terça-feira, fevereiro 28, 2012
Pobre menina rica - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 28/02/12
A chanceler Angela Merkel foi ontem ao Parlamento pedir a aprovação do pacote de ajuda à Grécia. Seu governo é criticado por estar fazendo pouco para evitar o pior na crise, sua coalizão política acha que ela está fazendo mais do que deveria com o dinheiro do contribuinte, e uma pesquisa mostra que 62% dos alemães são contra a aprovação do novo pacote. Ontem, Merkel recebeu o apoio da oposição social-democrata.
A má sorte é tal que até o garçom errou o alvo e derrubou cerveja gelada sobre a governante alemã, em pleno inverno europeu. A situação de Merkel é um exemplo da dificuldade enfrentada pela própria Alemanha, que consegue desagradar a todos ao mesmo tempo. O mundo cobra dos países mais fortes da Zona do Euro que façam mais pelos países em dificuldade. O problema é que o único país que está realmente forte é a Alemanha.
A coalizão conservadora está dividida, e o ministro do interior pediu publicamente a saída da Grécia da Zona do Euro, um dia antes de a chanceler ir ao Parlamento pedir que aprovasse o pacote. Parece contraditório e é. No pronunciamento diante do Congresso ela fez um apelo, mas teve que admitir que não há 100% de chance de que o pacote funcione para tirar a Grécia da crise. O que ganhou mais destaque não foi seu veemente apoio do pacote, mas sim a frase de que não era garantido o sucesso do remédio.
Em Atenas, as manifestações acusam a Alemanha de intervir na economia doméstica e impor ao país o sofrimento de redução de salários, renda, economia. Nas reuniões como a deste fim de semana, no México, a dos ministros do G-20, a cobrança vem de todos os lados, como se ela tivesse a responsabilidade única e a varinha de condão. Merkel com sua hesitação crônica não ajuda a melhorar o ambiente para o país e para si própria.
A cada reunião internacional, a Alemanha fica na desagradável situação de ser cobrada por todos. A cobrança é injustamente concentrada nela, a incapacidade de decidir, mas a dificuldade é que Angela Merkel rejeita todas as ideias e apresenta poucas. Sua atitude é apenas de negação. E já está marcada a próxima temporada de saia-justa: no fim de março haverá uma reunião de cúpula da União Europeia e, certamente, todos os olhares de cobrança serão dirigidos a Angela Merkel. É um espanto que com tanta reunião, negociação, viagem, ainda reste tempo para ela governar a Alemanha, que no final das contas é a principal função do cargo que ocupa.
A proposta da reunião de fim de semana impressiona pelo volume de dinheiro envolvido. Os ministros de finanças do G-20 falaram em US$ 2 trilhões de recursos multilaterais para socorro de países em dificuldade. Isso envolveria uma coleta geral de recursos entre os países, mas aí sempre se esbarra no mesmo ponto: quanto a Alemanha está disposta a dar para o socorro dos aflitos?
Ninguém acredita que seja possível arrecadar tanto dinheiro. O economista Raphael Martello, da Tendências consultoria, lembra que a França está em época de aperto de cinto, em pleno ajuste fiscal. A Itália já esteve no ano passado no meio do furacão e continua com sua dívida acima de 100% do PIB. Aí, acaba sobrando para a Alemanha. O Japão está tentando se recuperar ainda do tombo do ano passado, após o terremoto. Os Estados Unidos lutam contra a dívida, cujo crescimento tentará conter com cortes em todo o orçamento nos próximos anos. Sobra para países emergentes, leia-se China. Mas a China espera que a Alemanha mostre mais empenho e disposição de abrir o cofre antes de dizer em quanto poderá capitalizar os fundos multilaterais de resgate.
O Reino Unido cobra da Alemanha como se não fizesse parte da mesma Europa. O fato de ela não ter entrado na Zona do Euro não a isenta de participar do esforço coletivo de evitar o desmonte da união monetária, por três motivos: a Inglaterra tem também uma frágil situação fiscal, ela também está exposta aos ricos cruzados dos bancos do continente, e a crise da região a afeta diretamente.
Se, de fora, Angela Merkel é acusada de só dizer não; dentro do país é criticada por estar dizendo sim demais e comprometendo dinheiro do contribuinte em socorro a países que recebem a ajuda como atos hostis e não como ajuda.
A ideia de que haja um fortalecimento dos fundos multilaterais, para sair deles e não de um cofre específico os recursos para o resgate, é boa. Protege os países que recebem o dinheiro, e os que concedem, das hostilidades que costumam cercar essas operações de resgate.
O mais importante nesta semana não será o resultado da reunião dos ministros das finanças do G-20. O que houve na Cidade do México foi mais do mesmo: uma nova reunião em que todos os países decidem que é preciso haver mais recursos disponíveis nos mecanismos de estabilização ou no Fundo Monetário Internacional (FMI) para momentos de instabilidade monetária. O que vai dar o tom do mercado esta semana será o novo leilão de injeção de liquidez do Banco Central Europeu (BCE). A autoridade monetária vai oferecer recursos por três anos a juros baixos para os bancos. A ideia é que com isso os bancos possam ter mais disposição de financiar os governos, principalmente os que enfrentam problemas. A primeira operação desse tipo foi feita em fim de dezembro e injetou 500 bilhões no sistema financeiro europeu. Isso reduziu a tensão. Nova injeção será feita esta semana. Isso ajuda a melhorar o humor dos investidores, mas, para a solução definitiva, o mundo continuará esperando que a Alemanha faça alguma mágica.
A chanceler Angela Merkel foi ontem ao Parlamento pedir a aprovação do pacote de ajuda à Grécia. Seu governo é criticado por estar fazendo pouco para evitar o pior na crise, sua coalizão política acha que ela está fazendo mais do que deveria com o dinheiro do contribuinte, e uma pesquisa mostra que 62% dos alemães são contra a aprovação do novo pacote. Ontem, Merkel recebeu o apoio da oposição social-democrata.
A má sorte é tal que até o garçom errou o alvo e derrubou cerveja gelada sobre a governante alemã, em pleno inverno europeu. A situação de Merkel é um exemplo da dificuldade enfrentada pela própria Alemanha, que consegue desagradar a todos ao mesmo tempo. O mundo cobra dos países mais fortes da Zona do Euro que façam mais pelos países em dificuldade. O problema é que o único país que está realmente forte é a Alemanha.
A coalizão conservadora está dividida, e o ministro do interior pediu publicamente a saída da Grécia da Zona do Euro, um dia antes de a chanceler ir ao Parlamento pedir que aprovasse o pacote. Parece contraditório e é. No pronunciamento diante do Congresso ela fez um apelo, mas teve que admitir que não há 100% de chance de que o pacote funcione para tirar a Grécia da crise. O que ganhou mais destaque não foi seu veemente apoio do pacote, mas sim a frase de que não era garantido o sucesso do remédio.
Em Atenas, as manifestações acusam a Alemanha de intervir na economia doméstica e impor ao país o sofrimento de redução de salários, renda, economia. Nas reuniões como a deste fim de semana, no México, a dos ministros do G-20, a cobrança vem de todos os lados, como se ela tivesse a responsabilidade única e a varinha de condão. Merkel com sua hesitação crônica não ajuda a melhorar o ambiente para o país e para si própria.
A cada reunião internacional, a Alemanha fica na desagradável situação de ser cobrada por todos. A cobrança é injustamente concentrada nela, a incapacidade de decidir, mas a dificuldade é que Angela Merkel rejeita todas as ideias e apresenta poucas. Sua atitude é apenas de negação. E já está marcada a próxima temporada de saia-justa: no fim de março haverá uma reunião de cúpula da União Europeia e, certamente, todos os olhares de cobrança serão dirigidos a Angela Merkel. É um espanto que com tanta reunião, negociação, viagem, ainda reste tempo para ela governar a Alemanha, que no final das contas é a principal função do cargo que ocupa.
A proposta da reunião de fim de semana impressiona pelo volume de dinheiro envolvido. Os ministros de finanças do G-20 falaram em US$ 2 trilhões de recursos multilaterais para socorro de países em dificuldade. Isso envolveria uma coleta geral de recursos entre os países, mas aí sempre se esbarra no mesmo ponto: quanto a Alemanha está disposta a dar para o socorro dos aflitos?
Ninguém acredita que seja possível arrecadar tanto dinheiro. O economista Raphael Martello, da Tendências consultoria, lembra que a França está em época de aperto de cinto, em pleno ajuste fiscal. A Itália já esteve no ano passado no meio do furacão e continua com sua dívida acima de 100% do PIB. Aí, acaba sobrando para a Alemanha. O Japão está tentando se recuperar ainda do tombo do ano passado, após o terremoto. Os Estados Unidos lutam contra a dívida, cujo crescimento tentará conter com cortes em todo o orçamento nos próximos anos. Sobra para países emergentes, leia-se China. Mas a China espera que a Alemanha mostre mais empenho e disposição de abrir o cofre antes de dizer em quanto poderá capitalizar os fundos multilaterais de resgate.
O Reino Unido cobra da Alemanha como se não fizesse parte da mesma Europa. O fato de ela não ter entrado na Zona do Euro não a isenta de participar do esforço coletivo de evitar o desmonte da união monetária, por três motivos: a Inglaterra tem também uma frágil situação fiscal, ela também está exposta aos ricos cruzados dos bancos do continente, e a crise da região a afeta diretamente.
Se, de fora, Angela Merkel é acusada de só dizer não; dentro do país é criticada por estar dizendo sim demais e comprometendo dinheiro do contribuinte em socorro a países que recebem a ajuda como atos hostis e não como ajuda.
A ideia de que haja um fortalecimento dos fundos multilaterais, para sair deles e não de um cofre específico os recursos para o resgate, é boa. Protege os países que recebem o dinheiro, e os que concedem, das hostilidades que costumam cercar essas operações de resgate.
O mais importante nesta semana não será o resultado da reunião dos ministros das finanças do G-20. O que houve na Cidade do México foi mais do mesmo: uma nova reunião em que todos os países decidem que é preciso haver mais recursos disponíveis nos mecanismos de estabilização ou no Fundo Monetário Internacional (FMI) para momentos de instabilidade monetária. O que vai dar o tom do mercado esta semana será o novo leilão de injeção de liquidez do Banco Central Europeu (BCE). A autoridade monetária vai oferecer recursos por três anos a juros baixos para os bancos. A ideia é que com isso os bancos possam ter mais disposição de financiar os governos, principalmente os que enfrentam problemas. A primeira operação desse tipo foi feita em fim de dezembro e injetou 500 bilhões no sistema financeiro europeu. Isso reduziu a tensão. Nova injeção será feita esta semana. Isso ajuda a melhorar o humor dos investidores, mas, para a solução definitiva, o mundo continuará esperando que a Alemanha faça alguma mágica.
A força das classes médias - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 28/02/12
Todos os dias autoridades políticas e econômicas do mundo advertem que a geografia econômica global passa por radical processo de metamorfose e que os emergentes de hoje estarão entre as potências hegemônicas dentro de mais alguns anos.
O fenômeno subjacente é a enorme redivisão do trabalho no mundo. Bilhões de pessoas, antes marginalizadas do mercado de consumo, obtêm emprego e renda, à proporção de mais de 40 milhões por ano, apenas na Ásia.
Mas esse não é fenômeno circunscrito só ao continente asiático, depois que a China e os tigres que a cercam (Índia, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia, Taiwan, etc.) assumiram a corrida para o desenvolvimento econômico. O governo brasileiro se vangloria de que, em pouco mais de dez anos, nada menos que 30 milhões de brasileiros ascenderam de estrato social.
Definir o que é classe média é tarefa tão complicada quanto definir nível de pobreza. Mas, do mero ponto de vista do mercado de consumo, entende-se que fazem parte das camadas médias pessoas que gastam entre US$ 10 e US$ 100 por dia.
Sob esse critério, o Instituto Brookings, de Washington, avalia que nada menos que 2 bilhões de pessoas (29% da população mundial) constituem hoje as classes médias. E a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que, por volta de 2030, as camadas da classe média atingirão 4,9 bilhões ou entre 65% e 80% da população global. A maior parte dessa gente viverá em países hoje considerados emergentes.
Já não dá para dizer, como ainda se repetia nos anos 90, que o atual sistema econômico e político global seja excludente. Ao contrário, para o bem e para o mal, mostra-se essencialmente includente.
Pessoas mais bem nutridas, com mais saúde, mais informadas e politicamente mais integradas constituem grande avanço histórico que, no entanto, cobrará seu preço. O primeiro deles é a transferência dos empregos dos países ricos para os emergentes. Independentemente dessa realocação, é preciso perguntar se haverá, onde quer que seja, postos de trabalho para tanta gente.
Em segundo lugar, é necessário prever o impacto do brutal aumento de consumo mundial sobre suprimentos de alimentos, água doce, matérias-primas e energia. A referência para essa população são os atuais padrões de consumo das classes médias americanas, cujo símbolo é a existência de um carro em cada garagem. São crescentes as dúvidas sobre se o Planeta aguenta essa sobrecarga.
As classes médias não vivem somente da mão para a boca. Demandam cada vez mais serviços públicos de qualidade: educação, saúde, segurança, previdência, comunicações e transporte. E, com esses serviços, aumenta também a demanda por proteção social, como seguro-desemprego e auxílio-doença. A carga tributária, assim, crescerá em todo o mundo.
Do ponto de vista político, o fortalecimento das classes médias tende a favorecer a consolidação dos regimes democráticos - mas desde que suas aspirações não sejam frustradas. A História está farta de exemplos de como as classes médias descontentes podem também ser manipuladas por ditadores e regimes populistas. E esse é o maior risco. Se os Estados não derem conta da nova demanda, os regimes políticos abertos podem dançar.
Enfim, a geografia humana está mudando e essas mudanças impõem desafios às gerações que estão vindo aí.
Farc, paz ou mudança de ramo? - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 28/02/12
Leitura predominante na Colômbia é de que a guerrilha está apenas trocando as fontes de renda
Na Colômbia, são duas as leituras a respeito do anúncio das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) de que vão abandonar os sequestros como fonte de financiamento.
A visão aparentemente minoritária acredita, ainda que cautelosamente, que se trata de um passo para a paz tão desejada em um país que vive praticamente meio século de guerra interna. É a leitura, por exemplo, de Iván Cepeda, histórico militante dos direitos humanos, hoje deputado pelo grupo esquerdista Polo Democrático e integrante da Comissão de Paz do Parlamento.
Cepeda qualifica de "gesto histórico" o anúncio das Farc, toma-o como um dos movimentos que o presidente Juan Manuel Santos vinha pedindo à narcoguerrilha para iniciar um diálogo de paz e cobra: "O governo agora deve registrar esses gestos e começar a abrir os cenários para usar a chave da paz".
Vale lembrar que o fim dos sequestros e a libertação dos reféns, iniciativas anunciadas pelas Farc, são apenas duas das condições que o presidente Juan Manuel Santos exige para iniciar negociações. Ele quer também o fim do tráfico de drogas, do recrutamento de menores e dos ataques terroristas.
Para reforçar a desconfiança com que foi recebido no governo o anúncio da narcoguerrilha, as Farc lançaram violenta ofensiva
nas montanhas do Departamento de Cauca, no Sudoeste, menos de 24 horas depois de prometer o fim dos sequestros.
Entra então a segunda leitura sobre o anúncio, a pessimista, de que se trata apenas de uma mudança de ramo nos negócios do grupo. Markus Schultze-Kraft, pesquisador do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Sussex, lembra, por exemplo, que "o número de sequestros na Colômbia declinou firmemente nos últimos anos devido à crescente capacidade do governo de proteger seus cidadãos".
Ou seja, as Farc estariam apenas prometendo não fazer o que já não conseguem fazer com a mesma intensidade.
Reforça editorial de ontem do jornal "El Tiempo": "Não faltará o cético que afirme que o sequestro havia deixado de ser uma fonte importante de dinheiro para esse grupo há algum tempo, pois não somente as ações das autoridades tiveram êxito na hora de reduzir o flagelo como o narcotráfico resultou ser uma opção criminosa mais atraente".
Antes mesmo do anúncio de domingo, Eduardo Pizarro, em livro de 2011 sobre as Farc, já dizia que o grupo estava procurando alternativas às suas duas fontes principais de recursos, o sequestro extorsivo e o tráfico de drogas, que Pizarro qualificava de "presentes envenenados". O sequestro porque podia colocar seus autores na mira da Corte Penal Internacional e, o tráfico, porque expõe quem o pratica à extradição para os EUA.
Pizarro diz que o grupo estava entrando na mineração clandestina, na apropriação de recursos públicos e aumentando o esquema de extorsões.
Esta segunda leitura parece mais pertinente: quem se acostumou a movimentar grandes somas de dinheiro não consegue adaptar-se a uma vida mais simples, inevitável se houver uma desmobilização.
Leitura predominante na Colômbia é de que a guerrilha está apenas trocando as fontes de renda
Na Colômbia, são duas as leituras a respeito do anúncio das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) de que vão abandonar os sequestros como fonte de financiamento.
A visão aparentemente minoritária acredita, ainda que cautelosamente, que se trata de um passo para a paz tão desejada em um país que vive praticamente meio século de guerra interna. É a leitura, por exemplo, de Iván Cepeda, histórico militante dos direitos humanos, hoje deputado pelo grupo esquerdista Polo Democrático e integrante da Comissão de Paz do Parlamento.
Cepeda qualifica de "gesto histórico" o anúncio das Farc, toma-o como um dos movimentos que o presidente Juan Manuel Santos vinha pedindo à narcoguerrilha para iniciar um diálogo de paz e cobra: "O governo agora deve registrar esses gestos e começar a abrir os cenários para usar a chave da paz".
Vale lembrar que o fim dos sequestros e a libertação dos reféns, iniciativas anunciadas pelas Farc, são apenas duas das condições que o presidente Juan Manuel Santos exige para iniciar negociações. Ele quer também o fim do tráfico de drogas, do recrutamento de menores e dos ataques terroristas.
Para reforçar a desconfiança com que foi recebido no governo o anúncio da narcoguerrilha, as Farc lançaram violenta ofensiva
nas montanhas do Departamento de Cauca, no Sudoeste, menos de 24 horas depois de prometer o fim dos sequestros.
Entra então a segunda leitura sobre o anúncio, a pessimista, de que se trata apenas de uma mudança de ramo nos negócios do grupo. Markus Schultze-Kraft, pesquisador do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Sussex, lembra, por exemplo, que "o número de sequestros na Colômbia declinou firmemente nos últimos anos devido à crescente capacidade do governo de proteger seus cidadãos".
Ou seja, as Farc estariam apenas prometendo não fazer o que já não conseguem fazer com a mesma intensidade.
Reforça editorial de ontem do jornal "El Tiempo": "Não faltará o cético que afirme que o sequestro havia deixado de ser uma fonte importante de dinheiro para esse grupo há algum tempo, pois não somente as ações das autoridades tiveram êxito na hora de reduzir o flagelo como o narcotráfico resultou ser uma opção criminosa mais atraente".
Antes mesmo do anúncio de domingo, Eduardo Pizarro, em livro de 2011 sobre as Farc, já dizia que o grupo estava procurando alternativas às suas duas fontes principais de recursos, o sequestro extorsivo e o tráfico de drogas, que Pizarro qualificava de "presentes envenenados". O sequestro porque podia colocar seus autores na mira da Corte Penal Internacional e, o tráfico, porque expõe quem o pratica à extradição para os EUA.
Pizarro diz que o grupo estava entrando na mineração clandestina, na apropriação de recursos públicos e aumentando o esquema de extorsões.
Esta segunda leitura parece mais pertinente: quem se acostumou a movimentar grandes somas de dinheiro não consegue adaptar-se a uma vida mais simples, inevitável se houver uma desmobilização.
Oportunidade - BENJAMIN STEINBRUCH
FOLHA DE SP - 28/02/12
Países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer; para o Brasil, a oportunidade é agora
Até os mais pessimistas concordam que o Brasil vive um dos bons momentos de sua história. Atravessou sem traumas a crise financeira de 2008, provocada pelos Estados Unidos, e parece fazer o mesmo na atual crise da Europa.
Desde o início do século, a economia brasileira foi beneficiada pelo duradouro movimento de alta dos preços das commodities em geral, decorrente, em grande parte, da demanda da China. Por aqui, políticas eficientes de distribuição de renda, durante muitos anos desprezadas pelo poder público, acabaram sendo adotadas e deram importante impulso ao mercado interno.
Essa ampliação do consumo interno não ocorreu devido a nenhuma política genial. Fez-se o óbvio. Aos que sofrem pela miséria ofereceu-se uma renda mínima, por meio dos programas sociais, para que pudessem pelo menos ter acesso a itens essenciais. Aos assalariados de baixíssima renda concedeu-se um salário mínimo mais elevado, com reajustes anuais acima da inflação. Aos demais cidadãos, ampliou-se a capacidade de acesso ao crédito, ainda que as taxas de juros continuem altas demais.
Tudo isso se deu em um ambiente econômico de relativa estabilidade monetária, conseguido desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
Não estou aqui para sustentar que o país não tem problemas. Na verdade, tudo o que foi feito é apenas o começo. Falta um eficiente sistema de educação pública, o atendimento no setor de saúde é vergonhoso e a infraestrutura precária exige recursos e agilidade para ser transformada. A própria indústria, setor no qual sempre trabalhei, encontra-se em um momento crucial, sendo assolada pela competição externa e sem condições de reagir, à espera de mudanças no câmbio e nos custos internos.
Mas isso é outra história. O objetivo aqui é lembrar que o Brasil tem, apesar dos problemas, uma oportunidade histórica de enriquecer. Isso é o que pensam as pessoas que observam nosso país lá de fora. Há até um sentimento explícito de inveja nos comentários de quem compara as condições de países europeus com as do Brasil de hoje.
Se prevalecer o bom-senso, vem aí, com toda certeza, um novo ciclo de prosperidade, decorrente dos pesados investimentos que estão sendo feitos no setor de energia, especialmente no de petróleo. A exploração das gigantescas reservas do pré-sal tendem a proporcionar grande afluxo de riqueza para o país.
Não fosse tudo isso, o país vive um período de bônus demográfico, porque a maioria da população está em idade economicamente ativa. Há hoje, no país, mais de 130 milhões de pessoas na faixa de 15 a 64 anos, 67% da população total.
Ter essa parcela da população majoritária em relação à camada de dependentes (velhos e crianças) é uma dádiva que precisa ser aproveitada, porque ela vai durar apenas uns 20 ou 30 anos.
Em 2020, segundo as previsões do IBGE, esse bônus demográfico será ainda maior, quando a população em plena atividade alcançará 71% do total dos brasileiros. A partir de 2025, o número de idosos começará a crescer, o que determinará a diminuição gradual dessa vantagem demográfica.
Entre 1965 e 1990, a Coreia do Sul, por exemplo, passou por um período de bônus demográfico e soube aproveitá-lo -seu PIB aumentou 88 vezes nesse período, de US$ 3 bilhões para US$ 264 bilhões. Os chineses se beneficiam neste momento de sua estrutura etária favorável, decorrência do rigoroso controle de natalidade imposto no país na segunda metade do século passado.
O Brasil precisa aproveitar essa benesse demográfica. Manter o crescimento do PIB em pelo menos 5% a 6% ao ano é fundamental. Políticas públicas devem ser capazes de absorver a mão de obra disponível em grande quantidade e dar incentivo à produção e à produtividade internas. Além disso, o momento exige planejamento cuidadoso de políticas para a educação da imensa massa de pessoas em idade produtiva e para cuidar de sua saúde.
EUA, França, Alemanha, Coreia, Japão e outros países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer com democracia. Para o Brasil, pelo menos neste século, não haverá uma segunda janela demográfica. A oportunidade é agora.
Países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer; para o Brasil, a oportunidade é agora
Até os mais pessimistas concordam que o Brasil vive um dos bons momentos de sua história. Atravessou sem traumas a crise financeira de 2008, provocada pelos Estados Unidos, e parece fazer o mesmo na atual crise da Europa.
Desde o início do século, a economia brasileira foi beneficiada pelo duradouro movimento de alta dos preços das commodities em geral, decorrente, em grande parte, da demanda da China. Por aqui, políticas eficientes de distribuição de renda, durante muitos anos desprezadas pelo poder público, acabaram sendo adotadas e deram importante impulso ao mercado interno.
Essa ampliação do consumo interno não ocorreu devido a nenhuma política genial. Fez-se o óbvio. Aos que sofrem pela miséria ofereceu-se uma renda mínima, por meio dos programas sociais, para que pudessem pelo menos ter acesso a itens essenciais. Aos assalariados de baixíssima renda concedeu-se um salário mínimo mais elevado, com reajustes anuais acima da inflação. Aos demais cidadãos, ampliou-se a capacidade de acesso ao crédito, ainda que as taxas de juros continuem altas demais.
Tudo isso se deu em um ambiente econômico de relativa estabilidade monetária, conseguido desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
Não estou aqui para sustentar que o país não tem problemas. Na verdade, tudo o que foi feito é apenas o começo. Falta um eficiente sistema de educação pública, o atendimento no setor de saúde é vergonhoso e a infraestrutura precária exige recursos e agilidade para ser transformada. A própria indústria, setor no qual sempre trabalhei, encontra-se em um momento crucial, sendo assolada pela competição externa e sem condições de reagir, à espera de mudanças no câmbio e nos custos internos.
Mas isso é outra história. O objetivo aqui é lembrar que o Brasil tem, apesar dos problemas, uma oportunidade histórica de enriquecer. Isso é o que pensam as pessoas que observam nosso país lá de fora. Há até um sentimento explícito de inveja nos comentários de quem compara as condições de países europeus com as do Brasil de hoje.
Se prevalecer o bom-senso, vem aí, com toda certeza, um novo ciclo de prosperidade, decorrente dos pesados investimentos que estão sendo feitos no setor de energia, especialmente no de petróleo. A exploração das gigantescas reservas do pré-sal tendem a proporcionar grande afluxo de riqueza para o país.
Não fosse tudo isso, o país vive um período de bônus demográfico, porque a maioria da população está em idade economicamente ativa. Há hoje, no país, mais de 130 milhões de pessoas na faixa de 15 a 64 anos, 67% da população total.
Ter essa parcela da população majoritária em relação à camada de dependentes (velhos e crianças) é uma dádiva que precisa ser aproveitada, porque ela vai durar apenas uns 20 ou 30 anos.
Em 2020, segundo as previsões do IBGE, esse bônus demográfico será ainda maior, quando a população em plena atividade alcançará 71% do total dos brasileiros. A partir de 2025, o número de idosos começará a crescer, o que determinará a diminuição gradual dessa vantagem demográfica.
Entre 1965 e 1990, a Coreia do Sul, por exemplo, passou por um período de bônus demográfico e soube aproveitá-lo -seu PIB aumentou 88 vezes nesse período, de US$ 3 bilhões para US$ 264 bilhões. Os chineses se beneficiam neste momento de sua estrutura etária favorável, decorrência do rigoroso controle de natalidade imposto no país na segunda metade do século passado.
O Brasil precisa aproveitar essa benesse demográfica. Manter o crescimento do PIB em pelo menos 5% a 6% ao ano é fundamental. Políticas públicas devem ser capazes de absorver a mão de obra disponível em grande quantidade e dar incentivo à produção e à produtividade internas. Além disso, o momento exige planejamento cuidadoso de políticas para a educação da imensa massa de pessoas em idade produtiva e para cuidar de sua saúde.
EUA, França, Alemanha, Coreia, Japão e outros países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer com democracia. Para o Brasil, pelo menos neste século, não haverá uma segunda janela demográfica. A oportunidade é agora.
Cabala econômica - JOSÉ PAULO KUPFER
O ESTADÃO - 28/02/12
Ao provocar os analistas de mercado a divulgarem suas hipóteses para as chamadas "taxas neutras" macroeconômicas, o Banco Central colheu a indicação de que as próprias premissas são, no momento, mais benignas do que as do mercado. Ainda que praticamente metade dos analistas considere que essas taxas possam recuar nos próximos anos, a continuidade do processo de redução dos juros básicos, como quer o BC, é desaconselhada pelos economistas consultados.
Há, no entanto, sinais suficientes de que o BC continuará o movimento de corte nos juros básicos na reunião do Comitê de Política Monetária daqui a uma semana e, possivelmente, também na de abril. O próprio Boletim Focus, que divulga as projeções desses mesmos analistas, registra a previsão de que a taxa básica de juros chegará ao fim de 2012 em 9,5% ao ano.
Taxas neutras - ou de equilíbrio, ou ainda taxas naturais - são aquelas que, de acordo com as definições dos manuais-padrão de economia, permitem o máximo de crescimento econômico sem produzir pressões inflacionárias. Mas também poderiam ser descritas como aquelas que, a cada período histórico, são surradas pela realidade.
As tentativas de encontrar "taxas naturais" se sustentam na utopia, alimentada por um tipo de pensamento econômico, de que não só a economia consolidou, ao longo da História, status de ciência, mas também pode almejar um lugar entre as ciências naturais. Há, sem dúvida, imensas divergências a respeito.
Juros,emprego, gastos públicos, para quase tudo é possível estabelecer, segundo uma certa crença, o nível máximo (ou, conforme o caso, mínimo) a que se pode esticar a corda sem liberar pressões inflacionárias. Mas o índice de êxito, quando o conceito teórico é aplicado na prática, numa avaliação benevolente, pode ser classificado como baixo.
Da "curva de Philips", de fins dos anos 50, que visava determinar o nível máximo de emprego que não pressionaria a inflação, ao"impulso fiscal", da década de 90, cuja pretensão é estabelecer até que ponto os gastos públicos podem crescer sem promover inflação, lá se vão mais de 50 anos de experimentos sucessivamente descredenciados pelos fatos. O problema, até aqui insolúvel, é que nenhum desses índices pode ser diretamente observado ou mensurado. Vivem de hipóteses.
Chama a atenção o denodo com que, a cada revés, tenta-se encontrar uma nova saída convincente para as taxas naturais. A "curva de Philips", que relaciona inversamente inflação e emprego, por exemplo, teve seus momentos de glória, mas apanhou feio com a estagflação americana dos anos 70-quando desemprego e inflação subiram juntos - e implodiu nos anos 80 - quando, nos Estados Unidos, em período de altos ganhos de produtividade, o desemprego manteve-se abaixo da taxa neutra sem provocar inflação.
Descobriu-se então que a coisa não funcionava bem no curto prazo. E assim a "curva de Philips" abriu caminho para a "Nairu" (taxa de desemprego que não acelera a inflação, na sigla em inglês), que já vinha sendo gestada por Milton Friedman e Edmund Phelps, dois laureados com o Prêmio Nobel, desde fins dos anos 60.
A "Nairu" está na base do conceito atual mais amplo de "produto potencial", que se traduz pelo nível de utilização da capacidade instalada que não produz inflação. Hoje tão em voga também no debate das políticas econômicas no Brasil, esse é outro conceito que vive às turras com a realidade.
Desde pelo menos 2004, a economia brasileira cresce acima do "produto potencial" geralmente aceito, sem descontrole inflacionário. Correndo atrás do prejuízo, os analistas, nesse período, elevaram o "produto potencial", sucessivamente, de 2,5% para 3,5% e depois para 4,5%. No momento, as hipóteses convergem para 5% e até mesmo 5,5%.
A amplitude dos achados para a taxa real neutra de juros e para a "Nairu" (taxa neutra de desemprego), na pesquisado BC com os analistas,basta para demonstrar a fragilidade da aplicação prática dos conceitos. No caso dos juros, a mediana ficou em 5,5%, mas a taxa variou de 3,8% a 7,4%. No caso do desemprego, com mediana em 6,5%, a variação foi de 4,4% a 8%. Com quem ficar?
A moral dessa história toda é que as taxas naturais são úteis como ferramentas de referência, só que não deveriam ser tomadas como dogmas na definição e na aplicação de políticas. Elas dependem dos movimentos do "produto potencial" e este não é mensurável antes que o "potencial" se concretize. Qualquer um tem o direito de tentar antecipar esses movimentos, mas todos deveriam estar conscientes de que o exercício não passa de uma espécie de cabala econômica.
Ao provocar os analistas de mercado a divulgarem suas hipóteses para as chamadas "taxas neutras" macroeconômicas, o Banco Central colheu a indicação de que as próprias premissas são, no momento, mais benignas do que as do mercado. Ainda que praticamente metade dos analistas considere que essas taxas possam recuar nos próximos anos, a continuidade do processo de redução dos juros básicos, como quer o BC, é desaconselhada pelos economistas consultados.
Há, no entanto, sinais suficientes de que o BC continuará o movimento de corte nos juros básicos na reunião do Comitê de Política Monetária daqui a uma semana e, possivelmente, também na de abril. O próprio Boletim Focus, que divulga as projeções desses mesmos analistas, registra a previsão de que a taxa básica de juros chegará ao fim de 2012 em 9,5% ao ano.
Taxas neutras - ou de equilíbrio, ou ainda taxas naturais - são aquelas que, de acordo com as definições dos manuais-padrão de economia, permitem o máximo de crescimento econômico sem produzir pressões inflacionárias. Mas também poderiam ser descritas como aquelas que, a cada período histórico, são surradas pela realidade.
As tentativas de encontrar "taxas naturais" se sustentam na utopia, alimentada por um tipo de pensamento econômico, de que não só a economia consolidou, ao longo da História, status de ciência, mas também pode almejar um lugar entre as ciências naturais. Há, sem dúvida, imensas divergências a respeito.
Juros,emprego, gastos públicos, para quase tudo é possível estabelecer, segundo uma certa crença, o nível máximo (ou, conforme o caso, mínimo) a que se pode esticar a corda sem liberar pressões inflacionárias. Mas o índice de êxito, quando o conceito teórico é aplicado na prática, numa avaliação benevolente, pode ser classificado como baixo.
Da "curva de Philips", de fins dos anos 50, que visava determinar o nível máximo de emprego que não pressionaria a inflação, ao"impulso fiscal", da década de 90, cuja pretensão é estabelecer até que ponto os gastos públicos podem crescer sem promover inflação, lá se vão mais de 50 anos de experimentos sucessivamente descredenciados pelos fatos. O problema, até aqui insolúvel, é que nenhum desses índices pode ser diretamente observado ou mensurado. Vivem de hipóteses.
Chama a atenção o denodo com que, a cada revés, tenta-se encontrar uma nova saída convincente para as taxas naturais. A "curva de Philips", que relaciona inversamente inflação e emprego, por exemplo, teve seus momentos de glória, mas apanhou feio com a estagflação americana dos anos 70-quando desemprego e inflação subiram juntos - e implodiu nos anos 80 - quando, nos Estados Unidos, em período de altos ganhos de produtividade, o desemprego manteve-se abaixo da taxa neutra sem provocar inflação.
Descobriu-se então que a coisa não funcionava bem no curto prazo. E assim a "curva de Philips" abriu caminho para a "Nairu" (taxa de desemprego que não acelera a inflação, na sigla em inglês), que já vinha sendo gestada por Milton Friedman e Edmund Phelps, dois laureados com o Prêmio Nobel, desde fins dos anos 60.
A "Nairu" está na base do conceito atual mais amplo de "produto potencial", que se traduz pelo nível de utilização da capacidade instalada que não produz inflação. Hoje tão em voga também no debate das políticas econômicas no Brasil, esse é outro conceito que vive às turras com a realidade.
Desde pelo menos 2004, a economia brasileira cresce acima do "produto potencial" geralmente aceito, sem descontrole inflacionário. Correndo atrás do prejuízo, os analistas, nesse período, elevaram o "produto potencial", sucessivamente, de 2,5% para 3,5% e depois para 4,5%. No momento, as hipóteses convergem para 5% e até mesmo 5,5%.
A amplitude dos achados para a taxa real neutra de juros e para a "Nairu" (taxa neutra de desemprego), na pesquisado BC com os analistas,basta para demonstrar a fragilidade da aplicação prática dos conceitos. No caso dos juros, a mediana ficou em 5,5%, mas a taxa variou de 3,8% a 7,4%. No caso do desemprego, com mediana em 6,5%, a variação foi de 4,4% a 8%. Com quem ficar?
A moral dessa história toda é que as taxas naturais são úteis como ferramentas de referência, só que não deveriam ser tomadas como dogmas na definição e na aplicação de políticas. Elas dependem dos movimentos do "produto potencial" e este não é mensurável antes que o "potencial" se concretize. Qualquer um tem o direito de tentar antecipar esses movimentos, mas todos deveriam estar conscientes de que o exercício não passa de uma espécie de cabala econômica.
Está no radar... - ANTÔNIO DELFIM NETO
VALOR ECONÔMICO - 28/02/12
O Banco Central construiu e publica, mensalmente, um Índice da Atividade Econômica (IBC-Br) que tenta simular e antecipar as variações do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um conjunto de informações convenientemente ponderadas, que quando comparadas às estimativas do PIB trimestral construídas pelo IBGE mostram uma alta covariação. A base do IBC-Br é a média de 2002 = 100. No início de 2011 ele revelou a perda de dinamismo do PIB em resposta às medidas macroprudenciais tomadas pelo governo para prevenir uma aceleração da taxa de inflação. No último trimestre, como mostram os dados a seguir (2002 = 100, dessazonalizado), houve uma recuperação: 1º trimestre/2011 = 140,26; 2º trimestre/2011 = 139,92; 3º trimestre/2011 = 139,29; 4º trimestre/2011 = 140,02.
Aparentemente, o PIB atingiu sua maior queda em outubro (139,32). Retomou ritmo mais vigoroso a partir de novembro, também em respostas às medidas do próprio governo. Em novembro o nível foi de 140,33 (um acréscimo de 1,29%) e em dezembro, 141,13 (um acréscimo de 0,57%), aumentos mais altos dos que os previstos pela maioria os analistas do mercado, o que sugere algum otimismo para 2012.
Todas as "previsões" estão sujeitas a condicionalidades frequentemente não explicitadas. Como disse o grande economista e membro do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra Charles Goodhart, "as previsões são razoáveis quando tudo permanece constante e o futuro acaba sendo parecido com o passado. Os modelos comuns utilizados pelos bancos centrais forçam, praticamente, as previsões e as remetem às tendências passadas. Entretanto, quando há uma mudança da situação eles - como todos os outros "previsores" - encontram-se em graves dificuldades". E continua: "Nem os bancos centrais, nem qualquer outro organismo (ou pessoas) detém uma fórmula aceitável para prever, quer o PIB, quer a taxa de inflação ou mesmo a taxa de juros para além de uns poucos meses. Se você acredita (Goodhart usa a palavra "believe" = tomar como verdade) que existem poderosas forças que fazem a economia retornar a um equilíbrio, tais projeções de prazo médio são satisfatórias. Mas se tais forças centrípetas existem, a política monetária torna-se muito fácil, com ou sem o benefício das previsões ("Longer-Term Forecasts are a Step Backwards", "Financial Times", 1º de fevereiro de 2012). No nosso caso é claro que nem estamos em condições normais, nem existem forças poderosas que nos levem de volta a um "equilíbrio". Esse, obviamente, só existe nos "modelos" com os quais tentamos organizar nossos pensamentos e têm pouco a ver com a realidade.
Em momentos como o atual, a ideia conservadora "que o tiver que ser, será" é inaceitável, porque a política econômica do governo está vigilante: o Banco Central está antenado com a realidade nacional e cuidadoso com a internacional. Dispõe de instrumentos macroprudenciais cujos efeitos foram minimizados por alguns analistas, mas aos quais a economia respondeu com bastante rapidez (como foi o caso no início de 2011), além da manobra com a taxa de juros (no segundo semestre). A difícil situação orçamentária construída ao longo de muitos anos e, pelo menos em parte, resultante do desejo de construir uma sociedade mais "justa" (com maior igualdade de oportunidades) implícita na Constituição de 1988, foi mantida de forma muito razoável em 2011 e a despeito de toda a descrença de uma parte do "mercado" deve sê-lo em 2012. As últimas semanas revelam que a política econômica prossegue na mesma linha, com o corte do Orçamento, a baixa da taxa de juros, a ampliação controlada do crédito, o aumento dos investimentos dos três níveis de administração pública e a cooptação do setor privado, a despeito da curiosa disputa semântica entre "concessão" e "privatização".
É certo que continua a pressão de preços do setor de serviços. Mas sabemos que não pode e não deve ser resolvida, como sugerem alguns, reduzindo ainda mais o crescimento do PIB por meio do aumento da taxa de juro real. Por outro lado, espera-se que o Congresso aprove já no primeiro semestre, a lei da previdência do funcionalismo público. Com isso abre-se o caminho para que o Executivo acelere a remessa de projetos de lei que facilitem a melhoria do "ambiente de negócios", reduzam o "custo Brasil" e estimulem a rápida criação de novas empresas.
Nos últimos dois meses, três mudanças foram importantes: 1ª) com relação ao misterioso "produto potencial" parece que agora o "mercado" aceita que ele anda às voltas de 4,5%; 2ª) o Banco Central quis saber do sistema financeiro como ele calcula a taxa de juros "neutra"; e 3ª) houve uma melhora dos humores do setor privado em matéria de confiança no governo. Isso, somado aos sinais positivos do IBC-Br de novembro e dezembro mostra que, se tivermos disposição de fazê-lo, um crescimento de 4% a 4,5% em 2012 não está fora do radar, mesmo porque ele é bissexto!
O Banco Central construiu e publica, mensalmente, um Índice da Atividade Econômica (IBC-Br) que tenta simular e antecipar as variações do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um conjunto de informações convenientemente ponderadas, que quando comparadas às estimativas do PIB trimestral construídas pelo IBGE mostram uma alta covariação. A base do IBC-Br é a média de 2002 = 100. No início de 2011 ele revelou a perda de dinamismo do PIB em resposta às medidas macroprudenciais tomadas pelo governo para prevenir uma aceleração da taxa de inflação. No último trimestre, como mostram os dados a seguir (2002 = 100, dessazonalizado), houve uma recuperação: 1º trimestre/2011 = 140,26; 2º trimestre/2011 = 139,92; 3º trimestre/2011 = 139,29; 4º trimestre/2011 = 140,02.
Aparentemente, o PIB atingiu sua maior queda em outubro (139,32). Retomou ritmo mais vigoroso a partir de novembro, também em respostas às medidas do próprio governo. Em novembro o nível foi de 140,33 (um acréscimo de 1,29%) e em dezembro, 141,13 (um acréscimo de 0,57%), aumentos mais altos dos que os previstos pela maioria os analistas do mercado, o que sugere algum otimismo para 2012.
Todas as "previsões" estão sujeitas a condicionalidades frequentemente não explicitadas. Como disse o grande economista e membro do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra Charles Goodhart, "as previsões são razoáveis quando tudo permanece constante e o futuro acaba sendo parecido com o passado. Os modelos comuns utilizados pelos bancos centrais forçam, praticamente, as previsões e as remetem às tendências passadas. Entretanto, quando há uma mudança da situação eles - como todos os outros "previsores" - encontram-se em graves dificuldades". E continua: "Nem os bancos centrais, nem qualquer outro organismo (ou pessoas) detém uma fórmula aceitável para prever, quer o PIB, quer a taxa de inflação ou mesmo a taxa de juros para além de uns poucos meses. Se você acredita (Goodhart usa a palavra "believe" = tomar como verdade) que existem poderosas forças que fazem a economia retornar a um equilíbrio, tais projeções de prazo médio são satisfatórias. Mas se tais forças centrípetas existem, a política monetária torna-se muito fácil, com ou sem o benefício das previsões ("Longer-Term Forecasts are a Step Backwards", "Financial Times", 1º de fevereiro de 2012). No nosso caso é claro que nem estamos em condições normais, nem existem forças poderosas que nos levem de volta a um "equilíbrio". Esse, obviamente, só existe nos "modelos" com os quais tentamos organizar nossos pensamentos e têm pouco a ver com a realidade.
Em momentos como o atual, a ideia conservadora "que o tiver que ser, será" é inaceitável, porque a política econômica do governo está vigilante: o Banco Central está antenado com a realidade nacional e cuidadoso com a internacional. Dispõe de instrumentos macroprudenciais cujos efeitos foram minimizados por alguns analistas, mas aos quais a economia respondeu com bastante rapidez (como foi o caso no início de 2011), além da manobra com a taxa de juros (no segundo semestre). A difícil situação orçamentária construída ao longo de muitos anos e, pelo menos em parte, resultante do desejo de construir uma sociedade mais "justa" (com maior igualdade de oportunidades) implícita na Constituição de 1988, foi mantida de forma muito razoável em 2011 e a despeito de toda a descrença de uma parte do "mercado" deve sê-lo em 2012. As últimas semanas revelam que a política econômica prossegue na mesma linha, com o corte do Orçamento, a baixa da taxa de juros, a ampliação controlada do crédito, o aumento dos investimentos dos três níveis de administração pública e a cooptação do setor privado, a despeito da curiosa disputa semântica entre "concessão" e "privatização".
É certo que continua a pressão de preços do setor de serviços. Mas sabemos que não pode e não deve ser resolvida, como sugerem alguns, reduzindo ainda mais o crescimento do PIB por meio do aumento da taxa de juro real. Por outro lado, espera-se que o Congresso aprove já no primeiro semestre, a lei da previdência do funcionalismo público. Com isso abre-se o caminho para que o Executivo acelere a remessa de projetos de lei que facilitem a melhoria do "ambiente de negócios", reduzam o "custo Brasil" e estimulem a rápida criação de novas empresas.
Nos últimos dois meses, três mudanças foram importantes: 1ª) com relação ao misterioso "produto potencial" parece que agora o "mercado" aceita que ele anda às voltas de 4,5%; 2ª) o Banco Central quis saber do sistema financeiro como ele calcula a taxa de juros "neutra"; e 3ª) houve uma melhora dos humores do setor privado em matéria de confiança no governo. Isso, somado aos sinais positivos do IBC-Br de novembro e dezembro mostra que, se tivermos disposição de fazê-lo, um crescimento de 4% a 4,5% em 2012 não está fora do radar, mesmo porque ele é bissexto!
Meninos, eu vi... - ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo - 28/02/12
Acabou o carnaval e tenho de recomeçar a pensar sobre o País. Dizer o quê? O Brasil está difícil de entender nesta mistura de atraso e modernização que o mundo demanda. Nada do que já vi se compara à indefinição angustiante de hoje. Nossas crises eram mais nítidas e nos chocavam pela obviedade. Já vi tantas mudanças políticas...
Eu vi as empregadas gritando, a cozinheira chorando, o rádio dando a notícia: "Getúlio deu um tiro no peito!" Anos depois, ouvi, no estribo de um bonde: "O Jânio renunciou!" Como? Tomou um porre e foi embora depois de proibir o biquíni e brigas de galo. Ali no bonde, entendi que os 'bons tempos' da utopia de JK tinham acabado, que alguma coisa suja estava a caminho. Depois, meninos, eu vi o fogo queimar a UNE, onde chegaria o sonhado 'socialismo tropical', em abril de 64, quando fugi pela janela dos fundos, enquanto o general Mourão Filho tomava a cidade, dizendo: "Não sei de nada. Sou apenas uma vaca fardada!" Eu vi, como num pesadelo, a população festejando a vitória da ditadura, com velas na janela e rosários na mão; vi a capa do O Cruzeiro com o Castelo Branco, o novo presidente da República, de boné verde, feio como um ET.
Senti que surgia um outro Brasil desconhecido e parecia que estava vendo pela primeira vez as pedras da rua, os anúncios, os ônibus, os pneus dos carros, como um trem fantasma andando pra trás. Eu, que só vivera até então de palavras utópicas, era humilhado pela invasão do mundo real. Depois, vi a tristeza dos dias militares, Brasil ame-o ou deixe-o, a Transamazônica arrombando a floresta, vi o rosto embotado de Costa e Silva, a gargalhada da primeira perua Yolanda, mandando o marido fechar o Congresso, vi na TV, numa noite imunda e ventosa de dezembro, o decreto do AI-5, o fim de todas as liberdades, a gente enlouquecendo e fugindo pela rua em câmera lenta, criminosos na própria terra; depois, vi a cara do Médici, frio como um vampiro, com sua mulher do lado, magra, infeliz, torcendo pela Copa do Mundo de 70, Pelé, Tostão, Rivellino e porrada, tortura, sangue dos amigos guerrilheiros heroicos e loucos, sentindo por eles respeito e desprezo, pela coragem e pela burrice de querer vencer o Exército com estilingues; não vi, mas muitos viram, meu amigo Stuart Angel morrendo com a boca no cano de descarga de um jipe, dentro de um quartel, enquanto, em São Paulo, Herzog era pendurado numa corda e os publicitários enchiam o rabo de dinheiro com as migalhas do "milagre" brasileiro, enquanto as cachoeiras de Sete Quedas desapareciam de repente. Depois, eu vi os órgãos genitais do general Figueiredo, sobressaindo de sua sunguinha preta, ele fazendo ginástica, seminu para a nação contemplar; era nauseante ver o presidente pulando a cavalo, truculento, devolvendo o País falido aos paisanos, para nós pagarmos a conta da dívida externa; vi as grandes marchas pelas "diretas" que não rolaram e, estarrecido, vi um micróbio chegando para mudar nossa história, um micróbio, vírus, sei lá, andando pela rua, de galochas e chapéu, entrando na barriga do Tancredo Neves na hora da posse e matando o homem diante de nosso desespero, e vi então a democracia restaurada pelo bigodão do Sarney, o homem da ditadura, de jaquetão, posando de oligarca esclarecido; vi o fracasso do Plano Cruzado, depois eu vi a volta de todos os vícios nacionais, o clientelismo, a corrupção, o País ingovernável, a inflação chegando a 80% ao mês, com as maquininhas do supermercado fazendo "tlec tlec tlec" como matracas fúnebres de nossa tragédia, eu vi tanta coisa... Vi o massacre de miseráveis pela fome, ou melhor, eu não vi os milhões de mortos pela correção monetária - não vi porque eles morriam silenciosamente, longe da burguesia e da mídia, mas vi os bancos ganhando bilhões no "over" e no "spread", vi os dólares no colchão, a sensação de perda diária de valor da vida, vi a decepção com a democracia, pois tudo tinha piorado. Vi de repente o Collor vindo de longe, fazendo um "cooper" em direção ao nosso destino, bonito, jovem, fascinando os otários da nação, que entraram numa onda política de veados esperançosos: "Ele é macho, bonito e vai nos salvar!", e vi logo depois o Collor confiscar a grana do País todo, vi a sinistra careca de PC juntando o bilhão do butim, vi Zélia dançando o bolero Besame Mucho com Bernardo Cabral na cara do País quebrado, vi depois a guerra dos irmãos Collor, Fernando contra Pedro, culminando com a campanha pelo impeachment, vi tanta coisa, meninos, e depois eu vi, por mero acaso, por uma súbita cisma de Itamar Franco, vi o FHC chegar ao poder, com a única tentativa de racionalidade política de nossa história nesse antro de fisiológicos e ignorantes e vi a maior campanha de oposição de nossa época, implacável, sabotadora, movida pela inveja repulsiva da Academia contra ele e vi a traição de seus aliados, unidos contra as reformas, agarrados na corrupção ou na doença infantil de suas ideologias mortas; depois, eu vi a tomada do poder pelo PT e tive a esperança de que haveria uma continuação das portas abertas pelo Plano Real e pelas medidas modernizantes do governo de FHC e tive a maior decepção de minha vida, ao ver que jogaram o País numa rota regressista, criando um novo patrimonialismo de Estado: a aliança entre velha esquerda e velha direita, senhores feudais e pelegos, vi depois o governo se transformar num showmício permanente para o bem do Lula, na obsessão de desqualificar os avanços do mundo moderno.
Depois, recentemente, vejo a sucessora Dilma tentando governar, mais lúcida e mais honesta que seus aliados, ocupada o tempo todo em desfazer as armadilhas que seu chefe deixou. Os tempos anteriores eram mais nítidos até em sua sordidez. É difícil analisar nosso momento. É duro para um comentarista político. A economia vai bem, por sorte apenas. Dilma é legal, seria. Mas é muito grande a ambivalência entre Estado e sociedade, entre pelegos e democratas, entre boas intenções e dependência de alianças sujas. E vejo que não sei o que vejo.
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
16h - Brasil x Bósnia, amistoso, Globo e Sportv
17h - Copa dos Campeões de vôlei feminino, playoffs, Bandsports
18h45 - Florianópolis x Sesi, Superliga masculina de vôlei, Sportv
21h - Minas x Rio de Janeiro, Superliga feminina de vôlei, Sportv
21h - Boston Bruins x Ottawa Senators, hóquei, ESPN e ESPN HD
Decisões equivocadas sobre escolas de medicina - ADIB JATENE
FOLHA DE SP - 28/02/12
Médicos qualificados doaram o seu tempo para avaliar cursos ruins e cortar vagas; o Conselho Nacional de Educação ignorou o nosso trabalho e recriou todas
O Conselho Nacional de Educação acaba de tornar sem efeito decisões da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC) sobre a redução de vagas em cursos de medicina.
Até 1996, o país possuía 82 faculdades de medicina, das quais 33 eram privadas (40%). Em 12 anos, entre 1996 e 2008, foram criadas 98 novas faculdades, das quais 68 privadas (70%).
Existiam ainda, sob análise do MEC, mais de 50 pedidos de autorizações de novas faculdades, praticamente todas privadas e sem infraestrutura mínima para ministrar um curso médico.
Em 2008, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) identificou 17 escolas, entre as que tinham formandos, com nota inferior a três (em uma escala de um a cinco).
Alarmado com a situação, o então ministro Fernando Haddad, após discutir o problema, concordou em recriar a Comissão de Especialistas do Ensino Médico, presidida por mim e com maioria absoluta de membros da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), inclusive com quatro ex-presidentes. Todos os membros têm ampla atuação e experiência na área.
Após uma revisão dos pré-requisitos que a entidade que deseja abrir o curso médico deveria observar, foi explicitado que, como item eliminatório, a entidade teria de possuir um complexo médico-hospitalar com pelo menos quatro leitos por vaga pretendida. Seria necessário ter também uma residência médica reconhecida pelo Ministério da Saúde e um pronto-socorro em atividade.
Alem disso, a instituição deveria possuir um complexo ambulatorial, contando tanto com unidades básicas com o Programa de Saúde da Família quanto com ambulatórios de especialidades.
Desse modo, estaria garantido o campo de treinamento e dimensionado o número de vagas. Na hipótese de a instituição não possuir complexo próprio, seria permitido um convênio, por período não inferior a dez anos, sem compartilhamento com outra instituição.
Quanto às escolas existentes cujo desempenho no Enade foi insatisfatório, decidiu-se fazer uma visita ao local com pelo menos dois membros da comissão.
Eles, após entrevistas com docentes e com discentes e visitas às instalações, avaliaram as condições para a oferta do curso e elaboraram relatórios circunstanciados.
Na impossibilidade de indicar o fechamento da escola, optaram por reduzir o número de vagas, deixando o mínimo tolerável, capaz de beneficiar não apenas os alunos, mas também a população que seria atendida pelos egressos dessas escolas.
Baseado nesse trabalho sério, de pessoas que doaram seu tempo na expectativa de melhorar o ensino médico, foi que a Sesu acolheu as indicações e reduziu o número de vagas em várias escolas médicas. Isso aconteceu depois de ampla discussão com a comissão de especialistas -que, reitero, avaliou com o maior cuidado a situação do ensino nessas entidades.
De repente, o Diário Oficial da União publica uma decisão por unanimidade do Conselho Nacional de Educação (CNE) restaurando o número de vagas previamente existentes, desconsiderando o trabalho da comissão, que levou mais de dois anos para ser executado -sem nem sequer dar uma oportunidade para nos manifestarmos.
Decisões equivocadas como essas servem para desmotivar os que ainda acreditam ser possível corrigir as iniquidades, criadas por influência empresarial ou política, e para reforçar a ideia de que não adianta lutar por dias melhores.
Mas ainda há gente neste país que acredita, mesmo com as instituições atuais e com os conselhos suscetíveis a pressões, ser possível avançar.
Decisões como a do CNE não nos farão desistir. Elas nos alimentam para continuarmos a luta, que antes de ser nossa deveria ser do CNE.
Médicos qualificados doaram o seu tempo para avaliar cursos ruins e cortar vagas; o Conselho Nacional de Educação ignorou o nosso trabalho e recriou todas
O Conselho Nacional de Educação acaba de tornar sem efeito decisões da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC) sobre a redução de vagas em cursos de medicina.
Até 1996, o país possuía 82 faculdades de medicina, das quais 33 eram privadas (40%). Em 12 anos, entre 1996 e 2008, foram criadas 98 novas faculdades, das quais 68 privadas (70%).
Existiam ainda, sob análise do MEC, mais de 50 pedidos de autorizações de novas faculdades, praticamente todas privadas e sem infraestrutura mínima para ministrar um curso médico.
Em 2008, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) identificou 17 escolas, entre as que tinham formandos, com nota inferior a três (em uma escala de um a cinco).
Alarmado com a situação, o então ministro Fernando Haddad, após discutir o problema, concordou em recriar a Comissão de Especialistas do Ensino Médico, presidida por mim e com maioria absoluta de membros da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), inclusive com quatro ex-presidentes. Todos os membros têm ampla atuação e experiência na área.
Após uma revisão dos pré-requisitos que a entidade que deseja abrir o curso médico deveria observar, foi explicitado que, como item eliminatório, a entidade teria de possuir um complexo médico-hospitalar com pelo menos quatro leitos por vaga pretendida. Seria necessário ter também uma residência médica reconhecida pelo Ministério da Saúde e um pronto-socorro em atividade.
Alem disso, a instituição deveria possuir um complexo ambulatorial, contando tanto com unidades básicas com o Programa de Saúde da Família quanto com ambulatórios de especialidades.
Desse modo, estaria garantido o campo de treinamento e dimensionado o número de vagas. Na hipótese de a instituição não possuir complexo próprio, seria permitido um convênio, por período não inferior a dez anos, sem compartilhamento com outra instituição.
Quanto às escolas existentes cujo desempenho no Enade foi insatisfatório, decidiu-se fazer uma visita ao local com pelo menos dois membros da comissão.
Eles, após entrevistas com docentes e com discentes e visitas às instalações, avaliaram as condições para a oferta do curso e elaboraram relatórios circunstanciados.
Na impossibilidade de indicar o fechamento da escola, optaram por reduzir o número de vagas, deixando o mínimo tolerável, capaz de beneficiar não apenas os alunos, mas também a população que seria atendida pelos egressos dessas escolas.
Baseado nesse trabalho sério, de pessoas que doaram seu tempo na expectativa de melhorar o ensino médico, foi que a Sesu acolheu as indicações e reduziu o número de vagas em várias escolas médicas. Isso aconteceu depois de ampla discussão com a comissão de especialistas -que, reitero, avaliou com o maior cuidado a situação do ensino nessas entidades.
De repente, o Diário Oficial da União publica uma decisão por unanimidade do Conselho Nacional de Educação (CNE) restaurando o número de vagas previamente existentes, desconsiderando o trabalho da comissão, que levou mais de dois anos para ser executado -sem nem sequer dar uma oportunidade para nos manifestarmos.
Decisões equivocadas como essas servem para desmotivar os que ainda acreditam ser possível corrigir as iniquidades, criadas por influência empresarial ou política, e para reforçar a ideia de que não adianta lutar por dias melhores.
Mas ainda há gente neste país que acredita, mesmo com as instituições atuais e com os conselhos suscetíveis a pressões, ser possível avançar.
Decisões como a do CNE não nos farão desistir. Elas nos alimentam para continuarmos a luta, que antes de ser nossa deveria ser do CNE.
Prévias: diálogo - ANDREA MATARAZZO
BRASIL ECONÔMICO - 28/02/12
Dos mais de 130 milhões de eleitores brasileiros, poucos têm conhecimento da legislação que determina as regras para eleições no país. Só quem realmente está envolvido no processo político sabe, por exemplo, que há prazo para um prefeito ou governador se desligar do cargo caso deseje concorrer a uma eleição no ano corrente. Entre as várias determinações da legislação eleitoral brasileira, há uma que discorre sobre as convenções partidárias: nos anos em que haverá eleições, os partidos políticos devem se reunir no mês de junho para escolher seus candidatos e homologar suas coligações. Porém, não há previsão ou regras para o processo de escolha e, tampouco, para a realização de pré-campanhas. É esse o tema que pretendo abordar aqui.
Essa pauta, ainda pouco debatida no Brasil, está sempre no ar, permeando o universo político-partidário. Guardadas as diferenças culturais e legais, nos Estados Unidos o processo de escolha prévia de candidatos conhecido como primárias é um modelo a ser analisado. Lá, os procedimentos, já bastante conhecidos, estão consolidados; candidatos chegam a percorrer o país inteiro apresentando suas ideias, debatendo e recebendo sugestões.
Levado à militância partidária, o debate reacende a participação política local, fomenta a identificação dos problemas e a busca de soluções. Diferentemente do que alguns analistas políticos pensam, os cidadãos, quando chamados devidamente a participar, se interessam, e muito, pela discussão daquilo que muda suas vidas. Na política atual, ser eleito é resultado não só das campanhas eleitorais, como também da capacidade de diálogo com o eleitor e do convencimento prévio de que é possível atender às demandas da população.
Partindo desse ponto de vista, o PSDB paulista iniciou, em 2011, o procedimento para escolha do seu candidato a prefeito de São Paulo, de forma democrática e com a participação de toda a militância.
A cidade foi dividida em regiões de acordo com os diretórios do partido, se estabeleceu uma profusão de propostas; debates mobilizaram a sociedade, a imprensa e os movimentos populares, reacendendo a participação política e, também, entusiasmando os militantes, já acostumados com a imposição de candidaturas.
A militância, que não se organizava mais como nos primórdios da formação do partido, passou a ser ouvida. Sem dúvida, esse é o meio para que se possa entregar a cada região o que ela precisa.
Uma coisa é certa: o processo de prévias ora consolidado garante mais e melhores condições de participação da sociedade.
O PSDB deu um salto enorme na direção de antecipar o debate de ideias e conhecimentos entre seus candidatos. O partido teve de ouvir seus dirigentes e a população em suas várias regiões e especificidades. Com isso, nos permitimos prever mais acertadamente o que se espera da condução do futuro programa de governo para a cidade de São Paulo. Com certeza, marcaremos uma era em que a população poderá cobrar resultados com maior facilidade e estará mais segura para saber quem realmente tem condição de apontar o rumo e liderar o desenvolvimento com qualidade que todos queremos.
Dos mais de 130 milhões de eleitores brasileiros, poucos têm conhecimento da legislação que determina as regras para eleições no país. Só quem realmente está envolvido no processo político sabe, por exemplo, que há prazo para um prefeito ou governador se desligar do cargo caso deseje concorrer a uma eleição no ano corrente. Entre as várias determinações da legislação eleitoral brasileira, há uma que discorre sobre as convenções partidárias: nos anos em que haverá eleições, os partidos políticos devem se reunir no mês de junho para escolher seus candidatos e homologar suas coligações. Porém, não há previsão ou regras para o processo de escolha e, tampouco, para a realização de pré-campanhas. É esse o tema que pretendo abordar aqui.
Essa pauta, ainda pouco debatida no Brasil, está sempre no ar, permeando o universo político-partidário. Guardadas as diferenças culturais e legais, nos Estados Unidos o processo de escolha prévia de candidatos conhecido como primárias é um modelo a ser analisado. Lá, os procedimentos, já bastante conhecidos, estão consolidados; candidatos chegam a percorrer o país inteiro apresentando suas ideias, debatendo e recebendo sugestões.
Levado à militância partidária, o debate reacende a participação política local, fomenta a identificação dos problemas e a busca de soluções. Diferentemente do que alguns analistas políticos pensam, os cidadãos, quando chamados devidamente a participar, se interessam, e muito, pela discussão daquilo que muda suas vidas. Na política atual, ser eleito é resultado não só das campanhas eleitorais, como também da capacidade de diálogo com o eleitor e do convencimento prévio de que é possível atender às demandas da população.
Partindo desse ponto de vista, o PSDB paulista iniciou, em 2011, o procedimento para escolha do seu candidato a prefeito de São Paulo, de forma democrática e com a participação de toda a militância.
A cidade foi dividida em regiões de acordo com os diretórios do partido, se estabeleceu uma profusão de propostas; debates mobilizaram a sociedade, a imprensa e os movimentos populares, reacendendo a participação política e, também, entusiasmando os militantes, já acostumados com a imposição de candidaturas.
A militância, que não se organizava mais como nos primórdios da formação do partido, passou a ser ouvida. Sem dúvida, esse é o meio para que se possa entregar a cada região o que ela precisa.
Uma coisa é certa: o processo de prévias ora consolidado garante mais e melhores condições de participação da sociedade.
O PSDB deu um salto enorme na direção de antecipar o debate de ideias e conhecimentos entre seus candidatos. O partido teve de ouvir seus dirigentes e a população em suas várias regiões e especificidades. Com isso, nos permitimos prever mais acertadamente o que se espera da condução do futuro programa de governo para a cidade de São Paulo. Com certeza, marcaremos uma era em que a população poderá cobrar resultados com maior facilidade e estará mais segura para saber quem realmente tem condição de apontar o rumo e liderar o desenvolvimento com qualidade que todos queremos.
O que aflige a Europa? - PAUL KRUGMAN
O ESTÃDÃO - 28/02/12
As coisas vão muito mal por aqui, como desemprego ultrapassando a marca dos 13%. A situação é ainda pior na Grécia, na Irlanda e também na Espanha, e a Europa como um todo parece estar escorregando de volta à recessão.
Por que a Europa se converteu no paciente doente da economia mundial? Todos sabem a resposta. Infelizmente, aquilo que a maioria das pessoas sabe a respeito do problema não é verdadeiro - e histórias falsas a respeito dos problemas europeus estão distorcendo nosso discurso econômico.
Basta lermos um artigo opinativo sobre a Europa - ou, com frequência, uma reportagem supostamente factual-para nos depararmos com uma de duas histórias, um par que eu descreveria como a narrativa republicana e a narrativa alemã. Nenhuma destas histórias corresponde aos fatos.
A versão republicana-ela consiste num dos temas centrais da campanha de Mitt Romney-diz que a Europa está em má situação porque fez demais para ajudar aos pobres e desafortunados, e que estaríamos testemunhando os últimos estertores do Estado de bem estar social. Esta versão é, por sinal, uma eterna favorita entre os políticos de direita: em 1991, quando a Suécia enfrentou uma crise bancária decorrente da desregulamentação (soa familiar?), o Cato Institute publicou um relatório triunfante mostrando como o episódio comprovava o fracasso de todo o modelo do Estado de bem estar.
Cheguei a mencionar que a Suécia, país que ainda conta comum generosíssimo Estado de bem estar, é atualmente um mercado altamente próspero, apresentando um crescimento econômico mais acelerado que o de qualquer outro país rico? Mas é melhor adotar uma abordagem sistemática. Vamos analisar os 15 países europeus que atualmente usam o euro(excluindo Maltae Chipre),e organizá-los de acordo com a proporção do seu PIB que era investida em programas sociais antes da crise. Será que os principais países problemáticos( Grécia,Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) se destacam por contarem com Estados de bem estar desproporcionalmente grandes? Não, este não era o caso deles; somente a Itália figurava entre as cinco posições mais altas deste ranking e, ainda assim, seu Estado de bem estar era menor do que o alemão.
Assim, o problema não foi provocado por Estados de bem estar excessivamente grandes.
A seguir, a versão alemã, segundo a qual tudo não passa de uma questão de irresponsabilidade fiscal. Esta história parece se encaixar no caso grego, e só. A Itália apresentou déficits nos anos anteriores à crise, mas estes foram apenas um pouco maiores do que os apresentados pela Alemanha (a imensa dívida da Itália é um legado de políticas irresponsáveis de muitos anos atrás). Os déficits de Portugal eram significativamente menores, enquanto Espanha e Irlanda chegavam a registrar superávits.
Ah, e os países que não usam o euro parecem poder arcar com grandes déficits e grandes dívidas sem passar por crises. Grã-Bretanha e Estados Unidos conseguem empréstimos de longo prazo a juros de aproximadamente 2%; o Japão, muito mais endividado do que qualquer país europeu, incluindo a Grécia, paga juros de apenas 1%.
Em outras palavras, a helenização do nosso discurso econômico, de acordo com a qual bastaria a todos nós um ou dois anos de déficits para nos tornarmos outra Grécia, é completamente infundada.
Questão monetária. Assim sendo, o que aflige a Europa? A verdade é que se trata principalmente de uma questão monetária. Ao introduzir uma moeda única desprovida das instituições necessárias para garantir o funcionamento desta moeda, a Europa reinventou na prática os defeitos do padrão ouro - defeitos que desempenharam um papel importante ao precipitar e perpetuar a Grande Depressão.
Mais especificamente, a criação do euro fomentou uma falsa sensação de segurança entre os investidores privados, desencadeando imensos e insustentáveis fluxos de capital destinados aos países de toda a periferia europeia. Como consequência da entrada destes fluxos, os custos e os preços aumentaram, a manufatura perdeu a competitividade, e países que apresentavam uma balança comercial relativamente equilibrada em 1999 começaram, em vez disso, a acumular imensos déficits comerciais. Foi então que a música parou.
Se os países periféricos ainda tivessem suas próprias moedas, eles poderiam usar a desvalorização para restaurar rapidamente a competitividade-coisa que certamente fariam. Mas eles não podem mais contar com esta alternativa, o que significa que têm diante de si um prolongado período de desemprego maciço e deflação lenta e arrastada.
Suas crises de endividamento são principalmente um produto desta triste perspectiva, pois economias deprimidas levam a déficits orçamentários e a deflação amplia o fardo do endividamento.
Ora, compreender a natureza dos problemas que afetam a Europa é algo que proporciona um benefício limitado para os próprios europeus. Os países em pior situação, em especial, só têm opções ruins diante de si: terão de sofrer as dores da deflação ou tomar a drástica decisão de deixar o euro, algo que não será politicamente viável a não ser que (ou até que) tudo o mais fracasse - um ponto do qual a Grécia está se aproximado. A Alemanha poderia ajudar ao reverter suas próprias políticas de austeridade e ao aceitar uma inflação mais alta, mais o país se recusa a fazê-lo.
Mas, para o restante de nós, entender corretamente o problema europeu é algo que faz uma imensa diferença, pois falsas histórias a respeito da Europa estão sendo usadas para fazer avançar políticas que seriam cruéis, destrutivas, ou ambas as coisas. Da próxima vez que aparecer algum especialista evocando o exemplo europeu para exigir que os americanos destruam sua rede de assistência social ou cortem os gastos em face de uma economia profundamente deprimida, eis o que precisamos saber: tais especialistas não têm ideia do que estão dizendo. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
Keynes e os juros - JOSÉ LUIS OREIRO
VALOR ECONÔMICO - 28/02/12
Recentemente o Banco Central (BC) solicitou às instituições financeiras estimativas a respeito do valor da taxa de juros neutra para a economia brasileira, ou seja, o valor da taxa real de juros para o qual a demanda agregada é igual ao produto potencial de forma que a inflação seja mantida constante ao longo do tempo. Essas estimativas apontam para uma taxa neutra em torno de 5,5% ao ano, o que significa uma redução de 1,25 ponto percentual desde novembro de 2010, quando uma consulta indicou a taxa neutra em torno de 6,75%. A redução observada na taxa neutra seria o resultado de "mudanças estruturais significativas na economia brasileira", segundo a ata do Copom, não tendo nenhuma relação com a condução da política monetária.
Uma reflexão um pouco mais aprofundada sobre quais seriam essas mudanças estruturais significativas, contudo, não aponta para nenhuma mudança em particular. De fato, a condução da política fiscal continua basicamente a mesma do segundo mandato do presidente Lula, a poupança pública não apresentou nenhuma melhoria significativa, o crédito doméstico continua se expandindo a taxas elevadas, o grau de indexação formal da economia brasileira ainda é alto e os títulos pós-fixados mantêm uma participação expressiva na dívida pública. Daqui se segue que não há nenhuma razão concreta para se acreditar que tenha ocorrido nos últimos anos um aumento da eficácia da política monetária e/ou uma redução da taxa de juros de "equilíbrio". Sendo assim, como explicar a mudança nas expectativas do mercado a respeito da taxa de juros neutra?
Na sua Teoria Geral do Emprego, Keynes criou o conceito de taxa de juros segura, ou seja, o valor da taxa de juros que o público acredita que irá prevalecer no longo prazo. A taxa de juros segura nada mais é do que uma convenção social, ou seja, uma crença compartilhada entre os agentes econômicos a respeito do valor em torno do qual a taxa de juros flutua ao longo do tempo. Essa convenção não está baseada em "fatores objetivos" como pensa a teoria neoclássica. Em particular, a taxa de juros segura não é equivalente ao conceito de taxa natural de juros dos modelos Dynamic Stochastic General Equilibrium (DSGE) tão em voga atualmente. A taxa natural de juros é tida, nesses modelos, como independente da política monetária, sendo determinada pela produtividade do capital e pelas preferências intertemporais das famílias.
Do ponto de vista keynesiano, o conceito de taxa natural de juros é um completo nonsense porque pressupõe a independência entre o produto potencial e a demanda agregada. Isso porque, em função da existência generalizada de economias de escala e de equilíbrios múltiplos gerados a partir de efeitos de histerese no mercado de trabalho, o produto potencial não é uma variável exógena, mas é dependente da trajetória seguida pelo produto efetivo (e, portanto, pela demanda agregada) ao longo do tempo.
Voltando à taxa de juros segura, Keynes afirma na sua Teoria Geral que: "A autoridade monetária controla, com facilidade, a taxa de juros a curto prazo, não só pelo fato de não ser difícil criar a convicção de que sua política não mudará sensivelmente em um futuro muito próximo, como também em virtude de a possível perda ser pequena, quando comparada com o rendimento corrente (a não ser que este chegue a ponto de ser quase nulo). Mas a taxa a longo prazo pode mostrar-se mais recalcitrante no momento em que caia a um nível que, com base na experiência passada e nas expectativas correntes da política monetária futura, a opinião abalizada considera "inseguro".
Isso não quer dizer, obviamente, que o Banco Central não seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo. Ele poderá fazê-lo desde que consiga induzir uma mudança nas expectativas que os agentes econômicos formulam a respeito da taxa segura de juros. Em outras palavras, uma redução da taxa de juros de longo prazo envolve necessariamente a mudança da convenção prevalecente no mercado financeiro sobre o valor da taxa segura. Se o BC não for capaz de produzir uma mudança nas convenções sobre a taxa de juros segura, então a redução da taxa de juros de longo prazo resultante da redução do valor corrente da taxa de juros de curto prazo irá induzir uma expectativa de elevação da taxa longa no futuro próximo. Em função disso, as expectativas a respeito dos valores futuros da taxa de juros serão reajustadas para cima, produzindo o realinhamento do valor corrente da taxa longa na direção da taxa de juros segura.
Daqui se segue que uma condição fundamental para que o BC seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo é que a política monetária tenha credibilidade. Credibilidade não significa o compromisso único e exclusivo da autoridade monetária com uma taxa de inflação baixa, como entendem os economistas neoclássicos; mas deriva-se do entendimento por parte dos agentes econômicos de que a política monetária é compatível com o interesse público, sendo conduzida com convicção por parte de uma autoridade monetária, que não corra o risco de ser suplantada. Sendo assim, "uma política monetária que a opinião pública considere experimental em sua natureza e facilmente sujeita a mudanças pode falhar no seu objetivo de reduzir consideravelmente a taxa de juros a longo prazo".
Nesse contexto, as convenções prevalecentes a respeito do valor da taxa de juros segura podem ser alteradas se o público perceber que a política monetária é conduzida de maneira lógica e firme por parte do BC. Via de regra, isso exige mudanças moderadas e graduais na taxa de juros de curto prazo, dando tempo para que o público se acostume com patamares mais baixos de taxas de juros.
Com base nesse arrazoado, uma explicação possível para a redução observada das estimativas da taxa neutra é que nos últimos anos o BC tem sinalizado de forma clara e consistente seu desejo de reduzir gradualmente o patamar dos juros. Como essa sinalização é vista pelo mercado como baseada no julgamento técnico da autoridade monetária, e não como resultado de ingerência política no BC, segue-se que a mesma é vista como compatível com o interesse público e, portanto, crível. Mantidas essas condições, o BC poderá obter uma redução ainda maior da taxa de juros se persistir com sua política gradualista.
Recentemente o Banco Central (BC) solicitou às instituições financeiras estimativas a respeito do valor da taxa de juros neutra para a economia brasileira, ou seja, o valor da taxa real de juros para o qual a demanda agregada é igual ao produto potencial de forma que a inflação seja mantida constante ao longo do tempo. Essas estimativas apontam para uma taxa neutra em torno de 5,5% ao ano, o que significa uma redução de 1,25 ponto percentual desde novembro de 2010, quando uma consulta indicou a taxa neutra em torno de 6,75%. A redução observada na taxa neutra seria o resultado de "mudanças estruturais significativas na economia brasileira", segundo a ata do Copom, não tendo nenhuma relação com a condução da política monetária.
Uma reflexão um pouco mais aprofundada sobre quais seriam essas mudanças estruturais significativas, contudo, não aponta para nenhuma mudança em particular. De fato, a condução da política fiscal continua basicamente a mesma do segundo mandato do presidente Lula, a poupança pública não apresentou nenhuma melhoria significativa, o crédito doméstico continua se expandindo a taxas elevadas, o grau de indexação formal da economia brasileira ainda é alto e os títulos pós-fixados mantêm uma participação expressiva na dívida pública. Daqui se segue que não há nenhuma razão concreta para se acreditar que tenha ocorrido nos últimos anos um aumento da eficácia da política monetária e/ou uma redução da taxa de juros de "equilíbrio". Sendo assim, como explicar a mudança nas expectativas do mercado a respeito da taxa de juros neutra?
Na sua Teoria Geral do Emprego, Keynes criou o conceito de taxa de juros segura, ou seja, o valor da taxa de juros que o público acredita que irá prevalecer no longo prazo. A taxa de juros segura nada mais é do que uma convenção social, ou seja, uma crença compartilhada entre os agentes econômicos a respeito do valor em torno do qual a taxa de juros flutua ao longo do tempo. Essa convenção não está baseada em "fatores objetivos" como pensa a teoria neoclássica. Em particular, a taxa de juros segura não é equivalente ao conceito de taxa natural de juros dos modelos Dynamic Stochastic General Equilibrium (DSGE) tão em voga atualmente. A taxa natural de juros é tida, nesses modelos, como independente da política monetária, sendo determinada pela produtividade do capital e pelas preferências intertemporais das famílias.
Do ponto de vista keynesiano, o conceito de taxa natural de juros é um completo nonsense porque pressupõe a independência entre o produto potencial e a demanda agregada. Isso porque, em função da existência generalizada de economias de escala e de equilíbrios múltiplos gerados a partir de efeitos de histerese no mercado de trabalho, o produto potencial não é uma variável exógena, mas é dependente da trajetória seguida pelo produto efetivo (e, portanto, pela demanda agregada) ao longo do tempo.
Voltando à taxa de juros segura, Keynes afirma na sua Teoria Geral que: "A autoridade monetária controla, com facilidade, a taxa de juros a curto prazo, não só pelo fato de não ser difícil criar a convicção de que sua política não mudará sensivelmente em um futuro muito próximo, como também em virtude de a possível perda ser pequena, quando comparada com o rendimento corrente (a não ser que este chegue a ponto de ser quase nulo). Mas a taxa a longo prazo pode mostrar-se mais recalcitrante no momento em que caia a um nível que, com base na experiência passada e nas expectativas correntes da política monetária futura, a opinião abalizada considera "inseguro".
Isso não quer dizer, obviamente, que o Banco Central não seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo. Ele poderá fazê-lo desde que consiga induzir uma mudança nas expectativas que os agentes econômicos formulam a respeito da taxa segura de juros. Em outras palavras, uma redução da taxa de juros de longo prazo envolve necessariamente a mudança da convenção prevalecente no mercado financeiro sobre o valor da taxa segura. Se o BC não for capaz de produzir uma mudança nas convenções sobre a taxa de juros segura, então a redução da taxa de juros de longo prazo resultante da redução do valor corrente da taxa de juros de curto prazo irá induzir uma expectativa de elevação da taxa longa no futuro próximo. Em função disso, as expectativas a respeito dos valores futuros da taxa de juros serão reajustadas para cima, produzindo o realinhamento do valor corrente da taxa longa na direção da taxa de juros segura.
Daqui se segue que uma condição fundamental para que o BC seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo é que a política monetária tenha credibilidade. Credibilidade não significa o compromisso único e exclusivo da autoridade monetária com uma taxa de inflação baixa, como entendem os economistas neoclássicos; mas deriva-se do entendimento por parte dos agentes econômicos de que a política monetária é compatível com o interesse público, sendo conduzida com convicção por parte de uma autoridade monetária, que não corra o risco de ser suplantada. Sendo assim, "uma política monetária que a opinião pública considere experimental em sua natureza e facilmente sujeita a mudanças pode falhar no seu objetivo de reduzir consideravelmente a taxa de juros a longo prazo".
Nesse contexto, as convenções prevalecentes a respeito do valor da taxa de juros segura podem ser alteradas se o público perceber que a política monetária é conduzida de maneira lógica e firme por parte do BC. Via de regra, isso exige mudanças moderadas e graduais na taxa de juros de curto prazo, dando tempo para que o público se acostume com patamares mais baixos de taxas de juros.
Com base nesse arrazoado, uma explicação possível para a redução observada das estimativas da taxa neutra é que nos últimos anos o BC tem sinalizado de forma clara e consistente seu desejo de reduzir gradualmente o patamar dos juros. Como essa sinalização é vista pelo mercado como baseada no julgamento técnico da autoridade monetária, e não como resultado de ingerência política no BC, segue-se que a mesma é vista como compatível com o interesse público e, portanto, crível. Mantidas essas condições, o BC poderá obter uma redução ainda maior da taxa de juros se persistir com sua política gradualista.
CLAUDIO HUMBERTO
“Ibsen foi o psicanalista do PMDB. Tirou o partido da depressão”
Deputado Darcísio Perondi (RS), apoiando Ibsen Pinheiro à Prefeitura de Porto Alegre
IMÓVEIS FUNCIONAIS PESAM NO BOLSO DO CIDADÃO
Os Três Poderes fazem da União uma das maiores imobiliárias de Brasília, cujos apartamentos e até mansões “funcionais”, situados em áreas nobres da cidade, foram comprados e são mantidos pelo contribuinte para mordomia de auxiliares de primeiro a terceiro escalões, que não pagam para ocupá-los. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) contabiliza milhares desses imóveis na capital.
POR NOSSA CONTA
Na Presidência da República, 77 aspones moram, de graça, por conta do contribuinte, em imóveis cujo metro quadrado vale até R$ 13 mil.
FORA DA REGRA
O Itamaraty, que segue “regras diferenciadas”, administra 527 imóveis, incluindo a mansão do titular, na valorizada Península dos Ministros.
ASSIM É MOLEZA
A Câmara dos Deputados dispõe de 432 apartamentos e o Senado de 72, sem falar no “auxílio residência” de até R$ 4 mil e outros benefícios.
FIM DA MORDOMIA
O senador Álvaro Dias (PR), que não usa a regalia, quer discutir o fim de imóveis funcionais, criados há 50 anos para servidores transferidos.
BASE NA ANTÁRTIDA TINHA PROBLEMAS DESDE 2006
Não foi por falta de aviso: há seis anos, em 2006, o almirante Antonio Cesar Sepulveda alertou, em artigo, para graves problemas na Base Comandante Ferraz, na Antártida, que pegou fogo no sábado (26), destruindo equipamentos e pesquisas de quase trinta anos. Culpou instalações corroídas pela ferrugem, falta de prevenção contra incêndio e de manutenção dos tanques de reabastecimento, tudo funcionando “na base do jeitinho”, além de laboratórios e alojamento precários.
PERDIDOS NO GELO
No artigo do Jornal do Commercio (RJ), o almirante advertiu até para falhas de comunicação ameaçando pesquisadores fora da Base.
PROFÉTICO
Sepulveda previu desastre ecológico: em dezembro, uma chata afundou com 10 mil litros de óleo, perto da Base. A Marinha silenciou.
LONGE DE CASA
Aposentado, Sepulveda trabalha no Texas, nos EUA, onde, em 1999, descobriu plano secreto de invasão americana ao Brasil na 2ª Guerra.
‘NEM’ TE LIGO
Dorme sono profundo na gaveta da Secretaria de Segurança do Rio, há três meses, a investigação da estranha fuga e captura do traficante “Nem”, envolvendo delegado e inspetor da Região dos Lagos e outros policiais que escoltavam o bandido, mas a Polícia Federal impediu.
CRISTOVAM 2014
O senador Cristovam Buarque (PDT) sente-se “puxado” pelos eleitores, inclusive petistas, e “empurrado” pelo ex-aliado Agnelo Queiroz (PT) a disputar o governo do DF em 2014. Já cumpre agenda de candidato.
SÓ PENSA NAQUILO
O PR se recusa a participar do conselho político de Dilma até que seja acertado cargo na Esplanada. “Já que o governo nos quer na base, queremos espaço no governo”, reivindica o senador Blairo Maggi (MT).
ILHA DOENTE
A blogueira dissidente Yoani Sánchez avisou, no Twitter, que operações foram desmarcadas num hospital em Havana onde o porra-louca Chávez pode ser operado. E ironizou: “Ele sabe quanto ganha um oncologista? Menos de US$ 40. Trouxe luvas e desinfetantes para banheiros?”.
CEARÁ BATE O PÉ
O senador Eunício Oliveira (PMDB) e o governador Cid Gomes (PSB) uniram forças para tentar manter na diretoria do Dnocs o interino Ramon Rodrigues, que também é cearense.
QUEM ACREDITA?
A Câmara Legislativa do DF decide hoje se acaba com o pagamento de 14º e 15º salários a suas excelências, que já metem a mão no bolso do contribuinte para subsídios, verba de gabinete e de representação, combustível, etc., no total de mais de R$ 190 mil ao mês.
PRIVATIZAÇÃO, NÃO
O governo de Minas garante que não ter qualquer pretensão de privatizar a Copasa, a estatal de água e saneamento. No Estado, seria necessário até um plebiscito para
viabilizar eventual privatização.
DEPUTADO AMEAÇADO
O deputado Áureo Ribeiro (PRTB-RJ) afirma estar ameaçado de morte por insistir na apuração dos desvios de verbas do SUS na Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. A Polícia Civil do Rio investiga o caso.
PENSANDO BEM...
...“Como botar fogo no gelo” foi a última pesquisa do Brasil na Antártida.
PODER SEM PUDOR
MEMÓRIA AFIADA
O senador Áureo Mello passava o carnaval de 1994 no Rio de Janeiro, na casa da família do poeta J. G. de Araújo Jorge. Certo dia, foi surpreendido pela famosa foto, nos jornais, de Itamar Franco com a modelo Lílian Ramos, no Sambódromo. Ela vestia só uma camiseta, sem nada por baixo.
– Que papelão o Itamar fez na avenida... – comentou um amigo do senador.
Áureo Mello ajeitou os óculos, aproximou o jornal do rosto e pilheriou:
– Meu Deus! Se não me falha a memória, isto aí é a dita cuja.
O senador tinha boa memória.
Deputado Darcísio Perondi (RS), apoiando Ibsen Pinheiro à Prefeitura de Porto Alegre
IMÓVEIS FUNCIONAIS PESAM NO BOLSO DO CIDADÃO
Os Três Poderes fazem da União uma das maiores imobiliárias de Brasília, cujos apartamentos e até mansões “funcionais”, situados em áreas nobres da cidade, foram comprados e são mantidos pelo contribuinte para mordomia de auxiliares de primeiro a terceiro escalões, que não pagam para ocupá-los. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) contabiliza milhares desses imóveis na capital.
POR NOSSA CONTA
Na Presidência da República, 77 aspones moram, de graça, por conta do contribuinte, em imóveis cujo metro quadrado vale até R$ 13 mil.
FORA DA REGRA
O Itamaraty, que segue “regras diferenciadas”, administra 527 imóveis, incluindo a mansão do titular, na valorizada Península dos Ministros.
ASSIM É MOLEZA
A Câmara dos Deputados dispõe de 432 apartamentos e o Senado de 72, sem falar no “auxílio residência” de até R$ 4 mil e outros benefícios.
FIM DA MORDOMIA
O senador Álvaro Dias (PR), que não usa a regalia, quer discutir o fim de imóveis funcionais, criados há 50 anos para servidores transferidos.
BASE NA ANTÁRTIDA TINHA PROBLEMAS DESDE 2006
Não foi por falta de aviso: há seis anos, em 2006, o almirante Antonio Cesar Sepulveda alertou, em artigo, para graves problemas na Base Comandante Ferraz, na Antártida, que pegou fogo no sábado (26), destruindo equipamentos e pesquisas de quase trinta anos. Culpou instalações corroídas pela ferrugem, falta de prevenção contra incêndio e de manutenção dos tanques de reabastecimento, tudo funcionando “na base do jeitinho”, além de laboratórios e alojamento precários.
PERDIDOS NO GELO
No artigo do Jornal do Commercio (RJ), o almirante advertiu até para falhas de comunicação ameaçando pesquisadores fora da Base.
PROFÉTICO
Sepulveda previu desastre ecológico: em dezembro, uma chata afundou com 10 mil litros de óleo, perto da Base. A Marinha silenciou.
LONGE DE CASA
Aposentado, Sepulveda trabalha no Texas, nos EUA, onde, em 1999, descobriu plano secreto de invasão americana ao Brasil na 2ª Guerra.
‘NEM’ TE LIGO
Dorme sono profundo na gaveta da Secretaria de Segurança do Rio, há três meses, a investigação da estranha fuga e captura do traficante “Nem”, envolvendo delegado e inspetor da Região dos Lagos e outros policiais que escoltavam o bandido, mas a Polícia Federal impediu.
CRISTOVAM 2014
O senador Cristovam Buarque (PDT) sente-se “puxado” pelos eleitores, inclusive petistas, e “empurrado” pelo ex-aliado Agnelo Queiroz (PT) a disputar o governo do DF em 2014. Já cumpre agenda de candidato.
SÓ PENSA NAQUILO
O PR se recusa a participar do conselho político de Dilma até que seja acertado cargo na Esplanada. “Já que o governo nos quer na base, queremos espaço no governo”, reivindica o senador Blairo Maggi (MT).
ILHA DOENTE
A blogueira dissidente Yoani Sánchez avisou, no Twitter, que operações foram desmarcadas num hospital em Havana onde o porra-louca Chávez pode ser operado. E ironizou: “Ele sabe quanto ganha um oncologista? Menos de US$ 40. Trouxe luvas e desinfetantes para banheiros?”.
CEARÁ BATE O PÉ
O senador Eunício Oliveira (PMDB) e o governador Cid Gomes (PSB) uniram forças para tentar manter na diretoria do Dnocs o interino Ramon Rodrigues, que também é cearense.
QUEM ACREDITA?
A Câmara Legislativa do DF decide hoje se acaba com o pagamento de 14º e 15º salários a suas excelências, que já metem a mão no bolso do contribuinte para subsídios, verba de gabinete e de representação, combustível, etc., no total de mais de R$ 190 mil ao mês.
PRIVATIZAÇÃO, NÃO
O governo de Minas garante que não ter qualquer pretensão de privatizar a Copasa, a estatal de água e saneamento. No Estado, seria necessário até um plebiscito para
viabilizar eventual privatização.
DEPUTADO AMEAÇADO
O deputado Áureo Ribeiro (PRTB-RJ) afirma estar ameaçado de morte por insistir na apuração dos desvios de verbas do SUS na Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. A Polícia Civil do Rio investiga o caso.
PENSANDO BEM...
...“Como botar fogo no gelo” foi a última pesquisa do Brasil na Antártida.
PODER SEM PUDOR
MEMÓRIA AFIADA
O senador Áureo Mello passava o carnaval de 1994 no Rio de Janeiro, na casa da família do poeta J. G. de Araújo Jorge. Certo dia, foi surpreendido pela famosa foto, nos jornais, de Itamar Franco com a modelo Lílian Ramos, no Sambódromo. Ela vestia só uma camiseta, sem nada por baixo.
– Que papelão o Itamar fez na avenida... – comentou um amigo do senador.
Áureo Mello ajeitou os óculos, aproximou o jornal do rosto e pilheriou:
– Meu Deus! Se não me falha a memória, isto aí é a dita cuja.
O senador tinha boa memória.
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Rio vai criar força-tarefa contra policiais do bicho
- Folha: Depósito milionário para ex-vice do BB é investigado
- Estadão: Serra ainda pode disputar a Presidência, indica FHC
- Valor: Justiça processa cartéis mundiais de componentes
- Jornal do Commercio: Piso do professor sobe para R$ 1.451
- Zero Hora: Estado faz mutirão para manter Copa na Capital
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
A fábula do rei zeloso e o horóscopo subversivo - EUGENIO BUCCI
REVISTA ÉPOCA
Então, numa manhã de sol, o rei chamou o primeiro-ministro e pediu a ele de modo polido, muito educado, que levasse ao parlamento uma proposta: escrever na Constituição que os cidadãos passariam a ter direito à "informação veraz". Assim esperava obrigar os jornais a dizer a verdade. Diante de tão cândida encomenda, vinda de um rei tão compreensivo, os parlamentares aquiesceram. Quem haveria de ser contra a "informação veraz"? E quem defenderia a informação mentirosa? Ademais, eles, deputados, eram os que mais penavam com as calúnias desalmadas da imprensa. Ali estava a chance de vingança, que eles tanto esperaram. Era para já.
A emenda constitucional foi aprovada por unanimidade. Imediatamente, providenciou-se a legislação complementar. Se não fosse veraz, a informação não poderia circular. Simples assim. O raciocínio era elementar. Ponto 1: o povo tem direito à "informação veraz". Ponto 2: quem publica uma informação falsa viola o direito do povo. Portanto, ponto 3: nenhuma informação falsa poderia ser admitida. "Nada a ver com censura", disse o primeiro-ministro para tranquilizar a nação.
O astrólogo foi preso, acusado de que suas previsões não eram "informações verazes" – e o povo se revoltou
Precavidos, os editores de romance cuidaram de estampar, na capa de cada volume, um alerta: "Este livro é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência". Com isso, escaparam do rigor legal. Os jornais, as revistas e os noticiários de rádio e televisão não tiveram a mesma sorte. Viram-se soterrados por milhares de ações judiciais, muitas delas movidas pelo próprio governo, que os acusavam de mentirosos. Qualquer coisa era pretexto: um número errado depois da vírgula, uma letra trocada no sobrenome do ministro. Os artigos de opinião ficaram inviáveis, porque as multas saltaram para a estratosfera. Um articulista condenado a pagar US$ 40 milhões por ter ofendido o primeiro-ministro decidiu se exilar em Miami – o lugar era de mau gosto, vá lá, mas na Flórida ele poderia tomar sol na hora que bem entendesse.
O país do rei zeloso ficou mais triste, mais plúmbeo, mas o povo suportou, acreditando que o sufoco era para o bem da verdade. A sombra da censura se adensou, mas a vida seguiu adiante. Até que, numa tenebrosa noite de quarta-feira, o povo se rebelou. Por quê? Por causa dos astros.
Eis o que aconteceu: naquela quarta, um astrólogo famoso, celebridade nacional, que escrevia o horóscopo no maior diário do país foi encarcerado, sob a acusação de que suas previsões não eram "informações verazes". Pela primeira vez naquele reino, uma revolta de leitores de jornal se converteu num movimento de massa irreversível. A influência dos astros no destino dos mortais podia não ser exatamente "informação veraz", os líderes do movimento admitiam, mas o povo não abria mão de seu direito sagrado de ler os desígnios zodiacais.
Foi uma primavera cósmica. A multidão venceu. O primeiro-ministro, os parlamentares e o próprio rei tiveram de recuar de suas boas intenções. Tiveram de declarar em praça pública que o direito à informação incluía o direito a informações não necessariamente verazes, como aquelas da astrologia. O país inteiro aprendeu que informação veraz na opinião de uns pode não ser tão veraz assim na opinião de outros. Aprendeu mais: que o direito à informação não é a mesma coisa que direito à verdade. É apenas o direito que cada um tem de buscar a verdade a sua maneira, a partir da liberdade de conhecer todas as versões que ela, a verdade, admite – versões que, por sinal, envolvem elementos de mentira na opinião de uns, mas não na de outros. Aprendeu, enfim, que um país tem direito à informação quando o poder não tem o direito de determinar o que é verdade e o que é mentira.
Com tudo isso, até a imprensa daquele país longínquo melhorou um pouco – e o rei zeloso ficou pasmo.
PS: desde 1978, o "direito à informação veraz" consta da Constituição da Espanha, sem acarretar maiores danos. A partir da década de 1990, entrou nas constituições da Argentina, da Venezuela, da Colômbia e do Equador. Recomenda-se atenção.
O que o Carnaval diz do Brasil? - ROBERTO DaMATTA
REVISTA ÉPOCA
No Brasil, o Carnaval nos permite abandonar as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo
Toda celebração nacional tem um mito, uma história que explica e justifica a sua celebração. O melhor exemplo é o nosso "7 de setembro". Uma arrogada realidade histórica ensina que já em agosto de 1822 Dom Pedro I rompera com Portugal declarando inimigas as tropas lusas que estavam em nosso território. Mas o mito, conforme aprendemos na escola primária, narra um gesto muito mais dramático e revelador. Em viagem a São Paulo acompanhado por sua guarda de honra (chamada de "dragões"), Dom Pedro recebe a correspondência de Portugal limitando seu poder. Reagindo à diminuição de sua liberdade, arranca do seu dólmã as fitas com as cores vermelha e azul das cortes portuguesas, desembainha a espada e grita: "Independência ou morte!". Estava declarada nossa independência às margens do Ipiranga – um riacho de "água vermelha" (i-piranga em tupi), como mostra o quadro consagrador de Pedro Américo. O ritual que celebra esse mito repete todo ano o gesto de uma forma estilizada: há uma parada militar onde se afirma o poderio brasileiro. O grito "original" (sinal do rom-pimento) é substituído por discursos ou pelo canto do hino nacional. A Independência segue a norma dos ritos da ordem e tem um centro, um propósito e um personagem.
Tudo isso contrasta notavelmente com o Carnaval, que não tem um mito de origem nem é uma comemoração de algum ato ou pessoa. Na festa de Momo, temos o rito, mas não temos o mito. Trata-se de uma festa da desordem e, como tal, ela promove uma infinidade de personagens e eventos. Em contraste com a Independência, o Carnaval ocorre dentro de um tempo bíblico. O Carnaval, como o futebol, não foi inventado no Brasil e faz parte de uma tradição arcaica na qual se coloca em correspondência a mudança das estações do ano ou anomalias cósmicas (como os eclipses) e o barulho por meio da percussão, o insulto e o as-sassinato dos deuses. Ele ocorre antes da Quaresma, que culmina no sacrifício de Cristo, o Deus que se fez homem para salvar a humanidade, conforme reza a tradição cristã. Antes então de um período de disciplina (onde não se come a carne – donde: carne levare), permite-se o excesso que sinaliza o fim de um recreio.
No passado, o Carnaval foi uma celebração obrigatória: todos tinham de brincá-lo. Hoje, ele é um longo feriado, embora con-tinue preservando sua escritura original que suspende e inverte as regras das rotinas mais equilibradas. A norma é esbaldar-se, brincar e pular até cair. Temos então uma revelação interessante: como uma festa baseada no "poder fazer tudo" acontece na terra do "não pode"? Um "não pode" sempre dirigido para quem não é rico, bem de vida ou faz parte do governo?
A pergunta contém sua resposta. Só existe Carnaval onde há o desejo de ver o mundo de cabeça para baixo. A permissividade planejada e permitida é, no fundo, uma licença "legal" (conforme taxamos tudo o que é bom no Brasil) para abandonar, por um curto período de tempo, as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo. Tão profundamente aristocrático e desigual que seus membros precisam de um ritual permissivo. Testemunha isso o fato de o Carnaval ter sido proibido na Es-panha e em Portugal nas ditaduras de Franco e Salazar. No Brasil, as tentativas de proibi-lo sempre estiveram associadas ao eliti-smo intelectual que vê na festa um abuso dos bons costumes e um exemplo de "atraso" nacional. Enfim, como perda de um tempo precioso, destinado a produzir e a fazer as grandes reformas e a "revolução" de que tanto precisamos. Como o futebol, o Carnaval seria um ópio ou, na melhor hipótese, um remédio para o povo.
O que fazer com o puritanismo globalizado que manda trabalhar, poupar e ser recatado, se o Carnaval apresenta aos seus celebrantes uma verdade alternativa: aproveite enquanto pode; é hoje só, amanhã não tem mais... E, ao lado dessa mensagem, deixa que o pobre vire divindade, reduzindo o patrão ao papel de espectador de seus empregados. Não satisfeito com tais ab-surdos, ele faz o governo destinar verbas para suas "escolas de samba", cujas sedes são melhores que as escolas e os hospitais. Pode-se urinar, beijar e fazer outras coisas na rua em cidades cujas vias públicas são finalmente destinadas a nós, seus cidadãos – essas ruas que, sem os nossos mortíferos automóveis, podem ser desfrutadas porque estamos num mundo sem donos e patrões.
Nada melhor do que a marchinha de Lamartine Babo, escrita em 1934, para mostrar o que o Carnaval diz do Brasil:
Quem foi que inventou o Brasil?
– Foi seu Cabral! Foi seu Cabral!
No dia 21 de abril
Dois meses depois do Carnaval!
Se o mundo diário nos obriga a pensar a festa como um resultado ou um prêmio, a música e o mito levam a ler o Brasil irre-mediavelmente marcado pelo Carnaval. Nele, a festa não depende do Brasil, mas, pelo contrário, é o Brasil que dela decorre. O compositor percebe como o Carnaval escapa do viés utilitário que só enxerga o mundo como controlado por partidos e classes sociais. Nessa sociedade que, até 1888, teve escravos, que até ontem teve imperadores e barões e, no seu período republicano, mais ditaduras do que regimes igualitários e livres, entende-se por que o Rei Momo vem periodicamente governar. Pois, mais do que festa, o Carnaval é o espelho pelo qual vemos a nós mesmos por meio da estética dos subordinados. Esses que amam o luxo e o enfeite adoram o exagerado e o invejável. E assim reproduzem seus superiores por meio da licença ampla concedida pela permissividade do ritual. Desse modo, abusam tanto quanto seus superiores o fazem no mundo diário, onde desfilam com suas falcatruas, mentiras e roubos da coisa pública, sem ser punidos.
Penso, pois, que o Carnaval põe o Brasil de ponta-cabeça. Num país onde a liberdade é privilégio de uns poucos e é sempre lida por seu lado legal e cívico, a festa abre nossa vida a uma liberdade sensual, nisso que o mundo burguês chama de libertin-agem. Dando livre passagem ao corpo, o Carnaval destitui posicionamentos sociais fixos e rígidos, permitindo a "fantasia", que inventa novas identidades e dá uma enorme elasticidade a todos os papéis sociais reguladores. Se Shakespeare nos visitasse, confirmaria seu famoso axioma segundo o qual o mundo é um palco. E descobriria, indo além de si mesmo, que, nesse cenário de tragédias, injustiças, sofrimento e reveses, a própria morte é convidada. Pois, no Carnaval, os homens desmorali-zam a morte, cantando e dançando com ela. Reafirmando o riso como nosso único consolo. Esse riso carnavalesco que cora-josamente permite rir de nossas próprias desgraças.
No Brasil, o Carnaval nos permite abandonar as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo
Toda celebração nacional tem um mito, uma história que explica e justifica a sua celebração. O melhor exemplo é o nosso "7 de setembro". Uma arrogada realidade histórica ensina que já em agosto de 1822 Dom Pedro I rompera com Portugal declarando inimigas as tropas lusas que estavam em nosso território. Mas o mito, conforme aprendemos na escola primária, narra um gesto muito mais dramático e revelador. Em viagem a São Paulo acompanhado por sua guarda de honra (chamada de "dragões"), Dom Pedro recebe a correspondência de Portugal limitando seu poder. Reagindo à diminuição de sua liberdade, arranca do seu dólmã as fitas com as cores vermelha e azul das cortes portuguesas, desembainha a espada e grita: "Independência ou morte!". Estava declarada nossa independência às margens do Ipiranga – um riacho de "água vermelha" (i-piranga em tupi), como mostra o quadro consagrador de Pedro Américo. O ritual que celebra esse mito repete todo ano o gesto de uma forma estilizada: há uma parada militar onde se afirma o poderio brasileiro. O grito "original" (sinal do rom-pimento) é substituído por discursos ou pelo canto do hino nacional. A Independência segue a norma dos ritos da ordem e tem um centro, um propósito e um personagem.
Tudo isso contrasta notavelmente com o Carnaval, que não tem um mito de origem nem é uma comemoração de algum ato ou pessoa. Na festa de Momo, temos o rito, mas não temos o mito. Trata-se de uma festa da desordem e, como tal, ela promove uma infinidade de personagens e eventos. Em contraste com a Independência, o Carnaval ocorre dentro de um tempo bíblico. O Carnaval, como o futebol, não foi inventado no Brasil e faz parte de uma tradição arcaica na qual se coloca em correspondência a mudança das estações do ano ou anomalias cósmicas (como os eclipses) e o barulho por meio da percussão, o insulto e o as-sassinato dos deuses. Ele ocorre antes da Quaresma, que culmina no sacrifício de Cristo, o Deus que se fez homem para salvar a humanidade, conforme reza a tradição cristã. Antes então de um período de disciplina (onde não se come a carne – donde: carne levare), permite-se o excesso que sinaliza o fim de um recreio.
No passado, o Carnaval foi uma celebração obrigatória: todos tinham de brincá-lo. Hoje, ele é um longo feriado, embora con-tinue preservando sua escritura original que suspende e inverte as regras das rotinas mais equilibradas. A norma é esbaldar-se, brincar e pular até cair. Temos então uma revelação interessante: como uma festa baseada no "poder fazer tudo" acontece na terra do "não pode"? Um "não pode" sempre dirigido para quem não é rico, bem de vida ou faz parte do governo?
A pergunta contém sua resposta. Só existe Carnaval onde há o desejo de ver o mundo de cabeça para baixo. A permissividade planejada e permitida é, no fundo, uma licença "legal" (conforme taxamos tudo o que é bom no Brasil) para abandonar, por um curto período de tempo, as hierarquias e os tabus de um sistema altamente repressivo. Tão profundamente aristocrático e desigual que seus membros precisam de um ritual permissivo. Testemunha isso o fato de o Carnaval ter sido proibido na Es-panha e em Portugal nas ditaduras de Franco e Salazar. No Brasil, as tentativas de proibi-lo sempre estiveram associadas ao eliti-smo intelectual que vê na festa um abuso dos bons costumes e um exemplo de "atraso" nacional. Enfim, como perda de um tempo precioso, destinado a produzir e a fazer as grandes reformas e a "revolução" de que tanto precisamos. Como o futebol, o Carnaval seria um ópio ou, na melhor hipótese, um remédio para o povo.
O que fazer com o puritanismo globalizado que manda trabalhar, poupar e ser recatado, se o Carnaval apresenta aos seus celebrantes uma verdade alternativa: aproveite enquanto pode; é hoje só, amanhã não tem mais... E, ao lado dessa mensagem, deixa que o pobre vire divindade, reduzindo o patrão ao papel de espectador de seus empregados. Não satisfeito com tais ab-surdos, ele faz o governo destinar verbas para suas "escolas de samba", cujas sedes são melhores que as escolas e os hospitais. Pode-se urinar, beijar e fazer outras coisas na rua em cidades cujas vias públicas são finalmente destinadas a nós, seus cidadãos – essas ruas que, sem os nossos mortíferos automóveis, podem ser desfrutadas porque estamos num mundo sem donos e patrões.
Nada melhor do que a marchinha de Lamartine Babo, escrita em 1934, para mostrar o que o Carnaval diz do Brasil:
Quem foi que inventou o Brasil?
– Foi seu Cabral! Foi seu Cabral!
No dia 21 de abril
Dois meses depois do Carnaval!
Se o mundo diário nos obriga a pensar a festa como um resultado ou um prêmio, a música e o mito levam a ler o Brasil irre-mediavelmente marcado pelo Carnaval. Nele, a festa não depende do Brasil, mas, pelo contrário, é o Brasil que dela decorre. O compositor percebe como o Carnaval escapa do viés utilitário que só enxerga o mundo como controlado por partidos e classes sociais. Nessa sociedade que, até 1888, teve escravos, que até ontem teve imperadores e barões e, no seu período republicano, mais ditaduras do que regimes igualitários e livres, entende-se por que o Rei Momo vem periodicamente governar. Pois, mais do que festa, o Carnaval é o espelho pelo qual vemos a nós mesmos por meio da estética dos subordinados. Esses que amam o luxo e o enfeite adoram o exagerado e o invejável. E assim reproduzem seus superiores por meio da licença ampla concedida pela permissividade do ritual. Desse modo, abusam tanto quanto seus superiores o fazem no mundo diário, onde desfilam com suas falcatruas, mentiras e roubos da coisa pública, sem ser punidos.
Penso, pois, que o Carnaval põe o Brasil de ponta-cabeça. Num país onde a liberdade é privilégio de uns poucos e é sempre lida por seu lado legal e cívico, a festa abre nossa vida a uma liberdade sensual, nisso que o mundo burguês chama de libertin-agem. Dando livre passagem ao corpo, o Carnaval destitui posicionamentos sociais fixos e rígidos, permitindo a "fantasia", que inventa novas identidades e dá uma enorme elasticidade a todos os papéis sociais reguladores. Se Shakespeare nos visitasse, confirmaria seu famoso axioma segundo o qual o mundo é um palco. E descobriria, indo além de si mesmo, que, nesse cenário de tragédias, injustiças, sofrimento e reveses, a própria morte é convidada. Pois, no Carnaval, os homens desmorali-zam a morte, cantando e dançando com ela. Reafirmando o riso como nosso único consolo. Esse riso carnavalesco que cora-josamente permite rir de nossas próprias desgraças.
Liberdade de imprensa duplamente violada - PAULO BROSSARD
ZERO HORA - 27/02/12
É de ontem o conflito instaurado entre a chefe do governo argentino e a imprensa daquele país ou com a parte que se insurgiu contra a unanimidade jornalística, que se pretendeu impor em relação aos meios de comunicação. A situação de bom convívio se manteve até o chamado "tarifaço agrário" decretado pelo governo de Cristina Kirchner; não há quem ignore a importância do segmento agrícola, abrangente do pecuário, naquele país e o relevo da questão criada; o complexo capitaneado pelo jornal Clarín, o mais importante da Argentina, tomou o partido do mundo rural e daí o seu afastamento do governo. A partir desse momento, o Grupo Clarín passou a ser estigmatizado e, não tardou o dia, foi em fins de dezembro, que 200 fiscais fazendários, de inopino, invadiram a TV a cabo do grupo, levando consigo documentos da empresa. Não durou muito, o Senado aprovou projeto declarando de "interesse público" a fabricação, comercialização e distribuição de papel-jornal. Ocorre que o papel-imprensa era fabricado por uma só empresa que abastece 75% dos consumidores, 172 jornais em todo o país. Vale salientar que dessa empresa o Grupo Clarín possuía 49% das ações, o La Nación era titular de 22%, a República Argentina, 27,5%, e o restante 1,5%, pequenos acionistas. Mas, com a iniciativa de batizar o papel-imprensa como de "interesse público", proibiu que empresas jornalísticas possuíssem ações do Papel-Prensa. Ora, o mais acanhado observador não custaria a concluir que o Grupo Clarín ficava com seus dias contados e, faz dias, foi divulgada a notícia de que o maior jornal da nação suspendera dois suplementos em suas edições dominicais por falta de papel... O caso não é novo. A própria Argentina já conheceu coisa parecida; quando o peronismo começava também sua guerra contra a imprensa e seus grandes jornais, La Nación e La Prensa figuravam entre os maiores e melhores do mundo; o resultado está à vista de qualquer do povo.O que está acontecendo na Argentina, mutatis mutandis, aconteceu também no Equador; um no sul do continente, de costas para os Andes e voltado para o Atlântico, outro, voltado para o Pacífico, deixando os Andes para o lado, ou seja, um fenômeno no Sul, outro de igual natureza no Norte. Ambos antológicos. No Equador, uma ou duas pessoas, referindo-se ao presidente Correa, disseram-no ditador. Certa ou equivocada, tratava-se de mera opinião, errônea ou luminosa. Ora, entre milhares de pessoas, dificilmente não haveria algumas centenas a dizer o mesmo, com ou sem a intenção de ferir o bom nome do alvo, mas com o propósito de caracterizar a atuação de um governante, e com cujos atos não concordam. Procedimentos correntes em uma sociedade democrática. Pois bem, a pessoa ou pessoas que tenham assim se expressado foram condenadas a três anos de prisão e à condenação por danos morais da ordem de US$ 40 milhões!
Não conheço nação democrática que tenha legislação semelhante. Os presidentes Obama e Sarkozy são assim tratados uma vez por ano, senão mais, ou por mês, ou por semana, ou por dia, ou por hora, por motivos concludentes ou por meros preconceitos; quem não lembra de Churchill, até chegar a primeiro-ministro em 1940, era um dos homens mais malquistos da Inglaterra, e jamais se lembrou ele de ocupar-se dos que o desestimavam. E era Churchill.
Por falar em Churchill, não resisto em lembrar livro recente do professor Nigel Knight intitulado Churchill Desmascarado. Ao longo de 450 páginas, sustenta ele que nada fez de bom, de útil ou de belo. Tudo errado. As derradeiras palavras dizem tudo: "Foi Hitler que tornou Churchill uma figura histórica" da qual "nos lembramos de Churchill, acima de todo o resto, pela derrota de Hitler. Hitler, entretanto, é lembrado por si mesmo"!!!
Ora, a todas as luzes, o que está ocorrendo na Argentina e no Equador, pela desproporção das penas impostas, criminal e indenizatória, deixando de concluir que não são sanções dotadas de um mínimo de razoabilidade, e porejam sentimentos próprios de uma inimizade capital com a liberdade de imprensa. Os maus exemplos também se reproduzem e, quiçá, com abundância maior do que os bons. Este é o mal que, depois de tantos erros a propósito, começa a aparecer e deitar sementes, o que é perigoso para todos, e até de onde menos se espera. A liberdade de imprensa, escreveu Rui Barbosa, é a primeira das liberdades, só que há alguns que não a estimam.
O procurador não quer procurar - REVISTA VEJA
As autoridades se esforçam para continuar escondendo o conteúdo dos depoimentos da advogada que a máfia infiltrou no governo
Rodrigo Rangel
Há duas semanas, VEJA revelou que os ministros Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, agiram em sintonia com a máfia que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Em depoimentos prestados ao Ministério Público e à Polícia Federal, a advogada Christiane Araújo de Oliveira contou que, durante anos, manteve relações estreitas com ambos e usou essa intimidade para conseguir levar à frente ações de interesse da quadrilha para a qual trabalhava. Apesar da gravidade das acusações, registradas há mais de um ano em um arquivo de vídeo e outro de áudio, na ocasião nenhum procedimento de investigação formal foi aberto para apurar a denúncia. Pior que isso: uma parte do material - o áudio original no qual a advogada narra aos policiais os detalhes de seus encontros com as autoridades do governo e as atividades paralelas derivadas desses encontros - pode ter sido propositalmente escondida para evitar constrangimentos ao governo.
No áudio até agora desaparecido, Christiane conta detalhes, muitos deles sórdidos, a respeito do período em que conseguiu se infiltrar no governo a pedido da máfia. Entre muitas histórias impressionantes, a advogada confirma que, em 2009, entregou ao então advogado-geral da União, Dias Toffoli, material gravado clandestinamente que incriminava opositores do governo - versão confirmada em depoimento prestado recentemente à Policia Federal por Durval Barbosa, o chefe da quadrilha, que fez um acordo de delação premiada com a Justiça. Dias Toffoli nega que tenha recebido qualquer documento das mãos da advogada. Em conversas com colegas do STF, o ministro relatou que está sendo vítima de calúnia e que teria recebido do procurador-geral da República Roberto Gurgel a garantia de que não há nada nos depoimentos que o comprometa. Não é um comportamento apropriado para quem deveria zelar pelo interesse público: melhor seria se o procurador se empenhasse em descobrir por que as revelações da advogada ficaram escondidas por tanto tempo.
Na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a afirmar que "a suposta gravação informal (áudio) não consta de nenhum procedimento instaurado pela PF". O ministro não esclarece coisa alguma. O áudio desaparecido tem seis horas de conversas e existem algumas cópias dele guardadas, inclusive com pessoas da própria polícia. O ministério daria uma boa contribuição à Justiça se ajudasse a esclarecer por que o depoimento da advogada foi - e permanece - escondido na Diretoria de Inteligência da Polícia Federal. Mas, ao que parece, não é esse o objetivo. Na mesma nota, o ministro negou que tivesse recebido e visto o vídeo no qual a advogada explica suas relações com Gilberto Carvalho. Cardozo, inclusive, chegou a relatar o conteúdo do material a um assessor da presidente Dilma Rousseff, segundo fontes do Palácio do Planalto. Estranho o comportamento do procurador-geral da República. Estranho o comportamento do ministro da Justiça.
Há duas semanas, VEJA revelou que os ministros Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, agiram em sintonia com a máfia que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Em depoimentos prestados ao Ministério Público e à Polícia Federal, a advogada Christiane Araújo de Oliveira contou que, durante anos, manteve relações estreitas com ambos e usou essa intimidade para conseguir levar à frente ações de interesse da quadrilha para a qual trabalhava. Apesar da gravidade das acusações, registradas há mais de um ano em um arquivo de vídeo e outro de áudio, na ocasião nenhum procedimento de investigação formal foi aberto para apurar a denúncia. Pior que isso: uma parte do material - o áudio original no qual a advogada narra aos policiais os detalhes de seus encontros com as autoridades do governo e as atividades paralelas derivadas desses encontros - pode ter sido propositalmente escondida para evitar constrangimentos ao governo.
No áudio até agora desaparecido, Christiane conta detalhes, muitos deles sórdidos, a respeito do período em que conseguiu se infiltrar no governo a pedido da máfia. Entre muitas histórias impressionantes, a advogada confirma que, em 2009, entregou ao então advogado-geral da União, Dias Toffoli, material gravado clandestinamente que incriminava opositores do governo - versão confirmada em depoimento prestado recentemente à Policia Federal por Durval Barbosa, o chefe da quadrilha, que fez um acordo de delação premiada com a Justiça. Dias Toffoli nega que tenha recebido qualquer documento das mãos da advogada. Em conversas com colegas do STF, o ministro relatou que está sendo vítima de calúnia e que teria recebido do procurador-geral da República Roberto Gurgel a garantia de que não há nada nos depoimentos que o comprometa. Não é um comportamento apropriado para quem deveria zelar pelo interesse público: melhor seria se o procurador se empenhasse em descobrir por que as revelações da advogada ficaram escondidas por tanto tempo.
Na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a afirmar que "a suposta gravação informal (áudio) não consta de nenhum procedimento instaurado pela PF". O ministro não esclarece coisa alguma. O áudio desaparecido tem seis horas de conversas e existem algumas cópias dele guardadas, inclusive com pessoas da própria polícia. O ministério daria uma boa contribuição à Justiça se ajudasse a esclarecer por que o depoimento da advogada foi - e permanece - escondido na Diretoria de Inteligência da Polícia Federal. Mas, ao que parece, não é esse o objetivo. Na mesma nota, o ministro negou que tivesse recebido e visto o vídeo no qual a advogada explica suas relações com Gilberto Carvalho. Cardozo, inclusive, chegou a relatar o conteúdo do material a um assessor da presidente Dilma Rousseff, segundo fontes do Palácio do Planalto. Estranho o comportamento do procurador-geral da República. Estranho o comportamento do ministro da Justiça.
Estamos às ordens - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 27/02/12
Dilma ligou para Chávez assim que soube do novo tumor do presidente da Venezuela.
A presidente reiterou sua disposição de ajudar no que for preciso, caso o venezuelano decida se tratar no Brasil. Mas Chávez prefere continuar com o tratamento em Cuba.
Teje preso
Romário foi barrado rispidamente por um segurança no camarote da Grande Rio, sábado, no desfile das campeãs.
O Baixinho não teve dúvida: deu ordem de prisão ao valente. Mas prevaleceu a turma do deixa disso, e Romário curtiu em paz seu carnaval.
Outra de Romário...
Romário ofereceu R$ 3 milhões pelo Sítio do Dragão, em Nogueira, RJ, que pertenceu ao presidente João Figueiredo.
Nada feito. Os proprietários querem R$ 8 milhões.
NIKE GASTOU R$ 4 milhões para reunir Neymar, Ganso, Thiago Silva, Pato, Ronaldo, Mano Menezes, Anderson Silva, o rapper Emicida e Thiaguinho do ExaltaSamba num comercial que começa a ser veiculado hoje no YouTube. Confira Neymar em ação. O anúncio foi gravado em Milão e em São Paulo
Brasil não
A multinacional Sky está pedindo a seus assinantes para se manifestarem junto ao STF e à Ancine contra a nova lei que a obriga a programar meia hora de conteúdo brasileiro por dia.
Beata Nhá Chica
Teólogos do Vaticano, antes do carnaval, avaliaram milagre atribuído à mineira Nhá Chica, de quem Paulo Coelho é devoto, e deram parecer favorável à cura de um problema no coração da professora Ana Lúcia Meirelles Leite, de Caxambu, MG.
Uma comissão de médicos da Santa Sé já havia confirmado a cura. Agora, o processo de beatificação segue para os cardeais, e, depois, para o Papa. Amém.
Xumbrega
A Globo Livros lança em março “Pequeno dicionário da língua morta”, de Alberto Villas.
Trará palavras hilárias e curiosas que caíram em desuso, como... “ xumbrega”, cuja origem remonta a 1600 e que significa “coisa ruim, feia, mal-acabada”.
Feliz ano novo
Ainda sobre a ideia preconceituosa de que nossa gente bronzeada só começa a trabalhar depois do carnaval. Cimar Azevedo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, lembra que não se faz folia com preguiçosos:
— É preciso muita mão de obra — diz.
Aliás...
Azevedo afirma que, em janeiro, o carioca registrou a maior média de horas trabalhadas por semana no país.
Foram 40,6 horas, mais que São Paulo, que registrou 40,3.
As voltas que...
O canal português SIC Notícias, do portal Sapo, exibiu um balanço da presença de europeus no carnaval do Rio.
Além da constatação de que, por causa da crise, os turistas de lá vieram em menor número, todos os entrevistados chiaram dos preços no Rio — das diárias de hotel até o prato no restaurante. Um espanhol chegou a dizer: “O dinheiro está aqui. Por isso, tudo é caro para nós.” Veja só em http://bit.ly/AhMh66.
Meia bomba
Veja como a saúde no Brasil é doente crônica.
O hospital da Rede Sarah inaugurado por Lula no Rio, em maio de 2009, até hoje, não opera nem com 50% de sua capacidade. É pena.
Como se sabe...
O novo Into, inaugurado por Dilma, também.
Caso médico
Paulo Goulart, 79 anos, sofreu uma queda em casa, no Rio, e teve de deixar a peça “Abalou Bangu 2, a festa”, de Paulo Marinho, sucesso no Teatro dos Grandes Atores, na Barra.
Em seu lugar, já atuou no fim de semana Ernani Moraes, 54.
Clube dos 80
O coleguinha Alberto Dines, que dirigiu o “Jornal do Brasil” por 12 anos, entrou para o clube dos 80 anos, dia 19.
Vai comemorar a data num encontro com ex-companheiros do antigo JB, dia 10 de março, na Fiorentina, no Rio.
Samba no Sacopã
O TJ-RJ esclarece que o desembargador Jorge Luiz Habib, da 18a- Câmara Cível do Rio, apenas determinou o cumprimento da sentença, já transitada em julgado, da proibição do samba no Quilombo Sacopã.
A presidente reiterou sua disposição de ajudar no que for preciso, caso o venezuelano decida se tratar no Brasil. Mas Chávez prefere continuar com o tratamento em Cuba.
Teje preso
Romário foi barrado rispidamente por um segurança no camarote da Grande Rio, sábado, no desfile das campeãs.
O Baixinho não teve dúvida: deu ordem de prisão ao valente. Mas prevaleceu a turma do deixa disso, e Romário curtiu em paz seu carnaval.
Outra de Romário...
Romário ofereceu R$ 3 milhões pelo Sítio do Dragão, em Nogueira, RJ, que pertenceu ao presidente João Figueiredo.
Nada feito. Os proprietários querem R$ 8 milhões.
NIKE GASTOU R$ 4 milhões para reunir Neymar, Ganso, Thiago Silva, Pato, Ronaldo, Mano Menezes, Anderson Silva, o rapper Emicida e Thiaguinho do ExaltaSamba num comercial que começa a ser veiculado hoje no YouTube. Confira Neymar em ação. O anúncio foi gravado em Milão e em São Paulo
Brasil não
A multinacional Sky está pedindo a seus assinantes para se manifestarem junto ao STF e à Ancine contra a nova lei que a obriga a programar meia hora de conteúdo brasileiro por dia.
Beata Nhá Chica
Teólogos do Vaticano, antes do carnaval, avaliaram milagre atribuído à mineira Nhá Chica, de quem Paulo Coelho é devoto, e deram parecer favorável à cura de um problema no coração da professora Ana Lúcia Meirelles Leite, de Caxambu, MG.
Uma comissão de médicos da Santa Sé já havia confirmado a cura. Agora, o processo de beatificação segue para os cardeais, e, depois, para o Papa. Amém.
Xumbrega
A Globo Livros lança em março “Pequeno dicionário da língua morta”, de Alberto Villas.
Trará palavras hilárias e curiosas que caíram em desuso, como... “ xumbrega”, cuja origem remonta a 1600 e que significa “coisa ruim, feia, mal-acabada”.
Feliz ano novo
Ainda sobre a ideia preconceituosa de que nossa gente bronzeada só começa a trabalhar depois do carnaval. Cimar Azevedo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, lembra que não se faz folia com preguiçosos:
— É preciso muita mão de obra — diz.
Aliás...
Azevedo afirma que, em janeiro, o carioca registrou a maior média de horas trabalhadas por semana no país.
Foram 40,6 horas, mais que São Paulo, que registrou 40,3.
As voltas que...
O canal português SIC Notícias, do portal Sapo, exibiu um balanço da presença de europeus no carnaval do Rio.
Além da constatação de que, por causa da crise, os turistas de lá vieram em menor número, todos os entrevistados chiaram dos preços no Rio — das diárias de hotel até o prato no restaurante. Um espanhol chegou a dizer: “O dinheiro está aqui. Por isso, tudo é caro para nós.” Veja só em http://bit.ly/AhMh66.
Meia bomba
Veja como a saúde no Brasil é doente crônica.
O hospital da Rede Sarah inaugurado por Lula no Rio, em maio de 2009, até hoje, não opera nem com 50% de sua capacidade. É pena.
Como se sabe...
O novo Into, inaugurado por Dilma, também.
Caso médico
Paulo Goulart, 79 anos, sofreu uma queda em casa, no Rio, e teve de deixar a peça “Abalou Bangu 2, a festa”, de Paulo Marinho, sucesso no Teatro dos Grandes Atores, na Barra.
Em seu lugar, já atuou no fim de semana Ernani Moraes, 54.
Clube dos 80
O coleguinha Alberto Dines, que dirigiu o “Jornal do Brasil” por 12 anos, entrou para o clube dos 80 anos, dia 19.
Vai comemorar a data num encontro com ex-companheiros do antigo JB, dia 10 de março, na Fiorentina, no Rio.
Samba no Sacopã
O TJ-RJ esclarece que o desembargador Jorge Luiz Habib, da 18a- Câmara Cível do Rio, apenas determinou o cumprimento da sentença, já transitada em julgado, da proibição do samba no Quilombo Sacopã.
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