sábado, junho 16, 2012
Créditos da vida - MARCELO RUBENS PAIVA
O ESTADÃO 16/06
Saí correndo do escritório, chamei o elevador. Baita pressa. Tocou a sineta, e a porta se abriu. Apesar de distraído, percebi a centímetros do fosso que ele inacreditavelmente não estava lá. Elogiei a concentração dos anjos da guarda.
Entendi o porquê do aviso aos passageiros (Lei 9.502): "Antes de entrar, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar". Às vezes, não se encontra. Seria uma queda fulminante de dez andares, muitas fraturas e minha última vida.
E não tinha alma viva no hall para dividir comigo a peça sem graça do destino e tamanho susto. Fiquei parado muito tempo repensando na vida. Até começarem a subir os créditos. Em segundo plano, a porta aberta e o escuro daquele fosso.
Todas as vidas deveriam vir com créditos. No começo, o elenco de maior importância: pai, mãe, avós, babá, melhores amigos, professores, namoradas, esposas, filhos, empregadores. Direção? Deus para os católicos, Acaso para os agnósticos, Nada para os niilistas, Demo para os desgraçados, corruptos, ditadores e motoristas que não tiram a mão da buzina.
No meu caso, seria direção do Livre-Arbítrio e produção ítalo-brasileira - em respeito à dupla cidadania e ao lado materno 100% oriundi.
Mas quem escreveria os créditos? Se fosse na pós-produção, como o montador saberia qual amigo merecia estar no crédito inicial ou apenas no final, e se a ex-esposa que desgraçou a vida do protagonista, arruinou as finanças e escalpelou a estima merecia letras miúdas no final ou o desprezo total, nem nos agradecimentos apareceria.
Quem seriam os patrocinadores, nossos empregadores? E os que nos demitiram sem justa causa? Como enumerar as músicas que fizeram parte das nossas vidas? Entram dentistas, barbeiros, médicos, motoristas?
Daria muito trabalho incluir créditos nas nossas vidas. Melhor continuarmos sem eles, como uma produção barata. Ou melhor, de baixo orçamento.
***
Afinal, para que servem os créditos finais de um filme, para dividir informações importantes, homenagear quem trabalhou na produção ou seguir exigências sindicais?
O que interessa saber do nome do cara que foi assistente do homem da grua da unidade externa da cena de perseguição da Hungria? Quem trabalhou na produção ganhou para aquilo. Talvez os nomes no letreiro final sirvam para aqueles que trabalharam quase de graça e trocaram o soldo pela visibilidade. Como estagiários.
Gosto de algumas informações. Por exemplo, nomes e autores das músicas. Porém, tais créditos costumam passar muito rapidamente e não indicam com precisão que, naquela cena, aquela música bacaninha que tocou foi essa aqui, ó.
Gosto também de saber que o dramalhão que se passa na proibidíssima Coreia do Norte foi filmado nos estúdios de Chinatown em São Francisco, que o massacre contra monges tibetanos foram praticados contra figurantes filipinos, que o desembarque das ilhas do Pacífico foi filmado no Caribe, e o assassinato do padre de El Salvador foi encenado em El Paso, Texas.
Mas algo me intriga há anos. Por que aparecem nomes dos motoristas nos créditos finais? São os motoristas das cenas que dirigem enquanto o que é importante rola no banco traseiro da viatura? Não. Esses estariam em "figurantes" se arrancassem quando ouvissem "siga aquele carro", e em "atores coadjuvantes" se tivessem fala, mesmo que fosse uma simples "para aonde, senhor?"
Claro que os motoristas que aparecem nos créditos trabalharam na produção. É uma exigência sindical? De qual sindicato, Central Única dos Motoristas de Produções de Audiovisual? Há um racha, a Central Geral dos Condutores de Produções de Vídeo e Cinema? Uma é mais à esquerda? Outra apoia o governo e seu líder é deputado estadual candidato à Câmara Federal?
No mais, que informação precisa é essa? Os nomes que aparecem são Tonhão, Aderbal, Pelezão, Alemão, Romarinho, Silveira. Sempre tem um Silveira. Certamente é o mais velho do grupo. Nunca tem nome e sobrenome. Ou é o primeiro, ou o último, ou o apelido.
O que o Tonhão fez? Levou a estrela do hotel para o set? E se a mesma acordou atrasada, a van da produção saiu antes, e ela teve de pegar um táxi, anotou o nome do motorista para colocar nos créditos? "Senhor, como gostaria de aparecer? Silveira e Alemão já temos."
No mais, se é uma homenagem, como Silveira, Romarinho ou Tonhão podem se gabar ao lado de uma paquera, que leva para ver o filme para que colaborou efusivamente, cuja ausência daria outro tratamento, pior, à produção final, e que tais prêmios não seriam nem indicados? Como provar que Galego que aparece nos créditos é ele, e não outro motora loirão e alto, que também faz frila pra galera do cinema? "Gato, na próxima manda pôr o seu PIS/Pasep, assim eu acredito", ouviria.
O que nos adiantam nomes de tantos profissionais úteis, como boys, motoras, auxiliares, contadores, se não aparecem seus contatos? Bem, treinadores de animais, tudo bem. Nem todos precisam de um. Mas babás... Andam tão em falta no mercado, que poderiam vir os telefones de algumas nos créditos finais, mesmo que nenhuma tenha trabalhado na produção.
***
Desde a primeira vez que foi ao cinema, Antônia, filha de 5 anos de um amigo, se levanta da poltrona quando os créditos finais sobem, desce os degraus da sala ainda escura e vai dançar. Ninguém a ensinou. Deve pensar que para isso serve a música final, à meia-luz, as letrinhas que não compreende subindo.
Música + escuro + espaço livre = pista de dança. Ela se aprimora. Sente quando a narrativa chega a uma conclusão, o fim está próximo, e a Peripécia leva à Revelação (Aristóteles). Ela se levanta da poltrona e espera o the end, que para ela é um começo. Enquanto o público se encaminha para as portas de saída, ela já está debaixo da tela dançando.
Curiosamente, com o tempo, outras crianças passaram a imitá-la. E, como num cinema popular indiano de Bollywood, sentem-se livres para se expressar corporalmente.
Deveríamos todos imitar Antônia. Dançar no final no espaço entre a tela e as poltronas. Poderiam entrar garçons servindo drinques. Pelo preço que pagamos pelo ingresso, estacionamento e pipoca...
Ilusões à toa - CARLOS DIEGUES
O GLOBO - 16/06
A cidade está ocupada pela Rio+20. As direções do trânsito se modificam, os engarrafamentos se multiplicam, as escolas estão em férias compulsórias, o serviço público ganhou ponto facultativo. Aconselha-se, a quem não tem o que fazer na rua, a não sair de casa.
E no entanto, apesar de tanto transtorno, a cidade está alegre, muito diferente do que esteve há exatos 20 anos, por ocasião da Rio 92, quando o Exército teve que ocupar suas ruas a fim de garantir a paz do encontro e a segurança dos medalhões que vinham participar dele.
Podemos dizer que a cidade agora saúda a Rio+20 com entusiasmo e alegria. Não só na esperança de que ela se desenrole tranquilamente e confirme o bom momento do Rio de Janeiro, mas sobretudo porque sabemos que a Rio+20 é uma oportunidade (talvez uma das últimas, como disse Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU) de construir o futuro que nós queremos.
O homem sempre teve projetos para a natureza, mas a natureza nunca teve e nunca terá nenhum projeto para nós. E nem por isso precisamos tratá-la como inimiga, embora ela também não seja a mãe que um certo romantismo desejou que fosse. Mas assim como nos iludimos com a possibilidade de harmonia com a natureza, erramos gravemente quando inventamos de dominá-la, controlá-la, modificá-la, segundo nossos exclusivos interesses.
A cultura humana é uma espécie de vírus a atazanar o corpo do mundo com suas invenções. Nós somos os únicos filhos dele que resolvemos organizar sua vida, dizer para onde o mundo deve seguir. Mas ele é surdo, não tem nada a ver com nossas ilusões e vai em frente conforme suas próprias necessidades.
Todas as criações do universo são parte constitutiva da natureza, participam de sua existência sem mando sobre seus rumos. Mas quando o homem inventou a cultura, criou a ilusão arrogante de que o universo podia estar a seu serviço. Fomos longe demais e, agora, quando não temos mais esperança de harmonia com ela, nem podemos mais sonhar com o domínio sobre ela, só nos resta negociar com a natureza.
Negociar significa saber até onde podemos ir nessa nossa irreversível pretensão de criadores, o que é possível fazer para seguirmos em frente sem pensar em ocupar um espaço a que não temos direito. Significa ceder no insensato, para ganhar no razoável. Ou, como dizia Raymond Aron a propósito da política humana, "a opção nunca tem a ver com uma luta entre o bem e o mal, mas com o preferível e o detestável".
O século 21 tem-nos surpreendido com uma constante queda da humanidade do alto dos tronos em que os humanismos triunfalistas a coroaram soberana, do controle sobre a história ao fim de todas as tiranias, da utopia cristã à sociedade sem classes, da harmonia com a natureza ao poder sobre o universo. Nenhum desses triunfos tão anunciados se realizou, nem tem como se realizar; e nós temos dificuldade em descer do carro alegórico de nossas ilusões.
Ilusões até justificadas pelas decepções com o mundo e conosco, nossas vidas e relações com os outros. Tenho um amigo que garante que o Juízo Final foi bolado para ser um gesto de Deus a nos pedir desculpas pela cagada que Ele fez. Aqueles que forem capazes de O perdoar terão direito ao céu.
O mundo vai estar sempre muito aquém de nossos projetos e foi por isso mesmo que inventamos a cultura. Nossa intervenção no mundo é única, como nenhum outro animal jamais ousou fazer. Arte, ciência, conhecimento, tecnologia, tudo isso é produzido por nossa insatisfação com as coisas como elas são, por nosso desejo de mudá-las. E se ignorarmos esse desejo, perderemos o sentido da existência de nossa própria espécie.
Negociar com a natureza significa conhecer os limites de nossos desejos e aprender a domá-los. Uma espécie de acordo de paz entre o vírus da cultura humana e o corpo da natureza, como as bactérias e os micróbios diversos convivem em paz em nosso próprio corpo. Seria uma atitude tirana acharmos que somos livres para fazermos o que bem entendermos do que está à nossa volta.
Para celebrar a cidade alegre, nada mais natural do que usar uma poeta e a imagem da primavera. A poeta é Cecília Meirelles, a primavera está nesse seu texto: "A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba o seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega."
Salve, salve Rio+20, o anúncio da primavera no inverno carioca!
Sarampo à europeia - DRAUZIO VARELLA
FOLHA DE SP - 16/06
A impressão de que o sarampo faz parte das doenças benignas da infância é equivocada
O sarampo se espalha pela Europa, enquanto nas Américas a transmissão foi interrompida em 2002 e o número de casos diminui na África e na Ásia.
A doença é transmitida com facilidade por meio do contato pessoal. Em abril de 2009, um operário búlgaro que trabalhava na construção civil em Hamburgo, na Alemanha, voltou para casa no distrito de Razgrad, no nordeste da Bulgária.
O vírus do sarampo que viajava com ele provocou 24 mil casos da doença e 24 mortes entre seus conterrâneos. O sequenciamento dos genes virais mostrou que, da Bulgária, o vírus retornou para a Alemanha e se disseminou por Turquia, Grécia, Macedônia e outros países do velho continente.
Esse tipo de rastreamento epidemiológico faz parte do esforço europeu para eliminar o sarampo, tarefa possível por meio da vacinação, como provaram mesmo os países mais pobres das Américas, dez anos atrás.
Para os serviços de saúde da Europa, tem sido vergonhosa a incapacidade de eliminar uma enfermidade para a qual existe vacina desde 1963. O projeto de atingir tal objetivo até 2010 foi adiado para 2015, prazo que os epidemiologistas consideram fora da realidade.
Nos últimos três anos, os europeus viram o número de doentes quadruplicar. No ano passado, foram mais de 15 mil apenas na França. Nesse período, surgiram cerca de 37 mil casos novos no continente, 30 mil dos quais na União Europeia, que reúne os países mais ricos do bloco.
Os especialistas temem que o pior esteja por vir, como consequência das aglomerações humanas durante o campeonato europeu de futebol, que acontece na Polônia e na Ucrânia, e a Olimpíada de Londres, daqui a um mês.
A tendência europeia vem na contracorrente. No ano de 2010, ocorreram 68 casos no Brasil; todos eram viajantes ou pessoas que tiveram contato com eles. Nos Estados Unidos foram 222, todos trazidos de fora.
Na África, a mortalidade caiu de 337 mil para 50 mil, nos últimos dez anos. No mesmo período, os óbitos na Índia diminuíram de 88 mil para 66 mil, número que corresponde à metade da mortalidade global.
A impressão de que o sarampo faz parte das doenças benignas da infância é equivocada. Antes da vacina, as complicações provocavam a morte de mais de 2 milhões de crianças por ano, porque o vírus causa depressão imunológica, fragilidade que predispõe a complicações bacterianas e virais.
A vacinação reduziu as dimensões dessa tragédia mundial: em 2010, o número de mortes havia caído para 139 mil.
A epidemia que se alastra pela Europa é particularmente chocante, porque ocorre numa região em que a maioria dos países conta com serviços de saúde que servem de exemplo para os mais pobres. Como explicar?
Para proteger uma população contra o sarampo, pelo menos 95% das pessoas devem ser vacinadas, número que os europeus sempre tiveram dificuldade para atingir, porque, à medida que a enfermidade se tornou mais rara, muitos passaram a subestimar o risco de contraí-la e a superestimar as complicações da vacina (que são mínimas), fenômeno que se repete sempre que uma doença transmissível se torna menos prevalente.
Alguns pais esquecem ou não encontram tempo para vacinar seus filhos, em postos de saúde que geralmente funcionam apenas no horário comercial.
Anos atrás, um gastroenterologista inglês, chamado Andrew Wakefield, alegou que a vacina tríplice contra sarampo, caxumba e rubéola estaria associada a casos de autismo. A divulgação dessa hipótese absurda assustou muitas famílias. Quando ficou demonstrado que ela se baseava em dados fraudulentos, o estrago já estava feito.
Com argumentos de ordem filosófica, certas comunidades antroposóficas, grupos religiosos e ativistas antivacinas (sim, eles existem) convencem seus membros a jamais vacinar os filhos. Por incrível que pareça, algumas dessas seitas têm número significativo de seguidores nos diversos países europeus.
Finalmente, os sistemas de saúde sempre encontraram obstáculos para atingir comunidades que vivem à margem da sociedade, como a dos ciganos, por exemplo.
O fracasso dos europeus no combate ao sarampo reforça a posição do Ministério da Saúde, que defende a necessidade de continuarmos vacinando as crianças brasileiras, mesmo que não surjam casos na vizinhança.
A impressão de que o sarampo faz parte das doenças benignas da infância é equivocada
O sarampo se espalha pela Europa, enquanto nas Américas a transmissão foi interrompida em 2002 e o número de casos diminui na África e na Ásia.
A doença é transmitida com facilidade por meio do contato pessoal. Em abril de 2009, um operário búlgaro que trabalhava na construção civil em Hamburgo, na Alemanha, voltou para casa no distrito de Razgrad, no nordeste da Bulgária.
O vírus do sarampo que viajava com ele provocou 24 mil casos da doença e 24 mortes entre seus conterrâneos. O sequenciamento dos genes virais mostrou que, da Bulgária, o vírus retornou para a Alemanha e se disseminou por Turquia, Grécia, Macedônia e outros países do velho continente.
Esse tipo de rastreamento epidemiológico faz parte do esforço europeu para eliminar o sarampo, tarefa possível por meio da vacinação, como provaram mesmo os países mais pobres das Américas, dez anos atrás.
Para os serviços de saúde da Europa, tem sido vergonhosa a incapacidade de eliminar uma enfermidade para a qual existe vacina desde 1963. O projeto de atingir tal objetivo até 2010 foi adiado para 2015, prazo que os epidemiologistas consideram fora da realidade.
Nos últimos três anos, os europeus viram o número de doentes quadruplicar. No ano passado, foram mais de 15 mil apenas na França. Nesse período, surgiram cerca de 37 mil casos novos no continente, 30 mil dos quais na União Europeia, que reúne os países mais ricos do bloco.
Os especialistas temem que o pior esteja por vir, como consequência das aglomerações humanas durante o campeonato europeu de futebol, que acontece na Polônia e na Ucrânia, e a Olimpíada de Londres, daqui a um mês.
A tendência europeia vem na contracorrente. No ano de 2010, ocorreram 68 casos no Brasil; todos eram viajantes ou pessoas que tiveram contato com eles. Nos Estados Unidos foram 222, todos trazidos de fora.
Na África, a mortalidade caiu de 337 mil para 50 mil, nos últimos dez anos. No mesmo período, os óbitos na Índia diminuíram de 88 mil para 66 mil, número que corresponde à metade da mortalidade global.
A impressão de que o sarampo faz parte das doenças benignas da infância é equivocada. Antes da vacina, as complicações provocavam a morte de mais de 2 milhões de crianças por ano, porque o vírus causa depressão imunológica, fragilidade que predispõe a complicações bacterianas e virais.
A vacinação reduziu as dimensões dessa tragédia mundial: em 2010, o número de mortes havia caído para 139 mil.
A epidemia que se alastra pela Europa é particularmente chocante, porque ocorre numa região em que a maioria dos países conta com serviços de saúde que servem de exemplo para os mais pobres. Como explicar?
Para proteger uma população contra o sarampo, pelo menos 95% das pessoas devem ser vacinadas, número que os europeus sempre tiveram dificuldade para atingir, porque, à medida que a enfermidade se tornou mais rara, muitos passaram a subestimar o risco de contraí-la e a superestimar as complicações da vacina (que são mínimas), fenômeno que se repete sempre que uma doença transmissível se torna menos prevalente.
Alguns pais esquecem ou não encontram tempo para vacinar seus filhos, em postos de saúde que geralmente funcionam apenas no horário comercial.
Anos atrás, um gastroenterologista inglês, chamado Andrew Wakefield, alegou que a vacina tríplice contra sarampo, caxumba e rubéola estaria associada a casos de autismo. A divulgação dessa hipótese absurda assustou muitas famílias. Quando ficou demonstrado que ela se baseava em dados fraudulentos, o estrago já estava feito.
Com argumentos de ordem filosófica, certas comunidades antroposóficas, grupos religiosos e ativistas antivacinas (sim, eles existem) convencem seus membros a jamais vacinar os filhos. Por incrível que pareça, algumas dessas seitas têm número significativo de seguidores nos diversos países europeus.
Finalmente, os sistemas de saúde sempre encontraram obstáculos para atingir comunidades que vivem à margem da sociedade, como a dos ciganos, por exemplo.
O fracasso dos europeus no combate ao sarampo reforça a posição do Ministério da Saúde, que defende a necessidade de continuarmos vacinando as crianças brasileiras, mesmo que não surjam casos na vizinhança.
O cavaleiro das palavras estranhas - MILTON HATOUM
O Estado de S.Paulo - 16/06
Adonis é uma fábula fenícia que se irradiou na literatura da Grécia antiga com a força e complexidade dos grandes mitos. Nascido de uma árvore, Adonis tornou-se para os gregos um símbolo do mistério da natureza: um deus da vegetação e da fertilidade, ligado ao ciclo de nascimentos, mortes e renascimentos.
Ainda jovem, ao escolher esse pseudônimo, o poeta sírio Ali Ahmad Said Esber introduziu na região do islã uma dimensão mítica e pagã, que reúne a literatura e o saber de duas culturas do Mediterrâneo. Esse elo cultural terá uma forte repercussão na obra poética e crítica de Adonis.
Um episódio da infância do poeta já faz parte de sua mitologia pessoal: aos 13 anos ele declamou seus poemas ao presidente da Síria, que visitava uma cidade vizinha a Qassabin, a aldeia onde o poeta nasceu em 1930. Por esse gesto de audácia, ganhou uma bolsa para estudar no liceu francês de Tartus, uma cidade portuária no centro-sul do litoral sírio. Em 1954, quando se formou em filosofia na universidade de Damasco, já havia lido a poesia árabe clássica e pré-islâmica, e também poemas de Charles Baudelaire, Rainer Maria Rilke, René Char, Henri Michaux... Dos dois anos do serviço militar, passou 11 meses na prisão, acusado de atividades subversivas.
Em 1956 mudou-se para Beirute, cidade que o acolheu e onde morou por quase 20 anos. Beirute era - talvez ainda seja - a capital árabe mais aberta à cultura do Ocidente e ao debate e confronto de ideias. Em 1960, quando morou um ano em Paris, conheceu vários poetas europeus e latino-americanos: Henri Michaux, Paul Celan, Tristan Tzara, Octavio Paz, Yves Bonnefoix... A convivência com esses poetas e a vida cultural de Paris - onde passou a morar a partir de 1985 - foram importantes não apenas para Adonis, mas também para a revista libanesa Chiir (1957-64), fundada por ele e pelo poeta e crítico Youssef al-Khal. Em 1959, ambos traduziram para o árabe The Waste Land, de T. S. Eliot, e, quatro anos depois, uma antologia da obra de Robert Frost.
Por certo já existiam outras revistas culturais relevantes em Beirute - como a Al-Adab -, em Bagdá e no Cairo, onde o "movimento do verso livre", liderado pelo poeta iraquiano Abd al-Wahab al-Bayati, se consolidara entre 1947 e 1954, com repercussões na produção literária na Síria, Palestina e Egito. Mas foi a Chiir a que mais se empenhou em estreitar os laços culturais com o Ocidente, tendo publicado manifestos poéticos, entrevistas com T. S. Eliot e outros poetas, e traduções para o árabe das obras de poetas europeus e norte-americanos.
Em 1968, Adonis fundou a revista Mawáqif, cujo objetivo principal era dar voz a jovens poetas, principalmente os que sugeriam formas inovadoras na poesia árabe. Num artigo sobre a história da Mawáqif e sua irradiação na cultura árabe contemporânea, Khalida Said ressalta que a revista "extrapolou questões literárias e abordou temas que até então eram tabus, sobretudo ligados ao nacionalismo e à identidade, à inspiração divina, ao texto religioso, à situação da mulher, da universidade, da educação, às relações entre o Ocidente e o Oriente, à violência, à criação artística e à 'nova escrita'. Assim, operava uma revisão da questão da modernidade e de seus conceitos na poesia e na arte, ou ainda na crítica e no pensamento histórico, filosófico, religioso, social e político".
Ao reivindicar uma mudança na vida intelectual e no fazer artístico, Adonis enfatizava que essa mudança devia ultrapassar o quadro político e nacionalista "para englobar uma dimensão mais profunda e mais vasta: a do homem em sua verdadeira essência". Com isso, ele trouxe para sua poesia um novo espírito, que respondia à mudança por meio de uma compreensão da tradição literária em nome da diversidade. Para ele, tanto a modernidade quanto a renovação da tradição fazem parte de um processo inacabado, contínuo, e relacionam-se de um modo dialético, que transcende ou supera valores e formas rígidos.
Para o Adonis autor de estudos de poética e de antologias da poesia árabe de todos os tempos, o classicismo não é um bloco engessado. Nos poetas e críticos antigos ele encontra saturação, questionamento, rompimento e inovação. Nessa constatação, que aproxima o legado árabe da modernidade ocidental, por exemplo, não cabe nenhuma comparação ou juízo de valor entre os campos da cultura, mas talvez seja um modo de dizer que essa poesia do passado, com traços modernos, precisava de uma nova leitura interpretativa, à luz da contemporaneidade, capaz de confrontar a lírica clássica com a de outras épocas e culturas, e, assim, de tentar elaborar uma poética própria.
Assimilando vozes do Ocidente, como Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Nerval e Breton, e do Oriente, como Abu-Nuwas, Abu-Tammam e al-Jurjani, Adonis encontrou um modo próprio e inovador para expressar seu lirismo. Sua experiência individual, e também histórica, está disseminada na vasta obra poética, que opera com uma enorme variedade de temas, misturas de estilos e alternâncias de tons do narrador lírico. Uma parte significativa dessa diversidade temática e formal se encontra na tradução notável do poeta e professor Michel Sleiman.
Das formas breves da lírica aos poemas com versos longos, de corte épico, o leitor se vê diante de uma poesia estranha, que evoca ao mesmo tempo a origem da própria poesia e o que nela há de mais moderno. A elaboração formal dos poemas mais longos lembra, às vezes, a técnica da colagem, usada por poetas e artistas das vanguardas europeias. Adonis também tem usado esse recurso técnico em seus trabalhos artísticos, juntando cacos e fragmentos de pequenos objetos encontrados ao acaso e colando-os sobre textos escritos em árabe, formando uma imagem cujo efeito visual surpreende pela junção de materiais tão distintos: a arte milenar da caligrafia com pedaços de objetos inúteis.
A publicação do livro Cantos de Mihyar, o Damasceno (1961) foi um verdadeiro acontecimento literário, e não demorou a ser traduzido em várias línguas e analisado por críticos árabes e ocidentais. Nesse poema "cantado" por várias vozes, ou por outras vozes de um narrador lírico cambiante, o protagonista passa por sucessivas metamorfoses e adquire múltiplas identidades. A abertura desse excerto dos Cantos de Mihyar é um salmo em prosa ritmada, que anuncia a chegada do "cavaleiro das palavras estranhas", cuja pátria é uma nebulosa e cujas palavras, com seu poder transformador, rumam à perdição: Ele é o vento que não volta atrás, a água que não retorna à fonte. Cria sua espécie a partir dele mesmo.
Adonis recorre ao antigo tópico da viagem como fonte de metamorfoses, da perambulação, da transgressão, do excesso. Sem regressar ao porto de origem, Mihyar é um rei que vive "no reino do vento e reina na terra dos segredos", um rei cujo "sonho é palácio e jardins de fogo", um ser cujos olhos nascem em busca do mito "num mundo que veste o rosto da morte".
Na viagem de um ser desgarrado e errante, o tempo se esfuma numa espécie de fulgor, e o espaço se expande até o "fim do céu". O cavaleiro que "faz errar o desespero" percorre sem esperança o caminho da utopia, anunciando a morte dos deuses e sua própria morte. Cavaleiro de uma travessia ininterrupta, Mihyar é um "bárbaro santo que estende as palmas das mãos para a pátria morta e para as ruas mudas, que avança na estação das novas letras e entrega-se em poesia aos ventos". No poema Exortação da Morte, um coro de vozes dramatiza a fúria de Mihyar, que "queima nossa casca de vida/ nossa resignação, nosso jeito amável". Mais adiante, outra voz exorta para que ele seja crucificado: Ó cidade dos exilados, receba-o/ com espinhos, receba-o com pedras/ pendure suas mãos como um arco/ onde um funeral passe embaixo/ coroe suas têmporas/ com brasa e tatuagem, e que abrase Mihyar.
II
O exílio de Adonis em Beirute, a intuição de que em 1971 o Líbano estava à beira de uma guerra civil, os crimes cometidos pelo exército norte-americano no Vietnã, a consciência crítica da vergonhosa submissão de monarquias despóticas e ditaduras árabes aos interesses de poderosas nações ocidentais, tudo isso está insinuado no poema Tumba para Nova York, em que o lírico e o épico se misturam para evocar um capítulo infernal da história contemporânea, com alusões a outras épocas e culturas, onde líderes políticos, estadistas e poetas aparecem como personagens dotadas de simbologia e relevo histórico.
Para alguns críticos, esse poema marca uma "clara inflexão na poética de Adonis, que dá, pela primeira vez em sua obra, um sentido histórico imediato à escrita". Os leitores brasileiros talvez se lembrem de alguns versos do poema Inferno em Wall Street, de Sousândrade. Ou dos versos do poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade: "Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição/ porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan". De algum modo, ambos criticam a capital mundial das finanças, que, no nosso tempo, é também o centro da cultura do Ocidente. Nesse diálogo sofisticado e alucinado com a metrópole vital e polimorfa, a visão crítica de Adonis é visceral, sem ser maniqueísta. A democracia do país de Walt Whitman e Abraham Lincoln se opõe aos crimes de Richard Nixon, do secretário de Defesa Robert McNamara e de Calley, um militar de baixa patente que chefiou a matança na aldeia de My Lai. A Quinta Avenida e o poder econômico de Wall Street contrapõem-se ao Harlem e ao Greenwich Village, bairros que indicam um futuro mais otimista.
Em várias passagens do poema, os versos longos adquirem o ritmo da prosa e lembram os versículos usados por Walt Whitman, evocado no capítulo IX do poema, em que o narrador se dirige ao grande poeta norte-americano e cita vários versos de Leaves of Grass. O poema de Adonis também dialoga com o Poeta en Nueva York, na medida em que recupera, em outro contexto histórico-político, determinadas reminiscências das imagens de Federico García Lorca.
III
Desde o começo, a linguagem poética de Adonis sonda os segredos das coisas e dos seres; ou, como diz Bandeira em seu Gazal, "o mistério do mundo", que resiste à plena decifração. A certa altura de Nos Braços de Outro Alfabeto, poema longo sobre Damasco, uma voz aconselha: "Diz a teu corpo, amigo do mistério: não poderás transformar as palavras em coisas." E ainda nesse poema, um provérbio que parece vir da voz de um poeta sufi diz: "Não vás até a porta pelo que ela é em si, mas pelo que nela é oculto."
Nessa Damasco fantasmagórica, em que o passado e o presente, imbricados, são evocados por um coro de vozes, há várias referências concretas à cidade e à vida de seus moradores, às palavras escutadas nas ruas, praças, banhos, escolas, cafés e mercados. Uma dessas vozes diz: "Mal te refugias na realidade, vês em seu rosto uma miragem que beija a terra." Nesse verso belíssimo a realidade, transformada em quimera pelo olhar, é o outro refúgio possível: lugar em que a miragem se une à terra por meio de um gesto do desejo.
IV
"Se sou nativo do Oriente", escreveu Adonis, "é porque, antes de mais nada, invento meu próprio Oriente Para mim, o Oriente é o indefinível, a extensão vazia, o nomadismo original." Nessa travessia sem fim, a palavra poética "parece obedecer à vontade, mais utópica que qualquer outra, de fazer dialogar todos os tempos e todos os lugares possíveis no espaço terrestre". Os mitos - e as narrativas que lhes dão significado simbólico e histórico - movem essa viagem da imaginação, às vezes alucinada e delirante a caminho do êxtase. Talvez seja esta a única forma de o cavaleiro das palavras estranhas se acercar do desconhecido, da "essência do impossível", do enigma da vida.
O vinho que corre na veia da melhor poesia árabe também circula nos poemas de Adonis. O vinho como metáfora da grande poesia: assombro, prazer, embriaguez do conhecimento, e uma percepção expansiva da realidade e do eu lírico, capaz de expressar um sentido aguçado de beleza e alcançar o sublime.
"Se sou nativo do Oriente, é porque, antes de mais nada, invento meu próprio Oriente", diz ele
Ueba! Rio Mais ou Menos 20! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 16/06
E a Erundina devia abrir uma banda de heavy metal: IRON DINA! Rarará! Ela tá a cara do Ozzy Osbourne!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Gavião rouba celular de repórter no treino do Corinthians". Rarará! O mascote está maculando a imagem dos corintianos!
Outra: "Banheiro do Itaquerão trocará papel higiênico por jato de água e ar quente". Parque Aquático? Instala um tobogã também! Os corintianos vão ficar de fiofó quente! Rarará!
Vai dar briga na fila pra ver quem entra primeiro. E vai ter corintiano achando que é bebedouro. Que moderno, tem bebedouro no banheiro! Rarará!
E o Corneta FC revela que o Neymar ainda tá cantando: "Eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tsheik".
E o Rio+20? Um amigo disse que o trânsito tá tão ruim que devia se chamar Rio 2h20. Rio Duas Horas e Vinte!
E a Erundina? A Volta da Erunda! Vai ser vice do Aaaadad! Como diz o cearense: "É o novo!". Ela tá a cara do Ozzy Osbourne! Mas eu achei que ela tivesse aberto uma casa de pão de queijo. Ela também tá a cara da Vozinha do Pão de Queijo! Mas um amigo me disse que ela parece um caminhão sem freio descendo pro litoral! Ela devia abrir uma banda de heavy metal: IRON DINA! Rarará! Erundina! É o novo!
E um amigo me disse que o Serra é a sogra do PSDB: "Ninguém se apaixonou por ele, mas veio junto e ainda quer mandar!".
E diz que, quando o Serra nasceu, a parteira gritou: "Volta que ainda não tá pronto". Rarará! E a CPI? Coma a Pizza Inteira! O Perillo nega até que pinta o cabelo e o Agnelo não consegue explicar por que se chama Agnelo!
E o chargista Thomate resume a CPI numa única cena. Deputado gritando: "Safado, mentiroso, hipócrita". "Mas, deputado, o depoente hoje é do seu partido." "Perseguido, vítima, mártir." Rarará!
E sabe por que todo mundo mente na CPI? Porque sinceridade dá cadeia! Rarará!
Predestinado do Rio+20! Gerente do Ibama: Evandro Selva! Ou como diz o chargista Duke: Rio Mais ou Menos 20! Rarará!
E um amigo me disse que um dos efeitos colaterais do Viagra é visão nublada. Por isso que funciona. Você não enxerga e acha todas um tesão! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E comer aquele pavê de padaria que tá há dez dias na geladeira!
E a Erundina devia abrir uma banda de heavy metal: IRON DINA! Rarará! Ela tá a cara do Ozzy Osbourne!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Gavião rouba celular de repórter no treino do Corinthians". Rarará! O mascote está maculando a imagem dos corintianos!
Outra: "Banheiro do Itaquerão trocará papel higiênico por jato de água e ar quente". Parque Aquático? Instala um tobogã também! Os corintianos vão ficar de fiofó quente! Rarará!
Vai dar briga na fila pra ver quem entra primeiro. E vai ter corintiano achando que é bebedouro. Que moderno, tem bebedouro no banheiro! Rarará!
E o Corneta FC revela que o Neymar ainda tá cantando: "Eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tsheik".
E o Rio+20? Um amigo disse que o trânsito tá tão ruim que devia se chamar Rio 2h20. Rio Duas Horas e Vinte!
E a Erundina? A Volta da Erunda! Vai ser vice do Aaaadad! Como diz o cearense: "É o novo!". Ela tá a cara do Ozzy Osbourne! Mas eu achei que ela tivesse aberto uma casa de pão de queijo. Ela também tá a cara da Vozinha do Pão de Queijo! Mas um amigo me disse que ela parece um caminhão sem freio descendo pro litoral! Ela devia abrir uma banda de heavy metal: IRON DINA! Rarará! Erundina! É o novo!
E um amigo me disse que o Serra é a sogra do PSDB: "Ninguém se apaixonou por ele, mas veio junto e ainda quer mandar!".
E diz que, quando o Serra nasceu, a parteira gritou: "Volta que ainda não tá pronto". Rarará! E a CPI? Coma a Pizza Inteira! O Perillo nega até que pinta o cabelo e o Agnelo não consegue explicar por que se chama Agnelo!
E o chargista Thomate resume a CPI numa única cena. Deputado gritando: "Safado, mentiroso, hipócrita". "Mas, deputado, o depoente hoje é do seu partido." "Perseguido, vítima, mártir." Rarará!
E sabe por que todo mundo mente na CPI? Porque sinceridade dá cadeia! Rarará!
Predestinado do Rio+20! Gerente do Ibama: Evandro Selva! Ou como diz o chargista Duke: Rio Mais ou Menos 20! Rarará!
E um amigo me disse que um dos efeitos colaterais do Viagra é visão nublada. Por isso que funciona. Você não enxerga e acha todas um tesão! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E comer aquele pavê de padaria que tá há dez dias na geladeira!
Um mês de Lei de Acesso - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 16/06
BRASÍLIA - A Lei de Acesso à Informação completa hoje um mês de vigência. A implantação é um copo que está meio cheio e meio vazio.
Governo e panglossianos em geral exaltam a parte cheia do copo. Céticos, como eu, acham que as coisas poderiam estar melhores. Há argumentos objetivos dos dois lados.
Entre os otimistas está a revista britânica "The Economist", que nesta semana publicou uma reportagem sobre um dos benefícios mais visíveis da Lei de Acesso, como forçar a divulgação dos "gordos salários de políticos e burocratas".
Parece absurdo, mas, em pleno século 21, o Brasil ainda enfrenta bolsões de resistência na hora de divulgar o valor dos salários de seus servidores públicos. Quem entra no site da Casa Branca (whitehouse.gov) encontra os vencimentos de todos os que trabalham ali. Além da lista completa de quem entra no prédio, com a hora de chegada e a de saída, data e o nome da pessoa ou do departamento visitado.
Com essa comparação, chega-se à parte meio vazia do copo aqui no Brasil. No caso dos salários, as coisas estão andando -devagar, mas no rumo. Só que tudo fica nebuloso quando se trata de saber com quem os agentes públicos se encontram durante o período de trabalho.
Vários ministros e a presidente da República já divulgam suas agendas. Mas é algo genérico e sem utilidade como ferramenta de fiscalização. Não adianta anunciar a audiência com um empresário ou dirigente de uma multinacional sem dizer quem estava junto na sala. E, no tempo devido, divulgar as anotações resultantes do encontro -tal informação pode ser reservada, mas algum dia precisa ser conhecida.
Em algum momento Dilma Rousseff perguntará à sua equipe sobre como anda a Lei de Acesso. Aumentar a transparência das agendas do governo terá de ser um item marcado em vermelho, indicando a necessidade de ampla melhora.
BRASÍLIA - A Lei de Acesso à Informação completa hoje um mês de vigência. A implantação é um copo que está meio cheio e meio vazio.
Governo e panglossianos em geral exaltam a parte cheia do copo. Céticos, como eu, acham que as coisas poderiam estar melhores. Há argumentos objetivos dos dois lados.
Entre os otimistas está a revista britânica "The Economist", que nesta semana publicou uma reportagem sobre um dos benefícios mais visíveis da Lei de Acesso, como forçar a divulgação dos "gordos salários de políticos e burocratas".
Parece absurdo, mas, em pleno século 21, o Brasil ainda enfrenta bolsões de resistência na hora de divulgar o valor dos salários de seus servidores públicos. Quem entra no site da Casa Branca (whitehouse.gov) encontra os vencimentos de todos os que trabalham ali. Além da lista completa de quem entra no prédio, com a hora de chegada e a de saída, data e o nome da pessoa ou do departamento visitado.
Com essa comparação, chega-se à parte meio vazia do copo aqui no Brasil. No caso dos salários, as coisas estão andando -devagar, mas no rumo. Só que tudo fica nebuloso quando se trata de saber com quem os agentes públicos se encontram durante o período de trabalho.
Vários ministros e a presidente da República já divulgam suas agendas. Mas é algo genérico e sem utilidade como ferramenta de fiscalização. Não adianta anunciar a audiência com um empresário ou dirigente de uma multinacional sem dizer quem estava junto na sala. E, no tempo devido, divulgar as anotações resultantes do encontro -tal informação pode ser reservada, mas algum dia precisa ser conhecida.
Em algum momento Dilma Rousseff perguntará à sua equipe sobre como anda a Lei de Acesso. Aumentar a transparência das agendas do governo terá de ser um item marcado em vermelho, indicando a necessidade de ampla melhora.
Rio+20 e Mundo+50 - CRISTOVAM BUARQUE
O GLOBO - 16/06
A Rio+20 começa sob o risco de ser apenas um evento comemorativo da Rio 92, e com a chance de ser um marco para o Mundo+50. Para o Rio ser uma cidade marcante, divisor de águas na história mundial, como Bretton Woods, será necessário que a Rio+20 seja não apenas um evento comemorativo do passado, mas uma reunião que traga propostas alternativas capazes de reorientar os destinos da Humanidade e construir um futuro diferente da continuação do passado.
Será preciso que os chefes de Estado e de governo afirmem que a civilização está doente, mostrem os riscos que enfrentamos e proponham caminhos para os próximos 50 anos, com a reorientação do atual modelo de desenvolvimento.
Devem deixar claro que a sinergia histórica entre a democracia política, o crescimento econômico, a inovação técnica e o bem-estar social foi quebrada. O progresso baseado no crescimento econômico está esgotado devido ao surgimento de alguns novos fatores na realidade sociopolítico-econômica: os limites ecológicos, apresentando custos e riscos ao aumento da produção; a independência como o sistema financeiro funciona sem vínculos com o setor produtivo e sem controle de fronteiras; a megaconcentração de renda e de patrimônio em mãos de poucas pessoas do mundo; a revolução científica e tecnológica que começa a fazer desnecessário o emprego; o esgotamento da capacidade de financiamento público para o sistema de bem-estar social; o endividamento dos governos, mesmo em países desenvolvidos. Soma-se a isso a legítima, mas impossível, exigência de grandes contingentes populacionais à voracidade do consumo.
Na definição de novos rumos para o mundo global em marcha, chefes de Estado e de governo devem levar em conta esses fatores que limitam o crescimento e oferecer alternativas sociopolítico-econômicas diferentes do progresso. Precisam reconhecer o esgotamento do projeto civilizatório baseado no crescimento da produção; deixar claro que a solução para o futuro não está apenas em usar insumos verdes; continuar atendendo à mesma voracidade do consumo graças ao aumento desenfreado da produção.
Muito mais do que se reunir para definir como continuar o mesmo progresso, apenas substituindo a energia fóssil por economia verde e definindo mecanismos para pequenas distribuições de renda aos mais pobres, será preciso acenar para um novo conceito de progresso: valorizar o bem-estar e mesmo a felicidade mais do que o nível de renda, produção e consumo; submeter o crescimento econômico ao equilíbrio ecológico e à manutenção da diversidade; modificar o PIB de maneira a valorizar o tempo livre e as atividades culturais; reorientar a primazia do consumo de bens privados para o uso de bens públicos; parar de considerar a produção de armas como avanço civilizatório.
Se a Conferência quer ser mais do que um evento de alguns dias comemorativos do passado, se quer durar décadas, deve formular um Programa Mundial para a Reorientação do Avanço da Humanidade. Agora, o caminho não é a reconstrução industrial, como foi concebido em Bretton Woods pelo Plano Marshall. Desta vez, o caminho está em transformar a própria mentalidade do desenvolvimento desigual e insustentável, mesmo usando economia verde, para um desenvolvimento harmônico, entre os seres humanos e deles com a Natureza.
O caminho para isso estaria em uma espécie de Plano Mundo+50, que defina regras mundiais para o controle internacional do uso dos patrimônios da Humanidade de cada país; determine uma política fiscal internacional para penalizar ou incentivar a produção, conforme seu impacto ecológico; ofereça acesso aos povos aos benefícios da ciência e tecnologia; assegure um fundo mundial que possa oferecer recursos para financiar programas de transferência de renda condicionada à educação; e garanta a formação e a remuneração de professores, a construção e a aquisição de equipamentos para as escolas. Deveria também adotar as medidas para implantar um Tribunal Internacional para Julgar os Crimes Contra o Futuro da Humanidade, a fim de combater a destruição do meio ambiente, o empobrecimento de populações, a destruição da diversidade biológica e cultural.
Esse seria o caminho para reorientar o progresso, redefinindo-o, e não apenas mudando os insumos usados na produção. Isto faria da Rio+20, assim batizada pelo passado, um Mundo+50, olhando o futuro.
O Mr. B do Bananão - SÉRGIO AUGUSTO
O ESTADÃO - 16/06
Lamentávamos não termos sido amigos de infância. A diferença de idade, porque pequena, não seria estorvo. Tivemos a mesma formação cultural; crescemos vendo filmes, devorando quadrinhos e, no devido tempo, prosa mais exigente. Até no futebol éramos almas irmãs, alvinegras. Quase nos conhecemos pessoalmente em 1965, na redação do Diário Carioca, mas como não a frequentávamos, apenas enviávamos para lá nossas colunas de cinema e teatro, seus alôs nunca encontraram o meu olá.
Até que um dia, cerca de 1968, apertamos as mãos, entre as gôndolas de LPs da Modern Sound, em Copacabana, apresentados pelo amicíssimo comum José Lewgoy. Só aí fiquei sabendo por que ele ficara tão pouco tempo como crítico de teatro do jornal. Ao cabo de cinco ou seis semanas de divagações sobre teoria do teatro, Eric Bentley, Shaw e quejandos, foi-lhe lembrado de que precisava criticar alguma peça em cartaz. "Ir ao teatro? Deus me livre!", respondeu (por telefone, claro) e largou a coluna.
Fazia quase uma década que o lera pela primeira vez, na revista Senhor, agosto de 1959, um necrológio de Billie Holiday. De arromba desde a frase de abertura: "Em sua voz, primeiro, uma amargura preguiçosa". O resto vocês podem conferir na antologia O Melhor da Senhor, que Ruy Castro organizou para a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Ivan Lessa sabia tudo de música popular, de Cyro Monteiro a Buddy Greco, e foi em sua vitrola que ouvi pela primeira vez Bobby Short, entre tantas outras revelações. Idolatrava especialmente Billy Eckstine, o genial Mr. B (a quem imitava à perfeição e entrevistou, na cadeira de um barbeiro londrino), Dick Haymes e Lucio Alves.
Não foi, como andaram dizendo, um dos fundadores do Pasquim. Demorou 27 números para debutar em suas páginas, já (ou ainda) de Londres, para onde se mandara por motivos estritamente pessoais. sem qualquer motivação políticaNão era formado em nada, trabalhara apenas e por curto tempo numa agência de publicidade, vivia como um saltimbanco do texto - na BBC encontrou emprego seguro, que deixaria em 1972 para um interregno de seis anos na cidade que sempre foi sua maior obsessão.
Inevitável, diga-se. Ivan descobriu o mundo de um mirante privilegiado: o mítico Rio de Janeiro dos anos 40 e 50, jogando peladas nas areias de Copacabana, embasbacando-se com o futebol e o glamour de seu vizinho Heleno de Freitas, convivendo com o chantilly da intelectualidade e da boemia cariocas. Foi uma espécie de Robin do cronista Antonio Maria, tornou-se o maior (e mais respeitado) amigo de Paulo Francis e um parceiro fundamental de Jaguar, isso tudo antes de fazer do Pasquim o seu palco iluminado.
Já éramos carne e unha quando ele chegou de volta ao Rio para dar outra dimensão às doidices pasquinenses. Sua frenética inventividade invadiu quase todas as páginas do jornaleco, a começar pela seção de cartas dos leitores, às quais respondia, de forma insultuosa, com o heterônimo de Edélsio Tavares. A impaciência era o principal combustível de seu conflituoso relacionamento com o Bananão (vulgo Brasil) e sua implacável repulsa à burrice e à babaquice alheias. Debochado, desconcertava até o Millôr. Francis (ou "Francês", como o chamava) sofreu um bocado em suas mãos; volta e meia se estranhavam, mas logo faziam as pazes.
Com Ivan por perto, não tinha hora para o recreio acabar. Até por força das circunstâncias, formamos uma dupla inseparável dentro e fora da redação. Dois moleques dadaístas. Saíamos à tarde por Copacabana, dando cotações a empadas e pastéis de queijo, a cães engraçados, loucos mansos e rotundos traseiros ao acaso encontrados pelo caminho, e, last but not least, espantando transeuntes sensíveis às frases desconexas e obscenas que, com ar circunspecto, trocávamos no meio da rua. Vez por outra íamos ao cinema para, na saída, aturdir os espectadores com comentários sobre cenas inexistentes no filme que acabáramos de ver e irritar os que aguardavam a sessão seguinte, na sala de espera, revelando-lhes o final do filme.
Brigamos duas vezes. O primeiro cachimbo da paz foi um folheto musicográfico de Duke Ellington; o segundo, os quatro primeiros anos da New York Review of Books encadernados, que Ivan deixou de presente ao partir definitivamente para Londres e para seu antigo emprego na BBC, no início de 1978.
Alguns bocós da blogosfera o acusaram de abandonar o Brasil, de não ficar aqui "para resistir à ditadura", preferindo falar mal do País a distância. Putzgrila, Ivan enfrentou aqui os piores anos da ditadura, atuando na publicação mais censurada pelo regime militar; foi embora na vazante autoritária, na contramão dos retornados.
Aprendi uma enormidade com ele e sua memória prodigiosa. Alguém aí sabe quem foi Roland Firbank? Pois é, eu só fui saber de sua existência (romancista inglês, morto em 1926, aos 40) através do Ivan, a.k.a Ivanhoe, Van Ness e (sintam a delicadeza) Baitolão.
Trocávamos e-mails com menos assiduidade do que a saudade exigia. Sempre divertidos, descaradamente saudosistas e algo esotéricos, com títulos inspirados pelo cancioneiro (Abajur Lilás), pelo teatro (Adeus à Casa de Bonecas), por velhos programas de rádio (Nada Além de Dois Minutos). Ermitão por temperamento, plugado em livros, CDs, DVDs e na internet, ainda mais caseiro ficou depois que um enfisema obrigou-o a passar 15 horas por dia ligado a um tubo de oxigênio. Nos últimos meses abriu ainda mais seu baú de ossos. Sempre por e-mail. Skype, nem pensar. "Minha voz ficou fininha, irreconhecível. Nem posso mais imitar Mr. B."
Um buraco no chão - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 16/06
RIO DE JANEIRO - Bonito se, em plena Rio+20 -a conferência da ONU que se propõe a conciliar o verde e a economia-, os delegados estrangeiros souberem que a cidade que os hospeda planeja esmagar uma delicada e histórica praça de Ipanema, solapando-a com uma estação de metrô que poderia ser construída em outro lugar -e que só será instalada ali para atender a interesses de empreiteiras, firmas comerciais e governos.
Os mesmos delegados, já há dias na cidade, devem estar chocados com a peculiar arquitetura das nossas estações de metrô. Enquanto, em outras cidades, o metrô é só um buraco no chão -no qual se entra por uma calçada que, de repente, se torna uma escada comum ou rolante-, no Brasil é diferente. Como nossos metrôs têm 70 anos de atraso em relação aos de Paris, Moscou, Nova York, e são ridículos em extensão e alcance, resolvemos superá-los em gigantismo e feiura ao nível do mar.
O campeão nesses quesitos é o croissant de concreto que estuprou a praça General Osório, também em Ipanema. Agora a ameaça se estende à praça Nossa Senhora da Paz, a apenas três quarteirões de distância. Ali brincaram, em crianças, e namoraram, em adultos, muitos que fariam a fama internacional do bairro.
Mas esqueça a história. Como ficam as crianças e os adultos de hoje e de amanhã? Uma cidade precisa de praças, não como corredor para milhares de pessoas saindo de vagões às cotoveladas, mas como um pouso de descanso, meditação e lazer. Um dia, as prefeituras terão de demolir quarteirões para construir praças. Por que não proteger as que já existem?
Ipanema quer o metrô, e tem alternativas razoáveis para o local da estação. Mas quer também salvar as 130 árvores centenárias que oxigenam a praça e conservar um estilo de vida que, muito antes da Rio+20, já sabia conciliar eficiência e beleza.
RIO DE JANEIRO - Bonito se, em plena Rio+20 -a conferência da ONU que se propõe a conciliar o verde e a economia-, os delegados estrangeiros souberem que a cidade que os hospeda planeja esmagar uma delicada e histórica praça de Ipanema, solapando-a com uma estação de metrô que poderia ser construída em outro lugar -e que só será instalada ali para atender a interesses de empreiteiras, firmas comerciais e governos.
Os mesmos delegados, já há dias na cidade, devem estar chocados com a peculiar arquitetura das nossas estações de metrô. Enquanto, em outras cidades, o metrô é só um buraco no chão -no qual se entra por uma calçada que, de repente, se torna uma escada comum ou rolante-, no Brasil é diferente. Como nossos metrôs têm 70 anos de atraso em relação aos de Paris, Moscou, Nova York, e são ridículos em extensão e alcance, resolvemos superá-los em gigantismo e feiura ao nível do mar.
O campeão nesses quesitos é o croissant de concreto que estuprou a praça General Osório, também em Ipanema. Agora a ameaça se estende à praça Nossa Senhora da Paz, a apenas três quarteirões de distância. Ali brincaram, em crianças, e namoraram, em adultos, muitos que fariam a fama internacional do bairro.
Mas esqueça a história. Como ficam as crianças e os adultos de hoje e de amanhã? Uma cidade precisa de praças, não como corredor para milhares de pessoas saindo de vagões às cotoveladas, mas como um pouso de descanso, meditação e lazer. Um dia, as prefeituras terão de demolir quarteirões para construir praças. Por que não proteger as que já existem?
Ipanema quer o metrô, e tem alternativas razoáveis para o local da estação. Mas quer também salvar as 130 árvores centenárias que oxigenam a praça e conservar um estilo de vida que, muito antes da Rio+20, já sabia conciliar eficiência e beleza.
Uma visita imperdível - ZUENIR VENTURA
O GLOBO - 16/06
Nem que eu esgotasse meu arsenal de adjetivos, não conseguiria dar conta do que senti visitando esta semana a exposição montada dentro do espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. É de matar de inveja os representantes dos mais de cem países que aqui estarão e que, com certeza, não dispõem de nada igual onde vivem. Atravessando umas 15 salas e ambientes, realiza-se uma deslumbrante viagem ao centro da aventura humana na sua relação com a natureza. Graças à genialidade da cenógrafa Bia Lessa, conceitos abstratos como Biodiversidade e desenvolvimento sustentável são transformados num espetáculo sensorial de formas, cores, imagens e sons, que funcionam ao mesmo tempo como divertimento, prazer estético, advertência e material para reflexão.
O visitante é introduzido na mostra por uma ala cercada de espécies da Mata Atlântica e da floresta amazonica. Em seguida, começa a subir a rampa que o leva à sala "Mundo em que vivemos", que tem como finalidade apresentar a realidade do planeta tal como se encontra nos dias de hoje, através de máquinas, desenhos, luz e som. A próxima parada é "Mundo dividido", onde se revela o processo de acumulação de bens e produtos. Mostradores digitais registram em tempo real, por meio de números que vão rolando, a quantidade do que está sendo consumido naquele momento no mundo, de celulares a drogas.
O centro do projeto é a enorme "Capela, espaço da humanidade", onde está exposta uma biblioteca, disponível para consulta, formada pelos 10 mil livros que foram recomendados por 120 personalidades brasileiras. "O homem e suas conexões" e "Brasil contemporâneo" constituem as salas seguintes. Depois vêm "Biodiversidade brasileira" e "Diversidade humana brasileira", dois dos espaços mais extasiantes do ponto de vista sensorial. No primeiro, com um pé direito de cinco metros, anda-se no meio de uma "floresta". O segundo é inspirado num texto do antropólogo Darcy Ribeiro sobre o Brasil: "No que ele pode ser, vai ser, há de ser e de tudo que ele ainda não é." A viagem termina num imenso terraço que lembra o convés de um transatlântico, tendo de um lado o mar, e do outro a Praia de Copacabana, compondo uma das mais deslumbrantes vistas do mundo. É difícil selecionar preferências e é impossível transmitir a emoção que a viagem provoca. Só vendo. Uma coisa apenas a lamentar. Essa estrutura que usou 500 toneladas de armação numa área de 7000m2, que mobilizou recursos, esforços e criatividade, e que até ontem atraiu 60 mil pessoas por dia, incluindo centenas de alunos das escolas públicas, vai ser desmontada logo depois da Rio+20. É incompreensível. Se a exposição não pode ser permanente, como seria desejável, por que não permanecer aberta por pelo menos alguns meses a mais?
O visitante é introduzido na mostra por uma ala cercada de espécies da Mata Atlântica e da floresta amazonica. Em seguida, começa a subir a rampa que o leva à sala "Mundo em que vivemos", que tem como finalidade apresentar a realidade do planeta tal como se encontra nos dias de hoje, através de máquinas, desenhos, luz e som. A próxima parada é "Mundo dividido", onde se revela o processo de acumulação de bens e produtos. Mostradores digitais registram em tempo real, por meio de números que vão rolando, a quantidade do que está sendo consumido naquele momento no mundo, de celulares a drogas.
O centro do projeto é a enorme "Capela, espaço da humanidade", onde está exposta uma biblioteca, disponível para consulta, formada pelos 10 mil livros que foram recomendados por 120 personalidades brasileiras. "O homem e suas conexões" e "Brasil contemporâneo" constituem as salas seguintes. Depois vêm "Biodiversidade brasileira" e "Diversidade humana brasileira", dois dos espaços mais extasiantes do ponto de vista sensorial. No primeiro, com um pé direito de cinco metros, anda-se no meio de uma "floresta". O segundo é inspirado num texto do antropólogo Darcy Ribeiro sobre o Brasil: "No que ele pode ser, vai ser, há de ser e de tudo que ele ainda não é." A viagem termina num imenso terraço que lembra o convés de um transatlântico, tendo de um lado o mar, e do outro a Praia de Copacabana, compondo uma das mais deslumbrantes vistas do mundo. É difícil selecionar preferências e é impossível transmitir a emoção que a viagem provoca. Só vendo. Uma coisa apenas a lamentar. Essa estrutura que usou 500 toneladas de armação numa área de 7000m2, que mobilizou recursos, esforços e criatividade, e que até ontem atraiu 60 mil pessoas por dia, incluindo centenas de alunos das escolas públicas, vai ser desmontada logo depois da Rio+20. É incompreensível. Se a exposição não pode ser permanente, como seria desejável, por que não permanecer aberta por pelo menos alguns meses a mais?
Não precisamos de educação - PAUL KRUGMAN
FOLHA DE SP - 16/06
Os conservadores adoram fingir que existem vastos exércitos de burocratas governamentais
A esperança é a última que morre. Por algumas horas, estava disposto a elogiar Mitt Romney por falar honestamente sobre o que significa o seu apelo por um governo menor.
Não importa. O candidato não demorou a voltar ao normal, negando ter dito o que disse e oferecendo diversas desculpas contraditórias.
Em declarações que depois tentou negar, Romney criticou Obama: "Ele diz que precisamos de mais bombeiros, mais policiais, mais professores. É hora de reduzir o governo e ajudar o povo americano".
Por uma vez, Romney admitiu o que ele e seus aliados querem dizer quando falam em reduzir o governo. Os conservadores adoram fingir que existem vastos exércitos de burocratas governamentais fazendo sabe-se lá o quê. Na verdade, a maioria dos funcionários do governo oferecem educação ou proteção pública.
Alguns republicanos prefeririam que os americanos tivessem menos educação -vocês se lembram de Rick Santorum e de sua descrição das universidades como "usinas de doutrinação"? Mas a questão mais relevante no momento é determinar se os cortes de empregos públicos que Romney defende são bons ou ruins para a economia.
Antes de tudo, temos nossa experiência pessoal. Os conservadores querem que acreditemos que nosso desempenho econômico decepcionante foi de alguma forma causado por gastos governamentais excessivos, que dificultam a criação de empregos pelo setor privado.
Mas a realidade é que a criação de empregos pelo setor privado mais ou menos acompanhou o ritmo de recuperação, nas duas últimas recessões; a grande diferença, agora, é a grande queda nos empregos públicos; seu total hoje fica 1,4 milhão de postos de trabalho abaixo do que teria atingido caso o ritmo de crescimento vigente no governo de George W. Bush tivesse sido mantido. E, se esses empregos adicionais existissem, o desemprego seria inferior ao que é -cerca de 7,3% ante 8,2%.
Mas as provas verdadeiramente decisivas vêm da Europa. Considere a Irlanda, onde o número de funcionários públicos caiu em 28 mil de 2008 para cá.
As demissões foram elogiadas pelos conservadores, que previram excelentes resultados. Mas a recuperação não veio. O desemprego supera os 14%. A experiência irlandesa demonstra que austeridade, diante de uma economia deprimida, é um erro terrível.
É desnecessário dizer que isso representa um mau presságio, caso Romney vença em novembro. Sua ideia de uma política inteligente é redobrar os cortes de gastos que prejudicaram a recuperação aqui e colocaram a Europa em queda livre.Tradução de Paulo Migliacci
Os conservadores adoram fingir que existem vastos exércitos de burocratas governamentais
A esperança é a última que morre. Por algumas horas, estava disposto a elogiar Mitt Romney por falar honestamente sobre o que significa o seu apelo por um governo menor.
Não importa. O candidato não demorou a voltar ao normal, negando ter dito o que disse e oferecendo diversas desculpas contraditórias.
Em declarações que depois tentou negar, Romney criticou Obama: "Ele diz que precisamos de mais bombeiros, mais policiais, mais professores. É hora de reduzir o governo e ajudar o povo americano".
Por uma vez, Romney admitiu o que ele e seus aliados querem dizer quando falam em reduzir o governo. Os conservadores adoram fingir que existem vastos exércitos de burocratas governamentais fazendo sabe-se lá o quê. Na verdade, a maioria dos funcionários do governo oferecem educação ou proteção pública.
Alguns republicanos prefeririam que os americanos tivessem menos educação -vocês se lembram de Rick Santorum e de sua descrição das universidades como "usinas de doutrinação"? Mas a questão mais relevante no momento é determinar se os cortes de empregos públicos que Romney defende são bons ou ruins para a economia.
Antes de tudo, temos nossa experiência pessoal. Os conservadores querem que acreditemos que nosso desempenho econômico decepcionante foi de alguma forma causado por gastos governamentais excessivos, que dificultam a criação de empregos pelo setor privado.
Mas a realidade é que a criação de empregos pelo setor privado mais ou menos acompanhou o ritmo de recuperação, nas duas últimas recessões; a grande diferença, agora, é a grande queda nos empregos públicos; seu total hoje fica 1,4 milhão de postos de trabalho abaixo do que teria atingido caso o ritmo de crescimento vigente no governo de George W. Bush tivesse sido mantido. E, se esses empregos adicionais existissem, o desemprego seria inferior ao que é -cerca de 7,3% ante 8,2%.
Mas as provas verdadeiramente decisivas vêm da Europa. Considere a Irlanda, onde o número de funcionários públicos caiu em 28 mil de 2008 para cá.
As demissões foram elogiadas pelos conservadores, que previram excelentes resultados. Mas a recuperação não veio. O desemprego supera os 14%. A experiência irlandesa demonstra que austeridade, diante de uma economia deprimida, é um erro terrível.
É desnecessário dizer que isso representa um mau presságio, caso Romney vença em novembro. Sua ideia de uma política inteligente é redobrar os cortes de gastos que prejudicaram a recuperação aqui e colocaram a Europa em queda livre.Tradução de Paulo Migliacci
A pressa de desvalorizar o real levou agora ao recuo - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 16/06
Em março, a presidente Dilma Rousseff, denunciava o "tsunami" monetário provocado pelas autoridades monetárias de países ricos que inundava o Brasil e favorecia maior valorização do real em relação ao dólar. Prontamente, o governo brasileiro impôs um IOF de 6% sobre os empréstimos estrangeiros inferiores a dois anos, prazo que logo elevou para cinco anos. Agora, o prazo retornou a dois anos, e o IOF é de 0,38%.
Realmente, conseguiu desvalorizar a moeda nacional para uma taxa que aumentou o preço das importações, mas que não favoreceu uma nítida elevação das exportações por causa da redução do preço das commodities. E a indústria nacional, não tendo competitividade, não pôde tirar proveito da desvalorização.
Porém, a pressa do governo em obter finalmente a desvalorização da moeda nacional, limitando a entrada de recursos com o IOF, teve um efeito nitidamente negativo que apareceu no saldo das operações de câmbio do mês de maio, com uma saída líquida de US$ 2,7 bilhões, a maior registrada em dois anos.
A imposição do IOF de 6% para as operações inferiores a 5 anos transformou o tsunami em seca, apesar das pequenas correções para o financiamento das exportações.
O que fica é que o governo demonstrou ingenuidade ao pensar que, num período de crise internacional, o Brasil poderia captar com facilidade empréstimos externos de prazo superior a 5 anos. Se ainda existia uma certa admiração no exterior pela magia que presidia a condução da política econômica do País, que já não engana os observadores, era irrealista a avaliação de que, no contexto mundial atual, seria fácil captar recursos, por um prazo tão grande, para um país emergente.
Mas o governo, na sua ansiedade de resolver o problema da valorização da moeda nacional, minimizou os efeitos da sua decisão. Afastou as médias empresas do mercado internacional, inclusive os pequenos e médios bancos, e o efeito foi reduzir a oferta de crédito. Isso obrigou as empresas maiores a recorrer à emissão de debêntures, mais custosas e de prazo menor, e deixou o comércio externo sem os instrumentos financeiros que lhe permitem sustentar as suas atividades, notadamente a obtenção de linhas de crédito renováveis. Fato mais importante, mostrou que podia mudar as regras da noite para o dia. A decisão apressada permitiu o aumento das receitas, que agora vão cair. É de esperar que com essa turbulência o governo aprenda a prever melhor as consequências das suas decisões.
A vanguarda do atraso - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 16/06
SÃO PAULO - A charge de Alves publicada à pág. A16 da edição de ontem da Folha, em que Fernando Haddad, pelo PT, e José Serra, pelo PSDB, disputam o PP de Paulo Maluf, retrata com perfeição o nó que vem dando o tom da política brasileira nas últimas décadas.
PT e PSDB, os dois partidos que, por suas origens e ideias primevas, teriam tido condições de modernizar um pouco o modo de fazer política no país, acabaram optando pelo caminho pragmático de aliar-se às velhas lideranças que, desde o Império, ditam os rumos da nação. Primeiro foram os tucanos que, nos anos 90, se juntaram ao então PFL para eleger Fernando Henrique Cardoso. No início deste século foi a vez de o PT compor com um enxame de legendas para dar governabilidade a Lula.
O resultado prático foi que grupos políticos encabeçados por figuras como Maluf, ACM, Sarney, Renan, Jader não apenas não foram relegados para as margens do sistema, como seria desejável, mas ainda ganharam um peso político desproporcional, passando a ser cortejados por petistas e tucanos. A maioria deles sabe tirar proveito dessa situação, como o prova a grande confederação para a chantagem política em que se converteu o PMDB.
A tragédia aí é que o Brasil -que, na passagem dos anos 90 para os 2000, foi capaz de parir um consenso econômico realista e razoavelmente moderno- perdeu a oportunidade de fazer algo semelhante em relação à estrutura partidária.
É claro que pragmatismo e capacidade de negociar são características positivas em agremiações. O problema é que tanto PT como PSDB embarcaram em acordos que se dão muito mais em bases personalistas do que institucionais. Pior, a moeda de troca utilizada são milhares de pequenos e grandes cargos na administração, cujo preenchimento por apadrinhados em vez de técnicos qualificados, quando não favorece a corrupção, resulta em incompetência.
SÃO PAULO - A charge de Alves publicada à pág. A16 da edição de ontem da Folha, em que Fernando Haddad, pelo PT, e José Serra, pelo PSDB, disputam o PP de Paulo Maluf, retrata com perfeição o nó que vem dando o tom da política brasileira nas últimas décadas.
PT e PSDB, os dois partidos que, por suas origens e ideias primevas, teriam tido condições de modernizar um pouco o modo de fazer política no país, acabaram optando pelo caminho pragmático de aliar-se às velhas lideranças que, desde o Império, ditam os rumos da nação. Primeiro foram os tucanos que, nos anos 90, se juntaram ao então PFL para eleger Fernando Henrique Cardoso. No início deste século foi a vez de o PT compor com um enxame de legendas para dar governabilidade a Lula.
O resultado prático foi que grupos políticos encabeçados por figuras como Maluf, ACM, Sarney, Renan, Jader não apenas não foram relegados para as margens do sistema, como seria desejável, mas ainda ganharam um peso político desproporcional, passando a ser cortejados por petistas e tucanos. A maioria deles sabe tirar proveito dessa situação, como o prova a grande confederação para a chantagem política em que se converteu o PMDB.
A tragédia aí é que o Brasil -que, na passagem dos anos 90 para os 2000, foi capaz de parir um consenso econômico realista e razoavelmente moderno- perdeu a oportunidade de fazer algo semelhante em relação à estrutura partidária.
É claro que pragmatismo e capacidade de negociar são características positivas em agremiações. O problema é que tanto PT como PSDB embarcaram em acordos que se dão muito mais em bases personalistas do que institucionais. Pior, a moeda de troca utilizada são milhares de pequenos e grandes cargos na administração, cujo preenchimento por apadrinhados em vez de técnicos qualificados, quando não favorece a corrupção, resulta em incompetência.
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
8h - Torneio de Birmingham, tênis fem., Bandsports
9h15 - Torneio de Queens, tênis (semifinal), ESPN e ESPN HD
12h - África do Sul x Inglaterra, rúgbi (amistoso), ESPN Brasil
12h30 - Finlândia x Brasil, Liga Mundial de vôlei, Esporte Interativo e Sportv
13h45 - Circuito Mundial de vôlei de praia, etapa de Roma, Esporte Interativo e Sportv 2
14h - Barcelona x Real Madrid, Liga espanhola de basquete (final), Bandsports
15h - Patronato x River Plate, Campeonato Argentino (2ª divisão), ESPN Brasil
15h45 - Rep. Tcheca x Polônia, Eurocopa, Sportv
15h45 - Grécia x Rússia, Eurocopa, Band e Sportv 2
18h - US Open, golfe, ESPN e ESPN HD
18h30 - Internacional x Botafogo, Campeonato Brasileiro, Sportv (menos RS)
18h30 - Estados Unidos x Alemanha, Grand Prix de vôlei, Sportv 2
20h30 - Brasil x Itália, Grand Prix de vôlei, Esporte Interativo e Sportv 2
23h - Julio Cesar Chavez Jr. x Andy Lee, boxe (médios-ligeiros), Bandsports
CLAUDIO HUMBERTO
“Não o conheço e sequer sabia de quem se tratava”
Deputado Maurício Quintella (PR-AL) e o encontro com Fernando Cavendish em Paris
PEC FAZ DO SENADO INSTÂNCIA DE RECURSO AO STF
Um grupo de senadores ligados ao ex-presidente Lula articula discretamente uma Proposta de Emenda Constitucional baseada em um princípio explosivo: estabelecer o próprio Senado Federal como instância recursal ou revisora de decisões adotadas pelo Supremo Tribunal Federal que envolvam matérias constitucionais. Na prática, o Senado teria mais poderes que o próprio STF em decisões judiciais.
A VIDA COMO ELA É
Inspiram a futura PEC a insatisfação com decisões da Corte e o suposto arrependimento de Lula com algumas indicações de ministro.
MAIOR MOITA
A PEC do Supremo recebe tratamento secreto. Senadores que articulam a mudança constitucional pediram para não serem citados.
‘NADA A VER’
Os articuladores da PEC do Supremo negam que a intenção seja rever no futuro decisões como a eventual condenação dos réus do Mensalão.
ATO POLÍTICO
O PMDB marcou para o próximo dia 24 a convenção que deverá aclamar Gabriel Chalita como candidato à Prefeitura de São Paulo.
OUTRO BRASILEIRO PRESO COM DROGA NA INDONÉSIA
Depois do rumoroso caso de Marco Archer, noticiado em primeira mão nesta coluna em 2004, mais um brasileiro poderá pegar pena de morte na Indonésia por contrabando de cocaína. As autoridades locais só revelaram a iniciais R.B.F.: ele foi pego em Bali após a apreensão da droga no aeroporto, avaliada em US$ 525 mil, numa mochila. Marco Archer foi preso com 13,4kg de cocaína escondidos em sua asa-delta.
SAGA BRASILEIRA
Outro brasileiro, Rodrigo Gularte, também foi condenado à morte, apesar dos apelos do Brasil para comutar a pena em prisão perpétua.
SAIA JUSTA
O presidente da Indonésa, Susilo Bambanga chega na próxima semana para a Rio+20 e deverá se encontrar com a presidente Dilma.
PANELA VAZIA
Militares da ativa e da reserva convocam “panelaço”, neste domingo, na praia de Copacabana, contra “a quadrilha asquerosa no poder”.
CARAS E BOCAS
O restaurante L’ Avenue, onde Fernando Cavendish encontrou o senador Ciro Nogueira (PP-CE) e outros políticos em Paris, não é local para conversas sigilosas. É um movimentado reduto de celebridades – o favorito, por exemplo, das cantoras americanas Rihanna e Beyoncé.
GÊNIOS
A investida no apoio de Paulo Maluf (PP) à chapa petista Haddad-Erundina à Prefeitura de SP coincide com o relatório do Banco Mundial, que inclui Maluf nos 150 casos de corrupção internacional.
MAMÃO COM AÇÚCAR
O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) vai deixar o cargo de líder do governo para disputar a Prefeitura de Manaus. Com o apoio do governador Omar Aziz (PSD), campeão de votos, Braga será imbatível. Principalmente se o adversário for mesmo o tucano Arthur Virgílio.
DE OLHO NA LIDERANÇA
O PT já se movimenta para tirar do PMDB a liderança do governo no Senado, ante a iminência de o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) deixar o cargo para disputar a prefeitura manauara.
FACA AMOLADA
Adeptos da candidatura rejeitada de João da Costa à Prefeitura do Recife apelidaram o presidente do PT, Rui Falcão, de Rui “Facão”. Costa ameaça, mas ainda não foi à Justiça contra o veto.
REBELDIA GOIANA
O voto da deputada Íris de Araújo (GO), favorável à convocação de Fernando Cavendish para depor na CPI, criou problemas para ela no PMDB. É que seu partido teme que as denúncias respinguem no governador do RJ, Sérgio Cabral, de quem o empresário é amigo.
EXTERMINADORES DO FUTURO
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lançará na Rio+20, com o sociólogo francês Edgar Morin, a proposta de criação de um Tribunal Internacional para julgar crimes contra o futuro da humanidade.
ESSES CADANENSES…
Tuiteiros do Canadá se revoltam contra a “pizza mais cara do mundo”: US$ 450 num restaurante local, com caviar russo, bacalhau do Alasca e camarão, diz o Huffington Post. Se soubessem da produção brasileira de pizzas…
SUSTENTÁVEIS
Os parlamentares da CPMI não deveriam ter recesso para comparecer à Rio+20. Afinal, Cachoeira é riqueza natural e ecológica do País.
PODER SEM PUDOR
MULHER DE CÉSAR
Ildo Meneghetti disputava o governo do Rio Grande do Sul pela Frente Democrática e contra os trabalhistas. O mote de sua campanha era a honestidade. “Ele tem as virtudes da mulher de César”, diziam seus adeptos. O vereador trabalhista Temperani Pereira provocou:
– Cuidado com esse negócio de mulher de César; Messalina foi uma delas e teve 156 amantes...
Deputado Maurício Quintella (PR-AL) e o encontro com Fernando Cavendish em Paris
PEC FAZ DO SENADO INSTÂNCIA DE RECURSO AO STF
Um grupo de senadores ligados ao ex-presidente Lula articula discretamente uma Proposta de Emenda Constitucional baseada em um princípio explosivo: estabelecer o próprio Senado Federal como instância recursal ou revisora de decisões adotadas pelo Supremo Tribunal Federal que envolvam matérias constitucionais. Na prática, o Senado teria mais poderes que o próprio STF em decisões judiciais.
A VIDA COMO ELA É
Inspiram a futura PEC a insatisfação com decisões da Corte e o suposto arrependimento de Lula com algumas indicações de ministro.
MAIOR MOITA
A PEC do Supremo recebe tratamento secreto. Senadores que articulam a mudança constitucional pediram para não serem citados.
‘NADA A VER’
Os articuladores da PEC do Supremo negam que a intenção seja rever no futuro decisões como a eventual condenação dos réus do Mensalão.
ATO POLÍTICO
O PMDB marcou para o próximo dia 24 a convenção que deverá aclamar Gabriel Chalita como candidato à Prefeitura de São Paulo.
OUTRO BRASILEIRO PRESO COM DROGA NA INDONÉSIA
Depois do rumoroso caso de Marco Archer, noticiado em primeira mão nesta coluna em 2004, mais um brasileiro poderá pegar pena de morte na Indonésia por contrabando de cocaína. As autoridades locais só revelaram a iniciais R.B.F.: ele foi pego em Bali após a apreensão da droga no aeroporto, avaliada em US$ 525 mil, numa mochila. Marco Archer foi preso com 13,4kg de cocaína escondidos em sua asa-delta.
SAGA BRASILEIRA
Outro brasileiro, Rodrigo Gularte, também foi condenado à morte, apesar dos apelos do Brasil para comutar a pena em prisão perpétua.
SAIA JUSTA
O presidente da Indonésa, Susilo Bambanga chega na próxima semana para a Rio+20 e deverá se encontrar com a presidente Dilma.
PANELA VAZIA
Militares da ativa e da reserva convocam “panelaço”, neste domingo, na praia de Copacabana, contra “a quadrilha asquerosa no poder”.
CARAS E BOCAS
O restaurante L’ Avenue, onde Fernando Cavendish encontrou o senador Ciro Nogueira (PP-CE) e outros políticos em Paris, não é local para conversas sigilosas. É um movimentado reduto de celebridades – o favorito, por exemplo, das cantoras americanas Rihanna e Beyoncé.
GÊNIOS
A investida no apoio de Paulo Maluf (PP) à chapa petista Haddad-Erundina à Prefeitura de SP coincide com o relatório do Banco Mundial, que inclui Maluf nos 150 casos de corrupção internacional.
MAMÃO COM AÇÚCAR
O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) vai deixar o cargo de líder do governo para disputar a Prefeitura de Manaus. Com o apoio do governador Omar Aziz (PSD), campeão de votos, Braga será imbatível. Principalmente se o adversário for mesmo o tucano Arthur Virgílio.
DE OLHO NA LIDERANÇA
O PT já se movimenta para tirar do PMDB a liderança do governo no Senado, ante a iminência de o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) deixar o cargo para disputar a prefeitura manauara.
FACA AMOLADA
Adeptos da candidatura rejeitada de João da Costa à Prefeitura do Recife apelidaram o presidente do PT, Rui Falcão, de Rui “Facão”. Costa ameaça, mas ainda não foi à Justiça contra o veto.
REBELDIA GOIANA
O voto da deputada Íris de Araújo (GO), favorável à convocação de Fernando Cavendish para depor na CPI, criou problemas para ela no PMDB. É que seu partido teme que as denúncias respinguem no governador do RJ, Sérgio Cabral, de quem o empresário é amigo.
EXTERMINADORES DO FUTURO
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lançará na Rio+20, com o sociólogo francês Edgar Morin, a proposta de criação de um Tribunal Internacional para julgar crimes contra o futuro da humanidade.
ESSES CADANENSES…
Tuiteiros do Canadá se revoltam contra a “pizza mais cara do mundo”: US$ 450 num restaurante local, com caviar russo, bacalhau do Alasca e camarão, diz o Huffington Post. Se soubessem da produção brasileira de pizzas…
SUSTENTÁVEIS
Os parlamentares da CPMI não deveriam ter recesso para comparecer à Rio+20. Afinal, Cachoeira é riqueza natural e ecológica do País.
PODER SEM PUDOR
MULHER DE CÉSAR
Ildo Meneghetti disputava o governo do Rio Grande do Sul pela Frente Democrática e contra os trabalhistas. O mote de sua campanha era a honestidade. “Ele tem as virtudes da mulher de César”, diziam seus adeptos. O vereador trabalhista Temperani Pereira provocou:
– Cuidado com esse negócio de mulher de César; Messalina foi uma delas e teve 156 amantes...
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Dilma apela a líderes mundiais para superar impasse no Rio
- Folha: PF prende alunos da Unifesp após protestos em SP
- Estadão: Governo libera R$ 20 bi para investimentos dos Estados
- Correio: “Jovens, dirijam com responsabilidade”
- Zero Hora: RS terá 475 milhões do pacote anticrise de Dilma
- Estado de Minas: Carne adulterada
- Jornal do Commercio: Após a tempestade, vêm as promessas
sexta-feira, junho 15, 2012
O preço da fama - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 15/06
O Salgueiro, que terá patrocínio da “Caras” para contar a busca do homem por beleza e notoriedade, foi autorizado a captar, pela Lei Rouanet, R$ 4.939.520. Ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro será usado para falar de ricos e famosos.
Navio sob perigo
O JBS tentou na Justiça, em vão, arrestar esse navio famoso do Greenpeace ancorado na Baía de Guanabara, na Rio+20. A ONG foi proibida esta semana de divulgar um relatório no qual o frigorífico é acusado de crimes contra o meio ambiente.
Monteiro Lobato
O ministro Luiz Fux marcou para 11 de setembro audiência para discutir a ação movida no STF pelo movimento negro contra o MEC por financiar a edição de “As caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato. O livro, como se sabe, é acusado de ter “conteúdo racista”.
Huck é sustentável
Luciano Huck contratou o Inmetro para verificar se sua casa é suficientemente sustentável. Recebeu conceito “A” pelo aproveitamento máximo da iluminação e da ventilação naturais e pela eficiência do aquecimento da água. Um fofo.
No mais
A Holanda está fechando oito prisões por... falta de presos. Que tal o país do Cachoeira exportar uns meliantes para lá? Com todo o respeito.
Voz dos aeroportos
Guarulhos e Congonhas não contam mais com a voz inconfundível de Íris Lettieri. Os aeroportos paulistas rescindiram o contrato com a locutora, que continua no Galeão- Tom Jobim e no Santos Dumont. Boa viagem.
DOMINGO, NA entrada do Engenhão, onde jogarão Flamengo e Santos, os torcedores vão topar com este cartaz, em tamanho gigante, e uma caixa (foto menor) para doações de... camisas de Ronaldinho Gaúcho ao Exército de Salvação. A gaiatice foi bolada por Fábio Meneghini, diretor da agência WMcCann, do corintiano Washington Olivetto. Uma moça estará com o uniforme do Exército de Salvação para arrecadar as camisas do jogador, que, como se sabe, foi à Justiça contra o Fla e fechou com o Atlético-MG. Deus ajude o sem sal Ronaldinho a recuperar seu futebol, olhe pelo Exército de Salvação e não nos desampare e nem ao Flamengo jamais
Grande Cleonice
A acadêmica Cleonice Berardinelle, 95 anos, anunciou que dará à ABL, depois de sua morte, sua biblioteca de 8 mil volumes. Há coleções completas de amigos como José Saramago, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade com dedicatórias.
Zé Ramalho na rede
Depois de quatro anos, Zé Ramalho lançará um CD autoral. O guitarrista Robertinho de Recife coproduz o disco e assina a direção do clipe futurista da canção “Sinais”, que começa a ser vendida dia 26 no iTunes Brasil.
De volta à indústria
O ex-governador Albano Franco inaugurou a Sabe, uma fábrica de laticínios, em Muribeca, Sergipe, onde investiu R$ 95 milhões.
Quem dá mais?
O TJ do Rio vai promover dia 28 agora leilão de 39 imóveis e sete sucatas de aeronaves da massa falida da finada Varig, avaliados em uns R$ 42 milhões. Os imóveis estão em oito estados. Um deles, no Lago Sul, em Brasília. O evento está a cargo dos leiloeiros De Paula, Silas Barbosa, Rodrigo Portella e Jonas Rymer.
Eu também quero
O tucano Otávio Leite representou no TRE contra o canal a cabo ESPN Brasil, porque o coleguinha Juca Kfouri entrevistou Marcelo Freixo, do PSOL, que, assim como ele, é candidato a prefeito do Rio. Deseja também ser ouvido.
Nota fiscal+20
O restaurante Terra Viva, um dos escolhidos pela ONU para a praça de alimentação da Rio+20, no Riocentro, não dá nota fiscal. Sei não. Confundiram natureba com informal.
Ator danadinho
Em plena Rio+20, Ana de Hollanda foi prestigiar o evento Drive-in, que reúne performance e instalações no Armazém da Utopia, na Zona Portuária. À vontade, a ministra tirou os sapatos e entrou num carroinstalação intitulado... “B... cósmica”, de Bayard Tonelli, ex-Dzi Croquete. Lá em Morro Agudo... deixa pra lá.
O Salgueiro, que terá patrocínio da “Caras” para contar a busca do homem por beleza e notoriedade, foi autorizado a captar, pela Lei Rouanet, R$ 4.939.520. Ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro será usado para falar de ricos e famosos.
Navio sob perigo
O JBS tentou na Justiça, em vão, arrestar esse navio famoso do Greenpeace ancorado na Baía de Guanabara, na Rio+20. A ONG foi proibida esta semana de divulgar um relatório no qual o frigorífico é acusado de crimes contra o meio ambiente.
Monteiro Lobato
O ministro Luiz Fux marcou para 11 de setembro audiência para discutir a ação movida no STF pelo movimento negro contra o MEC por financiar a edição de “As caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato. O livro, como se sabe, é acusado de ter “conteúdo racista”.
Huck é sustentável
Luciano Huck contratou o Inmetro para verificar se sua casa é suficientemente sustentável. Recebeu conceito “A” pelo aproveitamento máximo da iluminação e da ventilação naturais e pela eficiência do aquecimento da água. Um fofo.
No mais
A Holanda está fechando oito prisões por... falta de presos. Que tal o país do Cachoeira exportar uns meliantes para lá? Com todo o respeito.
Voz dos aeroportos
Guarulhos e Congonhas não contam mais com a voz inconfundível de Íris Lettieri. Os aeroportos paulistas rescindiram o contrato com a locutora, que continua no Galeão- Tom Jobim e no Santos Dumont. Boa viagem.
DOMINGO, NA entrada do Engenhão, onde jogarão Flamengo e Santos, os torcedores vão topar com este cartaz, em tamanho gigante, e uma caixa (foto menor) para doações de... camisas de Ronaldinho Gaúcho ao Exército de Salvação. A gaiatice foi bolada por Fábio Meneghini, diretor da agência WMcCann, do corintiano Washington Olivetto. Uma moça estará com o uniforme do Exército de Salvação para arrecadar as camisas do jogador, que, como se sabe, foi à Justiça contra o Fla e fechou com o Atlético-MG. Deus ajude o sem sal Ronaldinho a recuperar seu futebol, olhe pelo Exército de Salvação e não nos desampare e nem ao Flamengo jamais
Grande Cleonice
A acadêmica Cleonice Berardinelle, 95 anos, anunciou que dará à ABL, depois de sua morte, sua biblioteca de 8 mil volumes. Há coleções completas de amigos como José Saramago, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade com dedicatórias.
Zé Ramalho na rede
Depois de quatro anos, Zé Ramalho lançará um CD autoral. O guitarrista Robertinho de Recife coproduz o disco e assina a direção do clipe futurista da canção “Sinais”, que começa a ser vendida dia 26 no iTunes Brasil.
De volta à indústria
O ex-governador Albano Franco inaugurou a Sabe, uma fábrica de laticínios, em Muribeca, Sergipe, onde investiu R$ 95 milhões.
Quem dá mais?
O TJ do Rio vai promover dia 28 agora leilão de 39 imóveis e sete sucatas de aeronaves da massa falida da finada Varig, avaliados em uns R$ 42 milhões. Os imóveis estão em oito estados. Um deles, no Lago Sul, em Brasília. O evento está a cargo dos leiloeiros De Paula, Silas Barbosa, Rodrigo Portella e Jonas Rymer.
Eu também quero
O tucano Otávio Leite representou no TRE contra o canal a cabo ESPN Brasil, porque o coleguinha Juca Kfouri entrevistou Marcelo Freixo, do PSOL, que, assim como ele, é candidato a prefeito do Rio. Deseja também ser ouvido.
Nota fiscal+20
O restaurante Terra Viva, um dos escolhidos pela ONU para a praça de alimentação da Rio+20, no Riocentro, não dá nota fiscal. Sei não. Confundiram natureba com informal.
Ator danadinho
Em plena Rio+20, Ana de Hollanda foi prestigiar o evento Drive-in, que reúne performance e instalações no Armazém da Utopia, na Zona Portuária. À vontade, a ministra tirou os sapatos e entrou num carroinstalação intitulado... “B... cósmica”, de Bayard Tonelli, ex-Dzi Croquete. Lá em Morro Agudo... deixa pra lá.
Os fortes se protegem - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 15/06
Ninguém na CPI foi mais poderoso do que o dono da Delta, nem mesmo os governadores. Nesse sentido, 17 integrantes da comissão perderam ontem a chance de mostrar que Cavendish mentia quando insinuava a compra de parlamentares
É intrigante observar o vai e vem dos partidos dentro da CPI que investiga as relações entre o contraventor Carlos Cachoeira e autoridades públicas. Idem nas conversas em torno das eleições municipais. Na CPI, por exemplo, ontem ficou muito claro o retorno dos políticos aos seus devidos lugares no cenário político. Depois da mistura entre oposicionistas e governistas na hora de convocar os governadores, os grandes retomaram suas cadeiras, graças ao pedido de convocação de Fernando Cavendish, o dono da Delta Construções. Não houve, até o momento, nome mais expressivo do que o dele para reunificar PT e PMDB, os maiores partidos que vivem às turras em quase todos os momentos, especialmente, nas eleições municipais. O empresário se mostra mais poderoso do que os governadores.
E, cá entre nós, chega a doer ver deputados e senadores recusarem a simples aprovação de um pedido para que Cavendish vá depor na CPI, ainda que deixassem a marcação da data para outra oportunidade. E olha que isso ocorre depois de a sociedade tomar conhecimento de gravações em que o empreiteiro parece contar vantagem e insinuar que com R$ 6 milhões tem um parlamentar na mão. No mínimo, 17 integrantes da comissão, puxados pelo relator, Odair Cunha (PT-MG), perderam uma boa oportunidade de provar que Cavendish mentiu ao se referir a tão nobres representantes eleitos pelo povo para compor o Poder Legislativo nacional.
No plano macro, ficou explícito que a maior parcela dos governistas, em especial, PT e PMDB, não quer a CPI de olho em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Tampouco desejam ver o ex-diretor do Departamento de Infraestrutura em Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot apresentando sua versão sobre o que ocorreu por ali no ano de 2010, quando a presidente Dilma Rousseff era candidata a presidente da República em parceria com Michel Temer. Fadados a seguir juntos pelo menos até o fim deste governo, os dois partidos protegem-se na CPI e deixam a briga para os palanques eleitorais, seara em que a desconfiança mútua prossegue em ritmo acelerado.
Por falar em desconfiança…
Os peemedebistas hoje acompanharão de orelha em pé o encontro do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com o ex-presidente Lula. O governador segue para São Paulo logo depois da reunião de governadores em Brasília com a presidente Dilma Rousseff, que permanece centrada na defesa da economia. Dilma sabe que a economia é o pilar que sustenta o seu governo e aglutina os aliados. Ela também tem plena consciência de que o PMDB nunca se sentiu tão desconfortável. De uma noiva cobiçada pelos petistas há dois anos, quando ofereceu seu presidente Michel Temer para compor a chapa com Dilma, o PMDB se vê hoje como aquela esposa que o marido — no caso, o PT — incentiva a viajar ao exterior, a fim de ficar livre para passear com a antiga namorada dos tempos das “vacas magras”, o PSB.
Enquanto o PMDB anda pelo mundo, o PSB nesta sexta-feira dirá a Lula que fecha com Fernando Haddad para prefeito de São Paulo. A ideia é apresentar a deputada Luiza Erundina como candidata a vice para compor a chapa. Feito isso, os socialistas pretendem comunicar a Lula que a culpa pela situação de racha em Pernambuco se deve ao próprio PT, incapaz de se unir em torno de um candidato para concorrer à prefeitura de Recife. Ora, Eduardo Campos é tão forte em seu território quanto o ex-presidente Lula. Nesse cenário, deixará claro que é melhor esses dois fortes buscarem uma proteção mútua — ou seja, um candidato do PSB — do que seguirem com um petista que já sai enfraquecido pela divisão no próprio PT. Assim, Lula e Eduardo são bem capazes de ficarem com essa proteção mútua para evitar surpresas no futuro.
Por falar em surpresas…
Os peemedebistas têm toda razão em acompanhar de perto essas conversas de Lula e Eduardo Campos. Embora esteja cada vez mais claro que Dilma Rousseff é o nome petista para 2014 e haja interesse em manter a parceria com o PMDB, a vida eleitoral em São Paulo ao longo do primeiro turno tende a afastar os dois partidos. Afinal, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato a prefeito, é educador e Haddad, ex-ministro da Educação. Embates nesse campo virão, apesar de todo o esforço de Chalita para centrar os ataques em José Serra, o nome do PSDB. E, como você sabe, leitor, eleição, assim como CPI sempre deixam feridas abertas. A diferença é que, em eleição, invariavelmente, os fortes, quando podem, concorrem entre si. Em CPI, geralmente, eles se protegem. Essa CPI do Cachoeira não parece ser exceção. Infelizmente.
Ninguém na CPI foi mais poderoso do que o dono da Delta, nem mesmo os governadores. Nesse sentido, 17 integrantes da comissão perderam ontem a chance de mostrar que Cavendish mentia quando insinuava a compra de parlamentares
É intrigante observar o vai e vem dos partidos dentro da CPI que investiga as relações entre o contraventor Carlos Cachoeira e autoridades públicas. Idem nas conversas em torno das eleições municipais. Na CPI, por exemplo, ontem ficou muito claro o retorno dos políticos aos seus devidos lugares no cenário político. Depois da mistura entre oposicionistas e governistas na hora de convocar os governadores, os grandes retomaram suas cadeiras, graças ao pedido de convocação de Fernando Cavendish, o dono da Delta Construções. Não houve, até o momento, nome mais expressivo do que o dele para reunificar PT e PMDB, os maiores partidos que vivem às turras em quase todos os momentos, especialmente, nas eleições municipais. O empresário se mostra mais poderoso do que os governadores.
E, cá entre nós, chega a doer ver deputados e senadores recusarem a simples aprovação de um pedido para que Cavendish vá depor na CPI, ainda que deixassem a marcação da data para outra oportunidade. E olha que isso ocorre depois de a sociedade tomar conhecimento de gravações em que o empreiteiro parece contar vantagem e insinuar que com R$ 6 milhões tem um parlamentar na mão. No mínimo, 17 integrantes da comissão, puxados pelo relator, Odair Cunha (PT-MG), perderam uma boa oportunidade de provar que Cavendish mentiu ao se referir a tão nobres representantes eleitos pelo povo para compor o Poder Legislativo nacional.
No plano macro, ficou explícito que a maior parcela dos governistas, em especial, PT e PMDB, não quer a CPI de olho em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Tampouco desejam ver o ex-diretor do Departamento de Infraestrutura em Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot apresentando sua versão sobre o que ocorreu por ali no ano de 2010, quando a presidente Dilma Rousseff era candidata a presidente da República em parceria com Michel Temer. Fadados a seguir juntos pelo menos até o fim deste governo, os dois partidos protegem-se na CPI e deixam a briga para os palanques eleitorais, seara em que a desconfiança mútua prossegue em ritmo acelerado.
Por falar em desconfiança…
Os peemedebistas hoje acompanharão de orelha em pé o encontro do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com o ex-presidente Lula. O governador segue para São Paulo logo depois da reunião de governadores em Brasília com a presidente Dilma Rousseff, que permanece centrada na defesa da economia. Dilma sabe que a economia é o pilar que sustenta o seu governo e aglutina os aliados. Ela também tem plena consciência de que o PMDB nunca se sentiu tão desconfortável. De uma noiva cobiçada pelos petistas há dois anos, quando ofereceu seu presidente Michel Temer para compor a chapa com Dilma, o PMDB se vê hoje como aquela esposa que o marido — no caso, o PT — incentiva a viajar ao exterior, a fim de ficar livre para passear com a antiga namorada dos tempos das “vacas magras”, o PSB.
Enquanto o PMDB anda pelo mundo, o PSB nesta sexta-feira dirá a Lula que fecha com Fernando Haddad para prefeito de São Paulo. A ideia é apresentar a deputada Luiza Erundina como candidata a vice para compor a chapa. Feito isso, os socialistas pretendem comunicar a Lula que a culpa pela situação de racha em Pernambuco se deve ao próprio PT, incapaz de se unir em torno de um candidato para concorrer à prefeitura de Recife. Ora, Eduardo Campos é tão forte em seu território quanto o ex-presidente Lula. Nesse cenário, deixará claro que é melhor esses dois fortes buscarem uma proteção mútua — ou seja, um candidato do PSB — do que seguirem com um petista que já sai enfraquecido pela divisão no próprio PT. Assim, Lula e Eduardo são bem capazes de ficarem com essa proteção mútua para evitar surpresas no futuro.
Por falar em surpresas…
Os peemedebistas têm toda razão em acompanhar de perto essas conversas de Lula e Eduardo Campos. Embora esteja cada vez mais claro que Dilma Rousseff é o nome petista para 2014 e haja interesse em manter a parceria com o PMDB, a vida eleitoral em São Paulo ao longo do primeiro turno tende a afastar os dois partidos. Afinal, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato a prefeito, é educador e Haddad, ex-ministro da Educação. Embates nesse campo virão, apesar de todo o esforço de Chalita para centrar os ataques em José Serra, o nome do PSDB. E, como você sabe, leitor, eleição, assim como CPI sempre deixam feridas abertas. A diferença é que, em eleição, invariavelmente, os fortes, quando podem, concorrem entre si. Em CPI, geralmente, eles se protegem. Essa CPI do Cachoeira não parece ser exceção. Infelizmente.
Corporativismo médico - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 15/06
SÃO PAULO - Como estou até agora recebendo e-mails indignados por ter defendido, na coluna de domingo passado, que médicos deleguem mais tarefas a outros profissionais, acho que vale um comentário sobre a regulamentação do ato médico, projeto de lei que tramita no Congresso há uma década.
É verdade que, na comparação com as versões anteriores, o substitutivo da Câmara representa um grande avanço. Psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos etc. não estão mais impedidos de fazer os diagnósticos necessários à sua profissão. Não obstante, a proposta ainda conserva tons escandalosamente corporativistas.
Apenas a ânsia por tentar estabelecer a maior reserva de mercado possível explica a existência de dispositivos que tornariam a colocação de piercings e a aplicação de tatuagens atos privativos de médicos.
Foram com tanta sede ao pote que produziram até uma piada involuntária, ao tornar o sexo uma zona restrita: segundo o art. 4º, parágrafo 4º, III, "a invasão dos orifícios naturais do corpo" é prática exclusiva da classe.
Na mesma linha vai o art. 5º, que proíbe os não médicos de chefiar serviços médicos ou lecionar disciplinas médicas. Isso numa época em que, na ciência, as fronteiras entre medicina, biologia, química, física etc. são cada vez mais difusas.
Diga-se em favor dos médicos que não foram eles que deram início a essas restrições. Eles só reproduziram e aperfeiçoaram dispositivos constantes das regulamentações profissionais das categorias que agora se queixam do corporativismo médico.
No fundo, o problema são as raízes fascistas que permeiam a sociedade brasileira. As pessoas não se veem como cidadãs de uma República, mas como representantes de uma categoria profissional que seria detentora de direitos naturais. O que se busca é sacramentar em lei suas reivindicações e usar a autoridade do Estado para implementá-las.
SÃO PAULO - Como estou até agora recebendo e-mails indignados por ter defendido, na coluna de domingo passado, que médicos deleguem mais tarefas a outros profissionais, acho que vale um comentário sobre a regulamentação do ato médico, projeto de lei que tramita no Congresso há uma década.
É verdade que, na comparação com as versões anteriores, o substitutivo da Câmara representa um grande avanço. Psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos etc. não estão mais impedidos de fazer os diagnósticos necessários à sua profissão. Não obstante, a proposta ainda conserva tons escandalosamente corporativistas.
Apenas a ânsia por tentar estabelecer a maior reserva de mercado possível explica a existência de dispositivos que tornariam a colocação de piercings e a aplicação de tatuagens atos privativos de médicos.
Foram com tanta sede ao pote que produziram até uma piada involuntária, ao tornar o sexo uma zona restrita: segundo o art. 4º, parágrafo 4º, III, "a invasão dos orifícios naturais do corpo" é prática exclusiva da classe.
Na mesma linha vai o art. 5º, que proíbe os não médicos de chefiar serviços médicos ou lecionar disciplinas médicas. Isso numa época em que, na ciência, as fronteiras entre medicina, biologia, química, física etc. são cada vez mais difusas.
Diga-se em favor dos médicos que não foram eles que deram início a essas restrições. Eles só reproduziram e aperfeiçoaram dispositivos constantes das regulamentações profissionais das categorias que agora se queixam do corporativismo médico.
No fundo, o problema são as raízes fascistas que permeiam a sociedade brasileira. As pessoas não se veem como cidadãs de uma República, mas como representantes de uma categoria profissional que seria detentora de direitos naturais. O que se busca é sacramentar em lei suas reivindicações e usar a autoridade do Estado para implementá-las.
Alô, fiscalização - SONIA RACY
O ESTADÃO - 15/06
Ao tentar baratear obra, o consórcio Andrade Mendonça, BWA e Construtora Galvão está gerando reações.
A Eheim –fabricante das cadeiras definidas como apropriadas para o estádio do Castelão, em Fortaleza – descobriu que o consórcio encomendou todos os 66,5 mil assentos na China. Iguaizinhos ao modelo patenteado pela empresa alemã.
E acionou a matriz e autoridades chinesas contra a falsificação feita por fábricas locais.
Fiscalização 2
Pelo que se apurou, a cópia custa 40% menos e, diferentemente do que exige a lei brasileira, é feita com material inflamável.
De gatos e lebres
A nota fiscal jurava que o contêiner abrigava 80 quilos de lula congelada. Mas o que o Ibama encontrou no aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza, foram 248 kg de… lagosta. E mais da metade com tamanho bem abaixo do permitido.
O instituto está, agora, à caça do importador.
Cariocas
Dois eventos importantes durante a Rio+20. Israel Klabin comemora os 20 anos de sua Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável. Sábado, em São Conrado.
E Richard Branson, do Virgin Group, reúne trio do grupo The Elders em almoço, dia 19. Entre eles, FHC. Na pauta, paz, justiça e direitos humanos.
Dúvida cruel
Há ceticismo para dar e vender sobre o resultado da Rio+20. Falta, entretanto, clareza sobre o que seria possível extrair de concreto das negociações. Se ninguém espera nada, como muitos têm soprado aos quatro ventos, cabe a pergunta: o que seria mesmo “um fracasso”?
Redondo
O mercado financeiro não gostou do novo plano de negócios da Petrobrás – aprovado, quinta-feira, pelo conselho.
A estatal acredita que foi por falta de maiores explicações, que seriam dadas esta semana. Por causa da Rio+20, a “falação” foi adiada para dia 25. Com direito, depois, a road-show em NY e Londres.
Noivado
A aliança entre PSD e PT em São Paulo não enterrou costura de Kassab e Eduardo Campos para lançar candidato à presidência da Câmara e enfrentar Henriqu e Eduardo Alves, do PMDB.
O plano é atrair, ainda, o PC do B para a empreitada.
Noivado 2
Ao que tudo indica, a aliança em 2013 seria uma prévia da disputa presidencial em 2014, quando Campos pretende se juntar a Kassab para desbancar o PMDB da parceria preferencial com Dilma.
Noivado 3
No PSB, o nome lembrado para a Câmara é o de Márcio França, presidente do PSB paulista.
O deputado deixou o governo do tucano Alckmin depois que a cúpula nacional de seu partido ordenou apoio a Haddad na eleição para a Prefeitura.
Rock’n’angels
Quem for ao ferro-velho Cicloaço assistir ao desfile da Cavalera, sábado, se deparará com anjos.
Daniela Thomas inspirou-se em Asas do Desejo, do diretor alemão Wim Wenders. Todos vestidos de preto, os querubins terão asas brancas e representarão a estética rock’n’roll religiosa do tema, “Salvador Rocks”.
Luz das estrelas e brilho dos paetês
Ivete Sangalo, Alcione, Cauby Peixoto. Os gêneros musicais são bem diferentes, mas os figurinos… A baiana, a maranhense e o rei da voz escolheram brilhar durante cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira, segundo publicou ontem o E+ do Estadão online.
Ivete, super em forma num vestido colado e brilhoso, cintura marcada e decote apenas nas costas, poderia levar o troféu da mais bem vestida. Alcione, que por vezes peca pelo exagero, arrebentou toda de preto. Cauby, premiado como melhor cantor, combinou blusa e gravata brilhantes com terno mais sóbrio do que o habitual. Já Gaby Amarantos chegou parando o foyer do Municipal carioca com um inacreditável arranjo de cabeça de penas altas e LEDs vermelhos (ver acima). O vestido, do tipo envelope, mostrava silhueta enxuta.
No palco, muita animação entre Gaby e Zeca Pagodinho, incluindo medley de discursos feminino e masculino. Brincaram de se paquerar e até deram selinho no fim do número. A cantora trocou de roupa: surgiu com um estranho vestido que parecia uma camiseta costurada a uma anágua. Na cabeça, outro arranjo, que acabou se soltando no meio de uma música. A paraense nem badalou na festa que se seguiu, no Jockey Club, para a qual a maioria rumou: estava com febre alta e correu para a cama.
Quem também “causou”, como de costume, foi Luana Piovani, apresentadora, com Zélia Duncan. Começou a noite de terninho, enquanto Zélia, que, em geral, adota looks menos femininos, estava com um vestido de baile. No meio da noite, trocaram de estilo, e Luana, já com o mesmo corpo de antes da gravidez (ela deu à luz no fim de março), surgiu com um vestido preto de paetês glamouroso, cabendo a Zélia o traje masculino. Lendo o texto em homenagem a João Bosco no teleprompter, as duas pareciam seguras na função – em anos anteriores, desempenhada por atrizes com experiência nesse tipo de tarefa, como Fernanda Torres e Regina Casé. Mas, já no começo, Luana se atrapalhou. “Devagar! Assim, você está querendo me derrubar!”/ROBERTA PENNAFORTE
Probos da corte - TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 15/06
Se o Brasil fosse um país sério, o próximo passo da CPI do Cachoeira seria uma acareação entre Marconi Perillo e Agnelo Queiroz para ver quem é mais honesto.
Esse empate técnico de honradez inatacável estabelecido nos depoimentos em separado dos governadores cria na sociedade uma certa desconfiança sobre tudo que foi dito em defesa própria sem grandes contestações dos inquiridores.
O povo não é bobo! Como é que, com tanto safado por aí, a Polícia Federal e o Ministério Público foram pegar no pé logo dos dois maiores probos da corte?
Aí tem!
Se a base parlamentar do governo e a oposição não derem um jeito de ao menos disfarçar melhor o esquema de proteção aos governadores de Goiás e do DF, cada um com seu cada qual, a política vai se desmoralizar de vez junto com eles.
Só dizer "não me meça pela sua régua", como está na moda em Brasília para mostrar indignação, é pouco.
A opinião pública quer saber: entre Marconi e Agnelo, qual deles é mais honesto? Não precisa nem quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois, se um deles quebrar a cara, já está ótimo, né não?
Mifu
O carioca - ô, raça! - incorporou gíria nova ao jargão dos engarrafamentos: ficar "encapsulado numa escolta" é a maior roubada do trânsito na cidade durante a Rio+20.
A que ponto...
Enquanto a polícia mapeia as áreas de maior risco para se comer fora em São Paulo, já tem restaurante na cidade cogitando promover treinamento de arrastão para funcionários e clientes, com a ajuda de atores em performance de bandidos. É muito importante que, quando acontecer de verdade, todos saibam exatamente o que fazer para ninguém sair ferido!
Ela merece!
Finalmente aprovado na sessão de ontem da CPI do Cachoeira, o depoimento de Andressa Mendonça ainda não tem data marcada para acontecer, mas deve motivar de imediato nova tentativa da Playboy para quebrar todos os sigilos da mulher do bicheiro.
Rio+20
Responda rápido: jogar conversa fora é crime ambiental?
Vai ficar odara
Quem ouviu Caetano Veloso cantando Luz do Sol na Rio+20 saiu do Forte de Copacabana na noite de quarta-feira com a sensação de que o mundo não vai acabar coisa nenhuma.
Tarde demais
Diante da capacidade demonstrada pela primeira-dama Valérie Trierweiler de se meter em confusão, os franceses começam agora a dar valor a Carla Bruni! Ainda bem que aqui no Brasil a gente não tem esse tipo de problema!
Se o Brasil fosse um país sério, o próximo passo da CPI do Cachoeira seria uma acareação entre Marconi Perillo e Agnelo Queiroz para ver quem é mais honesto.
Esse empate técnico de honradez inatacável estabelecido nos depoimentos em separado dos governadores cria na sociedade uma certa desconfiança sobre tudo que foi dito em defesa própria sem grandes contestações dos inquiridores.
O povo não é bobo! Como é que, com tanto safado por aí, a Polícia Federal e o Ministério Público foram pegar no pé logo dos dois maiores probos da corte?
Aí tem!
Se a base parlamentar do governo e a oposição não derem um jeito de ao menos disfarçar melhor o esquema de proteção aos governadores de Goiás e do DF, cada um com seu cada qual, a política vai se desmoralizar de vez junto com eles.
Só dizer "não me meça pela sua régua", como está na moda em Brasília para mostrar indignação, é pouco.
A opinião pública quer saber: entre Marconi e Agnelo, qual deles é mais honesto? Não precisa nem quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois, se um deles quebrar a cara, já está ótimo, né não?
Mifu
O carioca - ô, raça! - incorporou gíria nova ao jargão dos engarrafamentos: ficar "encapsulado numa escolta" é a maior roubada do trânsito na cidade durante a Rio+20.
A que ponto...
Enquanto a polícia mapeia as áreas de maior risco para se comer fora em São Paulo, já tem restaurante na cidade cogitando promover treinamento de arrastão para funcionários e clientes, com a ajuda de atores em performance de bandidos. É muito importante que, quando acontecer de verdade, todos saibam exatamente o que fazer para ninguém sair ferido!
Ela merece!
Finalmente aprovado na sessão de ontem da CPI do Cachoeira, o depoimento de Andressa Mendonça ainda não tem data marcada para acontecer, mas deve motivar de imediato nova tentativa da Playboy para quebrar todos os sigilos da mulher do bicheiro.
Rio+20
Responda rápido: jogar conversa fora é crime ambiental?
Vai ficar odara
Quem ouviu Caetano Veloso cantando Luz do Sol na Rio+20 saiu do Forte de Copacabana na noite de quarta-feira com a sensação de que o mundo não vai acabar coisa nenhuma.
Tarde demais
Diante da capacidade demonstrada pela primeira-dama Valérie Trierweiler de se meter em confusão, os franceses começam agora a dar valor a Carla Bruni! Ainda bem que aqui no Brasil a gente não tem esse tipo de problema!
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