FOLHA DE SP - 22/03
Sem PIS/Cofins, consumidor economizaria 11% em remédio
A indústria farmacêutica quer aproveitar a deixa do varejo e também se beneficiar de um corte de tributos federais.
Enquanto as empresas se articulam com políticos para que o interesse seja defendido no Congresso, a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) fez uma simulação de quanto os remédios custariam sem PIS/Cofins.
Isentos do imposto, os consumidores economizariam 11,27%. O preço de uma caixa de desatinibe, utilizado no tratamento de leucemia, com 60 comprimidos de 50 mg, por exemplo, cairia de R$ 14.398,25 para R$ 12.774,97.
"O impacto da redução dos impostos seria imediato, porque o preço do medicamento é tabelado pelo governo. Não teria como o preço final ao consumidor não ser reduzido, como ocorreu com itens da cesta básica", afirma o presidente-executivo da entidade, Antônio Britto.
A associação calculou ainda a economia que haveria para o consumidor caso o ICMS também fosse zerado. O mesmo remédio para leucemia custaria R$ 10.475,86 -desconto de 27,20%.
"Sabemos que cortar o ICMS é mais complicado, pois depende de uma articulação com todos os Estados. Mas, se o governo quer ampliar o acesso aos medicamentos, tem que mexer nos tributos."
A isenção de impostos pode ampliar a demanda do setor. Segundo o executivo, 74% dos remédios hoje são comprados pelos consumidores e 52% dos tratamentos são abandonados no meio.
Ciclo da borracha
A Borrachas Vipal, fabricante mundial de produtos para reforma de pneus, vai reorganizar uma de suas fábricas para produzir apenas para o mercado externo.
Com duas plantas em Nova Prata (RS) e uma em Feira de Santana (BA), a empresa exporta produtos usados na recuperação de pneumáticos para mais de 90 países. No ano passado, faturou R$ 100 milhões com as vendas externas. América Latina, EUA e Europa, nessa ordem, são os maiores compradores.
"Colocamos o pé no freio no ano passado devido ao baixo crescimento do país, mas os resultados dos primeiros meses deste ano mostram uma recuperação", afirma Daniel Paludo, diretor-geral da Borrachas Vipal.
Em 2012, a companhia desistiu de um projeto para a construção de uma fábrica de pneus em Guaíba (RS) que demandaria R$ 400 milhões em investimentos.
Segundo Paludo, os motivos foram o baixo crescimento da economia e a grande oferta de pneus no mercado no ano passado.
R$ 1,5 bilhão
foi o faturamento do grupo em 2012
R$ 120 milhões
é a estimativa do valor a ser exportado em 2013
3.000 funcionários
tem a empresa
12%
das exportações são feitas para a Argentina
3 fábricas
tem o grupo, duas em Nova Prata (RS) e uma em Feira de Santana (BA)
Fio português
A multinacional portuguesa Efacec, especializada no setor de infraestrutura, amplia sua atuação na área de energia renovável.
A empresa constrói um parque de energia eólica em Cerro Chato, no Rio Grande do Sul, e uma usina fotovoltaica (solar) na sede da Eletrosul, em Florianópolis.
A companhia também participa da construção de uma siderúrgica na cidade de Piracicaba (São Paulo) em parceria com o grupo mexicano Simec.
A unidade no Brasil já representa 15% do faturamento global da companhia, de cerca de € 800 milhões.
"Das licitações para o setor, participamos de aproximadamente 30% e, em cerca de 10%, saímos vencedores", diz Artur Fuchs, presidente da Efacec.
As licitações no Brasil, no entanto, são o principal entrave para os fornecedores, segundo Fuchs.
"Os preços que estão sendo praticados nas licitações de energia mal dão para cobrir os custos", afirma.
O executivo lembra que os prazos de pagamento são longos e que há gastos elevados já na elaboração desses contratos.
"Os fornecedores estão trabalhando em uma linha tênue, onde qualquer desvio no orçamento, joga a empresa no vermelho."
€ 800 milhões
é o faturamento global da empresa
30%
foi quanto a companhia cresceu em relação a 2011
Caixa eletrônico econômico
O Banco do Brasil irá reduzir "consideravelmente" o dinheiro de seus caixas eletrônicos durante a noite. A medida será adotada para inibir os ataques aos terminais.
O banco criou um software de administração de cédulas que possibilita a manutenção dos valores no volume mínimo necessário ao atendimento até a manhã do dia seguinte.
A Caixa Econômica, por sua vez, também tem um sistema que controla o abastecimento conforme a necessidade. Os terminais do banco são muito utilizados para saques de benefícios sociais, que demandam notas de menor valor. Assim, o volume disponível é menor, afirma a Caixa.
O Itaú Unibanco reduz a quantia de moeda em períodos e áreas consideradas de risco. Em contrapartida, aumenta a frequência de abastecimento. A instituição acredita, porém, que essa é uma medida extrema.
Mais Buffett
Logo após a compra da Heinz, por US$ 28 bilhões, pelo megainvestidor norte-americano Warren Buffett e pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, a editora Best Seller lança mais um livro sobre o fundador da Berkshire Hathaway.
O título em inglês "O Oráculo Fala", de David Andrews, virou "Warren Buffett em 250 frases", na tradução brasileira.
Sabor oriental A temakeria Makis Place, rede de culinária japonesa, planeja inaugurar 36 unidades no primeiro semestre de 2013, e o grupo Ornatus vai lançar o primeiro restaurante Jin Jin Sushi na cidade de São Paulo.
Poliglota A rede de idiomas Yes! deve abrir 50 franquias até o final deste ano em todo o país. Atualmente, a companhia conta com 140 unidades. O processo de expansão da empresa começou há seis anos.
sexta-feira, março 22, 2013
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA
O GLOBO - 22/03
PRODUÇÃO E DEMANDA EM ALTA NO MERCADO AUTOMOTIVO
Intenção de compra de carros cresceu em fevereiro em pesquisa da Fecomércio-RJ. GM abre terceiro turno em Gravataí
Ganha consistência a retomada da atividade econômica no país. Em indicadores e em sinais reais. A Fecomércio-RJ fechou edição de fevereiro da pesquisa nacional de intenção de compras, parceria com a Ipsos. No mês passado, 19% dos consumidores disseram ter planos de comprar bens duráveis até maio. Houve alta de quatro pontos percentuais tanto em relação a dezembro de 2012 quanto a fevereiro do ano passado. Geladeira e automóvel estão no topo dos desejos de consumo dos brasileiros. Nos dois itens tiveram 17% de intenção de compra. Foi o melhor resultado para fevereiro desde o início da pesquisa, na segunda metade de 2006. O interesse por carros combina com a aceleração do ritmo de produção das montadoras. Ontem, a GM anunciou que, a partir de 2ª, a recém-ampliada fábrica de Gravataí (RS) vai operar em três turnos. De lá, saem os modelos Celta, o mais vendido da marca; Onix; o sexto mais vendido do país; e o Prisma, lançado mês passado. No Rio, a PSA Peugeot Citroën também opera em três turnos. Christian Travassos, da Fecomércio-RJ, prevê demanda intensa por automóveis no país até junho, quando o benefício do IPI reduzido termina.
10% EM DEZEMBRO
Era a intenção de compra de carro do consumidor brasileiro. No mês passado, passou a 17%. A Fecomércio-RJ prevê que compradores de 2009 vão renovar o crédito e trocar de automóvel este ano.
Amianto 1
A 3ª Turma do TST confirmou decisão do TRT do Rio, que condenou as empresas Asberit e Teadit por contaminação de dois irmãos no trabalho com amianto. Ambos tiveram asbestose, doença incurável. Terão de indenizar os dois em R$ 600 mil.
Amianto 2
Rodolfo Ferreira, do escritório Leonardo Amarante, diz que a alta indenização é para evitar que as empresas repitam a conduta omissa. O advogado das rés não foi localizado.
Regional
A SIF, sueca de produtos e serviços industriais, abriu escritório em Três Lagoas (MS). É o 1º no Centro-Oeste e faz parte da estratégia de regionalização dos negócios da empresa. Prevê faturar R$ 12 milhões por ano com a unidade, a partir de 2015.
Energia
A Radix fornecerá serviços de engenharia para ampliar capacidade e promover a troca de tecnologia de 20 usinas do parque termoelétrico da Petrobras. É negócio de R$ 2 milhões.
Animal
SNA e Abramvet, de medicina veterinária, terão programa de capacitação para profissionais que atuam na produção e inspeção de alimentos de origem animal. Na 1ª fase formará 1.200 pessoas. Assinam convênio hoje. Aporte de R$ 350 mil.
Quem vem
Ficará no Porto Maravilha a 1ª filial internacional da Power Design, de arquitetura. Aporte de R$ 2 milhões. A sede é em Abu Dhabi. Mas o dono é o brasileiro Vincenzo Visciglia.
Quem vai
A Artefacto, de decoração, abre a 3ª loja em Miami em julho. No 2ª semestre, chega ao Panamá. No Brasil, virão mais três lojas, anuncia o diretor Paulo Bacchi. Tem 29.
Em tempo
A produção de móveis sairá de 15 mil peças ao mês, hoje, para 18 mil, em fins de 2013. Amanhã, a Artefacto inaugura mostra no CasaShopping.
BOM BANHO
A NBS assina a campanha das novas águas de banho da linha Nativa Spa, do grupo Boticário. Um namorado ciumento desconfia da animação da namorada num encontro matinal.
É o gancho para apresentar o produto. O comercial de TV estreia domingo. Haverá ainda anúncios impressos, patrocínio em canais abertos e por assinatura e ações de merchandising.
URUGUAI
Punta del Este, no Uruguai, foi cenário das imagens da coleção de inverno 2013 da Trousseau,de moda casa. Romulo Fialdini fotografou.
A marca põe a campanha na rua em abril. As peças, com destaque para as almofadas, misturam estampas,
bordados, tricôs e tecidos lisos. A ideia é tornar os ambientes aconchegantes. Espera vender 20% mais sobre o inverno 2012.
NOSTALGIA
A Sophia Gomes, grife carioca de bolsas, lança hoje a coleção “Nostalgie” de outono-inverno. As peças foram inspiradas nos anos 50 e 60. Ao todo, são 16 novos modelos, cada um com 120 bolsas. A top Bruna Alvin estrela a campanha. Foi fotografada por Alex Santana. A marca investiu R$ 500 mil nesta temporada. Espera vender o dobro da coleção anterior. As peças da safra primavera-verão estão esgotadas desde que apareceram em “Salve Jorge”, nos ombros de personagens como a vilã Lívia Marine (Cláudia Raia).
CALIFÓRNIA
A Armadillo, grife masculina, lança hoje catálogo de inverno com coleção inspirada no Sul da Califórnia. Será distribuído nas 14 lojas da marca.
As fotos, de João Hichya, vão circular também na web. O francês Baptiste Demay posou. A rede prevê alta de 50% nas vendas do atacado e de 20% no varejo.
Telona
A Flix Media fechou com a Kinoplex. Em abril, começa a vender mídia de tela para todas as salas da rede. Líder no segmento, a empresa já trabalha com a Cinemark. Ao todo, cobre 700 salas em 41 cidades. São 55 milhões de espectadores ao ano.
Cultural
Furnas investiu R$ 5 milhões em seu espaço cultural, desde 2011. Pelo local, já passaram 16 mil pessoas. A meta é dobrar até dezembro.
É rock
A Leader, co-patrocinadora do Rock in Rio desde 2011, aumentará em 60% a loja-conceito do festival este ano. A flagship ficará no Village Mall. Terá 130m2.
Academia
A academia Pelé Club, no Itaim, será a 9ª filial da rede Bodytech em São Paulo. A bandeira muda até abril. O grupo já tem 35 unidades no país. Ontem, abriu a 1ª em Natal. Investiu R$ 2 milhões.
Livre Mercado
A Bela Ischia, de sucos, abriu duas estações de tratamento em Minas. Uma de água, com capacidade para 700 mil litros por dia; outra de efluentes. Fazem parte de projeto de R$ 2 milhões.
O Hospital São Vicente de Paulo investiu R$ 500 mil na campanha do novo centro de ortopedia. Quer dobrar o número de pacientes no segundo semestre. De julho a dezembro de 2012, teve dez mil.
A Boo! Studio assina a identidade visual do Armário Aberto, site de itens femininos. Custou R$ 30 mil.
O Dogbox, site de produtos para cachorros, prevê faturar R$1 milhão este ano. Lançado há três meses, tem 500 assinantes cadastrados.
A Estácio começa, em abril, a capacitação dos cerca de 75 mil voluntários da Jornada Mundial da Juventude, de 23 a 28 de julho.
O treinamento será on-line. Ficará disponível até fim do evento.
O novo site do Coppead/UFRJ tem plataforma com acesso gratuito a pesquisas e artigos dos professores da casa. Entrou no ar ontem.
PRODUÇÃO E DEMANDA EM ALTA NO MERCADO AUTOMOTIVO
Intenção de compra de carros cresceu em fevereiro em pesquisa da Fecomércio-RJ. GM abre terceiro turno em Gravataí
Ganha consistência a retomada da atividade econômica no país. Em indicadores e em sinais reais. A Fecomércio-RJ fechou edição de fevereiro da pesquisa nacional de intenção de compras, parceria com a Ipsos. No mês passado, 19% dos consumidores disseram ter planos de comprar bens duráveis até maio. Houve alta de quatro pontos percentuais tanto em relação a dezembro de 2012 quanto a fevereiro do ano passado. Geladeira e automóvel estão no topo dos desejos de consumo dos brasileiros. Nos dois itens tiveram 17% de intenção de compra. Foi o melhor resultado para fevereiro desde o início da pesquisa, na segunda metade de 2006. O interesse por carros combina com a aceleração do ritmo de produção das montadoras. Ontem, a GM anunciou que, a partir de 2ª, a recém-ampliada fábrica de Gravataí (RS) vai operar em três turnos. De lá, saem os modelos Celta, o mais vendido da marca; Onix; o sexto mais vendido do país; e o Prisma, lançado mês passado. No Rio, a PSA Peugeot Citroën também opera em três turnos. Christian Travassos, da Fecomércio-RJ, prevê demanda intensa por automóveis no país até junho, quando o benefício do IPI reduzido termina.
10% EM DEZEMBRO
Era a intenção de compra de carro do consumidor brasileiro. No mês passado, passou a 17%. A Fecomércio-RJ prevê que compradores de 2009 vão renovar o crédito e trocar de automóvel este ano.
Amianto 1
A 3ª Turma do TST confirmou decisão do TRT do Rio, que condenou as empresas Asberit e Teadit por contaminação de dois irmãos no trabalho com amianto. Ambos tiveram asbestose, doença incurável. Terão de indenizar os dois em R$ 600 mil.
Amianto 2
Rodolfo Ferreira, do escritório Leonardo Amarante, diz que a alta indenização é para evitar que as empresas repitam a conduta omissa. O advogado das rés não foi localizado.
Regional
A SIF, sueca de produtos e serviços industriais, abriu escritório em Três Lagoas (MS). É o 1º no Centro-Oeste e faz parte da estratégia de regionalização dos negócios da empresa. Prevê faturar R$ 12 milhões por ano com a unidade, a partir de 2015.
Energia
A Radix fornecerá serviços de engenharia para ampliar capacidade e promover a troca de tecnologia de 20 usinas do parque termoelétrico da Petrobras. É negócio de R$ 2 milhões.
Animal
SNA e Abramvet, de medicina veterinária, terão programa de capacitação para profissionais que atuam na produção e inspeção de alimentos de origem animal. Na 1ª fase formará 1.200 pessoas. Assinam convênio hoje. Aporte de R$ 350 mil.
Quem vem
Ficará no Porto Maravilha a 1ª filial internacional da Power Design, de arquitetura. Aporte de R$ 2 milhões. A sede é em Abu Dhabi. Mas o dono é o brasileiro Vincenzo Visciglia.
Quem vai
A Artefacto, de decoração, abre a 3ª loja em Miami em julho. No 2ª semestre, chega ao Panamá. No Brasil, virão mais três lojas, anuncia o diretor Paulo Bacchi. Tem 29.
Em tempo
A produção de móveis sairá de 15 mil peças ao mês, hoje, para 18 mil, em fins de 2013. Amanhã, a Artefacto inaugura mostra no CasaShopping.
BOM BANHO
A NBS assina a campanha das novas águas de banho da linha Nativa Spa, do grupo Boticário. Um namorado ciumento desconfia da animação da namorada num encontro matinal.
É o gancho para apresentar o produto. O comercial de TV estreia domingo. Haverá ainda anúncios impressos, patrocínio em canais abertos e por assinatura e ações de merchandising.
URUGUAI
Punta del Este, no Uruguai, foi cenário das imagens da coleção de inverno 2013 da Trousseau,de moda casa. Romulo Fialdini fotografou.
A marca põe a campanha na rua em abril. As peças, com destaque para as almofadas, misturam estampas,
bordados, tricôs e tecidos lisos. A ideia é tornar os ambientes aconchegantes. Espera vender 20% mais sobre o inverno 2012.
NOSTALGIA
A Sophia Gomes, grife carioca de bolsas, lança hoje a coleção “Nostalgie” de outono-inverno. As peças foram inspiradas nos anos 50 e 60. Ao todo, são 16 novos modelos, cada um com 120 bolsas. A top Bruna Alvin estrela a campanha. Foi fotografada por Alex Santana. A marca investiu R$ 500 mil nesta temporada. Espera vender o dobro da coleção anterior. As peças da safra primavera-verão estão esgotadas desde que apareceram em “Salve Jorge”, nos ombros de personagens como a vilã Lívia Marine (Cláudia Raia).
CALIFÓRNIA
A Armadillo, grife masculina, lança hoje catálogo de inverno com coleção inspirada no Sul da Califórnia. Será distribuído nas 14 lojas da marca.
As fotos, de João Hichya, vão circular também na web. O francês Baptiste Demay posou. A rede prevê alta de 50% nas vendas do atacado e de 20% no varejo.
Telona
A Flix Media fechou com a Kinoplex. Em abril, começa a vender mídia de tela para todas as salas da rede. Líder no segmento, a empresa já trabalha com a Cinemark. Ao todo, cobre 700 salas em 41 cidades. São 55 milhões de espectadores ao ano.
Cultural
Furnas investiu R$ 5 milhões em seu espaço cultural, desde 2011. Pelo local, já passaram 16 mil pessoas. A meta é dobrar até dezembro.
É rock
A Leader, co-patrocinadora do Rock in Rio desde 2011, aumentará em 60% a loja-conceito do festival este ano. A flagship ficará no Village Mall. Terá 130m2.
Academia
A academia Pelé Club, no Itaim, será a 9ª filial da rede Bodytech em São Paulo. A bandeira muda até abril. O grupo já tem 35 unidades no país. Ontem, abriu a 1ª em Natal. Investiu R$ 2 milhões.
Livre Mercado
A Bela Ischia, de sucos, abriu duas estações de tratamento em Minas. Uma de água, com capacidade para 700 mil litros por dia; outra de efluentes. Fazem parte de projeto de R$ 2 milhões.
O Hospital São Vicente de Paulo investiu R$ 500 mil na campanha do novo centro de ortopedia. Quer dobrar o número de pacientes no segundo semestre. De julho a dezembro de 2012, teve dez mil.
A Boo! Studio assina a identidade visual do Armário Aberto, site de itens femininos. Custou R$ 30 mil.
O Dogbox, site de produtos para cachorros, prevê faturar R$1 milhão este ano. Lançado há três meses, tem 500 assinantes cadastrados.
A Estácio começa, em abril, a capacitação dos cerca de 75 mil voluntários da Jornada Mundial da Juventude, de 23 a 28 de julho.
O treinamento será on-line. Ficará disponível até fim do evento.
O novo site do Coppead/UFRJ tem plataforma com acesso gratuito a pesquisas e artigos dos professores da casa. Entrou no ar ontem.
O novo milagre econômico - JOÃO MELLÃO NETO
O ESTADO DE S. PAULO - 22/03
Reza o ditado que milagre mesmo é algo que não existe. O que chamamos de milagre é apenas uma ordem de coisas que desconhecemos. Eu começo a acreditar que isso seja uma grande verdade, depois de abrir os jornais de anteontem. Governo Dilma sobe 1 ponto e vai a 63 pontos porcentuais- essa foi a manchete principal dos jornais de quarta-feira. Tão absurda quanto ela só mesmo o pleito da Argentina no sentido de retomaras Ilhas Malvinas. De um lado está Cristina Kirchner, empunhando um par de setes, de outro, o papa, a quem ela pede intercessão para a devolução do arquipélago. Afinal, o que Sua Santidade tem que ver com isso? Mas os absurdos não param por aí. O Brasil, ainda há pouco, divulgou dados relativos ao desempenho da nossa economia.
E muitos desses dados são mutuamente excludentes.
A economia nacional estagnou? Isso é fato inconteste.
Mas, em contrapartida, não há desemprego e o povo se mostra otimista. O crédito está barato e abundante. E no mais tudo caminha igualmente bem.
Conforme o dito popular, depois da tempestade vem a enchente. Não é esse o caso, ao menos por aqui. O céu permanece azul e nada indica uma mudança brusca de tempo.
No entanto, para além do populismo selvagem praticado em terras austrais, há algo mais que os empresários brasileiros muitíssimo temem. Não, não é a chibata, mas a inexistência de crédito - crédito do bom, sem prazo para vencer nem data para quitar.
Os amigos da corte têm acesso ilimitado a ele. Praticamente não existe risco de insolvência.
Quando a situação fica negra, lá vem o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) injetar fundos a juros irrisórias, que se desfazem ao sabor da carestia. Para os demais empresários, porém, as durezas e os martírios causados pela inflação.
No caso específico brasileiro, como entender a mágica da inflação baixa mesclada com uma taxa de juros irrisória. Ela remonta a um passado não tão remoto, quando Galvêas, Pastore e, principalmente, Delfim Netto moviam os cordéis da economia e, qual czares, decretavam quem iria morrer e quem deveria sobreviver. O mecanismo para tanto era o crédito: abundante e a taxas baratas para os amigos, minguado e a taxas perversas para os inimigos. Nada muito diferente do que se observa hoje em dia. Até mesmo Delfim, o imortal, está de volta. Dizem por aí que é ele o capoditutti capi no campo econômico. Não duvido nada que isso seja verdade.
Tanto Delfim Netto quanto Roberto Campos foram os gigantes econômicos do Brasil pós-revolucionário. Roberto Campos representava o pensamento liberal e, segundo ele próprio admitia, foi o único liberal no Brasil a exercer o poder. Já Delfim se dizia um pragmático, para quem o certo era o que dava certo. Sua volta ao centro do poder não é de surpreender ninguém suficientemente informado. Ele sempre foi o líder do pensamento econômico da Universidade de São Paulo (USP) e estabelecia com seus alunos mais promissores uma espécie de pacto de vida ou morte. Quando assumia o poder, levava-os todos com ele e os discípulos, por sua vez, faziam o mesmo com o mestre.
Ambos, Delfim Netto e Roberto Campos, tinham uma cultura muito acima da do comum dos mortais. Qual era a diferença entre eles? Bem, Roberto Campos entendia ser seu dever moral compartilhar com os seus colegas as suas antevisões.
Já Delfim guardava as dele para si mesmo e alguns raros amigos. Roberto Campos, talvez como herança de sua formação seminarista, entendia que mentir era um pecado mortal. Mais pragmático, Delfim via nas inverdades um mero instrumento de trabalho.
Fui colega dos dois durante oito anos no Congresso Nacional.
A minha opinião sobre eles é a seguinte: ambos tinham o mesmo nível cultural, ambos estudavam bastante e ambos mereceram ter chegado aonde chegaram. Só que Delfim tinha uma "taxa de êxito" incontavelmente maior. Ele e sua equipe só chutavam em direção ao gol e na maioria das vezes acertavam. O resultado, no entanto, era dividido escrupulosamente entre todos os que participavam da empreitada. Roberto Campos, por sua vez, nunca teve o mau hábito de recolher resultados e muito menos o de dividi-los.
Na verdade, Roberto Campos era um missionário, enquanto Delfim Netto não estava longe de ser um corsário. Roberto Campos, todos nós sabíamos, era um pregador no deserto. De Delfim, com sua famosa ojeriza das multidões, jamais as procura espontaneamente.
Atribui-se a ele esta frase: "Tudo pelo povo, tudo para o povo e nada com o povo".
Mesmo quando estava errado, o fato é que Delfim ganhava todas. Pois saibam todos que ele está de volta. E ainda mais poderoso, porque agora já não precisa prestar contas a quem quer que seja.
E quem são os seus principais escudeiros? De um lado está o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que cobra a sua vassalagem à custa de um ministério, e, de outro, se encontra André Esteves, enfantterrible da economia brasileira, que sempre soube estar do lado certo na hora certa, ao menos em todas as contendas travadas no Planalto Central. Eles se reúnem, segundo se diz, ao menos uma vez por semana. Nesses almoços sigilosos são tratados todos os assuntos relativos à economia nacional e também é decidido quem vai morrer e quem vai viver dali em diante. Quanto valeria estar presente em apenas um desses banquetes? Com isso se percebe que a economia brasileira voltou aos seus gloriosos tempos de outrora. Aqui não vencem os mais competentes, e sim os influentes. A estratégia dos "campeões nacionais'' é a maior prova disso. Hoje, quem quiser se dar bem na vida que trate de agradar a essa gente.
"Muitos serão os chamados e poucos serão os eleitos..."
Delfim está de volta e ainda mais poderoso, pois não precisa prestar contas a ninguém
E muitos desses dados são mutuamente excludentes.
A economia nacional estagnou? Isso é fato inconteste.
Mas, em contrapartida, não há desemprego e o povo se mostra otimista. O crédito está barato e abundante. E no mais tudo caminha igualmente bem.
Conforme o dito popular, depois da tempestade vem a enchente. Não é esse o caso, ao menos por aqui. O céu permanece azul e nada indica uma mudança brusca de tempo.
No entanto, para além do populismo selvagem praticado em terras austrais, há algo mais que os empresários brasileiros muitíssimo temem. Não, não é a chibata, mas a inexistência de crédito - crédito do bom, sem prazo para vencer nem data para quitar.
Os amigos da corte têm acesso ilimitado a ele. Praticamente não existe risco de insolvência.
Quando a situação fica negra, lá vem o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) injetar fundos a juros irrisórias, que se desfazem ao sabor da carestia. Para os demais empresários, porém, as durezas e os martírios causados pela inflação.
No caso específico brasileiro, como entender a mágica da inflação baixa mesclada com uma taxa de juros irrisória. Ela remonta a um passado não tão remoto, quando Galvêas, Pastore e, principalmente, Delfim Netto moviam os cordéis da economia e, qual czares, decretavam quem iria morrer e quem deveria sobreviver. O mecanismo para tanto era o crédito: abundante e a taxas baratas para os amigos, minguado e a taxas perversas para os inimigos. Nada muito diferente do que se observa hoje em dia. Até mesmo Delfim, o imortal, está de volta. Dizem por aí que é ele o capoditutti capi no campo econômico. Não duvido nada que isso seja verdade.
Tanto Delfim Netto quanto Roberto Campos foram os gigantes econômicos do Brasil pós-revolucionário. Roberto Campos representava o pensamento liberal e, segundo ele próprio admitia, foi o único liberal no Brasil a exercer o poder. Já Delfim se dizia um pragmático, para quem o certo era o que dava certo. Sua volta ao centro do poder não é de surpreender ninguém suficientemente informado. Ele sempre foi o líder do pensamento econômico da Universidade de São Paulo (USP) e estabelecia com seus alunos mais promissores uma espécie de pacto de vida ou morte. Quando assumia o poder, levava-os todos com ele e os discípulos, por sua vez, faziam o mesmo com o mestre.
Ambos, Delfim Netto e Roberto Campos, tinham uma cultura muito acima da do comum dos mortais. Qual era a diferença entre eles? Bem, Roberto Campos entendia ser seu dever moral compartilhar com os seus colegas as suas antevisões.
Já Delfim guardava as dele para si mesmo e alguns raros amigos. Roberto Campos, talvez como herança de sua formação seminarista, entendia que mentir era um pecado mortal. Mais pragmático, Delfim via nas inverdades um mero instrumento de trabalho.
Fui colega dos dois durante oito anos no Congresso Nacional.
A minha opinião sobre eles é a seguinte: ambos tinham o mesmo nível cultural, ambos estudavam bastante e ambos mereceram ter chegado aonde chegaram. Só que Delfim tinha uma "taxa de êxito" incontavelmente maior. Ele e sua equipe só chutavam em direção ao gol e na maioria das vezes acertavam. O resultado, no entanto, era dividido escrupulosamente entre todos os que participavam da empreitada. Roberto Campos, por sua vez, nunca teve o mau hábito de recolher resultados e muito menos o de dividi-los.
Na verdade, Roberto Campos era um missionário, enquanto Delfim Netto não estava longe de ser um corsário. Roberto Campos, todos nós sabíamos, era um pregador no deserto. De Delfim, com sua famosa ojeriza das multidões, jamais as procura espontaneamente.
Atribui-se a ele esta frase: "Tudo pelo povo, tudo para o povo e nada com o povo".
Mesmo quando estava errado, o fato é que Delfim ganhava todas. Pois saibam todos que ele está de volta. E ainda mais poderoso, porque agora já não precisa prestar contas a quem quer que seja.
E quem são os seus principais escudeiros? De um lado está o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que cobra a sua vassalagem à custa de um ministério, e, de outro, se encontra André Esteves, enfantterrible da economia brasileira, que sempre soube estar do lado certo na hora certa, ao menos em todas as contendas travadas no Planalto Central. Eles se reúnem, segundo se diz, ao menos uma vez por semana. Nesses almoços sigilosos são tratados todos os assuntos relativos à economia nacional e também é decidido quem vai morrer e quem vai viver dali em diante. Quanto valeria estar presente em apenas um desses banquetes? Com isso se percebe que a economia brasileira voltou aos seus gloriosos tempos de outrora. Aqui não vencem os mais competentes, e sim os influentes. A estratégia dos "campeões nacionais'' é a maior prova disso. Hoje, quem quiser se dar bem na vida que trate de agradar a essa gente.
"Muitos serão os chamados e poucos serão os eleitos..."
Delfim está de volta e ainda mais poderoso, pois não precisa prestar contas a ninguém
PIB, olhando para a frente - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SP - 22/03
Não se deve esperar medida mais heroica do governo no sentido de enfrentar os desafios estruturais
Em nosso encontro passado, chamei a atenção do leitor para o medíocre crescimento da economia em 2012 e fiz uma previsão de dias melhores para este ano. Os dados já disponíveis sobre o comportamento da economia neste primeiro trimestre caminham nessa direção.
O Banco Central divulgou recentemente que o PIB que mede mensalmente, relativo ao mês de janeiro passado, cresceu 1,3% em relação ao mês anterior. Embora a correlação entre esse número e o PIB calculado pelo IBGE tenha sido muito baixa no período recente, esse índice IBC-BR ainda faz parte de um grupo de indicadores utilizados pelo mercado para estimar o crescimento da economia.
Outros números que funcionam como indicadores antecedentes do PIB apontam também para um crescimento mais forte neste trimestre que se encerra. Dois deles me chamaram a atenção e devem ser destaques quando o número oficial for conhecido: o crescimento da produção agrícola e o da produção e da venda de caminhões.
Fernando Montero, um dos analistas que acompanho regularmente, prevê para 2013 um crescimento do PIB agrícola de 8%. Mas, para o primeiro trimestre, em razão da sazonalidade da agricultura, o crescimento pode chegar a 13% em relação ao mesmo período de 2012.
Como o peso da agricultura no PIB é da ordem de 5%, somente esse item deve gerar um crescimento de cerca de 0,6%.
Outro setor da economia que vem mostrando um crescimento elevado, neste início de ano, é o de caminhões, bom indicador da formação bruta de capital, nome complexo do investimento nas contas nacionais do IBGE.
Com isso, mantendo o crescimento do setor de serviços na faixa dos 2,5% ao ano e projetando uma recuperação da indústria da ordem de 3%, chegamos a um crescimento no trimestre -em relação ao trimestre anterior- da ordem de 1,3%, ou seja, 5,2% anuais.
Mas, com a sazonalidade da agricultura, a taxa de crescimento dos trimestres seguintes deve se reduzir para algo como 0,8%, ou seja, 3,2% ao ano. Com isso, o número final de crescimento do PIB em 2013 será -se suas avaliações estiverem corretas- de 3,3%, com os serviços crescendo 2,6%, a indústria, 3,0%, e a agropecuária, 8,3%.
Outro economista que acompanho nas avaliações de conjuntura de curto prazo é Fabio Ramos, da Quest Investimentos. Suas previsões estão na mesma direção de Fernando Montero, mas com uma velocidade de crescimento mais baixa. Seus números hoje são 1% de crescimento para o primeiro trimestre deste ano e 2,9% a 3,2% para o ano como um todo.
Se confirmadas essas previsões, dois comentários se impõem: o primeiro é que, dado o crescimento medíocre de 2012, esses números ainda mostram uma economia com extrema dificuldade de retomar a velocidade de crescimento do período de ouro de Lula.
A segunda observação é a que essa velocidade de crescimento será suficiente para manter a geração de emprego no nível mínimo necessário para perenizar o nível atual do desemprego.
Portanto, a correção dos salários nos próximos meses deve se manter acima da inflação, garantindo aumentos reais aos trabalhadores.
Como já entramos no radar das eleições presidenciais do próximo ano, não se deve esperar nenhuma medida mais heroica do governo no sentido de enfrentar os desafios estruturais que dominam a economia brasileira hoje. Essa velocidade de crescimento e a manutenção da situação de quase pleno emprego devem ser suficientes para garantir a reeleição da presidente.
Por isso vamos continuar a ver -e a conviver- por muito tempo ainda as filas absurdas de caminhões nos principais portos do país, bem como os atrasos de dias para que os navios possam embarcar suas cargas, onerando nossas exportações.
Também as pressões inflacionárias que começam a crescer em razão de descompassos de oferta em mercados importantes serão enfrentadas com medidas paliativas, como redução de impostos na ponta do consumo. Até mesmo a política de superavit fiscais primários, que têm permitido uma redução continuada da dívida pública, será imolada no altar da reeleição.
Não se deve esperar medida mais heroica do governo no sentido de enfrentar os desafios estruturais
Em nosso encontro passado, chamei a atenção do leitor para o medíocre crescimento da economia em 2012 e fiz uma previsão de dias melhores para este ano. Os dados já disponíveis sobre o comportamento da economia neste primeiro trimestre caminham nessa direção.
O Banco Central divulgou recentemente que o PIB que mede mensalmente, relativo ao mês de janeiro passado, cresceu 1,3% em relação ao mês anterior. Embora a correlação entre esse número e o PIB calculado pelo IBGE tenha sido muito baixa no período recente, esse índice IBC-BR ainda faz parte de um grupo de indicadores utilizados pelo mercado para estimar o crescimento da economia.
Outros números que funcionam como indicadores antecedentes do PIB apontam também para um crescimento mais forte neste trimestre que se encerra. Dois deles me chamaram a atenção e devem ser destaques quando o número oficial for conhecido: o crescimento da produção agrícola e o da produção e da venda de caminhões.
Fernando Montero, um dos analistas que acompanho regularmente, prevê para 2013 um crescimento do PIB agrícola de 8%. Mas, para o primeiro trimestre, em razão da sazonalidade da agricultura, o crescimento pode chegar a 13% em relação ao mesmo período de 2012.
Como o peso da agricultura no PIB é da ordem de 5%, somente esse item deve gerar um crescimento de cerca de 0,6%.
Outro setor da economia que vem mostrando um crescimento elevado, neste início de ano, é o de caminhões, bom indicador da formação bruta de capital, nome complexo do investimento nas contas nacionais do IBGE.
Com isso, mantendo o crescimento do setor de serviços na faixa dos 2,5% ao ano e projetando uma recuperação da indústria da ordem de 3%, chegamos a um crescimento no trimestre -em relação ao trimestre anterior- da ordem de 1,3%, ou seja, 5,2% anuais.
Mas, com a sazonalidade da agricultura, a taxa de crescimento dos trimestres seguintes deve se reduzir para algo como 0,8%, ou seja, 3,2% ao ano. Com isso, o número final de crescimento do PIB em 2013 será -se suas avaliações estiverem corretas- de 3,3%, com os serviços crescendo 2,6%, a indústria, 3,0%, e a agropecuária, 8,3%.
Outro economista que acompanho nas avaliações de conjuntura de curto prazo é Fabio Ramos, da Quest Investimentos. Suas previsões estão na mesma direção de Fernando Montero, mas com uma velocidade de crescimento mais baixa. Seus números hoje são 1% de crescimento para o primeiro trimestre deste ano e 2,9% a 3,2% para o ano como um todo.
Se confirmadas essas previsões, dois comentários se impõem: o primeiro é que, dado o crescimento medíocre de 2012, esses números ainda mostram uma economia com extrema dificuldade de retomar a velocidade de crescimento do período de ouro de Lula.
A segunda observação é a que essa velocidade de crescimento será suficiente para manter a geração de emprego no nível mínimo necessário para perenizar o nível atual do desemprego.
Portanto, a correção dos salários nos próximos meses deve se manter acima da inflação, garantindo aumentos reais aos trabalhadores.
Como já entramos no radar das eleições presidenciais do próximo ano, não se deve esperar nenhuma medida mais heroica do governo no sentido de enfrentar os desafios estruturais que dominam a economia brasileira hoje. Essa velocidade de crescimento e a manutenção da situação de quase pleno emprego devem ser suficientes para garantir a reeleição da presidente.
Por isso vamos continuar a ver -e a conviver- por muito tempo ainda as filas absurdas de caminhões nos principais portos do país, bem como os atrasos de dias para que os navios possam embarcar suas cargas, onerando nossas exportações.
Também as pressões inflacionárias que começam a crescer em razão de descompassos de oferta em mercados importantes serão enfrentadas com medidas paliativas, como redução de impostos na ponta do consumo. Até mesmo a política de superavit fiscais primários, que têm permitido uma redução continuada da dívida pública, será imolada no altar da reeleição.
Rebaixamento - CELSO MING
O ESTADO DE S. PAULO - 22/03
O rebaixamento da qualidade dos ativos do BNDES e da Caixa Econômica por uma das maiores agências de classificação de risco, a Moody"s, é uma advertência à maneira como o governo Dilma vem turbinando o crédito.
Ontem, o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Raphael Rezende, fez pouco-caso do alerta. Disse que as operações elevaram o lucro da instituição e que a decisão da Moody"s apenas alinhou os riscos da Caixa, um banco estatal, aos do próprio governo.
Meia-verdade. O maior lucro no curto prazo tende a rarear na medida em que os índices de inadimplência obrigarem esses bancos a aumentar suas provisões para cobrir o retorno duvidoso desses empréstimos. Além disso, o rebaixamento não alcançou, por exemplo, o Banco do Brasil, que vem sendo bem mais cuidadoso na concessão de créditos do que a Caixa e o BNDES.
E aí chegamos ao talo do problema. Tanto o BNDES como a Caixa se atiraram com sofreguidão à distribuição de financiamentos, mais preocupados em produzir estatísticas do que com a qualidade de serviço - veja, no gráfico, a evolução do saldo na carteira de crédito das duas instituições nos últimos três anos.
Ambos vêm atendendo à aflição do governo Dilma com o baixo nível dos investimentos. O BNDES segue elegendo os campeões do futuro e injetando-lhes créditos subsidiados, sem considerar que muitos desses seus clientes não precisariam de vitamina oficial, uma vez que dispõem de capital próprio ou de capacidade de endividamento para levantar recursos no mercado, tanto aqui como no exterior.
A Caixa atende especialmente ao financiamento habitacional, nem sempre disposta a conferir se a renda familiar do comprador comporta o tamanho do financiamento a que fica comprometido. E nem poderia ser diferente para um banco, como a Caixa, que expandiu sua carteira de crédito em nada menos que 40%, em cada um dos últimos três anos.
E quem está dizendo que os critérios técnicos nesses dois casos estão sendo passados para trás é a própria Moody"s, que justificou o rebaixamento em dois níveis das notas do BNDES e da Caixa, pela "deterioração na qualidade de crédito intrínseca dos bancos e, particularmente, ao enfraquecimento das suas posições de capital de nível 1". Ou seja, tanto o BNDES como a Caixa estão emprestando mais do que comporta o tamanho dos seus respectivos capitais. "Os empréstimos do BNDES para os dez maiores clientes", aponta a Moody"s, "subiram para mais de 4 vezes o capital de nível 1 em 2012, de 3,4 vezes em 2010. As grandes exposições da Caixa Econômica equivalem a 1,5 vez seu capital de nível 1 em 2012, vindo de 1,1 vezes em 2010". Ou seja, não é pouca coisa.
Em ambos os casos, critérios políticos vêm se sobrepondo aos técnicos, no pressuposto de que, se alguma coisa der errado, o Tesouro comparecerá pressuroso com sua UTI, sempre disponível. É a ligação direta entre o Tesouro e esses bancos oficiais, anomalia que corrobora as críticas de que o governo trouxe de volta a Conta Movimento que, até 1986, caracterizava a relação incestuosa entre o Banco do Brasil, que gastava o que os políticos mandavam, e o Tesouro (ou seja, o contribuinte), chamado a pagar a conta.
Correção. Para ser aprovada, uma Emenda Constitucional no Brasil precisa da adesão da maioria qualificada de três quintos dos votos, nas duas Casas do Congresso, e não de dois terços, como foi publicado ontem nesta Coluna. Agradecemos ao leitor Gabriel Rodrigues Cintra por ter apontando essa incorreção.
Ontem, o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Raphael Rezende, fez pouco-caso do alerta. Disse que as operações elevaram o lucro da instituição e que a decisão da Moody"s apenas alinhou os riscos da Caixa, um banco estatal, aos do próprio governo.
Meia-verdade. O maior lucro no curto prazo tende a rarear na medida em que os índices de inadimplência obrigarem esses bancos a aumentar suas provisões para cobrir o retorno duvidoso desses empréstimos. Além disso, o rebaixamento não alcançou, por exemplo, o Banco do Brasil, que vem sendo bem mais cuidadoso na concessão de créditos do que a Caixa e o BNDES.
E aí chegamos ao talo do problema. Tanto o BNDES como a Caixa se atiraram com sofreguidão à distribuição de financiamentos, mais preocupados em produzir estatísticas do que com a qualidade de serviço - veja, no gráfico, a evolução do saldo na carteira de crédito das duas instituições nos últimos três anos.
Ambos vêm atendendo à aflição do governo Dilma com o baixo nível dos investimentos. O BNDES segue elegendo os campeões do futuro e injetando-lhes créditos subsidiados, sem considerar que muitos desses seus clientes não precisariam de vitamina oficial, uma vez que dispõem de capital próprio ou de capacidade de endividamento para levantar recursos no mercado, tanto aqui como no exterior.
A Caixa atende especialmente ao financiamento habitacional, nem sempre disposta a conferir se a renda familiar do comprador comporta o tamanho do financiamento a que fica comprometido. E nem poderia ser diferente para um banco, como a Caixa, que expandiu sua carteira de crédito em nada menos que 40%, em cada um dos últimos três anos.
E quem está dizendo que os critérios técnicos nesses dois casos estão sendo passados para trás é a própria Moody"s, que justificou o rebaixamento em dois níveis das notas do BNDES e da Caixa, pela "deterioração na qualidade de crédito intrínseca dos bancos e, particularmente, ao enfraquecimento das suas posições de capital de nível 1". Ou seja, tanto o BNDES como a Caixa estão emprestando mais do que comporta o tamanho dos seus respectivos capitais. "Os empréstimos do BNDES para os dez maiores clientes", aponta a Moody"s, "subiram para mais de 4 vezes o capital de nível 1 em 2012, de 3,4 vezes em 2010. As grandes exposições da Caixa Econômica equivalem a 1,5 vez seu capital de nível 1 em 2012, vindo de 1,1 vezes em 2010". Ou seja, não é pouca coisa.
Em ambos os casos, critérios políticos vêm se sobrepondo aos técnicos, no pressuposto de que, se alguma coisa der errado, o Tesouro comparecerá pressuroso com sua UTI, sempre disponível. É a ligação direta entre o Tesouro e esses bancos oficiais, anomalia que corrobora as críticas de que o governo trouxe de volta a Conta Movimento que, até 1986, caracterizava a relação incestuosa entre o Banco do Brasil, que gastava o que os políticos mandavam, e o Tesouro (ou seja, o contribuinte), chamado a pagar a conta.
Correção. Para ser aprovada, uma Emenda Constitucional no Brasil precisa da adesão da maioria qualificada de três quintos dos votos, nas duas Casas do Congresso, e não de dois terços, como foi publicado ontem nesta Coluna. Agradecemos ao leitor Gabriel Rodrigues Cintra por ter apontando essa incorreção.
Sinal de alerta - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 22/03
As agências de classificação de risco erram muito, mas desta vez o rebaixamento das notas do BNDES, BNDESPar e Caixa Econômica, pela Moody"s, toca num ponto que tem sido objeto de constante preocupação de vários economistas brasileiros: o uso excessivo dos bancos públicos pelo governo e a criação de distorções pelas alquimias fiscais feitas para fingir que eles estão sendo capitalizados.
O lucro do BNDESPar ficou 93% menor no ano passado. Um espanto, por ser uma carteira com participação das maiores empresas brasileiras. Em algumas, ele tem uma fatia exorbitante do capital. O lucro do BNDES também ficou 9,55% menor e só não caiu mais porque houve jeitinho contábil. O Conselho Monetário Nacional autorizou o banco, no final de 2012, a atualizar com menos frequência o valor das ações que possui. Ele não precisa mais fazer marcação a mercado de um pedaço dos seus ativos. Assim, a ação de uma empresa pode cair na bolsa, que no balanço do BNDES nada muda. O lucro ficou R$ 2,3 bilhões maior por causa disso.
A Caixa Econômica teve lucro de R$ 6,1 bilhões em 2012, com crescimento de 17% sobre o ano anterior. O problema é que, segundo a Austin Rating, também houve jeitinho contábil para se chegar a essa cifra, como mostrou o repórter Ronaldo D"ercole, do GLOBO. Mais de um terço desse lucro, ou R$ 2,6 bilhões, veio de crédito fiscal, uma espécie de abatimento de imposto, feito pela Receita, por créditos provisionados pela Caixa. O montante fugiu ao padrão e foi alto demais para um único ano. A concessão de crédito da Caixa subiu 42%, muito acima da média do resto do mercado. O banco sofreu pressão do governo para empurrar a economia.
O BNDESPar registrou R$ 3,35 bilhões de baixa contábil em 2012 por perda ou desvalorização de ativos que comprou. O caso mais conhecido é o do LBR-Lácteos, uma empresa que não tem ações cotadas em bolsa, e que logo depois de virar sócia do governo entrou em recuperação judicial.
Não é a falta de lucro em determinado ano que induz a um rebaixamento, mas o fato de que os bancos públicos têm sido capitalizados com ativos de baixa liquidez, naquele troca-troca de créditos que o governo tem feito quando tem mais um daqueles surtos de delírio contábil.
Enquanto faz escolhas discutíveis com o valioso dinheiro público, o BNDES vai piorando seu balanço. A dívida do banco com o Tesouro Nacional disparou em cinco anos, de R$ 6,5 bilhões, em 2008, para R$ 371 bi, em janeiro deste ano. Segundo o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, o custo para o Tesouro com os empréstimos ao BNDES chegou a R$ 15 bilhões no ano passado. É que o governo se endivida a taxas de mercado e empresta ao BNDES ao custo da TJLP. Pega dinheiro mais caro do que empresta, e o prejuízo é transferido para todos nós.
- Trata-se do mesmo valor do programa Bolsa Família. Mas esse gasto não foi aprovado pelo Congresso, nem foi discutido com a sociedade. É um custo que não está devidamente contabilizado no Orçamento - disse o economista.
A Caixa Econômica se envolveu naquela enorme e jamais explicada trapalhada do Banco PanAmericano, quando comprou 49% de um banco que estava falido e que precisou de R$ 4,3 bilhões do Fundo Garantidor de crédito para não quebrar. Se quebrasse, a Caixa ficaria com os bens indisponíveis. E depois teve que fazer novas operações para fortalecer o banco, depois de salvo.
No começo deste ano, o governo fez uma manobra fiscal complexa em que acabou capitalizando a Caixa com uma série de ações que estavam na BNDESPar. Nisso, ela virou sócia até de frigorífico. O BNDES empresta muito a poucos. O grau de concentração é cada vez mais alto. Essa coluna já tratou inúmeras vezes dos excessivos empréstimos e capitalizações das empresas do grupo JBS para fazer o nosso campeão da carne.
Os casos de piora dos ativos e passivos e de interferência em bancos públicos são muitos. Tudo tem sido assunto para alertas sucessivos de especialistas. O que a Moody"s fez, ao rebaixar o BNDES, BNDESpar e Caixa, é confirmar temores de brasileiros. Seria bom que o governo entendesse do que se fala, afinal de contas.
O número que melhor ilustra o fracasso das injeções de dinheiro no BNDES é a queda de 4% no investimento em 2012. A formação Bruta de Capital Fixo, sinônimo de investimentos, está em queda há dois anos em relação ao PIB: saiu de 19,5% em 2010 para 18,1% em 2012.
O lucro do BNDESPar ficou 93% menor no ano passado. Um espanto, por ser uma carteira com participação das maiores empresas brasileiras. Em algumas, ele tem uma fatia exorbitante do capital. O lucro do BNDES também ficou 9,55% menor e só não caiu mais porque houve jeitinho contábil. O Conselho Monetário Nacional autorizou o banco, no final de 2012, a atualizar com menos frequência o valor das ações que possui. Ele não precisa mais fazer marcação a mercado de um pedaço dos seus ativos. Assim, a ação de uma empresa pode cair na bolsa, que no balanço do BNDES nada muda. O lucro ficou R$ 2,3 bilhões maior por causa disso.
A Caixa Econômica teve lucro de R$ 6,1 bilhões em 2012, com crescimento de 17% sobre o ano anterior. O problema é que, segundo a Austin Rating, também houve jeitinho contábil para se chegar a essa cifra, como mostrou o repórter Ronaldo D"ercole, do GLOBO. Mais de um terço desse lucro, ou R$ 2,6 bilhões, veio de crédito fiscal, uma espécie de abatimento de imposto, feito pela Receita, por créditos provisionados pela Caixa. O montante fugiu ao padrão e foi alto demais para um único ano. A concessão de crédito da Caixa subiu 42%, muito acima da média do resto do mercado. O banco sofreu pressão do governo para empurrar a economia.
O BNDESPar registrou R$ 3,35 bilhões de baixa contábil em 2012 por perda ou desvalorização de ativos que comprou. O caso mais conhecido é o do LBR-Lácteos, uma empresa que não tem ações cotadas em bolsa, e que logo depois de virar sócia do governo entrou em recuperação judicial.
Não é a falta de lucro em determinado ano que induz a um rebaixamento, mas o fato de que os bancos públicos têm sido capitalizados com ativos de baixa liquidez, naquele troca-troca de créditos que o governo tem feito quando tem mais um daqueles surtos de delírio contábil.
Enquanto faz escolhas discutíveis com o valioso dinheiro público, o BNDES vai piorando seu balanço. A dívida do banco com o Tesouro Nacional disparou em cinco anos, de R$ 6,5 bilhões, em 2008, para R$ 371 bi, em janeiro deste ano. Segundo o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, o custo para o Tesouro com os empréstimos ao BNDES chegou a R$ 15 bilhões no ano passado. É que o governo se endivida a taxas de mercado e empresta ao BNDES ao custo da TJLP. Pega dinheiro mais caro do que empresta, e o prejuízo é transferido para todos nós.
- Trata-se do mesmo valor do programa Bolsa Família. Mas esse gasto não foi aprovado pelo Congresso, nem foi discutido com a sociedade. É um custo que não está devidamente contabilizado no Orçamento - disse o economista.
A Caixa Econômica se envolveu naquela enorme e jamais explicada trapalhada do Banco PanAmericano, quando comprou 49% de um banco que estava falido e que precisou de R$ 4,3 bilhões do Fundo Garantidor de crédito para não quebrar. Se quebrasse, a Caixa ficaria com os bens indisponíveis. E depois teve que fazer novas operações para fortalecer o banco, depois de salvo.
No começo deste ano, o governo fez uma manobra fiscal complexa em que acabou capitalizando a Caixa com uma série de ações que estavam na BNDESPar. Nisso, ela virou sócia até de frigorífico. O BNDES empresta muito a poucos. O grau de concentração é cada vez mais alto. Essa coluna já tratou inúmeras vezes dos excessivos empréstimos e capitalizações das empresas do grupo JBS para fazer o nosso campeão da carne.
Os casos de piora dos ativos e passivos e de interferência em bancos públicos são muitos. Tudo tem sido assunto para alertas sucessivos de especialistas. O que a Moody"s fez, ao rebaixar o BNDES, BNDESpar e Caixa, é confirmar temores de brasileiros. Seria bom que o governo entendesse do que se fala, afinal de contas.
O número que melhor ilustra o fracasso das injeções de dinheiro no BNDES é a queda de 4% no investimento em 2012. A formação Bruta de Capital Fixo, sinônimo de investimentos, está em queda há dois anos em relação ao PIB: saiu de 19,5% em 2010 para 18,1% em 2012.
O colapso do investimento no Brasil - CLÁUDIO R. FRISCHTAK
VALOR ECONÔMICO - 22/03
A baixa taxa de investimento no Brasil, associada à (quase) estagnação da produtividade, vem progressivamente solapando a competitividade da economia brasileira e seu potencial de crescimento no médio e longo prazo. Na última década, a economia passou por dois ciclos de investimento: um longo, iniciado no segundo trimestre de 2004 e interrompido no terceiro trimestre de 2008 pela Grande Recessão; e um curto, partindo no segundo trimestre de 2009, atinge seu pico em 2010, e se esgota dois anos após seu início (segundo trimestre de 2011, quando a taxa de crescimento do investimento cai abaixo de 3% frente ao trimestre anterior).
A trajetória recente do investimento aponta para seu colapso, no sentido de não apenas ter perdido impulso, mas de ter se contraído em termos absolutos: a formação bruta de capital fixo em 2012 cai 4% (frente a 2011) e a taxa de investimento no ano se reduz a 18,1% (19,3% em 2011). Esse desempenho tem algumas explicações tópicas, a exemplo da contração conjuntural na demanda de caminhões com a adoção de um novo padrão de consumo de diesel, novos motores e preços mais elevados. Contudo, em anos recentes, e principalmente desde 2011, foi introduzido um conjunto de mudanças tributárias e no custo de capital que levou a uma queda efetiva no custo de investimento. Ademais, incentivos fiscais, a ampliação do crédito e o aumento real dos salários favoreceu o consumo, enquanto que compras públicas ampliaram o mercado para máquinas e equipamentos. Sob a premissa de que o "vazamento" da demanda doméstica em volumes crescentes vem retirando dinamismo do mercado, o governo introduziu medidas de proteção, e intervenções no mercado de cambio levaram à desvalorização do real. No seu conjunto seriam medidas que estimulariam o investimento - a queda de seu custo e a ampliação da demanda.
Como, portanto explicar o desempenho do investimento à luz do amplo conjunto de incentivos voltados à sua ampliação e à expansão da produção? E porque o novo regime tem sido incapaz de constituir uma efetiva política de apoio à indústria de transformação?
A decisão de investimento é formada por um conjunto de informações objetivas a respeito da economia e dos mercados, e por percepções subjetivas do ambiente de negócios e de eventos futuros que afetam o ânimo investidor (ou o "espírito animal", conforme Keynes). Sem necessariamente tentar hierarquizar a importância relativa de cada fator, os resultados obtidos em 2011-2012 sugerem que os incentivos diretos e indiretos ao investimento foram sobrepujados por um conjunto relevante de fatores.
Primeiro, a perda de competitividade da economia brasileira, agravado pelo contexto de baixo crescimento da economia mundial. Com a possível exceção da produção assentada em recursos naturais (as chamadas "commodities"), e alguns segmentos da indústria de transformação, o país vem deixando de ser uma plataforma competitiva de exportação de bens e serviços, e crescentemente de produção de bens transacionáveis. Não há um fator determinante, mas a maior fragilidade se explica por uma combinação de infraestrutura precária, baixos níveis educacionais e de qualificação, inflação de custos em serviços, e pressão tributária - o país sendo um ponto fora da curva em termos de carga tributária para o nível de renda per capita.
Segundo, e com impacto direto sobre a decisão de investir, o "capex" (gastos de capital) dos projetos - e os tempos de execução - vem se elevando nos últimos anos. Nos anos pré-crise, esse fenômeno se explica pela escassez e elevação dos preços dos bens de capital, porém crescentemente pelo componente de serviços, num contexto de custos unitários do trabalho em acentuada elevação no Brasil.
Terceiro, houve uma deterioração da qualidade da política econômica. No plano macro, há dificuldades de acomodar de forma simultânea a expansão do consumo (inclusive do governo) e do investimento, o que se expressa nas tensões inflacionárias a partir de 2010, e nas dúvidas se o governo continua compromissado com o sistema de metas e seus fundamentos. As tentativas de encobrir a redução do superávit primário com manobras fiscais heterodoxas e de comprimir artificialmente a inflação, e os ruídos dissonantes de diferentes esferas do governo quanto à política cambial, minaram sua credibilidade. Na realidade, a expansão do consumo acentuou tensões que desaguam no mercado de trabalho (e no aumento do déficit em conta corrente), e corroem a competitividade da economia. Porém "esfriar" o mercado de trabalho seria apagar o ponto brilhante da economia brasileira, que vem premiando a base da pirâmide com ganhos reais (e possivelmente desproporcionais ao incremento da produtividade).
Finalmente, o hiperativismo no plano das políticas industriais e comerciais agrava a percepção de que, apesar da vontade de estimular a economia no seu conjunto e o setor industrial em particular, corre-se atrás de um alvo móvel - seja pelo diagnóstico errôneo, seja pelas falhas de execução. Em qualquer dos casos, a volatilidade das políticas resultou na perda de confiança dos agentes quanto ao rumo da economia. Na medida em que o ato de investir é uma aposta no futuro, a falta de visibilidade quanto à trajetória da economia, combinada com elementos objetivos relativos à perda de competitividade explica em grande medida o colapso do investimento no país.
O freio de mão da corrida presidencial - MARIA CRISTINA FERNANDES
VALOR ECONÔMICO - 22/03
A tonelada da mandioca subiu quase 200% com a safra quebrada pela seca, mas, a julgar pela última pesquisa CNI/Ibope, o nordestino não culpa a presidente Dilma Rousseff pela carestia.
É naquela região, segundo maior colégio eleitoral do país (27% do total), que a presidente colhe seus melhores índices de popularidade. Ruma para se aproximar dos míticos indicadores obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela região, Lula deixou o governo com 86% de popularidade. Dilma tem 72%.
A presidente alcança esse patamar a despeito do peso que a questão federativa ganhou no debate político. A desoneração, uma das armas das quais este governo tem se valido para enfrentar a economia em crise, reduz os repasses dos impostos compartilhados com Estados e municípios.
Se há um discurso que une políticos da região é que a política industrial de Dilma, mais ampla do que a de seus dois últimos antecessores, é feita à custa dos Estados menos desenvolvidos do país.
Com os devidos matizes de quem pretende disputar audiência nacional, esse discurso incensa o governador de Pernambuco nas rodas de sua vizinhança.
Inflação perde para o salário de 95% dos eleitores
Na sua última incursão brasiliense, deu grande amplitude a outra face do mesmo discurso, a de que políticas federais de grande popularidade são executadas por Estados e municípios que não têm receita para honrar as contrapartidas.
Entra na conta de gastos sociais que lustram a popularidade presidencial às expensas dos cofres locais, por exemplo, o piso nacional de professores.
Com simpatizantes em todos os cantos da Federação, foi esse discurso que deu impulso para a derrubada dos vetos presidenciais à redistribuição dos royalties do petróleo.
É dos representantes dessas regiões que surgem sinalizações de perda de prestígio da presidente entre seus aliados. Esses sinais, propagados em manchetes e colunas de jornal, dão conta de uma base de apoio prestes a se estilhaçar nos cacos de uma sucessão presidencial multipolar.
O cenário se confronta com a pesquisa desta semana que mostra um divórcio ainda por ser compreendido entre os eleitores e seus representantes regionais. Por mais que deputados e governadores se queixem, a popularidade da presidente não apenas resiste como cresce.
As notícias mais lembradas pela população são um caminho para se entender esse divórcio. Foram três as captadas pela pesquisa. A mais lembrada de todas foi o incêndio na boate de Santa Maria que matou 241 pessoas.
A tragédia, ocorrida há quase dois meses, levou uma presidente visivelmente comovida aos leitos das vítimas.
Mas foi nas duas outras notícias mais lembradas, a redução da tarifa de energia e desoneração da cesta básica, que a presidente exercitou a leve mas persistente guinada na sua política de comunicação.
Mais solta no teleprompter, Dilma parecia se dirigir à dona de casa contra interesses de homens "alarmistas", "pessimistas" e "sem fé no Brasil". Seguiu mais ou menos a mesma lógica do Bolsa Família, que escolhe a mãe como titular da conta pela maior probabilidade de que o dinheiro vá parar no supermercado.
O discurso de gênero ficou ainda mais evidente no dia internacional das mulheres, quando anunciou a desoneração da cesta básica.
Aliou o anúncio da medida de impacto direto no dia a dia das famílias com o figurino de paladina da Justiça contra as mulheres vítimas de violência - "Se vocês agem assim por falta de respeito ou por falta de temor, não esqueçam jamais que a maior autoridade deste país é uma mulher, uma mulher que não tem medo de enfrentar os injustos nem a injustiça, estejam onde estiverem".
Foi essa a imagem que a ajudou a conquistar como simpatizantes de seu governo um terço dos eleitores que não a tiveram como primeira escolha em 2010. É como se a presidente tivesse incorporado uma Marina Silva a seu palanque, ainda que não se possa dizer que esses novos simpatizantes resistam ao leque de opções de uma campanha presidencial.
Na imagem milimetricamente construída de Dilma versão 2.14 está embutida a ideia de que a presidente possa vir a ser a herdeira da utopia que em 2010 ainda estava colada em Lula e, se raspou a imagem de algum dos candidatos em disputa, foi a da ex-senadora do PV.
Além disso, seu mandato não registra avanços na pauta dos direitos homossexuais nem da descriminalização do aborto, o que pode confortar parte do eleitorado que dela fugiu por desconfiar da ex-guerrilheira duas vezes divorciada.
Tem muito chão até que esses 63% que a aprovam sejam incorporados como eleitores em 2014. Esse eleitor permanecerá a seu lado se as razões pelas quais aproximou-se da candidata que não era a sua permanecerem. Vai rodar em outra freguesia se esses quase 20 meses que faltam para a reeleição contradisserem aquilo que se viu até agora.
A primeira condição é manter as pessoas empregadas. Pela numeralha de fevereiro, que, além do emprego em alta, mostra 95% dos reajustes acima da inflação (Valor, 21/03), não é improvável que consiga.
A segunda é garantir os direitos do empregado que consome. Pela guerra que se trava em torno do loteamento das agências reguladoras responsáveis pela fiscalização de serviços públicos concedidos à iniciativa privada, é muito difícil que consiga mantê-las a salvo das ingerências.
A terceira das condições que terá a cumprir para fazer coincidir popularidade e voto é segurar as parcelas do eleitorado que ganhou com a faxina do início do governo. A mexida que fez e está por fazer no ministério revela as concessões da presidente para acomodar seus aliados de 2014.
Nesse quesito, a presidente pode acabar se beneficiando de uma carona do Judiciário. Assim como o julgamento do mensalão ajudou, aos olhos da classe média, a mantê-la afastada do petismo tradicional, o foco do Judiciário sobre personagens emblemáticos da aliança governista, como o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pode acabar fazendo o serviço que a destemida presidente custa a executar.
É naquela região, segundo maior colégio eleitoral do país (27% do total), que a presidente colhe seus melhores índices de popularidade. Ruma para se aproximar dos míticos indicadores obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela região, Lula deixou o governo com 86% de popularidade. Dilma tem 72%.
A presidente alcança esse patamar a despeito do peso que a questão federativa ganhou no debate político. A desoneração, uma das armas das quais este governo tem se valido para enfrentar a economia em crise, reduz os repasses dos impostos compartilhados com Estados e municípios.
Se há um discurso que une políticos da região é que a política industrial de Dilma, mais ampla do que a de seus dois últimos antecessores, é feita à custa dos Estados menos desenvolvidos do país.
Com os devidos matizes de quem pretende disputar audiência nacional, esse discurso incensa o governador de Pernambuco nas rodas de sua vizinhança.
Inflação perde para o salário de 95% dos eleitores
Na sua última incursão brasiliense, deu grande amplitude a outra face do mesmo discurso, a de que políticas federais de grande popularidade são executadas por Estados e municípios que não têm receita para honrar as contrapartidas.
Entra na conta de gastos sociais que lustram a popularidade presidencial às expensas dos cofres locais, por exemplo, o piso nacional de professores.
Com simpatizantes em todos os cantos da Federação, foi esse discurso que deu impulso para a derrubada dos vetos presidenciais à redistribuição dos royalties do petróleo.
É dos representantes dessas regiões que surgem sinalizações de perda de prestígio da presidente entre seus aliados. Esses sinais, propagados em manchetes e colunas de jornal, dão conta de uma base de apoio prestes a se estilhaçar nos cacos de uma sucessão presidencial multipolar.
O cenário se confronta com a pesquisa desta semana que mostra um divórcio ainda por ser compreendido entre os eleitores e seus representantes regionais. Por mais que deputados e governadores se queixem, a popularidade da presidente não apenas resiste como cresce.
As notícias mais lembradas pela população são um caminho para se entender esse divórcio. Foram três as captadas pela pesquisa. A mais lembrada de todas foi o incêndio na boate de Santa Maria que matou 241 pessoas.
A tragédia, ocorrida há quase dois meses, levou uma presidente visivelmente comovida aos leitos das vítimas.
Mas foi nas duas outras notícias mais lembradas, a redução da tarifa de energia e desoneração da cesta básica, que a presidente exercitou a leve mas persistente guinada na sua política de comunicação.
Mais solta no teleprompter, Dilma parecia se dirigir à dona de casa contra interesses de homens "alarmistas", "pessimistas" e "sem fé no Brasil". Seguiu mais ou menos a mesma lógica do Bolsa Família, que escolhe a mãe como titular da conta pela maior probabilidade de que o dinheiro vá parar no supermercado.
O discurso de gênero ficou ainda mais evidente no dia internacional das mulheres, quando anunciou a desoneração da cesta básica.
Aliou o anúncio da medida de impacto direto no dia a dia das famílias com o figurino de paladina da Justiça contra as mulheres vítimas de violência - "Se vocês agem assim por falta de respeito ou por falta de temor, não esqueçam jamais que a maior autoridade deste país é uma mulher, uma mulher que não tem medo de enfrentar os injustos nem a injustiça, estejam onde estiverem".
Foi essa a imagem que a ajudou a conquistar como simpatizantes de seu governo um terço dos eleitores que não a tiveram como primeira escolha em 2010. É como se a presidente tivesse incorporado uma Marina Silva a seu palanque, ainda que não se possa dizer que esses novos simpatizantes resistam ao leque de opções de uma campanha presidencial.
Na imagem milimetricamente construída de Dilma versão 2.14 está embutida a ideia de que a presidente possa vir a ser a herdeira da utopia que em 2010 ainda estava colada em Lula e, se raspou a imagem de algum dos candidatos em disputa, foi a da ex-senadora do PV.
Além disso, seu mandato não registra avanços na pauta dos direitos homossexuais nem da descriminalização do aborto, o que pode confortar parte do eleitorado que dela fugiu por desconfiar da ex-guerrilheira duas vezes divorciada.
Tem muito chão até que esses 63% que a aprovam sejam incorporados como eleitores em 2014. Esse eleitor permanecerá a seu lado se as razões pelas quais aproximou-se da candidata que não era a sua permanecerem. Vai rodar em outra freguesia se esses quase 20 meses que faltam para a reeleição contradisserem aquilo que se viu até agora.
A primeira condição é manter as pessoas empregadas. Pela numeralha de fevereiro, que, além do emprego em alta, mostra 95% dos reajustes acima da inflação (Valor, 21/03), não é improvável que consiga.
A segunda é garantir os direitos do empregado que consome. Pela guerra que se trava em torno do loteamento das agências reguladoras responsáveis pela fiscalização de serviços públicos concedidos à iniciativa privada, é muito difícil que consiga mantê-las a salvo das ingerências.
A terceira das condições que terá a cumprir para fazer coincidir popularidade e voto é segurar as parcelas do eleitorado que ganhou com a faxina do início do governo. A mexida que fez e está por fazer no ministério revela as concessões da presidente para acomodar seus aliados de 2014.
Nesse quesito, a presidente pode acabar se beneficiando de uma carona do Judiciário. Assim como o julgamento do mensalão ajudou, aos olhos da classe média, a mantê-la afastada do petismo tradicional, o foco do Judiciário sobre personagens emblemáticos da aliança governista, como o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pode acabar fazendo o serviço que a destemida presidente custa a executar.
Os portos e o obscurantismo tecnológico - JOSÉ PIO MARTINS
GAZETA DO POVO - PR - 22/03
Por volta de 1580, Elizabeth I havia determinado que seus súditos sempre usassem um barrete de tricô, e assim as tricoteiras se tornaram grandes produtoras de vestuário. Era um processo lento, demorado e caro. William Lee percebeu que se, em vez de usar apenas duas agulhas, fossem usadas várias agulhas para conduzir o fio, a produção por hora – ou seja, a produtividade – seria muitas vezes maior.
Lee tornou-se obcecado por sua ideia, até que, em 1589, ele inventou uma máquina de tricotar. Poderia ser o início da mecanização da produção têxtil. Mas não foi. Depois de idas e vindas, ele conseguiu, empolgado, que a rainha Elizabeth fosse conhecer sua máquina. A reação da rainha foi devastadora. Ela se recusou a conceder-lhe a patente e ainda o advertiu: “Quanto atrevimento, senhor Lee! Sua invenção pode trazer a ruína aos pobres súditos, privá-los de seus empregos e transformá-los em mendigos”. Apesar de revolucionária, a máquina do senhor Lee não foi adotada e uma simples peça de roupa continuou a ser um bem caro e pouco acessível.
Em 1733, John Kay inventou a “lançadeira voadora”, um equipamento capaz de revolucionar a produção de tecelagem. O que ele ganhou com isso foi ter sua casa incendiada por uma horda de pessoas que ficaram conhecidas como “luditas”, aqueles que eram contra qualquer inovação tecnológica, assim como a rainha da Inglaterra houvera sido no caso de William Lee. Outro sujeito curioso, James Hargreaves, inventou uma revolucionária máquina de fiar hidráulica, e o tratamento que recebeu foi o mesmo dado a John Kay: ele perdeu sua propriedade.
Pois bem, um dos maiores atrasos do Brasil é o sistema de operação de nossos portos. Por causa deles, milhões de pessoas pagam mais caro por tudo que por ali passa, a competitividade industrial é diminuída e o atraso continua. A presidente Dilma, num lampejo de lucidez, percebeu que ou privatiza a operação e a modernização dos portos ou o país continuará com esse sistema arcaico, caro e superado.
Mas eis que aparecem nossos “luditas”, aqueles que se opõem a qualquer mudança no ultrapassado sistema de operação dos portos, mobilizando-se contra modificações na legislação de operação portuária. O argumento é sempre aparentemente nobre: o medo de perder empregos. Claro que haverá redução de empregos em determinadas funções, pois muito do que se faz em nossos portos é coisa do século 19. Ocorre que o país não tem saída: ou moderniza sua infraestrutura ou chafurdará eternamente no atraso econômico e, para proteger alguns, a população inteira sofrerá.
Mas o raciocínio dos sindicatos está errado: se mantida a velha estrutura de operação dos portos, o atraso vai punir também aqueles a quem se pretende proteger com a não mudança. Ademais, empregos eventualmente perdidos com as inovações serão substituídos por novos postos de trabalho derivados da modernização e do crescimento. Quando surgiu o computador, não faltou quem gritasse contra o desaparecimento dos empregos das datilógrafas. Com efeito, isso aconteceu. Só que o computador gerou, em torno de si, uma imensa indústria que criou milhões de empregos novos, antes desconhecidos.
A gritaria dos ameaçados é compreensível. Mas não é compreensível o governo ceder – o que ainda não aconteceu, mas pode acontecer, pois os barulhentos são líderes sindicais vinculados ao PT. Nesse tema, a presidente Dilma merece apoio, pois sua proposta destina-se a fazer o que é certo.
Por volta de 1580, Elizabeth I havia determinado que seus súditos sempre usassem um barrete de tricô, e assim as tricoteiras se tornaram grandes produtoras de vestuário. Era um processo lento, demorado e caro. William Lee percebeu que se, em vez de usar apenas duas agulhas, fossem usadas várias agulhas para conduzir o fio, a produção por hora – ou seja, a produtividade – seria muitas vezes maior.
Lee tornou-se obcecado por sua ideia, até que, em 1589, ele inventou uma máquina de tricotar. Poderia ser o início da mecanização da produção têxtil. Mas não foi. Depois de idas e vindas, ele conseguiu, empolgado, que a rainha Elizabeth fosse conhecer sua máquina. A reação da rainha foi devastadora. Ela se recusou a conceder-lhe a patente e ainda o advertiu: “Quanto atrevimento, senhor Lee! Sua invenção pode trazer a ruína aos pobres súditos, privá-los de seus empregos e transformá-los em mendigos”. Apesar de revolucionária, a máquina do senhor Lee não foi adotada e uma simples peça de roupa continuou a ser um bem caro e pouco acessível.
Em 1733, John Kay inventou a “lançadeira voadora”, um equipamento capaz de revolucionar a produção de tecelagem. O que ele ganhou com isso foi ter sua casa incendiada por uma horda de pessoas que ficaram conhecidas como “luditas”, aqueles que eram contra qualquer inovação tecnológica, assim como a rainha da Inglaterra houvera sido no caso de William Lee. Outro sujeito curioso, James Hargreaves, inventou uma revolucionária máquina de fiar hidráulica, e o tratamento que recebeu foi o mesmo dado a John Kay: ele perdeu sua propriedade.
Pois bem, um dos maiores atrasos do Brasil é o sistema de operação de nossos portos. Por causa deles, milhões de pessoas pagam mais caro por tudo que por ali passa, a competitividade industrial é diminuída e o atraso continua. A presidente Dilma, num lampejo de lucidez, percebeu que ou privatiza a operação e a modernização dos portos ou o país continuará com esse sistema arcaico, caro e superado.
Mas eis que aparecem nossos “luditas”, aqueles que se opõem a qualquer mudança no ultrapassado sistema de operação dos portos, mobilizando-se contra modificações na legislação de operação portuária. O argumento é sempre aparentemente nobre: o medo de perder empregos. Claro que haverá redução de empregos em determinadas funções, pois muito do que se faz em nossos portos é coisa do século 19. Ocorre que o país não tem saída: ou moderniza sua infraestrutura ou chafurdará eternamente no atraso econômico e, para proteger alguns, a população inteira sofrerá.
Mas o raciocínio dos sindicatos está errado: se mantida a velha estrutura de operação dos portos, o atraso vai punir também aqueles a quem se pretende proteger com a não mudança. Ademais, empregos eventualmente perdidos com as inovações serão substituídos por novos postos de trabalho derivados da modernização e do crescimento. Quando surgiu o computador, não faltou quem gritasse contra o desaparecimento dos empregos das datilógrafas. Com efeito, isso aconteceu. Só que o computador gerou, em torno de si, uma imensa indústria que criou milhões de empregos novos, antes desconhecidos.
A gritaria dos ameaçados é compreensível. Mas não é compreensível o governo ceder – o que ainda não aconteceu, mas pode acontecer, pois os barulhentos são líderes sindicais vinculados ao PT. Nesse tema, a presidente Dilma merece apoio, pois sua proposta destina-se a fazer o que é certo.
Pacto federativo - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 22/03
A disputa pelos royalties do petróleo vai desencadear necessariamente debate mais aprofundado sobre a nova distribuição dos fundos de participação dos estados e dos municípios, que está ocorrendo no Congresso ao mesmo tempo em que se espera a decisão do STF sobre a questão dos royalties. Ambas as discussões deveriam ser feitas juntas, mas o clima emocional impede que se pense o país como um todo no momento em que cada um quer um pedaço de um tesouro que continua enterrado.
È previsível que, seja qual for o resultado do julgamento do STF, continuará havendo insegurança jurídica que pode afetar, no limite, os futuros leilões de áreas exploratórias. O deputado Marcelo Castro, do PMDB do Piauí - o mesmo PMDB do governador Sérgio Cabral -, conseguiu reunir pouco mais de 200 assinaturas e protocolou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera toda a divisão dos royalties decorrentes da exploração de petróleo no mar, incluindo áreas já licitadas e do pré-sal. Pela proposta, 30% dessas receitas ficam com a União; 35%, para todos os estados; e 35%, para os municípios, segundo os critérios dos fundos de participação (FPE e FPM).
A nova emenda constitucional seria a terceira legislação sobre o mesmo tema lançada nos últimos três anos, uma vez que, boje, temos uma lei (nº 12.734/2012), suspensa por liminar do STF, e uma medida provisória (MP 592/2012), que foi editada pela presidente Dilma na ocasião do veto.
Para o especialista Adriano Pires, da consultoria CBIE, essa incerteza legal/regulatória com certeza terá impacto sobre a decisão das empresas quanto á participação nos futuros leilões. Mesmo que a decisão final do STF saia antes do leilão de maio, o risco regulatório não estará eliminado, analisa ele.
"Caso os estados não produtores saiam perdendo, eles se juntarão à PFC que começa a tramitar. Caso os perdedores sejam os produtores, o risco para as empresas eleva-se ainda mais, já que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio sinalizou com a criação de uma taxa, jogando para as empresas o custo da guerra federativa."
Além desses fatores, sempre há o risco de os descontentes impedirem a realização do leilão com liminares de última hora. "a opinião de Pires, toda essa confusão c resultado da falta de empenho da União em resolver o conflito federativo, que se instalou com a mudança no marco regulatório do setor de petróleo após a descoberta do pré-sal. "Não há a menor dúvida de que o montante que a União teria que desembolsar, para resolver a questão e dar segurança jurídica aos investidores é muito menor do que o que já foi gasto com desonerações ou com o financiamento do BNDES para setores ou empresas eleitos pelo governo para serem agraciados" critica.
Já para o economista Mauro Osório, professor da UFIU. é importante o Estado do Rio "adotar um protagonismo na discussão de um novo pacto federativo para o país"É importante ressaltar, diz ele, que, ao contrário do que alguns pensam, o Estado do Rio nãoé privilegiado no cenário federativo, em termos da relação receita pública/PIB, estando apenas na 21º posição.
Ao estudar a receita pública municipal per capita, através de dados do Finbra/MF, Osório destaca que, na média, os municípios fluminenses apresentaram, em 2011, receita pública per capita de RS 2.160,10, contra receita pública per capita para a totalidade dos municípios do Sudeste de RS 2.009,67.
Na opinião de Osório, o Estado do Rio deve procurar trazer para a pauta do país a questão federativa, com a discussão sobre o critério dos fundo de participação (FPE e FPM). Para ele, a regra atual é bastante prejudicial aos municípios com grande densidade populacional, o que é um dos motivos que fazem com que São Gonçalo, que conta mais de um milhão de habitantes, tenha apresentado receita pública per capita, em 2011, de apenas R$695,60.
Ao mesmo tempo, devemos discutir, diz o professor, no âmbito do estado, novas formas de distribuição interna dos royalties, entre os municípios, pois ela ocorre de forma muito desequilibrada, inclusive dentro de uma mesma região. No Norte Fluminense, por exemplo, enquanto Quissamã apresentava, em 2011, receita pública per capita de RSIO.225,11, São Fidélis apresentava R$1.600,32.
È previsível que, seja qual for o resultado do julgamento do STF, continuará havendo insegurança jurídica que pode afetar, no limite, os futuros leilões de áreas exploratórias. O deputado Marcelo Castro, do PMDB do Piauí - o mesmo PMDB do governador Sérgio Cabral -, conseguiu reunir pouco mais de 200 assinaturas e protocolou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera toda a divisão dos royalties decorrentes da exploração de petróleo no mar, incluindo áreas já licitadas e do pré-sal. Pela proposta, 30% dessas receitas ficam com a União; 35%, para todos os estados; e 35%, para os municípios, segundo os critérios dos fundos de participação (FPE e FPM).
A nova emenda constitucional seria a terceira legislação sobre o mesmo tema lançada nos últimos três anos, uma vez que, boje, temos uma lei (nº 12.734/2012), suspensa por liminar do STF, e uma medida provisória (MP 592/2012), que foi editada pela presidente Dilma na ocasião do veto.
Para o especialista Adriano Pires, da consultoria CBIE, essa incerteza legal/regulatória com certeza terá impacto sobre a decisão das empresas quanto á participação nos futuros leilões. Mesmo que a decisão final do STF saia antes do leilão de maio, o risco regulatório não estará eliminado, analisa ele.
"Caso os estados não produtores saiam perdendo, eles se juntarão à PFC que começa a tramitar. Caso os perdedores sejam os produtores, o risco para as empresas eleva-se ainda mais, já que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio sinalizou com a criação de uma taxa, jogando para as empresas o custo da guerra federativa."
Além desses fatores, sempre há o risco de os descontentes impedirem a realização do leilão com liminares de última hora. "a opinião de Pires, toda essa confusão c resultado da falta de empenho da União em resolver o conflito federativo, que se instalou com a mudança no marco regulatório do setor de petróleo após a descoberta do pré-sal. "Não há a menor dúvida de que o montante que a União teria que desembolsar, para resolver a questão e dar segurança jurídica aos investidores é muito menor do que o que já foi gasto com desonerações ou com o financiamento do BNDES para setores ou empresas eleitos pelo governo para serem agraciados" critica.
Já para o economista Mauro Osório, professor da UFIU. é importante o Estado do Rio "adotar um protagonismo na discussão de um novo pacto federativo para o país"É importante ressaltar, diz ele, que, ao contrário do que alguns pensam, o Estado do Rio nãoé privilegiado no cenário federativo, em termos da relação receita pública/PIB, estando apenas na 21º posição.
Ao estudar a receita pública municipal per capita, através de dados do Finbra/MF, Osório destaca que, na média, os municípios fluminenses apresentaram, em 2011, receita pública per capita de RS 2.160,10, contra receita pública per capita para a totalidade dos municípios do Sudeste de RS 2.009,67.
Na opinião de Osório, o Estado do Rio deve procurar trazer para a pauta do país a questão federativa, com a discussão sobre o critério dos fundo de participação (FPE e FPM). Para ele, a regra atual é bastante prejudicial aos municípios com grande densidade populacional, o que é um dos motivos que fazem com que São Gonçalo, que conta mais de um milhão de habitantes, tenha apresentado receita pública per capita, em 2011, de apenas R$695,60.
Ao mesmo tempo, devemos discutir, diz o professor, no âmbito do estado, novas formas de distribuição interna dos royalties, entre os municípios, pois ela ocorre de forma muito desequilibrada, inclusive dentro de uma mesma região. No Norte Fluminense, por exemplo, enquanto Quissamã apresentava, em 2011, receita pública per capita de RSIO.225,11, São Fidélis apresentava R$1.600,32.
Rápidos no gatilho - DORA KRAMER
O ESTADO DE S. PAULO - 22/03
A desfaçatez anda de tal forma despudorada que a Câmara nem esperou esfriarem os corpos dos recentemente extintos dois salários extras por ano, para torná-los cadáveres insepultos na forma de aumento de verbas compensatórias à "perda" de suas excelências.
Há dois tipos de contas a serem feitas: uma é numérica, a outra política. A Câmara fica devendo nas duas. Coma primeira promete uma economia de R$ 27,4 milhões deixando de pagar os salários adicionais, mas vai gastar quase tudo (R$ 21 milhões) só com o reajuste daquela cota para despesas extraordinárias que não raro é usada para gastos ordinários - no sentido pejorativo do termo.
Isso sem falar na criação de novos cargos (59), duas novas estruturas (Corregedoria Autônoma e Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Casa) . A título de verniz, criou-se um tipo de ponto para controlar melhor o pagamento de horas extras dos funcionários do Legislativo.
Positivo? Sem dúvida, mas risível e até provocativo o aperto em face do afrouxamento na rubrica das benesses aos parlamentares que.segundo pesquisa recente, estão em segundo lugar entre os mais caros do mundo.
Mas dizíamos que há uma conta numérica e outra política. Nesta também o saldo é negativo. Confirmou-se a necessidade de adotar parcimônia em elogios quando o Congresso se curva à necessidade de dar cabo a exorbitâncias. Viu-se pela rapidez no gatilho para anular a economia e criação de duas esquisitices.
"Corregedoria Autônoma"? Alto lá: há uma corregedoria em funcionamento e que, pelo visto, foi posta sob desconfiança de atuar sem a necessária independência.
"Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Casa"? Espera aí: não seria o Parlamento já um centro de estudos e debates? Não são o estudo e o debate funções do Legislativo junto com a prerrogativa de legislar e fiscalizar?
Ou bem estão sendo criadas instâncias inúteis, ao molde de sinecuras, ou mal estão sendo criadas instâncias com sobreposições de funções. Ao molde de sinecuras.
Ironia do destino. O repórter Felipe Recondo, do Estado, não precisou se envolver em torpeza alguma, como sugeriu o verbo "chafurdar" usado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal ao reagir com grosseria à abordagem recente do jornalista, para encontrar um indício do "conluio" entre juízes e advogados de que fala Joaquim Barbosa.
Bastou cumprir o seu papel ao noticiar a existência de e-mail em que um advogado integrante do Conselho Nacional de Justiça informava a um juiz sobre uma decisão que dizia respeito afilha dele.
Ação e pensamento. A presidente exercitou com exuberância o lema do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" ao pretender ensinar o padre-nosso ao vigário na visita ao papa Francisco.
Falou dos pobres em viagem de comitiva com 52 pessoas hospedadas em hotel de luxo. Invocou valores em meio à reabilitação de gente afastada do governo na dita "faxina ética" e patrocina distribuição de ministério em troca de apoio eleitoral.
E o pior... É que Marco Feliciano vai ter mais votos do que nunca na próxima eleição. Nesse caso, a pressão constrange, mas não resolve. Ou pode até ter efeito contrário ao pretendido, conferindo mais e mais notoriedade ao deputado junto a determinado tipo de público.
O sentido popularidade não necessariamente se coaduna com o conceito de qualidade.
Há dois tipos de contas a serem feitas: uma é numérica, a outra política. A Câmara fica devendo nas duas. Coma primeira promete uma economia de R$ 27,4 milhões deixando de pagar os salários adicionais, mas vai gastar quase tudo (R$ 21 milhões) só com o reajuste daquela cota para despesas extraordinárias que não raro é usada para gastos ordinários - no sentido pejorativo do termo.
Isso sem falar na criação de novos cargos (59), duas novas estruturas (Corregedoria Autônoma e Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Casa) . A título de verniz, criou-se um tipo de ponto para controlar melhor o pagamento de horas extras dos funcionários do Legislativo.
Positivo? Sem dúvida, mas risível e até provocativo o aperto em face do afrouxamento na rubrica das benesses aos parlamentares que.segundo pesquisa recente, estão em segundo lugar entre os mais caros do mundo.
Mas dizíamos que há uma conta numérica e outra política. Nesta também o saldo é negativo. Confirmou-se a necessidade de adotar parcimônia em elogios quando o Congresso se curva à necessidade de dar cabo a exorbitâncias. Viu-se pela rapidez no gatilho para anular a economia e criação de duas esquisitices.
"Corregedoria Autônoma"? Alto lá: há uma corregedoria em funcionamento e que, pelo visto, foi posta sob desconfiança de atuar sem a necessária independência.
"Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Casa"? Espera aí: não seria o Parlamento já um centro de estudos e debates? Não são o estudo e o debate funções do Legislativo junto com a prerrogativa de legislar e fiscalizar?
Ou bem estão sendo criadas instâncias inúteis, ao molde de sinecuras, ou mal estão sendo criadas instâncias com sobreposições de funções. Ao molde de sinecuras.
Ironia do destino. O repórter Felipe Recondo, do Estado, não precisou se envolver em torpeza alguma, como sugeriu o verbo "chafurdar" usado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal ao reagir com grosseria à abordagem recente do jornalista, para encontrar um indício do "conluio" entre juízes e advogados de que fala Joaquim Barbosa.
Bastou cumprir o seu papel ao noticiar a existência de e-mail em que um advogado integrante do Conselho Nacional de Justiça informava a um juiz sobre uma decisão que dizia respeito afilha dele.
Ação e pensamento. A presidente exercitou com exuberância o lema do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" ao pretender ensinar o padre-nosso ao vigário na visita ao papa Francisco.
Falou dos pobres em viagem de comitiva com 52 pessoas hospedadas em hotel de luxo. Invocou valores em meio à reabilitação de gente afastada do governo na dita "faxina ética" e patrocina distribuição de ministério em troca de apoio eleitoral.
E o pior... É que Marco Feliciano vai ter mais votos do que nunca na próxima eleição. Nesse caso, a pressão constrange, mas não resolve. Ou pode até ter efeito contrário ao pretendido, conferindo mais e mais notoriedade ao deputado junto a determinado tipo de público.
O sentido popularidade não necessariamente se coaduna com o conceito de qualidade.
Tira cá, dá lá - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 22/03
BRASÍLIA - A "agenda positiva" do Congresso, que reuniu governadores e depois prefeitos para discutir finanças, evaporou. O que prevalece é a "agenda negativa" de sempre.
O pastor Feliciano, aquele que tem processos, que faz "brincadeiras" racistas e homofóbicas e que irritou a opinião pública nacional, continuava até ontem, impassível, na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Nessa condição, até embaixador estrangeiro recebeu.
O presidente da Câmara, Henrique Alves, tentou botar o partido de Feliciano, o PSC, contra a parede: "Virou um clima de radicalização. Essa Casa tem que primar pelo equilíbrio, pela serenidade, pela objetividade, pelo trabalho parlamentar. Do jeito que está, se tornou insustentável", declarou. Mas não estava dando certo.
Enquanto isso, em vez de "primar pelo equilíbrio, pela serenidade, pela objetividade", a Câmara tratava de recuperar rapidamente os tostões perdidos com o fim, em parte, do 14º e do 15º salários dos parlamentares -além de compensar as recentes mexidas nas horas extras.
De um lado, os deputados aumentavam a cota de atividades parlamentares -ou seja, a cota deles próprios.
De outro, articulavam a criação de 44 novos cargos comissionados (não bastassem os quase 1.500 existentes, segundo o deputado Chico Alencar) e mais 15 funções especiais para servidores de carreira (não bastassem os mais de 10 mil servidores em gabinetes e lideranças, idem).
Basta uma simples máquina de calcular, dessas de somar, diminuir, multiplicar e dividir, para chegar ao resultado desanimador: aquele oba-oba todo do fim do 14º e do 15º foi só para ganhar manchetes e criar ilusões. As despesas continuam, com novos nomes e variados destinos. Tudo, no fundo, fica na mesma.
Quando surgiu a dúvida sobre o que fazer da "sobra" do 15º deste ano, Henrique Alves reagiu: "Não sei. Taí uma boa pergunta". Agora ele sabe, nós sabemos. A resposta da Câmara veio bem rápida.
BRASÍLIA - A "agenda positiva" do Congresso, que reuniu governadores e depois prefeitos para discutir finanças, evaporou. O que prevalece é a "agenda negativa" de sempre.
O pastor Feliciano, aquele que tem processos, que faz "brincadeiras" racistas e homofóbicas e que irritou a opinião pública nacional, continuava até ontem, impassível, na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Nessa condição, até embaixador estrangeiro recebeu.
O presidente da Câmara, Henrique Alves, tentou botar o partido de Feliciano, o PSC, contra a parede: "Virou um clima de radicalização. Essa Casa tem que primar pelo equilíbrio, pela serenidade, pela objetividade, pelo trabalho parlamentar. Do jeito que está, se tornou insustentável", declarou. Mas não estava dando certo.
Enquanto isso, em vez de "primar pelo equilíbrio, pela serenidade, pela objetividade", a Câmara tratava de recuperar rapidamente os tostões perdidos com o fim, em parte, do 14º e do 15º salários dos parlamentares -além de compensar as recentes mexidas nas horas extras.
De um lado, os deputados aumentavam a cota de atividades parlamentares -ou seja, a cota deles próprios.
De outro, articulavam a criação de 44 novos cargos comissionados (não bastassem os quase 1.500 existentes, segundo o deputado Chico Alencar) e mais 15 funções especiais para servidores de carreira (não bastassem os mais de 10 mil servidores em gabinetes e lideranças, idem).
Basta uma simples máquina de calcular, dessas de somar, diminuir, multiplicar e dividir, para chegar ao resultado desanimador: aquele oba-oba todo do fim do 14º e do 15º foi só para ganhar manchetes e criar ilusões. As despesas continuam, com novos nomes e variados destinos. Tudo, no fundo, fica na mesma.
Quando surgiu a dúvida sobre o que fazer da "sobra" do 15º deste ano, Henrique Alves reagiu: "Não sei. Taí uma boa pergunta". Agora ele sabe, nós sabemos. A resposta da Câmara veio bem rápida.
Uso de títulos da dívida chega ao limite de tolerância - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 22/03
Uso de “contabilidade criativa” não passa despercebido e o BNDES e a Caixa têm seus conceitos rebaixados por agência de classificação de risco
A dívida pública, se usada de forma responsável e comedida, é um instrumento capaz de distribuir por várias gerações os benefícios e os ônus de certos investimentos. É uma questão de justiça social, pois, ao se distribuir os encargos da dívida pelo tempo, evita-se que todo o peso do endividamento recaia sobre as gerações escolhidas para financiar os projetos sob a égide do setor público.
Infelizmente, a dívida pública no mundo tem sido mais usada para cobrir déficits originados de desequilíbrios orçamentários, sejam primários (decorrentes mais de gastos de custeio que de capital) ou financeiros, pela incapacidade para pagamento da totalidade dos juros ou das amortizações. Nesse processo, geralmente o endividamento público se transforma em uma bola de neve.
O que não faltam são exemplos de crises criadas por endividamento descontrolado. O Brasil mesmo passou décadas andando sobre o fio da navalha. Daí ser muito importante estabelecer e acompanhar parâmetros que avaliem a solvência do setor público.
Graças a uma política fiscal de seguidos superávits primários, o Brasil conseguiu reduzir o endividamento público líquido para patamares mais aceitáveis, porque podem ser sustentados pelos próximos anos. A dívida líquida leva em conta créditos que o Tesouro tem a receber e as reservas cambiais administradas pelo Banco Central. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), a dívida líquida vem declinando, e provavelmente chegará ao fim de 2013 em torno de 35%. Mas o mesmo não acontece com a dívida bruta. Dentro da “contabilidade criativa” que o governo passou a adotar para as finanças públicas, o Ministério da Fazenda tem recorrido a um mecanismo pouco usual. Autoriza o Tesouro a emitir títulos, mas não para financiar diretamente investimentos, e sim repassá-los a instituições financeiras federais, como o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Esses papéis servem de lastro para operações de crédito realizadas por essas instituições.
Tal mecanismo faria até algum sentido se usado de maneira comedida, em conjuntura de crise. Como se trata de um empréstimo, o Tesouro fica com créditos a receber e assim, as emissões de títulos não alteram a dívida líquida, apenas a bruta. Porém, o montante dessas emissões tem atingido proporções preocupantes. E como não é um a forma tradicional de capitalização das instituições financeiras, elas acabam assumindo riscos que começaram a se refletir nos seus conceitos de crédito. BNDES e Caixa Econômica tiveram o “rating” rebaixado pela agência internacional de classificação de risco Moody’s, e uma das consequências disso pode ser o encarecimento na captação de recursos por parte dessas instituições federais. É uma reação que deveria servir de alerta para as autoridades econômicas. “Contabilidade criativa” também tem seus limites de tolerância.
Uso de “contabilidade criativa” não passa despercebido e o BNDES e a Caixa têm seus conceitos rebaixados por agência de classificação de risco
A dívida pública, se usada de forma responsável e comedida, é um instrumento capaz de distribuir por várias gerações os benefícios e os ônus de certos investimentos. É uma questão de justiça social, pois, ao se distribuir os encargos da dívida pelo tempo, evita-se que todo o peso do endividamento recaia sobre as gerações escolhidas para financiar os projetos sob a égide do setor público.
Infelizmente, a dívida pública no mundo tem sido mais usada para cobrir déficits originados de desequilíbrios orçamentários, sejam primários (decorrentes mais de gastos de custeio que de capital) ou financeiros, pela incapacidade para pagamento da totalidade dos juros ou das amortizações. Nesse processo, geralmente o endividamento público se transforma em uma bola de neve.
O que não faltam são exemplos de crises criadas por endividamento descontrolado. O Brasil mesmo passou décadas andando sobre o fio da navalha. Daí ser muito importante estabelecer e acompanhar parâmetros que avaliem a solvência do setor público.
Graças a uma política fiscal de seguidos superávits primários, o Brasil conseguiu reduzir o endividamento público líquido para patamares mais aceitáveis, porque podem ser sustentados pelos próximos anos. A dívida líquida leva em conta créditos que o Tesouro tem a receber e as reservas cambiais administradas pelo Banco Central. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), a dívida líquida vem declinando, e provavelmente chegará ao fim de 2013 em torno de 35%. Mas o mesmo não acontece com a dívida bruta. Dentro da “contabilidade criativa” que o governo passou a adotar para as finanças públicas, o Ministério da Fazenda tem recorrido a um mecanismo pouco usual. Autoriza o Tesouro a emitir títulos, mas não para financiar diretamente investimentos, e sim repassá-los a instituições financeiras federais, como o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Esses papéis servem de lastro para operações de crédito realizadas por essas instituições.
Tal mecanismo faria até algum sentido se usado de maneira comedida, em conjuntura de crise. Como se trata de um empréstimo, o Tesouro fica com créditos a receber e assim, as emissões de títulos não alteram a dívida líquida, apenas a bruta. Porém, o montante dessas emissões tem atingido proporções preocupantes. E como não é um a forma tradicional de capitalização das instituições financeiras, elas acabam assumindo riscos que começaram a se refletir nos seus conceitos de crédito. BNDES e Caixa Econômica tiveram o “rating” rebaixado pela agência internacional de classificação de risco Moody’s, e uma das consequências disso pode ser o encarecimento na captação de recursos por parte dessas instituições federais. É uma reação que deveria servir de alerta para as autoridades econômicas. “Contabilidade criativa” também tem seus limites de tolerância.
Conluios e amizades - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/03
Durante o julgamento, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a aposentadoria compulsória de um juiz piauiense acusado de beneficiar advogados, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recolocou na agenda do Judiciário um problema antigo: o risco de as relações de amizade entre magistrados e advogados resultarem em favorecimento de uma das partes e em tráfico de influência.
"O conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso nos tribunais. Sabemos que há decisões condescendentes, absolutamente fora das regras", afirmou o ministro, depois de defender uma "limpeza" na instituição. Além de afetar o equilíbrio de forças no jogo judicial, a excessiva intimidade entre juízes e advogados é a origem de muitos casos de corrupção na Justiça, disse o presidente do STF e do CNJ. Semanas antes de assumir o cargo, no final de 2012, ele tocou no mesmo tema, criticando os filhos, cônjuges e sobrinhos de ministros dos tribunais superiores que advogam nas mesmas cortes de seus pais, maridos e tios. "Eles são contratados não pela qualidade de seu trabalho, mas pelas ligações de parentesco. Isso divide os advogados em duas classes: os que têm acesso privilegiado, podendo beneficiar os clientes, e os comuns, que não têm laços de sangue para favorecê-los", disse Barbosa na época.
Na última sessão do CNJ, o único conselheiro que discordou do presidente do STF e votou pela absolvição do juiz piauiense foi o desembargador federal Fernando Tourinho Neto. "Fui juiz no interior da Bahia, tomava uísque na casa de um, bebia cerveja na casa de outro e isso nunca me influenciou", afirmou ele, horas antes do vazamento acidental de e-mails que revelaram um pedido pessoal seu a outro membro do CNJ. Pelos e-mails vazados, Tourinho teria solicitado ao conselheiro Jorge Hélio - indicado pela advocacia - que apresentasse, com rapidez, parecer relativo a um pedido de sua filha, que é juíza federal e quer participar de um concurso de remoção. Ela pretende deixar a vara onde atua, no Pará, e transferir- se para Salvador. "Está chegando um requerimento de minha filha, e é urgente. Concedendo ou negando, despacha logo", pediu.
As associações de juízes reagiram às críticas do presidente do STF com evidente irritação. Elas afirmaram que, ao fazer críticas genéricas à magistratura, o ministro Joaquim Barbosa estaria ameaçando o Estado de Direito - o que é um exagero. Elas também fizeram críticas pessoais a Joaquim Barbosa. "Juiz não faz voto de isolamento social. Os juízes se formam em faculdades e ali fazem amizade para a vida toda", protestou o presidente da Associação dos Juízes Federais, Nino Toldo, depois de lembrar que a namorada de Barbosa é advogada em Brasília. "Como fica isso", indagou.
Relações promíscuas entre magistrados e advogados não são um problema novo no Judiciário.Já havia sido abordado, por exemplo, pela então corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon - hoje vice- presidente do Superior Tribunal de Justiça e diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados. No período em que integrou o CNJ, ela se destacou por condenar o tráfico de influência nos tribunais. Foi ela a primeira ocupante de um tribunal superior a denunciar o "filhotismo" na Justiça.Em várias entrevistas, Eliana Calmon afirmou que o problema não está na atuação de parentes de ministros nos processos judiciais, mas nas relações informais que ocorrem fora dos autos, quando se valem da amizade com um juiz, desembargador ou ministro para fazer lobby em favor de clientes.
É evidente que um familiar de um magistrado não pode ter o direito de advogar limitado pela simples suspeita de que será beneficiado. O problema levantado pela ministra Eliana Calmon, e agora retomado pelo ministro Joaquim Barbosa, é delicado e uma solução objetiva não é fácil de ser encontrada. O que o CNJ pode fazer, além de alertar a magistratura, é continuar aplicando sanções severas quando as denúncias de abusos forem confirmadas - como ocorreu no caso do juiz piauiense.
Durante o julgamento, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a aposentadoria compulsória de um juiz piauiense acusado de beneficiar advogados, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recolocou na agenda do Judiciário um problema antigo: o risco de as relações de amizade entre magistrados e advogados resultarem em favorecimento de uma das partes e em tráfico de influência.
"O conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso nos tribunais. Sabemos que há decisões condescendentes, absolutamente fora das regras", afirmou o ministro, depois de defender uma "limpeza" na instituição. Além de afetar o equilíbrio de forças no jogo judicial, a excessiva intimidade entre juízes e advogados é a origem de muitos casos de corrupção na Justiça, disse o presidente do STF e do CNJ. Semanas antes de assumir o cargo, no final de 2012, ele tocou no mesmo tema, criticando os filhos, cônjuges e sobrinhos de ministros dos tribunais superiores que advogam nas mesmas cortes de seus pais, maridos e tios. "Eles são contratados não pela qualidade de seu trabalho, mas pelas ligações de parentesco. Isso divide os advogados em duas classes: os que têm acesso privilegiado, podendo beneficiar os clientes, e os comuns, que não têm laços de sangue para favorecê-los", disse Barbosa na época.
Na última sessão do CNJ, o único conselheiro que discordou do presidente do STF e votou pela absolvição do juiz piauiense foi o desembargador federal Fernando Tourinho Neto. "Fui juiz no interior da Bahia, tomava uísque na casa de um, bebia cerveja na casa de outro e isso nunca me influenciou", afirmou ele, horas antes do vazamento acidental de e-mails que revelaram um pedido pessoal seu a outro membro do CNJ. Pelos e-mails vazados, Tourinho teria solicitado ao conselheiro Jorge Hélio - indicado pela advocacia - que apresentasse, com rapidez, parecer relativo a um pedido de sua filha, que é juíza federal e quer participar de um concurso de remoção. Ela pretende deixar a vara onde atua, no Pará, e transferir- se para Salvador. "Está chegando um requerimento de minha filha, e é urgente. Concedendo ou negando, despacha logo", pediu.
As associações de juízes reagiram às críticas do presidente do STF com evidente irritação. Elas afirmaram que, ao fazer críticas genéricas à magistratura, o ministro Joaquim Barbosa estaria ameaçando o Estado de Direito - o que é um exagero. Elas também fizeram críticas pessoais a Joaquim Barbosa. "Juiz não faz voto de isolamento social. Os juízes se formam em faculdades e ali fazem amizade para a vida toda", protestou o presidente da Associação dos Juízes Federais, Nino Toldo, depois de lembrar que a namorada de Barbosa é advogada em Brasília. "Como fica isso", indagou.
Relações promíscuas entre magistrados e advogados não são um problema novo no Judiciário.Já havia sido abordado, por exemplo, pela então corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon - hoje vice- presidente do Superior Tribunal de Justiça e diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados. No período em que integrou o CNJ, ela se destacou por condenar o tráfico de influência nos tribunais. Foi ela a primeira ocupante de um tribunal superior a denunciar o "filhotismo" na Justiça.Em várias entrevistas, Eliana Calmon afirmou que o problema não está na atuação de parentes de ministros nos processos judiciais, mas nas relações informais que ocorrem fora dos autos, quando se valem da amizade com um juiz, desembargador ou ministro para fazer lobby em favor de clientes.
É evidente que um familiar de um magistrado não pode ter o direito de advogar limitado pela simples suspeita de que será beneficiado. O problema levantado pela ministra Eliana Calmon, e agora retomado pelo ministro Joaquim Barbosa, é delicado e uma solução objetiva não é fácil de ser encontrada. O que o CNJ pode fazer, além de alertar a magistratura, é continuar aplicando sanções severas quando as denúncias de abusos forem confirmadas - como ocorreu no caso do juiz piauiense.
Sem perspectiva de paz - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 22/03
Diante de universitários israelenses, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Israel trata os palestinos de forma injusta, que a política de assentamentos é contraproducente para a paz e que os judeus precisam ver o mundo pelos olhos de seus vizinhos.
A rigor não há, nessas palavras, mudança em relação ao que Obama sempre defendeu. Mas, ditas em Jerusalém, durante sua primeira viagem ao país desde que assumiu, elas ganham inegável força.
Até aqui, as declarações de Obama não vão muito além do simbolismo. Ficam no mesmo campo as juras de aliança eterna que o americano reiterou um dia antes, em encontro com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
Por significativos que sejam, tais gestos não substituem propostas concretas -ainda inexistentes. Os próprios objetivos da visita eram modestos. Se, anos atrás, Obama acalentava a ideia de reavivar o processo de paz, agora parece curvar-se à difícil realidade.
Nos últimos anos, dezenas de milhares de colonos judeus ampliaram a ocupação de territórios na região, criando obstáculo considerável para um Estado palestino.
Embora reeleito neste ano, Netanyahu saiu enfraquecido do pleito. O premiê levou seis semanas para costurar nova e frágil coalizão.
Bibi, como é conhecido em Israel, conseguiu livrar-se dos partidos ultraortodoxos -que viviam de arrancar privilégios do Estado para os religiosos-, mas teve de fazer uma aliança "sui generis". Além do Likud, a coalizão reúne o centrista Yesh Atid (Há Futuro), do apresentador de TV Yair Lapid, e o direitista Bait Yehudi (Lar Judeu), de Naftali Bennett.
A eleição de janeiro não deu a Netanyahu um mandato para endurecer contra o Irã e os palestinos, como ele teria desejado. Na verdade, o resultado tirou as questões internacionais de foco.
Lapid, que registrara seu partido em abril de 2012, conseguiu a façanha de torná-lo a segunda maior força do país em pouco tempo. Para isso, enfatizou temas domésticos de interesse da classe média, como a redução do custo de vida e o fim de benefícios aos religiosos.
A negociação com palestinos está a cargo de uma secretaria especial do Ministério da Justiça entregue a partido menor da coalizão.
Os palestinos tampouco contribuem para o processo de paz. Seguem divididos entre os moderados do Fatah, que controlam a Cisjordânia, e os radicais do Hamas, que comandam Gaza. Some-se a esse quadro a confusão no Egito e na Síria e se tem o roteiro perfeito para paralisar as negociações.
Diante de universitários israelenses, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Israel trata os palestinos de forma injusta, que a política de assentamentos é contraproducente para a paz e que os judeus precisam ver o mundo pelos olhos de seus vizinhos.
A rigor não há, nessas palavras, mudança em relação ao que Obama sempre defendeu. Mas, ditas em Jerusalém, durante sua primeira viagem ao país desde que assumiu, elas ganham inegável força.
Até aqui, as declarações de Obama não vão muito além do simbolismo. Ficam no mesmo campo as juras de aliança eterna que o americano reiterou um dia antes, em encontro com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
Por significativos que sejam, tais gestos não substituem propostas concretas -ainda inexistentes. Os próprios objetivos da visita eram modestos. Se, anos atrás, Obama acalentava a ideia de reavivar o processo de paz, agora parece curvar-se à difícil realidade.
Nos últimos anos, dezenas de milhares de colonos judeus ampliaram a ocupação de territórios na região, criando obstáculo considerável para um Estado palestino.
Embora reeleito neste ano, Netanyahu saiu enfraquecido do pleito. O premiê levou seis semanas para costurar nova e frágil coalizão.
Bibi, como é conhecido em Israel, conseguiu livrar-se dos partidos ultraortodoxos -que viviam de arrancar privilégios do Estado para os religiosos-, mas teve de fazer uma aliança "sui generis". Além do Likud, a coalizão reúne o centrista Yesh Atid (Há Futuro), do apresentador de TV Yair Lapid, e o direitista Bait Yehudi (Lar Judeu), de Naftali Bennett.
A eleição de janeiro não deu a Netanyahu um mandato para endurecer contra o Irã e os palestinos, como ele teria desejado. Na verdade, o resultado tirou as questões internacionais de foco.
Lapid, que registrara seu partido em abril de 2012, conseguiu a façanha de torná-lo a segunda maior força do país em pouco tempo. Para isso, enfatizou temas domésticos de interesse da classe média, como a redução do custo de vida e o fim de benefícios aos religiosos.
A negociação com palestinos está a cargo de uma secretaria especial do Ministério da Justiça entregue a partido menor da coalizão.
Os palestinos tampouco contribuem para o processo de paz. Seguem divididos entre os moderados do Fatah, que controlam a Cisjordânia, e os radicais do Hamas, que comandam Gaza. Some-se a esse quadro a confusão no Egito e na Síria e se tem o roteiro perfeito para paralisar as negociações.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Romário, foi o gol que você marcou contra o preconceito”
Senador Renan Calheiros e a luta do craque pelos portadores de síndrome de Down
ROMA: EVENTOS NA EMBAIXADA DESMENTEM PATRIOTA
Ao contrário da tola explicação do chanceler Antonio Patriota para a opção da presidente Dilma pelo mais luxuoso hotel da Europa, a Embaixada do Brasil em Roma funciona normalmente. Na terça (19), ofereceu um recital para convidados e até dará um curso de samba. A lorota de Patriota: Dilma ficaria em hotel por ser iminente a substituição do atual embaixador, insinuando que a embaixada estaria às moscas.
OPÇÃO PELO LUXO
A sede da Embaixada do Brasil dispõe de suítes amplas e confortáveis, mas Dilma preferiu o Westin Excelsior, luxuoso hotel de celebridades.
PROTESTO IGNORADO
Em seu hotel de luxo, Dilma escapou de protesto dos italianos contra a proteção do governo petista ao terrorista Cesare Battisti.
POVO ESQUISITO
À exceção da equipe de segurança, é pública a lista da comitiva que acompanha Barack Obama em viagens internacionais. Já no Brasil...
TURISMO OFICIAL
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) achou um acinte a comitiva de 52 pessoas que Dilma levou a Roma: “Foi turismo oficial”.
PR NÃO VAI TOLERAR QUE BLAIRO SAIA DO PARTIDO
A cúpula do Partido da República (PR) avisou que não aceitará a saída do senador Blairo Maggi (MT): se ele abandonar o PR, perderá o mandato. Maggi afirmou que não se sente confortável em um partido chefiado pelo deputado Valdemar Costa Neto (SP), condenado no Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 10 meses de cadeia por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
OUTRO TRATAMENTO
O tratamento a Blairo Maggi é diferente daquele concedido ao deputado Sandro Mabel (GO), que saiu do PR para se filiar ao PMDB.
PRIMO RICO
O Brasil doou 2 mil toneladas de arroz à Uganda, pela primeira vez, através do Programa de Alimentos da ONU para 155 mil refugiados.
CANSEI
O deputado José Genoino (PT-SP) não pensa em livro para se defender no caso do mensalão. “Já tenho livros pra chuchu”, afirmou.
PODER SEM ELEIÇÃO
Prefeitos de todo o país fazem fila no Congresso para acusar o Ministério Público de intromissão em assuntos como transferência de professores e até na nomeação para cargos comissionados.
FISCALIZAÇÃO
O ministro José Jorge (TCU), que passa este mês no Rio – onde fica escritório de fiscalização do setor de energia – visita hoje as obras de construção da Usina Nuclear Angra 3. Há suspeitas de irregularidades.
COMPULSÓRIO
Deve ser votado no início de abril o projeto do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) que propõe a retenção, para investimentos nos próprios Estados, de 20% das mensalidades de suas dívidas com a União.
VOZ DA EXPERIÊNCIA
Jorge Gerdau é um dos confirmados no II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, de 23 a 25 de abril, em Brasília. Debaterá “Os desafios da gestão e as obrigações legais dos prefeitos”.
CLIMA DE 2014
Em reunião sobre a MP dos Portos, o senador Humberto Costa (PT-PE) criticou que a expansão do Porto de Suape não é licitada para favorecer monopólios. O complexo é administrado pelo governador Eduardo Campos (PSB), cotado para disputar o Planalto em 2014.
MOLECAGEM
O Santander optou pela rispidez, nas cobranças. Alvo de grosseira, um cliente de Brasília pediu o sobrenome do cobrador, um “Rodrigo”. Ele não informou e ainda debochou: “você não quer meu CPF também?”.
O CHORO É LIVRE
Uma liminar da Justiça Federal do DF suspendeu o processo disciplinar contra um policial federal de Brasília que em e-mail à Dilma, no “Fale com a Presidente”, reclamou dos salários e das condições de trabalho.
CAROCHINHA
A sueca Saab recomeçou o lobby pelos Gripen na concorrência da FAB: um diretor disse à Reuters, em Estocolmo, que o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP), garantiu ser “o favorito” de Dilma.
PENSANDO BEM...
...a viagem de Dilma e comitiva a Roma não foi à toa, mas ateia.
PODER SEM PUDOR
O HOMEM DAS GRAVATAS
Papagaio de pirata oficial da presidente Dilma, Aloizio Mercadante adora viagens a Roma. Tanto fez que se meteu na comitiva que o então presidente Lula levou ao enterro do papa João Paulo II, em abril de 2005, da qual faziam parte figuras como o ex-ministro Nelson Jobim e os ex-presidentes José Sarney e FHC. Alheio à comoção, Mercadante gastou todo o tempo que pôde, em Roma, comprando gravatas em lojas de grifes caras. Virou alvo da gozação de Jobim e FHC, e acabou confessando que também comprara muitas gravatas em camelôs. Mas estas seriam colocadas nas embalagens das gravatas de grife e presenteadas aos amigos. Muy amigos, pelo visto.
Senador Renan Calheiros e a luta do craque pelos portadores de síndrome de Down
ROMA: EVENTOS NA EMBAIXADA DESMENTEM PATRIOTA
Ao contrário da tola explicação do chanceler Antonio Patriota para a opção da presidente Dilma pelo mais luxuoso hotel da Europa, a Embaixada do Brasil em Roma funciona normalmente. Na terça (19), ofereceu um recital para convidados e até dará um curso de samba. A lorota de Patriota: Dilma ficaria em hotel por ser iminente a substituição do atual embaixador, insinuando que a embaixada estaria às moscas.
OPÇÃO PELO LUXO
A sede da Embaixada do Brasil dispõe de suítes amplas e confortáveis, mas Dilma preferiu o Westin Excelsior, luxuoso hotel de celebridades.
PROTESTO IGNORADO
Em seu hotel de luxo, Dilma escapou de protesto dos italianos contra a proteção do governo petista ao terrorista Cesare Battisti.
POVO ESQUISITO
À exceção da equipe de segurança, é pública a lista da comitiva que acompanha Barack Obama em viagens internacionais. Já no Brasil...
TURISMO OFICIAL
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) achou um acinte a comitiva de 52 pessoas que Dilma levou a Roma: “Foi turismo oficial”.
PR NÃO VAI TOLERAR QUE BLAIRO SAIA DO PARTIDO
A cúpula do Partido da República (PR) avisou que não aceitará a saída do senador Blairo Maggi (MT): se ele abandonar o PR, perderá o mandato. Maggi afirmou que não se sente confortável em um partido chefiado pelo deputado Valdemar Costa Neto (SP), condenado no Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 10 meses de cadeia por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
OUTRO TRATAMENTO
O tratamento a Blairo Maggi é diferente daquele concedido ao deputado Sandro Mabel (GO), que saiu do PR para se filiar ao PMDB.
PRIMO RICO
O Brasil doou 2 mil toneladas de arroz à Uganda, pela primeira vez, através do Programa de Alimentos da ONU para 155 mil refugiados.
CANSEI
O deputado José Genoino (PT-SP) não pensa em livro para se defender no caso do mensalão. “Já tenho livros pra chuchu”, afirmou.
PODER SEM ELEIÇÃO
Prefeitos de todo o país fazem fila no Congresso para acusar o Ministério Público de intromissão em assuntos como transferência de professores e até na nomeação para cargos comissionados.
FISCALIZAÇÃO
O ministro José Jorge (TCU), que passa este mês no Rio – onde fica escritório de fiscalização do setor de energia – visita hoje as obras de construção da Usina Nuclear Angra 3. Há suspeitas de irregularidades.
COMPULSÓRIO
Deve ser votado no início de abril o projeto do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) que propõe a retenção, para investimentos nos próprios Estados, de 20% das mensalidades de suas dívidas com a União.
VOZ DA EXPERIÊNCIA
Jorge Gerdau é um dos confirmados no II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, de 23 a 25 de abril, em Brasília. Debaterá “Os desafios da gestão e as obrigações legais dos prefeitos”.
CLIMA DE 2014
Em reunião sobre a MP dos Portos, o senador Humberto Costa (PT-PE) criticou que a expansão do Porto de Suape não é licitada para favorecer monopólios. O complexo é administrado pelo governador Eduardo Campos (PSB), cotado para disputar o Planalto em 2014.
MOLECAGEM
O Santander optou pela rispidez, nas cobranças. Alvo de grosseira, um cliente de Brasília pediu o sobrenome do cobrador, um “Rodrigo”. Ele não informou e ainda debochou: “você não quer meu CPF também?”.
O CHORO É LIVRE
Uma liminar da Justiça Federal do DF suspendeu o processo disciplinar contra um policial federal de Brasília que em e-mail à Dilma, no “Fale com a Presidente”, reclamou dos salários e das condições de trabalho.
CAROCHINHA
A sueca Saab recomeçou o lobby pelos Gripen na concorrência da FAB: um diretor disse à Reuters, em Estocolmo, que o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP), garantiu ser “o favorito” de Dilma.
PENSANDO BEM...
...a viagem de Dilma e comitiva a Roma não foi à toa, mas ateia.
PODER SEM PUDOR
O HOMEM DAS GRAVATAS
Papagaio de pirata oficial da presidente Dilma, Aloizio Mercadante adora viagens a Roma. Tanto fez que se meteu na comitiva que o então presidente Lula levou ao enterro do papa João Paulo II, em abril de 2005, da qual faziam parte figuras como o ex-ministro Nelson Jobim e os ex-presidentes José Sarney e FHC. Alheio à comoção, Mercadante gastou todo o tempo que pôde, em Roma, comprando gravatas em lojas de grifes caras. Virou alvo da gozação de Jobim e FHC, e acabou confessando que também comprara muitas gravatas em camelôs. Mas estas seriam colocadas nas embalagens das gravatas de grife e presenteadas aos amigos. Muy amigos, pelo visto.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Nó na infraestrutura: Apagão logístico faz China cancelar compra de soja
- Folha: Empreiteiras patrocinam 13 viagens de Lula ao exterior
- Estadão: Dilma segura reajuste de ônibus e plano de saúde
- Correio: Um país à flor da pele
- Valor: Balanços mostram lenta recuperação das empresas
- Zero Hora: 10.000 páginas para explicar 241 mortes
- Estado de Minas: Dengue desfalca empresas
quinta-feira, março 21, 2013
FICA FELICIANO!
Contra o histerismo facebookiano, contra a tralha de vagabundos do politicamente correto, FICA FELICIANO!
Mais BNDES - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 21/03
Eike Batista, além da ampliação da participação do sócio alemão E.ON, atua para que o BNDES também aumente sua fatia no capital da MPX Energia, que passa por dificuldades.
No ano passado, o banco estatal já tinha ampliado de 2,6% para 11,7% sua fatia na elétrica.
A ponte
Aliás, o que se diz no mercado é que a aproximação de Eike Batista com Lula se deu, em grande parte, graças ao trabalho de Amaury Ferreira Pires Neto, diretor de assuntos institucionais do grupo carioca.
É o tal que fez lobby para que o governo federal pressionasse o estaleiro Jurong, de Cingapura, a transferir sua base do Espírito Santo para o Porto do Açu, de Eike.
Por falar em Eike...
Guilherme Guimarães, o famoso estilista de alta costura, fechou um acordo com Eike Batista.
Vizinho do Hotel Glória, que está sendo ampliado pelo empresário, Guilherme vive atormentado pela obra, principalmente depois que uma viga caiu na sua casa.
Agora, quando o barulho fica infernal, ele se muda para um hotel. As diárias são bancadas por Eike.
Fica Rangel!
Um manifesto assinado por cineastas, entre eles Cacá Diegues, Walter Salles, Selton Mello e Luiz Carlos Barreto, defende a recondução de Manoel Rangel para um terceiro mandato à frente da Ancine.
Há uma briga de foice por esta cadeira.
Vida longa para ela
De Nana Caymmi, 71 anos, para a coleguinha Léa Penteado, ontem, no velório de Emílio Santiago:
— Estão morrendo tantos amigos que, quando eu morrer, não vai ter ninguém para ir ao meu velório.
Melhor que seja argentino
Não é só o teólogo Leonardo Boff que deu graças a Deus que o cardeal Dom Odilo Scherer não foi eleito Papa.
A líder feminista Hildete Pereira de Mello diz que “temia que um Papa brasileiro fosse a volta da inquisição, por causa da política que a Igreja Católica defende para as mulheres”.
Éque...
Com um Papa local, segundo Hildete, “a pressão seria maior contra as demandas do movimento como aborto, pílulas e orientação sexual”.
É. Pode ser.
Basco solto
Lembra do espanhol Joseba Gotzón Vizán, acusado de pertencer ao ETA, o grupo terrorista basco, e preso no Rio em flagrante por uso de documentos falsos?
A Segunda Turma do TRF-Rio concedeu, em parte, o habeas corpus pedido. Vizán será solto, mas terá de usar tornozeleira eletrônica.
Peles de animais
Ativistas estão na porta do São Paulo Fashion Week panfletando contras as marcas que desfilam peles de animais.
Polêmica à vista
Depois de quatro anos e meio de pesquisa, Paulo Herkenhoff, crítico e curador do Museu de Arte do Rio, lança finalmente o livro sobre o escultor Ascânio MMM.
Em mais de 400 páginas, Herkenhoff levanta a polêmica de que Ascânio influenciou a obra de outro importante escultor, Sérgio Camargo, e não o contrário como quis o “marketing camarguiano”.
Médico fora da lei
A Delegacia Fazendária enviou para o Ministério Público o inquérito que indicia o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves e mais sete médicos por crime contra a administração pública.
Nesse processo, ele é acusado de contratar médicos para dar plantão em seu lugar no hospital.
Segue...
Gonçalves já responde a inquérito por omissão de socorro, por ter faltado ao plantão no dia de Natal no Hospital Salgado Filho, no Méier, deixando a menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, esperando oito horas por uma cirurgia.
Tarde de protesto
Domingo, agora, um grupo de artistas, entre eles a querida atriz Marieta Severo, vai ler depoimentos sobre vítimas da ditadura, às 16h, na Praça São Salvador, em Laranjeiras.
O movimento, que vai reunir membros da Comissão da Verdade, é para celebrar o Dia Internacional do Direito à Verdade, instituído pela ONU.
Dia de fúria
A 14ª Câmara Cível do Rio determinou que um porteiro de Copacabana seja indenizado por dois moradores em R$ 6 mil.
É que o funcionário interfonou, às 8h, para o casal avisando sobre a chegada da empregada. A atitude enfureceu os réus, que o agrediram com socos, pontapés, além de dizer que o coitado do trabalhador era usuário de drogas.
Eike Batista, além da ampliação da participação do sócio alemão E.ON, atua para que o BNDES também aumente sua fatia no capital da MPX Energia, que passa por dificuldades.
No ano passado, o banco estatal já tinha ampliado de 2,6% para 11,7% sua fatia na elétrica.
A ponte
Aliás, o que se diz no mercado é que a aproximação de Eike Batista com Lula se deu, em grande parte, graças ao trabalho de Amaury Ferreira Pires Neto, diretor de assuntos institucionais do grupo carioca.
É o tal que fez lobby para que o governo federal pressionasse o estaleiro Jurong, de Cingapura, a transferir sua base do Espírito Santo para o Porto do Açu, de Eike.
Por falar em Eike...
Guilherme Guimarães, o famoso estilista de alta costura, fechou um acordo com Eike Batista.
Vizinho do Hotel Glória, que está sendo ampliado pelo empresário, Guilherme vive atormentado pela obra, principalmente depois que uma viga caiu na sua casa.
Agora, quando o barulho fica infernal, ele se muda para um hotel. As diárias são bancadas por Eike.
Fica Rangel!
Um manifesto assinado por cineastas, entre eles Cacá Diegues, Walter Salles, Selton Mello e Luiz Carlos Barreto, defende a recondução de Manoel Rangel para um terceiro mandato à frente da Ancine.
Há uma briga de foice por esta cadeira.
Vida longa para ela
De Nana Caymmi, 71 anos, para a coleguinha Léa Penteado, ontem, no velório de Emílio Santiago:
— Estão morrendo tantos amigos que, quando eu morrer, não vai ter ninguém para ir ao meu velório.
Melhor que seja argentino
Não é só o teólogo Leonardo Boff que deu graças a Deus que o cardeal Dom Odilo Scherer não foi eleito Papa.
A líder feminista Hildete Pereira de Mello diz que “temia que um Papa brasileiro fosse a volta da inquisição, por causa da política que a Igreja Católica defende para as mulheres”.
Éque...
Com um Papa local, segundo Hildete, “a pressão seria maior contra as demandas do movimento como aborto, pílulas e orientação sexual”.
É. Pode ser.
Basco solto
Lembra do espanhol Joseba Gotzón Vizán, acusado de pertencer ao ETA, o grupo terrorista basco, e preso no Rio em flagrante por uso de documentos falsos?
A Segunda Turma do TRF-Rio concedeu, em parte, o habeas corpus pedido. Vizán será solto, mas terá de usar tornozeleira eletrônica.
Peles de animais
Ativistas estão na porta do São Paulo Fashion Week panfletando contras as marcas que desfilam peles de animais.
Polêmica à vista
Depois de quatro anos e meio de pesquisa, Paulo Herkenhoff, crítico e curador do Museu de Arte do Rio, lança finalmente o livro sobre o escultor Ascânio MMM.
Em mais de 400 páginas, Herkenhoff levanta a polêmica de que Ascânio influenciou a obra de outro importante escultor, Sérgio Camargo, e não o contrário como quis o “marketing camarguiano”.
Médico fora da lei
A Delegacia Fazendária enviou para o Ministério Público o inquérito que indicia o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves e mais sete médicos por crime contra a administração pública.
Nesse processo, ele é acusado de contratar médicos para dar plantão em seu lugar no hospital.
Segue...
Gonçalves já responde a inquérito por omissão de socorro, por ter faltado ao plantão no dia de Natal no Hospital Salgado Filho, no Méier, deixando a menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, esperando oito horas por uma cirurgia.
Tarde de protesto
Domingo, agora, um grupo de artistas, entre eles a querida atriz Marieta Severo, vai ler depoimentos sobre vítimas da ditadura, às 16h, na Praça São Salvador, em Laranjeiras.
O movimento, que vai reunir membros da Comissão da Verdade, é para celebrar o Dia Internacional do Direito à Verdade, instituído pela ONU.
Dia de fúria
A 14ª Câmara Cível do Rio determinou que um porteiro de Copacabana seja indenizado por dois moradores em R$ 6 mil.
É que o funcionário interfonou, às 8h, para o casal avisando sobre a chegada da empregada. A atitude enfureceu os réus, que o agrediram com socos, pontapés, além de dizer que o coitado do trabalhador era usuário de drogas.
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