terça-feira, outubro 12, 2010

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Direto de Cartagena
SONIA RACY 
O Estado de S.Paulo - 12/10/10

Faltou coragem e sinceridade à oposição na defesa do programa de privatizações do governo FHC. "Fizemos certo e isso tem que ficar claro para a população. Mesmo porque o governo Lula não voltou atrás em nenhuma das nossas privatizações", esclareceu ontem, em Cartagena, Fernando Henrique Cardoso, ao ser indagado sobre o tema logo após sua palestra em seminário do Lide, organizado por João Doria Júnior.

FHC disse isso sem saber ainda que o debate na TV Bandeirantes, domingo à noite, versou sobre a questão de maneira incisiva, com Serra defendendo o programa. O canal não pega na Colômbia.

Cartagena 2

Ao citar Embraer, Vale e o bom funcionamento da telefonia brasileira, o tucano indagou: "Você acha que explicando na TV, o povo não entenderia? Claro que entende. Pergunte se alguém gostaria de jogar seu celular no lixo porque ele é privatizado?", sugeriu, sob aplausos de uma plateia de 150 pessoas, entre empresários, artistas, além de autoridades colombianas.

Cartagena 3

Para FHC, o equilíbrio do sistema capitalista passa necessariamente pela competitividade. "A regra é competir", ponderou, lembrando que seu governo possibilitou a transformação do BB e da Petrobrás em empresas públicas bem posicionadas em condições de disputar mercados. "Nunca defendi a venda da Petrobrás ou do BB. E sim transformar essas estatais em empresas públicas bem gerenciadas", enfatizou o ex-presidente.

Exemplo? Excluir a estatal do petróleo das exigências da Lei 8666 que engessa o setor público. No BB, criou-se regras para evitar mais desmandos, como o buraco de US$ 8 bilhões coberto pelo Tesouro Nacional.

Cartagena 4

Mesmo sem citar o pré-sal ao falar sobre matriz energética no Brasil, o tucano não deixou o assunto passar em branco. "Temos o etanol, os ventos, a energia hídrica e tem gente ainda apaixonada pelo petróleo."

Cartagena 5

O desafio do Brasil hoje, segundo FHC, não é mais crescer e sim o que queremos como modelo de sociedade. "Temos que fazer algumas escolhas e embutir nelas no sentimento do País."

Direto do SWU

Mais de R$ 6 milhões. Foi essa a quantia que o Ministério da Cultura liberou, via lei de incentivo fiscal, para a produção do SWU no fim de semana.

Quem passou quase anônima pela fazenda Maeda foi Sandy. Com o marido, Lucas Lima, preferiu assistir ao show de Dave Matthews longe da multidão. Mas não deixou de dançar todas as músicas.

Figurino eleito no festival - short curto e bota estilo cowboy - levou as meninas a bater o queixo de frio, na primeira noite. Já no domingo, os cachecóis e mantôs tomaram conta do gramado.

Ellen Jabour - que encarnou a "groupie" e acompanhou o Guns n" Roses em turnê pelo Brasil- estava low-profile. Circulou pela área vip e assistiu ao show de Joss Stone.

Amor de pai é forte mesmo. Prova disso foi Eduardo Suplicy. O senador chorou quando os filhos Supla e João subiram ao palco, em Itu.

Sérgio Brito, dos Mutantes, tomou um choque na boca logo no início da apresentação. Deu um pulo para trás.

Os frequentadores do festival encontraram outra função para bancos feitos com pneu reciclado espalhados pela grama: se transformaram em "pula-pulas".

Direto do debate

O confronto nem tinha começado e a temperatura já estava elevada na TV Bandeirantes, anteontem. Marco Aurélio Garcia foi flagrado sussurrando para Moreira Franco: "Dilma vai esquentar o debate hoje". Ao lado deles, Rui Falcão, questionado sobre o vaivém de Dilma em relação ao aborto, disparava: "Mudar de ideia é um direito".

Geraldo Alckmin surgiu de gravata verde. Indagado se por trás do adereço haveria mensagem subliminar, entrou na onda: "É o nosso compromisso ambiental, nossa admiração pelo PV". Na outra ponta, José Eduardo Cardozo desabafava mexendo no celular: "Estou trabalhando 25 horas por dia". Aproveitava para abastecer a agenda de contatos de seu novo aparelho depois de pisar no iPhone e destruí-lo ao acordar sonolento.

Marta Suplicy apareceu mais descansada, após férias relâmpago na Bahia. Aliás, fotografada na viagem por uma revista semanal, a senadora - que faz pilates - diz que não gostou de ser clicada de biquíni. "Ihhhh isso aí dá uma ciumeira. E sem falar que eu parei a ginástica por causa da campanha. Se fosse um mês antes, estaria muito melhor", brincou.

Serra desembarcou do helicóptero na última hora com Monica Serra e foi direto ao estúdio. Indio da Costa também chegou no laço. Aloysio Nunes, eleito senador de virada, era só sorrisos. Até ensaiou dancinha com a cabeça quando a vinheta da Band mandou para o ar o introdução de João Carlos Martins, anunciando o início do debate.

No final do primeiro bloco, a euforia era geral com o inesperado calor do confronto direto entre Dilma e Serra. Antônio Palocci, José Eduardo Dutra e João Santana descontavam a tensão nos chicletes que mascavam sem parar.

Debate encerrado. Palocci saiu na miúda. Santana, também da turma dos discretos, questionado sobre se existe alguma chance de Lula ir ao debate da TV Globo, o último antes do segundo turno, balbuciou: "Nããão, ele assiste melhor em casa", caminhando para alcançar a petista. Dilma deixou o estúdio a toque de caixa, o tumulto levou ao chão a bancada com os microfones das equipes de TV. Já Serra fez questão de cumprimentar os funcionários da emissora. Antes de entrar no carro, conferiu no pescoço o seu mais novo amuleto: um santinho de Nossa Senhora Aparecida, que ganhou no Pará. Ufa, estava lá. / PAULA BONELLI


VERGONHA

ILIMAR FRANCO

A batalha de Minas
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 12/10/10

O PT e o PSDB querem os 2,2 milhões de eleitores de Marina Silva em Minas Gerais. Na quinta-feira, o senador eleito Aécio Neves (PSDB) vai reunir tucanos e aliados para organizar a ofensiva de José Serra. Hoje, o ministro licenciado Alexandre Padilha começa a articular os 16 deputados federais eleitos por PR, PP, PSB, PDT e PTB. No primeiro turno, eles pediram votos para o governador reeleito, Antonio Anastasia (PSDB). Agora quer colocálos em campo ao lado de Dilma Rousseff.

O peso da propaganda negativa

O comando da campanha petista à Presidência da República está fazendo autocrítica, dizendo que subestimou o efeito da propaganda negativa no primeiro turno da eleição. Seus integrantes dizem agora que a propaganda negativa teve “uma dimensão significativa” no resultado, mas acrescentam que não conseguiram calcular o tamanho do estrago. Por isso, no debate da TV Band, a própria candidata Dilma Rousseff teria chamado a atenção para a questão. Um de seus objetivos foi o de tentar colar a campanha negativa no candidato tucano. Se tiver êxito, sua equipe acredita que haverá redução dos danos eleitorais.

É difícil que o PV e Marina não tenham a mesma posição. Para onde for a Marina, irá o PV” — Alfredo Sirkis, deputado federal eleito (RJ) e vice-presidente do PV

POP. Na noite de sábado, na sessão da meia-noite, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, assistiu num shopping à beira do Lago Paranoá, em Brasília, ao filme “Tropa de elite 2”. Ela chegou e foi festejada por centenas de jovens que faziam fila para entrar nos dois cinemas que exibiriam o filme. A garotada nem se importou que Marina tenha passado ao largo de toda a fila e entrado numa das salas de exibição antes de todo mundo.

Com a pulga

Senador eleito pelo Pará, o deputado federal Jader Barbalho (PMDB) não ficou muito animado com a escolha do relator de seu processo no STF. O caso foi entregue ao ministro Joaquim Barbosa, ex-relator dos inquéritos do mensalão.

Na pressão

Os candidatos tucanos aos governos do Pará, Simão Jatene, e de Goiás, Marconi Perillo, estão aliviados.

O pior cenário para eles era aquele em que a candidata do governo, Dilma Rousseff, já tivesse liquidado a eleição.

Para os tucanos, Dilma errou no tom

O comando da campanha de José Serra foi surpreendido com a agressividade de Dilma Rousseff no debate da TV Band. Eles avaliam que Dilma “foi muito acima do tom” e argumentam que o público costuma ser hostil diante da agressividade. Consideram que Serra conseguiu faturar nos temas saúde e segurança, nos quais a avaliação do governo é negativa. E que Dilma errou ao deixar para o final a abordagem dos programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.

Aos valores e aos costumes

No encontro, de ontem pela manhã, dos dirigentes dos partidos que apoiam José Serra, foi sugerido que a campanha do tucano invista mais nos temas que envolvem comportamento.

A avaliação desses opositores é a de que esta é a forma de anular a simpatia da nova classe média pela candidatura do governo. Argumentase que esta nova classe média, oriunda das camadas D e E da sociedade, é conservadora; ao contrário da tradicional classe média, que é mais liberal.

O SEGUNDO mandato de Jaques Wagner, no governo da Bahia, nem começou e entre os petistas já se diz que o candidato à sucessão é o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

O VICE José Alencar gravou ontem para o programa de TV de Dilma Rousseff. Vai fazer uma fala dirigida aos mineiros. Hoje quem grava é o vice Michel Temer.

O alvo são os políticos e eleitores do PMDB.

ONTEM, o prefeito Gilberto Kassab (São Paulo) e o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), tiveram uma longa conversa sobre o futuro do partido.

ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes

ELIANE CANTANHÊDE

PT, ame-o ou deixe-o
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 12/10/10


BRASÍLIA - O debate da Band foi um grande momento. Mentores, marqueteiros e palpiteiros detestam debates com debate, como o de domingo, mas o eleitor agradece.
A boa-moça Dilma Rousseff da propaganda evaporou. Como "bater em mulher" seria um desastre, José Serra tentou escapulir da armadilha aproveitando as respostas e suas próprias cotoveladas como escada para martelar propostas.
A experiência e as pesquisas mostram que ataques costumam ter efeito bumerangue, caindo de volta na testa de quem ataca. Assim, se Dilma resolveu mudar de tática, apesar do risco, é porque deve ter pesquisas mostrando que não dá para ganhar mantendo a mesma toada, é preciso ir além. Se nunca fala do PT, seu tom foi de convocação dos petistas para a guerra.
Ela se disse "caluniada", insistiu nas críticas à era FHC e desenterrou o mantra de 2006 de que os tucanos privatizam tudo. Serra reagiu acusando o aparelhamento das estatais e dizendo que vai "reestatizar" a Petrobras, o Banco do Brasil, os Correios, resgatando-os do PT. Para Serra, Dilma tem "duas caras". Para Dilma, ele tem "mil caras".
Lula entrou na história bem menos do que no primeiro turno, e Fernando Henrique, muito mais do que em 2002, 2006 e 2010. Dilma continuou batendo no governo tucano. A novidade foi que Serra topou o confronto e o defendeu.
Dilma corretamente jogou dois fantasmas no colo do rival: a frase infeliz de Mônica Serra, de que a petista era "a favor da morte de criancinhas", e um tal Paulo Vieira de Souza, que teria fugido da campanha tucana com R$ 4 milhões. Ambos ficam pairando na campanha.
E Serra comparou: Collor e Sarney estão com Dilma; Itamar e FHC, com ele. É o tipo de lembrança que fica na caraminhola do eleitor.
Conclusão: Dilma atiçou a militância petista, e Serra aguçou o antipetismo de boa parte do eleitorado. Logo, o PT está no olho do furacão. Tipo assim: ame-o ou deixe-o.

GOSTOSA

ANCELMO GÓIS

Caiu na rede
ANCELMO GÓIS

O GLOBO - 12/10/10

O filme “Tropa de elite 2”, grande sucesso do momento do cinema brasileiro, já tem uma cópia pirata na internet, dessas vagabundas, certamente capturada por celular numa sessão.

Os produtores deram queixa na delegacia especializada em crimes de informática, no Rio.

Fator FH

Neste segundo turno, os tucanos andam unidos, coisa rara.

A pacificação se deve muito à ação discreta de FH.

Segue...

Alckmin tem trabalhado duro por Serra, com quem já teve muitas desavenças.

O governador eleito de São Paulo pretende realizar, em 18 regiões do estado, reuniões com prefeitos — inclusive, de partidos da base de Lula.

Mimosa no cinema

Arnaldo Jabor selecionou 70 prostitutas na Vila Mimosa e em saunas do Rio para atuarem como figurantes numa cena de “A suprema felicidade”, filme que marca sua volta ao cinema.

Diz que recorreu às verdadeiras profissionais da saliência para dar naturalidade à cena: “Elas são sensacionais, ótimas atrizes e de um profissionalismo tremendo.” Calma, Jabor.

Grosseria

Sábado, na Lagoa, no Rio, uma família cruzou com uma Kombi branca da Rio Obras, placa MVW 9326, que exibia o seguinte adesivo: “A gente se fode, mas se diverte.” Mas quem leu, na hora, foi a pequena Mariana, de 7 anos, recémalfabetizada, que perguntou aos pais do que se tratava.

A ex-musa

Uma atriz que foi casada com o cantor de uma famosa banda brasileira entrou na Justiça com pedido de 50% dos direitos das canções feitas pelo ex nos cinco anos de vida em comum.

Alega que era a sua “musa inspiradora” na época.

ROMERO BRITTO, o grande artista plástico pernambucano que vive em Miami e é reverenciado lá fora, vai pintar, amanhã, a pedido da Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos, o muro da Escola Estadual Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa. Veja a reprodução do esboço, ainda sem cor, feito pelo genial artista. A arte ocupará uma área de 40m². Viva Romero!

Ou dá ou desce

Guido Mantega, nessa reunião do FMI e do Banco Mundial, em Washington, insistiu, como se sabe, para que a comunidade financeira internacional faça alguma coisa para corrigir as atuais distorções cambiais.

Mas deixou um recado. Caso nada seja feito, o ministro admite até mesmo voltar a controlar o câmbio, como no passado.

Aliás...

Brasileiros que estiveram nesses encontros voltaram para casa com as barbas de molho e os cabelos em pé.

Ouviram previsões ruins para os países industrializados, como a de uma nova crise nos EUA.

Ibope vem aí

Sai amanhã, no “Jornal Nacional”, a primeira pesquisa do Ibope sobre o segundo turno.

Mas, semana passada, o instituto fez pesquisa interna que, praticamente, repetiu a do DataFolha (Dilma, 54%; Serra, 46%).

ZONA FRANCA

Sexta, Ferreira Gullar recebe o título de Doutor Honoris Causa na UFRJ. Será saudado por Antonio Carlos Secchin.

A Nuth da Barra festejou seus dez anos com feijoada.

Amanhã, Marcelo Nogueira e o comandante da PM, Mario Sérgio, dão palestra, às 19h, na UVA, na Tijuca.

A designer de joias Denise Grassi está no “Addresses Rio 2011”.

Acaba sexta a votação dos Melhores da Imprensa 2010, promovida pela Associação de Imprensa da Barra.

Abriu no Leblon a Casa do Alemão.

A banda Kandies se apresenta hoje na Igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A revista “Nosso Caminho” firmou parceria com o Centro Cultural Oscar Niemeyer, na Espanha.

O Rei não vai

Roberto Carlos, que havia confirmado presença, decidiu não ir à escolha do samba da Beija-Flor, quinta agora, na quadra em Nilópolis. Alegou compromissos de estúdio.

O Rei terá sua trajetória contada no enredo da escola.

UPP gaúcha

Tarso Genro, ex-ministro da Justiça e governador eleito do Rio Grande do Sul, desembarca no Rio amanhã para conhecer os projetos da Secretaria de Segurança de Sérgio Cabral.

Em especial, as UPPs.

Novo Scala

Scala reabre as portas na Cinelândia, no Rio, no subsolo de um prédio, quinta agora.

A nova versão da casa de shows, que deixou um imóvel no Leblon depois de longa briga judicial, tem 3.000m² e poderá receber até 2.000 pessoas.

Na passarela

A atriz Suzana Pires, a viúva Janaína da novela “Araguaia”, da TV Globo, foi convidada para ser a musa do Salgueiro no desfile de 2011.

O posto foi criado pela escola em 2004.

Agenda

Lula recebe amanhã o prefeito Eduardo Paes.

Calma, padre

Domingo, na missa das 9h na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Padre Miguel, no Rio, o padre Marcus Vinícius teria excomungado todos os fiéis que votaram no PT, “partido que defende o aborto”.

LUCINHA NOBRE, a premiada porta-bandeira da Portela, esbanja charme na feijoada da escola, na quadra da querida azul e branco de Madureira

BRUNO MAZZEO, o supergaiato, abraça outra craque do humor, Heloísa Perissé, nos bastidores das filmagens de “Muita calma nessa hora”, que estreia em novembro nos cinemas

PONTO FINAL

Alô, pessoal do Movimento dos Sem Calçada! Podia ser pior! Veja só, na foto da coleguinha Paula Autran, o que faz este bar em Zagreb, capital da Croácia. Com suas cadeiras, invade... a rua! É o maior... “zlostavljanje” — abuso, em croata.

COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MARCEU VIEIRA, AYDANO ANDRÉ MOTTA E BERNARDO DE LA PEÑA

CECÍLIA OLIVIERI, MARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRA E MARIA RITA LOUREIRO


Controle governamental
CECÍLIA OLIVIERI, MARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRA E MARIA RITA LOUREIRO 
O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/10/10


No Estado democrático brasileiro, o controle da administração pública tem dupla finalidade: garantir conformidade com a lei e os princípios de impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência na gestão pública - ou seja, o bom uso do dinheiro público - e, igualmente, permitir a responsabilização política dos governantes eleitos e dos funcionários públicos, que exercem o seu poder em nome do povo - na medida em que os políticos e os burocratas exercem o seu poder em nome do povo e ao povo devem prestar contas.

Os principais órgãos de controle governamental, no âmbito federal, são o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público (MP) e a Advocacia-Geral da União (AGU). Nos planos dos governos estaduais e municipais atuam os respectivos tribunais de contas, os órgãos de controle interno e os Ministérios Públicos.

O debate público sobre esse tema tem ignorado a importância dos controles, vendo-os como formalidades burocráticas e mesmo desconsiderando sua relevância para a democracia. Tal visão muito provavelmente ocorra por desconhecimento dos recentes avanços e aperfeiçoamentos por que vêm passando esses órgãos no Brasil após a redemocratização - em especial o TCU e a CGU -, o que os aproxima dos modelos vigentes em outros países democráticos.

Como auxiliares do Poder Legislativo no exercício da fiscalização financeira sobre o Poder Executivo, os tribunais de contas têm modernizado seus procedimentos relativos aos controles sobre a eficiência da gestão, diminuindo os aspectos processuais. No caso do TCU, por exemplo, seu pessoal está entre os mais bem qualificados do País - assim como o de vários Estados da Federação.

A CGU - criada em 2001, como ápice das reformas do sistema de controle interno que ocorreram desde 1994 -, por sua vez, é um órgão do próprio Executivo, responsável pelas atividades de corregedoria, combate à corrupção e controle interno do governo federal. Na função de controle interno, está encarregado de verificar a conformidade legal dos atos dos gestores federais e a eficiência dos principais programas governamentais e de órgãos e empresas públicas.

De modo geral, desde a Constituição de 1988 o sistema de controle vigente no País apresenta dois problemas, que não são discutidos pela mídia nem, até agora, por nenhum dos candidatos à Presidência da República nesta eleição.

O primeiro refere-se à articulação da atuação dessas instituições, que, embora tendo o mesmo objetivo (controlar a administração pública), atuam com instrumentos e poderes diversos. O alcance dos controles, tal como definido na legislação, permite que se monitore desde a legalidade dos atos do governo até complexas decisões técnico-políticas, como a construção de hidrelétricas (como é o caso de Belo Monte, cujas obras chegaram a ser paralisadas por ação do Ministério Público) e a transposição de rios. Essa grande amplitude dos controles é, em princípio, boa, pois garante responsabilização e transparência, que são valores fundamentais para a democracia e a gestão eficiente. Entretanto, a falta de articulação entre as atividades de fiscalização dessas instituições pode levar a ineficiências como a dispersão e o retrabalho.

O segundo problema diz respeito à capacidade dos gestores de prestar contas à sociedade e aos órgãos de controle de forma rotineira. Apesar dos avanços recentes em várias áreas, a administração pública ainda preserva duas graves deficiências:

O baixo investimento nas atividades de gestão orçamentária e de contratos, em termos de qualificação dos recursos humanos e de organização e modernização dos procedimentos;

e, no caso da União, insuficiente estruturação dos órgãos governamentais para lidar com a enorme descentralização das políticas públicas, ou seja, para gerir e controlar recursos federais que são implementados pelos Estados e municípios.

Os recorrentes escândalos de desvios de recursos federais em várias unidades subnacionais evidenciam a fragilidade do controle na aplicação desses recursos e a necessidade de investimentos em sistemas federais de monitoramento e avaliação.

Se os processos administrativos estiverem bem organizados e se as atividades de monitoramento e avaliação passarem a existir de forma consistente e rotineira nas três esferas de governo, a prestação de contas aos órgãos de controle deixará de ser uma atividade sentida pelos gestores como extemporânea, ou seja, inesperada e inoportuna.

Para aprofundar esse debate, entretanto, é preciso avançar em duas questões.

A primeira é a clareza da diferença entre o papel dos órgãos de controle e o dos órgãos gestores: o papel dos "controladores" é identificar irregularidades e ineficiências e indicar mecanismos para evitá-las. Os órgãos de controle não podem se substituir ao gestor e tomar as decisões sobre a implementação das políticas públicas.

Em segundo lugar, enquanto os problemas de gestão - desorganização dos processos, debilidade do monitoramento e da avaliação das políticas - não forem resolvidos pela própria administração, os órgãos de controle continuarão apontando os mesmos problemas e as mesmas falhas.

Apesar do que se diz no "senso comum", vontade política não é suficiente para fazer as políticas públicas saírem do papel. É necessário estruturar os órgãos da administração e capacitar os funcionários nas técnicas de gestão mais modernas, em consonância com os princípios do serviço público e os ditames da democracia representativa.

RESPECTIVAMENTE, PROFESSORA DO CURSO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DA EACH-USP, PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE GESTÃO PÚBLICA DA FGV-SP E PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE GESTÃO PÚBLICA DA FGV-SP E DA FEA-USP

DILMA CABEÇA OCA

CLÁUDIO HUMBERTO

“Quem pode julgar sobre crença religiosa é Deus” 
DILMA ROUSSEFF, RECÉM-CONVERTIDA, INSINUANDO QUE O CÂNCER A APROXIMOU DA RELIGIÃO

DEBATE DILMA X SERRA: DETECTOR FLAGROU MENTIRAS 
O perito em veracidade da Truster Brasil, Mauro Nadvorny, fez a pedido da coluna a análise de voz dos candidatos nas “considerações finais” do debate de terça, na Band, após o fim do bate-boca: o detector de mentiras israelense registrou que Dilma mentiu quando disse “estar preparada para ser presidente”. O tucano Serra mentiu também ao prometer que “vai eliminar os atrasos na Saúde e na Segurança”. 

VERDADES E MENTIRAS 
Serra mentiu, diz o laudo da Truster Brasil, quando prometeu manter os programas sociais. Mas é verdade que “trabalhará por economia forte”. 

SAÚDE VELHA DE GUERRA 
A promessa do mínimo de R$ 600 passou no detector; o reajuste de 10% na aposentadoria, não. Dilma mentiu no que vai fazer na Saúde. 

TENSÃO NA MENTIRA 
A voz de Dilma, ao contrário de Serra, mostrou “tensão extrema” na despedida, sinal de que mentiu dizendo que “nunca atacou sem prova”. 

INSTANTÂNEO 
Mauro Nadvorny, da Truster, ressalta que a análise “é “radiografia do momento”, e pode se alterar “em outras circunstâncias”. 

INSULTOS FORAM OUVIDOS ATÉ NA PLATEIA DO DEBATE 
Saia justa na plateia do debate da Band: Eduardo Suplicy (PT-SP) se sentava coladinho à ex-mulher e senadora eleita Marta quando, no segundo intervalo, um desconhecido mal-educado chegou junto: “O sr. faz questão de coroar sua galhada ao lado de quem lhe presenteou (sic) com ela?” Suplicy perdeu o rebolado, mas fez silêncio. Marta reagiu indignada, mas baixinho. Tudo muito educado e 
discreto.

TENDÊNCIA 
Nova moda em debate: sai o “trololó” de José Serra, entra o “tergiversar” de Dilma Rousseff. 

PESSIMISMO 
A reação tímida dos petistas no auditório da Band, logo após o debate, revelou que a turma de Dilma anda mesmo pessimista.

PROVOCAÇÃO 
Dilma atacou para Serra revidar e fazê-la de vítima, por ser mulher. Faltou-lhe a retórica – e a cancha – de uma Margaret Thatcher. 

FOI UM ERRO 
Ataca o adversário, em debates, quem está atrás nas pesquisas. A estratégia de Dilma espantou macacos velhos da política: ela foi a mais votada no primeiro turno, mas se comporta como se o tivesse perdido.

DESMEMORIADOS 
Dilma cobrou, mas esqueceu o assunto “Paulo Preto”, ex-assessor do governo paulista que “fugiu com US$ 4 milhões”. Esqueceu, e Serra não cobrou, de “explicar detalhadamente” o escândalo Erenice Guerra.

FUROU A CANOA 
O governador do Rio, Sérgio Cabral, prometeu fazer companhia a Dilma, no debate da Band. Mas cancelou na última hora. A intriga mais saborosa atribuiu o cancelamento a más notícias nas pesquisas.

DILMA TEM VICE 
Michel Temer, vice de Dilma, desta vez foi incluído pelo PT entre os convidados para acompanhar a candidata no debate da Band. No primeiro debate, ele teve de “cavar” um convite da emissora. Temer está feliz, agora: pela primeira vez, vai aparecer no programa eleitoral.

MANCADA 
O programa de Agnelo Queiroz (PT) mostrou na TV quem o apoia – na “Assembleia” – ao governo do DF. Alguém precisa contar aos redatores do programa que não há Assembleia no DF, e sim Câmara Legislativa.

SÓ COLUNA? 
Descobriram que o filho do acupunturista de Dilma, Gu Zhou-Ji, está na folha de pagamentos da Casa Civil. O chinês disse que Erenice “estava com problema de coluna”. De coluna, artigos, editoriais, manchetes...

CASO MÉDICO 
No afã de atrair o apoio da Verde, o ex-senador petista Aloizio Mercadante disse que o coração dele e de Marina Silva “batem do lado esquerdo”. Do direito, seria irrevogável procurar um cientista.

PÕE NA CONTA 
O Conselho Nacional do Ministério Público apura suposta “lesão” ao nosso bolso pelo procurador-geral de Justiça do Piauí, Augusto Cézar Andrade, e do ex-, Emir Martins: eles deixaram um procurador em disponibilidade por quase dois anos. Remunerada, claro. 

PENSANDO BEM...
...falta em carisma a Serra o que sobra em quilos a Dilma. 

PODER SEM PUDOR 
ERRO DE LOGÍSTICA 
Hoje ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro foi escalado pelo PFL para disputar o governo de Pernambuco com Miguel Arraes, que retornara do exílio. Sabia que a surra seria grande, mas topou. O PFL botou um helicóptero à sua disposição e, certo dia, ele desceu num distrito próximo a Palmares. Foi o maior rebuliço. No palanque, ouviu a saudação: “E agora o candidato a governador de Pernambuco, que vem de helicóptero só para nos prestigiar!” Ele ficou surpreso com a expressão “nos prestigiar”, mas o locutor explicou onde ele chegara de verdade:
– O senhor é candidato em Pernambuco. O nosso distrito é em Alagoas.

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Começa era da terapia com células de embrião

- Folha: Justiça bloqueia os bens de gigante da tecnologia

- Estadão: MTA perde contrato e pode parar de voar para Correios

- JB: Renda de Cesar Maia é um mistério

- Correio: Campanha acirrada mira o voto indeciso

- Estado de Minas: DNIT paralisa investimentos de R$ 1 bi em Minas

- Jornal do Commercio: Maracaípe sem lei

- Zero Hora: Uso de células-tronco dá novo passo nos EUA

segunda-feira, outubro 11, 2010

JOSIAS DE SOUZA

Dilma faz campanha no Santuário de Nossa Senhora

BLOG DO JOSIAS DE SOUZA
FOLHA ONLINE

  Joel Silva/FolhaEm tempos de eleição, a religiosidade aflora. É quando se descobre que a política está infestada de ateus.

Por sorte, é muito fácil identificar os heréticos. Estão todos nas coligações adversárias.

Nesta segunda (11), Dilma Rousseff foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP).

Participou da missa das 9h. Percorreu o santuário. Foi ao recanto onde se encontra a imagem da santa padroeira do Brasil.

Depois, em entrevista, justificou o tom azedo que utilizara na noite da véspera, no debate com o antogonista José Serra.

"Esperavam o quê? Que eu não defendesse as minhas posições? Que eu não apresentasse as minhas propostas?...”

“...Que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso".

Explicou as razões que a levaram a inquirir Serra sobre a tática do boato:

"Eu sempre me recusei a baixar o nível do debate. Passei quase três meses sendo acusada da quebra de sigilo fiscal...”

“...E hoje está claro que quem quebrou o sigilo fiscal foi um esquema mercantilista e corrupto dentro da Fazenda por razões não eleitorais e não políticas..."

"...Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações, o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos...”

“...Eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar. Eu não fui na internet e não disse na forma de boato".

Durante a missa, Dilma absteve-se de comungar. Por quê? "Eu prefiro ter essa manifestação –até pode ser uma questão minha— mais recatada".

Questionada sobre sua devoção religiosa, a candidata abespinhou-se:

"Acho que ninguém tem o direito de dizer qual é a minha crença, quem pode julgar sobre crenças e religiões é Deus".

Insinuou que o câncer a aproximou do Padre Eterno: "Eu tive um processo recente e este processo me fez retomar várias coisas que estavam já dentro de mim...”

“...Essas questões dizem respeito a mim e eu não autorizo, não legitimo ninguém a julgar minha crença. Acho que isso é o cúmulo do preconceito".

Na semana passada, Dilma já havia levado sua candidatura para passear num templo religioso, no Rio.

Parece ter dificuldade para virar a página que escreve a crônica da sucessão de 2010 com caligrafia beata.

O diabo é que o histórico da ex-Dilma desautoriza a pose de vítima da candidata. 

Em matéria de religiosidade, a pupila de Lula vem se revelando uma ginasta sem futuro.

Em 2007, durante sabatina na Folha, perguntou-se à então chefe da Casa Civil se acreditava em Deus.

E Dilma: "Eu me equilibro nesta questão. Será que há? Será que não há?"

Em 2009, numa entrevista à revista "Marie Claire", Dilma declarou que não praticava religião nenhuma.

Permitiu-se brincar: "Balançou o avião, a gente faz uma rezinha".

Em fevererio de 2010, já na pele de pré-candidata, Dilma foi inquirida pela “Época”: Uma religião específica, a senhora não tem?

Soou peremptória: "Não, mas respeito".

Decorridos três meses, em maio, já convertida em candidata, Dilma falou à “IstoÉ”. Perguntou-se se era católica.

Dilma deu um salto mortal: “Sou, antes de tudo, cristã. Num segundo momento, católica".

Nesta segunda-feira, a candidata escora a “conversão” no câncer. Agora, é católica de frequentar a missa. Mas não comunga.

O melhor que Dilma tem a fazer é dar um triplo mortal carpado em direção a outro tema.

Primeiro porque a agenda carola não a socorre. Segundo porque o evangelho de uma pessoa que se dispõe a presidir o país deveria ser outro.

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RUY CASTRO

Instrumento do amor 
Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/10

Outro dia, na ponte aérea, fui parado no raio-X do Santos-Dumont por estar ‘portando’ um cortador de unhas. A senhora da esteira não perdoou: ou eu voltava ao balcão e despachava o instrumento pontiagudo ou teria de despejá-lo numa caixa destinada a objetos proibidos de entrar em aviões. Para não perder o voo, preferi me desfazer dele. E olhe que era um trim de estimação.
Pois, na sexta última, voltou a acontecer, só que em Congonhas. Desta vez, o objeto que eu ‘portava’ era uma caixa de madeira de 36cm x 39cm, contendo um motor, dois pequenos alto-falantes, um prato giratório, uma haste equipada com um microestilete de diamante, um pino central e várias roldanas e polias. Além de botões de liga-desliga, próprios, talvez, para disparos automáticos, inclusive um chamado de ‘automático’.
Ao ver a caranguejola – tão bem embalada por meus amigos Mercia e Mario Gabbay, que tinham me presenteado com ela –, as duas jovens do raio-X fizeram a esteira ir e voltar enquanto discutiam a finalidade do objeto. O qual poderia ser tudo, desde um instrumento de tortura até uma bomba-relógio ou uma máquina para fins imorais.
Então, perguntaram-me o que era. Respondi: “É um toca-discos Philips, modelo 243, de fabricação alemã. Tem amplificação própria, seu prato gira a 33, 45 e 78 rpm, e é equipado com uma cápsula contendo uma agulha para discos de vinilite e outra para discos de cera de carnaúba e guta-percha”.
As moças nem piscaram. Insisti: “Eu sei, parece arma de terrorista. Mas é um instrumento do amor. Os pais de vocês já namoraram muito ao som desse equipamento”.
Ao ouvir a palavra equipamento, elas respiraram e soltaram a esteira, liberando meu subversivo toca-discos. No qual, desde sábado tenho tocado 78s de Stan Kenton, Lionel Hampton e Spike Jones, fazendo o maior barulho a horas mortas.