quarta-feira, setembro 28, 2011

FERNANDO DE BARROS E SILVA - A Justiça e o sargento Garcia


A Justiça e o sargento Garcia
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 28/09/11

SÃO PAULO - "Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ, e o presidente do Supremo Tribunal Federal é paulista."
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, pôs os cinco dedos na ferida na entrevista que concedeu à APJ (Associação Paulista de Jornais). Sem a fala empolada característica do Judiciário, disse que a marcha em curso para reduzir as competências do CNJ, proibindo-o de investigar e punir magistrados antes que os próprios tribunais estaduais o façam, é "o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos escondidos atrás da toga".
Alguém dúvida que seja verdade?
O CNJ, no entanto, capitaneado pelo ministro Cezar Peluso, tomou a dianteira da reação corporativa à corregedora. Em nota oficial, disse que suas declarações "de forma generalizada ofendem a idoneidade e a dignidade de todos os magistrados e de todo o Poder Judiciário".
Onde estaria a "ofensa generalizada" ao Judiciário? Se digo que o jornalismo está "infiltrado de bandidos escondidos atrás da pena" não quero dizer com isso que todos os jornalistas -nem a maioria deles- sejam venais. Em vez de enfrentar um problema real, o CNJ endossa o teatro da dignidade abalada do Judiciário e faz o jogo do obscurantismo.
Além da corrupção, a Corregedoria do CNJ já identificou pelos Estados diversos problemas disciplinares e de gestão, casos de processos que mofam nas prateleiras, muitas vezes por inação deliberada do juiz.
O TJ-SP, de onde vem Peluso, é um conhecido templo do espírito corporativo mais arcaico e arraigado.
A decisão que o STF tomará a respeito das atribuições do CNJ pode representar um grande retrocesso institucional. Apostar na ação das Corregedorias locais é como acreditar na eficiência do sargento Garcia.

ANTONIO DELFIM NETTO - Câmbio


Câmbio
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 28/09/11

O comportamento dos bancos centrais dos EUA e da Eurolândia são preocupantes. Nos EUA, Obama não conseguiu sequer nomear os dois diretores faltantes do Fed.
A repetição da "operação Twist" (vender títulos de curto prazo e comprar de longo), usada nos anos 60 do século passado com resultado pífio, sugere que o Fed esgotou o seu estoque de mágicas.
Inundou a economia de liquidez, mas não conseguiu induzir nem os consumidores a aumentar seus dispêndios (por temor do desemprego e pela tremenda queda do valor de seus ativos, qualquer coisa como US$ 7 trilhões), nem os empresários a aumentar seus investimentos (por falta de perspectiva de demanda), nem restabelecer plenamente o financiamento interbancário.
Na Eurolândia, a situação não é melhor. Seu Banco Central parece paralisado à espera da substituição do seu presidente, Jean-Claude Trichet, pelo já escolhido, Mario Draghi, um competente, experiente e pragmático economista italiano que desperta as maiores desconfianças dos puristas monetários alemães...
É hora, portanto, de insistirmos num programa social e econômico capaz de, em 2030, dar emprego de boa qualidade para 150 milhões de cidadãos que terão entre 15 e 65 anos de idade.
O cabo de guerra entre os analistas financeiros e a administração econômica do país vai continuar enquanto o poder incumbente não convencê-los de que o programa está, e vai continuar, a ser promovido sob a égide de um controle fiscal calibrado, sem exageros nem leniência, perseguido tenazmente, ano após ano, sem fantasias contábeis.
Não há razão objetiva para imaginar que esteja acontecendo no Brasil uma mudança no famoso tripé da política econômica canônica.
Se existe ainda alguma dúvida de que ele deve ser condicionado pelo pragmático e pelo oportunismo conjuntural, basta olhar para o que fez a Suíça com a sua moeda nas últimas semanas.
A propósito, seria a recente desvalorização do real só consequência das medidas de restrição cambial adotadas recentemente no Brasil? Certamente, não! Todas as moedas do mundo (menos o yen) se desvalorizaram frente ao dólar.
O dólar americano se fortaleceu porque continua, na opinião dos investidores mundiais e a despeito de ter perdido um "A", o refúgio mais seguro para seu capital.
O efeito inflacionário dela decorrente deve ser amenizado devido à relação inversa entre o valor do dólar e o preço das commodities: quando o dólar sobe seus preços caem. O efeito final será, talvez, positivo e de magnitude incerta, mas provavelmente menor do que sugerem os "terroristas" que apanharam no câmbio...

VÍCTOR GARCÍA RODRÍGUEZ - Pressa e descontrole nos gastos da Copa


Pressa e descontrole nos gastos da Copa
VÍCTOR GARCÍA RODRÍGUEZ
FOLHA DE SP - 28/09/11

Em um Estado famoso pela impunidade, a intervenção jurisdicional nas obras públicas só é eficaz antes do desembolso integral


A discussão acerca da legalidade da dispensa de licitação para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, que agora chega ao Supremo Tribunal Federal, padece de uma redução de foco.

A dúvida com que terão de se haver aqueles que julgarão a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.655 -na qual a Procuradoria-Geral pede que seja suspenso o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) da lei 12.462/11- pode ser menos relevante do que aquela que deverão enfrentar os membros do Judiciário nos tribunais inferiores e nas varas singulares, quando diante da análise da legalidade de cada um dos pagamentos públicos cuja apreciação lhes for exigida.

A decisão sobre a constitucionalidade do RDC, ainda que tenha seus efeitos diretos nos regimes de contratação, não me parece, por dois motivos principais, ser o cerne do problema.

Primeiro, porque a nossa Suprema Corte tem dado respostas rápidas e democráticas, a partir de um debate plural e diante da ótica da Constituição, que é muito obtusa.

Segundo, porque, embora uma lei originada de medida provisória possa dizer o contrário, é impossível afastar o controle jurisdicional das contas públicas -para tal fim, há variados instrumentos disponíveis. O art. 5º, inciso XXXV da Constituição Federal deixa isso bastante claro.

O problema real é que, em um Estado famoso pela impunidade, especialmente naquilo que diz respeito aos crimes contra o erário (quer na aplicação de penas, quer na quase nula recuperação do dinheiro desviado a particulares), a intervenção jurisdicional nas obras públicas somente é eficaz em sua modalidade anterior ao desembolso integral, em que a eventual anulação do procedimento licitatório irregular é uma opção importante, porém não única.

Em outras palavras, o efeito colateral inevitável do único remédio judicial eficaz contra possível desvio de recursos é a suspensão do pagamento, que importa em paralisação de obra.

Mas a paralisação implica em passagem de tempo. Esse tempo que, em se tratando da Copa do Mundo de 2014, tem-se apresentado mais escasso do que o dinheiro público.

Então, o fator emergência, que já tradicionalmente é invocado para se cometerem injustiças, transforma-se em fator criminógeno; seria ingênuo imaginar que corruptos e corruptores não estejam, neste momento, a calcular o quanto a tal "emergência" lhes renderá em números concretos.

Eles sabem que a pressa na execução dos trabalhos visando aos dois grandes eventos esportivos, amplamente disseminada na opinião pública, opõe-se frontalmente à resistência inerente a qualquer intervenção judicial e, assim, sopra a favor do aumento indiscriminado de custos.

Se é verdade que o STF tem estrutura para suportar pressão dessa espécie, o mesmo não se poderá dizer, no futuro, a respeito dos tribunais inferiores, quando frente a casos concretos, e a dias contados da inauguração de nossas vitrines para o mundo.

O efeito, portanto, pode ser reverso: quando decidida sob a velada coação da impossibilidade real de paralisação de uma obra pública, a ação judicial originada para estancar uma despesa imoral acaba por se transformar em seu mais eficaz e talvez conveniente instrumento homologatório.

A urgência, como argumento, sairá mais cara do que a dispensa parcial das licitações.

*VÍCTOR GABRIEL RODRÍGUEZ é professor doutor do Departamento de Direito Público da Universidade de São Paulo (Faculdade de Direito de Ribeirão Preto)

CELSO MING - Muda para ficar como está


Muda para ficar como está
CELSO MING
O ESTADÃO - 28/09/11

A redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de R$ 0,23 para R$ 0,19 por litro de gasolina, foi pequena demais para mudar alguma coisa na política de combustíveis do governo federal.

Agindo pequeno, perdeu-se outra oportunidade de ajustar mais adequadamente o mercado, hoje desfavorável para o álcool.

A Cide não é um imposto para arrecadar. É de natureza regulatória. Por isso, falar em renúncia fiscal como consequência dessa redução não faz sentido.

A decisão mais importante do governo foi diminuir de 25% para 20% o teor de álcool anidro na mistura com a gasolina.

Além de deter menor teor energético, o álcool é mais barato do que a gasolina. Isso significa que o litro de combustível, agora com menos álcool e mais gasolina, ficaria mais caro. Assim, para compensar esse aumento de custos, o governo reduziu a Cide.

A razão pela qual caiu o volume de álcool na mistura é a já conhecida quebra da safra do setor sucroalcooleiro do Centro- Sul do Brasil, que termina em novembro.

No ano passado, a produção de álcool foi de 25,39 bilhões de litros. Neste ano, não será superior a 21,0 bilhões, o que equivale a um recuo de 17,25%. Além da falta de investimentos em massa verde (cana-de-açúcar) e problemas climáticos, pesa nessa retração o aumento de custos na agricultura, especialmente no preço da terra (arrendamentos) e dos fertilizantes.

O produtor de álcool não consegue repassar esses custos para o preço por esbarrar no achatamento das cotações da gasolina.

Sempre que os preços do álcool ultrapassam em 70% os da gasolina, o consumidor dos veículos flex (40% da frota nacional e mais de 80% dos carros novos vendidos hoje) acaba optando por encher o tanque com gasolina.

A produção de cana-de-açúcar no Centro- Sul até a primeira quinzena de setembro caiu 10,18% em relação ao mesmo período do ano passado, informam os últimos levantamentos da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), instituição que reúne grande número de produtores do setor (veja a tabela).

A redução de álcool anidro na mistura carburante, de apenas 5 pontos porcentuais, terá um impacto insignificante na oferta do produto. O álcool anidro corresponde a apenas 33% da produção total. Os 63% restantes são do tipo hidratado, que vai sem mistura ou nos carros flex ou nos veículos movidos somente a álcool.

A quebra de produção do álcool vai produzir três efeitos: (1) aumento de consumo de gasolina; (2) aumento de importações de álcool; e (3) aumento de importação de gasolina pela Petrobrás, que também não vem produzindo o suficiente para dar conta do consumo que, em 2010, aumentou 19% e, neste ano, vem crescendo mais 17%.

O ajuste da Cide é mais um puxadinho construído pelo governo. Permanece intocada a questão de fundo, ou seja, o esvaziamento relativo do programa do álcool, cuja principal razão é a perda de competitividade da produção, como ficou dito. E esta, por sua vez, depois da disseminação dos carros flex, se assenta na agora rígida relação de preços da gasolina e do álcool.

Tudo se passa como se o governo Dilma estivesse bem mais entusiasmado como futuro do petróleo (pré-sal) do que com a continuidade dos programas de biocombustíveis (álcool e biodiesel).

Sem bandas no câmbio

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não repetiu ontem no Senado o argumento de que a política cambial neutraliza volatilidades. Dessa vez, preferiu dizer: "Trabalhamos para evitar movimentos bruscos da moeda para os dois lados". Só que as cotações continuam tendo movimentos bruscos. Tombini também desmentiu que o Banco Central trabalha com piso ou teto (bandas de câmbio).

JOSÉ NÊUMANNE - O Brasil de hoje é o Maranhão de 1966



O Brasil de hoje é o Maranhão de 1966
JOSÉ NÊUMANNE
O ESTADÃO - 28/09/11

Nesta semana, este Estadão ainda não se livrou da censura imposta pelo Judiciário às notícias a respeito da Operação Boi Barrica, na qual a Polícia Federal(PF) investigou negócios suspeitos da família Sarney. Esta também foi aliviada com a notícia de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) invalidou as provas que a referida autoridade policial levantou na dita investigação. O YouTube revelou a cinéfilos e interessados em política um curta metragem de propaganda feito pelo baiano Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo e da sétima arte no Brasil, por encomenda do então jovem governador do Maranhão, registrando o início de uma carreira política que, contrariando as previsões mais otimistas, o levou à Presidência da República. E a um poder, na presidência do Senado, que ora lhe permite substituir no Ministério do Turismo um indicado, Pedro Novais, afastado por suspeita de corrupção e evidências de má gestão, por outro, Gastão Vieira, cuja única virtude notória é a de ser mais um ilustre desconhecido e leigo nos assuntos da pasta a assumi-la.

O filme de Glauber Rocha,Maranhão 66, suscitou um debate inócuo em torno das intenções e dos verdadeiros interesses do cineasta e da notória sagacidade do político profissional que patrocinou um comercial da própria posse e terminou por financiar um documentário vivo e cru da dura realidade do País e de seu Estado miserável. Questionou- se se o cineasta foi leal a seu patrocinador ou se se aproveitou do patrocínio dele para, com imagens chocantes,denunciar o abismo existente entre o discurso barroco do empossado e a revoltante miséria de seu eleitorado.

Também foram levantadas dúvidas sobre o papel do protagonista do filme no relativo ostracismo em que a obra mergulhou, não merecendo a fortuna crítica que obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe viriam a ter. Glauber foi um militante de esquerda, mas aderiu à ditadura em seus estertores quando voltou ao Brasil, chegando a chamar o ideólogo da intervenção militar contra a pretensa República sindicalista, general Golbery do Couto e Silva, de "gênio da raça". O Sarney por ele filmado era da "Bossa Nova" da UDN, com tinturas pink, mas aderiu ao regime autoritário e, depois,se afastou dele para entrar na chapa que lhe pôs fim no colégio eleitoral.

Personagem e autor podem, assim, alinhar-se na galeria das "metamorfoses ambulantes" em que Luiz Inácio Lula da Silva se introduziu, inspirando-se em Raul Seixas, para justificar na prática sua adesão ao lema de Assis Chateaubriand,segundo o qual "a coerência é a virtude dos imbecis". Mas, com todo o respeito às boas intenções de quem entrou no debate, não é a incoerência do material do curta-metragem que interessa, e sim exatamente o contrário: a permanência das práticas denunciadas com a imagética bruta da fita sob a gestão do orador inflamado e empolado, que as usava para de tratar seus antecessores, dos quais assumiu os mesmos vícios ao tomar-lhes o lugar nos braços do povo que, "bestializado", na definição de José Murilo de Carvalho,o ouvia e aclamava.

O autor deste texto é glauber ia no de carteirinha: presidio Cine Clube Glauber Rocha em Campina Grande um ano depois de o curta ter sido produzido, mas nunca me interessei por ele. Graças ao mesmo YouTube que trouxe de volta obras-primas perdidas da música para cinema no Brasil, como as trilhas de Sérgio Ricardo para Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Geraldo Vandré para A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Maranhão 66 emergiu. E despertou o debate errado: não importa se Glauber exaltou ou execrou Sarney nem se este foi elogiado ou ludibriado pelo cineasta contratado. Interessa é perceber a genialidade da peça cinematográfica no que ela tem de mais poderoso: a constatação de que a cena de um homem fazendo um penico de prato antecede outra em que urubus sobrevoam um lixão, ao som da retórica barroca e vazia de um demagogo, retratando o Maranhão daquela época e, sem tirar nem pôr, o Brasil de agora.

Sarney, que preside o Senado e o Congresso e põe no Ministério do Turismo de Dilma Rousseff quem lhe apraz, é o símbolo vivo do Brasil em que, no poder, o PT da presidente, associado ao saco de gatos do PMDB do senador pelo Amapá, mantém incólume "tudo isso que está aí" e que Lula prometeu a seus devotos exterminar. O problema do filme feito para exaltar a esperança no jovem político que assumiu o poder prometendo mudar tudo não é ter seu diretor traído, ou não, o acordo feito com o financiador ao expor as mazelas que ele garantiu que acabaria e não acabou. A tragédia é que nada mudou.

E não é o caso só de Sarney. A vassoura com que Jânio Quadros varreria o Brasil terminou sendo posta atrás da porta do Palácio do Planalto para expulsá-lo do poder.O caçador de marajás Fernando Collor foi defenestrado sob a acusação de ter executado com desenvoltura as práticas daninhas que usou como chamarizes para atrair eleitores incautos e,depois do período sabático fora do poder, voltou ao Congresso para bajular os novos guardiães dos cofres da viúva.

E estes também desempenharam com idêntico cinismo o papel de restauradores da moralidade que engrossaram o caldo sujo da malversação do erário, primeiro, sob Luiz Inácio Lula da Silva e, depois, sob Dilma Rousseff,cuja meia faxina em nada fica devendo aos arroubos de falso moralismo de antanho.

Desde sempre, vem sendo cumprida a verdadeira missão dos políticos no poder no Brasil sob qualquer regime e com qualquer bandeira partidária:"O Estado brasileiro usa as leis para manter os maus costumes",definiu, magistralmente,o antropólogo Roberto Da Matta na entrevista das páginas amarelas da Veja desta semana. Foi por isso que aqui se inverteu o aforismo de Heráclito de Éfeso: o rio em que nos banhamos tem sido emporcalhado a jusante por quem promete limpar a água - Sarney, Jânio, Collor, Lula, Dilma, etc.

RENATA LO PRETE - Porteira aberta


 Porteira aberta
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 28/09/11

O reconhecimento formal do registro do PSD incendiará a semana derradeira de filiações com vistas a 2012. O aval do TSE era a senha aguardada por detentores de mandatos que desejavam migrar para o partido de Gilberto Kassab, mas hesitavam, pois temiam colocar em risco seus projetos locais de curto prazo.
O impacto mais expressivo será visto em São Paulo, onde a indefinição jurídica travava a articulação de Kassab para sua sucessão. Com o sinal verde, ganha força o nome do vice-governador, Guilherme Afif. Puxando a lista de prefeitos "demos" que engordarão a nascitura agremiação está o de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli.

Abafa o caso Minutos após a proclamação da vitória do PSD no TSE, alguns dirigentes do DEM já falavam nos bastidores em abortar a tentativa de questionar o resultado no STF, sob pena de encarar outra derrota, dada como certa pela maioria.

Origem 1 Alckmistas enxergam a digital de José Serra em esforços que pipocam na blogosfera para desconstruir no nascedouro a pré-candidatura do tucano Bruno Covas à Prefeitura de São Paulo.

Origem 2
Descartado Aloysio Nunes, que não aceitou concorrer, Serra enxerga em Guilherme Afif a única possibilidade de amarrar Geraldo Alckmin e Kassab no mesmo barco. Ocorre que, para o governador, seu vice não é opção.

Trânsito Roque Barbiere (PTB), delator da suposta venda de emendas na Assembleia paulista, exibe nas redes sociais fotos nas quais aparece ao lado de Alckmin e quatro secretários de Estado. No Twitter, festeja a liberação de R$ 300 mil para a reforma de um hospital em seu reduto eleitoral.

Intempéries De um deputado da base aliada, sobre a reação do Brasil à crise internacional: "Aqui ainda não chegou nem marolinha, e já estão anunciando tsunami".

Estado das coisas
O Supremo, que deve decidir hoje sobre ação impetrada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, tem ao menos quatro votos certos para amputar a corregedoria do CNJ: Cezar Peluso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. E, do outro lado, só dois considerados seguros: Gilmar Mendes e Luiz Antonio Toffoli.

Selado? Há quem diga que, mesmo em caso de pedido de vista, o quarteto favorável à ação da AMB pretende antecipar o voto. Embora menos transparente a respeito, Luiz Fux tende a acompanhar esse grupo.

Decibéis
Rolou gritaria pesada antes da reunião do CNJ que terminou com nota de Peluso para enquadrar a corregedora Eliana Calmon.

Babel 1 Depois de ouvir Guido Mantega em nova reunião sobre os royalties do petróleo, Francisco Dornelles (PP-RJ) disse: "Os Estados não-produtores querem R$ 8 bi. Se a União quer dar R$ 2 bi, de onde vão tirar o resto? Esse dinheiro não existe".

Babel 2 Para indignação da bancada do Rio, Edson Santos (PT-RJ) defendeu com veemência a necessidade de poupar a Petrobras. Os congressistas fluminenses haviam sugerido alterar a cobrança de participação especial, conta que seria paga pelas petroleiras.

Visita à Folha José Olympio Pereira, corresponsável pelo Banco de Investimento do Credit Suisse no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Daniella Camargos, diretora da Máquina de Notícia.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"O mecanismo de ingresso no partido é o mesmo para todos. O PSDB não pode decidir agora que há filiados de numerada e filiados de arquibancada."

DO TUCANO ANDREA MATARAZZO, secretário estadual da Cultura e pré-candidato à prefeitura paulistana, rejeitando a ideia de restringir em qualquer medida o colégio eleitoral das prévias que o partido deverá realizar.

contraponto

Profissão de risco


Durante inauguração de uma agência do INSS no município paulista de Ribeirão Preto, anteontem, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, defendia em discurso a necessidade de promover reformas no instituto, em especial no que diz respeito aos processos de aposentadorias. De repente, parou e comentou:

-Eu estou falando tanto em mudanças... Falando coisas que nem deveria falar... Do jeito que os ministros estão caindo, devo ser o próximo- disse o peemedebista, arrancando gargalhadas da plateia.

DORA KRAMER - Reforço de caixa



Reforço de caixa
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 28/09/11

A reforma política que o PT está propondo à Câmara dos Deputados e que o ex-presidente Lula já encampou como bandeira de luta serve ao partido do poder, mas não serve ao eleitor nem serve para mudar, muito menos para melhorar, o sistema eleitoral vigente no País.

Em alguns aspectos, piora, e por isso é de suma importância que a sociedade se engaje nessa discussão com a mesma disposição com que se alistou no debate sobre a Lei da Ficha Limpa.

É certo que a exigência de vida pregressa sem contas abertas na Justiça para candidatos a representantes populares corre risco.

O Supremo Tribunal Federal está para votar a constitucionalidade da lei e pode derrubá-la.

Mas, ainda assim, valeu a pena. Não fosse a pressão exercida sobre o Congresso no início do ano passado, o assunto continuaria fora da pauta nacional, seria apenas uma abstração.A manifestação do STF seja qual for obrigará a algum tipo de solução para o problema.

A dita reforma política engendrada pelo PT é desses assuntos que requerem toda atenção do público. Mais não fosse porque mexe no bolso de todos.

São dois os pontos principais: a instituição do voto em lista mitigado mediante um confuso método misto de escolhas partidárias e nominais e o financiamento das campanhas eleitorais.

Não há no horizonte da proposta nada que favoreça a correção do sistema representativo.

O foco é dinheiro e poder.

Quando o PT fala em financiamento público de campanha busca construir um álibi para o julgamento do processo do mensalão no Supremo, baseado no principal argumento da defesa de que não houve corrupção, mas apenas adaptação do partido às exigências impostas pela realidade que obriga partidos e candidatosrecorreremadinheirodecaixa2.

Mas não é financiamento público de fato o que propõe o partido.É a constituição de um fundo partidário composto por dinheiro do Orçamento da União, a ser abastecido também por doações de pessoas físicas e jurídicas.

E sem o limite determinado. Hoje as pessoas físicas podem doar oequivalenteaaté10% da renda declarada no IReas jurídicas até 2% do faturamento anual.

Ou seja, ao sistema atual (piorado) acrescenta-se o financiamento público.

De quanto?OTSE determinaria o montante, segundo o projeto.Mas,é possível fazer um cálculo aproximado, com base nos R$ 7 por eleitor já propostos em outras ocasiões.

Levando em conta os 135 milhões de eleitores registrados em 2010, teríamos quase R$1bilhão reservado do Orçamento às campanhas. Somado aos atuais R$ 300 milhões do Fundo Partidário e aos cerca de R$ 800 milhões resultantes da renúncia fiscal das emissoras pela transmissão do horário eleitoral gratuito, o gasto público com os partidos ultrapassaria os R$ 2 bilhões.

Isso sem garantia de que não haveria caixa 2.

As doações do fundo dito público seriam distribuídas da seguinte maneira: 5% igualmente a todos os partidos,15%a todas as legendas com representação na Câmara dos Deputados e80%divididos proporcionalmente ao número de votos obtidos na eleição anterior.

Ou seja, os maiores partidos de hoje levam a maior parte do dinheiro, o que assegura que continuem sendo os mais fortes. Favoreceria o PT e o PMDB.

Garantida a parte do leão, a distribuição interna entre candidatos só dependeria de um acerto prévio entre as direções e as empresas interessadas, exatamente como é feito hoje.

Os beneficiados? Os eleitos pelas cúpulas do partido para integrar a lista fechada. Por esse sistema o que se teria cada vez mais é a submissão dos parlamentares às respectivas direções, que,no caso dos partidos no poder, significa dizer o governo.

Ah,mas há a possibilidade de se eleger nominalmente metade dos deputados.

Por qual sistema? Diz a proposta: "Dividir-se-á a soma aritmética do número de votos da legenda dado à lista partidária preordenada e dos votos nominais dados aos candidatos nela inscritos pelo número de lugares por eles obtidos, mais um, cabendo ao partido ou coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher".

Não deu para entender? Pois é, pelo jeito essa é a ideia.

FERNANDO RODRIGUES - Só vai piorar


Só vai piorar 
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 28/09/11

BRASÍLIA - A direção da Câmara dos Deputados analisou e considerou legal a sessão da Comissão de Constituição e Justiça que aprovou 118 projetos em apenas três minu tos na semana passada.

São inúmeros os escândalos sem consequência nem punição porque tudo "é legal". No caso da sessão fantasma da CCJ, 35 deputados assinaram a lista de presença, mas ficaram só dois, um presidindo e um votando. Nada no regimento interno da Casa impede tal prática.

O presidente da Câmara, Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul, explicou que esse procedimento é padrão.

Se fosse anulada a sessão da semana passada, centenas de outras das últimas décadas precisariam também perder a validade.

Na realidade, o sistema de votação no Congresso é inimigo do debate. Poucos deputados e senadores sabem exatamente o que está sendo debatido. É comum a cena de um deputado perguntar ao outro: "Voto a favor ou contra?". Em seguida, aperta o botão e sai do plenário sem ter ideia do assunto sobre o qual opinou. Mas é legal.

É óbvio que muitas vezes há consenso e algum projeto pode e deve ser aprovado com o voto simbólico de todos. A encrenca se dá quando o procedimento se torna uma praxe irrefletida da maioria.

O descaso com as votações fragiliza o Congresso. Torna-o desimportante. Há razões diversas na raiz dessa conjuntura. Duas principais são a fragmentação partidária e a consequente hegemonia do Poder Executivo.

Há 22 partidos representados hoje na Câmara e no Senado. Desses, só três ou quatro, se tanto, podem ser considerados de oposição -e mesmo nessas siglas há vários votando pró-Planalto.

Fragmentados em suas legendas, os congressistas são presas fáceis para o presidente de turno. Aí é mais cômodo votar sem pensar, pois o governo ganha todas. Há chance de o quadro melhorar em breve? Chance zero.

QUARTA NOS JORNAIS


O Globo: No país da impunidade - Punição a juízes abre guerra na cúpula do Poder Judiciário

FOLHA DE SP: Justiça aprova o PSD, novo partido de Kassab

O Estado de S. Paulo: Juízes reagem a crítica de corregedora que vê 'bandidos de toga'

Correio Braziliense: Pizza, não! Acabou a farra do queijo

Valor Econômico: Unidos, bancos pequenos vão ao varejo vender CDB

Jornal do Commercio: Só o Náutico faz a festa

Zero Hora: Nova Ponte do Guaíba sairá do papel com recursos privados





CLAUDIO HUMBERTO

“Vaccarezza é um pé de boi para trabalhar”
Presidente da Câmara Marco Maia, outro pé de boi, falando do líder do Governo

BB abandona Brasília para fortalecer o PT em SP 
A presidência do Banco do Brasil está “fatiando” sua sede em Brasília e transferindo diretorias para São Paulo. O objetivo é fortalecer o PT nas eleições municipais de 2012. Após dobrar a verba de propaganda de R$ 240 milhões para R$ 420 milhões, a diretoria de Marketing vai levar mais de 70% dos cem funcionários para a capital paulista. Ficam em Brasília o setor de “endomarketing” e parte da assessoria de imprensa, que parece ignorar tudo: diz não haver “definição” sobre a mudança.

Nossa conta 
A mudança parcial do Banco do Brasil atende a conveniência política e até pessoal de diretores paulistas. Mas o custo será nosso, e é secreto. 

Lorota oficial 
A justificativa oficial do BB para a transferência é a de que o mercado financeiro “está concentrado em São Paulo”. Mas é só uma lorota.

Esvaziamento 
A diretoria de Mercado de Capitais do BB trocará a sede de Brasília por duas instalações, maiores e mais caras, em São Paulo e no Rio.

Lipo forçada 
A lipoaspiração do BB em Brasília começou com a transferência da subsidiária BB-DTVM (distribuidora de títulos) para o Rio de Janeiro.

Agulhas Negras: cadete em coma após exercício 
Um cadete da Academia Militar das Agulhas Negras está em coma no Hospital Samer, de Resende (RJ), com rins e pâncreas paralisados. Renan Mendonça Borges Gama, o cadete Gama, passou mal durante exercícios, pediu ajuda médica, mas o instrutor, um capitão, negou-lhe o socorro, acusou-o de “corpo mole” e atirou nele um cantil d’água. Obrigado a seguir nos exercícios, desmaiou com parada cardíaca.

Culpa de bactérias 
Em nota, o comandante da Aman diz que “os médicos trabalham com três hipóteses: “Leptospirose, Febre Maculosa ou Rabdomiólise”. Anrã.
Clima de terror Todos têm medo de falar sobre o cadete da Aman em coma, inclusive no hospital. Um pai disse ter medo de represálias contra o filho dele.

Dois exemplos
Em 2008, o cadete Maurício Silva Dias morreu em treinamento avaliado como cruel. Em abril último, 60 passaram mal e foram hospitalizados.

Vai dar rolo 
Fornecedores se queixaram a autoridades sobre a criação de dificuldades para a venda de “facilidades” na SLU, autarquia de limpeza pública do governo do DF. Bens e serviços são entregues e executados, mas a hora do pagamento é também hora de assédio.

Fronteira escancarada 
Em reunião reservada com deputados do PT, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) sinalizou que não controla a Polícia Federal, que vai contratar 4 mil agentes mas ninguém na PF quer ir para a fronteira.

Fofoca petista 
O PT espalha no Congresso que a crítica à aprovação de 118 projetos em três minutos, na Câmara, seria uma reação da Globo ao fato de que entre eles havia a renovação de concessões das rivais Band e Record.

Centro na Justiça 
A deputada distrital Celina Leão (PMN) vai representar no Ministério Público contra a obra do centro administrativo do governo do DF, em Ceilândia. Ela questiona valores, o contrato suspeito e o transtorno aos servidores, maioria residente longe do local, a quase 30 km de Brasília.

Ana detonada 
Cresceu a pressão da família para que a ministra Ana de Holanda (Cultura) deixe o cargo. A irmã de Chico Buarque foi implacavelmente vaiada na abertura do Festival de Cinema de Brasília.

Crime ambiental 
Com o nome ligado a acusações de irregularidades em contratos para recolher lixo em Maceió, a Limpel constituiu outra empresa, URCD Ilha Grande Ltda, para outro negócio polêmico: a instalação de um aterro sanitário em área de preservação ambiental no município de Pilar.

Paz no BRB 
O BRB fechou acordo antes do prazo limite para a decretação da greve dos bancários. Em nota, o banco destacou que não busca apenas bons resultados, mas valorizar os funcionários e a qualidade dos serviços.

ONG oportunista 
A ONG “Rio de Paz” fincou 594 vassouras em Copacabana insinuando que corrupção é coisa do Congresso. Em Brasília, amarelou: quis “entregar” vassouras para os parlamentares fazerem faxina ética. Mas apontar ladroagem em governos que a financiam, que é bom, nada.

Perdeu, Jafois 
O ex-ministro Pedro Novais perdeu comemoração de dupla data ontem: os dias do Idoso e do Turismo. 

PODER SEM PUDOR
Candidato a patife 
O falecido senador Jefferson Péres (AM) decidiu disputar com o senador Cristovam Buarque (DF) a candidatura do PDT para a sucessão de Lula, em 2010. Péres estava intrigado com a transformação dos presidentes, depois de eleitos:
– Será que você vira patife ao chegar ao poder? Gostaria de ser testado...

terça-feira, setembro 27, 2011

ANCELMO GOIS - Alto nível


Alto nível 
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 27/09/11

No meio da frustração da Fifa com o projeto da Lei Geral da Copa, começou a ser articulado ontem um encontro entre Dilma Rousseff e Joseph Blatter, presidente da entidade, para aparar as arestas.

De volta às aulas

A UNB pode ter mais um aluno famoso. É que o senador Marcelo Crivella tenta uma vaga no mestrado em Ciência Política.

Ontem, fez prova de inglês.

Deus castiga

Frei Cláudio, pároco da Igreja do Carmo, em Belo Horizonte, não passou pelo teste do bafômetro semana passada numa blitz da Lei Seca. O padre alegou que havia bebido vinho na hora da comunhão.

Terminou sendo liberado, mas só depois de prometer aos fiscais rezar três ave-marias.

Marketing da bola

Júlio Mariz está deixando o comando da Traffic, a gigante do marketing esportivo.

Gois no Rock in Rio I

O acadêmico Arnaldo Niskier considerou prova de mau-gosto e desrespeito o vocalista inglês Lemmy Kilmister, do Motörhead, "ter usado esta cruz de guerra nazista (no pescoço do artista) no Rock in Rio".

A cruz é de 1813, bem anterior ao nazismo. Mas foi usada no III Reich.

Paris é uma festa

Lula está desde domingo hospedado no Lutetia Paris, na capital francesa.

Aliás, o número de hóspedes brasileiros no hotel, cuja diária vai até 3.500 euros (quase R$9 mil), aumentou 40% de 2009 para 2010.


AS OBRAS do Maracanã receberam a visita do maior artilheiro da história do famoso estádio. Zico, que balançou 333 vezes as redes do lendário templo do futebol, bateu bola com operários (veja na foto, a embaixadinha de cabeça) e viu que as fundações das arquibancadas, que vão deixar o público mais perto do gramado, começaram a ser feitas pela Secretaria estadual de Obras. Também já foi dada a partida na concretagem dos degraus, que estão sendo feitos e estocados no próprio estádio. Até dezembro, a nova arquibancada começa a ganhar forma, novo passo na reconstrução do querido Maraca, que rejuvenescerá para consagrar os artilheiros do futuro 


Yankee go home

Parece esquisito. E é.

A Petrobras não vai participar da Offshore Technology Conference, maior evento do setor petrolífero do mundo, que será realizada (pela primeira fora dos EUA) de 4 a 6 de outubro agora, no Rio.

OTC X IBP...

A versão na Rádio Pré-Sal é que a estatal tomou a atitude em apoio ao tradicional Instituto Brasileiro de Petróleo, que ficou de fora do projeto americano.

A OTC viria disputar o mercado desse tipo de evento com o próprio IBP, que a cada dois anos faz a Rio Oil & Gas.

Questão política...

O que se diz é que o próprio governo americano tentou, sem sucesso, ajudar a OTC a ser mais bem recebida no Brasil.

ZONA FRANCA

O jornalista João Máximo recebeu ontem a Medalha Pedro Ernesto do vereador Eliomar Coelho.

Dia 29, na ABL, será lançada a coleção "História do Brasil Nação: 1808-2010", com mesa-redonda.

Alberto Bardawil e Cecília Queiroz produzem o 5º BRAFFTV.

Hoje, na Travessa (Leblon), será lan-çado "A urgência do presente, biografia da crise ambiental", de Israel Klabin.

Hoje, na ESG, tem debate sobre a liberação das drogas.

Volney Pitombo fala no Congresso Americano de Cirurgia Plástica.

A soprano Anne Meyer se apresenta hoje na UFRJ.

A NEP vendeu todas as unidades do Supreme Campos.

Os 15 anos do maior sistema de crédito cooperativista do Brasil foram festejados, no Pense SICOOB.

Cico Caseira dá aula de teatro gratuita para terceira idade no Espaço Move.

N. S. Anunciação

O governo do Rio lança quinta agora os dois primeiros volumes do Inventário da Arte Sacra Fluminense, feito pelo Inepac.

A pesquisa resgatou, entre outras joias, esta pintura de Nossa Senhora da Anunciação (foto), que está na Capela de Nossa Senhora de Saúde, em Maricá.

Drive-thru de Deus

Semana passada, vários templos da Universal - entre eles o da Barra - estenderam faixas oferecendo "Orações drive-thru". Aliás, drive-thru é o... você sabe.

Alô, Eduardo Paes!

Lotes em área de Mata Atlântica estão à venda no Morro do Pendura Saia, em Paquetá. Cada terreno custa R$5 mil.

"É invasão", denuncia José Luis Alqueres, do Movimento Paquetá Sustentável.

Quem sai aos seus...

Pedro Verissimo, o cantor que é filho do mestre Luis Fernando, faz amanhã, na Casa da Gávea, show de músicas inéditas.

Gois no Rock... II

Um motorista de uma van, que tentou furar o bloqueio da prefeitura, neste fim de semana, na boca da Cidade do Rock, apelou:

- Não é lotada, não. Aqui só tem parente.

- Então, me diga o nome daquele ali - pediu um fiscal.

O do volante pensou e disse:

- Sabe, moço, é que é tudo parente de longe...

Ah bom!

No mais

A presença de Neymar & Cia provoca uma comoção em Belém (veja na foto). A seleção brasileira, a exemplo da Arena no passado e do lulismo no presente, parece fazer mais sucesso nos rincões distantes. Com todo o respeito.

PAUL KRUGMAN - A viagem mortal do euro


A viagem mortal do euro
PAUL KRUGMAN 
O GLOBO - 27/09/11

A situação europeia é assustadora. Com países que respondem por um terço da economia da zona do euro sob ataque especulativo, a existência da moeda única está sob ameaça - o colapso do euro seria terrível para o mundo.

Os políticos europeus continuam na mesma. Provavelmente conseguirão ampliar o crédito dos países em apuros, o que poderá ou não impedir o desastre. Mas não parecem dispostos a reconhecer algo crucial - sem políticas fiscais e monetárias expansionistas nas principais economias da Europa, as tentativas de solução vão falhar.

A introdução do euro, em 1999, levou a uma forte expansão nos empréstimos às economias periféricas da Europa, porque os investidores acreditavam (erradamente) que a moeda comum tornaria a dívida grega ou espanhola tão segura quanto a alemã. Contrariamente ao que se ouve com frequência, esse dinheiro não financiou majoritariamente gastanças governamentais. Espanha e Irlanda tinham superávits fiscais às vésperas da crise e baixo endividamento. O influxo de recursos foi usado em gastos privados, especialmente no mercado imobiliário.

Mas, quando o crédito abruptamente secou, o resultado foi crise econômica e fiscal. Recessões selvagens reduziram a receita tributária, levando a déficits orçamentários; enquanto isso, o custo do salvamento dos bancos levou a um súbito aumento da dívida pública. Um dos resultados foi o colapso da confiança dos investidores nos títulos das nações periféricas.

E agora? A resposta da Europa foi exigir forte austeridade fiscal, especialmente drásticos cortes nos gastos públicos, dos países endividados, enquanto providenciava créditos tapa-buracos até que a confiança dos investidores privados voltasse. Pode funcionar?

Não para a Grécia, que realmente entrou na gastança fiscal durante os anos de bonança e deve mais do que pode pagar. Provavelmente não para Irlanda e Portugal, que por diferentes razões também têm pesados débitos. Mas, graças a um ambiente externo favorável - especificamente, a forte economia europeia como um todo, com moderada inflação -, a Espanha, que mesmo hoje tem relativamente baixo endividamento, e a Itália, que tem alto endividamento, mas déficits surpreendentemente baixos, poderiam sair do buraco.

Infelizmente, os políticos europeus parecem determinados a negar aos devedores o ambiente de que precisam.

Pense comigo: a demanda privada nos países devedores despencou com o fim do crédito fácil. Enquanto isso, os gastos do setor público estão sendo também drasticamente reduzidos pelos programas de austeridade. Então, de onde supostamente virão os empregos? A resposta deve estar nas exportações, principalmente para outros países europeus.

Mas as exportações não podem disparar se os países credores também estiverem adotando políticas de austeridade, muito provavelmente empurrando a Europa de volta à recessão.

Também as nações devedores precisam cortar preços e custos relativamente às nações credoras, como a Alemanha, o que não seria difícil demais se a Alemanha tivesse inflação de 3% ou 4%, permitindo aos devedores ganhar mercado simplesmente por terem inflação zero ou abaixo daquele número. Mas o Banco Central Europeu tem um viés deflacionário - ele cometeu um erro terrível ao subir as taxas de juro em 2008, quando a crise financeira estava ganhando força, e mostrou não ter aprendido nada ao repetir o erro este ano.

Como resultado, o mercado agora espera inflação muito baixa na Alemanha - ao redor de 1% nos próximos cinco anos -, o que implicará deflação significativa nas nações devedoras. Isto aumentará seus tombos e tornará mais pesada a carga de suas dívidas, tornando provável que falhem todos os esforços para resgatá-los.

E não vejo sinal algum de que as elites europeias estejam prontas para repensar seu dogma de política monetária apertada e austeridade.

Parte do problema pode ser que essas elites políticas têm um problema de memória histórica seletiva. Elas adoram falar sobre a hiperinflação alemã do início de 1920 - algo que nada tem a ver com nossa atual situação. Todavia, elas quase nunca falam sobre um exemplo muito mais relevante: as políticas de Heinrich Brüning, chanceler da Alemanha de 1930 a 1932, cuja insistência em equilibrar déficits e preservar o padrão ouro tornou a Grande Depressão ainda pior na Alemanha que no resto da Europa - preparando o terreno para você sabe o quê.

Não prevejo nada de tão ruim acontecer na Europa do século XXI. Mas há um enorme fosso entre o que o euro precisa para sobreviver e o que os líderes europeus estão dispostos a fazer, ou mesmo falar em fazer. Diante disto, é difícil achar razões para otimismo.

PAUL KRUGMAN é colunista do "New York Times"

CLÓVIS ROSSI - Dilma na Europa. Antes que acabe


Dilma na Europa. Antes que acabe
CLÓVIS ROSSI 
FOLHA DE SP - 27/09/11

Presidente viaja a Bruxelas no momento em que o outro lado é que sente o 'complexo de vira-lata'



SINAL DOS tempos: na segunda-feira, quando a presidente Dilma Rousseff sentar-se para jantar com a cúpula europeia, em Bruxelas, o complexo de vira-lata, que era uma característica do brasileiro, segundo o teatrólogo Nelson Rodrigues, estará do lado europeu da mesa, tantas são as críticas e exortações ao velho continente para que ponha sob controle sua crise.
Um negociador brasileiro de larga experiência relembra, a respeito, que, em muitos momentos anteriores, os brasileiros tinham muita dificuldade em expor seus pontos de vista, porque eram sempre cobrados para pôr a casa em ordem.
Agora, em recente reunião de um dos mais de 20 diálogos setoriais que mantêm Brasil e União Europeia, foram os brasileiros que sugeriram aos europeus mecanismos de estímulo ao crescimento, visto que a obsessão com os ajustes fiscais está minando as economias de quase toda a Europa.
Pelo que disse na ONU, é razoável supor que a presidente Dilma Rousseff insistirá nesse ponto durante o jantar de segunda-feira, que abre ritualmente o encontro de cúpula entre os dois "parceiros estratégicos", rótulo que se está usando com muita prodigalidade na diplomacia global, mas que, no caso, corresponde, sim, aos fatos.
Na terça, dá-se o encontro propriamente dito, após o que a presidente inaugura o Europália, festival anualmente promovido pela Bélgica que, neste ano, homenageia o Brasil. Trata-se de ampla coleção de eventos culturais, a se desenvolver de outubro a março de 2012.
A visita a Bruxelas, capital informal da Europa, não deixa de ser simbólica a respeito das prioridades da diplomacia brasileira no atual governo: Dilma recebeu o presidente dos Estados Unidos, visitou a China e agora vai à União Europeia. Não por acaso, as três grandes potências globais.
É verdade que, antes de tudo, viajou a Buenos Aires, mas dá a sensação de que foi mais o que os argentinos chamam de "saludo a la bandera". Ou seja, a atenção formal ao vizinho, mas com a certeza de que o Brasil hoje joga em outra divisão. A viagem a Bruxelas quase pode ser enquadrada na categoria "visite a Europa antes que acabe".
É sintomático do mal-estar europeu o título de capa do suplemento econômico do "Monde" ontem: "Schuman, desperte, eles ficaram loucos", apelo desesperado a Robert Schuman, considerado um dos pais da unificação europeia. Continua o título: "A explosão da zona euro não é mais um tabu".
Reforça Andreu Misseu, correspondente de "El País" em Bruxelas: "A falta de solidariedade está apagando a ideia de Europa". Nesse cenário, até um suposto plano grandioso de resgate, anunciado ontem pela BBC, acaba embaçado. A emissora britânica informou que a Europa pretende quadruplicar os recursos para seu fundo de resgate, levando-os a impressionantes € 2 trilhões (um Brasil inteiro), além de permitir que a Grécia dê um calote em metade de sua dívida.
Se esse plano existe de fato e se sobreviver até o início da próxima semana, certamente terá o apoio de Dilma, que não esconde que sua grande preocupação do momento é com a crise cujo epicentro está na Europa, sua próxima escala global.

BENJAMIN STEINBRUCH - Força, Steve


 Força, Steve
BENJAMIN STEINBRUCH 
FOLHA DE SP - 27/09/11

Se não tivesse feito o curso de caligrafia, Jobs talvez nunca tivesse criado um computador como o Mac


A mãe dele era uma jovem solteira. Quando engravidou, em 1954, decidiu imediatamente que entregaria o filho para adoção. Menino ou menina, seu desejo era o de que o bebê fosse adotado por pais com formação superior, para que tivesse no futuro a oportunidade também de cursar uma universidade.
Os pais que estavam em primeiro lugar na fila para adoção esperavam por uma menina. Mas, no dia do parto, receberam um telefonema de madrugada: "É um menino? Vocês o querem?". "Claro", respondeu rapidamente a mãe adotiva, que lhe deu o nome de Steve.
Até então, a mãe biológica imaginava que os pais escolhidos fossem advogados. Mas, logo depois, descobriu que nenhum dos dois tinha formação universitária e recusou-se a assinar os papéis definitivos da adoção. Só acabou cedendo porque o casal assumiu o compromisso de colocar o filho na universidade no futuro.
Ao completar 17 anos, Steve realmente foi para uma universidade, cumprindo-se, portanto, a promessa dos pais. Entrou no Reed College, em Portland, no Oregon (EUA).
Cerca de seis meses depois do início das aulas, o jovem se deu conta de que o compromisso era muito penoso para os pais adotivos, que eram operários. Se ele continuasse naquela universidade, bastante cara, em pouco tempo consumiria a poupança que o casal havia guardado durante toda a vida. Além disso, o curso que fazia não lhe interessava muito.
Decidiu seguir o que mandava seu coração, saiu da faculdade, mas ficou pelas imediações por mais 18 meses. Nesse período, passou a assistir aulas que pareciam muito mais interessantes, de caligrafia, fora da grade curricular.
Trabalhou como catador de garrafas de Coca-Cola, que vendia a US$ 0,05 cada uma, e dormiu durante algum tempo no chão, em quartos de amigos. Nas noites de domingo, costumava andar 11 km para ganhar uma boa refeição semanal no templo de Hare Krishna.
O jovem Steve não sabia disso, mas fazer aquele curso de caligrafia seria uma das melhores decisões de sua vida. Naquela época, não tinha a menor ideia sobre qual aplicação teria aquilo para ele. Mas, dez anos depois, quando projetou o primeiro computador Macintosh, na garagem da casa dos pais, essa formação foi muito útil. O Mac foi o primeiro computador com design e tipologia bonitos e modernos. Sem o conhecimento que adquiriu naquele curso simples, na periferia da universidade, talvez nunca tivesse sido criado um computador como o Mac.
Para quem ainda não sabe, essa é a história da vida de Steve Jobs, o magnata americano que foi um dos fundadores da Apple, em 1974. Dez anos depois, essa empresa americana já faturava US$ 2 bilhões e empregava 4.000 pessoas. Em 2011, tornou-se a maior empresa do mundo em valor de mercado.
A história de Jobs foi contada por ele próprio em depoimento emocionante para formandos da Universidade de Stanford, na Califórnia, em 2005. Circula na internet há anos um vídeo com essa conferência, que recomendo. É emocionante, uma verdadeira lição de vida.
O próprio Jobs fala dessa lição. Diz que as pessoas precisam ter a coragem de seguir seu coração e sua intuição, mesmo quando o caminho de suas vidas é diferente do previsto. É preciso ter confiança de que os pontos, de alguma maneira, vão se conectar no futuro. A conexão entre o curso de caligrafia e o Macintosh, por exemplo, foi direta, mas só ocorreu dez anos depois.
Ou seja, é preciso ter determinação e persistência para realizar os próprios sonhos e satisfazer suas curiosidades. Muitas vezes, somos tentados a desistir deles, influenciados demais por opiniões alheias. Se realizasse o sonho da mãe biológica, Jobs seria uma pessoa preparada e culta, com formação universitária, mas certamente não seguiria o caminho que o levou a criar uma das mais importantes companhias da área de tecnologia do século 21.
Em agosto, Jobs pediu demissão da presidência da Apple para tratamento de saúde. Aos 56 anos, está enfrentando uma nova batalha pessoal, contra um câncer no pâncreas. Que vença mais essa. Como ele mesmo disse, "às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça", mas nunca se deve perder a fé.

RENATA LO PRETE - 'Mãe' da Copa

'Mãe' da Copa
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 27/09/11

Preocupado com o ritmo das obras de infraestrutura associadas à Copa-2014 e sob constante pressão da Fifa, o Planalto cogita designar uma espécie de gerente-geral dos projetos de legado da competição, nos moldes do que Lula fizera quando escolheu Dilma Rousseff para administrar a execução do PAC.
Para driblar eventual mal-estar político, o governo evita caracterizar a medida como "intervenção", mas a presidente deixa claro que quer alguém com os cronogramas em mãos e disponibilidade para cobrar prazos com rigor. Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento) são as cotadas para a tarefa.

Comitiva Dilma determinou ontem que os ministros das pastas envolvidas na Copa visitem o quanto antes as obras dos estádios e monitorem os prazos. Orlando Silva (Esporte), Gastão Vieira (Turismo) e Jorge Hage (CGU) foram escalados para a nova inspeção nos canteiros.

Ralho 1 A presidente não gostou nada das declarações de Marcelo Guaranys, diretor-presidente da Anac, que classificou como "razoável" a ideia de Congonhas operar 24 horas. O governo não quer nem ouvir falar nisso. E considera que a solução para o tráfego aéreo durante o Mundial de 2014 não pode vir de medidas paliativas.

Ralho 2 Também não agradou a defesa pública da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de um novo imposto para financiar a saúde. Embora o Planalto se interesse pela ideia, o desabafo foi considerado inoportuno no entorno de Dilma.

Homeopatia Em privado, Gleisi Hoffmann pondera, sobre o mesmo tema: "Os senadores não concordarem com a criação de novo imposto é até compreensível. Mas aumentar as despesas sem fonte de receita é, no mínimo, irresponsabilidade".

Avulso O comportamento de Lindberg Farias (PT-RJ) depois de deflagrada a guerra em torno dos royalties do petróleo intriga o Planalto. A reclamação é a de que o senador petista, pré-candidato ao Palácio das Laranjeiras, está mais duro com o governo do que Sérgio Cabral (PMDB). E que seu comportamento "independente demais" começa a invadir outras searas, como o Código Florestal.

Veteranos Apontado como nome da "renovação" à prefeitura paulistana, o tucano Bruno Covas atraiu ontem dez ex-secretários de seu avô, Mario Covas, ao evento em que anunciou a transferência de domicílio eleitoral para São Paulo. Também foi saudado na festa Goro Hama, ex-dirigente da CDHU, condenado por improbidade.

Pacificador Ignorando a pregação por prévias, o deputado Orlando Morando (PSDB) pediu que Geraldo Alckmin interceda pela união tucana, evitando disputa interna: "O governador vai acabar agindo como juiz de paz."

Quatro mãos FHC e Lula farão prefácios para o livro que narra os 20 anos de trajetória da Força Sindical, a ser lançado em outubro.

Nada a perder Levado ao Conselho de Ética por delatar a venda de emendas, Roque Barbiere (PTB) desperta sentimento ambíguo nos colegas de Casa. Enquanto uns querem punição "exemplar", há quem tema que o petebista reafirme as acusações, nominando deputados que adotariam tal prática.

Visita à Folha Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, visitou ontem a Folha, onde foi recebida em almoço. Estava com David Moisés, gerente de comunicação, e Renato Miranda, assessor de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Em tese, todo mundo é favorável à destinação de mais recursos para a saúde pública. O problema central é discutir a viabilidade. A emenda em questão é inexequível.
DO LÍDER DO GOVERNO NO SENADO, ROMERO JUCÁ (PMDB-RR), sobre o fato de 53 senadores terem se declarado a favor do projeto que vincula à saúde 10% da receita da União. O governo é contrário à proposta.

contraponto

Passaporte, por favor


Na terça-feira passada, o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) e Veveu Arruda, prefeito de Sobral (CE), viajavam no mesmo voo para Brasília. Com o aeroporto Juscelino Kubitschek lotado, a aeronave em que ambos estavam acabou deslocada para a área internacional do terminal, onde conseguiram desembarcar. O deputado, lembrando o o apelido da cidade cearense, chamada de "United States os Sobral", brincou:
-Agora está provado que Sobral é outro país mesmo! Passamos até pelo free-shop! Faltou a alfândega...

PAULO SANT’ANA - Autopesquisa


Autopesquisa
PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 27/09/11

Uma mulher foi constatada morta no hospital e foi expedido o respectivo atestado de óbito, isso em Duque de Caxias (RJ), anteontem. Dali a instantes, os familiares da defunta foram chamados ao hospital para as providências de sepultamento.

Foi quando se abraçaram ao cadáver, que incrivelmente se mexeu, a mulher estava viva e toda a confusão acabou recomposta. Sabendo disso, fui ontem pela manhã ao enterro de um amigo. Com medo de que ele estivesse sendo enterrado vivo, tive o cuidado de colocar no peito do defunto, dentro do caixão, um telefone celular com carga automática. Marca do telefone, é lógico: Vivo.

Ele foi enterrado, e duas horas depois eu telefonei para ele, que atendeu. Eu disse: “Oi”, Ele retrucou: “Claro”.

Por sinal, com referência a esse amigo que enterrei ontem, TIM, outra marca de telefone, quer dizer: Te Invejo Morto.

Encomendei uma pesquisa sobre o meu comportamento no trato com as pessoas. Houve 51% dos entrevistados que responderam que eu sou gentil no trato com os fãs. Alguns até responderam que sou “comovedoramente gentil”. Mas me impressionaram aqueles 49% dos pesquisados que disseram que sou áspero no trato com as pessoas.

Alguns até acrescentaram: “surpreendentemente áspero”. A conclusão a que cheguei é de que por vezes eu sou gentil, por vezes sou áspero. Ou seja, depende do dia ou do momento por que eu estiver passando. Se não estiver bem, torno-me áspero. Se tudo estiver dando certo comigo, sou gentil.

Eu tenho sérias restrições a esse meu comportamento mercurial, ora estou com excelente bom humor, ora dou patadas para todos os lados. Está certo que eu seja bipolar, mas não a ponto de por vezes ser áspero com as pessoas. Elas não têm culpa de eu ser muito conhecido por rádio, jornal e televisão. Toda pessoa merece de mim a máxima atenção e gentileza, não se explica que eu trate com aspereza alguns.

Tenho um filho que, quando vai ao restaurante comigo, sempre me adverte na mesa quando começo a afetar irritação com o garçom: “Pai, te acalma, se ele é garçom, é porque passou nos testes”. Mesmo que garçom seja uma profissão que é fonte frequente de irritação dos clientes, é necessário tolerância com os outros, em todas as circunstâncias.

Não sei se é transtorno meu, mas me considero uma pessoa essencialmente boa. Como é então que 49% dos pesquisados responderam que eu os trato asperamente? Vou tratar de mandar fazer outra pesquisa daqui a seis meses, procurando tratar gentilmente a todos de hoje em diante. Eu vou mudar para melhor o índice nessa próxima pesquisa, nem que seja a muque.

FABRÍCIO CARPINEJAR - Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
FABRÍCIO CARPINEJAR
ZERO HORA - 27/09/11

Se você já foi um universitário ou tem um filho na universidade, entende o valor da temida sigla TCC.

TCC é tudo. O resto é nada. Você é nada, uma ameba, um protozoário perto de um TCC.

O Trabalho de Conclusão do Curso é a greve de existir do jovem. Faz o vestibular parecer um feriado.

O TCC é a TPM do Ensino Superior, a cadeira derretida do inferno, a desculpa para não realizar mais nada.

Não se vive com um TCC. A monografia final da graduação é a fita azul que enrola o canudo, é a provação derradeira para emoldurar o diploma, é o que separa o capelo do céu.

Na teoria, a tarefa se exibe fácil. Arrumar um tema, depois juntar material de pesquisa, atender aos conselhos de um professor orientador e, por fim, escrever 60 páginas. O fim nunca se encerra. No momento de pôr as ideias na tela, o último semestre demora mais três e o pânico devora as letras do teclado como um vírus.

O TCC é o Gulag do adolescente, o exílio solar, a solidão noturna. É o bilhete de suicídio prolongado em livro. É o mesmo que receber simultaneamente a notícia de gravidez e esterilidade.

Não se é humano com o TCC. É um crime se divertir, arejar a cabeça, brincar durante o período. A expectativa de solucionar um problema da carreira a partir de um texto acadêmico torna-se o problema. O futuro ganha o sinônimo de PRAZO ESGOTADO. A esperança tem o subtítulo ANOTAR ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, POR FAVOR, ME AJUDA. O sujeito não tem mais passado, mas BIBLIOGRAFIA. Não existe lembrança, e sim FONTE.

Muito fácil reconhecer o graduando na rua. Andará vagaroso, vidrado nos cadarços soltos do próprio tênis, rosto maltratado, remela nos olhos, roupas sobrepostas de quem se acordou agora e pegou as primeiras peças pela frente. Demonstrará irritação e uma dificuldade de entender a lógica do idioma. É um poço de culpa, ou porque não dormiu para estudar, ou porque dormiu e não estudou.

Algumas respostas básicas de um universitário redigindo o TCC:

Você namora? – Não posso agora, estou preocupado com o TCC.

Vamos tomar um café no fim de tarde e pôr o papo em dia? – Não dá, tenho que fazer o TCC.

Que tal Green Valley no domingo? – Nem pensar, estou com o TCC parado.

Topa churrasco de noite? – Nunca, não avancei no TCC.

Um cineminha hoje, para descontrair um pouco? – Desculpa, estou atrasado para o meu TCC.

Onde você está? – Tentando achar uma posição confortável para escrever meu TCC.

Você leu a crônica de Carpinejar em Zero Hora? – Não, só leio o que interessa ao meu TCC.

LAURA MEDIOLI - Revolução platônica


Revolução platônica
LAURA MEDIOLI
O TEMPO - 27/09/11

Uma enciclopédia inteira na cabeça da garota, que, em câmara lenta, tombou em seus braços
Após uma anabolizada geral, começou a se sentir estranho, aquelas dores esquisitas, o cabelo caindo, o bíceps explodindo. O amigo já havia lhe dito que músculo à base de química não era uma boa. E ele lá, de frente ao espelho, se perguntando se realmente valia a pena.

Saradão, fazia sucesso na academia, em especial com a turbinada Marilene, seu mais constante affaire.

Preocupado com as últimas reações do corpo, principalmente com as do baixo ventre, que já não funcionava mais como antigamente, resolveu ir à biblioteca municipal ler alguma coisa a respeito. A biblioteca era uma enormidade, e ele, perdido, saiu em busca de informações.

E foi no meio de corredores e estantes altíssimas que topou com ela, uma mirradinha morena, de "oclinhos" redondos e olhar inteligente, na ponta dos pés, tentando alcançar um livro.

Atabalhoado como sempre e acostumado a movimentos bruscos, quis ajudá-la. Claro, deu no que deu. Uma enciclopédia inteira na cabeça da garota, que, em câmara lenta, tombou em seus braços bombados.

Nem sabia o que fazer; desculpar-se com uma semidesmaiada não resolveria. Pegou a menina e sentou-a na cadeira, tomou-lhe o pulso, dando-lhe tapinhas e verificando galos na cabeça. E foi assim, da forma mais inusitada possível, que o saradão se descobriu às voltas com estranhas emoções. Aquela jovem pequena e bonita despertara nele sentimentos e cuidados nunca antes vividos. Encantado, jamais imaginou que essa coisa de "primeira vista" pudesse ser possível. Envolver-se com alguém não somente na forma carnal estava em segundíssimo plano e, no entanto, de repente, lá estava ele, com o coração em descompasso e a emoção escapulindo pelos poros.

O nome dela era Raquel, doutoranda em filosofia e antropologia, tradutora oficial de grego e hebraico, aparentava em seu corpo frágil bem menos que seus 25 anos.

Na cantina da biblioteca, conversaram. Ela, de uma maneira fluida, com o charme da timidez latente e o domínio dos conhecimentos, deixou-o impressionadíssimo. Ele nem tinha o que dizer, era todo ouvidos, interessado na sua história, nas suas viagens pelo mundo, no trabalho que fazia com prazer e dedicação, nas diferentes e bizarras culturas que encontrou no planeta, nos estudos dos escritos hieróglifos nos quais se empenhava no momento. E ele sequer sabia o que era isso, pensou com seus botões. Após expor em minúcias e sem afetação suas atividades vocacionais, Raquel quis saber dele o que fazia, o que lhe dava prazer. Embora não tivesse concluído o curso de educação física, trabalhava em academias, clubes, além de alguns bicos, virando-se como podia. E o que lhe dava prazer? Claro, o esporte, a musculação, o halterofilismo, nasceu para isso, dizia inchando o peitoral de uma maneira nada discreta. Acostumado a fazer sucesso com a tal musculatura, não entendeu como a garota nem sequer moveu os cílios.

Absorveu-se tanto pela conversa dela que, mesmo não tendo compreendido a metade, passou a frequentar assiduamente a biblioteca. Sabia que ali a encontraria e, sentados à mesa da cantina, falariam sobre Platão, cabala, existencialismo, dentre outros, ou melhor, ouviria sobre Platão, cabala, existencialismo e coisas do tipo.

Desde o primeiro encontro, correu para o Aurélio. Hieróglifos era uma palavra demasiadamente complicada e nova em seu vocabulário, carecia de estudos. Aristóteles recebeu influência de Platão, até aí tudo bem, mas quem foi mesmo esse cara? O tal de Heráclito? Além de filosofar, o que mais faz um filósofo? Questionamentos como esse iam lhe martelando a cabeça. Procurou o amigo professor de história, não podia fazer feio com a garota. Além de escutar, queria participar, dar suas opiniões.

O amigo riu, disse que era loucura. E ele: Cara! Loucura é o que estou sentindo por ela. Preciso de aulas. Urgente!!!

E numa certa academia: - Hieróglifos? Acredita que ele me perguntou o que era isso? E achou um absurdo eu não saber direito quem foi Platão?

- Calma, Marilene, ele só resolveu se instruir um pouco... Saber das coisas...

- Que coisas? Desde quando se interessa por isso? Ah! Aí tem. E quer saber? Vou estudar Platão de cabo a rabo. Tá pensando o quê? Que sou uma inculta?

E do outro lado da cidade: - Amiga, ando meio enferrujada, meio caidinha... O que você acha de eu entrar pra uma ginástica, uma musculação, uma...

ILIMAR FRANCO - Quero o meu


Quero o meu
ILIMAR FRANCO 
O GLOBO - 27/09/11

O PRB está usando todo o seu poder de fogo, junto à presidente Dilma, para arrancar um cargo de primeiro escalão na reforma ministerial prevista para a virada do ano. Os dirigentes do partido, que tem apenas dez deputados na Câmara e um Senador, Marcelo Crivella (RJ), sustentam o pleito com os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus e seu poder de fogo na área da comunicação.

A GRANDE preocupação do governo no Senado é com a votação da Emenda 29. O Planalto não aceita qualquer iniciativa que amplie os gastos com a Saúde.

Todo mundo quer correr para o abraçoEstá ocorrendo na Esplanada dos Ministérios um verdadeiro ataque especulativo sobre o Ministério do Esporte. De repente, todos querem faturar com a Copa do Mundo de 2014. E a pasta, que sempre foi considerada um prêmio de consolação, ficou grande demais para o ministro Orlando Silva e seu partido, o PCdoB. A despeito de dificuldades iniciais, a conclusão no Planalto é que não tem como sair nada errado para a Copa. Os estádios vão ser feitos e, mesmo que não sejam as ideais, as obras em aeroportos e de mobilidade urbana ficarão prontas. Por isso, sempre há no governo alguém querendo assumir alguma tarefa da Copa.

Um cargo aíO Senador Gim Argello (PTB-DF) esteve com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Foi reclamar que partidos governistas menores que o PTB têm ministério e que eles, com 22 deputados e seis Senadores, não têm nenhum.

Pós-PSDCorrendo atrás do prejuízo, o presidente do DEM, Senador José Agripino (RN), foi ontem a Santa Catarina filiar 300 jovens empresários do comércio e da indústria. O governador Raimundo Colombo trocou o DEM pelo PSD.

2012Irmã do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), a ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes (PT) vai disputar a prefeitura de Londrina (PR). A pasta que ela dirigiu é a responsável pelo programa Bolsa Família.

A prioridade é a ditadura militar de 1964O Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) será o relator do projeto que cria a Comissão da Verdade na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado. Para integrantes do governo Dilma, não importa o texto falar em investigações a partir de 1946, pois os trabalhos vão se concentrar no período após o AI-5. O ex-ministro de Direitos Humanos Nilmário Miranda defende que o prazo seja a partir de 1961.
Para atender os estados não produtores, a União está abrindo mão de 0,28% de sua arrecadação; os estados produtores, de 3,99%; e os municípios confrontantes, de 19%" - Francisco Dornelles, Senador (PP-RJ), sobre a divisão dos royalties do petróleo

EMBAIXADOR DO BRASIL. Para colocar ordem na casa, no que se refere à concessão de passaportes diplomáticos, concedidos indevidamente até para os filhos do ex-presidente Lula, o Ministério das Relações Exteriores recolheu todos esses documentos. Um dos atingidos foi o ex-presidente da Fifa João Havelange. Feita a revisão, o Itamaraty decidiu que vai expedir um novo passaporte diplomático para Havelange, um "player" do Brasil no mundo do futebol, dos esportes e das Olimpíadas.

Do meu jeitoA presidente Dilma não quer patrocinar uma nova lei que taxe as operações financeiras, a exemplo da CPMF. Mas apoiará qualquer iniciativa com esse objetivo que venha a ser defendida por personalidades e organizações sociais.

A GRANDE preocupação do governo no Senado é com a votação da Emenda 29. O Planalto não aceita qualquer iniciativa que amplie os gastos com a Saúde.

FALA O LÍDER do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR): "O projeto do (ex-Senador) Tião Viana (atual governador do Acre) é uma tese simpática, mas a realidade impede que ele seja implementado. Vai tirar dinheiro de onde para aumentar de 7% para 10% do PIB os recursos para a Saúde?".

DEPUTADOS federais do Rio participaram ontem de reunião na ANP para tratar da atualização dos royalties cobrados das empresas petroleiras.

ALON FEUERWERKER - O que falta mostrar


O que falta mostrar
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 27/09/11

Será que as unidades federativas privilegiadas até agora na repartição do dinheiro da extração petrolífera, no pré-sal ou nas fontes tradicionais, estão gastando bem?

O Congresso Nacional está para apreciar o veto à lei que democratiza o acesso aos royalties do petróleo do pré-sal. Nesse debate, o governo anterior avaliou mal a relação de forças e legou uma encrenca de bom tamanho.
O erro essencial do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, foi imaginar que um acordo dele com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, bastaria para pôr fim à disputa entre os estados pela verba das novas províncias petrolíferas.
Ou talvez o erro maior tenha sido do próprio Cabral, por achar que, acertando os ponteiros com Lula, liquidaria o assunto.
O modelo para aquela negociação reproduziu uma falha mais estrutural: considerar que o tema é monopólio dos assim chamados estados produtores. Ou extratores, numa definição mais precisa. Pois o homem não produz petróleo. Extrai.
O pré-sal é do Brasil, e o Brasil tem 26 estados e um Distrito Federal. Como ficou demonstrado nas votações no Congresso. Cada pedacinho do Brasil deseja, com legitimidade, participar do progresso trazido pela nova riqueza.
Não basta Cabral repetir à exaustão que o formato por ele defendido reproduz os termos do acordo costurado com Lula. O que o governador ainda não mostrou é que a proposta original do Executivo é melhor para o Brasil.
E dificilmente conseguirá mostrar, como provam as dificuldades no Legislativo. Sobrou tempo aos defensores do texto original para vender o peixe, mas não está fácil.
A Câmara representa o povo e o Senado representa a Federação. Ou, pelo menos, deveriam representar. Nem sempre conseguem, mas, quando a oportunidade se coloca, os políticos costumam farejá-la com antecedência.
Não há como o político chegar no seu estado ou município e dizer que, simplesmente, abriu mão dos recursos. Essa lógica vale para todos os políticos. Dos estados hoje com a parte do leão e dos demais. E estes são em bem mais número.
Mas ainda falta aprofundar outro ângulo da polêmica.
Um problema bem discutido na batalha dos royalties do pré-sal é quanto deveria caber a cada um.
Mas há outro ponto, talvez até mais importante. Será que as unidades federativas privilegiadas até agora na repartição do dinheiro da extração petrolífera, no pré-sal ou nas fontes tradicionais, estão gastando bem?
A educação e a saúde melhoraram nesses estados? Há algum projeto social revolucionário financiado com os recursos? Das mistificações sabemos, mas, e no essencial? Como tem sido, por exemplo, a evolução do desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos estudantes das regiões produtoras?
É o que falta aos estados produtores mostrar. Como não o fizeram, pelo menos até agora, abrem ainda mais caminho à aspiração legítima dos demais.
A favor dos produtores/extratores, pode-se argumentar sobre a necessidade de mais investimentos públicos em regiões expostas ao crescimento econômico proporcionado pelo petróleo.
Ao que é possível também contra-argumentar: a elevação de receitas gerada pelo aquecimento da economia deveria dar conta desse recado. Impostos existem para isso mesmo.
Se o petróleo é um recurso estratégico, talvez fosse mais adequado concentrar o manejo das receitas nas mãos da União. Mas a tendência no Congresso vai no sentido oposto. Usar o pedaço que cabe à União para acomodar politicamente as disputas entre estados.
Será uma pena se a solução para o impasse caminhar por aí. Os federalistas que me perdoem, mas neste caso talvez seja mesmo melhor deixar o grosso do dinheiro na esfera federal e vincular a destinação. Para a saúde, a educação e o desenvolvimento científico-tecnológico.
Melhor que o quadro atual, de pulverização e desperdício.
Estou errado? Tragam os números que comprovem o erro.

ARNALDO JABOR - A nova galeria de chatos


A nova galeria de chatos
ARNALDO JABOR
O ESTADÃO - 27/09/11

Estou num elevador vazio, indo para o 20º andar. Entra um cara e me olha. Eu, precavido, já estou de cabeça baixa. Fico tenso de dúvida: "Ele ousará falar?" - eu penso. "Falo com ele?" - ele pensa. Passam uns andares. "Ele não vai aguentar" - eu penso.

Não dá outra: "Você não é aquele cara da TV?".


"Sou... há, há" - sorrio, pálido, fingindo-me deliciado.


"Só que eu esqueci teu nome... Como é teu nome mesmo?".


Penso em enforcá-lo na gravata de bolinhas, mas respondo: "Arnaldo...".


"Não; é outro nome. Qual é mesmo?". Desesperado, murmuro: "Jabor"... "É isso, porra! Claro... E é você mesmo que escreve aquelas coisas...?". Penso, sorrindo: "Não... é tua mãe que me manda lá da zona...".


Como eu apareço peruando na TV, dá nisso. O sujeito pensa que é íntimo, pois, quando ele transa com a mulher de noite, estou olhando da tela.


Esse é um pequeno exemplo, pois a galeria de chatos está em permanente renovação. Eu já escrevi aqui sobre isso, mas tenho de repetir porque eles evoluem e agora se expandem pelas redes sociais. São os novos chatos digitais que abundam (sic) nos twitters e facebooks. Podemos chamá-los de "e-chatos": me atormentam com e-mails loucos ou produzem textos ridículos com meu nome.


Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu "não" fiz. Três senhoras me abordam: "Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’".


"Não fui eu...", respondo. Elas não ouvem: "Modéstia sua! Finalmente, alguém diz a verdade sobre as mulheres! Você também escreveu que ‘bunda dura’ não é importante. Fiquei felicíssima, porque tenho bunda mole!". (Juro que é verdade).


Há um outro texto rolando (e elogiado) em que louvo a estupidez humana, chamado "Seja idiota!"... É um sucesso entre imbecis...


Mas, além dos "e-chatos", não podemos nos esquecer dos chatos ao vivo, que também mudam e se reinventam.


Claro que gosto de conversar com eventuais leitores ou ouvintes. Não sou tão chato assim. Muitos são ótimos e gentis. Mas, tem cada um...


O fundador da estirpe dos chatos é o célebre "chato de galochas", cujo nome provém do sujeito que calçava as galochas e saía de casa com chuva torrencial para chatear alguém em domicílio. Seria o chato "on delivery".


Agora, surgiu um tipo perigoso: o "chato autocrítico". Ele chega com um sorriso constrangido e confessa logo de saída: "Eu sei que sou chato... ah... ah..., mas, desculpe eu perguntar: ‘na sua opinião, o Lula vai voltar?’".


Além do autocrítico, há o chato crítico, ou o "chato do mas". Ele te agarra na rua e começa com elogios rasgados: "Você é o máximo; aquele teu artigo foi legal, mas... (trata-se do "chato do mas") você disse uma besteira horrível outro dia - o PIB da China não é aquele que você falou... Tá por fora! Tem de ler mais economia, hein?".


Há também os "chatos de esquerda" e os "chatos de direita". Ambos me empurram contra uma parede e me doutrinam sobre o Brasil. Acham que sabem tudo. E vejo que os dois chatos ideológicos se encontram no infinito, pois a essência da chatice é a certeza...


Outro tipo terrível é o que te elogia pelos piores motivos: "O que mais gosto em você é o desprezo que você tem por esse povo ignorante e vagabundo. Brasileiro não presta...". Pode?


Outro dia, sofri um assédio inédito: os "chatos em dupla". Eu estava no aeroporto, às oito da manhã, quando eles vieram. Veio um e começou a me inquirir gravemente sobre o Oriente Médio. Suando frio, comecei a resmungar com a boca pastosa, quando surgiu um outro, desconhecido do primeiro. Eis que o novo chato interrompeu o titular da posição com perguntas ansiosas, "se eu achava que a Dilma estava indo bem" etc... Aí, deu-se o conflito: os dois passaram a se degladiar na minha frente pelo direito "hierárquico" de me encher o saco. "Eu cheguei primeiro, tenho prioridade, depois você fala! Sim, não!".


Parei de sofrer e fiquei maravilhado com a rica "biodiversidade" da espécie. Nesse instante, surge outro chato, o famoso "altissonante", que me agarra e berra: "Cara, eu te adoro! Sou teu fã!", e me bate violentamente nas costas, num elogio com laivos de insulto e vingança. É assim...


Nessa nova galeria, há veteranos, como o "chato da ponte aérea"... Ele fica à espreita na sala de embarque; quando você entra, ele já te viu de longe... Você pensa: "Será que ele me viu?". Você finca os olhos no jornal, com temor e esperança. Dali a pouco, passos a teu lado, uma maleta pousa no chão e ele gruda: "Posso lhe dizer uma coisa?... Acho que você devia falar menos de política e ver o lado humano do cidadão comum... Veja eu, por exemplo; sofri muito quando minha mulher me largou, mas posso lhe aconselhar que o amor, meu caro...". Trata-se do "chato conselheiro", que, em geral, te deixa um cartão de visitas: "Se precisar, liga".


Também me lembro sempre do "chato-corno". Eu tomando um cafezinho no aeroporto, oito da manhã, indo para Porto Velho. Vem o cara no celular, falando alto: "Ihh... meu amor, sabe quem está aqui ao meu lado?... o Jabor... Quer ver?". Vira-se para mim e diz: "Fala aqui com minha namorada; o nome dela é Eliette".


Um dia, houve a apoteose do "chato do autógrafo". Fazia eu um modesto xixi num banheiro de cinema, quando o cara chegou: "Me dá um autógrafo?". Fiquei uma arara: "Estou fazendo xixi... porra... tu quer o quê?". E ele: "Qual é a tua? Tá pensando que eu sou viado? Enfia esse autógrafo...".


Em geral, o chato é carente, com uma ponta de sadismo. Ele gosta de ver teu sofrimento; por isso, não adiantam respostas malcriadas, resmungos frios. Ele gruda mais. Uma técnica que funciona é chatear o chato. Seja o "chato do chato". Ele pergunta: "Você vai fazer outro filme, já que esse não deu grana?". Aí, você retruca: "O que você está achando do PMDB?".


O Tom Jobim, uma das maiores autoridades em chatos de todos os tempos, me ensinou um truque infalível: "Use óculos escuros. O chato fica desorientado, pois ele adora ver o próprio rosto refletido em teus olhos desesperados".