terça-feira, maio 17, 2011

XICO GRAZIANO - Charada florestal


Charada florestal
XICO GRAZIANO
O Estado de S.Paulo - 17/05/11

Lembrei-me da palavra, recorri ao dicionário do Aurélio e lá encontrei: "Espécie de enigma, linguagem obscura, embaraço, problema". Na hora pensei: encaixa-se na votação do Código Florestal. Alguém consegue decifrar essa charada?!

Tarefa difícil. Basta ver o imbróglio formado lá no Congresso Nacional. Durante duas semanas suas excelências bateram cabeça discutindo o relatório do deputado Aldo Rebelo. Quando tudo parecia estar resolvido, encrencaram entre si e suspenderam a votação. Por duas vezes.

Três Ministérios - os da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário - fincam pé em suas convicções, impedindo que se atingisse uma posição comum. Escalado para intermediar a encrenca, o ministro da Casa Civil ora pende para a agricultura, depois banca o meio ambiente, defende a agricultura familiar, conversa, tergiversa e, enfim, se cala. O governo nada define.

Os ambientalistas, puxados pelos mais radicais, apregoam o desastre ecológico. Alardeiam que a mudança no Código Florestal desgraça trará, no aumento do desmatamento, nas enchentes, no aquecimento global, quase o fim do mundo. "Desliguem a motosserra", bradam os ecoterroristas.

Acostumados secularmente a derrubar árvores para plantar, os ruralistas tradicionais seguem em sua toada produtivista. Dizem que a população precisa de comida, senão a fome vai aumentar, empregos serão desperdiçados, a renda sufocará o desenvolvimento. "Deixem-nos produzir em paz", gritam os agrodevastadores.

O tiroteio verbal que opõe o velho ruralismo ao ambientalismo radical confunde os jornalistas. Afeta a imprensa, porém, um viés urbanoide, aquele que teima em tratar o campo sob uma visão preconceituosa, distorcida. Desgraçadamente, dá cartaz meter a bucha nos fazendeiros.

Nessa guerra de informação, o cidadão interessado no assunto continua em dúvida. Onde está a razão? Afinal, a mudança no Código Florestal vai melhorar ou piorar a proteção das matas virgens no País?

Eu respondo: nem um, nem outro. O relatório final apresentado por Aldo Rebelo pouco altera os critérios que regulam a derrubada das florestas nativas. Além do mais, o odioso desmatamento ocorre à margem da lei, de forma clandestina, quase sempre mancomunado com a corrupção que cega os órgãos públicos. Caso de polícia ambiental.

De onde vem, então, a gritaria ambientalista? A nervosa reação surgiu quando o deputado relator propôs, inicialmente, reduzir pela metade as áreas de proteção permanente (APPs) na beirada dos pequenos rios, que cairiam de 30 para 15 metros. Uma temeridade.

Após grita geral, nova versão da proposta deixou claro que tal redução somente valerá naquelas áreas já desmatadas, cuja vegetação teria de ser recuperada. Entender esse ponto é essencial. O agricultor cuja margem de rio estiver florestada não poderá suprimir a vegetação ali existente na faixa de 30 metros. O desmatamento continua proibido.

Mas se ele - caso da maioria absoluta dos pequenos produtores rurais - estiver cultivando até perto da água que trespassa a propriedade, terá de recuar sua produção da margem e revegetar uma faixa de 15 metros. Prestem atenção: nessa charada florestal, a expressão correta é "recuperação ambiental", não se trata de desmatamento. Aqui está a saída do impasse.

A recuperação da mata ciliar expressa o desejo antigo dos agrônomos que defendem a modificação do Código Florestal. Acontece que a exploração agropecuária avançou desmedidamente sobre áreas lindeiras de nascentes e córregos, depauperando-as. Esse equívoco histórico da produção rural nos trópicos exige uma solução inteligente.

Nem toda ocupação nas áreas de preservação - várzeas, encostas, topos de morro ou matas ciliares - é degradante do solo. Basta ver os arrozais gaúchos, os cafezais da Mantiqueira, as macieiras de São Joaquim (SC) ou a pecuária leiteira alhures. Por outro lado, arar terra até a beirada do córrego para plantar canavial, ou qualquer outra cultura, é inaceitável. Um exagero.

Afigura-se excessivo, impraticável, no entanto, querer eliminar todos os terrenos de produção existentes nas APPs, exigindo a volta das matas. Quem defende tal regra deveria também lutar para extinguir a Avenida Paulista, instalada em topo de morro. Ou derrubar o Palácio da Alvorada, construído na mata ciliar do Lago Paranoá. Não faz sentido.

Talvez, é verdade, muitas dessas áreas de produção rural não devessem ter sido ocupadas no passado. Mas as cidades também não poderiam ter-se expandido como o fizeram. A virtude, todos sabem, mora no caminho do meio. É razoável permitir que se continue produzindo em parte dessas "áreas consolidadas", utilizadas há décadas. Salvo quando houver dano ou risco ambiental relevante. Vale na roça como na urbe.

No caso das reservas legais, a situação é semelhante. A grande maioria das propriedades rurais suprimiu a vegetação original dessas áreas (entre 20% e 80%, conforme a localização), que, segundo o Código Florestal, deveria ter sido preservada. Primeiro, pela simples razão de que as fazendas foram abertas antes de 1965. Segundo, porque a lei era pouco cumprida até 15 anos atrás, quando o tema do desmatamento ganhou as manchetes nacionais.

Hoje, com a crise ecológica mundial e o avanço da tecnologia agropecuária, abrir floresta virgem virou desgraça. Antes, porém, empurrava o desenvolvimento socioeconômico. O "passivo ambiental" acumulado no processo civilizatório, portanto, não onera só o agricultor, mas pertence a toda a sociedade. Ninguém tem "culpa" nessa história.

Um tripé deve fundamentar o novo Código Florestal: favorecer a compensação ambiental, consolidar a agricultura sustentável e travar o desmatamento. Sem anistiar os bandidos ambientais.

GOSTOSA

ARNALDO JABOR - Obama x Osama


Obama x Osama
ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo 17/05/11

Não consigo me esquecer de uma fotografia de 40 anos atrás, onde a família Bin Laden posa, felicíssima e unida, numa viagem de férias a Estocolmo. Estão encostados num carro de luxo, pais, tios, primos, moças e moços, joias e roupas caras, todos alegres milionários sauditas curtindo o Ocidente e, no meio deles, o Osama, sorridente, eufórico mesmo, de roupa ocidental, portando um Rolex. Aquele menino feliz ia virar o comandante do terror.

Não sei o que fez Osama mudar tanto, mas não consigo acreditar em seu puro fanatismo religioso. Osama era muito mais que um adorador de Alá. Para nós é muito fácil demonizá-lo, xingá-lo, para que ele vire um aborto, um trambolho primitivo que atacou nossos caros valores civilizados. Mas, não; Osama era rico e civilizado também e, como disse o escritor Fernando Savater, "um triunfo sinistro da sacrossanta iniciativa privada. (...) ele e seus seguidores são apenas a expressão dos males que nosso próprio sistema engendrou".

Não cabe aqui fazer análise dos traumas do Osama, um retrato freudiano do homem. Osama continua sendo um enigma. Homem bonito, narcisista, seu sorriso calmo passava a impressão de que "não" era de submissão a Deus. Ele se achava um profeta fundador, e, mais que isso, nem sei se ele realmente acreditava em Deus. Osama bin Laden era chamado por seus fãs pelos seguintes nomes: "O Príncipe", "O Emir", "O Diretor"... e ele passava com seus mantos, elegante, com olhos e sorrisos discretos e "ocidentais".

O escritor inglês Martin Amis escreveu um texto fantástico sobre os últimos dias da vida de Muhammad Atta, o líder do ataque às torres de setembro, e descobriu que o engenheiro formado na Alemanha não era crente e não lutava por razões políticas. Amis conclui que Muhammad Atta queria conhecer o "impensável", queria sentir o "instante final", os centímetros antes da colisão do avião com a torre. Atta queria viver o inominável - uma espécie de terrorismo metafísico.

Pois, acho que Osama é por aí... Ele não quis apenas matar milhares de inocentes para semear com seus corpos o que sempre sonhou - um novo califado islâmico, onde ele seria, claro, o sultão, o Harum al Rachid.

Mais que isso, ele queria interromper, arrebentar o tempo ocidental. O Islã não quer movimento, progresso - quer o imóvel e o eterno. Osama morava fora da História, contemplando-a com ódio e fascinação lá da eternidade desértica de sua terra. Osama invadiu a história ocidental para desmoralizá-la, ridicularizar nossas ilusões de continuidade, de lógica, de finalidade. Osama atacou a contemporaneidade com um estilo bem "contemporâneo". Ele trouxe o "intempestivo" para o início do século 21 que, achávamos, seria confortável, seguro, controlável.

Eu estava lendo um ensaio do filósofo italiano Giorgio Agamben - O Que É o Contemporâneo? - e encontrei ali algumas pistas tiradas de Nietzsche em sua segunda Consideração Intempestiva -, talvez seu texto mais próprio para nos definir hoje.

E Nietzsche sentencia: "Minha "consideração intempestiva" procura compreender que aquilo do qual uma época se orgulha, isto é, sua cultura histórica, pode ser um mal, um inconveniente, um defeito". Nietzsche situa sua exigência de atualidade, de contemporaneidade, numa desconexão, numa dissociação em relação ao presente. A contemporaneidade é uma singular relação com o próprio tempo, que adere a este e, ao mesmo tempo, dele toma distância crítica. Barthes diz também ali: "O contemporâneo é o intempestivo". Osama nos trouxe esta consciência súbita e terrível; como um filósofo armado, um pensador-bomba, ele bagunçou nossa ordem jurídica internacional, nossa ideia de compaixão, fraturou éticas em que nos amparávamos. A história em que tanto confiávamos, pois seguia um ritmo linear, sucessivo, mudou de face. Os fatos perderam a solidez - só temos hoje expectativas. Ele trouxe de volta o que estava faltando ao Ocidente, desde o fim da guerra fria: o medo, a pulsão de morte que andava escondida, sublimada nos filmes e nos "hambúrgueres".

Osama fez seu ato parecer uma catástrofe da natureza, como um terremoto. E o mais estranho é que, depois dele, tudo piorou, como uma aliança vingadora de Alá com a natureza. Osama nos fascina também porque ele foi um "sujeito da História", como os marxistas diziam antigamente.

Mas, no fundo de tanto fanatismo e sonhos religiosos havia, creio, uma imensa vaidade. Osama queria ser uma celebridade, e não apenas no Oriente. Sucumbiu à vaidade de ser um superstar.

Naquela foto da Suécia (ou Dinamarca?), lá no sorriso feliz, no relógio de ouro, estava a pista de seu projeto narcísico.

Não tinha a humildade triste e suja dos fanáticos comuns; não queria se rojar ao chão com o rabo para cima em direção a Meca.

Ele queria desfilar sua elegância e seus lábios bonitos e sua barba macia e tingida.

Ele se sentiu, com razão, um verdadeiro Maomé, pois nunca um homem sozinho mudou tanto o mundo, com nada, com as armas do Ocidente. Ele inaugurou a Época da Normalidade Perdida, como nomeou Martin Amis e nos legou a imagem das torres caindo por toda a eternidade; ele fez a mise-en-scène de um dos mais marcantes momentos dos séculos, como a queda da Bastilha, o fim do império romano, sei lá... Osama é diferente de Kadafi ou Assad. Ele não queria poder político; queria reinar sozinho no "nada" que criou.

Era um "nada" estético, a anulação de tudo que não fosse seu projeto, como o sonho estético de Hitler para o milênio e, como ele, totalitário, anti-individualista (para os outros) e irracional.

Obama aprendeu com Osama que tinha de fazer também algo impensável. Foi brutal com os islâmicos, que agora reclamam que ele deveria ter sido mais "ético" e ocidental. Obama copiou Osama e foi "intempestivo", cruel e implacável. E, na minha opinião, fez muito bem, porque sua decisão transgressiva promete mil avanços para nós, principalmente impedir a volta dos bushistas ao poder. Já imaginaram Newt Gingrich de presidente? Em meio a uma história revirada, com o mundo perplexo e sem soluções, isso por si só justifica o ato de Obama.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Bicho do atchiiim
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 17/05/11

O Brasil pretende aplicar R$ 350 milhões, até 2012, na ampliação da fabricação de vacinas. Para se ter uma ideia, em toda a América Latina somente o Instituto Butantã tem medicamento deste tipo contra gripe. A informação foi dada à Margaret Chan, da OMS, por Alexandre Padilha, em reunião domingo, em Genebra. O ministro da Saúde quer incluir o Brasil no grupo de países top na identificação de vírus e criação de vacinas contra a gripe.

E na mesma conversa, convenceu Chan a participar da Conferência Mundial sobre os Determinantes Sociais da Saúde, que acontecerá no Rio, em outubro.

Óculos neleAlém da votação do Código Florestal, há mais uma razão pela qual Dilma ainda não anunciou Mendes Ribeiro como líder do governo no Congresso.

O deputado fez uma cirurgia nos olhos e está sofrendo forte reação de... inchaço.

Reconhecimento
Muito se falou que Roberto Minczuk, da OSB, receberia carta de protesto dos músicos da Royal Liverpool Philharmonic durante os dias em que regeu três concertos. Ela realmente chegou às mãos do maestro, por meio de um spalla. Mas com texto diferente do esperado: registrou-se ali que os músicos da orquestra adoraram tocar com ele.

E mais. No concerto de domingo à tarde, ao pedir que os integrantes se levantassem para receber os aplausos, eles permaneceram sentados, aplaudindo... Minczuk.

SOS Verde
Em meio à confusa votação do Código Florestal no Congresso, a SOS Mata Atlântica comemora 25 anos quinta, com coquetel para convidados. Na festa, os que fizeram e fazem parte de sua história contarão detalhes sobre o surgimento e grandes momentos da fundação.

Já no sábado, haverá evento aberto no Ibirapuera.

Mercado em altaSão Paulo consolida-se, a cada ano, como o principal mercado de arte da América Latina. Foi um sucesso a SP-Arte, com presença de representantes de museus do mundo inteiro, curadores internacionais, compradores da Tate Modern, da Sotheby"s etc.

Fator novo: entrada do Fundo de Arte BGA-Plural comprando firme por meio de Heitor Reis.

Passe livre

Boa notícia para portadores de deficiência física e mental de São Paulo. Depois de dois anos de briga, a SP Trans assinará um Termo de Ajustamento de Conduta com a Defensoria e o Ministério Público. O acordo prevê passagem grátis para os comprovadamente doentes.

A espera por perícia médica e renovação do bilhete também será diminuída.

Peixe na tela

A vitória do Santos, anteontem, foi captada pelas lentes das cineastas Kátia Lund e Lina Chamie. Motivo? Elas preparam três documentários sobre o time da Vila Belmiro para a produtora Canal Azul.

O primeiro será sobre o centenário do clube, a ser completado no ano que vem.

De camarote

Saiu melhor que a encomenda. Jorge Pagura, que não havia conseguido convite para a final do Paulistão, anteontem, na tribuna da Federação Paulista, foi parar em um camarote de autoridades. Ciceroneado por Marco Polo Del Nero.

O secretário estadual de Esportes, corintiano de carteirinha, até troféu de vice entregou ao Timão, representando Alckmin.

Meeeeeengo

Em pouco mais de dois meses no ar, a página do Flamengo no Facebook ultrapassou a marca de... 500 mil simpatizantes.

Meu Brasil brasileiro

Laura Ballance, baixista da Superchunk, banda que se apresentou na Virada Paulista no fim de semana, mostrou-se expert em música brasileira. Num almoço regado à bife, farofa e vinagrete, confessou saber de cor muitas canções de... Cartola.

Na frente

Gui Deucher acrescenta mais uma loja a seu sofisticado portfólio: a da Poliform. Que abre hoje, nos Jardins, com coquetel em torno do italiano Franco Galli.

Claudia Melli está organizando exposição própria na galeria Eduardo Fernandes.

Mario Telles Jr. comanda palestra e degustação de vinhos. Hoje, no Baby Beef Rubaiyat da Faria Lima.

O grupo de câmara Concilium Musicum de Viena se apresenta pela primeira vez no País. Na temporada do Mozarteum Brasileiro. Hoje e amanhã, no Teatro Alfa.

Acontece hoje a abertura da exposição sobre Vieira da Silva e Arpad Szenes. No Instituto Tomie Ohtake.

"XOCADOS"? APENAS MAIS UM LADRÃO PETISTA

MÔNICA BERGAMO - PÚBLICO-ALVO


PÚBLICO-ALVO
MÔNICA BERGAMO 
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/05/11

Um dos eixos do programa contra a miséria que Dilma Rousseff lançará em breve prevê a criação de linhas de microcrédito para o empreendedor individual, que fatura até R$ 36 mil por ano. A medida pode envolver instituições como o Banco do Brasil e a CEF. O Sebrae entraria com as garantias.

PORTA DE SAÍDA
Uma pesquisa do governo compartilhada com o Sebrae mostrou que 80 mil beneficiários do Bolsa Família são também empreendedores individuais que ainda não deixaram o programa porque não têm segurança de que seu negócio vai empinar. São pessoas que tentam se firmar em profissões como carpinteiro, engraxate, pipoqueiro, costureira, pedreiro, motoboy, sorveteiro, tatuador e verdureiro, entre outras.

RECIBO

O ministro Fernando Haddad, da Educação, bateu o martelo: o governo passará a vincular a isenção fiscal dada a universidades que participam do ProUni ao preenchimento das bolsas oferecidas nas instituições. A ideia é reduzir o número de vagas ociosas e evitar que a União pague pelas que não são preenchidas. Em 2010, a ociosidade chegou a 40%.

RECIBO 2

Haddad diz que os estudos, feitos em conjunto com a Receita, mostram que a medida é suficiente para combater o problema. Muitas vezes, diz ele, as universidades criam barreiras injustificáveis que dificultam o ingresso do aluno na escola.

MUDANÇA TOTAL
Gabriel Chalita também mudou de editora. Ele assinou com a Planeta. Lançará um livro inédito em junho e outro em outubro.

BOLSÃO

O Jockey Club arrecadou R$ 2,7 milhões com as apostas do Grande Prêmio SP, 17% a mais que em 2010. Parte do dinheiro pagará multa de R$ 250 mil aplicada pela prefeitura por anúncios e outdoors usados na campanha pela presidência do Jockey em 2008.

COELHINHA GALISTEU
As negociações entre Adriane Galisteu e a "Playboy" para a loira estrelar a edição de aniversário da revista avançam. "Faltam algumas coisas, mas estamos, sim, conversando e quase lá", diz Galisteu. A apresentadora de 38 anos foi capa da publicação em 1995. No célebre ensaio, ela aparece em uma foto se depilando.

OITO VEZES BOLSONARO
O deputado Jair Bolsonaro será notificado de mais uma representação contra ele na corregedoria da Câmara. É a oitava desde que ele deu entrevista ao "CQC" com conteúdo considerado racista. A ação é da Câmara dos Vereadores de Salvador.

BEM DEPOIS
A avalanche contra Bolsonaro faz com que o caso se arraste. A cada representação, a corregedoria tem que abrir novo prazo de cinco dias úteis para ele se defender.

ATALHO
E hoje o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se reúne com o líder do PT no Senado, Humberto Costa, e com o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) para discutir texto alternativo ao projeto que criminaliza a homofobia. A proposta defendida por Marta Suplicy, acreditam, não tem chance de ser aprovada.

DE QUEM?
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) enviou ao Banco Central pesquisa de práticas abusivas por parte das operadoras de cartão de crédito. Resposta: "Não cabe ao BC fiscalizar o cumprimento das normas de defesa do consumidor pelas instituições financeiras, nem puni-las em razão de seu eventual descumprimento".

ARRUDA PARA DAR SORTE
A cantora Rosemary se apresentou no jantar de aniversário do consultor de etiqueta Fábio Arruda, no apartamento de Marlene e Eloy Tuffi, nos Jardins. Passaram por lá a produtora teatral Lulu Librandi e a apresentadora Ana Hickmann.

ABSORVENTES

Um corredor de embalagens de absorventes higiênicos, penduradas em fios que caíam do teto na entrada do Buddha Bar, na Daslu, separava 60 fãs de Miley Cyrus, 18, a Hannah Montana, de sua musa na noite de domingo. Eles foram sorteados pelo fabricante do produto para terem um encontro privilegiado com a cantora, que um dia antes levou 17 mil fãs ao Anhembi.

O mineiro William Rodrigues, 17, foi um dos primeiros a chegar. Com dinheiro "que minha mãe me dava e mais um pouco que eu ganhava de trabalhos de digitação", ele comprou 200 pacotes de absorventes para tentar ser sorteado pelo código de barras do produto. Vitorioso, distribuiu os mais de 2.000 absorventes para amigas, mas manteve em casa uma caixa "para guardar de recordação".

A carioca Maiara Oliveira, 18, venceu com seis pacotes. Dispensou os pais e levou duas amigas para a festa, que esperavam a chegada de Miley no balcão do bar.

Miley surgiu às 21h. Choro. Empurra-empurra. Ela sai, escorada em quatro seguranças. Do palco, um homem diz pelo microfone: "Vamos parar de bagunça senão a Miley não volta! Vocês vão se machucar!". A ruiva retorna. As fotos, que eram tiradas com cada fã, passaram a ser feitas com grupos de cinco.

Ela sai em dez minutos. A festa começa a esvaziar. "Foi demais! Falei "Oh my Gosh!" [Ó, meu Deus!] e a Miley respondeu "Thanks" [Obrigada]. Quase desmaiei!", diz Gabriela Rocha, 14.

CURTO-CIRCUITO

Tom Figueiredo lança hoje "O Perseguidor", da coleção Estante Policiais Paulistanos, da Global Editora. A partir das 19h30, no bar Canto Madalena, na Vila Madalena.

Arnaldo Antunes, Seu Jorge e Vanessa da Mata se apresentam no festival MPB Total no domingo, na Arena Anhembi. Classificação etária: 16 anos.

O site sobre o Código de Processo Civil do Ministério da Justiça foi encerrado ontem com 11 mil visitantes únicos e 2.500 comentários. O resultado será levado ao Congresso.

O Armazém Piola abre hoje, às 18h, a mostra "Alvinegros", com fotos das finais do Campeonato Paulista 2011, entre Santos e Corinthians.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

JOÃO PEREIRA COUTINHO - Sorrisos de orelha a orelha


Sorrisos de orelha a orelha
JOÃO PEREIRA COUTINHO
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/05/11

A "secularização" da felicidade não terminou com nossas infelicidades: aumentou-as


QUE SE passa contigo, Brasil? Leio e pasmo: o país da alegria está afundado em tristeza. O periódico médico "Lancet" investigou. Sentença: as doenças mentais são as principais responsáveis pelos anos de vida perdidos no país devido a maleitas crônicas.
Depressão. Psicoses. Dependência de álcool. Em São Paulo, um em cada dez adultos está na fossa. Será que Nelson Rodrigues tinha razão quando dizia que a maior forma de solidão é a companhia de um paulista?
Os especialistas avançam com explicações científicas para apaziguar o abismo. Existem causas bioquímicas, que antigamente eram difíceis de diagnosticar ou tratar. Existe uma longevidade humana que aprofunda os problemas mentais.
Certo, tudo certo. Mas posso sugerir ao leitor deprimido um dos mais importantes livros sobre a nossa desgraçada condição?
Pascal Bruckner escreveu-o, e o título diz tudo: "A Euforia Perpétua - Ensaio sobre o Dever de Felicidade" (ed. Bertrand).
Não, não é um livro sobre o Brasil e a imagem solar e carnavalesca para consumo turístico. É um livro sobre a natureza da felicidade no Ocidente pós-moderno, o que implica uma comparação com o Ocidente pré-moderno.
Regressemos à Idade Média. E perguntemos aos nossos antepassados o que significava a felicidade para eles. A resposta oscilaria entre o riso e a estupefação. Felicidade? Para homens que transportam o pecado sobre o lombo e se arrastam por um vale de lágrimas?
A vida é passagem. Se felicidade existe, ela existe do outro lado: esse momento redentor em que, pesadas as virtudes e os vícios, somos contemplados com o paraíso perdido.
Explica Bruckner que o iluminismo alterou profundamente essa concepção ao remeter o divino para o seu diminuto, ou nulo, papel. A construção da felicidade passou a ser terrena, dependendo de mãos terrenas e não dos caprichos de uma divindade julgadora.
O problema é que essa "secularização" da felicidade não terminou com as nossas infelicidades. Aumentou-as significativamente ao transformar a felicidade em direito e, de forma crescente, em dever.
Hoje, não queremos apenas ser felizes. Sentimos a obrigação esmagadora de o ser: de acumular os objetos, as experiências e as aparências de uma utopia pessoal tão devastadora como as utopias coletivas do passado.
Nós e apenas nós somos os autores do nosso próprio roteiro. Falhar é falhar sem desculpa: "O paraíso terreno é onde eu estou", dizia Voltaire. O inferno também, digo eu. Mas como lidar com as chamas da infelicidade quando me prometeram tudo e um pouco mais?
Não é por acaso, explica Pascal Bruckner, que somos a primeira civilização que se sente infeliz por não ser feliz; no fundo, a primeira civilização para a qual a tristeza e a dor, a doença e a decadência, a velhice e a morte são vistas como aberrações que não estavam no programa.
E essas aberrações são tratadas como aberrações: proscritas por uma sociedade de euforia perpétua.
Infelizmente, uma sociedade de euforia perpétua só pode gerar perpétuos hipocondríacos, avisa Bruckner: gente obcecada com o estado do corpo e da alma, e que vai ao tapete ao mínimo sinal de alarme. Quem vive para um único fim perfeito não pode tolerar uma multidão de momentos imperfeitos.
Ilusões. Agônicas ilusões. Porque nem todo o poder dos homens foi capaz de extirpar as misérias humanas; perversamente, o que a modernidade fez foi abolir a sua expressão pública, uma forma de as remeter para canais esconsos, silenciosos, invisíveis. Como um vulcão em atividade dormente que explode no dia em que o sorriso petrifica.
O ensaio de Pascal Bruckner, ao analisar os descontentamentos das sociedades afluentes, de que o Brasil é agora um representante excelso, não é uma apologia da tristeza; muito menos de um regresso à medievalidade cristã, como se isso fosse razoável ou desejável. "O fato de nem tudo ser possível", escreve o autor, "não significa que nada é permitido".
Na verdade, muito é permitido. Mas a única forma de domar a "euforia perpétua" passa por entender que a felicidade não é um direito nem um dever; a felicidade é, quando muito, a decorrência contingente de uma ambição mais modesta e que, à falta de melhor palavra, se designa simplesmente por viver.

O CAMINHO PARA O CÉU

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Aquele abraço
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/05/11

Cheio de contas a acertar com o governo e sabedor dos sentimentos mistos que Antonio Palocci desperta em seu próprio partido, o PMDB resolveu sair na frente na defesa do chefe da Casa Civil, que teve o salto patrimonial exposto em reportagem da Folha. Da Rússia, onde estão em missão oficial, o vice Michel Temer e o líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), cuidaram de "expressar confiança" ainda no domingo, antes de qualquer manifestação petista.
Com o Congresso já mais indócil do que na largada do mandato de Dilma Rousseff, o PMDB tem a esperança de sensibilizar Palocci para suas demandas.

Caldeirão 

Neste momento: 1) o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), está desgastado com a oposição, acusado de quebrar acordo na votação do Código Florestal; 2) o PMDB não retirou a ameaça de obstruir tudo até o código ser apreciado; 3) o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), está em viagem; 4) há duas MPs vitais para o governo que caducam em 1º de junho.

Pensando bem 

Tudo somado, um deputado da base analisa: "É bom. Quem sabe assim eles percebem que somos necessários".

Blitz 
O governo pretende despachar deputados aliados experientes para as comissões controladas pela oposição na Câmara. O objetivo é debelar qualquer tentativa de convocar Palocci.

Por ora 
Para senadores da base, o governo deixou rolar a aprovação, na CCJ, da proposta de Aécio Neves (PSDB-MG) que muda o rito das medidas provisórias. O objetivo seria fazer afago no tucano, contando com o posterior abandono do projeto.

Passatempo 

Da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), ontem no Twitter, depois de postar uma série de mensagens sobre agricultura e meio ambiente: "Tuitar na cadeira do dentista distrai".

Bandeira 
Embora o tema oficial tenha sido reforma política, "azuis" e "vermelhos" entenderam a visita de José Serra ao presidente do PT, Rui Falcão, como mais um sinal de que o tucano já não descarta disputar a Prefeitura de São Paulo. O alerta anterior havia sido a visita a Michel Temer, patrocinador da candidatura de Gabriel Chalita pelo PMDB.

Janela já 
De um deputado federal que se elegeu pela oposição, explicando a um colega tucano por que decidiu migrar para o PSD: "Não me interessa se o partido é do Kassab, do José ou do João. Só sei que preciso resolver meu problema lá no Estado".

Assim é... 
Em 2002, quando se elegeu governador pela primeira vez, Gerado Alckmin considerava Paulo Maluf (PP) o "político mais atrasado do Brasil".

...se lhe parece 

Maluf, agora convidado pelo tucano a indicar o presidente da CDHU, referia-se ao então adversário como "fraco", "frouxo" e "bola murcha".

Dentro 
Shekhar Saxena, diretor do departamento de saúde mental da OMS, disse ao ministro Alexandre Padilha (Saúde) que a instituição participará do plano do governo para combater o crack, a ser lançado em breve.

Visita à Folha 

Werner Herzog, cineasta alemão, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Gunter Axt, um dos curadores do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, e Kathrin Rosenfield, filósofa, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"Passamos o dia aguardando uma explicação do Palocci, mas vieram apenas desculpas. Por isso iremos ao Ministério Público."
DO SENADOR DEMÓSTENES TORRES (DEM-GO), justificando a decisão de seu partido de pedir, juntamente com o PPS, que os procuradores abram inquérito sobre a evolução patrimonial do ministro da Casa Civil.

contraponto

Antecedentes

Na quinta-feira passada, Jair Bolsonaro (PP-RJ) deu um esbarrão -quase um soco, embora acidental- na repórter que acabara de entrevistá-lo. O deputado, que vinha de seguidas encrencas, lamentou o ocorrido:
-Ah, não, agora vão dizer que eu bato em mulher!
Palavras proféticas: pouco depois, durante reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado para tratar do projeto que criminaliza manifestações homofóbicas, Bolsonaro bateu boca e quase chegou aos tapas com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA).

VLADIMIR SAFATLE - Back to the tribe


Back to the tribe
VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/05/11

"Eu acredito que o maior desafio é aceitar que nem todo mundo é igual a nossa sociedade. Somos uma tribo há mais de 2.000 anos. Nós viemos dos vikings e gostamos muito do nosso jeito de viver."
Esta foi a resposta do ministro dinamarquês da Integração, Soren Pind, a uma pergunta desta Folha sobre imigrantes em seu país (Mundo, 14/5).
Foi bom que ele esclarecesse que a Dinamarca é uma tribo. Eles quase nos enganaram, pois durante um certo tempo alguns acreditaram que se tratava de um Estado moderno que não precisava alimentar fantasias de origem para justificar os traços reacionários de seu "jeito de viver".
Como uma boa tribo, qualquer "corpo estranho" que impeça a sociedade de ser uma bela totalidade fechada, que quebre a harmonia e a felicidade que sempre reinou na terra de Hamlet e de "Festa de Família" (filme "família feliz" do conterrâneo Thomas Vinterberg), deve ser rejeitado.
Não deixa de ser engraçado ver como a tribalização social não é exatamente um risco a assombrar apenas países como Paquistão ou Ruanda, mas é orgulhosamente vendida como apanágio para conflitos sociais na "desenvolvida" Dinamarca, cujas taxas de imigrantes é muito menor do que aquela que encontramos nos principais países europeus.
Uma das perguntas que animaram a primeira metade do século 20 era: como uma sociedade avançada como a alemã conseguira produzir barbaridades como o nazismo?
Talvez tenha chegado a hora de se perguntar como países que gostam de se ver como avançados, como Dinamarca, Suíça, Finlândia e Holanda, conseguiram voltar a funcionar como tribos arcaicas.
Um exemplo impressionante de até onde isto pode chegar foi dado pela legislação sobre casamentos entre dinamarqueses e estrangeiros.
Para um casamento desta natureza se consumar, os dois devem ter mais de 24 anos, o dinamarquês deve provar ser independente do auxílio financeiro do governo, a pessoa estrangeira deve fazer um teste de língua e de conhecimentos e (esta é a melhor) ambos devem mostrar um vínculo à Dinamarca maior do que o vínculo a qualquer outro país.
Bons tempos aqueles em que, para casar e viver junto, bastava ser juridicamente responsável, não ter compromisso anterior em vigor, amar e estar disposto a assumir tal desejo diante de um funcionário público. Mas é verdade que, em tribos, o casamento sempre foi mais complicado.
Desta forma, a cultura contribui para transformar a massa pobre de imigrantes em uma nova versão do proletariado de Marx: pessoas sem direitos, reconhecimento, cidadãos de segunda classe amedrontados e, por isso, presas fáceis para as piores explorações econômicas.
Um pouco como as tribos faziam com seus inimigos.

O MINISTRO É VIADO OU VEADO?

ALEXANDRE GARCIA - Abaixo o conhecimento!


Abaixo o conhecimento!
ALEXANDRE GARCIA
EM TEMPO - 17/05/11

Antes de invadir a Universidade de Salamanca, o general falangista Milán Astray encerrou uma discussão com o reitor Miguel de Unamuno com o grito: “Abaixo a inteligência!”.

O Brasil parece hoje tomado por falangistas que têm medo de livros, de escolas, de conhecimento. Bibliotecas estão abandonadas. Escolas malcuidadas.

Professores malformados. Alunos semianalfabetos, ainda que tenham diploma de curso superior. O mérito está sendo abolido, substituído por cotas e por aprovação de ano automática. E agora o MEC referenda um livro, distribuído a quase meio milhão de alunos, que apoia o falar errado: “O livro ilustrado mais interessante estão emprestado”.

O governo não se importa de contrariar a Constituição que estabelece o Português como a língua oficial do Brasil. Quer abonar o patoá.

Ironicamente, o livro se chama “Por uma Vida Melhor”. Como terá vida melhor alguém que, não aprendendo a língua, não vai se comunicar direito, nem vai conseguir um bom emprego sem se expressar da forma correta? Quem vai à escola é para aprender, e não para ser vítima da esquizofrenia do politicamente correto. A ideia é liberar o falar errado; fale errado sem medo. Sim, sem medo.

Depois se dane, porque você foi nivelado por baixo e terá uma vida sempre nivelada por baixo. Porque se você crescer intelectualmente, tiver mais acesso ao conhecimento, vai querer pensar, tirar conclusões e deixará de votar em demagogos, populistas e mentirosos.

O professor Evanildo Bechara, mestre de todos nós que amamos o nosso País e, em consequência, amamos a língua que nos distingue, afirma que “se o professor diz que o aluno pode continuar falando ‘nóis vai’, porque isso não estaria errado, então esse é o pior tipo de pedagogia.

Se um indivíduo vai à escola, é porque busca ascensão social e isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar”.

Aqui, a esquizofrenia da frustração pretende uma espécie de bestificação social. Todo somos iguais e todos somos as mesmas bestas. Vai para onde o Brasil desse jeito? A China sabe aonde vai. Há 320 anos manda multidões de jovens para os Estados Unidos, para fazerem pós-graduação. Nas escolas chinesas, o ensino é rígido, é competitivo e premia o mérito.

O Brasil despreza esses três meios de se obter sucesso futuro. E fica cada vez pior.

Agora estão terminando o fundamental sem estarem alfabetizados. Os especialistas dizem que no segundo ano já deveriam estar alfabetizados.

Quando fiz o primário em grupo escolar, estávamos alfabetizados no primeiro ano. No segundo já interpretávamos leitura, dividíamos e multiplicávamos. Também plantávamos horta para a merenda escolar, sem medo de sujar as mãos com barro e mexer em minhocas, ó ausentes pais urbanos!

CELSO MING - O terremoto Strauss-Kahn


O terremoto Strauss-Kahn
CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 17/05/11

O escândalo sexual e a prisão do diretor- gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, em Nova York, nesse sábado, não provocaram um terremoto apenas no jogo sucessório da França, como foi prontamente analisado. Trazem, também, o risco de paralisar o FMI, de atrasar as soluções para a crise da periferia do euro e podem interferir, também, na sucessão para a presidência do Banco Central Europeu.

Não se pode esquecer, também, de que o FMI está fortemente envolvido na busca de novas regras para o mercado financeiro internacional. Foi sob a direção de Strauss-Kahn que o FMI passou a admitir a imposição de controles sobre o fluxo de capitais. E foi ele, também, a principal autoridade que convenceu os chefes de Estado do G-20 a intervir na busca de soluções para as crises bancárias.

Conforme as informações disponíveis, um processo dessa natureza contra Strauss-Kahn deverá levar muitos meses. Uma instituição multilateral, como o FMI, não pode ficar acéfala por muito tempo. Terá de definir o mais rapidamente possível seu sucessor.

Houve quem afirmasse prontamente que essa é uma instituição capaz de operar com piloto automático e que não depende das decisões e da atuação do seu diretor-gerente. Mas não foi assim nos últimos meses. Foi muito forte o protagonismo do diretor-gerente à sua frente, especialmente na busca de uma saída consistente para a encalacrada dos países da periferia do euro. Está muito difícil o consenso nessa matéria e o FMI vinha atuando como principal articulador de um socorro abrangente.

Na condição de pré-candidato à presidência da França, Strauss-Kahn estava particularmente interessado numa solução que reforçasse sua liderança. O americano John Lipsky, o número dois do FMI, não tem o mesmo perfil nem a mesma determinação nem a legitimidade de que usufruía Strauss-Kahn. Não parece comprometido nem com as questões europeias nem com o encaminhamento de decisões cujo objetivo último é o fortalecimento do euro. E, na condição de representante dos Estados Unidos na direção do Fundo, muito provavelmente, não seria aceito pelas lideranças europeias como autoridade independente.

Isso significa que uma solução terá de ser encontrada logo. Para isso, será preciso que Strauss-Kahn seja destituído da direção do FMI ou que renuncie a seu cargo. Ambas as saídas enfraquecem sua própria defesa. E, mesmo que essa renúncia chegue rapidamente, será inevitável que se abra ampla negociação global para definir seu sucessor. Essa negociação mais os trâmites exigidos não deverão vir tão prontamente.

Até agora, prevaleceu o consenso de que a direção do Banco Mundial será sempre entregue a um americano (hoje está sob o comando de Robert Zoellick) e a do FMI, a um europeu. Aumentou nos últimos anos a pressão para que o FMI seja liderado por autoridade proveniente de um país emergente. Em outras palavras, há ingredientes novos nessas movimentações.

E, mesmo que a decisão seja manter a tradição de um comando europeu no FMI, é provável que, no caso em que as negociações se restrinjam apenas entre europeus, também envolverão a indicação do novo presidente do Banco Central Europeu, cuja eleição está prevista para junho deste ano.

CONFIRA

Melhor do ano

O superávit comercial (diferença entre exportações e importações) da segunda semana de maio foi de US$ 1,5 bilhão, o maior do ano registrado em uma única semana. O que mais impressionou nos resultados foi a magnitude das exportações, de US$ 5,8 bilhões (as importações foram de US$ 4,3 bilhões).

O peso do petróleo

No período de 12 meses terminados na semana passada, as exportações cresceram 31,2%, enquanto as importações cresceram 26,6%. O maior peso foi dos produtos básicos, especialmente das exportações de petróleo e derivados, cuja média diária cresceu 66,6% em relação à média diária de abril.

Desaceleração

Não dá para garantir a sustentação desse crescimento das exportações. São números essencialmente voláteis. Em todo o caso, já se nota uma redução do impacto das importações. E isso não deixa de ser uma boa indicação de que o consumo interno começa a se desacelerar.

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Atraso de pagamento de precatórios em SP vai a R$ 3 bi
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/05/11

O volume de recursos depositados pelo Estado de São Paulo e por alguns municípios na conta do Tribunal de Justiça para a quitação de precatórios desde janeiro de 2010 é de quase R$ 3 bilhões, segundo cálculos da OAB.
Os credores, porém, ainda não receberam o dinheiro. O órgão se debate para organizar planilhas e documentos para liberar os pagamentos.
A dificuldade se arrasta desde a edição da Emenda Constitucional 62, que há pouco mais de um ano determinou que o tribunal ficaria responsável por liberar os recursos, função que antes era de cada órgão devedor.
A transição elevou o volume de trabalho no órgão e demandou a instalação de um novo sistema de informática, o que atrasou o processo.
A questão piorou nos dois últimos meses, quando um grupo de servidores do órgão resolveu trabalhar aos sábados em troca de receber hora extra em dinheiro. Mas a remuneração não foi liberada.
O departamento de precatórios pediu por meio de ofício que as horas a mais fossem pagas em dinheiro, o que não foi autorizado pelo TJ. Será feito banco de horas.
"É fazer planilhas, digitar e triar documentos. Está atrasado pois há poucos funcionários", diz o desembargador Venício Salles, do TJ.

CORRENTE DE ENERGIA

Com investimento de R$ 33,6 milhões, a EDP Bandeirante coloca amanhã em operação a subestação de distribuição Pedreira, em Itaquaquecetuba (SP).
O empreendimento aumentará a capacidade do sistema elétrico no município e ampliará o atendimento para 15 mil novos clientes de média e baixa tensão.

EM CONSTRUÇÃO
São Paulo terá uma nova mostra de decoração e design, a Black, que será aberta em junho. Nomes como João Armentano, Sig Bergamim e outros assinarão os espaços, segundo Raquel Silveira, sócia do evento. Os ingressos custarão R$ 100. Estão previstas outras cidades, mas não em forma de franquia.

"CRESCENDO" DE ROSSINI
É assim que o embaixador Umberto Vattani, presidente mundial do Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE), classifica o volume de empresários que têm vindo da Itália, de negócios e de acordos firmados nos últimos anos. Vattani está de volta, com 63 empresários de diferentes setores, para seminários em SP e no Rio sobre oportunidades no Brasil. "Já há 400 empresas italianas no país e esse número crescerá com os eventos esportivos, que atraem empresários da infraestrutura à indústria de alimentos. É um "crescendo" rossiniano", diz. Outrosexecutivos virão em outubro quando começa o Momento Itália-Brasil, que vai até junho de 2012.

DE OLHO NO DRAGÃO
O índice de preços dos supermercados da Apas (Associação Paulista de Supermercados) subiu 0,95% em abril.
O valor é superior ao registrado em março (0,16%), mas inferior ao de abril de 2010, de 1,58%.
A variação acumulada no ano é de 0,51% e, em 12 meses, chega a 4,51%.
Os dados apontam uma redução no ritmo da inflação nos últimos 12 meses, pois, em março deste ano, o acumulado no período era de 5,16%, segundo a entidade.
O preço dos alimentos caiu 0,46% desde o começo do ano. O setor de bebidas, por sua vez, registrou alta de 4,59%. Os produtos de limpeza também sofreram valorização, de 2,74%.

O peso... 
O mercado brasileiro de seguros responde por 44% do volume de prêmios da América Latina, segundo dados da CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros).

...do Brasil 
A receita acumulada nos três primeiros meses deste ano totalizou R$ 24,3 bilhões, com crescimento de 18,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a CNSeg.

Concorrência 
A Federação Global de Conselhos de Competitividade debate hoje em Seul a criação de índice sobre competitividade entre países. A ABDI (desenvolvimento industrial) representa o Brasil.

Saúde O sociólogo italiano Domenico de Masi e o historiador mexicano Jorge Castañeda participarão do 1º Fórum Político Unimed, que será realizado amanhã no Paraná, pela Unimed do Brasil.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION