terça-feira, setembro 25, 2012

O preço do mandato - LUIZ GARCIA


O GLOBO - 25/09



Campanhas eleitorais devem servir a dois objetivos óbvios: conquistar votos para os candidatos e permitir aos eleitores avaliar virtudes e defeitos dos cidadãos que pretendem representá-los.

Esta semana, o jornal apresentou um dado importante para essa avaliação: em dois meses de campanha, candidatos nas eleições municipais, buscando mandatos de prefeito e vereador, gastaram na caça de votos um total de R$ 975 milhões, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral. Cientistas políticos calculam que, no fim da disputa, as despesas de campanha chegarão a R$ 3 bilhões.

É um aumento de 33% em relação às eleições de 2008. As campanhas dos candidatos a prefeito, obviamente, estão mais caras: R$ 551 milhões, contra R$ 404 milhões dos que buscam mandatos de vereador. Não há nada de desonesto nisso. Em princípio, as contribuições saem dos bolsos de cidadãos que desejam a eleição de candidatos que defendam seus princípios e suas crenças políticas. Mas seria excesso de ingenuidade não admitir que também estejam em jogo, em alguns casos, interesses menos nobres. Falando mais claro: ter um vereador no bolso pode ser importante para muita gente. Os cidadãos endinheirados que financiam as campanhas podem alegar, sem serem contestados, que estão ajudando a eleger pessoas que defendem ideias e princípios semelhantes aos seus. E estes são, claro, voltados para objetivos de indiscutível interesse para a comunidade. Isso pode ser verdade em muitos casos. Mas com certeza não em todos. Seja como for, todos os grandes partidos gastam fortunas nas campanhas municipais. Num levantamento parcial, até setembro, os gastos dos maiores partidos na disputa de prefeituras são consideráveis. O campeão é o PT em São Paulo: R$ 16,5 milhões na campanha do candidato a prefeito Fernando Haddad, do PT.

No Rio, pelo visto, a eleição é mais baratinha: aqui, a campanha mais cara está em oitavo lugar, com R$ 3,7 milhões gastos até agora por Eduardo Paes, do PMDB.

Pode-se lamentar que, com raras exceções, o dinheiro vale mais do que ideias e projetos dos candidatos. Mas nada existe de ilegal no financiamento das campanhas. Resta ao eleitor torcer para que, por coincidência, os políticos bem financiados sejam também os mais capazes e bem intencionados. Às vezes, acontece.

Lotação incompleta - DORA KRAMER


O Estado de S.Paulo - 25/09


Três dezenas de réus nem de longe preenchem por completo a berlinda em que o Supremo Tribunal Federal vai reservando cadeira cativa para os mestres dessa obra chamada mensalão.

As coisas estão ruins para o PT e para o governo, mas não vão ficando nada boas para o Congresso, para os partidos em geral e - por que não dizer? - tampouco ficam melhores para o eleitorado que se mantém indiferente ao peso da ética na melhoria das práticas políticas.

O STF abre uma caixa-preta. Quiseram as circunstâncias que acontecesse na vez do PT.

Paciência. Ninguém mandou o partido exorbitar no exercício do pragmatismo também conhecido pelo nome de "governabilidade".

Quando a Corte mostra que um partido financiou diversas legendas em troca de apoio para seu governo, demonstra também que havia no Parlamento muita gente disposta a vender a mercadoria.

Disponível também para chancelar a prática como absolutamente natural. Afinal, há réus agora condenados que foram absolvidos em processos de quebra de decoro parlamentar.

Como ficam esses parlamentares diante do atestado de que aquelas absolvições foram vantagens indevidas?

Talvez um pouco pior, mas não muito, que o eleitorado que emprestou seu voto à renovação de mandatos maculados por ilegalidades já conhecidas na época da eleição.

Não deixa de ser uma maneira de o representante tornar indevidamente vantajosa para o representado a escolha do atalho da malfeitoria.

Em suma, não dá para condenar o PT sem reconhecer que há muitas outras culpas registradas nesse cartório.

Nos conformes. Quem acompanha há muitos anos o cotidiano do Supremo e tem familiaridade com os procedimentos, atesta que não há nada de suspeito no ritmo da indicação de Teori Zavascki. Nessa ótica, incomuns foram os casos mais recentes de demora na escolha dos substitutos de ministros que se aposentam.

Já houve ministros sabatinados pela Comissão de Constituição e Justiça e no mesmo dia aprovados pelo plenário do Senado. O que pode ocorrer de novo.
Em tese, Zavascki poderia tomar posse ainda nesta semana. Se seu nome fosse aprovado no Congresso até amanhã, a presidente assinaria o ato a tempo de sair na quinta-feira no Diário Oficial e ele assumiria na sexta. Improvável, entretanto, tal sangria desatada.
A data da posse é combinada entre o novo ministro e o presidente do STF. Não há solenidades nem discursos.
Sobre a participação dele no julgamento do mensalão, a aposta de observadores experientes é a de que não participe, pois para julgar natural seria pedir vista do processo.
Quer dizer, Teori Zavascki surpreenderá se tomar a decisão de provocar a suspensão de um jogo que já caminha da metade para o fim. Mais: contrariará a avaliação predominante sobre sua trajetória na vida jurídica, segundo a qual não se prestaria a esse papel.
Inversão de valor. A pormenorizada apresentação dos votos de cada um dos ministros do STF - em especial por vezes exaustivas manifestações do relator e do revisor - atendem às exigências dos que cobram para o mensalão um julgamento "técnico".
São os mesmos que acusam o tribunal de estar sendo "político". Inconformados com o fato de os oito ministros indicados no governo do PT não terem sido políticos o bastante para atender às conveniências do partido.
Alta ansiedade. Familiares de Cristiano Paz, sócio de Marcos Valério e como ele já condenado por vários crimes, pressionam para que fale o que sabe.
Andam compartilhando com amigos em Minas o temor e a revolta diante da possibilidade de os políticos beneficiários do esquema saírem livres ou receberem penas muito mais brandas que as imputadas ao chamado núcleo operacional.

Novo e conservador - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE S. PAULO - 25/09


BRASÍLIA - Lula e os marqueteiros do PT, do PSDB e do PMDB miraram no que viram e acertaram no que não viram. Detectaram bem o que o eleitor queria e ajustaram perfis e discursos à demanda, mas não previram que o beneficiário seria outro, correndo por fora: Celso Russomanno.

Lendo Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha, fica bastante claro que o eleitor queria o "novo", como se apresentam Fernando Haddad e Gabriel Chalita, mas tende ao conservadorismo, do qual José Serra insiste em se aproximar.

Porém Haddad não pode fingir (até porque não convenceria) que é conservador, nem há skate (ou jogo de futebol) que faça Serra voltar no tempo e passar por "novo".

É Russomanno quem une as duas "qualidades" no imaginário popular, sobretudo do eleitor menos escolarizado. Consegue somar Haddad e Serra e representar a curiosa figura do "novo conservador".

Nessa reta final da campanha, Serra, Haddad e Chalita devem mirar em Russomanno, tentando mostrar que ele nem é tão novo assim e cobrando compromissos objetivos para a cidade, para além de conceitos e imagens subjetivas.

Serra e Haddad, no entanto, não podem descuidar um do outro e ambos têm dois desafios a mais.

No PT, um é tentar enfrentar o julgamento do mensalão pelo STF com a velha tática da vitimização e da denúncia vazia do golpismo. O outro é compensar o padrinho Lula, que não está dando pro gasto, pressionando pela desistência branca de aliados -incluindo Chalita- em favor de Haddad. Falta, literalmente, combinar com os adversários.

No PSDB, um desafio é disfarçar a fadiga de material, depois de tantos anos administrando o Estado, e o outro, tentar amenizar o peso da renúncia de Serra, que brindou São Paulo com o nada popular Gilberto Kassab.

Tantos desafios só fazem favorecer Russomanno ainda mais.

O perigo silencioso - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 25/09

A gestão do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda está destruindo o patrimônio fiscal que levou uma década e meia para ser construído. Dentro dessa categoria, de demolição da ordem fiscal duramente edificada, encaixa-se a decisão de o Tesouro se endividar em R$ 21 bilhões para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil aumentarem a oferta de empréstimos.

Por 15 anos, entre o fim da ditadura militar e o ano 2000, o país executou uma enorme tarefa para acabar com os orçamentos paralelos, a conta movimento, os ralos e as fantasias contábeis até chegar à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

É esse arsenal que tem sido furtivamente recriado. A operação autorizada por Medida Provisória na sexta-feira é parecida com as que foram feitas para o BNDES. A dívida aumentará, porque o Tesouro tem que lançar papéis no mercado, mas a operação é mascarada como empréstimo a esses bancos. Não se sabe quando eles pagarão a dívida, por isso é impossível calcular o custo disso para os cofres públicos.

O custo médio de financiamento da dívida pública interna este ano está em 11,85%. A Selic está em 7,5%, mas o custo real é impactado pelos juros que incidem sobre títulos antigos. O Tesouro receberá do Banco do Brasil os 5,5% da TJLP nos R$ 8,1 bilhões que irão para a instituição. Haverá custo para o governo, mas ele não estará no Orçamento. Criar despesas de forma disfarçada e não registrá-la no Orçamento é contornar a obrigatoriedade de que não se criem despesas sem a definição de receitas.

A conta movimento parecia um gasto sem ônus e sem limite. O Banco do Brasil sacava no Banco Central para cobrir seu balanço. Agora, os bancos públicos têm recebido recursos de uma forma semelhante.

O objetivo da operação, segundo a nota do Ministério da Fazenda, é "manter a capacidade de expansão da carteira de crédito, garantir a continuidade do aumento da participação no mercado".

Há sinais fortes de que o ciclo de empurrar as famílias para o endividamento está se esgotando. O crédito nos bancos públicos cresceu 27%, e a inadimplência subiu 22%, em 12 meses até julho.

Se o BB e a Caixa crescerem no mercado via competição normal com bancos privados, isso é saudável. O erro é o governo estabelecer como objetivo de política pública que eles tomem mercado à custa de subsídio público, ainda mais porque um dos bancos, o Banco do Brasil, tem sócios privados.

Se esse crescimento der lucro, será transferência de recursos públicos para particulares; se der errado, o acionista do BB pagará a conta em forma de queda de redução de dividendos. Se for capitalização, vai diluir o capital do minoritário, e isso tem que ser comunicado previamente à CVM.

O Tesouro se comporta como se tivesse descoberto a fórmula mágica da multiplicação dos recursos sem ônus. Lança títulos ao mercado e transfere o dinheiro para os bancos públicos, e eles, por sua vez, pagarão com juros baixos e no prazo que quiserem. Se é que pagarão. Há gasto público embutido aí, mas não há registro como despesa em lugar algum, e por isso o impacto fiscal é escondido. Já foram emprestados assim mais de R$ 300 bilhões ao BNDES. Agora, o mesmo acontecerá com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.

Equívocos na política econômica pesam muito tempo sobre o país. Durante anos pagamos o preço dos erros da bagunça fiscal do governo militar, em forma de inflação. São esses mecanismos, aparentemente engenhosos, que estão silenciosamente voltando a ser criados. Parece que os economistas do governo não aprenderam a lição número um: a de que não existe almoço grátis.

Dilma e o tsunami - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 25/09


Em seu discurso que abrirá hoje a 67.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff criticará os bancos centrais dos Estados Unidos, da área do euro e do Japão por suas impressionantes injeções de moeda na economia mundial.

Desde março, Dilma condena o que chama de tsunami monetário e seus efeitos sobre os países emergentes - especialmente o Brasil. Parte desses despejos de moeda acaba por desembarcar por aqui e produz valorização do real (baixa das cotações das moedas estrangeiras), cujo efeito prejudicial é tirar competitividade do produto nacional.

Enfim, a presidente Dilma está reforçando as denúncias que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vem repetindo contra o que ele classifica como guerra cambial, deflagrada pelos países ricos e comentada por esta Coluna na edição de sábado passado.

Se incluir o Banco Central Europeu (BCE) entre as causas do tsunami monetário, a presidente Dilma estará cometendo um equívoco técnico. Embora tenha de fato anunciado emissões ilimitadas de moeda que se destinarão a resgatar títulos de dívidas sob forte rejeição nos mercados, o presidente do BCE, Mário Draghi, garantiu também que essas operações serão esterilizadas. Ou seja, serão acompanhadas de retiradas equivalentes de moeda, por meio de injeção de outros títulos. Portanto, não se poderá acusar o BCE de inundar com euros os mercados.

Isso parece indicar que, embora generalizadas, as críticas da presidente Dilma têm por objetivo específico atacar as operações de afrouxamento monetário (quantitative easing), agora na fase número 3, realizadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Em princípio, essa ofensiva brasileira - que, além das denúncias de guerra cambial feitas pelo ministro Mantega, também envolve as pressões feitas pelo Itamaraty - terá baixa receptividade internacional. A ação dos grandes bancos centrais, principalmente a do Fed, vem sendo aplaudida no mundo inteiro. Está sendo vista como atitude corajosa, destinada a tirar a economia mundial da estagnação e, dessa maneira, garantir capacidade de exportação aos emergentes.

Tanto a presidente Dilma como o ministro Mantega vêm insistindo em que essas emissões de moeda não têm sido eficazes para promover a reativação da economia global e, assim sendo, deveriam ser vistas como inúteis. Mas geram o efeito colateral nocivo de tirar competitividade do setor produtivo dos países emergentes.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, vem contra-argumentando que as operações de afrouxamento quantitativo são, sim, eficazes - na medida em que impedem o agravamento da crise. Não fossem elas, afirma ele, a recessão teria se transformado em catástrofe de proporções ainda mais vastas.

Nem a presidente Dilma nem o ministro Mantega desconhecem essas razões. No entanto, deliberaram reforçar a retórica do tsunami monetário e/ou da guerra cambial, provavelmente para justificar as atitudes protecionistas tomadas pelo governo brasileiro, que têm sido fortemente condenadas pelos dirigentes dos países avançados, sobretudo pelo governo dos Estados Unidos.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 25/09

Condomínio logístico no RS receberá R$ 150 mi
O Centro Logístico Brasil, marca da gestora de fundos Prosperitas Investimentos, fará um aporte de R$ 150 milhões para instalar um condomínio logístico em Gravataí (a 30 km de Porto Alegre).

Mais três projetos semelhantes estão sendo desenvolvidos pela companhia, que ainda não divulga o investimento necessário para a construção desses outros empreendimentos. As cidades que receberão os centros de logística, no entanto, já foram definidas: Embu (SP), Araucária (PR) e Rio de Janeiro.

"Procuramos estar próximos do mercado consumidor e em uma localização estratégica", afirma Clarisse Etcheverry, diretora da empresa.

O condomínio de Gravataí, por exemplo, ficará na RS-118, com acesso fácil às rodovias BR-116 e Freeway.

O empreendimento terá cinco centros de distribuição em 115 mil metros quadrados de área construída. Cinco companhias já entraram em contato para alugar módulos.

A previsão da empresa é que as obras comecem entre dezembro e janeiro.

A primeira etapa deverá ser concluída em outubro de 2013, com a entrega de dois centros. O cronograma prevê que o empreendimento seja concluído integralmente no ano seguinte.

No total, a companhia tem hoje 1,1 milhão de metros quadrados alugados. A taxa de vacância é menor que 3%, segundo Etcheverry.

Também fazem parte do portfólio da marca 19 centros de distribuição e sete imóveis industriais.

Maioria das crianças com celular ganha aparelho aos 13
Crianças brasileiras recebem seu primeiro celular cada vez mais cedo. A maioria delas, 80% ganham o aparelho na época do seu 13° aniversário, segundo pesquisa feita pelo Grupo Telefônica.

O levantamento da operadora mostra também que 46,4% dos jovens entre 10 e 18 anos com celular receberam seu primeiro aparelho até os 10 anos de idade.

De acordo com a pesquisa, 72% conseguiram o primeiro celular até os 12 anos.

Observa-se a importância cada vez maior de mediação dos pais para o uso seguro do aparelho, de acordo com a empresa de telefonia.

O presidente do Grupo Telefônica, Antonio Carlos Valente, vai se reunir com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, depois de amanhã, para apresentar a pesquisa completa sobre os hábitos de uso digital de crianças e jovens brasileiros.

O universo pesquisado foi de cerca de 18 mil pessoas, entre 6 e 18 anos. Foi feito um ajuste final de amostragem com 4.218 jovens.

Consultadas, a Claro e a Oi informaram não ter pesquisa semelhante. A TIM não respondeu até o fechamento desta edição.

TECNOLOGIA AUTOMOTIVA
O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e a Investe São Paulo, agência estadual de atração de recursos, se encontram hoje com executivos do setor automotivo para apresentar os recursos do instituto que podem ser usadas em planos de inovação.

Entre as possibilidades de desenvolvimento do IPT estão projetos na área de pintura autolimpante e de auto-regeneração, além do desenvolvimento de sensores de controle, segundo Flávia Motta, gerente do IPT. Serão abordadas também as capacitações dos laboratórios de corrosão e proteção, de processos químicos e tecnologia de partículas, entre outros.

Consumo... 
Após registrar queda em agosto, a confiança do consumidor voltou a subir na cidade de São Paulo em setembro, segundo a FecomercioSP. O índice de confiança do consumidor está em alta de 1,3%, com 158,3 pontos.

...confiante 
Foi a primeira alta após uma sequência de quedas desde maio. A parte do índice que mede a percepção futura do consumidor subiu 1,4% entre setembro e agosto. O indicador aponta otimismo acima dos cem pontos.

QUATRO MÃOS
O empresário Facundo Guerra, sócio de casas noturnas que nos últimos anos colocaram na moda o Baixo Augusta, em São Paulo, e o chef Alex Atala têm no forno um projeto para a abertura em conjunto de uma nova casa na cidade.

A dupla ainda não descreve os detalhes do projeto.

Guerra abre apenas que já existe um contrato entre as partes, além de um contrato de locação.

O endereço, entretanto, ele ainda não revela.

O empresário também afasta os rumores de que o novo ponto seria um restaurante vegetariano.

"Vamos fazer um projeto juntos. Esse trabalho está sendo desenvolvido há pouquíssimos meses", afirma o empresário, que já tem sociedades em outras cinco casas.

OPERÁRIO
A expansão da atividade da construção civil permanece no país, porém, em ritmo muito mais moderado, segundo o SindusCon-SP (entidade que reúne o setor).

O nível de emprego no setor no Brasil subiu 0,37% em agosto ante julho, com a contratação de 12,7 mil trabalhadores. A criação de novas vagas no setor havia crescido 1,27% em agosto de 2011, com a contratação de 38,7 mil.

PRODUTIVIDADE AMERICANA
Os EUA devem capturar parte das exportações da Europa e do Japão, segundo o Boston Consulting Group.

Fábricas dessas regiões estão sendo transferidas para aproveitar a queda nos custos de produção americanos. A consultoria projeta um aumento de até US$ 90 bilhões (cerca de R$ 182 bilhões) ao ano no faturamento do setor.

Sinergia social - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 25/09


Falou-se bastante dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), versão 2011, quando da sua divulgação, na semana passada. Mas sobre os assuntos captados na pesquisa periódica - e que agora vai se tornar contínua - nunca se fala o bastante. Afinal, a Pnad faz um retrato da evolução social do País, que permite articular as ações de política econômica com seus impactos nas condições de vida da população. Não há, convenhamos, objetivo mais nobre e relevante para políticas econômicas do que a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar nas faixas sociais mais necessitadas.

É nesse aspecto que a Pnad 2011 revela um quadro de esperança. O copo com água pela metade da evolução social brasileira começa a aparecer meio cheio. Ninguém pode negar que, em diversos e importantes aspectos - casos da educação e do saneamento básico, o copo ainda se apresenta meio vazio. Mas, também é inegável que, mesmo em meio a uma crise global de grandes proporções, um número significativo de indicadores sociais mostra avanços.

Claro que ainda é preciso progredir muito - os números relativos mais positivos escondem massas de brasileiros marginalizados. De todo modo, são alentadores os sinais de que o Brasil, ao longo das últimas duas décadas, desenvolveu uma tecnologia sólida para progredir nos indicadores sociais - inclusive em épocas de crise econômica e baixo crescimento.

Essa é a conclusão, com outras palavras, de especialistas como o novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Cortes Neri. Egresso da chefia do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (FGV-RJ), Neri destaca dois aspectos na Pnad 2011. O primeiro é o fato inédito de que já são dez anos consecutivos de recuo na desigualdade de renda. O outro é que o ritmo de queda, nos últimos dois anos, acelerou em período de crise, contrariando, segundo ele, o que seria esperado por nove entre dez economistas.

"O Brasil que prospera mais é o Brasil pobre, o lado Índia da Belíndia", constata Neri, lembrando a imagem criada pelo economista Edmar Bacha, nos anos 70, para retratar o então abismo distributivo que caracterizava a sociedade brasileira. "O ritmo de crescimento da renda da metade mais pobre da população é cinco vezes mais rápido do que o dos 10% mais ricos."

Para Neri, a aplicação persistente de um conjunto de políticas bem dirigidas influencia as decisões das famílias, e essa combinação produz uma sinergia que leva a resultados melhores do que os previstos, quando se tenta antecipar apenas o impacto direto das medidas. Segundo o economista, é por isso que, como se vê nesta Pnad, o progresso social está sendo maior do que o das contas nacionais, que medem a evolução do PIB. "Renda, mercado de trabalho e redução das desigualdades estão oferecendo uma sequência inédita de progressos, com o detalhe de que melhoram em desalinho com o que se observa no resto do mundo", diz Neri.

O economista considera que essa trajetória favorável parece ter adquirido um caráter sustentável. Neri revela que dados de 2012, que estão sendo coletados e organizados pelo Ipea, apontam para uma continuidade na melhoria dos indicadores sociais, apesar da persistência da crise europeia e de dois anos de baixo crescimento econômico no Brasil. "As pesquisas mostram que este ano continuará sendo, no sentido positivo, mais do mesmo que já vem ocorrendo há dez anos", adianta ele.

São muitas as hipóteses que podem ser levantadas, na tentativa de explicar a força redobrada dos vetores de avanço social, ainda que em ambiente econômico desfavorável. É óbvio que nada disso seria possível sem continuidade e persistência nas ações, mas quem sabe não é o próprio avanço que aciona o motor do progresso, criando condições de sinergia social e oferecendo sustentação para aprofundar as melhorias?

Se essa hipótese fizer algum sentido, o ritmo lento das melhorias na educação e o desequilíbrio na oferta de vagas no mercado de trabalho aquecido - que mostra forte recuperação nos serviços, mas perdas na indústria e na agricultura -, por exemplo, podem ser menos lacunas a lamentar do que espaços para reforçar políticas e ações que levem a novos e ainda mais sólidos progressos.

Remédio que pode matar - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 25/09


Se o presidente François Hollande fosse um avião, na segunda-feira seu piloto teria emitido um aviso: "Atenção, por favor. Atravessamos uma semana de turbulências. Coloquem os cintos".

Cada dia contém um perigo: nesta terça feira três grandes grupos anunciam 5 mil demissões (Sanofi, Arcelor-Mittal e Petroplus).

Quarta-feira, as estatísticas sobre o desemprego serão divulgadas: um desastre. Mais de 3 milhões de desempregados. Sexta-feira será apresentado o orçamento e este orçamento será terrível: a previsão é de uma economia 10 bilhões nos gastos do Estado e de 20 bilhões de impostos suplementares.

Um orçamento como este é um "remédio de cavalo". Ele pode matar o doente, como certas "sangrias" na Idade Média, livrando o paciente da sua doença e ao mesmo tempo da sua vida.

Esta "sangria" será ainda mais feroz pois o crescimento econômico é igual a zero, talvez menos. Para se conseguir um recuo do desemprego, seria necessário um crescimento de pelo menos 1,5%. Portanto, o processo de destruição do emprego está no auge.

Devemos esperar que a salvação virá do exterior, fazendo a França aproveitar o seu dinamismo? Mas de todos os lados a perspectiva é sombria: a zona do euro está em recessão e desastres podem varrer a Grécia, Portugal e Espanha. Os Estados Unidos têm dificuldade para levantar voo. A atividade econômica enfraquece nos grandes países emergentes. A China perde fôlego.

Diante desse cenário aterrador, alguns questionam se a França deve se ater à regra de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) de déficit a partir de 2013? A mesma pergunta vale para os países mais fracos da zona do euro. A Grécia, por exemplo, se respeitar a regra dos 3% mergulhará no marasmo. Como também a Espanha.

Claro que o rigor orçamentário, ao qual a alemã Angela Merkel ligou o seu nome, é um princípio excelente, depois de anos de "lassidão", descuidos e de gastos delirantes provocados pela criação desta absurda moeda única, o euro. Mas também é preciso que o retorno à razão, no bom sentido, seja feito progressivamente. Não seria mais prudente amenizar a regra de 3% do déficit, aguardar um pouco mais de tempo?

Até agora François Hollande não quis nem ouvir falar em aplacar o rigor. Para ele, se a França anunciar que adiará em um ano o cumprimento dessa regra, os mercados dirão: "Estes franceses não são sérios. Não são confiáveis... E então nossas taxas de juros, até o momento muito baixas, aumentarão loucamente, como na Espanha ou na Grécia.

Enfim, a todos esses dissabores econômicos vêm se somar choques políticos violentos. Sabemos que nas últimas eleições para a Presidência, o Partido Socialista era apoiado pelos ecologistas. Ora, hoje os ecologistas ameaçam seu aliado socialista. Decidiram votar "contra" o "tratado orçamentário europeu" que visa exatamente a obrigar todos os países do continente a mostrar sua seriedade na questão do orçamento.

Em princípio, mesmo se eles votarem contra o tratado orçamentário, a Assembleia Nacional deverá sancioná-lo. Mas o episódio deixará marcas supurantes. Hollande deu enormes vantagens aos ecologistas. Nomeou dois ministros pertencentes a esse partido. E está sendo muito mal recompensado, uma vez que o partido agora o apunhala pelas costas.

Ora, os ecologistas obtiveram apenas 2% dos votos nas eleições, o que não se justificava lhes dar tais responsabilidades. Mais uma vez eles mostraram ser pessoas pouco sérias, oportunistas, inescrupulosos. Em resumo, péssimos políticos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Escolha certa - BENJAMIN STEINBRUCH


FOLHA DE SP - 25:09


Voto responsável não admite condescendência com pessoas marcadas por inércia e corrupção

Sempre que se aproximam as eleições municipais, alguém se lembra de uma frase ora atribuída a Tancredo Neves, ora a Ulisses Guimarães: "Nenhum cidadão mora na União, todos vivem em municípios".

A lembrança é útil para ressaltar a importância do voto que os brasileiros darão daqui a 12 dias para eleger prefeitos e vereadores em 5.568 municípios do país. Ao todo, além dos prefeitos, serão eleitos 57.432 vereadores, escolhidos entre 449.790 candidatos.

Mais do que os governantes federais e estaduais, prefeitos e vereadores são políticos encarregados de falar diretamente ao cidadão, examinar suas demandas e cuidar de suas carências.

A oferta de educação, saúde, água, saneamento, transporte e eletricidade, embora também dependa de apoio financeiro dos governos estaduais e do federal, é fundamentalmente atribuição dos administradores dos municípios.

Para averiguar a dimensão dos desafios desses gestores, tenho o hábito de verificar, a cada eleição municipal, números que indicam as deficiências nessas áreas básicas.

Há 12 anos, quando começava a campanha eleitoral de 2000, relacionei aqui o tamanho do desafio dos administradores que se candidatavam aos cargos municipais: 18,1 milhões de analfabetos; 8,7 milhões de domicílios sem água encanada; 24,2 milhões sem rede de esgoto; 8,6 milhões sem coleta de lixo e 2,2 milhões sem luz elétrica.

Os dados eram da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), referentes a 1999. Na sexta-feira, o IBGE divulgou dados dessa mesma pesquisa referentes a 2011.

Comparados aos de 1999, os números do ano passado mostram que o país evoluiu bastante nessas áreas. O maior avanço de todos foi na proporção de domicílios permanentes com energia elétrica.

Em 1999, havia 2,2 milhões sem luz, número que representava 5% do total. Em 2011, mesmo tendo o número de domicílios crescido 40% (de 43,8 milhões para 61,3 milhões), os não atendidos por energia elétrica representavam apenas 0,7% do total, provavelmente um resultado do programa Luz para Todos.

Houve avanços relativos em todos os índices citados acima. Mas os números absolutos de 2011 ainda indicam um enorme desafio: 12,9 milhões de analfabetos, 9,4 milhões de domicílios sem água encanada, 22,9 milhões sem esgoto, 6,9 milhões sem coleta de lixo e cerca de 500 mil sem luz elétrica.

Peço desculpas ao leitor por alinhar tantos números. Mas eles são fundamentais para que se possa entender a importância das eleições municipais. Essas carências, ainda muito grandes apesar dos avanços, esfolam os cidadãos brasileiros e estão todas nos municípios, mesmo considerando que parte da responsabilidade por elas deva ser dividida com União e Estados.

Diante disso, cabe ao eleitor a responsabilidade de escolher bem prefeitos e vereadores. Em tempos de internet e Facebook, ficou mais fácil verificar os perfis dos candidatos, seu passado, patrimônio e ideias. Voto responsável é aquele que não admite condescendência com pessoas marcadas por inércia, ineficiência ou corrupção. O eleitor deve e pode escolher candidatos comprovadamente éticos e bons administradores.

Não há como avaliar a qualidade de um candidato a não ser por seu passado. A história mostra que aventureiros raramente fazem boa gestão pública. São perigosos os candidatos que apresentam propostas esdrúxulas e promessas absurdas sem mostrar de onde virão os recursos para realizá-las. E são igualmente perigosos os que têm no passado episódios evidentes de descuido com recursos públicos.

Mesmo com o crescimento econômico, as grandes cidades, com raras exceções, estão esburacadas, descuidadas e feias. O ensino municipal continua deficiente, faltam escolas e creches. Hospitais municipais, sujos e desprovidos de recursos, revoltam. As favelas nos entristecem e envergonham. Os crimes e a falta de segurança nos angustiam.

Nenhum prefeito mudará essa realidade do dia para a noite. Mas que sejam votados aqueles que são comprovadamente preparados, sensíveis a esses problemas e que se mostram dispostos a arregaçar as mangas para resolvê-los.

CLAUDIO HUMBERTO

“Estamos no fio da navalha”
Ministro Ricardo Lewandowski (STF), ontem, durante o julgamento do mensalão


MP IMPLICOU PT EM CRIME, E NÃO ‘CONSERVADORES’

Lula tem dito que os “conservadores” atribuem falsamente ao PT o assassinato do prefeito Celso Daniel, em 2002. Mas nas investigações do Ministério Público, jamais concluídas, aparecem vários petistas. Entre eles o deputado estadual Donisete Braga, hoje candidato à Prefeitura de Mauá, no ABCD. Do celular de Braga partiram ligações para Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra” – suspeito de ter sido o mandante – entre 19 e 20 de janeiro de 2002, o dia do crime.

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Segundo o MP, as ligações entre Donisete Braga e Sérgio Sombra foram captadas de torres da região onde Celso Daniel foi assassinado.

O ÁLIBI DE DONISETE

Donisete se defendeu dizendo que esteve em reunião no Palácio dos Bandeirantes até às 23h45 e que depois voltou a Santo André. 

SÃO MUITO DISTANTES

Em laudo, a Vivo descartou que as ligações no Bandeirantes pudessem ser captadas em Embu e Taboão da Serra, região do crime.

RESPOSTA DE BRAGA

O deputado Donisete apresentou depois projeto (nº 575/03) reduzindo antenas no Estado, transferindo regulamentação aos municípios.

CÂMARA NÃO MEXE EM MILHAS “PRIVATIZADAS”

Está engavetado na Câmara dos Deputados, desde 2007, projeto do deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA) que transfere para o poder público as milhas de passagens aéreas pagas pelo contribuinte. Hoje, servidores e parlamentares se beneficiam dos programas de milhagem, transformando os créditos em passagens para viagens particulares. A rigor, custeadas pelos cofres públicos.

PROJETO PARADO

Em maio, a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) assumiu a relatoria do projeto das milhas aéreas no serviço público, mas não se manifestou.

TCU TIRA O CORPO

O Tribunal de Contas da União se esquiva sobre uso de milhas aéreas pelos agentes públicos, posicionando-se “apenas de casos concretos”.

FIM DA INFLUÊNCIA

Os Correios descartaram o modelo de serviços aéreos para entregas postais imposto pela ex-ministrona da Casa Civil Erenice Guerra.

SEM JUÍZO

O irmão do ministro Dias Toffoli, José Luiz, foi um dos fundadores de uma cooperativa de crédito com nome idêntico à outra associada à enrolada Bancoop, e com os mesmos diretores.

SEM DISTINÇÕES

A ex-senadora Marina Silva participou da campanha de Clécio Luís (PSOL) à Prefeitura de Macapá, capital do Amapá. Luiz é acusado pela ex-mulher Cleudenira Teixeira de bater nela na frente dos filhos.

SARNA PARA SE COÇAR

Partidos coligados a Fernando Haddad em São Paulo reclamam que até mulher de réu do mensalão grava apoio para o PT na TV, enquanto integrantes aliados não têm um espacinho no programa petista.

SENADO DE FORA

Os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Fábio Trad (PMDB-MS), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) articulam a elaboração, na Câmara, do projeto do novo Código Penal.

APERTEM O CINTO...

...que o piloto está aéreo. Passageiros do voo GOL 1380, ficaram em pânico, dia 21, com o piloto arremetendo duas vezes, pedindo desculpas pelos “problemas neurológicos” (em vez de “meteorológicos”) e chamando o aeroporto de Joinville de “Navegantes” (Itajaí, SC).

EFEITO MENSALÃO

Iriny Lopes (PT), candidata à Prefeitura de Vitória, tirou Lula da TV e do rádio após estacionar nas pesquisas. Vão disputar o segundo turno o candidato do PPS, Luciano Rezende, e Luiz Paulo Vellozo, do PSDB. 

DO OUTRO MUNDO

O crescimento da classe média brasileira foi notícia na Noruega, na liderança do bem-estar mundial. Doeu ler que aqui a renda mensal varia de US$ 143 a US$ 502. Em dólar é ainda mais espantoso.

A “FRIA” DO ESPIÃO

Notícia ontem da Folha de que o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) não decola desde janeiro, foi antecipada nesta coluna em... janeiro. Desde outubro, disseram agentes da PF, o espião contra o tráfico está parado no Paraná. A formação dos pilotos custou R$ 1,9 milhão.

VÍCIO MALDITO

O Tribunal Superior Eleitoral estima que o eleitor gastará em média 40 segundos para votar. E uns oito anos para se arrepender, dizemos nós. 

PODER SEM PUDOR

INAUGURAÇÃO SOLENE

Tancredo Neves era favorito para o Senado, em Minas, quando o folclórico Zezinho Bonifácio anunciou que, no caso de vitória, ele trocaria a oposição pelo PDS, de apoio ao regime militar. Tancredo ficou furioso, quis chamar Zezinho de gagá, mas se conteve. Ficou com aquilo remoendo. Dias depois, chamou um assessor:

- Mande isso para a imprensa: "Essa declaração é pura protérvia do deputado José Bonifácio, e certamente decorreu de sua senectude".

- Mas, dr. Tancredo, ninguém vai entender isso... - ponderou o assessor.

- Eu sei, eu sei. Mas vou ter a alegria de obrigar o Zezinho a inaugurar o dicionário, para saber se me xinga ou agradece.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Sob pressão – Juro do cartão cai à metade no Bradesco
Folha: Presidente do antigo PL é condenado por revisor
Estadão: Insatisfeito, presidente da Comissão de Ética renuncia
Valor: País mantém dependência do comércio com a China
Estado de Minas: UFMG, quem diria, procura alunos para medicina
- Zero Hora: Pressão em redes sociais barra projeto que amplia uso de agrotóxicos no RS
Correio Braziliense: Renúncia abre crise ética na Esplanada
Jornal do Commercio: Carro usado mais barato

segunda-feira, setembro 24, 2012

O mesmo grau de certeza - CARTA AO LEITOR - REVISTA VEJA

REVISTA VEJA


Em 1992, Pedro Collor escancarou em VEJA os porões estarrecedores do governo do irmão, Fernando. Na semana passada, VEJA revelou os segredos que Marcos Valério guardava sobre o papel de Lula no escândalo do mensalão

Foi extraordinária, em todos os sentidos, a repercussão da reportagem de capa de VEJA da semana passada, com o publicitário mineiro Marcos Valério, o pivô financeiro do mensalão. VEJA trouxe revelações bombásticas de Valério sobre o papel central do ex-presidente Lula nas operações que resultaram em um escândalo que, por pouco, não lhe custou o mandato presidencial.

O ex-presidente Lula manteve-se calado. Marcos Valério também não se pronunciou. São dois casos de silêncio ensurdecedor.

Em contraste, os partidos da base de sustentação do governo protestaram e os de oposição emitiram notas exortando VEJA a tomar públicas as evidências materiais que embasaram a publicação das contundentes declarações do publicitário mineiro.

Os partidos que enxergam nas revelações de Marcos Valério vantagens políticas podem proceder como quem vislumbrou essas mesmas propriedades no depoimento de Pedro Collor trazido a público vinte anos atrás e que culminaram com o impeachment do irmão, Fernando Collor.

Da mesma forma, quem se sentiu prejudicado pela divulgação das informações do homem do dinheiro do mensalão tem a possibilidade de interpelá-lo publicamente ou procurar reparação na Justiça. Marcos Valério está vivo e tem endereço conhecido. A mensagem é de Marcos Valério. VEJA foi a mensageira.

O grau de certeza de VEJA em relação ao conteúdo da reportagem com Marcos Valério é o mesmo que a revista tinha quando publicou, em 1992, a capa "Pedro Collor conta tudo". Tanto em um caso quanto no outro, VEJA cumpriu sua missão de informar com fidelidade, coragem e espírito público fatos testemunhados por pessoas com grande intimidade com o poder.

Existe outro paralelo entre a reportagem de VEJA com Pedro Collor e a de agora com Marcos Valério. Ambas são estrondosas por reunirem declarações que deram materialidade a situações sobre as quais já tinham sido levantados diversos detalhes significativos, porém esparsos. Ficava faltando um demiurgo com informações privilegiadas capaz de amarrar todos os eventos, dando-lhes coerência. Foi o que Pedro Collor fez em 1992 e, na semana passada, Marcos Valério.

Mulher em debate - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 24/09

Em plena festa de 80 anos do voto feminino no Brasil, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos chama atenção para o tema em livro de seu colega Jairo Nicolau, "Eleições no Brasil’,’ recém-lançado. "Lá diz que a obrigatoriedade universal do voto feminino só ocorreu em 1965! Antes era facultativo para 'donas de casa,’ isto é, mulheres que não fossem funcionárias ou com renda própria não eram obrigadas a votar. Eu perguntaria ao Jairo como é que foi isso, 80 anos depois do código eleitoral de 1932?”

Segue..

Jairo diz que é isto mesmo:
— O Código de 1965 passou a adotar o critério de obrigatoriedade do voto sem distinção de sexo.
Antes não era assim. Em 1932, o direito de voto foi instituído, mas facultativo para mulheres. A Constituição de 1934 tornou obrigatório o voto das mulheres com profissões públicas, e o Código Eleitoral de 1950 definiu que o alistamento era facultativo para as que não exercessem profissões remuneradas.

Exemplo em casa

Para o autor de "Eleições” não há estudos sobre o volume de donas de casa que, entre 1945 e 1965, não se alistaram como eleitoras:
— Sei apenas de um caso: minha mãe. Era dona de casa e votou em todas as eleições do período!

No mais

Essa Pnad, pesquisa do IBGE divulgada na sexta-feira, confirma uma boa notícia. Mais uma vez, a proporção de negros no ensino superior aumentou. Cresceu de 35% para 38% de 2009 a 2011.

Veja só
Em 2001, a proporção era de 22%.

SOS ARVORES DE IPANEMA Desmatamento. A árvore das fotos, vejam que pena, é uma das muitas que estão no corredor da morte na Rua Barão de Jaguaripe, endereço de bacanas em Ipanema. Moradores dizem que vizinhos incomodados com a posição das árvores (esta, no número 155, está espremida entre duas entradas de garagem) fazem de tudo para matá-las para facilitar o acesso sobre rodas ao prédio. Como a poda sem autorização é proibida, põem pedras e cimento sobre a terra, para dificultar a rega, e dão injeções de veneno. Que maldade! Alô, Comlurb!

A revanche
A turma que azucrinou a vida de Ana de Hollanda no PT e em outros grupos de esquerda volta com todo o gás. Entregaram à nova ministra Marta Suplicy uma carta assinada por diferentes movimentos sociais da cultura. Nela, diz que a posse de Marta significa "a possibilidade de recuperar a grandeza e a relevância na ação do Ministério da Cultura.’

Sobrou para a Ana
A missiva diz que a gestão de Ana de Hollanda "foi marcada por ausência de diálogo, interrupção de políticas públicas, omissão frente aos grandes temas e conservadorismo político.”
E ainda: "O Ministério da Cultura que queremos precisa ter as portas abertas, ser republicano, posicionando a cultura acima de interesses partidários, armadilhas tecnocráticas ou lobbies (muitos oriundos do próprio mundo da cultura) que tentam minar a ação pública.”

Sobrou para o Rio
A carta fala em "desprovincianizar a Funarte, mudando a sede do Rio para Brasília, dando a ela caráter nacional, plural, e capaz de desenvolver políticas fundamentais nas áreas de música, artes visuais, cênicas”.
É. Pode ser.

Aedes ‘do bem’

A Fiocruz anuncia hoje que começará a trabalhar com um Aedes aegypti "do bem’!
O mosquito, um produto da colaboração internacional do Brasil com a Austrália, promete impedir a transmissão da doença de forma natural.
É que o Aedes "do bem” carrega uma bactéria que consegue bloquear o vírus da dengue dentro do mosquito.

Paes no samba
Ontem sambistas de várias escolas reuniram-se no barracão da Portela, para gravação de apoio a Paes.
Estiveram lá, entre outros, Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor, e Camila Soares, filha do bicheiro Jayder Soares e chefe do ateliê da Grande Rio.
A prefeitura reformou as quadras de Portela, União da Ilha, Império Serrano e Imperatriz, e construiu a quadra da Mocidade Independente.

O outro lado

De Kléber Leite sobre eventual ação regressiva do Flamengo contra ele por causa da decisão que condenou o clube a pagar R$ 60 milhões ao consórcio que iria construir um shopping na Gávea na época em que era presidente:
— O Flamengo nada deve ao consórcio. O consórcio, sim, deve uma fortuna ao Flamengo. Mas o clube, misteriosamente, nunca procurou a Justiça para reparar o prejuízo moral, institucional e financeiro, embora a decisão de promover a ação contra o consórcio tivesse sido tomada pelo conselho.

Profissionais do sexo

Veja como é dura a vida de Marcelo Freixo ao incluir em seu programa temas polêmicos como a luta para garantir acesso aos direitos trabalhistas aos profissionais do sexo.
Sábado, duas jovens num salão no Leblon, ex-eleitoras do candidato do PSOL, estavam horrorizadas com a proposta.

Modelo ainda indefinido - GEORGE VIDOR


O GLOBO - 24/09


O governo quer portos mais eficientes, mas não encontrou o modelo ideal para o país. O da Ásia está descartado.

O governo está com certa dificuldade para definir um modelo que atenda ao objetivo de ampliar e baratear os serviços prestados pelos portos do país, e que seja também factível aos investidores privados. Para não criar mais uma jabuticaba, as autoridades preferiram adiar a decisão, esperando bater o martelo em outubro, após ouvir empresários experientes, tanto do ramo de transportes quanto na contratação de serviços portuários. O modelo asiático está descartado porque não se adapta ao Brasil. Cingapura, por exemplo, cujo porto movimenta mais carga geral que os terminais marítimos brasileiros somados, tem um único operador. Funciona com uma eficiência de dar inveja. O controle de qualidade e as tarifas são estabelecidos pelo Estado, que, de democrático só tem mesmo a fachada (quando a oposição passa a ter mais de 10% do Parlamento o sistema político entra em crise e retrocede!). Na China, os portos gigantes são operados por poucos operadores, sob a mão pesada do Estado. A sociedade brasileira não aceitaria um modelo como esse, e com razão, pois pressupõe um intervencionismo estatal além da conta.

O modelo europeu se aproximaria mais do que o Brasil deseja, embora lá sejam poucos os operadores. Na Holanda, o governo define os investimentos futuros e estabelece as condições para que esses poucos operadores privados possam realizá-los.

O Brasil adotou, após a lei de modernização do setor, um modelo de competição entre os os operadores de terminais em portos públicos, aceitando alguma competição por parte de terminais privados de uso misto. A maioria dos portos públicos brasileiros só tem um terminal para carga geral, com um operador na movimentação de contêineres. Apenas em Santos (que tem duas margens, uma delas nos municípios vizinhos de Cubatão e Guarujá) é que existem vários operadores de terminais de contêineres: quatro em pleno funcionamento - Santos Brasil, Libra, Tecondi e Rodrimar -, um quinto (BTP), público, prestes a ser inaugurado, e um sexto (Embraport), de uso misto, em fase de construção.

No Rio, há dois operadores (Multiterminais e Libra), ambos dando partida a consideráveis projetos de expansão. Quando concluídos esses investimentos, o porto do Rio passará a ter quase dois quilômetros de cais contínuo (o maior em um porto de grande profundidade, que poderá chegar a 16 metros). Além do cais ampliado, estão surgindo novas áreas de armazenagem de carga no porto, o que quadruplicará a capacidade de movimentação de contêineres e duplicará o de veículos. Agora vizinho ao cais do Caju, surgiu um terminal de apoio às plataformas de petróleo, numa extensão de 1.800 metros, abrangendo o cais de São Cristóvão e parte do cais da Gamboa.

Transporta-se cada vez mais carga por contêineres (até mesmo grãos, fertilizantes e açúcar), mas os minérios e os combustíveis, em granel, ainda respondem, em volume, por quase 90% das mercadorias que circulam pelos terminais portuários brasileiros. São geralmente terminais privativos, obrigados a oferecer uma parcela mínima de sua capacidade a terceiros. Quem não tem terminal fica meio ao deus-dará, com poucas opções de terminais públicos. Daí os gargalos em Santos, Paranaguá, Rio Grande, com longas filas de espera de caminhões e navios, especialmente no auge das safras.

Nesse quadro, não está fácil encontrar um modelo que estimule investimentos na ampliação ou em novos portos, com tarifas que não tirem a competitividade das exportações brasileiras ou onerem as importações de insumos e componentes essenciais à cadeia produtiva do país. Aparentemente, empreiteiras que estão entrando no setor e os operadores já instalados têm posições bem divergentes em relação aos caminhos a seguir

Esforço na infraestrutura

Raul Velloso, especialista em contas públicas, não acredita que a economia brasileira consiga ampliar consideravelmente, como um todo, os investimentos necessários para o país crescer de forma sustentável nos próximos anos. Por isso, ele sugere uma concentração de investimentos na infraestrutura. Isso daria um ganho de produtividade para todos, pelo aumento de eficiência, capaz de compensar essa dificuldade de destravar o investimento nos demais segmentos.

Ao que parece, o governo federal tem hoje um diagnóstico semelhante.

Mensalão

No mercado o pessoal anda vibrando com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Dizem que o país ganhou pontos institucionalmente a partir do momento em que ficou claro que o rei não pode mandar cortar cabeça de juízes. E que os juízes têm autoridade para mandar cortar a cabeça do rei.

Esperança - AÉCIO NEVES

FOLHA DE SP - 24/09


Já se vão mais de quatro décadas desde que o peito do lavrador João Boiadeiro recebeu o primeiro coração transplantado no Brasil, pelas mãos do cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini, no Hospital das Clínicas, na cidade de São Paulo.
O paciente viveu 28 dias com o novo órgão e inaugurou um caminho de esperança na vida de famílias em todo o país. É uma história marcante para ser lembrada na data de hoje, em que iniciamos a semana em que se comemora o Dia Mundial da Doação de Órgãos.
Há muito tempo que o Brasil é destaque internacional e possui um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Foi decisiva para esse avanço a participação do Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje financia a maior parte das cirurgias realizadas no país.
O grande salto estrutural, como tantos outros, em campos diversos, se deu durante o governo do PSDB, com a edição da Lei dos Transplantes e sua regulamentação, em 1997.
Na ocasião, firmaram-se os princípios e as diretrizes, como o consentimento e a gratuidade da doação, estabelecendo-se direitos e garantias para receptores, doadores e suas famílias.
Em seguida, o Ministério da Saúde, em particular na gestão de José Serra, dedicou-se com afinco à organização do Sistema Nacional de Transplantes, à implantação de listas únicas de receptores e à criação de centrais estaduais de transplantes.
Em 1997, os transplantes não superavam 4 mil por ano. Em 2011, foram mais de 23 mil cirurgias. Apesar dessa manifestação de solidariedade, o número ainda é insuficiente.
O desafio continua sendo o baixo número de doadores. Em 2011, pela primeira vez, o Brasil chegou ao índice de 11,4 doadores por milhão de habitantes. A meta é alcançar 15 por milhão em 2015.
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos mostram que quase a metade de 1.915 famílias consultadas por equipes médicas em 2011 não autorizou doação.
A maior parte das negativas se baseia no fato de a família não saber se a pessoa concordava com a doação. Na dúvida, prevalece a recusa.
Diante desse cenário, precisam ser multiplicadas ações para que mais brasileiros aceitem e declarem sua opção como doadores. Esse tipo de iniciativa cabe tanto à administração pública -federal, estadual, municipal- quanto à sociedade civil.
Uma solução criativa recente foi a parceria entre o Ministério da Saúde e o Facebook, permitindo ao usuário da rede social fazer sua opção publicamente. Embora de alcance jurídico limitado, há um efeito simbólico evidente.
O transplante é a única alternativa para cerca de 20 mil pacientes por ano, no país, portadores de doenças graves. Eu sou doador. E você?

Só com censura - J.R. GUZZO

REVISTA VEJA 


Para o seu próprio sossego pessoal, o ex-pre-sidente Lula, seus fãs mais extremados e os chefes do PT deveriam pôr na cabeça, o mais rápido possível, um fato que está acima de qualquer discussão: só existe um meio que realmente funciona, não mais que um, para governos mandarem na imprensa, e esse meio se chama censura. Infelizmente para todos eles, essa é uma arma de uso privativo das ditaduras — e nem Lula, nem o PT, nem os “movimentos sociais” que imaginam comandar têm qualquer possibilidade concreta de criar uma ditadura no Brasil de hoje. Podem, no fundo da alma, namorar a ideia. Mas não podem, na vida real, casar com ela. Só perdem seu tempo, portanto, e se estressam à toa, quando ficam falando que a mídia brasileira é um lixo a serviço das “elites”; há dez anos não mudam de ideia e não mudam de assunto. Bobagem. O que querem mesmo é impedir que esta revista, por exemplo, publique reportagens como a matéria de capa de sua última edição, com as declarações de Marcos Valério sobre o envolvimento direto de Lula no mensalão. Ficam quietos, porque têm medo de que sejam publicadas as fitas gravadas com tudo aquilo que ele disse, e as coisas piorem ainda mais. Mas o seu único objetivo real é este: eliminar as informações que desejam esconder.

Até agora, o plano mais ambicioso que lhes ocorreu para chegar aonde querem foi propor algo que chamam de “controle social” da mídia; não conseguem explicar bem o que seria isso na prática, mas nem é preciso que expliquem. O problema do PT, nessa história toda, é simples: “controle social” é algo que não existe no mundo dos fatos. Na vida como ela é, só têm controle verdadeiro sobre um órgão de imprensa os seus proprietários ou, então, o departamento de censura. Todo o resto é pura tapeação. Mas é isso, exatamente, que o PT propõe. Já foi feita, de 2003 para cá, uma boa meia dúzia de tentativas para armar o tal controle, primeiro com projetos de lei que morreram antes de nascer, depois com “audiências públicas” e outras esquisitices. Não saiu, até agora, um único coelho desse mato. Falou-se também da “mobilização de setores populares” para pressionar a mídia, mas não se conseguiu mobilizar ninguém. Manifestações de massa, para o PT de hoje, exigem ônibus fretados, lanches grátis, patrocínio de alguma estatal — e, francamente, não é assim que se faz uma revolução. Muito dinheiro do Erário tem sido gasto na compra do apoio de uma parte da imprensa, através de verbas publicitárias e outros tipos de ajuda; o problema, aí, é que o governo não consegue comprar os veículos que têm mais público. Foram criadas, também, brigadas de “blogueiros” que recebem uma espécie de “mensalinho” para falar a favor do governo e contra quem faz críticas a ele; ninguém parece prestar atenção no que dizem. Inventou-se, ainda, uma “TV Brasil”, emissora que serve para apoiar as autoridades e é sustentada com dinheiro público em estado puro. Em cinco anos de funcionamento, sua audiência continua vizinha do zero; a esta altura, talvez tenha mais funcionários do que telespectadores. A questão, em todos esses casos, é que imprensa a favor não adianta nada — o que interessa a quem manda é não ter imprensa contra. Elogios não salvaram uma única cabeça, entre os doze ministros que a presidente Dilma Rousseff botou na rua até agora, nos casos em que foram denunciados por corrupção no noticiário. Não têm resolvido nada no julgamento do mensalão, também revelado integralmente pelo trabalho da imprensa; o STF vem sendo o flagelo de Deus para os réus, triturados um após o outro com sentenças de condenação.

Ditaduras entendem muito bem como se controla a imprensa. Não desejam aplausos: a única coisa que lhes importa é cortar tudo aquilo que não querem que seja publicado. Não podendo fazer isso, o PT fica na gritaria. Ainda há pouco, o presidente nacional do partido, deputado Rui Falcão, disse que a “mídia conservadora” é instrumento de uma “elite suja e reacionária”, e fez uma ameaça: “Não mexam com o PT”. E se mexerem — ele vai fazer o quê? As coisas que o deputado diz não chegam a obter a nota mínima necessária para ser levadas a sério: não há exemplo na história de situações em que a imprensa tenha mudado de linha por causa de dis-curseira desse tipo, ameaças vazias ou “pressões da sociedade”. Veículos independentes não têm medo de insultos, “setores populares” ou líderes políticos com popularidade de 80%; o que lhes quebra a espinha é a força armada, e só ela. É melhor, então, o PT segurar a ansiedade.

O fim da rede social - LÚCIA GUIMARÃES


O Estado de S.Paulo - 24/09


A falta de credibilidade da mídia jornalística bateu outro recorde nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Instituto Gallup revela que 60% dos americanos têm pouca ou nenhuma confiança na informação transmitida pela mídia. Não é surpresa que republicanos constituem uma parcela expressiva dos desconfiados, uma vez que o bordão populista do partido demoniza jornalistas como esquerdistas bebedores de Romanée Conti.

Mas o número que me assusta não é o da divisão ideológica e sim o geracional. Apenas 39% dos americanos disseram que estão acompanhando regularmente o noticiário sobre a campanha presidencial, uma queda de 5% em relação a 2008, uma campanha mais passional, sim, com o ineditismo do primeiro candidato negro da história. Mas, este ano, o orçamento da propaganda eleitoral é muito mais alto. A questão é, quem está assistindo aos anúncios da campanha?

Outro número sinaliza a mudança demográfica: As pesquisas de opinião que usam celulares e interação ao vivo com o eleitor dão vantagem maior a Barack Obama. Um terço dos domicílios americanos não possuem telefone fixo.

Agora, o número para arrepiar: somente 11.5% dos americanos assistem à TV aberta em tempo real. Sei que o Brasil ainda está distante deste cenário e que a nossa banda larga, tão real quanto Papai Noel, ainda não permite a migração dos hábitos de assistir ao vídeo de maneira tão radical. Além disso, só 1/3 dos brasileiros têm acesso à banda larga em casa.

A publicidade online ainda está longe de financiar os custos de TV de alta qualidade, seja nas minisséries brasileiras ou no drama refinado exibido pelas redes de cabo aqui, como HBO e Showtime. Por isso, a juventude que abandona a TV aberta ou a cabo é má notícia para todos. A TV americana é hoje uma usina de ideias muito mais vibrante do que Hollywood.

Mas, voltemos à noção de que 39%, menos da metade deste país, onde o voto não é obrigatório, acompanham regularmente a eleição presidencial. Com a permissão de todos que prestigiam esta coluna com paciência e comentários (Lucia.Guimaraes@estadao.com.br), eu me dirijo agora a você, o leitor que não passou dos 25 anos. Você poderia ser meu filho ou minha filha. Perdoe o tom maternal, mas, estarei certa se concluir que você não assina um jornal impresso? Que você não organiza a sua noite em torno do horário de um telejornal em rede? Se você ainda não tem capital para assinar a Veja ou a Época, disputa a leitura do exemplar que seus pais recebem?

Sim, você passa muito mais tempo online do que seus pais passam lendo jornal, ouvindo rádio ou assistindo ao noticiário pela TV. Quantas vezes você clicou num vídeo da guerra civil em curso na Síria, na última semana? Uma vez que, na noite em que Bill Clinton fez seu famoso discurso na Convenção Democrata, você estava malhando ou tomando uma cerveja no Baixo Gávea (perdoem a carioca, não sei onde tomar cerveja em São Paulo), você clicou na versão completa, de 50 minutos, quando voltou para casa? A resposta, adivinho sem a menor condescendência, é "não". Veja, tanto quanto você, eu fico uma pilha de nervos a cada nova cena de crianças sírias gritando de dor. Prefiro clicar no vídeo do Grizzly Bear (a ótima banda do Brooklyn, não a espécie ameaçada de extinção que frequenta o National Geographic Channel).

Mas a diferença é que a minha juventude não foi marcada pela escolha. A mídia de massa em rede, o jornal toda manhã na porta de casa, faziam a curadoria para mim e me impediam de ignorar a guerra civil na Síria, uma das grandes calamidades desta segunda década do milênio. A falta de escolha aqui não é sinônimo de opressão. Foi libertadora porque me expôs a uma realidade muito mais complexa do que a acessada pelo adolescente da solidão de seu quarto.

É impossível dissociar o crash de 2008, que resultou em tanto trauma econômico mundial, da maneira customizada de consumir realidade. Basta ver o número de livros que apuraram a extensão da corrupção na elite financeira. Eles são, na prática, reportagens tardias sobre o que se passava na nossa frente.

Então, leitor-que-poderia-ser-meu-filho(a): conto com seu contemporâneo americano para reeleger Barack Obama. Mas, se nós, apesar da diferença de idade, podemos nos esbarrar num concerto do Grizzly Bear, como vamos nos encontrar naquela outra praça? Falo da praça da história, da qual o jornalismo é a primeira versão.

Escândalo olímpico - EDGAR ALVES

FOLHA DE SP - 24/09


Comitê Rio 2016 diz ser pautado pela transparência, mas omite detalhes cruciais sobre caso de desvio de dados



O COMITÊ Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, comandado por Carlos Arthur Nuzman e que tem Leonardo Gryner como diretor-geral, afirmou em nota oficial que é pautado pelos princípios da ética, responsabilidade e transparência. Entretanto, omitiu por cerca de 40 dias o envolvimento de dez de seus funcionários no desvio de informações do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012 (Locog, na sigla em inglês).

Os membros da organização brasileira se esquivam de vir a público para dar esclarecimentos mais precisos de como se deu o ato criminoso. Aliás, é bom lembrar que o caso só foi revelado pela atitude do colunista da Folha Juca Kfouri, que obteve as informações e as colocou em seu blog no UOL.

Os meios de comunicação apontam que dez funcionários do Rio 2016 foram afastados, mas faltam detalhes cruciais, mantidos a sete chaves pela organização olímpica. O principal deles: quem teria dado a ordem para a operação criminosa? Quem teria dirigido a patética ação? Os dez envolvidos, que trabalhavam em áreas distintas, agiram por iniciativa própria numa tremenda coincidência? Ou foi uma operação organizada para colher informações de vários setores? Houve ou não risco de tais informações terem chegado às mãos de terceiros, que poderiam tentar vendê-las ao próprio Comitê Rio 2016? A falta de transparência num caso dessa natureza só faz alimentar dúvidas e suspeitas.

A mídia internacional noticiou a descoberta dos desvios, a primeira mancha na, até então, aparentemente segura e tranquila organização dos Jogos no Rio. O governo federal, que investe bilhões na Olimpíada, não se manifestou sobre o caso. E o Ministério do Esporte, sob direção de Aldo Rebelo, informou que não comentará. Incrível é que o mesmo Rebelo, durante os Jogos de Londres, não vacilou em palpitar, inclusive, em desempenho possível do time nacional no Rio. Mas lá, creio, tudo era festa, fantasia.

A curta nota do Comitê Rio 2016 basicamente confirmou a denúncia do blog e acrescentou que contou com 200 representantes em Londres por ocasião da Olimpíada e da Paraolimpíada, disputadas entre 27 de julho e 13 de setembro. "Os envolvidos foram identificados e as lideranças do Rio 2016 e do Locog agiram de forma conjunta, coordenada e rápida para reparar a situação. Todos os arquivos foram recuperados e devolvidos." E os envolvidos desligados. O crime foi identificado na Olimpíada, mas o grupo ficou em Londres até a conclusão dos trabalhos e só foi demitido no Brasil.

O encontro de novembro, no Rio, no qual haverá apresentações sobre a experiência de organização dos Jogos de Londres, já tem um tema desafiador: os riscos da transferência de conhecimento. Das informações ilegais, é claro! E do golpe brasileiro.

Contas & contos - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 24/09

Nessas duas semanas que antecedem as eleições municipais, o cidadão brasileiro ouvirá um mar de promessas difícil de cumprir. Basta ver as contas do ano que vem. Acabam de sair do forno as primeiras análises técnicas dos consultores do Legislativo a respeito do Orçamento de 2013. A versão preliminar do relatório da receita, por exemplo, indica que deputados e senadores terão dificuldades em encontrar uma forma de inflar recursos para atender mais emendas do Legislativo. Já na primeira linha do estudo divulgado essa semana, os analistas informam que a proposta orçamentária do ano que vem chegou ao Congresso com parâmetros desatualizados. Portanto, a peça orçamentária, vista sempre como uma obra de ficção, está pior do que as versões anteriores. Os técnicos informam que a peça do governo enviada a menos de um mês “subestima a inflação e superestima o crescimento” real da economia, tanto neste ano quanto no próximo.

Em relação a este ano, a proposta cita um crescimento de 3%. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, invariavelmente otimista, anunciou dia desses que o crescimento não chegará a 2%. No quesito inflação, o texto cita 4,7%. O índice já acumula 3,18 até agosto e 5,24% em 12 meses. Para 2013, o mercado projeta uma inflação de 5,5%.

As receitas também não estão lá aquela festa, embora o governo tenha a cada ano arrecadações recordes. Este ano, desde o decreto de programação financeira, editado em fevereiro, até julho, a estimativa da receita recuou R$ 23,2 bilhões. Para completar, as economias governamentais em 12 meses ficaram pouco acima de 1,8% do PIB e a situação dos estados e municípios vai mal. “Dos R$ 42,8 bilhões que lhes caberia economizar, acumularam apenas R$ 19,2 bilhões até julho.”

Enquanto os técnicos ainda avaliavam os dados disponíveis na proposta orçamentária, o mês de setembro passou trazendo novos fatores para essas contas. As medidas de concessões de energia, por exemplo, editadas depois que o texto do projeto de lei orçamentário desaguou no Congresso, representarão “um impacto negativo de R$ 3,3 bilhões, a serem acomodados no Orçamento”, dizem os técnicos.

E há outros fatores complicados, como algumas receitas colocadas ali sem que os congressistas levem a menor fé na arrecadação, caso da alienação de imóveis da União, com a qual o governo prevê arrecadar quase R$ 4 bilhões. Da parte das despesas, há aquelas que o governo certamente terá que não estão elencadas, como os já conhecidos R$ 3,9 bilhões para compensar estados exportadores, dentro da Lei Kandir. O Fundo de Previdência privada do Servidor público (Funpresp) também não está contemplado. Por essas e outras, leitor, muito cuidado com as promessas que você ouve no horário eleitoral. A depender do caixa da União, a maioria não vai sair do papel.

Enquanto isso, em Brasília…

O Senado tenta votar esta semana a indicação de Teori Zavascki para o Supremo Tribunal Federal. Há quem diga que o novo ministro terá muito o que contribuir na hora de definir as penas a serem aplicadas aos réus do mensalão. Vamos aguardar.

E em Nova York…

O mensalão e as eleições esquentam, enquanto a presidente Dilma Rousseff passa a semana focada na política externa e na economia. Segue sua pauta na Abertura da 67ª Assembleia Geral da ONU de olho no futuro. Afinal, se for candidata à reeleição, precisará de ter as contas em dia e a imagem altiva, de quem está acima do mensalão ou do clima exacerbado deste pleito municipal. Mas há quem diga que ela ainda pisará nos palanques neste primeiro turno, especialmente em São Paulo e Belo Horizonte, onde o PT está em franca desvantagem nas pesquisas.

Essas aparições, a depender da agenda, conforme já dissemos aqui, será do tipo “passa lá em casa, mas não dá o endereço”, ou seja, apenas para constar, sem muita repercussão ou peso na visão do eleitor. Basta ver que, no passado, Lula presidente não conseguiu transferir votos para eleger prefeitos na maioria das capitais. Sinal de que, quando se trata da sua cidade, o eleitor dispensa padrinhos que não estejam diretamente vinculados ao seu dia a dia. Nesse sentido, Dilma, por mais que seja mineira, não é tida como alguém hoje vinculada ao dia a dia dos habitantes de São Paulo ou mesmo de Belo Horizonte.

A esquerda venceu? - RENATO JANINE RIBEIRO


Valor Econômico - 24/09


A esquerda venceu? A esquerda perdeu? Um balanço das últimas décadas permite argumentar numa direção e noutra. Vou propor uma distinção, para sugerir que a esquerda política perdeu, enquanto a esquerda que chamarei de comportamental venceu.

As mudanças na vida pessoal - o que hoje é denominado "comportamento", termo que uso aqui por simples comodidade - foram enormes no último meio século. Na década de 1960, homossexuais eram mal vistos em quase todo o Ocidente, mulheres eram cidadãs de segunda classe, negros muitas vezes não eram sequer respeitados como cidadãos e, para resumir, quem adotasse uma postura não convencional em face da vida enfrentava dificuldades que podiam ser grandes. Os 50 anos transcorridos desde então conheceram uma mudança nas atitudes das pessoas sem precedentes na história do mundo.

Boa parte dessas bandeiras foi desfraldada pela esquerda. Ela foi radical contra o racismo. É verdade que não foi unânime em favor das mulheres nem dos homossexuais, mas seguramente a maior parte da esquerda apoiou as causas delas e deles; e certamente a proporção de direitistas que defenderam a emancipação feminina e o respeito à orientação homossexual foi bem inferior à proporção de esquerdistas assumindo tais valores. Sem dúvida, havia pessoas à esquerda que achavam que homossexualismo era vadiagem, mas eram menos numerosas do que os direitistas que o condenavam como pecado. Sem dúvida havia gente à esquerda que considerava a defesa dos direitos das mulheres como um desvio em relação ao conflito principal, que seria a luta entre capital e trabalho - mas isso porque esperava que a vitória do socialismo traria, automaticamente, a solução dos problemas das mulheres. Isso, claro que em linhas gerais.

Ela mudou mais o comportamento do que a política

Hoje, essas causas venceram, não totalmente mas em larga medida. Continua havendo crimes de ódio contra homossexuais. O machismo está presente em nossa sociedade e em outras. Fora do Ocidente expandido, a situação é sem dúvida pior, mas pelo menos nesta parte do mundo a esquerda que chamei de comportamental conseguiu emplacar várias de suas causas. Mas ela venceu justamente porque essas questões deixaram de ser de esquerda e se tornaram universais.

Talvez seja por isso que no Brasil, enquanto a sociedade politizada se cindiu de maneira talvez irremediável entre PT e PSDB, esses dois agrupamentos coincidem o mais das vezes na defesa dos direitos humanos. Alguns colunistas de jornal que atacam com veemência o governo petista estão mais perto dele na defesa do meio ambiente, dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Essas causas nasceram na esquerda, mas se expandiram. É verdade que os agrupamentos políticos de base religiosa não seguem esse caminho, e que - sobretudo nos Estados Unidos - eles obtêm uma votação preocupante. Também é verdade que em nosso país o segundo turno de 2010 foi sequestrado por uma discussão arcaica sobre o aborto, o que o converteu na disputa de ideias mais rasa de nossa história recente. Mas na postura política mais civilizada temos a vitória de ideais que, aliás, foram de esquerda mais no sentido de uma sensibilidade ampla do que no de pertencerem a um partido ou outro. Porque os temas que enumerei nunca foram propriamente partidários. O único partido minimamente importante que já se organizou em torno de uma dessas causas foi o Verde, que só chefiou um governo nacional uma vez - dez meses na Letônia.

Quantos lembram como começou Maio de 1968, na França? O ministro da Juventude do general De Gaulle foi inaugurar uma piscina em Nanterre, em 8 de janeiro daquele ano. Um estudante alemão, Daniel Cohn-Bendit, interpelou-o. Disse que fazer piscinas era uma aposta nazista para reprimir sexualmente os estudantes. Tudo começou aí. Cohn-Bendit não estava errado, mas o próprio fato de que essa frase chocará ou fará rir nove em dez leitores mostra que hoje as aulas de educação física já não são cogitadas para esgotar a energia de natureza sexual dos jovens. Hoje, ter uma vida sexual ativa não é mais uma causa rebelde ou revolucionária.

Para a esquerda política, porém, as coisas são bem diferentes. É verdade que em toda a América Latina é mais fácil ser de esquerda hoje do que nunca no passado. Os governos importantes da América do Sul, salvo Chile e Colômbia, são de esquerda. Políticas de conteúdo social se tornaram irrenunciáveis. Sindicatos e movimentos sociais não são mais reprimidos a bala, pelo menos não como praxe. Todos esses são avanços da esquerda, mas por outro lado ninguém hoje disputa seriamente o poder propondo o fim da propriedade privada dos meios de produção.

O projeto de uma sociedade socialista sumiu ou pelo menos recuou. Em 2008, quando o mundo da utopia neoliberal faliu, acarretando um desastre econômico e social, não havia proposta alternativa pela esquerda. Não tinha havido uma crítica em regra da teoria marxista, que levasse a um novo projeto passível de empolgar as massas. Não tinha havido uma atualização das propostas radicais, que, com frequência, são apenas as mais antigas. Para os pobres traz resultados mais imediatos a política de cooptação de seus movimentos pelo capitalismo, iniciada por Lula, do que os ideais puros e duros de um PSOL. Quando os grandes partidos do centro para a esquerda, como o socialista francês ou o PT, aceitam princípios do neoliberalismo, então a esquerda política vive um momento de eclipse. Para sair dele, precisará propor uma nova sociedade, em escala macro, mas como fazer isso? Ela avançou no microssocial, mas hoje não se sabe como retomar seus sonhos para a sociedade como um todo.

Desliguem as câmeras no STF já - GUILHERME FIÚZA


REVISTA ÉPOCA

O julgamento do mensalão está pondo a democracia em risco, porque está todo mundo vendo. O alerta do se­cretário de comunicação do PT, André Vargas, deputado pelo Paraná, é preocupante. Ele denuncia as transmissões ao vivo do Supremo Tribunal Federal como um perigo para as instituições, as pessoas e os partidos. Esse negócio de ficar mostrando as coisas como elas são, na hora em que aconte­cem, ainda vai dar problema.

Tudo era muito melhor antes de Roberto Jefferson abrir a janela e deixar a luz entrar. Na penumbra, sem ninguém de fora ver nada, a democracia estava mais protegida. Os negócios patrióticos que corriam de lá para cá pelo valerioduto teriam prosperado, e certamente haveriam pula­do da casa dos milhões para a dos bilhões. No que a TV mostrou e a imprensa publicou, aquele promissor proje­to nacional escorreu pelo ralo. Um prejuízo incalculável.

André Vargas diz que o julgamento no STF virou “quase um Big Brother da Justiça”. Com a habilidade de comuni­cador que fatalmente tem um secretário de comunicação, ele sugere que aquilo que se passa na corte suprema do país é uma palhaçada. Sua imagem nos permite imaginar que, a qualquer momento, os juizes tirarão suas capas e mergulharão de sunga na piscina, exibindo seus músculos, seus planos para a festinha de logo mais e suas intrigas para jogar o colega ao lado no paredão.

É uma sólida argumentação. Realmente, fora do circo, as palhaçadas só deveriam ocorrer entre quatro paredes. Sem transmissão ao vivo. A palhaçada da cúpula do PT, com Marcos Valério transferindo dinheiro do Estado para o partido, não tinha nada de vir a público. Era um assunto privado deles, ninguém tinha nada com isso. E o fato de a operação envolver dinheiro do povo não tinha o menor problema. Eles tinham sido eleitos por esse povo para fa­zer o que sabiam fazer. Estavam, portanto, cumprindo seu compromisso democrático. Tanto que, depois disso, foram eleitos novamente duas vezes para dirigir o país. Cada povo tem os palhaços que merece.

Só não fica bem, como disse André Vargas, botar essas coisas na televisão. Se a família está jantando, a comida pode não cair bem. E um risco para a democracia e para o estômago dos brasileiros. Para que viver perigosamente?

Democratas deste Brasil grande, interrompam ime­diatamente a transmissão das sessões do Supremo. De­tenham enquanto é tempo esse atentado às instituições e às pessoas de bem. Não é preciso tanta pressa para saber o que se passa no Tribunal. Vamos deixar as coisas se acalmar, a febre baixar e o povo se distrair com outra coisa. Papai Noel não demora, depois tem o Carnaval, e aí começa a contagem regressiva para a Copa do Mun­do no Brasil. Ninguém vai querer que este país sedie o maior evento do mundo com sua democracia em risco. Desliguem as câmeras no STF já!

Outro brasileiro que subiu o tom em defesa da de­mocracia foi o senador Jorge Vianna, do PT do Acre. Ele era um político moderado, equilibrado, conhecido pela sensatez. Mas tudo tem limite. Depois que o nome de Luiz Inácio da Silva começou a circular no Supremo, e que declarações atribuídas a Marcos Valério colocaram o ex-presidente no topo da palhaçada, o senador mansinho virou bicho. Assim como seu colega André Vargas, pôs o dedo na ferida: isso é um golpe da elite preconceituosa.
Para os não iniciados, é bom esclare­cer: “elite”, no dicionário do PT, é um ter­mo figurativo muito importante para os ladrões do bem, que os mantém na condição de milionários oprimidos. Eles têm o poder - mas “elite” são os outros.

É um conceito que funciona bem há bastante tempo, e em time que está ganhando não se mexe. A outra palavra- chave desse dicionário é “preconceito”. Luiz Inácio da Silva é o filho do Brasil, vítima da “elite”. Se você tiver “preconceito” contra a montagem de um governo qua­drilheiro, esqueça. Você estará sempre discriminando o pobre homem bom. Não importa quantos valeriodutos atravessem a biografia dele.

Como já decretara o nosso Delúbio, o mensalão é um gol­pe da direita contra o governo popular. Jorge Vianna, André Vargas e grande elenco petista estão dizendo: pelo amor de Deus, continuem acreditando nisso, senão estamos fritos.