segunda-feira, outubro 01, 2012

Conteúdo possível - GEORGE VIDOR


O GLOBO - 01/10

Fabricação de equipamentos e contratação de serviços no Brasil é questão polêmica mas Petrobras se apoia em estudos técnicos

Paulo Sérgio Rodrigues Alonso, executivo de primeira linha da Petrobras que coordena hoje todo o programa voltado para o chamado conteúdo local (contratação de serviços e equipamentos pela empresa no Brasil), tem atrás de sua mesa de trabalho uma estante de apoio, com várias pastas, cada qual com centenas de páginas avaliando a capacidade de as encomendas destinadas aos novos projetos da estatal serem atendidas por empresas instaladas no país. "A unidade que vamos instalar em Linhares, no Espírito santo, poderá ter 67% de conteúdo local", diz ele, folheando as páginas de um dos estudos. E é com a mesma convicção que considera factível que dentro de três anos as primeiras sondas de perfuração de poços de petróleo e gás projetadas para explorar a camada do pré-salcheguem a ter 55% de conteúdo local. A segunda fornada passará para 60% e a terceira a 65%. "E a gente sabe que os consórcios de construtores e fornecedores usaram parâmetros de referência semelhantes aos nossos e encontraram percentuais até ligeiramente mais elevados, o que significa que somos mais conservadores que eles nessas projeções", observa.

Alonso refuta a tese que esse tipo de política poderá comprometer o cronograma dos projetos. Ao contrário, diz ele, foi a necessidade de se acelerar investimentos promissores no pré-sal, com a utilização de novos materiais que resistam às características adversas desses reservatórios, que levou a Petrobras a mobilizar toda uma cadeia produtiva aqui já instalada ou que possa ser atraída para o país. "Chamamos isso de conteúdo local possível", explica, pois, segundo ele, não foram estabelecidos percentuais prévios para depois ver se os fornecedores se ajustariam, tendo de respeitar preços do mercado e prazos de entrega, negociados na contratação dos serviços e equipamentos.

Pelo cronograma da Petrobras, as últimas plataformas de petróleo feitas inteiramente no exterior para a empresa chegarão este ano. A partir do ano que vem, a companhia receberá plataformas construídas em parte no Brasil, e também e no exterior. E após 2016 todas as unidades de produção já programadas estão projetadas para serem construídas no país, contando-se com o funcionamento de vários grandes estaleiros novos.

Alonso agora é igualmente responsável pelo Prominp, programa capitaneado pela Petrobras para capacitação de fornecedores e formação de pessoal voltados à cadeia produtiva da indústria do petróleo, na qual a estatal é o principal ator. Os desafios tecnológicos da indústria são expressivos, mas para quase todas existe uma solução encaminhada. Já no caso da formação de pessoal os obstáculos são ainda imensos, pela escassez de pessoas qualificadas. Faltam tanto índios como caciques no setor. A baixa escolaridade afeta a produtividade do trabalho, o que fica evidente quando se compara o Brasil com os países cujos fornecedores se destacam nessa área. Nos estaleiros da Coreia do Sul, por exemplo, um encarregado supervisiona diretamente grupos de vinte pessoas, que realizam diferentes tarefas com elevado grau de autonomia. No Brasil, as equipes acabam sendo reduzidas a grupos de cinco, sem que seus componentes realizem diferentes tarefas. Então aqui precisa-se de muita gente para se chegar ao mesmo resultado.

Na construção da refinaria e da nova petroquímica em Suape (Pernambuco), a maior parte dos peões é composta de trabalhadores que antes cortavam cana, sem experiência em montagens industriais. Então toda a cadeia produtiva do setor está passando por uma curva de aprendizagem no Brasil, que tende a se acelerar com o tempo. E isso dentro de projeções conservadoras, garante Paulo Alonso.

Os serviços representam cerca de 60%, com elevada participação de mão de obra, nos projetos da Petrobras. E a grande maioria da mão de obra é de brasileiros residentes, o que ajuda a se atingir percentuais de conteúdo local que chegam a 70% no caso da estatal.

Paradoxos do crescimento

A fonte é a mesma (o IBGE), mas vista pelos retratos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) a economia brasileira apresenta um resultado muito diferente do que se avaliando com os números do Produto Interno Bruto (PIB). A renda média dos mais pobres e da classe média baixa batizada de nova classe - tem crescimento dois pontos percentuais acima do PIB. Em 2011, por exemplo, passou de 4%.

Na China, há exatamente um fenômeno inverso. Lá, o PIB cresce dois pontos percentuais acima da renda média da maioria da população. Por isso, os indicadores apontam para uma redução da desigualdade social no Brasil (embora o crescimento da economia responda por pelo menos metade desse fenômeno), e um aumento na China, ainda que o número de pobres esteja diminuindo em ambos países.

A absolvição da política - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 01/10


Não menos importantes do que a maioria de votos já alcançada para condenar nove políticos por corrupção passiva, dois fatos se sobressaíram na 29.ª jornada do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira. Um foi a consolidação, ao que tudo indica irreversível, da tendência da Corte de rejeitar a balela lançada em desespero de causa pelos cabeças do esquema e endossada pelo ainda presidente Lula de que o PT usou "recursos não contabilizados" - o afamado caixa 2 - para suprir os cofres de partidos da coligação vitoriosa nas eleições de 2002 e atrair outros para a coalizão governista. Tudo se limitaria a um malfeito eleitoral, como se faz "sistematicamente" no País, no inesquecível dar de ombros de Lula. O outro fato foi a absolvição da política.

Em votos e em apartes, quatro dos dez ministros presentes - incluindo o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto - manifestaram a certeza de que o mensalão consistiu, como desde sempre sustentou a acusação, em usar dinheiro público lavado para a compra de apoio parlamentar ao Planalto, mediante a migração coordenada de deputados para os partidos da base aliada e pelos seus votos favoráveis aos projetos oficiais. "Se o dinheiro é público", raciocinou Britto, "não há como falar em caixa 2." Está claro que o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, fracassa a olhos vistos na tentativa de persuadir os seus pares de que a tese da Procuradoria-Geral da República, respaldada pelo relator da matéria no STF, Joaquim Barbosa, não passa de "mera inferência ou simples conjectura".

Os ministros que condenaram anteontem o delator do mensalão, Roberto Jefferson (que acaba de se licenciar da presidência do PTB), o deputado Valdemar Costa Neto, do PR, antigo PL, além de quatro ex-deputados, assessores e dirigentes dessas legendas, mais o PP e o PMDB, poderiam tê-lo feito sem entrar nas razões por que receberam boladas do valerioduto, a mando do tesoureiro petista Delúbio Soares. Afinal, a obtenção de vantagem indevida configura o crime de corrupção passiva, qualquer que seja o motivo da paga e o destino dado à propina. Mas o ministro Luiz Fux, por exemplo, fez questão de assinalar que "o receber de dinheiro ilícito não tem nenhuma semelhança com não escriturar as contas (de campanhas eleitorais)".

É altamente provável que a convicção da compra de apoio político também fundamente as posições dos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e do próprio Britto, que só votarão neste capítulo do julgamento na segunda-feira (quando Dias Toffoli, de seu lado, concluir o seu veredicto). Com isso, ficará assente de uma vez por todas que o mensalão não foi um acerto espúrio entre partidos, mas a expressão de uma política deliberada do governo Lula - que só cessou quando interesses contrariados levaram o deputado Roberto Jefferson a denunciar o escândalo. O mensalão foi a solução tóxica para as instituições democráticas encontrada pelos homens do então presidente, com ou sem o seu concurso, para um problema real do sistema político brasileiro: a assimetria entre a votação do candidato vitorioso do Planalto e a dos candidatos de seu partido à Câmara dos Deputados, o que obriga o eleito a construir com outras siglas a maioria parlamentar de que não pode prescindir.

A abordagem dessa questão estrutural pela ministra Cármen Lúcia foi o momento marcante, acima mencionado, da sessão de anteontem no STF. Ao condenar todos os dez políticos acusados de corrupção passiva, ela reconheceu que "um governo que não tenha maioria parlamentar tende a não se sustentar". Nem por isso se pode ser indiferente aos meios adotados pelos governantes para obtê-la, argumentou, fazendo uma consistente defesa da política e uma apaixonada exortação aos jovens para que não se deixem levar pela descrença na democracia. Processos contra políticos corruptos devem estimular não a desesperança, mas o otimismo, observou. "Eu não gostaria", disse de coração aberto, "que, a dez dias da eleição, o jovem brasileiro desacreditasse da política por causa do erro de um ou de outro."

Era o que precisava ser afirmado no julgamento do mensalão.

Cartada final - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 01/10


Os advogados de José Dirceu protocolam amanhã no STF seu último memorial de defesa no julgamento do mensalão. O principal ponto é a viagem de Marcos Valério, Emerson Palmieri e Rogério Tolentino a Portugal, centro da acusação contra o ex-ministro. A peça dirá que testemunhas como o ex-presidente da Portugal Telecom Miguel Horta e o ex-ministro António Mexia negaram qualquer ligação do governo brasileiro, do PT ou de Dirceu com os negócios de Valério no país.

Banco... Na última peça, a defesa de Dirceu também vai procurar provar que o ex-ministro não tinha conhecimento dos negócios de sua ex-mulher Ângela Saragoça com os bancos do mensalão e o advogado Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério.

... imobiliário Ângela obteve emprego no BMG e um empréstimo de R$ 42 mil do Banco Rural, as duas instituições no foco do escândalo. Por fim, vendeu um apartamento a Tolentino. A direção do BMG disse que o emprego foi pedido de Valério.

A bailarina O terceiro ponto do memorial será para explicar dois encontros de Dirceu com a ex-presidente do Rural Kátia Rabello, na época dos empréstimos ao PT. O relator Joaquim Barbosa deu ênfase às reuniões para condenar a executiva.

Cronômetro Sem sessões extras, só haverá mais 19 reuniões do mensalão até a aposentadoria compulsória de Carlos Ayres Britto, que faz 70 anos em 18 de novembro. Se os votos não forem enxugados, o presidente da corte não deverá decidir até o fim a dosagem das penas dos réus condenados.

Revelação Considerada incógnita antes do início do julgamento, a ministra Rosa Weber é a autora do voto mais "sofisticado'' até aqui no que tange à lavagem de dinheiro, na opinião de advogados e ministros. Parte do mérito é atribuída ao juiz Sérgio Moro, seu auxiliar no processo.

Filhos de peixe Paulo Sérgio Hilário Vaz e Sérgio Marcus Hilário Vaz, advogados de Brasília, passaram a militar no TSE depois que a mãe de ambos, a ministra do STJ Laurita Hilário Vaz, assumiu como titular no tribunal eleitoral, neste ano. Têm dois processos em tramitação.

Sombra Lula vai participar diariamente de atividades de rua ao lado de Fernando Haddad nesta semana.

Água fresca Com a recomendação médica de tomar muita água nos eventos, a campanha brinca que será necessário contratar um caminhão-pipa para o ex-presidente, que se recupera de um câncer na laringe.

Plim... Candidatos receberam sinais de que a Globo pode rever a decisão de não realizar o debate de São Paulo se não conseguir autorização judicial para deixar de fora os nanicos Carlos Gianazzi (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB).

... plim Com o acirramento da briga pelo segundo turno, a emissora avalia que o confronto ganhou importância jornalística e que seria ruim deixar de fora a principal praça enquanto haverá programas em todo o país. Resta saber se Celso Russomanno (PRB) irá ao debate caso a Globo resolva fazê-lo.

Caiu... O PT de Belo Horizonte estuda levar ao ar na propaganda de TV de Patrus Ananias vídeo em que Délio Malheiros (PV), vice de Márcio Lacerda (PSB), faz duras críticas ao prefeito pouco antes de firmar aliança com ele.

...na rede As imagens do vice acusando Lacerda de inchar a prefeitura, usar a máquina para cooptar partidos políticos e lançar obras eleitoreiras circulam na internet desde sexta-feira e ontem atingiram 33 mil exibições.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Ulysses dizia: melhor ser velho que velhaco. O STF está provando que Lula montou uma quadrilha. A História tratará de aposentá-lo."

DO EX-GOVERNADOR ALBERTO GOLDMAN (PSDB), respondendo ao ex-presidente, que disse em comício que Serra deveria requerer sua aposentadoria.

contraponto

Cegonha na TV

Hebe Camargo fazia seu programa ao vivo na Rede Record quando, em junho de 1967, conheceu o então diretor da Caixa Econômica Federal Paulo Maluf, convidado a ir ao auditório por Paulo Machado de Carvalho, dono da emissora. Durante a entrevista, ele disse que sua mulher, Sylvia, estava dando à luz naquele dia sua filha Lina.

-Muita saúde! Espero que ainda venham muitos filhos para o casal -, saudou Hebe.

-Muito obrigado, mas esta já é a quarta! Fechamos a fábrica! -, replicou Maluf, dando início à amizade de anos com a apresentadora, que morreu no sábado.

Surpresa prevista - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


O Estado de S.Paulo - 01/10


Um eleitor tucano explica seu estranho voto útil: "Se o (Celso) Russomanno vai ganhar de qualquer jeito, então é melhor que ele dispute o segundo turno contra o (Fernando) Haddad. Porque se o segundo turno for contra o (José) Serra, o PT vai ajudar a eleger o Russomanno e depois vai teleguiar a Prefeitura". O paulistano é, antes de tudo, um forte em câmbios de última hora.

Um em cada três paulistanos ainda não sabe dizer espontaneamente em quem votará ou declara que vai anular ou votar em branco - uma proporção superior à da mesma época em 2008. E entre os que dizem ter candidato há os que podem mudar seu voto para adequá-lo às circunstâncias, como o maquiavélico eleitor tucano disposto a votar em Haddad ou o afluente que flertou com o petista, mas, na hora H, sempre volta ao ninho tucano.

Não bastassem o histórico de mudanças repentinas, os vários tipos de voto útil e a indefinição de um terço do eleitorado, a trajetória errante da intenção de voto do paulistano tem sido um pesadelo para os institutos de pesquisa nas últimas semanas.

Russomanno parou de crescer e começou a cair? Serra parou de cair e começou a se recuperar? Haddad patina ou cresce? Chalita ameaça reagir no final, mas apenas o bastante para atrapalhar Serra ou Haddad? Ou o suficiente para chegar ao turno final? Noves fora, os quatro convergem e ensaiam uma embolada. Resta ver se vão embolar a dois, a três ou - improvável - a quatro.

As curvas dos candidatos a prefeito de São Paulo variam de instituto para instituto. No Datafolha, Russomanno desenha uma montanha russa com vales de 30% e picos de 35%. No Ibope, Serra não parou de cair - ao contrário do Datafolha. Mas quando se alinham as pesquisas de ambos os institutos, o ponto fora da curva parece ter sido a inversão entre o tucano e Haddad apontada pelo Ibope na semana passada.

A culpa não é dos institutos, mas do cenário eleitoral. As idas e vindas desta eleição paulistana são típicas de quando o grau de incerteza do eleitorado é alto. Num quadro assim, as mudanças são mais do que possíveis, são esperadas. E as tendências só ficam claras (ou menos obscuras) quando as variações bruscas são diluídas pelo cálculo de uma média móvel. É como desfocar os olhos para embaçar a vista e vislumbrar apenas as silhuetas.

O que a média de Ibope e Datafolha mostra, inequivocamente, é que as curvas de Serra e Haddad foram perfeitamente espelhadas desde o começo da propaganda eleitoral na TV.

O que um perdeu o outro ganhou. A transferência não foi direta - Paulinho da Força (PDT) perdeu eleitores para Haddad, enquanto Serra perdeu para Russomanno. Mas, ao final das contas, as oscilações do tucano e do petista acabaram por ser inversamente proporcionais.

Juntos, desenharam uma garrafa entre 18 de agosto e 12 de setembro. O bojo virou gargalo há um mês, diminuindo a distância entre os arquirrivais. Esse período corresponde à mais intensa troca de ataques entre ambos. Não por coincidência, ao mesmo tempo a curva de Russomanno corria solta para cima. Até que a ficha caiu, e as campanhas tucana e petista mudaram de alvo e passaram a mirar preferencialmente o líder.

A partir da semana de 12 de setembro, as curvas de Haddad e Serra começaram a correr paralelas e, juntas, a espelharem a evolução de Russomanno - ou melhor, a sua involução. Ao contrário do que gosta de dizer, o candidato do PRB não é bolo que quanto mais batem mais cresce. Bastou bater que ele murchou, pelo menos no eleitorado de maior escolaridade. E só não caiu antes porque foi poupado pela míope briga de PT e PSDB.

A dúvida que as pesquisas ainda não responderam é se a queda de Russomanno se estende às periferias sul e leste da cidade e em qual intensidade. Lá votam eleitores com menor renda e menos anos de estudo. Se Russomanno cair nesses redutos tradicionais do PT, abrirá espaço para Haddad crescer e ultrapassar Serra. Se não, o tucano seguirá favorito para ir ao segundo turno. As surpresas estão previstas, mas não são previsíveis.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 01/10


Crédito imobiliário volta a crescer com 'ritmo saudável', afirma entidade
Os financiamentos para a aquisição e a construção de imóveis voltaram a crescer e tiveram em agosto o melhor desempenho histórico, segundo a Abecip (associação de entidades de crédito imobiliário e poupança).

O volume de empréstimos chegou a R$ 8,25 bilhões, um resultado 28% maior que o apurado em julho e 4,9% acima do registrado em agosto de 2011.

No acumulado deste ano, o crédito imobiliário ficou apenas 0,5% acima do resultado dos primeiros oito meses de 2011.

O número de unidades financiadas em agosto avançou mais, 31%.

No acumulado deste ano, foram financiadas 294,7 mil unidades, 8,6% a menos que no ano passado.

Considerados os últimos 12 meses, entre setembro de 2011 e agosto deste ano, a quantidade de unidades com financiamentos foi 13% a menos que no período anterior.

"O volume de empréstimos para construtoras e incorporadoras está se recuperando. Os lançamentos estão sendo retomados, talvez não no patamar de crescimento de 42% de 2011", diz Octavio da Lazari, presidente da Abecip.

O setor deve fechar este ano com alta de 15 a 20%", segundo o executivo.

O primeiro semestre ficou "de lado", com alta de 23% do crédito para mutuário final e queda de 28% no financiamento para empresas. Para Lazari, tempos de expansão de 65%, como em 2010, não devem mais ocorrer.

"Aquele maior crescimento foi com base muito baixa. E a gente entende que nem deve mais crescer naquele patamar", afirma. "O crescimento bem sustentado para a economia é de 20 a 25%. Acima disso surge problema de insumo, mão de obra."

Com R$ 185 mi, montadora da China fabricará caminhões no RS
A montadora chinesa Yunlihong vai entrar no mercado brasileiro com uma fábrica de caminhões leves em Camaquã (a 130 quilômetros de Porto Alegre).

A planta receberá aporte de R$ 185 milhões e deverá produzir 5.000 veículos em seu primeiro ano de funcionamento, previsto para 2014.

Depois do terceiro ano, a fábrica terá sua capacidade de produção anual elevada para 15 mil unidades.

Os caminhões serão comercializados no Brasil e exportados inicialmente para Peru, Chile e países da África.

Hoje, a empresa já vende nesses locais, mas a exportação é realizada pela China.

Para iniciar a operação brasileira antes de a planta ser concluída, veículos devem ser importados até o final deste ano. O objetivo é vender na região Sul e, principalmente, em São Paulo.

"Vamos aproveitar a demanda por caminhões leves que existe na cidade por causa da lei que proíbe a circulação de veículos pesados", diz João Batista Ribeiro, sócio da empresa no Brasil.

A expectativa é que as obras comecem no ano que vem. Essa será a primeira planta da empresa fora da China.

DESEMPENHO DA VELHA GUARDA
Com os juros reais na mínima histórica e o câmbio depreciado, ações de empresas estrangeiras se tornam mais atraentes. A Credit Suisse Hedging-Griffo abriu em julho, no Brasil, o fundo Global Equities, que tem 100% dos recursos aplicados em companhias do exterior.

"Lá há mais opções de setores e empresas listadas, o que diversifica o risco da carteira", diz Artur Wichmann, gestor de fundos internacionais da instituição suíça.

"Além disso, hoje é fácil aplicar daqui." Com patrimônio de R$ 13 milhões, o fundo é para investidor qualificado (com mais de R$ 300 mil para aplicar) e aloca recursos em multinacionais.

"Grandes empresas, inclusive as tradicionais, como a Disney e o Walmart, estão com desempenho muito bom neste ano nos EUA e na Europa. Não são só as de tecnologia, como a Apple."

Quem pariu Mateus - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 01/10


"Sintam orgulho porque, se tem uma coisa que fizemos foi criar instrumentos para combater a corrupção"

Lula


Uma pesquisa de intenção de voto é uma pesquisa, é uma pesquisa. Se ela detecta algo de surpreendente em relação às pesquisas anteriores, manda a experiência que se aguarde as próximas. O que pareceu novo, por exemplo, pode não ter passado de um soluço, um desvio involuntário de rota, um erro de amostragem. Só configura tendência o que for atestado, no mínimo, por duas ou três pesquisas consecutivas.

Na semana passada, o Instituto Datafolha registrou queda expressiva de Russomanno, candidato do PRB, da Record e da Universal a prefeito de São Paulo. Em relação à pesquisa anterior do próprio Datafolha, Russomanno teria perdido cinco pontos. Uma semana antes, ele parecia inalcançável do alto dos seus 35% de intenção de voto. Era observado com inveja pelos demais candidatos. Ainda seria possível evitar que se elegesse? Como governaria sem experiência e apoio partidário?

O Ibope conferiu-lhe 34% das intenções de voto entre os dias 22 e 24 de setembro. O Instituto Vox Populi, os mesmos 34%. O Datafolha aplicou dez pesquisas, de março último para cá. O Ibope, seis, desde maio. A trajetória de Russomanno é ascendente nas pesquisas dos dois institutos - salvo o tropeço na mais recente do Datafolha.

Russomanno pontuou assim no Datafolha: 19%, 21%, 24%, 26%, 31%, 31% 35%, 32%, 35% e 30%. Houve um soluço quando ele caiu de 35% para 32%, voltando para 35%. Os 30% podem significar outro soluço - ou não. No Ibope, Russomanno saiu de 16% para 25%, 26%, 31%, 35% e 34%. Nas pesquisas dos dois institutos, José Serra só fez cair.

"Devagar e sempre para o alto" resume a performance de Fernando Haddad, candidato do PT. No Datafolha, ele foi de 3% para 18%. No Ibope, idem. Quando oscilou para baixo foi dentro da margem de erro das pesquisas. O PT conta com 30% dos votos de São Paulo no primeiro turno das eleições.

Lula está disposto a pagar qualquer preço para eleger Haddad, reforçando sua imagem de milagreiro. Deu ordem a Dilma para comparecer ao comício que fechará a campanha de Haddad. Até quando os adoradores de Dilma continuarão sonhando com o dia em que ela dirá não a Lula? No Dia de São Nunca, talvez.

Credita-se aos ataques desfechados contra ele nas últimas semanas por Serra e Haddad a eventual derrapagem de Russomanno. Mas, a se confirmar que ele derrapou, Russomanno deveria ir se queixar ao bispo. Ou melhor: do bispo. Até para votar os fiéis da Universal obedecem ordens do alto. Os católicos, não.

Foi-se o tempo em que padres e bispos animavam seu rebanho a se engajar em campanhas. Pois no último dia 14, a pedido do arcebispo dom Odilo Scherer, a Arquidiocese de São Paulo divulgou nota de repúdio à conduta do PRB, apontado como "manifestadamente ligado à Igreja Universal". Católicos e outros setores da sociedade paulistana despertaram com a nota. Resta saber se ainda a tempo.

Quem pariu a candidatura de Russomanno que a embale. Ela tem pai e mãe - o PT e o PSDB. Cada um deles achava que Russomanno só tomaria votos do outro. Lula mandou que o PCdoB renunciasse à candidatura de Netinho de Paula para não atrapalhar Russomanno. Alckmin mandou que o PTB reforçasse Russomanno, indicando-lhe o vice. O prefeito Kassab, aliado de Serra, arregimentou financiadores de campanha. Com dinheiro e algum tempo de propaganda, Russomanno foi à luta. PT e PSDB esqueceram-se dele. Quando se lembraram... Bem.

Para termos bons vereadores - RENATO JANINE RIBEIRO


VALOR ECONÔMICO - 01/10
No Brasil, é costume dar maior importância aos candidatos ao Poder Executivo do que ao Legislativo: prefeitos, por exemplo, são mais poderosos que vereadores. Para o Executivo sempre temos menor número de postulantes. Em São Paulo, os 55 cargos da Câmara são disputados por quase 1,2 mil pessoas, enquanto só 12 disputam a prefeitura. Para cada candidato a prefeito, temos cem a vereador! Mas por isso mesmo quero, pela primeira vez nesta coluna, fazer um apelo aos leitores: escolham com o máximo cuidado o seu vereador. Muita coisa depende deles.
A boa notícia é que, pelo menos nas grandes cidades, onde a eleição é mais competitiva, há bons candidatos ao Legislativo em todos os principais partidos. Quer eu vote em Marcio Lacerda ou Patrus Ananias, em Eduardo Paes ou Marcelo Freixo, em José Serra ou Fernando Haddad, seus partidos têm quadros para a respectiva Câmara. O parlamento, como diz o nome, é o lugar em que se fala (do verbo francês "parler"), e é importante contarmos nele com políticos bons, conhecedores da coisa pública e empenhados em melhorá-la. Melhor ainda se vários partidos tiverem vereadores qualificados, porque dialogarão de maneira produtiva. Voltarei a isso. Antes, detalho meu apelo.

Creio que os interessados no avanço de nossos costumes políticos, entre os quais suponho estarem os leitores deste jornal, podem e devem dedicar um tempo - meia hora, uma hora - a pesquisar os candidatos dos partidos de sua preferência para ver quem são os melhores nomes para a Câmara. Se já são vereadores, é o caso de verificar que projetos apresentaram, o que relataram, como votaram nas questões relevantes. Se não o são, devemos ver o que propõem e qual o seu histórico. Infelizmente, não encontrei essa informação para os candidatos paulistanos e imagino que tal dificuldade seja geral. Mas, ainda assim, garimpar esses dados é um trabalho que vale a pena. Dá para ver quem é mais capacitado. Isso significa perguntar como eles se darão nas competências e atribuições do Legislativo da cidade. Eu descartaria quem concentra as propostas, ou a atuação, em questões que fogem da esfera municipal: por exemplo, um candidato cuja plataforma está centrada na religião ou em qualquer causa, nobre que seja, de âmbito que não é o da cidade. Porém, dentre os postulantes que discutem o município, tentaria escolher, na família partidária mais próxima, quem conheça bem os temas que constituem o bem-viver das pessoas, em especial, transporte, trânsito, saúde, educação.

Usem meia hora para escolher bem seu vereador

Recomendo, depois disso, que façam campanha junto a amigos, parentes e conhecidos. Na verdade, é tal o descaso pelo Legislativo que muitos votam, para vereador, como numa loteria. Seguem um palpite, escolhem aleatoriamente ou sufragam apenas a legenda do partido. Em todos os casos, perdem a chance de melhorar a composição da Câmara. Por isso, quem se der ao trabalho que sugeri terá condições de conseguir votos para seu vereador. Será mais fácil ele convencer alguém a votar num candidato à vereança do que num nome que disputa a prefeitura. Muitas pessoas já têm candidato a prefeito, ou pelo menos sua indecisão está afunilada em poucos nomes. Já para a Câmara, são tantos os postulantes que a opção fica difícil e, assim, uma recomendação bem fundamentada pode ser bem acolhida e, mais que isso, ser uma contribuição para a sociedade.

A lei eleitoral exagera no número de candidatos que permite para os órgãos eleitos proporcionalmente. Cada partido pode lançar 1,5 vez o número de vagas. Vejam a maior Câmara do país, a paulistana, com 55 vereadores. Sua maior bancada tem 11 membros, ou vinte por cento do total. Mesmo assim, cada agremiação pode apresentar 82 nomes. Isso é absurdo. Mesmo que ela dobre seus eleitos, ainda ficarão sessenta candidatos fora... Assim surgem muitos nomes sem razão de ser, alguns até não recebendo voto algum na eleição. Por exemplo, em 2010, dos quase 1,2 mil candidatos paulistas a deputado federal, nada menos do que 153 acabaram tendo votação zero. Não é espantoso? Não é um desperdício, um absurdo?

Agora, por que insisto em que há bons candidatos em todos os principais partidos? Porque uma das grandes características da democracia é o diálogo. Se tivermos parlamentares capacitados, eles não precisarão apelar para a demagogia ou a histeria. Um bom livro de ciência política é "Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna", de Robert Putnam - um prazer de ler, para o especialista e o leigo. O autor relaciona, a certa altura, os avanços democráticos de cada região da Itália com a capacidade dos partidos para cruzar suas fronteiras, dialogar, negociar, avançar o máximo possível. Quando a relação entre eles é de antagonismo, ódio, guerra, pouco se consegue. Quando têm uma relação de confiança, conversa, negociação, os resultados para a sociedade são positivos. Para isso os partidos têm que ser fiéis a seus eleitores, se não a negociação descamba em negociata. Mas exatamente por isso é crucial termos vereadores bons de partidos mesmo opostos. Porque saberão onde ser firmes e onde ceder. Saberão encontrar pontos de convergência e identificar os de divergência. Mais que tudo, melhoraremos a qualidade do debate político.

Porque ninguém merece uma política na base do bate-boca. Mas isso depende de nós. Depende literalmente de cada leitor. É um pequeno trabalho antes da eleição, com chances de um bom resultado. Isso, mesmo ou sobretudo se elegermos um bom vereador de oposição. A questão não é só quem vai estar no governo. Porque é preciso melhorar este esquecido do eleitor, que é o Legislativo.

Recuo no comércio é estratégia? - RUBENS RICUPERO


FOLHA DE SP - 01/10


Ninguém notou a mais importante mudança da política externa da presidente Dilma em relação ao governo Lula: o abandono das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Não é que se tenha anunciado isso de modo formal. Mas, ao aumentar as tarifas de uma centena de produtos, o governo sinalizou que no fundo já não acredita mais na possibilidade de conclusão da rodada. Com efeito, a fim de ganhar algo nas negociações, o Brasil precisaria não só se abster de agravar a proteção, mas teria de efetuar reduções adicionais nas tarifas de manufaturas.

Era o que o governo Lula havia aceito em julho de 2008 quando, junto com a Europa, lideramos a última tentativa séria de garantir o êxito da rodada, abortada pelos EUA, Índia e China. Desde então nos retraímos e agora ingressamos em zona controvertida: praticamente voltamos as costas à estratégia de dar prioridade às negociações multilaterais da OMC, seguida por todos os governos brasileiros das décadas recentes. No governo Lula, a posição de privilegiar a OMC a fim de obter ganhos em agricultura se tornou uma das razões principais da credibilidade conquistada pelo país nos foros internacionais.

Por que então a mudança súbita? Não se trata obviamente de capricho ou ideologia. A explicação é que a crise de competitividade, sobretudo da indústria, atingiu seu ponto crítico. O Brasil perdeu a capacidade de negociar acordos comerciais, multilaterais ou de qualquer tipo. Como viabilizar acordos que exigem concessões se essas vão expor mais setores que mal se mantêm de pé apesar das doses de anabolizantes?

É por isso que se supõe que o retrocesso (pois é disso que se trata) seja de ordem tática. Isto é, que se destina a ganhar tempo para que se recupere a competitividade. De nada serve pretender que são medidas de defesa comercial. Essas últimas “’antidumping, taxas compensatórias”’ só podem ser aplicadas com processo regulamentado pela OMC.

A ação brasileira não foi ilegal, mas teve caráter unilateral, não obedeceu ao formato das medidas de defesa e certamente violou o compromisso adotado pelo G20 para não agravar o nível de proteção.

Falta autoridade moral a Washington para protestar, pois a administração Obama deve ser o governo americano com menor contribuição à liberalização do comércio mundial. Porém, o ponto não é esse. Se o governo brasileiro entendeu que não tinha alternativa a dar esse grave passo, certamente o terá feito por dispor de estratégia coerente. Estratégia não só para melhorar as condições de competitividade, como começou a fazer parcialmente com redução de juros, correção do câmbio e anúncios sobre eletricidade e infraestrutura.

Se o esforço der certo, ainda será necessário ao Brasil ampliar seus mercados. Ao abrir, para isso, mão da OMC, só nos sobra o combalido Mercosul, que não convence ninguém como estratégia global. Será que temos mesmo essa estratégia?

Poderá ficar pior - ALMIR PAZZIANOTTO PINTO


O ESTADO DE S. PAULO - 01/10


A essência do regime democrático reside no voto. É pelo sufrágio secreto e direto, de igual valor para todos, que se concretiza a soberania popular, expressão consagrada no artigo 14 da Constituição. Em situações extremas, quando grave crise põe em xeque as instituições, fazendo-as perder credibilidade, o direito de eleger governantes acaba sucumbindo à revolução popular ou é abatido por golpe de Estado. No Brasil tivemos a Revolução de 30, que desaguou na ditadura de Getúlio Vargas, e o golpe de 64, desfechado pelas Forças Armadas.

O regime implantado em 1964 estrangulou o Estado democrático. Em janeiro de 1985, depois de 21 anos de ditadura, o candidato do governo, Paulo Maluf, foi derrotado no Colégio Eleitoral por Tancredo Neves, do PMDB, que tinha José Sarney como vice. Em 1990 o povo voltou às urnas e deu a vitória a Fernando Collor de Mello. Seguiram-se na Presidência da República, pelo voto direto, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Para as novas gerações, democracia é conquista recente, em processo de aprendizagem, circunstância que faz o País pagar caro pelo noviciado.

A Constituição de 1988 restaurou as liberdades democráticas. Não nos ensinou, porém, como exercê-las, livres da corrupção e do carreirismo. Bastam o mensalão e o horário eleitoral para ver o estágio em que nos encontramos. Em vez de mensagens consistentes, objetivas, que transpirem sinceridade, o que se assiste é a uma espécie de circo mambembe, com momentos de Escolinha do Professor Raimundo. Demagogos tentam nos convencer de que são infalíveis e aptos a operar milagres. A exigência da ficha limpa trouxe enorme progresso. Não bastará, entretanto, para impedir a presença de elevado número de despreparados, iletrados e corruptos, que usam de todos os recursos para se elegerem prefeito e vereador. É a proliferação bacteriana de tipos como Zé do gás, Chico ambulante, Mulher Pera, Denise massagista, sargento Júlio, pastor Tobias, dr. Aristóbulo, Helena da lotérica, Zuleica cartomante, à procura de bom emprego e mordomias.

A responsabilidade pela mediocridade dominante cabe a poderosos dirigentes partidários, cujo objetivo é a vitória, pouco importando o preço a pagar. Legendas são negociadas de conformidade com a lei da oferta e da procura. O malabarismo eleitoreiro é patético. Favores são trocados entre velhos inimigos, como se viu quando Lula e Fernando Haddad desembarcaram no jardim da mansão de Maluf para lhe renderem vassalagem em troca de segundos na televisão. A fotografia estampada nos jornais me fez recordar, decepcionado, o altivo sindicalista que lutou contra a ditadura e fez do combate à corrupção bandeira de luta. Aliados em São Paulo e no Paraná podem ser adversários em Minas, Mato Grosso, Pernambuco, segundo as conveniências locais. Sindicatos e igrejas não ficaram à margem do processo, sendo explorados como currais eleitorais.

Minúsculas legendas, que agrupam meia dúzia de frustrados, insistem em marcar presença, sem chances de eleger um só prefeito ou vereador. Servem- se do dinheiro público para formular, pelo rádio e pela TV, soluções desvairadas, divorciadas da frieza orçamentária. Pretendem transformar o Brasil em vasto acampamento de servidores públicos, mantidos pelo Tesouro. Inspiram-se no falido modelo cubano e na ditadura venezuelana, e ignoram o elevado grau de rejeição entre o eleitorado.

O povo, tal como anotou Aristides Lobo no episódio da Proclamação da República, assiste a tudo bestializado, atônito, surpreso. A Constituição, no a fã de ser exemplo de democracia, escancarou as portas a todos os estilos de abusos. Além de sujeito a horário político, o brasileiro é obrigado a votar. E à míngua de candidatos que o convençam, tenta encontrar alguém que represente menor perigo, anula o voto, vota em branco ou vai gozar o" feriado" e justificar a ausência.

Em São Paulo o quadro é preocupante. Na impossibilidade de formar juízo seguro, o paulistano talvez eleja quem mais abusou da demagogia. Muitos votarão por palpite e obrigação legal, mas sem convicção. Quanto à Câmara Municipal, o cenário é desértico. Nada indica que tenhamos avançado no terreno da qualidade. A carência de nomes e a multiplicação de pretendentes conhecidos pelo apelido, sem currículo, surgidos do nada indicam que continuaremos na mesma, sem Legislativo independente e sem o órgão cujo dever seria colaborar com o Executivo nas boas iniciativas, mas disposto a mantê-lo sob rígida fiscalização.

Eleições municipais são a antevéspera de 2014. É por meio delas que os partidos procuram lançar bases locais de apoio para disputas futuras. Em troca de favores agora recebidos, prefeitos e vereadores serão portavozes de candidatos a deputado estadual e federal, senador, governador, presidente, independentemente do mérito e de acordo com a bolsa de cada um. Aqui reside o perigo. Foi a partir dos municípios que o PT, em poucos anos, chegou à Presidência da República, de onde não pretende sair.

Se quisermos erradicar a corrupção e impedir a presença de tiriricas na vida pública, devemos começar já com criterioso uso do voto. Se assim não for, dentro de dois anos se repetirá o espetáculo circense, com resultados previsíveis.

Vem-me à lembrança velho morador de Capivari, no interior paulista, a quem cidadão proeminente se queixava da caótica situação política da cidade e do País. Coma experiência acumulada em muitos anos de vida, respondeu o homem do povo: "Não se aborreça, vai ficar pior..."

Liberais na hora do pesadelo - EDUARDO GRAEFF


FOLHA DE S. PAULO - 01/10


Se teremos chance em São Paulo, não será graças à nossa ideologia nem aos nossos partidos



ONDE VOCÊ fica na escala conservador-liberal do Datafolha?

Apliquei a pesquisa a mim mesmo. Deu 70% liberal. Além das opiniões testadas, tenho isto em comum com outros liberais da cidade: nós estamos todos encrencados nesta eleição paulistana.

Os conservadores têm um pé no segundo turno com Celso Russomanno (PRB).

Muitos liberais, como eu, ainda suam para saber quem vai disputar com ele, José Serra (PSDB) ou Fernando Haddad (PT). Qualquer um perde nas simulações do segundo turno.

A encrenca tem a ver com a divisão do voto liberal.

PT e PSDB já se aliaram em eleições passadas. Mas a polarização entre eles aumentou nos últimos anos. A luta pelo poder leva a alianças surpreendentes, como Lula e Paulo Maluf por Haddad.

Para ganhar no segundo turno, Serra ou Haddad terão que unir os liberais e avançar nas faixas mediana e conservadora do eleitorado, onde está a maioria.

Missão, em tese, possível. A marca do PT e a do PSDB desbotaram, se é que já foram mais nítidas. Seus simpatizantes se distribuem por todo o espectro ideológico.

A questão é se o PT e o PSDB irão querer se aliar de novo contra o "mal maior".

Parece que não, por razões que têm muito mais a ver com as eleições de 2014.

Felizmente, os eleitores paulistanos têm outras preocupações além de partidarismo e ideologia.

Querem um prefeito com competência e disposição para lidar com os problemas concretos da cidade.

Reconhecem a competência de Serra, mas cobram um compromisso firme (que ele assumiu) de ficar quatro anos na prefeitura.

Gostam de Lula, mas não se entusiasmam com Haddad como simples peão no tabuleiro petista.

Se nós, liberais aflitos, teremos chance nesta eleição, será graças ao desempenho pessoal dos candidatos na reta final e, em última análise, ao discernimento médio dos eleitores de São Paulo.

Se depender da nossa ideologia e dos nossos partidos políticos, estamos fritos.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Segurança nas urnas – Tropas federais ocupam 28 favelas para eleições
Folha: Facção criminosa atua em 123 cidades paulistas
Estadão: Serra crítica Dilma na véspera de ato por Haddad
Correio: Ciência mais perto da vacina contra a Aids
Valor: Mercado externo de ações atrai gestores brasileiros
Estado de Minas: Sua majestade, o indeciso
Jornal do Commercio: Torcida é só festa com Santa no G-4
Zero Hora: Na semana da eleição, Supremo julga Dirceu, Genoino e Delúbio

domingo, setembro 30, 2012

Os males do Brasil - ROBERTO POMPEU DE TOLEDO


REVISTA VEJA 

Muitas cidades deste vasto Brasil dispõem daqueles semáforos com botões que, apertados pelos pedestres, prometem lhes proporcionar a vez de atravessar a rua. O nome científico do equipamento é "botoeira", segundo se lê nos textos dos órgãos de trânsito. Há pessoas que não acreditam neles. Seriam tão eficazes quanto uma caixa de papelão pespegada no mesmo local. Há razões para isso. Não poucas vezes aperta-se o botão e nada. Os mais afoitos então o apertam e reapertam, seguidamente, como se quisessem despertar o duende lá dentro que fará o mecanismo funcionar. Também ocorre de o pedestre aproximar o dedo e não encontrar o botão. Por desgaste ou vandalismo foi tirado de onde deveria estar, e o que resta é um buraco, qual desgraçado olho vazado. Em São Paulo há vários nessa situação. Quando serão consertados? E melhor esquecer. A cultura do conserto e da manutenção é alheia ao modo de ser brasileiro.

Continuemos nosso passeio pela rua. O que é verdade para as botoeiras será também para as calçadas. Aos buracos, afundamentos, calombos. corrosões e outras irregularidades que vierem a se instalar estará desde logo assegurada uma longa vida. Há buracos que chegam a comemorar dois, três, cinco anos de existência. A eles se junta o festival de diferentes calçamentos a que muitas vezes se está sujeito num único quarteirão; ao piso de cimento sucede o de pedrinhas, ao qual sucede o de ladrilhos, numa série de estorvos à caminhada à qual se soma a barafunda estética. O incômodo não é apenas para os deficientes, os idosos ou as mães que empurram carrinhos de bebê. E também para quem possui as duas pernas e está no pleno gozo delas. Em muitas cidades, talvez a maioria, a responsabilidade pela manutenção da calçada é do morador. Sim, mas cabe à prefeitura fiscalizar. Quando virá a fiscalização? E melhor esquecer. A fiscalização, irmã da manutenção, também é estranha ao modo de ser brasileiro.

O passeio ainda não terminou. Imaginemo-nos no centro do Rio, esquina das ruas da Quitanda e Sete de Setembro. O poste que indica o nome dessas ruas, em vez de ereto, como se espera dos postes em pleno exercício de sua função e investidos de sua dignidade, apresentava-se, até há pouco tempo, tristemente vergado, ameaçando despencar sobre a cabeça dos passantes, e assim permaneceu durante dias, até ser flagrado por foto enviada por um leitor ao site do jornal O Globo. Ao poste carioca correspondia um paulistano, também do tipo que exibe as placas com o nome das ruas, na esquina da Avenida Pacaembu com a Rua Margarida. Até pouco tempo atrás ele se encontrava na mesma situação humilhante, se é que não se encontra ainda. Cariocas e paulistanos, irmanados, confirmam a lei segundo a qual a falta de fiscalização e a falta de manutenção os males do Brasil são.

E quanto aos buracos no meio da rua? São nossos velhos conhecidos, indissociáveis da paisagem nas cidades brasileiras. Em alguns, tão profundos que capazes de ocasionar graves acidentes, almas caridosas fincam um pedaço de pau para alertar os motoristas, ou os cobrem com uma pedra. Tais almas caridosas sabem que até o poder público se abalar a corrigir a situação pavorosos desastres poderão ocorrer. Mais peculiar ainda ao modo de ser brasileiro que os buracos é a incapacidade de bem consertá-los. O conserto costuma ser tão incompetente que resulta num calombo. Raras vezes o chão fica igualado como devia. Como resultado, o buraco é trocado por uma protuberância. Verdade que com frequência o conserto malfeito é obra das concessionárias de serviços públicos. que abrem o buraco para reparar fiações ou encanamentos e não o fecham direito. A fiscalização, no entanto, de novo cabe às prefeituras.

Estamos a poucos dias das eleições municipais. Os singelos exemplos colhidos neste passeio pelas ruas estendem-se às grandes coisas. Tal qual nas pobres botoeiras sem botão ou nos buracos miseravelmente mal tapados, também nas pontes e nos viadutos, nos hospitais e nas escolas, a falta de fiscalização e a falta de manutenção os males do Brasil são. Daí que o colunista tenha uma sugestão a fazer ao eleitor. Escolha o candidato que se comprometa a não realizar nenhuma obra nova - nenhuma! -, mas a manter e fiscalizar as já existentes. Haverá tal candidato? Político gosta de inaugurar. Nada os entedia mais do que ter de fazer a coisa funcionar, depois. Mesmo porque isso pode ser deixado ao sucessor, que por sua vez estará empenhado em inaugurar algo novo, e não em manter o que foi inaugurado pelo antecessor. Não custa tentar, porém. Esforce-se o eleitor, procure. Quem sabe exista algum diferente, aí na sua cidade.

O espírito e o asfalto - WALCYR CARRASCO

REVISTA ÉPOCA

Após 40 anos, voltei a minha pacata cidade natal. Descobri que paz em excesso estimula a depressão e o suicídio
Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo, Bernardino de Campos, construída em torno da ferrovia Sorocabana. A torre da igreja da pracinha foi construída por meu avô materno, João, pedreiro. Morei lá até os 3 anos, quando minha família se mudou para Marília, bem maior. Passava as férias na casa de minha avó paterna, Rosa, em Bernardino. Com o tempo, toda a minha família mais próxima deixou a cidade. Os laços se esfiaparam. Fui morar em São Paulo. Lembrava com saudades de minhas férias em Bernardino, onde eu brincava sem medo nas ruas vazias. Quer dizer, não exatamente sem medo, porque às vezes alguém gritava que a boiada vinha vindo. Corríamos para dentro das casas, enquanto os bois tomavam a rua e passavam. Uma diversão! Passei bem uns 40 anos sem ir a Bernardino. Só voltei quando me convidaram para apresentar um recém-criado prêmio de teatro na região, há alguns anos. (E, ao que eu saiba, logo extinto.)

A cidade, ao contrário de outras do interior, não cresceu. A torre da igreja continuava lá. Mas a estação ferroviária fechara. Os trilhos, cobertos pelo mato. O cinema, onde eu me divertira tanto, transformado numa loja de sapatos. O filho da dona do hotel, criado em São Paulo, só tinha um sonho. Voltar para a cidade grande.

- Aqui, meu cabelo virou até notícia na rádio! - disse, apontando para o cocoruto verde.

Um primo em terceiro grau me reconheceu na rua. Fez questão de me levar até sua casa.

- Minha mãe sempre fala em você. Vai ficar feliz.

Fui com ele ao encontro da tia-avó que só vira quando menino e da qual mal me lembrava. Estava deitada. Ele a sacudiu.

- Mãe, mãe, acorda. Olha quem está aqui! - disse o primo.

A velha se mexeu. Abriu os olhos e encarou meu primo.

- Quem é você? - perguntou.

- Sou eu, seu filho! Veja só, é o primo que virou escritor.

- Estou muito feliz em ver a senhora, tia falei, sorri, constrangido.

Ela virou de lado e voltou a dormir.

- Pode ter certeza que a mãe adorou sua visita - disse o primo. - Mas está com depressão.

Conversei mais tarde com um funcionário da prefeitura.

- A depressão é um dos maiores problemas daqui afirmou.

- Mas é um lugar tão calmo, cheio de paz - disse eu.

- Tem muita gente que se suicida. Se alguém compra corda, já fazem piada - afirmou o funcionário, para meu horror.

Foi um susto. Já ouvira a mesma história em outra cidade bela e bucólica: Pomerode, em Santa Catarina, onde os suicídios são em número elevado. A cidade brasileira com maior número de suicídios per capita também é pequena, com uma bela catedral neogótica, cachoeiras por perto e todo um cenário que lembra paz e tranquilidade: Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Mas minha querida Bernardino também estava na lista?

Moro desde os 15 anos em São Paulo. Sempre reclamei do trânsito e da violência, que me faz temer até assaltos em restaurantes. Sempre sonhei em voltar para uma pequena cidade do interior. Nem falo em comprar um sítio, pois não me vejo cuidando do pasto ou ordenhando vacas. Mas talvez uma casa gostosa numa rua calma, onde possa dormir de janela aberta. Ainda mais agora, com a internet, eu poderia morar em qualquer lugar e enviar meus artigos, livros e capítulos de novela por computador. Viajei muitas vezes em busca desse novo endereço. Quando me falam de um lugar com cachoeiras, meu coração bate mais forte. Será lá?

Inicialmente, meu sonho foi detonado pela onda de violência em muitas cidades do interior. Tornaram-se frequentes os assaltos e sequestros, mesmo porque até os trabalhadores rurais usam crack. Há exceções, porém. Bernardino é muito calma, com poucas ocorrências policiais. E a depressão? Soube que muitas prefeituras criam postos psiquiátricos. O problema é mais profundo. As pessoas não têm o que fazer, a não ser falar umas das outras. Cria-se um sistema de vigilância sobre o comportamento alheio. Tudo o que infringe a regra vira notícia - até mesmo o cabelo verde de um rapaz. Prefeitos investem em melhorias urbanas. Fala-se muito em hospitais e asfalto. Raramente num circuito cultural que alimente o espírito. Isso também acontece em boa parte das metrópoles, onde são raros os novos teatros, bibliotecas. Nas pequenas cidades, é pior ainda. O espírito das pessoas também adoece pela falta de atividades que provoquem indagações, criatividade, sentimento de equipe. Mergulhados no tédio, os cidadãos se deprimem.

Paz demais é insuportável.

Outro lado do mensalão - MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA 


Já é possível comemorar o julgamento do mensalão, em curso no STF. Um de seus efeitos mais relevantes é provar a independência do Judiciário. Em todo o mundo, essa foi uma das características que permitiram construir a democracia e o ambiente do qual emergiriam a prosperidade capitalista e o bem-estar da sociedade. Para entendermos essa realidade, façamos um rápido sobrevoo pela evolução que trouxe o mundo até aqui.

Na maior parte dos últimos 10000 anos, os países que enriqueciam eram aqueles capazes de reunir recursos financeiros, materiais e humanos para guerras de conquista. Durante muito tempo, as receitas públicas da Roma antiga provinham da pilhagem dos povos dominados. A partir do século XVII, a prosperidade passou a depender de instituições propícias ao desenvolvimento capitalista, cujo êxito tem apenas dois séculos.

O marco desse processo é a Revolução Gloriosa (1688), na Inglaterra, da qual nasceriam as condições que viabilizaram a Revolução Industrial. Dados levantados por Angus Maddison mostram que nos três milênios anteriores o padrão de vida da maioria dos países se alterou muito pouco. Em 1800, a expectativa de vida de um inglês era semelhante à de um habitante da Roma antiga. Sua altura, resultado da qualidade da alimentação e da exposição a doenças, era menor do que na Idade da Pedra.

A Revolução Gloriosa, liderada pelo holandês William de Orange, à frente das tropas que invadiram a Inglaterra, recebeu o apoio da nobreza, do clero e dos comerciantes ingleses, descontentes com o reinado de James II, que foi deposto. Para ascender ao trono, William assinou a Declaração de Direitos, que, entre outras inovações institucionais, transferia a supremacia do poder para o Parlamento e proibia a demissão de juizes. Morriam o absolutismo e a tirania, nascia a independência do Judiciário.

Aprovada pelo Parlamento, a Declaração de Direitos se transformou na Carta de Direitos (Bill of Rights, 1689). No campo judicial, ela ampliava conquistas anteriores, como a instituição do habeas corpus (1679) e a extinção da odiada Star Chamber (1641), tribunal que julgava processos de interesse da monarquia. O rei podia indicar juizes dessa corte, demiti-los e influenciar nas decisões. Para Douglass North e Mancur Olson, as mudanças estabeleceram garantias de liberdades individuais, de respeito aos contratos e de direitos de propriedade, inclusive em favor dos críticos do governo. A segurança jurídica se tornou maior na Inglaterra do que em qualquer outro país. Esse ambiente contribuiu decisivamente para as transformações geradoras do desenvolvimento. Tinha-se agora o governo das leis, e não dos homens. A previsibilidade e a estabilidade das regras forjavam a confiança nas relações entre os agentes econômicos, fundamentais para os negócios e a prosperidade.

A independência do Judiciário brasileiro foi inscrita na Constituição de 1988, mas está agora comprovada nesse memorável julgamento do STF, cujo desenrolar demonstra inequivocamente o nosso amadurecimento institucional. Erraram os líderes do PT que esperavam dos juizes indicados por Lula e Dilma uma submissa declaração de inocência dos réus. Ao contrário, a expressiva maioria deles tem-se guiado por sua consciência e pelos autos. O compromisso com a história pessoal, com a carreira profissional e com a verdade se sobrepôs a pressões de qualquer natureza.

Há muito que avançar no Judiciário brasileiro. Muitos juizes ainda têm dificuldade de entender o sistema capitalista e os incentivos que levam indivíduos e empresas a assumir riscos, empreender, investir e inovar. A morosidade, decorrência do complexo processo judicial, eleva custos de transação e inibe ganhos de produtividade da economia. Melhorias dependerão de reformas, inclusive dos currículos universitários. Seja como for, o julgamento do mensalão aflorou teses inovadoras, que podem fundamentar sentenças exemplares. Os custos da corrupção ficam mais evidentes e podem inibi-la. Acima de tudo, dispomos de um dos mais relevantes fundamentos institucionais do país. O Judiciário é um dos poderes autônomos da República, condição essencial para a democracia e para o desenvolvimento.

O valor da educação - SUELY CALDAS


O Estado de S.Paulo - 30/09


Desde a edição do Plano Real, há 18 anos, a distribuição da renda no Brasil tem favorecido mais os pobres que os ricos - uma inversão inédita à perversa e crescente concentração de dinheiro em poder de poucos ricos, nos tempos do regime militar e de hiperinflação. Não foram recebidos como novidade, pois, os resultados de duas recentes pesquisas - a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, e outra, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - sobre realidade social e distribuição de renda. Apesar disso, ou melhor, até por isso, há muito que comemorar: ao longo desses 18 anos não houve um só recuo, o progresso social tem caminhado sempre em frente e a cada pesquisa divulgada se renovam as esperanças de exterminar definitivamente a triste e vergonhosa situação de miséria em que ainda vivem 13,2 milhões de brasileiros excluídos da dignidade.

Após trabalhar sobre os números da Pnad, o presidente do Ipea, Marcelo Neri, concluiu que em dez anos, de 2001 a 2011, 21,8 milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza. E nesse mesmo período, enquanto a renda per capita dos mais pobres cresceu 91,2%, a dos ricos aumentou só 16,6%. Para isso, segundo Neri, contribuíram a renda do trabalho, que responde por 58% dessa evolução, a Previdência Social (20%) e os programas Bolsa-Família (13%) e Benefício de Prestação Continuada (4%). Recentemente, a queda da desigualdade social tem reduzido de ritmo, mas ainda mantém força expressiva: de acordo com o IBGE, entre 2009 e 2011, 3,7 milhões de pessoas deixaram a pobreza, uma média anual de 1,85 milhão, ante a média de 2,265 milhões dos oito anos anteriores.

Apesar do extraordinário avanço, o Brasil ainda é um dos países de maior desigualdade social do planeta, de maior abismo entre ricos e pobres. De 2001 a 2011, só avançamos da 12.ª para a 10.ª posição entre os países socialmente mais desiguais, onde a camada rica usufrui de boa renda, propriedades, conforto, bem-estar, boas escolas e assistência à saúde, enquanto a maioria pobre só agora começa a ter seus direitos sociais reconhecidos. Há, pois, muito que construir quando se trata de justiça social.

Se parece enterrada no passado a esfarrapada desculpa do então ministro da Fazenda do governo Médici, Delfim Netto, de que "é preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois distribuir", estão vivas hoje três persistentes lacunas nesses 18 anos de ciclo virtuoso: educação, saúde e saneamento. Os três evoluíram em ritmo muito lento, apesar de sua enorme influência e importância para a estabilidade e continuidade da melhoria na distribuição da renda e para a sensação de bem-estar das camadas mais pobres da população.

Por produzir efeitos de longo prazo, alcançar e influenciar todos os aspectos e estágios do progresso social, o investimento em educação deveria ser tratado pelas três instâncias de poder - governos federal, estadual e municipal - com urgência e de forma permanente, não episódica. Infelizmente, não o é.

Com certeza, é o meio mais estrutural, eficaz e duradouro de distribuir renda e combater desigualdades. No plano individual, abre janelas de oportunidades - de trabalho, aumento salarial, melhoria de condições de vida e crescente bem-estar da família, além da felicidade proporcionada por todos esses efeitos. Para o País, a educação conduz a múltiplos benefícios de progresso econômico: eleva a produtividade do trabalho, melhora a qualidade de produtos e serviços, é fundamental para tornar o País forte e competitivo e faz brotar novas descobertas científicas. Enfim, fortifica a economia do conhecimento.

Pelo mais recente Censo do IBGE, nos últimos 20 anos a escolaridade média da população avançou timidamente: de 5 anos para só 7,3 anos de estudo. É muito pouco. E isso explica nossa baixa produtividade do trabalho, comparada aos países asiáticos, onde é comum o trabalhador ter nível universitário.

Sem dúvida, a educação é o alicerce que sustenta a redução das desigualdades sociais e a distribuição mais justa da renda. Se os governos não a virem como prioridade, haverá recuos nesses avanços.

O jeito Dilma de ser Keyne - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 30/09


Engana-se quem pensa que a presidente Dilma Rousseff passa as horas dentro do avião presidencial em suas viagens internacionais lendo revista de moda, tomando um drink ou simplesmente tirando uma soneca. É ali, sem telefones ou interrupções por parte de terceiros, que a presidente aproveita para “teorizar” o governo, comparar as medidas adotadas com as teorias existentes, especialmente, na área econômica, tratar das estratégias para o futuro e organizar as ideias — um “brainstorm” nas alturas.
Essa mesa redonda em cabine pressurizada é tão exclusiva quanto a primeira classe das companhias aéreas. Estão convocados de forma quase que permanente nesse grupo apenas dois ministros, o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel; e o da Educação, Aloizio Mercadante. O assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, hoje muito mais reservado e discreto do que no governo Lula, também participa. Em algumas rodas, ela inclui os ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e a de Comunicação Social, Helena Chagas. Mas é com Pimentel, Mercadante e Marco Aurélio que Dilma vive mais essa tarefa de “pensar” o governo.

Uma das últimas conclusões do grupo, ao analisar esses quase dois anos de governo sob a ótica da economia, foi a de que Dilma pegou a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, escrita em 1936 pelo britânico John Maynard Keynes, e colocou um tempero brasileiro, promovendo uma mudança geral na política econômica nesse período. Primeiro, veio a queda na taxa básica de juros. Depois, o processo de baratear os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em seguida, foi a hora de dar incentivos a setores estratégicos, inclusive no que se refere a um alívio sobre a folha de pagamentos, o que, na visão do governo, ajuda a preservar empregos e aumenta a competitividade.

Coentro, cebolinha, cominho
Agora, o governo está na fase de organizar a infraestrutura e baratear custos não só para o empresariado como também para o consumidor. Daí, a redução de tarifas de energia e a pressão governamental pela queda nos juros dos cartões de crédito e dos financiamentos como um todo. “O que o governo não fez foi desemprego e redução de salário. Temos aí um jeito Dilma de ser Keynes”, define Mercadante.

A teoria keynesiana propõe a intervenção estatal na vida econômica com o objetivo de garantir empregos. Com a recessão em parte da Europa e a crise nos Estados Unidos, Keynes ressurgiu com força e muitos caem nos ciclos a que a teoria dele se refere, quando trata de períodos de desemprego. O Brasil, apesar do baixo crescimento, não vive essa fase de desemprego. “Vivemos hoje no Brasil um Keynes anticíclico”, acredita Mercadante.

No encontro sobre educação, do qual o ministro participou na ONU, e que eu tive a oportunidade de acompanhar, o primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, falou em corte de salário de professores, em decorrência da crise. Na Espanha, houve demissões de professores. No Brasil, não houve demissões. “Não se sai da crise com menos educação e sim com mais educação”, disse Mercadante em seu pronunciamento, numa resposta indireta ao croata.

No forno
Embora o crescimento econômico do Brasil esteja abaixo dos 2%, a expectativa do governo é a de que no ano que vem, as medidas comecem a ser mais sentidas pela população. Outros países têm acompanhado muito de perto o que acontece por aqui. Se a resposta for positiva como espera o governo, “o jeito Dilma de ser Keynes”, como diz Mercadante, será objeto de estudo acadêmico pelo mundo afora.

Vale registrar ainda que, em 2013, estaremos na antessala da sucessão presidencial. Dada a popularidade de Dilma detectada na semana passada, a população está gostando do tempero brasileiro que ela coloca em Keynes e no próprio PT, ao promover as concessões de serviços públicos à iniciativa privada. Ou seja, se a oposição quiser fazer bonito em 2014, é bom se reinventar já. Porque, embora os petistas não estejam com a bola toda nesta eleição municipal, nada indica que Dilma terá esse mesmo fim daqui a dois anos.

7 motivos mara amar uma cidade - RUTH DE AQUINO


REVISTA ÉPOCA

O que é uma cidade? Não existe definição ideal. A cidade sou eu, é você. Se é o lugar onde se dorme, acorda, trabalha, caminha e trafega, onde se ama, briga e morre, a cidade é bem mais que um amontoado de concreto e verde - é uma experiência de bem-estar ou mal-estar. Alguns se tornam reféns de sua cidade, sequestrados por circunstâncias profissionais, financeiras e familiares. Alguns vivem onde desejam. É aí que os defeitos da cidade incomodam como traições de mulher amada. Só nós podemos criticar - forasteiros não. Cito dois pensadores visionários de cidades. Um é o inglês Ebenezer Howard (1850-1928), autor de Cidades-jardins de amanhã, em 1898: No século XIX, ele já se preocupava com ar fresco, água, superpopulação e migração do campo. Criou modelos de cidades utópicas, com vantagens urbanas e suburbanas, que significavam"uma nova esperança, uma nova vida, uma nova civilização". Howard perguntava:"Para onde as pessoas irão?". Uma questão mais atual que nunca.

Outro pensador é o americano Lewis Mumford (18951990), que publicou em 1961 A cidade na história. Seus maiores medos eram o império do automóvel e a megalópole. Para Mumford, a cidade gigante ameaçava a saúde, a dignidade, os valores comunitários, ambientais e espirituais da população. "Antigamente", dizia ele, "a cidade era o mundo, hoje o mundo é uma cidade".

Para esta edição especial de ÉPOCA, dedicada às cidades, busquei um professor apaixonado pelo centro urbano em seu sentido ancestral - servir o homem. O arquiteto e urbanista premiado Luiz Carlos Toledo listou "7 motivos para amar uma cidade":

1. Amo as cidades que sabem se reinventar, como o Rio de Janeiro, que deixou de ser a sede tropical da corte portuguesa, capital do império e da república e, graças a Deus, capital cultural do.Brasil, título careta e equivocado nur,n país cuja diversidade cultural não respeita território e dispensa uma capital. O Rio soube transformar uma decadente Lapa em polo de atração capaz de arrancar os jovens da Barra da Tijuca de seus condomínios para se divertir com outros jovens, do resto da cidade, nas rodas de samba e chorinho. Soube resgatar o carnaval de rua, fazendo do Centro e de cada bairro passarelas tão ou mais atraentes que o Sambódromo globalizado.

2. Amo as cidades que têm esquinas e, principalmente, quando ocupadas por padarias e botequins, para a gente ouvir pela manhã o balconista gritar:"Salta uma média no copo e um pão na chapa". À noite, na volta para casa, uma rápida parada no boteco predileto, jogando conversa fora com um cara que você nunca viu antes, ouvimos deliciados e com sotaque lusitano: "Salta uma gelada que o freguês tem pressa".

3. Amo as cidades amigáveis, que tratam bem habitantes e visitantes e onde, num único quarteirão, a gente possa encontrar quase tudo. Amigável com crianças, velhos e namorados, que dispõem de uma pracinha perto de casa. Com os visitantes, pela gentileza da população e por uma sinalização urbana feita para evitar que qualquer um se perca. A cidade amigável nos salva do ataque de flanelinhas, motoristas de vans e taxistas inescrupulosos, garçons e vendedores mal-humorados, que adoram errar no troco, falsos guias turísticos e toda a sorte de gente capaz de fazer um turista jurar que nunca mais bota os pés ali.

4. Amo as cidades com entretenimento para todas as idades, independentemente de quanto temos no bolso. Se der sorte de a cidade ter praia, metade do problema está resolvido. Parques, museus, centros culturais, bibliotecas e shows devem oferecer entrada franca. Amo as cidades com locais para confraternizar a céu aberto.

5. Amo as cidades que preservam da ganância dos especuladores as suas montanhas, matas, praias, lagoas, florestas, seus parques e manguezais. Onde o ar se respira, e a poluição não nos sufoca nem nos adoece.

6. Amo as cidades que respeitam sua história e sua arquitetura e, por isso, se tornam donas de uma força misteriosa que faz com que moradores, até os mais cosmopolitas, relutem em se afastar, apegados aos bairros onde vivem, às paisagens conhecidas, aos prédios e monumentos e também às praças, ruas, travessas e becos, repletos de significados.

7. E amo, sobretudo, as cidades inclusivas, onde todos possam exercer sua cidadania. Uma cidade onde crianças não oferecem balas e, fazem malabarismos a cada sinal de trânsito, porque estão brincando em casa ou estudando nas escolas. Uma cidade sem moradores de rua e, se os tiver, que garanta a eles compreensão, abrigo e oportunidade. Onde nenhum trabalhador perca horas preciosas para chegar ao emprego. Onde os donos das ruas não sejam os carros particulares, mas o transporte público de qualidade. Onde a divisão entre morro e asfalto só exista na lembrança dos mais velhos ou nos livros de história, para não esquecer como é triste e perigoso viver numa cidade dividida. Onde os governantes saibam ouvir e governem para todos, discretamente. E que tenham horror às obras suntuosas.

Lições para as novas concessões - SAMUEL PESSÔA


FOLHA DE SP - 30/09

Lula acha que as múltis "exploravam" o consumidor. Estudos sugerem que o saber comum não procede


Em uma entrevista ao jornal "O Globo" em 12 de outubro de 2006, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, o então presidente e candidato à reeleição, Lula, afirmou, com relação às tratativas da Petrobras com a Bolívia: "Eu não quero que a Petrobras aja como as empresas multinacionais agiam no começo da década de 50. Eu quero que a Petrobras aja como as empresas estão agindo hoje, no século 21, pagando o preço justo e ganhando o lucro justo".

Fica claro na afirmação de Lula que ele tem certeza de que as empresas multinacionais nos anos 50 "exploravam" o consumidor nacional.

Explorar no sentido de que cobravam pelos serviços de utilidade pública preços além do custo de produção. Evidentemente, Lula nunca estudou esse tema com profundidade. A fala do presidente expressa visão corrente na sociedade brasileira sobre esse tema.

Será que há evidências sobre esses fatos? É possível identificar casos nos quais as empresas multinacionais concessionárias dos serviços de utilidade pública tenham obtido lucros extraordinários, incompatíveis com a normal remuneração do capital e do risco do negócio?

Dois estudos sugerem que o saber comum expresso na fala do presidente Lula não procede.

Trata-se, portanto, provavelmente de visão ideológica de uma sociedade que tem dificuldade de enxergar seus próprios problemas e de identificar a sua responsabilidade nos mesmos problemas. Recorrer a supostos inimigos externos é sempre saída fácil.

O artigo "Market Intervention in a Backward Economy: Railway Subsidy in Brazil, 1854-1913", do acadêmico da Universidade da Califórnia William Summerhill, publicado em 1998 no "Economic History Review", sugere que as ferrovias de capital estrangeiro instaladas no Brasil no período não auferiram retornos excessivos.

Em particular, o retorno das ferrovias de capital privado doméstico -Paulista e Sorocabana- foi superior ao das de capital estrangeiro, e, em ambos os casos, o retorno para a sociedade das ferrovias foi superior ao retorno auferido privadamente pelos acionistas das empresas.

Da mesma forma, a dissertação de mestrado de Marcelo Mollica Jourdan, chamada "A Light, Investimento Estrangeiro no Brasil - Uma Luz sobre o Ciclo Privado-Público-Privado em 80 anos pela Análise da Taxa de Retorno" e defendida na EPGE-FGV/RJ em janeiro de 2006, indica que a taxa interna de retorno da empresa de capital canadense Light foi, ao longo dos 80 anos em que cá esteve, relativamente baixa: menos de 4% ao ano em dólares constantes.

A importância de se estudar a empresa Light deve-se ao papel central que ela desempenhou na oferta doméstica de energia elétrica, transportes urbanos e telefonia nas primeiras quatro décadas do século 20. Ela foi responsável por aproximadamente 80% da oferta desses serviços no período.

Há forte evidência de que, até os anos 30, não houve falta de oferta desses serviços.

O estudo sugere que a rentabilidade da empresa, em seguida ao controle tarifário introduzido pelo Estado Novo em meados dos anos 30, deprimiu a rentabilidade, explicando, portanto, os baixos investimentos a partir dos anos 40. A carência da oferta, consequência dos baixos investimentos, explica a estatização desses setores no pós-guerra, período a que se refere a fala do presidente Lula.

Duas lições se depreendem do caso da Light. Primeira: se não houver um marco regulatório que garanta ao acionista retorno na casa de 8% a 10% ao ano, dificilmente a concessão funcionará. Quando a regulação reduziu os retornos abaixo dessa faixa, os investimentos escassearam.

A segunda lição é que é importante resolver o problema do risco cambial. No caso da Light, o risco cambial era arcado pelo consumidor: quando o câmbio desvaloriza, a tarifa do serviço era elevada.

Ao retirar esse risco do investidor estrangeiro reduz-se muito o retorno requerido (por esse mesmo investidor) para implantar e gerenciar o serviço.

O problema é que deixar o risco cambial para o consumidor é politicamente muito difícil: períodos de grandes desvalorizações cambiais, como foi o caso em seguida à crise de 29, são períodos de perda salarial. É muito difícil justificar elevações de tarifas quando os salários reais estão em queda.

Dado que somos uma sociedade de baixíssimos níveis de poupança, parte dos investimentos em serviços de utilidade pública terá que ser financiada externamente.

Se não houver um equacionamento do problema do risco cambial, não haverá solução duradoura para a oferta desses serviços.

Pornopolítica - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 30/09

Rotina na vida dos candidatos à prefeitura de São Paulo, Paulinho da Força fez dia desses uma visita à Santa Casa de Misericórdia
paulista. Dirigentes, professores de medicina e membros da Irmandade o questionaram sobre saúde.
E ele: “Saúde é foda!”

Segue...
A turma torceu o nariz e continuou querendo saber, agora, sobre educação.
E Paulinho: “Educação? É foda!”

No meio do caminho
Eike Sempre Ele Batista sabe, naturalmente de cor e salteado, a chamada lei da oferta e da procura.
Pois bem. Na construção em Itaguaí do Superporto Sudeste, ele esbarrou na existência, no local, de uma casa de um pescador que, em condições normais, valeria uns R$ 30 mil. O empresário teve que desembolsar R$ 10 milhões pelo imóvel.

Por falar em Eike...
O grupo EBX deve vender 49% da mina de ouro Ventana (janela em espanhol), na Colômbia.

+ 1 dose
O Barão Vermelho volta a se reunir na turnê + 1 dose, que começa dia 20 de outubro na Fundição Progresso, na Lapa. Serão apenas seis meses de shows por todo o país.
A turnê nacional celebra os 30 anos do lançamento do primeiro disco do Barão Vermelho, em 1982, e a Som Livre já prepara edição comemorativa em vinil.

Calma, gente!
José de Abreu também está sendo processado por Gilmar Mendes por conta de comentários do ator em seu Twitter.

OSNI e os gays

Um relatório do SNI de 1972, descoberto pelo historiador Douglas Attila Marcelino, mostra, mais uma vez, a implicância da ditadura com os gays.

Lá diz que “não se compreende que a competição por ibope justifique a invasão dos lares por essa estranha fauna, vez que, na programação nobre do domingo, ( ... ) deixa as alternativas de Clóvis Bornay, no Programa Silvio Santos; Denner, no Programa Flávio Cavalcanti; ou o costureiro Clodovil, na Buzina do Chacrinha.”

Falsete...
O relatório diz ainda que a “masculinidade dúbia dos citados personagens pode ser confirmada pelos trejeitos femininos, expressões faciais duvidosas e voz em falsete”.
É. Pode ser.


Jeitinho do mal
Um dos últimos países a acabar com o tráfico de escravos, o Brasil, em 1830, recorreu ao “jeitinho brasileiro” para ludibriar a Grã-Bretanha, que lutava pelo fim da escravidão.

A “Revista de História da Biblioteca Nacional”, reproduz documento da Biblioteca Nacional Britânica com a tentativa de burlar os ingleses.

Natal na Barra
O Via Parque Shopping, na Barra, vai montar para o Natal esta roda gigante.
Terá 11 metros de altura e capacidade para 21 pessoas.

Tudo em família
O filho de Elba Ramalho e Maurício Mattar, Luã, recém-chegado dos EUA, onde se formou em música na Berklee College of Music, fará participação nos shows da mãe, amanhã e terça, no Theatro Net Rio, no Rio.
Luã vai tocar violão e guitarra.

Gilson e Mauro
Gilson Peranzzetta e Mauro Senise tocam dia 6 agora, no Porgy and Bess, famosa casa de música na Áustria.
O show será exatamente no dia em que a dupla completa 22 anos de carreira.

Enchendo o cofrinho
Bernardinho, o técnico de vôlei e garoto-propaganda de várias marcas, participará do Congresso Brasileiro de... Psiquiatria, em outubro, em Natal.