domingo, outubro 09, 2011

GOSTOSA


ELIANE CANTANHÊDE - "Como está caro!"


"Como está caro!"
 ELIANE CANTANHÊDE 
FOLHA DE SP - 09/10/11

BRASÍLIA - Dias atrás, a Mira, que trabalha comigo há 20 anos, foi se indignando com as compras do supermercado, uma a uma: "Nossa! Como está caro!". E arrematou: "Minha família está reclamando que o preço de tudo está subindo".

Os dados oficiais confirmam essa percepção popular: o IPCA, principal índice de preços do país, mostra que a inflação aumentou 7,31% nos últimos 12 meses. É o maior índice desde maio de 2005, muito superior ao teto (6,5%) da meta de inflação determinada pelo governo.

O maior peso foi das passagens aéreas, mas os alimentos da mesa de todo dia e de quase todas as faixas de renda vieram logo depois: feijão carioca, açúcar, frango e leite.

Talvez esteja aí a explicação, aliada ao fator político, das greves que pipocam pelo país, sobretudo no setor público, depois dos oito anos de marasmo da era Lula. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, professores, eletricitários... Sem falar dos petroleiros, que ameaçam parar no dia 19, e do Judiciário, que pressiona por aumento.

O ambiente pode até ser "praticamente de pleno emprego", como disse Dilma em Nova York, mas não é de tranquilidade. De um lado, crise na Europa e nos EUA, corte de R$ 50 bi no Orçamento, inflação fora de controle. De outro, categorias e cidadãos sentindo o aumento de preços, reclamando do salário no fim do mês e se rearticulando.

Quando a economia vai bem, a política vai bem. Quando começa a tremelicar, o reflexo na política pode até tardar, mas não falha. Dilma que abra o olho e aja enquanto é tempo. Inflação alta, trabalhador parado e povo na rua costuma ser uma combinação explosiva para qualquer governo, em qualquer época.

O BC está na berlinda, enquanto o ex Henrique Meirelles, considerado um sucesso, mas magoado com Dilma, pula no PSD e na política.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Venda de caminhão sobe antes de troca para menos poluente
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 09/10/11

Uma transição ligada à regulação da emissão de poluentes de caminhões, que passa a valer em 2012, acelerou as compras no setor no final deste ano.
Como as montadoras serão obrigadas a usar um padrão de produção de motor mais eficiente no tratamento dos gases emitidos pelos veículos, que serão mais caros, empresas consumidoras antecipam a expansão das frotas.
"Antecipamos parte do investimento previsto para 2012 para aproveitar ainda os veículos com o sistema 'Euro 3', antes da passagem para o 'Euro 5'", diz Karlis Kruklis, presidente do grupo de logística Ouro Verde.
Além de evitar os preços mais altos dos veículos de motor mais avançado, Kruklis cita uma preocupação com o abastecimento do combustível que também será modificado nos postos.
Outra empresa, a Ecotech, de manutenção de vias, fechou com a Volkswagen a compra de 85 caminhões até o fim de 2012. Os que serão entregues neste ano são do modelo "Euro 3". Os demais são "Euro 5". "A diferença de preço é de 20%", diz o presidente João Coragem.
A Mercedes-Benz estima alta de preço dos novos caminhões da ordem de 6% a 8% em função da elevação de custo. Segundo a empresa, os novos veículos terão intervalo maior de manutenção, o que pode gerar economia ao usuário.

NA BOLEIA

O Grupo Ouro Verde, de logística e locação de veículos e máquinas, acaba de fechar a compra de 400 caminhões para atender os setores sucroalcooleiro, de mineração e de construção.
Os investimentos da empresa foram da ordem de R$ 100 milhões, a maior parte com apoio do Finame.
O objetivo é atender, principalmente, a alta da demanda das usinas de cana de regiões produtoras de etanol, como São Paulo, Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, segundo Karlis Jonatan Kruklis, presidente da companhia.
Neste ano, o Grupo Ouro Verde já realizou investimentos de R$ 350 milhões na ampliação da frota de carros e equipamentos. Para 2012, a previsão é chegar a R$ 450 milhões.
A empresa também se prepara para abrir capital. "O momento ideal para o IPO é 2013. Que bom que o mercado não está bom agora", diz.

São Paulo volta a superar Rio na atração de turista de fora

A capital paulista voltou a superar a do Rio de Janeiro na recepção de turistas estrangeiros no ano passado.
A cidade recebeu 13,5% dos visitantes de fora que vieram ao Brasil em 2010, enquanto o Rio ficou com 13,1%, de acordo com levantamento do Ministério do Turismo e da Embratur, que será divulgada amanhã.
O turismo de negócios, que voltou a se aquecer após receber os reflexos da crise financeira global em 2009, é a principal justificativa para o rearranjo, de acordo com a Embratur.
Com 22,5% dos turistas estrangeiros, o Estado de São Paulo também superou o do Rio de Janeiro, que recebeu 20,1%.

ENERGIA OSCILANTE

O consumo industrial de energia subiu 1,8% em agosto em relação a julho, segundo índice da gestora independente Comerc Gestão.
Após quatro meses de consumo reduzido, a indústria têxtil se recupera com 7% de alta, retomada ligada ao comércio de fim de ano, segundo Marcelo Ávila, vice-presidente da Comerc.
Quatro setores tiveram queda de consumo no mês.
"O crescimento sobre o mês anterior está bom, mas a energia que as empresas estão consumindo agora é menor do que se esperava. A compra foi maior do que estão de fato usando."
A queda profunda no setor de vidros pode ter sido relacionada à entrada de produtos importados, de acordo com Ávila, tendência que deve se reverter após a variação no câmbio.

BURACO FECHADO

A Ecotech, companhia paulista de manutenção e conservação de vias públicas, vai investir R$ 70 milhões em 2012.
O valor será utilizado para a compra de mais de 80 caminhões, desenvolvimento de tecnologias e aplicação de um novo sistema norte-americano de spray para reparação de estradas e operações de tapa-buraco.
"Investiremos R$ 14 milhões para capacitar fornecedores", diz o presidente da companhia, João Coragem.
Com o investimento, a empresa, que já atua em Recife e faz testes em São Paulo, espera operar em 15 Estados e em mais três países da América Latina até 2012.
"Entraremos primeiro na Colômbia e depois na Argentina e no Chile. Bogotá deve ser a primeira cidade em que operaremos fora do Brasil."
Até o final do mês, a companhia espera abrir sua unidade em Santa Catarina para começar a servir ao governo do Estado local.

EXPANSÃO QUÍMICA

A fabricante de tintas AkzoNobel investirá US$ 20 milhões nos próximos dois anos em suas unidades de produtos químicos para superfície, que estão instaladas no Brasil, na cidade de Itupeva (SP), e nos EUA, em Illinois. Com o investimento, a empresa expande sua capacidade de produção de derivados de amina graxos, ingredientes usados em indústrias petrolífera, de amaciantes de roupas, de produtos agroquímicos e outros.

AMBULÂNCIA Luiz Henrique de Almeida Mota, do hospital HCor, foi eleito presidente do conselho deliberativo da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) para o triênio de 2012 a 2014. O vice-presidente, Francisco Balestrin, do hospital Vita Volta Redonda, foi reeleito.
com JOANA CUNHA, VITOR SION, LUCIANA DYNIEWICZ e ALESSANDRA KIANEK

MARCELO COUTINHO - O fim da ilusão dos Brics


O fim da ilusão dos Brics
 MARCELO COUTINHO
O GLOBO - 09/10/11

Em 1499, Américo Vespúcio passou próximo à costa norte da América do Sul, a caminho das Índias Ocidentais, como então era chamado o continente americano. Só anos depois, quando o navegador florentino regressava de uma viagem ao Brasil, concluiu que não podíamos ser um prolongamento da Ásia.
Mesmo após tal descoberta, o termo Índias Ocidentais continuou a ser utilizado pela Companhia Holandesa, entre outras. Responsável pela ocupação do Nordeste brasileiro no século XVII, essa empresa desenvolveu uma organização mais capitalista no comércio internacional, cuja origem antiga remonta às redes fenícias de cidades mercantes, centenas de anos antes de Cristo.
Os Países Baixos apenas iniciariam a transição do mercantilismo para os mercados modernos. Estes se globalizaram, se desglobalizaram e se globalizaram novamente. Mas nunca estiveram tão perto de ver a Ásia predominar. Estamos entrando na Era do Dragão. E talvez em um neomercantilismo.
Países como China e Índia se distanciaram muito daquelas antigas fontes de bens primários e bugingangas. A Chíndia exporta também em massa produtos e serviços de alta qualidade. Não há nenhum outro país ou região comparável. O acrônimo Bric equivale à confusão criada com as Índias Ocidentais na geografia comercial.
O Brasil voltou a ser confundido com a Ásia. Ninguém acredita que somos a costa oriental do Sudeste Asiático como na época de Vespúcio, mas de alguma forma nos igualamos a partir de uma invenção do sistema financeiro. Sonhamos em ser um dos grandes emergentes que dominarão a economia no mundo. É o nosso excepcionalismo.
Quanto mais cedo despertarmos, melhor. Em comum com a Chíndia, o Brasil tem apenas o tamanho. Nos últimos três anos, crescemos em média 1/3 do que cresceram as potências orientais. Por outro lado, quando o Ocidente entrou em recessão em 2008, acompanhamos a queda, ainda que numa intensidade menor (-0,6%). O mesmo ambiente de forte desaceleração parece acontecer agora no fim de 2011.
Em matéria de dinamismo econômico, o Brasil é um país dividido. Seus setores industriais mais avançados seguem padrões ocidentais de derretimento. Já os setores tradicionais ligados às commodities ancoram-se na demanda do Oriente. O resultado é um crescimento intermediário entre os dois grupos, porém mais próximo dos baixos níveis dos países já desenvolvidos.
A pauta do que exportamos se concentra nos itens básicos. Somos menos diversificados do que éramos há dez anos. A substituição dos EUA pela China não trouxe vantagens. A indústria nacional desenvolveu dependência estrutural das importações, de modo que mudanças abruptas no câmbio não ajudam, mesmo quanto ocorre desvalorização.
O peso do Brasil no comércio é residual e vem caindo. O Brasil responde por 1% do fluxo comercial global, ou seja, bem menos do que há 50 anos, e um décimo hoje da Chíndia, com seus 2,5 bilhões de pessoas. Por sua vez, a importância brasileira no PIB do mundo em PPP representará em 2011 só 1/6 da participação chinesa e 40% da indiana. O mero ranqueamento que nos coloca entre as maiores economias gera, como se percebe, falsas impressões.
Se o critério utilizado para o acrônimo da Goldman Sachs é político, a situação fica ainda mais complicada. China e Índia têm armas nucleares, a primeira é autoritária e a segunda tem indicadores sociais piores que os do Maranhão. A China não apoia nosso assento fixo na ONU. A Índia encontrou sozinha aprovação dos EUA. As visões na OMC tampouco coincidem. Isso tudo sem falar da Rússia.
O fim da ilusão chamada Bric não deve estimular, todavia, comportamentos orientalófobos. O novo protecionismo pune os consumidores sem gerar compensações à altura em empregos locais. Mal ou bem, os asiáticos são agora atores imprescindíveis. Constatar que não somos a extensão deles é o início para nos inserirmos conscientes das novas rotas do comércio, da nossa menor importância relativa e dos desequilíbrios na condição de global players. Não somos China nem Índia ocidentais.
MARCELO COUTINHO é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Iuperj.

GOSTOSA


PAULO COELHO - O ateu e o urso


O ateu e o urso
 PAULO COELHO
DIÁRIO DO NORDESTE - 09/10/11

 Uma amiga, Cristina Martins, me envia a seguinte história: Um ateu estava passeando em um bosque, admirando tudo o que aquele "acidente da evolução" havia criado.

"Mas que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais! E tudo isso aconteceu por acaso, sem nenhuma interferência de ninguém! Só mesmo as pessoas fracas e ignorantes, por medo de não conseguirem explicar suas próprias vidas e o universo, tem necessidade de atribuir a uma entidade superior toda esta maravilha!"

À medida que caminhava ao longo do rio, ouviu um ruído nos arbustos atrás de si. Virou-se para olhar, e um corpulento urso, de dois metros de altura, caminhava em sua direção. Sem pensar duas vezes, disparou a correr o mais rápido que podia.

Mas à medida que ia perdendo o fôlego, o urso se aproximava. Tentou aumentar a velocidade, mas já não conseguia - terminou tropeçando, e caindo.

Rolou no chão rapidamente e tentou levantar-se, mas o urso já estava em cima dele, segurando seu corpo com as garras afiadas; era o fim de sua vida.

Foi então que, neste preciso momento, sem ter mais nada a perder, o ateu gritou para o céu:

- Meu Deus!

E um milagre imediatamente aconteceu: o tempo parou, o urso ficou sem reação, o bosque mergulhou em silêncio e até o rio parou de correr. Pouco a pouco o ambiente começou a se iluminar, e ele escutou uma voz generosa, que dizia:

- O que desejas? Negaste a minha existência durante todos estes anos, ensinaste a outros que Eu não existia, e reduziste a Criação a um "acidente cósmico". Achaste que o mundo era uma combinação de acaso e necessidade, que as teorias científicas bastavam para explicar tudo, e que a religião era apenas uma maneira de enganar o povo.

"E agora que estás em apuro, vieste recorrer a Mim? Se eu te ajudar, irás mudar de idéia?"

O ateu respondeu, olhando confuso para a luz que envolvia tudo:

- Seria hipócrita de minha parte mudar de ideia só porque estou prestes a morrer. Durante toda a minha vida, ensinei que não existias, e tenho que ser fiel às minhas convicções até o final.

E Deus perguntou:

- Então, que esperas que eu faça?

O ateu refletiu um pouco, sabendo que aquela discussão não poderia durar para sempre. Finalmente disse:

- Eu não posso mudar, mas o urso pode. Portanto, peço ao Senhor que transforme este animal selvagem, assassino, em um animal cristão!

- Assim farei.

Na mesma hora, a luz desapareceu, os pássaros na floresta voltaram a cantar, o rio tornou a correr.

O urso saiu de cima do homem, fez uma pausa, abaixou a cabeça, e disse compenetrado:

- Senhor, quero agradecer Sua generosidade, por este alimento que agora vou comer...

Chuang Tzu e a borboleta

O grande mestre taoista Chuang Tzu, depois de caminhar muito durante um dia ensolarado, deitou-se debaixo de uma amoreira e caiu em um sono profundo.

Começou a sonhar que era uma borboleta, passeando pelos campos que acabara de percorrer, vendo as mesmas coisas que vira durante aquele dia.

Acordou de repente, e disse para si mesmo:

"Estou diante do problema filosófico mais complicado da minha vida. Quem sou eu?"

"Sou um homem que sonhou que era uma borboleta? Ou sou uma borboleta sonhando que transformou-se em um homem?".

PERCIVAL PUGGINA - Gisele, o sexismo e o totalitarismo


Gisele, o sexismo e o totalitarismo
 PERCIVAL PUGGINA
ZERO HORA - 09/10/11

Nunca, nem em sonhos, despreze qualquer bandeira esquisita desenrolada e exibida como politicamente correta. Ela pode parecer frango congelado, coisa sem pé nem cabeça, mas atenção: não importa o tempo que leve nem os meios requeridos, cedo ou tarde, haverá militantes em número suficiente para mobilizar ingênuos e a bandeira vai em frente.

Ou vai pela via do Congresso, ou pela do Judiciário, ou pelo aparelhamento de movimentos e conselhos criados e controlados pelos que a conceberam. E, quando nada disso funciona, sempre há alguma instituição internacional bem alinhada com os projetos de poder onde ela será cravada.

A lista de antecedentes é imensa! Sem esgotá-la, lembro alguns. Durante anos, por exemplo, tentaram criar a tal Comissão da Verdade, cujos redatores sagrados definirão o que é verdadeiro e o que é falso em quatro décadas da nossa história. Algo tão ridículo quanto parece.

Mas cresceu e já deu cria. Começam a pipocar filhotes da comissão em todo o país. Trazer as uniões homossexuais para o Direito de Família demorou um pouco mais. Mas os ministros do STF saíram do armário, substituíram-se ao Congresso, legislaram e pronto.

Reduzir o embrião humano à condição de coisa dispensável pelo ralo da pia foi mais rápido, pela mesma trilha. Embrião não faz passeata. Como se vê, a coisa vem de longe e está apenas começando. Foi assim com os exageros do ECA, com a lei de quotas raciais, com as políticas de gênero, com as manipulações ideológicas dos concursos públicos e do Enem, com os escandalosos livros didáticos do MEC, com o fim do ensino religioso. E anote aí: cedo ou tarde, como feto não vota, também estará aprovado o estatuto que disciplinará sua extração em vida, aos pedaços.

Não será diferente com o controle da imprensa. Lula assumiu a presidência em 2003 e já em 2004 o Ministério da Cultura apareceu com o projeto de lei dos audiovisuais, nascido do “diálogo com alguns segmentos sociais”. Foi a primeira tentativa de impor esse controle. E a primeira inútil rejeição, porque é só uma questão de tempo e de achar o jeito. O recente congresso da legenda que manda no país deixou bem claro o quanto é intolerável a opinião de quem se lhe opõe.

Ao mencionar a corrupção, o partido proclamou que a combaterá “sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir, acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica, uma responsabilidade que é pública, a ser compartilhada por todos os cidadãos”. Os “setores da mídia” não perdem por esperar.

Agora foi a vez da feminista que Dilma pôs na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Do alto de suas tamancas de ministra, dona Iriny Lopes denunciou ao Conar o anúncio da Hope estrelado por Gisele Bündchen. Na opinião daquela autoridade federal, a peça reforça “o estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual e ignora os grandes avanços alcançados para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”. Estamos diante do mesmo tema – o desejo de controlar tudo. Até o pensamento!

O totalitarismo é assim mesmo, voraz. Intolerável uma mulher enfeitar-se para seduzir o marido! Fosse para algum sexo casual, estaria tudo bem. Fosse para uma mulher, melhor ainda, Gisele ganharia medalha de honra das políticas de gênero. Mas, no Brasil do politicamente correto, enfeitar-se para o marido virou dominação machista. Para com isso, Gisele! Bota um camisolão comprido, de florzinhas. Roxas. Dona Iriny e o governo federal agradecem.

MARTHA MEDEIROS - Medianeras



Medianeras
 MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 09/10/11 

Nunca foi tão cômodo ser solitário, e o ermitão deixou de ameaçar: agora, ele é cool

Medianeras é o nome do novo filme argentino que está em cartaz no Brasil. Corri pra ver e descobri o significado do título: medianera, em espanhol, é aquela parte do edifício que não tem janela. É a lateral de concreto sem serventia pro morador, que o deixa sem comunicação com a cidade e que só é utilizada para a colocação de anúncios publicitários.

Pois esse paredão é o símbolo do filme, que conta a história de Mariana, uma garota que vive sozinha num pequeno apartamento de Buenos Aires, e de Martin, que vive sozinho em outro pequeno apartamento na mesma rua. São vizinhos de prédio, mas nunca se viram.

O que seria impensável num pequeno vilarejo – dois vizinhos que não se conhecem –, nas grandes cidade se tornou banal. O diretor Gustavo Taretto acredita na influência das metrópoles na vida de seus habitantes e criou uma fábula cinematográfica sobre a ambiguidade dos tempos de hoje: o que nos une é, ao mesmo tempo, o que nos separa.

Estamos todos conectados, mas pouco nos comunicamos. A fartura de redes sociais e a superpopulação urbana dão a impressão de que convivemos com nossos pares, mas o que a tecnologia e a arquitetura fazem, cada uma a seu modo, é oferecer um certo conforto para a nossa clausura. Nunca foi tão cômodo ser solitário.

Tudo conspira para que tenhamos uma boa vida em nossa própria companhia: o computador, os celulares e a variedade de serviços de tele-entrega, que trazem à porta comida, DVDs, revistas, medicamentos, livros e até sexo. Sair de casa pra quê?

Antigamente, o ermitão era uma anomalia da sociedade, desconfiava-se dele: qual será sua tara? Hoje, pesquisas apontam para uma quantidade cada vez maior de pessoas morando sozinhas. O isolamento virou tendência. E o ermitão deixou de ameaçar: agora, ele é cool.

Para fugir da resignação – a solidão pode ser prazerosa, mas é uma resignação –, é preciso atravessar paredes. Mariana e Martin são dois jovens beirando os 30 anos que estão se desacostumando a se relacionar com gente de carne e osso. Têm dificuldade de conversar em primeiros encontros e só se sentem eles mesmos no refúgio de seus cafofos.

É uma vida escura. É um filme escuro. Que só começa a se iluminar quando, cansados da claustrofobia física e também emocional, resolvem abrir uma janela na medianera. Um buraco clandestino naquele paredão inútil, para que permitam a entrada de um pouco de luz e possam enxergar o que acontece lá fora.

É comum os solitários justificarem sua solteirice dizendo: os homens são todos iguais, as mulheres são todas malucas, não há ninguém interessante. De fato, encontrar alguém que seja o nosso número é mesmo uma espécie de “Onde está Wally?”. Mas com um pouco de romantismo, muita sorte e fazendo a sua parte – quebrando a parede e inventando uma janela –, o happy end pode ser avistado lá embaixo, caminhando pela calçada.

JOSÉ SIMÃO - Uau! Bieber tem voz de chocalho!


Uau! Bieber tem voz de chocalho!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 09/10/11

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da República! Quer explodir? Tome um Toddynho no Center Norte! E suba na vida! Rarará!
Bueiro explode, Toddynho explode, shopping explode. O Brasil vai explodir antes do fim do mundo! E o Center Norte podia fazer uma promoção gastronômica: COMA ATÉ EXPLODIR! Aí seria gás-tronômica! Rarará!
E, como diz o site QMerda, o Justin Bieber é como chocalho: faz um barulho irritante, mas as crianças adoram! E quem tem a voz mais fina? O Justin Bieber ou o Anderson Silva? Rarará!
E as duas bombas da semana: Gretchen e Dilma! A Gretchen virou garçonete nos EUA. Ops, garçonetchen!
Numa lanchonetchen!
E a promoção McGretchen Feliz: na compra de um McChicken, leva de brinde um McCarne louca ou uma rabada.
Rarará! E diz que um cara entrou e pediu: "Garçonetchen, por favor me traga um vinagretchen".
E a Dilma? Pegou o vassourão e foi pras Oropa. Dilma desembarca em Bruxelas. Devia ser o nome do ministério dela: Bruxelas. Dilma e suas Bruxelas. Rarará! Nova banda pro Rock in Rio. E só sei duas coisas sobre os belgas: inventaram a batata frita e exterminaram o Congo!
Depois, Bulgária. Mas eu já disse que a Dilma não é búlgara, é pitbúlgara! Ela é descendente dos pitbúlgaros da Pitbulgária!
E, pros parentes não pedirem dinheiro emprestado, ela pendurou um cartaz no pescoço: "Não me chamem de tia! Não tenho trocado! E não quero bala". Em búlgaro!
E a manchete do Sensacionalista: "Humoristas pedem a Dilma que vá para países mais fáceis de fazer piada do que a Bulgária". Por que o pai dela não nasceu no Peru? Ia ter um monte de trocadilho!
E finalmente, Turquia. Dilma desembarca na Turquia e provoca um turco-circuito. Foi aumentar o IPI da esfiha! É mole? É mole, mas sobe!
Brasileirão urgente! Últimas do futebol! Tão dizendo que a zona de rebaixamento do Brasileirão parece Guarapari: só dá mineiro! Rarará!
E esta: "Homem Picanha diz que namora jogador do Corinthians". Só assim pra corintiano comer picanha.
Rarará!
E um cara no meu Twitter perguntou: o Palmeiras é um time ou uma autoelétrica? Autoelétrica. Tá consertando a lanterna. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA


FERREIRA GULLAR - E durma-se com um barulho desses


 E durma-se com um barulho desses
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SP - 09/10/11

Porque tenho um livro de poemas intitulado "Barulhos", pode alguém imaginar que gosto de barulho. Estará enganado, odeio-o.

Pode ser que, por causa da idade, meus ouvidos, com o passar dos anos, tenham se tornado mais sensíveis. Ao que eu saiba, porém, com a idade o sujeito tende é a ficar surdo, ouvir menos. Ou serão os nervos? Pode ser: ouve menos mas, em compensação, é mais vulnerável.

Seja por que for, o que importa é que barulho se tornou para mim uma coisa quase insuportável. E quando é gente que fala alto, fico particularmente irritado, porque aí é barulho que tem cara, boca, bigode e barba, não é o barulho burro do caminhão da Comluerb, compactando lixo debaixo de minha janela às 11h40 da noite.

Fala-se muito da poluição provocada pela queima de combustíveis nas ruas; do lixo que empesta os bairros do Rio de Janeiro, certamente uma das cidades mais sujas do mundo. E têm toda razão. Pouco se fala, porém, da poluição sonora, que não é menos perniciosa, não apenas à saúde física como psicológica das pessoas, estressando-as, quando já desgastadas estão pelas tensões da cidade grande.

Sem dúvida alguma, vivemos na civilização do barulho. No passado, quando a barulheira era menor, essa expressão "do barulho" soava como elogio. É que barulho, naquela época, era sinônimo de repercussão. Hoje, até a música, em muitos casos, virou barulho, estridência quase insuportável. Já isso se deve, em parte, à invenção da guitarra elétrica e das caixas de som de alto poder emissor.

Por essas considerações, o leitor já teve ter concluído que estou longe de ser um cidadão integrado na idade do rock. Mas, verdade seja dita, apesar do recente Rock in Rio, já não é essa a causa da poluição de que me queixo.

Admito que, com a idade, fui me tornando mais sensível aos barulhos em geral, até mesmo à gritaria do cara que atende ao celular, ao meu lado, no caixa eletrônico e me faz esquecer o código do cartão. Contenho-me para não repetir a ele aquela frase com que meu amigo Guaxito gozava os colegas de jornal que falavam berrando ao telefone: "Avisa ao coleguinha aí que já inventaram o telefone".

Às vezes tenho a impressão de que vivo em meio a uma população de surdos, aos quais nenhum barulho incomoda. Pelo contrário, gostam dele e odeiam o silêncio, enquanto eu, estranho no ninho, vivo em busca de um recanto silencioso qualquer, seja um banheiro de restaurante, seja um elevador de edifício comercial. E me dou mal, pois, agora, até em elevador tem música tocando.

Isso é outra coisa que não entendo. O mundo inteiro hoje parece acreditar que todas as pessoas desejam ouvir música vinte e quatro horas por dia. Se não bastasse o elevador e o banheiro, agora tem música também tocando nos supermercados. Essa foi a desagradável novidade que me surpreendeu, ao entrar num deles aqui perto de casa para comprar leite, pão e umas garrafinhas de Malzebier, minha mais recente mania.

O novo gerente descobriu que vai vender mais infernizando as pessoas com música alta e atordoante. Ele não entende que as pessoas têm necessidade de se concentrar para avaliar o que estão comprando, além de encontrar ali um de refúgio à barulheira dos ônibus, que tomam conta da rua.

Devo admitir, porém, que a isso já estou quase adaptado, a não ser quando passa um gorducho montado numa motocicleta com cano de descarga aberto, deliberadamente disposto a me estourar os ouvidos.

E vejam vocês: as fábricas produzem essa espécie de moto, com canos de descarga feitos de propósito para gerar o máximo de barulho possível. E os ecologistas não estão nem aí, como se a poluição sonora não contasse.

É a impressão que tenho, pois não vejo nenhuma passeata protestando contra o excesso de barulho na cidade. E não só isso, o próprio governo contribui para nos atordoar.

Existe coisa mais insuportável que sirene de carro do corpo de bombeiros? Na verdade, existe, se não mais insuportável, pelo menos igual: a sirene dos carros de polícia e das ambulâncias.

É preciso alguém dizer a esse pessoal que a sirene é apenas para advertir o motorista do carro da frente a ceder passagem. Não é para enlouquecê-lo.

CLÓVIS ROSSI - Potências não ficam no muro


Potências não ficam no muro 
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 09/10/11

Abstenção brasileira em votação de resolução sobre a Síria é incoerente e dá margem para alucinações

É imperdoável a omissão do Brasil no tratamento do caso sírio pelo Conselho de Segurança. Quem se pretende potência, ainda que apenas emergente, não pode subir no muro e se abster. Equivale a dizer "não sou contra nem a favor", o que nem mesmo uma "potência média" faz.
Estou usando, entre aspas, o rótulo empregado por Imad Mansour, pesquisador do Departamento de Ciência Política da McGill University, em recente artigo para o Merip (sigla inglesa para Projeto de Pesquisa e Informação sobre o Oriente Médio).
Rápida ajuda-memória: o Brasil absteve-se de votar projeto patrocinado por Estados Unidos e União Europeia que previa sanções à Síria para tentar acabar com a selvagem repressão do regime aos protestos populares, o que já causou a morte de quase 3.000, pela mais recente contabilidade.
O projeto acabou vetado por China e Rússia, que, ao contrário do Brasil, tem uma tradição porca em matéria de direitos humanos. Já vetaram, antes, resoluções parecidas contra as abjetas ditaduras do Zimbábue e de Mianmar. A abstenção brasileira -acompanhada por seus dois pares no Ibas, Índia e África do Sul- acabou sendo apenas uma cobertura para tornar menos indecente o veto das duas potências.
Vejamos a avaliação de Imad Mansour: "Até agora, as revoltas árabes expuseram o Ibas como um participante do Conselho de Segurança sem posições consistentes ou coerentes".
Não mostram nenhuma das características que lhes permitiriam ostentar o rótulo de "potências médias", a saber: diplomacia pública ativa (abster-se é ser passivo) e "empreendedorismo normativo", na promoção, por exemplo, de direitos humanos.
Como se sabe, Dilma Rousseff, desde a posse, diz que direitos humanos estariam no centro de sua política externa -o que torna ainda menos compreensível a omissão ante um caso evidente de brutalidade como é o da Síria sob Bashar Assad.
Em Bruxelas, a presidente produziu uma definição alusiva ao que está acontecendo: cobrou mais diplomacia preventiva e menos intervenções militares.
Perfeito, desde que ela qualifique "diplomacia preventiva". Se é conversar com o ditador -como o fez o Ibas no início da revolta- para tentar convencê-lo a se converter em democrata, chega a ser ingênuo, para não dizer coisa pior. E ingenuidade não é exatamente uma característica própria de potência, intermediária, emergente, o que for.
Como o diálogo Ibas/Assad não produziu rigorosamente nada, restaria, como diplomacia preventiva proposta por Dilma, a adoção de sanções. O Brasil, no entanto, nem aceita nem rejeita as sanções propostas pelas potências ocidentais.
O que, então, pode ser feito? Enquanto não der resposta a essa pergunta elementar, a diplomacia brasileira permite que surjam as mais delirantes hipóteses, como a de Nikolas Gvosdev, professor da Escola de Guerra Naval dos EUA, para quem o governo brasileiro se absteve com medo de que, no futuro, as sanções se voltem contra ele, por conta do uso de militares para recuperar favelas em mãos do narcotráfico. Ridículo, mas é o preço da inconsistência.

SUELY CALDAS - O frágil equilíbrio de Dilma


O frágil equilíbrio de Dilma
SUELY CALDAS
O Estado de S.Paulo - 09/10/11

O dilema entre priorizar o crescimento econômico ou o controle da inflação esteve presente durante todo o governo Lula, e no governo Dilma Rousseff ganhou definição, com opção inequívoca pelo crescimento. O corte de 0,5% na taxa de juros Selic e repetidas manifestações públicas sobre o tema da própria Dilma, do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, comprovam a escolha. A meta, agora, é baixar a Selic em três pontos porcentuais, para 9%, até o ano que vem. Se conseguir fazê-lo com a inflação controlada, decaindo para o centro da meta, de 4,5%, sem extrapolar o teto de 6,5%, Dilma provará a assertiva da escolha e vai desmoralizar as análises dos céticos que não acreditam em milagres. Mas será muito difícil.

Esse dilema Dilma carrega desde que desembarcou no governo Lula, em 2003. No início, como ministra de Minas e Energia, ela se conteve e não ousou enfrentar o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, responsável pelo rumo da política econômica. Mas quando Lula a transferiu para a Casa Civil, em 2005, ela decidiu usar os poderes do cargo e afastar os obstáculos que surgiam à sua frente.

Foi quando, numa entrevista de desabafo ao Estado, em novembro de 2005, ela classificou de "rudimentar" e demoliu o plano de ajuste fiscal de longo prazo que Palocci e Paulo Bernardo montavam e que implicava cortar gastos do governo ao longo de dez anos. Na época, Dilma ficou irritada com uma notícia publicada na imprensa segundo a qual ela teria comentado, em reunião da equipe econômica com Lula, que uma inflação de 15% não chega a prejudicar a economia. "Sou economista, conheço a ciência econômica e não sou burra para dizer uma asneira dessa", disse Dilma às três jornalistas (inclusive eu) que a entrevistavam. Ela identificava na equipe de Palocci o autor do vazamento de seu suposto comentário.

E decidiu dar o troco detonando o plano de ajuste fiscal: "Discutir ajuste fiscal de longo prazo não é fazer projeção para dez anos com base em planilha. Fazer um exercício de números dentro de meu gabinete e achar que ele será compatível com nosso país não é consistente. (...) Esse debate é absolutamente desqualificado, não há autorização do governo para que ele ocorra. (...) Para crescer é necessário reduzir a dívida pública. Para a dívida pública não crescer, é preciso ter uma política de juros consistente, porque senão você enxuga gelo" - foram alguns dos comentários feitos por Dilma na entrevista ao Estado. A divergência ficou pública e ela ganhou a briga: o plano de ajuste fiscal de Palocci foi para o lixo.

Seis anos se passaram, mas os fatos de hoje comprovam que a entrevista continua válida, com a vantagem de que, no calor de sua franqueza irritada, a Dilma ministra de 2005 delimitou parâmetros para crescimento, inflação, juros e ajuste fiscal que não interessam à Dilma presidente tornar muito claros hoje.

Na entrevista ela deixou claro, por exemplo, que a tolerância à inflação tem limite e haverá reação se chegar a dois dígitos. Se em 2005 ela negou, agressiva, que aceitava um índice de 15%, hoje a rejeição é maior, já que 36 milhões de pobres ascenderam à classe média e ao mercado de consumo, e podem ter sua ascensão anulada com uma inflação de dois dígitos. Isso, sim, seria um retrocesso, enxugar gelo.

O raciocínio que ela faz na entrevista sobre a dívida pública também deixa claro que sua concepção de ajuste fiscal está mais dirigida a reduzir a dívida e economizar dinheiro com pagamento de juros do que cortar gastos do governo. Daí a estratégia de queda gradual da taxa Selic e a repetição incansável de que não vai sacrificar o crescimento, o investimento e a geração de empregos.

A estratégia é muito arriscada, porque enfraquece o principal instrumento de combate à inflação (o uso dos juros). E, se a inflação der sinais de descontrole, pode ser tarde demais para forçar sua queda sem uma paulada no aumento dos juros, o que anularia o esforço anterior de reduzir a taxa.

Dilma não pode errar e terá de se equilibrar sobre um tênue fio de linha. É esperar para ver.

Conselhos à Europa. Em visita a Bruxelas, a presidente Dilma Rousseff aconselhou os países europeus a evitarem ajustes fiscais recessivos: "Dificilmente se sai da crise sem aumentar o consumo, o investimento e o nível de crescimento", ensinou. Exemplificou com a experiência dos países da América Latina (inclusive o Brasil) nas décadas de 1980 e 1990, que viveram estagnação econômica ou crescimento lento em decorrência de ajustes fiscais recessivos. Na crise de 2008 o governo brasileiro fez o contrário: injetou dinheiro na economia e o ex-presidente Lula aconselhou os brasileiros a gastarem sua renda, expandirem seu consumo para derrotar a crise. E deu certo.

Dilma esqueceu de mencionar dois detalhes da maior importância: nos anos 1980 o Brasil vivia uma situação de hiperinflação e caos econômico que não permitia uma saída ordenada desse caos; e, na segunda metade dos anos 1990, começou a sair da hiperinflação e reorganizar a economia, o que exigia cuidados de gestão e cautela com gastos públicos. Em 2003 Lula teve a sorte de herdar um país mais arrumado, com a inflação domada e o mundo inteiro em crescimento. Além disso, Lula teve a sensatez de seguir rigorosamente a mesma política econômica de FHC, jogando no lixo as pregações e promessas de 20 anos do PT.

Para os brasileiros que viveram aquela época (Dilma inclusive), a hiperinflação não é um detalhe qualquer a ser esquecido. Ela marcou a diferença em relação à conjuntura atual, influenciou e determinou o desempenho da economia até ser derrubada pelo Plano Real, em 1994.

A crise europeia decorre do excesso de gastos dos governos e de expansão do endividamento para cobrir esses gastos. Sair da insolvência demora, não é de um dia para o outro, muito menos agravando as razões da falência. É claro que o crescimento econômico e a elevação da receita tributária ajudam os países em crise. Mas neste momento, sobretudo no caso da Grécia, a situação é tão caótica que não dá para falar em expansão econômica nem resolver só com a ajuda financeira da Alemanha e da França. O governo grego já avisou que o dinheiro em caixa disponível não dá para completar novembro. Como evitar o default, presidente Dilma?

GOSTOSA


MIRIAM LEITÃO - Passado e futuro


Passado e futuro
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 09/10/11

Olhar o passado e o futuro ao mesmo tempo é um desafio estimulante. Eu tive essa chance na última semana, no meu trabalho. Olhar para trás permite ver uma soma de avanços incompletos, tarefas essenciais deixadas no caminho, um futuro com possibilidades reais, mas que será diferente do que temos hoje. Haverá rupturas e em alguns casos não estamos preparados para elas.

O economista André Lara Resende acha que a questão ambiental e climática muda o conceito do que seja desenvolvimento. É a hora, avisa, de deixarmos de ser "mercantilistas" no cálculo do que seja o avanço da economia. O historiador e cientista político José Murilo de Carvalho acha que a qualidade da democracia e uma nova cidadania são os desafios que temos pela frente. "Temos estadodania", excesso de Estado. O sociólogo José Pastore prevê que o mundo mudará muito rápido e diz que temos de ter a flexibilidade para seguir mudando.

A Globonews me deu o privilégio de reunir convidados num programa de auditório, com plateia qualificada, para a gravação do programa 15+15. O canal faz 15 anos e o desafio era olhar o passado que ele cobriu no seu noticiário 24 horas no ar e pensar o futuro. A CBN faz 20 anos, e a direção me convidou para junto com Carlos Alberto Sardenberg e mediação de Carolina Morand discutir no teatro Oi Casa Grande também o passado e o futuro.

O Brasil deu saltos extraordinários. Essa é sempre a primeira conclusão. Quando a CBN começou a tocar notícia em 1991 o País curava as feridas do Plano Collor e tinha uma demanda dupla e aparentemente contraditória: não queria mais intervenções arbitrárias na economia, mas continuava sonhando com a estabilidade. O País conseguiu: o real deu certo por ter sido explicado primeiro e adotado depois: sem surpresas, choques e imposições. Quando a Globonews nasceu, em 1996, o País estava descobrindo que vencer a hiperinflação não era o fim da história. Era o começo.

Nos últimos 15 anos houve crises sucessivas: a nossa crise bancária que estava no meio, quando o canal surgiu; a dos países da Ásia; o nosso colapso cambial. No mundo: o 11 de Setembro; as bolhas pelo excesso de liquidez; o aumento do poder da China; a crise de 2008 que ainda não acabou e tem tido assustadores desdobramentos. O Brasil aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal e fez uma transição política que preservou a conquista monetária e avançou em inclusão social.

Em 18 anos, vai do pico de 47% de pobres para 24%. E de 23% de extremamente pobres para os atuais 8,4%, pelas contas feitas pelo economista Ricardo Paes de Barros. É uma trajetória impressionante, porque, como lembra o economista, o Brasil já cumpriu em 2006 a meta do milênio prevista para 2015 em termos de pobreza extrema.

Parte disso pelo dinamismo do mercado de trabalho, lembrou José Pastore, no 15+15. O movimento de inclusão foi mais determinado pelo emprego do que pelas políticas de transferência de renda, e agora começa a faltar mão de obra. José Murilo de Carvalho alerta sempre que não se deve ver esses avanços com ufanismo. Ele acha que a gente sai muito rapidamente do complexo de vira-lata para o complexo de grandeza. Há atrasos inaceitáveis. De fato, no mercado de trabalho mesmo há 40 milhões, lembra Pastore, sem qualquer proteção por estarem na informalidade.

A China aparece em qualquer conversa sobre o futuro. André Lara Resende vê o início de uma transição, como a do começo do século passado com redução do peso da Inglaterra e aumento do poder dos Estados Unidos. "A mudança do padrão ouro para o padrão dólar." A crise americana é uma parte dessa transição. Só isso já daria um programa, mas tivemos que passear por temas complexos pela intensidade da agenda do mundo e do Brasil. José Murilo teme esse mundo mais chinês pela estrutura autoritária do poder político. José Pastore lembra a complementaridade com a economia brasileira. A China será sempre essa mistura de ameaça, chance e enigma.

André acredita que o Brasil tem que parar de ver o comércio internacional e a conta corrente com a visão antiga de que déficit é prejuízo. É preciso aprender que quando o sinal parece negativo, o que o país está fazendo é absorvendo poupança externa. Lembra que não podemos abusar dessa fórmula, mas usá-la como travessia para um país que tenha mais capacidade de poupar.

A educação é o grande obstáculo para o futuro. Nisso, há consenso, mas o caminho continua bloqueado. Os dados são assustadores quando se compara o Brasil com o mundo. José Murilo lembra que em alguns países da América espanhola as universidades foram criadas no século XVII. Aqui, só no século XIX. José Pastore acha que educação é um alvo móvel: nós avançamos, mas outros países avançam mais rápido. Não é hora de comemoração. É de apressar o passo.

Por que o Brasil não demonstra mais indignação com os defeitos da nossa democracia? Como aceita os números de desmatamento? Foram, em 15 anos, 209 mil km2 de Amazônia destruídos e isso dá 135 vezes a área da cidade de São Paulo. E até a escassa Mata Atlântica continua encolhendo: em 15 anos, 7,5 mil km2, cinco vezes a área da cidade de São Paulo. Números eloquentes que mostram - como disse André - que é preciso rever conceitos para o encontro com o futuro.

Trinta dias me parecem tempo demais para ficar sem vocês, mas tentarei: saio de férias hoje. Vocês ficarão neste espaço com Regina Alvarez. Com Álvaro Gribel

CELSO MING - Meta de juros


Meta de juros
CELSO MING
O ESTADÃO - 09/10/11

Na semana passada, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, avisou que o governo Dilma está determinado a baixar os juros básicos (Selic) para 9% ao ano ainda em 2012.

Para isso, em dez reuniões do Copom já agendadas até o fim de 2012, seriam precisos cortes de 3 pontos porcentuais, algo como um conjunto de dois ajustes de 0,5 ponto porcentual e outros oito de 0,25 ponto porcentual.

A declaração do ministro foi criticada como nova evidência de que a atual administração do Banco Central não passa de um derivativo do Palácio do Planalto. A questão examinada neste espaço tem a ver com outro aspecto: verificar até que ponto uma meta de juros, como a anunciada, é compatível com o sistema de metas de inflação.

Antes de mais nada, convém ter bem claro que, por mais dúvidas que pairem sobre a permanência do tripé da política econômica (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário das contas públicas), tal como praticado até aqui, não há indicação de que as autoridades tenham desistido de trazer a inflação para a meta, de 4,5% ao ano, com margem de estouro de 2 pontos porcentuais (até 6,5%).

Por mais esquisito que tenha se tornado o manejo da política monetária do Banco Central; e por mais tolerância com a inflação que a atual administração mostra ter em 2011, o compromisso continua sendo garantir a convergência da inflação para 4,5% em 2012. Se o objetivo será ou não atingido é outra conversa. Mas não há dúvida de que o sistema de metas ainda está valendo.

Se o propósito é empurrar a inflação para dentro da meta, o Banco Central não pode ter meta de juros. O tamanho dos juros será o que assegurar a entrega da inflação na meta, no prazo indicado.

Isso não significa que o governo não possa ter sua meta de juros. Em princípio, pode, sim, criar condições para que o Banco Central tenha espaço para empurrar a inflação para a meta aos juros planejados.

O primeiro desses requisitos é ainda mais austeridade na gestão das contas públicas. Se, por exemplo, o governo anunciar, e nisso tivesse crédito, que ao fim de um período de três anos (os que restarem para a atual administração) produzirá um superávit nominal (incluídas as despesas com juros) zero, o trabalho do Banco Central será fortemente facilitado.

Outra necessidade é não puxar excessivamente pelo câmbio que, mais alto (desvalorização do real), encarece os preços dos produtos importados - hoje com um peso maior na estrutura de produção nacional - e dificulta o controle da inflação.

Uma terceira condição indispensável é reduzir significativamente o custo Brasil (carga tributária, encargos sociais, Justiça ineficiente, infraestrutura precária e cara demais, etc.), para que se construa um ambiente de queda de preços.

A verdade é que o governo federal não trabalha com nenhuma dessas variáveis. Espera que a crise internacional piore tanto que seja capaz de gerar desinflação, fator que ajudaria a derrubar a inflação também aqui dentro.

Ainda que envolva alto risco, essa aposta não deixa de levar certa probabilidade de dar certo. O problema é ser dificilmente sustentável. Lá na frente, quando houvesse a retomada da economia mundial e sobreviesse novo puxão do consumo de commodities, a inflação global teria tudo para voltar e já não estaria agindo a favor da manutenção dos juros básicos nos 9% ao ano.

CONFIRA

Roubo nos cartões. Em sua edição de sexta-feira, o New York Times publicou matéria assim intitulada: Cobrança de tarifas por cartões de débito é um roubo (Charging for Debit Cards is Robbery). O argumento da reportagem é que os cartões de débito (e também os de crédito) baixaram substancialmente os custos dos bancos, na medida em que reduziram os pagamentos por meio da emissão de cheques. O menor uso dos talões, por sua vez, reduziu as operações de compensação diária de cheques. Por isso, conclui a publicação, não cabe cobrar pelo uso de uma forma de pagamento cujo maior beneficiário foram os bancos.

A tragédia do euro. Quem se interessar por conhecer mais profundamente como começou e se aprofundou a crise do euro deve ler duas matérias publicadas na edição em inglês da revista alemã Der Spiegel. A primeira delas: How a Good Idea Became a Tragedy (dia 5/10). E a segunda: How the Euro Zone ignored its Own Rules (7/10). Os dois textos foram editados by Spiegel Staff.

PAULO SANT’ANA - O carcereiro



O carcereiro 
PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 09/10/11

A proverbial figura do carcereiro. E se o carcereiro julgar que o preso é inocente? Ou se o carcereiro entender que a pena a que foi condenado o preso é excessiva?

O carcereiro pode então ficar tentado a fazer justiça com as próprias mãos.

É que o carcereiro, em determinados momentos, possui um poder sobre o condenado que talvez a própria Justiça não possua.

Dependendo da capacidade de compaixão do carcereiro, o preso pode vir a ser beneficiado por ele como não o foi no julgamento.

Dizem que o carcereiro cumpre no mínimo a metade da pena do preso. Todos os dias, é obrigado, pela sua companhia, a compartilhar do castigo imposto ao preso.

Pode então acontecer de o carcereiro apiedar-se do condenado e tomar um decisão radical.

Por esse motivo, muitas e muitas fugas de presos são consideradas inexplicáveis.

O carcereiro exerce função importante na vida do preso. Assim como o casamento condena marido e mulher a viverem para sempre juntos, da mesma forma a pena de um condenado é inseparável da ação e da vigilância de um carcereiro.

Há casos de detentas que se apaixonam pelos seus carcereiros, recentemente verificou-se no mundo vários casos de síndrome de Estocolmo, pela qual as sequestradas se apaixonam pelos seus sequestradores.

É que o campo fértil para o amor é a convivência. E não existe convivência mais próxima, nem as dos pais com os filhos, do que a existente entre o carcereiro e o detento a quem compete vigiar.

Há, até por isso, casos de pessoas que se elegem a si próprias como carcereiras. Recentemente, um pai , na Áustria, encerrou sua filha durante 24 anos num porão da sua casa, mantendo com ela relações sexuais das quais redundaram vários filhos.

Ou seja, o pai renunciou à sua condição de pai da sua filha para erigir-se como seu carcereiro.

Achou que iria significar mais para sua filha como seu carcereiro do que significava como pai. Evidentemente, se tratava de uma mente doentia, mas veja-se a que ponto essa condição de carcereiro, aparentemente incômoda e indesejável, pode seduzir muitas pessoas.

Há casos de presos que percebem o duro castigo que a vida reservou para seus carcereiros, obrigando-os praticamente a cumprir junto com os condenados a sua pena, com a diferença de que teoricamente os condenados foram jogados à prisão por serem culpados, enquanto que os carcereiros estão ali, no mesmo lugar, sem culpa formada alguma.

Esses presos se sensibilizam com esse severo castigo que a vida destinou aos carcereiros e tratam, na relação diuturna que mantêm com eles, de serem amáveis, compreensivos, falantes, participativos, tentando assim de certo modo atenuar a sorte ingrata de seus carcereiros.

Sendo assim, quando um juiz condena alguém à prisão, inconscientemente está também condenando à mesma pena os seus carcereiros.

Deve ser por isso que os agentes penitenciários da Susepe estão seguidamente apresentando pleitos salariais.

GOSTOSA


JOSEPH S. NYE - O declínio e a queda da decadência americana


O declínio e a queda da decadência americana
JOSEPH S. NYE
O ESTADÃO - 09/10/11

Apesar de previsões sombrias sobre definhamento econômico e perda de liderança global para a China, economia dos Estados Unidos ainda se mantém produtiva

Os Estados Unidos atravessam tempos difíceis. A recuperação pós-2008 é muito lenta, e alguns observadores temem que os problemas financeiros da Europa ameacem a economia americana e mundial provocando uma segunda recessão.

Além disso, a política americana continua paralisada na questão do orçamento, e um compromisso será ainda mais difícil às vésperas das eleições de 2012, quando os republicanos esperam que os problemas econômicos os ajudem a derrubar o presidente Barack Obama. Em tais circunstâncias, muitos preveem o declínio dos EUA, principalmente em relação à China.

E não são apenas os especialistas que afirmam isto. Uma recente pesquisa da Pew concluiu que, em 15 dos 22 países pesquisados, a maioria das pessoas acredita que a China tomará o lugar ou já tomou o lugar dos EUA como "a maior superpotência mundial". Na Grã-Bretanha, a porcentagem dos que colocam a China em primeiro lugar subiu de 34%, em 2009, para 47%.

Tendências semelhantes são evidentes na Alemanha, Espanha e França. Na realidade, a pesquisa constatou as previsões mais pessimistas em relação aos EUA entre os nossos mais antigos aliados do que na América Latina, no Japão, na Turquia e na Europa Oriental. Os próprios americanos estão igualmente divididos quanto à possibilidade de a China superar os EUA como superpotência global.

Tais sentimentos refletem o lento crescimento e os problemas fiscais que se seguiram à crise financeira de 2008, mas têm precedentes históricos. Os americanos muitas vezes avaliaram seu poderio de maneira incorreta. Nos anos 50 e 60, depois do Sputnik, muitos achavam que os soviéticos ganhariam dos EUA; na de 80, seriam os japoneses. Agora são os chineses. Mas, enquanto a dívida dos EUA está prestes a se equiparar à renda nacional em toda uma década, e o seu desastrado sistema político não consegue solucionar os problemas fundamentais do país, será que os que vaticinam o declínio estão finalmente certos?

Muito dependerá das incertezas - frequentemente subestimadas - provocadas pelas futuras mudanças políticas na China. O crescimento econômico levará a China mais perto dos EUA no que se refere ao poderio em algumas áreas, mas isto não significa necessariamente que a China superará os EUA como país mais poderoso.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China quase certamente ultrapassará o dos EUA no prazo de uma década, em razão de sua população e da sua impressionante taxa de crescimento econômico. Mas, em termos de renda per capita, a China não igualará os EUA por muitas décadas, se é que algum dia conseguirá.

Além disso, mesmo que a China não venha a sofrer graves problemas políticos internos, muitas projeções atuais tem base simplesmente no crescimento do PIB. Elas ignoram as vantagens da força militar e do poder brando dos EUA, bem como as desvantagens geopolíticas da China.

Japão, Índia e outros que tentam contrabalançar o poderio da China, aceitam com entusiasmo a presença americana. É como se o México e o Canadá procurassem uma aliança com a China para contrabalançar os EUA na América do Norte.

Produção. Quanto ao declínio absoluto, os EUA de fato têm problemas concretos, mas a economia americana se mantém extremamente produtiva. Os EUA continuam em primeiro lugar em gastos totais com Pesquisa e Desenvolvimento; no ranking das universidades, são os primeiros em Prêmios Nobel e os primeiros nos índices de empreendedorismo.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, que divulgou no mês passado seu relatório anual sobre competitividade econômica, os EUA são a quinta economia mais competitiva do mundo (depois das pequenas economias da Suíça, Suécia, Finlândia e Cingapura). A China está apenas em 26.º lugar.

Além disso, os EUA estão na frente no que se refere a tecnologias avançadas como a biotecnologia e a nanotecnologia. Não parece um quadro de declínio econômico absoluto.

Alguns observadores temem que a sociedade americana se torne esclerosada, como a da Grã-Bretanha no auge do seu poderio um século atrás. Mas a cultura americana é muito mais empreendedora e descentralizada do que era a da Grã-Bretanha então, quando os filhos dos industriais buscavam títulos aristocráticos e honrarias em Londres.

E apesar dos temores recorrentes ao longo de sua história, os EUA colhem os benefícios da imigração. Em 2005, 25% das start-ups tinham contado com a contribuição dos imigrantes na década anterior.

Como Lee Kuan Yew, de Cingapura, me disse, a China pode usar os talentos de 1,3 bilhão de pessoas, entretanto, os EUA podem utilizar os talentos de sete bilhões de pessoas em todo o mundo, e podem fundi-los numa cultura diferente que aprimora a criatividade de uma maneira nunca vista pelo nacionalismo han.

Muitos comentaristas estão preocupados com o ineficiente sistema político americano. De fato, os pais fundadores dos EUA criaram um sistema de freios e contrapesos destinado a preservar a liberdade em detrimento da eficiência.

Além disso, os EUA experimentam agora um período de intensa polarização partidária. Mas a política suja não é uma novidade nos EUA: a época da sua fundação não foi exatamente um idílio de pacíficas deliberações. O governo e a política americana sempre registraram episódios desse tipo, e, embora eclipsados pelos melodramas dos dias de hoje, às vezes eram até piores do que os atuais.

Os EUA enfrentam graves problemas: dívida pública, baixo nível da educação secundária e impasse político, para mencionar apenas alguns. Mas é preciso lembrar que estes problemas são apenas uma faceta do quadro geral - e, em princípio, podem ser solucionados no longo prazo.

Previsões. É importante distinguir estes problemas dos que, em princípio, não podem ser resolvidos. Evidentemente, não se sabe ao certos se os EUA conseguirão adotar as soluções disponíveis; várias comissões propuseram planos viáveis para mudar a trajetória da dívida americana elevando os impostos e reduzindo os gastos, mas a viabilidade não é garantia de que serão adotados. No entanto, Lee Kuan Yew provavelmente está certo quando afirma que a China "representará um enorme desafio para os EUA", mas não conseguirá superá-los em termos do seu poderio global na primeira metade deste século.

Se for assim, as sombrias previsões de um declínio americano absoluto se revelarão tão equivocadas quanto previsões do mesmo teor feitas em décadas passadas. E, em termos relativos, embora a "ascensão do resto" signifique que os EUA serão menos dominantes do que eram outrora, isto não significa que a China necessariamente os substituirá como maior potência mundial. /

JOSEPH S. NYE TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

RENATA LO PRETE - PAINEL


Pré-greve
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 09/10/11

Mal refeito do fracasso na negociação com os grevistas dos Correios, o Planalto terá outro abacaxi a descascar. Nesta semana, representantes da Federação Única dos Petroleiros levarão ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, sua proposta de reajuste. Com base no exemplo dos Correios a categoria sabe que as perspectivas não são boas. A equipe econômica orientou a Petrobras a rejeitar qualquer acerto que vá além da reposição da inflação. Ao mesmo tempo, o governo, que contabiliza paralisações em série, não quer nem ouvir falar em greve em meio à encrenca no Senado sobre a redistribuição dos royalties.

Na mesa Na próxima quinta, Petrobras e sindicatos voltam a conversar. A empresa se comprometeu com um reajuste de 7,23%, correspondente à variação do IPCA no período. Representantes da categoria chegaram a sinalizar a interlocutores do governo a disposição de pedir 10% acima da inflação.

Passo adiante Na próxima sexta-feira, quando Dilma Rousseff lançará em Porto Alegre a versão sul do plano Brasil em Miséria, a ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) assinará com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção um protocolo que prevê abertura de vagas no setor para beneficiários do programa. O pacto valerá para todo o país.

Meio vazio Segundo pesquisa encomendada pela Embratur à Fipe, piorou um pouco a percepção dos estrangeiros sobre os aeroportos do país. Em 2004, 85% julgavam os serviços satisfatórios. Hoje, o percentual está em 81%.

Meio cheio Em compensação, a avaliação da segurança pública melhorou. Em 2004, ela era positiva para 75% dos entrevistados. Agora, 82% conferem sua aprovação. A pesquisa, cujos resultados serão divulgados nesta semana, ouviu 39 mil estrangeiros que estavam deixando o Brasil depois de uma visita. A Fipe perguntou aos turistas do que mais haviam gostado no país. "Hospitalidade" foi o item mais mencionado.

Fotografia Getúlio Vargas filiou-se ao PPS e trabalha para ser candidato à Prefeitura do Rio. Trata-se do neto do presidente morto em 1954. A semelhança física com o avô impressiona.

Check-out De um expoente peemedebista, sobre a curta passagem pelo partido do ex-presidente do Banco Central, agora embarcado no PSD: "Meirelles usou o PMDB como hotel. Passou uma noite e foi embora".

Longo prazo Na tentativa de construir aliança com Geraldo Alckmin para a eleição paulistana de 2012, em arranjo no qual seu correligionário Guilherme Afif seria o candidato a prefeito, Gilberto Kassab tem insistido no discurso de que o horizonte do PSD é 2018. Insinua que aceitaria até ser candidato a vice no Estado em 2014, com a condição de receber apoio tucano para disputar o governo quatro anos mais tarde.

Conjuntura Alguns tucanos ponderam que, a despeito da desconfiança mútua entre os grupos do governador e do prefeito, um acordo Alckmin-Kassab voltou ao leque de possibilidades diante do apetite do PT pelo eixo paulista de poder e do ceticismo quanto ao potencial dos pré-candidatos do PSDB na disputa municipal.

Q.I. A divulgação dos "padrinhos" das emendas parlamentares ao Orçamento causou embaraço à base de Alckmin na Assembleia. Os deputados do PV, que já vinham insatisfeitos, ensaiam motim contra o governador.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Prévias no PSDB são feitas em restaurantes de luxo, regadas a vinho importado e só com caciques. No PT, até Lula disputou uma para se candidatar à Presidência".
DO VEREADOR PAULISTANO CHICO MACENA em resposta a Fábio Lepique, assessor especial de Geraldo Alckmin, que criticou a mão pesada de Lula na definição do candidato petista à prefeitura paulistana.

contraponto

Meu nome é Zé Alencar!


Em 2010, após insistência de Lula, Dilma recebeu o PRB de José Alencar. A candidata estava com os coordenadores Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra, que se esquivaram de assumir qualquer compromisso relativo à participação da pequena sigla no futuro governo. Até que um deles perguntou ao vice:
-Quanto tempo de TV vocês têm mesmo?
Alencar respondeu de bate-pronto:
-Olha, com alguns segundos, o Enéas fez um estrago. Agora imagine se eu aparecer e disser: votem no Serra!

DORA KRAMER - Luz na História


Luz na História
DORA KRAMER 
O Estado de S.Paulo - 09/10/11

Com a volta da presidente Dilma Rousseff ao País, governo e Congresso retomam nesta semana a articulação do projeto que cria a Comissão da Verdade, já aprovado na Câmara e agora em início de tramitação no Senado.

O que é a Comissão da Verdade? Na versão dos mais radicais à direita, um elogio ao revanchismo, e na visão exacerbada à esquerda uma inutilidade, pois não terá poder de sugerir punições a quem quer que seja.

Na concepção de um conjunto de forças que reúne governistas e oposicionistas num consenso "de centro" que vem sendo construído mediante consultas ao longo deste ano, é uma iniciativa indispensável à conclusão da transição democrática iniciada e calcada na Lei de Anistia.

Não para rever os termos daquele tratado, de resto feito cláusula pétrea por manifestação do Supremo Tribunal Federal, mas para dar ao País a oportunidade de conhecer todos os fatos ocorridos na ditadura em relação a violações aos direitos humanos.

Serão sete pessoas nomeadas pela presidente da República que durante dois anos trabalharão na compilação das informações já existentes e na apuração de casos ainda obscuros.

Mas, se não há possibilidade de punição, então de que servirá o trabalho da comissão?

"Para levantar dados, divulgá-los e permitir ao público acesso à própria história. Uma vez conhecidas as informações, eventualmente as pessoas que assim quiserem poderão recorrer à Justiça em busca de algum tipo de reparação. Mas aí já não é com a Comissão da Verdade. A ela caberá dar o fecho ao processo de transição, cumprindo sua última etapa", diz o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, cotado, mas ainda não oficializado relator do projeto.

A indicação dele, apoiada pelas lideranças governistas no Congresso, expressa a intenção de dar à condução dessa questão um caráter amplo, não partidário, que vai se confirmar, ou não, quando a presidente anunciar os nomes que integrarão a Comissão da Verdade.

O ideal é que sejam escolhidas pessoas de notória experiência, conhecimento e credibilidade na área de direitos humanos, sem compromisso militante com esse ou aquele grupo político.

Dilma precisará ter habilidade e senso do momento histórico para que o trabalho não fique comprometido por uma questão que não é de governo. É, sobretudo, de Estado.

Oficialmente o trabalho da comissão abrange um período de 1946 até 1988, mas, na prática, será concentrado nos crimes cometidos pós-1964.

"A ditadura Vargas era outra época, que se esgotou por si: o ditador depois se elegeu presidente, a maior vítima (Luís Carlos Prestes) virou senador, o chefe da polícia (Filinto Müller) também foi ao Senado e o ministro da Guerra (Eurico Dutra) chegou de imediato à Presidência", resume Aloysio Nunes.

Xeque-mate. A filiação de Henrique Meirelles ao PSD é uma jogada de muito peso e alto alcance. Para o prefeito Gilberto Kassab certamente. Para Meirelles, que não tem tido sorte em suas investidas partidárias desde que renunciou ao mandato de deputado federal pelo PSDB para presidir o Banco Central, não necessariamente.

Filiou-se ao PMDB na tentativa de ser vice de Dilma Rousseff, candidato ao governo ou a uma vaga de senador por Goiás e foi devidamente "informado" de que no PMDB, de muitos e poderosos caciques, novatos não têm direito a assento privilegiado.

Agora, Kassab, que há 15 dias procurou Geraldo Alckmin propondo uma reaproximação, põe o governador numa situação delicada. Com Meirelles e Afif Domingos o PSD não tem uma, mas duas hipóteses de candidaturas fortes para a Prefeitura de São Paulo em 2012.

No PSDB Alckmin tem várias possibilidades, nenhuma em ótimas condições de competitividade. Ao governador tucano se impõe o dilema de se aliar ou enfrentar Kassab, cuja capacidade de articulação vem se demonstrando altamente eficaz.

Sem o menor compromisso doutrinário, como, aliás, convém aos tempos atuais em que todo artificialismo é bem aceito, desde que produza resultados. Deles, a filiação de Meirelles é uma perfeita tradução.

JANIO DE FREITAS - O direito de punir


O direito de punir

JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 09/10/11

A resposta que o STF deve dar sem subterfúgios é: o Conselho Nacional de Justiça tem legitimidade?

Nenhuma das duas explicações disponíveis torna aceitável, eticamente, a decisão do Supremo Tribunal Federal de retirar de sua agenda a decisão sobre o atual poder do Conselho Nacional de Justiça de investigar e de punir juízes. E não só de revisar as investigações e conclusões das respectivas corregedorias locais, tidas por complacentes sob influência do companheirismo.
Conta uma das explicações que o engavetamento temporário motivou-se na divisão acirrada da magistratura em geral, o que fazia prever desdobramentos negativos no Judiciário, fosse a decisão em um ou outro sentido.
A Associação dos Magistrados Brasileiros, autora da ação contra os atuais poderes do conselho, tem a oposição dos Magistrados Pela Democracia, da OAB e de outros segmentos. E os próprios integrantes do Supremo aparentam divisão firme.
De fato, na sessão do STJ em que o julgamento figurou na pauta do dia, o ministro Marco Aurélio Mello opinou, com certa vaguidão e incertos sorrisos, que "o clima não era propício" a realizá-lo. Não precisaria ser explícito. Houve o adiamento. Mais tarde, confabulações internas transformaram adiamento em suspensão do caso na agenda de julgamentos. E, fora do Judiciário, ninguém mereceu ser honrado com esclarecimentos sobre a decisão e as perspectivas daí decorrentes.
A outra explicação, plausível, mas sem fatos comprobatórios, faz a concessão de reconhecer a opinião pública e, até além, de atribuir-lhe algum valor mesmo no Supremo.
Cientes da ampla opinião favorável, no país, aos atuais e até a maiores poderes do conselho, os ministros do Supremo quiseram evitar mais danos à imagem do próprio tribunal, no caso provável de decisão que retorne aos procedimentos anteriores à criação do conselho. O STF ainda nem se refez da sua depreciação por julgamentos recentes.
O que se tem é uma situação simples, guardada por silêncio tão injustificável quanto ela mesma. Faltam elementos objetivos, de ordem processual ou factuais, para o julgamento da causa? Não. Ou, pelo menos, nenhum dos ministros levantou tal carência.
Ainda que haja outras explicações, além das duas referidas, o adiamento impreciso da decisão é, portanto, apenas uma solução de conveniência. E conveniência interna. Não ditada por motivos de ordem pública ou ordem institucional.
Muito ao contrário, é de necessidade, para ambas, que os poderes de investigação e punição fiquem definidos com clareza. A opinião pública percebeu isso muito bem.
A resposta que interessa, e que o Supremo deve dar sem subterfúgios, é esta: o Conselho Nacional de Justiça, tal como está criado e age, tem legitimidade ou não? E pronto.
Em tempo: não é fácil admitir que ministros do Supremo Tribunal Federal tenham posto a causa em suspenso, como na esperta atitude de lavar as mãos, à espera de que o Congresso vote um dos projetos surgidos da divisão sobre o conselho e fique como responsável pela decisão.
(Nelson Jobim atribui artigos assim a inspirações fornecidas pelos juristas Fábio Konder Comparato e Celso Bandeira de Mello. Por dever de justiça para com ambos, devo dizer que a Fábio Comparato, com pesar, não vejo nem ao menos ouço há vários anos. A Bandeira de Mello, lamento a falta de oportunidade de tê-lo conhecido ou ao menos ouvido alguma vez).

HÉLIO SCHWARTSMAN - A mágica da realidade


A mágica da realidade
HÉLIO SCHWARTSMAN
Folha de SP- 09/10/11

Alguém já disse que livros infantis tratam as crianças como idiotas. Como já faz décadas que perdi o hábito de lê-los, eu não saberia dizer. O que posso afirmar é que, se a assertiva é verdadeira, ela acaba de ser desmentida pelo biólogo britânico Richard Dawkins.

Lançado na última terça no mundo anglófono, The Magic of Reality (a mágica da realidade) é uma introdução à ciência que leva a sério tanto as crianças como a epistemologia. Partindo daquelas perguntas que pais nunca sabemos responder, do tipo "quem foi a primeira pessoa?", "do que as coisas são feitas?", "como tudo começou?", o autor cobre os aspectos mais fundamentais da biologia, da físico-química, da astronomia e da geologia. 

De quebra, Dawkins propõe discussões que ficam no limite entre a ciência e a filosofia, especulando sobre as chances de haver vida em outros planetas ou tentando explicar por que "coisas ruins" acontecem.
Em termos de estrutura narrativa, os capítulos começam com mitos que buscam tornar inteligível o fenômeno analisado e, quando os limites dessas historietas ficam escancarados, entra a ciência. 

Quase tão fascinante quanto o texto de Dawkins são as ilustrações de Dave McKean, que, na versão eletrônica para iPad, ganham movimento. Há também alguns joguinhos. Nada muito sofisticado, mas serviram para atrair a atenção de meus filhos de nove anos, que logo se puseram a ler o livro com avidez. 

É claro que Dawkins não seria Dawkins se não aproveitasse a ocasião para fazer um pouco de propaganda do ateísmo. Mas, ao menos na comparação com "Deus, um Delírio", ele está bastante bem-comportado. Não reserva palavrões para o Criador nem afirma que a religião é um mal. 

O que o autor tenta mostrar ao longo do livro é que a realidade, isto é, a ciência, revela-se muito mais mágica e excitante que todos os mitos e religiões. É uma tese bastante razoável.

CLAUDIO HUMBERTO

“[Meirelles] não avisou nada nem a ninguém”
ADIB ELIAS, PRESIDENTE DO PMDB-GO SOBRE A FILIAÇÃO DE HENRIQUE MEIRELLES AO PSD

LULA, O PALESTRANTE, JÁ DEVE R$ 2 MILHÕES AO IR 
O palestrante internacional Luiz Inácio Lula da Silva pagará seu preço por posar de conferencista financiado por banqueiros mundo afora. Com base nas quinze palestras realizadas até agosto, cachê médio de US$ 300 mil, Lula já deve à Receita Federal mais de R$ 1,9 milhão de Imposto de Renda. O valor vai passar de R$ 2 milhões com os eventos confirmados até dezembro. Seu faturamento beira os R$ 7,1 milhões.

CÉU É O LIMITE 
Ao posar com becas e diploma de doutor honoris causa, Lula esconde dos anfitriões o que o levou até ali: os jatinhos de empreiteiros amigos. 

PAGOU, LEVOU 
Em palestra recente, Lula surpreendeu os contratantes: exigiu uma lancha para passear e uísque Blue Label, de 200 dólares a garrafa.

CIDADÃO DO MUNDO
Lula tem mais de cem convites aceitos para doutor honoris causa. Gilberto Carvalho, seu eterno secretário particular, cuidou de tudo.

SONHAR PODE 
Lula não esconde o sonho de ganhar o Prêmio Nobel da Paz, lançando seu instituto na África, onde empreiteiros amigos ganham milhões. 

BRASÍLIA: DESMONTE DO BB FORÇA ATITUDE DE DILMA 
Assim que retornar de viagem, a presidente Dilma vai tomar decisões importantes sobre a atabalhoada transferência de funcionários do Banco do Brasil, chamados a se mudarem de Brasília para São Paulo, e cabeças devem rolar. O alvo principal é o atual vice-presidente de Negócios de Varejo, Paulo Cafarelli. Paranaense, ele espalha que é afilhado do casal de ministros Gleisi Hoffman e Paulo Bernardo. 

PISOU NO TOMATE 
O Planalto não engoliu a declaração de Paulo Rogério Cafarelli de que a transferência do BB para São Paulo seria “questão de sobrevivência”.

PRESSÃO PAULISTA 
A escolha da cidade que terá a abertura da Copa, prevista para final deste mês, deve ser adiada novamente. Para dezembro. 

LOBBY OFICIAL 
Brasília, São Paulo, Rio e Salvador disputam a abertura da Copa. A decisão será técnica. Mas Lula faz lobby pelo estádio do Corinthians.

FATOR AEROPORTO 
Serviços, boa hotelaria e aeroportos serão os fatores utilizados pela Fifa para a escolha da abertura da sede da Copa de 2014 no Brasil. O Ministério do Esporte avalia que São Paulo sai na frente em razão dos seus quatro aeroportos: Cumbica, Congonhas, Marte e Viracopos.

BOAS CHANCES 
O Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, conquistou o comitê da Fifa. A abertura da Copa das Confederações será o teste decisivo que poderá confirmar na Capital a abertura da Copa de 2014.

FERMENTO NA ADVOCACIA 
O Conselho Federal da OAB registrou crescimento de 60,2% na quantidade de advogados com carteirinha da entidade. Em dezembro de 2004, eram 422.895 profissionais. Hoje, são 677.477.

GRITOS DE HORROR 
Colegas de Maria do Rosário não entendem como que ela permanece na Secretaria de Direitos Humanos, após a mais recente humilhação da presidente Dilma, cujos gritos ainda ecoam no Palácio do Planalto. Até foi desconvidada, de última hora, a integrar a comitiva oficial à Europa.

RENDA FAMILIAR 
Como pode deixar a vaga de senador para João Capiberibe (PSB-AP), o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), logo após a decisão do STF, em março, entrou de licença e o irmão e suplente assumiu. Desde abril ambos recebem salários. Gilvam, licenciado; Geovanni, no cargo. 

CERCO A NASCIMENTO 
O MP do Amazonas desengavetou Procedimento Administrativo 022/2002 e abriu inquérito por improbidade administrativa contra o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, pela contratação ilegal de Yolanda Corrêa, chefe jurídica do Ministério dos Transportes. 

GRITO DA MONTANHA 
O senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) reclamou da concentração de arrecadação da União: aumento de 14% nas receitas este ano e nada para os Estados. 

CENSURA OFICIAL 
Franssinete Florenzano tirou seu blog do ar. Servidora do Tribunal de Contas do Estado, ela teria sido coagida pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Belém, Gervásio Morgado, aos gritos, por ser alvo de críticas. O sindicato dos jornalistas cobrou posição do tribunal.

CHICOTADAS 
O senador Reditário Cassol (PP-RO) defendeu a chicotada em presos “pilantras e vagabundos”. Já para políticos, idem... 

PODER SEM PUDOR
SOL É PARA TODOS 
Adhemar de Barros era governador de São Paulo e, debaixo de um sol abrasador, participava da cerimônia de aniversário da Revolução de 1932. De repente, uma senhora passa perto dele carregando uma bandeira do Brasil. Ele tomou a bandeira e a enrolou na cabeça, como um turbante:
– Minha filha, dizem que o sol nasceu para todos, mas um pouco de sombra não faz mal a ninguém...