segunda-feira, junho 04, 2012

A escolha de Brasília - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


O ESTADÃO - 04/06

Por que a produção de remédios, por exemplo, não está na primeira fila da isenção de impostos? 

Faz algum tempo que a indústria farmacêutica brasileira espera uma redução de impostos na produção de medicamentos essenciais para câncer, hipertensão, diabetes,colesterol,entre outras doenças. No início do ano, o pessoal do setor recebeu a informação de que o decreto estava quase pronto.Mas nada.A farmacêutica não foi considerada prioritária pelo governo - ao contrário, por exemplo,da auto mobilística, especialmente beneficiada, e dediversas outras que foram desoneradas dos 20% de contribuição previdenciária sobre a folha de salários.

E, entretanto, é difícil imaginar algum setor mais importante para a população do que a produção de remédios. Na verdade, como ocorre em outros países, esse setor deveria estar na primeira fila da isenção/redução de impostos.

Por que não está? Talvez porque não tenha pátios cheios para mostrar ou um bom lobby empresarial e sindical.

E por que o governo precisa de dinheiro.

A despesa pública continua aumentando, e pesadamente, de modo que o governo precisa arrecadar cada vez mais para pagar essas contas. Assim,nem todos podem pagar menos impostos e sempre é preciso compensar as reduções concedidas aos amigos do rei. O resultado: caem os impostos para alguns e aumenta a carga para o conjunto da economia. Isso é um grave entrave ao crescimento. Sem contar a arbitrarie dade política na escolha dos que ganharão benefícios.

Essa prática distorce a atividade econômica e derruba a competitividade, pois o sucesso não depende da eficiência, mas das pontes com Brasília.

Investimentos atrasados. E parece que vem mais arbitrariedade poraí.Os investimentos da Petrobrás, sobretudo no pré-sal, estão atrasados por que a estatal encontra problemas na aquisição de sondas, plataformas e navios. O governo impõe uma exigência de pelo menos 55% de conteúdo nacional nesses equipamentos. Os fabricantes nacionais não dão conta. Não conseguem entregar; quando entregam, o fazem com atraso e sempre com preços maiores do que o inicialmente contratado e muito maiores do que o importado.

Como isso prejudica investimentos essenciais, informa o jornal Valor Econômico de sexta-feira, o governo pretende relaxar a exigência de nacionalização.Mas não para todos.Será de formas eletiva.Já viu.

Inaceitável para quem? O presidente da França, François Hollande, considera "inaceitável" que um país possa se financiar pagando juro zero e outro tenha de morrer com 6,5%. Aquele "um" é a Alemanha, cujo governo outro dia mesmo vendeu títulos da dívida, na verdade, a juros negativos.

A taxa foi zero - ou seja,o investidor aplicou mil euros e, ao final de um ano, receberá mil euros. Descontando uma inflação de 2% ao ano, o aplicador perdeu dinheiro para ficar com os papéis alemães.

Mais inaceitável ainda, diria Hollande.

Mas inaceitável para quem ? Para os alemães está tudo muito bem, não é mesmo? O "outro" país é a Espanha, cujo governo só vende títulos quando paga os tais juros acima de 6% ao ano. Inaceitável? Como retórica, pode ser. Na prática, os espanhóis têm sido obrigados a aceitar essa taxa pela simples razão de que precisam do dinheiro para continuar financiando sua dívida.

O problema, diria Hollande, é a desigualdade: uns pagando nada, outros tendo de pagar muito. Ele usou a Espanha como exemplo para não cair no pessoal. Lá no fundo, o presidente francês também considera inaceitável que seu governo tenha de pagar mais do que os alemães.

Na sexta-feira, o mercado aceitava títulos de dez anos do Tesouro alemão para receber juros anuaisde1,17%.Do Tesouro francês, cobrava 2,23%.O dobro! Julgamento moral à parte, por que funciona daquele jeito? É simples.Quanto maior a segurança do investimento, menor a rentabilidade.

Qual o risco de não receber o dinheiro emprestado para os alemães? Zero. Já para a Espanha...

Na verdade,quem compra títulos espanhóis não acha que o país vai quebrar ou, pelo menos, não acha que isso vai acontecer daqui a pouco.Se achasse,não compraria, não é mesmo? Mas sabe que há risco real de acontecer alguma coisa - a dívida do governo é muito elevada, há dificuldades para reduzi-la e os bancos espanhóis carregam créditos de difícil recebimento.

Assim, o investidor quer um prêmio para correr esse risco.Do mesmo modo, ninguém acha que a França vai quebrar, mas todo mundo sabe que a sua situação é pior do que a da Alemanha.

O país de Angela Merkeltemas contas arrumadas, é poupador e tem superávit no comércio externo. É austero, portanto.

Mas austeridade não é nada,diria Hollande, é preciso crescer.

Perfeitamente, responderia, Merkel. E exibiria os números: a Alemanha cresceu mais de 3% nos últimos dois anos, simplesmente o ritmo mais forte entre os países ricos. A França nem chegoua2%.

Neste momento em que toda a zona do euro cresce nada ou já está no negativo, é a Alemanha que salva algum crescimento.

Ou seja, ao usar o argumento moral econsiderar injusto que alguns paguem mais, Hollande quer ser tratado como alemão ao vender seus títulos, mas continuar sendo francês alinodiaadia: trabalhando menos horas, ganhando mais e se aposentando mais cedo. Aí fica inaceitável para os investidores. Abutres, diria, Hollande.

Até pode ser,mas a saída é fácil para o presidente francês. Basta não ira mercado,não vender títulos do Tesouro. Só que aí precisaria fazer um baita corte de gastos públicos para viver exclusivamente da arrecadação de impostos.

Resumindo:Hollande quer o dinheiro dos investidores, mas nas condições - e nos juros - que ele considera aceitáveis. Não vai colar.

A polícia apura melhor - RENATO JANINE RIBEIRO


Valor Econômico - 04/06



A CPI do Cachoeira tem uma notícia boa e uma ruim. A ruim é que as grandes CPIs políticas estão desaparecendo, porque os partidos investigam pior que a polícia. A boa é que a Polícia Federal investiga melhor que os partidos políticos. O mesmo fato é bom e mau. É mau, pois atesta que nossas agremiações partidárias não se empenham em apurar fatos comprometedores. Mas é bom, porque temos um órgão policial competente, no plano técnico, e independente, no campo ético, para levar criminosos de qualquer partido aos tribunais.

Em 1992-93, quando o Brasil parecia estar se livrando da pecha da corrupção, com o impeachment do presidente Collor e a cassação de deputados que manipulavam o orçamento, as CPIs políticas foram importantes. Depois, decaiu seu papel. Primeiro, por uma razão constitucional: o Supremo decidiu que nenhum suspeito é obrigado a testemunhar contra si próprio, sequer numa CPI. Elas assim perderam muito de seu teatro e de sua eficácia. Para provar algo contra o suspeito, a CPI tem realmente que apurar. Ora, isso ela dificilmente fará tão bem quanto o órgão especializado, que é a polícia. Segundo motivo: com o racha de 1994 entre PSDB e PT, acabou a união pela ética na política que entusiasmou o país na época do impeachment.

Sucedendo-se na presidência, tucanos e petistas se mostraram mais realistas, menos idealistas. Dei antes uma razão técnica para as CPIs não conseguirem apurar os malfeitos; agora, esta é uma razão política para elas não quererem apurá-los. Chegamos à ridícula situação de cada lado ter o ato criminoso de sua predileção. Ao PT, não interessa que seja julgado o mensalão. Já a oposição disfarça o caso Cachoeira como se fosse um assunto genérico contra todos os partidos - e não, antes de mais nada, um caso contra o senador Demóstenes, oposicionista, e seus companheiros de negócios. Tudo isso, como já comentei antes de surgir o tema Demóstenes-Cachoeira, é triste, porque indica o descaso dos partidos e de seus simpatizantes pela questão ética, que só serve quando é manipulada contra o inimigo.

As CPIs políticas parece que se esvaziaram

Usei de propósito o termo "inimigo", que é da guerra e não da política. No embate democrático, há adversários ou rivais, que eu quero vencer, mas não inimigos, que tento aniquilar. Matar a pessoa de quem se discorda é um absurdo, na democracia. É coisa de guerra. A democracia é o modo de aprofundar as divergências sem demonizar o outro e sem substituir a convivência com o diferente pelo empenho em matá-lo.

Em tudo isso, o Brasil se tem mostrado deficiente. Ou devo dizer: deficiente é sua elite política, nos partidos e na imprensa, quanto a seus deveres com o país. A educação política é demorada. Ela exige, basicamente, duas coisas. Antes de mais nada, é preciso delimitar o espaço de divergências legítimas e mesmo positivas. Ninguém, em sã consciência, considerará que a livre expressão do racismo, do fascismo ou a defesa da ditadura constitui direito inconteste. Ela até pode ser eventualmente tolerada, mas é perfeitamente compatível com a democracia proibi-la. Não é lícito falar em raça inferior. Tal discurso matou milhões de pessoas. Mas, com essa ressalva, deve haver a mais ampla tolerância democrática. Uns defenderão o neoliberalismo, outros a socialização dos meios de produção. Desde que ninguém queira impô-las pela força ou suprimindo as liberdades, é direito seu propugnar essas políticas.

Agora, a segunda necessidade, para a educação democrática, é que essas alternativas legítimas sejam discutidas. Mas, aqui, não há como obrigar alguém a fazer isso. A condição anterior - plena liberdade de expressão e organização para quem não contesta radicalmente a democracia - pode ser instituída por lei. Mas o debate não pode ser tornado obrigatório. Depende da vontade de quem toma a palavra, sejam políticos, sejam simplesmente pessoas com acesso a alguma tribuna.

Só que, se esse debate não existir, a política também não virá à luz do dia. Por exemplo, na política federal, responsável pelas opções econômicas do país, precisamos ter uma discussão aberta sobre o papel do Estado e da empresa privada na economia, o volume e natureza dos impostos, a abertura do país para a economia internacional, os setores estratégicos que ficam em mãos do Estado. E essa discussão exige que posições opostas sejam apresentadas, justificadas e, por que não?, dosadas. Por exemplo, posso entender que o BNDES deve financiar a empresa nacional; mas ainda assim cabe espaço para debater se ele deve dar juros subsidiados ou não, se deve beneficiar empresas estatais ou privadas, se deve exigir contrapartidas dessas últimas e quais... Não é só o debate entre o sim e o não, é também sobre quanto sim e quanto não.

O problema é que existe pouco disso entre nós. Daí que seja tão fácil a encenação nas CPIs. Ela nos dispensa de debater o conteúdo das políticas que o país deve ou não tomar. O custo disso, porém, é elevado. A democracia não existe sem uma constante educação política de todos nós. Mas, se nos limitarmos a esse jogo de acusações e denúncias, que aparentemente, graças a Deus, não está mais dando certo nas CPIs, não vamos avançar na democracia.

O que fazer? Uma singela sugestão: que as CPIs procurem esmiuçar assuntos da competência legislativa de cada esfera de governo. As CPIs sobre a exploração sexual das crianças e sobre a ciência e tecnologia foram positivas. Poderíamos elencar outros assuntos que requerem leis novas, e reunir legisladores de boa vontade em torno deles. A educação pode ser um desses temas, o transporte público outro. O resto, parece que a polícia faz melhor.

Baixa o imposto, Dilma - VINICIUS MOTA


FOLHA DE SP - 04/06

SÃO PAULO - A CPI do Cachoeira e o julgamento do mensalão pouco ameaçam a reeleição da presidente Dilma. Já a modorra da economia pode fazer estragos.

Nessa hora, o custo de manter assessores apenas medianos -e que enxergam o setor privado com um misto de ignorância e desconfiança- começa a sobressair. Não há plano coerente nem ambicioso para o Brasil voltar a crescer ao ritmo que precisa num ambiente global pedregoso.

O instinto "desenvolvimentista" é pregar o pau na despesa pública. Já se fala em baixar a poupança que o governo faz para pagar sua dívida, o superavit primário. Em suma, poupar menos para gastar mais.

Os mais responsáveis pregam a necessidade de acelerar o investimento público em portos, estradas, aeroportos, ferrovias, transporte urbano, saneamento e habitação. Mas a inoperância do governo nessa área é difícil de superar no curto prazo.

A ferrovia Norte-Sul -aquela mesma do presidente Sarney- já consumiu 27 anos de obras e R$ 8 bilhões do erário, mas ainda não está completa. Quem sabe em 2013.

Não se cogita, por preconceito e falta de coragem de enfrentar o corporativismo estatal, de devolver dinheiro à sociedade para que ela mesma se encarregue de reativar o gasto e o investimento. Para cada R$ 100 investidos no Brasil, os governos respondem por menos de R$ 15.

O setor público, essa máquina fabulosa de arrecadar, tem propensão baixíssima para poupar e investir -e altíssima para consumir. O Brasil tem margem para baixar substancialmente sua carga tributária, hoje em 35% do PIB, a fim de estimular a atividade econômica. Praticamente nenhuma outra nação importante às voltas com a crise pode fazer isso.

A queda dos juros, uma despesa gorda do erário, facilitaria paulatinamente um programa de alívio do peso dos impostos. Mas, sem controlar ao longo dos anos o dispêndio com a máquina governamental, nada feito.

Como perder - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 04/06

"Eu não vou permitir que um tucano volte à Presidência do Brasil." (Lula)


Pegue um prefeito de capital candidato à reeleição, líder das pesquisas de intenção de voto, mas com popularidade modesta. Faça-o disputar uma prévia com um candidato apoiado por três dos quatro deputados federais do seu partido, quatro dos cinco estaduais, o único senador do partido, o governador do estado e um ex-presidente da República.

Uma vez que espantosamente ele ganhe a prévia, arranje uma desculpa para anulá-la. Então marque outra.E, na véspera da nova prévia, faça com que o adversário dele renuncie à disputa. Despache emissários para convencer o prefeito a abdicar da reeleição e a apoiar um terceiro nome.Ameace expulsá-lo do partido. Por fim, convoque- o para uma reunião em outro estado.

Qual será o desfecho dessa história? Não sei. Ela teve início no Recife há dois meses.Poderá amanhã em São Paulo ganhar um ponto final.O prefeito atende pelo nome de João da Costa. É do PT. Seu adversário na prévia anulada foi o deputado federal Maurício Rands.O destino de João está nas mãos da Executiva Nacional do PT. Menos...

O destino de João também está nas mãos dele mesmo.Pesquisas aplicadas nos últimos dez dias para consumo interno de vários partidos registram o crescimento de sua candidatura. Eleitores que nunca votaram no PT começam a admitir que possam fazê-lo. A cidade com fama de rebelde está inquieta. Detesta que decidam por ela. Se João bater o pé e resistir...

A memória política do Recife não registra episódio semelhante.Durante dois meses, o prefeito da cidade foi achincalhado pelos principais líderes do seu próprio partido. Os líderes dos outros partidos ouviram satisfeitos.Acusaram-no até de ser ladrão. Ao fim e ao cabo, nada do que se disse contra ele restou provado. O que explica então tamanha manifestação de fúria?

Ambição política, ora.Existe combustível mais poderoso? Ambição da parte de vários atores. A começar por outro João que mandou no Recife durante oito anos e indicou João da Costa para suceder a ele. João Paulo, deputado federal, patrocinou a candidatura de João da Costa contra a vontade de Lula e da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária dentro do PT.

João da Costa havia sido Secretário de Planejamento do governo João Paulo. Era um técnico antes de tudo.Assim como Dilma, jamais enfrentara uma eleição. Ganhou com o slogan João é João . Os dois Joões brigaram menos de um ano depois da vitória de Costa. A porta do inferno abriu-se para o atual prefeito quando João Paulo anunciou que desejava suceder a ele.

O governador Eduardo Campos (PSB) ambiciona escolher quem irá suceder a ele daqui a dois anos. João Paulo é o nome do PT com mais larga aceitação no estado.Caso voltasse a ser prefeito, nada mais natural que aspirasse à vaga de Eduardo. João Paulo acabou saindo de cena por obra e graça de Eduardo e de Lula, que se juntaram contra ele.

O lance seguinte dos dois foi torpedear a reeleição de João da Costa Lula, porque nunca gostou dele; Eduardo, porque teme que alguns partidos que o apoiam concorram à prefeitura do Recife com candidatos próprios diante de uma eventual fragilidade da candidatura de João da Costa. Abusaram tanto do prefeito que ele resolveu encará-los.

"A maioria do Diretório Municipal me apoia. Se houver uma convenção, eu venço , garante João da Costa. Assim como venci a prévia anulada. Assim como venceria a prévia cancelada" . A direção nacional do PT sabe disso. O assunto será examinado pela Executiva do partido, formada por 22 membros 11 da CNB, tendência que se opõe ao prefeito.E por que se opõe?

Por ambição. Lula quer o senador Humberto Costa como candidato a prefeito do Recife. Humberto é da CNB.Eduardo topa. Com apenas dois anos como prefeito, ele não abandonaria o cargo para tentar se eleger governador.João da Costa não tem cacife para se impor sozinho a toda essa gente.Mas, contra ele, toda essa gente perderá a eleição.

O protecionismo brasileiro - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 04/06


Indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM) vinham reivindicando há algum tempo uma proteção para produtos ali fabricados, sob o pretexto de que uma "invasão" de similares importados poderia levar a um desemprego em massa na região. O lobby foi suficientemente forte para que o governo federal baixasse o Decreto 7.741, em 31 de maio, elevando para 35% as alíquotas do IPI sobre motocicletas, aparelhos de micro-ondas e de ar-condicionado importados e nacionais, com exceção dos produzidos na ZFM, onde se concentram 90% da produção brasileira desses itens. Ou seja, produtos similares aos da lista, que forem fabricados em São Paulo ou no Rio Grande do Sul, receberão o tratamento tributário dado a produtos chineses ou tailandeses - e isso para "proteger" as ineficiências produtivas da Zona Franca de Manaus.

Medidas tomadas para defender a indústria instalada no País da concorrência externa dificilmente ficam limitadas a um setor ou a poucos setores. O aumento da alíquota do IPI em benefício da ZFM toma como precedente a elevação, em setembro do ano passado, de 30 pontos porcentuais da alíquota desse tributo sobre automóveis que não tivessem um conteúdo nacional de 65%, englobando todos os carros importados, com exceção daqueles produzidos em países com os quais o Brasil mantém acordos automotivos. O objetivo era declaradamente proteger toda uma cadeia produtiva, favorecendo a produção de componentes, partes e peças de veículos no País.

Acontece, porém, que os insumos destinados à industrialização na ZFM são beneficiados por uma redução de 88% do imposto de importação. Ou seja, a taxação sobre produtos acabados, agora concedida, não tem nada a ver com os materiais que os compõem.

E, pior, age em detrimento de produtores de outras regiões do País. Além do subsídio da tarifa alfandegária, restituição de impostos estaduais, variando de 55% a 100%, isenção do IPTU e taxas de serviços municipais, as indústrias instaladas na ZFM podem gozar de redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, inclusive adicionais de empreendimento considerados como prioritários para o desenvolvimento regional, calculado sobre o Lucro de Exploração até 2013 e isenção de PIS/Pasep e da Cofins nas operações internas. Os produtos montados naquela área estão também isentos do IPI. Isso contradiz a informação, que chegou a ser divulgada na semana passada, de que as motos, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado originários da ZFM "continuariam" pagando o imposto à razão de 20%.

Seja como for, este não parece ser um problema de difícil solução. Depois de ter taxado a importação de automóveis, o governo ainda há pouco isentou ou reduziu substancialmente o IPI para carros novos produzidos no País até o fim de agosto deste ano, como forma de estimular a demanda e "puxar" o crescimento econômico. O mesmo pode ser feito para motos, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado, para acelerar o ritmo de atividade pela via do consumo.

Como contrapeso a essas desonerações, o governo decidiu, igualmente em 31 de maio, corrigir para cima a tabela de incidência do IPI sobre as chamadas bebidas frias, como cerveja, refrigerantes e água. Esta seria uma forma de compensar os cortes de impostos por meio do Plano Brasil Maior, declaradamente destinado a estimular a competitividade da indústria nacional.

As coisas não vão parar por aí. Como O Globo noticiou, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, declarou nessa quarta-feira (dia 30), que o resultado das contas do governo, de janeiro a abril, possibilita a continuidade da política que vem sendo adotada. "O que estamos procurando fazer é manter o (superávit) primário e ativar a economia da melhor forma possível, atacando os principais gargalos", disse ele.

Os resultados são duvidosos, mas uma coisa é certa: a barafunda tributária só tem aumentado no País, que se credencia para conquistar novamente o campeonato mundial do número de horas exigidas para pagar imposto. No ano passado, o País ficou em 1.º lugar no ranking, com 2.600 horas gastas para as empresas cumprirem suas obrigações com o Fisco. Já basta, segundo a ONU, a OMC e a OCDE, o recorde de protecionismo.

Pau pra toda obra - MELCHIADES FILHO


FOLHA DE SP - 04/06

BRASÍLIA - Há muito tempo incomodado com as minúcias técnicas e os mecanismos de fiscalização da Lei de Licitações, o governo federal prepara-se para enterrá-la de vez, sob a alegação de que medidas emergenciais precisam ser tomadas para combater a paralisia da indústria e a desaceleração da economia.

O Planalto chegou à conclusão de que praticamente se esgotaram os efeitos do "combo" da política monetária do início da gestão Dilma.

Ninguém mais aposta que a derrubada de juros vá bombar a demanda e despertar o "instinto animal" da iniciativa privada. O empresariado se recolheu. Faz caixa à espera do desfecho da crise europeia. Já são três trimestres de queda de investimentos. O vaticínio dos banqueiros estava certo: "Você pode levar o cavalo à beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água".

O governo vê-se, então, pressionado a tomar ele mesmo a iniciativa. Sobretudo porque é desastroso o desempenho de seus investimentos. Com a exceção do programa federal da casa própria, nada funciona. Os gastos com obras caíram em relação a 2011. No setor de transportes, eles tombaram à metade.

Para salvar o PAC, que roda em ritmo ainda menor que na era Lula, a Presidência não pensa só em entregá-lo a novos gestores. Cuida para tirá-lo do escopo da Lei 8.666 por meio de uma medida provisória.

O Planalto já havia aprovado outro regime de concorrência para os projetos da Copa/Olimpíada. Ele de fato permite imprimir rapidez às obras. Mas, em parte, porque dificulta (ou, no mínimo, adia) o controle de orçamentos e despesas.

Se confirmadas pelo Congresso, as novas regras abrirão de vez a porteira. Afinal, é o governo quem define o que é e o que não é PAC.

Lançada em 1993 como peça moralizadora, a Lei das Licitações perdeu apelo neste cenário de pressão, tão mais tolerante a meios obscuros com declarados fins virtuosos.

Meu inferno mais íntimo - LUIZ FELIPE PONDÉ

FOLHA DE SP - 04/06

Enfrentar-se a si mesmo e ainda assim assumir-se é atravessar um inferno de silêncio e solidão

Um jovem rabino, angustiado com o destino da sua alma, conversava com seu mestre, mais velho e mais sábio, em algum lugar do Leste Europeu entre os séculos 18 e 19.
Pergunta o mais jovem: "O senhor não teme que quando morrer será indagado por Deus do porquê de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias? Eu sempre temo esse dia".
O mestre teria respondido algo assim: "Quando eu morrer e estiver na presença de Deus, não temo
que Ele me pergunte pela razão de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias, temo que Ele me pergunte pela razão de eu não ter conseguido ser eu mesmo".
Trata-se de um dos milhares de contos hassídicos, contos esses que compõem a sabedoria do hassidismo, cultura mística judaica que nasce, "oficialmente", com o Rabi Baal Shem Tov, que teria nascido por volta de 1700 na Polônia.
A palavra "hassidismo" é muito próxima do conceito de "Hesed", piedade ou misericórdia, que descreve um dos traços do Altíssimo, Adonai ("Senhor", termo usado para se referir a Deus no judaísmo), o Deus israelita (que, aliás, é o mesmo que "encarnou" em Jesus, para os cristãos).
Hassídicos eram conhecidos como "bêbados de Deus", enlouquecidos pela piedade divina (e pela vodca que bebiam em grandes
quantidades para brindar a vida...) que escorre dos céus para aqueles que a veem.
São muitas as angústias de quem acredita haver um encontro com Deus após a morte. Mas ninguém precisa acreditar em Deus ou num encontro como esse para entender a força de uma narrativa como esta: o primeiro encontro, em nossa vida, que pode vir a ser terrível, é consigo mesmo. Claro que se Deus existe, isso assume dimensões abissais.
Para além do fato óbvio de que o conto fala do medo de não estarmos à altura da vontade de Deus, ele também fala do medo de não sermos seres morais e justos, como Moisés e Elias, exemplos de dois grandes "heróis" da Bíblia hebraica. Ser como Moisés e Elias significa termos um parâmetro moral exterior a nós mesmos que serviria como "régua".
A resposta do sábio ancião ao jovem muda o eixo da indagação: Deus não está preocupado se você consegue seguir parâmetros morais exteriores, Deus está preocupado se você consegue ser você mesmo.
Não se trata de pensar em bobagens do tipo "Deus quer que você seja feliz sendo você mesmo" como pensaria o "modo brega autoestima de ser", essa praga contemporânea. Trata-se de dizer que ser
você mesmo é muito mais difícil do que seguir padrões exteriores porque nosso "eu" ou nossa "alma" é nosso maior desafio.
Enfrentar-se a si mesmo, reconhecer suas mazelas, suas inseguranças e ainda assim assumir-se é atravessar um inferno de silêncio e solidão. Ninguém pode fazer isso por você, é mais fácil copiar modelos heroicos, por isso o sábio diz que Deus não quer cópias de Moisés e Elias, mas pessoas que O enfrentem cara a cara sendo quem são.
Podemos imaginar Deus perguntando a você se teve coragem de ser você mesmo nos piores momentos em que ser você mesmo seria aterrorizante. Aí está o cerne da "moral da história" neste conto.
Noutro conto, um justo que morre, chegando ao céu, ouve ruídos horrorosos vindo de uma sala fechada. Perguntando a Deus de onde vem aquele som ensurdecedor, Deus diz a ele que vá em frente e abra a porta do lugar de onde vem a gritaria. Pergunta o justo a Deus que lugar seria aquele. Deus responde: "O inferno". Ao abrir a porta, o justo ouve o que aqueles infelizes gritavam: "Eu, eu, eu...".
Ao contrário do que dizia o velho Sartre, o inferno não são os outros, mas sim nós mesmos. Numa época como a nossa, obcecada por essa bobagem chamada autoestima, ocupada em fazer todo mundo se achar lindo e maravilhoso, a tendência do inferno é ficar superlotado, cheio de mentirosos praticantes do "marketing do eu".
Casas, escritórios, academias de ginásticas, igrejas, salas de aula, todos tomados pelo ruído ensurdecedor do inferno que habita cada um de nós. O escritor católico George Bernanos (século 20) dizia que o maior obstáculo à esperança é nossa própria alma. Quem ainda não sabe disso, não sabe de nada.

Movimentação de Lula enfraquece Dilma - EDITORIAL VALOR ECONÔMICO


Valor Econômico - 04/06


Em seus quase 18 meses de mandato, a presidente Dilma Rousseff tem se revelado uma presidente firme nos propósitos, rígida em relação a assuntos éticos e uma pessoa com a compreensão exata daquilo que o ex-presidente José Sarney (1985-1990) chamou de "liturgia do cargo". Nem mesmo a demissão de sete ministros, em período tão curto, deixou em algum momento a impressão de que o governo perdera a compostura.

Na comparação com os dois mandatos de Lula, os meses de Dilma mais parecem a superfície do Lago Paranoá em dias de calmaria. Até a semana passada, quando as maquinações alopradas do Partido dos Trabalhadores voltaram a criar marolas no ambiente político. E o que é pior: justamente no momento em que o país mostra que, a exemplo de seus parceiros do Brics (Rússia, China, Índia e África do Sul), também é vulnerável à crise econômica mundial.

O maior fator de perturbação nesse período nem foi o bate-boca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro do Supremo Gilmar Mendes ou o fato de Lula, mais uma vez, debochar abertamente da Justiça Eleitoral e fazer campanha, fora de época, de sua mais nova invenção eleitoral, o candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em entrevista ao apresentador Carlos Massa no "Programa do Ratinho", levado ao ar na quinta-feira pelo SBT. O pior foi o que Lula disse sobre a sucessão de Dilma.

Em vez de ficar calado, como recomendam os bons manuais de política, Lula admitiu, durante a entrevista, que pode ser candidato a presidente da República em 2014. Pelo menos teve o cuidado de fazer uma ressalva: "A única hipótese é se ela não quiser. Eu não vou permitir que um tucano volte à Presidência do Brasil", disse o ex-presidente.

Lula sabe muito bem que Brasília vive da expectativa do poder, e a cada gesto mais categórico - como enfrentar uma plateia com mais de mil prefeitos ou banqueiros pouco inclinados a reduzir os juros -, Dilma mais transmite a impressão de que é presidente de um mandato só. Do contrário, ela não desafiaria tantos interesses ao mesmo tempo. Dizem isso governadores, líderes e presidentes de partidos aliados.

Atualmente, Dilma trava batalhas em várias frentes, simultaneamente: ao fisiologismo escrachado do Congresso; contra banqueiros que se habituaram a lucros exorbitantes; militares contrários a que apareça - e a história registre - o que eles efetivamente fizeram nos anos de chumbo da ditadura; e ao corporativismo que engessa a administração pública (e o Orçamento Geral da União). O que a presidente precisa é de apoio às boas iniciativas, não de dúvidas sobre a autonomia que ela lentamente conquistou, tornando-se uma presidente popular, depois de ser tutelada e eleita por Lula em 2010.

É segredo de polichinelo, não só em Brasília, que o Instituto Lula, a nova sede de trabalho do ex-presidente da República, transformou-se em destino de peregrinos insatisfeitos com o jeito Dilma de governar. Sejam ministros ou outros que tiveram o interesse contrariado por alguma decisão da presidente da República. Ou seja, o instituto que um dia foi chamado de Instituto da Cidadania se transformou numa fonte de poder que se irradia sobre a maioria do PT e dos que não conseguem esconder as saudades dos tempos do ex-presidente da República.

A declaração de Lula, com todas as ressalvas feitas, enfraquece politicamente a presidente Dilma Rousseff, num momento crítico da vida nacional. Além disso, são mesmo arrogantes, como acusou a oposição, pois não será ele, e sua imensa popularidade, a "permitir" que um tucano volte ao poder. Essa é uma decisão a ser tomada por mais de 100 milhões de brasileiros que, assim como souberam escolher Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, um dia também acharam que o melhor para o país era o atual senador Fernando Collor de Mello, o "Caçador de Marajás".

Mais dia menos dia, parece inevitável o surgimento de algum tipo de movimento "queremista" no país, como aconteceu no passado com Getúlio Vargas, outro político de extração populista como Lula. O ex-presidente, no entanto, deve esperar que o povo vá chamá-lo de volta a São Bernardo do Campo, se este for o caso e a preferência nacional não for, por exemplo, a reeleição de Dilma. Até lá, ele ajuda muito mais ficando quieto. E sem cometer atos falhos.

Para lá de histórico - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 04/06
RIO DE JANEIRO - Algumas das construções mais antigas ainda de pé no Rio levam uma assinatura: a do engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765). São dele igrejas como a de Nossa Senhora da Conceição, de 1735, na rua do Rosário; a da Lapa do Desterro, de 1751, no largo da Lapa; e a de Nossa Senhora Mãe dos Homens, de 1758, na rua da Alfândega; o Paço dos Governadores, depois, dos Vice-reis, e, hoje, Imperial, de 1743, e o Arco do Telles, de 1757, ambos na praça 15; e nada menos que os Arcos da Lapa, de 1750.
Outra obra de Alpoim, esta de 1740, foi o Convento dos Capuchinhos, na atual rua Evaristo da Veiga. Ali se plantaram as primeiras mudas de café, que logo tomariam o Vale do Paraíba e fariam do Brasil outro Brasil. Em 1831, o convento foi transformado em quartel, e dele, em 1865, saíram os voluntários da pátria para ir espancar o Paraguai.
É este o prédio que, de há muito, se tornou o quartel central da PM, e, hoje, ameaça ser vendido e derrubado pelo Estado para que a Petrobras construa ali mais uma sede. Por sinal, bem perto de sua medonha sede principal, na avenida Chile, onde forma com a Catedral Metropolitana -qualquer semelhança com uma usina nuclear de filme de 007 é mera coincidência- um conjunto arquitetônico intolerável de horror.
Não que a Petrobras não tenha para onde se espalhar no Rio. O porto é uma opção; a Cidade Nova, outra; e os terrenos baldios da avenida Presidente Vargas, ainda outros. Seu inevitável gigantismo ficaria à vontade nesses megaquarteirões anti-humanos. Não em ruas delicadas, como as do entorno dos Arcos.
Proponho que os prédios de José Fernandes Alpoim sejam equiparados aos de Oscar Niemeyer -que, por inescrutáveis desígnios, já nascem tombados. Que os do para lá de histórico Alpoim sejam tombados para não morrer.

Luz do Sol - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 04/06

Os fabricantes de protetores solares serão proibidos de dizer nas embalagens que seus produtos garantem 100% de proteção à pele. E serão obrigados a orientar o consumidor sobre a necessidade de reaplicação, ainda que o protetor seja resistente à água. A regra será baixada hoje pela Anvisa, agência que regula o setor. O prazo de adequação é de dois anos.

FUNDO DO MAR
Os rótulos dos produtos poderão usar as expressões "resistente à água", "muito resistente à água", "resistente à água e ao suor" ou "resistente à água e à transpiração". Mas desde que comprovem a característica em testes com metodologia estabelecida pela agência.

SEGUNDA PELE
As novas regras da Anvisa determinam também que o valor mínimo do FPS (Fator de Proteção Solar) do produto aumentará de 2 para 6. O índice indica a efetividade do filtro na proteção contra os raios UVB.

TEM MAIS?
Em conversa recente com Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral, do Rio, quis saber se o governo federal promoveria ainda mais trocas na Petrobras. E se as futuras escolhas para cargos de comando recairiam sobre mulheres. A presidente respondeu que ainda não saberia responder -mas que eventuais substitutos deveriam sair preferencialmente dos quadros da Petrobras.

PERTO DO FIM
Já a presidente da estatal, Graça Foster, disse em reuniões internas na semana passada que está satisfeita com as mudanças já feitas na petrolífera, que atingiram diretorias e gerências.

HORA DAS COMPRAS
O comércio varejista da região metropolitana de SP arrecadou R$ 13,5 bilhões em março. O faturamento do setor cresceu 5,6% em relação ao mesmo mês de 2011, segundo pesquisa da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) e da e-Bit. A área que apresentou maior aumento foi a de comércio eletrônico (23,3%).

Mais acordes
Tulipa Ruiz se prepara para lançar seu segundo álbum, "Tudo Tanto". "Esse disco tem mais elementos que o anterior. O amadurecimento é consequência do fazer música", diz. O primeiro show do novo trabalho será em Salvador, em 30 de agosto. Nos dias 7 e 8 de setembro, ela toca em SP.

E já na próxima sexta, 8, a cantora se apresenta no festival de Salisbury, na Inglaterra. "É sempre bom sair do país para ver o quanto a música transcende", afirma.

OLHA EU AQUI
O humorista Rafinha Bastos vai receber a apresentadora Marília Gabriela e o lutador Rodrigo Minotauro na pré-estreia de sua nova série, "A Vida de Rafinha Bastos", do FX. Ele fará a apresentação do programa via internet, no dia 14, em um estúdio que imitará sua casa.

VETO AO VETO
A Ancine (Agência Nacional do Cinema) aprovou instrução normativa para a nova lei da TV paga. Ela diz que as programadoras brasileiras não podem "impor condições [...] que deliberadamente venham a prejudicar ou inibir a competição". A medida tenta evitar que empresas tradicionais, ao negociarem a exibição de seus canais com operadoras, tentem impor a elas a sua exclusividade, vetando concorrentes.

DATA MARCADA
Operadoras como Sky e Net precisam se adequar à lei das cotas nacionais em seus pacotes a partir desta semana. O presidente da Ancine, Manoel Rangel, falará sobre o tema hoje, no Fórum Brasil de Televisão, em SP.

FICHA LIMPA
A campanha "Não Aceito Corrupção", do movimento Ministério Público Democrático, foi lançada na sede da O2 Filmes. Quico Meirelles, filho de Fernando Meirelles, assina os filmes institucionais. O procurador-geral de SP, Márcio Elias Rosa, a procuradora Jaqueline Martinelli, a atriz Sophie Charlotte e a juíza Fernanda Afonso estavam no coquetel.

CORES
Paulo Pasta inaugurou a mostra "O Fim da Metade É o Começo do Meio", na galeria Millan. Os artistas Caio Reisewitz e Marina Saleme estiveram no vernissage.

Curto-circuito
O Instituto Tomie Ohtake e a EDP anunciam hoje os vencedores do Prêmio EDP nas Artes às 20h, em Pinheiros. Livre.

O documentário "Eu vos Declaro..." tem pré-estreia hoje, às 19h30, na galeria Olido. 16 anos.

A Cartier recebe hoje convidados no hotel Hyatt para o jantar de abertura do "Women's Forum for the Economy & Society", às 20h, no Itaim Bibi.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, LÍGIA MESQUITA e OLÍVIA FLORÊNCIA

Desatar o nó - DENIS LERRER ROSENFIELD


O ESTADÃO - 04/06


O que têm em comum o mensalão e a CPI do Cachoeira, implicando a construtora Delta e governadores supostamente envolvidos com uns e outros? Aparentemente, esses fatos podem ser tratados isoladamente, como se não tivessem conexão entre eles, cada um obedecendo a uma lógica específica. Poderiam, também, cair sob uma rubrica mais geral de completa ausência de moralidade púbica, o que já seria bastante revelador do momento que vivemos.

Caberia, no entanto, perguntar se não há aí uma questão de ordem estrutural que se faz presente em cada um desses fatos, que sempre ressurgem sob a forma de "escândalos". Mas é tal a sucessão de escândalos que alguns não parecem mais escandalizar, como se vivêssemos segundo uma rotina do escandaloso.

Os últimos anos têm sido a ocasião de desenvolvimento de uma espécie de capitalismo de Estado com tinturas socialistas, alicerçado numa aliança entre sindicatos de trabalhadores e grandes grupos empresariais. Mais particularmente no governo Lula, esse processo foi intensificado, criando toda uma rede de privilégios e favorecimentos que terminou por distorcer as relações de mercado propriamente ditas. De um lado, o discurso contra o "mercado"; de outro, o favorecimento explícito de alguns agentes de mercado, encobertos sob o manto da intervenção "pública", quando de pública tem muito pouco.

Lula criou para si a imagem do vencedor que tudo pode, atendendo uns e outros segundo as circunstâncias, sem nenhuma preocupação com seu efeito sobre as instituições republicanas. De parte de grandes grupos empresariais e bancários, foi criada uma teia de relações pessoais que lhes concedeu e continua a conceder os mais diferentes tipos de benefícios. A justificativa, como sempre, é a da redução do crescimento do PIB, como se os problemas estruturais fossem assim abordados. Outras medidas estruturais nem são aventadas, como redução uniforme de impostos para todos os setores ou aumento dos investimentos públicos via redução do custo da máquina estatal.

Acontece que tal tipo de intervenção não é política nem moralmente neutra, expondo problemas estruturais do Estado. Por exemplo, politicamente, benefícios são criados para grupos empresariais que, depois, acabam contribuindo financeiramente para os partidos governamentais que dão sustentação a essa forma de favorecimento. Moralmente, o ambiente torna-se insalubre. Salta aos olhos que uma consequência é o aumento da corrupção e o pagamento de propinas, que terminam entrando no modo mesmo de funcionamento da economia e do Estado.

Uma relação capitalista, de mercado no sentido estrito do termo, funciona tendo como base a impessoalidade dos agentes econômicos, pautados por leis e formas tributárias que valem igualmente para todos. Ou seja, essas leis e regras não favorecem ninguém, os benefícios de cada agente econômico dependendo de seu desempenho, conhecimento e competitividade. Relações de mercado caracterizam-se por ser impessoais. O capitalismo de Estado, contudo, retorna a formas mercantilistas de condução da economia, personalizando politicamente as relações econômicas.

Cachoeira, nesse sentido, não é um acidente de percurso, mas um efeito desse capitalismo de Estado. Sua posição é particularmente significativa, pois ele se insere na interseção de parlamentares, poder público, favorecimentos particulares, contravenção e relações com grandes empresas - no caso, a Delta. De repente, os tentáculos dessa rede da contravenção se estendem para vários Estados e para a União, tecendo uma teia de corrupção, privilégios e esfacelamento dos laços institucionais e morais. Um indivíduo desse quilate se torna personagem nacional. A perversidade parece não conhecer, aqui, nenhum limite.

Convém assinalar, neste ponto, que o governo Dilma tem procurado mexer com esses efeitos, enquanto no governo Lula nem combatidos eles eram. O novo governo procura se dissociar deles, o anterior com eles compactuava. Há, portanto, uma sinalização de mudança envolvida, que poderá, talvez, no futuro traduzir-se por uma transformação maior. Embora o combate aos efeitos seja altamente meritório, a abordagem das causas é mais do que nunca necessária.

O caso dos governadores supostamente envolvidos seja com o grupo de Cachoeira, seja com a Delta, seja ainda com ambos, mostra bem as relações de tipo pessoal usadas para favorecimentos de alguns, em que a fronteira entre o lícito e o ilícito começa a desaparecer. O atendimento de demandas particulares não resistiria a um teste de universalização, isto é, a sua contribuição para o bem coletivo.

Nessa perspectiva, é imprescindível que tais fatos continuem a aparecer publicamente, produzindo na opinião pública uma situação tal de descontentamento que se possa concretizar eleitoralmente. O descalabro moral pode ter repercussões políticas. Bom signo disso é que a ética na política se está tornando novamente uma questão nacional. E a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação é uma condição para que essa transformação se possa operar.

A questão maior, porém, consiste em desatar um nó de tipo estrutural, pois se isso não for feito o combate aos efeitos pode tornar-se um trabalho de Sísifo, sempre repetindo o mesmo esforço, jamais chegando ao fim. De um lado, o fortalecimento das intervenções governamentais na economia, favorecendo determinados setores e grupos econômicos, a expensas dos demais, cria "regras" particulares que não só distorcem as relações de mercado, como enfraquecem as relações institucionais e a moralidade pública. De outro, o combate às práticas que são consequência dessas relações se confronta com seu incessante ressurgimento, mudando apenas os personagens. Só desatando esse nó poderá o País descortinar um novo horizonte.

Crédito seletivo não é solução - GUSTAVO LOYOLA


Valor Econômico - 04/06


Entre as diversas medidas recentemente adotadas pelo governo para reativar a economia, decidiu-se que o Banco Central (BC) vai liberar recursos dos recolhimentos compulsórios dos bancos para aplicação direcionada a novos financiamentos para aquisição de veículos.

Tal medida configura um retrocesso, quase uma volta aos tempos em que o BC operava como banco de fomento, direcionando recursos a setores específicos beneficiados por incentivos governamentais. Até o final dos anos 1980, era comum ver o BC utilizando-se dos recursos do compulsório para estimular os bancos comerciais a emprestarem para setores eleitos. A origem dessa prática data da própria criação do BC, em 1964, quando se decidiu inscrever em lei que parcela dos recursos captados pelos bancos em depósitos à vista devia ser direcionada de forma compulsória às operações de crédito rural.

Ao longo do tempo, outros setores também se beneficiaram da liberação seletiva de recursos do compulsório para financiamento de segmentos específicos, como o de pequenas e médias empresas. Essas operações de "redesconto seletivo" foram muito comuns principalmente nos anos 1970 e 1980, numa época de verdadeira anarquia monetária, em que um todo poderoso Conselho Monetário Nacional (CMN) distribuía verbas a torto e a direito.

O governo lança mão de um arsenal ultrapassado e que já se mostrou ineficaz e perigoso nas décadas anteriores

Pensava-se que esse tipo de política teria definitivamente desaparecido na poeira da história. Com o gradual aperfeiçoamento das instituições monetárias e fiscais - como a extinção da conta movimento, a criação da Secretaria do Tesouro, culminando com a estabilização da economia e o regime de metas para a inflação - teria perdido todo o sentido utilizar o redesconto e os recolhimentos compulsórios como ferramentas para estímulos setoriais e de subsídio ao crédito. Tais instrumentos voltariam ao leito natural da política monetária e seu uso deveria se restringir à gestão da liquidez no mercado financeiro.

Como se sabe, na crise de 2008, a liberação do compulsório foi utilizada com sucesso para irrigar a liquidez na economia e possibilitar uma rápida recuperação do crédito. O mesmo instrumento continua sendo empregado para reforçar a liquidez das instituições bancárias de pequeno e médio porte, ajudando a preservar a estabilidade financeira necessária ao normal funcionamento da economia. Embora seja uma liberação direcionada, há neste caso uma justificativa razoável pois o BC age para preservar a intermediação financeira e beneficiar toda a economia e não apenas um punhado de setores.

Contudo, na conjuntura atual, caso o diagnóstico oficial seja o de anemia no crédito, o mais correto, a meu ver, teria sido reduzir as alíquotas do compulsório e deixar a alocação dos recursos liberados inteiramente por conta dos bancos. Fazendo isso, o governo teria contribuído para a redução dos "spreads" bancários "across the board", na linha do almejado pela presidente Dilma. Os efeitos benéficos sobre a atividade poderiam até tardar mais um pouco a acontecer, mas certamente seriam bem mais duradouros e saudáveis.

Ao optar pela liberação direcionada do compulsório para operações de financiamento de aquisição de veículos, o governo pode ter estimulado o surgimento de graves distorções, além de suscitar questionamentos dos setores não beneficiados, que exercerão pressões - muitas vezes inafastáveis - para receber semelhante incentivo.

Entre tais distorções, uma das mais graves pode ser a de gerar incentivos para os bancos emprestarem para "clusters" de tomadores com maior risco de inadimplemento, expondo-os ao maior risco de perdas no futuro. A propósito, cabe questionar se a política de liberação seletiva de compulsórios é de alguma forma compatível com os instrumentos contemporâneos de alocação de capital ora exigidos e estimulados pelo Banco Central no contexto de Basileia 2 e 3. Entendo que, ao forçar a mão no direcionamento do crédito para certos setores da atividade econômica, o BC pode estar invalidando os próprios modelos de risco cujo uso tem sido intensificado na indústria bancária em linha com os cânones do Comitê de Supervisão da Basileia.

Outra distorção relevante decorre da necessidade de o BC fiscalizar o cumprimento das regras do direcionamento do crédito, o que gera desvio do foco da supervisão bancária que deveria estar voltado para assegurar a liquidez e solvência das instituições financeiras. Por exemplo, no caso da liberação recente, a norma indica que os recursos não podem ser empregados em "refinanciamento de contratos realizados na própria instituição". Tipicamente é algo que deve ser verificado "in situ" pelo BC, com potencial gasto de preciosas horas de trabalho de uma mão de obra altamente qualificada.

Em suma, impaciente com a demora na recuperação da atividade, e no afã de estimular a demanda, o governo começa a lançar mão de um arsenal ultrapassado e que já se mostrou ineficaz e perigoso na experiência brasileira das décadas anteriores. A reativação do "redesconto seletivo" é mais uma dessas voltas ao passado que pode acarretar consequências potencialmente desestabilizadoras ao longo do tempo.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 04/06

Flores Online vende parte para gigante americana

A empresa de comércio eletrônico Flores Online, uma das maiores na categoria no país, foi comprada pela americana 1-800-flowers.com e pelo fundo de "private equity" brasileiro BR Opportunities.

Após o negócio, os fundadores ficam com 37%, a americana, com 32,5%, e o fundo BR será dono de 30,5%.

Os investimentos serão usados para expansão nos próximos anos, de acordo com Carlos Miranda, sócio da BR Opportunities.

"A Flores Online tem 14 anos. Já se consolidou. Não é como investir em uma 'start-up' de futuro incerto", diz.

A empresa foi criada nos anos 1990.

A referência foi o modelo de negócio da 1-800-flowers.com, que começou em 1976 como uma pequena floricultura em Nova York. Seu faturamento anual hoje é superior a US$ 700 milhões.

O fundador da marca, Eduardo Casarini, permanecerá à frente da empresa.

Segundo Casarini, serão feitos aportes em tecnologia, logística e comunicação para que a marca amplie a presença no país.

"Por enquanto somos fortes em São Paulo e no Rio. Queremos crescer no Brasil todo", diz Casarini.

Números

US$ 700 milhões é o faturamento aproximado da companhia americana

37% será a participação dos fundadores no negócio

32,5% será a parte da empresa dos EUA

Parceria do Sul

As cooperativas paranaenses Castrolanda e Batavo (que agora utiliza a marca Frísia) pretendem instalar uma fábrica de laticínios no interior de São Paulo.

A coluna apurou com pessoas que participam das negociações que a região de Itapetininga deverá receber a unidade. O investimento ficará em torno de R$ 80 milhões.

A construção da fábrica já foi aprovada pelos associados da Batavo. Os produtores da Castrolanda se reúnem no dia 15 deste mês para votar.

As cooperativas fecharam parceria, há nove meses, para processar leite. As duas reúnem 1.330 associados. Em 2011, a Castrolanda faturou cerca de R$ 1,3 bilhão. A Batavo, R$ 873 milhões.

Depois do corte

O Banco do Brasil alcançou, antes do final de maio, a marca de R$ 1 bilhão de desembolso líquido de crédito para pessoa física no Estado de São Paulo.

O valor, recorde para a instituição, inclui as linhas de empréstimo direto ao consumidor, como consignado, veículo e crediário.

O principal motivo para a obtenção da marca, diz o banco, foi o BomPraTodos, programa criado em abril que reuniu medidas para baixar os juros.

"Com a redução, os clientes aproveitaram para investir em algum projeto", diz Walter Malieni, diretor do BB em São Paulo.

Até a última quinta-feira, o desembolso líquido era de

R$ 1,17 bilhão.

Os outros bancos afirmam não ter disponíveis os dados relativos apenas a São Paulo.

Salgado e doce

A CPQ Brasil, dona da rede Casa do Pão de Queijo, que adquiriu a marca O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo em 2010, terá 50 novas lojas neste ano. Uma parte já foi inaugurada.

A empresa passa a oferecer aos franqueados interessados um modelo com as duas unidades vizinhas e uma única gestão.

"Com um mesmo deslocamento diário para a sua loja, o empreendedor terá a oportunidade de possuir mais de um negócio", afirma Alberto Carneiro Neto, presidente do grupo.

As novas lojas deverão movimentar investimentos de quase R$ 20 milhões, diz.

50 é o número de novas lojas planejadas para 2012

400 é o volume aproximado de unidades atualmente

1.000 são os pontos de venda, entre franquias e licenciamentos

Porta a porta
O Brasil foi o quinto país em volume de negócios de venda direta no ano passado, com US$ 12 bilhões, segundo a WFDSA (Federação Internacional de Vendas Diretas, na sigla em inglês).

Os Estados Unidos apresentaram o valor mais elevado, com US$ 29,8 bilhões.

Em 2011, o total negociado pelo segmento, conhecido principalmente pela comercialização porta a porta, foi de US$ 153,7 bilhões, o que representou aumento de 10% ante o ano anterior.

O número de pessoas que trabalham com venda direta no mundo passou de 74 milhões em 2009 para 91,5 milhões no ano passado.

Os dados serão divulgados hoje nos Estados Unidos pelo presidente da entidade, Alessandro Carlucci, que também é executivo da Natura.

Que país é este? ROBERTO GIANNETTI DA FONSECA


Valor Econômico - 04/06


Vou lançar mão como título deste artigo, dessa expressão bem conhecida dos brasileiros, e muito usada quando indignados e perplexos com fatos sucedidos em nossa nação, perguntamo-nos a nós mesmos: "Que país é este?"

Dias atrás, proferiu uma palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um dos maiores especialistas internacionais em política industrial, o sul-coreano Ha-Joon Chang, professor de economia da Universidade de Cambridge na Inglaterra. Sendo ele um profundo conhecedor das políticas públicas e dos ambientes de negócio nos mais variados países do mundo, apresentou aos empresários brasileiros uma visão comparativa nas últimas décadas do desempenho econômico e social entre diversas economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Para nossa tristeza, mas sem nenhuma surpresa, verifica-se como o Brasil perdeu e continua perdendo posição em relação a vários outros países emergentes, especialmente asiáticos, que têm praticado a correta política de estimular investimentos e seus empreendedores. Lá não hesitam em publicamente prestigiar os empreendedores, aqueles que se lançam ao risco de criar riqueza, empregos, renda, valor adicionado, inovação tecnológica, em troca do reconhecimento material e institucional para seu empreendimento.

Recentemente em reunião com um seleto grupo de empresários no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff lançou mão de uma outra famosa expressão cunhada nos anos 30 pelo famoso economista inglês John Maynard Keynes sobre a necessidade de "despertar o espírito animal" dos empreendedores brasileiros, para que invistam mais, criem mais empresas e empregos no país, única forma de promover o verdadeiro e sustentável desenvolvimento econômico e social que tanto desejamos. Pois bem, foi exatamente por meio do estímulo a esse espírito empreendedor que nações como a Coreia do Sul, que até os anos 70 apresentavam uma renda per capita menor que a brasileira, hoje tem mais que o dobro da nossa, e suas empresas multinacionais, seus carros, produtos eletrônicos e equipamentos industriais se encontram espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Seremos capazes de mudar o hostil ambiente de negócios e promover um crescimento de forma sustentável?

Sabedor da potencialidade de nossa economia, da qualidade de nossos empreendedores, da abundante disponibilidade dos fatores de produção (recursos naturais, mão de obra, energia, etc.), e da dimensão de nosso mercado interno, pergunta o professor Chang, por que o Brasil continua sendo eternamente o país do futuro? Diplomático, foi discreto nas críticas aos equívocos de nossa política econômica nos últimos 30 a 40 anos, mas despertou em nós, empresários, o saudável sentimento da autocrítica que nos leva então a perguntar:

Que país é este que pratica já por mais de 15 anos os juros mais altos do mundo mesmo estando sua economia hoje em dia classificada em grau de investimento e com razoável estabilidade política e econômica?

Que país é este no qual a taxa de câmbio apreciada sufoca a competitividade das indústrias, e leva sua economia a um precoce e acelerado processo de desindustrialização?

Que país é este na qual a excessiva carga tributária e a péssima estrutura de tributos e impostos, resultam num ambiente de permanente litígio entre o fisco e os contribuintes, além de um ambiente de insegurança jurídica, por conta das frequentes mudanças de leis, normas, e regras?

Que país é este onde a Justiça demora mais de uma década para concluir o julgamento de um processo, e que em muitas vezes sem o menor critério, determina em primeira instância a desconsideração da pessoa jurídica litigante e permite a penhora de bens de pessoas físicas e jurídicas que remotamente tem a ver com a dívida fiscal, trabalhista, ou financeira em questão?

Que país é este no qual governadores eleitos pelo povo, defendem publicamente incentivos tributários inconstitucionais às importações por meio de seus Estados, mesmo sabendo que, por conta dessa ganância fiscal, estarão levando a eliminação de empresas e empregos industriais nos seus Estados vizinhos?

Que país é este que mais pune do que incentiva as atividades de exportação, inovação tecnológica e de investimento produtivo, pois tributa o investimento na origem, ao invés de estimulá-lo com isenções e facilidades, que reconhece o resíduo tributário nas exportações, mas pouco ou nada faz para ressarcir aos exportadores os créditos tributários acumulados ao longo da cadeia produtiva exportadora?

Que país é este que, apesar de ser hoje em dia uma das maiores economias do planeta, ainda oferece um baixíssimo nível de escolaridade à sua população, e no qual 40% de suas residências ainda não têm acesso aos serviços de saneamento básico de água e esgoto?

Muitas outras perguntas da mesma espécie poderiam ser formuladas caso o espaço permitisse, mas poderíamos responder a todas elas com a mesma decepção: este país infelizmente é o Brasil. Seremos nós capazes de mudar a curto prazo esse hostil ambiente de negócios e assim promover nosso crescimento econômico de forma saudável e sustentável? Cabe a cada um de nós, responsáveis pela parte e pelo todo do que fazemos no dia a dia, responder a esta última pergunta. A próxima geração de brasileiros poderia não mais pertencer ao país do futuro, mas sim ao país do presente.

Protecionismo fácil - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 04/06
Parece evidente que a conjuntura econômica, o câmbio e práticas desleais de outros países prejudicam setores da indústria brasileira.

Mais difícil é distinguir quais deles padecem desses males e quais, simplesmente, são ineficientes. Sabe-se de modo objetivo apenas que, nos últimos 12 meses, 40 de 76 subsetores da indústria, segundo a classificação do IBGE, reduziram sua produção. Outros sete cresceram menos de 1%. As dificuldades parecem disseminadas.

O governo, porém, passa a impressão de que conhece em detalhe os problemas de cada nicho industrial, pois com frequência oferece a alguns reduções de tributos ou barreiras à concorrência importada. Decretou, agora, o aumento de impostos sobre aparelhos de ar-condicionado, fornos de micro-ondas e motocicletas importados.

As escolhas parecem arbitrárias. Tal sensação não se dissipará até que o governo as explique e apresente resultados de suas políticas. De outro modo, como descartar a suspeita de que pode haver favores a empresas mais bem relacionadas?

É preciso deixar clara a origem dos problemas dos setores que recebem proteção. Deve-se prestar contas do resultado das medidas de estímulo, tanto em termos de produção como de preços e qualidade.

O consumidor foi prejudicado pela proteção adicional a uma empresa brasileira? Em caso positivo, houve algum outro tipo de benefício em termos de incremento da produção, do investimento em melhoria do produto, em empregos?

Não é este, além do mais, o único questionamento que se pode fazer ao jorro de medidas de proteção e estímulo pontual ao consumo. Pode ser razoável, de fato, recorrer a paliativos de modo a evitar que repiques de pânico na economia mundial contagiem o Brasil e provoquem perdas de produção e até falências.

Mas o governo brasileiro parece obcecado com medidas voltadas para o incentivo do consumo, sob risco de alimentar o superendividamento das famílias. A atividade econômica deveria ser reativada por outro meio: mais investimento público. No entanto, descontados os gastos no programa subsidiado de construção residencial, o Minha Casa, Minha Vida, o investimento do governo recua outra vez neste ano.

O governo não investe porque se emaranha na sua burocracia e na insuficiência dos projetos. Porque reestrutura vários ministérios responsáveis por parcelas importante do investimento, objetos de denúncias de corrupção no primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff.

O governo, enfim, cede à tentação do mais fácil, com foco no curto prazo; entrega-se ao ativismo intervencionista enquanto não consegue dar conta de sua atividade básica, governar com eficiência -no caso, investir mais.

Riscos do voluntarismo tributário - EVERARDO MACIEL


O ESTADÃO - 04/06


Fez bem o governo federal quando abdicou de apresentar propostas abrangentes de reforma tributária, preferindo soluções focalizadas em problemas específicos. A experiência demonstra, claramente, que esses tipos de reformas levam à maximização de tensões políticas, resultando em insucesso da pretensão. Reestruturações completas de sistemas tributários somente ocorrem em situações excepcionais, como crises agudas, rupturas institucionais ou guerras.

O repúdio ao fundamentalismo abrangente não pode, entretanto, significar o triunfo das reformas casuísticas, decorrentes de respostas a problemas circunstanciais ou de concessões a lobbies pouco virtuosos.

As reformas casuísticas geram um arriscado clima de voluntarismo tributário, no qual o tributo passa a ser solução para todos os problemas, sem se dar conta de que ele pode vir a ser um problema para todas as soluções.

Não há, por conseguinte, exercício de extrafiscalidade gratuito. Justamente por isso, a doutrina consagrou a neutralidade como um dos princípios básicos da política tributária, ainda que sujeito à articulação com outros princípios igualmente relevantes. Se a intransigência quanto à utilização de incentivos fiscais representa um dogmatismo de pouca serventia, o abuso na utilização desse instituto é território da complexidade, onde prosperam a evasão fiscal, o planejamento ilícito e, quase sempre, a corrupção.

Ao substituir a folha de salário pela receita bruta, na base de cálculo da contribuição previdenciária patronal, a autoridade fiscal deu um passo acertado visando a desonerar exportações e superar o antagonismo entre emprego e tributo.

Foi prudente, também, ao restringir a mudança àqueles setores em que a folha de salários tinha peso significativo nos respectivos custos. Essa prudência se justifica, porque os efeitos de um novo modelo tributário nunca são completamente previsíveis. A autoridade fiscal errou, todavia, quando admitiu a convivência, numa mesma empresa, entre o novo e o antigo regime, do que decorre um complexo e vulnerável sincretismo tributário.

A enorme instabilidade nas regras tributárias é algo extremamente danoso. Por mero bom senso, sabe-se que incertezas econômicas não podem sancionar a completa imprevisibilidade tributária, assim como o dever de reagir ao que é adverso não autoriza a temeridade.

A cada aumento do estoque de automóveis no pátio das montadoras, parece insensato criar regimes transitórios, com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) mais baixo. Essa política é capaz de gerar importantes efeitos perversos. Foi ela que, combinada com uma descuidada política creditícia, inviabilizou o trânsito nas nossas cidades, pois é verdade inconteste que o tecido urbano brasileiro não está dimensionado para receber um grande número de automóveis, para não falar da reconhecida precariedade dos transportes públicos.

No caso da cidade de São Paulo, diante dos constantes engarrafamentos, um bem-humorado observador sugeriu substituir a tributação do IPVA dos veículos pela incidente sobre os bens imóveis.

O retorno à tributação normal dos automóveis produz uma paralisia no mercado, à espera de uma nova redução do IPI. Algo semelhante ao que ocorre com alguns contribuintes que optam pela inadimplência à espera de futuras anistias.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) muda a cada momento. A única certeza, pois, é de que ele muda sempre. É evidente que ele tem uma função regulatória, malgrado seu crescente papel arrecadatório. Mas tal função não pode ser pretexto para sua conversão em biruta de aeroporto.

O PIS e a Cofins transformaram-se em pau para toda obra. A cada projeto concebido por um luminar de plantão, cria-se um regime de benefícios fiscais para aquelas contribuições. Tais regimes estão associados a exigências, para as quais a administração pública não está habilitada para verificar o cumprimento. Usualmente, eles se extinguem em virtude de escândalos.

Hoje, nem o Fisco nem o contribuinte conhecem a legislação do PIS e da Cofins. É uma colcha de retalhos que não cabe em um regulamento.

Visando a enfrentar problemas circunstanciais, foi feita a postergação do vencimento do PIS/Cofins para alguns setores (têxtil, couro, calçados, móveis, autopeças), de abril e maio para novembro e dezembro próximos. Instituiu-se um perigoso precedente.

É certo que, por inúmeras razões, aqueles setores estão em crise. O que faculta, entretanto, entender que, no final do ano, eles irão superar a crise e estarão aptos a pagar os tributos passados e os correntes? Já se antevê uma janela para remissão ou nova prorrogação.

De mais a mais, com que autoridade se poderá negar o benefício, em outro momento, para os mesmos ou outros setores em crise? Tudo isso faz lembrar os tristes tempos em que não se sabia a data de entrega do Imposto de Renda.

Políticas tributárias centradas em problemas podem ser corretas e realistas, além de agradar aos beneficiários. Correm, entretanto, um sério risco de elevar o nível de incertezas ou de sujeitar as decisões a preferências imperiais dos governantes.

Equívocos - ROBERTO ZENTGRAF


O GLOBO - 04/06

Pois é, querido leitor, a sensação que tenho é de que vivemos um momento histórico na economia do país, com a taxa de juros Selic em nova queda e as esperanças de dias melhores para os que aqui lutam pela própria sobrevivência em seu dia a dia. Deixamos de ser os campeões mundiais dos juros altos (oba, isso é ótimo!), mas será que estamos preparados para viver nesse novo cenário (epa, isso é confuso)?

Sinceramente não tenho a resposta, e minha grande dúvida é saber se, neste período de tempo (há menos de dez anos, a Selic, hoje a 8,5% ao ano, chegou a bater 26,5% em fevereiro de 2003), fomos capazes de recondicionar comportamentos e hábitos financeiros adquiridos ao longo de décadas. Grande dilema: como tratar questões subjetivas - nossas reações - diante de fatos objetivos - a nova ordem econômica! Veja alguns equívocos que você poderá evitar!

1. Displicência: Analisando sob a ótica do investidor, quando as taxas ainda eram altas ou mesmo há mais tempo, antes da entrada do Real, quando a inflação chegava a 90% em apenas um único mês, o custo de sermos mais descansados quanto ao dinheiro não era tão alto assim. Afinal, que diferença fazia pagar 2% ou 3% ao ano de taxa de administração, por exemplo, se no fim a rentabilidade dos fundos era bem superior a isso? Bem diferente do atual cenário, onde toda e qualquer economia nos custos financeiros - taxas, administração, carregamento, impostos e outros - fazem a diferença, não é mesmo?

2. Inércia: Tão ruim quanto ser displicente é, uma vez identificadas boas oportunidades - renegociar dívidas, reduzir tarifas, mudar de bancos, migrar aplicações -, demorar demasiadamente para pular do planejamento para a ação. A título de exemplo, quem em janeiro conseguia adquirir NTN-B a quase 6% ao ano (além da correção pelo IPCA), hoje mal consegue 4,5%... E, pelo andar da carruagem, o processo de reajuste das taxas para baixo ainda deverá continuar, logo...

3. Movimentação em excesso: Achar que o oposto do equívoco anterior é ficar pulando de aplicação em aplicação é talvez tão equivocado quanto, pois o que acontecerá neste caso é você acertar as contas com o Leão a cada nova movimentação, além de fazer a alegria de corretores e administradores de recursos, país afora. Talvez o exemplo mais contundente seja o de aplicadores da poupança, que, sem entenderem a atual regra, pensam em sacar seus recursos da caderneta antiga - protegida das atuais quedas da Selic - para aplicações com perspectivas piores no longo prazo. Calma, antes de mais nada!

4. Memória: Se antes você estava acostumado a achar que investir em Bolsa era bom quando dava mais do que 20%, por exemplo, cuidado para não deixar essa lembrança afetar sua atual estratégia. Com juros de 8,5% ao ano, ganhar 16% já não estaria razoável?

5. Ilusão monetária: Mesmo com a visão do BC de que, por conta da crise, a inflação irá ceder, por enquanto o que efetivamente cedeu foi o juro real, tornando projetos de consumo maior ou planos de aposentadoria complementar mais caros em moeda de hoje. Não vá cair na bobagem de achar que os 8,5% pagos pela Selic podem ser integralmente gastos, não é mesmo?

Um grande abraço e até a próxima semana!

CLAUDIO HUMBERTO


"A imprensa é irmão siamês da Justiça"
Ministra Eliana Calmonfazendo coro com o presidente do STF, Carlos Ayres Britto 

Disputa em SP
Candidato à prefeitura paulistana, o tucano José Serra estimulou a formação da chapa concorrente PDT-PCdoB-PSB para as eleições municipais em São Paulo. Na avaliação de tucanos, tanto Paulinho da Força (PDT) quanto Netinho de Paula (PCdoB) tirariam votos do adversário petista Fernando Haddad. O ex-presidente Lula opera para naufragar a articulação e resgatar PSB e PCdoB à base de apoio.


Água na fervura

A negociação entre PCdoB e PMDB de Gabriel Chalita foi interrompida a pedido de Lula. Ele quer os comunistas apoiando a campanha do PT.


Veto a Netinho

Lula deseja fechar aliança com o PCdoB, mas não aceita Netinho de Paula como cabeça-de-chapa e Fernando Haddad (PT) de vice.


A lei é clara

O exagero de Lula, fazendo propaganda antecipada de Fernando Haddad na TV, poderá custar ao ex-ministro a candidatura a prefeito.


Sossega leão

Membros da CPI de Cachoeira brincam com o deputado Silvio Costa (PTB-PE): prometem "batizar" seu copo d'água com calmante.


JBS doou para o PT e o PMDB

A empresa frigorífica JBS S/A - integrante da holding J&F, que desistiu da compra da Delta, acusada de participação nos esquemas do bicheiro Carlos Cachoeira - doou R$ 2,8 milhões ao PT em 2011, ano em que não houve eleição. O valor foi depositado em dinheiro em duas parcelas, uma em março e outra em dezembro. O PMDB também recebeu grana da JBS, em abril do ano passado: R$ 991 mil.


Casa de ferreiro

Generosa com o PT, a JBS Friboi não ajudou o PSB (partido de Júnior, seu controlador), que faturou doações de apenas R$ 491 mil, em 2011.


Outra doadora

A construtora Andrade Gutierrez também deu R$ 650 mil aos cofres do PMDB em 2011, e R$ 250 mil para o PSDB.


Eu, não

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) fez questão de avisar no Twitter que votou pela convocação "de Agnelo, Perillo e Cabral à CPI".



'CQC'
O Senado reluta em liberar, mas a Câmara dos Deputados já autorizou o acesso da turma do programa "CQC", da Band. A decisão foi do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), primeiro-secretário.


Um rei no Brasil

A presidenta Dilma recebe hoje o rei Juan Carlos. A Espanha maltrata brasileiros por lá, mas é o segundo maior investidor estrangeiro aqui: US$ 85 bilhões. Em 2011, o comércio bilateral somou US$ 8 bilhões.


Agnelo derrotado

Causou perplexidade a decisão da Fifa, com a mão forte do Ministério do Esporte, destinando um só jogo da Copa das Confederações para Brasília, cujo estádio é o único que com certeza estará concluído, e a 6 meses do evento. Uma derrota pessoal do governador Agnelo Queiroz.


Monitoradas

Membro de subcomissão que acompanha obras da Copa e Olimpíadas, o senador Blairo Maggi (PR-MT) pretende percorrer até agosto as doze cidades-sede para visitar estádios em construções.

Mão de obra

Nove meses após o voto unânime dos procuradores, o Conselho Superior do Ministério Público de SP ainda não entrou com ação pedindo intervenção judicial na Bancoop, suspeita de fraude com o PT.


Credimulta

O ex-diretor do Banco do Nordeste Raimundo Nonato Carneiro Sobrinho terá que pagar R$ 30 mil de multa da má prestação de contas de 1999. O Tribunal de Contas da União aceita em 24 prestações.


Pingado

Afastado por problema de saúde, o brasileiro José Roberto Moreira, 58, ganhou R$ 5 mil da indenização trabalhista de 2011, após 38 anos de no consulado de Portugal em São Paulo. A briga judicial continua.


Pergunta

A holding J&F teria comprado a Delta se a CPI do Cachoeira mantivesse o sigilo da construtora?

PODER SEM PUDOR

Curado de lombriga
Ao chegar em Jaú (SP) na campanha para governador, em 1962, Adhemar de Barros soube dos rumores do seu iminente assassinato. Nem ligou. Passou pelo clube onde os pretensos matadores se reuniram, caminhou até o meio da rua, com os inimigos nas janelas, acendeu um cigarro e gritou:
- Cadê os valentões? Não vejo ninguém por aí...
Os amigos observaram a cena à distância, claro, mas, passados alguns instantes, correram para o abraço. Adhemar explicou sua atitude:
- Nada temo. Fui muito bem curado de lombriga, quando era pequeno.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Lojas burlam lei e vendem agrotóxicos sem receita
Folha: Nordeste sofre com falta de água em área urbana
Estadão: Crédito nos bancos estatais cresce 2 vezes mais que nos privados
Correio: Preso há nove dias, Brunelli é indiciado por quatro crimes
Valor: Erros impedem consertos em 30 mil km de rodovias
Estado de Minas: A mais longa das filas
Jornal do Commercio: CTTU reforça fiscalização a partir de hoje
Zero Hora: RS é o Estado que menos investe em educação no Brasil

domingo, junho 03, 2012

Brancos e pretos - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 03/06

Dois dados da desigualdade racial brasileira, tirados do último Censo pelo economista Marcelo Paixão, estudioso do tema. Só 0,8% dos trabalhadores brasileiros ganhava mais de 20 salários mínimos em 2010. Destes, 82,7% eram brancos — e 63,6%, homens brancos.

Segue...

No outro extremo, 9% dos ocupados recebiam até 1/4 do salário mínimo. Destes, 63,1% eram pretos e pardos.

Banho da fortuna

A 3ª Turma do TST condenou a Goodyear a pagar horas extras a um ex-empregado que gastava 30 minutos além da jornada para... tirar graxa do corpo. Ajudante de produção de pneus por 23 anos, o rapaz terá de receber por 540 horas gastas no banho, mais 50% e reflexos nas demais verbas rescisórias.

Caetano na rede

Caetano Veloso lança dia 12 seu novo site (caetanoveloso. com.br), como parte das comemorações de seus 70 anos. Até 7 de agosto, seu aniversário, serão disponibilizadas entrevistas em que o baiano fala dos principais fatos de sua vida. Além de videobiofrafia, o site terá fotos pessoais e todos os seus discos para ouvir e comprar.

À la Zózimo

E a Dilma, hein?! É impressão minha ou cresce o cordão dos que a santificam e satanizam Lula?

Zé Lins, 111

A obra de José Lins do Rego (1901-1957), que hoje faria 111 anos, está em alta. Maria Amélia Mello, da José Olympio, negocia o lançamento de três livros do autor na França, e na Turquia saiu uma edição de “Menino de engenho”.

O DOMINGO É de Cléo Pires, 29 anos, aqui em seus últimos minutos de morenice (como se sabe, a bela filha de Glória Pires pintou os cabelos de louro). A formosa aparecerá ainda com os cabelos pretos como Ana no episódio “O anjo de Alagoas “, que vai ao ar em “As brasileiras”, quinta. O episódio, dirigido por Tizuka Yamasaki, contará a história de uma matadora de aluguel que cavalga pelo sertão alagoano, mas, ao se livrar de suas roupas masculinas, revela uma aparência feminina e sedutora. Seduz eu

Ilha de Caras histórica

Depois de cinco anos de trabalho, o escritor Flávio Moreira da Costa pôs o ponto final na antologia “Intimidades célebres/O livro dos diários” (Nova Fronteira). São relatos de 30 celebridades, como Kafka, Stendhal, André Gide, Virginia Woolf, Sartre, Charles Darwin, Isaac Babel e outros, sobre sua própria intimidade.

Segue...

O russo Tolstoi (1828-1910) conta que largou a universidade para... estudar melhor, e que, entre um livro e outro, “corria atrás das cossacas (chechênias)”. O filósofo Kierkegaard (1813- 1855) revela a “tática” para conquistar e abandonar uma moça.

‘Io e Te’, o livro

A Bertrand Brasil lança em novembro o livro “Io e Te”, do italiano Niccolò Ammaniti. Inspirou filme de Bernardo Bertolucci, exibido em Cannes.v

Sustentabilidade
A Rio+20 inspirou uma obra de Mazeredo, a artista plástica carioca que criou, por exemplo, a série da Via Sacra, na Catedral Metropolitana do Rio. Amanhã, ela apresenta o monumento “Chamas da Sustentabilidade”, veja na foto, que ficará exposto no Planetário da Gávea.

Celebridades

“Fama” é o nome do enredo do Salgueiro para 2013. Desenvolvido por Renato Lage, contará a busca do homem por beleza e notoriedade. O tema é patrocinado pela revista “Caras”.

Transparência

Em tempo de transparência, Eduardo Paes vai disponibilizar no site da Empresa Olímpica Municipal (empresaolimpica.com) uma seção em que o cidadão terá acesso a informações financeiras detalhadas e ao cronograma de obras de projetos para os Jogos de 16, como a Transoeste.

Corredor do Fórum

A 13ª Câmara Cível do Rio negou indenização pedida por um homem vítima de fratura... peniana numa relação extraconjugal. O saliente procurou o hospital, réu na ação, e pediu sigilo, pois é casado e... pastor evangélico. Mas a pulada de cerca veio à tona numa carta anônima enviada à sua igreja — segundo ele, por um funcionário da clínica.