terça-feira, setembro 13, 2011

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Com um pé fora
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 13/09/11

O Planalto dá como praticamente certo o desembarque de Henrique Meirelles do projeto olímpico. O diagnóstico parte do reconhecimento da enorme distância existente entre o que de início foi oferecido ao ex-presidente do BC -um cargo executivo com amplo poder sobre a organização dos Jogos- e o papel que no final lhe coube à frente do conselho da Autoridade Pública Olímpica. O governo sabe que Meirelles recebeu e analisa propostas da Fifa e outras da iniciativa privada.
Ele não compareceu a várias reuniões recentes para discutir as atribuições e o orçamento da APO, o que foi entendido pelo palácio como sinal de partida iminente.

Vai que é tua Chamado à reunião de coordenação política do governo para falar do Enem, Fernando Haddad reclamou da maneira, a seu ver distorcida, como a imprensa divulgou os resultados do exame. Dilma gostou da explanação do ministro da Educação. E lhe recomendou difundi-la publicamente.

Derrubado Michel Temer voltou da semana de férias em Natal com uma infecção intestinal. Ontem, o vice-presidente nem participou da reunião de coordenação.

Duas canoas Para não ficar refém do calendário, o governo decidiu iniciar o trâmite da prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) com um projeto na Câmara e outro no Senado. Há, porém, quem tema que essa tática seja malsucedida. Além do risco de questionamentos jurídicos, ficaria aberta a possibilidade de uma das Casas ter de votar duas vezes o mesmo texto.

Apelo 1 Em carta enviada a ministros do Supremo, Jader Barbalho registra que, decorridos quase seis meses desde a decisão do tribunal considerando a Lei da Ficha Limpa inaplicável às eleições de 2010, ele ainda está fora do Senado. "Rogo sua manifestação sobre que providências tomar para ter meu direito constitucional reconhecido, assumindo o mandato para o qual fui escolhido por 1 milhão e 800 mil paraenses", escreve o peemedebista.

Apelo 2 Embora o julgamento tenha sido de repercussão geral, foi facultado aos ministros "decidir individualmente casos sob a sua relatoria". O de Jader está nas mãos de Joaquim Barbosa.

Com partido Ricardo Pattah, presidente da UGT, assumirá o núcleo de Movimentos Sociais do PSD. Apesar de ter dado a Gilberto Kassab o apoio da central em 25 dos 27 Estados nos quais está instalada, o sindicalista diz que a entidade seguirá "pluripartidária". A nova sigla do prefeito de SP terá ainda grupos de Previdência, Sustentabilidade e Agronegócio.

Mutirão A subprocuradora Sandra Cureau apelou aos correspondentes regionais para reunir documentos e relatos que a auxiliem no parecer sobre o registro do PSD. Impedida de promover diligências nas quais apuraria denúncias de fraudes na criação do partido, ela terá de se manifestar até o dia 21.

Reprise Mencionado como opção para a prefeitura paulistana, Guilherme Afif lançou ontem site oficial com acervo de vídeos da campanha presidencial de 1989.

Peixes A propaganda da expansão do metrô paulistano introduz novo slogan do governo Geraldo Alckmin: "Aqui tem trabalho", similar ao bordão preferido de Muricy Ramalho, técnico do time do coração do tucano.

Test-drive Alckmin e Kassab irão de metrô ao Itaquerão na sexta, quando será aberta a contagem regressiva de mil dias para a abertura da Copa de 2014.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Foi só falar em 'toma lá, dá cá' que a Dilma saiu do sério. O fato é que ela não sabe lidar bem com este assunto. Avança e recua, mostrando enorme insegurança."
DO PRESIDENTE DO PSDB, SÉRGIO GUERRA (PE), sobre a reação da petista ao ser questionada, em entrevista ao "Fantástico", sobre seu método para controlar as bancadas aliadas no Congresso.

contraponto

Febeapá


Em audiência da Comissão Especial de Combate às Drogas da Câmara, deputados discutiam as sensações prazerosas que contribuiriam para levar os jovens ao vício. Rosane Ferreira (PV-PR) divagou:
-Estamos vivos e nos perpetuamos como espécie por causa de um prazer, o prazer sexual. Às vezes, não bilateral, mas é. Agora, os homens ficaram preocupados...
Fábio Trad (PMDB-MS) interrompeu:
-Aliás, apenas para respaldar seu argumento, domingo passado foi o Dia Internacional do Orgasmo!

MERVAL PEREIRA - Palavras e atos

Palavras e atos
MERVAL PEREIRA
FOLHA DE SP - 13/09/11

A presidente Dilma Rousseff anda sobre o fio da navalha quando se trata de "faxina ética", termo que inicialmente agradou à sua equipe de marketing político, que via nele uma resposta aos anseios da sociedade, especialmente da classe média, mas que teve que ir sendo abandonado por causa dos constrangimentos que causou aos partidos aliados e até mesmo ao ex-presidente Lula.
Ela agora se mantém numa equidistância prudente entre o que quer a sociedade e o que querem seus aliados, tentando um equilíbrio difícil entre a realidade política e o anseio dos eleitores.
Na entrevista que deu a Patrícia Poeta no "Fantástico" domingo, a presidente voltou a exibir alguns comportamentos que outrora já lhe trouxeram problemas, como o hábito de se dirigir à repórter com um "minha filha" no início da resposta, revelando toda a sua contrariedade.
E, quando questionada sobre o "toma lá dá cá" que rege sua relação com os partidos aliados, a presidente mostrou-se irritada com a pergunta, para logo depois, talvez sentindo que voltara a ser a Dilma dos velhos tempos, amenizar o ambiente dizendo que estava brincando com a repórter.
De qualquer maneira, do seu ponto de vista, a resposta nervosa foi um ponto positivo, já que não foi contestada pela repórter, a ponto de arrancar risadas dos assessores que assistiam à gravação.
Ao pedir um exemplo de "toma lá" para explicar o "dá cá", a presidente poderia ter ouvido o que não queria, como referências aos escândalos do PR no Ministério dos Transportes, o que a obrigaria a dizer que reagiu com a demissão generalizada na área.
Como está em fase de acalmar a base aliada, a presidente garantiu que não deu "nada a ninguém" que não quisesse.
"Nós montamos um governo de composição", explicou, adotando mais uma vez, mesmo que indiretamente, a tese de que a governabilidade depende das concessões que o Executivo venha a fazer para sua base congressual.
A presidente Dilma enfatizou que é preciso cuidado para não "demonizar a política" no Brasil, e garantiu que não é refém. "Tem que ter muito cuidado no Brasil para a gente não demonizar a política", advertiu a presidente.
Desse ponto de vista, ela tem toda a razão, mas o que seria preciso - e ela parecia estar disposta a isto - é separar o joio do trigo, e governar com o trigo.
Assim como não é possível partir do pressuposto de que "todo político é ruim", também não é possível aceitar que todos os políticos são virtuosos, e que qualquer um pode fazer parte de um governo que se queira sério e honesto.
Um dos mais graves erros que ela cometeu foi deixar que cada partido indicasse o seu ministro, transferindo para as bancadas e as direções partidárias a composição de seu Ministério, como se todos fossem iguais.
Com relação à "faxina", ela até encontrou uma boa saída ao dizer que faxina tem hora de acabar, e o combate à corrupção é uma tarefa permanente.
Com isso, abriu mão do compromisso com o prosseguimento da "faxina" para assumir um compromisso de "tornar cada vez mais difícil" a corrupção, o que não é muito diferente do que a sociedade deseja, só menos dramático ou popular.
Mas é preciso que novas medidas sejam tomadas para que não fique no ar a suspeita de que, com essa troca de palavras, a presidente também trocou seu compromisso por conveniências políticas.
No resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que constatou como o ensino público do país está deficiente, um resultado é de se destacar: entre as dez melhores escolas do país aparecem duas, privadas, do Piauí, um dos estados com menor Índice de Desenvolvimento Humano.
Em terceiro lugar, o Instituto Dom Barreto, e, em sétimo, o Educandário Santa Maria Goretti.
Ao mesmo tempo, entre as dez piores escolas do país está a Escola Pública Unidade Escolar José Patrício Franco, também do Piauí.
Só isso indica que a qualidade do ensino não depende apenas de investimento de dinheiro, mas de dedicação e seriedade.
Na coluna de sexta-feira intitulada "O passado cobra", na tentativa de tornar mais acessível a leitura, usei indevidamente uma linguagem leiga e informal para abordar o processo do mensalão que está no Supremo Tribunal Federal.
Por isso, cometi impropriedades que foram apontadas por diversos leitores, uns mais educadamente, outros menos, mas todos com razão.
A certa altura, por exemplo, escrevi que "dificilmente" o Supremo atenderia aos pedidos do publicitário Marcos Valério e do deputado cassado Roberto Jefferson de inclusão do ex-presidente Lula no processo, tarefa que não cabe ao Supremo, e sim ao Ministério Público.
Da mesma maneira, escrevi que o hoje deputado federal Eduardo Azeredo foi "incluído" pelo Supremo no processo do mensalão mineiro, quando na verdade ele foi denunciado pelo procurador-geral da República.
Continuo, porém, registrando a estranheza pelo fato de que, sendo os mesmos o procurador-geral da República que fez a denúncia dos dois mensalões e o relator dos dois processos, o ministro Joaquim Barbosa, que tenham sido tomadas decisões distintas para casos semelhantes, com o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo tendo sido incluído como réu no processo, e o ex-presidente Lula não sendo mencionado.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Crise será do tipo 'japanização' ou 'Lehman Brothers'?
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 13:09:11

Uma década perdida, uma espécie de "japanização" para economias desenvolvidas, ou uma crise mais aguda à la Lehman Brothers? "O melhor cenário para essas economias é um crescimento lento, sem uma grande crise financeira", diz Ilan Goldfajn, economista- chefe do Itaú Unibanco.
Para Goldfajn, não apenas a Europa, como também os Estados Unidos vão experimentar os dez anos "perdidos", de triste memória para latino-americanos.
"Veremos mais 'lost decade' [do inglês], ou 'decennio perduto' [do italiano], ou 'décennie perdue' [do francês]", afirma.
O economista lembra como é penoso reduzir dívidas. "O crescimento será muito baixo. Tem de fazer corte, reduzir consumo...[Medidas] vão para o Congresso, que não as aprova. A crise piora, o Congresso aprova ... é difícil, já passamos por isso."
De semelhante com o Japão, há a estagnação, diz.
"O que é diferente: o fato de ter crise de rolagem da dívida com países." No Japão, a dívida era mais interna.
Os países europeus com problema de refinanciar suas dívidas vão terão de ir ao FMI, ao Banco Central Europeu e a governos.
"A Europa, na melhor das hipóteses, vai ficar como o Japão", segundo Goldfajn.
Nos EUA, há uma diferença significativa, na visão do ex-diretor do BC.
"Todo mundo continua comprando títulos públicos para o país rolar a dívida."
Melhor que a Europa, mas com crescimento muito baixo, "de cerca de 1,5%".
Os emergentes, por sua vez, terão de crescer mais do que as economias avançadas, "o Brasil entre 4,5% e 5%; a China, 8%, a médio prazo".
A crise será pior do que a de 2008? "Depende se achar que será do tipo Lehman Brothers- com banco ou país quebrando- ou se será só 'japanização' [um longo período de estagnação]".

"Depende se achar que será uma crise tipo Lehman Brothers -com banco ou país quebrando- ou se será só 'japanização'"
ILAN GOLDFAJN
economista-chefe do Itaú-Unibanco Holding, sobre se a crise será pior que a de 2008

ROUPA NOVA
A marca de jeans Damyller vai inaugurar a sua segunda fábrica, em Criciúma (SC), no início de 2012.
A nova unidade fabril da companhia terá 12 mil metros quadrados, segundo Cide Damiani, sócio da marca.
Até o fim deste ano, a companhia também abrirá 11 filiais e, em 2012, ao menos outras dez. Com as novas unidades, a marca espera chegar a 120 lojas próprias.
"Estaremos em todos os Estados do país. Preferimos não abrir franquias para controlar toda a administração do produto, desde a produção até as vendas", diz Damiani.

MOSAICO DE OURO
A italiana Trend Venezia, de mosaicos de vidro, começa a comercializar pastilhas de ouro de 24 quilates no Brasil. O produto, que adorna grandes construções em Dubai, chega a custar R$ 4.600 por metro quadrado.
A meta é atender grandes projetos de hotelaria inicialmente, com o produto importado. "Existe mercado para todo tipo de luxo no Brasil", diz Enzo Marconi, diretor-geral da empresa no país. Marconi tem também interesse de iniciar fabricação no Brasil nos próximos três anos.

Carteira A construção civil registrou alta de 1% com a contratação de 31,7 mil trabalhadores em julho no país, segundo o SindusCon-SP. No Estado de São Paulo, foram contratados mais 7.000 em julho, alta de 0,88%. A região que teve a maior elevação percentual no nível de emprego foi a Norte.

Latino Entre as principais demandas do empresário brasileiro com relação à América Latina está o desejo de que os governos oferecessem incentivos fiscais para as companhias que investem na região, segundo pesquisa da Grant Thornton. Oferta de crédito fácil também está na lista de pedidos.

Viajantes da AL são os mais resistentes a check-in on-line

Os passageiros da América Latina são os que mais resistem a deixar os balcões de atendimento nos aeroportos para realizar o check-in, de acordo com levantamento da multinacional Amadeus.
Entre os latino-americanos, 40,3% dos viajantes ainda adotam essa prática. Nos países da América do Norte, o índice é de 10,8%.
O check-in on-line, porém, já é a forma mais utilizada na América Latina, por 45,4% dos passageiros. Na Europa, esse número é de 60,9%.
"A tendência é que as pessoas passem a fazer check-in pelo celular", diz Andrea Rufino, da Amadeus, que ouviu cerca de 3.000 pessoas.
Na América Latina, celulares e smartphones são usados como forma de fazer check-in por 5,9% dos viajantes.

BRIGA
São Paulo entrou oficialmente na briga em torno da cobrança de ICMS sobre produtos vendidos pela internet.
O Estado foi admitido pelo STF como "amigo da Corte" (não fará parte do processo, mas poderá defender seu interesse) em ação que pede suspensão de protocolo assinado por 17 secretários da Fazenda.
Esse documento permite a partilha do imposto entre os Estados onde estão o consumidor e o vendedor do produto comercializado. Pela lei, porém, apenas o Estado onde está o centro de distribuição da empresa deve arrecadar (normalmente RJ e SP). Empresários afirmam que, com a divisão do imposto, ocorre bitributação.
Outros 17 Estados já foram admitidos na ação. Ao contrário de SP, no entanto, todos eles são favoráveis ao protocolo. A CNC (confederação de comércio de bens e turismo) foi quem entrou com a ação.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

RUBENS BARBOSA - O mundo não mudou com o 11 de Setembro


O mundo não mudou com o 11 de Setembro
RUBENS BARBOSA
O Estado de S.Paulo - 13/09/11

Em 11 de setembro de 2001 o mundo surpreendeu-se com os ataques às torres gêmeas, ao Pentágono e, se um deles não tivesse sido abortado, possivelmente o Congresso ou a Casa Branca teriam sido atingidos.

Como embaixador em Washington, acompanhei de perto a perplexidade da sociedade norte-americana ao ver aviões, sequestrados por membros da então pouco conhecida organização terrorista Al-Qaeda, serem usados como verdadeiros mísseis contra os símbolos do poder dos EUA em New York e em Washington.

A reação do governo americano, no entanto, não tardou. A decisão do presidente George W. Bush de declarar combate total ao terrorismo e de proclamar, talvez de forma excessiva, os EUA uma nação em guerra recebeu apoio de todos os americanos. Formou-se um consenso de que o mundo a partir daquele instante seria outro.

"O mundo mudou", era o que diziam os analistas e o que se lia na mídia internacional. Passados dez anos, já com alguma perspectiva histórica, cabe examinar quais as reais consequências daqueles atos terroristas.

Ao contrário do que se afirmou na época e ainda hoje se repete, o mundo não mudou. O que de fato mudou foram os EUA - para pior - e a agenda internacional, na qual segurança e terrorismo passaram a ter prioridade absoluta, por influência de Washington.

Os EUA, logo após os atentados, e durante o primeiro mandato Bush, reagiram com mão pesada e ampliaram as suas ações globais de forma unilateral.

Embora o ataque ao Afeganistão tenha sido aceito pela comunidade internacional em virtude do objetivo declarado de capturar Osama bin Laden - responsável pelos atos terroristas -, a invasão do Iraque, baseada em evidências falsas, despertou condenação generalizada dentro e fora do país. A Estratégia de Segurança Nacional, de 2002, reforçou o poder dos EUA ao afirmar a nova doutrina de ação preventiva e de mudança de regime, para assegurar a defesa dos interesses do Estado norte-americano.

O mundo naquele momento era unipolar, como já acontecia desde a queda do Muro de Berlim e a primeira Guerra do Golfo, em 1991. O multilateralismo estava em declínio e as Nações Unidas se viam marginalizadas.

No âmbito doméstico, foram aprovadas legislações radicais que afetaram o modo de vida dos que vivem no território americano e arranharam a Constituição, no capítulo das liberdades civis. O Patriot Act, verdadeiro Ato Institucional n.º 5, suspendeu o habeas corpus, restringiu a livre movimentação de pessoas, invadiu sua privacidade e, por meio de ordens executivas presidenciais posteriores, permitiu o uso da violência física para obter informações, como comprovado pelas notícias de tortura em Guantánamo, Abu Ghraib (Iraque) e em alguns outros países ocidentais e do Oriente Médio, cooptados pelo governo dos EUA. Esses instrumentos de repressão a suspeitos de ações terroristas ainda estão em vigor.

Algumas percepções - tomadas como verdades absolutas depois dos ataques - mostraram-se equivocadas:

Os EUA manteriam um papel central no mundo e sua liderança global seria incontestável.

Já no segundo mandato de George W. Bush a situação começou a mudar, mas a preocupação com o terrorismo se manteve alta. O poder unilateral dos EUA foi perdendo força, mas a doutrina da "guerra global contra o terror" não desapareceu, como se viu na invasão do espaço aéreo do Paquistão para capturar e matar Bin Laden e nos ataques com veículos não tripulados à liderança da Al-Qaeda no Afeganistão.

A segurança do Ocidente ficaria refém da luta contra os terroristas islâmicos por longo tempo.

Na realidade, o choque de civilizações não ocorreu e a ideia de que no século 21 seria criado um califado islâmico global provou ser uma fantasia dos conservadores bushistas.

O Oriente Médio se transformaria por influência da democracia liberal ocidental.

Rejeitando interferências externas, os movimentos populares que ocorrem no Oriente Médio e no Norte da África, não são resultado de pressão liderada pelos EUA.

Nos últimos dez anos o mundo virou de ponta-cabeça, alterando-se de forma radical a geopolítica e a economia global. O atual cenário internacional, contudo, pouco ou nada tem que ver diretamente com os atentados do 11 de Setembro. A disputa entre Israel e Palestina, conflitos regionais e a crise econômica e financeira que começou em 2008, e novas formas de terrorismo, como a eletrônico, via internet, continuam ou surgiram com dinâmica própria.

O século 21 está sendo moldado por forças que pouca relação têm com o 11 de Setembro. Não se ouve mais falar de guerra ao terror. Os EUA estão se retirando do Afeganistão e do Iraque. O custo das duas guerras e da indústria criada para combater o terrorismo, que sobe a mais de US$ 4 trilhões, agravou os gastos do governo, um dos motivos da deterioração da estabilidade da economia norte-americana.

O cenário internacional transformou-se, mas as reais mudanças são consequência, sobretudo, dos desarranjos das economias dos países desenvolvidos e do aparecimento dos emergentes, como, em especial, China, Índia, Rússia e Brasil. Com isso os EUA tiveram reduzido seu poder relativo na esfera política e econômica e o multilateralismo readquiriu força. Com o deslocamento do eixo dinâmico da economia global do Atlântico para o Pacífico, os novos polos de crescimento e de atração política são o maior desafio que os EUA enfrentam nos dias de hoje. Os problemas econômicos gerados pelo fracasso do sistema bancário ocidental e pela crise da dívida soberana custaram à Europa a perda de qualquer pretensão de poder e aos EUA, os AAA concedidos pelas agências de rating.

O 11 de Setembro, que o mundo acaba de lembrar, não foi uma ruptura na história das relações internacionais, mas o ponto mais elevado de tensão antiocidental.

LUIZ WERNECK VIANNA - O rio do filósofo e a Dilma


O rio do filósofo e a Dilma
LUIZ WERNECK VIANNA
O Estado de S.Paulo 13/09/11

Se ninguém se banha duas vezes nas águas do mesmo rio, como na lição do aforismo de Heráclito de Éfeso, não há por que estranhar as mudanças entre o governo de Lula e o de Dilma, por mais que esta aferre, mesmo com sinceridade, a máscara do seu antecessor, uma vez que muitas águas já rolaram, e ameaçam, sob as novas circunstâncias do mundo, rolar mais ligeiras. Estamos em mais uma crise sistêmica do capitalismo, para a qual ainda não há remédio sabido, pois a farmacopeia com que se enfrentaram os idos de 2008 parece não ter impedido a recidiva que se faz anunciar. Décadas de neoliberalismo, com suas crenças ingênuas em mecanismos autocorretores da vida econômica, de devaneios político-filosóficos de que se estava no limiar do fim da História, cedem diante de nós, jogando por terra convicções e certezas como antes, com maior estrondo, veio abaixo o Muro de Berlim.

No terreno propriamente da política há outros espantos a varrer noções que pareciam firmemente ancoradas no mundo, as massas dos países árabes são capazes de ouvir outras vozes que não as do fundamentalismo religioso, pois lá o que ora se impreca em suas ruas e praças é em nome das liberdades civis e públicas, como na Tunísia, no Egito e por toda parte daquela região, que parecia refém de suas tradições; a hegemonia americana, se ainda se sustém no seu incontrastável poderio militar, perde terreno no front decisivo da economia e se estiola numa cizânia política que dificulta a busca pelos caminhos que levem à sua recuperação; na Europa, com sua juventude acossada pela falta de oportunidades de vida, massificam-se os protestos contra o estado de coisas atual, que, surpreendentemente, chegam a Israel - antes aquietado por seus problemas político-militares com sua vizinhança árabe -, país com menos de 8 milhões de habitantes que levou às ruas quase 500 mil pessoas inconformadas com a alta do custo de vida.

Essas são algumas das linhas-força a compor o cenário internacional à frente de Dilma, que já encontra, em seu começo de mandato, a China como o maior parceiro comercial do País, viga mestra das suas crescentes exportações e do bom estado de suas contas internacionais, e um rival temível no interior do seu próprio mercado de bens industrializados. Desta vez, portanto, não provêm do Ocidente as ameaças de redução do Brasil às atividades primário-exportadoras, e, se havia ainda alguma proteção da "Linha Maginot" herdada da cultura terceiro-mundista, ela não nos serve para nada diante da arremetida comercial chinesa.

Estamos plenamente instalados no Ocidente, dominamos sua linguagem como um idioma que nos é próprio e é a partir dessa posição que nossas credenciais se fazem valer para a interlocução com os grandes do mundo e com os países periféricos, como nós, que anseiam por mudanças no destino dos seus povos. Nosso Estado, além de deter as condições de defesa do nosso território e da economia nacional, pode falar em nome da sua Carta Constitucional de 1988, que não é filha do acaso, mas da revolução democrática que envolveu a maior mobilização política, pela amplitude de massas envolvida e pelo tempo da sua duração, da História recente do País, e são seus princípios fundamentais a fraternidade, a dignidade da pessoa e os direitos humanos.

Nestas novas águas, a navegação de Dilma não tem como reiterar a do seu antecessor, assim como está visto que sua vocação para a gestão na administração pública e seu estilo político orientado para a racionalização se têm mostrado pouco aptos a assimilar as práticas nada republicanas vigentes no nosso arremedo de presidencialismo de coalizão, mais uma banca de negócios do que uma fórmula de compor partidos afins em torno de um programa comum. Não à toa, quatro ministérios já foram espanados no seu governo, notórias, a esta altura, suas dificuldades nas relações com a assim chamada base aliada, nostálgica de Lula e de suas artes de contornar problemas difíceis sem perder amigos.

Nesse caso, pode-se admitir que a mudança não tenha sido da única responsabilidade dos fatos, uma vez que a presidente Dilma também foi influente no resultado. Mas, e nas relações com os sindicatos? O novo sinal, dado à luz quando da controvérsia sobre o valor do salário mínimo, logo no início do mandato da presidente, veio dela, que não os ouviu, desconfortável com a presença deles no interior do governo, ou, em contrapartida, significou apenas uma intervenção necessária diante da sua interpretação do estado de coisas reinante na economia aqui e no mundo? Os sindicatos continuam sendo ouvidos em matérias que lhes dizem respeito, mas preferencialmente pelo ministro Gilberto de Carvalho, outra perda, outra nostalgia, Lula, agora, só acessível por interposta pessoa.

O rio é sempre cada vez mais outro. Como se entregar à prática do piloto anterior, que não lhe conhece as suas novas manhas e não pode pôr as mãos no leme do barco? Essa recente decisão da queda da taxa de juros - novela que promete alongar-se e da qual só assistimos ao primeiro capítulo -, que trama de suspense nos prepara, porque é a sorte da inflação, tabu da política brasileira desde o longo ciclo FHC-Lula, que está em jogo? E, pouco mais à frente, o inevitável desenlace para a votação do Código Florestal nos fará conhecer qual perdedor?

À vista de todos, desmancha-se a obra-prima de Lula, um governo que abarcava todos e em que ninguém perdia, pois o tempo de Dilma anuncia que, em nome da racionalização da economia, em meio a uma crise sistêmica do capitalismo, nem todos poderão ganhar por estarem ao abrigo protetor do Estado. Sem maior alarde, o Estado vai ser desocupado dessa multidão tumultuada de classes e frações de classe com interesses divergentes entre si que tiveram assento no seu interior. A lição é clássica, em épocas de crise é comum redescobrir a serventia da autonomia política do Estado.

GOSTOSA


ARNALDO JABOR -Memórias póstumas de Bin Laden


Memórias póstumas de Bin Laden
ARNALDO JABOR
 O Estado de S.Paulo - 13/09/11

"Dedico estes pensamentos ao primeiro peixe que mordeu as frias carnes de meu cadáver, aqui, a 3 mil metros de profundidade neste oceano. Algum tempo hesitei se devia abrir minhas memórias pelo princípio ou pelo fim. Escolhi o fim. Dito isso, expirei no dia 1.º de maio de 2011, baleado na cabeça e no peito por um soldado americano que tremia de emoção por estar à minha frente. Depois, me lavaram, me envolveram num lençol como manda o Islã, e desci suavemente entre águas-vivas fosforescentes e tubarões curiosos, desci bafejado pelas asas de imensas arraias azuis que me rondaram. Agora, no fundo do mar, penso na minha vida e concluo que sou um grande vitorioso. Minha morte foi súbita e quase indolor, ao contrário dos cães infiéis que caíram como frutos podres dos 200 andares do WTC. Sou um vitorioso, tenho orgulho de meus feitos porque poucos influenciaram a história humana como eu. Claro, houve Alexandre, Napoleão, Hitler, mas garanto que, em velocidade, eu sou o recordista: em meia hora, o Ocidente mudou para sempre.

Mas, não foi apenas a queda das torres infiéis; eu tive dois grandes auxiliares, muito melhores que o Muhammad Atta: George W. Bush e Dick Cheney - um imbecil e um demônio. Eles me obedeceram e fizeram tudo que eu queria - se concentraram em duas guerras erradas para roubar petróleo e ganhar prestígio (eu forneci um programa de governo à besta do Bush) e abriram caminho para um gasto de US$ 4 trilhões só nas guerras. Nunca se errou tanto na América.

Depois, arrebentaram as finanças públicas do país e abriram caminho para o verdadeiro golpe importante que eu dei: 15 de setembro de 2008, com a queda da torre do Lehman Brothers... Ali, sim, foi traçado o destino do Ocidente; com o capitalismo desmoralizado, os moleques do mundo financeiro deitaram e rolaram na roubalheira de hipotecas e alavancas e mostraram que são um cassino de papéis abstratos, com dinheiro vendendo dinheiro. Hoje, graças a Alá, o Ocidente está à beira de moratória.

Modestamente (oh, Alá, perdoa meu orgulho!), eu ajudei Wall Street a fazer seu terrorismo de derivativos e índices. Eu sou a musa dos tea parties que continuam a me obedecer sem saber... Aliás, espero que ganhem a eleição para banir aquele negão comunista.

A América achava que chegaria a um futuro de paz e progresso. Ianques idiotas. Nós, islâmicos, já estamos no futuro. Nosso futuro é hoje. Não há passado. Aliás, eu não estou no passado. Nunca estive tão presente como agora. Presente na mídia, presente no medo, no desassossego.

Arrebentei com o tempo ocidental, que "movia" a História. Ilusão. Não há este "tempo" ocidental. Nós, islâmicos, moramos na história imóvel, dentro da verdade incontestável. Eles acham que têm a beleza da democracia; mas nós temos a teocracia. Eles têm a ilusão da liberdade. Nós nem sabemos o que é isso, graças a Alá - Islã é submissão.

Eu acabei com a ideia de "projeto", de "finalidade". O "projeto" agora é procurar bombinhas em aviões, localizar bueiros com bombas e cartas venenosas.

Eu acabei com a insuportável "razão" ocidental, aquela invenção de cães infiéis europeus do século 18.

Acabei também com o conceito de "vitória". Não há mais vitória contra inimigos invisíveis. O homem-bomba não existe - ele se volatiliza em segundos. Sua força está em "não existir". A única arma possível para os miseráveis é o ataque suicida. Eu fiz os miseráveis do meu povo amar a própria miséria, que agora é orgulhosa, vingativa e temida.

Eu trouxe a peste para o Ocidente - agora, a paz será uma ameaça permanente. Eu acabei com o tédio do mundo ocidental, que clamava por um acontecimento que lhes libertasse do fatalismo capitalista. Nada acontecia mais. Tudo era igual, normal, tudo que fosse diferente era sugado pelo buraco negro da pax americana.

Um dos dramas de hoje é que não há mais "fatos". Só expectativas. Havia uma fome de fatos no ar; eu trouxe não apenas a desgraça redentora, mas o "acontecimento". Eu vos brindei com o primeiro acontecimento do século 21.

Alá perdoe meu orgulho, mas criei o primeiro filme catástrofe ao vivo. Eu via aqueles filmes no meu DVD da caverna: Godzilla, Independence Day e pensava: Os americanos têm um reprimido desejo de autodestruição. Viviam destruindo Nova York nos filmes. Que obsessão suicida... As agulhas góticas da cidade pareciam pedir a ruína. O que pode acontecer a prédios de 200 andares, arranhando os céus de Deus? Só a queda. Em Godzilla há uma imagem igual àquela das pessoas fugindo da torre caindo ao fundo. Mas eu, como cinéfilo, rs, rs, eu prefiro Deep Impact.

Impressionou-me como tudo foi fácil. Em 30 minutos eu tinha jogado o mundo de volta à Idade Média, ao século 8.º. E essa viagem no tempo só foi possível pelo meu passado, digamos, "ocidental", pois sou milionário saudita, estudei e pude vencer os americanos; eu sou um triunfo da iniciativa privada.

Eu repeti na prática um ensinamento leninista: "As armas da crítica não podem substituir a crítica das armas".

E mais, vejo que estou muito feliz aqui ao fundo do oceano. Um belo cardume de peixes luminosos me cerca. Creio que adivinham minha grande vitória, pois me fitam com suas lamparinas na cabeça, brilhantes como safiras na água escura, me envolvendo numa nuvem colorida que talvez me leve agora para o céu de Alá... Considero-me um vitorioso. Tão grande é meu triunfo, que mesmo os cães infiéis deviam me agradecer, porque eu trouxe o medo de volta, porque eu trouxe a dúvida, melhor que a certeza burra, agradecer-me porque eu trouxe a pulsão de morte que andava escondida dentro da América, sublimada nos filmes, nos hambúrgueres, na gargalhada infinita do entertainment, na liberdade narcisista, na euforia dos mercados. Deviam me agradecer, porque eu devolvi ao mundo o "legado de nossa miséria"."

MIRIAM LEITÃO - Arco de fogo


Arco de fogo
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 13/09/11

A Europa deveria olhar para a América Latina dos anos 1980/1990. Não há soluções milagrosas quando as dívidas dos países não conseguem ser pagas. Não há remédios parciais numa região onde há problemas parecidos. Não há preço a ser pago só de um lado. Todos vão perder um pouco: bancos, governos, populações. Ontem, foi mais um dia de beira do precipício, salvo no instante final.

No começo do dia, a notícia que derrubava bolsas pelo mundo afora era que a Grécia ia quebrar, e que isso contaminaria países e instituições, a começar pelos bancos franceses mais expostos à dívida grega. No fim do dia, houve redução das perdas, porque correu a notícia de que a China ajudaria comprando dívida italiana.

A Europa vai de surto em surto até encontrar soluções definitivas. Tudo que ela tem feito é pouco e tarde. O tamanho do mar vermelho que se espalhou pelas dívidas soberanas é grande demais. Quem viveu uma crise dessas como a América Latina sabe a hora em que o caminho é todos sentados na mesa distribuindo os prejuízos.

Vários países do continente só sairão dessa através de um plano como o Plano Brady. Mas para lembrar: a quebradeira da América Latina começou em setembro de 1982 e a solução para a dívida brasileira só foi encontrada no começo dos anos 1990, quando o economista Pedro Malan assumiu a negociação com os bancos externos, nos quais eles trocaram a velha dívida pela nova com grande desconto.

Na Grécia, o que se tenta é uma troca parecida, mas bem suave. Abriu-se um programa em que os bancos teriam de aceitar trocar parte da dívida velha por dívida nova. Esse período se esgotou e o nível de adesão pode não ter sido suficiente para fechar o acordo. A Europa acha que pode fazer uma renegociação em que os bancos percam apenas na Grécia. E que novos calotes não seriam tolerados.

Enganam-se. O grande problema europeu é que a arquitetura da zona do euro não foi programada para dar errado. Não foi pensada com um plano B, saída de emergência, colete salva-vidas. Enquanto deu certo, deu muito certo. Mas no meio de uma crise, a governança é lenta demais. A Corte Alemã considerou constitucional a ampliação do Fundo de Estabilização Financeira. Beleza. Mas isso só resolveu a dúvida da semana passada. Agora, os parlamentos precisam dizer o que acham. Os eleitores dos países que vão sofrer o impacto dos ajustes também acabarão se fazendo ouvir. Ninguém quer pagar o preço e quanto mais tempo demorar maior será a conta a ser paga por todos.

Alguns países da zona monetária quebraram. E daí, o que fazer? As dívidas estão com os bancos dos próprios países, dos países vizinhos, do Banco Central Europeu. O FEEF mesmo depois de ampliado é pequeno demais para o tamanho do resgate. Não há deuses suficientes no Olimpo para resolver sem dor o problema grego, até porque ele não é apenas grego. Lá, fica apenas a ponta de lança.

A Grécia afunda na recessão. Já se sabia também pela mesma história latino-americana. Quando se pede ajuste demais a um país endividado o que ele colhe é menos capacidade de pagar porque aumenta a recessão. A Argentina afundou de modo que no final a saída teve de ser agressiva, com declaração de moratória unilateral.

A Grécia espera uma recessão de 5,3% este ano, mais do que os 3,8% calculados pela Comissão Europeia. O déficit deve ficar em 8% do PIB, a dívida é de 152% do PIB. O risco grego deu um salto de 98% como se vê pelo preço do CDS, o seguro contra o calote grego. O cálculo feito pelo mercado é que hoje custa US$ 5,8 milhões para fazer seguro de US$ 10 milhões de dívida grega.

Terminou na sexta-feira o prazo de adesão do mercado ao pacote de socorro da Grécia, mas ele pode ser ampliado. Há informações contraditórias no mercado brasileiro: relatórios dizendo que eles conseguiram uma adesão de 90% dos credores para o pacote que representaria perda de 20% do valor de face da dívida, mas há quem diga que na verdade a adesão chegou apenas a 70%. Na quarta-feira, o FMI se reúne para deliberar sobre o pacote de ajuda. As ações dos bancos europeus - especialmente os franceses - mergulharam. A Moody's ameaçou rebaixar a nota dos bancos franceses.

Uma das soluções apontadas pelos economistas é deixar a Grécia dar o calote e capitalizar os bancos. Seria uma solução, se a Grécia fosse o único país com problemas. Mas como todos sabem, o maior medo é de um contágio, uma piora na crise de confiança que atinja um país realmente grande. Por isso a notícia de que a China estava comprando dívida italiana foi o que fez o mercado financeiro respirar ontem à tarde do lado de cá das Américas. A Bovespa reduziu perdas, e as Americanas fecharam em alta. O dia foi melhorando no passar das horas. Mas como sempre não há bom humor garantido.

Normalmente, o que acontece quando há um movimento assim é que a Ásia abre positiva refletindo a alta dos Estados Unidos, mas tudo depende das notícias ao longo do dia.

O mundo está vivendo da mão para a boca. Passa períodos de calmaria para depois ter novas ondas de preocupação. Dos Estados Unidos o medo é de não haver retomada do crescimento; da Europa é mais agudo. Teme-se esse desconhecido que é uma crise de dívida soberana numa grande região que tem uma moeda só. Aqui, na nossa crise, pelo menos cada um tinha sua própria moeda, sua própria dívida, e as economias não eram tão conectadas como são agora.

ELIANE CANTANHÊDE - O paraíso não é aqui



O paraíso não é aqui 
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 13/09/11

A classe média vai ao paraíso: às compras nos EUA. Também, pudera. Um casaco que aqui custa R$ 800 sai por US$ 200 (menos de R$ 400) lá. Uma blusa de seda, R$ 500 aqui, US$ 60 lá. Um macacão de bebê, R$100 aqui, US$ 10 lá. Bons lençóis, R$ 600 aqui, US$ 50 lá. Eletrônicos? Nem se fala. A diferença é tão grande que as passagens saem de graça. Então, vai a família inteira – pai, mãe, filhos adultos, crianças, netos. Na volta, as malas enormes e empilhadas são um espanto. 

Segundo o BC, os brasileiros deixaram US$ 2,2 bi no exterior em julho. Conforme a Folha, estão em terceiro lugar no ranking de viajantes que mais gastam nos EUA, só atrás dos ricos japoneses e britânicos e sem contar os vizinhos do Canadá e do México. Cada brasuca gasta nos “States”, aquecendo a economia e gerando emprego no país dos outros, uma média de US$ 5.918, 250% a mais que em 2003.

Não são exatamente “turistas”, mas, sim, consumidores. Muitos não viajam mais para passear, conhecer, visitar. Desembarcam direto em lojas, outlets, shoppings “caros”, ruas farofeiras ou descoladas. Não se culpem os brasileiros, porque é legítimo que queiram (queiramos) comprar mais, melhor e mais barato. A revoada consumista é resultado do dólar baixo (ou melhor, do real supervalorizado), dos preços internos exorbitantes, do excesso de impostos/taxas/contribuições. Além da ganância.
 
E ainda me vêm com essa história de recriação da CPMF?

Depois das manifestações no Sete de Setembro em Brasília, começa a mobilização na internet para novos atos pelo país no dia 20. No Rio, por exemplo, será na emblemática Cinelândia. O grito de guerra é “abaixo a corrupção”. Mas bem que poderia evoluir para “abaixo a corrupção, os impostos astronômicos, os maiores juros do planeta”. Parece mais saudável do que voar o tempo todo para Miami.

A BRUXA ESQUECEU A VASSOURA


JOSÉ PAULO KUPFER - Retrato da turbulência


Retrato da turbulência
JOSÉ PAULO  KUPFER 
O Estado de S.Paulo - 13/09/11

Não é possível compreender as atuais instabilidades da economia global, nem muito menos avaliar a dimensão e a profundidade da presente crise, sem acompanhar a evolução dos mercados financeiros e os caminhos dos ativos que os formam. Daí a importância do retrato apresentado a cada ano pelo McKinsey Global Institute (MGI), braço de pesquisas e análises da consultoria global McKinsey.

O levantamento de 2011, atualizado até fins de 2010, acaba de ser publicado e indica que o volume total de ativos superou, pela primeira vez, o pico de 2007. Houve um aumento de US$ 11 trilhões no cômputo geral, entre 2009 e 2010, levando o total para US$ 212 trilhões. Mas a conclusão do estudo é o de que a "recuperação" continua desigual - em termos de países, regiões e tipos de ativos - e ocorreu em ambiente no qual os riscos permanecem altos.

Longe de expressar uma luz no fim do túnel da crise, esse incremento reforça as dúvidas sobre uma saída suave para as atuais turbulências. Cerca de US$ 5 trilhões, pouco menos da metade do crescimento registrado, correspondem a títulos de dívida e 80% deles foram emitidos por governos. O endividamento global - público e privado - avançou para o equivalente a 266% do PIB mundial. Em 2000, a relação dívida global/PIB mundial era de 218%.

Dívida pública. Chama atenção a rápida expansão das dívidas públicas ao redor do mundo. Em 2010, a dívida pública bruta global representava 69% do PIB mundial - 14 pontos porcentuais a mais do que em 2008. O fato de que essa correria em direção ao endividamento público tenha tomado corpo a partir do ano em que a explodiu a crise financeira de 2008, obrigando os governos a deflagrar conhecidas e vultosas operações de salvamento, enfraquece as teorias que tentam responsabilizar os gastos públicos em programas sociais e estímulos econômicos pelo quadro de dificuldades hoje enfrentadas pelo setor público, nos países desenvolvidos.

Também chama atenção o acelerado avanço das economias emergentes na acumulação de ativos financeiros. Embora ainda nem respondam por 20% do total, os emergentes, sob a liderança esmagadora da China, estão, claramente, ocupando espaços deixados pelas economias maduras. O crescimento do volume de ativos em 2010, por exemplo, foi praticamente dividido meio a meio entre os dois grupos, com a China sozinha respondendo por 20% do incremento registrado no ano passado.

A importância dos emergentes no mercado financeiro global pode ter se acelerado com a eclosão da crise, mas não é um processo tão novo. O avanço dos emergentes, em parte distorcido pelo extraordinário peso da China, explica uma parcela da marcha da financeirização na economia global. Nos últimos dez anos, enquanto a acumulação financeira nas economias emergentes cresceu a uma taxa média anual acima de 18%, nas economias maduras a expansão se deu ao ritmo médio de 5% ao ano.

Espaço de emergentes. Como risco ou oportunidade, há, como ressalta o levantamento do MGI, espaço para que o peso dos emergentes avance muito mais. Essa perspectiva se apoia, em primeiro lugar, no fato simples de que os mercados financeiros nas economias emergentes ainda são relativamente pequenos. O valor do total dos ativos financeiros no grupo dos emergentes ainda equivale a 200% do PIB - 160% se excluída a China -, enquanto nos países desenvolvidos já alcança 427% do PIB - mais de cinco vezes, portanto, a produção de bens e serviços.

Foram mais uma vez os emergentes os responsáveis pela inversão, registrada em 2010, na curva dos fluxos de capitais entre países, em que se incluem empréstimos em moeda estrangeira e investimentos diretos. Depois de tombar 85% no auge da primeira fase da crise - de US$ 10,9 trilhões, em 2007, para US$ 1,6 trilhão, em 2009 -, os fluxos financeiros entre países voltaram a crescer, alcançando US$ 4,4 trilhões, em 2010. Ainda assim, relativamente ao PIB, permanecem nos níveis mais baixos desde 1998.

Marcante, na avaliação dos fluxos de capitais externos em 2010, é a constatação de que, diferentemente do conhecido, os recursos destinados a economias maduras estão mais voláteis do que aqueles dirigidos aos emergentes. Detalhe surpreendente: a América Latina recebeu, no ano passado, mais recursos externos, do que China, Índia e Rússia juntos.

Serviço

ENDEREÇO DO ESTUDO: O estudo Mapping global capital markets 2011 do McKinsey Global Institute pode ser acessado em http://www.mckinsey.com/mgi/publications/Mapping_global_capital_mark ets/index.asp

MARCIA PELTIER - Natal sem perus e chesters


Natal sem perus e chesters 
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 13/09/11

Cerca de 500 mil trabalhadores do setor de frigorífico ameaçam entrar em greve depois do dia 23, quando acontece o congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins (CNTA). As reivindicações, já entregues dia 16 à CNI, incluem a aprovação de um piso salarial nacional de R$ 1 mil e adoção de medidas de segurança e saúde para a categoria. Os trabalhadores alegam que, na prática, não têm os intervalos de descanso assegurados pela CLT aos expostos a baixas temperaturas. A paralisação pode afetar o abastecimento de produtos em época crucial para o cumprimento do calendário de produção para as festas de fim de ano.

Roncos no Sul 
A japonesa Nissan anuncia, até o fim deste mês, a localização de sua unidade fabril no Rio de Janeiro. Diferente do que se pensava, a fábrica não será instalada em São João da Barra. O QG da montadora deverá ficar em algum município do Sul Fluminense.

Para a noite 
Chega ao Brasil, esta semana, o primeiro e único drinque afrodisíaco industrializado já lançado no mundo. A bebida austríaca Yxaiio pheromones, que contém feromônios, foi desenvolvida para abastecer o mercado de produtos premium da Europa. Com aprovação da Anvisa, será lançada por aqui pelo grupo Essen Gruppe Trinity. Neste primeiro momento, a novidade só será encontrada em algumas casas noturnas, bares e restaurantes de São Paulo. Custará cerca de R$ 50 a lata de 300 ml e pode ser consumida com champanhe ou vodca. Haverá uma festa de lançamento amanhã, na boate paulista Brown Sugar, com lista vip de Fernanda Barbosa.

Do jeito tradicional 
As jovens fadistas Carla Pires e Teresinha Landeiro virão especialmente de Portugal para se apresentar na festa de 100 anos da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro. O encontro — que contará com missa, lançamento de livro e jantar — será no próximo sábado, no Museu Histórico Nacional. Com cerimonial de Ricardo Stambowsky e decoração de Ovídio Cavalleiro, empresários do eixo Portugal-Brasil recebem autoridades dos dois países e aproveitam para fazer negócios.

Franquias do samba 
Se a moda pega, as escolas de samba do Rio vão ganhar nova fonte de renda. O primeiro botequim temático no Brasil dedicado a uma escola de samba será montado em Curitiba. A inauguração do Bar Acadêmicos do Salgueiro será nesta quinta-feira e contará com apresentação da bateria e de passistas da comunidade, pelo menos uma vez por mês, na programação da casa. No cardápio, só cervejas e pestiquinhos bem cariocas.

Projeto Hydra 

Wanderley Abreu Jr. pretende entregar ao mercado, até o início do próximo ano, a segunda geração de UAVs (unmanned aerial vehicle, ou, em bom português, veículos aéreos não tripulados) nacionais, completamente autônomos, capazes de executar o plano de voo sozinhos e ficar no ar por 24h, sem reabastecer. O dono da Storm Security prevê o uso civil da aeronave em fazendas das fronteiras com Bolívia e Paraguai, onde há roubo de gado e invasões, além da pulverização de colheitas e mapeamento de áreas. Wanderley, agora com 33 anos, ficou conhecido como um gênio hacker aos 22, quando coordenou as investigações eletrônicas do Ministério Público do Rio e ajudou a identificar 27 pedófilos que usavam a internet.

Sustentável 
A coleção CASA, desenvolvida pela estilista Isabela Capeto em parceria com a ONG Tem Quem Queira já está à venda na exposição Morar Mais por Menos e na loja da designer no Leblon. São cestos para roupa, revisteiros e cachepots feitos de lona vinílica, reciclada por detentos do sistema prisional carioca.

Continuidade garantida 

Já tem data prevista, de 12 a 16 de setembro de 2012, a segunda edição da ArtRio, feira internacional de arte contemporânea que levou cerca de 46 mil visitantes ao Pier Mauá em cinco dias e registrou vendas no valor de R$ 120 milhões. Antes disso, no entanto, as criadoras da ideia, Elisângela Valadares e Brenda Osorio, pretendem elaborar ações durante o ano inteiro com a marca ArtRio. Uma delas é a Monumental, exposição nas ruas do Rio de grandes obras de intervenção urbana de artistas internacionais. Outra é levar grupos para visitas guiadas a museus ou coleções privadas no exterior e também manter o site ativo, com produção de conteúdo.

Dupla mais que dinâmica 

Alexandre Accioly e Calainho, os outros dois sócios do evento, se comprometeram com o projeto Rio Eu Amo, Eu Cuido, de proporcionar visitas guiadas gratuitas a museus e galerias para os estudantes cariocas da rede pública.

Bastidores 

Agnaldo Farias, um dos curadores responsáveis por garantir consistência e critérios à mostra, já se dedica à coordenação da Bienal de Cuenca, na Espanha, em novembro. Do Rio, ele levará a instalação com lençóis que Daniel Senise exibiu na Casa França Brasil e um trabalho inédito de Waltercio Caldas. De São Paulo, a artista selecionada foi Flávia Ribeiro.

Livre Acesso

Para os amantes da sétima arte, o shopping Fashion Mall realizará um festival de filmes ligados ao mundo da moda. O evento é só hoje e faz parte do Fashion’s Night Out. Com preços promocionais a R$ 5 serão exibidos Coco Chanel & Igor Stravinsky, O Louco Amor de Yves Saint Laurent e A Edição de Setembro. A renda será doada para o movimento Rio Eu Amo, Eu Cuido.

Donata Meireles, Lalá Rudge e o coleguinha Bruno Astuto participam de mesa redonda no Fashion’s Night Out no Shopping Leblon.

Estreia hoje, às 21h, no Teatro Clara Nunes, o espetáculo Rogéria e os Astolfos, com Bete Mendes como convidada especial.

Lígia Azevedo faz sessão de autógrafos, às 19h, do livro Aventuras e receitas de Lígia Azevedo, na Travessa do Shopping Leblon.

Roberta Coelho convida para a inauguração com coquetel, hoje, da Millu, multimarcas de roupa teen e infantil no Shopping da Gávea.

O chef Marcos Sodré serve menu inspirado na gastronomia balinesa, de 15 a 25, no Sawasdee Bistrô do Leblon e de São Conrado.

Os premiados designers Guto Indio da Costa e Ricardo Leite dão palestras gratuitas sobre o design carioca no lançamento, hoje, da mostra Rio + Design 2011, a partir das 10h, na Alerj. Em seguida, um coquetel marcará a abertura oficial da exposição, que poderá ser visitada até o dia 30 de setembro.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

EDITORIAL - O ESTADÃO - O xis da questão do mensalão


O xis da questão do mensalão
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 13/09/11

Com o término, na quinta-feira passada, do prazo para os réus do mensalão apresentarem suas alegações finais no processo aberto contra eles em 2007, que o STF deverá julgar no próximo ano, vieram a público os argumentos graças aos quais pretendem ser absolvidos os mais notórios protagonistas do escândalo de suborno de deputados federais para favorecer o presidente Lula, no seu primeiro mandato. É o caso dos integrantes do "núcleo principal da quadrilha", conforme a denúncia formulada pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - e ratificada em sua quase totalidade pelo seu sucessor, Roberto Gurgel.

Reconduzido pela presidente Dilma Rousseff para um novo período no cargo, Gurgel corroborou, por exemplo, a conclusão de Souza, segundo a qual o então ministro e depois deputado cassado José Dirceu foi o "chefe da quadrilha" que arquitetou e conduziu, a partir do PT, o esquema de compra de apoios ao governo Lula no Congresso Nacional. Dos 40 réus originais, um (o ex-deputado José Janene, do PP) faleceu, outro (o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira) foi excluído do processo em troca de prestação de serviços comunitários e dois foram exonerados, por falta de provas, pelo atual procurador: o ex-ministro Luiz Gushiken e um irmão do tesoureiro do PL, Antonio Lamas.

Os advogados de Dirceu reiteraram, nas razões finais, que inexiste no processo algo "que possa sequer sugerir" que o seu cliente interferisse ou mesmo estivesse a par do que se passava na administração ou com as finanças do partido do qual já tinha sido presidente, no período que esteve à frente da Casa Civil. "Todas as provas", escreveram os criminalistas que o defendem, "mostram que (o ex-tesoureiro) Delúbio Soares atuava com independência". Eles consideram "completamente descabida" a versão de que Dirceu tivesse qualquer vínculo com o publicitário Marcos Valério, tido como o operador do mensalão. Caberá ao STF, a começar do relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, acolher ou rejeitar à luz dos autos essas negativas aparentemente implausíveis.

Se fossem ao menos verossímeis, o procurador-geral Gurgel não teria endossado com tamanha convicção o juízo do predecessor sobre o dirigente petista. É bem verdade que Delúbio chamou a si a responsabilidade exclusiva pelos negócios do partido com Marcos Valério. Mas é o que se espera de qualquer pezzonovante mafioso conhecedor do implacável código de conduta da organização. Já o então deputado e presidente da legenda, José Genoino, tenta se distanciar dos suspeitos empréstimos tomados em 2003 por Delúbio no Banco Rural e no BMG, no valor de R$ 2,4 milhões, em benefício de companheiros e dos novos amigos do governo Lula.

A defesa de Genoino, para quem os empréstimos se destinavam a "fazer frente ao verdadeiro caos financeiro vivenciado pelos diretórios regionais do PT", afirma que ele assinou os papéis apenas "por condição estatutária". Por esse inconvincente raciocínio, "a legalidade, a viabilidade e o cabimento das transações" não eram da alçada do titular do partido, sendo o seu autógrafo "requisito meramente formal para a execução do empréstimo". Genoino, assim como Dirceu e Delúbio, foram denunciados por formação de quadrilha e corrupção ativa. Marcos Valério responde ainda por lavagem de dinheiro, peculato e evasão de divisas.

O seu advogado pergunta como pode o seu cliente ser condenado por supostamente intermediar o financiamento do esquema, sem que estejam em julgamento "as condutas dos interessados no suporte político "comprado" (presidente Lula, seus ministros e seu partido) e dos beneficiários financeiros (partidos políticos da base aliada)". Assinala ser esse "um raríssimo caso de versão acusatória de crime" que deixa mandantes e beneficiários em segundo plano, "alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente Lula". Esse sempre foi o xis da questão: a tentativa de Lula de fazer crer que ignorava o esquema por completo - cego, surdo e mudo como os macaquinhos da metáfora.

CELSO MING - Contradições na Eurolândia


Contradições na Eurolândia
CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 13/09/11

Pior que a crise europeia são as inconsistências entre o que dizem e fazem - e mesmo só entre o que dizem - os dirigentes. Assim, vão tropeçando em contradições e em omissões. As duas últimas mostram que não há em quem confiar.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou documento em que advertia que os bancos europeus deveriam reforçar seu capital em ao menos 200 bilhões de euros para enfrentar a deterioração dos seus ativos. Em seguida, a própria diretora-gerente do FMI, a francesa Christine Lagarde, corroborou o alerta. No entanto, sábado, a mesma Lagarde veio a público e desmentiu o que ela e o FMI tinham sustentado.

Não ficou claro quem errou e por quê. Mas não é difícil imaginar o que aconteceu. Todas as recomendações de segurança bancária exigem a marcação a mercado dos títulos que estão no balanço dos bancos. E a marcação a mercado aponta para forte desvalorização de uma penca de títulos de dívida da zona do euro, especialmente de Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Mas as autoridades não querem admitir que esses títulos já não valem o que está nos contratos. Isso implicaria aceitar desastres ou quase desastres em série.

O primeiro é o balanço irrealista do Banco Central Europeu (BCE) que, desde maio de 2010, comprou 143 bilhões de euros em títulos de dívida do bloco.

Segundo, a deterioração dos balanços de boa parte dos bancos europeus e a admissão de que os tais testes de estresse a que foram submetidos há somente dois meses não passaram de um bom teatro.

E, terceiro, se é verdade que a quebra (default) da Grécia está por um fio, o mesmo serve para o equilíbrio patrimonial dos bancos credores. E isso não vale só para os bancos gregos. Vale também para os outros credores de títulos dos países em perigo. Em ambiente de perda crescente de credibilidade, o contágio é inevitável.

É por isso que - relatou nesse fim de semana a revista Der Spiegel - o governo de Berlim tem um plano B para salvar os bancos alemães, dando razão à versão do FMI que pede o reforço do capital dos bancos. E, se os bancos alemães precisam de mais capital, por que não os demais?

A outra inconsistência dos dirigentes foi revelada pela demissão de Jürgen Stark, representante da Alemanha na direção do BCE. Desta vez, a razão real não pôde ser ocultada: Stark saiu por discordar abertamente da atual política do BCE de recompra no mercado secundário de títulos de países do euro. É a segunda demissão em cinco meses. Em abril saiu Axel Weber, que também desistiu de se candidatar à presidência do BCE, com cuja política não concordava.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, argumenta que recomprar títulos é essencial para garantir o futuro do euro, por dar mercado para títulos rejeitados e permitir a redução dos juros que esses países terão de pagar. Fora isso, adverte que essas operações não produzem inflação.

Mas essa política produz dois efeitos adversos. O primeiro é a concessão de aval disfarçado do BCE para títulos soberanos. O segundo, o aprofundamento do chamado risco moral, por sustentar rombos orçamentários ilegais de um punhado de países do euro.

Nesse ambiente carregado de contradições e de perda de credibilidade, o mercado financeiro responde como pode. Além da queda geral do valor dos títulos dos países da periferia do euro, vai derrubando as cotações dos bancos europeus.

CONFIRA

Apenas nos primeiros oito dias úteis de setembro (até ontem), a cotação do dólar em reais subiu 7,6%, produzindo correspondente desvalorização do real. Ou seja, o primeiro efeito da deterioração das condições externas sobre a economia brasileira não foi desinflação; deve ser, ao contrário, mais inflação, a que é produzida com o aumento dos preços em reais dos produtos importados.

Mais exportações
As receitas com exportações de 2011 até sexta-feira acumulam US$ 173,5 bilhões. O total do ano poderá ultrapassar os US$ 270 bilhões.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não tem como [Dilma] estar insatisfeita”
DEPUTADO CÂNDIDO VACCAREZZA (PT-SP), SOBRE OS RESULTADOS VERGONHOSOS DO ENEM

DF: PESQUISA MOSTRA RORIZ À FRENTE DE AGNELO 
Pesquisa do Instituto Mark em 27 cidades e/ou regiões administrativas do DF indica que Joaquim Roriz (PSC) pode se arrepender de transferir seu domicílio eleitoral, como anunciou, para disputar a prefeitura de Luziânia (GO): se a eleição para o governo do DF fosse hoje, ele venceria o governador Agnelo Queiroz (PT). Na pesquisa espontânea, Roriz soma 10,6% contra 9,2%; na estimulada, tem 22,6% contra 15% de Agnelo, que também fica atrás de Cristovam (PDT), com 17,4%.

SURPRESA 
Preso na Operação Caixa de Pandora e apeado do poder, Arruda surge em 4º na pesquisa espontânea (4,1%) e na estimulada (8,8%).

MARK/CH 
Realizada entre os dias 4 e 7, a pesquisa de 1.026 entrevistados marca a estreia da parceria exclusiva do Instituto Mark com esta coluna.

MIRA CERTEIRA 
O Instituto Mark chamou a atenção nas últimas eleições no Mato Grosso, por exemplo, acertando os resultados com espantosa precisão.

EM CIMA 
Dado curioso da pesquisa Mark/CH é que Joaquim Roriz lidera em todos os cenários de adversários, se a eleição no DF fosse hoje.

DINHEIRO DO BRASIL ROLA ESCADA ABAIXO EM PARIS 
Começa em Paris, nesta terça (13), a tradicional lavagem da igreja da Madeleine para “divulgar o patrimônio cultural brasileiro” e o Instituto Cultural Brasil Oniré, que nem site tem, mas captou R$ 710 mil pela Lei Rouanet no Ministério da Cultura. O governo abriu mão da receita de impostos. A grande atração da festa será Carlinhos Brown, ex-genro de Chico Buarque – irmão da ministra Ana de Hollanda (Cultura).

TUDO EM FAMÍLIA 
Roberto Chaves, irmão adotivo de Caetano e Maria Bethânia, blogueira de R$1,3 milhão, participa da festança parisiense com nosso dinheiro.

CONTRIBUIÇÃO 
A Embaixada do Brasil em Paris entrou com US$ 8 mil na lavagem da escadaria – cerca de US$ 6 mil para um coquetel a ilustres convidados.

CULTURA INÚTIL 
O site do evento, apoiado pelo Ministério da Cultura, divulga a data de “13 à (sic) 18 de setembro”, e Festival Cultural Bresilien. É Brésilien.

SOLIDÁRIA 
Dilma no Fantástico, sobre a cura do câncer: “Se as pessoas fazem prevenção, têm condições de detectar e tratar, foi o que aconteceu comigo”. Tratar no Albert Einstein, no Sírio Libanês ou no SUS?

HOMENAGEM 
Enquanto a Polícia Civil carioca não soluciona o homicídio do arquiteto Romulo Castro Ramos Tavares, 33, no dia 3 em Ipanema, amigos prepararam um bonito memorial em homenagem a ele na Casa Cor do Rio, a partir do dia 2. Seu projeto na exposição também será concluído.

PT CONTRA CABRAL 
A CUT lidera no Rio protesto contra a terceirização da Saúde, alegando que “concursado tem estabilidade para abrir o bico sobre coisa errada, como voos em jatinhos privados”. Exceto em governos do PT, claro.

ELE ENTENDE DO RISCADO 
Candidato a ministro do Tribunal de Contas da União, o deputado Átila Lins (PMDB-AM) leva uma vantagem sobre os demais concorrentes: é auditor de carreira no TC-AM. Até ficou em primeiro lugar no concurso.

TRE-PB: SUSPEIÇÃO... 
Dois juízes do TRE-PB podem alegar suspeição e sair do julgamento, hoje, em que Veneziano Vital do Rego, prefeito de Campina Grande, pode ser cassado por usar dinheiro público na reeleição.

...ATINGE DOIS JUÍZES 
O juiz Newton Vita é primo legítimo de Raoni Vita, advogado do prefeito de Campina Grande, e o outro, Márcio Andrade, é cunhado do deputado André Gadelha, líder do PMDB na Assembleia, aliado do réu.

SELO INIMIGO 
O ambiente nos Correios está de selo não reconhecer carta. Tensão nos semblantes, com a estatal movida a intriga entre grupos, à espera de uma solução para a decadência operacional da empresa.

BB DE BAGUNÇA EM DOBRO 
Há dias a agência do Banco do Brasil em Cascais, Portugal, exibe o aviso de que seu caixa eletrônico está interditado por “prazo indeterminado”. Até para o exterior levamos a marca da bagunça.

CONTAGEM REGRESSIVA 
Furo nos Bric’s: a China reconheceu o Conselho Nacional de Transição na Líbia, após a Rússia. Faltam “I”, de Índia, e “B”, de beócio. 

PODER SEM PUDOR
CABEÇA CHATA 
Baixinho, atarracado e quase sem pescoço, o marechal cearense Humberto de Alencar Castello Branco certa vez reagiu assim à pilha de processos levada a ele pelos ministros Octávio Bulhões e Roberto Campos:
– Os senhores sabem por que eu tenho cabeça chata? É de tanto os senhores baterem nela e me pedirem: ‘Assina logo isso aí, presidente’...

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Dilma desiste de 'nova CPMF' para financiar Saúde em 2012

Folha: Ministro pagava governanta com dinheiro público

Estadão: Crise faz dólar fechar acima de R$ 1,70 pela 1ª vez no ano

Correio: Insuportável

Valor: Brics articulam ação de socorro a países europeus

Estado de Minas: Pouca verba para muitas estradas...

Jornal do Commercio: Escolas locais abaixo da média do Enem

Zero Hora: Estado propõe abono para pacificar PMs

segunda-feira, setembro 12, 2011

O maior roubo de joias do Brasil - Revista Veja


O maior roubo de joias do Brasil
REVISTA VEJA

Bandidos entram no setor de cofres particulares de uma agência do Itaú na Avenida Paulista e levam um tesouro em pedras preciosas, ouro e relógios avaliado em 100 milhões de reais, no mínimo.

Com reportagem de Adriana Dias Lopes, André Eler, Giuliana Bergamo, João Batista Jr, Kalleo Coura e Laura Diniz

Diamantes do tamanho de bolas de gude, esmeraldas raras, lingotes de ouro puro, colares cravejados de dezenas de rubis, coleções de relógios que custam mais do que um apartamento de luxo, maços de notas de 500 euros. Essa é uma pequena fração do inventário de perdas do maior roubo a cofres particulares já feito no Brasil. O crime ocorreu há duas semanas, no coração de São Paulo, mas o caso passou dias na penumbra. Só na semana passada seus contornos começaram a vir à luz. A cada novo detalhe revelado, a trama torna-se mais surpreendente. O centro da ação foi o subsolo de uma agência do ltaú localizada na Avenida Paulista, na esquina com a Rua Frei Caneca. Lá, o banco mantém uma caixa-forte com 2 500 cofres alugados a seus clientes vips. Para chegar até eles, é preciso passar por guardas e por duas portas: uma gradeada e outra de aço. O aparato de proteção conta com áreas vigiadas por câmeras e sensores de movimento. Trata-se, portanto, de um local de altíssima segurança. No entanto, às 23h50 de 27 de agosto, um sábado, doze homens uniformizados com jaleco cinza-claro invadiram o local sem disparar um só tiro. Arrombaram 138 cofres, pertencentes a 120 clientes. Dez horas depois, na manhã de domingo, partiram com uma fortuna avaliada, por baixo, em 100 milhões de reais. Nenhum alarme soou.

Os bandidos entraram na agência graças a um disfarce: dois deles chegaram ao edifício em um furgão. Foram para a garagem. Desceram a rampa que dá para o estacionamento e encontraram o vigia noturno. Vestidos com os jalecos, informaram que faziam parte de uma equipe de manutenção que trocaria alguns móveis da agência. O vigia não desconfiou, pois a agência passava mesmo por um período de reformas e havia recebido um aviso sobre obras que seriam feiras naquela madrugada. Com a passagem liberada, os homens tomaram elevadores até o térreo. Na área principal da agência, dominaram o único vigilante armado de plantão. Sob a mira de pistolas, ele foi obrigado a fazer contato com a central de monitoramento e a recitar uma senha de segurança que autoriza o desligamento total dos alarmes. Em seguida, os bandidos fizeram com que o vigilante abrisse as portas que dão para a Avenida Paulista. Mais dez homens entraram, enquanto outros cinco ficaram do lado de fora, para avisar o resto do bando de algum problema. Alguns se dirigiram à garagem e descarregaram o furgão. Várias caixas de papelão foram levadas para o setor de cofres. Nelas, havia inúmeras ferramentas, desde as mais simples, como arco de pua, pé de cabra e mrreta, até equipamentos modernos, como uma furadeira magnética, capaz de varar aço, uma serra sabre elétrica e um martelo eletropneumático, utilizado para demolir paredes. Com esse arsenal, foi fácil alcançar o tesouro dos cofres. O vigia da noite e seu colega do turno da manhã, também rendido ao chegar ao trabalho, às 6h45 do domingo, só puderam dar o alarme depois que a quadrilha havia sumido.

Quando a notícia chegou à direção do Itaú, um gabinete de crise foi montado. Para a imagem de um banco, o roubo milionário de dezenas de cofres tem o mesmo impacto de uma queda de avião para uma companhia aérea. Um grupo de quarenta gerentes recebeu ordens para deixar de lado suas atribuições habituais e dedicar-se a avisar pessoalmente os clientes de que seus cofres haviam sido roubados. É uma tarefa delicada. Bancos garantem a seus clientes todos os valores depositados em contas-correntes ou aplicados em fundos . Roubos pela internet e em caixas eletrônicos também são ressarcidos. Em relação a cofres, a história é outra. É um sistema ultrapassado, em processo de extinção, em que nenhum cliente é obrigado a declarar o conteúdo do que é guardado. Por contrato, o Itaú garante o ressarcimento de 15 000 reais por cofre. Quem mantém valores maiores pode adquirir uma apólice de seguro. Até 200 000 reais, é possível fazer um seguro com o próprio Itaú. Se o valor superar esse montante, deve-se buscar outra seguradora. A maioria dos clientes, no entanto, não se preocupa com isso.

Uma das vítimas que não tinham seguro é Therezinha Maluf Chamma, de 82 anos, irmã do ex-governador e atual deputado federal Paulo Maluf. Havia mais de trinta anos, ela alugava um cofre no Itaú onde guardava duas caixas: uma com suas joias e outra com as de suas duas filhas, Maria Tereza e Nelly. Tudo foi levado. "Perdi bens que ganhei do meu bisavô, avô, mãe, marido. Jamais conseguirei comprar peças comparáveis, elas nem são mais produzidas", lamenta. Entre outras preciosidades, Therezinha tinha um colar de brilhantes da joalheria francesa Van Cleef & Arpels e um anel cuja pedra de brilhante era do tamanho de uma cereja graúda. Especula-se que o prejuízo da família supere facilmente 1 milhão de reais.

As irmãs Vera Lúcia Atallah Salem, Maria Cristina Atallah Gabriel e Rose May Atallah também estão inconsoláveis. "Dias antes do roubo, fui viajar e, com medo de que minha casa fosse invadida, levei tudo para o nosso cofre. Deu no que deu", ressente-se Rose May. Nervosa com as perdas, sua irmã Vera Lúcia, que sofre do coração, teve de tomar remédios.

O dono de um conjunto de diamantes e rubis da joalheria americana Tiffany, lapidados na década de 30, que incluía gargantilha, bracelete, brincos, anel e aliança, também precisou ser medicado ao saber que estava alguns milhões de reais menos rico. Duas coleções de relógios Rolex desapareceram. Uma delas, com 110 peças históricas, estava avaliada em
2 milhões de reais. A outra contava com setenta relógios da marca mais cobiçada pelos ricos brasileiros.

Diante da dimensão do roubo, era de esperar que a polícia tivesse iniciado a investigação imediatamente. Não foi o que aconteceu, apesar de o Itaú ter acionado os policiais logo depois de ter recebido a notícia traumática. Após o registro do boletim de ocorrência e as providências de praxe (perícia fotográfica, recolhimento de impressões digitais), o caso estranhamente hibernou. A Delegacia de Repressão a Roubo a Bancos levou uma semana para começar a investigar o assalto, e só interrogou os vigias rendidos na última quinta-feira, onze dias depois da invasão do cofre. Perdeu-se, assim, a oportunidade de intensificar a investigação nas primeiras 48 horas subsequentes ao crime, cruciais na coleta de evidências. "Houve falhas operacionais. Não foi notada a importância da ocorrência", admite o delegado-geral, Marcos Carneiro. Essa é uma visão, no mínimo, otimista. Quem conhece a polícia sabe que, em casos dessa magnitude, os agentes costumam agir com rapidez. Se policiais demoram para tomar providências, é um mau sinal. Há o risco de que eles estejam interessados em chegar aos bandidos de forma "extra oficial", para chantageá-los e ficar com parte do que foi roubado. A polícia de São Paulo tem antecedentes. Alguns de seus integrantes extorquiram os megatraficantes colombianos Juan Carlos Abadía e Ramón Manuel Penagos, conhecido como EI Negro. Também tomaram uma pequena fortuna de bandidos envolvidos em roubos a banco nos últimos anos. É preciso apurar se essa vergonha se repetiu. É o que o secretário de Segurança Pública do estado, Antonio Ferreira Pinto, está fazendo com a presteza habitual.

Como os bandidos tiveram uma semana de dianteira, pode ser que muitas das joias roubadas tenham sido derretidas ou contrabandeadas para fora do país. A missão imediata é encontrar os autores do crime. Essa tarefa será possível graças ao único deslize cometido pelos ladrões: eles destruíram boa parte das câmeras de vídeo do circuito interno de gravação da agência e desligaram outras, mas alguns dos equipamentos passaram despercebidos. Com isso, foi possível obter imagens do rosto dos doze assaltantes que entraram no edifício. Boa parte deles está prestes a ser identificada – suas feições estavam em arquivos da polícia e de empresas de segurança privada porque eles já haviam participado de roubos a banco. Durante a análise das faces, uma hipótese se formou e ganhou peso: é alta a probabilidade de que o núcleo duro da quadrilha que invadiu o Itaú seja o mesmo que planejou e executou, há seis anos, o assalto ao cofre-forte do Banco Central, em Fortaleza, no qual foram roubados 164 milhões de reais, no maior crime desse tipo cometido na história do país – pelo menos, até agora. Isso teria sido possível graças a um dos muitos absurdos brasileiros: dos 125 envolvidos naquele roubo, cinco estão foragidos e 81, incluindo os que ajudaram a lavar o dinheiro, estão em liberdade. O crime do Banco Central de Fortaleza virou filme.

Só nos seis primeiros meses do ano, 239 agências bancárias foram assaltadas, com perda de 31 milhões de reais. Se, de fato, foi a mesma quadrilha que assaltou o Itaú, cabe à policia paulista fazer com que uma eventual sequência cinematográfica termine com os bandidos" na cadeia. Seria um primeiro sinal de reação contra o crime organizado e especializado em atacar bancos.