quarta-feira, maio 18, 2011

MARCELO COELHO - Politicamente fascista


Politicamente fascista 
MARCELO COELHO 
FOLHA DE SÃO PAULÇO - 18/05/11

Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto"


O comediante Danilo Gentili pediu desculpas pela piada antissemita que divulgou no Twitter. A saber, a de que os velhos de Higienópolis temem o metrô no bairro porque "a última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz".

Aceitar suas desculpas pode ser fácil ou difícil, conforme a disposição de cada um. O difícil é imaginar que, com isso, ele venha a dizer menos cretinices no futuro.

Não aguentei mais do que alguns minutos do programa "CQC", na TV Bandeirantes, do qual é ele uma das estrelas mais festejadas. Mas há um vídeo no YouTube, reproduzindo uma apresentação em Brasília do seu show Politicamente Incorreto, em outubro de 2010.

Dá para desculpar muita coisa, mas não a falta de graça. O nome oficial do Palácio do Planalto é Palácio dos Despachos, diz ele. "Deve ser por isso que tem tanto encosto lá." Quem o construiu foi Oscar Niemeyer, continua o humorista. E construiu muitas outras coisas, como as pirâmides do Egito.

A plateia tenta rir, mas só fica feliz mesmo quando ouve que Lula é cachaceiro, ou que (rá, rá) o nome real de Sarney é Ribamar. Prossegue citando os políticos que Sarney apoiou; encerra a lista dizendo que ele só não apoiou o próprio câncer porque "o câncer era benigno".

Os aplausos e risadas, pode-se acreditar, vêm menos da qualidade das piadas e mais da vontade de manifestação política do público. Detestam-se, com razão, os abusos dos congressistas brasileiros. Só por isso, imagino, alguém ri quando Gentili diz preferir que a capital do país ficasse no Rio: "Lá pelo menos tem bala perdida para acertar deputado".

Melhor parar antes que eu fique sem respiração de tanto rir. Como se vê, em todo caso, o título do show não é bem o que parece. "Politicamente incorreto", no caso, faz referência às coisas erradas feitas pelos políticos, mais do que ao que há de chocante em piadas sobre negros ou homossexuais.

A questão é que o rótulo vende. Ser "politicamente incorreto", no Brasil de hoje, é motivo de orgulho. Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto" - e com isso se vê autorizado a abrir seu destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir.

Não nego que o "politicamente correto", em suas versões mais extremadas, seja uma interdição ao pensamento, uma polícia ideológica.

Mas o "politicamente incorreto", em sua suposta heresia, na maior parte das vezes não passa de banalidade e estupidez.

Reproduz preconceitos antiquíssimos como se fossem novidades cintilantes. "Mulheres são burras!" "Ser contra a guerra é viadagem!" "Polícia tem de dar porrada!" "Bolsa Família serve para engordar vagabundo!" "Nordestino é atrasado!" "Criança só endireita no couro!"

Diz ou escreve tudo isso, e não disfarça um sorrisinho: "Viram como sou inteligente?".

"Como sou verdadeiro?" "Como sou corajoso?" "Como sou trágico?" "Como sou politicamente incorreto?"

O problema é que "politicamente incorreto", na verdade, é um rótulo enganoso. Quem diz essas coisas não é, para falar com todas as letras, "politicamente incorreto". Quem diz essas coisas é politicamente fascista.

Só que a palavra "fascista", hoje em dia, virou um termo... politicamente incorreto. Chegamos a um paradoxo, a uma contradição.

O rótulo "politicamente incorreto" acaba sendo uma forma eufemística, bem-educada e aceitável (isto é, "politicamente correta") de se dizer reacionário, direitista, fascistoide.

A babaquice, claro, não é monopólio da direita nem da esquerda. Foi a partir de uma perspectiva "de esquerda" que Danilo Gentili resolveu criticar "os velhos de Higienópolis" que não querem metrô perto de casa.

Uma ou outra manifestação de preconceito contra "gente diferenciada", destacada no jornal, alimentou a fantasia mais cara à elite brasileira: a de que "elite" são os outros, não nós mesmos. Para limpar a própria imagem, nada melhor do que culpar nossos vizinhos.

Os vizinhos judeus, por exemplo. É este um dos mecanismos, e não o vagão de um metrô, que ajudam a levar até Auschwitz.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Pau de tucano cura câncer!


Ueba! Pau de tucano cura câncer! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

E sabe qual é a semelhança entre o Corinthians e o Bin Laden? Ambos viraram comida de peixe. Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
O mundo caiu na gandaia. Ex-amante do diretor do FMI se chama Piroska e o pai do Sarkozy se chama Pál. Tá explicado. O Sarkozy puxou o pai! Meu pai é Pál! E a manchete do Twitteiro: "DNA do Programa do Ratinho comprova: Neymar não é o pai do filho da Carla Bruni".
E atenção! Direto do "Jornal da Cidade", de Bauru: "Descoberta! Planta do cerrado cura úlcera e câncer!". E sabe como é nome da planta? Pau de tucano. Rarará! Por isso que o Serra só fala em saúde! O pau do Serra pode curar úlcera. Mas o Serra inteiro dá úlcera!
E como disse o outro: em São Paulo a gente leva pau de tucano desde os tempos do Covas. Rarará!
E sabe qual a diferença entre o diretor do FMI e o Berlusconi? É que o Berlusconi paga! Rarará! E sabe qual é a semelhança entre o Corinthians e o Bin Laden? Ambos viraram comida de peixe. Rarará!
E descobriram maconha e vídeo pornô na casa do Bin Laden. Normal! Terrorista aposentado vai fazer o quê? Já sei, ele tava fumando uma bomba, ouvindo Bob Marley e aí a polícia chegou! E ficava vendo vídeo pornô! Por isso que pegaram ele: cinco contra um! Rarará!
E vídeo pornô toda casa tem. Não precisa ser casa de terrorista! E diz que o Flamengo tem dois times: um pra jogar no Rio e outro pra jogar fora. Rarará!
E a Dilma declarou que os chineses são ótimos anfitriões: "Você fala com um e quando vai falar com outro, esse já sabe de tudo". Ela falou com o mesmo chinês pensando que era outro. Rarará! Avisa para a Dilma que todo chinês é cópia pirata de outro chinês!
E o e-mail de um amigo meu: "Moro em Higienópolis, sou a favor do metrô, não sou da elite paulistana, não sou eleitor do PSDB, uso o metrô da Marechal, frequento os botecos da Maria Antonia e Santa Cecília e como na padusca em frente ao Piratininga. Onde eu entro nessa?". Entra pelo cano. Vai ser extraditado para a Brasilândia. Capital da Gente Diferenciada!
E eu tenho a foto do metrô diferenciado para gente diferenciada: uma Kombi grudada na outra! E tá pronto o metrô diferenciado!
"Estação Higienópolis agora será na Sergipe". Esse metrô de Higienópolis parece espinha: fica mudando de lugar o tempo todo. Uma hora tá na bochecha, outra hora tá no nariz, no queixo! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

ELIO GASPARI - Dois consultores, Palocci e Kissinger


Dois consultores, Palocci e Kissinger
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

O ministro Antonio Palocci gosta de viver perigosamente. Em 2002, ele apareceu na política nacional como ex-prefeito de Ribeirão Preto. Quatro anos depois, perdeu o Ministério da Fazenda numa encrenca em que havia grampos, lixo, pacotes de dinheiro e amigos de fé. Seu ex-secretário de governo abriu uma empresa de consultoria na casa de uma copeira. Em 1993, esse amigo tinha um patrimônio de 13 mil. Em 2004, aos 41 anos, amealhara R$ 1,4 milhão. Outro alugou uma casa em Brasília adiantando R$ 60 mil (em dinheiro vivo, com cinta de banco) por seis meses de contrato. O moço declarara à Receita Federal uma renda anual de R$ 20 mil. Nessa casa funcionou a "República de Ribeirão Preto".

Palocci enfrentou invicto todos os inquéritos e processos. Ele caiu em 2006 porque, tendo repetido à saciedade que jamais pisara na casa do amigo, foi desmentido pelo caseiro Francenildo Santos Costa. Quando o comissariado da Caixa Econômica violou o sigilo bancário, da testemunha indesejada, a blindagem vazou.

Palocci submergiu, elegeu-se deputado federal em 2006, terminou o mandato e voltou ao Planalto, como chefe da Casa Civil. Doutora Dilma mal completou seis meses de palácio e, uma semana depois do retorno do companheiro Delúbio Soares ao PT, há uma nova encrenca no varal de Palocci. Os repórteres Andreza Matais e José Ernesto Credendio revelaram que, em 2006, o ministro tinha um patrimônio declarado de R$ 375 mil. Quatro anos depois, tendo recebido da Viúva R$ 974 mil (brutos), amealhara R$ 7,5 milhões.

O ministro informa que esse patrimônio resultou do trabalho de sua empresa de consultoria. A sabedoria de Palocci rendeu um ervanário de 1,1 milhão de dólares anuais. Dando-se por irrelevante uma funcionária que não sabe dizer o que se faz por lá, na consultoria só trabalha o doutor. A Kissinger Associates, uma das mais poderosas firmas do ramo, tem dez sócios, cinco dos quais são diretores. Noves fora o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, lá estão um ex-vice-rei do Iraque e um ex-governador. O professor não faz lobby junto ao governo americano e, por isso, não abre suas contas. Entre seus clientes estão a Coca-Cola, o American Express e a Fiat. Em 1987, com menos de quatro anos de existência, faturou US$ 5 milhões. (Hoje fatura o dobro.) Um de seus diretores, o general Brent Scowcroft, chefe da assessoria para assuntos de segurança nacional dos presidentes Gerald Ford e Bush 1, e presidente do Conselho Consultivo para questões de inteligência de Bush 2, recebe perto de US$ 300 mil anuais na firma.

Por mais que o real esteja sobrevalorizado, cotar a jovem consultoria de Palocci a 22% da firma de Kissinger nos seus primeiros anos faz pouco sentido.

Em 2003, quando começaram os penares de Palocci, ele poderia ter se dissociado da turma de Ribeirão Preto. Não tendo esterilizado seus tratos, tropeçou em Francenildo.

Palocci argumenta que suas relações com os clientes estão protegidas por cláusulas de confidencialidade. Isso não impede que, num gesto heroico, seus fregueses diferenciados saiam do armário, dizendo em que ramos atuam. Não precisam descrever o serviço recebido. Basta mostrar o rosto.

RUY CASTRO - Toca o barco


Toca o barco
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

RIO DE JANEIRO - Até o meio-dia de sábado, as negociações para mitigar a crise econômica da Europa estavam bem encaminhadas, com Portugal, Irlanda e Grécia na expectativa de o FMI liberar bilhões de euros para apagar seus incêndios imediatos. Ao mesmo tempo, a sucessão presidencial na França (eleições marcadas para 2012) se encaminhava para uma troca de estilo de governo, e para melhor, esperavam os franceses.

De repente, tudo empacou porque o super-homem que protagonizava tais movimentos, fiando-se em seus poderes, gostou de uma camareira e a atacou grosseiramente em seu apartamento de hotel em Nova York. A camareira deu queixa. O homem foi arrancado da primeira classe do avião em que embarcava para Paris, identificado por ela numa fila de suspeitos, desfilado de algemas para os fotógrafos e viu negada uma fiança milionária. Em horas, seu mundo caiu.

A desgraça de Dominique Strauss-Kahn, 62 anos e, então, o nº 1 do FMI, não é a primeira do gênero. Mas, sempre que acontece, eu me pergunto que pulsões secretas de um indivíduo não interferem no destino de milhões que não têm nada com elas. Ou o Strauss-Kahn sóbrio e competente, em quem um sistema inteiro apostava para voltar à prosperidade, seria um, e o trêfego Dominique, que não podia ver um rabo de saia, outro?

Não creio. Nelson Rodrigues dizia que, se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém. Nossa sensibilidade ou hipocrisia pode rejeitar esse conceito, mas ele é difícil de derrubar.

O FMI soltou o dinheiro para Portugal, seu nº 2 deve tornar-se o novo nº 1, as negociações para salvar a Europa continuam e a França se virará como sempre. Em breve, DSK será apenas um nome nos arquivos dos jornais, só lembrado quando alguém escorregar feio de novo como ele. Toca o barco.

MÍRIAM LEITÃO - Rever impostos


Rever impostos
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 18/05/11
Ainda não se sabe como desonerar a folha, já que essa contribuição arrecada R$95 bi, mas há duas alternativas para substituir o imposto hoje cobrado das empresas sobre o total dos salários pagos aos trabalhadores.

- Podemos transferir a cobrança para um imposto sobre valor agregado como PIS/Cofins, ou sobre o faturamento geral da empresa. Estamos fazendo simulação de cada modalidade em cada indústria. Até o setor de capital intensivo apóia a cobrança sobre valor agregado porque isso desoneraria a exportação - disse o ministro numa entrevista que me concedeu ao programa Espaço Aberto, da Globonews.

Mantega acha que as mudanças propostas para o ICMS não terão desta vez a reação dos estados, apesar de os de maior peso econômico serem governados pela oposição. Ele conta que já está conversando com eles:

- O ICMS é o imposto mais complexo e seu mair peso recai sobre a produção. Os estados todos estão com problemas e se queixam da guerra fiscal. Chegamos ao paroxismo de que alguns estados incentivam a importação contra o produto nacional. Há conflito entre os estados, queixas ao STF. Por isso a nossa proposta é a de baixar gradualmente o ICMS interestadual que hoje está entre 7% a 12% para 2%.

Segundo Mantega os maiores estados não reclamariam contra a proposta porque eles teriam a ganhar, os menores seriam compensados com a redução de impostos federais na atração de investimentos.

- Nossa ideia é fechar essa proposta sobre a desoneração da folha salarial e uma proposta de redução gradativa do ICMS interestadual até junho para apresentá-la para a sociedade - afirmou.

Ele disse que aquela proposta de reforma tributária que está no Congresso será deixada de lado porque o governo teria se convencido de que uma reforma ampla é muito difícil pela reação dos estados à discussão sobre onde recolher o ICMS, se na origem ou no destino. Ele acha que o melhor seria no destino. A decisão do governo diante do impasse é ir propondo ideias, como a que fará agora, e pôr em marcha uma agenda tributária para simplificar os impostos sobre a produção, tirar o peso que recai sobre o emprego para estimular a formalização do mercado de trabalho que já está em marcha.

O ministro garante que o governo está reduzindo a carga tributária, apesar de o número divulgado pelo próprio governo ter mostrado nos últimos anos um aumento, com pequena queda em 2009, para nova alta em 2010. Ele disse que ao longo dos últimos cinco anos, o governo permitiu desoneração de R$100 bi:

- A carga subiu por causa da alta do PIB e da formalização. Reduzimos IR, IPI, diminuímos carga sobre pessoa física com novas alíquotas e diminuição de impostos indiretos. Estamos melhorando o aproveitamento do crédito do PIS/Cofins de 24 meses para 12, e logo irá a zero.

Para a maioria das empresas e pessoas a sensação é de pagar mais e as estatísticas mostram aumento do percentual de impostos sobre o PIB. Mas o importante é que Mantega garante que não está parada a agenda tributária e que serão anunciadas novas propostas de redução ou simplificação de impostos no próximo mês.

Mantega se disse "perplexo" com o que está acontecendo com Dominique Strauss-Kahn:

- Espero que tudo se esclareça o mais rapidamente possível. Nossa avaliação é de que ele foi um dos melhores diretores-gerentes do FMI. Tem feito excelente trabalho, coordenou os países na crise, foi muito ativo e importante na busca de uma solução.

Contou que quando Dominique Strauss-Kahn veio ao Brasil pedir nosso apoio para assumir o comando do Fundo, prometeu que na sua sucessão lutaria para que fosse derrubado o critério que estabelece que só um europeu pode ser o dirigente do FMI:

- É prematuro discutir a sucessão no Fundo e o Brasil torce para que tudo se esclareça em favor do Dominique, mas é preciso se estabelecer a meritocracia, que a pessoa que dirija o FMI seja escolhida por seus méritos e não por ser europeu. Ele é um europeu competente, mas há nomes também de países emergentes. Vamos batalhar pela meritocracia.

Outro assunto que conversei com o ministro foi a inflação e as pressões inflacionárias. Ele admitiu que o governo está preocupado, como toda a sociedade:

- Vivemos um surto mundial que atinge mais as economias aquecidas, como as emergentes. A inflação de commodities está recuando, mas nas economias que crescem mais o risco é de que a alta de preços seja difundida. No Brasil há a indexação que permanece. Mas nos últimos cinco anos a meta foi cumprida. Em 2010, a economia ficou muito aquecida, mas estamos desaquecendo. Estamos jogando água na fervura sem apagar o fogo.

Mantega admitiu que os juros altos o incomodam, mas afirmou que agora eles não podem cair.

O ministro Guido Mantega disse que no mês que vem o governo vai anunciar propostas e medidas para reduzir a carga tributária. Uma das principais decisões é a de desonerar a folha de salários para as empresas. A Fazenda já está conversando com os governadores para a redução do ICMS estadual. Ele garante que não se pensa em recriar a CPMF.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Na linha de frente
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

A berlinda em que se encontra Antonio Palocci deve acelerar um movimento para ampliar a exposição pública de Dilma Rousseff. Antes mesmo das revelações sobre a evolução patrimonial do chefe da Casa Civil, Lula já havia aconselhado sua sucessora a sair do gabinete. A agenda da presidente, em regra bastante reclusa, ficou ainda mais restrita em semanas recentes devido à convalescença da pneumonia.
Mesmo entre os maiores defensores de Palocci, há quem avalie que o episódio tem como efeito colateral escancarar o grau de dependência do governo -e da própria Dilma- em relação ao ministro.

Deixa quieto 

Um grão-petista observa: "Melhor não encrencar com esse negócio de evolução patrimonial do Palocci. Imagine qual será a do Lula daqui a um ano".

Atalho 
Com a Câmara embrenhada no Código Florestal, governistas discutem a possibilidade de jogar para uma MP em tramitação no Senado o capítulo sobre a mudança na Lei de Licitações para obras da Copa e da Olimpíada. Assim, os senadores discutiriam primeiro o mérito das mudanças. Se aprovado, o texto voltaria para a Câmara, que só poderia aprovar ou rejeitar tudo, sem fazer ajustes pontuais. Mas a reação à tentativa de gambiarra é grande.

Expertise 
Embora concursados em carreiras ligadas à educação, 30 funcionários que atuavam no escritório paulista do MEC, desativado ontem, serão deslocados para sedes regionais do Ministério da Agricultura, Advocacia Geral e Secretaria do Patrimônio da União.

Capilaridade 
Portaria do Ministério da Justiça publicada no "Diário Oficial" de hoje autoriza a Polícia Rodoviária Federal a receber armas de fogo, acessórios ou munição e emitir o protocolo referente à indenização, como parte da Campanha Nacional do Desarmamento. Nas próximas semanas, também ONGs serão credenciadas para fazer o serviço.

Estrela 
A despeito da anunciada recomendação para que adotasse baixo perfil em seu retorno ao PT, o tesoureiro do mensalão, Delúbio Soares, foi a atração em reunião ontem do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Jogo armado 
Embora formalmente a decisão caiba à Fifa, o Palácio dos Bandeirantes desconfia que o governo federal opera para retirar de SP e levar a Brasília a abertura da Copa de 2014. O diagnóstico, que já vinha se formando, foi fechado após reunião, sexta passada, na qual a Odebrecht informou que o estádio do Corinthians custará cerca de R$ 1 bi, e não R$ 650 mi, como anunciado até recentemente.

Sei lá...
Quando Geraldo Alckmin quis saber a razão de tamanho salto, o representante da Odebrecht respondeu apenas que o orçamento havia sido refeito.

...mil coisas 
Cada um em seu papel, o governador, o ministro Orlando Silva (Esporte), o prefeito Gilberto Kassab e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disseram não ter como financiar os R$ 350 mi adicionais. Esperado, Luciano Coutinho (BNDES) não compareceu.

PPP 
O governo paulista -que, desde o início do processo, afirmou a disposição de investir em transporte, não em construção de estádio- sente o cheiro de operação casada entre a empreiteira e o governo federal.

Tim-tim 

Em janeiro, num jantar na casa de Marcelo Odebrecht, todos os atores do encontro de sexta (mais Luciano Coutinho) celebraram a construção do "Itaquerão" por R$ 650 mi - e com financiamento público apenas do BNDES.

Pai da criança 
Para lembrar: foi Lula quem, em agosto passado, uniu Odebrecht e Corinthians no projeto do novo estádio.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Chegamos ao cúmulo de o Ministério da Educação comprar livros para ensinar errado. É política típica de um desgoverno."
DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DUARTE NOGUEIRA, sobre o MEC distribuir a 485 mil alunos o livro "Por uma vida melhor", que defende o uso da linguagem popular e admite erros gramaticais.

contraponto

Revolta do bioma


Durante a abertura de feira agropecuária em Ribeirão Preto, o apresentador elogiava Aldo Rebelo (PC do B-SP), herói dos ruralistas por seu relatório do Código Florestal. De repente, o homem engasgou e começou a falar fino, até se desculpar:
-Entrou uma mosca na garganta...
Um ambientalista brincou:
-Bastou falar no Aldo e veja só o que aconteceu. Acho que os insetos já estão vingando a natureza!

PRAGA

FERNANDO RODRIGUES - Palocci e o poder


 Palocci e o poder
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11
Brasília - Durante 16 anos, o Brasil foi governado com uma fórmula única. FHC e Lula, de 1995 a 2010, foram presidentes fortes. Pairavam acima dos seus ministros. No alto escalão, estimulavam fricções entre dois grupos de assessores com ideologias antagônicas.
Sob FHC, de um lado estavam José Serra, Sérgio Motta e outros desenvolvimentistas. Do outro, Pedro Malan, Gustavo Franco e Armínio Fraga. O presidente arbitrava quando necessário. Nunca houve uma prevalência completa de uns sobre os outros na Esplanada.
Lula começou seu governo em 2003 com uma troika: José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken. Havia divergência entre eles. Palocci logo desgarrou-se. Aliou-se ao pragmatismo do mercado representado por Henrique Meirelles no Banco Central. Sentado em sua cadeira presidencial, Lula fazia como FHC: arbitrava e mantinha o equilíbrio entre seus comandados.
Com Dilma Rousseff, essa configuração operacional do poder deixou de existir. Não há mais dois grupos de ministros igualmente poderosos disputando a implantação de um modelo de governança no país. Abaixo da presidente só há seu ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, quase um Richelieu com poderes plenipotenciários e muito acima dos demais colegas.
Não que tenha sido eliminada a dicotomia entre ministros. Longe disso. Eles continuam a divergir. Mas ninguém em Brasília enxerga um único colaborador de Dilma com o poder para sequer tentar se emparelhar a Palocci.
O ministro da Casa Civil teve um caminho suave até agora sob Dilma. Aí veio o solavanco provocado pela reportagem da Folha relatando seu aumento exuberante de patrimônio. Em política, ensina o ditado brasiliense, tudo o que tem de ser explicado não é bom. Mas explicação de menos também não é sempre a melhor tática. Palocci terá de usar seus poderes como nunca para ultrapassar o atual obstáculo.

SERGIO BERMUDES - Adevérbio não vareia


Adevérbio não vareia
SERGIO BERMUDES
O GLOBO - 18/05/11

Aepígrafe é atribuída a Pinheiro Machado, respondendo a um "bate com menas força", de Hermes da Fonseca, de dentro do gabinete presidencial, cuja porta o caudilho esmurrava. Talvez essa frase a aprovasse (aplauda-se o anacoluto, mas condene-se o eco) a autora do livro cuja distribuição foi noticiada pelo GLOBO (14/5). Segundo a reportagem, o tal livreco - "Por uma vida melhor", da coleção "Viver e aprender" - aceita que se fale "os livro" (no plural o artigo e no singular o substantivo), embora com o risco de "preconceito linguístico", que seria a reprovação da sintaxe inusitada. Vai além a autora. Considera corretas orações como "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe". Deus a perdoe e os demônios lhe levem os erros escancarados. Só se explicam atitudes desse tipo por parte de pessoas que, não conseguindo se projetar por alguma apreciável criação original, se empenham em se destacar pelo anômalo, coonestando, por exemplo, o aleijão vernacular, endossando o solecismo que, "realmente feio, é quase bestial", para repetir Camilo Castelo Branco, na sua esquecida polêmica com Carlos de Laet.

Conforme a matéria do GLOBO, a autora do livro afirmou que não se aprende a língua portuguesa "decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários". Parece que ela pretende queimar os léxicos, ainda que conformes com os alcorões da língua. O Ministério da Educação saiu do habitual torpor, para defender a sua afilhada. A nota do MEC diz que o livro estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade. Trata o alfarrábio como uma espécie de vacina que previne ou cura a moléstia, injetando no paciente o vírus que a provoca.

Urge responder a baboseira, reproduzida na reportagem, de que o ensino deve ser plural, com diferentes gêneros textuais e práticas de comunicação para que a desenvoltura linguística aconteça. É demasia pretender, nos dias correntes, que se escreva com a finura auditiva de Rui, crítico da frase "só pode", do projeto do Código Civil de 1916, porque "só pó estruge como o popocar de um foguete em meio à frase" ("Réplica", 43). Entretanto, não se deixe quem fala e sobretudo quem escreve sucumbir a um hediondo e chocante "houveram coisas terríveis", que Laet, na polêmica aludida, censurou em Camilo, o qual, depois de inconvincente justificativa, pretendeu esconder sua cinca em construções surpreendentes de clássicos como os portugueses Francisco Dias Gomes, Filinto Elísio e Ferreira Gordo. Evite-se o medonho "faziam" tantos anos, encontradiço em Machado de Assis que, como assinalou Rui Barbosa, nunca foi modelo de perfeita linguagem, apesar do estilo primoroso. A gramática normativa profliga a sintaxe que endossa o erro crasso de linguagem. É certo que Manuel Bandeira ("Evocação do Recife") chama a "língua errada do povo" de "língua correta do povo" porque "ele é que fala gostoso o português do Brasil", ao passo que "nós o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada". Mas será que o poeta concordaria com o professor que achasse correto escrever "no cais da Rua da Aurora os menino escondido ia pescar muitos peixe", ou barbarismos semelhantes?

Por conveniência ou apedeutismo, a autora do livro nunca suficientemente combatido foge da lição de que é preciso falar correto. Como ensina o linguista Otto Jespersen, citado por Celso Cunha e Lindley Cintra, na sua admirável "Nova Gramática do Português Contemporâneo", "falar correto significa o falar que a comunidade espera, e erro em linguagem equivale a desvios desta norma, sem relação alguma com o valor interno das palavras ou formas". A língua é um fenômeno social. Por isso, aceitam-se construções anômalas, que a comunidade concebeu pela necessidade de expressar-se com adequação e comodamente. Daí, as chamadas "elegâncias de linguagem", ou mesmo as figuras de construção, errôneas só na aparência, porém corretas no conteúdo, como os idiotismos (v. g., "nós é que somos patriotas"). Repugna, no entanto, à comunidade e, nela, até às pessoas de linguajar pobre, mais do que os preciosismos, a maneira estropiada de dizer, só usada na chula algaravia, tal como "os livro", "nós pega o peixe", "os menino pega o peixe". Perguntei à minha cozinheira, de primário incompleto mas arguto entendimento, o que achava da frase "menos é adevérbio e adevérbio não vareia". Ela reagiu com a exclamação que também me ocorreu, diante da notícia do livro temerário: "Santo Deus!" º

SERGIO BERMUDES é advogado e professor de Direito na PUC-RJ .

ANTONIO DELFIM NETO - Meritocracia


Meritocracia
ANTONIO DELFIM NETO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11
Há poucas dúvidas sobre dois fatos:
1º) Que a carga tributária bruta no Brasil é sempre maior do que a dos países com a mesma renda per capita. Trata-se do financiamento do processo civilizatório construído na Constituição de 1988, em que o país revelou preferir uma sociedade que proporcione igualdade de oportunidade para todos. Isso implica serviços de saúde e educação universais e gratuitos.
2º) Que, com toda evidência, o principal problema não é propriamente a alta carga tributária, mas o uso bastante ineficiente que se faz dela. Temos um Estado pesado, burocratizado, nepotista, lento e ideologicamente aparelhado, que se alimenta de uma centralização do poder frequentemente excessiva.
Se fosse necessária uma "prova" disso, bastaria lembrar que, nos últimos 16 anos, o PIB cresceu de 100 (1995) para 157 (2010), ou seja, 57%, enquanto o PIB apropriado e distribuído pelo governo (graças ao aumento do PIB e ao aumento da carga tributária) cresceu 94%, e o apropriado pelo setor privado, 42%.
Dada a evidente diferença de produtividade entre os dois setores, não é de estranhar que o PIB per capita cresceu 1,6% ao ano no período, mesmo quando se leva em conta o efeito positivo e civilizatório da melhoria da distribuição de renda. A crítica não é e não pode ser à política de distribuição, mas à sua administração.
Desde o início do governo Dilma, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) vinha sugerindo o programa de "fazer um pouco mais com um pouco menos".
Na última semana, ao anunciar a instalação da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, que será presidida pelo competente empresário Jorge Gerdau Johannpeter, a presidente colocou como prioridade na agenda do governo a construção de um "Estado meritocrático e profissional".
Seria bom lembrar que, há 2.200 anos, isso foi instituído por um imperador chinês que queria livrar-se do nepotismo que sempre acompanha aqueles que, pela força ou pelas urnas, colocam-se no poder.
Em 1937, tentou-se fazer o mesmo no Brasil com a criação do Dasp (Departamento Administrativo do Serviço Público), que prestou bons serviços até ser extinto em 1986, quando se organizou a Sedap (Secretaria de Administração Pública) em seu lugar. Houve uma tentativa de ativá-la no governo FHC, com o ilustre ministro Bresser-Pereira, mas as boas ideias foram dissipadas pela falta de vontade...
Parece que o início do processo será na melhoria do formidável, mas ainda ineficiente, SUS. Se funcionar (e não há razão para que não o seja), a presidente justificará o que disse em seu discurso: "Este é um momento fundamental do meu governo".

CLÁUDIO HUMBERTO



“Estou na reta final. Não tenho mais a doença”
PRESIDENTE DILMA SOBRE A PNEUMONIA CONTRAÍDA EM BRASÍLIA, MAS TRATADA EM SÃO PAULO

DILMA AMEAÇOU SUBSTITUIR PALOCCI POR PIMENTEL 
A presidente Dilma está tão convencida quanto o próprio Antônio Palocci que foi obra de “fogo amigo” a denúncia de que o ministro da Casa Civil aumentou seu patrimônio vinte vezes em quatro anos. Ela mandou um recado “ameaçador” aos deputados do PT-SP hostis a Palocci: a opção dela para a Casa Civil é o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), “inimigo nº 1” dos petistas paulistas insatisfeitos.

DOR DE COTOVELO 
Depois de Antônio Palocci, o mineiro Fernando Pimentel é o ministro mais próximo de Dilma, por isso virou alvo a ser abatido pelo PT-SP.

TUDO POR CARGOS 
Deputados petistas como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini lideram a insatisfação pelo não preenchimento de cargos no governo Dilma.

GARRAS EXIBIDAS 
Os petistas aos quais Dilma atribui o bombardeio contra Palocci impuseram a ela o deputado estadual Rui Falcão como presidente nacional do PT.

SILÊNCIO 
Dilma não era favorável ao retorno do ex-tesoureiro Delúbio Soares ao PT. Mas silenciou diante do movimento dos petistas para ressuscitá-lo.

CÂMARA DISCUTE VENDAS SUSPEITAS EM INFORMÁTICA 
Audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara vai discutir amanhã (19) uma questão que pode acabar na Polícia Federal: a exclusividade na venda de produtos de informática para o governo. O deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP) convidou executivos da IBM e quer entender, por exemplo, por que venda de produtos da Oracle só pode ser feita a governos por meio da Ação Informática Brasil Ltda, que fatura R$ 400 milhões ao ano sem grande esforço. E sem licitação.

NÃO ESTÃO NEM AÍ 
Cyro Diehl, presidente da Oracle, e Mauricio David Teixeira, da Ação Informática, decidiram ignorar o convite para a audiência pública.

DUPLA NO SAL 
Empresas sob suspeita devem ter o destino da Microsoft em questão idêntica: acusação de formação de cartel e abuso de poder econômico.

ENTENDIMENTO 
A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e o TCU já condenaram o modelo de venda agora adotado pela Oracle no Brasil.

CÂMARA INCORRIGÍVEL 
Na CPI do Pró-DF da Câmara Legislativa, criada para investigar o achaque a empresários interessados em implantar suas indústrias, o vice-presidente será Olair Francisco (PTdoB), um dos beneficiários, e o relator Aylton Gomes (PR), enroladíssimo na Caixa de Pandora. 

PAÍS RICO É OUTRA COISA 
O primeiro-ministro da Suécia, Frederik Reinfeldt, deve ter ficado chocado com Brasília. Ao contrário dos brasileiros, os políticos suecos não têm salários, nem mordomias, e Reinfeldt lava as próprias roupas.

DESOBEDIÊNCIA 
O juiz Álvaro Ciarlinni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, mandou ontem verificar se foi mesmo descumprida sua ordem de suspender as obras ilegais do home-center C&C (Casa e Construção), em Brasília. Os responsáveis estão sujeitos a prisão e a multa diária de R$ 100 mil.

MARCA DO PÊNALTI 
Depois de vê-lo outra vez desautorizado pelo presidente da Câmara, Marco Maia, o Planalto decidiu descartar Candido Vaccarezza (PT-SP) da liderança do governo na Câmara. É só uma questão de tempo.

OPOSIÇÃO NA FILA 
Caso o Tribunal Regional Eleitoral do DF condene Robério Bandeira, suplente do deputado distrital cassado Benício Tavares (PMDB), a vaga vai sobrar para o suplente do PSDB, Raimundo Ribeiro.

BALÃO DE ENSAIO 
Apeado da liderança do PT desde que passou a defender plantações de maconha em cooperativas, Paulo Teixeira (SP) resolveu ambicionar a presidência da Câmara. Só para chatear outro pretendente, Arlindo Chinaglia (SP), que assumiu a liderança de fato do partido.

MAMÃE EU QUERO... 
As bancadas do Acre, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins pretendem mudar o fato de não receberem um tostão dos royalties do petróleo. 

FUNDO DE GARRAFA 
O deputado Acelino Popó (PRB-BA) quer ter uma visão melhor do ringue político em que se meteu, em Brasília. Ontem à tarde, ele trocou as lentes de seus óculos por outras, mais fortes.

TRIUNFO DA IGNORÂNCIA 
O Ministério da Educação e o PT agora querem transformar o idioma de Lula, com seus erros grosseiros, no idioma do Brasil. 

PODER SEM PUDOR 
FALTA O INSTRUMENTO 
Durante reunião na Câmara dos Deputados, certa vez, após rasgar elogios à colega Maria do Rosário (PT-RS), o deputado Severiano Alves (PDT-BA) ressalvou:
– Faço isso pelo mérito da matéria, não estou puxando o saco da colega...
– E nem poderia – respondeu na bucha o deputado que presidia a sessão, Paulo Delgado (PT-MG) – já que a colega não dispõe deste instrumento...

QUARTA NOS JORNAIS

O Globo: Palocci diz que fez o mesmo que parlamentares e ex-ministros

Folha de S. Paulo: Ex-ministro vale muito no mercado, diz Palocci

O Estado de S. Paulo: Cinco ministros de Dilma têm empresas de consultoria

Correio Braziliense: Só falta a punição da Justiça

Valor Econômico: Perda de caixa preocupa indústria da construção

Estado de Minas: Voltar a viver

terça-feira, maio 17, 2011

AUGUSTO NUNES - A indignação dos brasileiros sensatos barra o avanço dos professores de ignorância



A indignação dos brasileiros sensatos barra o avanço dos professores de ignorância
AUGUSTO NUNES


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“Por que, em educação, todo mundo acha que conhece os assuntos e pode falar com propriedade? “, irritou-se a professora Heloísa Ramos. “Esse assunto é complexo, é para especialistas”. Segundo a autora de “Por uma vida melhor”, um linguista tem o direito de ensinar que falar errado está certo sem que ninguém tente defender o idioma e os estudantes. Feito o preâmbulo, Heloísa baixou o decreto: “Eu não admito mais que alguém escreva que nosso livro ensina a falar errado ou que não se dedica a ensinar a norma culta”.
Tão infeliz quanto a já famosa  ”Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”, abre-alas do desfile de absurdos patrocinado pelo Ministério da Educação, a frase foi pulverizada por quem trata o português com o carinho que lhe negam os demagogos da linguística. Três exemplos:
Merval Pereira, colunista de O Globo: “A pretexto de defender a fala popular como alternativa válida à norma culta do português, o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros, que terão efeito direto na sua vida na sociedade e nos resultados de exames, nacionais e internacionais, que avaliam a situação de aprendizado dos alunos, debilitando mais ainda a competitividade do país”.
Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras:“Discordo completamente do entendimento que os professores que fizeram esse trabalho têm. Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo, a outra é validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre 12, na periferia ou no palácio”.
Clóvis Rossi, colunista da Folha de S. Paulo: “Os autores do crime linguístico aprovado pelo MEC usam um argumento delinquencial para dar licença para o assassinato da língua: dizem que quem usa ‘os livro’ precisa ficar atento porque ‘corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico’. Absurdo total. Não se trata de preconceito linguístico. Trata-se, pura e simplesmente, de respeitar normas que custaram anos de evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras (…) Que os professores prefiram a preguiça ao ensino, já é péssimo. Que o MEC os premie, é crime”.
Suponha-se que um ex-aluno de Heloísa Ramos resolva dispensar a norma culta na defesa oral de uma tese de doutorado. Suponha-se que faça parte da banca examinadora algum sacerdote da seita que acredita que na linguagem popular, como nos piores bordéis, tudo é permitido ─ as regras só valem para a linguagem escrita. Suponha-se que o expositor decida começar a apresentação saudando os integrante da mesa e os professor presente.  Como reagiria o linguista do povo? Com aplausos e gritos de “bravo!”? Ou com um pedido antecipado de desculpas ao candidato a doutor condenado à reprovação?
Indiferente a exemplos do gênero, surdo ao coro dos sensatos, o MEC comunicou que não pretende recolher os exemplares distribuídos a 485 mil estudantes, jovens e adultos, pelo Programa Nacional do Livro Didático. A escolha das obras é feita por professores universitários, esclareceu um dos porta-vozes do subitamente silencioso Fernando Haddad. “Por uma vida melhor”, por exemplo, teve o aval de um grupo de docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É preciso respeitar o endosso da junta de acadêmicos.
O MEC vai acabar mudando de ideia por força de ações judiciais, previne a procuradora Janice Ascari, do Ministério Público Federal. Aturdida com o que leu, Janice mandou um recado em bom português aos editores e autores: “Vocês estão cometendo um crime contra os jovens, prestando um desserviço à educação e desperdiçando dinheiro público com material que emburrece em vez de instruir”. Os livro pode ser emprestado a quem os autor quiser. Mas os brasileiros que mantêm o juízo e cada plural em seu lugar não vão admitir o triunfo dos professores de ignorância.

LEANDRO COLLING - Desnaturalização da heterossexualidade


Desnaturalização da heterossexualidade
LEANDRO COLLING
Folha de S. Paulo - 17/05/2011

Para executar estratégias políticas que denunciem o quanto a heterossexualidade é compulsória, não podemos apostar só em marcos legais

O Dia de Combate à Homofobia, 17 de maio, é uma boa data para repensarmos as estratégias que utilizamos para desconstruir os argumentos dos homofóbicos.
As políticas de afirmação identitária, utilizadas para atacar as opressões contra LGBTTTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), negros e mulheres, para citar apenas alguns grupos, surtiram efeito e por causa delas podemos comemorar algumas conquistas. Mas, ao mesmo tempo, essas políticas são limitadas em alguns aspectos.
Além de afirmar as identidades dos segmentos que representamos, também precisamos problematizar as demais identidades. Por exemplo: LGBTTTs podem, se assim desejarem, problematizar a identidade dos heterossexuais, demonstrando o quanto ela também é uma construção, ou melhor, uma imposição sobre todos.
Assim, em vez de pensarmos que as nossas identidades são naturais, no sentido de que nascemos com elas, iremos verificar que nenhuma identidade é natural, que todos resultamos de construções culturais.
Dessa maneira, a "comunidade" LGBTTT passaria a falar não apenas de si e para si, mas interpelaria mais os heterossexuais, que vivem numa zona de conforto em relação às suas identidades sexuais e de gêneros (aliás, bem diversas entre si).
Para boa parte dos heterossexuais, apenas LGBTTTs têm uma sexualidade construída e problemática, e o que eles/as dizem não tem nada a ver com as suas vidas.
É a inversão dessa lógica que falta fazermos para chamar os heterossexuais para o debate, para que eles percebam que não são tão normais quanto dizem ser.
Ou seja: para combater a homofobia, precisamos denunciar o quanto a heterossexualidade não é uma entre as possíveis orientações sexuais que uma pessoa pode ter.
Ela é a única orientação que todos devem ter. E nós não temos possibilidade de escolha, pois a heterossexualidade é compulsória.
Desde o momento da identificação do sexo do feto, ainda na barriga da mãe, todas as normas sexuais e de gêneros passam a operar sobre o futuro bebê. Ao menor sinal de que a criança não segue as normas, os responsáveis por vigiar os padrões que construímos historicamente, em especial a partir do final do século 18, agem com violência verbal e/ou física.
A violência homofóbica sofrida por LGBTTTs é a prova de que a heterossexualidade não é algo normal e/ou natural. Se assim o fosse, todos seríamos heterossexuais. Mas, como a vida nos mostra, nem todos seguem as normas.
Para executar estratégias políticas que denunciem o quanto a heterossexualidade é compulsória, e de como ela produziu a heteronormatividade (que incide também sobre LGBTTTs que, mesmo não tendo práticas sexuais heterossexuais, se comportam como e aspiram o modelo de vida heterossexual), não podemos apostar apenas em marcos legais e institucionais.
Precisamos desenvolver, simultaneamente, estratégias que lidam mais diretamente com o campo da cultura, a exemplo de ações nas escolas, na mídia e nas artes.
O projeto Escola sem Homofobia, assim, não correria o risco de apenas interessar a professores/as e alunos/as LGBTTTs. Nesse processo, comunicadores e artistas também poderiam servir como excelentes sensibilizadores para que tenhamos uma sociedade que realmente respeita a diversidade. E a festeja como uma das grandes riquezas da humanidade.

LEANDRO COLLING, professor da Universidade Federal da Bahia, é presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura e membro do Conselho Nacional LGBT.

ANDRÉA FREITAS - Emplastro Brás Cubas


Emplastro Brás Cubas
ANDRÉA FREITAS
Valor Econômico - 17/05/2011

Se há consenso sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil, ele advém dos frequentes escândalos de corrupção associados à ausência de políticas públicas eficientes em setores básicos, como educação, saúde e tantos outros que afetam negativamente o dia a dia dos cidadãos. A crença difundida é que uma reforma política reformaria, literalmente, a política, ou a maneira de se fazer política no Brasil.

No entanto, grande parte das medidas em discussão tende a privilegiar o fortalecimento da organização partidária, ou seja, tende a concentrar poder nas instâncias internas dos partidos, aumentando o poder dos mesmos em sua relação com o Estado. Isso se dá em detrimento do fortalecimento da relação entre eleitor e representante, em uma palavra, da representatividade. É precisamente este o caso quando falamos da adoção da lista fechada - lista pré-ordenada pelos partidos nas eleições proporcionais -, do financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais e, mesmo, da adoção do sistema distrital, com a divisão dos Estados em pequenos distritos.

Não se muda a política reformando o sistema eleitoral
O fortalecimento dos partidos políticos é certamente o ponto a que mais se recorre para justificar a necessidade de uma reforma política. Mas o que isto significa? Se pensarmos a partir das propostas em discussão, basicamente significa conceder mais controle às lideranças partidárias sobre seus liderados. Mas o fato é que as lideranças já exercem forte influência sobre suas bancadas no parlamento, pois arbitram grande parte dos recursos capazes de garantir as chances de sucesso eleitoral de seus candidatos. Em poucas palavras, controlam os meios capazes de dar visibilidade aos políticos: definem qual parlamentar ocupará qual cargo na organização do Legislativo; quem tratará de matérias mais visíveis e quem ficará no limbo. Definem ainda aqueles que aparecerão no horário eleitoral gratuito, que candidato aparecerá ao lado do governador, do prefeito ou do presidente, ou do lado das lideranças melhor sucedidas nos palanques ou nos santinhos distribuídos em época de eleição. Reforçar essa lógica reformaria a maneira como se faz política no Brasil?

A reforma política, vendida como panaceia, nos termos em que está sendo discutida, não passa de uma reforma eleitoral. Independentemente das mudanças que venham a ser aprovadas, a maneira de se fazer política no Brasil não vai ser reformada apenas com modificações no sistema eleitoral.

Partidos fortes remetem à ideia de partidos programáticos que defendem políticas claras. A questão é que mudanças no sistema eleitoral não produzirão partidos políticos com raízes na sociedade, com bandeiras claras ou programaticamente consistentes. Assim, a propaganda que se faz da reforma é um engodo. Vende-se uma grande mudança que, na verdade, não muda nada, simplesmente porque as instituições, ou as leis, ou as regras a que estão submetidos os políticos não são mágicas.

Para termos partidos políticos mais representativos dos anseios da sociedade, seriam necessárias medidas que democratizassem as organizações partidárias. Medidas estas que garantissem maior participação dos filiados nas decisões sobre posicionamento político dos partidos e nas convenções partidárias, em especial, aquelas onde se decidirá quais candidatos serão apresentados ao eleitor.

A questão não é defender que tudo continue como está. Mudanças são necessárias, mas elas devem ser no sentido de dar maior transparência ao processo político. Dessa forma, o fim das coligações eleitorais nas eleições proporcionais, embora dificulte a vida dos pequenos partidos, traz avanços significativos na inteligibilidade do método de conversão do voto em cadeiras, torna mais fácil para o eleitor entender que ao votar em um determinado candidato ele está votando em toda a lista do partido, mas apenas daquele partido.

O movimento popular em prol da Lei da Ficha Limpa mostra claramente que o eleitor deseja mudanças no sistema político e almeja, principalmente, diminuir a corrupção e aumentar a transparência. Esses deveriam ser os objetivos a pautar uma reforma política, mas tais fins decerto não serão atingidos apenas mudando o sistema eleitoral, uma vez que não atacam as fontes principais dos problemas identificados.

Uma verdadeira reforma na maneira como se faz política no Brasil deve passar pela redução das estruturas do Estado, pela extinção de institutos e fundações que não produzem os resultados esperados; pela diminuição significativa do número de cargos comissionados, não só nos Executivos, mas também nos Legislativos em todos os níveis (federal, estadual e municipal); pela diminuição da burocratização excessiva, que fomenta desvios e tráfico de influência; pelo aumento da fiscalização sobre a aplicação do dinheiro público, no sentido de aumentar a eficiência de cada real gasto pelo poder público.

Todavia, nada disso se mostrará suficiente se não estiver associado à punição rápida e exemplar daqueles que comprovadamente cometem crimes contra o patrimônio público. O descrédito da classe política e o afastamento da sociedade do meio político são fruto da falta de punição àqueles que desviam verbas, superfaturam obras e se apropriam de maneira privada do poder público. É imprescindível uma reforma do Judiciário, que permita a este poder responder à sociedade aplicando a devida pena aos culpados. É preciso dar uma resposta ao eleitor a cada desvio comprovado do dinheiro público. Só uma reforma deste tipo pode ser nomeada como reforma política. Qualquer outra não é mais que um emplastro Brás Cubas.

Andréa Freitas é cientista política, pesquisadora do Cebrap e colunista convidada do Valor.

ANTONIO DELFIM NETO - Estado meritocrático e profissional


Estado meritocrático e profissional
ANTONIO DELFIM NETO
VALOR ECONÔMICO - 17/05/11

Para tranquilizar alguns espíritos muito preocupados com o fato de que nosso Banco Central adotou um certo gradualismo para enfrentar o grave e preocupante problema de inflação que ameaça a economia brasileira, talvez seja bom informar que o Banco da Inglaterra está fazendo a mesma coisa.

Na semana passada, o presidente (governador) daquele banco, Mervyn King, manifestou dúvidas sobre se deve sustentar inalterada a taxa de juro básica, a despeito da taxa de inflação ter saltado para 5% ao ano, uma vez que sua estratégia é reduzi-la a 2,4% só no fim de 2012. Em outras palavras: diante do forte ajuste fiscal proposto e aprovado pelo Parlamento (Coalition's Fiscal Estrategy), para reduzir até 2015 o fantástico déficit fiscal de 2010 (11% do PIB) para o nível de 2007, a política monetária deverá ser cuidadosa e acomodatícia para que a necessária redução da demanda do governo não agrave ainda mais a queda do PIB. O ajuste britânico é repartido entre um aumento de tributação de 23% e um corte de despesas de 77%. Como o aumento da tributação deve desestimular os investimentos, o programa inclui medidas microeconômicas para acelerar uma adequada realocação dos recursos por parte do setor privado.

Um fato curioso e de caráter quase anedótico. Mervyn King foi um dos subscritores do famoso manifesto assinado por 364 dos maiores economistas britânicos que afirmava que o ajuste fiscal e a política monetária promovidos nos anos 70 do século passado por Lady Thatcher, iriam ampliar a recessão e não produziriam uma redução da taxa de inflação, o que agravaria ainda mais a já dramática herança deixada pelo governo trabalhista. Como as estatísticas mostraram posteriormente, a inflação veio abaixo. E, "pior", os primeiros sinais de recuperação do PIB já estavam em andamento quando o manifesto foi publicado no "The Times"! A "salvação" é que os 364 erraram juntos, o que dissolveu o erro de cada um. Todos puderam, assim, agir sem remorsos como se nada tivesse acontecido. E continuaram fazendo "previsões"... Ah, do que foi capaz o keynesianismo hidráulico!

O novo exemplo inglês (o primeiro foi com Thatcher) confirma que os problemas fiscais (que não é o nosso caso) são melhor resolvidos quando enfrentados decididamente e a tempo. Isso não aconteceu, por exemplo, no Plano Real que deixou um resíduo contra o qual lutamos até hoje. Não pode haver dúvida de que é por isso que os papéis do Tesouro inglês continuam classificados como AAA e com os "spreads" normais, ao contrário de outros países que não têm a "sabedoria" política dos ingleses que nos momentos decisivos os leva à ação radical. Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda pagam o preço da indecisão produzida pela falta de uma organização política funcional.

A lição a tirar - também para o Brasil - é que, quando reduzimos a demanda governamental, devemos estimular os investimentos privados com medidas microeconômicas para evitar a queda do crescimento do PIB (e do emprego) abaixo de níveis razoáveis (no Brasil, seguramente, entre 4% e 5%). Isso não significa diminuir a quantidade dos bens públicos postos à disposição dos cidadãos (saúde, educação, segurança etc), mas aumentar a eficiência na sua produção. Esse é o objetivo do programa anunciado na sua posse pela ministra Miriam Belchior de "fazer um pouco mais com menos". Foi agora consagrado pela presidente Dilma na instalação, em 11 de maio, do Comitê de Política de Gestão, Desempenho e Competitividade, que será dirigido pelo conhecido e bem sucedido empresário Jorge Gerdau Johannpeter.

A presidente disse na cerimônia que é hora de enfrentar o desafio de transformar o Estado brasileiro e afirmou que o ato era um "momento fundamental do seu governo". Ela tem razão. Nada é mais importante para o desenvolvimento sustentado do Brasil do que a construção, nas suas próprias palavras, de um "Estado meritocrático e profissional". O World Economic Forum 2010-2011, mediu a competitividade internacional de 139 países. Enquanto nosso setor privado ficou em 39º lugar, o nosso setor público conseguiu a 130ª posição. No setor privado estamos no 3º decil da distribuição. No setor público pagamos o vexame de frequentar o 10º!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

ANCELMO GÓIS - Cena carioca


Cena carioca
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 17/05/11

No bafafá dos assaltos no fim de semana na Rua 18 de Outubro, na Tijuca, em que bandidos invadiram um apartamento, um dos reféns pediu abrigo a um vizinho. “Toc, toc, toc”, bateu na porta. Deu-se o diálogo:
— Quem é?
— É seu vizinho, o Fulano!
— De qual andar?
— Da cobertura!
— Tudo bem, mas... pra que time você torce?
— Sou vascaíno!
— Então, pode entrar!
Há testemunhas.

‘Nós paga’
 
A conta é de um escritor parceiro da coluna. Os 485 mil exemplares do livro polêmico em que o MEC defende a linguagem popular, mesmo com erros, renderam uns R$ 700 mil à autora e R$ 5 milhões à editora. Ou seja, falar errado pode. Só não pode é... errar nas contas.

Air Casablanca

Em dezembro, a Royal Air Maroc volta a operar no Brasil com três voos semanais. A empresa voou para cá até 1992, época em que os bacanas de lá descobriram o Rio e o consultório do mestre Pitanguy. 

Caso médico
Joãosinho Trinta, o grande carnavalesco, está no CTI de um hospital em São Luís com pneumonia dupla. O estado é grave. 

Piada de pregão 
Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI cuja candidatura ao governo francês naufragou, vai transferir seu título de eleitor para a Itália.
É que, no país do Berlusconi, assédio sexual dá voto.

Equador
Traduzido para dez idiomas, “Equador”, o best-seller do português Miguel Sousa Tavares, será reeditado mês que vem no Brasil pela Companhia das Letras. O título pertencia à concorrente Nova Fronteira.

Bolha imobiliária
A disparada de preços no mercado imobiliário brasileiro chegou aos shoppings. Há lojista pagando entre 20% e 50% a mais, além do IGP-M, para renovar o aluguel da loja. 

Segurança na Copa A Universidade Estácio de Sá lançou em 11 das 12 cidades-sede da Copa de 14 um curso de segurança em grandes eventos. No corpo docente, há policiais israelenses e especialistas brasileiros em segurança. 

Navio à vista
O Fundo de Marinha Mercante decidiu ontem desembolsar R$ 2,7 bi para o estaleiro OSX, que Eike Sempre Ele Batista construirá no Norte do Rio.

Luciano é o homem 
A Câmara de Comércio Brasil- Reino Unido dá hoje a Luciano Coutinho o título de Homem do Ano. O jovem banqueiro André Esteves fará a saudação ao presidente do BNDES. 

Boemia de luto

A Paulistinha, pé-sujo histórico da Rua Gomes Freire, no Centro velho do Rio, último reduto da boemia carioca que ainda vendia sacanag em (aquele palitinho com salsicha, provolone, cebola, tomate e pimentão), fechou as portas. Foi abatido pela concorrência
dos bares modernos da Lapa. 

‘Down no society’
Não se fala em outra coisa entre as madames da Barra, no Rio. Dias atrás, no lançamento da coleção da joalheira Rosa Leal, no
restaurante Gabiano, sumiu um par de brincos de R$ 20 mil. Rosa deu queixa na 16a- DP, e a polícia checou as imagens das câmeras de segurança. 

Segue...
As imagens mostram a larápia vip, que havia comprado uma pulseira, levando os brincos. Rosa foi à casa da mão-leve, que, para evitar escândalo, devolveu a joia furtada e a pulseira, que ainda não havia pagado. 

Selo de Paes 
Eduardo Paes vai criar o selo Rio Sem Preconceito para comerciantes que respeitam os gays em seus estabelecimentos.

Freire e Liszt

Amanhã, Nelson Freire lança seu novo CD, dedicado a Liszt, na Travessa de Ipanema. 

Vanessa Rita 
Sábado, num voo da TAM do Galeão para Curitiba, um passageiro não se conteve com presença tão ilustre e exclamou: “Maria Ritaaaa! Você canta muito bem! Me dá um autógrafo?!” Era Vanessa da Mata.