segunda-feira, março 07, 2011

GOSTOSA

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA

Seguro e carnaval
ANTONIO PENTEADO MENDONÇA
O Estado de S.Paulo - 07/03/11

O número de acidentes nas estradas brasileiras no início do ano provavelmente se repetirá no carnaval. A razão é a explosão da venda de carros devido aos financiamentos


Carnaval é época de riso, alegria, festa, dança, bebida e liberação geral. O Brasil só começa a funcionar depois do carnaval. É verdade, o País só acelera da semana que vem em diante. Hoje e amanhã ainda é a vida fora da vida. Todas as possibilidades estão abertas. Que cada um pegue o seu momento para ser muito feliz.

Tudo isso é verdade, mas toda história tem dois lados e o outro lado da nossa não é tão bonito quanto as escolas desfilando ou uma moça linda num minúsculo biquíni. Pelo contrário, o outro lado da nossa história fala de imprudências, correr riscos, fazer o que não se sabe, testar os limites. Ou seja, fala de acidentes, mortes, invalidez, luto e tristeza como contracheque para a alegria, que deveria dar o mote, mas acaba num hospital ou numa delegacia de polícia.

As seguradoras não gostam do carnaval. Quer dizer, do carnaval elas gostam, mas do que acontece como dano colateral, não. Carnaval é sinônimo de aumento da sinistralidade. No carnaval as seguradoras pagam mais indenizações do que na média do ano. Ainda que o negócio da seguradora tenha como finalidade pagar indenizações, todas as vezes que a curva escapa da média a operação fica mais cara. E ninguém gosta de pagar mais, exceto se for para depois pagar menos, o que não é o caso dos sinistros que acontecem neste feriado.

O começo do ano foi um bom exemplo do que muito provavelmente se repetirá quando as estatísticas forem publicadas. No começo do ano houve um aumento generalizado do número de acidentes com mortes e feridos graves nas estradas brasileiras.

Por conta deles, as seguradoras tiveram de arcar com um número maior de indenizações nas carteiras de seguros de automóveis, responsabilidade civil, vida, acidentes pessoais e planos de saúde privados.

Milhões de reais foram pagos aos proprietários dos veículos envolvidos e às vítimas ou a seus beneficiários, o que é bom no sentido de mostrar que o setor cumpre sua função social, mas é ruim no sentido de mostrar o grau de imprudência dos motoristas e o custo absurdo desta irresponsabilidade.

A principal causa do aumento dos acidentes nas estradas tem explicação simples: a explosão da venda de veículos novos, graças aos longos prazos de financiamento. Com mais gente comprando carros, mais motoristas despreparados estão nas ruas e estradas, o que, naturalmente, leva ao aumento dos acidentes.

Já os demais ramos de seguros sofrem por conta de antigas mazelas que cobram um alto preço da sociedade, muito mais em função da perda ou da invalidez de entes queridos do que do dinheiro gasto pela Previdência Social, pelo SUS e pelas seguradoras.

Brigas, assassinatos por motivos fúteis e violência gratuita dividem espaço com acidentes pessoais decorrentes do desconhecimento dos princípios básicos para a prática de esportes radicais, do aumento da exposição a riscos, do consumo de álcool e da irresponsabilidade natural que o feriado de carnaval traz embutido.

O impacto nos seguros de acidentes pessoais, vida e planos de saúde privados não é capaz de desequilibrar a solidez das seguradoras, mas faz diferença na boca do caixa.

Para efeitos de cobrança dos prêmios, constituição das reservas técnicas e exposição aos riscos, os seguros são diferidos em doze meses. Mas os sinistros não acontecem da mesma forma. Dada a aleatoriedade dos riscos, pode acontecer ou não uma concentração maior deles num espaço pequeno de tempo. É isso o que ocorre nos dias de carnaval.

A consequência deste fenômeno é um maior desembolso sem que aconteça o correspondente aumento do faturamento. E o aumento das despesas não é apenas em função das indenizações, mas do aumento das rotinas envolvidas nos processos de regulação e liquidação de sinistros. Ou seja, o acúmulo de sinistros em pequenos espaços de tempo, em função dos custos administrativos e das indenizações devidas, pode fazer o caixa da companhia de seguros ficar delicadamente baixo, chegando a comprometer sua capacidade de honrar todos os compromissos nos prazos normais.

É SÓCIO DE PENTEADO MENDONÇA ADVOCACIA, PRESIDENTE DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS E COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO

ROBERTO BARTH

O que esperar da visita de Dilma à China
ROBERTO BARTH

O Estado de S.Paulo - 07/03/11

Em sua primeira viagem para fora da América Latina, a presidente Dilma Rousseff visitará a China. Tem lógica a escolha, pois hoje os chineses já têm a segunda economia do mundo - rumando para ser a primeira, muito em breve. Por outro lado, é a maior importadora das commodities brasileiras.

A presidente embarca em abril. Na agenda estão previstas reuniões com representantes do empresariado chinês. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirma que serão feitos esforços para reduzir os danos causados pelas importações de produtos chineses no mercado nacional.

Uma das propostas é negociar parcerias para ampliar as exportações de minério de ferro e aço do Brasil para a China. Para isso não haveria a necessidade da viagem dessa comitiva cara, uma vez que os chineses necessitam comprar nossa soja e nosso minério de ferro, entre outras commodities, para alimentar sua enorme população e ter acesso à matéria-prima essencial para seu gigantesco parque industrial. Vale salientar que a população da China teve um ganho enorme de renda e agora passa a demandar mais comida, item escasso num país com pouca área cultivável.

Do mesmo modo, o crescimento de seu parque industrial demanda mais e mais matérias-primas básicas, também indisponíveis naquele país. Ou seja, o Brasil passa a ser uma das alternativas mais viáveis ao abastecimento de commodities à China. Os chineses necessitam comprar aqui, não dependendo de nenhuma viagem para promover nossas vendas.

A outra explicação para essa viagem da presidente e sua comitiva é atender aos apelos do empresariado nacional para evitar que os produtos chineses prejudiquem, ainda mais, o mercado brasileiro, levando à maior desindustrialização.

Mas em 2005 foi exatamente a mesma coisa. O Ministério da Indústria da China convidou o governo brasileiro e representantes dos inúmeros setores industriais nacionais - que já naquela época se sentiam altamente prejudicados pelo surto de importação de produtos chineses - a organizarem uma missão de alto nível a Pequim. Na ocasião, seriam negociadas formas de autorregulamentação, por parte dos chineses, em suas exportações ao Brasil de diversos produtos, como forma de conciliar os interesses comerciais de chineses e brasileiros.

Vários setores industriais brasileiros sentiram-se aliviados e juntaram-se à missão, como forma de resolver esse grave problema. Tinham, com o governo brasileiro, a esperança de conseguir negociar uma solução viável para todos. O governo brasileiro esteve representado, naquela oportunidade, por inúmeros integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), inclusive com a participação do então ministro Luiz Fernando Furlan.

E eu estava lá.

Qual foi a nossa surpresa quando, exaustos, após mais de 40 horas de viagem aérea, fomos surpreendidos logo na primeira reunião com a informação de que o governo chinês não estava disposto a negociar nada. Dizia inclusive nem saber o que estávamos fazendo lá! Ficamos em Pequim por 11 dias, e foram 11 dias sem nenhum avanço no assunto. Fomos muito bem tratados pelos chineses, uma vez que hospitalidade é uma de suas qualidades. Mas negociar aquilo que era nosso propósito, a autorregulamentação das exportações chinesas ao Brasil, nem entrou nas conversas. Voltamos todos, inclusive o próprio ministro, sem que os chineses tivessem sequer ouvido nossas reivindicações.

Agora, com um governo novo, as esperanças de que nossos velhos problemas serão resolvidos se renovam. Todos cheios de vontade de resolver os assuntos pendentes. O ministro Fernando Pimentel, do MDIC, e sua equipe estão trabalhando arduamente para solucionar o problema das importações desleais que causam danos ao setor industrial brasileiro. Dilma tem a mesma diretriz.

Mas os chineses, inclusive seu governo, mantêm seu plano de criação de empregos via ampliação do setor industrial exportador. E, mesmo com muita hospitalidade, não estão interessados em ceder. E não têm nada a negociar conosco sobre esse assunto, uma vez que já compram do Brasil os produtos (commodities) e as quantidades que lhes interessam para suprir sua população e sua indústria.

No que está muito correto do ponto de vista deles, o governo chinês olha os interesses de sua população e segue rigidamente o excelente plano traçado há mais de 30 anos para criar milhões de empregos. Para isso, mantém sua moeda subvalorizada, concede incentivos aos exportadores, conserva os sindicatos sob seu controle, não dá nenhuma importância à preservação do meio ambiente. E também não se importa com as reclamações de governantes de outros países. Estão muito corretos em governar para a melhoria da qualidade de vida de sua população. E, nisso, têm tido muito sucesso. Aplicando essa política, chegaram à segunda economia do mundo, e, repito, logo serão a primeira.

O governo brasileiro deveria fazer o mesmo. Olhar pela população brasileira, pela indústria brasileira, pela criação de empregos no Brasil.

Aqui fica uma pergunta à presidente Dilma: o que ela espera de resultados concretos dessa viagem? Tenha a certeza de que toda sua comitiva será muito bem recebida pelos chineses, porém é preciso agir firmemente para obter resultados concretos contra esse grave problema da indústria brasileira: o comércio desleal nas exportações chinesas ao Brasil.

UM DOS FUNDADORES DA COMISSÃO DE DEFESA DA INDÚSTRIA NACIONAL (CDIB), É DIRETOR DA SUPERGAUSS PRODUTOS MAGNÉTICOS

CARNAVAL

LUIZ FELIPE PONDÉ

Deus me livre de ser feliz

LUIZ FELIPE PONDÉ

FOLHA DE SÃO PAULO - 07/03/11

Deus me livre de ser feliz. Existem coisas mais sérias que a felicidade. Algum sabichão por aí vai dizer, sentindo-se inteligentinho: "Existem várias formas de felicidade!". E o colunista dirá: "Sou filósofo, cara. Conheço esse blá-blá-blá de que existem vários tipos de felicidade, mas hoje não estou a fim".

Um bom teste para saber se o que você está aprendendo vale a pena é ver se o conteúdo em questão visa te deixar feliz.

Se for o caso e você tiver uns 40 anos de idade, você corre o risco de sair do "curso" engatinhando como um bebê fora do prazo de validade. A mania da felicidade nos deixa retardados.

Querer ser feliz é uma praga. Quando queremos ser felizes sempre ficamos com cara de bobo. Preste atenção da próxima vez que vir alguém querendo ser feliz.

Mas hoje em dia todo mundo quer deixar todo mundo feliz porque agradar é, agora, um conceito "científico". Quem não agrada, não vende, assim como maçãs caem da árvore devido à lei de Newton.

Mas eu, talvez por causa de algum trauma (fiz análise por 20 anos e acho que Freud acertou em tudo o que disse), não quero agradar ninguém.

Não considero isso uma "vantagem moral", mas uma espécie de vício. Claro, por isso tenho poucos amigos. Mas, como dizem por aí, se você tiver muitos amigos, ou você é superficial, ou eles são, ou os dois.

Quanto aos meus alunos e leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus.

Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.

Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.

Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar.

Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um covarde.

Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.

Espero que um dia descubram que, sim, eles têm um preço (apenas desejo que seja um preço alto) e que se vendam.

Espero que percebam que seus pais não foram santos e parem com essa coisa de gente brega de classe média que tenta inventar uma "tradição ética familiar" que só engana bobo.

E por que digo isso? Porque hoje todos nós estamos um tanto infantilizados e só queremos que nos digam o que achamos legal.

O resultado é uma massa de obviedades. A tendência é transformar o pensamento público em autoajuda ou em "compromisso com um mundo melhor", o que é a mesma coisa.

Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz".

Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.

Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.

Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego.

Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia ou magra demais. Mulheres bonitas vão para o inferno, logo...

E gente que acha que frango tem mãe (só porque ele "descende" do ovo de uma galinha, e ela de outro...) e por isso é crime matá-los? Trata-se de uma nova forma de compromisso com a "felicidade social e política".

Entre esses "felizes que desejam a felicidade para os frangos" existem pessoas de 40 anos com cérebro de dez e pessoas de dez anos que um dia terão 40, mas com o mesmo cérebro de dez. Não creio que mudem.

Hoje é Carnaval. Espero que você não tenha pegado aquele trânsito idiota de cinco horas para ser feliz na praia.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Uso descontínuo
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/03/11

Apesar de ter escapado do contingenciamento orçamentário anunciado por Geraldo Alckmin, a Secretaria da Saúde promoverá um corte de 5% no teto de procedimentos médicos e exames contratados aos 30 hospitais do Estado de São Paulo geridos por Organizações Sociais.
Embora o governo paulista argumente que a avaliação para ajuste nos convênios será individualizada, levando em conta demandas específicas, a medida poderá afetar, por exemplo, pacientes que recorrem à rede pública para tratamentos que exigem regularidade, como hemodiálise e radioterapia.

Em todas 
Depois de entrevistar Dilma Rousseff e estrelar campanha publicitária do Ministério da Saúde, Hebe Camargo será madrinha da campanha do agasalho organizada pela primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin, a partir de maio.

Canteiro 
Sem alarde, o governo paulista solicitou licença ambiental para instalar seis presídios no interior do Estado. Estavam entre as 49 obras congeladas por José Serra na crise de 2009.

Sem luz 1 
A despeito dos apagões em série, nem o Procon-SP consegue estabelecer um canal direto com as concessionárias de energia. Segundo o órgão, as operadoras resistem à criação de e-mail para envio de reclamações dos consumidores.

Sem luz 2 
Anunciada a aplicação da primeira multa, de R$ 4,7 milhões, o objetivo imediato do Procon é garantir medidas compensatórias aos clientes prejudicados pelos cortes no fornecimento.

Faxina 
Sob direção do grupo de Michel Temer, o PMDB de São Paulo prepara nova resolução, obrigando os 350 diretórios municipais constituídos ou em formação a lançar candidato a prefeito ou a vice em 2012. A cúpula havia prometido dissolver os diretórios que não conseguiram prover seus candidatos com um mínimo de 5% dos votos na eleição legislativa.

Com tela 
O plano de revitalização peemedebista pós-Orestes Quércia é ancorado no principal ativo da sigla: tempo de TV. Serão priorizadas as cidades onde há campanha eletrônica. A meta é elevar de 70 para cem as prefeituras do partido.

Resenha 1 
Em conversa recente com um cardeal petista, Lula foi só elogios ao desempenho de Dilma Rousseff, mas se mostrou apreensivo em relação ao comando do partido, hoje nas mãos de José Eduardo Dutra.

Resenha 2 
No entender do ex-presidente, Dutra deveria entrar de maneira firme no debate sobre a reforma política, entre outros motivos para fazer um contraponto a Michel Temer (PMDB). O vice de Dilma é o mais ilustre defensor do "distritão" -do qual o PT não quer ouvir falar.

Ócio criativo 
Certa vez, perguntaram a Ciro Gomes (PSB) sobre o conterrâneo Paes de Andrade (PMDB), que sofrera uma derrota eleitoral. "Vai ser fiscal do sol", respondeu Ciro. No Ceará, é o que se fala dele agora.

Desandou 
A relação dos irmãos Gomes -Ciro e o governador do Ceará, Cid- com o presidente do PSB, Eduardo Campos, segue de mal a pior. Lembra o tempo em que o PMDB "da Câmara" vivia em permanente guerra com o PMDB "do Senado".

No papel 
O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, prepara um marco regulatório para a relação entre governo e ONGs. A ideia é definir regras mais claras sobre financiamento e condições para parcerias.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Há algo de podre no reino de Momo, que favorece a fuga de quem deveria se explicar ou agir: a deputada e o corregedor."
DE CHICO ALENCAR (PSOL-RJ) sobre o sumiço carnavalesco dos colegas Jaqueline Roriz (PSC-DF) e Eduardo da Fonte (PP-PE); ela, flagrada em vídeo recebendo maços de dinheiro de Durval Barbosa; ele, formalmente encarregado de apurar o caso.

contraponto

Chorinho

Enquanto acompanhavam pelo rádio a votação do salário mínimo no Senado, integrantes da Mesa da Câmara se queixavam do tom crítico do noticiário das emissoras comerciais que transmitiam a sessão.
Incomodado, o primeiro-secretário, Eduardo Gomes (PSDB-TO), sintonizou a rádio da Casa. Mas se decepcionou tão logo ajustou a frequência. Em vez do plenário, ouvia-se "Carinhoso", de Pixinguinha.
-Bem, tenho de reconhecer que o gênero musical é apropriado à ocasião...

GOSTOSA

JOSÉ RENATO NALINI

Tema irrelevante
JOSÉ RENATO NALINI
O Estado de S.Paulo - 07/03/11

São 17.852 os bacharéis inscritos para o 183.º Concurso de Ingresso à Magistratura ora em curso no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Disputam 193 vagas já existentes e as que vierem a ser abertas no decorrer do certame. A Corte estadual é a maior das Américas: o quadro de 360 desembargadores é complementado por mais 2.160 magistrados em atuação na primeira instância.

Não se dispõe de informações que noticiem número de inscritos superior a esse, em outros concursos da magistratura que se realizam Brasil afora. E os interessados acorreram simplesmente porque tomaram conhecimento do edital de abertura do certame nos sites oficiais do TJ-SP e da Vunesp, instituição encarregada da operacionalidade da seleção.

Houve total desinteresse da grande mídia em noticiar esse concurso. Afinal, é mais um no imenso rol dos processos seletivos para recrutar servidores públicos num Brasil cuja máquina estatal cresce como nunca antes se viu neste país.

Prover a magistratura de quadros adequados é, para a mídia, tema irrelevante. Sempre atenta aos deslizes de qualquer juiz, ávida por divulgar o folclore judicial, as mazelas que não poderiam deixar de acometer o Judiciário, instituição humana e, portanto, falível, não considera sua missão contribuir para aprimorar essa prestação estatal.

Não interessa divulgar que o concurso promovido pelo Estado de São Paulo é o primeiro que se ajusta à Resolução n.º 75, de 12/5/2009, editada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). É a maior Justiça do Brasil a adotar a normatividade cogente expedida pelo segundo órgão do Judiciário, aquele denominado de "controle externo" da magistratura. CNJ que reconheceu, depois de décadas de críticas externas e mea culpa endógeno, que nenhuma emenda à Constituição, nem a mais pretensiosa legislação, transformaria a Justiça no serviço público eficiente e efetivo como tem direito a sonhar aquele que anseia por um novo Brasil.

A chave de conversão da Justiça em universo afinado com a contemporaneidade é o recrutamento e o preparo de magistrados. A melhor lei é insuscetível de modificar a sociedade, se não for aplicada por uma consciência reta. Consciência de quem assume a condição de agente de transformação da sociedade. Igualmente responsável - assim como os demais que exercem funções estatais - a edificar uma Pátria justa, fraterna e solidária.

Foi por reconhecer que os concursos públicos até então realizados priorizavam a capacidade mnemônica do candidato, mas não conseguiam detectar - ao menos com a eficiência desejável - outros atributos mais importantes do que a erudição, que o CNJ regulamentou o procedimento e os critérios relacionados à seleção de novos juízes.

Pode parecer pouco, se considerada a metodologia de provimento do quinto constitucional e o acesso aos tribunais superiores, cujos critérios a mídia conhece mais do que os juízes, envolvidos num exponencial crescimento da demanda. Mas o concurso é a porta de entrada natural para quem quer fazer carreira de juiz. É o destino do vocacionado, aquele que não perdeu ainda a esperança de realizar o justo concreto.

É por isso que o concurso hoje é um desafio à praxe estabelecida há tantos anos e que favoreceu a multiplicação de cursos de preparação. A previsibilidade da sistemática impôs aos concurseiros a façanha de decorar todo o universo da legislação, doutrina e jurisprudência. Missão hercúlea para a prolífica produção jurídica brasileira. Com descuido das noções gerais de Direito e formação humanística, por todos consideradas "perfumaria" desnecessária.

Hoje, o futuro juiz precisa ter noções de Sociologia do Direito e, principalmente, de Administração Judiciária. Não poderá desconhecer aspectos gerenciais da atividade judiciária, com administração e economia. Não se esqueceu o produtor da norma de exigir gestão e gestão de pessoas. O magistrado precisa estar atento às transformações sociais, conhecer comunicação social e a opinião pública. Debruçar-se sobre os mecanismos de resolução, assumindo como tarefa sua estimular os sistemas não judiciais de composição de litígios.

Em Psicologia Judiciária, pretende-se fazer o candidato se interessar por relacionamento interpessoal, assédio moral e assédio sexual. Mas o ponto central é imergir na ética, para que o futuro juiz não alegue desconhecimento dos deveres funcionais da magistratura nem do Código de Ética da Magistratura Nacional. O consequencialismo entra aí: ninguém pode decidir tecnicamente e se desinteressar pelo resultado de sua decisão no mundo concreto.

Filosofia do Direito é também essencial para apreender os conceitos de justiça e de equidade, e novamente se introjetar da conexão íntima entre Direito e moral. Enfim, quebraram-se os paradigmas da memorização pura e simples, rumo à tentativa de se proceder a uma revolução judiciária da qual a nacionalidade colherá os frutos ao longo do tempo.

O CNJ exerceu a sua função de aprimorar o Judiciário e o Tribunal de Justiça de São Paulo se propõe a adequar-se à normativa, com adequação à realidade singular desta unidade da Federação. Será que em qualquer outro Estado há concurso cujo interesse resulte em concreta inscrição de quase 18 mil concorrentes?

Tudo isso não faz parte do interesse da grande mídia. Os espaços são destinados às páginas inteiras de publicidade, com destaque para a consolidação da era automobilística. O carro é muito mais importante do que as pessoas.

A irrelevância do tema não impediu que o Tribunal de Justiça bandeirante, no exato cumprimento de seu dever, procurasse acertar o passo com as legítimas exigências do povo, que ainda enxerga no Judiciário a derradeira esperança de ver restaurado o seu direito lesado. Se vier a lograr algum êxito, as futuras gerações o sentirão e isso é o verdadeiramente relevante na árdua, frustrante e, mesmo assim, urgente reconstrução da democracia.

DESEMBARGADOR DO TJ-SP, FOI PRESIDENTE DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

MÔNICA BERGAMO

BEIJA-MÃO NO "MAIS BELO" E "PARCEIRO"
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/03/11

Com um arranjo de penas verdes de dois metros de altura, o carnavalesco Milton Cunha beija Aécio Neves. "Você ainda será o nosso presidente, saravá! Será o mais belo presidente de todos!". E assim foi durante boa parte da passagem do senador tucano e ex-governador de Minas Gerais pela Feijoada do Amaral, no sábado, no píer Mauá. Ele chega ao local às 17h, com a namorada, a modelo Letícia Weber. Dá um rasante no espaço VIP dos anfitriões. Balança os dedos em direção à boca, indicando que quer conferir o prato que dá nome à festa.

Aécio encosta perto de uma pilastra para comer. Abaixa a boca até o prato e corta um pedaço de costela com os dentes. Posa para fotos. A socialite paulistana Helena Mottin se levanta do banquinho para beijá-lo. "Você jura que vai ser o nosso presidente?". "Vou fazer força para isso", disse Aécio, segundo ela. "Não depende só de mim", modera o senador à coluna.

No piso abaixo, um corredor de mesas, convidados sobem em cadeiras para beijar a mão do ex-governador.

Aécio posa com os patrocinadores do evento: Adriano Schincariol, presidente da cervejaria, e Rosan Francischinelli, diretor do grupo, que combina "a próxima reunião, em Brasília". "É um grande parceiro nosso", diz Schincariol. Em uma das idas ao toalete, o mineiro e Álvaro Garnero se cumprimentam com um soquinho nos punhos. Ele dá um tapa no peito do político, como que para conferir a força. Aécio pede que o segurança libere Garnero e a namorada, Cristiana Arcangeli, para o camarote. Cadeiras e mesinhas são colocadas para fora a cada novo convidado que entra.

Aécio balança os ombros nos versos "Moreno alto, bonito e sensual / Talvez eu seja a solução pros seus problemas", da música "Amante Profissional". Paes chacoalha os braços, abraça a mulher, Cristine, e canta até o refrão "Loca, loca, loca", da colombiana Shakira.

O prefeito acende uma cigarrilha. "Só fumo quando bebo. Eu não fumava. Aí um dia, vi o Sérgio [Cabral, governador do Rio] e o Lula com isso. Falei: "Vou experimentar essa p..." Agora eles largaram e eu continuo."

Do outro lado da festa, Christiane Torloni, recém-separada do diretor Ignácio Coqueiro, arrisca uns passos. De chapéu panamá e óculos escuros, canta e dança "Vou Festejar", aquela do refrão "Você pagou com traição/ A quem sempre lhe deu a mão". DIÓGENES CAMPANHA, do Rio

SALVADOR

BLOCO DE
BOLEIROS

Segurando a pasta de dente do patrocinador que a levou ao camarote de Daniela Mercury no Carnaval de Salvador, a atriz Isis Valverde sorri amarelo ao responder várias vezes se está tendo um romance com Caio Castro, seu colega de elenco em "Ti-Ti-Ti". "Sempre vão falar coisas", diz. Caio, aliás, está a alguns metros dali, em outra área VIP.

Três gerações de boleiros circulam pelo espaço: Raí, Toninho Cerezo e Richarlyson. Cerezo é pai da modelo transexual Lea T. "Tô feliz [com o sucesso dela]. Ela tá convicta e fala coisas que muita gente não quer escutar." E desmente que estejam brigados. "Só tenho quatro filhos. Acha que vou brigar com algum deles?"

Em seu camarote, o Expresso 2222, Gil e a mulher, Flora, recepcionam os convidados. Preta Gil é a dama de honra do espaço. E Gil faz participações especiais. Na sexta, cantou hits como "Agachadinho" e "Vem Neném" com Xanddy, do Harmonia do Samba.

No almoço em sua casa no sábado, o ex-ministro puxou o "Parabéns a Você" para a afilhada Nina Rosa, 6, filha de Lilibeth Monteiro de Carvalho e Walter Rosa. E cantou junto com os filhos Bem e José o refrão inventado: "Aha, uhu, ô Nina eu vou comer o seu bolo". "Veja como é o Brasil. Eu tenho uma neta [Flor, 2 anos] loira de olho azul e a Lilibeth, que é loira de olho azul, tem uma filha mulata", diz o anfitrião. LÍGIA MESQUITA, de Salvador

SÃO PAULO

CHICLETE SEM BANANA
A atriz Débora Falabella assistiu, com Daniel Alvim, ao seu primeiro Carnaval paulista no camarote do Bar Brahma, anteontem. E Odilon Wagner foi ao Anhembi para ver o desfile da X-9, que homenageou o "adorável" Renato Aragão. Odilon foi convidado para desfilar, mas só se deu conta de que não tinha a roupa inteira branca necessária de última hora. "Me arrependi, mas vou confessar. Como não sabia o samba de cor, entrar na avenida e ficar mascando chiclete não dá!"

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

BONDE DO BANDIDO SEM FREIO

RUY CASTRO

Entre São Francisco e Chacrinha
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/03/11

O Rio ganhou um bonito presente no seu aniversário, semana passada: os 56 murais do Profeta Gentileza (1917-1996) nas pilastras do viaduto do Caju, na zona portuária, restaurados e tinindo para apreciação geral. Neles podem-se ler, na letra e grafia ("Amorrr", "Jessuss") que se tornaram sua marca, as frases de Gentileza conclamando ao amor, à natureza, à paz e, claro, à gentileza.

"Gentileza gera gentileza" era o seu mote - do qual ninguém pode discordar, a não ser que queira ser internado. O curioso é que o próprio Gentileza andou sendo preso e internado algumas vezes. Talvez pelo cajado, camisolão e barbas brancas com que se apresentava nas ruas, nos anos 70 e 80, e pela veemência com que vituperava o capeta, o capitalismo, as guerras e a nudez no Carnaval -veemência que se transformava em ferocidade quando ele saía em perseguição às moças de batom e rouge, calças compridas ou minissaias que cruzavam seu caminho.

Gentileza zanzava diariamente entre as barcas, em Niterói, e a praça Quinze e adjacências, no Rio. Ao ver moças de calças compridas, atacava-as de dedo em riste, gritando, "Tira as calças do papai! Tira as calças do papai!". As garotas fugiam, com medo do louco. As de minissaia, que já o conheciam, tentavam esconder as pernocas, mas ele as via e corria atrás delas pelo asfalto, sob vaias da plateia.

Era a prática contra a teoria: Gentileza, em pessoa, não tinha nada de gentil. É curioso como, depois de morto, suas idiossincrasias pessoais se evaporaram diante da "mensagem" que ele deixou em pedra, no Rio, e que já extrapolou para livro, pôster e até camiseta.

Neste processo, para as pessoas de fora ou que não o conheceram, nasceu um personagem quase mítico: um misto de São Francisco de Assis, que ele pensava ser, eChacrinha, com quem foi identificado e não repudiou a identificação.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Renovação no PT?
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/03/11
SÃO PAULO - A sucessão de Gilberto Kassab é um assunto extemporâneo. Mas não, certamente, para aqueles que vão protagonizá-la. Hoje, nem o prefeito, nem o PSDB, nem o PT têm ainda candidato. Até por isso, especula-se à vontade.
Todos, na situação e na oposição, aguardam José Serra. Mas ninguém se ilude mais com sua figura hamletiana. O sinal de fumaça branca, se vier, sairá da chaminé do tucano na undécima hora.
No PT é crescente a pressão por um nome diferente na disputa. Alguém que, além de representar uma renovação, tenha perfil e potencial para seduzir as classes médias, historicamente refratárias ao partido na cidade. Sem invadir a mancha azul (tucana) do mapa de votação, o petismo tenderá a morrer mais uma vez abraçado ao cinturão vermelho da periferia.
Os nomes que poderiam preencher esses requisitos são todos ministros: José Eduardo Cardozo (Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde).
Cardozo tem mais história e inserção partidária que Haddad. Mas seu prestígio com Lula é muito baixo. O ministro da Educação, pelo contrário, é filho dileto do ex-presidente, mas no PT paulistano a má vontade em relação a seu nome é imensa. São problemas simétricos. Padilha é dos três quem transita melhor na máquina partidária, mas é também o mais cru politicamente.
Entre os veteranos, Marta Suplicy hoje está praticamente descartada, mas Aloizio Mercadante ainda não. Apesar das duas derrotas para os tucanos no Estado, ambas em primeiro turno, é improvável que seja atropelado. Mesmo a contragosto, devem lhe dar, em algum momento, a opção de compra. Com ele, no entanto, não há renovação e a sedução das camadas médias ficaria mais difícil.
Muita água ainda vai rolar (e muitas enchentes junto), mas o PT hoje tem a avaliação de que, com ou sem Serra, o campo tucano-demista estará mais frágil do que na eleição anterior. Faz sentido.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

"A alegria não pode ser suja"
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 07/03/11

Oncinhas Magic Ball foi o tema do tradicional baile do Copacabana Palace e, ao que parece, agradou: os mil ingressos - que iam de R$ 1,5 mil a R$ 3.750 - esgotaram-se. Marco Antonio de Biaggi foi um dos que fez a ponte aérea e se misturou às felinas. Apesar de o tema ser cilada para a breguice, achou a decoração "deslumbrante". E sentenciou: "Milionárias amam oncinha. "Periguetes" também. Dizem que uma pessoa que veste oncinha enfeita até quem está do lado". E lembra: Dolce & Gabbana e Galliano sabem trabalhar muito bem com o mote.

Da série "não estou para conversa" estava Vincent Cassel. O ator francês, que tem apartamento no Rio, chegou cedo e deixou claro que não tinha ou tem o objetivo de cair na folia neste carnaval: "Vim aqui a trabalho". O tirano treinador de Natalie Portman em Cisne Negro estava fazendo pesquisa para seu próximo filme, em que uma das cenas será rodada no baile. Jantou, posou para os fotógrafos e só. E Monica Bellucci, sua mulher? "Ficou em casa".

Sob o refrão "Sou seu onça leal/Você é minha onça inspiradora", Luiza Brunet, madrinha da noite, entrou no palco do salão nobre por volta de 1h30. A atriz e modelo, entusiasta da folia, disse à coluna que o carnaval está cada vez melhor: "A festa está resgatando os blocos de rua. Eu moro em Ipanema, onde passam muitos deles. Acho o máximo os brasileiros comemorando e se divertindo".

Na contramão de Luiza, a socialite franco-brasileira Bethy Lagardère acha que os blocos não deveriam circular na Zona Sul: "Esse tipo de manifestação tem que ser feita na Lapa. Não em Copacabana e Ipanema, que são cartões postais do Rio". Ela defende que "a cidade não pode ser um toillete a céu aberto". Para ela, os blocos não têm estrutura. "A alegria não pode ser suja. E você sabe, brasileiro não tem limite. Nem regras cívicas". Exemplo? Mesmo o cigarro sendo proibido em ambientes fechados no Rio, a varanda coberta do hotel estava cheia de fumantes.

/ DEBORA BERGAMASCO E MARILIA NEUSTEIN


"Ser uma estrela custa caro"
Roberta Close, 47 anos, foi ao baile do Copa sem o marido, Roland Granacher, com que está há 19. De onça dos pés à cabeça, falou à coluna.

Lea T. e a ex-BBB Ariadna são transexuais famosas. O assunto deixou de ser tabu?Infelizmente fui muito mal recebida na minha época. Até uma pessoa que mata a outra, como o assassino da filha da Glória Perez, fica poucos anos na cadeia e consegue a liberdade. Eu estive "presa" 18 anos, tentando tirar meus documentos. O que fizeram comigo foi tortura psicológica. Tenho dezenas de laudos médicos por causa disso. Sempre dificultaram minha vida. Hoje a lei mudou e os documentos saem em dias. É um avanço.

Que tipo de trabalho faz hoje?Nada. Nunca me chamam para nenhum trabalho. Tentei trabalhar como atriz, mas é muito difícil porque temos muitas delas no País. E quando me chamavam era sempre para fazer algo misturando minha vida pessoal com a profissional. Daí não é legal, né? Mas a garota do BBB foi tirada do programa não por ser transexual, mas por causa do estilo dela. O brasileiro está acostumado com Rogéria e Roberta Close, ou seja, exige algo mais belo e sofisticado.

Posaria nua novamente?
Sim, mas por necessidade financeira, não por prazer. Porque, infelizmente, na vida a gente precisa sobreviver, tem gastos. Ser uma estrela custa caro, né? Para usar um vestido desses, uma maquiagem como esta, vai dinheiro.

Ganhou cachê para vir?
Vim por prazer, não ganhei nada. É carnaval, não quero ficar em casa. / DB

Alegria no Timor
Xanana Gusmão, primeiro-ministro do Timor Leste, deu rasante no camarote da Prefeitura de SP, na sexta, primeiro dia de desfiles no Anhembi. Chegou acompanhado de Alckmin, seguranças e uma pequena comitiva timorense.

Visivelmente deslumbrado com o que via na passarela, chegou a ficar com lágrimas nos olhos. "Só há três anos os timorenses sabem o que é felicidade", comentou enquanto via a Tom Maior evoluir. E situou: "Antes proibiam qualquer manifestação de alegria de nosso povo".

Alexandre Padilha, da Saúde, também apareceu por lá, mas saiu antes das 23h. Protógenes Queiroz, deputado federal, fez figuração até a hora de desfilar pela Vai-Vai. E se dizia animado com sua estreia em Brasília. Participará de quatro comissões, uma delas para fiscalizar o andamento das obras para a Copa e Olimpíadas. /JOÃO LUIZ VIEIRA

CLÁUDIO HUMBERTO

"Os sintomas são negativos, há uma desaceleração na economia"
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ao discordar do otimismo do governo sobre o PIB

Brizola Neto insiste no lugar do ministro Lupi

O ex-deputado Brizola Neto, o "Brizolinha", atual secretário do Trabalho do Governo do Estado do Rio, busca apoio no Congresso para ocupar o lugar do ministro Carlos Lupi (Trabalho), apesar de a presidenta Dilma haver negado, dias atrás, a intenção de demitir o auxiliar. Muito querido na bancada do PDT, Brizola Neto procura na Câmara a legitimidade que falta a Lupi e ao ex-senador Osmar Dias, pretendente ao cargo.

Garotão

O gaúcho Carlos Daudt Brizola, o "Brizola Neto" ou "Brizolinha", presidente do PDT-Rio, é considerado novo demais: tem só 32 anos.

Guerra aberta

O ministro Carlos Lupi atribui a Brizolinha todas as denúncias e críticas veiculadas na imprensa contra ele. E vice-versa.

Sinais

Do jeito que faz muxoxo sempre que se refere a Guido Mantega, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) parece ter planos para a Fazenda.

Boquinha

Aloizio Mercadante vai deixar o Ministério da Ciência e Tecnologia só em abril de 2012, mas o PT de São Paulo já briga pelo seu cargo.

'Obituários'

Elaborar obituários de celebridades vivas é prática comum nas redações, por isso ganhou contornos de hipocrisia o escarcéu em torno do programa da rádio Senado sobre o presidente da Casa, José Sarney. Grandes jornais há muito têm - e não o admitem - edições já paginadas, com fotos, declarações lamuriosas etc, sobre o arquiteto Oscar Niemeyer, 104 anos, e o ex-vice-presidente José Alencar.

Agora, não

A direção do Senado adiou a construção do novo almoxarifado e de uma passarela subterrânea para a gráfica.

Vai que é tua

Dilma torce muito pela candidatura de Míriam Belchior (Planejamento) a prefeita de Santo André (SP). Até parece que deseja se livrar dela.

Paranoia

De um leitor sobre o aparato de segurança do presidente Obama no Brasil: "Os presidentes americanos só sofrem atentados nos EUA."

Bandeira branca

O governador paulista Geraldo Alckmin, que detesta brigar, mandou um emissário dizer ao briguento José Serra que deseja discutir com ele um nome de consenso para a Secretaria de Seguranç a Pública.

Lua-de-mel

Para Dilma, o interlocutor do PMDB é o vice Michel Temer, lisonjeado com as mesuras diárias da presidenta. Mas ela não se recusa a conversar com os líderes Henrique Alves RN) e Renan Calheiros (AL).

Mudança

Após mais um ano exposta na vitrine virtual da livraria UOL, para compras online, a capa o livro "Honoráveis Bandidos", de Palmério Doria, com José Sarney usando óculos escuros, foi substituído por "Sarney - a Biografia", de Regina Echeverria.

Devagar

PT e os partidos aliados reclamam do tratamento do governo de Agnelo Queiroz, no DF. O alvo das queixas é o secretário de Governo, Paulo Tadeu, pelo estilo fechado em copas. Por ele nada passa, e dele nada sai para fazer a máquina andar. A paralisia é ampla, geral e irrestrita.

PODER SEM PUDOR

Enxerimento
Certa vez, em solenidade da Frente em Defesa dos Direitos da Criança, o deputado Severino Cavalcanti não resistiu aos encantos da senadora tucana Lúcia Vânia (GO):
- Minha doce senadora, que bom que a senhora está aqui. Eu só tenho que me cuidar, porque da última vez que eu fui numa reunião em Goiás eu não tirei os olhos da senhora. Logo vieram inúmeros boatos...
Depois, desconversou:
- Eu estou lhe namorando, mas não no sentido literal da palavra. Estou lhe namorando para o meu partido, o PP.
Ah, bom.

BRAZIU: O PUTEIRO

SEGUNDA NOS JORNAIS

O Globo: Carnaval surfa na onda do Rio

Folha de S. Paulo: Pedágios nas rodovias federais superam inflação

O Estado de S. Paulo: Kadafi lança ofensiva em cidade-chave

Correio Braziliense: A festa na Avenida

Estado de Minas: Mineiro troca negócio próprio por emprego

Jornal do Commercio: Olinda segue superdivertida

domingo, março 06, 2011

ANCELMO GÓIS

Nudez na ditadura
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 06/03/11

Constam do arquivo do Dops da antiga Guanabara fotos de uns 15 militantes contra a ditadura completamente nus, de frente e de costas. São todos jovens da geração 1968, presos nos anos 1970. 

O que fazer?... Para o historiador Paulo Knauss de Mendonça, diretor do Arquivo Público do Rio, é preciso debater o que fazer com material deste tipo: — É uma questão pública ou íntima? 

Dom Helder...
Aliás, Dom Helder Câmara, combativo bispo de oposição à ditadura, deixou documento em que proibia a divulgação dos arquivos da repressão a seu respeito em Pernambuco. 

Para concluir...

Este debate guarda alguma semelhança com o projeto do ex-deputado Palocci que limita a censura a biografias no Brasil. É para evitar casos como o de Paulo César de Araújo, cujo livro sobre Roberto Carlos terminou, a pedido do cantor, com os exemplares incinerados. 

Vida dura
De um diretor do Banco Central, arrumando a mala para ir embora: — Diretoria do BC é como a compra de um sítio. Você tem duas enormes felicidades: uma no momento da compra, outra quando consegue vender.

Jogo afinado...

Dilma se derreteu em elogios a Palocci numa conversa com um amigo dias atrás. 

Com a palavra, Lula
Lula já tem agendadas quatro palestras internacionais para abril. Serão no México, em Nova York, Londres e Madri. Em maio, o ex-presidente deve ficar por aqui. Mas, para junho, já agenda outros compromissos no exterior.

Os humanos

A família Bolsonaro, que joga na direita parlamentar, optou por integrar a Comissão de Direitos Humanos nas três casas legislativas em que atua. O pai, Jair, na Câmara; os filhos Flávio e Carlos, na Alerj e na Câmara de Vereadores do Rio. 

Columbia carioca
Chegam ao Rio, logo depois do carnaval, o reitor da Escola de Relações Internacionais da Universidade Columbia, John Coatsworth, e o diretor do Centro de Estudos Brasileiros da instituição, Thomas Trebat. Os americanos vêm tratar da criação da Columbia University Global Center na cidade. 

Farda de Brizola

Em agosto, uma exposição na Cinelândia, no Rio, lembrará os 50 anos da Cadeia da Legalidade, quando Brizola liderou a cruzada pela posse do vice Jango, após a renúncia de Jânio. Organizada por Brizola Neto, o vereador, inclui a farda da Brigada Militar com a qual seu avô se disfarçou para fugir em 1964. 

Aliás...
Chateava Brizola, com razão, a versão de que ele havia fugido de mulher. A ponto de, em 1989, ter respondido com grosseria a uma repórter sobre a história: — É sim, peguei emprestada a calçola da tua mãe e fugi. Depois, pediu desculpas. 

Liberou geral
Veja como Dom Orani, arcebispo do Rio, é, como se dizia no meu tempo, prafrentex: autorizou a iluminação do Cristo e da Catedral com cores bem carnavalescas nos dias de Momo. Na Quarta-Feira de Cinzas, os dois monumentos estarão de roxo, a cor da Quaresma. 

A aliança não
Quinta, no Alto da Boa Vista, no Rio, um noivo a caminho da cerimônia foi assaltado. Em pânico, pediu ao ladrão para deixar a aliança. O gatuno atendeu o pedido.

GAUDÊNCIO TORQUATO

O fóssil corporativista
GAUDÊNCIO TORQUATO
O Estado de S.Paulo - 06/03/11

Ao passar por São Paulo para participar de eventos de ciência política, o professor americano Philipe Schmitter, autor de densa pesquisa sobre a democracia brasileira, com a qual embasou sua tese de doutoramento no final da década de 60, deixou no ar incitante provocação: não entende ele por que o Brasil ainda se vale do "fóssil corporativista". A expressão usada para se referir ao conceito - conotando coisa antiquada, ultrapassada, defasada no tempo - se refere, evidentemente, ao modelo adotado por Getúlio Vargas e inspirado em Mussolini, cujos elementos se apresentam organicamente vivos (e como) ainda hoje, bastando olhar para instituições amarradas à frondosa árvore estatal, como as centrais sindicais, ou a constelação de entidades que vivem de contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, agrupadas no chamado Sistema S, encabeçadas por Sesi e Senai, por parte da indústria, e por Sesc e Senac, por parte do comércio.

A dúvida suscitada pelo pesquisador aponta para uma relação de troca: o corporativismo brasileiro continua a dar as cartas por conta do interesse das partes que dele se valem e nele se escudam em mantê-lo vivo. Para usar a conhecida expressão popular, os escudeiros do corporativismo, sejam representações laborais ou empresariais, querem mamar nas tetas do Estado. E este usa o equipamento para manter certo controle sobre as partes.

Impacta o professor Schmitter o fato de o Brasil, em pleno século 21, ainda não se ter livrado de um fenômeno que faria sentido nos anos 30 ou, como ele admite, até nos anos 50, e que hoje foi eliminado em países de costumes parecidos, como o México, onde a democratização esfacelou o modelo corporativista. A surpresa se torna ainda maior quando se observam a variedade de grupos étnicos e religiosos e a diferenciação das economias sub-regionais, características brasileiras que, por si só, dariam margem ao desenvolvimento de sólidas estruturas pluralistas e, consequentemente, ao desmoronamento do corporativismo. A dificuldade, não de todo detectada por aquele cientista social, reside na formação do ethos nacional. Expliquemos.

Somos um povo acostumado a viver sob a tutela do Estado. Cada ator social - grupamento, núcleos organizados, setores - imbui-se de pertencimento, a noção de que tem direito a uma cota do patrimônio estatal. O patrimonialismo é, assim, o desenho de fundo do traço corporativista. A este valor se agrega o cartorialismo, pelo qual a parte que cabe a cada um deve ser oficializada, documentada, registrada em cartório. Resulta desse impulso a proliferação de leis e decretos. O foro legislativo entope-se com a enxurrada de normas que visam a atacar, defender, proteger e preservar posições. O corporativismo, como se pode aduzir, se ancora em restrições, concessões, janelinhas de oportunidades e balcões de benefícios. São tantas as injunções que o oxigênio da liberdade de escolha acaba sendo ministrado a conta-gotas.

Nesse ponto, convém apontar a imensa contradição que permeia o tecido institucional: quanto mais o País avança na avenida da modernização de processos e práticas da gestão pública - cujo foco é o compromisso com metas, resultados, eficiência e eficácia -, mais preso permanece à floresta legislativa. Dessa forma, os trens velozes da contemporaneidade correm atrás da carroça protecionista. Eis aí o gigantesco paradoxo de nossa democracia funcional. O pluralismo que se enxerga na gama de instituições sociais e políticas, nas organizações não governamentais, nos grupos de interesse, não ganha correspondência no campo do voluntarismo e nas frentes de livre escolha. Há, quase sempre, a mão imperiosa do Estado determinando preceitos e obrigações. Não é assim, por exemplo, no engessamento das relações de trabalho? Não é assim com o salário mínimo, decisão do Estado, quando deveria ser uma negociação entre o capital e o trabalho? Sindicatos, mesmo os que se manifestam contrariamente ao imposto compulsório, fazem dele seu eixo. As centrais sindicais se assemelham, cada vez mais, a corporações utilitaristas, que vivem intensa disputa para ampliar as bases e expandir receitas.

A miríade de associações, cada qual defendendo reivindicações de nichos e cadeias produtivas, se acostumou ao ofício de articular com os Poderes para baixar decretos, normas, instruções ou leis específicas de cunho protecionista. Mas tal composição não condiz com o formato de uma sociedade agrupada em núcleos especializados? É verdade. A especialização de grupos, incluindo os profissionais liberais, tende a crescer e a gerar efeitos, inclusive de natureza política, com a formação de cadeias e coalizões voltadas para eleger suas representações ao Parlamento. Impõe-se a pergunta: então, quem levantará a bandeira dos grupos sociais desorganizados, das massas periféricas, enfim, dos contingentes populacionais mais carentes? Os partidos? Ora, também começam a agir de maneira corporativa. Defendem, primeiro, suas fatias de poder. As 27 siglas que giram na constelação partidária acabam, elas próprias, sendo responsáveis pelo caráter fluido da política. Competitividade maior haveria se tivéssemos apenas cinco, seis ou sete partidos, que, ajustados ao arco ideológico, fariam representação mais adequada às divisões sociais. Sob essa configuração, o conceito de bem comum ganharia força.

Como se pode ver, os impedimentos para desmonte do corporativismo se repartem em muitos espaços. Um nó vai puxando o outro. O Estado gordo e intervencionista atrai ambições dos atores, que, por sua vez, lutam para ganhar terreno e administrar feudos corporativistas. Já o foro de legalidade é respaldado pela massa legislativa. Explica-se, assim, como o fóssil corporativista repousa na tumba repleta de interesses praticamente imune às moléstias do tempo. Protegido por uma guarda pretoriana, que, a ferro e fogo, afasta aqueles que ameaçam sua sobrevida.

GOSTOSA

ILIMAR FRANCO

Uso da máquina
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 06/03/11

Telefones do escritório de Furnas em Belo Horizonte, feudo do PMDB, foram usados para fazer ligações para líderes do partido na pré-campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas, no ano passado. Em uma amostra de três contas, há 45 interurbanos para caciques locais em maio, quando o ex-ministro promovia videoaulas para mobilizar a militância. O PSDB pede na Justiça a inelegibilidade de Costa e de seu vice, Patrus Ananias (PT), que foram derrotados nas eleições.

Telemarketing de Furnas

O TRE de Minas mandou Furnas entregar a lista dos telefones do escritório, inclusivecelulares, e cobra da Telemar as contas de maio a setembro, para checar se a prática continuou na campanha. Entre os destinatários das ligações há vereadores, candidatos,
presidentes regionais do PMDB e o tesoureiro da campanha, Célio Mazoni. Furnas afirma que, tão logo soube da irregularidade, demitiu o responsável: Sinval Ladeira, então coordenador do Luz para Todos no Sudeste. Em 2006, ele tentou, sem sucesso, eleger-se deputado estadual pelo PDT. Dispensado de Furnas, foi trabalhar de vez na campanha de Hélio Costa.

"Devo muito ao Sinval, porque foi ele quem organizou todas as minhas campanhas. Se hoje sou senador, devo isso a ele” — Hélio Costa, no lançamento da candidatura de Sinval Ladeira, em 2006, em matéria publicada na “Folha de Contagem”

NA DEFENSIVA. Os ex-presidentes Fernando Collor e Itamar Franco estão cautelosos quanto à ideia da presidente Dilma de dar missões de política externa para os ex-chefes de governo. Não querem falar sobre o assunto antes de serem procurados pela presidente. Itamar está em uma situação desconfortável por ser oposição, apesar de FH ter gostado da proposta. Independentemente disso, Collor terá atuação na área porque foi eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Herança maldita
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) anda falando cobras e lagartos do cenário que encontrou ao assumir a pasta. Detalhe: seu antecessor é Tarso Genro, seu “mentor”. Os dois são da mesma corrente do PT, a Mensagem.

Sangria
O Ministério da Saúde comemora: a Justiça Federal negou à Pfizer extensão da patente do medicamento Geodon, para tratamento psiquiátrico, que agora poderá ter genérico. Por ano, a pasta gasta R$ 36 milhões com o produto.

Dia Internacional da Mulher
A ministra Iriny Lopes (Política para Mulheres) adiou o pronunciamento do Dia Internacional da Mulher, em cadeia nacional de TV, para o dia 16. A data da comemoração cai na terça-feira de Carnaval, então o governo avaliou que não era o dia ideal para veicular a mensagem. A ministra dirá que as prioridades de sua pasta são a erradicação da miséria e a autonomia financeira das mulheres.

Descentralização
O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, lidera movimento dos estados por mais participação no planejamento energético. Em reunião com o ministro Edison Lobão, acertou o envio de uma pauta de reivindicações, entre elas liberar os estados para fazer concessões de pequenas centrais hidrelétricas. Ele também pediu à Aneel dinheiro para aumentar a fiscalização sobre
as concessionárias do estado. São 15 agentes, quando o ideal, segundo ele, seriam 60.

 METAMORFOSE. Rumo ao PSB, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tem dito que quer um quadro “à esquerda” para disputar sua sucessão.
 PAPO. Nos momentos de descontração, a presidente Dilma Rousseff gosta de conversar sobre cultura popular brasileira e formação histórica do país.
 DEBANDADA. O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), passará o carnaval em Morro de São Paulo (BA). Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi para a Itália.