sábado, setembro 10, 2011

WALTER CENEVIVA - Crime: mais punição ou menos?


Crime: mais punição ou menos?
WALTER CENEVIVA
FOLHA DE SP - 10/09/11

O lado paralelo da menor duração da pena está no alto custo da manutenção do condenado na prisão


EM MATÉRIA de punição da criminalidade, parece correto dizer que a maior parte das opiniões do povo brasileiro se divide em dois grupos: o dos que são favoráveis a punições mais severas a todo e qualquer delinquente e os contrários a esse "remédio" se desacompanhado do aprimoramento das condições educacionais e sociais, aí incluídas as cadeias.
Autores nacionais e estrangeiros dos últimos 250 anos mostram que a dualidade é velha e persistente. Foi detonada depois que o italiano Cesare Beccaria publicou sua obra "Dos Delitos e das Penas", com críticas à dureza desumana das prisões europeias. Estou de acordo, nesse tema, com os que não creem na possibilidade de equilíbrio dos contrários.
Se o leitor, com opinião definida a respeito, quiser buscar um suporte legal para sua avaliação, convém lembrar que o Código Penal Brasileiro tem 361 artigos (sem subtrair os revogados e adicionar os que se desdobraram com o mesmo número, acrescido de letras do alfabeto). Há muitas outras penas previstas em leis especiais. Isso explica porque se veem tantas notícias com gente condenada a centenas de anos de prisão, quando as estatísticas mostram que, na prática da maior parte dos crimes, a punição efetiva não ultrapassa 30 anos, sendo concedida a liberdade depois de uns quinze anos de cadeia, em caso de bom comportamento.
O lado paralelo da menor duração da pena está no alto custo de manutenção do condenado na penitenciária -sabido, na hora dos finalmentes, que o dinheiro sai de nosso bolso. A base constitucional desse quadro está no art. 5º da Constituição, que define direitos e garantias fundamentais e invioláveis do indivíduo. Os constituintes dedicaram 30 dos 78 incisos do art. 5º (quase 40 por cento) à defesa, para preservação de direitos dos acusados por infrações ou contravenções.
O percentual elevado de normas favoráveis ao réu não é um mal em si mesmo. Em primeiro lugar, porque protege o inocente contra abusos. Em segundo, porque o índice de condenações definitivas é desproporcionalmente muito menor que o número de crimes. Desde Beccaria já se sabe que "prisões-estábulos" -ao acumularem pessoas nas celas a ponto de não terem onde dormir, não disporem de segurança mínima contra a violência ou de garantia da própria vida- contribuem para aumento da criminalidade. Em terceiro lugar, porque predominante razão administrativa tem considerado mais importante construir escolas e hospitais que cadeias.
No momento atual, neste país cuja grandeza é feita de muitos paradoxos, vê-se que a construção de estádios de futebol se sobrepõe a tudo em importância, embora seja evidente que não terão utilidade plena depois da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.
Vê-se também que se o Procurador Geral da República não tiver êxito na ação contra isenções e favores concedidos pelos Poderes Públicos para gastos com a Copa, certamente veremos as despesas (também saídas de nosso bolso) se multiplicarem várias vezes, sob alegações de defesa do prestígio nacional e das urgências criadas. Pior ainda: com seu controle oficial submetido a limitações impostas pelas entidades esportivas. Nesse assunto, a questão já não é de mais ou menos penas, mas apenas de dar pena. Pena de nosso bolso.

O VAGABUNDO MENTIROSO


CELSO MING - Nas mãos de Deus


Nas mãos de Deus
CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 10/09/11

Mais uma vez, os ministros de Finanças do Grupo dos Sete (G-7) países mais desenvolvidos se reuniram, ontem. Desta vez, em Marselha, França, para discutir saídas para a crise global.

Toda reunião desse tipo tem pelo menos duas coisas em comum: um comunicado final e a foto das autoridades, em geral de costas para uma paisagem-símbolo. Mas, nesta, não haverá comunicado oficial, provavelmente, por falta do que comunicar.

A pauta de problemas é enorme. Há dois dias, a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, a francesa Christine Lagarde, fez um pronunciamento que resumiu tudo:

"Aumentaram os riscos de recessão e a demanda global necessária para garantir o crescimento sustentável está paralisada. Crescimento econômico fraco e balanços fracos dos governos, das instituições financeiras e dos consumidores desses países estão alimentando negativamente uns aos outros. Caso a oportunidade do crescimento continue a perder seu momento, os problemas aumentarão, a sustentabilidade fiscal estará ameaçada e desaparecerá a capacidade dos governos de salvar a recuperação".

Falta dizer o que pode ser feito. O diabo é que as propostas, quando existem, trombam com as necessidades dos outros países. Os Estados Unidos e a União Europeia, por exemplo, estão empenhados em provocar a desvalorização do dólar e do euro, respectivamente, para puxar pelas exportações. Mas, além de não garantir o efeito desejado, isso produz guerra cambial, essas enormes distorções em outros países, como o Japão e a Suíça - e não apenas o Brasil - estão denunciando.

Medidas na área fiscal parecem esgotadas. Os tesouros, superendividados, são limões excessivamente espremidos, o que os impossibilita de despejar incentivos orçamentários (subsídios ou redução de impostos) que se destinem a financiar a recuperação.

Essa também é a principal limitação para a tão propagada necessidade de elevar o capital dos bancos. Qualquer redução artificial do endividamento público, por sua vez, leva o risco de acentuar a vulnerabilidade dos bancos. Políticas de austeridade fiscal e de alta de impostos tendem a elevar a recessão, a reduzir a arrecadação e a debilitar ainda mais as finanças dos países endividados.

Um quadro fiscal assim puxa o foco para os grandes bancos centrais que, no entanto, já operam com juros no chão. Sua política monetária (política de juros) não tem mais tração. Nos Estados Unidos, os bancos preferem deixar seus recursos depositados no Federal Reserve (banco central) do que se arriscar a fazer mais empréstimos. Têm lá nada menos que US$ 1,6 trilhão.

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, já recomprou, desde maio, 130 bilhões de euros em dívidas soberanas de países do euro. Tudo se passa como se tivesse dado sua garantia para toda a dívida pública do bloco. Esse jogo heterodoxo foi o principal motivo pelos quais o representante da Alemanha, Jurgen Stark, anunciou ontem sua saída do BCE (veja mais no Confira).

Enfim, as autoridades do G-7 têm muito o que discutir e quase nada a propor. A economia dos países ricos, especialmente a dos da zona do euro, parece mais nas mãos de Deus do que nas dos atuais dirigentes políticos.


CONFIRA

Cadeira vaga, de novo Há somente 5 meses, o então representante da Alemanha no Banco Central Europeu (BCE), Axel Weber, desistiu de sua candidatura à presidência do BCE e retornou para casa. Jurgen Stark, então, assumiu a vaga aberta, com mandato programado para até 2014. Mas, ontem, no entanto, ele também renunciou a seu posto depois de manifestar sua frontal discordância sobre o programa de recompra de títulos de dívida dos países da área do euro pelo BCE. Um após o outro, o representante da Alemanha está fadado a ser oposição dentro do BCE. Até quando?

MÔNICA BERGAMO - PENÚLTIMO CAPÍTULO

PENÚLTIMO CAPÍTULO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 10/09/11

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), definiu um prazo para apresentar seu voto ao tribunal: maio de 2012.

VELHA GUARDA
Caso consiga cumprir a meta que estabeleceu, Barbosa levará o caso a julgamento antes da aposentadoria dos ministros Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto. E contrariará a expectativa de boa parte dos réus, que imaginava que o julgamento seria empurrado para 2013, depois do ano eleitoral -e com o STF renovado por dois novos ministros indicados pela presidente Dilma Rousseff.

BÍBLIA
Com as alegações finais apresentadas anteontem pelos advogados dos réus do mensalão, o processo já chega a 43 mil páginas. De todos os crimes dos quais são acusados, apenas um pode prescrever: o de formação de quadrilha. Caso as penas aplicadas sejam menores do que dois anos de prisão, a acusação prescreveria no dobro do tempo -quatro anos, contados a partir de 2007, quando a denúncia foi aceita no STF.

PARCERIA PRIVADA
Zezé Di Camargo & Luciano enviarão ao Ministério Público do Mato Grosso documento negando que o show da dupla em Diamantino foi pago pela prefeitura. No início da semana, a Justiça mandou bloquear a conta bancária dos artistas. Eles afirmam que foram contratados pelo sindicato rural da cidade -por R$ 150 mil, e não R$ 210 mil, como consta da denúncia.

ESTILO ÚNICO
A stylist de Madonna vem aí. Arianne Phillips participará do evento Pense Moda, no MuBE, entre os dias 4 e 6 de outubro. Com clientes como Lenny Kravitz e Courtney Love, ela já foi indicada ao Oscar por "Johnny e June" e assina o figurino do novo filme de Madonna, "W.E.".

FESTA DE MISS
Depois da eleição do concurso Miss Universo 2011 na segunda, as candidatas serão recebidas em festa para mil pessoas na Kiss & Fly, na Villa Daslu.

ECLIPSE
Pedro Lourenço não vai participar da próxima temporada da Semana de Moda de Paris. O estilista queria apresentar sua coleção na Galerie d'Art Saint-Honoré, um espaço com luz natural. Mas não havia datas.

MASSA FINA
Será no Terraço Itália, com convites a R$ 3.000 por pessoa, o "Jantar das Origens" que abrirá a Semana Mesa SP, em 24 de outubro. Dez chefs italianos, que somam 16 estrelas no guia "Michelin", prepararão a refeição.

CONSELHO
Luciane Ribeiro, diretora do Santander, será a primeira brasileira a integrar o conselho do Princípios para o Investimento Responsável. O programa tem apoio das Nações Unidas e colaboração de personalidades.

QUERO SER TOP
A final do concurso Elite Model Look reuniu modelos como Malana e Renata Kuerten no Memorial da América Latina. Carol Costa e Eliana Weirich também circularam pelo evento.

LUZ NA RIBALTA
O diretor Wolf Maya fez uma festa anteontem para comemorar a estreia da peça "O Inspetor", da sua escola de atores. A atriz Karine Consoli e a empresária Amanda Lins foram à Kiss & Fly.

CURTO-CIRCUITO

O Helvetia Polo Country Club, em Indaiatuba, realiza hoje, às 15h, a final do torneio Tríplice Coroa.

Marlui Miranda toca na abertura da mostra "ArteFatos Indígenas", no Pavilhão das Culturas Brasileiras do parque Ibirapuera, hoje, às 15h.

A galeria Casa da Xiclet comemora dez anos amanhã, das 15h às 23h, com abertura de exposição.

O grupo teatral Parlapatões comemora 20 anos com a estreia da peça "Ridículos Ainda e Sempre", amanhã, às 20h, no Espaço Parlapatões. 14 anos.

A festa Cocktail será hoje, às 17h, no Paribar. Livre.

O Haras Larissa sedia a final da Copa do Mundo de Hipismo nos dias 17 e 18.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

GOSTOSA


GUILHERME FIUZA - O culto ao 11/9


O culto ao 11/9
GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA

O 11 de Setembro mudou o mundo, dizem os textos comemorativos dos dez anos do atentado. Sem querer atrapalhar a comemoração, vale perguntar:

Mudou para onde?

A humanidade ainda não absorveu o quadro bizarro dos aviões perfurando as Torres Gêmeas. E nunca absorverá.

O grau de absurdo e dor contido naquela cena é indigerível. Repeti-la milhões de vezes não é sadomasoquismo. É a busca inevitável (e vã) pelo sentido da monstruosidade.

Os homens civilizados não fazem questão de entender o absurdo, mas não abrem mão de explicá-lo.

O 11/9 mudou o mundo, inaugurou o novo milênio, acabou com o sonho americano, instaurou a era do medo etc etc etc. Bin Laden deve estar explodindo de orgulho no fundo do mar.

Mas, afinal, que mundo é esse criado por Bin Laden e referendado pela sociologia fast food do Ocidente?

Se Osama venceu, onde está a prometida escalada do terrorismo internacional? Onde está a epidemia de homens-bomba barbarizando Paris, Nova York, Los Angeles e outras metrópoles pacíficas? O que houve com a al-Qaeda, que faltou a três Copas do Mundo e duas Olimpíadas?

Os especialistas mais animados estão dizendo que a atual crise financeira dos EUA começou no 11 de Setembro. Ainda vão descobrir que Bin Laden maquiou o balanço do banco Lehman Brothers e engendrou a sua falência.

Atribuir a escalada do déficit público americano aos pilotos suicidas da al-Qaeda é uma acrobacia e tanto. Não estraguem a teoria emocionante lembrando que há décadas os EUA crescem se endividando cada vez mais.

Melhor culpar – ou condecorar – o Osama.

Dizem que os americanos se afundaram em gastos militares no Afeganistão e no Iraque depois do atentado de 2001. Claro que, numa hora dessas, ninguém vai lembrar os trilhões de dólares enterrados na Guerra Fria – quando os EUA se firmaram como potência hegemônica. Perde a graça.

O 11 de Setembro abalou a fé na civilização Ocidental e forjou uma geração amedrontada, analisam os categóricos do caos.

É mesmo estranha essa geração amedrontada, que sai às ruas livremente nas maiores cidades da Europa e das Américas para defender seus direitos políticos, estudantis ou sexuais.

Geração amedrontada que se conecta com o mundo como nenhuma outra, surfando nas maravilhas tecnológicas da comunicação em rede – nascida da civilização Ocidental, ou, mais precisamente, dos Estados Unidos da América.

Esse, sim, um novo horizonte sociológico, que explodiu no mesmo período do 11 de Setembro, e dez anos depois ajudou a derrubar ditaduras no Oriente Médio.

Mas há ocidentais que preferem ver a internet como arma de fortalecimento da al-Qaeda.

Só não se sabe exatamente onde essa organização tão poderosa e letal para o Ocidente está atuando, fora da sociologia fast food.

Talvez tenha virado acionista do MacDonalds.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Olhos nos olhos
SONIA RACY
O ESTADÃO - 10/09/11

O Fórum Criminal da Barra Funda foi palco, semana passada, da chamada Justiça Restaurativa. Ainda sem previsão na lei brasileira, mas comum na Nova Zelândia e no Canadá, a abordagem inclui, por exemplo, enfrentamento entre vítima e criminoso.

Com concordância das duas partes, o jovem que tentou roubar um salão de beleza pediu perdão às cabeleireiras. Chorou e foi abraçado por elas. Em audiências comuns, réu e vítimas nem se cruzam.

"Foi a primeira vez que isso aconteceu no fórum por motivo de roubo. Saímos leves da audiência", contou Roberto Livianu, promotor que propôs a iniciativa.

Gerência de crise

A recente denúncia de trabalho escravo acendeu a luz vermelha na Zara. Executivos da filial brasileira da marca já visitaram pelo menos três empresas de relações públicas. Querem criar um canal de relacionamento mais ágil com imprensa e formadores de opinião.

A Zara foi acusada de demorar muito a se pronunciar depois que o caso veio a público.

Cafezinho

O Itamaraty ainda alinhava a agenda de Dilma na semana do dia 21, quando irá a NY para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Além de Obama, as únicas reuniões confirmadas até agora são com Sebastián Piñera, presidente do Chile, e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Quadro negro

Ex-professores e ex-alunos da Caetano de Campos se movimentam para criar o Museu da Educação Paulista. A ideia já conta com a simpatia do Centro de Referência Mario Covas, onde está abrigada boa parte do acervo. A Secretaria da Educação informa que está disposta a avaliar a proposta.

Pés no chão

Acidentes aéreos brasileiros serão tema de série para a TV, produzida por João Daniel Tikhomiroff.

Os oito episódios pretendem mostrar como algumas tragédias aconteceram e acompanharão as investigações.

Mãe natureza

Sade, que se apresenta em outubro em Sampa, é adepta de hábitos saudáveis. Pediu à GEO Eventos que providencie saladas e frango orgânico ou peixe selvagem (que não seja de criadouro). Para arrematar, a cantora nigeriana quer um litro de leite de soja.

Carteira

O Squarestone vai abrir mais cinco shoppings no Brasil. O grupo de investimentos inglês, que inaugura em breve empreendimento em São Bernardo, construirá centro de compras em São Paulo e outro no interior paulista, à beira de rodovia.

E mais três no Nordeste: em Fortaleza, Natal e Recife.

Mel

Estão chovendo consultas de empresas estrangeiras à Dersa. Especialmente de Espanha e Inglaterra. Estão interessadas no edital para construção do Rodoanel Norte. Será a primeira concorrência internacional do órgão, porque a obra, orçada em R$ 6,1 bilhões, terá dinheiro do BID.

Na frente

A Europalia, festival de artes que acontece em outubro, na Bélgica, homenageará o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha. Destaque? Seu mais novo projeto, o Cais das Artes, espaço cultural a ser inaugurado em Vitória, em 2012.

Anderson Bueno assina visagismo e maquiagem da ópera Rigoletto. Segunda, no Municipal de São Paulo.

Ana Hara abre seu espaço cultural, com exposição de Nino Ferraz. Segunda-feira, nos Jardins.

Dilma Rousseff participa, quarta-feira, de seminário em Brasília. Assunto: o modelo de compras governamentais na área de educação (FNDE). Também presentes, Miriam Belchior e Fernando Haddad.

Entre os eventos do Fashion"s Night Out, Camila do Rio organiza workshop de drinks tropicais e Roberta Martins desfila de biquíni para a SUB. Tudo segunda, nos corredores do Shopping Cidade Jardim.

Interinos: Débora Bergamasco, Marilia Neustein e Paula Bonelli.

Dia de caridade

Transformar a memória trágica do 11 de Setembro em motivo de esperança para milhares de pessoas. O Charity Day foi criado pelo Grupo Cantor, com sede em NY, e está em sua segunda edição no Brasil - pelas mãos da BGC Liquidez. A corretora convidou celebridades para atuarem como brokers na segunda-feira, dia 12, e reverterá o faturamento a instituições sociais. Diretor da companhia e porta-voz da ação no País, Alberto Mente conversou com a coluna sobre as razões do Charity Day.

Quanto foi arrecadado no mundo inteiro em 2010?

Cerca de US$ 10 milhões. E desde a primeira edição, em 2005, já foram arrecadados US$ 43 milhões, distribuídos por mais de 500 instituições do mundo inteiro. Esta será nossa segunda participação, pois a Liquidez foi comprada, no começo do ano passado, pela BGC, e o Charity Day envolve todos os escritórios do Grupo.

O dia inteiro de corretagem é doado a instituições?

É 100% destinado ao Fundo Cantor, criado após o 11 de Setembro. A BGC faz parte do Grupo Cantor, que tinha cinco andares no WTC. A empresa perdeu 658 de seus 960 funcionários naquele dia. E o CEO, Howard Lutnick, resolveu fundar um instituto para ajudar as famílias desses funcionários mortos. Ele havia levado o filho para o primeiro dia de aula e sobreviveu ao atentado. Com o passar do tempo, o Fundo ampliou o campo de ação e hoje ajuda centenas de organizações nos 25 países em que tem escritórios. Aqui no Brasil vamos ajudar instituições como a Fundação Gol de Letra e o Projeto Velho Amigo.

Quais as celebridades confirmadas para o Charity Day?

Em São Paulo, Petrônio Gontijo, Gorete Milagres, Zetti, Jacqueline Dalabona, Maria Cândida e Celso Zucatelli. No Rio de Janeiro, Vanessa Giácomo, André Gonçalves, Clarice Niskier e Marcella Muniz. Todos voluntários.

Como funcionará a corretagem com os famosos?

Nossos clientes nos contactarão para compra e venda de ações e as celebridades atuarão como brokers. O legal é que elas atenderão o telefone e explicarão a iniciativa. Isso, com certeza, incentiva as operações e, consequentemente, aumenta o valor das doações.

A UNIÃO FAZ A FORÇA!


DOM ODILO P. SCHERER - Ter fé em Deus é bom para a Pátria?


Ter fé em Deus é bom para a Pátria?
DOM ODILO P. SCHERER
O Estado de S.Paulo - 10/09/11

A comemoração do Dia da Pátria, no aniversário da independência do Brasil, sugere uma reflexão sobre a relação entre Pátria e fé em Deus. A questão pode parecer inócua, mas não é, sobretudo quando pensamos em "partidos religiosos", ou em ideologias político-religiosas, que promovem violência em nome de Deus e se impõem, como totalitarismo asfixiante, sobre toda uma nação. É inegável que existem várias lamentáveis instrumentalizações da religião para fins não próprios dela. Proponho minha reflexão a partir da posição da Igreja Católica Apostólica Romana.

Tomemos a noção de "fé em Deus" não como algo genérico ou subjetivo, mas relacionada com um corpo de doutrinas, elaborado e professado oficialmente por determinada religião; afirmações e interpretações pessoais não podem ser atribuídas ao grupo religioso como um todo. A fé em Deus professada pela Igreja Católica está definida e explicada oficialmente no Catecismo da Igreja Católica; outros textos do Magistério eclesiástico explicitam ainda mais determinados aspectos da sua fé.

A comunidade política e a comunidade religiosa, embora se exprimam por estruturas visíveis, por vezes semelhantes, são de natureza bem diversa, quer pela sua configuração, quer, sobretudo, pela sua finalidade. São independentes e autônomas. A Igreja organiza-se com formas aptas a satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis e não pretende substituir-se ao Estado, ou à comunidade política; reconhece e respeita a competência desta para gerar relações e instituições para o serviço do bem comum temporal.

Portanto, a laicidade do Estado, entendida como separação de Poderes, autonomia e respeito pelas competências próprias de Estado e Igreja, fica plenamente preservada. Isso é bom, contanto que essa laicidade não seja usada como álibi para a imposição, aos cidadãos, da não religião como postura oficial, para cercear a liberdade religiosa, ou para discriminar cidadãos em função de suas convicções de fé. Compete ao Estado assegurar a todos os seus membros a liberdade de crer, ou não crer, e de expressar a sua fé, se forem religiosos.

Tenho plena convicção de que fé em Deus e amor à Pátria não se excluem, muito pelo contrário! Um bom cristão deve ser também um bom cidadão. Um mau cidadão, certamente, não é um bom cristão. Como pessoas de fé, estamos conscientes de que "não temos neste mundo pátria definitiva, mas estamos a caminho da que há de vir" (cf. Hb 13,14); mas também temos clara consciência de sermos membros de uma Pátria neste mundo; somos parte de um povo, com o qual nos identificamos e com cujo bem estamos - e devemos estar - inteiramente comprometidos.

Nossa convicção de fé, como cristãos e católicos, não pode ser desvinculada da edificação da comunidade humana, da qual fazemos parte. O ensino social da Igreja oferece as diretrizes para traduzir as luzes e os valores do Evangelho do Reino de Deus para o viver e agir quotidiano. Karl Marx - e outros com ele - interpretou de maneira equivocada o potencial da fé religiosa para a vida de um povo, ao qualificar, de modo simplista, a religião como ópio do povo...

Além de cumprirem os seus deveres cívicos, como os demais cidadãos, as pessoas de fé têm uma contribuição própria a dar para o bem da Pátria. A fé em Deus, bem entendida e manifestada publicamente, com suas convicções traduzidas em antropologia, moral e cultura, pode representar uma contribuição fundamental para o bem comum. Da fé em Deus decorre uma valiosa compreensão da pessoa e sua existência, do mundo e do convívio social, da economia e de todas as atividades humanas. Decorre também um alto conceito de dignidade da pessoa e de seus direitos inalienáveis, bem como um embasamento sólido para práticas de respeito, justiça e honestidade, tão necessárias ao convívio humano e às relações sociais.

A fé em Deus também é capaz de despertar e sustentar belas ações de caridade, compaixão e solidariedade; dificilmente nossas organizações religiosas deixam de estar ligadas a iniciativas de beneficência, de grande importância social, como obras sociais, escolas, hospitais e lugares de acolhida e cuidado de pessoas esquecidas ou rejeitadas pela sociedade. A fé em Deus, quando verdadeira, leva a uma aproximação sempre maior do Mistério Sublime e ao enlevo ante sua beleza - nasceram daí, e continuam a nascer, tantas expressões artísticas! E a esperança, decorrente da fé em Deus, longe de alienar das realidades presentes, é fonte de energias para enfrentar os desafios e as tarefas desta vida.

Na antropologia cristã, além disso, está presente aquilo que a globalização vai trazendo sempre mais à luz: nossa pertença a uma única família humana, à qual estamos ligados de maneira solidária. Cremos num único Deus e Pai de toda a humanidade; ele quer o bem de todos os filhos e que vivam como irmãos e em paz. Um povo não pode ser indiferente aos outros, nem deixar de se interessar pela sorte sempre mais compartilhada por todos os membros da comunidade humana. Limites territoriais, tradições culturais, diferenças raciais, heranças históricas e interesses econômicos, em vez de contrapostos, deveriam ser cada vez mais conjugados e harmonizados.

Quando se dá espaço para Deus, também o homem ganha importância; sua dignidade, seus direitos, a liberdade e o sentido de sua vida neste mundo não são diminuídos, mas iluminados e potencializados. A fé em Deus oferece bases sólidas para valores e virtudes que devem nortear o vida humana nas esferas privada e pública.

Ter fé em Deus e manifestá-la abertamente, indo às suas consequências éticas e culturais, é bom e faz bem à Pátria.

CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO

MIRIAM LEITÃO - Roteiro velho


Roteiro velho
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 10/09/11

Na Venezuela, desde o começo do governo Chávez até junho, a inflação acumulada foi de 1.116,3%. A taxa média anual foi de 22% mas está em 30%. Alguns produtos, com preços controlados desde 2003, estão sumidos. A inflação tem erodido o poder de compra dos venezuelanos. O país parece prisioneiro de um roteiro velho que a região viveu décadas atrás.

Todos os países da região aprenderam a lição dos anos 80/90, menos a Venezuela e, mais recentemente, a Argentina. O governo Kirchner fez o que não se pode fazer: manipular índices. Os institutos privados são multados caso divulguem seus dados. Na Venezuela, o governo Chávez decidiu filmar roteiro velho, e que foi fracasso de bilheteria. É difícil encontrar carne e óleo de soja. Só no mercado paralelo e com ágio. Isso soa familiar? É Chávez arruinando a Venezuela.

Pedro Palma, economista venezuelano, fez a nosso pedido o cálculo que abre a coluna. Ele lembra que até meados dos anos 1970 a inflação era uma das mais baixas do mundo. Depois, houve duas maxidesvalorizações do bolívar, em 1989 e 1996, que elevaram a taxa. Chávez assumiu em dezembro de 1998 e não só não resolveu como tem agravado o problema através de medidas como a recém aprovada Lei de Custos e Preços Justos de congelamento de preço. "A solução para a inflação é conhecida. A receita é disciplina fiscal, monetária e estímulo à produção privada. Quantas nações não sofreram, décadas atrás, com a hiperinflação e hoje têm menos de 10%? É preciso dar um giro de 180 graus na política econômica", diz.

Valéria Maniero, do blog, conversou também com duas donas de casa venezuelanas que vivem as mesmas agruras já vividas no Brasil. Vanessa Brito, 30 anos, mãe de Violeta, de oito meses, conta que é comum ter de ir a mais de um supermercado para encontrar o que precisa. O que é difícil achar: açúcar, café, leite, óleo de cozinha, carne, leite em pó, queijo branco. Conta que já teve dificuldade de achar papel higiênico e absorventes. Diz que não entende de economia, mas acha estranho que os buhoneros, o comércio ilegal, sempre têm o que está em falta no supermercado, mas, claro, por um preço maior.

Ela diz que aprova várias medidas de Chávez, como a inclusão de pessoas portadoras de deficiências, mas suspeita que a direção da economia está errada. Ilda de Montefusco, 77 anos, aposentada, está certa de que Chávez está errado. "Compro hoje por um preço, amanhã, por outro."

Curioso é que em 2003 eu mesma presenciei sinais de desabastecimento e comércio ilegal até dentro do Palácio Miraflores. Na época, o país estava em greve geral. Hoje se vê que o anormal passou a ser a rotina.

A jornalista Katiusha Hernánndez, repórter de economia do El Nacional , conta que o índice de escassez na Venezuela é de 12%. Há produtos cuja venda é racionada. O preço da carne bovina foi congelado pelo governo em 22 bolívares (US$ 5,11), mas só é possível comprar o produto por algo entre 38 bolívares (US$ 8,83) e 50 bolívares (US$ 11, 62).

O economista Luis Vicente León, presidente da Datanálises, diz que a inflação é problema antigo no país, mas se agravou no período mais recente. "Em mais de oito anos, a estratégia tem sido de controle de preços e o único resultado foi mais inflação e menos produtos." A lei do congelamento entrou em vigor em 18 de julho e sua aplicação completa será em três meses de sua publicação. Nesse período, o governo tem chamado os setores e, em alguns casos, aprovado grandes aumentos de preços. O arroz subiu 26%; a farinha, 20%.

Há outra distorção na economia, bem conhecida dos brasileiros, que é o controle do câmbio: cada venezuelano tem um limite de dólares que pode gastar no exterior durante suas viagens, dependendo da duração e do lugar. O máximo que um venezuelano pode gastar no exterior em um ano é US$ 3.000. Normal Gall, americano nacionalizado brasileiro, diretor do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, é autor de estudos com críticas ácidas a Chávez. Acha que tudo o que escreveu anos atrás continua válido, porque a cena não se alterou. "Chávez pode escrever um manual de como destruir um país. O recente controle de preços não vai funcionar. O produto some e só aparece no comércio ilegal. Quem tem dinheiro compra, quem não tem fica sem o produto. A violência aumentou e não tem surgido um político que diga ao país que ele precisa ser reconstruído. O gritante é que a Venezuela tem tudo para ter uma vida de país rico."

A Venezuela tem petróleo e, durante os quase 13 anos de governo Chávez, o preço do barril saiu de US$ 10 para US$ 130. Mesmo assim, o crescimento médio do PIB no período foi de 2,55%, segundo o FMI. No ano passado, foi o único país da América do Sul que não cresceu. Isso realmente valeria um manual de como destruir todas as chances de um país.

A doença do presidente abriu o debate sobre sua sucessão. Mesmo dentro do chavismo não há sucessor à vista, até porque ele derrubou todos os que começaram a aparecer muito entre os seus correligionários. A oposição também tem seus problemas de preparar um nome capaz de enfrentar o chavismo.

GOSTOSA


GILLES LAPOUGE - Grécia poderá sair da zona do euro?


Grécia poderá sair da zona do euro?
GILLES LAPOUGE
 O Estado de S.Paulo

A intangibilidade da União Europeia era um tabu. Mas desde quinta-feira a exclusão dos gregos ganha força


Há um mês, um político ou um jornalista que levantasse a hipótese de ruptura da zona do euro, começando com a saída da Grécia, seria duramente criticado. Seria um sacrilégio, algo tão inimaginável como negar a lei da gravidade ou a virgindade da Virgem Maria.

Mas hoje o tabu foi quebrado. Pessoas audaciosas, outras insensatas, algumas mais moderadas, falam disso nas capitais e em Bruxelas, sede da União Europeia. Desde a quinta-feira, discursos estrondosos quebram a calmaria de Bruxelas. O ministro holandês das Finanças, Jan Kees de Jager, afirmou que, "quando não conseguimos respeitar a regra do jogo, precisamos deixar o jogo".

Para que o segundo pacote de ajuda à Grécia imposto por Sarkozy a toda a Europa tenha efeito e bilhões de dólares sejam fornecidos à Grécia, é preciso que ele seja ratificado pelos diferentes Parlamentos. A França, dócil a seu dirigente, já o aprovou. Mas em outras partes os legisladores estão contemporizando. A Finlândia, Holanda e Alemanha declaram que suspenderão a ajuda se Atenas não acelerar as reformas prometidas. A Finlândia exige que a Grécia forneça garantias suplementares. A Eslováquia, que detesta a União Europeia, só ratificará o plano em...dezembro.

A ideia de empurrar a Grécia para fora da zona do euro avança. O presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros propôs que a Grécia seja colocada sob tutela. O pânico progride. Mas outras vozes tentam adiar o desastre, afirmando que a saída da Grécia da zona do euro não vai conter a infecção. Se o país se retirar, os mercados desviarão sua artilharia para outros elos fracos, como Portugal ou Irlanda. Uma espécie de Lehman Brothers proporcional aos Estados europeus.

A Comissão Europeia gostaria de erigir barreiras contra o tsunami. Alega que a Grécia não tem o direito de sair da zona do euro: "a participação na zona do euro é irrevogável. Os tratados não permitem nem a saída da zona do euro e nem a exclusão dela".

Podemos avaliar assim, mais uma vez, como o tratado de Maastricht foi barroco, irresponsável, perigoso e cego. Foi redigido por amadores, que ignoravam os rudimentos da economia e das finanças. Como impor à Grécia e à Alemanha as mesmas taxas de juro, a mesma lei financeira e econômica? E para cúmulo, a proibição de um desligamento da zona do euro acaba ligando todos os outros à infelicidade do país lesado, fraco. É o sistema usado pelos alpinistas em que todos ficam amarrados à mesma corda. Cada um apoia os demais. Se um deles se precipita, pode levar todos os outros para o abismo.

O único meio de salvar a Grécia e o euro seria a saída da Grécia: os gregos poderiam desvalorizar sua moeda e retomar sua produção, hoje na estaca zero. E os outros países da zona do euro estariam protegidos contra a gangrena. Caso contrário, a Grécia continuará se sufocando nos planos de austeridade, cujo único efeito será reduzir ainda mais sua atividade econômica. Durante este tempo, centenas de bilhões de dólares mobilizados por Nicolas Sarkozy continuam a derreter como o orvalho sob o sol. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Choro preventivo
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 10/09/11

Embora reconheçam que os estoques estão altos, devido ao aumento das importações, Planalto e sindicatos enxergam a concessão em cascata de férias coletivas pelas montadoras de veículos como pressão pela redução do IPI. A medida visaria ainda impedir novos acordos que resultem em aumento real de salário.

A indústria deseja, sobretudo, que o governo promova a diminuição do imposto sem exigir contrapartidas, como o índice de 60% de nacionalização de autopeças. Apesar das tratativas da Anfavea com a equipe econômica, a tendência hoje é que o martelo seja batido pela própria presidente.

Na onda 1 Em reunião ontem com a participação de Dilma, o governo bateu o martelo: quer aprovar a Comissão da Verdade na Câmara em 21 de setembro, dia em que a presidente fará seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU.

Na onda 2 O Planalto se esforçará para emplacar, na mesma semana, a lei de Acesso à Informação, pendente de votação no Senado. No dia 20, já em NY, Dilma participará de seminário sobre transparência em governos.

Cheiroso Dentro do festival de ideias de fontes alternativas para financiar a saúde, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) propôs ontem no Senado "aumentar o imposto sobre perfumes franceses".

Reforço 1 O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), autonomeou-se membro da Comissão de Constituição e Justiça, para onde despachou também Onyx Lorenzoni (RS) e Ronaldo Caiado (GO). Tudo para reforçar o time oposicionista na comissão a partir da próxima semana.

Reforço 2 O partido fará obstrução total na CCJ na tentativa de evitar a votação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), prioritária para o governo. Se a matéria for aprovada, Neto ameaça questionar no Supremo a constitucionalidade da DRU.

Maquininha Na alegação final entregue ao Supremo, a defesa de Delúbio Soares cita trecho de depoimento de Ivan Guimarães. Então membro da coordenação de finanças do PT, ele teria reagido assim ao orçamento de R$ 14 mi apresentado por Duda Mendonça para a festa da posse de Lula: "Não tem como fazer dinheiro para isso".

Para lembrar Em 2003, Guimarães, braço direito de Delúbio na arrecadação petista, ganhou a presidência do Banco Popular, perdida no terremoto de 2005.

Faroeste 1 Em nota distribuída à bancada federal do Paraná, Osmar Serraglio (PMDB) chama Zeca Dirceu (PT) de "inescrupuloso", acusando-o de tomar para si o crédito por emendas que seriam do peemedebista. O acusado diz que as emendas eram dele mesmo.

Faroeste 2 No documento, o ex-relator da CPI dos Correios afirma que o filho do ex-ministro José Dirceu ameaçou convocar claque para vaiá-lo se ele fosse a cerimônia de entrega de um caminhão em Alto Piquiri.

Aviso prévio O PSDB-SP notificará Walter Feldman, que anunciou sua saída do partido em abril, mas até hoje não apresentou carta de desfiliação. Com a medida, os tucanos pretendem evitar que o ex-secretário municipal de Esportes eventualmente assuma cadeira na Câmara como suplente.

Marineiro? Em privado, Feldman tem dito que não pretende aderir imediatamente a outra legenda, embora se declare entusiasta do movimento de Marina Silva.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Como o governo não se entende, o último recurso é mesmo a gritaria. O perigo é o Gabrielli gritar fora de casa como Tarzan e dentro, como Piu Piu."

DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DUARTE NOGUEIRA (SP), comentando declaração do presidente da Petrobras de que já teria gritado com Dilma Rousseff em "discussões acalarodas" sobre os rumos da estatal.

contraponto

Pai da matéria


Em encontro do "Conselhão" para tratar da Copa, Orlando Silva falava das complexidades do evento, citando como exemplo a ocupação do Ministério do Esporte por manifestantes que questionavam critérios de desapropriação para obras. O presidente da Embratur, Flávio Dino, lembrou que Orlando tinha experiência no ramo, pois no passado havia feito ações similares como presidente da UNE. O conselheiro Murillo de Aragão brincou:

-É a confirmação do ditado: "pau que dá em Chico, dá em Francisco". Aguente, ministro!

MARCOS FAVA NEVES - Aumento de custos põe em xeque a agricultura brasileira

Aumento de custos põe em xeque a agricultura brasileira 
MARCOS FAVA NEVES
FOLHA DE SP - 10/09/11 

ESTIMULADOS POR PREÇOS ALTOS E MENORES CUSTOS, NOSSOS COMPETIDORES PODEM IMPLANTAR PROJETOS EM VÁRIOS PRODUTOS

Na agricultura, as tradicionais vantagens do Brasil em relação a outras regiões do mundo vêm se erodindo rapidamente.

Em três anos, o preço da terra subiu 60%, os custos trabalhistas e de mão de obra crescem de maneira assustadora e sua disponibilidade cai seja pela competição com a construção civil ou outras áreas que demandam gente seja pelas bolsas governamentais que desestimulam o trabalho em algumas regiões.

Os custos de energia elétrica, do diesel, do transporte ineficiente e caro, os custos de capital recordes, os custos de licenciamentos e ambientais e os altos e complexos tributos sufocam cada vez mais as margens.

Produtores de frutas relatam que produzir no Peru representa 50% do custo no Brasil. Produtores de cana dizem que seus custos saltaram 40% desde 2005.

Na laranja, pomares das indústrias que tinham custo operacional de pouco mais de R$ 4 por caixa chegaram a R$ 8 em cinco anos. Idem para GRÃOS e carnes. O Brasil se tornou um país caro.

Os altos preços internacionais compensam os custos crescentes e o impacto do câmbio, permitindo que diversas cadeias apresentem lucro. Mas até quando essa situação perdurará?

De um lado, a demanda mundial por alimentos não mostra nenhum tipo de arrefecimento nos próximos anos, mas o risco é que os competidores do Brasil, estimulados por preços altos e menores custos de produção, implantem novos projetos em diversos produtos.

Não é difícil prever que, em poucos anos, novos e mais fortes concorrentes disputarão os mercados. Produtores de açúcar de beterraba, de suco de laranja, de outras frutas e GRÃOS se animam e investem em seus países.

Estratégias de redução de custo devem ser planejadas e implementadas. São ações privadas, mas principalmente, ações públicas.

Entre as privadas, ainda há uma chance de lipoaspiração na agricultura. Metade das propriedades tem baixo conteúdo tecnológico e baixa eficiência no uso da terra.

Se nas ações privadas é uma lipoaspiração, nas públicas o governo precisa é de uma cirurgia de redução de estômago, para perder entre 30% e 40% do seu peso e alocar melhor seus recursos na saúde, na educação, na infraestrutura, com qualidade e reduzir a carga tributária.

Mas não parece ser essa a direção, pois as "prioridades" do dia são a criação de um novo imposto para a saúde e o aumento salarial do Judiciário, com "efeito cascata" aos demais poderes.

Com esse projeto de curto prazo, mesmo setores com muita saúde, como a agricultura, perdem sua competitividade. O Brasil precisa pensar no médio e longo prazos.



MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP (Campus Ribeirão Preto-SP) e coordenador científico do Markestrat.

OS CARAS PINTADAS COM SUJEIRA


REGINALDO LEME - Monza e Milão



Monza e Milão
REGINALDO LEME
O Estado de S.Paulo - 10/09/11


Depois de Spa-Francorchamps, nada como Monza para sentir na pele a força da tradição da Fórmula-1. Pisar cada palmo deste autódromo preenche aquele sentimento que nos levou a gostar tanto do esporte a motor. Por coincidência, hoje é o dia para me lembrar da primeira vez que pisei aqui para ver Emerson Fittipaldi conquistar o primeiro título mundial de um brasileiro na Fórmula 1. Esta histórica data foi bastante comentada esta semana por conta do programa Linha de Chegada que o SporTV apresentou na terça-feira com as quatro gerações da família Fittipaldi - o velho Barão, de quem eu estava ao lado aqui em Monza naquele 10 de setembro de 1972, os filhos Wilsinho e Emerson, o neto Christian e o bisneto Pietro Fittipaldi, que, aos 15 anos, já vem fazendo sucesso nas pistas norte-americanas.

Monza representa muito. O circuito foi criado em 1922, e está recebendo o GP da Itália pela 61.ª vez. Em nenhuma outra pista da F-1 o piloto anda com aceleração plena durante mais de 80% do tempo em cada volta. A velocidade em treino este ano deve passar dos 350 km/h graças à abertura da asa traseira, permitida em 74% da extensão do circuito. Na corrida, a abertura da asa é mais limitada, mas, ainda assim, será permitida em dois trechos de reta que vão proporcionar um grande número de ultrapassagens. A velocidade é sempre alta porque os carros usam o mínimo de pressão aerodinâmica (15% menos do que em Spa).

No paddock de Monza, o filme documentário de Senna continua sendo assunto. Desta vez foi Eddie Jordan quem veio me contar que ele fez a dublagem em cima dos meus depoimentos. Quando eu fui convidado para gravar os depoimentos, cheguei a pensar em fazê-los em inglês, mas acabei decidindo pelo português para ficar mais à vontade com os fatos a serem lembrados e com o que eu tinha a dizer. Decisão acertada.

Ontem todos os jornalistas brasileiros foram convidados para almoçar com Bruno Senna no motor-home da Renault. Sinto que a equipe, sem um líder desde a ausência de Kubica, está gostando da forma como ele vem conquistando o pessoal técnico em torno dele. E o engenheiro destacado para trabalhar com Bruno é Simon Rennie, o mesmo que trabalhava com Kubica.

Pela 61.ª vez na F-1 moderna, Monza está em efervescência. Na verdade, toda a história da F-1 cabe aqui. Mas não basta ser Monza, tem que ser Milão. Capital da moda, arquitetura, culinária, literatura e do desenho, centro cultural e financeiro da Itália, Milão é uma das cidades que tem mais livrarias, academias, universidades, museus e igrejas do mundo. É também sede de dois dos maiores clubes do futebol mundial (Milan e Inter) e nesta semana, graças a Monza, torna-se capital da velocidade.

Esta coluna foi escrita meio a meio entre Monza e um dos meus lugares favoritos de Milão, o jardim do restaurante Bagutta, que eu conheci nos anos 90 pelas mãos do amigo Gilberto Leiffert. O Bagutta é uma típica tratoria milanesa fundada em 1924 e ponto de encontro de artistas, especialmente escritores. Por isso ali foi criado, em 1927, o prêmio Bagutta de literatura, elegendo o melhor livro italiano de cada ano.

Comandado ainda hoje pela terceira geração da família Pepori, que o fundou, o Bagutta tem em suas paredes os traços de vários pintores e caricaturistas, e uma das atrações, sem dúvida, é o seu garçom mais antigo, o Piero (27 anos de casa), que nos últimos dez anos se tornou um grande amigo. Piero, aliás, é amigo do mundo. Fanático por futebol, ele é capaz de receber as pessoas com o mesmo entusiasmo com que recebeu Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, e ainda com prazer de ajudar a quem precisa.

Foi assim que, nove anos atrás, ele acolheu um rapaz que se apresentou no restaurante vindo da Guatemala para pedir emprego. Piero arrumou o emprego, ensinou tudo a Anibal, que hoje é garçom como ele. O Piero é uma pessoa a se conhecer. Mesmo sempre com uma tirada engraçada, ele é uma lição de vida.

ROBERTO RODRIGUES - Na reta final

Na reta final 
ROBERTO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 10/09/11

Não haverá "anistia a desmatadores", mas os pequenos precisam ter tratamento diferenciado


DOIS ANOS depois da criação da Comissão Especial na Câmara dos Deputados com o objetivo de instituir um novo CÓDIGO FLORESTAL para o Brasil, podemos analisar com olhar crítico o processo de amadurecimento das discussões acerca do tema, sobretudo quanto às previsões e às principais alegações dos que se diziam contrários ao estabelecimento de nova legislação.

Logo depois de criada, a Comissão Especial foi rotulada de "ruralista" e que só atenderia aos interesses do setor produtivo.

Alegavam os mais radicais que seria extinto o instituto da reserva legal e que seria reduzida a proteção de áreas de preservação permanente (APP), que grandes propriedades seriam beneficiadas e que as florestas brasileiras estavam ameaçadas de desmatamento violento.

O processo de discussão se deu de forma intensa e profunda, envolvendo todos os setores da economia e todos os segmentos da sociedade. O Brasil inteiro foi visitado e ouvido pelos integrantes da comissão; o primeiro texto foi aprovado na Comissão Especial em 6 de julho de 2010.

A partir de então, alguns radicais lutaram para que a matéria não fosse a plenário. Os focos de crítica eram basicamente a "anistia a desmatadores", a "liberação de uso das áreas de preservação permanente", a "delegação aos Estados da competência de legislar sobre o ambiente" e a "falta de participação da comunidade científica" nas discussões.

Aprovado no plenário da Câmara em maio de 2011 por 410 votos contra 63, esmagadora e democrática maioria, o texto do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), que está agora no Senado, pode, por si só, revelar as verdades e os mitos.

Há o grande desafio de fazer justiça, ou seja, não perdoar aqueles que desmataram ao arrepio da lei existente, mas também não punir aqueles que desmataram quando não havia legislação sobre o tema ou ainda os que o fizeram com incentivo do governo, como no combate à febre amarela, por exemplo.

Para isso, foram mantidos os institutos da reserva legal e a proteção às APPs, já contrariando uma das previsões iniciais.

Foram criados mecanismos de avaliação e de regularização das propriedades, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), obrigatório a todas as propriedades rurais. Se com ele for identificado um problema, haverá um processo para regularização.

Não haverá "anistia a desmatadores": a reserva legal faltante deverá ser recomposta, regenerada ou compensada.

E as APPs atualmente utilizadas não serão consolidadas a qualquer preço, mas desde que não haja recomendação técnica de recuperação, isto é, com base científica.

Os desavisados ainda poderão dizer que nas propriedades de até quatro módulos haverá, sim, uma anistia.

Pequenas propriedades devem ser sustentáveis, inclusive do ponto de vista econômico. Inviabilizar a vida no campo causa êxodo rural e poluição urbana.

O tratamento diferenciado aos pequenos é imprescindível para que eles tenham as mesmas condições de renda das grandes propriedades.

Finalmente, quanto à delegação de poderes aos Estados, tida como temerária pela possível influência a que estariam sujeitos os governos estaduais, não há nem a liberdade alegada nem a possibilidade da tal influência.

As normas gerais, que servirão de base às legislações estaduais, serão feitas pela União. Não há liberdade total à norma estadual, mas busca-se evitar a temida anistia.

Os Estados brasileiros têm, por força da Constituição Federal, o direito de criar regras para melhor gerir suas características peculiares.

Assim, nenhuma das profecias negativas acerca do código se concretizou.

Resta-nos, como brasileiros, participar do processo de aprimoramento dessa lei tão importante que irá influenciar na vida de cada um de nós.

O novo pensamento, de não mais tratar a questão como exclusivamente ambiental, mas sim como "socioambiental", cada vez mais justifica a obrigação do exercício da competência concorrente e supletiva pelos Estados e a participação de cada cidadão.

RANIER BRAGON - De Jânio a Kassab

De Jânio a Kassab
RANIER BRAGON
FOLHA DE SP - 10/09/11

BRASÍLIA - Falar em eleição de 2012 agora, eu sei, parece quase uma explanação sobre o swap cambial reverso, aquele troço que a maioria de nós acha que até já ouviu falar, mas não sabe bem se morde, se é pra comer ou pra passar no cabelo.

Como os políticos, profissionais que são, parecem não tratar de outra coisa, não custa nada colocar alguns swaps no seu devido reverso. Muito tem sido dito sobre padrinhos e madrinhas e suas respectivas faculdades de cabrestear votos. O Datafolha aferiu que em São Paulo, hoje, Lula influencia 40% do eleitorado, mais do que Dilma Rousseff (26%), Geraldo Alckmin (27%) ou Gilberto Kassab (15%).

Ter um padrinho pop para chamar de seu é o que há, ainda mais para candidatos desconhecidos. Porém, nas sete disputas paulistanas pós-redemocratização -da vitória do já crepuscular Jânio Quadros, em 1985, à reeleição de Kassab, em 2008-, nunca o candidato apoiado pelo Planalto levou a melhor. Nem a exaustiva associação Lula-Marta Suplicy, em 2008, a impediu de cair nas pesquisas.

Os avalizados pelo governo do Estado e/ou da prefeitura tiveram mais sorte, mas também dançaram em quatro das sete ocasiões. Isso não desmerece fenômenos à moda Maluf-Pitta e Lula-Dilma, mas relembra obviedades como a de que o gigantismo e a diversidade de São Paulo conspiram contra pratos prontos e a de que o Planalto inflando candidato a presidente é uma coisa; a prefeito, outra.

Para além de benzedeiros e ungidos, a história recente mostra ainda que a propaganda eleitoral na TV é tão ou mais importante. Por trás da pressão de Lula para que Gabriel Chalita saia da disputa em prol de Fernando Haddad está o fato de PT e PMDB, sozinhos, somarem quase 30% de todo o tempo. Não garante vitória, mas mal não tem feito. Desde 1985, aquele que teve a maior fatia na TV mais que dobrou, na média, sua intenção de voto.

CLAUDIO HUMBERTO

“Fiz minha campanha sem prometer nada, o que eu fizer é lucro”
TIRIRICA (PR-SP) QUE AINDA PARECE TENTAR ENTENDER O QUE FAZ UM DEPUTADO FEDERAL

MINISTRO PEDE TCU E CGU MONITORANDO LICITAÇÃO 
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) solicitou que três órgãos de fiscalização – Tribunal de Contas (TCU), Controladoria-Geral (CGU) e Advocacia-Geral da União (AGU) – monitorem a licitação da obra de R$ 496 milhões do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A entrega das propostas foi adiada para o dia 22 deste mês, após esta coluna 
revelar a pressão de petistas ilustres em favor da empreiteira paulista Schain.

QUEM CALA... 
Lula não comentou a declaração de Marcos Valério de que deveria ser incluído no mensalão. Foi o silêncio mais ruidoso de Lula até agora.

PIADA NA PARADA 
O porra-louca do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cumprimentou Dilma pelo 7 de Setembro, lembrando a luta dos países pela “Justiça no mundo”.

PT 6X3 
Dos ministros do Tribunal de Contas da União, cinco foram escolhidos por Lula, quatro por FHC. Os petistas querem o sexto ministro.

PLENO VAPOR 
O PSD de Gilberto Kassab nem nasceu e já tem aliança informal para as eleições do ano que vem. Fechou com o PSB no Recife.

LOROTA DA ‘PACIFICAÇÃO’ DE FAVELAS ATRAI TURISTAS 
O governo do Rio de Janeiro está em apuros: foi informado pelas representações diplomáticas da Alemanha que, atraídos pela propaganda da “pacificação” de regiões faveladas, estudantes daquele país, às dezenas, organizam grupos de visitas ao chamado “complexo do Alemão” para conhecer a propalada expulsão de traficantes. Os primeiros grupos começam a desembarcar nas próximas semanas.

MÉRITO 
Eraldo Alves da Cruz, profissional da área de turismo no DF, assu
miu a secretaria-geral da Confederação Nacional do Comércio. Por mérito.

NO MEU, NÃO 
Pai da ideia da rede de TV, rádios e portal Sindical, Vicentinho (PT-SP) se calou diante da pretensão petista de proibir “concentração de mídia”.

LAMENTO 
De um garçom de restaurante da moda na capital sobre a época áurea do lulismo: “No tempo do lobby escancarado as gorjetas eram ótimas”.

NO FUNDO, CARGOS 
O senador Cristovam Buarque (PDT) deve ter usucapião da Secretaria de Educação no governo do DF. Indicou o amigo Marcelo Aguiar para ser o secretário dos governos Arruda e Rosso, de triste memória, e, inconformado por não manter o espaço, rompeu com o governo petista.

BALA CARIOCA 
Menino travesso que desgoverna o Rio, Sérgio Cabral deu de mão beijada à empreiteira Odebrecht a estação carioca do trem-bala. É a primeira vez que a bala chega antes do trem.

INFRAERO UNIDA 
Ao justificar em nota o cancelamento de um curso na Disney de dois protegidos, o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, conseguiu fazer em um dia o que tenta há seis meses: unir os servidores. Contra ele.

LÍNGUA CONCRETADA 
Convenientemente, o presidente da Infraero se esqueceu de explicar por que autorizou uma pedagoga (e não um engenheiro, por exemplo) a viajar a Buenos Aires, por nossa conta, para aprender concretagem.

SERRA ESTÁ VIVO 
O tucano José Serra faz palestra sobre reforma tributária em João Pessoa, em outubro. Mas viaja um dia antes para Campina Grande, no interior, para agradecer a boa votação que teve na cidade em 2010.

ENFIM, O FIM 
O Tribunal Superior do Trabalho condenou Furnas Centrais Elétricas a indenizar em R$ 200 mil o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por contratar sem concurso por doze anos. A coluna noticiou vários casos. 

ELOGIO DA PREGUIÇA 
Foi considerada “positiva” pelo clipping diário da Infraero a nota desta coluna sobre atraso na liberação de bagagens no aeroporto de Brasília, à meia-noite, após um voo vazio de Porto Alegre. Chama-se a isto elogio da preguiça. Ou, como Erasmo de Rotterdã, “elogio da loucura”.

UM LIVRO DIFERENTE 
A ONG Brasil Verdade lançou o livro-notícia crime “Conspiração Federal”, sobre supostas fraudes no processo sobre câmeras clandestinas nas celas do presídio federal de Campo Grande (MS). A renda reverterá aos agentes federais demitidos após a denúncia. 

RIMA POBRE 
Piada na internet sobre o roubo cinematográfico que o Itaú tentou esconder em São Paulo: eles entram com o cofre e você com o... 

PODER SEM PUDOR
O ‘FURTO’ QUE NÃO HOUVE 
Brasília não merece mesmo a fama dos políticos que a frequentam. Quando renunciou ao mandato, na esperança de retornar ao poder fortalecido, Jânio Quadros pediu ao ajudante de ordens, major Amarante, que deixasse no Palácio Alvorada um terno e sapatos. Mais tarde, em 1978, conforme relato de Murilo Melo Filho em seu soberbo “Tempo Diferente” (ed. Topbooks, Rio, 295 pp.), Jânio contaria uma lorota à revista Manchete:
– A Presidência da República não me deu nada. Pelo contrário, andou me tirando. Lá, furtaram-me um terno, uma camisa e um par de sapatos...

SÁBADO NOS JORNAIS


Globo: Dólar tem novo ciclo de alta e ameaça controle da inflação

Folha: Anvisa alerta contra uso de antidiabético em regimes

Estadão: Crise europeia piora e bolsas desabam

Correio: Em Brasília, alerta. No Sul, calamidade

Zero Hora: Três anos depois, o drama se repete no Vale do Itajaí

Estado de Minas: A seca chegou ao seu bolso

sexta-feira, setembro 09, 2011

ANCELMO GOIS - Brasil na TV


Brasil na TV 
ANCELMO GOIS
O Globo - 09/09/2011

Dilma deverá sancionar hoje ou segunda-feira a nova lei da TV a cabo. Pelas contas de Manoel Rangel, diretor da Ancine, a lei pode gerar uma encomenda adicional de quatro mil horas/ano de programas junto a produtores nacionais, dos quais a metade é de independentes.

Eu apoio 
Como se sabe, a lei estabelece uma cota mínima de meia hora de conteúdo nacional por dia na programação das TVs por assinatura.

Como de hábito 
Embora Nova York seja farta em bons hotéis, Dilma seguirá, na viagem para abertura da Assembleia-Geral da ONU, os passos de Sarney, FH e Lula. Ficará hospedada no elegante Waldorf Astoria Hotel.

A marcha do ágio 
Com a proximidade do Rock in Rio, o preço dos ingressos entre cambistas supera o dobro do valor oficial. No Facebook, tem uma turma reclamando que um kit de quatro dias para o evento chega a custar R$ 3.200. Já um ingresso para os shows menos badalados sai por mais de R$ 400.

Nelson e Villa-Lobos 
Nelson Freire, que dia 15 será feito doutor honoris causa pela UFRJ, tem novo CD no forno: “Villa-Lobos e seus amigos”.

Meneses também 
O violoncelista Antônio Meneses será doutor honoris causa pela mesma universidade. Eles merecem.

Ronaldinho na Bienal 
O padre Marcelo Rossi, que lotou a Bienal quarta-feira, pode ter um rival à altura, hoje. Ronaldinho Gaúcho, o craque do Flamengo, é esperado no Riocentro para uma sessão de autógrafos da revista em quadrinhos na qual é personagem.

Nossa Filmes 
Vai se chamar “Nossa” a nova distribuidora de filmes, sociedade que reúne três diretores de sucesso do cinema brasileiro. São eles: José Padilha, Fernando Meirelles e Daniel Filho.

Fernanda é brasileira 
Por falar em Daniel Filho, a série “As brasileiras”, que ele dirige para a TV Globo, terá um dos seus 16 episódios interpretado por Fernanda Montenegro, atriz número 1 do Brasil.

A produtora 
Paula Barreto, a produtora filha de Barretão, recebe em Londres, amanhã, o WFTV Award “Women in Film”, prêmio conferido anualmente a mulheres (produtoras, diretoras, roteiristas etc.) que se destacam pela excelência de seus trabalhos.

Hotel à venda 
O Copacabana Sol Hotel, no Rio, está à venda. Coisa de uns R$ 36 milhões.

Oi é campeã 
Mais uma vez, a Oi foi a empresa mais acionada em um mês nos Juizados Especiais Cíveis do Rio. Em agosto, foram 3.510 novas ações. O Santander ficou na vice-liderança em desserviço, com 2.259 feitos e o Itaú em 3o- lugar, com 1.816.

Doutor no samba 
No mundo do samba já há “Delegado”, “Sargento” e “Presidente”. Agora, chegou o “Desembargador”. É Henrique Carlos de Andrade Figueira, da 17a- Câmara Cível do TJ-RJ. Está na disputa de sambaenredo da São Clemente.

O outro lado 
A Abril, em nota, diz que irá apurar a denúncia da aluna do Colégio Guilherme Briggs, Niterói, que alega ter sido vítima de racismo ao tentar uma senha para pegar autógrafo de Rodrigo Faro, num estande da editora na Bienal do Livro. A Abril sustenta que seus estandes não receberam a visita do ator e que em nenhum deles houve distribuição de senhas.

Cena carioca
Na Rua Uruguaiana, no Centro do Rio, um ambulante faz o seguinte discurso: - Compro ouro! Mas não é qualquer ouro, não. Só compro aquelas peças que você não quer mais, a aliança do casamento que não deu certo, o brinco de presente daquela amiga da onça.

ILIMAR FRANCO - Todos são iguais


Todos são iguais 
ILIMAR FRANCO
O Globo - 09/09/2011

As redes sociais estão convocando novos atos contra a corrupção, em várias capitais do país, no dia 20 de setembro. O objetivo é transformar essa luta numa campanha de massas, como a das Diretas Já. Todas essas manifestações têm em comum: bandeiras só se forem do Brasil e políticos não são bem-vindos. Uma das organizadoras do ato na Cinelândia, no Rio, Cristine Maza explica a restrição: "Políticos e partidos estão todos envolvidos com a corrupção. Esta é uma luta da sociedade."

Secretário tucano quer divisão do bolo
O PSDB é contra a recriação de um imposto para financiar gastos com a Saúde, como a CPMF. Mas, como a oposição não tem votos para impedir que isso ocorra, se o governo Dilma fechar a base aliada, alguns tucanos também estudam propostas para descentralizar a aplicação dos recursos e de melhoria da gestão. O secretário de Saúde da cidade de São Paulo, o tucano Januário Montone, sobre a nova CPMF, diz: "Temos que evitar que seja mais uma receita da União a ser disputada de joelhos por estados e municípios". Ele defende que a arrecadação seja compartilhada por União (50%), estados (25%) e municípios (25%).

Essa gurizada das redes sociais vai tomar conta das ruas do país" - Pedro Simon, senador (PMDB-RS), sobre as manifestações contra a corrupção

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa
Sobre eventuais discrepâncias entre governadores do partido, como Teotônio Vilela (AL), que já defendeu a criação de um imposto para financiar a Saúde, e a posição oficial do PSDB, o líder na Câmara, Duarte Nogueira (SP), explica: "Uma coisa é o empenho institucional de quem está no Poder Executivo, outra é a ação do partido no Congresso. Nenhum deputado ou senador tucano defende ou votará a favor de um novo imposto."

Ciumeira
Mal-estar no governo com a ação no Congresso, de última hora, do Ministério da Defesa em favor do projeto da Comissão da Verdade. Os petistas dizem que a Secretaria de Direitos Humanos já tinha aparado todas as arestas.

Solidariedade
A Fundação Cultural Palmares está organizando show musical, no mês que vem, para obter alimentos e ajudar a combater a fome na Somália. O presidente da entidade, Eloi de Araujo, já obteve a adesão de Carlinhos Brown.

Dor de cabeça
O Planalto tentou minimizar o impacto do relatório da CGU sobre corrupção no Ministério dos Transportes. Mas os ministros políticos estão preocupados. Vislumbram que terão mais problemas, sobretudo com os seis senadores do PR.

Uma agenda de combate à corrupção
Senadores de vários partidos vão apresentar uma lista de propostas destinadas a combater a corrupção. Um dos projetos pretende atacar a impunidade e reduzir o número de recursos nos tribunais. Outro vai propor o fim das emendas individuais de parlamentares aos Orçamentos da União, dos estados e dos municípios. Os senadores também querem reduzir o número de funções gratificadas, pelas quais o Poder Executivo contrata funcionários que não são de carreira e concursados.

Mel
No encontro que teve com a bancada do PSDB, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) disse que o governo Dilma pretende executar também as emendas ao Orçamento apresentadas pelos parlamentares de oposição.

O PRESIDENTE do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), tem conversado muito com o governador Eduardo Campos (PSB-PE). O PSDB quer participar da chapa do PSB nas eleições para a prefeitura de Recife.

INTRIGA. Os aliados da candidatura da deputada Ana Arraes (PSB-PE) ao TCU estão lançando o nome de um dos adversários, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a candidato a presidente da Câmara.

O LÍDER do PDT na Câmara, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), fala sobre a disputa no partido: "Reafirmo meu apoio ao ministro Carlos Lupi."

MONICA B. DE BOLLE - Abandono


Abandono
MONICA B. DE BOLLE
O Estado de S. Paulo - 09/09/2011

Às vezes essa palavra designa um ato - o abandono das regras, das amarras que cerceiam, mas que também norteiam. Outras vezes é utilizada para caracterizar um estado de espírito - a sensação de liberdade que acompanha a percepção de não se ater a nada, de poder agir sem restrições. Mas a palavra ainda tem conotações mais sombrias. Dependendo das circunstâncias, significa desleixo, negligência, renúncia, desistência. Os bancos centrais no mundo, hoje, se caracterizam pelo abandono. Seja por não poderem mais se amarrar às regras predeterminadas de outrora, em razão do ineditismo dos problemas que enfrentam; seja por quererem se libertar das restrições impostas por certos regimes monetários em meio à exacerbação da incerteza. Ou, ainda, por terem resolvido renunciar ao passado, desistindo dos modelos que geraram grandes benefícios, mas que também trouxeram custos. Como tudo na vida.

A crise global mudou radicalmente a "cara" da política monetária. Se antes os regimes adotados por grande parte dos países haviam encontrado um equilíbrio entre a orientação proporcionada pelas regras e a flexibilidade garantida pela discricionariedade, isso já não existe mais. Os regimes de metas de inflação explícitos, como o implantado no Brasil, ou implícitos, como o seguido pelo Fed e pelo Banco Central Europeu (BCE), foram abandonados por diversas razões. Nos EUA, porque, diante da necessidade premente de combater os efeitos nefastos da quebradeira bancária, cujas sequelas crônicas são muito graves, foi preciso mudar radicalmente a execução da política monetária. Não se sabe muito bem em que ela consiste hoje - ora é usada para compensar o mau funcionamento do mercado de crédito, ora para influenciar a estrutura a termo das taxas de juros, sempre torcendo para que surta algum efeito sobre o nível de atividade. Torcer é o verbo adequado. O abandono dos instrumentos tradicionais de política monetária imposto pela crise forçou o Fed a tatear no escuro, lançando mão de manobras convolutas, conhecidas pelo nome rebuscado de "afrouxamento quantitativo". Já passamos pelo primeiro e pelo segundo. Agora, aguardamos o terceiro.

Na Europa, o ato de "entrega" tem sido mais difícil. O BCE resistiu aos impulsos discricionários, agarrando-se, até excessivamente, às amarras do controle rigoroso sobre a inflação. Mas os países de espírito mais libertário - ou libertino - estão forçando a sua mão. Já não é mais aquele BCE esculpido à imagem retilínea do Bundesbank. É algo mais sinuoso, encurvado às necessidades de salvaguardar o euro, de impedir que as travessuras de alguns países conhecidos por seu apetite dionisíaco implodam o projeto político de unificação.

Os bancos centrais e seus dirigentes fazem parte de um clã, no sentido antropológico do termo. Aquele que abandona os rituais predominantes e as normas de comportamento prevalecentes se torna um pária, um excluído - um abandonado. E o comportamento que hoje predomina no mundo rarefeito da política monetária incita a romper com as regras, a cortar as amarras, a permitir-se a total liberdade de atuação. Por esse prisma, é compreensível que o BC brasileiro tenha resolvido renunciar - temporariamente? - ao regime de metas de inflação. A decisão de reduzir os juros em meio à elevada taxa de inflação brasileira, aos modestos sinais de desaceleração da atividade doméstica e a uma recessão mundial que ainda não se materializou, e que talvez nem sequer se materialize, foi um ato de abandono.

Há circunstâncias em que a ousadia do abandono é admirável. Quando é presciente, quando sabe explicar por meio de uma lógica impecável as razões que motivaram as suas ações "fora de padrão". Mas há outras em que o ato é simplesmente negligente e descuidado, perseguindo falsos deuses - o crescimento de improviso, sem um plano para a infraestrutura e para a educação, sem uma visão congruente de longo prazo sobre o que se quer para o desenvolvimento do País -, em vez de combater problemas reais: a inflação. Neste caso, o abandono tem outro significado. Quer dizer retrocesso.

GOSTOSA


SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Lente de aumento
SONIA RACY
O ESTADÃO - 09/09/11

O Planalto consulta agências nacionais e internacionais para monitorar, por satélite, as áreas plantadas com cana-de-açúcar no País. Pretende confrontar os estoques de álcool com o potencial de produção. Para o governo, nada justifica o litro do etanol atingir os R$ 2.

Direto de Tel-Aviv

A El Al pretende interromper sua linha direta São Paulo-Tel-Aviv a partir de novembro. Alega que o movimento de passageiros não está compensando financeiramente.

De olho na intensificação do comércio bilateral, a Câmara Brasil-Israel tenta convencer a empresa aérea a manter a rota.

Direto da fonte

Depois de Blairo Maggi, o rei da soja, entra agora o rei da carne. José Batista Junior, da JBS-Friboi, costura candidatura ao governo do Estado de Goiás em 2014.

Torpedo

É aguardado com expectativa o discurso de Antonio Patriota, amanhã, em Genebra, no International Institute for Strategic Studies. Será a primeira vez que o chanceler falará, em foro externo, sobre posições militares do governo Dilma.

Na mira

Expirou o prazo dado pela Justiça para o fechamento da Igreja Mundial do Poder de Deus no Brás. O templo deveria ter sido cerrado esta semana para reformas.

Procurada por vizinhos, a subprefeitura da Mooca prometeu vistoria e, se necessário, multa por dia de desobediência.

De matar

Na ação em que foi condenado por atropelamento e agressão a um motoboy, Maurício Mattar teve despesas advocatícias pagas... pela Defensoria Pública de São Paulo.

Como o ator não foi encontrado pela Justiça à época do ocorrido, o órgão (que geralmente atende pessoas sem recursos) teve de nomear um representante para defender o réu.

Avatar tupi

Suzana Villas Boas vai coproduzir docudrama em 3D. Amazônia Planeta Verde está orçado em 12 milhões e começa a ser rodado neste mês.

Quem vem

Tokyo Police Club tocará em SP dia 28. A banda indie canadense será a atração principal da festa de aniversário de Mr. Jack, da Jack Daniel"s.

Quando eu estou aqui

Enquanto Roberto Carlos se preparava para cantar, dançar e lançar rosas ao público em Jerusalém, quarta-feira, convidados e familiares do Rei ocupavam as duas primeiras fileiras do anfiteatro Sultan"s Pool, à beira da muralha da Cidade Velha. Dudu, Rafael e Luciana, filhos de Roberto Carlos, padre Antonio Maria e Tom Cavalcanti, primeiro-camarada do Rei, se acomodaram na segunda fila, atrás de Bia Aydar, José Victor e Tatiana Oliva, Alex Lerner, Regina Casé e Estevão Ciavatta. Cercada por fãs, a humorista carioca ficou impaciente com os pedidos de fotos e autógrafos, mas explicou, com brilho nos olhos, o que a trouxe à Terra Santa: "Tive formação muito católica, estava me preparando para vir. Quando soube do show do Roberto Carlos, pensei: "É a hora certa"".

Já Nir Barkat, prefeito de Jerusalém, que gravara homenagem ao cantor (para ser exibida no telão), tentou falar com ele minutos antes do espetáculo. Mas logo descobriu a velha regra: "Roberto não recebe ninguém antes do show". Ganhou, como alento, o lugar de Dody Sirena na primeira fila.

Sultan"s Pool lotado, os sinos ecoam aos ventos do deserto e o Rei surge cantando "quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo". As fiéis gritam.

No momento em que Roberto ataca com Jerusalém de Ouro, em hebraico, acompanhado por um coro de 30 vozes, israelenses choram. José Victor Oliva tuíta. O Rei solta a voz, então, no refrão "eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar". A turma de João Dória balança de um lado para o outro com as mãos erguidas. Todos vestindo roupa azul, como a produção do show queria.

Duas horas de espetáculo a céu aberto. Jayme Monjardim, diretor do especial da Globo, pede para repetir duas músicas. O Rei não entende, pensa que tinham ficado boas, demora um pouco, mas volta para o repeteco.

Show encerrado, convidados seguem para coquetel em uma casa milenar nas proximidades do anfiteatro. Dona Gery Simões, mãe de Maria Rita, mulher de Roberto Carlos morta em 1999, levanta-se rumo à portinha que dá acesso ao camarote para abraçar o eterno genro. No caminho, lembra-se de que a filha sonhava trazer o Rei para cantar em Jerusalém.

Gloria Maria chega ao coquetel em estado de graça. Não só foi mestre de cerimônias, escolhida pelo cantor, como ganhou rosa e dançou coladinha com ele. "Roberto falou que só poderia ter feito isso comigo e com mais ninguém". Numa roda de executivos, Dody Sirena comenta o sucesso do show, do retorno positivo que teve de quem comprou os pacotes. E afirma que só faltou a música árabe, cortada por causa de um imbróglio diplomático. Israel e Palestina vivem seu drama político, que terá mais um capítulo este mês, com a votação do reconhecimento do Estado palestino na ONU. Jerusalém Oriental é reivindicada como capital pelos palestinos, algo inconcebível para os israelenses. O Rei preferiu passar olímpico pela discussão.

A presença de Roberto Carlos, aliás, estava programada no coquetel, mas ele não apareceu. Motivo? Teria ficado muito cansado depois de tantos abraços distribuídos no camarote. Foi isso... ou fez justiça a uma das poucas frases que proferiu durante o show: "Gostaria de falar muitas outras coisas neste momento, mas acho melhor dizer cantando, que é o que sei fazer".

Na frente

Fernandinho Beat Box está em estúdio gravando o primeiro álbum. Seu Jorge e Tita Lima são convidados especiais. O disco, Caminho Estreito, sai até o fim do ano.

Nando Reis faz show em homenagem a Caetano Veloso. Hoje, na Hebraica.

Emannuelle Junqueira está na Índia. Motivo? Participa da Signature Premier Fashion Tour. Na volta, comanda lançamento de uma coleção de lingerie para núpcias.

Acontece hoje, no Teatro Alfa, a estreia de Tatyana, com a Companhia de Dança Deborah Colker.

Carlos Augusto Calil inaugura, amanhã, a exposição ArteFatos Indígenas. No Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera.

Mayana Zatz pilota noite de autógrafos de seu livro Gen Ética. Terça-feira na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos.