quarta-feira, abril 06, 2011

MERVAL PEREIRA - Os rumos da oposição


Os rumos da oposição 
MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 06/04/11

O discurso de hoje do senador Aécio Neves, que está sendo considerado como o primeiro direcionamento sobre o que a oposição deve fazer e qual deve ser o seu comportamento diante do governo Dilma, está construído sobre três pilares: o resgate do papel do PSDB na formação do país atual; a denúncia das contradições entre o que o senador mineiro chama de "mundo cor-de-rosa" da propaganda oficial e o mundo real; e finalmente as propostas de ação.
O tom do discurso é de resgate dos feitos do PSDB para que vivamos hoje num país muito melhor, como Aécio Neves admite, mas ressaltando que, se não fosse o PSDB, não estaria tão bem assim.
Pela primeira vez a oposição, através das palavras de Aécio Neves, assumirá com clareza as privatizações como algo fundamental para o aggiornamento do país: "As mudanças estruturais do governo Fernando Henrique Cardoso, entre elas as privatizações, definiram a nova face contemporânea do país. A democratização do acesso à telefonia celular talvez seja o melhor exemplo do acerto das medidas corajosamente tomadas. Porque é disso que é feito um bom governo: de decisões e não apenas de circunstâncias."
O senador Aécio Neves destacará a importância, entre as "mudanças estruturais", da Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada com o voto contrário do PT, e do Proer, relembrando que o mecanismo, que hoje é apontado pelo governo petista como um exemplo para o mundo depois da crise financeira de 2008, foi duramente criticado pelo PT:
"Para suportar as crises econômicas internacionais cíclicas - e já foram muitas - e salvaguardar o sistema financeiro nacional, estruturamos o Proer, sob as incompreensões e o ataque cerrado dos nossos adversários. Os mesmos que o utilizaram para ultrapassar o inferno da crise de 2009 e que o apresentam agora como exemplo de boa governança para o mundo."
Um bom resumo para essa parte do discurso seria a frase: "Sempre que precisou escolher entre o Brasil e o PT, o PT ficou com o PT."
E Aécio Neves relembrará: foi assim quando não apoiou o governo de Itamar Franco (hoje senador oposicionista pelo PPS) num momento difícil, foi assim no Plano Real "porque o Lula estava à frente das pesquisas", foi assim na Lei de Responsabilidade Fiscal.
O senador mineiro, enfim, cobrará a generosidade que faltaria ao PT de reconhecer que o país atual foi "uma construção de muitos brasileiros, não de apenas um governo".
No segundo pilar, sobre as contradições entre o Brasil da propaganda governista, que vem desde a campanha presidencial, e o Brasil real, Aécio Neves fala sobre os desafios que vê pela frente.
Em primeiro lugar, registra que o governo Dilma, apesar dos esforços para exibir uma personalidade própria, não passa do nono ano de governo petista, "não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos".
Critica diretamente a ação do governo na sucessão da presidência da Vale do Rio Doce: "(...) não posso crer que seja interesse do país que o governismo avance sobre empresas privadas, com o objetivo de atrelá-las às suas conveniências. Como se faz, agora, sem nenhum constrangimento, com a maior empresa privada do Brasil, a Vale."
Aécio Neves alerta para a necessidade de não se perder o controle da inflação e destaca os problemas de infraestrutura do país, comparando nossas estradas, portos e ferrovias com os de países com os quais competimos:
"Estudo feito a partir do relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial mostra que, comparado a outros 20 países com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou apenas na 17ª colocação no quesito Qualidade Geral da Infraestrutura. Empatamos com a Colômbia. No item Qualidade da Infraestrutura Portuária, o Brasil teve o pior desempenho. Fomos os lanternas do grupo. No setor ferroviário, o padrão de qualidade brasileiro só não é pior que o da Colômbia. A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas no país, supera apenas a da Rússia. Ficamos na penúltima colocação."
O senador mineiro aponta também a contradição do governo, que aumenta a taxação das empresas de saneamento, que investirão menos do que pagarão de impostos no próximo ano.
O terceiro pilar são as propostas de como fazer diferente do que está aí "há quase uma década". Aécio Neves conclama a própria base governista a se unir à oposição para aprovar algumas medidas, a mais polêmica e importante é uma espécie de "gatilho": toda vez que o governo fizer uma isenção fiscal com imposto compartilhado - IPI, IR -, que ele reponha imediatamente os recursos perdidos por estados e municípios.
A proposta mais radical é a de acabar com rodovias federais, transferindo-as para os estados, com os recursos da Cide, o imposto cuja destinação prioritária é para a área de transportes.
O discurso do senador Aécio Neves dedicará críticas à centralização dos recursos provenientes dos impostos no governo federal: "A melhor evidência desse pecado capital é o encolhimento do tamanho da fatia estadual e municipal no bolo da receita tributária federal, porque o governo passou a arrecadar cada vez mais tributos que não são incluídos na base dos fundos de participação. Como consequência, (...) a fatia em relação ao bolo de receitas tributárias federais encolheu de 27% em 2002 para apenas 19,4% em 2010."
Não é à toa que representantes de frentes municipalistas estarão presentes ao Senado hoje. O senador Aécio Neves está disposto a explorar com a oposição um vácuo que considera que o governo Lula deixou ao assumir diretamente a distribuição de auxílios como o Bolsa Família.
"O governo fragiliza a Federação ao fragilizar estados e municípios." 

FAMÍLIA DE VAGABUNDOS

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Oposição no megafone


Oposição no megafone
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/11

São Paulo - "Oposição é parte da ação governativa." Com essa frase de antologia, Kátia Abreu tentava explicar como vai se comportar o seu novo partido, o PSD de Kassab: "Oposição não é empresa de demolição. Quem assim pensava e agia era o PT", disse a senadora pelo Tocantins (e hoje maior líder ruralista do país), em entrevista ontem ao jornal "O Estado de S. Paulo".
Estamos, pois, numa situação em que a Rainha do Gado deserta do moribundo DEM e anuncia que não lhe interessa mais confrontar abertamente o governo. Oposição, daqui em diante, só de ladinho.
À Folha, anteontem, o professor Marcos Nobre definiu o PSD como a expressão mais escancarada do que ele chama de "peemedebização" da política. A frase de Kátia Abreu corrobora sua tese: a oposição "é parte da ação governativa".
Ou seja: a oposição praticamente derreteu e grupos políticos heterogêneos buscam parasitar o Estado em busca de alguma vantagem -isso é o "peemedebismo". O problema de Dilma, diz Nobre, é o excesso de adesões num cenário econômico em que se mostra impossível administrar os interesses acomodados e os acordos assumidos na era Lula.
É nesse quadro que está prometido para hoje o discurso "de oposição" de Aécio Neves na tribuna do Senado. Dizem alguns que será algo "contundente". Só se for como homenagem tardia ao 1º de abril.
Aécio está sendo desafiado pelos serristas no Congresso a mostrar que tem estatura para liderar a oposição. Mas sabe que está diante de uma cilada e corre o risco de pregar para três gatos pingados do DEM.
Além disso, o mineiro, como o malandro da canção de Chico Buarque, costuma andar "assim de viés". Oposição frontal nunca foi a dele. Ainda mais fora de hora.
José Serra está aí para prová-lo. Há três meses, no Twitter, nos jornais, onde for, ele não faz outra coisa a não ser atacar o governo Dilma. Ninguém o leva a sério. Parece até um pouco aqueles profetas pregando o fim dos tempos na praça da Sé.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Consumo de asfalto deve crescer até 2014 no país
MARIA CRISRINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/11

Depois de ter de importar asfalto para suprir o excesso de demanda no ano passado, a Petrobras calcula que esse mercado deva manter trajetória de alta nos próximos anos, com arrefecimento só depois que a Copa terminar.
A demanda por asfaltos deve atingir seu ápice de 3,7 milhões de toneladas em 2014. No ano seguinte, é esperada uma queda para 2,9 milhões de toneladas.
Outro pico semelhante deve acontecer novamente apenas em 2020.
Para este ano, é estimado um consumo de 2,8 milhões de toneladas no país.
A demanda pelo produto disparou em 2010 devido às obras de infraestrutura, alta que tornou necessária a importação de 256 mil toneladas de asfalto, principalmente para atender à demanda do Nordeste, região de deficit de produção.
A entrada correspondeu a 9% do consumo brasileiro e os principais destinos foram Fortaleza e Salvador.
O aumento da circulação de veículos e da frota de caminhões vai requerer também maior diversidade do produto, de acordo com Manuel Rossitto, coordenador do Grupo de Vias da Fiesp e diretor do Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo).
"Os veículos estão mais potentes e pesados. Deve crescer, a partir deste ano, a distribuição de um asfalto mais duro, com maior vida útil, que suporte a pressão sobre o pavimento", afirma Rossitto.

NO MÉDICO
O acesso a planos de saúde ocorre, em grande parte, por meio de pacotes de benefícios oferecidos pelo empregador, segundo Luiz Augusto Carneiro, superintendente- executivo do Iess (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar). Entre as pessoas que têm plano de saúde, 43% são assalariados registrados, segundo pesquisa do instituto realizada pelo Datafolha. Entre os que não possuem plano, o desejo de tê-lo vem logo após a casa própria.

Lula com... 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará a palestra de abertura do Investor's Day, evento organizado pela Telefônica em Londres nos dias 13 e 14. Lula vai falar a analistas e investidores do mercado financeiro sobre as perspectivas da América Latina e do Brasil.

...investidores 

Cerca de 400 pessoas são esperadas pela Telefônica. Na reunião aberta aos investidores, serão anunciadas as linhas estratégicas da empresa no médio prazo.

Tratado comercial do Mercosul impulsiona vendas para Israel
O acordo de livre comércio assinado entre Mercosul e Israel impulsionou as exportações do Brasil para o país do Oriente Médio.
Desde que o tratado entrou em vigor, em abril do ano passado, o valor total dos produtos comercializados com Israel aumentou 150%.
"Israel não é um mercado gigantesco, mas tem alto poder de consumo", diz o presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, Jayme Blay.
O governo israelense aceitou baixar os impostos para cerca de 8.000 produtos do Mercosul, que diminuirá as tarifas sobre 9.424 itens nos próximos dez anos.
A carne bovina, principal produto brasileiro exportado para Israel em 2011, está incluída no acordo.
O tratado com Israel foi o primeiro de livre comércio com países de fora da América Latina. "O Mercosul deve fechar outros acordos semelhantes, pois é uma forma de facilitar a abertura de mercados para seus produtos", diz o economista Paulo Tigre.

Parceria 
A Associação Nacional de Restaurantes assina nesta semana contrato com a Associação Profissionalizante BM&F Bovespa. O acordo visa facilitar a entrada de jovens que realizaram cursos na entidade no mercado de trabalho de alimentação fora do lar.

No mar 
A América do Sul vai sediar, pela primeira vez, um dos maiores encontros mundiais do setor de cruzeiros marítimos, o Seatrade Cruise Convention. Produzido pelo Grupo Seatrade e pela Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, o evento ocorre nos dias 30 e 31 de maio.

No mouse 

Um curso on-line de relações com investidores foi lançado pela Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e pelo Ibri (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores).

Para viagem 
O cartão pré-pago de viagem American Express GlobalTravel Card passa a ser comercializado no Brasil pelo Bradesco. O cartão pode ser carregado em dólar, libra e euro e usado nos caixas eletrônicos do exterior que aceitam a bandeira.

Associado 
O economista Marcelo Marques Moreira Filho é o novo sócio da Setter Investimentos, criada em 2008. A empresa atua como intermediária de investidores internacionais que procuram pequenas e médias companhias com valores de investimento entre R$ 10 e R$ 30 milhões.

Encargos 

A Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) participará do lançamento do manifesto contra a cobrança da Reserva Global de Reversão. O documento aborda a extinção do encargo para o setor elétrico do país.

Preocupados 

Mais de 60% dos presidentes de grandes empresas do mundo se dizem preocupados com o deficit fiscal em seus países, segundo estudo da PwC que será apresentado nos dias 13 e 14, em Brasília, em evento que será aberto pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Vizinhança... 
A seguradora multinacional Assurant vai exportar para Argentina e Chile os traços do seu modelo de negócio em garantia estendida desenvolvido no Brasil.

... segura 

O mercado de garantia estendida argentino tem potencial para atingir a receita de US$ 400 milhões. O potencial do mercado chileno é de US$ 150 milhões, considerando carros novos e usados, segundo a empresa.

Trajeto 
O presidente da rede de farmácias cearense Pague Menos, Francisco Deusmar de Queirós, acaba de investir na aquisição de uma aeronave, um Hawker 850XP.

SANEAMENTO
Um documento com propostas para o setor de saneamento básico para os anos de 2011 a 2014 será entregue hoje ao ministro Mário Negromonte (Cidades).
O documento foi elaborado por oito entidades de classe e será entregue em reunião realizada na Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), em São Paulo.
Cerca de 80 empresários do setor de infraestrutura participarão do encontro.
O texto faz sugestões de gestão de recursos para melhorar os indicadores de saneamento básico.

MOBÍLIA
A marca suíça de design Vitra inaugura um showroom em São Paulo, na avenida Brasil, neste mês.
A empresa, que vem em parceria com a marca de móveis Riccó, vai focar a linha de peças para escritório e terá um segmento de presentes.
Produzir no Brasil está nos planos, de acordo com Hanns-Peter Cohn, presidente da marca.
"Estamos em estudo. Ainda precisamos avaliar questões ligadas a fornecimento e estamos observando o peso dos impostos de importação para comparar", afirma.
Entre os designers que assinam para a marca estão Edward Barber & Jay Osgerby, Konstantin Grcic, Jasper Morrison e outros.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

MIRIAM LEITÃO - Água e terra


Água e terra 
MIRIAM LEITÃO

O GLOBO 06/04/11

Ficou claro ontem que a conciliação entre as agendas ambiental e econômica é inescapável. O Brasil é grande produtor de alimentos e continuará sendo, mas os produtores acham que isso só pode ser feito se mudar a lei em vigor. O país precisa de energia limpa, mas todo o processo de construção da usina de produção de energia tem que ser limpo também.
Se a proposta de mudança do Código Florestal apresentada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e aprovada na Comissão criada especificamente para isso, tivesse procurado uma conciliação, não teria provocado a reação que provocou. Rebelo tomou apenas um lado, isso está explicito no estapafúrdio relatório que apresentou e nas teses que defendeu.
Em Belo Monte, o governo tem que aumentar a transparência. Em todas as áreas. Tem que ficar mais claro o processo de licenciamento, a composição do consórcio que vai construir, o cálculo financeiro, os estudos geológicos, os impactos ambientais e sociais do empreendimento. Só é limpa a energia que é construída de forma limpa também. Nem toda hidrelétrica é boa, como bem sabemos. Portanto, em vez de ficar ofendido com o pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA) - instituição da qual o Brasil faz parte - é melhor responder com dados e fatos às dúvidas levantadas. Não são apenas da OEA, são de brasileiros também.
Na proposta de mudança do Código Florestal, o governo está dividido, o país está dividido, o próprio relator da projeto outro dia descobriu que "o problema ambiental de fato existe, não é invenção de ONG." A nova proposta reduz as Áreas de Preservação Permanente em beiras de rios e encostas num momento em que a preocupação tem que ser exatamente a oposta. Propõe uma anistia para quem desmatou ilegalmente até 2008. As mudanças propostas foram criticadas pelas duas mais importantes entidades que representam os cientistas nacionais: a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Já o senador Blairo Maggi (PR-MT) quer que o projeto que altera a legislação florestal brasileira seja votado imediatamente. Só isso vindo de quem vem recomenda que se faça o oposto, que se tenha cautela.
O Brasil é competitivo na maioria das culturas que produz e exporta. Mas mais competitivo seria se agregasse à marca Brasil o selo do respeito ao meio ambiente. Aumenta no país a preocupação ambiental, tanto que hoje já há redes de supermercados que oferecem aos seus clientes informações de procedência da carne para que eles saibam que não estão consumindo produto sujo de origem.
Nos dois casos que estavam em polêmica, ontem, o Brasil parece estar preferindo o caminho do retrocesso, a rota oposta ao que indicaria o bom senso. É claro que é preciso mais e não menos proteção ao meio ambiente; é claro que energia limpa tem que estar preocupada em transparência em todas as etapas do processo de construção de uma usina.
No Ibama, já ocorreram quatro demissões para que saísse a licença de Belo Monte. O órgão não decidiu ainda se ela pode ser construída, ou seja, não foi liberada a licença de instalação, mas foi dada licença para construir o canteiro de obra. Um clássico da carroça adiante dos bois. Como se pode fazer o canteiro de uma obra que não se sabe se será autorizada? Isso é uma confissão de que o processo de licenciamento é para inglês ver.
O governo nega qualquer problema com os índios, dizendo que não vai alagar terra indígena. Mas não conta que para a obra serão construídos canais que vão alterar o curso de águas na Grande Volta do Xingu. Inundar não inunda, mas tira a água de tribos e ribeirinhos.
Há cientistas que dizem que durante a vida útil da usina o regime hidrológico dos rios amazônicos vai mudar muito, o que significa que hoje a usina construída com uma potência de 11.000 MW, e que irá na verdade produzir pouco mais de quatro mil, chegando em alguns momentos a dois mil, pode produzir ainda menos no futuro.
O custo da usina era de R$19 bilhões nos cálculos iniciais, mas já está em R$26 bilhões e ninguém acredita que fica só nisso. Os estudos de impacto ambiental foram atropelados pela Casa Civil no ano passado com uma interferência tão direta que ficou registrado em documentos oficiais - eu os publiquei aqui. Por isso, há muita incerteza de qual será de fato o impacto, sobre a solidez dos estudos geológicos no local. É aqui no Brasil que se tem muitas dúvidas, por que no exterior não haveria? Mas são principalmente as nossas dúvidas que precisam ser sanadas. O Brasil acabou de ver no Rio Madeira em que pode dar o atropelo no processo de planejamento de uma obra na Amazônia. 

DORA KRAMER - De uma vez por todas


De uma vez por todas
DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/04/11

Na próxima segunda-feira o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai decidir se entra ou não no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que o destino da Lei da Ficha Limpa seja decidido de uma vez por todas.
Se a maioria dos 81 conselheiros for favorável, até o final do mês a OAB apresenta ao STF uma Ação Declaratória de Constitucionalidade. A ideia, segundo o presidente da Ordem, Ophir Cavalcante, é resolver logo a questão a fim de que a próxima eleição não aconteça em ambiente de insegurança jurídica.
Sem isso, no pleito municipal de 2012 vão se repetir as incertezas que ainda cercam mandatos de senadores e deputados eleitos em 2010.
Em função do empate sobre a validade da lei, o Supremo adotou o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e determinou a imediata aplicação da lei, impedindo a posse de parlamentares condenados em segunda instância por órgão colegiado. Só que depois do início do ano legislativo o julgamento foi retomado e o novo ministro do STF, Luiz Fux, desempatou em favor da aplicabilidade só a partir de 2012.
Ainda assim, vários pontos da lei ficaram em aberto porque a decisão se ateve ao artigo 16 da Constituição, segundo o qual regras que alterem o processo eleitoral só podem entrar em vigor um ano após a sua promulgação. A Ficha Limpa foi aprovada em maio de 2010.
Se não for estabelecida a constitucionalidade da lei toda ou pelo menos de seus pontos-chave, os candidatos que se sentirem prejudicados podem recorrer sob alegações específicas e acabar derrubando uma a uma as exigências de elegibilidade relativas a uma vida pregressa de razoável limpidez.
A CNBB e o Movimento de Combate à Corrupção cobram da OAB a ação de constitucionalidade que, se for recusada pelos conselheiros, ainda poderá ser apresentada por partido político, o Ministério Público ou pela Presidência da República.
Na opinião de Ophir Cavalcante, mesmo os conselheiros que discordam do espírito da lei certamente concordarão com a ação, "porque é bom para todo mundo que isso se resolva para um lado ou para o outro".
Para ele, o risco é da lei virar letra morta. Bastaria, para isso, que o Supremo Tribunal Federal declarasse a inelegibilidade válida somente para sentenças transitadas em julgado ou que considerasse inconstitucional a aplicação para atos cometidos antes da aprovação da lei.
Retrocesso. Ao molde do socialismo moreno inventado por Leonel Brizola, o PT inventou um capitalismo à moda da casa pelo qual empresas privadas têm controle estatal.
Ainda que a Vale não sofra qualquer solução de continuidade em sua condução, a saída de Roger Agnelli, tal como foi feita indica que a maior exportadora do Brasil, dona de um lucro de R$ 30 bilhões, é suscetível a interferências de governo.
Cerca Lourenço. Muita gente ficou em dúvida sobre a declaração do governador Geraldo Alckmin praticamente lançando José Serra para a Prefeitura de São Paulo em 2012.
Seria um gesto contra ou a favor de Serra?
Ao que parece, por enquanto nem uma coisa nem outra. Alckmin estaria apenas tentando evitar defecções em direção ao PSD de Gilberto Kassab, mantendo a tropa unida em torno da expectativa de reconquista da máquina municipal mais adiante.
Pois não. No programa Roda Viva, segunda-feira à noite, o prefeito Gilberto Kassab disse que não integra a base de apoio da "presidenta" Dilma Rousseff, não obstante confira a ela todo apoio.
Patrício. O livro mais conhecido de Campos de Carvalho, autor da obra que deu origem à peça A lua vem da Ásia que a filha de Petar Roussev, Dilma Rousseff, assistiu no sábado em Brasília, chama-se O púcaro búlgaro.
Conta a história de Hilário e sua expedição para averiguar se a Bulgária existe mesmo.

CELSO MING - É o controle de capitais


É o controle de capitais
CELSO MING

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/04/11

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem um documento altamente polêmico sobre controle do fluxo de capitais.
É como um gol duvidoso. Quem não gosta de futebol não compreende por que tanta discussão. Mas, para os outros, é um assunto e tanto.
Esse documento leva o título de Controle da Entrada de Capitais: Que Instrumentos Usar? (Managing Capital Inflows: What Tools to Use?) e está disponível no site do FMI (www.imf.org).
A polêmica começa pelo modo como os analistas o receberam. Para uns, é a primeira vez que o FMI, conduzido agora pelo francês Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente, admite o controle de capitais. Para outros, trata-se de uma tentativa de policiar a forma de os emergentes lidarem com o excesso de afluxo de capitais. Já se sabe, por exemplo, que o governo brasileiro atacou fortemente o conteúdo desse documento.
O controle do fluxo dos capitais, tanto na entrada como na saída, é uma interferência que pode mudar subitamente as condições de um jogo e impor enormes prejuízos para administradores de um patrimônio qualquer. E essa é a principal razão pela qual os setores mais conservadores abominam controles dessa natureza.
Mas há uma segunda razão para essas medidas serem atacadas: quase nunca funcionam, pois os capitais são como a água. Em condições de forte liquidez, como agora, podem deixar de entrar pelos canais normais, passando por fendas, frestas e infiltrações, que nenhum sistema econômico consegue eliminar. E, assim, as distorções se multiplicam. O governo, por exemplo, limita há quase três anos a entrada de capitais, primeiro os "voláteis" ou especulativos e, recentemente, os de maior prazo, impondo pedágios (cobrança de taxas) e "medidas macroprudenciais". E, desde 2004, o Banco Central intervém quase todos os dias no mercado de câmbio como comprador de moeda estrangeira, quase nunca como vendedor.
O foco dessas medidas é evitar a excessiva valorização do real (baixa do dólar no câmbio interno) para que o setor produtivo não perca condições de competição comercial diante dos fornecedores do exterior. E, no entanto, os dólares não param de entrar no Brasil. Há fortes razões para acreditar que algumas dessas medidas atraem ainda mais moeda estrangeira.
Em duas críticas o governo do Brasil tem razão quanto ao conteúdo do documento do FMI. A primeira é a de que não vai a uma das maiores causas do problema: a excessiva frouxidão com que os bancos centrais dos países ricos administram sua política monetária (de juros). Os mercados estão encharcados de moeda estrangeira e boa parte dessa hiperliquidez vaza para os mercados dos emergentes.
A outra crítica consequente é a de que os países ricos querem empurrar um pedação do ajuste global aos emergentes, sem fazer tudo o que têm de fazer. Querer, por exemplo, que a China valorize unilateralmente sua moeda é uma dessas exigências descabidas. Outra é a imposição, também unilateral, de regras arbitrárias de conduta na gestão do fluxo de capitais.
Mas, num ponto, o FMI está carregado de razão. O controle de capitais esconde distorções nos países que os admitem. No caso do Brasil, é o elevado custo de produção (impostos altos demais, juros escorchantes, precariedade da infraestrutura, etc.) que tenta ser compensado com controles do câmbio e dos afluxos de capital, sem que as causas reais dessas distorções sejam eficazmente combatidas.

CONFIRA
É preciso mais

Ontem, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, avisou que terá de levantar empréstimos externos de US$ 12 bilhões a US$ 18 bilhões por ano. Será necessário saber do que ainda precisarão os fornecedores da cadeia do pré-sal e, pelo menos, as outras cem maiores empresas do Brasil. Por aí se vê que não se pode querer que as empresas brasileiras se conformem com a baixa entrada de capitais.

Papo furado
Há dois anos, Lula se gabava de que, de devedor, o Brasil passou a ser credor do Fundo Monetário Internacional e que, por isso, cresceram as condições de o País influenciar suas decisões. A divulgação do último documento sobre controle de capitais (veja matéria ao lado) mostra quanto disso não passou de papo furado.

Ainda vai demorar
Dentro do Fed, mostrou a ata ontem divulgada, nem todos concordam com a frouxidão da política de juros. Mas não há sinal de que eles subirão ainda em 2012. 

GOSTOSA

ILIMAR FRANCO - A primeira derrota


A primeira derrota
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 06/04/11

O governo Dilma Rousseff está lutando desesperadamente para evitar sua primeira derrota no plenário da Câmara. As posições da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e do PT no debate do Código Florestal são minoria no plenário da Casa. A maioria aprova o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A coordenação política do governo está segurando a votação para convencer o PMDB a fazer um acordo, isolando os ruralistas. 

O PMDB bate de frente com o PT
Na outra ponta da polêmica em torno do texto do novo Código Florestal, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) está trabalhando para que o governo não tenha uma posição oficial sobre as alterações e deixe a discussão com o Congresso. Como a base governista está
rachada, se o governo liberar a votação, o PMDB e outros partidos da base não seriam protagonistas na derrota do governo. O líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN), admite que sejam feitas mudanças no relatório, mas deixa claro: “O PMDB está fechado com o relatório do Aldo. Concessões e ajustes poderão ser feitos, mas desde que passem pelo relator.”

"Nessa matéria não haverá acordo nunca. Mas o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), não coloca em votação. É a maioria perdendo para a minoria” — Kátia Abreu, senadora (DEM-TO) e presidente da CNA, cobrando a votação do Código Florestal

REFUNDAÇÃO. O cientista político Antonio Lavareda traçou os eixos necessários para a reestruturação do PSDB, no sábado, em exposição para os governadores tucanos. Na sua avaliação, o partido precisa de democracia interna, um trabalho de comunicação integrado e buscar na sociedade novos quadros para disputar as eleições, sobretudo naqueles 15 estados em que sua força eleitoral se revelou débil no último pleito.

É bom para nós
A presidente Dilma vai com um discurso parecido com o americano na viagem à China. Vai defender que eles comprem mais do Brasil, que os investimentos deles aqui sejam na indústria e reclamar da desvalorização da moeda local.

Caças
O ministro Nelson Jobim (Defesa) anda dizendo que a aquisição dos caças pode esperar. O mais importante são os três aviões P3, que já monitoram as águas oceânicas do pré-sal. No ano que vem, o Brasil recebe mais seis aeronaves P3.

PSDB em defesa dos municípios
A volta da inflação e o risco de desindustrialização serão os motes do discurso de Aécio Neves (PSDB-MG), hoje, no Senado. Além disso, vai atacar o governo petista por reduzir a parcela de estados e municípios no bolo tributário. Era de 27% em 2002 e fechou em 19,4% em 2010. Aécio quer impedir que o governo federal faça concessões tributárias na faixa que não é dele. Vai propor lei obrigando o governo federal, toda vez que fizer isso, a repor receitas para estados e municípios.

Zagueirão
Com apenas um mês e meio de exercício do mandato, ela virou o terror dos tucanos. O comentário na oposição é de que Gleisi Hoffmann (PT-PR) não deixa passar nenhum discurso do líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), sem resposta.

Ele está de volta 
A convite do PMDB, o exministro da Saúde Adib Jatena, criador da CPMF, vai se reunir hoje com os deputados do PMDB. Jatene fará
um raio X da gestão da Saúde, do SUS, da emenda 29 e das necessidades de financiamento para o setor.


 AGORA que a casa caiu, os aliados de Roger Agnelli avaliam que ele cometeu erros políticos capitais. O primeiro: não tratar das demissões, na crise, com o presidente Lula. O último: atacar o PT na África.
 NA TV. As inserções comerciais do PSDB vão focar dois temas: inflação e gargalos na infraestrutura do país. Os serristas queriam abordar também o reajuste do salário mínimo, mas o assunto vai ficar de fora.
● AUDIÊNCIA PÚBLICA. O deputado Dr. Aluizio (PV-RJ) está em campo para que a Comissão de Minas e Energia da Câmara ouça o presidente da Light, Jerson Kelman, sobre as explosões ocorridas no Rio.

MARIO MESQUITA - Mudança de rumo?


Mudança de rumo?
MARIO MESQUITA

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/11

AUMENTO DA competitividade via administração da taxa de câmbio nominal, aperto fiscal e crescimento acelerado sem prejuízo da estabilidade de preços pareciam ser a estratégia de política econômica no novo governo.
Tal estratégia partia aparentemente do diagnóstico de que o principal problema macroeconômico de curto prazo era o câmbio, resumido no mote da "guerra cambial".
A inflação era vista como não problema, ou como problema efêmero, pois resultava apenas e tão somente de pressão sobre preços de um punhado de matérias-primas.
Controlar a expansão da demanda era anátema, pois prejudicaria a onda de investimentos em curso, a qual garantiria a expansão da oferta e eliminaria, de forma indolor, o descompasso entre a evolução do dispêndio e a capacidade produtiva da economia.
As dificuldades de tal política logo foram se tornando aparentes. Por um lado, o ajuste fiscal começou de forma tardia, tímida e até apologética, e nem sequer foi acompanhado por muito esforço na área parafiscal (a política de crédito dos bancos públicos).
Por outro, a estabilização da taxa de câmbio permitiu que a alta dos preços internacionais de commodities se transmitisse na íntegra e com rapidez aos preços domésticos.
Nessas circunstâncias, as inconsistências da política econômica têm expressão clara: a piora do quadro inflacionário. Como é sabido, a taxa de inflação se aproxima do teto do intervalo de tolerância, devendo rompê-lo nos próximos meses, e as expectativas inflacionárias vivem nítida deterioração.
Tal quadro é agravado por iniciativas do governo, com amparo dos chamados movimentos sociais, de aumentar, em vez de diminuir, o grau de indexação da economia, em que pesem as palavras de cautela das autoridades monetárias.
A conjuntura impõe escolhas. A questão é que, se procurar manter taxas de crescimento aceleradas e estabilidade cambial, o governo tornará muito difícil a tarefa de retomar o controle sobre a dinâmica inflacionária.
Por outro lado, se quiser manter a estabilidade de preços e da taxa de câmbio, então a contenção da demanda agregada deverá ser bem mais intensa, seja via maior aperto fiscal, maiores altas da taxa básica de juros (que seriam compensadas por maiores barreiras à entrada de capital), medidas de controle do crédito mais intensas ou uma combinação dessas iniciativas.
Para assegurar a estabilidade da taxa de câmbio, além da intervenção no mercado cambial, o governo parece acenar com a imposição de maior tributação às entradas de capital e, no limite, o fechamento dessa entrada por meio de quarentenas e/ou um sistema de licenciamento prévio -que substituiria as livres decisões das empresas e famílias pelo arbítrio da burocracia.
O Brasil experimentou regimes de controle de capitais relativamente intensos dos anos 30 até os anos 90 do século passado, sem sucesso na prevenção de crises, haja vista as visitas recorrentes ao FMI.
A própria crise de dívida dos anos 80, que custou uma década ou mais de crescimento ao país, foi gerada sob um regime de controle de capitais intenso.
A terceira via, portanto, seria aceitar maior apreciação do real, uma vez que já foram tomadas medidas prudenciais que devem limitar os riscos sistêmicos daí decorrentes, e com isso aumentar as chances de conseguir recuperar o controle sobre a inflação com menores custos para a atividade doméstica.
Do ponto de vista do custo político, tal caminho poderia ser mesmo a linha de menor resistência, dado que, para a grande maioria da população, as taxas de inflação e desemprego são muito mais palpáveis do que o preço do dólar.
Isso não significa o abandono da indústria nacional. A agenda da competitividade, que é microeconômica, passaria pela retomada das reformas: redução da carga tributária, incentivo à inovação e melhora da infraestrutura.
O governo, eleito e empossado há pouco tempo, tem capital político para tanto, mas não deveria esperar muito para mudar de rumo, pois esse capital vai se erodindo com o tempo e com a alta da inflação.

JOSÉ SIMÃO - Buemba! Rio vira Bueiros Aires!

Buemba! Rio vira Bueiros Aires! 
JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Olha a placa no Pão de Açúcar da Marginal: "Expressamente proibida a venda de BEBIBAS alcoólicas". Imagine uma biba alcoólica! Pão de Açúcar de bibas! É verdade! Eu tenho a foto!
E a epidemia de conjuntivite? A loira chegou pro médico: "Eu acho que tô com conjuntivite no olho". E o médico: "Conjuntivite no olho é pleonasmo". "Então eu tô com pleonasmo." Rarará! Epidemia de pleonasmo. Tá dando epidemia de pleonasmo em São Paulo!
E os bueiros no Rio? Prontos pra explodir! O Rio vai ter que mudar de nome pra BUEIROS AIRES! E Copacabana pra CobacaBUM! E Leblon vira LEBLOMBA! Rarará!
E os sites de humor? Sensacionalista: "Nasa vai lançar foguetes a partir de bueiros do Rio". Piauí Herald: "Bueiro Bomba derrubou avião da Air France". Al Qaeda vem fazer intensivo de bueiros bombas no Rio! E as eleições no Peru? Candidato em primeiro lugar: Ollanta Humala. Ou é anta ou é mala. Tem que se resolver. Humala Sem Alça! E o marqueteiro dele? O mala do Luis Favre. Que foi casado com a mala da Marta Suplicy! Patrocínio Samsonite! E o engraçado é que mala é gíria pra peru. Humala do Peru também é pleonasmo!
E adoro os slogans dos partidos no Peru: Peru em Mãos Firmes! Por um Peru Grande. E diz que esse Humala é nacionalista. Quer o peru só pra ele. E esta: "Frota de São Paulo ultrapassa marca de 7 milhões de veículos". Paulista é como água mineral, vive engarrafado. Gripado e engarrafado. E o paulista no engarrafamento: "Que trânsito de merda! Não vou conseguir chegar a tempo na concessionária pra comprar outro carro". Por isso que tem estas manchetes: "Congestionamento na 25 de março vai até a 23 de maio". Dois meses de congestionamento. Rarará! Vai ter que cimentar o Ibirapuera pra virar estacionamento! E o que o Kassab faz com o trânsito? Empurra com a barriga! Seu Barriga empurra com a barriga!
E a última do Gervásio! Placa na empresa em São Bernardo: "Se alguém daqui vier trabalhar com o sovaco fedendo ou com cheiro de esgoto na cueca, vou lavar as entranhas desse suíno com Wap até sair água pela raiz do cabelo. Conto com todos. Assinado: Gervásio".
Gervásio é um nome de origem germânica que quer dizer servo da guerra. Ou servo da lança. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ELIO GASPARI - Dilma, ou a banalidade da paz


Dilma, ou a banalidade da paz 
ELIO GASPARI

O GLOBO - 06/04/11

Dilma Rousseff completará seus primeiros cem dias de governo com um notável e inédito desempenho. Ela trouxe uma sensação de paz ao país. Depois de uma campanha eleitoral tisnada pela ferocidade e de um tempo dominado pelas paixões em torno de Lula, veio a calma. Pela primeira vez em muitas décadas, tem-se a impressão de que o Brasil é governado por uma pessoa que chega cedo ao serviço, cuida do expediente e vai para casa sem que precise propagar evangelhos ou alimentar tensões.
Essa singularidade deve-se a algumas características pessoais de Dilma Rousseff, mas também às de seus antecessores. Antes dela, o Brasil teve na presidência três dos maiores ególatras de sua História. Lula é um ególatra compulsivo, autoglorifica-se para ter sossego. A egolatria de Fernando Henrique Cardoso é um subproduto benigno de sua vaidade. No caso de Fernando Collor, tratou-se de puro delírio. Em benefício dos três, reconheça-se que eles chegaram ao Planalto com a obrigação de mudar sensivelmente a vida do país. Nenhum deles podia, simplesmente, tocar o barco. Quando José Sarney tentou, fracassou.
Um bom exemplo da opção preferencial do governo pela paz deu-se no caso da revolta dos peões do PAC. O Planalto chegou atrasado, mas, em poucos dias, enquadrou a agenda policial das empreiteiras e expôs a letargia das centrais sindicais. Para isso, não precisou sequer do ministro do Trabalho, que estava em órbita.
O governo vive a lua de mel típica dos primeiros meses de mandato. Esbanja popularidade, consome mitologias e promessas. Durante o apagão nordestino de fevereiro, Dilma foi festejada porque determinou que o ministro de Minas e Energia determinasse a apuração do ocorrido. Durante a catástrofe da enchente do Rio, fez apenas uma aparição burocrática, teatral. A doutora prometia uma equipe de colaboradores selecionados pela capacidade. Conta outra. Em Furnas, trocou o indicado do deputado Eduardo Cunha pelo protegido do eletrizante Fernando Sarney. Defenestrou Maria Fernanda Coelho da Caixa Econômica para abrigar Gedell Vieira Lima. Hospedeira da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, nomeou um deputado obscuro para a pasta do Turismo. Tão obscuro que ainda não o chamou para despachar. Se isso fosse pouco, na primeira grande mudança de seu madarinato, detonou o presidente da Vale, uma empresa neoestatal controlada por interesses privados (ou uma empresa privada controlada por interesses neoestatais). Ainda está nas suas mãos a entrega de uma cadeira de senador ao comissário José Eduardo Dutra por meio da outorga de um ministério ao titular do mandato por Sergipe. Esse tipo de gratificação dos suplentes é uma das modalidades mais vulgares da corrupção política nacional.
Dilma manda a energia das crises para longe do Planalto. Lula transformaria cada uma dessas tristezas num tema de debate sem pé nem cabeça. Para o bem e para o mal, a maior novidade foi a saída de Lula do proscênio.
Fernando Henrique Cardoso fez o parto da estabilidade da moeda e Lula impôs ao governo um vetor social. Graças a eles, Dilma não precisa enfrentar velhas dificuldades. Essa era a hora em que se precisava de alguém que chegasse ao palácio para cuidar do expediente. Parece banal, mas é a paz. 

TREME TEMER

MARIO CESAR FLORES - Regionalização e globalização


Regionalização e globalização
MARIO CESAR FLORES
O Estado de S.Paulo - 06/04/11

Setores brasileiros relutantes à globalização vêm manifestando mais simpatia pela integração regional, em que é naturalmente maior a presença relativa do Brasil. Além de vista como útil ao comércio regional (em tese, é), no qual o Brasil se destaca, a alternativa é entendida também como reforço da região nas negociações em foros globais (como a OMC).

Os fatos não têm sido assim positivos no Mercosul: a Tarifa Externa Comum e o livre-comércio intrabloco estão longe do idealizado e nas negociações globais não tem havido segurança de convergência regional. Nosso trôpego Mercosul vem funcionando precariamente e funcionará pior se a Venezuela bolivariana nele ingressar de pleno, com suas idiossincrasias e seu antagonismo aos EUA - que não impede ser para os EUA mais da metade de sua exportação de petróleo... Para o comércio regional o ingresso tem potencial positivo, mas a prudência sugere-o inseguro, em razão do poder que a Venezuela terá para tumultuar arranjos extrarregionais, com os EUA e a União Europeia (UE), por exemplo.

A explicação dos tropeços do Mercosul é simples: uniões econômicas tendem à inconsistência quando são menos produto da conveniência econômica e mais da vontade política visionária. Se os interesses econômicos não se ajustam (quesito do sucesso da visão política, ao menos quando inexiste ameaça estratégica que a justifique) porque as economias são demasiado assimétricas e não complementares, se não competidoras, a inconsistência acaba avançando (para a infraestrutura a proximidade geográfica também é exigida). No Mercosul os quesitos estão atendidos na geografia (o que sugere potencial na infraestrutura, sobretudo na energia) e limitadamente na economia, na qual existem conflitos.

Nascido geoeconômico nos anos 1980, desde 2003 para o governo brasileiro o Mercosul tem sido mais geopolítico. O que o vem mantendo vivo tem sido menos a lógica econômica e mais a vontade política, sobretudo brasileira. Na política internacional ampla o Mercosul geopolítico faz sentido, mas um sentido até agora frágil na realidade; a esse respeito, uma dúvida instigante: nossos "companheiros" regionais apoiam a pretensão brasileira ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU...? De qualquer forma, porque visto como portador de potencial, seu preço vem sendo pago pelo Brasil, que está longe da opulência dos EUA do Plano Marshall, útil à recuperação da Europa pós-guerra e à defesa contra a URSS.

Há dificuldades em vários setores, a exemplo do gás boliviano e da energia de Itaipu, mas sobretudo no comércio, em que a Argentina é parceira saliente e difícil, os percalços da interação econômica agravados pela insegurança da vontade política argentina, positiva na infância "Sarney-Alfonsín" do acordo, regular com Menem (com o violento desabafo anti-Brasil do ministro da Economia Domingo Cavallo quando da desvalorização do real em 1999) e negativa com os Kirchner. Em suma, um contexto complexo, em que o Brasil vem sistematicamente cedendo vantagens.

A Argentina, país com potencial relevante, pode até estar certa no seu protecionismo anti-Brasil. Mas nesse caso vale a pena insistir no Mercosul geopolítico, sob turbulência econômica que inibe sua efetiva realização? Devemos continuar indefinidamente com nosso débil Plano Marshall caboclo, para o qual nos falta fôlego econômico e motivação estratégica? A ideia Mercosul é, portanto, positiva em tese, mas sua tumultuada realidade, hoje sustentada na vontade política, mais a brasileira, não tem correspondido ao ideal de sua criação. E a superação do déficit depende da vontade política também de nossos vizinhos, sujeita a injunções políticas internas e à visão que eles têm do Brasil, como parceiro merecedor de cuidados.

Além de insatisfatório no desempenho econômico interno, o Mercosul cerceia o Brasil no mundo porque impede acordos bilaterais (Brasil-UE, por exemplo) e a bilateralidade tendo o próprio Mercosul como uma ponta do bilateral (o que seria ótimo) é difícil em razão da dificuldade de conciliar interesses intrabloco. Quão mais difícil será com a Venezuela membro pleno...?

No mundo contemporâneo não há estanqueidade: acordos regionais, ainda que bem-sucedidos, não dispensam a interação globalizada, haja vista a UE, que procura ampliar seu comércio com o mundo porque precisa de produtos de fora (sobretudo commodities) e também porque o mercado global amplia o dinamismo de sua economia. Os EUA já investem mais na China que no México porque o retorno da China é maior, a despeito da moldura da Nafta e da proximidade do México! Enfim, nenhum país (ou região) pode menoscabar o comércio global, por vezes no pressuposto de que o mercado interno prescindiria do internacional - uma fantasia ou meia-verdade, variável de país para país: os EUA dependem mais do interno, o Japão, do externo. O Brasil, mais do interno, mas o externo já pesa.

A afirmação do então presidente Lula de que a "onda" da crise de 2008-2009 teria sido uma "marola" aqui porque o mercado interno compensou a retração do externo expressa um caso de meia-verdade: o mercado interno ajudou, mas não seria solução. Além de limitado o poder aquisitivo de parcela ponderável de nossa população, o consumo interno não poderia mesmo compensar a queda da exportação: o que fazer com dezenas de milhões de toneladas de soja se a UE e a China não as importassem? A queda da demanda de aviões, que atingiu a Embraer, teria compensação interna? Nossos parceiros regionais resolveriam isso...? A repercussão teria sido maior com mercado interno menor, mas ocorreria - e nosso PIB caiu 0,3% em 2009.

Priorizar a regionalização (ou a concepção Sul-Sul, lato sensu) é optar pelo natural destaque no Terceiro Mundo, engajar-se na globalização é optar pelo desejável caminho para o Primeiro Mundo. Nosso desafio é compatibilizar o Mercosul com o imperativo da globalização.

ANTONIO DELFIM NETTO - O que incomoda


O que incomoda
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/11

É um fato intuitivo que, quando existem fatores de produção disponíveis (terra, mão de obra, infraestrutura, bens de capital e empresários inovadores), a expansão do crédito induzirá o seu uso sem criar pressões inflacionárias.
Um "fator de produção" frequentemente esquecido é a importação de bens e serviços, que precisa ser "comprada" com as exportações. O papel da taxa de câmbio, nesse processo, é o de um preço relativo que equilibra o valor dos bens e serviços exportados com o dos bens e serviços importados, sem os quais a produção interna seria ineficiente.
Sendo assim, a expansão do crédito que mobiliza o crescimento pode ser feita com equilíbrio interno (sem pressões inflacionárias) e equilíbrio externo (sem acumulação de deficits em conta-corrente). Essa idealização do processo econômico é útil, mas esconde a complexidade dos problemas da política econômica quando se esgota a disponibilidade dos fatores de produção na proporção adequada.
É possível dar a esse nível do PIB o título pomposo de "produto potencial". Ele de fato existe, mas não pode ser calculado, mesmo com as mais estranhas funções de produção (que, às vezes, não passam de identidade) e, muito menos, como projeção do passado, pois depende do estado psicológico e das expectativas dos agentes sociais.
É fato óbvio que o melhor "hedge" para reforçar a credibilidade do Banco Central é parametrizar a sua política com uma subestimação do "produto potencial" e uma superestimação da taxa de juro real de equilíbrio, o que implica em custos sociais. Isso que agrada aos "falcões" parece estar mudando com a nova orientação da casa.
Mas, mesmo simples, tal idealização nos permite entender por que a taxa de câmbio (como preço relativo que equilibra o fluxo do valor da oferta e da procura) teria de valorizar-se no Brasil.
Se uma tonelada (composta das miríades de bens e serviços exportados) comprava uma tonelada (composta das miríades de bens e serviços importados) e, graças aos aumentos dos preços de nossos produtos exportados, ela hoje compra 1,3 toneladas, é claro que o preço relativo (a taxa de câmbio) deve valorizar-se.
É também um fato empírico (explicado analiticamente) que uma valorização do câmbio tende a seguir o aumento do nível do PIB per capita.
O que nos incomoda não é propriamente que: 1º) a liberdade de movimento de capitais transformou a taxa de câmbio num ativo financeiro ou 2º) que as inovações financeiras tornaram o real uma das "commodities" mais transacionadas no mundo.
O que nos incomoda é que não faremos parte desse mundo enquanto nossa taxa de juro real for três ou quatro vezes maior do que a mundial!

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Conversar ofende?
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/04/11

O Bradesco tem conversado, discretamente, com o Citi do Brasil. Esta seria a razão indireta pela qual o banco da Cidade de Deus teria pedido, e conseguido na semana passada, autorização para o BC expandir de 15% a 45% seu volume de ações ordinárias. No mercado, fala-se de algum tipo de "parceria" entre as instituições.

Ambos os bancos negam haver sequer conversas.

Vale
No meio desta confusão da Vale, há um movimento para que o governo ocupe e mude as regras da Valia, seu fundo de pensão. Quatro sindicatos estão mobilizados para colocar a boca no trombone.

Temem o esvaziamento da política de investimentos dos últimos anos, que garantiu saúde financeira para honrar aposentadorias.

Vale 2
Tem gente de peso achando que a volta de Murilo Ferreira à Vale é transitória. E juram que há, sim, uma candidata mulher, alemã, em vista. Contra ele, pesariam idade e saúde. Outros, também credenciados, acreditam que ele tem chance de permanecer se fizer um bom trabalho. Exaltam seu espírito simples, conciliador e muito político, além de competência técnica.

E a maioria justifica: Tito Martins teria sido descartado pelo fato de não ter grande jogo de cintura política.

Vale 3

Murilinho, como é conhecido na Vale, saiu da empresa alegando razões de saúde. Fonte credenciada garante que ele saiu por causa de desentendimentos com Roger Agnelli. Quase enfartou no seu mandato na Inco, no Canadá, pediu para voltar e foi... embora.

Palestra e praia
Fredric Jameson, convidado do Fronteiras do Pensamento, fez alguns pedidos à anfitriã Maria Elisa Cevasco. O crítico literário e pensador político americano quer conhecer Recife e voltar ao Rio. Em maio.

A amiga e estudiosa do autor ainda irá acompanhá-lo em... Montevidéu.

Noiva globalDesfilar de lingerie, morar com provável rei antes de se casar e ainda soltar: "Ele tem muita sorte de sair comigo!". Essas são algumas das peculiaridades sobre Kate Middleton, narradas por Claudia Joseph no livro Kate - Nasce Uma Princesa. No Brasil, editado pela BestSeller.

Estranha, a vida

Na sexta-feira passada, grupo de executivos deixou reunião no Hotel Renaissance de São Paulo para almoçar. E por precaução, eles trancaram a sala alugada, onde estavam trabalhando.

Na volta, a grande surpresa: seis laptops sumiram, além do passaporte de um importante participante estrangeiro.

O caso corre na 78º DP.

Reino do absurdo
Circula pelos meios políticos que Kassab estaria distribuindo fichas de filiação de apoio ao PSD em branco para coleta de assinaturas. Para servidores comissionados das subprefeituras. Haveria, inclusive, uma cota a cumprir.

Não deve ser verdade visto que a Prefeitura nega veementemente.

O tempo
Fernanda Montenegro decidiu: fica em cartaz em São Paulo por pelo menos quatro meses com o espetáculo Viver Sem Tempos Mortos. A montagem teve passagem relâmpago pela capital paulista há dois anos, com ingressos esgotados, o que causou frustração generalizada.

Quando? No segundo semestre.

Talismã

Estrela do documentário By The People: The Election of Barack Obama, Lorenzo Rivera, com nove anos à época, participou ativamente da campanha do então senador Obama... por telefone.

A pergunta que não quer calar é: o ativista mirim irá repetir o feito, agora com 12 anos e mais política na cabeça?

Na frente

Andrea Matarazzo abre o Festival Paulista do Circo hoje, em Limeira. O palhaço e parlamentar Tiririca é presença esperada na solenidade de abertura.

Vera Bardella e Paula Lima recebem hoje em prol da Anima. Na Sweet Brasil, da Vila Olímpia.

José Gabrielli apresenta hoje para Alckmin e José Aníbal os planos de investimento da Petrobrás para São Paulo. No Bandeirantes.

Dorrit Harazim e Arthur Fontes lançam no festival É Tudo Verdade o documentário Dois Tempos. Amanhã, no Cine Livraria Cultura.

Roberto Soares-Gomes expõe A Rota 66 na Galeria Zoom, em Paraty. Até 8 de maio, mas somente nos finais de semana.

Ricardo Almeida comemora 25 anos da sua grife. Hoje, no Masp.

Com a prorrogação da exposição de Thomaz Farkas, foi adiada a abertura da mostra Charles Landseer para o dia 10 de maio. No Instituto Moreira Salles.

Gisele Bündchen, Marina Silva e Carlos Minc têm algo em comum. Concorrem na categoria Personalidade do Ano do prêmio GreenBest.

Correção: o CD de Keith Jarrett se chama Koln Concert.