões na viagem, mas retornou para um Vaticano no qual o esperava uma estrutura de poder cristalizada no pontificado de Bento XIV, que, tudo indica, teve a humildade de reconhecer a incapacidade até física de reformá-la, e entrou para a História como o primeiro Papa a renunciar em 600 anos.

Francisco retornou e, numa indicação translúcida de que, dogmas à parte, deseja gerir a Igreja de forma compartilhada, nomeou um grupo de oito cardeais para assessorá-lo, o “G-8 papal”. E, como era imprescindível, afastou o cardeal Tarcisio Bertone do cargo de secretário de Estado, a segunda pessoa do Vaticano, substituindo-o por Petro Parolin. Identifica-se Bertone como forte liderança da ala conservadora, desinteressada em maiores alterações em nomes e na maneira de operar da Cúria romana, responsabilizada, em última análise, pela tíbia reação da Igreja às denúncias de pedofilia e de desmandos no Banco do Vaticano.

Recente reportagem do “New York Times” relaciona a dança das cadeiras em vários postos, em todo o mundo, sempre com a intenção de Francisco de se cercar de pessoas de confiança e comprometidas com a sua visão da Igreja. Depois de Bertone, outros da mesma linha foram e estão sendo removidos. Deve ir na mesma direção a alteração anunciada ontem numa comissão de cinco cardeais criada para reorganizar o Banco do Vaticano, na qual mudou quatro, entre eles o brasileiro Odilo Scherer e o próprio Bertone.

A reportagem do jornal americano se refere a um clima de tensão e até de paranoia no Vaticano, diante dos ventos renovadores. Comenta-se até a existência de supostos “seis misteriosos espiões jesuítas” que transitariam pelos corredores e gabinetes da burocracia vaticanista como olhos e ouvidos de Francisco, um jesuíta de origem.

O Papa apenas faz o que é preciso. Hoje, entende-se que Jorge Bergoglio aprendeu muito da arte da política ao conviver com os militares argentinos na ditadura — da qual foi injustamente acusado de ter sido colaborador — e com os peronistas, em especial o ramo kirchnerista, que o considerou inimigo. Mais uma credencial para ele.

Desafio sueco - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 16/01

A Suécia "não é a Suécia", brincou em 1990 o sociólogo Ralf Dahrendorf, ironizando os que apontavam a nação escandinava como um desejável amálgama da competitividade capitalista com os ideais distributivistas. De sua perspectiva, o país real nada tinha em comum com essa bem-intencionada construção ideológica.

"A Suécia não é mais a Suécia", repetem, em outro contexto, grupos organizados de direita naquele país. Tornou-se uma "espécie de suedistão", afirmam, dado que 27% dos seus 9,5 milhões de habitantes têm origem estrangeira.

São 2,5 milhões de "estrangeiros", dos quais 1,4 milhão nascidos fora do país, sendo os demais filhos de um ou dois genitores sem origem sueca. Pouco importa se a maior parte dos imigrantes vem da vizinha Finlândia, ou se há mais dinamarqueses do que turcos, e mais ingleses do que indianos, nesse disputado território.

O alto contingente de iraquianos e iranianos e a crescente população de origem síria devem-se em boa medida ao fato de a Suécia ser especialmente flexível na concessão de asilo a refugiados, que representam 12% dos imigrantes.

A grande proporção de estrangeiros na Suécia --embora os muçulmanos não sejam mais que 5% da população-- acompanhou-se nos últimos anos do fortalecimento de plataformas xenófobas na política. O partido intitulado Democratas Suecos, que contava com 0,02% do eleitorado em 1998, passou a 5,7% em 2010, constituindo uma bancada de 20 deputados entre os 349 que compõem o Parlamento.

Em dezembro, cerca de 50 militantes armados atacaram uma passeata antirracista, deixando dezenas de feridos. Como resposta, atos maciços de repúdio se organizaram às vésperas do Natal.

Mas a mobilização pela tolerância e pelo multiculturalismo, sem dúvida necessária, corre o risco de tornar-se inócua com o passar do tempo. "Tolerar" o estrangeiro e o muçulmano, como bem observou o polêmico filósofo esloveno Slavoj Zizek, é algo que oculta mal o incômodo, ou a repulsa, que sua presença não obstante pode inspirar.

Estratégias de convivência, de troca, de diálogo, são mais amplas do que a mera tolerância; paradoxalmente, a ideologia multiculturalista pode frustrá-las se insistir na preservação de identidades étnicas e religiosas estanques, avessas a uma integração real e enriquecedora para todos os lados.

É o desafio de inúmeros países desenvolvidos; se a Suécia for, em parte, a Suécia que se imagina, seu papel não será pequeno na busca de caminhos para enfrentá-lo.

Ataques ao MP só favorecem a impunidade - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 16/01
A quem interessa a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassa a legítima prerrogativa do Ministério Público de pedir a instauração de inquéritos policiais para investigar crime eleitoral? À sociedade brasileira, certamente não é. E isso basta para que a norma aprovada em dezembro - com um único voto contrário, o do presidente da Corte, Ministro Marco Aurélio Mello - seja revista. Mas há mais: trata-se de afronta à Constituição. 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já pediu a revisão ao TSE. E avisou: se não for atendido, vai bater às portas do Supremo tribunal Federal a fim de contestar a constitucionalidade da medida. Espera-se que não seja preciso ir tão longe. Marco Aurélio Mello considera a Resolução nº 23.396/2013 "ato falho", que desgasta o tribunal e deve ser resolvido pelos próprios membros.

A expectativa é que o tema entre na pauta da Justiça Eleitoral logo na reabertura dos trabalhos, com o fim do recesso, no início de fevereiro. Mas, se o TSE não cumprir esse dever, é bom saber que, apesar da quase unanimidade dos integrantes a favor da restrição aos trabalhos do MP, Janot e Mello não estão sozinhos na batalha para extinguir a aberração. Filiados de várias entidades de representação dos procuradores assinaram nota de repúdio à mudança.

Eles têm instrumento poderoso para corrigir o retrocesso: o art. 129, inciso VIII da Carta Magna é claro ao definir como função do Ministério Público "requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial". A moção ainda registra estranhamento pelo fato de que "a nova redação não constava nem mesmo na minuta inicial da resolução de 2013, tendo sido introduzida só depois da audiência pública sobre o tema". O texto foi relatado pelo Ministro Dias Toffoli.

Em suma, inexistem razões e interesses maiores para dar à Justiça Eleitoral a exclusividade de determinar a abertura de inquérito policial, o que apenas serve à impunidade, pois pode retardar ainda mais a apuração de crimes. O que o país precisa é justamente do contrário: tapar as brechas legais por onde escoa dinheiro público e escapam criminosos de toda ordem. Portanto, fortalecer, não enfraquecer, o Ministério Público é o anseio da nação.

Basta de investidas contra o poder investigatório do Estado. Não foi por mera coincidência que, no auge do crescimento da ação do MP no combate à corrupção e à criminalidade, ganhou força no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, a PEC da Impunidade. Só as manifestações populares de junho do ano passado, mobilizando multidões, enterraram a excrescência. 

Agora, tenta-se ressuscitá-la em outra seara, de modo a evitar que o órgão fiscalize a atuação dos partidos políticos e dos candidatos na campanha eleitoral de 2014. A lógica deve ser eleger bancada disposta a levar adiante a luta contra o desejo de moralização expresso nas ruas do Brasil. Nada disso! Fechar o caminho aberto pela campanha da ficha limpa é desvirtuar princípio fundamental inscrito em parágrafo único do artigo 1º da Constituição: o de que "todo o poder emana do povo".

Braços abertos para quê? - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 16/01

O novo capítulo da longa e triste história da Cracolândia, pomposamente chamado de Operação Braços Abertos, que acaba de ser lançada, parece ter tudo para seguir o mesmo destino dos que o precederam - o do malogro, logo seguido do esquecimento. Mais uma vez, questões essenciais são deixadas de lado ou não recebem a devida atenção, em benefício de maneiras "inovadoras" de tratar o difícil problema dos dependentes de crack. É como se a Prefeitura, a quem cabe essa iniciativa, achasse que só o brilho enganador da novidade bastasse para justificá-la. E tudo indica também que a improvisação, que vai se tornando uma marca do atual governo municipal, está por trás dessa operação.

O alvo dessa vez não é o conjunto da população de dependentes da Cracolândia, mas de apenas uma parte dela - a que nos últimos três meses montou os barracos de uma pequena favela na região, sob as barbas das autoridades que a isso assistiram passivamente. Apesar da degradação que ali impera, a presença dessa favelinha chocou os paulistanos e era evidente que algo teria de ser feito para removê-la. É difícil de escapar da conclusão de que, independentemente do que se possa pensar da Operação Braços Abertos, por trás dela está a intenção - no mínimo tão importante quanto a de cuidar dos dependentes - de acabar com a favelinha. Como não dar o nome de improviso a essa tentativa de tratar de uma só vez daqueles dois problemas?

A esse vício de origem o governo de Fernando Haddad acrescentou à Operação Braços Abertos propostas de alcance no mínimo duvidoso para cuidar do problema dos viciados de crack. Às cerca de 300 pessoas que ocupam os barracos e que já começaram a desmontá-los, com a ajuda e supervisão de pessoal da Prefeitura, serão oferecidas acomodações em quatro hotéis da região, com diárias pagas pelo governo municipal por tempo indeterminado. Em contrapartida, elas terão de trabalhar quatro horas por dia na varrição de ruas.

Além disso, deverão frequentar durante duas horas diárias cursos de capacitação profissional. Na área de saúde, elas continuarão dispondo dos tratamentos já oferecidos, em parceria da Prefeitura com o governo do Estado, para os dependentes de drogas. Pelo trabalho de varrição, elas receberão salário de R$ 15 por dia, pago a cada semana. Quem eventualmente não for trabalhar, por falta de condições por causa do uso de droga, mas procurar ajuda na rede de saúde, receberá o salário normalmente.

Assistência para moradia, trabalho remunerado, estudo e tratamento médico - a receita aparentemente é boa. Como as aparências enganam, é preciso chamar a atenção para aspectos altamente negativos da operação. Com a maioria das necessidades básicas garantidas, a começar por onde morar, salta aos olhos que a maior parte do dinheiro ganho pelos dependentes quase certamente irá para comprar crack e, como essa é uma droga barata, poderão com ele sustentar seu vício. Aliás, a Prefeitura deixa claro que seu objetivo nesse caso não é acabar com o vício, mas reduzir os danos da situação em que se encontram os dependentes.

O que garante que muitos dos demais dependentes que moram na região não construirão novas favelinhas para serem derrubadas em seguida e lhes garantir os mesmos benefícios? Além disso, como lembra o promotor de Justiça Marcelo Luiz Barone, os hotéis alugados para abrigar os dependentes devem "virar verdadeiros antros de tráfico, de promiscuidade, de doenças". Em resumo, a aparente boa ideia pode se transformar num pesadelo.

O problema da Cracolândia é complicado demais para ser tratado dessa forma. Enfrentá-lo para valer exige ações coordenadas de tratamento médico e assistência social aos dependentes e às suas famílias, assim como policiamento para garantir segurança na região e, sobretudo, combate ao tráfico de drogas, que ali corre solto, ao ar livre, dia e noite. Sem atacar o problema por esses dois lados, não se avançará. Mas isso exige tanto da Prefeitura como do Estado uma disposição de cooperar e uma coragem que até agora não demonstraram. Por isso, não se vai além de operações de muito barulho e poucos resultados.

O poder de investigar - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 16/01

O processo eleitoral terá sua normalidade assegurada se o Tribunal Superior Eleitoral revisar uma resolução que restringe a atuação do Ministério Público. Têm razão os integrantes do MP ao cobrarem do TSE a alteração da norma, para que os procuradores voltem a ter o poder de requisitar a instauração de inquéritos policiais para apurar crimes eleitorais. A resolução do Tribunal, aprovada em dezembro do ano passado, contraria tudo o que vem sendo feito no sentido de aperfeiçoar as instituições encarregadas da vigilância dos pleitos eleitorais. Pelo que foi decidido em plenário, a partir das eleições de outubro deste ano a instauração de inquérito para apuração de crimes depende de autorização do juiz eleitoral. Pelo que foi deliberado, o poder de polícia é exercido pelo juiz e a este o MP deve se subordinar.

A reação do Ministério Público tem a exata dimensão da ameaça representada pelas restrições. É elogiável a iniciativa do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que intercedeu junto ao TSE, para que a decisão seja revertida. Janot atendeu a apelos de moções de integrantes do MP em todo o país, mas a indignação não se limita a uma categoria profissional. Não é do interesse da democracia que os procuradores percam o poder de requisitar investigação à polícia.

O que de alguma forma tranquiliza não só o MP é a manifestação do próprio presidente do Tribunal, ministro Marco Aurélio Mello, que acolheu, em manifestação pessoal, as queixas dos procuradores. Admite o presidente da Corte que o TSE deverá reavaliar a resolução, porque esta é conflitante com o Código de Processo Penal. Em nota, o ministro observou que um inquérito pode ser instaurado de ofício pela Polícia Federal, por requerimento de órgão judiciário ou pelo Ministério Público.

Apesar da tendência favorável à reversão da norma, é preocupante que o plenário do TSE tenha adotado tal postura restritiva e que o próprio presidente tenha sido, quando da votação da referida norma, a única voz discordante. O Tribunal e todos os organismos dedicados à moralização da atividade pública devem reconhecer a importância do MP nesse esforço. O aprimoramento dos mecanismos de controle tem provocado expressiva redução no número e na gravidade dos delitos eleitorais nos últimos anos. Essa melhoria é resultante do rigor das leis e da atuação institucional de Polícia, MP e Justiça, no sentido de promover a convergência de suas ações.

Ao limitar a atuação do MP, o TSE pode estar cometendo dois erros, ao aumentar o poder dos juízes e centralizar decisões e, ao mesmo tempo, desperdiçar a agilidade e a vocação do MP para investigar. Espera-se que, com a posição explicitada por seu presidente, o Tribunal reveja a resolução, sem que seja necessário, como chegou a se anunciar, que os procuradores recorram ao Supremo Tribunal Federal, para que seus direitos e suas atribuições sejam preservados.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Vai ter que explicar por que não assinou meu mandado de prisão”
João Paulo Cunha (PT-SP), deputado mensaleiro, voltando a desafiar Joaquim Barbosa


GOVERNO BATE RECORDE NOS GASTOS COM CARTÕES

O dinheiro torrado em 2013 com cartões corporativos do governo federal ultrapassou os R$ 61 milhões e estabeleceu o novo recorde do mandato de Dilma Rousseff, segundo o Portal da Transparência. Como sempre campeã, a Presidência da República gastou R$ 18,6 milhões, mas 95% do total são mantidos sob sigilo sob a alegação de “garantir a segurança”, por isso não são detalhados no Portal da Transparência.

SEM MISÉRIA

Se fosse ministério, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estaria em empate técnico com a Justiça. Gastaram mais de R$ 11 milhões cada.

2014 PROMETE

Se a história se repetir, governo vai estourar os limites este ano. O ex-presidente Lula torrou R$ 80 milhões em 2010, ano da eleição de Dilma.

PONTUAÇÃO MÁXIMA

Campeão de uso de cartão do governo foi o servidor Bruno Schettino com mais de R$ 105 mil gastos em churrascarias, pizzarias, flores etc.

DINHEIRO VIVO

Raul Mourão, outro servidor do governo, sacou R$ 9.170 na boca de caixas eletrônicos, para despesas de “pequeno vulto”.

PSDB JÁ AMEAÇA RETALIAR EDUARDO EM PERNAMBUCO

Caso Eduardo Campos lance candidato do PSB/Rede ao governo de São Paulo, nos bastidores, o PSDB ameaça retaliar com a candidatura do deputado tucano Daniel Coelho ao governo de Pernambuco. Bem votado para prefeito e opositor declarado de Eduardo Campos, Daniel Coelho é jovem, bom de discurso, tem ficha limpa e detesta a ideia de fazer parte da base de apoio do atual governador de Pernambuco.

ÁGUAS PASSADAS

Lula tem mais que a questão “Rose” para manter-se calado: advertiu em 2008 que trabalhador deveria consumir para “não perder emprego”.

ALÉM DA VIDA

Ironia no slogan da Caixa no Twitter: “A vida exige que um banco vá além”. Mas não precisava exagerar no caso da poupança surrupiada.

#DESAFOROS

Antes de admitir sua aposentadoria, a deputada distrital Arlete Sampaio (PT-DF) já revelava impaciência com o eleitorado, nas redes sociais.

RICAS BOQUINHAS

Dilma recebeu Michel Temer, segunda (13), com a lista dos cargos do PMDB. Como aquele ocupado por Sérgio Machado, apadrinhado de Renan Calheiros e agarrado à presidência da Transpetro há 11 anos.

O TROCO

Em pé de guerra com a presidente Dilma, que lhe negou o sonhado Ministério da Integração, o senador Vital do Rêgo (PMDB) ameaça apoiar o senador tucano Cássio Cunha Lima ao governo da Paraíba.

REAÇÃO INDIGNADA

Alagoanos indignados, como o notário Celso Pontes de Miranda e o deputado Alexandre Toledo (PSB-AL), estão entre os autores da queixa ao MP estadual contra o afano de área verde de 2 mil metros, na Barra de São Miguel, para fazer estacionamento privado de um hotel, o Ritz.

JÁ ERA

Ademir Wiederkehr, da Contraf, entidade de “trabalhadores do ramo financeiro”, é contra devolver a “participação nos lucros” de servidores da Caixa, engordada com R$ 719 milhões surrupiados de poupadores.

OUTRAS MODALIDADES

Além de Nado Sincronizado com Lixo, na Baía da Guanabara, o leitor Marcos G. Fraga sugere outras modalidades, nas Olimpíadas 2016: Saltos Orçamentários, Arremesso de Preço e Superfaturamento 4x100.

CABELEIRA

Nem mesmo os amigos mais chegados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) o poupam de críticas e ironias, por usar jato da FAB para ir ao Recife dar um tapa no visual. Chamam-no agora de “Cabeleira”.

NO PASARÁN

Cuba negou visto ao excelente Fábio Pannunzio, jornalista da Band, para a cobertura da viagem de Dilma, fim do mês. Crítico da ditadura comunista, diz em seu blog que “foi grande o prejuízo profissional”.

PERGUNTA NO STF

Joaquim Barbosa declarou transitada em julgado a sentença de João Paulo Cunha (PT-SP), e saiu de férias. Por que seu substituto, ministro Ricardo Lewandowski, não assina o mandado de prisão do meliante?

PENSANDO BEM...

...Lula socializou o governo e “privatizou” Rosemary Noronha.


PODER SEM PUDOR

VISITA INDESEJADA

Dia 1º de abril, "day after" do golpe de 1964. Às 9h, um carro preto entra na sede do então IV Exército, no Centro do Recife. Falam de dentro do carro:

- Sou Celso Furtado, superintende da Sudene, e desejo me inteirar dos últimos acontecimentos do País.

- Doutor Celso - responde um oficial -, eu sei quem é o senhor e tenho certeza de que as pessoas aqui não têm qualquer intenção de lhe colocar a par dos acontecimentos. Por favor, volte para a sua Sudene e aguarde lá. Vai ser melhor para o senhor e para mim.

Furtado tratou de ir embora devagarinho.

QUINTA NOS JORNAIS

O Globo: Contra a inflação, BC eleva juros pela 7ª vez seguida

Folha de SP: Com a inflação em alta, BC sobe juros para 10,5%

O Estado de S. Paulo: Inflação acima do previsto faz BC elevar juro a 10,5%

Correio Braziliense: Operação para conter motins em presídios na Copa

Estado de Minas: Tensão na Savassi

Jornal do Commercio: Cuidado ao buscar correção do FGTS

Zero Hora: Juro crescente - BC testa remédio forte contra a alta de preços

Brasil Econômico: Banco Central eleva taxa básica de juros a 10,5%

Valor EconômicoEmergentes captam US$ 36,3 bi em quinze dias

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Gritos e sussurros - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 15/01

A série Amores Roubados já recebeu muitos elogios – merecidos – e vim aqui ajudar a confirmá-los: tudo é mesmo excelente. Fotografia, direção, roteiro, elenco, trilha sonora. Se os puristas quisessem reclamar de algo, talvez apontassem o dedo para a sonoplastia: nem sempre se entende o que os personagens dizem. Mas ninguém reclamou, e, mesmo passando meio despercebida, a sonoplastia também é responsável pelo aroma de renovação que o programa exala.

Os atores sussurram, baixam o tom no fim das frases, suspiram, viram de costas para a câmera. O calor do Nordeste e a consequente preguiça que advém das altas temperaturas não convidam a excessos verbais. Nada de discursos inflamados. Economiza-se a voz, vai-se direto ao ponto, e quem não entendeu, não entendeu.

Mas a gente entende, porque é muito parecido com o que acontece entre nós, nas nossas casas. Nem sempre é preciso dizer tudo, as circunstâncias também têm voz, os acontecimentos falam, o desenrolar da vida ajuda a narrar a história e, se por acaso ficou faltando a clareza de uma palavra, o contexto dá conta de manter a compreensão dos fatos.

Nesse ponto, vale lembrar o extremo oposto: a novela Avenida Brasil, que foi encenada aos gritos, todos falando ao mesmo tempo, uns por cima dos outros, muitas vezes também nos fazendo desconfiar dos próprios ouvidos: o que foi mesmo que a Carminha disse? Um barraco por dia, descompostura geral, ninguém ali era lorde, os braços falavam junto, o corpo inteiro, olha pra mim, sente minha emoção, não precisa entender tudo o que digo.

Mas a gente também entendia, porque também era parecido com o que acontece entre nós, nas nossas casas, quando interrompemos a fala do outro na ansiedade de dizer o que pensamos, na pressa de nos comunicarmos, na busca daquela autoridade conferida a quem fala mais alto, a quem fala por último, a quem usa a eloquência na tentativa de encerrar o assunto.

A realidade crua tem sido a grande novidade, um presente ao telespectador que espera por mais. Tramas mastigadinhas divertem, distraem, mas não ganham nosso respeito, não nos dão a sensação de que fomos levados a sério, de que acreditaram na nossa capacidade de compreensão. Quando uma obra se atreve a fugir de uma fórmula consagrada, ela faz uma homenagem à nossa inteligência.

E aproveito para mencionar também Azul é a Cor mais Quente, filme que comento com atraso – todo mundo já rendeu loas –, mas que é outro exemplo de vida cravando os dentes, indo além de gritos e sussurros, privilegiando olhares, gemidos, lágrimas, suores, nuances, tensões, tesões, tudo o que comunica sem precisar de uma palavra exata.

A plateia agradece a confiança.

Redes antissociais - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 15/01

RIO DE JANEIRO - A publicação de jornais e revistas on-line abriu um importante canal de comunicação com os leitores. Assim que leem um artigo ou reportagem, eles podem enviar seu comentário sobre o texto ou o assunto de que este trata. Publicado ao pé da matéria, o dito comentário desperta a opinião de outros leitores e, em poucos minutos, está criado um fórum de discussão entre pessoas que nunca se viram, nunca se verão e podem estar a milhares de quilômetros umas das outras.

Ainda bem. Pelo teor de alguns desses comentários, é bom mesmo que não se encontrem. Se um leitor discorda enfaticamente do que leu, pode atrair a resposta raivosa de um terceiro, o repique quase hidrófobo de um quarto e um bombardeio de opiniões homicidas na sequência. Lá pelo décimo comentário, o texto original já terá sido esquecido e as pessoas estarão brigando on-line entre si.

O anonimato desses comentários estimula a que elas se sintam livres para passar da opinião aos insultos e até às ameaças. Na verdade, são um fórum de bravatas, já que seus autores sabem que nunca se verão frente a frente com os alvos de seus maus bofes.

Já com as "redes sociais" é diferente. Elas também podem ser um festival de indiscrições, fofocas, agressões, conspirações e, mais grave, denúncias sem fundamento. E, como acolhem e garantem a impunidade de todo tipo de violência verbal, induzem a que as pessoas levem esse comportamento para as ruas. Será por acaso a crescente incidência, nos últimos anos, de quebra-quebras em manifestações, brigas em estádios, arrastões em praias e, última contribuição das galeras, os "rolezinhos" nos shoppings?

São algumas das atividades que as turbas combinam pelas "redes sociais" --expressão que, desde sempre, preferi escrever entre aspas, por enxergar nelas um componente intrinsecamente antissocial.

O nosso Francisco - ZUENIR VENTURA

O GLOBO - 15/01

A exemplo do nosso santo hermano, dom Orani é agregador (a palavra mais usada para defini-lo) e tolerante, combatendo na prática a discriminação e o preconceito



Não por imitação, porque ele já era assim antes, mas dom Orani Tempesta é a encarnação carioca do Papa Francisco, sua imagem e semelhança em estilo de vida e de obra. Ninguém mais parecido, não fisicamente, claro, mas de temperamento. É um caso de identificação, não de cópia. A exemplo do nosso santo hermano, é agregador (a palavra mais usada para defini-lo) e tolerante, combatendo na prática a discriminação e o preconceito. Como se sabe, ele pode frequentar o Palácio do Planalto, uma escola de samba ou a quadra do bloco Cacique de Ramos para receber uma homenagem ou para celebrar uma missa no dia de São Sebastião. “Incansável, ele transita em todos os segmentos”, testemunha Maria Cristina Sá, assessora da Arquidiocese há 40 anos, para quem dom Orani, paulista, é “o mais carioca dos nossos bispos, pelo jeito simples, alegre, acessível, acolhedor”.

Nada mais revelador da disposição evangelizadora do que sua agenda de compromissos no domingo, quando recebeu a notícia de que fora escolhido. Ele estava a caminho de uma visita a moradores da Cruzada São Sebastião, no Leblon, como contou a repórter Simone Candida. Dali seguiu para a Paróquia da Ressurreição, onde celebrou sua primeira missa como cardeal. Em seguida, dirigiu-se às comunidades do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo. A foto dele subindo a íngreme escadaria do morro, com um sol de 50 graus, metido naquela batina preta e pesada, me fez suar só de ver. Terminou o dia no Corcovado, rezando com fieis aos pés do Cristo Redentor.

Antes de conquistar a simpatia da cidade com seu trabalho pastoral, porém, dom Orani teve que moralizar a cúria diocesana. Ao assumir o cargo de arcebispo em 2009, ele encontrou um ambiente tumultuado por dois escândalos. Em um, o então encarregado da administração dos bens da instituição, monsenhor Abílio Ferreira da Nova, era preso no Galeão ao embarcar para Portugal levando 52 mil euros não declarados, escondidos em meias e na cueca. Ele era o sucessor no cargo do padre Edvino Esteckel, afastado por ter gasto R$ 14 milhões em despesas não justificadas, segundo uma auditoria feita na época. Entre as compras extravagantes, havia dois carros importados e um apartamento de luxo de 500 metros quadrados para hospedar o antecessor, dom Eusébio Scheid, quando viesse ao Rio.

Quais teriam sido os motivos que levaram à escolha de dom Orani como cardeal? Alguns atribuem ao seu sucesso como organizador da Jornada Mundial da Juventude. Ele não acredita. A hipótese mais provável é o conjunto da obra. Quem acompanha sua trajetória garante que ele não passou a se comportar assim para ser escolhido cardeal. Ele foi escolhido cardeal porque sempre se comportou assim.

Verões antigos - MARCELO COELHO

FOLHA DE SP - 15/01

Os incômodos das férias no litoral são até menores hoje em dia: havia fila do pão, fila do elevador, fila da balsa


Gostar de escola nunca foi minha especialidade: a chatice das matérias, a violência dos colegas, as lições a entregar, que até hoje são assunto de meus pesadelos, nada disso deixou saudades.

Das férias não trago lembrança muito melhor. Só passei a gostar de praia bem mais tarde na vida. Quando criança, incomodava-me a umidade imediata e pegajosa que, mal chegando a Santos, e mais ainda quando entrávamos no apartamentinho do Guarujá, assediava tudo --pele, roupas, maçanetas, o aparelho de TV.

Televisão? Mentira. Não tínhamos TV, e, se tivéssemos, faria pouca diferença; a imagem era péssima e melhorava pouco para quem tinha o famoso aparelho de UHF, precursor a lenha das antigas antenas Plasmatic.

No capítulo das comunicações, o telefone era outra inexistência. Havia um na portaria do prédio, para casos de necessidade; no geral, pegava-se a fila das cabines na agência do centrinho, onde as ligações pela telefonista poderiam, com sorte, completar-se em menos de meia hora.

Não era tão ruim; encontrava-se, ao menos, algo o que fazer durante a tarde, depois de tantas horas na praia lotada. Lotado, às vezes, também ficava o apartamento de dois quartos; bastava um casal convidado que a sala virava quarto de dormir. Salgado, cheio de areia, fungando, eu esperava a vez no único chuveiro da casa.

Faltava água e luz o tempo todo. Não por acaso estendo a lista dessas queixas póstumas. Quero notar apenas que, se as notícias sobre o verão deste ano podem ser alarmantes --viroses, congestionamentos, praias impróprias--, nada piorou tanto assim.'

As pessoas não se lembram que, na década de 1960, havia óleo de navio em toda praia que se prezasse. Junto à torneirinha da área de serviço, ficava sempre um vidro de benzina com um pano de estopa, razoavelmente eficiente para limpar os pés.

Ar condicionado era um luxo a que só se permitiam algumas poucas "butiques" da cidade. Desconheciam-se o filtro solar e o hidratante pós-sol; usava-se "o óleo", algo que tinha a cor do azeite do dendê e servia para fritar a pele, e uma pasta espessa para o nariz.

Comprovada a sua inutilidade, era o momento de passar o medonho Caladryl: produto rosa que cobria de película impermeável a pele invadida de bolhas. Será que as mães de antigamente cuidavam menos das crianças? Desconfio que os produtos melhoraram muito.

Também os inseticidas e repelentes. Tínhamos a famosa "espiral", cujo cheiro não me desagradava. Os mosquitos também gostavam. O defumador verde escuro queimava aos poucos durante a noite, soltando uma fumacinha limpa, levemente selvagem, como que exalada pela mata atlântica, se a mata atlântica fosse tabagista.

Os congestionamentos eram iguais, ou ainda piores do que hoje. Lembro-me do dia 15 de novembro de 1974, dia da grande vitória do MDB contra os militares: doze horas de São Paulo ao Guarujá.

Não havia tantos crimes, é verdade. Minhas últimas experiências no litoral paulista incluem um assalto dentro da farmácia, na véspera de Natal, três invasões da casa quando eu estava fora, gritos de socorro vindos da rua durante um almoço com amigos.

Ninguém se atreveu a ir até a rua para ver o que se passava. Horas depois, viemos a saber que a vítima era a sogra de um dos convidados. Não lhe levaram muita coisa; talvez nada. A água do mar é o diabo quando entope os ouvidos.

Na semana seguinte, outra senhora vasculhava a calçada: tinham-lhe arrancado um brinco de estimação. Perseguidos, os meninos de rua teriam jogado por ali o fruto do assalto.

Eram bem mais tediosos os verões de 50 anos atrás. Havia a fila do pão, a fila para pegar água da bica, a fila do elevador, a fila da balsa que ligava Santos ao Guarujá.

Mas eu gostava da balsa. Chegávamos já no escuro. A água do canal ganhava as luzes do embarcadouro e o arco-íris caprichoso e repelente do óleo despejado. Grandes navios ficavam à espera, levando tatuados no dorso negro nomes e bandeiras estrangeiras. O silêncio do mar continha a vibração constante dos motores, que se transmitia pelos pés.

Meu pai também ficava em silêncio, segurando a barra de ferro que circundava a balsa. Encontrava-o depois na sacada do apartamento, ainda sem dizer nada, diante da nesga de negrume que correspondia ao mar.

O farol de uma ilha piscava de tempos em tempos, comunicando sua própria solidão. A cada três voltas da luz branca, seguia-se um sinal vermelho, mais curto, que eu me entretinha em esperar.

São assim muitas de nossas memórias, intermitentes, constantes, repetidas, marcando com impulsos quietos a escuridão do tempo.

Negócio da Copa - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 15/01

Veja como todo mundo tenta tirar uma casquinha da Copa do Mundo.
A Duloren lançou uma linha de calcinhas e sutiãs nas cores verde e amarelo.

A regra é clara
O comentarista Arnaldo Cezar Coelho completa hoje 71 anos, em Miami.
A festa vai ser no apartamento do técnico Carlos Alberto Parreira.

Calma, gente!
Veja o que está escrito numa pichação num muro da Rua México no Centro do Rio:
“Morte aos bastardos da Copa!”

Grande hotel
A rede hoteleira canadense Four Seasons parece estar vencendo a disputa pelo Hotel Glória, no Rio.

Ai, que saudade d’ocê
Segunda, no dia em que “Amores roubados”, minissérie da Globo, tocou, inteirinha, a música “Coqueiros”, de Geraldo Azevedo, correu o boato nas redes sociais de que o compositor tinha morrido.
Aos 69 anos, o artista vai muito bem, obrigado.

A primeira vez
Eleito em setembro para presidir o Comitê Olímpico Internacional, o ex-esgrimista alemão Thomas Bach se encontra pela primeira vez com Dilma.
Será terça-feira, em Brasília.

Faz sentido
Do nosso querido Zeca Pagodinho para a vendedora de uma loja de tapetes no BarraShopping, no Rio, após saber do valor de um dos modelos:
— Moça, esse tapete é daqueles que voam? 


50 anos do golpe
O jornalista Carlos Chagas lança este mês o primeiro volume do livro “Os golpes dentro do golpe: 1964-1969”, editado pela Record.
Chagas foi secretário de imprensa do presidente Costa e Silva.

Cenas de um casamento
“A equação do casamento”, do psicanalista Luiz Alberto Hanns, vai ser lançado em Portugal.
O livro, publicado aqui pela Paralela, sai na Terrinha ainda em 2014 pela Editora 2020.

Para sempre
Milton Gonçalves, o grande ator, 80 anos de vida e quase 60 de carreira, vai gravar, dia 22, sua participação no Depoimentos Para a Posteridade, do MIS.

Oi no vôlei
A Oi vai patrocinar o RJX, campeão da Superliga de vôlei masculino. O time entrou em crise financeira depois que perdeu seu patrocinador, Eike Batista.
Aliás, o time agora se chama RJ.

Grande mansão
A família Scarpa, do playboy Chiquinho Scarpa, vendeu o castelo na Rua Canadá, em São Paulo.
Coisa de uns R$ 78 milhões.

Cardeal em Brasília
Dom Orani, o novo cardeal brasileiro, vai a Brasília, semana que vem, encontrar-se com Dilma.
Deve convidá-la para a cerimônia em que o Papa Francisco vai consagrar os novos cardeais, no fim de fevereiro, no Vaticano.

Mas...
A agenda da presidente, neste início de ano, está muito apertada.

Hostel é o cacete!
Sabe aquele centro psiquiátrico que funcionava na esquina da Rua Jardim Botânico com Rua Nascimento Bittencourt?
Pois bem, em seu lugar vai abrir, mês que vem, um hostel.

De volta pra casa
Breno, o menino de dois anos que levou um tiro na cabeça na véspera do Natal, em Niterói, vai ter alta amanhã.
Os médicos do Hospital das Clínicas se surpreenderam com a recuperação do menino. Breno não ficou com nenhuma sequela.

Bala perdida
O juiz Afonso Barbosa, da 1ª Vara de Fazenda Pública do Rio, condenou o estado a indenizar Cláudio Lobo em R$ 600 mil, mais uma pensão vitalícia no valor de R$ 4.750 e despesas médicas.
O cidadão, segundo o advogado Cacau de Brito, perdeu as duas vistas, vítima de bala perdida, em 2008.

O teatro e a política
Uma das cenas de “Casarão ao vento”, peça de Francisco Alves, em cartaz no CCBB, tem feito a alegria do público. O personagem do padre, nos idos de 1880, questiona uma das protagonistas, que defendia os direitos da mulher. Diz ele:
— Uma mulher governando esse país? Nem posso imaginar a calamidade que seria, meu Deus!
O público cai na gargalhada.

LONGE DE PEDRINHAS - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 15/01

Em plena crise da segurança no Maranhão, a ausência da chefe do Ministério Público do Estado despertou a insatisfação de membros da instituição. De férias na Europa, Regina Almeida Rocha postava fotos em seu perfil no Facebook em Portugal e Espanha, ao lado da família. Reclamando de negligência e prejuízo à imagem do órgão, um grupo de procuradores interveio para cobrar providências.

LONGE 2
"Depois de visitar todo o norte de Portugal, estou indo amanhã para Sevilha [na Espanha]", escreveu Regina na rede social, no dia 1º de janeiro. Em uma foto, ela segura sacolas de compras. "Ficamos insatisfeitos com a inércia. O Ministério Público deveria ter agido na linha de frente", diz a procuradora Themis de Carvalho. Junto com sete colegas, ela pediu a convocação de reunião extraordinária do conselho superior da instituição.

DE VOLTA
A chefe do Ministério Público, que voltou ao trabalho nesta semana, nega omissão. "Minha substituta [a procuradora Terezinha de Jesus Guerreiro] tomou as medidas necessárias." Segundo Regina, estão em curso ações para obrigar o Estado a reformar o complexo de Pedrinhas, abrir vagas no sistema e promover ressocialização dos presos. "Nós trabalhamos muito. Chego às 7h30 e não tenho horário para sair."

LOS HERMANOS
Cursos de medicina da Argentina investem em publicidade para atrair estudantes do Brasil. O Instituto Universitário Italiano de Rosario, por exemplo, a 300 km de Buenos Aires, abriu matrículas (R$ 1.100) para turmas exclusivas de alunos brasileiros. Não há vestibular. A mensalidade é de R$ 1.600. Os argentinos vão competir com a Bolívia, que tem hoje 25 mil universitários vindos do Brasil.

LOS HERMANOS 2
Mensalidades mais baixas e facilidade de ingresso são atrativos dos cursos em países vizinhos. O Conselho Federal de Medicina alerta para os alunos analisarem bem o programa das faculdades estrangeiras. O risco é se formar no exterior e não conseguir revalidar o diploma aqui. No ano passado, dos 937 inscritos no exame exigido para o exercício da profissão no Brasil, apenas 50 passaram para a segunda fase.

MADE IN BRAZIL
Um novo protocolo internacional para o tratamento de tumores do fígado e vesícula será definido a partir de hoje em São Francisco, nos EUA, no maior congresso de câncer do aparelho digestivo.

Do Brasil, participa o ACCamargo Cancer Center, apresentando os resultados de pacientes com metástase hepática: a equipe do cirurgião oncológico Felipe Coimbra reverte dois em cada três casos.

PONTO TURÍSTICO
O Maracanã recebeu 35 mil turistas, desde outubro, quando foi reaberto à visitação. No tour pelo estádio, a maior atração são as camisas dos jogadores da seleção brasileira que venceram a Copa das Confederações 2013. O armário mais disputado para fotos é o de Neymar. Com ingresso a R$ 30, o roteiro rendeu R$ 742 mil, com média diária de 80% de lotação. Em razão da Copa do Mundo, as visitas serão suspensas entre 21 de maio e 21 de julho.

VILÃ DAS OITO
Depois da polêmica em torno de sua cabeleira ruiva, Marina Ruy Barbosa voltará ao horário nobre na novela que sucederá "Em Família". O autor Aguinaldo Silva escolheu a atriz para ser uma vilã, no papel da filha do casal protagonista, vivido por Lilia Cabral e Alexandre Nero.

BELÉM É AQUI
Radicados em São Paulo, os humoristas paraenses Victor Camejo, Osmar Campbell, Davi Mansur, Rominho Braga e Murilo Couto atribuem à origem em comum parte do sucesso que fazem com as apresentações no clube Comedians.

"Não ter a influência do eixo Rio-São Paulo no início foi uma vantagem. Conseguimos uma cara muito própria", conta Couto, 23, que virou comediante ao participar de concurso promovido na internet pelo apresentador Rafinha Bastos.

Eles continuam a rodar o Brasil, em espetáculos em grupo e individuais. A trupe constata que a aceitação das piadas é sempre a mesma, seja entre descolados da capital paulista que frequentam a rua Augusta seja nos rincões do país. "No interior o público tende a ser um pouco mais conservador, mas não chega a ser uma mudança brusca", diz Couto.

Já adaptados à vida paulistana, os paraenses costumam se encontrar fora do ambiente de trabalho para comer em "horários absurdos de quem rala à noite". Sentem saudade da família, dos pratos típicos e até "dos sanduíches vagabundos", brinca Couto.

FÉRIAS COM PIPOCA
As atrizes Gianne Albertoni e Débora Lamm foram à pré-estreia de "Muita Calma Nessa Hora 2", longa que estrelam. Maria Clara Gueiros, Bruno Mazzeo e Luis Lobianco, que também fazem parte do elenco, estiveram no evento. O empresário Francisco Ventura, a mulher, Deborah, e o filho, o publicitário Felipe, assistiram ao filme, assim como a atriz Monaliza Marchi.

CURTO-CIRCUITO
Toni Garrido, Paula Lima, Sandra de Sá e Izzy Gordon estreiam show com canções de Jorge Ben Jor e Tim Maia, hoje, no Club A. 18 anos.

A galeria Carré d'Artistes do shopping Higienópolis abre hoje ateliê de férias de verão para crianças.

Geraldo Alckmin fará a abertura do 1º Fórum Brasileiro de Shopping Centers, no dia 13, no Grand Hyatt.

O PMDB blasé - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 15/01

O vice Michel Temer não gostou do que ouviu da presidente Dilma sobre a reforma ministerial. Mas não há risco de rompimento da aliança nacional. O PMDB vai manter a pressão para melhorar a qualidade de seu espaço no governo. Caso Dilma mantenha o tamanho do partido, seus líderes preveem estresse no Congresso após o recesso. A falta de sintonia nos estados amplia a combustão.

Novamente não
A maior revolta entre os peemedebistas é a tentativa, no governo Dilma, de repetir fórmula aplicada no governo Lula. O ex-presidente, quando comandava o Brasil, filiou o médico José Gomes Temporão ao PMDB e pediu para o governador Sérgio Cabral assumir sua indicação para a Saúde. Agora, Lula estimulou o empresário Josué Gomes da Silva a ingressar no partido, e a presidente Dilma pensa em nomeá-lo para o Desenvolvimento. Essa mudança abriria caminho para o Turismo ser oferecido ao PTB. Mas a direção peemedebista não vai bancar Josué. Nem os deputados o consideram um sucessor do ministro Gastão Vieira. São muitas emoções.


“Não dá para confiar no PMDB. Nós adiamos a saída do governo Cabral. E eles chantageiam condicionando o apoio à presidente Dilma à retirada da nossa candidatura”
Lindbergh Farias
Senador e candidato do PT ao governo do Rio

O prêmio
A presidente Dilma disse ao vice Michel Temer que não tem como tirar a Integração do PROS. O ministro Francisco Coelho Teixeira será mantido. O cargo é do governador Cid Gomes, que rompeu com o governador socialista Eduardo Campos.

Apertem os cintos
O presidente da CEF, Jorge Hereda, sumiu. A Caixa se apropriou de R$ 712 milhões de correntistas, mas quem dá explicações ao público é o vice de Finanças, Márcio Percival. É sempre assim. No ano passado, quando paredes de habitações do Minha

Casa Minha Vida apareceram rachadas, no Rio, ele só falou por ordem da presidente Dilma.

O interlocutor
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, já teve três conversas com o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, sobre o Rio. Os tucanos cogitam integrar a chapa do vice Luiz Fernando Pezão, que abriria o palanque para Aécio.

Salada estadual
Candidato ao governo no Piauí, o líder do PT no Senado, Wellington Dias, terá como adversário o deputado Marcelo Castro (PMDB). Este terá como vice o ex-prefeito de Teresina Sílvio Mendes (PSDB) e, concorrendo ao Senado, o governador Wilson Martins (PSB). A coligação, de 17 partidos, pode ter até o PCdoB. Com o PT, o PP e o PTB.

Cai o rei de paus, cai...
A bola fora no Facebook contra o governador Eduardo Campos, candidato do PSB ao Planalto, fez sua primeira vítima. O vice Alberto Cantalice perde o lugar. A página ficará sob a supervisão do secretário de Comunicação do PT, José Américo.

Sujeito a chuvas e trovoadas
Aliados experientes avaliam que não é prudente deixar a reforma ministerial para fevereiro, quando o Congresso retoma os trabalhos. Com o PMDB no comando da Câmara e do Senado, não faltará “pauta-bomba” para ser desengavetada.

A PRESIDENTE DILMA convidou, e o novo cardeal do Brasil, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, aceitou. Eles se encontram em Brasília, na terça.