quinta-feira, janeiro 27, 2011

GOSTOSAS

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Bolsa Lula
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/01/11

O PT decidiu pagar um salário mensal de R$ 13 mil a Lula, que no próximo dia 10 receberá novamente o título simbólico de "presidente de honra" do partido. O contracheque será equivalente ao do presidente de fato do PT, José Eduardo Dutra.
O novo salário de Lula se soma às duas aposentadorias que ele recebe -uma de anistiado político, outra por invalidez devido à perda do dedo- e às palestras que devem engordar seu caixa a partir de março. "Não tem por que não pagar. Ele é um importante dirigente político, está se dispondo a trabalhar junto com o PT", argumenta José Eduardo Dutra.

Retroativo 
O salário de Lula vale já a partir de janeiro. Como o estatuto da legenda não prevê pagamento para cargo simbólico, o ex-presidente terá carteira assinada como assessor do PT, mesma situação montada para Dilma Rousseff na campanha.

Caderneta 
Segundo aliados do ex-presidente, suas aposentadorias somam R$ 9 mil ao mês. No patrimônio declarado em 2006, havia R$ 478 mil em aplicações financeiras, em valores da época. Há no PT defesa da equiparação do salário dos dirigentes partidários ao dos congressistas -R$ 26,7 mil.

Placar da rodada No edital da Câmara para renovar o fornecimento de jornais e revistas, um gabinete pediu para receber o esportivo "Lance!". Outros 38 deputados solicitaram o "Jornal do Brasil", desde setembro só na versão on-line.

Volta 
Dilma decidiu manter no governo o ex-ministro Márcio Fortes (Cidades). Seu destino seria a Apex (exportações), mas a ideia estacionou. O antecessor, Alessandro Teixeira, defende Maurício Borges, já dos quadros da agência.

Troca 
Tiago Falcão, secretário de Gestão do Planejamento, vai comandar a Secretaria de Renda de Cidadania, a do Bolsa Família.

Pingos nos "is" Da cota pessoal de Geraldo Alckmin, a escolha de José Bernardo Ortiz, empossado ontem na FDE mesmo respondendo a processo no STJ, contrariou sobretudo o grupo do senador eleito Aloysio Nunes, que advogava a permanência de Fábio Bonini no posto.

Claque 
Candidato a cargo no Bandeirantes, José Bernardo Ortiz Júnior, distribuiu torpedos convocando correligionários para comparecer à solenidade de posse do pai.

Chapéu 
A pedido de Alckmin, o secretário Édson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano), procurou ontem o ministro Mário Negromonte (Cidades). Obteve dele a garantia de inclusão de obras antienchente e de mobilidade no PAC-2.

Transição 
Na sessão que homenageou Antonio Carlos Viana Santos, presidente do TJ-SP morto ontem, o desembargador Walter de Almeida Guilherme indagou sobre o rito sucessório. O interino, Antonio Reis Kuntz, respondeu que oportunamente trataria do tema.

Recado 
Sobre as críticas de aliados de José Serra acerca do "flerte" com os sindicatos de professores, o secretário Herman Voorwald (Educação) nega que pretenda fazer concessões na promoção por mérito, embora diga que abrirá canal de diálogo permanente com a categoria.

Reserva 
Chegou ao governo federal a informação de que devido ao aquecimento da economia uma grande cervejaria resolveu importar latinhas de alumínio para evitar problemas de estoque durante o Carnaval.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

Tiroteio

Se até o presidente Lula acharia que não há nenhum impedimento moral em Delúbio militar novamente no PT, por que ele foi expulso do partido em 2005?
DO DEPUTADO FEDERAL EDUARDO SCIARRA (DEM-PR), sobre a possibilidade de refiliação do ex-tesoureiro petista, afastado no epicentro da crise do mensalão.

Contraponto

Aeroporto


O tradicional discurso sobre o Estado da União feito por Barack Obama anteontem levou o apresentador Marcelo Tas a comentar no Twitter o efeito que um cargo de tal responsabilidade pode provocar nas pessoas.
-Obama falou de Sputnik... mas eu só consegui prestar atenção no cabelo branco dele.
Também no microblog, o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) provocou, brincando com uma das principais características físicas do apresentador:
-Isso é coisa de quem não tem cabelo.

EUGÊNIO BUCCI

... e eles ainda acreditam que a ética atrapalha
Eugênio Bucci 
O Estado de S.Paulo - 27/01/11

Passada a temporada dos balanços do governo Lula - os balanços jornalísticos, bem entendido, posto que o julgamento da História só virá mais tarde -, uma quase unanimidade se sobressaiu. De positivo, a imensa maioria dos analistas registrou que o ex-presidente se saiu bem, muito bem, em pautar o tema da exclusão social como prioridade de sua gestão. Ele ampliou as ofertas de emprego, contribuiu para a elevação dos padrões de consumo dos mais pobres e também para a abertura das vias de acesso à universidade para famílias que, até então, estavam alijadas dos cursos superiores. Todos elogiaram o compromisso do ex-presidente com a estabilidade da moeda e, também, com o crescimento econômico. O Brasil é hoje uma estrela entre as nações, está mais confiante, mais otimista e mais feliz.

Do lado negativo, a avaliação também é praticamente unânime: o governo que se encerrou em 31 de dezembro de 2010 deixou a desejar em matéria de rigor e intransigência no combate à corrupção. Não que tenha sido complacente em todos os níveis com os ladrões, antigos e novos. O saldo, aqui, não é linear, muito menos óbvio: é complexo, perpassado de contradições. No plano administrativo, burocrático, mais impessoal, os órgãos de fiscalização vinculados ao Poder Executivo funcionaram satisfatoriamente. Há poucas semanas, a Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou um relatório com números expressivos: entre 2003 e 2010, nada menos que 2.969 servidores públicos, na esfera federal, foram punidos por má conduta. Excelente. Acontece que, no plano dos caciques, deu-se um clima de congraçamento entre o presidente da República e notórios representantes das velhas e piores práticas patrimonialistas da História da República. Em vários episódios em que o malfeito era evidente, os grandes nomes sofreram desgastes, mas não foram punidos. Em lugar disso, foram afagados e, gradualmente, reabilitados pelo chefe de Estado. Nesse quesito, enfim, o governo Lula decepcionou.

Tudo isso, claro, já foi dito e repetido pelos jornais. O que não foi devidamente registrado, porém, é que, para muitos, inclusive para alguns que integraram o governo que acabou de se encerrar, não havia outra escolha. Para esses, não é correto dizer que Lula foi bem nos campos social e econômico, mas foi mal no que se refere à ética. Eles não usariam a adversativa. Fariam outra formulação. Diriam que Lula conseguiu as realizações que conseguiu nos campos social e econômico exatamente porque soube ser flexível com o que julgam ser formalidades do discurso ético. Acreditam que sem essa flexibilidade, ou mesmo sem essa frouxidão calculada, a governabilidade resultaria inviável e nada teria "avançado". Eis o ponto.

Chegamos aqui a uma das pedras fundamentais da nossa cultura política. Uns mais, outros menos, todos nós cultivamos a crença de que a ética pública é uma espécie de puxadinho de luxo que se constrói quando as prioridades já foram atendidas. Fora disso, atrapalha. Exigir prestação de contas a toda hora serve apenas para atrasar as obras e os negócios - basta ver as sucessivas refregas verbais entre o governo anterior e o Tribunal de Contas da União (TCU), em 2009 e 2010. Segundo essa mentalidade, a ética pública é um item cosmético, um toque de acabamento. Na grande obra que é a gestão do Estado, ela deve vir depois, apenas para conferir um aspecto de coisa civilizada, responsável, a processos que, se necessário, não hesitarão em empregar métodos selvagens (que permanecerão, para sempre, secretos). Parece grosseiro, parece primitivo, mas vivemos num país em que empresários, em grande número, e boa parte dos políticos, qualquer que seja o partido, pensam assim.

Será difícil quebrar o encanto dessa pedra fundamental. Ela constitui uma ilusão pétrea do pragmatismo pátrio, inspirando as práticas políticas. Sua superação não virá por decreto, mas aos poucos, à medida que os agentes políticos e econômicos internalizarem a noção de que o resultado dos processos é inseparável da qualidade de cada uma de suas etapas anteriores. Na administração pública democrática, não é verdade que os fins justificam os meios - a verdade é o oposto disso: os meios é que determinam os fins.

Em meio a essa cultura desalentadora, um sinal animador, bastante positivo, veio com a mensagem da presidente Dilma Rousseff para a sua primeira reunião ministerial, há duas semanas. Ao menos no plano do discurso, sua orientação reconcilia ética e eficiência. Podemos aqui resumi-la em cinco palavras: gestão competente é gestão transparente. Dilma Rousseff, segundo seus assessores, tem dito que não quer a virtude dos homens, mas a virtude das instituições. Nada contra a virtude das pessoas, por certo, mas, de fato, a eficiência da máquina pública só pode ser medida se houver transparência - e transparência é um atributo das instituições virtuosas. O resto é sofisma ou oportunismo.

Ou ainda uma cilada - na qual pode ter caído, em parte, o próprio governo Lula. A História responderá. À imprensa, que escreve a História a quente, cabe registrar a primeira impressão: Lula foi bem "no social", mas fraquejou "na ética". À História, que reescreve o que a imprensa anotou no calor da hora, caberá julgar se o governo Lula ampliou as garantias sociais porque soube costurar alianças com oligarquias carcomidas ou se, inversamente, conferiu uma inestimável sobrevida ao patrimonialismo (o velho e o novo) mediante pequenas concessões sociais.

Enquanto o veredicto da História não vem, a nova presidente se diferencia com discrição. Ela parece saber que um governo a que falta transparência é sempre um governo de caráter duvidoso e, em lugar do duvidoso, fala em metas e métodos claros. Se essa visão prosperar, teremos uma inovação política. E menos atrapalhação.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

QUEBRADO

MERVAL PEREIRA

 AL vira cisne
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 27/01/11


Há anos em que a América Latina está em baixa no Fórum Econômico de Davos, e outros, como agora, em que o patinho feio vira cisne. Basta ver que ontem a sala onde se realizou um debate sobre a situação da região ficou lotada, com gente de pé. Os anos críticos têm sido mais frequentes, mas certamente há muito tempo não se tem tanta boa vontade com a região, e em especial com o Brasil.
Se considerarmos que houve ano em que sugeriram que fosse retirado o B dos Brics, pois o Brasil não conseguia crescer no mesmo ritmo dos demais emergentes, a percepção hoje é totalmente diferente.
Há, sobretudo, o espanto pelo fato de o país ter conseguido crescer e ao mesmo tempo distribuir renda, o que foi destacado por Moisés Naím, ex-editor da revista "Foreign Policy" e hoje associado-sênior de economia internacional do Instituto Carnegie para a Paz Internacional,numa mesa redonda sobre a América Latina.
Embora a redução da desigualdade tenha sido questionada, já que ela aconteceu entre os salários e não na relação salários-ganhos de capital, Naím destacou que a redução do índice de Gini - que mede a distribuição de renda nas sociedades - mostra que a desigualdade foi realmente reduzida nos últimos anos. A melhoria do índice de Gini havia sido citada por Ricardo Villela Marino, CEO para América Latina do Itaú Unibanco, como um dos muitos sinais de avanço na economia brasileira
Moisés Naím, aliás, destacou outras economias que chamou de "estrelas conhecidas", como o Chile, mas também algumas "surpresas" na região, como a Colômbia, o Peru, o Uruguai, o Panamá e a Costa Rica.
Houve um consenso, resumido por Enrique Iglesias, ex-presidente do BID: nunca a região foi tão democrática quanto hoje, e nunca esteve tão bem situada economicamente, o que faz com que seja previsível uma década de crescimento pela frente.
Sintomaticamente, os problemas existentes, como a alta da inflação e a questão fiscal, foram citados apenas de passagem, ficando claro que não há nenhum temor de que os países da América Latina que aprenderam a lição das crises permanentes anteriores venham a perder o controle fiscal.
Mais uma vez o que foi destacado por todos, mas bem definido por Ricardo Villela Marino, foi que os países da região, mais especificamente o Brasil, precisam cuidar de seus pontos fracos: investimentos em infraestrutura e, sobretudo, em educação.
Mas nem tudo é festa na região. A parte negativa ficou para a Venezuela e os países da chamada Aliança Bolivariana (Alba), como Equador ou Bolívia. Moisés Naím, venezuelano radicado nos Estados Unidos, definiu o socialismo do século XXI de Hugo Chávez como uma "ideologia necrófila" - "Nunca vi gostar tanto de ideias más e mortas", comentou.
Um relato sobre a situação econômica da Venezuela nos dias atuais mostrou um país com a inflação descontrolada, com desemprego crescente e um aumento da pobreza extrema, que já não pode ser solucionada por programas assistencialistas, mesmo porque o governo já não tem condições econômicas de sustentá-los.
O presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, presente ao debate como assistente,
quis saber quais as chances de a oposição vencer a próxima eleição e disse que a situação da Venezuela provocava nele sentimentos "de satisfação e tristeza".
Satisfação porque, sempre que a crise piora, seu país recebe investimentos de empresários venezuelanos que lá buscam refúgio para si e seus negócios. E tristeza porque esta não é amaneira ideal de melhorar, às custas de problemas de outros.
Soube que há uma chance real de que, na eleição presidencial de 2012, a oposição derrote Chávez, que já está há doze anos no governo e ampliou seus poderes aproveitando-se de uma decisão errada da oposição de não participar das eleições congressuais anos atrás.
Nas recentes eleições, a oposição teve 52% dos votos, mas só elegeu minoria de congressistas devido às regras eleitorais venezuelanas. A questão é saber se a oposição conseguirá se unir em torno de uma candidatura para combater Chávez.
Mas até mesmo a Bolívia recebeu de Iglesias análise de boa vontade. Ele disse que o resultado da eleição do indígena Evo Morales para a Presidência do país foi importante para integrar uma parte da sua cidadania, e que os resultados têm sido melhores do que se poderia esperar.
O que chamou a atenção de Moisés Naím foi o fato de nenhum dos painelistas ter se referido à situação da Argentina, nem para criticar nem para elogiar: "Isto certamente não é um bom sinal", comentou.
O comentário final foi sobre a perspectiva de Dilma Rousseff como presidente do Brasil, na sucessão de Lula. Moisés Naím foi enfático ao afirmar que considera a nova presidente capaz de dar continuidade com sucesso aos programas de governo, mas reafirmou sua crítica à posição brasileira na política ex-terna durante o governo Lula, "que nunca se pronunciou sobre os ataques à democracia que ocorrem na Venezuela. Espero que a presidente Dilma seja capaz de reverter essa situação".
No programa oficial do Fórum Econômico Mundial há uma advertência: até o momento em que esse programa foi para a impressão, todas as pessoas que participam e todas as sessões estavam confirmadas. Mas o desenrolar dos acontecimentos é detal ordem que pode haver algumas modificações.
Foi o que aconteceu com a fala de abertura do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. No primeiro momento ela foi cancelada, como escrevi ontem, devido aos atentados terroristas no aeroporto de Moscou, para depois ser confirmada, embora a permanência de Medvedev em Davos tenha sido drasticamente encurtada.
Em plena temporada do Oscar, troquei as bolas e chamei na coluna de ontem o primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron, de James Cameron, o diretor de "Avatar".

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Chile lidera alta na compra de produtos brasileiros na região
MARIA CRISTINA FRIAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/01/11

O Chile é o país sul-americano que mais aumentou a importação de produtos brasileiros em 2010.
No ano passado, as exportações do Brasil para o Chile registraram US$ 4,3 bilhões, o que significa crescimento de 60,3% sobre 2009.
O país passou a Venezuela e voltou a ocupar a segunda posição entre as nações que mais importam produtos brasileiros na América do Sul, atrás apenas da Argentina.
O valor, porém, ainda é inferior ao movimentado antes da crise econômica. Em 2008, os produtos vendidos do Brasil para o Chile representavam US$ 4,8 bilhões.
"Além das boas relações bilaterais, o aumento está ligado ao terremoto que atingiu o país em fevereiro passado", diz o diretor da ProChile no Brasil, Andrés Prado.
Muitos projetos de reconstrução do Chile foram tocados por construtoras brasileiras, segundo Prado.
A A-port, do grupo Camargo Corrêa, administra hoje três aeroportos no país.
Em 2010, o produto brasileiro que apresentou maior aumento nas exportações para o Chile foi o frango congelado, com 645% ante 2009.
Apesar de ser produtor, há crescente importação de carnes de frango e porco no Chile, diz o gerente-geral da Marfrig no país, Mariano Pabón.
As importações brasileiras do país vizinho totalizaram US$ 4,1 bilhões no ano passado, o que representa alta de 53% sobre 2009.
"Com os acordos comerciais, 99,9% do que o Chile manda para o Brasil entra com tarifa zero", de acordo com Prado.

FOME DE EMPRESA
A empresa de alimentação corporativa Nutrin conclui nesta semana sua primeira aquisição do ano. A companhia, que em 2010 fechou cinco negócios no setor, assume as operações da capixaba Bom Gosto.
Com cerca de R$ 200 milhões de faturamento em 2010, quase 40% acima do ano anterior, a meta da Nutrin é ter R$ 1 bilhão em 2015.
Para isso, segundo Aderbal Nogueira, presidente da companhia, deve seguir na estratégia de aquisições em série de empresas menores do setor, em que investiu R$ 10 milhões no ano passado.
Um novo negócio será concluído em março.
No fim do ano passado, a Nutrin comprou 51% do braço offshore da mineira Elasa, para prestar serviços de alimentação, lavanderia, entretenimento e esportes a bordo de plataformas da Petrobras.
A empresa deve reforçar a atuação no Nordeste, em obras de portos, shoppings e usinas, com crescimento orgânico além das aquisições, segundo Nogueira.
"A demanda por refeição coletiva vai subir com essa quantidade de obras. Estamos em 410 restaurantes hoje e queremos inaugurar mais 150 até o fim do ano."

VENDAS EM ALTA

Os supermercados paulistas fecharam 2010 com vendas nominais 7,61% maiores que o registrado em 2009, conforme índice que a Apas (associação do setor) divulga hoje. As vendas nominais do setor no Estado cresceram 33,86% em dezembro ante o mês anterior -foram consideradas também as lojas que começaram a funcionar no último mês do ano.
Em relação a dezembro do ano anterior, a alta foi de 4,56%. "O mês é sempre melhor com Natal e Ano Novo, mas todos os meses do ano tiveram alta, reflexo do contágio de consumo que o país vive hoje", diz Orlando Morando, vice-presidente da Apas.

Tributos A soma paga por PIS e Cofins em duplicidade nos últimos cinco anos pelo sistema cooperativo corresponde a dez hospitais novos, segundo a Federação das Unimeds do Estado de SP. A entidade realiza hoje um fórum sobre o tema. "É fundamental o entendimento das diferenças entre cooperativismo e área empresarial", diz Humberto Isaac, presidente da entidade.

Em obra Apesar das chuvas, janeiro permanece com alta utilização da capacidade industrial no setor de material de construção, segundo sondagem da Abramat. O nível atingiu 87% de utilização na média das empresas, ante 86% do mês anterior. O nível observado desde março indica que os investimentos em expansão têm sido suficientes, segundo a entidade.

MAIS VIAGENS

A STB abriu neste mês uma nova operadora voltada para o atendimento às agências de viagem.
O objetivo da 4Agents, comandada pelo ex-gerente da STB Henrique Braga, é melhorar a relação com as mais de 2.000 agências que compram pacotes do grupo.
"Como o foco da operadora serão as agências de viagem, conseguiremos prestar um serviço melhor", afirma o presidente da STB, José Carlos Hauer Santos Jr.
A divisão é parte da estratégia da companhia de tentar quadruplicar o número de passageiros enviados ao exterior até 2015. No ano passado, foram 52 mil.
Em 2010, a STB pagou viagens para 300 funcionários como forma de qualificar o atendimento. Neste ano, serão 400, diz Santos Jr.
"Eles entendem melhor e têm mais afinidade com o produto que vendem."
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

GOSTOSA

CELSO MING

Momento Sputnik
CELSO MING
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/01/11


Em seu pronunciamento de terça-feira sobre o Estado da Nação, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, passou o recibo de que está incomodado com o crescimento dos países emergentes e com a perda de hegemonia americana no mundo. Mas apontou saídas nem sempre compatíveis, como criação de empregos e redução do rombo orçamentário.

Obama evocou até mesmo o espírito da Guerra Fria ao dizer que este é "o momento Sputnik de nossa geração". Para os mais jovens, convém lembrar que essa foi a época em que os Estados Unidos se deram conta de que ficaram ameaçados pelo lançamento do primeiro satélite ao redor da terra em 1957, pela União Soviética. Foi então que o país aceitou o desafio de desenvolver o Projeto Apollo, destinado a tirar o atraso na tecnologia espacial, que garantiu o primeiro pouso do homem na Lua, em 1969. Hoje, as ameaças ao futuro da América não têm conteúdo ideológico e não estão fora dos Estados Unidos. É a tecnologia ultrapassada, é a perda de qualidade na educação e é "a montanha de dívidas".

Obama propõe que os Estados Unidos se reinventem para sobreviver. Lembra que, "em uma só geração, as revoluções tecnológicas transformaram nossa forma de viver, trabalhar e fazer negócios. As indústrias siderúrgicas, que antes necessitavam de mil trabalhadores, agora podem fazer o mesmo trabalho com cem".

Na verdade, o principal desafio é a criação de empregos, cujo sucesso não ficou nem um pouco assegurado a partir das propostas contidas no pronunciamento. Obama propõe aumento de 100% das exportações (hoje de US$ 2 trilhões por ano) em apenas quatro anos, sem indicar os meios para isso, a não ser acordos comerciais com a Colômbia, Panamá, Coreia do Sul e com o bloco da Ásia Pacífico. Parece pouco.

Promete, também, cobertura de internet sem fio de alta velocidade, em cinco anos, a 98% da população, para agilizar os negócios. Se funcionar, tende a tirar emprego. Promete, também, acesso ao trem de alta velocidade a 80% dos americanos em 25 anos e suprimento até 2035 de 80% da energia elétrica dos Estados Unidos a partir de fontes limpas. No seu conjunto, são metas aparentemente ainda mais ambiciosas do que as do Projeto Apollo.

O rombo fiscal dos Estados Unidos assume proporções perigosas. Deve ser superior a US$ 1,5 trilhão neste ano fiscal a terminar em setembro. A dívida do Tesouro americano já é de US$ 13,9 trilhões e deve avançar para US$ 20 trilhões em 2015. Obama, no entanto, sugere o congelamento de despesas públicas federais que implique uma economia de US$ 400 bilhões em dez anos.

Em contrapartida promete aplicações mais inteligentes dos recursos públicos, como redução de subsídios a certos setores (mencionou os de petróleo) e mais investimentos em infraestrutura e em Tecnologia & Desenvolvimento.

Fica para ser comprovado se os Estados Unidos despertarão de sua prostração, mas o alerta foi dado. Para nós, brasileiros, atolados em um sistema de ensino ainda mais atrasado; com uma infraestrutura ainda mais precária; uma Justiça que leva dezenas de anos para resolver pendências simples; um custo Brasil que sangra diariamente a empresa brasileira; e um governo paralisado pelos políticos do toma lá dá cá e pelos lobbies, sobra a percepção de que, a despeito de encabeçarmos a sigla Bric, a conquista do futuro é ainda mais difícil.


CONFIRA

Salto e acomodação

Em 2010, as operações de crédito cresceram 20,5% e foram um dos principais fatores do forte aumento do consumo. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, avisa que, em 2011, a concessão de crédito "deve-se acomodar". Em janeiro, até dia 12, já caiu 8% sobre as posições de dezembro. Dois são os principais fatores de desaceleração: a alta de juros e as exigências de mais capital por parte dos bancos.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Na boca
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/01/11

O JP Morgan fechou acordo para realizar seu primeiro investimento em conhecida empresa privada brasileira. O negócio deve ser anunciado nos próximos dias.

No jogo
Nadia Campeão pode assumir a secretaria oferecida ao PC do B por Kassab só para cuidar da Copa na cidade. Também participa do páreo Gustavo Petta, cunhado de Orlando Silva.

Merecido
Circula na Câmara Municipal a ideia de batizar o circuito usado pela Fórmula Indy de Piero Gancia. O homenageado, falecido em novembro, foi presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo.

Filho de peixe
Cotado para ser presidente do PMDB de São Paulo, Baleia Rossi avisa: quem vai mandar na sigla pós-Quércia será Michel Temer.
E Kassab? "O prefeito não pode ocupar o cargo por não ter um ano de partido. Nem quer".

Algo no ar
Alô CVM. O preço das ações do Banco Panamericano, de Silvio Santos, sobem sem parar. O que será que alguns sabem que outros não sabem?

Na TV
Zé Celso Martinez, do Grupo Oficina, participará da próxima novela das seis da Globo, Cordel Encantado.

Soco na neve
Diane von Furstenberg foi literalmente atropelada por um brasileiro, terça, nas pistas de Aspen. Quebrou nariz e exibe escoriações faciais. Segundo ela mesma comenta, está parecendo com Mike Tyson depois da sua pior luta. O intrépido esquiador se atirou na neve sem saber esquiar.

Quebra-galho
No jogo da batata quente entre Eletropaulo e Prefeitura sobra galho para todo lado. A média para retirada de árvores caídas com as chuvas é de três dias.

Chapéu
A ONG de Madonna, Success For Kids, que passou o chapéu no Brasil em 2009 e conseguiu doações milionárias, quer agora apoio do governo estadual. Heath Grant, presidente mundial da fundação, marcou encontro com Lu Alckmin. Será recebido no mês que vem no Palácio dos Bandeirantes.

With or without you

Bono, do U2, já se antecipou: quer ser recebido pela presidente Dilma em Brasília. Em abril, quando faz show no País.

Tudo pelo verde
Caetano Veloso não gosta do projeto de construção de ferrovia desembocando entre Ilhéus e Itacaré. "Saber que se vai mexer no que o cacau ajudou a preservar de Mata Atlântica no Sul da Bahia é sempre doloroso para mim", escreveu domingo, num artigo em grande jornal baiano.

Curiosidade: na edição distribuída pela região afetada, o pensamento de "Caê" sobre o assunto desapareceu misteriosamente.

Na frente

Alexandre Herchcovitch pilota festa especial para a modelo transexual Lea T. No Baretto, sábado.

A Galeria Nara Roesler está passando por reforma e será reinaugurada no dia 10 com mostra de Rodolpho Parigi.

Gisele Bündchen lança hoje sua linha de beleza Sejaa. No Hotel Emiliano.

Bernardo Paz fala hoje, em Davos, sobre seu Instituto Inhotim. Em evento organizada pelo empresário ucraniano Victor Pinchuk. Paulo Coelho presidirá a mesa.

Ney Matogrosso trará o espetáculo Dentro da Noite para São Paulo neste semestre, mas ainda negocia o teatro. O texto é um monólogo que faz carreira no Rio.

GOSTOSA

VERISSIMO

Remissão
VERISSIMO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/01/11


Uma única catedral gótica ou uma única cantata de Bach redimem a religião de todos os seus males. Ou não. Você pode atribuir a beleza da igreja e da música à devoção religiosa e perdoar as barbaridades que a mesma devoção inspirou através da história, ou concluir que uma coisa não determinou a outra – Bach seria Bach mesmo sem a devoção – e apenas se admirar que tenham sido simultâneas. Escolha: a arte religiosa se nutriu da violenta história do cristianismo ou floresceu apesar dos seus conflitos, para compensar a violência? Pode-se até imaginar uma tabela de remissões. Quantos anos de obscurantismo e fanatismo da Igreja são absolvidos pela Pietá do Michelangelo, por exemplo? Só o Réquiem do Mozart basta para desculpar a Inquisição?
Tudo depende do olhar. Há quem olhe as pirâmides do Egito e veja um fenômeno arquitetônico e um triunfo do empreendimento humano. Outros só veem o sofrimento dos escravos pela maior glória de senhores insensíveis. Há quem olhe a fachada de uma catedral antiga e sinta seu espírito se enlevar, há quem veja na sua imponência apenas uma declaração de poder. No seu livro Cultura e Imperialismo, o crítico Edward Said escreveu sobre a relação, às vezes inconsciente, do romance europeu com o colonialismo a partir do século dezenove. Seu exemplo mais comentado é um estudo sobre Mansfield Park, de Jane Austen, em que ele ressalta a importância para a vida na mansão descrita pela autora, que dá título ao livro, de uma plantação no Caribe. Em nenhum momento do livro de Austen é sugerido que a família seja cúmplice do imperialismo, e muito menos que seu estilo de vida dependa de escravos, mas a tese de Said é que em boa parte da literatura feita na Europa na época – inclusive singelas histórias de donzelas pastorais vivendo o drama de arranjar marido – esta interdependência está implícita. Depende do olhar de quem a lê.
Como no caso de catedrais e cantatas, a literatura produzida na Inglaterra e na França principalmente (e Portugal e Espanha, já que estamos falando de colonizadores) redime ou não redime o crime, neste caso da conquista imperial. Vendo uma mansão inglesa em meio a um idílico parque de grama perfeita, você pensa em Jane Austen ou pensa nos escravos?

CLÁUDIO HUMBERTO

“O Brasil é outro, por isso também precisamos mudar”
SENADOR SERGIO GUERRA (PE), PRESIDENTE DO PSDB, PROMETENDO MODERNIZAR SEU PARTIDO

SIMON, O FRANCISCANO, EMBOLSARÁ R$ 2,6 MILHÕES 
Após 20 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) resolveu pedir a aposentadoria como ex-governador do Rio Grande do Sul. Ao salário de senador (R$ 26,7 mil), ele soma desde novembro R$ 24,1 mil de ex-governador. Ele declarou que ao concluir o mandato, em fevereiro de 2015, vai se decidir pela aposentadoria de ex-governador ou de ex-senador. Até lá, enquanto pensa, Simon vai embolsar R$ 2,6 milhões.

NA PONTA DO LÁPIS 
De janeiro de 2011 a janeiro de 2015, Simon terá R$ 1,27 milhão como ex-governador e R$ 1,38 milhão do Senado. Total: R$ 2,6 milhões.

‘PARA A CARIDADE’ 
Simon receberá mais que os R$ 1,6 milhão da aposentadoria retroativa do caridoso senador Álvaro Dias (PSDB-PR), como ex-governador. 

DIÁRIA: 3,2 SALÁRIOS 
Até o término do mandato, em 2015, Pedro Simon ganhará por dia 3,2 salários mínimos (R$ 1.786), nos 1.492 dias que restam de mandato.

UM FRANCISCANO 
Em 2000, o senador Pedro Simon ingressou na Ordem Terceira de São Francisco e fez voto de pobreza. Nasceu para ser
franciscano. 

PREFEITOS NO PIAUÍ TÊM ‘RABO PRESO’ A AGIOTAS 
A Polícia e a Receita Federal estão no rastro de agiotas no Piauí. O negócio é escancarado: fazem empréstimos a prefeitos e colocam prepostos para administrar os cofres municipais. Os prefeitos só assinam os cheques. Estima-se que o negócio já chega a R$ 1 bilhão. A PF prendeu sete prefeitos e trinta empresários na Operação Geleira, há dias, e a expectativa é da revelação do envolvimento de agiotas.

BOLSA-HERDEIRO 
Uma descendente do mártir Tiradentes quer receber pensão vitalícia. Herdeiros de Silvério dos Reis pensarão em anistia
política...

BOCA ABERTA 
Como escreveu um leitor, do jeito que os Correios atrasam, as doações só chegarão em 2012 aos desabrigados da região Serrana do Rio. 

VERGONHA BRASILEIRA 
GOL e TAM estão em último no ranking mundial de segurança entre empresas aéreas. Portanto, a Anac deve ser a pior agência do planeta.

VERGONHA MINEIRA 
O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Minas Gerais ousa remunerar um cirurgião cardiovascular aposentado com R$ 1.863,25 mensais, acrescidos de 10% de aumento salarial concedido em 2010.

AVE, MEMÓRIA 
O ex-governador Roberto Requião (PMDB) linkou no Twitter o vídeo da “futura presidente Dilma” chamando o porto de Paranaguá de “modelo de gestão”. O irmão Eduardo está no rolo do roubo de cargas
no porto. 

TURMA DO FUNIL 
O governador de Goiás, Marconi Perilo (PSDB), descobriu que o ex, Alcides Nogueira (PP), gastou R$ 3,3 milhões em bebidas alcoólicas no palácio. Já imaginou o custo de um papinho entre Alcides e Lula?

FARINHA DO MESMO SACO 
O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, fez um desabafo/confissão: “nenhum de nós (dirigentes) tem condição moral ou política de impedir que Delúbio Soares milite no PT”. Tem toda razão.

GUERRA PETISTA 
O PT ficou ao lado do senador Delcídio Amaral (MS), que defendeu o apoio ao candidato do DEM a prefeito de Dourados. O ex-governador Zeca do PT estrebuchou, mas Delcídio faz ouvidos moucos.

MAIS DO MESMO 
A OAS, empreiteira do “amigo sogro”, fará uma rodovia em Trinidad e Tobago por US$ 7,2 bilhões. O governo admite: a obra vai custar US$ 2 bilhões a mais do que se previa, mas vai “gerar empregos”. Ah, bom.

ESCOLA COM ALMOÇO
Inconformado com o fim do horário integral nas escolas do Distrito Federal, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) mobiliza empresas que paguem o almoço dos alunos, a começar pela escola de Arapuanga, Planaltina.

A VIDA CONTINUA 
Moradores de Teresópolis (RJ), quase arrasada pela enchente, alertam que há muitos “desaparecidos” ou “mortos” em hospitais do Rio, sem documentos. Comerciantes de Petrópolis e arredores imploram a volta dos turistas: pousadas, lojas e restaurantes “funcionam normalmente”.

PENSANDO BEM... 
após 12 indicações ao Oscar para O Discurso do Rei, os produtores de Lula, o Filho do Brasil deveriam filmar “Os discursos do ex-rei”. 

PODER SEM PUDOR
ABSURDA É A IMPUNIDADE 
O ministro Sepúlveda Pertence presidia o Supremo Tribunal Federal, em 1996, quando visitou a Universidade do Texas, em Austin. O então governador texano, George W. Bush, reclamou das dificuldades da democracia e relatou um diálogo áspero com parlamentares sobre a fixação de idade penal mínima para alguém ser preso e processado.
– Eu queria que fosse 10 anos mas eles insistiram e eu transigi, aceitando a idade mínima de 14 anos!
À saída da audiência, Sepúlveda Pertence desabafou:
– E pensar que viajei tantas horas para ouvir coisa tão absurda assim...
Foi mesmo tão absurdo assim?

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Furnas fez negócios com firma ligada a deputado
Folha: SP adotará padrão mais rígido para poluentes
Estadão: Governo vai propor concessão única para todas as mídias
JB: Próxima atração: obesidade
Correio: Disputa de cargos na Câmara vale R$ 95 mi
Valor: Petrobras fica cada vez menor na Argentina
Estado de Minas: Juros disparam em 2011
Jornal do Commercio: Taxa de homicídios caiu 34% no Recife
Zero Hora: Aeroportos terão taxa vinculada à eficiência

FEDOR

quarta-feira, janeiro 26, 2011

RUY CASTRO

Benesses tardias
Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11

RIO DE JANEIRO - Na chuva, quase desceu pela enxurrada a revelação de que ex-governadores estaduais, vivos ou mortos, efetivos ou suplentes, não importa que nem tenham esquentado o trono, ou seus filhos e viúvas, fazem jus a invejáveis pensões por "aposentadoria", mesmo que os vivos (muito vivos) as acumulem com seus salários de parlamentares.
Entre os beneficiados, contam-se conhecidos marotos, de que não se esperava outra coisa, e políticos em quem o manto da retidão parecia assentar tão bem -vê-se agora que era só uma capa, a se tirar do armário para usar no Congresso e devolver ao cabide ao fim do dia.
A última beneficiada a vir à tona é uma senhora de 89 anos, filha de um político que governou Santa Catarina nas décadas de 1890 e 1920 e, depois, tornou-se aeroporto, ponte, avenida, time e estádio de futebol. Bem, se o benefício abrange eras tão priscas, por que não recuá-lo aos primórdios?
Eu sugeriria uma pensão aos herdeiros de Martim Corrêa de Sá, o primeiro carioca nato a governar o Rio (1602-1607) e que doou aos franciscanos o morro de Santo Antônio para a construção de seu convento, o qual está lá até hoje. Idem, aos herdeiros de Luiz Vaía Monteiro, o "Onça" (1725-1732). Em seu tempo -"no tempo do "Onça"-, políticos, militares e padres corruptos, contrabandistas de ouro e de escravos e pilantras em geral não levaram boa vida.
Benesses também para os herdeiros de Gomes Freire de Andrada, que, por 30 anos (1733-1763), governou o Rio e o Brasil, construiu o aqueduto dos Arcos e o paço e retomou para o país o atual Rio Grande do Sul. E o mesmo para os do vice-rei d. Luiz de Vasconcellos (1779-1790), que, pelo amor (platônico) de uma plebeia, aterrou um pântano e construiu um jardim, o primeiro espaço público brasileiro: o Passeio Público, na Lapa. Estes, sim, mostraram serviço.

GOSTOSA

ALON FEUERWERKER

Gato por lebre 
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 26/01/11 

A boa notícia deste início de ano é que o governo Dilma Rousseff não se sente estimulado a lançar seus exércitos no pântano congressual das reformas. Mas é bom ficar de olho

A alardeada urgência de macrorreformas como a política e a tributária é uma verdade absoluta. Parece dispensar comprovação.
A tal verdade absoluta nasce de uma esperteza. Num país repleto de passagens reprováveis na vida política, quem poderia ser contra uma reforma política, que o público poderia "comprar" como uma reforma benigna "da" política?
E num país de carga tributária sempre descrita como alta, quem poderia se opor a uma reforma benigna do sistema de impostos? Mas desde que, naturalmente, o Estado continuasse a prover tudo que provê hoje. Ou mais.
Por motivos semelhantes, a maioria tenderá a inclinar-se para o "sim" se alguém propuser abstratamente uma reforma da segurança pública, ou da saúde, ou da educação, ou do transporte público nas metrópoles. E por que não dos aeroportos? Ou das rodoviárias?
O reformismo genérico ganhou corpo entre nós depois da última Constituinte por uma razão: segmentos da opinião pública preferiam uma Carta menos intervencionista, menos generosa no campo social. Daí o esforço ininterrupto para desidratá-la.
Na esfera trabalhista, por exemplo, o aceno permanente é por uma mudança que "facilite a contratação" de mão de obra. O próprio ex-presidente recém-saído andou no passado posando de bom moço em defesa da tese. Na passagem do primeiro para o segundo mandato falou longamente à The Economist sobre a ideia.
Mas sempre que a discussão desce para a vida prática do mundo do trabalho as medidas propostas visam facilitar a demissão, e não a contratação. E ainda está para ser provado que demissões mais fáceis gerariam mais contratações.
No começo do governo do PT, em 2003, tentou-se implantar um tal de "Programa Primeiro Emprego", prometido pelo candidato na campanha do ano anterior. A ideia era precisamente reduzir encargos para facilitar a absorção de mão de obra novata. O programa foi engavetado depois do completo fracasso.
Mas a geração de empregos nos últimos anos acabou sendo bastante satisfatória, e sem mexer em nenhum direito dos trabalhadores.
No debate recente sobre a prorrogação da Contribuição "Provisória" sobre Movimentação Financeira, havia o argumento de que, sem a CPMF, os preços cairiam por não mais carregarem as taxas cobradas ao longo de toda a cadeia produtiva. Alguém ouviu falar de algo que tenha ficado mais barato por causa do fim da CPMF?
Não aconteceu. Apenas cerca de R$ 50 bilhões anuais deixaram de ser recolhidos aos cofres da União.
A discussão aqui não é sobre a CPMF ou sobre o falecido Primeiro Emprego. É sobre a venda indiscriminada de gatos por lebres, com o bichano vindo embalado no papel de presente daquela reforma indispensável e inadiável que " finalmente " vai colocar o dedo nas grandes chagas nacionais.
Viu a lebre? Procure o gato. Na reforma política o que há até o momento é uma tentativa de abolir o voto direto na eleição proporcional (deputado, vereador). Chamam de "lista fechada".
Ela vem com a tentativa de impedir a oposição de se financiar na sociedade. Chamam de "financiamento exclusivamente público". Significaria dar ao(s) partido(s) no poder uma vantagem financeira estratégica e definitiva.
Ambas as medidas aumentariam ainda mais a força de quem está no governo, em qualquer governo, especialmente depois que a Justiça instituiu a fidelidade partidária estrita.
A boa notícia deste início de ano é que Dilma Rousseff não está muito a fim de lançar seus exércitos no pântano congressual das reformas. Mas é adequado ficar de olho.
E não é difícil monitorar. A cada situação ou proposta, basta procurar pelo detalhe que esconde a tentativa de retirar direitos e aumentar obrigações do cidadão comum.

Fraquezas
O governo brasileiro decidiu disputar o comando da agência da ONU que se ocupa das políticas relacionadas a agricultura e alimentos. Parece que o concorrente será espanhol. Terceiro Mundo contra Primeiro. Sempre simpático.
Entretanto, uma fragilidade da candidatura brasileira é representar o país que, em plena inflação mundial de alimentos, procura convencer o planeta da conveniência da produção de biocombustíveis.
O mesmo país, aliás, que recusa debater a formação de estoques internacionais reguladores da oferta de grãos, estoques essenciais para combater a especulação com comida
De embaixadores planetários contra a fome, convertemo-nos em embaixadores planetários da inflação e da especulação.

HÉLIO SCHWARTSMAN

Tiradentes e as boquinhas
Hélio Schwartsman
FOLHA DE SÃO PAULO - 26/01/11

SÃO PAULO - Agora são duas tetranetas de Tiradentes que estão pleiteando uma pensãozinha, pelos serviços prestados por seu antepassado. Faz sentido. Se a filha do Hercílio Luz, que foi eleito governador de Santa Catarina no século 19, faz jus a R$ 15 mil, por que as descendentes do herói do século 18 não teriam direito a modestos R$ R$ 727?
Nesse ritmo, logo chegaremos ao Pero Vaz de Caminha. Chegaremos? Talvez seja mais exato dizer que foi dali que partimos. É sempre bom lembrar que o escrivão real termina sua Carta do Achamento do Brasil intercedendo diante de Sua Majestade por um genro.
Com tantos antecedentes, não é difícil explicar coisas como superpassaportes, superaposentadorias etc. Na verdade, é fácil e gostoso atacar políticos e seus apaniguados, mas será que nosso comportamento privado é muito melhor?
Tramitam no Congresso dezenas de projetos de "regulamentação profissional", ou seja, para tornar uma determinada atividade exclusiva para os que já a praticam e de preferência obrigatória para a população. Todo sindicato, no fundo, almeja tornar-se uma OAB.
Na indústria, a situação não é diferente. A troca das tomadas, por exemplo, foi um golpe de mestre. Numa única canetada os fabricantes de plugues e adaptadores criaram "ex nihilo" um novo mercado de quase 200 milhões de usuários.
No mesmo nível de genialidade só me lembro da regra que, alguns anos atrás, obrigou todos os motoristas a adquirir e a carregar um pedaço de gaze, um rolo de esparadrapo e um par de luvas de látex. Era para garantir atendimento médico em emergências viárias.
O Brasil se tornou uma espécie de país da boquinha. Indivíduos, categorias profissionais e empresas, em vez de firmar-se pela excelência de seu trabalho, serviços ou produtos, tentam sequestrar a autoridade do Estado para impor-se a todos e garantir "o seu".
É um jogo no qual os bem relacionados ganham e a maioria perde.

GULOSO

ROBERTO DaMATTA

Legitimidades e vilezas
ROBERTO DaMATTA
O GLOBO - 26/01/11


Um traço visível, insofismável e indelével de nosso patriarcalismo escravista que curiosamente Gilberto Freyre não associava ao Estado, mas somente a sociedade, é - em toda tentativa de modernização - uma profunda crise de legitimidade. As regras não se encaixam aos comportamentos ou sequer com as suas implicações jurídicas. Essa incongruência surge em quase todos os domínios do chamado "estado", que confundimos (propositadamente ou não) com o seu lado mais personificado, o "governo" (que é sempre de alguém). O resultado é a vil transformação do legítimo em ilegítimo, tal como ocorre quando um tribunal condena um inocente. No momento chama atenção a questão da aposentadoria de governadores, um sistema que permite acumular múltiplos benefícios de tal sorte que os "patrões do estado" (relativamente eventuais, mas com um olho grande nas vantagens permanentes) transformam a administração pública num mecanismo de enriquecimento pessoal a competir com o seu lado altruístico e "social". Neste processo, o Estado deixa de ser um sistema destinado a prestar serviços à sociedade. Só há grana para pessoal, não há como investir em educação, saúde, transporte e segurança.

Estou convencido que tal modelo nasceu na matriz aristocrática imperial somada ao neo-stalinismo, tão popular entre os "desenhistas" que sucessivamente reformaram (com um extraordinário pendor para o pior) a nossa administração pública. Tais engenheiros, chamados nos governos militares de "tecnocratas", sempre foram travestis dos velhos letrados ibéricos, bacharéis em Coimbra, e crentes num platonismo jurídico que até hoje proclama a letra da lei como tendo o poder (tal qual uma formula mágica) de modificar a realidade, resolvendo suas contradições. Esse fetichismo jurídico-político tem sido dominante na política brasileira. É dele que vêm um brutal centralismo e o poder avassalador que faz com que um presidente tenha a capacidade de nomear milhares de pessoas e de distribuir para os ávidos comedores do bom presunto desse velho Reino de Jambon inúmeros cargos e instituições. Haja, porém, dinheiro para sustentar cada vez que tais mudanças sempre centralizadoras são feitas, causando roubos e rombos de todos os tipos. Numa fórmula, fizemos a república, mas jamais admitimos viver num sistema republicano. E os recursos da sociedade, furtados pelo Estado, são os construtores de uma curiosa dualidade: de um lados os milionários por ele vitaliciamente mantidos; do outro, os milhões de pobres e desvalidos que vibram quando recebem uma bolsa de pobreza! Tudo isso sob a égide de políticos bem vestidos e falantes, prontos para politizar tudo, até mesmo a política!

Um amigo faz o desabafo: minha filha separou-se! O marido deu-lhe um cartão vermelho e fugiu de casa como um foragido da lei.

- Sei como é difícil... Mas com diálogo e bom senso tudo se resolve - repliquei, sabendo do poder desse tipo de tempestade.

- Pois, professor, bom senso é justamente o que não há. O fdp recusa conversar. Sabe como tocar no coração da minha filha, que se casou novinha e o tinha como modelo e mentor. Procrastinador, ele adia tudo e recusa até mesmo os filhos que, moços, vão enxergando o pai como uma figura cada dia menor aos seus olhos. É de cortar o coração...

- Sabe qual é a última? Ele agora quer o seu nome de volta. Imagine, todos os documentos de minha filha têm o nome de casada e ele, sabendo como feri-la mortalmente, quer um pedaço daquilo que se incorporou à sua identidade. Na última conversa que tiveram, ela recusou e ele propôs, veja que vileza, vender o seu nome por algumas dezenas de milhares de reais. O senhor já viu isso alguma vez?

- Vi! - respondi com o coração partido pela contundência que a infâmia sempre produz.

É o Brasil moderno. Pelo partido come-se o Jambon, pelas ideologias fica-se rico, pelo nome de merda de uma família de bosta, um pobre diabo exige dinheiro da ex-companheira que o amou e que honrou esse mesmo nome que ele hoje desonra com todas as forças do seu mau caráter.

Que o leitor perdoe o mau humor do cronista que só não fala do flagelo dos deslizamentos e os comentários cretinos que provocam para não morrer do coração.

Mas onde a legitimidade transborda ilegitimidade, revelando o intestino do sistema, é quando ocorrem esses acidentes que reiteram não o trágico e o aleatório dedo da natureza, que não escolhe lugar ou pessoa, mas o uso do trágico para encobrir o descaso dos gestores públicos, no Brasil chamados eufemisticamente de "políticos", uma palavra que, sabemos todos, inclui tudo menos responsabilidade pública. E por isso eu proponho não mais usá-la e bani-la do nosso vocabulário, substituindo-a por gestor, gerente ou administrador público. Pois esses termos trazem à tona a dimensão de serviço e de desprendimento que os representantes desempenham nas democracias modernas como mediadores entre a sociedade e os seus grupos e o estado, por meio da governabilidade que exercem nos parlamentos e nas administrações coletivas.

ROBERTO DaMATTA é antropólogo.