FOLHA DE SP - 04/08
BRASÍLIA - A imagem é antiga, mas precisa. O Supremo Tribunal Federal é composto por 11 ilhas.
Os 11 ministros falam pouco entre si quando se trata de melhorar o funcionamento operacional da Corte. Têm o direito de agir dessa forma. A independência dos juízes está na Constituição.
Ocorre que em alguns países, seja pela cultura ou tradição, o sistema funciona bem -como nos Estados Unidos. Em outros, pelos mesmos motivos, as coisas andam de maneira imprópria, perto do inaceitável.
Tome-se o caso do mensalão. Eclodiu em 2005. Só nesta semana, sete anos depois e por causa do esforço pessoal do atual presidente do STF, Ayres Britto, o processo está indo a julgamento -e com um início funesto, como se viu na quinta-feira.
O primeiro dia do julgamento foi tomado por um bate-boca entre dois ministros. Discutiram sobre algo já tratado no passado pelo STF: se um processo como o do mensalão deve ficar com todos réus submetidos ao Supremo ou desmembrado para outras instâncias.
É fascinante que o mais elevado Tribunal de Justiça do país não tenha meios, dentro das regras do direito e da democracia, para evitar tal tipo de protelação.
Ponderado, Ayres Britto tentou esfriar o clima: "Ninguém é inimigo de ninguém". Poderia ter acrescido: "Ninguém tampouco é amigo de alguém". Mas não estão em jogo o comportamento ou a amizade entre os ministros. Está em xeque a organização institucional do Supremo.
O Brasil ruma para tempos mais modernos. O Executivo e o Legislativo se submetem a eleições regulares. Estão expostos ao escrutínio dos cidadãos. Há ferramentas disponíveis para cobrança de responsabilidade.
Já o Judiciário, do qual o STF é o epítome, nunca passou por um "aggiornamento". Talvez o maior benefício do julgamento do mensalão seja explicitar a obsolescência do modelo funcional do Supremo.
sábado, agosto 04, 2012
Os pilotos do tráfico - JOSÉ CASADO
O GLOBO - 04/08
Há duas semanas a agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) interceptou um avião monomotor que sobrevoava Catacamas, no Oeste do departamento de Olancho, em Honduras. Rastreada a partir da Venezuela, a aeronave foi forçada a aterrissar à beira de uma estrada rural, na manhã de quinta-feira (19). Dois homens tentaram fugir. Eram os pilotos brasileiros Elias Aureliano Rivera e George Luis Herrera Bueno.
Ferido, Bueno se entregou. Rivera "ignorou ordens para se render", segundo Daw Dearden, porta-voz da DEA. Foi morto pelos agentes americanos. Tornou-se a oitava vítima da equipe, nas últimas seis semanas. Do avião foram retirados 968 quilos de cocaína.
Honduras ganha destaque nos mapas do narcotráfico. Tornou-se a primeira escala de 79% dos voos de transporte de cocaína que decolam do Brasil, da Colômbia, do Suriname e da Venezuela, porque faz fronteira com três países (Nicarágua, El Salvador e Guatemala) e tem saída para o litoral do Caribe. Nessa logística, a Venezuela é base avançada da narcoguerrilha colombiana.
No início deste ano, o Departamento do Tesouro dos EUA listou sete oficiais militares e funcionários do governo Hugo Chávez por participação no tráfico, entre eles o ministro da Defesa. O governo Hugo Chávez refutou, atribuindo tudo ao "imperialismo".
Em maio, o juiz Eladio Ramón Aponte Aponte, então presidente da Suprema Corte venezuelana, fugiu do país, entregou-se à DEA e confessou cumplicidade com uma rede de narcotráfico. Admitiu ter manipulado processos judiciais para favorecer traficantes com negócios partilhados -contou - com alguns dos mais graduados funcionários do governo Chávez. E listou: o ministro da Defesa, general Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IV Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
Nessa rede sul-americana de tráfico cresce, também, a participação de pilotos brasileiros, com habilidade testada nas rotas de garimpo de ouro e diamantes na Amazônia - onde o desafio de manobras pode ser tão arriscado quanto as de caças sobre porta-aviões durante guerras. Eles seguem a trilha de Leonardo Dias Mendonça, preso há nove anos no Pará, que ficou milionário ao se associar ao general Desiré Bouterse, o líder político e militar mais poderoso do Suriname, antiga colônia holandesa.
Bouterse, o ditador que nos anos 80 proclamou uma "república socialista" no Suriname, tem mais 36 meses de mandato, até 12 de agosto de 2015. No dia seguinte, perde a imunidade presidencial e será apenas um narcotraficante de 70 anos, com prisão decretada no Brasil e em mais meia centena de países - a pedido da Holanda, onde foi condenado a 16 anos de prisão por tráfico de cocaína.
Sob o manto do "socialismo", Bouterse organizou rotas para a Europa. Entre os anos 80 e 90, ele e Mendonça ganharam dinheiro com a narcoguerrilha colombiana: vendiam armamento e recebiam em cocaína. É ampla a documentação indicando que o piloto brasileiro somou um patrimônio de quase US$ 250 milhões.
Mendonça "apadrinhou" a aliança do traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Beira-Mar - na época em ascensão, hoje preso na Paraíba - com Tomás Medina Caracas (o "Negro Acácio"), responsável pelo narcotráfico das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na fronteira com o Brasil. "Negro Acácio" foi morto em setembro de 2007.
Mendonça e Bouterse financiaram no Brasil a montagem de uma rede de apoio político, na qual se destacou o ex-deputado federal Pinheiro Landim. Acusado em uma CPI, Landim negou ("nunca vi um pacote de cocaína") mas passou à história como o deputado que renunciou duas vezes em cinco semanas: em 15 de janeiro de 2003, no encerramento de uma legislatura (1999-2003), e em 25 de fevereiro, na abertura da legislatura seguinte. Atualmente, é um influente líder do PMDB no Ceará.
Vinte anos: 1992-2012 - MIGUEL REALE JÚNIOR
O Estado de S.Paulo - 03/08
Em agosto de 1992 dava-se início ao pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Neste mês de agosto começa o julgamento do mensalão. Há alguma semelhança entre os dois acontecimentos.
Com Collor presidente, tratou-se a República como coisa própria. Arrecadaram-se fundos, por via de ameaças de PC Farias aos prestadores de serviços à administração. Parte desses recursos era depositada na conta da secretária particular do presidente, que pagava suas contas pessoais. A moralidade político-administrativa foi gravemente afrontada.
No mensalão não houve apropriação de numerário por pessoas do núcleo do governo. Mas se feriu, também, gravemente a República, com o uso de verbas para a compra de votos de deputados mediante a entrega de envelopes recheados em hotéis de Brasília. Desfez-se a democracia pelo desvirtuamento das relações do governo com o Legislativo, do qual parcela era cooptada graças ao vil metal. Montava-se maioria sem compartilhar poder. As dádivas nada tinham que ver com recursos de campanha, mesmo porque ocorriam em momentos distantes dos pleitos eleitorais, mas sempre às vésperas de votações importantes na Câmara dos Deputados. Fez-se tábula rasa da moralidade político-administrativa.
Participei dos dois momentos lembrados: do impeachment de Collor, como um dos autores da petição apresentada pelos presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); do mensalão não como advogado, visto, de plano, ter rejeitado atuar no caso, e sim por haver sido coordenador do movimento Da Indignação à Ação, de apoio à CPI.
O impeachment de Collor começou por iniciativa de alguns advogados: José Carlos Dias, Dalmo Dallari, Fábio Comparato, Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, René Ariel Dotti e eu - que nos reunimos na casa de José Carlos Dias em meados de julho de 92. René Dotti fez o primeiro esboço relativo aos fatos. Comparato escreveu a parte referente aos conceitos de decoro e de dignidade próprios do cargo público que haviam sido feridos.
Em 16 de agosto, domingo para o qual Collor convocara os brasileiros a saírem às ruas com as cores da Bandeira e todos surgiram de preto, Márcio Thomaz Bastos e eu fomos a Brasília a convite da CPI para auxiliar na elaboração do relatório final. Coube-me fazer a análise das provas e da Operação Uruguai, pela qual se pretendia justificar os depósitos feitos à secretária do presidente. Em entrevista ao jornal O Globo, referi, à vista dos dados da CPI: "A Casa da Dinda (residência de Collor) não se explica sem PC Farias e este não se explica sem a Casa da Dinda".
De volta a São Paulo, com cópia de parte essencial da CPI e do inquérito existente na Polícia Federal, trabalhei na consolidação dos textos de René Dotti e de Fábio Comparato, bem como da petição proposta pelo ministro Evandro Lins e Silva em nome da ABI. Especifiquei no pedido de impeachment fatos que as provas coligidas permitiam detalhar. Em 27 de agosto, no apartamento de Márcio Thomaz Bastos, o grupo inicial e mais outros advogados examinaram o texto final a ser submetido aos presidentes da OAB, Marcello Lavenère, e da ABI, Barbosa Lima Sobrinho.
Do pedido de impeachment constava, em face de resistências possíveis de Collor, o alerta: "As praças públicas tomadas de cidadãos indignados são a demonstração da perda de dignidade para o exercício do cargo de presidente". Mais adiante se frisava que o afastamento do presidente se patenteava como medida de saneamento político e administrativo dentro do estrito quadro constitucional.
Collor tentou, por meio de seus escudeiros, formadores do grupo denominado "esquadrão da morte", constranger os julgadores, deputados e senadores, durante o processo de impeachment, buscando, de toda forma, cooptar apoios no Congresso, em confronto com a espontânea manifestação dos "caras-pintadas". A tentativa frustrou-se.
Agora, diante da hipótese de eventual condenação de mensaleiros, pretendeu a CUT mobilizar filiados em prol da absolvição, exercendo pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na proximidade do julgamento montou-se campanha de desmoralização do Judiciário e da imprensa, divulgando-se, sem pejo, ser o mensalão um golpe dos meios de comunicação. Em face dessa estratégia comprometedora das instituições, há a manifestação clara do procurador-geral da República no sentido de os fatos serem os mais graves de nossa História.
O movimento Da Indignação à Ação, de 2005 - que congregava entidades como o Ministério Público Democrático, a Associação dos Advogados de São Paulo, a Associação dos Funcionários Públicos de SP, o Centro Acadêmico XI de Agosto, o Instituto dos Advogados de São Paulo, a OAB-SP e o PNBE -, proclamava não só apoio à CPI e ao seu relator, deputado Osmar Serraglio, mas também a necessidade do efetivo julgamento dos fatos agora objeto de decisão no STF.
O manifesto do movimento insistia: "É imprescindível uma investigação séria, irrestrita e corajosa, pelo Legislativo, pelo Executivo e pelo Ministério Público, completando até o fim o esforço que se iniciou". Destacava a necessidade de uma reconstrução republicana, apenas possível graças a um julgamento isento de pressões dos acusados e de seus amigos, para brotar uma decisão livre de vícios e de conchavos.
É essencial, portanto, reafirmar o respeito ao STF contra qualquer ameaça velada ou explícita aos julgadores, em escritórios ou praças, visando a impor à força a absolvição. É a hora de a sociedade civil mostrar-se vigilante para garantir que os Poderes da República sigam independentes. Espera-se que se frustre, passados 20 anos, outra tentativa de constranger julgadores de fatos relevantes da tumultuada vida política brasileira. Este julgamento constituirá um marco definidor da liberdade de decidir da Suprema Corte.
Só não acredita quem não quer - MARCELO COELHO
FOLHA DE SP -04/08
Provavelmente tudo foi como Gurgel descreve; mas constitui prova suficiente para condenar José Dirceu?
ROBERTO GURGEL, o procurador-geral, não tem o tipo físico de quem está encarregado de acusar os réus do mensalão. Sua voz não se levanta, os olhos tampouco, enquanto ele fala durante horas. De tão redondo, seu rosto de ursinho parece não ter perfil. Nada, nem o nariz, aponta para alguém.
Talvez por isso tenha ficado a impressão, na tarde de ontem, de que sua fala tenha alternado argumentos sólidos com outros não muito definitivos.
Começando pela ponta mais frágil. Gurgel fez considerações gerais sobre a questão da prova, nos casos que envolvem o crime organizado. Os esquemas mais sofisticados arregimentam laranjas, intermediários, assessores. O chefe não se envolve diretamente.
Como incriminá-lo? Gurgel invoca a teoria jurídica do "domínio do fato". Autor do crime é quem decide e planeja a atividade dos demais.
Não há impressões digitais nem gravações telefônicas numa situação dessas. Restam apenas os depoimentos de testemunhas. Foi com esses pressupostos que Gurgel passou ao grande tema: a culpa de José Dirceu.
Não faltam testemunhos contra ele. Marcos Valério, Roberto Jefferson, Valdemar da Costa Neto, todos convergem na tese de que nada era feito sem a anuência de Dirceu. O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o presidente do partido na época, José Genoino, não tinham cacife para decidir sozinhos.
Provavelmente tudo foi como Gurgel descreve. Mas será que isso constitui prova suficiente, do ponto de vista jurídico, para condenar José Dirceu? O procurador-geral raciocina pela via inversa. Não é possível acreditar, por exemplo, que Dirceu tenha se reunido com o presidente de um banco português apenas para tratar de investimentos turísticos na Bahia. Se fosse assim, o que estavam fazendo Delúbio e Marcos Valério na reunião?
Coisas desse tipo só se explicam se aceitarmos a tese de que Dirceu era o mentor do esquema. Mas não é certo que os ministros do STF achem que, com isso, está provada a culpa dele.
Seja como for, quem defende os mensaleiros terá mais problemas para continuar na tese de que tudo foi só uma redistribuição de sobras de campanha.
Roberto Gurgel mostrou, com detalhes, a ligação que havia entre os saques em dinheiro e as votações no Congresso Nacional. Difícil uma evidência mais clara de compra de votos.
Líderes do PP, do PL e do PTB recebiam seus pacotes em dinheiro vivo, dias antes de decisões importantes para o governo. Jacinto Lamas, tesoureiro do PL, pegou R$ 100 mil sete dias antes da votação da reforma tributária, mais R$ 100 mil na véspera, e outros R$ 100 mil quando seu partido completou a missão.
Um velho programa de TV usava o bordão "acredite se quiser". Aqui, depois da calma e longa fala da acusação, seria o caso de inverter a frase. "Não acredite se não quiser."
Provavelmente tudo foi como Gurgel descreve; mas constitui prova suficiente para condenar José Dirceu?
ROBERTO GURGEL, o procurador-geral, não tem o tipo físico de quem está encarregado de acusar os réus do mensalão. Sua voz não se levanta, os olhos tampouco, enquanto ele fala durante horas. De tão redondo, seu rosto de ursinho parece não ter perfil. Nada, nem o nariz, aponta para alguém.
Talvez por isso tenha ficado a impressão, na tarde de ontem, de que sua fala tenha alternado argumentos sólidos com outros não muito definitivos.
Começando pela ponta mais frágil. Gurgel fez considerações gerais sobre a questão da prova, nos casos que envolvem o crime organizado. Os esquemas mais sofisticados arregimentam laranjas, intermediários, assessores. O chefe não se envolve diretamente.
Como incriminá-lo? Gurgel invoca a teoria jurídica do "domínio do fato". Autor do crime é quem decide e planeja a atividade dos demais.
Não há impressões digitais nem gravações telefônicas numa situação dessas. Restam apenas os depoimentos de testemunhas. Foi com esses pressupostos que Gurgel passou ao grande tema: a culpa de José Dirceu.
Não faltam testemunhos contra ele. Marcos Valério, Roberto Jefferson, Valdemar da Costa Neto, todos convergem na tese de que nada era feito sem a anuência de Dirceu. O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o presidente do partido na época, José Genoino, não tinham cacife para decidir sozinhos.
Provavelmente tudo foi como Gurgel descreve. Mas será que isso constitui prova suficiente, do ponto de vista jurídico, para condenar José Dirceu? O procurador-geral raciocina pela via inversa. Não é possível acreditar, por exemplo, que Dirceu tenha se reunido com o presidente de um banco português apenas para tratar de investimentos turísticos na Bahia. Se fosse assim, o que estavam fazendo Delúbio e Marcos Valério na reunião?
Coisas desse tipo só se explicam se aceitarmos a tese de que Dirceu era o mentor do esquema. Mas não é certo que os ministros do STF achem que, com isso, está provada a culpa dele.
Seja como for, quem defende os mensaleiros terá mais problemas para continuar na tese de que tudo foi só uma redistribuição de sobras de campanha.
Roberto Gurgel mostrou, com detalhes, a ligação que havia entre os saques em dinheiro e as votações no Congresso Nacional. Difícil uma evidência mais clara de compra de votos.
Líderes do PP, do PL e do PTB recebiam seus pacotes em dinheiro vivo, dias antes de decisões importantes para o governo. Jacinto Lamas, tesoureiro do PL, pegou R$ 100 mil sete dias antes da votação da reforma tributária, mais R$ 100 mil na véspera, e outros R$ 100 mil quando seu partido completou a missão.
Um velho programa de TV usava o bordão "acredite se quiser". Aqui, depois da calma e longa fala da acusação, seria o caso de inverter a frase. "Não acredite se não quiser."
Venezuela rumo ao narcoestado - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 04/08
Em 2005, o presidente Hugo Chávez interrompeu a cooperação com a DEA, a agência antidrogas dos EUA, depois de acusar seus agentes de "espiões". O governo venezuelano tem conhecidas ligações com as Farc, organização colombiana tão envolvida com o tráfico de drogas que é chamada de narcoguerrilha. A DEA obtém colaboração de Colômbia, México, Honduras e Guatemala. Mas nenhuma da Venezuela.
As Farc e os traficantes fizeram de áreas no Ocidente da Venezuela, fronteira com a Colômbia, um porto seguro, melhor dizer um aeroporto seguro, para o envio de drogas ao Caribe e à América Central, de onde vão abastecer os poderosos cartéis mexicanos, com acesso ao enorme mercado consumidor de drogas americano. O Escritório para a Política de Controle de Drogas da Casa Branca estima que 24% da cocaína exportada a partir da América do Sul em 2010 passaram pela Venezuela, segundo o "New York Times".
Mas o pior ainda está por vir. Altos escalões do governo estão envolvidos até o pescoço na rede criminosa. O jornal americano revela que o Departamento do Tesouro dos EUA acusou pelo menos sete altos oficiais militares e importantes integrantes do governo Chávez de ajudar as Farc, às vezes com troca de armas por drogas. Um deles é o atual ministro da Defesa, general Henrique Rangel Silva, que figura na lista oficial de narcotraficantes vinculados às Farc e cujos bens e contas bancárias estão interditados pelos EUA. A Venezuela classifica as acusações de "intromissão imperialista".
Recentemente, o presidente da Suprema Corte venezuelana, Eládio Ramón Aponte, totalmente envolvido com o esquema mafioso, fugiu do país pouco antes de ser descoberto e, em entrevista a uma TV da Costa Rica, denunciou altos funcionários do governo Chávez. Além do general Rangel Silva, citou o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IV Divisão Blindada do Exército, general Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
O ex-juiz contou que quem controla o Judiciário é o vice-presidente Elías Jaua, zelando pela manipulação de processos, para livrar da prisão traficantes vinculados ao governo. Uma das figuras centrais do esquema seria, segundo o ex-juiz, Diosdado Cabello, homem de grande influência no chavismo e cotado para ser uma alternativa a Chávez, se a saúde dele piorar.
É preciso ter tudo isto em conta ao receber a Venezuela no Mercosul. Se o comércio intrabloco tende a aumentar, o que é desejável, merece atenção especial dos países-membros o fluxo desses "produtos exóticos", que deixam rastro de sangue e morte por onde passam. É preciso pressionar a Venezuela a coibir o narcotráfico. Mas não se deve ser otimista.
Grupo fechado - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 04/08
Encerradas as sessões inaugurais do julgamento do mensalão, Carlos Ayres Britto ouviu de colegas que terá de ser duro para resistir às manobras da defesa. Ministros avaliam que Britto deveria ter insistido em sua ideia inicial: negar de pronto a questão de ordem de Márcio Thomaz Bastos pelo desmembramento do processo, como fez com o pedido posterior, de Alberto Toron. "O tribunal está fechado com o presidente. Vamos apoiar suas decisões", disse um membro do STF.
Calma No intervalo da primeira sessão, os ministros também sugeriram a Joaquim Barbosa que não caísse na "pilha" da defesa, nem perdesse a paciência com os colegas, sobretudo Ricardo Lewandoswki. Lembraram a ele que haverá tentativas de "desestabilizá-lo". Barbosa, como relator, tem a tarefa de conduzir o processo.
Dois tempos Os ministros preparam seus votos de duas formas: por núcleos, como na denúncia, ou individualmente, réu por réu. Devem esperar a opção de Barbosa para acompanhá-lo.
Bombril Integrantes do STF dizem que Sérgio Môro, chamado por Rosa Weber para auxiliá-la no voto do mensalão, é especialista não apenas em crimes financeiros, como muitos lembraram nas últimas semanas, mas também em formação de quadrilha, cerne da acusação contra o chamado núcleo político.
Sofá Advogados exaustos diante da fala monocórdia e sem emoção do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, faziam piada com sua semelhança com o apresentador Jô Soares: "Nesse caso não é um talk-show, é uma sessão de sonoterapia".
Toga justa Apesar das críticas à fala de Gurgel, interlocutores dos réus receberam com apreensão o pedido de prisão a todos os eventuais condenados. Nas palavras de um advogado, o procurador colocou a Corte em situação delicada ao "radicalizar".
Reencontro Ex-vice na chapa de Fernando Haddad, Luiza Erundina (PSB) embarca hoje na campanha do petista. Superado o impasse que envolveu a aliança com Paulo Maluf, a ex-prefeita protagonizará ato organizado pelo vereador Carlos Neder (PT) no Sindicato dos Químicos de São Paulo.
Boletim Já o ingresso de Lula no corpo a corpo ainda depende de aval médico. O ex-presidente será submetido a bateria de exames na segunda-feira. Caso seja liberado, pode participar de carreata na próxima semana. Se houver restrição, sua estreia fica adiada para o dia 13.
Pico... Com os minutos de fama do nanico Levy Fidélix (PRTB) no debate de anteontem na Band, PT e PSDB passaram a considerar improvável acordo da TV Globo com os candidatos para promover encontro com apenas seis postulantes à prefeitura.
... de audiência A emissora acena com cobertura diária de Fidélix e Carlos Gianazzi (PSOL) para convencê-los a desistir do debate, previsto inicialmente para 4 de outubro. O problema é que eles não têm agenda regular e dificilmente abririam mão da vitrine às vésperas do pleito.
Dobradinha Após José Serra defender, na Band, os investimentos do governo paulista em transportes metropolitanos, Geraldo Alckmin autorizou ontem a compra de 65 trens para a CPTM.
Sem susto Tucanos relativizam o resultado da pesquisa CNT que traz números superlativos de aprovação para Dilma Rousseff e coloca a presidente e Lula com larga vantagem sobre Aécio Neves na disputa de 2014. Lembram que a entidade é dirigida por Clésio Andrade (PMDB-MG), hoje adversário do senador.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"Nosso estatuto proíbe a manifestação sobre causa alheia. É uma vergonha o presidente da OAB pedir a condenação dos réus."
DO ADVOGADO LUIZ FERNANDO PACHECO, defensor do réu José Genoino no mensalão, evocando norma de conduta da classe para criticar Ophir Cavalcante.
contraponto
Sonoplastia do voto
Antes de começar o debate paulistano da Band, anteontem, técnico de som passava por todos os púlpitos pedindo que os candidatos testassem os microfones contando até quatro em voz alta. Quando chegou a vez do teste de Paulinho da Força (PDT), o sindicalista bradou:
-Vote Paulinho da Força, 12, vote 12.
O operador de áudio riu e o pedetista arrematou:
-Se ligar o microfone eu peço voto mesmo. Quem sabe alguém da equipe técnica vira meu eleitor?
Mais tarde, no ar, Soninha Francine (PPS) e Paulinho repetiram seus números para os telespectadores.
Começa bem o julgamento - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 04/08
Era inevitável que a imprensa destacasse a troca de farpas entre o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), e o revisor do trabalho, ministro Ricardo Lewandowski, no início do julgamento da ação penal 470, como a Corte denomina formalmente o mais explosivo feito que já lhe tocou examinar em 122 anos de história.
Mas a aspereza com que Barbosa se dirigiu ao colega, acusando-o de "deslealdade" com o tribunal, para dele ouvir que usara "um termo forte", prenunciando um horizonte "muito tumultuado", não deve toldar - a exemplo das árvores que impedem que se enxergue a floresta - a percepção de que a tranquilidade, esta, sim, prevaleceu na sessão inaugural de quinta-feira. Foi um bom começo.
Relator e revisor bateram boca, para repetir a expressão amplamente utilizada no noticiário, porque este último respaldou a tese do desmembramento do processo, apresentada, como previsto, sob a forma de questão de ordem pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, defensor do ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado. Ele pretendia que o STF se limitasse a julgar os três únicos réus com direito ao chamado foro privilegiado, por serem deputados federais, despachando para a primeira instância todo o material que dissesse respeito aos 35 outros. As primeiras palavras de Lewandowski em favor do pedido irritaram Barbosa, mas a sua reação não impediu que o outro consumisse quase uma hora e meia lendo o meticuloso voto que havia preparado.
Com isso e os pronunciamentos dos demais ministros, dos quais apenas uns poucos foram breves, a agenda da jornada deixou de ser cumprida, ficando para o dia seguinte a leitura da peça acusatória preparada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Houve tempo, apenas, para Barbosa ler o resumo das 122 páginas do seu relatório - com o qual, aliás, o revisor concordou instantaneamente. Não faltou quem lamentasse a quebra da pauta e nela visse um indício de que o julgamento levará mais tempo do que o estimado, a ponto de privar de seu voto o ministro Cezar Peluso, obrigado a se aposentar até 3 de setembro. Mas o tempo gasto não foi tempo perdido.
As quatro horas dedicadas à questão de ordem, afinal rejeitada por 9 votos a 2 (apenas o ministro Marco Aurélio Mello acompanhou Lewandowski), serviram para que a "belíssima" discussão do desdobramento, no dizer da ministra Rosa Weber, fosse definitivamente esgotada no caso. Três vezes a Corte já se manifestara contra a cisão, mas nunca em seguida a um debate exaustivo de seus aspectos constitucionais. Essa era uma das duas maiores pedras no caminho do julgamento. A outra, a da polêmica sobre a suspeição do ex-advogado-geral da União, ministro José Antonio Dias Toffoli, para participar do julgamento, foi igualmente transposta - sem alarde nem traumas.
Toffoli foi indicado para o STF pelo presidente Lula, depois de ter trabalhado para o PT, prestado assessoria jurídica à bancada federal do partido e de ter sido levado à Casa Civil do Planalto pelo seu então titular, José Dirceu, que viria a ser apontado como "chefe da quadrilha" mensaleira. Como advogado da segunda campanha presidencial de Lula, sustentou que o mensalão "jamais" foi comprovado. E a sua namorada, Roberta Rangel, advogou em 2007 para um dos acusados no escândalo, o ex-deputado petista Professor Luizinho. Na quinta-feira, Toffoli deixou claro que não se declararia impedido, ao mencionar a certa altura que já tinha redigido o voto que irá proferir no julgamento.
Pode-se deplorar a decisão, mas a alternativa restante seria decerto pior. Se, como se especulou, o procurador-geral pedisse o seu afastamento, a contaminação da fase crucial do processo seria inevitável, com acusações de "politização" ao STF e clima de crispação geral em plenário. De toda forma, Toffoli não seria excluído. Tendo ele participado de diversas decisões que precederam o julgamento, os interessados em implodi-lo arguiriam a nulidade desses atos. Em vez disso, o cenário que felizmente se desenha é de normalidade, com embates eventualmente vivos, mas a partir de convicções amparadas nos autos e no saber jurídico.
Bronze! Brasil vira Bronzil! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 04/08
Londres Urgente! Porrada! Mais dois bronzes no judô! E mais um bronze a gente abre uma fábrica de sino! E Brasil muda pra Bronzil! Bronze do Bronzil! Rarará!
O Brasil só ganha medalha no tatame! Como disse uma menina no Twitter: "Ganhamos em judô porque brasileiro gosta de passar a perna e derrubar os outros". Rarará!
E bronzeado a gente já é. Bronze a gente pega em Ipanema. E eu num guento mais ouvir hino chinês. "Ouvilam do Ipilanga!"
E o debatédio na Band? Três regras para debate: 1) Nunca, jamais ser no horário da Carminha. 2) Debate é ultrapassado, tem que inventar uma coisa mais emocionante: eu sugiro luta no gel! 3) Os candidatos tem que ir com a roupa que usam normalmente.
O Haddad tava "engole ele, paletó". A Soninha tava de bruxinha de brechó. E o Serra tava com a cueca apertada. Com aquela cara de porteiro de necrotério. Aliás, o Serra já foi mais a debates do que o Michel Teló cantou "Ai, Se Eu te Pego". Rarará! Debatédio! Eu quero sexo, sangue e OFENSA MORAL!
E todos resolveram o problema do trânsito: todo mundo a pé. Carro virou palavrão! Não que eu defenda a "carrodependência". Mas de repente você se sente culpado dentro do carro! Você já sai da garagem com cara de culpa. É mais fácil botar a culpa no carro! Rarará!
Moral de todo debate: de tanto debater, nada ficou debatido. Prefiro debater um abacate com Lexotan. Aliás, prefiro debater uma. Me trancar no banheiro e debater uma. Rarará!
E o mensalão? E aquele ministro com capa preta? Parece o avô do Batman. E a capa sensacional do jornal "Extra". O mensalão virou novela. Lula é o Tufão, o marido enganado, o corno crédulo. Zé Dirceu é a Carminha. O Jefferson é a Nina, só quer vingança! O Marcos Valério é a Suelen. Deu pra todo mundo, petistas, tucanos etc! E o Dilúvio? Ops, o Delúbio? Segundo o "Piauí Herald", o Delúbio vai virar dirigente do Flamengo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Predestinados Olímpicos! Claro que a primeira e sempre predestinada das Olimpíadas é a Chana, goleira de handebol do Brasil! O segundo é o nosso lutador de boxe: Esquiva Falcão! "Vai, Falcão, esquiva. Esquiva, Falcão!"
E tem uma jogadora de vôlei coreana chamada Ahn! Ãhn? Isso mesmo, Ahn. Vai Ahn, bloqueio. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Um agosto perigoso - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 04/08
Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), é um sujeito audacioso. Ao recusar-se na quinta-feira a conceder uma ajuda maciça e instantânea aos países que estão à beira da debacle na zona do euro, contrariamente ao que havia sugerido inicialmente, o italiano assumiu um grande risco. Ainda mais que estamos no começo de agosto.
Na Europa, agosto é o mês das férias, das boates, do "far niente", de Saint-Tropez, das noites de Capri e da sesta. Portanto, se um grave acidente em matéria de pagamento ou de crédito ocorrer no torpor de agosto, será necessário algum tempo para que os responsáveis deixem Berlim, Roma ou Madri para se encontrarem em Bruxelas. Mas se os homens políticos são lentos como lesmas, os especuladores são rápidos como relâmpago. E, às vezes, bastam 24 horas para que tudo desmorone.
Por exemplo, mesmo em agosto, os países continuam a tomar emprestado dos investidores. Emissões a médio e longo prazos estão previstas na Espanha e na Itália nos dias 14 e 16 de agosto. Qual será o juro ao qual Roma ou Madri poderão obter o dinheiro tão indispensável? Depois do fiasco da reunião de quinta-feira, depois da decepção de Draghi, os juros subiram consideravelmente. Ontem pela manhã, os empréstimos do Estado espanhol de dez anos chegaram a 7,2% e os títulos da dívida italiana superaram os 6% - mais tarde chegaram ao redor de 6,3%.
Sabendo que a França toma emprestado a menos de 2,0%, que a Alemanha, às vezes, se beneficia de juros negativos (ela reembolsa menos do que recebeu), é fácil avaliar os estragos que essas distorções dos juros provocam numa Europa que se diz unificada, e para uma moeda supostamente comum, o euro.
Nem tão 'comum'. Na realidade, a moeda comum não é totalmente comum. Um exemplo da diferença de valor entre o euro alemão e o euro, digamos, italiano. O jornal alemão Bild, embora eurocético e, enquanto tal, ávido por mostrar como o euro é nefasto à Alemanha, fez ontem uma curiosa constatação: as diferenças dos juros entre a Alemanha e seus vizinhos acabam representando uma renda considerável para os alemães. O Bild fez os cálculos: desembolsando menos dinheiro do que os outros para se abastecer de dinheiro, a Alemanha vem economizando mês após mês. Eis as cifras apresentadas pelo jornal: desde o início da crise do euro (há 30 meses), a Alemanha economizou 90 bilhões. E isso não é tudo: a modéstia dos juros aos quais o Estado alemão se capitaliza influencia todo o mercado do crédito interno: por exemplo, os créditos imobiliários ou os adiantamentos e os créditos concedidos às empresas alemãs que querem se capitalizar.
Os dados fornecidos pelo Bild talvez não sejam totalmente exatos, mas a mecânica que o jornal descreve é exata e sem contestação. E tudo isto deverá acalmar as queixas dos eurocéticos alemães (grupo do qual curiosamente o Bild, aliás, faz parte) mostrando-lhes que, a gritaria da chanceler Angela Merkel toda vez que ela precisa abrir a carteira para ajudar os pobres países a sobreviver, é em parte injusta.
Para salvar a Grécia, há dois anos a Alemanha, desembolsou a soma enorme de 46,1 bilhões (segundo as próprias estatísticas).
Esta soma é inferior às economias que Berlim conseguiu fazer graças ao diferencial dos juros. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA
CLAUDIO HUMBERTO
“...o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção da História”
Roberto Gurgel, procurador-geral da República, definindo o mensalão do governo Lula
GURGEL CITA FATO NOVO E PODE RETARDAR JULGAMENTO
Foi considerada muito competente a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no julgamento do mensalão. Mas ele optou pela ousadia ao apresentar como prova de corrupção passiva a votação da Lei de Falências, quando parlamentares receberam dinheiro para aprová-la. Isto não está na denúncia, nem nas alegações finais, e como fato novo levado ao julgamento, pode provar a sua suspensão.
CONTRADITÓRIO
Advogados de defesa estudam pedir terça-feira, em questão de ordem, a suspensão do julgamento no STF para oferecimento do contraditório.
RITMO DEFINIDO
O receio dos advogados é serem “atropelados” pela pressão do calendário já definido pelo STF, sofrendo nova derrota no plenário.
OUVIDOS ATENTOS
O “grupo paulista” de advogados “comeu mosca” no fato novo levado por Gurgel ao STF. Mais experiente, o “grupo brasiliense” o percebeu.
MOTOBOBO
Ao fim da longa denúncia do procurador-geral Roberto Gurgel, ontem, conclui-se que Delúbio Soares era boy de luxo da Mensalão Delivery.
MPF TEM CONTAS A AJUSTAR COM O MINISTRO TOFFOLI
Tem dois pés no passado a ameaça do Ministério Público Federal de acionar o ministro Dias Toffoli com base nas Leis dos Crimes de Responsabilidade, por atuar do julgamento do mensalão: no impeachment de Fernando Collor e no parecer dele, como ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, contrário a que promotores e procuradores façam investigação criminal. O caso se arrasta no STF.
CAMINHOS CRUZADOS
Um dos sabatinadores do ministro Toffoli ao Supremo, na Comissão de Justiça do Senado, em 2009, foi o ex-senador Demóstenes Torres.
MAU CHEIRO
O “mensalão” é mesmo podre. Um urubu sobrevoou, ontem, o Supremo durante o julgamento. Era o “Urubulula”, um curioso no espetáculo.
VERDE VALE
A Presidência da República pretende gastar até R$ 2,9 milhões com a manutenção e revitalização dos jardins do Alvorada e do Planalto.
FALTA LULA ENTRE OS RÉUS
O advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende Roberto Jefferson, acha que o procurador-geral protege Lula, para ele o verdadeiro chefe do mensalão. Barbosa pediu, no ano passado, a inclusão de Lula entre os réus. Mas sua petição nunca foi analisada por Roberto Gurgel.
DEVER CUMPRIDO
Ontem foi dia de glória para o procurador-geral da República Roberto Gurgel. Após sobreviver ao fogo cerrado do governo e do PT e a um grave acidente doméstico, finalmente cumpriu seu dever no Supremo Tribunal Federal.
FÉRIAS CURTAS
O chanceler Antonio Patriota tirou brevíssimas férias, entre quarta (1º) e sexta (3). Segundo a assessoria, ele foi “provavelmente” à Colômbia, onde mora sua mulher, e já na segunda (5) cumpre agenda no Peru.
RETORNO AOS GRAMADOS
Recuperado de delicada cirurgia no cérebro, o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) está mais feliz que jogador convocado para a Seleção: foi liberado pelo departamento médico para retomar as peladas semanais.
BANHO DE ESPUMA
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, só vê “espuma” no governo PT: “investimentos parados, a infraestrutura uma porcaria, a educação não pode ser pior e a saúde não existe”. Para ele, o País ficou para trás.
MENOS UMA CPI
Presidente da Anatel, João Rezende jurou na Câmara, há um ano, que não suspenderia as telefônicas. O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) acha que a súbita mudança do governo foi para evitar uma CPI.
EM OBSTRUÇÃO
O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), já avisou que sua bancada fará obstrução enquanto o governo não fizer contraproposta ao projeto do fator previdenciário. O prazo era 10 de junho.
OPOSIÇÃO CAMARADA
Tucanos em Brasília não engolem a decisão do governador Beto Richa de aparecer ao lado da presidente Dilma Rousseff em outdoor de União da Vitória (PR), apoiando o petista Pedro Ivo para prefeito da cidade.
FACADA
Lula alegou que “tinha que trabalhar” para não ver o julgamento. Tirar a faca que o “traidor” enfiou em 2005 dá mesmo um trabalhão danado.
PODER SEM PUDOR
O GOVERNADOR REPROVADO
No livro que prepara sobre o avô, a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) lembra da professora aposentada e ex-líder sindical, de 90 anos, que a procurou em seu gabinete para contar que reprovou Leonel Brizola por meio ponto, reencontrando o ex-governador gaúcho décadas depois, numa negociação salarial:
- Guria, como eu podia imaginar que o aluno que reprovei por meio ponto viria a se tornar governador?
Roberto Gurgel, procurador-geral da República, definindo o mensalão do governo Lula
GURGEL CITA FATO NOVO E PODE RETARDAR JULGAMENTO
Foi considerada muito competente a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no julgamento do mensalão. Mas ele optou pela ousadia ao apresentar como prova de corrupção passiva a votação da Lei de Falências, quando parlamentares receberam dinheiro para aprová-la. Isto não está na denúncia, nem nas alegações finais, e como fato novo levado ao julgamento, pode provar a sua suspensão.
CONTRADITÓRIO
Advogados de defesa estudam pedir terça-feira, em questão de ordem, a suspensão do julgamento no STF para oferecimento do contraditório.
RITMO DEFINIDO
O receio dos advogados é serem “atropelados” pela pressão do calendário já definido pelo STF, sofrendo nova derrota no plenário.
OUVIDOS ATENTOS
O “grupo paulista” de advogados “comeu mosca” no fato novo levado por Gurgel ao STF. Mais experiente, o “grupo brasiliense” o percebeu.
MOTOBOBO
Ao fim da longa denúncia do procurador-geral Roberto Gurgel, ontem, conclui-se que Delúbio Soares era boy de luxo da Mensalão Delivery.
MPF TEM CONTAS A AJUSTAR COM O MINISTRO TOFFOLI
Tem dois pés no passado a ameaça do Ministério Público Federal de acionar o ministro Dias Toffoli com base nas Leis dos Crimes de Responsabilidade, por atuar do julgamento do mensalão: no impeachment de Fernando Collor e no parecer dele, como ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, contrário a que promotores e procuradores façam investigação criminal. O caso se arrasta no STF.
CAMINHOS CRUZADOS
Um dos sabatinadores do ministro Toffoli ao Supremo, na Comissão de Justiça do Senado, em 2009, foi o ex-senador Demóstenes Torres.
MAU CHEIRO
O “mensalão” é mesmo podre. Um urubu sobrevoou, ontem, o Supremo durante o julgamento. Era o “Urubulula”, um curioso no espetáculo.
VERDE VALE
A Presidência da República pretende gastar até R$ 2,9 milhões com a manutenção e revitalização dos jardins do Alvorada e do Planalto.
FALTA LULA ENTRE OS RÉUS
O advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende Roberto Jefferson, acha que o procurador-geral protege Lula, para ele o verdadeiro chefe do mensalão. Barbosa pediu, no ano passado, a inclusão de Lula entre os réus. Mas sua petição nunca foi analisada por Roberto Gurgel.
DEVER CUMPRIDO
Ontem foi dia de glória para o procurador-geral da República Roberto Gurgel. Após sobreviver ao fogo cerrado do governo e do PT e a um grave acidente doméstico, finalmente cumpriu seu dever no Supremo Tribunal Federal.
FÉRIAS CURTAS
O chanceler Antonio Patriota tirou brevíssimas férias, entre quarta (1º) e sexta (3). Segundo a assessoria, ele foi “provavelmente” à Colômbia, onde mora sua mulher, e já na segunda (5) cumpre agenda no Peru.
RETORNO AOS GRAMADOS
Recuperado de delicada cirurgia no cérebro, o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) está mais feliz que jogador convocado para a Seleção: foi liberado pelo departamento médico para retomar as peladas semanais.
BANHO DE ESPUMA
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, só vê “espuma” no governo PT: “investimentos parados, a infraestrutura uma porcaria, a educação não pode ser pior e a saúde não existe”. Para ele, o País ficou para trás.
MENOS UMA CPI
Presidente da Anatel, João Rezende jurou na Câmara, há um ano, que não suspenderia as telefônicas. O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) acha que a súbita mudança do governo foi para evitar uma CPI.
EM OBSTRUÇÃO
O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), já avisou que sua bancada fará obstrução enquanto o governo não fizer contraproposta ao projeto do fator previdenciário. O prazo era 10 de junho.
OPOSIÇÃO CAMARADA
Tucanos em Brasília não engolem a decisão do governador Beto Richa de aparecer ao lado da presidente Dilma Rousseff em outdoor de União da Vitória (PR), apoiando o petista Pedro Ivo para prefeito da cidade.
FACADA
Lula alegou que “tinha que trabalhar” para não ver o julgamento. Tirar a faca que o “traidor” enfiou em 2005 dá mesmo um trabalhão danado.
PODER SEM PUDOR
O GOVERNADOR REPROVADO
No livro que prepara sobre o avô, a deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) lembra da professora aposentada e ex-líder sindical, de 90 anos, que a procurou em seu gabinete para contar que reprovou Leonel Brizola por meio ponto, reencontrando o ex-governador gaúcho décadas depois, numa negociação salarial:
- Guria, como eu podia imaginar que o aluno que reprovei por meio ponto viria a se tornar governador?
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Gurgel aponta provas de quadrilha e pede prisão
- Folha: Esquema ocorria dentro do palácio, acusa procurador
- Estadão: Procurador pede prisão de 36 dos 38 réus do mensalão
- Estado de Minas: Acusação centra o fogo em Dirceu
- Zero Hora: Dirceu era o chefe do mensalão, diz Gurgel
- Correio Braziliense: Procurador pede prisão imediata de réus do mensalão
- Jornal do Commercio: Esquema do mensalão usou até carro-forte
sexta-feira, agosto 03, 2012
Julgamento do mensalão - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 03/08
Um grupo de intelectuais ligado a Zé Dirceu, liderado por Fernando Morais, elabora um manifesto para pedir ao STF que julgue o mensalão de acordo com os autos, sem pressão política.
Aliás, como se sabe, Morais escreve uma biografia de Dirceu.
O Rei na novela
Roberto Carlos vai ceder a Glória Perez uma de suas tão aguardadas músicas inéditas para compor a trilha da próxima novela das 21h da TV Globo, "Salve Jorge’!
Tolerância zero
De zero a dez, beira zero a paciência de Dilma com a ameaça de greve dos auditores fiscais, categoria da Receita Federal com um piso inicial de R$ 14 mil.
O estilo Dilma...Aliás, do deputado Valdemar Costa Neto, réu do mensalão, ontem, ao ouvir de um correligionário do PR que Dilma é "igual a comunista”:
— Não sei se ela é igual a comunista. Mas se os comunistas fossem iguais a ela, o comunismo... não tinha acabado na Rússia.
Petróleo na soja
O grupo Sonangol, a Petrobras de Angola, negocia a compra de duas fábricas de processamento de soja em Mato Grosso.
Coisa de uns US$ 800 milhões. O negócio deve ser fechado semana que vem em Portugal.
Herança"Herança” último volume da saga iniciada com "Eragon” do americano Christopher Paolini, principal lançamento juvenil da Rocco para a Bienal de São Paulo, esgotou a tiragem inicial de 30 mil exemplares ainda na pré-venda, antes de sair da gráfica.
A editora já prepara nova fornada de mais 20 mil exemplares.
O REPOUSO DAS GARÇAS
Esta árvore, na Freguesia, em Jacarepaguá, virou dormitório para cerca de 25 garças que, toda a noite, fazem na copa generosa o seu repouso. Repare na cena. Mas, agora, obras de macrodrenagem do Rio Sangrador, ali perto, tocadas pela Rio Águas, ameaçam a vida da frondosa e a paz das penosas. A arquiteta e urbanista Gisela Santana, vizinha da obra, está em negociação com os engenheiros para tentar salvar a árvore. “Outras já foram cortadas nas margens do rio”, conta. “Esta fica próxima à Rua Geminiano de Gois. Nosso bairro tem sofrido com a forte especulação imobiliária, que gera perda do habitat de diversas espécies. Seria ótimo poder salvar ao menos esta, como símbolo da preservação.” Deus proteja a árvore, olhe pelas garças e não nos desampare jamais •
Gois em Londres I
O fim dos Jogos deve marcar o início de grandes reformulações na comissão técnica da seleção de Mano Menezes.
Com ou sem o ouro, gente graúda, até então com plenos poderes, está ameaçada de perder a função.
Gois em Londres II
Aliás, no alarme falso de incêndio no hotel da seleção de Mano, em Newcastle, chamou a atenção uma cena no quarto do diretor Andrés Sanchez, que dormia quando o... "uóóóónn”.. soou no segundo andar.
Sonado, Andrés achou que era o alarme do rádio-despertador, na cabeceira. Só se deu conta ao tirar o aparelho da tomada, e aí... zupt!... correu!
Oi, oi, oi
Da ministra Ana de Hollanda, ontem, fazendo graça com o sucesso de "Avenida Brasil’,’ a novela da TV Globo, ao lançar a campanha na TV do programa Leia Mais, Seja Mais, de incentivo à leitura:
— Então... logo mais, entre um tapa da Carminha e um bofetão da Nina, vocês poderão ver a chamada.
A luta continua
Domingo, uma nova favela carioca, agora na Zona Norte, será ocupada pelas forças de segurança.
Por segurança
A Mangueira decidiu começar às 15h, amanhã, e não às 22h, a disputa do samba da escola para 2013.
Museus do Rio
O Ministério da Cultura vai dar R$ 7,6 milhões para os museus do Rio. Serão contemplados, entre outros, o Museu da Moda e o Museu Antonio Parreiras.
Além desta verba, o Museu Castro Maia ganhará R$ 2 milhões, segundo o presidente do Ibram, José Nascimento Jr.
O amor é lindo
Marcos Palmeira e Maria Paula estão de namorico.
Negócios da fé
A gravadora MZA, do produtor Marco Mazzola, ganhou a disputa para lançar os produtos oficiais da Jornada Mundial da Juventude, no Rio, em 2013.
Já estão programados para o fim do ano um CD e um DVD só com cantores católicos.
A maior diversão
O grupo Severiano Ribeiro/Kinoplex venceu a licitação da RioFilme e da prefeitura para operar o cinema do novo Imperator (agora Centro Cultural João Nogueira), no Méier, com três salas e 400 lugares.
Vai se chamar CineCarioca Méier. Os ingressos custarão, em média, R$ 10.
Sorte no boteco
Veja como a sorte tem frequentado os bares do Rio.
Depois dos garçons do Cervantes, na Barra, que faturaram a Quina de São João, lembra?, agora uma auxiliar de cozinha do Bar da Gema, na Tijuca, pediu demissão depois de ganhar R$ 30 mil numa raspadinha. Que seja feliz.
Um grupo de intelectuais ligado a Zé Dirceu, liderado por Fernando Morais, elabora um manifesto para pedir ao STF que julgue o mensalão de acordo com os autos, sem pressão política.
Aliás, como se sabe, Morais escreve uma biografia de Dirceu.
O Rei na novela
Roberto Carlos vai ceder a Glória Perez uma de suas tão aguardadas músicas inéditas para compor a trilha da próxima novela das 21h da TV Globo, "Salve Jorge’!
Tolerância zero
De zero a dez, beira zero a paciência de Dilma com a ameaça de greve dos auditores fiscais, categoria da Receita Federal com um piso inicial de R$ 14 mil.
O estilo Dilma...Aliás, do deputado Valdemar Costa Neto, réu do mensalão, ontem, ao ouvir de um correligionário do PR que Dilma é "igual a comunista”:
— Não sei se ela é igual a comunista. Mas se os comunistas fossem iguais a ela, o comunismo... não tinha acabado na Rússia.
Petróleo na soja
O grupo Sonangol, a Petrobras de Angola, negocia a compra de duas fábricas de processamento de soja em Mato Grosso.
Coisa de uns US$ 800 milhões. O negócio deve ser fechado semana que vem em Portugal.
Herança"Herança” último volume da saga iniciada com "Eragon” do americano Christopher Paolini, principal lançamento juvenil da Rocco para a Bienal de São Paulo, esgotou a tiragem inicial de 30 mil exemplares ainda na pré-venda, antes de sair da gráfica.
A editora já prepara nova fornada de mais 20 mil exemplares.
O REPOUSO DAS GARÇAS
Esta árvore, na Freguesia, em Jacarepaguá, virou dormitório para cerca de 25 garças que, toda a noite, fazem na copa generosa o seu repouso. Repare na cena. Mas, agora, obras de macrodrenagem do Rio Sangrador, ali perto, tocadas pela Rio Águas, ameaçam a vida da frondosa e a paz das penosas. A arquiteta e urbanista Gisela Santana, vizinha da obra, está em negociação com os engenheiros para tentar salvar a árvore. “Outras já foram cortadas nas margens do rio”, conta. “Esta fica próxima à Rua Geminiano de Gois. Nosso bairro tem sofrido com a forte especulação imobiliária, que gera perda do habitat de diversas espécies. Seria ótimo poder salvar ao menos esta, como símbolo da preservação.” Deus proteja a árvore, olhe pelas garças e não nos desampare jamais •
Gois em Londres I
O fim dos Jogos deve marcar o início de grandes reformulações na comissão técnica da seleção de Mano Menezes.
Com ou sem o ouro, gente graúda, até então com plenos poderes, está ameaçada de perder a função.
Gois em Londres II
Aliás, no alarme falso de incêndio no hotel da seleção de Mano, em Newcastle, chamou a atenção uma cena no quarto do diretor Andrés Sanchez, que dormia quando o... "uóóóónn”.. soou no segundo andar.
Sonado, Andrés achou que era o alarme do rádio-despertador, na cabeceira. Só se deu conta ao tirar o aparelho da tomada, e aí... zupt!... correu!
Oi, oi, oi
Da ministra Ana de Hollanda, ontem, fazendo graça com o sucesso de "Avenida Brasil’,’ a novela da TV Globo, ao lançar a campanha na TV do programa Leia Mais, Seja Mais, de incentivo à leitura:
— Então... logo mais, entre um tapa da Carminha e um bofetão da Nina, vocês poderão ver a chamada.
A luta continua
Domingo, uma nova favela carioca, agora na Zona Norte, será ocupada pelas forças de segurança.
Por segurança
A Mangueira decidiu começar às 15h, amanhã, e não às 22h, a disputa do samba da escola para 2013.
Museus do Rio
O Ministério da Cultura vai dar R$ 7,6 milhões para os museus do Rio. Serão contemplados, entre outros, o Museu da Moda e o Museu Antonio Parreiras.
Além desta verba, o Museu Castro Maia ganhará R$ 2 milhões, segundo o presidente do Ibram, José Nascimento Jr.
O amor é lindo
Marcos Palmeira e Maria Paula estão de namorico.
Negócios da fé
A gravadora MZA, do produtor Marco Mazzola, ganhou a disputa para lançar os produtos oficiais da Jornada Mundial da Juventude, no Rio, em 2013.
Já estão programados para o fim do ano um CD e um DVD só com cantores católicos.
A maior diversão
O grupo Severiano Ribeiro/Kinoplex venceu a licitação da RioFilme e da prefeitura para operar o cinema do novo Imperator (agora Centro Cultural João Nogueira), no Méier, com três salas e 400 lugares.
Vai se chamar CineCarioca Méier. Os ingressos custarão, em média, R$ 10.
Sorte no boteco
Veja como a sorte tem frequentado os bares do Rio.
Depois dos garçons do Cervantes, na Barra, que faturaram a Quina de São João, lembra?, agora uma auxiliar de cozinha do Bar da Gema, na Tijuca, pediu demissão depois de ganhar R$ 30 mil numa raspadinha. Que seja feliz.
Crise econômica na agenda - ROBERTO FREIRE
BRASIL ECONÔMICO - 03/08
A presidente Dilma, receosa de que o julgamento do mensalão pelo STF empurre a sua lama para o Planalto e tome conta da agenda política do governo, prepara mais um novo pacote de incentivos à economia em crise, para muito além da marolinha, neste mês de agosto.
A General Motors anunciou o fechamento de sua fábrica de São José dos Campos (SP), o que ocasionará a demissão de 1,5 mil empregados. O sindicato local prevê ainda a demissão de outros 4 mil trabalhadores da cadeia produtiva.
O governo esperneia porque reduziu o IPI dos carros em troca da manutenção do nível de emprego. No entanto, a medida teve impacto menor do que o esperado, já que o consumidor endividado não está disposto a assumir mais compromissos. O resultado são as demissões. Completa-se o ciclo vicioso: menos consumo, menos emprego, menor produção industrial.
O governo apresentou vários pacotes de estímulo à economia, como a redução do IPI de carros, da linha branca e móveis, e nada parece surtir efeito. Como apontamos em diversos artigos, o problema central das medidas governamentais está no diagnóstico sobre a crise.
O modelo de crescimento desenvolvido no governo Lula, baseado na exportação de commodities e na expansão do consumo interno, esgotou-se. É necessário formular um novo modelo, focado no investimento produtivo e na inovação tecnológica.
Não adianta tentar salvar o crescimento do PIB de 2012, que ficará abaixo dos 2%, conforme previsão do Banco Central. Para isso é preciso que o governo tenha um horizonte mais amplo, que prepare o país para retomar o crescimento em bases mais sólidas e sustentáveis.
Para agravar tal cenário, Dilma enfrenta ainda outro problema com forte consequência sobre o conjunto da economia como um todo: o baixo nível do investimento público. Ao tentar retomá-lo, o governo encontra boa parte do funcionalismo em greve ou fazendo operação padrão, o que prejudica a importação de insumos e, consequentemente, a produção industrial.
O governo insiste em negar ao funcionalismo o direito básico previsto na lei trabalhista de não redução salarial. Com inflação de 6,5% em 2011 e 5,9% em 2010, várias categorias sentem a redução salarial no bolso. Negar ao menos a recomposição salarial é tolher direitos dos trabalhadores. Essa postura intransigente tem afetado muito a economia nacional, que depende desse investimento para retomar o crescimento.
A verdade é que a presidente Dilma tem se mostrado uma péssima gerente de crise, ao contrário de sua fama. Não consegue controlar a máquina pública. Os investimentos públicos não saem do papel. Não consegue formular uma estratégia de superação da crise.
Não avança nas reformas estruturais como a tributária de que o país tanto precisa. Tão grave quanto é a paralisia que avança nas mais diversas frentes do governo Dilma, desde as obras do PAC, sobretudo a da Olimpíada e da Copa, aos desencontros na área política e os ruídos de sua base no Congresso, até a anomia administrativa, atingindo os diversos serviços prestados pelo governo, com graves prejuízos para a população. Como diz o slogan do próprio governo, "Brasil, um país de todos" em greve e quase parando.
A presidente Dilma, receosa de que o julgamento do mensalão pelo STF empurre a sua lama para o Planalto e tome conta da agenda política do governo, prepara mais um novo pacote de incentivos à economia em crise, para muito além da marolinha, neste mês de agosto.
A General Motors anunciou o fechamento de sua fábrica de São José dos Campos (SP), o que ocasionará a demissão de 1,5 mil empregados. O sindicato local prevê ainda a demissão de outros 4 mil trabalhadores da cadeia produtiva.
O governo esperneia porque reduziu o IPI dos carros em troca da manutenção do nível de emprego. No entanto, a medida teve impacto menor do que o esperado, já que o consumidor endividado não está disposto a assumir mais compromissos. O resultado são as demissões. Completa-se o ciclo vicioso: menos consumo, menos emprego, menor produção industrial.
O governo apresentou vários pacotes de estímulo à economia, como a redução do IPI de carros, da linha branca e móveis, e nada parece surtir efeito. Como apontamos em diversos artigos, o problema central das medidas governamentais está no diagnóstico sobre a crise.
O modelo de crescimento desenvolvido no governo Lula, baseado na exportação de commodities e na expansão do consumo interno, esgotou-se. É necessário formular um novo modelo, focado no investimento produtivo e na inovação tecnológica.
Não adianta tentar salvar o crescimento do PIB de 2012, que ficará abaixo dos 2%, conforme previsão do Banco Central. Para isso é preciso que o governo tenha um horizonte mais amplo, que prepare o país para retomar o crescimento em bases mais sólidas e sustentáveis.
Para agravar tal cenário, Dilma enfrenta ainda outro problema com forte consequência sobre o conjunto da economia como um todo: o baixo nível do investimento público. Ao tentar retomá-lo, o governo encontra boa parte do funcionalismo em greve ou fazendo operação padrão, o que prejudica a importação de insumos e, consequentemente, a produção industrial.
O governo insiste em negar ao funcionalismo o direito básico previsto na lei trabalhista de não redução salarial. Com inflação de 6,5% em 2011 e 5,9% em 2010, várias categorias sentem a redução salarial no bolso. Negar ao menos a recomposição salarial é tolher direitos dos trabalhadores. Essa postura intransigente tem afetado muito a economia nacional, que depende desse investimento para retomar o crescimento.
A verdade é que a presidente Dilma tem se mostrado uma péssima gerente de crise, ao contrário de sua fama. Não consegue controlar a máquina pública. Os investimentos públicos não saem do papel. Não consegue formular uma estratégia de superação da crise.
Não avança nas reformas estruturais como a tributária de que o país tanto precisa. Tão grave quanto é a paralisia que avança nas mais diversas frentes do governo Dilma, desde as obras do PAC, sobretudo a da Olimpíada e da Copa, aos desencontros na área política e os ruídos de sua base no Congresso, até a anomia administrativa, atingindo os diversos serviços prestados pelo governo, com graves prejuízos para a população. Como diz o slogan do próprio governo, "Brasil, um país de todos" em greve e quase parando.
Previdência e CLT na agenda após eleições - CLAUDIA SAFATLE
VALOR ECONÔMICO - 03/08
Depois do pacote de medidas destinado a estimular os investimentos - cujo anúncio foi adiado e tende a ser feito em duas etapas, no fim deste mês e em meados de setembro -, o foco do governo deve se voltar para dois temas delicados: as novas regras do INSS e a flexibilização do mercado de trabalho.
Nesse último tema, a discussão será em torno de um anteprojeto de lei que amplia a autonomia de empresas e sindicatos nas negociações de cada categoria, abrindo espaços legais para dar primazia do negociado sobre o legislado.
Cortes vão atingir "viúvas alegres e filhas amasiadas"
A intenção do governo é retomar a iniciativa e vencer as múltiplas resistências a essas duas reformas, que são debatidas e engavetadas há mais de uma década.
Mudanças e regras mais restritivas terão que ser feitas também nas pensões por morte e essas, se vierem, já vêm tarde. A conta das pensões por morte atingiu a exorbitância de R$ 100 bilhões no ano passado - equivalente a 2,8% do PIB - e sobre ela não há controle nem limite de duração. Do total, cerca de R$ 60 bilhões são gastos anualmente com pensões do INSS, e os outros R$ 40 bilhões, com as do setor público. A média dos países da OCDE com essa despesa está entre 0,8% e 1% do PIB.
"São as viúvas alegres e as filhas amasiadas" os alvos dessa medida, comenta uma fonte oficial, referindo-se às altíssimas pensões pagas a viúvas de desembargadores, por exemplo, e às filhas de pensionistas que não se casam oficialmente para herdar o benefício vitalício. Um caminho possível é limitar o recebimento da pensão por morte a um prazo de três a cinco anos.
O fator previdenciário, que está com seus dias contados, foi instituído em 1999, durante o governo FHC, para dissuadir os trabalhadores a buscarem a aposentadoria precoce. Trata-se de uma fórmula que leva em conta a idade, o tempo de contribuição e a expectativa de vida do brasileiro para calcular o valor do benefício. Só este ano, a vigência do fator representa uma redução de cerca de R$ 10 bilhões nas despesas com benefícios. Como a tabela de expectativa de vida do IBGE se altera a cada ano, cria-se uma incerteza sobre quando o trabalhador poderá receber o teto.
O fato é que, com o fator, para chegar ao teto do benefício o requerente da aposentadoria acaba tendo que atingir a idade mínima de 60 e 65 anos, para mulheres e homens, respectivamente.
A proposta que o governo deve fazer como alternativa ao fim do fator preservará direitos adquiridos e, portanto, só será aplicada aos que ingressarem no mercado de trabalho a partir da nova legislação. E mesmo o fim do fator previdenciário será gradual, num processo de transição que não comprometa as contas da previdência social.
Uma hipótese para a transição, sugerida pelo Ministério da Previdência, é conceder aposentadoria integral aos que já estão no mercado de trabalho quando a soma da idade e do tempo de contribuição for de 85 anos para as mulheres e de 95 anos para os homens, adicionando um ingrediente móvel para adequar o benefício à tabela de expectativa de vida do IBGE.
Com as mudanças no RGPS e as que já foram feitas para o funcionalismo público com a criação da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp), o governo Dilma completaria a reforma da seguridade social e eliminaria distorções que sobreviveram por décadas.
No primeiro semestre deste ano, o RGPS acumulou déficit de R$ 20,5 bilhões, cifra que sobe para R$ 36,5 bilhões no acumulado de 12 meses. Já a conta das aposentadorias do setor público é bem maior e o déficit anual ronda a casa dos R$ 60 bilhões. Em 2011, foi de R$ 56 bilhões.
Na Câmara, há pressões de alguns partidos, como o PDT, para acelerar a votação do fim do fator. O presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), alega que aguarda os retornos do grupo de trabalho que ficou de estudar o tema no governo e preparar uma nova proposta.
Flexibilizar as negociações trabalhistas é, também, outra face das reformas há tantos anos discutidas e jamais implementadas. Por iniciativa do movimento sindical, está na Casa Civil um anteprojeto de lei que propõe alterações da Consolidação das Leis do Trabalho para dar primazia aos acordos feitos nas fábricas. Conforme reportagem publicada pelo Valor na edição do dia 7 de julho, a proposta foi elaborada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a adesão a essa nova lei, como alternativa à CLT, seria facultativa.
O texto foi entregue em setembro do ano passado ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e ao presidente da Câmara, Marco Maia. Pela proposta, o Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico (ACE) regulamentaria a criação de Comitês Sindicais de Empresa (CSE) - as antigas comissões de fábrica - nos locais de trabalho, dando segurança jurídica às negociações dos comitês diretamente com a direção das empresas. O acordo não poderia, porém, cortar direitos trabalhistas (férias, 13º salário, entre outros).
Reforma da previdência, flexibilização das leis trabalhistas e privatizações são temas da velha Agenda Perdida, elaborada por economistas quando da primeira eleição de Lula, em 2002. O ex-presidente teve a iniciativa de aprovar os primeiros passos da nova previdência do setor público, mas parou aí. Lula também declarou, nos primeiros anos do primeiro mandato, que gostaria de alterar alguns aspectos da CLT, mas desistiu.
O pacote de medidas que o governo quer divulgar até setembro tem por objetivo desobstruir os investimentos produtivos e cuidar do crescimento da economia pelo lado da oferta. Até agora, à exceção de periódicas e dirigidas políticas industriais, o que foi feito desde o governo passado foi expandir a demanda.
Se não forem apenas intenções do Palácio do Planalto, nos próximos meses a presidente estará derrubando tabus.
O impasse das federais - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 03/08
Ao rejeitarem a última proposta salarial apresentada pelo governo, que previa reajuste de 25% a 40%, escalonado em três anos e de acordo com o cargo e a titulação do docente, os 140 mil professores das universidades federais deixaram claro que são eles que não querem negociar com os Ministérios do Planejamento e da Educação (MEC). Quando entraram em greve, há dois meses e meio, era a categoria que acusava o governo de não querer dialogar e, muito menos, de querer negociar.
Com isso, o semestre letivo começou sem aulas em 57 das 59 universidades e em 33 dos 37 institutos e escolas técnicas federais. Como a suspensão das atividades nos últimos 75 dias se concentrou nos cursos de graduação, pois na pós-graduação o docente que não trabalha perde a bolsa de produtividade paga pelas agências de fomento à pesquisa, os maiores prejudicados são os alunos do quarto e do quinto ano. Eles terão de adiar não apenas as solenidades de formatura, mas também seus planos profissionais, uma vez que o cronograma de aulas de 2012 está comprometido.
Além de reajuste de salários e gratificações, os docentes das universidades e escolas técnicas federais reivindicam um novo plano de carreira, alegando que demoram muito tempo para chegar ao posto máximo, de professor titular. E, nas universidades que foram inauguradas pelo governo do presidente Lula, eles também pedem melhores condições de trabalho, reclamando que não dispõem de laboratórios, bibliotecas, computadores e até mesmo de salas de aula em número suficiente.
Desde o início da greve, que começou no dia 17 de maio, o governo já apresentou duas propostas - ambas rejeitadas pelas duas principais entidades sindicais do professorado, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). A primeira proposta, que previa um reajuste salarial escalonado de 8% a 25%, aumentava em R$ 3,9 bilhões os gastos da União com a folha de pagamento do professorado das universidades e escolas técnicas federais. A segunda proposta tinha um impacto de R$ 4,2 bilhões nas contas públicas.
"A greve vai continuar. Vamos ver quem tem mais força", afirma a presidente da Andes, Marinalva Oliveira, que é professora de psicologia da Universidade Federal do Amapá. "A responsabilidade está no colo do governo. Cabe a ele elaborar uma proposta que atenda minimamente às reivindicações da categoria. Ninguém é louco de achar que todas as demandas serão atendidas, mas tem que contemplar pelo menos algumas delas", argumenta o coordenador-geral do Sinasefe, David Lobão, que também critica o projeto de progressão da carreira docente apresentado pelo MEC na semana passada, por condicioná-la à titulação e não ao tempo de serviço dos professores.
Mas, segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o governo não tem condições de apresentar uma terceira proposta, por causa da retração da economia e da queda na arrecadação de impostos. Para o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marco Antonio de Oliveira, o governo chegou ao "limite", em matéria de proposta salarial. "Dialogamos, fizemos tudo o que era possível e procuramos atender a algumas demandas consideradas justas", afirma o secretário de ensino superior do MEC, Amaro Lins.
Além do problema orçamentário, o impasse entre o governo e o professorado das escolas técnicas e universidades federais tem um componente político. As principais entidades sindicais do professorado das instituições federais sempre estiveram próximas da CUT e do PT. Mas, nos últimos anos, a Andes e o Sinasefe vincularam-se ao PSOL e ao PSTU, dois pequenos partidos de extrema esquerda, e à central sindical por eles controlada, a Conlutas. Embora os dirigentes da Andes e do Sinasefe tenham prometido não "partidarizar" a greve, fica evidente que ela é política e que os grevistas estão agindo não só por razões corporativas, mas também com vistas às eleições de outubro.
Marmelada indigesta - TUTTY VASQUES
O Estado de S.Paulo - 03/08
Em sua primeira contribuição efetiva para a elevação do espírito olímpico internacional, o badminton desmoralizou a marmelada em Londres. Ninguém deixa a peteca cair com tanta displicência impunemente.
O olho grande na tabela da fase de mata-mata da competição custou a eliminação às quatro duplas femininas que entregaram descaradamente o jogo umas às outras, mas a bizarrice que se viu em quadra deixa como legado uma lição básica de esportividade: nunca é fácil perder!
Menos ainda quando se almeja a derrota! Pode até não chorar no final, mas o torcedor exige um mínimo de capricho na encenação do fracasso para não fazer papel de bobo na plateia. A marmelada só funciona quando a suspeita de fraude é sinal de esperteza do espectador que não se deixa enganar.
O cara pode até estar certo de que, para tirar o Palmeiras e o São Paulo do páreo no Brasileirão de 2009, o Corinthians fez corpo mole naquela famigerada derrota para o Flamengo, mas jamais terá como provar a molecagem do Timão.
Sem isso, a marmelada desanda, vira desrespeito com o interesse do público e, em especial, com o sofrimento de quem perde a contragosto, para valer.
Devemos esta noção de ética esportiva ao badminton!
Meio nossa
Depois de tudo que a presidente Dilma fez pela entrada da Venezuela no Mercosul, francamente, o Brasil talvez possa se considerar sócio da medalha de ouro conquistada em Londres pelo esgrimista bolivariano Ruben Gascon.
Humilhação espetacular
O que os caras do basquete americano fizeram ontem com os pobres coitados da seleção da Nigéria na vitória de 156 a 73 pode ser considerado bullying olímpico. Se fosse futebol, a partida acabaria em pancadaria.
Especialidade da casa
O Brasil se despediu do tiro esportivo em 17.º lugar. Isso quer dizer o seguinte: a bala perdida é uma vocação nacional!
Roleta russa
O basquete brasileiro virou um jogo de azar! Teve sorte nas duas partidas que venceu, mas ontem perdeu para a Rússia com uma cesta espírita de três pontos a quatro segundos do fim. Cá pra nós, é mais seguro apostar no bicho!
Bem inimigos
Galvão Bueno e Renato Maurício Prado fizeram as pazes ao final de um arranca-rabo ao vivo no SporTV, mas é grande a torcida no centro de imprensa do Parque Olímpico para que a luta continue. Vale medalha!
Para o bem de todos
"DIGA AO POVO QUE FICO MAIS UNS DIAS!"
Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, sem se dar conta das reais intenções de uma campanha da torcida rubro-negra pela sua permanência em Londres.
Ippon estético
Duas coisas chamavam especialmente atenção ontem em torno do tatame das competições de judô na Excel Arena: a chapinha irretocável no cabelo da técnica brasileira Rosicleia Campos e o botox vigoroso do presidente russo Vladimir Putin.
Defesa em campo - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 03/08
Enquanto os advogados de defesa dos réus do mensalão estão no aquecimento, os petistas já têm tudo pronto para tentar evitar os estragos eleitorais ao seus filiados. A homenagem ao ex-presidente Lula ontem em São Paulo fez parte desse contexto de reforçar os aspectos positivos do governo passado poucas horas antes de os ministros do Supremo Tribunal Federal abrirem a primeira sessão do julgamento.
Para quem não acompanhou o discurso de Lula durante a homenagem recebida pelas organizações dos produtores de biodiesel, vai aqui um breve resumo da fala de meia hora dele. Lula disse que seu governo colocou 40 milhões de brasileiros no mercado de consumo, citou os programas sociais, enfim, defendeu o que considera o melhor de seu legado. Tudo com o bom humor que lhe é peculiar. Quem estivesse chegado de paraquedas ali, sem saber do contexto do julgamento em Brasília, acharia que o tema mensalão era coisa do passado, sequer citado no discurso da maior estrela petista.
Nos bastidores, entretanto, a história é bem outra. Lula tem plena consciência do estrago que esse julgamento fará ao partido. Reclama que a mídia, de uma forma geral, já condenou os réus e que os ministros do Supremo agora são pressionados a fazer o mesmo. Lula se esquece de dizer — e seus amigos também não mencionam na conversa direta com o ex-presidente — que, no início do processo, o então presidente da República se referia ao episódio como “práticas inaceitáveis”. Também não se lembra que há alguns meses, houve inclusive notícias de tentativas de influenciar o calendário do processo no Supremo.
Por falar em calendário…
Esses detalhes agora são coisa do passado. A ordem dentro do PT é enfrentar logo esse julgamento, usando Lula como garoto-propaganda dos ativos do governo. Nesse primeiro momento, a impressão entre os políticos foi a de que a estratégia do PT pode dar certo. A oposição, mais focada nas eleições municipais, não aproveitou a largada do julgamento para bater bumbo na rua ou colocar seu bloco na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, como reforço à acusação.
Nem mesmo as 24 cadeiras reservadas para cidadãos comuns que quisessem acompanhar o julgamento dentro do plenário foram usadas. Metade delas terminou ocupada por jornalistas não credenciados. Sinal de que a população está dedicada a outros afazeres, deixando a Justiça à vontade para adotar suas posições. Tampouco a oposição passou o dia em revezamento na Câmara. A sensação de recesso só não é total por causa dos poucos discursos no plenário da Casa.
Entre os oposicionistas há quem considere ser cedo para avaliar o grau de indiferença da população com o julgamento. Afinal, o brasileiro tem por norma se apresentar para torcer nas finais de torneios importantes. E, como o calendário começa com atraso, a expectativa é a de que esse movimento só surja mais ao fim do processo, daqui a um mês. Aí, explica-se o temor do PT com as eleições e o fato de tirarem logo Lula da cartola para fazer o contraditório nas ruas, palanques e auditórios.
Por falar em auditórios…
Os políticos não ficaram tão ligados no mensalão porque estavam mais interessados no primeiro debate eleitoral na tevê ontem à noite, na Band. Seguindo à risca a máxima de que a primeira impressão é a que fica, as atenções estavam voltadas para a troca de passes entre PT e PSB, adversários em Belo Horizonte e Recife. Também havia toda uma preocupação, especialmente por parte do PT, com o desempenho de Fernando Haddad, em São Paulo, o único estreante em campanhas políticas no grid paulistano.
Enquanto os advogados de defesa dos réus do mensalão estão no aquecimento, os petistas já têm tudo pronto para tentar evitar os estragos eleitorais ao seus filiados. A homenagem ao ex-presidente Lula ontem em São Paulo fez parte desse contexto de reforçar os aspectos positivos do governo passado poucas horas antes de os ministros do Supremo Tribunal Federal abrirem a primeira sessão do julgamento.
Para quem não acompanhou o discurso de Lula durante a homenagem recebida pelas organizações dos produtores de biodiesel, vai aqui um breve resumo da fala de meia hora dele. Lula disse que seu governo colocou 40 milhões de brasileiros no mercado de consumo, citou os programas sociais, enfim, defendeu o que considera o melhor de seu legado. Tudo com o bom humor que lhe é peculiar. Quem estivesse chegado de paraquedas ali, sem saber do contexto do julgamento em Brasília, acharia que o tema mensalão era coisa do passado, sequer citado no discurso da maior estrela petista.
Nos bastidores, entretanto, a história é bem outra. Lula tem plena consciência do estrago que esse julgamento fará ao partido. Reclama que a mídia, de uma forma geral, já condenou os réus e que os ministros do Supremo agora são pressionados a fazer o mesmo. Lula se esquece de dizer — e seus amigos também não mencionam na conversa direta com o ex-presidente — que, no início do processo, o então presidente da República se referia ao episódio como “práticas inaceitáveis”. Também não se lembra que há alguns meses, houve inclusive notícias de tentativas de influenciar o calendário do processo no Supremo.
Por falar em calendário…
Esses detalhes agora são coisa do passado. A ordem dentro do PT é enfrentar logo esse julgamento, usando Lula como garoto-propaganda dos ativos do governo. Nesse primeiro momento, a impressão entre os políticos foi a de que a estratégia do PT pode dar certo. A oposição, mais focada nas eleições municipais, não aproveitou a largada do julgamento para bater bumbo na rua ou colocar seu bloco na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, como reforço à acusação.
Nem mesmo as 24 cadeiras reservadas para cidadãos comuns que quisessem acompanhar o julgamento dentro do plenário foram usadas. Metade delas terminou ocupada por jornalistas não credenciados. Sinal de que a população está dedicada a outros afazeres, deixando a Justiça à vontade para adotar suas posições. Tampouco a oposição passou o dia em revezamento na Câmara. A sensação de recesso só não é total por causa dos poucos discursos no plenário da Casa.
Entre os oposicionistas há quem considere ser cedo para avaliar o grau de indiferença da população com o julgamento. Afinal, o brasileiro tem por norma se apresentar para torcer nas finais de torneios importantes. E, como o calendário começa com atraso, a expectativa é a de que esse movimento só surja mais ao fim do processo, daqui a um mês. Aí, explica-se o temor do PT com as eleições e o fato de tirarem logo Lula da cartola para fazer o contraditório nas ruas, palanques e auditórios.
Por falar em auditórios…
Os políticos não ficaram tão ligados no mensalão porque estavam mais interessados no primeiro debate eleitoral na tevê ontem à noite, na Band. Seguindo à risca a máxima de que a primeira impressão é a que fica, as atenções estavam voltadas para a troca de passes entre PT e PSB, adversários em Belo Horizonte e Recife. Também havia toda uma preocupação, especialmente por parte do PT, com o desempenho de Fernando Haddad, em São Paulo, o único estreante em campanhas políticas no grid paulistano.
Eu nunca esqueci de Long Beach - BARBARA GANCIA
FOLHA DE SP - 03/08
Sorte teve Paulo Francis. Deus me livre do flagelo de colocar minha decrepitude a serviço do inimigo
O FATO: a meia-idade não é um termo usado para definir quem está na metade da vida. Anglicismo, "meia-idade" ("middle age") identifica basicamente quem já meteu a botina na porta da velhice com força máxima. Não é o meu caso. Ainda tenho muito querosene a queimar antes de ser atirada do penhasco feito a vovó dinossauro do seriado de TV.
Mesmo assim, nos últimos tempos tenho visto gente gasta por toda parte. Inclusive no espelho. E acabei chegando à conclusão de que não há quem não envelheça mal.
Rabugice, falta de sociabilidade, excesso de método, esquisitices: o pacote de ruindades oferecido aos que ousam desafiar a ordem natural (deveríamos sumir aos 30 anos, não é isso?) pode ser mediano ou conter bônus extra na forma da imobilidade, esquecimento ou na aquisição das feições do sr. Beiçola. Fato está que não existe animal, vegetal ou mineral que não fique um pouco mais chatinho na medida em que a quilometragem avança.
Nesta semana, Gore Vidal foi ter com o Criador. Engraçado, inteligentérrimo e um "raconteur" dos mais saborosos, ele soube juntar a pesquisa histórica e a fofoca cabeluda como se ambas tivessem sido criadas para dançar juntas o tango.
Que ninguém nos ouça: Gore Vidal envelheceu mal. Pessimamente, diria. Sujeito escreveu "Burr" e "Myra Breckinridge", realizou uma das biografias mais elogiadas de Abraham Lincoln de que se tem notícia e ainda descarnou a América em seis volumes. E acabou a vida tecendo banalidades sobre o futuro do Império e pegando no pé da extrema-direita como se fosse um transviado irritadinho do Twitter. Sorte do Paulo Francis ter morrido no auge. Já imaginou colocar a decrepitude a serviço do inimigo, como Vidal se dispôs a fazer com George W. Bush?
Conheci Gore Vidal em São Paulo nos anos 1980. Tomamos um porre (posso ter sido só eu, quem sabe), demos muita risada, ele comportou-se comigo como um verdadeiro gentleman. Fui convidada para um jantar na casa de estrangeiros que fundaram a Chácara Flora e, ao chegar, encontrei uma situação insólita: um grupo animado de brasileiros conversava em um ambiente (quem conduzia a prosa era um decorador muito festejado à época) e em outra sala, sentado sozinho olhando uma lareira sem combustível, havia um senhor que eu imediatamente reconheci: Gore Vidal. Isso mesmo, sozinho. Sem ninguém ali para servir nem sequer uma Coca.
Sabe como é, brasileiro começa a noite falando inglês e logo desanda. Não dá meia hora já conta a primeira piada em português e nunca mais ninguém presta atenção no chato do gringo.
Eu não perdi tempo: "Mr. Vidal, it's an honour..." O papo fluiu, ele conhecia um tio meu (ambos moravam na Itália, ele e meu tio) e a coisa rolou e ficamos todos muito felizes. "A Barbara está tomando conta daquela bicha velha americana -ela veio com você?" e pronto, tudo resolvido. Como sempre a egoísta da grã-finada se arruma.
No dia seguinte, Vidal deu palestra no auditório no Masp e eu fui lá, com meu livrinho debaixo do braço. Se quiser ver o autógrafo, entre no meu Instagram, @bgancia. A dedicatória diz assim: "Barbara (who has forgotten that weekend in Long Beach), Gore Vidal". Pena que eu não lembre mais da piada. Mas tinha a ver com o fato de que, segundo ele, Long Beach seria o lugar mais de quinta dos EUA e ele tinha me achado chique ou algo assim -eu acho. Em todo caso, agora que bateu os "penny loafers" não há mais como especular. O que é certo é que a memória começa a me pregar peças.
Sorte teve Paulo Francis. Deus me livre do flagelo de colocar minha decrepitude a serviço do inimigo
O FATO: a meia-idade não é um termo usado para definir quem está na metade da vida. Anglicismo, "meia-idade" ("middle age") identifica basicamente quem já meteu a botina na porta da velhice com força máxima. Não é o meu caso. Ainda tenho muito querosene a queimar antes de ser atirada do penhasco feito a vovó dinossauro do seriado de TV.
Mesmo assim, nos últimos tempos tenho visto gente gasta por toda parte. Inclusive no espelho. E acabei chegando à conclusão de que não há quem não envelheça mal.
Rabugice, falta de sociabilidade, excesso de método, esquisitices: o pacote de ruindades oferecido aos que ousam desafiar a ordem natural (deveríamos sumir aos 30 anos, não é isso?) pode ser mediano ou conter bônus extra na forma da imobilidade, esquecimento ou na aquisição das feições do sr. Beiçola. Fato está que não existe animal, vegetal ou mineral que não fique um pouco mais chatinho na medida em que a quilometragem avança.
Nesta semana, Gore Vidal foi ter com o Criador. Engraçado, inteligentérrimo e um "raconteur" dos mais saborosos, ele soube juntar a pesquisa histórica e a fofoca cabeluda como se ambas tivessem sido criadas para dançar juntas o tango.
Que ninguém nos ouça: Gore Vidal envelheceu mal. Pessimamente, diria. Sujeito escreveu "Burr" e "Myra Breckinridge", realizou uma das biografias mais elogiadas de Abraham Lincoln de que se tem notícia e ainda descarnou a América em seis volumes. E acabou a vida tecendo banalidades sobre o futuro do Império e pegando no pé da extrema-direita como se fosse um transviado irritadinho do Twitter. Sorte do Paulo Francis ter morrido no auge. Já imaginou colocar a decrepitude a serviço do inimigo, como Vidal se dispôs a fazer com George W. Bush?
Conheci Gore Vidal em São Paulo nos anos 1980. Tomamos um porre (posso ter sido só eu, quem sabe), demos muita risada, ele comportou-se comigo como um verdadeiro gentleman. Fui convidada para um jantar na casa de estrangeiros que fundaram a Chácara Flora e, ao chegar, encontrei uma situação insólita: um grupo animado de brasileiros conversava em um ambiente (quem conduzia a prosa era um decorador muito festejado à época) e em outra sala, sentado sozinho olhando uma lareira sem combustível, havia um senhor que eu imediatamente reconheci: Gore Vidal. Isso mesmo, sozinho. Sem ninguém ali para servir nem sequer uma Coca.
Sabe como é, brasileiro começa a noite falando inglês e logo desanda. Não dá meia hora já conta a primeira piada em português e nunca mais ninguém presta atenção no chato do gringo.
Eu não perdi tempo: "Mr. Vidal, it's an honour..." O papo fluiu, ele conhecia um tio meu (ambos moravam na Itália, ele e meu tio) e a coisa rolou e ficamos todos muito felizes. "A Barbara está tomando conta daquela bicha velha americana -ela veio com você?" e pronto, tudo resolvido. Como sempre a egoísta da grã-finada se arruma.
No dia seguinte, Vidal deu palestra no auditório no Masp e eu fui lá, com meu livrinho debaixo do braço. Se quiser ver o autógrafo, entre no meu Instagram, @bgancia. A dedicatória diz assim: "Barbara (who has forgotten that weekend in Long Beach), Gore Vidal". Pena que eu não lembre mais da piada. Mas tinha a ver com o fato de que, segundo ele, Long Beach seria o lugar mais de quinta dos EUA e ele tinha me achado chique ou algo assim -eu acho. Em todo caso, agora que bateu os "penny loafers" não há mais como especular. O que é certo é que a memória começa a me pregar peças.
Viciados e consumidores - MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
FOLHA DE SP - 03/08
SÃO PAULO - Humanos parecem se sentir atraídos por estados alterados da mente. Nem todos, é verdade, mas a transformação de recursos da natureza em poções que descerram as cortinas de paraísos -e infernos- artificiais é uma atividade milenar, observável nas mais diversas sociedades.
Ao longo dos séculos, algumas drogas se tornaram mais populares ou mais aristocráticas, outras foram eleitas por artistas e intelectuais, outras por místicos e pacifistas.
O proibicionismo começou em finais do século 19, sob influência norte-americana. Chegou-se, nos EUA, a banir bebidas alcoólicas, mas a Lei Seca, como sabemos, não deu certo.
Consolidou-se, então, no chamado mundo moderno, uma situação em que o álcool é a droga oficial, com direito a anúncio, colunas especializadas nos meios de comunicação e ampla comercialização. A mensagem subliminar é: vai fundo porque se fizesse mal seria proibido.
É o caso da maconha, antes vista como droga de negro, que continuou vetada e é tratada enganosamente como substância muito mais nociva do que o álcool, o que justificaria a irracional mobilização de recursos vultosos e de forte aparato policial-militar para combatê-la.
Pesquisa divulgada anteontem diz que o Brasil teria 1,3 milhão de "viciados" em cannabis -número que parece subestimado. Os que usam álcool não são em geral tratados como viciados, mas "consumidores".
Levantamentos indicam que cerca de 80% de jovens entre 18 e 24 anos já consumiram álcool e que cerca de 20% são dependentes. Muitos adolescentes também.
A hipocrisia que cerca o tema só atrapalha. Droga é um negócio perigoso. Pode ser consumida dentro de limites razoáveis ou levar à ruína material e moral. Seria ingênuo crer que a humanidade caminha para um mundo sem drogas. A melhor política é a liberação progressiva, mas controlada, com forte investimento em educação e esclarecimento.
Quadrilhas e coautores - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 03/08
BRASÍLIA - A estreia não deixa dúvidas: além dos réus do mensalão, estarão em julgamento também os onze ministros do Supremo. Sem falar no constrangimento da participação de Dias Toffoli.
Ao tentar "ressuscitar" (o verbo é do ex-presidente Cezar Peluso) a tese do desmembramento, talvez o advogado Márcio Thomaz Bastos não quisesse, de fato, que os três deputados federais fossem julgados pelo Supremo, e os demais 35 réus, pela primeira instância. Talvez sua intenção fosse protelar o processo e mostrar quem é quem na corte.
Por 9 a 2 os ministros decidiram o óbvio: a questão já havia sido votada pelo tribunal. Mas eles expuseram fragilidades. Rompantes e termos inadequados do relator Joaquim Barbosa não são novidade. O que surpreendeu foi o voto do revisor Ricardo Lewandowski, por escrito e longuíssimo, para corroborar a tese da defesa, pelo desmembramento.
Essa polaridade Joaquim-Lewandowski certamente permeará todo o julgamento -que vai longe.
Joaquim considerou "irresponsável" discutir o desmembramento mais uma vez, acusou Lewandowski de "deslealdade" e disse que tudo isso poderia afetar "a legitimidade do processo" e a própria "credibilidade da corte". Destempero inútil.
O presidente Ayres Britto demorou a aprumar. Apesar de prometerem que seriam sucintos, Gilmar Mendes e Celso de Mello deram aula ao vivo. Marco Aurélio, como sempre, provocador. Rosa Weber, Cármen Lúcia e Luiz Fux, rápidos, despretensiosos.
Em bom português, Peluso argumentou que é impossível julgar coautorias e quadrilhas com os réus pulverizados em instâncias diferentes. Não estão em julgamento atos isolados de um Dirceu, de um Delúbio, mas, sim, todo um intrincado esquema em que cada um e todos tinham responsabilidade.
PS - Apesar de Padilha (Saúde) dizer que Marta Suplicy gravou para o programa de Haddad, ela nega.
Exportações emperradas - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 03/07
A crise internacional é só uma das causas do pífio desempenho do Brasil no comércio internacional, neste ano, e provavelmente nem é a mais importante. Para explicar o fiasco é preciso levar em conta pelo menos dois outros fatores: as falhas da política econômica e os erros da estratégia comercial acumulados a partir de 2003. Nesse ano, o governo decidiu impedir o País de jogar na primeira divisão dos mercados globais, dando prioridade a alianças com parceiros do "Sul". Com isso, perderam-se oportunidades importantes nos mercados mais desenvolvidos, enquanto outros emergentes se esforçavam precisamente para conquistar espaços no mundo rico. Outro resultado foi a dependência cada vez maior da venda de produtos básicos para um daqueles parceiros "estratégicos", a China, enquanto o governo chinês trabalhava para converter seu país na maior potência exportadora do mundo.
Os efeitos desses erros são observados há vários anos e se acentuaram em 2012. Neste ano, o superávit comercial acumulado até julho, de US$ 9,9 bilhões, foi 39% menor que o de um ano antes, na comparação baseada no resultado médio dos dias úteis. Pelo mesmo critério, as exportações, de R$ 138,2 bilhões, foram 3% menores que as de janeiro a julho de 2011, enquanto as importações foram 1,7% maiores.
As cifras de julho foram provavelmente afetadas pela greve de funcionários da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas o descompasso entre receita e despesa já havia sido observado até junho. Além disso, quase certamente a greve distorceu mais o valor importado que o exportado.
Os dados são suficientes, no entanto, para permitir uma análise das tendências mesmo antes da revisão dos números, porque os padrões mais importantes foram mantidos. A estagnação das exportações e o crescimento das importações apenas confirmam o enfraquecimento do produtor brasileiro diante dos competidores de fora. Os produtores estrangeiros têm sido amplamente beneficiados pela política federal de estímulo ao consumo. As ações de estímulo à produção têm sido muito menos eficientes. Isso é confirmado pelos números do comércio exterior e pela crescente penetração de importados no mercado interno. A desvalorização do real pode ter barateado os produtos brasileiros no confronto com os de fora, mas foi insuficiente para diminuir de forma importante a desvantagem competitiva do fabricante nacional. Essa desvantagem poderá ser atenuada um pouco mais no próximo ano, se o governo ampliar a bateria de estímulos, mas a mudança ainda será muito limitada. Segundo 68% dos executivos consultados em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, nenhum impacto sobre seus planos de investimento resultou do Plano Brasil Maior. Como o governo continua incapaz de investir os valores programados, ganhos de produtividade resultantes da expansão e da modernização da infraestrutura geral e dos equipamentos serão ainda modestos nos próximos tempos.
Como consequência da crise, o valor exportado para a União Europeia, até julho, foi 7% menor que o de um ano antes. A exportação para a China rendeu 1,4% mais, uma variação modestíssima atribuível, principalmente, à perda de ritmo da economia chinesa e à desvalorização de algumas matérias-primas, especialmente do minério de ferro. A valorização da soja impediu um resultado pior. Mas as vendas para os Estados Unidos foram 7% maiores que as de um ano antes. Isso se deve, em boa parte, à importância do mercado americano para as vendas brasileiras de manufaturados. A China, ao contrário, mantém com o Brasil uma relação semicolonial. O saldo seria bem melhor, se o governo brasileiro tivesse dado mais atenção aos mercados americano e europeu, sem negligenciar, é claro, as demais regiões.
A preferência aos países do "Sul" também se reflete no comércio com os vizinhos. As vendas para o Mercosul foram 17% inferiores às de um ano antes, principalmente por causa da perda de 18,4% no valor vendido para a Argentina. Isso se explica pelo protecionismo argentino, aceito alegremente - e quase aplaudido - pelo governo brasileiro. Parceria estratégica é isso.
O bolo e o apetite - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 03/08
O escândalo político-financeiro e que atende pelo apelido de mensalão começou ontem os seus dias decisivos, com o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Trata-se, sem dúvida, de um momento histórico na carreira dos ministros do Supremo Tribunal Federal - e uma festa cívica, se a decisão do STF corresponder ao que pensa a maioria dos brasileiros bem informados sobre o que se passa no país.
E falamos em festa cívica como referência à primeira vez na história do país que crimes financeiros atribuídos a personagens próximos - muito próximos - de um presidente da República são investigados a fundo. Resultando numa lista de réus que satisfaz a maioria da opinião pública. Se alguém já esqueceu, eles são acusados de manipular um complexo esquema financeiro destinado a comprar votos de senadores e deputados em benefício de membros do governo Lula e aliados. Essa máquina de fazer dinheiro era comandada dentro do governo Lula por José Dirceu, então chefe da Casa Civil.
Outro chefe da quadrilha, o publicitário Marcos Valério, era peça-chave da máquina de corrupção. O valerioduto - assim batizado no que se poderia definir como uma anti-homenagem - manipulou ilegalmente (como foi comprovado pela polícia) recursos cujo total chegou perto de R$ 100 milhões. Não é exagero acreditar que o bolo tenha passado dessa quantia. O julgamento, se tiver as consequências previstas pela maior parte da mídia e por uma considerável parcela da opinião pública, terá óbvias consequências políticas. A reação do Congresso é imprevisível. Mas parece ser inevitável que uma condenação severa afetará inevitavelmente a força política do PT. Pelo menos, por algum tempo. É também imprevisível a reação da presidente Dilma Rousseff. Com certeza, ela não se manifestará publicamente (nem deveria fazê-lo), mas só o tempo dirá se as consequências de um veredicto humilhante para o PT afetarão de alguma forma o seu prestígio e a sua atuação no governo.
Seja como for - e mais importante que as consequências políticas imediatas - um julgamento severo talvez, quem sabe, servirá para reduzir o apetite com que uma parcela considerável da comunidade política costuma se lançar sobre o apetitoso bolo da máquina pública.
O escândalo político-financeiro e que atende pelo apelido de mensalão começou ontem os seus dias decisivos, com o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Trata-se, sem dúvida, de um momento histórico na carreira dos ministros do Supremo Tribunal Federal - e uma festa cívica, se a decisão do STF corresponder ao que pensa a maioria dos brasileiros bem informados sobre o que se passa no país.
E falamos em festa cívica como referência à primeira vez na história do país que crimes financeiros atribuídos a personagens próximos - muito próximos - de um presidente da República são investigados a fundo. Resultando numa lista de réus que satisfaz a maioria da opinião pública. Se alguém já esqueceu, eles são acusados de manipular um complexo esquema financeiro destinado a comprar votos de senadores e deputados em benefício de membros do governo Lula e aliados. Essa máquina de fazer dinheiro era comandada dentro do governo Lula por José Dirceu, então chefe da Casa Civil.
Outro chefe da quadrilha, o publicitário Marcos Valério, era peça-chave da máquina de corrupção. O valerioduto - assim batizado no que se poderia definir como uma anti-homenagem - manipulou ilegalmente (como foi comprovado pela polícia) recursos cujo total chegou perto de R$ 100 milhões. Não é exagero acreditar que o bolo tenha passado dessa quantia. O julgamento, se tiver as consequências previstas pela maior parte da mídia e por uma considerável parcela da opinião pública, terá óbvias consequências políticas. A reação do Congresso é imprevisível. Mas parece ser inevitável que uma condenação severa afetará inevitavelmente a força política do PT. Pelo menos, por algum tempo. É também imprevisível a reação da presidente Dilma Rousseff. Com certeza, ela não se manifestará publicamente (nem deveria fazê-lo), mas só o tempo dirá se as consequências de um veredicto humilhante para o PT afetarão de alguma forma o seu prestígio e a sua atuação no governo.
Seja como for - e mais importante que as consequências políticas imediatas - um julgamento severo talvez, quem sabe, servirá para reduzir o apetite com que uma parcela considerável da comunidade política costuma se lançar sobre o apetitoso bolo da máquina pública.
Manobra perigosa - DENNIS ACETI
O GLOBO - 03/08
Debate-se a questão do poder investigatório do Ministério Público brasileiro. Como se sabe, a Constituição optou por dar roupagem bem moderna ao Ministério Público, deferindo-lhe, dentre outros, o poder de, com exclusividade, dar início à formal acusação contra autores de infrações penais, levando-os a julgamento pelo Poder Judiciário.
Tal exclusividade exigiu do Ministério Público certo fortalecimento em suas bases de sustentação, inclusive com o incremento da logística de investigação - afinal, se escalado pelo constituinte para obrar como guardião dos bens mais caros à sociedade, implicitamente também deveria poder munir-se das armas necessárias a tanto.
O aparelho policial e os investigados em geral, no entanto, não se conformam com a eficácia investigatória do Ministério Público. Vêm, pelos canais parlamentares de sempre, investir contra a atuação dos seus membros. Consentem, no máximo, em circunscrever o poder investigatório do Ministério Público à estatura meramente supletiva.
O que se deseja, se aprovada a proposta de emenda constitucional número 37 (em boa hora apelidada de PEC da impunidade), é fazer perigosa inversão na ordem dos fatores: de controlador dos trabalhos policiais, seu principal destinatário e eventual protagonista das investigações criminais - especialmente quando os investigados ostentam os mais altos postos na República -, objetiva-se ver as agências policiais como controladoras da atividade do Ministério Público.
E, pasmem, isto em contexto de reiterada ocorrência de achaques aos cofres públicos e de acentuado quadro de morte de civis em confrontos com policiais, que se assemelha, se não supera, a índices de guerra civil. Sem falar, igualmente, nos resultados pouco animadores do percentual de resolução das investigações policiais.
Certamente que se reconhecem a importância e a relevância do trabalho policial, a adversidade com a qual os profissionais da polícia têm que operar e até mesmo os baixos salários suportados pelos chefes de família que compõem tão necessário organismo. Tais fatores, no entanto, não sustentam tão baixos índices de efetividade das investigações criminais, gerando altíssimo grau de arquivamento dos inquéritos policiais que chegam ao Ministério Público.
Há quase uma década, a relatora especial da ONU para execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Asma Jahangir, já preconizava a necessidade de o Ministério Público dispor de grupo de investigadores para realização de investigações independentes, o que ocorre em todas as nações democráticas do mundo, salvo raríssimas e pouco recomendáveis exceções.
Portanto, para se evitar lamentável retrocesso histórico, e em atenção à expectativa de todo corpo social e da comunidade internacional, aguarda-se que o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional assegurem o poder investigatório do Ministério Público.
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