quarta-feira, junho 13, 2012
Um ato de desespero - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 13/06
A partir de 1.º de agosto, o ex-presidente do PT, ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha e corrupção ativa. Pelo primeiro delito, poderá ser condenado a até três anos de prisão. Pelo segundo, a até 12. O então procurador-geral da República que o denunciou ao Supremo em 2005, Antonio Fernando de Souza, apontou Dirceu como "chefe da quadrilha" ou da "sofisticada organização criminosa" que produziu o mensalão, a compra sistemática de apoio de deputados federais ao governo Lula. A denúncia ao STF foi aceita por unanimidade. No ano passado, o atual procurador, Roberto Gurgel, ratificou o pedido de condenação de Dirceu e de 35 outros réus (dos 40 citados da primeira vez, 1 faleceu e outro fez acordo para ser excluído do processo; para 2 outros, um dos quais, Luiz Gushiken, colega de Dirceu no Ministério, Gurgel pediu a absolvição.
Dirceu alega inocência e se diz alvo histórico do "monopólio da mídia". A imprensa desejaria vê-lo destruído não pelos seus atos no governo Lula, mas pelo que decerto ele considera ser o conjunto da sua obra como o maior líder revolucionário socialista do Brasil contemporâneo, uma espécie atípica de Che Guevara que não fez guerrilha, escapou de ser eliminado e chegou ao poder graças à democracia burguesa. O julgamento que o aguarda, disse dias atrás aos cerca de mil estudantes presentes ao 16.º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista, ligada ao PC do B, no Rio, será a "batalha final". Desde os tempos da militância estudantil, ele sempre se teve em alta conta. "Batalha final" é não só uma expressão encharcada de heroísmo, que pode ser usada da extrema direita à extrema esquerda, mas é consanguínea da "luta final" dos "famélicos da terra", nas estrofes da Internacional, o célebre hino revolucionário francês de 1871.
Do alto de sua autoestima e na vestimenta de vítima que enverga, até que faria sentido ele propagar que o julgamento no STF representará o momento culminante do confronto de proporções épicas que nunca se furtou a travar em defesa de seus ideais. Mas a arena que ele tem em mente é outra - e outros também os combatentes. "Essa batalha deve ser travada nas ruas também", conclamou, "se não a gente só vai ouvir uma voz pedindo a condenação, mesmo sem provas (a dos veículos de comunicação)." Em outras palavras, se a Justiça está sob pressão da mídia para condená-lo, que fique também sob pressão do que seria a vanguarda dos movimentos sociais para absolvê-lo. Se der certo, a voz do povo falou mais alto. Se não der, o veredicto da Corte está desde logo coberto de ilegitimidade, como se emanasse de um tribunal de exceção.
Em 2000, dois anos antes da primeira eleição de Lula, Dirceu conclamou o professorado paulista a "mais e mais mobilização, mais e mais greve, mais e mais movimento de rua", porque eles - os tucanos como o governador Mário Covas - "têm de apanhar nas ruas e nas urnas". Pouco depois, no dia 1.º de junho, o governador, já debilitado pelo câncer que o mataria no ano seguinte, foi covardemente agredido por manifestantes diante da Secretaria da Educação, no centro de São Paulo. Depois, Dirceu quis fazer crer que não incentivara o ataque: foi tudo "força de expressão". Não há, portanto, motivo para surpresa quando ele torna a invocar "as ruas". Na sua mentalidade ditatorial - em privado, desafetos petistas já o qualificaram de "stalinista irrecuperável" -, ele se esquece até do dito marxista de que a história se repete como farsa.
Como já se lembrou, o então presidente Collor conclamou a população a protestar contra a tentativa de destituí-lo. A população, especialmente os jovens, aproveitou para pedir o seu impeachment. Como também já se lembrou, hoje em dia os jovens nem sequer saem de casa em defesa de bandeiras mais nobres, a começar pelo repúdio à impunidade dos corruptos, que dirá para assediar o STF no caso do principal réu de um caso de corrupção comparável apenas, talvez, aos dos escândalos da República de Alagoas. Mas é óbvio que a tentativa rudimentar de intimidação repercutirá no tribunal. Se Dirceu não se deu conta disso é porque, como Lula já disse, ele está mesmo "desesperado".
Apenas uma briga feia de sócios - ELIO GASPARI
O GLOBO - 13/06
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez muito bem ao quebrar o sigilo da conversa que Lula teve com ele no escritório de Nelson Jobim, caitituando a postergação do julgamento do mensalão. Também fará bem se pedir à Justiça que levante o segredo em que correu o seu litígio com o ex-sócio e exprocurador- geral da República (1981-1985) Inocêncio Mártires Coelho.
Em 1998, os dois criaram o Instituto Brasiliense de Direito Público, “conceituado centro de estudos e reflexões sobre o Direito” que oferece cursos de graduação, especialização, extensão e mestrado. Nesse ano ele abriu cem vagas no seu vestibular. Mendes e Coelho desentenderam- se em 2010 e levaram seu litígio àJustiça. Doze dias depois da apresentação das razões de Coelho, Gilmar solicitou e conseguiu que o processo tramitasse em segredo de Justiça. O artigo 155 do Código do Processo Civil informa:
“Os atos processuais são públicos, correm todavia em segredo de Justiça os processos:
I - Em que o exigir o interesse público.
II - Que dizem respeito a casamento, filiação, separação dos cônjuges, conversão desta em divórcio, alimentos e guarda de menores.”
O repórter Leandro Fortes teve acesso a documentos do processo. Se nele há interesse público envolvido, vai na direção da transparência, não do segredo. Mártires Coelho dirigia o Instituto e foi afastado por Gilmar. No processo, seus advogados acusam o ministro de ter exigido que “lhe fosse dada uma percentagem dos valores doados ao IDP a título de patrocínio para custear seus eventos extracurriculares, tais como congressos, seminários (...). O motivo/ razão para a cobrança desse 'pedágio' era simples, pelo menos aos olhos do cobrador: sem o seu inegável prestígio e sua notória influência, ninguém financiaria tais atividades”. Segundo o documento, o ministro se disse “cansado de ser garoto propaganda do IDP”.
Atualmente, o IDP lista 26 “instituições e empresas conveniadas”. Entre elas estão a Câmara dos Deputados, o Ministério do Trabalho, a OAB do Piauí, um Tribunal Regional do Trabalho e 15 associações e sindicatos de servidores públicos. Empresa privada, daquelas que o dono tem que se preocupar com o balanço, nenhuma.
O processo foi extinto em setembro do ano passado, a pedido de Mártires Coelho. Ele deixou a sociedade e recebeu R$ 8 milhões. A assessoria de Gilmar Mendes informou que irregularidades detectadas numa auditoria feita no IDP “foram sanadas”, e o dinheiro pago ao ex-sócio, obtido por meio de um empréstimo bancário.
A essa altura, com a divulgação das razões dos advogados de Inocêncio Mártires Coelho, o segredo deJustiça tornou-se um ônus para Gilmar Mendes e nunca é demais repetir o juiz Louis Brandeis, da Corte Suprema dos Estados Unidos: “A luz do sol é o melhor desinfetante.” (Sabendo que a Corte Suprema pagava pouco, Brandeis resolveu ficar rico antes de ir para lá.)
Um ex-procurador-geral da República e um ministro do Supremo Tribunal não organizam um educandário comercial sem amparo nas leis. Quando esse educandário firma convênios com entidades públicas, deve ter sido achada base legal para fazê-lo. Tudo bem, mas é mais fácil um juiz do Tribunal Constitucional da Alemanha ou da Corte Suprema dos Estados Unidos se associar a um mágico de feira do que se meter em semelhante iniciativa.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez muito bem ao quebrar o sigilo da conversa que Lula teve com ele no escritório de Nelson Jobim, caitituando a postergação do julgamento do mensalão. Também fará bem se pedir à Justiça que levante o segredo em que correu o seu litígio com o ex-sócio e exprocurador- geral da República (1981-1985) Inocêncio Mártires Coelho.
Em 1998, os dois criaram o Instituto Brasiliense de Direito Público, “conceituado centro de estudos e reflexões sobre o Direito” que oferece cursos de graduação, especialização, extensão e mestrado. Nesse ano ele abriu cem vagas no seu vestibular. Mendes e Coelho desentenderam- se em 2010 e levaram seu litígio àJustiça. Doze dias depois da apresentação das razões de Coelho, Gilmar solicitou e conseguiu que o processo tramitasse em segredo de Justiça. O artigo 155 do Código do Processo Civil informa:
“Os atos processuais são públicos, correm todavia em segredo de Justiça os processos:
I - Em que o exigir o interesse público.
II - Que dizem respeito a casamento, filiação, separação dos cônjuges, conversão desta em divórcio, alimentos e guarda de menores.”
O repórter Leandro Fortes teve acesso a documentos do processo. Se nele há interesse público envolvido, vai na direção da transparência, não do segredo. Mártires Coelho dirigia o Instituto e foi afastado por Gilmar. No processo, seus advogados acusam o ministro de ter exigido que “lhe fosse dada uma percentagem dos valores doados ao IDP a título de patrocínio para custear seus eventos extracurriculares, tais como congressos, seminários (...). O motivo/ razão para a cobrança desse 'pedágio' era simples, pelo menos aos olhos do cobrador: sem o seu inegável prestígio e sua notória influência, ninguém financiaria tais atividades”. Segundo o documento, o ministro se disse “cansado de ser garoto propaganda do IDP”.
Atualmente, o IDP lista 26 “instituições e empresas conveniadas”. Entre elas estão a Câmara dos Deputados, o Ministério do Trabalho, a OAB do Piauí, um Tribunal Regional do Trabalho e 15 associações e sindicatos de servidores públicos. Empresa privada, daquelas que o dono tem que se preocupar com o balanço, nenhuma.
O processo foi extinto em setembro do ano passado, a pedido de Mártires Coelho. Ele deixou a sociedade e recebeu R$ 8 milhões. A assessoria de Gilmar Mendes informou que irregularidades detectadas numa auditoria feita no IDP “foram sanadas”, e o dinheiro pago ao ex-sócio, obtido por meio de um empréstimo bancário.
A essa altura, com a divulgação das razões dos advogados de Inocêncio Mártires Coelho, o segredo deJustiça tornou-se um ônus para Gilmar Mendes e nunca é demais repetir o juiz Louis Brandeis, da Corte Suprema dos Estados Unidos: “A luz do sol é o melhor desinfetante.” (Sabendo que a Corte Suprema pagava pouco, Brandeis resolveu ficar rico antes de ir para lá.)
Um ex-procurador-geral da República e um ministro do Supremo Tribunal não organizam um educandário comercial sem amparo nas leis. Quando esse educandário firma convênios com entidades públicas, deve ter sido achada base legal para fazê-lo. Tudo bem, mas é mais fácil um juiz do Tribunal Constitucional da Alemanha ou da Corte Suprema dos Estados Unidos se associar a um mágico de feira do que se meter em semelhante iniciativa.
Volta a farsa do ‘golpe do mensalão’ - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 13/06
A proximidade do julgamento do mensalão agita os espíritos militantes e passionais, mesmo aqueles mais sofisticados, revestidos de uma camada de educação e fineza.
Já houve a atrapalhada intervenção do ex-presidente Lula no encontro indevido com o ministro do Supremo Gilmar Mendes, um dos juízes do processo, intermediado pelo também ex-presidente da Corte Nelson Jobim. Artilharia no próprio pé, pois a iniciativa deve ter levado o STF a acelerar o calendário do julgamento. Passou, também, o gesto infanto-juvenil do mensaleiro José Dirceu de conclamar estudantes a ir às ruas, no estilo “Cinelândia 1968”, para defendê-lo perante os 11 magistrados do Supremo. Teatral e inócuo, por óbvio.
No fim de semana, foi a vez de o ex-ministro da Justiça no primeiro governo Lula, Marcio Thomaz Bastos, no programa “Ponto a Ponto”, da TV Bandeirantes, entrar em ação, de forma mais sutil, ao seu estilo. Ministro quando explodiu o escândalo, em 2005, e hoje advogado de um dos réus, José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural, instituição acusada de participar da operação de lavagem daquele dinheiro, Thomaz Bastos explora um tema caro a certos petistas: a suposta interferência da imprensa profissional no caso.
Teme o advogado o que chama de “publicidade opressiva” dos meios de comunicação independentes contra os réus. De forma elegante, até oblíqua, o advogado repõe em circulação a tese surrada e risível de que uma “imprensa golpista” inventara o mensalão e, em seguida, tratara de prejulgar os denunciados pelo Ministério Público. A tese até recebeu a unção de uma certa intelligentzia petista. Agora, na visão de Thomaz Bastos, influenciáveis ministros do STF, sufocados por uma “publicidade opressiva”, se preparam para executar a condenação orquestrada.
Ora, quem denunciou o mensalão foi um dos participantes dele, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), da base do governo. O esquema de desvio de dinheiro público e privado para comprar apoio parlamentar ao governo não surgiu de qualquer laboratório de maquiavelismos oculto em alguma redação. Foi escancarado numa entrevista de Jefferson à “Folha de S.Paulo”. Lula não iria fazer um pedido público de desculpas à população por algo inexistente (embora tenha aderido depois à tese conspiratória). Tanto que os maiores desdobramentos políticos do caso foram a cassação dos mandatos de Roberto Jefferson e do principal denunciado, José Dirceu, deputado pelo PT paulista.
Impossível mascarar a verdade de que a imprensa profissional é movida por fatos. Já a opinião sobre eles é exposta de maneira translúcida no espaço dos editoriais. E é fato, por exemplo, que, em 2006, o então procurador- geral da República, Antônio Fernando de Souza, ofereceu denúncia contra os mensaleiros ao Supremo. Outro fato: no ano seguinte, os ministros consideraram consistentes os argumentos do MP para abrir o processo, no qual Dirceu é tachado de chefe de uma “organização criminosa”.
E serão fatos condenações e absolvições a serem decididas no julgamento que se inicia em agosto. Nada mais nem menos do que isto.
A proximidade do julgamento do mensalão agita os espíritos militantes e passionais, mesmo aqueles mais sofisticados, revestidos de uma camada de educação e fineza.
Já houve a atrapalhada intervenção do ex-presidente Lula no encontro indevido com o ministro do Supremo Gilmar Mendes, um dos juízes do processo, intermediado pelo também ex-presidente da Corte Nelson Jobim. Artilharia no próprio pé, pois a iniciativa deve ter levado o STF a acelerar o calendário do julgamento. Passou, também, o gesto infanto-juvenil do mensaleiro José Dirceu de conclamar estudantes a ir às ruas, no estilo “Cinelândia 1968”, para defendê-lo perante os 11 magistrados do Supremo. Teatral e inócuo, por óbvio.
No fim de semana, foi a vez de o ex-ministro da Justiça no primeiro governo Lula, Marcio Thomaz Bastos, no programa “Ponto a Ponto”, da TV Bandeirantes, entrar em ação, de forma mais sutil, ao seu estilo. Ministro quando explodiu o escândalo, em 2005, e hoje advogado de um dos réus, José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural, instituição acusada de participar da operação de lavagem daquele dinheiro, Thomaz Bastos explora um tema caro a certos petistas: a suposta interferência da imprensa profissional no caso.
Teme o advogado o que chama de “publicidade opressiva” dos meios de comunicação independentes contra os réus. De forma elegante, até oblíqua, o advogado repõe em circulação a tese surrada e risível de que uma “imprensa golpista” inventara o mensalão e, em seguida, tratara de prejulgar os denunciados pelo Ministério Público. A tese até recebeu a unção de uma certa intelligentzia petista. Agora, na visão de Thomaz Bastos, influenciáveis ministros do STF, sufocados por uma “publicidade opressiva”, se preparam para executar a condenação orquestrada.
Ora, quem denunciou o mensalão foi um dos participantes dele, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), da base do governo. O esquema de desvio de dinheiro público e privado para comprar apoio parlamentar ao governo não surgiu de qualquer laboratório de maquiavelismos oculto em alguma redação. Foi escancarado numa entrevista de Jefferson à “Folha de S.Paulo”. Lula não iria fazer um pedido público de desculpas à população por algo inexistente (embora tenha aderido depois à tese conspiratória). Tanto que os maiores desdobramentos políticos do caso foram a cassação dos mandatos de Roberto Jefferson e do principal denunciado, José Dirceu, deputado pelo PT paulista.
Impossível mascarar a verdade de que a imprensa profissional é movida por fatos. Já a opinião sobre eles é exposta de maneira translúcida no espaço dos editoriais. E é fato, por exemplo, que, em 2006, o então procurador- geral da República, Antônio Fernando de Souza, ofereceu denúncia contra os mensaleiros ao Supremo. Outro fato: no ano seguinte, os ministros consideraram consistentes os argumentos do MP para abrir o processo, no qual Dirceu é tachado de chefe de uma “organização criminosa”.
E serão fatos condenações e absolvições a serem decididas no julgamento que se inicia em agosto. Nada mais nem menos do que isto.
Entre crises - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 13/06
A Rio+20 começa num cenário de crise econômica, nos países ricos, de longa duração e profundas repercussões. Mas é conjuntural. Um dia ela passará de alguma forma deixando suas cicatrizes e lições. A crise ambiental e climática continuará conosco porque é mais longa, complexa e decisiva. Encontrar a sustentabilidade financeira da Europa é mais fácil do que pacificar a relação da humanidade com os recursos finitos do planeta.
Começa hoje no Rio a mais ampla discussão já ocorrida sobre a nossa capacidade de conciliar desenvolvimento econômico e social com menos agressão ao que não podemos repor: as milhões de formas de vida espalhadas por esse planeta misterioso, fértil, complexo e belo.
O tema é tão vasto que vai se espalhar pela cidade em tantos eventos. Cada pessoa que quiser participar poderá no máximo ver uns poucos. Aliás, já começaram. O Riocentro é a capital do mundo neste momento, e lá estarão as negociações oficiais, que estão bem encrencadas. Delegações vão se debruçar em vários níveis sobre um documento grande demais, desfocado, cheio de impasses, e que fugiu das duas trilhas abertas na Rio 92: a do combate às mudanças climáticas e a da preservação das espécies. Era para o documento ter chegado ao dia de hoje com mais avanços do que chegou.
Em 92, os chefes de Estado assinaram os dois documentos mais importantes de toda essa jornada de encontros pelo mundo: a convenção da biodiversidade e a da mudança climática. Várias COPs têm sido feitas sob essas duas convenções. A de número 18, do clima, será em dezembro, em Catar. Em todas as 17 houve avanços e impasses.
Para fugir dos bloqueios a que chegaram os dois temas, o Rio vai discutir desenvolvimento sustentável. Perseguirá dois resultados. Primeiro, a definição sobre que órgão vai comandar as negociações relacionadas ao meio ambiente. Será o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma? Ele tem serviços prestados, mas é apenas um programa. Precisaria de mais dinheiro e mais poder para ser uma espécie de OMC do meio ambiente. Alguns defendem que seja um órgão novo. O segundo tema da conferência é a economia verde.
O governo brasileiro considera que o evento terá sido bem sucedido se, ao final, conseguir estabelecer metas de desenvolvimento sustentável, para substituir as metas do milênio que expiram em 2015.
A capacidade que as burocracias dos países têm de se enrolar e criar impasses, mesmo diante de riscos planetários, é enorme. E a Conferência do Desenvolvimento Sustentável Rio+20 pode sim produzir no final um documento vago sem resultado prático, que deixe lacunas, que não tenha números, que apenas encaminhe questões sobre as quais há ainda controvérsias.
Mas, felizmente, nem tudo é governo. Pelo Rio inteiro estarão acontecendo nos próximos dias eventos que trarão frutos concretos. Jovens do mundo inteiro multiplicarão seus laços para atuar em rede na mesma direção. Pessoas estarão sendo expostas a informações mais precisas sobre os riscos e as chances que temos nesse definitivo encontro da humanidade com seus hábitos de vida. Organizações serão criadas ou fortalecidas. Empresas passarão a reduzir o impacto da sua atividade. Administradores públicos trocarão experiência. Cientistas vão comparar estudos sobre os mais variados aspectos dessa questão interminável. Economistas colocarão nas suas equações outras variáveis que não as tradicionais. Políticas públicas serão impactadas pelo que as autoridades, pessoas e organizações ouvirem no Rio nos próximos dias.
Esse resultado é mais difícil de medir mas é fundamental. Conto só uma história para ilustrar. A ONG Onda Verde trará mil jovens da Baixada Fluminense para uma coreografia no aterro. Eles virão de trem para reduzir o impacto dos seus deslocamentos. Dirão com seus corpos em movimento que a Terra roda numa direção, a humanidade, em outra, e que essa contradição é perigosa. Visto assim parece coisa passageira. Por trás, há 18 anos de trabalho. A ONG nasceu como efeito da Rio 92. Entre suas várias atividades está a educação ambiental. Cada um desses mil jovens participou de treinamentos em suas escolas. A informação vai se multiplicar.
É impossível resumir uma conferência tão ampla. Mais de mil eventos estão acontecendo pela cidade inteira. Um evento como esse é uma chance única. Os governos podem perdê-la, mas a sociedade não deveria. Há 20 anos, o Brasil estava em crise em todas as áreas. O presidente Fernando Collor já estava sob o efeito das denúncias feitas pelo irmão Pedro. A inflação estava subindo de forma descontrolada após o fracasso de cinco planos (Cruzado, Bresser, Verão, Collor e Collor II). Tudo isso parecia ser mais importante do que toda aquela conferência que movimentaria a cidade momentaneamente.
Collor sofreu impeachment naquele ano mesmo. Dois anos depois o Plano Real estabilizou a moeda na sexta - e definitiva - tentativa. Aquelas crises que dominavam o noticiário passaram. A ambiental que estava sendo discutida no Rio permanece entre nós como enigma e desafio. As crises econômicas e políticas passam. A que começa hoje a ser discutida no Rio é o dilema mais definitivo para a humanidade.
A Rio+20 começa num cenário de crise econômica, nos países ricos, de longa duração e profundas repercussões. Mas é conjuntural. Um dia ela passará de alguma forma deixando suas cicatrizes e lições. A crise ambiental e climática continuará conosco porque é mais longa, complexa e decisiva. Encontrar a sustentabilidade financeira da Europa é mais fácil do que pacificar a relação da humanidade com os recursos finitos do planeta.
Começa hoje no Rio a mais ampla discussão já ocorrida sobre a nossa capacidade de conciliar desenvolvimento econômico e social com menos agressão ao que não podemos repor: as milhões de formas de vida espalhadas por esse planeta misterioso, fértil, complexo e belo.
O tema é tão vasto que vai se espalhar pela cidade em tantos eventos. Cada pessoa que quiser participar poderá no máximo ver uns poucos. Aliás, já começaram. O Riocentro é a capital do mundo neste momento, e lá estarão as negociações oficiais, que estão bem encrencadas. Delegações vão se debruçar em vários níveis sobre um documento grande demais, desfocado, cheio de impasses, e que fugiu das duas trilhas abertas na Rio 92: a do combate às mudanças climáticas e a da preservação das espécies. Era para o documento ter chegado ao dia de hoje com mais avanços do que chegou.
Em 92, os chefes de Estado assinaram os dois documentos mais importantes de toda essa jornada de encontros pelo mundo: a convenção da biodiversidade e a da mudança climática. Várias COPs têm sido feitas sob essas duas convenções. A de número 18, do clima, será em dezembro, em Catar. Em todas as 17 houve avanços e impasses.
Para fugir dos bloqueios a que chegaram os dois temas, o Rio vai discutir desenvolvimento sustentável. Perseguirá dois resultados. Primeiro, a definição sobre que órgão vai comandar as negociações relacionadas ao meio ambiente. Será o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma? Ele tem serviços prestados, mas é apenas um programa. Precisaria de mais dinheiro e mais poder para ser uma espécie de OMC do meio ambiente. Alguns defendem que seja um órgão novo. O segundo tema da conferência é a economia verde.
O governo brasileiro considera que o evento terá sido bem sucedido se, ao final, conseguir estabelecer metas de desenvolvimento sustentável, para substituir as metas do milênio que expiram em 2015.
A capacidade que as burocracias dos países têm de se enrolar e criar impasses, mesmo diante de riscos planetários, é enorme. E a Conferência do Desenvolvimento Sustentável Rio+20 pode sim produzir no final um documento vago sem resultado prático, que deixe lacunas, que não tenha números, que apenas encaminhe questões sobre as quais há ainda controvérsias.
Mas, felizmente, nem tudo é governo. Pelo Rio inteiro estarão acontecendo nos próximos dias eventos que trarão frutos concretos. Jovens do mundo inteiro multiplicarão seus laços para atuar em rede na mesma direção. Pessoas estarão sendo expostas a informações mais precisas sobre os riscos e as chances que temos nesse definitivo encontro da humanidade com seus hábitos de vida. Organizações serão criadas ou fortalecidas. Empresas passarão a reduzir o impacto da sua atividade. Administradores públicos trocarão experiência. Cientistas vão comparar estudos sobre os mais variados aspectos dessa questão interminável. Economistas colocarão nas suas equações outras variáveis que não as tradicionais. Políticas públicas serão impactadas pelo que as autoridades, pessoas e organizações ouvirem no Rio nos próximos dias.
Esse resultado é mais difícil de medir mas é fundamental. Conto só uma história para ilustrar. A ONG Onda Verde trará mil jovens da Baixada Fluminense para uma coreografia no aterro. Eles virão de trem para reduzir o impacto dos seus deslocamentos. Dirão com seus corpos em movimento que a Terra roda numa direção, a humanidade, em outra, e que essa contradição é perigosa. Visto assim parece coisa passageira. Por trás, há 18 anos de trabalho. A ONG nasceu como efeito da Rio 92. Entre suas várias atividades está a educação ambiental. Cada um desses mil jovens participou de treinamentos em suas escolas. A informação vai se multiplicar.
É impossível resumir uma conferência tão ampla. Mais de mil eventos estão acontecendo pela cidade inteira. Um evento como esse é uma chance única. Os governos podem perdê-la, mas a sociedade não deveria. Há 20 anos, o Brasil estava em crise em todas as áreas. O presidente Fernando Collor já estava sob o efeito das denúncias feitas pelo irmão Pedro. A inflação estava subindo de forma descontrolada após o fracasso de cinco planos (Cruzado, Bresser, Verão, Collor e Collor II). Tudo isso parecia ser mais importante do que toda aquela conferência que movimentaria a cidade momentaneamente.
Collor sofreu impeachment naquele ano mesmo. Dois anos depois o Plano Real estabilizou a moeda na sexta - e definitiva - tentativa. Aquelas crises que dominavam o noticiário passaram. A ambiental que estava sendo discutida no Rio permanece entre nós como enigma e desafio. As crises econômicas e políticas passam. A que começa hoje a ser discutida no Rio é o dilema mais definitivo para a humanidade.
Europeus querem reservas em reais - CRISTIANO ROMERO
Valor Econômico - 13/06
O governo recebeu recentemente consultas de países europeus e de um dos Brics, provavelmente, o maior deles, a China. Eles manifestaram interesse em aplicar parte de suas reservas internacionais no Brasil. Na opinião de autoridades brasileiras, essas consultas mostram que o humor lá fora em relação ao país, que começou a azedar em março e abril, quando o real sofreu forte e rápida desvalorização frente ao dólar, melhorou.
A aplicação de reservas se dá por meio da compra de títulos soberanos. A crise vivida pela Europa, neste momento, decorre da desconfiança dos investidores quanto à capacidade de alguns governos de honrar seus compromissos externos. O interesse desses países em comprar papéis emitidos pelo Tesouro Nacional brasileiro mostra que, hoje, não existe essa desconfiança em relação ao Brasil ou, se existe, é pequena.
Trata-se, evidentemente, de uma mudança de paradigma. Depois da crise da dívida, em 1982, o Brasil passou mais de 20 anos tentando provar ao mundo que era capaz de pagar suas obrigações. O problema assola neste momento nações ricas que, em várias oportunidades, impuseram ao país, por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI), medidas drásticas de ajuste que, hoje, se negam a aplicar em suas próprias economias.
Humor externo com o Brasil melhora, na opinião do governo
A melhora recente da percepção do Brasil está relacionada à normalização do mercado de câmbio. Em meio ao agravamento da crise mundial e ao consequente aumento da aversão dos investidores a risco, a desvalorização do real foi decisiva para criar a ideia de que também o Brasil estava em crise. O Banco Central (BC) percebeu isso e passou a intervir no mercado de câmbio, evitando um desnecessário descolamento do real, nas palavras de uma fonte oficial, do "movimento internacional".
Antes daquele momento de estresse, o investidor estrangeiro estava mais otimista com o país que o doméstico, como atesta o ex-ministro Antônio Palocci, cuja empresa de consultoria vem atendendo grandes grupos internacionais interessados em investir no Brasil, apesar da crise mundial.
"De fato, os estrangeiros estavam mais otimistas, mas, com a desvalorização do real, juntou tudo e ficou todo o mundo pessimista. Agora, a normalização do câmbio ajuda a melhorar o humor", pondera uma autoridade da área econômica.
A preocupação de Brasília neste momento é justamente mostrar que a economia não está em crise e que, embora esteja crescendo muito lentamente, está bem posicionado para enfrentar a turbulência e crescer mais rapidamente quando a situação no mundo se normalizar. "O Brasil está bem posicionado: tem um fiscal forte, inflação em queda, um bom volume de reservas cambiais, liquidez em reais, a moeda andando com as outras moedas", comenta uma fonte graduada.
Nos próximos dias, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, levará essa mensagem durante encontros no exterior - entre os dias 21 e 24, estará na Suíça para reuniões do BIS (Bank for International Settlements). Nas conversas, deixará claro a forte posição fiscal brasileira, com destaque para a queda da dívida pública líquida - de 60,4% do PIB em 2002 para 35,7% do PIB em 2012 (estimativa) -, a manutenção do superávit primário nas contas públicas em 3,1% do PIB em pleno ano de crise e a geração de um déficit nominal de 2,6% do PIB em 2011, maior apenas, entre as maiores economias do planeta, que os da China, Alemanha e Rússia.
Internamente, a presidente Dilma Rousseff está cobrando da equipe econômica medidas para o médio prazo. A preocupação é com 2013 e 2014, o que mostra que ela já tem consciência de que 2012 é página virada, em termos de crescimento. No fundo, Dilma pressiona seus auxiliares a pensarem o pós-crise.
"Com essa conjuntura internacional adversa, as empresas investem menos, o consumidor toma menos crédito, os bancos emprestam menos (emprestam mais, mas numa velocidade menor). Há um comportamento mais defensivo e uma defasagem entre nossas políticas e o que acontece na economia real", explica um economista do governo. "Estamos crescendo menos por causa do ambiente, mas não estamos em crise."
Boa parte dos efeitos das medidas de estímulo adotadas até agora - redução dos juros, diminuição de IPI, aumento da oferta de crédito, desoneração da folha de pagamento das empresas - só aparecerá adiante. A recuperação tem sido mais lenta que em crises anteriores, mas a questão é justamente esta: a crise não acabou lá fora, muito pelo contrário.
O Palácio do Planalto trabalha com a ideia de que três aspectos travam o crescimento: os juros altos, o câmbio apreciado e a carga tributária. No caso dos juros, o BC já cortou 400 pontos-base desde agosto de 2011 e promoverá pelo menos mais um corte de 50 pontos na próxima reunião - é bem provável que não pare por aí, mas a intensidade e o ritmo dos próximos movimentos ainda serão definidos, a depender da conjuntura internacional.
Ainda na seara dos juros, os spreads bancários também têm sido reduzidos e o próximo passo do governo será forçar, via bancos públicos, a diminuição das tarifas bancárias. A preocupação é com os custos das empresas com modalidades relevantes de crédito, como o capital de giro. No caso do câmbio, o governo está "confortável" com o patamar atual, de R$ 2,00.
Quanto aos impostos, o governo quer, além da desoneração da folha de pessoal de alguns setores, a simplificação do sistema (os empresários se queixam constantemente à presidente da complexidade do regime tributário nacional) e a redução da carga incidente sobre energia. No que diz respeito ao último aspecto, como a diminuição da carga depende em grande medida dos Estados, que cobram alíquotas elevadas de ICMS, o governo está disposto a oferecer, em troca da redução das alíquotas, a possibilidade de adoção de um novo indexador para a correção das dívidas estaduais com a União. Seria uma troca.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 13/06
Remédio gratuito do governo eleva movimento em farmácia
O movimento em farmácias privadas credenciadas pelo governo cresceu com a oferta gratuita, desde o último dia 4, de medicamentos para asma.
Em apenas oito dias (até o dia 11), o número de pessoas que foram retirar esses remédios aumentou 18,7%: 15,2 mil beneficiados ante 12,8 mil na semana anterior. A maior demanda foi observada no Rio Grande do Sul.
"O movimento cresceu assustadoramente", diz Álvaro Silveira, presidente da Abrafarma (associação brasileira de farmácias).
A gratuidade atrai mais consumidores às farmácias que acabam comprando outros produtos.
A incorporação de três medicamentos para asma, que se somaram a outros 11 gratuitos para diabetes e hipertensão, além de remédios subsidiados, deve elevar o orçamento do programa deste ano para R$ 1,1 bilhão. Em 2011, foram R$ 749 milhões.
"Com o aumento das vendas, a maioria esmagadora das farmácias quer entrar no programa do governo", de acordo com Silveira. O credenciamento de farmácias, porém, já foi fechado.
"Alcançamos a meta de 25 mil farmácias prevista no orçamento deste ano", diz José Miguel do Nascimento Jr., diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde.
Em municípios de extrema pobreza, no entanto, o credenciamento ao programa Aqui Tem Farmácia Popular não se encerra. Não estão previstos novos remédios gratuitos.
LIGAÇÃO FINANCEIRA
A Western Union, multinacional especializada em transferência de dinheiro, lançou no Brasil um serviço de transferência doméstica por telefone.
O cliente acessa a empresa e envia dinheiro para um ponto de atendimento no Brasil, segundo Felipe
Buckup, responsável pela operação brasileira.
No ano passado, a companhia, que atuava no Brasil só com escritório de representação, abriu corretora de câmbio e banco comercial para operar no país.
Desde então, lançou serviços com foco na população sem acesso a bancos, como pagamento de conta e transferência doméstica nos pontos de atendimento.
GESTÃO EM ANÁLISE
A maturidade da gestão de empresas brasileiras ficou em 53 pontos no ano passado -em escala que vai de zero a cem-, segundo indicador recém-criado pela Fundação Nacional da Qualidade.
O índice foi desenvolvido com base em dados cadastrados desde 1999 no Prêmio Nacional da Qualidade.
A capacidade de a empresa analisar seus resultados é um dos critérios analisados que precisam ser aprimorados. A média nesse quesito das companhias estudadas foi de 43 pontos.
A fundação reúne empresas como Bradesco, Embraer, Braskem, Petrobras, Tam, Vale e Votorantim, entre outras.
Pintura A Hydronorth, fabricante de tintas e resinas, investirá R$ 23 milhões até 2014 para construir novas fábricas e expandir a atual, no Paraná. A empresa também comprará máquinas e caminhões.
Gelado A rede norte-americana de sorvetes Cold Stone Creamery começará a atuar no Brasil em julho. A primeira loja da marca, que pretende abrir 30 unidades em cinco anos, ficará em Curitiba.
PUBLICIDADE DE CINEMA
A distribuidora brasileira Downtown Filmes, de Bruno Wainer, vai criar uma área para elaborar projetos de inserção de publicidade nos roteiros para financiar a atividade.
O merchandising em cinema ainda é pouco praticado no Brasil, segundo ele. "É fato histórico. A indústria de filme brasileira tem mostrado competência e o mercado publicitário percebeu", diz.
"Não estou defendendo fim de lei de incentivo. Mas, quanto mais dinheiro não incentivado a indústria tiver, maior a autonomia perante o Estado."
O trabalho, que consiste em agregar marcas à trama, será feito em conjunto entre equipes da Downtown, da agência Africa e os produtores.
SEMPRE NO AEROPORTO
Os turistas brasileiros mais assíduos, que saem do país ao menos três vezes ao ano, gastam US$ 5.049 em cada viagem, segundo estudo da Amadeus, multinacional de TI para turismo.
Entre os seis países avaliados pela pesquisa, feita com 4.638 pessoas, apenas os americanos têm gastos superiores, de US$ 5.189.
NÚMERO
US$ 5.049 é o gasto médio dos brasileiros que viajam ao menos três vezes por ano
Transparência - ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 13/06
Um dos muitos benefícios da Lei da Transparência, que facilitará o acesso da sociedade às entranhas das decisões governamentais que controlam boa parte da sua vida, foi a pronta decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de divulgar os votos dos seus membros.
O famoso Copom reúne-se por dois dias a cada 45, para decidir sobre o nível da taxa básica de juro nominal, a Selic. Ela deve influenciar a taxa de juro real de longo prazo que -com algumas hipóteses heroicas- determina o nível da demanda privada: consumo e investimento e, numa larga medida, as "exportações líquidas" por seu efeito sobre a taxa de câmbio.
As outras componentes da demanda global -o consumo e o investimento governamentais financiados pela receita de impostos e pelo acréscimo do endividamento público- são largamente discricionárias e, portanto, menos sensíveis
à Selic. Isso sugere que, sem uma coordenação adequada entre as políticas monetária e fiscal, os seus efeitos são mais problemáticos.
Como deveria ser evidente, todo o trabalho do Banco Central por intermédio do Copom é tentar ensinar os "mercados" a pensarem como ele. É isso que lhe confere a "credibilidade" para induzir as "expectativas inflacionárias" -estas, sim, o mais importante fator na taxa de inflação efetiva.
No caso brasileiro, essa é uma tarefa ingrata: temos quase uma dezena de índices de inflação (não creio que exista nada igual no Universo), divulgados diariamente pelos jornais e martelados no rádio e na televisão pelo menos quatro vezes por dia, frequentemente com comentários de "especialistas", que produzem mais ruído do que esclarecimento.
Eles contribuem para criar uma espécie de esquizofrenia no leitor ou ouvinte incauto: de manhã, o índice semanal cresceu, mas, em compensação, o feijão caiu! À tarde, o índice quinzenal diminuiu, mas, atenção, a carne subiu!
Um passo à frente na transparência seria divulgar não apenas o voto de cada membro do Copom, mas um resumo de meia dúzia de linhas sobre as razões do voto. Este não depende apenas da visão de cada um sobre o estado geral da economia interna e externa, mas, principalmente, da sua ideia sobre a diferença entre o nível corrente do PIB e o que ele supõe que seja o PIB "potencial", uma variável fugidia, cujos erros de estimativa podem ter custos sociais muito importantes.
Queiramos ou não, gostemos ou não, são suas decisões que determinam nosso emprego, nossa remuneração e o bem-estar de nossa família. É imperioso, portanto, saber se a importância que lhes damos também lhes dá maior sabedoria.
A festa das importações - ROLF KUNTZ
O Estado de S.Paulo - 13/06
Exportações empacadas, importações em alta, demissões na indústria e consumo bem maior que no ano passado: esses dados são oficiais, mas o governo parece ignorá-los e por isso insiste num diagnóstico falho e numa terapia errada para os problemas de crescimento da economia brasileira. A política federal continua dando prioridade ao consumo, como se a retração dos consumidores fosse o grande entrave à expansão do Produto Interno Bruto (PIB), agora estimada em 2,5% pelos analistas do setor financeiro e de consultorias e em 2,9% pelos economistas do Banco Mundial (Bird). Os dados apontam claramente problemas do lado da oferta, prejudicada por uma porção de ineficiências e custos absurdos. Ministros admitem esses problemas, ocasionalmente, e a presidente Dilma Rousseff, de vez em quando, menciona alguns componentes do custo Brasil, mas sem jamais formular uma estratégia coerente e suficientemente audaciosa para aumentar o potencial de crescimento do País.
Em março, o volume de vendas do comércio varejista foi 0,2% maior que o do mês anterior e 12,5% superior ao de um ano antes. No primeiro trimestre, o varejo vendeu 10,3% mais que no mesmo período de 2011. A expansão acumulada em 12 meses foi de 7,5%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a mesma fonte, o emprego industrial diminuiu 0,3% de março para abril. A comparação com abril do ano passado mostrou um recuo de 1,4%, sétimo resultado negativo nesse tipo de avaliação. Se o governo desse mais atenção ao descompasso entre a evolução do consumo e a do emprego industrial, talvez se dispusesse a rever seu diagnóstico. Mas esses dados parecem causar pouco efeito em Brasília. Curiosamente, a combinação desses números com os do comércio exterior também parece despertar pouco interesse entre os formuladores da política econômica. Mas o resultado dessa combinação parece bastante claro para justificar uma revisão da estratégia de crescimento seguida até agora.
Do início de janeiro até a segunda semana de junho, o Brasil exportou mercadorias no valor de US$ 102,9 bilhões e gastou US$ 96,9 bilhões com produtos importados. A receita comercial foi 0,4% menor que a de igual período de 2011, pela média dos dias úteis. Pelo mesmo critério, a despesa foi 5,3% maior e o superávit, 42,8% menor. Até o fim de maio a evolução havia sido um pouco menos ruim, com exportações 1,5% maiores que as de um ano antes e importações 4,4% superiores às dos primeiros cinco meses de 2011. Mas, no essencial, o cenário era o mesmo, com vendas externas estagnadas e compras em clara expansão.
Esse descompasso ajuda a entender o contraste entre a evolução do consumo no mercado interno e o desempenho da indústria. Os brasileiros continuam comprando e, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Associação Comercial de São Paulo, os consumidores se mostram mais confiantes do que em maio do ano passado. Para 51% dos entrevistados, a situação financeira atual é boa e para 59% deve melhorar. Um ano antes, essas avaliações haviam sido apresentadas por 47% e 51% das pessoas ouvidas pelos pesquisadores.
O otimismo dos entrevistados, dirão alguns, pode refletir um erro de avaliação. Talvez, mas eles continuam comprando e mostram disposição de ir novamente às lojas nos próximos meses, até porque a situação geral do emprego ainda é boa. Houve ganhos de renda nos últimos anos e há crédito suficiente. A indústria brasileira, no entanto, desfruta limitadamente dessa festa, enquanto os produtores estrangeiros ocupam fatias crescentes do mercado. Isso já foi mostrado em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria sobre a participação crescente dos importados no consumo interno: 22%, nos quatro trimestres encerrados em março deste ano, recorde da série iniciada em 1996. O levantamento incluiu tanto produtos finais quanto insumos processados no Brasil.
A presidente Dilma Rousseff insiste em cuidar do crescimento da indústria com medidas protecionistas, políticas de preferência a componentes nacionais e pressões para redução de juros. Já fala menos sobre a valorização cambial, um de seus temas prediletos, por muito tempo, nos eventos internacionais.
Mas o governo faz muito pouco para cuidar dos custos e das ineficiências mais importantes, limitando-se à política de pequenos remendos. A presidente já deixou clara a disposição de promover apenas mudanças limitadas no sistema tributário. Uma reforma séria e penosamente negociada com os governadores continua fora da agenda. Também fora da pauta permanece um esforço mais sério para eliminar o atraso nos investimentos em infraestrutura. É mais fácil discursar e inflar os números com os financiamentos habitacionais.
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
8h30 - Torneio de Queens, tênis, ESPN HD
13h - Dinamarca x Portugal, Eurocopa, Band, Sportv e Sportv HD
15h45 - Holanda x Alemanha, Eurocopa, Band, Sportv e Sportv HD
17h - Real Madrid x Barcelona, Liga Espanhola de basquete, Bandsports
21h50 - Santos x Corinthians, Taça Libertadores, Globo e Fox Sports
21h50 - Grêmio x Palmeiras, Copa do Brasil, Band, ESPN Brasil, ESPN HD e Sportv
CLAUDIO HUMBERTO
“Pressionar o tribunal não parece o melhor caminho”
Ex-presidente FHC sobre as conversas de Lula com vários ministros do Supremo
AGNELO É COBRADO POR CONTRATOS COM FILHOS DO VICE
Em seu depoimento desta quarta-feira na CPI mista do Cachoeira, o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), deverá ser confrontado com o fato de seu governo haver feito pagamentos de R$ 653 mil, por serviços de publicidade, à empresa Aerochanel, que tem como sócios Bruno e Roberto Filippelli, filhos do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Opositores sustentam que o caso seria de improbidade.
EMPRESA VETERANA
Tadeu Filippelli informou que a Aerochanel atua há muitos anos no DF e que no atual governo registrou uma queda acentuada de faturamento.
FATURAMENTO MENOR
Em 2009, durante o governo de José Roberto Arruda, a Aerochanel teve contratos de R$ 4 milhões, seis vezes mais que no atual governo.
SURFANDO NA MAROLA
O tucano Aécio Neves (MG) esperou Marconi Perillo se sair bem para dar as caras na CPI. Só apareceu cinco horas após o início da sessão.
INSUSTENTÁVEL
Uma coisa é certa: convidados da Rio+20 jamais esquecerão o cheiro de podre da Baía de Guanabara no caminho do aeroporto do Galeão.
PESQUISA: BRASIL É MAIS VIOLENTO QUE O PARAGUAI
O Paraguai, que não é conhecido exatamente como o império da lei, ganhou do Brasil no Índice de Paz Global de 2011, do Instituto para a Economia e a Paz, em Washington, EUA. Os critérios do índice incluem segurança, índice de homicídios, população carcerária e percepção de segurança. O Brasil ficou em 83º dentre 159 países, e perde para Argentina, Uruguai e Peru. O Chile é o mais pacífico da América Latina.
PEGOU LEVE
O senador Pedro Taques (PDT-MT) ironizou o relator Odair Cunha (PT-SP): “mais parecia do PSDB, no depoimento de Marconi Perillo”.
CHUMBO TROCADO
A orientação de Lula para “ir em cima” do tucano Marconi Perillo não vingou, mas o PSDB promete não refrescar com Agnelo Queiroz (PT).
ELE É O ALVO
O depoimento de Perillo durou mais de 8 horas e meia; três e meia a mais que o interrogatório de Demóstenes Torres no Conselho de Ética.
CPI DO PERILLO
Chamando Perillo de “investigado” e não de testemunha, o relator Odair Cunha deixou claro que na CPI do Cachoeira o bicheiro é só um detalhe. A prioridade do PT é pegar o governador de Goiás.
TROPA TUCANA
A tropa de choque do PSDB, em defesa de Marconi Perillo, tomou conta da lista de inscritos, na CPI do Cachoeira, e surpreendeu com uma agressividade que lembrou os tempos em que o PT era oposição.
INVERSÃO
Ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Jr. está impressionado. “Lula tem tanto ódio do governador Marconi Perillo, que fez dele o único político do mundo a ter que explicar por que vendeu um bem e não por que o comprou!”, disse ele ontem em São Paulo.
SOLTANDO A VOZ
Marconi Perillo lembrou ontem que senadores de vários partidos já soltaram a voz em festas na residência de Demóstenes Torres: “Teve senador que até cantou música do Bob Dylan”, o favorito de Eduardo Suplicy (PT-SP).
ASSIM É FÁCIL
Para não correr o risco de perder a isenção do IPTU, a UNE terá que construir sua nova sede no Rio de Janeiro até agosto de 2016, com os R$ 30 milhões doados pelo governo Lula, no valorizadíssimo terreno da praia do Flamengo.
RUSSOMANO FORTE
Pesquisa do instituto New Sense, contratada pelo PRTB e registrada no TRE (nº SP-00059/12), mostra Celso Russomano (PRB) à frente de José Serra (PSDB) na espontânea (23 x 19,3) e na estimulada (25,1 x 22,5), para prefeito paulistano. Fernando Haddad (PT) teria 3,1 e 9,5.
PORTEIRA FECHADA
Sete multinacionais cancelaram contratos com o JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo, após a suposta devastação da floresta amazônica denunciada pelo Greenpeace, que o JBS processa.
É FOGO
Depois dos hangares de lona para desembarque de passageiros, a Infraero agora aluga “contêineres habitáveis acoplados” para a brigada anti-incêndio do aeroporto internacional de Brasília.
PENSANDO BEM...
...um festival de filmes iranianos seria mais emocionante que o depoimento de Marconi Perillo na CPMI.
PODER SEM PUDOR
SONHO COMPARTILHADO
Candidato a senador em 1986, Mauro Benevides estava em um palanque na praça dos Franciscanos, Juazeiro do Norte (CE), quando o candidato a deputado estadual Marcus Fernandes contou um “sonho”:
– Sonhei que Padre Cícero Romão Batista baixava num monte de nuvens diante de mim e, com aquela voz tronitoante, que só os santos possuem, apontou pra mim e disse: “Marquinhos, tu és um dos meus!”.
Mauro Benevides cutucou o orador por trás e implorou, ao pé do ouvido:
– Marquinhos, por favor, me bota nesse sonho!
Ex-presidente FHC sobre as conversas de Lula com vários ministros do Supremo
AGNELO É COBRADO POR CONTRATOS COM FILHOS DO VICE
Em seu depoimento desta quarta-feira na CPI mista do Cachoeira, o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), deverá ser confrontado com o fato de seu governo haver feito pagamentos de R$ 653 mil, por serviços de publicidade, à empresa Aerochanel, que tem como sócios Bruno e Roberto Filippelli, filhos do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Opositores sustentam que o caso seria de improbidade.
EMPRESA VETERANA
Tadeu Filippelli informou que a Aerochanel atua há muitos anos no DF e que no atual governo registrou uma queda acentuada de faturamento.
FATURAMENTO MENOR
Em 2009, durante o governo de José Roberto Arruda, a Aerochanel teve contratos de R$ 4 milhões, seis vezes mais que no atual governo.
SURFANDO NA MAROLA
O tucano Aécio Neves (MG) esperou Marconi Perillo se sair bem para dar as caras na CPI. Só apareceu cinco horas após o início da sessão.
INSUSTENTÁVEL
Uma coisa é certa: convidados da Rio+20 jamais esquecerão o cheiro de podre da Baía de Guanabara no caminho do aeroporto do Galeão.
PESQUISA: BRASIL É MAIS VIOLENTO QUE O PARAGUAI
O Paraguai, que não é conhecido exatamente como o império da lei, ganhou do Brasil no Índice de Paz Global de 2011, do Instituto para a Economia e a Paz, em Washington, EUA. Os critérios do índice incluem segurança, índice de homicídios, população carcerária e percepção de segurança. O Brasil ficou em 83º dentre 159 países, e perde para Argentina, Uruguai e Peru. O Chile é o mais pacífico da América Latina.
PEGOU LEVE
O senador Pedro Taques (PDT-MT) ironizou o relator Odair Cunha (PT-SP): “mais parecia do PSDB, no depoimento de Marconi Perillo”.
CHUMBO TROCADO
A orientação de Lula para “ir em cima” do tucano Marconi Perillo não vingou, mas o PSDB promete não refrescar com Agnelo Queiroz (PT).
ELE É O ALVO
O depoimento de Perillo durou mais de 8 horas e meia; três e meia a mais que o interrogatório de Demóstenes Torres no Conselho de Ética.
CPI DO PERILLO
Chamando Perillo de “investigado” e não de testemunha, o relator Odair Cunha deixou claro que na CPI do Cachoeira o bicheiro é só um detalhe. A prioridade do PT é pegar o governador de Goiás.
TROPA TUCANA
A tropa de choque do PSDB, em defesa de Marconi Perillo, tomou conta da lista de inscritos, na CPI do Cachoeira, e surpreendeu com uma agressividade que lembrou os tempos em que o PT era oposição.
INVERSÃO
Ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Jr. está impressionado. “Lula tem tanto ódio do governador Marconi Perillo, que fez dele o único político do mundo a ter que explicar por que vendeu um bem e não por que o comprou!”, disse ele ontem em São Paulo.
SOLTANDO A VOZ
Marconi Perillo lembrou ontem que senadores de vários partidos já soltaram a voz em festas na residência de Demóstenes Torres: “Teve senador que até cantou música do Bob Dylan”, o favorito de Eduardo Suplicy (PT-SP).
ASSIM É FÁCIL
Para não correr o risco de perder a isenção do IPTU, a UNE terá que construir sua nova sede no Rio de Janeiro até agosto de 2016, com os R$ 30 milhões doados pelo governo Lula, no valorizadíssimo terreno da praia do Flamengo.
RUSSOMANO FORTE
Pesquisa do instituto New Sense, contratada pelo PRTB e registrada no TRE (nº SP-00059/12), mostra Celso Russomano (PRB) à frente de José Serra (PSDB) na espontânea (23 x 19,3) e na estimulada (25,1 x 22,5), para prefeito paulistano. Fernando Haddad (PT) teria 3,1 e 9,5.
PORTEIRA FECHADA
Sete multinacionais cancelaram contratos com o JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo, após a suposta devastação da floresta amazônica denunciada pelo Greenpeace, que o JBS processa.
É FOGO
Depois dos hangares de lona para desembarque de passageiros, a Infraero agora aluga “contêineres habitáveis acoplados” para a brigada anti-incêndio do aeroporto internacional de Brasília.
PENSANDO BEM...
...um festival de filmes iranianos seria mais emocionante que o depoimento de Marconi Perillo na CPMI.
PODER SEM PUDOR
SONHO COMPARTILHADO
Candidato a senador em 1986, Mauro Benevides estava em um palanque na praça dos Franciscanos, Juazeiro do Norte (CE), quando o candidato a deputado estadual Marcus Fernandes contou um “sonho”:
– Sonhei que Padre Cícero Romão Batista baixava num monte de nuvens diante de mim e, com aquela voz tronitoante, que só os santos possuem, apontou pra mim e disse: “Marquinhos, tu és um dos meus!”.
Mauro Benevides cutucou o orador por trás e implorou, ao pé do ouvido:
– Marquinhos, por favor, me bota nesse sonho!
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: FMI recomenda taxação para empresas poluidoras
- Folha: Efeito da crise deve durar mais dois anos, prevê BC
- Estadão: Brasil abre Rio+20 hoje e quer manter conquistas da Eco-92
- Correio: Perillo escapa. Hoje CPI vai ouvir Agnelo
- Valor: Indústrias químicas e de autopeças terão incentivo
- Estado de Minas: Agora ou nunca
- Zero Hora: Nova estatal não encerra polêmica dos pedágios
terça-feira, junho 12, 2012
Colunas de Persépolis - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 12/06
Ahmadinejad terá um compromisso fora da Rio+20. Inaugura dia 21 réplica, doada pelo Irã, das famosas colunas de Persépolis, capital do império Persa, em frente ao Museu do Exército, em São Cristóvão.
Antonio de volta
O miúdo Antonio, de 3 anos, levado para os EUA pelo pai, Márcio Sicoli, vai voltar ao Brasil amanhã, nos braços da mãe, Isabel Bierrenbach. O juiz americano Scott Gordon determinou ontem que o brasileirinho fosse entregue à família que vive no Brasil.
Anos de chumbo
Autor de quatro importantes obras sobre a ditadura, nosso Elio Gaspari foi convidado a ir à Comissão da Verdade, segunda.
A estrela sobe
Tiago Leifert será o apresentador do “The Voice Brasil”, da TV Globo, que estreia no segundo semestre. O programa pretende, com ajuda de Cláudia Leitte, Carlinhos Brown, Daniel e Lulu Santos, descobrir, treinar e fazer brilhar um novo talento da MPB.
No mais
A chefona do FMI, Christine Lagarde, queixou-se ao jornal “The Guardian” de “todos esses gregos que tentam escapar de pagar impostos”. Agora, a revista “New Yorker” lembra que o quase meio milhão de dólares de salário da senhora Lagarde é livre de impostos.
Mais quente melhor
Nosso coleguinha Artur Xexéo, depois de “Xanadu” , vai assinar outra versão de um musical da Broadway. É “Quanto mais quente melhor”, baseado no filme do mesmo nome com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon.
O amor é lindo
A PREFEITURA CARIOCA devolve à cidade hoje, Dia dos Namorados, estes bancos de concreto, todos reformados, que ficam numa área de 130 metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, perto da sede náutica do Botafogo. O lugar, no passado, era muito frequentado pelos “pombinhos”. Mas, nos últimos 20 anos, a violência e o mato afastaram os namorados
Monsieur Baixinho
A revistona francesa “L’Express” dedica três páginas a um perfil político de Romário. Diz que o Baixinho “marca belos gols na função de deputado, como defensor dos portadores de deficiência, dos pobres e dos oprimidos”.
Céu de brigadeiro
Com o caos nos aeroportos brasileiros, Gugu Liberato decidiu comprar um jatinho.
Efeito Suelen
A Mangueira convidou a atriz Ísis Valverde, da novela “Avenida Brasil”, da TV Globo, para ser sua próxima rainha de bateria.
João Nogueira 2013
O enredo da paulista Águia de Ouro será João Nogueira.
Miss Rio+20
O pessoal do Itamaraty que organiza a Rio+20, em votação, escolheu a musa da conferência. A eleita é Hina Rabbani Khar (foto), a bela chanceler do Paquistão, que chega mais cedo para um encontro com Antônio Patriota. Encontra eu.
É grave a crise
Para quitar dívidas trabalhista da Gama Filho, o TRT do Rio leiloa hoje um lote com equipamentos médicos da universidad penhorados. Tudo está avaliado em R$ 34.874. Entre os itens, há... um braço para treino de injeção.
Bença, vô
João Bosco, o homenageado do Prêmio da Música Brasileira em 2012, festeja a chegada de sua primeira netinha. Nasceu Iolanda, filha do ensaísta Francisco Bosco e de Antônia Pellegrino.
Vasco+20
O Vasco, na onda da Rio+20, vai estampar no uniforme a logo oficial da conferência. A estreia da nova camisa será domingo, contra o Palmeiras.
Ahmadinejad terá um compromisso fora da Rio+20. Inaugura dia 21 réplica, doada pelo Irã, das famosas colunas de Persépolis, capital do império Persa, em frente ao Museu do Exército, em São Cristóvão.
Antonio de volta
O miúdo Antonio, de 3 anos, levado para os EUA pelo pai, Márcio Sicoli, vai voltar ao Brasil amanhã, nos braços da mãe, Isabel Bierrenbach. O juiz americano Scott Gordon determinou ontem que o brasileirinho fosse entregue à família que vive no Brasil.
Anos de chumbo
Autor de quatro importantes obras sobre a ditadura, nosso Elio Gaspari foi convidado a ir à Comissão da Verdade, segunda.
A estrela sobe
Tiago Leifert será o apresentador do “The Voice Brasil”, da TV Globo, que estreia no segundo semestre. O programa pretende, com ajuda de Cláudia Leitte, Carlinhos Brown, Daniel e Lulu Santos, descobrir, treinar e fazer brilhar um novo talento da MPB.
No mais
A chefona do FMI, Christine Lagarde, queixou-se ao jornal “The Guardian” de “todos esses gregos que tentam escapar de pagar impostos”. Agora, a revista “New Yorker” lembra que o quase meio milhão de dólares de salário da senhora Lagarde é livre de impostos.
Mais quente melhor
Nosso coleguinha Artur Xexéo, depois de “Xanadu” , vai assinar outra versão de um musical da Broadway. É “Quanto mais quente melhor”, baseado no filme do mesmo nome com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon.
O amor é lindo
A PREFEITURA CARIOCA devolve à cidade hoje, Dia dos Namorados, estes bancos de concreto, todos reformados, que ficam numa área de 130 metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, perto da sede náutica do Botafogo. O lugar, no passado, era muito frequentado pelos “pombinhos”. Mas, nos últimos 20 anos, a violência e o mato afastaram os namorados
Monsieur Baixinho
A revistona francesa “L’Express” dedica três páginas a um perfil político de Romário. Diz que o Baixinho “marca belos gols na função de deputado, como defensor dos portadores de deficiência, dos pobres e dos oprimidos”.
Céu de brigadeiro
Com o caos nos aeroportos brasileiros, Gugu Liberato decidiu comprar um jatinho.
Efeito Suelen
A Mangueira convidou a atriz Ísis Valverde, da novela “Avenida Brasil”, da TV Globo, para ser sua próxima rainha de bateria.
João Nogueira 2013
O enredo da paulista Águia de Ouro será João Nogueira.
Miss Rio+20
O pessoal do Itamaraty que organiza a Rio+20, em votação, escolheu a musa da conferência. A eleita é Hina Rabbani Khar (foto), a bela chanceler do Paquistão, que chega mais cedo para um encontro com Antônio Patriota. Encontra eu.
É grave a crise
Para quitar dívidas trabalhista da Gama Filho, o TRT do Rio leiloa hoje um lote com equipamentos médicos da universidad penhorados. Tudo está avaliado em R$ 34.874. Entre os itens, há... um braço para treino de injeção.
Bença, vô
João Bosco, o homenageado do Prêmio da Música Brasileira em 2012, festeja a chegada de sua primeira netinha. Nasceu Iolanda, filha do ensaísta Francisco Bosco e de Antônia Pellegrino.
Vasco+20
O Vasco, na onda da Rio+20, vai estampar no uniforme a logo oficial da conferência. A estreia da nova camisa será domingo, contra o Palmeiras.
O Supremo e o mensalão - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 12/06
A pressão para que o julgamento ocorra antes das eleições desenvolveu-se dentro do próprio STF
AINDA NÃO chegamos às vésperas do julgamento do mensalão, mas o já escrito e dito a respeito não deixa dúvida de que o Supremo Tribunal Federal produziu o clima menos conveniente a uma decisão judicial: a polêmica que ultrapassa os aspectos do caso e lança os seus questionamentos sobre o próprio tribunal.
A pressão pelo julgamento antes das eleições desenvolveu-se dentro do Supremo. No Congresso e fora dele, a oposição mal disse uma ou outra palavra.
Primeiro foram referências um tanto insistentes, que não deveriam ser públicas, feitas por ministros à espera do relatório de Joaquim Barbosa, ministro-relator. Não era necessária muito atenção para perceber-se um fio de cobrança mal encapado, naquelas referências.
Depois, e com maior constância, as citações voltaram-se para o ministro Ricardo Lewandowski, incumbido do relatório de revisão. "Marcaremos quando o ministro Lewandowski entregar o seu relatório" -frases assim repetiram-se à vontade, por alguns ministros. A cobrança subjacente estava sempre lá.
Não há razão alguma para supor-se objetivo político, seja por parte dos ministros que falaram publicamente sobre o julgamento e sua ocasião, seja dos que silenciaram.
Influência, a meu ver, para possíveis ansiedades e para marcar o início do julgamento tão perto das eleições teve a chamada "expulsória" de dois ministros.
Um deles, Cezar Peluso, completa em setembro os 70 anos para a aposentadoria obrigatória. Presidia o Supremo até este ano. O seguinte será Ayres Britto, atual presidente.
O desejo de que ambos estejam no julgamento histórico, até como um grande final em homenagem às respectivas carreiras, teve o seu papel nas pressões e na data de início.
E encontrou uma razão técnica para apresentar-se: os dois conhecem o processo. Ao passo que iniciar o julgamento mais tarde seria fazê-lo com dois novatos, provavelmente demandando tempo para estudar o processo de 50 mil páginas.
Mas nenhuma explicação detém a polêmica e as suspeitas. Situação que se reforça com o lamento petista e a euforia oposicionista, por contar com o julgamento em plena campanha eleitoral. E a essas fontes de enfraquecimento do Supremo sobrepôs-se a contribuição do ministro Gilmar Mendes.
Os insultos violentíssimos que Gilmar Mendes tem dirigido aos petistas deveriam, a rigor, afastá-lo do julgamento. Mesmo porque, se os seus votos forem de absolvição dos réus do partido, a hipótese que lhe atribuem apenas terá mudado de sinal: será dito que foram votos para mostrar que não os contaminou com seus conceitos insultuosos.
O mensalão é um julgamento tão extraordinário por seus aspectos judiciais quanto por outros e variados aspectos.
A pressão para que o julgamento ocorra antes das eleições desenvolveu-se dentro do próprio STF
AINDA NÃO chegamos às vésperas do julgamento do mensalão, mas o já escrito e dito a respeito não deixa dúvida de que o Supremo Tribunal Federal produziu o clima menos conveniente a uma decisão judicial: a polêmica que ultrapassa os aspectos do caso e lança os seus questionamentos sobre o próprio tribunal.
A pressão pelo julgamento antes das eleições desenvolveu-se dentro do Supremo. No Congresso e fora dele, a oposição mal disse uma ou outra palavra.
Primeiro foram referências um tanto insistentes, que não deveriam ser públicas, feitas por ministros à espera do relatório de Joaquim Barbosa, ministro-relator. Não era necessária muito atenção para perceber-se um fio de cobrança mal encapado, naquelas referências.
Depois, e com maior constância, as citações voltaram-se para o ministro Ricardo Lewandowski, incumbido do relatório de revisão. "Marcaremos quando o ministro Lewandowski entregar o seu relatório" -frases assim repetiram-se à vontade, por alguns ministros. A cobrança subjacente estava sempre lá.
Não há razão alguma para supor-se objetivo político, seja por parte dos ministros que falaram publicamente sobre o julgamento e sua ocasião, seja dos que silenciaram.
Influência, a meu ver, para possíveis ansiedades e para marcar o início do julgamento tão perto das eleições teve a chamada "expulsória" de dois ministros.
Um deles, Cezar Peluso, completa em setembro os 70 anos para a aposentadoria obrigatória. Presidia o Supremo até este ano. O seguinte será Ayres Britto, atual presidente.
O desejo de que ambos estejam no julgamento histórico, até como um grande final em homenagem às respectivas carreiras, teve o seu papel nas pressões e na data de início.
E encontrou uma razão técnica para apresentar-se: os dois conhecem o processo. Ao passo que iniciar o julgamento mais tarde seria fazê-lo com dois novatos, provavelmente demandando tempo para estudar o processo de 50 mil páginas.
Mas nenhuma explicação detém a polêmica e as suspeitas. Situação que se reforça com o lamento petista e a euforia oposicionista, por contar com o julgamento em plena campanha eleitoral. E a essas fontes de enfraquecimento do Supremo sobrepôs-se a contribuição do ministro Gilmar Mendes.
Os insultos violentíssimos que Gilmar Mendes tem dirigido aos petistas deveriam, a rigor, afastá-lo do julgamento. Mesmo porque, se os seus votos forem de absolvição dos réus do partido, a hipótese que lhe atribuem apenas terá mudado de sinal: será dito que foram votos para mostrar que não os contaminou com seus conceitos insultuosos.
O mensalão é um julgamento tão extraordinário por seus aspectos judiciais quanto por outros e variados aspectos.
O "Cadinho" da CPI - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 12/06
Os peemedebistas não serão os mais agressivos, nem com Marconi Perillo hoje, nem com Agnelo Queiroz amanhã. Deixarão que PT e PSDB se ataquem, de olho no futuro, seja de potencial aliado dos tucanos ou a manutenção de parceiro preferencial dos petistas
Quem vem acompanhando a CPI do Cachoeira — famosa pelas frases de efeito, brigas internas e poucos resultados efetivos, pelo menos, até o momento — vai perceber hoje e amanhã os campos delimitados de dois partidos que disputam a Presidência da República: PT e PSDB. Os petistas hoje estarão vestidos para a guerra, dispostos a comprovar que a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é para lá de suspeita. No dia seguinte, será a vez de o PSDB pegar as mesmas tintas e, ao longo do depoimento do governador do DF, Agnelo Queiroz, tentar carimbar o PT como o partido da boquinha envolvido com o contraventor Carlos Cachoeira. Essa é a parte conhecida do enredo da semana. Ninguém sabe, entretanto, como se comportará o PMDB, protagonista ora lá, ora cá.
Para os noveleiros de plantão, o PMDB é quase um Cadinho, o personagem de Alexandre Borges na novela das nove. Dividido entre duas famílias, Cadinho ficou famoso. Com o PMDB de hoje não é diferente. O partido vive entre dois amores — o PSDB, mais antigo, e o PT. E volta e meia transita entre a casa tucana e a petista.
Na CPI, essa percepção está mais visível. Entre alguns integrantes do colegiado há quem veja um acordo velado entre tucanos e peemedebistas para dar uma força hoje a Marconi Perillo. Uma forma de agradecer o fato de o PSDB não ter apoiado o pedido para convocar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral — que, é bom que se diga, não apareceu em conversas telefônicas do grupo de Carlos Cachoeira. O mesmo PMDB também pretende dar uma força a Agnelo Queiroz, do DF, onde os dois partidos são parceiros.
Os peemedebistas não têm hoje segurança total de que o casamento com o PT resistirá por muito tempo. E, por isso, não dispensam os tucanos. A ideia é deixar que PT e PSDB se ataquem para, no futuro, os peemedebistas serem chamados a ajudar um e outro e possam, com tranquilidade, escolherem o caminho em que se sentirem mais seguros.
Por falar em caminho…
Essa Comissão Parlamentar de Inquérito está a cada dia se distanciando do modelo das demais. Em primeiro lugar, começou com relatórios e inquéritos policiais prontos. Esta semana, as audiências dos governadores marcarão mais uma diferença, em especial, para com a CPI do Orçamento. Lá na década de 1990, a CPI apurou o envolvimento de deputados, senadores e governadores com desvio de dinheiro público, principalmente de emendas parlamentares. Foram mais de 10 congressistas citados como conhecedores do esquema e coube aos integrantes da CPI detectarem quem, de fato, havia desviado recursos das emendas e das chamadas “subvenções sociais” para entidades privadas. Com tanto trabalho para desvendar a atuação dos congressistas, aquela comissão terminou sem concluir grande parte das investigações sobre os governadores.
Agora, os governadores parecem ter assumido o primeiro lugar na fila de investigações, ao lado do senador Demostenes Torres (ex-DEM-GO). Diante desse cenário, a sensação que se tem é de que os deputados ligados ao contraventor Carlos Cachoeira foram esquecidos. E, se continuar assim, vão acabar como os governadores terminaram a CPI do Orçamento. Livres, leves e soltos.
Por falar em leve e solto…É incrível um traficante algemado fugir da Polícia Federal em Brasília sem ser incomodado. É tão inacreditável quanto Cadinho convencer os telespectadores de que ficará quieto numa casa só. Infelizmente, a fuga foi real. Nem um novelista pensaria em algo tão inusitado. O jeito é torcer para que a investigação do caso consiga desvendar o mistério.
Os peemedebistas não serão os mais agressivos, nem com Marconi Perillo hoje, nem com Agnelo Queiroz amanhã. Deixarão que PT e PSDB se ataquem, de olho no futuro, seja de potencial aliado dos tucanos ou a manutenção de parceiro preferencial dos petistas
Quem vem acompanhando a CPI do Cachoeira — famosa pelas frases de efeito, brigas internas e poucos resultados efetivos, pelo menos, até o momento — vai perceber hoje e amanhã os campos delimitados de dois partidos que disputam a Presidência da República: PT e PSDB. Os petistas hoje estarão vestidos para a guerra, dispostos a comprovar que a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é para lá de suspeita. No dia seguinte, será a vez de o PSDB pegar as mesmas tintas e, ao longo do depoimento do governador do DF, Agnelo Queiroz, tentar carimbar o PT como o partido da boquinha envolvido com o contraventor Carlos Cachoeira. Essa é a parte conhecida do enredo da semana. Ninguém sabe, entretanto, como se comportará o PMDB, protagonista ora lá, ora cá.
Para os noveleiros de plantão, o PMDB é quase um Cadinho, o personagem de Alexandre Borges na novela das nove. Dividido entre duas famílias, Cadinho ficou famoso. Com o PMDB de hoje não é diferente. O partido vive entre dois amores — o PSDB, mais antigo, e o PT. E volta e meia transita entre a casa tucana e a petista.
Na CPI, essa percepção está mais visível. Entre alguns integrantes do colegiado há quem veja um acordo velado entre tucanos e peemedebistas para dar uma força hoje a Marconi Perillo. Uma forma de agradecer o fato de o PSDB não ter apoiado o pedido para convocar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral — que, é bom que se diga, não apareceu em conversas telefônicas do grupo de Carlos Cachoeira. O mesmo PMDB também pretende dar uma força a Agnelo Queiroz, do DF, onde os dois partidos são parceiros.
Os peemedebistas não têm hoje segurança total de que o casamento com o PT resistirá por muito tempo. E, por isso, não dispensam os tucanos. A ideia é deixar que PT e PSDB se ataquem para, no futuro, os peemedebistas serem chamados a ajudar um e outro e possam, com tranquilidade, escolherem o caminho em que se sentirem mais seguros.
Por falar em caminho…
Essa Comissão Parlamentar de Inquérito está a cada dia se distanciando do modelo das demais. Em primeiro lugar, começou com relatórios e inquéritos policiais prontos. Esta semana, as audiências dos governadores marcarão mais uma diferença, em especial, para com a CPI do Orçamento. Lá na década de 1990, a CPI apurou o envolvimento de deputados, senadores e governadores com desvio de dinheiro público, principalmente de emendas parlamentares. Foram mais de 10 congressistas citados como conhecedores do esquema e coube aos integrantes da CPI detectarem quem, de fato, havia desviado recursos das emendas e das chamadas “subvenções sociais” para entidades privadas. Com tanto trabalho para desvendar a atuação dos congressistas, aquela comissão terminou sem concluir grande parte das investigações sobre os governadores.
Agora, os governadores parecem ter assumido o primeiro lugar na fila de investigações, ao lado do senador Demostenes Torres (ex-DEM-GO). Diante desse cenário, a sensação que se tem é de que os deputados ligados ao contraventor Carlos Cachoeira foram esquecidos. E, se continuar assim, vão acabar como os governadores terminaram a CPI do Orçamento. Livres, leves e soltos.
Por falar em leve e solto…É incrível um traficante algemado fugir da Polícia Federal em Brasília sem ser incomodado. É tão inacreditável quanto Cadinho convencer os telespectadores de que ficará quieto numa casa só. Infelizmente, a fuga foi real. Nem um novelista pensaria em algo tão inusitado. O jeito é torcer para que a investigação do caso consiga desvendar o mistério.
Toque de recolher - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 12/06
Há convocações e convocações. Na história recente do Brasil a oposição ao regime militar levou às ruas milhares para pedir da "anistia ampla, geral e irrestrita" e reuniu milhões para exigir eleições "Diretas-Já".
Anos depois um presidente acuado por denúncias de corrupção foi à TV conclamar o povo a sair "vestido de verde-amarelo" em sua defesa e o que viu nos dias seguintes foi surgir uma mobilização de gente vestida de preto a pedir a interrupção de seu mandato.
Qual a diferença entre as duas situações? Em essência, a natureza da causa.
Inevitável pensar nesses dois acontecimentos quando se vê o principal réu do processo do mensalão, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, a conclamar estudantes e movimentos sociais a se mobilizar contra não se sabe exatamente o quê.
Dirceu não é específico. Pelo tom, pretende que as pessoas se mobilizem para pressionar o Supremo Tribunal Federal a inocentá-lo: "Todos sabem que esse julgamento é político, essa é uma batalha a ser travada nas ruas senão a gente vai ouvir uma só voz, pedindo a condenação sem provas. É a voz do monopólio da mídia".
Pelo texto do discurso dirigido à União da Juventude Socialista reunida em seu 16.º congresso, José Dirceu gostaria que seus defensores ficassem "vigilantes" para não permitir "um julgamento fora dos autos". Para garantir que a "Justiça cumpra o seu papel" e impedir que o processo se transforme "no julgamento de nossa geração".
Qual geração? A dele, a dos jovens estudantes ou dos dirigentes dos movimentos sociais? Primeira dúvida.
Segunda: o que significa ficar "vigilante"? Vigiar os juízes, montar vigílias nas praças? Terceira dúvida: de que maneira estudantes e movimentos sociais garantem um "julgamento nos autos", dando lições de direito constitucional e penal aos magistrados?
Quarta e última dúvida: em que momento Dirceu ouviu "a voz do monopólio da mídia" defendendo a condenação?
Como não apontou casos específicos, cabe a pergunta genérica, pois no geral o que se tem visto e ouvido é a defesa do julgamento ao tempo próprio. Seis anos depois de oferecida a denúncia.
José Dirceu pode dizer o que quiser e, dentro das balizas legais, fazer o que bem entender em sua defesa. Só não pode pretender fazê-lo sem contraditório.
Pode até mesmo acreditar que as massas tomem as ruas em prol de sua absolvição, embora pareça inútil, pois as massas andam amorfas.
Tomem-se dois exemplos recentes, ambos estrelados pelo presidente do PT, Rui Falcão. Primeiro ele pediu que apoiadores do partido clamassem pela instalação de uma CPI com vista a "desmascarar os autores da farsa do mensalão". Nada, silêncio sepulcral.
Depois, no episódio do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes no escritório do advogado Nelson Jobim, convocou mobilização popular em defesa do ex-presidente. Calados estavam os populares, calados ficaram.
Sem querer jogar água fria no entusiasmo de ninguém, resta uma evidência a ser levada em conta: se já anda difícil reunir as pessoas em prol de boas causas, muito mais difícil é lograr êxito em convocá-las a defender o indefensável.
Em se tratando da estudantada, então, os tempos apresentam-se mais bicudos agora que o Ministério Público investiga a União Nacional dos Estudantes e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas por malfeitos semelhantes aos cometidos pelos tão criticados políticos: uso indevido de verbas públicas.
O jornal O Globo revelou que o procurador Marinus Marsico identificou notas frias nas contas das entidades que receberam dinheiro do governo e com parte dele compraram cerveja, vinho, cachaça, búzios, velas e telefones celulares.
No dia seguinte, o mesmo jornal informou que nem um só tijolo da nova sede pela qual a UNE recebeu R$ 30 milhões (de um total de R$ 44 milhões) há um ano e meio, foi posto em pé.
De onde ficam prejudicadas as cordas vocais da moçada que José Dirceu convoca a dar lições de legalidade aos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.
A esfinge brasileira - MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE
Valor Econômico - 12/06
Guardado"Decifra-me ou devoro-te". Como impulsionar o consumo? Como destravar o investimento? Eis os grandes enigmas atuais da economia brasileira. Desatar o nó górdio do investimento privado em meio à crise financeira internacional e à imprevisibilidade europeia é um desafio quase insuplantável no momento. Resta, portanto, ele, o consumo. Fonte de acalorados debates, teses incompletas e frases de efeito. "O modelo de consumo se esgotou". Alguém ainda aguenta ouvir isso?
O debate atual em torno desse suposto esgotamento do "modelo de consumo" para o crescimento brasileiro tem misturado alhos com bugalhos no afã de desqualificar a atual estratégia adotada pelo governo para incrementar o ritmo de crescimento econômico. Embaralham os estímulos cíclicos de demanda - o que qualquer governo faz quando vê a atividade ameaçada por choques externos - com políticas de médio prazo de expansão da capacidade produtiva, para chegar à apressada conclusão de que "não há mais espaço" para a expansão do consumo e do endividamento das famílias. É claro que só uma estratégia de crescimento focada nas reformas estruturais e nas condições para o avanço do investimento privado garante a sustentabilidade da expansão da atividade e do desenvolvimento do país. Não há como discordar disso. A recomendação é tão sensata quanto qualquer conselho de avó.
Cerca de 45% da dívida das famílias tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de 6 meses
Mas isso nada tem a ver com a tentativa legítima de incentivar o consumo quando a economia ameaça escorregar por causa da crise internacional. Ou melhor, incentivar o consumo nestas condições é o mesmo que seguir o conselho avoengo de incontestável sensatez, "proteja-se das correntes de ar".
"Decifra-me ou devoro-te". Cadê o esgotamento? Vamos aos fatos. O crescimento brasileiro foi beneficiado, nos últimos anos, tanto pelo consumo, quanto pelo investimento. Basta olhar as Contas Nacionais. Entre 2003 e 2011, a razão investimento/Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 15% para 20%, enquanto o consumo perdeu participação no PIB.
A expansão do consumo neste período foi acompanhada de um aumento da alavancagem do consumidor, cujo comprometimento mensal da renda disponível atingiu 22% em março de 2012, após permanecer em torno de 19% entre maio de 2009 e maio de 2011; um avanço de três pontos percentuais que foi acompanhado de muito estardalhaço. Sobretudo quando os próprios bancos costumam trabalhar com um nível máximo de comprometimento de cerca de 30%. Houve, sim, uma alta de inadimplência. Mas os dados coletados pelo Banco Central (BC) e os indicadores do Serasa já apontam uma queda destas taxas à frente.
O prazo médio das dívidas para pessoas físicas é curto. Cerca de 45% do estoque tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de seis meses. Assim, as dívidas "acabam rápido" - e em um ambiente de estímulo ao refinanciamento, isso tende a ser acelerado, como agora. As taxas estão em queda, o que reforça o estímulo ao refinanciamento e abre espaço para maior contratação de dívida e consumo, uma vez que o percentual da renda comprometida com o pagamento de juros diminui proporcionalmente; dados preliminares do BC já apontam queda entre janeiro e maio na taxa média para pessoas físicas.
Os consumidores vêm se desalavancando mais recentemente, e mostram maior conforto com seu nível de endividamento, possivelmente um reflexo da curta duração das dívidas. A Sondagem do Consumidor da FGV mostra que, ao longo de 2011, o percentual de famílias que estava se endividando recuou, e, desde então, subiu apenas ligeiramente, atingindo 17,6% da amostra - abaixo da média histórica da pesquisa, de 20,5%. No mesmo período, o percentual de famílias que estão poupando subiu sistematicamente, e tem mostrado alguma estabilidade em torno do pico da série.
A Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio aponta uma diminuição do percentual de famílias endividadas entre maio de 2011 e maio de 2012. As famílias que se consideram pouco ou não endividadas atingem 64,5% da amostra, um avanço ante o mesmo mês do ano passado. Os próprios consumidores se mostram mais dispostos a aumentar suas compras. Segundo a FGV, cerca de 19% das famílias da amostra pretendem aumentar suas compras de bens duráveis. O percentual de famílias que pretendem diminuir suas compras, por outro lado, segue em patamar historicamente baixo (28%).
O consumidor quer aumentar seus gastos, tem confiança na perspectiva de emprego, passa por um momento em que uma boa parte das dívidas contraídas até o fim de 2011 estão vencendo, e se depara com custos declinantes para a contratação de novas dívidas. O que parece faltar é uma maior oferta de crédito por parte dos bancos, o que é compreensível no momento. Entretanto, espaço para consumir mais e crescer mais há, sim, ainda que não no ritmo observado ao longo de 2010. Desde que haja crédito. A estratégia pode não ser a melhor nem a mais segura, afinal estimula a alavancagem do consumidor. Mas decerto deve ser potente no curto prazo para estimular o crescimento.
Enigma decifrado.
O debate atual em torno desse suposto esgotamento do "modelo de consumo" para o crescimento brasileiro tem misturado alhos com bugalhos no afã de desqualificar a atual estratégia adotada pelo governo para incrementar o ritmo de crescimento econômico. Embaralham os estímulos cíclicos de demanda - o que qualquer governo faz quando vê a atividade ameaçada por choques externos - com políticas de médio prazo de expansão da capacidade produtiva, para chegar à apressada conclusão de que "não há mais espaço" para a expansão do consumo e do endividamento das famílias. É claro que só uma estratégia de crescimento focada nas reformas estruturais e nas condições para o avanço do investimento privado garante a sustentabilidade da expansão da atividade e do desenvolvimento do país. Não há como discordar disso. A recomendação é tão sensata quanto qualquer conselho de avó.
Cerca de 45% da dívida das famílias tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de 6 meses
Mas isso nada tem a ver com a tentativa legítima de incentivar o consumo quando a economia ameaça escorregar por causa da crise internacional. Ou melhor, incentivar o consumo nestas condições é o mesmo que seguir o conselho avoengo de incontestável sensatez, "proteja-se das correntes de ar".
"Decifra-me ou devoro-te". Cadê o esgotamento? Vamos aos fatos. O crescimento brasileiro foi beneficiado, nos últimos anos, tanto pelo consumo, quanto pelo investimento. Basta olhar as Contas Nacionais. Entre 2003 e 2011, a razão investimento/Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 15% para 20%, enquanto o consumo perdeu participação no PIB.
A expansão do consumo neste período foi acompanhada de um aumento da alavancagem do consumidor, cujo comprometimento mensal da renda disponível atingiu 22% em março de 2012, após permanecer em torno de 19% entre maio de 2009 e maio de 2011; um avanço de três pontos percentuais que foi acompanhado de muito estardalhaço. Sobretudo quando os próprios bancos costumam trabalhar com um nível máximo de comprometimento de cerca de 30%. Houve, sim, uma alta de inadimplência. Mas os dados coletados pelo Banco Central (BC) e os indicadores do Serasa já apontam uma queda destas taxas à frente.
O prazo médio das dívidas para pessoas físicas é curto. Cerca de 45% do estoque tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de seis meses. Assim, as dívidas "acabam rápido" - e em um ambiente de estímulo ao refinanciamento, isso tende a ser acelerado, como agora. As taxas estão em queda, o que reforça o estímulo ao refinanciamento e abre espaço para maior contratação de dívida e consumo, uma vez que o percentual da renda comprometida com o pagamento de juros diminui proporcionalmente; dados preliminares do BC já apontam queda entre janeiro e maio na taxa média para pessoas físicas.
Os consumidores vêm se desalavancando mais recentemente, e mostram maior conforto com seu nível de endividamento, possivelmente um reflexo da curta duração das dívidas. A Sondagem do Consumidor da FGV mostra que, ao longo de 2011, o percentual de famílias que estava se endividando recuou, e, desde então, subiu apenas ligeiramente, atingindo 17,6% da amostra - abaixo da média histórica da pesquisa, de 20,5%. No mesmo período, o percentual de famílias que estão poupando subiu sistematicamente, e tem mostrado alguma estabilidade em torno do pico da série.
A Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio aponta uma diminuição do percentual de famílias endividadas entre maio de 2011 e maio de 2012. As famílias que se consideram pouco ou não endividadas atingem 64,5% da amostra, um avanço ante o mesmo mês do ano passado. Os próprios consumidores se mostram mais dispostos a aumentar suas compras. Segundo a FGV, cerca de 19% das famílias da amostra pretendem aumentar suas compras de bens duráveis. O percentual de famílias que pretendem diminuir suas compras, por outro lado, segue em patamar historicamente baixo (28%).
O consumidor quer aumentar seus gastos, tem confiança na perspectiva de emprego, passa por um momento em que uma boa parte das dívidas contraídas até o fim de 2011 estão vencendo, e se depara com custos declinantes para a contratação de novas dívidas. O que parece faltar é uma maior oferta de crédito por parte dos bancos, o que é compreensível no momento. Entretanto, espaço para consumir mais e crescer mais há, sim, ainda que não no ritmo observado ao longo de 2010. Desde que haja crédito. A estratégia pode não ser a melhor nem a mais segura, afinal estimula a alavancagem do consumidor. Mas decerto deve ser potente no curto prazo para estimular o crescimento.
Enigma decifrado.
Plano de voo - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 12/06
Retrato ruim da segurança
O alto número de homicídios não resolvidos no país levou Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Justiça e Ministério Público Federal a fazer estudo esmiuçando os motivos. Foram traçadas as dificuldades das polícias técnica e científica. Conclusões que serão anunciadas amanhã pelos três órgãos: no Amazonas, há apenas dois computadores para 24 peritos. No Paraná, por exemplo, há só 172 peritos em atividade. No Mato Grosso, o déficit de provimento nos cargos chega a 50%. Os dados estão no relatório "Meta 2: a impunidade como alvo". A partir desse estudo, o governo pretende lançar políticas públicas que amenizem o problema.
"Já fiz o diagnóstico da injustiça e o tratamento é estancar esta sangria” — Eduardo Braga, líder do governo no Senado (PMDB-AM), ao informar em reunião que excluiria tudo o que trata de médicos e veterinários na MP 568
BARBEIRAGEM NO PLANEJAMENTO. A MP-568, que reajusta remunerações de diversas categorias do funcionalismo público federal, mas acaba aumentando em 20 horas a carga de trabalho e reduzindo em até 50% os vencimentos dos médicos, foi enviada ao Senado sem que o Ministério do Planejamento percebesse o problema. Segundo um interlocutor do Planalto, foi "barbeiragem" e "erro de cálculo" que agora terão que ser resolvidos pelos senadores da base.
Força
O Comitê Olímpico Brasileiro está à caça dos nossos mais renomados atletas, muitos deles em treinamento no exterior, para irem ao Planalto sexta-feira receber da presidente Dilma aperto de mão pelo êxito nas Olimpíadas de Londres.
Social
A empresa contratada pelo governo para fazer a montagem da decoração da solenidade de abertura da Conferência Rio+20 empregou com carteira assinada 30 refugiados do Haiti que vieram para o Brasil após terremoto.
Militância do contracheque
Um novo tipo de militante está surgindo no PT. É a "militância do contracheque". Ela apareceu na disputa interna dos petistas de João Pessoa (PB), domingo. Os aliados do candidato do PT à prefeitura, deputado estadual Rodrigo Soares, que foi o escolhido, tratavam assim o grupo do deputado federal Luiz Couto, que defendia a candidata do PSB, Estelizabel Bezerra. Governo e prefeitura são administrados pelos socialistas.
Vetado
O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), derrotou em convenção tentativa do prefeito Luciano Agra de disputar a reeleição. Coutinho agiu porque estava irritado com a "forma individual" de Agra governar.
Sem choro
A presidente Dilma não dará ouvidos ao Senado e trocará o IGP-DI pela Selic como indexador das dívidas dos estados. Vai ceder e alongar de dez para 20 anos o prazo de pagamento. Também não aceita redução do índice.
VOLTA À ATIVA. O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) volta a presidir hoje a CPI. Pesou pedido de colegas para que não deixasse o depoimento do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) nas mãos do PT.
ORIGEM. O relator da MP do Código Florestal, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), avalia que, com tantas emendas, a saída será voltar ao texto original.
SEM COMBINAÇÃO. O pito público da presidente Dilma no ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), que o desautorizou a negociar o Código Florestal, só ocorreu porque ele não combinou nada de antemão.
Tiro ao alvo - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 12/06
O PT tem uma nova carta na manga para emparedar o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) em seu depoimento hoje na CPI do Cachoeira. Nas conversas interceptadas pela Polícia Federal, em maio de 2011, Cachoeira afirma que Perillo agendou para ele uma reunião com Fernando Leite, ex-presidente da Caesb, empresa de saneamento do Distrito Federal, e pediu que Claudio Abreu, ex-diretor da Delta, o acompanhasse. O tucano tem dito que não tinha relações com o bicheiro.
Outro lado Questionado sobre o diálogo, Perillo diz que jamais marcou qualquer encontro para Cachoeira e que Fernando Leite não era presidente da Caesb em 19 de maio de 2011. Ele deixou o órgão em janeiro daquele ano.
Objetivo O principal intuito de Perillo no depoimento é evitar que a CPI determine a quebra de seus sigilos fiscal e bancário. Para isso, tentará justificar a venda da casa para Cachoeira, sobre a qual há várias versões conflitantes dadas por personagens envolvidos no negócio.
Não sabia Na preparação para o depoimento, Perillo foi aconselhado a citar Ulysses Guimarães para explicar por que não sabia quem assinou os cheques da venda da casa. "Depois que virei presidente da Câmara, nunca mais abri uma porta nem paguei uma conta", dizia o peemedebista.
Tchau Militantes do PPS-DF ameaçam desfiliação em massa caso a direção nacional decida deixar o governo de Agnelo Queiroz (PT), que depõe na quinta à CPI. A cúpula da sigla se reúne hoje em Brasília para avaliar recurso da seção local, que quer manter duas administrações regionais e o Procon.
Fora do jogo 1 A ministra da Secom, Helena Chagas, assinou ato declarando inidônea a Matisse, que já foi uma das três agências de publicidade da milionária conta da Presidência. Com a decisão, a Matisse fica proibida de fechar contratos com a administração direta e indireta.
Fora do jogo 2 A Matisse já tinha perdido a conta da Secom, depois de enfrentar problemas entre os sócios e brigas com o ex-ministro Franklin Martins. A decisão de declará-la inidônea foi pelo atraso no pagamento a veículos de comunicação.
Quem pisca DEM e PR devem realizar suas convenções depois do dia 24, data em que será homologada a candidatura de José Serra. As duas siglas condicionam o apoio ao ex-governador à coligação proporcional, que os tucanos querem barrar.
Truco Caso o PSDB vete a aliança para vereador, também reivindicada por PSD e PP, as duas siglas ameaçam não fechar aliança formal, o que deixaria Serra sem mais de três minutos na TV.
De volta... Vitorioso na escolha do candidato a vice do PT na chapa de Márcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte, Fernando Pimentel agiu nos bastidores para impedir que o desafeto Patrus Ananias despontasse como nome de consenso entre os petistas nas prévias.
... para o futuro Instalando o aliado Miguel Corrêa na chapa de Lacerda, o ministro do Desenvolvimento pavimenta seu "plano B" para 2014. Caso desista de disputar o governo mineiro, trabalhará pela candidatura de Lacerda e seu grupo herdará o controle da prefeitura, que comandou por sete anos.
Viva o verde Em baixa com ambientalistas, Aldo Rebelo se dedica a uma causa verde. Palmeirense, o ministro recebeu cartolas no feriado e se comprometeu a apoiar a campanha por eleições diretas para presidente do clube. Prometeu colocar na internet uma foto sua com a camiseta das "Diretas Já".
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"Se José Dirceu pediu ajuda aos universitários é porque, como Lula diz, ele está mesmo desesperado com o julgamento do mensalão."
DO DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP), sobre o ex-ministro convocar a UNE para sair às ruas em sua defesa por um "julgamento nos autos" no STF.
contraponto
Funk do Guardanapo
Distribuindo autógrafos durante a abertura da Parada Gay, anteontem, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) explicava a quem quisesse ouvir que estava com pressa, pois tinha uma viagem programada:
-Vou a Paris, falar sobre a renda básica de cidadania!
Um dos participantes da marcha logo retrucou, brincando com o recente episódio envolvendo o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, flagrados em vídeos e fotos fazendo a festa na capital francesa:
-Senador, cuidado com quem vai dançar por lá...
Ueba! Alugamos namorados! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 12/06
Uma amiga vai passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME, pelo amor de Deus! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Atenção! Promoção de motel na via Dutra pro Dia dos Namorados: "Você dá quatro! A quinta é nossa". Ueba! Hoje vai dar overbooking em motel! E tem outro motel em BH que tá aceitando vale-refeição! Comeu a namorada com vale-refeição! E celebridade troca tanto de namorado que nem sabe mais com quem tá namorando. Tem que ligar pra "Caras": "Quem que eu tô namorando mesmo?". Rarará!
E em Salinas, no Pará, tem uma ótima oferta pro Dia dos Namorados: "Vende-se CHIFRI! Varejo e Atacado". Atacado por um chifre! E lembre-se que amor começa em motel e termina em pensão! E você quer que sua namorada continue gritando após a transa? Limpa o pingolim na cortina! Ela vai gritar por três dias! Rarará!
E uma amiga minha não quer namorado porque homem só serve pra três coisas: trocar pneu, abrir tampa de vidro de maionese e assistir ao programa do Milton Neves! E uma outra vai passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME, pelo amor de Deus! Rarará!
E na noite do Dia dos Namorados é assim: "Meu anjo, bebê, fofita, pudinzinho". E aí acorda no dia seguinte e o pudinzinho vira anta e vaca: "Onde tá o Sonrisal, sua anta?". "Cadê minha cueca, sua vaca?". E corre na internet uma placa em Ceilândia: "Alugo-me para o Dia dos Namorados. Beijo na boca, tiro foto, digo que amo e visito a família". Só isso? Uma amiga minha disse que faz muito mais. E de graça!
E as Lojas Americanas, que estão anunciando máquina de lavar pro Dia dos Namorados? Se for pra namorada, é a coisa mais machista que existe. E, se for pro namorado, é melhor trocar de namorado!
Vai dar overbooking em motel. Por isso que eu recomendo o drive-thru do McDonald's: entra, pede um hambúrguer, dá uma rapidinha e sai! McRapidinha Feliz!
E um leitor mandou a foto da namorada com a legenda: "Tá explicado por que eu bebo?". E as recomendações de todo ano: se o teu namorado te trair, não se atire pela janela. Você tem chifres, não asas. E você sabe quando o namoro tá indo pro brejo quando engole muito sapo e come pouca perereca. E o melhor namorado é o saci: quando te dá um pé na bunda, quem cai é ele.
E sabe o que o saci falou pra sacia? FICA DE TRÊS! Rarará. Dia dos Namorados. Um dia dedicado, como diz uma amiga, a essa doença mental chamada amor. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Uma amiga vai passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME, pelo amor de Deus! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Atenção! Promoção de motel na via Dutra pro Dia dos Namorados: "Você dá quatro! A quinta é nossa". Ueba! Hoje vai dar overbooking em motel! E tem outro motel em BH que tá aceitando vale-refeição! Comeu a namorada com vale-refeição! E celebridade troca tanto de namorado que nem sabe mais com quem tá namorando. Tem que ligar pra "Caras": "Quem que eu tô namorando mesmo?". Rarará!
E em Salinas, no Pará, tem uma ótima oferta pro Dia dos Namorados: "Vende-se CHIFRI! Varejo e Atacado". Atacado por um chifre! E lembre-se que amor começa em motel e termina em pensão! E você quer que sua namorada continue gritando após a transa? Limpa o pingolim na cortina! Ela vai gritar por três dias! Rarará!
E uma amiga minha não quer namorado porque homem só serve pra três coisas: trocar pneu, abrir tampa de vidro de maionese e assistir ao programa do Milton Neves! E uma outra vai passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME, pelo amor de Deus! Rarará!
E na noite do Dia dos Namorados é assim: "Meu anjo, bebê, fofita, pudinzinho". E aí acorda no dia seguinte e o pudinzinho vira anta e vaca: "Onde tá o Sonrisal, sua anta?". "Cadê minha cueca, sua vaca?". E corre na internet uma placa em Ceilândia: "Alugo-me para o Dia dos Namorados. Beijo na boca, tiro foto, digo que amo e visito a família". Só isso? Uma amiga minha disse que faz muito mais. E de graça!
E as Lojas Americanas, que estão anunciando máquina de lavar pro Dia dos Namorados? Se for pra namorada, é a coisa mais machista que existe. E, se for pro namorado, é melhor trocar de namorado!
Vai dar overbooking em motel. Por isso que eu recomendo o drive-thru do McDonald's: entra, pede um hambúrguer, dá uma rapidinha e sai! McRapidinha Feliz!
E um leitor mandou a foto da namorada com a legenda: "Tá explicado por que eu bebo?". E as recomendações de todo ano: se o teu namorado te trair, não se atire pela janela. Você tem chifres, não asas. E você sabe quando o namoro tá indo pro brejo quando engole muito sapo e come pouca perereca. E o melhor namorado é o saci: quando te dá um pé na bunda, quem cai é ele.
E sabe o que o saci falou pra sacia? FICA DE TRÊS! Rarará. Dia dos Namorados. Um dia dedicado, como diz uma amiga, a essa doença mental chamada amor. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Assinar:
Postagens (Atom)