sábado, agosto 31, 2013

Médicos escravos - ROBERTO HUGO DA COSTA LINS

O GLOBO - 31/08
Por que tanta pressa do nosso Governo em trazer os médicos cubanos ao Brasil? As tentativas frustradas do governo brasileiro de trazer médicos estrangeiros para trabalhar no SUS mostram que as condições de trabalho oferecidas são no mínimo inadequadas. O presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, José Manuel Silva, declarou enfaticamente à imprensa brasileira: "É uma espécie de escravidão. O médico está preso no local para onde foi alocado, não pode sair de lá, e não tem seu título reconhecido. É como alguém que vai para um país e lhe retiram o passaporte e ele não pode sair de lá. Não há interesse dos médicos portugueses em participar do programa brasileiro." Assim também foi com os espanhóis e outros europeus. Pode-se afirmar que a forma de contratação dos médicos cubanos é análoga ao trabalho escravo. O governo brasileiro vai pagar ao governo cubano, por intermédio da Organização Panamericana de Saúde (Opas), R$10.000 para cada médico. Por sua vez, o governo cubano vai repassar aos seus médicos uma pequena fração desta quantia.
Por incrível que pareça, o governo brasileiro não sabe quanto os médicos cubanos vão receber de salário.

Algumas questões devem ser respondidas pelo governo do Brasil:1. A quem os médicos cubanos vão prestar contas? Ao governo cubano que lhes paga ou ao governo brasileiro que paga ao governo de Cuba? 2. As famílias destes médicos também virão ao Brasil ou ficarão retidas em Cuba como garantia do retorno destes profissionais? 3. Os médicos solteiros poderão se relacionar com moças brasileiras? Este direito lhes é proibido na Venezuela. 4. Quanto efetivamente vai receber cada médico? Este dinheiro lhe será pago mensalmente ou ficará retido em Cuba para ser pago quando retornarem a seu país? Os médicos importados trabalharão apenas por casa e comida? Temos o direito de saber, pois na realidade somos todos nós que estamos pagando. 5. E quanto aos erros médicos quem vai ser responsabilizado: o governo cubano ou o médico? 6. É justo um fazendeiro brasileiro ser acusado de promover trabalho escravo quando procede desta mesma forma do governo brasileiro? 7. Apesar da urgência em oferecer atendimento médico de boa qualidade aos cidadãos brasileiros, medidas atabalhoadas, sem discussão adequada, com finalidade nitidamente eleitoreira, redundarão num grande fracasso.

Não existe nenhuma nação que permita médicos estrangeiros trabalharem em seu país sem uma avaliação criteriosa da sua capacidade profissional. Este projeto temerário e equivocado poderá ter desastrosas implicações sociais, médicas, diplomáticas e penais. 

Os efeitos do Donadongate - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 31/08

BRASÍLIA - A absolvição do deputado presidiário, Natan Donadon, é um despautério, todos sabem. Mas, passado o choque, cabe a pergunta: a Câmara está melhor, pior ou igual depois de ter mantido o mandato de alguém já condenado e cumprindo pena em regime fechado?

Na minha opinião, a Câmara está do mesmo jeito. Igualzinha. E com chances de melhorar. Aliás, Natan Donadon estava condenado pelo STF desde 2010. Zanzava pela Câmara e votava. Agora, está preso.

E pode haver uma outra consequência. Até quarta-feira, dia em que o mandato de Donadon foi salvo, eram nulas as chances de passar a proposta de voto aberto para sessões de cassação de mandato. Hoje as possibilidades são maiores e mais reais. O presidente da Câmara, Henrique Alves, empenhou sua palavra. Pode dar em nada, mas ele sepultará sua reputação de uma vez.

Outro equívoco é entender o Donadongate como a porta da esperança para a salvação de deputados condenados no processo do mensalão. Se Donadon não tivesse sido absolvido, o voto secreto seria mantido. A surpresa poderia vir apenas na sessão de cassação dos mensaleiros.

Deputados e senadores com um mínimo de juízo --o que, às vezes, é esperar demais-- devem votar neste ano a emenda constitucional do voto aberto. Também deve tramitar com mais rapidez uma outra proposta, que determina a perda de mandato de forma automática depois de uma condenação irrecorrível no STF.

O ideal seria, é claro, ter cassado Donadon e, ao mesmo tempo, enterrado o voto secreto. Só que o mundo ideal, sinto informar, não existe.

De maneira inadvertida, os inconsequentes de quarta-feira pavimentaram o caminho para nunca mais cometerem tal estripulia escondidos atrás do voto secreto. Mas, antes de comemorar, é melhor esperar a aprovação das novas regras. Até porque, como se sabe, de onde menos se espera é de onde não sai nada mesmo.

Mal-estar diplomático - JANIFFER ZARPELON

GAZETA DO POVO - PR - 31/08

A fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz para o Brasil gerou um mal-estar entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Itamaraty. Após ser condenado a um ano de prisão por corrupção na Bolívia, o senador boliviano acabou passando 454 dias trancado na Embaixada do Brasil, à espera de um visto de saída. Pressionado por problemas de saúde do senador boliviano, o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, encarregado de negócios da embaixada, tomou a decisão unilateral de trazer Pinto Molina ao Brasil, o que aparentemente não foi autorizado nem pelo Itamaraty nem pelo Planalto, pegando de surpresa a presidente Dilma Rousseff.

Além de causar grande irritação de parte da chefia do Executivo brasileiro, essa ação gerou também desconforto por parte da diplomacia brasileira pela ausência do respeito à hierarquia e às linhas de autoridade dentro da organização que tanto preza pelo seu insulamento burocrático.

Esse evento acabou revelando um déficit da liderança política do Itamaraty no governo Dilma – diferentemente do governo Lula, no qual, apesar da descentralização da política externa brasileira nesse período, a atuação do Itamaraty era muito mais ativa.

Já a relação entre o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) com a chefia do Executivo estava cada vez mais desgastada. Principalmente pela restrição, no contexto da política externa brasileira, da atuação do Itamaraty – que teve por décadas grande autonomia –, somando-se aos cortes das verbas ministeriais e à possibilidade de não haver concurso para novos diplomatas no ano que vem. Assim, a vinda do senador boliviano Roger Pinto foi o estopim da quebra de uma relação que já estava muito prejudicada, causando a saída de Patriota e a entrada, no seu lugar, do embaixador Luiz Figueiredo, que representou o Brasil na Rio+20.

Outro aspecto que deve ser ressaltado sobre a fuga do senador boliviano é que a Convenção Interamericana estabelece que, quando uma pessoa solicita asilo em um país e o pedido é aceito, sua nação de origem deve emitir o salvo-conduto prontamente, o que a Bolívia não fez. Até porque o salvo-conduto é apenas uma garantia onde a pessoa está de que ela não vai sofrer nenhuma retaliação até chegar ao Estado que concedeu o asilo. Resumindo: não é uma exigência que impede a saída.

Diante do exposto, o que impedia, então, o Brasil de oficialmente trazer esse senador? Será que houve negligência do Itamaraty e do governo federal neste caso? Ao conceder asilo político para Pinto Molina no ano passado, o Brasil não deveria ter se esforçado para fazer respeitar essa decisão em vez de deixá-lo por tantos dias dentro da embaixada brasileira? São perguntas que ainda devem ser respondidas. Mas uma coisa é fato: essa ação acabou revelando um mal-estar dentro do Itamaraty pela falta de congruência e liderança política, com a relativa perda de autonomia no processo decisório da política externa brasileira.

Ideologia e os interesses do mercado imobiliário - LUIZ FERNANDO JANOT

O GLOBO - 31/08
Na primeira metade do século XX, o mundo ocidental caminhava de braços dados com o racionalismo científico, impondo suas verdades absolutas.
Diante desse contexto, o dramaturgo italiano Luigi Pirandello escreveu uma extraordinária peça teatral - "Assim é se lhe parece" - com a intenção de relativizar qualquer postura dogmática que cerceasse a livre expressão do pensamento.

Infelizmente, essa e outras iniciativas semelhantes sucumbiram diante do obscurantismo político dos Estados totalitários.

De lá para cá muita coisa mudou. O restabelecimento da democracia trouxe consigo a rejeição a qualquer espécie de absolutismo. Nem mesmo os princípios do urbanismo modernista escaparam desse processo revisionista. A reflexão crítica sobre esses paradigmas possibilitou a formulação de novas teorias e modelos de desenvolvimento urbano. Todavia, se aplicados indiscriminadamente em qualquer cidade, certamente, irão reproduzir equívocos semelhantes ao criticados anteriormente.

Para se perceber o quanto é inadequado um modelo urbano único, basta observar nas cidades espalhadas pelo mundo a grande diversidade social, econômica, cultural e política, especialmente na China, na Índia e, sobretudo, no continente africano. Há que se admitir que a construção de uma cidade democrática não é fácil em sociedades autocráticas ou individualistas.

Entre as recentes teorias do urbanismo contemporâneo a que mais tem se destacado é a que propõe a formação de cidades mais densas, mais compactas e, consequentemente, mais sustentáveis.

Isto é, uma cidade que concentre um número significativo e diversificado de usos e atividades em territórios delimitados. No Brasil, o emprego desse modelo vem sofrendo pressões contrárias de alguns grupos empresariais que preferem expandir seus negócios imobiliários em áreas dotadas de grandes terrenos disponíveis e a preços mais vantajosos, independentemente da existência ou não de infraestrutura urbana no local.

O Rio, por exemplo, segue esse modelo ao expandir o seu tecido urbano ao sabor da ideologia política e dos interesses do mercado imobiliário.

A tendência de estabelecer, no futuro, uma nova centralidade urbana na Barra da Tijuca, ao que tudo indica, parece irreversível. A concentração de grandes investimentos públicos e obras da iniciativa privada nessa região confirmam tal pressuposto. É para lá que convergem praticamente todos os novos sistemas de transporte coletivo - BRT e expansão do Metrô - implantados ou projetados para a cidade. A reurbanização total da Avenida das Américas é uma parte indissociável desse processo.

O modelo urbano baseado no trinômio "condomínio fechado/shopping center/automóvel particular", característico da Barra da Tijuca e seus arredores, vem recebendo a aceitação de uma parcela significativa da população. Afinal, quem não trocaria os espaços públicos degradados, o triste cenário de casas abandonadas e o comércio decadente pelos espaços organizados, seguros e cheios de atrativos dos condomínios residenciais fechados e dos shopping centers? É próprio da natureza humana que cada indivíduo busque para si o que há de melhor. Quanto maior diversidade houver, melhor será a opção de escolha.

Em suma, as cidades contemporâneas não comportam modelos hegemônicos de urbanização.

Especialmente o Rio, onde predominam os espaços urbanos diversificados. Respeitando essa característica da cidade, não há como relegar ao abandono importantes bairros cariocas.

Principalmente aqueles servidos por trem ou por metrô. Chegou a hora de se concentrar investimentos públicos nessas localidades para promover a requalificação urbana, atrair novos investidores e elevar a autoestima dos seus moradores.

É inadmissível que uma cidade culturalmente diversificada como o Rio conviva com um modelo único de ocupação e desenvolvimento urbano.

Itamaraty em chamas - ANDRÉ GUSTAVO STUMPF

CORREIO BRAZILIENSE - 31/08
Empresas de seguro não protegem veículos brasileiros que transitam pela Bolívia. Não há apólice que cubra eventual prejuízo. O país é uma espécie de desmanche a céu aberto de carros furtados no Brasil. Existe até uma negociação em curso para a devolução aos brasileiros daquilo que bolivianos retiram das ruas neste país. É preciso entender a Bolívia neste contexto. O país é paupérrimo. Seu Produto Interno Bruto é inferior ao do Maranhão.
Foi violentamente saqueado pelos espanhóis no século 17. As montanhas de prata que existiam em Potosi - cidade que chegou a ter população maior que a de Londres - foram transportadas para a Europa. Não é por acaso que o rio por onde a riqueza era transportada recebeu o nome de Rio da Prata e o país ao sul de onde partiam grandes navios abarrotados daquela maravilha ganhou o nome de Argentina, que deriva de argentum, prata em latim. O país foi criado por capricho. Apenas para homenagear Bolívar, o libertador.

 A Bolívia é também o país campeão de golpes de Estado no continente. Hoje, reúne enormes plantações de coca devidamente protegidas por Evo Morales, o presidente da República. Ele encontrou no senador Roger Pinto Molina um adversário à altura, capaz de ameaçar o governo, que vive em permanente conflito de facções que disputam posições dentro do poder central. Recentemente, ele interrompeu obras de uma estrada porque ela atravessaria área de produção da matéria-prima da cocaína. O conflito é boliviano. Mas atravessou a fronteira e chegou ao Brasil, por Corumbá.

O embaixador Marcel Biato foi assessor especial do professor Marco Aurélio Garcia. Na época de sua nomeação para representar o Brasil em La Paz, era entusiasta das políticas de Evo Moraes. Seguiu feliz para o novo posto. Alguma coisa mudou, porque ele decidiu conceder asilo ao senador oposicionista boliviano. A urgência determinou sua ação. Já em Brasília, a caminho do novo posto em Estocolmo, Suécia, ele foi qualificado por Evo Morales como líder da oposição. Depois, perdeu o novo posto. A presidente Dilma revogou sua própria indicação.

O senador boliviano permaneceu 455 dias preso numa sala, no prédio onde funciona a Embaixada do Brasil, em La Paz. Razões humanitárias levaram o ministro conselheiro Eduardo Saboia a colocá-lo dentro de um carro, atravessar 1.600km de estradas péssimas, de terra, sem nenhuma assistência. Viajaram utilizando fraldas geriátricas, para não perder tempo.

No percurso, o diplomata brasileiro foi parado 12 vezes pela polícia local. Em nenhuma delas os carros foram vistoriados. Os dois fuzileiros navais que fizeram a segurança não precisaram agir. Os militares só puderam participar da operação porque foram autorizados por alguém de patente superior. Esperava o cortejo, em Corumbá, o senador Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, policiais federais, médicos e um jato executivo que levou o asilado a Brasília.

A história não está bem contada. O governo boliviano deu indicações aos brasileiros de que a melhor solução seria levar o senador Pinto Molina para o Brasil de maneira informal. Assim foi feito. O incidente é menor. Não tem poder de modificar as relações do Brasil com a Bolívia, que sempre viveram numa espécie de gangorra, um sobe e desce constante. Os interesses nacionais do país vizinho se concentram no gás. O Brasil paga por ele preço muito superior ao do mercado internacional.

A queda de Antonio Patriota é curiosa. Ele deixa o cargo de chanceler e assume o de embaixador junto às Nações Unidas. Vai viver em Nova York, frequentar coquetéis e reuniões do primeiríssimo nível internacional. É um prêmio. O ministro que estava lá veio para cá. Resta saber o que vai ocorrer com os dois personagens da confusão - o embaixador Marcelo Biato e o ministro Eduardo Saboia. Evo Morales, assistindo de camarote à confusão reinante na diplomacia brasileira, pede a devolução de seu desafeto.

A diplomacia brasileira já viveu dias melhores. A tradição de objetividade, capacidade de negociação, foi ultrapassada em nome de interesses ideológicos que se tornaram anacrônicos. A invasão da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelo presidente deposto Manuel Zelaya - apoiado por Hugo Chávez - e o confuso episódio que suspendeu o Paraguai do Mercosul e permitiu a entrada da Venezuela revelam que a diplomacia brasileira se perdeu. Não mede consequências de seus atos, não se impõe no momento devido e não mais tem rumo definido.

Entre o plenário e o presídio - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 31/08

SÃO PAULO - A menos que se admita que as atividades parlamentares são compatíveis com as de reeducando do sistema penal, o deputado federal e presidiário, Natan Donadon, teria de ter sido excluído dos quadros do Congresso. E, se fôssemos com um gravador na mão perguntar aos legisladores o que acham, a maioria concordaria. O resultado do caso Donadon só foi diferente porque os parlamentares decidiram sua cassação acobertados pelo manto do voto secreto.

O modo clássico de explicar o disparate é decretar que nossos representantes são um bando de hipócritas corporativistas que apregoam uma coisa em público, mas fazem o oposto sob anonimato. Não duvido de que, em muitos casos, seja isso mesmo. Mas, para não perder toda a fé na democracia representativa, vale investigar hipóteses alternativas.

Uma delas é a de que a votação secreta altera não só a dinâmica do processo como também a própria forma de pensar dos deputados. Não é que eles estejam necessariamente mentindo quando dizem que a Câmara precisaria cassar sua bancada de presidiários. Eles provavelmente acham isso mesmo, quando analisam a questão em termos de imagem do Congresso, valor institucional etc.

O problema é que, em votações sigilosas, outras dimensões entram no cálculo. Donadon, afinal, era um colega. Talvez seja um sujeito gentil, é cristão, tem família para cuidar, está sofrendo. Não é incomum que, na hora da escolha, emoções prevaleçam sobre considerações racionais. Isso ocorre o tempo todo com o eleitor comum e é o que explica por que é possível prever qual político vencerá um pleito avaliando só a face dos concorrentes (num bom número de vezes, ganha o mais "bonito").

Já que nossos cérebros nos pregam esse tipo de truque, só o que resta é reduzir as instâncias em que têm a chance de fazê-lo. No caso do Congresso, isso significa eliminar de vez todas as votações secretas.

Um basta aos protestos abusivos - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 31/08
A Justiça acaba de sinalizar que as paralisações e os bloqueios de ruas, avenidas e rodovias que têm sido promovidos em todo o País por sindicatos, entidades estudantis, movimentos sociais, associações comunitárias, ONGs e grupos de anarquistas podem estar com os dias contados. A sinalização foi dada pelo juiz Samuel de Castro Barbosa Melo, da 2.a Vara Federal de São José dos Campos, que proibiu expressamente o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade de impedir o trânsito da Rodovia Presidente Dutra em todo o trecho que cruza o território da comarca, especialmente onde se situa o complexo industrial da General Motors.
Alegando que os bloqueios colocam em risco cidadãos e bens patrimoniais, impedindo a população de exercer o direito de ir e vir e tumultuando as atividades econômicas na região de São José dos Campos, que é um dos mais importantes polos industriais do País, o juiz Barbosa Melo também proibiu o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade - que é controlado pelo PSTU - de bloquear as avenidas paralelas à Rodovia Presidente Dutra "em toda sua extensão" e ainda fixou multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento de sua ordem.

A ação judicial foi proposta pelo Ministério Público Federal depois que os líderes sindicais dos metalúrgicos promoveram quatro paralisações da Rodovia Presidente Dutra, entre janeiro e julho.

Segundo os procuradores federais, os bloqueios - que causaram congestionamentos de até 11 quilômetros - foram feitos sem aviso prévio às autoridades competentes e com o emprego de materiais explosivos e de violência, contrariando as condições exigidas pela Constituição para a realização de manifestações de protesto.

Os metalúrgicos alegaram que o fechamento de rodovias é uma forma de exercício dos direitos de expressão, associação e reunião, previstos pela Constituição.

O juiz Samuel de Castro Barbosa Melo refutou o argumento, lembrando que o exercício desses direitos também pressupõe o respeito aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da concordância de interesses, que foram acintosamente desprezados pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. "O exercício do direito de reunião encontra-se militado pela liberdade de locomoção, pelo dever do Estado de prover segurança a toda a coletividade, pela restrição imposta ao direito de greve e até pela necessidade de se observar a política urbana", afirmou.

Invocando consagrados juristas americanos, o juiz Barbosa Melo alegou ainda que as liberdades de expressão, reunião e associação não são absolutas. Um dos doutrinadores citados em seu despacho é o jurista Robert Post, que distingue palavra e ação ao definir o alcance da liberdade de expressão. "Um discurso proferido numa multidão em praça pública se enquadra na categoria palavra. Quebrar uma vidraça com tijolo é ação. Ambas as categorias de manifestações não são protegidas de maneira plena pelas garantias constitucionais. A liberdade de expressão, nos dois casos, deve ser protegida apenas enquanto meio para a comunicação de ideias - a palavra não é acobertada pela garantia constitucional para veicular, por exemplo, um discurso de ódio. Assim, ainda que alguém atire tijolos contra vidraças para expressar que não concorda com certo ponto de vista, e por mais clara que seja a mensagem retratada nessa, não é possível invocar a liberdade de expressão para excluir a prevenção e a repressão civil e penal contra o vandalismo", diz Post, em citação transcrita por Barbosa Melo.

Diante da enxurrada de manifestações abusivas que tomaram conta do País nos últimos meses, a decisão do juiz da 2.a Vara da Justiça Federal em São José dos Campos mostra que, se o Ministério Público e o Judiciário cumprirem suas atribuições funcionais, quem exorbitar no exercício dos direitos de expressão, associação e reunião, em detrimento dos direitos da sociedade, poderá e deverá ser enquadrado na lei e punido. É assim que a democracia funciona.

Concurso com ideologia - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 31/08

Prova que incluiu questão com o programa do PT para a reforma política é mais um sinal da confusão entre Estado e partido, típica dos últimos dez anos



No último domingo, quase 25 mil pessoas fizeram um concurso do Ministério da Fazenda, disputando cargos de analista técnico-administrativo, arquiteto, contador, engenheiro e pedagogo. Os candidatos encontraram, na prova, uma questão sobre a reforma política e que, dentre cinco afirmações, pedia que a alternativa correta fosse apontada. Até aí, não haveria maiores problemas – afinal, o tema é atual e sua inclusão na prova não causaria surpresa. A resposta verdadeira, no entanto, era “O Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no comando do Executivo Federal e com forte bancada na Câmara dos Deputados, defende o financiamento das campanhas eleitorais com recursos públicos”. Nenhuma das outras alternativas citava outros partidos políticos; na prática, bastava conhecer o programa partidário petista para se sair bem na questão. Na terça-feira, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) entrou com representação no Ministério Público Federal contra o concurso.

Uma questão de concurso pode parecer coisa pouca, mas reflete uma tendência maior. É consequência da confusão entre Estado e partido, uma prática comum nesses dez anos em que o aparelhamento do setor público se tornou a norma. Já houve casos semelhantes em outras ocasiões. No ano passado, por exemplo, a Gazeta do Povo denunciou, neste mesmo espaço, o risco de as redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se tornarem instrumentos de propaganda da ideologia do governo, pois um texto poderia ser zerado se apresentasse “desrespeito aos direitos humanos” – palavreado aparentemente bem-intencionado, mas que escondia o fato de o governo atual ter uma visão bem específica sobre o tema. Afinal, a versão inicial do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), lançado em 2009, defendia a legalização do aborto, a relativização do direito à propriedade rural e o controle dos meios de comunicação; o texto só foi alterado depois de grande pressão popular. Se declassificar um candidato por suas opiniões já é questionável – o objetivo tradicional da prova de redação é avaliar a capacidade de argumentação do candidato, e não a opinião em si –, os organizadores do Enem nunca deixaram claro que liberdade o estudante teria para discordar da cartilha petista. E isso evidentemente influencia a preparação dos alunos para a prova.

A rigor, boa parte dos professores nem precisaria desse empurrão governamental para impor ideologia aos alunos. Em 2008, o instituto CNT/Sensus ouviu 3 mil pais, alunos e professores e descobriu que metade dos docentes assumia ter um discurso “politicamente engajado”. Entre os alunos, 86% diziam que Che Guevara tinha tratamento positivo em sala de aula, porcentagem que era de 65% para Lenin e 51% para Hugo Chávez. Discípulos de Antonio Gramsci e Paulo Freire já ocupavam as escolas muito antes de o PT chegar ao Planalto, e isso ajuda a entender por que não são apenas questões de concursos públicos e provas governamentais que apresentam esse viés. Em 2007, a Gazeta do Povo já mostrava que o material didático de escolas particulares e vestibulares de faculdades privadas também tinha conteúdos de forte cunho ideológico – sempre favorável à esquerda.

Para Gramsci, era fundamental que os socialistas ocupassem espaço nas escolas e outras instituições, como as religiosas, para desmoralizar as tradições que consideravam nocivas e implantar, pouco a pouco, uma nova forma de pensar que abrisse caminho para a hegemonia política. Uma estratégia que, a julgar pelo cenário brasileiro, foi bem-sucedida, mas que precisa ser continuamente aplicada para que seus resultados não se percam. Uma sutil ideologização que foi ignorada pela sociedade durante décadas, mas contra a qual é preciso reagir.

PIB trimestral não garante crescimento elevado - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 31/08

Sem limitar o BC, governo tem de perseverar no combate à inflação, impulsionada agora pelo câmbio, e ter uma política fiscal séria, para atrair investimentos



O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e governo têm, afinal, algum motivo para comemorar: no segundo trimestre do ano, o crescimento de 1,5% do PIB contrariou projeções pessimistas do mercado — as estimativas otimistas chegaram a menos que isso — e serviu de argumento para o ministro decretar que já se deixou o “fundo do poço”. A composição do crescimento também é animadora: os investimentos continuam em ascensão — embora os 3,6% tenham sido inferiores aos 4,7% do primeiro trimestre —, a indústria emite sinal de vida (2%), a agropecuária se mantém forte (3,9%), e tudo isso compensa a frouxidão no consumo familiar, condição necessária para a inflação não disparar pelo lado da pressão de demanda.

Anualizada, a expansão do segundo trimestre chega a 6%, taxa dos sonhos. Mas, infelizmente, a simples projeção deste trimestre para os dois restantes tem lógica aritmética, mas não se sustenta diante de indicadores que já sinalizaram uma perda de empuxo no início do período de julho a setembro. Continua a rondar o ano de 2013 a possibilidade de uma expansão na faixa dos 2% — melhor que o irrisório 0,9% de 2012, porém ainda distante de um patamar razoável (4% a 5%).

Que ao menos o relativamente bom resultado deste PIB trimestral estimule o Planalto a não cometer mais erros na administração da economia. Um deles seria tolher o Banco Central no enfrentamento da inflação, justo quando o país enfrenta um choque cambial, de inexorável impacto nos preços internos. O aperto monetário em curso pode até vir a ser menos intenso, pois o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, foi de apenas 0,15% em agosto. Há um ano, tinha sido de 1,4%. Como este índice reflete bastante os preços no atacado, isso significa que parece maior do que se imaginava a margem para a absorção do impacto da desvalorização cambial. Esperemos. O importante é não subordinar o BC ao calendário eleitoral.

A política fiscal (gastos) é outro aspecto sensível. No PIB do segundo trimestre, os gastos do governo cresceram apenas 0,5% em relação ao trimestre anterior. Mas quando se olham estatísticas de prazo mais amplo, o ritmo de expansão das despesas oficiais continua a preocupar. Tanto quanto a capacidade que demonstram áreas da Fazenda na aplicação da “contabilidade criativa”, para maquiar o quadro fiscal a fim de que transpareça uma austeridade inexistente na vida real.

Chama a atenção que o Brasil não tenha autorizado o Fundo Monetário Internacional (FMI) a divulgar o relatório periódico que o organismo faz de todas as economias, e isso no momento em que o país e o Fundo divergem sobre os critérios na contabilização da dívida pública bruta — em lépida expansão no caso brasileiro. Esta é uma questão-chave, por envolver a credibilidade do país perante os investidores, ainda a ser recuperada depois das barbeiragens dos últimos meses. O PIB trimestral pode ser um ponto de partida neste resgate.

A farsa da saúde - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 31/08

O governo federal lançou o Mais Médicos para resolver o problema da falta de profissionais em cidades como Anamã, Barbalha, Camaragibe, Canindé, Cascavel, Coari, Jeremoabo, Lábrea, Nova Soure, Santa Bárbara e Sapeaçu.

Nos gabinetes refrigerados do Planalto, porém, talvez não se faça muita conta do que realmente se passa nessas localidades do Amazonas, da Bahia, do Ceará e de Pernambuco. Ou em qualquer outro Estado do Brasil.

Como mostrou esta Folha, prefeitos das 11 cidades citadas já demitiram ou pretendem demitir profissionais contratados para substituí-los pelos bolsistas do Mais Médicos. O motivo era previsível: quem paga os R$ 10 mil mensais do programa federal é Brasília. Razão irresistível para alcaides oportunistas se livrarem de despesa sem se indisporem com eleitores.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou há duas semanas que sua pasta monitoraria as prefeituras para impedir essa manobra, tão deletéria para o programa quanto a hostilidade de associações médicas aos bolsistas. A esse respeito, é incompreensível que um profissional cubano tenha sido vaiado e chamado de "escravo".

O programa Mais Médicos é uma iniciativa que enfim busca solução para a inaceitável carência de médicos e tenta pôr para funcionar a atenção básica de saúde onde ela se apresenta mais necessária.

Importar profissionais tem sido recurso usual noutros países, e não haveria por que descartá-lo no Brasil. A rejeição a esse expediente resulta de puro corporativismo --a luta por melhores condições de atendimento não muda com a presença desses médicos.

Isso não significa, é claro, que o Planalto esteja conduzindo bem todo o processo. Antes o contrário.

Encenou-se em Brasília um primeiro ato de prioridade para profissionais brasileiros --formados aqui ou no exterior-- e para os interessados de Portugal e Espanha.

Nos bastidores, descortinou-se no segundo ato, eram 4.000 cubanos que se preparavam para adentrar o proscênio.

O terceiro ato se abre agora com as farsas municipais, comprovadas em 11 prefeituras. Decerto são representativas de muitas outras Brasil afora.

Falta o público descobrir se o governo federal de fato vai desligar essas e outras cidades do programa, como agora promete em tom dramático. Ou, então, se tolerará esse barateamento da saúde pública para não melindrar possíveis aliados nas eleições de 2014.

Otimismo e cautela com o PIB - CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 31/08
Boas notícias andam raras na economia brasileira. Por isso mesmo, a divulgação pelo IBGE do Produto Interno Bruto do segundo trimestre serviu para dar um alívio à onda (justificada) de preocupação que vinha tomando conta dos mercados nas últimas semanas, marcadas pela escalada do dólar. O PIB veio acima das mais otimistas previsões: 1,5% em relação ao primeiro trimestre, quando o crescimento não passou de 0,6%.
Melhor: o desempenho não foi puxado por apenas um ou dois setores, mas espalhou-se por quase todos os segmentos da produção nacional. O número mais brilhante foi, desta vez, o da agropecuária, com crescimento de 3,9% sobre o trimestre anterior. A indústria cresceu 2%, o que não deixa de ser boa surpresa, já que nem os industriais esperavam mais do que 1,5%.

A indústria, aliás, foi o setor que mais contribuiu para a dispersão positiva do crescimento, já que os principais subsetores tiveram bom desempenho. A construção civil liderou a expansão setorial, com expansão de 3,8% sobre o trimestre anterior. A indústria de transformação apresentou aumento do volume do valor adicionado de 1,7%. A produção de máquinas e equipamentos, produtos de borracha e plástico somou-se a mais um bom desempenho da indústria automotiva, especialmente no segmento de caminhões.

Em seguida vieram a indústria extrativa mineral (1,0%), eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (0,8%). O setor de serviços também surpreendeu. A maioria dos analistas estimava em 0,4% a expansão do setor, mas ele cresceu o dobro, 0,8%, pesando no total, já que os serviços, especialmente o comércio (que cresceu 1,7% no trimestre), respondem por 60% do PIB do lado da produção.

Não menos animadora foi a sinalização de que os investimentos saíram da estagnação. Medidos pela formação bruta de capital fixo, eles cresceram 3,6% no trimestre. Esse é o item que mais depende do ânimo e melhor reflete a disposição dos agentes econômicos de investir em seus próprios negócios.

Mas o desempenho do segundo trimestre ainda não autoriza a contar com a manutenção dessa expansão no terceiro e no quarto. É claro que cabe ao governo o papel de disseminar otimismo. Mas a análise mais prudente evita anualizar para frente o resultado do trimestre, preferindo observar a acumulação dos últimos 12 meses, de apenas 1,9%.

O salto da agricultura deveu-se ao pico da comercialização de uma safra recorde de grãos, especialmente de soja e arroz. Isso não vai se repetir no terceiro trimestre, época em que se comercializam o café e a cana, ambos com preços deprimidos.

Ainda não se sabe quanto a alta recente do dólar e o aumento das taxas internas de juros vão afetar o consumo. Além disso, o crescimento permanece muito dependente dos investimentos que, apesar do aumento no trimestre, ainda são apenas 18,6% do PIB, muito abaixo dos 25% necessários para manter e ampliar o ritmo da atividade econômica e do nível de empregos.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“É uma incongruência constitucional muito grande”
Presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre o livramento de Natan Donadon, o deputado ladrão


STF PODE TORNAR CASO DONADON MAIS ESDRÚXULO

O Supremo Tribunal Federal pode tornar ainda mais esdrúxula a situação de Natan Donadon, que cumpre pena na Papuda. O deputado, um ladrão transitado em julgado, recorreu ao STF contra o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Aves, que declarou vago o seu mandato e empossou o suplente. O problema é que não há base legal muito sólida que sustente a decisão de Alves, por isso o STF pode garantir as prerrogativas do deputado que a própria Corte mandou para a cadeia.

POR NOSSA CONTA

Mesmo em cana, Natan Donadon quer direito a tudo: salário, gabinete, apartamento funcional, verba de representação, assessores etc.

MALANDRAGEM

O deputado Donadon tenta aproveitar as brechas da falta de legislação específica para se dar bem, mas o STF não deve pegar leve com ele.

INFORMAÇÕES

O ministro Dias Toffoli, a quem caberá decidir liminarmente o pedido de Donadon, pediu informações à Câmara sobre o ato de Henrique Alves.

PARA ELA, TUDO

Após descobrir nesta coluna o amor por motos da presidente Dilma, o governador Agnelo Queiroz (PT) quer trazer o Moto GP para Brasília.

PELA LEI, PATRIOTA É QUEM DEVERIA SER PROCESSADO

O ex-ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores), e não o diplomata Eduardo Saboia, é que deveria ser processado por negligência, imperícia e imprudência, segundo preveem o Código de Direito Administrativo e Código Penal. Tudo em razão dos riscos à integridade física, psicológica e à vida dos funcionários da chancelaria do Brasil em La Paz, enquanto Patriota não dava a mínima para problema tão grave.

CÁRCERE PRIVADO

As restrições contra o senador Roger Molina desvirtuaram o asilo e o caracterizaram como cárcere privado. Aí, entra o Código Penal.

ANFITRIÃO CRUEL

Como esta coluna revelou, o senador boliviano foi confinado em um cubículo, não podia receber visitas e teve até o banho de sol limitado.

DESINTERESSE

A liberação de salvo-conduto foi inviabilizada por delongas propositais e paralisação do processo, por desinteresse de Patriota. E isso é ilegal.

HOUVE TENTATIVA

O presidente da Câmara, Henrique Ales, tentou, mas não conseguiu cassar Natan Donadon (RO) com base no artigo 55 da Constituição. Mas foi informado que só faltas não justificadas resultam em perda de mandato, e o ladrão não podia aparecer no trabalho: estava em cana.

NEGATIVE VIBRATION

O deputado Marcio França (PSB-SP) ironiza que presidente Dilma mais parece uma ‘kriptonita’, pedra fictícia utilizada pelos inimigos do Super-Homem: “Ela esvazia a energia do povo, do governo e do Congresso”.

NEOLOGISMO

Palavra nova para a próxima edição do dicionário Houaiss, após o Congresso garantir o mandato do deputado preso Natan Donadon (RO): “Detentado”. Condição de detento que também é deputado.

CABO DE GUERRA

Filho do embaixador Guilherme Saboia, o diplomata Eduardo Saboia, que desafiou Dilma tirando da Bolívia o senador Roger Pinto, é neto de Henrique Saboia, ex-ministro da Marinha do governo José Sarney.

NA TELINHA DO IPAD

Ao lado de guarda-costas, a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Minc, usou seu iPad na longa a fila de consulta ortopédica em hospital de Brasília (particular, claro, ela não é louca), na quarta-feira.

EU, NÃO

Foi a colega de partido Jandira Feghali (RJ) que se absteve na votação para cassar o deputado detento Natan Donadon. A deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) votou a favor e pediu fim do voto secreto.

SAIA JUSTA

José Serra afirma que agora cabe a Aécio Neves (MG) decidir sobre a abrangência e as regras das prévias: “Espero que ele responda como presidente do PSDB, não como candidato”, alfineta.

MANOBRA

O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) atribuiu a pressão de entidades esportivas à “manobra” do senador Gim Argello (PTB-DF) retirando sua emenda à MP 615 que, com o lobby de ex-craques, pretendia obrigar a adoção de ex-atletas como diretores remunerados.

PERGUNTA EM PÂNICO

A PEC do Voto Secreto vai tornar transparentes apenas as votações futuras ou vai retroagir?


PODER SEM PUDOR

CONTINGENCIAR É CRUEL

Quando era ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes recebeu os deputados Virgílio Guimarães (PT) e Athos Avenilo (PPS) e representantes do Norte mineiro. Ex-relator da reforma tributária na Câmara, Guimarães foi direto ao ponto:

- Queremos que você corte 70% da verba prevista para o Norte de Minas...

Diante de um Ciro boquiaberto, ele emendou, agora com ar de súplica:

- ...em compensação, queremos que você libere os outros 30%!...

Todos caíram na gargalhada.

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: PIB sobe 1,5% e surpreende com alta em todos os setores
Folha: Economia surpreende e cresce 1,5%
Estadão: PIB surpreende, cresce 1,5% e melhora previsão para o ano
Correio: Alta do PIB pega até o governo de surpresa
Zero Hora: PIB surpreende e tem maior crescimento em três anos
Estado de Minas: Fim do voto secreto em 11 dias: basta querer
Jornal do Commercio: Desemprego ronda a Transnordestina 

sexta-feira, agosto 30, 2013

Um zumbi na Casa do Espanto - NELSON MOTTA

O GLOBO - 30/08

Donadon é o simbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado



“Não acredito”, bradou aos céus o deputado Natan Donadon, caindo de joelhos em patética pantomima, quando viu no placar da Camara 131 votos a favor, 41 abstenções e 108 bem-vindas ausências, que mantinham o seu mandato e o consagravam como o primeiro deputado-presidiário da nossa história. Que ronco das ruas que nada, eles não ouvem e não têm medo, e mais uma vez votaram, ou fugiram, em causa própria, porque também acumulam processos na Justiça e podem ser o Donadon de amanhã.

“Não a-cre-di-to” digo eu, dizemos nós, diante da cena inacreditável, mas quando se trata dos 300 picaretas que Luiz Inacio falou deve-se acreditar em tudo, porque de tudo eles são capazes. Nunca na história desse país houve um deputado-detento, mas Lula agora diz que fica puto quando falam mal de políticos.

Zoologicamente é facil identifica-los: andam em bandos, têm pelagem acaju, negro graúna ou raposa prateada, alimentam-se de verbas públicas e são pacificos e afáveis, condição necessária para seus golpes e tramoias, mas quando ameaçados podem se tornar hostis e violentos em defesa dos privilégios e impunidades do bando. Seu habitat natural é a Câmara dos Deputados.

Donadon é o simbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que existe para dar voz e poder aos representantes dos eleitores, mas, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado pelo STF, que teve amplo direito de defesa e usou todos os recursos e chicanas para retardar o processo.

Aprendi com meu pai que é covardia tripudiar sobre os caídos, que a compaixão beneficia mais quem se compadece do que ao compadecido, que perdoar é mais leve do que carregar o saco do rancor e do ressentimento. Mas no caso desse picareta foram ele e seus colegas de trabalho que tripudiaram sobre todos os cidadãos honestos e as instituições democráticas.

E também sobre os presidiários. Reclamando da comida, da falta de água, das algemas, do camburão “escuro como um caixão”, viveu a realidade diária dos presos brasileiros, a maioria por crimes menores que os dele, que prejudicaram toda a sociedade.

A cidade é deles - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 30/08

RIO DE JANEIRO - Outro dia, pelo calçadão do Arpoador, vinham dois "black blocs" no rigor dos trinques: coturno, calças, mochila, camiseta e jaqueta pretos, e moletom com touca idem enrolado à cabeça, deixando apenas os olhos de fora --uma espécie de burca militar, como já se disse aqui. Imagino que trouxessem consigo os adereços de mão próprios da categoria: álcool, vinagre, pedras, molotovs e máscaras contra gases --todo cuidado é pouco quando se tem a lei pela frente.

Mas não havia lei à vista, nem roupa mais imprópria para um "footing" àquela hora --três da tarde, com um sol de veranico sob o qual a dupla suava e parecia apenas exótica, não ameaçadora. Bem faz o Batman, que só sai à noite para trabalhar --sabe que, à luz do dia, sua roupa de morcego tem algo de ridícula. Por sinal, a fantasia dos "black blocs" é a mais próxima que eles acharam para substituir a de Batman --que, tudo indica, usavam até há pouco.

Nossas cidades não têm opções para se trocar de roupa em público. Donde os dois devem ter saído de casa já paramentados e cruzado no prédio com seus vizinhos e porteiros --que os conhecem desde crianças e sabem muito bem quem são. Bem provável que morassem na Vieira Souto (com os pais, naturalmente) e estivessem a caminho do acampamento armado pelos meninos do "Ocupa Delfim", no Leblon.

O fato de saírem fantasiados às ruas e com a maior naturalidade sugere que estamos nos habituando aos "black blocs". E por que não? A cidade é deles. A noite cai e a função começa. Do Leblon, seguem para o largo do Machado, onde quebram o que encontram pela frente. Destroem metade de Laranjeiras e, de lá, vão para o Castelo, a Cinelândia ou a Lapa, onde o rastro da depredação continua.

Hoje, já não passam de 200. Mas são suficientes para subjugar os demais 5.999.800 com que convivem.

Congresso! Nem aí pro Gigante! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 30/08

E o Danadão é o deputado que todos sonhamos: já tá preso! Superprático: um deputado que já tá preso!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! O Congresso deu uma banana pro Gigante! E o Donadon? O deputado Danadão! "Câmara livra de cassação deputado condenado e preso." Qual a novidade?

E o Danadão é o deputado que todos sonhamos: já tá preso! Superprático: um deputado que já tá preso! O primeiro deputado presidiário!

E o tuiteiro Marcelo Amaral: "Um absurdo isso, o deputado vai ser uma péssima influência na prisão". Rarará!

Enfim, o Congresso deu uma banana pro Gigante! Vergonha, viu? E atenção! "Bolívia pede pra Dilma devolver o Pinto". Sugestão para a Dilma: Troca um pinto por três corintianos. Rarará!

Devolve o pinto pro ovo, e não pro Evo! E um Patriota que é patriota mesmo não vai buscar um pinto lá fora! Rarará!

E o apagão no Nordeste? Diz que foi uma queimada no Piauí. Tão querendo dar uma queimada no Piauí. Pelo tamanho do estrago, foi uma queimada de rosca, isso sim! Queimada de rosca provoca apagão no Nordeste! Rarará!

Eu acho que o Nordeste botou todos os celulares pra carregar ao mesmo tempo! E sabe o que a Dilma perguntou pro Lobão? "Por que esse apagão tão grande?" E o chargista Lute: "Alguém aí conhece um eletricista cubano?". Isso! Chama um eletricista cubano! Rarará.

E a Dilma deve ter dado uma queimada de rabo no Mantega: "Maaantega! Liga essa porra dessa luz! Você não trocou a porra da lâmpada!" Rarará!

E as três causas dos apagões: raio, balão e queimada! E gato! Gambiarra! E a Carla Perez: "Vou ligar a TV pra ver como tá o apagão". Rarará!

E adorei essa chamada: "Veja fotos do apagão". E uma amiga baiana foi alugar um gerador no A Geradora e não conseguiu porque eles estavam sem energia. Como diz uma amiga: "No Brasil não basta ser gostosa, tem que ter gerador próprio". Rarará!

E não é apagão, é trapagão. Trapalhada com apagão!

É mole? É mole, mas sobe!

E o Palmeiras? Manchete do Sensacionalista: "Furacão passa em Curitiba e mata um monte de porcos". Rarará! Tadinhos!

E o Pato comeu a zebra! Maus-tratos aos animais! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

Diplomata inteligente se refugia na literatura - SILVESTRE GORGULHO

CORREIO BRAZILIENSE - 30/08
O Correio Braziliense, edição de 27 de agosto, foi duro e verdadeiro em sua manchete: "Crise joga Itamaraty no inferno". O jornal da capital da República aborda com mais propriedade e mostra os fatos que estão na mídia do mundo inteiro.
- O senador Roger Pinto Molina, depois de 450 dias asilado na Embaixada do Brasil, em La Paz, encontrou a liberdade pelas mãos do diplomata Eduardo Saboia, que, numa viagem dramática de 22 horas, rodou 1.600km e chegou ao Brasil quase sem gasolina.

- Antes, o embaixador brasileiro na Bolívia, Marcel Biato, havia sido afastado do posto em La Paz por exigência do presidente Evo Morales.

- A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, por perceber que ele não estava indignado o suficiente com o episódio...

- A jornalista Miriam Leitão faz um comentário ácido: A presidente Dilma bateu boca com um diplomata "e, pior, ao negar o que ele disse, acabou confirmando...".

- O embaixador boliviano no Brasil, Jerjes Talavera, lavou as mãos e disse que a demissão do chanceler Antônio Patriota é um "problema interno do Estado brasileiro".

- Os atos de força de Evo Morales contra o Brasil são constantes: ele mandou revistar o avião do ministro Celso Amorim e invadiu, de surpresa, as refinarias da Petrobras com tropas do exército boliviano.

Não sei por que o governo brasileiro é tão cordato com Evo Morales, com as Farc, com Cuba e tão parceiro das sangrentas e corruptas ditaduras africanas. Sim, já perdoou as dívidas do Congo, do Sudão, da Guiné Equatorial e do Gabão. Agora o governo quer a aprovação da liquidação das dívidas de Zâmbia, Tanzânia, Costa do Marfim e República Democrática do Congo. O perdão da dívida desses países soma mais ou menos R$ 1,8 bilhão.

A população desses países é pobre. Mas os ditadores são biliardários. Por exemplo: Teodorin, filho mais velho e possível sucessor do ditador Oblang (Guiné Equatorial), gastou num só leilão de arte na Christie"s, em Paris, o dobro da sua dívida com o Brasil. E comprou uma mansão em Malibu, na Califórnia, de 48,5 mil metros quadrados, ou seja, 15% do tamanho de Ipanema, no Rio.

É bom ficar claro: o governo federal perdoa a dívida, mas é cada um dos 201.032.714 brasileiros que paga a conta. No rateio, são R$ 8,95 por pessoa.

Eu fiz esta abertura toda para voltar no tempo. Li uma entrevista que Clarice Lispector fez para o jornal Última Hora com a escultora e embaixatriz Maria Martins, mulher do diplomata Carlos Martins.

Maria Martins, mineira de Campanha, no sul de Minas, é uma das artistas mais premiadas na Bienal de São Paulo. Era amiga de artistas como Picasso, Mondrian e do pintor e escultor franco-estadunidense Marcel Duchamp. Suas esculturas, que estão espalhadas pelos principais museus do mundo, têm uma característica muito forte, por apresentar formas orgânicas, contorcidas e sensuais. São inspiradas em culturas arcaicas e nas lendas amazônicas. Ela foi destaque na Corcoran Gallery of Art, em Washington, e o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, tem obras sua.

Tendo acompanhado o marido embaixador em vários países e convivido com reis, rainhas e artistas de primeira grandeza, Maria Martins, ao dar essa longa entrevista para Clarice Lispector, foi direto ao ponto, logo na primeira pergunta, justamente sobre a importância atual da diplomacia.

- Outrora, a vida diplomática era uma beleza. O embaixador representava seu governo. A responsabilidade era total. Hoje, a diplomacia é uma droga. O diplomata não passa de um caixeiro-viajante para vender café, meia de náilon etc.

E mais: "Quando o embaixador tem uma vitória política, se por acaso acontece, é do governo. Quando tem um fracasso, é dele, diplomata".

Mais interessante, ainda, é que Maria Martins termina sua resposta com uma pergunta para a entrevistadora, que também era mulher de diplomata:

- E você, Clarice, qual é a sua experiência de vida diplomática, você que é uma mulher inteligente?

- Não sou inteligente, sou sensível, Maria. E, respondendo à sua pergunta: eu me refugiei em escrever.

Clarice Lispector volta ao tema: "E como você conservou sua espontaneidade, mesmo depois de uma longa carreira de mulher de diplomata, o que é raríssimo?".

Maria Martins não pestanejou: "Eu respondo como você: porque eu me refugiei na arte".

A pergunta que deixo é simples. Dada a facilidade de encontros pessoais e de comunicação on-line entre presidentes, chefes de Estado e chanceleres, que papel têm hoje os diplomatas? Será que os diplomatas inteligentes têm mesmo que se refugiarem na literatura e na arte?

Se ficar, o bicho pega, se correr... - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 30/08

Há muita cautela com o anúncio feito pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, após o deputado-presidiário Natan Donadon não ter sido cassado. Ele disse que não votará novas cassações até aprovar o voto aberto. O temor tem fundamento. Aprovar emendas constitucionais exige muita articulação, o que faltou no caso Donadon. O quórum necessário é de três quintos dos votos (308). E os afetados pela mudança (como os réus do Mensalão) podem tentar empurrar a votação para o final de seus mandatos. No Senado, a emenda do senador Álvaro Dias, apresentada em 2007, só foi aprovada em 2012.


A crítica à Câmara é merecida. Minha frustração é com quem não votou. Estavam na Casa 470, destes 459 registrados no painel e 405 votaram
Henrique Alves
Presidente da Câmara (PMDB-RS)


Donadon e o cachorro morto
Ao discursar ontem, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) não foi poupado. Gritos vinham do plenário: "Não chuta cachorro morto!"; "Não seja cruel com o Natan"; "Poupa o cara, ele já está ferrado”; "Tenha coração"; e “Chico, cala a boca”.


Temer banca Paulo Skaf
A despeito das conversas de peemedebistas com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o vice-presidente Michel Temer garante: “Vamos ter candidato em São Paulo.” O tucano gostaria de um vice do PMDB. Temer admite que há uma espécie da acordo com Alckmin: o partido não faz oposição, mas também não participa do governo. O acerto com o PT está mantido. O presidente da FIESP, Paulo Skaf será candidato ao governo.


No canto do ringue
Os tucanos dizem que o ex-governador José Serra não tem mais espaço no partido. Criticam o fato dele ter posto "chapéu em todas as cadeiras". E sugerem cautela diante de informes que ele não sai do PSDB. Lembram que em 2002, Serra disse que não deixaria a prefeitura de São Paulo e, depois, renunciou para concorrer ao governo paulista.


Cara e coroa
A luta para eleger a nova direção do PT não tem limites. Uma ala dos petistas faz um discurso para a militância, atacando os mensaleiros, e outro para a opinião pública, dizendo que o partido é vítima de conspiração de seus adversários.


Eles é quem vão decidir
A concessão do refúgio ao senador boliviano Roger Pinto está nas mãos do Comitê Nacional para os Refugiados. Ele é presidido por Paulo Abrão, Secretário Nacional de Justiça. Os demais membros são: Marcelo Viegas, Itamaraty; Paulo de Almeida, Trabalho; Marcus Quito, Saúde; Luciana Mancini, Educação; Flávio Coca, PF; e, Padre José Roberto da Silva, Cáritas (RJ).


A luta continua
O governo Dilma avalia que ganhou a batalha na sociedade sobre o Mais Médicos. Avaliam que as entidades médicas perderam o embate devido à falta de sensibilidade social de sua reação. Mas ainda teme a “bancada do jaleco” no Congresso.


Pedido de socorro
Num dia desses, sem mais nem menos, numa viagem para São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pede ao vice-presidente Michel Temer maior apoio e engajamento do PMDB na defesa da política econômica do governo Dilma.


APESAR DO TSE se comprometer em pressionar os cartórios eleitorais, os parlamentares que devem se filiar a Rede de Marina Silva estão pessimistas.

Lendo nas entrelinhas - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 30/08

Ministros e advogados leram o duríssimo voto em que Celso de Mello rejeitou o recurso de José Dirceu ontem como um sinal de que ele votará contra o recebimento dos embargos infringentes no mensalão. O decano é considerado o fiel da balança num possível cenário de empate. Um ministro diz que, mesmo que os recursos sejam acolhidos, dificilmente o resultado mudaria. "Então por que arrastar isso por mais um ano e distribuir a infelicidade por todo o tribunal?", indaga.

Mãozinha A despeito da negativa da bancada, o PT na Câmara é apontado por parlamentares como um dos principais operadores para livrar Natan Donadon (PMDB-RO) da cassação e abrir um precedente para os mensaleiros.

Tiro no pé No entender de advogados, no entanto, os próximos que caírem no plenário da Câmara serão cassados graças à repercussão negativa do caso e à possível aprovação do voto aberto para perda de mandato.

Tamo junto Outros deputados afirmam que o discurso de Donadon "pegou" e que o uso de algemas "sensibilizou" seus pares. O baixo clero teria dado o "troco" em Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que cortou o salário do deputado-preso e despejou sua família.

Greve Julio Delgado (MG) falou com Eduardo Campos ontem para sugerir que o PSB só vote matérias na Câmara após a Casa pautar a PEC do voto aberto. Segundo o deputado, o governador topou.

Fria O líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), faltou à sessão por ter sido enviado por Henrique Alves para representá-lo em evento literário em Passo Fundo.

Depois Fernando Haddad pediu paciência aos taxistas que pedem para trafegar nos novos corredores de ônibus de São Paulo. Em reunião com o sindicato da categoria, o prefeito disse que a prioridade é o transporte coletivo.

Independência... Em encontro recente, José Serra avisou a interlocutores que deve anunciar até 7 de setembro sua decisão de permanecer no PSDB ou migrar para o PPS. Assim, o ex-governador teria tempo para articular adesões a seu projeto: disputar prévias ou construir uma base em um novo partido.

... ou morte Aliados relatam que Serra se sentiu "agredido" pelas críticas feitas por tucanos a sua movimentação, nos últimos dias.

Avatar Geraldo Alckmin se mantém alheio à disputa entre Serra e Aécio Neves no PSDB, mas seu secretário particular, Ricardo Salles, esteve no almoço de deputados paulistas com o mineiro. Sua participação foi discreta, segundo convidados.

Venda casada Petistas calculam que a aproximação de Eduardo Campos (PSB) com Aécio deverá resultar em dobradinhas de Beto Richa e Ratinho Jr., no Paraná, e Geraldo Alckmin e Márcio França, em São Paulo, além de possíveis acordos no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.

De peso O diplomata Eduardo Saboia contratou Ophir Cavalcante, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, para defendê-lo no processo administrativo aberto pelo Itamaraty após sua participação na fuga do senador boliviano Roger Molina para o Brasil.

Uma só... Gleisi Hoffmann comandou reunião ontem na Casa Civil com ministros e presidentes de estatais para "uniformizar" informações das pastas do governo.

... voz Alexandre Padilha (Saúde) falou sobre o Mais Médicos, e Marcelo Néri fez apresentação sobre "as transformações da sociedade".
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

TIROTEIO
"Donadon já está assumindo a função de representação na cadeia, ao reclamar, na tribuna, da qualidade da comida na Papuda."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), para quem a Câmara criou uma jabuticaba" ao não cassar Natan Donadon: a do detento detentor de mandato.

CONTRAPONTO

Tá falando sério?
A procuradora-geral da República interina, Helenita Acioli, comemorava ontem, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a aprovação de Rodrigo Janot na CCJ do Senado para assumir o comando do Ministério Público:
--É a notícia mais importante do dia! --vibrou, sorridente, diante dos jornalistas que cobriam a sessão.
Questionada se a aprovação do colega era mais importante que a decisão da Câmara de não cassar o deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO), ela disse:
--Por quê? Tem algum deputado preso? Tem?
Os repórteres não entenderam se era ironia ou não.

As veias abertas - LUIZ CARLOS AZEDO


CORREIO BRAZILIENSE - 30/08

A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Bolívia, Evo Morales, devem se reunir hoje em Paramaribo, capital do Suriname, onde ocorre a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Ontem, Morales disse que o governo brasileiro deveria mandar de volta para a Bolívia o senador Roger Pinto Molina, para que responda às acusações de corrupção que pesam contra ele na justiça boliviana. Pôs uma saia justa na presidente Dilma Rousseff, que recebeu um ultimato. Dilma ficou irritadíssima e, ontem à noite, até cogitava cancelar a viagem.

Segundo Morales, o Brasil precisa explicar a fuga do senador Roger Pinto Molina. Ele deixou a embaixada brasileira, onde passou cerca de um ano e meio confinado numa sala sem janela, com o apoio do encarregado de negócios do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela operação. Alega perseguição política e risco de vida porque denunciou o envolvimento do governo boliviano com o narcotráfico. Evo Morales se recusou a dar o salvo-conduto a Morales e, agora, pediu à Interpol que o prenda, pois ao sair do país tornou-se um foragido da justiça boliviana. Dilma demitiu o chanceler Antônio Patriota e removeu o diplomata, mas isso não basta para a Bolívia.

A concessão do asilo a Roger Pinto seguiu a tradição diplomática do Itamaraty e latino-americana. Contraria, porém, a atual doutrina da política externa brasileira para o continente. De um lado, temos os governos de esquerda — da Argentina, do Uruguai, da Venezuela, do Equador e da Bolívia; de outro, os governos de centro direita — do Chile, do Peru e da Colômbia, que se unem ao México e formam a chamada Aliança do Pacífico, alinhados aos Estados Unidos. O Paraguai, que havia sido afastado do Mercosul, está com um pé na Aliança do Pacífico. O Brasil optou por disputar com a Venezuela a liderança do bloco à esquerda e mantém distância regulamentar dos demais países. A concessão do asilo a Roger Pinto enfraquece a posição do Brasil na sua esfera da influência.

Liberais e nacionalistas
No Itamaraty , ao contrário das Forças Armadas, houve períodos de certo consenso sobre a política externa entre uma ala americanista, de caráter liberal, e outra nacionalista, de esquerda. Elas se uniram, por exemplo, em dois momentos decisivos para o país: quando o Brasil entrou na II Guerra Mundial e no governo de Juscelino Kubitschek. A corrente mais reacionária só foi hegemônica no Estado Novo, em 1935; e logo após o golpe militar de 1964. Mesmo no regime militar, com Saraiva Guerreiro, houve certo consenso. Com a democratização do país, o comando do Itamaraty continuou sendo disputado entre liberais e nacionalistas, mas o consenso se desfez. Os primeiros mandaram durante o governo de Fernando Henrique Cardoso: os segundos, dão as cartas desde a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso Roger Pinto expõe novamente essa contradição.

Dilma e Lula
A presidente Dilma Rousseff herdou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva essa doutrina para América Latina, com a qual concorda. A diferença é que Lula visitava com muita frequência a Argentina, a Bolívia e a Venezuela, ao passo que a presidente Dilma Rousseff, por diversas razões, distanciou-se dos demais líderes de esquerda do continente, com exceção da presidente argentina Cristina Kirchner. Lula teve muita paciência com Evo Morales; Dilma, não tem nenhuma.

Apagão// Doutor em energia elétrica, o secretário da Indústria e Comércio da Bahia, James Correia, culpou a Chesf pelo apagão em nove estados do Nordeste. “É culpa da incompetência da Chesf.” Ele quer a cabeça do presidente da Chesf, João Bosco de Almeida, que é apadrinhado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Fora de jogo
O deputado federal Romário (foto), do Rio de Janeiro, passou por uma cirurgia ontem de hérnia de disco lombar no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Foram seis horas de operação, mas o craque passa bem. O parlamentar já havia se submetido a outros procedimentos cirúrgicos, considerados paliativos, para amenizar a dor. Na semana passada, começou a sentir dores fortes e contínuas, que impediam sua locomoção.

Digitais
Não votaram na sessão que deveria cassar Donadon 103 deputados

Efeito Orloff
A Câmara dos Deputados livrou de cassação o deputado federal Natan Donadon, que está condenado a 13 anos, 4 meses e 10 dias por peculato e formação de quadrilha, em votação surpreendente. Foi um recado para o Supremo Tribunal Federal dos parlamentares contrários à cassação dos quatro parlamentares condenados na Ação Penal 470. Preso no Complexo Penitenciário da Papuda, Donadon sensibilizou muitos colegas: eu sou vocês amanhã. Dos 513 deputados, somente 233 votaram por sua cassação, que exigia 257 votos a favor. Houve 131 votos contra e 41 abstenções.

Nós, quem?/ A bancada do PT na Câmara repudiou “qualquer tipo de insinuação” de que o partido teria feito um acordo no processo de votação que manteve o mandato do deputado Natan Donadon. Assinada pelo líder José Guimarães, a legenda esclarece que 78 parlamentares marcaram presença; 10 não estavam em Brasília por motivo de doença ou missão oficial; 67 votaram e 11 não o fizeram.

Perto do céu/ Cerca de 200 médicos cubanos que estão em treinamento em Brasília foram transferidos de alojamentos militares para abrigos civis, mas confortáveis. Um deles é o Mosteiro de São Bento.

Cassação/ O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), e o líder do PSDB, Carlos Sampaio (foto), anunciaram que entrarão com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular todo o processo de cassação do deputado Natan Donadon (RO) porque a Mesa Diretora da Câmara enviou-o à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em vez de declarar, de ofício, a perda de mandato.

Dia do bom PIB - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 30/08

Depois de uma maré de más notícias, hoje será dia de número bom: o do PIB do segundo trimestre. Ele deve mostrar um crescimento mais forte do que no primeiro trimestre e de maior qualidade, porque espalhado pela economia. Ontem, também saiu uma boa nova: o IGP-M despencou. Isso dá mais espaço para o impacto que os preços sofrem com a alta do câmbio.

Os bancos, consultorias e institutos estão prevendo que o número que sairá hoje do IBGE deve mostrar que o segundo trimestre foi o melhor do ano. Entre os grandes bancos, o Itaú Unibanco é um dos mais otimistas, apostando em 1,1% em relação ao primeiro trimestre e 2,9% na comparação com o mesmo período de 2012. O Bradesco calcula um dado mais perto do que mostrou o IBC-Br: 0,9%. A MB Associados também acompanha o 1,1%. A Galanto prevê 1%. A Tendência, 0,7%.

As previsões variam de 0,7% a 1,3% dependendo de vários fatores; um é a dúvida se o IBGE vai rever o número do primeiro trimestre, o que alteraria os cálculos do segundo. Seja como for, o importante não é o dado cravado, mas a convicção geral de que o segundo trimestre foi bom, superou o primeiro e o crescimento foi mais disseminado: bons números para a indústria, agricultura, consumo, investimento.

Se o PIB trimestral de 1% for anualizado dá um crescimento de 4%. O problema é que o índice não pode ser projetado para os próximos trimestres. O que houve com a economia de abril a junho não está repetindo no período de julho a setembro. Os indicadores antecedentes já divulgados mostram uma redução forte do ritmo de crescimento no terceiro trimestre. Nos últimos três meses do ano, o ritmo melhora ligeiramente. Por isso o trimestre bom não altera o fato de que 2013 será de crescimento baixo; maior do que o minicrescimento de 0,9% do ano passado, mas ainda assim, baixo.

Outra boa notícia do dia de ontem traz um certo problema para nós: os EUA deram mais um passo para o momento da retirada dos estímulos monetários à economia. O PIB do país cresceu 2,5% (taxa anual) no segundo trimestre, acima dos 2,2% esperados e do primeiro número previsto (1,7%). É mais que o dobro do ritmo visto no primeiro trimestre. Isso confirma a tendência de valorização da moeda americana: quanto mais aparecem dados provando a recuperação econômica dos EUA, mais se confirma a previsão de retirada dos estímulos e mais a moeda americana se fortalece. Com essa notícia, o dólar, depois de dois dias de queda, fechou ontem em alta de 0,94% - a maior desvalorização entre os emergentes, a R$ 2,370.

No Brasil, o ponto fraco continua sendo a área fiscal. As contas do governo central, por exemplo, tiveram em julho um superávit primário de R$ 3,72 bilhões, o menor para o mês desde 2010. Significa uma queda de 7% em relação ao mesmo mês do ano passado. E, ontem, o ministro Mantega admitiu que a taxa de superávit primário em 2014 também poderá ser menor. A meta, na verdade, será de 2,1%. E isso com eles prevendo para o ano que vem um crescimento de 4%. O mercado prevê 2,4%.

A inflação medida pelo IGP-M desacelerou. Em agosto, ficou em 0,15%. No mesmo mês do ano passado, havia sido de 1,4%. Isso fez despencar o dado em 12 meses para 3,85%. É bom que o índice esteja baixo porque a alta do dólar tende a pressionar os preços do atacado nos próximos meses. Os IGPs são formados, em parte, pelos preços do atacado. O impacto pegará o índice baixo.

Hoje, o governo vai comemorar o dado do PIB como prova de que os 4% incluídos no Orçamento de 2014 serão atingidos. Muita coisa terá que mudar na conjuntura para que esse número se realize.

Uma das apostas do governo para mudar o humor do mercado é a série de leilões de concessões que está marcada para os próximos meses. Há quem acredite que se forem bem sucedidos e atraírem investidores, os leilões dos aeroportos, rodovias e ferrovias podem mudar o clima e começar a atrair investimento. Nada disso altera o crescimento imediatamente, mas melhora o índice de confiança. O que pode impedir o sucesso dos leilões é que há muita incerteza regulatória, dúvidas sobre as regras dos leilões e rejeição ao modelo do governo de fixar a taxa de retorno. Mas é a melhor carta que o governo tem nas mãos para reverter o desânimo com a economia brasileira.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP- 30/08


GO terá complexo hoteleiro de R$ 180 milhões

O Grupo Privé, que atua nas áreas de hospedagem e entretenimento, vai construir em Caldas Novas (GO) um complexo com investimento estimado em R$ 180 milhões.

Serão erguidos quatro hotéis no município goiano cujo turismo é impulsionado pelas águas termais.

A expansão vai fazer o número de apartamentos da rede praticamente dobrar em cinco anos, das atuais 1.250 unidades para 2.450.

Hoje, são seis hotéis administrados pela companhia e mais um empreendimento no sistema de cotas imobiliárias.

Com esse perfil de fracionamento, no qual os donos dos imóveis usam os flats por períodos definidos durante o ano, outros três prédios também estão em construção.

No novo complexo que será lançado em setembro, os hotéis terão 50% dos quartos no sistema tradicional e a outra metade por cotas.

"A gente tira os projetos do chão com recursos próprios e vende [de forma compartilhada] uma parte deles", diz o presidente da empresa, Waldo Palmerston Xavier.

"Temos comercializado cada projeto em um prazo de seis meses."

"Caldas Novas deve receber três milhões de turistas neste ano. O potencial é muito grande", afirma o diretor comercial Marco Aurélio Palmerston Xavier.

Além da hotelaria, o grupo é dono de três parques que recebem cerca de 500 mil pessoas por ano. Também tem restaurantes e explora águas termais para uso próprio e venda a outros hotéis.

COM ESCALA PARA OS EUA

A panamenha Copa Airlines oferecerá, a partir de dezembro, voos do Brasil para Tampa (EUA) com escala na Cidade do Panamá.

A companhia também planeja para dezembro ampliar a frequência para Nova York, Cancún e Los Angeles.

A crise pela qual passa o setor aéreo brasileiro não afetará a expansão do número de voos da empresa, pois apenas as saídas do Panamá em direção aos Estados Unidos serão alteradas.

"Vemos o que está ocorrendo com o real, mas não teremos alta de custos por causa da moeda, já que o volume de voos entre Brasil e Panamá não será modificado", afirma o presidente da empresa, Pedro Heilbron.

A intenção da companhia é elevar a frequência no país no próximo ano --assim como fez em 2012--, além de oferecer voos extras durante a Copa do Mundo.

Faturamento de restaurantes cai no primeiro semestre do ano

Sete em cada dez restaurantes associados a ANR (entidade nacional que representa o setor) registraram queda em seu faturamento no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2012.

Desses, pouco mais da metade afirmou que o decréscimo superou os 10%.

"A retração se deu em grande parte por causa do aumento dos custos. A inflação de alimentos e bebidas, que está bem mais alta que o IPCA, pesou", afirma o presidente da associação, Cristiano Melles.

Os arrastões e a lei seca também influenciaram o resultado fraco, segundo os entrevistados pela ANR.

"A expectativa é ter um segundo semestre melhor. Mas vamos pleitear um ICMS de 2% para compensar a inflação. Hoje, pagamos 3,2%", acrescenta Melles.

A Associação Nacional de Restaurantes reúne 310 empresas, como D.O.M., Ráscal e Outback, que representam 4.800 pontos comerciais.

Chá... O Inep, responsável pelo Enem ""exame que já deu muita dor de cabeça para o governo federal"" está comprando 6.000 caixas de chá para a diretoria do órgão, ligado ao Ministério da Educação.

Maiô... A Hope abrirá cinco lojas no Rio até o fim do próximo ano.

...calmante Segundo o edital de licitação, que prevê ao menos dez unidades em cada caixa, os servidores terão à disposição 60 mil sachês de chá de camomila, hortelã, erva doce e capim cidreira.

...carioca A empresa de lingerie acaba de abrir a sétima unidade na cidade.

BRASILEIROS NO TOPO

Entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil foi o país que teve o maior volume de investimentos estrangeiros em negócios de fusão e aquisição de empresas entre 1990 e 2012, segundo o BCG (Boston Consulting Group).

Grupos internacionais injetaram US$ 231 bilhões (cerca de R$ 544 bilhões) no mercado para comprar ou se unir a empresas brasileiras.

A China ficou em segundo lugar, com US$ 203 bilhões. Em seguida estão a Rússia (US$ 116 bilhões) e a Índia (US$ 115 bilhões).

No período, o país que mais fez transações no Brasil foi a Espanha, responsável por 18% dos negócios.

Os Estados Unidos ficaram com um índice de 17%, e a China, com 8%.

Apesar dos altos valores, os acordos feitos apenas entre empresas brasileiras predominaram nos últimos anos.

Entre 2010 e 2012, 61% das fusões e aquisições foram internas e 32% foram conduzidas por grupos estrangeiros.

Entre os mercados emergente, os Brics foram responsáveis por 60% dos negócios entre 2010 e 2012.

HOSPEDAGEM NA ROÇA

O Grupo Mazzaropi vai investir R$ 16 milhões na construção de um hotel voltado para clientes corporativos em Taubaté, cidade que fica a cerca de 130 km de São Paulo.

Essa será a primeira vez que a empresa vai focar no turismo de negócios.

"Percebemos que há uma carência de estabelecimentos com esse perfil em Taubaté, que é uma cidade muito comercial", diz Jorge Arthur Girelle Ribeiro, diretor e administrador do grupo.

A companhia é dona dos hotéis Vila Inglesa, em Campos do Jordão (SP), e Fazenda Mazzaropi, também em Taubaté, que foi inicialmente erguido pelo ator e produtor de cinema Amancio Mazzaropi na década de 70.

A nova unidade, que ficará afastada do centro da cidade, terá 6.000 metros quadrados e 168 apartamentos.

Hoje, a empresa tem 160 funcionários, mas o futuro empreendimento deve gerar outras 70 vagas.

A abertura será em 2014.

"No total, o terreno tem 40 mil metros quadrados, pois temos um projeto de construir um centro de convenções para até 2.000 pessoas, integrado ao hotel", diz Ribeiro.

Recarga... O Banco Daycoval acaba de lançar uma plataforma on-line destinada a cartões pré-pagos para viagens internacionais.

...turística Com o e-commerce, é possível recarregar os cartões em moeda estrangeira de qualquer cidade do mundo. O valor mínimo é de US$ 100.