domingo, maio 01, 2011

MÔNICA BERGAMO - ABELHA RAINHA


ABELHA RAINHA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/11

Paula Toller comanda a volta do Kid Abelha e diz que fama de temperamental é elogio


Paula Toller, 48, chega cedo para a passagem de som do primeiro show de "Glitter de Principiante", a turnê de reencontro do Kid Abelha, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Três anos depois de se dedicarem a carreiras solo, os integrantes do grupo (além dela, o saxofonista George Israel e o guitarrista Bruno Fortunato) se juntaram para um roteiro de apresentações e a gravação de um DVD que celebrará, no ano que vem, os 30 anos de criação da banda.

No próximo sábado, 7, eles tocam no Credicard Hall, em São Paulo. No dia 14, no Citibank Hall do Rio.

No Paraná, a ansiedade era grande. "Estou há três dias sem dormir", dizia Mauro Benzaquem, empresário da banda. "A Paula também. É a capitã da nave. Não quer conversa até ver que tem o show", afirmava à repórter Thais Bilenky.

O cenário encomendado não ficou pronto a tempo e a equipe teve que improvisar: instalou um painel de LED onde eram exibidas figuras de elefantes, letras de músicas e...Israel e Fortunato se mantinham relaxados. Já Paula gesticulava, inspecionava a mesa de som, conversava com os músicos, dava ordens à equipe.

A produtora Catia Dartora diz às assessoras de imprensa que Paula só queria fotos "descontraídas fake", aparentando espontaneidade, mas ensaiadas. Ficam todas tensas. Nem isso acontece: a cantora se tranca no camarim quase duas horas antes do show.

O guitarrista afirma que ele e o saxofonista cuidam "mais da parte instrumental". "A Paula quis ficar à frente do conceito. Estamos deixando ela à vontade."

Nos três anos em que tocou sua carreira solo, Paula descobriu que estava com diabetes. Em 2009, foi ao dermatologista e, por acaso, diagnosticou a doença. "Estava magra demais e o médico desconfiou. Foi um baque, mas agora já estou me adaptando, embora tenha que seguir uma rotina de alimentação e exercícios rígida, usar insulina", conta.

Pouco antes do show, ela deixa o camarim. Recebe elogios pelo visual, aos quais não responde. Um produtor aborda a cantora: o governador do Paraná, Beto Richa, está na plateia. Quer visitá-la depois do show. "Qual é o nome dele?", pergunta ela.

Com uivos de "Gostosa!", o público recepciona Paula e o Kid Abelha. Ela segue em sua performance. "Gosto que me admirem no palco, na TV. O Lui [Farias, seu marido], me dá o maior apoio. Fiquei muito mais bonita depois que me casei com ele", diz. Evita proximidade maior com os fãs. "Ela não gosta de flashes, nem que toquem nela. Dou logo um tabefe quando começam a abraçar", diz um de seus seguranças.

Numa apresentação em João Pessoa, nos anos 90, uma cozinheira invadiu o palco. Ao tentar se afastar, a cantora levou um arranhão no braço. Sangrando,interrompeu o show e foi ao Instituto Médico Legal fazer exame de corpo de delito. "Ficou buzinando por séculos. "Como você deixou essa maluca entrar?!'", diz o segurança.

No palco, Paula conta que a canção "Dizer Não É Dizer Sim" nasceu depois de seu psicanalista observar que suas letras começavam com negativas: "Não estou disposto...", "Nada sei...". À coluna, ela diz que "tinha muito problema com inspiração, era cheia de não me toques. Agora, se tenho que escrever, vou lá e escrevo".

O espetáculo acaba. Richa está a postos no camarim. Dá beijos nas bochechas da cantora. "Sou seu fã desde sempre." Ela não responde. Ele pede para tirar uma foto, mas a bateria da máquina acaba na hora errada. Fãs fazem fila na porta do teatro.

Quarenta minutos depois, a cantora dá o ar da graça. Senta-se no chão com os fãs por cinco minutos e posa para uma foto coletiva. Ilizandro Schmit, 28, trouxe CDs da banda, mas ela não os autografa. Passada a bagunça, ele percebe que sua câmera sumiu. "Não merecemos esse tratamento. É melhor vocês dizerem: "A Paula não vai atender. Vão embora, por favor". Aquela foto [coletiva] ninguém vai querer."

A cantora tem fama de temperamental. "É um elogio", rebate Paula Toller. "Eu me exijo muito, sofro com as coisas, não durmo se tem algo errado. Tenho o prazer de trabalhar com gente talentosa e que se compromete." Segundo seu empresário, o combinado dela é: "Eu não erro, você não erra. Ok?". Reservada, só sai com os amigos. "Não faço "presença de celebridade". Meu trabalho é com música."

ILIMAR FRANCO - Fala o povo


Fala o povo 
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 01/05/11

Os adversários da adoção do voto em lista querem que os eleitores sejam ouvidos sobre a mudança no sistema eleitoral. Apostam que a população dirá não, como disse no plebiscito sobre o desarmamento. O primeiro passo foi dado, no Senado, com a aprovação de um referendo. “O povo não nos deu delegação para mudar o processo no qual ele escolhe seus representantes na Câmara”, sustenta o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Voto em lista e voto indireto
A mobilização contra a adoção do voto em lista está recebendo o apoio da Fecomércio de São Paulo. Seu presidente, Yves Gandra Martins, após consultar juristas, concluiu pela inconstitucionalidade da adoção da lista, alegando que ela fere cláusula pétrea da Constituição. A comissão de reforma política do Senado aprovou o voto em lista, mas seu presidente, Francisco Dornelles (PP-RJ), foi
voto vencido. Ele afirma: “O artigo 60 da Constituição, em seu parágrafo quarto, inciso segundo, diz que não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: o voto direto, secreto, universal e periódico”.

"O governo brasileiro deveria criar um Plano de Aceleração do Desenvolvimento Sustentável, com foco na economia verde de baixa emissão de carbono e alta inclusão social” — Jorge Viana, senador (PT-AC)

QUEDA DE BRAÇO. O movimento de mulheres e a Secretaria de Políticas para as Mulheres estão em pé de guerra por causa da Rede Cegonha, programa de atenção a grávidas. Trata-se de promessa de campanha da presidente Dilma. As feministas acham que essa bandeira do governo perpetua a imagem da mulher como “reprodutora”. A ministra Iriny Lopes (foto) rebate dizendo que não é aceitável que mulheres morram de parto no século XXI. 

Polvorosa
Os parlamentares da base aliada e até da oposição estão chiando pelos cantos. Estão incomodados com as substituições dos comandantes da Polícia Rodoviária Federal nos estados. Está sendo feita uma faxina ampla, geral e irrestrita.

De quem é?
O machucado PMDB diz que é o pai da criança. Mas o verdadeiro padrinho do novo diretor jurídico da Itaipu Binacional, Nildo Lubke, é o deputado Ratinho Junior (PSC-PR). Nildo foi secretário de Ciência e Tecnologia do Paraná.

Surpresas
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) se recusou a assinar requerimento de sua colega de bancada, Marta Suplicy (PT-SP), para desarquivar o projeto que torna crime a homofobia. Gleisi alegou que tem muito voto evangélico. Preparada para ouvir um “não”, Marta abordou o senador Roberto Requião (PMDB-PR). Para sua surpresa, ele topou: “Eu sou da comunidade. Só não sou sócio-atleta”, disse ele, em um raro bom humor.

Clima ruim
Senadores do PT alertaram o Palácio do Planalto quanto ao risco de uma rebelião da base aliada, sobretudo no PMDB, nas próximas votações. A insatisfação é, principalmente, com as nomeações para os cargos de segundo escalão.

Bloquinho

O PSB e o PCdoB terão posição comum na reforma política. Por enquanto, há consenso a favor do financiamento público e contra o voto distrital. O PCdoB não quer o fim das coligações proporcionais e o PSB é contra o voto em lista.


 O ITAMARATY apoia o projeto que acaba com o sigilo eterno de documentos oficiais. 
 IGUALDADE. A prioridade da ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial) é combater a alta taxa de mortes violentas entre jovens negros. A estratégia é investir em inserção na educação e na redução da pobreza.
● A SENADORA Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) reclamou com o ministro Pedro Novais (Turismo) que o aeroporto de Parintins está fechado a dois meses da festa folclórica que recebe cem mil turistas.

BRASILEIRO

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Ganso se junta com Pato!


Ueba! Ganso se junta com Pato!
JOSÉ SIMÃO 
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/11

E a dúvida do Dia do Trabalho: todo sindicalista tem a voz rouca ou o carro de som que tá com defeito?


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Sacanagem! Trabalhador só se ferra: Dia do Trabalho caiu num domingo. Não dá nem pra fazer feriadão. E sabe o que eu vou fazer agora no Dia do Trabalho? Deitar na grama pra ficar vendo formiga trabalhando. E depois ginástica anti-estresse: contar dinheiro. A coisa mais relaxante do planeta é contar dinheiro, notas de cem euros. E Dia do Trabalho na avenida Paulista eu não vou, é muito burguês. Bom mesmo era antigamente: em São Bernardo, com show de Beth Carvalho e Kleiton e Kledir, com o Lula falando mal do governo.
E a grande dúvida do Dia do Trabalho: todo sindicalista tem a mesma voz rouca ou o carro de som que tá com defeito? E quem inventou o trabalho não tinha porra alguma pra fazer. Rarará! Dia do Trabalho mesmo é segunda-feira com chuva e 200 km de congestionamento!
E a Dilma no Dia do Trabalho teve um trabalhão: cabelo, make, terninho e botox! Aliás, minto, o que eu mais gosto na Dilma é que ela repete roupa e o botox tá vencido. E quando ela dá adeus, o corpo todo treme, balança como gelatina. Ou ela malha ou dá adeus! Rarará!
Ou como diz um amigo meu: se o mundo gira, vou esperar o meu emprego passar aqui em casa! E o Ganso? Vai pro Milan. O time do Berlusconi, Berluscome Todas. Já tem o Pato e o Ganso. E o Berlusconi entra com o pinto. A próxima contratação do Berlusconi vai ser uma galinha!
E o Dentinho que tá com problemas estomacais? Isso que dá namorar a Mulher Samambaia. Samambaia é pra plantar, não é pra comer.
E um leitor me passou um e-mail: "Sou funcionário público em vias de aposentadoria e pretendo encerrar minha carreira no Corinthians". Rarará. Ele tem os requisitos: aposentado, já jogou melhor que joga hoje e é corintiano há muito mais tempo que o Adriano e o Ronaldo. Aliás, qualquer um é corintiano há mais tempo que o Adriano e o Ronaldo.
E adorei essa placa: "Não vendo essa casa por dinheiro NEM UM". E mais uma série de Predestinados! Dono do bar Jacobina em Curitiba: Délio CANABRAVA! E o neurologista Hideraldo CABEÇA! E um amigo foi ao banco e a gerente se chamava Fátima BOLETO! E o coloproctologista Guilherme PINTO BRAVO! E em Rio Grande da Serra tem uma loja Elétrica Irmãos Preguiça!
E sabe como vai ser a fusão do PSDB com o DEM? FHUDEM, Fernando Henrique Unido ao DEM. Nóis sofre mas nóis goza! Que eu vou pingar meu colírio alucinógeno!

FERREIRA GULLAR - Melhor seria se não começasse


Melhor seria se não começasse
FERREIRA GULLAR 
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/11

ESTOU COMEÇANDO a ficar grilado com os inícios de ano. Até recentemente, não me preocupava com isso. Cheguei mesmo a escrever um poema em que dizia não ver, nas estrelas do céu nem nas coisas do chão, qualquer sinal de que um ano novo começa. E concluía: "Começa como a esperança de vida melhor / que entre os astros não se escuta nem se vê / nem pode haver: / que isso é coisa de homem / esse bicho estelar / que sonha e luta". Coisa de poeta, porque, na verdade, como vim a perceber depois, todos os anos, passado o Réveillon e o Carnaval, começam brabos: é IPTU, é IPVA, é declaração de Imposto de Renda, é aumento de mensalidade do plano de saúde e o mais que nem se espera!

Este ano, além de tudo o mais, decidiram atormentar-me com o plano de saúde conhecido por Geap. Uma tortura! Por isso, embora ainda estejamos em abril, penso que, findo este, outro ano começará -e entro em pânico. Vou ter que enfrentar tudo isso de novo?
Vejam como as coisas mudam para pior. Antigamente, ao ver terminar o ano, enchia-me de otimismo. E não só eu, tanto que desde que me entendo, ouço dizerem: "Ano novo, vida nova". Pode até ser, mas, antes de começar a vida nova, caem-me na cabeça as mesmas velhas aporrinhações.
Devo admitir que os problemas se tornam piores por culpa minha. Não sou um bom exemplo de organização, além do mais, confio na lógica, uma lógica que seria favorável a pessoas como eu, não muito afeitas à burocracia.
E assim é que, de repente, recebo uma intimação da Receita Federal para ir lá comprovar o que declarei no Imposto de Renda. Os carnês do plano de saúde estão no envelope, não tenho que me preocupar, mas há duas outras exigências, relativas a dependentes, cujos documentos sumiram. Depois de buscá-los, inutilmente, no envelope onde guardei a declaração, decidi procurá-los em outros envelopes, depois em outras gavetas, depois pela casa inteira. Nada. Estou frito, concluí.
Bem, esse problema está em aberto, espero que não me metam no xadrez. Minha sorte é que conto com a boa vontade das pessoas que me atendem. Não obstante, o estresse me domina.
E me domina porque, como se não bastasse, sumiu também o boleto do IPTU da garagem (como meu edifício não tem garagem, comprei uma vaga na garagem mecânica, aqui perto). E o boleto sumiu. Dano-me a procurá-lo, resmungando, por todas as gavetas. Pergunto à faxineira, que me olha espantada. IPTU? Que diabo é isso?
Deito-me no sofá para relaxar. E eu recebi mesmo esse boleto? Vou até a garagem: o boleto estava lá, à minha espera. Coisa que só acontece no começo do ano, quando nos cobram IPTUs, IPVAs... IPVA?! Acho que não paguei o IPVA do carro! A placa termina em zero, vai ver que o prazo já venceu! Se venceu, como vou fazer a vistoria? E, sem vistoria, não vou poder andar com o carro. Era só o que me faltava!
Telefono para o Detran e recebo uma boa notícia: o prazo foi ampliado, posso ir ao banco e pagar o IPVA. Aliviado, dirijo-me à agência bancária mais próxima e pago o IPVA no caixa eletrônico, que emite um recibo. Bem, agora é só marcar a vistoria.
Ligo para o Detran, dou o número da placa e do Renavam. "O IPVA de 2011 não está pago, meu senhor." Como não está pago, se acabo de pagá-lo e tenho comigo o recibo? O funcionário me aconselha a ligar para a Receita Estadual, mas, após 50 inúteis tentativas, decido ir ao banco e descubro que o valor do IPVA não foi abatido em minha conta, ou seja, o caixa eletrônico me enganou: fez que pagou e não pagou.
Como estão vendo, em começo de ano, comigo acontece de tudo. Fui ao guichê, paguei, peguei o recibo mas continuei receoso; mas, no dia seguinte, pude marcar a vistoria. Aquela noite, dormi em paz. Mas foi só aquela noite, porque, no dia seguinte, chegou a carta do Geap, convocando-me a comprovar tudo o que já está lá comprovado há 30 anos. Fui e me deparei com uma fila sem fim. Deram a senha de número 898... E, como se não bastasse, leio nos jornais que a polícia apreendeu a carteira de motorista de Aécio Neves, por estar vencida. E a minha? Vou ver: venceria em três dias!
Não haveria um jeito de, daqui para a frente, nenhum outro ano começar?

JAPA GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Quem vem
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/05/11

A princesa de Kent, casada com um primo-irmão da Rainha Elizabeth, chega a SP na semana que vem para lançar seu livro Coroadas em Terras Distantes. Uma biografia de oito princesas europeias que, por casamento, tiveram que viver longe de suas pátrias.

Uma delas afeta diretamente o Brasil: a vida da Imperatriz Leopoldina. As outras levantaram a história de Catarina, da Rússia, Maria Antonieta e Eugênia de Montijo, da França, Maria Carolina, de Nápoles, Vitória, da Alemanha, Alexandra, da Inglaterra, e Maria Feodorovna, czarina da Rússia.

Detalhe: Marie-Christine Agnes Hedwig Ida von Reibnitz não nasceu princesa e, sim, baronesa. É filha de antigas linhagens austríacas, boêmias e húngaras.

Iceberg

O salário pode não ser muito, mas funcionários da Marinha ao menos comem bem. O País gastará este ano mais de R$ 1 milhão em... sorvetes. E R$ 1,8 milhão com toucinho, orelha de porco, linguiça de paio e calabresa.

Os itens vão para bases militares de cinco cidades do RJ.

Fica assim
Pouco a pouco, a Claro vem perdendo liderança para a TIM na gestão do mexicano Carlos Zenteno. Tanto assim que os italianos, que chegaram a cogitar a venda da empresa para a Vodafone, nem pensam em se desfazer da joia da Coroa.
Mudança
Fábio Assunção cancelou o contrato de escritório alugado em cima do restaurante Tappo, em São Paulo. Vazou a notícia de que o ator trabalhava ali e ele achou que perdeu... Privacidade.


Detalhes
nem tão pequenos...


1. Há quem tenha medo dela ou que não cultive sua simpatia. Mas todos a respeitam.

2. O famoso "sim" que o mundo inteiro ouviu com expectativas dignas de contos de fadas.

3. À parte de Kate Middleton, foram "mini" princesas que chamaram a atenção.

4. E em tempos de marketing monárquico, toda criatividade é bem-vinda na capital britânica.
5. O sabor pouco importa. No entanto, a decoração...

6. E nem essa condessa escapou da febre das tiaras.

Responsabilidade social


A comunidade judaica faz hoje caminhada contra a intolerância e a discriminação. Os participantes seguirão silenciosamente até o Cemitério Israelita do Butantã.

O SOS Mata Atlântica avisa: será dia 19 o Viva a Mata. Além de comemorar os 25 anos da ONG, o objetivo do evento é a troca de informações para conservação deste Bioma. No Porão das Artes, no Parque do Ibirapuera.

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro foi escolhida para oferecer mestrado em Práticas de Desenvolvimento Sustentável. Ofertado em 22 universidades de 15 países.

A Fundação Itaú Social promove encontros em 31 municípios brasileiros. Motivo? Mobilizar a sociedade para os direitos das crianças e adolescentes. Parceria entre voluntários do Itaú e conselhos de direitos locais.

O Instituto Alpargatas fechou balanço: beneficiou mais de 70 mil crianças e adolescentes com projetos na área de educação no ano passado.

O Instituto C&A comemora. Participa de encontro internacional de educação em Honolulu, Havaí. A partir de terça.

O Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente completou 20 anos: com a participação de mais de 4 milhões de crianças e adolescentes.

A incorporadora Yuny ajudará o Lar Criança Feliz, na Vila Olímpia, este mês. Por meio da Lynx, está oferecendo educação ambiental às escolas presentes no entorno da empresa.

Anderson Bueno pilota curso de automaquiagem para pacientes do HC. Terça.

JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS - A inflação no topo da meta


A inflação no topo da meta
JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS
O Estado de S.Paulo - 01/05/11

Em algum momento do início de maio a inflação vai ultrapassar o topo da meta, estabelecido em 6,5%. Mais do que isso, para a maior parte dos analistas e para nós, da MB, a alta dos preços vai seguir se acelerando até ultrapassar os 7% na metade do ano. Na verdade, a ultrapassagem do teto de 6,5% surpreendeu a todos, pois ocorreu antes do esperado, que era julho ou agosto.

Antes de prosseguir, gostaria de chamar a atenção para um ponto. Percebemos em várias manifestações uma tentativa de desqualificar a pesquisa Focus, que o Banco Central realiza semanalmente há muitos anos. Nela, mais de uma centena de bancos, analistas e empresas registram suas projeções e expectativas para a inflação e outras variáveis, com acertos e erros médios semelhantes às estimativas do Banco Central, como vários exercícios realizados por diferentes analistas mostraram.

No período recente, a pesquisa certamente estava correta, pois a inflação de fato vem se elevando de forma importante. Neste espaço, eu mesmo venho alertando desde agosto do ano passado (quando a inflação em 12 meses estava em 4,5%) que a inflação iria subir significativamente.

A pesquisa pode ser, sem dúvida, aprimorada, mas o que chama a atenção é a frequente sugestão que as projeções de inflação seriam sempre viesadas para cima, de sorte a influenciar na elevação da taxa de juros, beneficiando o sistema financeiro em detrimento do chamado lado real. Temos aqui uma má aplicação da teoria da conspiração, pois o que faz com que os bancos ganhem dinheiro, mesmo, é uma forte expansão da carteira de empréstimos, com baixa inadimplência, o que só ocorre quando a taxa de juros está caindo, e não se elevando. Basta olhar os dados recentes da relação crédito/PIB.

Voltando ao debate atual, este pode ser entendido a partir dos seguintes elementos:

1. Diagnóstico da inflação atual: desde julho passado, as autoridades insistem em declarar que a inflação brasileira é fruto apenas de uma elevação nos preços internacionais das commodities e apontam a estabilidade da utilização de capacidade produtiva como uma indicação da ausência de pressão da demanda, derivada do aquecimento da economia. Ora, sabe-se que a forte elevação das importações tem substituído em parte a produção nacional; confunde-se aí uma alteração na composição da oferta (via elevação das compras no exterior) com ausência de pressão da demanda. Esta pode ser facilmente vista no mercado de trabalho e em suas consequências, especialmente na forte inflação de serviços, que caminha para ultrapassar os 9% em bases anuais. A pressão dos serviços e a indexação, ainda existente na economia brasileira, junto com os preços de alimentos, petróleo e matérias-primas, explicam o esticão atual da inflação. Neste sentido, perde muita força o argumento, frequentemente utilizado, de que não teremos pressão na oferta, pois o BNDES vem financiando a expansão da capacidade. Ora, o banco faz muitas coisas, mas certamente não eleva a oferta de mão de obra nos volumes exigidos hoje pelo País. O problema, como se sabe, decorre das enormes limitações de nosso sistema educacional.

O diagnóstico das autoridades ainda deixa de observar a evidente modificação nas políticas de formação de preços na economia. Quando a inflação estava mais próxima da meta, o normal para as empresas era utilizar a política de preços como instrumento de competição e de reposicionamento de produtos. De um tempo para cá, o maior objetivo de muitos setores é repassar custos que têm subido muito aceleradamente. Disse-me um executivo de uma grande empresa que tomou um susto ao preparar a primeira versão de seu orçamento, pois todos os principais itens (salários, matérias-primas, logística, energia, etc) haviam subido mais de 8% durante os últimos 12 meses.

Os níveis relativamente elevados dos índices de difusão da inflação (que medem a cada mês quantas categorias de produtos têm se elevado em relação ao total) refletem, a meu juízo, uma piora na questão inflacionária. Tentei apontar neste espaço a impropriedade do diagnóstico das autoridades já em outubro do ano passado, quando concluí minha coluna dizendo que "o Banco Central ainda vai se arrepender amargamente por declarar vitória prematura no quesito inflação" e também em meu artigo no início de fevereiro.

2. Estrutura da política econômica: como se sabe, ela é constituída de três partes - uma proposta de corte de gastos de R$ 50 bilhões, a utilização de medidas macroprudenciais e uma elevação gradual da taxa de juros básica. Com esta estrutura, espera-se uma convergência para a meta de 4,5% em dezembro de 2012.

Existem, entretanto, várias dúvidas quanto à eficácia de tal arranjo. Em primeiro lugar, há poucas evidências de que o ajuste de despesas esteja mesmo sendo feito, como atestam as discussões com o Congresso quanto ao efetivo corte nos chamados restos a pagar. A despesa é mesmo rígida e o inchaço da máquina torna muito difícil qualquer economia significativa no custeio; como não se deseja reduzir o investimento, a meta fiscal fica mais uma vez, e sem surpresa, dependente da elevação de tributos, onde o IOF vai tendo papel crescente.

Em segundo lugar, existem sérias dúvidas quanto à eficiência das medidas macroprudenciais. Este conjunto de medidas, bem ao gosto do Brasil, nada mais é do que um novo nome para uma velha prática, o controle do crédito. Já vi em minha vida profissional várias rodadas destes controles: estes são em geral ultrapassados por novos tipos de operações ou pela reedição de práticas antigas. Por exemplo, cheques pré-datados e leasing não pagam o novo IOF.

O resultado, em geral, é o seguinte: os efeitos dos controles de crédito não só demoram muito a aparecer como também criam distorções. Para funcionar mesmo, só com doses maciças, o que termina com o que não se deseja, que é a redução drástica do crescimento.

3. Consistência de objetivos e expectativas: finalmente, o que fica claro das declarações das autoridades governamentais é que a política econômica atual tem muitos objetivos, sendo muitos deles conflitantes. O governo quer ao mesmo tempo: (I) trazer a inflação para a meta, mas manter o crescimento em 5%; (II) quer reduzir o aumento do consumo, mas manter os gastos com investimento, que, a despeito de seus efeitos positivos sobre a inflação no médio prazo, no curto prazo, implicam em aumento da demanda; (III) quer fazer ajuste fiscal, mas com cortes pequenos nas despesas de custeio e sem aumento nos impostos; (IV) quer controlar o crédito, mas de forma extremamente seletiva; (V) quer ainda evitar uma maior apreciação da taxa de câmbio. Enfim, uma tarefa impossível, cujo efeito na verdade é uma piora no ambiente econômico. Já vimos no passado, no período de alta inflação, que quanto maior a incerteza sobre o desempenho futuro da economia, menor é a eficiência da política monetária, pela maior utilização de mecanismos formais e informais de indexação.

Assim, controlar a inflação exigirá mais esforço e, antes de tudo, a aceitação, por parte das autoridades, de que não será possível controlá-la apenas com medidas pontuais ou de pequena envergadura, que não limitem de fato a expansão da demanda. Neste aspecto, uma política fiscal mais severa seria fundamental.

ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

BRAZIU: O PUTEIRO

MERVAL PEREIRA - Liberdade de imprensa


Liberdade de imprensa
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 01/05/11

Começa hoje em Washington um seminário jornalístico patrocinado pela Unesco para comemorar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Sob o tema geral "21st Century Media: New Frontiers, New Barriers" ("Meios de comunicação no século 21, novas fronteiras, novas barreiras", em tradução livre), durante três dias jornalistas de todo o mundo dedicados à defesa da livre expressão estarão debatendo no Newseum e no National Press Club a liberdade dos meios de comunicação na era digital.

Essa comemoração do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, a 3 de maio, acontece 20 anos depois da Declaração de Windhoek, onde jornalistas africanos proclamaram que a liberdade de imprensa é essencial para a democracia e o desenvolvimento econômico das nações.

Os debates destacarão as novas plataformas de comunicação que estão transformando a maneira como os cidadãos em todo o mundo recebem e compartilham informações, e também as novas ameaças de censura.

Um público que será alvo especial de debates são os "Digital Natives: The New Media Generation", jovens alfabetizados na era digital que cresceram junto com as novas tecnologias.

Esses jovens constituem a maioria em diversos países, e é preciso saber como eles recebem e compartilham informações na era digital, e como essa nova maneira influenciará no engajamento dessa geração no debate público.

A sessão de abertura constará de uma apresentação do levantamento anual da Freedom House, uma ONG dedicada à defesa das liberdades democráticas, em especial a de informação, sobre a situação da liberdade no mundo, seguida do primeiro debate sobre o estágio atual da liberdade de imprensa no mundo, e de que maneira os meios de comunicação digitais, as redes sociais (como Facebook) e as plataformas móveis (como os Ipads) estão ajudando a expandir o acesso à informação, e quais os bloqueios que estão sofrendo.

O moderador deste painel será o jornalista brasileiro Rosental Calmon Alves, fundador e diretor do Centro Knight para Jornalismo nas Américas.

O jornalista Bob Woodward, editor associado do jornal "Washington Post", famoso pelo caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Nixon, vai fazer uma palestra sobre como repórteres e fontes atuam hoje, na era digital, em comparação à época em que sua principal reportagem foi publicada, no início da década de 1970, baseada principalmente em uma fonte anônima que só recentemente foi revelada ao público.

Ainda em plena atividade, Bob Woodward pode ser o exemplo do repórter que liga duas gerações, desde a cobertura do Watergate até a dos recentes movimentos de insurreição nos países árabes, período em que os instrumentos do jornalismo mudaram radicalmente.

A partir da experiência recente, em que documentos secretos são vazados pela internet e as fontes de informação ficam cada vez mais vulneráveis e expostas, alguns pontos fundamentais serão debatidos: o crescente número de plataformas alternativas pode garantir a proteção das fontes?

Jornalistas profissionais e os chamados "jornalistas cidadãos" podem trabalhar em conjunto? A legislação desenhada na era pré-digital está adequada às novas formas de reportagens e à necessidade de transparência?

Outro painel debaterá o papel da mídia tradicional e o da mídia digital na formação do cidadão do século 21, e até que ponto os novos canais de comunicação estão ampliando a liberdade de imprensa.

A censura na era digital será debatida em outro painel, promovido pela agência Associated Press, que reunirá quatro jornalistas de países que enfrentam ameaças à liberdade de imprensa com os governos utilizando-se das novas tecnologias para promover vigilância e ameaças digitais e outras formas de censura.

O painel será conduzido por Kimberly Dozier, um veterano correspondente internacional da AP e especialista em questões de segurança internacional.

Eu serei o mediador de um painel que debaterá o papel da mídia tradicional no novo mundo da informação.

Partindo do pressuposto de que a mídia tradicional, vista como uma plataforma multimídia, continua sendo uma importante distribuidora de notícias e informações, vamos debater como os jornais e as televisões estão integrando as novas tecnologias.

Katharine Zeleski, produtora-executiva para novos produtos digitais do "Washington Post", vai falar sobre a experiência de integração de mídias nos últimos tempos, e se essa operação afetou a qualidade dos serviços.

Mesfin Negash, da Etiópia, hoje trabalhando a partir da Suécia usando a internet e mídias sociais, vai falar de sua experiência de passar de uma publicação impressa para on-line, e como ele interage com etíopes em todo o mundo com sua publicação on-line.

Tatiana Tikhomirova, diretora-executiva de treinamento de mídia na Escola Superior de Jornalismo da Rússia, vai falar sobre como as novas mídias digitais e as novas plataformas de relacionamento social influenciaram o currículo das escolas de jornalismo na Rússia.

É possível ensinar princípios jornalísticos para estudantes que vivem num mundo em que o jornalismo é feito através de blogs? Como ensiná-los a incorporar valores que assegurem jornalismo de qualidade, com responsabilidade na checagem de informações no ambiente de blogs?

Outro debatedor será Larry Kilman, dirigente da Associação Mundial de Jornais e Editores (Wan-Ifra), que falará como os jornais associados estão se adaptando ao surgimento da era digital.

A experiência de editores na América do Norte e partes da Europa Ocidental, que sentem uma erosão na circulação paga dos jornais e a queda da receita publicitária, se repete em outras partes do mundo, ou poderá se repetir à medida em que as tecnologias de comunicação digital forem ganhando espaço?

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Banco Central autoriza criação de dois bancos
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/11

O Banco do Brasil autorizou a criação do Banco Caterpillar S.A. e do Banco Vipal. A aprovação saiu em reunião da diretoria do BC na quarta-feira passada.
A Caterpillar Financial Arrendamento Mercantil teve autorização para passar a operar como banco, com carteira de investimentos, arrendamento mercantil e crédito.
A expectativa é que continue a repassar financiamento de máquinas e equipamentos do BNDES (Finame), que já era o forte da financeira do grupo.
A empresa encerrou 2010 com uma carteira de crédito de arrendamento mercantil superior a R$ 2 bilhões.
O patrimônio de referência é de R$ 312 milhões, com índice de Basileia de 12,4%. O nível de capitalização mínimo exigido pelo BC é de 11%.
A projeção de crescimento da carteira de crédito da instituição para os próximos cinco anos é de 10% a 20%.
Presente no país há 57 anos, a empresa tem sede em São Paulo e sua maior fábrica em Piracicaba.
A companhia produz tratores, escavadeiras e geradores, entre outros maquinários e exporta parte da produção para mais de 120 países.
O Banco Vipal, por sua vez, passa a atuar como banco múltiplo e deve continuar com foco no financiamento a clientes da companhia.
O grupo gaúcho é um dos maiores produtores de borrachas e plásticos do Brasil e exporta para sete países.
O patrimônio da financeira é de R$ 29,8 milhões, com índice de Basileia de 24,40%.

CARRO NA ESTRADA
A locadora de veículos brasileira Movida Rent a Car planeja investimentos de cerca de R$ 120 milhões para triplicar sua frota até 2014.
A empresa tem hoje 29 lojas no país e uma frota de aproximadamente 3.000 automóveis.
A meta é alcançar as cidades onde a Movida ainda não atua e que receberão a Copa, segundo o diretor-geral, Darcy Barros.
Os investimentos devem ser feitos inicialmente em Manaus (AM), Natal (RN) e Cuiabá (MT).
"Uma parte dos recursos será própria, além de um financiamento com linha de crédito bancário", afirma.

AZUL NO RESORT
A reestruturação do resort Costa do Sauípe, iniciada em 2010, começa a dar resultados, segundo a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
O resort teve lucro líquido de R$ 5,12 milhões nos três primeiros meses deste ano, ante prejuízo de R$ 74 mil no mesmo período de 2010.
Foi o melhor resultado consolidado em um primeiro trimestre nos 11 anos de existência do complexo, de acordo com a Previ.
A taxa média de ocupação subiu de 53% nos três primeiros meses de 2010 para 70% em igual período deste ano.
"Acreditamos no potencial e na capacidade da Costa do Sauípe em gerar bons resultados", diz Ricardo Flores, presidente da Previ.
"O primeiro trimestre mostra a importância de focarmos em uma administração profissional e voltada para resultados", afirma ele.

O QUE ESTOU LENDO
Kátia Abreu, senadora pelo Tocantins
A senadora Kátia Abreu (TO), de saída do DEM para o novo PSD, lamenta não ter lido antes "Irmãos Karamázov", de Fiódor Dostoiévski. "Além da emoção literária, por minha formação em psicologia, estou descobrindo o que levou Freud a considerá-lo a maior obra da história, ao lado de "Édipo Rei" e "Hamlet". As três retratam embates entre pai e filho e devem ter sido essenciais para definir o complexo de Édipo", diz ela. "Há citações emblemáticas, como "todos somos culpados por tudo", que me tocou especialmente." A senadora lê também "1808", de Laurentino Gomes, ed. Planeta do Brasil.

INVASÃO ESTUDANTIL

Com a criação de cursos de português para estrangeiros e de disciplinas ministradas em inglês, as universidades brasileiras têm atraído mais estudantes de outros países.
Desde 2008, o número de estrangeiros aumentou 56% em cinco das principais faculdades de São Paulo. Europeus e americanos são os que mais procuram fazer parte ou toda a graduação no Brasil.
A internacionalização, porém, ainda é modesta, diz a assessora de relações internacionais da PUC-SP, Renée Zicman. "Vivemos uma condição de inserção internacional favorável, mas não há política de atração do governo."
Para a responsável pelo departamento de relações internacionais da Faap, Lourdes Zilberberg, a procura por cursos no Brasil ainda aumentará nos próximos anos. "Estamos mais preparados."

Internacional A Rede Bourbon Hotéis & Resorts faz hoje no Paraguai a pré-inauguração de seu primeiro empreendimento fora do Brasil. A abertura será em setembro.

Sem gelo Começa nesta semana, em nove cidades brasileiras, o Whisky Festival. O evento é parte da estratégia da Diageo para tentar aumentar a penetração da bebida entre brasileiros, que está em 17%, segundo o novo presidente da companhia, Otto von Sothen.

Brasil é 10º país mais responsável com dívida, segundo estudo
O Brasil é hoje o décimo país mais bem preparado para enfrentar seus desafios fiscais, segundo estudo elaborado pela Universidade Stanford e pela organização Comeback America Initiative.
A pesquisa é uma combinação de fatores (capacidade de emitir dívida, ritmo do endividamento e transparência nas contas) e mostra um cenário impensável até poucos anos atrás.
Além do Brasil, o topo da tabela é permeado por países em desenvolvimento, como China e Chile, refletindo as mudanças que ocorreram na economia global a partir da crise ocorrida em 2008.
"Ver o progresso da Austrália e da Nova Zelândia e de mercados emergentes como o Brasil e o México é ótimo. Por meio de disciplina nos gastos e reformas legais, esses países se colocaram em terreno firme", diz Alex Maasry, de Stanford.
Já os Estados Unidos, que recentemente foram alertados pela agência Standard & Poor's de que podem perder a nota máxima para os títulos da sua dívida, aparecem na 28ª colocação, entre os 34 países analisados pelos pesquisadores.
A parte de baixo da tabela é formada por europeus que se endividaram ainda mais com a crise financeira (casos de Portugal, Irlanda e Grécia) e pelo Japão.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e ÁLVARO FAGUNDES

GOSTOSA

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Era uma vez na América



Era uma vez na América
VINÍCIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/11

Espirros americanos não causam mais pneumonia, mas convém notar a rateada do maior PIB do mundo
FAZ MENOS de uma década, era corrente o lugar-comum de dizer que, "quando a economia dos EUA pega um resfriado, a do Brasil cai no hospital com pneumonia".
O último contágio, ou pelo menos o último surto desse clichê, aconteceu durante as crises americanas de 2001-2002, mistura de estouro da bolha pontocom com espirros econômicos causados pelo terrorismo.
Na verdade, porém, o Brasil padecia mesmo é de imunodeficiências autóctones, tais como desordem fiscal, incertezas sérias sobre inflação, dívida externa alta, efeitos restantes do erro do câmbio fixo e ameaças de petismo alucinado.
Agora, o país parece vacinado por um terço de trilhão de dólares em reservas, algo mais em forma nas medidas macroeconômicas e vitaminado pela China. Tanto assim que a gente mal dá bola para as desventuras da economia americana.
A contaminação de origem americana mais relevante, a torrente de dólares derivada da política monetária frouxíssima, é assunto complicado demais para chamar a atenção além das gentes especializadas.
A feia rateada do PIB dos EUA no primeiro trimestre mal foi notada por aqui. Decerto, nosso provincianismo autocentrado e juvenil também pouco se ocupa de saber o que nos causaria um possível, embora ainda remoto, desarranjo chinês, que cairia muito mal. Ainda assim, dado o nosso histórico de dependência americana, causa impressão que a economia deles agora seja nota de pé de página de jornal.
Há uma conversa persistente sobre o risco de estagflação, de crescimento econômico baixo com inflação (faz menos de um ano, temia-se a deflação...). Esse nome feio foi o apelido dado aos problemas macroeconômicos americanos da década dos 1970 e início dos 1980. Não há medida precisa para o fenômeno, mas uma inflação além dos 5% e crescimento inferior a 2% seria um chute razoável para caracterizá-lo.
Pois bem, a economia dos Estados Unidos cresceu pouco mais de 2% nos últimos quatro trimestres ("ano"). A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) está em 2,7%, sobre um ano antes. A medida levada mais a sério pelo Fed, o banco central deles, está em 1,8% (inflação dos gastos pessoais).
O crescimento vai mal, certo -o ritmo do PIB da década passada foi o pior em quase 60 anos. Mas onde está a inflação? Está chegando, dizem os mais ortodoxos.
O Fed não acredita. Projeta para este ano crescimento do PIB em torno de 3,2%, com inflação abaixo de 2%. Para o fogo da inflação pegar, em tese é preciso desemprego baixo -a taxa caiu de 10% em 2010 para algo menos que 9%, ainda alta. De resto, Paul Krugman não cansa de lembrar que o nível de ocupação na economia na verdade não se recuperou após 2008.
Mas o crescimento vai pegar? A venda de casas novas voltou a cair ao nível da Grande Recessão. Entre quem paga prestação da casa, um em cada cinco deve mais que o valor do imóvel -indicador de calote próximo. O investimento das empresas voltou a cair. O preço do petróleo, persistentemente alto mas não explosivo, também faz estrago. O estímulo econômico do gasto do governo acabou. O monetário vai diminuir. Não há cheiro de desastre no ar, nem de estagflação ao estilo anos 1970. Desta vez, a encrenca é diferente. Mas é uma encrenca.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Um novo Brasil


Um novo Brasil 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/05/11
Décadas atrás havia uma discussão sobre a "modernização" do Brasil. Correntes mais dogmáticas da esquerda denunciavam os modernizadores como gente que acreditava ser possível transformar o País saltando a revolução socialista. Com o passar do tempo, quase todos se esqueceram das velhas polêmicas e passaram a se orgulhar das grandes transformações ocorridas. Até mesmo pertencermos aos Brics, uma marca criada em 1999 pelo banco Goldman Sachs, passou a ser motivo de orgulho dos dirigentes petistas: finalmente somos uma economia emergente!

Na verdade, o Brasil é mais do que uma "economia emergente", é uma "sociedade emergente" ou, para usar o título de um livro que analisa bem o que aconteceu nas últimas décadas, somos um novo país (ver Albert Fishlow, O Novo Brasil, Saint Paul Editora, 2011). Para entender as dificuldades políticas que foram transpostas para acelerar estas transformações basta ler a primeira parte de um livrinho que tem o instigante título Memórias de um Soldado de Milícias, escrito por Luiz Alfredo Raposo e publicado este ano em São Luís do Maranhão.

Embora os livros comecem a registrar o que é este novo Brasil - e há outros, além do que mencionei -, o senso comum, especialmente entre os militantes ou representantes dos partidos políticos e seus ideólogos, ainda não se deu conta por completo dessas transformações e de suas consequências.

Os fundamentos deste novo País começaram a se constituir a partir das greves operárias do fim da década de 1970 e da campanha das Diretas-Já, que conduziram à Constituição de 1988. Este foi o marco inicial do novo Brasil: direitos assegurados, desenho de um Estado visando a aumentar o bem-estar do povo, sociedade civil mais organizada e demandante, enfim, liberdade e comprometimento social. Havia na Constituição, é certo, entraves que prendiam o desenvolvimento econômico a monopólios e ingerências estatais. Sucessivas emendas constitucionais foram aliviando essas amarras, sem enfraquecer a ação estatal, mas abrindo espaço à competição, à regulação e à diversificação do mundo empresarial.

O segundo grande passo para a modernização do País foi dado pela abertura da economia. Contrariando a percepção acanhada de que a "globalização" mataria nossa indústria e espoliaria nossas riquezas, houve a redução de tarifas e diminuição dos entraves ao fluxo de capitais. Novamente os "dogmáticos" (lamento dizer, PT e presidente Lula à frente) previram a catástrofe que não ocorreu: "sucateamento" da indústria, desnacionalização da economia, desemprego em massa, e assim por diante. Passamos pelo teste: o BNDES atuou corretamente para apoiar a modernização de setores-chave da economia, as privatizações não deram ensejo a monopólios privados e mantiveram boa parte do sistema produtivo sob controle nacional, seja pelo setor privado, seja pelo Estado, ou em conjunto. Houve expansão da oferta e democratização do acesso a serviços públicos.

O terceiro passo foi o Plano Real e a vitória sobre a inflação, não sem enormes dificuldades e incompreensões políticas. Juntamente com a reorganização das finanças públicas, com o saneamento do sistema financeiro e com a adoção de regras para o uso do dinheiro público e o manejo da política econômica, a estabilização permitiu o desenvolvimento de um mercado de capitais dinâmico, bem regulado, e a criação das bases para a expansão do crédito.

Por fim, mas em nada menos importante, deu-se consequente prática às demandas sociais refletidas na Constituição. Foram ativadas as políticas sociais universais (educação, saúde e Previdência) e as focalizadas: a reforma agrária e os mecanismos de transferência direta de renda, entre eles as bolsas, a primeira das quais foi a Bolsa-Escola, substituída pela Bolsa-Família. Ao mesmo tempo, desde 1993 houve significativo aumento real do salário mínimo (de 44% no governo do PSDB e de 48% no de Lula).

Os resultados veem-se agora: aumento de consumo das camadas populares, enriquecimento generalizado, multiplicação de empresas e das oportunidades de investimento, tanto em áreas tradicionais quanto em áreas novas. Inegavelmente, recebemos também um impulso "de fora", com o boom da economia internacional de 2004-2008 e, sobretudo, com a entrada vigorosa da China no mercado de commodities.

Por trás desse novo Brasil está o "espírito de empresa". A aceitação do risco, da competitividade, do mérito, da avaliação de resultados. O esforço individual e coletivo, a convicção de que sem estudo não se avança e de que é preciso ter regras que regulem a economia e a vida em sociedade. O respeito à lei, aos contratos, às liberdades individuais e coletivas fazem parte deste novo Brasil. O "espírito de empresa" não se resume ao mercado ou à empresa privada. Ele abrange vários setores da vida e da sociedade. Uma empresa estatal, quando o possui, deixa de ser uma "repartição pública", na qual o burocratismo e os privilégios políticos, com clientelismo e corrupção, freiam seu crescimento. Uma ONG pode possuir esse mesmo espírito, assim como os partidos deveriam possuí-lo. E não se creia que ele dispense o sentimento de coesão social, de solidariedade: o mundo moderno não aceita o "cada um por si e Deus por ninguém". O mesmo espírito deve reger os programas e ações sociais do governo na busca da melhoria da condição de vida dos cidadãos.

Foi para isso que apontei em meu artigo na revista Interesse Nacional, que tanto debate suscitou, às vezes a partir de leituras equivocadas e mesmo de má-fé. É inegável que há espaço para as oposições firmarem o pé neste novo Brasil. Ele está entre os setores populares e médios que escapam do clientelismo estatal, que têm independência para criticar o que há de velho nas bases políticas do governo e em muito de suas práticas, como a ingerência política na escolha dos "campeões da globalização", o privilegiamento de setores econômicos "amigos", a resistência à cooperação com o setor privado nos investimentos de infraestrutura, além da eventual tibieza no controle da inflação, que pode cortar as aspirações de consumo das classes emergentes. Para ocupar esse espaço, entretanto, é preciso que também as oposições se invistam do espírito novo e sejam capazes de representar este novo Brasil, tão distante do pequeno e às vezes mesquinho dia a dia da política congressual.


Fernando Henrique Cardoso