quarta-feira, julho 11, 2012

Meias soluções - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 11/07


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (foto), está anunciando a iminência de aumento dos atuais 20% para 25% da participação de álcool anidro na mistura com a gasolina. Acena, também, com a redução da alíquota do PIS-Cofins, hoje de 9,35%, a fim de estimular o setor.

São paliativos que não vão fundo nos problemas que bloqueiam toda a área de combustíveis - não só a do álcool - e indicam falta de rumo do governo também nas políticas setoriais.

A ideia de elevar o teor de álcool anidro na mistura com a gasolina é consequência do forte aumento do consumo de combustíveis, sobretudo de gasolina, o que obriga a Petrobrás a recorrer cada vez mais às importações a preços superiores aos que os que podem ser cobrados nas vendas internas.

Até agora, sempre que o governo alterou o volume de álcool na mistura carburante, tratou de resolver problemas no abastecimento de álcool. Desta vez, o objetivo aparente é diminuir a necessidade de importações de gasolina. O momento é de auge da safra da cana-de-açúcar no Centro-Sul. Não há, no momento, excesso de oferta de etanol. A decisão já anunciada pelo ministro Lobão tanto é insuficiente para suprir a falta de gasolina quanto tem tudo para criar novos problemas no abastecimento futuro de álcool.

Da proposta de redução das alíquotas do PIS-Cofins, sem a revogação da atual política populista para todo o setor, também não se pode esperar muito. Sempre que houve essa redução, seu impacto no setor foi periférico. E não há razões para que, também desta vez, seja diferente.

A produção de álcool deste ano na Região Centro-Sul está cerca de 25% mais baixa do que a de 2011. A principal causa desse desempenho ruim é a política de preços dos combustíveis, que já dura nove anos. Para evitar um avanço da inflação, o governo vem achatando os preços dos derivados de petróleo. Como tem hoje capacidade de optar entre gasolina e álcool, sempre que os preços do álcool tendem a superar os 70% dos da gasolina, o consumidor decide-se por abastecer seu carro com gasolina. Isso significa que a compressão dos preços da gasolina no varejo implica compressão dos preços também do álcool. E, como os custos do setor avançam mais rapidamente do que o faturamento, o retorno do negócio sucroalcooleiro está cada vez mais insatisfatório. É o que explica o relativo abandono dos canaviais e a perda da produtividade do setor.

O álcool anidro, que vai na mistura com a gasolina, não passa de 40% da produção total do produto. Um aumento de 20% para 25% no composto não deve economizar mais do que 2% no consumo de gasolina.

Em contrapartida, o aumento de 5 pontos porcentuais da participação de álcool na mistura pode criar novo déficit na oferta do produto na virada do ano, quando da entressafra do setor.

O consumo de combustíveis está desbalanceado porque a política do governo federal impõe o pagamento de um pedaço da conta do consumidor pela Petrobrás. Enquanto esse problema não for resolvido, não será apenas o caixa da Petrobrás que estará sendo sangrado. Todo o setor do etanol, há alguns anos tão promissor, continuará sendo desestimulado.

É mais uma área em que o governo não sabe o que quer. Nem a Petrobrás vem dando conta das suas metas nem se garantem condições mínimas para a retomada do setor do açúcar e álcool.

"Relaxa, Francisco!" FRANCISCO BOSCO


O GLOBO - 11/07
Há algumas semanas eu comecei uma coluna quase pedindo desculpas ao leitor porque iria escrevê-la de forma errática, distante da forma coesa que desejo para minhas intervenções aqui. Essa necessidade que tive de me justificar rendeu um e-mail de meu amigo Pedro Duarte, zombando de minha autoexigência excessiva e dizendo: "Relaxa, Francisco!" Dias depois, Caetano Veloso citou essa mesma coluna e, na semana seguinte voltou a citá-la, dizendo ter achado uma delícia que eu escrevesse daquele modo. Eu continuo preferindo minhas colunas coesas (que Caetano também não deixou de elogiar, para meu ainda maior contentamento), mas o fato psicológico é que, depois das palavras de Caetano e de Pedro Duarte (ele mesmo um filósofo rigoroso, que costuma responder aos conselhos de "relaxa" com um "estou tentando isso a vida inteira!"), eu me sinto liberado para escrever ocasionalmente sem tanto compromisso com o desenvolvimento conciso porém rigoroso de uma questão.
Então lá vamos nós. Passei os últimos meses assistindo à famosa série "A família Soprano", que não acompanhei na época (suas seis temporadas foram ao ar entre 1999 e 2007). Pois bem, o último episódio termina de tal maneira que demorei a entender que a série acabava ali. Seu autor optou por um "final aberto". Finais abertos são aqueles em que a trama, ou parte dela, não é solucionada. Costumam me irritar as interpretações que tentam solucionar finais abertos, como os críticos empenhados em demonstrar que Capitu traiu ou não Bentinho. Irritam-me porque forçam um texto a ser o que ele não é. Em certo sentido, todo texto é aberto. Toda obra tem uma estrutura fechada, mas um sentido aberto (exceto as obras que Umberto Eco chamou de obras abertas: essas têm a própria estrutura aberta). Finais abertos são como que uma parte da estrutura que seu autor decidiu deixar inconclusa. Querer concluir essa parte me parece uma impertinência, pois se trata de uma decisão de sentido, a que todo texto convida, justamente onde o texto não convida.

Só o que me irrita mais do que a interpretação concludente de um final aberto é o próprio final aberto. Fico com a impressão de que há uma espécie de justificativa-padrão para finais abertos: o de que "a vida é assim", na vida não são oferecidas explicações claras e certas sobre os acontecimentos, logo a arte também deve ser assim. Pois bem, em princípio eu considero um equívoco que se tome a verossimilhança como valor artístico. Já disse isso antes, ao repudiar uma afirmação de Sebald, segundo a qual um narrador de terceira pessoa onisciente, em pleno século XXI, é uma impostura. Acho isso uma tolice. O valor da literatura não se mede por sua semelhança à vida, mas por sua compreensão dela. Assim, da perspectiva artística eu suspeito dos finais abertos, que me cheiram a um modelo de relação entre arte e verdade que é uma bobagem. E da perspectiva do entretenimento eu me sinto decepcionado: não acompanhei uma série durante meses para não ter a pequena e liberadora catarse de um final qualquer.

Dito isso, devo ressalvar que esses argumentos não cabem para "Dom Casmurro". Pois no romance de Machado (que eu idolatro) o indecidível do final é motivado pela própria natureza de sua questão: o ciúme e sua tênue fronteira entre imaginário e imaginação.

Nesta semana me chegou às mãos a nova edição da revista "serrote". Não tem jeito: toda vez que sai um número novo, interrompo minhas leituras para ler seus ensaios. Dessa edição, de número 11, destaco os ensaios de John Jeremiah Sullivan, Christopher Hitchens e Jean-Christoph Bailly -- mas gostei especialmente (e isso também não tem jeito) do relato de Susan Sontag sobre o dia em que ela, aos 15 anos, foi visitar Thomas Mann. O relato, na verdade, é uma descrição de sua situação subjetiva nesse começo de adolescência, com a cabeça fervilhando de ideias e vontade de aprendizagem, mas o corpo ainda preso a condições objetivas de dependência.

Susan Sontag tem a maior curiosidade pelo mundo de que já tive notícias. Isso me fez lembrar de Caetano. De "Verdade tropical", em que ele narra sua situação de jovem na província, com apetite intelectual e existencial semelhante ao de Sontag. E da bela coluna em que ele disse supor que não gostava da infância (pelo mesmo motivo de Sontag: falta de autonomia).

Ainda nesta semana comprei o livro "Toda Rê Bordosa", reunindo as tirinhas da célebre personagem de Angeli. Há algumas edições a "piauí" havia oferecido um teaser do livro, publicando algumas tirinhas junto de um texto de Reinaldo Moraes (o autor certo no lugar certo, para dizer o mínimo). Devorados texto e teaser, esperei a publicação do volume integral. Comprei-o pensando que seria uma boa leitura para Antonia e eu relaxarmos nos intervalos dos afazeres com nossa Iolanda. Comecei a ler e achei tudo não só muito espirituoso e engraçado, como analisável. Fui anotando algumas coisas, para escrever aqui na coluna. Pois bem, hoje, quando Antonia foi procurar o livro, não o achou. Após alguns instantes, dei-me conta de que o joguei, sem querer, no lixo, ao me livrar de uma pilha de jornais antigos, embaixo dos quais a pobre da Rê Bordosa tinha ido se esconder. Antonia exigiu que eu compre outro exemplar, o que farei com prazer. Mas fiquei me devendo aqui a análise das tirinhas. Pensando bem, foi melhor; posso imaginar o e-mail que viria de Pedro Duarte, repetindo a zombaria: "Relaxa, Francisco!"

Conexão francesa - RUY CASTRO


Folha de sp - 11/07

RIO DE JANEIRO - A atriz Anna Karina está chegando ao Brasil para um festival de cinema em Brasília. Em outros tempos, 1965, 1966, a notícia de sua presença em espaço aéreo brasileiro bastaria para acelerar os corações em todos os cinemas de arte, botequins e Redações cariocas. Anna não era bonita, nem precisava -era mulher de Jean-Luc Godard, estrela de seus filmes, musa da nouvelle vague e capa quase cativa da revista "Cahiers du Cinéma".

Com Godard, Karina filmou, entre outros, "Uma Mulher é Uma Mulher" (1961), "Viver a Vida" (1962) e "Pierrot le Fou" (1965). Tinha de dividir a tela com os pôsteres, letreiros, capas de livros e outras bossas que Godard inseria em suas cenas. Mas, às vezes, ele a deixava em close por cinco minutos ouvindo "Tu T"laisses Aller" num jukebox, com Aznavour, em "Uma Mulher é Uma Mulher", ou o conto "O Retrato Oval", de Poe, com a voz dele, Godard, em "Viver a Vida". Éramos loucos por aqueles filmes, não havia nada mais moderno.

Então as coisas se inverteram. O cinema brasileiro foi descoberto pela "Cahiers" e começou a ganhar palmas, ursos e leões de ouro nos festivais europeus. Nossos cineastas e atores iam a Roma, Paris e Cannes como quem ia a Madureira e ficaram íntimos de Rossellini, Buñuel, Antonioni. Alguns até namoraram as atrizes dos mestres.

Em certo momento, virou tudo uma coisa só: o Quartier Latin, Ipanema, fumar Gitanes sem filtro, ir ao Paissandu. Um crítico brasileiro nunca mais tomou banho. Culminou quando uma revista publicou fotos de Glauber Rocha e Godard batendo bola num campinho em Roma. Glauber chutava e Godard defendia.

Foi bom, mas durou pouco. A nouvelle vague acabou, e o cinema novo, também. Duas gerações se passaram. Anna Karina ameaça ser confundida em Brasília com Greta Garbo e lhe perguntarem se ela veio do cinema mudo.

A aposta errada do governo - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 11/07


O governo continua apostando no mercado interno para enfrentar a crise global, mas até agora a aposta deu pouco ou nenhum resultado. As políticas de estímulo resultaram quase exclusivamente no aumento do consumo, do endividamento, da insolvência e das importações. Jornais publicam longas matérias sobre os altos níveis de calote, em geral involuntário, e sobre como evitar as armadilhas do crédito. O problema é importante, mas é apenas um dos muitos sintomas de um desarranjo muito mais amplo. Por nove semanas o mercado financeiro reduziu as projeções de crescimento econômico. O último número é 2,01%, mediana das previsões coletadas pelo Banco Central (BC) para oBoletim Focus. O próprio BC já havia, em junho, baixado sua estimativa de 3,5% para 2,5%.

A economia brasileira teria crescido muito mais no ano passado e continuaria a expandir-se com folga, neste ano, se o aumento do produto interno bruto (PIB) fosse mais dependente do consumo privado e do custeio do setor público. Foi essa, no entanto, a terapia básica adotada pelo governo. Teria dado resultados melhores, provavelmente, se os grandes problemas da produção nacional fossem conjunturais. Não são, mas os formuladores da política oficial têm agido como se a maior ameaça econômica viesse de fora, isto é, das grandes potências em crise. Com essa interpretação, tão irrealista quanto confortável, o governo se dispensa de cuidar mais seriamente dos problemas reais, todosmade in Brazil.

Gastança pública e estímulo ao consumo são bons para fazer a economia pegar no tranco, em tempos de desemprego e muita capacidade ociosa. A longo prazo, o crescimento depende mesmo é da taxa de investimento e da eficiência do capital investido. Entre janeiro e março deste ano, o Brasil investiu o equivalente a 18,7% do PIB. Além de baixa, essa proporção foi inferior à do primeiro trimestre do ano passado (19,5%) e à de igual período de 2010 (19,2%). Mesmo para esse resultado abaixo de medíocre foi necessária a participação externa, porque a taxa de poupança, naqueles três meses, ficou em 15,7% do PIB (17% em 2011). O governo, como já foi comprovado muitas vezes, é o mais importante moedor de recursos e tem-se dedicado com empenho à despoupança.

O Ministério da Fazenda reduziu de 20,8% para 20,4% sua projeção da taxa de investimento. A nova estimativa apareceu em abril, no último boletim da série Economia Brasileira em Perspectiva. Esse tipo de correção tem sido frequente. O setor privado investe menos do que poderia, se enfrentasse menos entraves, e o governo, bem menos do que promete, por incapacidade gerencial. Neste ano, o governo federal acelerou os empenhos e desembolsos, num esforço para se antecipar às limitações do período eleitoral. Mesmo assim, os resultados foram ruins.

De janeiro a junho, o Tesouro aplicou R$ 18,9 bilhões, 2,1% mais que em igual período de 2011, descontada a inflação, mas 13,7% menos que no primeiro semestre de 2010. Além disso, o total desembolsado correspondeu a apenas 21% do valor previsto para 2012 no Orçamento Geral da União. Como sempre, restos a pagar, R$ 14,1 bilhões, compuseram a maior parte dos desembolsos.

A realização do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, continua deficiente e os números divulgados pelo governo são enfeitados. No primeiro semestre, 52,6% dos desembolsos foram financiamentos destinados aos programas habitacionais, como indica tabela divulgada pela organização Contas Abertas. A maior parte do PAC é executada mais lentamente. Também é ruim a execução dos projetos dependentes das estatais. Mesmo a mais eficiente, a Petrobrás, tem sido incapaz de entregar os resultados prometidos, como deixou claro a nova presidente, Graça Foster, em suas primeiras declarações depois de assumir o posto.

O baixo investimento seria compensado, em parte, se a produtividade do capital investido fosse mais alta. Não se pode, no entanto, contar com isso. No setor privado, é normal o esforço para extrair o máximo de cada real investido, mas a aplicação do dinheiro no setor público segue outros critérios. Queimam-se recursos com emendas parlamentares de alcance paroquial. Montanhas de dinheiro são perdidas em projetos mal preparados, em contratos com empreiteiras malandras, em convênios com organizações delinquentes e em negócios com fornecedores despreparados. O escândalo do petroleiro João Cândido, lançado ao mar com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e só entregue dois anos depois, é um exemplo especialmente pitoresco de como investir mal.

Tudo isso se reflete na balança comercial. Até a primeira semana de julho, as exportações foram 1,4% menores que as de um ano antes, as importações, 4% maiores e o superávit, 44,6% inferior. O sistema produtivo está emperrado e só o governo insiste em desconhecer esse fato.

A aula de gestão do trem-bala - ELIO GASPARI

O GLOBO - 11/07


No mesmo dia em que a Polícia Federal pôs na cadeia José Francisco das Neves, o "Doutor Juquinha", ex-presidente da Valec, o governo anunciou a retomada do projeto do trem-bala com a abertura de uma licitação internacional para a elaboração do projeto executivo da obra. Foi uma trapaça do acaso, talvez um mau presságio.

"Doutor Juquinha" foi o comissário das ferrovias públicas, presidindo a Valec de 2003 a 2011. No seu mandarinato prosperou a ideia de um trem que ligaria o Rio a São Paulo e sua trajetória é uma aula para o conhecimento da leviandade e da inépcia que acompanham os projetos de infraestrutura do governo federal.

Em 2006 "Juquinha" anunciou que o projeto executivo estava pronto, a obra custaria US$ 9 bilhões, a Viúva não colocaria um ceitil e o trem rodaria antes da Copa de 2014. A doutora Dilma Rousseff, que então estava na chefia do Gabinete Civil, encantou-se com a proposta e incluiu-a no PAC. O presidente Lula anexou-a ao Programa Nacional de Desestatização, informando que o trem seria licitado em 2008.

Tudo lorota. Não havia projeto executivo e o consórcio italiano que alavancava a marquetagem inventara uma demanda de 32 milhões de passageiros/ano. O trem do Doutor Juquinha seria o único do mundo a percorrer uma distância como a do Rio a São Paulo (430 km.) sem uma única parada. O Tribunal de Contas acendeu o sinal de perigo e o projeto foi da Valec para o BNDES. Lá, o consórcio foi desmascarado e posto para fora. O Doutor Juquinha só foi demitido da Valec no ano passado, sem que se discutisse sua gestão. Agora o Ministério Público confiscou-lhe quinze imóveis, parte de uma fortuna de R$ 60 milhões, uma acumulação de alta velocidade, pois em 1998 declarava um patrimônio de R$ 560 mil.

O trem-bala é uma atração do parque de diversões do governo. A cada ano anuncia-se uma nova data para a licitação e a cada ano surge um novo preço. As grandes empreiteiras nacionais têm mais medo desse trem da doutora Dilma do que de CPI. Fracassaram dois leilões e o projeto continua enfeitando as contas do PAC, agora com um custo estimado em US$ 21 bilhões. A única coisa que andou foi o processo do consórcio italiano que cobra ao governo brasileiro uma indenização de US$ 290 milhões. Aquilo que seria uma obra inteiramente privada tornou-se um projeto público, com a Viúva desembolsando boa parte do investimento. Não há trem e não há projeto, mas já há uma empresa estatal para cuidar do assunto, a Etav. Tudo indica que será presidida pelo doutor Bernardo Figueiredo, diretor administrativo e financeiro da Valec do "Doutor Juquinha" até 2005 e diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres a partir de 2008, na fase 2.0 do trem-bala. Pelas previsões de hoje, o projeto executivo ficará pronto no ano que vem. É improvável que a obra seja licitada antes de 2014.

O comissariado anunciou que contratará um projeto executivo de engenharia com a naturalidade de quem troca uma sandália. Durante cinco anos vendeu-se para a patuleia um trem que percorreria 518 quilômetros, do Rio a Campinas, atravessando 103 quilômetros de túneis (duas vezes a extensão do "Chunnel", que liga a Inglaterra à França), e agora vai se começar do zero? É isso mesmo.

A CUT tenta intimidar o STF - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADÃO - 11/07

Não engana a ninguém o recuo do presidente da Central Única dos Trabalhadores ( CUT ) , Vagner Freitas , prestes a ser empossado , da sua estrepitosa ameaça ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) , a propósito do mensalão. " Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer , nós questionaremos , iremos para as ruas ", afirmou , segundo a Folha de S. Paulo de segunda - feira. Estampado o desafio e de certo repreendido por algum grão - mensaleiro , alertado por sua vez pelos seus advogados , Freitas deu uma aparente guinada. " Não temos dúvida nenhuma de que teremos um julgamento técnico " , entoou , magnânimo , aproveitando para cobrir o Supremo de elogios. " Era isso o que eu gostaria de ter dito. "

Faltou combinar com o ainda titular da central , Artur Henrique Santos. Em discurso no 11.º congresso da entidade que ele chamou , sem corar , de " independente e autônoma " - mas no qual as estrelas da festa eram os réus " companheiros " José Dirceu , o ex-ministro de Lula , e Delúbio Soares , o ex - tesoureiro do PT , além do candidato petista à Prefeitura paulistana , Fernando Haddad - , Henrique fez um paralelo entre a denúncia do mensalão e o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo. Fiel à versão de Lula para o escândalo , devidamente adotada pelo PT , o sindicalista disse que o impeachment de Lugo " foi o que tentaram fazer neste país em 2005 " , com a revelação , a seu ver fabricada , do esquema da compra de votos de deputados em benefício do governo petista.

Até aí , nada de mais. Faz tempo que jaz em camadas profundas o perdão que Lula pediu aos brasileiros , no momento de fraqueza em que também se declarou traído. O ponto é que , enquanto o bancário Vagner Freitas fingia abafar o repto ao STF , o eletricitário Artur Henrique o inchava. Fazendo praça do fato sabido de que a CUT toma partido na política , embora , como as congêneres , seja subsidiada pelo imposto sindical - todas poupadas por Lula de prestar contas dos milhões embolsados - , Henrique avisou que a organização sairá às ruas " para impedir o retrocesso e a volta da direita ". Ele se referia às próximas eleições municipais , mas não seria necessário ostentar a credencial de " petista histórico ", como diz a companheirada , para entender que o objeto oculto da falação era o Supremo.

O silogismo é elementar : se o desvendamento do mensalão foi uma tentativa de golpe, o mesmo vale para as suas consequências : a peça do procurador - geral da República, acolhida pela Corte , expondo , um a um , os membros da " sofisticada organização criminosa " responsável pela lambança , e as eventuais condenações dos réus petistas , a começar do expresidente da sigla José Dirceu. Veredictos " técnicos " , como disse Freitas na sua falsa retratação , serão os que absolverem os mensaleiros. Sentenças condenatórias serão necessariamente políticas , golpistas - merecedoras , antes até que se consumam , da justa ira do " povo trabalhador " , como Lula gosta de dizer.

Mas de que " golpe " se trata ? Excluída , por insana , a derrubada da presidente Dilma Rousseff , será a possível eleição do tucano José Serra em São Paulo ? Ou a reeleição do aecista Márcio Lacerda em Belo Horizonte ? Assim como os terrores de que padecem os paranoicos , a teoria conspiratória cutista tem um fundo de verdade.

Perdas eleitorais importantes para o PT este ano - que a sigla tratará de atribuir ao julgamento no STF - poderiam ter efeitos adversos para a reeleição de Dilma , apesar dos seus estelares índices de popularidade. O destino pessoal da presidente por quem a CUT morre cada vez menos de amores é , em si , secundário. O desejo cutista que não ousa dizer o nome é a candidatura Lula já em 2014. Nada deve pôr em risco a perpetuação no poder da sigla de que emana.

A soberba, como se sabe , cega. A truculência também. Imaginam os dirigentes da CUT que o Supremo se deixará intimidar por seus arreganhos ? Ou que a organização tem meios de criar no País um clima de convulsão capaz de " melar " o julgamento que tanto temem ? Em outras palavras , por quem se tomam ? Mas , no seu primarismo, as investidas do pelegato petista servem para lembrar à opinião pública a medida do seu entranhado autoritarismo e de sua aversão à democracia.

Falta um plano - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 11/07

A entrevista do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, publicada domingo nesta Folha, mostra que não é unânime no governo o otimismo de fachada que caracteriza declarações oficiais.

Coutinho se mostra confiante, como convém a um membro do governo, mas demonstra realismo ao reconhecer o processo de desindustrialização que atinge cadeias produtivas fundamentais. Atribui o fenômeno, corretamente, à combinação entre elementos estruturais, como a carga tributária e a alta de custos, e outros mais recentes, como o câmbio valorizado e a invasão de manufaturas chinesas.

Não será fácil restaurar o dinamismo em setores cruciais, como bens de capital, transportes, química e tecnologia da informação, pois isso depende de ações de envergadura e lenta maturação.

Coutinho diz que elas estão sendo gestadas. Mas, até aqui, pouco se vê da parte do governo, além das necessárias, porém insuficientes, medidas pontuais de estímulo.

O baixo crescimento não se resolverá com recuperação temporária da demanda. Alguma melhora virá no segundo semestre, por conta dos estímulos ao consumo e cortes seletivos de impostos. Mesmo assim, o PIB deste ano dificilmente chegará a 2% de acréscimo.

A fraqueza é mais estrutural e está ligada ao investimento, principal trava na economia. A produção de máquinas caiu 12% nos primeiros cinco meses do ano, diante do mesmo período de 2011. Não se trata de ciclotimia do empresariado.

O país tem de avançar urgentemente nas questões tributária e de competitividade. Algo complexo, todos sabem, em especial do lado dos impostos, por conta do impacto nas unidades da Federação.

É preciso formular um plano e explicitá-lo. Fala-se em fatiar a reforma tributária. Qual será a primeira fatia? Se os dois tributos mais nocivos à produção são PIS/Cofins, que incide sobre faturamento e penaliza investimentos, e ICMS estadual, que encarece insumos, cumpre começar por eles.

Cabe ao governo propor como, quando e em quanto esses tributos serão cortados. O sistema político só responderá se o Executivo federal assumir a liderança, em entendimento com o setor privado.

Caso a queda dos juros se mostre duradoura, como se espera, o custo de rolagem da dívida pública pode cair pela metade -algo como 2,5% do PIB, ao ano, no médio prazo. É uma oportunidade única para fazer avançar a agenda tributária e restaurar a competitividade brasileira perdida.

Burocracia brasileira - ALENCAR BURTI


BRASIL ECONÔMICO - 11/07
A eficiência do Simples Nacional só não é de 100% porque os benefícios obtidos pelo Simples ainda estão diluídos nos ônus dos excessos burocráticos

Recentemente comemoramos a maioridade do real, símbolo do programa de estabilização econômica. Ao parabenizar os que domaram o nefasto processo inflacionário, chamamos a atenção dos formuladores e executores de políticas públicas para outro monstro, tão ou mais perigoso que a inflação, que mina diuturnamente as forças dos 190 milhões de brasileiros e em especial dos 6 milhões de micro e pequenos empresários: nossa intrincada estrutura burocrática, consolidada ao longo de 500 anos. Este gigante é constituído de 4,4 milhões de normas legais, algo em torno de 776 normas por dia útil, consome quase R$ 50 bilhões por ano e exige o armazenamento, por parte das empresas, de 120 milhões de documentos.

Sabemos que a burocracia é indispensável para o funcionamento do Estado e, portanto, legítima. O que questionamos é o ritmo do ajuste dos procedimentos burocráticos à dinâmica que a inovação tecnológica imprimiu. É visível o descompasso que está impedindo que o Brasil configure entre as nações mais desenvolvidas do mundo. Dados do Índice de Competitividade Mundial, do Institute for Management Development (IMD), que mediu o desempenho econômico, eficiência do governo, eficiência dos negócios e infraestrutura de 59 países, mostram que o Brasil ficou apenas no 55º lugar, no item eficiência do governo.

O relatório Doing Business 2011, do Banco Mundial, avaliou o ambiente para realização de negócios em 183 países.OBrasil aparece na 126ª posição, com desempenhos mais críticos no pagamento de impostos (150ª), resolução de insolvências (136ª), obtenção de alvarás (127ª) e abertura de empresas (120ª).

Somando-se a estes dados estarrecedores, pesquisa do Sebrae-SP mostra que, de cada 100 empresas abertas hoje, 27 não completarão um ano de atividade. Junto com o encerramento, R$ 20 bilhões/ano deixam de circular na economia e 350 mil postos de trabalho são perdidos. Entre as principais causas do fracasso está o excesso de burocracia, uma vez que o empresário gasta em média 736 horas para cuidar do Imposto de Renda, 490 para administrar os encargos trabalhistas e 1.374 para cumprir as normas dos impostos sobre consumo. Não podemos nos dar ao luxo de perpetuar este quadro em que recursos são direcionados para uma ação que não gera dividendos, nem empregos. É urgente, portanto, que se faça uma ampla, irrestrita e justa reforma, com a simplificação dos procedimentos e das regras.

Já temos um bom exemplo de que não se trata de algo inatingível. Em julho de 2007, o governo federal instituiu o Simples Nacional, agregando oito tributos. Hoje 9 milhões de empresas estão neste sistema que já arrecadou R$ 151 bilhões. A eficiência deste só não é de 100% porque os benefícios obtidos pelo Simples ainda estão diluídos nos ônus dos excessos burocráticos.

Precisamos parar de resistir a esta mudança. Não nos furtamos ao compromisso de contribuir; o que não aceitaremos mais é sermos os únicos a dar nossa cota de participação e sacrifício. Queremos e vamos exigir que todos cumpram seu papel neste esforço gigantesco de fazer com que a burocracia sirva, única e exclusivamente, aos cidadãos brasileiros e remeta o Brasil a um voo, sem escalas e conexões, para o grupo de nações plenamente desenvolvidas. Que venha o regime da "desburocracia".

CLAUDIO HUMBERTO

“Cada um conhece os seus demônios”
José Serra (PSDB) ao responder uma pergunta sobre o rival Fernando Haddad (PT)

PT VÊ COMO INEVITÁVEL A EXPULSÃO DE RAUL FILHO

O PT nacional planeja reabrir processo de expulsão do prefeito de Palmas, Raul Filho, que aparece em vídeo negociando com Carlinhos Cachoeira. Na avaliação de petistas, o prefeito se “saiu mal” durante depoimento ontem na CPI, o que torna sua expulsão “inevitável”. Em abril de 2011, a executiva estadual do PT determinou a expulsão do prefeito e de sua mulher, Solange Dauilibe, por infidelidade partidária.

AMIGO DA ONÇA

Raul Filho comprou briga com o PT ao apoiar João Ribeiro (PR) ao Senado em 2010, quando o petista Paulo Mourão disputava a vaga.

PETISTA IMPURO

O PT também lembra que Raul Filho não é genuinamente petista. Ele passou por partidos de oposição como PSDB e PPS.

PARTIDO NOVO, VIDA NOVA

Raul Filho e a esposa, Solange Dauilibe, chegaram a negociar com a senadora Kátia Abreu (PSD) filiação no partido de Gilberto Kassab.

ENTREGUE AOS LEÕES 

O PT lavou as mãos e deixou Raul Filho sozinho, ontem, com a oposição durante boa parte de seu depoimento na CPI do Cachoeira.

PATRIOTA VAI AO SENADO EXPLICAR TRAPALHADA ALHEIA

As decisões desastradas adotadas pelo Brasil no caso do Paraguai, incluindo a trama para enfiar a Venezuela no Mercosul, foram da presidente Dilma Rousseff, ouvindo somente o aspone Marco Aurélio Garcia e o ministro Celso Amorim (Defesa). Mas quem vai explicá-las, hoje, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, coitado, é o atual chanceler Antonio Patriota, que nada teve a ver com a trapalhada.

CRÍTICOS A POSTOS

Antonio Patriota será tratado educadamente, hoje, no Senado, mas não terá vida fácil: encontrará vários críticos da política externa brasileira.

PERGUNTEM A ELA

O chanceler Patriota teme ser indagado sobre o que não pode explicar: por que a presidente Dilma não o ouviu sobre a crise no Mercosul.

BOCA DO FORNO

A área jurídica do PSDB já elabora a representação que tentará anular no STF as manobras do Brasil para enfiar a Venezuela no Mercosul.

MALHAÇÃO DE JUDAS

Na conversa de Dilma com o vice dos seus sonhos, Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, um nome foi citado com desdém e irritação por ambos: Rui Falcão, presidente nacional do PT.

AMBIÇÃO PETISTA

Eduardo Campos quer relação de aliança do PSB com o PT, e não de submissão. Ele acha, e Dilma concordou, que o PT só quer o “venha a nós”, esmagando aliados. E essa atitude eles atribuem a Rui Falcão.

TEMPESTADE EM COPO D’ÁGUA

Rui Falcão, que nada faz sem a prévia concordância do ex-presidente Lula, minimiza os atritos do PT com o PSB. Considera que a briga em Belo Horizonte, por exemplo, não vai atrapalhar a disputa presidencial.

SEM SAÍDA

Relator do processo contra Demóstenes Torres, o senador Humberto Costa (PT-PE) está convicto de que maioria absoluta decidirá pela cassação, na votação fechada que acontece hoje no Senado.

OPOSIÇÃO PROPOSITIVA

Apesar de fazer oposição ao governo de Tarso Genro (PT), a senadora Ana Amélia (PP-RS) foi favorável aos créditos de U$ 620 milhões para o Rio Grande do Sul: “Mas vou cobrar rigor na aplicação da verba”.

BRASIL EM ALTA

Ex-correspondente do New York Times no Rio, o jornalista americano Larry Rohter, que o então presidente Lula quis expulsar do Brasil por criticá-lo, lançou pela Geração Editorial um livro saboroso. Brasil em alta é uma espécie de enciclopédia em um volume sobre o Brasil moderno.

CARÍSSIMO TELESPECTADOR

O Senado explicou que a implantação de “close caption” em sua TV é na produção de legendas ocultas em português para telespectadores deficientes auditivos. O contrato vai custar R$ 2,4 milhões por ano.

MESMA LAIA

Do deputado Onyx Lorenzoni (DEM) ao prefeito de Palmas, Raul Filho, suspeito de beneficiar Cachoeira em troca de dinheiro para campanha: “O senhor se igualou a Jaqueline Roriz e Arruda, seus semelhantes”.

SÓ UM MAL ENTENDIDO

A descrever os encontros com Cachoeira, o prefeito de Palmas (TO), Raul Filho (PT), fez lembrar o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton admitindo que usou maconha: “Fumei, mas não traguei”.

PODER SEM PUDOR

OLHO ELETRIFICADO

Coronel Toniquinho Pereira era chefe político em Itapetininga (SP), quando se viu obrigado a receber o governador - seu adversário - na estação ferroviária de Iperó. Cheio de má vontade, assim que o trem chegou à estação, Toniquinho foi logo reclamando do chefe da estação:

- Entrou uma fagulha no meu olho...

- O trem é elétrico, coronel. Não solta fagulha.

- Então foi um quilowatt.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Planos de saúde são punidos por falhas no atendimento
Folha: Governo suspende a comercialização de 268 planos de saúde
Estadão: Governo prepara corte da previsão para o PIB do ano
Correio: Freio nos abusos dos planos de saúde
Valor: Preços revigoram produção de soja
Estado de Minas: Esquecemos a gripe suína. E ela voltou a matar
Zero Hora: Retrato do descontrole – Falta de critérios alimenta distorções na Assembleia

terça-feira, julho 10, 2012

Não era tão grave - ANCELMO GOIS

O GLOBO  - 10/07

O laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal sobre o vazamento de óleo da Chevron na Bacia de Campos, em março, não constatou dano ambiental.

Dado e as mulheres
Dado Dolabella foi absolvido ontem na 1+Vara de Violência Doméstica do Rio.
O ator era acusado pela ex-mulher Viviane Sarahyba de tê-la agredido em novembro de 2010. Causa ganha pelo advogado Marco Aurélio Assef.

Dado de novo
A juíza Lindalva Soares Silva, da 11+Vara Cível do Rio, marcou para dia 25 agora, às 13h30m, a audiência de conciliação, instrução e julgamento entre Dado Do-labella e a camareira Esmeralda de Souza Honório.
Em 2008, numa discussão com a então noiva Luana Pio-vani, o ator teria empurrado a funcionária quando ela tentava intervir na briga do casal.

Sumidos
Doze dos 24 operários da usina hidrelétrica de Jirau, denunciados pelo MP sob a acusação de atear fogo, em abril, nos alojamentos da obra, estão sumidos.

Coisa recatada
O COI aceitou que as jogadoras de vôlei de praia nas Olimpíadas de Londres usem ber-muda e camiseta.
Mas nossa seleção, viva!, avisou que não vai aderir à novidade. Entra em jogo de biquíni.

Open road’

“Open Road”, segundo longa dirigido por Márcio Garcia, será exibido pela primeira vez, domingo agora, no Los Angeles Brazilian Film Festival.
As estrelas de Hollywood no elenco, Andy Garcia e Juliette Lewis, confirmaram presença.

A TRÊS SEMANAS da abertura dos Jogos de Londres, Neymar, nosso craque-menino, já “chegou” à capital inglesa. Veja na foto feita pelo coleguinha Marcelo Barreto. A imagem do camisa 11 da seleção olímpica do Brasil foi estampada naqueles ônibus vermelhos, de dois andares, tradicionais na cidade, já no clima do torneio de futebol

Negócio da China
O desembargador Luciano Saboia Rinaldi de Carvalho, da 7+ Câmara Cível do Rio, revogou liminar que impedia a comercialização no Brasil do carro chinês Lifan 320.
A proibição havia sido pedida pela alemã BMW, sob a alegação de que o modelo era cópia do seu Mini Cooper.

Rita ex-Ribeiro
Rita Ribeiro, 46 anos, a cantora, depois de cinco CDs lançados e mais de duas décadas de uma carreira de sucesso, decidiu... trocar o nome artístico.
Diz que “o sagrado sinalizou” para a mudança. Agora é Rita Benneditto.

‘É miúdo, mas é meu’

A advogada K.D.B., 26 anos, de Porto Grande, Amapá, moveu ação contra o ex-marido, A.C.D., comerciante, de 53, por... “insignificância peniana”.

País das empreiteiras
O Museu do Folclore, no Rio, que reúne um grande acervo de cultura popular do Brasil, está fechado desde fevereiro.
Segundo a Rádio Cimento, uma empreiteira parou a reforma para tentar aumentar o preço.

Questão indígena

Este ano, muitos índios baianos ocuparam a Flip, vendendo cola-res e apitos na Rua do Comércio.
Quem não gostou da concorrência foram os camelôs de Pa-raty, muitos deles proibidos de trabalhar no centro histórico.

Diário de Justiça

O Órgão Especial do TJ do Rio confirmou a suspensão do pagamento de pensão especial a 57 parentes de fiscais de renda já falecidos. A Procurado-ria-Geral do Estado alegou que o pagamento, feito por uns 15 anos, era irregular, pois os servidores morreram antes da criação da tal pensão, em 1990.
O prejuízo é superior a R$ 200 milhões. Cabe recurso.

Calote real
Um jovem integrante da família imperial combinou com um taxista uma corrida de Petrópo-lis até a Lapa, no Rio, por R$ 160.
Mas, ao chegar, o rapaz abriu a porta e... zupt!... saiu sem pagar.

Corra e olhe o céu
Até dia 20 , o carioca que estiver acordado entre 5h30m e 6h poderá ver no céu, na direção do nascer do sol, uma conjunção planetária entre Vênus, Júpiter e a estrela Aldebaran.

Ilha de Jersey, STF e eleições - PAULO SILVA PINTO


CORREIO BRAZILIENSE - 10/07

Começou na semana passada na Ilha de Jersey, paraíso fiscal que integra o Reino Unido, um julgamento com possíveis implicações na escolha do prefeito da cidade com mais eleitores no país. A prefeitura de São Paulo reivindica no processo ressarcimento de US$ 22 milhões.

O dinheiro está em contas bloqueadas da Durant International e da Kildare Finance, empresas que, segundo o Ministério Público, pertencem ao deputado Paulo Maluf (PP-SP) e são resultado do desvio de recursos públicos na construção do túnel sob o Parque Ibirapuera na época em que ele era prefeito.

Maluf nega que tenha desviado recursos e que seja dono dessas empresas. Mas terá de conviver com as notícias do julgamento do processo, já em fase de recurso, algo que deverá durar aproximadamente um mês. Quem também terá de lidar com isso é o candidato do PT Fernando Haddad.

Agora, em plena campanha, tende a ganhar evidência novamente a foto de Haddad, Lula e Maluf em meio aos jardins da casa do deputado, na rua Costa Rica, em São Paulo. E, com isso, surgirá edição revisitada dos argumentos que se espalharam quando, ainda na fase de arranjos das candidaturas, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), indignada com os afagos ao inimigo, abriu mão do posto de vice na chapa petista.

É claro que Haddad tem como se defender. Mas ter de se defender já é um problema. A prefeitura que ele pretende assumir está mais pobre em consequência, segundo a acusação, do que fez um aliado. Alguém cuja casa Haddad frequentou com desenvoltura.

Em política, apoio não se recusa, diz a velha frase pronunciada por tantos políticos, mais recentemente pelo pedetista Ronaldo Lessa, que é candidato a prefeito de Maceió com o apoio do ex-rival Fernando Collor. De fato não deveria causar comoção Haddad ter o apoio de Maluf, que amealhou 497 mil votos para a Câmara. Ele é uma das principais lideranças de um partido que se tornou aliado do PT há muito tempo e integra a base de apoio da presidente Dilma Rousseff.

A aliança, pode-se dizer, com grande chance de acerto, era algo já digerido pelo eleitor de esquerda. Mas disso a dizer que são irrelevantes seus novos contornos, tão explícitos, vai um longo caminho. Em defesa da irrelevância da foto, afirma-se que os tucanos, hoje favoritos na eleição paulistana, já se aliaram várias vezes a Maluf, em acordos fartamente fotografados. Por cuidado ou sorte, porém, só apareceram ao lado dele em atividades de campanha.

Outro argumento dá conta de que será difícil para o PSDB atacar a aproximação de Maluf com Haddad devido ao risco de, com isso, angariar mais antipatia para o próprio partido do que para o adversário. Afinal, se os malufistas ainda são muitos, os ex-malufistas são um contingente bem maior. Nem todos deixaram de votar em Maluf por discordância, mas sim porque não veem mais nele alguém capaz de liderar um projeto hegemônico. Consideram-se dispensados de votar em quem o deputado apoia, mas não deixam de se ofender com críticas ao malufismo. É inegável a necessidade de cuidado para quem quiser atacar a proximidade explícita entre Maluf, Lula e Haddad. Mas, em tempos de redes sociais, isso não é uma tarefa tão difícil.

O que suscita preocupação na aliança é a tentativa de grudar em Haddad a pecha de leniência com a corrupção. Ainda que, por todos os contra-argumentos acima, isso seja fraco, pode ganhar força se for associado a outro item: o mensalão. Os dirigentes petistas não escondem a preocupação com o julgamento que ocorrerá no STF a partir do início do próximo mês. Ora, se a exploração do processo tem peso, não se pode ignorar o risco de que a conotação moral da aliança com Maluf também tenha.

Mesmo se Haddad vencer a eleição, porém, a tese da irrelevância da foto não será necessariamente vencedora. O PT mudou muito nas últimas três décadas. Mas é exagero dizer que deixou de ser um partido que preza bandeiras. Alianças sem qualquer restrição de legenda ou, ao menos, de escopo podem transformá-lo em algo realmente indissociável dos adversários.

Advogado de porta de armário - TUTTY VASQUES

O ESTADÃO - 10/07

Em defesa do goleiro Bruno, ainda que ele não mereça, deve-se dizer que o ex-atleta do Flamengo não dá sorte com advogados - ô, raça! Tanto é que já trocou cinco vezes de defensor depois que o primeiro contratado confessou ser viciado em crack - lembra da figura? 
O atual, Rui Pimenta, voltou a surpreender quem acompanha o caso pela imprensa contando dia desses a jornalistas que seu cliente é gay! Teria um caso de amor com o famigerado Macarrão, daí a sugestão ao comparsa para "resolvermos isso usando o plano B" em carta agora publicada pela Veja. 
O trecho que a revista interpretou como um pedido para o amigo assumir sozinho a culpa pelo misterioso assassinato de Eliza Samudio seria, na verdade, um desejo secreto do goleiro para por fim à relação homoafetiva. Huuummm!!! 
O advogado identificou "um claro caso de amor" entre os dois assim que pôs os olhos na frase "Bruno e Maka, a amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro (sic)" tatuada nas costas de Macarrão. 
Enfim, sair da cadeia pela porta do armário pode ser uma estratégia de defesa nova em Direito Criminal, mas algo me diz que mais uma vez Bruno deu azar na escolha de seu advogado. 

Fome de quê? Tão paulista quanto a Revolução Constitucionalista de 1932, o Dia da Pizza que hoje se comemora só ainda não ganhou status de feriado porque não surgiu no Brasil um movimento cívico que desse a devida conotação política à efeméride. Neste 10 de julho em especial, véspera da votação do processo de cassação de Demóstenes Torres no Senado, o Dia da Pizza merecia ser lembrado em praça pública não só pela vontade de comer. 

Drummond na cabeça Em sua 10.ª edição, a Flip 2012 bateu o recorde de topadas de intelectual no calçamento pé-de-moleque das ruas do centro histórico de Paraty. Pra mais de 200 deram entrada no pronto-socorro municipal dizendo que "no meio do caminho tinha uma pedra". 

Ô, raça! Nessas horas a gente torce para que não haja vida inteligente em outros planetas! Já pensou o que pensariam dos terráqueos vendo a corrida de touros do Festival de San Firmino nos telejornais de Marte? 

Agenda positiva Ninguém gosta de fim de semana com chuva, mas até outubro haverá sempre o consolo de imaginar que o mau tempo também possa estragar o corpo a corpo de candidatos às eleições municipais. 

Bico calado De Fernando Haddad sobre o bilhete que tirou num realejo aconselhando o candidato do PT a tomar cuidado com as más companhias: "Esse periquito é tucano!" 

GenialO que a classe média mais adora nos filmes de Woody Allen são as cenas que não consegue entender direito. Sente-se até mais inteligente quando um personagem lhe escapa à compreensão. Se escangalha de rir quando acontece!

O fator ideológico - RODRIGO CONSTANTINO


O Globo - 10/07


O ano era 2002. Lula tinha sido eleito e escolhera Dilma para o Ministério de Minas e Energia. Os futuros ministros faziam reuniões com investidores para acalmar os tensos mercados. Eu trabalhava em uma grande gestora carioca. Estive em uma dessas reuniões com Dilma. Foi meu único encontro com a atual presidente.

Um dos presentes perguntou como o governo faria para atrair os necessários investimentos ao setor, uma vez que o discurso corrente era de que a rentabilidade não deveria ser elevada. Com dedo em riste e tom autoritário, Dilma disparou: "Quem foi que disse que é preciso ter alto retorno nesse setor?"

Eis o que eu queria dizer: desde então tenho como certo o fator ideológico entranhado em Dilma. Muitos falam em gestora eficiente, pragmática, mas eu só consigo enxergar ideologia.

Até mesmo o Itamaraty foi infectado pelo vírus ideológico, como ficou claro no caso do Paraguai. O Barão do Rio Branco, ao assumir o ministério das Relações Exteriores, declarou: "Não venho servir a um partido político: venho servir ao Brasil, que todos desejam ver unido íntegro, forte e respeitado." Ele não teria vez no governo Dilma, que se mostra apenas um capacho de Hugo Chávez.

O Prêmio Nobel de Economia Friedrich Hayek chamava a atenção para a "arrogância fatal" de certas ideologias. Seria basicamente a crença de que é possível controlar tudo nos mínimos detalhes, de cima para baixo. Planejadores centrais que desprezam sinais do mercado e pensam ser possível ignorá-lo para sempre: são os arrogantes. O fatal fica por conta dos estragos que costumam causar na economia.

Pois bem. A economia brasileira seguiu nos últimos anos um modelo claramente insustentável, calcado em crédito e consumo. O governo ignorou a necessidade de reformas estruturais que aumentassem a nossa produtividade. A farra foi boa enquanto durou, financiada pela acelerada expansão do crédito, possível pela alta no preço das commodities que exportamos para a China.

Esta fase de bonança se esgotou. O PIB cresceu apenas 2,7% em 2011, e este ano mal deve chegar a 2%, muito longe dos 4,5% que o ministro Mantega projetava. Para piorar, a inflação ainda segue acima do centro da elevada meta. Qual tem sido a reação do governo?

Ideológica, claro. Imbuído da falsa crença de que pode simplesmente estimular mais ainda o consumo e o crédito, o governo tem apelado para pacotes quase semanais. Os resultados são pífios ou negativos? Não tem problema. Basta aumentar a dose!

A ideia de que o consumo do governo pode estimular de forma sustentável o crescimento econômico não passa de uma falácia, que já foi refutada no século 19 por Bastiat. O economista francês citou o exemplo de uma janela quebrada para fazer seu ponto.

Algum vândalo joga uma pedra que estilhaça a janela de uma loja. Algumas pessoas tentam consolar o dono da loja alegando que ao menos ele estará gerando emprego ao consertar a janela. Afinal, se janelas nunca fossem quebradas, de que iriam viver os reparadores de janelas?

Esta linha de raciocínio míope ignora aquilo que não se vê de imediato. Sim, o conserto da janela iria propiciar um ganho para o vidraceiro. Mas o que seria feito desse dinheiro gasto caso a janela não tivesse sido quebrada? Qual o uso alternativo para este recurso escasso? Eis a questão!

O mesmo ocorre com o gasto público. O governo não produz riqueza. Para ele gastar, antes ele precisa tirar de alguém que produziu. Ele pode fazer isso por meio de impostos, emissão de dívida ou de moeda (imposto inflacionário).

De qualquer forma ele estará transferindo recursos de um lado para o outro, normalmente cobrando um grande pedágio por isso. Mas ele não estará criando riqueza. Logo, os gastos públicos não estimulam a economia: eles apenas retiram recursos do setor privado, que costuma alocá-los de forma bem mais eficiente.

Outro efeito perverso desta política é a seleção dos campeões, que deixa de ser feita pelo mercado (mérito) e passa a depender das escolhas do governo. No dia do anúncio do último pacote, o índice de ações da Bovespa caiu mais de 1%, mas as ações da Marcopolo subiram mais de 6%. O governo divulgou uma grande compra de caminhões para "estimular" o crescimento econômico. Alguém pagou por isso.

Esta ideologia centralizadora está fadada ao fracasso. Ela produz ineficiência e lobby por privilégios, mas não consegue aumentar a produtividade da economia. Infelizmente, a presidente acredita neste modelo, e vai insistir nele até quebrar a (nossa) cara. Não podemos desprezar o fator ideológico deste governo.

Plano de voo - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 10/07

A crise internacional não terá solução rápida. Nenhum dos caminhos para o fim da crise, que o mercado comemora de vez em quando, é de execução simples ou de curto prazo. Os Estados Unidos têm mostrado menos dinamismo do que era de se esperar de sua economia nestes cinco anos em que tenta superar a crise. A China tem dado sinais de desaceleração. É com esse pano de fundo que tem que se pensar a estratégia para o Brasil.

A Europa vai demorar alguns anos para sair dessa crise. A alta das bolsas depois da última reunião foi provocada pela decisão de trabalhar pela união bancária e permitir o resgate dos bancos sem passar por endividamento dos Estados nacionais. A primeira decisão levará anos para ser concretizada. A segunda é um escapismo.

Que chance existe de que os bancos espanhóis sejam resgatados com dinheiro coletivo — na maior parte alemão — dos fundos de estabilização, sem que isso aumente a dívida do Estado espanhol? Acreditar nisso é apostar em cirurgia sem anestesia e sem dor. Ou em Papai Noel.

A maioria dos bancos espanhóis precisa ser capitalizada e isso vai significar aumento da dívida e aprofundamento dos seus compromissos fiscais. A economia espanhola não cresce, os ativos das famílias perdem valor com a queda do preço dos imóveis, e o mercado de trabalho não cria empregos, principalmente para os jovens. Na Itália, o problema bancário é menor, o desemprego é mais baixo, mas a dívida federal é muito maior como proporção do PIB.

A chanceler Angela Merkel tem sido contestada em sua própria coalizão. Como todos viram, recentemente, o governador da Bavária, Horst Seehofer, líder do CSU (Partido Social Cristão) fez fortes e públicas críticas a ela. E com o argumento oposto ao usado contra ela nos outros países da Zona do Euro. O governador considera que ela é condescendente demais. “Que sentido faz o parlamento alemão ficar discutindo como aplicar o pacto fiscal europeu, se no mesmo dia Merkel está concordando em flexibilizar esse pacto fiscal para outros países?”. O CSU é aliado do CDU (Partido Democrata Cristão), de Merkel. A crítica exibiu a rachadura na coalizão que governa a Alemanha.

A união bancária significa a construção de um edifício regulatório complexo que exigirá tempo, negociação, aprovação nos parlamentos, criação de seguro de depósitos conjuntos. Nenhuma etapa é simples.

No entanto, as bolsas subiram no mundo inteiro após a última reunião de cúpula da Zona do Euro, quando os líderes anunciaram um acordo no sentido de haver mais integração da Europa, tendo como primeiro passo a união bancária.

Foi, de fato, um alívio, já que a alternativa de menos Europa tem desdobramentos imprevisíveis, mas não existe qualquer solução de curto prazo para a Zona do Euro.

A China tem crescido a taxas altas há décadas. O único ano em que não cresceu foi em 1989 e, em consequência, enfrentou uma explosão de insatisfação social que foi calada pela força dos tanques sobre estudantes na Praça da Paz Celestial. Seu regime totalitário é incompatível com os projetos de potência. Mas ficando no curto prazo, a China tem dado sinais sucessivos de que está tendo dificuldades de manter seu ritmo de crescimento. A queda da inflação anunciada ontem, para inesperados 2,2%, abre espaço para estímulo monetário, mas anuncia também que o país está desacelerando.

O Brasil tem na China seu principal mercado. Foi o boom chinês que sustentou parte do crescimento brasileiro dos últimos anos, produziu o salto dos preços das commodities, elevou a Vale ao grupo das maiores empresas brasileiras em valor de mercado. No ambiente de crise que se espalhou no mundo, é até melhor depender da China do que dos outros centros mundiais. Mas bom mesmo é ter uma estrutura de comércio diversificada e não depender apenas de matérias-primas. O Brasil não sabe vender; ele é comprado. Tem uma atitude pouco agressiva no comércio internacional, depende de que o cliente procure seus produtos.

Essa é uma das mudanças a serem feitas. A outra é olhar o mercado interno com mais sabedoria e senso de construção de mudanças estruturais. Dezoito anos depois do Plano Real, o Brasil ainda não tem o projeto para o salto seguinte. Parece, inclusive, em pleno retrocesso. Discutir o fim do fator previdenciário sem ter uma reforma da previdência é uma insensatez. É preciso lidar com o fato incontornável de que a população está ficando mais velha e a previdência já tem um enorme déficit.

Maior investimento em educação é também inevitável. Não basta elevar o percentual do PIB de gastos dirigidos, é preciso saber o que se quer fazer com o dinheiro a mais dedicado à educação. É preciso ter um plano de melhoria da qualidade. Os exemplos dados aqui neste jornal, de sucesso de escolas públicas em áreas de baixa renda, mostram que em todas elas houve, na prática, um aumento da carga horária.

A lista das reformas não acaba aqui. Há muito o que fazer. E é completamente insano achar que para sustentar o crescimento basta empurrar as famílias para mais endividamento.

Ninguém comenta a gravidez na adolescência - ROSELY SAYÃO

FOLHA DE S.PAULO - 10/07


Meninas têm vidas de mulheres: vão a festas sem adultos, usam roupas provocantes, pensam em namorar

De modo geral, não temos nos preocupado muito com a gravidez indesejada entre adolescentes.
De quando em quando, vemos campanhas que alertam sobre a necessidade dos cuidados para evitar a gestação nessa etapa da vida, mas nada realmente consistente ocorre a esse respeito.
As famílias e as escolas, as maiores implicadas com a formação dos jovens, costumam ignorar o tema. É que é mesmo difícil trabalhar com essa questão. Para os pais, porque a conversa com os filhos a respeito da sexualidade e de suas consequências costuma ser ora constrangedora, ora camarada em demasia. Para as escolas, porque a educação sexual no espaço público exige preparo para ser praticada.
Temos muitos motivos para colocar o assunto em pauta. Desses, cito apenas dois: o início da vida sexual tem sido cada vez mais precoce e a ocorrência da gravidez entre garotas é uma causa importante de tentativa de suicídio. Para falar bem a verdade, com essas duas razões nem precisaríamos de outras, não é verdade? Vamos pensar a respeito delas.
Por que os jovens têm iniciado a vida sexual cada vez mais cedo? Podemos levantar algumas hipóteses.
Primeiramente, porque vivemos em uma sociedade hipersexualizada. O erotismo, inclusive, perdeu lugar porque agora o que vale é o sexo. Músicas, imagens, publicações: tudo transpira sexo.
Junto a essa estimulação exagerada, precisamos lembrar que a infância tem sido cada vez mais curta. Meninas com idade próxima dos 10 anos já têm vidas dignas de mulheres: frequentam festas sem adultos, usam vestimentas provocantes, pensam em namorar. Muitas não pensam, apenas: já aprenderam, pela experiência, a conjugar o verbo namorar.
Nós estamos diante de um fato bem recente: a adolescência antecede a puberdade. Dessa forma, quando o corpo faz a passagem do infantil para o adulto, as experiências de uma vida adulta já são diversas.
Entretanto, essas experiências não são suficientes para precipitar a maturidade.
Por isso, os jovens praticam o sexo adulto de forma infantil: sem compromisso com os resultados que podem advir de seus atos. Não se previnem da gravidez, tampouco das doenças sexualmente transmissíveis. E fica bem claro o motivo: porque eles ainda não desenvolveram o que chamamos de autocuidado. Esse conceito significa a atenção que se exerce sobre si mesmo e que, para ser praticado, exige maturidade.
Pois bem: quando a gravidez acontece, a jovem, em especial, se sente perdida. O que acontecerá com a vida dela estando grávida? Já que são imaturas, a maior preocupação das garotas costuma ser a reação dos pais. E, sem saber como resolver a questão, a ideia suicida surge como a melhor solução, mesmo que a jovem não consiga ter o exato alcance desse ato.
As famílias podem ajudar a evitar que a situação com os filhos atinja esse ponto. Proteger a infância dos filhos é uma medida que costuma ser benéfica, já que a prática sexual adulta não costuma ser atraente para crianças. Além disso, manter o interesse verdadeiro pela vida do filho e manter com ele conversas significativas -conversas, e não sermões- são atitudes que podem ajudar muito.
Por sua vez, as escolas bem que poderiam elaborar projetos de educação sexual para seus alunos. Projeto significa planejamento, preparo, pesquisa de estratégias, metodologia, formação dos docentes, conhecimento dos alunos etc. Nesse assunto, trabalhos espontaneístas não produzem bons efeitos.
Por incrível que pareça, algumas escolas tentam, mas adivinhe, caro leitor: muitos pais se opõem a essa medida. Por que será?
Uma coisa é certa: não é silenciando a respeito da gravidez na adolescência que resolveremos a questão.

Pressão da CUT - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 10/07

A ameaça que o novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas — o primeiro bancário a assumir o cargo —, fez ontem, em entrevista à “Folha”, de levar às ruas seus associados caso considerem que o julgamento do men-salão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi “político” e não “técnico”, é mais um dos vários movimentos de pressão que os petistas estão levando a cabo nos últimos meses.

A CUT e os sindicatos estão perdendo força no governo Dilma, que, segundo ele, tem sido “inflexível” nas negociações com os servidores federais, em greve há um mês por aumento de salários.

O ex-presidente Lula deve participar da posse do novo presidente da CUT, mas não está prevista a presença da presidente Dilma.

A ameaça, que certamente é um erro estratégico que já foi abandonado por José Dirceu, pode ser uma maneira de a CUT fortalecer os laços com o PT e forçar uma negociação em melhores bases com o governo federal.

Mas, em relação ao Supremo, o resultado deve ser o mesmo incômodo que Dirceu provocou ao conclamar a Juventude Socialista e a UNE a sair às ruas para defendê-lo no processo do mensalão.

Ameaçar o Supremo, especialmente com a truculência dos sindicalistas, não é a melhor posição para os réus, e isso os advogados já haviam prevenido a eles.

E o que seria um julgamento “técnico”? Um cujo resultado seja a absolvição de todos os mensalei-ros? E uma eventual condenação de petistas seria indicativo de que o julgamento foi “político”?

Lula teve uma trajetória interessante da sua fase de líder sindicalista até a Presidência da República. Ele defendia o fim da Era Vargas, dizia que a CLT é o “AI-5 dos trabalhadores” e ironizava Vargas como sendo o “pai dos pobres e mãe dos ricos”.

Hoje, a CLT e a unicida-de sindical (apenas um sindicato por categoria em cada município), marcos da Era Vargas, persistem e foram aprofundados com o reconhecimento das centrais sindicais e o aparelhamento do Estado, atualizando o pele-guismo e o corporativismo.

A lei sancionada pelo presidente Lula que reconhece as centrais sindicais teve um veto ao artigo que determinava ao Tribunal de Contas da União (TCU) a fiscalização do imposto sindical compulsório que passaram a receber, sob a alegação de que o governo respeita a autonomia e a liberdade sindicais.

Essa é apenas uma desculpa esfarrapada, pois, na medida em que as centrais sindicais passaram a receber um dinheiro da contribuição compulsória dos trabalhadores, por força de uma decisão governamental, a independência já está comprometida.

O dinheiro é público, porque ele é tirado à força a partir de um poder que só o Estado tem. O dinheiro que o trabalhador é obrigado a dar aos sindicatos deixa de ser privado, passa a ser um imposto, afirmam especialistas.

O imposto sindical é um resíduo do sindicalismo pelego, criado por Getulio Vargas, que considerava os sindicatos como entidades “auxiliares do Estado”.

Essa verdadeira “república sindicalista” foi sendo moldada à medida que decisões ampliaram o espaço de atuação e revitalizaram as finanças do sistema sindical brasileiro.

O governo Lula passou a negociar diretamente com os sindicalistas o aumento do salário mínimo, por exemplo, antes de enviá-lo ao Congresso. Autorizou também os sindicatos a criar cooperativas de créditos.

Além disso, permitiu-lhes instituir, na reforma da Previdência Social, planos de previdência complementar. Como as regras só permitem planos de previdência fechados, os sindicatos não terão muita concorrência privada.

Uma medida em especial reforçou o poder de fogo das centrais sindicais: a autorização para que empréstimos sejam dados com desconto na folha de pagamento, com a intermediação dos sindicatos, o famoso crédito consignado.

A lei 11.648/2008 ressuscitou o papel do Estado como indutor da organização sindical, criando as centrais, que não existiam legalmente. O PT e a CUT, do deputado Vicen-tinho, aliaram-se à Força Sindical, do deputado Paulinho, do mesmo PDT do ministro do Trabalho, e aprovaram a lei a título de “reconhecimento histórico” das centrais.

Na Constituinte de 1988, o modelo sindical da Era Vargas foi superado em parte, e a associação profissional ou sindical passou a ser “livre”, determinando ainda a Constituição que “a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical”.

As centrais sindicais não faziam parte da pirâmide organizacional sindical, espelhavam uma realidade (e, sobretudo a CUT, tinham grande força de coordenar os sindicatos e a ação sindical), mas não faziam parte do arcabouço jurídico que estruturara esse modelo sindical.

Pela Constituição, o Estado “não tem de legitimar ou autorizar o funcionamento de entidades sindicais e fica-lhe vedado interferir ou intervir em qualquer organização sindical”. A “legalização” das centrais sindicais foi chamada de “pelegalização”.

É nesse ambiente que o novo presidente da CUT tomará posse, já com uma vasta agenda política que se encaixaria melhor no governo Lula do que no de Dilma.

Na coluna de domingo usei a expressão “fundos de pensões”, quando o correto é “fundos de pensão”.

Ueba! Bruno comeu Macarrão! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 10/07


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E olha esta: "Advogado de Bruno diz que goleiro e Macarrão tinham um relacionamento gay". Ueba! O Bruno comeu o Macarrão. Com ou sem molho? Por isso que engordou tanto! E ele ainda tem um amigo chamado Coxinha! Rarará!

E diz que a Libertadores é igual a Suelen. Todo mundo já pegou! Rarará! E ontem, 9 de julho, foi feriado em São Paulo. Revolução Constitucionalista. São Paulo brigou com o país inteiro. Deviam ser os fundadores do PSDB! Rarará! E perdemos! Perdemos a guerra, mas ganhamos um feriado. Valeu a pena!

E foi feriado porque São Paulo brigou com o país inteiro. Aí paulista vai viajar no feriado e briga com o país inteiro. "Rápido, se fosse em São Paulo essa comida já estaria pronta." "Rápido, dez horas pra fazer uma caipirinha?". "Se fosse em São Paulo, esse pneu já tava trocado há dias." "Esse macarrão tá uma droga!". Rarará! Paulista leva o stress pra passear! Rarará!

E o Neymar? O Neymar vai virar "gramólogo". Vive estatelado na grama! Ou se jogando ou chutado! Tem que ter rodízio pra chutar o Neymar! E jogou de penteado novo. O Neymar já teve três penteados: Mamute da "Era do Gelo", Pônei Maldito, Pica-pau de Chapinha e agora Índio Quer Apito! Aquilo não é mais chapinha. É chapa de padaria! Rarará. O Neymar não usa mais chapinha. Usa a chapa da padaria!

E é o mais velho do ataque do Santos. Faixa etária do ataque do Santos: bezerro desmamado. Se juntar todos, não dá a idade do Pelé! Rarará! Grau de escolaridade: maternal incompleto. Rarará! E, quando dizem que o Neymar tá no aquecimento, ele tá no secador. E depois do aquecimento tem o alisamento! Rarará! Treino de jogador brasileiro: treinamento e alisamento! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Predestinados! Operadora de telemarketing: Regina Meliga! Não, por favor, não me liga não! Rarará! E o famoso proctologista em Botafogo: Fernando Pinto Bravo. Pinto antissocial! Rarará!

E tchau. Porque trabalhar em feriadão dá corcunda de computador, nó nas tripas, entojo, zumbido no zovido, inflamação na prósta e dormência numa banda do corpo! E como disse o outro: "Sábado, domingo e segunda em casa. Santa Revolução de 32!". Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Na pressão da estreia - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 10/07

Convém saber o que será considerado julgamento político pelo novo comando da CUT no caso do mensalão


A AMEAÇA até faz lembrar, pelo tom e pela pretensão, os últimos meses antes do golpe de 64. A carga de pressão lançada contra o Supremo Tribunal Federal, em sugestiva estreia do novo presidente da CUT, é uma caricatura das ameaças multiplicadas, a cada dia daqueles tempos, pelo sindicalismo e suas centrais.

Vagner Freitas adverte os ministros do STF de que o julgamento do mensalão "não pode ser um julgamento político", e, "se isso ocorrer, nós [a CUT] iremos para as ruas". Seria então, quando menos, um sinal de que a CUT ainda respira, depois de docilmente sufocada pelos oito anos presidenciais de Lula.

Mas Vagner Freitas não explicita os critérios pelos quais julgará o julgamento, se político ou não. Ou seja, em que circunstâncias emitirá a ordem de ação que porá a CUT nas ruas. A rigor, o problema em aberto é ainda maior: a ameaça não foi ilustrada nem sequer por algum indício, qualquer um, de que tais critérios existam no novo comando da CUT.

Não só aos ministros do Supremo, mas a todo o país convém saber o que será considerado, ou não, julgamento político e, portanto, indutor de quebra da estabilidade política e social vigente. Pois é disso que fala Vagner Freitas. "Não queremos um país desestabilizado por uma luta político-partidária" para exprimir um desejo que é geral, mas é uma frase dúbia.

Pode exprimir uma visão exagerada de um possível julgamento politizado, mas também pode insinuar reações extremadas. Ou capazes de desestabilizar o país.

Apenas por curiosidade política, ou metida a sociológica, a mim agradaria um esclarecimento especial de Vagner Freitas (jamais confundir, por favor, com Vagner Love, pacífico salvador do Flamengo, nem com outros Freitas sem poder).

De que modo e por que a contraposição de petistas e seus adversários, a propósito do julgamento, "poderia colocar em risco os avanços sociais conquistados pelo país após a chegada do PT ao poder"? [estas aspas reproduzem a repórter Mariana Carneiro ao transcrever Vagner Freitas].

É uma relação esquisita, esta entre a divergência política e a derrubada das conquistas sociais.

Como resultado preliminar da estreia do novo presidente da CUT, pode-se pôr em sua conta a provável reação lógica e natural de um ou outro ministro, ou de vários: até sem a percepção de que o fazem, calcar no rigor de tal ou qual voto, para afirmar e afirmar-se a sua indiferença a pressões e ameaças.

Central Única dos Aloprados? - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 10/07


BRASÍLIA - Tem alguma coisa invertida nessa história: a maior central sindical do país não se mobilizou para protestar contra nenhum dos escândalos e escandalosos nacionais pós-2003 e agora fala em "ataque à democracia", ameaçando "ir às ruas" para defender os réus do mensalão. Dá para entender?

Segundo o atual presidente da CUT, Artur Henrique, "o ataque à democracia" que ocorreu no Paraguai pode se repetir no Brasil: "Ou não foi isso que tentaram neste país em 2005? Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?", disse ele ontem, no congresso da central. E decretou: "Não vamos permitir a volta dos tucanos, do PSDB".

Seu sucessor, Vagner Freitas, avisou, antes mesmo de assumir, que está de olho no julgamento do mensalão: "Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer, iremos às ruas", disse, pronto para uma guerra, como se estivesse de dedo em riste na cara do Supremo Tribunal Federal.

São deveras curiosos esses arroubos democráticos, mas vamos ao que mais interessa: as greves. Sem falar no setor privado, os professores de universidades federais estão parados há um mês e meio e funcionários de 12 órgãos federais cruzaram os braços. Dilma acaba de mandar cortar o ponto dos faltosos. E isso não é nada, perto do que vem por aí.

A data-base de algumas das categorias mais poderosas, como metalúrgicos, químicos, petroleiros, bancários e carteiros, é no segundo semestre, a partir justamente de agosto -que vem a ser o mês do julgamento do mensalão. Vai ficar animado.

A dúvida, hoje, é se a CUT vai para as ruas a favor dos mensaleiros de Lula, contra o Supremo, ou se vai a favor dos trabalhadores, contra Dilma. Em última instância: a favor de Lula e contra Dilma?

Livre-arbítrio - DORA KRAMER


O Estado de S.Paulo - 10/07

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não poderia ter sido mais claro na entrevista que deu à Folha de S. Paulo neste domingo.

Por enquanto não quer briga nem rompimentos com a presidente Dilma Rousseff, muito menos com o ex-presidente Lula, só que não renuncia à sua autonomia político-partidária.

Não vincula seu destino e seus movimentos às conveniências do PT, tem uma visão bastante objetiva sobre o significado de alianças e nem de longe considera que a parceria com o governo federal inclua cláusula de submissão incondicional.

Portanto, qualquer que tenha sido o teor da conversa durante o jantar marcado para ontem com a presidente da República, certamente não se poderá dar ao encontro a conotação de "enquadramento" tão ao gosto das versões oriundas do Palácio do Planalto.

O governador pernambucano vem se destacando no cenário como um fato novo: não faz o esparramo de um Ciro Gomes, não vocifera no vazio como alguns oposicionistas, não é ladino ao molde de diversos aliados do governo e fala com todos os efes e erres exatamente o que dez entre dez políticos ditos governistas vivem resmungando pelos cantos.

E o que murmuram? Que o PT não respeita procedimentos, desqualifica os aliados (os adversários, aniquila), faz jogo duplo, atropela regras e só pensa em si. Atua com o único propósito de consolidar seu projeto de poder numa dinâmica de desconsideração total em relação aos projetos dos parceiros que são tratados como meros anexos.

Com isso, cria problemas e não constrói soluções para o governo.

Por ora Eduardo Campos não parece se apresentar como candidato a presidente da República em 2014, embora seja ótimo para ele que assim apareça nas análises do quadro político: vai configurando-se como uma opção fora da dicotomia PT-PSDB e atrai possibilidades de alianças. "Adensa o entorno", como se costuma dizer.

Se o governo se perder, a oposição não se achar, as circunstâncias permitirem e as condições objetivas estiverem postas, evidentemente o governador poderá ser uma hipótese viável de alternância já na próxima eleição.

Nada demais, não fosse o fato de o PT não lidar bem com a autonomia alheia e, por isso, enxergar em Eduardo Campos um inimigo a ser combatido.

Na perspectiva petista exibe o pior dos defeitos: tem projeto (aqui não entramos no mérito se bom ou ruim) e o executa nos limites da independência permitida a quem atua no mesmo campo em âmbito nacional sem, contudo, abrir mão do livre-arbítrio.

Assim ocorreu na decisão de lançar candidato no Recife quando enxergou o risco de se tornar refém das brigas do PT e assim, pelo jeito, Eduardo Campos atuará daqui em diante.

Politizado está. CUT promete ir "às ruas" contra a politização do julgamento do processo do mensalão.
Como não é de se supor que os sindicalistas pretendam transmitir ensinamentos legais aos ministros doSupremo Tribunal Federal nem tratar tecnicamente do conteúdo dos autos nessas manifestações, a central fará exatamente o que nega aos que pensam de forma diferente em relação ao processo: vai expor politicamente suas posições.
Tem todo direito. Desde que não pretenda se associar a ações de insurgência contra quaisquer que sejam as decisões do STF ou impor como verdade versões manipuladas dos fatos.
Caso isolado. O apoio do PMDB ao candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte tem sido visto como uma tentativa de aumentar o cacife do partido junto ao Planalto, mas a decisão se baseou na conveniência local.
É como diz um dirigente pemedebista: se quisesse fazer algum gesto de impacto nacional, o vice-presidente Michel Temer teria aproveitado o momento da desistência de Luiza Erundina e tentado levar Gabriel Chalita a desistir da candidatura em São Paulo para ocupar o lugar de vice de Fernando Haddad.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 10/07

Setores de seguro e agrícola medem impacto climático

Uma pequena variação climática, que cause prejuízo inferior a 30% na produção de cana, pode acarretar perdas de R$ 1,4 bilhão à arrecadação federal, segundo a FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

O mesmo desvio tem impactos de R$ 1,6 bilhão ao ano no caso da soja, de mais de R$ 700 milhões no milho e de quantidades semelhantes para o cultivo de café.

Os dados fazem parte de um novo estudo que será levado ao governo nesta semana pelo setor, de acordo com o presidente da comissão de seguro rural da entidade, Luiz Roberto Foz.

"Isso é muito maior do que o valor oferecido pelo governo em subvenções por ano. E precisamos também considerar os efeitos sociais não mensurados, como o desemprego", afirma.

Para 2015, a estimativa da FenSeg é que a subvenção ao seguro rural chegue a R$ 540 milhões.

"Para a safra 2012/2013, que se inicia em julho, estão previstos R$ 400 milhões, sendo R$ 214 milhões liberados até o fim do ano", informa a entidade.

A subvenção é um subsídio oferecido pelo governo aos agricultores para ajudá-los a bancar o custo do seguro de suas produções.

O recurso é pago diretamente às seguradoras, para cobrir prejuízos causados por danos como incêndios, chuvas excessivas, secas e outros.

O setor pressiona pela elevação do apoio do governo para a expansão da cobertura segurada no país.

Após dois anos, Brasil volta a ter deficit com Japão

Depois de dois anos com superavit na balança comercial com o Japão, o Brasil registrou deficit de US$ 629,7 milhões com o país asiático no primeiro semestre de 2012.

O principal motivo para a mudança, segundo especialistas, é a recuperação da economia japonesa após o terremoto de março de 2011.

"Nessa situação, é normal que o país diminua as suas importações", diz o professor do Insper Régis Braga.

As exportações brasileiras para o Japão no primeiro semestre deste ano atingiram US$ 3,6 bilhões, o que representa queda de 13% ante o mesmo período de 2011.

Além da diminuição das vendas, o Brasil aumentou as importações do Japão. No mesmo período, as compras de produtos japoneses passaram de US$ 3,9 bilhões para US$ 4,2 bilhões.

No ano passado, após o terremoto de março, o Brasil havia registrado deficit em apenas um dos nove meses restantes. Em 2012, só não houve deficit em abril e junho.

CLIENTE MONITORADO

A empresa de segurança eletrônica ADT-Tyco adquiriu a carteira de clientes da Alarmes Brasil, companhia com atuação concentrada na Grande São Paulo e na região de Osasco.

"O negócio acaba de ser fechado e representa aumento de cerca de 25% em nossa base de clientes. É mais um passo para o crescimento", diz Michael Roubicek, gerente-geral da ADT-Tyco.

Após a operação, a meta é elevar a atuação no segmento de residências e estabelecimentos comerciais.

A empresa, que trabalha também com grandes indústrias, acaba de fechar contrato com uma companhia de papel e celulose para montar o sistema de monitoramento por circuito fechado de TV da produção. O sistema prevê detecção, alarme e combate a incêndio da fábrica.

estaleiro no sul

Com investimento inicial de R$ 20 milhões, a gaúcha Petrosul, empresa que faz transporte de mercadorias agrícolas entre Porto Alegre e o porto de Rio Grande, construirá um estaleiro para consertar embarcações.

"A âncora do projeto é atender nossas próprias necessidades, mas é claro que também vamos oferecer o serviço para terceiros", afirma o presidente da empresa, João Alberto Difini.

O projeto da companhia prevê ainda instalações que poderão seu usadas, futuramente, na construção de barcos de cerca de 120 metros, de acordo com Difini.

A área onde o empreendimento será instalado, de 30 hectares em Guaíba (30 quilômetros de Porto Alegre), já foi adquirida.

INCENTIVO AO AGRONEGÓCIO

A isenção de impostos e a queda da taxa básica de juros têm aumentado a procura de investidores por LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

Em junho passado, o estoque desse tipo de título na Cetip ultrapassou a marca de R$ 20 bilhões.

"É um produto que depende do lastro de crédito rural. Os bancos têm um limite, não podem emitir quando querem", diz Claudio Amaury, gerente da Cetip.

Devido à restrição, bancos permitem que apenas parte da clientela aplique em LCA.

"Inicialmente era para quem tinha mais de US$ 1 milhão, mas agora baixaremos a taxa", afirma Rogério Lot, diretor de Private Banking do Banco do Brasil, que chegou a R$ 12 bilhões em operações do título no mês passado.

Para Charles Ferraz, superintendente de Private Banking do Itaú Unibanco, a isenção tributária torna a remuneração do título "bem interessante". "O governo abre mão de receita tributária para incentivar o setor agrícola."

LIGAÇÃO LIBERADA

Um mês após receber prazo da Justiça para parar de vender celulares a pessoas físicas, a Nextel conseguiu reverter a situação.

A operadora tem licença para comercializar apenas com empresas ou grupos de pessoas associadas por uma atividade específica (profissionais de uma mesma organização, por exemplo).

A Tim afirma que a operadora não pode formar os grupos para os quais vende.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, porém, decidiu em favor da Nextel, cuja comercialização foi novamente liberada. Cabe recurso.

"O regulamento da Anatel não diz que as pessoas precisam ir de mãos dadas à loja para comprar o produto", diz o diretor jurídico da Nextel, Luis Fernando de Almeida.

Em nota, a Tim esclarece que irá recorrer.

Humor... A confiança do consumidor americano para julho não subiu nem um ponto em relação ao mês anterior, de acordo com índice da empresa Ipsos. Passou de 46,1 para 47,0 (em escala que vai de zero a cem).

...americano Desde o começo do ano, o índice está em torno dos 46,5. O indicador que mede a expectativa em relação ao nível de emprego subiu um ponto -de 53,5 para 54,5-, mas ainda está em patamar inferior ao registrado em janeiro.

Socorro As principais causas de chamadas de segurados quando precisam de atendimento são pane do veículo (74,3%), acidente material (14,1%), pneu furado (6,4%) e chaveiro (3,2%), diz ranking da Liberty Seguros de maio.

Prazo Com a implantação do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), 7% dos arquivos não foram entregues no prazo neste ano, segundo levantamento da FiscoSoft, que atua como fornecedora de informações fiscais e legais.

DIA DE ROCK - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 10/07

O grupo Jota Quest, de Rogério Flausino, apresentou show baseado no álbum "Multishow Ao Vivo - Folia & Caos" no Credicard Hall. Estiveram lá os músicos Paulo Miklos, Beto Lee, Fiuk e Leilah Moreno.

CORRE-CORRE
A peça "Maratona de Nova York" teve estreia para convidados no teatro Cacilda Becker, no fim de semana. Dirigido por Bel Kutner, o espetáculo traz dois personagens (Anderson Müller e Raoni Carneiro) que se preparam para a corrida. Estavam na plateia os atores Celso Bernini, Zezé Polessa e Miá Mello.

NORAH VEM AÍ
A cantora e pianista americana Norah Jones desembarca no Brasil em dezembro com sua nova turnê. Ela fará três shows no país: no dia 12, em Porto Alegre, no dia 15, em São Paulo, e no dia 16, no Rio. Norah apresentará seu novo disco, "Little Broken Hearts". A produtora XYZ Live não confirma.

DETALHE
Teve resultado prático a iniciativa do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), de pedir vista e adiar o julgamento sobre as atribuições do Ministério Público em investigações criminais: impediu que eventual decisão contrária ao MP "contaminasse" o julgamento do mensalão.

FONTES
Caso o STF decidisse que o MP não pode realizar investigações, advogados dos réus poderiam pedir a anulação de todos os procedimentos enquadrados nesta conduta. E a anulação de todas as provas obtidas por procuradores. Um dos defensores de réus do mensalão consultado pela coluna concordou. Mas ponderou que boa parte das principais evidências foi obtida pela polícia e na CPI.

MADE IN BRAZIL
A Fundação Biblioteca Nacional vai lançar uma revista no exterior para promover autores brasileiros lá fora. Serão edições trimestrais, em inglês e espanhol, num projeto que mobiliza também Itamaraty, Imprensa Oficial e Itaú Cultural.

MADE IN BRAZIL 2
Segundo Galeno Amorim, presidente da Biblioteca, um conselho editorial está sendo formado para bater o martelo sobre os primeiros escritores traduzidos, entre nomes clássicos e contemporâneos. Os custos da publicação "virão um pouquinho" de cada entidade envolvida.

BANDEIRA
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) pretende apresentar em agosto o plano de trabalho para comitês nacional e estaduais de combate à homofobia, durante reunião do Conselho Nacional LGBT.

Uma das ideias é ampliar e promover nos Estados o disque-homofobia, usado para relatar casos de violência contra homossexuais.

É MEU
Daniel Filho decidiu que ele próprio vai dirigir o filme "Confissões de Adolescente", projeto de sua produtora, a Lereby. Chamou Cris D'Amato, com quem já trabalhou em "Chico Xavier", para codirigir. Um primeiro roteiro foi escrito por Ana Maria Moretzsohn (de "Fera Ferida" e "Malhação").

UM BOLÃO
"Neymar Game" é um sucesso na Finlândia e na Suécia, onde ocupa o 7º lugar entre os jogos mais baixados para celular. No Brasil, está na segunda posição em número de downloads entre aplicativos de esporte, desde o lançamento na sexta.

Para fazer embaixadas virtuais com o craque, o internauta paga US$ 0,99 na App Store e no Google Play (para iOS e Android).

'FIQUEI FELIZ POR DILMA NÃO ENCONTRAR AHMADINEJAD'

A ativista iraniana Mina Ahadi, porta-voz do Comitê Internacional Contra o Apedrejamento de Mulheres, participou na semana passada do Fórum Mulheres Reais que Inspiram, organizado por Ana Paula Padrão. Ela falou à coluna por e-mail.

Folha - Quais os exemplos de violência contra mulheres nos países ocidentais?
Mina Ahadi - No ocidente existem formas de violência à mulher como a doméstica, a prostituição e o estupro. Não há apedrejamento. Entretanto, os governos ocidentais têm ajudado aqueles que defendem o apedrejamento a ganhar o poder. Eles não ajudam a conter o avanço da política contra a mulher nos países de regime islâmico. E eles têm mantido o silêncio sobre esse e outros crimes, como o apartheid de gêneros.

É possível pensar em um mundo sem apedrejamento de mulheres?
Sim, claro! Com a campanha contra a execução de Sakineh Ashtiani [condenada por adultério], o Comitê Internacional Contra Apedrejamento conseguiu suspender o ato contra ela. Os aiatolás da República Islâmica começaram a pensar em formas alternativas de punição. Esse é o começo do fim dessa violência por outros governos islâmicos. O apedrejamento é uma vergonha para a humanidade e precisa se tornar algo do passado. A Organização das Nações Unidas deveria propor um documento que condene e proíba crimes religiosos como apedrejamento, apartheid de gêneros, circuncisão de mulheres e uso de véus.

Foi certo convidar o presidente Mahmoud Ahmadinejad para a Rio + 20?
Eu fiquei mais feliz pelo fato de a presidente Dilma Rousseff e outras autoridades brasileiras não terem se encontrado com ele. Ahmadinejad vai a essas conferências para fazer de conta que tudo é normal no Irã. E que ele pode agir como um presidente de um outro país qualquer. Mesmo que a situação ambiental no Irã seja preocupante e vergonhosa -e esse era o tema central da Rio +20-, o objetivo do regime islâmico nessas visitas é completamente político.

Qual sua opinião sobre Dilma Rousseff? O Brasil deveria cortar relações com o Irã?
Estou certa de que o governo brasileiro pode cortar relações diplomáticas com o regime islâmico e dar o exemplo para outros países ocidentais. Não se pode manter relação com um regime que apedreja pessoas e mata milhares por razões políticas.

CURTO-CIRCUITO

Parte da renda do Dia da Pizza, na Piola dos Jardins, será doada para a ONG Adote um Gatinho.

Alexandre Lacava lança o livro "Pai, Você É o Cara", na Saraiva do shopping Higienópolis, às 19h.

com LÍGIA MESQUITA (interina), ELIANE TRINDADE (colaboração), ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e OLÍVIA FLORÊNCIA