segunda-feira, agosto 01, 2011

LUIZA NAGIB ELUF - Política e políticos


Política e políticos
LUIZA NAGIB ELUF
O Estado de S.Paulo 01/08/11

Nossa presidenta vem enfrentando com firmeza a crise aberta no Ministério dos Transportes. Seja para agradar à classe média, como dizem alguns críticos, seja para aprimorar a sua gestão, como parece ser, ela está muito correta em sanear a administração.

O problema é que nem bem se começa a equacionar um Ministério apodrecido e já surgem denúncias de corrupção na Agência Nacional de Petróleo. E antes de qualquer desses dois fatos um ministro importante foi obrigado a deixar o cargo por não ter como explicar o crescimento gigantesco do seu patrimônio.

Esperamos que Dilma Rousseff continue em sua cruzada moralizadora, pois é disso que o Brasil precisa. Mas devemos aprofundar a análise dos fatos e procurar as origens mais remotas de tanta deterioração.

A classe política tem a pior reputação dentre todas as atividades no País, e não é sem motivo. O sistema que se criou de preenchimento de cargos em troca de apoio político, nos chamados governos de coalizão, destina posições estratégicas da administração aos indicados pelos partidos da base aliada, a fim de que a governabilidade se torne viável. Tal prática dificulta a aplicação de critérios de competência nas nomeações para os cargos de confiança. Assim, pessoas sem o menor preparo técnico acabam assumindo responsabilidades para as quais não se encontram preparadas. O País sofre com a inoperância da máquina, em total prejuízo do interesse público, enquanto os gestores da vez usam do poder para enriquecer a si mesmos e a seus padrinhos.

O mais incrível é que a sociedade esclarecida não reage. Não exige respeito ao erário, não sai às ruas para mostrar a sua indignação, não pressiona pela investigação dos suspeitos, não reclama os seus direitos na Justiça. Nosso povo, quando se manifesta, é para o vizinho, para o companheiro na fila do banco, para os amigos num encontro social. Aí é capaz de se revoltar, de vituperar, de desprezar, até de ameaçar, mas, na verdade, não faz nada se utilizando dos canais competentes, como as controladorias, as corregedorias, as ouvidorias, o Ministério Público (MP), os Tribunais de Contas e as organizações não governamentais (ONGs) que atuam em defesa da transparência, além do Poder Judiciário, por meio de ação popular, e dos organismos internacionais.

O preço da omissão é a eterna corrupção. E a população se justifica dizendo que o Brasil não tem jeito, que é assim mesmo. Com isso todo mundo vai virando ladrão, o mau exemplo se enraíza nas indistintas camadas da população e leva os valores morais para o ralo. Essa forma de indução ao crime é epidêmica. Contagia todas as classes sociais, as instituições, as organizações.

Quando uma pessoa preparada e disposta a lutar pelos valores inerentes ao bem comum se candidata a um cargo eletivo, por vezes sofre resistência até de amigos e familiares. A concepção de que a política é um meio deteriorado e suspeito configura um desestímulo, um desprestígio ao postulante. Essa concepção da política é equivocada. Como a sociedade brasileira avalia poder mudar a situação atual senão votando em pessoas realmente comprometidas com o interesse público? A atitude de alienação é um salvo-conduto para os corruptos.

A sempre falada reforma política precisa ser feita de verdade, começando pelos partidos. É dentro de suas estruturas viciadas que prosperam aqueles que buscam no cargo público um meio de enriquecer. Falta democracia interna, falta seriedade nas filiações, falta compromisso com o ideário político. A reforma deveria começar regulando as atividades internas das agremiações e estabelecendo limites éticos que vão muito além da mera fidelidade partidária.

Em vez de dar prioridade a vantagens pessoais, nossos administradores precisam elaborar e pôr em prática propostas para um País melhor. E essas propostas devem começar pelos municípios, a fim de que sejam agradáveis, saudáveis, limpos, belos, organizados. O aperfeiçoamento da segurança pública somente pode prosperar em cidades planejadas e bem cuidadas. Onde reinam o caos urbano, a sujeira, a confusão, as enchentes, a poluição, a falta de saneamento e de moradias, a terra de ninguém, ali prospera o crime. Para que possamos ter uma vida tranquila e sem medo temos de estar num espaço público bem cuidado e no qual prevaleça a ordem. Isso depende da ação das prefeituras e das Câmaras Municipais.

A reforma política, atualmente em gestação no Congresso Nacional, poderia contemplar o voto distrital, ou o distrital misto, a fim de aproximar os eleitores dos eleitos e facilitar a cobrança das promessas de campanha, além de várias outras vantagens. O voto em lista fechada também está sendo estudado e, se for aprovado, deverá estipular alternância de gênero, ou seja, um nome de homem seguido de um nome de mulher, conforme constou do relatório no Senado. Esse avanço seria muito importante para corrigir a disparidade na representação feminina e masculina no Poder Legislativo. Não há dúvida de que, com chances reais de serem eleitas, haverá muitas mulheres pleiteando legenda nos partidos.

O debate político não se pode restringir às épocas de eleições. Afinal, os políticos são uma coisa e a política é outra. A sociedade tem de estar permanentemente mobilizada para discutir seus destinos, cobrando dos governantes o cumprimento de seus programas e a lisura administrativa. Para tanto é imprescindível que a sociedade tenha acesso às informações sobre as práticas administrativas, uma vez que a transparência é um direito da cidadania.

A política é importante para cada um de nós e nada vai melhorar sem a participação de todos.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Agenda 2014
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SP - 01/08/11

O plano plurianual que Geraldo Alckmin encaminhará à Assembleia paulista até o dia 15 estipulará R$ 80 bilhões como meta de investimentos para os quatro anos de governo. O tucano esquadrinhou para o primeiro escalão, com base nos relatos da Fazenda sobre arrecadação em excesso, seu cronograma de obras prioritárias até 2014, ano em que pretende estar na urna eletrônica. O documento está ancorado no tripé "continuar, avançar e inovar".
Alckmin descarta, por ora, a necessidade de obtenção de novas receitas externas -o que adia a hipótese de venda da Cesp, estudada no início do ano.

Corda bamba No governo, os defensores da permanência de Nelson Jobim (Defesa) estimulavam o ministro a cancelar a ida ao "Roda Viva", hoje, ou a aproveitar o programa para amenizar o tom da declaração de voto em José Serra.

No aguardo 1 Integrantes do Planalto diziam ontem que a metralhadora disparada por Oscar Jucá Neto contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura) aparenta esperneio de um recém-demitido, sem maiores consequências. Salvo, ressalvavam, "fato novo". Hoje a presidente Dilma Rousseff ouvirá o relato da história da boca do irmão do denunciante, seu líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

No aguardo 2 Ao PMDB, Jucá já vem se explicando. Assegurou não corroborar a atitude do irmão, com quem não teria conseguido falar no sábado.

Vips A Câmara publicou na sexta-feira a renovação do contrato de R$ 90 mil ao ano pelo uso de sala no aeroporto de Brasília para "atendimento a parlamentares".

À mesa A cúpula do PT, que tem encontro nacional no Rio, nesta semana, jantará com o prefeito Eduardo Paes (PMDB). Os petistas discutem indicar o vice em sua chapa à reeleição.

Teste A oposição trata a votação do requerimento de convocação de Paulo Passos (Transportes) à Comissão de Fiscalização e Controle como termômetro da reação do PR e da base governista à "faxina" de Dilma na pasta.

Calendário O MST aproveitará o Dia Nacional de Lutas, na quarta, para cobrar celeridade na reforma agrária. João Paulo Rodrigues, líder do movimento, refuta o argumento do governo de que a lentidão se deve ao início de gestão. "Não é o primeiro ano de Dilma. É o nono ano do governo do PT".

Cabe mais um As Centrais sindicais, que esperam levar 60 mil às ruas de São Paulo, no evento, conseguiram a adesão da UNE arrastando para a lista de reivindicações a aplicação de 10% do PIB em Educação.

Vela O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse que pedirá hoje à Aneel que cobre das empresas a implementação de linhas de transmissão entre as 16 subestações da capital. Segundo ele, a medida teria evitado o apagão que atingiu na semana passada 680 mil clientes -a unidade de Jaguaré, responsável pela falha, não tem ligação com as outras subestações.

Contra-ataque O PT produziu dossiê enumerando problemas das principais obras viárias do governo paulista na Região Metropolitana, alvo de ofensiva deflagrada por Alckmin. O material, que abrange Rodoanel, Jacu-Pêssego e Nova Marginal, tenta desconstruir o planejamento tucano para o cinturão de predominância petista no entorno da capital.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Será um semestre carregado de fortes emoções. Para resumir: teremos uma longa novela, de alta pontuação no Ibope."
DO LÍDER DO PMDB NA CÂMARA, HENRIQUE EDUARDO ALVES (RN), sobre o clima de insatisfação e as suspeitas de irregularidades que rondam alguns partidos da base governista nesse reinício das atividades do Congresso.

contraponto

Na marca da cal


Pouco antes de um encontro no Rio, na semana passada, Pelé contava vantagem em conversa com integrantes do governo:
-Eu fiz mil gols porque, na época, não cobrava pênalti. Se eu cobrasse, teria chegado aos 2.000 gols-, disse o ex-jogador, agora embaixador extraordinário do Brasil para a Copa do Mundo de 2014.
Imediatamente, o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B) brincou:
- Então se ofereça agora para a seleção do Mano!

RICARDO NOBLAT - Saudades de Gilda!

Saudades de Gilda!
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 01/08/11

 Jamais haverá uma mulher como Gilda! Quero dizer: Rita Hayworth, a estrela do filme de 1946 com esse nome que a tornou o maior símbolo sexual da época. Por aqui, jamais haverá outro inconfidente como Roberto Jefferson, ex-deputado federal e expresidente do PTB, que em 2005 denunciou o mensalão do PT. Nós, jornalistas, somos órfãos dele.

Tem um inconfidente novo na praça: Oscar Jucá Neto, o Jucazinho. Suspeito de prevaricar, foi demitido da Companhia Nacional de Abastecimento. Deu o troco: em entrevista à “Veja”, disse que há corrupção grossa no ministério da Agricultura. É briga interna do PMDB. Jucazinho está longe de fazer sombra a Roberto Jefferson. 

Quando algum detentor de segredos cabeludos se vê ameaçado de perder o emprego, os jornalistas trocam olhares ansiosos e começam a cercá-lo. Os mais ousados até se arriscam a escrever que a República irá abaixo caso o sujeito perca o controle e decida contar o que sabe. Costuma ser mais torcida do que crença. 

Torcemos, por exemplo, para que um dos aloprados abrisse o bico. Em vão. O silêncio deles e o descaso das autoridades contribuíram para que ficasse impune o escândalo do dossiê fabricado pelo PT para atazanar a vida de Geraldo Alckmin e de José Serra, candidatos a presidente e a governador de São Paulo em 2006. Torcemos para que Paulo Preto admitisse ter tomado dinheiro de empresários para financiar no ano passado a campanha de Serra a presidente. Em vão. Paulo Vieira de Souza, vulgo Paulo Preto, havia sido diretor de engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa). Conhecia o caminho dos cofres gordos. 

Luiz Antonio Pagot,
 demitido pela presidente Dilma Rousseff da direção-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), tinha munição suficiente para produzir um estrago maior do que o protagonizado por Roberto Jefferson. Preferiu não usá-la. Céus! Por quê?

Porque o governo Dilma aprendeu com os governos passados a não incorrer no mesmo erro cometido por Lula em relação a Roberto Jefferson. Sarney tinha horror a demitir, mas quando era obrigado a fazê-lo não deixava demitidos em apuros. FH também não deixava, embora demitisse com mais facilidade. 

Roberto Jefferson
 fez tudo para não pagar sozinho pela roubalheira descoberta na Empresa de Correios e Telégrafos, entregue aos cuidados do PTB. Quanto mais pedia ajuda a auxiliares de Lula, mais a corda se apertava em torno do seu pescoço. Convencido de que estava condenado, concluiu: “Posso até morrer, mas outros morrerão comigo.” 

Desde que Dilma decidiu afastar Pagot do Dnit, o governo estendeu um macio e cerimonioso tapete vermelho para que ele fosse embora, digamos, de cabeça erguida. Tanto cuidado se justificava. Pagot arrecadou dinheiro para o 1o- e o 2o- turnos da eleição de Dilma. E ainda arrecadou mais para pagar dívidas de campanha. 

De resto,
 vicejava a suspeita, alimentada por ele mesmo, de que assinara contratos e engolira aditivos somente para livrar o PT de sérias dificuldades financeiras. Lula tinha Pagot na mais alta conta, essa é que é a verdade. O comando nacional do PT, então nem se fala. Perdeu um companheirão — eficiente, discreto e solidário. 

O senador Blairo Maggi 
(PRMT), padrinho político de Pagot, foi convidado para suceder Alfredo Nascimento no ministério dos Transportes. O convite não era para valer, era só para amansar Pagot. Maggi jamais aceitaria, para não correr o risco de ver expostas e mal interpretadas asentranhas dos seus negócios com o governo. 

Pagot recusou 
o afastamento sumário e declarou-se em férias — exigência aceita. Ofereceu-se para depor no Congresso — exigência aceita. Ali, não entregou ninguém, mas repetiu que nada fizera sem o conhecimento dos seus superiores — o governo ouviu em silêncio. Por fim, despediu-se do Dnit com a certeza de que não será processado. Saudades de Gilda!

AÉCIO NEVES - Arquiteturas políticas

Arquiteturas políticas
AÉCIO NEVES
FOLHA DE SP - 01/08/11


Ninguém desconhece as enormes dificuldades pelas quais passa o país, neste momento em que se acentua uma arquitetura de relações políticas baseada na subordinação dos partidos e na delegação a eles, como contrapartida, de extensas áreas da administração federal, que funcionam como autênticos feudos, na lógica do chamado "presidencialismo de coalizão".
O que se assiste não é um fenômeno novo. Se não é correto limitá-lo aos governos do PT, é forçoso reconhecer que a luta fratricida por cargos e espaços de poder se adensou e se institucionalizou, a um custo cada vez maior para o país.
Por mais que os primeiros movimentos da presidente Dilma Rousseff busquem sinalizar certa indisposição quanto à manutenção desse modelo, e esta postura mereça ser saudada, também é preciso lembrar que o atual governo reproduz e perpetua os mesmos códigos de relações políticas do anterior, do qual a presidente foi figura de destaque.
Não podemos cair na armadilha de acreditar que exista um esforço novo para fazer valer uma autêntica faxina institucional, enquanto o que vermos se restringir apenas a respostas pontuais à indignação da população diante de denúncias da imprensa.
Instrumentos simples, implementados por meio das auditorias permanentes dos órgãos federais, poderiam significar uma providência muito mais eficaz do que a simples troca de cadeiras. Em Minas, por exemplo, a criação e o efetivo funcionamento de uma rede de auditorias preventivas representaram importantes conquistas do modelo de gestão lá implantado.
Nesta semana, quando o Congresso retoma seus trabalhos, o governo terá oportunidade de reposicionar-se diante da verdadeira enxurrada de questionamentos que sobre ele pesa. Um bom recomeço seria o apoio da presidente ao entendimento que tem sido buscado, no Senado, em torno de um novo rito para tramitação das medidas provisórias, que restitui ao Congresso suas prerrogativas constitucionais.
Há também grande expectativa em relação ao posicionamento do governo sobre as mudanças aprovadas na LDO, que abrem a caixa preta da emissão de títulos do Tesouro e limitam os gastos federais.
O encaminhamento que a presidente dará a essas matérias demonstrará, na prática, qual a verdadeira disposição do governo. Se sancionar as mudanças aprovadas no Congresso permitirá um avanço importante nas relações entre os Poderes. Se vetá-las, estará condenando todos nós a um triste e envelhecido cenário, agravado pela ausência de uma agenda para o país. Trata-se, portanto, de um momento decisivo. Ou caminhamos para recuperar o tempo perdido ou encerraremos 2011 como viemos até aqui: imobilizados por sucessivas crises e regidos pelo improviso.

CLÁUDIO HUMBERTO

"Estamos tipo o Vasco, de vice em vice-campeonato, chegando lá" 

Deputado Federal Ribamar Alves (PSB-MA), sobre lançar Eduardo Campos à Presidência



Ineficiência desafia aumento de voos no País
Os voos domésticos cresceram 19% no Brasil este ano, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), e o governo promete 30% mais eficiência nos aeroportos. Mas pilotos experientes da Agência Nacional de Aviação Civil apontam "alerta amarelo" para Copa do Mundo: só Cumbica, em Guarulhos (SP), tem sistema eficiente para pouso com nevoeiro, o ILS categoria 2. Os EUA têm mais de cem.

Ideia de jerico
O aeroporto internacional de Curitiba (PR) tem, mas fica em manutenção...no nevoeiro. Resultado: escalas de voo comprometidas.

A fila não anda
Florianópolis recebe mais de 150 mil voos fretados, mas sem pista para taxiar – o pouso na pista principal, com a distância exigida, gera atrasos.

Puxa e estica
Os "puxadinhos" de passageiros da Infraero ignoram os pátios lotados (e fechados) de aviões em Guarulhos, Vitória (ES) e Confins (BH).

Desperdício
Também há bagunça no ar: a aerovia contornando o litoral até São Paulo pelo Rio, não Minas. São mil litros de querosene a mais em cada voo.

Grampolândia

Jornalistas em área de risco poderão ter seguro de vida, segundo projeto na Câmara dos Deputados, mas não inclui o perigo ao telefone.

Dieta entalada
Pesquisa do IBGE revela que os brasileiros excedem no consumo de sal. Deve ser para temperar os sapos engolidos durante o noticiário político.

Zona Franca cresce
A Superintendência da Zona Franca de Manaus aprovou 51 projetos industriais e de serviços, com investimento de US$620 milhões, que criação 3.497 empregos em três anos no pólo de Manaus. Entre os projetos, estão a produção de tablets e celulares.

‘Teje preso’
Demitido e denunciado pelo Ministério Público, um agente penitenciário de Mato Grosso do Sul desafiou o juiz para que o processe, para provar as denúncias de câmeras clandestinas no presídio de Campo Grande.

Romário em romaria
O deputado Romário (PSB-RJ) visitou cinco estados (Piauí, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Espírito Santo) durante o recesso parlamentar. Não bateu bola. Atuou como garoto propaganda em campanhas antidrogas.

Escondidinho VIP
A Câmara dos Deputados renovou por R$89,5 mil o contrato com a Infraero pela sala exclusiva de 43m² no aeroporto de Brasília.

Poder sem pudor

A raposa em ação

Governador de Minas e já em campanha para presidente, Tancredo Neves fez um gesto de cortesia ao governo João Figueiredo: incluiu a ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, entre os agraciados pela medalha da Inconfidência. No dia da solenidade, a ministra estranhou a homenagem:
– Não tenho qualquer das qualidades exigidas para merecer isso...
Em seu discurso, Tancredo justificou a reputação de raposa política:
– A ministra está, realmente, fora do regime da medalha: ela tem muito mais virtudes que as exigidas...

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: EUA:Obama anuncia acordo que evita calote

Folha: Obama anuncia acordo que evita calote nos EUA

Estadão: Concessionárias públicas lideram queixas no Procon

Correio: Obama fecha acordo para evitar calote

Valor: Só o projeto do trem-bala custa R$ 1 milhão por km

Estado de Minas: Impunidade à vista

Jornal do Commercio: Volta às aulas exigirá paciência no trânsito

Zero Hora: Colapso no Central força ida de presos para Charqueadas

domingo, julho 31, 2011

DINHEIRO POR FORA - REVISTA VEJA

DINHEIRO POR FORA
Revista veja

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J. R. GUZZO - Poucos amigos

Poucos amigos
J. R. GUZZO
Revista Veja

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LYA LUFT - A dor do mundo

 A dor do mundo
LYA LUFT
Revista Veja

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MULHER RODADA - Origem da expressão


MULHER RODADA - Origem da expressão


É comum as pessoas dizerem "fulana é muito rodada".

Mas vocês sabem de onde vem o termo?

Como é feito o cálculo?

Os cientistas determinaram que uma transa dura em média 7 minutos. O cálculo médio de uma transa é de 60 penetrações por minuto, o que indica que o ato consiste em 420 penetrações.

Supondo que o pênis tem, em média, 15 centímetros (ESSE DADO NÃO É DO MEU rsrsrs), significa que a mulher recebe, em média, 6.300 centímetros de pica, ou seja, 63 metros a cada relação.

Geralmente, as mulheres transam 3 vezes por semana e, como o ano tem 52 semanas, então serão 156 vezes por ano. Isto quer dizer que a mulher recebe 9.828 METROS por ano, ou o equivalente a quase 10 km de pica por ano.

A 10 km por ano, uma garota de 25 anos, que teve a sua vida sexual iniciada, em média, aos 17 anos, já rodou (25 - 17 = 8 = 8 x 10) = 80 km !!!

Portanto, agora, podemos apresentar a mulherada da seguinte maneira: "Alberto, esta é a Maria. Ela tem 25 anos, mas tá novinha!!! Só rodou uns 55 km!!! Tá inteira, muito bem conservada é como se fosse ano 98, modelo 2000!!!"

Sugiro que repasse estas informações as suas amigas (e amigos), que certamente não resistirão à argumentação tão singela, caso não tenham alcançado a km padrão ou que já tenham alcançado a revisão dos primeiros 5.000 km !!!

CAETANO VELOSO - Amálgama


Amálgama
CAETANO VELOSO
O GLOBO - 31/07/11

Minha oposição ao programa dos Breiviks é visceral — e está em marcha apertada
Aders Breivik destaca o Brasil como prova de que a mistura de raças gera nações improdutivas. É a velha hipótese que tinha vigência dentro do próprio Brasil (e, claro, nunca foi descartada de todo — nem por todos), só sendo realmente abalada pela virada que representou “Casa grande e senzala”, digam o que disserem os neorracialistas. Gilberto Freire, “Gabriela, cravo e canela”, o “Amálgama” de Jorge Mautner e aquele hino à miscigenação que Aldir Blanc escreveu faz uns anos para a TV Globo parecem mais bonitos se confrontados com o criminoso norueguês que matou dezenas de jovens individualmente.

Por outro lado, acabo de ler que um tal Ricardo Coração de Leão (cujo nome verdadeiro é Paul Ray) foi citado pelo monstro de Oslo como sendo seu mentor. Ele nega. Mas confessa crer que o diagnóstico de que os muçulmanos querem dominar a Europa é correto. Ele lidera um grupo que se autodenomina Os Cavaleiros Templários. Consideramse continuadores dos Templários medievais, que guerravam mouros e inventaram o sistema bancário. Uma facção criminosa do tráfico de drogas mexicano também reinvidica esse nome. Os Cavaleiros Templários, que, acusados de heresia, demonismo e homossexualismo, foram perseguidos na França e na Inglaterra, se tornaram, em Portugal, os Cavaleiros da Ordem de Cristo — e a cruz que era seu símbolo estava estampada nas velas das naus que vieram com Cabral dar em Porto Seguro.

Este mundo dá muitas voltas.
Você pode ainda se filiar à Ordem dos Templários do Brasil. Basta buscar no Google e pagar R$ 40 de inscrição. Mas que é intrigante que o símbolo sob o qual um supremacista branco, o qual aponta o Brasil como o contraexemplo de tudo o que ele deseja, seja o mesmo sob o qual os navegadores portugueses atravessaram o Atlântico para colonizar esse grande pedaço de terra na América, lá isso é. O sentimento mais fundo que me surgiu ao me deparar com essa ligação de Breivik com os Templários foi um orgulho intenso de ter como irmã uma mulher que se chama Maria Bethânia, que tem uma voz única e que é uma mulata assararazada que tem a aparência de uma judia iemenita. É um tipo de beleza pelo qual tivemos que lutar desde dentro de casa. Essa é a minha marca de identidade. Minha oposição ao programa dos Breiviks é visceral — e está em marcha apertada. Tudo o que faço tem esse núcleo. Não me causa demasiado malestar que tenham dificuldades em me entender. Sei quem sou e o que sou. Dói e praz, é difícil, é singular — mas a única coisa que posso dizer é que é sempre assim. Fora disso não há nada.

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Duas mulheres russas dominaram minha mente nas últimas semanas. Uma era bem brasileira, Clarice. A outra era uma russa russa bem russa, moscovita e extraordinária poeta da concisão e das fórmulas incomuns. Marina era seu nome. Marina Tsvetaieva — e seu espantoso livro de anotações e cartas está nas livrarias em boa tradução de Aurora Bernardini. O título é “Vivendo sob o fogo”, e minha vontade é que todas as pessoas que conheço o leiam — e grande parte das que não conheço, também. Sobretudo as que querem ser poetas ou simplesmente gostam de poesia. Livros com seus poemas traduzidos para o português, não há muitos. Mas Augusto de Campos inclui poemas seus em “Poesia da recusa” — que pode ser encontrado nas livrarias — e Décio Pignatari lhe dedicou um livro inteiro — este, mais difícil de encontrar. Enquanto você não acha os poemas, pode ir lendo as cartas e anotações de “Vivendo sob o fogo”: isso já tem poesia de sobra.

Não faz muito tempo, mencionei uma nota tirada de um dos seus cadernos, uma nota de reflexão sobre sexo e gênero, que, de tão bem escrita, levou os editores deste caderno a suporem tratar-se de um poema e separarem seus parágrafos e frases por barras, como se fossem versos e estrofes.
Repito aqui, pedindo que lhe deem a diagramação adequada, para que se possa ter contato com a clareza sintética do seu estilo e da sua personalidade:
“Amar apenas mulheres (para uma mulher) ou amar apenas homens (para um homem), excluindo de modo notório o habitual inverso — que horror!

Amar apenas mulheres (para um homem) ou amar apenas homens (para uma mulher), excluindo de modo notório o que é inabitual — que tédio!

E tudo junto — que miséria.
Aqui esta exclamação encontra realmente seu lugar: sejam semelhantes aos deuses!

Qualquer exclusão notória — um horror.”

E leiamos os curtos parágrafos como o que eles são. (Nunca há interferência da editoria nos meus textos aqui — exceto uma ou outra bem-vinda correção — mas esse equívoco revelador escondeu os dentes com que esse pequeno trecho de prosa vem mordendo o real desde 1921.)

Tsvetaieva viveu em Moscou, Praga, Paris e, finalmente se suicidou em seu país de nascimento. Ela também escreveu:
“Não me submeteria a nenhum tipo de violência organizada, em nome de quem quer que fosse ou sob qualquer bandeira.”

Estou agarrado a Clarice, Marina e Bethânia, três belezas difíceis, enquanto olho o mundo aleijado (“Por que este mundo?”) e deselegante que produz assassinos fanáticos.

Para começarmos a nos preparar para realizar a tarefa que o Brasil não pode mais esconder de si mesmo que tem pela frente, proponho-me a guiar meus eventuais leitores pelas ideias de Mangabeira Unger nas falas que ele gravou em casa e que podem ser vistas através do link bit.ly/robertounger no YouTube.

MARCO ANTONIO VILLA - Prévias? Não no meu partido


Prévias? Não no meu partido 
MARCO ANTONIO VILLA
O ESTADÃO - 31/07/11

Quem quer se candidatar ao Legislativo e Executivo tem de se sujeitar ao mandão partidário, pois não há candidatura avulsa


A história do Brasil republicano é marcada pela pobreza ideológica e por uma estrutura invertebrada dos partidos. Na Primeira República (1889-1930) as agremiações eram estaduais. Durante o populismo (1945-1964), por razão legal, os partidos se organizaram, pela primeira vez, nacionalmente. Quando estavam adquirindo um perfil ideológico, veio o golpe civil-militar de 1964. No ano seguinte, todos os partidos foram extintos e o regime impôs o bipartidarismo. Durante quase uma década, a Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro pouco se distinguiram. A eleição de 1974 acabou sendo o divisor de águas entre o partido do governo (Arena) e o da oposição (MDB). Cinco anos depois veio a reforma partidária. Surgiram cinco partidos. Um deles, o Partido dos Trabalhadores, ameaçou ter uma organização democrática, mas, anos depois, abandonou esse projeto. Deve ser recordado que, em 1988, o PT fez, em São Paulo, para a eleição à Prefeitura, prévias. E Luiza Erundina venceu Plínio de Arruda Sampaio (curiosamente, os dois não mais fazem parte do partido).

Foi passando o tempo, surgiram novos partidos (como o PSDB), outros foram mudando seu perfil histórico (como o PMDB). Contudo uma característica esteve presente em todos eles: a ausência de democracia interna. Falam em democracia, mas só para consumo extrapartidário. Consultar as bases? Realizar, tal qual nos Estados Unidos, um sistema de prévias para indicar seus candidatos? Nada disso.

Os partidos não têm programa. É muito difícil saber o que separa um do outro. São muito mais um ajuntamento de políticos do que a reunião de cidadãos defensores de um determinado projeto. Servem para alcançar cargos e funções no Legislativo e Executivo. Dessa forma, não deve causar admiração a mudança partidária, prática rotineira no Brasil. São conhecidos casos de parlamentares que, em uma legislatura, pertenceram a três ou quatro partidos. As mudanças nunca foram devido a alguma questão ideológica. Longe disso. Rigorosamente falando, não estiveram em nenhum partido, pois sempre agiram individualmente, visando à obtenção de favores e privilégios.

A tradição brasileira é marcada pelo partido sem rosto ideológico. A identificação é pessoal. Evidentemente que há uma ou outra exceção. Mas os partidos que eleitoralmente obtiveram êxito sempre estiveram identificados com alguma liderança expressiva, tanto no plano nacional como no regional. Na esfera municipal, o problema é maior ainda: a relação político/partido é mínima, quase desprezível. É sempre o candidato que se sobrepõe ao partido.

A discussão ideológica - marca essencial dos partidos políticos nas democracias consolidadas - é considerada no Brasil, por incrível que pareça, como um instrumento de divisão política, de desunião. A competição entre lideranças e programas é intrínseca e saudável à vida partidária. Desde que estejamos pensando numa democracia, claro. É no autoritarismo que o partido é uno, indivisível, em que a direção ou o líder máximo impõe sua decisão para a base sem nenhuma mediação.

Apesar de vivermos há 23 anos em um regime com amplas liberdades democráticas, com alternância nos governos e plena regularidade eleitoral, o partido - sempre considerado essencial para a democracia - funciona como um cartório, controlado com mão de ferro por lideranças que, algumas vezes, se eternizam na direção. E o cidadão interessado em ser candidato a algum cargo no Legislativo e Executivo tem de se sujeitar ao mandão partidário, pois a legislação impede candidaturas avulsas.

A realização de prévias pode mudar esse quadro. Caso algum partido efetue um debate interno com os pré-candidatos e tenha êxito nesse processo, é provável que o exemplo seja seguido por outros. As primeiras experiências não serão fáceis. Não temos tradição de um debate de caráter democrático de ideias. Muito menos de lideranças que se sujeitem às críticas. Os líderes gostam é de ser louvados. E adorados. É como se, no campo partidário, a República ainda não tivesse sido proclamada.

As prévias também podem oxigenar o debate político extrapartidário. Com a cobertura da imprensa e o interesse das lideranças de ganhar espaço, os grandes temas estarão presentes muito antes do início, propriamente dito, da campanha. Os eleitores poderão tomar conhecimento das propostas dos partidos e de seus pré-candidatos. Ou seja, a discussão política poderá ser ampliada, temporalmente falando, e melhorada, qualitativamente falando. E o espaço do marketing político vazio, tão característico dos nossos pleitos, ficará reduzido, o que é extremamente salutar.

Os adversários das prévias são aqueles que almejam ter o controle absoluto dos seus partidos. Não admitem a divergência. Desejam impor as candidaturas e alianças sem discussão. Consideram os filiados mera massa de manobra, sem direito a palavra. Querem vencer, sem convencer, na marra. No extremo, são adversários da democracia.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Sandy, a Volta da Devassa!

Ueba! Sandy, a Volta da Devassa!
JOSÉ SIMÃO 
FOLHA DE SP - 31/07/11

E mais um predestinado: um amigo meu trabalha com enfeites de Natal e se chama Ricardo Ghirlanda


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto de Bueiros Aires! Olha a faixa duma loja no Rio: "Promoção igual bueiro! VAI ESTOURAR!". Rarará! E a Light devia encher os bueiros de confete. Quando explodir, começa o Carnaval!
E a Dilma? Ela tá assinando tanta demissão que, se não tomar cuidado, vai acabar assinando a demissão dela! Ela tá igual os batedores de pênalti do Brasil: só chutando pra fora. E o Elano Errano? Diz que o único chute que o Elano acertou foi no traseiro da ex-namorada.
E o Piauí Herald: "Transportes aprova rodízio de propinas". E, com a Dilma, mudaram as placas das estradas. Não é mais "Homens na pista". Agora é "Mulher na pista". Cuidado! Dilma na pista. Rarará!
E a semana das declarações bundásticas. "Me sinto virgem de novo", Bruna Surfistinha. Perto das outras da "Fazenda", acho que ela virou virgem mesmo. Naquela fazenda, nem a mata é virgem! E a Valesca Popozuda? Aquilo não é uma bunda, é um altar. Bunda tipo marquise. A popozuda tem o calcanhar branco, nunca tomou sol! E um leitor disse: "Depois de ver a beiçola da Renata Banhara e as pelancas da Monique Evans, vou olhar com mais cuidado pra minha mulher".
E atenção! Socorro! Todos para o abrigo! Sandy! A Volta da Devassa! Olha a declaração dela na "Playboy": "É possivel ter prazer anal". Efeito Devassa! O efeito da cerveja bateu agora! E o novo slongan da Devassa: "Devassa, a cerveja pra quem dá o redondo". A Skol desce redondo e a Devassa é pra quem dá o redondo! E a "Playboy" tem fotos da Galisteu e entrevista da Sandy. Mas o anal da Sandy derrubou o frontal da Galisteu!
E a "Playboy" da Sandy devia se chamar Playground. "Playboy" de traveca é a Playbolas. "Playboy" da Hebe é a Playlanca. E a "Playboy" da Sandy é o Playcenter. E a Sandy falou tudo isso com aquela cara de garota-propaganda de Fanta Uva!
E essa foi a semana do Fora Ricardo Teixeira. O Sarney está revoltado. O Ricardo Teixeira tá no poder há uns 300 anos. Bateu o Sarney! E a filha do Teixeira é diretora da Copa. Então CBF quer dizer Confederação Brasileira da Família. Do Teixeira. Há mais tempo no poder que ele. A CBF é dinastia! E mais um predestinado: um amigo meu trabalha com enfeites de Natal e se chama Ricardo Ghirlanda. Rarará! Nóis sofre mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MARCELO GLEISER - Em busca de significado

Em busca de significado
MARCELO GLEISER 
FOLHA DE SP - 31/07/11

A ciência nos ensina sobre a nossa íntima relação com o Universo: a matéria da qual somos feitos é também a de estrelas, planetas e luas

AQUI NA coluna, abordamos tanto questões mais imediatas, como o aquecimento global e a crise energética, como as mais fundamentais, como o significado do tempo e o debate entre a ciência e a religião.
Hoje, gostaria de abordar uma questão que, a meu ver, está no cerne do antagonismo entre a ciência e a religião: será que o desenvolvimento científico criou um vazio espiritual? Será que a ciência só serve para gerar fatos e dados sobre o mundo natural?
Ou será que pode ir mais fundo, talvez criando uma nova forma de espiritualidade?
Para começar, cito meu livro "O Fim da Terra e do Céu":
"O desenvolvimento da ciência nos séculos 18 e 19, baseado na interpretação racional dos fenômenos naturais, foi seguido, ao menos no Ocidente, por um abandono progressivo da religião. O conforto espiritual encontrado na fé foi gradualmente abandonado, em nome de um sistema de pensamento secularizado. O historiador da religião S. G. F. Brandon expressou claramente tal preocupação quando escreveu: 'Para os pensadores do Ocidente, nenhuma missão pode ser mais urgente do que a resolução desse dilema, se possível produzindo uma filosofia da história adequada, isto é, que justifique o sentido da vida dos homens dentro de sua duração temporal finita'."
Logo a seguir, pergunto se, ao vermos a ciência além de seu papel de quantificadora da Natureza, podemos talvez encontrar ao menos parte desse "sentido": "Talvez fosse isso que Einstein tinha em mente quando introduziu o seu 'sentimento cósmico religioso', a inspiração essencialmente religiosa por trás do ato racional de compreendermos o Cosmos. A ciência e a religião nascem das mesmas ansiedades que torturam e inspiram o espírito humano. E a conexão entre as duas é a nossa existência finita em um Cosmos aparentemente infinito".
Obviamente, o tempo também complica as coisas, pois a perda dos que amamos e a nossa própria mortalidade são causas de muita dor.
Nessas horas, encontro consolo em muitas coisas. Mas uma das mais significativas é o que a ciência nos ensina sobre nossa íntima relação com o Universo: a matéria da qual somos feitos é também a matéria das estrelas, dos planetas e de suas luas, e de todos os seres vivos.
O tempo que usamos para descrever as transformações que experimentamos é o mesmo da expansão cósmica. O tempo passa para o Universo também. Como escreveu o naturalista americano John Muir, "ao movermos uma única coisa na Natureza, descobrimos que ela está presa ao resto do Universo".
Não existe uma solução única para os nossos anseios. Não sei onde você encontra sentido para a sua vida. No meu caso, a busca se desdobra em muitas trilhas.
Ao tentar entender um pouco mais sobre os mistérios do mundo natural; na convivência com minha família e amigos; em saber que sou um ser humano no nosso raro planeta Terra. Para mim, o sentido não está na ciência em si, mas na busca pelo conhecimento. Talvez seja assim também com um músico, que dá sentido à sua busca tocando o seu instrumento. As técnicas nos dão os meios, mas não são um fim em si mesmas. É tocar, e dividir a música com os outros, que importa.

DANUZA LEÃO - Liberdade, oh, liberdade

 Liberdade, oh, liberdade
DANUZA LEÃO 
FOLHA DE SP - 31/07/11

Ah, que maravilha: vai aonde quer, volta na hora que bem entende, sem ninguém para reclamar


TODO MUNDO quer ser livre; a liberdade é o bem mais precioso, almejado por homens e mulheres de todas as idades, e a luta para conquistá-la começa bem cedo. Desde os primeiros meses de idade só se pensa em uma coisa: fazer apenas o que quer, na hora que quer, do jeito que quer.
Crianças de meses rejeitam a mamadeira de três em três horas, mas choram quando têm fome (só querem comer quando têm fome, o que é muito justo) e quando um pouco mais grandinhas, brigam para não vestir a roupa que a mãe escolheu.
Ficam loucas para ir sozinhas para o colégio, e quando chegam em casa além do horário previsto, ai de quem perguntar onde elas estiveram. "Por aí", é o que respondem, quando respondem -e as mães que enlouqueçam.
Quando adolescentes, as coisas pioram: querem a chave da casa (e a do carro), e quando começam a sair à noite e os pais tentam estabelecer uma hora para chegar, é guerra na certa, com as devidas consequências: quarto trancado, onde ninguém pode entrar nem para fazer uma arrumação básica.
Naquele território ninguém entra, pois é o único do qual ele se sente dono -portanto, livre. A partir dos 12 anos, o sonho de todos os adolescentes é morar num apart -sozinhos, claro.
Mas o tempo passa, vem um namoro mais sério, e quem ama não é -nem quer ser- livre (para que o outro também não seja). Dá para quem está namorando sumir por três dias? Claro que não. Se for passar o fim de semana na casa da avó, em outra cidade, vai ter que dar o número do telefone, e isso lá é liberdade? Os celulares permitem, pelo menos, que eles não atendam, já que sabem quem está ligando.
Aí um dia você começa a achar que para ser livre mesmo é preciso ser só; começa a se afastar de tudo e cancela o amor em sua vida, entre outras coisas. Ah, que maravilha: vai aonde quer, volta na hora que bem entende, resolve se o almoço vai ser um sanduíche ou nada, sem ninguém para reclamar da geladeira vazia, trocar o canal de televisão ou reclamar do fumacê no quarto. Ah, viver em total liberdade é a melhor coisa do mundo.
Mas a vida não é simples, e um dia você acorda pensando em mudar de casa; fica horas pesando os prós e contras, mas não consegue decidir se deve ou não. Pensa em refrescar a cabeça e ir ao cinema, mas fica na dúvida -enfrentar a fila, vale a pena? Vê a foto de uma modelo na revista e tem vontade de cortar o cabelo igual, mas será que deve?
Acaba não fazendo nada, e depois de tantos anos sem precisar dar satisfação da vida a ninguém, começa a sentir uma estranha nostalgia.
Como seria bom se tivesse alguém para dizer que é loucura fazer uma tatuagem; que aconselhasse a não trocar de carro agora -pra que, se o seu está tão bom?
Que mostrasse o quanto foi injusta com aquela amiga e precipitada quando largou o marido, o quanto foi rude com a faxineira por bobagem. Que falasse coisas que iam te irritar, desse conselhos que você ia seguir ou não, alguém com quem você pudesse brigar, que te atormentasse o juízo às vezes, para poder reclamar bastante. Alguém que dissesse o que deve ou não fazer, o que pode e o que não pode, e até mesmo te proibisse de alguma coisa.
E que às vezes notasse suas olheiras e falasse, de maneira firme, que você está muito magra e talvez exagerando na dieta; alguém que percebesse que faltando dez dias para o final do mês você só tem R$ 50 na carteira e perguntasse se você não está precisando de alguma coisa. E que dissesse sempre, em qualquer circunstância, "vai dar tudo certo".
Que falta faz um pai.

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Como Dilma está dirigindo?

Como Dilma está dirigindo?
VINICIUS TORRES FREIRE 
FOLHA DE SP - 3107/11

Programa econômico da presidente é cada vez mais marcado por intervenções do governo no mercado


AOS POUCOS, mas de modo decisivo, Dilma Rousseff adota políticas que faz uns 20 anos estão no programa de economistas "mais à esquerda", "desenvolvimentistas", "dirigistas", "heterodoxos" etc.
A intervenção no mercado de derivativos cambiais é, claro, a mais recente das derivas "heterodoxas".
O governo não apenas criou um imposto mas se atribui o poder de regular volume, prazo e tipos de instrumentos de transações cuja referência é a moeda estrangeira.
Na prática, o governo assumiu a direção desse mercado; pode tabelar ou regular preços dos negócios.
Trata-se da medida mais importante do setor desde 1999, quando o câmbio deixou de ser quase fixo para se tornar mais ou menos flutuante. A respeito das "heterodoxias", lembre-se ainda de outras como:
1) o governo limita o fluxo de dólar por meio do imposto sobre investimentos financeiros do exterior;
2) o governo passou a intervir ainda mais nos preços de combustíveis;
3) a política monetária mudou: além de gradualista, considera que, no combate à inflação, a taxa de juros pode ser substituída por meios administrativos de controle do crédito, ao menos em parte;
4) a taxa "básica" de juros do BNDES, em termos reais, é zero (para grandes empresas);
5) não há um programa, explicitado ao menos, de longo prazo para conduzir a dívida pública e a meta de inflação a níveis decentes.
O ativismo de Dilma vai além. Seu governo quer sacramentar a prática reinaugurada nos tempos lulianos de organizar grandes empreendimentos em associação com grandes empresas. Oferece subsídios e parcerias estatais (como no caso do trem-bala e de certas hidrelétricas), de resto sem contrapartidas. Organiza e subsidia a formação de conglomerados e oligopólios.
É verdade que a empresa brasileira raramente se aventurou em empreendimentos grandes e novos sem o amparo do Estado, um problema para o desenvolvimento do país. Mas quais são as medidas para desmamar o empresário nacional?
Como se pode notar, gradualmente o regime de política econômica viajou para outro planeta: acidentalmente desde Lula 2 e, agora mais programaticamente, sob Dilma 1.
No dia a dia, o que mais chama a atenção nesse modus operandi é que a política econômica tem uma quantidade cada vez maior de objetivos e metas picotadas; por vezes, aparentemente incompatíveis.
O governo acha que pode conter a inflação dando impulso ao aumento do investimento no curto prazo sem reduzir o consumo do governo e deixando correr algo solto o consumo privado ("das famílias").
Note-se que o crescimento dos empréstimos do BNDES está ainda em ritmo de boom.
O governo quer reduzir a inflação e ao mesmo tempo espera produzir alguma desvalorização do real.
O governo quer reduzir impostos sobre empresas empregadoras de muita gente e exportadoras, mas não tem caixa, pois gastou além da conta em 2010, ao menos.
O governo se preocupa com o real forte e as avarias que isso causa na indústria. Mas o real é vitaminado pelos juros altos, que assim ficarão por um bom tempo, pois o combate à inflação é gradual e prejudicado pela demanda ainda aquecida, com apoio do governo.
É um malabarismo notável.

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - Tem cada um...

Tem cada um...
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
O ESTADÃO - 31/07/11

Tem, por exemplo, o Victor, que não perde oportunidade de ostentar sua cultura; e o Pinheiro, cujo sono é lendário

Tem, por exemplo, o Victor, que não perde oportunidade de ostentar sua cultura, para divertimento e, às vezes, irritação da turma. Como na vez em que houve um silêncio na mesa do bar em que eles se reuniam e o Victor disse:

– Eu conheço este silêncio de um filme do Bergman.

O Marcão não aguentou.

– Como, de um filme do Bergman? Como um silêncio pode ser igual a outro silêncio, que não tem nada a ver?

O Victor apenas sorriu. Não poderia esperar que o Marcão, logo o Marcão, entendesse. O que mais irritava o Marcão era aquele sorriso do Victor.

Mas a melhor do Victor quem contou foi o Mendonça, médico, que também frequentava a turma. O Victor andava tossindo muito, e expectorando, e procurara o Mendonça no seu consultório.

– Acho que peguei a gripe.

– Você tem muito catarro? – perguntara o médico.

– Tenho.

– De que cor é o catarro?

E então o Victor pensara um pouco e respondera:

– Sabe o verde daquele afresco do Tiepolo no Palazzo Clerici, em Milão?

O Victor estava presente na mesa quando o dr. Mendonça contou o fato e apenas sorriu diante da gargalhada geral da turma. Depois deu de ombros e disse:

– O que eu vou fazer se vocês não viajam?

O Marcão ficou pra morrer.

E tem o Pinheiro, também chamado Pinho, cujo sono é lendário. Contam que o Pinho não pode ir ao cinema porque dorme no começo do filme, sempre. Filme de caubói, filme de guerra, inclusive intergaláctica... Não via nem os créditos completos.

– Você chegou a ver o nome do diretor, Pinho?

– Não, fui só até o produtor.

Mas não deve ser verdade o que contam sobre a separação do Pinho.

Contam que o casamento do Pinho e da Eneida não estava dando certo – em grande parte porque o Pinho invariavelmente dormia quando a Eneida começava a lhe dizer alguma coisa, às vezes no meio de uma frase. E que um dia a Eneida levantara da cama do casal, saíra à rua, contratara uma empresa de mudança e voltara com três carregadores, que passaram a tirar tudo de dentro do apartamento. Tudo. Geladeira, fogão, móveis da sala, televisão, mesa de jantar...

– Este armário também vai, dona?

– Tudo.

Deixaram o quarto de dormir, onde o Pinho ainda roncava em cima da cama, para o fim. E o quarto também foi esvaziado.

– E a cama, dona?

Eneida hesitou. Levava ou deixava a cama? Decidiu:

– A cama vai.

– E o doutor?

– Fica. Deixem o colchão pra ele.

Aqui as versões divergem. Há quem diga que a Eneida voltou atrás e mandou carregarem o colchão também, deixando o Pinho dormindo no chão. Outros dizem que o colchão, misericordiosamente, ficou. Mas todos concordam que, como não havia mais nada no apartamento onde colocar o bilhete de despedida que escrevera para o marido, a Eneida o colocara entre dois dedos do seu pé. Para o Pinho ler quando acordasse.

SUELY CALDAS - Corrupção - cortar o mal pela raiz

Corrupção - cortar o mal pela raiz
SUELY CALDAS
O ESTADÃO - 31/07/11
Quanto custa uma obra pública? A limpeza em andamento no Ministério dos Transportes tem revelado custos disparatados, que extrapolam a racionalidade dos números, transitam pela ilegalidade e terminam em cifrasqueagridemocontribuinte.Grossomodo,aobradeveriaseguiromodelo do orçamento de um cidadão que planeja reformar a sua casa. Mas não. Afinal, por que é tão complicado?
Ao contrário da obra privada,a pública costuma incorporar custos extravagantes-doações de campanha eleitoral, a parcela do partido político do ministro, o lucro da turma intermediária do governo - ao valor do contrato com a empreiteira,quandoelaéescolhidasem licitação ou em obscuros adendos que triplicam o preço inicial que a empresa apresentou para vencer concorrentes. Há, ainda, custos decorrentes da duração da obra - propositadamente longa paraabsorverdinheiropúblicopormais tempo.Ao longo de sua existência,oTribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União colecionam milhares de casos estapafúrdios. Punições? Raríssimas, dá para contar nos dedos.
Há solução? Umcaminho para impedir a corrupção? A presidente Dilma tem tentado,nomeando gestores técnicos para o lugar de suspeitos.É um caminho pouco seguro,pois de pende da vontade política do governante de enfrentar a corrupção. Dilma a tem enfrentado, Lula deixou correr frouxo e até a incentivou. Resolver de forma institucional seria tirar da classe política a gestão de setores do governo que absorvem muita verba pública. Não é o que tem ocorridoeagovernabilidadeviroupalavra mágica para justificar o mal feito.
A mera substituição nada garante. Nem de pessoas nem de siglas. Desmoralizado diante da opinião pública, tal o histórico de corrupção, o antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (Dner) mudou de nome para Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Mudou a sigla, mas não a roubalheira.Também a Valec nadamaiséqueacontinuidadedepráticas desonestas que destruíram a antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
No âmbito da reforma do Estado, FHC privatizo um uitasestataisque,administradasporpolíticos,eramsugadoras de dinheiro público, com crônicos e eternos prejuízos, causados justamente pelo seu uso político. Ferrovias da RFFSA, usinas siderúrgicas, telefônicas,distribuidoraselétricasebancosestaduais se tornaram empresas privadas lucrativas e bem-sucedidas. Com exceçãodealgumastelefônicasestaduais,todas só acumulavam rombos que o contribuinte era chamado a cobrir.
Aprivatizaçãoatraiuprotestos,sindicatoscontestavamnaJustiça-eraareaçãoaodesconhecido,numpaísquepassouumséculointeirovivendosobaproteção do Estado provedor. O mundo mudou, o papel do Estado ficou mais bem definido após a queda do Muro de Berlimeaprivatizaçãoensinouaosbrasileirosquesedesfazerdeestataisdeficitárias foi um bom caminho para desenvolveroPaíseeliminaracorrupção,pelo menos onde o estatal virou privado.
Além do reconhecimento da incompetência do Estado em concluir obras antesdaCopa,aprivatizaçãodetrêsdos maiores aeroportos do País vai evitar o queaconteceucomoschamados"puxadinhos" construídos pela Infraero. Só noAeroportodeGuarulhos(SP) foram desviados R$ 254 milhões.
Dos37 Ministérios (Lula criou 12, paraabrigar partidos aliados), há dois que merecempermanentevigilânciadeDilma, se ela realmente quer afastar e punir corruptos. Minas e Energia, responsávelpelaconstruçãodehidrelétricas,e Transportes,comsuasestradaseferrovias, são os que mais concentram obras gigantes, caras e vulneráveis a fraudes. Não só porque lidam com contratos de valoreselevados,mastambémpelasdificuldades de a fiscalização mensurar comexatidãocertoscustos,comoo volumedecimentousadonumabarragem oudeasfaltonumaestrada.Justamente pelo poder de camuflar fraudes e de canalizarrecursos públicos para fins político-privados, são Ministérios cobiçadíssimosporpartidosequeLulagenerosamente entregou ao PMDB e ao PR.

ANCELMO GÓIS - Melhor do mundo

Melhor do mundo
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 31/07/11

Veja como os grandes eventos esportivos mexem com a economia de setores mais díspares. O espanhol Ferran Adrià Acosta, 49 anos, badalado chef de cozinha, vai abrir no Rio, mas só por dois meses, uma filial do seu El Bulli. Será durante a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo de 2014. 

Aliás...
O restaurante El Bulli é considerado por muitos o melhor do mundo. Mas há controvérsias. ‘My name is Dilma’ A “New Yorker”, revistona americana, mandou ao Brasil o repórter Nicholas Lemann para escrever um perfil de Dilma. Lemann, autor de livros e diretor
da faculdade de jornalismo de Columbia, circula entre Rio, São Paulo e Brasília. Tem marcada uma entrevista com Lula. 

‘S’il vous plaît’

Os ônibus de Paris estão exibindo uma grande campanha do turismo no Brasil. Só que, em julho, agosto, os parisienses já viajaram de férias — e a imensa maioria dos que veem a campanha é de... turistas, que, portanto, já compraram seus pacotes. 

Segue...

Muitos países fazem este tipo de campanha em Paris. Mas... nos meses de abril e maio, quando os franceses programam suas viagens.
Chico de ouro O novo CD de Chico Buarque ultrapassou a marca de 50 mil cópias. A Biscoito Fino mandou prensar mais 20 mil.

Estrela das Graças

Maria das Graças Foster tem uma tatuagem no braço em forma de estrela. Já houve quem achasse que é homenagem ao PT. Outros,
ao Botafogo, clube da diretora da Petrobras. Mas a estrela tem motivo religioso.

Castelo, o belo
Aos 90 anos, e em forma, o general Leônidas Pires Gonçalves contou semana passada a um amigo que, no dia 11 de abril de 1964, um sábado, ele, então tenente-coronel, acompanhou da casa de Castelo Branco a “eleição” indireta, no Congresso, do marechal a presidente do Brasil. 

Segue...
Depois de sacramentada a escolha, Castelo, que, digamos, não era um modelo de beleza — e não só pela falta de pescoço —, levou
Leônidas até o carro e ainda fez graça:
— Estão dizendo que sou mais bonito do que o Dutra. 

Mas...
Leônidas preferiu o silêncio. A vida é bela FH, 80 anos, está em novo tour de férias pela Europa. 

Luz fraca
Veja como não é de hoje que a Light apanha. Esta charge saiu no jornal “O Malho” em junho de 1920, na abertura da temporada lírica no Rio, para insinuar que a elétrica... “desafinava”. Estará na edição de agosto da “Revista de História da Biblioteca Nacional”.

Procura grande
Lula, como se sabe, gostou tanto do que viu no Hospital Dona Lindu, em Paraíba do Sul, RJ, que marcou consulta para o filho Marcos.
Mas quem sofre de problema na coluna ou no quadril, caso de Marcos, precisa esperar quase quatro meses para fazer a primeira avaliação.

A hora do social
Até o fim de outubro, todas as comunidades do Rio ocupadas pela polícia ganharão sua UPP social. O programa de ações da prefeitura chegará toda sexta a uma favela. A primeira foi a Cidade de Deus. 

Cena carioca
Quinta, por volta de 20h, no sinal da Gávea já perto da Autoestrada Lagoa-Barra, sentido Zona Sul, um guri de uns 7 anos, depois de fazer malabarismo, pediu dinheiro a um motorista e ouviu: “Hoje tá fraco, menino, só tenho isso...” Era uma moeda de 10 centavos. O miúdo, acredite, enfiou a mão no bolso, tirou várias moedas e disse: “Tio, tenho mais que você. Podemos dividir.” Há testemunhas.