sexta-feira, novembro 04, 2011

JOSÉ SIMÃO - Socuerro! O grego virou churrasco!


Socuerro! O grego virou churrasco!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 04/11/11
 

E eu já disse que a Grécia quebrou de tanto prato que eles quebraram. A economia ficou um caco!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da República!
Um passinho à frente, por favor! O mundo já tem sete bilhões! E ninguém me toca há meses! Como disse uma amiga minha: "o mundo tem sete bilhões e ninguém me toca há meses!".
O mundo tem sete bilhões. E eu entrei num supermercado na Bahia e todas as caixas estavam grávidas. Rarará! O mundo tem sete bilhões. E o Papa ainda é contra a camisinha. Se o Papa é contra a camisinha, ele que não use!
O mundo tem sete bilhões porque não obedeceram aquela placa do Sesi: "Planejamento familiar, entrada pelos fundos". Rarará! O mundo tem sete bilhões. E todos tomam o metrô na Estação Sé?!
E o G20? Geme 20! Todo mundo gemendo: estourei o cartão, estourei o cartão! E a Grécia? Acabou a carne para o churrasco grego. Ao contrário: o grego virou churrasco!
E olha o que um cara escreveu no meu Twitter: "Estou adotando mulheres gregas em crise, faixa etária de 18 a 19 anos, entrar em contato pelo Twitter".
O último cara que teve essa ideia de adotar uma grega causou uma guerra que durou dez anos! Agora é apelar para os deuses. Pro Teseu, deus do tesão. E pro Zorba, deus da cueca. A Europa quer deixar os gregos de cueca!
E não se fala em zona do euro porque o euro tá uma zona. O euro transformou a Europa numa zona. O euro e o Berlusconi. Rarará! Boa notícia: devido à crise, Berlusconi adia seu CD de canções de amor! Amore Bunga Bunga. Eu e o euro, canções euróticas!
E a Dilma tá lá, firme, continua andando como caubói. Tiraram o cavalo e ela não percebeu! E todo mundo quer dinheiro emprestado do Brasil. Vão bater a carteira da Dilma!
E eu já disse que a Grécia quebrou de tanto prato que eles quebraram. A economia ficou um caco! E o Sarkozy tem de pagar a Venus de Milo que tá lá no Louvre! E a Angela Merkel tem de pagar o templo de Pergamon que foi parar em Berlim. Com aquelas estátuas. Umas bibas bombadas com o pingolim de fora!
Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno
Eu sou do tempo do camarão com arroz à grega!

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - Anatomia do poder e a crise mundial


Anatomia do poder e a crise mundial 
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS 
O Estado de S.Paulo - 04/11/11

A crise mundial é uma crise de poder, protagonizada pelos burocratas e políticos que comandam o mundo. Não é uma crise da sociedade, que não é livre na escolha dos burocratas e pensa ser livre na escolha dos políticos, mas, de rigor, apenas vota naqueles por eles mesmos selecionados, limitando o "cardápio" democrático.

Os burocratas, em parte concursados e em parte de livre indicação dos detentores do poder, buscam, de início, sua segurança pessoal, seu principal objetivo. A prestação de serviços públicos é um corolário não rigorosamente necessário e, decididamente, não o principal.

Dividem-se, os que integram a burocracia, em idealistas, conformados e corruptos.

Os primeiros - mais escassos -, uma vez no serviço público, pretendem servir, idealizam soluções, procuram melhorar a qualidade do que fazem e são, não poucas vezes, hostilizados, ostensiva ou silentemente, pelos demais.

Os conformados, como procuraram a própria segurança de vida, cumprem acomodadamente a sua função, sem maior dedicação, sempre contando com as benesses dos privilégios oficiais.

Já os corruptos - que não são poucos - buscam o enriquecimento, a qualquer custo, vendendo favores, às vezes até por "concussão", que é a imposição da ilicitude à sociedade, sem que esta dela se possa defender.

Os burocratas são, no mundo inteiro, uma classe em permanente expansão, criando funções, cargos, exigências, o que torna a máquina estatal cada vez mais pesada para a sociedade. Grande parte da crise mundial decorre dessa multiplicação burocrática, que transforma o Estado em carga tão onerosa sobre o povo que este mal pode sustentá-lo com seu trabalho e seus tributos.

Os políticos, por outro lado, também são divididos em três classes semelhantes.

Os estadistas - que são poucos - idealizam um futuro melhor para a nação, mesmo à custa de seu sacrifício pessoal.

Os que querem o poder pelo poder, acostumando-se à ilicitude dos meios como prática que, embora não desejada, a ela não se furtam para sobreviver.

E, finalmente, os que têm na política a maior fonte de enriquecimento, todos os seus atos políticos tendo um custo, quase sempre sob o pretexto de que os recursos se destinam a seu partido, mas que, na verdade, em grande parte vão para seu próprio bolso.

Não sem razão, em fins do século 19 Adolfo Wagner, no seu livro sobre economia política, mostrava que as despesas públicas tendem sempre a crescer. O próprio Orçamento de 2011 da União ofertou pouco mais de R$ 10 bilhões ao Bolsa-Família e pouco menos de R$ 200 bilhões para a mão de obra ativa e inativa da União!

Neste quadro, há de se compreender que, no Brasil e nos países desenvolvidos, a carga tributária é alta, pois determinada pela carga política e burocrática. A diferença é que, apesar de a carga brasileira ser semelhante à dos países mais desenvolvidos e bem maior que a de Estados Unidos, Japão, China, Índia e Rússia, os serviços públicos aqui prestados são muito piores. Vale dizer, a sociedade sustenta, com seus tributos, mais os privilégios dos detentores do poder do que o Estado prestador de serviços.

Ora, a crise financeira mundial - que é, fundamentalmente, uma crise da insensatez de todos os governos, por não controlarem o nível de sua dívida pública - tem nesse componente do custo burocrático e político um de seus mais agudos fatores, todos os governos devendo parcela considerável à sociedade poupadora, correspondente a elevados porcentuais do produto interno bruto (PIB), como nos Estados Unidos (quase 100%), na Itália (130%) e na maioria dos países, muito acima de 50%.

Acontece que o mercado financeiro não vive da moeda, mas da confiança de que a moeda aplicada em crédito será adimplida pelo devedor. Quando o devedor é um país, o dinheiro emprestado é quase todo aplicado, bem ou mal. Suas reservas são sempre inferiores ao seu endividamento global. A confiança de que, se exigido, poderá honrar os créditos tisnados é que mantém o sistema. Quebrando-se, todavia, a confiança, quebra-se o sistema, interligado por força da velocidade de circulação da moeda e do crédito, em que os ativos financeiros existentes são consideravelmente superiores ao PIB mundial.

Neste quadro, a falência de confiabilidade da Grécia está levando ao desequilíbrio do sistema, pois se percebe que a Irlanda, Portugal, a Espanha, a Itália e, talvez, até a França têm problemas que se podem agravar, tornando o "calote" oficial um desastre universal, principalmente se algum dos países em crise não aceitar a contenção de despesas, por manifestação plebiscitária, provocando o abandono do euro. A busca por imposição de perdas ao sistema financeiro, sem torná-lo inviável, é o único recurso para solucionar a crise de imediato, com o menor abalo possível na vida econômica e social dos povos, mormente quando esta atingir os países emergentes e menos desenvolvidos, que evoluíram no boom de 2003 a 2008 - evolução que, embora o presidente Lula tenha atribuído a seu governo, a verdade é que o País cresceu menos que os demais grandes emergentes, beneficiários daquela expansão.

Neste quadro, o desinchaço das máquinas burocráticas, a única forma de serem superadas as crises, é uma imposição mundial e, no Brasil, algo difícil de ocorrer, porque atingiria burocratas e políticos, os grandes beneficiários desse inchaço.

Só mesmo com uma pressão, à evidência, sem as violências e selvagerias da primavera árabe, mas do povo sobre os governantes, por suas instituições privadas mais respeitáveis, poderia, a meu ver, começar a revisão do quadro, em que a eficiência e a moralidade se tornariam os únicos atributos exigidos para os que pretendam exercer o poder.

ELIANE CANTANHÊDE - O mundo dá voltas


O mundo dá voltas 
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 04/10/11

BRASÍLIA - O mundo efetivamente dá voltas. Houve um tempo longínquo em que o Brasil era um oásis para portugueses que não tinham onde cair mortos. Houve um tempo, até recente, em que Portugal foi um oásis para os brasileiros sem perspectiva -de renda e de vida. E eis que, com a crise econômica internacional, a direção da migração volta a se inverter. E traz problemas.

Nos anos de crescimento europeu, os dentistas brasileiros emigravam para Portugal, onde sofriam restrições e perseguições. Agora, com o crescimento brasileiro (apesar da queda nas previsões) e a crise na Europa, são os engenheiros, arquitetos, advogados e pilotos portugueses que sofrem constrangimentos, principalmente de ordem legal, mas também de ordem corporativa, para trabalhar em suas áreas no Brasil.

Esse foi um dos temas da conversa entre Dilma e o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, numa passagem-relâmpago dele por Brasília. E já há uma comissão dos dois governos tratando da questão, que interessa a centenas, talvez milhares, de profissionais de nível superior. Portugal, que já exportou garçons e faxineiras para Alemanha, Suíça e Áustria, hoje espanta mão de obra qualificada para o Brasil, um porto razoavelmente seguro.

Levantamento do Ministério da Justiça, publicado por "O Globo", mostra que o número de estrangeiros estudando, trabalhando ou acompanhando seus parceiros superou, pela primeira vez em 20 anos, o de brasileiros que foram viver no exterior.

Ou seja: em vez de só os brasileiros tentarem uma vida melhor no Primeiro Mundo, cidadãos dos países ricos e também (ou principalmente) da América Latina, da África e da Ásia fazem o caminho inverso.

Convém discutir seriamente a questão da mobilidade nesses tempos de globalização. Hoje, eles é que precisam entrar aqui. Amanhã, somos nós que precisaremos entrar lá de novo. Nunca se sabe...

REGINA ALVAREZ - Vai ou racha


Vai ou racha
REGINA ALVAREZ
O GLOBO - 04/11/11

Ontem foi mais um dia tenso na Europa por conta do fator Grécia como entrave a uma saída para a crise da zona do euro, mas ficaram mais claras as posições e os temores de cada um dos lados. O primeiro-ministro grego, George Papandreou, recuou em relação ao referendo e disse que o único jeito de a Grécia continuar na zona do euro é aderindo aos termos do plano de socorro aprovado na semana passada.

Reconheceu, portanto, que não existe uma terceira via: ou a Grécia aceita o plano ou abandona o bloco, exatamente na linha dos discursos inflamados de Nicolas Sarkozy e Angela Merkel no dia anterior.

A decisão do primeiro-ministro de convocar um referendo popular para aprovar o plano de socorro, que traz embutido um rigoroso programa de ajuste, esgarçou as relações dos gregos com os demais líderes europeus. E colocou na mesa a possibilidade concreta de a Grécia abandonar a zona do euro. Mas no fundo ninguém deseja que isso aconteça, porque os dois lados sairiam perdendo.

Para a Grécia, não tem saída possível sem dor, mas deixar o bloco pode acarretar prejuízos ainda maiores do que permanecer e adotar o remédio amargo do ajuste, com corte nos gastos, perda de emprego e renda.

A conseqüência imediata da saída, na visão de especialistas, seria um calote generalizado da dívida grega. O país passaria a adotar a dracma como moeda e não teria como honrar as dívidas em euro.

— A percepção é que terão um default generalizado e desordenado. Com isso, o temor sobre bancos aumenta, assim como as dúvidas em relação a outros países, principalmente a Itália — observa o economista Roberto Padovani, da Votorantim Corretora.

A economista Monica de Bolle, da Consultoria Galanto, compara a situação da Grécia fora da zona do euro com a da Argentina, quando desvalorizou a moeda. A população empobreceu, mas o nosso vizinho ainda conseguiu tirar vantagem da desvalorização, aumentando as exportações para a Europa, que estava em boa fase de crescimento. A Grécia nem teria essa vantagem, pois exporta a maior parte dos produtos para a zona do euro, que agora está em declínio completo.

— Os gregos estão se questionando se tem sentido se manterem no euro, mas a saída seria muito dolorosa — destaca.

Se para a Grécia tudo indica que o menos pior é permanecer na zona do euro, o mesmo vale para os demais países do bloco.

— Se a Grécia sair do euro e afundar, as chances de carregar a Itália são muito grandes, e aí a crise será de proporções sem precedentes — prevê.

Contágio não se controla, ressalta. E o calote desordenado da dívida grega afetaria profundamente os bancos franceses, atingindo em cheio o bloco europeu.

Na visão da economista, por trás desse ultimato dado à Grécia pelos líderes Sarkozy e Merkel existe um enorme temor que o país deixe o bloco em um momento tão delicado, causando todo esse estrago.

Sem noção
Da Europa, onde vive um período sabático, o professor Antônio Buainain, do Instituto de Economia da Unicamp, observa a reação da população à crise. Ele conta haver um descompasso entre as manchetes dos jornais e o que escuta nas ruas de motoristas de táxi, jovens na universidade e colegas de profissão. Buainain — que está na Espanha, mas já passou por Itália e Portugal — diz que não sente temor em relação aos efeitos da crise da Grécia, mas um forte descontentamento com os governos e com as medidas tomadas para combater a crise.

— O que as pessoas cobram é a continuidade da situação que alcançaram com base no endividamento, no gasto público mal dirigido, na construção de infraestrutura que não eleva a produtividade da economia.

Bola da vez
O gráfico abaixo dá o tom da desconfiança do mercado em relação à Itália, o que coloca o país na posição de bola da vez no caso de a Grécia afundar na crise. A dívida elevada e a incerteza política que dificulta o ajuste fiscal só aumentam o temor do mercado, que cobra um preço cada vez mais alto pela rolagem da dívida italiana

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Trabalho formal pode custar 133% mais
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 04/11/11

Um dos setores que concentram grande parte das denúncias de trabalho degradante, o varejo têxtil levantou dados que apontam um custo do trabalhador formal às confecções mais que o dobro de um informal. Estudo encomendado pela ABVTEX (associação do varejo) à Fipe mostra que nas confecções da região metropolitana de São Paulo, o custo do salário para o empregador formal, por funcionário, chega a ser 133,22% mais. "O estudo empírico diz que se pode chegar a esse acréscimo para empresas que usam o regime de lucro real", diz Gabriela Borger, da Fipe.

O levantamento também aponta que trabalhadores informais têm ganho líquido de 9,2% a 27,3% a mais que os funcionários registrados. O ganho dos informais é aliado à quantidade de peças produzidas, ao contrário dos formais, cujo salário é fixo. É também esse tipo de operário, porém, que costuma aparecer em casos de trabalho análogo à escravidão. "Na remuneração por peça, eles recebem mais, por isso trabalham mais", diz José Guzzardi, da ABVTEX. "É uma análise simplista. O informal não tem férias, 13°. É explorado. Não há como comparar o profissional liberal que opta por ser autônomo com isso", diz a procuradora Catarina Von Zuben, do MPT da 15ª região.

Os limites de faturamento para o Simples e o lucro presumido estimulam pulverização em micro e pequenas confecções e podem propagar informalidade, diz a entidade.

TEMPO PERDIDO
As empresas de internet e de TV a cabo são as que mais fazem os brasileiros esperarem em casa para ser atendidos, de acordo com levantamento Zogby/Ibope. Entre as pessoas que disseram já ter aguardado por algum tipo de serviço, 66% relacionaram o problema com companhias de banda larga e 48%, de TV paga.

"O resultado é parecido com o de outros países, como EUA e Alemanha. As companhias desse setor não têm a tecnologia necessária para avisar o horário em que chegarão", diz Yuval Brisker, fundador da TOA Technologies, que encomendou o estudo. O número de clientes que indicariam a empresa para amigos cai de 45% para 9% com o atraso de 15 minutos ante o horário combinado. A impontualidade de mais de uma hora na chegada dos funcionários que realizariam o serviço representa 95% de insatisfação na clientela. Além do Brasil, onde foram ouvidas mil pessoas, a pesquisa também foi realizada na Alemanha, nos EUA e no Reino Unido.

ÍNDICE ENERGÉTICO
A plataforma eletrônica de negociação de energia elétrica Brix vai lançar o Índice Brix Convencional PLD + Prêmio, que a partir do dia 10 será calculado diariamente. Será divulgado o valor do prêmio praticado nos contratos negociados entre agentes do ambiente de contratação livre no mercado spot. O mercado livre representa os grandes consumidores de energia. O prêmio é um componente do preço que se soma ao PLD (preço técnico) e resulta no preço real da energia. O número não era facilmente conhecido até então e deve trazer mais transparência às negociações, segundo a empresa. "O prêmio pode variar. Em setembro, chegou a superar o próprio PLD", diz Marcelo Mello, CEO da Brix. O índice calcula a média ponderada das operações negociadas na plataforma diariamente com vencimento no mês, para o submercado Sudeste/Centro-Oeste.

TREM FRANCÊS
Uma comitiva de 22 empresários e políticos da região de Lille, norte da França, chega amanhã a São Paulo para avaliar as possibilidades de negócio com o Brasil. Os franceses dessa região, responsáveis por 60% da produção da indústria ferroviária do país europeu, pretendem investir no setor de transporte. "Nossa prioridade é o Rio de Janeiro", diz Luc Doublet, presidente internacional da câmara comercial de Norte-Pas-de-Calais.

Competitividade Representantes dos trabalhadores do setor químico se reúnem hoje pela manhã em Brasília com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) para discutir medidas contra a desindustrialização.

MAIS BRITÂNICOS
A Burberry coloca mais gás em suas vendas no Brasil no ano que vem. A grife britânica já fechou a abertura de mais duas lojas no país: a primeira será inaugurada em abril, no Shopping Iguatemi JK, em São Paulo, e a segunda unidade, em novembro, no Shopping Village Mall, no Rio de Janeiro. Há dois meses, a Burberry se estabeleceu no Brasil com um novo escritório, nos padrões de Londres, e trouxe para o país um time de profissionais responsáveis pela gestão da marca na América Latina, segundo a empresa. Com duas lojas abertas no Brasil, no Shopping Iguatemi São Paulo e no Shopping Iguatemi Brasília, a empresa abre no próximo domingo a sua terceira butique, desta vez no Shopping Pátio Higienópolis, de SP. Será a primeira unidade a vender a linha infantil da grife do Reino Unido.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Crescimento menor com Dilma


Crescimento menor com Dilma
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
folha de sp - 04/11/11

O crédito na economia, que cresceu a dois dígitos em 2007/8, vai crescer de forma mais lenta daqui por diante


Pretendia hoje refletir sobre a situação na Europa, depois da aprovação do novo pacote de medidas para enfrentar a crise na zona do euro. Estava relativamente otimista, pois as decisões tomadas superaram as expectativas dos analistas. Como sou adepto da teoria de que para enfrentar um problema estrutural que depende de consenso político é preciso fatiá-lo e resolvê-lo ao longo do tempo, estava confiante.

Mas a decisão do primeiro-ministro grego de levar a questão da adesão ao pacote a uma consulta popular voltou a tornar instável o futuro imediato do euro e a pressionar os governos por uma nova rodada de medidas. A ameaça grega recolocou a Itália na berlinda, provocando nova rodada de aumento no risco político associado a seus títulos soberanos de crédito. Por sorte, essa nova rodada de pânico nos mercados acontece quando os governantes do G20 estão reunidos em Cannes para um de seus encontros formais periódicos.

Talvez seja boa oportunidade para chegar a um entendimento para trazer novos recursos, externos à Europa, para aumentar o poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Mas as decisões do G20 e do Parlamento grego só serão conhecidas depois de ter escrito minha coluna.

Por isso, aproveito para tratar de outra questão que tem dominado o debate econômico no Brasil nos últimos dias: o enfraquecimento mais acelerado da economia, principalmente no segmento da indústria. Segundo projeções da equipe de economistas da Quest, ela não vai crescer em 2011. O crescimento do PIB também deve apresentar resultados mais modestos neste ano.

A desaceleração da economia está sendo maior do que eu esperava. E não se pode jogar a culpa na crise externa, pois seus efeitos no Brasil ainda são muito pequenos e contraditórios. Por exemplo, em relação à inflação, o cenário externo tem tido efeitos benignos via preços das commodities. Por isso, alguns fatores internos, menos conhecidos, devem estar afetando nossa economia.

Uma primeira hipótese que venho trabalhando há alguns meses é a de que forças expansionistas temporárias, que atuaram no segundo mandato de Lula, estão perdendo força.

Um exemplo é o crescimento do crédito, que chegou a dois dígitos em 2007/8 e hoje está na faixa de 6,8%. Em 2007, o total de crédito na economia estava muito abaixo dos padrões internacionais; hoje, principalmente no financiamento de bens duráveis, já está em níveis compatíveis ao de economias mais avançadas e vai crescer bem mais lentamente daqui por diante.

Outro exemplo do esgotamento do crescimento do consumo via crédito pode ser encontrado na chamada classe média emergente. Esses brasileiros que, ao longo dos últimos anos, passaram a ter acesso ao crédito via bancos ou grandes varejistas, já enfrentam problemas para honrar seus compromissos, mesmo com os salários crescendo a taxas reais de cerca de 3% ao ano. Como não temos a incorporação de novos membros das classes de renda mais baixa por total falta de qualificação profissional, esse impulso no consumo tende a desaparecer.

Finalmente, a concorrência das importações também joga a favor de um crescimento mais modesto. Nos anos passados, mais importações representaram válvula de escape contra a inflação via maior oferta de bens; hoje, afetam também o crescimento da indústria.

A tabela ao lado mostra os sinais claros de crescimento mais fraco sob Dilma quando comparado com o segundo mandato de seu criador.

MOISÉS NAÍM - Latino-americanização da Europa


Latino-americanização da Europa
MOISÉS NAÍM
FOLHA DE SP - 04/11/11

Qualquer sugestão de que havia lições a tirar de crises na América Latina era rejeitada pelos europeus


Algumas semanas atrás, participei de uma reunião em Bruxelas que coincidiu com a cúpula em que líderes europeus traçaram o plano para estabilizar o velho continente. Também por coincidência, muitas das delegações à cúpula estavam hospedadas no hotel em que minha reunião -que não era ligada à cúpula- estava tendo lugar.
Inevitavelmente, ao final do dia ou durante o café da manhã, vários colegas e eu conversávamos informalmente com amigos que trabalham nas equipes técnicas que dão apoio às negociações de alto nível.
As histórias, a ansiedade e a exaustão deles (trabalhavam sem parar havia vários meses) trouxeram de volta muitas memórias: numa carreira anterior, eu estive envolvido em um processo semelhante em meu próprio país, a Venezuela, e depois trabalhei no Banco Mundial e estive próximo de negociações semelhantes em outros países.
Em Bruxelas, fiquei fascinado com as semelhanças entre a crise europeia e as que testemunhei no passado. Mas fiquei ainda mais surpreso ao constatar que as autoridades europeias ignoravam as experiências de outros países com crises.
Qualquer sugestão de que poderia haver lições úteis a tirar das crises de dívida latino-americanas era rejeitada educadamente, mas com firmeza. "A Europa é diferente" foi a reação automática deles. "Temos o euro; nossas economias e sistemas financeiros são diferentes, assim como nossa política e cultura."
Isso tudo é verdade. Mas há outras realidades que também são verdade. Entre 1980 e 2003, a América Latina sofreu 38 crises econômicas, e a região -suas autoridades, os reguladores e, sim, até mesmo o público e os políticos- aprendeu com esses episódios dolorosos.
Talvez a lição principal seja o que eu chamo "o poder do pacote". O "pacote" é um conjunto abrangente, maciço, digno de crédito e sustentável de medidas, que não oferece só cortes e austeridade, mas também crescimento, redes de segurança social, reformas estruturais, empregos e esperança para o futuro.
Decisões econômicas fragmentadas, tomadas em partes e frequentemente contraditórias não funcionam. Elas são muito tentadoras, porque criam a ilusão de uma solução que evita as medidas mais impopulares. Mas, mais cedo do que tarde, a realidade teima em mostrar que as medidas parciais não estão funcionando, que se desperdiçaram tempo e dinheiro e que outra coisa se faz necessária.
E essa outra coisa é o pacote abrangente, que inclui remédios fortes para todos os males que afetam a economia: dívida demais, gastos governamentais demais, bancos insuficientemente capitalizados, supervisão ineficiente, políticas fiscal e monetária não coordenadas, baixa competitividade internacional e regras que inibem o investimento e a geração de empregos.
Quando críticos descrevem a crise europeia como sendo "semelhante à latino-americana", pensam na América Latina que sofreu as crises, não na que sabe como evitá-las.
Hoje, a maioria dos países latino-americanos tem economias em crescimento e bancos sólidos. O que desejamos para a Europa é que suas economias comecem a assemelhar-se mais às da nova América Latina e menos às da velha Europa.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não tem por que ir para enfrentamento, iria estraçalhar a militância”
SENADORA MARTA SUPLICY (PT), AO ACATAR ORDEM DE DILMA DE SAIR DA DISPUTA EM SP

ACIDENTES DE TRÂNSITO MATAM MAIS NO PARÁ 
Os brasileiros morrem cada vez mais em acidentes de trânsito, e o Pará lidera, proporcionalmente, o ranking da tragédia: entre 2009 e 2010, cresceram 29%, saltando de 1.044 para 1.351 os casos de morte em acidentes com transportes. O levantamento é do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No total, 40.610 pessoas morreram assim em 2010. Em 2009, foram 37.594.

RANKING DA MACA 
Também lideram o ranking de mortos em acidentes de trânsito o Ceará (27% a mais), Amazonas (26%), Bahia e Rondônia (ambos 21%).

ALERTA VERMELHO 
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) tem se mostrado muito preocupado com a crescente venda de motos em todo o Brasil.

CIDADE DAS MOTOS 
Em Araripina (PE), há 13 mil motos para 80 mil habitantes – uma para cada 6 pessoas. Média de 120 acidentes por mês, com até 4 mortes.

PERIGO NA PISTA 
Pelos dados preliminares do governo, há suspeita de que metade dos condutores de motocicletas no País não têm habilitação.

RECEITA DE OLHO NO ITAÚ 
O lucro de R$ 10,9 bilhões anunciado pelo Itaú Unibanco foi uma conquista e tanto. Mas uma avaliação cuidadosa dos números indica que o balanço sofreu grande ginástica tributária. O volume de impostos pagos no ano caiu 64% – em dinheiro, R$ 2,5 bilhões (queda de R$ 3,9 bi para R$ 1,4 bi). Não fosse isso, o lucro ficaria bem distante do que foi celebrado. A Receita sabe disso e acompanha com olhos de lince.

SACOLEIROS CHIQUES 
Ônibus de turismo de compra de Blumenau (SC) e região, com destino a São Paulo, são acompanhados por dois carros com seguranças.

GASTANÇA 
O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) gastou bem acima da média, em março, na conta de sua verba de representação: R$ 61 mil.

INTERVALO 
Que não se perca pelo nome o novo presidente da EBC, também conhecida como TV do Lula, ou TV Traço: Nelson Breve.

DIAMANTE NEGRO 
Pelé será garoto-propaganda da empresa europeia Iris-Gem, que transforma mecha de cabelo em diamante, por meio de sofisticada manipulação da queratina. O jornal português Expresso diz que o ex-craque dará o diamante à mãe, dona Celeste. Mas ela já o fez.

TUCANOS REPROVADOS 
Acostumados a realçar as gestões de seus líderes em Minas Gerais, os tucanos não esperavam por essa. O TRE reprovou suas contas de 2007. O PSDB ficará dois meses sem os repasses do fundo partidário.

DESMEMORIADOS 
A maconha deve afetar a memória da turma que ocupa prédios da USP contra a vigilância da PM, ignorando dois jovens mortos no campus. Edison Tsung Chi Hsueh, por “afogamento mecânico”, em 1999, durante trote. E Felipe Paiva, assassinado em maio no estacionamento.

CAVACO VEM AÍ 
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, participará do jantar comemorativo, na Hípica Paulista, em São Paulo, pelos 99 anos da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, no próximo dia 27.

CUIDADO COM ELE 
O site Decolar.com oferece opções de voos que não existem, demora 48 horas para confirmar a compra e depois informa que o cartão de crédito foi “recusado”. Até descobrir isso, o otário perde a viagem.

COISA DE PELEGOS 
A Cia Energética de Pernambuco (Celpe) informa que a terceirização de mão de obra não atrapalha os serviços nem o abastecimento de energia. Pelo contrário. A tentativa de demitir terceirizados é insistente proposta dos sindicatos interessados em engrossar suas
fileiras.

JEITINHO BOLIVIANO 
Diz a imprensa local que o cocaceleiro Evo Morales busca alternativa para a rodovia Cochabamba-Beni, evitando “área ambiental”, como exigem os indígenas. Terá que honrar os US$ 332 milhões do BNDES.

PISTA LIVRE 
O Senado perdeu o caminho da economia. Os carros Renault Fluence, comprados para substituir os Marea da Fiat, além de mais caros, fazem só 7km/litro. O Marea fazia 10km/litro, e a manutenção é mais barata.

DIAGNÓSTICO 
Do presidente do Inca, dr. Luiz Santini: “Se Lula viesse se tratar aqui, a primeira piada seria: ‘Olha lá, já começou furando a fila’”. 

PODER SEM PUDOR
FONTES SECRETAS 
O então ministro da Justiça Tarso Genro assumira a presidência do PT, logo após o escândalo do mensalão, e era entrevistado, na Rádio CBN, quando o âncora Estevão Damásio resolveu testar o bom humor do político gaúcho:
– Como o PT fará, agora, para arrecadar recursos para suas campanhas?
A reação de Genro foi de surpresa:
– Isto é pergunta que se faça?
Depois, ambos caíram na gargalhada.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Grécia decide hoje o seu futuro na União Europeia

Folha: Grego recua de consulta; Obama cobra 'corta-fogo’

Estadão: Ultimato faz premiê grego desistir de referendo

Correio: STF bate o martelo: Beber e dirigir é crime

Valor: Resposta do FMI à crise pode atingir US$ 1 trilhão

Jornal do Commercio: Estado vai reforçar línguas estrangeiras

Zero Hora: Dilma propõe solução global com Bolsa-Família financiada por CPMF

quinta-feira, novembro 03, 2011

ANCELMO GOIS - Bigode do Sarney


Bigode do Sarney
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 03/10/11

Aberta a temporada de enredos gaiatos de blocos para 2012, o Vem Cá Me Dá, da turma da Barra, no Rio, escolheu o dele.
Será “Na faxina do governo, a vassoura é... o bigode do Sarney!”. Diz a sinopse: “Dá para falar em faxina com Sarney, Jucá, Collor e Renan na base aliada? Se chamassem de lipoescultura, tudo bem.” Faz sentido.

Te cuida, Petrobras
A China, sempre ela, pode vir a ser uma das maiores investidoras no nosso pré-sal, caso se confirme o aporte de 2 bi de euros da Sinopec na subsidiária brasileira da portuguesa Galp.
A Galp é sócia da Petrobras no gigante Campo de Lula (exTupi). A Sinopec já havia adquirido 40% da Repsol Brasil por US$ 7,1 bi.

Moqueca à Cacciola
Alberto Cacciola, 67 anos, o ex-banqueiro, em liberdade condicional, comprava peixe ontem de manhã no Mercado São Pedro, em Niterói, acompanhado de um sujeito que parecia seu segurança. Bom apetite.

Niemeyer cutuca
Mestre Oscar Niemeyer, que faz 104 anos dia 15 de dezembro, descobriu o... Facebook.
O genial arquiteto está encantado com uma página sobre Brasília criada no site pela neta Ana Lúcia, diretora da Fundação Oscar Nimeyer no DF.

Noel poliglota
Com o Rio coalhado de turistas, o Shopping Leblon contratou um Papai Noel... poliglota.
Acredite. O Bom Velhinho, além de português, fala inglês, espanhol, italiano e alemão.

O guarani
Manuscritos inéditos de José de Alencar (1829-1877), o grande romancista cearense, autor de “O guarani”, serão digitalizados.
São 29 textos. Entre as raridades, seu primeiro romance, “Os contrabandistas”, que não concluiu. O projeto é da Petrobras.

Revirada de Lula
Noca da Portela compôs um samba sobre esse momento difícil de Lula para dar de presente ao ex-presidente.
Chama-se “Revirada”. Noca vai entregar à dona Marisa.

Ponte dos suspiros
Do escritor e coleguinha Ruy Castro, após amargar voos atrasados, fundidos e cancelados em horas de espera no Santos-Dumont e em Congonhas:
— Rio e São Paulo são cidades separadas pela... ponte-aérea.
Alô, Infraero!

Roma, cidade aberta
Acredite. O valor da taxa de embarque nos aeroportos privatizados da Itália está quase igual ao preço da passagem.
Uma brasileira pagou R$ 1.688,99 por um bilhete Roma-Rio da Air France e ainda teve de deixar R$ 1.012,42 de taxa.


‘ManGAYra’
Uma turma LGBT organiza uma parada gay na Mangueira. Vai se chamar... “ManGAYra”.
O alegre cortejo sairá pela Rua Visconde de Niterói, dia 13, com a bateria da escola, e acabará numa festa em frente à quadra. A concentração é às 15h.

Aliás...
A 8a- Câmara Cível do Rio derrubou uma multa de uns R$ 2,5 milhões, por “desrespeito de contrato”, que a AmBev cobrava da Mangueira.
É que, em 2010, a empresa não teria entregado cerveja para um evento na escola, que, então, passou a vender outra marca.

Rei Casseta
Campeão na Beija-Flor este ano, Roberto Carlos voltará à Sapucaí em 2012. Mas... na pele de Hubert, do “Casseta e Planeta”, que o imitava no programa.
O “Rei” gaiato sairá na Unidos da Tijuca, convidado pelo carnavalesco Paulo Barros, que levará vários reis à avenida para celebrar Luiz Gonzaga, seu enredo.

Calma, gente
Ontem, por volta de 3h, um suposto marido traído saiu enfurecido da boate Gente Fina, na esquina das ruas General San Martin e Carlos Góis, no Leblon, no Rio, e, aos berros, ofendia a mulher: “Piranha! Vagabunda!”
Vizinhos, acordados pela confusão, gritaram das janelas: “Cala a boca, corno! Corno histérico!”

Cena carioca
Um velho Aero Willys, todo enxuto, trafegava outro dia a uns 60km/h, na Avenida Brasil, com o seguinte adesivo: “Respeite os mais velhos.”
Eu concordo.

TÂNIA KHALILL, a linda atriz que brilha em “Fina estampa”, a novela da TV Globo, dá uma bicota na filha Isabela, de
4 anos, em tarde de desfile infantil no Copacabana Palace

ÚRSULA CORONA,a formosa policial Elizabeth (prende eu) de “O astro”, da TV Globo, prestigia show do cantor sertanejo João Gabriel, no Lapa 40º

PONTO FINAL
Parceiro da coluna flagrou, em Edimburgo, Escócia, este cartaz numa loja. O texto anuncia uma promoção em que o freguês, se gastar 30 libras ou mais, ganha grátis um... “sporran”. Lá, “sporran” seria uma pequena bolsa de couro. Em Morro Agudo, é... deixa pra lá.

GOSTOSA


SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Fim da novela
SONIA RACY
O ESTADÃO - 03/11/11

Os minoritários da Schincariol fecharam acordo com a Kirin na terça-feira, conforme antecipado, anteontem, no blog da coluna. Isto é, os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol devem deixar de ser sócios da cervejaria nos próximos dias.

Pelo que se apurou, a empresa japonesa acertou pagar pouco mais de R$ 2 bilhões para chamar a Schin de “só sua”. Vale registrar que, pelo controle, a multinacional desembolsou R$ 3,95 bilhões em agosto. Pagos a Adriano e Alexandre Schincariol.

Família feliz, tudo pronto para nova etapa de vida.

Ponto para Sampa
O ministério de Miriam Belchior liberou R$ 16 milhões para a reforma do tradicional Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

Antonio Grassi, da Funarte, se prepara para a licitação.

Pra brasileiro ver
Ainda que os bancários resolvam, voluntariamente e de boa vontade, compensar os dias parados, não é viável cumprir todas as horas até o dia 15 de dezembro. 

Motivo? 
A reposição está limitada a duas horas por dia, de segunda a sexta-feira. E um bancário que trabalha oito horas e, por exemplo, fez 21 dias de greve, estaria devendo 168 horas.

Pra brasileiro 2
Se a compensação tivesse começado na segunda-feira passada, seria possível a compensação de somente 66 horas – 33 dias úteis multiplicados por duas horas.

Isso significa que nem se quiser, o funcionário conseguirá repor os dias parados.

Ganha o cinema
Em parceria com a K&C, Patrick Siaretta inova: montou um “funcine”, fundo de fomento à indústria cinematográfica.
E começou pra lá de bem: já tem R$ 30 milhões de capitalização, por meio de edital do BNDES, e está completando a captação de quantia equivalente.

O projeto replica o sistema americano de mini estúdios.

Abandono
Com quase 2.000 peças tombadas pelo Iphan se deteriorando, o Museu Arqueológico de Taquara, no RS, está fechado desde 2009. Tem um único funcionário, seu diretor.

A revista da Biblioteca Nacional vai denunciar.

Online
Julia Bacha publicou no site Just Vision quatro novos curtas-metragens. Parte da série Home Front – Portrait of Sheik Jarrat, são um retrato do bairro palestino de Jerusalém oriental, que assiste ao crescimento de assentamentos judeus.

SimCity
Durante a Bienal de Arquitetura de SP, que vai até 4 de dezembro na Oca, os visitantes poderão criar a própria cidade. De Lego.

Na frente
Susanna Lemann, Anita Besson Moraes Abreu, Robert Betenson e Martin Frankenberg pilotam festa de 10 anos de sua Matueté. Terça-feira.

Sergio Mindlin, do Conselho do Instituto Ethos, foi eleito Personalidade do Ano, pela revista A Rede.

A exposição 01143 Anual Arte abre segunda. Na Faap.

Luiz Gonzaga Belluzzo, Ricardo Young e Luiz Felipe D’Ávila falam sobre reforma política e voto distrital em evento do Fórum de Líderes. Dia 11, no Gran Estanplaza Hotel, em SP.

Eduardo Fischer oferece jantar, em sua casa, para homenagear o Fórum Global de Sustentabilidade SWU. Entre os convidados, Neil Young e Laís Bodanzky. Dia 11.

O Ibama- SP resolveu abrir processos administrativos contra servidores acusados de passar informações à imprensa. Detalhe: os dados dos processos são públicos e não correm sob sigilo.

Para deixar de fumar
Drauzio Varella está próximo de sua maior conquista. Vem se empenhando em uma grande campanha de mobilização popular para que fumantes deixem o vício. Uma semana antes de Lula ser diagnosticado com tumor na laringe – do qual o tabagismo é fator de risco –, o médico recebeu a coluna para falar sobre seu novo quadro no Fantástico, Brasil sem Cigarro. A estreia, domingo, acompanhará alguns personagens que querem parar.

Sobre o câncer do ex-presidente, nem uma só palavra: “Não comento casos de pacientes tratados por outros médicos. Acho antiético.”

Por que fazer uma campanha dessas agora?

Já conseguimos muito no Brasil. Baixamos o índice de fumantes, que era de 60% dos adultos acima de 15 anos na década de 60, para 16%. Fuma-se menos aqui do que nos EUA e em muitos países da Europa. E até o fumante que jura que não quer parar, na realidade quer, sim. Ele sabe que precisa deixar o vício. Comigo foi assim durante 19 anos.

E como decidiu parar?
Um dia, pensei: “Não tem mais cabimento fumar”. Nunca mais coloquei um cigarro na boca.

E o álcool?
O problema do cigarro é pior. A droga fumada é compulsiva. Não existem 16% de adultos alcoólatras no Brasil. O problema é grave, tem custo social alto, mas quem bebe com controle não é alcoólatra. Na outra mão, todos os fumantes são, necessariamente, dependentes de nicotina.

E os que dizem “não fumo mais, é só um cigarrinho de vez em quando”?
Isso não existe, porque ninguém se cura da dependência química. Quando para de fumar, vira ex-fumante. Mas a vontade sempre existirá.

Como deixar o vício?
É essencial estabelecer uma data, porque todo ex-fumante se lembra de quando parou. Nós escolhemos o dia 13 de novembro. Também é importante ter um pouco de controle sobre o próprio corpo. Comece cortando o número de cigarros pela metade. Depois, atrase, em duas horas, o primeiro cigarro do dia. Assim, o fumante começa a perceber que pode mandar no cigarro. Se consegue ficar duas horas sem fumar de manhã, por que não tentar um dia inteiro?

Quais os medos do fumante que quer abandonar o cigarro? Toda droga destrói o caráter do sujeito. Ele acha que não vai conseguir. Então, um grande medo é lidar com a ansiedade provocada pela crise de abstinência. Existe o medo de engordar, de perder a concentração. Ele quer parar de fumar e continuar feliz. Isso não existe. O organismo vai pedir o cigarro. A nicotina não vem sozinha, mas com quatro mil compostos diferentes. E a uma temperatura altíssima. Vai parar nos brônquios e alvéolos. E toda aquela fuligem não tem por onde sair.

EDUARDO CAMPOS - Uma bomba-relógio "made in China"



Uma bomba-relógio "made in China"
EDUARDO CAMPOS
VALOR ECONÔMICO - 03/11/11


As atenções estão voltadas ao encontro do G-20 e como lidar com a Grécia e suas peripécias. Mas, se ampliarmos um pouco mais o foco, há coisas acontecendo do outro lado do mundo com potencial destrutivo que, por ora, parece subavaliado.

Os últimos indicadores de atividade confirmam uma redução no ritmo de crescimento da China. Mas enquanto os economistas discutem se o monstro asiático terá um "pouso suave" ou "pouso forçado" eventos bastante interessantes passam quase despercebidos.

Entre eles, os alertas sobre um possível colapso do "shadow banking" chinês. Em recente relatório, economistas do Credit Suisse falaram sobre a possibilidade de problemas nesse obscuro mercado de empréstimos informal que funciona por lá e movimenta mais de US$ 620 bilhões.

Esse mercado de empréstimo paralelo tem diversas fontes, como "trade finance", a criação de "trusts" e até mesmo estatais com acesso a crédito barato, que funcionam como intermediários de empréstimos em um mercado que tenta burlar os limites na concessão de crédito impostos pelo Banco da China no mercado oficial.

Recente reportagem do "Financial Times" também chamou atenção para a questão, mostrando que empresas com excesso de caixa, como PetroChina e ChinaMobile possuem braços financeiros e apontou que mais de 64 empresas não financeiras emitiram empréstimos em 2011 até o fim de agosto (levantamento do diário China Economic Daily).

Não que o BC chinês não tenha conhecimento disso. De fato, algumas medidas para conter o crescimento desse mercado foram anunciadas recentemente. Mas para os analistas do Credit Suisse, o "shadow banking" chinês é uma bomba-relógio, com potencial destrutivo superior ao da crise de endividamento soberano europeu.

A questão fica mais complexa ao sabermos que mais da metade dos fundos gerados nesse sistema paralelo vai para o mercado imobiliário, onde poucos refutam a existência de uma bolha.

O mercado imobiliário tem cara de mania na China, país que nunca passou por um período de expansão imobiliária de tais proporções. A ideia que sempre alimenta as bolhas é que os preços vão subir para sempre (miopia do desastre). Mas os fatos começam a desafiar essa visão turva da realidade.

Os preços começaram a cair em algumas localidades e os compradores estão protestando. Isso mesmo. Semana passada centenas de mutuários protestaram contra a queda de preço de imóveis em Shanghai e outros lugares.

Segundo o China Business News, a redução da demanda leva a corte de preços de 20% em alguns empreendimentos.

O Shanghai Daily deu um exemplo bom do que está acontecendo e porque centenas de chineses estão invadindo empresas e stands de venda e exigindo restituições. Um empreendimento que custou cerca de US$ 2.600 o metro quadrado um ano atrás estava sendo vendido por 30% menos neste ano. Quem pagou preço cheio não está nada contente.

Isso sem falar nas notícias de gigantescos empreendimentos vazios e a existência de "cidades fantasma" em algumas regiões.

Fora do setor imobiliário, há a questão do endividamento das províncias, que também se refestelaram nessa farra de crédito intensificada após a crise de 2008, quando o BC chinês afrouxou seus controles.

Toda a exuberância chinesa dos últimos anos sustentou e ainda sustenta boa parte da economia mundial. Brasil inclusive, via explosivos preços de commodities (ganho nos termos de troca) e produtos de consumo barato (amenizando descompasso entre oferta e demanda).

Agora, o que aconteceria caso a China dobrasse sob o próprio peso? Como o Partido Comunista reagirá a uma típica explosão de bolha de crédito capitalista? Melhor nem pensar.

Para refrescar a memória depois do feriado: na terça-feira, o dólar teve novo pregão de firme alta. No mercado à vista o preço subiu 1,93%, para R$ 1,737. Em dois pregões a moeda americana já ganhou 3,15%.

No mercado de juros, as taxas fecharam praticamente estáveis. Falta incentivo para o investidor ampliar as apostas de corte na Selic. Por ora, os contratos sugerem três reduções de meio ponto percentual como "preço justo".

TUTTY VASQUES - Inveja do Zezé!


Inveja do Zezé!
TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 03/11/11

Chitãozinho e Xororó teriam chegado a pensar seriamente na possibilidade de anunciar uma separação artística já no próximo show da dupla. 
Não seriam, decerto, os únicos sertanejos de prestígio a sentir uma pontinha de inveja da volta triunfal de Zezé Di Camargo e Luciano, sem que os dois filhos de Francisco tenham ido a lugar nenhum, exceto Curitiba.
A despeito da turma que vê maldade em tudo hoje em dia no Brasil, as evidências de marketing involuntário são, nesse caso, flagrantes até para quem não é goiano. 
Ou, no caminho entre o CTI e o programa do Jô, Luciano teria inventado algo mais lúdico que “retenção urinária” para justificar o diurético que misturou com uísque, Rivotril e revertério.
O melhor que eles fizeram, depois de beicinho nos bastidores, foram as pazes na televisão. Antes que a tal “briga de irmãos” ficasse absolutamente desinteressante - como, de fato, aparenta ser - e prejudicial à turnê que cumprem até o final do ano.
Aposto que, amanhã e depois, eles farão os shows mais concorridos da carreira da dupla no Rio, daí essa inveja do Zezé no mundo sertanejo. Só ele tem um irmão como Luciano - e vice-versa. Sortudos!

Precisa se alimentarA crítica especializada - ô, raça! - não deu a menor bola para o que, de cara, salta aos olhos no novo CD de Marisa Monte. A cantora está magrinha demais da conta! 

À la Nunes"EU FIZ QUE FUI, MAS NÃO FUI E ACABEI FONDO!"
Luciano, explicando no programa do Jô o drible que deu no irmão Zezé Di Camargo em Curitiba.

Mora na filosofiaA maioria dos alunos rebelados da USP teve pelo menos um bom motivo para decidir em assembleia na noite de terça-feira pela desocupação da Faculdade de Filosofia da universidade. A previsão já era de Sol para o feriado de hoje na capital paulista. A minoria que preferiu ficar para invadir a reitoria não tinha mais o que fazer!

Cansada de guerraO que faz a ministra Iriny Lopes, das Políticas para Mulheres, que não se manifesta sobre a surra que a Christiane Torloni tomou noite dessas na novela Fina Estampa? Se o Pereirão (Lília Cabral) que a agrediu fosse homem de verdade, a cena ia suscitar a aplicação da Lei Maria da Penha.

Alegria, alegriaEnfim um motivo para festa no PT: O bota-fora da candidatura Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo não tem data para terminar. Saída mais honrosa, impossível!

Rédea curtaA primeira - dama Michelle Obama proibiu terminantemente o marido de falar em controle cambial no encontro a portas fechadas que o presidente americano terá nesta sexta-feira com Cristina Kirchner em Cannes. Deve ter lá seus motivos, né?

DENISE ROTHENBURG - Marta abre a porteira


Marta abre a porteira
DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 03/11/11

A decisão de Marta Suplicy (PT-SP) em não concorrer à Prefeitura de São Paulo tem mais desdobramentos e simbolismos do que qualquer um pode imaginar. A começar pelo simbolismo. No curto prazo, representa a passagem do bastão para os mais novos dentro do PT paulistano — isso porque ela não está desistindo em favor do senador Eduardo Suplicy, seu ex-marido. E, sim, dentro da perspectiva de fechar com o grupo que hoje apoia a candidatura de Fernando Haddad apontado até pelo presidente do PT, Rui Falcão, como o candidato a prefeito antes mesmo da prévia. 
Se levarmos em conta os pré-candidatos que se apresentam para essa prévia — se é que eles não vão desistir até o dia 27—, veremos que, à exceção do senador Eduardo Suplicy, todos estão na beira dos 50 anos. Jilmar Tatto tem 46, Haddad, 49. Tudo bem. Carlos Zaratini tem 51. Podem não ser jovens perto da perspectiva dos 20 anos, mas na seara política são da nova geração. 

2008, o primeiro sinalO ex-presidente Lula, que enxerga longe em termos de política, foi o primeiro a perceber que existe uma certa fadiga de material dentro do PT. O partido completa nove anos no exercício da Presidência da República, e muitos de seus quadros não conseguiram tirar de si a mancha do mensalão, um processo que se arrasta desde 2005. Na visão de Lula, ou o partido muda, ou vai acabar perdendo o poder. 
O então presidente da República concluiu esse diagnóstico quando Gilberto Kassab venceu Marta e a velha guarda da política na última eleição paulistana, em 2008. Ali, começou a trabalhar a candidatura de Dilma Rousseff, que, embora não seja propriamente da nova geração, foi novidade total. Sob as bênçãos de Lula, ela se apresentou rejuvenescida, bonita e segura na campanha de 2010. Somado a um governo bem avaliado e popular, deu certo. 

2012, a hora do novoO que Lula fez com Dilma, espera fazer com Haddad no centro mais nervoso do mundo petista, São Paulo. O ex-presidente andou metade do caminho, ao levar uma maioria dentro do PT a apoiar o nome do ministro da Educação sob o seguinte raciocínio: ora, se deu certo na Presidência da República, por que não dará na prefeitura de São Paulo? Ocorre que os outros grandes partidos, com bom tempo de televisão, também se deslocam em busca do novo. Há Bruno Covas, no PSDB, se José Serra não for candidato; Gabriel Chalita, no PMDB. Vale lembrar que, em 2010, Marina Silva obteve uma votação expressiva, apesar do pouco tempo de propaganda eleitoral gratuita. 

2014, as apostasAssim como Marta chega a esta quinta-feira pronta para anunciar que não será pré-candidata a prefeita, Aloizio Mercadante, o ministro de Ciência e Tecnologia que sonha governar São Paulo, corre o risco de ser levado pelo mesmo caminho ali na frente. No caso do governo paulista, o novo em gestação é Alexandre Padilha, o discreto ministro da Saúde. 
A desistência de Marta Suplicy tem reflexos ainda sobre o plano nacional, onde Lula também trabalha novas lideranças. No PSB, por exemplo, as ações dele nos últimos anos isolaram os Ferreira Gomes — os irmãos Ciro e Cid no Ceará — e encheram a bola do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. A ascensão de Eduardo e a forma como Lula vê seu futuro político, tema que o ex-presidente trata como poucos, mostram que, mesmo fora do PT, ele faz suas apostas. 
Nos últimos anos, justiça seja feita, não surgiu qualquer outro líder com tanto prestígio junto à população quanto o ex-presidente e isso faz com que uma gama de políticos siga o que ele recomenda. Não é à toa que todos rezam pelo seu pronto restabelecimento. Afinal, quem não o apoia está louco para provar ao próprio Lula que ele está errado. No caso dessa desistência de Marta, quem vai dar esse veredicto são os eleitores da cidade de São Paulo, hoje o maior laboratório da política e do tino de Lula. Vamos observá-los. 

EUGÊNIO BUCCI e MARIA PAULA DALLARI BUCCI - Os ases etílicos e a 'liberdade de bafo'


Os ases etílicos e a 'liberdade de bafo'
EUGÊNIO BUCCI e MARIA PAULA DALLARI BUCCI
O ESTADÃO - 03/11/11

Na edição de domingo, este jornal publicou a foto de um jovem sorridente, recostado no capô de seu automóvel de luxo, segurando um copo de vodca misturada com energético. Segundo a reportagem, assinada por Paulo Sampaio, o rapaz da fotografia, Bruno Cecchinato, de 22 anos, estava "com a voz embargada, rindo à toa", e prometia pegar no volante em seguida: "Tenho que ir para casa, velho". Isso numa cidade que registra, só neste ano, 16 homicídios dolosos no trânsito. Homicídios praticados, quase sempre, por motoristas alcoolizados. Estamos diante de uma nova modalidade de crime, produzida pela combinação de três fatores explosivos: um carrão importado, um exibicionista bêbado ao volante e um sistema de vigilância inoperante, que não consegue sequer obrigar o criminoso a soprar no bafômetro.

E por quê? "Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo", recita o penalista contratado pelos ébrios pilotos, num argumento que vem encontrando cada vez mais acolhimento no Judiciário, e agora também no Superior Tribunal de Justiça. Não que o princípio geral invocado não seja justo. Ele tem fundamento. Nesses casos, porém, a sua aplicação mecânica carece de sentido histórico e resulta estapafúrdia.

Sem dúvida, todos têm direito de defesa e não se pode impor a um suspeito que, em lugar de se defender, produza a prova que demonstre sua própria culpa. Mas aqui não se trata disso. Impedir um motorista embriagado de seguir ao volante não constitui uma violação da sua liberdade de defesa, é um ato legítimo do Estado para proteger a vida dos que, trafegando na rua ou na calçada, podem estar ao alcance do veículo. Portanto, um sujeito que bebe todas e conduz o seu bólido a 160 por hora pelas avenidas da cidade não pode alegar que dispõe da "liberdade" de repelir o bafômetro.

Pois agora é assim. Os ases movidos a álcool contam com o auxílio da tese de que o bafômetro é uma intromissão inconstitucional na sua privacidade. Querem nos dar lições de liberdade, mas lhes falta o senso de proporção. As pessoas podem se embriagar o quanto quiserem, mas, definitivamente, não têm o direito de dirigir embriagadas, pondo em risco a vida alheia. Se o motorista já é obrigado, dentro da legalidade, a usar cinto de segurança, a portar sua licença e até a usar óculos ao volante (quando recomendado na carteira), além de manter os equipamentos de segurança de seu automóvel em ordem, por que é que ele não pode ser obrigado a estar sóbrio quando dirige?

Os defensores da hermenêutica que sacraliza o bafo do cliente milionário fazem de tudo para melar a Lei Seca. Trabalham para perpetuar, no Brasil, a vigência dos privilégios (como o de não soprar no bafômetro) acima da vigência dos direitos (como o direito à vida das suas vítimas). Na escravidão também foi assim: o direito de propriedade do senhor tinha mais valor que a liberdade do escravo.

Desde o primeiro tratado pelo fim do tráfico de escravos, assinado em 1810 por dom João VI, foram necessários quase 80 anos para derrubar uma ordem econômica baseada num argumento jurídico protoliberal. Os proprietários - e, mais que eles, os traficantes - sustentavam o seu direito de propriedade sobre as "peças". Em 1826, já imperador, dom Pedro I comprometeu-se a acabar com a escravatura em três anos. Não o fez. Em 1831, nova lei declarava que qualquer escravo que entrasse no território estaria em situação ilegal. Não adiantou nada. Nunca se importaram tantos. Foi necessária muita pressão dos ingleses para que, em 1850, a Lei Eusébio de Queiroz encerrasse, de direito e de fato, o tráfico negreiro no País.

Muitas batalhas jurídicas foram travadas até que, em 1871, fosse declarada a libertação das crianças filhas de escravas que nascessem a partir dali (Lei do Ventre Livre) e, 14 anos depois, a dos sexagenários (Lei Saraiva-Cotegipe). Nos dois casos, o que prolongou e acirrou as discussões, impondo a Joaquim Nabuco uma derrota eleitoral - ocasião em que partiu para a Inglaterra, onde escreveu O Abolicionismo - foi a invocação, pelos senhores, do direito a indenização pela perda da propriedade sobre os escravos já existentes e em potencial.

Enfim, somente depois de oito décadas a liberdade e o direito à vida e à dignidade prevaleceram sobre o interesse privado dos proprietários - e, mesmo assim, de maneira incompleta: como vaticinara Nabuco, não bastava acabar com a escravidão, era preciso desfazer a obra que ela nos legara.

Com essa história de privilégios bestiais às nossas costas, não nos deveríamos surpreender ao ver agora apresentada como natural uma tese jurídica precária, igualmente amparada pela lógica que favorece os de cima, embaraçando a plena efetivação da Lei Seca. A argumentação dos hiperindividualistas transforma o algoz em vítima, a pretexto da defesa das liberdades.

Mas como? Que sacrossanta liberdade individual está em jogo? A liberdade de dispor do próprio hálito? Francamente, parece conversa de bêbado.

A prevalecer esse hiperindividualismo um tanto etílico, estaríamos até hoje sem cinto de segurança, pois não caberia interferir na liberdade dos passageiros dentro dos seus automóveis particulares. Também não se poderia obrigar os motociclistas a usar capacete - cada um seria dono do direito de esborrachar a sua cabeça onde bem entendesse.

Se, no entanto, prevalecer a civilização, temos de ler a lei em seu contexto histórico. Muita gente entre nós já dirigiu embriagada um dia na vida. Também por isso, todos sabemos dos riscos implicados.

Já aprendemos a usar o cinto e a controlar a velocidade nas estradas. Está na hora de aprendermos a sobriedade. Ao menos na hora de dirigir. E de interpretar a lei.

Eugênio Bucci e Maria Paula Dallari Bucci; jornalista, é professor da ECA-USP e da ESPM; advogada, é doutora em Direito pela USP 

DORA KRAMER - Involuntária vontade


Involuntária vontade
DORA KRAMER 
O Estado de S.Paulo - 03/11/11

Dizer que a senadora Marta Suplicy "concorda" em desistir da candidatura à Prefeitura de São Paulo é quase uma licença poética.

O anúncio da desistência, previsto para hoje, significa apenas que o ex-presidente Lula por intermédio da presidente Dilma Rousseff deu a Marta a prerrogativa de comunicar a retirada. Espera-se no PT que ela o faça alegando compreender que é o "melhor" para o partido.

A julgar pelo que disse Marta há pouco tempo, não é o que ela pensa de verdade. Em mais de uma ocasião a senadora falou que Lula só continuaria investindo na candidatura de Fernando Haddad se quisesse perder a eleição.

Disse também que Lula podia muito, mas não podia tudo dentro do partido. Não foram exatamente essas as palavras, mas na essência foi isso. Mostrava-se disposta a confrontar o chefe, que, como se vê pela posição da seção paulista do PT e até por declarações da direção nacional, continua podendo tudo e mais um pouco.

Marta Suplicy é hoje a mais bem colocada nas pesquisas de opinião e, na avaliação de gente graúda do principal partido adversário, o PSDB, com chance concreta de vitória.

Não é o que se diz no PT nacional. Ali a avaliação segue a cartilha de Lula: Marta tem alta rejeição, quase perdeu a vaga no Senado para Netinho de Paula e, de mais a mais, alega-se que o partido deve investir em nomes "novos", gente com perfil mais adequado à captura do eleitorado de classes média e alta.

A senadora é boa de periferia, reconhece a cúpula. E, por isso mesmo, fundamental para a campanha de Haddad.

Semanas antes de a presidente Dilma comunicar - segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto num encontro sem maiores solenidades no Aeroporto de Congonhas - a Marta que chegara a hora da retirada, o dilema dos petistas era justamente encontrar uma maneira de fazê-la desistir e, ao mesmo tempo, levá-la a pôr seus préstimos eleitorais a serviço de Haddad.

O momento em que Lula está em tratamento de câncer, alvo da solidariedade geral, pareceu o ideal. Marta vai insistir? Não teria como, até pensando em lances futuros.

A troca da candidatura por um ministério, um ministro com assento entre os conselheiros políticos da presidente acha difícil, não faz o gênero dela. O apoio a uma candidatura ao governo de São Paulo em 2014 bate de frente com o argumento de que o PT precisa investir em nomes novos.

Mas por que não deixá-la ir às prévias? Porque sem a desistência dela os outros pré-candidatos também não desistiriam, o partido se dividiria e Marta Suplicy correria o risco de ganhar.

Contra-ataque. A despeito da pressão da base aliada por liberação do dinheiro de emendas ao Orçamento para votar a prorrogação da Desvinculação de Recursos da União (DRU), o governo não dá à questão a mesma dimensão que teve a CPMF.

Acha que dispõe de argumentos muito mais sensíveis aos ouvidos da população. A DRU dá ao governo autorização para manejar parte do Orçamento como quiser. Portanto, não se trata, como no caso do imposto do cheque, de mexer no bolso do contribuinte.

De onde o palácio, se preciso for, dirá que o Congresso está apostando na paralisação de programas importantes para a população. Os de transferência de renda, por exemplo.

Repare bem.

. Exigem ficha limpa de quem denuncia corrupção, mas não se olha o estado da ficha de candidatos a nomeados ou a entidades conveniadas.

. Os petistas alegam que "mensalão" é uma figura de linguagem inventada pela imprensa, mas aceitam a definição quando se trata do campo adversário: mensalão do DEM, mensalão tucano, mensalão mineiro etc.

. O uso de organizações governamentais para desviar dinheiro público nos ministérios explica o fracasso da CPI das ONGs, criada na legislatura passada e enterrada sob o gentil patrocínio da maioria governista.

. A alta abstenção (mais de 26%) do Enem neste ano guarda relação direta com a perda de confiabilidade do exame.