FOLHA DE SP - 22/02
BRASÍLIA - Alguém precisa ensinar aos embaixadores da Venezuela e de Cuba que, tudo bem, seus chefes são amigos de Lula, do governo e do PT, mas que isso aqui não é a casa da mãe-joana. Se Chávez e os irmãos Castro não irão fazê-lo, o governo brasileiro deveria ajudá-los nessa aula básica de diplomacia.
Foi-se o tempo em que embaixadores norte-americanos, por exemplo, conspiravam abertamente no Brasil, ora contra o governo brasileiro, ora com o próprio governo.
Não é profissional, nem trivial, nem aceitável que embaixadores estrangeiros participem de reuniões partidárias ou promovam encontros para atiçar militantes do país com qualquer finalidade política. De tão básicos, esses princípios nem precisariam constar de documentos internacionais. Mas constam.
Apesar disso, o embaixador venezuelano, Maximilien Arveláiz, participa de ato do PT em apoio a condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo mensalão. E o cubano, Carlos Zamora, reúne na embaixada militantes brasileiros e até um funcionário da Secretaria-Geral da Presidência da República para divulgar um dossiê malicioso e articular atos dentro do país contra a blogueira cubana Yoani Sánchez. Um espanto!
A ação comprova que ditaduras, além de tudo, são ousadas e burras. Cubanos não entendem patavinas de jornalismo e, ao organizar uma recepção com insultos e grosserias, deram outra dimensão à viagem da "perigosa" Yoani, que comete o crime de falar, escrever e discordar.
Em vez de algumas linhas na chegada, ela foi alçada durante dias às primeiras páginas e à TV. Em vez de lançar um livro e divulgar um documentário no aconchego do interior da Bahia, ela fez isso dentro do Congresso Nacional. Virou uma estrela.
Fidel e Raúl Castro, porém, ainda têm uma boa chance de dar a volta por cima, mostrando que o regime se abre, Yoani exagera e tudo será diferente daqui para a frente. Depende de como receberão a moça na volta...
sexta-feira, fevereiro 22, 2013
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 22/02
Importação de brinquedos diminui em 2012
A indústria nacional de brinquedos está recuperando o espaço ocupado pelos importados nos últimos anos.
Em 2012, a entrada dos produtos vindos do exterior teve queda de 3,9% em valores e de 3,2% em volume, segundo dados levantados pela Abrinq (associação nacional dos fabricantes) com a Secretaria de Comércio Exterior.
Maior controle de aduanas, perda de competitividade dos brinquedos chineses e medidas adotadas pelo governo brasileiro ajudaram o setor.
"A fiscalização nos portos foi um dos fatores principais. O preço médio do quilo importado cresceu 12,16% em janeiro, o que indica queda de subfaturamento", diz o presidente da entidade, Synésio Batista da Costa.
Para ele, o aumento do salário mínimo na China não afeta muito o mercado brasileiro: "A alta de 19,2% em fevereiro corresponde à uma elevação de 4,9% no preço do brinquedo. Isso não é nada".
Aires Leal Fernandes, diretor da Estrela, discorda.
"Sem dúvida os salários chineses afetaram nosso mix de produtos", diz.
A empresa, que é fabricante e importadora, deve ter 70% de seu faturamento de 2012 ligado à produção nacional.
"Houve anos em que a empresa importava metade", afirma Fernandes.
A desoneração da folha de pagamentos do setor e o câmbios também favoreceram o produto nacional, segundo Fernandes, que acredita que o movimento deve se repetir em 2013. "Neste ano, teremos também energia mais barata."
ADEQUAÇÕES NOS PORTOS
A MP dos portos segue presente na agenda da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
Ontem, às 20h, ela ia se reunir com o ministro Leônidas Cristino (Secretaria de Portos).
Hoje, o ministro preside a primeira reunião com entidades sindicais. A abertura de uma mesa de discussões com trabalhadores foi decidida em audiência na Casa Civil com quatro representantes de sindicatos na semana passada.
Na ocasião, Gleisi disse a sindicalistas que o governo poderá fazer "adequações" na proposta, mas "não abrirá mão" de modernizar o setor.
É o que vem reafirmando a ministra: o governo está "firme" em sua disposição de tornar o setor mais competitivo. "Discutiremos o projeto, só não vamos permitir que haja reserva de mercado", afirma.
"A maior parte da nossa carga, 75%, já é de terminal privado", diz ela para contestar a ideia defendida por sindicalistas de que o governo "vai quebrar portos públicos".
Na segunda-feira, Gleisi se reúne com o presidente da ABTP (associação dos terminais portuários).
ESCOLA DE IDIOMA
Menos de um em cada dez executivos de uma amostra de 6.000 profissionais brasileiros são fluentes em espanhol, de acordo com levantamento do PageGroup, companhia que reúne empresas de recrutamento.
A pesquisa mostra que, enquanto 20% das vagas exigem proficiência no idioma, apenas 9% dos candidatos têm a habilidade.
A maior parcela de profissionais que falam espanhol fluentemente se encontra em São Paulo (12%).
Nos Estados de Minas Gerais e Goiás, juntos, apenas 5% dos entrevistados pela empresa afirmaram ser fluentes no idioma.
Quando a análise é feita por setor, as áreas de seguros e logística ficam em primeiro lugar, com 14% cada uma.
Em seguida, aparecem os segmentos de marketing (13%), vendas (11,5) e jurídico (10%).
Confiança na economia cresce entre consumidores
A segurança dos paulistanos em relação à economia teve alta em fevereiro, segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
O índice passou de 160,55 em janeiro para 165,85 pontos neste mês, incremento de 3,3%. É o maior número desde fevereiro do ano passado, quando o ICC marcou 170,18 pontos. O indicador avalia as expectativas atuais e as expectativas futuras das 2.100 pessoas pesquisadas.
No período, as expectativas atuais subiram 6,3% e as futuras 1,4%.
"O pleno emprego e a renda alta motivaram a sensação de confiança no cenário atual, mas as previsões de baixo crescimento da economia e aumento da inflação provocaram alta menor nas expectativas futuras", aponta Fábio Pina, assessor econômico da entidade.
Silicone... O faturamento da indústria brasileira de silicones aumentou 10% em 2012, atingindo US$ 230 milhões, puxado pelos setores de construção civil e beleza.
...inflado A alta representa o dobro da expectativa da Associação Brasileira da Indústria Química. O setor, porém, teve crescimento menor que a média histórica, de 14%.
Expectativa A entidade espera para este ano uma expansão em torno dos 10%. No Brasil, o consumo de silicone é pequeno quando comparado ao de países desenvolvidos.
São Paulo... A cidade é a que mais tem câmeras de segurança no país, 1,5 milhão de equipamentos, segundo a Abese, associação das empresas de sistemas de segurança.
...vigiada Em 2012, o setor movimentou cerca de R$ 4,2 bilhões, crescimento de 9% em comparação com o ano anterior. Segundo a Abese, a alta deve chegar a 11% em 2013.
Curitiba Eventos médicos na cidade movimentaram mais de R$ 34 milhões e 33 mil turistas em 2012, de acordo com a CCVB, empresa organizadora de eventos.
NO ANZOL
A pouco mais de 30 dias para a Páscoa, os supermercados já estão abastecendo suas gondolas de pescados e frutos do mar.
O Grupo Pão de Açúcar disponibilizará em suas lojas do Extra e do Pão de Açúcar cerca de 2.600 toneladas de bacalhau -5% a mais que no ano passado.
A procura por merluza e cação também deve ser grande e a expectativa é vender mais de 2.000 toneladas desses peixes no período.
Juntos, Extra e Pão de Açúcar esperam aumentar as vendas de pescados em 10% ante o mesmo período de 2012.
O Carrefour informou que negociou 3.000 toneladas de bacalhau salgado e diversos tipos de pescados.
O Walmart Brasil espera 25% de crescimento nas vendas de bacalhau salgado e 16% na comercialização de peixes em comparação ao mesmo período 2012.
Importação de brinquedos diminui em 2012
A indústria nacional de brinquedos está recuperando o espaço ocupado pelos importados nos últimos anos.
Em 2012, a entrada dos produtos vindos do exterior teve queda de 3,9% em valores e de 3,2% em volume, segundo dados levantados pela Abrinq (associação nacional dos fabricantes) com a Secretaria de Comércio Exterior.
Maior controle de aduanas, perda de competitividade dos brinquedos chineses e medidas adotadas pelo governo brasileiro ajudaram o setor.
"A fiscalização nos portos foi um dos fatores principais. O preço médio do quilo importado cresceu 12,16% em janeiro, o que indica queda de subfaturamento", diz o presidente da entidade, Synésio Batista da Costa.
Para ele, o aumento do salário mínimo na China não afeta muito o mercado brasileiro: "A alta de 19,2% em fevereiro corresponde à uma elevação de 4,9% no preço do brinquedo. Isso não é nada".
Aires Leal Fernandes, diretor da Estrela, discorda.
"Sem dúvida os salários chineses afetaram nosso mix de produtos", diz.
A empresa, que é fabricante e importadora, deve ter 70% de seu faturamento de 2012 ligado à produção nacional.
"Houve anos em que a empresa importava metade", afirma Fernandes.
A desoneração da folha de pagamentos do setor e o câmbios também favoreceram o produto nacional, segundo Fernandes, que acredita que o movimento deve se repetir em 2013. "Neste ano, teremos também energia mais barata."
ADEQUAÇÕES NOS PORTOS
A MP dos portos segue presente na agenda da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
Ontem, às 20h, ela ia se reunir com o ministro Leônidas Cristino (Secretaria de Portos).
Hoje, o ministro preside a primeira reunião com entidades sindicais. A abertura de uma mesa de discussões com trabalhadores foi decidida em audiência na Casa Civil com quatro representantes de sindicatos na semana passada.
Na ocasião, Gleisi disse a sindicalistas que o governo poderá fazer "adequações" na proposta, mas "não abrirá mão" de modernizar o setor.
É o que vem reafirmando a ministra: o governo está "firme" em sua disposição de tornar o setor mais competitivo. "Discutiremos o projeto, só não vamos permitir que haja reserva de mercado", afirma.
"A maior parte da nossa carga, 75%, já é de terminal privado", diz ela para contestar a ideia defendida por sindicalistas de que o governo "vai quebrar portos públicos".
Na segunda-feira, Gleisi se reúne com o presidente da ABTP (associação dos terminais portuários).
ESCOLA DE IDIOMA
Menos de um em cada dez executivos de uma amostra de 6.000 profissionais brasileiros são fluentes em espanhol, de acordo com levantamento do PageGroup, companhia que reúne empresas de recrutamento.
A pesquisa mostra que, enquanto 20% das vagas exigem proficiência no idioma, apenas 9% dos candidatos têm a habilidade.
A maior parcela de profissionais que falam espanhol fluentemente se encontra em São Paulo (12%).
Nos Estados de Minas Gerais e Goiás, juntos, apenas 5% dos entrevistados pela empresa afirmaram ser fluentes no idioma.
Quando a análise é feita por setor, as áreas de seguros e logística ficam em primeiro lugar, com 14% cada uma.
Em seguida, aparecem os segmentos de marketing (13%), vendas (11,5) e jurídico (10%).
Confiança na economia cresce entre consumidores
A segurança dos paulistanos em relação à economia teve alta em fevereiro, segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
O índice passou de 160,55 em janeiro para 165,85 pontos neste mês, incremento de 3,3%. É o maior número desde fevereiro do ano passado, quando o ICC marcou 170,18 pontos. O indicador avalia as expectativas atuais e as expectativas futuras das 2.100 pessoas pesquisadas.
No período, as expectativas atuais subiram 6,3% e as futuras 1,4%.
"O pleno emprego e a renda alta motivaram a sensação de confiança no cenário atual, mas as previsões de baixo crescimento da economia e aumento da inflação provocaram alta menor nas expectativas futuras", aponta Fábio Pina, assessor econômico da entidade.
Silicone... O faturamento da indústria brasileira de silicones aumentou 10% em 2012, atingindo US$ 230 milhões, puxado pelos setores de construção civil e beleza.
...inflado A alta representa o dobro da expectativa da Associação Brasileira da Indústria Química. O setor, porém, teve crescimento menor que a média histórica, de 14%.
Expectativa A entidade espera para este ano uma expansão em torno dos 10%. No Brasil, o consumo de silicone é pequeno quando comparado ao de países desenvolvidos.
São Paulo... A cidade é a que mais tem câmeras de segurança no país, 1,5 milhão de equipamentos, segundo a Abese, associação das empresas de sistemas de segurança.
...vigiada Em 2012, o setor movimentou cerca de R$ 4,2 bilhões, crescimento de 9% em comparação com o ano anterior. Segundo a Abese, a alta deve chegar a 11% em 2013.
Curitiba Eventos médicos na cidade movimentaram mais de R$ 34 milhões e 33 mil turistas em 2012, de acordo com a CCVB, empresa organizadora de eventos.
NO ANZOL
A pouco mais de 30 dias para a Páscoa, os supermercados já estão abastecendo suas gondolas de pescados e frutos do mar.
O Grupo Pão de Açúcar disponibilizará em suas lojas do Extra e do Pão de Açúcar cerca de 2.600 toneladas de bacalhau -5% a mais que no ano passado.
A procura por merluza e cação também deve ser grande e a expectativa é vender mais de 2.000 toneladas desses peixes no período.
Juntos, Extra e Pão de Açúcar esperam aumentar as vendas de pescados em 10% ante o mesmo período de 2012.
O Carrefour informou que negociou 3.000 toneladas de bacalhau salgado e diversos tipos de pescados.
O Walmart Brasil espera 25% de crescimento nas vendas de bacalhau salgado e 16% na comercialização de peixes em comparação ao mesmo período 2012.
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA
O GLOBO - 22/02
HOTELARIA DO RIO PREPARA BASE DE DADOS
Observatório Turístico terá informações sobre valor médio das diárias, fluxo de estrangeiros e oferta de quartos
Em meio a críticas de autoridades do Ministério do Turismo e da Embratur às altas tarifas de hospedagem nas cidades-sedes da Copa das Confederações, em junho, a hotelaria fluminense vai se reunir na próxima segunda com o ministro Gastão Vieira. ABIH-RJ, Abav e representantes de 80 hotéis do Rio, incluindo os principais cinco estrelas, querem debater com o titular da pasta do Turismo o momento do setor no país. No mesmo encontro, vão lançar, em parceria com a Secretaria estadual de Turismo, o Observatório Turístico do Estado do Rio. "Vamos juntar os dados de todas as empresas para formar, finalmente, uma base estatística confiável. Há muitas contas equivocadas e comparações mal feitas", diz Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ. A intenção é consolidar números sobre oferta de quartos, valor médio das diárias e fluxo de hóspedes nacionais e estrangeiros. "É errado comparar tarifas de verão no Brasil com as do inverno na Europa. As informações têm de ser compatíveis", afirma Lopes. Os primeiros dados saem em fins de março, a tempo da Copa das Confederações. Os números também serão usados para defender um plano para atrair estrangeiros após os megaeventos.
R$ 10 BILHÕES
É o investimento total previsto para o setor hoteleiro no Rio até 2016. A oferta de hospedagem na cidade será ampliada em 20 mil quartos, segundo a ABIH-RJ. É a maior expansão do setor no país.
NA COPA
O SporTV dá início a campanha para anunciar cobertura da Copa das Confederações nesta segunda-feira. A peça destaca a transmissão ao vivo de todos os jogos e a exclusividade na TV por assinatura. Apresenta o conceito “É no Brasil. É no SporTV”. Será veiculada em mídia impressa. A Kindle assina.
REALEZA
O Range Rover Vogue, modelo SUV mais caro da Land Rover, será apresentado pela 1ª vez no Brasil na terça. Virá ao Rio antes de São Paulo, fato raro no mercado de luxo. O modelo mais simples do carrão da realeza deve custar R$ 500 mil.
Jornada móvel
É 2ª feira, em Brasília, a terceira, e última, reunião entre o Ministério Público do Trabalho e o McDonald’s para negociar acordo sobre jornada de trabalho. O MPT quer fim da carga horária variável na rede de fast-food. Só em Pernambuco, pede R$ 30 milhões por dano moral coletivo. A empresa diz que tem práticas trabalhistas reconhecidas pelo Great Place to Work.
Consumo
A disposição de consumo das famílias brasileiras caiu 3,8% este mês em relação a fevereiro de 2012.O dado está em pesquisa (ICF), que a CNC divulga hoje. O desânimo reflete a alta da inflação e o crescimento do endividamento e da inadimplência.
No exterior
A Fundação Estudar abriu inscrições para o Prep Program. Dará orientação a estudantes do ensino médio que queiram fazer graduação no exterior. Vai preparar cem alunos em 2013. Até ano passado, sob gestão do Ilrio, o projeto oferecia de 20 a 30 vagas.
Nutrição
A Nuvem Sorvetes fechou parceria de dois anos com a Unisuam. A fábrica da empresa em Jacarepaguá será usada como laboratório por alunos de Nutrição do centro universitário. Vão implantar ferramenta de gestão de qualidade e desenvolver produtos, como sorvetes dietéticos.
Golaço
A Unicef vai usar no Brasil parte dos US$ 4 milhões que recebe todo ano do Barcelona. Projetos de esporte infantil receberão US$1 milhão da verba do clube, até 2016.
Social
O Itaú vai destinar R$ 2,4 milhões a 15 ONGs da área de educação na edição 2013 do Fundo de Excelência Social. Dará até R$ 120 mil a cada.
Circo
Luana Piovani é madrinha da campanha de financiamento coletivo para compra da nova lona do Circo Crescer e Viver, projeto com cem crianças. A Benfeitoria arrecada.
INOVAÇAO
O encontro do Blue Man Group com o Monobloco no carnaval do Rio, promovido pela TIM, será mostrado em campanha que a operadora estreia hoje. O filme destaca a importância de inovações na tradicional festa. A Neogama assina.
VERNISSAGE
A grife Looxx põe na rua hoje as primeiras imagens da coleção de inverno “Vernissage”. Vão circular em site, mídias sociais e catálogo. As modelos Thais Custódio (foto) e Amanda Boeno foram fotografadas por Rodrigo Bueno. Com 21 lojas, a marca quer vender 20% mais na temporada. E planeja inaugurar oito unidades este ano.
Aniversário
A Moda Focka e a Dimona lançam camiseta em homenagem aos 448 anos do Rio, dia 19 de março. Uma estampa mistura tigela de açaí e o Dois Irmãos. Esperam vender 20% mais no site.
Carioquice
A Aldeia dos Ventos pôs em camisas frases da ação de reposicionamento de marca, criada pela Fluxxo. Todas exaltam o Rio, caso de “Carioca não conversa, troca uma ideia”. O 19 lote é de mil peças.
Engenharia
A OTZ fechou com a Aker Solutions (óleo e gás). Fará o projeto executivo de unidade da norueguesa em Macaé. É aporte de US$ 100 milhões.
Saúde
A Unimed fechou 2012 com 18,86 milhões de planos de saúde no Brasil. É alta de 3,2%. Segundo a ANS, o grupo tem 38% do mercado.
Livre Mercado
O CBVE contou 73 mil voluntários nas companhias que acompanha. Em 2012, cada um ajudou cinco pessoas. Eram quatro em 2011.
O Jungle Gym Brazil, de treino funcional, abre unidades no Centro e na Tijuca em julho. Um mês depois, estreia em franquias. Investirá, ao todo, R$300 mil.
Fernando Boigues comandará por mais um mandato o Sindhrio.
Jorge Góes comandará o escritório no Brasil da International Interiors.
HOTELARIA DO RIO PREPARA BASE DE DADOS
Observatório Turístico terá informações sobre valor médio das diárias, fluxo de estrangeiros e oferta de quartos
Em meio a críticas de autoridades do Ministério do Turismo e da Embratur às altas tarifas de hospedagem nas cidades-sedes da Copa das Confederações, em junho, a hotelaria fluminense vai se reunir na próxima segunda com o ministro Gastão Vieira. ABIH-RJ, Abav e representantes de 80 hotéis do Rio, incluindo os principais cinco estrelas, querem debater com o titular da pasta do Turismo o momento do setor no país. No mesmo encontro, vão lançar, em parceria com a Secretaria estadual de Turismo, o Observatório Turístico do Estado do Rio. "Vamos juntar os dados de todas as empresas para formar, finalmente, uma base estatística confiável. Há muitas contas equivocadas e comparações mal feitas", diz Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ. A intenção é consolidar números sobre oferta de quartos, valor médio das diárias e fluxo de hóspedes nacionais e estrangeiros. "É errado comparar tarifas de verão no Brasil com as do inverno na Europa. As informações têm de ser compatíveis", afirma Lopes. Os primeiros dados saem em fins de março, a tempo da Copa das Confederações. Os números também serão usados para defender um plano para atrair estrangeiros após os megaeventos.
R$ 10 BILHÕES
É o investimento total previsto para o setor hoteleiro no Rio até 2016. A oferta de hospedagem na cidade será ampliada em 20 mil quartos, segundo a ABIH-RJ. É a maior expansão do setor no país.
NA COPA
O SporTV dá início a campanha para anunciar cobertura da Copa das Confederações nesta segunda-feira. A peça destaca a transmissão ao vivo de todos os jogos e a exclusividade na TV por assinatura. Apresenta o conceito “É no Brasil. É no SporTV”. Será veiculada em mídia impressa. A Kindle assina.
REALEZA
O Range Rover Vogue, modelo SUV mais caro da Land Rover, será apresentado pela 1ª vez no Brasil na terça. Virá ao Rio antes de São Paulo, fato raro no mercado de luxo. O modelo mais simples do carrão da realeza deve custar R$ 500 mil.
Jornada móvel
É 2ª feira, em Brasília, a terceira, e última, reunião entre o Ministério Público do Trabalho e o McDonald’s para negociar acordo sobre jornada de trabalho. O MPT quer fim da carga horária variável na rede de fast-food. Só em Pernambuco, pede R$ 30 milhões por dano moral coletivo. A empresa diz que tem práticas trabalhistas reconhecidas pelo Great Place to Work.
Consumo
A disposição de consumo das famílias brasileiras caiu 3,8% este mês em relação a fevereiro de 2012.O dado está em pesquisa (ICF), que a CNC divulga hoje. O desânimo reflete a alta da inflação e o crescimento do endividamento e da inadimplência.
No exterior
A Fundação Estudar abriu inscrições para o Prep Program. Dará orientação a estudantes do ensino médio que queiram fazer graduação no exterior. Vai preparar cem alunos em 2013. Até ano passado, sob gestão do Ilrio, o projeto oferecia de 20 a 30 vagas.
Nutrição
A Nuvem Sorvetes fechou parceria de dois anos com a Unisuam. A fábrica da empresa em Jacarepaguá será usada como laboratório por alunos de Nutrição do centro universitário. Vão implantar ferramenta de gestão de qualidade e desenvolver produtos, como sorvetes dietéticos.
Golaço
A Unicef vai usar no Brasil parte dos US$ 4 milhões que recebe todo ano do Barcelona. Projetos de esporte infantil receberão US$1 milhão da verba do clube, até 2016.
Social
O Itaú vai destinar R$ 2,4 milhões a 15 ONGs da área de educação na edição 2013 do Fundo de Excelência Social. Dará até R$ 120 mil a cada.
Circo
Luana Piovani é madrinha da campanha de financiamento coletivo para compra da nova lona do Circo Crescer e Viver, projeto com cem crianças. A Benfeitoria arrecada.
INOVAÇAO
O encontro do Blue Man Group com o Monobloco no carnaval do Rio, promovido pela TIM, será mostrado em campanha que a operadora estreia hoje. O filme destaca a importância de inovações na tradicional festa. A Neogama assina.
VERNISSAGE
A grife Looxx põe na rua hoje as primeiras imagens da coleção de inverno “Vernissage”. Vão circular em site, mídias sociais e catálogo. As modelos Thais Custódio (foto) e Amanda Boeno foram fotografadas por Rodrigo Bueno. Com 21 lojas, a marca quer vender 20% mais na temporada. E planeja inaugurar oito unidades este ano.
Aniversário
A Moda Focka e a Dimona lançam camiseta em homenagem aos 448 anos do Rio, dia 19 de março. Uma estampa mistura tigela de açaí e o Dois Irmãos. Esperam vender 20% mais no site.
Carioquice
A Aldeia dos Ventos pôs em camisas frases da ação de reposicionamento de marca, criada pela Fluxxo. Todas exaltam o Rio, caso de “Carioca não conversa, troca uma ideia”. O 19 lote é de mil peças.
Engenharia
A OTZ fechou com a Aker Solutions (óleo e gás). Fará o projeto executivo de unidade da norueguesa em Macaé. É aporte de US$ 100 milhões.
Saúde
A Unimed fechou 2012 com 18,86 milhões de planos de saúde no Brasil. É alta de 3,2%. Segundo a ANS, o grupo tem 38% do mercado.
Livre Mercado
O CBVE contou 73 mil voluntários nas companhias que acompanha. Em 2012, cada um ajudou cinco pessoas. Eram quatro em 2011.
O Jungle Gym Brazil, de treino funcional, abre unidades no Centro e na Tijuca em julho. Um mês depois, estreia em franquias. Investirá, ao todo, R$300 mil.
Fernando Boigues comandará por mais um mandato o Sindhrio.
Jorge Góes comandará o escritório no Brasil da International Interiors.
O sapo e o escorpião - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SP - 22/02
As intervenções na economia desestabilizaram o pacto construído ao longo dos anos Lula
Mais uma vez uso uma conhecida fábula popular para trazer aos leitores da Folha minhas reflexões sobre a economia - e a política - brasileira nos dias de hoje.
Recentemente, ao preparar uma palestra sobre a gestão da economia no governo Dilma, recordei-me da fábula do sapo e do escorpião.
Os leitores conhecem a imagem de um escorpião que pediu ao sapo para atravessá-lo de uma margem à outra de um lago. O sapo negou-se a fazê-lo, dizendo que o escorpião acabaria por picá-lo. A essa colocação o escorpião respondeu dizendo que, se fizesse isso, ele também morreria. Mas o sapo, encerrando a conversa, disse: eu sei disso, mas a sua natureza vai forçá-lo a fazê-lo.
No caso do governo Dilma, o sapo é representado pela economia de mercado, e que, ao longo de seu primeiro mandato, poderá levá-la à reeleição em 2014. Na sociedade brasileira de hoje, com a classe média representando mais de 50% dos eleitores, o voto depende essencialmente da situação da economia no período eleitoral. Ideologia e imaginário representam muito pouco.
A presidente sabe disso, pois seu criador -o presidente Lula- ensinou-a nos anos de sucesso que compartilharam nas eleições de 2016 e 2010.
Mas -como o escorpião da fábula- o governo, parece que por sua natureza, não perde uma oportunidade para aferroar seu aliado na travessia do primeiro mandato. Nesta semana mais uma ferroada foi aplicada nas empresas privadas, permitindo que o governo interfira em contratos -assinados- de concessão licitados anteriormente.
Isso aconteceu no caso da medida provisória que regulou as condições em que serão realizados os contratos de concessão para exploração de portos e terminais de carga por empresas privadas. Repete-se o mesmo procedimento utilizado no caso recente do setor elétrico.
O que mais chama a atenção do analista é a total falta de importância das novas regras em investimentos já realizados, principalmente nos anos FHC. Somente uma mesquinharia política -ou ideológica- pode explicar esse procedimento.
Sabemos que a concessão de serviços públicos ao setor privado é elemento fundamental para aumentar a oferta de serviços em vários setores da economia que esgotaram, ao longo dos últimos anos, sua capacidade operacional.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que as regras fixadas nos leilões respeitem as condições mínimas para que a atividade privada possa ser realizada com retorno compatível com as taxas de mercado e com os riscos incorridos e, ainda, com segurança jurídica. Até agora isso não vem ocorrendo.
Nos dois primeiros anos de seu mandato, o governo Dilma tem procurado impor condições inaceitáveis ao capital privado, seja via taxas de retorno inviáveis ou por pouca clareza nas condições legais dos contratos firmados.
A origem de tudo isso parece vir da contradição -como no caso do escorpião- entre a necessidade de trazer o setor privado para realizar os investimentos necessários para acelerar o crescimento e a natureza estatista -em alguns momentos até soviética- de boa parte da equipe da presidente.
Esse dilema não existiu no período Lula, que conseguiu equilibrar de forma eficiente a dinâmica do setor privado para realizar seus investimentos e gerar crescimento e a de um governo que cuidava de interferir na forma como os frutos gerados seriam distribuídos.
Essa receita, que deu certo e modificou a sociedade brasileira, representou o escorpião vencendo sua natureza e deixando o sapo carregá-lo com liberdade de uma margem à outra do lago.
Infelizmente, em seus primeiros dois anos de governo, a presidente Dilma mudou a forma de interagir com a economia privada. Suas intervenções na economia acabaram por desestabilizar o pacto construído ao longo dos anos Lula.
O resultado foi uma desaceleração do crescimento econômico - principalmente pela queda da confiança dos empresários nas regras do jogo - de tal ordem que está criando condições políticas eleitorais totalmente diferentes das que prevaleceram nos anos Lula.
Lentamente o veneno do escorpião está minando a resistência e o dinamismo do sapo, ou melhor, do setor privado.
As intervenções na economia desestabilizaram o pacto construído ao longo dos anos Lula
Mais uma vez uso uma conhecida fábula popular para trazer aos leitores da Folha minhas reflexões sobre a economia - e a política - brasileira nos dias de hoje.
Recentemente, ao preparar uma palestra sobre a gestão da economia no governo Dilma, recordei-me da fábula do sapo e do escorpião.
Os leitores conhecem a imagem de um escorpião que pediu ao sapo para atravessá-lo de uma margem à outra de um lago. O sapo negou-se a fazê-lo, dizendo que o escorpião acabaria por picá-lo. A essa colocação o escorpião respondeu dizendo que, se fizesse isso, ele também morreria. Mas o sapo, encerrando a conversa, disse: eu sei disso, mas a sua natureza vai forçá-lo a fazê-lo.
No caso do governo Dilma, o sapo é representado pela economia de mercado, e que, ao longo de seu primeiro mandato, poderá levá-la à reeleição em 2014. Na sociedade brasileira de hoje, com a classe média representando mais de 50% dos eleitores, o voto depende essencialmente da situação da economia no período eleitoral. Ideologia e imaginário representam muito pouco.
A presidente sabe disso, pois seu criador -o presidente Lula- ensinou-a nos anos de sucesso que compartilharam nas eleições de 2016 e 2010.
Mas -como o escorpião da fábula- o governo, parece que por sua natureza, não perde uma oportunidade para aferroar seu aliado na travessia do primeiro mandato. Nesta semana mais uma ferroada foi aplicada nas empresas privadas, permitindo que o governo interfira em contratos -assinados- de concessão licitados anteriormente.
Isso aconteceu no caso da medida provisória que regulou as condições em que serão realizados os contratos de concessão para exploração de portos e terminais de carga por empresas privadas. Repete-se o mesmo procedimento utilizado no caso recente do setor elétrico.
O que mais chama a atenção do analista é a total falta de importância das novas regras em investimentos já realizados, principalmente nos anos FHC. Somente uma mesquinharia política -ou ideológica- pode explicar esse procedimento.
Sabemos que a concessão de serviços públicos ao setor privado é elemento fundamental para aumentar a oferta de serviços em vários setores da economia que esgotaram, ao longo dos últimos anos, sua capacidade operacional.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que as regras fixadas nos leilões respeitem as condições mínimas para que a atividade privada possa ser realizada com retorno compatível com as taxas de mercado e com os riscos incorridos e, ainda, com segurança jurídica. Até agora isso não vem ocorrendo.
Nos dois primeiros anos de seu mandato, o governo Dilma tem procurado impor condições inaceitáveis ao capital privado, seja via taxas de retorno inviáveis ou por pouca clareza nas condições legais dos contratos firmados.
A origem de tudo isso parece vir da contradição -como no caso do escorpião- entre a necessidade de trazer o setor privado para realizar os investimentos necessários para acelerar o crescimento e a natureza estatista -em alguns momentos até soviética- de boa parte da equipe da presidente.
Esse dilema não existiu no período Lula, que conseguiu equilibrar de forma eficiente a dinâmica do setor privado para realizar seus investimentos e gerar crescimento e a de um governo que cuidava de interferir na forma como os frutos gerados seriam distribuídos.
Essa receita, que deu certo e modificou a sociedade brasileira, representou o escorpião vencendo sua natureza e deixando o sapo carregá-lo com liberdade de uma margem à outra do lago.
Infelizmente, em seus primeiros dois anos de governo, a presidente Dilma mudou a forma de interagir com a economia privada. Suas intervenções na economia acabaram por desestabilizar o pacto construído ao longo dos anos Lula.
O resultado foi uma desaceleração do crescimento econômico - principalmente pela queda da confiança dos empresários nas regras do jogo - de tal ordem que está criando condições políticas eleitorais totalmente diferentes das que prevaleceram nos anos Lula.
Lentamente o veneno do escorpião está minando a resistência e o dinamismo do sapo, ou melhor, do setor privado.
Câmbio puxa-puxa - CELSO MING
O ESTADO DE S. PAULO - 22/02
O câmbio virou uma espécie de bala puxa-puxa que pode tomar a forma da mastigada de qualquer um.
Dirigentes da indústria brasileira, por exemplo, querem que a cotação da moeda estrangeira garanta competitividade aos negócios, não importando os efeitos sobre inflação, investimentos e comércio exterior. Foi o que disse nesta quinta-feira o diretor de Relações Internacionais da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca. Para ele, o câmbio não pode ficar abaixo de R$ 2,20 por dólar.
Embora não o reconheçam, os dirigentes do Banco Central do Brasil operam como se, ao menos temporariamente e até certo ponto, o câmbio tivesse de ser usado como âncora dos preços; deve ser instrumento de combate à inflação, independentemente do impacto sobre o setor produtivo. Tem, no momento, de ficar abaixo de R$ 2,00.
Alguns economistas brasileiros sugerem que a principal função do câmbio é assegurar o equilíbrio nas Contas Correntes (comércio exterior mais conta de serviços mais transferências unilaterais), para evitar a fuga de capitais. Que cotação reflete essa estabilidade é outra questão, mas não seria menos do que esses mesmos R$ 2,20 por dólar - como expôs em artigo recente o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira.
Outros analistas, como o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, lembram que o Brasil depende fortemente da entrada de capitais para investimento. É preciso haver certo déficit (não equilíbrio) nas Contas Correntes. Para assegurar o investimento externo, o câmbio deve ser relativamente valorizado, não o contrário. Inconvenientes sobre a indústria devem ser tratados com redução dos custos e com mais escala de produção.
Na semana passada, ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 condenaram manipulações das cotações de câmbio destinadas a buscar alto desempenho das exportações em detrimento dos parceiros comerciais.
Os presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco do Japão (BoJ, banco central) e dirigentes do Fundo Monetário Internacional advertiram que, enquanto não passar a crise global, o importante não é o câmbio, mas manter a política monetária (política de juros) solta o suficiente para obter a recuperação. Logo, os efeitos da desvalorização cambial, vista por muitos como manipulação, devem ser tolerados, ao menos por enquanto.
São pontos de vista e objetivos incompatíveis entre si. Mas o mais relevante não é essa incompatibilidade. É, sim, o entendimento das pessoas e dos governos de que sempre podem arrancar do câmbio as pretensões da política da hora. Mas os governos não têm toda essa força. Pode-se dizer que alguns têm mais e outros têm menos autonomia sobre o câmbio. Países emissores de moedas de reserva (Estados Unidos, área do euro, Inglaterra e Suíça), por exemplo, têm mais. Mas têm de compatibilizá-la com outros objetivos.
Também possuem alto grau de autonomia economias com alto nível de poupança interna (caso da China), que podem usá-la para comprar moeda estrangeira.
Há muito a avaliar a partir disso. O mais importante é ter mais humildade com essa coisa chamada câmbio. É, na maioria dos casos, o que mais falta.
CONFIRA
Ofensiva. Se foi combinado ou não é o que menos importa. O fato é que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, tentaram reduzir nesta quinta-feira a expectativa de um eventual estouro da meta de inflação em 2013.
"Sem descontrole". Tanto Mantega como Carlos Hamilton enfatizaram que não há descontrole da inflação. Mantega avisou que, apesar da alta dos últimos meses, 2013 não terá inflação superior a 5,5%. Carlos Hamilton preferiu dizer que a inflação se manterá bastante alta no primeiro semestre, mas que recuará no segundo.
Baixa na credibilidade. A tentativa é agir sobre corações e mentes. O problema é que a credibilidade do governo e do Banco Central passa por uma fase de baixa.
Lá em cima. Aparentemente, nada será capaz de evitar uma inflação anual acima de 6% nos próximos quatro meses.
O câmbio virou uma espécie de bala puxa-puxa que pode tomar a forma da mastigada de qualquer um.
Dirigentes da indústria brasileira, por exemplo, querem que a cotação da moeda estrangeira garanta competitividade aos negócios, não importando os efeitos sobre inflação, investimentos e comércio exterior. Foi o que disse nesta quinta-feira o diretor de Relações Internacionais da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca. Para ele, o câmbio não pode ficar abaixo de R$ 2,20 por dólar.
Embora não o reconheçam, os dirigentes do Banco Central do Brasil operam como se, ao menos temporariamente e até certo ponto, o câmbio tivesse de ser usado como âncora dos preços; deve ser instrumento de combate à inflação, independentemente do impacto sobre o setor produtivo. Tem, no momento, de ficar abaixo de R$ 2,00.
Alguns economistas brasileiros sugerem que a principal função do câmbio é assegurar o equilíbrio nas Contas Correntes (comércio exterior mais conta de serviços mais transferências unilaterais), para evitar a fuga de capitais. Que cotação reflete essa estabilidade é outra questão, mas não seria menos do que esses mesmos R$ 2,20 por dólar - como expôs em artigo recente o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira.
Outros analistas, como o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, lembram que o Brasil depende fortemente da entrada de capitais para investimento. É preciso haver certo déficit (não equilíbrio) nas Contas Correntes. Para assegurar o investimento externo, o câmbio deve ser relativamente valorizado, não o contrário. Inconvenientes sobre a indústria devem ser tratados com redução dos custos e com mais escala de produção.
Na semana passada, ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 condenaram manipulações das cotações de câmbio destinadas a buscar alto desempenho das exportações em detrimento dos parceiros comerciais.
Os presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco do Japão (BoJ, banco central) e dirigentes do Fundo Monetário Internacional advertiram que, enquanto não passar a crise global, o importante não é o câmbio, mas manter a política monetária (política de juros) solta o suficiente para obter a recuperação. Logo, os efeitos da desvalorização cambial, vista por muitos como manipulação, devem ser tolerados, ao menos por enquanto.
São pontos de vista e objetivos incompatíveis entre si. Mas o mais relevante não é essa incompatibilidade. É, sim, o entendimento das pessoas e dos governos de que sempre podem arrancar do câmbio as pretensões da política da hora. Mas os governos não têm toda essa força. Pode-se dizer que alguns têm mais e outros têm menos autonomia sobre o câmbio. Países emissores de moedas de reserva (Estados Unidos, área do euro, Inglaterra e Suíça), por exemplo, têm mais. Mas têm de compatibilizá-la com outros objetivos.
Também possuem alto grau de autonomia economias com alto nível de poupança interna (caso da China), que podem usá-la para comprar moeda estrangeira.
Há muito a avaliar a partir disso. O mais importante é ter mais humildade com essa coisa chamada câmbio. É, na maioria dos casos, o que mais falta.
CONFIRA
Ofensiva. Se foi combinado ou não é o que menos importa. O fato é que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, tentaram reduzir nesta quinta-feira a expectativa de um eventual estouro da meta de inflação em 2013.
"Sem descontrole". Tanto Mantega como Carlos Hamilton enfatizaram que não há descontrole da inflação. Mantega avisou que, apesar da alta dos últimos meses, 2013 não terá inflação superior a 5,5%. Carlos Hamilton preferiu dizer que a inflação se manterá bastante alta no primeiro semestre, mas que recuará no segundo.
Baixa na credibilidade. A tentativa é agir sobre corações e mentes. O problema é que a credibilidade do governo e do Banco Central passa por uma fase de baixa.
Lá em cima. Aparentemente, nada será capaz de evitar uma inflação anual acima de 6% nos próximos quatro meses.
Falar grosso pode não ser suficiente - CLAUDIA SAFATLE
VALOR ECONÔMICO - 22/02
Serão seis meses de inflação elevada. A expectativa, no governo, é que o IPCA acumulado em 12 meses fique acima de 6% durante todo esse período. Não há, por outro lado, qualquer garantia de que o índice estará contido no teto da meta, de 6,5% nesses meses. A taxa só cairá no segundo semestre do ano, segundo os prognósticos do governo. Mas também não há convicção de que, tendo encostado, ou mesmo vazado, o teto da meta, a inflação voltará naturalmente para um patamar mais razoável, algo na casa dos 5,5% ainda este ano.
A incerteza gerada pela dinâmica desconfortável da inflação e o risco de ela não ser, ao menos, inferior aos 5,84% do ano passado - único compromisso assumido este ano pelo BC - levou o governo, especialmente a autoridade monetária, a subir o tom de voz nas duas últimas semanas.
Falar grosso, porém, pode não ser suficiente para domar as expectativas inflacionárias, tarefa em que o BC não tem tido sucesso. As expectativas dos agentes econômicos estão descoladas da meta oficial há três anos; e o grau atual de disseminação dos aumentos de preços na economia só não é pior do que em março de 2003, início do primeiro mandato de Lula. Naquele mês daquele ano, em que a inflação projetada era de dois dígitos, o índice de difusão chegou a 77%. Hoje, é de 75%.
O governo está contando com uma queda importante da inflação de alimentos que, nos últimos cinco anos, esteve encostada na média de 10% ao ano. Arrisca prever que o aumento dos preços dos alimentos e bebidas, que foi de 9,86% em 2012, pode cair pela metade e ficar ao redor de 5% em 2013. Mas não há muita esperança no recuo da inflação de serviços, que mostra resistência, situando-se na média de 8% ao ano, alimentada pelo aumento da renda e pelo baixo desemprego.
A desvalorização da taxa de câmbio, que pesou bastante na inflação do ano passado, não esgotou totalmente seus efeitos. Embora o maior impacto ocorra nos primeiros seis meses, segundo economistas do governo, ainda teria um restinho de depreciação cambial para encorpar os preços até meados do ano. Dos 5,84% de variação do IPCA em 2012, há quem dimensione em cerca de 0,80 ponto percentual a contribuição da taxa de câmbio e estime em mais 0,2 ponto percentual o impacto sobre o índice no primeiro semestre de 2013.
A valorização recente do real frente ao dólar só começaria a trazer algum ganho para moderar os aumentos de preços no segundo semestre deste ano. A contribuição da apreciação cambial de janeiro para cá sobre a inflação tenderia a ser, portanto, quase neutra, segundo economistas oficiais.
Não está claro onde a valorização do real vai parar. O BC conta com um comportamento mais moderado do que o que ocorreu nos últimos 15 meses. O mercado, mesmo com fluxos de capitais negativo, testa a autoridade monetária para encontrar eventual piso para a cotação do dólar frente ao real.
Há, admitem operadores, um claro movimento especulativo nesse sentido, estimulado pela assimetria na banda cambial, com o pico na faixa de R$ 2,02 e o vale indefinido. Uma situação que fornece munição para apostas na apreciação da moeda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que as oscilações da cotação do dólar ao redor da média dos últimos sete meses seria uma flutuação confortável, mas não se compromete com números. Apenas a título de ilustração, essa média é de R$ 2,0362.
O risco de colocar tudo a perder, deixando solto o processo inflacionário, não é desprezível e o governo se convenceu disso. O presidente do BC, Alexandre Tombini, primeiro desinflou as expectativas de aumento da desvalorização cambial e, nas duas últimas semanas, veio a público avisar que não está de mãos atadas com os juros e que vai, sim, usar a Selic para domar os preços, se isso for necessário.
As dúvidas, agora, são se ele considera que já é necessário, quando começará a apertar a política monetária e em que intensidade pretende fazê-lo.
Os esforços do governo para melhorar a percepção dos agentes econômicos não produziram, por enquanto, qualquer efeito. O risco país, medido pelo Credit Default Swap (CDS), está em franca ascensão e se distancia da performance de outros países emergentes.
O CDS é um contrato de derivativo que dá ao seu comprador uma espécie de "seguro" contra um eventual calote do país. Neste ano, até ontem, o risco soberano do Brasil aumentou em 17,59% e está em 127 pontos-base. Para outros países também está subindo, mas menos e sobre um nível menor. O do México está em 101,57 e aumentou 4,7%; o da Colômbia é de 100 pontos e cresceu 4,03%; o do Peru estava em queda, mas ontem subiu para 98, com elevação no ano de 1,89%. O da Turquia, que esteve em queda, subiu para 140 pontos, aumento de 6,84%. Já o risco soberano da Austrália é de apenas 43,8 pontos-base e, de janeiro até ontem, caiu 6,45%.
Para operadores e analistas de grandes fundos estrangeiros, esse indicador é mais um elemento da "decepção" dos investidores com o Brasil, em seus aspectos macro e microeconômicos. Das idas e vindas da política econômica doméstica às idas e vindas regulatórias.
Nem todos os analistas atribuem muita importância aos CDS, por sua baixa liquidez, e preferem olhar o comportamento da bolsa de valores. A relação entre um e outro, no entanto, é bastante estreita e inversamente proporcional. Se o risco aumenta, a bolsa cai e vice-versa. O risco-país, no caso, só sobe e o desempenho da Bovespa é sofrível.
Com a ameaça do Fed elevar a taxa de juros, a tendência será de um deslocamento importante do dinheiro no mundo para o mercado americano.
A crise de 2008 e o consequente colapso das economias maduras começa a mostrar exaustão, a economia americana dá indícios de alguma recuperação e a situação na Europa se acalmou. O Brasil, nesse tempo, avançou pouco. Encontra-se envolvido em baixo crescimento, alta inflação e quase nenhum investimento.
Serão seis meses de inflação elevada. A expectativa, no governo, é que o IPCA acumulado em 12 meses fique acima de 6% durante todo esse período. Não há, por outro lado, qualquer garantia de que o índice estará contido no teto da meta, de 6,5% nesses meses. A taxa só cairá no segundo semestre do ano, segundo os prognósticos do governo. Mas também não há convicção de que, tendo encostado, ou mesmo vazado, o teto da meta, a inflação voltará naturalmente para um patamar mais razoável, algo na casa dos 5,5% ainda este ano.
A incerteza gerada pela dinâmica desconfortável da inflação e o risco de ela não ser, ao menos, inferior aos 5,84% do ano passado - único compromisso assumido este ano pelo BC - levou o governo, especialmente a autoridade monetária, a subir o tom de voz nas duas últimas semanas.
Falar grosso, porém, pode não ser suficiente para domar as expectativas inflacionárias, tarefa em que o BC não tem tido sucesso. As expectativas dos agentes econômicos estão descoladas da meta oficial há três anos; e o grau atual de disseminação dos aumentos de preços na economia só não é pior do que em março de 2003, início do primeiro mandato de Lula. Naquele mês daquele ano, em que a inflação projetada era de dois dígitos, o índice de difusão chegou a 77%. Hoje, é de 75%.
O governo está contando com uma queda importante da inflação de alimentos que, nos últimos cinco anos, esteve encostada na média de 10% ao ano. Arrisca prever que o aumento dos preços dos alimentos e bebidas, que foi de 9,86% em 2012, pode cair pela metade e ficar ao redor de 5% em 2013. Mas não há muita esperança no recuo da inflação de serviços, que mostra resistência, situando-se na média de 8% ao ano, alimentada pelo aumento da renda e pelo baixo desemprego.
A desvalorização da taxa de câmbio, que pesou bastante na inflação do ano passado, não esgotou totalmente seus efeitos. Embora o maior impacto ocorra nos primeiros seis meses, segundo economistas do governo, ainda teria um restinho de depreciação cambial para encorpar os preços até meados do ano. Dos 5,84% de variação do IPCA em 2012, há quem dimensione em cerca de 0,80 ponto percentual a contribuição da taxa de câmbio e estime em mais 0,2 ponto percentual o impacto sobre o índice no primeiro semestre de 2013.
A valorização recente do real frente ao dólar só começaria a trazer algum ganho para moderar os aumentos de preços no segundo semestre deste ano. A contribuição da apreciação cambial de janeiro para cá sobre a inflação tenderia a ser, portanto, quase neutra, segundo economistas oficiais.
Não está claro onde a valorização do real vai parar. O BC conta com um comportamento mais moderado do que o que ocorreu nos últimos 15 meses. O mercado, mesmo com fluxos de capitais negativo, testa a autoridade monetária para encontrar eventual piso para a cotação do dólar frente ao real.
Há, admitem operadores, um claro movimento especulativo nesse sentido, estimulado pela assimetria na banda cambial, com o pico na faixa de R$ 2,02 e o vale indefinido. Uma situação que fornece munição para apostas na apreciação da moeda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que as oscilações da cotação do dólar ao redor da média dos últimos sete meses seria uma flutuação confortável, mas não se compromete com números. Apenas a título de ilustração, essa média é de R$ 2,0362.
O risco de colocar tudo a perder, deixando solto o processo inflacionário, não é desprezível e o governo se convenceu disso. O presidente do BC, Alexandre Tombini, primeiro desinflou as expectativas de aumento da desvalorização cambial e, nas duas últimas semanas, veio a público avisar que não está de mãos atadas com os juros e que vai, sim, usar a Selic para domar os preços, se isso for necessário.
As dúvidas, agora, são se ele considera que já é necessário, quando começará a apertar a política monetária e em que intensidade pretende fazê-lo.
Os esforços do governo para melhorar a percepção dos agentes econômicos não produziram, por enquanto, qualquer efeito. O risco país, medido pelo Credit Default Swap (CDS), está em franca ascensão e se distancia da performance de outros países emergentes.
O CDS é um contrato de derivativo que dá ao seu comprador uma espécie de "seguro" contra um eventual calote do país. Neste ano, até ontem, o risco soberano do Brasil aumentou em 17,59% e está em 127 pontos-base. Para outros países também está subindo, mas menos e sobre um nível menor. O do México está em 101,57 e aumentou 4,7%; o da Colômbia é de 100 pontos e cresceu 4,03%; o do Peru estava em queda, mas ontem subiu para 98, com elevação no ano de 1,89%. O da Turquia, que esteve em queda, subiu para 140 pontos, aumento de 6,84%. Já o risco soberano da Austrália é de apenas 43,8 pontos-base e, de janeiro até ontem, caiu 6,45%.
Para operadores e analistas de grandes fundos estrangeiros, esse indicador é mais um elemento da "decepção" dos investidores com o Brasil, em seus aspectos macro e microeconômicos. Das idas e vindas da política econômica doméstica às idas e vindas regulatórias.
Nem todos os analistas atribuem muita importância aos CDS, por sua baixa liquidez, e preferem olhar o comportamento da bolsa de valores. A relação entre um e outro, no entanto, é bastante estreita e inversamente proporcional. Se o risco aumenta, a bolsa cai e vice-versa. O risco-país, no caso, só sobe e o desempenho da Bovespa é sofrível.
Com a ameaça do Fed elevar a taxa de juros, a tendência será de um deslocamento importante do dinheiro no mundo para o mercado americano.
A crise de 2008 e o consequente colapso das economias maduras começa a mostrar exaustão, a economia americana dá indícios de alguma recuperação e a situação na Europa se acalmou. O Brasil, nesse tempo, avançou pouco. Encontra-se envolvido em baixo crescimento, alta inflação e quase nenhum investimento.
O acordo EUA-UE é mais do que comércio - SERGIO AMARAL
O ESTADO DE S. PAULO - 22/02
A abertura de negociações entre os Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE) para a conclusão de uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos tem um sentido estratégico e traz significativas implicações para o Brasil. O objetivo é a eliminação das barreiras para a circulação de bens e serviços entre os dois blocos econômicos.
Como as tarifas e cotas já foram substancialmente reduzidas, o núcleo da negociação estará nas barreiras não tarifárias e nos padrões de comércio. Uma vez que EUA e UE representam a metade do produto mundial e 30% do comércio, essa iniciativa criará a maior zona de comércio do mundo. Os padrões que estabelecer valerão para os que quiserem exportar para o novo bloco, ou seja, todo o mundo.
Mas o acordo não se limita ao comércio. Ele tem claras conotações políticas. É a primeira resposta concertada das duas principais potências econômicas à pressão competitiva da China. O presidente dos EUA, Barack Obama, já havia sinalizado a orientação estratégica de seu governo. Retirou tropas do Iraque e iniciou o desengajamento no Afeganistão. Deslocou o foco de sua política de segurança do Oriente Médio para o Pacífico. Reposicionou frotas, reforçou bases militares e revitalizou as alianças com países asiáticos. Por fim, orquestrou uma nova Parceria Transpacífica, que cria uma zona de comércio entre a Ásia e as Américas, da qual já se dispõem a participar México, Colômbia, Peru e Chile.
E como fica o Brasil diante da expansão das preferências regionais? Não participamos de nenhum dos blocos em formação. Nossos esforços se concentram na América Latina e não estão avançando. O comércio intralatino-americano representa apenas 18% do total da região. A América do Sul está dividida em três visões distintas de integração, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Este está paralisado do ponto de vista institucional e retrocede em termos econômicos relativos. As trocas dentro da sub-região representam hoje apenas i2%do total, depois de já terem alcançado 17%.
O Brasil não soube perceber a tempo a magnitude das transformações em curso. Em decorrência, cometeu dois erros estratégicos. O primeiro foi colocar todas as fichas na Organização Mundial do Comércio (OMC), mesmo quando a Rodada Doha já dava os sinais de que agonizava. Hoje ela está moita e, mais do que isso, o mecanismo das rodadas de negociação patrocinadas pelo Gatt/OMC parece esgotado. Como é possível promover uma desgravação generalizada com a participação da China, se a maio- ria de seus parceiros não consegue competir com ela, apesar das proteções atuais? Além disso, a tendência do comércio será ade levarem conta não mais produtos e fronteiras apenas, mas as cadeias produtivas, das quais, aliás, pouco participamos.
Diante do fracasso de Doha, o mundo regionaliza-se. Durante a crise, a Europa lutou por todos os meios para proteger e aprofundar sua integração. A África, historicamente, mantém laços de comércio e investimento privilegiados com a Europa. Os EUA constituíram a Alca. A integração na Ásia deu-se no mercado,já que não era possível juntar Japão, China e índia num acordo de governos. O comercio intra-asiático já representa 53% do comércio total da região.
Enquanto muitos países, inclusive na nossa vizinhança, concluíam inúmeros acordos, como mostra o levantamento feito por este jornal na edição de domingo, o Brasil limitou-se a três acordos de livre-comércio e outros tantos de preferências tarifárias. Em alguns, os mercados são inexpressivos, como Israel e Palestina. Em outros, o acordo é modesto, como é o caso da índia.
O segundo equívoco, associado ao primeiro, está em não termos concluído ainda as negociações Mercosul-UE, iniciadas há mais de dez anos. As justificativas para tal lentidão não procedem. Individualmente, nenhum setor da indústria quer abrir-se às importações. Mas diante da determinação do governo e sob condições adequadas, as indústrias se ajustam e participam da negociação, com mais razão neste caso, em que foram previstas medidas cautelares mais amplas, como salvaguardas especiais e um período de carência de até 15 anos.
A relutância da Argentina tampouco é um argumento convincente. Não existe no Tratado de Assunção nem nos acordos posteriores cláusula alguma que impeça uma negociação em duas velocidades, como foi feito no caso do México. A restrição a uma negociação em separado consta apenas de uma resolução do Conselho de Ministros, que, assim como foi colocada, pode ser retirada, pois não foi objeto de ratificação parlamentar. Não há esperança de concluir nenhum acordo de comércio relevante juntamente com a Argentina enquanto a presidente Cristina Kirchner estiver no governo, pois suas políticas econômicas conduzem ao fechamento da economia.
O cenário que se desenha no comércio internacional é desfavorável às exportações brasileiras. O alto custo de produção no Brasil se adiciona às centenas de preferências comerciais que estão sendo concedidas e das quais não nos beneficiamos. Vivemos um quadro de clara desvantagem comparativa, sobretudo para as exportações comercial só não se deteriorou em razão da alta competitividade do agronegócio. Mas mesmo este setor poderá ser afetado. Uma vez concluído o acordo EUA-UE, será mais difícil concorrer com as exportações norte-americanas para a Europa.
O Brasil ressente-se da falta de uma visão estratégica sintonizada com as profundas transformações no cenário internacional. Vivemos num mundo cada vez mais competitivo, em que será preciso avançar acelerada e simultaneamente no esforço interno para assegurar custos mais baixos de produção e no externo, para obter preferências comerciais. O início das negociações entre os dois maiores blocos econômicos torna essa tarefa ainda mais urgente.
A abertura de negociações entre os Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE) para a conclusão de uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos tem um sentido estratégico e traz significativas implicações para o Brasil. O objetivo é a eliminação das barreiras para a circulação de bens e serviços entre os dois blocos econômicos.
Como as tarifas e cotas já foram substancialmente reduzidas, o núcleo da negociação estará nas barreiras não tarifárias e nos padrões de comércio. Uma vez que EUA e UE representam a metade do produto mundial e 30% do comércio, essa iniciativa criará a maior zona de comércio do mundo. Os padrões que estabelecer valerão para os que quiserem exportar para o novo bloco, ou seja, todo o mundo.
Mas o acordo não se limita ao comércio. Ele tem claras conotações políticas. É a primeira resposta concertada das duas principais potências econômicas à pressão competitiva da China. O presidente dos EUA, Barack Obama, já havia sinalizado a orientação estratégica de seu governo. Retirou tropas do Iraque e iniciou o desengajamento no Afeganistão. Deslocou o foco de sua política de segurança do Oriente Médio para o Pacífico. Reposicionou frotas, reforçou bases militares e revitalizou as alianças com países asiáticos. Por fim, orquestrou uma nova Parceria Transpacífica, que cria uma zona de comércio entre a Ásia e as Américas, da qual já se dispõem a participar México, Colômbia, Peru e Chile.
E como fica o Brasil diante da expansão das preferências regionais? Não participamos de nenhum dos blocos em formação. Nossos esforços se concentram na América Latina e não estão avançando. O comércio intralatino-americano representa apenas 18% do total da região. A América do Sul está dividida em três visões distintas de integração, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Este está paralisado do ponto de vista institucional e retrocede em termos econômicos relativos. As trocas dentro da sub-região representam hoje apenas i2%do total, depois de já terem alcançado 17%.
O Brasil não soube perceber a tempo a magnitude das transformações em curso. Em decorrência, cometeu dois erros estratégicos. O primeiro foi colocar todas as fichas na Organização Mundial do Comércio (OMC), mesmo quando a Rodada Doha já dava os sinais de que agonizava. Hoje ela está moita e, mais do que isso, o mecanismo das rodadas de negociação patrocinadas pelo Gatt/OMC parece esgotado. Como é possível promover uma desgravação generalizada com a participação da China, se a maio- ria de seus parceiros não consegue competir com ela, apesar das proteções atuais? Além disso, a tendência do comércio será ade levarem conta não mais produtos e fronteiras apenas, mas as cadeias produtivas, das quais, aliás, pouco participamos.
Diante do fracasso de Doha, o mundo regionaliza-se. Durante a crise, a Europa lutou por todos os meios para proteger e aprofundar sua integração. A África, historicamente, mantém laços de comércio e investimento privilegiados com a Europa. Os EUA constituíram a Alca. A integração na Ásia deu-se no mercado,já que não era possível juntar Japão, China e índia num acordo de governos. O comercio intra-asiático já representa 53% do comércio total da região.
Enquanto muitos países, inclusive na nossa vizinhança, concluíam inúmeros acordos, como mostra o levantamento feito por este jornal na edição de domingo, o Brasil limitou-se a três acordos de livre-comércio e outros tantos de preferências tarifárias. Em alguns, os mercados são inexpressivos, como Israel e Palestina. Em outros, o acordo é modesto, como é o caso da índia.
O segundo equívoco, associado ao primeiro, está em não termos concluído ainda as negociações Mercosul-UE, iniciadas há mais de dez anos. As justificativas para tal lentidão não procedem. Individualmente, nenhum setor da indústria quer abrir-se às importações. Mas diante da determinação do governo e sob condições adequadas, as indústrias se ajustam e participam da negociação, com mais razão neste caso, em que foram previstas medidas cautelares mais amplas, como salvaguardas especiais e um período de carência de até 15 anos.
A relutância da Argentina tampouco é um argumento convincente. Não existe no Tratado de Assunção nem nos acordos posteriores cláusula alguma que impeça uma negociação em duas velocidades, como foi feito no caso do México. A restrição a uma negociação em separado consta apenas de uma resolução do Conselho de Ministros, que, assim como foi colocada, pode ser retirada, pois não foi objeto de ratificação parlamentar. Não há esperança de concluir nenhum acordo de comércio relevante juntamente com a Argentina enquanto a presidente Cristina Kirchner estiver no governo, pois suas políticas econômicas conduzem ao fechamento da economia.
O cenário que se desenha no comércio internacional é desfavorável às exportações brasileiras. O alto custo de produção no Brasil se adiciona às centenas de preferências comerciais que estão sendo concedidas e das quais não nos beneficiamos. Vivemos um quadro de clara desvantagem comparativa, sobretudo para as exportações comercial só não se deteriorou em razão da alta competitividade do agronegócio. Mas mesmo este setor poderá ser afetado. Uma vez concluído o acordo EUA-UE, será mais difícil concorrer com as exportações norte-americanas para a Europa.
O Brasil ressente-se da falta de uma visão estratégica sintonizada com as profundas transformações no cenário internacional. Vivemos num mundo cada vez mais competitivo, em que será preciso avançar acelerada e simultaneamente no esforço interno para assegurar custos mais baixos de produção e no externo, para obter preferências comerciais. O início das negociações entre os dois maiores blocos econômicos torna essa tarefa ainda mais urgente.
Momento duplo - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 22/02
O economista Ilan Goldfajn, do Itaú BBA, acha que a economia brasileira está num ponto que permite uma visão dupla: o crescimento de 2013 será maior que o de 2012, e sempre pode ser considerado que é o início da recuperação, mas 3% é uma taxa baixa. A inflação não vai explodir, mas não há mais gordura alguma para absorver choque de commodities ou de câmbio.
Nessa margem estreita, o Banco Central terá que operar. A recuperação foi menor do que a imaginada, e a inflação, maior do que a projetada. Se quiser estimular o crescimento, ele pode acabar correndo riscos inflacionários.
- A surpresa com a inflação tem um pedaço que é explicado pelo câmbio. Claro que há o componente dos serviços, que subiram muito, mas o que mudou foi o impacto do câmbio sobre bens duráveis e o choque das commodities. Isso é que provocou toda a discussão sobre que políticas usar. Alguns dizem que a inflação não está descontrolada e que vai oscilar dentro do espaço de tolerância da meta, mas o problema é que ela está estacionada há muito tempo num patamar muito alto. Está há cinco anos com a inflação implícita em torno de 5,5% a 6%. Estabeleceu-se um novo patamar e isso é ruim - disse Ilan Goldfajn.
A dificuldade da conjuntura brasileira este ano é não haver espaço para surpresas ruins. Por isso, é preciso fazer alguns ajustes. Um deles é restabelecer a credibilidade do combate à inflação, para convencer os agentes econômicos de que ela não vai fugir ao controle. O lado bom do momento, explica Ilan, vem do cenário internacional:
- Desde que Mario Draghi (presidente do Banco Central Europeu) garantiu que vai fazer a expansão monetária que for preciso para socorrer os bancos e os países, e entrou em ação o instinto de sobrevivência da chanceler alemã Angela Merkel, saiu do cenário a quebra do euro. A China também evitou o hard landing (redução rápida do crescimento). Os Estados Unidos deixaram para trás o cenário do abismo fiscal. Essas três ameaças que pairavam sobre 2012 saíram de cena.
Com o mundo um pouco melhor, e a chance de um pouco mais de crescimento este ano no Brasil, as autoridades terão que fazer sua estratégia para manter o crescimento, elevando o investimento e reduzindo as taxas de inflação. A notícia não tão boa, alerta, é que está claro que as economias dos Estados Unidos e da Europa ficarão um longo tempo crescendo pouco.
O dado divulgado pelo Banco Central, o índice IBC-Br, de atividade econômica, na quarta-feira, veio abaixo do que foi previsto pela equipe do banco Itaú. E eles trabalham com a hipótese - aceita em geral - que a taxa de crescimento a ser divulgada pelo IBGE será um pouco mais baixa, não fugindo muito de 1%.
Após um período de atividade tão fraca é normal a recuperação, mas ela deveria ser ainda mais forte do que 3%. E isso por várias razões: há o efeito estatístico e houve uma queda forte dos juros que deveria estar estimulando o crescimento. No entanto, o IBGE muito provavelmente confirmará o sexto trimestre de redução do investimento:
- Tivemos um janeiro bom, com aumento na produção de veículos, caminhões, mas ainda não vemos uma recuperação muito forte. O investimento está muito ruim mesmo. Não é que ele está parado. É pior: ele está encolhendo para 17% do PIB. Isso pode ser revertido após um período de dois a três trimestres seguidos de crescimento, que eleve o otimismo do empresariado. Uma outra forma de reverter isso é deslanchando obras de infraestrutura. Isso poderia puxar o PIB.
Parte do baixo crescimento, na visão do ex-diretor do Banco Central, vem do fato de que houve um excesso de investimento em 2010:
- Muita gente animou-se com o aumento da demanda e abriu novas lojas, iniciou novas fábricas. Depois, o crescimento caiu e os empresários ficaram com esse excesso.
Torcer para que não haja qualquer choque que impacte os preços e achar os instrumentos certos para elevar o investimento e o crescimento. Esse é o desafio deste ano, em que a política decidiu antecipar o calendário eleitoral.
Nessa margem estreita, o Banco Central terá que operar. A recuperação foi menor do que a imaginada, e a inflação, maior do que a projetada. Se quiser estimular o crescimento, ele pode acabar correndo riscos inflacionários.
- A surpresa com a inflação tem um pedaço que é explicado pelo câmbio. Claro que há o componente dos serviços, que subiram muito, mas o que mudou foi o impacto do câmbio sobre bens duráveis e o choque das commodities. Isso é que provocou toda a discussão sobre que políticas usar. Alguns dizem que a inflação não está descontrolada e que vai oscilar dentro do espaço de tolerância da meta, mas o problema é que ela está estacionada há muito tempo num patamar muito alto. Está há cinco anos com a inflação implícita em torno de 5,5% a 6%. Estabeleceu-se um novo patamar e isso é ruim - disse Ilan Goldfajn.
A dificuldade da conjuntura brasileira este ano é não haver espaço para surpresas ruins. Por isso, é preciso fazer alguns ajustes. Um deles é restabelecer a credibilidade do combate à inflação, para convencer os agentes econômicos de que ela não vai fugir ao controle. O lado bom do momento, explica Ilan, vem do cenário internacional:
- Desde que Mario Draghi (presidente do Banco Central Europeu) garantiu que vai fazer a expansão monetária que for preciso para socorrer os bancos e os países, e entrou em ação o instinto de sobrevivência da chanceler alemã Angela Merkel, saiu do cenário a quebra do euro. A China também evitou o hard landing (redução rápida do crescimento). Os Estados Unidos deixaram para trás o cenário do abismo fiscal. Essas três ameaças que pairavam sobre 2012 saíram de cena.
Com o mundo um pouco melhor, e a chance de um pouco mais de crescimento este ano no Brasil, as autoridades terão que fazer sua estratégia para manter o crescimento, elevando o investimento e reduzindo as taxas de inflação. A notícia não tão boa, alerta, é que está claro que as economias dos Estados Unidos e da Europa ficarão um longo tempo crescendo pouco.
O dado divulgado pelo Banco Central, o índice IBC-Br, de atividade econômica, na quarta-feira, veio abaixo do que foi previsto pela equipe do banco Itaú. E eles trabalham com a hipótese - aceita em geral - que a taxa de crescimento a ser divulgada pelo IBGE será um pouco mais baixa, não fugindo muito de 1%.
Após um período de atividade tão fraca é normal a recuperação, mas ela deveria ser ainda mais forte do que 3%. E isso por várias razões: há o efeito estatístico e houve uma queda forte dos juros que deveria estar estimulando o crescimento. No entanto, o IBGE muito provavelmente confirmará o sexto trimestre de redução do investimento:
- Tivemos um janeiro bom, com aumento na produção de veículos, caminhões, mas ainda não vemos uma recuperação muito forte. O investimento está muito ruim mesmo. Não é que ele está parado. É pior: ele está encolhendo para 17% do PIB. Isso pode ser revertido após um período de dois a três trimestres seguidos de crescimento, que eleve o otimismo do empresariado. Uma outra forma de reverter isso é deslanchando obras de infraestrutura. Isso poderia puxar o PIB.
Parte do baixo crescimento, na visão do ex-diretor do Banco Central, vem do fato de que houve um excesso de investimento em 2010:
- Muita gente animou-se com o aumento da demanda e abriu novas lojas, iniciou novas fábricas. Depois, o crescimento caiu e os empresários ficaram com esse excesso.
Torcer para que não haja qualquer choque que impacte os preços e achar os instrumentos certos para elevar o investimento e o crescimento. Esse é o desafio deste ano, em que a política decidiu antecipar o calendário eleitoral.
Aquecimento eleitoral - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 22/02
Movimentações partidárias indicam competição mais acirrada no pleito de 2014, o que pode ser bom -se não degenerar em sectarismo
Esta semana marcou a abertura explícita das transações partidárias rumo à disputa presidencial de 2014. Os primeiros passos indicam que a presidente Dilma Rousseff será mesmo o nome do PT -e que sua reeleição não será exatamente um passeio.
Movimentam-se para confrontá-la, há tempos, dois políticos competitivos: o senador Aécio Neves (PSDB) e a ex-ministra Marina Silva -que corre para lançar sua Rede até outubro e, assim, habilitar-se.
Também se pôs em prontidão um quarto elemento interessado na disputa, Eduardo Campos (PSB). O governador de Pernambuco teria o desafio de concorrer numa penumbrosa faixa entre situação e oposição -seu partido compõe a coalizão de apoio à administração de Dilma, e Campos mantém ligação estreita com o ex-presidente Lula.
A experiência de mais de dois séculos com reeleições nos EUA corrobora a tendência observada na curta vigência do sistema no Brasil. A regra é o presidente obter o segundo mandato, mas quadros econômicos desfavoráveis e desgaste político do governante de turno ajudam a explicar as exceções.
Apesar da frente fria que ronda o desempenho do PIB, na primeira metade do governo Dilma, a sensação de aquecimento -principalmente no mercado de trabalho e no consumo popular- lhe é favorável. A confirmar-se, a discreta elevação na temperatura da economia prevista para 2013 e 2014 será suficiente para manter a excelente trajetória do emprego e do salário.
Diante da elevada popularidade presidencial e da arrebatadora capacidade de cooptação do Planalto, deveria haver poucos candidatos competitivos para 2014. Não é isso o que vai se configurando.
Estará em curso mudança em favor de um nome avesso às práticas usuais da política, embora ainda carente de substância programática, como Marina Silva? Abre-se oportunidade para um governador do Nordeste, Eduardo Campos, quebrar a série de cinco vitórias de políticos baseados nas regiões mais ricas do país? O anunciado fim da hegemonia paulista no PSDB dará repercussão nacional à ainda acanhada candidatura do mineiro Aécio Neves?
Especulações à parte, o fato é que a geografia do voto, na hipótese de figurarem esses quatro candidatos na cédula, tende a ser diferente em 2014. Nos três pleitos até 2010, foram decisivos para as vitórias de Lula e Dilma os votos acumulados em Minas e no Nordeste.
Com Aécio e Campos na disputa, ficará difícil repetir esse padrão. Marina, por seu turno, revelou-se competitiva entre camadas médias dos grandes centros urbanos.
Um processo eleitoral mais disputado será bom para o país, desde que privilegie o debate de ideias, currículos, programas e uma avaliação objetiva da gestão de Dilma.
Se vingarem os sinais recentes do partido da presidente, contudo, o embate será travado no campo do sectarismo truculento -como ficou patente nas agressões à repórter Daniela Lima, da Folha, e à blogueira cubana Yoani Sánchez.
Movimentações partidárias indicam competição mais acirrada no pleito de 2014, o que pode ser bom -se não degenerar em sectarismo
Esta semana marcou a abertura explícita das transações partidárias rumo à disputa presidencial de 2014. Os primeiros passos indicam que a presidente Dilma Rousseff será mesmo o nome do PT -e que sua reeleição não será exatamente um passeio.
Movimentam-se para confrontá-la, há tempos, dois políticos competitivos: o senador Aécio Neves (PSDB) e a ex-ministra Marina Silva -que corre para lançar sua Rede até outubro e, assim, habilitar-se.
Também se pôs em prontidão um quarto elemento interessado na disputa, Eduardo Campos (PSB). O governador de Pernambuco teria o desafio de concorrer numa penumbrosa faixa entre situação e oposição -seu partido compõe a coalizão de apoio à administração de Dilma, e Campos mantém ligação estreita com o ex-presidente Lula.
A experiência de mais de dois séculos com reeleições nos EUA corrobora a tendência observada na curta vigência do sistema no Brasil. A regra é o presidente obter o segundo mandato, mas quadros econômicos desfavoráveis e desgaste político do governante de turno ajudam a explicar as exceções.
Apesar da frente fria que ronda o desempenho do PIB, na primeira metade do governo Dilma, a sensação de aquecimento -principalmente no mercado de trabalho e no consumo popular- lhe é favorável. A confirmar-se, a discreta elevação na temperatura da economia prevista para 2013 e 2014 será suficiente para manter a excelente trajetória do emprego e do salário.
Diante da elevada popularidade presidencial e da arrebatadora capacidade de cooptação do Planalto, deveria haver poucos candidatos competitivos para 2014. Não é isso o que vai se configurando.
Estará em curso mudança em favor de um nome avesso às práticas usuais da política, embora ainda carente de substância programática, como Marina Silva? Abre-se oportunidade para um governador do Nordeste, Eduardo Campos, quebrar a série de cinco vitórias de políticos baseados nas regiões mais ricas do país? O anunciado fim da hegemonia paulista no PSDB dará repercussão nacional à ainda acanhada candidatura do mineiro Aécio Neves?
Especulações à parte, o fato é que a geografia do voto, na hipótese de figurarem esses quatro candidatos na cédula, tende a ser diferente em 2014. Nos três pleitos até 2010, foram decisivos para as vitórias de Lula e Dilma os votos acumulados em Minas e no Nordeste.
Com Aécio e Campos na disputa, ficará difícil repetir esse padrão. Marina, por seu turno, revelou-se competitiva entre camadas médias dos grandes centros urbanos.
Um processo eleitoral mais disputado será bom para o país, desde que privilegie o debate de ideias, currículos, programas e uma avaliação objetiva da gestão de Dilma.
Se vingarem os sinais recentes do partido da presidente, contudo, o embate será travado no campo do sectarismo truculento -como ficou patente nas agressões à repórter Daniela Lima, da Folha, e à blogueira cubana Yoani Sánchez.
Estabilidade econômica e campanha eleitoral - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 22/02
O clima de campanha eleitoral já havia aparecido no pronunciamento da presidente Dilma, no final de janeiro, para anunciar a efetiva redução da conta de luz. Sobraram estocadas para a oposição, numa prévia de 2014.
O calendário do ano que vem foi definitivamente antecipado, nesta semana, com a festa pelos 10 anos do PT no poder, usada para confirmar a aposta do partido na reeleição de Dilma, no mesmo dia em que o senador tucano mineiro Aécio Neves, considerado o nome da oposição para enfrentar PT e aliados em 2014, subiu à tribuna, em Brasília, para responder a críticas ao governo FH.
Pouco antes, a presidente Dilma aproveitara a solenidade de anúncio da ampliação do Bolsa Família para atacar os “conservadores”, sinônimo de tucanos na linguagem do debate político dos últimos anos.
O próprio aumento do benefício do BF tem claro propósito eleitoral, pois permitirá ao governo provar estatisticamente que acabou com a miséria absoluta, definida pela renda mensal de até R$ 70. Com o aumento do benefício para acima desta faixa, a miséria será varrida das cartilhas oficiais, fato a ser trombeteado como só o PT sabe fazer.
A brochura preparada para o evento de quarta à noite em São Paulo, a fim de comemorar a década do PT no poder, os 33 anos do partido e o lançamento da recandidatura de Dilma, sob o título de “O decênio que mudou o Brasil”, tem todas as características de peça político-eleitoral. Esconde os pontos negativos, enaltece os positivos. Dele não consta, é claro, o mensalão.
Aécio, saindo de um longo período de letargia — assim como toda a oposição —, mirou nos visíveis pontos fracos do governo Dilma e da Era PT na política econômica: inflação em alta, PIB sem vigor, maquiagem nas contas públicas, desmantelamento da Petrobras, entre outros flancos a descoberto da gestão petista. O senador e pré-candidato informal à Presidência da República listou “13 fracassos” da década petista, entre eles as graves derrapagens do partido num terreno em que parecia imbatível, o da ética.
Os embates desta semana servem de prévia do que virá por aí. Mas não pode ser esquecido — muito pelo contrário — que até chegar o período oficial de campanha há muito tempo pela frente. A pior das possibilidades é o choque eleitoral precoce paralisar um Congresso já com déficit de desempenho. E/ou acirrar tanto os ânimos que assuntos consensuais, favoráveis ao aperfeiçoamento da economia, passem a tramitar com dificuldade no Legislativo.
A presidente Dilma parece, enfim, ter entendido que o esgotamento do modelo de crescimento via consumo força o governo a destravar de uma vez os investimentos — públicos e privados. Esta precisa ser uma questão suprapartidária, à margem dos desentendimentos eleitorais.
O clima de campanha eleitoral já havia aparecido no pronunciamento da presidente Dilma, no final de janeiro, para anunciar a efetiva redução da conta de luz. Sobraram estocadas para a oposição, numa prévia de 2014.
O calendário do ano que vem foi definitivamente antecipado, nesta semana, com a festa pelos 10 anos do PT no poder, usada para confirmar a aposta do partido na reeleição de Dilma, no mesmo dia em que o senador tucano mineiro Aécio Neves, considerado o nome da oposição para enfrentar PT e aliados em 2014, subiu à tribuna, em Brasília, para responder a críticas ao governo FH.
Pouco antes, a presidente Dilma aproveitara a solenidade de anúncio da ampliação do Bolsa Família para atacar os “conservadores”, sinônimo de tucanos na linguagem do debate político dos últimos anos.
O próprio aumento do benefício do BF tem claro propósito eleitoral, pois permitirá ao governo provar estatisticamente que acabou com a miséria absoluta, definida pela renda mensal de até R$ 70. Com o aumento do benefício para acima desta faixa, a miséria será varrida das cartilhas oficiais, fato a ser trombeteado como só o PT sabe fazer.
A brochura preparada para o evento de quarta à noite em São Paulo, a fim de comemorar a década do PT no poder, os 33 anos do partido e o lançamento da recandidatura de Dilma, sob o título de “O decênio que mudou o Brasil”, tem todas as características de peça político-eleitoral. Esconde os pontos negativos, enaltece os positivos. Dele não consta, é claro, o mensalão.
Aécio, saindo de um longo período de letargia — assim como toda a oposição —, mirou nos visíveis pontos fracos do governo Dilma e da Era PT na política econômica: inflação em alta, PIB sem vigor, maquiagem nas contas públicas, desmantelamento da Petrobras, entre outros flancos a descoberto da gestão petista. O senador e pré-candidato informal à Presidência da República listou “13 fracassos” da década petista, entre eles as graves derrapagens do partido num terreno em que parecia imbatível, o da ética.
Os embates desta semana servem de prévia do que virá por aí. Mas não pode ser esquecido — muito pelo contrário — que até chegar o período oficial de campanha há muito tempo pela frente. A pior das possibilidades é o choque eleitoral precoce paralisar um Congresso já com déficit de desempenho. E/ou acirrar tanto os ânimos que assuntos consensuais, favoráveis ao aperfeiçoamento da economia, passem a tramitar com dificuldade no Legislativo.
A presidente Dilma parece, enfim, ter entendido que o esgotamento do modelo de crescimento via consumo força o governo a destravar de uma vez os investimentos — públicos e privados. Esta precisa ser uma questão suprapartidária, à margem dos desentendimentos eleitorais.
Ameaça à produção de comida - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 22/02
Uma velha praga volta a ameaçar a agricultura brasileira, pondo em risco a eficiência, o poder de competição e a liderança internacional conquistados em décadas de muito investimento e intensa modernização tecnológica. É a praga do intervencionismo primário, demagógico e orientado por objetivos políticos de curto prazo.
Depois de comprometer a saúde financeira da Petrobrás e a produção de etanol com sua intromissão desastrada, o governo agora se prepara para mexer politicamente nos preços dos alimentos e desarranjar o agronegócio. O Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep), recém-criado por decreto presidencial, será o instrumento dessa lambança, a mais nova demonstração de voluntarismo da mal assessorada presidente Dilma Rousseff. O novo conselho usurpará funções até agora atribuídas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e geralmente exercidas com eficiência quando subordinadas a critérios técnicos. Esses critérios serão obviamente postos em segundo ou terceiro plano, com a previsível politização das decisões.
Só a intenção de politizar a formação e a administração de estoques de alimentos pode explicar a instituição do Ciep. Se a presidente da República estivesse apenas descontente com a ação técnica dos atuais dirigentes da Conab, poderia simplesmente substituí-los. Nem precisaria buscar muito longe pessoal para assumir as funções. Antigos e competentes funcionários da Conab permanecem no governo. Outros foram para a vida acadêmica ou empresarial. Não falta, no mercado, gente capacitada para dirigir empresas públicas desse tipo, conhecidas em vários dos grandes países produtores.
Os preços agrícolas subiram no mercado internacional durante vários anos e essa tendência afetou também o mercado brasileiro. Apesar da elevação de preços, não houve nenhuma crise de suprimento no Brasil.
Crises desse tipo foram muito frequentes quando havia controles de preços, porque a ação oficial dificultava a modernização produtiva. A liberação gradual do mercado, a racionalização da política e o forte investimento em pesquisa permitiram uma ampla mudança do quadro. As crises sumiram e a alimentação passou a pesar menos no custo de vida, liberando recursos para o consumo de outros produtos. Mesmo com a alta de preços dos últimos anos, o custo da comida, no Brasil, continuou sendo um dos mais baixos do mundo.
Em países bem administrados, a variação de alguns custos, como o dos alimentos ou dos combustíveis, apenas altera a relação entre preços, sem pôr em movimento uma espiral inflacionária. No Brasil, a difusão dos aumentos foi favorecida por outros fatores, como a expansão do crédito, o estímulo ao consumo e a elevação dos salários bem acima dos ganhos de produtividade da economia. Mas o governo prefere desconhecer esses fatos evidentes, promover um corte de juros obviamente voluntarista e manter a gastança pública.
Em vez de combater a inflação, o governo tem procurado conter os índices, controlando preços de combustíveis, cortando alguns impostos para baratear produtos selecionados e tentando administrar o câmbio.
A Conab tem promovido frequentes vendas de estoques. Só de feijão, por exemplo, dez leilões foram programados entre 24 de janeiro e 22 de fevereiro. Alguns setores da indústria de alimentos poderão até apoiar maior intervencionismo, se isso resultar em maiores vendas de matérias-primas, como o milho. Mas isso será uma demonstração de visão curta.
Uma boa política de estoques serve para a sustentação de preços, por meio das compras oficiais, e para a moderação das altas, por meio das vendas. Mas é preciso balizar toda intervenção pelo bom senso. Mexer no mercado para derrubar alguns preços selecionados é um jogo perigoso, tentado no Brasil, em outros tempos, com péssimos resultados. Seria insanidade ressuscitar a velha Sunab, a desastrosa Superintendência Nacional do Abastecimento. A presidente Dilma Rousseff deveria se lembrar disso. Não é necessária muita cultura econômica para entender esses fatos.
Depois de comprometer a saúde financeira da Petrobrás e a produção de etanol com sua intromissão desastrada, o governo agora se prepara para mexer politicamente nos preços dos alimentos e desarranjar o agronegócio. O Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep), recém-criado por decreto presidencial, será o instrumento dessa lambança, a mais nova demonstração de voluntarismo da mal assessorada presidente Dilma Rousseff. O novo conselho usurpará funções até agora atribuídas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e geralmente exercidas com eficiência quando subordinadas a critérios técnicos. Esses critérios serão obviamente postos em segundo ou terceiro plano, com a previsível politização das decisões.
Só a intenção de politizar a formação e a administração de estoques de alimentos pode explicar a instituição do Ciep. Se a presidente da República estivesse apenas descontente com a ação técnica dos atuais dirigentes da Conab, poderia simplesmente substituí-los. Nem precisaria buscar muito longe pessoal para assumir as funções. Antigos e competentes funcionários da Conab permanecem no governo. Outros foram para a vida acadêmica ou empresarial. Não falta, no mercado, gente capacitada para dirigir empresas públicas desse tipo, conhecidas em vários dos grandes países produtores.
Os preços agrícolas subiram no mercado internacional durante vários anos e essa tendência afetou também o mercado brasileiro. Apesar da elevação de preços, não houve nenhuma crise de suprimento no Brasil.
Crises desse tipo foram muito frequentes quando havia controles de preços, porque a ação oficial dificultava a modernização produtiva. A liberação gradual do mercado, a racionalização da política e o forte investimento em pesquisa permitiram uma ampla mudança do quadro. As crises sumiram e a alimentação passou a pesar menos no custo de vida, liberando recursos para o consumo de outros produtos. Mesmo com a alta de preços dos últimos anos, o custo da comida, no Brasil, continuou sendo um dos mais baixos do mundo.
Em países bem administrados, a variação de alguns custos, como o dos alimentos ou dos combustíveis, apenas altera a relação entre preços, sem pôr em movimento uma espiral inflacionária. No Brasil, a difusão dos aumentos foi favorecida por outros fatores, como a expansão do crédito, o estímulo ao consumo e a elevação dos salários bem acima dos ganhos de produtividade da economia. Mas o governo prefere desconhecer esses fatos evidentes, promover um corte de juros obviamente voluntarista e manter a gastança pública.
Em vez de combater a inflação, o governo tem procurado conter os índices, controlando preços de combustíveis, cortando alguns impostos para baratear produtos selecionados e tentando administrar o câmbio.
A Conab tem promovido frequentes vendas de estoques. Só de feijão, por exemplo, dez leilões foram programados entre 24 de janeiro e 22 de fevereiro. Alguns setores da indústria de alimentos poderão até apoiar maior intervencionismo, se isso resultar em maiores vendas de matérias-primas, como o milho. Mas isso será uma demonstração de visão curta.
Uma boa política de estoques serve para a sustentação de preços, por meio das compras oficiais, e para a moderação das altas, por meio das vendas. Mas é preciso balizar toda intervenção pelo bom senso. Mexer no mercado para derrubar alguns preços selecionados é um jogo perigoso, tentado no Brasil, em outros tempos, com péssimos resultados. Seria insanidade ressuscitar a velha Sunab, a desastrosa Superintendência Nacional do Abastecimento. A presidente Dilma Rousseff deveria se lembrar disso. Não é necessária muita cultura econômica para entender esses fatos.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Em dez anos, o PT construiu um Brasil muito melhor”
Senador Humberto Costa (PE), leal ao PT, apesar de traído na última eleição do Recife
DILMA DISSE A BRIZOLA QUE ELE CONTINUA MINISTRO
Fonte do Palácio do Planalto, próxima à presidente Dilma, contou que há dias ela fez questão de telefonar ao ministro Brizola Neto (Trabalho) para confirmá-lo no cargo. Ressalvou que nem precisa fazer aquilo, mas diante das especulações, esclarecia não pretender qualquer reforma ministerial, nem estava em seus planos substituí-lo no cargo. E mesmo que fosse sua intenção, ela jamais seria pautada pelos jornais.
NOME VETADO
Parte do PDT quer impor o secretário-geral Manoel Dias no lugar de Brizola Neto. Mas Dilma o vetou, ao definir substituto para Carlos Lupi.
PIRES NA MÃO
O catarinense Manoel Dias pede frequentemente uma diretoria da estatal Eletrosul, com sede em Florianópolis. É solenemente ignorado.
PT À ESPREITA
Dilma tem dito a interlocutores que se tivesse de substituir Brizola Neto, o ministério do Trabalho “provavelmente” voltaria para o PT.
SEGUE A VIDA
Ontem, Brizola Neto demonstrou força, empossando o jurista Carlos Frederico Zimermann como representante do ministério em SP.
SENADO DEFINE OS PRESIDENTES DAS COMISSÕES
Após intensas negociações, os líderes dos partidos da base governista já definiram aqueles que vão presidir as comissões mais importantes do Senado. Blairo Maggi (PR-MT), por exemplo, chefiará a Comissão de Fiscalização e Controle, enquanto Ricardo Ferraço (PMDB-ES) ficará à frente da Comissão de Relações Exteriores, e Fernando Collor (PTB-AL) voltará a presidir a disputada Comissão de Infraestrutura.
TÁ RUSSO
Dilma vai se encontrar com o presidente russo Wladimir Putin. Na África do Sul, discutirão “cooperação esportiva” para a Copa.
ELES TAMBÉM CHORAM
Se o governo do PT “é do povo, para o povo, pelo povo”, plagiando Lincoln, banqueiros, Eike Batista e mensaleiros são puro povão.
CUBA FASHION
A jornalista e blogueira Yoani Sánchez usou por dois dias a mesma roupa do desembarque no Brasil. Só mudou ontem, em São Paulo.
MELHOR PREVENIR
Yoani Sánchez ainda não sabe se vai ao 26º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Tem motivos. O governador Tarso Genro (PT) foi aquele que deu um jeito de devolver na marra dois pugilistas à ditadura cubana.
BANCO DE TALENTOS
Até ontem, Roberto Setubal orgulhava-se de comandar um banco de talentos, como se definem os executivos do Itaú. Ele esticou o próprio mandato em dois anos, até 2017. Ficou evidenciado que o Itaú não tinha sucessão pronta, nem planejada, e que lhe faltam lideranças.
ANAMATRA TEM CANDIDATO
O desembargador Claudio Brandão tem o engajamento da Anamatra, associação de magistrados da qual foi diretor, para virar ministro do Tribunal Superior do Trabalho. O problema é que Dilma não esquece: a Anamatra denunciou o Brasil na OEA por não dar aumento aos juízes.
CAIXA-PRETA
A 11ª Vara Cível de São Paulo acatou mandado de segurança de um pecuarista para ouvir dirigentes do Banco Central sobre a indicação à presidência do banco JBS de indiciado no mensalão, ex-Banco Rural.
DINHEIRO NO LIXO
Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas com a Universidade de Munique (Alemanha) coloca a Venezuela em último lugar para fazer negócios na América Latina. Mas o governo petista não desiste.
PLANTÃO REMUNERADO
Chama-se Wesley Caçador o militoide que ameaçou “mapear” o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), na visita de Yoani Sánchez à Câmara. Era horário de trabalho, e ele deveria estar na Secretaria de Administração Pública do DF, onde “morde” uma assessoria.
NÚMEROS DO CALOTE
O Ministério do Turismo negou dívidas de passagens aéreas, e até obteve declaração nesse sentido de sua agência de viagens. Mas documento de posse do TCU aponta um “beiço” de R$ 34.327,38.
Já a dívida do Ministério do Esporte é dez vezes maior: R$ 327.682,94.
A FAVOR DA MARÉ
O “serrista” Vanderlei Macris (PSDB-SP) já defende a candidatura do senador tucano Aécio Neves (MG) à Presidência em 2014. “Chegou a hora. Não tem mais como negar a ele esta oportunidade”, afirma.
AMADO MESTRE
O ex-presidente Lula, que topa “debater corrupção”, já venceu: não existem contendores com tal currículo honoris causa no assunto.
PODER SEM PUDOR
O SEGREDO DO PODER
Empossado governador de Minas, nos anos 1940, Milton Campos marcou audiência com uma comissão de correligionários de Curvelo, à frente o deputado Raimundo Sapateiro, o único trabalhador eleito pela UDN. Como Campos demorou a receber o grupo, Sapateiro acabou cochilando numa confortável poltrona da antessala. O próprio governador o despertou:
- Então, Raimundo, já conhecia o palácio? Gostou?
- Gostei muito, governador. E só agora entendi por que os políticos brigam tanto pelo poder. É porque ele é muito macio...
Senador Humberto Costa (PE), leal ao PT, apesar de traído na última eleição do Recife
DILMA DISSE A BRIZOLA QUE ELE CONTINUA MINISTRO
Fonte do Palácio do Planalto, próxima à presidente Dilma, contou que há dias ela fez questão de telefonar ao ministro Brizola Neto (Trabalho) para confirmá-lo no cargo. Ressalvou que nem precisa fazer aquilo, mas diante das especulações, esclarecia não pretender qualquer reforma ministerial, nem estava em seus planos substituí-lo no cargo. E mesmo que fosse sua intenção, ela jamais seria pautada pelos jornais.
NOME VETADO
Parte do PDT quer impor o secretário-geral Manoel Dias no lugar de Brizola Neto. Mas Dilma o vetou, ao definir substituto para Carlos Lupi.
PIRES NA MÃO
O catarinense Manoel Dias pede frequentemente uma diretoria da estatal Eletrosul, com sede em Florianópolis. É solenemente ignorado.
PT À ESPREITA
Dilma tem dito a interlocutores que se tivesse de substituir Brizola Neto, o ministério do Trabalho “provavelmente” voltaria para o PT.
SEGUE A VIDA
Ontem, Brizola Neto demonstrou força, empossando o jurista Carlos Frederico Zimermann como representante do ministério em SP.
SENADO DEFINE OS PRESIDENTES DAS COMISSÕES
Após intensas negociações, os líderes dos partidos da base governista já definiram aqueles que vão presidir as comissões mais importantes do Senado. Blairo Maggi (PR-MT), por exemplo, chefiará a Comissão de Fiscalização e Controle, enquanto Ricardo Ferraço (PMDB-ES) ficará à frente da Comissão de Relações Exteriores, e Fernando Collor (PTB-AL) voltará a presidir a disputada Comissão de Infraestrutura.
TÁ RUSSO
Dilma vai se encontrar com o presidente russo Wladimir Putin. Na África do Sul, discutirão “cooperação esportiva” para a Copa.
ELES TAMBÉM CHORAM
Se o governo do PT “é do povo, para o povo, pelo povo”, plagiando Lincoln, banqueiros, Eike Batista e mensaleiros são puro povão.
CUBA FASHION
A jornalista e blogueira Yoani Sánchez usou por dois dias a mesma roupa do desembarque no Brasil. Só mudou ontem, em São Paulo.
MELHOR PREVENIR
Yoani Sánchez ainda não sabe se vai ao 26º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Tem motivos. O governador Tarso Genro (PT) foi aquele que deu um jeito de devolver na marra dois pugilistas à ditadura cubana.
BANCO DE TALENTOS
Até ontem, Roberto Setubal orgulhava-se de comandar um banco de talentos, como se definem os executivos do Itaú. Ele esticou o próprio mandato em dois anos, até 2017. Ficou evidenciado que o Itaú não tinha sucessão pronta, nem planejada, e que lhe faltam lideranças.
ANAMATRA TEM CANDIDATO
O desembargador Claudio Brandão tem o engajamento da Anamatra, associação de magistrados da qual foi diretor, para virar ministro do Tribunal Superior do Trabalho. O problema é que Dilma não esquece: a Anamatra denunciou o Brasil na OEA por não dar aumento aos juízes.
CAIXA-PRETA
A 11ª Vara Cível de São Paulo acatou mandado de segurança de um pecuarista para ouvir dirigentes do Banco Central sobre a indicação à presidência do banco JBS de indiciado no mensalão, ex-Banco Rural.
DINHEIRO NO LIXO
Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas com a Universidade de Munique (Alemanha) coloca a Venezuela em último lugar para fazer negócios na América Latina. Mas o governo petista não desiste.
PLANTÃO REMUNERADO
Chama-se Wesley Caçador o militoide que ameaçou “mapear” o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), na visita de Yoani Sánchez à Câmara. Era horário de trabalho, e ele deveria estar na Secretaria de Administração Pública do DF, onde “morde” uma assessoria.
NÚMEROS DO CALOTE
O Ministério do Turismo negou dívidas de passagens aéreas, e até obteve declaração nesse sentido de sua agência de viagens. Mas documento de posse do TCU aponta um “beiço” de R$ 34.327,38.
Já a dívida do Ministério do Esporte é dez vezes maior: R$ 327.682,94.
A FAVOR DA MARÉ
O “serrista” Vanderlei Macris (PSDB-SP) já defende a candidatura do senador tucano Aécio Neves (MG) à Presidência em 2014. “Chegou a hora. Não tem mais como negar a ele esta oportunidade”, afirma.
AMADO MESTRE
O ex-presidente Lula, que topa “debater corrupção”, já venceu: não existem contendores com tal currículo honoris causa no assunto.
PODER SEM PUDOR
O SEGREDO DO PODER
Empossado governador de Minas, nos anos 1940, Milton Campos marcou audiência com uma comissão de correligionários de Curvelo, à frente o deputado Raimundo Sapateiro, o único trabalhador eleito pela UDN. Como Campos demorou a receber o grupo, Sapateiro acabou cochilando numa confortável poltrona da antessala. O próprio governador o despertou:
- Então, Raimundo, já conhecia o palácio? Gostou?
- Gostei muito, governador. E só agora entendi por que os políticos brigam tanto pelo poder. É porque ele é muito macio...
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Escândalos no Vaticano – Papa mandou investigar rede de sexo e corrupção
- Folha: Governo dará recursos para banco privado financiar obra.
- Estadão: Brasil se omitiu sobre direitos humanos em Cuba, diz Yoani
- Correio: Salário dos novos marajás do DF chegará a R$ 31 mil
- Valor: Economia reaqueceu em janeiro
- Estado de Minas: Deputado emprega vereadores
- Zero Hora: Ofensivas de PT e PSDB precipitam a campanha
quinta-feira, fevereiro 21, 2013
Noutro mundo - LUCAS MENDES
BBC BRASIL - 21/02
No Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal. "
Um meteoro caiu na Rússia. Ou não?
O presidente da Comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia na Câmara americana é o texano Lamar Smith, um republicano. Ele convocou para a próxima semana uma audiência para decidir se os meteoros existem.
"Para a imprensa irresponsável, o objetivo é assustar o público com uma questão que, no fim das contas, pode ser tão real quanto os unicórnios".
O republicano, que se diz um cético em questões científicas, levantou a possibilidade de se tratar de "um foguetório de russos embriagados com vodca e nada para fazer, nem aquecer, no inverno siberiano".
O meteoro, na visão do conservador amedrontado pelo Tea Party, pode ser um pretexto para deixar o governo gastar dinheiro com ciência "e isto", ele garante, "é a última coisa que nossa comissão vai aprovar".
Um repórter levantou a questão do meteoro gigante que teria matado os dinossauros. O deputado reagiu: "Agora vamos acreditar que os dinossauros existiram?".
Lamar Smith, um veterano no Congresso, que vem de cinco gerações de texanos, não é um primitivo. Tem diploma de Yale.
Mas no Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal.
A atitude do deputado ilustra a desinformação dos livros didáticos texanos que incluem a teoria do criacionismo bíblico em oposição à Teoria da Evolução de Darwin. Dos três livros sobre educação sexual para o curso secundário, só um menciona o uso da camisinha e ainda enfatiza que ela não funciona.
O Estado tem um dos índices mais altos de gravidez entre adolescentes e um dos piores sistemas de saúde para pobres. A melhor opção da mãe solteira é sair do Estado.
"No Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal. "
Perto do senador Ted Cruz, recém-eleito, o deputado Lamar Smith é um moderado e, academicamente, primário. O senador tem diplomas de Princeton e Harvard, magna cum laude.
Filho de pai cubano e nascido no Canadá, foi eleito com apoio do Tea Party contra um veterano republicano moderado, ex-vice-governador.
Cruz se tornou manchete nacional quando disse que a meta do plano da ONU para o meio ambiente era acabar com os campos de golfe, os pastos e estradas asfaltadas. Promete acabar com o "leão" americano, o IRS.
Senadores recém-eleitos costumam ouvir muito e falar pouco, mas, em menos de três meses de discursos e votos, os democratas gostariam de crucificar Ted Cruz, que não admite nenhum compromisso com a Casa Branca.
As "texanisses" incomodaram a escritora e colunista do New York TimesGail Collins, que dedicou seu sexto livro, As Texas Goes, aos desatinos e perigos do Estado mais influente do país, um poder que pertenceu a Nova York e à Califórnia no século 20.
Gail Collins destrincha educação, armas, poluição, finanças, modos e costumes texanos. Lá é mais fácil comprar armas do que em quase todos os Estados americanos e as armas vendidas no Texas são responsáveis por grande parte dos crimes no México e na Califórnia.
O ar do Texas é um dos mais imundos do país, porque as leis antiverde favorecem a milionária indústria de energia. Milhões de pulmões dos Estados vizinhos respiram o veneno texano.
Os livros didáticos do Texas, pagos pelos contribuintes, são baratos e comprados pelos Estados vizinhos que também promovem a versão do mundo segundo a Bíblia.
O Texas, rico em gás e petróleo, escapou do pior na crise de 2008, mas tem os piores salários e benefícios do país, subvalores que se espalham pela vizinhança.
E de onde veio o modelo que quebrou a regulamentação dos bancos e das financeiras e jogou o mundo na crise de 2008? Bingo! Texas.
Há um meteoro econômico no céu americano chamado sequester, previsto para chegar e queimar o país daqui a oito dias. É um corte indiscriminado de US$ 85 bilhões no orçamento militar e nos programas sociais. Suas consequências a longo prazo são imprevisíveis, mas este ano (o corte) vai gerar desemprego e jogar o país noutra recessão.
Os texanos no Senado e na Câmara poderiam, num instante, neutralizar o sequester, mas para estes dinossauros não existem meteoros.
No Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal. "
Um meteoro caiu na Rússia. Ou não?
O presidente da Comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia na Câmara americana é o texano Lamar Smith, um republicano. Ele convocou para a próxima semana uma audiência para decidir se os meteoros existem.
"Para a imprensa irresponsável, o objetivo é assustar o público com uma questão que, no fim das contas, pode ser tão real quanto os unicórnios".
O republicano, que se diz um cético em questões científicas, levantou a possibilidade de se tratar de "um foguetório de russos embriagados com vodca e nada para fazer, nem aquecer, no inverno siberiano".
O meteoro, na visão do conservador amedrontado pelo Tea Party, pode ser um pretexto para deixar o governo gastar dinheiro com ciência "e isto", ele garante, "é a última coisa que nossa comissão vai aprovar".
Um repórter levantou a questão do meteoro gigante que teria matado os dinossauros. O deputado reagiu: "Agora vamos acreditar que os dinossauros existiram?".
Lamar Smith, um veterano no Congresso, que vem de cinco gerações de texanos, não é um primitivo. Tem diploma de Yale.
Mas no Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal.
A atitude do deputado ilustra a desinformação dos livros didáticos texanos que incluem a teoria do criacionismo bíblico em oposição à Teoria da Evolução de Darwin. Dos três livros sobre educação sexual para o curso secundário, só um menciona o uso da camisinha e ainda enfatiza que ela não funciona.
O Estado tem um dos índices mais altos de gravidez entre adolescentes e um dos piores sistemas de saúde para pobres. A melhor opção da mãe solteira é sair do Estado.
"No Texas, tudo é maior, e o que acontece lá se espalha pelo resto do país, para o bem e para o mal. No momento, bem mais para o mal. "
Perto do senador Ted Cruz, recém-eleito, o deputado Lamar Smith é um moderado e, academicamente, primário. O senador tem diplomas de Princeton e Harvard, magna cum laude.
Filho de pai cubano e nascido no Canadá, foi eleito com apoio do Tea Party contra um veterano republicano moderado, ex-vice-governador.
Cruz se tornou manchete nacional quando disse que a meta do plano da ONU para o meio ambiente era acabar com os campos de golfe, os pastos e estradas asfaltadas. Promete acabar com o "leão" americano, o IRS.
Senadores recém-eleitos costumam ouvir muito e falar pouco, mas, em menos de três meses de discursos e votos, os democratas gostariam de crucificar Ted Cruz, que não admite nenhum compromisso com a Casa Branca.
As "texanisses" incomodaram a escritora e colunista do New York TimesGail Collins, que dedicou seu sexto livro, As Texas Goes, aos desatinos e perigos do Estado mais influente do país, um poder que pertenceu a Nova York e à Califórnia no século 20.
Gail Collins destrincha educação, armas, poluição, finanças, modos e costumes texanos. Lá é mais fácil comprar armas do que em quase todos os Estados americanos e as armas vendidas no Texas são responsáveis por grande parte dos crimes no México e na Califórnia.
O ar do Texas é um dos mais imundos do país, porque as leis antiverde favorecem a milionária indústria de energia. Milhões de pulmões dos Estados vizinhos respiram o veneno texano.
Os livros didáticos do Texas, pagos pelos contribuintes, são baratos e comprados pelos Estados vizinhos que também promovem a versão do mundo segundo a Bíblia.
O Texas, rico em gás e petróleo, escapou do pior na crise de 2008, mas tem os piores salários e benefícios do país, subvalores que se espalham pela vizinhança.
E de onde veio o modelo que quebrou a regulamentação dos bancos e das financeiras e jogou o mundo na crise de 2008? Bingo! Texas.
Há um meteoro econômico no céu americano chamado sequester, previsto para chegar e queimar o país daqui a oito dias. É um corte indiscriminado de US$ 85 bilhões no orçamento militar e nos programas sociais. Suas consequências a longo prazo são imprevisíveis, mas este ano (o corte) vai gerar desemprego e jogar o país noutra recessão.
Os texanos no Senado e na Câmara poderiam, num instante, neutralizar o sequester, mas para estes dinossauros não existem meteoros.
'Apenas um começo' - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 21/02
BRASÍLIA - Cercada pelo PMDB (Temer, Renan e Henrique Alves), e isso certamente não foi por acaso, Dilma Rousseff lançou o slogan de sua campanha à reeleição ao anunciar, na terça, mais uma ampliação do Bolsa Família: "O fim da miséria é apenas um começo".
Com essa única frase, brilhante síntese de política e marketing, ela definiu o eixo da sua estratégia para manter a cadeira no Planalto.
Desde o fim da ditadura militar, em 1985, o Brasil vem construindo coletivamente -apesar dos sucessivos protagonistas- os seus principais pilares: democracia, estabilidade econômica e inclusão social.
Dilma (ou seria João Santana?) sabe que a inclusão, marca da campanha de 2010, pode já não dar para o gasto em 2014. Por isso, avisa que acabar com a miséria é "apenas um começo" e deixa implícito o recado: falta muito e é importante que ela continue o trabalho "do povo, para o povo, pelo povo", como firmou a cartilha lançada pelo PT ontem.
O discurso de Dilma está pronto. O resto, Lula, o PT e o mesmo Santana fazem. E eles sabem fazer, como se viu pela organização da festança em São Paulo pelos 33 anos do partido e os dez de poder, com o mito Lula, a candidata Dilma e comparações convenientes com o adversário que eles, talvez equivocada ou precipitadamente, sempre veem pela frente: o PSDB.
O tucano Aécio Neves foi obrigado a sair da toca e ler um discurso incisivo no plenário do Senado, alfinetando as contradições do PT, recriminando comparações de "conjunturas diversas" e apontando 13 "fracassos" do governo Dilma.
É assim que as campanhas presidenciais começam cada vez mais cedo, agora com mais de ano e meio de antecedência e com uma diferença monumental -de recursos, de exércitos, de tropas e de repercussão.
A fala de Dilma foi em São Paulo, com Lula, o PT, os aliados e, repetindo, um marketing impecável. A de Aécio foi em Brasília e isolada.
BRASÍLIA - Cercada pelo PMDB (Temer, Renan e Henrique Alves), e isso certamente não foi por acaso, Dilma Rousseff lançou o slogan de sua campanha à reeleição ao anunciar, na terça, mais uma ampliação do Bolsa Família: "O fim da miséria é apenas um começo".
Com essa única frase, brilhante síntese de política e marketing, ela definiu o eixo da sua estratégia para manter a cadeira no Planalto.
Desde o fim da ditadura militar, em 1985, o Brasil vem construindo coletivamente -apesar dos sucessivos protagonistas- os seus principais pilares: democracia, estabilidade econômica e inclusão social.
Dilma (ou seria João Santana?) sabe que a inclusão, marca da campanha de 2010, pode já não dar para o gasto em 2014. Por isso, avisa que acabar com a miséria é "apenas um começo" e deixa implícito o recado: falta muito e é importante que ela continue o trabalho "do povo, para o povo, pelo povo", como firmou a cartilha lançada pelo PT ontem.
O discurso de Dilma está pronto. O resto, Lula, o PT e o mesmo Santana fazem. E eles sabem fazer, como se viu pela organização da festança em São Paulo pelos 33 anos do partido e os dez de poder, com o mito Lula, a candidata Dilma e comparações convenientes com o adversário que eles, talvez equivocada ou precipitadamente, sempre veem pela frente: o PSDB.
O tucano Aécio Neves foi obrigado a sair da toca e ler um discurso incisivo no plenário do Senado, alfinetando as contradições do PT, recriminando comparações de "conjunturas diversas" e apontando 13 "fracassos" do governo Dilma.
É assim que as campanhas presidenciais começam cada vez mais cedo, agora com mais de ano e meio de antecedência e com uma diferença monumental -de recursos, de exércitos, de tropas e de repercussão.
A fala de Dilma foi em São Paulo, com Lula, o PT, os aliados e, repetindo, um marketing impecável. A de Aécio foi em Brasília e isolada.
Paradoxos do pleno emprego - MARIA CLARA R. M. DO PRADO
Valor Econômico - 21/02
Muito tem sido escrito sobre o aparente paradoxo de uma economia que cresce à modesta taxa de 1% ao ano em situação de pleno emprego. O consumo das famílias mantém-se elevado em qualquer que seja o setor, mas o nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação brasileira não passa de 84,5%, segundo as informações coletadas pela última Sondagem Industrial da FGV-RJ/Ibre
Várias são as explicações. O aquecimento da demanda tem pressionado os salários em geral, mas o aumento do custo de mão de obra só pode ser absorvido pelo setor de serviços pela inexistência de competidores externos (trata-se, no jargão econômico, de um setor de não comercializáveis, significando que não pode ser importado, muito embora a importação de serviços já esteja pesando na balança comercial do país).
Pois bem, vamos imaginar que realmente o setor de serviços é imune aos efeitos da competição internacional, mas não pode haver dúvidas de que o mesmo não acontece na indústria de transformação, que produz tecidos, carros, sapatos, entre outros bens que estão dia e noite sujeitos à concorrência dos importados. Mesmo assim, e ainda considerando o efeito do real valorizado sobre os preços dos importados, fica difícil entender o motivo da paralisia que tem dominado o setor industrial desde 2010. Nem a acentuada queda dos juros no ano passado motivou investimentos naquele setor, hoje na faixa de 18% a 19% do Produto Interno Bruto (PIB), medida pela formação bruta de capital fixo.
Vai-se tateando, sem se saber muito bem que Brasil o governo tem em mente a médio e a longo prazos
Salários altos - o aumento nominal médio de mais de 10% em 2012 (4,3% em termos reais), ampliou ainda mais o custo da mão de obra na indústria observado nos últimos anos -, combinado com queda de produtividade do setor, redundam em elevado custo unitário do trabalho (CUT) e isso estaria espantando os industriais brasileiros. Preferem trabalhar a menor capacidade do que ampliar a produção, ainda que diante de um expandido consumo. Os altos salários (influenciados pelo setor de serviços) e a baixa taxa de produto por trabalhador empregado não compensariam o investimento: cada unidade produzida a mais entraria no mercado a preço tão alto que os brasileiros iriam preferir os produtos chineses!
Ali está um dos pulos do gato. Parte da história tem a ver com o impacto chinês. "Suponha que Marte de repente se prove produtivo e comece a comercializar com a Terra, o efeito seria o mesmo e os produtos mais intensivos em trabalho deixariam de ser produzidos aqui", compara o economista Edmar Bacha para a coluna.
É como se os "benefícios" do processo produtivo chinês, grosso modo, estivessem à mão para atender uma demanda que se expandiu à base da bonança que veio do setor externo com o aumento do investimento estrangeiro e a alta nos preços das commodities.
"Com a bonança externa, aumentou a demanda por trabalho, mas o preço da indústria está fixo e o setor, sufocado, perde concorrência, impedindo que a capacidade ociosa possa ser lucrativamente utilizada", comenta Bacha, minimizando o efeito do câmbio no processo. Ele sugere que se tome a realidade do pleno emprego no país como ponto de partida e, dada essa situação, acredita que não seja necessário ter muito crescimento do produto desde que haja continuidade na reposição do estoque de capital. O fator demográfico favorece, com o ingresso de nova mão de obra no mercado crescendo menos do que antes. Ou seja, a coisa começaria a ficar complicada se a taxa de investimento caísse abaixo da marca de 18% ao ano.
O raciocínio supõe que para além do pleno emprego não há pressão adicional no custo da mão de obra, uma vez que o nível de consumo já teria atingido o limite da capacidade de expansão. Mas há condições de equilíbrio que precisariam ser satisfeitas, como uma situação internacional que continue favorecendo o Brasil.
Fora isso, vai-se tateando, sem se saber muito bem que Brasil o governo tem em mente a médio e a longo prazos. Uma questão que precisa estar presente em qualquer estratégia é o encolhimento do setor industrial diante do setor de serviços, fato que não é brasileiro, mas mundial, e como lidar com a nova realidade.
Algumas pistas podem ser encontradas no amplo estudo realizado pela consultoria McKinsey, sob o titulo "Manufacturing in the future: the next era of global growth and innovation", de novembro de 2012. Há ali propostas de política econômica para um mundo que se fez diverso na globalização. O Brasil é listado como o quinto país em termos de menor participação do setor industrial no PIB, com 13%, empatando com a Índia. Está à frente do Reino Unido e França (com 10%) e Estados Unidos, onde a industria pesa 12% no PIB. Na Alemanha, a indústria tem peso de 19% no PIB e, na China, a participação é de 33%. O trabalho da McKinsey destaca que apenas 16% do PIB global é formado pelo setor industrial e, ainda, que o déficit comercial das economias mais avançadas com produtos intensivos em mão de obra chega a US$ 342 bilhões.
Dá para o Brasil recuperar o tempo perdido, desde que o governo consiga arrumar a casa e definir uma estratégia coerente. Felizmente, há pela frente a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Podem funcionar como tabua de salvação!
Várias são as explicações. O aquecimento da demanda tem pressionado os salários em geral, mas o aumento do custo de mão de obra só pode ser absorvido pelo setor de serviços pela inexistência de competidores externos (trata-se, no jargão econômico, de um setor de não comercializáveis, significando que não pode ser importado, muito embora a importação de serviços já esteja pesando na balança comercial do país).
Pois bem, vamos imaginar que realmente o setor de serviços é imune aos efeitos da competição internacional, mas não pode haver dúvidas de que o mesmo não acontece na indústria de transformação, que produz tecidos, carros, sapatos, entre outros bens que estão dia e noite sujeitos à concorrência dos importados. Mesmo assim, e ainda considerando o efeito do real valorizado sobre os preços dos importados, fica difícil entender o motivo da paralisia que tem dominado o setor industrial desde 2010. Nem a acentuada queda dos juros no ano passado motivou investimentos naquele setor, hoje na faixa de 18% a 19% do Produto Interno Bruto (PIB), medida pela formação bruta de capital fixo.
Vai-se tateando, sem se saber muito bem que Brasil o governo tem em mente a médio e a longo prazos
Salários altos - o aumento nominal médio de mais de 10% em 2012 (4,3% em termos reais), ampliou ainda mais o custo da mão de obra na indústria observado nos últimos anos -, combinado com queda de produtividade do setor, redundam em elevado custo unitário do trabalho (CUT) e isso estaria espantando os industriais brasileiros. Preferem trabalhar a menor capacidade do que ampliar a produção, ainda que diante de um expandido consumo. Os altos salários (influenciados pelo setor de serviços) e a baixa taxa de produto por trabalhador empregado não compensariam o investimento: cada unidade produzida a mais entraria no mercado a preço tão alto que os brasileiros iriam preferir os produtos chineses!
Ali está um dos pulos do gato. Parte da história tem a ver com o impacto chinês. "Suponha que Marte de repente se prove produtivo e comece a comercializar com a Terra, o efeito seria o mesmo e os produtos mais intensivos em trabalho deixariam de ser produzidos aqui", compara o economista Edmar Bacha para a coluna.
É como se os "benefícios" do processo produtivo chinês, grosso modo, estivessem à mão para atender uma demanda que se expandiu à base da bonança que veio do setor externo com o aumento do investimento estrangeiro e a alta nos preços das commodities.
"Com a bonança externa, aumentou a demanda por trabalho, mas o preço da indústria está fixo e o setor, sufocado, perde concorrência, impedindo que a capacidade ociosa possa ser lucrativamente utilizada", comenta Bacha, minimizando o efeito do câmbio no processo. Ele sugere que se tome a realidade do pleno emprego no país como ponto de partida e, dada essa situação, acredita que não seja necessário ter muito crescimento do produto desde que haja continuidade na reposição do estoque de capital. O fator demográfico favorece, com o ingresso de nova mão de obra no mercado crescendo menos do que antes. Ou seja, a coisa começaria a ficar complicada se a taxa de investimento caísse abaixo da marca de 18% ao ano.
O raciocínio supõe que para além do pleno emprego não há pressão adicional no custo da mão de obra, uma vez que o nível de consumo já teria atingido o limite da capacidade de expansão. Mas há condições de equilíbrio que precisariam ser satisfeitas, como uma situação internacional que continue favorecendo o Brasil.
Fora isso, vai-se tateando, sem se saber muito bem que Brasil o governo tem em mente a médio e a longo prazos. Uma questão que precisa estar presente em qualquer estratégia é o encolhimento do setor industrial diante do setor de serviços, fato que não é brasileiro, mas mundial, e como lidar com a nova realidade.
Algumas pistas podem ser encontradas no amplo estudo realizado pela consultoria McKinsey, sob o titulo "Manufacturing in the future: the next era of global growth and innovation", de novembro de 2012. Há ali propostas de política econômica para um mundo que se fez diverso na globalização. O Brasil é listado como o quinto país em termos de menor participação do setor industrial no PIB, com 13%, empatando com a Índia. Está à frente do Reino Unido e França (com 10%) e Estados Unidos, onde a industria pesa 12% no PIB. Na Alemanha, a indústria tem peso de 19% no PIB e, na China, a participação é de 33%. O trabalho da McKinsey destaca que apenas 16% do PIB global é formado pelo setor industrial e, ainda, que o déficit comercial das economias mais avançadas com produtos intensivos em mão de obra chega a US$ 342 bilhões.
Dá para o Brasil recuperar o tempo perdido, desde que o governo consiga arrumar a casa e definir uma estratégia coerente. Felizmente, há pela frente a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Podem funcionar como tabua de salvação!
Um incompetente - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 21/02
O dinheiro escafedeu-se
A capitalização da Petrobras, em setembro de 2010, rendeu R$ 120,4 bilhões à empresa. De lá pra cá, pelas contas do consultor Adriano Pires, considerando o prejuízo com a defasagem de combustíveis de R$ 27 bilhões, a estatal já consumiu 60% do caixa injetado na operação.
Anjo ferido
Cabral vai instalar a Comissão da Verdade do Rio, presidida por Wadih Damous, numa cerimônia no antigo prédio do Dops, na Rua da Relação. No ato, haverá um desfile de moda com a coleção que a estilista Zuzu Angel criou para protestar contra a ditadura, responsável pela morte de seu filho, Stuart. São roupas estampadas com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos.
Pecado da gula
“O clube dos anjos”, do mestre Verissimo, que fala da gula e já foi lançado em 12 países, vai ganhar edição na Lituânia.
No mais...
Repara só nesta foto do Aécio, que ontem botou o bloco de sua campanha presidencial na rua. O senador parece ter estreado um novo rostinho. Com todo o respeito.
À ESPERA DO OUTONO
Este frondoso jambeiro-rosa (Syzygium malacensis) que frutifica no clube dos Bombeiros, na Barra, no Rio, está pronto para o outono, estação que chega mês que vem (ufa!). O engenheiro florestal Marcelo Carvalho explica a belezura acima, um verdadeiro tapete rosa: “São estames (componente do órgão masculino da flor). Eles caem e a cor atrai os insetos. É o início da polinização do gineceu (o órgão feminino).” Que Deus amenize o calorão carioca, abençoe os jambeiros e a nós não desampare jamais
O campo de golfe
O STJ reconheceu que o espólio do comendador Antonio de Souza Ribeiro não é dono da área na Barra, no Rio, onde será erguido o Campo de Golfe Olímpico. Segundo a Justiça, o espaço foi indevidamente vendido à Elmway Participações por um herdeiro de Ribeiro. A decisão favorece o empresário Pasquale Mauro.
Nos trilhos
Na semana que vem, o governo deve anunciar um edital para o setor ferroviário. Terça, Guido Mantega discutiu com Rodolpho Tourinho, do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada, medidas para atrair investimentos privados na infraestrutura.
Diário de Justiça
Uma criança de 9 anos, com deficiência auditiva e matriculada na rede pública de ensino de Niterói, ganhou na Justiça o direito de ser acompanhada durante as aulas por um professor de linguagem de sinais (LIBRA). A decisão é da juíza Andréa Gonçalves Duarte. É que o benefício tinha sido suspenso em junho.
Calma, gente!
Ziraldo não esconde sua admiração por Lula e Dilma. Mas implicou com este cartaz que celebra os 10 anos do PT: “Parece copiado dos velhos cartazes saudando o fascismo na época de Mussolini.” É. Pode ser.
Vila Aliança no poder
O petista Adilson Pires, 53 anos, que morou grande parte de sua vida na Vila Aliança, no Rio, assume a prefeitura hoje. Paes, o titular, tirou uns dias de descanso.
Até tu, Brutus?
A MBR Comércio de Materiais Recicláveis, que compra, filtra e revende óleos vegetais usados, veja só, foi flagrada por fiscais do Inea jogando óleo no Rio Pilar, que segue para a Baía da Guanabara. A denúncia foi feita pelo biólogo Mário Moscatelli.
Até tu, Malafaia?
De Sandra de Sá no final do show que fez, terça, no Theatro NET Rio: “Vão com Deus, Oxalá, Ogum, Padre Marcelo, Bispo Macedo, Oxum e até com Malafaia.”
Primeiro mundo - SONIA RACY
O ESTADÃO - 21/02
A subsidiária do Grupo será responsável pelo financiamento, construção e gestão do projeto, dividindo futuros lucros com o Departamento de Aviação de Miami.
Custo total? US$ 512 milhões. Receita estimada? US$ 1,63 bilhão por ano.
Agora vai?
Depois da última enchente no clube, Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, enviou carta a Pedro Benvenuto, secretário de Planejamento de Alckmin. Queria saber a quantas andava a prometida construção de dois piscinões na região do Morumbi.
E recebeu boa notícia. O edital de licitação para as obras será lançado ainda este mês.
Agora vai 2
Desde 1960, quando o estádio foi erguido, o Tricolor pleiteia uma solução para o problema.
Troco
Se depender de FHC, a resposta tucana às comemorações de dez anos do PT no poder continuará em janeiro de 2014 – ano eleitoral.
O ex-presidente pretende conversar com Serra, Aécio e Alckmin, dentre outras lideranças do PSDB, para dar forma às festividades de vinte anos do Plano Real.
A conferir
Nove entre dez juristas apostam que Heleno Torres será o escolhido de Dilma para o Supremo Tribunal Federal.
O tributarista pernambucano conta com grande simpatia da presidente.
Upgrade
Especula-se no mercado sobre mudanças que devem acontecer no escritório brasileiro do JP Morgan.
Incluindo novo presidente, que seria José Berenguer.
Adiantado
Peter Singer, que vem para o Fronteiras do Pensamento, afirmou ao curador, Fernando Schüler: quer incentivar os brasileiros a se engajarem em programas de filantropia.
Considerado um dos maiores filósofos da atualidade, o australiano tem palestra agendada para agosto, no Instituto Tomie Ohtake.
Tipo importação
Decidido. No Brasil, a The School of Life, de Alain de Botton, ficará na sede da Editora Amarello, na rua Líbero Badaró. A ideia foi procurar uma casa acolhedora – nos moldes da sede, em Londres. Outro critério? Que fosse em área central e não em bairro elitizado.
David Baker, fundador da Wired, será o primeiro a dar aulas. Botton deve vir ao longo do ano.
Fogo…
No tour que fará pelos dez anos do PT no poder, Lula encontrará em Fortaleza, dia 28, um partido dividido. Sem conseguir eleger seu sucessor, Luiziann e Linscorre o risco de perder a presidência do PT no Ceará para o grupo de José Guimarães.
…amigo
Na ausência da ex-prefeita, corrente comandada por Guimarães iniciou processo de sucessão do comando do partido. O escolhido? Francisco de Assis Diniz – apoiado por Cid Gomes, inimigo político de Luizianne.
Meio ambiente
André D’Elia, diretor de Belo Monte: Anúncio de uma Guerra, quer mandar seu filme para Spike Lee. O cineasta norte-americano está na ponte aérea com o Brasil para fazer documentário sobre o País.
Na frente
A Vale explica: seu projeto na Guiné aguarda definição de regras pelo governo. A concessão está em vigor, e as autoridades locais têm demonstrado o maior interesse na continuidade.
Kevin Robert Frost, CEO da amfAR, é centro de jantar pilotado pela Vogue Brasil. Dia 25, no Arola Vintetres.
Ao lado do também pianista Pablo Rossi, o português Pedro Burmester se apresenta hoje, na Sala SP.
Cristiane Mohallem abre mostra dia 23. Na Contraponto. No mesmo espaço, dia 12 de março, Olivio Tavares Araújo dá palestra.
Nati Canto abre exposição de fotos no MIS. Hoje.
A Eletropaulo está jogando a toalha ante as chuvas diárias e os estragos consequentes em SP. Cliente da distribuidora ligou para reclamar da falta de luz – ameaçando processar a empresa por estar há mais de 24 horas sem eletricidade. Acabou ouvindo: “Não temos funcionários suficientes, não há o que fazer. Se quiser, processa”.
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