sexta-feira, agosto 31, 2012
As religiões diante das crises globais - WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 31/08
Não há mais dia em que não estejam na comunicação notícias, análises, debates sobre as várias crises em que estamos mergulhados - da água, das mudanças climáticas, da desertificação, da perda da biodiversidade, do consumo excessivo no mundo, já além da capacidade de reposição do planeta -, agravadas pela perspectiva de que mais 2 bilhões de pessoas venham somar-se aos 7 bilhões de atuais viventes, 1 bilhão dos quais passa fome e mais de 2 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza. Como sair desse quadro dramático, quando as únicas instituições universais de que dispomos - como a Organização das Nações Unidas (ONU) - se veem paralisadas diante da falta de consenso entre os países e as pessoas, que impede a tomada de decisões globais? Que fazer, se conflitos armados continuam a eclodir e podem ampliar-se? E que atitudes adotar diante de ameaças novas, como a da guerra cibernética?
A política, a ciência, a economia não vêm obtendo êxito com muitas das respostas a questões dessa natureza que vêm propondo em muitos lugares, muitos fóruns de discussões. Mesmo quando ocorre uma aprovação em princípio, a prática não consegue avançar, dadas as contradições e divergências entre países, blocos, instituições, governos, etc., cada um deles tentando fazer prevalecer os seus interesses específicos, isolados. Seria interessante ouvir outras propostas. Por exemplo, a palavra das religiões, os caminhos que propõem, eventuais êxitos que tenham conseguido aqui e ali, neste ou naquele terreno - já que em seu dia a dia cuidam de questões éticas, morais, posturas baseadas em princípios religiosos.
Por isso mesmo, convidado, há poucos dias o autor desta linha participou na capital paulista, na Aliança Cultural Brasil-Japão, e com a participação de filósofo, psicólogos e de professores também do Japão, de Taiwan e do Havaí, de um "Fórum sobre Humanismo", em que a pergunta central era esta: "Qual é a verdadeira natureza do ser humano?". As razões das crises globais de hoje e os caminhos para enfrentá-las estiveram no centro das discussões.
Um dos pontos de partida foi a afirmação de que na base dos conflitos está a "dificuldade de conviver com o diferente", ao lado do pensamento de que "a ciência é a certeza que move o mundo" - pois, ao mesmo tempo que oferece soluções brilhantes para problemas em tantas áreas, é capaz de criar tecnologias complicadoras da vida, estimuladoras do consumo supérfluo, quando não gera catástrofes com bombas nucleares e outras armas de destruição em massa. São alguns dos caminhos que, paralelamente, criam dificuldades de conviver com o próximo e, ao mesmo tempo, a arrogância, a certeza de que a engenharia genética, por exemplo, será capaz de tudo resolver, como observou um dos mestres participantes.
A prática religiosa, foi dito, precisa levar as pessoas a se perguntarem se o ser humano é superior a outras espécies; precisa inflá-lo de coragem para o diálogo; colocar perguntas óbvias, como a de que não é possível fazer a guerra em nome da paz, atropelando outros seres; meditar sobre questões decisivas a respeito do convívio com a natureza, as espécies, os hábitats - e deixar de se ver como o centro de tudo, tendo o ego como a razão central do universo. "Só quando começamos a nos comparar com o que está fora de nós - deixando de olhar apenas para nós mesmos - conseguimos abrir caminhos para a harmonia (...). Todo mundo tem sabedoria (...). Mas se pensarmos que só a ciência é a verdade e o princípio é o eu, pode-se caminhar em direções perigosas", ponderou um dos palestrantes.
Parece óbvio que todos esses pontos de partida precisam estar sobre a mesa, numa hora de tantas crises de gravidade extrema. Mas como fazê-los prevalecer sem a imposição de leis, políticas, etc.? Que fazer quando, mesmo no auge de campanhas eleitorais, como agora, os temas acabam minimizados ou obscurecidos pelos próprios candidatos, temerosos de que o confronto com pensamento diferente os leve a perder votos? É imperioso que as próprias religiões tragam a público as discussões, manifestem suas posições a respeito do que estamos vivendo. Para que a sociedade se mova e obrigue governantes a agir.
Para ficar em apenas um dos temas mencionados no início deste artigo, não é possível esperar que só em 2015, como está acertado na Convenção do Clima, os países-membros cheguem a um compromisso para entrar em vigor apenas em 2020 e leve à redução de emissões que contribuem para desastres climáticos. Os desastres já estão aí, a elevação da temperatura da Terra, também. Da mesma forma que outros problemas: a umidade do ar, cuja queda a apenas 10% obrigou à decretação do estado de emergência na capital paulista em 21/8; as emissões de gases em áreas urbanas do Brasil, que representam 23% do total na América Latina (Estado, 22/8); ilhas de calor que já afetam cidades médias paulistas, segundo a Universidade Estadual Paulista (Folha de S.Paulo, 2/8); o número de dias com temperaturas acima de 30 graus Celsius, que aumentou 34% em 50 anos.
Um dos principais especialistas em clima e assessor do governo britânico, Bob Watson, afirma (BBC News, 23/8) que está fora de possibilidade, marcada por otimismo excessivo, a visão de que a temperatura terrestre subirá somente até 2 graus em meados do século; a seu ver, ela pode subir até 5 graus. A própria ONU, a Organização Meteorológica Mundial, a Convenção de Combate à Desertificação pedem urgência a todos os países nos esforços para enfrentar a temporada de secas extremas no Hemisfério Norte, que poderá levar à perda de 35% na safra de soja, agravando ainda mais a fome no mundo.
Não há um segundo a perder nas emergências que já estão diante de nós. E é preciso que todas as instâncias - a religiosa incluída - estejam empenhadas em mudanças de paradigmas que nos levem a soluções verdadeiras. Pode parecer patético enveredar por aí. Mas essa é a tarefa inescapável das atuais gerações.
O fim da metafísica - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 31/08
SÃO PAULO - A função do médico é preservar a vida do paciente, de modo que qualquer conduta que vá contra esse princípio é condenável. Essa é uma ideia simples, cativante e errada. O mundo é um lugar bem mais complexo e nuançado do que sugerem nossos esquemas mentais.
É mais do que bem-vinda a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que faculta a pacientes registrar em seus prontuários os procedimentos aos quais não querem ser submetidos. Em tese, isso lhes permitirá evitar intubações, choques elétricos e outras técnicas invasivas que podem prolongar a agonia do doente terminal. É uma medida necessária, mas que chega com décadas de atraso e apenas arranha o problema das decisões de fim de vida.
A dificuldade maior é que as fronteiras entre a ortotanásia (não aplicar tratamentos fúteis, atitude que o CFM aprova) e a eutanásia (quando o médico toma medidas que aceleram o óbito, legalmente considerada um homicídio) são tudo, menos claras. Frequentemente, a fim de evitar que o paciente sinta dor, faz-se necessário elevar o uso de sedativos. Só que uma sedação mais profunda favorece o surgimento de complicações fatais. Se as drogas utilizadas forem da classe dos opioides, elas podem provocar diretamente uma parada respiratória. Em que medida o médico precipitou a morte? E, se não o faz, é legítimo deixar o paciente sofrer?
Tentar responder a esse tipo de questão é um exercício metafísico que até pode ser intelectualmente estimulante, mas que não produzirá critérios inequívocos de decisão.
Minha sugestão é que abandonemos toda metafísica e estabeleçamos de uma vez por todas que cada qual é dono de sua própria vida, podendo dela dispor como preferir. Isso significa que, se quiser, o paciente deve ter o direito de receber doses letais de sedativos e analgésicos. O bonito dessa solução é que, ao não impor crenças externas a ninguém, maximiza a liberdade de todos.
"Mais unhas há" - MARIA CRISTINA FERNANDES
Valor Econômico - 31/08
Decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello foi o único da atual composição da Corte a participar do julgamento de Fernando Collor de Mello em 1994. Fez um fundamentado voto contra a licitude das provas obtidas pela investigação policial e parlamentar - as planilhas do esquema PC Farias de desvio de dinheiro público, apreendidas nos computadores do então tesoureiro:
"A absoluta ineficácia probatória de elementos de convicção - cuja apuração decorreu, em sua própria origem, de comportamento ilícito dos agentes estatais - torna imprestável a prova penal em questão, subtraindo-lhe, assim, a possibilidade de fundamentar, como apoio exclusivamente dela, qualquer eventual condenação de índole penal" (13/12/1994).
O ex-presidente tinha sido cassado pelo Congresso Nacional num dos momentos de maior mobilização cívica da República. O voto de Mello contribuiu para a absolvição do ex-presidente e lhe permitiu a retomada da carreira política.
Rigor terá que se manter mesmo sem os holofotes
Egresso do Ministério Público, Mello havia sido indicado pelo ex-presidente José Sarney para o cargo. Tinha, à época, 49 anos e estava havia cinco na Corte. Dali a mais cinco assumiria a presidência como o mais jovem ministro a ocupar o cargo. Desde então só viu crescer entre seus pares e advogados o respeito pelo saber jurídico e pela independência com que se conduz no tribunal.
Na quarta-feira, Mello deu um longo e igualmente fundamentado voto pela condenação dos réus do primeiro capítulo do mensalão. Nele, reconhece a eficácia de provas colhidas pela polícia federal e pela Comissão Parlamentar de Inquérito, desde que sejam complementares àquelas que passam pelo contraditório.
Ao corroborar com a denúncia do Ministério Público, Mello fez uma aguerrida defesa da necessidade de o Judiciário não se manter indiferente ao lamaçal. Foi muito mais duro do que 18 anos atrás:
"Agentes públicos que se deixam corromper, qualquer que seja sua posição na hierarquia do poder, e particulares que corrompem os servidores do Estado (...) são eles corruptos e corruptores, os profanadores da República, os subversivos da ordem institucional, são eles os delinquentes marginais da ética do poder, são os infratores do erário que trazem consigo a marca da indignidade e portam o estigma da desonestidade".
Mudou Celso de Mello, mudou o Supremo ou o Brasil? A julgar pelas declarações dadas pelo ministro a Juliano Basile e Caio Junqueira antes do julgamento (Valor, 2/8/2012), mudaram os brasileiros: "Hoje a reação é mais intensa do que no caso Collor".
A pressão sobre este julgamento do caso de corrupção com o maior número de réus que já chegou ao Supremo se dá mais pela extensa cobertura da imprensa do que pela mobilização social. Ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, o advogado Marcelo Nobre diz que a primeira resposta do julgamento a esta pressão é que o Supremo não se deixa aparelhar tão facilmente por quem indica seus ministros. Basta ver que dos seis indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quatro já endossaram as condenações do maior escândalo político de seu governo.
Nobre não tem dúvidas de que o descrédito acumulado pelo Judiciário nas últimas décadas o impulsionou a assumir um papel mais político, mas indaga o que acontecerá com a jurisprudência firmada no caso - não apenas quando se reduzirem os holofotes sobre a Corte mas também, e principalmente, com as repercussões na primeira instância onde as luzes sempre estão desligadas.
Ainda é cedo para concluir se o rigor do Judiciário com corruptos e corruptores vai tornar a política mais decente mas talvez já se saiba que seu jogo vai ficar mais duro.
A disputa política judicializou-se a despeito de uma jurisprudência garantista. Agora que o Judiciário entrou no jogo é de se imaginar que a política ganhe ainda mais intimidade com os tribunais.
As desacreditadas CPIs, por exemplo, ganham um novo fôlego com essa primeira rodada do julgamento. Os ministros foram majoritários na aceitação de provas lá produzidas.
O entendimento também joga novas luzes sobre a aceitação do grampo como prova. Há duas operações da Polícia Federal, de amplas repercussões políticas, Castelo de Areia e Satiagraha, cuja validade está para ser decidida pelo Supremo porque baseadas em grampos que não teriam sido produzidos sob o amparo da lei.
O silogismo pode parecer simplista, mas se o Supremo aceita as provas da CPI e esta acata grampos em seus inquéritos, o Supremo também os validará?
Víctor Gabriel Rodríguez, professor de Direito Penal da USP, vê com naturalidade que fronteiras menos nítidas se desenhem entre os poderes da República. A Constituição já o previra ao submeter a escolha dos ministros do Supremo ao Executivo e sua aprovação, ao Congresso. Mas teme o desgaste a que a Corte possa se submeter por exposição excessiva. Em alguns dos votos que acompanhou do julgamento, Rodríguez teve dúvidas se os ministros dirigiam-se aos pares de seu colegiado ou ao telespectador.
Ao contrário dos demais, no Judiciário desgaste não se resolve no voto. Para evitá-lo, só restará aos ministros votar com o mesmo rigor que agora se aplica a tantos quantos chegarem às suas portas, esteja ou não sob pressão da opinião pública.
Na sessão mais importante da semana, o ministro Celso de Mello citou "A Arte de Furtar", escrito em 1654 por um ministro da Corte de Suplicação portuguesa. Nele, Antonio de Souza de Macedo fala das unhas agudas, bentas, fartas, mimosas, vagarosas, corteses, tímidas e insensíveis dedicadas ao ofício.
Por mais variadas que fossem não esgotariam seus propósitos. No último capítulo do livro, denominado "Desengano geral a todas as unhas", o colega setecentista dos magistrados brasileiros conclui: "Mais unhas há".
"Estava reservado ao nosso tempo ser testemunha disso", disse Celso de Mello em seu voto. Como o ministro está para se aposentar, deve se unir à massa de telespectadores que torce por um Supremo sem arranhões ao fim desta empreitada.
Supremo reforça independência entre Poderes - EDITORIAL O GLOBO
O Globo - 31/08
É raro parlamentares e políticos donos de cargos no Executivo serem julgados e receberam penas na mais elevada Corte do país. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) passou a ser um desses casos raros. Entra para a História como o primeiro ex-presidente da Câmara a ser condenado pelo Supremo, por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Passa a ser, também, o primeiro político petista graduado punido no julgamento do mensalão.
João Paulo faz parte da "fatia" inicial do processo avaliado pelo STF, na companhia de Marcos Valério, o operador do mensalão, e Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, sócios de Valério na agência de publicidade SMP&B, que, segundo acusação do MP federal, funcionou como lavanderia do dinheiro desviado para o esquema. Também compôs o grupo o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado pelos mesmos crimes, sendo também considerado culpado pelos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que inocentaram o deputado, Marcos Valério e sócios.. A absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken foi unânime.
Esgotada a primeira "fatia", em que foram examinados os contatos de João Paulo com Valério e associados, dos quais recebeu R$ 50 mil considerados propina para ajudar a SMP&B a obter contrato milionário com a Câmara, e o desvio de R$ 73,9 milhões de dinheiro público do Banco do Brasil/Visanet para o valerioduto, por meio de Pizzolato, o trabalho do STF ganha características especiais para a consolidação da democracia no Brasil.
Mesmo que nada esteja decidido, pois ministros podem mudar o voto no decorrer do julgamento, a tendência nas votações reforça algo essencial na democracia representativa, a independência entre os Poderes. Não importa qual presidente indica cada ministro: o Supremo, como está sendo demonstrado, tem condições de conduzir um processo como este, de visceral interesse do partido no poder há mais de nove anos, com absoluta seriedade e densidade técnica.
Neste início de julgamento, destaca-se a perspicácia de ministros no entendimento de que provas testemunhais e evidências são suficientes para condenar por "crimes da intimidade", nas palavras da ministra Rosa Weber - aqueles cometidos por quem tem poderes suficientes para escamotear provas. "O pagamento de propinas não se faz perante holofotes", disse a ministra.
Estabelecido que dinheiro público foi bombeado para o valerioduto, fragiliza-se a tese do "caixa dois" como delito menor. Cometido o crime de desfalque de dinheiro público, não importa seu destino. A autoridade, mesmo que nada dê em troca, não haja "ato de ofício", não se livra de culpabilidade na acusação de corrupção. Fica, então, abalada a ideia de que "não há provas" para condenar mensaleiros.
Serra! Rejeição leva no 1º turno! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 31/08
O Tufão só vai descobrir que é corno no "Vale a Pena Ver de Novo"! E o Tufão não quis comer a Carminha, ela deu pro Furacão Isaac!
E esta: "Avenida Brasil" vai mudar de nome pra "Avenida Santo Amaro", não acaba nunca! Ou então pra "Avenida Sapopemba" que vai até o numero 3.200.177!
"Avenida Brasil" virou "Avenida 23 de Maio", não anda! Aquela roupa branca da Carminha já tá encardida. Pierre Encardida!
E atenção! Ereções 2012! O Pleito Caído! A manchete do Sensacionalista: "Rejeição a Serra cresce e pode vencer no primeiro turno". E a rejeição do Serra é tão grande que ele chegou em casa e o cachorro mordeu ele!
Mas agora vai! O Serra vai ganhar mais cinco minutos de TV: vai apresentar o fantasmagoria do "Fantástico"! E o Serra é como rabo de cavalo: só cresce pra baixo.
Análise! O Serra tá perdendo porque ainda não apresentou o mais importante, o vice! Rarará!
E o Haddad tá tomando Viagra em gotas. Todo dia sobe um pouquinho! Todo dia ele vai na casa do Lula, bota a língua pra fora e o Lula pinga uma gota de Viagra. Florais! Rarará!
E a Marta? A Volta da Marta Viva! Adorei a entrada da Marta na campanha do Haddad: ela tá parecendo um quindim de padaria. Marta Quindão!
E porque o Russomano tá ganhando? O Russomano é da Patrulha do Consumidor! Tá explicado ou quer que eu desenhe? Rarará!
E sabe como se chama o TRE de Pernambuco? TRE-PE! Não vote! Trepe! Rarará! Acho que vou transferir meu título pra Pernambuco.
E adorei a Mulher Pêra: "Eu acho que vou SE eleger". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E o final de "A Fazenda "? Aquela criação de pelancas! Rarará! Quem devia ganhar era a lhama. A lhama cuspia nos participantes. A lhama cuspia por nós! E ainda comia de boca aberta como todas!
E eu sei o que a Viviane Araujo fez com o prêmio de " A Fazenda "! Comprou um tênis pro Belo. Ops, comprou um Belo novo. E botou aquele aplique pra lavar!
E um amigo acha que ela vai complementar aquela tatuagem do Belo com os dizeres: diga não a Belo Monte! Rarará! E a lhama era a mais gostosa de todas! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Prazo de validade - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 31/08
O governo Dilma anunciou, na quarta-feira, a prorrogação da isenção (ou da redução) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, máquinas, materiais de construção e aparelhos domésticos.
O objetivo imediato é estimular o consumo, para que o setor produtivo possa recuperar fôlego e, assim, apresentar algum resultado nos quatro meses restantes do ano.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez ampla defesa da decisão tomada. Chegou a dizer que, além de não prejudicar a solidez das finanças públicas, a renúncia tributária favorece a economia, na medida em que promove comércio que não aconteceria e é aplicada com a contrapartida de garantia de emprego.
No entanto, essa política de distribuição de favores a alguns setores da economia - e não a todos - tende a trazer mais incertezas do que benefícios.
Boa parte da elevação da nova procura de bens de consumo duráveis ou de bens de capital corresponde à antecipação de vendas. Quem aproveita uma redução de impostos para comprar um carro, uma geladeira, uma máquina ou materiais de construção não deve repetir tão cedo operação desse tipo. É também compra que não será feita quando o imposto voltar com era antes. O ministro Mantega reconhece que o mau desempenho do setor produtivo interno é consequência da grave crise global que, no entanto, deverá durar pelo menos por mais um ou dois anos. Enfim, o estímulo não pode funcionar como motor de arranque que coloque o veículo em movimento. Se a crise continuar segurando o setor produtivo, não há como esperar eficácia desse dispositivo. Em outras palavras, a recuperação da atividade econômica não parece, por si só, sustentável.
O segundo problema vem com a eleição arbitrária de favorecidos. Se todo o sistema produtivo enfrenta suas limitações e se todo o mercado de trabalho é prejudicado por uma crise, por que apenas meia dúzia de setores pode contar com desonerações ou reduções tributárias? Não há nenhuma razão especial para que o negócio de veículos ou o de aparelhos domésticos atraia em seu benefício um pedaço maior do salário ou do crédito do consumidor e que os demais setores (têxteis, calçados, alimentos, medicamentos, etc.) tenham tratamento menos favorecido. Por que é melhor para a economia que o consumidor gaste suas disponibilidades, por exemplo, com um fogão novo e não com o enxoval da filha? Nesse sentido, fica incompreensível que os líderes empresariais, representantes de todo o setor produtivo e não só de uma parte, aplaudam essas iniciativas temporárias e parciais.
São decisões que criam insegurança. Não é somente o planejamento da economia que exige condições de longo prazo. A saúde de qualquer negócio requer regras estáveis. Não pode depender da distribuição de antibióticos com prazo incerto de validade, sujeita à boa vontade de quem estiver no comando ou da força de reivindicação dos lobbies da hora. Como gerenciar um fluxo de caixa ou uma carteira de encomendas, se a cobrança de um tributo tão importante como o IPI pode ou não ser suspensa ou se determinadas isenções podem ou não ser prorrogadas?
Além disso, se esses benefícios tributários são tão bons como assegura o ministro, então é preciso pensar em torná-los permanentes.
Presos e soltos - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 31/08
RIO DE JANEIRO - Mark Chapman, que matou John Lennon em NY, em 1980, preso e condenado à prisão perpétua, viu negado outro dia seu sétimo pedido de liberdade condicional. Os juízes reconheceram que, em 31 anos de prisão até agora, Chapman teve "bom comportamento" e revelou "remorso". Mas "sua libertação, neste momento, solaparia o respeito à lei e tornaria trivial a perda trágica de uma vida, causada por um crime atroz, não provocado, violento, frio e calculado".
Chapman tinha 25 anos quando disparou contra seu ídolo na porta do edifício Dakota. Hoje está com 57. Só poderá pedir de novo a condicional daqui a dois anos, e é certo que esta continuará a lhe ser negada. Talvez nunca mais saia. Mas o que ele queria, conseguiu: desde 8 de dezembro de 1980, nunca mais se escreveu John Lennon sem mencionar Mark Chapman.
Já a missionária americana Dorothy Stang teve a má sorte de ser assassinada no Brasil -em 2005, no Pará, em meio a uma disputa por terras. Regivaldo Pereira Galvão, vulgo "Taradão", condenado em 2010 a 30 anos de prisão em regime fechado como mandante do crime, recorreu e foi solto na semana passada, por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Considerou-se que "Taradão" só poderá ser preso quando não couber mais recurso. Outro condenado pela morte da missionária está foragido.
E, em Oslo, Noruega, o extremista Anders Behring Breivik, assassino confesso de 77 pessoas em 2011, foi condenado à pena máxima de 21 anos. Mas tanto pode ficar para sempre na cadeia quanto ser posto em liberdade se se provar "reabilitado". Ao ouvir a sentença, ele se desculpou por ter matado "apenas 77 pessoas".
No Brasil, Mark Chapman já estaria solto. Nos EUA, "Taradão" continuaria preso. E, nos dois países, terminada a chacina, Breivik teria sido passado na bala pela polícia.
O mensalão e o cavalo de Tolstoi - FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 31/08
Para os formalistas russos, grande parte de nosso cotidiano é vivida de forma inconsciente e automática. A arte é a melhor maneira de acordar dessa hipnose, mostrando-nos que uma pedra é uma pedra. Eles valorizavam táticas de distanciamento, como as de Tolstoi, por exemplo, que analisou as fragilidades humanas a partir da perspectiva de um cavalo. Uma das frases do equino: "A ação dos homens, pelo menos daqueles com quem tive contato, é determinada por palavras, e não por fatos".
Ao avaliar uma viagem de observação pelo processo eleitoral que se inicia, pressenti que tanto as eleições como o julgamento do mensalão são vistos com uma certa distância pelo homem comum. O mais interessante, ao refletir sobre as cidades que visitei em Estados distintos, é constatar também que o júri do mensalão e as eleições são fenômenos independentes.
Dominada pelas alianças e rivalidades municipais, as eleições têm uma dinâmica própria. O esforço para adiar o júri foi inútil. A impressão que tenho, até o momento, é de que o PT vencerá nas cidades onde venceria e perderá naquelas em que a tendência é de derrota. Apesar do mensalão. A única cidade em que o júri tem impacto direto é Osasco, onde o réu João Paulo Cunha (PT-SP) é candidato a prefeito. Ainda assim, suspeito que ele tendia a perder, mesmo sem julgamento.
Como se diz na Fórmula 1, o circo está se armando. Faixas e cartazes nas ruas, uma pequena multidão empregada sazonalmente, assessores pendurados nos celulares, carros de som, slogans: vote em Zé da Padaria, no Renato do Gás, no Isaac da Cesta Básica... E as pessoas olhando, desconfiadas.
O fato novo que esquenta o tom dos candidatos é a fragmentação da própria aliança nacional. Vi isso em Belo Horizonte, onde PT e PSB se separaram. Leio que é o mesmo no Recife, onde a aliança também se rompeu. Quando a separação é muito recente as emoções são mais intensas.
O caso mais curioso de fragmentação se dá em Juazeiro, na Bahia. O candidato do PT a prefeito, Joseph Bandeira, faz sua propaganda eleitoral normalmente, mas o partido apoia o candidato do PCdoB e lançou um vice na sua coligação. O PT tem um candidato a prefeito numa chapa e um candidato a vice em outra! Um dia a Justiça Eleitoral vai ajustar esse disparate. Até lá a campanha será animada pelo pitoresco.
Nas ruas fala-se pouco da disputa. A coisa ainda não pegou, apesar do início da propaganda na TV. Fala-se do mensalão, mas a esperança deserdou a política e se deslocou para a Justiça.
Em Vitória da Conquista, onde nasceu Glauber Rocha, pergunto-me se o júri do mensalão não pode ser visto como uma réplica da batalha do cangaceiro Corisco e Antônio das Mortes. Joaquim Barbosa, com sua capa preta, torturado por dores nas costas, denunciando implacavelmente o desvio de dinheiro público e Ricardo Lewandowski se esgueirando pela caatinga, fugindo, como Corisco, da origem do dinheiro, de sua trajetória obscura, fixando-se apenas na sua destinação, a campanha política. Os mensaleiros são uma versão perversa de Robin Hood, tiram dinheiro do povo para convencê-lo a votar neles.
"Quando fui à internet ver como esse Lewandowski era recebido", contou-me um professor baiano, "a máquina despejou uma tonelada de mensagens dizendo que ele ia jogar no Juventus da Itália. O futebol italiano e o craque polonês eram mais presentes que o mensalão e o ministro brasileiro".
Ainda na Bahia, um candidato de oposição me disse que não iria tocar no mensalão. Pra quê? Ali eles dividem o governo entre os partidos aliados e todos tiram proveito dos cargos que ocupam. Além do mais, os prefeitos dão emprego. Cada lugar tem o seu mensalão. Lembrei-me das cidades fluminenses onde os royalties do petróleo, segundo uma pesquisa do Ipea, serviram para contratar 30% dos funcionários. E também do desabafo do prefeito Márcio Lacerda sobre a voracidade do PT para ocupar os cargos em BH.
O mensalão é um estado de espírito nacional que dificilmente será rompido com as eleições. O que pode acontecer com o resultado do júri é uma lenta cicatrização das feridas e um discreto renascimento das esperanças políticas.
Esse quadro impreciso e fugidio não deveria impedir que os grandes e urgentes problemas urbanos fossem discutidos amplamente. Em todas as grandes e médias cidades por onde passei se falava de mobilidade urbana. E a mobilidade não se limita ao transporte coletivo. Ela pode acionar uma série de debates sobre o uso do carro individual, ciclovias, rodízios, pedágios, até a própria administração do tempo urbano, numa tentativa de reduzir o impacto do rush, em que todos circulam ao mesmo tempo.
Fala-se muito em saúde. Ela pode acionar também uma nova cadeia de discussões, que não se limite ao estado dos hospitais públicos. Saneamento, água contaminada, controle sanitário dos alimentos, áreas de lazer, políticas para a velhice, enfim, um quadro bem mais amplo.
As cidades crescem de forma desordenada e a política é um pássaro do entardecer, sempre atrasada. Há pessoas que pensam que vivem apenas em casa. Mas vivemos na cidade. Mesmo torturados por dores nas costas, teremos um dia de humanizar o caos urbano. Temo que esse dia ainda não seja em outubro.
Um passo da Justiça, no entanto, pode remeter-nos de novo aos tempos em que pedíamos eleições diretas porque acreditávamos não só no direito, mas na importância de votar. Um dos grandes feitos do PT e seus aliados foi trair o desejo de uma mudança que transcenda as necessárias melhorias materiais. Mas o desejo tem sete vidas.
"Jurando em dez estrelas/ sem santo padroeiro/ Antônio das Mortes/ matador de cangaceiro/ (...) Se entrega, Corisco/ eu não me entrego, não/ (...) eu me entrego só na morte/ de parabelo na mão". Em Deus e o Diabo na Terra do Sol, o filme de Glauber, a esperança sobrevive até na última frase de Corisco: "Mais fortes são os poderes do povo".
Uma curta mensagem aos salvadores de ontem, de hoje e de amanhã.
Luzes na ribalta - RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 31/08
No Brasil, a tarifa média da energia para a indústria é de R$ 330/MWh, quase 50% a mais do que em 27 países
A questão energética é crítica para o crescimento e o sucesso de uma nação. Em torno de 80% de toda a energia elétrica produzida no Brasil é gerada a partir de usinas hidrelétricas, uma fonte de energia limpa e totalmente renovável.
Se de um lado temos de festejar, do outro observamos que a energia tem sido muito cara para os consumidores do país. A construção das usinas hidrelétricas, bem como o sistema de transmissão e distribuição, é um investimento bilionário.
Para amenizar esse impacto nas contas públicas, o governo faz concessões com as empresas privadas e o investimento é recuperado, cobrando-se um valor adicional nas contas de luz. Assim, quem paga pela construção de todo o sistema é o consumidor.
A tarifa média de energia para a indústria no Brasil é em torno de
R$ 330 por megawatt/hora (MWh), quase 50% a mais do que a média de 27 países que têm dados disponíveis na Agência Internacional de Energia.
Se comparado com os demais países do Bric (Rússia, Índia e China), a diferença chega a 134% -lá, a média é de R$ 140,70. Na comparação com os países vizinhos da América do Sul, o Brasil perde novamente, pois aqui é 67,5% mais caro -nesses países, a média é de R$ 197,50, conforme estudo da Firjan.
Se considerarmos apenas a primeira parte da tarifa, que compreende os custos de geração, transmissão e distribuição, veremos que ela já supera os preços finais da energia nos três principais parceiros comercias do Brasil -China, Estados Unidos e Argentina.
Além disso, outros componentes críticos são os 14 encargos cobrados, que correspondem a 17% da tarifa final, e os tributos federais e estaduais (PIS/Cofins e ICMS), cuja alíquota média supera 30%.
A partir de 2015 está previsto o término de uma parcela significativa dos contratos relativos às concessões de transmissão, distribuição e geração, de instalações as quais já tiveram os seus investimentos amortizados ao longo das últimas décadas.
Surge então a discussão sobre como poderiam ser trabalhadas essas concessões de forma a reduzir o preço da energia e aumentar a competitividade brasileira. A princípio, elas deveriam ser leiloadas, mas está em discussão a renovação até mesmo antecipada das concessões.
Estudos creditam um valor de cerca de R$ 70/MWh como a diferença entre o preço da energia hoje praticada e o que poderia ser, desconsiderando qualquer amortização de investimento. Essa margem representa enorme diferença e dá a dimensão do quanto o preço da energia poderia cair no caso de uma licitação aberta onde a concessão fosse oferecida no mercado sem o estabelecimento de qualquer pagamento pela capacidade instalada existente. Mas existe uma série de pontos a serem considerados.
Caso a concorrência seja ganha por novas empresas, certamente ocorrerá a necessidade de uma reorganização empresarial no setor, o que traria grandes dificuldades de adaptação, principalmente para as empresas estatais, onde demissões são, na prática, muito difíceis de ocorrer.
Outro ponto a ser considerado é que, até por uma questão ideológica, parece existir no governo a vontade de ter um setor estatal forte não só controlando, mas com musculatura para realizar a maior parte dos investimentos futuros necessários ao desenvolvimento do setor elétrico. E isso só será possível se as companhias tiverem saúde financeira.
Por tudo isso, é bem provável que o caminho natural seja a renovação dos contratos de concessão em condições tais que as tarifas dos serviços não só permitam a cobertura dos custos operacionais, mas também possibilitem margens que sejam direcionadas para investimentos. No entanto, ficaria o grande desafio de criar um mecanismo de forma a evitar que essas margens fossem consumidas por ineficiências operacionais ou retiradas das companhias na forma de dividendos ao longo dos anos.
As discussões parecem estar em andamento e pelo menos a sociedade pode alimentar a expectativa de que existirá uma luz mais barata no fim do túnel.
Polarização em xeque - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 31/08
Resistência de Russomanno e queda acentuada de Serra, caso se tornem tendências, produzirão uma situação nova na disputa paulistana
Insinua-se, de acordo com a pesquisa Datafolha publicada ontem, um quadro novo na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Está em xeque a hipótese de repetição do duelo final entre petistas e tucanos, marca de várias eleições municipais e de outros embates estaduais e nacionais.
Com uma semana de exposição ostensiva das candidaturas na TV e no rádio, aconteceu o previsto com Fernando Haddad (PT). Promovido por uma propaganda cuja qualidade técnica se destaca no cotejo com as de concorrentes, o candidato ungido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu seis pontos percentuais. Com 14%, isola-se na terceira colocação, e tudo indica que continuará a crescer.
A surpresa foi a manutenção do apoio de 31% a Celso Russomanno (PRB) e a queda de José Serra (PSDB), dados o histórico das disputas locais e a desigualdade de recursos entre as campanhas. No tempo de propaganda, os tucanos levam larga vantagem sobre todos os adversários, à exceção dos petistas. Serra, no entanto, marcou 22% de intenções de voto, perdendo cinco pontos percentuais na semana em que mais se expôs ao eleitorado.
Chama a atenção o comportamento da rejeição ao ex-governador tucano. De cada cem eleitores entrevistados na segunda e na terça-feira passadas, 43 afirmaram que de maneira nenhuma votariam no postulante do PSDB.
Já não se trata mais de oposição restrita àquele terço do eleitorado simpático a candidaturas petistas. Nos registros do Datafolha, a maior taxa de rejeição (38%) de um eleito na capital ocorreu em 1992, com Paulo Maluf, então no PDS.
Rejeição, como tudo que uma pesquisa a 40 dias da votação constata, está sujeita a grandes variações, para cima e para baixo. Cabe indagar, contudo, o que estaria influenciando tamanha recusa momentânea a Serra, eleito à prefeitura da capital em 2004 com rejeição de apenas 15%.
Talvez seja porque Serra deixou a prefeitura 15 meses após assumir, para disputar e vencer o governo estadual. Talvez porque seja responsável pela ascensão de Gilberto Kassab, prefeito mais mal avaliado na capital desde Celso Pitta. Talvez porque parte expressiva do eleitorado desconfie de quem a cada dois anos aparece pedindo votos, pouco importa o cargo ou a vocação para exercê-lo, sempre preocupado em sobrenadar na política.
São hipóteses difíceis de esclarecer com objetividade, mas que estão pautando o debate municipal nestes dias, em razão do Datafolha.
A campanha prossegue, e o período de 45 dias decisivos até o primeiro turno mal começou. A resistência de Russomanno, a subida de Haddad e a queda de Serra, bem como sua rejeição, ainda precisam passar pelo crivo das próximas pesquisas para que possam ser assentadas como tendências.
Resistência de Russomanno e queda acentuada de Serra, caso se tornem tendências, produzirão uma situação nova na disputa paulistana
Insinua-se, de acordo com a pesquisa Datafolha publicada ontem, um quadro novo na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Está em xeque a hipótese de repetição do duelo final entre petistas e tucanos, marca de várias eleições municipais e de outros embates estaduais e nacionais.
Com uma semana de exposição ostensiva das candidaturas na TV e no rádio, aconteceu o previsto com Fernando Haddad (PT). Promovido por uma propaganda cuja qualidade técnica se destaca no cotejo com as de concorrentes, o candidato ungido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu seis pontos percentuais. Com 14%, isola-se na terceira colocação, e tudo indica que continuará a crescer.
A surpresa foi a manutenção do apoio de 31% a Celso Russomanno (PRB) e a queda de José Serra (PSDB), dados o histórico das disputas locais e a desigualdade de recursos entre as campanhas. No tempo de propaganda, os tucanos levam larga vantagem sobre todos os adversários, à exceção dos petistas. Serra, no entanto, marcou 22% de intenções de voto, perdendo cinco pontos percentuais na semana em que mais se expôs ao eleitorado.
Chama a atenção o comportamento da rejeição ao ex-governador tucano. De cada cem eleitores entrevistados na segunda e na terça-feira passadas, 43 afirmaram que de maneira nenhuma votariam no postulante do PSDB.
Já não se trata mais de oposição restrita àquele terço do eleitorado simpático a candidaturas petistas. Nos registros do Datafolha, a maior taxa de rejeição (38%) de um eleito na capital ocorreu em 1992, com Paulo Maluf, então no PDS.
Rejeição, como tudo que uma pesquisa a 40 dias da votação constata, está sujeita a grandes variações, para cima e para baixo. Cabe indagar, contudo, o que estaria influenciando tamanha recusa momentânea a Serra, eleito à prefeitura da capital em 2004 com rejeição de apenas 15%.
Talvez seja porque Serra deixou a prefeitura 15 meses após assumir, para disputar e vencer o governo estadual. Talvez porque seja responsável pela ascensão de Gilberto Kassab, prefeito mais mal avaliado na capital desde Celso Pitta. Talvez porque parte expressiva do eleitorado desconfie de quem a cada dois anos aparece pedindo votos, pouco importa o cargo ou a vocação para exercê-lo, sempre preocupado em sobrenadar na política.
São hipóteses difíceis de esclarecer com objetividade, mas que estão pautando o debate municipal nestes dias, em razão do Datafolha.
A campanha prossegue, e o período de 45 dias decisivos até o primeiro turno mal começou. A resistência de Russomanno, a subida de Haddad e a queda de Serra, bem como sua rejeição, ainda precisam passar pelo crivo das próximas pesquisas para que possam ser assentadas como tendências.
O que pode e o que não pode - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 31/08
A acachapante maioria de votos no Supremo Tribunal Federal (STF) pela condenação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o petista João Paulo Cunha, por corrupção passiva e peculato - numa decisão sem precedentes - não fala por si. A demolição das alegações do réu para se inocentar do delito penal do recebimento, por meio de sua mulher, de R$ 50 mil providos pelo publicitário Marcos Valério - à época em que sua empresa conseguiu um polpudo contrato de prestação de serviços àquela Casa legislativa - poderia se esgotar na arena dos fatos. Seria a desmoralização, por inverossímil, da versão do acusado de que Valério lhe repassou a quantia a pedido do tesoureiro do PT Delúbio Soares, a quem, por sua vez, o outro teria recorrido para custear pesquisas políticas no seu reduto de Osasco, na Grande São Paulo, o que configuraria o crime apenas eleitoral do caixa 2.
É certo que o amplo acolhimento do parecer do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, ao qual apenas dois ministros se opuseram - o revisor Ricardo Lewandowski e o ex-colaborador do então ministro José Dirceu na Casa Civil do governo Lula, José Antonio Dias Toffoli -, sepultou de uma vez por todas a contrafação que o ex-presidente tentou impingir ao País, dissolvendo o delito continuado do mensalão, com o uso à larga de dinheiro público, numa prática feita no Brasil, como disse, "sistematicamente": o pecado venial da manipulação de dinheiro obtido por baixo dos panos em tempos de campanha eleitoral. Mas - e isso é impossível subestimar - os fundamentos apresentados pelos ministros, desde a mais nova, Rosa Weber, ao decano Celso de Mello, passando por Cezar Peluso, às vésperas da aposentadoria, para condenar João Paulo demonstram que a Corte Suprema firmou convicção também sobre o imperativo de extirpar qualquer resquício de tolerância à corrupção e de resignação à impunidade.
Eles e seus pares trouxeram para o julgamento, mais do que a indignidade moral e política de um esquema concebido para perpetuar um partido no poder, a questão dos padrões de moralidade na conduta dos agentes públicos - funcionários, autoridades, detentores de cargos eletivos. Nas suas manifestações, foi como se os ministros a eles se dirigissem, com uma mensagem ao mesmo tempo poderosa e singela: não há e não deve haver zonas cinzentas entre o lícito e o ilícito no âmbito do Estado. É um indicador do retardo ético, que insiste em sobreviver na esfera pública, terem os membros do tribunal brasileiro de última instância de afirmar o que deveria ser intuitivo para o mais humilde dos cidadãos: tem coisa que pode, tem coisa que não pode. Ninguém foi mais incisivo do que o ministro Celso de Mello ao dizer o que são, afinal, os que violam essa barreira - uma prática que alcançou níveis extravagantes nos anos Lula.
Afirmou o decano do STF: "Agentes públicos que se deixam corromper, qualquer que seja a sua posição na hierarquia do poder, e particulares que corrompem os servidores do Estado (...) são corruptos e corruptores - os profanadores da República, os subversivos da ordem constitucional. São delinquentes, marginais". Para condená-los, entendem os ministros, não é preciso cavoucar os seus malfeitos em busca do "ato de ofício" que demonstraria cabalmente que se deixaram corromper e abusaram do cargo para servir aos corruptores. Sendo alentados os indícios de conduta delituosa, como no caso de João Paulo com Marcos Valério, basta o suspeito estar em condições de adotá-la. "Ninguém precisa fazer prova em juízo de que Brasília é a capital do Brasil", comparou o ministro Peluso, no que foi, até agora, a mais clara e vigorosa sustentação de voto no julgamento. Tampouco importa o que o corrompido diz ter feito com a recompensa recebida. Ainda que provasse que a destinou a uma associação de caridade, o crime permanece.
E não importa, por fim, o passado do transgressor. "A vida é como uma estrada. Não adianta você dizer que foi na reta certinho, por mil quilômetros, se depois entra na contramão e pega alguém", ensinou Rosa Weber. "Você tem que ser reto pela sua vida inteira." Vale para João Paulo Cunha, vale para o PT. Vale para todos.
Não esqueçam, Brasil é com "s" - CLAUDIO CEZAR HENRIQUES
O GLOBO - 31/08
Acabaram as Olimpíadas, mas a capital inglesa continua a saga esportiva. Iniciados em Roma-1960 e desde Seul-1988 chamados Paralympic Games, os Jogos que sempre chamamos de Paraolimpícos aparecem este ano com a nomenclatura do inglês. Para atender a um pedido do comitê organizador, agora escrevemos essa palavra sem O: Paralimpíadas...
O português não é o inglês, e a nova palavra gera estranheza a nossos ouvidos e olhos. Afinal, não há razão técnica que explique o sumiço do O e a manutenção do A. Nesses casos, quando nossa língua pratica a redução de um hiato, quem cai é a primeira vogal: "de+onde" não vira "dende" (vira donde) e "para+o céu" não vira "pra céu" (vira pro céu). Não precisava, mas, se era para cortar uma vogal no nome do evento, o esperado era que fosse Parolimpíadas.
Eis aí uma lógica invertida, que ganha espaço no noticiário. Será que seremos levados a anglicizar a sigla do CPI, Comitê Paralímpico Internacional, passando a escrever IPC, International Paralympic Committee? Claro que não. A ONU não vai virar UN nem a Otan vai virar Nato, do inglês. Sabemos que na língua tudo tem a ver com o uso vigente à época de sua criação ou difusão, inclusive as siglas: no Brasil podemos falar em OVNI, mas talvez a moda seja dizer UFO, o que explica a opção por Aids em terras brasucas - Sida só em Portugal.
E por falar em terras brasucas (assim escritas porque são brasileiras) acaba de surgir um concurso de palavras, promovido por empresa multinacional, que é capaz de gerar desconfianças sobre nossas identidades brasucas. O nome oficial da bola da Copa do Mundo de 2014 pode ser brazuca, com Z.
Ah, é só o nome da bola, ninguém deve ligar para isso. Claro que é só o nome da bola, mas cabe perguntar: por que o nome proposto para a bola da Copa no Brasil tem de ser brazuca, com Z? Se a Copa fosse em Portugal, a bola poderia ter o nome de portuga; se fosse em Moçambique, poderia ser moçambicuda... No Brasil, só poderia ser brasuca!
Estamos ou não diante de um paradoxo? Escrever brazuca porque Brasil em inglês é Brazil faz lembrar a letra da canção de Rita Lee, que diz: "Vê se não esquece, meu Brasil é com S" (e nossa brasuca também, claro).
Dos bancos escolares aos magros resultados obtidos por nossos estudantes nas provas de português do Enem, muita coisa ainda cheira a paternalismo por aqui. A ortografia não é só uma superfície comercial para o nome de um evento ou de um produto a ser explorado pela máquina do mercado. O modo de escrever palavras novas internacionalizadas revela alguma coisa sobre um povo, entre elas a maneira como esse povo "veste" sua língua (a ortografia é apenas uma vestimenta para as palavras).
Resta saber se vai adiantar dizer agora que as grafias "paraolímpíadas" e "brasuca" estão assim registradas no Vocabulário Ortográfico da ABL e que todas essas coisas têm a ver umas com as outras...
Acabaram as Olimpíadas, mas a capital inglesa continua a saga esportiva. Iniciados em Roma-1960 e desde Seul-1988 chamados Paralympic Games, os Jogos que sempre chamamos de Paraolimpícos aparecem este ano com a nomenclatura do inglês. Para atender a um pedido do comitê organizador, agora escrevemos essa palavra sem O: Paralimpíadas...
O português não é o inglês, e a nova palavra gera estranheza a nossos ouvidos e olhos. Afinal, não há razão técnica que explique o sumiço do O e a manutenção do A. Nesses casos, quando nossa língua pratica a redução de um hiato, quem cai é a primeira vogal: "de+onde" não vira "dende" (vira donde) e "para+o céu" não vira "pra céu" (vira pro céu). Não precisava, mas, se era para cortar uma vogal no nome do evento, o esperado era que fosse Parolimpíadas.
Eis aí uma lógica invertida, que ganha espaço no noticiário. Será que seremos levados a anglicizar a sigla do CPI, Comitê Paralímpico Internacional, passando a escrever IPC, International Paralympic Committee? Claro que não. A ONU não vai virar UN nem a Otan vai virar Nato, do inglês. Sabemos que na língua tudo tem a ver com o uso vigente à época de sua criação ou difusão, inclusive as siglas: no Brasil podemos falar em OVNI, mas talvez a moda seja dizer UFO, o que explica a opção por Aids em terras brasucas - Sida só em Portugal.
E por falar em terras brasucas (assim escritas porque são brasileiras) acaba de surgir um concurso de palavras, promovido por empresa multinacional, que é capaz de gerar desconfianças sobre nossas identidades brasucas. O nome oficial da bola da Copa do Mundo de 2014 pode ser brazuca, com Z.
Ah, é só o nome da bola, ninguém deve ligar para isso. Claro que é só o nome da bola, mas cabe perguntar: por que o nome proposto para a bola da Copa no Brasil tem de ser brazuca, com Z? Se a Copa fosse em Portugal, a bola poderia ter o nome de portuga; se fosse em Moçambique, poderia ser moçambicuda... No Brasil, só poderia ser brasuca!
Estamos ou não diante de um paradoxo? Escrever brazuca porque Brasil em inglês é Brazil faz lembrar a letra da canção de Rita Lee, que diz: "Vê se não esquece, meu Brasil é com S" (e nossa brasuca também, claro).
Dos bancos escolares aos magros resultados obtidos por nossos estudantes nas provas de português do Enem, muita coisa ainda cheira a paternalismo por aqui. A ortografia não é só uma superfície comercial para o nome de um evento ou de um produto a ser explorado pela máquina do mercado. O modo de escrever palavras novas internacionalizadas revela alguma coisa sobre um povo, entre elas a maneira como esse povo "veste" sua língua (a ortografia é apenas uma vestimenta para as palavras).
Resta saber se vai adiantar dizer agora que as grafias "paraolímpíadas" e "brasuca" estão assim registradas no Vocabulário Ortográfico da ABL e que todas essas coisas têm a ver umas com as outras...
CLAUDIO HUMBERTO
“O julgamento do mensalão tem função pedagógica”
Cardeal Raymundo Damasceno Assis (CNBB), sobre a condenação de mensaleiros
STF: LEWANDOWSKI COMETEU “HARAKIRI BIOGRÁFICO”
Durante intervalo na sessão de ontem do STF, um dos seus mais importantes ministros não precisou recorrer a expressões tão líricas quanto firmes, que usa em suas intervenções, para definir o papel do colega Ricardo Lewandowski, ministro revisor que tentou absolver acusados do mensalão. “Ele cometeu um harakiri biográfico”, disse a um colega, com seu acentuado sotaque regional. Harakiri é um ritual de suicídio de samurais japoneses.
ABNEGAÇÃO
O revisor Lewandowski segurou o processo por mais de 170 dias, um recorde, e tentou convencer o presidente do STF a adiar o julgamento.
EXORBITOU
A função de revisor, meramente técnica, era quase desconhecida, mas Lewandowski tentou torná-la mais importante que a de relator.
ESTICANDO O TEMPO
Nos primeiros momentos do julgamento, Lewandowski ocupou mais tempo, com seus demorados votos, que o relator Joaquim Barbosa.
TOCANDO DE OUVIDO
Lewandowski deixou o STF chocado ao sacar um longo voto por escrito após Márcio Thomaz Bastos “improvisar” uma questão de ordem.
DF: BRIGA POR GIGANTE DE INFORMÁTICA PERTO DO FIM
Cansado de perder na Justiça, na disputa com viúva e filhos do falecido sócio Elias Rocha, que fundou a gigante de informática Ctis, Avaldir Oliveira tem dito a amigos que vai tratar “pessoalmente” dos derradeiros recursos no Superior Tribunal de Justiça. Seus métodos têm a sutileza de um trator. A família de Elias, morto no Fokker 100 da TAM, acusa-o de se apropriar da Ctis, após a morte do sócio, e fraudar documentos.
FRAUDE ATESTADA
No inventário de Elias, surgiram documentos transferindo a parte dele para Avaldir. A Justiça comprovaria depois que a papelada era falsa.
OITO ANOS
A viúva e filhos do fundador da Ctis, que hoje enfrentam dificuldades, lutam desde 2004 pelo que pertencia a Elias Rocha: 50% da empresa.
DEBOCHE
Avaldir da Silva Oliveira ofereceu, a título de “acordo”, R$ 1 milhão à viúva do fundador da Ctis, que fatura R$ 800 milhões por ano.
FERIDOS E TRISTES
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), disse que “a vida continua” ao comentar a condenação de João Paulo Cunha. “Estamos feridos, tristes, mas o PT é grande o suficiente para continuar crescendo”.
IMPUGNAÇÃO
Humberto Costa (PT) pediu no TRE a impugnação do rival na disputa pela Prefeitura do Recife Geraldo Júlio (PSB), apoiado pelo governador Eduardo Campos, por abuso de poder e uso da máquina pública.
OUTRA VEZ
Os petistas pernambucanos comemoraram, como gol em Copa do Mundo, a informação do PT-SP de que o ex-presidente Lula novamente teria se recusado a receber o ex-grande amigo Eduardo Campos.
MAIS DOCUMENTOS
Chegou à CPI o auto de apreensão na chantagem de Andressa Cachoeira contra o juiz. Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) adianta: “Tem uma procuração da empresa Mestra, que comprou a casa do Perillo”.
GASTOS OLÍMPICOS
Mal começaram os preparativos para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e já se estima que até lá serão gastos R$ 30 bilhões, segundo a ONG Contas Abertas. Certos políticos reviram o olhos de felicidade.
CAOS CRESCENTE
O aeroporto de Brasília virou um caos, ontem, principalmente no check-in da TAM, com centenas de pessoas tentando viajar. A Infraero atribuiu isso ao término de um evento. Pense na Copa...
ALÔ, DILMA
A Infraero reúne certamente por nossa conta, em Fortaleza (CE), neste fim de semana, mais de 150 advogados para discutir, à beira-mar, os cortes orçamentários na estatal cuja reputação é de incompetência.
O EVANGELHO DO BARÃO
O diplomata Luís Cláudio Villafañe, que atua na missão do Brasil na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, lançou mais um livro, O Evangelho do Barão: Rio Branco e a Identidade Brasileira (Ed. Unesp). O autor é um craque, PhD em Ciência Polícia em Nova York e Brasília.
PERGUNTA SUPREMA
Após assistir a seis dos oito ministros que nomeou para o STF condenando a companheirada, Lula ainda insistirá que o mensalão não existiu?
PODER SEM PUDOR
NECROLÓGICO DE SONHO
Ex-deputado federal e ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, Flávio Bierrenbach era apenas um garoto de quinze anos de idade quando seu professor de Português determinou a lição do dia: cada aluno deveria imaginar como gostaria que escrevessem seu necrológico. O garoto Flávio foi o único a merecer nota dez, com a seguinte frase:
- Morreu ontem, aos 99 anos, vítima de marido ciumento, o ex-presidente da República Flávio Bierrenbach.
Cardeal Raymundo Damasceno Assis (CNBB), sobre a condenação de mensaleiros
STF: LEWANDOWSKI COMETEU “HARAKIRI BIOGRÁFICO”
Durante intervalo na sessão de ontem do STF, um dos seus mais importantes ministros não precisou recorrer a expressões tão líricas quanto firmes, que usa em suas intervenções, para definir o papel do colega Ricardo Lewandowski, ministro revisor que tentou absolver acusados do mensalão. “Ele cometeu um harakiri biográfico”, disse a um colega, com seu acentuado sotaque regional. Harakiri é um ritual de suicídio de samurais japoneses.
ABNEGAÇÃO
O revisor Lewandowski segurou o processo por mais de 170 dias, um recorde, e tentou convencer o presidente do STF a adiar o julgamento.
EXORBITOU
A função de revisor, meramente técnica, era quase desconhecida, mas Lewandowski tentou torná-la mais importante que a de relator.
ESTICANDO O TEMPO
Nos primeiros momentos do julgamento, Lewandowski ocupou mais tempo, com seus demorados votos, que o relator Joaquim Barbosa.
TOCANDO DE OUVIDO
Lewandowski deixou o STF chocado ao sacar um longo voto por escrito após Márcio Thomaz Bastos “improvisar” uma questão de ordem.
DF: BRIGA POR GIGANTE DE INFORMÁTICA PERTO DO FIM
Cansado de perder na Justiça, na disputa com viúva e filhos do falecido sócio Elias Rocha, que fundou a gigante de informática Ctis, Avaldir Oliveira tem dito a amigos que vai tratar “pessoalmente” dos derradeiros recursos no Superior Tribunal de Justiça. Seus métodos têm a sutileza de um trator. A família de Elias, morto no Fokker 100 da TAM, acusa-o de se apropriar da Ctis, após a morte do sócio, e fraudar documentos.
FRAUDE ATESTADA
No inventário de Elias, surgiram documentos transferindo a parte dele para Avaldir. A Justiça comprovaria depois que a papelada era falsa.
OITO ANOS
A viúva e filhos do fundador da Ctis, que hoje enfrentam dificuldades, lutam desde 2004 pelo que pertencia a Elias Rocha: 50% da empresa.
DEBOCHE
Avaldir da Silva Oliveira ofereceu, a título de “acordo”, R$ 1 milhão à viúva do fundador da Ctis, que fatura R$ 800 milhões por ano.
FERIDOS E TRISTES
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), disse que “a vida continua” ao comentar a condenação de João Paulo Cunha. “Estamos feridos, tristes, mas o PT é grande o suficiente para continuar crescendo”.
IMPUGNAÇÃO
Humberto Costa (PT) pediu no TRE a impugnação do rival na disputa pela Prefeitura do Recife Geraldo Júlio (PSB), apoiado pelo governador Eduardo Campos, por abuso de poder e uso da máquina pública.
OUTRA VEZ
Os petistas pernambucanos comemoraram, como gol em Copa do Mundo, a informação do PT-SP de que o ex-presidente Lula novamente teria se recusado a receber o ex-grande amigo Eduardo Campos.
MAIS DOCUMENTOS
Chegou à CPI o auto de apreensão na chantagem de Andressa Cachoeira contra o juiz. Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) adianta: “Tem uma procuração da empresa Mestra, que comprou a casa do Perillo”.
GASTOS OLÍMPICOS
Mal começaram os preparativos para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e já se estima que até lá serão gastos R$ 30 bilhões, segundo a ONG Contas Abertas. Certos políticos reviram o olhos de felicidade.
CAOS CRESCENTE
O aeroporto de Brasília virou um caos, ontem, principalmente no check-in da TAM, com centenas de pessoas tentando viajar. A Infraero atribuiu isso ao término de um evento. Pense na Copa...
ALÔ, DILMA
A Infraero reúne certamente por nossa conta, em Fortaleza (CE), neste fim de semana, mais de 150 advogados para discutir, à beira-mar, os cortes orçamentários na estatal cuja reputação é de incompetência.
O EVANGELHO DO BARÃO
O diplomata Luís Cláudio Villafañe, que atua na missão do Brasil na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, lançou mais um livro, O Evangelho do Barão: Rio Branco e a Identidade Brasileira (Ed. Unesp). O autor é um craque, PhD em Ciência Polícia em Nova York e Brasília.
PERGUNTA SUPREMA
Após assistir a seis dos oito ministros que nomeou para o STF condenando a companheirada, Lula ainda insistirá que o mensalão não existiu?
PODER SEM PUDOR
NECROLÓGICO DE SONHO
Ex-deputado federal e ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, Flávio Bierrenbach era apenas um garoto de quinze anos de idade quando seu professor de Português determinou a lição do dia: cada aluno deveria imaginar como gostaria que escrevessem seu necrológico. O garoto Flávio foi o único a merecer nota dez, com a seguinte frase:
- Morreu ontem, aos 99 anos, vítima de marido ciumento, o ex-presidente da República Flávio Bierrenbach.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: A hora do mensalão – Empréstimos ao PT eram fictícios, diz relator
- Folha: João Paulo sofre nova condenação e abandona eleição
- Estadão: Pressionado pelo PT, João Paulo desiste de concorrer em Osasco
- Correio: Orçamento prevê 30% de aumento a militares
- Valor: Licenças de mineração estão suspensas até o novo código
- Estado de Minas: Prorrogação do IPI reduzido não garante carro novo
- Zero Hora: Nova regra dá escolha a pacientes terminais
quinta-feira, agosto 30, 2012
Calma, gente - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 30/08
O ministro Cezar Peluso foi surpreendido com a antecipação das despedidas dos colegas de STF e de advogados, na sessão de ontem.
Embora tenha sido seu último voto, o grande ministro pretende participar de mais uma sessão, e em companhia da família.
Veta, Dilma
Frejat, Camila Pitanga e Fernanda Abreu encabeçam um movimento de apoio a Liszt Vieira.
O presidente do Jardim Botânico do Rio está, como se sabe, demissionário por não se conformar com a posição de setores do governo Dilma (leia-se o Serviço de Patrimônio da União) que "desejam perpetuar a permanência dos atuais ocupantes e invasores" do parque.
Segue...
O manifesto trará ainda assinaturas de vários ecologistas — entre os quais, o petista Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente de Lula.
Chico & Caetano
Caetano Veloso e Chico Buarque voltarão a dividir um palco mais de 20 anos depois.
Será no show "Primavera carioca" dia 11, no Teatro Casa Grande, em apoio à campanha de Marcelo Freixo, candidato do PSOL a prefeito do Rio.
Já Dilma é Paes...
Dilma grava nos próximos dias um depoimento de apoio à reeleição de Eduardo Paes.
Herbert 2016
Nosso Herbert Vianna, cadeirante, é presença confirmada na cerimônia de passagem da bandeira paralímpica para o Rio, domingo, no encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres.
Na festa, Herbert e os Paralamas vão cantar "Lourinha bombril’!
COMO PODE UM PEIXE VIVO...Eis aqui um resultado do desprezo pela natureza. A imagem é de uma borda da Lagoa da Tijuca, na Barra, na tarde de terça. Foi flagrada pelo ambientalista Mário Moscatelli, que explica: “Após a liberação de grande quantidade de gases sulfídrico e metano do fundo pútrido da lagoa, peixes como paratis, marias-da-toca e até tilápias, extremamente resistentes, pularam da água, sem oxigênio, para a morte.” Nos dias seguintes, diz Moscatelli, é provável que o quadro se agrave. Uma grande pena •
Oi, oi, oi
Mais um indicador do sucesso de "Avenida Brasil", a novela-sensação.
No quiosque da Globo Marcas na Barra, no Rio, a peça mais vendida é a camisa do... Divino Futebol Clube, o time da trama de João Emanuel Carneiro. É a campeã de vendas entre todos os produtos da emissora ali.
Já...
No quiosque da Globo Marcas na Praia de Copacabana, muito procurado por turistas, o produto mais vendido é o boneco Louro José, de Ana Maria Braga.
Um maldoso diz que é porque os gringos o confundem com o... Zé Carioca. Faz sentido.
Questão de tempo
Passadas as eleições, José Carlos Amigo deve ser mesmo nomeado diretor Internacional da Petrobras, apesar da resistência de alguns políticos.
Elas merecem
Marieta Severo foi apontada pelo segundo ano seguido, ao lado de Glória Pires, como a artista que mais inspira confiança nos brasileiros.
Os dados são da premiação Marcas de Confiança, da revista "Seleções’!
Bateu, levou
O desembargador Ferdinaldo do Nascimento, da 19? Câmara Cível do Rio, considerou improcedente ação de uma moça gay contra a boate carioca 1140.
A moça alegou ter sido agredida ao tentar apartar briga entre sua namorada e outra mulher, que a assediara. Mas, segundo o magistrado, a vítima entrou na briga da companheira porque quis.
Mundo animal
Ontem, no Recreio, no Rio, bombeiros, num caminhão com uma jaula enorme, estavam à caça de um... lobo!
O peludo foi visto na Av. Tim Maia.
Bafafá no Leblon
Moradores da Cruzada de São Sebastião, no Leblon, no Rio, fazem um manifesto para que o padre Marcos Belizário fique na Paróquia Santos Anjos.
A Arquidiocese pretende transferi-lo para São Conrado.
Sardinha miúda
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente do Rio apreendeu ontem 30t de sardinhas fora do tamanho legal numa fábrica de São Gonçalo.
Parte da carga vai para as UPPs. O restante, para o Restaurante Popular.
Cristo em Paris
Ontem, em Paris, uma réplica do nosso Cristo Redentor foi cenário para turistas na Praça João Paulo II.
Com 3,8m, faz parte de exposição de divulgação do Rio como sede da Jornada Mundial da Juventude, em 2013.
Bataclã em Copa
Em tempo de Bataclan de "Gabriela’,’ o dramaturgo e roteirista da TV Globo Luiz Carlos Góes decidiu festejar seus 40 anos de carreira com a montagem, a partir de setembro, de um musical num... clube noturno de Copacabana.
O Café Sensoo, há 38 anos a serviço, digamos, do prazer, na Av. Princesa Isabel, receberá o musical "Eu quero um milionário’!
O ministro Cezar Peluso foi surpreendido com a antecipação das despedidas dos colegas de STF e de advogados, na sessão de ontem.
Embora tenha sido seu último voto, o grande ministro pretende participar de mais uma sessão, e em companhia da família.
Veta, Dilma
Frejat, Camila Pitanga e Fernanda Abreu encabeçam um movimento de apoio a Liszt Vieira.
O presidente do Jardim Botânico do Rio está, como se sabe, demissionário por não se conformar com a posição de setores do governo Dilma (leia-se o Serviço de Patrimônio da União) que "desejam perpetuar a permanência dos atuais ocupantes e invasores" do parque.
Segue...
O manifesto trará ainda assinaturas de vários ecologistas — entre os quais, o petista Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente de Lula.
Chico & Caetano
Caetano Veloso e Chico Buarque voltarão a dividir um palco mais de 20 anos depois.
Será no show "Primavera carioca" dia 11, no Teatro Casa Grande, em apoio à campanha de Marcelo Freixo, candidato do PSOL a prefeito do Rio.
Já Dilma é Paes...
Dilma grava nos próximos dias um depoimento de apoio à reeleição de Eduardo Paes.
Herbert 2016
Nosso Herbert Vianna, cadeirante, é presença confirmada na cerimônia de passagem da bandeira paralímpica para o Rio, domingo, no encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres.
Na festa, Herbert e os Paralamas vão cantar "Lourinha bombril’!
COMO PODE UM PEIXE VIVO...Eis aqui um resultado do desprezo pela natureza. A imagem é de uma borda da Lagoa da Tijuca, na Barra, na tarde de terça. Foi flagrada pelo ambientalista Mário Moscatelli, que explica: “Após a liberação de grande quantidade de gases sulfídrico e metano do fundo pútrido da lagoa, peixes como paratis, marias-da-toca e até tilápias, extremamente resistentes, pularam da água, sem oxigênio, para a morte.” Nos dias seguintes, diz Moscatelli, é provável que o quadro se agrave. Uma grande pena •
Oi, oi, oi
Mais um indicador do sucesso de "Avenida Brasil", a novela-sensação.
No quiosque da Globo Marcas na Barra, no Rio, a peça mais vendida é a camisa do... Divino Futebol Clube, o time da trama de João Emanuel Carneiro. É a campeã de vendas entre todos os produtos da emissora ali.
Já...
No quiosque da Globo Marcas na Praia de Copacabana, muito procurado por turistas, o produto mais vendido é o boneco Louro José, de Ana Maria Braga.
Um maldoso diz que é porque os gringos o confundem com o... Zé Carioca. Faz sentido.
Questão de tempo
Passadas as eleições, José Carlos Amigo deve ser mesmo nomeado diretor Internacional da Petrobras, apesar da resistência de alguns políticos.
Elas merecem
Marieta Severo foi apontada pelo segundo ano seguido, ao lado de Glória Pires, como a artista que mais inspira confiança nos brasileiros.
Os dados são da premiação Marcas de Confiança, da revista "Seleções’!
Bateu, levou
O desembargador Ferdinaldo do Nascimento, da 19? Câmara Cível do Rio, considerou improcedente ação de uma moça gay contra a boate carioca 1140.
A moça alegou ter sido agredida ao tentar apartar briga entre sua namorada e outra mulher, que a assediara. Mas, segundo o magistrado, a vítima entrou na briga da companheira porque quis.
Mundo animal
Ontem, no Recreio, no Rio, bombeiros, num caminhão com uma jaula enorme, estavam à caça de um... lobo!
O peludo foi visto na Av. Tim Maia.
Bafafá no Leblon
Moradores da Cruzada de São Sebastião, no Leblon, no Rio, fazem um manifesto para que o padre Marcos Belizário fique na Paróquia Santos Anjos.
A Arquidiocese pretende transferi-lo para São Conrado.
Sardinha miúda
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente do Rio apreendeu ontem 30t de sardinhas fora do tamanho legal numa fábrica de São Gonçalo.
Parte da carga vai para as UPPs. O restante, para o Restaurante Popular.
Cristo em Paris
Ontem, em Paris, uma réplica do nosso Cristo Redentor foi cenário para turistas na Praça João Paulo II.
Com 3,8m, faz parte de exposição de divulgação do Rio como sede da Jornada Mundial da Juventude, em 2013.
Bataclã em Copa
Em tempo de Bataclan de "Gabriela’,’ o dramaturgo e roteirista da TV Globo Luiz Carlos Góes decidiu festejar seus 40 anos de carreira com a montagem, a partir de setembro, de um musical num... clube noturno de Copacabana.
O Café Sensoo, há 38 anos a serviço, digamos, do prazer, na Av. Princesa Isabel, receberá o musical "Eu quero um milionário’!
Aos leões - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 30/08
“Dois partidos já têm candidato declarado a presidente da República em 2014: o PT e o PMDB. Dilma Rousseff e Michel Temer estão juntos, num trabalho aprovado pela população, não existe isso de sair para outro projeto. Se fosse para fazer isso, já teria que ter saído. Não há como chegar mais à frente e dar tchau”. O raciocínio é do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), candidato a presidente da Câmara no ano que vem.
Embora a Câmara esteja em recesso branco esses dias – apenas o Senado trabalhou a pleno vapor esta semana - , Alves não deixou de vir a Brasília, onde cuida da pré-campanha e de obras para seu estado. Ontem, por exemplo, foi à presidente Dilma Rousseff agradecer a ordem de serviço para um projeto de irrigação. Depois do encontro, deu essa declaração à coluna. O entusiasmo de Henrique Eduardo Alves não se repete entre todos os petistas. “É uma boa ideia. É uma probabilidade, mas é cedo para discutirmos isso. Temos que atravessar 2013”, diz o deputado André Vargas (PT-PR).
Por falar em atravessar...
A primeira parte dessa travessia é separar os réus do mensalão do futuro do partido. Embora o julgamento esteja apenas no começo e, ainda, haja muitos políticos a serem julgados, inclusive José Dirceu, o PT traça suas estratégias esperando o pior cenário. Especialmente, depois da condenação de João Paulo Cunha (PT-SP), ontem, pelo Supremo Tribunal Federal. Enquanto os réus políticos, aqueles que formavam o antigo núcleo do PT, tratam de colocar a culpa na mídia, na falta de um trabalho do governo em favor deles e por aí vai (como inclusive dissemos aqui ontem), outro núcleo partidário ganha corpo no sentido de deixar claro que vão os anéis, mas ficam os dedos. “Nem o PT, nem o governo Lula estão sob julgamento. Quem está sob julgamento tem CPF e não CNPJ”, afirma André Vargas à coluna, tratando de blindar o projeto partidário.
A frase de Vargas é emblemática. Evidencia que o partido não hesitará se seus antigos líderes forem jogados aos leões. A ordem é tocar a vida e manter o projeto. É claro que haverá aquela solidariedade, algo do tipo “meus sentimentos”, “conte comigo para qualquer coisa”, mas a visão está clara: os petistas querem virar a página e colocar na vitrine novos nomes. De antigo, só Lula, que segue à frente do PT como principal garoto propaganda para mostrar que seu governo foi muito além do mensalão. Na visão de alguns, para ganhar mais credibilidade, Lula precisa deixar de lado o discurso de que o escândalo conhecido como mensalão não passou de invenção da mídia. Afinal, até os petistas já têm claro que, se não tivesse acontecido nada, ninguém estaria hoje condenado.
Por falar em Lula...
Sua atuação enquanto garoto propaganda deixa a desejar. Geraldo Júlio, o candidato do PSB à prefeitura do Recife, ganha terreno a olhos vistos, segundo as últimas pesquisas, ao ponto de empatar com o petista Humberto Costa. Quem perde densidade nessa corrida é o candidato do DEM, Mendonça Filho. A situação na capital pernambucana corre o risco de se transformar em todos contra o PT. Em compensação, em São Paulo, quem cresce é Fernando Haddad, numa disputa que promete se transformar em todos contra o tucano José Serra. Os resultados dessas duas eleições, e a de Belo Horizonte, são as que mais chamam a atenção no cenário nacional. Isso, porque também são ingredientes da travessia de 2013.
Por falar em 2013...
Depois do julgamento do mensalão e das eleições municipais, o que mais preocupa os petistas é a economia. Ontem, Dilma comemorou a redução da taxa Selic pelo Copom. Falta, entretanto, destravar os investimentos e segurar a inflação. Essa é a grande travessia que independe do julgamento ou do resultado eleitoral. Afinal, o novo PT acredita que, se Dilma mantiver a população ao seu lado, a continuidade do CNPJ partidário como inquilino do Planalto estará garantida. Ainda que alguns estejam com o CPF marcado pelo mensalão.
Brizola Neto: procura-se! - TUTTY VASQUES
O Estado de S.Paulo - 30/08
Alguém da "família PDT" vai ter de dar um jeito de avisar ao ministro do Trabalho que a greve dos servidores federais está com os dias contados. Brizola Neto talvez não precise mais se esconder para fugir do assunto que estranhamente não lhe compete no governo! "Será que ele foi pro Uruguai?" - chegou-se a suspeitar no partido fundado por seu avô.
Há mais de 10 dias com paradeiro ignorado pela grande imprensa, o trabalhista foi visto pela última vez, graças ao Google, fazendo hora há três dias no sindicato dos operadores do mercado imobiliário de SP, certo de que ali estaria a salvo do noticiário.
Um ministro do Trabalho não pode correr o risco do constrangimento de esbarrar com jornalistas por aí sem ter o que dizer sobre uma greve negociada diretamente com o Ministério do Planejamento.
Brizola Neto compõe a cota de ministros invisíveis da Dilma. Não fosse a herança familiar no sobrenome nem sequer saberíamos quem é o cara do Trabalho.
Por acaso o leitor tem noção de quem sejam os titulares das pastas da Agricultura, do Turismo e da Integração Nacional? Vai chegar o dia em que só reconheceremos os ministros do STF, e olhe lá!
Trauma de infância
Para se ter uma ideia do nível de preconceito contra as louras no Brasil, a mãe da Xuxa chorou copiosamente de alegria quando viu a filha com os cabelos tingidos de preto. "Era um sonho dela", tentou dar um desconto a apresentadora. "Todo filho que nascia, ela chegava e falava 'nasceu de cabelo loiro de novo'. Mamãe queria um moreninho, de cabelinho preto como o dela!" E ainda dizem que esse tipo de discriminação não existe no Brasil!
Família muito unida
Em conversa com Marcos Caruso e Eliane Giardini no programa da Ana Maria Braga, Murilo Benício lançou a ideia de um seriado só com a família de seu personagem em Avenida Brasil. Se "A Mansão do Tufão" substituir A Grande Família, não vai ser preciso nem mudar a música de abertura da série.
"Desculpa eu!"
Sei lá quem, mas ao final do julgamento, a se confirmar a única unanimidade até agora nos votos dos ministros, alguém deveria pedir desculpas ao Luiz Gushiken, né não?
Só para iniciados
Ao se despedir ontem à tarde do STF, o ministro Cezar Peluso foi exaltado pelo "exercício escorreito da judicatura". Ninguém deve tentar repetir tal prática em casa.
Peluso-mor
Entreouvido ontem à tarde num ponto de ônibus de Brasília: "Por falar em Peluso, e o Tony Ramos, hein? Será que também se aposentou, caramba?"
Força na peruca!
Pelo menos um impasse se faz evidente no STF: cinco ministros estão convencidos de que o colega Luiz Fux estreou peruca nova para votar no julgamento do mensalão.
Os demais nem sequer sabiam que ele é careca!
Há mais de 10 dias com paradeiro ignorado pela grande imprensa, o trabalhista foi visto pela última vez, graças ao Google, fazendo hora há três dias no sindicato dos operadores do mercado imobiliário de SP, certo de que ali estaria a salvo do noticiário.
Um ministro do Trabalho não pode correr o risco do constrangimento de esbarrar com jornalistas por aí sem ter o que dizer sobre uma greve negociada diretamente com o Ministério do Planejamento.
Brizola Neto compõe a cota de ministros invisíveis da Dilma. Não fosse a herança familiar no sobrenome nem sequer saberíamos quem é o cara do Trabalho.
Por acaso o leitor tem noção de quem sejam os titulares das pastas da Agricultura, do Turismo e da Integração Nacional? Vai chegar o dia em que só reconheceremos os ministros do STF, e olhe lá!
Trauma de infância
Para se ter uma ideia do nível de preconceito contra as louras no Brasil, a mãe da Xuxa chorou copiosamente de alegria quando viu a filha com os cabelos tingidos de preto. "Era um sonho dela", tentou dar um desconto a apresentadora. "Todo filho que nascia, ela chegava e falava 'nasceu de cabelo loiro de novo'. Mamãe queria um moreninho, de cabelinho preto como o dela!" E ainda dizem que esse tipo de discriminação não existe no Brasil!
Família muito unida
Em conversa com Marcos Caruso e Eliane Giardini no programa da Ana Maria Braga, Murilo Benício lançou a ideia de um seriado só com a família de seu personagem em Avenida Brasil. Se "A Mansão do Tufão" substituir A Grande Família, não vai ser preciso nem mudar a música de abertura da série.
"Desculpa eu!"
Sei lá quem, mas ao final do julgamento, a se confirmar a única unanimidade até agora nos votos dos ministros, alguém deveria pedir desculpas ao Luiz Gushiken, né não?
Só para iniciados
Ao se despedir ontem à tarde do STF, o ministro Cezar Peluso foi exaltado pelo "exercício escorreito da judicatura". Ninguém deve tentar repetir tal prática em casa.
Peluso-mor
Entreouvido ontem à tarde num ponto de ônibus de Brasília: "Por falar em Peluso, e o Tony Ramos, hein? Será que também se aposentou, caramba?"
Força na peruca!
Pelo menos um impasse se faz evidente no STF: cinco ministros estão convencidos de que o colega Luiz Fux estreou peruca nova para votar no julgamento do mensalão.
Os demais nem sequer sabiam que ele é careca!
LISTA ABERTA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 30/08
Joaquim Barbosa já definiu uma de suas primeiras "missões" na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), que assume em novembro: abrir discussão com a presidente Dilma Rousseff sobre os critérios de nomeação dos próximos ministros da corte. Ele diz que está "extremamente preocupado" com as substituições Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso e Celso de Mello, que se aposentam em breve.
VASTO MUNDO
Barbosa diz que vai propor a Dilma a indicação de nomes "de fora desse microcosmo de Brasília, desse mundinho em que ministros vêm sendo escolhidos ultimamente". Defende que os indicados para o Supremo sejam "desvinculados dos interesses da máquina estatal e dos interesses privados" de grandes bancas de advocacia.
ALTO NÍVEL
O futuro presidente do STF afirma já ter uma lista de "pelo menos dez grandes nomes, grandes juristas, professores devotados ao interesse público e com visão de Estado, como são Britto, Peluso e Celso" que pode sugerir a Dilma. "Mas o importante não são os nomes e sim os critérios da escolha, com uma consulta completa, ampla e de alto nível."
NA PARADA
Na lista de candidatos ao Supremo que circula há tempos em Brasília estão ministros de tribunais superiores e também um integrante do governo -Luis Adams, atual advogado-geral da União.
ALERTA
A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) encaminhou ao ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, carta em que se diz "preocupada" com a situação da RedeTV!, que tem atrasado pagamentos e "pode gerar em breve situação parecida com que passaram a TV Tupi e a TV Manchete". A entidade pede que o ministério crie um departamento técnico para fiscalizar a liquidez e a administração de emissoras de televisão.
SUPERIOR INCOMPLETO
Quando terminar de gravar a novela "Avenida Brasil" (Globo), Nathalia Dill quer voltar a estudar. Mas acha que foi jubilada da graduação de direção teatral, que começou a cursar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Tranquei a faculdade em 2007, acho que não consigo mais voltar. Vou fazer um curso mais livre."
PONTO DE...
No jantar oferecido a ele por José Victor Oliva (fotos abaixo), José Serra (PSDB-SP) tentava animar os convidados, preocupados com informações de que as próximas pesquisas eleitorais poderiam registrar nova queda de sua candidatura a prefeito. "Eleição só é fácil a posteriori. Mas quem acha isso no começo da disputa em geral perde. Eleição se disputa sempre com um certo grau de tensão."
...INTERROGAÇÃO
No encontro, amigos do tucano revelavam que a maior dificuldade que encontram quando pedem votos para ele é a crença de que pode deixar a prefeitura para disputar a Presidência. "Dizem: 'Serra tá bem, ele é ótimo, correto, mas vai sair'. Quero dizer a vocês que não estou entrando pra sair", afirmou Serra num rápido discurso.
DOSE CAVALAR
E outros convidados tentavam arrancar do publicitário Washington Olivetto uma fórmula capaz de reverter a rejeição do tucano nas pesquisas. À artista Maria Bonomi, ele usou um ditado inglês para explicar por que prefere ficar longe de campanhas políticas: "O camelo é um cavalo desenhado por um comitê".
DE JOSÉ PARA JOSÉO empresário José Victor Oliva, da Holding Clube, ofereceu em sua casa jantar para o candidato do PSDB à Prefeitura de SP, José Serra. Estiveram no Jardim Guedala anteontem Manuela Vivo, da Liberty Seguros, o publicitário Washington Olivetto e o ex-piloto Emerson Fittipaldi, entre outros.
CURTO-CIRCUITO
O show "Aventureiros", com Gero Camilo, é hoje, no Estúdio Emme. 18 anos.
A Jaeger-LeCoultre celebra hoje parceria com a equipe de polo de Rico Mansur, no JK Iguatemi.
A mostra "Duas na Sala do Trono", de Fernanda Chieco, abre hoje na galeria Eduardo Fernandes.
Daniel Magnoni fala no Congresso Paulista de Nutrição, hoje, em São Paulo.
VASTO MUNDO
Barbosa diz que vai propor a Dilma a indicação de nomes "de fora desse microcosmo de Brasília, desse mundinho em que ministros vêm sendo escolhidos ultimamente". Defende que os indicados para o Supremo sejam "desvinculados dos interesses da máquina estatal e dos interesses privados" de grandes bancas de advocacia.
ALTO NÍVEL
O futuro presidente do STF afirma já ter uma lista de "pelo menos dez grandes nomes, grandes juristas, professores devotados ao interesse público e com visão de Estado, como são Britto, Peluso e Celso" que pode sugerir a Dilma. "Mas o importante não são os nomes e sim os critérios da escolha, com uma consulta completa, ampla e de alto nível."
NA PARADA
Na lista de candidatos ao Supremo que circula há tempos em Brasília estão ministros de tribunais superiores e também um integrante do governo -Luis Adams, atual advogado-geral da União.
ALERTA
A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) encaminhou ao ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, carta em que se diz "preocupada" com a situação da RedeTV!, que tem atrasado pagamentos e "pode gerar em breve situação parecida com que passaram a TV Tupi e a TV Manchete". A entidade pede que o ministério crie um departamento técnico para fiscalizar a liquidez e a administração de emissoras de televisão.
SUPERIOR INCOMPLETO
Quando terminar de gravar a novela "Avenida Brasil" (Globo), Nathalia Dill quer voltar a estudar. Mas acha que foi jubilada da graduação de direção teatral, que começou a cursar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Tranquei a faculdade em 2007, acho que não consigo mais voltar. Vou fazer um curso mais livre."
PONTO DE...
No jantar oferecido a ele por José Victor Oliva (fotos abaixo), José Serra (PSDB-SP) tentava animar os convidados, preocupados com informações de que as próximas pesquisas eleitorais poderiam registrar nova queda de sua candidatura a prefeito. "Eleição só é fácil a posteriori. Mas quem acha isso no começo da disputa em geral perde. Eleição se disputa sempre com um certo grau de tensão."
...INTERROGAÇÃO
No encontro, amigos do tucano revelavam que a maior dificuldade que encontram quando pedem votos para ele é a crença de que pode deixar a prefeitura para disputar a Presidência. "Dizem: 'Serra tá bem, ele é ótimo, correto, mas vai sair'. Quero dizer a vocês que não estou entrando pra sair", afirmou Serra num rápido discurso.
DOSE CAVALAR
E outros convidados tentavam arrancar do publicitário Washington Olivetto uma fórmula capaz de reverter a rejeição do tucano nas pesquisas. À artista Maria Bonomi, ele usou um ditado inglês para explicar por que prefere ficar longe de campanhas políticas: "O camelo é um cavalo desenhado por um comitê".
DE JOSÉ PARA JOSÉO empresário José Victor Oliva, da Holding Clube, ofereceu em sua casa jantar para o candidato do PSDB à Prefeitura de SP, José Serra. Estiveram no Jardim Guedala anteontem Manuela Vivo, da Liberty Seguros, o publicitário Washington Olivetto e o ex-piloto Emerson Fittipaldi, entre outros.
CURTO-CIRCUITO
O show "Aventureiros", com Gero Camilo, é hoje, no Estúdio Emme. 18 anos.
A Jaeger-LeCoultre celebra hoje parceria com a equipe de polo de Rico Mansur, no JK Iguatemi.
A mostra "Duas na Sala do Trono", de Fernanda Chieco, abre hoje na galeria Eduardo Fernandes.
Daniel Magnoni fala no Congresso Paulista de Nutrição, hoje, em São Paulo.
Verdade processual, mentira real - CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 30/08
O engenheiro José Luiz Fuzaro Rodrigues, funcionário do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo, ganha R$ 47.576,44 ao mês por conta de "diárias-quilometragem” Isso dá uns 18 mil litros de gasolina, ou 9 mil quilômetros rodados por dia útil em um carro bom.
Logo, pensará o leitor, o funcionário jamais receberá esse valor, pois é obviamente impossível demonstrar a rodagem de tal percurso. Engano. O engenheiro não precisa comprovar nada, nem mesmo circular um único quilômetro. A verba é garantida.
Um absurdo, diz o simples bom-senso. Pois é, mas aqui não se trata de lógica, muito menos de sentido de realidade. Trata-se de uma "verdade processual”
Isso mesmo, o engenheiro recebe as diárias por decisão judicial. O valor, aliás, conta ele, foi fixado pelo perito do juiz. Por outro lado, a lei fixa um teto para os vencimentos dos funcionários públicos, que é, em termos nacionais, o salário de um juiz do Supremo, 27 mil reais ao mês. Todo mundo sabe o que é um teto. E que vencimento ou salário é tudo o que o trabalhador recebe. Mas decisões judiciais estabeleceram que há "vantagens pessoais” não salariais, digamos, que não fazem parte do vencimento. Logo, não contam para o teto.
E, assim, o engenheiro em questão recebeu no mês passado exatos R$ 69.961,14, valor que, pelo processo, é legal e cabe abaixo do teto de R$ 27 mil. Não tem sentido na realidade, mas a decisão judicial transforma isso numa verdade processual, formal. Já os pagamentos são reais.
Não se trata de caso isolado. Só nessa questão de salários, tetos e "sobre-tetos” a verdade processual beneficia milhares de funcionários pelo país afora. Não apenas aí. Todo dia aparecem casos em que funcionários, autoridades e empresários que têm contrato com o governo escapam ou tentam escapar de acusações de corrupção pela via da "verdade processual’!
Não por acaso, o tema apareceu no julgamento do mensalão, quando o ministro Ricardo Lewandowski afirmou, ao justificar seus votos pela absolvição de João Paulo Cunha: "Esta é a verdade processual. Pode até ser que a verdade real possa ser distinta, mas essa é a verdade processual."
A verdade processual é a que resulta da prova dos autos, como ocorreu no caso do engenheiro paulista. A questão é: como pode estar tão distante da realidade? Ou, como a lógica processual pode ser tão distinta do simples bom-senso?
Advogados do caso mensalão tentaram usar essas diferenças. Resumindo e simplificando, alegaram que o desvio de dinheiro público teria de ser provado de maneira minuciosa nos autos. Algo assim: teria de haver um documento formal de transferência de dinheiro de Marcos Valério para os políticos, ou impressões digitais demonstrando que um envelope de dinheiro passou das mãos de fulano para as de sicrano.
Claro, estamos fazendo caricaturas. Mas qual o sentido de se argumentar que o recebimento de um pacote de R$ 50 mil, em dinheiro vivo, numa sala escondida de um banco, não prova nada nos autos?
Aliás, a verdadeira caricatura está aqui: a mulher do presidente da Câmara dos Deputados vai pessoalmente buscar um pacote de 50 mil reais e isso não tem nada de mais?
Esta é a principal história do julgamento do mensalão até aqui. A maioria dos ministros está derrubando essa cultura que fez tanto mal ao país, a de que a verdade processual pode ser tão mentirosa.
Faz parte dessa história a cultura do "não tem nada de mais” muito viva. Na CPI do Cachoeira, Luiz Antonio Pagot contou que, quando diretor do Dnit, órgão federal que contrata grandes obras, pediu às empresas contratadas doações para a campanha de Dilma Rousseff. As empresas fizeram as doações, R$ 5,5 milhões, e mandaram os recibos para o então diretor contratante e pagador.
Eticamente errado, disse Pagot. Mas legalmente, acrescentou, não teve nada de mais. Ou seja: na verdade processual não é crime.
O deputado federal Henrique Alves, que deve ser o próximo presidente da Câmara, levou um empresário para conversas no Tribunal de Contas da União, que julga um contrato de interesse daquele empresário. O TCU é órgão auxiliar do Legislativo. Um simples favor a um amigo, disse o deputado. Ou: nos autos, isso não prova nada. Não provava. Depois do julgamento do mensalão, esse pessoal tem razão para se preocupar. Na real.
O engenheiro José Luiz Fuzaro Rodrigues, funcionário do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo, ganha R$ 47.576,44 ao mês por conta de "diárias-quilometragem” Isso dá uns 18 mil litros de gasolina, ou 9 mil quilômetros rodados por dia útil em um carro bom.
Logo, pensará o leitor, o funcionário jamais receberá esse valor, pois é obviamente impossível demonstrar a rodagem de tal percurso. Engano. O engenheiro não precisa comprovar nada, nem mesmo circular um único quilômetro. A verba é garantida.
Um absurdo, diz o simples bom-senso. Pois é, mas aqui não se trata de lógica, muito menos de sentido de realidade. Trata-se de uma "verdade processual”
Isso mesmo, o engenheiro recebe as diárias por decisão judicial. O valor, aliás, conta ele, foi fixado pelo perito do juiz. Por outro lado, a lei fixa um teto para os vencimentos dos funcionários públicos, que é, em termos nacionais, o salário de um juiz do Supremo, 27 mil reais ao mês. Todo mundo sabe o que é um teto. E que vencimento ou salário é tudo o que o trabalhador recebe. Mas decisões judiciais estabeleceram que há "vantagens pessoais” não salariais, digamos, que não fazem parte do vencimento. Logo, não contam para o teto.
E, assim, o engenheiro em questão recebeu no mês passado exatos R$ 69.961,14, valor que, pelo processo, é legal e cabe abaixo do teto de R$ 27 mil. Não tem sentido na realidade, mas a decisão judicial transforma isso numa verdade processual, formal. Já os pagamentos são reais.
Não se trata de caso isolado. Só nessa questão de salários, tetos e "sobre-tetos” a verdade processual beneficia milhares de funcionários pelo país afora. Não apenas aí. Todo dia aparecem casos em que funcionários, autoridades e empresários que têm contrato com o governo escapam ou tentam escapar de acusações de corrupção pela via da "verdade processual’!
Não por acaso, o tema apareceu no julgamento do mensalão, quando o ministro Ricardo Lewandowski afirmou, ao justificar seus votos pela absolvição de João Paulo Cunha: "Esta é a verdade processual. Pode até ser que a verdade real possa ser distinta, mas essa é a verdade processual."
A verdade processual é a que resulta da prova dos autos, como ocorreu no caso do engenheiro paulista. A questão é: como pode estar tão distante da realidade? Ou, como a lógica processual pode ser tão distinta do simples bom-senso?
Advogados do caso mensalão tentaram usar essas diferenças. Resumindo e simplificando, alegaram que o desvio de dinheiro público teria de ser provado de maneira minuciosa nos autos. Algo assim: teria de haver um documento formal de transferência de dinheiro de Marcos Valério para os políticos, ou impressões digitais demonstrando que um envelope de dinheiro passou das mãos de fulano para as de sicrano.
Claro, estamos fazendo caricaturas. Mas qual o sentido de se argumentar que o recebimento de um pacote de R$ 50 mil, em dinheiro vivo, numa sala escondida de um banco, não prova nada nos autos?
Aliás, a verdadeira caricatura está aqui: a mulher do presidente da Câmara dos Deputados vai pessoalmente buscar um pacote de 50 mil reais e isso não tem nada de mais?
Esta é a principal história do julgamento do mensalão até aqui. A maioria dos ministros está derrubando essa cultura que fez tanto mal ao país, a de que a verdade processual pode ser tão mentirosa.
Faz parte dessa história a cultura do "não tem nada de mais” muito viva. Na CPI do Cachoeira, Luiz Antonio Pagot contou que, quando diretor do Dnit, órgão federal que contrata grandes obras, pediu às empresas contratadas doações para a campanha de Dilma Rousseff. As empresas fizeram as doações, R$ 5,5 milhões, e mandaram os recibos para o então diretor contratante e pagador.
Eticamente errado, disse Pagot. Mas legalmente, acrescentou, não teve nada de mais. Ou seja: na verdade processual não é crime.
O deputado federal Henrique Alves, que deve ser o próximo presidente da Câmara, levou um empresário para conversas no Tribunal de Contas da União, que julga um contrato de interesse daquele empresário. O TCU é órgão auxiliar do Legislativo. Um simples favor a um amigo, disse o deputado. Ou: nos autos, isso não prova nada. Não provava. Depois do julgamento do mensalão, esse pessoal tem razão para se preocupar. Na real.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 30/08
Em ano de eleição, venda de máquina para saneamento volta a crescer
Diferentemente do que ocorreu no ano passado, as vendas dos fabricantes de materiais e equipamentos para água e esgotos voltaram a crescer no país, segundo a Asfamas (associação do setor).
O acumulado dos primeiros sete meses deste ano subiu 36,06% em relação ao mesmo período de 2011.
Na comparação dos últimos 12 meses, até julho, a alta foi de 16,9% ante igual período anterior.
"O aumento das vendas ocorre de forma similar à evolução dos investimentos", diz o vice-presidente da Asfamas, Carlos Alberto Rosito.
O avanço é atribuído aos anos eleitorais.
"Todo o investimento no setor sobe nessa época, pois os governos trabalham com planos de quatro anos. Não se faz política de continuidade. Nos anos seguintes, sempre é preciso trocar a equipe e frear os gastos excessivos que antecederam as eleições", afirma.
O reforço nos recursos é mais intenso nas eleições federais e estaduais, segundo Rosito. Neste ano, o investimento deve superar R$ 8,7 bilhões, ante cerca de R$ 7,9 bilhões em 2011.
"Desde a década de 70, muitos municípios concederam a titularidade da água para as companhias estaduais. Por isso, a alta dos investimentos é mais forte em anos de eleição estadual e as quedas são piores nos anos seguintes", diz Rosito.
NEGÓCIO DA GINÁSTICA
As academias brasileiras faturaram US$ 2,45 bilhões de julho de 2011 a junho de 2012, alta de 10% ante mesmo período anterior, segundo o relatório da Ihrsa (associação internacional representante de academias e clubes esportivos).
Os dados serão apresentados hoje na feira do setor Ihrsa Fitness Brasil.
Segundo Waldyr Soares, presidente do instituto Fitness, responsável pela feira, o crescimento é ancorado na segmentação das academias para diversos públicos.
"Não dá para fazer expansão tendo somente academias sofisticadas", afirma Edgard Corona, presidente do grupo Bio Ritmo.
A empresa possui duas redes, uma voltada para um público de maior renda e outra com preços mais populares.
São 75 academias, mas, segundo Corona, a Bio Ritmo deve fechar 2013 com 124 unidades, entre o Brasil e o México.
"A gente trabalha com a operação enxuta e a margem pequena. Para sobreviver, tem de ter várias unidades", diz.
BTG Pactual vai se expandir e ter nove escritórios no Brasil
O BTG Pactual vai abrir escritório em Salvador, Curitiba e Ribeirão Preto.
A meta do banco é reforçar sua atuação no Nordeste, no Sul e no interior de São Paulo até o final deste ano e passar a contar com nove escritórios no Brasil.
Os serviços oferecidos abrangerão todas as áreas de negócios da companhia, como banco de investimento, gestão de recursos e gestão de fortunas.
"Os escritórios regionais que já tínhamos em Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife priorizavam a área de grandes fortunas. Vamos mudar o conceito para cobrir todas agora", afirma Sergio Cutolo, sócio do BTG Pactual.
Será lançado também, ainda hoje, seu escritório em Brasília, localizado na Asa Sul. A unidade ficará responsável por atender Distrito Federal, Goiás, Tocantins e Mato Grosso.
"As equipes serão pequenas. Vai depender da quantidade de negócios. Hoje, temos escritórios com três pessoas, outros com sete", afirma o executivo.
Os nomes dos chefes de cada uma das novas unidades ainda não foram definidos, segundo Cutolo.
ELETRÔNICOS EM QUEDA
Os europeus estão gastando menos em eletrônicos, segundo um estudo da GfK, que pesquisou a venda destes produtos no primeiro semestre deste ano em seis países.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a Alemanha aparece como o único país com crescimento (8,5%) no total das vendas.
As maiores quedas foram na Itália e na Espanha, que gastaram até 30% menos em produtos como aparelhos de DVD e Blu-ray.
Os produtos que sofreram maior impacto foram os eletrônicos automotivos, que estão mais baratos. As vendas registram uma queda de aproximadamente 19%.
Oferta de...
A rede Blue Tree Hotels e a Parintins Empreendimentos Imobiliários assinaram um acordo para administrar um novo hotel, que será construído em São Carlos (SP). A presidente do Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, terá um encontro hoje com autoridades do município, em que tratará do assunto.
...quartos
O empreendimento, com 256 apartamentos e área de eventos para até mil pessoas, deve ser inaugurado em 2014. Outros contratos, em Valinhos, Votorantim e Alphaville, também serão abertos em 2014. Neste ano, a companhia lançou o Blue Tree Premium Congonhas e apresentou um resort em Búzios.
DO PLANO À PESCARIA
Depois de vender a Blue Life Assistência Médica para a Amil em 2007, o médico e empresário Ayres da Cunha Marques decidiu investir no mercado de alimentos.
"É mais fácil cuidar de peixes do que de gente", brinca Cunha Marques.
Com investimento inicial de R$ 30 milhões, ele fundou a Zippy Alimentos, composta por piscicultura, fábrica de ração, laboratório de filhotes de peixe e frigorífico.
A produção é de até 50 toneladas de filé de tilápia por mês, com receita de R$ 2,2 milhões. Os peixes são vendidos congelados ou resfriados, e a expectativa é que, até o final deste ano, a produção aumente para 90 toneladas mensais.
Ofensiva contra as greves - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 30/08
Vitória, mas que vitória?
Tucanos e petistas estão começando a baixar a bola do governador Eduardo Campos (PE), diante de eventual bom desempenho do PSB nas eleições municipais. Eles argumentam que Márcio Lacerda, em Belo Horizonte, e Luciano Ducci, em Curitiba, devem tributar ao PSDB se vencerem o pleito. E que, no caso de êxito em Fortaleza, não se pode garantir que o projeto político de Campos será o mesmo do governador Cid Gomes (CE), e do ex-ministro Ciro Gomes. Por isso, avaliam que Campos não terá condições para um voo próprio na sucessão presidencial. Os tucanos apostam no distanciamento entre PT e PSB e querem os socialistas na aliança para 2014.
“Nenhum juiz verdadeiramente digno da sua vocação condena ninguém por ódio. O magistrado condena por uma exigência de justiça e porque reverencia a lei”
Cezar Peluso Ministro do STF
Russomano, o temido
O PT paulista não gostou da queda de José Serra (PSDB) na pesquisa Datafolha. Avalia que Celso Russomanno será um adversário mais duro no segundo turno. Os tucanos votarão nele, e parcela dos eleitores petistas já está com Russomanno.
O algoz
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pressiona o Senado pela não recondução de Luiz Moreira para o Conselho Nacional do Ministério Público. Ontem, o governo retirou a proposta da pauta do Senado, depois da vitória apertada na CCJ por 11 x 9. A oposição diz que Moreira pretende perseguir Gurgel por causa do mensalão.
Os tucanos estão nervosos
A queda de José Serra no Datafolha deixou o PSDB nacional apreensivo. Uma vitória em São Paulo é considerada fundamental para que a candidatura presidencial de Aécio Neves tenha um mínimo de perspectiva de vitória em 2014.
Um tiro no pé
O setor cultural do PT, que não se conforma com a nomeação da ministra Ana de Hollanda, é o maior suspeito pelo vazamento da carta enviada para a ministra Miriam Belchior (Planejamento), reclamando do orçamento da Cultura. No governo se diz que não funcionou a tentativa de queimar Ana de Hollanda. E que a presidente Dilma não gosta de demitir as suas ministras.
Sem Lula, Maria do Rosário na TV
O ex-presidente Lula não gravou para o candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre, Adão Villaverde. Sua campanha está usando à exaustão, na propaganda para a TV, o apoio da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos).
Meritocracia
O Ministério da Saúde vai ampliar em R$ 180 milhões/mês o pagamento para mais de sete mil equipes da saúde em 1.810 municípios. O adicional se deve a melhorias no atendimento, como a redução da espera por consultas.
CONFORME antecipou esta coluna (dia 22), o ministro Cezar Peluso (STF), que se aposenta, só tratou do caso João Paulo no julgamento do mensalão.
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