quarta-feira, abril 25, 2012

Turbulências - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 25/04/12


Foi dada a partida para a CPI do Submundo, uma nova versão da CPI do Fim do Mundo, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira passa de coadjuvante a protagonista de mais este espetáculo de política genuinamente brasileiro. A indicação do deputado petista Odair Cunha para a relatoria da CPI mostra que o Palácio do Planalto, e não Lula, está no comando das ações, pelo menos inicialmente.

Lula negociou nos bastidores a indicação do ex-líder petista Cândido Vaccarezza, que foi afastado das funções pela presidente Dilma e novamente vetado agora. Representante petista na CPI, Vaccarezza é, portanto, um pote até aqui de mágoa com o Planalto e seguirá a orientação de Lula.

Pela vontade de Dilma, a CPI não existiria, mas, já que existe, a intenção é restringi-la, idealmente apanhando apenas os partidos da oposição.

Mas é difícil controlar uma CPI, mesmo tendo uma maioria teórica bastante folgada. Especialmente esta, que é completamente diferente das que se conhece até hoje.

Nunca dantes neste país uma CPI foi estimulada pelos governistas e, incongruência total, começa com todo o trabalho já concluído.

Normalmente as CPIs fazem as investigações e encaminham relatório a Ministério Público e Polícia Federal, para os processos serem abertos.

Desta vez, o Ministério Público e a Polícia Federal, por meio das operações Vegas e Monte Carlo, já fizeram todo o trabalho investigativo, e já existe um resultado desse trabalho, com as acusações contra cada um dos investigados.

A CPI vai apenas tornar público oficialmente o que era privado, embora muitas das informações tenham vazado.

Por isso já existe um movimento suprapartidário entre parlamentares indicados para a CPI no sentido de aprofundar as investigações já existentes, ampliando, e não restringindo, o foco da sua atuação.

Este é um primeiro conflito de muitos que devem ocorrer durante essa CPI. Governistas e blogueiros chapa-branca já estão preparando o ambiente para tentar evitar uma investigação sobre a empreiteira Delta, alegando que ela não faz parte do foco da CPI.

Ao contrário, a minoria oposicionista e os "independentes" estão justamente querendo investigar a fundo a Delta, como parte de um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro do jogo, tentando mostrar as conexões entre o bicheiro Cachoeira e a Delta, a tal ponto interligados, como mostram as conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, que alguns consideram provável que o próprio Carlinhos Cachoeira seja sócio oculto da Delta, ou até mesmo que o empresário Fernando Cavendish não passe de um testa de ferro do bicheiro.

Seja qual for a disposição da maioria governista, nada garante que "Sua Excelência, os fatos", como dizia Ulysses Guimarães, não se imponha aos interesses deste ou daquele grupo.

Foi assim nas CPIs anteriores. O bicheiro Carlinhos Cachoeira foi personagem, entre 2005 e 2006, de três CPIs: a dos Bingos, no Senado, também conhecida como do Fim do Mundo; e as dos Correios e do Mensalão.

A "CPI do Fim do Mundo" começou investigando o jogo eletrônico e entrou por temas tão diversos como os assassinatos dos prefeitos petistas de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel; e dólares vindos supostamente de Cuba para a campanha de Lula à Presidência.

Foi nela que surgiu o depoimento do caseiro Francenildo que confirmou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, frequentava uma mansão em Brasília usada por lobistas de Ribeirão Preto, seus antigos companheiros quando foi prefeito.

A partir desse depoimento que aconteceu a quebra do sigilo bancário do caseiro na Caixa Econômica Federal, em busca do que parecia um suborno para que ele incriminasse o ministro da Fazenda, o que resultou na saída de Palocci do governo.

A CPI dos Correios foi criada com o objetivo de investigar as denúncias de corrupção nas empresas estatais, e acabou se transformando na CPI do Mensalão.

O resultado foi a acusação a 40 pessoas envolvidas num esquema montado a partir da Casa Civil da Presidência da República para comprar apoios políticos ao governo.

Esses resultados justificam o clichê político que diz que uma CPI, sabe-se como começa e não se sabe como acaba. Esta, que está começando pelo final, tem resultado mais imprevisível ainda, pois está sendo instalada contra a vontade de todos, e mesmo assim tornou-se realidade política inevitável.

O PT divide-se entre os que acham uma loucura colocar em risco a estabilidade política de um governo tão bem avaliado quanto o da presidente Dilma, e os que, seguindo a liderança do ex-presidente Lula, veem nela uma boa oportunidade para pegar alguns oposicionistas bem posicionados, como o governador de Goiás, Marconi Perillo, e tentar atrapalhar o julgamento do mensalão, que deve acontecer ainda neste primeiro semestre.

Tudo indica que os que imaginaram colocar o mensalão na conta do bicheiro Cachoeira erraram a estratégia. Não apenas essa versão parece inverossímil, como se criou no país um ambiente de cobrança de punição dos corruptos, sejam eles os envolvidos nas tramas de Cachoeira, sejam os acusados pelo mensalão.

O julgamento do mensalão passou a ser exigido pela cidadania diante da ameaça de prescrição de penas. Esta, por sinal, é uma discussão que ainda se desenvolverá nos meios jurídicos.

Há quem considere que a maioria dos crimes prescreveu no ano passado, no caso da aplicação da pena mínima. Sendo assim, não faria diferença se o julgamento ocorresse no segundo semestre ou até mesmo no próximo ano.

Mas há interpretações segundo as quais o prazo para prescrição é contado a partir do momento em que cessa a associação, o que teria ocorrido apenas em 2005, quando o então deputado Roberto Jefferson denunciou a existência do mensalão. As prescrições dos crimes punidos pela pena mínima seriam então em 2013.

Como se vê, viveremos nos próximos meses um ambiente político tenso, cheio de turbulências e revelações, como definiu na sua experiência política o presidente do Senado, José Sarney.

Os dois Supremos - IVES GANDRA DA SILVA MARTINS


FOLHA DE SP - 25/04/12


Velho advogado e professor, receio o protagonismo político atual do STF, que passou a legislar do aviso prévio à relação entre homossexuais

Um dos mais importantes pilares da atual Constituição foi a conformação de um notável equilíbrio de poderes, com mecanismos para evitar invasão de competências.

O Supremo Tribunal foi guindado expressamente a "guardião da Constituição" (artigo 102), com integrantes escolhidos por um homem só (artigo 101, § único), o presidente da República, que é eleito pelo povo (artigo 77), assim como os integrantes do Senado e da Câmara (artigos 45 e 46).

O Congresso Nacional tem poderes para anular quaisquer decisões do Executivo ou do Judiciário que invadam a sua função legislativa (artigo 49, inciso XI), podendo socorrer-se das Forças Armadas para mantê-la (artigo 142), em caso de conflito.

Há, pois, todo um arsenal jurídico para assegurar a democracia no nosso país.

Ora, a Suprema Corte brasileira, constituída no passado e no presente por ínclitos juristas, parece hoje exercer um protagonismo político, que entendo contrariar a nossa Lei Suprema. Assim é que, a partir dos nove anos da gestão Lula e Dilma, o Pretório Excelso passou a gerar normas.

Para citar apenas alguns casos: empossar candidato derrotado -e não eleito direta ou indiretamente- quando de cassação de governantes estaduais (artigo 81 da Constituição); a fidelidade partidária, que os constituintes colocaram como faculdade dos partidos (artigo 17, § 1º); o aviso prévio (artigo 7º, inciso XXII); a relação entre homossexuais (artigo 226, § 3º); e o aborto dos anencéfalos (artigo 128 do Código Penal).

Tem-se, pois, duas posturas julgadoras drasticamente opostas: a dos magistrados de antanho, que nunca legislavam, e a dos atuais, que legislam.

Sustentam alguns constitucionalistas que vivemos a era do neoconstitucionalismo, que comportaria tal visão mais abrangente de judicialização da política.

Como velho advogado e professor de direito constitucional, tenho receio dos avanços de um poder técnico sobre um poder político, principalmente quando a própria Constituição o impede (artigo 103, § 2º).

Nem se argumente que ação de descumprimento de preceito fundamental -de cuja redação do anteprojeto participei, ao lado de Celso Bastos, Gilmar Mendes, Arnoldo Wald e Oscar Corrêa- autorizaria tal invasão de competência, visto que essa ação objetiva apenas suprir hipóteses não cobertas pelas demais ações de controle concentrado.

Meu receio é que, por força dos instrumentos constitucionais de preservação dos poderes, numa eventual decisão normativa do STF de caráter político nacional, possa haver conflito que justifique a sua anulação pelo Congresso (artigo 43, inciso XI), o que poderia provocar indiscutível fragilização do regime democrático no país.

É sobre tais preocupações que eu gostaria que magistrados e parlamentares se debruçassem para refletir.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 25/04/12


FHC vai a Oriente Médio com Itaú para atrair investimento
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está no Oriente Médio para uma série de palestras a potenciais investidores no Brasil.

FHC acompanha executivos do Itaú Unibanco em visita a autoridades, líderes de fundos soberanos e de "family offices" no Qatar e em Abu Dhabi. É a primeira grande viagem oficial à região do banco, que tem escritório em Dubai desde 2007.

Durante a Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento), em Doha, nesta semana, o fundo soberano QIA (Qatar Investment Authority) anunciou que tem US$ 30 bilhões para investir neste ano e que tem interesse em alocar recursos em economias emergentes.

Em suas palestras, o ex-presidente tem destacado o Brasil dentre os Brics.

"Não há uma situação homogênea entre eles. Brasil e Índia são mais estáveis." Ele tem lembrado que o Brasil é uma democracia com US$ 300 bilhões de reservas e boas oportunidades de negócios.

"Há um grande desconhecimento do Brasil e nós em relação a eles", disse FHC à coluna, em Doha.

Além do QIA, o ex-presidente esteve com Qatar Holdings, Qatar Mining (mineração), o ministro de finanças e comércio do país, xeique Hamad bin Jassim al-Thani, e empresários.

"Há um apetite para investimentos com risco de 'investment grade', mas com retornos bem diferenciados da conjuntura internacional", afirmou Ricardo Marino, sócio do Itaú e CEO das operações na América Latina.

"O Brasil importa capital para infraestrutura, energia, agropecuária e imobiliário."

A região é conhecida pelos imensos e sofisticados hotéis. "Esses investidores gostam de ativos imobiliários e temos muito a fazer em hotelaria."

Sobre a alta da inadimplência que o banco divulgou, Marino diz que o presidente do Itaú, Roberto Setubal, já apontara essa tendência. O índice de atraso superior a 90 dias da carteira consolidada subiu 0,9 ponto percentual no 1º trimestre de 2012 ante março de 2011 e atingiu 5,1%.

"Nos empréstimos do Itaú nos países em que atua na América Latina, as taxas são muito inferiores. A menor, no Uruguai, é de 0,7%."

"Há um apetite para investimentos com risco de 'investment grade', mas com retornos bem diferenciados da conjuntura internacional"

RICARDO MARINO

sócio do Itaú Unibanco

"Não há uma situação homogênea entre eles [os Brics]"

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

ex-presidente do Brasil

SABONETE DE GLICERINA
A Granado, marca de cosméticos fundada em 1870, abre neste mês sua primeira loja no Nordeste, no Shopping Recife.

A inauguração faz parte de um projeto de expansão da companhia. A unidade de Recife é a 12ª da marca Granado/Phebo.

A empresa incorporou a Phebo em 2004 e hoje tem 11 lojas no país.

Para 2012, ainda estão programadas outras quatro unidades, em Campinas, Barueri, Ribeirão Preto e Rio

de Janeiro.

A botica fechou 2011 com faturamento de R$ 200 milhões, crescimento de 15% ante o ano anterior.

Presidência A multinacional francesa Essilor terá novo presidente para a América Latina, o executivo Tadeu Alves, que tem experiência em diferentes funções na região e nos Estados Unidos na indústria farmacêutica.

Sociedade O Barbosa, Müssnich & Aragão recebe cinco novos sócios: Cibelle Goldfarb, especialista em direito trabalhista, Lígia Regini e Luciana Terrinha, da área tributária, Gisela Sampaio, com atuação em pesquisa, e Luis Flaks, em societário.

Exterior O escritório Gaudêncio McNaughton & Toledo Advogados abrirá sua primeira unidade estrangeira, sediada em Londres, no Reino Unido. A expectativa de alta no faturamento da empresa é de 20%.

CHILE EM CONSTRUÇÃO
A empresa paranaense Plaenge, de construção civil, investirá R$ 50 milhões no Chile neste ano para desenvolver três empreendimentos -um condomínio de casas e dois edifícios residenciais.

A companhia está no país desde 2009, quando adquiriu uma construtora chilena.

"Apareceu uma oportunidade [de aquisição] e já tínhamos um interesse anterior de atuar no Chile, onde as taxas de juros ficam em torno de 5% e é possível financiar um imóvel em quase 100%", afirma o diretor da empresa, Fernando Fabian.

Até o ano passado, a Plaenge vinha concluindo projetos iniciados na gestão anterior. Neste ano, ela começa a implementar seus próprios empreendimentos.

A previsão da empresa é, dentro de cinco anos, aportar anualmente R$ 150 milhões no país.

NÚMEROS
R$ 804 milhões foi o faturamento da empresa no ano passado no Brasil

R$ 35 milhões foi o faturamento em 2011 no Chile

40% é quanto a companhia espera crescer no Chile em 2012

R$ 20 milhões será o aporte no primeiro empreendimento chileno deste ano

RITMO EUROPEU
Apesar da crise, o varejo na União Europeia teve expansão de 2,4% no ano passado.

Levantamento da empresa de pesquisas GfK mostra que foram negociados € 2,96 trilhões no setor.

Países que enfrentam medidas de austeridade, porém, registraram redução no valor comercializado.

Na Grécia, a retração foi de 14,2%. Em Portugal e na Espanha, de 6,9% e 2,0%, respectivamente.

A queda da confiança do consumidor também colaborou para que o volume negociado em 2011 fosse menor que o do ano anterior.

Para este ano, a expectativa é que o incremento seja ainda menor e não ultrapasse 1,4%.

Tecnologia... Os investimentos do setor bancário em tecnologia cresceram 11% em 2011 ante o ano anterior no país, segundo pesquisa que será divulgada hoje pela Febraban no Ciab, evento de tecnologia da entidade. O volume foi puxado por softwares.

...bancária As projeções indicam aumento do nível de despesas e investimentos em tecnologia de 42% até 2015. Os investimentos dos bancos nacionais somam US$ 9,9 bilhões. No México, chegaram a US$ 3,4 bilhões em 2011, na Índia, a US$ 3,9 bilhões.

Novas casas A Arezza, empresa de recrutamento e seleção de mão de obra, irá inaugurar quatro escritórios até o final do ano -em São Luís, Teresina, Recife e Fortaleza.

CRÉDITO
Com as medidas do governo para aquecer a economia, a maioria dos empresários brasileiros sente que terá mais acesso a financiamento nos próximos 12 meses.

É o que revela o International Business Report (IBR) 2012 da Grant Thornton International, relatório do primeiro trimestre de 2012.

Segundo o levantamento, no país, 60% dos executivos pesquisados esperam mais acesso ao crédito no período, número maior que a média global, que foi de 27%.

Entre as 40 economias pesquisadas, além do Brasil, os mais otimistas são Peru, Índia, Geórgia, Filipinas, México e Chile. O estudo mostra também que a América Latina tem o maior percentual de empresários otimistas com o maior acesso ao crédito.

Além da austeridade - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 25/04/12


Junte os fatos: a vitória ainda parcial do candidato socialista François Hollande nas eleições presidenciais da França; a recente greve geral na Espanha; a queda do governo da Holanda, que aconteceu anteontem; as manifestações generalizadas na Grécia, em Portugal, na Itália e por toda a Europa - enfim, as pressões vão numa única direção: atacam as políticas de austeridade.

Economistas de renome, como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, também avisam que são terapias que, além de exigir enorme sacrifício da população, impedem o crescimento, causam desemprego e agravam a crise. E não falta quem advirta: dívida impagável foi também a que o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha em 1919 e que, anos depois, desembocou na hiperinflação e na ascensão do nazismo...

Hoje é a própria Alemanha quem mais impõe sacrifícios aos demais sócios do bloco do euro. Ou seja, a receita prevalecente são cortes orçamentários, aumento da arrecadação e reformas que reduzam salários e aposentadorias.

Por maiores e mais disseminados que sejam os protestos e as recomendações em contrário de consagrados economistas, ainda está para aparecer quem aponte saída melhor. O problema não é só o tamanho da dívida da maioria dos países da área do euro. É o rombo orçamentário anual, alto demais, de quase todos (veja a tabela). Ou seja, as dívidas sobem todos os anos em relação ao PIB, a menos que cresçam menos do que o PIB.

A escapatória da Grécia foi o corte de cerca de 70% da dívida. Mesmo com essa reestruturação do passivo, o rombo segue grande e exigirá nova rodada de financiamentos, num ambiente em que o credor já não tem disposição de continuar comprando títulos emitidos por caloteiro.

Os mecanismos de socorro (portas corta-fogo) não atendem à necessidade de financiamento de déficits correntes. Servem para apagar incêndios. Assim, para pagar a dívida em vencimento mais os novos déficits, é preciso contar com os compradores de títulos (credores).

De vez em quando aparece alguém para dizer que a receita aplicada à Grécia deve se repetir pelos outros devedores. Isso significaria que o calote deve ser generalizado. Mas credores não são apenas banqueiros sem alma, merecedores de boas pauladas. São todos os que aplicam dinheiro no mercado financeiro, como seguradoras, fundos de investimento e fundos de pensão que, lá na frente, pagarão aposentadorias complementares. Calote generalizado não só quebraria bancos e levaria para o ralo o dinheiro de depositantes e aplicadores e reservas de seguradoras, mas transformaria em fumaça o futuro dos cotistas dos fundos de pensão. Portanto é opção descartada.

Outra opção cada vez mais reivindicada por políticos e candidatos à chefia de governo, caso dos franceses Nicolas Sarkozy e François Hollande, é levar os bancos centrais a emitir moeda para o resgate de títulos. Seria a monetização, ainda que parcial, dos passivos. Na prática, seria escolher uma inflação controlada que se encarregasse de desvalorizar as dívidas.

Mas isso equivaleria a cavar um buraco numa barragem para deixar escapar "controladamente" o excesso de água. O problema é que chega um momento em que coisas assim fogem do controle e se tornam catástrofes.

Mundo mudado - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 25/04/12

A crise já mudou o mundo. De 2007 para cá, a China aumentou de 10,9% para 14,3% a participação no PIB mundial, enquanto os EUA encolheram. Eram 21%, hoje são 19%. Os números também provam que a China segurou o crescimento mundial, com aumento de 78% nas importações no período, de US$ 955 bi para US$ 1,7 tri. Os EUA, os maiores compradores, foram de US$ 2 tri a US$ 2,2 tri.

A crise ainda não acabou, mas já fez alterações de pesos e medidas pelo seu chacoalhar da economia. Para se ter uma ideia, o G7, que sempre foi o grupo de comando da economia do mundo, perdeu quatro pontos de participação no PIB. Saiu de 42,6% do produto global, em 2007, para 38,4%, em 2011.

Quem governará a crise e ajudará os países mais encrencados a achar a porta da saída? Não se sabe. O colapso bancário produziu uma crise fiscal que afetou a política e emagreceu lideranças.

O mundo ainda vive o tremor que teve seu epicentro em setembro de 2008, quando o Lehman Brothers quebrou. Dez governos europeus já caíram só nos últimos dois anos. Neste ano de 2012, o quinto da crise, os Estados Unidos estão neutralizados por causa das eleições, período em que não se propõe mudanças estruturais, nem medidas amargas. Na Europa, até meados do ano, persistirá a dúvida sobre o rumo da França, que vinha dividindo o comando da solução com a Alemanha.

A primeira pesquisa confirma o favoritismo de François Hollande na França. Ele, em campanha, já criticou o pacto fiscal Sarkozy-Merkel. Em maio será escolhido o presidente; em junho haverá as eleições legislativas. Só então se saberá o caminho da política francesa.

As vítimas dos eleitores zangados podem estar à esquerda ou à direita. O eleitor europeu quer punir quem está no poder e a expectativa que tem é em relação ao novo. José Luiz Zapatero era de esquerda e foi substituído pelo direitista Mariano Rajoy, na Espanha; Nicolas Sarkozy é de direita e pode ser substituído pelos socialistas. O que embala eleitores franceses é o mesmo que embalou espanhóis, portugueses, ingleses, irlandeses, entre outros: a ideia de que a oposição tem uma resposta que o governo não conseguiu dar desde o começo do abalo financeiro.

Não haverá milagres. Apesar das diferenças de país para país, o problema europeu tem semelhanças. Os governos sempre gastaram demais nos benefícios do estado do bem-estar social e para financiar isso elevaram os impostos. Hoje eles propõem ao eleitor que pague mais impostos e tenha menos benefícios, num momento em que ele se sente mais ameaçado pelo desemprego. Ninguém quer, e a equação não fecha.

Por outro lado, com o aumento da expectativa de vida, as previdências necessariamente terão que ser revistas: aqui, lá, e acolá. É regra universal. Na Alemanha, já houve aumento da idade para 67 anos; na França, houve passeata contra a elevação de 60 anos para 62.

Desde o começo da crise aumentou a dívida pública de todos os países, subiu a taxa de desemprego, diminuiu o crescimento, foram gastos trilhões de dólares/euros para resgatar os bancos e assim manter o sistema financeiro saudável. O contribuinte entendeu isso como uma transferência de dinheiro público para os banqueiros - o que em grande parte foi mesmo - e aumentou a raiva contra o governo.

Na primeira pesquisa que saiu ontem de intenção de voto no segundo turno, deu 55% para François Hollande e 45% para Nicolas Sarkozy. Dos eleitores consultados, 83% disseram ter certeza do voto e só 21% disseram que Sarkozy deve ganhar. Em todas as perguntas, seja de intenção de voto ou prognóstico das eleições, o socialista está em melhor posição. O atual presidente francês precisa desesperadamente do seu desempenho no debate. Ele costuma ser bom nisso, mas está neste momento numa situação de clara desvantagem.

A queda em dominó de governos europeus não têm trazido alívio para o ambiente do continente. As crises fiscais são sempre de longa duração. É preciso digerir o déficit e reduzi-lo ao longo do tempo. Soluções de redução de gastos podem provocar um esfriamento da economia, agravando o problema. Soluções de ampliação de gasto para reativar a economia exigem que o financiador das dívidas dos governos aceite continuar financiando mesmo que o endividamento cresça.

No ano passado foram registradas pequenas melhoras. Em 2011, o déficit dos 17 países da Zona do Euro caiu de 6,2% para 4,1%. Mas a dívida subiu um pouco, de 85,3%, em média, para 87,2%. O esforço foi grande, mas tem que continuar. A Alemanha continua surpreendendo, conseguiu diminuir o déficit de 4,3% para apenas 1%. O déficit da Irlanda atingiu o pico de 31% em 2010 e no ano passado fechou em 13%. Enorme, mas melhorou. Na Espanha, o resultado negativo nas contas caiu de 9,3% para 8,3%, mas não convenceu o mercado, que está cobrando juros mais caros do país. A França teve um déficit de 5,2% no ano passado e de 7,1% em 2010.

Melhora houve mas não acendeu ainda a luz no fim do túnel. A crise continua fazendo suas vítimas em todos os níveis e mudando o equilíbrio de forças do mundo.

Custos trabalhistas asfixiam a indústria - ROBSON BRAGA DE ANDRADE


O ESTADO DE S. PAULO - 25/04/12


As pessoas costumam pensar que os custos adicionais do trabalho são de 100%. Ou seja, ao assinar a carteira de um funcionário, uma empresa arcaria com encargos iguais ao salário pago. Como qualquer empresário sabe,o peso é bem maior.A infinidade de obrigações constitui um fardo, que asfixia a competitividade dos produtos nacionais.

O Brasil precisa tornar a criação de empregos e a produção mais baratas e funcionais. Não advogamos piora nas condições de trabalho nem achatamento salarial, a exemplo do que ocorre em algumas nações asiáticas. Mas, sim, racionalidade para acabar com a profusão de encargos,benefícios diretos e indiretos, contribuições, adicionais diversos e burocracia.

O crescimento dos custos do trabalho tem duas fontes principais: a elevação dos salários e o aumento do número de obrigações. É positivo que os trabalhadores estejam ganhando mais. Isso estimula o consumo,incrementa investimentos e faz a roda da economia girar. Mas os reajustes devem refletir a elevação na produtividade. De acordo com levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, entre 2003e2009, o custo da mão de obra na economia brasileira cresceu 120% diante dos nossos competidores internacionais. A produtividade subiu apenas 0,6% por ano, em média. Na indústria a situação é pior, com elevação de 150% nos custos e queda de 0,8% na produtividade.

O custo do trabalhador chega a ser mais que o dobro do verificado em outros países emergentes. Na indústria de transformação, os encargos trabalhistas correspondem a um terço das despesas com mão de obra. Isso tem reflexos diretos na competitividade dos nossos produtos- as despesas ligadas ao trabalho significam de 20% a 50% do custo final dos manufaturados brasileiros.

O esforço do governo em retirar a contribuição de 20% à Previdência Social da folha de pagamento e localizá-la no faturamento, com uma desoneração de R$7,2 bilhões, merece elogios. Mas é preciso lutar contra a inflação de projetos de lei e medidas administrativas que aumentam os custos trabalhistas.

Neste exato momento, cerca de60% de todos os registros de presença feitos no País podem ser considerados inválidos, pois uma mera portaria modificou as regras do ponto eletrônico. Cerca de R$ 6 bilhões terão de ser investidos na compra e instalação de pelo menos 1 milhão de novos equipamentos.

No Congresso, toda semana surgem projetos criando"direitos"e custos empresariais: folga para quem fizer concurso público; aumento nas licenças-maternidade e paternidade; ampliação das formas de caracterização de doenças do trabalho;restrições à dispensa;redução da jornada semanal sem diminuição do salário; adicional de penosidade e até um auxílio-solidão. E até no Poder Judiciário temos exemplos de insegurança jurídica. As empresas estão sendo obrigadas a pagar milhões de horas extras retroativas porque, em muitos casos, a Justiça considera o tempo em que os empregados passam em transporte fornecido pelo empregador como horas trabalhadas. Ou seja, damos um benefício ao trabalhador e somos punidos.

A Justiça do Trabalho decidiu que os adicionais de insalubridade não devem incidir sobre o salário mínimo, como define, há quase 70 anos, o artigo 192 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na visão dos juízes, o porcentual deveria ser aplicado sobre o salário base dos funcionários. Como os trabalhadores podem reclamar supostos direitos acumulados em cinco anos, empresas foram surpreendidas por dívidas de até R$20 milhões.Elas atuavam com estrito respeito às regras da CLT, mas uma simples mudança de entendimento da Justiça criou um passivo gigantesco. Felizmente,o Supremo Tribunal Federal reviu a decisão.

Sem prejuízo dos direitos trabalhistas, governo, Congresso e Justiça precisam racionalizar a estrutura de custos do trabalho. Os sindicatos de trabalhadores e de empregadores estão abertos ao diálogo para construir alternativas.

Só assim as empresas poderão investir, gerar mais empregos, ganhar competitividade e impulsionar o crescimento.

Antenada - ANTONIO DELFIM NETTO


FOLHA DE S. PAULO - 25/04/12


Quando se olha a economia mundial, é difícil deixar de reconhecer que estamos em situação relativamente confortável e que, não sem motivo, somos uma das sociedades onde são maiores o otimismo e a esperança de melhoria. Mas temos crescido pouco.

Entre 1988, quando aprovamos a Constituição, até 2011, o crescimento do PIB tem se realizado à medíocre taxa de 2,7% ao ano e da renda per capita apenas a 1,3% ao ano. Significa que a renda per capita consome 55 longos anos -2,2 gerações para dobrar.

Talvez por conta disso, manobramos com algum sucesso na construção do processo civilizatório sugerido na Constituição de 1988:

1º) Republicano -todos sujeitos, inclusive o governo, às mesmas leis sob o "garante" do Supremo Tribunal Federal;

2º) Democrático -com eleições absolutamente livres e competitivas;

3º) Acompanhado de um aumento persistente das políticas públicas que deem a todo cidadão maior "igualdade de oportunidades", basicamente saúde e educação universais e gratuitas para enfrentar uma economia de mercado altamente competitiva.

O desenvolvimento econômico e social é um processo que só é bem-sucedido quando a solução de um problema gera outros dois para serem resolvidos. Os problemas são, ao mesmo tempo, o que retarda e o que estimula a realização do desenvolvimento.

Pois bem. Apesar da situação relativamente confortável e do aumento de nossa esperança sobre o futuro do Brasil, é cada vez mais claro que a continuidade do nosso desenvolvimento está ameaçada pela acumulação de problemas sérios, alguns decorrentes do próprio sucesso civilizatório.

O sucesso começou com a Constituição e prosseguiu com a estabilização monetária, a consolidação da política fiscal e a adoção do regime de câmbio flexível que, ao longo das últimas duas décadas, permitiram uma ampliação do consumo global, da inclusão social e da redução das disparidades regionais.

Isso ocorreu sem perturbar fortemente nem o equilíbrio interno -aumento da inflação- nem o equilíbrio externo -apesar do aumento do deficit em conta-corrente. Por outro lado, o modelo de ampliação do consumo e da inclusão social parece ter encontrado o seu limite no descaso com a oferta interna por falta de estímulo ao investimento.

Foi mais do que confortador, portanto, ouvir a presidente Dilma dizer aos novos diplomatas, na última sexta-feira, que "temos de equacionar três amarras do país e construir o caminho, o chamado quarto caminho. As três amarras são: taxa de juro, taxa de câmbio e impostos altos. E o caminho é a educação de qualidade". Isso revela o quanto ela está antenada com as necessidades nacionais.

Assim na China como nos Estados Unidos - PEDRO CAFARDO


VALOR ECONÔMICO - - 25/04/12


Quem nunca foi à China, precisa aproveitar a primeira oportunidade que tiver para visitar esse país asiático. Ao chegar a Pequim, certamente vai se surpreender com a limpeza, as largas avenidas cercadas de álamos e os jardins bem cuidados. Em Xangai, vai ficar boquiaberto com o cenário de Blade Runner da majestosa fileira de arranha-céus iluminados e coloridos. No interior do país, vai se admirar com a aparência e o tamanho de cidades com nomes que não ouviu antes.

Essa é a nova China - a velha, em Pequim, Xian, Guilin e Guangzhou, é também admirável. Mas a China modernizou-se e enriqueceu a uma velocidade incrível nas últimas décadas e o fez ao mesmo tempo em que abria sua economia para o exterior, tornando-se um grande parceiro comercial do Ocidente.

Não há nenhuma dúvida de que o Brasil pegou carona nesse enriquecimento e nessa modernização chinesa. Basta olhar a evolução do comércio entre os dois países. Em 2001, o intercâmbio ficava em modestos US$ 3,2 bilhões. Dez anos depois, em 2011, o valor alcançou US$ 77,1 bilhões, ou seja, foi multiplicado por 24.

É apressado e superficial afirmar que o Brasil olhou para a China nos últimos anos e desprezou o mercado dos Estados Unidos. O que ocorreu foi crescimento em ritmo chinês no comércio com a China e em ritmo americano com os Estados Unidos.

O volume total de intercâmbio do Brasil com os Estados Unidos, em 2001, era de US$ 27 bilhões por ano, valor que subiu para US$ 60 bilhões no ano passado. Houve nesse período, portanto, um crescimento de 122%, nada mal.

Exceto em 2009, ápice da mais grave crise americana desde os anos 1930, as exportações brasileiras sempre aumentaram para os EUA durante os últimos dez anos. No ano passado, por exemplo, com o início da recuperação americana, as exportações cresceram 33% e somaram US$ 26 bilhões, nível só inferior ao de 2008 na década. Há, atualmente, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, 6,6 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado americano.

Além de atender ao ritmo chinês de expansão, da ordem de 10% ao ano, as exportações para a China multiplicaram-se em razão da enorme demanda de commodities minerais e agrícolas, itens nos quais o Brasil é sabidamente especialista.

No ano passado, 85% das vendas brasileiras à China foram de produtos básicos (US$ 37,6 bilhões dos US$ 44,3 bilhões exportados) e apenas 4,5% de manufaturados (US$ 1,4 bilhão). Quatro itens da pauta (minério de ferro, soja, petróleo e celulose) concentraram uma receita de US$ 36 bilhões. Entre os manufaturados, só aviões tiveram valor expressivo na pauta exportadora, com US$ 619 milhões.

As economias do Brasil e da China são, portanto, complementares, o que não ocorre com os Estados Unidos, concorrentes ferozes na produção de commodities agrícolas, principalmente a soja. Por isso, a pauta de exportação brasileira para os EUA é mais "virtuosa", segundo as avaliações tradicionais, porque agrega um grande volume de manufaturas. No ano passado, 45,5% das exportações foram de manufaturados, numa relação bastante pulverizada, com aviões, motores, máquinas, peças, calçados e até pneus.

É apressado dizer que o Brasil olha apenas para a China

Estados Unidos e China são, assim, parceiros igualmente importantes para o Brasil. A corrente de comércio com a China é ligeiramente maior que a com os EUA, mas ambos os países têm dado contribuição indispensável para a formação dos superávits comerciais brasileiros.

Nos últimos dez anos, o saldo brasileiro acumulado foi de US$ 23 bilhões com a China e US$ 30 bilhões com os EUA. Desde a crise global de 2008, porém, a balança se desequilibrou muito no caso dos americanos e o Brasil acumulou um déficit de US$ 20 bilhões nos últimos três anos. No primeiro trimestre deste ano essa tendência se manteve e o déficit foi de US$ 769 milhões.

Na semana passada, o Valor mostrou que o comércio com a China teve uma clara desaceleração no primeiro trimestre deste ano. As exportações aumentaram apenas 10,6% e as importações, 13,9%. Nada surpreendente. O comércio se adapta ao possível novo ritmo chinês, ditado pela previsão do governo central de crescimento menor do PIB do país asiático, de 7,5% em 2012, ante 9,2% em 2011.

Redução de ritmo não significa redução de demanda, que certamente continuará a aumentar em compasso semelhante ao do PIB chinês. Além disso, poucos economistas chineses acreditam que essa meta de desaquecimento, anunciada pelo premiê Wen Jiabao, será cumprida. Em artigo no Valor, o presidente da China Society of World Economics, Yu Yongding, previu que os governos regionais do país lutarão com todas as forças para alcançar o maior crescimento possível, seguindo apenas "da boca pra fora" a convocação de Wen.

Sobre a China, enfim, a única certeza que se tem no ocidente é que esse país é insondável. É impossível saber se a meta do desaquecimento será cumprida ou não. Em qualquer hipótese, entretanto, vale a pena continuar de carona nessa gigante economia asiática, cujo PIB deve fechar o ano com US$ 7,7 trilhões, metade do americano.

O mesmo vale para os Estados Unidos, é claro.

Proteção enganosa - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 25/04/12


Está previsto para hoje, no Supremo Tribunal Federal (STF), o início do julgamento da constitucionalidade da política de cotas em instituições de ensino no Brasil, contestada em três ações que tramitam na Corte. Na pauta de hoje está a ação protocolada pelo DEM contra o sistema de cotas adotado pela Universidade de Brasília e o recurso que questiona a política adotada pela Universidade do Rio Grande do Sul, que combina dois critérios para a seleção: a origem de escola pública e a "raça". A questão foi debatida em audiências públicas realizadas pelo Supremo em março de 2010, com a participação de mais de 40 especialistas.

Tema complexo em que se embaralham traços da luta pelos direitos civis, da busca de justiça social, da inclusão de minorias menos favorecidas e até do politicamente (ou socialmente) correto. A priori, pode parecer justa a preocupação de garantir espaço, nas instituições de ensino superior, para jovens que não tenham tido as mesmas oportunidades que outros, supostamente por questão de renda, cor da pele ou outro motivo.

O problema é que esse conceito embute distorções capazes de, ao supostamente neutralizar discriminações, criar outras ainda piores, uma vez que definidas em leis, normas e regulamentos. Na próxima semana, o STF deverá analisar a ação do DEM e de entidades da área de ensino contra o sistema de reserva de bolsas de estudo para negros, indígenas, pessoas com deficiência e alunos da rede pública, implementado pelo PROUNI, do governo federal.

A barreira defensiva para os negros, por exemplo, é traiçoeira. Segundo dados de 2008 do IBGE, apenas 6,1% da população se autodefinem como negros. Em termos percentuais, essa parcela da população só se torna expressiva se a ela se adicionarem os 45,1% que se denominam pardos. Nesse caso, portanto, a barreira funciona, na prática, como uma discriminação contra pardos, não contemplados com cotas.

Outro grande problema do sistema de cotas é o critério a ser adotado para selecionar os que nele devem ser incluídos. Quando o sistema é o do mérito escolar, as nuvens se dissipam e as cotas deixam de ser necessárias. Entra quem obtiver nota suficiente, segundo o número de vagas. Quando entra o componente racial, a questão se complica. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, por exemplo, criou cotas para negros, mas depois excluiu 76 inscritos porque suas fotos mostravam que eles não cumpriam as exigências: eram pardos.

O fato é que esses sistemas artificiais atendem mais aos objetivos eleitoreiros de alguns políticos que às reais necessidades dos que seriam supostamente beneficiados. E, para beneficiar alguns, outros são prejudicados. Como é o caso óbvio dos milhões de jovens brancos e pobres, que têm tanta dificuldade de acesso ao ensino superior quanto qualquer outro jovem na mesma situação. Sem falar no risco de esses sistemas incutirem na sociedade tensões raciais desnecessárias.

Bastante mais razoável que as cotas raciais seria a adoção de cotas sociais, em função da renda, e não da cor. Seriam beneficiados os mais pobres, não importando se brancos, pardos ou negros. Mas a "ação afirmativa" verdadeiramente desejável é a melhoria do ensino público básico e profissionalizante, maneira adequada de qualificar o jovem das famílias de baixa renda, sem discriminações racistas. São aspectos a serem considerados pelos juízes do STF.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV



10h - Udinese x Inter de Milão, Campeonato Italiano, Sportv 2

10h - Roma x Fiorentina, Campeonato Italiano, ESPN e ESPN HD

13h - Cesena x Juventus, Campeonato Italiano, Sportv 2 e ESPN HD

13h - Milan x Genoa, Campeonato Italiano, ESPN

15h45 - Real Madrid x Bayern de Munique, Copa dos Campeões, Band, ESPN, ESPN HD e Esporte Interativo

19h - Troféu Maria Lenk, natação, Sportv 2

19h30 - Portuguesa x Bahia, Copa do Brasil, ESPN Brasil e Sportv

21h50 - Internacional x Fluminense, Taça Libertadores, Globo (menos SP) e Fox Sports

21h50 - Bolívar (BOL) x Santos, Taça Libertadores, Globo (para SP) e FX

21h50 - Paraná x Palmeiras, Band, ESPN Brasil e Sportv

21h50 - Goiás x Atlético-MG, Copa do Brasil, ESPN e Sportv 2

Hoje o STF julgará as cotas - ELIO GASPARI


O GLOBO - 25/04/12


O Supremo Tribunal Federal julgará hoje a constitucionalidade das cotas para afrodescendentes e índios nas universidades públicas brasileiras. No palpite de quem conhece a Corte, o resultado será de, pelo menos, sete votos a favor e quatro contra. Terminará assim um debate que durou mais de uma década e, como outros, do século XIX, expôs a retórica de um pedaço do andar de cima que via na iniciativa o prelúdio do fim do mundo.

Em 1871, quando o parlamento discutia a Lei de Ventre Livre, argumentou-se que, libertando-se os filhos de escravos, condenava-se as crianças ao desamparo e à mendicância. "Lei de Herodes", segundo o romancista José de Alencar. Quatorze anos depois, tratava-se de libertar os sexagenários. Outro absurdo, pois significaria abandonar os idosos. Em 1888 veio a Abolição (a última de país americanos independente), mas o medo a essa altura era menor, temendo-se apenas que os libertos caíssem na capoeira e na cachaça. Como dizia o Visconde de Sinimbu: "A escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo". A votação do projeto foi acelerada pelo clamor provocado pelo linchamento de um promotor que protegia negros fugidos no interior de São Paulo. Entre os assassinos estava James Warne, vulgo "Boi", um fazendeiro americano, que emigrara depois da derrota do Sul na Guerra da Secessão.

As cotas seriam coisa para inglês ver, "lumpenescas propostas de reserva de mercado". Estimulariam o ódio racial e baixariam a qualidade dos currículos da universidades. Como dissera o Barão de Cotegipe, "brincam com fogo os tais negrófilos". Os cotistas seriam incapazes de acompanhar as aulas. Passaram-se dez anos, pelo menos 40 universidades instituíram cotas para afrodescendentes, e hoje há milhares de negros exercendo suas profissões graças à iniciativa. O fim do mundo ficou para a próxima. Para quem acha que existe uma coisa como ditadura dos meios de comunicação, no século XXI, como no XIX, todos os grandes órgãos de imprensa posicionaram-se contra as cotas. Ressalve-se a liberdade assegurada aos articulistas que as defendiam.

Julgando a constitucionalidade das iniciativas das universidades públicas que instituíram as cotas, o Supremo tirará o último caroço da questão. No memorial que encaminharam na defesa do sistema, os advogados Marcio Thomaz Bastos, Luiz Armando Badin e Flávia Annenberg começaram pelos números:

"Em 2008, os negros e os pardos correspondiam a 50,6% da população e a 73,7% daqueles que são considerados pobres." (...) Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos pretos e dos pardos de 25 ou mais de idade tinham nível superior".

E concluíram: "A igualdade nunca foi dada em nossa história. Sempre foi uma conquista que exigiu imaginação, risco e, sobretudo, coragem. Hoje não é diferente".

O senador Demóstenes Torres, campeão do combate às cotas, chegou a lembrar que a escravidão era uma instituição africana, o que é verdade, mas não foram os africanos que impuseram a escravatura ao Brasil. Nas suas palavras: "Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram...".

Hoje, o Supremo virará a última página dessa questão. Ninguém se lembra de James Warne, mas Demóstenes será lembrado por outras coisas.

Eles estimulariam o ódio racial e rebaixariam as universidades, mas, como no século XIX, era tudo lorota.

Muito além do tsunami - ROLF KUNTZ

O ESTADÃO - 25/04/12


As contas externas vão piorar neste ano e o déficit em conta corrente aumentará de US$ 52,5 bilhões para US$ 68 bilhões, passando de 2,1% para 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central (BC).As novas projeções estão no relatório de março do setor externo, divulgado nesta terça-feira. Parece haver uma séria diferença de percepção entre o pessoal do BCe o do Ministério da Fazenda, quando se trata de balanço de pagamentos e, muito especialmente, das condições de competição comercial.

No cenário divulgado pelo banco, a pior evolução será a do comércio de mercadorias. O superávit cairá 29,5%, de US$ 29,8 bilhões para US$ 21 bilhões.O buraco na conta de serviços e rendas aumentará 7,5%, com variação de US$ 6,4 bilhões.

Dois pontos chamam a atenção.A conta corrente melhorou um pouco de fevereiro para março, mas, ainda assim, o pessoal do BC manteve, de modo geral, as estimativas para o ano. Em segundo lugar, a evolução da conta de serviços e rendas é bem menos desfavorável que a da conta de mercadorias. A depreciação cambial deverá frear a expansão dos gastos com viagens (aumento de apenas 5,4%) e manterá praticamente constante a remessa de lucros e dividendos,mas pouco ajudará os exportadores brasileiros. O valor embarcado deverá crescer apenas 4,7%, de US$ 256 bilhões para US$268 bilhões.Mas o valor importado aumentará 9,2%, de US$ 226,2 bilhões para US$ 247 bilhões. Uma certa acomodação dos preços das matérias-primas exportadas, ainda incluída nas contas do BC, pesará com certeza nos resultados da exportação. Mas o fraco desempenho comercial da indústria, é razoável supor, também deve ter sido levado em conta nas projeções de receita e despesa.

O problema cambial, hoje muito menos grave do que há um ano, explica apenas parte das dificuldades comerciais.O pessoal do Ministério da Fazenda sabe disso, mas insiste em atribuir um peso decisivo a esse fator. Segundo a edição de março e abril do relatório Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado ontem, as exportações brasileiras de manufaturados vêm sendo prejudicadas pela ação "anticompetitiva" e pelas políticas monetárias dos países mais desenvolvidos. É uma referência ao "tsunami monetário" denunciado no Brasil e no exterior pela presidente Dilma Rousseff. Essa inundação de moeda estrangeira provoca a valorização do real e de outras moedas.É a guerra cambial apontada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Isso explica, segundo o relatório, por que o superávit de US$ 8 bilhões do setor manufatureiro em 2005 se converteu num déficit de US$ 92 bilhões no ano passado. Para contrabalançar essa tendência, o governo, recorda o relatório, tomou certas medidas, incluído o Plano Brasil Maior.Algumas páginas antes, o documento menciona também as ações para conter o ingresso de capitais.

Curiosamente,os autores do trabalho só se referem ao problema cambial, quando se trata de explicar a perda de competitividade do setor industrial, mas acabam enxertando uma referência ao Plano Brasil Maior como solução para o problema. No texto, pelo menos, essa conexão é um tanto frouxa, mas esse é o ponto menos importante. O plano, de acordo com o documento,foi lançado para compensar os efeitos da valorização cambial e promover o emprego, a produção local e a inovação tecnológica. Na prática, a política industrial tem sido pouco mais que uma improvisada mistura de protecionismo, de estímulos localizados e de muita confusão. Beneficiários potenciais dos incentivos têm tido problemas para descobrir como usar as facilidades tributárias, porque as regras são obscuras e de aplicação muito difícil. A nomenclatura comercial usada impede a clara identificação dos produtos cobertos pelos incentivos. Além disso, as empresas podem receber benefícios para determinadas linhas, mas não para outras.Finalmente, algumas vantagens devem ser proporcionais à parcelada produção destinada ao comércio exterior. Não há nenhuma tentativa clara e eficaz de reduzir e racionalizar a tributação, nem de tornar mais eficiente o investimento em infraestrutura, nem de promover um novo regime de cooperação entre setor público e setor privado para pesquisa e inovação.O Plano Brasil Maior é apenas mais uma coleção de remendos de baixa qualidade apresentada com muita retórica.

Na falta de algo melhor para mostrar, o governo deve continuar esbravejando contra o tsunami monetário e criando estímulos para a expansão da demanda - especialmente de consumo -, como se o grande problema da indústria fosse a fraqueza do mercado interno. É mais fácil estimular os consumidores a ir às compras do que cuidar da capacidade de oferta competitiva da indústria.Os produtores estrangeiros agradecem. Isso poderia ser uma nota de rodapé para as projeções do BC.

CLAUDIO HUMBERTO

“Queremos produzir uma investigação séria”
Deputado Odair Cunha (PT-MG), ao ser indicado relator da CPI mista do Cachoeira

PMDB ADMITE CONVOCAR LULA PARA BLINDAR CABRAL 

A cúpula do PMDB no Senado subiu o tom e, nos bastidores, já ameaça convocar o ex-presidente Lula a se explicar caso o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, seja chamado a depor na CPI mista que investigará os esquemas do bicheiro Carlos Cachoeira. Lula é suspeito de aceitar suposta doação de 

R$ 1 milhão do contraventor, para sua campanha de 2002, em troca da legalização dos bingos. 

BLINDAGEM

Temendo virar alvo de adversários na CPI, devido ao aumento de contratos com a Delta no Rio, Sergio Cabral pediu apoio ao PMDB.

FOGO AMICÍSSIMO

Foi Rogério Buratti, amigo e assessor do ex-ministro Antonio Palocci, quem revelou a doação de Cachoeira ao caixa 2 da campanha de Lula.

VIGILÂNCIA SOCIAL

Para o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), só as redes sociais podem impedir que a CPI do Cachoeira acabe em pizza. 

VAGAS CEDIDAS

O PMDB cedeu vagas na CPI para os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Paulo Davim (PV-RN) e Benedito de Lira (PP-AL) será suplente. 

DELEGADOS RECLAMAM DE CORPO MOLE DO CNMP

Duas associações de delegados da Policia Federal (ADPF e Adepol) protestaram ontem contra a “postura tímida” do Conselho Nacional do Ministério Público na investigação de grampos telefônicos da Operação Monte Carlo onde o senador Demóstenes Torres (GO) é solicitado a interferir junto ao irmão, Benedito Torres Neto, procurador-geral de Justiça. O CNMP informou que o corregedor nacional do MP instaurou apuração e aguarda a defesa dos acusados, que têm prazo para isso.

VIOLAÇÃO DO DEVER

Para o corregedor nacional do MP, Jeferson Coelho, se verdadeiras, as condutas podem configurar violações aos deveres funcionais.

IMPEDIMENTO

O conselheiro Tito Amaral, do MP-GO, declarou-se impedido de atuar em processos contra Demóstenes e o irmão, por ser amigo de ambos.

REFERÊNCIAS

Além do senador e do seu irmão Benedito Torres Neto, o nome do promotor Alencar José Vital também é citado nos grampos da PF.

DILMA PRESTIGIA AGNELO

A destinação de R$ 2,2 bilhões do PAC da Mobilidade para Brasília foi recebida nos meios políticos como um sinal de que o governo Dilma está longe de abandonar o governador Agnelo Queiroz (PT) à própria sorte. Mais que isso, tanta dinheirama leva o maior jeitão de prestígio.

VELHAS PISTAS

Para sair do lugar, a CPI do Cachoeira terá de retomar pistas da CPI dos Bingos, como uma conta no MTB Bank, em Nova York, investigada pelo promotor de Manhattan Roberto Morgenthau, hoje aposentado. 

CORTINA DE FUMAÇA

O vocabulário limitado dos surfistas que fumam maconha no Arpoador, no Rio, agora inclui “FHC”, em vez de THC, para designar o composto químico da Cannabis. Mas os “brôs” não sabem distinguir um do outro. 

LA VIE EN ROSE

Se há embaixadores comendo o pão que o diabo amassou nos confins da África, outros não se queixam, como nosso embaixador em Saint Kitts and Nevis, duas ilhotas de 51 mil moradores, no Caribe. Sua casa à beira de um penhasco virou ponto de atração para turistas brasileiros.

ELITE COLORIDA

Ex-reitor da Universidade de Brasília, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defende o sistema de cotas para negros, que deve ser julgada hoje no Supremo: “Precisamos colorir a cara da elite brasileira”. 

VOO DO CRIOULO DOIDO

Após comprar a Webjet, a GOL continua fazendo pouco da lógica de exploração do cliente. Quem viaja hoje (25) de Porto Alegre ao Rio de Janeiro pela Webjet (voo WH 5716) pagará R$ 329,99, mas pela GOL (voo G3 1279), mais ou menos à mesma hora (18h), pagará R$ 1.704.

VIDA DE MORTE

Os últimos posts do jornalista Décio de Sá em seu blog, segunda (23) – quando foi morto a tiros na orla de São Luís (MA) –, mostram prisão de dois assessores do Tribunal de Justiça num caso de extorsão, e da morte de líder comunitário por pistoleiros, a mando de um empresário. 

DIRETO DO CANADÁ

O governador-geral canadense, David Johnston, fez questão de encontrar Luiza, que estava no Canadá, em sua visita ontem ao Brasil. Ele agradeceu “o bom nome que ela fez do país”. 

PENSANDO BEM...

...Em vez de Cachoeira, é a CPMI do Alfabeto: vai de A a Z. 

PODER SEM PUDOR

O PISTOLÃO CERTO

Dono de um dos melhores textos da imprensa brasileira em todos os tempos, o jornalista Mauro Santayana acabara de ser nomeado adido cultural à embaixada do Brasil em Roma, nos anos 80. Um belo cargo, no Palácio Doria Pamphilij, sede da nossa embaixada na Piazza Navona, Centro de Roma. Um amigo o encontrou e foi logo gozando:

– Puxa, esse é o emprego que pedi a Deus!...

O jornalista respondeu na bucha:

– Acho que você pediu ao cara errado. Quem me nomeou foi o presidente José Sarney.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Escândalo de Cachoeira – CPI começa com 65% de governistas e relator ‘fiel’
Folha: Para ter controle da CPI, Dilma impõe aliado como relator
Estadão: STF manda investigar três deputados no caso Cachoeira
Correio: Dilma dá R$ 2 bi para o transporte no DF
Valor: Ações por atraso de obras pesam nas construtoras
Estado de Minas: Onda de insegurança
Zero Hora: Queda da taxa de juro chega à casa própria

terça-feira, abril 24, 2012

Até onde, até quando - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 24/04/12


Os episódios de corrupção no Brasil emendam-se uns nos outros, em uma inflação de imoralidade


Até os pequenos intervalos estão extintos. Os episódios de corrupção emendam-se uns nos outros, em uma inflação de imoralidade com a qual o país convive, e à qual se adapta, como peça natural dos seus costumes, tal como fez com as décadas de inflação monetária. Havia, então, o sentimento abafado de que se vivia uma situação a caminho do seu limite. E agora: até onde e até quando seguirá a degradação que se espraiou pelo país todo? A tendência histórica é alguma forma de estouro.
A dimensão de escândalo está reservada aos episódios gerados por Brasília. Em parte, por motivos políticos; em parte, por estar cada vez mais reduzida, nesta fase dos meios de comunicação, a sua função informativa. Mas, com variações de grau decorrentes, sobretudo, das circunstâncias locais, os episódios da degradação multiplicam-se pelo país todo, em escândalos proporcionais ao seu meio.
Os escândalos, porém, vão ficando menos escandalosos. O caso que envolve Carlinhos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres e um montante ainda impreciso de congressistas, e portanto com o Congresso; mais governantes de Goiás e do próprio Distrito Federal, empresas, empresários e bilhões de dinheiro público, com tudo isso só tem provocado piadinhas. Vá lá, e algum espanto, creditável ao senador Demóstenes. Indignação, nenhuma.
O que aconteceu no primeiro ano de mandato de Dilma Rousseff dispensaria qualquer outro exemplo para caracterizar a situação. Seis ministros, representantes de partidos componentes do Congresso Nacional, tiveram que ser destituídos já nos primeiros meses do governo, a bem da moralidade administrativa. Foram-se, e pronto. Tudo ficou como se não significasse coisa alguma. E não merecesse nem um tempinho de reflexão ou debate, sobre suas causas e sentidos, por uns quantos doutores, cientistas, professores, intelectuais.
"É a impunidade, eles sabem que ficarão impunes, é preciso acabar com a impunidade" -aí está a explicação geral. Automática. Definitiva. E vazia. Não, a impunidade não é causa. É parte suplementar da degradação, associada à corrupção mesma -a qual, aliás, veio antes da impunidade, que lhe deu seguimento, uma extensão com a mesma origem, a mesma função e o mesmo propósito.
Até onde irá o colar de episódios escabrosos que se estende e ramifica, em uma ocupação sem resistências? Até quando o dinheiro público será saqueado pela pirataria das obras, das compras, dos contratos de serviço? Em vez de servir às necessidades da população que o proporcionou aos cofres oficiais.
Até onde, até quando.

Efeito mariposa - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 24/04/12


São basicamente de dois tipos as expectativas existentes entre os parlamentares sobre a CPI mista que começa nesta semana a investigar as parcerias públicas e privadas das organizações Cachoeira de armações ilimitadas.

Há quem acredite que a comissão morra na praia por força de acordo entre as diversas forças políticas envolvidas e há quem aposte na possibilidade de uma investigação controlada, restrita aos fatos já apurados, e paulatinamente divulgados, pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Em ambos os grupos o que mais se ouve é o chamamento à "precaução" a fim de que a CPI não "espalhe lama" por todo lado e não lance luz muito forte à zona sombria onde negócios se misturam com política.

O deputado Miro Teixeira, indicado pelo PDT, vai por outra linha: não vê hipótese de acordos - "a não ser que os signatários queiram se desmoralizar perante a opinião pública" -, acha que a comissão deve trabalhar justamente sobre fatos que a PF ainda não desvendou e considera essa história de cautela um contrassenso em relação aos objetivos da CPI.

"Se precaução deve haver é contra a mentira, o banditismo e o uso da comissão como palco daquelas mariposas que estão em busca de notoriedade para fazer jogo político", diz ele.

Neste aspecto revela uma preocupação com a participação de líderes partidários que pelo regimento têm direito à palavra a qualquer tempo, mesmo sem integrar a CPI.

"São 27 partidos e se não houver algum tipo de limitação aos discursos meramente políticos feitos em busca de notoriedade, será um inferno, o pior dos mundos para as investigações."

Em décadas de mandato, Miro Teixeira só integrou duas CPIs, a dos anões do orçamento e a que resultou no processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor. "Não sou um cepeista."

Aceitou participar da que agora se inicia porque vê nela uma peculiaridade interessante: "Começa por onde as outras terminam, o que oferece uma oportunidade concreta de avanço".

Explica-se: uma CPI quando acaba normalmente faz um relatório a ser encaminhado para a Polícia Federal e o Ministério Público para investigações, aberturas de inquéritos e, se for o caso, de processos.

No caso atual tanto a PF quanto o MP já têm prontas as investigações. Na opinião de Miro Teixeira, a CPI deve, então, tentar ir adiante, "até aonde a polícia e os procuradores por alguma razão não conseguiram chegar".

O deputado cita exemplos que são objetos de solicitações a serem feitas por ele: "Por que ninguém ainda pediu à Justiça a indisponibilidade dos bens de Carlos Cachoeira, Demóstenes Torres e Fernando Cavendish?".

Qual a importância disso? "Primeiro porque os bens podem ser produto de crime, segundo porque a indisponibilidade restringe a área de manobra deles e dificulta possíveis subornos e, terceiro, porque possibilita a recuperação do dinheiro pelo poder público."

Outro caminho a ser explorado seria o dos negócios de Cachoeira no setor de medicamentos. "A obtenção de licenças para registro e fabricação de remédios pode ter sido feita conforme as regras, mas também pode não ter sido, é preciso averiguar."

Acha importante também requisitar os autos de outra operação da Polícia Federal, chamada Vegas, também sobre redes de jogo ilegal e que deu origem à Operação Monte Carlo.

Fundamental, na visão dele, é que a CPI tenha o auxílio de uma "força-tarefa" composta por integrantes da PF, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União para orientar a comissão sobre pontos ainda não esclarecidos e que possam levar o trabalho a uma eficácia real.

"Dados que nos levem, por exemplo, a responder por que um empresário como Cavendish consegue contratos com tanta facilidade e ainda diz que faz isso pagando políticos?"

Tudo muito bonito e bem intencionado, mas quem garante que essa CPI não terá o destino de tantas outras fracassadas? "O êxito nunca é garantido, principalmente em 100%, mas, ou se acredita e trabalha ou não se faz nada porque para trabalhar é preciso primeiro acreditar."

Contraponto necessário - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 24/04/12


O vergonhoso bate-boca entre os ministros Cezar Pelusoe Joaquim Barbosa não pode ser caracterizado como uma crise institucional, mas que afeta a imagem do Supremo Tribunal Federal, isso afeta. Não interfere em nada nos julgamentos futuros, entre eles o do mensalão, mas se não houver uma superação desse mal-estar, qualquer decisão importante que o Supremo venha a tomar pode ficar prejudicada pela falta de credibilidade.

A decisão não perde a eficácia legal, mas se a percepção da opinião pública for de que a última instância do Poder Judiciário não merece mais respeito, o prejuízo político para a cidadania será imenso.

No momento em que o Poder Legislativo toma decisões corporativas que são escandalosas aos olhos da população e sofre com uma crise política que será aprofundada com a CPI do Cachoeira, o Supremo tem sido o contraponto institucional à força cada vez maior do Executivo.

A preocupação com uma eventual desmoralização do Supremo aumenta diante do poder, real e imaginário, da Presidência da República.

A presidente Dilma, com os índices de popularidade que vem alcançando, vai dando continuidade, pormeio de outros atributos, à
presidência imperial de Lula, que confrontava o Judiciário com críticas públicas e subjugava o Legislativo com benesses a seus membros.

Na polêmica entrevista ao Consultor Jurídico, em que criticou seu confrade Joaquim Barbosa, o ministro Peluso também fez uma análise do nosso sistema presidencialista, afirmando que “o Poder Executivo no Brasil não é republicano. É imperial. Temos um Executivo muito autoritário”.

Ele se referia ao aumento salarial do Judiciário, que a presidente Dilma não autorizou. “Mandei ofícios à presidente Dilma Rousseff citando precedentes, dizendo que o Executivo não poderia mexer na proposta orçamentária do Judiciário, que é um poder independente, quem poderia divergir era o Congresso. Ela simplesmente ignorou”.

Segundo Peluso na entrevista, o Congresso chegou a ensaiar certa independência, “mas o poder de fogo do Executivo é grande, eles acabaram não tomando atitude, curvando-se ao toma lá dá cá”.

Chama-se hiperpresidencialismo o regime em que o Executivo abarca todos os poderes do Estado, diante de outros poderes subjugados.

Mesmo tendo a maioria de seus ministros indicados por governos da mesma tendência política, o Supremo tem se mostrado de uma independência vital para a democracia brasileira, e a última coisa que poderia acontecer é sua perda de credibilidade.

Ao contrário de outros países, o governo não tem usado essas nomeações para tentar manipular as decisões do Supremo, ao mesmo tempo em que o caráter vitalício do mandato dá aos juízes a independência indispensável para a função.

Diferentemente dos Estados Unidos, aqui o ministro do Supremo tem que se aposentar compulsoriamente aos 70 anos, mas isso não desfigura a vitaliciedade, que no Direito significa que a perda do cargo só se dará mediante decisão do Judiciário, não bastando um processo administrativo.

O PT no poder há nove anos e quatro meses já nomeou 11 ministros do Supremo, e hoje existem apenas três deles que foram nomeados em outros governos: Celso de Mello, por Sarney; Marco Aurélio Mello, por Collor; e Gilmar Mendes, por Fernando Henrique.

O ex-presidente Lula reagiu assim, em entrevista recente, sobre suas indicações para o Supremo: “A gente não pode indicar as pessoas pensando na próxima votação na Suprema Corte. A gente não pode indicar uma pessoa pensando nos processos que vão ter contra o presidente da República. Você tem que indicar a pessoa pensando o seguinte: se a pessoa é ou não competente para exercer aquele cargo. E tem gente de direita, gente de esquerda”. Uma posição perfeita, que se confirma na prática, já que Lula nomeou para o STF um ministro “de direita”, Carlos Alberto Direito (já falecido), e alguns “de esquerda”.

Muito embora não tenha sido tão imparcial assim o tempo todo, pois se sabe de pelo menos uma vez em que o presidente Lula telefonou pessoalmente para um ministro que acabara de nomear reclamando de um voto seu.

Há quem veja o hiperpresidencialismo como nada menos que uma ditadura disfarçada, cujos limites para a ditadura de fato é a liberdade de imprensa, que geralmente não existe em países que já adotam esse sistema de governo, como na Venezuela e na Rússia.

Os estudiosos dos sistemas de governo dizem que a fragmentação partidária pode levar a que o Executivo estimule uma maioria circunstancial que favoreça a aprovação de sistemas autoritários, como aconteceu na Rússia.

O mesmo fenômeno acontece na América Latina, com governos de países como a Venezuela, o Equador e a Argentina, se utilizando dos mecanismos democráticos para aprovar leis que lhes conferem superpoderes, colocando o Executivo acima dos outros poderes, fazendo com que o sistema democrático perca sua característica de contrapesos.

Não é o que ocorre no Brasil, pois nenhuma legislação foi aprovada para alterar a composição do Supremo e nem o Legislativo foi obrigado a não analisar a pertinência das medidas provisórias, por exemplo.

Mas a desmoralização dos demais poderes da República pode levar ao mesmo resultado.

A eleição francesa guarda ainda algumas indefinições do eleitorado. Os quase 20% da Frente Nacional de Marine Le Pen, por exemplo, são votos da extremadireita ou em grande parte são votos de protesto?

Não é razoável que eleitores de extrema-direita convictos votem no segundo turno em François Holande, mas se o tamanho da Frente Nacional estiver inflado pela desilusão do eleitorado, é possível que esses votos migrem para o PS, ou então esses eleitores simplesmente desistam de votar.

Desse enigma depende a sorte de Sarkozy no segundo turno.

A estupidez da inteligência - VLADIMIR SAFATLE


FOLHA DE SP - 24/04/12


"Uma das lições que Hitler deixou é como, às vezes, é estúpido ser inteligente." Eis uma frase de Adorno e Horkheimer que os franceses deveriam meditar. Os filósofos de Frankfurt aludiam a essas explicações articuladas e cheias de dados que provavam, de maneira absolutamente convincente, a impossibilidade dos nazistas chegarem ao poder na Alemanha.
Em 2002, após o resultado das eleições francesas que colocou a extrema direita de Jean-Marie Le Pen no segundo turno, lembro-me de ouvir explicações da mesma natureza.
Um professor universitário amigo demonstrava, por exemplo, que o problema todo fora a inépcia do governo socialista em marcar eleição em época de feriado escolar, o que teria aumentado a abstenção dos professores.
Como no caso de Adorno e Horkheimer, ninguém queria ver o óbvio, a saber, que havia uma enorme faixa de eleitores racistas, xenófobos dispostos a, agora, falar em voz alta. Faixa que devia ser combatida como prioridade política número um, em vez de "analisarmos sem preconceitos".
Exatos dez anos depois, um fenômeno semelhante acontece. Agora, a França é o país europeu que tem a extrema direita mais forte (17,9% para sua candidata, Marine Le Pen).
No entanto esse número é muito maior, já que seu presidente, Nicolas Sarkozy, é daqueles que não sente dor no coração quando mobiliza os sentimentos mais baixos da população (como a islamofobia, a caça a ciganos e os discursos sobre "o homem africano que não entrou na história").
O verdadeiro objetivo maior dessa eleição era retirar a Frente Nacional da posição de definidor da pauta do debate político. O único candidato que compreendera isso foi o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, que levou uma batalha solitária contra os temas da extrema direita e em favor de uma sociedade mestiça. Ele chegou a aparecer em terceiro lugar nas pesquisas, mas perdeu fôlego na reta final.
A razão para tal esgotamento lança luz sobre a estupidez da inteligência. Um dos traços maiores dessa eleição foi a exposição da inutilidade dos intelectuais.
Em vez de insistir na importância de retirar a Frente Nacional da cena política, os mais midiáticos se deleitaram em atirar contra Mélenchon e seus traços "jacobinos" (como o fez Michel Onfray e os verdes) ou fazer pregação suicida pelo voto nulo (como o fez Alain Badiou), como se estivéssemos em 68, com suas brigas entre a esquerda libertária, os comunistas e a miríade de grupelhos.
Com isso, os intelectuais de esquerda só serviram para desmobilizar e fazer vista grossa diante de uma catástrofe anunciada. Prova de que a inteligência é sempre a última a ver o abismo. Há de perguntar quem precisa de inteligência parecida.

Timão Frangão! Granja do Tite! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 24/04/12


Musiquinha: "Boi, boi, boi/ Boi da cara preta/ O Corinthians era líder/ E perdeu pra Ponte Preta"

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E olha esta placa no Walmart de Cotia (SP): "Parcelamos seu bacalhau em 10 Xs". E o pensamento do dia: "O melhor lugar pra comer gambá é na ponte".
E o Joel Santana vai ser demitido em inglês: "You're fired!". "O quê? Eu tô pegando fogo?" Rarará! E adorei o Galvão Urubueno na F1: "O Vettel vai subir no pódio e fazer o número um". Ufa, pensei que era o número dois! Vettel faz o número dois no pódio! E o Massa, na pista! Rarará!
Oba! Hoje é dia de zoar o Timão! Timão Frangão! E a musiquinha que uma menina botou no meu Twitter: "Boi, boi, boi/ Boi da cara preta/ O Corinthians era líder/ E perdeu pra Ponte Preta".
E aí um corintiano ligou: "Alô, é do Campeonato Paulista? O Corinthians está?". "Estava, mas acabou de sair." Ops, de cair. Rarará! E este Júlio César tava com fome, viu? Engoliu três Big McChicken de oito andares! Avícola Júlio César! Timão Frangão! A Granja do Tite! Troca a Jontex pelo Frango da Sadia!
E o melhor goleiro do mundo é a cueca: segura duas bolas e um atacante. Mas não conta pro Tite, senão ele pendura a cueca no gol! Rarará! E o Adriano no "Cansástico"? Elogiando São Paulo: "Uma das cidades que melhor se come". A geladeira do Corinthians que o diga!
Eu acho que ele pegou o guia dos restaurantes do Ronalducho! E São Paulo é mesmo a capital da gastronomia: todo mundo come todo mundo. E reparou que paulista come espaguete sem fazer barulho? Paulista come espaguete em silêncio!
E o Palmeiras? A porcada virou pernil. E o primeiro torcedor que aparecer num posto com a camisa do Palmeiras ganha uma lavagem grátis. Só que tem que comer no local. Rarará! E sabe por que eles querem virar a mesa? Porque só tem perna de pau! Rarará!
Como dizia o palmeirense Gonçalves Dias: "Minha terra TINHA Palmeiras!". Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
E o Flamengo? Ops, o Barmengo! FLA quer dizer Férias Literalmente Antecipadas! E tão dizendo que a Patrícia Amorim vai fazer um episódio de "As Brasileiras", da Globo: "A Eliminada da Gávea"! Rarará!
E o site Futebol Falado lançou o curso de férias do Flamengo: "Inglês Básico com o Papai Joel!" "Fla is eliminated, but the life have continuar." Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MAIOR AMOR DO MUNDO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 24/04/12


O ator Reynaldo Gianecchini foi fotografado com a mãe, Heloisa Helena, em sua casa, para a exposição "Eternamente Mãe"; a mostra será inaugurada nesta quinta-feira, no shopping VillaLobos

RETRATO DA RUA
O número de moradores de rua em SP cresceu cerca de 6% entre 2009 e 2011. É o que aponta censo encomendado pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Eram 13.666 pessoas em 2009 e 14.478 no ano passado.

FAMÍLIA
A maior parte dos moradores (53%) está em albergues da prefeitura. E houve aumento de 9% no número dos que aceitaram abrigo. Vinte crianças continuam nas ruas da região central -todas, diz o estudo, com os pais.

FAMÍLIA 2
O levantamento foi feito em novembro, antes da operação da polícia na cracolândia. Na ocasião, 50 mulheres disseram estar grávidas.

AL MARE
O deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) vai oficializar sua pré-candidatura a prefeito do Guarujá (SP). Diz estar conversando com PSDB, DEM, PT, PTB e PDT. E já ensaia um slogan: "Guaru já! Protógenes tem pressa!".

COMANDO
Orlando Ferreira Neto, ex-diretor da Embraer, será o presidente da AG Defesa e Segurança, parceria da Andrade Gutierrez com a francesa Thales para atuar nessa área no Brasil.

EU FICO
E a Andrade recebeu ordem de serviço da Prefeitura de SP para começar o prolongamento da avenida Roberto Marinho até a Imigrantes -coisa de R$ 400 milhões. O Estado de SP representa 35% dos negócios da construtora na esfera pública. A empresa, que passou por reestruturação recente, diz que manterá seus escritórios na capital.

EU FICO 2
Ainda a Andrade: ela permanece no Maracanã, por enquanto. Tudo depende da negociação com a Odebrecht e com o governo do Rio em relação à parcela que cada uma das duas empreiteiras herdará da construtora Delta. Envolvida no escândalo Cachoeira, a empresa já anunciou que abandonará as obras.

RÉGUA
E a Delta já estuda demitir funcionários. Ela emprega hoje 25 mil pessoas. Em entrevista à Folha, seu dono, Fernando Cavendish, disse que a empresa pode "quebrar".

OURO PURO
Um fotógrafo clicava convidados ao lado de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no jantar da posse de Carlos Ayres Britto, na quinta. Depois, informava: "São R$ 100 por sete imagens".

É DOS CARECAS
O ator Marcello Antony está careca. Ele raspou a cabeça para ser o protagonista da peça "Macbeth", com direção de Gabriel Villela.

NÃO SOU EU
Maitê Proença denuncia o perfil falso com seu nome no Twitter que elogia Dilma Rousseff. Mas, à coluna, fala bem da presidente: "Tô muito satisfeita. Gosto da maneira como ela faz as coisas sem querer se promover".

EU, HEIN!
Maitê desmente também a afirmação do perfil de que brigou com José Serra (PSDB-SP), a quem apoiou em 2010 para presidente. "Eu, hein! Tá me indispondo com o Serra. Não tem imbróglio nenhum." A conta mentirosa tem 30 mil seguidores. "No ano passado, avisei ao Twitter e tiraram do ar a conta. Agora, voltou. Não tenho nem Twitter nem Facebook."

PLANTÃO MÉDICO
O Estado de SP vai criar 280 vagas de residência médica, com investimento de R$ 11,3 milhões.

DEDICATÓRIA
O lançamento do livro de Cesare Battisti, "Ao Pé do Muro" (ed. Martins Fontes), cancelado na semana passada na Livraria da Vila, acontecerá nesta quinta na USP, no anfiteatro da Geografia.

GARIMPO DE TELAS
Roberto e Alfredo Setubal, do Itaú, foram à abertura para convidados da exposição "Di - Alguns Inesquecíveis", organizada por Paulo Kuczynski, no Escritório de Arte. Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte, Maria Anna do Valle Pereira, colecionadora, e Paulo von Poser, artista, passaram por lá.

CURTO CIRCUITO

Ricardo Napoleão e Danilo Dal Farra darão no domingo, das 11h às 15h, na Casa das Caldeiras, workshop gratuito sobre música, teatro físico e comédia, voltado a atores.

O livro "Um Caminho de Flores" terá lançamentos amanhã, às 19h, na Saraiva do shopping Paulista, e na quinta, às 18h30, na Casa de Cultura Japonesa (USP).

Luan Santana lança o disco "Quando Chega a Noite" com show na quinta, no Villa Country. Classificação: 18 anos.

Bruno & Marrone se apresentam amanhã, às 22h30, no Villa Mix. Classificação: 18 anos.

A Domno lança hoje, na ExpoVinis, um champanhe com ouro comestível.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY