O Estado de S.Paulo - 10/10
"Sigam o dinheiro", indicou o Garganta Profunda aos repórteres do Washington Post que terminariam por desnudar o rei, provocando a renúncia de Richard Nixon. Bob Woodward e Carl Bernstein sabiam que andavam sobre o abismo, mas persistiram na investigação, pois o editor do jornal lhes garantiu apoio. "Sigam a história, custe o que custar", teria dito Ben Bradlee. Dois meses atrás, o Washington Post foi vendido por meros US$ 250 milhões a Jeff Bezos, proprietário da Amazon. "Nós agora pertencemos a um cara tão rico que o jornal vale cerca de 1% de seu patrimônio líquido", disse um tristonho jornalista após o encontro da redação em que a família Graham comunicou o negócio. O episódio lança um jato de luz sobre a encruzilhada em que se encontra o jornalismo - e não só nos EUA.
John Milton pronunciou sua clássica defesa da liberdade de imprensa em 1644, quando surgiam os primeiros jornais modernos. Durante os dois séculos da "pré-história" do jornalismo, os jornais e a opinião pública configuraram um ao outro. Mas o jornalismo, tal como o conhecemos, nasceu em meados do século 19, com a primeira revolução da informação, propiciada pelo telégrafo. Antes dominados por textos de opinião, os jornais encheram-se de notícias - e firmaram-se como infraestruturas públicas das sociedades abertas. No 16 de abril de 1912, um dia depois do naufrágio do Titanic, milhares de pessoas aglomeraram-se diante das sedes dos jornais de Nova York, disputando edições extraordinárias com as notícias da tragédia.
Os Grahams renunciaram ao Washington Post, que controlavam desde 1933, depois de sete anos de prejuízos. A revolução da informação em curso tem efeitos opostos aos da revolução pioneira. A notícia tornou-se uma commodity, que já não paga o preço do papel de imprensa. O dinheiro deslocou-se das empresas jornalísticas para conglomerados de telecomunicações e de internet. Nos EUA, sob o pano de fundo de recuos gerais nas tiragens, na publicidade e na dimensão das redações, só o New York Times anuncia triunfos embrionários na árdua luta para se adaptar a um ambiente desafiador. O espectro da morte dos jornais ronda as sociedades - e provoca indagações sobre o futuro da democracia.
No Brasil a crise ainda é atenuada por uma expansão marginal das tiragens, mas o poder político tenta cavalgá-la para calar as vozes dissonantes. A paisagem salpicada de blogueiros chapa-branca que clamam pela censura em textos hidrófobos, circundados por banners da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, é apenas um sintoma superficial. O projeto de fundo não é censurar, mas sujeitar. O ex-ministro Franklin Martins, um destacado assessor de Lula, repete há anos, incansavelmente, uma ameaça velada. Os jornais, explica, só têm as alternativas de aceitar o "controle social da mídia" ou enfrentar mudanças regulatórias que permitiriam a aquisição das empresas jornalísticas por grupos bilionários fincados no mercado de telecomunicações. Bezos repetiu a célebre instrução de Bradlee, prometendo respeitar os valores do Washington Post. Não é prudente, porém, esperar o mesmo de outros magnatas pós-modernos - especialmente se operam concessões públicas.
Os jornais precisam mudar se pretendem sobreviver e resguardar sua independência. Um caminho é a revalorização dos textos de opinião. "Um bom jornal é uma nação dialogando com ela mesma", disse certa vez Arthur Miller. Na internet cada esquina funciona como um palanque autossuficiente de opinião. Só os jornais, porém, têm o condão de reunir os interlocutores numa mesma praça, que não tem compromissos com o poder de turno. Esse curioso retorno às origens da imprensa não representa, todavia, mais que uma decifração precária do enigma da era da internet.
Numa época de informação abundante, o Estado protege como nunca seus próprios subterrâneos. "Sigam a história": só o jornalismo possui as competências para desnudar o rei, expondo à luz do sol as vísceras dos governos. Edward Snowden procurou o Guardian e o Washington Post porque a denúncia da máquina de espionagem em massa da NSA precisava dos filtros e da credibilidade dos jornais. Uma investigação de O Estado de S. Paulo revelou nada menos que a montagem de um Estado paralelo, partidário, ilegal e clandestino, sob as asas do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Sem jornalistas treinados, redações estruturadas e critérios éticos de apuração os cidadãos só conheceriam as notícias manufaturadas por marqueteiros e assessores de comunicação. O jornal, impresso no papel ou distribuído em versões eletrônicas, continua a ser uma infraestrutura pública indispensável à democracia.
Minha trajetória pessoal se enlaça em pontos diversos com a história do Estadão. No início da adolescência aprendi bastante sobre a natureza das ditaduras pelos vislumbres proporcionados em páginas do jornal preenchidas com trechos de Os Lusíadas. À época eu produzia fragmentos de textos mentais na tentativa de imaginar as linhas que, riscadas pelos censores, jaziam ocultas debaixo dos versos de Camões. Nos últimos sete anos, a cada duas semanas, sem uma única interrupção, experimentei o privilégio de assinar artigos nesta página. Foram 183 textos, o equivalente a um livro de 560 páginas, que agora se encerra. Os difamadores do jornalismo, em geral regiamente remunerados, espalham a lenda de que "liberdade de imprensa é liberdade de empresa". Eu testemunho que sempre escrevi exatamente o que quis - e, mais, que meus editores nunca souberam o que eu escreveria antes de receberem o artigo pronto.
"Sigam o dinheiro!", dizem os estrategistas do rei aos jornais, animados com a perspectiva de transferir essas infraestruturas públicas a conglomerados que orbitam em torno do governo.
"Sigam a história!", digo eu na despedida, repetindo aquele editor, que não tinha medo de cara feia.
quinta-feira, outubro 10, 2013
O não dito pelo dito - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 10/10
A frase 'nós dois somos possibilidades', emitida por Marina, atinge Eduardo Campos pelas costas
A frase "nós dois somos possibilidades e sabemos disso", emitida por Marina Silva, é a precipitação talvez involuntária, mas certamente sincera e sem dúvida verdadeira, de um desmentido que atinge Eduardo Campos e sua candidatura pelas costas.
É clara e objetiva a admissão de candidatura própria na frase de Marina Silva, recolhida por Ranier Bragon e Matheus Leitão (Folha de ontem). Frase que não ficou contida por mais do que umas 24 horas após a revelação, pelo intermediário da entrada de Marina Silva no PSB, de que Eduardo Campos recebeu com resistência a proposta de adesão, preocupado em salvaguardar sua candidatura. Argumentou que não poderia retirá-la, e perguntou: "Vou ser constrangido?" [a retirá-la].
Resposta contada aos mesmos repórteres pelo próprio interlocutor de Eduardo Campos, deputado Walter Feldman: "Eu disse: A Marina pretende te apoiar, você não será constrangido a retirar sua candidatura, queremos uma aliança programática. Estamos no seu projeto".
Em texto dos dois entrevistadores: "Segundo relato do deputado, ele disse ao governador que Marina não tinha essa intenção [JF: de ser a candidata à Presidência] e que pretendia (mesmo com 26% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha) apoiar o pessebista, com apenas 8%".
Ainda na relato de Feldman, Eduardo Campos relutou ante a sugestão de um encontro com Marina Silva, temeroso de desgaste se a conversa fracassasse. Por fim concordou, foi encontrá-la em Brasília, e nenhuma candidatura esteve sob condição.
Mas está. Desde já. Ou, quem sabe, desde antes. Eis o trecho todo nas palavras de Marina Silva:
"Para nós, não interessa agora ficar discutindo as posições. Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos, o processo irá dizer e estamos abertos a esse processo".
Bem nítido: "Não interessa [discutir] AGORA", o mesmo que dizer da expectativa já existente de discutir a questão adiante. Quando? Não será Eduardo Campos a ter a palavra a respeito. Nem será o PSB que a decidir. "O processo irá dizer." E, mais do que falar por si, Marina se permite falar pelo próprio Campos: "ESTAMOS abertos a esse processo".
O oposto do assegurado a Eduardo Campos, como relatado por seu interlocutor, intermediário de Marina Silva e testemunha do encontro, Walter Feldman, que deixou o PSDB para acompanhar sua líder no projeto via PSB.
A situação de Eduardo Campos não deixa de ter graça. Ele começa a mostrar-se a verdadeira Dilma Rousseff imaginada nas tantas loas à jogada "brilhante e inovadora" de Marina Silva ao incorporar-se à candidatura do PSB, contra a da presidente à reeleição. Ao menos desde ontem pela manhã, quando publicada a entrevista de sua nova associada, Eduardo Campos só pode ser um exemplo de apreensão. Mas sorridente, muito sorridente. Obrigado a sorrir, a repetir-se feliz com o acordo e, claro, absolutamente confiante no apoio de Marina. E, quanto mais se mostre assim, mais será o contrário.
Até por uma possível dor nas costas.
A frase 'nós dois somos possibilidades', emitida por Marina, atinge Eduardo Campos pelas costas
A frase "nós dois somos possibilidades e sabemos disso", emitida por Marina Silva, é a precipitação talvez involuntária, mas certamente sincera e sem dúvida verdadeira, de um desmentido que atinge Eduardo Campos e sua candidatura pelas costas.
É clara e objetiva a admissão de candidatura própria na frase de Marina Silva, recolhida por Ranier Bragon e Matheus Leitão (Folha de ontem). Frase que não ficou contida por mais do que umas 24 horas após a revelação, pelo intermediário da entrada de Marina Silva no PSB, de que Eduardo Campos recebeu com resistência a proposta de adesão, preocupado em salvaguardar sua candidatura. Argumentou que não poderia retirá-la, e perguntou: "Vou ser constrangido?" [a retirá-la].
Resposta contada aos mesmos repórteres pelo próprio interlocutor de Eduardo Campos, deputado Walter Feldman: "Eu disse: A Marina pretende te apoiar, você não será constrangido a retirar sua candidatura, queremos uma aliança programática. Estamos no seu projeto".
Em texto dos dois entrevistadores: "Segundo relato do deputado, ele disse ao governador que Marina não tinha essa intenção [JF: de ser a candidata à Presidência] e que pretendia (mesmo com 26% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha) apoiar o pessebista, com apenas 8%".
Ainda na relato de Feldman, Eduardo Campos relutou ante a sugestão de um encontro com Marina Silva, temeroso de desgaste se a conversa fracassasse. Por fim concordou, foi encontrá-la em Brasília, e nenhuma candidatura esteve sob condição.
Mas está. Desde já. Ou, quem sabe, desde antes. Eis o trecho todo nas palavras de Marina Silva:
"Para nós, não interessa agora ficar discutindo as posições. Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos, o processo irá dizer e estamos abertos a esse processo".
Bem nítido: "Não interessa [discutir] AGORA", o mesmo que dizer da expectativa já existente de discutir a questão adiante. Quando? Não será Eduardo Campos a ter a palavra a respeito. Nem será o PSB que a decidir. "O processo irá dizer." E, mais do que falar por si, Marina se permite falar pelo próprio Campos: "ESTAMOS abertos a esse processo".
O oposto do assegurado a Eduardo Campos, como relatado por seu interlocutor, intermediário de Marina Silva e testemunha do encontro, Walter Feldman, que deixou o PSDB para acompanhar sua líder no projeto via PSB.
A situação de Eduardo Campos não deixa de ter graça. Ele começa a mostrar-se a verdadeira Dilma Rousseff imaginada nas tantas loas à jogada "brilhante e inovadora" de Marina Silva ao incorporar-se à candidatura do PSB, contra a da presidente à reeleição. Ao menos desde ontem pela manhã, quando publicada a entrevista de sua nova associada, Eduardo Campos só pode ser um exemplo de apreensão. Mas sorridente, muito sorridente. Obrigado a sorrir, a repetir-se feliz com o acordo e, claro, absolutamente confiante no apoio de Marina. E, quanto mais se mostre assim, mais será o contrário.
Até por uma possível dor nas costas.
Questões postas a Dilma e ao PT - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 10/10
Acossados por problemas econômicos, governo e partido ainda enfrentam uma dissidência. Campanha eleitoral será um avanço se debater reformas
A aliança Marina Silva-Eduardo Campos, uma espécie de ponto fora da curva, traz um grande risco em potencial para a reeleição de Dilma Rousseff porque, entre outros motivos, tira do tabuleiro o jogo predileto petista, o de enfrentar os tucanos, os quais o PT já apendeu a derrotar. A presidente Dilma, no entanto, até que pesquisas mostrem o contrário, continua a grande favorita à reeleição.
Antes de mais nada, a aliança Marina-Campos, passada a euforia inicial, precisa vencer um percurso acidentado em busca de um programa comum que atenda à visão de Brasil de universos distantes entre si como, por exemplo, ambientalistas e o agronegócio.
Ensina a História que mudanças profundas costumam ocorrer quando há dissidências no bloco político no poder. Na democracia ou fora dela. Na ditadura, o mais claro exemplo, e próximo, é o da redemocratização brasileira, viabilizada, sem traumas, pelo racha no bloco civil e militar que havia 25 anos dava as cartas. Na fronteira ao Sul, há o caso em andamento na Argentina em que o ramo kirchnerista, com sonhos de perpetuação na Casa Rosada, pode vir a ser derrotado por um grupo dissidente do próprio peronismo.
No enfrentamento de dissidentes e da oposição já estabelecida, Dilma e PT têm o flanco vulnerável do esgotamento do modelo econômico lastreado em consumo sem investimentos e elevados gastos públicos. Dilma tentou criar uma “nova matriz econômica”, com juros baixos, câmbio desvalorizado e muita injeção de dinheiro público, proveniente de endividamento, pela mão dirigista do BNDES. Não deu certo. Colheu mais inflação, desequilíbrio nas finanças públicas (que tenta mascarar, em vão, pela "contabilidade criativa") e deterioração das contas externas. Na edição de ontem, o “New York Times”, em editorial, tratou de problemas que Dilma enfrenta, entre eles uma infraestrutura que ajuda a encarecer as mercadorias nas cidades e a baixa qualidade da educação.
Compõe o cenário a previsão de baixo crescimento confirmada anteontem pelo FMI, de 2,5%, para o ano que vem, idêntica à estimativa para este ano. A projeção de 2014 recuou 0,7 ponto percentual em relação à anterior.
Há, ainda, as manifestações, com características inéditas de violência, fato que precisa ser decifrado por governos e elites. Afinal, a renda subiu, o desemprego caiu e tudo parecia róseo, segundo o discurso oficial. Mas as ruas demonstram que não. Há um mal-estar assentado muito provavelmente na falta de perspectiva de uma juventude que não consegue boa qualificação no ensino público, padece, como a maioria da população, para se locomover nas regiões metropolitanas e tem sido castigada pela inflação, entre outras mazelas. A tal “nova” classe média pode estar se desiludindo.
É importante que o quadro político-eleitoral favoreça uma discussão profunda sobre a retomada das reformas (do Estado, tributária, previdenciária, trabalhista, política). Cada dia mais necessárias para abrir mais um ciclo de crescimento
Acossados por problemas econômicos, governo e partido ainda enfrentam uma dissidência. Campanha eleitoral será um avanço se debater reformas
A aliança Marina Silva-Eduardo Campos, uma espécie de ponto fora da curva, traz um grande risco em potencial para a reeleição de Dilma Rousseff porque, entre outros motivos, tira do tabuleiro o jogo predileto petista, o de enfrentar os tucanos, os quais o PT já apendeu a derrotar. A presidente Dilma, no entanto, até que pesquisas mostrem o contrário, continua a grande favorita à reeleição.
Antes de mais nada, a aliança Marina-Campos, passada a euforia inicial, precisa vencer um percurso acidentado em busca de um programa comum que atenda à visão de Brasil de universos distantes entre si como, por exemplo, ambientalistas e o agronegócio.
Ensina a História que mudanças profundas costumam ocorrer quando há dissidências no bloco político no poder. Na democracia ou fora dela. Na ditadura, o mais claro exemplo, e próximo, é o da redemocratização brasileira, viabilizada, sem traumas, pelo racha no bloco civil e militar que havia 25 anos dava as cartas. Na fronteira ao Sul, há o caso em andamento na Argentina em que o ramo kirchnerista, com sonhos de perpetuação na Casa Rosada, pode vir a ser derrotado por um grupo dissidente do próprio peronismo.
No enfrentamento de dissidentes e da oposição já estabelecida, Dilma e PT têm o flanco vulnerável do esgotamento do modelo econômico lastreado em consumo sem investimentos e elevados gastos públicos. Dilma tentou criar uma “nova matriz econômica”, com juros baixos, câmbio desvalorizado e muita injeção de dinheiro público, proveniente de endividamento, pela mão dirigista do BNDES. Não deu certo. Colheu mais inflação, desequilíbrio nas finanças públicas (que tenta mascarar, em vão, pela "contabilidade criativa") e deterioração das contas externas. Na edição de ontem, o “New York Times”, em editorial, tratou de problemas que Dilma enfrenta, entre eles uma infraestrutura que ajuda a encarecer as mercadorias nas cidades e a baixa qualidade da educação.
Compõe o cenário a previsão de baixo crescimento confirmada anteontem pelo FMI, de 2,5%, para o ano que vem, idêntica à estimativa para este ano. A projeção de 2014 recuou 0,7 ponto percentual em relação à anterior.
Há, ainda, as manifestações, com características inéditas de violência, fato que precisa ser decifrado por governos e elites. Afinal, a renda subiu, o desemprego caiu e tudo parecia róseo, segundo o discurso oficial. Mas as ruas demonstram que não. Há um mal-estar assentado muito provavelmente na falta de perspectiva de uma juventude que não consegue boa qualificação no ensino público, padece, como a maioria da população, para se locomover nas regiões metropolitanas e tem sido castigada pela inflação, entre outras mazelas. A tal “nova” classe média pode estar se desiludindo.
É importante que o quadro político-eleitoral favoreça uma discussão profunda sobre a retomada das reformas (do Estado, tributária, previdenciária, trabalhista, política). Cada dia mais necessárias para abrir mais um ciclo de crescimento
A demagogia da mobilidade - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 10/10
Ao levantar a bandeira (eleitoral) da mobilidade urbana, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, assumiram o papel de defensores dos sem-carro e passaram a combater, sem pensar nas consequências, a multidão dos que se atrevem a sair às ruas em seus automóveis, mesmo tendo de enfrentar grandes congestionamentos todos os dias. Os congestionamentos são cada vez maiores, mas a dupla já começa a acumular resultados "positivos" nessa batalha, mais do que ousada, demagógica.
Ela deve melhorar a arrecadação da Prefeitura com o aumento das multas de trânsito e, assim, ajudar a pagar os subsídios às empresas de ônibus, que, com o congelamento da tarifa, devem atingir no próximo ano a impressionante quantia de R$ 1,65 bilhão.
Estima-se que os recursos provenientes das multas crescerão 22% em 2014, atingindo R$ 1,2 bilhão, um novo recorde. Nos primeiros oito meses deste ano, dos 6,4 milhões de multas aplicadas aos motoristas que circulam pela capital, 352,5 mil foram flagrantes de invasões em corredores e faixas exclusivas de ônibus, registrados por um exército de 1,5 mil fiscais de trânsito da CET e mais 690 da São Paulo Transportes (SPTrans).
Os donos dos 7 milhões de veículos da capital parecem não ter importância. Eles seriam apenas pessoas egoístas que rejeitam o transporte público. É como se não tivessem compromissos diários, serviços a prestar e nenhuma relevância para a vida econômica e social da cidade.
Tanto é assim que, nas próximas semanas, aos marronzinhos se somarão 200 novos radares para ajudar na batalha contra esses paulistanos que não resistem à tentação de circular pelos corredores e faixas de ônibus - espaços em grande parte vazios -, para tentar chegar a tempo aos seus compromissos.
Essa má vontade com o transporte individual prejudica a cidade. Não se discute a necessidade de dar prioridade ao transporte público e, no caso dos ônibus, de aumentar sua velocidade.
Mas não é preciso fazer isso criando dificuldades para os que usam o carro como instrumento de trabalho. Especialmente para aqueles - como médicos e enfermeiros, para citar dois exemplos - cuja profissão tem exigências que o transporte público não consegue atender.
Portanto, em vez de tratar o transporte individual como egoísta e elitista, é preciso estudar a fundo o papel que ele desempenha na vida de grande parte da população. Quanto aos paulistanos que usam ônibus, seus problemas são a falta de conforto, de itinerários que atendam a suas necessidades e a lentidão.
Por isso, entre ficar espremidos em ônibus superlotados, depois de longa espera nas filas dos pontos, e suportar os congestionamentos, os que podem preferem esta última opção.
No lugar de implantar, sem planejamento e a toque de caixa, as faixas exclusivas que servirão de cenários para os próximos programas eleitorais do PT na campanha para o governo do Estado, Haddad e Tatto deveriam adotar um plano capaz de harmonizar a utilização de carros com o transporte público, de acordo com as necessidades das várias regiões da cidade.
Antes de reduzir o espaço destinado aos carros para forçar seus proprietários a deixá-los nas garagens, é preciso criar mais vagas de estacionamento para eles, com a construção - há muito prometida e nunca concretizada - de garagens subterrâneas. E seria bom também retomar o plano de transporte do governo Marta Suplicy que deixava os corredores apenas para os ônibus maiores. Os veículos de média e pequena capacidade seriam os alimentadores dessas linhas-tronco.
Hoje, o que se vê são todos esses veículos, às vezes quase vazios, disputando entre si aquele espaço. E muitos invadem as poucas faixas destinadas aos carros para fugir do congestionamento nos corredores e faixas.
É preciso, em suma, mais planejamento e menos demagogia.
Ao levantar a bandeira (eleitoral) da mobilidade urbana, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, assumiram o papel de defensores dos sem-carro e passaram a combater, sem pensar nas consequências, a multidão dos que se atrevem a sair às ruas em seus automóveis, mesmo tendo de enfrentar grandes congestionamentos todos os dias. Os congestionamentos são cada vez maiores, mas a dupla já começa a acumular resultados "positivos" nessa batalha, mais do que ousada, demagógica.
Ela deve melhorar a arrecadação da Prefeitura com o aumento das multas de trânsito e, assim, ajudar a pagar os subsídios às empresas de ônibus, que, com o congelamento da tarifa, devem atingir no próximo ano a impressionante quantia de R$ 1,65 bilhão.
Estima-se que os recursos provenientes das multas crescerão 22% em 2014, atingindo R$ 1,2 bilhão, um novo recorde. Nos primeiros oito meses deste ano, dos 6,4 milhões de multas aplicadas aos motoristas que circulam pela capital, 352,5 mil foram flagrantes de invasões em corredores e faixas exclusivas de ônibus, registrados por um exército de 1,5 mil fiscais de trânsito da CET e mais 690 da São Paulo Transportes (SPTrans).
Os donos dos 7 milhões de veículos da capital parecem não ter importância. Eles seriam apenas pessoas egoístas que rejeitam o transporte público. É como se não tivessem compromissos diários, serviços a prestar e nenhuma relevância para a vida econômica e social da cidade.
Tanto é assim que, nas próximas semanas, aos marronzinhos se somarão 200 novos radares para ajudar na batalha contra esses paulistanos que não resistem à tentação de circular pelos corredores e faixas de ônibus - espaços em grande parte vazios -, para tentar chegar a tempo aos seus compromissos.
Essa má vontade com o transporte individual prejudica a cidade. Não se discute a necessidade de dar prioridade ao transporte público e, no caso dos ônibus, de aumentar sua velocidade.
Mas não é preciso fazer isso criando dificuldades para os que usam o carro como instrumento de trabalho. Especialmente para aqueles - como médicos e enfermeiros, para citar dois exemplos - cuja profissão tem exigências que o transporte público não consegue atender.
Portanto, em vez de tratar o transporte individual como egoísta e elitista, é preciso estudar a fundo o papel que ele desempenha na vida de grande parte da população. Quanto aos paulistanos que usam ônibus, seus problemas são a falta de conforto, de itinerários que atendam a suas necessidades e a lentidão.
Por isso, entre ficar espremidos em ônibus superlotados, depois de longa espera nas filas dos pontos, e suportar os congestionamentos, os que podem preferem esta última opção.
No lugar de implantar, sem planejamento e a toque de caixa, as faixas exclusivas que servirão de cenários para os próximos programas eleitorais do PT na campanha para o governo do Estado, Haddad e Tatto deveriam adotar um plano capaz de harmonizar a utilização de carros com o transporte público, de acordo com as necessidades das várias regiões da cidade.
Antes de reduzir o espaço destinado aos carros para forçar seus proprietários a deixá-los nas garagens, é preciso criar mais vagas de estacionamento para eles, com a construção - há muito prometida e nunca concretizada - de garagens subterrâneas. E seria bom também retomar o plano de transporte do governo Marta Suplicy que deixava os corredores apenas para os ônibus maiores. Os veículos de média e pequena capacidade seriam os alimentadores dessas linhas-tronco.
Hoje, o que se vê são todos esses veículos, às vezes quase vazios, disputando entre si aquele espaço. E muitos invadem as poucas faixas destinadas aos carros para fugir do congestionamento nos corredores e faixas.
É preciso, em suma, mais planejamento e menos demagogia.
Cúmplices do vandalismo - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 10/10
Tão preocupante quanto a violência dos black blocs é a construção, nas universidades, de um arcabouço teórico que justifica a depredação verificada em grandes cidades brasileiras
Depois da baderna promovida no Sete de Setembro, os black blocs voltaram com força à cena pública, no embalo da greve dos professores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nesta semana foram registradas as já conhecidas cenas de violência e depredação que não pouparam nada que estivesse no caminho dos vândalos mascarados. Apostando no despreparo das polícias, que muitas vezes respondem de forma desproporcional, piorando os confrontos, os black blocs espantaram das ruas os cidadãos que protestaram em junho, e agora encontraram um novo pretexto para dar vazão a impulsos de destruição que precisam ser contidos o quanto antes.
Nesse sentido, leis como a aprovada no Rio de Janeiro, que proíbe máscaras em manifestações, são mais que necessárias no cenário atual. A Constituição, que garante em seu artigo 5.º o direito à liberdade de expressão, já faz a ressalva de que é vedado o anonimato. Não vivemos em um Estado totalitário aos moldes socialistas, em que ser identificado em um protesto pacífico contra o governo poderia render consequências funestas. No contexto brasileiro, não existe nenhuma razão que justifique esconder o rosto quando há o objetivo de se manifestar pacificamente. Ao recorrer às máscaras, os black blocs anunciam de antemão seu intento criminoso de usar a violência para conseguir seus objetivos.
No entanto, além de criticar os métodos dos black blocs, é preciso chamar a atenção para uma tendência crescente: a de justificar a violência como meio legítimo de protesto em quaisquer circunstâncias. Como salientou o sociólogo Demétrio Magnoli em artigo publicado nesta Gazeta semanas atrás, a construção de um arcabouço intelectual para defender o uso da violência remonta aos chamados “autonomistas”, na Itália dos anos 70. Suas lições foram aprendidas pelos terroristas daquele país – alguns dos quais viveram ou ainda vivem muito bem, obrigado, no Brasil, protegidos por absurdos asilos ou trabalhando para partidos de esquerda, como Cesare Battisti e Achille Lollo.
A herança dos autonomistas italianos foi recolhida por intelectuais que estão atualmente na academia, formando os nossos jovens. Magnoli cita dois casos, o de Rafael Alcadipani Silveira, para quem os jovens das periferias “já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles”, e de Pablo Ortellado, para quem a estratégia dos black blocs não é violenta por estar orientada a coisas, e não a pessoas. “A destruição de propriedade sem outro propósito que o de demonstrar descontentamento simboliza, e apenas simboliza, a ojeriza à exploração econômica ou à dominação do Estado”, escreveu em sua página no Facebook, acrescentando que a tática dos black blocs “deve ser entendida mais na interface da política com a arte do que da política com o crime”. Silveira leciona na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo; Ortellado, na USP (que, talvez não por coincidência, esteja vivendo episódios similares de vandalismo, com uma nova invasão à reitoria).
Mas eles não são os únicos. “Como protestar pela palavra se é ela o suporte por meio do qual o Estado de Direito exerce violência? É preciso criar novas formas de comunicar: o Black Bloc pode ser uma delas”, diz o professor de Teoria Política Nildo Avelino, da Universidade Federal da Paraíba. São opiniões que não surpreendem, quando se leva em conta que um dos mais incensados intelectuais de esquerda da atualidade, Slavoj Zizek, defende a “violência revolucionária” como uma “terapia de choque”, uma resposta necessária para abalar as estruturas da sociedade.
É com esse nível de agressão à democracia que os professores da rede pública estão flertando quando acolhem os black blocs em suas manifestações, chegando ao cúmulo de entoar bordões como “uh, é black profes”, ouvido no Rio de Janeiro. Na menos pior das hipóteses, estão se aproveitando do vandalismo para forçar o governo a negociar, o que já é grave o suficiente, pois indica a prevalência de uma mentalidade segundo a qual os fins justificam os meios. No pior dos cenários, também os docentes se deixaram contaminar pela justificação intelectual da violência, mentalidade inaceitável, especialmente quando se trata dos responsáveis por formar nossa juventude.
Tão preocupante quanto a violência dos black blocs é a construção, nas universidades, de um arcabouço teórico que justifica a depredação verificada em grandes cidades brasileiras
Depois da baderna promovida no Sete de Setembro, os black blocs voltaram com força à cena pública, no embalo da greve dos professores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nesta semana foram registradas as já conhecidas cenas de violência e depredação que não pouparam nada que estivesse no caminho dos vândalos mascarados. Apostando no despreparo das polícias, que muitas vezes respondem de forma desproporcional, piorando os confrontos, os black blocs espantaram das ruas os cidadãos que protestaram em junho, e agora encontraram um novo pretexto para dar vazão a impulsos de destruição que precisam ser contidos o quanto antes.
Nesse sentido, leis como a aprovada no Rio de Janeiro, que proíbe máscaras em manifestações, são mais que necessárias no cenário atual. A Constituição, que garante em seu artigo 5.º o direito à liberdade de expressão, já faz a ressalva de que é vedado o anonimato. Não vivemos em um Estado totalitário aos moldes socialistas, em que ser identificado em um protesto pacífico contra o governo poderia render consequências funestas. No contexto brasileiro, não existe nenhuma razão que justifique esconder o rosto quando há o objetivo de se manifestar pacificamente. Ao recorrer às máscaras, os black blocs anunciam de antemão seu intento criminoso de usar a violência para conseguir seus objetivos.
No entanto, além de criticar os métodos dos black blocs, é preciso chamar a atenção para uma tendência crescente: a de justificar a violência como meio legítimo de protesto em quaisquer circunstâncias. Como salientou o sociólogo Demétrio Magnoli em artigo publicado nesta Gazeta semanas atrás, a construção de um arcabouço intelectual para defender o uso da violência remonta aos chamados “autonomistas”, na Itália dos anos 70. Suas lições foram aprendidas pelos terroristas daquele país – alguns dos quais viveram ou ainda vivem muito bem, obrigado, no Brasil, protegidos por absurdos asilos ou trabalhando para partidos de esquerda, como Cesare Battisti e Achille Lollo.
A herança dos autonomistas italianos foi recolhida por intelectuais que estão atualmente na academia, formando os nossos jovens. Magnoli cita dois casos, o de Rafael Alcadipani Silveira, para quem os jovens das periferias “já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e por isso os protestos violentos passam a fazer sentido para eles”, e de Pablo Ortellado, para quem a estratégia dos black blocs não é violenta por estar orientada a coisas, e não a pessoas. “A destruição de propriedade sem outro propósito que o de demonstrar descontentamento simboliza, e apenas simboliza, a ojeriza à exploração econômica ou à dominação do Estado”, escreveu em sua página no Facebook, acrescentando que a tática dos black blocs “deve ser entendida mais na interface da política com a arte do que da política com o crime”. Silveira leciona na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo; Ortellado, na USP (que, talvez não por coincidência, esteja vivendo episódios similares de vandalismo, com uma nova invasão à reitoria).
Mas eles não são os únicos. “Como protestar pela palavra se é ela o suporte por meio do qual o Estado de Direito exerce violência? É preciso criar novas formas de comunicar: o Black Bloc pode ser uma delas”, diz o professor de Teoria Política Nildo Avelino, da Universidade Federal da Paraíba. São opiniões que não surpreendem, quando se leva em conta que um dos mais incensados intelectuais de esquerda da atualidade, Slavoj Zizek, defende a “violência revolucionária” como uma “terapia de choque”, uma resposta necessária para abalar as estruturas da sociedade.
É com esse nível de agressão à democracia que os professores da rede pública estão flertando quando acolhem os black blocs em suas manifestações, chegando ao cúmulo de entoar bordões como “uh, é black profes”, ouvido no Rio de Janeiro. Na menos pior das hipóteses, estão se aproveitando do vandalismo para forçar o governo a negociar, o que já é grave o suficiente, pois indica a prevalência de uma mentalidade segundo a qual os fins justificam os meios. No pior dos cenários, também os docentes se deixaram contaminar pela justificação intelectual da violência, mentalidade inaceitável, especialmente quando se trata dos responsáveis por formar nossa juventude.
Mais rigor contra más faculdades - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 10/10
O sinal vermelho pisca incessantemente no ensino superior brasileiro. Na semana passada, nossa única universidade colocada entre as 200 melhores do mundo, a de São Paulo (USP), passou a figurar no patamar da 226ª à 250ª, conforme o ranking da Times Higher Education para o período 2013-2014. Agora, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) conferiu notas 1 e 2 (numa escala que vai até 5) a 29,99% de 7.228 cursos avaliados no país, resultado de provas aplicadas a 536 mil estudantes do penúltimo e do último semestre de 1.646 instituições.
Administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo, turismo, gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais foram os cursos avaliados, sendo 10 de bacharelado de ciências sociais aplicadas, humanas e áreas afins, além de seis de tecnologia. Os números são claros e incontestáveis: um terço deles tem má qualidade. Significa que põem na rua profissionais despreparados, em prejuízo deles mesmos, em primeiro lugar, mas, em última instância, de todo o país.
A deficiência certamente começa de baixo, dos ensinos fundamental e médio, o que não exime de responsabilidade as instituições da ponta de cima do sistema educacional. Tampouco o governo está livre de responder inclusive pela rede privada. Afinal, o Enade, aplicado desde 2004, com foco na avaliação dos conteúdos programáticos dos cursos, precisa ter consequências. Não pode ser reles indicador de qualidade. Se faculdades comprovadamente insatisfatórias continuam abertas, sem que ao menos a oferta de vagas seja limitada e o vestibular, suspenso, o Estado é omisso.
E a omissão sai cara. Cursos insatisfatórios são indústria de perpetuação da pobreza. Gasta-se tempo e dinheiro sem que se tenha condições de chegar a lugar algum. Se o ensino é precário, portanto, uma providência imediata deve ser o corte do Fundo de Financiamento Estudantil para novas matrículas. Programa do Ministério da Educação, o Fies apenas deve contemplar alunos matriculados em faculdades com nota 3 (regular) a 5 (excelente) no Enade. Eventual desobservância da regra premia a picaretagem e penaliza duplamente o contribuinte, pois o dinheiro dos impostos não retorna à sociedade.
O rigor do MEC não pode, naturalmente, ser menor em relação às unidades da rede pública tidas como insatisfatórias. Em ambos os casos, cabe ao governo, enfim, investigar a fundo as razões de tão elevado número de instituições mal avaliadas. O avanço a ser observar nesta edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes é que apenas 1,8% dos referidos cursos não passaram por seu crivo, percentual que chegou a 26,6% em 2009. Por sua vez, a distorção dificulta a comparação entre os dois momentos, como o fato de 37,8% terem sido classificadas como regulares e 10,7% de excelência naquele ano, percentuais que subiram, respectivamente, para 43,9% e 24,4% agora.
Administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo, turismo, gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais foram os cursos avaliados, sendo 10 de bacharelado de ciências sociais aplicadas, humanas e áreas afins, além de seis de tecnologia. Os números são claros e incontestáveis: um terço deles tem má qualidade. Significa que põem na rua profissionais despreparados, em prejuízo deles mesmos, em primeiro lugar, mas, em última instância, de todo o país.
A deficiência certamente começa de baixo, dos ensinos fundamental e médio, o que não exime de responsabilidade as instituições da ponta de cima do sistema educacional. Tampouco o governo está livre de responder inclusive pela rede privada. Afinal, o Enade, aplicado desde 2004, com foco na avaliação dos conteúdos programáticos dos cursos, precisa ter consequências. Não pode ser reles indicador de qualidade. Se faculdades comprovadamente insatisfatórias continuam abertas, sem que ao menos a oferta de vagas seja limitada e o vestibular, suspenso, o Estado é omisso.
E a omissão sai cara. Cursos insatisfatórios são indústria de perpetuação da pobreza. Gasta-se tempo e dinheiro sem que se tenha condições de chegar a lugar algum. Se o ensino é precário, portanto, uma providência imediata deve ser o corte do Fundo de Financiamento Estudantil para novas matrículas. Programa do Ministério da Educação, o Fies apenas deve contemplar alunos matriculados em faculdades com nota 3 (regular) a 5 (excelente) no Enade. Eventual desobservância da regra premia a picaretagem e penaliza duplamente o contribuinte, pois o dinheiro dos impostos não retorna à sociedade.
O rigor do MEC não pode, naturalmente, ser menor em relação às unidades da rede pública tidas como insatisfatórias. Em ambos os casos, cabe ao governo, enfim, investigar a fundo as razões de tão elevado número de instituições mal avaliadas. O avanço a ser observar nesta edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes é que apenas 1,8% dos referidos cursos não passaram por seu crivo, percentual que chegou a 26,6% em 2009. Por sua vez, a distorção dificulta a comparação entre os dois momentos, como o fato de 37,8% terem sido classificadas como regulares e 10,7% de excelência naquele ano, percentuais que subiram, respectivamente, para 43,9% e 24,4% agora.
Reação ao vandalismo - EDITORIAL ZERO HORA
ZERO HORA - 10/10
Governos e autoridades policiais do Rio e de São Paulo começaram a adotar esta semana uma série de medidas para conter depredações de bens públicos e privados, agressões e ataques à polícia, protagonizados por manifestantes – ou por marginais infiltrados nos movimentos reivindicatórios. O governo paulista correu o risco de ser exposto a críticas pesadas, com a decisão de autorizar a polícia a voltar a usar balas de borracha para conter tumultos. E um delegado chegou a enquadrar autores de atos violentos na Lei de Segurança Nacional, uma legislação de exceção, remanescente do regime militar, como tentativa extrema de desencorajar a violência que vem descaracterizando os protestos.
Nos dois casos, o setor público se socorre do que tem à mão para, com o apoio inclusive de especialistas em segurança e, no caso da Lei de Segurança, de respeitáveis juristas, fazer valer a ordem. No Rio, a população está traumatizada com a possibilidade de repetição dos atos que depredaram instituições como o Theatro Municipal e levaram a uma tentativa de incêndio da Câmara Municipal. Em São Paulo, a situação é a mesma, depois de ataques a instalações públicas e privadas e a confrontos diretos de mascarados com a polícia.
Em ambos os casos, ficou evidente que a radicalização já não é um gesto isolado e ocasional em meio à tensão presente nas ruas. O que se vê é a ação deliberada para a violência, com seus protagonistas agindo de forma planejada e articulada para quebrar, incendiar e afrontar as forças de segurança. Ainda que algumas metodologias da reação dos governantes sejam questionáveis, especialmente nos casos que configuram excesso policial, parece não haver dúvida de que a maioria da população apoia medidas que garantam a segurança e a ordem pública. Um contingente minoritário optou pela agressão sem limites, não só contra o patrimônio, com ações violentas que põem em risco, além dos policiais, os trabalhadores do transporte coletivo, do comércio e de repartições públicas. São atitudes que ultrapassam, e muito, o que genericamente, desde junho, define-se como vandalismo.
Os destruidores, em especial os que se apresentam com os rostos cobertos, não são militantes, mas boicotadores de manifestações democráticas que, na maioria dos casos, expressam apelos por demandas da população ou de categorias específicas, como é o caso dos protestos recentes de professores. Conter os radicais, enquadrá-los no que determina a lei e puni-los é a melhor forma de preservar o direito de quem se manifesta de forma civilizada. O vandalismo, sob qualquer pretexto, não tem nenhuma contribuição a dar às mobilizações, à política e à democracia.
Governos e autoridades policiais do Rio e de São Paulo começaram a adotar esta semana uma série de medidas para conter depredações de bens públicos e privados, agressões e ataques à polícia, protagonizados por manifestantes – ou por marginais infiltrados nos movimentos reivindicatórios. O governo paulista correu o risco de ser exposto a críticas pesadas, com a decisão de autorizar a polícia a voltar a usar balas de borracha para conter tumultos. E um delegado chegou a enquadrar autores de atos violentos na Lei de Segurança Nacional, uma legislação de exceção, remanescente do regime militar, como tentativa extrema de desencorajar a violência que vem descaracterizando os protestos.
Nos dois casos, o setor público se socorre do que tem à mão para, com o apoio inclusive de especialistas em segurança e, no caso da Lei de Segurança, de respeitáveis juristas, fazer valer a ordem. No Rio, a população está traumatizada com a possibilidade de repetição dos atos que depredaram instituições como o Theatro Municipal e levaram a uma tentativa de incêndio da Câmara Municipal. Em São Paulo, a situação é a mesma, depois de ataques a instalações públicas e privadas e a confrontos diretos de mascarados com a polícia.
Em ambos os casos, ficou evidente que a radicalização já não é um gesto isolado e ocasional em meio à tensão presente nas ruas. O que se vê é a ação deliberada para a violência, com seus protagonistas agindo de forma planejada e articulada para quebrar, incendiar e afrontar as forças de segurança. Ainda que algumas metodologias da reação dos governantes sejam questionáveis, especialmente nos casos que configuram excesso policial, parece não haver dúvida de que a maioria da população apoia medidas que garantam a segurança e a ordem pública. Um contingente minoritário optou pela agressão sem limites, não só contra o patrimônio, com ações violentas que põem em risco, além dos policiais, os trabalhadores do transporte coletivo, do comércio e de repartições públicas. São atitudes que ultrapassam, e muito, o que genericamente, desde junho, define-se como vandalismo.
Os destruidores, em especial os que se apresentam com os rostos cobertos, não são militantes, mas boicotadores de manifestações democráticas que, na maioria dos casos, expressam apelos por demandas da população ou de categorias específicas, como é o caso dos protestos recentes de professores. Conter os radicais, enquadrá-los no que determina a lei e puni-los é a melhor forma de preservar o direito de quem se manifesta de forma civilizada. O vandalismo, sob qualquer pretexto, não tem nenhuma contribuição a dar às mobilizações, à política e à democracia.
Cortar pela raiz - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 10/10
Projeto de lei que inibe criação de partidos políticos é bem-vindo, mas Congresso precisa ir além e instituir uma cláusula de desempenho
Não chega a ser a salvação da lavoura em que se cultivam as legendas de aluguel, mas o projeto de lei que inibe a criação de partidos políticos e o troca-troca entre as agremiações tem seus méritos.
Aprovado anteontem no Senado, o texto --que segue para sanção presidencial-- deixa claro que os recursos do Fundo Partidário, assim como o tempo de propaganda política no rádio e na televisão, serão divididos entre as siglas de maneira proporcional ao número de deputados federais eleitos no pleito imediatamente anterior.
Trata-se de mudança significativa em relação às regras atuais. Hoje, quando um deputado migra de uma agremiação para outra, ele leva consigo uma fatia do latifúndio das benesses partidárias.
O entendimento, nada explícito na lei sobre partidos políticos, foi consagrado no ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral durante julgamento de demanda do PSD.
A sigla então recém-criada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab conseguiu, na prática, transformar Fundo Partidário e propaganda eleitoral em atributos pessoais de cada deputado --e não da legenda, como deveria ser.
O projeto ora aprovado pelo Congresso Nacional corrige essa evidente distorção, que vinha distribuindo recursos públicos volumosos a agremiações antes mesmo de elas passarem pelo teste das urnas --casos do próprio PSD, do Pros (Partido Republicano da Ordem Social) e do Solidariedade.
Seria ingênuo supor que a nova lei estabelecerá um regime de plena fidelidade partidária no Brasil. Eliminará, porém, boa parte dos estímulos existentes para a criação de novas legendas.
É razoável supor que, na próxima quadratura, somente grupos que têm verdadeira pretensão de representar algum segmento populacional se arriscarão a lançar suas sementes --como parece ser o caso da Rede Sustentabilidade, de resto atingida pelas novas regras.
Além disso, a lei desestimulará o bandeamento de deputados. Das quase 60 migrações registradas na Câmara neste ano, 37 referem-se a parlamentares que se filiaram ao Solidariedade ou ao Pros. Nos Estados, foram 139 transferências, 53 das quais para as novas siglas --isentas das normas da fidelidade.
É preciso ir além, contudo. As benesses eleitorais são pagas pelos contribuintes. Não faz sentido que a elas tenham pleno direito partidos sem representatividade.
Insista-se: passou da hora de o Congresso aprovar uma cláusula de desempenho, restringindo Fundo Partidário e tempo de TV às agremiações de fato apoiadas pelos eleitores. A política brasileira precisa deixar de ser campo fértil para ervas daninhas.
Projeto de lei que inibe criação de partidos políticos é bem-vindo, mas Congresso precisa ir além e instituir uma cláusula de desempenho
Não chega a ser a salvação da lavoura em que se cultivam as legendas de aluguel, mas o projeto de lei que inibe a criação de partidos políticos e o troca-troca entre as agremiações tem seus méritos.
Aprovado anteontem no Senado, o texto --que segue para sanção presidencial-- deixa claro que os recursos do Fundo Partidário, assim como o tempo de propaganda política no rádio e na televisão, serão divididos entre as siglas de maneira proporcional ao número de deputados federais eleitos no pleito imediatamente anterior.
Trata-se de mudança significativa em relação às regras atuais. Hoje, quando um deputado migra de uma agremiação para outra, ele leva consigo uma fatia do latifúndio das benesses partidárias.
O entendimento, nada explícito na lei sobre partidos políticos, foi consagrado no ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral durante julgamento de demanda do PSD.
A sigla então recém-criada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab conseguiu, na prática, transformar Fundo Partidário e propaganda eleitoral em atributos pessoais de cada deputado --e não da legenda, como deveria ser.
O projeto ora aprovado pelo Congresso Nacional corrige essa evidente distorção, que vinha distribuindo recursos públicos volumosos a agremiações antes mesmo de elas passarem pelo teste das urnas --casos do próprio PSD, do Pros (Partido Republicano da Ordem Social) e do Solidariedade.
Seria ingênuo supor que a nova lei estabelecerá um regime de plena fidelidade partidária no Brasil. Eliminará, porém, boa parte dos estímulos existentes para a criação de novas legendas.
É razoável supor que, na próxima quadratura, somente grupos que têm verdadeira pretensão de representar algum segmento populacional se arriscarão a lançar suas sementes --como parece ser o caso da Rede Sustentabilidade, de resto atingida pelas novas regras.
Além disso, a lei desestimulará o bandeamento de deputados. Das quase 60 migrações registradas na Câmara neste ano, 37 referem-se a parlamentares que se filiaram ao Solidariedade ou ao Pros. Nos Estados, foram 139 transferências, 53 das quais para as novas siglas --isentas das normas da fidelidade.
É preciso ir além, contudo. As benesses eleitorais são pagas pelos contribuintes. Não faz sentido que a elas tenham pleno direito partidos sem representatividade.
Insista-se: passou da hora de o Congresso aprovar uma cláusula de desempenho, restringindo Fundo Partidário e tempo de TV às agremiações de fato apoiadas pelos eleitores. A política brasileira precisa deixar de ser campo fértil para ervas daninhas.
O problema dos portos - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 10/10
Também as licitações de áreas portuárias anunciadas pelo governo como parte do plano de modernização e ampliação do sistema portuário correm o risco de fracasso. É mais um problema que, por não ter conseguido definir um modelo de privatização adequado, o governo enfrenta para fazer avançar seu programa de transferência para o setor privado da responsabilidade pela expansão, melhoria e operação de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.
São tantas as divergências entre a proposta do governo para o arrendamento de áreas dos portos que fazem parte do segundo bloco de licitação - entre eles os de Paranaguá, o segundo mais importante do País, e o de São Sebastião - e as expectativas dos envolvidos na questão, como os administradores, os investidores e os usuários, que a consulta pública sobre a questão aberta na semana passada poderá ser encerrada sem que se tenha conseguido estabelecer um modelo aceitável.
O tempo para os acertos é curto, pois a consulta pública ficará aberta só até o dia 25. Até lá, haverá apenas uma audiência pública para discutir as propostas de arrendamento de áreas nos quatro portos que fazem parte do segundo bloco de licitação (os outros são os de Salvador e Aratu, na Bahia). Como só depois de encerrado o prazo para a consulta a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) concluirá a modelagem a ser submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU), é pouco provável que a licitação ocorra ainda em 2013. Se as divergências não forem superadas, o atraso será ainda maior.
Tanto no caso de Paranaguá como no de São Sebastião critica-se o fato de os modelos elaborados pelo governo ignorarem completamente o que havia sido discutido pelos interessados e apresentado previamente às autoridades federais.
Para o Porto de Paranaguá, por exemplo, a autarquia estadual responsável por sua administração, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), elaborou um projeto de concessão baseado no Plano de Desenvolvimento dos Portos Organizados do Estado, uma espécie de plano diretor que aponta as tendências de crescimento do porto nos próximos 20 anos. Mas nada do que os administradores paranaenses e os usuários do porto apresentaram ao governo federal foi aproveitado.
O plano do governo prevê a transformação de 17 áreas em 10 terminais que serão arrendados para a iniciativa privada, em troca de investimentos na infraestrutura, o que inclui a construção de 6 berços de atracação de navios. Estão previstos investimentos de R$ 2,6 bilhões até 2019.
O governo paranaense afirma que o modelo elaborado pela Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP) - que vem preparando também outros projetos federais na área de concessão de infraestrutura - não levou em conta características técnicas, comerciais e operacionais do Porto de Paranaguá.
Um dos pontos mais criticados é a proposta de licitação unificada de três áreas independentes já ocupadas. "Vão substituir três operadores por um só. Isso pode inflacionar os preços", disse ao Estado o secretário executivo do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr. Já a Federação da Agricultura (Faep) disse, por meio de seu porta-voz, Carlos Albuquerque, que as autoridades federais "jogaram fora" a proposta elaborada pelos paranaenses, o que pode resultar no aumento exponencial das tarifas.
É grande o risco de a questão, que é técnica, ser transferida para o campo jurídico ou transformada em caso político. "Estamos dispostos a questionar na Justiça", disse ao Estado o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho. "Vamos até a última instância." O coordenador da bancada paranaense na Câmara, deputado Marcelo Almeida (PMDB), reconhece que o melhor é resolver o problema na esfera técnica. Mas adianta: "Se não der acordo, vamos para o embate".
No caso de São Sebastião, a surpresa da proposta do governo foi causada pelo fato de que ela ignora inteiramente as diretrizes do Plano Integrado Porto-Cidade, que já foi aprovado pelos interessados e aguarda apenas a análise do Ibama.
Também as licitações de áreas portuárias anunciadas pelo governo como parte do plano de modernização e ampliação do sistema portuário correm o risco de fracasso. É mais um problema que, por não ter conseguido definir um modelo de privatização adequado, o governo enfrenta para fazer avançar seu programa de transferência para o setor privado da responsabilidade pela expansão, melhoria e operação de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.
São tantas as divergências entre a proposta do governo para o arrendamento de áreas dos portos que fazem parte do segundo bloco de licitação - entre eles os de Paranaguá, o segundo mais importante do País, e o de São Sebastião - e as expectativas dos envolvidos na questão, como os administradores, os investidores e os usuários, que a consulta pública sobre a questão aberta na semana passada poderá ser encerrada sem que se tenha conseguido estabelecer um modelo aceitável.
O tempo para os acertos é curto, pois a consulta pública ficará aberta só até o dia 25. Até lá, haverá apenas uma audiência pública para discutir as propostas de arrendamento de áreas nos quatro portos que fazem parte do segundo bloco de licitação (os outros são os de Salvador e Aratu, na Bahia). Como só depois de encerrado o prazo para a consulta a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) concluirá a modelagem a ser submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU), é pouco provável que a licitação ocorra ainda em 2013. Se as divergências não forem superadas, o atraso será ainda maior.
Tanto no caso de Paranaguá como no de São Sebastião critica-se o fato de os modelos elaborados pelo governo ignorarem completamente o que havia sido discutido pelos interessados e apresentado previamente às autoridades federais.
Para o Porto de Paranaguá, por exemplo, a autarquia estadual responsável por sua administração, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), elaborou um projeto de concessão baseado no Plano de Desenvolvimento dos Portos Organizados do Estado, uma espécie de plano diretor que aponta as tendências de crescimento do porto nos próximos 20 anos. Mas nada do que os administradores paranaenses e os usuários do porto apresentaram ao governo federal foi aproveitado.
O plano do governo prevê a transformação de 17 áreas em 10 terminais que serão arrendados para a iniciativa privada, em troca de investimentos na infraestrutura, o que inclui a construção de 6 berços de atracação de navios. Estão previstos investimentos de R$ 2,6 bilhões até 2019.
O governo paranaense afirma que o modelo elaborado pela Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP) - que vem preparando também outros projetos federais na área de concessão de infraestrutura - não levou em conta características técnicas, comerciais e operacionais do Porto de Paranaguá.
Um dos pontos mais criticados é a proposta de licitação unificada de três áreas independentes já ocupadas. "Vão substituir três operadores por um só. Isso pode inflacionar os preços", disse ao Estado o secretário executivo do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr. Já a Federação da Agricultura (Faep) disse, por meio de seu porta-voz, Carlos Albuquerque, que as autoridades federais "jogaram fora" a proposta elaborada pelos paranaenses, o que pode resultar no aumento exponencial das tarifas.
É grande o risco de a questão, que é técnica, ser transferida para o campo jurídico ou transformada em caso político. "Estamos dispostos a questionar na Justiça", disse ao Estado o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho. "Vamos até a última instância." O coordenador da bancada paranaense na Câmara, deputado Marcelo Almeida (PMDB), reconhece que o melhor é resolver o problema na esfera técnica. Mas adianta: "Se não der acordo, vamos para o embate".
No caso de São Sebastião, a surpresa da proposta do governo foi causada pelo fato de que ela ignora inteiramente as diretrizes do Plano Integrado Porto-Cidade, que já foi aprovado pelos interessados e aguarda apenas a análise do Ibama.
A censura prévia às biografias - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 10/10
O Procure Saber não exprime o pensamento unânime da classe artística; daí a importância da condenação dos intelectuais aos arroubos censórios do grupo
O debate sobre a exigência de autorização para a publicação de biografias não é novo. Desde o ano passado, espera a vez de entrar na pauta do Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), ajuizada pela Associação Nacional dos Editores de Livros para arguir a legalidade de biografados, parentes e representantes proibirem, com base em artigos do Código Civil, a publicação de livros que retratem a vida de personalidades de notória vida pública. A iniciativa dos editores já abordava um problema de fato — o avanço contra o princípio da liberdade de expressão, de que foram vítimas autores de obras biográficas cuja circulação está vedada por decisões judiciais.
Portanto, trata-se de discussão antiga. Mas, nas últimas semanas, o tema ganhou força de um grande debate público, em razão de figuras de ponta da MPB — como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan e outros — terem explicitamente se alinhado ao cantor Roberto Carlos, líder da cruzada contra biografias, sob disfarce de defesa da privacidade..
Reunidos no grupo Procure Saber, esses artistas tisnam as próprias biografias, quando nada pelo fato de, alguns deles, passarem de censurados a agentes da censura. E também por cavalgarem uma esperteza: o grupo surgiu no bojo de uma luta legítima, a defesa de direitos autorais, prerrogativa de quem cria uma obra artística, mas, sabe-se lá em nome de quê, contaminou-se com essa bizarra incursão pelo papel de juízes do que pode e do que não pode ser publicado por biógrafos. Nada diferente da censura que a ditadura lhes impunha. Os compositores do Procure Saber não representam o pensamento unânime da classe artística. Mas é inegável o seu poder de influenciar a opinião pública. Daí a importância de intelectuais que não compartilham com arroubos censórios darem seu testemunho sobre o mal que tais opiniões fazem à cultura do país. Caso, entre outros, de escritores como Ruy Castro, João Ubaldo Ribeiro, Verissimo, Benjamin Moser (autor de uma biografia de Clarice Lispector). A se registrar também a opinião do americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara: para ele, a censura prévia aproxima o Brasil de países repressores, disse ao GLOBO. O que está em questão não é a ideia de autores ganharem dinheiro com a fama alheia, argumento do Procure Saber, mas a liberdade de expressão. Censurar biografias empobrece a memória do país, pois, ao condicioná-las à prévia apreciação familiar, nelas cola o selo da historiografia chapa branca.
Ao julgar a Adin, o STF deve fazê-lo em coerência com decisões anteriores em que reafirmou o princípio da liberdade de expressão. Para regulá-la, existe o Código Penal, a que se pode recorrer contra jornalistas, escritores, biógrafos, etc. O tribunal precisa tomar uma decisão cristalina a respeito do choque entre o que estabelece os artigos 20 e 21 do CC, base da fúria obscurantista, e a Constituição. A prevalência, com certeza, há de ser a garantia da Carta ao direito à informação.
O Procure Saber não exprime o pensamento unânime da classe artística; daí a importância da condenação dos intelectuais aos arroubos censórios do grupo
O debate sobre a exigência de autorização para a publicação de biografias não é novo. Desde o ano passado, espera a vez de entrar na pauta do Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), ajuizada pela Associação Nacional dos Editores de Livros para arguir a legalidade de biografados, parentes e representantes proibirem, com base em artigos do Código Civil, a publicação de livros que retratem a vida de personalidades de notória vida pública. A iniciativa dos editores já abordava um problema de fato — o avanço contra o princípio da liberdade de expressão, de que foram vítimas autores de obras biográficas cuja circulação está vedada por decisões judiciais.
Portanto, trata-se de discussão antiga. Mas, nas últimas semanas, o tema ganhou força de um grande debate público, em razão de figuras de ponta da MPB — como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan e outros — terem explicitamente se alinhado ao cantor Roberto Carlos, líder da cruzada contra biografias, sob disfarce de defesa da privacidade..
Reunidos no grupo Procure Saber, esses artistas tisnam as próprias biografias, quando nada pelo fato de, alguns deles, passarem de censurados a agentes da censura. E também por cavalgarem uma esperteza: o grupo surgiu no bojo de uma luta legítima, a defesa de direitos autorais, prerrogativa de quem cria uma obra artística, mas, sabe-se lá em nome de quê, contaminou-se com essa bizarra incursão pelo papel de juízes do que pode e do que não pode ser publicado por biógrafos. Nada diferente da censura que a ditadura lhes impunha. Os compositores do Procure Saber não representam o pensamento unânime da classe artística. Mas é inegável o seu poder de influenciar a opinião pública. Daí a importância de intelectuais que não compartilham com arroubos censórios darem seu testemunho sobre o mal que tais opiniões fazem à cultura do país. Caso, entre outros, de escritores como Ruy Castro, João Ubaldo Ribeiro, Verissimo, Benjamin Moser (autor de uma biografia de Clarice Lispector). A se registrar também a opinião do americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara: para ele, a censura prévia aproxima o Brasil de países repressores, disse ao GLOBO. O que está em questão não é a ideia de autores ganharem dinheiro com a fama alheia, argumento do Procure Saber, mas a liberdade de expressão. Censurar biografias empobrece a memória do país, pois, ao condicioná-las à prévia apreciação familiar, nelas cola o selo da historiografia chapa branca.
Ao julgar a Adin, o STF deve fazê-lo em coerência com decisões anteriores em que reafirmou o princípio da liberdade de expressão. Para regulá-la, existe o Código Penal, a que se pode recorrer contra jornalistas, escritores, biógrafos, etc. O tribunal precisa tomar uma decisão cristalina a respeito do choque entre o que estabelece os artigos 20 e 21 do CC, base da fúria obscurantista, e a Constituição. A prevalência, com certeza, há de ser a garantia da Carta ao direito à informação.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“O Estado brasileiro foi apropriado por um partido e seus sócios”
José Serra (PSDB) durante um ataque direto o Partido dos Trabalhadores
PTB EXIGE MINISTÉRIO PARA NÃO VIRAR OPOSIÇÃO
O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), avisou ao presidente do PTB, Benito Gama, vice-presidente de governo do Banco do Brasil, que a presidente Dilma “terá de negociar cargo na Esplanada” para garantir o apoio da bancada, que ameaça abandonar a base aliada e se bandear para a oposição. O PTB tem 17 deputados federais e o PDT, com 18, tem o Ministério do Trabalho desde o governo Lula.
É DÍVIDA
Segundo Jovair, o Planalto prometeu dar a “próxima vaga” ao PTB, e o partido está de olho na Integração, também pretendido pelo PMDB.
ESTÁ VALENDO
O Ministério do Turismo, nas mãos de Gastão Vieira (MA), também é “azarado” pelo PTB, caso o Ministério da Integração vá para o PMDB.
NINGUÉM MEXE
O senador José Sarney (PMDB-AP) entrou em ação para segurar Gastão Vieira no Turismo, alvo da cobiça do PTB e também do PT.
TERROR NO RIO
Talvez a Polícia Civil e a Agência Brasileira de Inteligência não saibam, mas os Black Blocs planejam manifestação “de arromba”, segunda (21).
SAÍDA DE CID E CIRO FEZ MARINA OPTAR PELO PSB
A saída dos irmãos Cid e Ciro Gomes foi determinante para a opção da ex-senadora Marina Silva pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ela não esconde sua mágoa pelos ataques do ex-ministro Ciro Gomes, por isso o PSB jamais foi uma opção. Com a confirmação de que ele e o irmão governador do Ceará se filiaram ao PROS, um partido de aluguel, segundo interlocutores, ela achou que era momento de dar o troco.
EU ESPIONO, TU ESPIONAS
Se consola Dilma, o Canadá foi alvo de espionagem industrial de 20 países, diz o Canadian International Council, fórum de política externa.
IMPOSTÔMETRO
Outro consolo para Dilma: sem prestar serviços, os EUA recolheram US$ 57 bilhões em impostos, segundo o site da revista Fast Company.
LÁ, NÃO
Exportadora de médicos para 70 países, Cuba impede estrangeiros de clinicar, mesmo “companheiros” brasileiros formados na ilha de Fidel.
SOLIDÁRIO A ELE MESMO
O dono do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), diz “não se importar” com dinheiro, mas relatos de suas negociações nada republicanas, sobre partilha do fundo partidário, ainda vão encrencá-lo.
HORA DO RUSH
Não convidem para o mesmo evento sobre mobilidade urbana Lula e Fernando Haddad: o primeiro se orgulha de incentivar consumo em massa de carros, o prefeito luta para tirá-los das ruas São Paulo.
TRIPRESIDENTE
Eleito na terça, o ministro Marco Aurélio, um dos mais admirados magistrados brasileiros, assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral pela terceira vez. A posse está marcada para 19 de novembro.
CAPIVARA VERDE
O empresário Airton Garcia, de São Carlos (SP), acusado de crimes ambientais e fundiários, saiu do DEM e filiou-se ao PSB, junto com Marina Silva. Em 2008, foi considerado o candidato mais rico do País.
DELEGADOS NAS URNAS
Exatos 2.052 delegados federais elegem nesta quinta o presidente da ADPF, sua entidade. O atual presidente, Marcos Leôncio, disputa com Fernando Segóvia, corregedor substituto que é ligado à cúpula do DPF.
HIPÓTESE
Aliados de Eduardo Campos cogitam a possibilidade de Walter Feldman (PSB-SP) sair candidato a vice na chapa de Eduardo Campos (PE). Sem ofuscá-lo, Marina Silva (AC) disputaria cadeira ao Senado.
RESISTÊNCIA
Colaboradores da Rede têm descarregado e-mails inconformados com a ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB do governador Eduardo Campos (PE) e ameaçam abandonar o projeto à Presidência em 2014.
FOI POR POUCO
Recém-filiado ao Solidariedade, Arthur Maia (BA) fez acordo e resgatou ontem a relatoria do projeto que regulamenta terceirização, que quase parou nas mãos de Ricardo Berzoini (PT) devido à mudança de partido.
SEM MEDO DE ‘SAPINHO’
Inoculada por vírus marqueteiro, Dilma diz que vive “fase de grandes beijos com todo o Brasil”. Traduzindo: quer cair na boca do povo.
PODER SEM PUDOR
ESTADO TOLERANTE
O senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) deu mostras de sua intolerância às criticas e à divergência quando presidiu a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Tem a quem puxar, mas não é ao pai progressista Armando Monteiro Filho, ex-ministro. Parece inspirar-se no avô Armando Monteiro, que foi deputado e também ministro, e proclamava nos tempos de Getúlio Vargas:
- A Justiça é uma tolerância do Estado Novo...
José Serra (PSDB) durante um ataque direto o Partido dos Trabalhadores
PTB EXIGE MINISTÉRIO PARA NÃO VIRAR OPOSIÇÃO
O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), avisou ao presidente do PTB, Benito Gama, vice-presidente de governo do Banco do Brasil, que a presidente Dilma “terá de negociar cargo na Esplanada” para garantir o apoio da bancada, que ameaça abandonar a base aliada e se bandear para a oposição. O PTB tem 17 deputados federais e o PDT, com 18, tem o Ministério do Trabalho desde o governo Lula.
É DÍVIDA
Segundo Jovair, o Planalto prometeu dar a “próxima vaga” ao PTB, e o partido está de olho na Integração, também pretendido pelo PMDB.
ESTÁ VALENDO
O Ministério do Turismo, nas mãos de Gastão Vieira (MA), também é “azarado” pelo PTB, caso o Ministério da Integração vá para o PMDB.
NINGUÉM MEXE
O senador José Sarney (PMDB-AP) entrou em ação para segurar Gastão Vieira no Turismo, alvo da cobiça do PTB e também do PT.
TERROR NO RIO
Talvez a Polícia Civil e a Agência Brasileira de Inteligência não saibam, mas os Black Blocs planejam manifestação “de arromba”, segunda (21).
SAÍDA DE CID E CIRO FEZ MARINA OPTAR PELO PSB
A saída dos irmãos Cid e Ciro Gomes foi determinante para a opção da ex-senadora Marina Silva pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ela não esconde sua mágoa pelos ataques do ex-ministro Ciro Gomes, por isso o PSB jamais foi uma opção. Com a confirmação de que ele e o irmão governador do Ceará se filiaram ao PROS, um partido de aluguel, segundo interlocutores, ela achou que era momento de dar o troco.
EU ESPIONO, TU ESPIONAS
Se consola Dilma, o Canadá foi alvo de espionagem industrial de 20 países, diz o Canadian International Council, fórum de política externa.
IMPOSTÔMETRO
Outro consolo para Dilma: sem prestar serviços, os EUA recolheram US$ 57 bilhões em impostos, segundo o site da revista Fast Company.
LÁ, NÃO
Exportadora de médicos para 70 países, Cuba impede estrangeiros de clinicar, mesmo “companheiros” brasileiros formados na ilha de Fidel.
SOLIDÁRIO A ELE MESMO
O dono do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), diz “não se importar” com dinheiro, mas relatos de suas negociações nada republicanas, sobre partilha do fundo partidário, ainda vão encrencá-lo.
HORA DO RUSH
Não convidem para o mesmo evento sobre mobilidade urbana Lula e Fernando Haddad: o primeiro se orgulha de incentivar consumo em massa de carros, o prefeito luta para tirá-los das ruas São Paulo.
TRIPRESIDENTE
Eleito na terça, o ministro Marco Aurélio, um dos mais admirados magistrados brasileiros, assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral pela terceira vez. A posse está marcada para 19 de novembro.
CAPIVARA VERDE
O empresário Airton Garcia, de São Carlos (SP), acusado de crimes ambientais e fundiários, saiu do DEM e filiou-se ao PSB, junto com Marina Silva. Em 2008, foi considerado o candidato mais rico do País.
DELEGADOS NAS URNAS
Exatos 2.052 delegados federais elegem nesta quinta o presidente da ADPF, sua entidade. O atual presidente, Marcos Leôncio, disputa com Fernando Segóvia, corregedor substituto que é ligado à cúpula do DPF.
HIPÓTESE
Aliados de Eduardo Campos cogitam a possibilidade de Walter Feldman (PSB-SP) sair candidato a vice na chapa de Eduardo Campos (PE). Sem ofuscá-lo, Marina Silva (AC) disputaria cadeira ao Senado.
RESISTÊNCIA
Colaboradores da Rede têm descarregado e-mails inconformados com a ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB do governador Eduardo Campos (PE) e ameaçam abandonar o projeto à Presidência em 2014.
FOI POR POUCO
Recém-filiado ao Solidariedade, Arthur Maia (BA) fez acordo e resgatou ontem a relatoria do projeto que regulamenta terceirização, que quase parou nas mãos de Ricardo Berzoini (PT) devido à mudança de partido.
SEM MEDO DE ‘SAPINHO’
Inoculada por vírus marqueteiro, Dilma diz que vive “fase de grandes beijos com todo o Brasil”. Traduzindo: quer cair na boca do povo.
PODER SEM PUDOR
ESTADO TOLERANTE
O senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) deu mostras de sua intolerância às criticas e à divergência quando presidiu a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Tem a quem puxar, mas não é ao pai progressista Armando Monteiro Filho, ex-ministro. Parece inspirar-se no avô Armando Monteiro, que foi deputado e também ministro, e proclamava nos tempos de Getúlio Vargas:
- A Justiça é uma tolerância do Estado Novo...
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: Brasil grande: País volta a ter maior taxa de juro real do mundo
- Folha: BC sobe juros a 9,5%, na alta seguida 5ª alta seguida
- Estadão: Copom eleva juro e aponta para taxa em dois dígitos
- Correio: Geovana, 6, a menina que o descaso engoliu
- Valor: BC aumenta Selic e taxa deve voltar a dois dígitos
- Estado de Minas: Escolas se isentam de festa com álcool
- Jornal do Commercio: Venda de 246 planos volta a ser suspensa
- Zero Hora: Juro sobe outra vez e encosta em dois dígitos
quarta-feira, outubro 09, 2013
A carteira de trabalho - MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 09/10
Estava em frente ao computador, como quase sempre estou, esperando que alguma ideia inspiradora descesse do céu para me ajudar a escrever a coluna desta quarta-feira. Enquanto a ideia brilhante não vinha, li o jornal e fiquei ainda mais estarrecida com as notícias sobre o Brasil. Desperdícios, obras inacabadas, tudo ficando para depois, para um dia, para quando Deus quiser, e pensei: não, não vou falar de novo sobre o atraso do país. Aí a palavra atraso me remeteu ao atraso de um pagamento, e fui fazer algumas contas – a tela do computador seguiu em branco.
Foi então que a zeladora bateu à porta do meu apartamento e entregou a correspondência. Entre a papelada havia um envelope sem selo, sem carimbo, só com meu nome escrito. Abri. Não havia um bilhete, um telefone para contato, um e-mail, coisa alguma – apenas a minha carteira de trabalho.
A minha carteira de trabalho! Onde ela estava, e com quem? Eu a teria perdido na rua? Mas quando é que eu portei essa carteira pela última vez, se há quase 20 anos trabalho como autônoma? Jurava que ela estava repousando no fundo de alguma gaveta, e ela me retorna pela porta da frente, assim, como quem volta de um passeio.
A primeira sensação foi a de que entrei para a categoria das destrambelhadas. Como é possível alguém perder algo sem se dar conta? E não foi uma caneta, um pente, e sim um documento. Quanto tempo ele passou fora de casa sem que eu percebesse? Por precaução, fui dar uma espiada no quarto das minhas filhas para ver se suas roupas continuavam penduradas nos armários.
Respirei fundo e abri aquela carteira de trabalho emitida em 1981, com orelhas em todas as folhas desbotadas e frágeis pelo tempo em que estiveram abandonadas, pegando chuva, sendo manuseadas por pessoas estranhas, vá saber. Na primeira página, minha foto: uma estagiária com expressão de pavor, nunca havia trabalhado antes, nada suspeitava sobre seu futuro. A assinatura, ao menos, era segura.
E então, página por página, fui investigando a mim mesma, recordando de todos os lugares onde trabalhei, por quanto tempo, se havia sido demitida, promovida, reajustada. A parte dos salários foi a mais cômica. Em um emprego, eu ganhava 90 mil. No emprego seguinte: 250 mil. E no outro, 1 milhão!! Por fim, em meu último emprego, eu ganhava a gloriosa quantia de 1 milhão e 600 mil cruzeiros mensais. Morra de inveja, Eike.
Depois dessa turnê pelo passado de um país cuja moeda mudava de nome todo ano e cuja inflação fazia nossos rendimentos atingirem essa saraivada de dígitos, fechei a carteira de trabalho e fui tratar de desvendar o mistério de seu retorno ao lar. Desvendado (não revelo porque é bom manter algum mistério nesta vida, e também porque o espaço acabou), voltei conformada para minhas contas, lamentando que não se façam mais milionários como antigamente.
Estava em frente ao computador, como quase sempre estou, esperando que alguma ideia inspiradora descesse do céu para me ajudar a escrever a coluna desta quarta-feira. Enquanto a ideia brilhante não vinha, li o jornal e fiquei ainda mais estarrecida com as notícias sobre o Brasil. Desperdícios, obras inacabadas, tudo ficando para depois, para um dia, para quando Deus quiser, e pensei: não, não vou falar de novo sobre o atraso do país. Aí a palavra atraso me remeteu ao atraso de um pagamento, e fui fazer algumas contas – a tela do computador seguiu em branco.
Foi então que a zeladora bateu à porta do meu apartamento e entregou a correspondência. Entre a papelada havia um envelope sem selo, sem carimbo, só com meu nome escrito. Abri. Não havia um bilhete, um telefone para contato, um e-mail, coisa alguma – apenas a minha carteira de trabalho.
A minha carteira de trabalho! Onde ela estava, e com quem? Eu a teria perdido na rua? Mas quando é que eu portei essa carteira pela última vez, se há quase 20 anos trabalho como autônoma? Jurava que ela estava repousando no fundo de alguma gaveta, e ela me retorna pela porta da frente, assim, como quem volta de um passeio.
A primeira sensação foi a de que entrei para a categoria das destrambelhadas. Como é possível alguém perder algo sem se dar conta? E não foi uma caneta, um pente, e sim um documento. Quanto tempo ele passou fora de casa sem que eu percebesse? Por precaução, fui dar uma espiada no quarto das minhas filhas para ver se suas roupas continuavam penduradas nos armários.
Respirei fundo e abri aquela carteira de trabalho emitida em 1981, com orelhas em todas as folhas desbotadas e frágeis pelo tempo em que estiveram abandonadas, pegando chuva, sendo manuseadas por pessoas estranhas, vá saber. Na primeira página, minha foto: uma estagiária com expressão de pavor, nunca havia trabalhado antes, nada suspeitava sobre seu futuro. A assinatura, ao menos, era segura.
E então, página por página, fui investigando a mim mesma, recordando de todos os lugares onde trabalhei, por quanto tempo, se havia sido demitida, promovida, reajustada. A parte dos salários foi a mais cômica. Em um emprego, eu ganhava 90 mil. No emprego seguinte: 250 mil. E no outro, 1 milhão!! Por fim, em meu último emprego, eu ganhava a gloriosa quantia de 1 milhão e 600 mil cruzeiros mensais. Morra de inveja, Eike.
Depois dessa turnê pelo passado de um país cuja moeda mudava de nome todo ano e cuja inflação fazia nossos rendimentos atingirem essa saraivada de dígitos, fechei a carteira de trabalho e fui tratar de desvendar o mistério de seu retorno ao lar. Desvendado (não revelo porque é bom manter algum mistério nesta vida, e também porque o espaço acabou), voltei conformada para minhas contas, lamentando que não se façam mais milionários como antigamente.
A ida e a volta - ROBERTO DAMATTA
O GLOBO - 09/10
Eles toparam um com o outro num congresso mundial em Viena. A Viena das valsas onde, ao contrário do que os seus amigos previram, não ouviram um só música, pois passaram horas discutindo diferenças e semelhanças entre sociedades e culturas porque estavam num encontro de antropólogos profissionais e, naquela época, o figurino era o estudo da organização sócio-política daqueles sistemas marginais, conhecidos somente por quem os descrevia e analisava.
Entre uma sala e outra de um palácio onde se improvisaram auditórios, eles se encontraram e como haviam estudado seus respectivos trabalhos, juntaram o interesse intelectual com o pessoal. A tal ponto que a competição, a inveja de alguma frase ou argumento brilhante contra o outro foi superado pelo que chamamos de "simpatia". Essa ponte inesperada que num mundo de indivíduos concebidos como discretos e autônomos, faz com que haja iluminações relacionais entre subjetividades.
O gosto do encontro os fez passar ao largo de suas divergências teóricas. Pois um defendia que o "Homem" tinha uma natureza imutável e o outro se filiava de corpo, alma e coração a tese oposta: a "Humanidade" não tinha nenhuma natureza, instinto ou rumo e, por isso precisava de livros de mitos e de receituários legais e religiosos que se mostravam como costumes, crenças e rituais mas que, lidas de dentro, faziam parte das possibilidades que permeiam modos de ser neste mundo.
Esse debate foi o ponto alto (ou baixo...) do Congresso. Ele lembrava um Fla-Flu pelo entusiasmo radical com o qual as teses eram apresentadas e defendidas. Mas as teses inexoravelmente inimigas arrefeciam quando, no final das sessões, os guerreiros se serviam de um delicioso vinho branco alemão em taças de cristal ao lado de canapés orientais.
Ao termino das discussões, os mestres inimigos surgiam sorridentes e, como generais em trégua, promoviam a paz entre seus combatentes menores cujas feridas cicatrizavam por meio daquela simpatia cordial e amorosa que despe as pessoas de suas convicções, fazendo com que elas sejam novamente razoáveis, inseguras, abertas e dispostas a serem pontes em vez de trincheiras.
Agora, eles bebiam juntos com duas colegas. Um acusava o outro de "essencialista" e "radical" mas o vinho os faziam sorrir em vez de rosnar. As colegas se aproximaram para felicita-los pelo brilho de suas falas. A francesa resolvia o dilema propondo uma formula; a outra moça que, se não me falha a memória era alemã, dizia que ali havia um caso de conflito irreconciliável. São posicionamentos incomensuráveis, disse num bom inglês revelando aos pesquisadores uma boca perfeita.
Neste instante, eles estão na mesa de uma escura boite. Continuam bebendo e na ausência das colegas que retocam o batom, o Professor Pedro Babalú diz ao amigo: eu estou muito inclinado a ficar com a francesa porque a alemã, tirando os lábios, é feinha... Certo, respondeu o Dr. Raimundo Matos, mas o problema é que eu também estou partindo para a gaulesa. Afinal sou um levistraussiano nato e você não. Mas isso não te dá nenhum direito, respondeu Balalú nervoso. Em seguida, pronunciou uma frase intrigante: Quem não foi, não volta — é preciso ir para poder voltar!
Diante do espanto, o professor Balalú explica do sentido da frase enigmática para o amigo. No ano passado, diz, em estive em Portugal numa bolsa de estudos que permite tudo, inclusive estudar. Era louco para conhecer o Porto e, estando em Coimbra, fui a estação de trem comprar uma passagem.
— O que deseja?
— Uma passagem de ida-e-volta para o Porto.
— Só podemos vendar a ida!
— E por que não ida e volta?
— Porque se o senhor não foi, como vai voltar?
Passou o tempo e os dois se falam pelo telefone. Ambos sabem o valor desses encontros que constroem a vida. Lembra daquele Congresso? — pergunta o sempre aflito dr. Matos. Sem dúvida, disse, Babalú. No final ninguém ficou com ninguém. Claro, arremata o Prof. Babalu numa rara gargalhada: quem não foi não volta!
Eles toparam um com o outro num congresso mundial em Viena. A Viena das valsas onde, ao contrário do que os seus amigos previram, não ouviram um só música, pois passaram horas discutindo diferenças e semelhanças entre sociedades e culturas porque estavam num encontro de antropólogos profissionais e, naquela época, o figurino era o estudo da organização sócio-política daqueles sistemas marginais, conhecidos somente por quem os descrevia e analisava.
Entre uma sala e outra de um palácio onde se improvisaram auditórios, eles se encontraram e como haviam estudado seus respectivos trabalhos, juntaram o interesse intelectual com o pessoal. A tal ponto que a competição, a inveja de alguma frase ou argumento brilhante contra o outro foi superado pelo que chamamos de "simpatia". Essa ponte inesperada que num mundo de indivíduos concebidos como discretos e autônomos, faz com que haja iluminações relacionais entre subjetividades.
O gosto do encontro os fez passar ao largo de suas divergências teóricas. Pois um defendia que o "Homem" tinha uma natureza imutável e o outro se filiava de corpo, alma e coração a tese oposta: a "Humanidade" não tinha nenhuma natureza, instinto ou rumo e, por isso precisava de livros de mitos e de receituários legais e religiosos que se mostravam como costumes, crenças e rituais mas que, lidas de dentro, faziam parte das possibilidades que permeiam modos de ser neste mundo.
Esse debate foi o ponto alto (ou baixo...) do Congresso. Ele lembrava um Fla-Flu pelo entusiasmo radical com o qual as teses eram apresentadas e defendidas. Mas as teses inexoravelmente inimigas arrefeciam quando, no final das sessões, os guerreiros se serviam de um delicioso vinho branco alemão em taças de cristal ao lado de canapés orientais.
Ao termino das discussões, os mestres inimigos surgiam sorridentes e, como generais em trégua, promoviam a paz entre seus combatentes menores cujas feridas cicatrizavam por meio daquela simpatia cordial e amorosa que despe as pessoas de suas convicções, fazendo com que elas sejam novamente razoáveis, inseguras, abertas e dispostas a serem pontes em vez de trincheiras.
Agora, eles bebiam juntos com duas colegas. Um acusava o outro de "essencialista" e "radical" mas o vinho os faziam sorrir em vez de rosnar. As colegas se aproximaram para felicita-los pelo brilho de suas falas. A francesa resolvia o dilema propondo uma formula; a outra moça que, se não me falha a memória era alemã, dizia que ali havia um caso de conflito irreconciliável. São posicionamentos incomensuráveis, disse num bom inglês revelando aos pesquisadores uma boca perfeita.
Neste instante, eles estão na mesa de uma escura boite. Continuam bebendo e na ausência das colegas que retocam o batom, o Professor Pedro Babalú diz ao amigo: eu estou muito inclinado a ficar com a francesa porque a alemã, tirando os lábios, é feinha... Certo, respondeu o Dr. Raimundo Matos, mas o problema é que eu também estou partindo para a gaulesa. Afinal sou um levistraussiano nato e você não. Mas isso não te dá nenhum direito, respondeu Balalú nervoso. Em seguida, pronunciou uma frase intrigante: Quem não foi, não volta — é preciso ir para poder voltar!
Diante do espanto, o professor Balalú explica do sentido da frase enigmática para o amigo. No ano passado, diz, em estive em Portugal numa bolsa de estudos que permite tudo, inclusive estudar. Era louco para conhecer o Porto e, estando em Coimbra, fui a estação de trem comprar uma passagem.
— O que deseja?
— Uma passagem de ida-e-volta para o Porto.
— Só podemos vendar a ida!
— E por que não ida e volta?
— Porque se o senhor não foi, como vai voltar?
Passou o tempo e os dois se falam pelo telefone. Ambos sabem o valor desses encontros que constroem a vida. Lembra daquele Congresso? — pergunta o sempre aflito dr. Matos. Sem dúvida, disse, Babalú. No final ninguém ficou com ninguém. Claro, arremata o Prof. Babalu numa rara gargalhada: quem não foi não volta!
Não me diga que é um Matisse - MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 09/10
Querendo denunciar o sistema financeiro, 'O Capital' é um filme bem pobrezinho
O diretor Costa-Gavras está com 80 anos, e já passou para a história como autor de grandes filmes políticos. Recentemente assisti ao DVD de seu "A Confissão", com Yves Montand.
Sem nenhuma crueza, aquele filme de 1970 tratava dos julgamentos espetaculares nas antigas ditaduras do Leste Europeu, em que altos dirigentes terminavam admitindo suas "traições" ao regime.
Confessavam tudo o que não tinham feito. Os métodos de tortura não seguiam o modelo brasileiro do pau de arara e do choque elétrico. Importava produzir, num tribunal farsesco, a impressão de que tudo era voluntário e verdadeiro.
Meses de privação de sono, além de outros métodos para produzir exaustão física e mental, levavam o preso a assinar declarações cada vez mais comprometedoras, graças a um estudado jogo de ambiguidades verbais.
Assim, o personagem de Yves Montand terminava admitindo ter feito seguidas reuniões com "trotskistas" e "agentes do imperialismo". Eram apenas seus colegas de partido, entre os quais inúmeros heróis da resistência ao nazismo.
Ele podia dizer, e era verdade, que nunca soube que Fulano e Beltrano eram trotskistas. "Mas eram", afirma o interrogador. "Você se reunia com Fulano e Beltrano?"
"Sim", responde o preso. "Então, se você se reunia com Fulano e Beltrano, e se eles eram trotskistas, você se reunia com trotskistas."
Estava feita a confissão; o crime era admitido pelo réu, "objetivamente". Mesmo se, na época das reuniões, todos os participantes, americanófilos, trotskistas ou comunistas, estivessem unidos na resistência ao nazismo.
"A Confissão" é um filme que continua importante, ainda mais quando se sabe que o sistema de interrogatório preferido pelo governo Bush no combate ao terrorismo inspirou-se nas técnicas soviéticas.
Com a burrice suplementar, observe-se, que no Leste Europeu o objetivo da tortura era conseguir confissões falsas, e não informações de fato úteis sobre atentados em curso.
Aprendia-se algo com os filmes de Costa-Gavras de 40 anos atrás. Não é o caso de sua obra mais recente, "O Capital", atualmente em cartaz em São Paulo.
Aqui, a ideia é mostrar a dureza e a ganância dos banqueiros. Recém-nomeado presidente de um conglomerado financeiro, Marc Tourneuil (Gad Elmaleh) terá de demitir milhares de funcionários para garantir o lucro dos acionistas.
Seu antigo chefe, afastado do banco por razões de saúde, fica chocado. Não é esta a tradição francesa de tratar com o problema social, argumenta. Nessa hora, o espectador deve tirar do bolsinho superior do paletó seu lenço de seda Hermès e enxugar uma lágrima comedida em homenagem ao tradicional sistema bancário europeu.
Quanta saudade. Hoje, os americanos estão por trás de tudo. Os controladores de um fundo de investimento com base na Flórida (?) querem dinheiro fácil.
Iates, supermodelos e ameaças irão cercar o cotidiano do novo executivo, sempre nervosinho e sensível a um rabo de saia. Clichês se sucedem. Tourneuil tem pouco tempo para a família. O filho adolescente nem tira os olhos do videogame quanto ele chega de suas aventuras.
Para conquistá-lo, o executivo traz um presente. "É seu primeiro cartão de crédito, filho." O garoto nem agradece. Ah, conclui o espectador, "existem coisas que o dinheiro não pode comprar".
Mas aí o mesmo espectador lembra que ouviu esse tipo de mensagem em algum anúncio, já não sabe se de banco ou de cartão de crédito. Pobres publicitários! As coisas que eles têm de fazer.
Que tal, então, mostrar os "bastidores reais" da alta cúpula? Os banqueiros se reúnem no salão de um palácio particular.
Um esplêndido quadro se destaca na parede. O executivo número 1 pergunta ao executivo número 2: "Matisse?". Frrancameént. Clarro que se trrát de um Matisse. Da melhorr fááz. A esta altura do campeonato, até o mais humilde mendigo de Bobigny ou Bagnolet sabe reconhecer um Matisse.
Seguem-se declarações de princípios, do tipo "os sindicatos que se danem! O que importa é a alta da nossa cotação na Bolsa!".
Tudo, mesmo as tramoias entre os rivais do conselho, fica nesse nível de abstração --como se, em vez de executivos reais, tivéssemos apenas um grupo de colegiais encenando a lição que aprenderam em alguma aula de atualidades.
Os realizadores de "O Capital" poderiam ter caprichado mais no roteiro. Mas, como sabemos, bons roteiristas também custam caro. Pode ser que a produção, coitada, não tivesse tanto para gastar. Ou, talvez, tenha economizado nisso para aumentar os próprios lucros.
Querendo denunciar o sistema financeiro, 'O Capital' é um filme bem pobrezinho
O diretor Costa-Gavras está com 80 anos, e já passou para a história como autor de grandes filmes políticos. Recentemente assisti ao DVD de seu "A Confissão", com Yves Montand.
Sem nenhuma crueza, aquele filme de 1970 tratava dos julgamentos espetaculares nas antigas ditaduras do Leste Europeu, em que altos dirigentes terminavam admitindo suas "traições" ao regime.
Confessavam tudo o que não tinham feito. Os métodos de tortura não seguiam o modelo brasileiro do pau de arara e do choque elétrico. Importava produzir, num tribunal farsesco, a impressão de que tudo era voluntário e verdadeiro.
Meses de privação de sono, além de outros métodos para produzir exaustão física e mental, levavam o preso a assinar declarações cada vez mais comprometedoras, graças a um estudado jogo de ambiguidades verbais.
Assim, o personagem de Yves Montand terminava admitindo ter feito seguidas reuniões com "trotskistas" e "agentes do imperialismo". Eram apenas seus colegas de partido, entre os quais inúmeros heróis da resistência ao nazismo.
Ele podia dizer, e era verdade, que nunca soube que Fulano e Beltrano eram trotskistas. "Mas eram", afirma o interrogador. "Você se reunia com Fulano e Beltrano?"
"Sim", responde o preso. "Então, se você se reunia com Fulano e Beltrano, e se eles eram trotskistas, você se reunia com trotskistas."
Estava feita a confissão; o crime era admitido pelo réu, "objetivamente". Mesmo se, na época das reuniões, todos os participantes, americanófilos, trotskistas ou comunistas, estivessem unidos na resistência ao nazismo.
"A Confissão" é um filme que continua importante, ainda mais quando se sabe que o sistema de interrogatório preferido pelo governo Bush no combate ao terrorismo inspirou-se nas técnicas soviéticas.
Com a burrice suplementar, observe-se, que no Leste Europeu o objetivo da tortura era conseguir confissões falsas, e não informações de fato úteis sobre atentados em curso.
Aprendia-se algo com os filmes de Costa-Gavras de 40 anos atrás. Não é o caso de sua obra mais recente, "O Capital", atualmente em cartaz em São Paulo.
Aqui, a ideia é mostrar a dureza e a ganância dos banqueiros. Recém-nomeado presidente de um conglomerado financeiro, Marc Tourneuil (Gad Elmaleh) terá de demitir milhares de funcionários para garantir o lucro dos acionistas.
Seu antigo chefe, afastado do banco por razões de saúde, fica chocado. Não é esta a tradição francesa de tratar com o problema social, argumenta. Nessa hora, o espectador deve tirar do bolsinho superior do paletó seu lenço de seda Hermès e enxugar uma lágrima comedida em homenagem ao tradicional sistema bancário europeu.
Quanta saudade. Hoje, os americanos estão por trás de tudo. Os controladores de um fundo de investimento com base na Flórida (?) querem dinheiro fácil.
Iates, supermodelos e ameaças irão cercar o cotidiano do novo executivo, sempre nervosinho e sensível a um rabo de saia. Clichês se sucedem. Tourneuil tem pouco tempo para a família. O filho adolescente nem tira os olhos do videogame quanto ele chega de suas aventuras.
Para conquistá-lo, o executivo traz um presente. "É seu primeiro cartão de crédito, filho." O garoto nem agradece. Ah, conclui o espectador, "existem coisas que o dinheiro não pode comprar".
Mas aí o mesmo espectador lembra que ouviu esse tipo de mensagem em algum anúncio, já não sabe se de banco ou de cartão de crédito. Pobres publicitários! As coisas que eles têm de fazer.
Que tal, então, mostrar os "bastidores reais" da alta cúpula? Os banqueiros se reúnem no salão de um palácio particular.
Um esplêndido quadro se destaca na parede. O executivo número 1 pergunta ao executivo número 2: "Matisse?". Frrancameént. Clarro que se trrát de um Matisse. Da melhorr fááz. A esta altura do campeonato, até o mais humilde mendigo de Bobigny ou Bagnolet sabe reconhecer um Matisse.
Seguem-se declarações de princípios, do tipo "os sindicatos que se danem! O que importa é a alta da nossa cotação na Bolsa!".
Tudo, mesmo as tramoias entre os rivais do conselho, fica nesse nível de abstração --como se, em vez de executivos reais, tivéssemos apenas um grupo de colegiais encenando a lição que aprenderam em alguma aula de atualidades.
Os realizadores de "O Capital" poderiam ter caprichado mais no roteiro. Mas, como sabemos, bons roteiristas também custam caro. Pode ser que a produção, coitada, não tivesse tanto para gastar. Ou, talvez, tenha economizado nisso para aumentar os próprios lucros.
Poesia contra a polarização - CRISTIAN KLEIN
VALOR ECONÔMICO - 09/10
A política também tem poesia. Ou pelo menos um simulacro dela. Foi com uma referência ao escritor Rainer Maria Rilke (1875-1926) que o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) comemorou a filiação da ex-sonhática e agora pragmática Marina Silva a seu partido. A ex-ministra, que não conseguiu criar a sua Rede Sustentabilidade a tempo de disputar a eleição no ano que vem, caiu na teia do pessebista. Mas a aliança foi vendida à opinião pública com ares de novidade, despojamento e criatividade.
Esqueceram de ver poesia e o poeta dizendo que, onde não havia caminho, nós voamos , afirmou Eduardo Campos, numa declaração que mostrou seu apreço pelo marinês da recém-chegada ex-senadora.
O governador referia-se à polarização da política nacional entre PT e PSDB, que há 20 anos e cinco eleições põe os dois partidos em primeiro ou segundo lugar na corrida ao Palácio do Planalto.
Petistas e tucanos se escolheram como adversários e praticamente fecharam o padrão de competição à Presidência, numa estratégia eficiente. Todos que tentaram romper essa dinâmica se frustraram. O que não significa que o arranjo está longe de ser desarmado.
Mas, de fato, será preciso voar para ultrapassar a barreira. Ao longo do tempo, PT e PSDB criaram laços de lealdade com partidos, segmentos da sociedade, além de fundar seus alicerces nos dois maiores mercados eleitorais: São Paulo e Minas Gerais. Só estes dois Estados entre as 27 unidades da Federação representam um terço do eleitorado total. Até o PMDB, maior máquina partidária do país mas de força dispersa e regionalizada, tem papel secundário entre os paulistas e mineiros.
Há uma inércia muito grande nas redes de apoio estabelecidas. Duas são as margens de manobra que sobram para quem quiser avançar. A primeira é pelas franjas, pela conquista gradual de terreno - o que leva tempo. Vide o próprio PT, que apesar de deter, há dez anos, a joia da Coroa que é a Presidência da República, avança devagar em outros espaços de poder já ocupados como Senado, Câmara, governos estaduais e prefeituras.
Se o PT controla o governo federal, os tucanos estão muito bem assentados no nível regional. Com oito governadores, administram três do seis maiores Estados (São Paulo, Minas e Paraná) e mais de 50% do eleitorado nos Estados. O PSDB tem uma extensa máquina estadual que lhe permite sobreviver aos anos de jejum fora do poder central. Isso lhe dá resistência muito maior que as legendas satélites da oposição (DEM e PPS).
A malha de organização política se completa no plano municipal, onde há um predomínio das duas siglas, ao lado do PMDB. As três legendas governam 42,6% das prefeituras e 53% do bolo orçamentário dos municípios. Alterações na balança de poder dependem do sempre fiel da balança, o PMDB, aliado dos petistas, postado na Vice-Presidência da República. É principalmente o deslizamento desta placa tectônica pemedebista que pode abalar o eixo de rotação eleitoral.
Vistos assim, os caminhos estão bloqueados. O PSB de Eduardo Campos fez o que pôde nas urnas até agora para progredir no território. Teve crescimento excepcional comparado às demais legendas, e ainda não foi suficiente. Ganhou moral, prestígio, respeito dos pares - o que é importante - mas não alterou a correlação de força.
Nos últimos anos, foi o partido que mais inflou seu número de governos estaduais - dobrou de três para seis, em 2010 - e municipais. Suas prefeituras em 2000 representavam 4,7% do eleitorado no plano local e subiram para 11%, em 2012. O desempenho coincide com a chegada ao poder federal, em aliança agora rompida com o PT. No mesmo período, os petistas passaram de 18% para 20% do eleitorado nos municípios - o que mostra o grau de dificuldade de se realizar grandes conquistas, num sistema partidário altamente competitivo.
Por baixo, os caminhos estão mapeados, amarrados. Isso se reflete também na escassez de alternativas para Eduardo Campos em montar os chamados palanques estaduais. Na falta de candidatos a governador e de fortes chapas proporcionais de deputados, seu projeto presidencial fica sem as bases necessárias de apoio.
A única saída, então, é pelo alto. Não à toa Campos fala em poesia e do voo por onde outros não veem caminhos. Foi exatamente essa trajetória pelo ar que permitiu à Marina Silva, em 2010, com seu perfil etéreo de características únicas, alcançar 20% da votação à Presidência - mesmo sem grande estrutura partidária. Marina atraiu correntes de opinião que a transformaram num surpreendente furação, ao explorar em seu discurso o ambientalismo, os atalhos para identificação com o voto religioso e o desencanto dos eleitores à esquerda do PT.
Ao filiá-la ao PSB, alegadamente para ser a sua vice, Eduardo Campos busca aproveitar essa mesma solução pelo alto. Resta saber se Marina terá apelo como vice, assim como foi na cabeça de chapa, e se manterá o mesmo frescor de quatro anos antes. Campos e Marina não necessariamente fazem a rima da poesia.
A; canibalização vai acabar. O Senado aprovou ontem, finalmente, o Projeto de Lei que inibe a criação de novos partidos. Estava engavetado desde que a oposição passou a acusar o governo de casuísmo, numa suposta tentativa de prejudicar a formação do Rede Sustentabilidade e a candidatura de Marina Silva à Presidência. A ex-ministra não conseguiu, de todo modo, aprovar o registro da legenda no TSE. Mas o engavetamento permitiu o inchaço de duas siglas recém-fundadas, o Solidariedade e o Pros. Juntas, cooptaram até agora 43 (63%) dos 68 deputados federais que trocaram de partido, numa autofagia partidária. O projeto não impede a formação de novas legendas e apenas explicita o que já está na lei e contudo foi ignorado pelo STJ, ao analisar o caso do PSD, em 2012: o tempo de TV e o fundo partidário - os dois principais recursos políticos à disposição dos partidos - devem ser distribuídos de acordo com o desempenho na última eleição à Câmara.
Esqueceram de ver poesia e o poeta dizendo que, onde não havia caminho, nós voamos , afirmou Eduardo Campos, numa declaração que mostrou seu apreço pelo marinês da recém-chegada ex-senadora.
O governador referia-se à polarização da política nacional entre PT e PSDB, que há 20 anos e cinco eleições põe os dois partidos em primeiro ou segundo lugar na corrida ao Palácio do Planalto.
Petistas e tucanos se escolheram como adversários e praticamente fecharam o padrão de competição à Presidência, numa estratégia eficiente. Todos que tentaram romper essa dinâmica se frustraram. O que não significa que o arranjo está longe de ser desarmado.
Mas, de fato, será preciso voar para ultrapassar a barreira. Ao longo do tempo, PT e PSDB criaram laços de lealdade com partidos, segmentos da sociedade, além de fundar seus alicerces nos dois maiores mercados eleitorais: São Paulo e Minas Gerais. Só estes dois Estados entre as 27 unidades da Federação representam um terço do eleitorado total. Até o PMDB, maior máquina partidária do país mas de força dispersa e regionalizada, tem papel secundário entre os paulistas e mineiros.
Há uma inércia muito grande nas redes de apoio estabelecidas. Duas são as margens de manobra que sobram para quem quiser avançar. A primeira é pelas franjas, pela conquista gradual de terreno - o que leva tempo. Vide o próprio PT, que apesar de deter, há dez anos, a joia da Coroa que é a Presidência da República, avança devagar em outros espaços de poder já ocupados como Senado, Câmara, governos estaduais e prefeituras.
Se o PT controla o governo federal, os tucanos estão muito bem assentados no nível regional. Com oito governadores, administram três do seis maiores Estados (São Paulo, Minas e Paraná) e mais de 50% do eleitorado nos Estados. O PSDB tem uma extensa máquina estadual que lhe permite sobreviver aos anos de jejum fora do poder central. Isso lhe dá resistência muito maior que as legendas satélites da oposição (DEM e PPS).
A malha de organização política se completa no plano municipal, onde há um predomínio das duas siglas, ao lado do PMDB. As três legendas governam 42,6% das prefeituras e 53% do bolo orçamentário dos municípios. Alterações na balança de poder dependem do sempre fiel da balança, o PMDB, aliado dos petistas, postado na Vice-Presidência da República. É principalmente o deslizamento desta placa tectônica pemedebista que pode abalar o eixo de rotação eleitoral.
Vistos assim, os caminhos estão bloqueados. O PSB de Eduardo Campos fez o que pôde nas urnas até agora para progredir no território. Teve crescimento excepcional comparado às demais legendas, e ainda não foi suficiente. Ganhou moral, prestígio, respeito dos pares - o que é importante - mas não alterou a correlação de força.
Nos últimos anos, foi o partido que mais inflou seu número de governos estaduais - dobrou de três para seis, em 2010 - e municipais. Suas prefeituras em 2000 representavam 4,7% do eleitorado no plano local e subiram para 11%, em 2012. O desempenho coincide com a chegada ao poder federal, em aliança agora rompida com o PT. No mesmo período, os petistas passaram de 18% para 20% do eleitorado nos municípios - o que mostra o grau de dificuldade de se realizar grandes conquistas, num sistema partidário altamente competitivo.
Por baixo, os caminhos estão mapeados, amarrados. Isso se reflete também na escassez de alternativas para Eduardo Campos em montar os chamados palanques estaduais. Na falta de candidatos a governador e de fortes chapas proporcionais de deputados, seu projeto presidencial fica sem as bases necessárias de apoio.
A única saída, então, é pelo alto. Não à toa Campos fala em poesia e do voo por onde outros não veem caminhos. Foi exatamente essa trajetória pelo ar que permitiu à Marina Silva, em 2010, com seu perfil etéreo de características únicas, alcançar 20% da votação à Presidência - mesmo sem grande estrutura partidária. Marina atraiu correntes de opinião que a transformaram num surpreendente furação, ao explorar em seu discurso o ambientalismo, os atalhos para identificação com o voto religioso e o desencanto dos eleitores à esquerda do PT.
Ao filiá-la ao PSB, alegadamente para ser a sua vice, Eduardo Campos busca aproveitar essa mesma solução pelo alto. Resta saber se Marina terá apelo como vice, assim como foi na cabeça de chapa, e se manterá o mesmo frescor de quatro anos antes. Campos e Marina não necessariamente fazem a rima da poesia.
A; canibalização vai acabar. O Senado aprovou ontem, finalmente, o Projeto de Lei que inibe a criação de novos partidos. Estava engavetado desde que a oposição passou a acusar o governo de casuísmo, numa suposta tentativa de prejudicar a formação do Rede Sustentabilidade e a candidatura de Marina Silva à Presidência. A ex-ministra não conseguiu, de todo modo, aprovar o registro da legenda no TSE. Mas o engavetamento permitiu o inchaço de duas siglas recém-fundadas, o Solidariedade e o Pros. Juntas, cooptaram até agora 43 (63%) dos 68 deputados federais que trocaram de partido, numa autofagia partidária. O projeto não impede a formação de novas legendas e apenas explicita o que já está na lei e contudo foi ignorado pelo STJ, ao analisar o caso do PSD, em 2012: o tempo de TV e o fundo partidário - os dois principais recursos políticos à disposição dos partidos - devem ser distribuídos de acordo com o desempenho na última eleição à Câmara.
Cálculo ideológico - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 09/10
SÃO PAULO - Disputas partidárias levaram ao "shutdown" do governo dos EUA. Que a ideologia perturba a visão sempre soubemos. Nos casos mais gritantes, pessoas boas, que genuinamente se importam com seus semelhantes, aplaudiram atos de barbárie como a coletivização das terras na antiga URSS e a Revolução Cultural, na China. Tudo em nome de um ideal maior.
De uns tempos para cá, cientistas vêm se interessando pelo fenômeno e começam a mostrar a real dimensão da cegueira ideológica.
Num trabalho publicado em setembro, Dan Kahan, de Yale, revela que nossas preferências políticas afetam até a habilidade de resolver problemas matemáticos, que deveria ser o esteio da racionalidade. O experimento que bolou para provar isso é genial. Primeiro, ele mediu a capacidade de lidar com números e as inclinações ideológicas dos 1.111 voluntários. Em seguida, dividiu-os em grupos que foram apresentados a diferentes versões de um mesmo problema matemático que envolvia o cálculo de proporções. Não era uma questão muito fácil, já que 59% das pessoas não conseguiram resolvê-la.
O interessante é que, entre os que eram bons em matemática e tinham condições de acertar, os resultados mudavam dependendo da forma como o problema era apresentado. Se ele era descrito de modo ideologicamente neutro, como o cálculo da eficácia de um creme para a pele, os numericamente competentes não tinham dificuldade de resolvê-lo. Mas, quando a mesmíssima questão surgia travestida de conta sobre a eficácia do controle de armas para combater o crime, as preferências políticas falavam mais alto. Na verdade, os que eram melhores em matemática puxavam mais a resposta para o seu lado do que os menos hábeis.
Se há uma boa imagem para descrever nossos cérebros, ela é menos a do cientista interessado em obter a verdade do que a do advogado doido para vencer a discussão.
SÃO PAULO - Disputas partidárias levaram ao "shutdown" do governo dos EUA. Que a ideologia perturba a visão sempre soubemos. Nos casos mais gritantes, pessoas boas, que genuinamente se importam com seus semelhantes, aplaudiram atos de barbárie como a coletivização das terras na antiga URSS e a Revolução Cultural, na China. Tudo em nome de um ideal maior.
De uns tempos para cá, cientistas vêm se interessando pelo fenômeno e começam a mostrar a real dimensão da cegueira ideológica.
Num trabalho publicado em setembro, Dan Kahan, de Yale, revela que nossas preferências políticas afetam até a habilidade de resolver problemas matemáticos, que deveria ser o esteio da racionalidade. O experimento que bolou para provar isso é genial. Primeiro, ele mediu a capacidade de lidar com números e as inclinações ideológicas dos 1.111 voluntários. Em seguida, dividiu-os em grupos que foram apresentados a diferentes versões de um mesmo problema matemático que envolvia o cálculo de proporções. Não era uma questão muito fácil, já que 59% das pessoas não conseguiram resolvê-la.
O interessante é que, entre os que eram bons em matemática e tinham condições de acertar, os resultados mudavam dependendo da forma como o problema era apresentado. Se ele era descrito de modo ideologicamente neutro, como o cálculo da eficácia de um creme para a pele, os numericamente competentes não tinham dificuldade de resolvê-lo. Mas, quando a mesmíssima questão surgia travestida de conta sobre a eficácia do controle de armas para combater o crime, as preferências políticas falavam mais alto. Na verdade, os que eram melhores em matemática puxavam mais a resposta para o seu lado do que os menos hábeis.
Se há uma boa imagem para descrever nossos cérebros, ela é menos a do cientista interessado em obter a verdade do que a do advogado doido para vencer a discussão.
Os gringos têm razão - GILBERTO ANTONIO CANTÚ
GAZETA DO POVO - PR - 09/10
Sou patriota. Apesar de conviver com o descaso dos nossos governantes para com o nosso país, sempre acho que as coisas vão melhorar, mesmo que a passos lentos. Mas confesso que é difícil manter este espírito otimista, tanto é que hoje resolvi me render à opinião internacional e percebi que os gringos têm razão.
Digo isso porque li um artigo publicado no jornal britânico Financial Times que afirmava que o Brasil precisa lidar com problemas no setor de transporte e logística para evitar o risco de “condenar o país a uma década perdida em termos de crescimento econômico”.
O texto, intitulado “Bumpy Decade” (“Década de solavancos”) e assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo, Joe Leahy, diz que o governo federal busca resolver diversos entraves de infraestrutura, e cita os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – de R$ 1 trilhão – e as tentativas de leilões de concessões de estradas. Mas também revela que, apesar de todos os esforços, a parcela que os investimentos representam do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ainda é inferior à de outros países de dimensões parecidas com as do Brasil. Ainda segundo o artigo, os leilões de projetos de infraestrutura seriam importantes para ajudar o Brasil a melhorar o índice de crescimento, mas não estariam tendo o desempenho esperado.
Por isso, segundo o correspondente, algo não está funcionando aqui. Outro fato triste, mas real, citado por Leahy é o fato de o Brasil ter pouco tempo para que as iniciativas de infraestrutura decolem, uma vez que o país praticamente para no intervalo entre o Natal e o carnaval, e depois novamente durante a Copa do Mundo, sem contar que em 2014 teremos eleições presidenciais.
Parafraseando a publicação: “Se os projetos forem adiados até 2015, eles não ficarão prontos antes de 2020, no melhor dos casos. Contando os últimos três anos de fraco progresso econômico, o Brasil arrisca ter uma década de baixo crescimento e, em uma época globalizada, uma década é muito tempo para se perder”.
É, meus caros, fica difícil ter argumentos contra estes dados. Estamos atrasados e corremos o risco de continuarmos estagnados se não exigirmos que o governo leve mais a sério as necessidades do Brasil para conseguir ter resultados econômicos satisfatórios. Até lá, continuamos tendo de engolir opiniões como a do Financial Times e, pior, concordar com elas.
Sou patriota. Apesar de conviver com o descaso dos nossos governantes para com o nosso país, sempre acho que as coisas vão melhorar, mesmo que a passos lentos. Mas confesso que é difícil manter este espírito otimista, tanto é que hoje resolvi me render à opinião internacional e percebi que os gringos têm razão.
Digo isso porque li um artigo publicado no jornal britânico Financial Times que afirmava que o Brasil precisa lidar com problemas no setor de transporte e logística para evitar o risco de “condenar o país a uma década perdida em termos de crescimento econômico”.
O texto, intitulado “Bumpy Decade” (“Década de solavancos”) e assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo, Joe Leahy, diz que o governo federal busca resolver diversos entraves de infraestrutura, e cita os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – de R$ 1 trilhão – e as tentativas de leilões de concessões de estradas. Mas também revela que, apesar de todos os esforços, a parcela que os investimentos representam do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ainda é inferior à de outros países de dimensões parecidas com as do Brasil. Ainda segundo o artigo, os leilões de projetos de infraestrutura seriam importantes para ajudar o Brasil a melhorar o índice de crescimento, mas não estariam tendo o desempenho esperado.
Por isso, segundo o correspondente, algo não está funcionando aqui. Outro fato triste, mas real, citado por Leahy é o fato de o Brasil ter pouco tempo para que as iniciativas de infraestrutura decolem, uma vez que o país praticamente para no intervalo entre o Natal e o carnaval, e depois novamente durante a Copa do Mundo, sem contar que em 2014 teremos eleições presidenciais.
Parafraseando a publicação: “Se os projetos forem adiados até 2015, eles não ficarão prontos antes de 2020, no melhor dos casos. Contando os últimos três anos de fraco progresso econômico, o Brasil arrisca ter uma década de baixo crescimento e, em uma época globalizada, uma década é muito tempo para se perder”.
É, meus caros, fica difícil ter argumentos contra estes dados. Estamos atrasados e corremos o risco de continuarmos estagnados se não exigirmos que o governo leve mais a sério as necessidades do Brasil para conseguir ter resultados econômicos satisfatórios. Até lá, continuamos tendo de engolir opiniões como a do Financial Times e, pior, concordar com elas.
Obama! Fiado só amanhã! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 09/10
Se o Obama der o calote, vai mudar o slogan pra 'YES, WE CANO!'. O Obama vai pedir dinheiro pro Tio Patinhas!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Enquanto confessava os pecados, mulher furta padre na catedral de Ribeirão Preto". A pecadora roubou o iPhone 5 do padre. Mas roubar iPhone 5 não é pecado, é necessidade. Furto famélico! Rarará!
E essa outra piada prontíssima: um amigo estava numa livraria em Curitiba quando viu esse livro "As 25 Leis Bíblicas do Sucesso. Prefácio: Eike Batista". Rarará! O Eike vai entrar pro Bolsa Família. Bolsa FamiliaX!
E esse monte de piada pronta numa única piada pronta: "Miss Bumbum leiloa calcinha com buraco atrás e vai doar fundos pra caridade". O fundo vai pro buraco! Rarará!
E essa: "Mercados caem pelo mundo com risco de calote dos EUA!". Epa! Se o Obama der o calote, ele vai mudar o slogan pra "YES, WE CANO!". O Obama vai pedir dinheiro pro Tio Patinhas! O Obama tá vendendo tudo.
Olha essa charge do Aroeira com a placa no portão da Casa Branca! "Vende-se! Porteira Fechada! Tratar aqui". Por isso que a Michelle tá fazendo campanha contra obesidade. Vão ter que apertar os cintos!
E a manchete do Piauí Herald: "Governo chinês aceita rolar dívida americana mas exige Angelina Jolie como garantia". Rarará! É aquela velha perrenga: republicanos x democratas! E já reparou que todo republicano tem cara de caubói velho. E todo democrata tem cara de amendoim: Carter, Clinton, Obama!
E avisa pro Obama que "Fiado Só Amanhã!". A crise tá tão feia que, na hora de assinar a moratória, o Obama vai gritar: "Alguém tem uma Bic pra me emprestar?". Rarará!
E essa: "Marina tem ataque alérgico dois dias depois de se filiar ao PSB". JÁ?! Diz que é alergia a chocolate! Acho que é alergia a bolo de rolo, aquele bolo pernambucano! Rarará!
E a Marina tá confundindo chavismo com chatismo! E duas coisas que eu não aguento mais ouvir: Marina e gol da Portuguesa!
É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é lúdico! O brasileiro escreve tudo errado, mas todo mundo se entende. Olha essa placa em Uruana, Goiás: "Venda-se Malmiteke". Adoro esse "venda-se". E essa placa numa árvore em Juqueí: "Vou filmar o IQUINORANTE que coloca lixo na rua". E a língua portuguesa também. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Se o Obama der o calote, vai mudar o slogan pra 'YES, WE CANO!'. O Obama vai pedir dinheiro pro Tio Patinhas!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Enquanto confessava os pecados, mulher furta padre na catedral de Ribeirão Preto". A pecadora roubou o iPhone 5 do padre. Mas roubar iPhone 5 não é pecado, é necessidade. Furto famélico! Rarará!
E essa outra piada prontíssima: um amigo estava numa livraria em Curitiba quando viu esse livro "As 25 Leis Bíblicas do Sucesso. Prefácio: Eike Batista". Rarará! O Eike vai entrar pro Bolsa Família. Bolsa FamiliaX!
E esse monte de piada pronta numa única piada pronta: "Miss Bumbum leiloa calcinha com buraco atrás e vai doar fundos pra caridade". O fundo vai pro buraco! Rarará!
E essa: "Mercados caem pelo mundo com risco de calote dos EUA!". Epa! Se o Obama der o calote, ele vai mudar o slogan pra "YES, WE CANO!". O Obama vai pedir dinheiro pro Tio Patinhas! O Obama tá vendendo tudo.
Olha essa charge do Aroeira com a placa no portão da Casa Branca! "Vende-se! Porteira Fechada! Tratar aqui". Por isso que a Michelle tá fazendo campanha contra obesidade. Vão ter que apertar os cintos!
E a manchete do Piauí Herald: "Governo chinês aceita rolar dívida americana mas exige Angelina Jolie como garantia". Rarará! É aquela velha perrenga: republicanos x democratas! E já reparou que todo republicano tem cara de caubói velho. E todo democrata tem cara de amendoim: Carter, Clinton, Obama!
E avisa pro Obama que "Fiado Só Amanhã!". A crise tá tão feia que, na hora de assinar a moratória, o Obama vai gritar: "Alguém tem uma Bic pra me emprestar?". Rarará!
E essa: "Marina tem ataque alérgico dois dias depois de se filiar ao PSB". JÁ?! Diz que é alergia a chocolate! Acho que é alergia a bolo de rolo, aquele bolo pernambucano! Rarará!
E a Marina tá confundindo chavismo com chatismo! E duas coisas que eu não aguento mais ouvir: Marina e gol da Portuguesa!
É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é lúdico! O brasileiro escreve tudo errado, mas todo mundo se entende. Olha essa placa em Uruana, Goiás: "Venda-se Malmiteke". Adoro esse "venda-se". E essa placa numa árvore em Juqueí: "Vou filmar o IQUINORANTE que coloca lixo na rua". E a língua portuguesa também. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Suspirar é preciso - TOSTÃO
FOLHA DE SP - 09/10
O Cruzeiro, melhor time deste Campeonato Brasileiro, é, coletivamente, superior ao time de 2003
Durante a noite, Fernando Pessoa e seus heterônimos repousam no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, ao lado dos maiores personagens da história de Portugal. De dia, eles vagueiam pelas livrarias e cafés de Lisboa. Parafraseando o poeta, "Tabacaria" pode não ser o mais belo poema da literatura mundial, mas é, para mim, o mais belo, pois é o que mais gosto.
Já o Cruzeiro não é o mais belo time do Brasileiro somente porque é o time que mais gosto e que tenho mais laços afetivos. É, indiscutivelmente, o melhor. Todos ou quase todos concordam.
O Cruzeiro é, coletivamente, superior ao time de 2003. Joga no estilo das melhores equipes do mundo. No ano passado, era o Corinthians. Já o Atlético-MG, na Libertadores, quando era o melhor time brasileiro, tinha um estilo próprio, o "Galo Doido". Privilegiava os lançamentos longos, os chutões e lances aéreos. Dava certo, mas não tinha nada de moderno.
Há muitas maneiras de vencer, mas são poucas as de encantar, de suspirar, como tem feito o Cruzeiro, mesmo para quem não é cruzeirense, com exceção dos atleticanos. O encanto não entra na estatística.
Já o Grêmio, com seu estilo pesado, defensivo, também eficiente, só faz suspirar seus torcedores. Além disso, se a maioria das principais equipes não estivesse tão mal, o Grêmio, com a campanha atual, não seria vice-líder.
Contra o Botafogo, Kleber foi, mais uma vez, violento, independentemente da simulação do zagueiro Dória. Criticaram a simulação e se esqueceram da deslealdade do atacante gremista.
Se Kleber se preocupasse sempre em jogar futebol, como tem feito na maior parte do campeonato --ele tem atuado bem--, poderia ter uma carreira brilhante. Mas o que mais agrada a ele e à parte dos treinadores e da imprensa são o confronto físico, os lances agressivos (confundem com raça) e a simulação, para cavar faltas, pênaltis e para provocar a expulsão de seus marcadores.
Assim como é comum o bairrismo, em todos os estados, e o preconceito, de todos os tipos, no futebol e na vida são frequentes o bairrismo e o preconceito às avessas. Para aumentar a audiência e mostrar que não são bairristas nem preconceituosos, muitos excedem os elogios a treinadores, times e jogadores de outros estados.
Parabéns aos jogadores pela criação do Bom Senso F.C. O futebol brasileiro precisa de grandes mudanças, e não apenas de um calendário. Para isso, é necessário ter uma entidade transparente e independente, que comande o futebol de acordo com os interesses do futebol e que, a partir daí, atraia os investidores. Futebol é também negócio.
O que não se pode é fazer o contrário, passar o comando a empresas e a investidores, como tem feito a CBF, mesmo que eles paguem caro e sejam os melhores do mundo.
O Cruzeiro, melhor time deste Campeonato Brasileiro, é, coletivamente, superior ao time de 2003
Durante a noite, Fernando Pessoa e seus heterônimos repousam no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, ao lado dos maiores personagens da história de Portugal. De dia, eles vagueiam pelas livrarias e cafés de Lisboa. Parafraseando o poeta, "Tabacaria" pode não ser o mais belo poema da literatura mundial, mas é, para mim, o mais belo, pois é o que mais gosto.
Já o Cruzeiro não é o mais belo time do Brasileiro somente porque é o time que mais gosto e que tenho mais laços afetivos. É, indiscutivelmente, o melhor. Todos ou quase todos concordam.
O Cruzeiro é, coletivamente, superior ao time de 2003. Joga no estilo das melhores equipes do mundo. No ano passado, era o Corinthians. Já o Atlético-MG, na Libertadores, quando era o melhor time brasileiro, tinha um estilo próprio, o "Galo Doido". Privilegiava os lançamentos longos, os chutões e lances aéreos. Dava certo, mas não tinha nada de moderno.
Há muitas maneiras de vencer, mas são poucas as de encantar, de suspirar, como tem feito o Cruzeiro, mesmo para quem não é cruzeirense, com exceção dos atleticanos. O encanto não entra na estatística.
Já o Grêmio, com seu estilo pesado, defensivo, também eficiente, só faz suspirar seus torcedores. Além disso, se a maioria das principais equipes não estivesse tão mal, o Grêmio, com a campanha atual, não seria vice-líder.
Contra o Botafogo, Kleber foi, mais uma vez, violento, independentemente da simulação do zagueiro Dória. Criticaram a simulação e se esqueceram da deslealdade do atacante gremista.
Se Kleber se preocupasse sempre em jogar futebol, como tem feito na maior parte do campeonato --ele tem atuado bem--, poderia ter uma carreira brilhante. Mas o que mais agrada a ele e à parte dos treinadores e da imprensa são o confronto físico, os lances agressivos (confundem com raça) e a simulação, para cavar faltas, pênaltis e para provocar a expulsão de seus marcadores.
Assim como é comum o bairrismo, em todos os estados, e o preconceito, de todos os tipos, no futebol e na vida são frequentes o bairrismo e o preconceito às avessas. Para aumentar a audiência e mostrar que não são bairristas nem preconceituosos, muitos excedem os elogios a treinadores, times e jogadores de outros estados.
Parabéns aos jogadores pela criação do Bom Senso F.C. O futebol brasileiro precisa de grandes mudanças, e não apenas de um calendário. Para isso, é necessário ter uma entidade transparente e independente, que comande o futebol de acordo com os interesses do futebol e que, a partir daí, atraia os investidores. Futebol é também negócio.
O que não se pode é fazer o contrário, passar o comando a empresas e a investidores, como tem feito a CBF, mesmo que eles paguem caro e sejam os melhores do mundo.
Lei Roberto Carlos I - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 09/10
O Procure Saber, do pessoal da MPB, se reúne hoje para afinar o discurso contra as biografias não autorizadas.
O grupo já esteve com a ministra Cármen Lúcia, relatora, no STF, da Adin que pede o fim da necessidade de autorização dos biografados.
Lei Roberto Carlos II...
Num encontro com escritores ontem, na Feira de Frankfurt, a ministra Marta Suplicy quis saber a opinião da turma sobre a polêmica.
Ruy Castro acusou “um grupo de estar manipulando a volta da censura para defender interesses de direitos autorais”. Lembrou que existem uns 3 mil livros sobre Kennedy nos EUA, e nenhum biógrafo pediu licença.
A maldição...
Parece até bruxaria do mago Paulo Coelho, que deixou a delegação brasileira atirando.
Vários escritores que foram a Frankfurt chegaram ao hotel Holiday Inn, após longa viagem, e descobriram que não tinha água no banheiro. Teve quem fosse todo suado à abertura do evento.
No mais...
Fez sucesso na feira o discurso de Ana Maria Machado, presidente da ABL, que convidou o estrangeiro a conhecer o Brasil dos livros.
Um trecho...
“Os estereótipos que se colam aos olhares lançados sobre nós se voltam muito mais para a cultura daquilo que é imediatamente apreensível pelos sentidos — o corpo. Mas um corpo em que o cérebro costuma ser esquecido, como se não tivéssemos espírito, na celebração da dança, da música, do futebol, da capoeira e outros esportes, da sensualidade, das peles bronzeadas que se exibem nas praias, do carnaval, dos sabores da caipirinha. Somos mais do que isso”.
Isto é Brasil
No Brasil desde 1995, a mamute americana Walmart já aprendeu certas peculiaridades regionais brasileiras.
No comércio eletrônico, os cariocas, em geral, compram 11% mais artigos esportivos do que os paulistas, desde skates até produtos de camping.
Já...
As cariocas gastam 25% a mais do que as paulistas em itens de beleza. Faz sentido.
Ainda...
Na Bahia, o crescimento das vendas de instrumentos musicais pela internet chega a 124% nos últimos 12 meses.
Faz sentido também.
Mercado de games
A Feira Brasil Games Show 2013, que em sua última edição movimentou R$ 50 milhões, será realizada pelo segundo ano consecutivo em São Paulo, do dia 25 ao 29 deste mês.
O Brasil, segundo o idealizador da feira, Marcelo Tavares, já ocupa o quarto lugar no mundo no mercado de games.
A proteção de Bibi
Para afastar o mau-olhado, Bibi Ferreira mandou comprar quatro pimenteiras para colocar nas coxias do Teatro Oi Casa Grande durante as apresentações de “Bibi canta e conta Piaf”.
Só que todas as pimenteiras secaram. Por precaução, Bibi não só renovou, mas reforçou o arsenal: serão 12 pimenteiras no próximo final de semana.
Jura secreta
Para homenagear os 70 anos da grande compositora Sueli Costa, a eterna ternurinha Wanderléa lançará, ainda este ano, um CD somente com a obra da artista.
Incluirá clássicos como “Alma” e “Jura secreta”.
Trânsito, o problema
Pelas contas da central 1746, da prefeitura do Rio, a Guarda Municipal do Rio vai receber hoje a ligação de número cem mil deste ano.
Até aqui, com 87% das ligações, a principal reclamação é a falta de educação dos motoristas.
Poxa, que feio!
Numa sessão especial, segunda, do musical “Cazuza — Pro dia nascer feliz”, deu a maior confusão na porta do Teatro Net, no Rio.
A fila para pegar os convites era enorme. O fotógrafo e maquiador Fernando Torquato e o cantor Elymar Santos furaram a fila. E, o pior, os ingressos acabaram.
Teve até briga do lado de fora.
Diário de Justiça
A empresa Hair Styling Applications do Brasil Ltda. foi condenada pelo STJ a pagar uma indenização de R$ 5 mil a uma consumidora.
Acredite. Maria Silva de Oliveira, moradora do Rio, utilizou um produto da empresa e acabou quase careca, com séria reação alérgica no couro cabeludo.
O grupo já esteve com a ministra Cármen Lúcia, relatora, no STF, da Adin que pede o fim da necessidade de autorização dos biografados.
Lei Roberto Carlos II...
Num encontro com escritores ontem, na Feira de Frankfurt, a ministra Marta Suplicy quis saber a opinião da turma sobre a polêmica.
Ruy Castro acusou “um grupo de estar manipulando a volta da censura para defender interesses de direitos autorais”. Lembrou que existem uns 3 mil livros sobre Kennedy nos EUA, e nenhum biógrafo pediu licença.
A maldição...
Parece até bruxaria do mago Paulo Coelho, que deixou a delegação brasileira atirando.
Vários escritores que foram a Frankfurt chegaram ao hotel Holiday Inn, após longa viagem, e descobriram que não tinha água no banheiro. Teve quem fosse todo suado à abertura do evento.
No mais...
Fez sucesso na feira o discurso de Ana Maria Machado, presidente da ABL, que convidou o estrangeiro a conhecer o Brasil dos livros.
Um trecho...
“Os estereótipos que se colam aos olhares lançados sobre nós se voltam muito mais para a cultura daquilo que é imediatamente apreensível pelos sentidos — o corpo. Mas um corpo em que o cérebro costuma ser esquecido, como se não tivéssemos espírito, na celebração da dança, da música, do futebol, da capoeira e outros esportes, da sensualidade, das peles bronzeadas que se exibem nas praias, do carnaval, dos sabores da caipirinha. Somos mais do que isso”.
Isto é Brasil
No Brasil desde 1995, a mamute americana Walmart já aprendeu certas peculiaridades regionais brasileiras.
No comércio eletrônico, os cariocas, em geral, compram 11% mais artigos esportivos do que os paulistas, desde skates até produtos de camping.
Já...
As cariocas gastam 25% a mais do que as paulistas em itens de beleza. Faz sentido.
Ainda...
Na Bahia, o crescimento das vendas de instrumentos musicais pela internet chega a 124% nos últimos 12 meses.
Faz sentido também.
Mercado de games
A Feira Brasil Games Show 2013, que em sua última edição movimentou R$ 50 milhões, será realizada pelo segundo ano consecutivo em São Paulo, do dia 25 ao 29 deste mês.
O Brasil, segundo o idealizador da feira, Marcelo Tavares, já ocupa o quarto lugar no mundo no mercado de games.
A proteção de Bibi
Para afastar o mau-olhado, Bibi Ferreira mandou comprar quatro pimenteiras para colocar nas coxias do Teatro Oi Casa Grande durante as apresentações de “Bibi canta e conta Piaf”.
Só que todas as pimenteiras secaram. Por precaução, Bibi não só renovou, mas reforçou o arsenal: serão 12 pimenteiras no próximo final de semana.
Jura secreta
Para homenagear os 70 anos da grande compositora Sueli Costa, a eterna ternurinha Wanderléa lançará, ainda este ano, um CD somente com a obra da artista.
Incluirá clássicos como “Alma” e “Jura secreta”.
Trânsito, o problema
Pelas contas da central 1746, da prefeitura do Rio, a Guarda Municipal do Rio vai receber hoje a ligação de número cem mil deste ano.
Até aqui, com 87% das ligações, a principal reclamação é a falta de educação dos motoristas.
Poxa, que feio!
Numa sessão especial, segunda, do musical “Cazuza — Pro dia nascer feliz”, deu a maior confusão na porta do Teatro Net, no Rio.
A fila para pegar os convites era enorme. O fotógrafo e maquiador Fernando Torquato e o cantor Elymar Santos furaram a fila. E, o pior, os ingressos acabaram.
Teve até briga do lado de fora.
Diário de Justiça
A empresa Hair Styling Applications do Brasil Ltda. foi condenada pelo STJ a pagar uma indenização de R$ 5 mil a uma consumidora.
Acredite. Maria Silva de Oliveira, moradora do Rio, utilizou um produto da empresa e acabou quase careca, com séria reação alérgica no couro cabeludo.
BOMBA DE GASOLINA - MONICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 09/10
O governo federal estuda anunciar novo aumento de combustíveis só no fim do ano. Com isso, o reajuste poderá ser calculado no valor exato que permita à inflação acumulada não passar da meta oficial de 6,5% em 2013.
BOMBA 2
Apesar da possibilidade, há economistas e consultorias no mercado que apostam num reajuste já para outubro, numa eventual janela de inflação em queda. As apostas situam o aumento entre 4% e 5% na bomba.
BOMBA 3
A alta do dólar há alguns meses pressionou a Petrobras, que compra combustível no exterior para vendê-lo nos postos de gasolina. A estatal já solicitou formalmente aumento, mas o governo diz que administra a questão com cuidado por causa do impacto na inflação.
BALANÇA
A análise é de dirigentes do PSB, endossada por profissionais experientes da área de pesquisa: Marina Silva, ao menos oficialmente fora da disputa, deve murchar nas pesquisas presidenciais até o começo de 2014. Eduardo Campos, candidato declarado, ganhará visibilidade e deve inflar nas sondagens. Com isso, o percentual de intenção de votos dos dois candidatos (ela chegou a 26% no último Datafolha e ele, a 9%) pode se equilibrar.
NÃO CAI
No cenário acima, estaria afastada a possibilidade de pressões para que ela assumisse a cabeça da chapa presidencial pelo PSB.
ESPÓLIO
Cruzamento recente feito pelo Ibope é observado com lupa: do total de eleitores que diziam votar em Marina no mês passado, 40% admitiam poder votar em Aécio Neves, 36% admitiam migrar para Dilma Rousseff e 32%, para Eduardo Campos. A presidente, no entanto, é a mais rejeitada pelos marineiros: 60%, contra 31% de Aécio e 27% de Campos.
EDUARDO QUEM?
Campos é também quem tem mais potencial para crescer entre os eleitores de Marina: 41% não sabiam dizer quem ele era.
PRATO CHEIO
A relatoria do projeto de lei que regula a publicidade destinada a crianças, que atinge em cheio fabricantes de alimentos e agências de propaganda, virou uma das mais cobiçadas na Câmara dos Deputados. "Pelo menos dez colegas me procuraram. Há uma grande disputa", diz o deputado Décio Lima (PT-SC), presidente da Comissão de Justiça e responsável pela nomeação. O texto está no colegiado desde o dia 19.
IDADE ADULTA
O projeto de lei completa 12 anos em 12 de dezembro. Simbolicamente, vai virar adulto --12 anos é a idade em que alguém deixa de ser criança.
CABEÇA A MIL
Rodriguinho, pagodeiro que ficou famoso como vocalista do grupo Os Travessos, se filiou ao PTB e deve ser candidato a deputado estadual no ano que vem. Hoje em carreira solo, ele diz que sua plataforma terá projetos para defesa das crianças e para os músicos. "Tenho um milhão de ideias", afirma o artista, que tem como padrinho político o também cantor Netinho de Paula (PCdoB-SP). "Ele me dá muitos conselhos."
SOM E IMAGEM
O maior sucesso de Rodriguinho foi "Tô te Filmando (Sorria)", gravada com sua antiga banda e uma das músicas mais tocadas nas rádios há cerca de dez anos.
CONTRA
O reajuste do IPTU será alvo de protesto da bancada do PSBD na Câmara Municipal de São Paulo na sexta. Associações de moradores vão participar do ato, organizado pelo vereador Andrea Matarazzo. Para os tucanos, o aumento médio de 24% no imposto em 2014 é abusivo.
LIVRE E LEVE
Fernanda Lima, 36, combina ioga e dieta equilibrada para manter o peso; "Todos comem saladas, legumes, açaí, massas integrais e quinua", diz a apresentadora sobre os hábitos da família, na revista "Boa Forma"
NOBRE COLEGA
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, tomou posse como associado honorário do Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo), anteontem, na Sé. O advogado Marcelo Nobre e o também ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, estiveram na solenidade.
CLUBE DA LULUZINHA
A atriz Marieta Severo foi a homenageada especial da 18ª edição do Prêmio Claudia, realizado anteontem pela revista da editora Abril, na Sala São Paulo. A ex-jogadora de basquete Magic Paula e o ator Ailton Graça foram à premiação, que também contou com a presença da apresentadora Chris Flores.
CURTO-CIRCUITO
Marcelo Galvão, diretor do filme "Colegas", participa de palestra no MAM sobre a relação de pessoas com síndrome de Down e a arte, hoje, às 19h.
O apresentador Amaury Jr. lança linha de chocolates hoje, na Casa Fares, às 20h.
O cantor italiano Amedeo Minghi acompanha hoje ensaio da Orquestra Sinfônica Heliópolis.
A Mostra de Cinema Brasileiro na Rússia começa hoje, com a exibição do filme "Gonzaga", em Moscou.
BOMBA 2
Apesar da possibilidade, há economistas e consultorias no mercado que apostam num reajuste já para outubro, numa eventual janela de inflação em queda. As apostas situam o aumento entre 4% e 5% na bomba.
BOMBA 3
A alta do dólar há alguns meses pressionou a Petrobras, que compra combustível no exterior para vendê-lo nos postos de gasolina. A estatal já solicitou formalmente aumento, mas o governo diz que administra a questão com cuidado por causa do impacto na inflação.
BALANÇA
A análise é de dirigentes do PSB, endossada por profissionais experientes da área de pesquisa: Marina Silva, ao menos oficialmente fora da disputa, deve murchar nas pesquisas presidenciais até o começo de 2014. Eduardo Campos, candidato declarado, ganhará visibilidade e deve inflar nas sondagens. Com isso, o percentual de intenção de votos dos dois candidatos (ela chegou a 26% no último Datafolha e ele, a 9%) pode se equilibrar.
NÃO CAI
No cenário acima, estaria afastada a possibilidade de pressões para que ela assumisse a cabeça da chapa presidencial pelo PSB.
ESPÓLIO
Cruzamento recente feito pelo Ibope é observado com lupa: do total de eleitores que diziam votar em Marina no mês passado, 40% admitiam poder votar em Aécio Neves, 36% admitiam migrar para Dilma Rousseff e 32%, para Eduardo Campos. A presidente, no entanto, é a mais rejeitada pelos marineiros: 60%, contra 31% de Aécio e 27% de Campos.
EDUARDO QUEM?
Campos é também quem tem mais potencial para crescer entre os eleitores de Marina: 41% não sabiam dizer quem ele era.
PRATO CHEIO
A relatoria do projeto de lei que regula a publicidade destinada a crianças, que atinge em cheio fabricantes de alimentos e agências de propaganda, virou uma das mais cobiçadas na Câmara dos Deputados. "Pelo menos dez colegas me procuraram. Há uma grande disputa", diz o deputado Décio Lima (PT-SC), presidente da Comissão de Justiça e responsável pela nomeação. O texto está no colegiado desde o dia 19.
IDADE ADULTA
O projeto de lei completa 12 anos em 12 de dezembro. Simbolicamente, vai virar adulto --12 anos é a idade em que alguém deixa de ser criança.
CABEÇA A MIL
Rodriguinho, pagodeiro que ficou famoso como vocalista do grupo Os Travessos, se filiou ao PTB e deve ser candidato a deputado estadual no ano que vem. Hoje em carreira solo, ele diz que sua plataforma terá projetos para defesa das crianças e para os músicos. "Tenho um milhão de ideias", afirma o artista, que tem como padrinho político o também cantor Netinho de Paula (PCdoB-SP). "Ele me dá muitos conselhos."
SOM E IMAGEM
O maior sucesso de Rodriguinho foi "Tô te Filmando (Sorria)", gravada com sua antiga banda e uma das músicas mais tocadas nas rádios há cerca de dez anos.
CONTRA
O reajuste do IPTU será alvo de protesto da bancada do PSBD na Câmara Municipal de São Paulo na sexta. Associações de moradores vão participar do ato, organizado pelo vereador Andrea Matarazzo. Para os tucanos, o aumento médio de 24% no imposto em 2014 é abusivo.
LIVRE E LEVE
Fernanda Lima, 36, combina ioga e dieta equilibrada para manter o peso; "Todos comem saladas, legumes, açaí, massas integrais e quinua", diz a apresentadora sobre os hábitos da família, na revista "Boa Forma"
NOBRE COLEGA
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, tomou posse como associado honorário do Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo), anteontem, na Sé. O advogado Marcelo Nobre e o também ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, estiveram na solenidade.
CLUBE DA LULUZINHA
A atriz Marieta Severo foi a homenageada especial da 18ª edição do Prêmio Claudia, realizado anteontem pela revista da editora Abril, na Sala São Paulo. A ex-jogadora de basquete Magic Paula e o ator Ailton Graça foram à premiação, que também contou com a presença da apresentadora Chris Flores.
CURTO-CIRCUITO
Marcelo Galvão, diretor do filme "Colegas", participa de palestra no MAM sobre a relação de pessoas com síndrome de Down e a arte, hoje, às 19h.
O apresentador Amaury Jr. lança linha de chocolates hoje, na Casa Fares, às 20h.
O cantor italiano Amedeo Minghi acompanha hoje ensaio da Orquestra Sinfônica Heliópolis.
A Mostra de Cinema Brasileiro na Rússia começa hoje, com a exibição do filme "Gonzaga", em Moscou.
A linha da reforma ministerial - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 09/10
Os aliados do governo, como o PMDB, que querem premiar seus quadros na reforma ministerial de dezembro, vão estrilar. Com o aval do ex-presidente Lula, a presidente Dilma quer montar um ministério técnico para a reta final do mandato. De olho na eleição, um dirigente petista explica: “A ideia é colocar quem entregue o prometido. Não pode ser alguém que acabou de chegar mas um técnico que já esteja lá e faça acontecer”.
O PTB também quer um ministério
O PMDB não está mais só. O PTB, que está fora do ministério desde 2009, quando José Múcio deixou a pasta de Relações Institucionais, quer seu ministério. O tema foi tratado ontem, pelo presidente do partido e vice do BB, Benito Gama, e o líder na Câmara, Jovair Arantes. Os senadores do PMDB também cobram uma reunião com a presidente Dilma. O líder Eduardo Braga (PMDB) tem relatado as queixas com a demora na nomeação do senador Vital do Rego para a Integração e com os desacertos entre PT e PMDB nas eleições estaduais. Ontem, o líder no Senado, Eunício Oliveira, cobrou da ministra Ideli Salvatti apoio no Ceará e a nomeação de Vital.
“Ministérios só em dezembro. Não vamos tratar disso agora. Quem decide já deixou isso bem claro”
Ideli Salvatti
Ministra das Relações Institucionais, ao deixar reunião com o PMDB no gabinete da presidência do Senado
PROS quer manter Portos
A despeito da posição do governador do Ceará, Cid Gomes (CE), os deputados filiados ao recém-criado PROS querem manter a Secretaria dos Portos. A pasta era dirigida por Leônidas Cristino. Mas Cid diz que não quer fazer o sucessor para não ser acusado de fisiologismo.
Lulinha paz e amor
Orientação baixada pelo ex-presidente Lula, anteontem, no Instituto Lula: “Não tratar Eduardo Campos e Marina Silva como inimigos”. Presentes: o presidente do PT, Rui Falcão, o governador Tarso Genro (foto) e Franklin Martins. Eles avaliam que parcela dos eleitores de Marina, com sua desistência, migrará para a presidente Dilma.
Correndo atrás dos antigos aliados
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, ligou dos Estados Unidos para o presidente do PPS, Roberto Freire. Eles marcaram uma reunião com a presença de ex-comunistas, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), e Alberto Goldman.
Ô loco, meu!
O PT quer que a presidente Dilma tenha dois palanques no Rio (Pezão e Lindbergh). Agora, o candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, anuncia que quer ter dois palanques (Dilma e Eduardo Campos). Mas isso não é nada perto do candidato do PR, Anthony Garotinho. Ele diz que vai apoiar Aécio Neves (interior), Dilma (Baixada) e a vice Marina Silva (capital).
Uma no cravo e outra na ferradura
O discurso do candidato do PSB, Eduardo Campos, no programa de TV desta quinta-feira, vai fazer elogios aos avanços do país nos últimos 20 anos. Disposto a romper o Fla-Flu, vai exaltar os presidentes Fernando Henrique e Lula.
Acabou-se o que era doce
O deputado Valdemar Costa Neto deixou ontem a secretaria-geral do PR. Ele se licenciou do cargo por tempo indeterminado por causa da condenação no processo do mensalão. Assume no seu lugar o senador Antônio Carlos (PR-SP).
O deputado Fernando Francischini (PR) foi escolhido ontem, por unanimidade, o primeiro líder da bancada do Solidariedade.
Os aliados do governo, como o PMDB, que querem premiar seus quadros na reforma ministerial de dezembro, vão estrilar. Com o aval do ex-presidente Lula, a presidente Dilma quer montar um ministério técnico para a reta final do mandato. De olho na eleição, um dirigente petista explica: “A ideia é colocar quem entregue o prometido. Não pode ser alguém que acabou de chegar mas um técnico que já esteja lá e faça acontecer”.
O PTB também quer um ministério
O PMDB não está mais só. O PTB, que está fora do ministério desde 2009, quando José Múcio deixou a pasta de Relações Institucionais, quer seu ministério. O tema foi tratado ontem, pelo presidente do partido e vice do BB, Benito Gama, e o líder na Câmara, Jovair Arantes. Os senadores do PMDB também cobram uma reunião com a presidente Dilma. O líder Eduardo Braga (PMDB) tem relatado as queixas com a demora na nomeação do senador Vital do Rego para a Integração e com os desacertos entre PT e PMDB nas eleições estaduais. Ontem, o líder no Senado, Eunício Oliveira, cobrou da ministra Ideli Salvatti apoio no Ceará e a nomeação de Vital.
“Ministérios só em dezembro. Não vamos tratar disso agora. Quem decide já deixou isso bem claro”
Ideli Salvatti
Ministra das Relações Institucionais, ao deixar reunião com o PMDB no gabinete da presidência do Senado
PROS quer manter Portos
A despeito da posição do governador do Ceará, Cid Gomes (CE), os deputados filiados ao recém-criado PROS querem manter a Secretaria dos Portos. A pasta era dirigida por Leônidas Cristino. Mas Cid diz que não quer fazer o sucessor para não ser acusado de fisiologismo.
Lulinha paz e amor
Orientação baixada pelo ex-presidente Lula, anteontem, no Instituto Lula: “Não tratar Eduardo Campos e Marina Silva como inimigos”. Presentes: o presidente do PT, Rui Falcão, o governador Tarso Genro (foto) e Franklin Martins. Eles avaliam que parcela dos eleitores de Marina, com sua desistência, migrará para a presidente Dilma.
Correndo atrás dos antigos aliados
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, ligou dos Estados Unidos para o presidente do PPS, Roberto Freire. Eles marcaram uma reunião com a presença de ex-comunistas, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), e Alberto Goldman.
Ô loco, meu!
O PT quer que a presidente Dilma tenha dois palanques no Rio (Pezão e Lindbergh). Agora, o candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, anuncia que quer ter dois palanques (Dilma e Eduardo Campos). Mas isso não é nada perto do candidato do PR, Anthony Garotinho. Ele diz que vai apoiar Aécio Neves (interior), Dilma (Baixada) e a vice Marina Silva (capital).
Uma no cravo e outra na ferradura
O discurso do candidato do PSB, Eduardo Campos, no programa de TV desta quinta-feira, vai fazer elogios aos avanços do país nos últimos 20 anos. Disposto a romper o Fla-Flu, vai exaltar os presidentes Fernando Henrique e Lula.
Acabou-se o que era doce
O deputado Valdemar Costa Neto deixou ontem a secretaria-geral do PR. Ele se licenciou do cargo por tempo indeterminado por causa da condenação no processo do mensalão. Assume no seu lugar o senador Antônio Carlos (PR-SP).
O deputado Fernando Francischini (PR) foi escolhido ontem, por unanimidade, o primeiro líder da bancada do Solidariedade.
Efeito colateral - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 09/10
Parlamentares pressionam o comando do PDT a desembarcar do governo e da coligação reeleitoral de Dilma Rousseff em 2014. O deputado Vieira da Cunha (RS) e o senador Pedro Taques (MT) integram o grupo que tenta convencer Carlos Lupi a discutir a saída do governo em reunião ampliada no fim do mês. O PDT tem o Ministério do Trabalho desde 2007, e manteve a pasta mesmo diante de denúncias de irregularidades. Uma ala do partido quer apoiar Eduardo Campos (PSB).
Pé do ouvido A expectativa no Planalto é que Lula, que estará em Brasília amanhã para o encerramento de conferência da OIT sobre trabalho infantil, se reúna com Dilma para discutir as mudanças no cenário eleitoral.
Ataque O ex-presidente e Rui Falcão estiveram ontem com dirigentes do PT de Pernambuco. A sigla foi liberada para entregar os cargos no governo Campos e antecipar a definição do palanque pró-Dilma. O nome mais provável para o governo é o do senador Armando Monteiro (PTB).
Retranca Amanhã será a vez de o PT discutir o caso do Rio. Aliados de Lindbergh Farias defendem deixar já o governo Sérgio Cabral (PMDB), mas a direção nacional prefere adiar essa decisão.
De volta O sociólogo Pedro Piccolo, que havia sido afastado da Rede depois de ser flagrado segurando uma barra de ferro na tentativa de invasão do prédio do Itamaraty, em junho, voltou à cúpula do grupo. Ele participou ontem de reunião com o PSB.
Saudade Campos e Marina se reunirão em São Paulo amanhã. Será o primeiro encontro depois da aliança.
Tribo O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse para Ronaldo Caiado (DEM-GO), em tom de brincadeira, após o deputado ruralista dizer que pode apoiar Campos mesmo com Marina na chapa, que estava pensando em entregar a Funai a ele.
Tabu 1 Em vídeo divulgado em portal do PSDB, Aécio faz uma defesa aberta das privatizações da gestão FHC. "O governo federal demonizou as parcerias com o setor privado. Hoje, quem quer voltar ao passado? Nem eles."
Tabu 2 Segundo o pré-candidato tucano, os petistas "demoraram dez anos para compreender que têm que trazer o setor privado para ajudar a investir". "O governo sozinho não dá conta."
Vou de... Antes relutante, Dilma topou ir hoje ao sindicato dos taxistas em Brasília para comemorar a sanção presidencial da permissão para que taxistas repassem a exploração da licença a parentes em caso de morte.
... táxi A presidente havia vetado o mesmo projeto duas vezes, mas o Planalto prometeu sancionar a matéria após o texto ter sido negociado. Ela aceitou ir ao evento após lobby de Gim Argello (PTB-DF), defensor da causa.
Mudou A Fundac, que opera a TV da Assembleia de São Paulo e havia sido desclassificada na nova licitação, obteve liminar e está em primeiro lugar na disputa. Sua proposta é de quase R$ 1 milhão por ano a menos que a da segunda colocada.
Reação A deputada estadual governista Vanessa Damo (PMDB-SP) acusa a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) de manobra "canalha" para barrar a CPI da Eletropaulo. Ela diz que o PSDB quer impedir investigações em contratos com a Siemens, pivô de denúncias no setor de trens.
Parto A criação de força-tarefa em São Paulo para apurar atos de vandalismo em protestos estava em gestação havia mais de um mês. O Ministério Público resistia, e o Judiciário não aderiu.
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN
tiroteio
"Teremos um debate morno na eleição, com um candidato passando a mão na cabeça do outro. Aécio não tem perfil de contestação."
DO SENADOR ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre as características dos candidatos à Presidência e a necessidade da oposição de confrontar o governo federal.
contraponto
Médico linha dura
Em visita a um hospital na semana passada, o secretário de Saúde paulista David Uip foi abordado por uma paciente que se queixava de demora no atendimento. O chefe da pasta decidiu que ele mesmo atenderia a moça, que tinha febre e dor de cabeça.
Após examiná-la em um consultório, Uip constatou que o caso era simples e receitou a medicação indicada.
--Preciso de um atestado médico --disse a moça, que havia faltado ao trabalho para ir ao hospital.
--Você não precisa de repouso e nem de atestado. Pode voltar ao trabalho! --respondeu o secretário.
Parlamentares pressionam o comando do PDT a desembarcar do governo e da coligação reeleitoral de Dilma Rousseff em 2014. O deputado Vieira da Cunha (RS) e o senador Pedro Taques (MT) integram o grupo que tenta convencer Carlos Lupi a discutir a saída do governo em reunião ampliada no fim do mês. O PDT tem o Ministério do Trabalho desde 2007, e manteve a pasta mesmo diante de denúncias de irregularidades. Uma ala do partido quer apoiar Eduardo Campos (PSB).
Pé do ouvido A expectativa no Planalto é que Lula, que estará em Brasília amanhã para o encerramento de conferência da OIT sobre trabalho infantil, se reúna com Dilma para discutir as mudanças no cenário eleitoral.
Ataque O ex-presidente e Rui Falcão estiveram ontem com dirigentes do PT de Pernambuco. A sigla foi liberada para entregar os cargos no governo Campos e antecipar a definição do palanque pró-Dilma. O nome mais provável para o governo é o do senador Armando Monteiro (PTB).
Retranca Amanhã será a vez de o PT discutir o caso do Rio. Aliados de Lindbergh Farias defendem deixar já o governo Sérgio Cabral (PMDB), mas a direção nacional prefere adiar essa decisão.
De volta O sociólogo Pedro Piccolo, que havia sido afastado da Rede depois de ser flagrado segurando uma barra de ferro na tentativa de invasão do prédio do Itamaraty, em junho, voltou à cúpula do grupo. Ele participou ontem de reunião com o PSB.
Saudade Campos e Marina se reunirão em São Paulo amanhã. Será o primeiro encontro depois da aliança.
Tribo O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse para Ronaldo Caiado (DEM-GO), em tom de brincadeira, após o deputado ruralista dizer que pode apoiar Campos mesmo com Marina na chapa, que estava pensando em entregar a Funai a ele.
Tabu 1 Em vídeo divulgado em portal do PSDB, Aécio faz uma defesa aberta das privatizações da gestão FHC. "O governo federal demonizou as parcerias com o setor privado. Hoje, quem quer voltar ao passado? Nem eles."
Tabu 2 Segundo o pré-candidato tucano, os petistas "demoraram dez anos para compreender que têm que trazer o setor privado para ajudar a investir". "O governo sozinho não dá conta."
Vou de... Antes relutante, Dilma topou ir hoje ao sindicato dos taxistas em Brasília para comemorar a sanção presidencial da permissão para que taxistas repassem a exploração da licença a parentes em caso de morte.
... táxi A presidente havia vetado o mesmo projeto duas vezes, mas o Planalto prometeu sancionar a matéria após o texto ter sido negociado. Ela aceitou ir ao evento após lobby de Gim Argello (PTB-DF), defensor da causa.
Mudou A Fundac, que opera a TV da Assembleia de São Paulo e havia sido desclassificada na nova licitação, obteve liminar e está em primeiro lugar na disputa. Sua proposta é de quase R$ 1 milhão por ano a menos que a da segunda colocada.
Reação A deputada estadual governista Vanessa Damo (PMDB-SP) acusa a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) de manobra "canalha" para barrar a CPI da Eletropaulo. Ela diz que o PSDB quer impedir investigações em contratos com a Siemens, pivô de denúncias no setor de trens.
Parto A criação de força-tarefa em São Paulo para apurar atos de vandalismo em protestos estava em gestação havia mais de um mês. O Ministério Público resistia, e o Judiciário não aderiu.
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN
tiroteio
"Teremos um debate morno na eleição, com um candidato passando a mão na cabeça do outro. Aécio não tem perfil de contestação."
DO SENADOR ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre as características dos candidatos à Presidência e a necessidade da oposição de confrontar o governo federal.
contraponto
Médico linha dura
Em visita a um hospital na semana passada, o secretário de Saúde paulista David Uip foi abordado por uma paciente que se queixava de demora no atendimento. O chefe da pasta decidiu que ele mesmo atenderia a moça, que tinha febre e dor de cabeça.
Após examiná-la em um consultório, Uip constatou que o caso era simples e receitou a medicação indicada.
--Preciso de um atestado médico --disse a moça, que havia faltado ao trabalho para ir ao hospital.
--Você não precisa de repouso e nem de atestado. Pode voltar ao trabalho! --respondeu o secretário.
Assinar:
Postagens (Atom)