terça-feira, maio 03, 2011

MÔNICA BERGAMO - BANDEIRADA BRANCA


BANDEIRADA BRANCA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/05/11

Antes de a chuva causar adiamento da prova de Fórmula Indy na 14ª volta, passaram pelo camarote da Band, no Anhembi, no domingo, a apresentadora Adriane Galisteu, o político Marco Maia, o ator Felipe Folgosi, o rapper Thaíde, o humorista Marcelo Tas, a socialite Ana Paula Junqueira e Johnny, Claudia e Rosana Saad, da Band.

COFRE AMEAÇADO
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga amanhã a maior condenação já imposta ao Citibank no mundo: US$ 600 milhões, ou o equivalente a R$ 950 milhões. O placar está empatado: três ministros votaram pelo pagamento da indenização e três, para que ela seja anulada. Faltam os votos de outros três magistrados, num total de nove.

DE LONGE

O processo começou em 1992, quando o Citi pediu a falência de uma empresa de Pernambuco, a Ciip (Companhia Industrial de Instrumentos de Precisão), fabricante de relógios, que devia o equivalente a R$ 200 mil ao banco. O pedido foi negado e a Ciip entrou com uma ação de indenização. Na primeira instância, o Citi foi condenado a pagar R$ 92 milhões, valor confirmado no TJ do Estado. Corrigido, o montante chega hoje a R$ 950 milhões.

FALA, SERRA
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o senador Aécio Neves e Sérgio Guerra, presidente do PSDB, combinaram de falar abertamente sobre a crise do partido no fim de semana para forçar José Serra (PSDB-SP) a se pronunciar. Ele está calado até agora. E os três, convencidos de que está por trás do racha no partido e do lançamento do PSD de Gilberto Kassab. Alckmin já questionou Serra, que negou.

SOU DA PAZ
"Serra precisa ao menos defender o partido. O silêncio dele é constrangedor", diz um dos principais interlocutores de Geraldo Alckmin. Até a manhã de ontem, no Twitter, Serra só falava da vitória do Palmeiras sobre o Corinthians. "Gostei da apresentação dos times com os jogadores intercalados. Entre tantas metáforas de guerra no futebol, uma imagem sugere paz", comentava.

BARRAGEM
E o maior temor do grupo de Alckmin no PSDB e do DEM é que a debandada rumo ao PSD chegue ao interior. No domingo, Edson Aparecido, secretário do Desenvolvimento Metropolitano, e Dárcy Vera, do DEM, prefeita de Ribeirão Preto, conversaram sobre a necessidade urgente de as legendas unirem forças no interior.

NA PONTA DO PÉ
A Kirov, companhia russa de balé, volta ao Brasil após dez anos para uma série de 18 apresentações em agosto, trazidos por Bradesco Seguros e Dellarte. Os 260 integrantes do grupo subirão aos palcos em Brasília, São Paulo, Recife, Rio e Belo Horizonte, com cenários e figurinos de "Giselle" e "Lago dos Cisnes". Em São Paulo, a apresentação fará parte da comemoração do centenário do Theatro Municipal.

MUNDO SUSTENTÁVEL
O cantor Marcelo Camelo distribuiu entre o público de seu último show no Sesc Pompeia, anteontem, as samambaias que enfeitaram o palco nos quatro dias de apresentação. "Você que ganhou uma samambaia, quando chegar em casa, molhe e dê amor", pediu.

SILENCIOSO
A assistente de acusação da família de Isabella Nardoni, Cristina Cristo Leite, dispensará os 15 minutos de argumentação oral a que tem direito no julgamento do pai da menina, Alexandre Nardoni, hoje. Ela acha desnecessário já que o processo é muito conhecido. O réu quer anular o júri popular, que o condenou pela morte de Isabella, ou, ao menos, reduzir a pena de 31 anos de cadeia.

O PRODUTOR
O ator Sergio Marone comprou os direitos do livro "Jesus Kid", de Lourenço Mutarelli, para fazer uma adaptação cinematográfica.

Além de produzir, ele irá atuar no longa.

FÉRIAS DE AGOSTO
A Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) entregará ao governador de SP, Geraldo Alckmin, um ofício pedindo para que as férias escolares no Estado sejam alteradas de julho para agosto. A entidade diz que 50% do mercado nacional de turismo é proveniente de SP e que, fazendo essa alteração, "a classe média paulista terá mais acesso a pacotes de viagens na baixa temporada e poderá gastar menos".

CURTO-CIRCUITO
Fernando Serapião lança a segunda edição da revista "Monolito", focada no trabalho da Andrade Morettin Arquitetura. Às 19h de hoje, na Galeria Vermelho.

O músico Luiz Gayotto faz o show "Proponhomix", hoje, às 20h30, no Sesc Vila Mariana. Classificação etária: 12 anos.

A Daslu apresenta sua coleção de inverno, hoje, às 17h, com um desfile na loja. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, receberá no dia 23, na Faculdade de Direito da USP, o prêmio de Direitos Humanos daOAB-SP.

O maquiador Anderson Bueno dá hoje palestra de automaquiagem para pacientes do Hospital das Clínicas e seus acompanhantes.

O DJ cubano Julio Moracén toca hoje no Azucar. A partir das 21h. Classificação etária: 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

ARNALDO JABOR - A miséria sólida e a modernidade líquida


A miséria sólida e a modernidade líquida
ARNALDO JABOR
O GLOBO - 03/05/11
O Censo 2010 do IBGE nos mostrou o óbvio: mais da metade do país (55%) não tem saneamento básico, não tem acesso nem a rede de esgotos. Também nos mostra que somente por volta de 2070 (talvez) se resolva o problema da miséria endêmica. E nos prova que a trágica doença brasileira que o governo Lula condenou e utilizou como bandeira continua intacta, a não ser na mídia e no papo. As reformas essenciais que qualquer governo moderno conhece nunca foram realizadas.

Uma vez, escrevi sobre um menino pobre que fazia malabarismo na rua, diante de meu carro, e muitos se emocionaram, em cartas e e-mails. Gosto do texto, mas tive uma sensação de culpa por fazer sucesso com a miséria dos outros. De certa forma, eu lucrei. O menininho malabarista (onde estará ele agora?) enobreceu-me. Ou seja, a miséria me deu assunto e lucro. Para nós, os bacanas, a miséria é apenas um incômodo "existencial", uma sujeira na paisagem.

Temos de entender como a miséria está "dentro" de todos nós. Ali, no carro blindado, diante do menino, eu fazia parte da miséria. Onde estava a miséria em mim, naquela noite? Estava no fato de eu ter carro? Talvez estivesse na blindagem, não do carro, mas na blindagem de nossos corações contra o lado de fora da vida. Não basta sofrermos com o "absurdo" da miséria. Ela é uma construção minuciosa por um sistema complexo. A miséria não é absurda, é uma produção. Transformar a miséria em bandeira política, sem entender o conjunto que nos inclui, é uma atitude miserável. A miséria está nas emendas do orçamento, está na sordidez do sistema eleitoral, na falsa compaixão dos populistas, nas caras cínicas, "lombrosianas", dos ladrões congressistas, está na lei arcaica e sem reformas, está na atitude gelada dos juristas impassíveis, está nos garotinhos na rua e nos garotinhos da política.

Há alguns anos, tolerávamos tristemente a miséria, desde que ela ficasse longe, quieta, sem interferir na santa paz de nosso escândalo. A miséria tinha quase uma... "função social".

Mas, hoje, não adianta mais a eterna cantilena do "ah... coitados dos pobres...". Para entendermos o horror que nos envolve, temos de analisar as classes dominantes, a estrutura patrimonialista do país, a formação torta do Estado, a tradição histórica de nosso egoísmo. Livros e filmes devem ser feitos sobre os responsáveis por nossa fome e pobreza.

Com a indústria de armas, as drogas, a telefonia, a internet, a miséria foi tocada pela evolução do capitalismo. A violência é até uma trágica "modernização" da miséria. Ninguém sabe o que fazer com a neomiséria; por isso, a invenção das UPPs foi tão oportuna e original diante do óbvio: hoje a miséria é grande demais para ser erradicada - temos de incorporá-la. Não tem mais jeito; a miséria tem de ser integrada à nossa vida.

Temos de conviver com ela, pois também somos miseráveis na alma, em nossa amarga alegria, em nossa ignorância política, em nossas noites vazias ou nos bares ameaçados, nos perigos das esquinas, em síndromes de pânico diante de nossa impotência, no narcisismo deslavado que aumenta entre as celebridades, na ridícula euforia das sacanagens e nas liberdades irrelevantes. A miséria está até na moda - vejam este texto de um catalogo "fashion":

"Use uma calça bacana, toda desgastada, bata na calça com martelo, dê uma ralada no asfalto, ou esfregue a calça com lixa, ou, por fim, atropele seu jeans, passe por cima dele com o carro (blindado?). A moda pede peças puídas, como ficam depois de um ataque das traças ou baratas. E, se você tem algo a dizer sobre a vida, diga com sua camiseta, nas estampas com frases no peito..."

Somos vítimas da miséria pelo avesso, porque poderíamos ter um país muito melhor se fôssemos mais generosos. Menos egoísmo seria bom para o "mercado". Mais justiça social seria até lucrativa para os ricos: educação técnica, melhor mão de obra, mais consumidores. Mas eles só pensam a curto prazo.

Antes, só falava de miséria quem não era miserável, em "fome", quem comia bem. Agora, os miseráveis já falam de nós. Antes, não víamos os miseráveis. Hoje, o menino-malabarista nos vê e quer ser visto. Ele se exibe e isso é que nos dói (e ele é uma exceção pacífica..). A outra maneira de aparecer é pela violência. O medo despertou as elites desatentas..

Assim como a corrupção nos abre os olhos, denunciando a urgente reforma do poder judiciário paralítico, a violência prova o fracasso da administração pública. Não resolveremos nada. Os miseráveis é que vão fazer isso, aos poucos. E estão se expressando em movimentos de afirmação das periferias. Os marginalizados vão sair do horror para serem fontes de expressão vital. A miséria está nos educando.

E o problema é que ninguém sabe o que fazer. Cada vez mais o mundo vive a dor de um "mal" difuso e sem culpados claros. Leio a entrevista que Zygmunt Bauman deu ao "Estadão", sábado passado; o filósofo polonês, estudioso da sociedade contemporânea, criador do conceito de "modernidade líquida", diz coisas excelentes em um diagnóstico do mundo atual, injusto e louco.

Mas, como sempre, na hora das "soluções", surge a ingênua impotência cheia de esperanças. O que fazer?

Aí, ele cita o professor Tim Jackson (da Universidade de Surrey) em sua obra recente. "Redefinindo a prosperidade" que propõe três caminhos para diminuir a pobreza no mundo:

1. Conscientizar as pessoas de que crescimento econômico tem limites; 2. mudar a lógica social dos governos, para que os cidadãos enriqueçam suas vidas por outros meios que não apenas bens materiais; e 3. convencer os capitalistas a distribuir lucros não apenas segundo critérios financeiros, mas em função de benefícios sociais e ambientais.

Ótimo! Boa ideia! Agora só falta combinar com Wall Street e psicanalisar os governantes das nações poderosas.

ILAN GOLDFAJN - Osama e a vulnerabilidade da economia


Osama e a vulnerabilidade da economia
ILAN GOLDFAJN 

O Estado de S.Paulo 03/05/11
Onde você estava no momento do atentado de 11 de setembro de 2001? Essa era uma pergunta frequente até poucos anos atrás. Pois eu estava no Banco Central, em Brasília, atuava como presidente interino. O titular, Armínio Fraga, estava justamente nos EUA. Os diretores revezavam-se nas eventuais substituições do presidente e eu fui premiado com o atentado de Osama bin Laden. O choque com as imagens das torres caindo deu lugar à preocupação com o dia a dia. A exemplo de outros bancos centrais no mundo, essencial era pôr liquidez à disposição do sistema financeiro, mesmo que não viesse a ser usada. Mas os mercados podiam/deviam continuar a funcionar normalmente? Ninguém sabia a extensão do atentado, nem suas consequências. A morte de Osama Bin Laden me fez relembrar esse momento. Ter capacidade de absorver choques é essencial para uma economia saudável. E ter instituições fortes é importante para o desenvolvimento econômico sustentável. E hoje, quase dez anos depois, como está o Brasil nesses quesitos?


A pergunta não é tão simples como parece. É claro que a economia hoje tem mais defesas. Há reservas internacionais abundantes para evitar as consequências negativas de uma "parada brusca", quando ocorrem saídas fortes de fluxos de capital. E a reação à crise financeira internacional de 2008 (quebra do Lehman Brothers) mostrou que o sistema financeiro é sólido e o governo tem capacidade de implementar políticas anticíclicas (que evitam a recessão profunda). Mas é também verdade que o Brasil se acostumou às favoráveis condições internacionais - o crescimento acelerado da China e de outros emergentes elevou os preços da nossa pauta exportada em 142% desde setembro de 2001. Os maiores problemas hoje são mais de excesso (de fluxos de capital, por exemplo) que de falta. E o Brasil tem mais a perder. Há pleno emprego, renda crescente numa classe média em ascensão, confiança em alta dos empresários, investidores e consumidores, baixo risco percebido e muitos projetos de investimento a caminho, inclusive os ligados ao pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada.

Mas o que faria o Brasil depender menos das condições favoráveis internacionais?

Países crescem (em especial, economias emergentes) quando as condições externas estimulam, mas também quando geram dinâmica própria em razão de bases sólidas. Muitas vezes o crescimento é resultado de ambas. No momento as condições externas têm sido importantes. Na América do Sul o crescimento elevado ocorreu em quase todos os países onde políticas econômicas e instituições diferem significativamente (pensem na diversidade entre Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela). Não parece haver um determinado conjunto de políticas domésticas que explique por si só o desempenho favorável desses países nos últimos anos.

Economias desenvolvem-se quando conseguem investir, ter uma mão de obra qualificada e tecnologia avançada. Crescimento da produtividade é o nome do jogo. Mas isso ocorre quando condições fundamentais estão colocadas, como instituições econômicas sólidas que gerem os incentivos corretos.

O Prêmio Nobel de Economia Douglass North definiu instituições como as regras do jogo de uma sociedade que moldam o comportamento humano. Ao contrário dos fatores geográficos, as instituições são desenhadas pelo homem e atuam sobretudo via restrições e incentivos que geram nos diferentes grupos. As instituições do governo e do Estado (como Ministérios, agências reguladoras, Congresso) são apenas alguns exemplos. Instituições podem ser regras da sociedade que não passem por esses órgãos.

O debate sobre as restrições existentes na economia e os incentivos corretos para crescer são os verdadeiros divisores das diferentes correntes de economistas, na minha opinião. Para além das nomenclaturas (serão "nomenclaricaturas"?) de desenvolvimentistas x neoliberais, ortodoxos x heterodoxos, é mais relevante entender a diferença de opinião sobre 1) se há restrição de poupança doméstica (financiamento, para alguns) para investir mais, 2) se há limites para o crescimento sustentável (sem inflação, por exemplo) no curto e no médio prazos ou 3) se a meritocracia gera mais produtividade, entre outras questões.

De forma geral, as questões que se apresentam são se em determinado país as instituições geram as condições e os incentivos para que os empresários inovem e invistam e os trabalhadores obtenham educação; se há segurança jurídica dos contratos, estabilidade das regras, meritocracia e sensação de recompensa pelo esforço/risco incorrido. Em suma, se há incentivos corretos para gerar o desenvolvimento.

No Brasil dos últimos anos parece haver sinais de fatores internos e externos. O desenvolvimento dos últimos anos deve-se à mudança nas instituições no passado (como definidas por Douglass North), mas também às condições internacionais. Nos fatores internos, o respeito aos contratos, a estabilidade macroeconômica, as reformas econômicas (macro e micro), a maior mobilidade social por meio da distribuição de renda e a criação das agências reguladoras, entre outros, foram essenciais.

Para a frente a questão é relevante. Há incentivo para continuar crescendo, mesmo quando os impulsos externos não forem tão favoráveis (ou mesmo desfavoráveis)? As regras formais e informais estão ainda gerando os incentivos corretos para crescer? E houve avanço adicional das instituições, removendo obstáculos existentes anteriormente?

A morte de Osama bin Laden me fez lembrar do atentado de 11 de setembro, da triste tragédia humana e da sua vulnerabilidade. Mas também me fez lembrar da vulnerabilidade das economias. E do esforço necessário para criar os incentivos corretos para o crescimento sustentável que não dependam das condições internacionais, que podem não ser tão favoráveis como nos últimos anos.


ECONOMISTA-CHEFE DO ITAÚ UNIBANCO, É SÓCIO DO ITAÚ BBA

COMÉDIA DA VIDA POLÍTICA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Emissão de debêntures atreladas ao CDI sinaliza queda, segundo Anbima
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/05/11

A remuneração de debêntures atreladas ao CDI sinaliza redução nas operações de longo prazo, segundo levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), feito a pedido da coluna. O estudo considera papeis sem leasing.
Até março, o percentual da remuneração em relação ao número de operações ligadas ao CDI caiu para 63,2%, ante 76,2% registrado em 2010, afirma Marcelo Giufrida, presidente da Anbima.
"É, de fato, uma sinalização de mudança. Para o investidor, a indexação à inflação dá mais conforto", diz.
Adotar como indexador um índice de preços tem sido mais comum quando o emissor tem um projeto de prazo mais longo. O investidor tem maior segurança quando a remuneração é pela inflação.
"Tem sido mais usado quando os investidores são fundos de pensão e seguradoras [com metas de longo prazo]", diz Alexandre Aoude, do Itaú BBA. Para atingir o resto do mercado, porém, ainda demora, segundo ele.
"Para que as assets [gestoras de recursos] passem a investir nesses papeis precisaria ter um mercado mais estável com perspectiva de taxa de juros decrescente."
A ALL liquida uma emissão de R$ 810 milhões nesta semana, com prazo de seis anos, na tranche atrelada ao IPCA, mais 8,4% ao ano. Em março, a Ecopistas emitiu R$ 370 milhões em debêntures, com prazo de 12 anos, remunerada pelo IPCA mais 8,25% ao ano.
Outro exemplo, foi a emissão do BNDES, em dezembro, de R$ 525 milhões, a IPCA mais 6,2991% ao ano, com prazo de seis anos.

Cresce procura das empresas por imóveis em construção
A falta de espaço para novos prédios aumentou o número de empresas que alugam imóveis em construção.
No Rio de Janeiro, cerca de 20% dos edifícios em obras estarão locados no fim do ano, o dobro ante 2010, segundo a CB Richard Ellis. "É a tendência, pois as empresas garantem a ocupação e pedem adaptações nos imóveis", diz o diretor da consultoria Alberto Robalinho.
As pré-locações em Belo Horizonte, Brasília e São Paulo representam até 3% do total do valor negociado em novos empreendimentos, segundo estimativas do setor.
"Brasília e BH são mercados menores e, em São Paulo, é difícil fazer construção sob medida", diz Robalinho.
"Para não perder pontos bem localizados, as empresas pagam antes de entrar", afirma a diretora da Lello Imóveis Roseli Hernandes.

MÁQUINA PROTEGIDA
A Abimei (associação dos importadores de máquinas e equipamentos) alertou os representantes da Secex e da CNI, em reuniões em Brasília na semana passada, para o perigo de medidas protecionistas levarem a uma desaceleração do crescimento.
A importação de bens de capital é necessária para o Brasil ser competitivo no mercado internacional, segundo Ennio Crispino, presidente da Abimei.
"A questão que atinge o fabricante atualmente é que boa parte das indústrias nacionais ou multinacionais está deixando de produzir peças e componentes no Brasil", afirma Crispino.
"Elas preferem trazer os manufaturados do exterior."
O governo, de acordo com o presidente da associação, "compreende que não adiantará impor barreiras de importação às máquinas, porque o problema está na importação de componentes e peças manufaturados".

VITAMINADO

A Equaliv, especializada em suplementos alimentares, começará a vender sete novos produtos até o final de maio.
Os lançamentos serão os primeiros realizados pela empresa desde a criação da holding ValuePharma, em conjunto com a Althaia, em julho do ano passado.
"O investimento inicial nos dois negócios foi de R$ 30 milhões", diz o presidente da companhia, Jairo Yamamoto, que também já comandou a Medley.
A expectativa da holding é faturar até R$ 20 milhões nos próximos 12 meses com os sete produtos.
"Também lançaremos três medicamentos da Althaia em 2011", diz Yamamoto.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

XICO GRAZIANO - Arroto do boi


Arroto do boi
XICO GRAZIANO
O Estado de S.Paulo - 03/05/11

Um grupo de manifestantes se destacava nos frios arredores da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague (2009). Eram vegetarianos. Eles distribuíam panfletos com um argumento impressionante: 82% do aquecimento global cessaria se o mundo deixasse de comer carne. Será verdade?!

Certamente que não. Mas a esdrúxula tese se acompanhava por textos bem ilustrados, daqueles que viajam longe na internet. Aqui mora o perigo. Nesta época em que as informações fluem rapidamente, o zelo pela consistência do conhecimento torna-se crucial. Uma preciosidade ou uma bobagem percorrem o mundo em minutos. Ainda mais se a linguagem for curiosa, excêntrica ou os números, chamativos, estrondosos.

A mudança climática que afeta o planeta configura um problema relativamente recente para a pesquisa científica. Modelos utilizados nas estimativas e suposições ganham veracidade, mas, no fundo, ainda falta muito para ser descoberto, mensurado e comprovado sobre o fenômeno ambiental. Um grande desafio da ciência.

Vejam o caso do gás metano (CH4) na pecuária. Oriundo da decomposição anaeróbica - sem a presença de oxigênio - de matéria orgânica, o metano surge, entre outras fontes, da ruminação animal. Ao ingerir pastagem, o estômago duplo do gado realiza uma fermentação digestiva que libera metano. O bicho, então, arrota.

Solto na atmosfera, o inodoro gás apresenta um terrível problema: sua concentração agrava o efeito estufa. Conforme os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) consagraram, o potencial de aquecimento (GWP100) do metano é 23 vezes maior que o do gás carbônico, ou dióxido de carbono (CO2). Conclusão: a pecuária afeta o clima da Terra.

Os pesquisadores buscam métodos eficientes para calcular quanto os animais expelem de metano. Essa quantidade parece depender, essencialmente, da dieta do bicho. Uma alimentação baseada em massa verde, como por aqui, difere daquela onde predomina a ração servida no cocho. Com certeza a bufada do boi europeu ecoa mais longe.

A Embrapa e o Instituto de Zootecnia de São Paulo, entre outros, debruçam-se sobre essas pesquisas recentes a respeito da erutação bovina, como tecnicamente se denomina o arroto do gado. Internacionalmente, enquanto não se purificam os dados, aceita-se que cada animal adulto, em média, produza 57 kg de metano/ano.

No mundo, multiplicada pelo rebanho total, estimou-se que a emissão de gases de efeito estufa (GEE) advinda do processo entérico dos animais, somada à decomposição dos seus dejetos orgânicos, represente 29,7% das emissões do metano com origem antrópica. Significaria cerca de 9% do fenômeno global do aquecimento.

É curioso saber que, dentre as emissões mundiais de metano, outros 16% se originam nas culturas irrigadas de arroz, especialmente das várzeas asiáticas. Se os humanos apreciadores de carne quisessem, encontrariam na razão ambiental um argumento poderoso para se opor ao consumo de arroz. Alguém topa uma campanha ridícula dessas?

A conversa fiada ambiental contra a pecuária derrete-se de vez quando se consideram os estudos do cientista brasileiro Luiz Gylvan Meira Filho. Ex-presidente do comitê científico do IPCC, o renomado professor explica que o efeito estufa atribuído ao gás metano foi inicialmente calculado supondo-se um sistema fechado, sem perda de calor, distinto da realidade do planeta, onde os raios infravermelhos afetam a equação física. Radiação de corpo negro chama-se o fenômeno em questão. Baseado na literatura internacional, ele argumenta que, ao contrário do originalmente estabelecido, o verdadeiro potencial de aquecimento do metano situa-se entre quatro e cinco vezes o equivalente em CO2, e não 23 vezes, conforme anotado pelo IPCC. A diferença é enorme.

Tem mais. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) realizou um estudo primoroso sobre esse assunto na pecuária de corte. Seus técnicos analisaram não apenas as emissões oriundas da atividade, mas calcularam também a absorção de carbono que ocorre no crescimento das pastagens. O "balanço" ambiental assim calculado indica que quase metade das emissões de GEE (106, ante 221 Mt CO2 eq/ano) se compensa pelo sequestro de carbono acumulado nas gramíneas.

O resultado vale igualmente para toda a agropecuária. Os vegetais, por meio do processo bioquímico da fotossíntese, captam energia solar e a transformam em energia vital, absorvendo CO2 e liberando oxigênio. É por isso que para os agrônomos, como eu, o gás carbônico é o gás da vida, jamais um poluente.

Embora fundamental para os inventários sobre o aquecimento global, essa contabilidade de duas vias, com entrada e saída de carbono, não é aceita na metodologia oficial do IPCC, que considera apenas as emissões de gases. Acredite se quiser.

Na ciência, o método é sempre fundamental. Mas o rigor científico anda cutucado atualmente por uma espécie de chutômetro que na web encontra campo fértil de disseminação. Com a tragédia do "copia e cola", muita asneira veiculada na rede acaba, desgraçadamente, afetando o ensino nas escolas e influenciando a imprensa mais descuidada.

As novas descobertas sobre o potencial de aquecimento do metano e a inclusão do sequestro de carbono na agricultura acabarão por jogar na lata de lixo científico todas as estimativas realizadas até então. Sorte da agricultura.

Conclusão: a influência deletéria da boiada, que já nem era tão grande quanto propalada por seus críticos vegetarianos, cairá, segundo as recentes considerações científicas, no mínimo, dez vezes. Respeite os vegetarianos, mas pode comer bife sem dor na consciência.

AGRÔNOMO, FOI SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

SEMANA DA MÃE GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Orelhão
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/05/11

São Paulo deve ganhar um Conselhão para chamar de seu. Alckmin está nos finalmentes da formatação do órgão a ser composto por empresários. Cogita-se a integração também de sindicalistas, mas ainda não está decidida.

Intuito? Promover novos empregos e investimentos, além de melhorar o ambiente de negócios.

Postura correta
Dilma tentou, sim, fazer seus exames no Sírio-Libanês discretamente. Mas, segundo fontes do hospital, não às escondidas. A presidente entrou, pegou elevador normalmente, cumprimentou enfermeiros e médicos pelos corredores. E, descoberta pela imprensa, pediu transparência na divulgação de informações.

Atchim
Coincidência ou não, Lula e Dona Marisa foram a pé tomar vacina contra gripe, sábado. No posto de saúde de Santa Terezinha, em São Bernardo do Campo.

Bem humorado, o ex-presidente conversou, pelo celular, até com o pai da enfermeira.

Campeão de audiência
O Estado de São Paulo é o quarto ente mais litigante do Brasil. E a capital paulista não fica muito atrás: ocupa a 6ª colocação. Juntos, respondem por 6% do total de processos que tramitam em última instância no STF. Mas campeã mesmo é a CEF (18,87%), seguida da União (16,48%) e do INSS (14,87%).

A Direito FGV Rio divulga esta pesquisa amanhã.

Marcha
Marta Suplicy que se prepare. Silas Malafaia, pastor que ocupa a TV durante as madrugadas, convocou fiéis para marchar em Brasília contra o Projeto de Lei 122/2006, desarquivado pela senadora.

O texto criminaliza homofobia.

Prantos
Pelé gravou CD para presentear amigos e convidou alguns mais íntimos para jantar no Original Shundi, semana passada.

Com a surpresa, um deles caiu choro: seu maestro. O Rei compôs para o músico a canção Carrasco Ruriá.

BatutaSérgio Marone comprou os direitos do livro Jesus Kid. Vai atuar e dirigir versão cinematográfica do romance de Lourenço Mutarelli.

Bin Laden
Diante da morte do maior inimigo do mundo ocidental, três livros sobre Osama Bin Laden devem aquecer o mercado.

Sob a Sombra do Terror, da BestSeller, traz depoimento de Omar Bin Laden, um dos filhos do terrorista. E de como ele percebeu quem era seu pai.

Contatada pela coluna ontem por e-mail, a autora americana Jean Sasson não quis se pronunciar, a pedido do próprio Omar - que tampouco irá se manifestar por agora. "Isso deve mudar nos próximos dias", prevê a escritora.

Bin Laden 2
Já Os Bin Laden, da Globo Livros, de 2008, descreve os elos que ligam a família muçulmana ao círculo de poder americano. Por último, Onde Está Osama Bin Laden, nasceu da angústia de Morgan Spurlock gerada pela criação de seu filho em um mundo terrorista.

Bin Laden 3A quem interessar: cerca de 6 perfis falsos do ex-líder da Al-Qaeda permanecem ativos no Twitter.

Agenda realO príncipe Albert, de Mônaco, chega hoje a São Paulo, hospeda-se no Hotel Tivoli. Almoça no Clube Harmonia e janta na casa de um amigo brasileiro.

Amanhã, encontra-se com Alckmin, almoça com o cônsul e abre exposição na Faap, seguida de jantar na casa de Celita Procópio.

Detalhe: Albert é mais poderoso que a rainha Elizabeth. Ele administra o Orçamento e a arrecadação do principado.

DNA
Eliana recebeu a cunhada, Maria Rita, na gravação do seu programa do Dia das Mães. Depois de cantar Cria, em homenagem ao sobrinho, a apresentadora teve uma surpresa: João Marcelo Bôscoli, dos mais discretos, apareceu em vídeo declarando-se à mulher.


Na frente
Para incrementar o figurino da peça Casa/Cabul, Adriana Carranca deu de presente à produção burcas originais afegãs. O espetáculo do Núcleo Experimental estreia sábado no Sesc Santana.

Sonia Madruga expõe hoje na Casa das Rosas.

Juscelino Pereira e Ricardo Trevisani, sócios no Tre Bicchieri, abrem nova casa. A pizzaria Maremonti, em julho.

Começa hoje a mostra Arquitetura da Madeira no Museu da Casa Brasileira.

O Spa Cidade Jardim pilota, a partir de hoje, o evento Spa Beauty Trend. Reunindo marcas sofisticadas de cosméticos.

Tem início, hoje, a TNT Haute Kart Challenge, da agência Haute. No Kartódromo Internacional da Granja Viana.

O Brasil será sede da maior feira de esportes da América Latina, a Brazil Sports Show. Em agosto, na Bienal.

Chico Mattoso lança Nunca Vai Embora. Hoje, na Cultura do Conjunto Nacional.

Bartolomeo Gelpi comanda bate-papo na Central Galeria de Arte. Amanhã.

Projeto sobre centenário da Imigração Judaica será lançado hoje na sinagoga Ashkenazi.

"Obama mata Osama" foi a frase mais lida ontem em todas as redes sociais.

LUIZ GARCIA - Um país só



Um país só
LUIZ GARCIA
O GLOBO - 03/05/11
Pergunte-se a qualquer cidadão - pobre ou idoso, rico ou jovem - onde prefere que o poder público gaste o rico dinheirinho dos impostos pagos por ele.
O número um da lista pode variar um bocado. Depende muito daquilo que mais falta faz ao interrogado - o que, obviamente, varia segundo o nível de renda de cada um. Mas dá para apostar que a segurança pública aparecerá sempre entre os itens mais votados.
É certo que os mais pobres quase sempre têm a violência como vizinha - e o medo, em grau maior ou menor, como companheiro permanente. Mas quem precisa sair de casa todo dia sabe como é tristemente verdadeiro o chavão que fala na selva das cidades. Aqui e quase no mundo todo.
Não é por acaso que a mídia, em quase todos os seus veículos, dedica muito tempo e vasto espaço para fazer o balanço periódico dessa guerra triste. Que não deixa de incluir vitórias para o nosso lado - como aconteceu, não faz muito tempo, no Complexo do Alemão. A repercussão do episódio foi uma merecida vitória política para as autoridades estaduais. Se alguém não soubesse ainda, uma campanha bem-sucedida contra o crime organizado produz merecidos dividendos.
Em suma, investir em segurança pública não é apenas algo obviamente indispensável: também ajuda a carreira de quem vai por esse caminho. Não há cinismo algum em reconhecê-lo.
É pena que essa combinação de fatores não parece ser percebida em Brasília. Como O GLOBO contou no domingo, o governo Rousseff fez um festival de tesoura nas suas promessas de campanha a propósito da segurança pública. A participação do governo federal nessa área foi abatida a canetadas.
Exemplos: o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania - uma beleza de nome, não? - perdeu 47% das verbas previstas. Não foi episódio isolado. Um projeto de implantação de postos de polícia comunitária e outro de modernização de cadeias não receberão um único centavo este ano. Convênios assinados com estados como Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo tiveram cortes violentos. Todos se queixam. E na Polícia Federal, que obviamente não pode reclamar abertamente, não faltam protestos. Segundo um de seus superintendentes ouvidos pelo GLOBO, "não tem dinheiro para nada".
O governo Dilma tem lá suas prioridades. Mas comete erro grave - tanto do ponto de vista administrativo como politicamente - quando trata com essa leviandade toda a área de segurança pública. Brasília, tanto quanto se sabe, não tem exércitos de traficantes como os que existem no Rio e em diversos outros estados. Mas é erro grave imaginar que um estado de coisas geograficamente distante do Planalto Central não acabará tendo graves repercussões, políticas e sociais, na capital.
Desculpem o chavão: o país é grande, mas é um só.

VICE

VLADIMIR SAFATLE - Insultos à memória


Insultos à memória
VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/05/11

Em Rondônia, há uma pequena cidade chamada Presidente Médici. Este é o mesmo nome de um estádio de futebol em Sergipe.
Os paulistanos que quiserem viajar de carro para Sorocaba conhecerão a rodovia Castello Branco. Aqueles que procurarem uma via sem semáforos para o centro da capital paulista poderão pegar o elevado Costa e Silva.
Há mesmo alguns paulistanos que moram na rua Henning Boilesen: nome de um empresário dinamarquês, radicado no Brasil, que financiava generosamente a Operação Bandeirante e que, em troca, podia assistir e participar de torturas contra presos políticos na ditadura militar.
Há alguns anos, os são-carlenses foram, enfim, privados da vergonha de andar pela rua Sérgio Fleury: nome de um dos torturadores mais conhecidos da história brasileira. Estes são apenas alguns exemplos da maneira aterradora com que o dever de memória é praticado no Brasil.
Se monumentos, cidades e lugares públicos podem receber o nome seja de ditadores que transformaram o Brasil em um Estado ilegal resultante de um golpe de Estado seja de torturadores sádicos é porque muito ainda falta para que a memória social sirva como garantia de que o pior não se repetirá. Sem esta garantia vinda da memória, os crimes do passado continuarão a destruir a substância normativa do presente, a servir de ameaça surda à nossa democracia.
Lembremos como o Brasil foi capaz de legalizar o golpe de Estado em sua Constituição de 1988. Basta lermos o artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como "garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? Sob qual interpretação?) e da ordem (social? Moral? Jurídica?) para legalizar constitucionalmente um golpe militar.
Tudo isso demonstra como ainda não há acordo sobre o que significou nosso passado recente. Por isso, ele teima em não morrer. Um núcleo autoritário e violador dos direitos humanos nunca foi apagado de nosso país. Não é por acaso que somos o único país latino-americano onde o número de casos de tortura em prisões cresceu em relação à ditadura.
O que não deve nos surpreender, já que ninguém foi preso, nenhuma mea-culpa dos militares foi feita, ninguém que colaborou diretamente com a construção de uma máquina de crimes estatais contra a humanidade foi objeto de repulsa social.
Que a criação de uma Comissão da Verdade possa, ao menos, fazer com que o Brasil pare de insultar a memória dos que sofreram nas mãos de um Estado ilegal governado por usurpadores de poder.
Que ninguém mais precise morar em Presidente Médici.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Jabutis à vista
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/05/11

O radar do Palácio do Planalto captou sinal de encrenca na votação do Código Florestal, prevista para amanhã. Ela se materializaria na forma de dois destaques que os ruralistas preparam ao relatório de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Embora em sintonia com o setor no essencial, o deputado acabou por fazer algumas concessões "verdes" em seu texto. Os destaques serviriam para emplacar ampla anistia aos desmatadores.
Contrária à proposta, a cúpula do governo sabe, porém, que na base não são poucos os que a defendem. Muita saliva terá de ser gasta com os líderes na tentativa de evitar a aprovação da anistia nesses moldes.
Veja bem De Aldo, sobre a inclusão da Bolsa Verde, a ser paga a pequenos produtores que não desmatarem, no plano de erradicação da pobreza extrema: "A ideia do governo é corajosa. O risco é o proprietário da terra colocar o dinheiro no bolso e ir para a periferia".

Projac 
Enquanto Lula fazia os pronunciamentos em rede de TV tendo ao fundo livros da biblioteca do Palácio da Alvorada, Dilma vai criando o hábito de fazer os seus à frente de uma escultura.

Peneira 
Embora a cúpula da PF se esforce para refutar a ideia de que os cortes orçamentários já afetam o ritmo das operações, sabe-se que, somente na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai, a média mensal caiu de seis para uma.

Fui 
Paulo Skaf já avisou à cúpula do PSB que está a um passo de se tornar ex-neossocialista: o presidente da Fiesp marcou para a próxima semana sua entrada no PMDB de Michel Temer.

Ecumênico 
E o vice-presidente, que foi à beatificação de João Paulo 2º acompanhado de Gabriel Chalita, outro nome do PSB prestes a ingressar no PMDB, prestigia hoje em São Paulo a nomeação de dois peemedebistas para o secretariado do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Jihad 1 
Prestes a ser aclamado presidente do PSDB paulista, o deputado estadual Pedro Tobias publicou artigo no site da Assembleia em que chama de "purificação" a debandada de vereadores tucanos na capital e antevê "outras dissidências", por ele consideradas "necessárias para o resgate da identidade do partido".

Jihad 2 
Tobias, indicado por Geraldo Alckmin para disputar a convenção do próximo sábado, afirma em seu texto que o governador "como todo bom cristão, tem sido tolerante com aqueles que cuspiram no próprio prato". E considera virtuosa a ação da cúpula tucana de "cortar a própria carne em defesa do crescimento qualitativo".

Lost... 
O programa de bolsas para alunos da rede estadual em escolas privadas de idiomas, criado por José Serra e recém-extinto por Alckmin sob alegação de custo e índice de evasão elevados, constava na plataforma de campanha do tucano ao Bandeirantes.

...in translation 
No documento que listava os "45 compromissos do Geraldo para fazer SP crescer", o então candidato a governador prometia levá-lo a 600 mil estudantes, o que agora pretende fazer apenas nos centros mantidos pelo Estado.

Reparação O governo paulista libera neste mês o último lote de 158 indenizações a anistiados políticos, cujos pedidos são avaliados desde 2001. Receberão entre R$ 22 mil e R$ 39 mil parentes e vítimas de tortura na ditadura, entre os quais Eduarda Leite, filha de Eduardo Colen, o Bacuri, militante da ALN morto na prisão.
com FABIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio

"Se o Código Florestal do Aldo Rebelo valesse nos anos 70, os companheiros dele nem sequer teriam ido ao Araguaia, porque não haveria mais mata onde se esconderem."
DO DEPUTADO FERNANDO MARRONI (PT-RS), sobre o que considera "permissão para desmatar" embutida no texto do deputado do PC do B.

Contraponto

Esta é sua vida

Em reunião com representantes do funcionalismo paulista, o secretário Julio Semeghini (Gestão Pública) foi surpreendido por uma senhora octogenária, professora aposentada, que ao final das reivindicações informou aos presentes ter uma revelação a fazer.
Ela então contou que era amiga de uma certa dona Esmeralda, ninguém menos do que a pessoa responsável pela feitura dos docinhos no primeiro aniversário do secretário, em Fernandópolis. O tucano confirmou:
-Vejam só que mundo pequeno é este! Dona Esmeralda era mesmo vizinha da minha mãe!