sexta-feira, junho 14, 2013

Operação eleitoral - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 14/06

Os governadores dos estados produtores de petróleo estão batendo às portas dos bancos oficiais (BB e CEF) buscando antecipar as receitas de royalties. Eles querem recursos para investir na reta final de suas gestões. As eleições serão no ano que vem. Esse tipo de operação já ocorreu no passado. Em 1999, o então governador Anthony Garotinho (RJ) refinanciou R$ 21 bilhões da dívida estadual. 

Um palanque para Dilma
A direção nacional do PT ainda não sabe se o governador Eduardo Campos (PSB) será mesmo candidato a presidente, mas está se desdobrando para construir um palanque para a presidente Dilma em Pernambuco. O secretário-geral do partido, deputado Paulo Teixeira (SP), recebeu a tarefa e está conversando com as várias correntes do PT local com o objetivo de reunificá-lo. O partido está rachado desde as eleições em Recife, quando impediu o prefeito João da Costa de tentar a reeleição. Com esse objetivo, o presidente petista, Rui Falcão, teve uma demorada conversa, esta semana, com o senador Armando Monteiro (PTB), que é candidatíssimo a governador.




"A coisa virou uma guerra. Entre o Sul-Sudeste e o Nordeste. E ninguém tinha exército (257 votos) para ganhar"
Henrique Eduardo Alves Presidente da Câmara (PMDB-RN), sobre o projeto que redistribui o Fundo de Participação dos Estados

Na retaguarda
O ex-presidente Lula defendeu, em Porto Alegre, o número de ministérios existentes nos governos Lula e Dilma. Sobre a pasta das Cidades disse que, antes dela, os prefeitos eram recebidos "por cães pastores que mordiam suas bundas".

A política não socorre quem dorme
O Planalto pediu atenção redobrada aos deputados e senadores da base quanto à convocação de ministros pelas comissões do Congresso. Acha que os aliados cochilaram na convocação do ministro Gilberto Carvalho.

Fotografia do momento na Bahia
O vice-presidente da CEF, Geddel Vieira Lima (PMDB), lidera a corrida para o governo da Bahia. Pesquisa do Instituto P&A mostra Geddel com 23,2% e a senadora Lídice da Mata (PSB) com 13,1%. O petista melhor colocado, o senador Walter Pinheiro, tem 9,5%. No pleito presidencial, Dilma tem 54,4%; Marina Silva, 17,2%; Aécio Neves, 7,7%; e Eduardo Campos, 2,1%.

Na alça de mira
O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, está para cair. A estatal deve investir este ano R$ 1,5 bi. No Planalto, as informações são que ele anda em rota de colisão com o ministro Moreira Franco (Aviação Civil), que não fala do assunto.

Prestação de contas
A Telebras esclarece que concluiu no prazo, 15 de maio, a construção da rede de infraestrutura nos estádios com jogos da Copa das Confederações. E que, no dia 30, realizou, com sucesso, teste de transmissão de vídeo de alta definição (HDTV).

O eleitor de luxo
Ele não será candidato no ano que vem, mas o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), lidera todas as pesquisas para o governo da Bahia. Ele tem cerca de 37% das intenções de voto (P&A). Nos cenários sem sem seu nome, os indefinidos pulam para 34%, e a candidatura de Geddel Vieira Lima (PMDB) é turbinada em dez pontos percentuais.

O projeto de reforma política do PT já tem o apoio de 200 mil eleitores. O partido vai apresentá-lo ao Congresso como um projeto de iniciativa popular.

Vai rolar a festa - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 14/06

Órgãos públicos gastaram ao menos R$ 4 milhões na compra de ingressos da Copa das Confederações, que começa amanhã. A Terracap, estatal do Distrito Federal, gastou R$ 2,8 milhões em 1.000 ingressos e um camarote com 18 lugares para receber, segundo o governo do DF, "personalidades da cidade e potenciais investidores''. O Banco do Brasil gastou R$ 1,3 milhão para convidar clientes de alta renda. A Caixa Econômica Federal adquiriu 146 ingressos por R$ 265 mil.

Só VIPs O Banco do Brasil diz que a prática é comum no mercado bancário e não informa a quantidade de camarotes ou ingressos, alegando estratégia comercial.

Loteria A CEF diz que adquiriu os ingressos para promover campanha interna de vendas junto à rede lotérica do banco'', e não forneceu mais esclarecimentos.

Exportação A Apex, agência federal de exportações, gastou R$ 445.780 com a compra de 1.987 ingressos para compradores estrangeiros, investidores e empresas.

Local 1 A Prefeitura do Recife gastou R$ 250 mil por um camarote e 459 entradas. A assessoria não informou quem irá ao camarote e disse que os ingressos serão dados a estudantes municipais.

Mimos A maioria dos ingressos vendidos para esses órgãos faz parte de um pacote chamado "hospitality". Ele inclui serviços de bufê, aperitivos e bebidas antes e depois dos jogos, além de brindes.

Mimos 2 A Caixa adquiriu ingressos na categoria "Match Lounge", com mesas e balcão com aperitivos, bebidas e área de boas vindas com atendentes multilíngues.

Check-in A Infraero escalou diretores para darem plantão nos aeroportos de 5 das 6 sedes da Copa das Confederações (o de Brasília é privatizado) nas datas de jogos e dias subsequentes, para avaliar e resolver problemas.

Alarme Diante do aumento da repressão aos protestos de ontem contra o aumento nas tarifas de transporte público, aliados de Geraldo Alckmin se preocupavam com a demora do governador em condenar energicamente a violência policial.

Monitoramento A Presidência tem recebido relatórios da Prefeitura de São Paulo sobre os protestos. Os informes dizem que movimentos como o Passe Livre não têm controle sobre a situação ou sobre os manifestantes.

É a inflação O PSDB nacional deve usar os protestos em capitais para bater na tecla de que Dilma Rousseff começa a ser alvo de insatisfação da população por conta do aumento do custo de vida, e não apenas das passagens.

Impasse Às 19h, os manifestantes disseram a representantes da prefeitura que encerrariam a caminhada caso fossem recebidos por Fernando Haddad. Ele disse que não negociaria enquanto mantivessem o protesto.

Mudou? Historicamente críticos à repressão de protestos, vereadores do PT diziam ontem antes do auge do confronto que a polícia agiu corretamente ao deter militantes com pedras. "Foi uma ação preventiva para evitar depredação", disse Alfredinho.

Mãozinha Aécio Neves elogiará o Programa Recomeço, do governo Geraldo Alckmin, que financia o atendimento de dependentes de crack, na propaganda do PSDB de São Paulo, a ser exibirá na TV a partir do dia 21.

Visita à Folha Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Rui Dantas, assessor de imprensa.

com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

tiroteio
"Ao voltar de Paris, Alckmin e Haddad agem com violência e mostram que seus governos têm medo do descontentamento popular."
DO DEPUTADO FEDERAL IVAN VALENTE (PSOL-SP), sobre a ação do governo e da prefeitura diante de protestos contra a alta das tarifas de ônibus e metrô.

contraponto


Curto-circuito
Em reunião com dirigentes da Força Sindical, em abril, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), confessou que previa dificuldades caso decidisse levar adiante sua candidatura à Presidência, em 2014. Campos disse ao deputado Paulinho da Força (PDT) que o governo federal tentava sufocar sua movimentação.

--O governo tenta me deixar sozinho no escuro.

Segundos depois, um fotógrafo do governo pernambucano esbarrou em um interruptor e apagou as luzes da sala. Campos disparou, bem-humorado:

--Ah! Já identifiquei um governista no Estado!

Almoço oficial - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 14/06 

Todo os servidores públicos têm direito a um salário, que seja satisfatório em relação ao trabalho que realizam, assim como como capaz de mantê-los, e às suas famílias, em pelo menos condições de sobrevivência e algum conforto. Obviamente, quanto mais importante para o País e a sociedade, maior a grana. Prosseguindo no óbvio, cabe ao Estado determinar os níveis de remuneração de cada funcionário. Evidentemente, raros acham que recebem o bastante. É compreensível. E às vezes, por razões que não são difíceis de entender, o cidadão comum acha que a turma lá de cima anda mamando em tetas gordas demais.

Um exemplo disso é o que se acaba de descobrir em relação aos ministros de quatro tribunais superiores: eles receberam, do nosso bolso, um total de R$ 3,64 milhões, correspondentes a nove anos de refeições. O nome técnico dessa bolada é "auxílio-alimentação retroativo".

O dinheiro foi fornecido por quatro tribunais superiores : o Militar, o de Justiça e o do Trabalho revelaram as quantias: o Tribunal de Contas da União relutou, mas acabou prometendo submeter a questão à Lei de Acesso à Informação. Seria mesmo muito estranho que os juízes que fiscalizam o uso dos recursos públicos mantivessem em segredo o seu próprio uso desse dinheiro.

A única desculpa do TCU é o fato de que, antes, eles liberaram pagamentos retroativos a quase cinco mil juízes federais e do Trabalho, pouco depois de fazerem o mesmo em relação aos tribunais superiores.

Pode-se admitir que essa farra do almoço judiciário seja legal. Mas o caso vem sendo questionado no Conselho Nacional de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Se esse auxílio-alimentação retroativo (nome oficial da benesse) for aprovado, talvez seja difícil impedir que se espalhe pelo primeiro time do governo federal.

Será uma farra e tanto - que você vai pagar.

Na crise, ministro - CRISTOVAM BUARQUE

O GLOBO - 14/06

O ministro Guido Mantega saiu de reunião com a presidente Dilma Rousseff perguntando: “Que crise?” A resposta é simples: Na pergunta, ministro!

É crítica a situação de uma economia em que, diante de indicações óbvias de crise, seu ministro da Fazenda pergunta: “Que crise?” Porque, além da própria realidade, a crise se agrava por não ser vista por quem dela deve cuidar.

A crise está em uma economia cujo crescimento não reage a medidas fiscais pontuais que já custam R$ 50 bilhões anuais de sacrifício fiscal sob a forma de isenções; em uma inflação que supera a meta de 4,5% e atinge 6,5%, que é o patamar máximo de tolerância. A crise é visível nos preços em supermercados, nas lojas e nas fábricas, especialmente na indústria de transformação. É preciso reconhecer que, graças a medidas do ministro, a crise ainda não chega a desempregar. Mas a economia não deve ser vista apenas por pontos específicos e do presente. Deve ser vista como um organismo vivo e de longa vida, que não pode ser tratado por problemas individuais e somente no imediato. A continuar, a crise certamente chegará ao nível de emprego.

A crise é visível no saldo comercial, que caiu de US$ 20 bilhões para US$ 7,7 bilhões no ano; na baixa taxa de poupança de 14,1% do PIB; na queda da produção industrial que chegou a -1,1% no ano que terminou em abril de 2013. Também é visível no endividamento bruto do país, que subiu de 53,3% do PIB, em 2010, para 59,2%, em abril de 2013; como também no endividamento das famílias, que atingiu, segundo o Banco Central, 44% da renda em março deste ano. Está no déficit em conta-corrente, que atingiu 3% do PIB, bem como no superávit primário, estimado para cair em 2013, para próximo de 1% do PIB, o que eleva a dívida pública e derruba a confiança. A crise está na queda do Real em relação ao dólar, resistindo às intervenções do Banco Central financiadas por aumentos da dívida ou por redução das reservas.

As causas da crise estão no descontrole dos gastos públicos, no uso pouco responsável de incentivos ao consumo por exonerações fiscais, sacrificando as contas públicas e desincentivando a poupança; em uma política industrial antiga que visa à competitividade como questão de redução de custos e não como resultado da inovação; na forma errática como os “pacotes” geram incertezas ao substituir a política estrutural; no aparente uso do Banco Central e de estatais como Petrobras, Eletrobras e BNDES como parte do processo político, inclusive eleitoral. E ainda no uso de contabilidade apresentando resultados que não inspiram confiança.

Está na perda de credibilidade dos responsáveis pela economia, que evitam ver a crise, criam uma euforia e ampliam a crise ao negar que ela existe. Isto se agravará nos próximos meses se ocorrerem, como tudo indica, melhoras conjunturais que esconderão a dramaticidade do longo prazo.

A crise é de falta de estratégia para enfrentar os problemas estruturais, em todo o sistema, e de falta de percepção das tendências de longo prazo da economia.

O mago está de volta - JOÃO MELLÃO NETO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/06

Quando, no início do governo Dilma, delineou-se o "modelo eco­nômico" que ela pretendia seguir, confesso que fiquei perplexo. A ideia mestra era tão simplesmente pisar no acelerador que tudo, a partir daí, se arranjaria como que por milagre. Não haveria inflação, pois se cuidaria para que as taxas de juros permanecessem bai­xas. Nada de temer desempre­go, porque a demanda por mer­cadorias faria com que a mão de obra fosse um fator de produção sempre escasso e, portanto, em crescente valorização. Nada de pensar em recessão, porque o Tesouro Nacional, sempre que houvesse necessidade, poderia ser socorrido pelos abundantes recursos do BNDES, que nunca se esgotam porque se abaste­cem das contas compulsórias que todos nós recolhemos a título de Fundo de Garantia do Tem­po de Serviço (FGTS). Basta acrescentar mais alguns reto­ques e pronto! O Brasil desco­briu a fonte dos recursos exter­nos. Os empresários não ousam aumentar os seus preços por te­merem a concorrência dos pro­dutos importados. E estes estão baratos justamente porque o dó­lar, para nós, está barato. Foi com essa fórmula mágica que o Brasil sobreviveu à crise de 2008. E é graças a ela que vamos vivendo até agora, 2013.

Eu tenho profundas descon­fianças com relação a fórmulas mágicas. Em se tratando de eco­nomia, então, o meu ceticismo redobra. Ainda me recordo de um professor da faculdade que não se cansava de nos alertar: "Se uma corda tem uma ponta, pode procurar porque tem ou­tra". Ou, numa linguagem mais regional: "Cobras e economis­tas nunca andam sozinhos: acautele-se!". Pois bem, desde que o atual governo demons­trou ao povo quais eram as suas diretrizes, ao menos na área econômica, eu comecei a sentir verdadeiros calafrios. Essafór- mula não fecha! Comentava com os meus botões: "É a mes­ma coisa que tentar sair do chão puxando os cadarços de nossos próprios sapatos".

Mas vai dizer tais coisas às pes­soas. Você, no mínimo, será ta­chado de derrotista, ou, pior, de agente do neoliberalismo. E is­so, aos olhos dos petistas, equi­vale a um crime de lesa-Pátria.

Temos de reconhecer: esse plano, apesar de inconsistente, é extremamente engenhoso. Co­mo o nosso atual ministro da Fa­zenda, apesar de competente, não é particularmente brilhan­te, qual seria a fonte de inspira­ção das ideias que defende? Sa­be-se pela imprensa que seus mais próximos amigos são o quase eterno Delfim Netto e o jovem e ambicioso banqueiro André Esteves.

Esteves, ao que se sabe, ado­ra ganhar dinheiro, é um reco­nhecido estrategista, mas pare­ce que mover os tentáculos da economia não é lá a sua praia. A não ser que isso lhe seja útil pa­ra ganhar cada vez mais dinhei­ro, algo que ele tem demonstra­do saber fazer como ninguém. Resta-nos, então, o maquiavéli­co Delfim Netto, cujo perfil se adequa perfeitamente ao papel de eminência parda.

Para quem sabe pouco sobre ele, basta lembrar que durante os governos militares ele dirigiu, com plenos poderes, a econo­mia do País em três mandatos presidenciais. Ele foi o czar das finanças durante os governos de Costa e Silva, Médici e Figueire­do. Dono de um senso de humor desconcertante, ele sempre se valeu desse dom para demolir seus eventuais adversários. Neste aspecto, apesar de seus mais de 80 anos, ele permanece invic­to. Certo ou errado, ele sempre vence as discussões em que se envolve. Foi assim quando ele era apenas um professor da USP, continua assim agora, quando ele tem um longo currí­culo a apresentar. Não são pou­cos os que atribuem o sucesso de suas gestões a sua habilidade em montar equipes e mantê-las fiéis a ele. Durante o período mi­litar, para o bem ou para o mal, todos os governantes tinham consciência de que contratar Delfim implicava levar com ele a sua "butique de talentos". Ele ti­nha sempre o homem certo para o cargo certo.

Quando os governos milita­res se extinguiram, ele cuidou de se manter em cena elegendo-se numerosas" vezes para o Parla­mento. Mas o Congresso não era a sua vocação natural e há quem diga que nas eleições de 1994 ele perdeu o seu mandato por pura inapetência. Agora, ao que parece, está de volta, revigo­rado. Tratou de aproximar-se de Lula, quando este era presiden­te, e com isso concentra mais po­deres do que nunca.

Indica as pessoas que quer; de­senha a economia como deseja; não precisa prestar contas a ninguém; não depende da opinião pública para nada. E, o que tal­vez seja o mais importante, con­ta com a presteza de um minis­tro da Fazenda que, no seu ínti­mo, tem consciência de que, sem o aconselhamento de seu mestre, muito provavelmente não teria ascendido na carreira como ascendeu.

Agora, se tudo isso vai dar cer­to, são outros 500. Deu certo até aqui, o que não serve de garantia quanto ao daqui para a frente.

A política de juros baixos po­de ter servido ao consumo das pessoas, porém não há indica­ção de que possa ser mantida no futuro. Se os juros ou o câmbio dispararem, teremos a volta da famigerada inflação. O que, aliás, já vem acontecendo. A pergunta que não se cala todos repe­tem de cor: Bastariam os dons de prestidigitador de Delfim pa­ra afastar as ameaças que se asso­mam no nosso horizonte? Oute- remos em breve um choque de realidade que haverá de nos ferir a todos?

Eu bem me recordo do que ocorreu em 1981, quando era ele que comandava a economia. A correção monetária foi congela­da em 50%, enquanto a inflação já superava os 100%. Como o rendimento da poupança, em ra­zão dessa medida, mal alcança­va metade da taxa de inflação, todo mundo tratou de investir os seus recursos em algum ativo que preservasse o seu poder aquisitivo.

De nada adiantou. A taxa de inflação se manteve no patamar de 100% e as pessoas, com isso, perderam a metade do que pos­suíam. O desastrado Plano Collor foi fichinha perto disso. Este último, ao menos, teve o escrú­pulo de, após 18 meses, liberar o dinheiro retido.

A queda de Dilma e um ciclo que se esgota no Brasil - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONOMICO - 14/06

Ao contrário do que os áulicos do governo petista vinham apregoando, a reeleição da presidente Dilma Rousseff não está assegurada por antecipação.


Os números divulgados pela mais recente pesquisa do Datafolha mostram uma queda vertiginosa na avaliação positiva da administração federal e grande preocupação dos brasileiros com a escalada da inflação e a crise econômica. Dilma perdeu oito pontos percentuais na avaliação boa ou ótima de seu governo, despencando de 65% para 57% em relação à pesquisa anterior, de março.

A queda no apoio à presidente é ampla e consistente, registrada entre homens e mulheres e em todas as regiões do país, faixas de renda, idade e escolaridade.

Para 51% dos entrevistados, a inflação vai subir (eram 45% em março), enquanto apenas 12% creem que cairá (ante 18% do último levantamento). Nada menos que 80% dos brasileiros dizem que sentiram a elevação nos preços dos alimentos nos últimos 30 dias, ao passo que somente 3% afirmam ter notado uma redução.

São 36% os que projetam um aumento do desemprego (eram 31% em março), ante 27% que preveem uma queda na taxa de desocupação (14 pontos a menos que os 41% da última pesquisa). Até mesmo o programa mais incensado pela propaganda oficial, o Bolsa Família, que repagina práticas coronelistas tão criticadas pelo próprio PT no passado, teve sua credibilidade comprometida por escândalos recentes.

O esgotamento do ciclo petista resulta de uma crise gerada pela irresponsabilidade do governo Lula, que em 2010 patrocinou um verdadeiro descalabro nas contas públicas com o único intuito de eleger a sucessora.

Além da pesada herança do antecessor, as trapalhadas de Dilma e sua equipe econômica legaram ao país um crescimento pífio de 0,6% do PIB no primeiro trimestre deste ano em relação aos três últimos meses de 2012. O desempenho da economia é tão medíocre que analistas do mercado financeiro têm reduzido sistematicamente suas projeções para o PIB em 2013.

Na sucessão de más notícias que começam a corroer a popularidade da presidente, também figura o maior déficit da história da balança comercial brasileira, de US$ 5,4 bilhões de janeiro a maio, além de recordes no endividamento das famílias, desindustrialização, infraestrutura precária, entre outros gargalos de um país que não cresce e, ao mesmo tempo, vê diminuir o poder de compra de sua população.

A percepção generalizada de que o governo Dilma não tem capacidade para resolver esses problemas também levou a uma queda de sete pontos percentuais nas intenções de voto na presidente em uma simulação do Datafolha para a disputa pelo Planalto em 2014. Assim como era um equívoco do governismo projetar que a reeleição de Dilma estava sacramentada, seria precipitado descartá-la como candidata competitiva a 16 meses do pleito.

O que os números indicam, entretanto, é que o embate eleitoral certamente será muito mais acirrado do que o PT imaginava. Neste contexto, a unidade da oposição, embora não restrita a uma única candidatura, é uma excelente notícia para a democracia.

O modelo petista está saturado, e quem diz isso não são as oposições ou os institutos de pesquisa. É a população, que vive diariamente uma realidade econômica cada vez mais difícil.

Está tudo ótimo - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 14/06

O texto abaixo é o resumo de uma crônica da americana Dorothy Parker publicada em coletânea organizada e traduzida por Ruy Castro no livro Big Loira e Outras Histórias de Nova York, de 1987. Chama-se Você Estava Ótimo.

O rapaz de tez pálida acomodou-se lenta e cuidadosamente no sofá e reclinou a cabeça em direção a uma almofada fresca que lhe confortasse a face e a têmpora.

– Aiii – gemeu. – Ai, ai, ai. Aiii.

A jovem de olhos claros, sentada firme e ereta na poltrona, lançou-lhe um sorriso malicioso.

– Não está se sentindo bem hoje?

– Oh, estou ótimo, borbulhante, eu diria. Sabe a que horas eu me levantei? Às quatro da tarde, em ponto. Tentei me levantar antes, mas toda vez que punha a cabeça para fora do travesseiro ela rolava para debaixo da cama.

– Quer um drinque para se sentir melhor?

– Para afogar a ressaca em mais bebida? Não, obrigado, parei de beber, de vez, nem mais uma gota. Diga uma coisa: eu me comportei mal ontem à noite?

– Ontem? Ora, que nada. Todo mundo estava meio alto. Você estava ótimo.

– Alguém reclamou de mim?

– Deus do céu, claro que não. Todo mundo achou você terrivelmente engraçado. Claro, Jim Pierson ficou um pouco brabo com você durante o jantar. Mas conseguiram segurá-lo na cadeira e ele se acalmou.

– Jim queria me bater? O que foi que eu fiz?

– Ora, você não fez nada. Você estava ótimo. Mas sabe como Jim fica quando pensa que alguém está dando em cima de Elinor.

– Eu estava cantando Elinor? – disse ele.

– Claro que não – ela disse – Você estava só brincando. Ela o achou tremendamente divertido. Só parou de rir um pouco quando você despejou as lulas “en su tinta” pelo decote dela.

– E agora, o que vou fazer?

– Ora, ela vai ficar boa. Mande-lhe flores no hospital. Não se preocupe, não foi nada.

– Cometi mais alguma façanha fascinante no jantar?

– Você estava ótimo. Não seja tolo. Todo mundo estava louco por você. O maître ficou um pouco aborrecido porque você não conseguia parar de cantar, mas, no fundo, não se importou. Só disse que a polícia talvez fechasse de novo o restaurante por causa do barulho.

– Quer dizer que eu cantei. Deve ter sido formidável.

– Não se lembra? Uma música atrás da outra. Todo mundo ficou ouvindo. E adorou. Foi só quando você insistiu em cantar qualquer coisa sobre fuzileiros, que as pessoas começaram a fazer psiu, psiu e você insistia em cantá-la de novo. Foi uma maravilha. Tentamos fazer com que parasse e comesse um pouco, mas você nem queria saber.

– Por quê? Eu não estava comendo?

– Toda vez que o garçom vinha servi-lo você lhe devolvia o prato dizendo que ele era seu irmão postiço, trocado no berço da maternidade por uma quadrilha de ciganos e tudo o que você tinha pertencia a ele. O garçom ficou uma onça com você.

– Bem, o que aconteceu depois desse estrondoso sucesso com o garçom?

– Ah, pouca coisa. Você aparentemente discordou do estampado da gravata de um senhor de cabelos brancos, sentado do outro lado da sala, e foi lá lhe pedir satisfações. Mas conseguimos sair com você do restaurante antes que ele ficasse furioso.

– Ah, fomos embora, saí andando?

– Andando! Claro que sim! Você estava perfeitamente bem. Tanto que, quando você tropeçou no meio-fio e caiu sentado, ninguém se importou. Poderia ter acontecido com qualquer um.

A graça da crônica de Parker é a discrepância entre a versão e os fatos. Lembra a narrativa da presidente Dilma Rousseff sobre a situação da economia, que de resto não tem a menor graça.

Escola. 
Muito melhor a referência de Dilma aos Lusíadas que as metáforas futebolísticas de Lula. Ao menos se aprende algo.

Visões camonianas - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 14/06
Ao se referir ao Velho do Restelo no discurso que fez na quarta-feira no Palácio do Planalto, para criticar os pessimistas, a presidente Dilma Rousseff estava assumindo uma visão apologética da obra de Camões "Os Lusíadas", que identifica o personagem do Canto IV com uma visão do passado, um conservador que não entendia o seu tempo.

Na despedida dos marinheiros na Praia do Restelo, um velho "de aspecto venerando"criticava a aventura de buscar o caminho marítimo para as Índias, chamando atenção para os perigos que rondavam as empreitadas. "O Velho do Restelo não pode, não deve, e eu asseguro, não terá a última palavra no Brasil", disse a presidente Dilma.

Mais modernamente, outras visões sobre o Velho do Restelo têm predominado, ligando sua visão crítica ao entendimento de que as novas conquistas na verdade eram movidas mais pela cobiça, e trariam mais prejuízos a Portugal e seu povo do que glórias e benefícios. "Ó glória de mandar/Ó vã cobiça/ A que novos desastres determinas/De levar este reino e estas gentes?".

O historiador e escritor Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, lembra a visão crítica de Antonio Sérgio, considerado o maior intelectual português do século XX, que via o Velho do Restelo não como uma representação do passado, mas do futuro.

Outra acadêmica, Cleonice Berardinelli, considerada a maior especialista em literatura portuguesa, diz que por "caminhos junguianos" chegou à conclusão de que o inconsciente coletivo da época, que refletia "os medos, as mulheres que ficavam sozinhas, as famílias abandonadas, as lavouras abandonadas porque os homens iam em busca daquele caminho marítimo para as Índias", está retratado muito bem em "Os Lusíadas".

Para ela, o Velho do Restelo "é uma figura extraordinária, moderna dentro da criação da epopeia". Camões, na sua avaliação, "tem uma virtude que o faz ficar nas alturas da criação da épica", ao conceber uma personagem como o Velho do Restelo, "um homem apaixonado pela pátria que quer celebrar, até que se dá conta de que ela está metida no gosto da cobiça e na rudeza de uma austera, apagada e vil tristeza".

Cleonice Berardinelli cita "um grande da literatura portuguesa e um grande pensador de nosso tempo", o professor e filósofo Eduardo Lourenço, que avalia que Camões, em "Os Lusíadas", "começa com uma épica e termina com um réquiem". Cleonice diz que "era isso que o Velho do Restelo estava lá para lembrar, era uma espécie de consciência coletiva".

Já o embaixador Alberto da Costa e Silva recorre ao pensador português já falecido Antonio Sérgio, que ressalta que "Camões canta o valor dos portugueses, sobretudo na grande empresa dos descobrimentos e conquistas. Mas por outro lado, dos trechos camonianos mais sentidos é a parte dos "Lusíadas" em que o Velho do Restelo, com tanta eloquência, se ergue a condenar o próprio feito que sua epopeia celebrava".

O intelectual português lembra que a simpatia de Camões pelo Velho do Restelo "é evidente", pois colocou "a crítica da empresa na boca do mais avisado, do mais filosófico, do mais venerável dos seus heróis".

Alberto da Costa e Silva lembra que o Velho do Restelo vai dizendo várias coisas que realmente sucederam em Portugal: o esvaziamento demográfico do país devido à ida das pessoas para o Oriente em busca da riqueza fácil; o sacrifício de gerações que acabaram por enriquecer os holandeses e os ingleses; a decadência da agricultura e da manufatura portuguesas.

Como se vê, a oposição pode bem representar uma visão crítica do modelo instalado pelo governo Dilma no país, sem ser pessimista e muito menos antipatriótica, como tanto Dilma quanto Lula gostam de dizer, confundindo críticas ao governo com críticas ao país.

Armistício - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 14/06

BRASÍLIA - Nunca antes na história de 25 anos do PSDB, o partido esteve tão unido quanto agora, em torno da candidatura de Aécio Neves à Presidência da República.

Em São Paulo, Franco Montoro estava acima de Mário Covas, que tinha ciúme (mútuo) de Fernando Henrique, que tem convivência quase protocolar com Geraldo Alckmin, que mal digere José Serra, que... criava e cria confusão com os demais.

Sem nenhum paulista candidatando-se à Presidência, o clima se desanuvia e fica mais fácil todos cerrarem fileiras com um candidato além-fronteiras, caindo de paraquedas dos céus de Minas Gerais. A disputa, a inveja e o ciúme mútuos se diluem e ficam restritos às composições locais.

Se há um resquício de dúvida sobre o destino de Serra --que tem respeito das elites e "recall" nas pesquisas, e não apoio no partido--, ninguém cogita hoje uma candidatura de Alckmin ao Planalto. Ele trabalha abertamente pela reeleição ao Bandeirantes e até convidou pessoalmente Aécio para dividir os holofotes do programa partidário em São Paulo.

No resto do país, velhos líderes tucanos, como Tasso Jereissati (CE), governadores, como Beto Richa (PR), e jovens prefeitos, como Rui Palmeira (Maceió), parecem felizes da vida com essa novidade: o partido tem, enfim, um único nome, inquestionável. Isso reflete no ânimo das bancadas de senadores e deputados.

A prioridade de Aécio é fortalecer candidaturas próprias que tenham reais chance de vitória nas disputas estaduais, mas reservando as cabeças de chapa no resto --onde o PSDB não tenha opções fortes-- para partidos e aliados regionais que possam vir a engrossar sua campanha nacionalmente mais à frente.

Ele passa a impressão de não brincar em serviço, recrutando quadros técnicos e forjando uma imagem que alie o seu lado JK, jovial, simpático, com uma capacidade estratégica que poucos conhecem, ou reconhecem.

Tem consciência, porém, que o futuro à deusa economia pertence.

A primeira batalha de 2014 - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 14/06
O projeto de lei das regras eleitorais em debate na Câmara foi objeto de uma dura discussão ontem entre o relator, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Uma das propostas do relator era trazer de volta a verticalização, dispositivo que proíbe a aliança entre partidos com diferentes candidatos a presidente da República. Além disso, estava no ar outro dispositivo para fazer valer para os partidos os votos de candidatos impugnados em função da Lei da Ficha Limpa. Não prestou. Delgado chegou chutando o balde e Vaccarezza encarou.

"Eu é que pedi que o grupo aqui tivesse representantes de todos os partidos. Se fosse proporcional, o PSB talvez nem tivesse representante. Além do mais, se eu quisesse, não precisa ter votação, mando o projeto direto ao plenário", disse Vaccarezza. "Então, tira meu nome", reagiu Delgado. Por incrível que pareça, quem segurou as pontas foi o deputado Chico Alencar, do Psol, um carioca equilibrado, que chamou o paulista e o mineiro para uma posição menos radical e todo mundo cedeu um pouco, segundo relato de deputados presentes à reunião.

A cena acima serve para ilustrar como é preciso tomar cuidado, não só com esse projeto, como também com o clima entre os partidos. Vamos primeiro falar do projeto. A verticalização foi estabelecida em 2002, justamente com o intuito de manter os aliados do então candidato do PSDB, José Serra, na campanha tucana nos estados. Afinal, a vice, Rita Camata, era do PMDB, um partido que, à época, tinha um pé na canoa de Lula e hoje tem a vice de Dilma contra o PSDB de Aécio Neves.

O PMDB terá candidatos a governador em pelo menos 19 estados (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Tocantins, Amazonas, Roraima, Rondônia e Pará). A perspectiva de esse grupo se aliar aos adversários de Dilma é grande, embora a maioria dos pré-candidatos diga que, no plano nacional, apoiará a chapa Dilma-Temer. O mesmo ocorreu em 2002, quando PSDB e PMDB tomaram caminhos diversos em vários estados, e Serra, no calor da campanha, terminou perdendo apoio de peemedebistas em vários estados, com verticalização e tudo. O DEM, em desgaste com os tucanos na época, preferiu ficar de fora da coligação serrista e, assim, ter liberdade de movimentos nos estados.

Enquanto isso, no PT.
À época, o mais prejudicado foi o PSB de Anthony Garotinho. Candidato a presidente da República, o atual líder do PR na Câmara viu os palanques escorrerem como água pelos dedos. Ficou isolado porque os potenciais aliados preferiram ficar sozinhos no plano nacional para não perderem a chance de fazer o que bem entendessem nos estados. O mesmo, se houver a verticalização, pode ocorrer agora com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, daí a raiva de Delgado na reunião. Também poderia prejudicar o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais, estado de Júlio Delgado.

Tão grave quanto a tentativa de ressuscitar a vertizalização, era a possibilidade de computar para o partido os votos de deputados que, eleitos, terminassem impugnados pela Lei da Ficha Limpa depois da eleição. Essa proposta cai como uma luva para os petistas. João Paulo Cunha, condenado no processo do mensalão, mas que ainda tem que passar pelos embargos, poderia ser candidato e, como mantém uma ampla base em Osasco (SP), conquistar votos que seu partido poderia computar para efeito de obtenção de vagas na Câmara dos Deputados. Hoje, votos de candidatos impugnados depois da eleição são considerados nulos, ou seja, não valem para ninguém.

E no Congresso.
Depois das discussões de ontem, esses pontos citados aqui saíram do texto. Mas há quem tema uma manobra no plenário para incluir esses dispositivos. Há ainda o receio de que, na hora de avaliar a proposta, os deputados queiram dar uma amenizada na Ficha Limpa, lei aprovada mediante pressão popular.

A próxima discussão do projeto, que será uma lei complementar, está marcada para 20 deste mês, próxima quinta-feira. A votação no plenário da Casa foi prevista para 25 de junho, uma terça-feira, depois da festa de são-joão. A sensação é a de que, na semana que vem, com a agenda cheia de futebol por conta da Copa das Confederações e festas juninas, fique tudo à meia boca. Henrique Eduardo Alves, por exemplo, vai para Moscou acompanhado de um grupo de deputados. Volta em tempo de comandar a batalha no plenário, dia 25, que já está sendo considerada a largada de 2014.

O índice de miséria - JOSÉ PIO MARTINS

GAZETA DO POVO - PR - 14/06

O economista norte-americano Arthur Okun (1928-1980) é considerado o criador do “índice de miséria”, um indicador que resulta da soma da taxa de inflação com a taxa de desemprego. Okun sabia que tanto a inflação quanto o desemprego são doenças econômicas graves, porque ambos têm efeito devastador sobre o bem-estar da população, com enorme potencial de causar pobreza – ou empobrecimento – das pessoas.

Mas o que Okun buscava? Não é muito fácil descobrir a partir de qual porcentual a inflação, isolada, se torna um mal grave, nem a partir de qual porcentual o desemprego, sozinho, se torna uma doença social séria. Também não é tão simples saber qual a inflação e o desemprego que, convivendo simultaneamente, se transformam em um mal social realmente problemático. Arthur Okun tentou entender essas questões.

Acredita-se que, atingindo até 5% da população economicamente ativa (aquela em condições de trabalhar), o desemprego é normal e não causa maiores complicações. Essa taxa refere-se àquelas pessoas momentaneamente desempregadas por estarem mudando de profissão, de cidade ou se transferindo de um trabalho a outro. Os manuais chamam isso de “desemprego fricativo”, pois resulta de fricção entre as vagas existentes e os trabalhadores desempregados em cada função e em cada região. Mas acima de 5% o desemprego começa a preocupar, porque não é mais fricativo.

Até 4% ao ano a inflação é tolerável. Acima disso, ela começa a corroer mais fortemente o poder de compra dos salários e piora o padrão médio de vida. Se a inflação ficar em 4% e o desemprego em 5%, a soma de ambos (que dá 9) não causa, segundo Okun, maiores estragos sociais. Fazendo combinações com os dois índices, Okun chegou à conclusão de que acima de 12 o estrago no bem-estar social é grande e suficiente para desorganizar qualquer economia e criar tensões políticas.

Okun queria descobrir também quanto o produto interno deveria crescer para que a taxa de desemprego caísse um ponto porcentual. O mundo mudou e não se sabe, hoje, se os valores são os mesmos, mas ele constatou que o produto teria de aumentar 3% para diminuir o desemprego em um ponto porcentual.

Porém, quanto maior for o grau de maquinização e de tecnologia aplicada à produção, maior é o aumento no produto necessário para reduzir o desemprego. O caso da agricultura é um bom exemplo. A safra agrícola pode ser aumentada de um ano para outro com pouco acréscimo de trabalhadores, pois o mundo tende para uma agricultura sem gente e mecanizada.

Quando a taxa de desemprego é baixa e a inflação é alta (mais ou menos o que começa a acontecer no Brasil), os bancos centrais podem aumentar os juros como meio de reduzir a inflação. A sintonia fina tentada pelos bancos centrais é elevar os juros até o ponto em que eles promovam redução da inflação sem aumentar o desemprego. Ao inverso, se o desemprego está alto e a inflação é baixa, a saída é reduzir os juros e os tributos a fim de estimular o investimento e a produção.

Quando o desemprego e a inflação estão altos – portanto, atingido o “índice de miséria” –, o Banco Central fica sem instrumentos para combater os dois males. Esse é o quadro que, se tiver juízo, a presidente Dilma tentará evitar a todo custo, sob pena de sua popularidade ir para o espaço em curto prazo. O PIB já caiu. A inflação já subiu. Apenas o desemprego não é grave... ainda.

Protestos em série - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 14/06

SÃO PAULO - É verdade que essas manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo conturbam a cidade. Vou um pouco mais longe e afirmo que há algo de egoísta nos protestos, já que impingem a todos as reverberações de uma agenda que não é consensual.

Uma sociedade democrática, entretanto, precisa aprender a conviver com esse tipo de contratempo. A alternativa, que é impedir a realização de atos públicos ou de condicioná-los ao beneplácito das autoridades, me parece incomensuravelmente pior.

E a Constituição (art. 5º, XVI) assegura que todos podem reunir-se sem armas em locais abertos ao público independentemente de autorização. Alguém poderia argumentar que o constituinte exagerou, já que o dispositivo permite a pequenas minorias impor grandes aborrecimentos à maioria, mas agora Inês é morta. Em 1988, após mais de 20 anos de ditadura, consagrar a liberdade de reunião era a coisa certa a fazer.

É claro que não existem direitos absolutos. Se é líquido e certo que cidadãos podem protestar, também é fato que a propriedade, pública ou privada, precisa ser preservada. Um manifestante tem o direito de resistir a agressões policiais que considere injustas. Isso pode até envolver socos e pontapés, mas é difícil perceber como o legítimo exercício da autodefesa passe por queimar ônibus e destruir vitrines. Não há o que objetar na intenção do governador Geraldo Alckmin de identificar os responsáveis por tais atos e de processá-los.

Mesmo rejeitando os exageros e os atos de vandalismo, deve-se reconhecer que protestos por vezes tonificam a democracia. E, para que funcionem assim, é preciso garantir que movimentos reivindicatórios possam ter lugar sem julgar o que os motiva. Não dá para criar uma lei que permita manifestações como as das praças Taksim e Tahrir, mas não as da avenida Paulista, só porque combater a tirania é uma causa mais nobre do que demandar subsídios.

O showroom do otimismo - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/06

A fórmula é mais velha do que o Velho do Restelo. Quando as coisas vão mal e não há intenção efetiva, muito menos competência para endireitá-las, resta o surrado truque de fazer uma bondade para jogar areia nos olhos dos descontentes e fazer uma maldade para jogar nas costas alheias a culpa pelo descontentamento. Esses foram os movimentos que o preparador político da presidente Dilma Rousseff, o marqueteiro João Santana - o 40.° ministro do atual governo, como é chamado por quem sabe de sua importância junto à titular do Planalto -, a orientou a seguir para reerguer a popularidade abalada.

Nisso, ela foi rápida. Três dias depois da publicação da pesquisa do Datafolha segundo a qual o nível de aprovação do governo caiu inéditos 8 pontos porcentuais e o favoritismo de Dilma para 2014 ficou 7 pontos menor, a presidente já estava a postos para lançar o eleitoreiro programa Minha Casa Melhor. Trata-se da linha de crédito oferecida aos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida, à razão de R$ 5 mil por família, para a compra de móveis e eletrodomésticos. Os juros foram fixados em 5% ao ano. O prazo para a quitação do empréstimo será de 48 meses. Para atender a cerca de 3,4 milhões de famílias, o Tesouro deverá desembolsar R$ 18,7 bilhões, com impacto óbvio sobre as contas públicas.

Montado em palácio o showroom do otimismo, conforme o roteiro traçado pelo marqueteiro da casa, Dilma deu especial atenção às mulheres - a parcela da população que se revelou, como seria de esperar, a mais insatisfeita com o governo por causa da carestia com que se defronta nas gôndolas do supermercado e nas barracas da feira. Caprichando no coloquial, a presidente celebrou a substituição do tanquinho, "que usa a energia braçal das mulheres", pela "máquina de lavar roupa automática". A troca, vai sem dizer, melhora a qualidade de vida das donas de casa. Mais difícil é explicar como isso pode poupá-las do desgastante encontro cotidiano com os preços remarcados.

A experiência própria é que lhes dirá - e a todos os brasileiros - de que valem as enfáticas juras da presidente sobre os rumos do custo de vida. "Não há a menor hipótese de que o meu governo não tenha uma política de controle e combate à inflação", entoou. E caso alguém não tenha prestado atenção, repetiu: "Não há a menor hipótese". Só que o ponto não é bem esse. A realidade - e aí já não se trata de hipóteses - é que aquilo que ela entende por política anti-inflacionária até agora tem sido incapaz de acuar o dragão. O Banco Central aumentou os juros, mas o descompasso entre o que deveria sair e o muito mais que sai dos cofres federais é um breve contra a estabilização dos preços.

Mas, evidentemente, Dilma estava ali para levantar o astral dos pessimistas com a evolução de seus rendimentos e as perspectivas do mercado de trabalho - uma coisa e outra captadas pelas recentes sondagens de opinião - e não para falar honestamente dos problemas e temores do povo.

Nessa hora é que entram em cena, no papel de inimigos do País, os críticos do governo. São os que ficam "azarando", como o Velho do Reste-lo dos Lusíadas, de Camões, que ao ver zarparem os navios de Vasco da Gama, em busca do caminho das Índias, meneava a cabeça em desaprovação à "vã cobiça". Ou, na paráfrase da presidente, profetizava que "não vai dar certo". À parte a invocação do Velho do Restelo, ela nem sequer foi original. Lula já acusava os adversários de lançar "urucubacas" contra o Brasil.

O que desanima é constatar que esse palavrório desafiador ("O Velho do Restelo não pode, não deve e, eu asseguro para vocês, não terá a última palavra no Brasil.") e a estudada estridência do seu enunciado parecem tudo o que Dilma tem a dizer seja aos eleitores que dela se distanciaram, seja aos que não se deixam levar pela retórica poliana do Planalto. Entre esses se inclui pelo menos um dos interlocutores habituais da presidente. Ela não há de achar, por exemplo, que, aos 85 anos, o economista Delfim Netto seja um Velho do Restelo quando destoa publicamente da linha oficial.

Mas que importa? Bem que ela avisou que, "na eleição, podemos fazer o diabo". E, para Dilma, a eleição está em pleno curso.

Condição da volta da confiança na economia - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 14/06
Diante das evidências, com crescimento muito aquém do projetado, inflação em patamar no teto da meta (6,5%) e caminhando em trajetória perigosa, enfraquecimento das exportações etc., o governo precisa ouvir as críticas gabaritadas, em vez de continuar acreditando que descobriu a fórmula mágica capaz de fazer com que o país fique alheio ao que acontece no mundo. A credibilidade da economia brasileira está arranhada, e já há no cenário de algumas agências internacionais de risco a perspectiva de rebaixamento do conceito do país, em função dos equívocos da política econômica nos últimos anos, lastreada em incentivos ao consumo, um deles gastos públicos sem freio.

É bom que o governo esteja mesmo atento a essas críticas, pois ainda há tempo hábil e condições para se corrigir a rota, evitando-se que o arranhão infeccione e se transforme em grave ferida, de cura bem mais difícil. Ao pisar no acelerador das despesas de custeio, o governo comprometeu as condições que possibilitaram uma considerável redução nas taxas básicas de juros, não só uma aspiração como uma necessidade para o bom desempenho da economia brasileira no futuro. O superávit primário encolheu e, pior, a sua fórmula de cálculo passou a ser feita por meio de uma "contabilidade criativa", para inflar artificialmente o resultado.

O governo abusou de emissões de títulos, basicamente para capitalizar instituições financeiras públicas, o que tem elevado progressivamente a dívida bruta, próxima dos 60% do PIB, índice preocupante, e em alta constante. Tal iniciativa vinha sendo considerada inofensiva pelas autoridades fazendárias porque a contabilidade permite que tais emissões sejam registradas também como crédito, de modo que pouco alterariam o endividamento líquido federal. Porém, parte do dinheiro tem voltado ao Tesouro em manobras contábeis, para embonecar o superávit primário. Na prática, o que se viu é que essa política enfraquece a qualidade das finanças públicas, o que se reflete nas apostas quanto à trajetória do câmbio, da inflação, das taxas de juros e do Produto Interno Bruto. O câmbio, em fase de desvalorização do real, é mais uma ajuda à inflação, o que também obriga o Planalto a rever a política econômica.

O professor Delfim Netto, em entrevista ao "O Estado de S. Paulo", recomendou que, nesse quadro, o governo se comprometa com a eliminação do déficit público nominal - já proposta por Antonio Palocci, na Fazenda, e considerada uma ideia "rudimentar" pela então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Tal ajuste terá de vir de uma recuperação do superávit primário, sem "contabilidade criativa". E sem aumento da já elevada carga tributária. O equilíbrio precisará ser obtido pelo corte de despesas. Politicamente, essa opção era considerada inviável, porque ameaçaria a reeleição da presidente Dilma. Mas hoje não deve haver ameaça maior do que a manutenção de uma política econômica que deu errado.

O Velho do Restelo - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 14/06

Combater o pessimismo é uma atitude correta da presidente. Só não dá para mudar a realidade da ameaça inflacionária e do PIB insignificante.



Sinônimo de pessimismo e conservadorismo, o personagem de Luís de Camões conhecido como Velho do Restelo foi evocado pela presidente Dilma Rousseff na última quarta-feira para assegurar que a turbulência econômica pela qual passa o país está sob controle _ embora, na sua visão, alguns negativistas estejam agourando o pior. "Hoje o Velho do Restelo não pode, não deve e, eu asseguro, não terá a última palavra no Brasil."
De acordo com a história, o velho citado no poema de Camões ficava azarando a vida dos navegadores antes da largada para a primeira expedição à Índia. Dizia que, em vez de fama e fortuna, eles iriam encontrar desgraças e provavelmente a morte no mar. Se suas advertências tivessem sido ouvidas, concluem os historiadores, o Brasil não teria sido descoberto pelos portugueses nem os lusos teriam se afirmado como protagonistas das navegações no distante século 15.
Combater o pessimismo é uma atitude correta da presidente. Só não dá para mudar a realidade, nem mesmo com a pertinente citação de um personagem histórico e emblemático. E o desafio dos comandantes do navio chamado Brasil não é encontrar um caminho para as Índias, mas, sim, atravessar a tormenta inflacionária, recuperar mercados perdidos para a concorrência internacional, melhorar o PIB insignificante e controlar os gastos públicos que fragilizam a capacidade de investimento do Estado, especialmente na infraestrutura necessária para o desenvolvimento do país.
Considerado o cenário político e a antevéspera das eleições presidenciais, talvez existam mesmo aves de mau agouro a torcer pelo desastre econômico. Porém, a queda da popularidade do governo registrada nas últimas pesquisas indica claramente uma desconfiança de parte da população em relação aos rumos econômicos do país, que coincide claramente com o esgotamento das medidas pontuais de incentivo fiscal, adotadas muito mais por pressões setoriais do que em decorrência de uma política de longo prazo. Independentemente da disputa política que se avizinha, o país precisa retomar o rumo da austeridade, da sensatez e até mesmo da ousadia, para recuperar a competitividade.
Mais do que o vaticínio do desastre, o que pesa na opinião pública é o cotidiano, o preço das mercadorias e das tarifas públicas. Isso _ e não o pessimismo oportunista _ é que pode influenciar a visão que os cidadãos têm do governo. Também por essa razão, é bom que a presidente dê atenção às pesquisas e à advertência constante em outro poema de Camões: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades; Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades".

Aviso aos navegantes - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/06

Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff dirigiu críticas à oposição e atacou o suposto pessimismo de quem manifesta apreensões com os rumos de seu governo. Desta feita, em discurso no Planalto, a mandatária apelou a um personagem de "Os Lusíadas", de Luís de Camões --o velho do Restelo.

Na epopeia escrita no século 16, o ancião entra em cena quando as embarcações de Vasco da Gama estão por partir em busca das Índias.

Parentes e amigos despedem-se dos marujos na praia do Restelo, quando a "voz pesada" do velho se faz ouvir num discurso de condenação à empresa: movido pela cobiça, o navegador expunha-se a perigos e corria o risco de fracassar, num momento em que o país ainda se via ameaçado pelos mouros.

O personagem é associado a uma visão conservadora, feudal, contrária à expansão mercantil ligada às navegações. "O velho do Restelo", disse Dilma, "não pode, não deve e, asseguro a vocês, não terá a última palavra no Brasil."

Espera-se que não, mas não há dúvida de que a governante navega por mares agitados e enfrenta, em seu périplo, percalços que justificam a opinião dos críticos.

A política econômica atual pauta-se por decisões ao sabor dos ventos que produziram efeitos medíocres. Diferentemente do navegador lusitano, que desbravava o desconhecido, o governo ignora caminhos já testados e retoma a temerária rota intervencionista.

Nas contas públicas a gestão é frouxa, e observa-se mal disfarçada leniência com a escalada da inflação. O índice chegou ao teto de tolerância da meta, obrigando o Banco Central a reassumir o leme e providenciar às pressas uma correção na política monetária.

Também na Fazenda, capitaneada por Guido Mantega, o comportamento é errático. Aumentos e cortes de tributos ocorrem de acordo com as intempéries da hora.

O caso mais recente é o do câmbio. Após dizer que não alteraria a alíquota de 1% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que incide sobre transações em dólar no mercado futuro, o ministro, dois dias depois, mudou de opinião.

Por sua vez, as projeções de crescimento do PIB se estreitam, reforçando a desconfiança de investidores e analistas internacionais.

A culpa decerto não é de velhos do Restelo --ou "fracossomaníacos", na expressão usada em casos análogos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para que a última palavra não fique com "pessimistas", como quer Dilma Rousseff, seu governo precisará demonstrar com resultados que é capaz de levar o país a bom porto.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

"Não faz muito tempo, [havia] inflação em 80% ao mês"
Ex-presidente Lula,ironizando a preocupação de opositores com a alta de preços


CÉSAR BORGES PEDE A DILMA PODER PARA DEMITIR

O ministro César Borges (Transportes) pediu à presidente Dilma que lhe confira o poder de exonerar subordinados, aceitando inclusive que o Planalto escolha os novos ocupantes dos cargos. O ministro alegou que, sem essa prerrogativa, perde o respeito de subordinados. É o caso do general Jorge Fraxe, diretor-geral do DNIT, que se acha protegido de Dilma e o desrespeita, faltando a reuniões sem dar qualquer satisfação.

AGORA VAI

Segundo correligionários de César Borges no PR, Dilma deve acatar o pedido, o que já surte efeito na produtividade do ministério.

CONSULTA

Borges reclamou ao PR da falta de autonomia, quando foi orientado a pedir autorização ao Planalto para exercer a prerrogativa de demitir.

BATEU CONTINÊNCIA

O general Jorge Fraxe participou, junto com César Borges, de jantar com parlamentares, terça, na residência de Fábio Ramalho (PV-MG).

DESCE DO SALTO

Até o PCdoB aprecia a queda de Dilma nas pesquisas. Espera que a madame troque os saltos altíssimos pelas sandálias da humildade.

DF: APROVAÇÃO DE DILMA DESABA DE 53,3% PARA 43,6%

A aprovação do governo Dilma, entre os moradores do Distrito Federal, despencou 9,7 pontos percentuais, caindo de 53,3% para 43,6%, enquanto a desaprovação cresceu 13,3 pontos, passando de 20,1% em março para 33,4% em junho deste ano. É o que aponta pesquisa do instituto O&P Brasil, que entrevistou mil eleitores entre os dias 6 e 10 deste mês. A margem de erro é de 3,1% e o grau de confiança, 95%.

MARINA AVANÇA

A O&P Brasil mostra que, no DF, Dilma caiu na intenção de votos para presidente, de 44,2% para 33%, e Marina Silva se aproxima: 27,9%.

OUTROS NOMES

No DF, Aécio Neves está em terceiro lugar, com 17% das intenções de voto, e Eduardo Campos (PSB) em quarto, com modestíssimos 4,3%.

DIGITAIS

Dos três mais agressivos membros da gurizada baderneira de São Paulo, detidos quarta-feira, dois são militantes do PSTU e um do PT.

NOBLESSE OBLIGE

Enquanto o pau comia em São Paulo, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad cantavam no palco com Daniela Mercury, após saborear foie gras, com as mulheres, em regabofe na Embaixada do Brasil em Paris.

OUTRO TIME

Conhecido pela porra-louquice de alguns dirigentes, o Sindicato dos Metroviários, que dá apoio velado à baderna paulistana, já não é filiado à CUT. O PCdoB perdeu seu controle para o PSTU/ Conlutas.

DORMINDO ESPERO

“Dorme” na Justiça Federal há dois anos o processo contra Lula e o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli pedindo a anulação da entrega de refinarias à Bolívia, num episódio vexaminoso em 2007.

BOI NA LINHA

A Frente Agropecuária paralisa várias rodovias hoje entre 9h e 14h contra fraudes nas demarcações de terras indígenas e quilombolas, num movimento nacional pela instalação da CPI da Funai/Incra.

CONTRABANDO

Além de mais ou menos eleito, o presidente Nicolás Maduro pode ser “pirata”: em artigo no jornal espanhol El País, o embaixador do Panamá na OEA reafirma a suspeita de que Maduro nasceu na Colômbia.

CONCHAVO

O ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) conversou por duas horas, em Brasília, com o ex-governador Joaquim Roriz. Certamente não conversaram sobre poupar o bolso do contribuinte.

CHUTE DE CANELA

Após visitar, em abril, as obras do Mané Garrincha, o deputado Romário (PSB-RJ) sentenciou que o estádio de Brasília não seria concluído a tempo da Copa das Confederações. Agora, deve estar se lembrando das próprias palavras sobre Pelé: “Calado, ele é um poeta”.

ENDIVIDAMENTO FAMILIAR

Tem tudo para dar errado a opção de Dilma pelo “eleitoralismo”, em vez do realismo, financiando com dinheiro do próprio trabalhador, o FGTS, linha de crédito para mobiliar o Minha Casa, Minha Vida.

PENSANDO BEM...

...depois da Rose desaparecida, surge mais uma lenda brasileira: o autor do boato do Bolsa Família.


PODER SEM PUDOR

COERÊNCIA OBLÍQUA

Homem culto e orador brilhante, o general e deputado gaúcho Flores da Cunha discursava da tribuna da Câmara quando um deputado, Teixeira Coelho, resolveu corrigir-lhe uma frase iniciada com pronome oblíquo. A resposta de Flores da Cunha entrou para a História das melhores reações de improviso de que se tem notícia:

- O senhor não tem muita autoridade para me corrigir, pois, para ser coerente, o seu próprio nome deveria ser Cheira-te Coelho!

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Tensão urbana: Confronto se agrava em SP, com mais prisões e feridos
Folha: Polícia reage com violência a protesto e SP vive noite de caos
- Estadão: Paulistano fica ‘refém’ de bombas em novo confronto
Correio: Enquanto o show não começa
Valor: Investidor perde R$ 120 bi no ano com título público
Zero Hora: Preço do leite já subiu 10% após descoberta de fraude
Brasil Econômico: Defasagem no preço da gasolina chega a 28,6%
Jornal do Commercio: Fiação matou 31 em 2012

quinta-feira, junho 13, 2013

O livro do Eike - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/06

O tropeço de Eike Batista nos negócios deve cancelar o projeto de uma biografia sobre sua trajetória, encomendada ao famoso jornalista Alan Riding, brasileiro, filho de ingleses, que cobriu a vida cultural europeia por 12 anos para o “New York Times”.

Ele já tinha recebido 50 mil dólares adiantados. 

Ré menor de Rice
Dia 3 de novembro, em São Paulo, o maestro João Carlos Martins comanda um espetáculo que terá uma atração especial.

No piano, estará a americana Condoleezza Rice, que foi a todo-poderosa secretária de Estado de Bush. Em 2002, ela tocou uma sonata de Brahms, no Constitution Hall, em Washington.

Aviso prévio
O Clube Esportivo Ultraleve tem até o fim do mês para deixar o lugar onde funciona há 30 anos na Barra, por conta das obras do Parque Olímpico.

O problema é que o Exército não liberou ainda uma área, também na Barra, que prometeu ceder para o CEU.

Mas...
A questão é o que fazer com as 148 aeronaves do clube.

Contagem regressiva
Bebeto, tetracampeão mundial, vai jogar um amistoso no Central Park, em Nova York, no domingo.

A partida marca a contagem regressiva para a Copa de 2014.O “365 Countdown” faz parte da festa de encerramento do Festival de Cinema Brasileiro na cidade.

Dilma e a Fifa
Dilma recebe amanhã no Planalto o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Ateu, graças a Deus
Este pensador marxista Jacob Gorender, que morreu anteontem, fez parte de um grupo de pracinhas brasileiros na Itália recebidos pelo Papa Pio XII assim que acabou a II Guerra Mundial.

Aliás, Gorender contou certa vez que, por ser judeu, tinha plena consciência de que estaria liquidado se fosse feito prisioneiro pelos nazistas. “Meu nome é inconfundível.”

Quando setembro vier
Passada a Copa das Confederações, a seleção brasileira fará dois amistosos em setembro.

Dia 6, o adversário deverá ser a Austrália, caso o time se classifique para a Copa de 2014.

No dia 10, o Brasil enfrenta Portugal, em Boston, nos EUA.

Arriba, México
Jorginho, ex-treinador do Flamengo, embarcou para Cancún.

Foi refrescar a cabeça.

Nudez castigada
Pode ser até que a Abril volte atrás. Mas a editora estuda mesmo o fechamento da revista “Playboy”.

Nas quebradas
Um grupo de ativistas que lutam contra o amianto denunciou que o telhado do novo Museu de Arte do Rio (MAR) seria deste material cancerígeno.

Fiscais da Secretaria estadual do Ambiente foram lá, ontem, mas... era alarme falso.

Na verdade...
O que há no MAR é uma instalação artística com telha de amianto. A obra “Nas quebradas” foi feita por Hélio Oiticica (1937-1980) em 1979, uns 15 anos antes da primeira lei sobre a fibra mineral.

O secretário Carlos Minc diz que não há risco à saúde:

— O que contamina é a inalação de fibra de amianto. Recomendamos que ninguém lixe as telhas.

Caso de polícia
Uma moradora da Rocinha, no Rio, procurou a 15ª DP (Gávea) para prestar queixa contra o pai. É que o homem, veja só, agrediu um dos cachorros da família.

Uma audiência preliminar foi marcada para dia 26 agora no IV Jecrim, no Leblon.

Cadê a luz?
Os restaurantes do quadrilátero das ruas Frei Leandro e Maria Angélica, no Jardim Botânico, decidiram processar a Light por danos materiais.

É que ontem, Dia dos Namorados, quando os restaurantes lotam, a empresa elétrica decidiu fazer um serviço de manutenção. Todo mundo ficou sem luz das 15h30m às 18h30m.

Cena carioca
Na manhã de ontem, o trocador de um ônibus da linha 439 (Vila Isabel-Leblon) cantou “Como é grande o meu amor por você”, da dupla Roberto e Erasmo, para uma das passageiras.

Era, explicou, uma homenagem pelo Dia dos Namorados. Não é fofo?

Sex and the city - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 13/06

O extraordinário não é que um casal transe na escadaria, mas que tantos transem só em suas camas


Numa madrugada de inverno dos anos 1960, em Milão, um jovem casal estava num carro estacionado numa praça. Dez minutos foram suficientes para embaçar os vidros e esquentar os corpos.

Dois guardas notaram que o carro subia e descia com movimentos "suspeitos". Eles gritaram "Polícia!" e mandaram abrir. O casal, intimidado, obedeceu, revelando seus corpos nus ainda enroscados. Os guardas atuaram a ambos por atentado ao pudor.

Um ano depois, os jovens foram inocentados: o juiz reconheceu que eles só se mostraram porque os guardas mandaram abrir o carro --ninguém atentara ao pudor de ninguém.

Com amigos e amigas, decidimos zombar da polícia e dos cidadãos bem-pensantes (os quais, em cartas aos jornais, tinham manifestado sua indignação). Era de novo inverno; estacionávamos nossos carros, não de noite em lugares ermos, mas de dia, nas ruas mais frequentadas.

Assim que os vidros estivessem embaçados, era um exagero de sacudidas, de modo que ninguém duvidasse que, lá dentro, a gente fazia a festa. Infelizmente, nenhum guarda nunca bateu nos vidros de nossos carros trêmulos e protestatórios.

Pensei nessa história na sexta passada, quando li a ótima reportagem de Roberto de Oliveira, em "Cotidiano" (Folha, 7 de junho): uma inquilina do edifício Copan, glória de São Paulo, emprestou seus aposentos para um casal de amigos cariocas. Na noite do dia 27, o casal subiu pelo elevador até o último andar e se engajou nas escadas externas. Um segurança viu esse movimento pelas câmeras e foi atrás, até encontrar o casal no ato (sexual, claro).

O síndico do condomínio multou a inquilina (R$ 678) --por escolher "mal" seus amigos?-- e agora esbraveja que se tratou de um atentado ao pudor. Mas ao pudor de quem? Se o segurança (que imagino que seja maior de idade) "foi atrás", é porque estava afim de dar uma espiadinha, suponho"¦

Claro, haverá um carrancudo para perguntar: não podiam ir para seu apartamento e se deitar na cama? Pois é, não, não podiam. Ou melhor, podiam, mas deviam achar que seria muito mais chato do que transar com a vista de São Paulo, o ar frio, a sensação de estar fazendo algo inusitado, a fantasia de serem vistos de alguma janela do Terraço Itália e, enfim, o risco de serem surpreendidos pelo segurança do prédio, como aconteceu.

Somos um pouco diferentes dos outros mamíferos. O cheiro do sexo oposto não é suficiente para nos excitar; precisamos recorrer a fantasias sexuais --sem isso, nada ou pouco acontece. E, se você acha que não recorre a fantasia alguma, isso significa apenas que você não sabe a quais fantasias recorre.

O que é extraordinário não é que um casal transe nas escadas externas do Copan. O extraordinário é que tantas pessoas transem (ou digam que transam) sempre nas suas camas.

Essa é uma opinião excêntrica de psicanalista? Tomemos o caso do risco: dois grupos parecidos atravessam um precipício por pontes diferentes, um passa por uma sólida ponte de alvenaria, e o outro, por uma ponte de cordas. Na chegada do outro lado, quem está mais receptivo para sexo? Pois é, são os da ponte estilo Indiana Jones.

O síndico do Copan declarou inicialmente que o ato era "depreciativo". Que cada um escreva sua lista das coisas que depreciam nossa vida. Na minha lista, há corrupção, violência, insegurança, incompetência, intolerância, estupidez"¦ são as coisas que atentam cada dia ao meu pudor. Um casal transando não está entre as coisas que depreciam meu dia, mas entre as que lhe dão valor.

A vítima do Copan criou uma conta no vakinha.com.br, pedindo ajuda para pagar a multa. Quis contribuir ao pagamento da multa, que me parece injusta. Infelizmente, a conta foi apagada (talvez por causa dos comentários bestas e agressivos que ela recebeu).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tirou do ar uma ação de seu ministério voltada para as prostitutas (e demitiu o responsável pela campanha), porque ele se escandalizou com a frase "Eu sou feliz sendo prostituta", que ele substituiu por "Sem vergonha de usar camisinha" (que ele deve ter complementado mentalmente: "mas com vergonha de ser prostituta"). O ministro poderia ser candidato a síndico do edifício Copan.

Caro ministro Padilha, antes de demitir mais colaboradores competentes, dê uma lida: Gabriela Silva Leite, "Eu Mulher da Vida" (Rosa dos Tempos), "Filha, Mãe, Avó e Puta" (Objetiva) e (um pouco mais complexo) Eliana dos Reis Calligaris, "Prostituição" O Eterno Feminino" (Escuta).

Casamento - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O Estado de S.Paulo - 13/06

O tão discutido casamento homossexual não deixa de ser uma sequência natural da longa e estranha história de uma convenção, a união solene entre duas pessoas, que começou no Éden. A Bíblia não esclarece se Adão e Eva chegaram a se casar, formalmente. Deve ter havido algum tipo de solenidade. Na ausência de um padre, o próprio Criador, na qualidade de maior autoridade presente, deve ter oficiado a cerimônia. No momento em que Deus perguntou se alguém no Paraíso sabia de alguma razão para que aquele casamento não se realizasse, ninguém se manifestou, mesmo porque não havia mais ninguém. A cerimônia foi simples e rápida apesar de alguns problemas - Adão não tinha onde carregar as alianças, por exemplo - e Adão e Eva ficaram casados por 930 anos. E isso que na época ainda não existiam os antibióticos.

Mais tarde, instituiu-se o dote. Ou seja, as mulheres, como caixas de cereais, passaram a vir com brindes. O pai da noiva oferecia, digamos, dez cântaros de azeite e dois camelos ao noivo e ainda dizia:

- Pode examinar os dentes.

- Deixa ver...

- Da noiva não, dos camelos!

Houve uma época em que os pais se encarregavam de casar os filhos sem que eles soubessem. Muitas vezes, depois da cerimônia nupcial, os noivos saíam, ofegantes, para a lua de mel, entravam no quarto do hotel, tiravam as roupas, aproximavam-se um do outro - e apertavam-se as mãos.

- Prazer.

- Prazer.

- Você é daqui mesmo?

Eram comuns os casamentos por conveniência, pobres moças obrigadas a se sujeitar a velhos com gota e mau hálito para salvar uma fortuna familiar, um nome ou um reino. Sonhando, sempre, com um Príncipe Encantado que as arrebataria. O sonho era sempre com um Príncipe Encantado. Nenhuma sonhava com um Cavalariço ou com um Caixeiro Viajante Encantado. Mais tarde veio a era do Bom Partido. As moças não eram mais negociadas, grosseiramente, com maridos que podiam garantir seu futuro. Eram condicionadas a escolher o Bom Partido. Podiam namorar quem quisessem, mas na hora de casar...

- Vou me casar com o Cascão.

- O quê?!

- Nós nos amamos desde pequenos.

- O que que o Cascão faz?

- Jornalismo.

- Argk!

A era do Bom Partido acabou quando a mulher ganhou sua independência. Paradoxalmente, foi só quando abandonou a velha ideia romântica do ser frágil e sonhador que a mulher pôde realizar o ideal romântico do casamento por amor, inclusive com o Cascão. Só havendo o risco de o Cascão preferir casar com o Rogério.

Uau! Haddad cria Extintor Único! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 13/06

E esta: "Boneca inflável é eleita uma das namoradas mais lindas pelo site do Corinthians". Rarará!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da República! Protestos! Avenida PAUlista! Já é São João em São Paulo? Só tem fogueira! Ônibus queimado!

Eles querem diminuir o preço da passagem ou os ônibus? Queimaram até o papa-fila da Marta!

E agora em São Paulo temos os ônibus articulados, biarticulados e agora totalmente desarticulados. E em chamas!

E um amigo pediu pros manifestantes incendiarem o seu Chevette 1984, ele agradece! Rarará!

E o Alckmin podia voltar de Paris e estabelecer o rodízio de protestos. Segundas, quartas e sextas: protesto na Paulista. Terças e quintas, protesto na Paulista! Sábados e domingos: livres para protestos na Paulista!

E o Haddad tem voltar de Paris pra lançar bilhete único com extintor. Extintor Único! Rarará!

Dia dos Namorados! "Amor, você fez reserva no restaurante?". "No Habib's não precisa".

E esta: "Boneca inflável é eleita uma das namoradas mais lindas pelo site do Corinthians". Rarará!

Dia dos Namorados dedicado, como diz uma amiga, a essa doença mental chamada amor!

E uma amiga levou o namorado mineiro pra conhecer o mar e sabe o que ele falou? "Imagine se tudo isso fosse leite!" Rarará!

E um amigo levou a namorada num hotel tão bagaça que tinha uma placa na parede: "Favor não tomar cerveja e urinar na garrafa!". Rarará!

E uma leitora sem namorado mandou perguntar: por que mulher feia só é elogiada no trabalho?

E uma amiga ganhou do namorado uma bolsa de pano, bem bagaça, e escreveu nela assim: "A minha outra bolsa é uma Louis Vuitton". Rarará!

E um amigo ganhou da namorada uma camisinha branca leitosa. E o pingolim dele ficou parecendo o Gasparzinho. E ele fica correndo atrás dela com o fantasma em pé! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

E um outro sem namorada pegou uma gata qualquer. E tinha a foto de um homem ao lado da cama: "Teu namorado?". "Não!" "Teu marido?" "Não!" "Quem é, então?" "Eu, antes da operação." Rarará!

E no motel, o saci gritou pra sacia: FICA DE TRÊS! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

CAMA SALGADA - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 13/06

As diárias de hotel nas cidades com jogos da Copa das Confederações subiram até 66% --caso de Brasília, recordista no aumento. Na capital federal, o preço médio já chega a R$ 449, contra o valor de R$ 283 cobrado duas semanas após o evento esportivo. Os números são da Embratur, que diz estar faltando "bom senso" aos empresários do setor.

CAMA SALGADA 2
Em Belo Horizonte, segunda colocada no ranking de reajuste, a "inflação" é de 47%, com diárias saltando de R$ 265 para R$ 372 durante a competição, que começa neste sábado. Mesmo com a menor alta (13%), o Rio registra o maior valor absoluto: R$ 455 (contra R$ 398 em período normal). "O índice foi pequeno porque os preços na cidade já estão muito acima do patamar nacional", diz Flavio Dino, presidente da Embratur.

CAMA SALGADA 3
O órgão do Ministério do Turismo também pesquisou a variação de preços nos hotéis cariocas por causa da Jornada Mundial da Juventude, que ocorre de 23 a 28 de julho com a presença do papa. As diárias chegarão ao preço médio de R$ 500 durante o encontro religioso --variação de 25%. Os valores de hospedagem no Rio vêm superando os de cidades como Paris, Londres, Dubai, Tóquio e Buenos Aires.

CALMA, GENTE
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE), revela a seus interlocutores mais aflitos que seu calendário eleitoral já está praticamente definido: em setembro, quando termina o prazo para as pessoas mudarem de partido, ele deverá então se lançar candidato à Presidência de forma ainda mais aberta. O quadro partidário será mais definido --e estará afastado o risco de que descontentes do PSB deixem a legenda.

GOL
Em setembro também estará mais claro o desempenho da economia brasileira. Se até lá o PIB continuar fraco, dificilmente a presidente Dilma Rousseff recuperaria os patamares de intenção de votos do começo do ano, abrindo algum caminho para o crescimento de Campos entre os eleitores "lulistas". Ela já está batendo na trave: se a eleição fosse hoje, ganharia com 51% dos votos, segundo o Datafolha.

CADA UM NA SUA CASA
Sabrina Sato, do "Pânico" (Band), está à procura de uma nova cobertura em São Paulo para morar com o irmão, Karin, depois que sua irmã e empresária, Karina, se casar, em agosto.

O namorado da apresentadora, o publicitário João Vicente de Castro, também estaria atrás de um imóvel. "Cada um está procurando um apartamento. Mas o João deve ficar no Rio. Eles não vão morar juntos", afirma Karina.

NOVA ONDA
A mostra "Jacques Rivette - Já Não Somos Inocentes", com 25 longas do cineasta francês, será apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo entre 3 e 21 de julho. Uma das atrações é o último filme feito pelo pioneiro do movimento nouvelle vague: "36 Vistas do Monte Saint-Loup", de 2009, ainda inédito no Brasil. No Rio, o festival começa no próximo dia 25, também no CCBB.

TRAÇO NACIONAL
A yoo, empresa de design londrina de Philippe Starck e John Hitchcox, que abrirá filial paulistana em julho, desenvolve quatro projetos de luxo para o Brasil. Planeja hotéis no Rio e em SP e dois empreendimentos residenciais na capital paulista. No total, devem ser investidos R$ 766 milhões. Os designers Jade Jagger, filha de Mick Jagger, e Marcel Wanders serão os responsáveis pelos trabalhos em solo brasileiro.

UMA MULHER, DOIS CORPOS
Sophie Charlotte, 24, precisou moldar sua silhueta para seus dois últimos trabalhos. No filme "Serra Pelada", de Heitor Dhalia, comeu "um pouquinho a mais" para ganhar o corpo voluptuoso de Teresa, com coxas grossas e barriga menos definida.

Para compor a "it girl" Amora, protagonista da novela "Sangue Bom" (Globo), a atriz diz ter apostado na combinação de cardápio funcional com exercícios e chegado a um visual mais sequinho, exibido na revista "Boa Forma", nas bancas amanhã.

O BONDE DOS MENINOS
O Prêmio Fiesp Sesi-SP de Cinema foi entregue anteontem. Os atores Domingos Montagner, Felipe Camargo, Gustavo Machado e Murilo Rosa foram à cerimônia no teatro do Sesi. Adhemar Oliveira, do Espaço Itaú de Cinema, circulou pelo evento. O filme vencedor da noite foi "Xingu", do diretor Cao Hamburger. Na categoria melhor atriz, Camila Pitanga levou o troféu. E Irandhir Santos venceu como ator.

SAÚDE É O QUE INTERESSA
A apresentadora Mariana Weickert e o publicitário Lucas Mello, namorado de Mariana Ximenes, foram à inauguração da Bodytech no shopping Iguatemi. A rede de academias tem como sócios Alexandre Accioly, Bernardinho, Fábio Faria, João Paulo Diniz e Luiz Urquiza.

CURTO-CIRCUITO
A galeria Urban Arts inaugura espaço em Moema, hoje, a partir das 18h.

A Etihad Airways festeja abertura de ponte aérea entre SP e Abu Dhabi, hoje, na Casa Fasano.

Frejat faz shows de hoje a sábado, às 21h30, no Sesc Belenzinho. 18 anos.

A AACD lança hoje o livro "Que Amor É Esse?", às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Florianópolis será anunciada hoje como sede da 5ª Bienal Brasileira de Design, em maio de 2015.

Wellington Nogueira, do Doutores da Alegria, fala hoje em evento do Instituto para o Futuro, nos EUA.

Obras de 25 artistas brasileiros estão em exposição que a galeria Jacques Ardies abre hoje na Áustria.