terça-feira, setembro 28, 2010

PAULO G. S. PÉRISSÉ

O "bom" e ultrapassado Imposto Sindical

Paulo G. S. Périssé
VALOR ECONÔMICO - 28/09/10



Os trabalhadores brasileiros geralmente não se dão conta, mas faz mais de meio século, dedicam um dia de trabalho por ano para custear a estrutura sindical brasileira. Como um dos pilares desse modelo o chamado imposto sindical é exigido de todos os trabalhadores formais independente de sua filiação ao sindicato. Seu recolhimento é obrigação dos empregadores e a distribuição é atribuição do Ministério do Trabalho e Emprego. Tantas vezes combatido, especialmente pela vertente do novo sindicalismo nascido nas fábricas do ABC paulista nos anos 70, o fato é que mesmo após o advento da Constituição de 1988 e a ascensão ao poder dos movimentos que historicamente combatiam sua existência, parece surpreendente que sua manutenção persista. Por que esse estado de coisas e como se tornou um obstáculo à estruturação do sindicalismo legítimo e autônomo?

Na pista por tais respostas, em primeiro lugar, vale lembrar que o Brasil, como Estado integrante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) até hoje não ratificou uma das convenções mais importantes relacionadas ao tema do direito sindical: a de número 87 que cuida da liberdade e da autonomia sindicais. Isso se deve, em parte, ao fato de nosso ordenamento jurídico, reformulado em 1988, estabelecer como princípio a liberdade sindical, por um lado, e, contraditoriamente, manter essa contribuição compulsória dos trabalhadores e a unicidade sindical, ou seja, a representação exclusiva dos trabalhadores dentro de uma base territorial balizada por lei.



Não fosse essa uma questão polêmica no campo político, com seus inusitados desdobramentos com as entidades sindicais alternando seus posicionamentos e sua ação, ora na defesa e ora postulando sua extinção, o fato é que tal contribuição tem se prestado à manutenção tardia da estrutura sindical constituída na longeva era Vargas.

A contribuição mantém a estrutura sindical constituída na longeva era Vargas

Isso talvez se explique porque a ideia original de sustentação econômica da estrutura armada pelos ideólogos do regime em muitos aspectos passou a ser funcional à manutenção do poder das altas cúpulas do movimento sindical. Pode-se especular que a possibilidade de controlar o movimento dos trabalhadores pelo alto, sem exigências ou pressões de maior monta oriundas da base do movimento justificam sua manutenção dentro de um horizonte de "liberdade e autonomia". A força dessa dinâmica ficou tão mais evidente quando da recente incorporação das centrais sindicais à estrutura jurídica então existente. Não apenas foram incorporadas, por sinal os fatos já há muito justificavam esse movimento, mas paradoxalmente passaram a postular nova contribuição arrecadada de toda a massa trabalhadora independente da filiação, sob novo rótulo - contribuição negocial.

O fato é que, justificada a persistência de tal modelo de financiamento por seus altos dirigentes e distanciada sua ação das bases com a perpetuação de verdadeiras castas sustentadas com contribuições compulsórias dos trabalhadores, criou-se no Brasil um forte obstáculo para a efetivação dos princípios da autonomia e da liberdade sindicais.

Mas se, por um lado, a estrutura revela fraturas com a fragmentação do movimento sindical já hoje beirando a casa das dez mil entidades, por outro se mantém os baixos níveis de filiação, no patamar inferior a 20% dos trabalhadores formais. Um resultado dessa dissociação entre o incremento do número de entidades e o baixo nível de trabalhadores filiados aos sindicatos, pode-se especular, aponta para a formação de novas cúpulas dentro do sindicalismo estimuladas pelo acesso aos recursos oriundos do imposto sindical, hoje em valores superiores a um 1 bilhão por ano. A fragmentação, nesse sentido, longe de significar o avanço rumo à efetiva aplicação dos princípios constitucionais mencionados, replica a lógica da separação entre as bases e as cúpulas do sindicalismo.

Essa dinâmica é dramatizada com a intervenção habitual do sistema judicial trabalhista que, chamado a lidar com o fato da fragmentação e sem parâmetros de ação, de uma forma ou de outra atua como elemento de preservação do modelo estruturante das relações coletivas de trabalho.

Percebe-se, portanto, como a manutenção da contribuição compulsória permite, de certa forma, a sobrevivência dessa estrutura cuja legitimidade junto aos seus representados é frontalmente contestada, como evidenciam os baixos níveis de filiação. Ao mesmo tempo não parecem existir vozes articuladas e organizadas no espectro político que se disponham a promover reformas significativas nesse campo. Há, ainda, uma aparente comunhão de interesses entre as cúpulas do sindicalismo brasileiro na manutenção desse cenário. Portanto, salvo novos ventos, que não parecem soprar mesmo em tempos de eleições presidenciais, o fato é que o sindicalismo de cúpula ganhou novo impulso com o modelo híbrido criado a partir de 1988. Por um lado adotamos os princípios constitucionais da liberdade e da autonomia sindicais e, por outro, paradoxalmente, mantivemos o vértice da estrutura montada no período Vargas.

Paulo Guilherme Santos Périssé é professor de direito do trabalho no IBMEC-RJ, especialista em administração Judiciária pela FGV, mestre e doutorando IUPERJ, Juiz do Trabalho no Rio de Janeiro

GOSTOSA

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Mais indecisos e "marola verde" 
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/09/10

SÃO PAULO - Aumentou muito a chance de que a eleição presidencial vá para o segundo turno. Há 15 dias, a vantagem de Dilma Rousseff sobre a soma dos demais adversários era de 12 pontos. Havia caído na semana passada para 7 pontos. Agora, conforme o Datafolha, ficou reduzida a dois pontos (46% a 44%). Dilma tem hoje 51% dos votos válidos. Sua trajetória é descendente e a eventual vitória no domingo já está na margem de erro.
Há, a rigor, dois movimentos simultâneos e combinados igualmente relevantes nessa fase final da campanha. O mais visível deles na pesquisa realizada ontem é a erosão da candidatura petista. Dilma perdeu três pontos em relação à pesquisa anterior e cinco pontos percentuais em menos de 15 dias (recuou de 51% para 46%).
Nem todos esses votos que sumiram da mesa petista foram parar na cesta dos adversários. O número de eleitores indecisos aumentou -de 5% para 7%-, quando seria mais esperado agora que diminuísse.
Parece óbvio que o desgaste de Dilma está relacionado ao escândalo envolvendo Erenice Guerra na Casa Civil ou, ainda, ao acúmulo de notícias negativas que rondam sua campanha desde que veio à tona a violação dos sigilos na Receita. Ou seja, uma franja do eleitorado de Dilma quer agora "pensar melhor".
Outra parte, ao que parece, "marinou". A marolinha verde, em curso desde pelo menos a semana passada, é o segundo fenômeno importante dessa reta de chegada. Depois de permanecer estacionada por muito tempo, Marina Silva passou de 11% para 14% em menos de 15 dias. É ela -e não Serra, estável nos 28%- quem tira votos de Dilma.
Isso reforça a percepção de que, além do apelo ambiental, a candidatura Marina representa também uma espécie de reserva ética, capaz de atrair, mais do que o tucano, a insatisfação de setores da esquerda (não só deles) diante dos desmandos cometidos pelo PT ou pelo governo Lula. Há, na ondinha verde, alguma ressaca da maré vermelha.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A imprensa é absolutamente livre para publicar o que bem entender”
MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI, DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E PRESIDENTE DO TSE

EX-DIRETOR DOS CORREIOS ABRE O JOGO NA PF, HOJE 
O ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antônio de Oliveira vai depor na Polícia Federal, nesta terça, e amigos dele afirmam que sua intenção é abrir o jogo, detalhando o espantoso esquema que revelou à revista Veja, incluindo um pedido de propina de R$ 5 milhões para “resolver pendências” na campanha de Dilma Rousseff (PT). Ele confessou que fazia “prospecção” de novos “clientes” para Israel, filho da ex-ministra Erenice Guerra, para negócios com o governo Lula.

HORA DA VINGANÇA
Enxotado do esquema de Israel Guerra, Marco Antônio contou tudo. “A Casa Civil virou uma roubalheira”, disse à Veja, em conversa gravada.

‘TRAIÇÃO’ FAMILIAR 
Até Vinícius Castro, o sobrinho que ele levou para a Casa Civil, teria virado as costas para Marco Antônio. Ele não suportou a “traição”.

DONO DAS CONTAS 
O genro de Marco Antônio, Roberto Ribeiro, cujas contas no exterior seriam usadas para receber propinas, vive em Coral Gables, Miami.

LUGAR INCERTO 
A ex-ministra Erenice bem que poderia ajudar a PF a encontrar seus filhos Israel e Saulo, que ainda não foram notificados para depor. 

APOIO DE ROSSO VALE PROMESSA VAGA NO TC-DF 
A negociação que levou o governador Rogério Rosso a declarar apoio a Weslian Roriz, candidata ao governo do Distrito Federal, inclui a nomeação dele para o Tribunal de Contas. Há duas vagas no TC: uma de indicação da Câmara Legislativa e outra de escolha do governador – a que será aberta com a aposentadoria compulsória do Domingos Lamoglia, réu no inquérito 650, da operação Caixa de Pandora.

TOMA LÁ, DÁ CÁ 
O acordo é para Rogério Rosso não indicar ninguém e, assim, ganhar a indicação de Weslian Roriz, caso ela vença a eleição

TRILLER 
Na Paraíba, um candidato, Lindolfo Pires, usa músicas de Michael Jackson como jingle de campanha. Caiu no gosto das crianças.

SINAL VERMELHO 
No Piauí, dois dos senadores mais atuantes do País, Mão Santa (PSC) e Heráclito Fortes (DEM), correm o risco de não renovar os mandatos.

OBSCURANTISMO 
Durou uma eternidade – três dias! – a liminar de um desembargador do Tocantins censurando, na imprensa local, notícias do envolvimento do governador Carlos Gaguim num suposto afano de R$ 650 milhões.

ALÔ, CNJ 
Já passou da hora de o Conselho Nacional de Justiça proibir liminares impondo censura prévia à imprensa, em geral para proteger políticos pilhados em malfeitorias. E nem há a desculpa de “regime autoritário”.

INSEGURANÇA SEM FIM 
O Tribunal Regional Eleitoral do DF pode realizar uma sessão extra, sábado (2), para decidir se é válido o drible malandro de Joaquim Roriz, fazendo de sua mulher Weslian candidata ao governo.

ESPELHO MEU 
A revista Época confirma revelação desta coluna em 13 de maio: o ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio pediu à Polícia Federal para investigar suposto grampo em carros dos seus diretores.

MICO PERNAMBUCANO 
Pegou muito mal entre os eleitores de Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, o apoio por ele recebido de um vereador de Caruaru, Neguinho Teixeira, que andou uma temporada em cana.

FLAGRANTE 
No DF, a deputada distrital Eliana Pedrosa (DEM) representou no Tribunal Regional Eleitoral contra servidores que usam a Kombi placa JSP 5651, do próprio TRE. Ela os viu retirando sua propaganda, no Lago Sul, enquanto poupavam cartazes de outros três candidatos.

CASCATA NA TEVÊ 
Dilma disse na Record que o governo “valoriza servidores de carreira”. Técnicos em comunicação social do governo dizem que é mentira. O ministro Franklin Martins (Propaganda) nem aceitou discutir o assunto.

DEU BODE 
Ex-chefe de gabinete do ex-ministro Ciro Gomes, Oman Carneiro (PRB) fazia campanha para deputado na companhia de um bode, na região de Sobral, mas o Ibama proibiu o uso do bicho como cabo eleitoral. Oman o substituiu por um bode sintético.

SERPENTÁRIO EM DÚVIDA 
O Itamaraty está dividido na qualificação de seu chanceler: Celso Amorim seria uma megalonanico ou apenas um periquito de pirata? 

PODER SEM PUDOR 
ROLANDO O LERO E A MALÍCIA 
Citado como galanteador pela ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, o então chanceler Francisco Rezek apontou maliciosamente para o Ministério da Justiça, onde dias antes Jarbas Passarinho confessara estar apaixonado:
– Os ventos de Eros só sopram do lado de lá...
Dias depois, Rezek, o “Rolando Lero” (sempre prolixo), foi a uma reunião e ouviu o troco de Passarinho, que provocou gargalhadas:
– Espelhemo-nos no chanceler e sejamos sintéticos...

O CHEFE DA QUADRILHA

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Chávez perde maioria absoluta no Congresso

- Folha: Dilma cai em todas as regiões e crescem as chances de 2º turno

- Estadão: Chávez sai enfraquecido das urnas na Venezuela

- JB: Petrobras com 30% dos papéis, gera alta na bolsa

- Correio: Arruda: ‘Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa’

- Valor: Indústria se prepara para a forte demanda de Natal

- Estado de Minas: PF vai vigiar as eleições em 45 cidades de Minas

- Jornal do Commercio: A vez da Via Mangue

- Zero Hora: Escutas revelam mortes ordenadas das prisões

segunda-feira, setembro 27, 2010

REVISTA VEJA - O triângulo da corrupção


O triângulo da corrupção
REVISTA VEJA

Investigações mostram as ligações dos governadores do Tocantins, do Amapá e de Mato Grosso do Sul com quadrilhas acusadas de desviar fortunas dos cofres públicos. Ainda assim, os três mantém suas candidaturas à reeleição

Marcelo Sperandio, Júlia de Medeiros e André Vargas
Carlos Henrique Gaguim, governador do Tocantins
O governador Gaguim: no alvo das suspeitas
A edição de VEJA desta semana traz uma reportagem sobre a corrupção no Tocantins. O governador Carlos Gaguim mobilizou 30 policiais militares, armados com fuzis, para tentar impedir, na madrugada de sábado, a distribuição da revista no estado. A ordem era para apreender a revista no aeroporto. Não havia decisão judicial nenhuma autorizando a operação. Leia aqui, na íntegra, a reportagem que o governador queria impedir que chegasse às bancas
Nos anos 90, corria um boato — jamais provado — de que o entourage do então presidente Fernando Collor havia feito uma festa para comemorar o primeiro bilhão de dólares arrecadado pelos esquemas de corrupção de seu governo. Bilhão era, então, uma cifra factível apenas para peixes gordos, desses que habitam o 3º andar do Palácio do Planalto e adjacências. Vinte anos depois, bilhão virou meta de faturamento de chefetes de máfias regionais, como as que desfalcaram os cofres públicos nos estados mais novos da federação — Tocantins, Mato Grosso do Sul e Amapá. Nos três casos, as autoridades obtiveram provas de que a corrupa ocorria com a participação ou conivência dos respectivos governadores, todos candidatos à reeleição. “O governador (do Tocantins, Carlos Gaguim, do PMDB) disse que vamos fazer 1 bilhão de real”, relata o lobista Maurício Manduca, em conversa telefônica captada pela Polícia Federal. O português sofrível denota o nível do tal Manduca, que representava na Região Norte o empresário José Carlos Cepera. Proprietário de seis empresas de limpeza e segurança registradas em nome de laranjas, Cepera contava com a boa vontade de autoridades para vencer licitações superfaturadas no Tocantins — e também nas cidades paulistas de Campinas, Hortolândia, Mauá e Indaiatuba.
 Para os petistas, imprensa ideal é só aquela que elogia

O Ministério Público paulista descobriu que o grupo operava o esquema desde 2004, pelo menos. Segundo os promotores, o bando amealhou contratos fraudulentos com órgãos públicos que somam, no total, 615 milhões de reais. Uma única licitação, lançada pela Secretaria de Educação do Tocantins, responde por mais da metade do total: 332 milhões de reais. Os indícios de superfaturamento eram tão gritantes que logo foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Tocantins. Nem por isso Manduca, Cepera e o governador Gaguim deixaram de festejar a bandalha. Em 13 de março último, Cepera pagou um fim de semana cinco-estrelas para a turma em São Paulo. O empresário gastou 19 800 reais para comprar um camarote para sua patota assistir à corrida da Fórmula Indy na capital paulista. Hospedou Gaguim no luxuoso Unique Hotel, ofereceu-lhe um churrasco e deixou um helicóptero à sua disposição. Preocupou-se até em evitar que Gaguim, que deve seu nome ao fato de tartamudear, padecesse da solidão do homem contemporâneo na metrópole fria e impessoal. Mandou-lhe uma moça que se apresenta como Delinda e que, pouco antes, tinha feito uma visitinha a Manduca — que, pelo jeito, provou, aprovou, antes de passar adiante. No dia seguinte, Cepera telefonou a Gaguim para saber se ele tinha gostado do fim de semana. “A carne que o Manduca ofereceu estava boa ou ‘meia’ dura?”, indagou Cepera. Gaguim não titubeou: “Show de bola!”.
O governador merecia tantos mimos porque, segundo o lobista Manduca, havia prometido difundir o esquema de corrupção de Cepera por Tocantins inteiro. Para isso, eles precisavam, no entanto, terceirizar os serviços públicos do estado, hoje executados por 22 000 funcionários admitidos sem concurso. A brecha que permitiria o golpe foi aberta inadvertidamente pelo tucano Siqueira Campos, com quem Gaguim disputa a eleição estadual. Ao suspeitar de que essa massa de servidores iria fazer campanha para Gaguim, o candidato do PSDB fez uma consulta ao Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade da manutenção deles. Gaguim, na verdade, esperava que a corte determinasse a demissão de todos, o que levaria seu governo a terceirizar os serviços em regime de urgência. Os promotores paulistas que iniciaram a investigação, por causa de Cepera, descobriram que o plano fracassou porque a ministra Cármen Lúcia, relatora do caso no Supremo, decidiu dar uma chance aos servidores: no próximo ano, o estado realizará concursos para admiti-los.
A investigação dos promotores paulistas é apenas um dos problemas de Gaguim. O prefeito do município de Fortaleza do Tabocão, João Tabocão, diz que enviados do governador quiseram comprar seu apoio político por 300 000 reais. Em junho, Gaguim protagonizou, ainda, um episódio que configura compra de votos: distribuiu a eleitores 3 000 bicicletas. Todas são vermelhas, a cor da sua campanha e das camisas que ele usa. Há dois meses, antes de toda a avacalhação vir à tona, durante um encontro com fiéis evangélicos, o governador fez um mea-culpa que despertou curiosidade: “Sei o pecado que estou cometendo. Sou um desviado. Se o mundo acabasse hoje, eu iria para o inferno”. Resta saber se o governador será condenado nas urnas ou só no Juízo Final.

“Eu não consigo gastar 20 milhões de dólares” - Desbaratado pela Polícia Federal em 10 de setembro, o esquema de corrupção que tomou conta do Amapá foi inteiramente revelado na semana pas sada. Um dos elementos centrais da quadrilha, o governador Pedro Paulo Dias (PP), foi movido pela ganância... e pelo amor, e pela luxúria. Dias, que é casado, nutre uma paixão clandestina de dimensões amazônicas pela loira (falsa, claro) Lívia Bruna Gato, sua secretária de 27 anos. Dos telefonemas trocados por Dias e sua amante, gravados pela Polícia Federal, sobressaem detalhes do esquema de corrupção que envolvia também seu antecessor Waldez Góes (PDT), a ex-primeira-dama Marília Góes, o presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda, e outras treze pessoas. Juntos, eles surrupiaram 300 milhões de reais dos cofres públicos. O esquema começou a ser desvendado em agosto de 2009. Então, a Polícia Federal se debruçou sobre uma licitação da Secretaria de Educação para contratar por emergência uma empresa de segurança chamada Amapá Vip. A Polícia Federal entrou no caso porque a Amapá Vip foi paga com recursos da União. Descobriu-se que o governador Waldez Góes, hoje candidato ao Senado, recebia 500 000 reais mensais do contratado para fornecer refeições aos presídios. Também aquinhoado, o presidente do Tribunal de Contas comprou um jatinho, uma Ferrari, uma Maserati e outros três carros de luxo.
O governador Pedro Paulo pretendia, ainda, cobrar 30 milhões de dólares de um grupo indonésio chamado Salim, interessado em investir no estado na agricultura. Em troca, concederia benefícios aos asiáticos. Em um telefonema concupiscente disparado de Jacarta, onde foi negociar a propina, o político apaixonado relata o caso a Lívia Bruna: “Amor, 30 milhões de dólares para esses caras é nada. Por mais que eu gaste uma fortuna, eu não consigo gastar 20 milhões de dólares. Tu tá entendendo?”. Depois, passa a tratar de assuntos mais relevantes. “Minha vida, sabe o que eu quero levar para ti, do fundo do meu coração? Um óculos. Agora eu queria comprar um para ti, um da Armani. Deixa eu comprar?”, derrama-se o governador. Sua amante, que também foi presa, tinha papel essencial no desvio de verbas públicas. Participava das fraudes e era responsável pelo recebimento de propina. É a paixão, é o amor, é a luxúria.

A Máfia de Paletó - Por último, Mato Grosso do Sul. No início do mês, a Polícia Federal desarmou um esquema de corrupção que envolvia praticamente todas as autoridades de Dourados, a segunda maior cidade do estado. No dia 1º, foram presos o prefeito Ari Artuzi, seu vice, Carlos Cantor, onze dos doze vereadores e outros cinquenta políticos, servidores públicos e empresários. Com o desenrolar das investigações, autoridades do governo estadual e da Assembleia Legislativa sul-mato-grossense foram pegas no escândalo. Na semana passada, o caso também engolfou o governador André Puccinelli (PMDB) e seu antecessor e adversário Zeca do PT, que disputam o governo estadual. Os nomes de Puccinelli e Zeca do PT apareceram em uma conversa do deputado estadual Ary Rigo (PSDB) com o principal denunciante da quadrilha, o ex-secretário de Governo de Dourados Eleandro Passaia. Na conversa, registrada em vídeo, Rigo conta que tanto Puccinelli quanto Zeca eram beneficiados por empreiteiras. Na gravação, Rigo diz ainda que Puccinelli se apropriou de 6 milhões de reais da Assembleia Legislativa. Segundo o deputado tucano, os desembargadores e promotores também recebiam propina. Os magistrados recebiam 900.000 reais, e os promotores, 300 000 reais. Rigo não esclarece a periodicidade dos pagamentos. Zeca do PT negou qualquer participação. Puccinelli veio a público para dizer que tudo era mentira, que a lei o amparava etc.
Eleandro Passaia decidiu implodir a quadrilha depois de ser abordado pela Polícia Federal. Para não ser preso e evitar responder a um processo criminal, ele fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público estadual. Por quatro meses, não só coletou provas da corrupção na sua cidade e no estado como filmou os envolvidos no esquema com uma microcâmera fornecida pela Polícia Federal. Os documentos e as conversas registradas por Passaia mostram, por exemplo, que sua quadrilha abocanhava 10% de todos os contratos firmados pela prefeitura de Dourados, o que produzia uma receita mensal de 500.000 reais. O prefeito Artuzi ficava com a parte do leão e distribuía o restante entre os demais envolvidos. Uma vez fora do esquema, o delator Passaia arranjou outra forma de ganhar dinheiro: escreveu um livro relatando as podridões de seu bando, cujo título é A Máfia de Paletó. O amigo da onça descreve somente as fraudes cometidas na região do Pantanal.

MARCO ANTONIO ROCHA


Como foi mesmo esse maior negócio do mundo?
Marco Antonio Rocha
O Estado de S. Paulo - 27/09/2010

Tendo o presidente Lula proclamado que a capitalização da Petrobrás foi "o maior negócio da história do capitalismo mundial", é obrigatório que a gente se debruce sobre o assunto. Ele deve saber o que diz, pois, como ex-sindicalista, conhece profundamente a história do capitalismo, apesar de sabermos da sua conhecida tendência de hiperdimensionar quase tudo o que ocorre no seu governo e subdimensionar quase tudo o que ocorreu nos governos dos outros - desde a invenção da República moderna.

É necessário, por isso, ir atrás de detalhes de acontecimento tão importante para a maioria dos brasileiros, principalmente para os que são, ou pretendem ser, acionistas da "segunda maior petroleira do mundo", conforme trombetearam jornais com base nos R$ 120 bilhões alegadamente arrecadados na oferta de ações da gigantesca financiadora da propaganda de si mesma e do governo nos canais de televisão, nas rádios e na imprensa em geral. Aliás, é sempre oportuno lembrar que, se a Petrobrás reduzisse um pouco esses gastos não tão necessários - uma vez que não tem nenhum competidor no Brasil -, talvez pudesse vender um pouco mais barato seus combustíveis e insumos, em benefício do conjunto da economia. Mas esse é um tema para outra ocasião.

No momento o grande esforço de qualquer jornalista deve ser no sentido de explicar em linguagem inteligível a formidável capitalização da Petrobrás.

É o seguinte: dos R$ 120 bilhões, um pouco mais de R$ 74 bilhões vieram, ou virão, do setor público (Tesouro, BNDES, Caixa, Banco do Brasil, fundos de pensão de funcionários, etc.). O restante, que de fato representa dinheiro em caixa, sai do setor privado (nacional ou estrangeiro, bancos, fundos, empresas, pessoas físicas, etc.).

Aqueles R$ 74 bilhões do setor público equivalem à "cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo" que a União, maior acionista da Petrobrás, detém como dona de uma parcela do petróleo descoberto pela empresa, no pré-sal ou fora dele. Então, a União como que empresta para a Petrobrás os 5 bilhões de barris da sua parte no petróleo, que passam a integrar o capital da Petrobrás. Com o capital assim aumentado, a relação dívida/patrimônio da empresa - que já estava mais ou menos no limite, dificultando que a Petrobrás tomasse empréstimos para explorar o pré-sal - melhora, elevando o potencial de endividamento de empresa.

Mas esse empréstimo virtual, de 5 bilhões de barris de petróleo que estão no fundo do poço, se materializa num empréstimo real de R$ 74 bilhões em títulos do governo, que a Petrobrás pagará ao longo dos anos, à medida que for vendendo os barris de petróleo ou apurando mais lucros do que hoje em dia.

Bom, essa é a operação em si, contada pelo governo e pelos jornais. E, caros leitores, é uma história que decorei para contar aos leitores - repetindo o que diz meu colega Rolf Kuntz. Mas ficarei embaraçado se me perguntarem se entendi.

Sim, porque há coisas que não estão explicadas direito ou só poderão ser explicadas quando forem desvendadas e exploradas as tais reservas do pré-sal.

Uma delas é como foi que se chegou à conclusão de que os 5 bilhões de barris da tal "cessão onerosa" valem R$ 74 bilhões. Firmas de consultoria estimaram o preço dos barris entre US$ 5 e US$ 12, o que na média dá US$ 8,5 - que, multiplicado por 5 bilhões, dá US$ 42,5 bilhões ou mais ou menos os tais R$ 74 bilhões, com o dólar, digamos, a R$ 1,74. Mas houve um outro cálculo que levou em conta a quantidade e os preços do petróleo que haveria em cada uma das seis áreas a serem exploradas e cuja média ponderada daria US$ 8,51 o barril, curiosamente, quase a mesma coisa da estimativa feita pela média aritmética simples. Mas tanto num caso quanto no outro o preço é pura ficção.

É que nas sete áreas de reservas marítimas que justificaram a gigantesca engenharia financeira só foi feito um furo até agora, cabendo então perguntar: qual a garantia de que dali se poderá extrair os 5 bilhões de barris que a Petrobrás "comprou" da União na operação, mais os que serão propriedade dela?

Finalmente, há que mencionar as nebulosas condições de exploração do pré-sal: quem disse que tirar petróleo de 8 mil metros de profundidade terá custos suportáveis pelos preços por que se consegue vendê-lo? Quem disse que os desafios tecnológicos já estão todos resolvidos, mesmo que a Petrobrás seja especialista em águas profundas? Quem disse que os riscos do empreendimento são previsíveis, depois do que aconteceu no Golfo do México? Quem disse que vai ser fácil e barato encontrar seguradoras para arcar com esses riscos?

Tantas incertezas deveriam afastar, e não atrair, investidores privados. Mas é que não são investidores. São jogadores do cassino financeiro moderno. E, no momento, só estava aberta no salão a "mesa" Petrobrás. Amanhã irão para outra.

Quanto ao maior negócio da história do capitalismo mundial, foi o dinheirinho de fretamento do Mayflower, o navio que levou um punhado de ingleses para a Nova Inglaterra, nos EUA, e que deu, de "lucro", a mais pujante economia do planeta.

MÔNICA BERGAMO

LONGA ESPERA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/09/10

Dez anos depois da morte da jornalista Sandra Gomide, os pais dela, João e Leonilda Gomide, estão prestes a receber indenização de R$ 300 mil de Pimenta Neves, que a assassinou com dois tiros, um deles pelas costas. Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de SP votaram a favor da família da vítima. Um terceiro, que será o último a dar o seu veredicto, pediu mais tempo para analisar a causa. O placar, no entanto, já garante maioria aos pais.

FUMACEIRA
O Ministério Público vai chamar o secretário do Verde da capital, Eduardo Jorge, para negociar alterações no contrato da pasta com a Controlar, que realiza a inspeção veicular em SP. A Promotoria contesta o fato de a empresa não entregar um laudo para quem tem o veículo rejeitado na primeira fase da verificação, uma checagem visual do motor, da fumaça e de vazamentos. Os carros são dispensados antes de fazer o teste de emissão de gases e podem continuar poluindo sem que o dono saiba quais as causas do problema.

SELO DE GASOLINA
O MP também vai defender que os veículos sejam abastecidos com o mesmo combustível que foi usado para calibrar as máquinas da inspeção, para evitar distorções no resultado. "Se o governo não garante a qualidade do combustível vendido nas ruas, como vai exigir os parâmetros da verificação?", diz o promotor Silvio Oyama. Sua ideia é que a prefeitura homologue postos com gasolina certificada pela Controlar ou forneça o combustível na hora da inspeção.

NÚMERO UM
O DJ e produtor chileno-alemão Ricardo Villalobos, superastro do minimal tecno e número um do mundo no ranking 2008 da Resident Advisor, vem ao Brasil em janeiro. Ele se apresenta no dia 18, na D-Edge, em SP.

ASAS DO DESEJO
E o cineasta Wim Wenders estará no Brasil, no dia 20 de outubro, para a abertura da exposição "Lugares Estranhos e Calmos", no Masp. A mostra terá fotos tiradas pelo diretor alemão, inclusive da cidade de São Paulo, onde ele esteve em 2008.

ENTRE AMIGOS
José Yunes e sua mulher, Celia, reuniram amigos para comemorar o aniversário dos advogados Paulo Henrique Lucon, Rui Fragoso e do candidato a vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que fez 70 anos e levou a família para a festa. O anfitrião e o trio fazem parte de um grupo de duas dezenas de advogados e juízes que se reúne religiosamente para almoçar às sextas-feiras.

SEM CAMISA
A boate gay The Week terá um parque aquático em Juquitiba, no interior de SP, para realizar festas no verão. A estreia do "Acqua Play" será no dia 14 de novembro, com show da cantora Wanessa.

CIRCULADÔ
Caetano Veloso e Jaques Morelenbaum farão hoje videoperformance na exposição "Veiled Threats", do israelense Izhar Patkin, no Centro da Cultura Judaica. Eles ficarão dentro da obra "Violins", uma sala com paredes revestidas com pinturas em tule, recitando poemas que inspiraram a criação do artista. A direção é de Fernando Grostein Andrade.

REIS DO GOGÓ
A versão brasileira do musical "Mamma Mia!", baseado nas canções do grupo Abba, terá como protagonistas Rachel Ripani, Kiara Sasso, Pati Amoroso e Saulo Vasconcelos. O espetáculo estreia em novembro.

RITA LEE: "JÁ PEDI PERDÃO DE JOELHOS"


Ao comentar a escolha de Itaquera para abrigar o estádio do Corinthians, Rita Lee disse no Twitter: "Para quem não conhece, Itaquera é o c... de onde sai a bosta do cavalo do bandido". A mensagem repercutiu e apareceu no "Fantástico". A cantora disse que foi ameaçada e deixou o Twitter. Depois, voltou. Ela falou por e-mail à coluna:


Folha - O que achou da frase sobre Itaquera parar na TV?
Rita Lee - Disse merda e recebi merda de volta. Com relação ao "Fantástico", me convidaram para gravar "Repórter por Um Dia" em Itaquera e recusei, porque não sou boba. A última vez que participei do programa foi numa entrevista sobre maus tratos de animais. Fui processada pela "tchurma" de Barretos. Ganhei nas duas instâncias, mas foi um saco não poder fazer meus discursinhos. Estou sabendo que o jornalismo do "Fantástico" quis se vingar jogando gasolina no fogo. É duro ser cigarra no meio de formigueiros. [A assessoria do "Fantástico" diz que "não existe vingança"."Ela fez um comentário público e reproduzimos."]

Qual a pior ameaça recebida?
Uma bala na cabeça foi o mais bonzinho. O pior foram ameaças de morte à família.

Continua corintiana?
Eu já pedi perdão de joelhos a Itaquera, sei quando faço uma cagada homérica, mas jamais disse algo desprezível sobre o Corinthians! Acho mesmo é que o novo estádio será uma baita de uma roubalheira sem tamanho. Por que voltou ao Twitter?
Os amiguinhos tuiteiros me pediram pra voltar. E me divirto pra "carai". Meu mestre João Gilberto me disse que nessas alturas do campeonato posso dizer o que bem entendo, quando bem entendo. Sou apenas o gafanhoto...
Você tuita muito sobre a novela "Passione". Qual o segredo de Gerson?
Primeiro pensei que Gerson nutria um tesão por Mauro desde a infância. Instalou uma câmera escondida no banheiro do outro e ficava espiando pelo computador. Depois, que tinha tesão em ver gente estraçalhada em desastre, tipo Lady Di. Agora, acho que tem tesão pelo computador, um "Macintófilo".

CURTO-CIRCUITO
A exposição "Herança Compartilhada" será inaugurada hoje, às 18h30, no Museu da Língua Portuguesa.
A mostra "Guloseimas", de Suzana Gasparian, começa hoje na Maria Brigadeiro.
O músico Duani faz show amanhã, às 21h, na choperia do Sesc Pompeia. 12 anos.
O 1º Prêmio de Música Digital acontece no dia 23 de novembro, no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.
com DIÓGENES CAMPANHA, LEANDRO NOMURA e LÍGIA MESQUITA

GOSTOSA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

De cima para baixo 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 27/09/2010

Decidida por um círculo restrito da cúpula da campanha de Dilma Rousseff, a entrada com ação no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a exigência de apresentação de documento com foto, além do título de eleitor, na hora de votar, divide opiniões.
Alijada da discussão, uma ala do partido, que votou em peso no Congresso a favor da nova regra, acredita que a campanha comprou uma briga desnecessária, pois a influência da exigência no resultado das urnas seria praticamente nula. Expressa ontem, a reação do DEM a favor da manutenção da regra deu novo argumento à turma do deixa disso.


Ruído De um tucano, ao ouvir a candidata do PT dizer que a exigência do segundo documento "vai cercear o direito de votar": "Ué, mas o Lula não sancionou a lei? A eleição nem terminou e a Dilma já está discordando dele publicamente?".

Melhor não Um telespectador notou que, nos últimos dias, o segmento biográfico da propaganda televisiva de Dilma continua a exaltar o papel da ex-ministra na coordenação das ações do governo, mas sem mencionar o termo "Casa Civil".

Concessões 1 Ao pedir voto para o correligionário tucano Antonio Anastasia no trecho final de seu programa de sexta-feira passada, dirigindo-se a eleitores mineiros que vivem perto da fronteira com São Paulo e por isso assistem ao horário eleitoral do Estado, Geraldo Alckmin atendeu a um antigo pedido de Aécio Neves.

Concessões 2 O depoimento de Alckmin foi ao ar uma semana após José Serra, depois de um mês de repetidos apelos, aparecer na propaganda da dupla Aécio-Anastasia em Minas.

No colo Em meio à especulação sobre sua possível saída do PSDB, Aécio Neves sabe que só não será presidente do partido em 2011 se não quiser, caso José Serra perca a disputa pelo Palácio do Planalto. O mineiro ainda conta com a opção de indicar alguém de sua confiança.

Fadiga O atual presidente, Sérgio Guerra, se movimenta para manter o posto. Mas, na esteira do desgaste produzido pela campanha nacional tucana, pouca gente acha que isso seja viável.

Rindo à toa Caso Tiririca se eleja deputado federal com 900 mil votos, como projeta o Datafolha, sua candidatura terá sido um excelente investimento para o PR. A legenda, que injetou R$ 516 mil na campanha do palhaço, poderá arrecadar até R$ 7,7 milhões em quatro anos, via fundo partidário.

Alô, presidente Em mensagem telefônica endereçada aos paulistas, Lula pede votos para João Paulo Cunha, que busca a reeleição e deverá ter um dos melhores desempenhos entre os candidatos do PT de SP.

Sumiu A depender da apreciação pelo TSE, os votos destinados a tradicionais recordistas indeferidos em São Paulo, como Paulo Maluf (PP), Beto Mansur (PP) e Francisco Rossi (PMDB), serão computados como nulos no próximo domingo. Eles só aparecerão na totalização caso sejam revertidas as decisões da Justiça.

Zona de perigo A crer nas mais recentes projeções de composição de bancadas na Câmara, baseadas em sondagens eleitorais, Arnaldo Faria de Sá (PTB), dono da maior série de mandatos consecutivos por São Paulo, corre o risco de não se reeleger para o que seria sua sétima legislatura. Ele é apenas o quinto mais citado de seu partido, que deve fazer dois deputados federais.

Tiroteio

"O pior é que nada disso seria inédito. Já vimos esse filme nas eleições de 2002."


DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), relacionando a acusação de que esquema de tráfico de influência na Casa Civil utilizaria, para pagamentos, duas contas bancárias no exterior, com o uso do expediente para acertar contas de "caixa dois" na primeira eleição de Lula.
Contraponto

Troca de turno

Certa manhã de 2008, quando era secretário de Desenvolvimento, Alberto Goldman encontrou às 5h, em seu computador, um e-mail em que o então governador José Serra lhe pedia dados sobre a expansão do Centro Paula Souza, responsável pelo ensino técnico.
Diante da rapidez da resposta, Serra, que ainda não tinha ido dormir, retrucou, em inglês:
-Goldman, você ainda não foi pra cama?
A resposta entrou em instantes:
-Não, eu já acordei. Mas não sabia que você se comunicava em inglês nas madrugadas. Good morning!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Cooperativas de varejo se unem para ganhar escala 
Maria Cristina Frias 

Folha de S.Paulo - 27/09/2010

Cooperativas de consumo, que atuam em sistema de supermercados, assinaram acordo para constituir uma central de negócios.
Com a união, a ideia é ganhar musculatura para ter poder de barganha com fornecedores e negociar preços mais baratos, assim como as grandes cadeias de supermercados conseguem fazer.
A central também quer ganhar escala para alcançar o mercado externo, que as cooperativas de pequeno porte não são capazes de acessar, segundo Marcio do Valle, vice-presidente da maior cooperativa de consumo, a Coop -que ocupa o 12ª lugar no ranking de supermercados da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados).
"Também teremos que oferecer contrapartidas, talvez de logística, aos fornecedores. Mas só de ter escala maior já encontraremos melhores oportunidades de negócios", afirma Valle.
A central, que deve começar a operar no início de 2011, já abrange cooperativas de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, que registraram juntas R$ 2 bilhões de faturamento anual em 2009.
Outra meta é a integração de projetos de marketing e tecnologia, segundo Edivaldo Del Grande, presidente da Ocesp (Organização das cooperativas de São Paulo).
"A primeira ideia é reduzir o custo operacional das cooperativas. Mas também podem ser desenvolvidos projetos de tecnologia, marketing, padronização de identidade visual e marca", diz Grande.

SOCIEDADES NOS MERCADOS

128 são as cooperativas de consumo no Brasil

R$ 2,4 bilhões foi o faturamento de 2009

2,3 milhões é número de associados às cooperativas de consumo

Fonte: OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras)

SOM NA CAIXA
Com US$ 100 milhões investidos no Brasil desde junho, a multinacional do setor de áudio Harman faz neste mês no país seu maior lançamento no mundo.
Serão mais de cem produtos profissionais e automotivos. Entre eles, a primeira linha de alto-falantes da marca americana JBL que começam a ser fabricados no Brasil.
O grupo quer transformar as fábricas da empresa no Brasil em centro tecnológico para desenvolver produtos em conjunto com a Harman americana e exportar.
A grande proporção de lançamentos que ocorre agora se deve à compra, há alguns meses, da brasileira Selenium, por US$ 75 milhões, segundo Rodrigo Kniest, presidente da Harman do Brasil.
"Como o portfólio deles tem mais de 4.000 produtos, selecionamos alguns agora e traremos outros em breve", afirma.

TECNOLOGIA NO CELULAR
O mercado de telefonia móvel está aquecido. A receita líquida do setor deve crescer 7% no final do ano, para R$ 54 bilhões, segundo projeções da consultoria Lafis.
O aumento das vendas de produtos de tecnologia avançada e de serviços de maior valor agregado, além da elevação da renda do consumidor, deve alavancar a receita das empresas.
"Para 2011 e 2012, a banda larga 3G continuará a ser o serviço mais promissor para as operadoras e a grande aposta para continuar crescendo, sobretudo, apoiadas nas vendas de smartphones", afirma Bruno Sávio Nogueira, analista da Lafis.
A cada 100 habitantes, 98 têm um número de celular no país, segundo dados da Anatel, de agosto.
Foram habilitadas 2,4 milhões de linhas no mês passado, totalizando 189,4 milhões de celulares.

Risco... Mais de 90% dos pedidos de patentes feitos por brasileiros no Inpi podem ter tecnologia copiada no exterior. A patente tem validade nacional e depositantes esquecem de solicitar a proteção no exterior.

...de cópia O Inpi e o Escritório dos EUA de Marcas e Patentes farão apresentações para mostrar a brasileiros como solicitar patentes e marcas. O evento ocorrerá em Brasília, Belo Horizonte e SP, de 6 a 8 de outubro.

Blitz... A Infraero contratará empresa para coletar dados de vendas e serviços nas lojas dos aeroportos de Congonhas e Guarulhos (SP). O objetivo é levantar o faturamento dos concessionários. Propostas serão recebidas até quarta.

...no faturamento O levantamento subsidiará as negociações dos contratos e identificará os motivos das vendas perdidas, segundo o edital. A fiscalização ocorrerá em uma loja de cada aeroporto por mês, durante três meses.

DOS DOIS LADOS
Além das grandes negociações, o país tem visto um grande volume de transações de empresas médias, foco da firma de investimento Hunter Wise Financial Group LLC, com sede na California. O diretor-executivo Anthony Hussain, veio ao Brasil ver de perto o "middle market" local (com faturamento entre US$ 50 milhões e US$ 500 milhões).
Hussain observou o interesse não apenas das companhias americanas no Brasil, como das brasileiras em se internacionalizarem.
O executivo participou de um seminário do escritório Azevedo Sette, que abordou diversas formas de acesso a capital nos EUA, como fundos específicos para aquisição de empresas, emissão de dívida e mecanismos financeiros sofisticados.
"Tenho dito [a americanos] que não verão oportunidades como as do país novamente em suas vidas", afirma. "Mas há muito o que aprender dos dois lados, lá e aqui, em relação à estrutura de governança corporativa. Quando avaliarem uma empresa no Brasil, isso deve ser levado em conta."

VOTE

ANCELMO GÓIS

Um grande negócio 
Ancelmo Góis 

O Globo - 27/09/2010

O espírita “Nosso Lar”, já visto por 3 milhões de pessoas, é um caso raro de filme brasileiro que está dando lucro, quase sem dinheiro público.

Os R$ 20 milhões gastos vieram do banco BRJ e de outros investidores. Só a distribuidora Fox Filmes usou incentivos. Até agora, o filme faturou uns R$ 25 milhões, sem falar que depois vêm DVD, pay-per-view, TV por assinatura, TV aberta e mercado internacional.

Mas...

Até os liberais EUA matam e morrem para ajudar a indústria local de cinema e sua cultura

Calma, gente

Uma das belezas do Brasil é sua tolerância religiosa. Mas ontem, na missa das 10h30m da Igreja da Ressurreição, no Rio, o padre José Roberto, indignado, pediu a um coroinha, de uns oito anos, que contasse aos fiéis o que ouviu na escola.

Missa que segue...

Segundo o menino, aluno de uma escola municipal, sua professora teria dito que todos estavam proibidos de aceitar balas e doces de São Cosme e São Damião porque “são coisas do diabo e que quem desobedecesse teria dor de barriga”. Que horror

Clausura digital

Por falar em Igreja, a Internet ameaça o jornal de papel (valhame, Deus) e a... clausura religiosa.

Outro dia, o deputado Otávio Leite teve permissão para falar às irmãs Clarissas que vivem enclausuradas no Mosteiro de N. S.

dos Anjos, na Gávea, no Rio.

No final, uma das irmãs lhe entregou e-mail para contato.

Sem ex-BBB

A diretoria da Caprichosos de Pilares é má que nem pica-pau.

Decidiu proibir a presença de “celebridades” como destaque da querida escola de samba carioca. Ex-BBBs nem pensar.

Só gente da comunidade, escolhida por concurso.

SÓ DE OLHAR já dá para perceber que o Mirante Guarany, no Alto da Serra de Teresópolis, merece uma baita restauração. A construção neoclássica de 1929/1930 é um dos principais monumentos artísticos da região. Mas acabou deteriorada pelo tempo e pela ação dos vândalos, que cobriram o mirante de pichações e destruíram parte dos seus azulejos. Agora, veja que legal, a Secretaria estadual de Obras, a prefeitura local e o Inepac acertaram com o dono do terreno uma reforma. Já começou uma busca por restauradores capazes de recuperar os painéis de azulejos de Jorge Colaço, que aliás contam histórias da mitologia indígena. Vamos torcer, vamos cobrar

São Francisco

A encrenca em que se meteu o monsenhor Abílio, 77 anos, que foi detido quando ia viajar com C 53 mil não declarados, abortou, acredite, o projeto de restauração da vetusta Igreja de São Francisco de Paula, no Largo de São Francisco, no Rio.

É que o templo, cuja construção foi iniciada em 1759, é administrado pelo monsenhor.

Eu explico...

O Iphan, que ia custear o projeto para restauração da igreja, resolveu sustar a verba. O órgão ficou impressionado com as notícias de que o monsenhor administrava uma boa grana, como o aluguel que a Rede D’Or paga pelo imóvel onde funciona sua unidade da Quinta.

O que diz o Iphan

Diante disso, diz Carlos Fernando Andrade, superintendente do Iphan-RJ, “encaminhamos o assunto à Procuradoria e destinaremos a verba do projeto da Igreja de São Francisco a outro monumento, desprovido de recursos”.

É. Pode ser.
O Pescador

Hoje, a diretoria do Iate Clube do Rio de Janeiro vai dar queixa na Polícia do Rio do sumiço do quadro “O Pescador” (na foto), de Djanira, que fazia parte do patrimônio do clube.

Sumiu...

É que ao assumir, em abril, a nova direção do Iate fez um inventário de bens do clube e concluiu pela falta de “O Pescador”.

“Dado o valor do quadro de Djanira, chamaremos a polícia”, diz Jomar Pereira da Silva, diretor secretário do clube de bacanas.

Cabe todo mundo

Marcelo Cerqueira, candidato ao Senado pelo PPS, fez uma espécie de carta aberta a Lula em que diz que o Brasil é grande e que “nele cabemos todos nós”.

Voltou a elogiar o governo FH, lembrou que Itamar implantou o Real e que Lula ampliou a rede social de proteção. Mas, segundo ele, sem desmerecer os outros, é a hora de Serra, “por sua experiência e honradez”.

Estrela brilhante

O astrônomo Ronaldo Mourão informa: ao anoitecer nesta semana o planeta Júpiter estará nas melhores condições de observação desde 1963.

— Não se deve perder a oportunidade de ver o maior planeta do sistema solar, no seu máximo brilho, pois condições semelhantes novamente só em 2022.