quarta-feira, dezembro 08, 2010

ROBERTO ROMANO

Lula e a psiquiatria
Roberto Romano 


 O Estado de S.Paulo - 08/12/10
No imaginário sobre o Estado, a prudência aparece com a alegoria das três faces: a do ancião, a do homem maduro e a de um jovem. Presente, passado e porvir são unidos para o domínio do instante oportuno, o kayrós grego. Os feitos dos legisladores ou governantes devem ser definidos com meticulosa sapiência, mas executados na hora exata. Um minuto antes, ou depois, a medida salutar transforma-se em crime contra a sociedade. A obra de Maquiavel se alicerça na prudência: o que foi dito, se negado pela mesma pessoa, joga ilegitimidade sobre o seu poder.
O site WikiLeaks atualiza a lógica que norteia a máquina do Estado. A guerra entre imprensa e poder existe desde o século 17. As duas frentes - a oficial e a crítica - usam armas perigosas. É o caso da propaganda que gera o culto dos governantes. Quanto maior a censura estatal, mais eficientes as técnicas de manipulação popular. O poder moderno fundamenta-se no binômio de segredo e propaganda. A censura garante o primeiro e os escritores venais aprimoram a segunda (*).
Norberto Bobbio mostra o quanto é antigo o disfarce político. "Que o poder tenda a usar máscara para não ser reconhecido e agir longe de olhares indiscretos, é uma velha história. Tal velha história tem mesmo um nome célebre que, somente com sua pronúncia, dá calafrios na espinha: "arcana imperii". Em análise magistral, escreveu Elias Canetti: "O segredo está no mais íntimo núcleo do poder" (Massa e Poder). Os fundadores da democracia pretenderam dar vida à forma de governo sem máscara, na qual os segredos do domínio fossem abolidos definitivamente e destruído aquele "núcleo interior"." Da tese extrai Bobbio o corolário ignorado no Brasil pelos que controlam o Estado: "O poder oculto não transforma a democracia, perverte-a. Não a golpeia mais ou menos gravemente nos seus órgãos vitais, extermina-a." Entre os "órgãos vitais" da alma democrática encontra-se a liberdade de pensamento e de expressão (**).
Em dias recentes, o sr. Luiz Inácio da Silva retomou uma faceta de sua figura pública, o vezo autoritário de esconder práticas políticas usando, para tal fim, ataques à imprensa. Recordo um fato da sua campanha vitoriosa de 2002.
A Folha de S.Paulo realizou debate com ele, quando perguntei: "Governos eleitos na América do Sul enfrentam pesadas críticas da imprensa (...), isso ocasiona choques que chegam a ameaçar a estabilidade institucional, como no caso da Venezuela. Qual será a sua política para a mídia internacional e brasileira, como pretende Vossa Senhoria se relacionar com os formadores de opinião?"
O candidato afirmou ser "preciso acertar na política, ou seja, esse negócio de o presidente da República ficar dizendo que não conversa com A, com B, não cabe ao presidente da República (...), ele é presidente de todos." Disse mais: "Ou você estabelece uma negociação com a sociedade, com os empresários, mesmo com aqueles que são mais duros contra você, com os donos dos canais de televisão, com os donos dos jornais, para que se estabeleça a possibilidade de governar este país (...). Eu sou tão negociador que em 1975, quando Petrônio Portella disse "vai começar o processo de negociação", me chamou, tinha muita gente que dizia: Lula, não vá. Eu falei: eu vou. Por que você vai? Porque eu tenho o que dizer. Eu fui lá. Então a minha vida inteira só fiz isso, (...) fazer acordos, fazer negociações (...)". Mesmo com certo general houve acordo: "Fui lá, conversei três horas com ele e cumpri o que ele disse para mim. Fiquei no sindicato e o Exército não se meteu nas nossas greves. Depois, então, veio o Miltinho e botou o Exército para bater na gente." E Lula defendeu o diálogo com jornalistas: "Até porque se o cara não quiser conversar comigo eu vou em cima dele para conversar." A matéria, na íntegra, pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u35797.shtml.
Ao ser perguntado, na semana passada, sobre o apoio que recebe da oligarquia Sarney, que exigiu (e obteve) a censura deste jornal, Lula foi "em cima" do repórter: "Pergunta preconceituosa como esta é grave para quem está há oito anos cobrindo Brasília. Demonstra que você não evoluiu nada. O presidente Sarney é presidente do Senado... Preconceito é uma doença. O Senado é uma instituição autônoma diante do Poder Executivo, da mesma forma, o Poder Judiciário. O Sarney colaborou muito para a institucionalidade. E ademais é o seguinte: o Sarney foi eleito pelo Amapá, eu não sei por que o preconceito. Você tem de se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito."
A conveniência política que rende segredo e censura em favor de quem o apoia se justifica, segundo o presidente, pela "institucionalidade". Tragicômica e nada original razão de Estado. Hospícios para intelectuais independentes e jornalistas surgiram no século 19. Hölderlin foi internado por suas posições jacobinas, acusado de loucura. Depois dele, o tratamento psiquiátrico foi a solução contra a crítica na Alemanha, na Itália e na União Soviética. O silêncio sobre tais medidas durou o tempo em que a propaganda enganou as massas, gerando a "popularidade" dos governantes. Mas os "loucos" venceram. Caíram as paredes dos manicômios totalitários com o Muro. O pêndulo, hoje, retorna ao poder e à propaganda. Devemos agradecer ao WikiLeaks.
(*) Burke, Peter: A Fabricação do Rei (RJ, Zahar Ed.) e Thuau, E.: Raison d"État et Pensée Politique à l"Époque de Richelieu (Paris, Armand Colin Ed.).
(**) Il Potere in Maschera, in L"Utopia Capovolta.
FILÓSOFO, PROFESSOR DE ÉTICA E FILOSOFIA NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
(UNICAMP), É AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE ''O CALDEIRÃO DE MEDEIA'' (PERSPECTIVA) 

ROLF KUNTZ

A inflação dos pobres
Rolf Kuntz

O ESTADO DE SÃO PAULO - 08/12/10

A inflação está sendo especialmente severa para os pobres, neste ano, por causa dos preços da comida. Quanto mais pobre a família, mais ela gasta, proporcionalmente, para se alimentar. O custo da alimentação tem subido em todo o mundo, puxado pela piora nas condições da oferta e pela especulação financeira. Grandes investidores contribuem para a alta das cotações aplicando muito dinheiro em produtos agrícolas e outras commodities. Mantido o cenário, as exportações de soja e derivados poderão render no próximo ano US$ 19,6 bilhões ao Brasil, 15,2% mais que o valor estimado para este ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais. O aumento das cotações ganha um impulso especial quando os juros são muito baixos, sobram recursos no mercado financeiro e ainda há a perspectiva de novas emissões de dólares. Mas o consumidor fica fora da festa.

Em novembro, subiu 1,33% o índice de preços ao consumidor de baixa renda (IPC-C1) calculado pela Fundação Getúlio Vargas. O indicador acumulou alta de 6,41% no ano e 6,58% em 12 meses. O índice mais amplo (IPC-BR) aumentou 1% no mês, 5,47% no ano e 5,73% em 12 meses. A alimentação tem pesos diferentes para diferentes faixas de renda. Principalmente por isso a inflação dos pobres foi maior que a dos outros grupos em 2010.

Os alimentos ficaram 2,62% mais caros em novembro para as famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos, cobertas pela pesquisa do IPC-C1. O custo da alimentação subiu 9,29% para esse grupo em 12 meses.

Para entender o significado real desses números é preciso levar em conta o padrão de consumo dessas famílias. A alimentação representa em média 39,62% de seus gastos habituais. Em outras palavras, de cada R$ 100 desembolsados mensalmente por essas famílias para atender às suas necessidades, quase R$ 40 são destinados à compra de alimentos.

O quadro muda consideravelmente quando se consideram as famílias com renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos. A evolução de seus gastos é representada pelo IPC-BR e a alimentação corresponde a 27,49% de seu orçamento de consumo. O contraste fica mais forte quando se examina o padrão do mundo rico. Nos Estados Unidos, o custo da alimentação tem peso próximo de 15% no índice calculado pelo Departamento do Trabalho.

O custo da comida perdeu importância relativa, no Brasil, desde a segunda metade dos anos 80, com os ganhos de produtividade no campo. A modernização do setor, resultante da adoção de novas tecnologias e estimulada pela liberação de preços e pela abertura comercial, eliminou as crises de abastecimento e transformou o País numa das principais potências agrícolas.

Os pesquisadores de índices de preços tiveram de refazer duas ou três vezes suas ponderações, desde o começo da última década, para refletir as mudanças no orçamento familiar. Com o barateamento da comida, sobrou mais dinheiro para despesas de outros tipos e essa mudança foi um dos fatores de expansão do mercado interno de bens industriais. Mas a alimentação continuou pesando muito para as famílias de baixa renda. A melhora de seu padrão de consumo tem dependido em boa parte dos programas de transferência de recursos. O alimento produzido no Brasil é barato pelos padrões internacionais e por isso o País é competitivo. Não há problema de produção, mas há deficiências graves nas condições de emprego dos mais pobres.

Não há, por enquanto, perspectiva de uma reversão nos preços agrícolas em 2011. Se as cotações se mantiverem elevadas, ou até em alta, as contas externas brasileiras serão beneficiadas e as condições de emprego serão favorecidas. Mas continuarão as pressões sobre o custo de vida e isso poderá resultar em sacrifício para muitas famílias.

O problema será pelo menos atenuado se for possível evitar o contágio dos demais preços. As medidas anunciadas na semana passada pelo Banco Central podem contribuir para isso, limitando a expansão do crédito e esfriando um pouco o entusiasmo dos consumidores. Hoje, o Comitê de Política Monetária informará sua nova decisão sobre os juros. Sua avaliação das perspectivas será apresentada em ata oficial na próxima semana. Empresários do comércio e da indústria resistirão, como sempre, a qualquer sinal de aumento de juros. Nenhum deles gasta quase 40% de sua renda - ou mesmo 27% - para alimentar a família. Para eles, a inflação não é tão feia.

*ROLF KUNTZ É JORNALISTA

QUANDO...

"Quando se olha muito tempo para o abismo...

...o abismo olha para você"" (Friedrich Nietzsche)

JOSÉ NÊUMANNE

Batalha do Rio confirma profecia de Nabuco
José Nêumanne 


O Estado de S.Paulo - 08/12/10
Os jornais noticiaram neste fim de semana a denúncia anônima da fuga do traficante Alexandre Mendes da Silva, o Polegar, de uma das 16 "comunidades" do Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio, na mala de uma viatura policial a serviço da delegacia de Cabo Frio, no litoral fluminense. Com presteza inusitada, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro distribuiu uma nota na qual tentou pôr ponto final ao vexame, que contraria a saga de heroísmo de que se revestiu a "histórica reocupação" pela sociedade nacional, representada pelo Estado Democrático de Direito, de territórios que vinham sendo governados na prática por bandos criminosos. Reza a declaração oficial: "As investigações feitas pela Polícia Civil apontam que a denúncia anônima feita por telefone à Ouvidoria do Ministério Público, de que o traficante Alexandre Mendes da Silva, o Polegar, e um comparsa teriam fugido do Morro do Alemão, em um carro da delegacia de Cabo Frio, é falsa. Mesmo assim, a polícia vai continuar apurando a denúncia para dar total transparência ao trabalho da Polícia Civil." É claro que a denúncia pode ter sido de fato "falsa" e um profissional de comunicação responsável, como pretende ser o autor destas linhas, não tem autoridade alguma para contestar a conclusão dos investigadores. Mas até este quase "Velhinho de Uiraúna" tem obrigação de pedir mais explicações aos solertes investigadores do caso. Pois o teor lacônico da nota não condiz com a enxúndia com que o assunto tem sido tratado pelas autoridades policiais nos últimos dias.
Para começo de conversa, a Polícia Civil fluminense não ocupa propriamente os primeiros degraus no pódio das instituições confiáveis desta República. Então, conviria que deixasse para se pronunciar oficialmente quando tivesse mais informações sobre o caso. Por exemplo: teria, de fato, alguma viatura posta à disposição do distrito policial de Cabo Frio circulado pelas vielas do território conflagrado, passando pelos bloqueios montados por colegas ou pelas tropas federais que os ajudaram na operação? Houve razão funcional para que isso ocorresse? E, se nenhum veículo a serviço de delegacia distante percorreu os becos das favelas do Alemão, por que cargas d"água o anônimo teria feito a tal denúncia? É possível que estas questiúnculas deixem de ser respondidas, sob a alegação de que as tropas que libertaram as populações de decênios de jugo do crime têm mais o que fazer do que dar atenção a um jornalista ranzinza.
Mas a verdade profunda certamente conterá respostas a dúvidas mais relevantes do que estas. Graças à cobertura dos telejornais diários, digna até de merecer a denominação de Tropa de Elite 3, em referência ao excepcional bangue-bangue nacional, com êxito de bilheteria que Lula, o Filho do Brasil não alcançou, o público pagante tomou conhecimento, ao vivo e em cores, do que ocorreu nas "reocupações" de Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. Em tempo real, saltaram aos olhos da grande maioria a ausência de cadáveres, o baixo predomínio do vermelho sanguíneo nas cenas de ação e o fato de os tímpanos não terem sido afetados por tiroteios. Tanto melhor, diria o Conselheiro Acácio. Chega de balas perdidas e mortes brutais no cotidiano dos cinturões miseráveis da periferia das metrópoles brasileiras. Só que, desde então, proliferam pulgas atrás da orelha de quem prestou mais atenção a tudo. E aí vem aquela vontade de soltar as papas da língua para questionar obviedades ululantes que Nelson Rodrigues não deixaria passar, depois, é claro, de registrar o próprio regozijo pela conquista do Brasileirão por seu tricolor das Laranjeiras.
Houve, é certo, farta apreensão de armas e drogas nos barracos, mas escassas foram as prisões, seja de bandidões de alto coturno, seja de malandros ditos campainha. Uma destas, a do traficante Zeu, que participou da chacina do repórter Tim Lopes, serviu mais para chamar a atenção para a conveniência de reformar a legislação das execuções penais - uma vez que ele se aproveitara de benemerências da vigente para fugir e se abrigar num barraco no morro "reocupado" - do que propriamente para engrossar quantidade e qualidade de prisioneiros da batalha finda. No céu dos tarefeiros de inutilidades, o rei Pirro concordará com o que escrevi.
Mas, deixando de lado o símbolo do fiasco de aparentes triunfos das armas, como convém, para não exagerar na ranhetice, urge registrar a ocorrência no Rio de uma batalha política, ainda não vencida (falta ser retomado o Morro do Vidigal, ocupado pela Favela da Rocinha), e não uma operação policial bem-sucedida. Nela ficou claro que não faltou ao Estado força para retomar territórios entregues aos criminosos pela negligência de Chagas Freitas, Leonel Brizola e seus sucessores no governo do Estado, mas convicção e disposição. Sérgio Cabral teve-as - talvez premido pelas exigências da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional, como ficou patente após a declaração da presidente eleita, Dilma Rousseff, de que as Forças Armadas ficarão à disposição do governador do Rio até a Copa do Mundo de 2014.
É claro que o tráfico de drogas, modalidade milionária do crime organizado, teve vultosos prejuízos financeiros com a libertação histórica, assim sem aspas, da população que mora nos territórios dos quais antes delinquentes eram senhores feudais de baraço e cutelo. Mas a cidadania precisa saber que o comércio da falsa felicidade química ainda funciona a pleno vapor no Rio e no resto do mundo. E prosseguem vigentes as condições que tornam os morros cariocas locais adequados para servir de entreposto a fornecedores de entorpecentes: o profético alerta de Joaquim Nabuco sobre as nefastas consequências da abolição da escravatura sem prévio preparo (ancestral hábito nativo) vale hoje como antanho, conforme se demonstrou em cenas que, mesmo reais, perderam em verossimilhança para as fictícias do filmaço de José Padilha.
JORNALISTA E ESCRITOR, É EDITORIALISTA DO "JORNAL DA TARDE" 

ANCELMO GÓIS

VIDA NA PLANÍCIE
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 08/12/10


José Serra, dia desses, viajava sozinho de Budapeste para Paris. Na escala em Frankfurt, seu voo foi suspenso, e a Lufthansa deu 30 euros para um lanche e um voucher, para dormir num hotel perto do aeroporto. Passou a noite lendo. 

VOTO É SECRETO... 
Por falar em Serra, o que se diz é que Garibaldi Alves é o segundo dessa leva de ministros do governo Dilma que votou no tucano. O outro seria Nelson Jobim.

O NÚMERO 1 
Tropa de elite 2 já é o filme brasileiro mais visto. Bateu o recorde de Dona Flor, de 1976, que levou 10,73 milhões aos cinemas.

MALUQUINHO 3
Ziraldo, o cineasta André Pinto, seu sobrinho, e o produtor Diler Trindade assinaram contrato para filmar O Menino Maluquinho 3.

FÓRMULA 1 
A Petrobras voltará a patrocinar uma equipe de Fórmula 1 ano que vem. 

NO MAIS 
Alagoas e Maranhão, como de costume, têm os piores índices educacionais do País, como mostrou o mais recente levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado em 2009.
Mas é recomendável que ninguém comente o assunto com Lula. É que, semana passada, irritado, o presidente mandou uma repórter “se tratar” por ter criticado a “oligarquia Sarney”.

FUTEBOL NA FAVELA 
Ricardo Teixeira avisou a Sérgio Cabral que Fifa e CBF pretendem criar no Morro do Alemão a Escola Brasileira de Futebol. A Rocinha também pode figurar no projeto, cujo objetivo é formar gente da comunidade para trabalhar no futebol.

LEÃO DE DILMA 
Otacílio Cartaxo, secretário da Receita Federal, faz lobby para que seu subsecretário de Fiscalização, Marcos Vinícus Neder, seja seu sucessor.

NARCISO NA ÁFRICA 
Nelson Narciso, ex-diretor da ANP, é o novo presidente da HRT na África. A petroleira tem a concessão de três blocos exploratórios na Namíbia.

BNDES VERDE 
A delegação do BNDES, veja só, foi procurada em Cancún, no México, durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, pela equipe de Al Gore, o ex-vice de Clinton nos EUA.
É que Gore, ganhador de um Oscar em 2007 por seu filme sobre as mudanças climáticas, dirige hoje uma companhia de investimentos sustentáveis. Ele ficou interessado em parcerias no Brasil e no Fundo Amazônia, que financia projetos ambientais.

MUITA CONFUSÃO
A Odebrecht suspendeu o projeto de transformar a área de cocheiras do Jockey Club, no Rio, num grande empreendimento imobiliário.

BB NO ALEMÃO 
O Banco do Brasil já achou lugar certo para abrir sua agência no Complexo do Alemão. Será inaugurada no Morro do Adeus, dia 21 agora.

HAMBÚRGUER 
A rede Bob’s assinou com a organização do Rock in Rio 2011. Será a lanchonete oficial do evento. No Parque Olímpico Cidade do Rock serão montados três grandes pontos de venda.

TRICOLOR 
A Liga Retrô, a das camisas antigas de times de futebol, vendeu, entre segunda e ontem, 320 camisas do Fluminense.

GOSTOSA

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Goteira como metafóra
FERNANDO DE BARROS E SILVA

folha de são paulo - 08/12/10

SÃO PAULO - Um cano estourado provocou vazamento de lama no subsolo do Palácio do Planalto. Não é piada. Aconteceu anteontem. Três meses depois de uma reforma que consumiu R$ 111 milhões (muito além do previsto inicialmente) e mais de um ano, o palácio exibe vários sinais de desmazelo: alagamentos em banheiros e na garagem, infiltrações, paredes descascadas, deformações no teto de gesso, fechaduras novas estragadas...
Um dos objetivos da reforma era eliminar os "puxadinhos" que descaracterizaram a arquitetura original. Mas parece que o Brasil voltou pela porta dos fundos. O representante de Oscar Niemeyer em Brasília foi até gentil: "Faltou refinamento aos órgãos responsáveis para fazer um restauro de qualidade".
De goteiras e infiltrações o senador Gim Argello (PTB-DF) entende. O relator do Orçamento da União destinou R$ 3 milhões em emendas de sua cota individual para entidades fantasmas do DF, conforme revelou "O Estado de S. Paulo".
Em geral, funciona assim: o parlamentar faz uma emenda reservando recursos públicos para shows ou eventos culturais; o dinheiro é destinado a um instituto fantasma; este, por sua vez, repassa a verba para empresas fictícias em nome de laranjas. Tudo, como se dizia antigamente, "numa nice". O governo não fiscaliza nada.
A Folha noticiou ontem que Argello incluiu entre suas emendas para 2011 um repasse de R$ 250 mil para a ONG de uma amiga. E que amiga: condenada por evasão de divisas no escândalo dos Anões do Orçamento, nos anos 90, ela ficou presa por seis meses em 2007. Este ano, foi impedida graças à Lei da Ficha Limpa de disputar uma vaga à Câmara Legislativa do DF.
Ontem, Argello renunciou à Comissão de Orçamento. É muito pouco. Virão outros "gins" no lugar. Até quando vamos tolerar as goteiras das emendas e o "puxadinho" de descalabros que é a Comissão do Orçamento? É preciso uma reforma. Mas não como a do Planalto.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Vamos exercer a oposição de forma firme, mas qualificada”
SENADOR ELEITO AÉCIO NEVES (PSDB-MG) NEGANDO “OPOSIÇÃO BRANDA” AO GOVERNO DILMA

NINGUÉM QUER O MINISTÉRIO DO TRABALHO, SÓ LUPI 
O Ministério do Trabalho pode continuar nas mãos do PDT e até do atual ministro Carlos Lupi, em razão do mais absoluto desinteresse dos demais partidos e dos políticos, inclusive pedetistas, pelo cargo. Sem prestígio, sem recursos, sucateado e até ridicularizado no meio sindical, o Ministério do Trabalho é só uma caricatura daquele criado há 80 anos, em novembro de 1930, pelo então presidente Getúlio Vargas.

APEQUENADO 
No governo do ex-sindicalista Lula, o ministro Carlos Lupi reduziu sua atuação a factoides mensais sobre o número de carteiras assinadas.

MINISTRO DE SEGUNDA 
Poucos levam Carlos Lupi a sério. Dilma Rousseff inclusive fez ouvidos moucos à sua oferta de colaboração na campanha presidencial.

PARA QUÊ? 
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, desdenhou da sondagem para virar ministro do Trabalho. Não valeria a pena.

PARA QUÊ? 2 
Dilma está impressionada até com a própria CUT, que ensaiou algum interesse pelo ministério do Trabalho, mas depois recuou. 

ALCKMISTAS E SERRISTAS BRIGAM POR CARGOS EM SP 
Aliado de primeira hora do governador paulista Geraldo Alckmin, o deputado José Anibal (PSDB) ameaça deixar o partido, insatisfeito com a influência dos serristas e de FHC na escolha do secretariado. O deputado Edson Aparecido reclama da “ingratidão” de Alckmin, que apoia à presidência da Assembleia Barros Munhoz, ligado ao senador eleito Aluizio Nunes Ferreira, adversário de Alckmin e leal a José Serra. 

ESFRIOU GERAL 
Notícia do “aquecimento global” que faz a fortuna de muitos ecopicaretas: deu 19 graus negativos, ontem, em Oslo (Noruega).

TRAÇO DE AUDIÊNCIA 
Inútil a nova TV e Rádio Serpro, recém-inauguradas. A estatal de Tecnologia da Informação não pôs fones de ouvido na licitação. 

CONTROLADOR-GERAL 
O fundador do site WikiLeaks foi preso em Londres, pela Interpol. Ainda bem. Já imaginou ser interrogado por “Herr” Franklin Martins? 

ASSOMBRAÇÕES 
Setores do próprio PR têm feito apelos dramáticos a Dilma para não reconduzir ao Ministério dos Transportes Alfredo Nascimento, rejeitado para o governo do Amazonas por mais de dois terços dos eleitores. Pior: sua nomeação daria força a Valdemar Costa Neto. Vade 
retro.

BAITA CURRÍCULO 
Para suplicar seu retorno ao Ministério dos Transportes, o único trunfo curricular de Alfredo Nascimento (PR) é seu suplente, João Pedro (PT), o “Cabeleira”, amigo que Lula se diverte vendo-o travestido de senador.

ESPELHO MEU 
O site claudiohumberto.com.br antecipou ontem com exclusividade a decisão do senador Gim Argello (PTB-DF), alvo de denúncias, de renunciar à relatoria e à 
própria da Comissão Mista de Orçamento.

DF: PIOLHOS EM UTI 
A saúde pública no DF está tão arruinada que a UTI neonatal do Hospital de Taguatinga, como o centro cirúrgico do hospital público de Ceilândia, está infestada de piolhos de pombo – o “rato das aves”.

UM POLÍTICO DECENTE 
Senadores de todos os partidos, do PT ao PSB e ao PMDB de Jarbas Vasconcelos (PE), interromperam um discurso de Marco Maciel (DEM-PE), ontem, com rasgados elogios a sua dignidade, sua honradez.

“TETÔMETRO” 
Mal Lula saiu de cerimônia no Theatro Municipal do Rio – recém-reformado – parte do teto caiu. O insuperável pé-frio não disse “que o teto caia sobre a minha cabeça se eu estiver mentindo”. Nunca dirá.

COM MÃE, SEM PAI 
O ministro Márcio Fortes (Cidades) tem a amizade de quem deveria importar, a presidenta Dilma, mas perdeu o apoio do partido, o PP, para continuar no cargo. Mas o PP deve perder o ministério para o PT.

BANDEIROSA 
Dilma vai estrear embandeirada: a Presidência da República reservou R$ 43,7 mil para 68 bandeiras novas no Torto e no Alvorada, 
sendo 24 do Mercosul, entidade maravilhosa no papel e ineficaz na prática. 

RIOLEAKS 
Os traficantes cariocas pés-de-chinelo também “vazaram”. 

PODER SEM PUDOR 
O PAPA NA CAMPANHA 
Após uma derrota para o Senado, Américo Farias candidatou-se ao governo de Santa Catarina, apesar das escassas possibilidades, e visitava Rio do Sul, no Vale do Itajaí, quando encontrou o deputado Alexandre Traple:
– Como vai, meu senador? – saudou-o o deputado, simpático.
– O senhor está falando com o futuro governador!... – cortou Farias.
Traple não resistiu à piada:
– Piacere, sone il Papa (Prazer, eu sou o Papa).

O ABILOLADO

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Lula atropela Dilma e diz que PAC não terá cortes em 2011

- Folha: Fundador do WikiLeaks é preso e teme a extradição

- Estadão: Cai relator do Orçamento por esquema de fantasmas

- JB: Vício em crack assusta os pesquisadores

- Correio: Rumo ao colapso

- Valor: Desvio de recursos nasce em emendas para eventos

- Estado de Minas: Barbárie na rua e na faculdade

- Jornal do Commercio: Via Mangue travada

- Zero Hora: Juízes liberam 1,1 mil presos de albergues para abrir vagas

terça-feira, dezembro 07, 2010

MERVAL PEREIRA

Sinais de mudança 
Merval Pereira 

O Globo - 07/12/2010

Foi com a cândida explicação de que se tratava de uma “luta política” que o então recém-eleito presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha, justificou a drástica mudança de posição dos petistas no início do governo Lula, em 2003. Foi quando passaram a defender o que antes combatiam, especialmente a reforma da Previdência, que conseguiram aprovar com o auxílio da oposição, depois de, por anos a fio, a barrarem no plenário do Congresso durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Seu simplismo antecipava o pragmatismo que viria pela frente.

Mais uma vez estamos diante da mesma situação, com a presidente eleita, Dilma Rousseff, defendendo pontos de vista que combatia durante a campanha e assumindo posições que estariam mais de acordo na boca de seu adversário tucano, José Serra.

A decisão acertada de procurar um executivo profissional para comandar a Infraero, retirando o cargo da troca de favores com políticos da base aliada, corresponde a uma consequência lógica de privatizar os aeroportos brasileiros, para que seja possível torná- los compatíveis com as necessidades de um país que está incorporando largas faixas da população ao t u r i s m o , t a n t o i n t e r n o quanto externo, e vai organizar uma Copa do Mundo de futebol e as Olimpíadas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que será mantido no cargo, parece outra pessoa ao anunciar que o governo prepara um pacote para reduzir seus custos e que até projetos do PAC serão atrasados.

Além disso, o governo também vai trabalhar para impedir novos gastos, como o salário único para as polícias estaduais, o salário mínimo de R$ 580 a R$ 600 para 2011 e o aumento de 56% para os servidores do Judiciário.

Na entrevista que concedeu ao “Washington Post”, Dilma se posiciona com vigor contra a abstenção brasileira na ONU quando foi aprovada uma censura ao Irã por violações de direitos humanos, exigindo o fim dos apedrejamentos, da perseguição a minorias e de ataques a jornalistas.

Na alegação, a presidente eleita diz que, sendo mulher, não poderia ser a favor de “práticas medievais” como o apedrejamento a que f o i c o n d e n a d a S a k i n e h Mohammadi Ashtiani por suposto adultério, pena depois trocada pelo enforcamento como demonstração de “boa vontade” do governo iraniano diante da reação negativa internacional.

É provável que a presidente eleita tenha salientado a condição feminina apenas como maneira de enfatizar sua posição, não sendo razoável imaginar-se que ela seja limitada por questões de gênero.

Sendo assim, o futuro ministro das Relações Exteriores terá pela frente um problema para oficializar uma mudança de política de Estado que foi apresentada oficialmente pelo governo Lula à ONU.

Por essa proposta formal, a ONU deveria passar a tratar os países que violam os direitos humanos com mais condescendência, evitando críticas públicas aos regimes autoritários.

A proposta evidenciou, como registrei aqui na época, que, muito mais que decisões pragmáticas, a abstenção em votações contra Cuba com relação à violação dos direitos humanos ou mesmo votar contra uma condenação do governo do Sudão sobre Darfur, onde um conflito étnico matou mais de 200 mil pessoas, faziam parte de uma política de Estado que foi alterada sem a aprovação do Congresso brasileiro.

A mudança de padrão nas votações brasileiras no Conselho de Direitos Humanos da ONU havia sido denunciada pela ONG Conectas Direitos Humanos, mostrando que ela obedecia a interesses políticos e comerciais, e não tinha relação direta com o conceito de direitos humanos em si.

Em relação à China, por exemplo, o Brasil mudou sua posição, votando a favor da no-action motion em 2004, ajudando a evitar assim a condenação daquele país por violações de direitos humanos.

Em situação similar em 2001, o governo brasileiro se abstivera de votar.

Houve uma mudança também em relação à resolução que condenava a situação dos direitos humanos na Chechênia.

Da abstenção em 2001 e 2002, o governo brasileiro passou a votar explicitamente contra a condenação da Rússia em 2003 e 2004.

É preciso saber agora até que ponto a futura política externa brasileira mudará de posição, pois a questão dos direitos humanos esconde uma política mais ampla de se colocar como um contraponto aos Estados Unidos, que o governo brasileiro considera ter politizado o Conselho de Direitos Humanos da ONU, usando sua força política para combater seus inimigos com sanções.

Na mesma entrevista ao “Washington Post”, a presidente eleita, Dilma Rousseff, faz as mesmas críticas ao governo dos Estados Unidos que têm sido feitas pelo governo Lula em relação ao uso de força para resolver questões políticas, referindo-se especificamente às guerras do Afeganistão e do Iraque.

Mas afirma o desejo de se aproximar do governo dos Estados Unidos, uma mudança na política externa, que é vista por Washington, de acordo com os telegramas vazados pelo site Wiki- Leaks, como antiamericana.

Dilma Rousseff não tem as relações pessoais que o presidente Lula tem com seu velho amigo Fidel Castro, o que o impede de criticar os abusos aos direitos humanos em Cuba.

Mas, vinda da esquerda armada, pode ter outros tipos de constrangimentos.

No governo Lula, o esquerdismo do Itamaraty serviu de contraponto a políticas pragmáticas no campo econômico.

Ainda é preciso ver a prática para saber o que realmente vai mudar na política externa brasileira, e em que uma eventual mudança influenciará a política interna.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

OAB cobra de tribunal pagamento de precatórios 
 Maria Cristina Frias
Folha de S.Paulo - 07/12/2010

A OAB-SP entregou na semana passada ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) um pedido para que os pagamentos de precatórios para idosos e doentes graves sejam feitos imediatamente.
O tribunal já tem à disposição cerca de R$ 1,5 bilhão em depósitos feitos pelo governo do Estado. Porém apenas R$ 4 milhões foram pagos.
O atraso foi provocado por uma mudança trazida pela Emenda Constitucional 62, de dezembro de 2009, que torna o tribunal responsável por efetivar os pagamentos. Antes, a função era do próprio órgão devedor.
Na transição, o tribunal precisou contratar, por licitação, uma empresa de informática para elaborar um programa que define as prioridades dos pagamentos.
"Não temos interesse em manter o dinheiro. Temos compromisso com a cronologia. Corremos contra o tempo, contratamos o software para isso", diz o desembargador Venício Salles, do TJ-SP. Segundo ele, a primeira etapa do software foi concluída.
O pedido da OAB é que doentes e idosos sejam atendidos independentemente da elaboração completa da lista de preferências.
Esse primeiro pedido tem peso político, mas o próximo passo, segundo a entidade, é levar o caso ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
"Se não tomarem providência, podemos tecnicamente pedir responsabilização civil", diz Flávio Brando, presidente da comissão de precatórios da OAB nacional.
"Se forem ao CNJ e vierem com uma fórmula boa, que não envolva a transgressão de outros direitos, aceitaremos", diz o desembargador.

PEDALADA CENTENÁRIA
A SulAmérica Seguros e Previdência criou uma diretoria de planejamento estratégico e gestão de produtos.
"Foi por causa das nossas ambições e de nossos planos", diz Thomaz Cabral de Menezes, que assumiu a presidência-executiva da empresa em março deste ano, em substituição a Patrick Larragoiti Lucas. Membro da quinta geração da família no comando da seguradora, Lucas tornou-se presidente do conselho.
A empresa começou 2010 com 17 unidades e vai fechar com quase 30. Até o final deste mês, serão inauguradas mais quatro filiais e, para o primeiro trimestre, já estão previstas outras cinco, inclusive centros para atender apenas segurados de automóvel.
"Para uma empresa como a nossa é cada vez mais importante estar perto dos clientes no momento dos sinistros", diz Larragoiti, que comemora os 115 anos da companhia.

NATAL SEM PRESSA
Mais de 50% dos consumidores afirmam que não vão deixar para fazer as compras de última hora, segundo levantamento do Shopping Jardim Sul com mais de 6.000 clientes. Cerca de 46% disseram que uma semana de antecedência é suficiente para definir os presentes. Cerca de 70% precisam de pelo menos três visitas ao shopping para cumprir a lista de compras. Mais de 40% dizem que gastarão R$ 100, e 38%, acima de R$ 200.

Nova loja O Grupo Pão de Açúcar inaugura nesta semana mais três lojas em Ribeirão Preto (SP). Com investimento de R$ 44 milhões, a companhia leva para a região um Extra Hipermercado, um Extra Supermercado e um Assaí.

Na parede A Carbono Química ampliou a compra de dióxido de titânio da China, devido ao aquecimento do mercado imobiliário. A procura pelo insumo, que fabrica pasta de dente, lubrificante e tinta, subiu 20% neste ano.

DE SUAPE AO PRÉ-SAL
A Mercotubos, que fabrica, molda e distribui estruturas metálicas para estaleiros e refinarias, vai expandir a atuação em Pernambuco e no Rio com investimentos de R$ 60 milhões.
Uma máquina de R$ 15 milhões será instalada em Escada (PE) para atender a Refinaria Abreu e Lima e os estaleiros de Suape.
O equipamento curva tubos industriais, evitando custos de soldagem.
Outros R$ 15 milhões serão investidos na construção de uma fábrica.
Em Escada, a Mercotubos vai oferecer o serviço de dobra e de distribuição.
Para atender a demanda do pré-sal, a empresa quer investir R$ 30 milhões em uma fábrica no Rio.
"Ainda não decidimos se vamos entrar no Rio com aquisições ou algo parecido", diz Flavio Suplicy, CEO da Mercotubos.

GOSTOSA

ILIMAR FRANCO

O PMDB encolhe 
Ilimar Franco 

O Globo - 07/12/2010

A presidente eleita, Dilma Rousseff, está reduzindo a participação do PMDB no governo. O partido tinha seis pastas no governo Lula, entre as quais Saúde e Integração. Perdeu as duas. No governo Dilma, o partido terá apenas quatro. O ressentimento se alastra no partido. Há críticas à direção partidária, que abriu mão da pasta de Comunicações e de lutar por Cidades. Integrantes do partido já falam em dar o troco em votações na Câmara.

Autofagia
A reunião da Executiva Nacional do DEM, amanhã, pode acabar na Justiça. O grupo do presidente, deputado Rodrigo Maia (RJ), diz que só uma convenção nacional pode antecipar a data da eleição interna. Se o grupo do ex-presidente Jorge Bornhausen (SC) conseguir passar o trator, uma parte do DEM deve deixar o partido, alegando mudança do estatuto. Essa é uma das brechas permitidas para a troca de partido sem perda de mandato. Um demista do grupo de Rodrigo diz que, confirmado o racha, vai acontecer na prática o que o presidente Lula defendeu durante a campanha eleitoral deste ano: a extinção do DEM.

Alerta
A Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro, do Ministério da Justiça, é contra a legalização dos bingos. Avalia que isso criaria ambiente propício à sonegação fiscal, à evasão de divisas e à lavagem de dinheiro.

On-line
O Ministério do Desenvolvimento Social lança hoje a versão on-line do cadastro do Bolsa Família, o que tornará o processo mais ágil. Seis municípios participaram do projeto-piloto, entre eles Rio de Janeiro, Rio das Ostras e Piraí.

A luta contra o tabagismo
Além de ter adiado a votação, na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, do projeto que proíbe o fumo em recintos fechados, o lobby da indústria do tabaco remeteu o assunto para a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo. A chefe da Divisão de Controle do Tabagismo da Anvisa, Tania Cavalcante, diz que isso custa caro ao SUS: em 2005, o sistema gastou R$ 338 milhões em internações hospitalares devido a doenças relacionadas ao tabagismo.

O drama do PCdoB
Na sexta-feira, a presidente eleita, Dilma Rousseff, fez um apelo ao presidente do PCdoB, Renato Rabelo, pela renovação. Ela sugeriu que o partido apresentasse outros nomes para o Ministério do Esporte, já que o ministro Orlando Silva estaria com seu destino garantido: a Autoridade Pública Olímpica (APO). A pasta vai ser mantida nas mãos dos comunistas, e o nome mais forte para assumir o ministério é o da ex-prefeita de Olinda (PE) e deputada federal eleita Luciana Santos.

A MINISTRA Izabella Teixeira (Meio Ambiente) venceu a queda de braço interna no PT e entre os principais conselheiros do governo Dilma Rousseff. Seu nome é o favorito para permanecer à frente da pasta.

O SENADOR eleito Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirma: “Mudei de Casa, mas não mudei de turma”.

LEMBRETE. Ministros estão deixando a agenda em aberto dia 14, data do aniversário da presidente eleita, Dilma Rousseff, e com um lembrete.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Previsão do tempo 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 07/12/2010

Amauri Pastorello, do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado, instalará em São Luiz do Paraitinga quatro pontos de monitoramento de chuvas. Isso, para tentar evitar tragédia similar a do início deste ano. Custo: R$ 200 mil.

Enquanto isso, segue briga no Ministério Público sobre a retirada das pedras do leito do rio que batiza a cidade. Se por um lado o desassoreamento pode diminuir os transbordamentos, por outro pode prejudicar o turismo da região - famoso entre os praticantes do rafting.

NuvensE na sexta sai licitação de R$ 2 milhões para reconstruir a histórica Capela das Mercês.

A caminho
O Ministério da Saúde doará ao Haiti, nos próximos dois anos, R$ 3,5 milhões em 15 milhões de doses de vacinas contra difteria, tétano e coqueluche. Para a epidemia de cólera, o Brasil investirá US$ 1 milhão no país.

Sem marola
Ao que tudo indica, será tranquila a transição na Secretaria-Geral da Presidência. Sobre seu sucessor no posto, Luiz Dulci confidenciou a amigos: "Com Gilberto Carvalho, o diálogo com os movimentos sociais será respeitoso e produtivo. A democracia participativa avançará ainda mais no governo Dilma". Em janeiro, Dulci estará na equipe de ex-colaboradores de Lula no Instituto Cidadania.

Brasília, eu ficoCelso Amorim deixa a casa na Península dos Ministros, mas não o Distrito Federal. Foi o que o próprio contou na semana passada a um interlocutor, em Washington, onde recebeu o prêmio Pensador Global, da revista Foreign Policy. Amorim alugou apartamento na cidade por causa de Ana Maria, sua mulher. Ela continua no serviço público.

Rio, eu vouO casal Amorim, entretanto, pretende reabilitar a casa de Ipanema, no Rio. Já pediu ao inquilino para deixar o imóvel. O quase ex-chanceler pensa em dar aulas na UFRJ. "Não vão me encontrar na Fiesp", ironizou, alfinetando alguns críticos de sua política externa.

Em alta
A Art Basel Miami Beach esteve tão cheia no fim de semana que bombeiros precisaram fechar o Convention Center. E o saldo para artistas brasileiros foi positivo. Beatriz Milhazes, por exemplo, fez uma das instalações mais impactantes: um piso de cerâmica com ouro 24 quilates.

Louco por ti
Chico Buarque, tricolor fervoroso, comemorou a vitória do Fluminense em seu apartamento do Leblon, no Rio.

Só no sapatinho
Rodrigo Santoro atacou de... pagodeiro. Ele cantou Fugidinha durante o show do Exaltasamba, no fim de semana, no Rio. Convite de Regina Casé, que estava no palco.

Tônica sem gim
Elza Soares, que deu rasante em São Paulo para apresentação no Auditório Ibirapuera, surgiu toda alegre, sábado, no bar Quitandinha. Conversou com fãs, sentou no colo de Bruno Lucide, 28, marido e empresário, mas dispensou bebida alcoólica: "Como eu já sou muito louca, estou tomando só tônica", avisou.

Fração
Alta fonte da equipe de transição do novo governo do Estado garante: Geraldo Alckmin quer desmembrar a Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo.

Na frente
Ronaldo filmou, semana passada, um viral para Nike soltar na internet caso o Corinthians perdesse o Brasileirão. No filme, o craque fica 46 segundos em silêncio e, na sequência, surge a frase #maiorquetudoisso.

Para celebrar a conquista de quatro prêmios da International Properties Awards, o escritório Edo Rocha arma festa amanhã no Leopolldo Plaza.

A Schincariol apresenta a água gourmet FYS. Dia 14, no Jockey Club.

Silmara Rodrigues lança em sua loja Moleskine para grávidas, a Nove Meses. Hoje.

Nos Jardins do Éden, de Christian Cravo, e a mostra Parallel Nippon abrem hoje no Instituto Tomie Ohtake.

Carlos Teixeira autografa Entre, hoje, no terreiro concebido pelo arquiteto na Bienal de São Paulo.

Inezita Barroso, Mônica Salmaso e Paulo Freire apresentam-se no Festival Voa Viola, no Sesc Pinheiros. Quinta.

Suzana Villas Boas pilota festa em prol do projeto de revitalização do Cine Teatro Paraty. Amanhã, no Estúdio Emme.

Nova bebida virou febre entre os descolados de São Francisco, nos EUA. Trata-se de um chá que mistura aminoácidos, vitaminas C, complexo B e gotas de álcool. Chama-se...Kombucha.

GOSTOSA

MÍRIAM LEITÃO

Balanço Meirelles 
Miriam Leitão 

O Globo - 07/12/2010

Oito anos depois, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, entra hoje na sua última reunião do Copom. Ele tem a comemorar o fato de que entrega o que foi encomendado: a inflação esteve na maioria do período dentro da faixa de flutuação da meta. Ao mesmo tempo, há incertezas sobre a política monetária, o BC entrou em contradição no último ano, e há riscos inflacionários e de bolhas.

Os economistas em geral fazem uma avaliação positiva do trabalho de Meirelles, a divergência é quanto ao último ano. Há quem considere que ele ficou dividido entre a política e o Banco Central por um bom tempo e que passou sinais contraditórios na comunicação.

O conjunto da obra é de um presidente do BC que enfrentou divisões internas no governo, oposição no partido do governo, críticas do ministro da Fazenda e, em alguns momentos, uma enorme solidão.

O Ministério da Fazenda depois do período de Antonio Palocci manteve uma política fiscal expansionista e o Banco Central ficou sozinho na tarefa de controlar a inflação.

O governo teve déficit nominal durante todo o período e abandonou a boa proposta do então ministro Antonio Palocci de buscar o déficit zero. Nem no ano de aumento forte de arrecadação de 2010 o déficit não será zerado. Ficará em torno de 2,5% do PIB e a presidente eleita acha que esse resultado é de se gabar, como disse na entrevista ao “Washington Post”.

José Márcio Camargo, da PUC-Rio, acha que Meirelles fez uma excelente gestão e foi a garantia da estabilidade nos últimos oito anos. Ao contrário da maioria dos economistas do mercado, ele acha que o BC vai subir os juros nesta última reunião, em meio ponto percentual.

Maurício Molan, do Banco Santander, disse que os juros deveriam subir, mas não vão subir, e chama de “ginástica retórica” o que o BC fez na última ata.

Arthur Carvalho, da Ativa Corretora, avalia que Meirelles tem também o mérito de ter acumulado reservas cambiais, o que foi fundamental na crise de 2008. Mas considera que no último ano ele demonstrou erro de avaliação e entregar a inflação em 5,78%, bem acima dos 4,5% do centro da meta, é sinal de que errou na sua aposta.

De fato, há uma dissonância entre o que o Banco Central disse nas últimas atas e no relatório de inflação e o que disse na sexta- feira. O BC dizia que o cenário inflacionário era benigno e que havia “aumentado a potência da política monetária.” Mas, na sexta, deu sinais de que está preocupado com o excesso da oferta de crédito e com os sinais de alta nos preços.

Mesmo assim, a maioria acha que uma alta dos juros ficará para mais adiante. Elson Telles, da Máxima Asset, acha que a Selic não vai subir em dezembro, mas que se pagará mais na frente o custo do atraso no ajuste. Acredita que os juros vão subir a partir de janeiro, em três reuniões seguidas, para 12,25%.

Felipe Salto, da Tendências consultoria, disse que o problema não é apenas o fato de o país ter tido déficit fiscal durante todos os anos do governo Lula, mas o fato de o gasto corrente ter se elevado tanto. Para se ter uma ideia, os últimos dados disponíveis do governo mostram que os gastos de pessoal, previdência e custeio da máquina ficaram em 15,4% do PIB, e o investimento ficou em 1,3%, em 12 meses. E, olha que esse foi o melhor número de investimento. Na média, não chegou a 1% ao ano.

O país investiu pouco, ampliou muito os gastos, e, para piorar, no final, o Ministério da Fazenda passou a adotar maquiagens fiscais e novos canais de expansão do gasto, como as transferências para o BNDES.

Ontem, o ministro Guido Mantega, em mais um momento de “neomanteguismo”, prometeu controlar os gastos. O novo discurso desafina tanto com seus atos que fica difícil acreditar. Todo mundo prefere esperar para ver, porque não parece ser o mesmo ministro que alega ter cumprido a meta de um superávit primário de 3%, quando, na verdade, no mercado há quem calcule em 1,7% e até em apenas 0,5%.

Ontem, Meirelles disse que agora é “só correr para o abraço.” Quando se pensa nas várias bolas divididas em que entrou para manter a inflação na meta não se pode negar que ele tem o que comemorar.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Tensão pré-barraco 
 Renata Lo Prete 
Folha de S.Paulo - 07/12/2010

É pesado o clima no DEM, que amanhã se reúne em Brasília na tentativa de resolver o impasse do "prazo de validade" de seu presidente. Os veteranos, Jorge Bornhausen à frente, oferecerão a Rodrigo Maia (RJ), cujo mandato havia sido prorrogado até o fim de 2011, algo entre três e seis meses para deixar o cargo, que seria então ocupado pelo senador José Agripino (RN).
Tal movimento poderia, em tese, abortar ou pelo menos adiar a ida de Gilberto Kassab (SP), aliado de Bornhausen, para o PMDB. A reação de Maia é incerta. Defensores da mudança disporiam de documento capaz de constranger a atual cúpula do partido.

Para entender Em longa conversa com um aliado na semana passada, Lula foi enfático ao defender a permanência de José Gomes Temporão no comando da Saúde. Quem conhece o presidente, no entanto, acha que isso pode ser apenas um artifício para afagar o ministro que se despede.

Assim não Peemedebistas fizeram chegar a Dilma Rousseff a ideia de vitaminar a Secretaria de Assuntos Estratégicos, oferecida pela presidente eleita a Moreira Franco (PMDB-RJ), com o controle sobre o saneamento do país. Ela não topou.

Segundo turno A ala mais "moderada" do PMDB aconselha o vice eleito, Michel Temer, a aceitar a fatia ministerial oferecida ao partido por Dilma, e assim sair da divisão do primeiro escalão como "credor" da petista.

Bate-volta Mangabeira Unger foi duas vezes ontem à Granja do Torto, mas só falou com Dilma numa delas. Ex-titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos, disse ter errado o horário da reunião.

Presente! Lula comandará, na quinta, o balanço de quatro anos de PAC. É a primeira vez que ele aparecerá num evento do gênero - antes, procurava deixar os holofotes para sua candidata.

Bastão Chamou a atenção o protagonismo de Miriam Belchior, futura ministra do Planejamento, no evento que reuniu prefeitos e governadores ontem em Brasília. Coube a ela o papel de estimular municípios e Estados a cobrar verba do PAC-2, a despeito das previsões pessimistas de Guido Mantega (Fazenda) sobre o lastro para as obras em 2011.

É o mínimo Centrais sindicais de SP querem incluir no Orçamento a previsão de aumento do salário mínimo regional, hoje em R$ 580. Com a apoio do Dieese, começam a discutir amanhã o valor a ser reivindicado. A definição do novo piso, feita por lei específica, será o primeiro teste para o flerte de Geraldo Alckmin (PSDB) com o movimento sindical.

Mídia Autores de projetos que criam Conselhos de Comunicação em SP, os deputados estaduais Antonio Mentor (PT) e Edmir Chedid (DEM) fecharam acordo para construir um texto unificado no decorrer da tramitação.

Guerra fria O PSDB reúne deputados em exercício e eleitos na quinta em Brasília. O pano de fundo do encontro é a disputa velada entre paulistas e mineiros, que começa pela liderança da bancada. Duarte Nogueira, do grupo de Alckmin, se apresenta como candidato, ao lado de Bruno Araújo (PE). O bloco de Minas deseja colocar Paulo Abi-Ackel no páreo.

Visitas à Folha Marta Suplicy, senadora eleita pelo PT de São Paulo, visitou ontem a Folha.

Gilvam Borges, senador pelo PMDB do Amapá, visitou ontem a Folha.

tiroteio

"Parece que o presidente pediu a alguém que guarde o lugar para ele. Assim, é difícil imaginar que vá mesmo 'desencarnar'."

DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), sobre entrevista na qual que o atual chefe de gabinete e futuro secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deixa em aberto a possibilidade de Lula disputar a eleição de 2014.

contraponto

Decisão colegiada


Em recente visita à Câmara, o tucano Geraldo Alckmin tentou entregar à bancada paulista três emendas do governo do Estado ao Orçamento. Coordenador do grupo, Devanir Ribeiro (PT-SP) explicou ao governador eleito que infelizmente isso seria impossível:
-Antigamente eram três. Aí, num acordo de bancada, nós diminuímos para duas...
Para evitar mal entendidos, o petista acrescentou:
-Vamos lembrar aqui, para não me deixarem em má situação: todos nós decidimos que eram duas!

MAIS

MÔNICA BERGAMO

CORO DOS DESAFINADOS 
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/12/10

Destoando do "coro dos contentes" que engrossaram campanha para que Juca Ferreira permanecesse no Ministério da Cultura, o produtor Luiz Carlos Barreto, uma das principais lideranças do setor, diz que Ferreira fez "uma campanha eleitoral com excesso de pressão antiética em cima da presidente [Dilma Rousseff]". E afirma que diretores e produtores há muito reclamam da condução da pasta, que só se importaria com uma "cultura de salão".

EM OUTRO LUGAR
Barreto defende que "tudo o que diz respeito às indústrias culturais passe a fazer parte do Ministério da Indústria e do Comércio", e não mais do MinC. Ele afirma que não tem "nada pessoal" contra Juca. Mas diz que as políticas da pasta deveriam ser discutidas antes de nomes para ocupá-las. E afirma que "vários outros" teriam apoio do setor -entre eles, "o Samuel Pinheiro Guimarães", hoje na Secretaria de Assuntos Estratégicos.

OUTRO LADO
A coluna não conseguiu falar com Juca Ferreira até o fechamento da edição.

CONEXÃO ZONA LESTE
O Sesc Belenzinho foi inaugurado no sábado com a presença do governador Alberto Goldman (PSDB). Fernanda Takai fez show com sua banda Pato Fu e os atores Caco Ciocler e Gero Camilo apresentaram a peça "Aldeotas". O jornalista Salomão Schvartzman e sua mulher, Anna, cumprimentaram Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc.

MINNIE
Depois de Lally Weymouth, do "Washington Post", mais uma executiva da mídia americana fará entrevista com Dilma Rousseff. A presidente eleita receberá Arianna Huffington, criadora do site The Huffington Post, no dia 20.

MARINA LÁ
Marina Silva (PV-AC) já recebeu o convite do presidente Lula para a confraternização que ele quer realizar no dia 15 com todos os ministros dos oito anos de seu governo. Ainda não respondeu.

DESPEDIDA
Internado no hospital Sírio-Libanês ontem para um cateterismo, Ottoni Fernandes Jr., secretário-executivo da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), comunicou ao atual ministro, Franklin Martins, há alguns dias, que pretende deixar o cargo e a vida estressante que vinha levando. Ele era considerado nome certo para permanecer na equipe da sucessora de Franklin, a jornalista Helena Chagas.

DOSE DUPLA
Antes mesmo da decisão de Ronaldo de fazer DNA para ver se o garoto Alex, filho da brasileira Michele Umez, é seu filho, o Tribunal de Justiça de SP decidiu que ela deveria anular o documento em que registrou o garoto em nome do pai adotivo, com quem vive em Cingapura.
Só assim a ação de alimentos que ela move contra Ronaldo pode prosperar.

O SOM DE BRUNA
A trilha sonora de Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini, tem composições originais do grupo Instituto e canções estrangeiras como "Time of The Season", da banda The Zombies, e "Fake Plastic Trees", do Radiohead. O filme estreia em fevereiro.

MUDANÇA
A cantina Pasquale, em Pinheiros, vai se mudar em março do ano que vem. O imóvel que ela ocupa na rua Amália de Noronha, em Pinheiros, será demolido para a construção de um edifício. Os donos do restaurante já têm uma casa em vista na rua Girassol, na Vila Madalena.

OLHO NO LANCE
A rede social Kigol, especializada em futebol, vai fazer uma "pelada" entre jogadores do passado e do presente, na quinta.
Um time liderado pelo ex-corintiano Neto enfrentará uma equipe do atacante palmeirense Kléber. O narrador Silvio Luiz será o juiz.

POSE NA PISTA
A semana de moda Casa dos Criadores fez festa de encerramento no fim de semana, no clube Glória, na Bela Vista. A modelo Viviane Orth tocou ao lado do DJ Johnny Luxo.

CURTO-CIRCUITO

"Luz Líquida", primeiro livro do fotógrafo Guilherme Mallmann, será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho.

A peça "A Gaiola das Loucas" terá sua última apresentação do ano no dia 19, no Teatro Bradesco. Retoma a temporada em 6 de janeiro. 12 anos.

Gilberto Salvador criou o troféu do Prêmio Governador do Estado, que acontece hoje no Palácio dos Bandeirantes.

José Padilha e Bráulio Mantovani, de "Tropa de Elite 2", participam de debate hoje, às 19h30, no lançamento da nova edição da revista "Dicta e Contradicta", na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Vilma Eid oferece jantar, hoje, em homenagem à abertura da mostra "Georg Baselitz", na Estação Pinacoteca.

O arquiteto Edo Rocha ganhou quatro prêmios no Property Awards, em Londres.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

JOSÉ SIMÃO

Timão! O Çentenada dus Mano!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/12/10

Em futebol é sempre assim: não importa o resultado da partida, o resultado é zoar com o Corinthians! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E o conformado do ano: "Não vivo de títulos! Vivo de Corinthians!".ROUBRASILEIRÃO 2010!
Em futebol é assim: não importa o resultado da partida, o resultado é zoar com o Corinthians! O Centenada do Corinthians. O ÇENTENADA DUS MANO!
Mas o Corinthians ainda tem uma chance neste ano: São Silvestre! Como eles não conseguem correr, empurram o Ronaldo, que ele sai rolando. Rarará!
E quem disse que o Corinthians não ganhou nada? Ganhou sim: a Fórmula Truck, corrida de caminhão. Mas aí descobrem que o caminhão é roubado e o dono aparece e leva o título. Mas o troféu será entregue pela madrinha da competição, Sula Miranda, no Rancho da Pamonha da Via Anchieta!
E corre na internet o diário de um corintiano: "Anotassões para o Noço Sentenário. Copa São Paulo XX. Carnavau Paulista. Fomo robado mano. Paulistão. Santos filhos da puta. Neymar viado. Libertadores. Fu#%&deu! Dansa dos Famozos. Marcelinho inútiu! A Fasenda 3. Perdê pra Nanny Pipol é de matar, viu! Brasileiro. %$*@! Mundial. O importante não é ganhar titulo e sim ser, ah VSF!".
Agora é comemorar os cem quilos do Ronaldo! O Corinthians tinha um sonho, mas o Ronaldo comeu!
E o Ronalducho é assim: fica o jogo inteiro parado, aí dá aquela corridinha e faz GOL. GOLNALDO DO CORINTHIANS! Eu acho que ele treina pra correr três minutos.
E falar do peso do Ronaldo já está virando uma redondância! Mas tem o lado positivo: sobrou fogos para o Réveillon da Paulista!
E o Fluminense? Manchete do Sensacionalista: "Fluminense é campeão e provoca um temporal no Rio". Milagre é assim: toda que vez que acontece, chove!
E a Nair Bello do Twitter: "E essa bagunça nos aeroportos da Espanha? Quem é o brasileiro responsável?". Rarará!
E mais uma pra minha seção "Os Procurados": "Cavalheiro procura senhora livre, honesta, católica. Nesta casa se encontra um lindo altar para Nossa Senhora de Fátima, são Pedro com Jesus ao colo e são João Batista, onde poderá fazer suas orações. QUE NÃO SEJA GORDA!". Rarará!
A situação está ficando psicodélica. Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

CELSO MING

Rédeas curtas
Celso Ming 


O Estado de S.Paulo - 07/12/10
Palavras são palavras, a gente sabe disso. Mas, talvez, desta vez, elas sejam o começo de mais do que isso.
Na entrevista publicada domingo pelo Washington Post, a presidente eleita, Dilma Rousseff, disse coisas com certa densidade, que, ao menos no nível das intenções, ajudam a acreditar em que o Brasil tem conserto.
Dilma não deixou de surpreender quando fez uma profissão de fé sobre a importância do controle de preços e do equilíbrio das contas públicas.
Disse, por exemplo, que "a estabilidade é a maior conquista do País. Não é uma conquista de uma só administração; é uma conquista do Estado brasileiro; uma conquista do povo brasileiro". Essa é uma boa novidade na medida em que foi proferida por quem um dia sustentou que o Plano Real contrariava os interesses do povo brasileiro e por quem tanto discursou contra a "herança maldita".
De todo o modo, Dilma passou o recibo de ter entendido que o povo reconhece - e recompensa com seu voto - o dirigente político que sabe preservar o valor do salário contra a alta de preços.
Dilma disse mais. Admitiu que persiste um déficit público, de 2,2% do PIB. Sustentou que "não há como reduzir os juros enquanto não se tiver reduzido seu déficit fiscal". E voltou a prometer a derrubada das despesas públicas como precondição para o crescimento sustentado.
É uma conversa diferente da que se ouve de autoridades neste final de administração, que sustentam o oposto: afirmam que as finanças públicas estão equilibradas e que o superávit primário de 2010, de 3,1% do PIB, está assegurado.
O presidente Lula cometeu um erro grave que a administração Henrique Meirelles no Banco Central não teve a coragem de denunciar. Lula trabalhou as finanças públicas com notória duplicidade. Permitiu que seu governo expandisse exageradamente as despesas e deixou ao Banco Central a tarefa inglória de retomar o equilíbrio por meio de sua política de juros.
Em nenhum momento Meirelles chegou a denunciar que só lhe sobrou a opção de trabalhar com arrocho monetário porque a política fiscal não ajudou. Preferiu tomar a baixa qualidade da situação fiscal dos últimos dois anos como "dado da realidade", com que alimentava os modelos de computador do Banco Central, sem questioná-la publicamente e, talvez, não o fizesse nem mesmo dentro do governo.
No mais, não deixa de ser tranquilizador entender que a nova presidente assume o comando administrativo do País compromissada com a manutenção do atual tripé macroeconômico, sintetizado no equilíbrio fiscal, câmbio flutuante e sistema de metas de inflação. A promessa, que até agora não havia sido explicitada como foi nessa entrevista, vai ainda mais longe: convergência dos juros para níveis globais, racionalização do sistema tributário e aumento da poupança.
Algumas pessoas vão dizer que o desafio maior não será cumprir essas promessas; será conter os políticos, especialmente os da base governista, que repetem incansavelmente o mantra de São Francisco, aquele segundo o qual "é dando que se recebe".
É verdade. A administração Dilma Rousseff será testada em sua capacidade de conter a voracidade dos políticos. Mas a recíproca também é verdadeira. Sem consistente disciplina fiscal e sem condições de garantir a estabilidade dos preços, Dilma não terá condições de conter a ala fisiológica de sua sustentação política.
CONFIRA
Aí está a evolução das exportações de veículos nos últimos seis anos.
Recuperação
O crescimento deste ano (até novembro) é de fazer inveja: 58,1%. Isso significa que o recorde imediatamente anterior à crise (2007) pode ser ultrapassado em 2011.
Uma mãozinha, vai...
Embora tenham mostrado um desempenho excepcional em 2010, ano ainda de crise, a indústria de veículos se queixa de que as exportações não passam de 17,5% da produção e pede mais incentivos.